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Numero do processo: 15504.020586/2009-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando comprovado não ter o acórdão apreciado questão trazida em sede de contrarrazões acerca do conhecimento do recurso.
CONHECIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DA CÓPIA INTEGRAL DO ACÓRDÃO PARADIGMA. ART,. 67, §9º DO RICARF. POSSIBILIDADE. REPRODUÇÃO DA EMENTA INTEGRAL.
Não se vislumbra o descumprimento do requisito previsto no §9º do art,. 67 do RICARF de apresentação da inteiro teor do acórdão paradigma, quando as ementas forem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.
Numero da decisão: 9202-007.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado no Acórdão nº 9202-006.245, de 29/11/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando comprovado não ter o acórdão apreciado questão trazida em sede de contrarrazões acerca do conhecimento do recurso. CONHECIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DA CÓPIA INTEGRAL DO ACÓRDÃO PARADIGMA. ART,. 67, §9º DO RICARF. POSSIBILIDADE. REPRODUÇÃO DA EMENTA INTEGRAL. Não se vislumbra o descumprimento do requisito previsto no §9º do art,. 67 do RICARF de apresentação da inteiro teor do acórdão paradigma, quando as ementas forem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado no Acórdão nº 9202 006.245, de 29/11/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 86 /2 00 9- 71 Fl. 765DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, fl. 749/754, opostos pelo Contribuinte, com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão nº 9202006.245 (fls. 724/737), este julgado na sessão plenária de 29/11/2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADOS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. No intuito de contextualizar a apreciação dos presentes embargos por esse colegiado, transcrevo, na integra, o relatório do acórdão embargado de minha própria relatoria, meu voto que foi vencedor, e o complemento com os argumentos do Contribuinte nos Embargos de Declaração opostos. Relatório do acórdão embargado de minha relatoria: “Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.217.4116, lavrado contra o contribuinte identificado acima, no valor total de R$ 2.702.178,29 (dois milhões, setecentos e dois mil, cento e setenta e oito reais e vinte e nove centavos), referente à contribuição dos segurados, cujo lançamento é decorrente de divergências entre as folhas de pagamento, em arquivos digitais em leiaut MANAD, e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 3 3 Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP’s entregues no período de 01/2004 a 13/2005. Na aplicação da multa, foi observada a mais benéfica, conforme alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966), em razão das alterações na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 4 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O comparativo de multa encontrase às fls. 28/29. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/07/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302003.248 (fls. 666/676), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência das competências de 01/2004 a 11/2004, inclusive, por força da aplicação do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96)”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste Fl. 767DF CARF MF 4 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 29/08/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 16/09/2014, Recurso Especial (fls. 677/688). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 25/04/2016 (fls. 689/694). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, inciso II, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2302003.248, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 18/08/2016, o contribuinte apresentou, em 31/08/2016, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 706/720). Em suas contrarrazões, o contribuinte alega, preliminarmente, que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido pois os acórdãos apresentados como paradigmas não possuem similaridade fática com o caso dos presentes autos, além do que, carece de prequestionamento. Diz que para a apuração da penalidade “mais benéfica” a Fazenda Nacional entendeu que a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, cuja aplicação se encontra prevista atualmente também para as contribuições previdenciárias, por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91, deve ser comparada com a soma das obrigações principais e acessórias, então previstas nos arts. 32, IV e 35, II, da Lei nº 8.212/91, apurandose o percentual de 75%; contudo, essa sistemática adotada resulta na negativa da aplicação das penalidades efetivamente mais benéfica, já que a multa aplicada no acórdão recorrido representa o percentual de 50% incidente sobre o valor do imposto, o que é, evidentemente, mais benéfico, principalmente levandose em consideração que o presente feito objetivase punir apenas a obrigação principal, havendo processo administrativo específico para a cobrança de multa sobre o descumprimento de obrigações acessórias (15504.020583/200938). Afirma que o acórdão paradigma equivocase ao manter a multa resultante do somatório das penalidades previstas nos arts. 32, IV e 35, II, da Lei nº 8.212/91, haja vista Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 4 5 se tratarem de penalidades que possuem naturezas jurídicas completamente diversas; e acrescenta: “ainda que se entenda que a multa de mora até então prevista na legislação possuía natureza de multa de ofício, passível de se confrontada com a multa de ofício atualmente prevista no art. 44 a Lei nº 9.430/96, tal comparação deve envolver apenas essas penalidades, não sendo viável ou justificável a soma daquela primeira com a então prevista para os casos de descumprimento de obrigação acessória”. Ressalta que a MP nº 449/08, além de revogar a penalidade prevista no art. 32, IV, §5º da Lei nº 8.212/91, introduziu àquela lei o art. 32A, que aplica ao contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 ou que a apresentar com incorreções ou omissões uma multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas (...), ou seja, continua existindo uma penalidade específica para os casos de apresentação de GFIP com omissões, de modo que a penalidade então prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91 deve ser comparada unicamente com a atualmente prevista no art. 32A da mesma lei. Pondera que, se antes do advento da MP nº 449/2008 existiam penalidades distintas para as diferentes infrações (falta de recolhimento e omissão de informações em GFIP), tal distinção continua existindo na legislação em vigor, ou seja, as penalidades previstas nos arts. 32, IV, §5º e 35 da Lei nº 8.212/91 se referiam a infrações distintas, assim como atualmente se verifica em relação aos arts. 32A e 35A da mesma lei (em ambos os casos, uma decorrente da ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias, outra em face da omissão de informações em GFIP). Conclui que deve prevalecer o entendimento do acórdão recorrido, ou seja, não há como se sustentar que a penalidade então prevista para os casos de omissões de fato gerador em GFIP restou absorvida pela penalidade prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 pelo fato daquele dispositivo fazer menção a casos de “falta de declaração e declaração inexata”, enquanto que, nos autos, a situação combatida é a suposta ausência de recolhimento de obrigação principal; ficando evidente a ausência de similitude fática entre os paradigmas invocados e a situação dos autos. Em relação ao prequestionamento, observa que o órgão julgador a quo não foi devidamente provocado pela Recorrente por meio de seu Recurso de Ofício, especialmente porque a controvérsia objeto do Recurso Especial, qual seja, a caracterização de erro na capitulação legal da multa não foi apreciada anteriormente, tanto que sequer consta a menção a tal discussão na Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal. Na questão de mérito, argumenta que a União Federal pretende, por meio de seu Recurso Especial, impor penalidade mais gravosa à Recorrida em flagrante afronta ao que dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, sob o pretexto de que estaria correta a comparação entre os dispositivos que prevêem penalidade para infração consistente tanto na não apresentação de declaração quanto no não pagamento de tributo; e como já visto anteriormente, a presente autuação versa sobre multa aplicada em função da ausência de recolhimento de obrigação principal, não havendo que se falar em descumprimento de obrigação acessória passível de punição. Insiste que não é admissível que, para aferir qual a multa menos gravosa, sejam comparadas infrações de natureza jurídica absolutamente distintas, como nos dispositivos pretendidos pela Recorrente; e conclui que não é necessário realizar contas complexas para se concluir que a nova penalidade se apresenta mais benéfica ao contribuinte do que a anterior, haja vista que a penalidade imposta pelo acórdão recorrido representa 50% Fl. 769DF CARF MF 6 do valor do imposto supostamente devido, enquanto que o cálculo fazendário remonta ao montante de 75% do imposto. É o relatório.” Meu voto no acórdão embargado: Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 689. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento, passo a melhor apreciar a questão. Do conhecimento A Procuradoria sustenta a divergência do acórdão recorrido sob os seguintes fundamentos: A Fazenda Nacional afirma que, no presente caso, o acórdão merece ser reformado em relação ao procedimento a ser utilizado para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte. Assevera que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos nº 2401002.453 e nº 920202.086, proferidos, respectivamente, pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF e pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cuja ementas são transcritas a seguir: Acórdão nº 2401002.453: [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. No próprio Recurso especial trouxe o recorrente trecho dos acórdãos paradigmas que destacam a forma de interpretar a legislação introduzida pela MP 449 de forma diversa do presente acórdão recorrido. Para tanto os próprios trechos citados descrevem de forma clara a interpretação diversa. Vejamos: Acórdão nº 2401002.453: De acordo com o fisco, na fixação da multa de ofício, levouse em conta as alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2008. Assim, comparouse a multa aplicada com base no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 (dispositivo vigente na data da ocorrência dos fatos geradores), com a multa imposta em obediência ao art. 35 A da mesma lei, aplicandose o valor mais favorável ao sujeito passivo. De acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, havendo lançamento de ofício do tributo, devese aplicar a multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996,(...)... Suscita a empresa que lhe fosse aplicada a multa do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996, todavia esse dispositivo somente se aplica no caso de recolhimento espontâneo, no qual é Fl. 770DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 5 7 aplicada a multa de mora e juros. Havendo lançamento das contribuições, exigese a multa de ofício prevista no art. 44, I, da mesma Lei. Assim, o fisco agiu com acerto ao comparar a multa do art. 35 com aquela prevista no art. 35A, ambos da Lei n.º 8.212/1991, não havendo reparos a serem feitos no levantamento quanto a esse aspecto. ... Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, já considerando, em razão das alterações legislativas advindas da MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, dispositivo mais benéfico ao sujeito passivo, conforme muito bem demonstrado no próprio relatório fiscal em que é apresentada planilha pormenorizada de aplicação da multa. (grifos da recorrente) Já em relação ao segundo acórdão paradigmático também não assiste razão ao recorrente quanto a ausência de similitude fática. Primeiramente, vejamos a ementa trazida: Acórdão nº 920202.086: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/0/2006 [...] OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições Processo nº 15504.020585/200927 Despacho n.º s/n S2C3T1 Fl. 4 4 previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Embora o acórdão citado refirase a auto de infração de obrigação acessória, esse fato não interfere na sua aceitação como paradigma, tendo em vista que a tese Fl. 771DF CARF MF 8 aplicada pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, aplica de forma indistinta a retroatividade para cálculo da multa tanto na obrigação acessória, como na principal. Por fim, quanto inexistência de pré questionamento, importante esclarecer que sua exigência restringise a recurso do sujeito passivo, já que o litígio, em relação a este se instaura ainda na fase de defesa. Já a PGFN só tem a possibilidade de recorrer após a decisão das Câmaras Baixas, razão pela qual a exigência em relação aos pressupostos restringise a demonstração de interpretação de legislação de forma diversa. Dessa forma, CONHEÇO DO RECURSO. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, Fl. 772DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 6 9 mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, Fl. 773DF CARF MF 10 obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 774DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 7 11 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão Fl. 775DF CARF MF 12 deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 776DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 8 13 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os não impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no Fl. 777DF CARF MF 14 art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto.” Embargos de Declaração do Contribuinte Cientificado do Acórdão nº 9202006.245 em 26/03/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem fl. 995), o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração (fls. 998/1.003) em 02/04/2018, portanto, tempestivo. No intuito de explicitar o conteúdo dos presentes embargos por esse colegiado, transcrevo parte do relatório do Despacho de Admissibilidade de Embargos, de fls. 1.010/1.012: “Alega a Embargante que o acórdão embargado foi omisso ao não perquirir acerca do cumprimento a dois requisitos para conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a saber: art. 67, § 9º, do Anexo II, do RICARF, já que não teria sido juntado o inteiro teor dos paradigmas; § 15 do mesmo dispositivo regimental, uma vez que não teria sido demonstrado que os paradigmas não foram reformados, mediante apresentação do andamento processual atualizado. Com efeito, compulsandose as Contrarrazões oferecidas pela Embargante às efls. 943 a 957, constatase que as questões acima foram efetivamente arguidas, conforme consta à efl. 951: "Também não se pode olvidar que o Regimento Interno do CARF é expresso ao dispor em seu art.67, §7° que o recurso deverá ser instruído com cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com a cópia da publicação em que tenha sido divulgado, e, ainda, que deve ser comprovado que a referida decisão não foi reformada pela CSRF, nos termos do §10°. Tais requisitos não foram cumpridos pela Recorrente, que não juntou a íntegra dos julgados e o respectivo andamento processual atualizado correlato, sendo manifesta a preclusão do referido recurso, que teve sua validade prejudicada pela inobservância dos requisitos formais intrínsecos." (grifei) Não obstante, quanto ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o voto condutor do acórdão embargado limitouse a tratar da alegada ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, bem como da suposta necessidade de demonstração de prequestionamento, questões que também foram apresentadas em sede de Contrarrazões. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 9 15 Assim, constatase que o acórdão embargado efetivamente foi omisso ao não enfrentar todas as questões relativas ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, suscitadas pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, mais especificamente quanto ao alegado descumprimento dos §§ 9º e 15, do art. 67, do Anexo II do RICARF.” Os Embargos foram admitidos (Despacho CSRF – 2ª Turma, datado de 22/05/2018 fls. 1.010/1.012), com o encaminhamento à relatora do acórdão ora embargado, para relatoria e futura inclusão em pauta, para apreciação pelo Colegiado. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF 16 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, inicialmente, atendem aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a fls. 761. Assim, passar a apreciar a questão. Da Análise Dos Embargos Tratase de embargos do Contribuinte, tendo em vista omissão quanto a matéria suscitada em sede de conhecimento. Senão vejamos os argumentos apresentados: Alega a Embargante que o acórdão embargado foi omisso ao não perquirir acerca do cumprimento a dois requisitos para conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a saber: art. 67, § 9º, do Anexo II, do RICARF, já que não teria sido juntado o inteiro teor dos paradigmas; § 15 do mesmo dispositivo regimental, uma vez que não teria sido demonstrado que os paradigmas não foram reformados, mediante apresentação do andamento processual atualizado. Analisando a omissão apontada, assim se manifestou o presidente da CSRF, ao apreciar a admissibilidade dos embargos: Com efeito, compulsandose as Contrarrazões oferecidas pela Embargante às efls. 943 a 957, constatase que as questões acima foram efetivamente arguidas, conforme consta à efl. 951: "Também não se pode olvidar que o Regimento Interno do CARF é expresso ao dispor em seu art.67, §7° que o recurso deverá ser instruído com cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com a cópia da publicação em que tenha sido divulgado, e, ainda, que deve ser comprovado que a referida decisão não foi reformada pela CSRF, nos termos do §10°. Tais requisitos não foram cumpridos pela Recorrente, que não juntou a íntegra dos julgados e o respectivo andamento processual atualizado correlato, sendo manifesta a preclusão do referido recurso, que teve sua validade prejudicada pela inobservância dos requisitos formais intrínsecos." (grifei) Não obstante, quanto ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o voto condutor do acórdão embargado limitouse a tratar da alegada ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, bem como da suposta necessidade de demonstração de prequestionamento, questões que também foram apresentadas em sede de Contrarrazões. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 10 17 Assim, constatase que o acórdão embargado efetivamente foi omisso ao não enfrentar todas as questões relativas ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, suscitadas pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, mais especificamente quanto ao alegado descumprimento dos §§ 9º e 15, do art. 67, do Anexo II do RICARF. Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte. Realmente, embora tenha sido expressamente suscitado dentro de uma das matérias, não ouve manifestação expresssa no acórdão embargado razão pela qual devem os presentes embargos serem acolhidos para que seja sanada as omissões apontadas. Do Conhecimento Em relação aos argumentos trazidos quanto ao conhecimento da questão podemos assim resumilos: art. 67, § 9º, do Anexo II, do RICARF, já que não teria sido juntado o inteiro teor dos paradigmas; § 15 do mesmo dispositivo regimental, uma vez que não teria sido demonstrado que os paradigmas não foram reformados, mediante apresentação do andamento processual atualizado. Com vistas a identificar o cumprimentos dos requisitos para o conhecimento do recurso, conve´m trazer a baila o dispositivos do Regimento Interno, senão vejamos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar r ecurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária inte rpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstra r de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma div ergente. [...] § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demons tração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. Fl. 781DF CARF MF 18 § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colaciona dos que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicaçã o de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aprove itaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 2016) Assim, com relação ao argumentos relacionados ao conhecimento não assiste razão ao recorrente. Conforme previsto no art. 67, §9º, 10º e 11º o recorrente, em relação a apresentação do acórdão paradigma tem por opões: colacionar cópia do inteiro teor do acórdão paradigma ou reprodução da ementa reproduzida no corpo do recurso. Conforme observase no recurso especial apresentado a PGFN optou por reproduzir a ementa no corpo do recurso, conforme abaixo transcrito: No presente caso, há nítida divergência entre o que restou decidido no v. acórdão recorrido e o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 2401002.453, proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, assim ementado1: “Processo nº 10166.721492/201011 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401002.453– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2012 Matéria: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente: RIOGRANDENSE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA Recorrida: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 11 19 Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.” O v. acórdão recorrido diverge também do Acórdão nº 920202.086, prolatado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado: “Processo nº 10552.000206/200721 Recurso nº 253.307 Acórdão nº 920202.086– 2ª Turma Sessão de 22 de março de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente INBRAPE TECIDOS INDUSTRIAIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/0/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 783DF CARF MF 20 PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.” Ou seja, em relação a este ponto, correto o procedimento adotado pela PGFN em seu recurso especial. Com relação ao segundo ponto, qual seja: que os acórdãos paradigmas não foram reformados, mediante apresentação do andamento processual atualizado, impõe esclarecer que essa avaliação é feita pelo presidente da câmara responsável pelo admissibilidade do recurso, não se fazendo necessário colacionar o andamento processual. Contudo, realmente não constou expressamente do despacho o requisito quanto a ausência de reforma, dessa forma, esclareço a questão: O acórdão 2401002.453, consta do sítio do CARF, com publicação em 01/06/2012, sem ter qualquer informação quanto a reforma, seja parcial ou total. De igual forma, o acórdão nº 920202.086 foi publicado em 22/03/2012 não constado Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15504.020586/200971 Acórdão n.º 9202007.139 CSRFT2 Fl. 12 21 qualquer reforma, razão pela qual resta cumprido requisito regimental quanto a ausência de reforma. Conclusão Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado no Acórdão nº 9202006.245, de 29/11/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 785DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.002375/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007, 31/07/2007 a 30/09/2007
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RESSARCIMENTO Recorrente YARA BRASIL FERTILILZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007, 31/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 75 /2 00 9- 24 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 716 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. (fls. 371 a 405), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403 001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente "para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido". O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007, 31/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 717 3 base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 277 a 286), insurgindose quanto ao não oferecimento à tributação de parcela relativa ao crédito presumido de ICMS, incentivo fiscal concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul, entendida pelo Fisco como sendo receita, não teve prosseguimento. Nos termos do despacho s/nº, de 08 de junho de 2015 (fls. 299 a 302), confirmado em sede de reexame de admissibilidade (fls. 303 a 304), por não terem sido apresentados acórdãos paradigmas para os dois fundamentos do acórdão recorrido sobre a matéria, quais sejam, mudança de critério jurídico da glosa e a natureza de receita da verba em discussão, não há como a decisão ser revista e, portanto, não deve ser admito o recurso especial. Interpostos embargos de declaração pela Contribuinte (fls. 314 a 358), alegando vícios de omissão e contradição, os mesmos foram rejeitados nos termos do despacho s/nº, de 15/07/2016 (fls. 361 a 364). Não resignada, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 371 a 405) alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 718 4 No primeiro exame de admissibilidade, o recurso especial teve prosseguimento tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho s/nº, de 28/02/2017 (fls. 587 a 596). Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo (fls. 603 a 629), também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, tudo nos termos do despacho s/nº, de 11/04/2017 (fls. 655 a 658) que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte que foram admitidas e serão objeto e análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa; e à apresentação de provas após o recurso na primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 660 a 680) requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do apelo especial e, no mérito, a sua improcedência. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 719 5 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 720 6 [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 721 7 Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 722 8 na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 723 9 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 724 10 [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 725 11 Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o Fl. 725DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 726 12 propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo Fl. 726DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 727 13 e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período Fl. 727DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 728 14 relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazená los por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 Fl. 728DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 729 15 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e Fl. 729DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 730 16 da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 11080.002375/200924 Acórdão n.º 9303007.070 CSRFT3 Fl. 731 17 PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 731DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.733248/2014-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. MAIORES DE 24 ANOS. POSSIBILIDADE. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF.
Consoante o Enunciado de Súmula CARF, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
No direito de família, não há limitação etária para a concessão da pensão alimentícia, sendo uma questão de análise casuística frente as necessidades do alimentando e as possibilidades do alimentante.
Faz jus o contribuinte à dedução da pensão alimentícia, pois decorrente de obrigação legal, não devendo ser confundido o limite de idade para fins de relação de dependência no imposto de renda, regido pelas normas de direito tributário, com limite de idade para fins de concessão de pensão alimentícia, regido pelas normas do direito civil.
Numero da decisão: 9202-007.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. MAIORES DE 24 ANOS. POSSIBILIDADE. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF. Consoante o Enunciado de Súmula CARF, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. No direito de família, não há limitação etária para a concessão da pensão alimentícia, sendo uma questão de análise casuística frente as necessidades do alimentando e as possibilidades do alimentante. Faz jus o contribuinte à dedução da pensão alimentícia, pois decorrente de obrigação legal, não devendo ser confundido o limite de idade para fins de relação de dependência no imposto de renda, regido pelas normas de direito tributário, com limite de idade para fins de concessão de pensão alimentícia, regido pelas normas do direito civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 32 48 /2 01 4- 38 Fl. 196DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202003.947 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 9 de junho de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 143: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98) A pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte. A utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 157 a 161, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 172 a 176, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à dedução de pensão judicial paga aos filhos maiores de 24 anos. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11080.733248/201438 Acórdão n.º 9202007.121 CSRFT2 Fl. 3 3 Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) para que eventuais repasses financeiros a filho maior de 24 anos de idade possam ser classificados como pensão alimentícia, necessário seria que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, nos termos do artigo 1.695 do Código Civil, o que não restou evidenciado no v. acórdão ora recorrido; b) entender o contrário, acabaria por tirar o próprio sentido da norma, pois estaria se permitindo uma dedução de imposto de renda, mesmo para pessoas com capacidade laborativa e maiores de idade. Intimada, o Contribuinte apresentou contrarrazões, na qual aduz, em síntese: a) a pensão alimentícia descontada em folha só poderá ocorrer por ordem judicial, sendo assim, no momento em que o juízo prolata a sentença, esta é impositiva, afastando a liberalidade e, por consequência, afastada a liberalidade, é possível a dedução; b) não cabimento do recurso especial da Fazenda; c) manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Aduz a recorrida o não cabimento do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda, diante do fato de a matéria ser objeto de Súmula do CARF (n.º 98). Não obstante os relevantes argumentos mencionados, merece ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda, pois a discussão decorre da interpretação acerca da expressão "normas de direito de família" contido no referido Enunciado. A matéria, assim requer um trabalho interpretativo, não decorrendo da pura e simples literalidade da súmula, razão pela qual conheço do recurso especial. 2. Do mérito. Consoante narrado, a controvérsia suscitada se refere à possibilidade de dedução de pensão judicial paga aos filhos maiores de 24 anos. Sobre a matéria, cabe mencionar o Enunciado de Súmula CARF n.º 98 abaixo transcrito: Fl. 198DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 98 A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Com a análise do referido Enunciado, a fim de buscar aplicação condizente com os precedentes que lhe deram origem, trago os trechos do Acórdão 2101002136, que assim dispõe: Por fim, penso ser necessário estampar que não me passou despercebido que, no ano de 2004, os dois filhos tinham idade superior a 24 anos. Tal fato poderia ser considerado impeditivo à dedução, pois existe o entendimento de que o dever de pagar pensão alimentícia aos filhos capazes cessão aos 24 anos. Entretanto depareime com o conteúdo da Súmula 358 do STJ, de 13/08/2008, publicada no DJE de 08/09/2008, que possui o seguinte enunciado: O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. Assim, além de não existir disposição legal expressa quanto à idade máxima para o pagamento de pensão alimentícia aos filhos, existe entendimento judicial consolidado de que esse dever somente cessa com decisão da justiça, o que garante ao recorrente o direito de deduzir a pensão alimentícia da filha maior de 24 anos. Percebese, desse modo, que o precedente em comento trata de caso similar ao dos autos, devendo, assim, receber o mesmo tratamento jurídico, considerando a aplicação do Enunciado de Súmula CARF 98 que assevera ser possível a dedução da pensão alimentícia em face dos direitos de família. No direito de família, o direito à pensão alimentícia decorre do binômio necessidade/possibilidade, necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante, associada à relação de parentesco, casamento ou união estável. Para Orlando Gomes e Maria Helena Diniz, os alimentos podem ser conceituados como prestações devidas para a satisfação das necessidades pessoais daquele que não pode provêlas pelo trabalho. Notase que o bem jurídico protegido pelo direito de família é a pessoa humana, na perspectiva constitucional do direito social à alimentação (art. 6º da CF). Assim, não há limitação etária para a concessão da pensão alimentícia, sendo uma questão de análise casuística frente as necessidades do alimentando e as possibilidades do alimentante. Uma vez concedida a pensão alimentícia, não há perda automática do direito à percepção dos alimentos, nas hipóteses em que não mais se vislumbram os fatos ensejadores do direito, sendo necessária sua exoneração judicial, nos termos da Súmula 209 do STJ: Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11080.733248/201438 Acórdão n.º 9202007.121 CSRFT2 Fl. 4 5 O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. Portanto, no presente caso, verificase a obrigatoriedade do dispêndio do Contribuinte com a pensão alimentícia, e, não havendo limite de idade, para o direito civil, não há que se exigir para fins de dedução. Ora, não se deve confundir limite de idade para fins de relação de dependência no imposto de renda com limite de idade para fins de concessão de pensão alimentícia. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905434/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 05 43 4/ 20 12 -2 3 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10865.905434/201223 Resolução nº 3401001.463 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 30492.65305.170708.1.2.041410 a restituição de PIS (cód.8109) do período de apuração 02/2008 no valor de R$ 1.072,81 por recolhimento a maior que o devido através de DARF no valor de R$ 1.120,29 na data de 19/03/2008. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 01/10/2012, rastreamento nº 038110527 (efls.7), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 29/02/2008. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.5), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) “Foi apresentada DCTF RETIFICADORA n° 39.38.44.74.9990, declarando que o Pis/Pasep (8109 02) no período em questão é de R$ 47,48 (QUARENTA E SETE REAIS E QUARENTA E OITO CENTAVOS)”; b) “A diferença de R$ 1.072,81 (UM MIL, SETENTA E DOIS REAIS E OITENTA E UM CENTAVOS), referese ao Pis/Pasep, calculado indevidamente, sobre a venda de Tubo de Escapamento (87.08) que conforme § 2°, I, do artigo 3°, da Lei n° 10.485, de 03.07.2002, ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/FOR, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO TOTALMENTE ALOCADO. RETIFICAÇÃO DCTF POSTERIOR À CIÊNCIA DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada a inexistência do direito creditório. A retificação da DCTF posteriormente à ciência do Despacho Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito creditório, sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração. Do Recurso Voluntário Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.905434/201223 Resolução nº 3401001.463 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.40) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que no ano de 2002 foi publicada a Lei nº 10.485 que estabeleceu alíquota funcional de 0% sobre produtos sujeitos à tributação monofásica, daqueles listados em seus anexos I e II; (b) que a recorrente atua no segmento de auto peças, dentre eles o produto denominado “SILENCIOSO” classificado na posição 87.08.92.00 (NCM), listado no Anexo I da Lei nº 10.485/2002; (c) que em termos de comprovação do indébito, caso não seja suficiente os elementos de prova detalhada ora juntados, seja dado tratamento semelhante ao da Resolução nº 3803000.330 da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, determinando a realização de diligência; (d) junta relatórios e livros fiscais como elementos de provas, devendo prevalecer a verdade material sobre a formal, conforme precedente dessa casa, Acórdão 1802001.958. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou em sua manifestação de inconformidade que a origem do crédito está relacionada ao fato de não ter seguido o que fora determinado pela Lei nº 10.485/2002, que atribuiu alíquota “zero” de PIS/PASEP aos produtos submetidos à tributação monofásica, dentre eles o produto denominado “Silencioso”, classificado na posição 87.08.92.00. Apresentou DCTF Retificadora para corrigir o valor do débito anteriormente declarado, só que após ter tomado ciência do Despacho Decisório. O entendimento passado pela DRJ/FOR através do acórdão recorrido é que, “no caso de aproveitamento de crédito de pagamento indevido ou a maior em compensação, carece de provas a retificação de declaração (DCTF, por exemplo) apresentada pelo contribuinte após ter sido cientificado de que a declaração anterior não ratifica a existência do suposto crédito” Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.905434/201223 Resolução nº 3401001.463 S3C4T1 Fl. 5 4 A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.905434/201223 Resolução nº 3401001.463 S3C4T1 Fl. 6 5 prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662132/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 32 /2 01 2- 67 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662132/201267 Acórdão n.º 1201002.527 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 1º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662132/201267 Acórdão n.º 1201002.527 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.662132/201267 Acórdão n.º 1201002.527 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.662132/201267 Acórdão n.º 1201002.527 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 226DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.001235/2007-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 14/11/2001, 15/02/2002, 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002, 14/02/2003, 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES Recorrente NCA INFORMATICA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 14/11/2001, 15/02/2002, 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002, 14/02/2003, 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 12 35 /2 00 7- 97 Fl. 97DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 53 à 67) interposto contra o Acórdão n° 0623.280, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 46 à 48), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF). Entende que, estando de boafé, não deveria serlhe aplicada a penalidade pecuniária; e que sempre agiu dentro da lei, razão pela qual não seria justa sua repreensão. Por fim, alega malferimento na ampla defesa e contraditório no que cinge à apresentação das declarações. Para melhor acurácia, valhome da transcrição dos principais trechos do indigitado Recurso: A Recorrente, nos anos de 2002 e 2004 estava sob o amparo da Lei, e no momento em que houve a exclusão do SIMPLES e a conseqüente notificação por parte desta Receita Federal. a Recorrente apresentou as declarações retroativas, conforme Processo 10945.013717/200285. Em suma, as declarações de IRPJ e DCTF não foram entregues fora do tempo por culpa ou dolo da Recorrente, apenas acreditavase que estava dispensada por ser enquadrada no SIMPLES, e uma vez alterada tal situação na há que se falar em multa. (...) Assim, como as leis estão preordenadas a reger situações futuras, salvo a retroação benéfica que tem matriz constitucional, a mudança de critério interpretativa do fisco, também, só pode acarretar conseqüências jurídicas a partir de então, e nunca, desde então. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10945.001235/200797 Acórdão n.º 1002000.392 S1C0T2 Fl. 98 3 Ora, isso equivale à aplicação retroativa de nova lei constitucionalmente vedada (art. 150, lll, a da CF), (...) A Receita Federal simplesmente notificou a Recorrente para apresentar as declarações, não lhe concedendo direito de defesa para demonstrar o motivo pelo qual não haviam sido entregues, e assim que foram entregues, a Receita emitiu as multas ora impugnadas, aduzindo estarem fora do prazo. Ora, a empresa sequer foi intimada, e sequer teve a oportunidade de apresentar suas alegações sobre a entrega com atraso, e ao discorrer sobre o tema na sua IMPUGNAÇÃO, foi informada, por meio do Acórdão recorrido, que o tema da exclusão do Simples não poderia ser analisado por estar fora do âmbito deste processo!!! (...) EM SUMA, a empresa não recebeu nenhum comunicado de que deveria justificar o motivo pelo qual as declarações requeridas com atraso, e simplesmente foi autuada, tendo somente a fase de defesa e recurso para demonstrar que não entregou por ser optante do SIMPLES. E O QUE É MAIS GRAVE, a decisão ora impugnada diz que este não é o lugar para se discutir se a Recorrida foi desenquadrada do SIMPLES, ferindose de morte os princípios do contraditório e ampla defesa. razão pela qual o Acórdão deve ser anulado e substituído por outra decisão deste C. órgão superior de julgamento, evitandose que a discussão ultrapasse as fronteiras administrativas e ingresso no campo do Poder Judiciário, com a competente Ação Anulatória de Ato Jurídico. Em Resolução aprovada por unanimidade na sessão de 03 de abril de 2018, requereuse à Unidade de Origem o seguinte esclarecimento (efls. 70 à 73): Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar qual o termo final do prazo de 30 (trinta) dias dado pelo SECAT para apresentação das declarações DCTF e DIPJ. A legislação concedia 30 (trinta) dias de prazo, após a exclusão, para apresentação das aludidas declarações. Em pronto retorno, a indigitada Unidade de piso informou que o dies ad quem para apresentação das DCTFs e DIPJs deuse em 19/09/2006 (efl. : Tratase de processo baixado do CARF, Primeira Seção de Julgamento, Resolução nº 1002000.009 Turma Extraordinária/2ª Turma Ordinária. Em síntese, a diligência visa elucidar qual o termo final do prazo de 30 (trinta) dias dado pela SECAT ao contribuinte, após sua exclusão do Simples, para apresentação das declarações DCTF e DIPJ. Fl. 99DF CARF MF 4 Conforme se verifica nos documentos anexados, o contribuinte teve ciência da Intimação SECAT nº 098/2006 via AR dos correios em 18/08/2006. No calendário de 2006 tratase de sextafeira, resultando que o prazo de 30 dias começou a fluir em 21/08/2006 (segundafeira), tendo por termo final, a nossa contagem, em 19/09/2006. Sendo o requisitado em diligência e não havendo prejuízo ao interessado quanto as informações ora apresentadas, retornase ao CARF para seguimento. Juntaramse as DCTFs, DIPJs e a Intimação SECAT n° 098/2006, com as respectivas datas de recebimento (efls. 75 à 93). É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. 1. Da Exclusão do SIMPLES e do adimplemento das obrigações acessórias Por primeiro, quedouse evidente a exclusão da Recorrente à modalidade tributária do SIMPLES e de que aquela restou devidamente intimada de tal fato. Isso restou comprovado de forma hialina com a Intimação SECAT n° 098/2006, doravante acostada aos autos e cujo teor colaciono abaixo (efl. 75): Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10945.001235/200797 Acórdão n.º 1002000.392 S1C0T2 Fl. 99 5 Há de se pontuar, ainda, que essa Intimação foi recebida em 18/08/2006, tendo por termo final em 19/09/2006. Noutro giro, ficou claro que a Recorrente apresentou tempestivamente a maior parte de sua documentação em 13/09/2006; sendo que apenas não o fez tocante à: a. DIPJ 2003. período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (efl 81). Apresentada em 22/09/2006. Nesse espeque, quanto à obrigação de apresentar a Declaração em comento a tempo e modo, a Recorrente não demonstrou de modo objetivo fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. Por seu turno, o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DIPJ, DCTF, DIRF e DACON, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade da Contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A Fl. 101DF CARF MF 6 responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese à necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10945.001235/200797 Acórdão n.º 1002000.392 S1C0T2 Fl. 100 7 TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Fl. 103DF CARF MF 8 2. Da violação à ampla defesa e contraditório e retroatividade da lei tributária Ademais, não há que se falar em malferimento à ampla defesa e contraditório, tampouco em violação à retroatividade da lei tributária. O presente Processo Administrativo cumpriu com seu regular deslinde, apresentando todas as oportunidades de defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Noutro giro, o arcabouço probatório logrou afastar a maior parte das multas aplicadas, de modo que restou comprovado apenas o atraso na entrega da DIPJ 2003. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos em totalidade. Portanto, VOTO pelo PROVIMENTO PARCIAL do Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909848/2011-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/11/2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 48 /2 01 1- 29 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.500, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/11/2005 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721151/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL.
Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, torna-se cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105)
Numero da decisão: 1201-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL. Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, torna-se cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL. Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, tornase cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 51 /2 01 3- 36 Fl. 1070DF CARF MF 2 Relatório Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração da CSLL de fls. 727 a 735, sob o fundamento de determinação incorreta das bases de cálculo da CSLL dos anoscalendário de 2009 e 2010, uma vez que delas não constam as respectivas adições das despesas contabilizadas de amortização de ágios originados das aquisições de investimentos avaliados pelo Patrimônio Líquido, do que resultou a constituição de créditos tributários que totalizam R$ 16.304.486,49 de CSLL, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, e R$ 4.138.476,72 de Multa Exigida Isoladamente, com base no que estabelece o art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. A autuada apresentou impugnação para a qual, a 9a.Turma da DRJ do Rio de Janeiro (DRJ1), proferiu o Acórdão nº 1265.748, de 22/05/2014 (fls. 920/948), para considerar integralmente improcedente o crédito tributário constituído de R$ 16.304.486,49 de CSLL, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, e de R$ 4.138.476,72 de Multa Exigida Isoladamente –CSLL. Em razão do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificada do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs Recurso Especial, admitido pelo CARF, e julgado procedente pela 1a Turma da Câmara Superior de Recursos FiscaisCSRF, mediante o Acórdão nº 9101003.005, de 08 de agosto de 2017 (fls.1.022/1.035) que, manteve o auto de infração relativo à CSLL, e determinou o retorno dos autos para pronunciamento da turma a quo, sobre a multa isolada nos seguintes termos: Enfim, tendo a decisão recorrida dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, não apreciou a matéria relativa à multa isolada por insuficiência no recolhimento de estimativas mensais do ano calendário de 2007.(sic) Cabe, nesse sentido, o retorno dos autos para a turma a quo apreciar a matéria. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora De acordo com o relatoriado, no presente voto será tratada, exclusivamente, a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Conforme o Termo de Verificação Fiscal TVF, página 27, no período fiscalizado, as antecipações apuradas com base em balancetes de suspensão/redução foram as relativas aos meses de Janeiro/2009, Fevereiro/2009, Junho/2009 e Julho/2009, sendo que apenas os meses de Junho/2009 e Julho/2009 foram afetados pela adição de ofício. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 1201002.460 S1C2T1 Fl. 3 3 Do relatório do acórdão da DRJ, em síntese, insurgese a autuada contra a exigência de multa isolada simultaneamente com multa de lançamento de ofício; argúi que, implica dupla imposição de penalidade sobre um mesmo fato e uma mesma base de cálculo, portanto merece ser afastada. Do auto de infração (fls.727/735) e do TVF, depreendese que as multas isoladas referemse à insuficiência de estimativas da CSLL, e dizem respeito aos meses do ano calendário de 2009, e não 2007 como dito no Acórdão da CSRF, portanto configurado o lapso manifesto, prosseguese na análise. A Lei 9.430/96, em seu art. 44, inciso II, alínea b, com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2001, prevê a aplicação de multa isolada de 50%, para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, neste caso, da CSLL Estimativa. Vale tecer algum comentário sobre a cumulatividade de multa de ofício com multa isolada por insuficiência de estimativa mensal, que devem ser afastadas por força da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Como se vê, a Súmula tem como fundamento o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Ocorre que, o mencionado dispositivo legal fora alterado pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, vejamos: Redação anterior: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(Vide Lei nº 10.892, de 2004) .... §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Fl. 1072DF CARF MF 4 ... Redação após a Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No caso dos autos, as multas isoladas aplicadas, em relação aos meses de junho e julho de 2009, têm como fundamento o artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei 9.430/96, porquanto já em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, de sorte que a mencionada Súmula não se aplica ao presente processo, haja vista que os fatos geradores das multas isoladas exigidas ocorreram em 2009, sob a égide da Lei nº 11.488/2007, portanto, sem qualquer óbice legal para imposição concomitante da multa prevista em seu inciso I com aquela estabelecida no inciso II, alínea "b". Desse modo, temse como indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela insuficiência de pagamento das estimativas mensais da CSLL, ainda que cumulativamente se exija a multa de ofício proporcional à contribuição devida no ajuste anual do ano de 2009. Portanto, ainda que em face dos autos de infração se exija o pagamento da CSLL no ajuste anual, em 31/12/2009, com a multa de ofício de 75%, deve ser mantida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, nos presentes autos de infração, em relação aos mencionados meses de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício para manter as multas isoladas em comento. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 1201002.460 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 1074DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.001370/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1994 a 31/05/2004
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL
O pedido de restituição foi negado, em parte, em razão de o contribuinte supostamente tê-lo instruído por meio de guias de recolhimento de outro tipo de contribuição. Confirmado que tal erro não fora cometido, há que se cancelar o despacho decisório, por conter vício material.
Numero da decisão: 3301-004.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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VÍCIO MATERIAL O pedido de restituição foi negado, em parte, em razão de o contribuinte supostamente têlo instruído por meio de guias de recolhimento de outro tipo de contribuição. Confirmado que tal erro não fora cometido, há que se cancelar o despacho decisório, por conter vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 13 70 /2 00 5- 18 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 166 2 "Cuida o presente processo de PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 351.603,18 (fl.01), indeferido pela autoridade administrativa, qual seja, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife PE, segundo Despacho Decisório proferido em 07/07/2006 (fls.72), com fundamento no Termo de Informação Fiscal elaborado na mesma data (fls.71). 2. No pedido, que se fez acompanhar de planilhas (fls.16/18) e outros elementos, dentre os quais cópias de i) Reforma do Estatuto do Colégio Americano Batista (fls.11/14), ii) diversos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais Darf (fls.19/70), a contribuinte alegou ter efetuado pagamentos indevidos da contribuição referida, tendo apresentado planilha em que constam pagamentos realizados no período de novembro de 1994 a maio de 2004, dado que "(...) é imune à referida contribuição em face do que dispõe o art. 195, § 7° da Constituição Federal, uma vez que obedece a todos os requisitos previstos ' o art.14 do CTN e art.55 da Lei n° 8.212/91." 3. Conforme relatado no mencionado Termo de Informação Fiscal, a contribuinte "( ... ) solicita restituição do PIS pelo fato da (sic) ser imune, em face do disposto no art. 195 da Constituição Federal, anexa vários DARF'S de recolhimento do PASEP." Aduz que "( ... ) verificase, através dos sistemas da SRF, que o contribuinte não recolhe PIS e sim PASEP sobre a folha de pagamento." Acrescenta que o direito de pleitear a restituição já havia decaído para os pagamentos até 2001 e conclui por propor o indeferimento do pedido "(...) pelo fato de não haver créditos de PIS a restituir e por ter havido decadência do direito de pleitear restituição para os pagamentos das fls.19 a 70, anexados ao presente processo, conforme determina o artigo 168 do Código Tributário Nacional e a Lei 8.383/91 e alterações posteriores." 4. Devidamente cientificada do mencionado despacho decisório em 31/0712006 (Aviso de Recebimento AR às fls.74), a pessoa jurídica apresentou, em 24/08/2006, por intermédio de seu procurador (cópia do instrumento de mandato às fls.05), manifestação de inconformidade (fls.75/81), acompanhada de extrato de CONSULTA CÓDIGO DE RECEITA ESPECÍFICO (fls.82), obtido no sítio da Receita Federal na internet. Por meio dessa peça de defesa, contesta o indeferimento do seu pedido com os argumentos a seguir sintetizados. 4.1. "O Recorrente é uma entidade beneficente de assistência social , SEM FINS LUCRATIVOS, autorizada a funcionar como colégio nos termos do Decreto n ° 10.844, de 19.11.1942, reconhecida como de utilidade pública federal pelo Decreto n° 86.668, de 30.11.1981 e municipal pela Lei n° 12.408, de 16.12.1976, reconhecida como uma Entidade Filantrópica desde 08.04.1981, isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, constituída sob a forma de uma sociedade civil, sem fins lucrativos, cuja finalidade é ministrar a educação básica ( ... )." 4.2. "Nestas condições, o Contribuinte, ora Recorrente, goza de IMUNIDADE TRIBUTÁRIA a toda e qualquer contribuição social para o custeio da seguridade social, incidente sobre a sua folha de salários, nos termos do art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988." 4.3. "( ... ) foi equivocadamente enquadrado como uma pessoa jurídica simplesmente SEM FINS LUCRATIVOS, sendo, por conseguinte, compelido a proceder com o recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, calculada mediante a aplicação do percentual de 1% (um por cento) incidente sobre a sua folha de salários (Código 8301), nos termos da Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/1971, na Medida Provisória n° 1.212/95 e suas Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 167 3 reedições, na Lei d 9.715/98 e, por fim, com base na Medida Provisória n° 2.158 34/2001." 4.4. "( ... ) apenas as ENTIDADES `PURAMENTE' SEM FINS LUCRATIVOS é que estariam sujeitas aos recolhimentos da Contribuição para o PIS sobre a Folha de Salários, e não as ENTIDADES FILANTRÓPICAS, posto que estas últimas gozam de IMUNIDADE TRIBUTÁRIA." 4.5. Efetuou recolhimentos sob o Código 8301, que significa PIS FOLHA DE SALÁRIOS, como se pode verificar nas cópias dos Darf anexados aos autos, e não de PASEP, como alegou o Auditor Fiscal; 4.6. Discorre sobre o seu direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos nos últimos dez anos, tendo em vista que o PIS sujeitase ao lançamento por homologação, entendimento este firmado nas jurisprudências administrativa e judicial, consoante decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e do Superior Tribunal de Justiça STJ, em sede de Recurso Especial Resp, que transcreve; 4.7. Ao final, pugna pelo reconhecimento do seu direito creditório, para fins de restituição do PIS sobre a folha de salários." A DRJ no Recife (PE) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1121.648, de 18 de fevereiro de 2008, foi assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 0 1 /11/1994 a 31/05/2004 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de pleitear a restituição ou compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese ao final do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. PIS. IMUNIDADE. A imunidade concedida pelo § 7° do art. 195 da Constituição Federal alcança apenas as entidades beneficentes de assistência social, desde que atendam às exigências legais elencadas no art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. PIS. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE ÀS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não lhes sendo aplicável o beneficio constitucional a estas restrito. PIS SOBRE O FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições de educação sujeitamse normalmente à incidência do PIS sobre ó faturamento, nos termos da letra "a" Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 168 4 do inciso I do ia. 2% c/c o art. 3°, ambos do Decreto n° 4.524, de 2002. Solicitação Indeferida" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 23/02/2005, a recorrente protocolizou Pedido de Restituição (fl. 03) de pagamentos de PIS sobre folha de pagamento, realizados no período de novembro de 1994 a maio de 2004. Instruiu o pleito com alegação de que a contribuição não era devida, pois imune à contribuição, nos termos do § 7° da Constituição Federal. E atendia aos requisitos previstos no art. 14 do CTN e 55 da Lei n° 8.212/91. A fiscalização indeferiu o pedido por dois motivos: i) o contribuinte não pagou PIS/Folha de Pagamento e sim PASEP/Folha de Pagamento; e ii) ainda que houvesse o crédito, já teria decaído o direito à restituição dos valores indevidamente pagos até 2001 Na manifestação de inconformidade, afirmou que: a) não se operara a decadência, pois, conforme entendimento então já exarado pelo STJ, o prazo era de dez anos, contados do pagamento indevido ou a maior, nos casos de pedidos protocolizados até 09/06/05; b) era imune à contribuição, nos termos do § 7° da Constituição Federal, uma vez que atendia aos requisitos previstos no art. 14 do CTN e 55 da Lei n° 8.212/91; e c) efetuara recolhimentos sob o Código 8301 PIS/Folha de Pagamento, conforme cópias dos Darf anexados à defesa, e não de PASEP/Folha de Pagamento. A DRJ ratificou a incidência da decadência. Afirmou que a defendente não era imune, pois não atendia aos incisos I ao IV do art. 55 da Lei n° 8.212/91 (o decreto que a constituíra como de utilidade pública já havia sido revogado; o certificado de entidade beneficente não continha assinatura e estava fora de validade, não prestava serviços gratuitamente e remunerava diretores). Concluiu, dizendo que o contribuinte estava sujeito ao PIS sobre o faturamento e, assim, deveria "providenciar a retificação dos DARF pagos naquela modalidade e, ainda, proceder ao recolhimento das diferenças porventura existentes, na modalidade PIS/Faturamento". Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 169 5 Por fim, consigna que era procedente o argumento da defesa de que recolhera PIS/Folha de Pagamento (Código 8301) e não PASEP/Folha de Pagamento (Código 3092). A meu ver, há vícios fatais tanto no Despacho Decisório quanto na decisão de piso. Contudo, o primeiro ato administrativo é que deve ser objeto de nossa apreciação, pois formouse o contencioso administrativo a partir da contestação de seu conteúdo. Constatase nos autos que realmente a recorrente recolheu PIS/Folha de Pagamento (Código 8031) e não PASEP/Folha de Pagamento (Código 3092), tal qual o consignado pela DRJ em sua decisão. Como foi este foi argumento para rejeitar a parte do Pedido de Restituição relativa aos anos de 2002 a 2004, é evidente que há de defeito na motivação do Despacho Decisório, o que o eiva de nulidade, por vício material. E, em razão da citada ocorrência, a meu ver, não nos cumpre apreciar as demais questões. Portanto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, declarando que o Despacho Decisório é nulo, por conter vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721662/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% a 75%. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa (relatora) e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 16 62 /2 01 4- 68 Fl. 503DF CARF MF 2 LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% a 75%. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa (relatora) e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.462/477) que transcrevo a seguir: Tratase de procedimento fiscal amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) nº 0920100.2014.006625, que abrangeu o anocalendário de 2011 e teve como escopo os tributos objeto do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Da referida ação fiscal, foi apurado o Crédito Tributário consolidado abaixo, acrescido de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, decorrente de omissão de receitas relativa a depósitos bancários cuja origem não restou comprovada (Auto de Infração fls. 318 a 394): Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 3 3 A impugnante atua sob a forma de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada (Ltda.), foi constituída no ano de 2006 e está domiciliada na cidade de Santo Amaro da Imperatriz/SC, e tem como objeto social o comércio atacadista e varejista de madeiras para construção. DA AÇÃO FISCAL O Termo de Verificação Fiscal (TVF), elaborado pela autoridade fiscal, descreve os procedimentos realizados e os fundamentos de fato e de direito que originaram a lavratura do auto de infração em litígio (fls. 396 a 406). A seguir, a síntese da auditoria fiscal, naquilo que importa para o presente julgamento. A fiscalização foi iniciada em 10/9/2014, ocasião em que foram exigidos da impugnante, dentre outros elementos, livros fiscais, comerciais e extratos e documentos bancários, relativamente a contas correntes mantidas junto às seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil, Banco Mercantil do Brasil, Banco Itaú e Banco Bradesco. As exigências foram atendidas pela contribuinte. A fiscalização selecionou 214 (duzentos e quatorze) lançamentos relativos a créditos em contas bancárias de titularidade da impugnante, de operações não identificadas na escrituração contábil da pessoa jurídica (fls. 46 a 70), e intimou a impugnante a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, que comprovasse a origem dos valores creditados em contas de depósito, transcritos no Anexo Único do termo fiscal (fls. 204 a 212). Em relação a essa exigência, a impugnante apresentou 3 (três) pedidos de prorrogação de prazo para atendimento, nas seguintes datas: 14/10/2014, 3/11/2014 e 14/11/2014. Em face dessas solicitações de dilação de prazo, foi estabelecido o dia 3/12/2014 como termo final para atendimento da intimação. Findado o prazo para atendimento da intimação acima referida, a impugnante assim se manifestou : A empresa ERNANI BUSS COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA – ME, (...)declara que em atendimento ao termo de início do Procedimento Fiscal, nº do Mandado 0920100.2014.006625, Fl. 505DF CARF MF 4 código de acesso 13188284, onde foram selecionados 214 lançamentos relativos a valores creditados em contas bancárias de titularidade da sociedade empresária, mantidas junto a instituições financeiras BANCO DO BRASIL, BANCO MERCANTIL DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BRADESCO, não constam na escrituração contábil da empresa e que todas são oriundas da atividade empresarial . Conforme relato fiscal, a resposta da impugnante foi acompanhada de contratos e outros documentos relativos a operações de crédito (empréstimos) a ela concedidos, no ano de 2011, embora esses documentos não tenham sido objeto de questionamento por parte da fiscalização e sequer foram incluídos no Anexo Único da Intimação Fiscal nº 001. Além dos contratos de operações de crédito obtidos, diz o autuante que a impugnante apresentou contratos firmados entre o sócioadministrador Ernani Buss e outras pessoas físicas, relativos a permuta de madeiramento e peças de madeira por imóveis e automóvel, que também não guardam nenhuma relação com os recursos depositados nas contas correntes bancárias e, portanto, inábeis para comprovar a origem dos valores creditados nessas contas. (fl. 400) A autoridade fiscal assevera que os valores creditados em contas depósitos bancários, mantidas pelo sujeito passivo, cujas origens não foram comprovadas, montam, no anocalendário de 2011, em R$ 2.567.322,29 (dois milhões, quinhentos e sessenta e sete mil, trezentos e vinte e dois reais e vinte e nove centavos), assim discriminados mensalmente: A infração foi enquadrada nos arts. 26 e 34 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que possuem a seguinte redação: Lei Complementar nº 123/06: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: [...] Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 4 5 § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. [...] Art. 34. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. ......................................................................................................... Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. No tocante à aplicação da multa qualificada, eis os fundamentos expendidos no relatório fiscal: Cabe destacar que na infração identificada através do item 2 do presente feito deve ser aplicado tratamento mais gravoso no que tange à multa de ofício lançada. A referida sanção é devida em razão do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, encontrando amparo no § 1º do art. 44 da lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 507DF CARF MF 6 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (grifouse) Os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, são os de sonegação, fraude e conluio, respectivamente. Na situação em análise, a qualificadora é aplicada em virtude da prática de fraude, conduta conceituada no artigo 72 da mencionada lei, que assim dispõe: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a fraude traz consigo o sentido do engano para furtarse o ao cumprimento do que é de sua obrigação ou para logro de terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto, a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato onde se evidencia a intenção de frustrarse a pessoa aos deveres obrigacionais ou legais. O texto do art. 72 da lei nº 4.502/1964, acima transcrito, estabelece que a conduta fraudulenta pode ser praticada mediante “ação” ou “omissão” do agente, ou seja, o simples “deixar de fazer”, quando com intuito doloso e voltado a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, caracteriza a conduta típica ensejadora da aplicação da multa qualificada. No caso em análise, houve uma conduta omissiva que importou na ocultação ao Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e por consequência ao não pagamento do imposto devido. O que está a se falar é de uma decisão do sujeito passivo de omitir de sua contabilidade uma parcela significativa da movimentação financeira bancária mantida em quatro instituições financeiras, suprimindo assim do cálculo dos tributos devidos no ano calendário 2011 uma receita total de R$ 2.567.322,29, equivalente a treze vezes o valor de sua receita bruta anual declarada, que foi de R$ 210.968,18. Como consequência, omitiu ainda da declaração apresentada ao Fisco (fls. 307 a 317) a receita mantida à margem da escrita contábil e todos os tributos que dela decorreriam no âmbito da apuração do Simples Nacional, causando sérios prejuízos aos cofres públicos. Resta evidenciado que tal ação foi promovida de forma intencional e dolosa, ou seja, com o objetivo único de se furtar ao pagamento dos tributos, mantendo em sua escrituração e na declaração apresentada à Receita Federal do Brasil uma receita muito aquém daquela que auferiu. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 5 7 [...] IMPUGNAÇÃO O lançamento foi cientificado à impugnante em 11/12/2014 (quintafeira),pessoalmente (fl. 407) Inconformada com autuação fiscal, a contribuinte apresentou, em 12/1/2015 (segundafeira), representada por procurador (instrumento fls. 442 445), a impugnação de fls. 410 a 441, por meio da qual traz as seguintes razões de fato e de direito em sua de defesa: Operações não Tributáveis e a Duplicidade de Cobrança de IR e CSLL 1) após fazer ilações acerca do art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), com relação ao conceito de tributo, e após discorrer sobre obrigação tributária e certeza e liquidez do crédito tributário, assevera que houve equívoco da autoridade fiscal no que tange à interpretação do Ente Administrativo, a teor da declaração da empresas às fls. 222 a 223 dos autos; 2) afirma que foi destacado pela autoridade fiscal, fl. 400 dos autos, um trecho onde a impugnante menciona, por meio de seu contador, que alguns créditos nas contas bancárias, de titularidade da sociedade empresária, são oriundos da atividade empresarial. Contudo, esclarece que essa explicação foi fundada em técnica contábil, o que acabou gerando um engano, pois tal documento referiase a uma classificação utilizada para operações contábeis operacionais e não operacionais. Traz conceitos de movimentações operacionais e não operacionais, procurando demonstrar que houve equívoco ao informar movimentações não operacionais como atividade empresarial (fls. 416); 3) entende que a movimentação não operacional não referese necessariamente a um faturamento, não ensejando assim a tributação aplicada, pois no caso em tela existem apenas movimentações meramente financeiras, via banco, que não decorrem da venda de produtos. Alega que são simples movimentações entre contas, depósito, descontos antecipados de títulos ou cheques; 4) considerar que uma “transferência bancária” é uma receita no banco que recebeu o crédito, seria o mesmo que admitir que a mesma operação no banco de origem é uma despesa, quando o que ocorre é apenas uma movimentação/deslocamento de recursos. Não sendo tributada essa operação, não há que se falar em fato gerador, tampouco de lançamento de ofício (cita e transcreve art. 142 do CTN); 5) vários créditos foram levantados sugerindo que fossem receita, como, por exemplo, “desbloqueio de depósito”, que Fl. 509DF CARF MF 8 nada mais é do que a liberação de um depósito feito anteriormente, aguardando seu prazo de compensação; 6) lançamento de créditos a título de “depósito em cheque”, que dias depois geram o tal “desbloqueio de depósito”, se somados efeitos contributivos, representam tributação em duplicidade; 7) no mesmo viés, créditos com o histórico “reapresentação de cheque”, também foram somados indevidamente, pois já tinham sido considerados em momento anterior, quando do depósito; 8) créditos a título de “desconto de título”, que nada mais é do que uma antecipação de um recebível, nada tem a ver com receita ou faturamento, não ensejando a pretendida tributação, pois o faturamento originários desses créditos se dão em momento anterior ao do desconto em banco, que já foi tributado na época própria; 9) os fatos geradores foram devidamente tributados em época própria, quando do faturamento das vendas dos produtos, e isso foi claramente reconhecido nos autos à fl.404, onde o Fiscal menciona os valores do faturamento anual declarado pela empresa; 10) evidenciase clara duplicidade de cobrança de Imposto de Renda e de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Capacidade Contributiva e Multa Excessiva Confiscatória 11) tendo em vista que a multa é acessória ao suposto débito tributário, há de se destacar a excessividade da aplicação da multa em face da capacidade contributiva, configurando o caráter confiscatório da penalidade; 12) foi aplicada a multa mais gravosa à impugnante, no percentual de 150%, ferindo o princípio da capacidade contributiva, gerando uma multa impagável para o porte da empresa. Discorre longamente sobre a vedação ao confisco, citando o art. 150, inciso IV da Constituição Federal, além de doutrina e jurisprudência sobre o tema (fls. 423 a 435); Instauração de Representação Fiscal para Fins Penais 13) após breve síntese dos motivos da autuação fiscal, diz que colaborou com a fiscalização, providenciando toda a documentação em sua íntegra, conforme requerido, de modo a prestar todas as informações necessárias ao deslinde do processo fiscalizatório. 14) entende que não pode a RFB instaurar processo administrativo de representação fiscal para fins penais, já que, não havendo o direito à exigibilidade dos créditos provenientes das operações relativas aos perquiridos, não há configuração dos crimes capitulados nos incisos I e II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990; Efeito Suspensivo da Exigibilidade dos Tributos Lançados 15) após citar princípios constitucionais e doutrina, invoca o art. 151, inciso III, do CTN, art. 2º da Lei nº 9.784/99 e art. 5º, Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 6 9 incisos LIV e LV da CF, para requerer a concessão de efeito suspensivo ao presente processo. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (13ª Turma da DRJ/RPO) julgou improcedente a Impugnação em decisão proferida no Acórdão nº 1462.759, de 21 de setembro de 2016, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. As autoridades julgadoras administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas (juris tantum) obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, cabendo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma prevista em lei. A empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.484, em 14/10/2016 e, protocolizou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.486/500, em 14/11/2016. Fl. 511DF CARF MF 10 A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, o que torna desnecessário repetilos, nos tópicos: OPERAÇÕES NÃO TRIBUTÁVEIS E A DUPLICIDADE DE COBRANÇA, e, DA MULTA CONFISCATÓRIA. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. OPERAÇÕES NÃO TRIBUTÁVEIS E A DUPLICIDADE DE COBRANÇA Conforme relatado, a autoridade fiscal mediante o Termo de Início do Procedimento Fiscal, selecionou 214 lançamentos relativos a valores creditados em contas bancárias de titularidade da fiscalizada, de operações não identificadas na escrituração contábil da pessoa jurídica (fls. 46 a 70), mantidas junto a instituições financeiras BANCO DO BRASIL, BANCO MERCANTIL DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BRADESCO, e intimou a Recorrente a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, que comprovasse a origem dos valores creditados em contas de depósito, transcritos no Anexo Único do termo fiscal (fls. 204 a 212). Em relação a essa exigência, a fiscalizada apresentou 3 (três) pedidos de prorrogação de prazo para atendimento, nas seguintes datas: 14/10/2014, 3/11/2014 e 14/11/2014. Em face dessas solicitações de dilação de prazo, foi estabelecido o dia 3/12/2014 como termo final para atendimento da intimação. Findo tal prazo, a interessada não atendeu ao solicitado pela fiscalização. Assim, ultimado os trabalhos, o Fiscal concluiu que restou identificado a ocorrência de infração à legislação tributária federal, da espécie "omissão de receitas", caracterizada pela identificação de valores creditados em contas de depósitos mantidos junto a instituições financeiras, em relação ao qual a contribuinte não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, oportunidade em que além de lançar de ofício os tributos, aplicou multa qualificada no percentual de 150% sobre o montante dos valores lançados. Argúi a Recorrente que: Vários foram os créditos em conta corrente levantados sugerindo que fossem receita, e por consequência originouse o Auto de Infração Tributário ensejando tributação, sob os mais variados históricos, todos indevidamente. No Anexo Único da presente intimação fiscal, foram listados esses créditos, apontando os valores, e o histórico de cada um. Diz que: os créditos lançados a serem tributados sob o título de "desbloqueio de depósito" nada mais são, do que as liberações dos depósitos feitos anteriormente, que estavam aguardando seus prazos de compensação, já computados como depósito anteriormente. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 7 11 na mesma relação, o lançamento de créditos a título de "depósito em cheque", que dias depois, geram o tal "desbloqueio de depósito". Assim, somar o desbloqueio ao depósito para efeitos contributivos, é tributar em duplicidade. bastava debruçarse sobre os extratos bancários fornecidos pelo Recorrente para verificar a tributação indevida. Não se ouvida o uso de outro documento que não seja os extratos bancários para tal comprovação, pois, neste caso, a ilegalidade é ictu oculi, representada na monta de R$ 362.774,05 da base de cálculo do Auto em questão. Vejamos os destaques a seguir que demonstram afirmação com base no citado documento: (...) No mesmo viés, os créditos em conta corrente com histórico de "Reapr Aut chq devolvido", também foram somados indevidamente, pois já teriam sido considerados em momento anterior, quando do depósito. Assim, como demonstra o anexo "Reapr Aut chq devolvido", fica claro que os valores lançados a este título, são indevidos, pois já tinham sido considerados como receita, e, portanto, ensejando tributação quando lançados como "depósito cheque" e "Dep cheque custodiado", no Auto em questão. Nesse sentido, vejamos alguns destaques pincelados dos extratos bancários da Recorrente: (...) Pelo exposto, requer a reforma do decisum para que seja excluído o montante de R$ 56.398,00 da base de cálculo para tributação lançado no Auto, sob pena de bis in idem. Ainda, não bastassem os apontamentos destacados acima, outro exemplo de tributação indevida são os créditos a título de "Desconto de titulo", que nada mais são, do que uma antecipação de um recebível, nada tendo a ver com receita ou faturamento, não ensejando assim, a pretendida tributação, ora objeto dos presentes autos, pois o faturamento originário desses créditos se dão em momento anterior ao do desconto em banco, que já fora tributado em época própria. Outrossim, no dia 18/07/2011 fora lançado (DI Din 0008172804000180) a este título o valor de R$ 13.500,00, que deve ser estornado, pois tratase de um simples resgate de aplicação, não caracterizando assim como fato gerador tributável. Por esta razão, a decisão merece reforma para excluir o referido valor da base de cálculo tributada proposta no Auto em questão. Em suma, todos os valores de créditos aqui mencionados (doe. 01), tiveram fatos geradores anteriores ao crédito efetivo na conta corrente, e aqui demonstrado, tornandoos indevidos para fins de composição de base cálculo para qualquer tributo. Fl. 513DF CARF MF 12 Por outro lado, a prova cabal das alegações constantes na impugnação ao lançamento, ora insurgidas através do presente recurso, são os extratos bancários fornecidos pela própria Recorrente. Por fim, ressaltase que seus fatos geradores foram devidamente tributados em época própria, quando do faturamento das vendas dos produtos, e isso foi claramente reconhecido nos autos de fls. 404, onde o Fiscal menciona os valores do faturamento anual declarado pela empresa, apesar de ter sido, inexplicavelmente, ignorado ao apresentar o cálculo da intimação em tela. Em face do exposto, evidenciase caso claro de duplicidade de cobrança de impostos relativos ao Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, prática rechaçada pela legislação tributária. Com esteio na Lei nº 7.357, de 02/09/1985 que dispõe sobre o cheque e circulares do Banco Central do Brasil (Circular BCB nº 3.532, de 2011 Circular BCB nº 3.535, de 2011), a decisão recorrida assim analisa as alegações da Recorrente: ... A impugnante também insurgese contra vários créditos levantados pelo agente fiscal, e levados à tributação como receitas omitidas, alegando que não se tratam, efetivamente, de receita ou faturamento. São os casos de lançamentos bancários a título de (i)“desbloqueio de depósito”, (ii) “reapresentação de cheque”, e (iii) “desconto de título”. Entende a contribuinte que tais créditos representam (i) a liberação de um depósito feito anteriormente, (ii) valores já considerados em momento anterior, e (iii) antecipação de um recebível já tributado na época própria, respectivamente. Essas alegações não merecem acolhida. Vejamos. Com relação à compensação de cheques, a regulamentação atual1 determina que ela seja efetuada unicamente por intermédio de imagem digital e outros registros eletrônicos do cheque (truncagem de cheques), sendo que os prazos de bloqueio de cheque acolhido em depósito variam apenas em função do valor. Para liberação dos valores depositados, esse prazo é contado a partir do dia útil seguinte ao do depósito, sendo de (i) até dois dias úteis para cheques de valor inferior a R$ 300,00; e (ii) um dia útil para cheques de valor igual ou superior a R$ 300,00. Esses prazos podem sofrer mudanças em função de feriado local na praça sacada ou inoperância do sistema de compensação. Os valores depositados em cheque ficam disponíveis para saque no dia útil seguinte ao último dia do prazo de bloqueio. Para compensar débitos na respectiva conta corrente do depositante, os valores depositados ficam disponíveis na noite do último dia do prazo de bloqueio. Os depósitos em cheques de outra dependência do mesmo banco observam os mesmos prazos máximos de bloqueio e de entrega previstos anteriormente para os cheques de outro banco, Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 8 13 podendo ser reduzidos, de acordo com os critérios próprios de cada banco. Na hipótese dos autos, os depósitos efetuados no Banco do Brasil (fls. 79 a 117) são descritos como “depósito bloqueado” e com asterisco no valor, não compondo o saldo bancário do dia. Somente após o desbloqueio dos depósitos os valores efetivamente passam a compor o saldo bancário. Os créditos, nesses casos, somente ingressam na conta corrente a partir do lançamento descrito como “desbloqueio de depósito em cheque”. Já os depósitos em cheque realizados na conta corrente do Banco Itaú, de titularidade da impugnante (fls. 166 a 180), possuem um tratamento diferente daquele conferido pelo Banco do Brasil. No Banco Itaú, os valores relativos a depósitos em cheque passam a compor o saldo da conta corrente no mesmo dia em que são informados no extrato bancário, o que permite concluir que o bloqueio para aguardar o prazo de compensação não é informado no extrato, de modo que as informações consignadas representam, efetivamente, ingresso de recursos na conta corrente bancária. Nos extratos da conta corrente do Banco Bradesco (196 a 201), os depósitos em cheque também compõem o saldo em conta corrente na mesma data em que são informados. Contudo, não há informação individualizada dos cheques depositados, de modo que, na hipótese de devolução de cheques, não é possível identificar a data em que houve o depósito inicial. Para que os cheques devolvidos pudessem ser excluídos de depósitos anteriormente efetuados, cabia à impugnante prestar a informação e comprovar documentalmente a devolução. Isso não foi feito! Como se vê, diante dos fundamentos da decisão recorrida, que também adoto como razão de decidir, a Recorrente em sua contestação apenas repete o que já dissera na impugnação e elenca alguns valores "pincelados dos extratos bancários da Recorrente", do Banco do Brasil e Banco Itaú, porém não há qualquer demonstração e/ou comprovação de que inexistem os depósitos ou exclusão/devolução de depósitos efetuados. A Recorrente argúi que uma movimentação operacional não se refere necessariamente a um faturamento, não ensejando assim a tributação, pois tratase de movimentações meramente financeiras, que ocorrem via banco, que não decorrem, no momento da respectiva movimentação, da venda dos produtos, e sim, simples movimentações entre contas, depósito, descontos antecipados de títulos ou cheques. A Recorrente repisa que, "São operações que ocorrem em qualquer empresa, necessárias para sua gestão, daí por que serem consideradas operacionais, buscando equilíbrio financeiro para honrar todos os compromissos, ou até mesmo buscando rentabilidade a algum montante eventualmente sobrando." Fl. 515DF CARF MF 14 Finalmente conclui que, não havendo obrigatoriedade de tributar sobre estas operações, não há que se falar em fato gerador, e não havendo fato gerador o lançamento de ofício objeto do auto em questão se torna nulo. Entendo que as justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção legal de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Vejamos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, um mínimo de esclarecimento com provas por parte do contribuinte e, na espécie, o Recorrente deixou transcorrer em branco a oportunidade a ele concedida para tanto (termo fiscal de fls. 204/212). Tratase, portanto, de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 9 15 até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Vêse que apesar de a defendente argumentar equívoco por parte do agente fiscal ao interpretar a declaração prestada em atendimento à intimação, no sentido de que as receitas omitidas seriam oriundas da atividade empresarial, que incluiriam atividades operacionais e não operacionais, não apresentou provas cabais para sustentar seus argumentos e infirmar a autuação. Sobre os argumentos da autuada, assim se expressou a decisão recorrida que não merece reparo: Ora, ainda que, de fato, pudesse se admitir o alegado equívoco da autoridade fiscal, subsistiria a obrigação da impugnante fazer prova da origem e natureza dos créditos efetuados em suas contas correntes bancárias, por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Não basta alegar o erro, há que se provar. Os documentos apresentados pela impugnante, em atendimento à intimação fiscal, referemse a empréstimos bancários (fls. 118 a 133, 154 a 165, 181 a 195, 231 a 285), Contratos de Permuta de Bem Imóvel por Fornecimento de Madeiramento e Aberturas (fls. 286 a 291), Contrato de Permuta de Automóvel por Madeiras (fls. 231 a 292 a 300), Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel (terreno no valor de R$ 8.000,00, parcelado em 32 vezes de R$ 600,00 fls. 301 e 302), extratos de movimentação de cartões de crédito, nos quais embora haja identificação de data e valores, não há descrição da operação (fls. 224 a 230), e extrato de Agenda Financeira, que descrevem créditos e débitos de cartões Visa e Mastercard e aluguel de equipamentos (fls. 303 a 306). Nenhum desses valores guarda relação com os créditos bancários objeto da intimação fiscal e, ainda que houvesse coincidência de datas e valores, para diversos deles não há identificação da origem e natureza. Por outro lado, a afirmação da contribuinte de que informou, por engano, movimentações não operacionais como atividade empresarial, em nada lhe aproveita, pelos mesmos motivos acima, ou seja, deve fazer prova da origem e natureza de tais créditos, acompanhada de documentação hábil e idônea, e ainda demonstrar que se referem a valores já tributados, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Assim sendo, os créditos bancários cuja origem não restou comprovada, e não constam dos registros contábeis da impugnante, presumemse como receitas omitidas. Também, em relação ao valor de R$ 13.500,00 no dia 18/07/2011,apesar de alegado pela Recorrente tratarse de um simples resgate de aplicação, não caracterizando assim como fato gerador tributável, a Recorrente nada trouxe aos autos para comprovar o que dissera, razão pela qual não merece reforma da decisão para excluir o referido valor da base de cálculo tributada determinada no Auto em questão. Fl. 517DF CARF MF 16 É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Ressaltese, de plano, que aqui não cabe a alegada necessidade de comprovação por parte do Fisco, em face do alegado artigo 142 do CTN. Os enunciados das súmulas abaixo são esclarecedores, portanto desnecessária outra explicação sobre o assunto, vejamos: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora, por presunção, suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS. DA MULTA CONFISCATÓRIA/ Da Multa de Ofício Qualificada No presente caso, foi aplicada a multa qualificada, prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, face à constatação pela fiscalização da prática da conduta tipificada no art. 72 da Lei nº 4502/64. Sobre o assunto, a Recorrente em sede de recurso voluntário reproduz a impugnação apresentada à DRJ. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 10 17 A decisão recorrida, traz em seu bojo os fundamentos com os quais concordo, pelo que transcrevo seus termos (fls.13/15) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: Com relação à multa de ofício qualificada (150%), alega a impugnante ser ela excessiva em face do princípio da capacidade contributiva, configurando o caráter confiscatório, em ofensa ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Cita jurisprudência sobre o tema. Quanto às alegações de afronta aos preceitos constitucionais que vedam o confisco, não são os órgãos julgadores administrativos competentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. É que como as multas de ofício estão previstas em disposições literais de lei – entre tais o art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996 , não pode o agente administrativo negarlhes vigência, sob a alegação de que seriam ilegais ou inconstitucionais. Quanto à gravosidade da penalidade, há de se ressaltar que as multas de ofício objetivam, especialmente, o desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, sendo natural, assim parece, que sejam tão suficientemente gravosas a ponto de não perderem sua função precípua. Especialmente, diante do fato de que atingem, tãosomente, os contribuintes infratores da legislação fiscal, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Quanto à argüição de falta de proporcionalidade entre a multa e a falta cometida, comentese tãosomente que, em razão de não ser a penalidade definida em termos absolutos, mas relativos, dado que seu quantum é apurado pela aplicação de percentual sobre o montante de tributo não recolhido, insustentável se torna o argumento. Somente se houvesse a previsão de um valor fixo, que independesse da extensão da falta, é que se poderia alegar a injustiça da sanção. Como o que ocorre, pelo contrário, é que a multa só pode ser quantificada depois de apurado o montante de tributo devido, pela aplicação do percentual, assegurada resta, à evidência, a devida proporcionalidade. No que se refere ao percentual previsto, eventualmente considerado como excessivo, relembrese apenas o que já se disse ao início deste item em relação à necessária gravidade das multas punitivas. Assim, o pleito da contribuinte de redução da multa de ofício, além de não encontrar substrato jurídico, por estar desde há muito prevista em nosso ordenamento, não encontra também justificativa técnica, dado que, na sistemática sancionatória, não haveria sentido em praticamente se equiparar a multa de ofício, de natureza punitiva, com a multa de mora, de natureza meramente compensatória. De tal sorte, evidenciado fica que, por qualquer ângulo que se visualizem as multas de ofício, não se lhes pode ser atribuído o Fl. 519DF CARF MF 18 argüido efeito confiscatório, nem tampouco se pode admitir sua redução, como pleiteado pela impugnante. Por outro lado, em que pese nada ter trazido a contribuinte, em sua impugnação, capaz de afastar, ao menos em sede administrativa, a aplicação da multa qualificada que lhe foi imposta, apenas alegando o efeito confiscatório da penalidade, não é demais discorrer acerca dos fundamentos que ensejaram a aplicação da penalidade mais gravosa. De se ver. A aplicação de multa de ofício em percentual mais gravoso decorreu de evidente intenção da impugnante em ocultar a verdade, subtraindo do conhecimento do Fisco vultosa quantia, movimentada em 4 (quatro) contas correntes de depósito bancário, atingindo a cifra de R$ 2.567.322,29 (dois milhões, quinhentos e sessenta e sete mil, trezentos e vinte e dois reais e vinte e nove centavos), em apenas um anocalendário. Recorde se que a receita bruta anual declarada pela contribuinte foi de R$ 210.968,18 (duzentos e dez mil, novecentos e sessenta e oito reais e dezoito centavos), correspondente e 8,22% (oito inteiros e vinte e dois centésimos por cento), evidenciando que a maior parte de suas receitas ficou à margem da tributação. Ressaltase, ainda, que intimada a apresentar a comprovação da origem dos recursos, a contribuinte, embora tenha atendido à intimação fiscal, após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, trouxe apenas documentos estranhos aos valores que foram objeto de investigação. Nenhum dos documentos apresentados possuía relação com os depósitos bancários cuja origem se pretendia comprovar! O que parece razoável, diante do quadro posto, é que o montante das rendas omitidas, constatadas por presunção, pode perfeitamente consubstanciar a caracterização do dolo, no caso de a ela estar vinculada a evidenciação de que isto ocorreu ao longo de vários meses do anocalendário de 2011. Ou seja, desproporção e reiteramento levam, conjuntamente, a um quadro mais consistente acerca da aferição do dolo. Portanto, se o que se tivesse no processo fosse a demonstração de que parcelas pequenas dos ingressos nas contas bancárias se mantiveram sem justificação e de que tais omissões se referissem a um período específico, poderseia até acatar a idéia de que houve uma conduta involuntária e de que, portanto, a imposição da penalidade qualificada não seria justificável. Entretanto, à luz de tudo quanto dos autos consta, o quadro é bastante distinto, tornandose absolutamente inverossímil a idéia de que a contribuinte teria cometido meros equívocos. Diante deste quadro de reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei, não há como considerar involuntária a conduta da contribuinte, mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de omitir rendimentos, o que torna perfeitamente aplicável, sim, a multa qualificada prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. De se lembrar, que em relação à caracterização do ilícito, tratou o autuante de produzir a prova que o artigo 42 da Lei nº Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 11 19 9.430/96 demanda. Se tais provas são mais sumarizadas que aquelas exigidas para a comprovação material de infrações não cobertas por presunção, isto devese à imposição da lei e não à vontade da autoridade lançadora. Restam prejudicados, assim, os argumentos postos, não merecendo o lançamento fiscal, também quanto a esta matéria, qualquer reparo. (GRIFEI) Assim, constatado o evidente intuito de fraude, correto o lançamento da multa qualificada de 150%. Ainda no que tange ao aspecto confiscatório da multa, alegado pela Recorrente, a exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS e Cofins PIS, Cofins, CPP e ICMS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Redator designado. Peço vênia à Ilustre Conselheira Relatora para divergir com relação a aplicação de qualificação de multa prevista no art. 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96 neste caso concreto. A qualificação da multa (de 75% para 150%), que foi mantida pela decisão recorrida, foi assim motivada nos Termos de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 396 e seguintes): DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA Cabe destacar que na infração identificada através do item 2 do presente feito deve ser aplicado tratamento mais gravoso no que tange à multa de ofício lançada. A referida sanção é devida em razão do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, encontrando amparo no § 1º do art. 44 da lei nº 9.430, de Fl. 521DF CARF MF 20 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (grifouse) Os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, são os de sonegação, fraude e conluio, respectivamente. Na situação em análise, a qualificadora é aplicada em virtude da prática de fraude, conduta conceituada nº artigo 72 da mencionada lei, que assim dispõe: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a fraude traz consigo o sentido do engano para furtarse o ao cumprimento do que é de sua obrigação ou para logro de terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto, a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato onde se evidencia a intenção de frustrarse a pessoa aos deveres obrigacionais ou legais. O texto do art. 72 da lei nº 4.502/1964, acima transcrito, estabelece que a conduta fraudulenta pode ser praticada mediante “ação” ou “omissão” do agente, ou seja, o simples “deixar de fazer”, quando com intuito doloso e voltado a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, caracteriza a conduta típica ensejadora da aplicação da multa qualificada. No caso em análise, houve uma conduta omissiva que importou na ocultação ao Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e por consequência ao não pagamento do imposto devido. O que está a se falar é de uma decisão do sujeito passivo de omitir de sua contabilidade uma parcela significativa da movimentação financeira bancária mantida em quatro instituições financeiras, suprimindo assim do cálculo dos tributos devidos no anocalendário 2011 uma receita total de R$ 2.567.322,29, equivalente a treze vezes o valor de sua receita bruta anual declarada, que foi de R$ 210.968,18. Como consequência, omitiu ainda da declaração apresentada ao Fisco (fls. 307 a 317) a receita mantida à Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 12 21 margem da escrita contábil e todos os tributos que dela decorreriam no âmbito da apuração do Simples Nacional, causando sérios prejuízos aos cofres públicos. Resta evidenciado que tal ação foi promovida de forma intencional e dolosa, ou seja, com o objetivo único de se furtar ao pagamento dos tributos, mantendo em sua escrituração e na declaração apresentada à Receita Federal do Brasil uma receita muito aquém daquela que auferiu. Diante do exposto, é aplicada a multa qualificada prevista no § 1º do art. 44 da lei nº 9.430/96 sobre o montante dos tributos apurados pela prática da infração descrita no subitem 2.1, anteriormente citada. Como se nota, houve qualificação da multa pelo fato da Recorrente não ter recolhido tributos sobre receitas omitidas, apuradas com base em depósitos bancários sem origem comprovada, o que caracterizaria, no entender da fiscalização, fraude (cf. art. 72). Para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), no entanto, imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa não só no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito consistente no não pagamento de tributo), mas principalmente no seu aspecto subjetivo (vontade ou intenção de impedir o conhecimento dos fatos). Essas situações normalmente são identificadas através de uso de meios inidôneos para acobertar situações passíveis de tributação ou pela prática de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização. Tratamse dos ditos atos fraudulentos, que levam ao caminho da sonegação ou evasão fiscal, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de favor”, contabilidade paralela, conta bancária não declarada (“Caixa 2”), interposição fraudulenta de pessoas (“laranjas” ou “testas de ferro”), falsidade ideológica, declarações adulteradas, documentos falsos, etc. São essas as condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, dispositivos estes que conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo do elemento dolo à sua caracterização. A CSRF, a propósito, já afastou a multa qualificada justamente em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Vejamos a ementa do julgado referido: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da Fl. 523DF CARF MF 22 multa qualificada. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012). Não se pode, portanto, colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito tributário (omissão de receita que gera não pagamento de tributo) com a intenção de impedir o conhecimento desta conduta (dolo). De acordo com as Súmulas do CARF nºs 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Consolidouse, assim, o entendimento de que a omissão de receita que gera o não pagamento de tributo, por si só, não é causa de multa qualificada. E foi justamente essa a infração caracterizada na peça de acusação: omissão de receita sem motivação e comprovação de dolo. Dessa forma, entendo incabível a qualificação da multa, devendo esta ser reduzida à multa de ofício ordinária, de 75%, como determina o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 524DF CARF MF
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