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Numero do processo: 13884.000534/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 00 53 4/ 20 10 -6 0 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO O contribuinte sofreu Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa ao ano calendário de 2006, exercício de 2007, para formalização de exigência e cobrança de restituição indevida a devolver, no valor de R$ 9.501,68 e seus acréscimos legais. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 02, na qual requereu o cancelamento do débito fiscal, alegando que o imposto de renda a ser devolvido não foi de fato restituído, pois a declaração em questão teve várias retificações, tendo a última ocorrido em 23/02/2010, conforme documento em anexo, sendo que na mesma não consta imposto a ser restituído nem tampouco a pagar. A 19ª Turma da DRJ/SPO julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. É correto o lançamento que exige a devolução de restituição indevida, em virtude da apresentação de declaração retificadora em que não resultou nenhum valor de imposto a restituir. No entender da DRJ: Na pesquisa efetuada aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil foi constatado que o contribuinte apresentou a declaração de imposto de renda pessoa física do exercício 2007 retificadora, em 14/08/2007, na qual informou rendimentos tributáveis de R$ 161.842,60 e imposto retido na fonte de R$ 42.228,36. O resultado dessa declaração foi imposto a restituir de R$ 9.501,68 que, acrescido de juros até 04/2008, perfez o total de R$ 10.535,46, do qual foi deduzido o débito de R$ 7.471,95, restando a diferença de R$ 3.063,51 que acrescida de juros até 05/2008 atingiu o valor de R$ 3.088,36, valor esse que foi resgatado no banco em 14/05/2008, conforme se vê na consulta abaixo: [...]Entretanto, em 23/02/2010, o contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual retificadora do exercício 2007, com os valores zerados (fls. 08/12) e, conseqüentemente, foi emitida a Notificação de Lançamento, objeto da impugnação do presente processo, para exigência da restituição indevida a devolver no valor de R$ 9.501,68 e seus acréscimos legais. Sendo assim, encontrase correta a exigência da devolução da restituição, eis que restou comprovado o seu recebimento indevido, já que o contribuinte retificou a declaração que lhe deu origem e não apurou nenhum valor de imposto a restituir. O contribuinte foi intimado da decisão em 07/08/2014 (fl. 24) e interpôs recurso voluntário em 01/09/2014, no qual alega que a declaração retificadora apresentada em Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 4 3 23/02/2010 está equivocada, pois a única alteração que deveria ter sido feita seria a do seu endereço. Destarte, o recorrente pleiteia que seja validada a primeira declaração, requerendo, assim, o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da provável existência de erro material É sabido que a declaração retificadora substitui a original, conforme consignado no acórdão nº 2402005.137, deste Colegiado, ex vi do art. 18 da MP 2.18949/20011. É sabido, igualmente, que não compete a este Conselho retificar a declaração prestada pelo sujeito passivo (vide acórdão nº 2402005.230). Portanto, poderseia acolher a afirmação de que seria correta a exigência, pois "o contribuinte retificou a declaração que lhe deu origem e não apurou nenhum valor de imposto a restituir". Ocorre, contudo, que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em virtude de iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos do art. 149 do CTN, conforme preleciona o seu art. 145, inc. III. Entre as hipóteses autorizadores da revisão de ofício, aplicáveis ao caso concreto, encontramse a comprovação do erro (art. 149, inc. IV) e a apreciação de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento (art. 149, inc. VIII). Vejase: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: [...] III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. .... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; 1 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 6 5 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; [...] No caso vertente, o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" (fl. 35) prova, aparentemente, a existência de erro de fato cometido pelo recorrente (fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento), o qual, por ocasião da apresentação da declaração retificadora, zerou os montantes que haviam sido originalmente declarados a título de rendimentos tributáveis, de contribuição previdenciária oficial e de imposto de renda retido, zerando, consequentemente, o saldo restituído apurado na declaração retificada. Do citado comprovante, destacase o seguinte quadro demonstrativo: Sendo assim, (i) diante do aparente erro de fato cometido pelo contribuinte; (ii) erro este não detectável quando do lançamento, sobretudo porque o comprovante de rendimentos somente foi apresentado em grau recursal; (iii) dando azo à constituição do crédito em questão; o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a autoridade fiscal (i) se manifeste sobre o comprovante de rendimentos de fl. 35; (ii) sobre a provável existência de erro material na declaração retificadora, mormente se considerado o aludido comprovante; e (iii) sobre a subsistência ou insubsistência do crédito lançado em face do sujeito passivo. 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO DILIGÊNCIA, nos termos da fundamentação. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000069/2001-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1994
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE FINSOCIAL COM DÉBITOS DA COFINS. CONVALIDAÇÃO. IN SRF Nº 32/97.
A convalidação da compensação do FINSOCIAL com a COFINS efetuada a pedido do contribuinte e com base na IN SRF nº 32/97 para aplicação de decisão judicial transitada em julgado é válida, ainda que os débitos provenientes da glosa da compensação já estivessem no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, inexistindo violação das Leis nº 9.430/96 e 9.784/99.
COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO. APLICAÇÃO DE ÍNDICES PLENOS. IMPOSSIBILIDADE EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE FIXOU OS ÍNDICES A SEREM APLICADOS.
Diante da norma individual e concreta revestida com a eficácia da coisa julgada estabelecendo que, no período anterior à instituição da UFIR, os créditos decorrentes do pagamento indevido do FINSOCIAL devem ser corrigidos pelos mesmos índices utilizados pela União na correção dos débitos do contribuinte, descabe a aplicação dos índices plenos de correção monetária.
COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DO INDÉBITO PELA TAXA SELIC.
Inexistindo saldo de crédito a favor do contribuinte em período posterior a janeiro de 1996, descabe a aplicação da correção estabelecida no art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1994 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE FINSOCIAL COM DÉBITOS DA COFINS. CONVALIDAÇÃO. IN SRF Nº 32/97. A convalidação da compensação do FINSOCIAL com a COFINS efetuada a pedido do contribuinte e com base na IN SRF nº 32/97 para aplicação de decisão judicial transitada em julgado é válida, ainda que os débitos provenientes da glosa da compensação já estivessem no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, inexistindo violação das Leis nº 9.430/96 e 9.784/99. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO. APLICAÇÃO DE ÍNDICES PLENOS. IMPOSSIBILIDADE EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE FIXOU OS ÍNDICES A SEREM APLICADOS. Diante da norma individual e concreta revestida com a eficácia da coisa julgada estabelecendo que, no período anterior à instituição da UFIR, os créditos decorrentes do pagamento indevido do FINSOCIAL devem ser corrigidos pelos mesmos índices utilizados pela União na correção dos débitos do contribuinte, descabe a aplicação dos índices plenos de correção monetária. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DO INDÉBITO PELA TAXA SELIC. Inexistindo saldo de crédito a favor do contribuinte em período posterior a janeiro de 1996, descabe a aplicação da correção estabelecida no art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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CONVALIDAÇÃO. IN SRF Nº 32/97. A convalidação da compensação do FINSOCIAL com a COFINS efetuada a pedido do contribuinte e com base na IN SRF nº 32/97 para aplicação de decisão judicial transitada em julgado é válida, ainda que os débitos provenientes da glosa da compensação já estivessem no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, inexistindo violação das Leis nº 9.430/96 e 9.784/99. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO. APLICAÇÃO DE ÍNDICES PLENOS. IMPOSSIBILIDADE EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE FIXOU OS ÍNDICES A SEREM APLICADOS. Diante da norma individual e concreta revestida com a eficácia da coisa julgada estabelecendo que, no período anterior à instituição da UFIR, os créditos decorrentes do pagamento indevido do FINSOCIAL devem ser corrigidos pelos mesmos índices utilizados pela União na correção dos débitos do contribuinte, descabe a aplicação dos índices plenos de correção monetária. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DO INDÉBITO PELA TAXA SELIC. Inexistindo saldo de crédito a favor do contribuinte em período posterior a janeiro de 1996, descabe a aplicação da correção estabelecida no art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 00 69 /2 00 1- 65 Fl. 439DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de restituição do FINSOCIAL no qual o contribuinte solicita restituição do indébito relativo a pagamentos efetuados no período compreendido entre setembro de 1989 a julho de 1990, com base em decisões judiciais transitadas em julgado. Alternativamente à restituição, o contribuinte requereu a compensação do indébito com parcelas vencidas e vincendas dos demais tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, inclusive débitos de terceiros e parcelas consolidadas no REFIS. Requereu a aplicação da correção monetária plena, sem os expurgos inflacionários dos planos econômicos. Segundo consta do despacho decisório de fls. 198/202, na ação 90.00.08932 8 o contribuinte obteve o reconhecimento do direito de não recolher o FINSOCIAL com alíquota superior a 0,5%, devendo sujeitarse à tributação da forma como fora originalmente instituída pelo Decretolei nº 1940/82. O Acórdão do TRF da 1ª Região transitou em julgado em 10/06/1994. Já na ação 95.00.111730, o contribuinte obteve o reconhecimento do direito de compensar os valores do FINSOCIAL efetuados a maior, com débitos vincendos da COFINS. O Judiciário decidiu que no período anterior à instituição da UFIR, o indébito deveria ser corrigido pelos mesmos índices utilizados pela União na cobrança de seus débitos e ser acrescido de juros de mora calculados nos termos do art. 167, parágrafo único, do CTN. O Acórdão do TRF da 1ª Região transitou em julgado em 18/10/1999. A autoridade administrativa processou o requerimento do contribuinte e decidiu o seguinte: a) Com relação aos pagamentos efetuados entre agosto de 1990 e março de 1992, houve depósito em juízo. Após o trânsito em julgado da decisão judicial, foi expedido alvará de levantamento (fl. 157 e 166/171) e os valores depositados que excederam a alíquota de 0,5% foram devolvidos ao contribuinte; b) Com relação à parcela de créditos do FINSOCIAL utilizada para a compensação de COFINS dos meses de julho a outubro de 1994, efetuada no processo 10680.011441/9602, os cálculos dessa compensação foram refeitos para contemplar a correção do indébito pelos índices da Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 08, de 27 de junho de 1997, tal como determinou a decisão judicial transitada em julgado (correção do indébito pelos mesmos índices usados pela Receita Federal na correção dos débitos do contribuinte). Após os novos cálculos, concluiuse que o valor do crédito de FINSOCIAL era Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 3 3 equivalente a 201.742,66 UFIR em janeiro de 1992. Esses créditos de FINSOCIAL foram mais do que suficientes para liquidar os débitos da COFINS daqueles períodos compensados no processo 10680.011441/9602, com sobra de crédito a favor do contribuinte no valor de Cr$ 1.154.170,45. Esse saldo, em outubro de 2006, equivale a R$ 57.097,33, disponível para restituição ao contribuinte neste processo administrativo (fls. 63/64 do vol. 1); c) Com relação ao valor remanescente de créditos em outubro de 2006, no montante de R$ 57.097,33, verificando seus sistemas, o Fisco descobriu que no período de janeiro a outubro de 2003 a empresa compensou PIS e COFINS vinculando os créditos de FINSOCIAL pleiteados neste processo. Esses débitos de PIS e COFINS estavam inscritos em dívida ativa porque as vinculações à compensação não foram validadas. Entretanto, considerando a existência de crédito de FINSOCIAL em valor original de Cr$ 1.154.170,45 em julho de 1990, a Administração efetuou a compensação vinculada à COFINS devida em janeiro de 2003, vencida em 14/02/2003. Nesses cálculos, ficou demonstrado que o saldo credor remanescente de FINSOCIAL foi totalmente absorvido, restando um débito remanescente da COFINS de janeiro de 2003 no montante de R$ 1.896,65 (cálculos de fls. 231/234) em relação ao qual prosseguiuse na cobrança; d) Considerando que os créditos de FINSOCIAL do contribuinte foram inteiramente consumidos nas amortizações das compensações informadas nos itens "b" e "c", não existe saldo de FINSOCIAL a ser restituído ao contribuinte. Regularmente notificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou em tempo hábil manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: a) É credora do Fisco de valores recolhidos a maior a titulo de Finsocial, porquanto ajuizou a Ação Declaratória n° 90.00.089328 (fls. 29/59), julgada procedente e transitada em julgado em 10 de junho de 1994; b) No decorrer da ação parte dos valores foram objeto de depósito judicial (período de agosto de 1990 a março de 1992), os quais foram levantados mediante alvará após o trânsito em julgado; e a outra parte (período de setembro de 1989 a julho de 1990), que já havia sido recolhida aos cofres públicos, conforme comprovam os DARF de fls. 24/28, deve ser a ela restituída em espécie ou mediante compensação; c) Com o trânsito em julgado da Ação Declaratória, a recorrente promoveu a compensação dos créditos com débitos de Cofins referentes ao período de 07/1994 a 10/1994. Todavia, esta compensação foi glosada pela autoridade administrativa, que a considerou indevida. Isto ocasionou a remessa dos débitos para inscrição em divida ativa e o ajuizamento da Execução Fiscal n°199838.00.0346732, a qual foi distribuída perante a 10ª Vara da Justiça Federal de Belo Horizonte — MG (fls. 86/113); d) Tais débitos, objeto da execução fiscal mencionada, foram posteriormente incluídos no Refis pela recorrente, isto em 28 de abril de 2000 (fls. 114/119), o que fez com que o crédito buscado neste processo fosse restituído em sua integralidade ao contribuinte, uma vez que toda a compensação que fora anteriormente glosada foi devidamente paga; e) Com o objetivo de afastar os óbices para que a recorrente pudesse se valer da compensação administrativa para utilizar o crédito de Finsocial, esta ajuizou, em 21 de fevereiro de 1995, a Ação Ordinária n° 95.111730, que tramitou perante a Justiça Federal de Fl. 441DF CARF MF 4 Belo Horizonte — MG, da qual restou reconhecido o direito de compensar tais valores (trânsito em julgado em 18 de outubro de 1999); f) Diante da decisão judicial que lhe assegurou o direito de compensar o indébito de Finsocial, considerando, outrossim, a perda de objeto da compensação inicialmente pretendida (devido à glosa e inclusão dos débitos no Refis), a requerente, em 16 de março de 2001, protocolizou o presente pedido de restituição; g) Quando do protocolo do pedido, a recorrente apresentou planilha com os valores a serem restituídos devidamente atualizados, consoante os índices de correção monetária e expurgos contemplados pela Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR n° 08/97 (fl. 18), bem como pela jurisprudência de nossos tribunais, sendo que à época do protocolo, o valor do indébito tributário alçava o montante aproximado de R$ 950.000,00 (novecentos e cinquenta mil reais); h) Posteriormente, considerando que, com a glosa das compensações, seu direito creditório foi restaurado por completo, a recorrente promoveu nova compensação administrativa dos indébitos de Finsocial, agora com débitos de Pis e de Cofins, relativos ao período de 01/2003 a 10/2003, a qual foi informada à RFB por meio das respectivas DCTFs, entregues tempestivamente; g) Passados quase 8 anos do protocolo do pedido de restituição e 6 das declarações de compensação, a autoridade administrativa resolveu analisar os fatos nele ocorridos, o que culminou no equivocado Despacho Decisório recorrido. A solução dada ao caso é ilegal e diverge da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Requereu o seguinte: 1) O reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de PIS e COFINS relativos ao período de janeiro a outubro de 2003, em razão da manifestação de inconformidade apresentada; 2) Seja declarado inválido o ato que convalidou as compensações de julho a outubro de1994, pois a convalidação ocorreu após o decurso do prazo de cinco anos estabelecido no art. 54 da Lei nº 9.430/96; 3) Seja o indébito acrescido de correção monetária plena, sem os índices expurgados da inflação não reconhecida nos planos econômicos, e também de juros com base na taxa Selic; 4) Seja assegurado o direito do contribuinte compensar o crédito de FINSOCIAL com quaisquer débitos de tributos administrados pela Receita Federal, não obstante a decisão judicial só tenha autorizado a compensação com a COFINS; 5) Na remota hipótese de não serem acolhidos os pedidos anteriores, que sejam extintos os débitos de PIS e COFINS do período de janeiro a outubro de 2003, em virtude da homologação tácita. Por meio do Acórdão nº 0927.156, de 18, de novembro de 2009, a 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora MG, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Ficou decidido o seguinte: a) No que tange à correção monetária, deve prevalecer o dispositivo da decisão judicial transitada em julgado, que mandou aplicar ao crédito os mesmos índices que o Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 4 5 Fisco utiliza na correção dos débitos do contribuinte, o que afasta a possibilidade de aplicação dos índices "cheios" da inflação expurgada pelos planos econômicos; b) No que tange às compensações do período de janeiro a outubro de 2003, o colegiado entendeu que contribuinte não apresentou as declarações de compensação às quais estava obrigado desde outubro de 2002, quando entrou em vigor o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Desse modo, as supostas compensações não têm existência jurídica, não havendo que se falar em homologação tácita. Não há como se homologar uma compensação que não existe; c) Tendo em vista que os débitos de PIS e COFINS do período de janeiro a outubro de 2003 estão informados em DCTF e que estas se constituem em instrumento hábil para sua cobrança, não há que se falar em suspensão de exigibilidade com base na manifestação de inconformidade; d) O art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica ao caso, pois ele estabelece um prazo de decadência para a Administração anular atos favoráveis ao contribuinte. A convalidação da compensação realizada no período de julho a outubro de 1994 não desfez nenhum ato favorável ao contribuinte. A referida convalidação foi realizada para beneficiar o contribuinte, pois no cálculo original dos créditos não havia sido aplicada nenhuma correção monetária, posto que naquela época não existia a Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/1997. E tal procedimento foi feito a pedido do contribuinte e não de ofício pela Administração. Sendo assim, foi negado o pedido de invalidação do ato que convalidou essas compensações. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 29/12/2009, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 296/317 em 27/01/2010 (fl. 408). Inicialmente informou que desistiu da compensação efetuada no período de janeiro a outubro de 2003, pois vai incluílos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Sendo assim desiste dos pedidos constantes dos itens "a" e "f" formulados à fl. 302 da manifestação de inconformidade, bem como do pedido de reconhecimento de homologação tácita dessas compensações. No mérito, insurgiuse contra a decisão recorrida na parte em que negou o pleito de anulação da convalidação das compensações efetuadas entre julho e outubro de 1994, sob os argumentos de decadência, violação do princípio da segurança jurídica e impossibilidade de efetuar a convalidação, em face das novas disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Reafirmou seu direito à correção monetária plena do indébito, pois a decisão judicial não afastou seu direito aos índices cheios; a inclusão de tais índices não integrou os pedidos nas ações judiciais e, portanto, não se pode entender que foram afastados pelo Judiciário; a correção monetária plena é o único meio de fazer a Fazenda restituir o que ela obteve indevidamente. Reafirmou a necessidade de aplicar ao indébito a correção pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996, na forma do art. 39 da Lei nº 9.430/96. Reafirmou a possibilidade de compensar o indébito com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal. Por meio da Resolução 3102000.231 de fls. 427/428 o julgamento foi convertido em diligência para que a repartição fiscal juntasse aos autos as cópias das peças principais dos processos judiciais onde ficasse demonstrada a data do trânsito em julgado das referidas ações. Por meio do despacho de fls. 434/435 o processo foi restituído ao CARF com a informação de que, embora o contribuinte não tenha respondido à intimação para apresentar as peças da ação judicial, todos os documentos solicitados na diligência já estão anexados ao Fl. 443DF CARF MF 6 processo. A autoridade administrativa elaborou uma espécie de índice, discriminando o documento e a respectiva folha do processo no qual ele se encontra. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Preliminarmente, cumpreme esclarecer ao colegiado que, ao contrário do que está consignado na informação prestada no despacho do retorno da diligência, não existe na versão digital do processo (que tramita pelo eprocesso) nenhuma peça dos processos judiciais. Os documentos existentes no processo digital que correspondem às folhas mencionadas no índice elaborado pela autoridade administrativa (fls. 434/435 do PDF), não correspondem aos documentos indicados pela referida autoridade. No processo que tramita pelo eprocesso não existe nenhum documento relativo aos processos judiciais. O que se tem são relatos do objeto e do conteúdo das decisões judiciais proferidas, bem como informação quanto às datas em que ocorreram os trânsitos em julgado. Entretanto, considero que a diligência solicitada foi desnecessária, pois a inexistência das peças dos processos judiciais não constitui óbice ao julgamento do recurso voluntário, uma vez que são fatos incontroversos no processo: a) a existência das duas ações judiciais; b) as datas em que ambas transitaram em julgado; c) o conteúdo da parte dispositiva que reconheceu o direito de o contribuinte efetuar a compensação dos créditos do FINSOCIAL com a COFINS; e d) a correção monetária do indébito pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional na correção de seus créditos, no período que antecedeu a instituição da UFIR. Por não existirem controvérsias quanto aos objetos das ações, quanto aos conteúdos das decisões e nem quanto às datas em que transitaram em julgado, não vejo nenhuma necessidade de que este colegiado devolva o processo à repartição de origem para a juntada dos documentos da ação judicial, mesmo porque nem mesmo o contribuinte respondeu a intimação para apresentar as referidas peças. No mérito, são três as questões postas no recurso voluntário a serem decididas por este colegiado: a) se o que o contribuinte chamou de "convalidação" das compensações do período de julho a outubro de 1994 violou as Leis nº 9.784/99 e 9.430/96; b) se é possível aplicar a correção monetária ao indébito pelos índices cheios, quando é incontroverso nos autos que o dispositivo transitado em julgado da ação judicial determinou a correção pelos mesmos índices utilizados pelo fisco na cobrança de seus créditos, no período anterior à instituição da UFIR, quando não havia previsão legal para a correção da restituição; e Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 5 7 c) se é possível o contribuinte compensar o crédito de FINSOCIAL com débitos de qualquer tributo administrado pela Receita Federal ou obter restituição, apesar da decisão judicial ter restringido o direito à compensação com débitos de COFINS. Relativamente à questão posta no item "c" acima, assim se pronunciou o acórdão de primeira instância (fl. 293), in verbis: "(...) (...)" Como se vê, a questão trazida a este colegiado já foi decidida favoravelmente ao contribuinte pelo acórdão de primeira instância e, por tal motivo, não será abordada neste voto. No que tange à impossibilidade de a Administração "convalidar" a compensação do crédito de FINSOCIAL com os débitos da COFINS dos meses de julho a outubro de 1994, a argumentação da defesa faz parecer que a autoridade administrativa reviu de ofício o ato de glosa da compensação, mas na verdade, tal revisão decorreu de pedido expresso do contribuinte, tal como se pode constatar na fl. 26, in verbis: "(...) Fl. 445DF CARF MF 8 Conforme se pode constatar, foi a própria recorrente quem solicitou a exclusão dos débitos de julho a outubro de 1994 da inscrição na dívida ativa, a fim de que fosse aplicada a convalidação estabelecida na IN SRF nº 32/97. Portanto, se foi o contribuinte quem solicitou a revisão dos cálculos a fim de que fosse reconhecido o direito já exercido de compensação do FINSOCIAL com a COFINS e a aplicação da decisão judicial que lhe beneficiava, não tem cabimento algum que ele venha argumentar com o art. 54 da Lei nº 9.784/99, que dispõe o seguinte: Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1oNo caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2oConsiderase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Como se vê, andou bem a decisão recorrida ao considerar esse dispositivo legal inaplicável ao caso concreto, pois a Administração não anulou por iniciativa própria um ato favorável ao contribuinte para substituílo por um desfavorável. Pelo contrário, a revisão efetuada aumentou o crédito de FINSOCIAL do contribuinte, pois a DRF aplicou ao indébito os mesmos índices de correção monetária que o fisco aplicava na correção dos valores que lhe eram devidos (NE COSIT/COSAR nº 08/1997) e tal alteração nos cálculos decorreu de pedido expresso do contribuinte. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 6 9 Também não tem aplicação alguma ao caso concreto o art. 55 da Lei nº 9.784/99. O referido dispositivo estabelece o seguinte: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Como se vê o citado artigo também não tem aplicação neste caso porque a revisão dos cálculos a pedido do contribuinte não acarretou lesão ao interesse público e nem prejuízo a terceiros. O interesse público não foi maculado, pois existe prova nos autos de que a revisão foi feita a pedido do contribuinte e que a correção monetária com base nos mesmos índices foi estabelecida por meio de decisão judicial transitada em julgado. Da mesma forma, a revisão dos cálculos não causou prejuízo a terceiros, pois na relação debito/crédito só existem dois interessados: a União e o contribuinte. Portanto, não há que se falar em decadência do direito de a Administração rever o despacho que não aceitou a compensação efetuada no processo nº 10680.011441/9602, pois tal revisão não foi feita de ofício e a referida revisão e aumentou o valor do crédito reconhecido na ação judicial, o qual foi utilizado para extinguir, por compensação, os débitos de COFINS do período de julho a outubro de 1994, cujo direito já havia sido exercido pelo contribuinte. Mas não é só. O contribuinte está se valendo do significado ambíguo do verbo "convalidar". Esse verbo foi empregado na Lei nº 9.784/99 com um sentido diferente daquele com que foi empregado na IN SRF nº 32/97. Na Lei nº 9.784/99 a "convalidação" se refere a um ato administrativo expedido com algum vício sanável. Ou seja, "convalidar" no contexto da Lei nº 9.784/99 significa tornar hígido um ato administrativo que não era hígido, por possuir algum defeito sanável. Já na IN SRF nº 32/97, "convalidar" significa aceitar as compensações de créditos de FINSOCIAL com débitos da COFINS, que haviam sido efetuadas pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, uma vez que a Administração Tributária não aceitava essa compensação, em virtude da interpretação literal que era dada ao art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/911. 1 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. § 4° O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Fl. 447DF CARF MF 10 Isso revela que não havia nenhum vício a ser "convalidado" no despacho original que não aceitou a compensação dos créditos de FINSOCIAL com os débitos da COFINS, pois ele estava conforme à literalidade do art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/91, que só autorizava a compensação entre tributos da mesma espécie. Portanto, o reconhecimento do direito à compensação do crédito de FINSOCIAL com os débitos de COFINS do período de julho a outubro de 1994, efetuada no processo nº 10680.011441/9602, a pedido do contribuinte, não "convalidou" um ato administrativo inválido por estar eivado de algum vício sanável. O que ocorreu foi a aceitação por parte do Fisco de uma compensação que antes não era aceita, mesmo porque na ação judicial o contribuinte ganhou o mesmo direito reconhecido pela IN SRF nº 32/97. Com isso, ficam afastadas as alegações de que o fisco decaiu do direito de "convalidar" a compensação e de que a "convalidação" violou a proibição contida no art. 74, § 3º da Lei nº 9.430/96. O art. 74, § 3º da Lei nº 9.430/96, proíbe o contribuinte de incluir em declaração de compensação débitos que tenham sido encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em dívida ativa; débito que tenha sido incluído em processo de parcelamento; e débitos que tenham sido objeto de compensação não homologada, que se encontre pendente de decisão administrativa. Esse dispositivo legal é inaplicável ao caso porque o direito à compensação já havia sido exercido pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Desse modo, não há que se falar em violação da Lei nº 9.430/96, pois o procedimento da Administração Tributária foi efetuado a pedido do contribuinte e para cumprimento de decisão judicial, que reconheceu o direito à compensação do FINSOCIAL com a COFINS, com base no regime da do art. 66 da Lei nº 8.83/91. No mesmo sentido, são inaplicáveis ao caso concreto os Acórdãos transcritos no corpo do recurso, pois todos eles sopesaram situações fáticas completamente distintas do caso concreto. Aqui se trata de dar cumprimento a pedido do contribuinte a uma decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito do autor a efetuar uma compensação que ele já havia efetuado no âmbito do lançamento por homologação. Nos acórdãos transcritos no recurso, a compensação ou foi efetuada com crédito resultante de decisão não transitada em julgado (20400.900); ou foi feita compensação de ofício (RESP 873.799), o que não é o caso dos autos. Sendo assim, permanece hígida a compensação efetuada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação e confirmada pela Administração, no processo 10680.011441/9602. Relativamente à correção monetária plena, também não assiste razão ao contribuinte, pois é incontroverso nos autos que a decisão judicial transitada em julgado estabeleceu que para períodos anteriores ao advento da UFIR, o crédito do contribuinte deveria ser corrigido pelos mesmos índices que corrigiram os créditos da Fazenda Nacional. A origem desse entendimento reside no fato de que antes da introdução do direito de compensação por meio do art. 66 da Lei nº 8.383/91 não havia previsão legal para a correção monetária dos créditos dos contribuintes. Após anos de demandas judiciais, consolidouse no Poder Judiciário o entendimento de que os indébitos originados em períodos anteriores à Lei nº 8.383/91, os Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 7 11 indébitos deveriam sofrer correção monetária pelo mesmo critério que a Fazenda Nacional utilizava para corrigir os débitos dos contribuintes. E isso foi operacionalizado pelos índices estabelecidos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR nº 8/97. Como essa Norma de Execução satisfaz a exigência contida no dispositivo transitado em julgado, não existe nenhum reparo a fazer nos cálculos elaborados pela repartição fiscal de origem. Os argumentos deduzidos no recurso são irrelevantes para afastar a norma individual e concreta, revestida com a eficácia da coisa julgada. O fato de o contribuinte não ter pedido a correção monetária na petição inicial da ação, não significa que o juiz não afastou a sua pretensão. Se o juiz escreveu no dispositivo que anteriormente ao advento da UFIR o crédito do contribuinte deveria ser corrigido pelos mesmos índices aplicados aos créditos da Fazenda Nacional, não há como ampliar essa decisão em sede de julgamento administrativo para incluir os índices cheios. Por todos esses motivos, não podem ser aceitos os valores de crédito calculados pelo contribuinte que foram apresentados com a impugnação. O contribuinte pleiteou, ainda, a aplicação da Taxa Selic para a correção do indébito, com base no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Ora, essa correção só pode ser aplicada a partir da vigência da Lei nº 9.430/96, e caso ainda reste indébito do contribuinte em relação aos pagamentos indevidamente efetuados contribuinte à época em que estava sujeito ao FINSOCIAL. Considerando que a autoridade administrativa demonstrou que com o cumprimento da decisão judicial transitada em julgado os créditos de FINSOCIAL foram absorvidos integralmente pelas compensações realizadas pelo contribuinte antes da publicação da Lei nº 9.430/96, não resta nenhum saldo de FINSOCIAL passível de ser corrigido pela aplicação da Taxa Selic. O contribuinte reclamou que nos cálculos de fls. 222 e 252/253, a autoridade administrativa violou o art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96 porque ela não aplicou a Taxa Selic para corrigir o indébito. Examinandose esses cálculos, constatase que eles foram efetuados para utilizar o crédito de FINSOCIAL do contribuinte para amortizar compensações efetuadas com débitos de COFINS vencidos antes do advento do art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, não havia mesmo como a autoridade administrativa aplicar a taxa Selic retroativamente àquele indébito. Somente se sobrasse crédito a favor do contribuinte em período posterior a janeiro de 1996 é que esse saldo seria passível de correção pela Taxa Selic. No caso concreto, conforme antes mencionado, o saldo de créditos de FINSOCIAL foi consumido inteiramente em compensações efetuadas antes de janeiro de 1996, inexistindo saldo passível de ser corrigido pela Taxa Selic. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 449DF CARF MF 12 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732877/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de perícias desde que entendida como necessária ao deslinde da situação posta em consideração, indeferindo motivadamente a que for considerada prescindível ou impraticável.
PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS FATOS QUE MOTIVARAM A AUTUAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PRECLUSA.
Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a questão relacionada à suspensão da imunidade, que implicou no lançamento de ofício, foi devidamente apreciada e deliberada em processo administrativo fiscal específico, tratando-se de matéria preclusa, pelo que não cabe nova apreciação.
IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE.
Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.CSLL
Tratando-se de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. A alegada obediência aos preceitos das Leis n° 8.212, de 1991, e n° 12.101, de 2009, não ampara a pretensão da litigante, tendo em vista o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, haver sido expressamente revogado pela Lei n° 12.101, de 2009, que estabelece a necessidade de a entidade dita imune obter uma certificação, documento que não foi apresentado pela Recorrente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP.
Tratando-se de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anos-calendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS.
Tratando-se de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anos-calendário em questão, deve a tributação da COFINS se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral.
Numero da decisão: 1401-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER de matéria ligada aos juros por ser considerada matéria preclusa, Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Lívia De Carli Germano e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo integralmente os lançamentos do IRPJ/CSLL; e II) Pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento em relação PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano que davam provimento parcial para considerar o recolhimento pelo Pis pela folha de salário e a isenção da Cofins sobre receitas próprias para a Fundação.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de perícias desde que entendida como necessária ao deslinde da situação posta em consideração, indeferindo motivadamente a que for considerada prescindível ou impraticável. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS FATOS QUE MOTIVARAM A AUTUAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PRECLUSA. Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a questão relacionada à suspensão da imunidade, que implicou no lançamento de ofício, foi devidamente apreciada e deliberada em processo administrativo fiscal específico, tratandose de matéria preclusa, pelo que não cabe nova apreciação. IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 28 77 /2 01 2- 31 Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 3 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA.CSLL Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. A alegada obediência aos preceitos das Leis n° 8.212, de 1991, e n° 12.101, de 2009, não ampara a pretensão da litigante, tendo em vista o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, haver sido expressamente revogado pela Lei n° 12.101, de 2009, que estabelece a necessidade de a entidade dita imune obter uma certificação, documento que não foi apresentado pela Recorrente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, deve a tributação da COFINS se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER de matéria ligada aos juros por ser considerada matéria preclusa, Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Lívia De Carli Germano e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo integralmente os lançamentos do IRPJ/CSLL; e II) Pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento em relação PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano que davam provimento parcial para considerar o recolhimento pelo Pis pela folha de salário e a isenção da Cofins sobre receitas próprias para a Fundação. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 5 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de FortalezaCE, que negou provimento ao recurso. Por bem descreve a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de autuação decorrente da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, fl. 607, que suspendeu a imunidade tributária da pessoa jurídica Fundação Edson Queiroz, CNRT 07.373.434/000186, anoscalendário 2008, 2009 e 2010, em virtude de inobservância aos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III da Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPT e às contribuições sociais reflexas (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins). Em 23/08/2012, o representante legal da pessoa jurídica foi notificado de Relatório Fiscal (fls. 02/23, processo n° 10380.729113/201269), formalizado em razão do disposto pelo § 1° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 19961, documento em que ficou consignado que a empresa beneficiária da imunidade praticou atos que representaram ofensa aos dispositivos do Código Tributário Nacional supra referidos, tendo por consequência a suspensão do benefício fiscal. Em 24/09/2012, conforme facultado pelo § 2° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996 , a pessoa jurídica apresentou petição contraditando a versão da fiscalização (fls. 359/587, processo n° 10380.729113/201269). § 1° Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9°, § 1°, e 14, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração 2 § 2° A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. A matéria foi submetida à apreciação do Sr. Delegado da DRF Fortaleza/CE que, tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pela sua assessoria (fls. 589/605, processo n° 10380.729113/201269), formalizou Despacho Decisório (fl. 606, processo n° 10380.729113/201269) considerando improcedentes as contrarazões apresentadas pela defesa e determinando a expedição de ato declaratório suspensivo da imunidade do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, em razão do que veio a Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 6 5 lume o Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012 (fl. 607, processo n° 10380.729113/201269), suspendendo a imunidade tributária da Fundação Edson Queiroz. A ciência da Informação Fiscal, do Despacho Decisório e do Ato Declaratório deuse no dia 30/10/2012, fl. 609. Inconformada com o que foi deliberado, em 20/11/2012 a interessada impugnou o ato suspensivo de sua imunidade (fls. 612/625, processo n° 10380.729113/201269). Tendo em conta que, conforme estabelecido pelo § 8° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, nem a impugnação, nem o posterior recurso acaso manejados operam efeito suspensivo, o Ato Declaratório Executivo n° 80/2012 submeteu a Fundação Edson Queiroz, relativamente aos anos calendário 2008, 2009 e 2010, à tributação suportada pelas pessoas jurídicas em geral. Implementada a suspensão da imunidade, o responsável pelo procedimento deu sequência à auditoriafiscal efetuando as intimações e as diligências que se mostraram necessárias, analisando a documentação e as respostas apresentadas e, ao final de tudo, promoveu a lavratura dos autos de infração a seguir quantificados: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ R$ 338.883.455,67 b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL R$ 122.051.473,45 c) Contribuição para o PIS/Pasep R$ 4.125.983,44 d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins R$ 43.393.454,95 Total Lançado =====================> R$ 508.454.367,48 A descrição pormenorizada do lançamento encontrase especificada em Relatório Fiscal, fls. 60/77, e em demonstrativos de apuração do IRPJ e da CSLL, fls. 78/80, da Contribuição para o PIS/Pasep, fls. 81/82, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 83/84. Consta do referenciado Relatório que a pessoa jurídica foi selecionada para fiscalização em razão de requisição do Ministério Público Federal, formalizada através do Ofício n° 093/20115° OTC/PRCE/MPF, em razão do que foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0310100.2011.00566, tendo por objeto a fiscalização das contribuições previdenciárias, do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Passase, doravante, à transcrição de fragmentos do Relatório Fiscal considerados mais relevantes para o entendimento da autuação: [...] 5. Das Informações Prestadas pelo Contribuinte Entre todas as intimações realizadas à Fundação, destacamos as que seguem, com relação de parte da documentação solicitada e a data de ciência pelo contribuinte: Termo de Início de Procedimento Fiscal, recepcionado pelo Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 7 6 contribuinte em 8 de setembro de 2011, intimouse a empresa a apresentar os Livros Diário e Razão, além da apresentação de informação em meio digital, de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP ou atual; o Termo de Intimação Fiscal n° 6, recebido pelo contribuinte em 2 de agosto de 2012, intimou a empresa a apresentar o plano de contas, os saldos mensais e os lançamentos contábeis de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e o Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001; o Termo de Intimação Fiscal n° 7, cientificado ao contribuinte em 31 de outubro de 2012, intimou a empresa a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR; o Termo de Intimação Fiscal n° 8, cuja ciência do contribuinte se deu em 4 de dezembro de 2012, intimou a Fundação a apresentar o plano de contas, os saldos mensais e os lançamentos contábeis de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e o Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001 e o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Entre estas intimações relacionadas, a empresa não apresentou apenas o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Contudo, a empresa apresentou satisfatoriamente os livros contábeis (Diário e Razão), a contabilidade da empresa no formato previsto na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001 e o documento previsto no leiaute do Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP ou atual, ou seja, foram apresentadas em meio digital e em meio papel a folha de pagamentos da empresa e sua contabilidade. Como se pode ver nos documentos anexos ao processo digital, todos os arquivos digitais foram certificados, através da emissão de recibos de autenticidade, constituindo prova bastante da contabilidade da empresa e de sua concordância com as informações lá prestadas. Além disso, como prova foram extraídas cópias dos Termos de Abertura e Encerramento e os Balancetes Gerais de cada um dos Livros Diário escriturados no período entre 01/2008 a 12/2010. 6. Dos Documentos e Livros Contábeis [...] Em 31/10/2012, foi a empresa intimada a apresentar o LALUR e a DACON entre outros documentos, através do Termo de Intimação Fiscal n° 7. Em 4/12/2012, novamente intimouse a apresentar o LALUR, a DACON e a contabilidade da empresa em meio digital consoante a Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001, devidamente validados pelo programa SINCO. Mesmo após essas intimações, a empresa não apresentou o LALUR, muito embora não se possa questionar a obrigatoriedade de sua elaboração, tendo em vista que a empresa não era mais imune. Quanto à DACON, foram apresentadas as declarações entre 10/2008 a 12/2010. Desta forma, na apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS foi utilizada a contabilidade da empresa apresentada em meio papel, corroborada pelas informações apresentadas em formato digital previsto na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001 e também no formato MANAD, cujas cópias dos Termos Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 8 7 de Abertura e Encerramento, Balancetes e recibos de autenticidade integram a versão eletrônica deste processo. 7. Do Regime de Tributação do Lucro [...] Segundo o Regulamento de Imposto de Renda RIR, existem três regimes possíveis para apuração do imposto: lucro real, presumido e arbitrado. [...] Analisandose as demonstrações financeiras elaboradas pela empresa, e a declaração da origem e aplicação de recursos, Ficha 39 das DIPJpara os anoscalendário de 2008 a 2010, esta teve lucro, ou na nomenclatura por ela empregada por se considerar imune, " superávit", nunca inferior a R$ 200.000.000,00, afastando de pronto qualquer possibilidade de tributação com base no lucro presumido. [...] Podese afirmar com segurança que a Fundação não incorreu em qualquer hipótese de arbitramento do lucro, consoante será a seguir demonstrado. [...] Convém registrar também que mesmo as empresas detentoras de imunidade são obrigadas ao cumprimento dos Princípios Contábeis Fundamentais, como se pode ver pela transcrição da Norma Brasileira de Contabilidade NBC T10: [...] Além disso, a metodologia de apuração das demonstrações contábeis das Fundações consiste em utilizar a norma contábil geral divulgada pela NBC T 3 (aprovada pela Resolução CFC n° 686, de 1990, e que vigeu até a edição da Resolução CFC n° 1.283, de 28.5.2010), adaptada por pequenas alterações de nomenclatura. Outra orientação de extremo interesse para o presente caso é a NBC TIO Dos aspectos contábeis específicos em entidades diversas, item NBC T 10.19 Entidades sem finalidade de lucros, aprovada pela Resolução CFC n° 877, de 18 de abril de 2000, de onde se extrai: [...] A análise cuidadosa das normas expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, destinadas a orientar o atendimento às exigências legais sobre procedimentos contábeis a serem cumpridos pelas pessoas jurídicas de direito privado sem finalidade de lucros, acima descritas, permite concluir que do ponto de vista da técnica contábil as Fundações estão obrigadas a manter escrituração de suas atividades de acordo com os mesmos critérios e princípios utilizados por todas as pessoas Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 9 8 jurídicas, adotando pequenas alterações de denominação para adaptála à finalidade nãolucrativa. As demonstrações contábeis devem ser realizadas na mesma sistemática prevista para a atividade empresarial, determinadas pela NBC T 3 Conceito, Conteúdo, Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis, apenas com a alteração terminológica nas seguintes contas: "Capital" substituída por "Patrimônio Social"; "Lucros ou Prejuízos Acumulados"por "Superávit ou Déficit do Exercício". Ou seja, não existem significativas diferenças de escrituração entre uma empresa imune e uma empresa comum, de forma que a contabilidade de uma empresa, que erroneamente a fazia como se imune fosse, não apresentaria grandes discrepâncias se estes mesmos fatos contábeis fossem registrados como uma empresa comum a ponto de justificar um arbitramento. Assim, para apuração de seus resultados e cálculo dos tributos devidos, não faz diferença a Fundação escriturar seus fatos contábeis como detentora de imunidade ou como uma empresa tributada pelo Lucro Real. Desta forma, restou demonstrado inequivocamente que o lançamento de ofício dos tributos federais (IRPJ, COFINS, CSLL e PIS) não poderia seguir outro regime de tributação que não o baseado no Lucro Real. 8. Da Base de Cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS Mesmo estando obrigada a elaborar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR a partir de 30/10/2012 para os anoscalendário 2008 a 2010, e tendo sido intimada duas vezes a apresentálo, a primeira em 31/10/2012 e a segunda em 04/12/2012, a empresa não cumpriu o comando da fiscalização. Assim sendo, procedeuse à apuração dos resultados tributáveis em cada um dos trimestres dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, a partir dos registros contábeis da empresa, Livros Diário e Razão, de que resultaram as infrações à legislação tributária a seguir descritas. 8.1 Resultados Operacionais Na apuração descrita no item anterior, verificouse a existência de resultados tributáveis pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), conforme demonstrativo anexo Apuração IRPJ e CSLL, parte integrante do presente Auto de Infração. Não foi verificada a existência de quaisquer adições ou exclusões ao Lucro Real previstas, respectivamente, nos arts. 249 e 250 do RIR 99. Interessante observar que os valores presentes nos demonstrativos anexos coincidem com os valores informados pelo contribuinte em sua DIPJ e na sua DRE, com a única diferença que a empresa, por se considerar indevidamente com imune, chama seu lucro de superávit, fato este que em nada descaracteriza a tributação pelo Lucro Real, ao contrário evidencia que todos os fatos contábeis da empresa foram devidamente escriturados dado que a fiscalização foi capaz de apurar corretamente o lucro da empresa. 8.2 Insuficiência de Recolhimento do PIS Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 10 9 Após a ciência da suspensão da imunidade tributária quanto ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, foi a empresa intimada a apresentar os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) para os anoscalendário 2008, 2009 e 2010, contendo a apuração mensal do PIS. A primeira questão que se apresenta é sobre a base de cálculo do PIS: a folha de pagamentos ou o Faturamento da empresa. A matéria é regulada pelas Leis 9.715, de 25 de novembro de 1998 e 9.718, de 27 de novembro de 1998, e pela Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O art. 2° da Lei n° 9.715/98, estabelece como bases do PIS: [...] Já a Lei n° 9.718/98 é ainda mais específica ao estabelecer que: [...] Contudo, estes não são os únicos diplomas normativos que tratam da matéria. A MP n° 2.15835/2001 foi editada com o fito de estabelecer uma base de cálculo do PIS diferente, mas apenas para as empresas por ele relacionadas: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [..] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n2 9.532, de 10 de dezembro de 1997; [...] VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público [...] Ao ter sua imunidade suspensa, não pode a Fundação ser caracterizada no inciso III do art. 13 da MP n° 2.15835/2001. Quanto ao inciso VIII, é necessária uma análise sistemática do ordenamento jurídico. Com efeito, o art. 13 da MP 2.15835/2001 contém a regramatriz básica para a exigência da contribuição do PIS sobre as instituições de educação (não empresariais) (inciso III) e para as fundações de direito privado. O avanço na compreensão do assunto depende de se perquirir o espectro jurídico estabelecido para a organização e funcionamento das fundações. É mister destacar que mesmo as fundações de direito privado enquadramse em rígidas normas previstas no Código Civil Brasileiro, de forma que não podem ter caráter lucrativo e nem podem destinar parcelas de seu patrimônio, senão para outras fundações com o mesmo fim conforme previsto no art. 69 do Código Civil de 2002. A lição de Carlos Roberto Gonçalves (Direito Civil Brasileiro, volume 1: parte geral — 8aEd. — São Paulo: Saraiva, 2010, p. 240 e 245) é esclarecedora: [...] Nessa mesma linha de raciocínio a fundação de direito privado deve almejar a consecução de fins nobres, para proporcionar a adaptação à vida social, a obtenção da cultura do Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 11 10 desenvolvimento intelectual e o respeito de valores espirituais, artísticos, materiais ou científicos. Não pode haver abuso, desvirtuandose os fins fundacionais para atender a interesses particulares do instituidor, por exemplo. (DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, v. 1: direito das coisas 18 ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 211). Os fundamentos da doutrina civilista caracterizam com precisão a moldura que circunscreve as ações das fundações de direito privado: atuam para atingir um fim previamente definido, sem nenhum caráter empresarial e sem desvirtuar os recursos das entidades para fins diversos. Observase que a intenção do legislador, ao diferenciar a maneira de cobrança da contribuição (PIS) das fundações, foi privilegiar o caráter social e benemerente que caracterizam essas instituições. E óbvio que a tributação do PIS sobre a folha de salário foi prevista para a fundação que atua dentro dos limites impostos pelo padrão insculpido na legislação para as entidades dessa natureza. Em outras palavras, a incidência do PIS sobre a folha de salários somente se justifica diante da ausência de atividade lucrativa. Constatado desvio de finalidade, que imponha a apuração de lucro tributável pelo imposto de renda, em determinado período, incidirá o PIS sobre o faturamento, para que se cumpra o mandamento legal previsto no art. 2°, I, da Lei n° 9.715, de 1998, c/c art. 2°, da Lei n° 9.718, também de 1998: A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês. Notese que a fundação somente pagará o PIS sobre o Faturamento durante o período em que se desvirtuou de seus fins, retornando ao PIS sobre a folha de salários quando não mais estiver sujeita à apuração de lucro tributável pelo IRPJ. Essa abordagem interpretativa faz todo o sentido para a aplicação ao caso concreto da Fundação Edson Queiroz, levandose em conta que os fatos apurados pelas autoridades fiscais no procedimento de suspensão de imunidade, aplicáveis também ao lançamento do PIS/Pasep, demonstraram que a autuada, nos anoscalendário 2008 a 2010, agiu de forma de uma sociedade empresária e, como tal, suas receitas foram enquadradas no conceito de faturamento, deslocandose o fundamento legal para a cobrança da contribuição (PIS) para o inciso I do art. 2o da Lei n° 9.715, de 1998, c/c o art. 2o da Lei n° 9.718, de 1998, regulamentado pelo art. 3o do Decreto n° 4.524, de 2002. Já determinada qual a base de cálculo do PIS, eis que surge nova dúvida: o regime cumulativo ou não cumulativo do PIS. Sobre o assunto, as Leis n° 9.715 e 9.718, ambas de 1998, cuidavam do regime de incidência do PIS/Pasep sobre o faturamento considerado cumulativo. Porém com o advento da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos arts. 1° a 6°, foi instituído o regime de apuração do PIS/Pasep não cumulativo, que passou a ser a regra geral para os respectivos contribuintes, apenas excetuadas as empresas expressamente citadas em seu art. 8°: [...] Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 12 11 Da análise destas exceções, percebese que a Fundação não pode ser incluída em qualquer destas. Assim, a princípio, a apuração do PIS da Fundação Edson Queiroz se dá pelo faturamento, regime não cumulativo. Contudo, a Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, excluiu do regime da não cumulatividade, entre outras, as receitas decorrentes da prestação de serviços de educação superior: [...] Assim, podese dizer que atualmente as exceções ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep são as previstas no caput do art. 8o da Lei n° 10.637, de 2002, além daquelas citadas no inciso Vdo art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003, combinado com o art. 10 da mesma Lei. Ou seja, existem duas exceções ao regime da não cumulatividade do PIS: uma quanto à pessoa jurídica e outra quanto à determinadas receitas das pessoas jurídicas. Donde se conclui que a Fundação Edson Queiroz está sujeita à tributação do PIS sobre o faturamento no regime não cumulativo, excetuadas as receitas auferidas na prestação de serviços de educação superior, que devem ser tributadas no regime cumulativo. Os Decretos n° 5.164, de 30 de julho de 2004, e o n° 5.442, de 9 de maio de 2005, reduziram a zero a alíquota do PIS/Pasep incidente sobre as receitas financeiras auferidas pela pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo. Desta forma, sobre as receitas financeiras auferidas pela Fundação, não incide PIS, independentemente da existência de outras receitas que sejam apuradas no regime cumulativo. Neste sentido, já se pronunciou a Receita Federal do Brasil: [...] A empresa apresentou as DACON para as competências 10/2008 a 12/2010, contudo, informava como se sua base de cálculo fosse a folha de salários, e não o faturamento. Desta forma, analisandose a contabilidade da empresa, mais precisamente os saldos mensais de suas contas apresentados nos balancetes normais, apurouse a base de cálculo do PIS como o faturamento da empresa, efetuandose o cotejo dos valores devidos a titulo de PIS Faturamento com os valores declarados em DCTF e respectivos recolhimentos relativamente aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, tendo como resultado a existência de diferenças detalhadas nos Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada PIS e Apuração das Receitas Integrantes da Base de Cálculo do PIS (anexos e partes integrantes do presente Auto de Infração). 8.3 Falta de Recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins A COFINS é regulamentada pelas Leis 9.715, de 25 de novembro de 1998 e 9.718, de 27 de novembro de 1998, que estabelece base de cálculo, alíquotas entre outras coisas. A alteração promovida pela Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001 não alcançou a base de cálculo da COFINS, uma vez que a substituição do faturamento pela folha de salários como base de cálculo para as empresas que se inserirem nos incisos do seu art. 13 somente se refere ao PIS, não alterando a base de cálculo da COFINS, que sempre foi e ainda é o faturamento da empresa. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 13 12 Contudo, o que foi dito no item anterior acerca da cumulatividade e da não cumulatividade do PIS também serve para a COFINS. Desta forma, embora a Fundação Edson Queiroz esteja, em regra, submetida ao regime não cumulativo de incidência da COFINS, quanto às receitas auferidas da prestação de serviços de educação superior, prevalece o regime cumulativo. Assim, a base de cálculo da COFINS é idêntica à do PIS, segundo demonstrativo em anexo Apuração das Receitas Integrantes da Base de Cálculo da COFINS, que detalha as bases de cálculo da COFINS em cada um dos meses dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. Já o demonstrativo Situação Fiscal Apurada COFINS detalha o cálculo da contribuição devida. Na apuração do IRPJ e da CSLL, fls. 79/80, a autoridade lançadora considerou, em cada período de apuração trimestral, as contas a seguir relacionadas: NUMERO CONTA VALORES (R$) 30000009 RECEITA BRUTA A 50000004 CUSTOS OPERACIONAIS B 62000004 DESPESAS ADMINISTRATIVAS E GERAIS C 65000005 DEPRECIAÇÕES, AMORTIZ. E EXAUSTÕES D 63000008 DESPESAS FINANCEIRAS E 64000001 RECEITAS FINANCEIRAS F 61000000 FILANTROPIA G 70000000 GANHOS OU PERDAS NAO OPERACIONAIS H RESULTADO CONTÁBIL AB CD E+FG+H Quanto à determinação das bases de cálculo mensais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 81/84, foram consideradas as seguintes rubricas: NUMERO CONTA VALORES (R$) 31101011 REC. CURSOS GRADUAÇÃO A 31101020 REC. CURSOS POSGRADUAÇAO B 31101038 REC. CURSOS EXTENSÃO C 31200001 REC. VESTIBULAR D 31300006 REC. CONVÉNIOS E 31404006 REC. DOAÇÕES PARTICIPANTES F 31501052 RESSARCIMENTO DESP. OUTROS G 31502008 OUTRAS RECEITAS H RECEITA BRUTA A+B+C+D+E+F+G+H A notificação dos lançamentos, com a utilização da via postal, deuse em 19/12/2012, fl. 1.158. Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 14 13 Não conformada com a autuação, em 11/01/2013 a pessoa jurídica impugnou os lançamentos, fls. 1.161/1.192 (Contribuição para o PIS/Pasep), fls. 1.228/1.245 (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), fls. 1.285/1.315 (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins) e fls. 1.352/1.382 (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), tudo conforme a seguir parcialmente reproduzido: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) III PRELIMINAR DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO COMBATIDO AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS FATOS QUE MOTIVARAM A A UTUAÇÃO FISCAL Inicialmente cumpre destacar que o Auto de Infração ora combatido, visando a exigência do IRPJ do período de 2008 a 2010, foi lavrado pela D. Autoridade Fiscal em face à suspensão da imunidade tributária da Impugnante. Ocorre que ao assim dispor a D. Autoridade Autuante se limitou a indicar a existência prévia de processo administrativo n° 10380.729113/201269 que motivou a expedição do Ato Declaratório Executivo n° 80/2012, suspensivo da imunidade do IRPJ e das contribuições sociais (CSLL, PIS e COFINS), com efeito para anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. Por meio do referido Ato Declaratório, a Impugnante teve o benefício da imunidade suspenso em razão da suposta inobservância dos requisitos estabelecidos nos artigos 9°, § 1°, e 14, incisos I a III, ambos do Código Tributário Nacional. Por entender superado este argumento n que tange à suspensão da imunidade tributária da Impugnante, a D. Autoridade Autuante passou a lavrar o auto de infração ora defendido apenas analisando os documentos fiscais da Impugnante e elaborando o cálculo para a apuração do referido imposto. No entanto, a matéria objeto do auto de infração em comento está estritamente relacionada com a indevida suspensão da imunidade tributária da Impugnante, ou que enseja concluir que, por a Impugnante ter cumprido todos os requisitos para a concessão da imunidade tributária, não há que se falar na exigência do imposto em questão. Ora, em face do exposto, resta patente que caberia à D. Autoridade Fiscal analisar os requisitos que ensejam a concessão da imunidade tributária, antes mesmo de partir para a análise e exigência do IRPJ em questão. Nesse passo, resta clara a nulidade do auto de infração ora combatido em face à ausência de fundamentação dos fatos que motivaram a autuação fiscal, especificadamente no que tange à fundamentação dos requisitos que levaram à suspensão da imunidade tributária em questão. Em outras palavras, resta cerceado o direito de defesa na medida em que, pela autuação fiscal em comento, não é possível conhecer plenamente as acusações que foram imputadas à Impugnante. Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 15 14 Assim, diante das informações insuficientes do "relatório fiscal" não é possível contestar os fundamentos da autuação e rebater objetivamente cada um dos itens apontados no referido relatório. A esse respeito é o entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: [...] Desta forma, em face à insuficiência das informações constantes do "relatório fiscal" e do Auto de Infração ora defendido, requer desde já a Impugnante que seja reconhecida a nulidade da autuação fiscal em questão em face da ausência de motivação dos fatos que ensejaram a lavratura da autuação, impossibilitando a Impugnante contestar os fundamentos da autuação e rebater objetivamente os itens apontados no referido relatório. III.2 DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA À ORA IMPUGNANTE DA NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 80/2012 Conforme se verifica do "relatório fiscal" a Impugnante informa em todas as declarações para a Receita Federal do Brasil como detentora de imunidade dos impostos e contribuições federais. Referida informação por parte da impugnante se dá em razão do cumprimento dos requisitos para a concessão da imunidade tributária, em atenção ao disposto nos artigos 9° e 14 do Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). Ora, a fiscalização realizada na empresa impugnante de forma indevida concluiu a existência de fatos que constituíram no descumprimento aos requisitos para o gozo da imunidade. Ocorre que tais alegações não devem prosperar, visto não serem compatíveis com a verdade dos fatos. E isso porque para que seja configurada a imunidade tributária, devem ser atendidos os requisitos, conforme disposto no artigo 9° c/c o artigo 14, ambos do Código Tributário Nacional CTN: [...] A esse respeito, a impugnante não distribui qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, aplica integralmente no País os seus recursos na manutenção dos objetivos institucionais da Fundação, e, ainda, a Impugnante mantém a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, conforme inclusive constatados pela D. Autoridade Fiscal que utilizou de tais documentos para a lavratura da presente autuação. Assim, o Ato Declaratório Executivo n° 80/2012, originado do processo administrativo n° 10380.729113/201269 não pode ser considerado para a lavratura da presente autuação fiscal, uma vez que a Impugnante cumpre todos os requisitos para a concessão da imunidade tributária, não havendo que se falar na exigência fiscal em questão. IV DO MÉRITO Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 16 15 Caso V. Sas. não entendam pela nulidade da autuação fiscal em questão nos termos acima expostos, passa a impugnante a demonstrar os motivos que ensejam o conhecimento e a procedência integral da presente Impugnação, para o fim de que seja decretada a nulidade do Auto de Infração objeto do processo administrativo ora impugnado. Como já salientado anteriormente, o Auto de Infração ora combatido, integrado pelo processo administrativo em questão, foi lavrado pela Autoridade Tributária ante a suspensão do benefício da imunidade tributária anteriormente concedida à Fundação Edson Queiroz, ora impugnante, em face à suposta ausência dos requisitos para a sua concessão. Antes mesmo de demonstrar a ausência de irregularidade que pudessem obstar a concessão da imunidade tributária à Fundação e, via de conseqüência, a nulidade da autuação fiscal ora impugnada, cumpre esclarecer o tema em questão. O instituto da imunidade tributária é conceituado com a "regra constitucional expressa (ou implicitamente necessária), que estabelece a nãocompetência das pessoas políticas da Federação para tributar certos fatos e situações, de forma amplamente determinada, delimitando negativamente, por meio de redução parcial a norma de atribuição de poder tributário". A imunidade tributária ora analisada, referente às instituições de educação e assistência social, está prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal de 1988: [...] Assim, tratandose de uma entidade de educação e assistência social, sem fins lucrativos, a mesma possui direito à imunidade tributária no que tange aos impostos. E ao tratarse a Fundação de uma entidade beneficente de assistência social, nos termos do artigo 195, § 7°, da Constituição Federal de 1988, haverá a imunidade também das contribuições para a seguridade social: [...] No entanto, para que seja configurada a imunidade tributária em questão, devem ser atendidos os requisitos, conforme disposto no artigo. 9° c/c o artigo 14, ambos do Código Tributário Nacional CTN: [...] Ainda no que tange à imunidade, apesar de tratar de preceito disposto pela Constituição Federal, os requisitos para a sua concessão estão dispostos na legislação ordinária, o que inclusive já foi objeto de análise e confirmação pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, como se pode verificar da ementa da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1802MC/DF: [...] Assim, entende a Suprema Corte que a referência da Constituição à legislação deverá ser entendida como ordinária, pois quando for necessária a legislação complementar o texto constitucional fará menção expressa. Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 17 16 Em outras palavras, a imunidade é regulamentada por lei complementar no que se refere ao seu objeto material e por lei ordinária no que se refere aos requisitos de funcionamento das entidades de educação e assistência social. Assim, podese verificar que a regra de imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição de 1988, tem por objetivo incentivar as instituições particulares que atuam de forma complementar as atividades desenvolvidas pelo Estado nas áreas de educação (artigos 205 a 214, da Constituição Federal) e de assistência social (artigos 203 e 204, Constituição Federal), como é o caso da Fundação Edson Queiroz, ora Impugnante. Aplicase referida regra de imunidade, portanto, somente às instituições que pratica, de forma complementar à atuação estatal, as atividades de educação e de assistência social atribuídas ao Estado pelos dispositivos constitucionais supra mencionados. Pois bem. No entender da D. Autoridade Fiscal, foram supostamente constatados fatos e ações praticadas pela Impugnante que dariam ensejo ao descumprimento dos requisitos do artigo 14 do CTN e, por sua vez, a suspensão do benefício da imunidade tributária e a lavratura do auto de infração ora impugnado. Ocorre que os referidos requisitos para a concessão do benefício da imunidade tributária foram plenamente atendidos, o que invariavelmente leva à conclusão de que a autuação fiscal ora impugnada deve ser integralmente cancelada. Cumpre novamente destacar que o "relatório fiscal" e a autuação em questão deixou de especificar os motivos que ensejaram a suspensão da imunidade e via de conseqüência a exigência do IRPJ em questão, conforme já exposto no tópico anterior da presente impugnação. Assim, não há como rebater referidos argumentos que sequer foram expostos no "relatório fiscal". A autuação fiscal em questão, no que tange ao IRPJ, se restringe a concluir, inclusive de forma presumida, que o regime de apuração do imposto se daria pelo lucro real, descartando a possível apuração pelo lucro presumido ou arbitrado. A D. Autoridade Autuante partiu desta conclusão para apurar o Imposto de Renda Pessoa Jurídica em questão, conforme consta do relatório fiscal, pela análise dos documentos contábeis da impugnante. No entanto, ao assim concluir, partiu a D. Autoridade Autuante de mera presunção no sentido de que a Impugnante distribuiu lucro, deixando a D. Autoridade de demonstrar tais alegações de forma explícita e documentada. Nesse sentido é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF sobre a impossibilidade de presunção no processo administrativo e a necessidade de prova direta da infração: [...] Ainda nesse sentido é o disposto no artigo 333, inciso I do Código de Processo Civil, a qual aplicase ao presente caso, no sentido de que a Autoridade Autante tem o dever de comprovar as infrações que culminaram na constituição do crédito tributário por meio do Auto de Infração: Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 18 17 [...] Desta feita, em face da ausência de comprovação das alegações da D. Autoridade Fiscal, não deve prosperar os argumentos expostos e, via de conseqüência, deve ser reconhecida a nulidade da autuação fiscal em comento. V DO PEDIDO Diante de todo o exposto, não restam dúvidas quanto à necessidade de se afastar "in totum" a cobrança do crédito tributário perpetrado no Auto de Infração, objeto do processo administrativo ora combatido, não havendo que se falar na exigência de qualquer tributo decorrente da suspensão do benefício da imunidade tributária. Pelos motivos expostos, a ora impugnante requer o conhecimento e a procedência integral da presente impugnação, para o fim de que seja decretada a nulidade do Auto de Infração objeto do processo administrativo ora impugnado, extinguindo o crédito tributário pretendido com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração em comento. Por fim, requer a Impugnante a realização de perícia, nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/1972, de forma a demonstrar a completa impropriedade dos critérios utilizados pela D. Autoridade Fiscal na lavratura da autuação ora defendida, corroborando os argumentos acima aduzidos, para o fim de que seja decretada a nulidade do Auto de Infração objeto do processo administrativo ora impugnado. Desta forma, através da produção de prova pericial e documental, restará constatado o efetivo cumprimento dos requisitos para a concessão da imunidade à Impugnante, bem como a impropriedade na apuração dos valores objeto da autuação fiscal em questão. Para tanto, indica como assistente técnico o Sr. Jefté Mesquita de Araújo, brasileiro, contabilista, inscrito no CRC n° CE011172/O8, inscrito no CPD/MF sob o n° 357.330.98368, domiciliado na Rua Professor Francisco Gonçalves, n° 1300, apto. 503, bairro Dionísio Torres, FortalezaCeará, CEP 60135430. Nesse sentido, apresenta a Impugnante os quesitos referentes aos exames desejados, para elaboração do laudo pericial, conforme abaixo relacionado, protestando, caso assim entenda V. As., pela eventual apresentação de quesitos complementares ou suplementares. Quesitos: 1 Quais as atividades efetivamente desenvolvidas pela Impugnante no período compreendido na autuação (2008 a 2010)? Havendo mais de uma atividade, qual delas é preponderante segundo o critério geral? 2 Solicitase que o Sr. Perito verifique se houve a distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou de rendas da impugnante, a qualquer título. 3 Solicitase que o Sr. Perito verifique se a Impugnante aplicou integralmente, no País, os recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais. Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 19 18 4 Requerse que o Sr. Perito verifique se a Impugnante manteve, no período de 2008 a 2010, escrituração de suas receitas e despesas em livros capazes de assegurar a exatidão das informações. 5 Considerando a resposta aos quesitos acima, podese afirmar em a Impugnante apresentou os requisitos constantes do artigo 14 do Código Tributário Nacional para a concessão da imunidade tributária no presente caso? Favor explicar de forma comprovada, em caso negativo. 6 Solicitase que o Sr. Perito descreva minuciosamente, considerando a escrituração das receitas e despesas em livros da Impugnante, os documentos que foram objeto de análise na apuração dos valores do presente Auto de Infração e os cálculos elaborados para a apuração do valor objeto da autuação. 7 Podese afirmar, a partir da resposta ao quesito anterior, que o conceito de superávit e de lucro se equivalem? Ou o conceito de superávit está melhor equiparado, no caso em questão ao conceito de caixa e não de competência. 8 Foram verificadas adições ou exclusões na apuração do valor informado na autuação fiscal? 9 Queira o ilustre Expert tecer outros comentários que considere relevantes. Quanto às impugnações referentes à CSLL, ao PIS e à Cofins, transcreverseá tão somente aquilo que estiver presente na impugnação do IRPJ: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins III.2 DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA À ORA IMPUGNANTE DA NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 80/2012 [...] Ainda, tratandose de Contribuição Social, a impugnante cumpriu os requisitos expressos na Lei n° 8.212/91 e na Lei n° 12.101/2009 (vigente somente a partir de 27/11/2009), conforme abaixo transcrito: [...] IV DO MÉRITO [...] Ainda, especificadamente em relação aos requisitos para que seja configurada a imunidade tributária e a consequente demonstração para a emissão da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS) na área de educação, deverão ser atendidos, além Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 20 19 daqueles já mencionados nos artigos 9° e 14 do CTN, os requisitos indicados na Lei n° 8.212/91 e na Lei n° 12.101/2009 (vigente somente a partir de 27/11/2009), conforme abaixo transcrito: [...] Cabe destacar que não que se falar na aplicação da Lei n° 12.101/2009 (vigente a partir de 27/11/2009) para a totalidade da presente autuação fiscal, visto que a presente autuação trata de exigência de contribuição social sobre o lucro líquido CSLL do período de 2008 a 2010, ou seja, os fatos geradores em questão anteriores à vigência da referida lei, não devem vigência à Lei n° 12.101/2009, nos termos do art. 105 do Código Tributário Nacional. [...] IV.1. DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A OBTENÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Conforme claramente demonstrado na presente impugnação administrativa, a Impugnante é de suma importância para a sociedade cearense, seja oferecendo educação de reconhecida qualidade, seja disponibilizando opções de lazer, gratuitamente ou não, seja oferecendo atendimento médico, odontológico, jurídico, educacional ou desportivo à parcela mais carente da população do Município de Fortaleza e região. Por todo o acima exposto, a Fundação cumpre todos os requisitos dispostos na legislação de regência, de forma a viabilizar a concessão do benefício da imunidade tributária a impostos e contribuições sociais. Ocorre que apesar de cumprir tais requisitos, a Impugnante, até o momento, não obteve a renovação do certificado de entidade beneficente de assistência social (antigo certificado de entidade de fins filantrópicos). Em outras palavras, o indeferimento da renovação do certificado foi decorrente do suposto não cumprimento dos requisitos atinentes à imunidade tributária. Ocorre que nem mesmo a fiscalização e a D. Autoridade Autuante, nos presentes autos, conseguiu de fato provar e comprovar a falta de cumprimento de tais requisitos. Tal situação leva a considerar que a Impugnante atende todos os requisitos para a referida concessão, não possuindo, tão somente, até o momento, a renovação formal do referido certificado. A esses respeito, cumpre destacar que a obtenção da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS) na área de educação, trata tão somente de um requisito formal, não devendo que se falar na manutenção da autuação fiscal em questão em razão da ausência do referido certificado. Ora, em face do princípio da verdade material, a autuação fiscal deve ser integralmente cancelada, face ao pleno cumprimento dos requisitos materiais para a concessão do benefício da imunidade tributária à Impugnante. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 21 20 E isso porque não é lícito ao Fisco conformarse com suposições e ilações, nem tampouco basearse em seus próprios apontamentos formulados a partir da apuração de informações equivocadas e/ou mal interpretadas que hajam sido aleatoriamente pinçadas ao longo de um processo rudimentar de fiscalização. Ao contrário, compete à autoridade fiscal desconsiderar falhas e/ou faltas documentais cometidas pelo contribuinte, bem como evitar sempre a suposição desprovida de fundamento; e, em atenção ao princípio da verdade material, fundamentar sua decisão em dados e fatos efetivos e concretos. O princípio da verdade material determina que o lançamento tributário deverá se ater à realidade dos fatos, de sorte que possa ocorrer a subsunção do fato efetivamente ocorrido à norma jurídica que lhe outorga conseqüências no campo tributário. Neste sentido, vale cita a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello e Gabriel Lacerda Troianelli: [...] A esse respeito, nos termos do artigo 142 do CTN, o lançamento é procedimento administrativo tendente a, dentre outras finalidades a "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente", pelo lançamento a autoridade competente busca constatar a ocorrência concreta do evento descrito na lei como necessário e suficiente ao nascimento da obrigação fiscal correspondente. Assim, a atividade do Fisco passa a ser a de registrar em linguagem competente a ocorrência do fato gerador ou não; tratase antes de dever (passível de crime de responsabilidade se não realizado) do que de conflito de interesses. Somente o fato gerador acarreta nascimento da obrigação tributária (artigo 113, § 1°, do CTN). O procedimento tributário de lançamento tem como finalidade central a investigação dos fatos tributários, com vistas à sua prova e caracterização, motivo pelo qual o Fisco deve se ater à realidade dos fatos e não somente àquilo que foi declarado pelo contribuinte. Portanto, restando evidenciado o cumprimento dos requisitos para a concessão do benefício da imunidade tributária em questão, cabe à D. Autoridade Fiscal rever o lançamento de sorte a adequálo à realidade dos fatos. [...] Desta forma, não há que se manter a autuação fiscal ora combatida pelo argumento da ausência de renovação da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), visto demonstrado o cumprimento dos requisitos materiais para a concessão do benefício da imunidade tributária pela Impugnante, a Fundação Edson Queiroz. Contribuição para o PIS/Pasep III.2 DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 22 21 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA À ORA IMPUGNANTE DA NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 80/2012 [...] Ainda, tratandose de Contribuição Social, a impugnante cumpriu os requisitos expressos na Lei n° 8.212/91 e na Lei n° 12.101/2009 (vigente somente a partir de 27/11/2009), conforme abaixo transcrito: [...] IV DO MÉRITO [...] Ainda, especificadamente em relação aos requisitos para que seja configurada a imunidade tributária e a consequente demonstração para a emissão da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS) na área de educação, deverão ser atendidos, além daqueles já mencionados nos artigos 9° e 14 do CTN, os requisitos indicados na Lei n° 8.212/91 e na Lei n° 12.101/2009 (vigente somente a partir de 27/11/2009), conforme abaixo transcrito: [...] Cabe destacar que não que se falar na aplicação da Lei n° 12.101/2009 (vigente a partir de 27/11/2009) para a totalidade da presente autuação fiscal, visto que a presente autuação trata de exigência de contribuição social sobre o lucro líquido CSLL do período de 2008 a 2010, ou seja, os fatos geradores em questão anteriores à vigência da referida lei, não devem vigência à Lei n° 12.101/2009, nos termos do art. 105 do Código Tributário Nacional. [...] Ainda, por se tratar de instituição de educação imune, não há que se falar na exigência de qualquer contribuição ou imposto. Caso se entenda pela exigência da Contribuição ao PIS, por tratar a impugnante de instituição de educação e de assistência social, para a referida apuração deve ser aplicada a MP n° 215835/2001, nos termos do artigo 13, inciso III, ou seja, com base na folha de salários à alíquota de 1 %. Ocorre que entendeu a D. Autoridade Autuante que a incidência do PIS sobre a folha de salários somente se justifica diante da ausência de atividade lucrativa. E, concluiu, de forma indevida a D. Autoridade que a Impugnante possui atividade lucrativa. Assim, constatado suposto desvio de finalidade, que impunha a apuração de lucro tributável pelo imposto de renda, em determinado período, incidirá o PIS sobre o faturamento. Assim, a D. Autoridade destaca em seu relatório final que a impugnante somente pagará o PIS sobre o faturamento durante o período em que se desvirtuou de seus fins, retornando ao Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários quando não mais estiver sujeita à apuração de lucro tributável pelo IRPJ. Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 23 22 E conclui o "relatório fiscal" que a Fundação Edson Queiroz está sujeita à tributação do PIS sobre faturamento no regime não cumulativo, excetuadas as receitas auferidas na prestação de serviços de educação superior, que devem ser tributadas no regime cumulativo. [...] No entanto, ao assim concluir, partiu a D. Autoridade Autuante de mera suposição no sentido de que a Impugnante distribuiu lucro, deixando a D. Autoridade de demonstrar tais alegações de forma explícita e documentada. Nesse sentido é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF sobre a impossibilidade de presunção no processo administrativo e a necessidade de prova direta da infração: [...] IV.1. DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A OBTENÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Conforme claramente demonstrado na presente impugnação administrativa, a Impugnante é de suma importância para a sociedade cearense, seja oferecendo educação de reconhecida qualidade, seja disponibilizando opções de lazer, gratuitamente ou não, seja oferecendo atendimento médico, odontológico, jurídico, educacional ou desportivo à parcela mais carente da população do Município de Fortaleza e região. Por todo o acima exposto, a Fundação cumpre todos os requisitos dispostos na legislação de regência, de forma a viabilizar a concessão do benefício da imunidade tributária a impostos e contribuições sociais. Ocorre que apesar de cumprir tais requisitos, a Impugnante, até o momento, não obteve a renovação do certificado de entidade beneficente de assistência social (antigo certificado de entidade de fins filantrópicos). Em outras palavras, o indeferimento da renovação do certificado foi decorrente do suposto não cumprimento dos requisitos atinentes à imunidade tributária. Ocorre que nem mesmo a fiscalização e a D. Autoridade Autuante, nos presentes autos, conseguiu de fato provar e comprovar a falta de cumprimento de tais requisitos. Tal situação leva a considerar que a Impugnante atende todos os requisitos para a referida concessão, não possuindo, tão somente, até o momento, a renovação formal do referido certificado. A esses respeito, cumpre destacar que a obtenção da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS) na área de educação, trata tão somente de um requisito formal, não devendo que se falar na manutenção da autuação fiscal em questão em razão da ausência do referido certificado. Ora, em face do princípio da verdade material, a autuação fiscal deve ser integralmente cancelada, face ao pleno cumprimento dos requisitos materiais para a concessão do benefício da imunidade tributária à Impugnante. Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 24 23 E isso porque não é lícito ao Fisco conformarse com suposições e ilações, nem tampouco basearse em seus próprios apontamentos formulados a partir da apuração de informações equivocadas e/ou mal interpretadas que hajam sido aleatoriamente pinçadas ao longo de um processo rudimentar de fiscalização. Ao contrário, compete à autoridade fiscal desconsiderar falhas e/ou faltas documentais cometidas pelo contribuinte, bem como evitar sempre a suposição desprovida de fundamento; e, em atenção ao princípio da verdade material, fundamentar sua decisão em dados e fatos efetivos e concretos. O princípio da verdade material determina que o lançamento tributário deverá se ater à realidade dos fatos, de sorte que possa ocorrer a subsunção do fato efetivamente ocorrido à norma jurídica que lhe outorga conseqüências no campo tributário. Neste sentido, vale citar a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello e Gabriel Lacerda Troianelli: [...] A esse respeito, nos termos do artigo 142 do CTN, o lançamento é procedimento administrativo tendente a, dentre outras finalidades a "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente", pelo lançamento a autoridade competente busca constatar a ocorrência concreta do evento descrito na lei como necessário e suficiente ao nascimento da obrigação fiscal correspondente. Assim, a atividade do Fisco passa a ser a de registrar em linguagem competente a ocorrência do fato gerador ou não; tratase antes de dever (passível de crime de responsabilidade se não realizado) do que de conflito de interesses. Somente o fato gerador acarreta nascimento da obrigação tributária (artigo 113, § 1°, do CTN). O procedimento tributário de lançamento tem como finalidade central a investigação dos fatos tributários, com vistas à sua prova e caracterização, motivo pelo qual o Fisco deve se ater à realidade dos fatos e não somente àquilo que foi declarado pelo contribuinte. Portanto, restando evidenciado o cumprimento dos requisitos para a concessão do benefício da imunidade tributária em questão, cabe à D. Autoridade Fiscal rever o lançamento de sorte a adequálo à realidade dos fatos. [...] Desta forma, não há que se manter a autuação fiscal ora combatida pelo argumento da ausência de renovação da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), visto demonstrado o cumprimento dos requisitos materiais para a concessão do benefício da imunidade tributária pela Impugnante, a Fundação Edson Queiroz. É o que se tem a relatar. A DRJ manteve os lançamentos, nos seguintes termos: Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 25 24 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de perícias desde que entendida como necessária ao deslinde da situação posta em consideração, indeferindo motivadamente a que for considerada prescindível ou impraticável. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS FATOS QUE MOTIVARAM A AUTUAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PRECLUSA. Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a questão relacionada à suspensão da imunidade, que implicou no lançamento de ofício, foi devidamente apreciada e deliberada em processo administrativo fiscal específico, tratandose de matéria preclusa, pelo que não cabe nova apreciação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. A alegada obediência aos preceitos das Leis n° 8.212, de 1991, e n° 12.101, de 2009, não ampara a pretensão da litigante, tendo em vista o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, haver sido expressamente revogado pela Lei n° 12.101, de 2009, que estabelece a necessidade de a entidade dita imune obter uma certificação, documento que não foi apresentado pela impugnante. Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 26 25 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a impugnante com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a impugnante com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, deve a tributação da COFINS se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os mesmos tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de recurso voluntário, envolvendo a suspensão da imunidade/isenção da entidade recorrente. Perícia/Diligência A contribuinte repete novamente o seu pleito de realização de perícia bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 27 26 bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. É possível, contudo, que especulemos a conversão do pedido de perícia em realização de diligência. Esta última possibilidade, contudo, esbarra no exame de prescindibilidade do procedimento visto que todas as questões suscitadas pela litigante foram adequadamente enfrentadas pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento que resultou na edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 2012, e na subsequente lavratura dos autos de infração impugnados, o que torna dispensável a aventada diligência fiscal. É o que pode ser observado no relatório denominado Notificação Fiscal, fls. 02/23 do processo n° 10380.729113/201269, que tratou minudentemente da suspensão da imunidade da litigante, documento em que restou consignada uma série de irregularidades praticadas pela interessada a implicar na subsunção dos fatos às hipóteses estabelecidas pelos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III do CTN, o que teve por consequência a suspensão da imunidade do sujeito passivo concretizada através da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012. Destaquese que a impugnação ao acima referenciado ato administrativo foi devidamente apreciada nesta mesma sessão de julgamento, resultando na formulação do Acórdão n° 08 026.074 que considerou improcedente a impugnação e manteve a suspensão da imunidade do sujeito passivo. Outrossim, reabrir a discussão suscitada através dos quesitos propostos pela impugnante implicaria, na prática, em se voltar à discussão travada e decidida no âmbito do processo n° 10380.729113/201269, que tratou da suspensão da imunidade, matéria que já foi apreciada e deliberada naquele processo, nesta mesma sessão de julgamento, o que se mostra desnecessário. Portanto, indefiro o pedido de perícia e diligência. Das Nulidades Levantadas pelo Recorrente Primeiramente, percebese que o contribuinte repete em sede de Recurso Voluntário, as mesmas nulidades levantadas em sede da defesa de Impugnação. Em sede de recurso voluntário, preliminarmente, o Recorrente alegou novamente as nulidades arguidas em sua peça impugnatória, quais sejam: regular cumprimento dos requisitos exigidos de instituições de assistência social, comprovados por certificações diversas, o que determinaria a insubsistência da suspensão da imunidade/isenção e Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 28 27 (ii) a nulidade do procedimento fiscal, por cerceamento de defesa, em vista da ausência de fundamentação dos fatos que motivaram a autuação fiscal, Contudo, entendo que a DRJ enfrentou todas as nulidades de maneira contundente, de forma que partilho do entendimento de que as ditas nulidades levantadas pelo Recorrente não se sustentam, principalmente porque é suficiente como fundamentação a remissão feita pelo autuante ao processo n° 10380.729113/201269 onde se discutiu minudentemente os requisitos (Notificação Fiscal, fls. 02/23), que levaram a suspensão da imunidade, o que teve por consequência a suspensão da imunidade do sujeito passivo concretizada através da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, matéria esta que já foi inclusive apreciada e deliberada naquele processo, nesta mesma sessão de julgamento e, portanto, em conjunto com o presente processo. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. MÉRITO A esse respeito, a Recorrente pretende novamente rediscutir o mérito da suspensão da imunidade pelo Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, já julgado nesta mesma sessão através do processo n° 10380.729113/201269, onde se discutiu minudentemente os requisitos (Notificação Fiscal, fls. 02/23), que levaram a suspensão da imunidade, Ou seja, argui que não distribui qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, aplicando integralmente no País os seus recursos na manutenção dos objetivos institucionais da Fundação, e que mantém a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidade capazes de assegurar sua exatidão, conforme inclusive constatados pela D. Autoridade Fiscal que utilizou de tais documentos para a lavratura da presente autuação. Portanto, como já demonstrado plenamente, tratarse de matéria já discutida e decidida no processo 10380.729113/201269, não há como se voltar ao mesmo debate, sendo matéria preclusa não conheço de suas razões. Mérito dos autos de infrações Especificadamente quanto ao lançamento do IRPJ, a Recorrente defendese alegando que o fiscal se restringiu a concluir de forma presumida, que o regime de apuração do imposto se daria pelo lucro real, deixando de lado a possível apuração pelo lucro presumido ou arbitrado. Tenta ratificar esse entendimento através de jurisprudência do CARF que demonstraria a impossibilidade de presunção no processo administrativo e a necessidade de prova direta da infração para, por fim, concluir pelo cancelamento da infração. Como visto, entende a Recorrente que a autoridade fazendária pautou o lançamento do IRPJ em uma "mera presunção" de que a autuada distribuiu lucro, o que não estaria devidamente demonstrado no presente processo através de uma prova direta. Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 29 28 Conforme consta do TVF: "a empresa apresentou satisfatoriamente os livros contábeis (Diário e Razão), a contabilidade da empresa no formato previsto na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório COFIS n° 15/2001 e o documento previsto no leiaute do Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP ou atual, ou seja, foram apresentadas em meio digital e em meio papel a folha de pagamentos da empresa e sua contabilidade". Contudo, dentre as intimações relacionadas, "a empresa não apresentou apenas o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR". Sem pretender aqui adentrar em aspectos doutrinárias acerca das presunções, o que de fato se deu nos autos foi a demonstração, por parte da autoridade lançadora, que a tributação do IRPJ e da CSLL não poderia se dar pelo regramento do lucro presumido, pelo simples fato de a Recorrente auferir receita bruta superior ao limite admitido para essa modalidade de tributação que, à época dos fatos geradores, era de R$ 48 milhões (art. 13 da Lei n° 9.718, de 1998), sendo que a receita bruta da Fundação no período considerado foi superior a R$ 200 milhões em cada um dos anoscalendário autuados, conforme asseverado pela autoridade fiscal. No que se refere ao lucro arbitrado, o representante fazendário examinou as hipóteses de arbitramento estabelecidas pelos diversos incisos do artigo 530 do RIR/99, concluindo, ao final, que a interessada não incorreu em qualquer hipótese de arbitramento do lucro, o que de fato é verdade, senão vejamos. A Recorrente alega como argumento de defesa que a única possibilidade seria a tributação pelo regime do lucro arbitrado, Não é verdade, a apuração foi feita corretamente pelo fiscal o regime do lucro real. Afinal, o arbitramento do lucro é uma medida extrema e uma prerrogativa do fiscal a ser utilizado nos estritos casos indicados em lei, sendo assim uma salvaguarda do crédito tributário posta a serviço da Fazenda Pública e não pode ser utilizado pelo contribuinte como mera instrumento de defesa. Nesse contexto, mesmo a Recorrente não tendo apresentado o LALUR, não se pode falar em motivo suficiente para o arbitramento dado que não ocorreu prejuízo para o Fisco conhecer todas as suas receitas, custos, despesas, podendo, assim, apurar com segurança todos os seus resultados. Qualquer interpretação que se afaste desse norte podemos reputar como sendo uma mera interpretação literal da lei. A esse respeito a DRJ muito bem se posicionou, demonstrando inciso a inciso o motivo pelo qual o arbitramento não se aplicaria ao caso concreto, não sendo infirmado pela defesa em seu recurso, motivo pelo qual adoto aqui também como razões adicionais de decidir: O inciso I prevê a tributação com base no lucro arbitrado para as empresas que não mantiverem escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixarem de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. O art. 274 do Decreto n° 3.000, de 1999 RIR/99 estabelece como demonstrações necessárias o balanço patrimonial, a demonstração do resultado do período de apuração e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Todas estas demonstrações foram elaboradas pela Fundação durante os anos calendário 2008 a 2010 e disponibilizadas à fiscalização. Assim, a empresa não incorreu na hipótese do inciso I. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 30 29 Também não se pode dizer que a empresa incidiu no inciso II, uma vez que sua escrituração contábil não apresenta nenhum indício de fraude, vício, erro ou deficiência, tampouco compromete a identificação de sua movimentação financeira ou a determinação do lucro real. Quanto ao inciso III, a empresa apresentou os livros diário e razão. Mesmo não tendo apresentado o LALUR, não se pode falar em motivo bastante para o arbitramento dado que não ocorreu prejuízo para o Fisco conhecer todas as suas receitas, custos, despesas, podendo, assim, apurar com segurança todos os seus resultados. [...] Quanto ao inciso IV não se aplica, vez que a empresa não fazia opção pela tributação com base no lucro presumido. O inciso V também não se aplica. O inciso VI também não se aplica à Fundação, pois esta apresentou os Livros Razão e Diário em conformidade com as normas contábeis recomendadas. Novamente, repitase, se partirmos da premissa colocada de que o arbitramento se tratar de "medida excepcional", que somente deve ser aplicada quando esgotadas todas as possibilidades de apuração do lucro real da pessoa jurídica, chegase à conclusão da irrelevância da apresentação do Lalur ou não para efeito de caracterizar o arbitramento. Como bem lembrou o fiscal no TVF "mesmo as empresas detentoras de imunidade são obrigadas ao cumprimento dos Princípios Contábeis Fundamentais", como pode ser observado pelo disposto na Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10, parcialmente transcrita, além do que, no que diz respeito às entidades sem fins lucrativos, deve ser respeitado o regramento determinado pelo item 10.19 da referenciada norma. Nas palavras do autor do procedimento: [...] as Fundações estão obrigadas a manter escrituração de suas atividades de acordo com os mesmos critérios e princípios utilizados por todas as pessoas jurídicas, adotando pequenas alterações de denominação para adaptála à finalidade nãolucrativa. As demonstrações contábeis devem ser realizadas na mesma sistemática prevista para a atividade empresarial, determinadas pela NBC T 3 [...] apenas com a alteração terminológica nas seguintes contas: "Capital" substituída por "Patrimônio Social"; "Lucros ou Prejuízos Acumulados"por "Superávil ou Déficit do Exercício ". A conclusão que se pode chegar é que de fato não existem significativas diferenças de escrituração entre uma empresa imune e uma empresa comum. Assim, a contabilidade de uma empresa, que teve a imunidade desconsiderada não apresentaria grandes discrepâncias se estes mesmos fatos contábeis fossem registrados como uma empresa comum a ponto de justificar um arbitramento. Assim, para apuração de seus resultados e cálculo dos tributos devidos, não faz diferença se a Fundação escritura seus fatos contábeis como detentora de imunidade ou com uma empresa tributada pelo Lucro Real. Tanto é assim que de posse da contabilidade em papel e em meio magnético, mesmo sem o LALUR, o autuante conseguiu apurar os resultados tributáveis para cada um dos períodos de apuração a partir dos registros contábeis da pessoa jurídica, chegando ao resultado Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 31 30 societário que, na ausência de ajustes decorrentes da não apresentação do LALUR, correspondeu ao resultado fiscal exigido na autuação e resultado este que não foi contraditado pela Recorrente Desta forma, correto os lançamentos lastreados na sistemática do lucro real. Por estar de posse da integral contabilidade da instituição, em papel e em meio magnético, a despeito de não contar com o LALUR, o AFRFB efetuou a apuração dos resultados tributáveis para cada um dos períodos de apuração a partir dos registros contábeis da pessoa jurídica, chegando ao resultado societário que, na ausência de ajustes decorrentes da não apresentação do LALUR, correspondeu ao resultado fiscal exigido na autuação. Em outras palavras, o lucro real (resultado fiscal) correspondeu ao lucro líquido apurado na contabilidade do contribuinte, resultado que não foi contraditado pela defesa. A esse respeito, como bem colocou a decisão de piso: Como visto, o AuditorFiscal partiu da receita bruta contabilizada pela Fundação, dela excluindo os custos operacionais, as despesas administrativas e gerais, as depreciações, amortizações e exaustões, as despesas financeiras e a filantropia, chegando a um resultado ao qual foram adicionadas as receitas financeiras e os ganhos ou perdas operacionais, encontrando um resultado em relação ao qual nenhum reparo foi reclamado pela defesa. Questão similar à presente já foi submetida à esta Turma do CARF, através do Acórdão nº 1401001.681, de 09 de agosto de 2016, que, por unanimidade de votos restabeleceu os lançamentos, em sede de recurso de ofício, por ter anuído com a premissa aqui também colocada de que a simples falta de escrituração ou apresentação do LALUR nao é motivo bastante suficiente para incorrerse na hipótese de arbitrar o lucro de uma instituição sem fins lucrativos que teve sua imunidade descaracterizada. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL/PISPASEP/COFINS Por fim, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que rejeitaram as questões específicas da tributação reflexa de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adotoas também como razões de decidir: Desse modo, o valor de R$6.476,99 recolhido em 31/01/2005 a título de IRPJ por estimativa, deve ser considerado para fins de quitação do imposto apurado no encerramento do anocalendário de 2003. Como o débito apurado foi de R$7.807,05 (fl. 77), resta ainda um saldo de IRPJ a pagar de R$1.330,06 (R$7.807,05 R$6.476,99), que ao contrário de que entende o Contribuinte, constitui infração passível de lançamento. Por se tratar de exigência reflexa, apurada com base nos mesmos fatos e fundamentos legais considerados na tributação do IRPJ, a decisão prolatada quanto ao lançamento principal constitui prejulgado da decisão dos lançamentos decorrentes. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 32 31 Devese nesta fase do julgamento, contudo, apreciar aspecto levantado pela defesa especificadamente na impugnação das contribuições sociais. Com sede em preliminar, a defendente argumentou haver cumprido os requisitos estabelecidos nas Leis n° 8.212, de 1991, e Lei n° 12.101, de 2009 (vigente a partir de 27/11/2009), em face do que os lançamentos correspondentes às contribuições sociais devem ser considerados nulos por este órgão julgador. Segundo a interessada, "o Ato Declaratório Executivo n° 80/2012, originado do processo administrativo n° 10380.729113/201269 não pode ser considerado para a lavratura da presente autuação, uma vez que a impugnante cumpre todos os requisitos para a concessão da imunidade tributária". A despeito de a validade do Ato Declaratório Executivo n° 80/2012 corresponder a questão já resolvida no âmbito do processo n° 10380.729113/2012 69, a referência aos dispositivos legais acima referidos diz respeito a argumento não apresentado no processo que trata da suspensão da imunidade tributária, devendo, por conseguinte, ser conhecida e enfrentada neste julgado. Quanto ao propalado atendimento ao artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, referido dispositivo estabelecia a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da mesma norma para a entidade de assistência social que atendesse a uma série de requisitos estipulados pelos incisos I a V do artigo 55 dessa mesma norma. Acontece, contudo, que o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, foi expressamente revogado pelo inc. I do art. 44 da Lei n° 12.101, de 2009, não havendo como amparar a pretensão da defendente. Ainda que se tenha por válido o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, até o advento da Lei n° 12.101, de 2009, considerandose, ainda, que o lançamento contestado reportase aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, ainda assim o propalado cumprimento dos requisitos estipulados no apontado dispositivo legal não se prestará para o desiderato intencionado pela interessada. Isso porque o art. 55 estabelece a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da mesma norma para a entidade beneficente de assistência social que atenda aos requisitos por ele (art. 55) estabelecidos. Ocorre que o art. 22 referese à contribuição previdenciária a cargo do empregador, matéria estranha ao presente lançamento. Quanto ao art. 23, reportase às contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro destinadas à Seguridade Social, caso em que dizem respeito à CSLL, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, justamente a tributação reflexa ora abordada. Contudo, apesar da existência de alegação no sentido contrário, há que se destacar inexistir nos autos documentação comprobatória do cumprimento dos requisitos estabelecidos nos diversos incisos do art. 55 da Lei 8.212, de 1991, pelo que não há como prosperar a tese proposta pela litigante. De fato, não comprovou se tratar de entidade reconhecida como de utilidade pública federal, estadual, distrital ou municipal (inc. I), não demonstrou ser portadora de Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (inc. II), não quantificou suposta promoção, gratuita e em caráter exclusivo, de assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 33 32 deficiência (inc. III) e não demonstrou a não remuneração de seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores (inc IV). Além de tudo, conforme verificado no processo n° 10380.729113/201269, em que teve suspensa a sua imunidade tributária, houve frontal infrigência do inc. V do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, a determinar que a entidade aplique integralmente o eventual resultado operacional positivo obtido na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. No que se refere à Lei n° 12.101, de 27/11/2009, estipula em seu artigo 1° que "A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação". Tratase da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS). Para ser considerada beneficente e fazer jus à certificação, a entidade de educação deverá atender aos requisitos estabelecidos pelos artigos 12 a 17 da norma, dentre os quais aplicar anualmente em gratuidade pelo menos 20% (vinte por cento) da receita anual efetivamente auferida, oferecimento de bolsas de estudo em determinadas proporções (no mínimo, uma bolsa de estudo integral para cada nove alunos pagantes da educação básica; bolsas parciais de 50% cinquenta por cento, quando necessário para o alcance do número mínimo exigido), dentre outros. Verificandose o relatório elaborado pela autoridade fiscal que deu azo à suspensão da imunidade (processo 10380.729113/201269, fl. 09), verificase que no anocalendário 2010 (quando já estava em vigor a Lei n° 12.101, de 27/11/2009) a Fundação ofereceu bolsas de estudo no montante de R$ 5,82 milhões. Por outro lado, segundo consta do demonstrativo de apuração do IRPJ e da CSLL, fl. 80 do presente processo, a receita bruta acumulada em 2010 foi de R$ 227,87 milhões. Assim, a relação entre bolsas de estudo concedidas e receita bruta total foi de apenas 2,55%, percentual muito aquém daquele determinado pela norma e do que seria esperado para uma instituição sem fins lucrativos. A despeito do índice acima apresentado, insiste a impugnante em afirmar que "cumpre todos os requisitos na legislação de regência, de forma a viabilizar a concessão do benefício da imunidade tributária a impostos e contribuições sociais". Admite, entretanto, que "apesar de cumprir tais requisitos, a impugnante, até o momento, não obteve a renovação do certificado de entidade beneficente de assistência social (antigo certificado de entidade de fins filantrópicos)" (sublinhei). Fez questão ainda de enfatizar que "não há que se falar na aplicação da Lei n° 12.101/2009 (vigente a partir de 27/11/2009) para a totalidade da presente autuação fiscal" que, como sabemos, diz respeito aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010 sem deixar de destacar que "em relação à referida Lei n° 12.101/2009, recentemente foi proposta uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, distribuída sobre o n° 4891 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, requerendo a concessão de uma medida cautelar para suspender a eficácia da Lei n° 12.101/2009, por vício formal, ou, ainda, a suspensão da eficácia de dispositivos da referida lei que apresentam inconstitucionalidade material, visando, ao final, a declaração de inconstitucionalidade da norma". Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 34 33 Como expressamente admitido por ela própria, a impugnante não dispõe da certificação de que trata a lei, com o que poderia arguir, ao menos em tese, fazer jus à isenção das contribuições sociais a partir da vigência da lei. Assim, a mera referência à Lei n° 12.101, de 27/11/2009 não possui aptidão para amparar a pretensão da litigante, seja para a anulação do lançamento (requerida com sede nas preliminares), seja para a decretação da sua improcedência (dada a nova referência à norma quando a impugnante se reportou ao mérito). TRIBUTAÇÃO REFLEXA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS Tratandose também de tributação reflexa, a impugnante repetiu os argumentos apresentados na impugnação da CSLL, debatidos no tópico precedente, não havendo a necessidade da transcrição no presente item de tudo o que já foi anteriormente discorrido. Especificadamente quanto ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep, fez constar a interessada que "por se tratar a Impugante de instituição de educação e de assistência social, para a referida apuração deve ser aplicada a MP n° 2158 35/2001, nos termos do artigo 13, inciso III, ou seja, com base na folha de salários à alíquota de Para uma adequada análise da problemática proposta, recomendável a transcrição do dispositivo legal referido pela defesa: MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.15835, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; [...] VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; [...] No lançamento, contudo, a autoridade fiscal entendeu, com total propriedade, que o inciso III do artigo 13 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não se aplica à Fundação em decorrência do desvio de finalidade da entidade que restou evidenciado no processo n° 10380.729113/201269. Realmente, o prérequisito para apuração da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de pagamentos é que a entidade seja beneficiária da imunidade estabelecida pelo artigo 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal o que, como sabemos, não é o caso da impugnante que teve o benefício fiscal suspenso Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 35 34 com a edição do ADE n° 80/2012, com efeitos para os anoscalendário 2008, 2009 e 2010, procedimento já referendado por este órgão julgador. Quanto à tributação do Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de pagamentos aplicável às fundações de direito privado e às fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público (inciso VIII do art. 13, dispositivo não apontado pela defesa), a autoridade fiscal elaborou substanciosa digressão sobre o tema para no final concluir que somente as entidades sem fins lucrativos é que podem apurar a exação em pauta com a adoção dessa sistemática posto que "a incidência do PIS sobre a folha de salários somente se justifica diante da ausência de atividade lucrativa. Constatado desvio de finalidade, que imponha a apuração de lucro tributável pelo imposto de renda, em determinado período, incidirá o PIS sobre o faturamento". Não tendo a impugnante se referido especificadamente ao inciso VIII do art. 13 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, tratase de matéria estranha à lide (art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972), não havendo a necessidade de que nos manifestemos a respeito, portanto. Em concreto, o que a impugnante afirma é que a não adoção da tributação sobre a folha de salários decorreu "de mera presunção no sentido de que a Impugnante distribuiu lucro, deixando a D. Autoridade de demonstrar as alegações de forma explícita e documentada", procedimento não acatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para quem não há possibilidade de presunção no processo administrativo, que requer a necessidade da prova direta da infração. Em absoluto. Conforme foi exaustivamente demonstrado, quando da análise da tributação do IRPJ, o lançamento fiscal não se pautou em uma presunção de omissão de receita ou de outra modalidade qualquer. O que se teve foi uma investigação ampla, detalhada e consistente, levada a termo pela autoridade fiscalizadora para fins de verificação do atendimento aos requisitos estabelecidos pelos incisos I a III do art. 14 do CTN para o gozo da imunidade estabelecida no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal ao final do qual ficou devidamente demonstrada a prática de uma série de irregularidades por parte da interessada, a seguir resumidamente especificadas: • oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do Grupo Edson Queiroz, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; • concessão de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico pertencente aos dirigentes da entidade; • aplicação de recursos no mercado de ações, ato incompatível com a manutenção dos objetivos institucionais; • pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes (a evidenciar aplicação de recursos de forma distinta das finalidades institucionais da impugnante); e • participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos, o que é incompatível para uma entidade que se diz imune. Como ressaltado no processo n° 10380.729113/201269, "todas as práticas imputadas à Fundação Edson Queiroz foram confirmadas por uma série de elementos indiciários trazidos aos autos pelo autor do procedimento os quais, de Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Acórdão n.º 1401001.712 S1C4T1 Fl. 36 35 forma reiterada, sistemática, precisa e convergente evidenciaram que a interessada realmente aplicou vultosa parcela de seu patrimônio ou de suas rendas em finalidade distinta da manutenção de seus objetivos institucionais, infringindo os incisos I e II do artigo 14 do Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN)". A inexorável conseqüência do desvirtuamento da finalidade da entidade é a suspensão de sua imunidade para os anoscalendário em questão, levada a termo com a edição do ADE n° 80/2012, períodos em que a tributação do PIS/PASEP e da COFINS da interessada sujeitouse às normas destinadas as demais pessoas jurídicas em geral, exatamente como procedeu a fiscalização, devendose manter os respectivos lançamentos. JUROS PRECLUSÃO O patrono ainda levantou da tribuna matéria que não é de ordem pública ( juros) que não foi levantada na fase impugnatória e nem na fase recursal, motivo pelo qual considero que tal matéria esteja preclusa, dela não tomando conhecimento. Por todo o exposto, REJEITO as preliminares e NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 1626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.723570/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. GARANTIA DA AMPLA DEFESA.
Não há ofensa ao princípio da ampla defesa em auto de infração que contém relatório fiscal descritivo da conduta praticada pelo contribuinte e em que houve intimação para esclarecimentos sobre tal conduta.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. ÔNUS DA AUTORIDADE LANÇADORA.
É ônus do Fisco a caracterização de segurado empregado. Havendo prova indiciária da relação de emprego, obtida em documentos diversos emitidos pelo sujeito passivo, e este não apresenta os documentos solicitados pela Fiscalização que comprovem tal vínculo, é lícita a presunção fiscal da caracterização do vínculo empregatício.
ELEIÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. FACULDADE DO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO NO CURSO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ILICITUDE.
Não é lícita a alteração de domicílio matriz no curso de procedimento fiscal por expressa determinação da legislação tributária.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. POSSIBILIDADE.
Comprovando o Fisco a ocorrência das práticas previstas na Lei nº 9.430/96 é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da multa de ofício qualificada e agravada.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. POSSIBILIDADE.
Tendo a Autoridade Lançadora comprovado a existência de grupo econômico de qualquer natureza é cabível a imputação da responsabilidade solidária a todas as empresas do grupo, nos termos do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2201-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. GARANTIA DA AMPLA DEFESA. Não há ofensa ao princípio da ampla defesa em auto de infração que contém relatório fiscal descritivo da conduta praticada pelo contribuinte e em que houve intimação para esclarecimentos sobre tal conduta. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. ÔNUS DA AUTORIDADE LANÇADORA. É ônus do Fisco a caracterização de segurado empregado. Havendo prova indiciária da relação de emprego, obtida em documentos diversos emitidos pelo sujeito passivo, e este não apresenta os documentos solicitados pela Fiscalização que comprovem tal vínculo, é lícita a presunção fiscal da caracterização do vínculo empregatício. ELEIÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. FACULDADE DO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO NO CURSO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ILICITUDE. Não é lícita a alteração de domicílio matriz no curso de procedimento fiscal por expressa determinação da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. POSSIBILIDADE. Comprovando o Fisco a ocorrência das práticas previstas na Lei nº 9.430/96 é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da multa de ofício qualificada e agravada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 35 70 /2 01 4- 71 Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Tendo a Autoridade Lançadora comprovado a existência de grupo econômico de qualquer natureza é cabível a imputação da responsabilidade solidária a todas as empresas do grupo, nos termos do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados e contribuintes individuais, previstas nos incisos de I a III do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 39/94 do processo digitalizado). O lançamento foi efetuado contra o devedor principal e empresas pertencentes a grupo econômico e solidárias entre si, na visão do Fisco. Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.067.0849, no valor de R$ 3.897.606,61, atualizado até setembro de 2014, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos ao professor considerado segurado empregado, contribuinte individual, valores pagos a título de férias e não recolhidos, pagamento à empregados de coligadas e contabilizados na devedora principal e prólabore. · Auto de Infração Debcad n° 51.067.0857, no valor de R$ 1.309.267,14, atualizado até setembro de 2014, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição dos segurados, supostamente retida, sobre os valores pagos aos empregados e contribuintes individuais. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 969 3 O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro a dezembro de 2011. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do devedor principal em 20 de setembro de 2014 (AR fls. 438) Inconformado, o devedor principal apresenta impugnação (fls. 560), no que foi acompanhado pelos solidários, todos tempestivamente. A 6ª Turma da DRJ Salvador, por unanimidade, por meio do Acórdão 1538.518 (fls.746), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: "Informa a Fiscalização que: Conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e o inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991, são responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal (patronal e de segurados) as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si. Nesse contexto, conforme relação de empresas comunicada à fiscalização pelo preposto do contribuinte, e em consulta aos sistemas informatizados da RFB, o sujeito passivo integra o seguinte grupo econômico: Em relação a esta empresa Gran Serviços Tecnologia da Informação Ltda – ME, o sujeito passivo contabilizou na conta contábil “1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA” o pagamento de parte da folha e de outras despesas pertencentes à referida empresa GRAN SERVIÇOS, que possui nome fantasia: GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. Este Fl. 970DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 fato caracteriza a formação do grupo econômico e, no caso, consequente vedação dessa empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME de participação no Simples. Embora em consulta ao sítio do contribuinte (http://www.grancursos.com.br/novo/portal/?/listaprofessores/1/ 65) se possa obter uma lista de professores que trabalham na empresa, em análise das GFIP e folhas de pagamentos, foi constatado que foram declarados apenas 10 professores, conforme listado no relatório fiscal. Já na DIRF não foram declarados pagamentos a nenhum beneficiário professor. Na contabilidade foi encontrada a Conta Contábil 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL: cujo histórico discrimina, por nome, o pagamento de aulas a professores. O saldo total de débito dessa Conta é de R$ 4.038.883.71, sendo que nenhum dos valores lançados nesta conta, conforme discriminado no Relatório Fiscal, foi declarado em folha de pagamento ou em GFIP. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos à citada conta, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. Sobre esses valores foi aplicada a alíquota de 11%, relativa a contribuição de contribuinte individual, haja vista a remuneração ter sido paga a pessoa física (professor) e não se ter encontrado os requisitos que caracterizem o segurado como empregado, respeitado o limite legal, conforme planilha do anexo 6. Para apuração da base de cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado. Já na apuração das contribuições sociais dos segurados professores escriturados na conta contábil 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOVIMENTO EDUCACIONAL que foram declarados em GFIP (10 professores RELAÇÃO DOS PROFESSORES DECLARADOS EM GFIP E FOLHA MENSAL, anexo 4, detalhada por mês), foi considerada a alíquota correspondente à faixa do salário de contribuição, o limite legal, e abatido o valor da contribuição do segurado já descontada em GFIP, conforme detalhada nas seguintes planilhas do ANEXO 6 (Apuração Contribuição CI José Gervásio Abrão Meireles e Apuração Contribuição Professores Segurados Empregados). Apenas foram declarados dois contribuintes individuais (José Gervásio Abrão Meireles e José Wilson Granjeiro Oliveira) em folha de pagamento e/ou em GFIP, contudo, foi escriturada na contabilidade a Conta Contábil 4210010024 – SERVIÇOS PRESTADOS – PF, sem que nenhum dos serviços ali elencados tivessem sido declarados em GFIP ou folha de pagamento. Na DIRF não foram declarados pagamentos a pessoa física contribuinte individual, código 0588 – rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos à citada conta, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado Fl. 971DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 970 5 nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. Para apuração das contribuições dos prestadores de serviços elencados na referida conta contábil, foi considerada a alíquota de 11% de contribuinte individual, respeitado o limite legal, conforme planilha do ANEXO 7. Já na apuração da base de cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP, conforme planilha do ANEXO 7. Na contabilidade foram escrituradas as contas contábeis: de ativo: 1127030001 ADIANTAMENTOS DE FÉRIAS, com valor total de débitos de R$ 106.390,77, e de despesa: 4132010003FÉRIAS, com valor total de débitos de R$ 222.294.01. Conforme confronto das bases de cálculo da folha de pagamento e da GFIP, constatouse que não era oferecida à tributação a rubrica de férias. Na folha de pagamento consta a rubrica adiantamento de férias no valor total de R$ 11.730,00, divergente do valor constante na contabilidade. Não consta na folha de pagamento a rubrica férias. As demais rubricas lançadas na folha: ABONO 1/3 FERIAS RCT, FERIAS DO AVISO IND. RCT, FERIAS PROPORCIONAI SRCT, FERIAS VENCIDAS RCT, não possuem escrituração em conta contábil específica. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos às citadas contas, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. Assim, como na conta contábil 4132010003FÉRIAS o sujeito passivo não discriminou o nome dos segurados que receberam as férias, no cálculo da contribuição previdenciária do segurado empregado incidiu sobre a remuneração de férias a alíquota mínima, sem limite, conforme planilha anexo 8. Já na apuração da Base de Cálculo da contribuição patronal relativa as férias, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP. As contas 1214010002JOSÉ WILSON GRANJEIRO OLIVEIRA e 1214010004 IVONETE A C. LIMA GRANJEIRO são contas do ativo, relativas a empréstimos e adiantamentos a diretores, sócios e administradores. O histórico dessas contas consigna como "VR.REF.DEBITO EM C/C NO BCO BANCO SANTANDER C/C 13 0000848 RECIBO ANTECIPAÇÃO DISTR. LUCRO". Foram debitados a creditado da conta 1112010030 BANCO SANTANDER C/C 130000848 (planilha anexo 9), não transitando por mais nenhuma conta em contrapartida, não tendo sido baixados, logo não há que se falar em ressarcimentos no caso de empréstimo. Tampouco há suporte para antecipação de lucros, já que na DIPJ não constam lucros Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 distribuídos. Salientese ainda que no balancete apresentado consta PREJUÍZOS DO PERÍODO de R$ 316.139,23. Considerando que esses valores pagos aos sócios não foram baixados, permanecendo a conta de crédito zerada; que, de acordo com a consolidação do contrato social da empresa, o sócio Jose Wilson Granjeiro Oliveira detém 95% das quotas e a sócia Ivonete Araújo Carvalho Lima Granjeiro detém os outros 05%; que nos atos constitutivos da empresa não existe previsão de distribuição de lucros ou dividendos ou antecipações e considerando ainda a periodicidade mensal desses pagamentos, a realidade fática deixa clara que esses valores se constituem remuneração pelo trabalho (pro labore) disfarçada, caso em que há incidência de contribuições previdenciárias. Assim, para apuração das contribuições sociais referentes ao pro labore (CONTAS: 1214010002JOSÉ WILSON GRANJEIRO OLIVEIRA e 1214010004 IVONETE A C. LIMA GRANJEIRO) foi considerada a alíquota de 11% (CI), respeitado o limite legal, e abatido o valor da contribuição do segurado já descontada em GFIP, conforme planilhas do anexo 9. Já na apuração da Base de Cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP. Além da conta contábil: 4132010002 SALÁRIOS E ORDENADOS, foi encontrada na contabilidade do contribuinte a conta contábil: 1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA, a qual consigna pagamento de salários a segurados não elencados na folha de pagamento ou na GFIP do sujeito passivo sob ação fiscal. Foram declarados pagamentos específicos feitos a alguns segurados no período mais pagamentos mensais da folha. Chamou a atenção nessa conta o fato de ser pago pró labore e adiantamento de distribuição de lucro ao segurado RODRIGO TELES CALADO. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos às citadas contas, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. A partir do número do NIT e do CPF dos segurados declarados nessa conta e em pesquisas aos sistemas da Previdência Social e da RFB, além de outros disponíveis na internet, temse o conhecimento de que GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA tratase da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME (CNPJ:12.467.576/000142, data de abertura: 30/08/2010. Endereço: setor de industrias gráficas quadra 01, 985 centro empresarial parque brasilia , Brasília CEP: 70.610410). O fato de o sujeito passivo efetuar a contabilização do pagamento da folha da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142 (Além do pagamento de outras despesas dessa empresa) denotam esses segurados como empregados do sujeito passivo e a caracterização de grupo econômico. Esses fatos vedam a opção ao SIMPLES NACIONAL da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA – ME (CNPJ: 12.467.576/000142 Optante pelo Simples Nacional desde 30/08/2010) e se impõe a efetuação de Representação Fiscal para exclusão do Simples. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 971 7 Os valores escriturados na contabilidade do contribuinte, na citada conta contábil, conforme demonstrados nas planilhas constantes do relatório fiscal, são uma complementação paralela da folha de pagamento da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, não oferecidos à tributação pelo sujeito passivo. Para apuração das contribuições sociais dos segurados referentes aos Pagamentos específicos contabilizados na CONTA: 1214020010GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA foi considerada a alíquota correspondente à faixa do salário de contribuição, respeitado o limite legal, e abatido o valor da contribuição do segurado já descontada em GFIP pela empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142, conforme planilha do anexo 10. Já na apuração da Base de Cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP. Ressaltese que não foram considerados para cálculo os valores discriminados no histórico como pagamento de vale transporte, auxílio alimentação. Como a contabilidade não apresenta o valor referente ao pagamento da folha do mês 12/2011, por ser regime de caixa, enquanto a contribuição previdenciária é regime de competência, e como o contribuinte não apresentou os documentos solicitados em TIF, nessa competência repetiuse o valor do mês 11/2011. Como o próprio sujeito passivo informou em seu sitio na internet (https://www.grancursos.com.br/novo/portal/?/36/1566/), o segurado Rodrigo Teles Calado como Gerente de Projetos, fato corroborado no Currículo do Sistema de Currículos Lattes pelo segurado: Gerente de Tecnologia da Informação, Carga horária: 44, Regime: Dedicação exclusiva, ele está sendo levantado como segurado empregado, pois a situação fática que se apresenta é a do art. 3º da CLT. A multa foi qualificada em 150%, por ficar configurado evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Ao entregar Recibos sem as deduções legais para serem escriturados pelo contador, que não os lançou em títulos próprios; e ao não oferecer esses fatos geradores à tributação, não os declarando em folha de pagamento, GFIP ou DIRF, o contribuinte obteve, em tese, um resultado visado, que foi a supressão de contribuição previdenciária. Outrossim, corroboram, em tese, a conduta tipificada nos arts 71, 72 e 73, da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, o fato de o sujeito passivo efetuar na conta contábil: 1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA a contabilização do pagamento da folha da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142 (Além do pagamento de outras despesas dessa empresa) o que denotam esses segurados como empregados do sujeito passivo e a caracterização de grupo econômico. O sujeito passivo faz a mudança do seu domicílio, durante a ação fiscal em andamento, com nítido caráter de dificultar ou Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 impossibilitar a fiscalização, motivo pelo qual a autoridade administrativa recusa o novo domicílio no estado de São Paulo, nos termos do art. 127 do CTN e artigos 23 e 24 da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 2014. A multa também foi agravada em 50%, em razão de não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos ou sistemas digitais, conforme art. 44, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Constatouse que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação contribuições sociais incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados que lhe prestaram serviços, omitindo da folha de pagamento e da GFIP da empresa segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços; bem como deixou de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que configura, em tese, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária tipificado no art. 337A do Código Penal, incluído pela Lei n° 9.983, de 14 de julho de 2000, tendo sido feita a respectiva representação fiscal para fins penais. Também foi feita Representação Administrativa para exclusão do Simples Nacional da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/0001 42, haja vista a contabilização do pagamento da folha e outras despesas dessa empresa pelo sujeito passivo objeto da ação fiscal, o que caracteriza grupo econômico, sendo o valor da Receita auferida pelo grupo econômico bem superior ao permitidopara opção pelo Simples Nacional." ` Consta ainda da decisão de piso, a cientificação de todos os coobrigados e as datas das impugnações por eles interpostas (fls 753/754). A correspondência de cientificação da decisão de primeiro grau foi enviada pela DRF Brasília para o devedor principal e todos os solidários e as cópias dos protocolos de envio pelos Correios, se encontram das folhas 772 até 803. Em 22 de maio de 2015, o Sr. Chefe da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário, DICAT, da DRF Brasília, constatando que foram infrutíferas as tentativas de cientificação dos devedores solidários abaixo mencionados, determinou a publicação de edital para fins de intimação da decisão de primeiro grau. A desafixação do edital nº 14/2015 (fls. 804), ocorreu em 08 de junho de 2015. Mister realçar que, em 10 de junho de 2015, por meio de despacho de folhas 965, a DICAT da DRF Brasília, desapensou o processo 10880.723570/201471 do presente processo em face do trânsito em julgado, por inexistência de recurso, da decisão de piso que Fl. 975DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 972 9 considerou procedentes os créditos tributários ali inseridos, consoante o Termo de Perempção lavrado nos autos do processo desapensado. Em 27 de maio de 2015, a devedora principal, Brasília Cursos e Concursos Ltda. interpõe, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 927). As devedoras solidárias Gran Cursos Tecnologia da Informação Ltda. ME (fls. 807); Pleiade Treinamentos Cursos e Concursos (fls. 846); Gran Cursos e Concursos Ltda. (fls. 885), também apelam. As demais não apresentam recurso voluntário. Consta do recurso voluntário do devedor principal, em síntese, as seguintes alegações: · O procedimento fiscal é nulo pois foi realizado com preterição ao devido processo legal, uma vez que a Autoridade Fiscal não apontou, com clareza e detalhes, as disposições legais infringidas e que apóiam a exigência. · Houve a caracterização de vínculo empregatício com 85 pessoas jurídicas a partir da demonstração de 10 contratos tidos como típicos de vínculo empregatício, o que macula o lançamento. · Foi desconsiderado o benefício 'cotautilidade' e incluído como salário de contribuição, sem que a Fiscalização comprovasse que aquele está inserido no conceito do artigo 458 da CLT.. · Alega ainda a nulidade do lançamento, já que a Fiscalização não se ateve a busca pela verdade material, fundando o auto de infração em informações gerais e cruzamento de declarações transmitidas à Receita Federal sem a preocupação de verificação do tipo de prestação de serviço que existia. · No mérito, assevera que apenas houve transferência do ônus probatório, quanto ao vínculo de emprego, a partir da listagem de colaboradores constantes do endereço eletrônico da empresa, sem observação dos requisitos legais para que surja a relação de emprego. · Que a mudança de domicílio da empresa não foi um conduta dolosa, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Tanto assim o é que a empresa apresentou todas as declarações mensais à Receita e informou ao Fiscal tudo o que entendeu necessário. · Que a qualificadora da multa do lançamento de ofício é descabida, tem caráter confiscatório, tanto que o valor do tributo a partir da competência 12/2011 é menor que o valor da multa aplicada. · Não obstante o caráter confiscatório, a pena qualificada não merece prosperar pois não houve, por parte do Recorrente, nem a prática das condutas previstas na Lei 9.430/96, nem a comprovação dessas pelo Fisco. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 · Se insurge contra os juros de mora calculados com base na taxa SELIC. · Alega inexistir responsabilidade solidária uma vez que não existe elemento pessoal que justifique a imputação da responsabilidade aos demais coobrigados Os recursos da demais coobrigadas contêm, na essência, as mesmas alegações constantes do recurso da devedora principal. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e portanto, dele conheço e passo a analisálo na ordem das alegações formuladas. Cumpre ressaltar que os recursos das devedoras solidárias: Gran Cursos Tecnologia da Informação Ltda. ME, Pleiade Treinamentos Cursos e Concursos, Gran Cursos e Concursos Ltda. contêm em sua essência os mesmos argumentos do recurso do devedor principal e são similares entre si. São de conhecimento deste Relator e serão analisados no bojo do recurso do devedor principal, somente sendo explicitado o resultado na parte que efetivamente lhes interessa. Necessário ainda reafirmar que os devedores solidários Gran Comunicação Ltda., Taguatinga Cursos e Concursos, Ceilandia Cursos e Concursos, JW Grangeiro Consultoria e Treinamento, Veritad Corporation Cursos e Treinamentos, São Paulo Treinamento, Cursos e Concursos e JW Editora não apresentaram recurso voluntário, sendo portanto, mantidas no polo passivo do crédito tributário, por solidariedade com o devedor principal em face do trânsito em julgado administrativo ocorrido. Com essas considerações sobre a sujeição passiva, passo a apreciação do recurso. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA Segundo o recorrente o auto de infração é nulo por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, posto que, como constituído, impede que o sujeito passivo entenda a imputação fiscal. São seus argumentos (fls 930): "No processo administrativo fiscal, um dos direitos assegurados ao Contribuinte, como prérequisito à regularidade do lançamento, consiste na obrigatoriedade de o Agente Fiscal responsável apontar, com clareza e detalhes, a base legal da constituição do crédito tributário, ou seja, as disposições legais infringidas que apóiam a exigência. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 973 11 Entretanto, o que se verifica no presente processo é uma verdadeira aberração, uma afronta explícita aos princípios constitucionais e às normas de regência do processo administrativo, pois cominar genericamente imputações à legislação de regência sem destacar com clareza quais os dispositivos foram, supostamente, feridos cerceia e torna difícil a defesa da Recorrente (...) Ocorre que a d. fiscalização não logrou êxito em demonstrar adequadamente a capitulação legal à sua motivação, o que enseja a nulidade do auto. Referiuse o Sr. Agente Fiscal, de forma bastante extensa e confusa, aos dispositivos da legislação previdenciária que teriam sido violados. E, ao deixar de capitular de forma apropriada o suposto ilícito, a autoridade administrativa findou por desrespeitar o Princípio Constitucional do Contraditório e Ampla Defesa, previsto no art. 5o, LV, da CR/88, além do Princípio da Estrita Legalidade que rege todo o nosso Sistema Tributário. (...) A Fiscalização não logrou êxito na tentativa de demonstrar a subsunção dos fatos à norma, por não ser capaz de reunir e demonstrar os pressupostos de que a Lei faz depender os efeitos jurídicos preconizados, pois os documentos solicitados foram apresentados e a autuação partiu de presunção de ilegitimidade dos contratos jurídicos firmados pela Recorrente em relação ao pagamento de valores aos seus empregados e prestadores de serviços pessoa jurídica. Ao caracterizar o vínculo empregatício de supostos segurados através de interpostas pessoas para um universo de 85 (oitenta e cinco) pessoas jurídicas e indicar e demonstrar apenas genericamente 10 (dez) contratos tidos como caracterizadores do "vínculo empregatício", a d. Fiscalização não logrou êxito em provar a sua convicção quanto à infração, apenas inverte o ônus da prova para o Contribuinte e não cumpre com sua função constitucional e legal de demonstrar com clareza a situação fática que deu ensejo à imputação. Para que se dê arrimo a tal afirmação, basta verificar que no curso da fiscalização, o Auditor Fiscal não se desincumbiu da tarefa de circularizar ou diligenciar junto às pessoas jurídicas ditas "interpostas" para que se confirme o regime de prestação de serviços e a relação dos sócios de cada sociedade empresária com vistas a determinar o regime jurídico e qual a forma de contribuição à Seguridade Social desses empresários relacionados pela legislação previdenciária como Contribuintes Individuais Obrigatórios. Em relação à descaracterização dos benefícios concedidos aos empregados sob a forma de "Cota Utilidade" incluindoos como Fl. 978DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 saláriodecontribuição, também comete o mesmo equívoco, pois inverte a incumbência da Fiscalização de provar que os valores pagos não estão inseridos no contexto do art. 458, § 2o, da CLT, fazendo tal encargo recair sobre a Recorrente, ferindo o Princípio da Ampla Defesa e Contraditório" (destaques não constam do recurso) Não assiste razão ao recorrente. Voltando os olhos para o Relatório Fiscal, observamos que a Fiscalização constatou um hiato entre as informações constantes do 'site' do sujeito passivo (local onde ele, em busca da consecução de desiderato social, demonstra sua capacidade na prestação de serviços educacionais), e a mãodeobra empregado pelo Recorrente em sua atividade fim. Buscando dirimir a dúvida observada, intimou o contribuinte a que prestasse as informações necessárias. Não obteve o necessário esclarecimento. Faltou o Recorrente com seu dever de colaboração, pois, embora inicialmente, com certa demora, houvesse prestado as informações solicitadas, a partir de dado momento simplesmente cessou o atendimento à Fiscalização. Encontramos a corroboração do acima afirmado nos seguintes trechos do relatório fiscal (fls. 44 e 51 e seguintes) (...) Fl. 979DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 974 13 16. Dessa forma, foi solicitado por meio do Termo de Intimação fiscal TIF n° 2, recebido pessoalmente pelo contribuinte em 26/05/2014, entre outros, que apresentasse os: 2 Contratos de prestação de serviços e recibos de pagamento das aulas ministradas pelos professores elencados na CONTA CONTÁBIL: 4133010005 PROJETOS C/ DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL Conforme relacionados no ANEXO 1: CONTA: 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL PAGTO AULAS MINISTRADAS POR PROFESSOR ES; Especificar a forma de contratação desses professores, contribuintes individuais ou empregados, e esclarecer por que esses professores não foram incluídos em folha de pagamento nem declarados em GFIP. Apresentar comprovante da retenção e do recolhimento das contribuições previdenciárias efetuadas; Em 17 de junho de 2014, por meio de ofício encaminhado pelo SócioAdminstrador, Sr. JOSE WILSON GRANJEIRO OLIVEIRA, foi solicitada a prorrogação de 30 dias para entrega dessa documentação e esclarecimentos; sendo essa solicitação referida no próprio Ofício pela chefe de equipe fiscal Cristiane Ramiro Palhares(anexo 2). Fl. 980DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 Como após o prazo solicitado não foi apresentado nenhum documento ou esclarecimento, em 23/07/2014 foi encaminhado o TIF 03, reintimando as mesmas solicitações, no prazo de 10 dias. Por meio de via postal AR: SF 650092482 BR. O qual foi recebido por Aline Pinho (secretária do Gran Cursos), em 24/07/2014 (conforme recibo no AR, anexo2). No entanto, conquanto o AR tenha sido encaminhado para o endereço constante no sistema da RFB, onde inclusive foram entregues o TIPF e os 2 TIFs anteriores recebidos pessoalmente pelo contribuinte. E onde só funciona esse estabelecimento de ensino GRAN CURSOS, com turmas em atividade, conforme se comprova ao passar em frente dessa instituição de área bem abrangente. E ainda que tenha sido efetivamente recebido pela secretária (conforme assinatura no corpo do AR), o AR foi devolvido posteriormente sob a alegação de "mudouse". De modo que, após o recebimento do segundo TIF o contribuinte não mais entregou nenhum documento ou apresentou qualquer esclarecimento. Portanto, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, é feito o lançamento de oficio do crédito tributário não declarado pelo contribuinte." (negritos e sublinhados nossos) Ao assim proceder, o sujeito passivo não logrou êxito em afastar as constatações fiscais obtidas a partir de documentos obtidos diretamente com o Administrado. Cumpre ressaltar que, verificado a ocorrência do fato gerador in casu a remuneração de pessoas físicas pelo trabalho cabe ao Fisco a constituição de seu direito de crédito. Pela lógica processual, tão cara ao Recorrente que sobre ela discorre longamente, uma vez comprovado o direito do autor a Administração Tributária que comprova pelos documentos mencionados a remuneração de pessoa física pelo trabalho cabe ao contribuinte a comprovação de fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do autor. Aqui a falta da nulidade apontada. O Recorrente abre mão de seu direito à comprovação da mitigação ou extinção do direito do Fisco na fase inquisitória do processo de fiscalização e também no bojo do processo administrativo tributário, uma vez que não traz os documentos solicitados ao conhecimento da Autoridade Lançadora, nem ao julgamento em primeira ou segunda instâncias administrativas. Mister ressaltar que o mesmo raciocínio cabe quanto a alegação, feita pelo Recorrente alhures, sobre a não integração da verba 'cota utilidade' no conceito de remuneração. A comprovação dessa alegação cabe ao sujeito passivo, pois se trata de nítido direito modificativo do direito de crédito, vez que minora a base de cálculo adotada pelo Fisco. Diante do exposto, e principalmente pelo relatado pela Autoridade Fiscal, não há ofensa ao contraditório tampouco a ampla defesa. Não se observa a nulidade arguída. Tampouco falta clareza à imputação fiscal ou ela se realizou sobre 'presunções' da autoridade fiscal. Os motivos do lançamento se encontram perfeitamente delineados e explicitados no Relatório Fiscal e foram comunicados ao Contribuinte e pedidos Fl. 981DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 975 15 os esclarecimentos necessários. O que houve de fato, como dito, foi negligência do sujeito passivo no atendimento à Fiscalização. Argumenta ainda que não houve respeito ao princípio da verdade material. Segundo a Recorrente, a Autoridade Fiscal não se ateve à busca da verdade real. Ora, havendo a constatação do fato gerador tributário pelos documentos obtidos junto ao sujeito passivo quando do atendimento das intimações fiscais, e com base nesses documentos, sendo solicitado, novamente por meio de intimações e reintimações, os esclarecimentos e comprovações necessários, se observa justamente a busca empreendida pelo Fisco da determinação da matéria tributável e do cálculo do montante devido. Busca pela verdade real. Necessário afirmar, uma vez mais, que tal procura se revela infrutífera justamente pela recusa do sujeito passivo em apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados. Inerte no processo fiscalizatório, poderia ainda, no processo administrativo inaugurado com a impugnação ao lançamento, ter o devedor principal trazido à luz esse documentos e esclarecimentos. Não é o que se observa nos autos deste processo administrativo. Não houve ofensa ao princípio da verdade material. Se esta simplesmente não emergiu, não foi por culpa da Administração Tributária. Rejeito, pelos motivos e fundamentos apresentados, a preliminar de nulidade. DA AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LABORAL Argumenta a recorrente (fls. 940): "Consta da autuação que a Recorrente deixou de pagar contribuição sob a folhas de salários de seus colaboradores, que supostamente figuram como empregados contratados sob o regime CLT, estribando o Autuante, nas informações obtidas no endereço eletrônico da empresa. Para a desconstituição de tal afirmativa que, digase de passagem, carece de fundamentação jurídica fática e formal, eis que apenas transfere o ônus da prova à Recorrente ao inferir que possuí contrato de trabalho CLT com todos os colaboradores que são listados em seu sitio eletrônico, sem, ao menos considerar a hipótese de que o endereço eletrônico possa estar desatualizado, ou ainda, o contrato entre a empresa e seus colaboradores não se assemelham a um contrato laboral regido pela CLT, sendo apenas para prestação de serviços esporádicos, sem vínculo empregatício, é necessário se ater aos conceitos e regulamentos que regem a vinculação empregatícia." (destaques não constam do recurso) Fl. 982DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Depois de discorrer sobre a teoria das relações de emprego, explicitando suas características, arremata a Recorrente (fls 942): "É fácil perceber pelos relatórios da Fiscalização que tal caracterização não foi efetuada em relação às pessoas citadas e nem sequer foi declinada a base legal para a declaração do vínculo empregatício. Concluindo, podemos afirmar que existem inúmeras prestações in natura que poderão ser concedidas pelo empregador ao empregado, entre elas, algumas são consideradas salário, outras não. O critério diferenciador reside, num primeiro plano, naquilo que dispõe expressamente a lei e, em segundo plano, na investigação da presença dos requisitos configuradores. Nesse passo, no presente caso, existe uma miscelânea de situações, onde alguns dos prestadores de serviços atuam com contrato entre pessoas jurídicas, outros com contrato de prestação de serviços de autônomos à pessoa jurídica, mas, sem vínculo empregatício. E os que de fato possuem o vínculo empregatício com carteira assinada, foram devidamente declarados à Receita Federal" Assiste razão ao recorrente. A relação de trabalho é gênero do qual a relação de emprego é espécie e tal especificidade deve ser averiguada no caso concreto. Porém, tal constatação depende da documentação apresentada pelo contribuinte, quando, cercado de fortes evidências documentais da existência do vínculo empregatício a chamada vis atrativa do direito do trabalho o Fisco intima o empregador para que apresente os contratos de trabalho vigentes no período fiscalizado. Como dito acima, isso foi realizado pela Autoridade Lançadora. Observamos às folhas 51 do relatório fiscal (item 16, acima transcrito), que por meio do TIF nº 2, entregue pessoalmente ao sujeito passivo em 26/05/15, há expresso questionamento sobre o tema: "2 Contratos de prestação de serviços e recibos de pagamento das aulas ministradas pelos professores elencados na CONTA CONTÁBIL: 4133010005 PROJETOS C/ DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL Conforme relacionados no ANEXO 1: CONTA: 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL PAGTO AULAS MINISTRADAS POR PROFESSOR ES; Especificar a forma de contratação desses professores, contribuintes individuais ou empregados, e esclarecer por que esses professores não foram incluídos em folha de pagamento nem declarados em GFIP. Apresentar comprovante da retenção e do recolhimento das contribuições previdenciárias efetuadas" Ora, como poderia o Fisco determinar o vínculo senão dessa forma? Não se pode olvidar que a fiscalização tributária se refere a fatos pretéritos, ocorridos dois ou três anos antes da ação de verificação de cumprimento das obrigações. Justamente por isso é que a legislação tributária determina que os documentos de interesse fiscal tenham determinada forma e conteúdo e seja de guarda obrigatória por determinado período, as chamadas obrigações acessórias ou deveres instrumentais nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 976 17 Não pode, no caso concreto, ou não se interessou, o sujeito passivo em comprovar suas alegações sobre as relações de trabalho que mantinha. Tal omissão não pode ser por ela aproveitada, diante do quadro fático delineado pelo Fisco. Mister ainda ressaltar que consta do lançamento os critérios usados pela Autoridade Lançadora quanto à categoria atribuída a cada segurado, seja ele empregado ou contribuinte individual (fls 53 e 54), sendo que aqueles que constavam da GFIP foram considerados empregados e os demais, constantes das contas contábeis 'Projetos com Desenvolvimento Educacional', foram considerados contribuintes individuais Recurso voluntário negado nessa parte. DA INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA FICTÍCIA DE DOMICÍLIO Segundo a Recorrente a mudança de domicílio tributário empreendida não decorre de nenhuma conduta dolosa por ela praticada. São seus argumentos (fls. 943): "A Recorrente vem demonstrando, à saciedade, a impropriedade da manutenção do lançamento. Não se sustenta, portanto, a pretensão fazendária de atribuir conduta dolosa à Recorrente, por em decorrência da mudança de domicilio. No decorrer da fiscalização, o Contribuinte forneceu todas as informações que entendeu necessárias para a fiscalização, inclusive indicou as declarações transmitidas para a Receita Federal, onde constam, de forma fidedignas, suas informações tributárias. A perseguição xiita e fundamentalista promovida pela fiscalização fiscal não se justifica, demonstra somente um anseio incoerente, através de desvirtuamento da realidade, para justificar a abusividade da atividade fiscal. Isto porque, o Auditor Fiscal possuí informações dos endereços dos sócios da empresa, sendo assim, ao se constatar mudança do endereço da empresa, porque não citar o sócio em seu domicilio??? Estranhamente o fiscal prefere inventar que a empresa mudou de endereço, fato que envolve um grande trabalho logístico, somente para "fugir da fiscalização"!!" Segundo a Autoridade Fiscal (fls 87): "Em 02/09/2014, já no encerramento do procedimento fiscal, (Termo de Início do Procedimento Fiscal recebido pessoalmente pelo contribuinte em 16/12/2013), o sujeito passivo alterou o endereço cadastral para uma sala no estado de São Paulo Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 No entanto, a atividade produtora da empresa, auias para concursos, continua a ser ministrada no mesmo endereço: SETOR DE INDUSTRIAS GRÁFICAS QUADRA 01 945. 107.As restantes das empresas do grupo econômico continuam no mesmo endereço: (...) O centro administrativo de suas atividades e a diretoria da empresa continuam sendo no mesmo endereço:SIG/SUL QUADRA 01 LOTE 945. inclusive com as mesmas secretárias. No sítio da internet "https://www.grancursos.com.br/novo/portal/?" continua a divulgar as várias turmas em atividades e as novas a serem iniciadas, nos mesmos endereços. Os sócios, José Wilson Granjeiro Oliveira e Ivonete Araújo Carvalho Lima Granjeiro, continuam residindo no mesmo endereço cadastrado na SRF:SHIS QL 10 CONJUNTO 09 CASA 07 CEP 71.630095 LAGO SUL BRASÍLIA" Novamente falta ao Recorrente a comprovação do alegado. O Fisco, diante de um fato comprovado, analisa a legislação aplicável e submete o fato à norma. O Contribuinte, ao reverso, formula diversas alegações, porém não as comprova documentalmente. A presunção da alteração fícta de domicílio seria facilmente afastada com a comprovação da efetiva mudança, do propósito de tal alteração. Nada consta dos autos nesse sentido.Não existe um só documento que rebata as alegações fiscais ou que comprove os argumentos do Recorrente. Não obstante todo o exposto, é mister não olvidar que a legislação tributária veda expressamente a alteração de domicílio do estabelecimento matriz durante o procedimento fiscal. Nego provimento ao recurso nessa parte. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 977 19 DAS PENALIDADES LANÇADAS DE OFÍCIO Se insurge o recorrente contra as multas aplicadas ao lançamento de ofício. Vê caráter confiscatório e principalmente, não entende que a Fiscalização comprovou a existência de condutas ensejadoras da qualificadora e da agravante. Cita vasta doutrina e jurisprudência no sentido de sua argumentação. Correta a visão do Recorrente. A Lei nº 9.430/96, quando versa sobre a aplicação da multa nos lançamentos de ofício expressamente assevera que a qualificadora só pode ser aplicada nos termos da Lei 4.502/64. Vejamos: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Por seu turno a Lei nº 4.502/64 explicita: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, patente no relatório fiscal que as condutas do Recorrente visavam impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou reduzir suas condições essenciais com vista a obtenção de vantagem por meio da postergação ou não pagamento do tributo devido. O relatório fiscal apresenta praticamente seis laudas de argumentos (fls 84 a 90), comprovados faticamente, sobre as praticas do contribuinte visando auferir vantagem indevida mediante não entrega ou pagamento de tributo. Sem número de situações foram comprovadas pelo Fisco quanto às condutas, as mais diversas, desde a utilização indevida de pessoas jurídicas, até a simples omissão de bens e valores de suas declarações, contribuíram para o convencimento deste julgador da ocorrência das condições legais ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Quanto ao agravamento da multa, dispõe a Lei nº 9.430, no mesmo artigo 44, agora em seu parágrafo 2º: Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 978 21 "§ 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei." Novamente o relatório fiscal (fls. 90 e 91) elenca as situações em que não houve atendimento, pelo sujeito passivo, de intimações. E o pior, na visão deste julgador, os argumentos do recurso se fundam em ataque a procedimentos adotados pelo Fisco em razão da omissão do contribuinte. Recurso negado também nessa parte. DOS JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC Consta do recurso (fls 955) "Concernente aos juros de mora, e ainda que o E. Conselho de Contribuintes tenha editado Súmula Administrativa sobre o assunto, a favor da Fazenda, cumpre apresentar as seguintes considerações em função do necessário préquestionamento da matéria. Ao proceder à determinação do "quantum" pretensamente devido pela Recorrente, conforme se constata no Auto de Infração, a d. Fiscalização aplicou como critério do cálculo dos juros moratórios a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Entretanto, esses juros aplicados na autuação representaram uma majoração extorsiva e ilegal do débito, para a qual se verificou, em certos períodos, uma variação de aproximadamente 4% (quatro por cento) ao mês. Como visto, não obstante a taxa SELIC seja determinada, pelo diploma legal enfocado, como juros moratórios que devem incidir sobre débitos tributários, isto não se coaduna com sua verdadeira natureza que, sem sombra de dúvida, é de taxa de juros remuneratórios" Como bem sabe e disse o recorrente: a incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 22 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em complemento, a Súmula CARF nº 5, assevera: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral Recurso negado também nessa parte. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Por fim, constatase a insurgência da devedora principal, e também das devedoras solidárias, quanto a inexistência de responsabilidade solidária. São argumentos da devedora principal sobre o tema (fls. 957): "Não satisfeita em exigir milhões de reais da Recorrente, a título de contribuições previdenciárias, sejam a cargo da empresa, sejam a cargo de segurados, a Fiscalização convola outras pessoas jurídicas, enquadrandoas como "responsáveis solidários", a pretexto de configurarem "grupo econômico", o que merece ser rechaçado pelo eminente CARF, em face de ser uma conclusão completamente absurda e ilegal, como veremos a seguir. Conforme dispõe o art. 121 do Código Tributário Nacional, dois podem ser os sujeitos passivos da obrigação tributária: o contribuinte propriamente dito e o responsável legal, previsão que possibilita a responsabilização de terceiros por uma obrigação tributária, utilizandose, por exemplo, do instituto da solidariedade. Prevê o art. 124 da cita Lei Complementar tributária que são solidariamente responsáveis (i) as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e (ii) as pessoas designadas por lei, sendo essa solidariedade de fato (quando diversas pessoas têm interesse em uma situação que constitua o fato gerador em questão) ou de direito (quando decorre diretamente da lei)." Logo após a correta menção sobre a legislação aplicável, a Recorrente tergiversa e traz à lume o artigo 135 do CTN que trata da responsabilidade pessoal do agente, o que não se aplica ao caso concreto. Não há uma única citação ao mencionado dispositivo codicista no Relatório Fiscal. Para que se analise a responsabilidade solidária imputada pelo Fisco, mister observar a legislação aplicável, uma vez que tal instituto de solidariedade por obrigação assumida por outrem decorre sempre de contrato ou da lei. Nesse sentido é expressa a determinação do Códex Tributário, do determinar no artigo 124 que a responsabilidade solidária existe para aquele que tem interesse comum no Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 979 23 fato gerador que não se aplica no caso em concreto ou aos designados pela lei. Lei que rege o tributo, por certo. Tal constatação nos remete à Lei nº 8.212/91, que em seu artigo 30, inciso IX, assevera: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;" Como dito no recurso, no caso em apreço, foi considerado que as empresas mencionadas formam um grupo econômico. Este é o ponto fulcral da questão. Se o Fisco pode comprovar que as empresas integram grupo econômico de qualquer natureza e, tal situação não sendo comprovadamente modificada ou extinta pelo Contribuinte, temos nos termos da lei, a solidariedade passiva. Em primeiro lugar mister realçar a amplitude do comando legal. A constituição de grupo econômico de qualquer natureza enseja a responsabilização sem benefício de ordem e por toda a obrigação de todos os integrantes deste grupo. Assim quis o legislador. Com essa constatação, se o Fisco pode comprovar a existência de um grupo econômico com base em disposições societárias, trabalhistas, consumeristas ou outra qualquer prevista pelo direito, existe a responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários de qualquer empresa do grupo. Não se pode, portanto, sob pena de ofensa à lei tributária, quererse para o caso de contribuições previdenciárias, desconsiderar a constituição de um grupo econômico com base na legislação trabalhista, seja com base na CLT, ou mesmo na vigente lei do trabalhador rural, Lei nº 5.889/73. Com essas considerações, e firmes na convicção que é ônus do Fisco a comprovação da existência de grupo econômico de qualquer natureza, analisemos o relatório fiscal. "Conforme preceitua o Inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN e o inciso IX do art. 30 da Lei de custeio previdenciário, Lei n° 8.212, de 1991, são responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal (patronal e de segurados) as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si. Nesse contexto, conforme relação de empresas comunicada à fiscalização pelo preposto do contribuinte, e em consulta aos sistemas informatizados da RFB, o sujeito passivo integra o seguinte grupo econômico: Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 24 Ressaltese que, conforme relatado no item llV deste relatório, o sujeito passivo contabilizou na conta contábil 1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA o pagamento de parte da folha e de outras despesas pertencentes à empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142 (nome fantasia: GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA.) O que caracteriza grupo econômico (e, no caso, consequente vedação dessa empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME de participação no Simples). De acordo com as diretrizes dos arts. 116, 142, 148 e 149 do CTN, bem como o § 3o. do art. 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o § único e "caput" do art. 233 do Decreto 3.048, de 06/05/1999. Logo, faz parte do grupo econômico a empresa: Encontramos no relatório fiscal a comprovação de grupo econômico caracterizado pela existência de sócios comuns, mesma atuação dentro da atividade econômica, confusão patrimonial e ainda, utilização de meio comum para atingimento dos objetivos sociais. Importa ressaltar que, novamente, não se observa no recurso, nenhum tipo de comprovação da inexistência do grupo. Tal comprovação, caso possível, seria facilmente realizada por meio da demonstração das atividades realizadas, independência na realização dessas atividades, meio distintos para o atingimento dos objetivos sociais, etc... Fl. 991DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 980 25 Mister realçar que os mesmos argumentos, sem provas, constam do recurso das devedoras solidárias acostados ao presente processo. Recurso negado também nessa parte. Solidariedade passiva mantida. CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos mencionados, voto por conhecer do recurso interposto pelo devedor principal e pelos demais coobrigados mencionados, e rejeitando a preliminar de nulidade, no mérito, negarlhes provimento, mantendo o crédito tributário em sua integralidade e a solidariedade passiva imputada aos demais coobrigados. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 992DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.000547/2004-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO
Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
Numero da decisão: 9101-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 05 47 /2 00 4- 99 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório A Turma ordinária decidiu o recurso voluntário em acórdão que restou vazado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA — CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 40 do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei no 9.430/96. 0 lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos os tributos devidos pelo sucedido. 0 que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato,gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei e a evidencia de provas, onde pede que seja dado provimento ao recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. Admitido o Recurso da Fazenda Nacional, o acordão de recurso especial conheceu e lhe deu provimento, “determinando o retorno dos autos a Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente”. O acórdão da CSRF foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Consta na parte final do voto do relator: Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 Encaminhado o processo ao colegiado a quo e sorteado entre os seus membros, o relator contemplado foi o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. O referido conselheiro apresentou Embargos de Declaração abaixo transcrito: Conforme o termo de verificação de infração de fls. ..., todo um conjunto de auditorias levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRPJ e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSLL (vinte e três para cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de CSLL e seus reflexos. É, portanto, similar a várias dezenas de outros, dos quais vários nos foram distribuídos por retorno determinado pela Câmara Superior. Por meio do acórdão ..., a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário ..., sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deulhe provimento por meio do acórdão ... sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de ofício, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retorno dos autos à “Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto”. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão ..., entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém, que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 4 5 Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão ... . Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, interpomos embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão ... para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta turma. Encaminhado o processo à Primeira Turma da CSRF, os Embargos foram admitidos por despacho do Presidente da CSRF. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Preliminarmente, há uma questão a ser respondida, qual seja: se um relator de Turma Ordinária que recebeu um processo com decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) determinando o retorno a turma a quo poderia, ou não, embargar esse Acórdão, visando esclarecer os contornos e limites do retorno. O tema ganha relevância, pois estarseá a definir a autonomia da decisão da Câmara Superior, se é possível a interpretação autêntica ou se sua interpretação deverá ser avaliada pela turma ordinária que lhe dá cumprimento. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, apresenta, em seu parágrafo primeiro, o seguinte rol de legitimados para oposição de Embargos de Declaração (vale ressaltar que essa redação era a mesma existente no Regimento Interno anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. A partir dos regramentos transcritos, podese discutir o enquadramento nos incisos I e V. a.1) Ao se eleger como legitimado o ‘conselheiro do colegiado’, é defensável que o termo ‘colegiado’ acima envolva a turma de julgamento que tem interesse no que está sendo decidido; assim, poderseia defender que estariam aí os conselheiros do colegiado que julgará o retorno da decisão da CSRF. Não obstante, também é defensável que o colegiado abrange apenas a turma prolatora do acórdão (ainda mais com o acréscimo que se fez no atual regimento interno incluindo a expressão “inclusive pelo próprio relator”). Fl. 384DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 5 7 a.2) A tradição da Casa entende que a segunda alternativa é a mais apropriada, a ela me alio, sob pena de abrir um precedente que poderia evoluir no sentido de que nesse dispositivo caberiam todos os colegiados do Conselho (tendo em vista a subjetividade do que seria um colegiado que tem interesse no julgamento); o que, evidentemente, não é o que desejou o legislador do regimento interno. b.1) Em se tratando do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, poderseia interpretar que a turma a quo poderia ocupar a posição de unidade da administração tributária e que esse “titular” poderia, por analogia, ser o relator ou o Presidente (nesse caso, faleceria competência no caso concreto, pois os Embargos não foram subscritos pelo Presidente), já que é natural pensar que a turma para o qual o processo retornou está “executando” o acórdão. b.2) Mais uma vez, reconhecendo a engenhosidade da alternativa de interpretação, sigo a prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do Código Tributário Nacional) ou a tradição, sem adentrar no campo do direito administrativo que conceituaria “unidade da administração tributária”, para rejeitar a possibilidade e continuar entendendo que o inciso V do art. 65 está apenas voltado para a unidade preparadora. A Portaria MF nº 197, de 23 de abril de 2015, dispôs sobre consulta pública relativa a alterações a serem promovidas no Regimento Interno do CARF. Confiramse alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizará consulta pública com o objetivo de receber contribuições por escrito para aperfeiçoamento do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ... §2º A minuta de Regimento Interno do CARF objeto da consulta será disponibilizada no endereço eletrônico referido no § 1º, acompanhada da exposição de motivos, com indicação dos objetivos institucionais que se pretende alcançar com a nova regulamentação. §3º A apresentação das sugestões, a ser efetivada por meio de formulário próprio disponível juntamente com a consulta, deverá atender à seguinte estrutura: I redação proposta para artigo, parágrafo, inciso, alínea ou item a que se refira; e II justificativa para cada item da proposta, que demonstre a pertinência e o atendimento dos objetivos institucionais. § 4º As contribuições deverão ser enviadas por meio de correio eletrônico para o endereço ricarf_Consulta@carf.fazenda.gov.br, com anexação do formulário próprio de que trata o § 3º. Art. 2º As sugestões recebidas e que atenderem ao disposto no § 3º do art. 1º poderão ser consideradas total ou parcialmente na definição do texto do novo regimento. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 Parágrafo único. O CARF publicará em seu sítio na internet relatório com as justificativas das sugestões não acatadas. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com base nesta louvável1 iniciativa do CARF para o aperfeiçoamento de seu regimento interno, apresentei a proposta de nº 128 com quatro sugestões de mudanças, entre elas estava a seguinte inovação: Novo inciso no parágrafo 1º do art. 65: VI – por relator de turma ordinária, relativamente à decisão da CSRF com providência de retorno a turma a quo, considerandose a ciência como a indicação para o processo em pauta. Na oportunidade, motivei da seguinte forma: Há casos de acórdãos da CSRF que decidem com retorno a turma ordinária, mas não é possível identificar exatamente qual a providência que a turma ordinária deverá tomar. Assim, fazse necessário que o relator desses acórdãos nas turmas ordinárias tenha competência para embargar a decisão da CSRF. Poderia ser utilizado o inciso I, mas esse é voltado apenas ao colegiado no qual o acórdão é proferido. Também poderia ser utilizado o inciso V, entendendose o presidente de turma como titular da unidade da administração tributária para execução do acórdão, ou seja, a turma a quo estaria “executando” o acórdão, mas também essa interpretação é questionável. O CARF justificou o não acatamento afirmando que: Se, após passar por todas as autoridades que têm legitimidade para embargar, ninguém que tomou ciência desta decisão da CSRF embargou, o relator do processo nessas hipóteses irá decidir com os elementos de que dispõe nos autos. Verificase que, embora a motivação do não acatamento tenha sido bem suscinta, foi suficientemente clara em delegar ao relator o poder de interpretar a decisão da CSRF (superando omissões/contradições/obscuridades como bem entender caso não as leve a julgamento ou não sejam identificadas pelos outros Conselheiros – ou apresentando propostas de saneamento – caso decida leválas a julgamento), submetendoa a seu juízo prévio. A partir do estudo dos “anais” de elaboração do regimento interno, podese concluir que foi dada oportunidade ao legislador regimental enfrentar a disciplina da questão e, em tendo este se manifestado no sentido de não acolher a modificação proposta, me permito extrair uma interpretação histórica com a seguinte orientação: nos atuais incisos do art. 65 não há guarida para se incluir entre o rol dos legitimados o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno; estando, 1 Do que tenho notícia foi a primeira vez que um Tribunal resolveu escutar a sociedade civil ao tratar da sua lei orgânica, estão de parabéns as autoridades que assim decidiram! Fl. 386DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 6 9 portanto, afastadas as duas possíveis interpretações a que já fiz menção ao tratar dos incisos I e V. Assim, por todo o exposto, o relator deverá interpretar a decisão da Turma da CSRF que determina o retorno para determinada turma ordinária e, caso encontre omissões/contradições/obscuridades, leválaás a julgamento da turma, como foi feito no julgamento que restou no Acórdão nº 1201001.173, sessão de 04/03/2015, da qual participei, onde os contornos da decisão da Turma da CSRF foram dados pela decisão da Turma Ordinária do CARF, conforme se pode perceber da parte dispositiva do acórdão, abaixo transcrito: “... os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003.” Nesse sentido, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, e determinar o retorno dos autos a Turma a quo. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
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Numero do processo: 16682.720053/2014-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Dec 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN.
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3402-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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(SUCESSORA DA COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 53 /2 01 4- 62 Fl. 12885DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – DEMAC/RJO, no montante de R$ 222.044,56, à data da autuação, compreendendo Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício proporcional de 75%, conforme enquadramento legal constante no referido documento. A infração apontada foi a falta de recolhimento de imposto em decorrência de utilização de créditos básicos considerados indevidos, decorrentes de aquisições de insumos empregados na elaboração de lubrificantes, produtos nãotributados (NT) na Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Também foram glosados créditos extemporâneos de IPI, por duplicidade de escrituração, ou seja, créditos que já haviam sido escriturados na época oportuna, bem como créditos extemporâneos que não tiveram sua legitimidade comprovada, mediante apresentação dos respectivos documentos fiscais. Em sua impugnação, o contribuinte aduziu que: I) industrializa e comercializa combustíveis e derivados de petróleo, como óleos lubrificantes, imunes por força do art. 153, §3º, da CRFB/88 e que em virtude da resposta favorável obtida através da decisão nº SRRF/7ª RF/DISIT 248/2000 em consulta formulada através do processo nº 13710.001070/9970, lançou em sua escrita fiscal créditos do IPI originados da aquisição de insumos tributados aplicados inclusive na industrialização de combustíveis, cuja saída é imune. II) os óleos lubrificantes produzidos seriam derivados de petróleo, estando abrangidos pela imunidade do art. 155, §3º da Constituição Federal. Sustenta que o art. 6º, inciso III, da Lei n°. 9.478/1997 Lei do Petróleo estabelece, dentre as definições técnicas utilizadas pelo setor petrolífero, que derivados de petróleo são "os produtos decorrentes da transformação do petróleo", o que não excluiria os produtos da Impugnante. Invoca as definições feitas na Portaria n° 17/2009 da Agência Nacional do Petróleo ANP, órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos biocombustíveis no Brasil. III) Argumenta que a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovada pelo Decreto n° 6.006/2006 – TIPI/2007 inclui os óleos lubrificantes “sem aditivos” (2710.19.31) e “com aditivos” (2710.19.32) dentro da Fl. 12886DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.879 3 classificação do item 2710.1, não fazendo distinção entre o óleo lubrificante obtido imediatamente após o refino (sem aditivos) ou em etapas subsequentes (com aditivos). IV) Esclarece que os óleos lubrificantes produzidos pela impugnante são compostos com mais de 70% de óleos de petróleo, conforme esclarecido nas Fichas de Informação de Segurança do Produto Químico de alguns de seus produtos. V) Que há que se distinguir o tratamento jurídico da não incidência em sentido estrito da imunidade tributária. Conclui que a vedação ao aproveitamento de créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados em produtos classificados na TIPI como NT seria cabível, tão somente, nos casos de não incidência em sentido estrito, onde não há processo de industrialização. VI) Invoca a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248/2000, que entendeu pela viabilidade do aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, ainda que a saída dos produtos fosse imune, permitindo a sua compensação ou ressarcimento. VII) Alega violação ao princípio da proteção da confiança, com a alteração veiculada pelo ADI 05/2006 e que a interpretação restritiva do art.11 da lei 9.779 não pode prevalecer sob pena de ferir os princípios da nãocumulatividade do IPI e da isonomia. VIII) Afirma que não pode um ato infralegal, como o ADI nº 05/2006 possa se sobrepor a uma disposição expressa de norma hierarquicamente superior, a exemplo do Decreto n° 4.544/ 2002 – Regulamento do IPI. IX) Alega ainda que, não obstante os efeitos vinculantes da Súmula 20 do CARF, esta não seria aplicável ao caso em tela, pois nenhum de seus precedentes decorreria de hipóteses de imunidade ou isenção, mas tão somente de não incidência em sentido estrito. A DRJ/POA julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES. São imunes à incidência do IPI os derivados de petróleo, entre eles os óleos lubrificantes básicos ou aditivados, que possuem a notação de nãotributados (NT) na TIPI. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. IMUNIDADE. Não existe previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de insumos empregados na industrialização de produtos considerados ao abrigo da imunidade objetiva estabelecida no art. 155, § 3º da Constituição Federal. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. Fl. 12887DF CARF MF 4 Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. GLOSA NÃO CONTESTADA. Considerase definitiva a glosa não contestada. Impugnação Improcedente Diante da improcedência, apresentou o contribuinte Recurso Voluntário no qual aduziu, além dos argumentos já mencionados, a decadência do período de janeiro de 2009, com base na aplicação do art.150, §4º do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo portanto ser conhecido. 1. Preliminarmente 1.1. Da decadência do período de janeiro de 2009 O Recorrente alega que o período de apuração do IPI relativo a janeiro de 2009 estaria decaído pelo fato da notificação do lançamento ter ocorrido apenas em 31/01/2014, devendose aplicar a regra do art.150, §4º do CTN para fulminar os créditos decorrentes de fatos geradores anteriores a 31/01/2009. Refletindo sobre o tema, reformamos posição que assumimos preteritamente para concordar com a posição do Recorrente. O art. 124 do RIPI/02 é expresso em equiparar pagamento à compensação: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; I o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou Fl. 12888DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.880 5 III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Entendo que a melhor leitura desse dispositivo foi realizada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em seu voto vencedor no Acórdão CSRF nº 9303003.299, reproduzido abaixo: Considero que o objetivo desse dispositivo é compatibilizar as normas de apuração do imposto, em face do princípio da não cumulatividade, àquelas do Código Tributário Nacional relativas ao lançamento por homologação. Mais claramente, dispor sobre os casos em que o contribuinte nada recolhe (em Darf) simplesmente porque entende nada ter a recolher. Registro, por isso, que só estamos a julgar sob tal dispositivo o período de apuração de agosto de 1999, em que nada foi recolhido em DARF, dado que o montante dos créditos que o contribuinte entendia possuir foi suficiente para "liquidar" todo o débito do período. O mesmo não ocorreu com respeito ao mês de junho de 1999, em que houve saldo devedor, aparentemente recolhido por meio de DARF já que a fiscalização o considerou na apuração que fez (planilha de fls. 199/202 dos autos). Como se sabe, muito discutiu a doutrina acerca da necessidade de efetivo recolhimento para que a decadência se contasse na forma do art. 150. Os opositores a essa corrente sempre apontaram exatamente essa situação em que o sujeito passivo realiza todos os procedimentos que a Lei lhe exige, mas constata, ao final, nada ter a recolher. Isso não era bem resolvido nos tributos cumulativos, a exemplo do PIS e da COFINS, até porque a possibilidade de saldo zero era remota. No caso do IPI, porém, (e também do ICMS estadual) ela é bem real. Por isso, é que leio a equiparação a pagamento prevista no regulamento do IPI como sendo bastante ampla. Com efeito, pareceme que ela procura assegurar que uma vez escriturados os créditos a que o sujeito passivo entenda ter direito (ainda que erradamente) o prazo de que dispõe a Fazenda para revisar os procedimentos adotados é o do art. 150, salvo se em tais procedimentos comprovadamente tiver agido com dolo, fraude ou simulação. Essa leitura soame mais consentânea com a lógica daquele artigo, que transfere ao sujeito passivo responsabilidades que, a todo sentido, deveriam ser do sujeito ativo (porquanto de seu interesse) e apenas lhe traz como bônus a redução do prazo revisional. Assim, a menos que saiba ou deva saber não serem aproveitáveis (admitidos) os créditos que está a escriturar, hipótese em que essa escrituração seria dolosa, o sujeito passivo não pode apenas arcar com o ônus das disposições do art. 150, isto é, proceder a todos os controles e apurações ali previstos e ainda assim poder ter contra si lavrado auto de infração no prazo do art. 173, I. Fl. 12889DF CARF MF 6 Essa interpretação, aliás, o colocaria na mesma situação de quem não adotasse qualquer daqueles procedimentos, desde que, também a este, não se pudesse imputar dolo. Notese que quando de efetivo recolhimento em Darf se trata, a situação é rigorosamente a mesma: a menos que se tenha viabilizado de forma dolosa, o recolhimento, ainda que a menor que o devido, tem a força de manter o prazo decadencial contado na forma do art. 150. Desnecessário repetir, a fiscalização não fez acusação de atitude dolosa por parte do autuado e, coerentemente, não qualificou a multa aplicada. Entendo que até o poderia porque não há na legislação do IPI qualquer dispositivo que autorize o creditamento de valores a título de "tributos pagos indevidamente", mas a sua ausência implica, a meu sentir, a manutenção das disposições relativas ao lançamento por homologação. Nesses termos, voto por reconhecer a decadência do período anterior a 31/01/2009. 2. Do mérito 2.1. Da imunidade relativa aos óleos lubrificantes e sua indicação na TIPI com a notação NT A glosa referese a créditos decorrentes de insumos tributados utilizados na fabricação de óleos lubrificantes acabados, na sua maioria derivados de petróleo, apresentados na TIPI/2007 com a notação NT. Tal notação decorre do fato de tratarse de produtos imunes por força do art. 155, §3º, da Constituição Federal de 1988. Para enfrentar o enquadramento do produto produzido pela recorrente na categoria de óleos lubrificantes acabados nos socorremos da fundamentação utilizada no acórdão recorrido, a qual subscrevemos abaixo: Em síntese, se os óleos lubrificantes minerais básicos são produtos decorrentes do refino do petróleo, enquadramse no conceito de derivados de petróleo segundo as disposições do § 3º do art. 18 do RIPI/2002, e, conseqüentemente, são alcançados pela imunidade conferida pelo artigo 155, § 3º, da Carta Magna. E, por serem óleos lubrificantes derivados de petróleo, classificamse na posição 2710.1931 (quando não aditivados) ou 2710.1932 (quando acrescidos de aditivos ao óleo básico), posições essas que possuem a notação NT na TIPI/2007. A elaboração da Tabela de Incidência do IPI leva em consideração a peculiaridade dos derivados de petróleo conforme definições da legislação de regência, os quais foram nela incluídos com a notação “NT”, podendose concluir que esta decorre, sim, da imunidade prevista pelo art. 155, § 3º, da Constituição vigente, e que foi conferida porque o legislador entendeu que os óleos lubrificantes neles classificados enquadramse no conceito de derivados de petróleo adotado pela Constituição Federal. Vale ressaltar Fl. 12890DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.881 7 que, ao contrário, quando não atendessem àquela definição, foram incluídos como produtos tributados, com alíquota zero ou positiva. À vista da classificação prevista na TIPI/2007, temse que tanto o óleo lubrificante mineral básico, produzido pelas refinarias de petróleo,como os óleos lubrificantes acabados, formulados a partir dos óleos minerais básicos classificamse na posição 2710. Também não se pode dizer que o fato de a indústria de óleos lubrificantes acabados não efetuar operações de refino significa que os óleos formulados a partir dos óleos lubrificantes básicos obtidos do refino do petróleo estejam, automaticamente, excluídos do conceito de derivados de petróleo. Ao contrário, como visto, continuam tendo o mesmo tratamento na TIPI os óleos lubrificantes acabados que, por terem como constituinte principal os óleos minerais básicos empregados em sua formulação (mais de 70% em peso), mantêm as características essenciais daqueles (dos óleos básicos) e, portanto, permanecem classificados sob os códigos 2710.1931 ou 2710.1932. Observase que, adotado o entendimento da fiscalização de que os lubrificantes produzidos pela autuada não são derivados de petróleo em virtude do estabelecimento não executar operações de refino, teríamos, como consequência, produtos distintos classificados em um mesmo código da TIPI com notação NT, sendo que, para alguns produtos (óleos minerais básicos) a notação NT decorreria da imunidade conferida pelo § 3º do art. 155 da CF, e, para outros (óleos minerais acabados), decorreria de motivos outros que não a imunidade, o que denota, no mínimo, incompatibilidade com a lógica da tributação consolidada pela TIPI, antes referida. Ressaltase que para desconsiderar os produtos como derivados de petróleo o autuante partiu da premissa que os óleos lubrificantes produzidos pela empresa foram obtidos em etapas posteriores da cadeia produtiva, a partir da adição, aos óleos minerais básicos, de aditivos químicos e sua posterior embalagem (fl. 12400). Assim, tal premissa apenas reforça o entendimento de que, de um modo geral, o processo de industrialização levado a efeito pela impugnante não altera a essência dos óleos lubrificantes básicos a partir dos quais são formulados, resumindose a acrescer aditivos, tanto que a fiscalização não contestou a classificação fiscal adotada pela interessada, que se refere a derivados de petróleo. Dessa forma, concluise que os citados produtos enquadram se no conceito de derivado de petróleo de que trata o §3º, do art. 18, do RIPI/2002 e na descrição da posição 2710 da TIPI/2007 e, por esta razão, são alcançados pela imunidade Fl. 12891DF CARF MF 8 conferida pelo art. 155, § 3º, da Constituição Federal, apresentando, em decorrência disso, a notação NT. Não restam dúvidas que os óleos lubrificantes acabados se enquadram na imunidade do art.155, §3º, pelo que se passa às questões seguintes. 2.2. Da aplicabilidade do ADI SRF nº 05/2006 Pareceme que a questão principal nesse processo é a possibilidade do Fisco aplicar o disposto no ADI SRF nº 05/2006, citado abaixo: Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi).Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Naturalmente, como se trata de um ato interpretativo, há que se verificar de plano os dispositivos que pretende interpretar, nomeadamente o art.11 da lei nº 9.779/99 e o art.4º da IN SRF nº 33/99, verbis: Lei 9779/99 Art.11.O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. IN SRF 33/99 Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos Fl. 12892DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.882 9 recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Tal dispositivo fundamentou a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248, de 17/10/2000, que, em favor da Recorrente, entendeu pela viabilidade do aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados, com base no art. 11 da Lei nº. 9.779/99, ainda que a saída dos produtos fosse imune, permitindo a sua compensação ou ressarcimento. E no exato sentido atribuído ao dispositivo pela Instrução Normativa que foi reproduzido o dispositivo no RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores, que preceituava em seu art.195, §2º que: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). (...) § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Por força do art.212 do Código Tributário Nacional, cabe ao Poder Executivo consolidar a legislação sobre determinado tributo e veiculála na forma de uma regulamento próprio, como o fez nesse caso do IPI, para que sirva de orientação exclusiva para o contribuinte na assunção de suas atividades econômicas. Isso se dá pelo fato da realização de uma consolidação implicar na revogação formal das leis incorporadas à essa consolidação, nos termos do art.13, §1º da Lei Complementar 95/98, com alteração promovida pela Lei complementar nº107/01: Art. 13. As leis federais serão reunidas em codificações e consolidações, integradas por volumes contendo matérias conexas ou afins, constituindo em seu todo a Consolidação da Legislação Federal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) § 1º A consolidação consistirá na integração de todas as leis pertinentes a determinada matéria num único diploma legal, revogandose formalmente as leis incorporadas à consolidação, sem modificação do alcance nem interrupção da força normativa dos dispositivos consolidados. O dispositivo é de matemática clareza, conquanto a expressão revogação formal precise de certa explanação. O que acontece, nesses casos, é a substituição do texto legal que fundamenta determinada norma do ordenamento jurídico nesse caso, com a Fl. 12893DF CARF MF 10 substituição do art.11 da lei 9.779/99 pelo art. 195, §2º do RIPI/2002, ambas dispondo sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI. Em vista disso, ao pretender dispor sobre a aplicação "do art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999", o ADC SRF Nº5/2006 está dispondo, em rigor, sobre o RIPI/2002, nos termos da Lei Complementar 95/98. É preciso que o comando do art.13, §1º da LC 95/98 reste bem compreendido: ao pugnar o reconhecimento do direito à utilização dos créditos, a Recorrente não está a pretender uma interpretação extensiva do art.11 da lei 9.799/99, mas sim uma interpretação literal do RIPI/2002 que, por força da lei complementar mencionada é a fonte formal reconhecida pelo ordenamento para a matéria. Cotejando os dispositivos do ADI e do RIPI, verificase que enquanto este autoriza expressamente a tomada de créditos de insumos aplicados na produção de produtos imunes, aquela veda expressamente, configurando um conflito normativo meramente aparente. A aparência de conflito decorre da simples solução que o mesmo comporta com a aplicação do critério hierárquico, haja vista que enquanto o RIPI tem força de lei ordinária, conforme os dispositivos supracitados, o ADI tem natureza infralegal, consistindo em ato administrativo de caráter normativo, nos termos do art.230, III da Portaria MF nº30/2005. Poderseia também discutir a natureza interpretativa do ADI nº5/2006, todavia, diferentemente do que a interpretação autêntica poderia operar, atuando de forma inaugural no sistema jurídico, as disposições interpretativas exaradas do Executivo somente tem força nos estritos limites semânticos da lei (o texto normativo que o valha) que pretenda interpretar. Como já nos manifestamos no Processo 10925.003204/200890, acerca dos atos normativos de natureza interpretativa há que se observar algumas coisas, frisando que na ocasião tratávamos de LEIS interpretativas: Em primeiro lugar, acerca do conteúdo do ato, podese aduzir que ele assumirá (seguindo a tipologia de Guastini) forma declarativa, decisória ou criativa o que nos parece poder ser reduzido a três possibilidades (GUASTINI, Ricardo. Interpretare e Argomentare. Milano: Giuffré, 2011, p.84): i) Em primeiro lugar, pode ser o caso de existir uma moldura (para usar o léxico kelseniano) de múltiplos sentidos interpretativos possíveis para determinado texto de lei, sejam eles gramaticais, jurisprudenciais ou de qualquer outra fonte, cabendo ao legislador escolher um dentre eles. ii) Em segundo lugar, pode suceder que exista a moldura citada acima, mas que o legislador escolha um significado além desse marco preexistente. iii) Em terceiro lugar, pode ser o caso de que não haja, em absoluto, uma multiplicidade de interpretações divergentes, mas uma interpretação determinada e consolidada (jurisprudencialmente, por exemplo), e que o legislador imponha significado distinto do usualmente aceito. Fl. 12894DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.883 11 Como precisamente colocado por Gustavo Zagrebelsky2, apenas no primeiro caso estaremos diante de uma lei interpretativa que constitua genuína interpretação, isto é, que atue de forma decisória, sem inovar no conteúdo do Direito vigente. Nos demais casos, o que há é inovação, criação de norma nova, não suportada semanticamente pela lei interpretada. (ZAGREBELSKY, Gustavo. Il sistema delle fonti del diritto. Torino: UTET, 1984. P.91.) No caso de atos administrativos de caráter interpretativo, além da restrição semântica há um segundo constrangimento, estritamente relacionado à sua força normativa, qual seja, o fato de ser destinado apenas aos agentes administrativos vinculados ao prolator da ordem. Prova material da discrepância entre o conteúdo do RIPI/2002 e do ADI mencionado é que o RIPI/2010 alterou a redação do dispositivo para adequálo à interpretação pretendida pela Fazenda Pública, em seu art.256, §2º: Art.256.Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos §2oO saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Como se vê, o que há é uma clara retração da amplitude do direito à utilização de créditos de IPI após 2010, mas que não estava presente à época da vigência do RIPI 2002, salvo pela malfadada tentativa de "interpretar" o dispositivo de forma absolutamente contrária à sua literalidade. Entender desta forma representaria uma radical subversão da ordem jurídica, pois um ato infralegal, como o ADI nº. 05/2006, jamais poderá se sobrepor a uma disposição expressa de uma norma hierarquicamente superior. Mais do que isso, o ADI nº. 5/06, poderia escolher uma das interpretações possíveis dentre aquelas oferecidas pelas normas hierarquicamente superiores, mas não inovar no ordenamento jurídico, criando uma distinção artificiosa entre saídas imunes destinadas à exportação e saídas imunes voltadas para o mercado interno. Sobre a distinção pretendida pelo administradorintérprete, sempre válida a lição milenar: Ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir, é dizer, devese cumprir a norma tal qual é, sem pretender acrescentar condições novas, nem tampouco dispensar qualquer das expressas (Cf. FALCONE, Giuseppe. Regulae juris: esposizione sistematica in confronto al Codice Civile italiano. 2. ed.. Fl. 12895DF CARF MF 12 Palermo: Alberto Reber, 1906. P.50; No mesmo sentido, MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito, 18ªed. Rio de Janeiro: Forense, 1998. P.246247). Desse modo, resta claro que o administrador andou mal ao proferir o ADI nº05/06, distinguindo indevidamente onde o RIPI/02 não diferençou, sendo portanto francamente inválido nesse ponto. Pelo texto literal do RIPI/2002, tem direito à utilização dos crédito de insumos aquele que utilizálos para a produção de produtos imunes. 2.3. Da (não) aplicação da Súmula CARF nº20 No Acordão da DRJ, a 3ª Turma reconhece que o produto da Recorrente é imune, na maneira como dispõe o §3º do art. 155 da Constituição Federal. Afirma, ainda, que os produtos são enquadrados como NT, pela impossibilidade de denominar os produtos de outra forma. Em respeito ao princípio da legalidade tributária, o IPI está previsto na Lei nº. 4.502/1964 que, em seu art. 1º, previu a incidência do imposto sobre os produtos industrializados descritos na TIPI. Contudo, é importante destacar que a TIPI adota a classificação NT para três situações distintas: imunidades, isenções e não incidências em sentido estrito. Delimitado o campo da competência tributária, tem o legislador ampla liberdade para definir, abstratamente, a hipótese tributária. Fazendoo, delimita o campo de incidência do tributo e, por exclusão por força do princípio da legalidade do art.150, I da CF , determina o campo da não incidência em sentido estrito (Cf. SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário, 5ªed. São Paulo: Saraiva, 2015, p.242243). Especificamente em relação ao IPI, corrobora essa distinção a abalizada doutrina de Ricardo Lodi Ribeiro: “Embora os produtos que estão fora do campo de incidência do IPI por não sofrerem processo de industrialização (não incidência em sentido estrito) sejam corretamente classificados pela Tabela do IPI como não tributados (NT), não sendo suscetíveis, como vimos, ao regime de creditamento, é forçoso reconhecer que a adoção da referida sigla pela tabela não adota o critério técnicojurídico adequado, uma vez que elenca como NT produtos que sofreram processo de industrialização, sendo sua intributabilidade derivada de imunidade ou isenção, e não de não incidência em sentido estrito. Entre tantos outros é o caso, por exemplo, do gesso (código 2520.20.90 na TIPI), material obtido por meio do processo de industrialização a partir da transformação da gipsita (código 2520.10.1). Na TIPI consta como NT, mas tratase de verdadeira não incidência determinada pelo legislador (isenção). O mesmo fenômeno é encontrado em operações imunes, como os combustíveis e derivados de petróleo, imunizados pelo art. 155, parágrafo 3º, CF, mas que constam na tabela como sendo NT, como é o caso da gasolina (código 2710.11.59). Evidentemente, se os itens classificados como NT na TIPI não derivam de não incidência em sentido estrito, mas de imunidade ou isenção, o direito de crédito deve ser reconhecido nos termos do art. 11 da Lei nº. Fl. 12896DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.884 13 9.779/99”. (Ribeiro, Ricardo Lodi. “Não Cumulatividade do IPI, Insumos Imunes, Isentos e Não Tributados e o Novo RIPI”, In.: Revista Dialética de Direito Tributário nº. 183, 2010, p. 116.) Tal distinção não assume foro somente doutrinário, mas gozando de respaldo jurisprudencial do próprio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Ordinário em Mandado de Segurança de nº 13.947/SP tratou disso. A ementa do julgado é a seguinte: Isenção e não incidência de impostos. A revogação do favor legal restaura para o Fisco a faculdade de exigir tributo preexistente, não se deparando assim a hipótese do art. 141 § 34 da Constituição. Desprovimento do apêlo extremo.(RMS 13947, Relator(a): Min. PRADO KELLY, Terceira Turma, julgado em 17/05/1966, DJ 16111966) No acórdão, julgado por unanimidade, o Ministro traz o seguinte exemplo de caso típico de não incidência: "o caso de não incidência do imposto de consumo sobre máquinas de costura, pois, adotando o legislador federal a técnica da enumeração nominal das máquinas sujeitas à tributação, deixou de mencionar a máquina de costura, ao passo que arrolou a máquina de cortar papel, concluindose, daí, que as máquinas de costura escapam à incidência do imposto do consumo" (Cf. SCHOUERI. Ob.Cit. P.244) Tal distinção é relevante quando se analisa a incidência ou não da Súmula CARF nº20 ("Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.") no caso em tela. É preciso, para definir a aplicabilidade ou não da mesma, a análise dos seus fundamentos determinantes, consubstanciados nos acórdãos paradigmas de sua elaboração, procedimento este imposto pelo art.489, §1º, V do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2016), que se aplica ao procedimento administrativo, verbis: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; No caso da súmula em comento, os acórdãos em questão são os seguintes, conforme pesquisa no sítio virtual do CARF: Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003; Acórdão Fl. 12897DF CARF MF 14 nº 20215366, de 03/12/2003; Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004; Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005; Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. 1) Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003 O primeiro acórdão indicado sequer trata do tema do IPI, tampouco da notação NT, versando sobre a exigência de PIC, conforme se depreende de sua ementa: NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/prescrição para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mas com o da resolução do Senado da República que suspendeu do ordenamento jurídico a lei declarada inconstitucional. Pedido acolhido para afastar a decadência. COMPENSAÇÃO. Os indébitos, oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte. 2) Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 e Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004 Quanto ao segundo e terceiro acórdão, a ementa é basicamente a mesma, pelo que reproduzo a do primeiro deles: IPI CRÉDITOS BÁSICOS RESSARCIMENTO INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT na TIPI). Com a entrada em vigor da Lei nº 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Recurso ao qual se nega provimento. De pronto, verificase que não há opção de download do acórdão no sitio virtual do CARF, o que nos obriga a especular de que insumo se trata. Felizmente, o contribuinte de ambos os processos é denominado "INDUSTRIA DE CAL SN LTDA", provavelmente versando a discussão sobre o mesmo produto: concreto usinado. Nesse caso, tratase de produto sujeito à não incidência em sentido estrito, e não à imunidade tributária. 3) Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Fl. 12898DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.885 15 O presente acórdão, por sua vez, versa sobre a tomada de créditos de insumos utilizados na produção de águas minerais, gaseificadas ou não, que estão, conforme reconhecido na própria decisão do eminente Conselheiro Jorge Freire, fora do campo de incidência do IPI, caracterizando não incidência em sentido estrito e sujeita à notação NT na TIPI. 4) Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Por fim, o último acórdão versa sobre os insumos utilizados na produção de manga e uva frescas, que estão fora do campo de incidência do IPI, recebendo a notação NT por se tratar de não incidência em sentido estrito. Essa minuciosa análise dos acórdãos paradigmas que embasaram a súmula CARF nº20 bastam para demonstrar que ela não pode ser aplicada em casos outros que não sejam de não incidência em sentido estrito, sob pena de considerarse não fundamentada a decisão proferida com base nela, com fulcro no art.489, §1º, V do Novo CPC. Dessa forma, não cabe a aplicação da súmula mencionada ao caso em tela. 3. Conclusão Por todo o exposto, dou provimento à preliminar de decadência e, no mérito, dou provimento integral ao Recurso Voluntário, para o reconhecimento dos créditos decorrentes de insumos utilizados na produção de produtos imunes. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Voto Vencedor Com a devida vênia divirjo do ilustre relator. Primeiramente, como bem pontuado na r. decisão, a autuada não se insurgiu contra as glosas dos créditos extemporâneos, pelo que inconteste tal glosa. DECADÊNCIA Quanto à decadência ao direito da Fazenda constituir o crédito tributário, embora não alegada em sede de impugnação, entendeu o nobre relator, tratandose de matéria de ordem pública, de enfrentála, inclusive modificando seu posicionamento em relação a outros arestos em que se julgou matéria análoga, acerca da decadência envolvendo a contra gráfica do IPI. Divirjo. De forma alguma o saldo credor da contra gráfica pode ser equiparado a pagamento, mesmo com todo o esforço possível, quando houve glosa de créditos ilegítimos, o que, em consequência, tornou o saldo devedor, como in casu. Pois tratandose de créditos ilegítimos, como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não pode Fl. 12899DF CARF MF 16 operar, uma vez esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a extração dos créditos ilegítimos da escrita do contribuinte os saldos credores passaram a ser devedores, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I do CTN. Assim, tendo a recorrente tendo sido cientificada do lançamento em 31/01/2014 (fl. 12418) e referindo o período de apuração mais antigo janeiro 2019, não há que se falar em dacadência, uma vez que o termo ad quem foi 01/01/2010 e o termo a quo seria 31/12/2014. Dessarte, afastase a pugnada, em sede recursal, decadência. MÉRITO A questão de fundo cingese à análise se é possível o creditamento de insumos que foram utilizados em produtos como notação NT na TIPI, objeto da glosa, com consequente refazimento da escrita fiscal e, na hipótese vertente, tendo sido constatado saldo devedor, com a exigência do IPI então devido. Tenho máxime convicção que não pode haver tal creditamento porque os produtos com notação NT da TIPI estão fora do campo de incidência do IPI, seja por serem imunes, seja por outra causa que o legislador assim entenda. Preliminarmente, registrese que não há qualquer controvérsia envolvendo a liquidez dos valores glosados e o refazimento da escrita do IPI, que deram azo à cobrança deste imposto e a não homologação das compensações. O Fisco utilizou de rateio em função do contribuinte não disponibilizar o Livro Registro de Controle de Estoque. O núcleo da questão a ser solvida é se produtos classificados na TIPI com notação NT (Não Tributado), como aqueles objeto da lide, permitem creditamento dos valores de seus insumos. Em consequência, não entendo como prejudicial ao deslinde da quaestio saber se os produtos que a recorrente dá saída (óleos lubrificantes sem aditivos 2710.19.31 e óleos lubrificantes com aditivos 2710.19.32) são imunes ou não (uma vez que notados na TIPI como NT), pelo que não adentro nesse mérito. Fl. 12900DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.886 17 Sendo assim, o que resta a ser decidido é se produtos com notação na TIPI NT, imunes ou não, podem dar ensejo ao creditamento dos valores dos insumos neles aplicados. O art. 45 do mesmo Regimento ao elencar as hipóteses de perda de mandato dos Conselheiro, estatui em seu inciso VI uma delas: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62. Portanto, se a matéria já tiver sido objeto de enunciado de Súmula CARF, descabe a discussão do mérito, mas de simples aplicação da mesma. A referida Súmula tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. A transcrita Súmula é clara, hialina, no sentido de que, independentemente de serem os produtos imunes, descabe crédito de valores de insumos que serão aplicados em produtos cuja notação seja NT. Assim, descabe, inclusive, a discussão se os produtos NT estejam no campo de incidência do IPI ou não porque os Conselheiros, que devem lealdade ao RICARF, deverão aplicar a Súmula de forma objetiva. E nela que fundo a conclusão deste voto. Com a devida vênia, a leitura que o relator faz da Súmula e seus precedentes é um exercício de sofisma. Contudo, teço alguns comentários a título de ilustração acerca do mérito. No que tange ao princípio da nãocumulatividade, por ser matéria de índole constitucional, descabe a este Colegiado decidir sobre seu mérito. Entretanto, certo que o próprio STF no REsp 398.365, dentre outros, julgado pelo Plenário em repercussão geral julgado em 27/08/2015, ao não admitir o creditamento de insumos não tributados, sujeitos à alíquota zero e isentos modulou os efeitos desse princípio. Só este fato já é suficiente para afastar a afirmação que o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito, não havendo nenhuma vedação constitucional à manutenção do crédito em caso de saída subsequente não tributada. Essa leitura, com a devida vênia, é velha é quer fazer renascer tese moribunda. Quanto à Lei 9.779/99, seu artigo 11, não faz menção à produtos imunes. Vejase: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 12901DF CARF MF 18 Salientese que esta legislação mudou radicalmente a sistemática do IPI, que tinha por fundamento a nãocumulatividade, consubstanciada na possibilidade de compensação do "que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Ou seja, os valores passíveis de creditamento somente era possível em relação ao que a doutrina veio a chamar de créditos básicos, pois não havia que se falar em crédito quando este era zero, ou não havia incidência da norma impositiva (isenção). Contudo, esta norma inovadora não fez menção a produtos imunes, que tem tratamento diverso. No caso do IPI, há imunidade especificamente em relação a ele, quando se tratar da imunidade objetiva, qual seja, produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, § 3º, III). O fato dessa novel Lei não se referir a insumos imunes, é esquecido pela recorrente. De outro turno, ao referirse ao IPI, a Carta estatui que: “Art. 21 (...) § 3º O imposto sobre produtos industrializados será seletivo em função da essencialidade dos produtos, e não cumulativo, abatendose, em cada operação, o montante cobrado nas anteriores”. Assim, dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, eram deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Restando valor a crédito, era transferido para o período seguinte. Pois bem, até a edição da 9.779, o que tínhamos eram os referidos créditos básicos, antes referidos, e aqueles apelidados de incentivados. Estes eram, e são, créditos que fogem à natureza do IPI, mas que têm por escopo incentivo fiscal, como aqueles, v. g., da DL 411/99 (incentivo à política de exportação), dos produtos egressos da Amazônia ocidental (DL 1.435/75 (política de incentivo à economia e povoamento dessa região do Brasil), e tantos outros visando algum tipo de política governamental. A IN SRF 33/99, foi editada especificamente para regulamentar o art. 11 da Lei 9.779. Essa IN ao fazer menção, em seu art. 4º, ao aproveitamento dos insumos, a que se refere a Lei, aplicados em produtos imunes, ipso facto, não reconheceu que se referia a todo e qualquer produto industrializado imune. Não teceu a recorrente qualquer comentário quanto ao fato de que o art. 11 da Lei 9.779/99 não fazer menção a produtos imunes, desta feita apegandose à norma administrativa. Mas será que frente a este fato a Administração não extrapolou seu poder regulamentar? Certamente, não, e não poderia! Os créditos em relação a produtos imunes são aqueles que decorrem de lei específica do favor legal (benefício/incentivo fiscal), onde é criado, por mandamento legal strictu sensu, um crédito ficto de natureza incentivada ( a lei garante a manutenção e utilização dos créditos, mesmo que não haja cobrança do IPI na saída). Esse é o caso do DecretoLei 411/69 em relação a produtos industrializados exportados. Mas para isso, antes, o produto exportado deve ser industrializado. A esses casos que se aplica o art. 4º da IN 33/99. Vale dizer, a imunidade a que se refere o artigo 4º da IN SRF nº 33/99 é tão somente aquela relativa a produtos tributados (portanto, presentes no campo de incidência do IPI) destinados ao exterior (sobre os quais se aplica a imunidade constitucional em razão da destinação à exportação), cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às Fl. 12902DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.887 19 matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na industrialização, como visto, é assegurado pelo art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. Contudo, a mesma Normativa, disso se esqueceu de fazer referência a peça recursal, no § 3º do art. 2º, dispôs que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". Mas, em qualquer hipótese, a legislação lato sensu, sempre fez menção a produtos industrializados. Pois bem, justamente em função dessa leitura desvirtuada, a meu sentir, da recorrente é que veio a Receita Federal expedir ato no sentido de esclarecer esse eventual conflito entre o que dispôs o § 3º do art. 2º, a respeito do qual a recorrente silencia, e o artigo 4º da IN 33/99. Assim, para mais aclarar o já aclarado, a RF editou o ADI nº 5, de 17/04/2006, que prescreve: “Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior”. Ora, não houve mudança alguma de critério jurídico pela Administração. Ao contrário, ela foi de toda coerente. O que houve foi distorção do entendimento da administração tributária para "fazer nascer" crédito indevido, e, como de costume, sair a compensarse desarrazoadamente com débitos indiscutíveis, pois certos e líquidos. Não se olvide que o procedimento fiscalizatório teve por escopo inicial a verificação da legitimidade de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI, relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2009, objeto de Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Por fim, o fato é que em todos os casos aludidos sempre a legislação fez menção a produtos industrializados. E, indubitavelmente, os produtos com notação NT, independentemente de sua causa, estão fora do campo de incidência do IPI. Assim sendo, em relação a esses produtos, mesmo que por hipótese seu insumo sofra alguma modificação, como Fl. 12903DF CARF MF 20 alegado, não incide a legislação do IPI. E uma vez não incidindo a legislação do IPI, não há, em consequência, direito a crédito algum. Disso decorre o mandamento a que se refere o citado no § 3º do art. 2º, ao estatuir que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". E para que não mais pairasse discussão em torno do tema o art. 6º da Lei 10.451/2002, prescreveu o seguinte: Art. 6o O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Diante do exposto, nos termos da Súmula CARF nº 20, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 12904DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901407/2014-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.341
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 07 /2 01 4- 73 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10480.908670/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.291
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 70 /2 01 2- 16 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.564, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914827/2012-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.288
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.827, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 27 /2 01 2- 18 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914827/201218 Acórdão n.º 9303004.288 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914827/201218 Acórdão n.º 9303004.288 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10930.903571/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 29/08/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 29/08/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903571/201201 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.543 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 29/08/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 71 /2 01 2- 01 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.914, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 67DF CARF MF
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