Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
7473953 #
Numero do processo: 15504.020586/2009-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando comprovado não ter o acórdão apreciado questão trazida em sede de contrarrazões acerca do conhecimento do recurso. CONHECIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DA CÓPIA INTEGRAL DO ACÓRDÃO PARADIGMA. ART,. 67, §9º DO RICARF. POSSIBILIDADE. REPRODUÇÃO DA EMENTA INTEGRAL. Não se vislumbra o descumprimento do requisito previsto no §9º do art,. 67 do RICARF de apresentação da inteiro teor do acórdão paradigma, quando as ementas forem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.
Numero da decisão: 9202-007.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado no Acórdão nº 9202-006.245, de 29/11/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201808

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando comprovado não ter o acórdão apreciado questão trazida em sede de contrarrazões acerca do conhecimento do recurso. CONHECIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DA CÓPIA INTEGRAL DO ACÓRDÃO PARADIGMA. ART,. 67, §9º DO RICARF. POSSIBILIDADE. REPRODUÇÃO DA EMENTA INTEGRAL. Não se vislumbra o descumprimento do requisito previsto no §9º do art,. 67 do RICARF de apresentação da inteiro teor do acórdão paradigma, quando as ementas forem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 15504.020586/2009-71

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5918591

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9202-007.139

nome_arquivo_s : Decisao_15504020586200971.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 15504020586200971_5918591.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado no Acórdão nº 9202-006.245, de 29/11/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018

id : 7473953

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870057271296

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  15504.020586/2009­71  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  9202­007.139  –  2ª Turma   Sessão de  28 de agosto de 2018  Matéria  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ RETROATIVIDADE BENIGNA  Embargante  TELEMIG CELULAR SA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.  Devem  ser  acolhidos  os  embargos  de  declaração  para  sanar  a  omissão  apontada,  quando  comprovado  não  ter  o  acórdão  apreciado  questão  trazida  em sede de contrarrazões acerca do conhecimento do recurso.  CONHECIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DA CÓPIA INTEGRAL DO  ACÓRDÃO PARADIGMA. ART,. 67, §9º DO RICARF. POSSIBILIDADE.  REPRODUÇÃO DA EMENTA INTEGRAL.  Não se vislumbra o descumprimento do requisito previsto no §9º do art,. 67  do RICARF de apresentação da inteiro teor do acórdão paradigma, quando as  ementas  forem  reproduzidas  no  corpo  do  recurso,  desde  que  na  sua  integralidade.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  e  acolher  os  Embargos  de  Declaração  para  sanar  o  vício  apontado  no  Acórdão  nº  9202­ 006.245,  de  29/11/2017,  sem  efeitos  infringentes,  mantendo­se  inalterado  o  resultado  do  julgamento.    (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 86 /2 00 9- 71 Fl. 765DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Patricia  da  Silva,  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa,  Ana  Paula  Fernandes,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho  (suplente  convocado),  Ana  Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.     Relatório  Trata­se de Embargos de Declaração, fl. 749/754, opostos pelo Contribuinte,  com  fulcro  no  art.  65  e  seguintes  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra  o  Acórdão  nº  9202­006.245  (fls.  724/737),  este  julgado  na  sessão  plenária  de  29/11/2017,  assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  SEGURADOS.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO DADA  PELA MP  449/2008,  CONVETIDA NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB  Nº  14  DE  04  DE  DEZEMBRO DE 2009.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco a  simples comparação entre dispositivos, percentuais  e  limites.  É  necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  que  sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com  a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais  benéfico para o sujeito passivo.  No  intuito  de  contextualizar  a  apreciação  dos  presentes  embargos  por  esse  colegiado, transcrevo, na integra, o relatório do acórdão embargado de minha própria relatoria,  meu  voto  que  foi  vencedor,  e  o  complemento  com  os  argumentos  do  Contribuinte  nos  Embargos de Declaração opostos.  Relatório do acórdão embargado de minha relatoria:  “Trata­se  de  auto  de  infração,  DEBCAD:  37.217.4116,  lavrado  contra  o  contribuinte identificado acima, no valor total de R$ 2.702.178,29 (dois milhões, setecentos e  dois mil,  cento  e  setenta  e  oito  reais  e  vinte  e  nove  centavos),  referente  à  contribuição  dos  segurados,  cujo  lançamento  é decorrente de  divergências  entre  as  folhas  de  pagamento,  em  arquivos  digitais  em  leiaut MANAD,  e as Guias  de Recolhimento  do Fundo de Garantia  do  Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 3          3 Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  –  GFIP’s  entregues  no  período  de  01/2004 a 13/2005.  Na aplicação da multa, foi observada a mais benéfica, conforme alínea “c”  do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25 de outubro de  1966),  em  razão  das  alterações  na  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  pela  Medida  Provisória nº 449, de 4 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de  2009. O comparativo de multa encontra­se às fls. 28/29.  A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG  julgado  a  impugnação  procedente  em  parte,  mantendo em parte o crédito tributário.  Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/07/2014, foi dado provimento  parcial ao Recurso Voluntário, prolatando­se o Acórdão nº 2302003.248 (fls. 666/676), com o  seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Por  unanimidade  de  votos  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  reconhecendo a decadência das competências de 01/2004 a 11/2004,  inclusive, por  força da  aplicação do art.  150, § 4°,  do Código Tributário Nacional. Por  voto de qualidade,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  devendo  a  multa  aplicada  ser  calculada  considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º  9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou  seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles  do  Amaral,  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz  e  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes,  por  entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das  disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º  449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96)”. O acórdão encontra­se assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRAZO  DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO  NO  CASO  CONCRETO.  ART.  150,  §  4°,  DO  CTN.  SÚMULA  CARF Nº 99.  Se  a  definição  legal  do  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  da  empresa  apóia­se  na  totalidade  da  remuneração no decorrer do mês  (art.  22,  I,  II  e  III,  da Lei n°  8.212/1991),  consequentemente,  todo  e  qualquer  pagamento  acaba por se  referir à  totalidade no mês, e não àquela  rubrica  ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação  de  pagamento,  atrai­se,  para  toda  aquela  competência,  para  todo  aquele  fato  gerador,  a  aplicação do  parágrafo 4º,  do  art.  150  do CTN,  independentemente  da  rubrica  ou  levantamento  a  que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude  ou sonegação.  Destarte,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  Fl. 767DF CARF MF     4 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração. Súmula CARF nº 99.  MULTA DE OFÍCIO. ART. 35­A DA LEI Nº 8.212/91.  As  multas  previstas  anteriormente  no  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91  ostentavam  natureza  mista,  punindo  a  mora  e  a  necessidade  de  atuação  de  ofício  do  aparato  estatal  (multa  de  ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados  com  as  disposições  hoje  contidas  no  artigo  35­A  da  Lei  n°  8.212/91,  para  fins  de  apuração  da  multa  mais  benéfica  (art.  106,  II,  c  do  CTN).  Para  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  alteração legislativa, aplicam­se as multas então estipuladas no  artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.  Recurso de Ofício Negado  Recurso Voluntário Provido em Parte  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional,  em  29/08/2014  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 16/09/2014, Recurso Especial (fls. 677/688).  Em  seu  recurso  visa  a  reforma do  acórdão  recorrido  em  relação ao  cálculo  da multa mais  benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória.  Ao Recurso Especial  foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª  Câmara, de 25/04/2016 (fls. 689/694).  O  recorrente,  em  suas  alegações,  requer  seja  dado  total  provimento  ao  presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação  do art. 35, inciso II, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35­A, do mesmo diploma legal,  para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do  julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV,  da norma revogada) ou a do art. 35­A da MP nº 449/2008.  Cientificado do Acórdão nº 2302­003.248, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional  e  do Despacho de Admissibilidade  admitindo  o Resp  da PGFN,  em 18/08/2016,  o  contribuinte  apresentou,  em  31/08/2016,  portanto,  tempestivamente,  contrarrazões  (fls.  706/720).  Em  suas  contrarrazões,  o  contribuinte  alega,  preliminarmente,  que  o  Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido pois os acórdãos apresentados  como paradigmas não possuem similaridade  fática com o caso dos presentes autos, além do  que, carece de prequestionamento.  Diz  que  para  a  apuração  da  penalidade  “mais  benéfica”  a  Fazenda  Nacional  entendeu que  a multa prevista no art.  44,  I,  da Lei nº 9.430/96,  cuja aplicação  se  encontra prevista atualmente também para as contribuições previdenciárias, por força do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  deve  ser  comparada  com  a  soma  das  obrigações  principais  e  acessórias,  então  previstas  nos  arts.  32,  IV  e  35,  II,  da  Lei  nº  8.212/91,  apurando­se  o  percentual de 75%; contudo, essa sistemática adotada resulta na negativa da aplicação das  penalidades  efetivamente  mais  benéfica,  já  que  a  multa  aplicada  no  acórdão  recorrido  representa o percentual de 50% incidente sobre o valor do  imposto, o que é,  evidentemente,  mais  benéfico,  principalmente  levando­se  em  consideração  que  o  presente  feito  objetiva­se  punir  apenas  a  obrigação  principal,  havendo  processo  administrativo  específico  para  a  cobrança de multa sobre o descumprimento de obrigações acessórias (15504.020583/200938).  Afirma que o acórdão paradigma equivoca­se ao manter a multa resultante  do somatório das penalidades previstas nos arts. 32, IV e 35, II, da Lei nº 8.212/91, haja vista  Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 4          5 se  tratarem  de  penalidades  que  possuem  naturezas  jurídicas  completamente  diversas;  e  acrescenta:  “ainda  que  se  entenda  que  a  multa  de  mora  até  então  prevista  na  legislação  possuía  natureza  de  multa  de  ofício,  passível  de  se  confrontada  com  a  multa  de  ofício  atualmente prevista no art. 44 a Lei nº 9.430/96, tal comparação deve envolver apenas essas  penalidades, não sendo viável ou  justificável a  soma daquela primeira com a então prevista  para os casos de descumprimento de obrigação acessória”.  Ressalta que a MP nº 449/08, além de revogar a penalidade prevista no art.  32, IV, §5º da Lei nº 8.212/91, introduziu àquela lei o art. 32­A, que aplica ao contribuinte que  deixar  de  apresentar  a  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  caput  do  art.  32  ou  que  a  apresentar com incorreções ou omissões uma multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas  (...),  ou  seja,  continua  existindo  uma  penalidade específica para os casos de apresentação de GFIP com omissões, de modo que a  penalidade então prevista no art. 32,  IV da Lei nº 8.212/91 deve ser comparada unicamente  com a atualmente prevista no art. 32­A da mesma lei.  Pondera que, se antes do advento da MP nº 449/2008 existiam penalidades  distintas  para  as  diferentes  infrações  (falta  de  recolhimento  e  omissão  de  informações  em  GFIP),  tal  distinção  continua  existindo  na  legislação  em  vigor,  ou  seja,  as  penalidades  previstas nos arts. 32, IV, §5º e 35 da Lei nº 8.212/91 se referiam a infrações distintas, assim  como  atualmente  se  verifica  em  relação  aos  arts.  32­A  e  35­A  da mesma  lei  (em  ambos  os  casos, uma decorrente da ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias, outra  em face da omissão de informações em GFIP).  Conclui que deve prevalecer o entendimento do acórdão recorrido, ou seja,  não há como se sustentar que a penalidade então prevista para os casos de omissões de fato  gerador em GFIP restou absorvida pela penalidade prevista no art. 44,  I da Lei nº 9.430/96  pelo  fato  daquele  dispositivo  fazer  menção  a  casos  de  “falta  de  declaração  e  declaração  inexata”, enquanto que, nos autos, a situação combatida é a suposta ausência de recolhimento  de obrigação principal; ficando evidente a ausência de similitude fática entre os paradigmas  invocados e a situação dos autos.  Em relação ao prequestionamento, observa que o órgão julgador a quo não  foi devidamente provocado pela Recorrente por meio de seu Recurso de Ofício, especialmente  porque  a  controvérsia  objeto  do  Recurso  Especial,  qual  seja,  a  caracterização  de  erro  na  capitulação legal da multa não foi apreciada anteriormente, tanto que sequer consta a menção  a tal discussão na Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal.  Na questão de mérito, argumenta que a União Federal pretende, por meio de  seu Recurso Especial, impor penalidade mais gravosa à Recorrida em flagrante afronta ao que  dispõe  o  art.  106,  inciso  II,  alínea  “c”  do  CTN,  sob  o  pretexto  de  que  estaria  correta  a  comparação entre os dispositivos que prevêem penalidade para infração consistente tanto na  não  apresentação  de  declaração  quanto  no  não  pagamento  de  tributo;  e  como  já  visto  anteriormente,  a  presente  autuação  versa  sobre  multa  aplicada  em  função  da  ausência  de  recolhimento  de  obrigação  principal,  não  havendo  que  se  falar  em  descumprimento  de  obrigação acessória passível de punição.  Insiste  que  não  é admissível  que,  para  aferir  qual  a multa menos  gravosa,  sejam  comparadas  infrações  de  natureza  jurídica  absolutamente  distintas,  como  nos  dispositivos  pretendidos  pela  Recorrente;  e  conclui  que  não  é  necessário  realizar  contas  complexas para se concluir que a nova penalidade se apresenta mais benéfica ao contribuinte  do que a anterior, haja vista que a penalidade imposta pelo acórdão recorrido representa 50%  Fl. 769DF CARF MF     6 do  valor  do  imposto  supostamente  devido,  enquanto  que  o  cálculo  fazendário  remonta  ao  montante de 75% do imposto.  É o relatório.”  Meu voto no acórdão embargado:   Pressupostos De Admissibilidade  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende,  em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de  Admissibilidade de Recurso Especial,  fls.  689. Contudo,  havendo questionamento  acerca  do  conhecimento, passo a melhor apreciar a questão.  Do conhecimento  A  Procuradoria  sustenta  a  divergência  do  acórdão  recorrido  sob  os  seguintes fundamentos:  A  Fazenda  Nacional  afirma  que,  no  presente  caso,  o  acórdão  merece  ser  reformado  em  relação  ao  procedimento  a  ser  utilizado para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte.  Assevera que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e  os  Acórdãos  nº  2401­002.453  e  nº  9202­02.086,  proferidos,  respectivamente,  pela  1ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF e pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais  CSRF, cuja ementas são transcritas a seguir:  Acórdão nº 2401002.453:  [...]  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  APLICAÇÃO  DA  MULTA  PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996.  Nos  lançamentos de ofício de contribuições  sociais, aplica­se a  multa  prevista  no  art.  44,  I,  da  Lei  n.º  9.430/1996,  não  se  cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art.  61  da mesma Lei.  No  próprio  Recurso  especial  trouxe  o  recorrente  trecho  dos  acórdãos  paradigmas  que  destacam  a  forma  de  interpretar  a  legislação  introduzida  pela MP  449  de  forma  diversa  do  presente  acórdão  recorrido.  Para  tanto  os  próprios  trechos  citados  descrevem de forma clara a interpretação diversa. Vejamos:  Acórdão nº 2401002.453:  De acordo com o  fisco, na  fixação da multa de ofício,  levou­se  em  conta  as  alteração  legislativa  promovida  pela  MP  n.º  449/2008,  posteriormente  convertida  na  Lei  n.º  11.941/2008.  Assim, comparou­se a multa aplicada com base no art. 35 da Lei  n.º  8.212/1991  (dispositivo  vigente  na  data  da  ocorrência  dos  fatos geradores), com a multa imposta em obediência ao art. 35­ A da mesma lei, aplicando­se o valor mais  favorável ao sujeito  passivo.  De  acordo  com  o  art.  35­A  da  Lei  n.º  8.212/1991,  introduzido  pela MP n.º 449/2008, havendo lançamento de ofício do tributo,  deve­se  aplicar  a  multa  prevista  no  art.  44  da  Lei  9.430/1996,(...)...  Suscita  a  empresa  que  lhe  fosse  aplicada  a  multa do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996,  todavia esse dispositivo  somente se aplica no caso de recolhimento espontâneo, no qual é  Fl. 770DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 5          7 aplicada  a  multa  de  mora  e  juros.  Havendo  lançamento  das  contribuições, exige­se a multa de ofício prevista no art. 44,  I, da mesma Lei.  Assim, o fisco agiu com acerto ao comparar a multa do art. 35  com aquela prevista no art.  35A, ambos da Lei n.º 8.212/1991,  não  havendo  reparos  a  serem  feitos  no  levantamento  quanto  a  esse aspecto.  ...  Cumprindo  essa  determinação  a  autoridade  fiscal,  diante  da  ocorrência  da  falta  de  pagamento  do  tributo  fato  incontestável  aplicou  a  multa  no  patamar  fixado  na  legislação,  já  considerando, em razão das alterações legislativas advindas da  MP  n.  449/2008,  posteriormente  convertida  na  Lei  n.  11.941/2009,  dispositivo  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  conforme muito bem demonstrado no próprio relatório fiscal em  que  é  apresentada  planilha  pormenorizada  de  aplicação  da  multa. (grifos da recorrente)  Já em relação ao segundo acórdão paradigmático também não assiste razão  ao  recorrente  quanto  a  ausência  de  similitude  fática.  Primeiramente,  vejamos  a  ementa  trazida:  Acórdão nº 920202.086:  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/0/2006  [...]  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES.  INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.  A  multa  prevista  no  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430,  de  1997,  decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75%  (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não  pagamento  (parcial  ou  total)  do  tributo  devido,  quanto  a  não  apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver  como  mensurar  o  que  foi  aplicado  para  punir  uma  ou  outra  infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa  prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação  de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não  pagamento  do  tributo  devido  no  prazo  de  lei,  estabelecida  no  igualmente  revogado  art.  35,  II,  o  cotejo  das  duas multas,  em  conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do  art.  44,  inciso  I,  da Lei  9.430, de 1997, que  se destina a punir  ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação  no  contexto  da  arrecadação  das  contribuições  Processo  nº  15504.020585/200927  Despacho  n.º  s/n  S2C3T1  Fl.  4  4  previdenciárias.  Recalcular  o  valor  da multa,  se mais  benéfico  ao  contribuinte,  de  acordo  com  o  disciplinado  no  art.  44,  I  da  Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a  título  de multa nas NFLDs correlatas.  Embora  o  acórdão  citado  refira­se  a  auto  de  infração  de  obrigação  acessória, esse fato não interfere na sua aceitação como paradigma, tendo em vista que a tese  Fl. 771DF CARF MF     8 aplicada  pela  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  aplica  de  forma  indistinta  a  retroatividade  para  cálculo  da  multa  tanto  na  obrigação  acessória,  como  na  principal.  Por  fim,  quanto  inexistência  de  pré  questionamento,  importante  esclarecer  que sua exigência restringi­se a recurso do sujeito passivo, já que o litígio, em relação a este  se  instaura  ainda  na  fase de  defesa.  Já  a PGFN  só  tem a  possibilidade  de  recorrer  após  a  decisão  das  Câmaras  Baixas,  razão  pela  qual  a  exigência  em  relação  aos  pressupostos  restringi­se a demonstração de interpretação de legislação de forma diversa.  Dessa forma, CONHEÇO DO RECURSO.  Do mérito  Aplicação da multa retroatividade benigna  Quanto  ao  questionamento  sobre  a  multa  aplicada,  a  qual  deseja  o  recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art.  32­A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente.  Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela MP  nº  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a”  do CTN, a seguir transcrito:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a mesma  natureza material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme consta do Acórdão nº 9202­004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  ­  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.   A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  Fl. 772DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 6          9 mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  COMPARATIVO  DE  MULTAS  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido das multas previstas nos arts. 35,  II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que  faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto,  para  aplicação  da  retroatividade  benigna,  resta  necessário  comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35,  II,  e 32, § 5o, ambos da Lei n°  8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.  A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade  benigna  prevista  no  art.  106  do  CTN  e,  caso  necessário,  a  retificação  dos  valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada  no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.  Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP  449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35­A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941,  de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso de competências em que o  lançamento da obrigação principal  tenha sido atingida pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão  nº  9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  Fl. 773DF CARF MF     10 obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35  para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da  fase  processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em  caso de omissões de  fatos geradores em GFIP) para o Auto de  infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.  § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não  apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.  § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou  II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação    da declaração no prazo fixado em intimação.  § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e  II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”  Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte:  “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”  O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  Fl. 774DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 7          11 I  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art.  35,  inciso  II  com  a  multa  prevista  no  art.  32,  inciso  IV,  §  5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   Norma  atual,  pela  aplicação  da  multa  de  setenta  e  cinco  por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  Fl. 775DF CARF MF     12 deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias  nos  lançamentos  de  obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  Fl. 776DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 8          13 § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º  A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento de obrigação principal,  conforme o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela  Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive, os débitos pagos,  os parcelados, os não  impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­A  daquela  Lei,  acrescido  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social (GFIP), a multa aplicada limitar­se­á àquela prevista no  Fl. 777DF CARF MF     14 art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009.  Em  face  ao  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  para  que a  retroatividade  benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro  de 2009.  Conclusão  Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA  FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade  benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro  de 2009.  É como voto.”    Embargos de Declaração do Contribuinte  Cientificado do Acórdão nº 9202­006.245 em 26/03/2018 (Termo de Ciência  por Abertura  de Mensagem  ­  fl.  995),  o  sujeito  passivo  opôs  Embargos  de Declaração  (fls.  998/1.003) em 02/04/2018, portanto, tempestivo.  No  intuito  de  explicitar  o  conteúdo  dos  presentes  embargos  por  esse  colegiado, transcrevo parte do relatório do Despacho de Admissibilidade de Embargos, de fls.  1.010/1.012:  “Alega a Embargante que o acórdão embargado  foi  omisso ao  não  perquirir  acerca  do  cumprimento  a  dois  requisitos  para  conhecimento  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  a  saber:   ­  art.  67,  §  9º,  do Anexo  II,  do RICARF,  já  que  não  teria  sido  juntado o inteiro teor dos paradigmas;   ­ § 15 do mesmo dispositivo  regimental, uma vez que não  teria  sido  demonstrado  que  os  paradigmas  não  foram  reformados,  mediante apresentação do andamento processual atualizado.  Com  efeito,  compulsando­se  as  Contrarrazões  oferecidas  pela  Embargante  às  efls.  943  a  957,  constata­se  que  as  questões  acima foram efetivamente arguidas, conforme consta à efl. 951:   "Também não se pode olvidar que o Regimento Interno do CARF  é expresso ao dispor em seu art.67, §7° que o recurso deverá ser  instruído com cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como  paradigmas  ou  com  a  cópia  da  publicação  em  que  tenha  sido  divulgado,  e,  ainda,  que  deve  ser  comprovado  que  a  referida  decisão não foi reformada pela CSRF, nos termos do §10°. Tais  requisitos não foram cumpridos pela Recorrente, que não juntou  a  íntegra  dos  julgados  e  o  respectivo  andamento  processual  atualizado  correlato,  sendo  manifesta  a  preclusão  do  referido  recurso,  que  teve  sua  validade  prejudicada  pela  inobservância  dos requisitos formais intrínsecos." (grifei)   Não obstante, quanto ao  conhecimento do Recurso Especial da  Fazenda  Nacional,  o  voto  condutor  do  acórdão  embargado  limitou­se a tratar da alegada ausência de similitude fática entre  o  acórdão  recorrido  e  os  paradigmas,  bem  como  da  suposta  necessidade  de  demonstração  de  prequestionamento,  questões  que também foram apresentadas em sede de Contrarrazões.   Fl. 778DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 9          15 Assim,  constata­se  que  o  acórdão  embargado  efetivamente  foi  omisso  ao  não  enfrentar  todas  as  questões  relativas  ao  conhecimento  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  suscitadas  pela  Contribuinte  em  sede  de  Contrarrazões,  mais  especificamente quanto ao alegado descumprimento dos §§ 9º e  15, do art. 67, do Anexo II do RICARF.”  Os  Embargos  foram  admitidos  (Despacho  CSRF  –  2ª  Turma,  datado  de  22/05/2018 ­ fls. 1.010/1.012), com o encaminhamento à relatora do acórdão ora embargado,  para relatoria e futura inclusão em pauta, para apreciação pelo Colegiado.  É o relatório.  Fl. 779DF CARF MF     16 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  Pressupostos De Admissibilidade   Os  Embargos  de  Declaração  opostos  pelo  Contribuinte,  inicialmente,  atendem aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade  de Embargos de Declaração a fls. 761. Assim, passar a apreciar a questão.  Da Análise Dos Embargos  Trata­se  de  embargos  do  Contribuinte,  tendo  em  vista  omissão  quanto  a  matéria suscitada em sede de conhecimento. Senão vejamos os argumentos apresentados:  Alega  a  Embargante  que  o  acórdão  embargado  foi  omisso  ao  não  perquirir  acerca  do  cumprimento  a  dois  requisitos  para  conhecimento  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  a  saber:   ­  art.  67,  §  9º,  do Anexo  II,  do RICARF,  já  que  não  teria  sido  juntado o inteiro teor dos paradigmas;   ­ § 15 do mesmo dispositivo  regimental, uma vez que não  teria  sido  demonstrado  que  os  paradigmas  não  foram  reformados,  mediante apresentação do andamento processual atualizado.  Analisando a omissão apontada, assim se manifestou o presidente da CSRF,  ao apreciar a admissibilidade dos embargos:  Com  efeito,  compulsando­se  as  Contrarrazões  oferecidas  pela  Embargante  às  efls.  943  a  957,  constata­se  que  as  questões  acima foram efetivamente arguidas, conforme consta à efl. 951:   "Também  não  se  pode  olvidar  que  o  Regimento  Interno  do  CARF  é  expresso  ao  dispor  em  seu  art.67,  §7°  que  o  recurso  deverá  ser  instruído  com  cópia  do  inteiro  teor  dos  acórdãos  indicados como paradigmas ou com a cópia da publicação em  que  tenha  sido  divulgado,  e,  ainda,  que  deve  ser  comprovado  que  a  referida  decisão  não  foi  reformada  pela  CSRF,  nos  termos  do  §10°.  Tais  requisitos  não  foram  cumpridos  pela  Recorrente, que não juntou a íntegra dos julgados e o respectivo  andamento  processual  atualizado  correlato,  sendo  manifesta  a  preclusão do referido recurso, que teve sua validade prejudicada  pela inobservância dos requisitos formais intrínsecos." (grifei)   Não obstante, quanto ao  conhecimento do Recurso Especial da  Fazenda  Nacional,  o  voto  condutor  do  acórdão  embargado  limitou­se a tratar da alegada ausência de similitude fática entre  o  acórdão  recorrido  e  os  paradigmas,  bem  como  da  suposta  necessidade  de  demonstração  de  prequestionamento,  questões  que também foram apresentadas em sede de Contrarrazões.   Fl. 780DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 10          17 Assim,  constata­se  que  o  acórdão  embargado  efetivamente  foi  omisso  ao  não  enfrentar  todas  as  questões  relativas  ao  conhecimento  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  suscitadas  pela  Contribuinte  em  sede  de  Contrarrazões,  mais  especificamente quanto ao alegado descumprimento dos §§ 9º e  15, do art. 67, do Anexo II do RICARF.  Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343,  de  2015,  ACOLHO  os  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  Contribuinte.  Realmente,  embora  tenha  sido  expressamente  suscitado  dentro  de  uma  das  matérias,  não ouve manifestação expresssa no  acórdão embargado  razão pela qual devem os  presentes embargos serem acolhidos para que seja sanada as omissões apontadas.    Do Conhecimento  Em  relação  aos  argumentos  trazidos  quanto  ao  conhecimento  da  questão  podemos assim resumi­los:  ­  art.  67,  §  9º,  do Anexo  II,  do RICARF,  já  que  não  teria  sido  juntado o inteiro teor dos paradigmas;   ­ § 15 do mesmo dispositivo  regimental, uma vez que não  teria  sido  demonstrado  que  os  paradigmas  não  foram  reformados,  mediante apresentação do andamento processual atualizado.  Com vistas a identificar o cumprimentos dos requisitos para o conhecimento  do recurso, conve´m trazer a baila o dispositivos do Regimento Interno, senão vejamos:  Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  r  ecurso  especial interposto contra decisão que der à legislação tributária  inte  rpretação divergente da que  lhe  tenha dado outra câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.   § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstra r de forma  objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma  div ergente.   [...]   § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá  seguimento  quanto  à  matéria  prequestionada,  cabendo  sua  demons tração, com precisa indicação, nas peças processuais.   §  6º  Na  hipótese  de  que  trata  o  caput,  o  recurso  deverá  demonstrar  a  divergência  arguida  indicando  até  2  (duas)  decisões divergentes por matéria.   §  7º  Na  hipótese  de  apresentação  de  mais  de  2  (dois)  paradigmas,  serão  considerados  apenas  os  2  (dois)  primeiros  indicados, descartando­se os demais.   Fl. 781DF CARF MF     18 §  8º  A  divergência  prevista  no  caput  deverá  ser  demonstrada  analiticamente  com  a  indicação  dos  pontos  nos  paradigmas  colaciona  dos  que  divirjam  de  pontos  específicos  no  acórdão  recorrido.   § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor  dos  acórdãos  indicados  como  paradigmas  ou  com  cópia  da  publicação  em  que  tenha  sido  divulgado  ou,  ainda,  com  a  apresentação de cópia de publicaçã o de até 2 (duas) ementas.   § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa  for  extraída  da  Internet  deve  ser  impressa  diretamente  do  sítio  do CARF ou do Diário Oficial da União.   § 11. As  ementas  referidas no § 9º poderão, alternativamente,  ser  reproduzidas  no  corpo  do  recurso,  desde  que  na  sua  integralidade.   § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da  interposição do recurso,  tenha sido reformado na matéria que  aprove  itaria ao recorrente.  (Incluído pela Portaria MF nº 39,  de 2016)   Assim, com relação ao argumentos relacionados ao conhecimento não assiste  razão ao recorrente.  Conforme  previsto  no  art.  67,  §9º,  10º  e  11º  o  recorrente,  em  relação  a  apresentação do acórdão paradigma tem por opões: colacionar cópia do inteiro teor do acórdão  paradigma ou reprodução da ementa reproduzida no corpo do recurso. Conforme observa­se no  recurso  especial  apresentado  a  PGFN  optou  por  reproduzir  a  ementa  no  corpo  do  recurso,  conforme abaixo transcrito:  No  presente  caso,  há  nítida  divergência  entre  o  que  restou  decidido  no  v.  acórdão  recorrido  e  o  entendimento  que  prevaleceu  no  Acórdão  nº  2401­002.453,  proferido  pela  Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF,  assim ementado1:   “Processo  nº  10166.721492/2010­11  Recurso  nº  000.000  Voluntário  Acórdão  nº  2401002.453–  4ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  Sessão  de  17  de  maio  de  2012  Matéria:  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente:  RIOGRANDENSE  CONSTRUÇÕES  E  SERVIÇOS  LTDA  Recorrida:  FAZENDA  NACIONAL  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/07/2005  a  31/12/2006  MPF.  PRORROGAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  SUBSTITUIÇÃO  DA  AUTORIDADE  FISCAL. INEXISTÊNCIA.   Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade,  não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal.   PREVIDENCIÁRIO.  ALIMENTAÇÃO.  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  INDEPENDENTEMENTE  DE  INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA  AS PRESTAÇÕES IN NATURA.   Fl. 782DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 11          19 Independentemente  de  inscrição  no  PAT,  não  incidem  contribuições  sociais, desde que a empresa  faça a prestação  in  natura.  APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E  RECIBOS.  PRESUNÇÃO  DA  OCORRÊNCIA  DOS  FATOS  GERADORES. INOCORRÊNCIA.   Não  há  o  que  se  falar  em  presunção  dos  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas  quando  a  apuração  fiscal  se  deu  com  base  na  documentação  exibida  pelo  sujeito,  principalmente  em  folhas e recibos de pagamento.   LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  APLICAÇÃO  DA  MULTA  PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996.   Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplica­se a  multa  prevista  no  art.  44,  I,  da  Lei  n.º  9.430/1996,  não  se  cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61  da mesma Lei.   MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE  DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.   Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento  administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista,  sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.   JUROS  SELIC.  INCIDÊNCIA  SOBRE  OS  DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.   A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.   Recurso Voluntário Negado.   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente  o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.”   O  v.  acórdão  recorrido  diverge  também  do  Acórdão  nº  920202.086,  prolatado  pela  Segunda  Turma  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais, assim ementado:   “Processo  nº  10552.000206/200721  Recurso  nº  253.307  Acórdão  nº  920202.086–  2ª  Turma  Sessão  de  22  de  março  de  2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente  INBRAPE TECIDOS INDUSTRIAIS LTDA  Interessado  FAZENDA  NACIONAL  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data  do  fato  gerador:  01/04/2001  a  30/0/2006  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  Fl. 783DF CARF MF     20 PENALIDADE  DECORRENTE  DO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA.   O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente  de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo  173,  inciso  I,  do  CTN,  ou  seja,  tem  inicio  no  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.   OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES.  INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.   A  multa  prevista  no  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430,  de  1997,  decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75%  (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não  pagamento  (parcial  ou  total)  do  tributo  devido,  quanto  a  não  apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver  como  mensurar  o  que  foi  aplicado  para  punir  uma  ou  outra  infração.   No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista  no  revogado  art.  32,  §  5º,  que  se  refere  à  apresentação  de  declaração  inexata,  e  também  da  sanção  pecuniária  pelo  não  pagamento  do  tributo  devido  no  prazo  de  lei,  estabelecida  no  igualmente  revogado  art.  35,  II,  o  cotejo  das  duas multas,  em  conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do  art.  44,  inciso  I,  da Lei  9.430, de 1997, que  se destina a punir  ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação  no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.   Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de  acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996,  deduzidos  os  valores  levantados  a  título  de  multa  nas  NFLDs  correlatas.   Recurso especial negado.   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo  Lian Haddad  (Relator), Gonçalo Bonet  Allage, Manoel  Coelho  Arruda  Junior  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Elias  Sampaio Freire.”  Ou seja, em relação a este ponto, correto o procedimento adotado pela PGFN  em seu recurso especial.  Com  relação ao  segundo ponto,  qual  seja:  que os  acórdãos paradigmas não  foram  reformados,  mediante  apresentação  do  andamento  processual  atualizado,  impõe  esclarecer  que  essa  avaliação  é  feita  pelo  presidente  da  câmara  responsável  pelo  admissibilidade  do  recurso,  não  se  fazendo  necessário  colacionar  o  andamento  processual.  Contudo, realmente não constou expressamente do despacho o requisito quanto a ausência de  reforma, dessa forma, esclareço a questão: O acórdão 2401­002.453, consta do sítio do CARF,  com publicação em 01/06/2012,  sem  ter qualquer  informação quanto a  reforma,  seja parcial ou  total.  De  igual  forma,  o  acórdão  nº  9202­02.086  foi  publicado  em  22/03/2012  não  constado  Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15504.020586/2009­71  Acórdão n.º 9202­007.139  CSRF­T2  Fl. 12          21 qualquer  reforma,  razão  pela  qual  resta  cumprido  requisito  regimental  quanto  a  ausência  de  reforma.  Conclusão   Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração para sanar o  vício  apontado  no  Acórdão  nº  9202­006.245,  de  29/11/2017,  sem  efeitos  infringentes,  mantendo­se inalterado o resultado do julgamento.  É como voto.     (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                              Fl. 785DF CARF MF

score : 1.0
7413213 #
Numero do processo: 11080.002375/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007, 31/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007, 31/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 11080.002375/2009-24

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5898621

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9303-007.070

nome_arquivo_s : Decisao_11080002375200924.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO

nome_arquivo_pdf_s : 11080002375200924_5898621.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).

dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018

id : 7413213

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:57 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870064611328

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 715          1 714  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11080.002375/2009­24  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­007.070  –  3ª Turma   Sessão de  11 de julho de 2018  Matéria  PIS. RESSARCIMENTO  Recorrente  YARA BRASIL FERTILILZANTES S/A   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007, 31/07/2007 a 30/09/2007  NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.  Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta­se em  dois  fundamentos  autônomos  e  a  parte  traz  divergência  jurisprudencial  somente  com  relação  a  um  deles.  Assim,  o  recurso  especial  não  pode  ser  conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à  impugnação.   INSUMOS.  FRETES  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.   Os  valores  decorrentes  da  contratação  de  fretes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  própria  empresa  geram  direito  aos  créditos  das  contribuições  para  o  PIS  e  para  a  COFINS  na  sistemática  não­cumulativa,  pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em  despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda,  no  art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  nº  10.833/03  e  art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  nº  10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre  fretes  contratados  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento, vencidos os Conselheiros  Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire,  que  lhe  negaram  provimento.  Votaram  pelas  conclusões  os  Conselheiros  Demes  Brito  e  Rodrigo da Costa Pôssas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 75 /2 00 9- 24 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 716          2   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     Relatório    Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  Contribuinte  YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. (fls. 371 a 405), com fulcro nos artigos 64, inciso II  e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –  RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403­ 001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção  de  Julgamento,  em 21 de março de 2013, no sentido de dar provimento parcial ao  recurso  voluntário  tão  somente  "para  reconhecer  a  insubsistência  das  glosas  efetuadas  na  origem  com fundamento na não­sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da  cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido". O  acórdão foi assim ementado:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007, 31/07/2007 a 30/09/2007  RESSARCIMENTO DEFERIDO  SOMENTE EM PARTE.  ACRÉSCIMO À  BASE  DE  CÁLCULO  DO  TRIBUTO  DE  VALORES  NÃO  ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO  PASSIVO.  CONTEÚDO  MATERIAL  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.  Situação  em  que,  ao  ensejo  do  pedido  de  ressarcimento,  a  auditoria  tributária  defere  somente  em  parte  o  pleito  por  considerar  que  o  sujeito  passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da  Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 717          3 base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato  que  reveste materialmente  a  função  de  lançamento  ex  officio,  razão  pela  qual  cabe  à  administração  o  ônus  probatório  acerca  da  afirmação.  Pelo  mesmo  motivo,  não  pode  a  auditoria,  constatando  que  o  fundamento  original  da  glosa  não  procede,  pretender  recusar  o  direito  ao  ressarcimento  com  fundamento  diverso.  Aplicação  da  teoria  dos  motivos  determinantes.  INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO  PIS.  O  ICMS  restituído  ao  contribuinte  pela  Unidade  Federativa  a  título  de  incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS,  mesmo  sob  a  disciplina  das  Leis  nºs  9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.  PIS.  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITO.  FRETE  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.   A contratação de serviço de  transporte entre estabelecimentos do próprio  contribuinte  somente  enseja  a  apropriação  de  crédito,  na  sistemática  de  apuração não­cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de  produtos  inacabados,  caso  em  que  o  dispêndio  consistirá  de  custo  de  produção e, pois,  funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos  termos do inciso II, do art. 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.  Recurso voluntário provido em parte.    O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 277 a  286),  insurgindo­se quanto  ao  não  oferecimento  à  tributação  de  parcela  relativa  ao  crédito  presumido de ICMS, incentivo fiscal concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul, entendida  pelo Fisco como sendo receita, não teve prosseguimento. Nos termos do despacho s/nº, de 08  de junho de 2015 (fls. 299 a 302), confirmado em sede de reexame de admissibilidade (fls.  303 a 304), por não terem sido apresentados acórdãos paradigmas para os dois fundamentos  do acórdão recorrido sobre a matéria, quais sejam, mudança de critério jurídico da glosa e a  natureza de receita da verba em discussão, não há como a decisão ser revista e, portanto, não  deve ser admito o recurso especial.   Interpostos  embargos  de  declaração  pela  Contribuinte  (fls.  314  a  358),  alegando  vícios  de  omissão  e  contradição,  os  mesmos  foram  rejeitados  nos  termos  do  despacho s/nº, de 15/07/2016 (fls. 361 a 364).  Não  resignada,  a  Contribuinte  interpôs  recurso  especial  (fls.  371  a  405)  alegando divergência  jurisprudencial quanto a  três matérias:  (a) aproveitamento de créditos  de  PIS  e  COFINS  não­cumulativos  sobre  fretes  entre  unidades  da  própria  empresa  de  produtos  acabados;  (b)  aplicação  do  entendimento  mais  favorável  ao  Contribuinte,  nos  termos  do  art.  112  do Código Tributário Nacional  ­ CTN;  e  (c)  realização  de  diligência  e  possibilidade  de  juntada  de  novos  documentos  e  elaboração  de  laudo  técnico  após  a  apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como  paradigmas  os  seguintes  acórdãos,  respectivamente:  (a)  3401­002.075  e  3402­03.148;  (b)  3302­002.930; e (c) 3402­002.906.  Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 718          4 No  primeiro  exame  de  admissibilidade,  o  recurso  especial  teve  prosseguimento tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e  COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho  s/nº, de 28/02/2017 (fls. 587 a 596).   Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo (fls. 603 a 629),  também  foi  dado  seguimento  ao  tema  relativo  à  possibilidade  de  apresentação  de  provas  após  o  recurso na primeira  instância,  tudo nos  termos do despacho s/nº, de 11/04/2017  (fls. 655 a  658) que acolheu o agravo nessa parte.   Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte que foram  admitidas  e  serão  objeto  e  análise  por  este  Colegiado,  referem­se  à  possibilidade  de  aproveitamento  de  créditos  de  PIS  e COFINS  decorrentes  de  fretes  de  produtos  acabados  entre estabelecimentos da empresa;  e  à  apresentação de provas  após o  recurso na primeira  instância.   A  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  (fls.  660  a  680)  requerendo,  preliminarmente, o não conhecimento do apelo especial e, no mérito, a sua improcedência.   O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto o feito a ser  relatado  e  submetido  à  análise  desta  Colenda  3ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais ­ 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.   É o Relatório.       Voto               Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora     Admissibilidade  O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL  FERTILIZANTES  S.A.  é  tempestivo,  restando  analisar­se  o  atendimento  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade  constantes  no  art.  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais  ­ RICARF,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de  junho de 2015.   As  matérias  enfrentadas  pela  Recorrente  em  sede  de  apelo  especial  são  referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e  (b) o  reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS não­cumulativos oriundos de  fretes entre estabelecimentos da mesma empresa,  tendo sido admitida a discussão apenas em  relação aos produtos acabados.   Fl. 718DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 719          5   1. Apresentação de provas    Para  análise  da  admissibilidade  do  recurso  especial  quanto  ao  pleito  de  apresentação de provas após o recurso na primeira instância,  importa trazer breve retrospecto  da lide.  A  contenda  administrativa  originou­se  de  pedido  de  ressarcimento  de  saldo  credor  acumulado  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  não­cumulativo,  do  segundo  e  terceiro  trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento  fiscal efetuado  para  confirmação  da  existência  dos  referidos  créditos,  a  Autoridade  Fiscal  concluiu  ser  parcialmente procedente  o  pleito,  pois  (a)  teria havido  a  transferência  onerosa  a  terceiros  de  créditos  de  ICMS  acumulados  na  escrita  fiscal,  sem  oferecimento  dos  valores  recebidos  à  tributação; e (b) a Contribuinte apropriou­se de créditos sobre os dispêndios da contratação de  frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei  nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação  de venda.   A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial  do pedido de  restituição  restou  formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se  insurgiu a empresa por  meio  de  manifestação  de  inconformidade  (fls.  36  a  55),  esclarecendo  que:  não  houve  transferência  onerosa  de  créditos  de  ICMS  a  terceiros,  mas  sim  é  beneficiária  de  contrato  celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual  consistente  no  crédito  presumido  equivalente  a 75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  do  valor  do  imposto  incidente  sobre  as  operações  interestaduais  envolvendo  fertilizantes  de  fabricação  própria;  além  disso,  colacionando  aos  autos  planilha  demonstrativa,  sustentou  serem  as  remessas  realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua  imensa maioria, de  produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que  há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao  crédito nas duas hipóteses de frete.   A  manifestação  de  inconformidade  foi  julgada  improcedente,  nos  termos  do  Acórdão nº 10­25.008 ­ 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando  a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101).   Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em  solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403­000.208 (fls. 199 a  202),  solicitando  que:  (a)  trouxesse  aos  autos  elementos  documentais,  dentre  aqueles  já  colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das  supostas  operações  de  cessão  de  créditos  de  ICMS  a  terceiros;  e  (b)  informasse  sobre  a  possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens  entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e  aqueles que envolveram itens em fabricação.   Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou:    Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 720          6 [...]  Em  resposta  à  diligência,  o  órgão  de  origem  elaborou  “Termo  de  Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar  os  fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii)  afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros,  mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido  deste imposto.  Intimado  deste  despacho,  o  recorrente  manifesta­se,  trazendo  aos  autos  planilhas  demonstrativas  dos  fretes  de  matérias­primas  e  de  produtos  acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação  e  Ciência  2”,  através  do  qual,  em  síntese,  reitera  que  as  planilhas  inicialmente  fornecidas  pelo  recorrente  não  eram  capazes  de  segregar  os  fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem.  Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre  unidades  do  próprio  sujeito  passivo  (seja  de matérias­primas,  embalagens  ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência  de previsão legal.   Intimado  deste  segundo  Termo  de  Comunicação,  a  recorrente  novamente  manifesta­se  para  argumentar  que  a  eventual  manutenção  do  despacho  decisório  com  fundamento  em  suposta  sujeição  da  subvenção  recebida  à  tributação  importaria  inadmissível  modificação  da  acusação  fiscal  –  construída  sob  a  premissa  de  que  a  recorrente  cedera  créditos  de  ICMS  –  com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório.  [...] (grifou­se)    Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o  Acórdão nº 3403­001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  em  21  de março  de  2013,  ora  recorrido,  que  lhe  deu  parcial  provimento  apenas para  afastar  a glosa dos  créditos de PIS não­cumulativo  sobre os valores  decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros.   Por  outro  lado,  indeferiu  os  pedidos  da  Recorrente  quanto  à  pretensão  de  créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio  Sujeito  Passivo,  seja  de  matérias­primas  e  de  materiais  de  embalagem,  seja  de  produtos  acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a  realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem  por objeto o  transporte de  itens em fabricação;  e  (b) as planilhas unilateralmente  formuladas  pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas.    Para  clareza  da  assertiva,  extrai­se  trecho  do  acórdão  recorrido  que  trata  da  matéria:    [...]  Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 721          7 Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos  da  contribuição  ao  PIS,  na  hipótese  de  fretes  realizados  entre  estabelecimentos da própria pessoa  jurídica recorrente para transporte seja  de matérias­primas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados.  Quando  da  conversão  do  julgamento  em  diligência,  esta  Turma  expressamente  consignou  que  a  medida  não  se  prestaria  “a  corrigir  a  incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando  que  o  órgão  de  origem  se  limitasse  a  juntar  aos  autos  “via  impressa  dos  elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso  da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles  que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação.  Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que  as  provas  até  então  coligidas  aos  autos  não  lhe  permitiam  proceder  ao  desmembramento.  E  a  separação,  a  meu  ver,  seria  fundamental  à  melhor  aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que?  Porque  na  sistemática  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  os  dispêndios da pessoa  jurídica com a contratação de frete pode se situar em  três  diferentes  posições:  (a)  se  na  operação  de  venda,  constituirá  hipótese  específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à  compra  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  ou  produtos  intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito  de  crédito  em  razão  do  previsto  no  artigo  3o,  inciso  I;  e  (c)  finalmente,  se  respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio  contribuinte,  será  catalogável  como  custo  de  produção  (RIR,  art.  290)  e,  portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º.  De seu  turno, o  transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do  contribuinte  somente  do  ponto  de  vista  logístico  ou  geográfico  pode  ser  compreendido  como  etapa  da  futura  operação  de  venda.  Juridicamente  falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em  que o creditamento é concedido.  Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição  do  voluntário  não  lhe  é  possível  fazer  a  segregação  em  comento. E mesmo  que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela  recorrente,  já  na  oportunidade  em  que  se  manifestou  sobre  o  relatório  da  diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório.  Trata­se,  com  efeito,  de  uma  planilha  gerencial,  unilateralmente  confeccionada  e  sem  comprovação  de  respaldar­se  em  documentos  ou  na  escrita contábil da pessoa jurídica.  Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a  glosa  sobre  os  créditos  de  PIS  referentes  aos  fretes  contratados  entre  os  estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de  novas provas, cabendo o contribuinte tê­las trazido desde a manifestação de  inconformidade,  o  que  –  frise­se  –  não  foi  feito  e  (ii)  planilhas  unilateralmente  formuladas  pelos  contribuintes  não  são  meios  aptos  a  demonstrar a invalidade de glosas efetuadas.  Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para  reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento  Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 722          8 na  não­sujeição  ao  tributo  de  valores  supostamente  auferidos  em  razão  da  cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento  pretendido.  [...]  Da  fundamentação  do  acórdão  recorrido,  depreende­se  que  foram  dois  os  argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em  primeira  instância:  (a) a  impossibilidade de  juntada de novas provas;  e  (b) ainda que  fossem  admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não  têm valor probatório. Trata­se de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si  só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo.   A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e  comprovou a divergência  jurisprudencial  tão  somente  com  relação ao primeiro  argumento:  a  (im)possibilidade  de  juntada  de  provas  após  o  recurso  em  primeira  instância.  No  acórdão  paradigma  nº  3402­002.906  a  discussão  centra­se  nesse  argumento,  tanto  que  naquele  caso  houve  a  determinação  de  realização  de  diligência  ­  semelhante  ao  caso  dos  autos  ­  que  culminou com a elaboração de um Laudo Técnico.  Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve  ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº  283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão  recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles".   Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa  matéria.     2  ­ Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS não­cumulativos de Produtos  Acabados    Com  relação  ao  direito  ao  crédito  de  PIS  e  COFINS  não­cumulativos  decorrentes  da  contratação  de  fretes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da mesma  empresa, tem­se que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o  apelo especial.    A  priori,  explicita­se  o  conceito  de  insumos  adotado  no  presente  voto,  para  posteriormente adentrar­se à análise dos itens individualmente.   A sistemática da não­cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS  foi  instituída,  respectivamente,  pela  Medida  Provisória  nº  66/2002,  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (PIS)  e  pela Medida  Provisória  nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (COFINS).  Em  ambos  os  diplomas  legais,  o  art.  3º,  inciso  II,  autoriza­se  a  apropriação  de  créditos  calculados  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos destinados à venda.1                                                               1 Lei  nº  10.637/2002  (PIS). Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos calculados em relação a: [...] II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 723          9 O  princípio  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  foi  também  estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional  nº  42/2003,  consignando­se  a  definição  por  lei  dos  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2  A  disposição  constitucional  deixou  a  cargo  do  legislador  ordinário  a  regulamentação da sistemática da não­cumulatividade do PIS e da COFINS.   Por  meio  das  Instruções  Normativas  nºs  247/02  (com  redação  da  Instrução  Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua  interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de  insumos  adotada  pelos  mencionados  atos  normativos  é  excessivamente  restritiva,  assemelhando­se  ao  conceito  de  insumos  utilizado  para  utilização  dos  créditos  do  IPI  –  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  estabelecido  no  art.  226  do Decreto  nº  7.212/2010  (RIPI).   As  Instruções  Normativas  nºs  247/2002  e  404/2004,  ao  admitirem  o  creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de  fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando­se da legislação  do  IPI que  traz  critério  demasiadamente  restritivo,  extrapolaram  as disposições da  legislação  hierarquicamente  superior  no  ordenamento  jurídico,  a  saber,  as  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  e  contrariaram  frontalmente  a  finalidade  da  sistemática  da  não­cumulatividade  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS.  Patente,  portanto,  a  ilegalidade  dos  referidos  atos  normativos.  Nessa senda, entende­se  igualmente impróprio para conceituar insumos adotar­ se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ ­ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois  demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299  do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder­se­ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da  pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou  da prestação de serviços como um todo.   Em Declaração  de  Voto  apresentada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  13053.000211/2006­72,  em  sede  de  julgamento  de  recurso  especial  pelo  Colegiado  da  3ª  Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou:                                                                                                                                                                                           produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante  ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e  87.04 da TIPI; [...].     Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a: [...]II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante  ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e  87.04 da Tipi; [...]   2   Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma  direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do  Distrito Federal  e dos Municípios,  e das  seguintes contribuições  sociais:  I  ­ do empregador, da empresa e da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:  [...]  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  [...]  IV  ­  do  importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores  de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput,  serão não­cumulativas. (grifou­se)      Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 724          10   [...]  permaneço  não  compartilhando  do  entendimento  pela  possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a  definição  de  "insumos"  pretendida.  Reconheço,  no  entanto,  que  o  raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir  controvérsias mais estritas.    Isso  porque  a  utilização  da  legislação  do  IRPJ  alargaria  sobremaneira  o  conceito  de  "insumos"  ao  equipará­lo  ao  conceito  contábil  de  "custos  e  despesas  operacionais"  que  abarca  todos  os  custos  e  despesas  que  contribuem  para  a  atividade  de  uma  empresa  (não  apenas  a  sua  produção),  o  que  distorceria  a  interpretação  da  legislação  ao  ponto  de  torná­la  inócua  e  de  resultar  em  indesejável  esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não  o produto, mas sim o produtor, subjetivamente.    As Despesas Operacionais  são  aquelas  necessárias  não  apenas  para  produzir  os  bens,  mas  também  para  vender  os  produtos,  administrar  a  empresa  e  financiar  as  operações. Enfim,  são  todas  as  despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional  da  empresa. Não que  elas não possam ser passíveis de creditamento,  mas tem que atender ao critério da essencialidade.  [...]  Estabelece  o  Código  Tributário  Nacional  que  a  segunda  forma  de  integração  da  lei  prevista  no  art.  108,  II,  do CTN  são  os  Princípios  Gerais  de  Direito  Tributário.  Na  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  n.  66/2002,  in  verbis,  afirma­se  que  “O  modelo  ora  proposto  traduz  demanda  pela  modernização  do  sistema  tributário  brasileiro  sem,  entretanto,  pôr  em  risco  o  equilíbrio  das  contas  públicas,  na  estrita  observância  da  Lei  de  Responsabilidade  Fiscal.  Com  efeito,  constitui  premissa  básica  do  modelo  a  manutenção  da  carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da  cobrança do PIS/Pasep.”  Assim  sendo,  o  conceito  de  "insumos",  portanto,  muito  embora  não  possa  ser  o  mesmo  utilizado  pela  legislação  do  IPI,  pelas  razões  já  exploradas,  também  não  pode  atingir  o  alargamento  proposto  pela  utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR.     Ultrapassados  os  argumentos  para  a não  adoção  dos  critérios  da  legislação  do  IPI  nem  do  IRPJ,  necessário  estabelecer­se  o  critério  a  ser  utilizado  para  a  conceituação  de  insumos.   Diante  do  entendimento  consolidado  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais  ­ CARF,  inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o  conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso  II  da  Lei  10.833/2003,  deve  ser  interpretado  com  critério  próprio:  o  da  essencialidade.  Referido  critério  traduz  uma  posição  "intermediária"  construída  pelo  CARF,  na  qual,  para  definir insumos, busca­se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a  atividade realizada pelo Contribuinte.   Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 725          11 Conceito  mais  elaborado  de  insumo,  construído  a  partir  da  jurisprudência  do  próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no  Acórdão nº 9303­003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014:      [...]   Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não  cumulativos,  partindo  de  uma  interpretação  histórica,  sistemática  e  teleológica das próprias normas  instituidoras de  tais  tributos  (Lei no.  10.637/2002  e  10.833/2003),  deve  ser  entendido  como  todo  custo,  despesa  ou  encargo  comprovadamente  incorrido  na  prestação  de  serviço  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bem  ou  produto  que  seja  destinado  à  venda,  e  que  tenha  relação  e  vínculo  com  as  receitas  tributadas  (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação,  das especificidades de cada processo produtivo.       Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado  pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende  analisar  se  há:  pertinência  ao  processo  produtivo  (aquisição  do  bem  ou  serviço  especificamente  para  utilização  na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  ou,  ao menos,  para  torná­lo  viável);  essencialidade  ao  processo  produtivo  (produção  ou  prestação  de  serviço  depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de  produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o  bem produzido).   Portanto,  para  que  determinado  bem  ou  prestação  de  serviço  seja  considerado  insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo  produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova.   Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual  reconhece,  para  a  definição  do  conceito  de  insumo,  critério  amplo/próprio  em  função  da  receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo  ou à prestação do serviço. O entendimento está  refletido no voto do Ministro Relator Mauro  Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317­MG, sintetizado na ementa:    PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO  ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO,  DO CPC.  INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  98/STJ. CONTRIBUIÇÕES  AO PIS/PASEP E COFINS NÃO­CUMULATIVAS. CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.637/2002  E  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.  1.  Não  viola  o  art.  535,  do  CPC,  o  acórdão  que  decide  de  forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados  pelas partes.  2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica  multa  a  embargos  de  declaração  interpostos  notadamente  com  o  Fl. 725DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 726          12 propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos  de  declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento  não têm caráter protelatório".  3.  São  ilegais  o  art.  66,  §5º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução Normativa  SRF n. 247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF  n.  358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e "b",  da  Instrução Normativa  SRF n. 404/2004 ­ Cofins, que restringiram indevidamente o conceito  de  "insumos"  previsto  no  art.  3º,  II,  das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para  efeitos  de  creditamento  na  sistemática de não­cumulatividade das ditas contribuições.  4. Conforme  interpretação  teleológica e sistemática do ordenamento  jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art.  3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  posto  que  excessivamente  restritiva.  Do  mesmo  modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto  de  Renda  ­  IR,  por  que  demasiadamente  elastecidos.  5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003,  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação  de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados  e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  cuja  subtração  obsta  a  atividade  da  empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou  serviço daí resultantes.  6.  Hipótese  em  que  a  recorrente  é  empresa  fabricante  de  gêneros  alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias  das  instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da  produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para o consumo. Assim, impõe­se considerar a abrangência do termo  "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza  e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados  no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios.  7. Recurso especial provido.   (REsp  1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,  SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou­ se)    Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art.  3º,  II  da Lei  nº 10.833/2003,  todos os bens  e  serviços pertinentes  ao processo produtivo  e à  prestação  de  serviços,  ou  ao  menos  que  os  viabilizem,  podendo  ser  empregados  direta  ou  indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo  Fl. 726DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 727          13 e da prestação do  serviço,  objetando ou comprometendo a qualidade da própria  atividade da  pessoa jurídica.  Ainda,  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  o  tema  foi  recentemente  julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 ­  PR,  no  sentido  de  reconhecer  a  ilegalidade  das  Instruções  Normativas  SRF  nºs  247/2002  e  404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na  conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não­cumulativo.   Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito  em  julgado  do  acórdão  do  recurso  especial  nº  1.221.170­PR  pela  sistemática  dos  recursos  repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda  Nacional.  Faz­se  a  ressalva  do  entendimento  desta  Conselheira,  que  não  é  o  da maioria  do  Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria  MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão.  Assim,  os  valores  decorrentes  da  contratação  de  fretes  de  produtos  acabados  entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o  PIS e para a COFINS na sistemática não­cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo  da  Recorrente  e  se  constituem  em  despesas  na  operação  de  vendas.  O  direito  ao  crédito  encontra  amparo  no  art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  nº  10.833/03  e  art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  nº  10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".   No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela  Fiscalização,  está  consolidado  que  os  fretes  entre  os  estabelecimentos  da  empresa  são  de  matéria­prima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis  de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401­002.075 e  3402­03.148).   A partir  da  descrição  da  atividade  da Recorrente  na peça  do  apelo  especial,  é  possível  chegar­se  a melhor  compreensão  quanto  à  essencialidade/pertinência  do  frete  entre  estabelecimentos, tanto de matérias­primas quanto de produtos acabados, para o seu processo  produtivo. Reproduzem­se os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis:    [...]  Veja­se  que  no  caso  em  comento  os  fretes  praticados  durante  o  processo  produtivo são os seguintes:  1.Frete  com  a  aquisição  de  matéria­prima  para  fabricar  fertilizantes  (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio);  2. Remessa para industrialização da matéria­prima;  3.  Frete  do  produto  até  outro  estabelecimento  da  Recorrente  para  armazenagem e venda final.  Ou  seja,  os  produtos  da  Recorrente  ­  como  condição  para  bem  desempenharem sua função, são higroscópicos ­ e, portanto, com absorção de  umidade  apresentam  perda  de  suas  plenas  qualidades  em  período  Fl. 727DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 728          14 relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazená­ los  por  longo  tempo.  Por  isso,  é  possível  afirmar  que,  tal  como  ocorre  no  acórdão paradigma, o  caso  da Recorrente  possui peculiaridades  que  fazem  com  que  o  seu  processo  produtivo  não  termine  na  fábrica,  mas  somente  quando  o  produto  industrializado  acabado  é  entregue  ao  produtor  rural,  destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura.  Para  minimizar  a  deterioração  na  qualidade  e  para  evitar  problemas  de  segurança  no  transporte,  deve­se  prestar  atenção  tanto  às  propriedades  iniciais  do  fertilizante  quanto  aos  procedimentos  corretos  de  manuseio  do  fertilizante.  O  manuseio  e  o  transporte  correto  do  fertilizante  devem  ser  baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é  expedido (granel ou sacos):  [...]  No  caso  em  tela,  a Recorrente possui  sede  em Porto Alegre  e  unidades  em  vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito  menos  usual  do  que  a  remessa  de  matéria  prima)  a  remessa  de  produtos  acabados  destinados  à  venda.  Isso  é  fácil  de  compreender:  a  unidade  de  Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido  pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão.   A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que  a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no  Rio  Grande  do  Sul,  já  que,  como  narrado  linhas  acima,  o  fertilizante  se  deteriora  rapidamente  com  o  passar  do  tempo,  devendo  sempre  ser  comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque.   Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte  gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já  estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de  PIS  e de COFINS previstos nos artigos 3º,  IX  e 15,  II  da Lei nº 10.833/03,  pois  há  apenas  um  deslocamento  do  trajeto  que  seria  realizado  originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento  industrial de Porto  Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador.  [...]    Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu  os Acórdãos nºs 9303­004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira  Érika Costa Camargos Autran; e 9303­005.156, de 17 de maio de 2017, cuja  relatoria  foi da  ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados:    Acórdão n.º 9303­004.673  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Data do fato gerador: 28/02/2005  Fl. 728DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 729          15 DECADÊNCIA.  O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a  lei não  prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão  legal, o mesmo inocorre.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005  CREDITAMENTO  DECORRENTE  DA  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS.  POSSIBILIDADE,  INDEPENDENTEMENTE  DO  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  PELOS  FORNECEDORES,  MAS  DESDE  QUE  COMPROVADO  O  PAGAMENTO  DAS  TRANSAÇÕES  E  A  CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS.  Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração  de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°,  inciso II,  da  Lei  n°  10.637/02.  Direito  o  qual  deverá  ser  reconhecido  uma  vez  evidenciado  nos  autos,  independentemente  do  recolhimento  da  contribuição  por  parte  dos  fornecedores,  a  anotação,  no  corpo  das  notas  fiscais  de  entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do  PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e  da  entrega  das mercadorias,  o  que  afasta  as  conseqüências  decorrentes  da  eventual  inidoneidade  dos  fornecedores.  nos  termos  do  artigo  82  da Lei  n°  9.430/96.  CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES.  As  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração  e,  ou  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  do  contribuinte,  pagas  e/  ou  creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  geram  créditos  básicos  de  PIS,  passiveis  de  dedução  da  contribuição  devida  e/  ou  de  ressarcimento/compensação.  Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005  CREDITAMENTO  DECORRENTE  DA  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS.  POSSIBILIDADE,  INDEPENDENTEMENTE  DO  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  PELOS  FORNECEDORES,  MAS  DESDE  QUE  COMPROVADO  O  PAGAMENTO  DAS  TRANSAÇÕES  E  A  CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS.  Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração  de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°,  inciso II,  da  Lei  n°  10.637/02.  Direito  o  qual  deverá  ser  reconhecido  uma  vez  evidenciado  nos  autos,  independentemente  do  recolhimento  da  contribuição  por  parte  dos  fornecedores,  a  anotação,  no  corpo  das  notas  fiscais  de  entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do  PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e  Fl. 729DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 730          16 da  entrega  das mercadorias,  o  que  afasta  as  conseqüências  decorrentes  da  eventual  inidoneidade  dos  fornecedores.  nos  termos  do  artigo  82  da Lei  n°  9.430/96.  CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES.  As  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração  e,  ou  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  do  contribuinte,  pagas  e/  ou  creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de  notas  fiscais de prestação de  serviços, geram créditos básicos de Cofins, a  partir  da  competência  de  fevereiro  de  2004,  passiveis  de  dedução  da  contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação.  Recurso Especial do Procurador negado  Recurso Especial do Contribuinte negado    Acórdão n.º 9303­005.156  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008  CRÉDITO.  FRETES  NA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTOS  ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.  Cabe  a  constituição  de  crédito  de  PIS/Pasep  sobre  os  valores  relativos  a  fretes  de  produtos  acabados  realizados  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.  Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar  ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art.  3º,  inciso  IX,  da Lei  10.637/02  ­  eis  que  a  inteligência  desses  dispositivos  considera  para  a  r.  constituição  de  crédito  os  serviços  intermediários  necessários para a efetivação da venda ­ quais sejam, os fretes na operação”  de  venda.  O  que,  por  conseguinte,  cabe  refletir  que  tal  entendimento  se  harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação  de venda”, e não “frete de venda”  ­ quando  impôs dispositivo  tratando da  constituição de crédito das r. contribuições.  CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS­PRIMAS ENTRE  ESTABELECIMENTOS  Os  fretes  na  transferência  de  matérias­primas  entre  estabelecimentos,  essenciais  para  a  atividade  do  sujeito  passivo,  eis  que  vinculados  com  as  etapas  de  industrialização  do  produto  e  seu  objeto  social,  devem  ser  enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03  e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada  diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria­ prima  de  um  lado  para  o  outro  na  fábrica  para  a  continuidade  da  produção/industrialização/beneficiamento  de  determinada  mercadoria/produto.  Fl. 730DF CARF MF Processo nº 11080.002375/2009­24  Acórdão n.º 9303­007.070  CSRF­T3  Fl. 731          17 PIS.  COFINS.  CRÉDITO.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  FRETES  NA  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  TRIBUTADOS  COM  ALÍQUOTA  ZERO  OU  ADQUIRIDOS  COM  SUSPENSÃO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  IMPOSSIBILIDADE.  Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de  fretes  utilizados  na  aquisição  de  insumos  não  onerados  pelas  contribuições  ao PIS e a Cofins.  (grifou­se)    Pela  argumentação  exposta,  há  de  ser  reformado  o  acórdão  recorrido  e  reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre  estabelecimentos da empresa.     3 ­ Dispositivo    Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em  parte ­ quanto à possibilidade de creditamento de PIS não­cumulativo na contratação de frete  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa,  e,  no  mérito,  dá­se  provimento  ao  recurso  para  ser  reconhecido  o  direito  ao  crédito  de  PIS  não­cumulativo  das  despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa.   É o voto.    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello                                  Fl. 731DF CARF MF

score : 1.0
7423275 #
Numero do processo: 11080.733248/2014-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. MAIORES DE 24 ANOS. POSSIBILIDADE. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF. Consoante o Enunciado de Súmula CARF, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. No direito de família, não há limitação etária para a concessão da pensão alimentícia, sendo uma questão de análise casuística frente as necessidades do alimentando e as possibilidades do alimentante. Faz jus o contribuinte à dedução da pensão alimentícia, pois decorrente de obrigação legal, não devendo ser confundido o limite de idade para fins de relação de dependência no imposto de renda, regido pelas normas de direito tributário, com limite de idade para fins de concessão de pensão alimentícia, regido pelas normas do direito civil.
Numero da decisão: 9202-007.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. MAIORES DE 24 ANOS. POSSIBILIDADE. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF. Consoante o Enunciado de Súmula CARF, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. No direito de família, não há limitação etária para a concessão da pensão alimentícia, sendo uma questão de análise casuística frente as necessidades do alimentando e as possibilidades do alimentante. Faz jus o contribuinte à dedução da pensão alimentícia, pois decorrente de obrigação legal, não devendo ser confundido o limite de idade para fins de relação de dependência no imposto de renda, regido pelas normas de direito tributário, com limite de idade para fins de concessão de pensão alimentícia, regido pelas normas do direito civil.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 11080.733248/2014-38

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5901353

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9202-007.121

nome_arquivo_s : Decisao_11080733248201438.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

nome_arquivo_pdf_s : 11080733248201438_5901353.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).

dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018

id : 7423275

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:27 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870070902784

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11080.733248/2014­38  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­007.121  –  2ª Turma   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOAO CARLOS RIBEIRO NORONHA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2012  DEDUÇÃO.  PENSÃO  ALIMENTÍCIA.  MAIORES  DE  24  ANOS.  POSSIBILIDADE. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF.  Consoante o Enunciado de Súmula CARF, a dedução de pensão alimentícia  da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face  das  normas  do  Direito  de  Família,  quando  comprovado  o  seu  efetivo  pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado  judicialmente,  bem  como,  a  partir  de  28  de  março  de  2008,  de  escritura  pública  que  especifique  o  valor  da  obrigação  ou  discrimine  os  deveres  em  prol do beneficiário.  No  direito  de  família,  não  há  limitação  etária  para  a  concessão  da  pensão  alimentícia,  sendo uma  questão  de  análise  casuística  frente  as  necessidades  do alimentando e as possibilidades do alimentante.  Faz  jus  o  contribuinte  à  dedução  da  pensão  alimentícia,  pois  decorrente de  obrigação  legal,  não devendo  ser confundido o  limite de  idade para  fins de  relação de dependência no imposto de renda, regido pelas normas de direito  tributário, com limite de idade para fins de concessão de pensão alimentícia,  regido pelas normas do direito civil.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente  convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 32 48 /2 01 4- 38 Fl. 196DF CARF MF     2 Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em Exercício.   (assinado digitalmente)  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes,  Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional contra o Acórdão n.º 2202­003.947 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento  do CARF,  em 9  de  junho de  2017,  no  qual  restou  consignada  a  seguinte ementa, fls. 143:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário:  2012  DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO  IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.  Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela  legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo  da autoridade lançadora (Decreto­Lei n° 5.844, de 1943, art. 11,  § 3°).  PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.  A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  é  permitida,  em  face  das  normas  do  Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento  e  a  obrigação  decorra  de  decisão  judicial,  de  acordo  homologado  judicialmente, bem como, a partir de 28 de março  de  2008,  de  escritura  pública  que  especifique  o  valor  da  obrigação  ou  discrimine  os  deveres  em  prol  do  beneficiário.  (Súmula CARF nº 98)  A  pensão  alimentícia  judicial  descontada  do  décimo  terceiro  salário  já  constituiu  dedução  desse  rendimento,  sujeito  à  tributação exclusiva na fonte.  A  utilização  da  dedução  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  implicaria na duplicação da dedução.  O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 157 a 161, foi admitido, por  meio do Despacho de fls. 172 a 176, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à dedução  de pensão judicial paga aos filhos maiores de 24 anos.  Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11080.733248/2014­38  Acórdão n.º 9202­007.121  CSRF­T2  Fl. 3          3 Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que:  a) para que  eventuais  repasses  financeiros a  filho maior de 24  anos de idade possam ser classificados como pensão alimentícia,  necessário  seria  que  ficasse  comprovada  a  sua  incapacidade  para  o  trabalho  ou  a  falta  de  condições  de  prover,  pelo  seu  trabalho, a sua própria mantença, nos termos do artigo 1.695 do  Código Civil,  o  que  não  restou  evidenciado  no  v.  acórdão  ora  recorrido;  b) entender o contrário, acabaria por tirar o próprio sentido da  norma,  pois  estaria  se  permitindo  uma  dedução  de  imposto  de  renda,  mesmo  para  pessoas  com  capacidade  laborativa  e  maiores de idade.  Intimada, o Contribuinte apresentou contrarrazões, na qual aduz, em síntese:  a) a pensão alimentícia descontada em folha só poderá ocorrer  por  ordem  judicial,  sendo  assim,  no  momento  em  que  o  juízo  prolata a sentença, esta é impositiva, afastando a liberalidade e,  por consequência, afastada a liberalidade, é possível a dedução;  b) não cabimento do recurso especial da Fazenda;  c) manutenção do acórdão recorrido.  É o relatório.    Voto             Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora  1. Do conhecimento.  Aduz a recorrida o não cabimento do recurso interposto pela Procuradoria da  Fazenda, diante do fato de a matéria ser objeto de Súmula do CARF (n.º 98).  Não obstante os relevantes argumentos mencionados, merece ser conhecido o  Recurso Especial  da Fazenda,  pois  a  discussão  decorre  da  interpretação  acerca da  expressão  "normas de direito de família" contido no referido Enunciado.  A matéria, assim requer um trabalho interpretativo, não decorrendo da pura e  simples literalidade da súmula, razão pela qual conheço do recurso especial.  2. Do mérito.  Consoante  narrado,  a  controvérsia  suscitada  se  refere  à  possibilidade  de  dedução de pensão judicial paga aos filhos maiores de 24 anos.  Sobre  a  matéria,  cabe  mencionar  o  Enunciado  de  Súmula  CARF  n.º  98  abaixo transcrito:  Fl. 198DF CARF MF     4 Súmula CARF nº 98 A dedução de pensão alimentícia da base  de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em  face das normas do Direito de Família, quando comprovado o  seu  efetivo  pagamento  e  a  obrigação  decorra  de  decisão  judicial,  de  acordo  homologado  judicialmente,  bem  como,  a  partir  de  28  de  março  de  2008,  de  escritura  pública  que  especifique  o valor  da  obrigação ou discrimine  os  deveres  em  prol do beneficiário.  Com a análise do referido Enunciado, a fim de buscar aplicação condizente  com  os  precedentes  que  lhe  deram  origem,  trago  os  trechos  do  Acórdão  2101­002136,  que  assim dispõe:  Por  fim,  penso  ser  necessário  estampar  que  não  me  passou  despercebido que, no  ano de  2004,  os dois  filhos  tinham  idade  superior a 24 anos. Tal fato poderia ser considerado impeditivo  à dedução, pois existe o entendimento de que o dever de pagar  pensão  alimentícia  aos  filhos  capazes  cessão  aos  24  anos.  Entretanto deparei­me com o  conteúdo da Súmula 358 do STJ,  de  13/08/2008,  publicada no DJE  de  08/09/2008,  que  possui  o  seguinte enunciado:  O  cancelamento  de  pensão  alimentícia  de  filho  que  atingiu  a  maioridade  está  sujeito  à  decisão  judicial,  mediante  contraditório, ainda que nos próprios autos.  Assim,  além  de  não  existir  disposição  legal  expressa  quanto  à  idade  máxima  para  o  pagamento  de  pensão  alimentícia  aos  filhos,  existe  entendimento  judicial  consolidado  de  que  esse  dever  somente  cessa  com decisão  da  justiça,  o  que  garante  ao  recorrente  o  direito  de  deduzir  a  pensão  alimentícia  da  filha  maior de 24 anos.  Percebe­se, desse modo, que o precedente em comento trata de caso similar  ao dos autos, devendo, assim, receber o mesmo tratamento jurídico, considerando a aplicação  do Enunciado de Súmula CARF 98 que assevera ser possível a dedução da pensão alimentícia  em face dos direitos de família.  No  direito  de  família,  o  direito  à  pensão  alimentícia  decorre  do  binômio  necessidade/possibilidade,  necessidade  do  alimentando  e  possibilidade  do  alimentante,  associada à relação de parentesco, casamento ou união estável.  Para  Orlando  Gomes  e  Maria  Helena  Diniz,  os  alimentos  podem  ser  conceituados como prestações devidas para a satisfação das necessidades pessoais daquele que  não pode provê­las pelo trabalho.  Nota­se  que  o  bem  jurídico  protegido  pelo  direito  de  família  é  a  pessoa  humana, na perspectiva constitucional do direito social à alimentação (art. 6º da CF).  Assim, não há limitação etária para a concessão da pensão alimentícia, sendo  uma questão de análise casuística frente as necessidades do alimentando e as possibilidades do  alimentante.  Uma vez concedida a pensão alimentícia, não há perda automática do direito  à percepção dos alimentos, nas hipóteses em que não mais se vislumbram os fatos ensejadores  do direito, sendo necessária sua exoneração judicial, nos termos da Súmula 209 do STJ:  Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11080.733248/2014­38  Acórdão n.º 9202­007.121  CSRF­T2  Fl. 4          5 O  cancelamento  de  pensão  alimentícia  de  filho  que  atingiu  a  maioridade  está  sujeito  à  decisão  judicial,  mediante  contraditório, ainda que nos próprios autos.  Portanto,  no  presente  caso,  verifica­se  a  obrigatoriedade  do  dispêndio  do  Contribuinte com a pensão alimentícia, e, não havendo limite de idade, para o direito civil, não  há que se exigir para fins de dedução.  Ora,  não  se  deve  confundir  limite  de  idade  para  fins  de  relação  de  dependência  no  imposto  de  renda  com  limite  de  idade  para  fins  de  concessão  de  pensão  alimentícia.  Diante do exposto, conheço do Recurso Especial, para, no mérito, negar­lhe  provimento.  (assinado digitalmente)  Ana Cecília Lustosa da Cruz.                                  Fl. 200DF CARF MF

score : 1.0
7443198 #
Numero do processo: 10865.905434/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201808

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10865.905434/2012-23

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5912801

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3401-001.463

nome_arquivo_s : Decisao_10865905434201223.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO

nome_arquivo_pdf_s : 10865905434201223_5912801.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório

dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018

id : 7443198

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:19 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870072999936

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.905434/2012­23  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3401­001.463  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de agosto de 2018  Assunto  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ­ PIS/PASEP  Recorrente  ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em diligência,  para:  (a) confirmar  se os  valores dos débitos constantes da DCTF  Retificadora  correspondem  aos  efetivos  valores  devidos  nesta  competência,  valendo­se,  inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar  as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após  o  confronto,  identificar  a  efetiva  existência  de  créditos  pleiteados  na  PER/DCOMP;  e  (d)  elaborar  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  a  respeito  dos  procedimentos  realizados,  cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste­se no prazo de 30 dias.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Cássio Schappo ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes,  Tiago  Guerra  Machado,  Marcos  Roberto  da  Silva  (suplente  convocado),  André  Henrique  Lemos,  Lazaro  Antonio  Souza  Soares,  Cássio  Schappo,  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).   Relatório    Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela  3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a  Manifestação de Inconformidade.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 05 43 4/ 20 12 -2 3 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10865.905434/2012­23  Resolução nº  3401­001.463  S3­C4T1  Fl. 3            2 Dos Fatos  A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 30492.65305.170708.1.2.04­1410 a  restituição  de  PIS  (cód.8109)  do  período  de  apuração  02/2008  no  valor  de R$  1.072,81  por  recolhimento  a  maior  que  o  devido  através  de  DARF  no  valor  de  R$  1.120,29  na  data  de  19/03/2008.  Do Despacho Decisório  A  DRF  de  Limeira/SP  em  apreciação  ao  pleito  da  contribuinte  proferiu  Despacho  Decisório  com  data  de  emissão  01/10/2012,  rastreamento  nº  038110527  (e­fls.7),  pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito  relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação  de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 29/02/2008.   Da Manifestação de Inconformidade  Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de  Inconformidade (e­fls.5), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que:  a) “Foi apresentada DCTF RETIFICADORA n° 39.38.44.74.99­90, declarando que o Pis/Pasep (8109­ 02)  no  período  em  questão  é  de  R$  47,48  (QUARENTA  E  SETE  REAIS  E  QUARENTA  E  OITO  CENTAVOS)”; b) “A diferença de R$ 1.072,81 (UM MIL, SETENTA E DOIS REAIS E OITENTA E  UM  CENTAVOS),  refere­se  ao  Pis/Pasep,  calculado  indevidamente,  sobre  a  venda  de  Tubo  de  Escapamento  (87.08)  que  conforme  §  2°,  I,  do  artigo  3°,  da  Lei  n°  10.485,  de  03.07.2002,  ficam  reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”.  Do Julgamento de Primeiro Grau  Encaminhado  os  autos  à  3ª  Turma  da  DRJ/FOR,  esta  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  cujos  fundamentos  encontram­se  sintetizados  na  ementa  assim elabora:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Ano­calendário: 2008   PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO TOTALMENTE  ALOCADO.  RETIFICAÇÃO  DCTF  POSTERIOR  À  CIÊNCIA  DESPACHO  DECISÓRIO.  ERRO  NÃO  COMPROVADO.  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  Tendo  sido  comprovado  que  o  DARF  indicado  pelo  contribuinte  em  declaração de  compensação pagamento  indevido ou a maior  ­ estava  totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada  a inexistência do direito creditório.  A  retificação  da  DCTF  posteriormente  à  ciência  do  Despacho  Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito  creditório,  sem  a  apresentação  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  não  tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração.  Do Recurso Voluntário  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.905434/2012­23  Resolução nº  3401­001.463  S3­C4T1  Fl. 4            3 O sujeito passivo  ingressou  tempestivamente com  recurso voluntário  (e­fls.40)  contra  a  decisão  de  primeiro  grau,  pedindo  sua  reforma  e  homologação  da  compensação  procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que no ano de 2002 foi publicada a Lei nº  10.485  que  estabeleceu  alíquota  funcional  de  0%  sobre  produtos  sujeitos  à  tributação  monofásica, daqueles listados em seus anexos I e II; (b) que a recorrente atua no segmento de  auto  peças,  dentre  eles  o  produto  denominado  “SILENCIOSO”  classificado  na  posição  87.08.92.00  (NCM),  listado  no  Anexo  I  da  Lei  nº  10.485/2002;  (c)  que  em  termos  de  comprovação  do  indébito,  caso  não  seja  suficiente  os  elementos  de  prova  detalhada  ora  juntados,  seja  dado  tratamento  semelhante  ao  da  Resolução  nº  3803­000.330  da  3ª  Turma  Especial  da  3ª  Seção  de  Julgamento,  determinando  a  realização  de  diligência;  (d)  junta  relatórios  e  livros  fiscais  como  elementos  de  provas,  devendo  prevalecer  a  verdade material  sobre a formal, conforme precedente dessa casa, Acórdão 1802­001.958.  Dando­se  prosseguimento  ao  feito  o  presente  processo  foi  objeto  de  sorteio  e  distribuição à minha relatoria.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Relator Cássio Schappo  O  recurso  voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  dele  tomo conhecimento.  O  direito  a  compensação  como  forma  de  extinção  de  crédito  tributário  tem  amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que:  Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o reconhecido  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  relativo  a  tributo  administrado  pela  RFB,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as  contribuições  previdenciárias,  cujo  procedimento  está  previsto  nos  arts.  44 a 48,  e as  contribuições  recolhidas para outras entidades ou  fundos.  A contribuinte alegou em sua manifestação de inconformidade que a origem do  crédito  está  relacionada  ao  fato  de  não  ter  seguido  o  que  fora  determinado  pela  Lei  nº  10.485/2002, que atribuiu alíquota “zero” de PIS/PASEP aos produtos submetidos à tributação  monofásica,  dentre  eles  o  produto  denominado  “Silencioso”,  classificado  na  posição  87.08.92.00.  Apresentou  DCTF  Retificadora  para  corrigir  o  valor  do  débito  anteriormente  declarado, só que após ter tomado ciência do Despacho Decisório.  O entendimento passado pela DRJ/FOR através do acórdão recorrido é que, “no  caso  de  aproveitamento  de  crédito  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  em  compensação,  carece  de  provas a retificação de declaração (DCTF, por exemplo) apresentada pelo contribuinte após ter sido  cientificado de que a declaração anterior não ratifica a existência do suposto crédito”   Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.905434/2012­23  Resolução nº  3401­001.463  S3­C4T1  Fl. 5            4 A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais que dão suporte a prática  de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela  autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte.  Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em  sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008:   Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento  de auditoria interna.  ...  Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração  retificada.  §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos  já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  Cabe  as  autoridades  administrativas  analisar  a  materialidade  dos  débitos  e  créditos  em  compensação,  eis  que  do  contrário  comprometem  a  regularidade  do  processo  administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade  nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972).  O  fato  relacionado  a  apresentação  de  DCTF  retificadora  em  data  posterior  a  emissão  de  Despacho  Decisório,  já  tem  entendimento  assentado  na  jurisprudência  deste  Conselho. Cita­se, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303­005.396,  de  25/07/2017,  que  analisando  caso  semelhante manteve decisão  proferida  no  acórdão  da 2ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  3ª  Seção  de  Julgamento,  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário.  De  onde  se  extrai:  “que  a  DCTF  retificadora,  nas  hipóteses  admitidas  por  lei,  tem  os  mesmos  efeitos  da  original,  podendo  ser  admitida  para  comprovação  da  certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro  lado “O crédito  tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a  apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”.   A administração  tributária  nos  dá orientação  sobre  o  tema,  através  do Parecer  Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  DEPOIS  DA  TRANSMISSÃO  DO  PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito  apto  a  ser  objeto  de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por  força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.905434/2012­23  Resolução nº  3401­001.463  S3­C4T1  Fl. 6            5 prejuízo,  no  caso  concreto,  da  competência da  autoridade fiscal  para  analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o  indébito tributário.  Não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento  inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação,  respeitadas  as  restrições  impostas  pela  IN  RFB  nº  1.110, de 2010.  Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do  PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar  em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão  do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito  (ou homologação  integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder.  Caso haja questão de direito a ser decidida ou a  revisão seja parcial,  compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo  de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo.  (...)  A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do  contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a  busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal.  Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento  em  diligência  para  a  repartição  de  origem  de  modo  que  seja  informado  e  providenciado  o  seguinte:  a)  ­  confirmar  se  os  valores  dos  débitos  constantes  da  DCTF  Retificadora  correspondem  aos  efetivos  valores  devidos  nesta  competência,  valendo­se,  inclusive,  dos  documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário;  b) ­ confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento  efetuado em DARF;  c)  ­  após o  confronto,  identificar  a  efetiva  existência de  créditos pleiteados na  PER/DCOMP;  d) ­ elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos  realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste­se no prazo  de 30 dias.  (assinado digitalmente)  Cássio Schappo  Fl. 91DF CARF MF

score : 1.0
7482720 #
Numero do processo: 10880.662132/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10880.662132/2012-67

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5920611

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1201-002.527

nome_arquivo_s : Decisao_10880662132201267.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

nome_arquivo_pdf_s : 10880662132201267_5920611.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado

dt_sessao_tdt : Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018

id : 7482720

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:55 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870075097088

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.662132/2012­67  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1201­002.527  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de setembro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  PS MED ASSISTENCIA MEDICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  E  PROCESSO  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA.  RENÚNCIA  AO  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO.  A  propositura,  pelo  contribuinte,  de  ação  judicial  com  o mesmo  objeto  do  processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via  administrativa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Gisele  Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar  e Ester Marques Lins  de Sousa  (Presidente).  Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 32 /2 01 2- 67 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662132/2012­67  Acórdão n.º 1201­002.527  S1­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  processo  administrativo  decorrente  de  Pedido  de  Restituição  eletrônico  ­  PER/DCOMP,  transmitido  pelo  contribuinte  a  fim  de  compensar  pretenso  saldo  credor de CSLL referente ao 1º trimestre/2007.  Por  meio  do  despacho  decisório  de  fls.,  o  pedido  foi  indeferido,  sob  a  alegação  de  que  o  DARF  informado  como  origem  do  crédito  já  teria  sido  integralmente  utilizado para quitar outro débito declarado.  O  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade.  Alega,  em  síntese:  (i)  que  o  crédito  é  legítimo,  uma  vez  que,  por  exercer  atividade  consistente  na  prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do  lucro  de  12%  para  CSLL,  e  não  de  32%,  como  equivocadamente  considerou  nas  suas  apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior  ao despacho decisório.  A DRJ,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual  de presunção de 12%.  Cientificada  da  decisão  de  piso,  a  empresa  interpôs  recurso  voluntário  por  meio  do  qual  reitera  as  razões  de  defesa,  bem  como  alega  que  possui  decisão  judicial  que  reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%.  É o relatório.  Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662132/2012­67  Acórdão n.º 1201­002.527  S1­C2T1  Fl. 4          3     Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1201­002.511,  de  21/09/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10880.662116/2012­ 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201­002.511):  Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio  diz  respeito  ao  enquadramento  ou  não  do  objeto  social  da  Recorrente no conceito de serviços hospitalares.  Assim,  caso  seja  verificado  que  a  empresa  presta  serviço  hospitalar,  cabível  o  reconhecimento  do  direito  creditório.  Caso  contrário,  ou  seja,  uma  vez  verificado  que  a  atividade  desenvolvida  é  outra,  correto  o  indeferimento  do  pedido de restituição.  Nesse  contexto,  e  por  mais  esforços  que  a  autoridade  fiscal responsável pelo  lançamento e a decisão da DRJ  tenham  empreendido  no  sentido  de  afastar  o  enquadramento  da  atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a  Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o  reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de  8% às suas atividades.  De  fato,  o  contribuinte  possui  sentença  que  deu  provimento  à  ação  judicial  por  ele  ajuizada  e,  inclusive,  já  transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do  percentual de 8% para fins de lucro presumido.  Abaixo  copio  o  quadro  do  movimento  do  processo  disponibilizado  eletronicamente  e  transcrevo  o  resumo  da  demanda, respectivamente:  PROCESSO  0022599­87.2013.4.03.6100  MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL  Todas as Movimentações  Seq  Data  Descrição  40  23/01/2015  ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.:  610007000412  39  05/12/2014  BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara)  Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.662132/2012­67  Acórdão n.º 1201­002.527  S1­C2T1  Fl. 5          4 38  28/11/2014  DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre:  DESPACHO DE FLS. 91  37  30/10/2014  DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG.  39/41  36  08/10/2014  REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO  35  08/10/2014  RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO  34  06/10/2014  AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO  33  06/10/2014  TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014  Complemento Livre: PARA PARTES  32  27/08/2014  RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL  31  27/08/2014  RECEBIMENTO NA SECRETARIA  30  18/08/2014  REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA   29  12/08/2014  DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre:   28  16/07/2014  DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55  27  02/07/2014  REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA  Trata­se  de  ação  ordinária,  com  pedido  de  tutela  antecipada, em que postula a autora a  inexigibilidade  do  percentual  de  presunção  de  32%  na  aplicação  do  Imposto  de  Renda  sobre  a  Pessoa  Jurídica  e  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime  de  apuração  do  lucro  presumido  às  atividades  hospitalares,  reconhecendo­se  como  corretos  os  percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que,  por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços  médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz ­  Unidade  Itaim,  atendendo  em  média  7.600  pacientes  por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas  alíquotas  menores  asseguradas  aos  prestadores  de  serviços  hospitalares.Sustenta  que  a  Receita  Federal  vinha  reconhecendo  às  clínicas  médicas  o  enquadramento tributário na qualidade de prestadores  de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado  após  a  edição  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  19/2007  e  da  Instrução  Normativa  RFB  n  791/2007,  com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram  a  possibilidade  de  enquadramento  da grande maioria  das clínicas na  tributação presumida da renda sob os  percentuais minorados.Entende que a Receita Federal  não  poderia  criar  um  novo  conceito  de  serviços  hospitalares  dissociado  do  Direito  Privado,  o  que  determina sejam afastados os atos impugnados.  Como se nota, a discussão que foi travada no processo  judicial  ­ direito à aplicação do percentual de 8% para  fins de  IRPJ no lucro presumido ­ tem o mesmo objeto do que se postula  no recurso voluntário ora interposto.  Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.662132/2012­67  Acórdão n.º 1201­002.527  S1­C2T1  Fl. 6          5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº  1,  que  assim  dispõe:  importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.  Em  razão,  então,  da  concomitância  apontada,  NÃO  CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO.  É como voto.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  não  conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)   Ester Marques Lins de Sousa                                Fl. 226DF CARF MF

score : 1.0
7465588 #
Numero do processo: 10945.001235/2007-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 14/11/2001, 15/02/2002, 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002, 14/02/2003, 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 14/11/2001, 15/02/2002, 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002, 14/02/2003, 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10945.001235/2007-97

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5915425

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1002-000.392

nome_arquivo_s : Decisao_10945001235200797.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10945001235200797_5915425.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.

dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018

id : 7465588

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:54 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870077194240

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T2  Fl. 97          1 96  S1­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10945.001235/2007­97  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1002­000.392  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  12 de setembro de 2018  Matéria  IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EMPRESA  EXCLUÍDA DO SIMPLES  Recorrente  NCA INFORMATICA LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 14/11/2001, 15/02/2002, 15/05/2002,  15/08/2002,  14/11/2002,  14/02/2003,  15/05/2003,  15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004  DCTF.  ATRASO  NA  ENTREGA.  APLICAÇÃO  DA  PENALIDADE.  Comprovada  a  sujeição  do  contribuinte  à  obrigação,  o  descumprimento  desta  ou  seu  cumprimento  em  atraso  enseja  a  aplicação  das  penalidades  previstas  na  legislação  de regência.   DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  RESPONSABILIDADE OBJETIVA  O  caráter  punitivo  da  reprimenda  obedece  a  natureza  objetiva.  Ou  seja,  queda­se  alheia  à  intenção  do  contribuinte  ou  ao  eventual  prejuízo  derivado  de  inobservância às regras formais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das  documentações alusivas à DIPJ 2003.    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 12 35 /2 00 7- 97 Fl. 97DF CARF MF     2 Ailton Neves da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Breno do Carmo Moreira Vieira ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva  (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo  Abrantes Nunes.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (e­fls. 53 à 67)  interposto contra o Acórdão  n°  06­23.280,  proferido  pela  3ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba/PR  (e­fls.  46  à  48),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  pela  ora  Recorrente.  Decisão  essa  ementada  nos  seguintes termos:  DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.  A  contribuinte  que,  obrigada  à  entrega  da DCTF,  a  apresenta  fora do prazo legal sujeita­se à multa estabelecida na legislação  de regência.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Os  argumentos  apresentados  na  Impugnação  são  reiterados  em  sede  de  Recurso  Voluntário,  de  modo  que  pretende  a  Contribuinte  o  afastamento  da  multa  por  descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF). Entende  que, estando de boa­fé, não deveria ser­lhe aplicada a penalidade pecuniária; e que sempre agiu  dentro da  lei,  razão pela qual não seria  justa  sua  repreensão. Por  fim, alega malferimento na  ampla  defesa  e  contraditório  no  que  cinge  à  apresentação  das  declarações.  Para  melhor  acurácia, valho­me da transcrição dos principais trechos do indigitado Recurso:  A Recorrente, nos anos de 2002 e 2004 estava sob o amparo da  Lei,  e  no momento  em  que  houve  a  exclusão  do  SIMPLES  e  a  conseqüente  notificação  por  parte  desta  Receita  Federal.  a  Recorrente  apresentou  as  declarações  retroativas,  conforme  Processo 10945.013717/2002­85.  Em suma, as declarações de IRPJ e DCTF não foram entregues  fora  do  tempo  por  culpa  ou  dolo  da  Recorrente,  apenas  acreditava­se  que  estava  dispensada  por  ser  enquadrada  no  SIMPLES, e uma vez alterada tal situação na há que se falar em  multa.  (...)  Assim,  como  as  leis  estão  preordenadas  a  reger  situações  futuras,  salvo  a  retroação  benéfica  que  tem  matriz  constitucional,  a  mudança  de  critério  interpretativa  do  fisco,  também,  só  pode acarretar  conseqüências  jurídicas a  partir de  então, e nunca, desde então.  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10945.001235/2007­97  Acórdão n.º 1002­000.392  S1­C0T2  Fl. 98          3 Ora,  isso  equivale  à  aplicação  retroativa  de  nova  lei  constitucionalmente vedada (art. 150, lll, a da CF),  (...)  A  Receita  Federal  simplesmente  notificou  a  Recorrente  para  apresentar as declarações, não lhe concedendo direito de defesa  para demonstrar o motivo pelo qual não haviam sido entregues,  e  assim  que  foram  entregues,  a  Receita  emitiu  as  multas  ora  impugnadas, aduzindo estarem fora do prazo.  Ora,  a  empresa  sequer  foi  intimada,  e  sequer  teve  a  oportunidade de apresentar suas alegações sobre a entrega com  atraso, e ao discorrer sobre o tema na sua IMPUGNAÇÃO,  foi  informada,  por  meio  do  Acórdão  recorrido,  que  o  tema  da  exclusão do Simples não poderia ser analisado por estar fora do  âmbito deste processo!!!  (...)  EM SUMA, a empresa não recebeu nenhum comunicado de que  deveria  justificar o motivo pelo qual as declarações  requeridas  com atraso, e simplesmente foi autuada, tendo somente a fase de  defesa  e  recurso  para  demonstrar  que  não  entregou  por  ser  optante do SIMPLES. E O QUE É MAIS GRAVE, a decisão ora  impugnada  diz  que  este  não  é  o  lugar  para  se  discutir  se  a  Recorrida  foi desenquadrada do SIMPLES,  ferindo­se de morte  os princípios do contraditório e ampla defesa. razão pela qual o  Acórdão deve ser anulado e substituído por outra decisão deste  C.  órgão  superior  de  julgamento,  evitando­se  que  a  discussão  ultrapasse as fronteiras administrativas e ingresso no campo do  Poder  Judiciário,  com  a  competente  Ação  Anulatória  de  Ato  Jurídico.  Em Resolução aprovada por unanimidade na sessão de 03 de abril de 2018,  requereu­se à Unidade de Origem o seguinte esclarecimento (e­fls. 70 à 73):  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,  converter o  julgamento do  recurso  em diligência à Unidade de  Origem, para verificar qual o termo final do prazo de 30 (trinta)  dias  dado  pelo  SECAT  para  apresentação  das  declarações  DCTF e DIPJ. A  legislação concedia 30  (trinta) dias de prazo,  após a exclusão, para apresentação das aludidas declarações.  Em  pronto  retorno,  a  indigitada  Unidade  de  piso  informou  que  o  dies  ad  quem para apresentação das DCTFs e DIPJs deu­se em 19/09/2006 (e­fl. :  Trata­se  de  processo  baixado  do  CARF,  Primeira  Seção  de  Julgamento,  Resolução  nº  1002­000.009  ­  Turma  Extraordinária/2ª Turma Ordinária.  Em síntese, a diligência visa elucidar qual o termo final do prazo  de 30  (trinta) dias dado pela SECAT ao contribuinte,  após  sua  exclusão do Simples, para apresentação das declarações DCTF  e DIPJ.  Fl. 99DF CARF MF     4 Conforme  se  verifica  nos  documentos  anexados,  o  contribuinte  teve  ciência  da  Intimação  SECAT  nº  098/2006  via  AR  dos  correios em 18/08/2006.  No calendário de 2006 trata­se de sexta­feira, resultando que o  prazo de 30 dias começou a fluir em 21/08/2006 (segunda­feira),  tendo por termo final, a nossa contagem, em 19/09/2006.  Sendo  o  requisitado  em  diligência  e  não  havendo  prejuízo  ao  interessado quanto as informações ora apresentadas, retorna­se  ao CARF para seguimento.  Juntaram­se  as DCTFs,  DIPJs  e  a  Intimação  SECAT  n°  098/2006,  com  as  respectivas datas de recebimento (e­fls. 75 à 93).  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Breno do Carmo Moreira ­ Relator  O presente Recurso Voluntário é  tempestivo e atende aos demais  requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.   Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso.  1. Da Exclusão do SIMPLES e do adimplemento das obrigações acessórias  Por  primeiro,  quedou­se  evidente  a  exclusão  da  Recorrente  à  modalidade  tributária do SIMPLES e de que  aquela  restou  devidamente  intimada de  tal  fato.  Isso  restou  comprovado de forma hialina com a  Intimação SECAT n° 098/2006, doravante acostada aos  autos e cujo teor colaciono abaixo (e­fl. 75):    Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10945.001235/2007­97  Acórdão n.º 1002­000.392  S1­C0T2  Fl. 99          5 Há  de  se  pontuar,  ainda,  que  essa  Intimação  foi  recebida  em  18/08/2006,  tendo  por  termo  final  em  19/09/2006. Noutro  giro,  ficou  claro  que  a  Recorrente  apresentou  tempestivamente a maior parte de sua documentação em 13/09/2006; sendo que apenas não o  fez tocante à:  a.  DIPJ  2003.  período  de  01/01/2002  a  31/12/2002  (e­fl  81).  Apresentada  em  22/09/2006.  Nesse espeque, quanto à obrigação de apresentar a Declaração em comento a  tempo  e  modo,  a  Recorrente  não  demonstrou  ­  de  modo  objetivo  ­  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. Por seu turno, o art.  7.º  da  Lei  n.º  10.426,  de  24  de  abril  de  2002,  com  a  redação  vigente  na  época  da  infração,  estabelece a obrigação de entrega da DIPJ, DCTF, DIRF e DACON, sob pena de aplicação de  multa, ao enunciar que:  Art.  7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da Pessoa  Jurídica  ­ DIPJ,  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ­ DCTF,  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica,  Declaração  de  Imposto de Renda Retido na Fonte  ­ DIRF e Demonstrativo de  Apuração de Contribuições Sociais ­ Dacon, nos prazos fixados,  ou  que  as  apresentar  com  incorreções  ou  omissões,  será  intimado  a  apresentar  declaração  original,  no  caso  de  não­ apresentação,  ou  a  prestar  esclarecimentos,  nos  demais  casos,  no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal ­ SRF, e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:  (Redação  dada  pela  Lei  n.º  11.051, de 2004)  (...)  § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I,  II  e  III  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado  para  a  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva entrega ou, no caso de não­apresentação, da lavratura do  auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004)  Constrói­se,  a partir do  texto  acima  transcrito,  a  norma  jurídica  instituidora  do  dever  instrumental  de  entregar  declaração,  a  instituidora da  regra­matriz  sancionadora  da  violação  deste  dever  instrumental  e  a  instituidora  da  regra­matriz  da  lavratura  da  autuação.  Estas,  em  conjunto,  atuando  sistemicamente,  regulam,  de  modo  objetivo  e  transpessoal,  as  condutas  intersubjetivas,  via  modal  deôntico  obrigatório,  no  sentido  de  que,  uma  vez  descumprida  a  obrigação  de  dar/entregar,  a  qual  estava  obrigado  a  contribuinte,  impõe­se  a  autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a  multa.  Se  havia  o  dever  jurídico  de  adimplir  a  obrigação  de  entregar  a  DCTF,  no  prazo  estabelecido,  descumprido  o  comando  normativo,  surge  para  a  administração  tributária  o  direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente  obrigado  a proceder  com  o  lançamento,  sob  pena de  violar  a norma  enunciada no  parágrafo  único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN).  Some­se  a  isto  o  fato  de  que  a  análise  deve  seguir  o  critério  objetivo,  não  sendo  necessário  perquirir  sobre  a  existência  de  eventuais  prejuízos  pela  não  entrega  da  declaração.  A  sanção  queda­se  alheia  à  vontade  da  Contribuinte  ou  ao  eventual  prejuízo  derivado  da  inobservância  das  regras  de  cumprimento  do  dever  instrumental.  A  Fl. 101DF CARF MF     6 responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem  como  da  efetividade,  natureza  e  extensão  dos  efeitos  do  ato,  conforme  estabelece  expressamente o art. 136 do CTN.  Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa  um  viés  autônomo  do  tributo.  Nessa  trilha,  quando  se  descumpre  a  indigitada  obrigação,  exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal,  relativamente  à  penalidade  pecuniária  (art.  113,  §  3°,  do  CTN).  Isto  porque,  o  art.  113  do  CTN  ao  enunciar  que  “a  obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito  de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor  equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de  igual maneira para todos os fins de exigibilidade.  A importância do cumprimento do dever instrumental deve­se à necessidade  de  transportar  para  o  mundo  jurídico,  via  linguagem  competente,  elementos  enriquecedores  para  que  seja  possível  a  instauração  da  pretensão  tributária,  principalmente  facilitando  o  estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente.   Aliás,  este  Egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  analisando  caso  semelhante,  já  decidiu  no  mesmo  sentido.  Peço  vênia  para  transcrever  a  ementa, verbo ad verbum:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2001  DCTF.  ENTREGA  EXTEMPORÂNEA.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  MULTA  PECUNIÁRIA.  O  retardamento  da  entrega  de  DCTF  constitui  mera  infração  formal.  Não  sendo a  entrega  serôdia  infração de natureza  tributária,  e  sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória  autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea,  é  legal  a  aplicação  da  multa  pelo  atraso  de  apresentação  da  DCTF.  As  denominadas  obrigações  acessórias  autônomas  são  normas  necessárias  ao  exercício  da  atividade  administrativa  fiscalizadora  do  tributo,  sem  apresentar  qualquer  laço  com  os  efeitos do fato gerador do tributo.  A multa  aplicada  decorre  do  exercício  do  poder  de  polícia  de  que  dispõe  a  Administração  Pública,  pois  o  contribuinte  desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que  cria dificuldades na fase de homologação do tributo.  (...)  ÔNUS DA PROVA.  Para  elidir  o  fato  constitutivo  do  direito  do  fisco,  incumbe  ao  sujeito  passivo  o  ônus  probatório  da  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo.  (CARF,  Recurso  Voluntário,  Acórdão  1802­001.539  ­  2ª  Turma  Especial,  Rel.  Conselheiro  Nelso  Kichel,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  06/02/2013)  Demais  disto,  observo  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  possui  precedente  acerca  da  legalidade  da  exigibilidade  da  multa  por  descumprimento  do  dever  instrumental de entregar declaração, veja­se:  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10945.001235/2007­97  Acórdão n.º 1002­000.392  S1­C0T2  Fl. 100          7 TRIBUTÁRIO.  MULTA  PELO  DESCUMPRIMENTO  DA  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  AUSÊNCIA  DE  ENTREGA  DE  DCTF.  ARTIGO  11,  §§  1º  e  3º,  DO  DECRETO­LEI  1.968/82  (REDAÇÃO DADA PELO DECRETO­LEI 2.065/83).  1.  A  multa  pelo  descumprimento  do  dever  instrumental  de  entrega  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais ­ DCTF rege­se pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do  Decreto­Lei 1.968/82 (redação dada pelo Decreto­Lei 2.065/83),  verbis:  "Art.  11.  A  pessoa  física  ou  jurídica  é  obrigada  a  informar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  os  rendimentos  que,  por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no  ano  anterior,  bem  como  o  Imposto  de Renda  que  tenha  retido.  (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.065, de 1983).  §  1º  A  informação  deve  ser  prestada  nos  prazos  fixados  e  em  formulário  padronizado  aprovado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.065, de 1983).  § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN  para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou  omitidas,  apuradas nos  formulários  entregues  em cada período  determinado.  (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.065, de 1983).  § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º)  for apresentado após o  período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês­ calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no  parágrafo anterior. (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.065, de  1983).  § 4º Apresentado o formulário, ou a informação,  fora de prazo,  mas  antes  de  qualquer  procedimento  ex  officio,  ou  se,  após  a  intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado,  as  multas  cabíveis  serão  reduzidas  à  metade.  (Redação  dada  pelo Decreto­Lei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do  Decreto­Lei  1.968/82,  instituiu  o  dever  instrumental  do  contribuinte  (pessoa  física  ou  jurídica)  da  entrega  de  informações,  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  sobre  os  rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de  renda porventura retido (caput).  3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário  padronizado,  sendo  certo  que  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  126/1998  instituiu  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  ­  DCTF  a  ser  apresentada  pelas  pessoas  jurídicas.  4.  O  inadimplemento  da  obrigação  de  entrega  da  DCTF,  no  prazo estipulado,  importa na aplicação de multa de 10 ORTN's  (§  3º,  do  artigo  11,  do  DL  1.968/82),  independentemente  da  sanção prevista no § 2º  (multa de 1 ORTN para cada grupo de  cinco  informações  inexatas,  incompletas  ou  omitidas,  apuradas  em cada DCTF).  5. Conseqüentemente, revela­se escorreita a penalidade aplicada  para cada declaração apresentada extemporaneamente.  6. Recurso especial desprovido.  (REsp  1081395/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009)  Fl. 103DF CARF MF     8 2. Da violação à ampla defesa e contraditório e retroatividade da lei tributária  Ademais,  não  há  que  se  falar  em  malferimento  à  ampla  defesa  e  contraditório,  tampouco  em  violação  à  retroatividade  da  lei  tributária.  O  presente  Processo  Administrativo  cumpriu  com  seu  regular  deslinde,  apresentando  todas  as  oportunidades  de  defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada  qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72.  Noutro giro, o arcabouço probatório logrou afastar a maior parte das multas  aplicadas, de modo que restou comprovado apenas o atraso na entrega da DIPJ 2003.  Conclusão  Com  tudo  o  que  foi  exposto  nos  tópicos  anteriores,  resta  claro  que  os  argumentos  esposados  pela  Recorrente  não  merecem  ser  acolhidos  em  totalidade.  Portanto,  VOTO pelo PROVIMENTO PARCIAL do Recurso Voluntário, para manter apenas as multas  por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003.    (assinado digitalmente)  Breno do Carmo Moreira Vieira                               Fl. 104DF CARF MF

score : 1.0
7423198 #
Numero do processo: 10840.909848/2011-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/11/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/11/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10840.909848/2011-29

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5901323

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9303-007.212

nome_arquivo_s : Decisao_10840909848201129.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS

nome_arquivo_pdf_s : 10840909848201129_5901323.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).

dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018

id : 7423198

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870080339968

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10840.909848/2011­29  Recurso nº  1   Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­007.212  –  3ª Turma   Sessão de  12 de julho de 2018  Matéria  PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Recorrente  FUGINI ALIMENTOS LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do Fato Gerador: 30/11/2005  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.      Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidas as  conselheiras  Érika  Costa  Camargos  Autran  e  Tatiana  Midori  Migiyama,  que  lhe  deram  provimento.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 48 /2 01 1- 29 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909848/2011­29  Acórdão n.º 9303­007.212  CSRF­T3  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência  interposto pelo Contribuinte  contra o acórdão n.º 3802­002.500, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma  Especial  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  deste  CARF,  decisão  que,  por  unanimidade  de  votos, negou provimento ao recurso voluntário.   Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do Fato Gerador: 30/11/2005   INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  NÃO  DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE   A  restituição  de  indébitos  tributários  decorrente  de  suposto  pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja  o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem  o  ônus  de  provar,  com  a  apresentação  de  documentação  suficiente, o direito em que se alicerça.   (...)  Recurso ao qual se nega provimento.   O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às  seguintes  matérias:  1  ­  Exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS;  2  ­  Necessidade de diligência  fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das  alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material.  O Recurso Especial  do Contribuinte  foi  admitido  parcialmente,  conforme  despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do  CARF,  apenas  quanto  à  segunda  matéria  (questão  da  prova).  O  seguimento  parcial  foi  ratificado pelo reexame da admissibilidade.  A  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  manifestando  pelo  não  provimento do recurso especial do Contribuinte.  É o relatório, em síntese.   Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909848/2011­29  Acórdão n.º 9303­007.212  CSRF­T3  Fl. 4          3     Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.177, de  12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/2012­28, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­007.177):  "Da Admissibilidade  O Recurso Especial da Contribuinte é  tempestivo e, depreendendo­se da análise de  seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154,  senão vejamos:   Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência  jurisprudencial,  argumentando  que  acórdão  recorrido,  ao  examinar  questão  relativa  à  restituição  de  indébitos  tributários  decorrente  de  suposto  pagamento  a  maior  ou  indevido,  decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o  ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo.   Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao  tratar da mesma  matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de  promover  a  análise  da  liquidez  e  certeza  do  alegado  crédito,  com  base  nos  documentos  existentes  dos  autos  e  outros  mais  que  entender  necessários,  intimando  o  contribuinte  para  apresentá­los se for o caso, em face do princípio da verdade material.  Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões  evidencia  a  divergência  entre  o  entendimento  exarado  no  acórdão  recorrido  e  os  acórdãos  paradigmas.  Diante do exposto, comprovada a divergência, voto  no  sentido  de conhecer  do recurso interposto pelo Contribuinte.  Do Mérito  (...)1  Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de  divergência da contribuinte.                                                              1 Deixou­se de  transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por  ter sido  posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do  voto consta do acórdão do paradigma (9303­007.177).  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909848/2011­29  Acórdão n.º 9303­007.212  CSRF­T3  Fl. 5          4 Tendo em vista que o  recurso especial  foi conhecido apenas  em  razão do acórdão  paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação  de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me  fixarei nesse tema.  O referido paradigma, de nº 3302­002.225, traz o entendimento de que nos autos não  constava  nenhuma  comprovação  do  direito  creditório  alegado,  decorrente  de  pagamento  indevido ou maior,  e por  isso o  contribuinte  requereu diligência  a  fim de que se  apurasse o  crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerou­se que  a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte  solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações  da contribuinte.  Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O  caput  do  artigo  170  do  CTN,  ao  tratar  da  extinção  do  crédito  tributário  pela  compensação,  estipula:  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a Fazenda  pública.  (Grifei.)  Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado:  Art.  74. O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  (...)  §  14. A  Secretaria  da Receita Federal  ­ SRF disciplinará  o  disposto  neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para  apreciação  de  processos  de  restituição,  de  ressarcimento  e  de  compensação.  (Grifei.)  A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005,  na qual estipulava:  COMPENSAÇÃO.   COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO   Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o reconhecido  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrados  pela  SRF,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá utilizá­lo na  compensação de  débitos próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados pela SRF.  § 1º A  compensação de que  trata  o  caput  será  efetuada pelo  sujeito  passivo  mediante  apresentação  à  SRF  da  Declaração  de  Compensação  gerada  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou,  na  impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909848/2011­29  Acórdão n.º 9303­007.212  CSRF­T3  Fl. 6          5 formulário Declaração de Compensação  constante  do Anexo  IV,  ao  qual  deverão  ser  anexados  documentos  comprobatórios  do  direito  creditório.  (Grifei.)  Além  de  reproduzir  o  ditame  legal  em  seu  caput,  o  art.  26  no  §  1º  já  indicava  a  necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a  compensação fosse realizada através de formulários em papel.  A  contribuinte  realizou  seu  PER/DCOMP,  solicitando  crédito  no  montante  originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à e­fl. 05, pelo qual os créditos do  DARF  que  suportavam  seu  pedido,  de  R$  226.212,51,  estariam  totalmente  alocados;  restringiu­se à discussão  jurídica sobre  restituição de indébitos de  ICMS,  sem apontar como  concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS.   Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela  legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte,  em  face  de  suposta  existência  de  créditos  por  ele  alegada,  devendo  esses  créditos  serem  líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à  administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação  do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de  apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas  juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido.  Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº  14­41.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra:   Mas,  para  tanto,  a  alegação  deveria  vir  acompanhada  da  documentação  comprobatória  da  existência  do  pagamento  a  maior,  mesmo  porque,  nesse  caso,  o  ônus  da  comprovação  do  direito  creditório  é  do  contribuinte,  pois  se  trata  de  uma  solicitação  de  restituição, de seu exclusivo interesse.  Nesse  contexto,  não  se  pode  olvidar  que  nos  termos  do  artigo  333,  inciso  I,  do  Código  de  Processo  Civil,  ao  autor  incumbe  o  ônus  da  prova  dos  fatos  constitutivos  do  seu  direito.  Conseqüentemente,  as  PER/DCOMP  devem  estar,  necessariamente,  instruídas  com  as  devidas  provas  do  indébito  tributário  no  qual  se  fundamentam,  sob  pena de indeferimento.  (Negritei.)  Mesmo  assim,  em  sede  de  recurso  voluntário  a  contribuinte  volta  a  requerer  diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado.  Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em  face da ausência de comprovação do direito creditório.  Pelo  exposto,  voto  pelo  desprovimento  do  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte."  Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma,  no  presente  processo  a  contribuinte  também  não  indicou  "qualquer  prova  relativamente  à  apuração do valor do crédito pleiteado".  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909848/2011­29  Acórdão n.º 9303­007.212  CSRF­T3  Fl. 7          6 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi  conhecido e, no mérito, o colegiado negou­lhe provimento.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                            Fl. 157DF CARF MF

score : 1.0
7419626 #
Numero do processo: 16682.721151/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL. Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, torna-se cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105)
Numero da decisão: 1201-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201808

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL. Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, torna-se cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105)

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 16682.721151/2013-36

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5900847

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1201-002.460

nome_arquivo_s : Decisao_16682721151201336.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

nome_arquivo_pdf_s : 16682721151201336_5900847.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.

dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018

id : 7419626

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:14 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870124380160

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16682.721151/2013­36  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1201­002.460  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de agosto de 2018  Matéria  Multa Isolada por insuficiência de estimativas   Recorrente  FAZENDA NACIONAL        Interessado  BB ­ BANCO DE INVESTIMENTOS S/A              ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2009  MULTA  ISOLADA.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DAS  ESTIMATIVAS MENSAIS  IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO  E  JULHO  DE  2009,  CUMULADAS  COM  MULTA  DE  OFÍCIO  POR  FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL.  Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na  Lei  n°  11.488/2007,  que  alterou  a  redação  do  art.  44  da  Lei  n°  9.430/96,  torna­se cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das  estimativas,  relativas  aos  meses  de  2009,  e  ao  mesmo  tempo  da  multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento  de  CSLL  apurada  no  ajuste  anual  de  31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105)      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.         Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis  Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra  Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício.           (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa,  Eva  Maria  Los,  Gisele  Barra  Bossa,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Paulo  Cezar  Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique  Marotti Toselli.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 51 /2 01 3- 36 Fl. 1070DF CARF MF     2 Relatório  Em  ação  fiscal  empreendida  junto  ao  contribuinte  acima  identificado,  foi  lavrado  Auto  de  Infração  da  CSLL  de  fls.  727  a  735,  sob  o  fundamento  de  determinação  incorreta das bases de cálculo da CSLL dos anos­calendário de 2009 e 2010, uma vez que delas  não  constam  as  respectivas  adições  das  despesas  contabilizadas  de  amortização  de  ágios  originados das aquisições de investimentos avaliados pelo Patrimônio Líquido, do que resultou  a constituição de créditos  tributários que  totalizam R$ 16.304.486,49 de CSLL, acrescido da  multa de 75% e dos  juros de mora,  e R$ 4.138.476,72 de Multa Exigida  Isoladamente,  com  base no que estabelece o art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada  pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007.  A autuada apresentou impugnação para a qual, a 9a.Turma da DRJ do Rio de  Janeiro (DRJ1), proferiu o Acórdão nº 12­65.748, de 22/05/2014 (fls. 920/948), para considerar  integralmente  improcedente  o  crédito  tributário  constituído  de  R$  16.304.486,49  de  CSLL,  acrescido  da  multa  de  75%  e  dos  juros  de  mora,  e  de  R$  4.138.476,72  de  Multa  Exigida  Isoladamente –CSLL.  Em  razão  do  valor  exonerado,  a  DRJ  recorreu  de  ofício  ao  Conselho  Administrativo  de Recursos Fiscais,  de  acordo  com  o  art.  34  do Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  e  alterações  introduzidas  pela  Lei  nº  9.532,  de  10  de  dezembro  de1997,  e  Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008.   Cientificada do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs  Recurso  Especial,  admitido  pelo  CARF,  e  julgado  procedente  pela  1a  Turma  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais­CSRF, mediante o Acórdão nº 9101­003.005, de 08 de agosto de  2017  (fls.1.022/1.035)  que,  manteve  o  auto  de  infração  relativo  à  CSLL,  e  determinou  o  retorno dos  autos para pronunciamento da  turma a quo,  sobre a multa  isolada nos  seguintes  termos:   Enfim,  tendo  a  decisão  recorrida  dado  provimento  ao  recurso  voluntário  da  Contribuinte,  não  apreciou  a  matéria  relativa  à  multa  isolada  por  insuficiência  no  recolhimento  de  estimativas  mensais do ano calendário de 2007.(sic)  Cabe,  nesse  sentido,  o  retorno  dos  autos  para  a  turma  a  quo  apreciar a matéria.  É o relatório.  Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora  De acordo com o relatoriado, no presente voto será tratada, exclusivamente, a  multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal.  Conforme  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  ­  TVF,  página  27,  no  período  fiscalizado, as antecipações apuradas com base em balancetes de suspensão/redução foram as  relativas  aos  meses  de  Janeiro/2009,  Fevereiro/2009,  Junho/2009  e  Julho/2009,  sendo  que  apenas os meses de Junho/2009 e Julho/2009 foram afetados pela adição de ofício.  Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 16682.721151/2013­36  Acórdão n.º 1201­002.460  S1­C2T1  Fl. 3          3 Do  relatório  do  acórdão  da DRJ,  em  síntese,  insurge­se  a  autuada  contra  a  exigência  de multa  isolada  simultaneamente  com multa  de  lançamento  de  ofício;  argúi  que,  implica dupla  imposição de penalidade sobre um mesmo fato e uma mesma base de cálculo,  portanto merece ser afastada.  Do  auto  de  infração  (fls.727/735)  e  do  TVF,  depreende­se  que  as  multas  isoladas referem­se à insuficiência de estimativas da CSLL, e dizem respeito aos meses do ano  calendário de 2009, e não 2007 como dito no Acórdão da CSRF, portanto configurado o lapso  manifesto, prossegue­se na análise.  A Lei 9.430/96, em seu art. 44, inciso II, alínea b, com redação dada pelo art.  14  da Lei  11.488/2001,  prevê  a  aplicação  de multa  isolada de  50%,  para  o  caso  de  falta  ou  insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, neste caso, da CSLL Estimativa.  Vale tecer algum comentário sobre a cumulatividade de multa de ofício com  multa  isolada  por  insuficiência  de  estimativa  mensal,  que  devem  ser  afastadas  por  força  da  Súmula CARF nº 105, verbis:  Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento  de estimativas,  lançada com fundamento no art. 44 § 1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida  ao  mesmo  tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL  apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.  Como se vê, a Súmula tem como fundamento o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei  nº 9.430, de 1996.   Ocorre  que,  o  mencionado  dispositivo  legal  fora  alterado  pela  Medida  Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, vejamos:  Redação anterior:  Art.44.Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)  I­de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)  ....  §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:  ...  IV  ­isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o  lucro  líquido, na  forma do art.  2º,  que deixar de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­ calendário correspondente;  Fl. 1072DF CARF MF     4 ...  Redação após a Lei nº 11.488, de 2007:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes  multas:(Vide  Lei  nº  10.892,  de  2004)(Redação  dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)  ...  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  ...  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  No  caso  dos  autos,  as  multas  isoladas  aplicadas,  em  relação  aos meses  de  junho  e  julho  de  2009,  têm  como  fundamento  o  artigo  44,  inciso  II,  alínea  "b",  da  Lei  9.430/96,  porquanto  já  em  vigor  a  Medida  Provisória  nº  351/2007,  convertida  na  Lei  nº  11.488/2007, de sorte que a mencionada Súmula não se aplica ao presente processo, haja vista  que os fatos geradores das multas isoladas exigidas ocorreram em 2009, sob a égide da Lei nº  11.488/2007,  portanto,  sem  qualquer  óbice  legal  para  imposição  concomitante  da  multa  prevista em seu inciso I com aquela estabelecida no inciso II, alínea "b".  Desse modo,  tem­se  como  indiscutível  o  cabimento  da  incidência  da multa  isolada  pela  insuficiência  de  pagamento  das  estimativas  mensais  da  CSLL,  ainda  que  cumulativamente se exija a multa de ofício proporcional à contribuição devida no ajuste anual  do ano de 2009.  Portanto, ainda que em  face dos  autos de  infração se  exija o pagamento da  CSLL no ajuste anual, em 31/12/2009, com a multa de ofício de 75%, deve ser mantida a multa  isolada por  falta de  recolhimento de estimativas, nos presentes autos de  infração, em relação  aos mencionados meses de 2009.  Diante do  exposto,  voto no  sentido de dar provimento  ao  recurso de ofício  para manter as multas isoladas em comento.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa                            Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 16682.721151/2013­36  Acórdão n.º 1201­002.460  S1­C2T1  Fl. 4          5     Fl. 1074DF CARF MF

score : 1.0
7430253 #
Numero do processo: 19647.001370/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1994 a 31/05/2004 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL O pedido de restituição foi negado, em parte, em razão de o contribuinte supostamente tê-lo instruído por meio de guias de recolhimento de outro tipo de contribuição. Confirmado que tal erro não fora cometido, há que se cancelar o despacho decisório, por conter vício material.
Numero da decisão: 3301-004.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1994 a 31/05/2004 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL O pedido de restituição foi negado, em parte, em razão de o contribuinte supostamente tê-lo instruído por meio de guias de recolhimento de outro tipo de contribuição. Confirmado que tal erro não fora cometido, há que se cancelar o despacho decisório, por conter vício material.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 19647.001370/2005-18

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5904592

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3301-004.911

nome_arquivo_s : Decisao_19647001370200518.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 19647001370200518_5904592.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018

id : 7430253

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:53 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870205120512

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 165          1 164  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19647.001370/2005­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­004.911  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  COLÉGIO AMERICANO BATISTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/11/1994 a 31/05/2004  NULIDADE. VÍCIO MATERIAL  O  pedido  de  restituição  foi  negado,  em  parte,  em  razão  de  o  contribuinte  supostamente tê­lo instruído por meio de guias de recolhimento de outro tipo  de  contribuição.  Confirmado  que  tal  erro  não  fora  cometido,  há  que  se  cancelar o despacho decisório, por conter vício material.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário, para anular o despacho decisório.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Liziane  Angelotti  Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador  Candido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen  e  Winderley Morais Pereira (Presidente).  Relatório  Adoto o relatório da decisão de primeira instância:     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 13 70 /2 00 5- 18 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19647.001370/2005­18  Acórdão n.º 3301­004.911  S3­C3T1  Fl. 166          2 "Cuida o presente processo de PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS  no  valor  de  R$  351.603,18  (fl.01),  indeferido pela autoridade administrativa, qual seja, o Delegado da Receita Federal  do Brasil  em Recife  ­  PE,  segundo Despacho Decisório  proferido  em  07/07/2006  (fls.72), com fundamento no Termo de Informação Fiscal elaborado na mesma data  (fls.71).  2.  No  pedido,  que  se  fez  acompanhar  de  planilhas  (fls.16/18)  e  outros  elementos, dentre os quais cópias de i) Reforma do Estatuto do Colégio Americano  Batista  (fls.11/14),  ii)  diversos  Documentos  de  Arrecadação  de  Receitas  Federais  Darf  (fls.19/70),  a  contribuinte  alegou  ter  efetuado  pagamentos  indevidos  da  contribuição  referida,  tendo  apresentado  planilha  em  que  constam  pagamentos  realizados no período de novembro de 1994 a maio de 2004, dado que "(...) é imune  à  referida  contribuição  em  face  do  que  dispõe  o  art.  195,  §  7°  da  Constituição  Federal, uma vez que obedece a  todos os  requisitos previstos  '  o  art.14 do CTN e  art.55 da Lei n° 8.212/91."  3.  Conforme  relatado  no  mencionado  Termo  de  Informação  Fiscal,  a  contribuinte "( ... ) solicita restituição do PIS pelo fato da (sic) ser imune, em face do  disposto no art. 195 da Constituição Federal, anexa vários DARF'S de recolhimento  do  PASEP."  Aduz  que  "(  ...  )  verifica­se,  através  dos  sistemas  da  SRF,  que  o  contribuinte não recolhe PIS e sim PASEP sobre a folha de pagamento." Acrescenta  que o direito de pleitear a restituição já havia decaído para os pagamentos até 2001 e  conclui por propor o indeferimento do pedido "(...) pelo fato de não haver créditos  de PIS a restituir e por ter havido decadência do direito de pleitear restituição para os  pagamentos das  fls.19 a 70, anexados ao presente processo, conforme determina o  artigo 168 do Código Tributário Nacional e a Lei 8.383/91 e alterações posteriores."  4.  Devidamente  cientificada  do  mencionado  despacho  decisório  em  31/0712006  (Aviso  de Recebimento  ­ AR  às  fls.74),  a  pessoa  jurídica  apresentou,  em 24/08/2006, por intermédio de seu procurador (cópia do instrumento de mandato  às  fls.05), manifestação de  inconformidade (fls.75/81),  acompanhada de extrato de  CONSULTA  CÓDIGO  DE  RECEITA  ESPECÍFICO  (fls.82),  obtido  no  sítio  da  Receita Federal na internet. Por meio dessa peça de defesa, contesta o indeferimento  do seu pedido com os argumentos a seguir sintetizados.  4.1.  "O Recorrente  é  uma  entidade  beneficente  de  assistência  social  ,  SEM  FINS LUCRATIVOS, autorizada a funcionar como colégio nos termos do Decreto n  ° 10.844, de 19.11.1942, reconhecida como de utilidade pública federal pelo Decreto  n°  86.668,  de  30.11.1981  e  municipal  pela  Lei  n°  12.408,  de  16.12.1976,  reconhecida  como  uma  Entidade  Filantrópica  desde  08.04.1981,  isenta  do  recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, constituída sob a forma de  uma  sociedade  civil,  sem  fins  lucrativos,  cuja  finalidade  é  ministrar  a  educação  básica ( ... )."  4.2. "Nestas condições, o Contribuinte, ora Recorrente, goza de IMUNIDADE  TRIBUTÁRIA a  toda  e  qualquer  contribuição  social  para  o  custeio  da  seguridade  social,  incidente  sobre  a  sua  folha  de  salários,  nos  termos  do  art.  195,  §  7°  da  Constituição Federal de 1988."  4.3.  "(  ...  )  foi  equivocadamente  enquadrado  como  uma  pessoa  jurídica  simplesmente  SEM  FINS  LUCRATIVOS,  sendo,  por  conseguinte,  compelido  a  proceder com o recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social  ­ PIS, calculada mediante a aplicação do percentual de 1% (um por cento) incidente  sobre a sua folha de salários (Código 8301), nos termos da Resolução do Conselho  Monetário  Nacional  n°  174/1971,  na  Medida  Provisória  n°  1.212/95  e  suas  Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19647.001370/2005­18  Acórdão n.º 3301­004.911  S3­C3T1  Fl. 167          3 reedições, na Lei d 9.715/98 e, por  fim, com base na Medida Provisória n° 2.158­ 34/2001."  4.4.  "(  ...  )  apenas  as  ENTIDADES  `PURAMENTE'  SEM  FINS  LUCRATIVOS  é  que  estariam  sujeitas  aos  recolhimentos  da Contribuição  para  o  PIS sobre a Folha de Salários, e não as ENTIDADES FILANTRÓPICAS, posto que  estas últimas gozam de IMUNIDADE TRIBUTÁRIA."  4.5. Efetuou  recolhimentos  sob o Código 8301, que  significa PIS  ­ FOLHA  DE SALÁRIOS, como se pode verificar nas cópias dos Darf anexados aos autos, e  não de PASEP, como alegou o Auditor Fiscal;  4.6.  Discorre  sobre  o  seu  direito  à  restituição  dos  valores  indevidamente  recolhidos nos últimos dez anos, tendo em vista que o PIS sujeita­se ao lançamento  por  homologação,  entendimento  este  firmado  nas  jurisprudências  administrativa  e  judicial, consoante decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda  e do Superior Tribunal de Justiça  ­ STJ, em sede de Recurso Especial  ­ Resp, que  transcreve;  4.7. Ao final, pugna pelo reconhecimento do seu direito creditório, para fins  de restituição do PIS sobre a folha de salários."  A  DRJ  no  Recife  (PE)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente e o Acórdão n° 11­21.648, de 18 de fevereiro de 2008, foi assim ementado:  "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 0 1 /11/1994 a 31/05/2004  PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.  O direito de pleitear a restituição ou compensação de tributo ou  contribuição  pago  indevidamente  ou  em  valor  maior  que  o  devido extingue­se ao final do prazo de cinco anos, contados da  data  da  extinção  do  crédito  tributário,  ou  seja,  da  data  do  pagamento.  PIS. IMUNIDADE.  A  imunidade  concedida  pelo  §  7°  do  art.  195  da  Constituição  Federal alcança apenas as entidades beneficentes de assistência  social, desde que atendam às exigências legais elencadas no art.  55 da Lei n° 8.212, de 1991.   PIS.  IMUNIDADE.  INAPLICABILIDADE  ÀS  INSTITUIÇÕES  DE EDUCAÇÃO.  Pelas  atividades  desempenhadas,  as  instituições  de  educação,  ainda  que  sem  fins  lucrativos,  não  se  confundem  com  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  não  lhes  sendo  aplicável o beneficio constitucional a estas restrito.  PIS  SOBRE  O  FATURAMENTO.  INSTITUIÇÃO  DE  EDUCAÇÃO.  As  instituições  de  educação  sujeitam­se  normalmente  à  incidência do PIS sobre ó faturamento, nos  termos da  letra "a"  Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19647.001370/2005­18  Acórdão n.º 3301­004.911  S3­C3T1  Fl. 168          4 do inciso I do ia. 2% c/c o art. 3°, ambos do Decreto n° 4.524, de  2002.  Solicitação Indeferida"  Inconformado,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  em  que,  basicamente, repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator ­ Marcelo Costa Marques d'Oliveira  O  recurso  voluntário  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade  e  deve  ser  conhecido.  Em 23/02/2005,  a  recorrente  protocolizou Pedido  de Restituição  (fl.  03)  de  pagamentos de PIS sobre folha de pagamento, realizados no período de novembro de 1994 a  maio de 2004. Instruiu o pleito com alegação de que a contribuição não era devida, pois imune  à contribuição, nos termos do § 7° da Constituição Federal. E atendia aos requisitos previstos  no art. 14 do CTN e 55 da Lei n° 8.212/91.   A  fiscalização  indeferiu  o  pedido  por  dois  motivos:  i)  o  contribuinte  não  pagou PIS/Folha de Pagamento e sim PASEP/Folha de Pagamento; e ii) ainda que houvesse o  crédito, já teria decaído o direito à restituição dos valores indevidamente pagos até 2001  Na manifestação de inconformidade, afirmou que:  a) não se operara a decadência, pois, conforme entendimento então já exarado  pelo STJ, o prazo era de dez anos, contados do pagamento indevido ou a maior, nos casos de  pedidos protocolizados até 09/06/05;  b) era imune à contribuição, nos termos do § 7° da Constituição Federal, uma  vez que atendia aos requisitos previstos no art. 14 do CTN e 55 da Lei n° 8.212/91; e  c)  efetuara  recolhimentos  sob  o  Código  8301  ­  PIS/Folha  de  Pagamento,  conforme cópias dos Darf anexados à defesa, e não de PASEP/Folha de Pagamento.  A DRJ  ratificou a  incidência da decadência. Afirmou que a defendente não  era imune, pois não atendia aos incisos I ao IV do art. 55 da Lei n° 8.212/91 (o decreto que a  constituíra  como  de  utilidade  pública  já  havia  sido  revogado;  o  certificado  de  entidade  beneficente  não  continha  assinatura  e  estava  fora  de  validade,  não  prestava  serviços  gratuitamente e remunerava diretores).  Concluiu,  dizendo  que  o  contribuinte  estava  sujeito  ao  PIS  sobre  o  faturamento  e,  assim,  deveria  "providenciar  a  retificação  dos  DARF  pagos  naquela  modalidade  e,  ainda,  proceder  ao  recolhimento  das  diferenças  porventura  existentes,  na  modalidade PIS/Faturamento".  Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19647.001370/2005­18  Acórdão n.º 3301­004.911  S3­C3T1  Fl. 169          5 Por fim, consigna que era procedente o argumento da defesa de que recolhera  PIS/Folha de Pagamento (Código 8301) e não PASEP/Folha de Pagamento (Código 3092).  A meu ver, há vícios fatais tanto no Despacho Decisório quanto na decisão de  piso. Contudo, o primeiro ato administrativo é que deve ser objeto de nossa apreciação, pois  formou­se o contencioso administrativo a partir da contestação de seu conteúdo.  Constata­se  nos  autos  que  realmente  a  recorrente  recolheu  PIS/Folha  de  Pagamento  (Código  8031)  e  não  PASEP/Folha  de  Pagamento  (Código  3092),  tal  qual  o  consignado pela DRJ em sua decisão.  Como  foi  este  foi  argumento para  rejeitar  a parte do Pedido de Restituição  relativa  aos  anos  de  2002  a  2004,  é  evidente  que  há  de  defeito  na motivação  do Despacho  Decisório, o que o eiva de nulidade, por vício material.   E,  em  razão  da  citada  ocorrência,  a  meu  ver,  não  nos  cumpre  apreciar  as  demais questões.  Portanto, voto por dar provimento parcial ao  recurso voluntário, declarando  que o Despacho Decisório é nulo, por conter vício material.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Marcelo Costa Marques d'Oliveira                                Fl. 169DF CARF MF

score : 1.0
7441325 #
Numero do processo: 10983.721662/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% a 75%. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa (relatora) e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201808

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10983.721662/2014-68

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5912278

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1201-002.342

nome_arquivo_s : Decisao_10983721662201468.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

nome_arquivo_pdf_s : 10983721662201468_5912278.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% a 75%. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa (relatora) e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.

dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018

id : 7441325

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:08 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050870216654848

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10983.721662/2014­68  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­002.342  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2018  Matéria  Simples Nacional ­ omissão de receitas  Recorrente  ERNANI BUSS COMERCIO DE MADEIRAS LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL              ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2011  PRESUNÇÃO  LEGAL  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.   Caracterizam­se  como omissão  de  receita  ou  de  rendimento,  por  presunção  legal  ­  juris  tantum  ­  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas operações.  ÔNUS DA  PROVA.  Cabe  ao  contribuinte  desfazer  a  presunção  legal  com  documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos  em  suas  contas  correntes  de  modo  a  garantir  que  os  créditos/depósitos  bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela  mencionada  presunção,  a  sua  existência  (créditos/depósitos  bancários),  desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão  de receitas, justificando­se sua tributação a esse título.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO.  NÃO  PAGAMENTO  DE  TRIBUTO.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Uma vez ausente a  figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A  simples  apuração  de  omissão  de  receitas  identificadas  a  partir  do  acesso  às  informações  bancárias,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25.  MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 16 62 /2 01 4- 68 Fl. 503DF CARF MF     2 LANÇAMENTO  REFLEXO.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  CSLL,  PIS,  Cofins, CPP e ICMS  O decidido em relação ao IRPJ aplica­se às exigências reflexas em virtude da  relação de causa e efeitos entre eles existentes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  afastar  a  multa  qualificada,  reduzindo­a  de  150%  a  75%. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa  (relatora) e Eva Maria Los que  negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães para  redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora.  (assinado digitalmente)  José Carlos de Assis Guimarães ­ Redator designado.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente  convocado  em  substituição  ao  conselheiro  Luis  Fabiano  Alves  Penteado),  Paulo  Cezar  Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello  Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.  Relatório  Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão  recorrida (e­fls.462/477) que transcrevo a seguir:  Trata­se  de  procedimento  fiscal  amparado  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  de  Fiscalização  (MPF­F)  nº  0920100.2014.00662­5, que abrangeu o ano­calendário de 2011  e  teve  como  escopo  os  tributos  objeto  do  Regime  Especial  Unificado de Arrecadação de Tributos  e Contribuições devidos  pelas Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  Simples  Nacional.  Da  referida  ação  fiscal,  foi  apurado  o  Crédito  Tributário  consolidado  abaixo,  acrescido  de  multa  de  ofício  qualificada  (150%) e  juros  de mora, decorrente  de omissão de  receitas  relativa  a  depósitos  bancários  cuja  origem não  restou  comprovada (Auto de Infração fls. 318 a 394):  Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 3          3 A  impugnante  atua  sob  a  forma  de  Sociedade  por  Quotas  de  Responsabilidade  Limitada  (Ltda.),  foi  constituída  no  ano  de  2006  e  está  domiciliada  na  cidade  de  Santo  Amaro  da  Imperatriz/SC, e tem como objeto social o comércio atacadista e  varejista de madeiras para construção.  DA AÇÃO FISCAL  O  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF),  elaborado  pela  autoridade  fiscal,  descreve  os  procedimentos  realizados  e  os  fundamentos de fato e de direito que originaram a lavratura do  auto de infração em litígio (fls. 396 a 406). A seguir, a síntese da  auditoria  fiscal,  naquilo  que  importa  para  o  presente  julgamento.  A fiscalização foi iniciada em 10/9/2014, ocasião em que foram  exigidos da  impugnante, dentre outros elementos,  livros  fiscais,  comerciais  e  extratos  e  documentos  bancários,  relativamente  a  contas  correntes  mantidas  junto  às  seguintes  instituições  financeiras:  Banco do Brasil, Banco Mercantil do Brasil, Banco Itaú e Banco  Bradesco. As exigências foram atendidas pela contribuinte.  A fiscalização selecionou 214 (duzentos e quatorze) lançamentos  relativos  a  créditos  em  contas  bancárias  de  titularidade  da  impugnante,  de  operações  não  identificadas  na  escrituração  contábil  da  pessoa  jurídica  (fls.  46  a  70),  e  intimou  a  impugnante  a  apresentar  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  data  e  valor,  que  comprovasse  a  origem  dos  valores  creditados  em contas de depósito,  transcritos no Anexo  Único  do  termo  fiscal  (fls.  204  a  212).  Em  relação  a  essa  exigência,  a  impugnante  apresentou  3  (três)  pedidos  de  prorrogação  de  prazo  para  atendimento,  nas  seguintes  datas:  14/10/2014, 3/11/2014 e 14/11/2014. Em face dessas solicitações  de  dilação  de  prazo,  foi  estabelecido  o  dia  3/12/2014  como  termo final para atendimento da intimação.  Findado o prazo para atendimento da intimação acima referida,  a impugnante assim se manifestou :  A empresa ERNANI BUSS COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA –  ME,  (...)declara  que  em  atendimento  ao  termo  de  início  do  Procedimento  Fiscal,  nº  do  Mandado  0920100.2014.00662­5,  Fl. 505DF CARF MF     4 código  de  acesso  13188284,  onde  foram  selecionados  214  lançamentos relativos a valores creditados em contas bancárias  de  titularidade  da  sociedade  empresária,  mantidas  junto  a  instituições  financeiras  BANCO  DO  BRASIL,  BANCO  MERCANTIL  DO  BRASIL,  BANCO  ITAÚ  e  BRADESCO,  não  constam na  escrituração contábil  da  empresa  e que  todas  são  oriundas da atividade empresarial .  Conforme  relato  fiscal,  a  resposta  da  impugnante  foi  acompanhada  de  contratos  e  outros  documentos  relativos  a  operações de crédito (empréstimos) a ela concedidos, no ano de  2011,  embora  esses  documentos  não  tenham  sido  objeto  de  questionamento  por  parte  da  fiscalização  e  sequer  foram  incluídos no Anexo Único da Intimação Fiscal nº 001.  Além  dos  contratos  de  operações  de  crédito  obtidos,  diz  o  autuante que a impugnante apresentou contratos firmados entre  o  sócio­administrador  Ernani  Buss  e  outras  pessoas  físicas,  relativos  a  permuta  de  madeiramento  e  peças  de  madeira  por  imóveis  e  automóvel,  que  também  não  guardam  nenhuma  relação  com  os  recursos  depositados  nas  contas  correntes  bancárias  e,  portanto,  inábeis  para  comprovar  a  origem  dos  valores creditados nessas contas. (fl. 400)  A autoridade fiscal assevera que os valores creditados em contas  depósitos bancários, mantidas pelo sujeito passivo, cujas origens  não  foram  comprovadas,  montam,  no  ano­calendário  de  2011,  em R$ 2.567.322,29  (dois milhões, quinhentos e sessenta e sete  mil, trezentos e vinte e dois reais e vinte e nove centavos), assim  discriminados mensalmente:    A  infração  foi  enquadrada  nos  arts.  26  e  34  da  Lei  Complementar  nº  123,  de  2006,  e  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996, que possuem a seguinte redação:  Lei Complementar nº 123/06:  Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes  pelo Simples Nacional ficam obrigadas a:  [...]  Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 4          5 § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte,  além  do  disposto  nos  incisos  I  e  II  do  caput  deste  artigo,  deverão,  ainda,  manter  o  livro­caixa  em  que  será  escriturada  sua movimentação financeira e bancária.  [...]  Art. 34.   Aplicam­se  à  microempresa  e  à  empresa  de  pequeno  porte  optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão  de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e  contribuições incluídos no Simples Nacional.  .........................................................................................................  Lei nº 9.430/96:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  No tocante à aplicação da multa qualificada, eis os fundamentos  expendidos no relatório fiscal:  Cabe destacar que na infração identificada através do item 2 do  presente feito deve ser aplicado tratamento mais gravoso no que  tange à multa de ofício lançada. A referida sanção é devida em  razão do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo,  encontrando  amparo  no  §  1º  do  art.  44  da  lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  com  a  redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  nº  11.488/2007, que assim dispõe:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 507DF CARF MF     6 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.” (grifou­se)  Os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  são  os  de  sonegação,  fraude  e  conluio,  respectivamente.  Na  situação  em  análise,  a  qualificadora  é  aplicada em virtude da prática de  fraude,  conduta  conceituada  no artigo 72 da mencionada lei, que assim dispõe:  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Fraude  é  o  vocábulo  derivado do  latim  fraus,  fraudis  (engano,  má­fé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou  a  ação  astuciosa,  promovida  de  má­fé,  para  ocultação  da  verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a  fraude  traz  consigo  o  sentido  do  engano  para  furtar­se  o  ao  cumprimento  do  que  é  de  sua  obrigação  ou  para  logro  de  terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto,  a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de  terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato onde se evidencia a  intenção  de  frustrar­se  a  pessoa  aos  deveres  obrigacionais  ou  legais.  O  texto  do  art.  72  da  lei  nº  4.502/1964,  acima  transcrito,  estabelece  que  a  conduta  fraudulenta  pode  ser  praticada  mediante  “ação”  ou  “omissão”  do  agente,  ou  seja,  o  simples  “deixar  de  fazer”,  quando  com  intuito  doloso  e  voltado  a  impedir  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal,  caracteriza  a  conduta  típica  ensejadora  da  aplicação da multa  qualificada.  No  caso  em  análise,  houve  uma  conduta  omissiva  que  importou  na  ocultação  ao  Fisco  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal  e  por  consequência  ao  não  pagamento  do  imposto  devido. O que  está  a  se  falar  é  de  uma  decisão  do  sujeito  passivo  de  omitir  de  sua  contabilidade  uma  parcela  significativa  da  movimentação  financeira  bancária  mantida em quatro instituições financeiras, suprimindo assim do  cálculo dos tributos devidos no ano calendário 2011 uma receita  total de R$ 2.567.322,29, equivalente a treze vezes o valor de sua  receita bruta anual declarada, que foi de R$ 210.968,18. Como  consequência, omitiu ainda da declaração apresentada ao Fisco  (fls. 307 a 317) a receita mantida à margem da escrita contábil e  todos os  tributos que dela decorreriam no âmbito da apuração  do  Simples  Nacional,  causando  sérios  prejuízos  aos  cofres  públicos.  Resta  evidenciado  que  tal  ação  foi  promovida  de  forma  intencional e dolosa, ou seja, com o objetivo único de se  furtar  ao pagamento dos  tributos, mantendo em sua escrituração e na  declaração apresentada à Receita Federal do Brasil uma receita  muito aquém daquela que auferiu.  Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 5          7 [...]  IMPUGNAÇÃO  O  lançamento  foi  cientificado  à  impugnante  em  11/12/2014  (quinta­feira),pessoalmente (fl. 407)  Inconformada  com  autuação  fiscal,  a  contribuinte  apresentou,  em  12/1/2015  (segunda­feira),  representada  por  procurador  (instrumento fls. 442 445), a  impugnação de fls. 410 a 441, por  meio da qual traz as seguintes razões de fato e de direito em sua  de defesa:  Operações não Tributáveis e a Duplicidade de Cobrança de IR  e CSLL   1)  após  fazer  ilações  acerca  do  art.  3º  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  com  relação  ao  conceito  de  tributo,  e  após  discorrer  sobre  obrigação  tributária  e  certeza  e  liquidez  do  crédito  tributário,  assevera  que  houve  equívoco  da  autoridade  fiscal  no  que  tange  à  interpretação  do  Ente  Administrativo,  a  teor da declaração da empresas às fls. 222 a 223 dos autos;  2)  afirma  que  foi  destacado  pela  autoridade  fiscal,  fl.  400  dos  autos, um trecho onde a impugnante menciona, por meio de seu  contador,  que  alguns  créditos  nas  contas  bancárias,  de  titularidade da sociedade empresária, são oriundos da atividade  empresarial. Contudo, esclarece que essa explicação foi fundada  em técnica contábil, o que acabou gerando um engano, pois tal  documento  referia­se  a  uma  classificação  utilizada  para  operações  contábeis  operacionais  e  não  operacionais.  Traz  conceitos  de  movimentações  operacionais  e  não  operacionais,  procurando  demonstrar  que  houve  equívoco  ao  informar  movimentações  não  operacionais  como  atividade  empresarial  (fls. 416);  3) entende que a movimentação não operacional não refere­se  necessariamente  a  um  faturamento,  não  ensejando  assim  a  tributação  aplicada,  pois  no  caso  em  tela  existem  apenas  movimentações  meramente  financeiras,  via  banco,  que  não  decorrem  da  venda  de  produtos.  Alega  que  são  simples  movimentações  entre  contas,  depósito,  descontos  antecipados  de títulos ou cheques;  4) considerar que uma “transferência bancária” é uma  receita  no banco que recebeu o crédito, seria o mesmo que admitir que a  mesma operação no banco de origem é uma despesa, quando o  que  ocorre  é  apenas  uma  movimentação/deslocamento  de  recursos.  Não sendo tributada essa operação, não há que se falar em fato  gerador,  tampouco  de  lançamento  de  ofício  (cita  e  transcreve  art. 142 do CTN);  5)  vários  créditos  foram  levantados  sugerindo  que  fossem  receita,  como,  por  exemplo,  “desbloqueio  de  depósito”,  que  Fl. 509DF CARF MF     8 nada  mais  é  do  que  a  liberação  de  um  depósito  feito  anteriormente, aguardando seu prazo de compensação;  6) lançamento de créditos a título de “depósito em cheque”, que  dias depois geram o tal “desbloqueio de depósito”, se somados  efeitos contributivos, representam tributação em duplicidade;  7) no mesmo viés, créditos com o histórico “reapresentação de  cheque”, também foram somados indevidamente, pois já tinham  sido considerados em momento anterior, quando do depósito;  8) créditos a título de “desconto de título”, que nada mais é do  que  uma  antecipação  de  um  recebível,  nada  tem  a  ver  com  receita ou  faturamento,  não ensejando a pretendida  tributação,  pois  o  faturamento  originários  desses  créditos  se  dão  em  momento anterior ao do desconto em banco, que já foi tributado  na época própria;  9)  os  fatos  geradores  foram  devidamente  tributados  em  época  própria, quando do faturamento das vendas dos produtos, e isso  foi  claramente  reconhecido  nos  autos  à  fl.404,  onde  o  Fiscal  menciona  os  valores  do  faturamento  anual  declarado  pela  empresa;  10)  evidencia­se  clara  duplicidade  de  cobrança  de  Imposto  de  Renda e de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido  Capacidade Contributiva e Multa Excessiva Confiscatória   11)  tendo  em  vista  que  a  multa  é  acessória  ao  suposto  débito  tributário,  há  de  se  destacar  a  excessividade  da  aplicação  da  multa  em  face  da  capacidade  contributiva,  configurando  o  caráter confiscatório da penalidade;  12)  foi  aplicada  a  multa  mais  gravosa  à  impugnante,  no  percentual  de  150%,  ferindo  o  princípio  da  capacidade  contributiva,  gerando  uma  multa  impagável  para  o  porte  da  empresa.  Discorre  longamente  sobre  a  vedação  ao  confisco,  citando o  art.  150,  inciso  IV  da Constituição Federal,  além de  doutrina e jurisprudência sobre o tema (fls. 423 a 435);  Instauração de Representação Fiscal para Fins Penais  13)  após  breve  síntese  dos motivos  da  autuação  fiscal,  diz  que  colaborou  com  a  fiscalização,  providenciando  toda  a  documentação  em  sua  íntegra,  conforme  requerido,  de modo a  prestar  todas  as  informações  necessárias  ao  deslinde  do  processo fiscalizatório.  14)  entende  que  não  pode  a  RFB  instaurar  processo  administrativo de  representação  fiscal para  fins penais,  já que,  não havendo o direito à exigibilidade dos créditos provenientes  das  operações  relativas  aos  perquiridos,  não  há  configuração  dos  crimes  capitulados  nos  incisos  I  e  II  do  art.  1º  da  Lei  nº  8.137, de 1990;  Efeito Suspensivo da Exigibilidade dos Tributos Lançados  15) após citar princípios constitucionais e doutrina, invoca o art.  151,  inciso  III,  do  CTN,  art.  2º  da  Lei  nº  9.784/99  e  art.  5º,  Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 6          9 incisos  LIV  e  LV  da  CF,  para  requerer  a  concessão  de  efeito  suspensivo ao presente processo.  A Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  (13ª  Turma da DRJ/RPO) julgou improcedente a Impugnação em decisão proferida no Acórdão nº  14­62.759, de 21 de setembro de 2016, assim ementado:  ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL   Ano­calendário: 2011   DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta  de  depósito  mantida  junto  a  instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprova,  mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2011   AFIRMAÇÕES  RELATIVAS  A  FATOS.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO   O  conhecimento  de  afirmações  relativas  a  fatos,  apresentadas  pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova  trazidos  aos  autos  pela  autoridade  fiscal,  demanda  sua  consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois  sem  substrato  mostram­se  como  meras  alegações,  processualmente inacatáveis.  ARGÜIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  LIMITES  DE  COMPETÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS  DE  JULGAMENTO.  As  autoridades  julgadoras  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade e ilegalidade.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2011   PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS.  DISTRIBUIÇÃO  DO  ÔNUS DA PROVA   As  presunções  legais  relativas  (juris  tantum)  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  cabendo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos  não ocorreram na forma prevista em lei.  A  empresa  tomou  ciência  da  referida  decisão,  conforme  o  Aviso  de  Recebimento,  e­fls.484,  em 14/10/2016  e,  protocolizou Recurso  ao Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais (CARF), e­fls.486/500, em 14/11/2016.  Fl. 511DF CARF MF     10 A  Recorrente  no  Recurso  Voluntário  repisa,  no  essencial,  os  mesmos  argumentos  despendidos  na  impugnação,  o  que  torna  desnecessário  repeti­los,  nos  tópicos:  OPERAÇÕES  NÃO  TRIBUTÁVEIS  E  A  DUPLICIDADE  DE  COBRANÇA,  e,  DA  MULTA  CONFISCATÓRIA.   É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora  O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade  previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço.  OPERAÇÕES NÃO TRIBUTÁVEIS E A DUPLICIDADE DE COBRANÇA  Conforme  relatado,  a  autoridade  fiscal  mediante  o  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  selecionou  214  lançamentos  relativos  a  valores  creditados  em  contas  bancárias  de  titularidade  da  fiscalizada,  de  operações  não  identificadas  na  escrituração  contábil da pessoa jurídica  (fls. 46 a 70), mantidas junto a instituições financeiras BANCO  DO BRASIL, BANCO MERCANTIL DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BRADESCO, e intimou  a  Recorrente  a  apresentar  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  data  e  valor,  que  comprovasse  a  origem  dos  valores  creditados  em  contas  de  depósito,  transcritos  no  Anexo  Único do termo fiscal (fls. 204 a 212). Em relação a essa exigência, a fiscalizada apresentou 3  (três)  pedidos  de  prorrogação  de  prazo  para  atendimento,  nas  seguintes  datas:  14/10/2014,  3/11/2014 e 14/11/2014. Em face dessas solicitações de dilação de prazo, foi estabelecido o dia  3/12/2014 como termo final para atendimento da intimação. Findo tal prazo, a interessada não  atendeu ao solicitado pela fiscalização.  Assim,  ultimado  os  trabalhos,  o  Fiscal  concluiu  que  restou  identificado  a  ocorrência  de  infração  à  legislação  tributária  federal,  da  espécie  "omissão  de  receitas",  caracterizada pela identificação de valores creditados em contas de depósitos mantidos junto a  instituições  financeiras,  em  relação  ao  qual  a  contribuinte  não  comprovou  mediante  documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, oportunidade  em que além de lançar de ofício os tributos, aplicou multa qualificada no percentual de 150%  sobre o montante dos valores lançados.  Argúi a Recorrente que:  Vários foram os créditos em conta corrente levantados sugerindo  que  fossem  receita,  e  por  consequência  originou­se  o  Auto  de  Infração Tributário ensejando  tributação,  sob os mais variados  históricos,  todos  indevidamente.  No  Anexo  Único  da  presente  intimação  fiscal,  foram  listados  esses  créditos,  apontando  os  valores, e o histórico de cada um.   Diz que:  os  créditos  lançados  a  serem  tributados  sob  o  título  de  "desbloqueio de depósito" nada mais são, do que as liberações  dos  depósitos  feitos  anteriormente,  que  estavam  aguardando  seus  prazos  de  compensação,  já  computados  como  depósito  anteriormente.  Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 7          11 na  mesma  relação,  o  lançamento  de  créditos  a  título  de  "depósito  em  cheque",  que  dias  depois,  geram  o  tal  "desbloqueio  de  depósito".  Assim,  somar  o  desbloqueio  ao  depósito para efeitos contributivos, é tributar em duplicidade.  bastava debruçar­se sobre os extratos bancários fornecidos pelo  Recorrente para verificar a tributação indevida.  Não se ouvida o uso de outro documento que não seja os extratos  bancários para tal comprovação, pois, neste caso, a ilegalidade  é ictu oculi, representada na monta de R$ 362.774,05 da base de  cálculo do Auto em questão. Vejamos os destaques a seguir que  demonstram afirmação com base no citado documento:  (...)  No mesmo viés, os créditos em conta corrente com histórico de  "Reapr  Aut  chq  devolvido",  também  foram  somados  indevidamente,  pois  já  teriam  sido  considerados  em  momento  anterior, quando do depósito.  Assim,  como demonstra  o anexo "Reapr Aut  chq devolvido",  fica  claro  que  os  valores  lançados  a  este  título,  são  indevidos,  pois  já  tinham  sido  considerados  como  receita,  e,  portanto,  ensejando tributação quando lançados como "depósito cheque"  e "Dep cheque custodiado", no Auto em questão.  Nesse sentido, vejamos alguns destaques pincelados dos extratos  bancários da Recorrente:  (...)  Pelo  exposto,  requer  a  reforma  do  decisum  para  que  seja  excluído  o montante  de R$  56.398,00  da  base  de  cálculo  para  tributação lançado no Auto, sob pena de bis in idem.  Ainda, não bastassem os apontamentos destacados acima, outro  exemplo  de  tributação  indevida  são  os  créditos  a  título  de  "Desconto  de  titulo",  que  nada  mais  são,  do  que  uma  antecipação de  um  recebível,  nada  tendo  a  ver  com  receita  ou  faturamento, não ensejando assim, a pretendida tributação, ora  objeto dos presentes autos, pois o faturamento originário desses  créditos se dão em momento anterior ao do desconto em banco,  que já fora tributado em época própria.  Outrossim,  no  dia  18/07/2011  fora  lançado  (DI  Din  0008172804000180) a este  título  o  valor  de R$ 13.500,00,  que  deve  ser  estornado,  pois  trata­se  de  um  simples  resgate  de  aplicação,  não  caracterizando  assim  como  fato  gerador  tributável.  Por  esta  razão,  a  decisão  merece  reforma  para  excluir o referido valor da base de cálculo tributada proposta no  Auto em questão.  Em suma,  todos os  valores de  créditos aqui mencionados  (doe.  01),  tiveram  fatos  geradores  anteriores  ao  crédito  efetivo  na  conta corrente, e aqui demonstrado, tornando­os indevidos para  fins de composição de base cálculo para qualquer tributo.  Fl. 513DF CARF MF     12 Por  outro  lado,  a  prova  cabal  das  alegações  constantes  na  impugnação ao  lançamento, ora  insurgidas através do presente  recurso,  são  os  extratos  bancários  fornecidos  pela  própria  Recorrente.  Por  fim,  ressalta­se  que  seus  fatos  geradores  foram  devidamente  tributados  em  época  própria,  quando  do  faturamento  das  vendas  dos  produtos,  e  isso  foi  claramente  reconhecido nos autos de fls. 404, onde o Fiscal menciona os  valores do  faturamento  anual  declarado pela  empresa,  apesar  de ter sido, inexplicavelmente, ignorado ao apresentar o cálculo  da intimação em tela.  Em  face  do  exposto,  evidencia­se  caso  claro  de  duplicidade  de  cobrança  de  impostos  relativos  ao  Imposto  de  Renda  e  da  Contribuição  Social  Sobre  Lucro  Líquido,  prática  rechaçada  pela legislação tributária.  Com  esteio  na  Lei  nº  7.357,  de  02/09/1985  que  dispõe  sobre  o  cheque  e  circulares do Banco Central do Brasil (Circular BCB nº 3.532, de 2011 Circular BCB nº 3.535,  de 2011), a decisão recorrida assim analisa as alegações da Recorrente:   ...  A  impugnante  também  insurge­se  contra  vários  créditos  levantados  pelo  agente  fiscal,  e  levados  à  tributação  como  receitas omitidas, alegando que não se tratam, efetivamente, de  receita ou faturamento. São os casos de lançamentos bancários a  título  de  (i)“desbloqueio  de  depósito”,  (ii)  “reapresentação  de  cheque”, e (iii) “desconto de título”. Entende a contribuinte que  tais  créditos  representam  (i)  a  liberação  de  um  depósito  feito  anteriormente,  (ii)  valores  já  considerados  em  momento  anterior,  e  (iii)  antecipação  de  um  recebível  já  tributado  na  época  própria,  respectivamente.  Essas  alegações  não  merecem  acolhida. Vejamos.  Com  relação  à  compensação  de  cheques,  a  regulamentação  atual1  determina  que  ela  seja  efetuada  unicamente  por  intermédio  de  imagem  digital  e  outros  registros  eletrônicos  do  cheque (truncagem de cheques), sendo que os prazos de bloqueio  de  cheque  acolhido  em  depósito  variam  apenas  em  função  do  valor.  Para  liberação  dos  valores  depositados,  esse  prazo  é  contado a partir do dia útil seguinte ao do depósito, sendo de (i)  até dois dias úteis para cheques de valor inferior a R$ 300,00; e  (ii)  um  dia  útil  para  cheques  de  valor  igual  ou  superior  a  R$  300,00.  Esses  prazos  podem  sofrer  mudanças  em  função  de  feriado  local  na  praça  sacada  ou  inoperância  do  sistema  de  compensação.  Os valores depositados em cheque ficam disponíveis para saque  no  dia  útil  seguinte  ao  último  dia  do  prazo  de  bloqueio.  Para  compensar débitos na respectiva conta corrente do depositante,  os valores depositados ficam disponíveis na noite do último dia  do prazo de bloqueio.  Os depósitos em cheques de outra dependência do mesmo banco  observam os mesmos prazos máximos de bloqueio e de entrega  previstos  anteriormente  para  os  cheques  de  outro  banco,  Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 8          13 podendo  ser  reduzidos,  de acordo com os critérios próprios de  cada banco.  Na  hipótese  dos  autos,  os  depósitos  efetuados  no  Banco  do  Brasil (fls. 79 a 117) são descritos como “depósito bloqueado” e  com asterisco no valor, não compondo o saldo bancário do dia.  Somente  após  o  desbloqueio  dos  depósitos  os  valores  efetivamente  passam  a  compor  o  saldo  bancário. Os  créditos,  nesses casos, somente ingressam na conta corrente a partir do  lançamento  descrito  como  “desbloqueio  de  depósito  em  cheque”.  Já  os  depósitos  em  cheque  realizados  na  conta  corrente  do  Banco  Itaú,  de  titularidade  da  impugnante  (fls.  166  a  180),  possuem um tratamento diferente daquele conferido pelo Banco  do  Brasil.  No  Banco  Itaú,  os  valores  relativos  a  depósitos  em  cheque  passam a  compor  o  saldo  da  conta  corrente  no mesmo  dia  em que  são  informados  no  extrato bancário,  o  que  permite  concluir que o bloqueio para aguardar o prazo de compensação  não  é  informado  no  extrato,  de  modo  que  as  informações  consignadas  representam,  efetivamente,  ingresso  de  recursos  na conta corrente bancária.  Nos extratos da conta corrente do Banco Bradesco (196 a 201),  os  depósitos  em  cheque  também  compõem  o  saldo  em  conta  corrente na mesma data em que são informados.  Contudo,  não  há  informação  individualizada  dos  cheques  depositados, de modo que, na hipótese de devolução de cheques,  não é possível identificar a data em que houve o depósito inicial.  Para  que  os  cheques  devolvidos  pudessem  ser  excluídos  de  depósitos anteriormente efetuados, cabia à impugnante prestar a  informação e comprovar documentalmente a devolução. Isso não  foi feito!   Como se vê, diante dos fundamentos da decisão recorrida, que também adoto  como  razão  de  decidir,  a  Recorrente  em  sua  contestação  apenas  repete  o  que  já  dissera  na  impugnação  e  elenca  alguns  valores  "pincelados  dos  extratos  bancários  da  Recorrente",  do  Banco do Brasil e Banco Itaú, porém não há qualquer demonstração e/ou comprovação de que  inexistem os depósitos ou exclusão/devolução de depósitos efetuados.  A  Recorrente  argúi  que  uma  movimentação  operacional  não  se  refere  necessariamente  a  um  faturamento,  não  ensejando  assim  a  tributação,  pois  trata­se  de  movimentações  meramente  financeiras,  que  ocorrem  via  banco,  que  não  decorrem,  no  momento da respectiva movimentação, da venda dos produtos, e sim, simples movimentações  entre contas, depósito, descontos antecipados de títulos ou cheques.   A Recorrente repisa que, "São operações que ocorrem em qualquer empresa,  necessárias  para  sua  gestão,  daí  por  que  serem  consideradas  operacionais,  buscando  equilíbrio  financeiro  para  honrar  todos  os  compromissos,  ou  até  mesmo  buscando  rentabilidade a algum montante eventualmente sobrando."  Fl. 515DF CARF MF     14 Finalmente conclui que, não havendo obrigatoriedade de tributar sobre  estas  operações,  não  há  que  se  falar  em  fato  gerador,  e  não  havendo  fato  gerador  o  lançamento de ofício objeto do auto em questão se torna nulo.  Entendo que as  justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer  sobre a presunção legal de omissão de receita a partir dos depósitos bancários.  Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário  conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Vejamos:  "Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:   I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;   ...  Como se vê, caracterizam­se como omissão de receita ou de rendimento, por  presunção legal ­ juris tantum ­ os valores creditados em conta de depósito ou de investimento  mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Cabe  ao  contribuinte  desfazer  a  presunção  legal  com  documentação própria e  individualizada que justifique os  ingressos ocorridos em suas contas  correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador  do  tributo  devido,  haja  vista  que  pela  mencionada  presunção,  a  sua  existência  (créditos/depósitos  bancários),  desacompanhada  da  prova  da  operação  que  lhe  deu  origem,  espelha omissão de receitas, justificando­se sua tributação a esse título.  O  dispositivo  legal,  inverteu  o  ônus  da  prova  ao  atribuir  ao  contribuinte  o  ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a  favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por  si  só,  disponibilidade  econômica  de  rendimentos.  Faz  mister,  porém,  um  mínimo  de  esclarecimento  com  provas  por  parte  do  contribuinte  e,  na  espécie,  o  Recorrente  deixou  transcorrer em branco a oportunidade a ele concedida para tanto (termo fiscal de fls. 204/212).   Trata­se,  portanto,  de presunção  legal,  onde  a  lei  determina que, ocorrida  a  situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), pode­se presumir,  Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 9          15 até  prova  em  contrário  (esta  a  cargo  do  contribuinte),  a  ocorrência  do  fato  a  ser  provado  (omissão de receita).   Vê­se que apesar de  a defendente argumentar equívoco por parte do agente  fiscal ao  interpretar  a declaração prestada  em atendimento à  intimação, no sentido de que as  receitas  omitidas  seriam  oriundas  da  atividade  empresarial,  que  incluiriam  atividades  operacionais e não operacionais, não apresentou provas cabais para sustentar seus argumentos  e infirmar a autuação.  Sobre os argumentos da autuada, assim se expressou a decisão recorrida que  não merece reparo:   Ora, ainda que, de fato, pudesse se admitir o alegado equívoco  da  autoridade  fiscal,  subsistiria  a  obrigação  da  impugnante  fazer prova da origem e natureza dos créditos efetuados em suas  contas  correntes  bancárias,  por  meio  da  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  datas  e  valores.  Não basta alegar o erro, há que se provar.  Os documentos apresentados pela impugnante, em atendimento à  intimação fiscal, referem­se a empréstimos bancários (fls. 118 a  133, 154 a 165, 181 a 195, 231 a 285),  Contratos  de  Permuta  de  Bem  Imóvel  por  Fornecimento  de  Madeiramento e Aberturas (fls. 286 a 291), Contrato de Permuta  de  Automóvel  por  Madeiras  (fls.  231  a  292  a  300),  Contrato  Particular de Compra e Venda de Imóvel (terreno no valor de R$  8.000,00, parcelado em 32 vezes de R$ 600,00 ­ fls. 301 e 302),  extratos  de  movimentação  de  cartões  de  crédito,  nos  quais  embora  haja  identificação  de  data  e  valores,  não  há  descrição  da  operação  (fls.  224  a  230),  e  extrato  de Agenda Financeira,  que descrevem créditos e débitos de cartões Visa e Mastercard e  aluguel de equipamentos (fls. 303 a 306). Nenhum desses valores  guarda  relação  com os  créditos  bancários  objeto  da  intimação  fiscal  e,  ainda  que  houvesse  coincidência  de  datas  e  valores,  para diversos deles não há identificação da origem e natureza.  Por  outro  lado,  a  afirmação  da  contribuinte  de  que  informou,  por  engano,  movimentações  não  operacionais  como  atividade  empresarial,  em  nada  lhe  aproveita,  pelos  mesmos  motivos  acima,  ou  seja,  deve  fazer  prova  da  origem  e  natureza  de  tais  créditos, acompanhada de documentação hábil e idônea, e ainda  demonstrar  que  se  referem  a  valores  já  tributados,  não  tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Assim sendo,  os créditos bancários cuja origem não restou comprovada, e não  constam  dos  registros  contábeis  da  impugnante,  presumem­se  como receitas omitidas.  Também, em relação ao valor de R$ 13.500,00 no dia 18/07/2011,apesar de  alegado pela Recorrente tratar­se de um simples resgate de aplicação, não caracterizando assim  como fato gerador tributável, a Recorrente nada trouxe aos autos para comprovar o que dissera,  razão pela qual não merece reforma da decisão para excluir o referido valor da base de cálculo  tributada determinada no Auto em questão.  Fl. 517DF CARF MF     16 É  preciso  salientar  que  a  Lei  nº  9.430/96,  ao  contrário  do  procedimento  aventado  pela  interessada/Recorrente,  permite  à  autoridade  fiscal  perquirir  junto  ao  contribuinte  qual  a  origem  daqueles  depósitos  ou  investimentos  existentes  em  suas  contas  bancárias  sendo  que  a  ausência  da  comprovação  de  sua  origem  faz  presumir  tratar­se  de  omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica.   As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída  pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não  comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica.  Ressalte­se,  de  plano,  que  aqui  não  cabe  a  alegada  necessidade  de  comprovação por parte do Fisco, em face do alegado artigo 142 do CTN. Os enunciados das  súmulas  abaixo  são  esclarecedores,  portanto  desnecessária  outra  explicação  sobre  o  assunto,  vejamos:  Súmula CARF Nº 26   A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada pelos  depósitos bancários sem origem comprovada  Súmula CARF Nº 30  Na  tributação  da  omissão  de  rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar  a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes.  Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados  em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação  Fiscal  e,  na  ausência  de  tal  comprovação  foram  os mesmos  valores  tributados  como  receita  omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96.  Enfim,  considerando  serem  insuficientes  os  argumentos  da Recorrente  para  afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no  caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a  prova  a  ele  incumbida  por  força  do  art.42  e  §§  da  predita  Lei  nº  9.430/96,  não  cabe  a  autoridade  julgadora,  por  presunção,  suprir  o  dever  do  contribuinte.  Não  tendo  a  autuada  comprovado  a  origem  dos  recursos  utilizados  nos  depósitos,  é  de  se  manter  a  autuação  ao  concluir  que  os  depósitos  tiveram  origem  em  recursos  mantidos  à  margem  da  escrituração,  portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento  ao  recurso  voluntário,  mantendo  incólume  os  lançamentos  relativos  ao  IRPJ,  CSLL,  PIS,  Cofins, CPP e ICMS.   DA MULTA CONFISCATÓRIA/ Da Multa de Ofício Qualificada  No presente caso, foi aplicada a multa qualificada, prevista no art. 44, inciso I  e §1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, face à constatação pela  fiscalização da prática da conduta tipificada no art. 72 da Lei nº 4502/64.  Sobre  o  assunto,  a  Recorrente  em  sede  de  recurso  voluntário  reproduz  a  impugnação apresentada à DRJ.  Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 10          17 A decisão recorrida, traz em seu bojo os fundamentos com os quais concordo,  pelo que transcrevo seus termos (fls.13/15) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99,  e, os adoto como razão de decidir:  Com  relação  à  multa  de  ofício  qualificada  (150%),  alega  a  impugnante  ser  ela  excessiva  em  face  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  configurando  o  caráter  confiscatório,  em ofensa ao art. 150,  inciso IV, da Constituição Federal. Cita  jurisprudência sobre o tema.  Quanto  às  alegações  de  afronta  aos  preceitos  constitucionais  que  vedam  o  confisco,  não  são  os  órgãos  julgadores  administrativos  competentes  para  apreciar  argüições  de  inconstitucionalidade  de  atos  legais  regularmente  editados.  É  que  como  as  multas  de  ofício  estão  previstas  em  disposições  literais de  lei – entre tais o art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996 ­,  não  pode  o  agente  administrativo  negar­lhes  vigência,  sob  a  alegação de que seriam ilegais ou inconstitucionais.  Quanto à gravosidade da penalidade, há de se ressaltar que as  multas  de  ofício  objetivam,  especialmente,  o  desestímulo  ao  sistemático  inadimplemento  das  obrigações  tributárias,  sendo  natural, assim parece, que sejam tão suficientemente gravosas a  ponto  de  não  perderem  sua  função  precípua.  Especialmente,  diante  do  fato  de  que  atingem,  tão­somente,  os  contribuintes  infratores  da  legislação  fiscal,  em  nada  afetando  o  sujeito  passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.  Quanto à argüição de falta de proporcionalidade entre a multa e  a falta cometida, comente­se tão­somente que, em razão de não  ser  a  penalidade  definida  em  termos  absolutos,  mas  relativos,  dado que  seu quantum é apurado pela aplicação de percentual  sobre o montante de tributo não recolhido, insustentável se torna  o argumento.  Somente  se  houvesse  a  previsão  de  um  valor  fixo,  que  independesse  da  extensão  da  falta,  é  que  se  poderia  alegar  a  injustiça da sanção. Como o que ocorre, pelo contrário, é que a  multa só pode ser quantificada depois de apurado o montante de  tributo devido, pela aplicação do percentual, assegurada resta, à  evidência, a devida proporcionalidade.  No  que  se  refere  ao  percentual  previsto,  eventualmente  considerado  como  excessivo,  relembre­se  apenas  o  que  já  se  disse ao início deste item em relação à necessária gravidade das  multas punitivas. Assim, o pleito da contribuinte de redução da  multa  de  ofício,  além  de  não  encontrar  substrato  jurídico,  por  estar  desde  há  muito  prevista  em  nosso  ordenamento,  não  encontra  também justificativa  técnica, dado que, na sistemática  sancionatória, não haveria sentido em praticamente se equiparar  a multa de ofício, de natureza punitiva, com a multa de mora, de  natureza meramente compensatória.  De  tal  sorte,  evidenciado  fica que, por qualquer ângulo que  se  visualizem as multas de ofício, não se lhes pode ser atribuído o  Fl. 519DF CARF MF     18 argüido efeito confiscatório, nem tampouco se pode admitir sua  redução, como pleiteado pela impugnante.  Por outro lado, em que pese nada ter trazido a contribuinte, em  sua  impugnação,  capaz  de  afastar,  ao  menos  em  sede  administrativa,  a  aplicação  da  multa  qualificada  que  lhe  foi  imposta, apenas alegando o  efeito  confiscatório da penalidade,  não é demais discorrer acerca dos fundamentos que ensejaram a  aplicação da penalidade mais gravosa. De se ver.  A  aplicação  de  multa  de  ofício  em  percentual  mais  gravoso  decorreu  de  evidente  intenção  da  impugnante  em  ocultar  a  verdade, subtraindo do conhecimento do Fisco vultosa quantia,  movimentada  em  4  (quatro)  contas  correntes  de  depósito  bancário,  atingindo  a  cifra  de R$  2.567.322,29  (dois milhões,  quinhentos e sessenta e sete mil, trezentos e vinte e dois reais e  vinte e nove centavos), em apenas um ano­calendário. Recorde­ se que a receita bruta anual declarada pela contribuinte foi de  R$ 210.968,18 (duzentos e dez mil, novecentos e sessenta e oito  reais e dezoito centavos), correspondente e 8,22% (oito inteiros  e vinte e dois centésimos por cento), evidenciando que a maior  parte de suas receitas ficou à margem da tributação.  Ressalta­se,  ainda,  que  intimada  a  apresentar  a  comprovação  da origem dos recursos, a contribuinte, embora tenha atendido  à  intimação  fiscal, após  sucessivos pedidos de prorrogação de  prazo,  trouxe  apenas  documentos  estranhos  aos  valores  que  foram  objeto  de  investigação.  Nenhum  dos  documentos  apresentados possuía relação com os depósitos bancários cuja  origem se pretendia comprovar!  O  que  parece  razoável,  diante  do  quadro  posto,  é  que  o  montante das rendas omitidas, constatadas por presunção, pode  perfeitamente consubstanciar a caracterização do dolo, no caso  de a ela estar vinculada a evidenciação de que isto ocorreu ao  longo  de  vários  meses  do  ano­calendário  de  2011.  Ou  seja,  desproporção  e  reiteramento  levam,  conjuntamente,  a  um  quadro mais consistente acerca da aferição do dolo.  Portanto, se o que se tivesse no processo fosse a demonstração  de que parcelas pequenas dos ingressos nas contas bancárias se  mantiveram  sem  justificação  e  de  que  tais  omissões  se  referissem  a  um  período  específico,  poder­se­ia  até  acatar  a  idéia  de  que  houve  uma  conduta  involuntária  e  de  que,  portanto,  a  imposição  da  penalidade  qualificada  não  seria  justificável. Entretanto, à luz de tudo quanto dos autos consta,  o  quadro  é  bastante  distinto,  tornando­se  absolutamente  inverossímil a idéia de que a contribuinte teria cometido meros  equívocos.  Diante deste quadro de reiterada e sistemática insubordinação  aos  ditames  da  lei,  não  há  como  considerar  involuntária  a  conduta  da  contribuinte,  mas  sim  como  uma  conseqüência  direta  da  intenção  deliberada  de  omitir  rendimentos,  o  que  torna perfeitamente aplicável, sim, a multa qualificada prevista  no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96.  De  se  lembrar,  que  em  relação  à  caracterização  do  ilícito,  tratou o autuante de produzir a prova que o artigo 42 da Lei nº  Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 11          19 9.430/96  demanda.  Se  tais  provas  são  mais  sumarizadas  que  aquelas exigidas para a comprovação material de infrações não  cobertas por presunção, isto deve­se à imposição da lei e não à  vontade da autoridade lançadora.  Restam  prejudicados,  assim,  os  argumentos  postos,  não  merecendo o lançamento fiscal, também quanto a esta matéria,  qualquer reparo.  (GRIFEI)  Assim,  constatado  o  evidente  intuito  de  fraude,  correto  o  lançamento  da  multa qualificada de 150%.  Ainda  no  que  tange  ao  aspecto  confiscatório  da  multa,  alegado  pela  Recorrente,  a  exigência  decorre  de  expressa  disposição  legal,  não  cabendo  a  esse  órgão  do  Poder  Executivo  deixar  de  aplicá­la,  encontrando  óbice,  inclusive  na  Súmula  nº  2  desse  E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária   LANÇAMENTO  REFLEXO.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  CSLL,  PIS  e  Cofins  PIS,  Cofins,  CPP  e  ICMS  ­  O  decidido  em  relação  ao  IRPJ  aplica­se  às  exigências  reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  de  voluntário.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa  Voto Vencedor  Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Redator designado.  Peço  vênia  à  Ilustre  Conselheira  Relatora  para  divergir  com  relação  a  aplicação de qualificação de multa prevista no art. 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96 neste  caso concreto.  A qualificação da multa  (de 75% para 150%), que foi mantida pela decisão  recorrida,  foi  assim  motivada  nos  Termos  de  Verificação  Fiscal  e  de  Encerramento  de  Procedimento Fiscal (fls. 396 e seguintes):  DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA  Cabe destacar que na infração identificada através do item 2 do  presente feito deve ser aplicado tratamento mais gravoso no que  tange à multa de ofício lançada. A referida sanção é devida em  razão do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo,  encontrando  amparo  no  §  1º  do  art.  44  da  lei  nº  9.430,  de  Fl. 521DF CARF MF     20 27/12/1996,  com  a  redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  nº  11.488/2007, que assim dispõe:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  § 1º­ O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.”  (grifou­se)  Os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  são  os  de  sonegação,  fraude  e  conluio,  respectivamente.  Na  situação  em  análise,  a  qualificadora  é  aplicada em virtude da prática de  fraude,  conduta  conceituada  nº artigo 72 da mencionada lei, que assim dispõe:  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Fraude  é  o  vocábulo  derivado do  latim  fraus,  fraudis  (engano,  má­fé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou  a  ação  astuciosa,  promovida  de  má­fé,  para  ocultação  da  verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a  fraude  traz  consigo  o  sentido  do  engano  para  furtar­se  o  ao  cumprimento  do  que  é  de  sua  obrigação  ou  para  logro  de  terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto,  a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de  terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato onde se evidencia a  intenção  de  frustrar­se  a  pessoa  aos  deveres  obrigacionais  ou  legais.  O  texto  do  art.  72  da  lei  nº  4.502/1964,  acima  transcrito,  estabelece  que  a  conduta  fraudulenta  pode  ser  praticada  mediante  “ação”  ou  “omissão”  do  agente,  ou  seja,  o  simples  “deixar  de  fazer”,  quando  com  intuito  doloso  e  voltado  a  impedir  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal,  caracteriza  a  conduta  típica  ensejadora  da  aplicação da multa  qualificada.  No  caso  em  análise,  houve  uma  conduta  omissiva  que  importou  na  ocultação  ao  Fisco  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal  e  por  consequência  ao  não  pagamento  do  imposto  devido. O que  está  a  se  falar  é  de  uma  decisão do  sujeito passivo de omitir de  sua contabilidade uma  parcela  significativa  da  movimentação  financeira  bancária  mantida  em quatro  instituições  financeiras,  suprimindo assim  do  cálculo  dos  tributos  devidos  no  ano­calendário  2011  uma  receita  total  de  R$  2.567.322,29,  equivalente  a  treze  vezes  o  valor  de  sua  receita  bruta  anual  declarada,  que  foi  de  R$  210.968,18.  Como  consequência,  omitiu  ainda  da  declaração  apresentada  ao  Fisco  (fls.  307  a  317)  a  receita  mantida  à  Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10983.721662/2014­68  Acórdão n.º 1201­002.342  S1­C2T1  Fl. 12          21 margem  da  escrita  contábil  e  todos  os  tributos  que  dela  decorreriam  no  âmbito  da  apuração  do  Simples  Nacional,  causando sérios prejuízos aos cofres públicos.  Resta  evidenciado  que  tal  ação  foi  promovida  de  forma  intencional e dolosa, ou seja, com o objetivo único de se  furtar  ao pagamento dos  tributos, mantendo em sua escrituração e na  declaração apresentada à Receita Federal do Brasil uma receita  muito aquém daquela que auferiu.  Diante do exposto, é aplicada a multa qualificada prevista no §  1º  do  art.  44  da  lei  nº  9.430/96  sobre  o montante  dos  tributos  apurados  pela  prática  da  infração  descrita  no  subitem  2.1,  anteriormente citada.  Como se nota, houve qualificação da multa pelo  fato da Recorrente não  ter  recolhido  tributos  sobre  receitas  omitidas,  apuradas  com  base  em  depósitos  bancários  sem  origem comprovada, o que caracterizaria, no entender da fiscalização, fraude (cf. art. 72).  Para que  se possa  cogitar  a qualificação da multa  (de 75% para 150%),  no  entanto, imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão  dolosa não só no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito consistente no não pagamento de  tributo),  mas  principalmente  no  seu  aspecto  subjetivo  (vontade  ou  intenção  de  impedir  o  conhecimento dos fatos).  Essas  situações  normalmente  são  identificadas  através  de  uso  de  meios  inidôneos  para  acobertar  situações  passíveis  de  tributação  ou  pela  prática  de  medidas  que  induzam a erro o trabalho da fiscalização. Tratam­se dos ditos atos fraudulentos, que levam ao  caminho da sonegação ou evasão fiscal, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de  favor”,  contabilidade  paralela,  conta  bancária  não  declarada  (“Caixa  2”),  interposição  fraudulenta  de  pessoas  (“laranjas”  ou  “testas  de  ferro”),  falsidade  ideológica,  declarações  adulteradas, documentos falsos, etc.  São  essas  as  condutas  previstas  nos  artigos  71  a  73  da  Lei  4.502/64,  dispositivos estes que conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo  do elemento dolo à sua caracterização.  A CSRF, a propósito, já afastou a multa qualificada justamente em razão da  ausência de comprovação dos elementos do dolo. Vejamos a ementa do julgado referido:  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  INAPLICABILIDADE.  INOCORRÊNCIA DE FRAUDE.  Nos  lançamentos  de  ofício  para  constituição  de  diferenças  de  tributos devidos,  não pagos ou não declarados,  via de  regra,  é  aplicada  a multa  proporcional  de  75%,  nos  termos  do  art.  44,  inciso  I,  da  Lei  9.430/1996.  A  qualificação  da  multa  para  aplicação do percentual de 150%, depende não  só da  intenção  do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude  ou do evidente  intuito desta caracterizada pela prática de ação  ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos  não  restou  cabalmente  comprovado  o  dolo  por  parte  do  contribuinte  para  fins  tributário,  logo  incabível a  aplicação da  Fl. 523DF CARF MF     22 multa qualificada. (Acórdão 9101­01.402. Sessão de 17 de julho  de 2012).  Não  se  pode,  portanto,  colocar  na  mesma  vala  a  ocorrência  de  um  ilícito  tributário (omissão de receita que gera não pagamento de tributo) com a intenção de impedir o  conhecimento desta conduta (dolo).  De acordo com as Súmulas do CARF nºs 14 e 25:  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou  de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa  de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses  dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.  Consolidou­se, assim, o entendimento de que a omissão de receita que gera o  não pagamento de tributo, por si só, não é causa de multa qualificada. E foi justamente essa a  infração caracterizada na peça de acusação: omissão de receita sem motivação e comprovação  de dolo.  Dessa  forma,  entendo  incabível  a  qualificação  da  multa,  devendo  esta  ser  reduzida  à  multa  de  ofício  ordinária,  de  75%,  como  determina  o  artigo  44,  I,  da  Lei  nº  9.430/96:  “Artigo 44 ­ Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas  as seguintes multas:  I  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata.  É como voto.  (assinado digitalmente)  José Carlos de Assis Guimarães                  Fl. 524DF CARF MF

score : 1.0