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Numero do processo: 10166.019622/99-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996
EMBARGOS -CONTRADIÇÃO - DISPOSITIVO
Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como conseqüência lógica ou necessária para a supressão do equívoco.
Numero da decisão: 9303-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para acolhê-los e provê-los, sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para acolhêlos e provêlos, sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 96 22 /9 9- 86 Fl. 1265DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela DRF em face do acórdão 930301.423 – que refletiu o entendimento do Colegiado ao dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 2º decêndio de outubro de 1994. Não obstante, para melhor elucidar o histórico cronológico transcorrido no âmbito desse processo, importante trazer que havia à época sido interposto Recurso Especial pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20214.512, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos negou provimento ao recurso, consignando acórdão com a seguinte ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES As hipóteses de nulidade, no Processo Administrativo estão previstas no artigo 59 de Decreto nº 70.235, e estão ligadas à incompetência do agente administrativo e ao cerceamento do amplo direito de defesa. IPI. CREDITO POR DEVOLUÇÃO OU RETORNO DE MERCADORIAS. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado as exigências regulamentares entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração de Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque, em conformidade com os requisitos requeridos, somente se dispensa tal requisito legal quando da existência de sistema equivalente que pergunta perfeita identificação das operações realizadas. Recurso Negado” O sujeito passivo havia recepcionado Auto de infração, relativamente ao IPI, por haver a fiscalização apurado o não recolhimento do tributo por terse utilizado indevidamente de créditos relativos aos alegados retornos de produtos de sua fabricação – cujos ingressos deixaram de ser comprovados (não ocorrendo a escrituração no Livro de Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.266 3 Registro de Controle da Produção e Estoque ou em outras formas de controle em suas escritas fiscal e contábil). Irresignado com o acórdão 20214.512, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, visando eliminar: · Erro material consubstanciado na ausência de indicação na ementa do julgado de tema devidamente abordado em acórdão – decadência parcial do auto de infração; · Omissões de preliminares abordadas em recurso voluntário e incluídas no relatório do julgado – quais sejam, preliminar de nulidade do auto de infração pela inobservância por parte dos auditores do disposto no art. 98 do RIPI/82 e de ausência de exame do pedido de diligência para verificação da regularidade dos creditamos realizados. Retornando a 2ª Câmara do 2º Conselho de contribuintes em 8.9.2003 com os Embargos de Declaração, manifestou o relator do acórdão recorrido Raimar da Silva Aguiar (Grifos meus): “[...] Da análise do até aqui exposto, bem como das razões de recurso de embargos de declaração oposto, temse que o apelo em questão tem efetivamente caráter e cunho modificativo, o que, aliás, já é admitido pelo Supremo Tribunal Federal l e Superior Tribunal de Justiça2, desde que aberto prazo as parte contrária para, em querendo, impugnar as razões pelas quais se pretende alterar o julgado. Assim sendo, em face da complexidade da matéria em discussão e em estrita observação aos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório, opino pela abertura de prazo a. Procuradoria da Fazenda Nacional, para que a mesma, em querendo, apresente impugnação aos termos dos embargos de declaração opostos e ora examinados.” A Fazenda Nacional, então, trouxe: [...] Fl. 1267DF CARF MF 4 No tocante ao aventado erro material, baseouse a recorrente na argumentação de inexistência de referência, na ementa da decisão em tela, da pretensa o ocorrência de decadência parcial do lançamento. Ora, não parece corresponder a verdade dos autos a argumentação esposada pela contribuinte, relativamente a ocorrência de decadência parcial dos créditos tributários. Observandose o julgamento da matéria decadencial, esta foi abordada as fls. 640 dos autos administrativos. Nesse sentido, não consta referência expressa de pronunciamento da relatoria, muito menos do colegiado, acerca do reconhecimento da indigitada decadência parcial. Pelo contrário, foi afastada a possibilidade de se aplicar a sistemática de lançamento por homologação, mais benéfica ao contribuinte, por averiguação de ausência de pagamento do tributo. Nesse sentido, a decadência pode ser inserta na ementa do acórdão, eis que fazia parte do julgado, corrigindose o erro material, desde que não haja alusão a existência de decadência parcial, vez que o acórdão não fez nenhuma abordagem nessa linha de julgamento. No que concerne às pretendidas omissões incorridas pela decisão de segundo grau, melhor sorte não tem o contribuinte. Aduziu o embargante que os pontos jurídicos de ausência de apreciação do artigo 98 do RIPI/82 e ausência de exame de pedido de diligência não foram abordados no acórdão. 0 ilustre julgador apreciou os temas em comento, sendo, inclusive apresentados em destaque no intróito da fundamentação de seu decisum. Veja, exemplificativamente, parte da manifestação do Conselheiro relator do processo: "No tocante A interpretação do referido dispositivo, artigo 98 do RIPI/82, vejamos o que dispõe o artigo 29 do Decreto n. 70.235/72, norteador do Processo Administrativo Fiscal, in verbis: "Art. 29. Na apreciação da prova, autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligencias que entender necessárias". Sendo assim, é patente que o direito A livre convicção do julgador não pode ser argüido como preliminar de nulidade, estando ao seu Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.267 5 alvitre entender e interpretar os dispositivos legais de acordo com os livres ditames de sua consciência." Em relação ft suposta omissão de pronunciamento sobre pedido de diligência para "verificação da regularidade dos creditamentos realizados", 11, também não merece acolhida. 0 julgador verificou que os livros fiscais apresentados estão eivados de irregularidades, veja parte da decisão "Observese que os livros apresentados não contêm Termos de Abertura e de Encerramento, não contendo nenhum signatário, ou seja, não há pessoa que possa, legalmente, responder pela sua escrituração. Também devese observar que o referidos livros não estão autenticados por nenhuma autoridade fazendária, além de possuírem uma numeração esdrúxula que, dentro de um mesmo volume, termina e recomeça antes da sua última folha, por várias vezes. ( )" Percebase que as razões de decidir a respeito das análises que envolvem a apreciação dos Livros Fiscais foram amplas e esgotaram o assunto, conforme se verifica das fls. 633/639. Considerase ainda que foi refutada na decisão ad quem, qualquer possibilidade de violação ao princípio constitucional da ampla defesa, referindose a decisão (fls.631), inclusive, a oportunidade dada ao contribuinte de se manifestar sobre o procedimento diligencial realizado às fls. 612. Nesse sentido, requer a manutenção da r. decisão atacada por seus próprios e doutos fundamentos jurídicos. [...]” Não obstante. em Despacho, foi dado seguimento aos Embargos, tendo sidos apreciados pela 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuinte e emitido acórdão nº 202 17.401 com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996 Ementa: LAPSO MANIFESTO EMBARGOS Fl. 1269DF CARF MF 6 Constatada a existência de lapso manifesto, acolhemse em parte os embargos de declaração para retificar a ementa do Acórdão nº 202 14.512, a fim de explicitar o julgamento da decadência nos seguintes termos: “DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, é cabível o lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, e o prazo decadencial regese pela regra geral do art. 173, I, do CTN.”” Insatisfeito ainda, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo o conhecimento do recurso especial quanto aos 3 pontos apontados em divergência – quais sejam, Decadência do Lançamento, Nulidade da decisão de 1ª Instância e Impossibilidade de Glosa Geral quanto à necessidade de exame de documentos à vista da regra prevista no art. 98 do RIPI/82 e, ao fim, o provimento deste, reformandose o acórdão recorrido na esteira dos julgados paradigmas seja para: · Reconhecer a decadência do lançamento com relação as competências de janeiro a setembro de 1994; e · Declarar a nulidade da decisão de 1ª Instância; · Ou, de outro modo, para afastar integralmente o lançamento, cancelando a exigência imposta, diante da impossibilidade de realização de glosa geral, à vista da regra prevista no art. 98 do Código RIPI/82 – que consagra o princípio constitucional da não cumulatividade. Em Despacho às fls. 1053 a 1059, após análise de admissibilidade do Recurso Especial pelo presidente da 2ª Câmara, foi dado seguimento ao Recurso Especial no tocante à discussão acerca da decadência, sendo negado seguimento quanto às divergências suscitadas nos itens “acréscimo de fundamentação pela decisão recorrida” e “crédito por devolução”. Contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pela Fazenda Nacional, expondo, em síntese, que o descumprimento do dever do sujeito passivo de “antecipar o pagamento” é suficiente para afastar a regra específica do art. 150, § 4º, do CTN – e fazer valer a norma do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.268 7 O sujeito passivo interpôs Recurso de Agravo aos termos do Despacho 202237 – que havia dado parcial seguimento ao recurso especial interposto, solicitando ver integralmente conhecido o seu Recurso Especial para que todas as matérias postas sejam deveras analisadas por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em Despacho às fls. 1121 a 1127, o pedido de reexame do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foi rejeitado, eis que não foi provada a divergência mencionada as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. Tal Despacho foi ratificado pelo presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em exercício à época. Posteriormente, o sujeito passivo apresentou Ofício ao presidente da Câmara Superior do Conselho de Contribuintes, requerendo o levantamento da quantia depositada em 28.10.00, para fins de processamento de recurso, acostando guia de depósito, esclarecendo que o referido pedido encontrase amparado pelo trânsito em julgado do Recurso Extraordinário 5401.562, ao qual foi dado provimento, por unanimidade, pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal – acostando o acórdão. Foram manifestadas, então, pelo presidente da CSRF, as seguintes providências – “encaminhar os autos à DRF de origem para apontar o crédito tributário que não mais está em litígio, transferindo parta outro processo (para prosseguir com a cobrança), devolvendo os volumes principais para essa Câmara para prosseguir com o julgamento e apreciar o pedido de devolução do depósito recursal. Em atenção, foi desmembrado, assim, parte do litígio para o processo 1185.001540/200851 – sendo efetuada a cobrança juntamente com a solicitação de manifestação quanto à devolução ou aproveitamento do depósito recursal. Em 5.4.2011, a Câmara Superior de Recursos Fiscais apreciou o Recurso Especial e, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de impedimento do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 2º Fl. 1271DF CARF MF 8 decêndio de outubro de 1994, sendo consignado acórdão 930301.423 com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 0 l /01,1994 a 31 / 12/1996. IPI. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, 1, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 54313 e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decarlen ,,ial qüingi.ier4al para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I elo artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4° do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.” Cientificada a PGFN do acórdão 930301.423, o Serviço de Secretaria do CARF encaminhou o presente processo à DRF em Brasília/DF para as devidas providências. A DRF, então, trouxe à fl. 1252, o que segue: “Senhor Chefe, Conforme Acórdão 930301.423 — 3a Turma fis. 1257 do processo 10166 019622/9986 que cita: "Assim, havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional." Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.269 9 Como foi descrito na mesma folha do processo, o Auto de Infração foi lavrado em 15.10.1999. Ao concluir o "Voto" houve, no nosso entendimento um equívoco por parte do relator, visto que foi reconhecida a decadência do período 1º/01/1999 a 25/10/1999, quando deveria ser, pela argumentação apresentada do período 1º/01 /1994 a 25/10/1994. Confundindo ainda, vinculou o relatório com a data da final do período de prescrição à data da ciência do referido auto de infração. Destarte, proponho o retorno deste à Câmara Superior de Recursos Fiscais para rever quanto às parcelas inclusas na decadência.” Em Despacho às fls. 1254 a 1256, os embargos inominados foram acolhidos após apreciação do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama relatora Depreendendose da análise dos autos do processo, conheço dos embargos interpostos pela DRF em face do acórdão CSRF 930301.423, pois tempestivos e considerando que, conforme relatado pela SACAT/DRF/BSBDF e depreendendose da análise dos autos, constatouse, no dispositivo, contradição quanto ao período alcançado pela decadência – conforme transcrição de parte do voto do acórdão embargado (Grifos meus): “No presente caso, o auto de infração, lavrado em 15/10/99, diz respeito a créditos tributários referentes ao IPI, competências de janeiro de 1994 a dezembro de 1996, em decorrência da glosa de créditos escriturados. Pelo que consta dos autos, não só do auto de infração (fls. 02), mas também da decisão de primeira instância (fls. 535) e da r. decisão proferida pela Câmara n quo (fls. 640), verificase que houve pagamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de, preliminarmente, não acolher o impedimento do Ilustre Conselheiro Henrique Fl. 1273DF CARF MF 10 Pinheiro Torres, por não configurar a hipótese do artigo 42 do RICARF e, no mérito, com arrimo no artigo 62A do RICARF, DAR PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a ocorrência da decadência quanto às parcelas de IPI compreendidas entre o dia 1°/01/1999 a 25/10/1999, data da ciência do auto de infração.” Eis que o entendimento exarado no voto se encontrava dissonante com a decisão do Colegiado que assim restou: “[...] no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 2º decêndio de outubro de 1994.” Impõese, dessa forma, acolher os embargos de declaração por conter vícios. Para sanar o vício apontado, é de se trazer que o lançamento de ofício foi lavrado em 15/10/99, conforme consta do Auto de Infração fls. 5. O que, aplicando a regra do § 4° do art. 150 do CTN, somente teriam sido alcançados pelos efeitos da decadência os fatos geradores ocorridos até o primeiro decêndio do mês de outubro de 1994. Com essas considerações, impõese conhecer, acolher os presentes embargos e provêlos, sanando os vícios através da alteração: · Do trecho final do voto constante do acórdão embargado que passa a conferir a seguinte redação: “ [...] Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de, preliminarmente, não acolher o impedimento do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, por não configurar a hipótese do artigo 42 do RICARF e, no mérito, com arrimo no artigo 62A do RICARF, DAR PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a ocorrência da decadência quanto às parcelas de IPI compreendidas entre o dia 1°/01/1994 a 15/10/1994, data da ciência do auto de infração Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.270 11 · Do dispositivo do acórdão embargado – que passa a contemplar o que segue: “[...] no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 1º decêndio do mês de outubro de 1994 É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 1275DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.004380/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente para constituir IRPF em função de diversas infrações. Insatisfeito, o Contribuinte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 04 38 0/ 20 07 -4 2 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 950 2 impugnou o lançamento mas a DRJ manteve integralmente o crédito. Ainda inconformado, o Contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado. Feito o breve resumo da lide, passamos ao relato pormenorizado dos autos. Em 04/10/2007 foi lavrado auto de infração (fls. 737/749) em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF no valor de R$ 863.485,21, além de juros e multa referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Foram identificadas como infrações: · 001.1. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica sob a forma de bens; · 001.2. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica por fora da folha de pagamentos; · 001.3. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica por intermédio de terceira empresa; · 002 Dedução indevida de dependente; · 003 Dedução indevida de despesas médicas; · 004 Dedução indevida de previdência privada/FAPI; · 005 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada; Conforme o TVF (fls. 712/736), o Contribuinte já foi sujeito passivo de outro lançamento de IRPF referente ao mesmo anocalendário de 2003, tendo como infração a dedução indevida de despesas médicas e pensão alimentícia. Também, explicou assim as infrações: · Que, a despeito de haver "Termo de Doação" de veículo da marca BMW no valor de R$ 165.000,00 pela empresa exempregadora ao Contribuinte, a verdade é que este mesmo termo faz referência a "prêmio pelo incremento na captação", o que implica tratarse de gratificação pelo fato de que o recorrente ter alcançado alguma meta; · Que a massa falida da exempregadora, intimada, enviou informação de todas as movimentações e pagamentos feitos ao Contribuinte; nestas, se constatou a informação do pagamento de gratificação e de adiantamento de salários, valores encontrados nos extratos bancários, mas que não foram declarados pelo Contribuinte nem pela fonte pagadora à época das devidas declarações. Portanto, valores considerados pagos "por fora"; · Que eram firmados contratos de mútuo com outra empresa, nos quais constava cláusula de remissão da dívida caso o Recorrente permanecesse nos quadros da exempregadora por determinado período; nesse sentido, entendeu tratarse de tentativa de disfarçar pagamento de salário ou gratificação trabalhista ao Contribuinte. Que, inclusive, não houve pagamento e nem havia intenção de pagar tais empréstimos. Ainda que o Fl. 950DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 951 3 próprio Recorrente afirmou em Petição Inicial de ação trabalhista contra a exempregadora que tais empréstimos eram apenas forma camuflada de fazer remuneração. Que, nesse contexto, é necessário lançar o IRPF e impor multa qualificada, pela utilização de empresa laranja e, inclusive, de pagamento feito ao filho do Contribuinte, novamente hipótese de interposição de pessoas; e · Que a filha constava como dependente na DIRPF do Recorrente e, ao mesmo tempo, como destinatária da pensão alimentícia paga à Lúciana Rangel da Silva, conforme acordo judicial. Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação (fls. 756/781 e docs. anexos fls. 782/831). Levada a julgamento em primeiro grau, a DRJ/FNS proferiu o acórdão nº 0714.295, de 10/10/2008 (fls. 844/870) que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SOB A FORMA DE BENS. OMISSÃO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos pela pessoa física, pagos pela pessoa jurídica na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. GRATIFICAÇÕES. ADIANTAMENTO DE SALÁRIOS. OMISSÃO. TRIBUTAÇÃO. Os pagamentos realizados por pessoa jurídica a empregados, a título de gratificações e adiantamento de salários, não incluídos na folha de pagamento e, por conseguinte, não oferecidos à tributação, caracterizamse como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA POR MEIO DE TERCEIROS. OMISSÃO. TRIBUTAÇÃO. Os pagamentos realizados por pessoa jurídica a empregados, por intermOio de terceira empresa, não oferecidos à tributação, caracterizamse como omissão de rendimentos. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. OBRIGAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 952 4 DEDUÇÃO. DEPENDENTE. PENSÃO ALIMENTÍCIA. VEDADA A CONCOMITÂNCIA. O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial não pode efetuar a dedução do valor correspondente a dependente, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do ano calendário. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias a disposição literal de lei, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos os autos. Lançamento Procedente. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 953 5 Intimado dessa decisão em 07/11/2008 (fl. 873), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/12/2008 (fls. 874/901), na qual argumentou, em síntese: · Que os depósitos bancários não servem de prova para a existência de omissão de rendimentos, sendo necessário aprofundar a fiscalização para comprovar, através de outras provas complementares, a existência do fato gerador; · Que as DIRPFs apresentadas entre 2003 e 2005 comprovam que não houve acréscimo patrimonial, de sorte que não pode subsistir a tributação ora combatida, baseada meramente em extratos bancários fornecidos pelo próprio Contribuinte; · Que a justiça trabalhista já desconsiderou os empréstimos (mútuos) como renda do Contribuinte. Nesse sentido, o valor tributado não pertence ao Contribuinte; · Que a autoridade lançadora e a DRJ entendem tratarse de rendimento do trabalho assalariado, de sorte que não pode prevalecer o lançamento baseado em extratos bancários; · Que não houve rendimento e sim doação do veículo BMW; · Mesmo que não fosse doação, a tributação nos casos de prêmio distribuído por pessoa jurídica a pessoa física é sempre tributado exclusivamente na fonte, de sorte que o Recorrente é isento de responsabilidade tributária nos termos do art. 677 do RIR/1999; · Que há decisão judicial reconhecendo a natureza indenizatória de prêmio recebido pelo Impugnante da mesma pessoa jurídica, e, portanto, isento de IR; · Que houve efetiva operação de mútuo e que a fiscalização jamais conseguiu descaracterizar tal negócio; · Que os argumentos ventilados em ação judicial contra o exempregador não devem ser tomados como verdade absoluta pelo fisco, vez que se configuram alegações de um desesperado; · Que o juízo trabalhista manteve a natureza de mútuo dos valores movimentados entre o Contribuinte e a pessoa jurídica exempregadora, inclusive exigindo o pagamento das quantias à massa falida desta; · Que as transferências feitas pelo Recorrente ao seu filho também têm natureza de mútuo, e tiveram como objetivo meramente satisfazer as exigências da instituição financeira no âmbito da concessão de limites de crédito; · Que não houve dolo, máfé nem fraude, sendo inadequada a qualificação da multa; Fl. 953DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 954 6 · Que a aplicação de multa de 150% é inconstitucional, posto que viola o princípio do nãoconfisco, constante no art. 150, II, 'c', da CF/1988; · Que não pode prevalecer a infração referente à dedução indevida de dependente, vez que nas DIRPF/2005 e DIRPF/2006 não consta o pagamento de pensão alimentícia para a filha, o que permite deduzir o valor correspondente, que foi pago à mãe dela, mas a ela direcionado; · Que não pode prevalecer a infração referente à dedução indevida de despesas médicas, vez que não há dúvidas acerca da prestação do serviço, da habilitação do profissional, e que foram juntados aos autos documentos comprobatórios, tais como recibos, notas fiscais e principalmente cheques nominais; · Que, caso seja mantida a natureza salarial dos depósitos, então a responsabilidade pelo recolhimento seria da fonte pagadora e não do Contribuinte, nos termos doa rt. 722 do RIR/1999; e · Que a autoridade fiscal não pode encaminhar a representação fiscal para o Ministério Público Federal antes do fim do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 83 da Lei nº 9.430/1996; também, que o presente caso não é hipótese de crime contra a ordem tributária, vez que não houve omissão de informação nem declaração falsa. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Por outro lado, são ventiladas questões que extrapolam a competência deste e.CARF, como a tramitação do processo de representação fiscal para fins penais e a inconstitucionalidade da Lei, questões essas que não podem ser conhecidas. Portanto, conheço parcialmente do recurso voluntário, para analisar as demais questões suscitadas. Diligência A verdade é que os autos não se encontram em situação que permita o julgamento adequado da lide. Tanto a autoridade fiscalizadora quanto o Recorrente fazem referência a um processo trabalhista (nº 5.143/2005) que tramitava perante a 3ª Vara do Trabalho de Florianópolis/SC. Nestes autos judiciais, anotaram ambos, discutiuse a natureza jurídica dos recursos recebidos pelo Contribuinte, tanto a título de "bônus" de metas, quanto dos "empréstimos". De um lado, a autoridade lançadora aponta que o próprio Contribuinte afirmou, em sua petição inicial judicial, que tais recursos tinham natureza salarial e que, Fl. 954DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 955 7 portanto, deveriam ser incorporados ao seu salário e que tinha direito, portanto, aos valores reflexos (13º salário, férias, FGTS etc.). De outro lado, o Contribuinte afirma que, em decisão final da lide judicial, restou consignado que os valores recebidos por atingir metas ficaram configurados como prêmios e que tinham, portanto, natureza indenizatória. Também, que a autoridade julgadora judicial não apenas negou provimento ao pleito do Contribuinte de configurar os mútuos como salários disfarçados como, inclusive, determinou que pagasse os referidos empréstimos à massa falida da exempregadora. Acessando o espelho dos autos judiciais, podemos constatar que o processo já foi finalizado e, inclusive, baixado: Nesse sentido, visando evitar decisões contraditória que possam sobreonerar o administrado, entendo ser necessário respeitar as conclusões alcançadas no processo judicial acerca da natureza jurídica de cada um desses pagamentos. Afinal, se o Recorrente restou obrigado, efetivamente, a restituir os valores recebidos como empréstimos, então não é possível desconfigurar tais negócios ao argumento de que se tratam de salários disfarçados. Igualmente, se restou consignado em decisão judicial que os valores recebidos como prêmio tinham natureza indenizatória e não salarial, tampouco pode esse e.CARF aceitar a tributação pelo IRPF. Enfim, ante todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para: Fl. 955DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 956 8 · Que sejam juntados aos autos certidão de objeto e pé do processo judicial, bem como cópias de todas as decisões proferidas nesses autos trabalhistas; · Após, que a autoridade diligenciadora elabore parecer conclusivo descrevendo fundamentadamente quais valores entende que devem ser mantidos e quais devem ser afastados, com base nessas informações judiciais; · Que o Recorrente seja intimado a se manifestar, caso queira, sobre o parecer da diligência no prazo de 30 dias; Enfim, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 956DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10865.000340/93-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 1999
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE - Comprovado,
documentalmente, o vínculo de conta bancária não escriturada , mantida em instituição financeira, com as transações da empresa,
procede a presunção de que os recursos depositados naquela conta se originaram de receitas movimentadas à margem da
contabilidade.
OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIM1ENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Os
rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados, e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real.
OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea , a efetiva entrada do dinheiro e sua origem , coincidente em datas e valores , a importância suprida será tributada como omissão de receitas.
GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - Os encargos
financeiros de efetividade não comprovada são indedutiveis do lucro operacional.
MULTA - Aplica-se, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 728, III do RIR/80 sobre a parcela da exigência fiscal
correspondente aos fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele prevista.
Recurso provido
Numero da decisão: CSRF/01-02.743
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial suscitada de oficio pelo Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, o qual foi vencido. Vencidos, ainda, os
Conselheiros Francisco de Pauta Corrêa Carneiro Giffoni, Remis Almeida Estol, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. No mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco de Paula Corrêa Carneiro Giffoni, Victor Luís de Salles Freire, Remis Almeida Estol, Afonso Celso Mattos Lourenço, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira, Manoel Antônio Gadelha Dias e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, da seguinte forma: 1) o Conselheiro Afonso Celso Mattos Lourenço
quanto ao mútuo e às despesas operacionais., (variação cambial e juros); 2) o Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias quanto à conta corrente mantida em instituição financeira (Termo de Verificação Fiscal e Imputação de fls. 118 e 119); 3) os demais negavam provimento integral.
Nome do relator: Verinaldo Henrique da Silva
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ementa_s : OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE - Comprovado, documentalmente, o vínculo de conta bancária não escriturada , mantida em instituição financeira, com as transações da empresa, procede a presunção de que os recursos depositados naquela conta se originaram de receitas movimentadas à margem da contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIM1ENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Os rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados, e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea , a efetiva entrada do dinheiro e sua origem , coincidente em datas e valores , a importância suprida será tributada como omissão de receitas. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - Os encargos financeiros de efetividade não comprovada são indedutiveis do lucro operacional. MULTA - Aplica-se, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 728, III do RIR/80 sobre a parcela da exigência fiscal correspondente aos fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele prevista. Recurso provido
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial suscitada de oficio pelo Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, o qual foi vencido. Vencidos, ainda, os Conselheiros Francisco de Pauta Corrêa Carneiro Giffoni, Remis Almeida Estol, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. No mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco de Paula Corrêa Carneiro Giffoni, Victor Luís de Salles Freire, Remis Almeida Estol, Afonso Celso Mattos Lourenço, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira, Manoel Antônio Gadelha Dias e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, da seguinte forma: 1) o Conselheiro Afonso Celso Mattos Lourenço quanto ao mútuo e às despesas operacionais., (variação cambial e juros); 2) o Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias quanto à conta corrente mantida em instituição financeira (Termo de Verificação Fiscal e Imputação de fls. 118 e 119); 3) os demais negavam provimento integral.
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OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Os rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados, e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receitas. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - Os encargos financeiros de efetividade não comprovada são indedutíveis do lucro operacional. 1, o PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 MULTA - Aplica-se, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 728, III do RIR/80 sobre a parcela da exigência fiscal correspondente aos fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele prevista. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial suscitada de oficio pelo Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, o qual foi vencido. Vencidos, ainda, os Conselheiros Francisco de Paula Corrêa Carneiro Giffoni, Remis Almeida Estol, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. No mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco de Paula Corrêa Carneiro Giffoni, Victor Luís de Salles Freire, Remis Almeida Estol, Afonso Celso Matos Lourenço, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira, Manoel Antônio Gadelha Dias e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, da seguinte forma: 1) o Conselheiro Afonso Celso Mattos Lourenço quanto ao mútuo e às despesas operacionais (variação cambial e juros); 2) o Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias quanto à conta corrente mantida em instituição financeira (Termo de Verificação Fiscal e Imputação de fls. 118 e 119); 3) os demais negavam provimento integral. ON P A ROIÓRIGUES - PRESIDENTE VERINALDO Iffin'i QUE DA SILVA - RELATOR FORMALIZADO EM: 3 Nuv i991 2 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANTÔNIO DE FREITAS DUTRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA e FRANCISCO DE SALES R. DE QUEIROZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA. ;I( 3 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 RECURSO N°: RP/103-0.149 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CERÂMICA PORTO FERREIRA S/A RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador credenciado junto à Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recorre para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no art. 30, inciso I, da Portaria MF n° 537/92, pleiteando a reforma do acórdão n° 103-18.604, de 13 de maio de 1997, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário n° 110.344, interposto nos presentes autos. O litígio posto sob julgamento desta Egrégia Câmara pode ser sintetizado da seguinte forma (v. fls. 118 a 119 e 157 a 160): 1- DO LANÇAMENTO 1.1 - Omissão de receitas caracterizada pela manutenção de conta corrente "fria" mantida em instituição bancária, com o fim de acobertar recursos oriundos de vendas sem emissão de notas fiscais, conforme Termo de Verificação Fiscal e Imputação ("Conta Fria") (fls. 118/119). O montante tributário foi apurado a partir do somatório dos depósitos efetuados na referida conta corrente "fria", entre setembro de 1990 e julho de 1991, constituindo (conforme os demonstrativos das fls. 92/112) um total de: EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1991 1990 Cr$ 89.186.409,49 1992 1991 Cr$ 979.762.513,22 1.2 - Omissão de receitas financeiras - decorrentes dos recursos abrigados pela conta corrente "fria", que foram aplicados no mercado financeiro — abrangendo o período de outubro de 1990 a fevereiro de 1991, constituindo (conforme os demonstrativos das fls. 113/117) um total de. 4 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1991 1990 Cr$ 1.337.579,58 1992 1991 Cr$ 1.570.407,76 1.3 - Omissão de receitas caracterizada por ingressos de numerários contabilizados a débito na conta "Caixa", em contrapartida de empréstimos que, segundo o contribuinte, teriam sido tomados junto a empresa denominada HELENSVILLE, mas cuja origem e efetiva entrega dos recursos não restaram comprovados - compreendendo o período de janeiro a setembro de 1991, constituindo (conforme Termo de Verificação Fiscal, às fls. 157/160) um total de: EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1992 1991 Cr$ 390.500.000,00 1.4 - Glosa de despesas operacionais, contabilizadas nas rubricas "Variação Cambial" e "Juros", por falta de comprovação da sua efetividade, abrangendo o período de janeiro a dezembro de 1991, constituindo (conforme Termo de Verificação Fiscal, às fls. 157/160) um total de: EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1992 1991 Cr$ 1.232.641.380,73 Apurada a base tributável, a Fiscalização promoveu, ex officio, a compensação de prejuízos fiscais (fls. 162 e 168), da seguinte forma: EXERCÍCIO FINANCEIRO 1991 (valores em Cr$) PREJUÍZO 38.929.814,00 DECLARADO PREJUÍZO 38.929.814,00 COMPENSADO SALDO A 0,00 COMPENSAR MONTANTE 51.594.175,07 TRIBUTÁVEL REMANESCENTE 5 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 EXERCÍCIO FINANCEIRO 1992 (valores em Cr$) PREJUÍZO 2.942.101.781,00 DECLARADO PREJUÍZO 2.604.474.301,71 COMPENSADO SALDO A 337.627.479,29 COMPENSAR MONTANTE 0,00 TRIBUTÁVEL REMANESCEN'I'E Assim, a parcela lançada limita-se a Cr$ 51.594.175,07, condizente com o exercício financeiro 1991, período-base 1990 (fl. 163). 2- DA IMPUGNAÇÃO Na impugnação (fls. 171/240), apresentada tempestivamente, é alegado, em síntese: Preliminarmente: 1 - Não estar demonstrado o dispositivo legal infringido (fls. 184). No mérito: 1 - Ser o lançamento baseado em presunção hominis, sendo, portanto, indevido (fls. 197); 2 - Fazer a escrituração contábil prova a favor da interessada (não haver prova de que a escrituração contivesse vício ou omissão) (fls. 189/193); 3 - Terem sido lançados valores em duplicidade (fls. 194/196); 4 - Ter sido o lançamento baseados em indícios, não havendo prova concreta da omissão (fls. 197/205); 5 - Nada provar o documento da fl. 03 — informação do Delegado de Polícia Assistente do II RGD de São Paulo, no sentido de não constarem Arlindo de Morais e José Carlos de Moraes nos arquivos onomásticos daquela unidade e de os RGs fornecidos pertencerem a outras pessoas, que não as referidas -, uma vez que a conta bancária pertence a Arlindo de Moraes (fls. 205/206); 1)11 6 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 6 - Ser válido o contrato de mútuo negociado com a empresa Helensville S. A. (uruguaio), uma vez que (fls. 207/213): 6.1 - não há a obrigatoriedade do registro público do mesmo; 6.2 - são normais os extratos da conta corrente fornecidos pelo referido banco — não há necessidade de aposição de assinaturas ou rubricas e históricos genéricos são habituais na prática bancária; 6.3 - a existência do contrato e o trânsito do numerário pelo Banco Surinvest comprova o recebimento do numerário; 6.4 - não há dispositivo em lei tributária que obrigue a guarda de cópia de fax, telex ou telegrama, dispondo a Constituição no art. 52, II, que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei"; 6.5 - preenche o contrato os requisitos do art. 82 do Código Civil. 7 - Não haver fundamento para a aplicação da multa de 150%, uma vez não configurada fraude, nos termos da Lei n2 4.502/64 e Decreto-lei n2 401/68, sendo aplicável, na dúvida, o art. 112 do CTN, ainda mais que não haveria, no caso, nenhum proveito para a autuada (fls. 218/228); 8 - Finalizando seu teor reivindicatório: 8.1 - cita diversos acórdãos administrativos no intento de amparar sua tese (fls. 229/233); 8.2 - solicita o acolhimento de suas razões e o arquivamento do auto de infração (fl. 233); 8.3 - junta demonstrativos de cálculo às fls. 235/240 e procuração à fl. 241 (cheques devolvidos e depositados novamente). 3- DA INFORMAÇÃO FISCAL Informação fiscal, datada de 15/12/93 e 04/01/94, é juntada às fls. 244/245. ''s\ • 7 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 4 - DA INTIMAÇÃO PARA ADMISSÃO DA TITULARIDADE DA "CONTA FRIA" Às fls. 246, a interessada é intimada "com o exclusivo objetivo de admitir a titularidade da conta fria e oferecer elementos que julgar úteis à pretendida exclusão dos valores citados como inclusos em duplicidade". 5 - DAS CONTRA-RAZÕES À INFORMAÇÃO FISCAL Nas contra-razões à informação fiscal são reiterados os argumentos no sentido de não ser a contribuinte titular da conta fria (fls. 249/254). 6- DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A autoridade monocrática, em decisão fundamentada (fls. 282/296) entendeu procedente a exigência fiscal como exemplifica a leitura das ementas: "OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM "CONTA FRIA"- comprovado, documentalmente, o vínculo de conta bancária cuja titularidade está pervertida pela falsidade ideológica da "conta fria", com as transações da empresa, procede a presunção de que os recursos naquela conta depositados se originaram de receitas movimentadas à margem da contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - os rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real, para tributação. OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receitas. GLOSA DE DESPESAS/ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - os 8 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 encargos financeiros de efetividade não comprovada são indedutíveis do lucro operacional. MULTA AGRAVADA - aplica-se, no lançamento de oficio, a multa de 150% (art. 728, III do RIR/80) sobre a diferença do imposto devido nos casos de evidente intuito de fraude, enquadrando-se na tipificação a manutenção de "conta fria" com o fim de acobertar recursos advindos de receitas omitidas e a realização de suprimentos de numerários provenientes de "mútuo" simulado." 7- DO RECURSO VOLUNTÁRIO Dessa decisão houve recurso tempestivo ao 1 2 Conselho de Contribuintes (fls. 302/344), onde, o contribuinte, além de reiterar as razões da impugnação, argúi: a) nulidade do auto de infração por falta de requisitos essenciais (fls. 303/304) e por ter sido este iniciado a partir de provas obtidas por meio ilicitos (fls. 304/308); b) improcedência da utilização da TRD (fls. 316 e 338 - não é objeto do RP, por ter sido excluída pela Câmara a quo por unanimidade de votos); e c) aplicabilidade da Súmula do TFR n9 182 (fls. 318/319). 8- DA DECISÃO DE V INSTÂNCIA A terceira Câmara do 1 2 Conselho de Contribuintes decidiu (fls. 350/359) através do acórdão n2 103-18.604, de 13 de maio de 1997, por unanimidade de votos, REJEITAR A PRELIMINAR suscitada e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. A decisão está assim ementada: "IRPJ — EXERCÍCIOS DE 1991/92 — OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL: TRIBUTAÇÃO SOBRE DEPÓSITOS EXCLUSIVAMENTE BANCÁRIOS. MÚTUO CARACTERIZADO COMO SUPRIMENTO DE CAIXA DE ADMINISTRADOR: TRIBUTAÇÃO SOBRE OMISSÃO DE RECEITA E GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS — "A presunção de omissão de receita da pessoa jurídica -m 9 i PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 base da atribuição a ela da titularidade de certa conta bancária mantida por pessoa fisica dada como inexistente, sob pena da irregular caracterização de crédito tributário em base de depósitos exclusivamente bancários, fica automaticamente recusada quando a Fiscalização não leva a cabo investigações mais aprofundadas na fiscalizada, especialmente quando teve acesso a informação de que os valores da mesma foram repassados para a contabilidade da autuada". "A presunção do suprimento de caixa de que cuida o artigo 181 do RIR/80 implica necessariamente na identificação do supridor como a pessoa fisica administradora da suprida, que apoda os pertinentes recursos financeiros, sob pena da irregular caracterização do fato gerador tendente à sustentação, ora da omissão de receita em base dos valores admitidos na contabilidade, ora da glosa das despesas financeiras geradas pelo mútuo declarado". 9- DO RECURSO ESPECIAL Desse acórdão foi dado ciência, em 04/07/97, ao Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto à Câmara recorrida (fls. 360), o qual interpôs, tempestivamente, o RP (alcança apenas a parte da decisão não-unânime) de fls. 361/362, com fundamento no art. 30 da Portaria 537/92, alegando, em síntese: 9.1 - não ter sido o lançamento embasado em simples presunções, mas em fatos e documentos bancários; 9.2 - não sendo fundamentados em documentação hábil e idônea os lançamentos contábeis da autuada, não há como reputar verídicos os registros por ela efetivados. Ao final, adota como suas as razões da decisão da autoridade administrativa monocrática e requer que prevaleça o voto vencido, para que seja restaurada a situação anterior ao julgamento da I. 2 g- ,(sic) 1 10 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 Câmara do Conselho de Contribuintes, mantendo-se o auto de infração em questão e o seu lançamento original. 10- DAS CONTRA-RAZÕES A autuada apresentou, tempestivamente, contra-razões ao Recurso Especial (fls. 368/372), reiterando que o nome constante no documento de fls. 03 é atinente à Arlindo de Morais e não Arlindo de Moraes - o que, a seu ver, não foi esclarecido nem pela Fiscalização, nem pela Decisão de primeira Instância. A seguir, defendeu a decisão consubstanciada no acórdão guerreado, alegando: 10.1 - o Fisco não pode impor ao contribuinte penalidade tributária, à margem da lei; 10.2 - o art. 181 do RIR/80 prever a tributação do "valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, ... omissis , ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas" e 10.3 - no tocante ao mútuo, embora o RP do douto Procurador não tenha se insurgido contra essa parte da decisão, a fiscalização andou mal, não aparelhando a ação fiscal, conforme os ditames da lei. Por fim, requer que sejam consideradas as razões de seu Recurso Voluntário e que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. r , 11 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 VOTO CONSELHEIRO: VERINALDO HENRIQUE DA SILVA O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele tomo integral conhecimento. Passo a esclarecer o afirmado (e destacado). À época da interposição do RI' de fls. 361/362 (07/07/97), o Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n° 537/92, de 17/07/92, não exigia do RI' a demonstração fundamentada da contrariedade à lei ou à evidência da prova. Para o cabimento do RI', bastava que a decisão fosse não-unânime, o que é o caso dos autos. Ao presidente da Câmara, no exame do RI', incumbia verificar apenas sua tempestividade, nada além disso (v. art. 31, § 2°). Tal exigência apenas foi inserida no RI a partir da vigência da Portaria n° 55, de 16/03/98 (v. art. 33, § 10). E mais: se isso não bastasse, mesmo que, naquela data, outras exigências existissem, quanto à admissibilidade do RI', melhor sorte não assistiria ao contribuinte, quando diz que "o RP não alcança a parte da decisão relativa à descaracterização do contrato de mútuo". E que o douto Procurador, ao interpor o RI' de fls. 361/362, adotou como suas as razões da decisão da autoridade administrativa monocrática de fls. 282/296 (v. fls. 362 - penúltimo parágrafo). Logo, assim procedendo, até para evitar repetições desnecessárias e por amor à brevidade, demonstrou, com todas as letras, que se insurgia in totum contra a decisão da Câmara, na parte não-unânime. Feito esse esclarecimento, passo ao exame da lide. Preliminarmente, registro que não conheço das contra- razões do contribuinte no que tange à argüição de não ser o Arlindo de Morais, referido no documento da fl. 03, o mesmo Arlindo de Moraes, con-entista da conta corrente n2 104.852-1. É que essa matéria já foi rejeitada, por unanimidade - bem como todas as preliminares suscitadas —, pela 32 Câmara, no acórdão recorrido (ver fl. 350). Assim, se fosse o caso, só se admitiria, em tese, a apreciação desta questão em embargos de declaração do acórdão em apreço — o qual tem prazo preclusivo de 05 dias, conforme art. 25 do antigo RI deste Conselho (e atual, v. art. 27, § 1°). Como não foi suscitado este remédio processual, está preclusa a matéria na seara administrativa. 1 it.," 12 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 No mérito, além da multa qualificada, existem quatro matérias em discussão: 1 - omissão de receitas operacionais, caracterizada pela manutenção da conta "fria"; 2 - omissão de receitas financeiras; 3 - omissão de receitas, em decorrência da descaracterização do contrato de mútuo; e 4 - glosa de despesas operacionais (variação cambial e juros). As duas primeiras estão inter-relacionadas; o mesmo acontece com as duas últimas. À reflexão, o que for decidido por esta Egrégia Câmara em relação ao item 1, será válido para o 2; idem quanto aos itens 3 e 4. Passo ao exame do litígio, esclarecendo que a abordagem dos temas seguirá a mesma ordem das matérias perfilhadas no relatório. 1 - OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA PELA MANUTENÇÃO DE CONTA CORRENTE "FRIA"/RECEITAS FINANCEIRAS Creio que o acórdão recorrido merece ser reformado quanto ao entendimento que expressou em relação aos fatos apurados pelo "Termo de Verificação Fiscal e Imputação ("Conta Fria") (fls. 118/119), dos quais resultou o lançamento por omissão de receitas operacional e financeira. Passo a expor os fundamentos de minha convicção. Primeiramente, atente-se para o fato de que — pelo detectado por mim na extensa pesquisa com base nos extratos bancários da conta fria -, os débitos a ela relacionados, quando não são concernentes a aplicações financeiras (que têm o fito de proteger e remunerar o capital ali disponível), são atinentes a depósitos na conta corrente da autuada!! Em outras palavras, nos períodos que constam no auto de infração, a conta corrente "fria" serviu única e exclusivamente para suprir o caixa da autuada (afora as aplicações financeiras, logicamente). Por outro lado (somente no sentido de facilitar o raciocínio, pois, como visto, a prova da existência dos "correntistas fantasmas" foi acatada por unanimidade na rejeição das preliminares no julgamento ora em recurso), foi fartamente comprovada a inexistência dos pretensos correntistas Arlindo de Moraes e José Carlos de Moraes. Note-se que, em relação ao primeiro "fantasma" citado (Arlindo de Moraes), o CPF para ele indicado, 123.785.308-70 (Proposta de Abertura de Conta — Pessoa Física - fl. 02, verso), pertence a Arlindo de Morais, conforme pesquisa no sistema CPF da Secretaria da Receita Federal (fl. 256). A esta pessoa não corresponde o RG indicado no documento da fl. < 13 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 C verso, conforme explicitado pelo telex encaminhado pela DELPOL II RGD de São Paulo (fl. 03). Não bastasse isso, também o endereço indicado na referida Proposta não confere com o constante no Sistema CPF! Revela-se aqui, com toda a clareza, a tentativa em induzir a erro o Fisco: ao nome Arlindo de Moraes foi indicado o CPF 123.785.308- 70, que, em verdade, pertence a Arlindo de Morais. Como foi pesquisado o RG deste último nome, alega-se que a informação é indevida, pois o nome é diferente do constante na Proposta de Abertura de Crédito; caso houvesse sido pesquisado o RG de Arlindo de Moraes, alegar-se-ia que a informação fornecida seria incorreta, pois o CPF indicado é o de Arlindo de Morais, devendo-se o Moraes a erro de digitação. Em suma: tal pessoa não existe, servindo apenas para gus_ os administradores da autuada pudessem movimentar a conta corrente "fria". Quanto à segunda pessoa indicada na conta corrente, o "fantasma" José Carlos de Moraes, o CPF a ela indicado —006.010.788- - simplesmente não existe (conforme pesquisa no sistema CPF da Secretaria da Receita Federal, fl. 257), e irualmente o RG informado é .figs2. (ver informação DELPOL II RGD São Paulo, fl. 03)!! Esses "seres fictícios" movimentavam uma conta bancária, frise-se, tão somente para fazer provisões na conta corrente da autuada (e aplicar os recursos ali existentes) conforme exaustivamente demonstrado pela Fiscalização (ver, por exemplo, os cheques depositados na conta corrente da autuada — fls. 04/18 e o "demonstrativo exemplificador do relacionamento entre as contas correntes bancárias 104.825-7, em nome de Cerâmica Porto Ferreira S/A e 104.852-1, em nome de Arlindo de Moraes e ou José Carlos de Moraes" — fls. 19/20). Para mim, no caso sob exame, está perfeitamente caracterizado o nexo de causalidade entre a conta corrente "fria" e a autuada. Não tenho a menor dúvida de que a conta "fria" pertence à empresa. Os documentos de fls. 23, 37 e 43 eliminam qualquer incerteza que ainda pudesse subsistir. Explico: a) o aviso de lançamento bancário de fls. 37 foi requisitado pelo Fisco ao Banco. Ali consta o seguinte: "valor que se transfere da conta 104852-1 (conta "fria") referente ao depósito nesta data indevidamente que ora regularizamos" (v., ainda, extrato da conta "fria" à fl. 43); b) já o extrato de conta corrente de fls. 23 (conta da ; 14 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 empresa CERÂMICA PORTO FERREIRA S/A) foi fornecido pela autuada ao Fisco. Nesse documento consta um depósito de igual valor àquele que foi estornado da conta "fria. E mais: constam também anotações manuscritas, efetuadas pelos gestores da empresa, esclarecendo o erro do banco e a causa do erro. Lá foi anotado: "ARLINDO LANÇ ERRADO ". À evidência, essas anotações só foram possíveis porque quem operava a conta "quente" da autuada - seus administradores operava também a conta "fria" mantida pela empresa junto ao mesmo banco. Por isso, repito: a conta "fria" pertence à empresa CERAMICA PORTO FERREIRA S/A. Desta feita, está perfeitamente demonstrada a subsunção dos fatos provados aos arts. 181 e 253 do RIR/80. E mais: diz o artigo 181 do RIR/80, verbis: "Art. 181 - Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas." Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que "INDÍCIOS VÁRIOS E CONCORDANTES SÃO PROVA" 1 ., com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. De qualquer sorte, apenas para argumentar, tecerei alguns comentários acerca do raciocínio desenvolvido pelo ilustre relator, no voto condutor do acórdão n° 103-18.604, raciocínio esse acolhido pela maioria dos membros da Egrégia Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Ali, o insigne relator, quanto aos assuntos aqui tratados, houve por bem entender que a exigência fiscal não poderia prosperar em razão de quatro motivos: 1 STF, RTJ 52/140 apud Hely _53' es Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 222 ed., 1997, p 7. 15 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 1 - não estar evidenciado a que título foram contabilizados os depósitos advindos da conta "fria" (v. fls. 357); 2 - ter sido realizada intimação para que a autuada assumisse a titularidade da conta fria (v. fls. 357); 3 - a única informação sustentadora da titularidade falsa da conta resultar exclusivamente do telex de fls. 3, onde um dos nomes pesquisados foi Arlindo de Morais e não Arlindo de Moraes. Assim, no seu entender, os depósitos que alimentavam a conta da autuada foram efetivados por terceiros, o que não permite seu lançamento conforme ocorrido (v. fls. 357);e 4 - não ter havido maior aprofundamento da ação fiscal (v. fls. 358). A meu juízo, tal entendimento não é sustentável. Passo à análise dos argumentos apresentados: I - não estar evidenciado a que título foram contabilizados os depósitos advindos da conta 'fria": ora, in casu, a forma de contabilização dos depósitos advindos da conta "fria" só ganharia relevância na tributação do imposto sobre a renda, se a autuada os houvesse contabilizado a título de receitas ou, por outra forma, os houvesse oferecido à tributação. Mas a contribuinte não carreou aos autos nenhuma prova nesse sentido, até porque, por mais que restasse comprovada a titularidade da conta "fria", jamais assumiu a sua paternidade. Por óbvio, excluída a hipótese acima, qualquer outra forma de contabilização é absolutamente irrelevante do ponto de vista tributário. Isso porque o que interessa para configurar o fato gerador do tributo, na esteira do previsto pelo art. 43 do CTI\1 2, é que haja acréscimo patrimonial por parte do sujeito passivo. Nesse sentido vem se manifestando copiosa doutrina, como por exemplo: "O conceito jurídico mais adequado de renda é o de acréscimo patrimonial, englobando os ganhos de capital, exceto os de transferências de renda, tais como doações e heranças."3 2 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. 3 João Décio Rolim in O Conceito Jurídico de Renda e Proventos de Qualquer Natureza / Alguns Casos Concretos - Adições Exclusões ao Lucro Real. Revista de Direito Tributário n g- 67, ed. Malheiros, apudleando Paulsen, p.119. 16 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 CC ... a expressão renda e proventos de qualquer natureza só abrange os fatos que possam ser considerados como acréscimo patrimonial; ..."4 Não há dúvidas acerca da existência de acréscimo patrimonial no caso de que tratamos. Como visto, é farta a prova da existência de numerário mantido na conta "fria" gerida pela empresa. Descortinando-se, assim, as receitas omitidas, as mesmas comporão a base de cálculo do tributo, o lucro real. Deste modo, está perfeitamente caracterizada a subsunção da hipótese de incidência do imposto sobre a renda - adquirir acréscimo patrimonial - com os fatos amplamente demonstrados no processo - existência de receitas mantidas à margem da escrituração. Desta feita, assume importância secundária e meramente incidental serem os recursos depositados na tal conta "fria" provenientes de receitas operacionais ou não-operacionais ou outras. Caracterizado o acréscimo patrimonial, incide a norma que determina a tributação pelo imposto sobre a renda. Além do mais, o disposto no art. 118 5 do C-FN determina, para a definição do fato gerador, a abstração (1) da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, e (2) dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Logo, mesmo que os depósitos na conta fria - gerida pelos administradores da Fiscalizada - houvessem sido efetuados por um louco, o acréscimo patrimonial, auferido a título gratuito, deveria ser necessariamente tributado. O juiz federal Leandro Paulsen6 comenta assim tal determinação legal: "Jamais um ato ilícito estará descrito na norma como hipótese de incidência da obrigação tributária. Mas se algum fato ilícito implicar situação que, por si só, não seja ilícita e que seja prevista como hipótese para a obrigação tributária, a ilicitude circunstancial não terá qualquer relevância, não viciará a relação jurídica tributária." (grifou-se) 4 Hugo de Brito Machado in Temas de Direito Tributário II. São Paulo, RT, 1994, p. 86. 5 "Art. 118. A definição do fato gerador é interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 6 Leandro Paulsen in Direito Tributário - Constituição e Código Tributário á Luz da Doutrina a da Jurisprudência. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 1998. p. 279. "-- .-, 17 / / PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 Por sua vez, Sacha Cahnon Navarro Coelho' sintetiza a obrigatoriedade da tributação pelo imposto sobre a renda de acréscimo patrimonial auferido ilicitamente com as seguintes palavras: "a) são tributáveis os fatos lícitos embora realizados ilicitamente". Também o Mestre Aliomar Baleeiro8, ao se referir aos efeitos tributários dos atos inválidos, ensina: "Se nulo ou anulável (o ato jurídico gerador de acréscimo patrimonial), não desaparece a obrigação fiscal que dele decorre, nem surge para o contribuinte o direito de pedir repetição do tributo acaso pago sob invocação de que o ato era nulo ou foi anulado. O fato gerador ocorreu e não desaparece, do ponto de vista fiscal, pela nulidade ou anulação." (Grifei) Aliás, a lógica aqui desenvolvida está, como consabido, contemplada no RIR/80, arts. 154 e 155, os quais tem a seguinte redação: "Art. 154. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei IV 1.598/77, art. 62). Art. 155. O lucro líquido do exercício é a sorna algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária e das participações, e deverá ser determinado com observância das leis comerciais." Portanto, comprova-se mais uma vez, com toda clareza, que não tem a menor relevância, para a tributação das receitas, omitidas, provir elas de atividades operacionais, não-operacionais ou de outros ganhos. Do mesmo modo, exceto no caso de bitributação (hipótese não provada nos autos), é irrelevante a determinação dos registros contábeis dos depósitos - se é que houveram Basta a prova da existências de receitas omitidas. E, neste 7 Sacha Calmon Navarro Coelho in Comentários ao Código Tributário Nacional. Rio de Janeiro, Forense, 1998, p.289. 8 Aliomar Baleeiro in Direito Tributário Brasileiro. São Paulo, Forense, 102 ed., p. 331, \) 18 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 caso, as provas afloram de uma forma imensurável. 2 - ter sido realizada intimação para que a autuada assumisse a titularidade da conta fria: a intimação, presente às fls. 246, "com o exclusivo objetivo de admitir a titularidade da conta fria e oferecer elementos que julgar úteis à pretendida exclusão dos valores citados como inclusos em duplicidade" em nada desmerece o lançamento. Poder-se-ia argumentar que a contribuinte não é obrigada a romper seu silêncio quando pode, com isso, se comprometer. Mas nada impede o Fisco de emitir tal intimação, que se respondida espontaneamente, produz os efeitos admitidos pelo Direito, inclusive, se for o caso, o da prova contra a autora da resposta. Porém, de fato, tal não ocorreu, unia vez que não houve resposta conclusiva por parte da intimada. Assim, a intimação consubstancia-se em mero fato processual, que em nada interfere no deslinde do lançamento, cujo fulcro é: omitiu, a autuada, receitas de regular tributação? Respondo: a manutenção de conta corrente "fria", gerida pelos administradores da empresa por meio de "fantasmas" - e exclusivamente para suprir o seu caixa - provam que sim. 3 - ser a única informação sustentadora da titularidade da conta falsa exclusivamente o telex de lis. 3, onde um dos nomes pesquisados foi "Adindo de Morais" e não "Adindo de Moraes". Conclui disto que os depósitos que alimentavam a conta da autuada foram efetivados por terceiros, o que não permite seu lançamento conforme ocorrido. Os fatos que elidem tais conclusões foram amplamente abordados no início de meu voto. Assim, o telex da fl. 03 não é a única informação que prova a inexistência dos titulares da conta corrente: dela se acompanham a Proposta de Abertura de Conta Corrente e o Sistema CPF da Secretaria da Receita Federal; os nomes pesquisados decorreram do confronto entre os nomes e os CPFs declarados; um dos CPFs declarados sequer existe; logo, os depósitos não podem ter sido realizados por terceiros pela singela razão de me os pretensos terceiros não existem. 4 - não ter havido maior (v. fls. 358) aprofundamento da ação fiscal: como se vê, o relator reconhece que houve aprofundamento da ação fiscal. Diz, porém, que poderia ser maior. Data venha, a meu ver, houve um perfeito aprofundamento da ação fiscal: o necessário e suficiente. As infrações foram levantadas e à empresa, assegurado o exercício do amplo direito de defesa. O extenso relatório lido por mim não deixa margem a dúvidas. Se se entender, por amor ao debate, que poderia vir a ser maior, pergunto: até que ponto? Respondo: a resposta envolve um juizo de valor, que, por óbvio, deve ser descartado de plano, até porque, ex vi do disposto no artigo 118 do CTN, não importa de onde provenha o acréscimo patrimonial. Houve acréscimo patrimonial? Sim! Logo, tributa-se (CTN, art. 43). effr ''Y 19 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 Por fim, em relação à existência no lançamento de cheques depositados e devolvidos, não é da competência desta Câmara Superior a análise material dos cálculos efetivados. E claro que cheques depositados e devolvidos devem ser excluídos da base de cálculo, especialmente se provado que integraram novos depósitos. O autuado, entretanto, apesar do demonstrativo de fls. 235/240, não logrou provar a existência de qualquer duplicidade. Correto, portanto, o lançamento em relação à conta "fria". Por decorrência, idem quanto às receitas financeiras. Assim, dou provimento ao Recuso Especial nesses quesitos. 2 - OMISSÃO DE RECEITAS EM DECORRÊNCIA DO MÚTUO/GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS (VARIAÇÃO CAMBIAL E JUROS) Quanto à descaracterização do contrato de mútuo - com a conseqüente tributação de seus valores como omissão de receitas operacionais e glosa de despesas operacionais a título de juros e variação cambial - também merece ser acolhido o Recurso Especial, por se encontrar irretorquível a ação fiscal. Explico: Primeiramente, o contrato firmado entre a autuada e a empresa Helensville S. A. é inválido pela lei brasileira, não produzindo, portanto, efeitos oponíveis ao Fisco brasileiro. Este fato decorre de disposição expressa no art. 140 do Código Civil e do art. 148 da Lei n2 6.015/73, assim redigidos: "Cód. Civil, art. 140 - Os escritos de obrigaç'do redigidos em língua estrangeira serão, para ter efeitos legais no país, vertidos em português." (grifei) "Lei n2 6.015/73, art. 148 - Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. • 20 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02 .743 Parágrafo único. Para o registro resumido, os títulos, documentos ou papéis em língua estrangeira, deverão ser sempre traduzidos." (realcei) E mesmo que não houvesse essas disposições, melhor sorte não teria a validade do contrato em questão. É que se a legislação processual administrativa nada dispõe sobre a juntada aos autos de documento em língua estrangeira, deve-se aplicar o previsto no Código de Processo Civil, art. 157, que não aceita o documento em língua estrangeira: "Art. 157 - Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado." (destaquei) A única ressalva que se faz ao requisito é no caso de os documentos terem autenticação consular, conforme súmula 259 do Supremo Tribunal Federal: "SÚMULA 259 - Para produzir efeito em Juízo não é necessária a inscrição, no registro público, de documentos de procedência estrangeira, autenticados por via consular." A esse respeito vem se manifestando o Supremo Tribunal Federal, no seguinte sentido: "A necessidade do registro de documento se justifica quando se trata de produzir prova em face de terceiros, salvo se já autenticado por autoridade consular". 9 (grifei) Ademais, a "empresa" Helensville S.A. não apresenta analogia com nenhuma outra. Trata-se de uma empresa sul generis: a origem, o endereço e os dados cadastrais não existem e/ou não foram identificados, como atestado pela Fiscalização (fls. 158). Assim, não se aplicam ao caso em questão o artigo 174 do RIR/80, que dispõe fazer prova em favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposição legais e comprovados por documentos hábeis, pois o contrato que ampara o pretenso mútuo, desobedecer disposiçõesdisposições legais, não é documento hábil. ) 9 RTJ 113/845, STF-RT 597/244, STF-JTA 96/185. 21 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 Por outro lado, é por demais conhecida a importância da fase pré-contratual, onde se realizam conversações prévias, sondagens e estudos sobre o interesse de cada contratante. Não deve ser esquecido que o contrato em análise é um mútuo no valor equivalente a dois milhões de dólares. Tão relevante é essa fase negocial que pode surgir responsabilidade pré-contratual para os que, em determinadas condições, desistem de contratar. Tal pode ser comprovado em qualquer bom livro sobre contratos, dos quais cito dois: Tratado Teórico e Prático dos Contratos, de Maria Helena Diniz (São Paulo, Saraiva, 1993, pp. 66/67) e Teoria Geral dos Contratos, de Silvio de Salvo Venosa (São Paulo, Atlas, 1997, p.p. 99/102). Pois bem, o contribuinte não juntou nenhum documento ao processo que pudesse ao menos fazer supor que o contrato de mútuo em questão tenha existido, se contentando em alegar que não é obrigado a fazê-lo por que a lei não o exige (fls. 211/213). Ora, comprovado que o contrato não possui requisitos de validade (forma prescrita em lei), seria de seu total interesse comprovar que ele de fato existiu, na tentativa de escapar da tributação. Essa teia de simulações criada transbordou-se em fratura exposta, pois sequer a autuada conseguiu juntar cópia da letra de câmbio que contratuahnente deveria ter assinado (fls. 143, cláusula quinta do contrato). E' não se diga que não teve tempo para tanto, pois, além de Termo de Inicio de Fiscalização ter se dado em 06/12/91 e o acórdão prolatado pela Câmara recorrida ser de 13/05/97, o prazo do contrato seria de trinta e seis meses (fls. 142, cláusula terceira). Tendo contabilizado, a titulo do empréstimo, o recebimento de sete parcelas em 1991, não é razoável esperar que, em todo o transcurso deste processo administrativo, não tivesse tido uma letra de câmbio em mãos, a fim de juntá-la aos autos. Além do mais as alegações do sujeito passivo tangenciam o absurdo. Não resiste à menor reflexão objetiva a tese de que o Banco Surinvest (uruguaio), tendo recebido da pretensa empresa Helensville S.A. o montante do empréstimo — equivalente a milhares de dólares — para entregá-lo à autuada, o faria chegar-lhe em mãos, assumindo o risco pelas perdas e danos, ao invés de simplesmente encaminhá-lo via sistema bancário. A tese é por demais ingênua. É de se ressaltar, outrossim, que a moderna doutrina vem amparando a tese da inoponibilidade ao Fisco de ações abusivas, i. e. aquelas que tem, como única finalidade, reduzir tributo. Cito as palavras do Dr. Marco Aurélio Greco m as quais são corroboradas por Hermes Marcelo 10 Marco Aurélio Greco. Planejamento Fiscal e Interpretação da Lei Tributária. São Paulo, Dialética, 1988, p. 135. / ir,n I 22 1 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01 -02 .743 Huck11: "No entanto, os negócios jurídicos que não tiveram nenhuma causa real, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso o Fisco a eles pode se opor, desqualificando-os fiscalmente para requalificá-los segundo a descrição normativo-tributária pertinente à situação que foi encobertada pelo desnaturamento da função objetiva do ato." (destaquei) Também Ruy Barbosa Nogueira expressa a opinião de que se o contribuinte, abusando do direito ao uso de formas jurídico-privadas, empregar formas anormais ou inadequadas na estruturação de suas relações, com o intuito de impedir ou fraudar a tributação que, ao contrário, tivesse ele seguido o caminho normal, seria devida, estaríamos diante de um caso de abuso de formas com o fito de evasão, nessa hipótese, inoponível ao Fisco12. Por sua vez, Hermes Marcelo Huck lembra que13 "O direito do contribuinte de organizar sua vida econômica da forma que melhor lhe convenha não é absoluto, pois o exercício de direitos absolutos repugna à experiência moderna de convívio em sociedade, sobre a qual se erige o Estado democrático de direito." E mais: diz a empresa que o Banco Surinvest informava a ela por fax a cada liberação das parcelas (v. fls. 156). Ocorre que, durante os trabalhos, o Fisco solicitou à empresa documentos que demonstrassem, indiretamente, a efetiva realização das operações de empréstimos, depósitos, saques, transferência de numerário etc. O contribuinte, entretanto, não logrou fazê-lo. Não foi juntado um documento sequer, quando vários poderiam ter sido, v. g.: telex, fax, telegramas, cartas contendo ordens, instruções, contas telefônicas etc. Por todas essas razões, tenho que o contrato de mútuo realizado com a empresa Helensville S.A. não existiu. Mas se houvesse existido, isso apenas por amor ao debate, não seria válido nem produziria 11 Hermes Marcelo Huck. Evasão e Elisão. São Paulo, Saraiva, 1997, p.153. 12 Ruy Barbosa Nogueira. Curso de Direito Tributário. São Paulo, Saraiva, 1986, p. 221 apud Hermes Marcelo Huck. Evasão e Elisão. São Paulo, Saraiva, 1997, p.145. 13 Hermes Marcelo Huck. Evasão e Elisão. São Paulo, Saraiva, 1997, p.141. / 23 :/ PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 eficácia perante terceiros, incluído aqui o Fisco. Logo, perfeito o lançamento. Por decorrência, idem quanto à glosa das despesas operacionais (juros e variação cambial), pois não provada a existência do tal contrato de mútuo, ou, na melhor das hipóteses, , sendo inválido e ineficaz o referido contrato, descabe falar de encargos correspondentes. Desse modo, dou provimento ao Recurso Especial nesses quesitos. 3- DA MULTA AGRAVADA Ao decidir, a autoridade julgadora monocrática asseverou, verbis: "No que concerne à multa agravada, restou comprovado nos autos: a existência inconteste de "conta fria" vinculada às atividades da empresa; a operação de "mútuo" se tratou de operação ardilosa com o objetivo de criar condições regulares para suprimentos de caixa feitos com recursos anteriormente sonegados, beneficiando-se, ainda, da apropriação de "despesas fmanceiras", reduzindo drasticamente o lucro tributável. Essas práticas visaram a obtenção fraudulenta de vantagem indevida em matéria tributável, justificando a penalidade imposta." Bastante lúcida a argumentação do titular da DR.I. Eu também penso assim. Não tenho dúvidas. Os fatos descritos no auto de infração ( e seus anexos) se ajustam perfeitamente à hipótese prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Por isso, a penalidade imposta (multa agravada) deve ser restabelecida na íntegra. Nessa ordem de juízos, e por entender que não se pode homologar a simulação, DOU INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Especial (RP) interposto nos presentes autos, reformando a decisão consubstanciada no acórdão recorrido. Brasília/DF, em 13 de setembro de 1999. , = , ...,/ VERINALDO HENRIQUE DA SILVA - RELATOR 24 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.720644/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2011
PROCEDIMENTO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO
Não apresenta vício o procedimento fiscal que explicita, em seu relatório, a verificação do cumprimento das obrigações tributárias que será empreendida, o resultado desta, os procedimentos fiscais realizados e os dispositivos legais infligidos.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa no indeferimento do pedido de perícia contábil quando fundamentado pela autoridade julgadora.
DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. GLOSA.
O prazo decadencial deve ser contado com base na regra constante do artigo 150, § 4º, no caso de tributo sujeito ao pagamento antecipado, se houve compensação dos valores devidos. A glosa da compensação efetuada deve ser realizada dentro do prazo decadencial mencionado. O procedimento fiscal de verificação do montante utilizado como crédito pelo sujeito passivo não se submete a tal prazo.
ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO A SER COMPENSADO. CRITÉRIOS.
A forma de atualização dos créditos a serem compensados pelo sujeito passivo decorre da lei tributária. A existência de sentença judicial que reconhece essa possibilidade, caso não seja explicita no tocante à forma de atualização, não invalida as disposições legais.
Numero da decisão: 2201-003.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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FUNDAMENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO Não apresenta vício o procedimento fiscal que explicita, em seu relatório, a verificação do cumprimento das obrigações tributárias que será empreendida, o resultado desta, os procedimentos fiscais realizados e os dispositivos legais infligidos. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa no indeferimento do pedido de perícia contábil quando fundamentado pela autoridade julgadora. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. GLOSA. O prazo decadencial deve ser contado com base na regra constante do artigo 150, § 4º, no caso de tributo sujeito ao pagamento antecipado, se houve compensação dos valores devidos. A glosa da compensação efetuada deve ser realizada dentro do prazo decadencial mencionado. O procedimento fiscal de verificação do montante utilizado como crédito pelo sujeito passivo não se submete a tal prazo. ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO A SER COMPENSADO. CRITÉRIOS. A forma de atualização dos créditos a serem compensados pelo sujeito passivo decorre da lei tributária. A existência de sentença judicial que reconhece essa possibilidade, caso não seja explicita no tocante à forma de atualização, não invalida as disposições legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 44 /2 01 3- 84 Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou parcialmente improcedente a impugnação ao lançamento de glosa de compensação de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, segundo decisão judicial, sobre valores pagos a trabalhadores autônomos, avulsos e administradores no período de 10/1989 a 05/1995. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 40 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.044.2323, no valor de R$ 3.241.128,48, atualizado até agosto de 2013, referente ao valor do tributo (R$ 2.355.174,10), juros (R$ 414.919,57) e multa de mora (R$ 471.034,81), relativo à glosa de compensação de contribuições previdenciárias pagas indevidamente sobre remuneração devida aos segurados contribuintes individuais no período de 10/89 a 05/95. O crédito tributário constituído se refere a período de dezembro de 2010 a dezembro de 2011. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência do sujeito passivo em 23 de agosto de 2013. Assim se pronunciou a Autoridade Lançadora (fls:40): "2. A empresa TRESELE MARÍTIMA LTDA CNPJ 16.675.431/000198 ingressou na Justiça Federal requerendo, entre outras coisas, o direito a compensar os valores recolhidos para a Previdência Social incidentes sobre pagamentos efetuados a Segurados AUTÔNOMOS, AVULSOS e ADMINISTRADORES. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.720644/201384 Acórdão n.º 2201003.328 S2C2T1 Fl. 1.771 3 2.1. A ação no Processo Nr. 95.00072904 da 2 a Vara da seção judiciária do ES DOC I, em que são partes a TRESELE MARÍTIMA LTDA e o INSS, teve Sentença favorável à empresa prolatada em 29/07/1996. 2.2. Ambos INSS e TRESELE apelaram da decisão Processo Nr. 97.02.161410 DOC I e o TRF 2 a Região decidiu a favor da apelação da empresa com sentença transitada em julgado em 15/03/2005, reconhecendo o direito da empresa TRESELE MARÍTIMA LTDA compensar os valores recolhidos para a Previdência Social, incidentes sobre valores pagos a Segurados AUTÔNOMOS, AVULSOS e ADMINISTRADORES no período de 10/1989 a 05/1995. 2.3. Por meio da 42a a Alteração Contratual DOC II, a empresa Brazshipping Marítima Ltda INCORPOROU a empresa Tresele Marítima Ltda tendo a Brazshipping solicitado seu ingresso no pólo ativo da ação, sendo aceito pela Justiça. 2.3.1. Em 01/2005 a empresa Brazshipping começou a fazer a compensação dos valores recolhidos para a Previdência Social incidentes sobre remunerações pagas a Segurados AUTÔNOMOS, AVULSOS e ADMINISTRADORES do período de 10/1989 a 05/1995. (...) 4. DA REALIZAÇÃO DA AÇÃO FISCAL: 4.1. Conforme esclarecimentos contidos no item 3, esta ação fiscal analisou as compensações efetivadas no período de 01/2007 a 13/2011, utilizando os seguintes elementos: 4.1.1. Valores ORIGINÁRIOS a COMPENSAR correspondentes a PL/AUT/AVUSOS passíveis de compensação Planilha VIII; 4.1.2. Valores COMPENSADOS, incluídos em GFIP valores obtidos no sistema GFIPWEB. • Os valores constam na Planilha I para o período desta fiscalização e Planilha II para período de 01/2007 a 13/2008; 4.1.3. Valores de RETENÇÃO DE 11% em diversas competências foram incluídos indevidamente na GFIP como COMPENSAÇÃO, valores correspondentes a retenção de 11%. Para identificação correta das compensações correspondentes a PL/AUT/AVULSOS, referidos valores de retenção de 11% foram deduzidos por esta fiscalização. • Os valores foram identificados na planilha IV, apresentada pela empresa e confrontados em Notas Fiscais de serviço e em valores constantes em GFIP. Valores constam da Planilha I Coluna F e Planilha II Coluna D; 4.2. Para justificar as compensações efetivadas a empresa apresentou as Planilhas IV e V. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 Referidas planilhas foram utilizadas por esta fiscalização como subsídio para conferência dos valores compensados, informados em GFIP e valores de retenção de 11% sobre Notas Fiscais de serviço. 4.3. Assim, a partir dos dados e valores obtidos conforme discriminados no subitem 4.1 acima, confrontamos os valores compensados no período de 01/2007 a 13/2011 com os valores originários a compensar para parte de 06/1992 a 05/95, que foram atualizados de acordo com os índices de atualização estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, conforme abaixo, tendo sido observado que existiram compensações em valores maiores que os créditos gerados pelos recolhidos sobre PL/AUT/AVULSOS. Abaixo, índices de atualização utilizados: • Até 01/1995 atualização pela UFIR; • Partir de 02/1995 até 11/2008 Atualização pela taxa SELIC até o mês anterior à compensação + 1% de Juros no mês da Compensação; • Partir de 12/2008 Atualização pela Taxa SELIC até o mês anterior. 4.3.1. Da análise dos valores compensados com os valores a compensar atualizados, verificamos que existem glosas a serem feitas. 4.3.2. Os cálculos efetuados pela empresa para atualização dos valores passíveis de compensação e os valores compensados constam da Planilha V. Observando referidos valores, verificamos que não foram utilizados, pela empresa, os índices estabelecidos pela Receita Federal do Brasil para compensação. 4.3.2.1. Desta forma, a glosa de compensação identificada na Planilha III, elaborada por esta fiscalização que utilizou índices de atualização estabelecida pela RFB não existe na Planilha V, elaborada pela empresa, pelos motivos anteriormente citados." Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 376), tempestivamente. A 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, decidiu pela improcedência da impugnação. A decisão restou formalizada por meio do Acórdão 09 50.724 (fls.535). Tal decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.720644/201384 Acórdão n.º 2201003.328 S2C2T1 Fl. 1.772 5 A cientificação da decisão de primeiro graus foi enviada para o domicílio do contribuinte, tendo a ciência ocorrida, por via postal (AR fls. 1731), em 09 de abril de 2014. Em 07 de maio de 2014, tempestivamente, foi interposto recurso voluntário (fls. 1733), do qual constam as seguintes alegações, apresentadas em síntese: · Há ausência de fundamentação no lançamento, pois o fiscal simplesmente alegou que houve compensados valores maiores que o quantum devido, em virtude de não serem utilizados os mesmos índices da RFB. · Não obstante, a Fiscalização não demonstrou os erros nos cálculos elaborados, fato que não foi apreciado no julgamento de primeira instância, tampouco apontou as razões pelas quais o critério utilizado estaria contemplado na sentença judicial que determinou a compensação. · Alega ainda que a compensação foi efetuada nos termos da sentença judicial e que a Administração Pública, como parte, deve cumprir o ali estabelecido. · Alega cerceamento do direito de defesa pela decisão atacada, uma vez que não foi deferido o pedido de perícia contabil. · Reitera que o quantum de seu crédito foi apurado com base na decisão judicial que reconheceu seu direito, que determinou a aplicação da correção monetária nos termos da Súmula 46 do TFR, além da incidência de juros de mora nos termos do parágrafo único do artigo 167 do CTN. · Alega decadência dos valores lançados anteriormente a 08/2008, e que portanto, todos os valores de crédito anteriores a essa competência foram tacitamente homologados, o que impede a revisão dos cálculos efetuados pelo Fisco. · Além disso, assevera que os valores compensados no período de 01 a 13/2007 já foram objeto de expressa homologação posto que Fiscalizados pela RFB. O processo foi distribuído, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 Conheço do recurso, posto que presentes os pressupostos de admissibilidade. Serão analisadas as alegações recursais na ordem de sua apresentação, exceto quanto à decadência arguída, posto que entendo ser essa questão prejudicial de mérito. Em preliminar, o Recorrente argui: AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO "Conforme ressaltado em sede de Impugnação, apesar de ter, ainda que parcialmente, utilizado dados de fiscalizações anteriores, que validaram as compensações realizadas no período respectivo fiscalizado, as quais analisaram os mesmos documentos e planilhas apresentados na ação fiscal que resultou na autuação ora recorrida, a ilustrada Fiscal simplesmente alegou que foram compensados valores maiores do que o "quantum" devido, gerado pelos recolhimentos indevidos, em virtude dos índices utilizados não serem os mesmos da RFB. Mas, em momento algum, a Fiscalização contestou a planilha apresentada pela recorrente que apurou o "quantum" devido a ser compensado, estabelecido com base em título executivo judicial de repetição/compensação de indébito tributário. Conforme ressaltado, e isto não foi objeto de apreciação pelo acórdão recorrido, não houve demonstração, por parte da Fiscalização, de erros nos cálculos aritméticos elaborados pela recorrente, quer seja na digitação de números, aplicação de índices e juros de mora, os quais teriam transbordado os limites da coisa julgada, e, consequentemente, existência de compensações de valores maior do que o crédito reconhecido judicialmente em virtude de indébito tributário. E apesar da documentação e esclarecimentos apresentados, a douta Fiscalização procedeu com uma atualização parcial de valores, parte do período compensado (01/2007 a 13/2011) com parte do indébito (06/1992 a 05/1995), com utilização de índices da RFB, sem apontar as razões pelas quais entendeu que este seria o procedimento determinado no comando judicial, e não os índices aplicados pela recorrente. Dessa forma, não houve nenhum apontamento no sentido de questionar os cálculos realizados para apuração do "quantum" devido, ou seja, crédito a favor da recorrente proveniente de decisão judicial transitada em julgado, se eles foram ou não produzidos em conformidade e dentro dos limites da coisa julgada, e, muito menos, se após a apuração e apropriação contábil desse crédito ("quantum" devido), os critérios de atualização e utilização proporcional do principal e juros para a compensação também teriam transbordado os ditames da sentença proferida no processo em que se discutiu a repetição/compensação do indébito tributário." Não assiste razão a Recorrente. Explico. Não observo a ausência de fundamentação arguida. Ao reverso, ao voltarmos os olhos para o Relatório Fiscal (fls. 41), encontramos: Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.720644/201384 Acórdão n.º 2201003.328 S2C2T1 Fl. 1.773 7 "3.Para fins de verificação da regularidade das compensações efetivadas pela empresa, foram realizadas as seguintes ações fiscais na empresa BRAZSHIPPING, comandas pelo INSS e a Receita Federal do Brasil: 3.1. Diligência Fiscal realizada na empresa Tresele Marítima Ltda dadosconstam do DOC III: 3.1.1. Realizada pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil matrícula 0.954.595, que identificou os valores originários a compensar, correspondente ao período de 10/1989 a 05/1995 Planilha VI 3.2. Ação fiscal encerrada em 24/09/2009 DOC III: 3.2.1Realizada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil matrícula 6.121.826 verificou e validou as compensações efetivadas no período de 01/2005 a 12/2006, incluindo 13/2006 Planilha VII. 3.2.2 Na referida ação fiscal o Auditor reconheceu como corretos os valores compensados pela Brazshipping no período de 01/2005 a 12/2006 tendo sido utilizados os valores recolhidos para a Previdência Social no período de 10/1989 a parte de 06/1992. • Restavam ainda para serem compensados, valores recolhidos em parte da competência 06/1992 e de 07/1992 a 05/1995 Planilha VIII. 3.2.3.Na Planilha VIII, consta o saldo a compensar em 01/2007, para os valores originários passíveis de compensação no período de: parte de 06/1992 a 05/1995,conforme abaixo: Valor recolhido c o l u na C ; índice de Atualização Co l una D; Taxa de Juros Co l una F ; SELIC Co l una K . 3.2.4.Para atualização do vaior originário, foi usado o mesmo critério utilizado pelaReceita Federal do Brasil para restituição das contribuições recolhidasindevidamente, ou seja: até 01/1995 UFIR mensal e a partir de 02/2005 TaxA selic Planilha IX. 3.3. Ação Fiscal realizada pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil matrícula 0.953.910: 3.3.1 Na referida ação fiscal a Auditora cobriu o período de 01/2007 a 12/2007 para verificação, dentre outras, das compensações efetivadas. 3.3.2 Foi reconhecido o direito da empresa compensar os valores informados em GFIP, mas não foram discriminados os Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 valores recolhidos originários que foram utilizados para compensação do período fiscalizado. • Desta forma, as informações geradas neste período não servirão como base para esta fiscalização identificar os saldos originários remanescentes passíveis de compensação. 3.4. Ação Fiscal realizada por esta auditora, para fiscalizar o período de 01/2009 a 13/2011, temos que: 3.4.1 Considerando que a ação fiscal realizada que cobriu o período de 01/2007 a 13/2007 não identificou os valores originários passíveis de compensação; 3.4.2 Considerando que não foi realizada ação fiscal para o ano de 2008, não havendo desta forma identificação dos valores recolhidos originários, passíveis de compensação, utilizados nas compensações efetivadas no ano; 3.4.3 Assim, para permitir a verificação da regularidade da compensação efetivada no período desta fiscalização foi necessário analisar os valores compensados a partir da competência 01/2007, cujos valores originários, passíveis de compensação, correspondem a parte de 06/1992 até 05/1995, conforme Planilha VIII" A simples leitura do trecho transcrito, inclusive indicativo da motivação da ação fiscal e do consequente lançamento, nos permite inferir a fundamentação da autuação. Mister realçar que o Auto de Infração contempla um anexo específico sobre a fundamentação legal do lançamento (fls. 36). Assim, não se observa, como faz crer o recorrente, ausência de apontamento sobre a fundamentação do lançamento. Há no Relatório Fiscal todo o histórico da compensação realizada pelo Recorrente, as fiscalizações ocorridas e mais, os critérios eleitos pela Autoridade Lançadora para a verificação empreendida no procedimento fiscalizatório aqui combatido. E mais, o procedimento do lançamento foi todo detalhado, inclusive com descritivo sobre os cálculos realizados, suas premissas e índices utilizados, além da forma pela qual foi considerado os valores calculados pelo Contribuinte. Tais explicitações constam, com riquezas de detalhes, do itens 4 e 5 do Relatório Fiscal. Do exposto, não observo a ausência de fundamentação arguída. Preliminar rejeitada nessa parte. CERCEAMENTO DE DEFESA Alega a recorrente que: "Em sua impugnação, diante dos argumentos e documentos colacionados, e termos do preceito judicial proferido no processo judicial n° 95.00072904 em que se discutiu a compensação/repetição do indébito tributário, a recorrente entendeu pela necessidade de prova pericial contábil, por se tratar de prova absolutamente indispensável na busca da verdade material." Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.720644/201384 Acórdão n.º 2201003.328 S2C2T1 Fl. 1.774 9 A discussão sobre a necessidade de provas periciais no processo administrativo remonta priscas eras, já sendo há tempos pacificada no âmbito deste colegiado. Até por que sobre tal espécie de prova o Decreto nº 70.235/72 dispõe taxativamente: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." ( os destaques não constam do texto legal) Vejamos o último parágrafo da decisão vergastada, que consta da folha 1728 do processo digitalizado: "Finalmente, quanto ao requerimento para provar o alegado por todos os meios em Direito admitidos, vale destacar que o Decreto nº 70.235, de 1972, o qual rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União estabelece a preclusão do direito de apresentar novas provas documentais, nos termos do §4° do art. 16 do referido Decreto. Ainda, a perícia proposta pelo impugnante deve ser considerada desnecessária, por prescindível para o deslinde do presente julgamento. Isso porque a realização de perícia pressupõe a existência de fatos a serem esclarecidos e que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos." Vejo atendido os comandos do Decreto nº 70.235/72 sobre a requisição de perícia e não observo cerceamento do direito de defesa, nem vício na decisão recorrida, pois atendidos os ditames legais sobre a questão. Concordo com os argumentos da decisão de piso sobre o indeferimento do pedido de perícia formulado, uma vez que não há tecnicismo exagerado no tema em apreço. Meros cálculos aritméticos são necessários para a atualização dos valores a serem compensados. Não obstante, verifico que o primeiro quesito formulado é jurídico, e não é um economista, como o perito indicado, o profissional mais habilitado para a interpretação da norma jurídica. Necessário ainda ressaltar que, não há uma só prova das alegações da Recorrente que modificariam os cálculos apresentados pelo Fisco que ensejaram a glosa de compensação e o consequente auto de infração. Preliminar de cerceamento de defesa rejeitada. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo à analise do mérito, com prévio exame da questão decadencial, pois prejudicial. DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE LANÇAMENTOS HOMOLOGADOS ATÉ 08/2008 DA DECADÊNCIA DA FALTA DE CERTEZA DO CRÉDITO EXIGIDO Sobre o tema, assim se manifesta a Recorrente (fls. 1750) Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 "Isso posto, é necessário tecer algumas considerações acerca da Planilha III do Auto de Infração, na qual se apurou a compensação realizada pelo contribuinte, com base em dados referentes ao período de 01/2007 até 13/2011. Nesta, se utilizou o valor originário a compensar (coluna C), corrigido pelos índices tidos por corretos pela Receita Federal (coluna C x coluna D = coluna E), contrapondoo ao valor compensado pelo contribuinte (coluna 3), declarado em GFIP. Deste encontro de valores se obteve uma diferença entre o crédito apurado e compensado, pelo contribuinte, e o valor que o Fisco entendia ser devedor (coluna O), corrigido na coluna M. Esta diferença foi transportada para os meses subseqüentes (coluna M), de forma que, no entendimento da Receita Federal, o crédito do contribuinte se exauriu na compensação referente à competência 12/2010, sendo que as compensações realizadas após esse período foram glosadas no Auto de Infração ora combatido Ocorre que, tendo vista que a presente fiscalização teve início em 22/08/2013, esta não poderia modificar os lançamentos realizados, e homologados, seja pela fiscalização que apurou os valores compensados em 2007, seja por homologação tácita, anteriores ao dia 23/08/2008. Explicase. Prescreve o artigo 150, §4°, do CTN, que: "Art 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Tendo a presente fiscalização se iniciado em 22/08/2013, todas as compensações realizadas até 23/08/2008, uma vez que decorridos cinco anos, foram homologadas, mesmo que tacitamente, tendo decaído o direito do Fisco de constituir créditos modificando a norma individual e concreta que extinguiu o crédito tributário. Vale lembrar que a decadência é matéria de ordem pública e que pode ser alegada a qualquer tempo. (...) Haja vista a inexistência de qualquer contestação, em momento oportuno, quanto ao procedimento efetivado pelo contribuinte, no que diz respeito ao período anterior a 23/08/2008, lembrandose, inclusive, que foi realizada fiscalização referente Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.720644/201384 Acórdão n.º 2201003.328 S2C2T1 Fl. 1.775 11 às competências de 01/2007 a 13/2007, é incontestável que os valores declarados, naquela época, em GFIP, foram homologados, posto que atingidos pelo «nstituto da decadência, de forma a ser ilegal sua modificação por fiscalização posterior. Ante o exposto, resta cristalino que os valores glosados na Planilha III es ^o corretos, desde o início, uma vez que a diferença apurada em um mês, transportada ao mês subseqüente (coluna M), desconsiderou alguns dos valores ~d coluna J, de forma ilegal, invalidando assim todo o cálculo realizado na referida planilha. Não se verifica a decadência arguida. Não houve constituição de crédito tributário em período anterior aos cincos anos contados da data da cientificação do sujeito passivo do lançamento tributário empreendido. Explico. Como bem mencionado no recurso, aplicase aos casos de compensação, como modalidade extintiva do crédito tributário e nesse sentido similar ao pagamento as regras constantes do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. Porém, no caso em apreço, a constituição do crédito se aperfeiçoou com a cientificação postal do contribuinte em 23 de agosto de 2013 (AR de fls. 373), mas o lançamento contém créditos tributários ocorridos antes do decurso do lapso temporal máximo permitido cinco anos pois, tais créditos são relativos às competências de 12/2010 a 13/2011, como se observa no relatório fiscal (fls. 47): Por amor à clareza, necessário melhor elucidação. O crédito tributário em discussão, como sabido, decorre de glosa de compensação, ou seja, na visão da Autoridade Fiscal não existia crédito do sujeito passivo contra a Administração Tributária. Necessário recordar que a ação fiscal foi empreendida justamente para essa verificação. Voltemos ao Relatório (fls. 40): Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 O trecho transcrito demonstra que todo o período fiscalizado se encontra dentro do período legalmente permitido para que o Fisco constitua o seu direito de crédito. Patente, portanto, que tanto o período fiscalizado quanto o período que foi objeto da glosa das compensações realizadas estão compreendidos dentro do lustro permitido pela Lei. Logo a alegação do Recorrente não pode ser considerada, mas deve ser analisada. Novamente transcrevo trecho da apelação: "Tendo a presente fiscalização se iniciado em 22/08/2013, todas as compensações realizadas até 23/08/2008, uma vez que decorridos cinco anos, foram homologadas, mesmo que tacitamente, tendo decaído o direito do Fisco de constituir créditos modificando a norma individual e concreta que extinguiu o crédito tributário. Vale lembrar que a decadência é matéria de ordem pública e que pode ser alegada a qualquer tempo." (Negrito original. Sublinhado meu) Exatamente esse o entendimento aplicável. O próprio recorrente aplica o instituto da decadência perda do direito de constituição do crédito de forma escorreita. O que se observa é que não houve, de modo algum, desconsideração das compensações homologadas, ao reverso, o que houve foi a glosa das compensações realizadas no período de 12 de 2010 a 13/2011 como mencionado no Auto de Infração (fls 4) Não se pode confundir, como faz o Recorrente, o procedimento de verificação do saldo do crédito acumulado pelo sujeito passivo em função do indèbito tributário reconhecido judicialmente (crédito do sujeito passivo contra a Administração Tributária), com a constituição do crédito tributário decorrente da glosa de compensação (crédito do Fisco contra o sujeito passivo). Esse procedimento sim, retornou ao último período homologado pelo Fisco e com base nesse saldo, efetuou os cálculos necessário para a verificação das compensações realizadas dentro do período de fiscalização. Tal procedimento se encontra explicitado no Relatório Fiscal (item 3.4,fls 42, combinado com o item 5.2, fl. 44). Mister não olvidar que as compensações realizadas antes do período objeto da fiscalização não foram desconsideradas, ao reverso, só se glosou as compensações efetivadas após a constatação da inexistência de saldo (crédito em favor do sujeito passivo) que as possibilitassem. Com tal constatação podese, inclusive, afirmar que o Fisco respeitou sim, ao contrário do que afirma a Recorrente, as homologações anteriores decorrentes de ação fiscal. Portanto, não se observa constituição de crédito tributário referente a período decadencial, tampouco qualquer vício procedimental no lançamento. Prejudicial de mérito rejeitada. QUANTUM" DEVIDO. CRÉDITO APURADO COM BASE EM DECISÃO JUDICIAL Segundo a Recorrente a forma adotada para a correção e atualização dos valores pagos indevidamente à Previdência Social foram definidas na sentença judicial que lhe favoreceu. São seus argumentos (fls. 1747): Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.720644/201384 Acórdão n.º 2201003.328 S2C2T1 Fl. 1.776 13 "Isso posto, é necessário ressaltar que o acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, que substituiu a sentença de primeiro o grau proferida naquele processo, estabeleceu o direito do contribuinte de repetir/com pensar os valores recolhidos a título de contribuição previdenciária, com correção monetária a ser aplicada nos termos da súmula 46 do TFR, além de determinar a incidência de juros de mora nos termos do parágrafo único do artigo 167 do CTN. A decisão recorrida, a despeito das alegações tecidas na Impugnação, entendeu terem sido utilizados pela autoridade lançadora índices em consonância com a decisão judicial, o que é um equívoco!! Dessa forma, é interessante ressaltar que a decisão judicial em comento estabeleceu os seguintes parâmetros para a atualização do crédito do contribuinte: Súmula n.° 46 TFR: Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição do indébito tributário, a correção monetária e calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada. Juros de mora a partir do trânsito em julgado da sentença, definitiva, nos termos do artigo 167, parágrafo único, do Código Tributário Nacional." (Negritei o segundo parágrafo e sublinhei os demais) Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 1723): Verificase, do exposto, que a atualização e correção dos valores pagos indevidamente pelo contribuinte foram abordados somente na sentença proferida em primeira instância. Esta se refere expressamente à restituição das quantias pagas indevidamente, determinando a observância do parágrafo único do art. 167 do CTN e da Súmula nº46 do TFR, abaixo transcritas: (...)" Questiono: do exposto, tanto na Súmula do TRF quando no CTN, o que não foi considerado pela Autoridade Fiscal? Houve aplicação de correção monetária desde o pagamento indevido até a efetiva compensação, o que demonstra a observância à mencionada súmula. Constato também o cálculo de juros de mora, nos termos da legislação tributária, o que dá concretude ao comando do Códex tributário. Mister realçar que a súmula garante a reposição da perda decorrente do poder de compra da moeda, de seu valor real, a chamada correção monetária. O texto sumular é claro no sentido da aplicação do índice de correção desde o depósito ou pagamento indevido até o efetivo recebimento que se dá, no caso concreto, quando da compensação. Ora, foi exatamente esse o critério adotado pelo Fisco. Recordemos (fls 41): Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 "3.2.3.Na Planilha VIII, consta o saldo a compensar em 01/2007, para os v a l o r e s o r i g i n á r i o s p a s s í ve i s d e c ompens a ção no p e r í o do de : p a r t e d e 06 / 199 2 a 0 5 / 1995 , conforme abaixo: Valor recolhido c o l u na C ; índice de Atualização Co l un a D; Taxa de Juros Co l un a F ; SELIC Co l una K . 3.2.4.Para atualização do vaior originário, foi usado o mesmo critério utilizado pelaReceita Federal do Brasil para restituição das contribuições recolhidas indevidamente, ou seja: até 01/1995 UFIR mensal e a partir de 02/2005 Tax Selic Planilha IX Quanto ao cumprimento do comando codicista, esculpido no artigo 167, verifico que houve a aplicação de juros sobre o valor do indébito, como se pode confirmar no item 3.2.3 acima, que explicitamente calcula na Coluna F a taxa de juros aplicável. Logo, não observo na atuação da Administração Tributária nenhum tipo de descumprimento da norma individual e concreta determinada pela sentença judicial transitada em julgado. Ao reverso, vejo, por parte da Autoridade Fiscal, a compatibilização das disposições constantes da sentença com as prescritas na lei tributária. Recurso negado nessa parte, CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos mencionados, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário em sua inteireza. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.004781/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência:
Para a Contribuinte apresentar, em 30 (trinta) dias, contados da publicação desta Resolução, informações tabuladas e específicas para cada infração, devidamente acompanhadas das respectivas provas, nos termos apresentados na fundamentação deste ato decisório;
Em seguida, sejam os autos remetidos à DRF competente para a realização da diligência, a qual será executada por servidor diverso daquele que lavrou o auto de infração e realizou a primeira diligência. Após a análise dos argumentos e provas apresentados pela Contribuinte, nos termos do item imediatamente anterior, deve o servidor designado apresentar observações inicias e solicitar informações e documentos complementares à Contribuinte, dando-lhe prazo de 30 (trinta) dias para tanto;
Transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, deve o servidor designado apresentar relatório conclusivo, analisando os documentos e provas apresentados pela Recorrente;
Em seguida, deve ser oportunizada a manifestação da Contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias; e
Por fim, os autos devem ser remetidos ao e. CARF.
(assinado digitalmente)
ROBERTOM CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RONALDO APELBAUM Redator Designado ad hoc.
EDITADO EM: 05/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luiz Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência: (i) Para a Contribuinte apresentar, em 30 (trinta) dias, contados da publicação desta Resolução, informações tabuladas e específicas para cada infração, devidamente acompanhadas das respectivas provas, nos termos apresentados na fundamentação deste ato decisório; (ii) Em seguida, sejam os autos remetidos à DRF competente para a realização da diligência, a qual será executada por servidor diverso daquele que lavrou o auto de infração e realizou a primeira diligência. Após a análise dos argumentos e provas apresentados pela Contribuinte, nos termos do item imediatamente anterior, deve o servidor designado apresentar observações inicias e solicitar informações e documentos complementares à Contribuinte, dandolhe prazo de 30 (trinta) dias para tanto; (iii) Transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, deve o servidor designado apresentar relatório conclusivo, analisando os documentos e provas apresentados pela Recorrente; (iv) Em seguida, deve ser oportunizada a manifestação da Contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias; e (v) Por fim, os autos devem ser remetidos ao e. CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 78 1/ 20 09 -8 6 Fl. 9137DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.137 2 (assinado digitalmente) ROBERTOM CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) RONALDO APELBAUM – Redator Designado “ad hoc”. EDITADO EM: 05/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luiz Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário (fls. 8.820/8.920 e docs. 8.921/9.096) interpostos contra o Acórdão nº 1640.864 (fls. 8.753/8.810), proferido pela 4ª Turma da DRJ/SP1, na Sessão de 23 de agosto de 2012, que, por unanimidade, julgou o Auto de Infração procedente em parte. Em apertada síntese, a fiscalização imputou à Contribuinte quatro infrações e, como consequência: i) arbitrou o custo do estoque de produtos acabados na posição de 31/12/2004 por entender que o sistema de contabilidade de custos da empresa não estava integrado e coordenado com o restante da escrituração. Feito o arbitramento, o custo do estoque de produtos acabados na posição de 31/12/2004 passou a ser R$ 5.353.792,91 superior ao escriturado pela empresa. Em consequência, o Auditor entendeu que a empresa, no AC 2004, elevou seu CPV em R$ 5.353.792,91; ii) glosou custos no valor de R$ 2.725.928,68 – conta de estoque com saldo credor: tendo identificado contas de estoque de matériasprimas com saldo credor, os quais a Contribuinte não conseguiu explicar, o Sr. AFRF entendeu que houve “majoração indevida de custos, não considerada como Fl. 9138DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.138 3 postergação”. Aparentemente, a fiscalização entendeu que a empresa considerou em seu resultado o mesmo valor do estoque negativo iii) glosou custos no valor de R$ 93,9 milhões – ajustes manuais: o valor do custo constante no sistema de contabilidade de custos, antes de ser levado ao resultado, foi ajustado manualmente pela empresa, ora para elevar o seu valor (R$ 115 milhões), ora para diminuílo (R$ 101 milhões). Desses ajustes, o custo levado para o resultado foi R$ 14 milhões superior ao constante no sistema de contabilidade de custo. O Sr. AFRF alegou que “os valores de débito não guardavam qualquer relação com os valores a crédito” e, em conclusão, glosou R$ 93,9 milhões (R$ 101 milhões – R$ 7 milhões glosado em outro PAF1) valor esse referente aos ajustes que aumentavam o CPV; e iv) glosou custos no valor de R$ 11,9 milhões – custos de manutenção: entendeu que a Contribuinte não rateou os dispêndios de manutenção entre os produtos vendidos e os produtos mantidos em estoque ao final do exercício, apropriandose integralmente no CPV. Em sede de impugnação, a Contribuinte apresentou justificativas, contra argumentando as infrações imputadas; juntou, nesse caminho, aproximadamente oito mil laudas de documentos. Observando os pontos levantados, bem como a grande quantidade de documentos juntados, a DRJ/SP1 determinou a realização de Diligência. Ao analisar a documentação, a autoridade diligenciadora concluiu pela manutenção da maior parte das infrações, afastando apenas parte das glosas do custo de manutenção e dos ajustes manuais. O Acórdão da DRJ/SP1 seguiu integralmente o Relatório de Diligência. A Contribuinte apresentou então Recurso Voluntário. Registramos ainda que durante a fiscalização foram lavrados quatro Termos de Constatação, os quais descrevemos abaixo. Cada um destes Termos gerou um processo apartado, sendo que apenas o quarto compõe o processo ora relatado. Termo de Constatação Nº Data Causa Valor (R$) Observação 1 19515.007794/200826 Fl. 9139DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.139 4 1 27/03/09 Glosa de custos operacionais. 7.385.315,24 Folhas 278/283. PAF nº 19515.007794/2008262. 2 17/07/09 Glosa adição indevida de Prejuízo Fiscal. 16.533.871,59 Folhas 609/622. PAF nº 19515.002638/2009503. 3 24/08/09 Compensação indevida a maior do Lucro e Multas Isoladas. 6.429.290,56 Folhas 636/643. PAF nº 19515.003366/2009134. 4 16/12/09 Diversos Folhas 792/795. Compõe o presente processo. Além desses processos supra indicados, que decorreram dos Termos de Constatação nº 1, 2 e 3, é possível indicar ainda os processos administrativos de nº 13807.001293/2003605, 11610.005281/2009866, 13807.001758/2003827 e 19515.720322/2012498. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Relator João Carlos de Figueiredo Neto 1. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 2º, incisos I e II9, do Anexo II ao Regimento Interno do CARF, processos cujo objeto seja auto de infração lavrado para exigência de IRPJ e de CSLL são da competência desta Primeira Seção. 2 Conforme informações do sistema COMPROT, esse Processo Administrativo Fiscal foi movimentado pela última vez em 08/04/2011, estando atualmente localizado na EQ CONTROLE COBRANCA CRED TRIB DERATSPO. 3 Recurso Voluntario provido, por unanimidade de votos, em 30/03/2011, pela 1ª Seção3ª Câmara1ª Turma Ordinária. A decisão foi publicada na mesma data. Decidiuse que “o auto de infração lavrado com base nas informações do SAPLI não pode ser julgado procedente caso o contribuinte apresente esclarecimentos e provas que justifiquem a divergência”. 4 Recurso Voluntário provido em parte, por maioria de votos, em 03/02/2015, pela 1ª Seção1ª Câmara2ª Turma Ordinária. A decisão foi publicada em 08/04/2015. Decidiuse cancelar a exigência de multa isolada por não recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Marcos Vinicius Ottoni e Marcelo Baeta Ippolito. Atualmente, aguardase julgamento dos Embargos de Declaração. 5 Conforme informação do Comprot, este processo referese à DCOMP e encontrase na “EQ ANALISE PROC TRIB DIVERSOSDERATSPO” desde 13/02/2015. 6 Não foi possível identificar o objeto deste processo. 7 Conforme informação do Comprot, este processo referese à DCOMP e encontrase na “EQ ANALISE PROC TRIB DIVERSOSDERATSPO” desde 13/02/2015. 8 Conforme informação do Comprot, este processo referese ao Auto de Infração de IRPJ e encontrase na “DIV FISCALIZACAO INDUSTRIA2DELEXSPOSP” desde 21/03/2014. 9 Art. 2° À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); Fl. 9140DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.140 5 No que tange à legitimidade, o Recurso Voluntário está assinado (fls. 8820 e 8920) por advogados que receberam seus poderes por meio de substabelecimento (fl. 942/943), cujo outorgante recebeu, por sua vez, seus poderes por meio de procuração pública (fls. 944/945) Quanto à tempestividade, registrase que a decisão da DRJ, proferida em 23/08/2012 (fl. 8753), foi disponibilizada no sistema eCAC em 15/10/2012 (fl. 8819), sendo que a Contribuinte a abriu no referido sistema em 16/10/2012 (fl. 8818). Registramos que o prazo de defesa começou a correr, entretanto, em 30/10/2012, i.e., quinze dias após a disponibilização no sistema, eis que vigia à época dos fatos o art. 23, §2º, III, do Decreto nº 70.235/72 com redação dada pela Lei nº 11.196/2005: Art. 23. ... § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; A alteração legislativa do art. 23, §2º, III, do Decreto nº 70.235/72 promovida pela Lei 12.844/2013, publicada em 19/07/2013, que determinou a contagem do prazo a partir da abertura da decisão no sistema ECAC, somente entrou em vigor após a disponibilização da intimação e após, inclusive, o próprio protocolo do recurso voluntário, que ocorreu no dia 12/11/2012 (fl. 8820), razão pela qual ela é inaplicável. Portanto, tendo em vista que o prazo de 30 dias estabelecido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/72 começou a ser contado em 30/10/2012, uma terçafeira, ele venceria no dia 29/11/2012, uma quintafeira. No presente caso, tendo sido protocolado em 12/11/2012, tempestivo o recurso voluntário. Por outro lado, no que se refere ao Recurso de Ofício, o art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 determina que a autoridade de primeira instância recorrerá sempre que exonerar valor de tributos e encargos de multa em valor igual ou superior a montante determinado por ato do Ministério da Fazenda. Por sua vez, a Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, fixou o limite de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Considerando que a 4ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade, decidiu exonerar o valor de R$ 12.600.383,31 (fl. 8810), restou ultrapassado II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 9141DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.141 6 o limite de alçada e, como consequência, restou preenchido o requisito exigido para o Recurso de Ofício. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF do Recurso Voluntário e do Recurso de Ofício, deles tomo conhecimento. 2. DA REUNIÃO DOS PROCESSOS A Contribuinte pleiteou a reunião deste processo com os processos administrativos nº 19515.003366/200913, 19515.007794/200826 e 19515.002638/200950, “para que não sejam proferidas decisões conflitantes no tocante a compensação do saldo prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL” – fl. 8896. Registramos que a explicação de cada um destes processos se encontra no início do relatório deste voto na tabela que foi elaborada. Convém observar que o processo nº 19515.002638/200950 já foi julgado neste e.CARF, como indicou a própria contribuinte, de sorte que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário. Igualmente, já foi julgado o processo nº 19515.003366/200913, estando pendente o julgamento dos embargos de declaração. No acórdão nº 1102001.286, de 03/02/2015, a antiga 2ª TO da 1C1S deu provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte. Por fim, o processo nº 19515.007794/200826, conforme informações obtidas no sistema COMPROT, foi movimentado pela última vez em 08/04/2011, estando localizado na EQ CONTROLE COBRANCA CRED TRIBDERATSPO. Sobre a reunião de processos em diferentes estágios, estabelece o artigo 6º, § 2º, do Anexo II do RICARF que, já tendo sido proferida decisão, não cabe o julgamento conjunto dos processos. Confirase: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 9142DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.142 7 II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Assim, tendo em vista que dois dos processos já foram levados a julgamento e que o terceiro nem sequer chegou ao CARF, impossível dar provimento a esse pleito da Contribuinte. 3. DA DILIGÊNCIA A Contribuinte solicitou a realização de diligência em sua Impugnação, indicando perito e quesitos (fls. 936/937), em conformidade com a determinação do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Tendo recebido a Impugnação acompanhada de volumosa documentação, a DRJ determinou a realização de diligência para possibilitar a análise das quase oito mil laudas de provas juntadas, “propiciando as condições necessárias ao julgamento do contencioso administrativo fiscal” (fl. 7957). Nestes termos, ordenou a devolução dos autos à DRF para que o autor do procedimento fiscal analisasse a documentação juntada e os argumentos trazidos pela Contribuinte. Permitiu ainda a realização de outras diligências ou procedimentos que a autoridade diligenciadora entendesse necessários. Feita a diligência, a autoridade fiscalizadora elaborou relatório (fls. 8650/8688); a Contribuinte, intimada do mesmo, manifestouse (fl. 8698/8715), apontando que a diligência extrapolou sua competência, tratando de temas que não foram devolvidos à DRF, como a questão do arbitramento dos estudos de produtos. No acórdão recorrido, a DRJ acatou boa parte das conclusões alcançadas na diligência. A Contribuinte, insatisfeita com a fiscalização e com a análise dos documentos apresentados, reafirmou, em seu Recurso Voluntário, a necessidade de realização Fl. 9143DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.143 8 de nova diligência. Conforme argumenta, a autoridade fiscalizadora extrapolou os limites da diligência estabelecida e a análise documental foi insuficiente. A fim de analisar a necessidade de realização de diligência à luz do caso, convém apresentar tabela com todas as provas apresentadas ao longo da fase litigiosa (não incluiremos na relação as procurações, atos societários, cópias de autos de infração e outros documentos que não têm vínculo direto com as infrações, com objetivo de simplificar a tabela): Sumário dos Documentos Apresentados Impugnação Número Documentos Referente a Fls. 3 Razão e nota explicativa Ajustes Manuais – lançamentos equivocados corrigidos posteriormente. 1.019/1.022 4 Nota explicativa, documentos sobre exportação com Cargill Agrícula S/A, notas fiscais, extrato bancário, registros Siscomex. Ajustes Manuais – correção de performance de exportação. 1.027/1.054 5 Nota explicativa, folhas do livro razão e notas fiscais Ajustes Manuais – correção de contabilização de aquisição de maquinário. 1.055/1.067 6 Demonstrativo de operação industrial, notas fiscais e folhas do livro razão. Ajustes Manuais – correção de contabilização do recebimento de celulose de terceiros. 1.068/1.161 7 Vols. A e B Notas explicativas, folhas do livro razão, explicação dos ajustes manuais de remessa para porto e exportação, notas fiscais, resumos de contascontábeis de composição do CPV e de remessa de mercadorias para porto/exportação. Ajustes Manuais – correção de contabilização de exportação de bobinas. Doc. 7A, fls. 1.162/ 1.69710 e doc. 7B, fls. 1.698/2.17911 8 Nota explicativa, folhas do livro razão, diário auxiliar de estoque. Ajustes Manuais – correção de contabilização de vendas devolvidas. 2.180/2.238 9 Nota explicativa. Ajustes Manuais – correção de contabilização de bonificação de celulose. 2.239/ 2241 10 Boa parte desta documentação é Nota Fiscal, e está dividida em três lotes, o primeiro de fls. 1.162/1.345, o segundo de fls. 1.346/1.538 e o terceiro de fls. 1.539/1.698. 11 Novamente, boa parte é Nota Fiscal, o primeiro de fls. 1.698/1.897, o segundo de fls. 1.898/2.180. Fl. 9144DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.144 9 10 Contrato de promessa de compra e venda. Ajustes Manuais – correção de contabilização de mútuo. 2242/2252 11 Xerox de um CDROM, nota explicativa, composição de conta contábil nº 01137001, sumário de efeitos da venda para entrega futura. Ajustes Manuais – correção de contabilização de vendas para entrega futura. 2.253/2.345 12 Folhas do livro razão, diário auxiliar de estoque, tabela de referência dos lançamentos, notas fiscais (conta 3221001) Despesas com manutenção. 2.346/2.72712 13.1 Conta 01134030: Balancete, folhas do livro razão e diário auxiliar de estoque. Comprovação de saldo credor em conta de estoque. 2.728/2.75213 13.2 Contas 01139003, 01139009 e 01139012: Balancete, folhas do livro razão, diário auxiliar de estoque e notas fiscais. Comprovação de saldo credor em conta de estoque. 2.753/2.87814 13.3 Conta 01137001: balancete, folhas do livro razão, diário auxiliar de estoque e notas fiscais. Comprovação de saldo credor em conta de estoque. 2.879/7.19815 13.4 Conta 01139007: balancete, folhas do livro razão, diário auxiliar de estoque e notas fiscais. Comprovação de saldo credor em conta de estoque. 7.199/7.38016 12 Razão contábil – fls 2.347/2.676; Diário Auxiliar de Estoque – fls. 2.677/2.722; Referência dos Lançamentos – fl. 2.723; e Notas Fiscais – fls. 2.724/2.727 13 Balancete – fl. 2.730; Composição de Saldos – fl. 2.731; Razão Contábil fls. 2.732/2.747; Diário Auxiliar – fl. 2.748/2.752 14 Balancete – fl. 2.755; Composição de Saldos – fl. 2.756; Razão – conta 01139003 – fls. 2.757/2.765; Diário Auxiliar – conta 01139003 – fls. 2.766/2.844; Notas Fiscais fls. 2.845/2.850; Razão – conta 01139009 – fls. 2.851/2.852; Diário Auxiliar conta 01139009 – fls. 2.853/2.855; Notas Fiscais – fls. 2.856/2.862; Razão – conta 01139012 – fls. 2.863/2.864; Diário Auxiliar conta 01139012 – fls. 2.865/2.866; Referência dos Lançamentos nos Livros Razão e Diário – das três contas – fl. 2.867; Outros documentos e Notas Fiscais – fls. 2.868/2.878. 15 Balancete – fl. 2.881; Composição de Saldos – fl. 2.882; Razão – fls. 2.883/2.912; Referência dos Lançamentos nos Livros Razão e Diário – fl. 2.913; Notas Fiscais – fls. 2.914/2.919; Diário Auxiliar/livro 1 – fls. 2.920/3.326, Diário Auxiliar/livro 2 – fls. 3.327/3.733, Diário Auxiliar/livro 3 – fls. 3.734/4.140, Diário Auxiliar/livro 4 – fls. 4.141/4.547. Diário Auxiliar/livro 5 – fl. 4.548/4.919, Diário Auxiliar/livro 6 – fl. 4.920/5.361, Diário Auxiliar/livro 7 – fls. 5.362/5.768, Diário Auxiliar/livro 8 – fl. 5.769/6.176, Diário Auxiliar/livro 9 – fls. 6.177/6.583, Diário Auxiliar/livro 10 – fls. 6.584/6.991, Diário Auxiliar/livro 11 – fls. 6.992/7.198. 16 Balancete – fl. 7.201; Composição de Saldos – fl. 7.202; Razão – fls. 7.203/7.236; Diário Auxiliar/livro 1 – fls. 7.237/7.370; Referências dos Lançamentos nos Livros Razão e Diário – fl. 7.371; Notas Fiscais – fls. 7.372/7.380. Fl. 9145DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.145 10 14 Certidão de Objeto e Pé e Extrato de andamento do processo judicial Não limitação da trava de 30% 7.381/7.384 15 DIPJ anoscalendários de 2004 a 2008 Postergação do pagamento. 7.385/7.94817 Petições – Diligência Estoques Acabados Arbitramento dos Estoques de Produtos Acabados 7982 Balancete 01/12/2004 a 31/12/2004 7983/7992 Razão 2004 e Conciliação do Razão Contábil com CPV publicado 7993/8647 Recurso Voluntário 1 Acórdãos judiciais da TRF3ª Região e STJ Trava de 30% 8989/9009 2 Pareceres: Paulo Henrique dos Santos Lucon; Leite Tosto e Barros; e Cleide Previtalli Cais Trava de 30% 9010/9073 3 Acórdão CARF nº 1301521 Trava de 30% e existência de prejuízo fiscal 9074/9094 Analisando o relatório de diligência em confronto com o quadro acima, percebese que a autoridade fiscalizadora não se pronunciou sobre todas as provas, além de ter sido omissa no que toca à comprovação das glosas de custo em decorrência dos ajustes manuais. Importante registrar também, que o Sr. AFRF, no item “6.3. Glosa de Custos – Ajustes Manuais – R$ 93.994.451,73”, mais especificamente nos subitens “c” e “d”, alegou 17 DIPJ – anocalendário 2004 – fls. 7.386/7.548; DIPJ – anocalendário 2005 – fls. 7.549/7.648; DIPJ – anocalendário 2006 – fls. 7.649/7.739; DIPJ – anocalendário 2007 – fls. 7.740/7.825; DIPJ – Retificadora – anocalendário 2008 – fls. 7.826/7.870 Ementário DRJ – fls. 7.871/7.872; Pareceres – fls. 7.873/7876 DIPJ – Retificadora – anocalendário 2008 – fl. 7.877/7.948. * Observo que a numeração manual segue direto na DIPJ, sendo as folhas de numeração manual 7.825 e 7.826, respectivamente as folhas digitais nº 7.870 e 7.877. Em outras palavras, as fls. 7.871/7.876 não receberam numeração manual. Fl. 9146DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.146 11 que a contribuinte apresentou justificativas e documentos apenas para o montante de R$ 43.439.900,14, destrinchandoos em cinco categorias. Afirmou expressamente no subitem “e” que “o contribuinte não apresentou quaisquer justificativas e comprovação para os débitos de R$ 88.320.045,02, relativos a ajustes manuais apropriados no CPV” (fl. 8680). Primeiro, registrase que não é contraditório o relatório, em que pese a escolha das palavras utilizadas. A autoridade diligenciadora quis afirmar que a Contribuinte tentou justificar R$ 43.439.900,14; contudo, do valor total glosado, aceitou a justificativa para apenas R$ 5.674.406,71, o que significa que a Contribuinte não teria conseguido comprovar o montante de R$ 88.320.045,02. Segundo, analisando o recurso voluntário, que apresentou os mesmos argumentos já suscitados na impugnação, percebemos que o montante de R$ 43.439.900,14, que a autoridade diligenciadora indica como “justificado” é apenas o primeiro dos nove agrupamentos que a Contribuinte busca comprovar. A recorrente dedica quase onze laudas da sua petição a este CARF (fls. 8853/8864) neste intento, montante um pouco maior do que aquele dedicado na impugnação (fls. 875/882). Observamos que, no item 5 (exportação de bobinas), por exemplo, que a Contribuinte buscou comprovar ajustes manuais a débito em conta de custo. Segundo explicou, os produtos que seriam exportados eram enviados inicialmente par um armazém geral no porto. Assim, como os produtos continuavam em sua propriedade, o sistema não se apropriava dos custos destes produtos no momento da saída do estabelecimento fabril. Em verdade, essas bobinas ficavam lançadas em conta de estoque próprio em poder de terceiros. Contudo, ao efetivar a exportação, era necessário realizar ajustes manuais na conta de CPV para apropriar se do custo de produção dessas bobinas. Como prova, indicou o bloco de documentos denominado “Doc. 7” (fls. 1162/2179). Efetivamente, dentro desse bloco de provas, constam diversas notas fiscais (e.g. fls. 1173/1210; 1214/1273; 1428/1479; 1897). Analisandoas por amostragem, percebemos que muitas delas efetivamente descrevem o envio de mercadorias para Armazém Geral / Alfandegário (fls. 1214/1217; 1251/1260, etc.), e que outras dessas notas fiscais confirmam a remessa da mercadoria para o exterior, por exemplo Miami (fl. 1218), Ciudad de Mexico (fl. 1220), Santo Domingo (fl. 1261), etc. Fl. 9147DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.147 12 A despeito de não ser possível identificar se os valores indicados nas notas fiscais compuseram os lançamentos glosados, entendo que restou demonstrada a verossimilhança das alegações a justificar a realização de nova diligência. Ressalto que a primeira diligência foi incompleta e inconclusiva, afinal, como dito acima, analisando o relatório de diligência em confronto com o quadro acima, percebese que a autoridade fiscalizadora não se pronunciou sobre todas as provas, além de ter sido omissa no que toca à comprovação das glosas de custo em decorrência dos ajustes manuais. Assim, proponho que a Contribuinte apresente, em 30 (trinta) dias, contados da publicação desta Resolução, informações tabuladas e específicas para cada infração, devidamente acompanhadas das respectivas provas, nos termos que serão apresentados nos tópicos seguintes de cada infração. Em seguida, sejam os autos remetidos à DRF competente para a realização da diligência, a qual será executada por servidor diverso daquele que lavrou o auto de infração e realizou a primeira diligência. Após a análise dos argumentos e provas apresentados pela Contribuinte, nos termos do parágrafo imediatamente anterior, deve o servidor designado apresentar observações inicias e solicitar informações e documentos complementares à Contribuinte, dandolhe prazo de 30 (trinta) dias para tanto. Transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, deve o servidor designado apresentar relatório conclusivo, analisando os documentos e provas apresentados pela Recorrente. Em seguida, deve ser oportunizada a manifestação da contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias. Por fim, os autos devem ser remetidos ao e. CARF. Para facilitar o encaminhamento da diligência, principalmente para a Contribuinte, seguem observações iniciais aos argumentos e provas presentes nos autos. Antes, também, fazse necessário discorrer sobre a postergação do pagamento do tributo. 4. DA POSTERGAÇÃO DO TRIBUTO Entendo que houve postergação de pagamento do tributo em três das quatro infrações, quais sejam: · Glosa de “despesa” de manutenção no valor de R$ 11,9 milhões – 10,5% do valor do auto de infração levada ao CPV sem rateio; Fl. 9148DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.148 13 · Arbitramento e, em seguida, glosa de custo no valor de R$ 5,3 milhões – 4,7% do valor do auto de infração em decorrência de subavaliação de estoque de produtos acabados; e · Glosa de custo no valor de R$ 2,7 milhões – 2,4% do valor do auto de infração em decorrência de o estoque de matéria prima estar negativo. Assim encaminharia o meu voto, uma vez que a autoridade lançadora não recompôs o lucro real dos exercícios subsequentes para averiguar a existência de postergação de pagamento do tributo Por tal motivo, em tese, os documentos relacionados a tais infrações não necessitariam ser objeto da diligência. Todavia, considerando que no retorno da diligência, todos os pontos controvertidos devem ser julgados novamente, nos termos do art. 63, § 5º do RICARF, é possível que o colegiado naquela oportunidade tenha outra composição e entendimento, o que justificaria a realização de nova diligência, vejamos: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Considerando que não haverá prejuízo nem ao Fisco nem à Contribuinte, por aplicação do princípio da eficiência, voto pela realização da diligencia para todos os itens do auto de infração. 5. ENCAMINHAMENTOS DA DILIGÊNCIA POR INFRAÇÃO 5.1 Infração 01 Glosa no CPV no valor de R$ 93,9 milhões – 82,4% do valor do auto de infração Fl. 9149DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.149 14 Tendo identificado “milhares de AJUSTES MANUAIS, a débito e a crédito” (fl. 794), feitos à margem do sistema de custos, a autoridade fiscal, considerando que tais ajustes não são usuais quando a empresa se utiliza de Sistema de Custos Integrado à Contabilidade, intimou a Contribuinte a esclarecer e comprovar a razão desses ajustes. Para facilitar o trabalho, tendo em vista que eram milhares ajustes, deixou claro que contentarseia com o esclarecimento apenas daqueles lançamentos com valores superiores a R$ 100.000,00, os quais totalizavam APENAS 232. Entendendo a fiscalização que a Contribuinte não apresentou as provas necessária, glosou tais valores. A DRJ, após a realização de diligência, manteve parcela significativa do lançamento. Em suas petições, a Contribuinte afirmou que os ajustes manuais – tanto aqueles a crédito, que diminuíam o custo, quanto os ajustes a débito, que aumentavamno – eram normais e necessários para a correção dos equívocos da contabilidade. Pois bem. Como dito em tópico acima, proponho o encaminhamento dos autos em diligência. Para esta infração, devem ser apresentadas, em 30 (trinta) dias, contados da publicação desta Resolução, explicações específicas dos 232 (duzentos e trinta e dois) ajustes manuais, tanto os a crédito, quantos os a débito, contendo, pelo menos, os seguintes itens: Item R$ Ajuste Manual Natureza Explicação Provas 01 7.385.315,24 Débito “Os insumos eram consumidos no processo produtivo antes da entrada da nota fiscal de venda do fornecedor, com base na nota fiscal de remessa registrada na entrada das mercadorias. No decorrer do mês era apurado o consumo dos insumos em consignação, para emissão posterior das notas fiscais de retorno e com base nisso os fornecedores emitirem notas fiscais de venda. Como essas notas fiscais de vendas emitidas pelos fornecedores eram recebidas somente nos meses subsequentes, era realizado um lançamento efetuado para anular o efeito do CPV dos itens consumidos sem a devida nota fiscal de venda”. (...) Fls. XX Nota fiscal de remessa; Fls. XX – Nota Fiscal de venda; Fls. XX – Memória de cálculo do lançamento efetuado para anular o efeito do CPV dos itens consumidos sem a devida nota fiscal; Fls. XX – Identificação do estorno na Planilha de Ajustes Manuais apresentada pelo AuditorFiscal. Fl. 9150DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.150 15 No mês seguinte o lançamento era estornado, com o lançamento a débito no resultado, pois o fornecedor já havia emitido a nota fiscal de venda.” 02 03 Deve a Contribuinte considerar, também, as seguintes observações aos argumentos apresentados na Impugnação e no Recurso Voluntário. Essas observações restringirseão aos lançamentos À DÉBITO, afinal o Sr. AFRF consignou no TVF que “analisando mais detalhadamente esses lançamentos, verificamos que os ‘à débito’ nada tem a ver com os ‘à crédito’, ou seja, não se tratam de acertos de erros do Sistema de Custos” (fls. 775/6). Todavia, como já dito acima, deve a Contribuinte provar que os lançamentos à crédito estão relacionados àqueles citados pelo Sr. AFRF às fls. 775 (ajustes manuais a débito). Feitos tais esclarecimentos, passemos à análise preliminar dos argumentos e provas apresentados: 1º Argumento da Contribuinte: Lançamentos equivocados e posteriormente corrigidos por estorno para anular efeito fiscal: indicou como provas o bloco denominado doc. 3 da impugnação (fls. 1019/1022), ressaltando que aproximadamente 50% dos ajustes estão nesse item. Explicou que se tratavam de lançamentos realizados por equívoco do operador ou de parametrização do sistema contábil, sendo então necessário realizar “lançamentos contábeis a crédito e débito nas mesmas contas e nos mesmos valores, de forma a anular qualquer efeito fiscal e contábil que esses erros pudessem causar” (fl. 8854). Apresentou ainda tabela de confronto dos lançamentos indicados nos Anexos 1 e 2 do Auto de Infração, indicando o total de R$ 43.439.900,14 de estornos. Enfim, ressaltando que o valor de R$ 5.674.406,71 já fora aceito, pede o cancelamento do restante. Provas apresentadas: Duas folhas de “Notas Explicativa”, contendo indicação da conta de movimentada, a data, o histórico, a conta de contrapartida, o valor movimentado e a justificativa; e Uma lauda do Livro Razão. Valoração das provas: Fl. 9151DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.151 16 Em primeiro lugar, é verdade que alguns dos lançamentos de “ajuste” são feitos no dia seguinte ao primeiro lançamento, supostamente equivocado muitos dos “ajustes” foram realizados com um mês ou mais de diferença. Em segundo lugar, a Contribuinte deveria ter indicado qual o verdadeiro lançamento que almejava realizar, para assim dar indício de que se tratou de mero erro, o que não foi feito. Em terceiro lugar, são inúmeros os lançamentos supostamente equivocados, totalizando mais de quarenta milhões de reais realizados a débito e idêntico valor lançado a crédito. Isso, por si só, já torna frágil a confiança de que se tratou de mero erro no lançamento. 5ª Argumento da Contribuinte: Lançamentos de exportação de bobinas: indicou como provas o bloco denominado doc. 7 (fls. 1162/2179). Tratase de lançamento a débito na conta de custo, i.e., aumentaa, diminuindo consequentemente o lucro. Nesse ponto, a Contribuinte explicou a seguinte operação: fabricava bobinas para exportação. Tendo em vista o volume produzido, enviava a mercadoria em lotes para um armazém geral no porto. Nessa etapa, como o produto ainda era seu, o sistema não se apropriava do custo da mercadoria como CPV. Após a reunião de alguns lotes no armazém geral, realizava a exportação. Contudo, segundo argumenta, no momento dessa exportação, o sistema de contabilidade de custos também não apropriava o custo dos produtos exportados (vendidos), posto que já não estavam no estoque de produtos acabados. Assim, era necessário realizar ajuste manual a débito no CPV para apropriarse desses custos. Concluiu, então, que o valor do ajuste manual era o custo efetivo da mercadoria e que, portanto, deveria ser deduzido do Lucro Real. Porquanto tratase de lançamento a débito, i.e., que aumenta o custo e diminui o lucro, necessário analisar se a Contribuinte apresentou provas suficientes e necessárias. Provas apresentadas: · Inúmeras notas fiscais que demonstram o envio de mercadorias do estabelecimento industrial para o armazém geral no porto; Fl. 9152DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.152 17 · Inúmeras notas fiscais que demonstram a exportação de mercadorias do armazém geral para diversos países do mundo; · Uma folha de Nota Explicativa; · Razão; · Nota Explicativa dos Ajustes Manuais no CPV de remessa para o Porto/Exportação do período de janeiro a setembro 2004; · Nota Explicativa dos Ajustes Manuais no CPV de remessa para o Porto/Exportação do período de outubro a dezembro de 2004; · Ajustes Manuais no CPV de remessa para o Porto/Exportação do período de janeiro a dezembro de 2004; Valoração das provas: Diversas notas fiscais comprovam o envio de mercadorias para Armazém Geral / Alfandegário (fls. 1214/1217; 1251/1260, etc.) e outras confirmam a remessa da mercadoria para o exterior, por exemplo Miami (fl. 1218), Ciudad de Mexico (fl. 1220), Santo Domingo (fl. 1261), etc. Acontece que é necessário demonstrar que o valor indicado nas notas fiscais compôs os lançamentos glosados. Assim, comparando por amostragem os valores indicados nas notas fiscais com a tabela de ajustes manuais apresentada pela Contribuinte (fls. 307/337) e utilizada pela Autoridade Lançadora como base para a glosa, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fl. 753), não encontramos qualquer lançamento coincidente. Portanto, ainda que sua argumentação fosse válida, não ficou claro em que medida as provas apresentadas diziam respeito às glosas feitas. Assim, não basta apresentar as notas fiscais comprovando a operação descrita, é necessário demonstrar também que os valores descritos nas notas fiscais foram exatamente aqueles lançados a título de ajustes manuais e, posteriormente, glosados pela autoridade lançadora. 9º Argumento da Contribuinte: Lançamentos referentes a venda para entrega futura: indicou como provas o bloco denominado doc. 11 (fls. 2253/2345). Tratase de lançamento a débito na conta de custo, i.e., aumentoua. Fl. 9153DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.153 18 Por fim, a Contribuinte alegou ter realizado vendas para entrega futura. Dessa forma, a mercadoria continuava em seu estoque, apesar de já ter sido concluída a negociação. Conforme as regras da contabilidade – princípio da competência –, a venda deve ser registrada no momento em que é concluída e, não, no momento do recebimento do preço ou da entrega da coisa. A despeito disso, como o produto continuava em seu estoque, o sistema, segundo alegou a Contribuinte, não reconhecia aquele produto como vendido; consequentemente, também não se apropriava do seu custo de produção para o CPV. Assim, visando atender ao princípio da competência e corrigir a distorção, a Contribuinte realizava ajustes manuais para não só incluir a receita da venda, mas também para se apropriar do custo para o CPV. Provas apresentadas: · Um CD; · Uma folha de notas Explicativas; · Seis folhas de “Sumário dos efeitos da venda para entrega futura pelo saldo” (balancetes com movimentação das contas); e · Oitenta e quatro folhas de Composição da conta 01137001 (materiais). Valoração das provas: Há que se registrar que a Contribuinte não indicou quais dos ajustes manuais foram feitos em decorrência desse tipo de operação. Tampouco apresentou um contrato ou notas fiscais que pudessem descrever tais negociações e comprovar a efetiva saída da mercadoria em momento futuro. 5.2 Infração 02 Arbitramento e, em seguida, glosa de custo no valor de R$ 5,3 milhões – 4,7% do valor do auto de infração em decorrência de subavaliação de estoque de produtos acabados. A autoridade fiscalizadora registrou no Termo de Verificação Fiscal que a Contribuinte não possuía, no anocalendário de 2004, Sistema de Custos Integrado à Contabilidade em conformidade com o art. 294, §1º do RIR/99. Assim, comprovada a inexistência de Sistema Integrado de Contabilidade de Custos, a autoridade lançadora entendeu ser necessário arbitrar o custo das mercadorias em estoque. Fêlo com base no art. 296 do RIR/99. Fl. 9154DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.154 19 A Contribuinte, por sua vez, buscou defenderse alegando que não é razoável o arbitramento do estoque e, que, com base no art. 148 do CTN, estão arbitramento seria uma medida extrema, somente aceitável quando não houver escrituração ou quando esta for infundada, falsa ou sem credibilidade. Não assiste razão à Contribuinte. Uma vez que entendemos adequada a desclassificação do Sistema Integrado de Custos, posto que não se comprovou a sua integração à Contabilidade nos termos do art. 294, §2º, do RIR/99, tampouco pode esse Sistema de Custos, que não é integrado nem coordenado com o restante da escrituração, ser utilizado para avaliar os estoques de produtos acabados e em fabricação, nos termos do art. 294, §1º do RIR/99. Não tendo a Contribuinte recorrido quanto aos cálculos ou à opção de apuração do arbitramento, entendo que esta infração não deve ser objeto da diligência. 5.3 Infração 02 Glosa de custo em decorrência de o estoque de matéria prima estar negativo no valor de R$ 2,7 milhões – 2,4% do valor do auto de infração Outra infração caracterizada nos autos de infração foi que a contribuinte apresentou “indevidos saldos credores em contas representativas de Estoques de Materiais em 31/12/2004, no total de R4 2.725.928,68, os quais não tiveram origem comprovadas pelo contribuinte” (fl. 778). Assim, a autoridade fiscalizadora concluiu ser necessário ajustar os saldos dos estoques, posto que “não poderiam constar no Balanço da empresa como efetivos ESTOQUES, na database 31/12/2004” (fl. 793), o que implicaria em idêntico ajuste no resultado do exercício, nos termos do art. 249, I; art. 251 e parágrafo único; arts. 261, 289, 292, 293 e 295 do RIR/99. As contas e valores identificados foram: EXCLUSÃO DE SALDOS CREDORES EM CONTA DE ESTOQUE CONTA GRUPO NOME CONTA SALDO CREDOR 01134030 Produtos em elaboração Químicos indiretos R$ 1,31 01137001 Produtos acabados Material R$ 1.090.517,97 01139003 Mercadorias em trânsito Material em poder de terceiros R$ 532.259,90 01139007 Mercadorias em trânsito Materiais de terceiros em Consignação R$ 1.096.070,00 1139012 Mercadorias em trânsito Químicos em consignação R$ 7.079,50 Fl. 9155DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.155 20 A Contribuinte impugnou a exclusão dos saldos negativos de estoque. A DRJ, por sua vez, basicamente seguiu o relatório da diligência. Ao final, entretanto, ressaltando que não houve alteração na fundamentação da autuação no relatório da diligência e que a análise documental realizada pela autoridade lançadora foi adequada. No recurso voluntário, a Contribuinte iniciou sua defesa buscando demonstrar que não há “nexo causal entre o fato de existirem saldos credores nas contas de estoque da Recorrente e a suposta majoração indevida de custos”. Explicou que “os lançamentos contábeis realizados nas contas aqui analisadas não possuíam contrapartida em contas que afetavam o resultado da Recorrente”, ressaltando “que a Fiscalização sequer se deu ao trabalho de investigar se essas contas realmente serviam à composição do custo dos produtos vendidos” (fl. 8878). Pois bem. Como dito em tópico anterior, proponho o encaminhamento dos autos em diligência. Para esta infração, devem ser apresentadas, em 30 (trinta) dias, contados da publicação desta Resolução, explicações específicas para cada conta representativa de estoque com saldo credor (negativo) apontada pelo Sr. AFRF no TVF/Auto de Infração, contendo, pelo menos, os seguintes itens: Conta: 01137001 Grupo: Produtos Acabados Saldo Credor: R$ 1.090.517,97 Explicação Provas Valor Venda para entrega futura Fls. XX Nota Fiscal para simples faturamento; Fls. XX – Nota fiscal TOTAL Deve a Contribuinte considerar, também, as seguintes observações aos argumentos apresentados na Impugnação e no Recurso Voluntário. a) Conta 1137001 – Produtos Acabados – Material, saldo credor de R$ 1.090.517,97 Alegou a recorrente que, além de não analisar a documentação apresentada, a autoridade fiscalizadora alterou a fundamentação dessa glosa no relatório da diligência. De qualquer sorte, explicou tratarse de conta contábil para escriturar as vendas para entrega Fl. 9156DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.156 21 futura; como já fora formalizada a alienação, bem como escriturada a receita e o custo em respeito ao regime de competência, era necessário lançar também a baixa da mercadoria no estoque. Indicou como prova os itens anexados à impugnação sob o título doc. 11 e doc. 13.3. O bloco denominado doc. 11 (fls. 2253/2345) compõese de CD, Nota Explicativa, Composição da conta 01137001 (materiais) e Sumário dos efeitos da venda para entrega futura pelo saldo. Já o bloco doc. 13.3 (fls. 2879/7198) compõese de Balancete, Composição de saldos do livro Razão, Razão contábil da conta 01137001, Diário Auxiliar da conta 01137001, Referência dos Lançamentos da conta 01137001 e Anexos (cópias de notas fiscais) da conta 01137001. Tendo analisado essa documentação, a autoridade fiscalizadora entendeu que a contribuinte não conseguiu comprovar suas alegações; pelo contrário, comprovou que a conta tinha relação direta com o resultado do exercício, sendo, portanto, o saldo negativo receita. Analisando o caso, constatamos que os documentos juntados no doc. 11 são meramente contábeis, não havendo provas que os embasem. Já, no doc. 13.3, a esmagadora maioria dos documentos juntados tem também essa mesma natureza, com exceção de seis notas fiscais (fls. 2914/2919). Todas essas notas fiscais foram emitidas pela própria empresa Santher e. Observandoas, percebese que todas as notas fiscais apresentadas têm registrada como a data de saída o anocalendário de 2004. Portanto, tais notas não servem como prova de que houve venda para entrega futura, cuja baixa já fora lançada, mas a mercadoria ainda não havia saído. b) Conta 1139003 – Mercadorias em trânsito – Material de Terceiro em nosso Poder – Saldo R$ 532.259,90 A Contribuinte alegou que esta conta se referia a mútuo recebido de fornecedores. Indicou as provas do doc. 13.2 da impugnação. Observando as provas juntadas sobre esse título (fls. 2753/2878), percebemos que constam os seguintes documentos: Balancete, Composição de saldos do livro Razão, Razão contábil da conta 1139003, Diário Auxiliar da conta 1139003, Referência dos Lançamentos da conta 1139003, Anexos (espelhos de lançamentos e cópias de notas fiscais) da conta 1139003, Fl. 9157DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.157 22 Razão contábil da conta 1139009, Diário Auxiliar da conta 1139009 + Referência dos Lançamentos da conta 1139009, Anexos (espelhos de lançamentos e cópias de notas fiscais) da conta 1139009, razão contábil da conta 1139012, Diário Auxiliar da conta 1139012, Referência dos Lançamentos da conta 1139012, e Anexos (espelhos de lançamentos e cópias de notas fiscais) da conta 1139012. Registramos que constam sete notas fiscais (fls. 2845; 2847; e 2849), que somam R$ 163.082,13. Também, que nas notas fiscais constam avisos que o material é remetido apenas a título de empréstimo ou para industrialização por conta e ordem de terceiros, não sendo de aquisição da Contribuinte. Por outro lado, as últimas quatro notas fiscais foram apresentadas após a Capa, informando tratarse de Diário Auxiliar – 2004, referente a conta nº 01139009, mútuo de celulose. A autoridade fiscalizadora analisou a documentação e concluiu pela impossibilidade de se aceitar a justificativa da Contribuinte. Fundamentou sua conclusão na inexistência de contratos de mútuo ou de provas de liquidação do crédito. Efetivamente, as provas juntadas pela contribuinte são insuficientes para comprovar a adequação de estoques negativos. Em que pese tenha comprovado que recebia mercadorias em comodato ou para industrialização por conta e ordem de terceiros, através das notas fiscais, o valor das notas fiscais apresentadas alcança menos da metade do valor observado ao final do exercício. Mais, analisando as notas fiscais, percebemos que algumas delas são de janeiro de 2004 (fl. 2847 e 2849), não havendo nenhuma prova ou mesmo indício de que tais mercadorias se mantiveram em sua posse durante todo o exercício fiscal, até o final do anocalendário. c) Conta 01134030 – Produtos em elaboração – Químicos indiretos. Saldo credor: R$ 1,31. A Contribuinte afirmou que essa conta representa “produtos químicos vindos de determinados fornecedores na condição de mútuo” (fl. 8880), indicando o doc. 13.1 da impugnação como prova. Em seguida, contraargumentou a decisão recorrida alegando que a diligência fez análise apenas superficial da contabilidade. Observando as provas juntadas sob o título doc. 13.1 (fls. 2728/2752), percebemos que constam apenas Balancete da conta 01134030, Composição de saldos do livro Fl. 9158DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.158 23 razão da conta 01134030, Razão da conta 01134030, e Diário Auxiliar do Estoque da conta 01134030. Como sabido, a contabilidade só faz prova em favor da Contribuinte quando embasada em documentação hábil a comprovála. Não havendo nos autos nenhum contrato, nota fiscal ou outra documentação que indique efetivamente tratarse de mútuo, não é possível aceitar a afirmação da contribuinte. d) Conta 01139007 – Mercadorias em trânsito – Mútuos de celulose. Saldo credor: R$ 1.096.070,00 Inicialmente, a Contribuinte registrou que a conta era, em verdade, nº 01139009, mas que no Relatório Fiscal constou erroneamente o dígito “7”, ao invés do “9”, no final do número. Segundo, indicou como prova o conjunto sob o título Doc. 13.2, cuja composição já descrevemos acima. Ali constam quatro notas fiscais (fls. 2856; 2858; 2860; e 2862) que a Contribuinte indicou serem referentes a essa conta, totalizando R$ 6.1681,59. Primeiro, o volume das notas fiscais juntadas é ínfimo frente ao total do saldo credor; segundo, ainda que as notas fiscais informem tratarse de mútuo, percebese que elas foram emitidas nos meses de janeiro e de fevereiro de 2004. Não é crível, tratandose de celulose, matéria prima na produção da indústria, e tendo em vista o porte da Contribuinte, que o ano tenha escorrido integralmente sem que se fizesse uso das mercadorias consignadas. e) Conta 01139012 – Mercadorias em trânsito – Químicos em consignação. Saldo credor: R$ 7.079,50 Mais uma vez a Contribuinte alegou tratarse de mercadorias de terceiros, indicando o conjunto de provas denominado doc. 13.2, já descrito acima. Ali observamse quatro notas fiscais de consignação (fls. 2871; 2873; 2876; e 2878), que totalizaram R$ 77.323,34. Aplicamse a este caso as mesmas razões supra descritas: falta de contratos ou de outras provas no sentido de que as mercadorias ficaram retidas no estoque da contribuinte durante todo o exercício, insuficiência de valores, etc. Registramos, entretanto, que esse caso tem uma situação peculiar. A última nota fiscal juntada (fl. 2878) foi emitida em 27/12/2004, tendo carimbo da empresa autuada datado de 30/12/2004. Considerando que essa nota fiscal tem o valor de R$ 24.897,69, mas a Fl. 9159DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.159 24 conta detinha saldo credor de apenas R$ 7.079,50, é plausível crer que realmente havia saldo credor, em decorrência de lançamento de mercadorias em consignação. 6. RESOLUÇÃO Considerando a renúncia do relator originário, João Carlos de Figueiredo Neto, após a decisão prolatada por essa Eg. Turma, fui designado redator “ad hoc” nos termos da Portaria CARF 107/2016. O arquivo presente encontravase disponível em Caixa de Trabalho da Turma e representa, em sua integralidade, o acórdão prolatado e julgado por essa Turma, o qual reproduzo abaixo: Diante de tudo quanto exposto: (vi) a Contribuinte deve apresentar, em 30 (trinta) dias, contados da publicação desta Resolução, informações tabuladas e específicas para cada infração, devidamente acompanhadas das respectivas provas, nos termos apresentados na fundamentação deste ato decisório; (vii) Em seguida, sejam os autos remetidos à DRF competente para a realização da diligência, a qual será executada por servidor diverso daquele que lavrou o auto de infração e realizou a primeira diligência. Após a análise dos argumentos e provas apresentados pela Contribuinte, nos termos do item imediatamente anterior, deve o servidor designado apresentar observações inicias e solicitar informações e documentos complementares à Contribuinte, dandolhe prazo de 30 (trinta) dias para tanto; (viii) Transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, deve o servidor designado apresentar relatório conclusivo, analisando os documentos e provas apresentados pela Recorrente; (ix) Em seguida, deve ser oportunizada a manifestação da Contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias; e (x) Por fim, os autos devem ser remetidos ao e. CARF. (assinado digitalmente) RONALDO APELBAUM – redator designado “ad hoc” Fl. 9160DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.004781/200986 Resolução nº 1201000.211 S1C2T1 Fl. 9.160 25 Fl. 9161DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 14033.003415/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA.
É incabível a pretensão da autoridade administrativa, no sentido de que o colegiado "adapte" o dispositivo do Acórdão a fato apurado nos autos durante a liquidação do julgado e que deveria ter integrado a fundamentação do despacho decisório original.
Embargos inominados rejeitados.
Numero da decisão: 3402-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos inominados da autoridade administrativa.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. É incabível a pretensão da autoridade administrativa, no sentido de que o colegiado "adapte" o dispositivo do Acórdão a fato apurado nos autos durante a liquidação do julgado e que deveria ter integrado a fundamentação do despacho decisório original. Embargos inominados rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos inominados da autoridade administrativa. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos inominados manejados pela autoridade administrativa incumbida da execução do Acórdão nº 340200.777, de 29 de setembro de 2010, sob o argumento de que o julgado estaria eivado de erro material. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 34 15 /2 00 8- 28 Fl. 696DF CARF MF 2 Segundo a autoridade administrativa, o erro material consistiria no fato de que o Acórdão nº 340200.777 deu provimento integral ao recurso voluntário para considerar homologada a compensação declarada pelo contribuinte, mas ao efetuar a liquidação do julgado, excluindo a multa de mora do débito compensado, nos termos determinados pelo Acórdão, persistiram débitos remanescentes em desfavor do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Compulsando os autos, verificase que o único motivo invocado pela autoridade administrativa para não homologar a compensação declarada foi o fato de o contribuinte ter deixado de incluir a multa de mora de 20% nos débitos indicados para compensação. No Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/Brasília restou decidido que em casos como o deste processo, o art. 106, I, do CTN veda a aplicação retroativa da legislação com o objetivo de impor multas ao contribuinte. Portanto, segundo a DRJ, o contribuinte deveria proceder da forma como de fato procedeu, mas a multa de mora não poderia ter sido adicionada aos débitos por ele compensados, pois o excesso de recolhimento em alguns meses e o recolhimento insuficiente em outros decorreu de recálculo compulsório determinado de forma retroativa pela Administração Tributária. O único obstáculo oposto pela DRJ para o reconhecimento do direito in concreto foi que o contribuinte não teria provado que a aplicação da multa de mora decorreu da aplicação retroativa do art. 10, inciso XI, "c" da Lei nº 10.833/2003, com base na IN nº 658/2006. Ao apresentar seu recurso voluntário, a defesa fez a prova requerida pela DRJ e a única solução que restou ao relator do Acórdão 340200.777 foi reconhecer o direito de o contribuinte compensar os créditos e os débitos, que surgiram por aplicação retroativa da IN nº 658/2006, sem que os débitos fossem corrigidos pela multa de mora. Observem senhores conselheiros que o despacho decisório original deste processo não questionou as magnitudes dos débitos e dos créditos compensados. A autoridade administrativa apenas questionou que a multa de mora que não fora aplicada sobre os débitos compensados. Não tendo levantado outros óbices à compensação declarada, a Administração subtraiu do contribuinte o direito de instaurar o litígio em relação a outras questões, a teor do que determina o art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Não pode o fisco ao final do processo pleitear que a parte dispositiva do julgado venha a ser adaptada a um fato apurado em sede de liquidação da decisão, mas que deveria ter integrado a fundamentação original do despacho decisório, sob pena de violação do direito de defesa do contribuinte. O contribuinte tem direito ao contraditório, que deverá ser exercido em duas instâncias ordinárias de julgamento e em uma instância especial, se for o caso. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 14033.003415/200828 Acórdão n.º 3402003.779 S3C4T2 Fl. 3 3 À luz do despacho decisório inicial e do quanto restou decidido pela DRJ Brasília, não existe nenhum erro material a ser sanado no Acórdão 340200.777, pois se a única controvérsia suscitada no processo pela Administração foi a não inclusão da multa de mora e, ao final, se chegou à conclusão de que tal encargo não poderia ser infligido ao contribuinte, a redação consignada pelo relator do acórdão embargado está congruente com a acusação formulada pela Administração e também com o que foi discutido ao longo do processo. Com esses fundamentos, meu voto é no sentido de rejeitar os embargos inominados, observando que se a Administração entender que existem diferenças não compensadas, deverá dar oportunidade de o contribuinte contestálas, a teor do que determina o art. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903684/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 20/06/2006
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 84 /2 01 2- 06 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.024, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.020647/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/12/2004
Cabe ao recorrente demonstrar concretamente suas alegações, especialmente quando os meios de prova são de sua titularidade, como o é a escrita fiscal.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Tendo a contribuinte, na impugnação, tratado apenas a incidência da contribuição para o PIS sobre o ICMS, considera-se não impugnada a autuação em relação às demais parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.107
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Tendo a contribuinte, na impugnação, tratado apenas a incidência da contribuição para o PIS sobre o ICMS, considerase não impugnada a autuação em relação às demais parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 06 47 /2 00 8- 46 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório José Henrique Mauri Relator. Cuidase Auto de Infração para lançamento de contribuição para o PIS, referente ao período de apuração 01/01/2004 a 31/01/2004 e 01/05/2004 a 31/12/2004, em face de infração assim definida pela fiscalização: PIS FATURAMENTO INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. O Lançamento de Ofício foi precedido de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte tendose ancorado no artigo 926 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99 Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, tendo em vista que o contribuinte não recolheu integralmente os valores devidos do PIS relativos a fatos geradores compreendidos entre Janeiro e Dezembro de 2004. O lançamento abrange as diferenças apuradas do PIS com as respectivas multas de ofício e juros de mora exigíveis. Para melhor elucidação dos fatos, eventualmente transcreverei excertos do relatório constante do Acórdão recorrido. Os Auditores fiscais da RFB, responsáveis pela autuação, por meio do Relatório de Fiscalização, relatam que: · “Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados nos Livros Contábeis/Fiscais. Para os meses de Julho de 2003 a Dezembro de 2003, os levantamentos da contribuição devida foi realizado a partir dos valores constantes no Livro DIÁRIO, (fls. 48 a 54). Para os meses de Janeiro de 2004 a Dezembro de 2004 a partir dos valores constantes no Razão Balancete, cópias anexas às fls. 55 a 58, a partir de 2005 até 2007 os dados foram extraídos dos Livros Razão, (fls. 59 a 80).” · “A partir de dezembro de 2002, após a instituição do regime nãocumulativo para o PIS as receitas auferidas com as vendas dos produtos produzidos pelo contribuinte passaram a ser tributada por este regime (com direito a crédito), pois a empresa é tributada pelo IRPJ com base no lucro real” e que “Neste período, por amostragem, foi possível constatar que as importâncias discriminadas como provisão na conta ‘PIS A RECOLHER’ nos respectivos períodos de apuração eram calculadas em concordância com a sistemática imposta pelos arts. 2° e 3º da Lei n° 9.718/98.” · “Por isso, foi dispensável demonstrar as parcelas que compunham a base de cálculo da contribuição e, por questão de simplicidade, computouse o valor devido da contribuição (PIS nãocumulativa DEVIDA) como sendo o exato valor escriturado em cada mês pelo Fl. 779DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 13 4 contribuinte nos Livros Razão, sendo apropriado a crédito na conta de Passivo Circulante ‘2.1.3.01.0003 PIS A RECOLHER’, sendo deduzidos pelos créditos escriturados da PIS nãocumulativa na conta de Ativo ‘1.1.2.01.0001 PIS a Compensar’, de acordo com a seguinte expressão: PIS não cumulativa = Provisão mensal (PIS A RECOLHER) – (PIS A COMPENSAR)”. · "Dos resultados acima foram abatidas as importâncias confessadas pelo sujeito passivo em DCTF, bem como, naqueles meses em que não há valor declarado em DCTF, os montantes compensados (PIS Compensado – PER/DCOMP); assim, ao final foram apuradas as diferenças exigidas de ofício". Regularmente cientificada aos 21/11/2008, fl. 04, a contribuinte, aos 19/12/2008, interpôs a impugnação de fls. 468/482, na qual opõe, em relação aos períodos de apuração de julho a outubro de 2003, preliminar de decadência. Adiante, articula que o lançamento tributário seria nulo, pois teria a autoridade lançadora se olvidado da propositura de ação mandamental tombada sob o nº 2007.83.00.0022440, em que a impugnante afirma ter obtido o direito de excluir, da base de cálculo da contribuição para o PIS, os valores pertinentes aos Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, conforme acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança (AMS) nº 100.236/PE, Fala que “Na hipótese, reconhecendo o Tribunal Regional Federal da 5ª Região o direito (líquido e certo) da Impugnante de aproveitar os créditos de IPI (sic) de que dispõe, outra não poderia ser a conseqüência do decisum senão afastar, de imediato, os obstáculos ao aproveitamento do crédito.” A respeito da imediata eficácia das decisões em mandado de segurança transcreve ementa de acórdão proferido pelo STJ no RESP nº 238.727/MG, do qual destacou o seguinte excerto: “É uníssona a jurisprudência do STJ, outrossim, ao proclamar que a compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação não necessita de prévia manifestação da autoridade fazendária ou de decisão judicial transitada em julgado para a configuração da certeza e liquidez dos créditos, sendo suficiente a juntada aos autos das guias de recolhimento do tributo.” Conclui o então impugnante que “Nesse contexto, sendo insofismável que o direito à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS foi reconhecido à Impugnante por decisão judicial, poderia, no máximo, ser erigido para fins de prevenir a decadência em relação à incidência das referidas contribuições sobre os valores que ingressaram no caixa da Impugnante à guisa de ICMS” e que “Se suspensa a exigibilidade dos débitos exigidos através do lançamento de ofício em questão e, como conseqüência lógica e necessária, somente poderia se destinar o lançamento para evitar a decadência, inadmissível a imposição de multa de ofício, penalidade manifestamente incompatível com os procedimentos de ‘constituição’ de créditos com exigibilidade suspensa”. Logo após, reproduz o art. 63, da Lei nº 9.430/96, e encerra o tópico dizendo que “Assim, nulo o lançamento por ter imposto à Impugnante multa de ofício em relação a débitos que se encontram com exigibilidade suspensa”. Diante do exposto, requereu a autuada: Fl. 780DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 14 5 1. O reconhecimento da decadência do direito de lançar em relação às contribuições devidas em virtude da ocorrência de fatos geradores no período de julho a outubro de 2003; 2. A revisão do lançamento para, em cumprimento à decisão pronunciada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª . Região (com eficácia imediata), excluir o ICMS da base de cálculo adotada pela autoridade lançadora ou, mantido o lançamento para fins de prevenção da decadência, seja excluída a multa de ofício, face a regra do art. 63 da Lei n°. 9.430/96. Após análise preliminar, o julgador de primeira instância determinou diligência para: I. “proceder à juntada da petição inicial, de sua respectiva emenda, bem como da apelação interposta pela Impetrante nos autos da ação mandamental tombada sob o nº 2007.83.00.0022440”; II. “verificar se nos valores das bases de cálculo da contribuição para o PIS lançada em relação aos meses de maio a dezembro/2004 estão contidos montantes a título de ICMS devidos por responsabilidade própria da recorrente (ou seja, devidos na condição de contribuinte e não como substituta tributária, eis que o ICMS na condição de substituto tributário já é regularmente excluído da base de cálculo, nos correlatos períodos de apuração e, na hipótese positiva, discriminar, por período de apuração, as importâncias a título de ICMS que acaso tenham composto a base de cálculo da contribuição para o PIS, bem como os valores de referida contribuição devidos sobre essas parcelas”; III. “informar se porventura há, em relação aos valores da contribuição para o PIS dos meses de maio a dezembro/2004 compensados por meio dos PER/DCOMP identificados no item 14 acima, pleito de exclusão de importâncias que a contribuinte alegue tenha incidido sobre o ICMS”; IV. “serem prestadas outras informações que porventura entenda pertinentes para a solução desta lide”; e V. “darse ciência ao sujeito passivo do teor deste despacho, bem como das conclusões a que atingir acerca das questões acima, facultandolhe o direito de se manifestar a respeito no prazo de 30 (trinta) dias. A diligência solicitada foi realizada, tendo sido acostada cópia da petição inicial e sua emenda e da apelação interposta no mencionado mandado de segurança, fls. 572/596, 597/600 e 601/619. Além disto, foram anexadas planilhas entregues pela contribuinte, fls. 620/636. Concluída a diligência, o fiscal por ela responsável elaborou o “Termo de Encerramento de Diligência” de fls. 681/683. Quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS, noticia que: · “Neste auto de infração foram utilizadas as verificações obrigatórias que é o procedimento em que apura divergências entre os valores escriturados nos Livros Contábeis e Fiscais (conta Provisão mensal (PIS A RECOLHER) Valor escriturado no Fl. 781DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 15 6 Diário e Razão Balancete), e os valores declarados (em DCTF ou PER/DCOMP), os valores da base de cálculo do PIS não é apurada, não é discriminado a composição de seus valores”; · “Intimamos então a empresa, conforme Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, fls. 554 a 556, para discriminar por período de apuração de maio/2004 a dezembro/2004 a Base de Cálculo do PIS e as importâncias a título de ICMS devidos por responsabilidade própria da empresa (ou seja, devidos na condição de contribuinte e não como substituta tributária, eis que o ICMS na condição de substituto tributário já é regularmente excluído da base de cálculo do PIS), que acaso tenham composto a base de cálculo do PIS, bem como os valores da referida contribuição devidos sobre essas parcelas”; e · A empresa apresentou as planilhas intituladas ‘Apuração do PIS de maio/2004 a dezembro/2004’, anexas às fls. 607 a 623” (fls 620 a 636 no eproc); · “Foram impressos os PER/DCOMP (fls. 624 a 667), onde não identificamos nos mesmos pleitos de exclusão de importâncias que a contribuinte alegue tenha incidido sobre o ICMS, [...]”; · “Pela data da petição inicial da ação mandamental tombada sob o n° 2007.83.00.0022440 (06 de fevereiro de 2007), e as datas das transmissões dos PER/DCOMP (bem anterior a interposição da ação), verificamos que não poderia mesmo existir estes pleitos para exclusões”. A diligenciada, cientificada da conclusão da diligência, fl. 683, não se pronunciou a respeito. Ao analisar a impugnação a 2ª Turma da DRJ/REC exarou o Acórdão 11 36.497, de 29 de março de 2012, que, por unanimidade de votos, julgou (i) considerar não impugnada a exigência da contribuição para o PIS autuada sobre outras rubricas que não o ICMS integrante da base de cálculo de referida contribuição; (ii) rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento; e (iii) no mérito, julgar improcedente a impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/12/2004 DECISÃO JUDICIAL. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. A decisão judicial que determina a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS cumulativa cobrada com fundamento na Lei nº 9.718/98 não tem quaisquer reflexos em relação à contribuição para o PIS nãocumulativa exigida com fundamento na Lei nº 10.637/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 782DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 16 7 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o ato administrativo, elaborado por servidor competente, revestido de suas formalidades essenciais e incomprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa, improcede a preliminar de nulidade do lançamento argüida. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PERÍODOS DE APURAÇÃO NÃO AUTUADOS. FALTA DE OBJETO. Não tem objeto a preliminar de decadência oposta unicamente em relação a períodos de apuração que não foram objeto de lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Tendo a contribuinte, na impugnação, apenas a incidência da contribuição para o PIS sobre o ICMS, considerase não impugnada a autuação em relação às demais parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte apresentou, em 10/12/2012, Recurso Voluntário, fls. 708 e ss, replicando os argumentos apresentados na impugnação, ressaltando os reflexos diretos da decisão judicial que determina a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS em relação à contribuição do PIS não cumulativa exigida com fundamento na Lei nº 10.637/2002. Ao final requer unicamente a nulidade do auto de infração em decorrência da existência de decisão judicial que determina a exclusão dos valores pagos pela recorrente a título de ICMS da base de cálculo do PIS. Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 17 8 Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. O cerne litigado é unicamente a nulidade do auto de infração em decorrência da existência de decisão judicial que determina a exclusão dos valores pagos pela recorrente a título de ICMS da base de cálculo do PIS. Antes de verificar o alcance da decisão judicial é de se conhecer os alegados valores de ICMS que integraram da base de cálculo da contribuição lançada. De pronto registrese que a autuação não traz em seu bojo, explicita ou implicitamente, que o ICMS fora incluído na base de cálculo do PIS não cumulativo, lançado. Conforme relatado, a autuação cuida de PISFaturamento incidência não cumulativa, diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado pago. Não havendo indicação de inclusão, ou não, dos valores referente ao ICMS, nessa apuração. O recorrente, ainda na Impugnação, em primeira instância, argumentou que a decisão judicial lhe daria o direito à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, no sistema não cumulativo1. Entretanto, sequer desincumbiuse, o contribuinte, de demonstrar a efetiva inclusão do tributo estadual na apuração do PIS, em que pese as duas oportunidades a ele asseguradas quando da diligência, na primeira apresentou planilha que não condiz com as informações requeridas na diligência, na segunda, ao tomar conhecimento do Relatório da Diligência Fiscal, intimado a manifestarse, calouse. Tampouco no recurso voluntário, ora sob análise, pela terceira oportunidade que teve, igualmente não apresentou elementos mínimos que demonstrassem suas alegações: a efetiva inclusão do ICMS na da base de cálculo do PIS. enfim, o recorrente traz a matéria à tona, contudo não se encarrega de demonstrar sua existência material. Vejamos excertos bem delineados pelo relator de primeira instância: [...] registro que as planilhas de fls. 620/636, apresentadas pelo sujeito passivo no curso da diligência requerida às fls. 559/562, não se 1 A ação judicial referese a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS /Pasep e Cofis, no sistema cumulativo da Lai 9.718/98. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 18 9 prestam como prova do ICMS integrante da base de cálculo da contribuição para o PIS autuada: em primeiro lugar, por uma elementar razão: porque elas sequer indicam os valores do ICMS supostamente integrantes da base de cálculo da contribuição pra o PIS; e em segundo lugar, porque a autuada não apresentou documentos contábeis/fiscais que respaldassem as informações contidas nestas planilhas. Cabe ao recorrente demonstrar concretamente suas alegações, especialmente quando os meios de prova são de sua titularidade, como o é a escrita fiscal. Até porque, sendo o contribuinte em apreço, contribuinte do ICMS, seriam provas de fácil apresentação. Cabendolhe, no presente caso, a comprovação dos fatos alegados, na forma disposta no art. 36 da Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A fiscalização, por sua vez demonstrou detalhadamente as fontes e origens dos valores autuados. É de se ressaltar, com elogios, o didático voto do julgador a quo que fundamentou exaustivamente as argumentações do então impugnante. Entretanto, a meu ver, não há necessidade de se evoluir na presente fundamentação, haja vista que o montante do suposto ICMS que estaria, segundo o recorrente, incluída na base de cálculo do PIS não o fora identificado pela fiscalização, tampouco pela própria recorrente. Outrossim, ainda que houvesse demonstrado a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (o que não o fez), o contribuinte restaria desamparado da dita decisão judicial, posto que a sentença diz respeito unicamente à contribuição regida pelo sistema cumulativo da Lei 9.718/98, conquanto a autuação referese ao novo sistema de apuração não cumulativa, na forma da Lei 10.637/2002. Nesse ínterim, bem expressado no Acórdão recorrido: Quanto ao mérito, temse que, segundo petição inicial da ação judicial de fls. 572/596 e respectiva emenda de fls. 597/600, anexada após a realização da diligência requerida às fls. 559/562, a autuada, nos autos do mandado de segurança nº 2007.83.00.0022440, questionou, apenas e tão somente, a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS devida na forma da Lei nº 9.718/98, ou seja, da contribuição apurada pela sistemática cumulativa. [...] Neste talvegue, concluise que o acórdão proferido nos autos da AMS nº 100.236/PE não respalda a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS nãocumulativa cobrada com esteio na Lei nº 10.637/2002, discutida nos autos do presente processo administrativo, [...]. [Destaquei] Fl. 785DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 19 10 Por oportuno registrese ainda que a sentença judicial fora avocada pelo contribuinte sem que a mesma houvesse transitado em julgado. Entretanto, considerando que referida sentença diz respeito a matéria distinta da que trata o presente processo, conforme suso dito, Reflexos dessa circunstância não interferem no voto ora proferido razão pela qual não vislumbro necessidade de aprofundamento na analise do tema, nesse pormenor. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO Ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 786DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 10166.900936/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA
Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re-intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente.
Numero da decisão: 3402-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re-intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente.
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Recorrida União ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 36 /2 00 8- 69 Fl. 135DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos controvertidos no presente processo administrativo, me valho do relatório desenvolvido pelo então Conselheiro Sidney Eduardo Stahl na oportunidade em que proferida a resolução n. 3801000.271 (fls. 102/107), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo administrativo de compensação não homologada, declarada em PER/DCOMP transmitida em 16/07/2004 (fls. 07/12), referente a crédito decorrente de valor supostamente recolhido a maior a título de PIS (cód. 8109) por meio de guia DARF (fls. 05), com débito de PIS (Cod. 81092) do período de apuração de junho de 2004. A compensação não foi homologada conforme despacho decisório da DRF de origem (fls. 06), sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte, resultando na cobrança de imposto remanescente no montante de R$ 8.940,50. Intimada acerca do despacho decisório acima mencionado, apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, cujas razões, como bem apontado pela DRJ de origem, apenas repetem as informações constantes do PER/DCOMP transmitido, não tendo sido anexados documentos suficientes para a verificação do crédito a que faria jus. Ao analisar as razões supra transcritas, julgou a DRJ de origem pela improcedência da manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado através do acórdão recorrido de fls. 28/31, cuja ementa restou assim redigida, verbis: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep AnoCalendário 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante da manifestação de inconformidade que discorre sobre a existência de crédito tributário em discussão sem trazer qualquer prova documental que proporcione suporte à alegação, resta manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado do acórdão acima ementado, interpôs o contribuinte o presente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese: i) serem os pagamentos indevidos a título de PIS oriundos da ausência de sua apuração conforme a sistemática “monofásica” de recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS instituída pela Lei nº 10.147/2000 e posteriores, que estabeleceu alíquota zero para os contribuintes varejistas de produtos farmacêuticos, concentrando o recolhimento das contribuições na etapa inicial da cadeia tributária. Com o fito de comprovar os pagamentos Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10166.900936/200869 Acórdão n.º 3402003.683 S3C4T2 Fl. 152 3 indevidos, traz aos autos relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo do PIS, bem assim das notas fiscais de entrada e saída dos produtos, através das quais busca a comprovação de que a responsabilidade de recolhimento do tributo é das Indústrias Farmacêuticas que figuram como produtoras ou importadoras, sendo a recorrente apenas revendedora atacadista / varejista desses produtos; ii) discorre acerca da origem dos débitos compensados e da previsão legal para a sua compensação e, por fim iii) alega que a decisão recorrida não foi precisa quanto a análise dos fatos e do seu direito quanto à compensação realizada. (...). 2. Devidamente processado o recurso voluntário interposto, seu julgamento foi convertido em diligência (resolução n. 3801000.271 fls. 102/107), para que fossem tomadas as seguintes medidas pela unidade preparadora: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida identificando os produtos sujeitos ao regime monofásico e os pagamentos indevidamente realizados e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. 3. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa da informação fiscal de fls. 128/131, oportunidade em que se reconheceu a inexistência do crédito vindicado pela Recorrente. 4. Intimado para se manifestar do resultado da diligência, o contribuinte deixou que o prazo transcorresse in albis. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 7. Como fora relatado alhures, a controvérsia da presente demanda consiste em saber se a documentação apresentada pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade é ou não suficiente para atestar o direito creditório aqui vindicado. 8. Segundo consta das razões recursais, o contribuinte recolheu indevidamente PIS, uma vez que os produtos que comercializa produtos farmacêuticos Fl. 137DF CARF MF 4 estariam sujeitos ao regime monofásico, ou seja, o recolhimento do PIS ficaria concentrado na etapa inicial da cadeia. 9. Com o fito de provar seu direito a recorrente apresentou o comprovante de pagamento do tributo indevido (guia DARF), bem como acostou diversos documentos relacionados às suas operações, com especial destaque para os relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo da PIS e, ainda, notas fiscais de entrada e saída dos produtos, as quais atestariam a responsabilidade de recolhimento do tributo pelas indústrias farmacêuticas no início da cadeia produtiva. 10. Não obstante, conforme já mencionado no relatório, o presente caso foi convertido em diligência, oportunidade em que a unidade preparadora intimou (fls. 109/113) e reintimou (fls. 114/118) o contribuinte para que apresentasse os seguintes documentos e informações: (...). a) relatórios de vendas de produtos beneficiados com alíquota zero para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004, conforme Tabela 1), devendo estar identificado o produto com o código de sua classificação fiscal, de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), além do número da nota fiscal de venda, da data de sua emissão, do valor da venda e do valor dos pagamentos da Cofins e do PIS; b) notas fiscais de venda correspondentes aos produtos de que trata o item “a” acima; c) lançamentos contábeis (diário ou razão) relativos às vendas dos produtos de que trata o item “a” acima; d) notas fiscais de compra dos produtos de que trata o item “a” acima. (...). (grifos constantes no original). 11. O contribuinte, por sua vez, permaneceu inerte, de modo que a unidade preparadora cumpriu a diligência com base na documentação acostada nos autos, bem como nas informações obtidas junto ao sistema eletrônico da própria Receita Federal. É o que se observa dos seguintes trechos da informação fiscal de fls. 128/131: (...). 4. Primeiramente, visando identificar o pagamento realizado pela Contribuinte, bem como a eventual disponibilidade de saldo, foram realizadas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB. O pagamento foi confirmado (fls. 119), porém, não possui saldo disponível, tendo sido totalmente utilizado para quitar o débito declarado em DCTF. 5. Logo, tratase, em princípio, de pagamento devido, alocado ao seu respectivo débito e, consequentemente, não passível de repetição. Assim, em resposta aos argumentos da Interessada, quanto à falta de clareza dos motivos que levaram a não homologação da compensação, verificase que foi declarado em DCTF e pago o débito que a Contribuinte reputa como indevido. Portanto, justificase as razões de não homologação da presente Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10166.900936/200869 Acórdão n.º 3402003.683 S3C4T2 Fl. 153 5 compensação, referidas no despacho decisório de fls. 7, emitido eletronicamente em 24/04/2008 e com nº de rastreamento 757714493, pois, o pagamento efetuado vinculouse ao respectivo débito com a consequente ausência de saldo para compensação. 6. Em seguida, foram examinados os documentos apresentados pela Contribuinte e existentes no processo, observandose que: 6. 1. o objeto social da empresa (fls. 22) é o comércio varejista e atacadista de artigos médicos e ortopédicos, entre outros. Em consulta ao sistema CNPJ (fls. 121), podese confirmar que a empresa tem por atividade econômica o “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios” (CNAE 4645101); 6. 2. os documentos apresentados com o objetivo de comprovar o crédito alegado foram: i) relatório de vendas (doc 1, fls. 52/59); ii) lançamentos das notas fiscais (NF) de saída (doc 2, fls. 60/80); iii) NF de saída (doc 3, fls. 81/90); e iv) NF de entrada (doc 4, fls. 91/99). Sua análise revela que: 6.2.1. o relatório de vendas, por si só, nada comprova, pois, além de estar limitado às transações realizadas no mês de julho/2003, traz apenas o nome técnico do produto, sem qualquer liame com sua classificação fiscal, característica necessária para identificar a possibilidade de direito ao benefício fiscal alegado, em conformidade com os arts. 55 e 59 da IN SRF nº 247/2002; 6.2.2. os lançamentos das NF de saída trazem a classificação fiscal do produto vendido, o que permite identificar se a pessoa jurídica faz jus ou não ao benefício fiscal alegado. Observese que os lançamentos apresentados fazem referência a algumas NF emitidas em agosto/2003, novembro/2003 e dezembro/2003. Neste processo, pleiteiase o crédito do PIS de outubro/2003. Ocorre que não há comprovação nos autos de vendas efetuadas em outubro/2003, conforme Tabela 3 (fls. 123/126). Logo, tendo por base apenas as informações disponíveis nos autos, inexiste valor a ser compensado para este período (vide Tabela 4 em fls. 127), para detalhes de cálculo); 6.2.3. as NF de venda não trazem a classificação fiscal dos produtos vendidos, sendo insuficientes para apreciar o pleito; 6.2.4. as NF de entrada, emitidas pelas empresas produtoras/importadoras, indicam a classificação fiscal dos produtos adquiridos pela Interessada. Entretanto, tratase de informações insuficientes para embasar quaisquer conclusões, conforme se nota na Tabela 2,, abaixo. (...). 7. Tendo em vista a insuficiência das informações presentes nos autos, visando caracterizar de forma inequívoca a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado, a Interessada foi Fl. 139DF CARF MF 6 intimada (Termo de Intimação nº 111/2015, em fls. 109/111) a apresentar relatórios de vendas dos produtos beneficiados com alíquota zero, notas fiscais de venda e de compra de tais produtos, além dos lançamentos contábeis correspondentes, para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004). 8. Não tendo apresentado resposta à referida intimação, a Interessada foi reintimada por meio do Termo de Reintimação nº 139/2015 (fls. 114/116). Entretanto, até a presente data as exigências não foram atendidas, de modo que a presente análise restringese aos dados confirmados e disponíveis nos sistemas da RFB, em conformidade com o § único do art. 39 da Lei nº 9.784/1999. 9. Assim sendo, diante da ausência de certeza e liquidez do crédito alegado, não se pode reconhecer qualquer direito creditório relativo ao mês de outubro/2003, havendo uma diferença não compensável de R$ 4.388,41. É importante observar que a Tabela 4 traz informações sobre o valor do crédito compensado no presente processo, juntamente com a utilização do saldo em outro processo, quando cabível. (...). 12. Percebese, portanto, que ante a não apresentação de documentos fiscais e informações solicitados junto ao contribuinte e, ainda, levando em consideração as provas apresentadas em impugnação, a unidade preparadora reconheceu inexistir qualquer crédito em favor do Recorrente, o que também se reconhece por intermédio da presente decisão. 13. Em suma, a ausência de prova suficiente para atestar a certeza e liquidez do valor vindicado impede o seu reconhecimento nesta seara judicativa. Dispositivo 14. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000199/2008-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisando-se o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, opera-se segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 12.715, DE 2012. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. EXCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Com a Lei nº 12.715, de 2012 (conversão da MP nº 563, de 2012) o mecanismo de comparabilidade passou por alteração em relação à Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de se excluir da apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos incidentes na importação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-002.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que não o conheceram na parte de omissão de receitas. Foi designada na reunião de Agosto, para redigir o voto vencedor em relação ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Acordam, ainda, no mérito, (1) quanto à omissão de receitas, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (3) quanto à inclusão de frete, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (4) quanto aplicação dos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votou apenas quanto ao mérito.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 12.715, DE 2012. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. EXCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Com a Lei nº 12.715, de 2012 (conversão da MP nº 563, de 2012) o mecanismo de comparabilidade passou por alteração em relação à Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de se excluir da apuração dos preços praticado e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 99 /2 00 8- 16 Fl. 8140DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.141 2 parâmetro os valores de frete, seguros (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos incidentes na importação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que não o conheceram na parte de omissão de receitas. Foi designada na reunião de Agosto, para redigir o voto vencedor em relação ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Acordam, ainda, no mérito, (1) quanto à omissão de receitas, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (3) quanto à inclusão de frete, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (4) quanto aplicação dos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votou apenas quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora Designada Fl. 8141DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.142 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA (efls. 7834 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301 001.056 (efls. 7763 e segs), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/10/2012, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal tipificou a ocorrência de duas infrações tributárias: (1) incorreção na apuração do PRL 60, em desacordo com a IN SRF nº 243, de 2002, na apuração dos preços de transferência, e (2) omissão de receitas decorrente de diferenças de estoque. Foram efetuados lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A Contribuinte apresentou impugnação discorrendo sobre a (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Na primeira instância (DRJ) a impugnação foi julgada procedente em parte, para exonerar parcialmente as exações relativas à omissão de receitas decorrente de diferenças de estoque. Em razão do crédito tributário exonerado, o Presidente da Turma recorreu de ofício. Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário, devolvendo as matérias apresentadas via impugnação, apreciado pela segunda instância (Turma Ordinária do CARF), que manteve a decisão da DRJ na integralidade, para negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento do recurso voluntário da Contribuinte. A Contribuinte interpôs recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade, para dar seguimento às mesmas matérias arguidas em sede de impugnação: (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa Fl. 8142DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.143 4 A contribuinte apresentou impugnação (efls. 3131 e segs), que foi julgada procedente em parte pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I, para afastar parcialmente as exações relativas à omissão de receitas decorrente de diferenças de estoque nos termos do Acórdão nº 1633.180 (efls. 7626 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE. Comprovado equívoco por parte da fiscalização na apuração da matéria tributável (presunção de omissão de receitas a partir da apuração de diferenças de estoque), exonerase parcialmente a exigência. MÉTODO PRL60%. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243/2002. À esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Não obstante, é certo que a IN SRF nº 243/2002, encontrase em perfeita consonância com as normas veiculadas no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 2º da Lei nº 9.959/2000. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, por ser parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Foi interposto recurso voluntário (efls. 7687 e segs) pela Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de Fl. 8143DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.144 5 02/10/2012. Decidiu o Acórdão nº 1301001.056 (efls. 7763 e segs) negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO RELATIVA. Tratandose de presunção legal relativa, na hipótese em que o contribuinte comprova a inocorrência do fato presumido (omissão de receitas), há de se cancelar o correspondente crédito tributário. Na mesma linha, não trazendo o contribuinte elementos que possibilitem criar convicção acerca da inocorrência do referido fato, mantémse a exigência, não podendo a autoridade julgadora ampliar a decisão para afastá la com base no argumento de que a parcela que não restou comprovada revelase insignificante. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. DA APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC SOBRE AS MULTAS APLICADAS Considerando as expressas disposições do Art. 61, §3ºda Lei 9.430/96, c/c Decreto 1.736/79, as multas de ofícios compõem o crédito tributário, razão porque, na sua atualização, devem incidir o juros SELIC, nos termos ali então apontados. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 7834 e segs.), protestando sobre (1) o método adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, que contraria o disposto na Lei nº 9.430, de 1996 e teria incorrido em inovação não prevista em lei, além de ser desprovido de lógica econômica; (2) a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos no preço Fl. 8144DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.145 6 praticado para fins de comparação com o preço parâmetro; (3) a frágil presunção legal de omissão de receitas, tanto que foi mantida pelo acórdão recorrido apenas a parcela de 1,47% do valor da autuação fiscal, referente a apenas um produto dos vinte e um analisados pela autoridade autuante; e (4) a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 8102/8108 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 8102/8108), no qual discorre que (1) a sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, (2) é acertada a inclusão dos valores de frete, seguros e tributos incidentes sobre a importação no preço praticado; e (3) pela aplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura Admissibilidade O recurso especial da Contribuinte propôs a devolução de quatro matérias para apreciação do Colegiado: (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 8102/8108, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 19991, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Contudo, em relação à matéria (3) inadequação da omissão de receitas, entendo que não restou demonstrada a divergência exigida no RICARF. Isso porque os paradigmas apresentados, acórdãos nº 10180.774 e 103 18.893, tratam de anoscalendário anteriores a 1996, ou seja, com legislação diferente da tratada nos presentes autos, o art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 8145DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.146 7 O acórdão nº 10180.774 (efls. 7989/8002) consiste em autuação fiscal dos exercícios de 1986, 1987 e 1988, e trata, dentre outras infrações, da presunção de omissão de receitas de passivo fictício prevista no art. 180 do RIR/80 (Decreto nº 85.450, de 1980): Art. 180. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto Lei n° 1.598/77, art. 12, § 2º). Por sua vez, o acórdão nº 10318.893 (efls. 8007/8009) consiste em autuação fiscal dos exercícios de 1988 a 1992, e trata, dentre outras infrações, também da presunção de omissão de receitas de passivo fictício, também sob a égide do RIR/80. Por outro lado, a matéria tratada pela decisão recorrida é positivada pelo art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996, e trata do anocalendário de 2003: Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. Além de, substancialmente, as matérias dos paradigmas e da decisão recorrida tratarem de matérias diferentes (nos paradigmas presunção de omissão de receitas de passivo fictício, e presunção de levantamento quantitativo por espécie no estoque, na decisão recorrida), formalmente também não se comunicam, vez que os acórdãos paradigmas discutem o direito sob a égide do RIR/80 e o art. 12, § 2º do DecretoLei n° 1.598/77, e a decisão recorrida do art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996. Poderseia dizer que o ponto arguido pela Contribuinte diz respeito ao fato de que, descaracterizada a presunção de omissão mediante a comprovação da grande maioria do valor lançado (por exemplo, 99%), o remanescente (1%) não poderia ser considerado omissão de receitas em razão de sua insignificância, o que poderia transcender eventuais óbices substanciais e formais. Fl. 8146DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.147 8 Ocorre que o RICARF, Anexo II, art. 67, caput e § 1º deixa bastante claro que deve ser demonstrada interpretação divergente da legislação tributária ao se comparar a decisão recorrida e a paradigma2 . E, para se viabilizar uma comparação adequada, os pólos devem ser equiparáveis. Não há como estabelecer um parâmetro razoável tendose, de um lado, autuações fiscais de 1986 a 1992, julgadas em 1990 e 1997, sob a premissa da legislação tributária posta pelo RIR/80, com autuação fiscal do anocalendário de 2003, julgada em 2012, interpretando aspectos da legislação tributária conforme RIR/99. Assim sendo, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso especial da Contribuinte, para dar seguimento às matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício, e negar seguimento para a matéria (3) inadequação da omissão de receitas. Registro que na sessão de julgamento fui vencido em relação ao conhecimento da matéria (3) inadequação da omissão de receitas. Nesse contexto, o mérito irá dispor sobre as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. I. IN SRF nº 243, de 2002. Legalidade. Sobre a legalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. 2 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 8147DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.148 9 Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 3. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 3 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 8148DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.149 10 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 4, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 5 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 6 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 4 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 5 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 6 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 8149DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.150 11 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 7. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço 7 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 8150DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.151 12 parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor Fl. 8151DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.152 13 agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total8. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e 8 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 8152DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.153 14 PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Fl. 8153DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.154 15 Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 9, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. 9 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 8154DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.155 16 Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o Fl. 8155DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.156 17 modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. Fl. 8156DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.157 18 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 8157DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.158 19 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o Fl. 8158DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.159 20 conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte quanto à matéria que trata da legalidade da IN SRF nº 243, de 2002. II. Inclusão de Fretes, Seguros e Tributos no Preço Praticado. Para discorrer sobre a matéria indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado, cabe transcrever a redação do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, caput e § 6º, dada antes da alteração promovida pela Lei nº 12.715, de 2012, transcrito na sequência: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: [...] III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: [...] (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Fl. 8159DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.160 21 Primeira constatação é que a comparabilidade é o valor principal a ser tutelado na matéria atinente aos preços de transferência. E, recusar a aplicação da comparabilidade é o mesmo que ignorar o princípio do arm's length. A operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. E, quanto ao caso em análise, concernente aos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, só dois mecanismos podem ser seguidos: (1) incluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, ou (2) excluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Precisamente nesse contexto se justifica a existência do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, porque apresenta um tratamento diferente daquele previsto na regra geral para a apuração do custo contábil pelo art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1° O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo. Não há coincidência na construção do sistema de tributação. Como regra geral de dedutibilidade, incluemse os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. Por isso, a legislação de preços de transferência, para buscar um parâmetro de comparação adequado entre preço praticado e preço parâmetro, teve que expressamente se manifestar, por meio do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, para esclarecer que a regra geral de dedutibilidade não seria aplicável. Ou seja, para fins de apuração do preço de transferência, os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação não são dedutíveis, devendo integrar o custo. Portanto, como se pode observar, a redação do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996 consagra o mecanismo de inclusão, na apuração dos preços praticado e parâmetro, dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Inclusive, a IN SRF nº 243, de 2002, não vacila sobre o entendimento: Art. 4º (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa Fl. 8160DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.161 22 importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Em suma, sob a égide do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, não restam dúvidas sobre o assunto: integram o custo (apuração do preço praticado), para efeito de dedutibilidade (registrase a exceção à regra geral disposta no art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. E não há que se falar que a nova redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, teria alterado tal entendimento. Pelo contrário, confirmou que a comparabilidade sempre foi o valor principal a ser tutelado. Basta observar nova redação dada ao § 6º em debate, e ao novel § 6º A: § 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Primeiro, ao se revogar a redação antiga do § 6º, eliminase a restrição colocada ao preço praticado aplicável sobre a regra de dedutibilidade geral do art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Ou seja, passase a permitir a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ou seja, os dispêndios voltam a seguir a regra geral e passam a ser dedutíveis. E, na mesma medida, com a nova redação do § 6º e o novo § 6ºA, determinase que na apuração do preço parâmetro pelo método PRL, não serão mais considerados os valores de frete, seguro (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ora, no ordenamento anterior à redação da Lei nº 12.715, de 2012, o § 6º dirigiase ao preço praticado, e estabelecia exceção à regra geral de dedutibilidade, determinando pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação, vez que, na determinação do preço parâmetro, tais dispêndios eram considerados. Como já dito, a comparabilidade se operava mediante o mecanismo de inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Fl. 8161DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.162 23 Por sua vez, com a redação da Lei nº 12.715, de 2012, operacionalizouse caminho inverso. O § 6º e § 6ºA dirigemse ao preço parâmetro. Revogase a restrição à regra de dedutibilidade geral (art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), ou seja, na determinação do preço praticado passa a ser permitida a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação. E, precisamente por isso, a nova redação do § 6º e § 6ºA determina que passam a não integrar a apuração do preço parâmetro os valores de frete, seguro e tributos na importação. A comparabilidade passa a ser operada mediante o outro mecanismo: a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Preservada, portanto, a comparabilidade entre os preços parâmetro e praticado. Pelos fundamentos apresentados, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte a respeito da matéria indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado. III. Omissão de Receitas. Diferença de Estoque A matéria em debate é positivada no art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. Tratase de presunção de omissão de receitas decorrente de levantamento quantitativo por espécie no estoque. A primeira instância (DRJ), após realização de diligência, afastou parte substancial da infração, de vinte e um produtos, perfazendo o total de R$34.603.858,97, para apenas um produto, THIOVIT SANDOZ 25KG, remanescendo apenas o valor de R$532.764,34. Fl. 8162DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.163 24 Aduziu a Contribuinte, em resposta à diligência (efls. 6821/6834): 22 Primeiro porque a Manifestante apresentou todos os documentos que comprovam suas alegações, tendo a D. Fiscalização se limitado a analisar as informações apresentadas após o pedido de esclarecimentos da DRJ. 22.1 A título de exemplo, em sua Impugnação a Manifestante fez prova de que os 22.475kgs de Thiovit foram devidamente registrados na unidade de Ribeirão Preto. Tendo em vista a dificuldade em localizar o Livro de Inventário desta fábrica já que esta não opera há anos, a Manifestante juntou, em substituição, cópia do controle gerencial da unidade (juntado novamente como doe. 01 para facilitar a identificação do documento), que deve ser considerado pela D. Fiscalização em conjunto com as demais informações já apresentadas. 23 Segundo porque após essas novas informações, de um universo de 21 (vinte e um) produtos, em apenas 1 (um) deles (que representa 1,47% do valor total), frisese tão somente 1 (um), não foi possível a comprovação completa da inexistência de omissão de receita por entrada desacobertada de nota fiscal. 24 Em outras palavras, por ter restado um percentual tão ínfimo de supostas entradas sem a devida emissão de nota fiscal em um universo muito maior de operações cuja documentação fiscal foi devidamente apresentada e comprovada, a presunção de que a empresa teria omitido receitas do Fisco resta afastada. 25 Tal fato é suficiente para demonstrar que não houve omissão de receitas em razão de entrada de mercadorias desacompanhadas da respectiva documentação fiscal. Observase que a Contribuinte discorre sobre dois pontos: primeiro, que não teria logrado apresentar Livro de Inventário requerido pela Fiscalização porque a unidade já estaria fora de operação há vários anos, mas que teria disponibilizado um "controle gerencial da unidade" que serviria de prova para desconstituir a presunção fiscal, e, segundo, que o valor mantido após a diligência, por ser bastante inferior (menos de 2%) ao primitivamente autuado, teria demonstrado a incorreção do procedimento fiscal, e por isso deveria ser afastado. Sobre o segundo ponto, percebese que requer pela aplicação do princípio da insignificância no direito tributário. Tanto a DRJ, quanto o voto vencedor da decisão recorrida não acataram nenhum dos argumentos da Contribuinte. A DRJ acompanhou entendimento da Fiscalização, que, diante da não apresentação do Livro Registro de Inventário, e da análise do Livro Movimentação de Estoques, não foi possível localizar o montante de estoque alegado pela empresa10. Ou seja, 10 Vide Acórdão nº 1633.180 da 2ª Turma da DRJ/São Paulo I (efl. 7657): A empresa informou que os 36.100 kgs de Thiovit, em 31.12.2003 estariam nas seguintes unidades: Sumaré: 13.600 kgs; Resende: 25 kgs; e Ribeirão Preto: 22.475 kgs. Pudemos confirmar a existência das quantidades existentes em Sumaré e Resente. Todavia a empresa não apresentou o Livro Registro de Inventário, em 31.12.2003, da unidade de Ribeirão Preto e no Livro Movimentação de Estoques apresentado não pudemos Fl. 8163DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.164 25 não considerou o "controle gerencial da unidade" como prova hábil para desconstituir a presunção fiscal. E concluiu (efls. 7658): Conforme se observa da análise dos autos, a diferença de estoques foi apurada pela fiscalização mediante trabalho de auditoria, tendo sido dada oportunidade à contribuinte de se defender, esta apresentou esclarecimentos e provas que não haviam sido exibidas durante a fiscalização. Apenas as divergências não esclarecidas pela contribuinte devem ser mantidas na presente autuação por omissão de receitas (R$532.764,34), decorrente da apuração de diferenças de estoque (presunção legal não elidida pela contribuinte), independentemente da relação percentual entre o valor do Auto de Infração e o valor que restou não comprovado. A decisão recorrida não alterou a decisão de primeira instância. Transcrevo excerto do voto (efl. 7806) sobre o assunto: No que diz respeito à omissão de receitas, entendeu a Turma Julgadora que, inexistindo contestação quanto à aplicação da presunção, o fato de a parte não comprovada representar parcela ínfima em relação ao que foi considerado pela Autoridade Fiscal, não pode, em virtude de absoluta ausência de permissivo legal, servir de fundamento para o cancelamento da exigência. No caso, estarseia aplicando mera presunção com o intuito de desconstituir crédito tributário regularmente lançado, o que, como dito, não encontra respaldo na legislação de regência. O voto manifestouse no sentido de que não há previsão legal para afastar crédito tributário regularmente lançado. Em hipótese, poderseia até dizer que não haveria menção expressa sobre a produção da prova, mas fato é que, ao tomar ciência da decisão, não se manifestou a Contribuinte em sede de embargos de declaração. Ou seja, não constatou ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição na decisão ora recorrida. E, ao devolver o mérito da matéria, apresentou, no exame de admissibilidade, dois paradigmas que tratam da aplicação do princípio da insignificância: Acórdão nº 10180.774 IRPJ OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO A comprovação, em primeira instância, da existência de 99% das obrigações, afasta a presunção de omissão de receitas em relação às parcelas de valores ínfimos tidos como não comprovadas. Acórdão nº 10318.893 IRPJ PASSIVO FICTÍCIO A comprovação, em primeira instância, da existência de mais 99% das obrigações afasta a localizar a quantidade alegada. Consideramos comprovado 13.625 kgs a acrescentar, provenientes das unidades de Sumaré e Resende.(Grifei) Fl. 8164DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.165 26 presunção de omissão de receitas em relação as parcelas de valores ínfimos tidas como não comprovadas. Nesse contexto, registro duas constatações: 1º) a matéria devolvida para apreciação do Colegiado é a aplicação do princípio da insignificância; 2º) não tendo sido embargada a decisão recorrida, e tendo as matérias dos paradigmas tratado especificamente do princípio da insignificância, restou preclusa qualquer pretensão de se reavaliar provas nos autos. Toda a exposição até o momento decorre do fato de que, em sustentação oral realizada na sessão de julgamento ocorrida no mês de agosto de 2016, o Patrono aduziu que teria apresentado provas no processo, para afastar a presunção fiscal remanescente sobre o produto THIOVIT SANDOZ 25KG, e que não foram consideradas. Dois comentários. Primeiro, conforme exaustivamente demonstrado, as aludidas provas a que se referiu o Patrono já foram apreciadas, e consideradas ineficazes para desconstituir a presunção fiscal. Segundo, se o Patrono não opôs embargos de declaração em face da decisão recorrida, e ao interpor Recurso Especial apresentou paradigma especificamente sobre o princípio da insignificância, demonstrou, sem sombra de dúvidas, que se conformou com a parte da decisão recorrida que desconsiderou a prova "controle gerencial da unidade". Sustentação oral não é momento processual para ressuscitar matéria preclusa nos autos. Portanto, diante da síntese processual, resta incontroverso que, para o produto THIOVIT SANDOZ 25KG, foi apurada a omissão de receitas, por meio de presunção legal, quando se constatou a divergência entre o estoque físico escriturado pela Contribuinte e o estoque apurado pela Fiscalização. Por sua vez, a matéria devolvida consiste, precisamente, na apreciação do princípio da insignificância. Sobre o assunto, o que aduz a Contribuinte é que, conforme resultado de diligência encaminhada pela DRJ, a presunção de omissão de receitas, que na autuação fiscal tratava de vinte e um produtos, perfazendo o total de R$34.603.858,97, foi reduzida a apenas um produto, THIOVIT SANDOZ 25KG, remanescendo apenas o valor de R$532.764,34. Assim, nesse contexto, tal valor, por ser bastante inferior ao primitivamente autuado, teria demonstrado a incorreção do procedimento fiscal, e por isso deveria ser afastado. Ocorre que não assiste razão à Contribuinte. Não há qualquer base legal que ampare o afastamento de uma exação fiscal apenas porque a parte mantida na fase contenciosa seria em valor significativamente inferior ao apurado no decorrer da autuação fiscal. A aplicação do princípio da insignificância, de ordem subjetiva, que não tem nenhum amparo no direito tributário. Pelo contrário, a infração tributária tem natureza Fl. 8165DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.166 27 objetiva, consagrada pelo art. 136 do CTN 11, ao dispor que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, no caso concreto, o valor principal de R$532.764,34 não é irrisório, pelo contrário, é relevante e não pode ser objeto de disponibilidade com fundamento de ordem meramente discricionária e ilegal. Nesse sentido, nego provimento ao recurso da Contribuinte sobre a matéria omissão de receitas por diferença de estoque. IV. Juros de Mora sobre Multa de Ofício Vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Doutrina de Ives Gandra Martins ratifica o entendimento: A obrigação tributária abrange tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. O pagamento, seja do tributo, seja da penalidade pecuniária que são duas espécies do gênero obrigação tributária , extingue o crédito tributário. A obrigação principal é efetivamente uma obrigação tributária. A obrigação acessória é uma obrigação administrativa, porque, quando ela passa a ser tributária, deixa de ser acessória e passa a ser principal. Há que se observar que não é toda penalidade tributária que se constitui em sanção com conformação de obrigação tributária. A penalidade que implica a perda de 11 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 8166DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.167 28 liberdade, que é ínsita ao campo do Direito Tributário, essa, evidentemente, não é uma obrigação tributária. A obrigação tributária é, como vimos, gênero do qual são espécies o tributo e a penalidade. Entretanto, esta só compreende a penalidade pecuniária. Se a penalidade for de outra natureza, tributária não é. As obrigações acessórias, aquelas que os contribuintes são obrigados a fazer em nome do fisco e para o fisco, como a escrituração dos seus livros, a manutenção dos seus documentos, a emissão de notas fiscais, essas obrigações acessórias, na verdade, não são obrigações tributárias, são obrigações administrativas. O contribuinte se transforma numa longa manus da Administração, e é evidente que essas obrigações acessórias, quando descumpridas, merecem uma penalidade, e sempre que merecerem uma penalidade pecuniária passam a ser obrigações principais e entram naquela conformação do art. 113 (Curso de direito tributário, Col. AudioJuris,, fita n. 6, lado A)." (grifei)” Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, assim que tanto tributo quanto penalidade estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. V. Conclusão Portanto, diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente quanto as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro e (3) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício, e, negar provimento ao recurso da Contribuinte. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 8167DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.168 29 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rego, Redatora Designada. Ousei divergir do ilustre relator no tocante ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, no que diz respeito à divergência quanto à omissão de receitas porque, em que pese o acórdão recorrido e o paradigma tratarem de legislações distintas, a tese encampada pelo acórdão paradigma, ao interpretar a legislação de presunção legal de omissão de receitas, poderia ser perfeitamente aplicável ao caso do acórdão recorrido. Ressalto que, muito embora eu não concorde com a aludida tese, tanto é que acompanhei o relator no tocante ao mérito, o fato é que os acórdãos paradigmas nº 10180.774 e 10318.893, exoneraram a autuação quando houve comprovação de parcela significativa de valores lançados a título de omissão de receita e o recorrido manteve a exigência sobre a parcela remanescente, por falta de previsão legal para afastar a exigência lançada, ainda que fundamentada em uma presunção legal. No caso do acórdão nº 10180.774, de 19 de novembro de 1990, a autuação decorria de passivo fictício, a primeira instância entendeu estar comprovada 99% das obrigações e exonerou essa parcela, e o Conselho, por meio desse acórdão, exonerou o restante sob o seguinte argumento: “(...) Comprovadas quase 99% (noventa e nove por cento) das obrigações, a presunção passa a militar a favor da contribuinte em relação aos valores, irrisórios, considerados pelo Fisco como não comprovados”. Da mesma forma, no que toca ao acórdão paradigma nº 10318.893, de 17 de setembro de 1997, houve acusação fiscal de inúmeras formas de omissão de receita, dentre as quais aquelas relativas ao passivo fictício. Para essa presunção legal, entendeu o colegiado, conforme ementa que ora transcrevo: “IRPJ PASSIVO FICTÍCIO A comprovação, em primeira instância, da existência de mais 99% das obrigações afasta a presunção de omissão de receitas em relação as parcelas de valores ínfimos tidas como não comprovadas.” É bem verdade que o acórdão recorrido tratou de omissão de receita presumida a partir de levantamento quantitativo por espécie, nos termos autorizados pelo art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996, mas a situação fática tratada neste processo é bastante similar àquela analisada pelos paradigmas, quando se confronta o ponto abordado pelo recorrente. É que, também no acórdão recorrido, a parcela que não restou comprovada pela autuada também era ínfima. E tanto esse argumento foi relevante, que a ementa do acórdão recorrido, nesta matéria, ficou assim tratada: OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO RELATIVA. Tratandose de presunção legal relativa, na hipótese em que o contribuinte comprova a inocorrência do fato presumido (omissão de receitas), há de se cancelar o correspondente crédito tributário. Na mesma linha, não trazendo o contribuinte elementos que possibilitem criar convicção acerca da Fl. 8168DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.169 30 inocorrência do referido fato, mantémse a exigência, não podendo a autoridade julgadora ampliar a decisão para afastá la com base no argumento de que a parcela que não restou comprovada revelase insignificante. Ou seja, tanto para a tese do acórdão recorrido, como para a tese esposada pelos acórdãos paradigmas, a legislação em que se calcou a presunção legal em si era irrelevante. O que estava em discussão, para todos esses colegiados, era a possibilidade de se afastar ou não uma presunção legal de omissão de receitas, diante de uma situação em que o sujeito passivo logrou comprovar grande parcela do que lhe estava sendo imputado a título de omissão não comprovada. Aliás, do voto vencedor do acórdão recorrido, é oportuno destacar o que estava sendo discutido: No que diz respeito à omissão de receitas, entendeu a Turma Julgadora que, inexistindo contestação quanto à aplicação da presunção, o fato de a parte não comprovada representar parcela ínfima em relação ao que foi considerado pela Autoridade Fiscal, não pode, em virtude de absoluta ausência de permissivo legal, servir de fundamento para o cancelamento da exigência. No caso, estarseia aplicando mera presunção com o intuito de desconstituir crédito tributário regularmente lançado, o que, como dito, não encontra respaldo na legislação de regência. É importante registrar que somente esses dois parágrafos do voto vencedor foram dedicados à matéria, o que significa dizer que, para o entendimento do colegiado, a omissão de receita foi mantida “em virtude de absoluta ausência de permissivo legal” para servir de fundamento para o cancelamento da exigência. Já no caso dos acórdãos paradigmas, a despeito de também não haver esse permissivo legal, os colegiados entenderam ser possível tal exclusão. Assim, considero flagrante a divergência de interpretações a respeito dos lançamentos efetuados com base em presunções legais, a despeito de, em cada caso concreto, a autuação ter sido fundamentada em dispositivos legais distintos. Adriana Gomes Rêgo Fl. 8169DF CARF MF
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