Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.001511/2006-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.001511/2006-61
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5905735
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.694
nome_arquivo_s : Decisao_18471001511200661.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 18471001511200661_5905735.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7434418
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872414470144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.958 1 1.957 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18471.001511/200661 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.694 – 1ª Turma Sessão de 7 de agosto de 2018 Matéria NORMAS GERAIS NATUREZA DO VICIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUIZINHO SUCATA LTDA ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 11 /2 00 6- 61 Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.959 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 1882/1886) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1402001.243, da sessão de 7 de novembro de 2012 (efls. 1864/1868), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício. Tratam os autos de autuação fiscal, no qual se constatou que as receitas da LUIZINHO SUCATA LTDA ME ("Contribuinte"), optante do SIMPLES, não teriam sido oferecidas à tributação por estarem em contas correntes bancárias dos sócios pessoas físicas (e fls. 06/13), apurandose receita bruta excedente ao limite estabelecido pela legislação para se manter no regime especial de tributação. Deuse a exclusão da empresa do SIMPLES a partir de janeiro de 2002 e foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (efls. 320/383). Foi apresentada impugnação (1805/1821) no qual a Contribuinte aduz que não teria tomado ciência do Ato de Exclusão (ADE) do SIMPLES, e por isso todos os atos posteriores estariam eivados de nulidade. Com base em diligência efetuada pela DRJ (primeira instância), no qual se confirmou junto à unidade preparadora que não ocorreu a intimação do Contribuinte do ADE antes da ciência dos autos de infração, e que a ciência só foi dada posteriormente, a impugnação foi julgada procedente e os lançamentos fiscais cancelados. Em julgamento do recurso de ofício, a turma ordinária do CARF manteve o entendimento da primeira instância, e negou provimento ao recurso (efls. 1864/1868). O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECEDÊNCIA. É nulo, por vício material, o auto de infração que adota sistemática de tributação diferente da do SIMPLES, sem a anterior ciência do ato declaratório de exclusão do Contribuinte dessa sistemática de tributação favorecida. Foram opostos embargos de declaração pela PGFN que foram rejeitados. A PGFN interpôs recurso especial, apresentando paradigmas no sentido de que a inobservância de formalidades legais na lavratura de NFLD, ou que a falta de prévia intimação prevista em legislação específica em contradição ao disposto no art. 142 do CTN e arts. 11 e 59 do PAF, seriam caso de declaração de nulidade por vício formal, o que ensejaria a possibilidade da formalização de novos autos de infração, entendimento divergente do exposto pela decisão recorrida, que teria julgado no sentido de que, tendo o contribuinte não sido regularmente cientificado da exclusão do SIMPLES, caberia a anulação dos autos de infração por vício material. Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.960 3 Despacho de exame de admissibilidade (efls. 1889/1891) deu seguimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Passo à apreciação da admissibilidade. Entendo que o recurso especial da PGFN não deve ser conhecido, porque as situações apresentadas pelos paradigmas não guardam similitude fática suficiente para se efetuar uma comparação com a interpretação da legislação tributária dada pela decisão recorrida. Isso porque a decisão recorrida trata de situação processual no qual não foi teria sido dado ciência à Contribuinte do Ato de Exclusão (ADE, efl. 44) do SIMPLES, com efeitos a partir de janeiro de 2002. Ato contínuo, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins para os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. A primeira instância (DRJ), ao apreciar a situação, providenciou diligência, cujo resultado é transcrito no relatório da sua decisão: Em 29.09.2008, esta Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem informasse e comprovasse a ciência ao autuado do Ato Declaratório Executivo DeratRJ n° 3, de 06.02.2007 (fl. 41), que o teria excluído do regime do SIMPLES (fl. 1178). Em 30.09.2008, a Dicat (DIVISÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO) da DeratRJ (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA NO RIO DE JANEIRO ) encaminhou os autos para a DefisRJ (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE FISCALIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO) indagando se fora dada ciência ao autuado do ato de exclusão do SIMPLES e solicitando que, caso negativo, se remetessem os autos ao CACMéier (CENTRAL DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE NO MÉIER ) para fazêlo (fl. 1179). Em 24.10.2008, DefisRJ informou que a exclusão do autuado do SIMPLES foi relatada no item 2 do Termo de Constatação de Infração Fiscal de fls. 316/323, e encaminhou os autos ao CAC Méier para que se providenciasse a ciência da exclusão (fl. 1180). Em 18.09.2009, o autuado foi cientificado da intimação expedida pelo CACMéier (fl. 1181/1182) com o seguinte teor: Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.961 4 "Comparecer ao CAC/Méier a fim de tomar ciência de fls. 1180, pedido do SIMPLES foi excluído, no prazo de 15 (quinze) dias. Cuja cópia segue em anexo." O rito processual da exclusão do SIMPLES (formalizada pelo Ato Declaratório de Exclusão ADE) predica a intimação ao contribuinte, para que ele possa apresentar defesa se contrapondo ao ato excludente. Também pode ocorrer a lavratura de autos de infração, decorrentes a exclusão do SIMPLES, cuja ciência também deve ser dada, para oportunizar a apresentação de impugnação. Registrese que a ciência do ADE e dos autos de infração pode ser efetuada na mesma data. Assim, nos mesmos atos processuais a contribuinte pode apresentar a defesa tanto em face do ADE quanto dos autos de infração. O julgamento também pode ser realizado em conjunto, sendo que a existência dos autos de infração fica dependente da julgamento do ato de exclusão. Assim, em face da defesa apresentada pela pessoa jurídica, caso o ADE não seja mantido, automaticamente os autos de infração ficam prejudicados. No caso concreto, a DRJ promoveu diligência, para questionar à unidade preparadora sobre a ciência do ADE. Diante da situação, o CACMéier deu ciência do ato de exclusão, mas em data posterior àquela em que foi dada ciência dos autos de infração. A DRJ decidiu que, diante ausência de intimação prévia do ADE, decisão administrativa que exclui a empresa do SIMPLES, os autos de infração (atos processuais posteriores) estariam prejudicados, mesmo tendo sido dada a ciência posterior do ato de exclusão. A decisão recorrida teve o mesmo entendimento, aduzindo ainda que caberia anulação dos autos de infração por vício material, em razão do erro na forma de tributação, e alertou que poderiam ser lavrados novos autos, já que teria sido dada nova ciência do ato de exclusão. Por sua vez, os paradigmas não trataram de tal situação. No primeiro, de nº 2401000.018, o que se discute é se a nulidade de lançamento fiscal previdenciário (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, por ausência ou fundamentação genérica, e omissões ou incorreções na apuração do crédito tributário, seria de natureza formal ou material. O vício que se discute no paradigma tem origem no próprio auto de infração, diferente do caso tratado no recorrido, em que o vício que se discute reside na ausência de intimação de decisão administrativa anterior cuja manutenção é requisito de existência do lançamento fiscal. A ementa não deixa duvidas sobre o objeto da discussão do paradigma: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.962 5 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO. No segundo paradigma, nº 30131.801, lançamento aduaneiro, trata de situação no qual no decorrer da ação fiscal não foi intimada a contribuinte a apresentar as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria importada, além da fundamentação legal omissa. Na mesma medida do primeiro paradigma, falase em vício com origem no próprio auto de infração, e não decorrente de falta de ciência de ato processual anterior, como nos presentes autos. Transcrevo a ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação específica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade dessa lançamento por vício formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. O que se observa é que os presentes autos debruçaramse sobre o rito processual de exclusão do SIMPLES, e as consequência da ausência da intimação do ADE. Aqui se fala da ausência da ciência de uma decisão administrativa declaratória que é requisito de existência dos atos processuais posteriores, dentre os quais a lavratura dos autos de infração. Os paradigmas apresentados deveriam ter tratado de situação processual semelhante, no qual a decisão administrativa que teve como consequência a lavratura dos autos de infração somente Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 18471.001511/200661 Acórdão n.º 9101003.694 CSRFT1 Fl. 1.963 6 foi cientificada em momento posterior à realização dos lançamentos de oficio. E mais, se tal ocorrência poderia ter como resultado a anulação dos autos de infração em razão de vício formal, o que possibilitaria a lavratura de novos autos de infração. Resta evidente, portanto, a ausência de similitude fática entre a decisão recorrida e os paradigmas. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1963DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002237/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.002237/2007-36
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906455
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.791
nome_arquivo_s : Decisao_10380002237200736.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10380002237200736_5906455.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7437665
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872453267456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.042 1 2.041 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.002237/200736 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.791 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de julho de 2018 Assunto COFINS Recorrente CEARÁ MARINE PILOTS EMPRESA DE PRATICAGEM DO ESTADO DO CEARÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório de fls 1762/1768, que indeferiu pedido de restituição formulado à fl 2 e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nº 41281.51671.260407.1.3.045089, 00799.66928.180907.1.3.040284, 05959.28066.281008.1.3.042080, 42934.17716.160109.1.3.041766 e 14759.30366.220409.1.3.048605. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 02 23 7/ 20 07 -3 6 Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.043 2 2. O direito creditório pleiteado, no montante de R$ 452.518,65, referese à alegada não incidência da Cofins retida no período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006 sobre as receitas de exportação de serviços de praticagem prestados pelo requerente a transportador estrangeiro ou a representante deste no Brasil, cujo pagamento representou ingresso de divisas para o País (art. 6° da Lei no 10.833, de 2003, com redação da Lei n° 10.865, de 2004). 3. O despacho decisório não reconheceu a existência do alegado indébito, à luz dos fundamentos sintetizados nos seguintes excertos: 9. [Dos textos legais], depreendese que o reconhecimento da não incidência da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, em quaisquer de suas formas de apuração (cumulativa ou não cumulativa), imprescinde da existência de contrato de prestação de serviços com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, da comprovação da efetiva prestação desses serviços e do pagamento mediante ingresso de divisas no País. 10. No caso em tela, portanto, há de se verificar se a situação fática do contribuinte atende aos requisitos impostos pela legislação aplicável. 11. Tal questionamento, suscitado pelo próprio contribuinte no processo de consulta de n° 10380.014028/200735, assim foi esclarecido pela Divisão de Tributação desta Região Fiscal — SRRF/3ªRF/Disit, nos termos do Despacho Decisório n° 18, de 12/06/2008 (fls. 1695/1702): 18. Assim, não tendo a consulente suscitado dúvida quanto aos requisitos necessários para que a operação de prestação de serviços enquadrase na hipótese de não incidência das contribuições, definida de forma literal nos atos legais, e restando clara sua pretensão de ampliar o citado beneficio invocando uma interpretação sistemática e teleológica de norma que, por disposição legal, deve ser interpretada literalmente, considerase ineficaz a consulta formulada. 19. Cumpre observar que nas operações de prestação de serviços em que figurarem como contratantes a consulente e o transportador estrangeiro, participando o representante no Brasil do transportador estrangeiro na condição de mero mandatário, de posse de instrumento de procuração que atenda aos preceitos legais, persiste incólume a relação jurídica entre a interessada e o transportador estrangeiro, caracterizando, desde que comprovada a efetiva prestação de serviços, o primeiro requisito para a fruição do aludido beneficio fiscal. 20. Registrese, ainda, que as únicas formas de comprovação do ingresso de divisas aceitas, para fins de aproveitamento do beneficio da não incidência previsto no art. 5º, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, são as relacionadas no item 5 da Seção 2, do RMCCI. Não se considera válida qualquer outra forma de pagamento recebido por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em razão de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, que não se enquadre entre as hipóteses listadas na referida norma do Banco Central do Brasil. (...) 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1694 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.044 3 — conforme Contrato Social (fl. 11). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1694) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, (...) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no País sob o controle do BACEN. 4. Cientificado do Despacho Decisório em 26.10.2009 (fl 1769), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 23.11.2009 (fls 1771/1783), solicitando a restituição da Cofins retida, bem como a homologação das compensações declaradas. Para tanto, aduz as seguintes razões: Os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador), por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente e favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes para sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos Portos nacionais. (...) Por todo o exposto acima, restou exaustivamente demonstrado que a existência de terceira pessoa na relação negocial entre pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e prestadora de serviços nacional não afeta a relação jurídica exigível para fins de reconhecimento da não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, respectivamente, desde que a terceira pessoa aja em condições de mero mandatário, ou seja, por conta do mandante, no caso o armador estrangeiro). 5. Juntou, com a inconformidade, cópia de contratos firmados entre a requerente e o Centro Nacional de Navegação Transatlântica CNNT (associação que representa as empresas de navegação no Brasil para o desenvolvimento do setor marítimo e o Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.045 4 comércio exterior brasileiro), a fim de comprovar a prestação de serviços para armadores estrangeiros (fls 1803/1899). 6. É o relatório." A DRJ em Fortaleza (CE) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0825.240, de 11 de abril de 2013, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 DIREITO CREDITÓRIO. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. PROVA. A imunidade das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pressupõe o atendimento de dois requisitos: os serviços devem ser prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e o correspondente pagamento deve representar efetivo ingresso de divisas. A falha na comprovação do cumprimento de qualquer um desses requisitos afasta a liquidez e certeza do direito de crédito e impede a homologação de compensação que dele tenha se aproveitado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que apresenta, em síntese, as seguintes alegações: i) As notas fiscais de serviços, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. Carreou documentos comprobatórios. ii) A fiscalização fez as seguintes exigências, para fins de comprovação: a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador; b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais. Contudo, não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona sentença do STJ, transitada em julgado, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Após a interposição do recurso, a recorrente trouxe ao conhecimento deste relator, por intermédio de memorial, que o STJ proferiu sentença em seu favor, já transitada em julgado, declarando que teria comprovado nos autos que presta serviço de praticagem para Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.046 5 pessoas domiciliadas no exterior e recebe pagamento caracterizado como ingresso de divisas, enquadrandose, portanto, nas regras de não incidência do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento de Pedido de Restituição (PER) da COFINS do período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006 e consequente não homologação das vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente pleiteou créditos da COFINS, pois teria efetuado pagamentos indevidos sobre receitas de serviços de praticagem prestados para pessoas não residentes no País, com ingresso de divisas, Esta receita não estaria sujeita à incidência da COFINS, de acordo com o art. 6° da Lei n° 10.833/03, a saber: "Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)" Os PER foram indeferidos, em suma, por falta de comprovação do direito creditório. No curso da fiscalização, a recorrente proveu a fiscalização de notas fiscais de serviços, alterações contratuais, PER, DCOMP, entre outros, porém não determinadas informações requeridas por meio do "Termo de Intimação Fiscal n° 806/2009" (fl. 1.720): "(. . .) 1. Cópias autenticadas do Contrato Social e das Alterações Contratuais posteriores registrados na junta comercial do Estado do Ceará; 2. Demonstrativo do crédito pleiteado nos aludidos Pedidos de Restituição (planilha), com firma reconhecida do contribuinte ou de seu representante legal, relacionando: o n° da nota fiscal do serviço prestado, a data de emissão da nota fiscal, o valor do serviço, o valor da retenção da Contribuição para o Pis/Pasep, o valor da retenção da Cofins, a empresa nacional intermediária do serviço (nome empresarial e CNPJ do agente marítimo), o armador estrangeiro contratante do serviço (nome empresarial e domicilio no exterior), a data da efetiva prestação do serviço discriminado na nota fiscal, o local da prestação desse serviço (ex: Porto do Mucuripe, Porto do Pecém), o nome, a bandeira e a origem da embarcação. Esta planilha também deverá ser fornecida em meio eletrônico (CD ou DVD); Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.047 6 3. Cópias autenticadas dos contratos de prestação dos serviços de praticagem (e seus anexos, se existentes) firmados entre o requerente e os armadores estrangeiros ou entre o requerente e as empresas nacionais (agentes marítimos) na condição de representantes (mandatárias) dos armadores estrangeiros; e 4. Cópias das procurações de representação emitidas pelos armadores estrangeiros As empresas nacionais mandatárias (agentes marítimos), intermediárias na contratação dos serviços de praticagem prestados pelo contribuinte. (. . .)" (g.n.) Tal fato acarretou o indeferimento do PER e não homologação das DCOMP, a saber (trecho da "Informação Fiscal", fls. 1.740 a 1.745): (. . .)" 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1694 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará — conforme Contrato Social (fl. 11). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1694) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, a saber: (. . .) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no Pais sob o controle do BACEN. 21. Ante a fundamentação exposta, não atendidas as condições necessárias ao reconhecimento do beneficio fiscal pretendido, PROPONHO: 21.1. 0 indeferimento do Pedido de Restituição de fl. 01, no valor de R$ 452.518,65 (quatrocentos e cinqüenta e dois mil, quinhentos e dezoito reais e sessenta e cinco centavos); e, consequentemente 21.2. A nãohomologação das DCOMP's de n° (. . .), bem como de outras DCOMP's que porventura venham a ser transmitidas, vinculadas ao crédito tratado no presente processo, ora indeferido. (. . .)" (g.n.) Verificase que o indeferimento dos créditos deuse em razão de a recorrente não ter apresentado evidência documental de que os serviços foram contratados por armadores estrangeiros e o pagamento representou ingresso de divisas. O posicionamento foi ratificado pela DRJ. Não obstante, importante destacar que restou incontroverso que o serviço de praticagem prestado para pessoa não residente no País, ainda que sendo contratado por intermédio de agente de navegação, configura exportação de serviço, para fins de não incidência do PIS e da COFINS. Para confirmar esta afirmação, reproduzo trecho do voto condutor da decisão da DRJ (fl. 1.933): Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.048 7 "(. . .) 13. Nestes termos, como já antes se disse, não merece aqui discordância a afirmação do manifestante de que uma operação de prestação de serviços envolvendo um prestador residente e domiciliado no país e um tomador residente e domiciliado no exterior (transportador internacional), perca a condição de “operação de exportação”, pelo simples e mero fato de ter sido formalizada por meio de um representante da pessoa jurídica estrangeira residente e domiciliado no país. Com efeito, tal entendimento já está expresso em vários atos administrativos da Receita Federal. 14. O litígio se instala mesmo é no terreno das provas. (. . . )" (g.n.)(g.a.) Em síntese, a recorrente alega que: i) As notas fiscais de serviços carreadas aos autos, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. ii) As exigências de a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador e b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona precedente do STJ, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Adicionalmente, a recorrente encaminhou memorial, por meio do qual noticiou FATO NOVO, ocorrido após a interposição do recurso voluntário: nos autos do processo n° 080178578.2013.4.05.8100, foi proferida sentença em seu favor, já transitada em julgado, reconhecendo que a receita derivada da aludida operação goza da não incidência do PIS e da COFINS, a partir de comprovação carreada aos autos deste processo. Com efeito, não reproduzo trechos da decisão, pois não foi possível acessar informações sobre o processo, no sítio virtual do TRF da 5° Região. Conclui a recorrente, requerendo que este colegiado aplique a decisão judicial e dê provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório. Diante do acima exposto, reputo que devemos converter este julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a carrear aos autos cópia integral do citado processo judicial, mediante as quais i) certificarnosemos de que não há concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial e ii) verificaremos qual comprovação foi apresentada e considerada pelo Poder Judiciário como suficiente para que a operação em tela enquadrase no dispositivo legal que dispõe sobre não incidência da COFINS. Após a juntada das cópias do processo, que seja dada ciência à PGFN. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10380.002237/200736 Resolução nº 3301000.791 S3C3T1 Fl. 2.049 8 Em seguida, os autos devem retornar para o CARF, para conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2049DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722697/2016-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2001-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10183.722697/2016-00
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921419
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.717
nome_arquivo_s : Decisao_10183722697201600.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 10183722697201600_5921419.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7484426
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872488919040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.722697/201600 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.717 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente PEDRO SAKAMOTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, pensão alimentícia. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 26 97 /2 01 6- 00 Fl. 117DF CARF MF 2 tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi dispensada, por dispositivo legal. Esse acórdão apresentou a seguinte fundamentação para entender correta a glosa da pensão alimentícia. Dessa forma, sem a obrigatoriedade estabelecida em decisão judicial para pagamento de alimentos à excompanheira no decorrer de 2014, os valores declarados pelo contribuinte, a esse título, são indedutíveis da base do imposto de renda, porque considerados, segundo a legislação tributária, uma liberalidade da parte do contribuinte. O recurso voluntário entende que o pagamento da pensão, mesmo após o prazo previsto na decisão judicial não muda a natureza jurídica dos pagamentos que continuaram a ser feitos: seguiriam sendo pensão alimentícia. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase da discussão sobre pagamento de pensão alimentícia após o prazo previsto na decisão judicial. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). Como se verifica, para ser deduzida a pensão alimentícia deve haver decisão judicial que determine o pagamento. Fora dos limites da decisão judicial não há previsão legal para ser deduzida a pensão. Assim, concordamos com texto do acórdão de impugnação reproduzido no relatório. Conclusão Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10183.722697/201600 Acórdão n.º 2001000.717 S2C0T1 Fl. 3 3 Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720800/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO E BASE LEGAL. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA.
A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência na identificação da infração e fundamentação legal, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Não há conflito objetivo de tal norma com o conteúdo do art. 43 do CTN.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1402-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO E BASE LEGAL. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência na identificação da infração e fundamentação legal, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Não há conflito objetivo de tal norma com o conteúdo do art. 43 do CTN. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.720800/2015-13
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5905243
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.268
nome_arquivo_s : Decisao_10580720800201513.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 10580720800201513_5905243.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7433703
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872497307648
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-14T21:28:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-14T21:28:39Z; Last-Modified: 2018-09-14T21:28:39Z; dcterms:modified: 2018-09-14T21:28:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:f3c3f8eb-7b47-4697-8965-42c8b550b14d; Last-Save-Date: 2018-09-14T21:28:39Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-14T21:28:39Z; meta:save-date: 2018-09-14T21:28:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-14T21:28:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-14T21:28:39Z; created: 2018-09-14T21:28:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2018-09-14T21:28:39Z; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-14T21:28:39Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 363 1 362 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720800/201513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.268 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FABIO EDUARDO ARAUJO MATOS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO E BASE LEGAL. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência na identificação da infração e fundamentação legal, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Não há conflito objetivo de tal norma com o conteúdo do art. 43 do CTN. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 00 /2 01 5- 13 Fl. 363DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 364 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 296 a 315) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (fls. 254 a 267) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 225 a 242), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 03 a 81). A Contribuinte era optante do SIMPLES Nacional, exigindose no presente créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária e ICMS, referentes ao anocalendário de 2011, acrescido de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, em face da constatação da ausência de declaração e não oferecimento a tributação de parte de valores referentes a revenda de mercadorias promovidas no período colhido, ainda que registrados em LivroCaixa quando apresentados à Fiscalização, após intimação em Fiscalização. Após a lavratura dos Autos de Infração, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/Salvador nº 06/2015, a ora Recorrente foi excluída do SIMPLES Nacional a partir de 1º de janeiro de 2012 (período posterior ao das Autuações), diante da extrapolação do limite de receita bruta auferida. Contudo, tal ato da Administração Tributária é objeto do processo nº 10580.720675/201533. Por bem resumir as alegações de Impugnação, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: O litígio decorre de impugnação apresentada pelo sujeito passivo de que trata o presente processo contra a lavratura dos autos de infração para cobrança de tributos devidos na sistemática do Simples Nacional, no valor total de R$ 1.672.940,68, incluído multa de ofício e juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/05, foram apuradas “Diferenças de Base de Cálculo” e “Insuficiência de Recolhimento – Diferença de Alíquota”, em todos os meses do anocalendário de 2011. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 80/81, detalha a infração apurada nos seguintes termos: A ação fiscal teve, como principal objetivo, verificar, em relação ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2011, a regularidade dos valores declarados como receita tributável no SIMPLES NACIONAL. Fl. 365DF CARF MF 4 Verificouse que o contribuinte declarou receitas com valores inferiores aos valores escriturados em seu Livro Caixa do ano de 2011. Em virtude destes fatos foram lançadas as diferenças de base de cálculo no ano de 2011, conforme apurado em Demonstrativo de Receitas obtidas através do Livro Caixa do contribuinte. O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 24/02/2015, fls. 03 e 79, tendo apresentado em 25/03/2015 impugnação, fls. 225/243 (data aposta pelos correios no envelope de postagem, fls. 248), contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. Preliminar de Nulidade De acordo com a defesa, há um principal e decisivo defeito no Auto de Infração do Simples Nacional que leva a sua nulidade e, por conseguinte, do lançamento dos impostos e contribuições nele contidos. Nesta perspectiva, a fundamentação legal da suposta infração atribuída a Impugnante não se coaduna diretamente com os fatos narrados pelo digno auditor no Auto de Infração, já que se centra em dispositivos gerais da Lei Complementar n° 123/2006 e da Resolução CGSN n° 51/2008. O art. 33 da Lei Complementar nº 123/2006 referendado pelo autuante define a competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias das empresas que optem pelo Simples Nacional, sem que tenha qualquer correlação como os fatos descritos no Auto de Infração Simples Nacional (“diferenças de base de cálculo”; “insuficiência de recolhimento diferença de alíquota”). A incidência e a cobrança dos tributos no ordenamento jurídico pátrio observam vários princípios constitucionais, como o da Legalidade, o da Anterioridade, dentre outros e infraconstitucionais como o da Tipicidade Tributária Cerrada. Este Princípio da Tipicidade Tributária Cerrada é um corolário do Princípio da Legalidade, e como tal, se subordina à idéia de segurança jurídica, levando, ainda, em consideração o Princípio da Capacidade Contributiva e outros vinculados à idéia de justiça. Considera a impugnante que, as supostas infrações fiscais imputadas à Impugnante deveriam guardar um nexo de causa e efeito, qual seja: os fatos descritos, como infração à legislação tributária, deveriam estar devida e legalmente tipificados guardando esse nexo de causalidade com os dispositivos tidos como violados. Não teria sido desta ordem a autuação ora combatida. Alega que foram apresentados levantamentos genéricos, capitulação legal de idêntica forma, impedindo, assim, o exercício de ampla defesa. Afirma que, somente com uma "dose de boa vontade" a Impugnante produziu a defesa para que não se alegue preclusão Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 365 5 e, assim, não seja levado ao conhecimento do Senhor Julgador "tamanha medida de injustiça, quiçá, arbitrariedade". Continua. Neste prisma, os demais dispositivos da referenciada Lei Complementar, mencionados pelo i. Auditor Fiscal, no Auto de Infração, também são de caráter geral; de per si, apresentam conceitos, imposição de base de cálculo e de obrigações acessórias (declaração própria e manutenção de escrita contábil), não guardando, de igual maneira, intima relação que deve existir entre a descrição dos fatos autuados com o seu respectivo enquadramento legal. Após fazer a transcrição dos demais dispositivos legais da Lei Complementar nº 123/2006 que embasam a infração, indaga: “o nobre Auditor apenas se referiu a dispositivos genéricos; como pode prosperar o lançamento por ele leva a cabo contra Impugnante de tributo sem que esteja perfeitamente identificada, tipificada a infração legal cometida pelo sujeito passivo, sem que isso não implique sua nulidade? Obviamente que a resposta é negativa, por uma simples questão. Procedimento desta espécie cerceia o direito de defesa atribuído ao cidadão brasileiro pela nossa Carga Magna, em quaisquer circunstâncias”. No que concerne às disposições contidas na Resolução CGSN N° 51/2008 invocadas pelo autuante, alega que tais disposições tratam da forma de tributação pela sistemática do Simples Nacional. Assim, mais uma vez ficaria perfeitamente caracterizada a falta de nexo casual entre a descrição dos fatos e a capitulação legal descrita no Auto de Infração Simples Nacional, o que por si só leva a nulidade do lançamento questionado, por dificultar o pleno exercício do direito de ampla defesa da Impugnante, que lhe é garantido constitucionalmente (Constituição Federal de 1988, artigo 5º, inciso LV). Noutra perspectiva, afirma que o lançamento ora rebatido traz outro gravame que o torna inexigível o exorbitante crédito tributário lançado fere o Princípio da Capacidade Contributiva da Impugnante, já que alcança um pequeno comerciante (mercadinho) em bairro "popular" deste município, já tão premido de tantas dificuldades de crédito, obrigações fiscais, trabalhistas, sanitárias, em que pese ser optante do Simples Nacional. Nesse aspecto, a defesa faz uma breve análise do art. 145, inciso I, da Constituição Federal, para concluir que a tributação não pode atingir níveis tão elevados que sejam considerados como confiscatórios, como se apresenta no apontado Auto de Infração Simples Nacional. Requer, ao final desse tópico da impugnação, que o Julgador passe a considerar o Sistema Tributário Nacional com uma visão da justiça fiscal e da proteção dos direitos dos contribuintes. E, é nesse contexto, que se considera a vital importância de uma efetiva aplicabilidade dos princípios da Legalidade, da Ampla Defesa, da Capacidade Contributiva como verdadeiros Fl. 367DF CARF MF 6 instrumentos aptos a concretizar a tão almejada tributação justa, adequada e equilibrada. Computo da Receita Mensal No tocante à apuração dos valores mensais de receitas, a defesa informa que a Impugnante tem conta bancária em três instituições (Banco HSBC, Bradesco e Citibank), tendo sido tomado como receita toda sua movimentação, o que não procederia. Alega que a Impugnante foi induzida a cometer grande equívoco ao escriturar um novo Livro Caixa apresentado ao auditor com referenciada movimentação bancária. Nenhum outro exame fiscal foi feito compulsando a documentação da empresa com os valores da movimentação bancária apresentada no referido livro. Considera que, se o auditor pretendia fundamentar seu lançamento na movimentação bancária da empresa, não teria que exigir da empresa que escriturasse o livro Caixa, como determinou que a Impugnante o fizesse; mas sim, intimála à comprovação da origem e efetiva entrega dos recursos bancários, como previsto no artigo art. 42 da Lei 9.430 de 1996. A partir desse entendimento, a defesa faz uma análise sobre a tributação baseada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, destacandose os seguintes argumentos: Os depósitos bancários, por eles mesmos, não constituem fato gerador do Imposto de Renda por não representarem aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, como previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN). Quando os depósitos bancários implicam em aumento patrimonial, em renda consumida ou em benefício de qualquer ordem da pessoa física e/ou jurídica passam eles a revelar a disponibilidade econômica da renda. Portanto, o suporte fático da tributação não é o depósito bancário em si, mas sim o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem. Nos termos do art. 142 do CTN, é de competência exclusiva do agente lançador, identificar a renda consumida, o aumento da riqueza ou benefício econômico de qualquer ordem. Para tanto a autoridade lançadora dispõe de uma gama de recursos processuais, emanados no universo jurídico das provas, para cumprir suas responsabilidades processuais, o que não se operou no caso concreto do Auto em contestação. Por outra via, o destacado art. 42 da Lei 9.430, de 1.996, não implicou em alteração do regime tributário das pessoas físicas e/ou jurídicas, e muito menos, implicou em equiparação dos depósitos bancários à renda, como se fosse uma ficção jurídica. Simplesmente houve modificação no recurso processual probatório posto à disposição do Fisco Com base nesses aspectos, a defesa entende que o agente lançador não pode, nem poderia deixar de intimar o contribuinte Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 366 7 para prestar esclarecimentos, tampouco, leválo a prática de ato totalmente equivocado escriturar depósitos bancários simplesmente como renda e/ou receita e, assim, deixar de investigar a movimentação desses recursos, fazendo que a empresa tivesse a obrigação de atuar contra si próprio, e como se fosse delegado, ser auxiliar do agente lançador. A impugnante também questiona o conteúdo do Termo de Verificação Fiscal, considerandoo sucinto, não revelando qualquer procedimento fiscal levado a cabo pela nobre figura do agente tributário. Questiona a tributação dos seguintes valores: o auditor fiscal não excluiu no cômputo dos valores considerados como receitas as transferências bancárias, como se demonstra, a título de exemplo, no extrato do HSBC (agência 0287, conta corrente nº 3962342), operação datada de 17/01/2011, sob histórico de “TRANSF CONNECT BANK”, no valor de R$ 10.000,00. Semelhante, repetese igual passagem em 04/03/2011, no valor de R$ 30.000,00; nessa mesma instituição e de igual maneira, valores de operações com o histórico “TED DA MESMA TITULARIDADE” foram considerados como receita, como se verifica no dia 18/01/2011, no valor de R$ 13.000,00, Idêntica operação ocorre em 21/02/2011, na quantia de R$ 48.000,00; bem assim, em 21/07/2011, no valor de R$ 50.000,00. Respeitando o Princípio da Verdade Material, mencionados valores, inadvertidamente, foram colocados no Livro Caixa, apresentado ao auditor fiscal, como vendas, servindo, sem qualquer exame fiscal, como base de cálculo dos impostos e contribuições lançados de ofício, ora contestados. Reafirma: a movimentação bancária, de per si, não é uma renda, nem disponibilidade econômica jurídica; tão somente, poderia se formar num indício de sua aquisição. Daí, a necessidade imperiosa do agente fiscal aprofundar o exame deste, mediante intimação ao fiscalizado. A presunção legal em apreço (art. 42 da Lei 9.430 de 1.996) não pode ser empregada como norma penal e nem mesmo como norma material. Existem muitas atividades exercidas por pessoas físicas e/ou jurídicas, que implicam em inúmeros saques e depósitos bancários que circundam certo valor de capital necessário àquela atividade. É este capital que reflete o patrimônio da pessoa e não a somatória dos depósitos. Por isso mesmo a interpretação da presente norma processual não pode estar dissociada do que previsto no §1° do art. 145 de nossa Carta Magna que determina a identificação do patrimônio, da renda e da atividade do contribuinte, até mesmo para o legislador ordinário, quanto mais para o agente lançador ou julgador. Fl. 369DF CARF MF 8 Diante desses breves comentários sobre os recursos movimentados em contas bancárias, a defesa conclui afirmando que estes não fundam o caráter constitutivo da obrigação principal (lançamento do tributo). Dessa forma, não existiria sustentáculo legal que recepcione e fundamente o lançamento de ofício. Do Pedido Com base no exposto, a Impugnante requerer que seja cancelado o lançamento em litígio. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Improcede a arguição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando a infração imputada ao contribuinte encontrase objetivamente descrita em termo de verificação que instrui a peça básica. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No caso de apuração de divergências entre a receita bruta escriturada no livrocaixa e a declarada por empresa optante pelo Simples Nacional, o enquadramento legal da infração cometida corresponde às disposições da legislação que tratam da obrigação tributária (definição da receita bruta, tributos abrangidos, determinação do valor devido, escrituração do livrocaixa e competência para fiscalização). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As disposições contidas no art. 42 da Lei nº 9.430/96 depósito bancário de origem não comprovada não se aplicam na hipótese de o lançamento ter se restringido às diferenças encontradas entre os valores escriturados no livro caixa e os declarados pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 367 9 Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, repisando as supostas nulidades no lançamento, bem como as razões de improcedência das exações. Ainda que primeiramente certificado que seria o Apelo apresentado pela Recorrente intempestivo, após a apresentação de Petição de esclarecimento, incluindo prova da postagem das razões, via Correios (fls. 330 a 339), foi atestado, pela mesma SECAT, que a data de interposição do mesmo foi, na verdade, 16/05/2016. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Diante da documentação acostada nos autos, confirmase que o Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Primeiro frisese que, entende este Conselheiro que, mesmo diante de clara conexão processual, o julgamento da presente contenda, que versa apenas sobre a procedência dos Autos de Infração sofridos pela Recorrente, em relação ao anocalendário do 2011, período anterior à sua exclusão do SIMPLES Nacional, não depende da resolução do Processo Administrativo nº 10580.720675/201533, devendose apenas, posteriormente, este mesmo Conselheiro, observar e transpor os seus efeitos e consequências deste Julgado no julgamento daquele outro expediente (do qual também é relator). Analisando o Recurso Voluntário, verificase primeiramente, assim como na Impugnação, que a Recorrente alega a nulidade do lançamento de ofício, em face da base legal invocada pela Autoridade Fiscal ser, supostamente, muito genérica, (...) sem que tenha qualquer correlação como (sic) os fatos descritos no Auto de Infração ("diferenças de base de cáculo"; "insuficiência de recolhimentos diferença de alíquota"). Pois bem, devese ter claro que a Recorrente era optante do SIMPLES Nacional, tendo sido as exigências impostas à Recorrente calculadas ainda dentro de tal sistemática especial de arrecadação, bem o Auto de Infração confeccionado em observância às norma que lhe regulamentam. Dito isso, foram os seguintes dispositivos invocados pela Fiscalização para arrimar as exações: Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 368 11 Estão abarcados em tais normas a definição de receita bruta tributável na sistemática do SIMPLES Nacional, os tributos inseridos, cálculo das obrigações mensais, obrigatoriedade de apresentação de declaração simplificada, obrigatoriedade de guarda de documentos e manutenção do LivroCaixa e competência para fiscalizar e autuar. Por outro lado, como expressamente descrito no TVF (fls. 80/81), in casu, a omissão de receitas foi apurada pela diferença entre os valores declarados na DASN e aqueles lançados no LivroCaixa, bem como presentes nos extratos bancários apresentados ao Fisco. Posto isso, considerando a natureza da infração, a clareza do TVF (ainda que breve) e o regime de apuração sob o qual foi lavrada a Autuação combatida, mostrase plenamente adequada a sua fundamentação e a base legal eleita. Mais do que isso, estão presentes todos elementos necessários para a plena compreensão das acusações e infrações imputadas à Recorrente, permitindo o exercício de sua ampla defesa e do contraditório. As Autuações estão munidas de toda a documentação referente à movimentação bancária percebida, individualização dos depósitos colhidos, receita bruta declarada, cópia da DASN e planilhas de cálculo. Oportuno citar passagem da v. Acórdão a quo sobre tal matéria: Retornemos agora à infração apurada fazendo a devida correspondência com o enquadramento legal apontado pela fiscalização: Verificouse que o contribuinte declarou (art. 25) receitas (art. 3º, § 1º) com valores inferiores aos valores escriturados em seu Livro Caixa do ano de 2011 (art. 26, § 2º). Os valores lançados de ofício foram apurados de acordo com art. 13 e 18, e lançados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (art. 33). (fls. 261) No mais, a Recorrente aprofunda suas razões quanto à nulidade arguida invocando os princípios da legalidade, ampla defesa, razoabilidade, da capacidade contributiva e da tipicidade cerrada, citando diretamente diversos artigos da Constituição da República de 1988 que teriam sido violados. Logo, é incidente aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Fl. 373DF CARF MF 12 Posto isso, mostrase ausente qualquer vício que ensejaria a nulidade do lançamento, sendo formalmente adequada a sua lavratura. Sob outro prisma, agora meritório, a Recorrente passa a discorrer sobre o computo da receita mensal. Em suma firma que os valores colhidos das contas bancarias (Banco HSBC, BRADESCO e CITIBANK) não poderiam ter sido tomados como receita, o que não procede. Ainda que sem explicar, afirma que foi induzido a erro pelo Auditor Fiscal quando lançou tais valores em seu LivroCaixa. Também afirma que não intima a esclarecer a origem dos depósitos. Afirma que é cediço que os depósitos bancários, por eles mesmos, não constituem fato gerador do Imposto de Renda por não representarem aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, como previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. (...) Portanto o suporte fático da tributação não é o depósito bancário em si, mas o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem. Acrescenta que não houve a identificação do acréscimo patrimonial por parte da Autoridade Fiscal em cada um dos depósitos e invoca o princípio da verdade material, afirmando que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não pode ser utilizado de modo punitivo. Não assiste razão à Recorrente. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 está validamente inserido no sistema tributário nacional, veiculando presunção iuris tantum da omissão de receitas quando devidamente colhidas e comprovadas pela Fiscalização as condutas e ocorrências legalmente arroladas, justificada pela principiologia da praticabilidade tributária. O efeito de tal dispositivo é a inversão do ônus da prova sobre a ocorrência da infração de omissão de receitas, diante da devida fundamentação para a sua aplicação, dentro das hipótese previstas. Assim, em relação a essa matéria, não poderia o abstrato e processual princípio da busca pela verdade material, simplesmente, anular todos os efeitos de tal presunção legal, veiculada em Lei propriamente dita (obrigando, então, sempre à uma demonstração, por parte do Fisco, concreta de percepção de renda tributável em cada um dos depósitos colhidos). Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 369 13 Logo não se trata de tributação fundada em movimentação bancária, mas, sim, em disposição legal expressa, presente há mais de duas décadas na legislação federal da tributação sobre a renda, que valese de corriqueira técnica de abstração. Não existe violação ao conceito legal de renda, estampado no art. 43 do CTN ou mesmo punição/penalização do contribuinte. Há muito a legitimidade jurídica de tal dispositivo não representa celeuma neste E. CARF, não procedendo qualquer um dos supostos conflitos legais aventados. Também cabível aqui a dicção da Súmula CARF nº 26, em face da alegação de que o suporte fático da tributação não é o depósito bancário em si, mas o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ainda, repetindo, ipsis litteris, a sua Impugnação, a Recorrente menciona que alguns valores foram, inadvertidamente, lançados na contabilidade como vendas: (fls. 308) Fl. 375DF CARF MF 14 Primeiro, não há qualquer prova que suporte tal alegação. Tratase de mera afirmação postulatória que, como já dito, não tem o condão de afastar a presunção veiculada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tal carência probante já bastaria para o afastamento de tal alegação. Não obstante, prestigiando o excelente trabalho do I. Relator da DRJ a quo, colacionase e endossase o trabalho de verdadeira revisão do lançamento em relação aos valores e cálculos questionados, espontaneamente procedida: Por fim, a autuada questiona a tributação de diversos valores, que não corresponderiam a receitas (fls. 237). Nesse aspecto, a defesa apenas cita valores e datas, sem se aprofundar nos motivos que ocasionaram os depósitos bancários, nem efetuar a devida correlação com os valores registrados no livrocaixa (como, por exemplo, identificar as folhas dos autos, etc.). Provar significa contextualizar elementos relevantes, e não meramente coletar uma massa infinda de documentos não hierarquizados, ou fazer referência genérica a operações e valores. O processo não é um mero repositório de documentos e alegações, mas o locus no qual tais documentos, devidamente referenciados pela parte interessada, compõem um quadro ordenado e lógico dos fatos alegados. Mesmo diante dessas deficiências, em respeito ao princípio da verdade material procurei identificar as operações, com bases nos elementos acostados ao processo pelo autuante (a defesa não apresentou nenhum outro elemento de prova). Dessa análise, chegase às seguintes conclusões: Valor de R$ 10.000,00, extrato do HSBC (agência 0287, conta corrente nº 3962342), operação datada de 17/01/2011, sob histórico de “TRANSF CONNECT BANK”. Comentário – foram identificados os seguintes registros: Livrocaixa, fls. 96: Extrato bancário, fls. 136: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 370 15 Considerandose que a tributação aqui tratada não tomou por base os extratos bancários, mas sim os valores lançados no livrocaixa, o contribuinte deveria ter apresentado outros elementos que justificassem o suposto erro cometido no registro da operação como VENDAS A PRAZO. Nesse contexto, se faz necessário identificar que tipo de transferência foi efetuada para conta corrente da empresa, de sorte a afastar definitivamente a hipótese de erro de preenchimento no livrocaixa. O ônus da prova, no caso, é do contribuinte, pois a fiscalização não tomou por base os extratos bancários, mas sim os valores registrados em livro fiscal obrigatório, de responsabilidade da própria empresa. Valor de R$ 30.000,00, datado de 04/03/2011 (de acordo com a defesa, tratase de situação semelhante à anterior). Comentário – foram identificados os seguintes registros: Livrocaixa, fls. 102: Extrato bancário, fls. 136: Fl. 377DF CARF MF 16 Situação idêntica à anterior. Portanto aplicamse as mesmas conclusões. Valor de R$ 13.000,00, com o histórico “TED DA MESMA TITULARIDADE”, datado de 18/01/2011: Comentário – foram identificados os seguintes registros: Livrocaixa, fls. 96: Extrato bancário, fls. 136: A situação é similar às anteriores, caberia, portanto, ao contribuinte o ônus de comprovar o suposto erro no livrocaixa, que resultou no registro de operação como venda a vista. O simples registro de “TED MESMA TITULARIDADE” no extrato bancário não é suficiente, de per si, para demonstrar que o valor não decorreu originalmente de uma venda à vista. Em idêntica situação se encontram os valores de R$ 48.000,00, datado de 21/02/2011, e de R$ 50.000,00, datado de 21/07/2011, conforme fazem prova os extratos a seguir fotocopiados: Livrocaixa, fls. 100: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.720800/201513 Acórdão n.º 1402003.268 S1C4T2 Fl. 371 17 Extrato bancário, fls. 143: Livrocaixa, fls. 120: Extrato bancário, fls. 143: Como se verifica, em nenhum dos casos alegados pela defesa restou comprovado o suposto erro na escrituração do livro caixa. Aliás, repitase, sequer foram anexados à peça impugnatória novos elementos para o deslinde da questão, tendo sido utilizado na presente análise exclusivamente os documentos que já haviam sido anexados pelo autor do procedimento. (fls. 262 a 267) Posto isso, restam integralmente apreciadas e afastadas as razões conhecidas do Apelo interposto Fl. 379DF CARF MF 18 Diante do exposto, voto por não conhecer das matérias referentes a inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900019/2012-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/11/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 14/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.900019/2012-61
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901295
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.184
nome_arquivo_s : Decisao_10840900019201261.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10840900019201261_5901295.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7423142
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872621039616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.900019/201261 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.184 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 00 19 /2 01 2- 61 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.472, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10840.900019/201261 Acórdão n.º 9303007.184 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.721261/2015-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
Não há que se acatar créditos, se o contribuinte não indicou a natureza das despesas e sua participação no processo de produção de serviços ou bens, as contas contábeis em que foram registradas e tampouco carreou aos autos amostra das notas fiscais correspondentes.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO
A multa de ofício deve ser qualificada, quando resta comprovado que o contribuinte omitiu do Fisco os elementos que comprovariam a ocorrência do fato gerador, por meio da apresentação de informativos fiscais e declarações contendo informações inexatas ou em branco.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO
Não é plausível admitir que o sócio-administrador da empresa não tivesse conhecimento de que assinou, como representante legal, livros contábeis e fiscais, bem como informativos e declarações dirigidas ao Fisco, incompletas ou em branco, com omissão de receitas de prestação de serviços, cujas notas fiscais, todavia, haviam sido emitidas.
Isto posto, há que confirmar a atribuição da responsabilidade solidária.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONTROVÉRSIAS
De acordo com as Súmula CARF n° 28, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
Não há que se acatar créditos, se o contribuinte não indicou a natureza das despesas e sua participação no processo de produção de serviços ou bens, as contas contábeis em que foram registradas e tampouco carreou aos autos amostra das notas fiscais correspondentes.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO
A multa de ofício deve ser qualificada, quando resta comprovado que o contribuinte omitiu do Fisco os elementos que comprovariam a ocorrência do fato gerador, por meio da apresentação de informativos fiscais e declarações contendo informações inexatas ou em branco.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO
Não é plausível admitir que o sócio-administrador da empresa não tivesse conhecimento de que assinou, como representante legal, livros contábeis e fiscais, bem como informativos e declarações dirigidas ao Fisco, incompletas ou em branco, com omissão de receitas de prestação de serviços, cujas notas fiscais, todavia, haviam sido emitidas.
Isto posto, há que confirmar a atribuição da responsabilidade solidária.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONTROVÉRSIAS
De acordo com as Súmula CARF n° 28, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 3301-005.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Não há que se acatar créditos, se o contribuinte não indicou a natureza das despesas e sua participação no processo de produção de serviços ou bens, as contas contábeis em que foram registradas e tampouco carreou aos autos amostra das notas fiscais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO A multa de ofício deve ser qualificada, quando resta comprovado que o contribuinte omitiu do Fisco os elementos que comprovariam a ocorrência do fato gerador, por meio da apresentação de informativos fiscais e declarações contendo informações inexatas ou em branco. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO Não é plausível admitir que o sócio-administrador da empresa não tivesse conhecimento de que assinou, como representante legal, livros contábeis e fiscais, bem como informativos e declarações dirigidas ao Fisco, incompletas ou em branco, com omissão de receitas de prestação de serviços, cujas notas fiscais, todavia, haviam sido emitidas. Isto posto, há que confirmar a atribuição da responsabilidade solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONTROVÉRSIAS De acordo com as Súmula CARF n° 28, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Não há que se acatar créditos, se o contribuinte não indicou a natureza das despesas e sua participação no processo de produção de serviços ou bens, as contas contábeis em que foram registradas e tampouco carreou aos autos amostra das notas fiscais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO A multa de ofício deve ser qualificada, quando resta comprovado que o contribuinte omitiu do Fisco os elementos que comprovariam a ocorrência do fato gerador, por meio da apresentação de informativos fiscais e declarações contendo informações inexatas ou em branco. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO Não é plausível admitir que o sócio-administrador da empresa não tivesse conhecimento de que assinou, como representante legal, livros contábeis e fiscais, bem como informativos e declarações dirigidas ao Fisco, incompletas ou em branco, com omissão de receitas de prestação de serviços, cujas notas fiscais, todavia, haviam sido emitidas. Isto posto, há que confirmar a atribuição da responsabilidade solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONTROVÉRSIAS De acordo com as Súmula CARF n° 28, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13502.721261/2015-42
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912776
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.061
nome_arquivo_s : Decisao_13502721261201542.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13502721261201542_5912776.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7443173
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872627331072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3.833 1 3.832 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.721261/201542 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.061 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria Insuficiência de recolhimentos de PIS e COFINS Recorrente CONTRATE GESTÃO EMPRESARIAL EIRELI EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Não há que se acatar créditos, se o contribuinte não indicou a natureza das despesas e sua participação no processo de produção de serviços ou bens, as contas contábeis em que foram registradas e tampouco carreou aos autos amostra das notas fiscais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO A multa de ofício deve ser qualificada, quando resta comprovado que o contribuinte omitiu do Fisco os elementos que comprovariam a ocorrência do fato gerador, por meio da apresentação de informativos fiscais e declarações contendo informações inexatas ou em branco. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO Não é plausível admitir que o sócioadministrador da empresa não tivesse conhecimento de que assinou, como representante legal, livros contábeis e fiscais, bem como informativos e declarações dirigidas ao Fisco, incompletas ou em branco, com omissão de receitas de prestação de serviços, cujas notas fiscais, todavia, haviam sido emitidas. Isto posto, há que confirmar a atribuição da responsabilidade solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONTROVÉRSIAS De acordo com as Súmula CARF n° 28, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 12 61 /2 01 5- 42 Fl. 3833DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.834 2 CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Não há que se acatar créditos, se o contribuinte não indicou a natureza das despesas e sua participação no processo de produção de serviços ou bens, as contas contábeis em que foram registradas e tampouco carreou aos autos amostra das notas fiscais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO A multa de ofício deve ser qualificada, quando resta comprovado que o contribuinte omitiu do Fisco os elementos que comprovariam a ocorrência do fato gerador, por meio da apresentação de informativos fiscais e declarações contendo informações inexatas ou em branco. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO Não é plausível admitir que o sócioadministrador da empresa não tivesse conhecimento de que assinou, como representante legal, livros contábeis e fiscais, bem como informativos e declarações dirigidas ao Fisco, incompletas ou em branco, com omissão de receitas de prestação de serviços, cujas notas fiscais, todavia, haviam sido emitidas. Isto posto, há que confirmar a atribuição da responsabilidade solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONTROVÉRSIAS De acordo com as Súmula CARF n° 28, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: Fl. 3834DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.835 3 "1. CONTRATE GESTÃO EMPRESARIAL EIRELI – EPP (Contrate), empresa acima identificada, foi objeto de auditoria fiscal. Ao final dos trabalhos a auditorafiscal da RFB constatou algumas irregularidades que foram narradas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 30/36 que passo a sintetizar: a O contribuinte no ano calendário de 2011 apresentou a DIPJ, DCTF e DACON com valores zerados, porém, conforme as DIRF (Declarações de Impostos Retidos na Fonte) de terceiros (clientes) auferiu receitas no anocalendário de 2011 de cerca de R$10.900.000,00; b Com base no Livro Razão (fls. 3.776/3.790) a auditorafiscal apurou o montante devido de PIS/COFINS; c A autoridade fiscal constatou que as notas fiscais de fls. 43/45, emitidas pelo contribuinte, não haviam sido contabilizadas, os respectivos montantes foram considerados receitas omitidas; d Houve a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 71 da Lei nº 4.502/1965; e Os Srs. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO, CPF 232.168.24500 e LUIZ CLÁUDIO SANTOS, CPF 198.337.17500, sócios administradores da empresa autuada no decorrer do ano de 2011, foram arrolados como responsáveis solidários. 2. Em face das irregularidades apuradas foram lavrados os seguinte autos de infração, cientificados à Pessoa Jurídica em 03/11/2015 (fls. 56/57) a Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 02/03): Valor do crédito tributário de R$ 1.306.025,43, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 10/2015, fundamento legal citado nas fls. 05/06; b Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 14/15): Valor do crédito tributário de R$ 283.789,82, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 10/2015, fundamento legal citado nas fls. 17/18. 3. Nestes autos de infração foram considerados Sujeitos Passivos solidários os Srs. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO, CPF 232.168.24500 e LUIZ CLÁUDIO SANTOS, CPF 198.337.17500, nos termos dos artigos 124, I e 135 do CTN. 4. O Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO foi cientificado dos autos de infração em 05/11/2015 (fl. 26), ao passo que o Sr. LUIZ CLÁUDIO SANTOS foi cientificado em 09/11/2015 (fl. 27). Ambos não apresentaram impugnação. 5. A empresa CONTRATE GESTÃO EMPRESARIAL EIRELI – EPP apresentou em 03/12/2015, impugnação de fls. 3.744/3.760 nos seguintes termos: a O lançamento de ofício deixou de reconhecer créditos não cumulativos descritos no Doc. 02. “Todas as despesas serem deduzidas da receita bruta para efeitos de composição da base de cálculo do PIS e do COFINS, encontramse devidamente escriturados nos Livros Diário e Razão”; b A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude deste contribuinte, as inconsistências encontradas significam, tão somente, que não foram prestadas da forma ideal; Fl. 3835DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.836 4 c Para se atribuir a responsabilidade tributária é necessária a prova de que houve atos praticados com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatuto, conforme determina a Portaria nº 180 da PGFN; d A desconsideração da personalidade jurídica é medida excepcional, uma vez que há autonomia dos patrimônios da empresa e de seus sócios; e A aplicação do artigo 135 do CTN deve se dar mediante a comprovação de conduta dolosa dos sócios; f A representação fiscal para fins penais é calcada em mera presunção, não há prova da ocorrência de conduta dolosa; g As multas aplicadas têm caráter confiscatório e ofendem o princípio da proporcionalidade e da capacidade contributiva, devendo ser aplicada penalidade equivalente a 20/30% do tributo devido; h A aplicação do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964 exige a comprovação da existência de ação dolosa; i Requer sejam considerados improcedentes os autos de infração em comento. 6. É o relatório" A DRJ em São Paulo (SP) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n°1675.619 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. Receitas contabilizadas e não oferecidas à tributação devem ser objeto de lançamento de ofício. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. Cabe ao contribuinte discriminar e comprovar os gastos que originariam os créditos não cumulativos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. Receitas contabilizadas e não oferecidas à tributação devem ser objeto de lançamento de ofício. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. Cabe ao contribuinte discriminar e comprovar os gastos que originariam os créditos não cumulativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Fl. 3836DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.837 5 Irresignado, a foi atribuída responsabilidade tributária interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repisou os argumentos consignados na impugnação. Os responsáveis solidários não apresentaram impugnação ou recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário apresentado pela CONTRATE GESTÃO EMPRESARIAL EIRELI – EPP preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Os responsáveis solidários, Srs. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO, CPF 232.168.24500 e LUIZ CLÁUDIO SANTOS, CPF 198.337.17500, sóciosadministradores da empresa autuada no decorrer do ano de 2011, não apresentaram impugnação ou recurso voluntário em seus próprios nomes Não obstante, a impugnação foi assinada pelo próprio Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO, em conjunto com procurador e representante legal por ele devidamente constituídos. O recurso voluntário, por sua vez, foi assinado digitalmente por um outro representante legal. Contudo, naquela data, o sujeito passivo principal já havia alterado sua personalidade jurídica de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para empresa individual. E o Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO era o único sócio e administrador da empresa e, por conseguinte, que tinha poderes para nomear procuradores. Em ambas as peças de defesa, foi combatida a atribuição da responsabilidade solidária. A DRJ considerou que os responsáveis tributários não haviam apresentado impugnação. Contudo, mesmo assim, enfrentou os argumentos de defesa. Em outro processo de minha relatoria, o responsável solidário havia comparecido aos autos tão somente no recurso voluntário. Contudo, na sessão de julgamento, decidimos conhecer do recurso e, por conseguinte, dos argumentos contrários à responsabilização tributária de terceiros, em razão de o próprio responsável solidário ter nomeado o representante legal que assinou a impugnação. Confirmo o teor daquela decisão e, no caso presente, voto por considerar o recurso voluntário juntado aos autos como tendo sido apresentado em conjunto pelo sujeito passivo principal, CONTRATE GESTÃO EMPRESARIAL EIRELI – EPP, e pelo Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO e, por conseguinte, por conhecer dos alegações que contestam a atribuição a este último da responsabilidade solidária. Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.838 6 No tocante ao outro responsável solidário, Sr. LUIZ CLÁUDIO SANTOS, não se pode considerar que tenha comparecido aos autos. Assim, permanecerá nesta condição, caso, caso esta turma decida pela manutenção do lançamento. Mérito Tratase de autos de infração de PIS e COFINS, lavrados em razão de a fiscalização ter identificado receitas contabilizadas, porém não computadas nas bases tributáveis. E outras, não contabilizadas e não tributadas. No primeiro caso, acresceram multa de ofício de 75%. No segundo, de 150%, com lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais. O procedimento fiscal foi ratificado pela DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte apresentou seus argumentos em quatro tópicos, a saber: "3 – DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – DA AUSÊNCIA DA DEDUÇÃO DAS DESPESAS E DOS CRÉDITOS SOBRE A RECEITA BRUTA 4 DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA / 4.1 Da Inteligência do Art. 135/CTN para fins de Responsabilidade Pessoal. 5 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA 6 DA APLICAÇÃO DAS MULTAS – DO EXCESSO" Para que o voto apresente uma sequência lógica, apreciarei os tópicos na seguinte ordem: 3, 6, 4 e 5. "3 – DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – DA AUSÊNCIA DA DEDUÇÃO DAS DESPESAS E DOS CRÉDITOS SOBRE A RECEITA BRUTA A recorrente alega que a escrituração contábil foi entregue à fiscalização e que nela foram lançadas despesas sobre as quais a fiscalização poderia ter calculado créditos de PIS e COFINS, nos termos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. E que tais créditos poderiam ter sido deduzidos dos créditos tributários lançados. Tanto na impugnação quanto no recurso, apresenta a seguinte tabela: Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.839 7 A DRJ refutou o argumento, por evidente falta de prova de que o contribuinte detinha tal direito. E, pelo mesmo motivo, também nego provimento aos argumentos. O ônus de comprovar a existência do crédito é de quem alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor na data da autuação, cujo teor foi reproduzido no art. 373 do novo CPC). E a recorrente não indicou a natureza das despesas e sua participação no processo de produção de serviços ou bens, as contas contábeis em que foram registradas e tampouco carreou aos autos amostra das notas fiscais correspondentes. "6 DA APLICAÇÃO DAS MULTAS – DO EXCESSO" A multa de 75% foi adicionada ao PIS e à COFINS incorretamente calculados. E a de 150%, às contribuições incidentes sobre as receitas de serviços não escrituradas e que não foram informadas no DACON e tampouco declaradas em DCTF. A multa de ofício foi qualificada, sob os seguintes argumentos (TVF, fl. 34 e 35): " 4 Da Qualificação da Multa e Representação Fiscal para Fins Penais Como já relatado anteriormente, o contribuinte deixou de escriturar receita da prestação de serviços nos livros contábeis e fiscais de 2011, em um montante anual Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.840 8 de R$ 1.449.968,25. Ao mesmo tempo, apresentou a DIPJ2012, anocalendário 2011, sem valores, ou seja, completamente zerada; as DCTF de 2011 sem débitos ou com valores insignificantes somente do PIS; e apresentou DACON apenas nos meses de janeiro, fevereiro, março e setembro com apuração indevida pelo regime cumulativo cujas alíquotas são menores do que as alíquotas devidas pelo contribuinte (apuração nãocumulativa) e nos meses de novembro e dezembro pela apuração nãocumulativa, porém, completamente zeradas. O contribuinte deixou de escriturar receitas em seus livros contábeis e fiscais e também apresentou as citadas declarações sem débitos ou com valores insignificantes, com o intuito de que a autoridade tributária não tivesse conhecimento dos valores dos tributos a pagar, incorrendo, em tese, em crime contra ordem tributária, previsto nos arts. 1º, inciso I e II, e 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90; e art. 71, da Lei nº 4.502/64. Será feita Representação Fiscal para Fins Penais com base nos citados artigos, abaixo parcialmente transcritos. Nesta condição, a multa será qualificada para 150%, de acordo com o previsto no art. 44, Inciso I, parágrafo 1º da Lei nº 9.430/96, redação dada pela Lei nº 11.488/2007, combinado com o art. 71 da Lei nº 4.502/64, também parcialmente transcritos abaixo: Lei 8.137/90 'Art. 10 Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; (negritado) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal (negritado); ... Art. 20 Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (negrítado) ...' Lei 4.502/64 'Art. 71.Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstancias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o credito tributário correspondente.' Lei nº 9.430/96 'Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.841 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifado) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(grifado) ...'" A DRJ ratificou o auto de infração. A recorrente contestou as multas de ofício, por meio das seguintes alegações: As multas são excessivas e desproporcionais, notadamente a de 150%, que ultrapassa em muito o valor do próprio tributo, tendo caráter confiscatório, transgredindo o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Neste sentido, cita as decisões do TRF da 5° Região (AC: 308009 CE 0022196691999405810001) e do STF (RE 523.471 AgR/MG, AI 482.281 AgR, RE 644.939/RN, RE 583.516/PB, RE 589.370/SP, RExt 754.554/GO e ADI 551, AgRg no RExt 833.106/GO) que considerou a multa de 75% confiscatória. Afrontam o princípio constitucional da capacidade econômica do contribuinte, esculpido pelo § 1° do art. 145 da CF. Neste sentido, cita a decisão do STF no RE 82.510/SP. "Com efeito, o elemento subjetivo do tipo, encontrase subjugado aos “CASOS DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE”. Por sua vez, o Art. 71 da Lei nº 4.502/64, também exige “ação ou omissão DOLOSA”, para configurar o ilícito fiscal. Obviamente, tratase de um ônus de prova da autoridade fiscal, provar o dolo o contribuinte, no caso em análise é facilmente afastada a hipótese do animmus fraudandi, por parte do contribuinte, pois, INEXISTIU A CRIAÇÃO DE QUALQUER OBSTÁCULO OU SUBTERFÚGIO UTILIZAR PARA OMITIR OU MANIPULAR SUAS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS, COLABORANDO COM A AUTUAÇÃO FISCAL. Demonstrase assim, que inexiste a tipificação dolosa e sim a ocorrência de “declaração inexata”, errônea que, inclusive, foi retificada." (trecho do recurso voluntário, fl. 3.829). Menciona a Súmula CARF n° 14 que dispõe que "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Este colegiado não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade, (Súmula CARF n° 2), pelo que nego provimento às acima sumariadas. O lançamento da multa de ofício de 75% baseouse no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, que determina que seja cobrada exatamente nos casos acima relatados, quais sejam, de falta de pagamento, de falta de declaração e de inexatidão em declaração. Assim, ratifico o lançamento da multa de 75%. Também não merece reparos a qualificação da multa de ofício. Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.842 10 O contribuinte emitiu notas fiscais de serviços e não as escriturou nos livros contábeis e fiscais. Este fato não é contestado pela recorrente, que, em sua peça recursal, o classifica como "erros técnicos contábeis de escrituração". As receitas e as contribuições incidentes também não foram informadas nos DACON e declaradas nas DCTF. E a DIPJ do anobase de 2011 foi entregue completamente em branco. A fiscalização tão somente tomou conhecimento do auferimento de tais rendas, por intermédio da inspeção das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelos clientes da recorrente. E complementou o trabalho, obtendo a confirmação das empresas tomadoras dos serviços. Os fatos anteriormente narrados subsomemse nitidamente aos artigos 10 e 20 da Lei n° 8.137/90 e 71 da lei n° 4.502/64. Os atos de não escriturar e informar no DACON e não declarar as contribuições devidas em DCTF impediram que a autoridade delas tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores. Correta, portanto, a qualificação da multa de ofício. Em suma, nego provimento aos argumentos que contestaram a cobrança das multas de ofício de 75% e 150%. "4 DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA / 4.1 Da Inteligência do Art. 135/CTN para fins de Responsabilidade Pessoal. Reproduzo trecho do TVF (fl. 35), confirmado pela DRJ: "5 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: Tendo em vista todo o exposto acima (O ITEM 4 DO TVF FOI ACIMA REPRODUZIDO E TRATA DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO), os sócios administradores no anocalendário 2011, a seguir relacionados, eram responsáveis pela administração da empresa, conforme as alterações contratuais, anexas. Tinham conhecimento, portanto, de débitos tributários com a Receita Federal em valores bastante significativos, uma vez que foi omitido receita no montante de R$ 1.449.968,25, e faturamento anual no anocalendário 2011 de RS 10.852.414,88, mas mesmo assim, apresentaram as DACON e DCTF de 2011 sem débitos de tributos ou com valores insignificantes; e a DIPJ 2012, anocalendário 2011 completamente zerada. Além da responsabilidade da pessoa jurídica, aplicase aos sócios administradores da empresa no anocalendário fiscalizado, abaixo relacionados, a responsabilidade solidária prevista no artigo 135, inciso III, da Lei 5.172/66 do CTN Código Tributário Nacional: 1 JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO, CPF 232.168.24500: Sócio administrador no anocalendário 2011, conforme as alterações contratuais anexas, e assina os documentos encaminhados à presente ação fiscal, os livros contábeis e fiscais, bem como consta como representante e responsável da empresa na DIPJ2012, anocalendário2011, DACON 2011 e DCTF de 2011. Endereço no Cadastro CPF: Rua Jorge Goes Mascarenhas, 98, Bomfim, Salvador/BA, CEP 40415115; Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.843 11 2 LUIZ CLÁUDIO SANTOS, CPF 198.337.17500: Sócio administrador no anocalendário 2011, conforme as alterações contratuais anexas. Endereço no Cadastro CPF: Rua Otavio Ariani Machado, 64 B, Casa, Caixa D'Agua, Salvador, CEP 40320475." (inserção em negrito n.) No início do voto, apresentei meu voto no sentido de considerar que o recurso voluntário foi apresentado em conjunto pela pessoa jurídica e pelo Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO e que o Sr. LUIZ CLÁUDIO SANTOS não compareceu aos autos em momento processual algum. Isto posto, foram apresentados os seguintes argumentos para combater a atribuição da responsabilidade solidária ao Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO os trechos do recurso voluntário abaixo reproduzidos foram extraídos das fls. 3.818 a 3.822: "O Acórdão proferido, ora Recorrido, considerou que '... houve a falta de escrituração de diversas receitas, conforme anteriormente abordado, este fato, em tese, se subsome ao disposto no artigo 1º da Lei n. 8.137/1990' (fls. 10 do Acórdão), o que seria o mesmo que considerar como prova do dolo a confusão contábil do contribuinte. Nesse sentido, os ilustres julgadores apegamse a PRESUNÇÃO em detrimento da PROVA do ato doloso contribuinte de acordo com o Art. 24, §2', da Lei n.° 9.249/95." "Portanto, antes de tudo, devem ser demonstradas as condições acima expostas. Ou seja, para a atribuição da responsabilidade tributária a terceiros, necessária, é, a ocorrência de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, ao contrato social ou estatuto para permitir a responsabilidade pessoal daqueles elencados no inciso VII do Art. 134, bem como mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." "No caso em questão, em que pesem as pressuposições, não há, até o momento, prova de que qualquer sócio, exsócio ou administrados tenha se utilizado da empresa como meio para o abuso de direito, o desvio de finalidade ou eventual fraude." " (. . .) a Portaria nº 180, de 20/10/2010, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, só permite a inclusão como responsável solidário na Certidão de dívida ativa mediante declaração fundamentada da autoridade competente da RFB ou da PGFN acerca da existência de uma das quatro situações já citadas: excesso de poderes, infração de lei, infração ao contrato social ou estatuto e dissolução irregular da pessoa jurídica; (. . .)" No sentido do que sustenta, cita decisão do STJ em REsp 100.739/SP e doutrina. "Como facilmente podese constatar no processo administrativo fiscal, em nenhum momento carreou prova suficiente à caracterização do caráter doloso de uma conduta individualizada dos sócios, detendose à simples presunção das suas respectivas culpabilidades dos sócios, capitulando comandos legais que, conforme restou comprovado, não se servem à finalidade de perseguir seus créditos tributários havidos em face dos contribuintes, às custas dos bens pessoais dos sócios. Não comprovada as hipóteses previstas no art. 135 , III , CTN, não há que se falar em inclusão dos sóciosgerentes como sujeitos passivos tributários sem incorrer em excesso de poder ou ilegalidade. A condição de sócio, por si só, não implica em Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.844 12 responsabilidade tributária, a hipótese de aplicação deste comando legal pressupõe, sobretudo, a ocorrência de conduta dolosa – o que não restou caracterizado no caso concreto." Mais uma vez, concordo com a fiscalização. Assim como a recorrente, entendo que, para a responsabilização pessoal dos administradores, com fulcro no art. 135 do CTN, há que se comprovar dolo e participação direta dos eleitos na prática dos atos delitivos. Contudo, diferentemente do consignado na peça recursal, tal participação restou mais do que comprovada, em ambas as infrações detectadas. Na primeira infração, ao longo de todo o ano de 2011, houve contabilização de receitas de serviços. Todavia, não foram informadas no DACON e na DIPJ. E, nas DCTF, o PIS e a COFINS incidentes ou foram declarados em valores insignificantes ou não foram de declarados. Vale mencionar que, apesar de possuir elementos para tanto, neste caso, decidiu a fiscalização não qualificar a multa de ofício. Na segunda infração, houve prestação de serviços, com emissão de notas fiscais, e cujas receitas não foram escrituradas nos livros contábeis. Adicionalmente, não foram informadas no DACON e as contribuições incidentes não foram declaradas na DCTF. Naquele período, o Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO era um dos sócios administradores e assinou, como responsável, as escriturações contábil e fiscais, bem como o DACON, a DIPJ e as DCTF, as quais continham graves omissões e inexatidões. Não se trata de presunção de culpa. Primeiro, porque uma vez que assinou o documento, não pode alegar que ignorava seu conteúdo. e, em segundo, porque é simplesmente implausível supor que tenha, por exemplo, assinado a DIPJ de 2012/anobase 2011(fls. 825 a 896), cujo formulário encontravase completamente em branco, e que, todavia, ignorava que estava deixando de informar ao Fisco o auferimento de quase R$ 11 milhões em receitas de serviços. Portanto, nego provimento aos argumentos que pretendiam afastar a atribuição de responsabilidade solidária ao Sr. JOSÉ ELIAS SOUZA BARRETO. "5 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA" Alega que a "Representação Fiscal Para Fins Penais" (RFPFP) não se aplica ao caso, pois não há nos autos prova de que cometeu as infrações capituladas nos art. 1° da Lei n° 8.137/90. E sua lavratura foi precipitada, posto que antes de o contribuinte ter oportunidade de rebater a acusação fiscal. Nos itens 4 e 6, consignei que considero os elementos carreados aos autos pela fiscalização comprovam o cometimento das infrações previstas no citado dispositivo legal e, portanto, justificam a qualificação da multa de ofício e a atribuição de responsabilidade solidária. Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 13502.721261/201542 Acórdão n.º 3301005.061 S3C3T1 Fl. 3.845 13 Quanto ao cabimento da lavratura da RFPFP, a Súmula CARF n° 28 dispõe que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais." Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 3845DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909839/2011-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/04/2007
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.909839/2011-38
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901315
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.204
nome_arquivo_s : Decisao_10840909839201138.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10840909839201138_5901315.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7423182
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872656691200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.909839/201138 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.204 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 39 /2 01 1- 38 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909839/201138 Acórdão n.º 9303007.204 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.492, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/04/2007 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909839/201138 Acórdão n.º 9303007.204 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909839/201138 Acórdão n.º 9303007.204 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909839/201138 Acórdão n.º 9303007.204 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909839/201138 Acórdão n.º 9303007.204 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955153/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.955153/2008-47
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912271
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.396
nome_arquivo_s : Decisao_10880955153200847.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10880955153200847_5912271.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7441318
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872660885504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.955153/200847 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.396 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente ZIM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 51 53 /2 00 8- 47 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade em face do despacho decisório que não homologou a compensação declarada, diante da inexistência de crédito, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária." Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Despacho Decisório [...] que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de R$ 88.898,03, pleiteado por meio de PER/DCOMP [...]. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 31/03/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de R$ 88.898,03(incluindo multa de mora e juros de mora), pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP em tela já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não homologou a compensação com débito no valor total original de R$ 68.962,56(mais multa de mora e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP[...]. A manifestação de inconformidade [...] foi apresentada pelos procuradores [...] acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF e DIPJ [...]. Alega que errou no preenchimento do PER/DCOMP classificando o tipo de crédito como "Pagamento Indevido ou a Maior" quando o correto seria "Saldo Negativo de IRPJ". É o relatório." Inconformada com o Acórdão da DRJ/SP1, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito para a reforma da decisão da Instância a quo: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 4 3 (A) Quanto à possibilidade de retificação após o despacho decisório de estimativa mediante PER/DCOMP. Violação ao princípio da legalidade. · A Instrução Normativa SRF nº 900/2008 está impondo requisito que extrapola as exigências legais relativas ao procedimento de compensação de créditos, o que configura manifesta violação ao principio da legalidade. (B) Violação ao princípio da verdade material · A Recorrente realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. · É imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. (C) Ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade · o v. acórdão ora recorrido ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo, portanto, ser reformado. Como destacado, todas as retificações necessárias foram realizadas pela Recorrente e demonstram que o crédito existente é suficiente para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Foge à razoabilidade a não extinção de débito mediante compensação de estimativa sob o simples argumento de que o procedimento não seria o correto, muito embora a existência de crédito seja manifesta. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.362, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.930429/2009 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.362): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 7 6 a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 8 7 das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 9 8 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 10 9 final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 11 10 bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADNSRF n° 3, de 2000; INRFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão ao recorrente em suas alegações, haja vista que teve seu pedido de restituição indeferido, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. No acórdão de 1ª Instância, concluise que as estimativas recolhidas de março e de abril devem ter sido apuradas em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal, se houvesse o devido permissivo legal. A Recorrente alega que realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, argumenta que não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. O Recorrente argumenta que é imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. Não assiste razão ao Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ e DCTF não confirmam o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. No presente voto, adotase o mesmo entendimento do acórdão recorrido, ou seja, na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal. A comprovação do crédito, através da demonstração de erro no balancete de suspensão/redução é condição Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 12 11 imprescindível para a homologação do Per/Dcomp, não se caracterizando como "formalidade processuais extravagante". Portanto não deve prosperar a alegação de ofensa ao princípio da verdade material. Da mesma forma devem ser afastada a alegação de ofensa ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois as retificações de declarações não são suficientes para demonstrar a existência do crédito para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932430/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO.
Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
Numero da decisão: 1401-002.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.932430/2013-19
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911879
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.840
nome_arquivo_s : Decisao_10880932430201319.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 10880932430201319_5911879.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7439556
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872696537088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 452 1 445511 SS11CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 10880.932430/201319 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1401002.840 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 16 de agosto de 2018 MMaattéérriiaa IRPJ RReeccoorrrreennttee HNS AMÉRICAS COMUNICAÇÕES LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 24 30 /2 01 3- 19 Fl. 452DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão Turma da DRJ, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado que a informação quanto ao montante da estimativa na DIPJ e na DCTF está incorreta, e, em conseqüência, concluir pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, já que o valor recolhido correspondia integralmente à débito confessado pelo contribuinte. A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte efetuou compensação de débito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente a janeiro de 2011 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de mesmo tributo, cujo valor na data de transmissão informado era de R$ 37.229,14. Este crédito decorreu de Darf no mesmo valor, no código de receita 2362, referente ao período de apuração fevereiro de 2009. Consoante declarado, foi utilizada na compensação a parcela do crédito de R$ 33.032,50, restando um saldo do crédito original de R$ 4.196,64. Como resultado da análise efetuada foi proferido o despacho decisório que decidiu por não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. Segundo a fundamentação da decisão, o valor recolhido via Darf foi integralmente utilizado para a quitação de débito confessado. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ, pois teria adicionado indevidamente montante relativo a ajuste do RTT na determinação da base de cálculo do tributo, como conseqüência do preenchimento equivocado da linha de custos da ficha 07 A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007 – PJ em Geral), com valor diferente do informado na Ficha 06 A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral). Afirma que, retificado o erro, não haveria estimativa a pagar, sendo seu direito a utilização do montante recolhido a este título como crédito em compensação. Anexa balenacetes, LALUR 2009, memória de cálculo IRPJ e relaçao de DECOMPs. É o relatório do essencial. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10880.932430/201319 Acórdão n.º 1401002.840 S1C4T1 Fl. 453 3 Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme já esclarecido pela decisão de piso, perfeitamente possível aferir a opção pelo RTT alegada pela Recorrente em sua DIPJ/2009 como pode ser visto na Ficha 01 abaixo copiada parcialmente (informação repetida na DIPJ/2010 à fl. 54). Contudo, para reconhecimento do crédito pretendido, segundo a DRJ, era necessária a prova de que a informação constante na DIPJ e na DCTF, estaria incorreta em função do alegado erro de fato em seu preenchimento, o que não havia sido feito pela Recorrente até aquele momento. Isto porque, conforme acórdão recorrido, uma vez feita a opção pelo RTT, caberia ao contribuinte ter trazido cópia de seu Lalur a fim de comprovar que o ajuste ao lucro líquido na determinação da base de cálculo do tributo não existiu de fato. Todavia, como prova do alegado erro de preenchimento da DIPJ, carreou aos autos apenas o demonstrativo de resultado (apuração do lucro líquido) à fl. 79 e o balanço patrimonial à fl. 80. Conforme tratado anteriormente, o ajuste porventura existente não é registrado em tais demonstrativos, razão pela qual esses não possuem qualquer valor probatório. Ainda que se entendesse demonstrado que não houve apuração de ajuste pelo contribuinte, o que se coloca apenas em tese, há que se considerar que a ocorrência do pagamento indevido ou a maior restaria não comprovada. Isto porque a revisão de ofício do erro de preenchimento da DIPJ ensejaria apenas a alteração da base de cálculo do tributo devido e, por conseguinte, do seu montante devido no ajuste anual. A partir dessas informações não é possível aferir com certeza absoluta que não houve tributo a pagar apurado por estimativa no transcorrer do anocalendário, pois a Ficha 11 da declaração não permite verificar a composição da base de cálculo estimada e, portanto, aferir se o alegado erro formal de preenchimento cometido nas fichas anuais também ocorreu nas fichas de apuração mensal. Segundo a DRJ: "Para a comprovação de que de fato não foi apurada qualquer estimativa a pagar durante o ano, a manifestação de inconformidade deveria estar instruída com cópias do balancete de suspensão/redução e do Razão (nas contas de interesse, relativas à estimativa mensal). Se tal medida tivesse sido adotada pelo contribuinte e restasse demonstrada a inexistência de estimativa apurada, seria devida a revisão de ofício da DIPJ e da DCTF em função do erro fato no preenchimento, em respeito ao princípio da verdade material. Todavia, tais documentos imprescindíveis à solução da lide não constam dos autos". Admito que a Recorrente trouxe alguns desses documentos anexados ao seu Recurso Voluntário, contudo tais documentos confirmar a correção do Acórdão DRJ, mas mesmo que assim não fosse, entendo que para o reconhecimento do crédito era necessário um passo além, por parte dela, que confessa que embora venha sustentando a existência de erro no preenchimento da DIPJ e, por consequencia, na Decomp, em nenhum momento tomou a iniciativa de retificálas, requerendo que tal providência seja implementada por este colegiado caso reconheça a possibilidade da compensação pleiteada. Fl. 454DF CARF MF 4 Neste momento entendo pela impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente, sem que tenha havido no mínimo a retificação por parte dela dos erros materiais existentes em suas declarações, não vejo a possibilidade de promover tal retificação de ofício, uma vez que tal providência é exclusiva do contribuinte. Destacase que não há saldo negativo a ser compensado. Já houve casos em que reconheci inclusive a possibilidade de retificação de declaração por parte do contribuinte em momento posterior inclusive ao Despacho Decisório, como por exemplo no Acórdão n. 1401002.702, contudo, na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001120/2009-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2004, 01/07/2004
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA.
As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, sendo possível a manutenção do lançamento mesmo nos casos em que a obrigação principal foi atingida pela decadência.
É pacifico o entendimento de que descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade razão pela qual a decadência, neste caso, se dá pela aplicação do art. 173, I do CTN.
SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de aplicação da Lei n° 13.097, de 2015, apresentado em sede de contrarrazões do Contribuinte. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à PLR, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/2004, 01/07/2004 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, sendo possível a manutenção do lançamento mesmo nos casos em que a obrigação principal foi atingida pela decadência. É pacifico o entendimento de que descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade razão pela qual a decadência, neste caso, se dá pela aplicação do art. 173, I do CTN. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.001120/2009-28
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5913522
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.961
nome_arquivo_s : Decisao_16327001120200928.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 16327001120200928_5913522.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de aplicação da Lei n° 13.097, de 2015, apresentado em sede de contrarrazões do Contribuinte. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à PLR, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7443947
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050872708071424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 802 1 801 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001120/200928 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202006.961 – 2ª Turma Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes FAZENDA NACIONAL BTG PACTUAL CORRETORA DE MERCADORIAS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/2004, 01/07/2004 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, sendo possível a manutenção do lançamento mesmo nos casos em que a obrigação principal foi atingida pela decadência. É pacifico o entendimento de que descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade razão pela qual a decadência, neste caso, se dá pela aplicação do art. 173, I do CTN. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 20 /2 00 9- 28 Fl. 802DF CARF MF 2 tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de aplicação da Lei n° 13.097, de 2015, apresentado em sede de contrarrazões do Contribuinte. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à PLR, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração (Debcad 37.235.8063 AI 68) para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV, §3º da a Lei n. 8.212/91 com dados não correspondentes aos fatos geradores da totalidade das contribuições previdenciárias devidas no período. O presente Auto de Infração foi lavrado em 12/10/2009 e envolve infração referente às competências 01/2004 e 07/2004, a empresa foi cientificada em 29/10/2009. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 803 3 A cobrança da obrigação principal foi objeto do Processo nº 16327.00118/200959, cujo relatório do acórdão nº 2301003.728 traz os seguintes esclarecimentos sobre o lançamento: O processo teve início com o lançamento do Auto de Infração n° 37.235.8047, lavrado em 13/10/2009, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que não obedeciam os requisitos legais, no período de 01/2004 a 07/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 277.299,91, fls. 198. A autoridade fiscal relatou que a interessada pagou aos seus empregados valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que não obedeciam aos requisitos legais e , portanto, estavam abrangidos pelo conceito de remuneração e deviam compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Apontou que havia um acordo coletivo assinado por uma empresa do grupo (Banco BTG) que foi homologado pela recorrente e que havia outro acordo próprio. Em cada um deles apontou irregularidades em confronto com a legislação. O Acordo Coletivo havia sido assinado pelo Banco Pactual S/A e a reunião de cotistas da recorrente resolveu aprovar e ratificar o referido instrumento em 16/12/2004. Tal situação já revelava, seguindo a fiscalização, a pactuação unilateral e retroativa de tal acordo em confronto com os dispositivos legais. Não teria havido participação do sindicato, sendo este chamado a homologálo somente em 16/11/2004. Sobre tal acordo, entendeu a fiscalização que o Anexo II não trazia regras claras e objetivas, pois os critérios de avaliação não foram especificados, deixando a definição por conta da interessada. Não houve a comprovação do arquivamento do plano próprio na entidade sindical, tendo sido entregue apenas uma declaração datada de 13/07/2009 na qual o Sindicato alega que está arquivada naquela entidade o acordo assinado em 17/12/2003. A empresa não teria apresentado as fórmulas de avaliação nem nos moldes constantes do acordo. Segundo a fiscalização, as metas eram definidas pela diretoria e acionistas. Diante de tais constatações, a fiscalização considerou descumpridos os requisitos legais para fruição da isenção/imunidade e lavrou o corresponde auto de infração. Em sua peça de impugnação o Contribuinte suscita preliminar de decadência da cobrança da obrigação acessória pela aplicação conjunta da Súmula nº 08 do STF e art. 150, §4º do CTN, e no mérito defende a insubsistência da multa pela improcedência da obrigação Fl. 804DF CARF MF 4 principal e a inaplicabilidade ao caso das penalidades trazidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. O lançamento foi mantido pela Delegacia de julgamento. Contribuinte apresentou Recurso Voluntário por meio do qual reiterou suas alegações de defesa. A 3ª Câmara / 1ª Truma Ordinária deu provimento em parte ao recurso para i) aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico ao contribuinte, ii) afastar a decadência, entendo que se aplica às obrigações acessórias o art. 173, I do CTN, e quanto a PLR a) afastar a infração relativa a data de celebração do acordo, e manter a infração relativa a b) ausência de participação do sindicato, c) ausência de regras claras e objetivas, e d) ausência de critérios para aferição das metas. O acórdão nº 2301 003.730 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. A Lei nº 10.101/00 não estipula prazo para a assinatura dos acordos de PLR, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas, podendo o acordo ser formalizado no curso do ano em que se pretende apurar lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 804 5 O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES. Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei 10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra o acórdão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial alegando divergência jurisprudencial em relação aos seguintes pontos: i) aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e ii) requisitos de validade do PLR – data de assinatura do acordo. Intimando o contribuinte apresentou contrarrazões e também o seu próprio recurso especial. Em sede de contrarrazões é levantada i) preliminar de nulidade da intimação do recurso da Fazenda Nacional face a ausência de realização do respectivo despacho de admissibilidade. No que tange ao conhecimento afirma o contribuinte: ii) ter havido violação ao art. 67 do RICARF por ausência de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e aqueles indicados como paradigmas, iii) não existir interesse recursal quanto à divergência acerca da higidez da PLR sob o quesito da data da celebração do acordo e iv) serem insubsistentes os acórdãos paradigmas relativos à retroatividade benigna pela superação da tese por essa CSRF. O recurso especial do contribuinte devolve a este Colegiado as seguintes matérias: decadência da multa na forma como previsto no art. 150, §4º do CTN e prejudicial da Fl. 806DF CARF MF 6 multa cominada face à insubsistência das obrigações principais as quais foram integralmente extintas por decadência em decisão já transitada em julgado nos processos 16327.001118/200959 (acórdão 2301003.728) e 16327.001119/200901 (acórdão 2301 003.729). Seguindo o trâmite processual, quanto ao recurso do contribuinte, o despacho de admissibilidade foi juntado às fls. 739/747. Contra o recurso do contribuinte a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado. Em tempo e corrigindo o equívoco, às 759/770 foi realizada a admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional o qual foi integralmente conhecido. Novas contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte (fls. 776/792), oportunidade em que foram reiterados os pontos já trazidos na primeira peça e ainda foi formulado pedido de cancelamento da multa em razão da anistia instituída pelo art. 49 da Lei nº 13.097/15. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento do pedido de aplicação do art. 49 da Lei nº 13.097/2015 suscitado em sede de contrarrazões: Antes de iniciarmos a análise dos recursos, se faz necessária manifestação quanto ao conhecimento do pedido do contribuinte para aplicação da anistia trazida pelo art. 49 da Lei nº 13.097/2015. Argumenta o contribuinte que tratase de fato superveniente que cujas implicações, por serem mais benéficas, devem ser consideradas por este Colegiado. Citado dispositivo legal possui a seguinte redação: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Observamos que tratase de regra de anistia condicionada ao cumprimento de dois requisitos: ter sido a multa lançada até a publicação da lei e ainda que a irregularidade quanto a declaração tenha sido sanada até o mês subsequente a data prevista para a sua entrega. Temos assim um direito assegurado em lei e oponível à administração pública, ou seja, comprovando o contribuinte o cumprimento dos requisitos a multa deve ser relevada. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 805 7 Ocorre que não é este órgão julgador a autoridade competente para avaliar o cumprimento dos requisitos, primeiro porque é a Receita Federal o órgão que tem acesso às informações acessórias produzidas e enviadas pelos contribuintes e segundo porque nem mesmo foi apresentado pela recorrida provas que demonstram o cumprimento das condições. Assim, no caso concreto, deixo de conhecer do pedido formulado pela recorrente em sede de contrarrazões. Tratase de pedido que deve ser apresentado oportunamente à autoridade administrativa competente e o qual não depende de qualquer reconhecimento ou juízo de valor deste Colegiado, pois tratase de direito previsto em lei e assegurado a qualquer contribuinte que comprovar o cumprimento dos requisitos fixados. Do conhecimento dos Recursos: Ambos recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade e devem ser conhecidos. Entretanto, em respeito às considerações trazidas pelo contribuinte em sede de contrarrazões, fazemos alguns apontamentos. Na peça de contrarrazões o contribuinte requer o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional por ausência de cotejo analítico entre as decisões envolvidas, falta de interesse recursal no que tange ao cumprimento da PLR e superação de tese suscitada acerca da aplicação da retroatividade benigna da multa. Em que pesem os argumentos apresentados, entendo que não há reparos a serem feitos ao exame de admissibilidade. Inicialmente destaco que o conceito de 'cotejo análitico' é discussão superada neste Colegiado tendo sido firmado entendimento no sentido de que o recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessário a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e paradigma. Da simples leitura do recurso é possível notar que são feitos apontamos claros sobre as divergências devolvidas pela Fazenda Nacional. Quanto a aplicação da retroatividade benigna face as alterações promovidas pela MP 449 à Lei nº 8.212/91, citando as ementas dos julgados e ainda parte dos votos proferidos nos acórdãos paradigmas nº 20601.782 e 240100.127, a recorrente didaticamente resume a divergência da seguinte forma: Insta aqui consignar que a hipótese em análise nos acórdãos paradigmas é semelhante a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração no qual as condutas de não pagar e não declarar os valores devidos a titulo de contribuições sociais foram identificadas em decorrência da mesma ação fiscal. Naquelas ocorrências, consignouse que o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória Fl. 808DF CARF MF 8 relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91. Vêse, portanto, que a E. Câmara a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Em posicionamento diametralmente oposto, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e a Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Assim, o que temos em relação as multas aplicadas é que os acórdãos paradigma e recorrido foram proferidos após o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e nos dois se encontrava em julgamento o lançamento de contribuições relativas a fatos geradores anteriores a esse marco. Nessas ocasiões foi analisada a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91, considerando a existência de lançamento de multa de ofício e multa por descumprimento de obrigação acessória (AI 68), tendo os Colegiados chegado a entendimentos distintos. Em relação a esse tema também não compartilhamos do argumento de estarmos diante de tese superada que impediria o conhecimento do recurso, isso porque nos termos do art. 67, §12 do RICARF a matéria devolvida ainda pende de decisão vinculante deste Conselho e também do Poder Judiciário, inexiste súmula ou decisões terminativas sob a sistemática da Repercussão Geral ou Recursos Repetitivos. Quanto ao segundo ponto, cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000 no que tange a PLR paga pelo Contribuinte, a divergência também foi corretamente demonstrada pela Fazenda Nacional. Citando como paradigma o acórdão 240100.276 a recorrente esclarece: Procedendose ao cotejo analítico da divergência, verificase que o acórdão proferido nos presentes autos divergiu do acórdão acima citado. No caso dos autos, o colegiado entendeu que a formalização do acordo pode ser posterior ao início do período de apuração do lucro. Neste ponto, transcrevese o voto vencedor: ... Em sentido diametralmente oposto, foi o entendimento proferido no acórdão apontado como paradigma, segundo o qual restam descumpridos os requisitos legais para o pagamento a título de Participação dos Lucros e Resultados, diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. E segue afirmando a recorrente: Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 806 9 O cerne da questão cingese à discussão acerca do aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000. Isto é: acordo “prévio” a que? Devese considerar como adimplido mencionado requisito, quando observado anteriormente ao exercício de apuração do lucro ou resultado, como bem esclareceu o trecho retirado do acórdão paradigma. Entender como no julgado proferido nos presentes autos é conceder à legislação de regência interpretação teratológica, pois distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, nos termos do art. 2° da Lei 10.101/2000, descritas em convenção ou acordo coletivo, formalizado previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. ... Diferentemente do decidido no acórdão recorrido, o julgado paradigma assinalou que não basta o prévio debate das regras e metas, sendo necessária a formalização da negociação em instrumento próprio, anteriormente ao período de apuração. Assim, a partir da análise conjunta do recurso com as razões de decidir do acórdão recorrido e paradigma, salta aos olhos a divergência entre a interpretação dada pelos Colegiados ao art. 2º da Lei nº 10.101/00 no que tange ao momento da assinatura do acordo que veicula as regras de Participação de Lucros e Resultados para fins de incidência da exceção constante do art. 28, §9º, 'j' da Lei nº 8.212/91. Por fim, resta enfrentar o pedido de não conhecimento desta última matéria em razão da ausência de interesse recursal. Defendendo o acerto da decisão recorrida no que tange a higidez da PLR sob o quesito da data de celebração do acordo, esclarece o contribuinte que esta não foi a única motivação para a descaracterização da PLR e o lançamento dos valores objeto das obrigações principais e acessória. Neste cenário, considerando que a Turma a quo acatou as demais alegações fiscais de ausência de participação do sindicato, de regras claras e objetivas e ausência de critérios para aferição das metas, haveria evidente falta de interesse (necessidade/utilidade) na reversão do entendimento firmado quanto à data de celebração do acordo, eis que eventual reforma do acórdão nesse sentido não promoveria qualquer impacto na decisão proferida. Os processualistas Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha (in Curso de Direito Processual Civil, V. 3 3ª ed.), esclarecem que para que o recurso seja admissível, é preciso que haja utilidade o recorrente deve esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada e necessidade que lhe seja preciso usar as vias recursais para alcançar este objetivo. Fl. 810DF CARF MF 10 Sob este prisma, seria pertinente pensar em ausência de interesse recursal se estivéssemos diante de ação judicial ou se o recurso tivesse sido interposto pelo contribuinte. Explico. Uma das características do processo tributário administrativo é fazer coisa julgada favorável ao contribuinte, ou seja, o êxito da sua tese nos tribunais administrativos impede que a Fazenda Pública recorra ao Poder Judiciário para tentar alterar o resultado do julgamento. Assim, se considerássemos esse recurso sob a ótica do contribuinte, não haveria qualquer interesse na interposição de Recurso Especial para discutir um dos motivos de descaracterização de PLR, sem recorrer dos demais, pois o lançamento permaneceria válido. Insatisfeito, porém, não haveria qualquer impedimento para o contribuinte devolver toda a matéria em uma eventual discussão judicial, inclusive a parte que lhe tenha sido favorável. Ao contrário, no presente caso e considerando o prazo recursal da Fazenda Nacional, mesmo que o lançamento tenha sido mantido pelas razões A e B, permanece o interesse recursal na medida em que pode ocorrer do contribuinte conseguir reverter a decisão em segunda instância e, ainda que mantido o lançamento com essas razões, o interesse se mantém, caso contrário em uma eventual discussão judicial interposta pelo contribuinte a Fazenda Pública não mais poderia sustentar a invalidade da PLR com base na razão C derrubada pelo tribunal administrativo. Assim, diante do exposto, nos termos do art. 67 e 68 do RICARF e ratificando o respectivos despachos de admissibilidade, conheço dos recursos. Do mérito: Diante da relação de cause e efeito, inicio a análise pelo Recurso Especial do Contribuinte. Do recurso do Contribuinte O recurso do Contribuinte se limita a tese de que o lançamento da obrigação acessória deveria seguir o mesmo desfecho dado pelo Colegiado a quo aos lançamentos das obrigações principais, pedese o cancelamento da multa lançada haja vista estar o débito da obrigação principal extinto pela decadência. Em que pesem os argumentos da defesa entendo que não merece retoque a decisão recorrida. A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar de em sua maioria estarem relacionadas ao dever de pagar um tributo, dessas são distintas e autônomas: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 807 11 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O entendimento acima é reforçado em razão do Código Tributário Nacional ainda nos trazer, expressamente, regras distintas para os respectivos fatos geradores. Me refiro aos artigos 114 e 115 com as seguintes redações: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Assim, é sedimentado o entendimento de que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias será sempre aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da decadência, em algum momento a obrigação principal era devida e por não ter sido adimplida gerou o lançamento de ofício, tanto com relação ao tributo quanto pelo respectivo descumprimento do dever instrumental. Descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício da penalidade não sendo relevante, neste caso, debater sobre o fato de ter havido pagamento parcial ou integral da obrigação principal. Pela pertinência, cito parte do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade e importância das informações prestadas em GFIP: Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, §4º, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício. Essa mesma autonomia que nos leva a aplicação de regras distintas de decadência entre as obrigações principais e acessórias, também nos impede de acolher a tese do contribuinte de cancelamento da multa em razão da improcedência (decadência) da obrigação principal. Vale relembrar, mais uma vez, que contra o contribuinte foram lavrados na mesma ação fiscal três lançamentos. Nos processos de 16324.001118/200959 e 13627.001119/200901 foram discutidos as obrigações principais relativas à cobrança de contribuição previdência incidente sobre valores de PLR pagos a funcionários e tidos pelo fiscal como salário indireto pelo descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000. No Fl. 812DF CARF MF 12 presente processo discutimos a respectiva obrigação acessória decorrente do fato de o contribuinte não ter informado em GFIP a totalidade dos valores devidos. Os lançamentos principais foram declarados integralmente decadentes por força do art. 150, §1º do CTN, não tendo havido manifestação de mérito do Colegiado quanto aos vícios que motivaram a descaracterização da PLR. Em contrapartida, diante do entendimento da turma a quo e ainda considerado o julgamento em conjunto dos processos na sessão de 18 de setembro de 2013, tais vícios foram devidamente analisados e julgados no presente caso. Por meio do acórdão nº 2301003.730, a turma a quo analisando o teor da PLR entendeu pela violação à Lei nº 10.101/2000 nos seguintes pontos: ausência de participação sindical, ausência de regras claras e objetivas e ausência de critérios para aferição das metas. Intimado da decisão o Contribuinte apresentou recurso especial o qual não traz qualquer insurgência contra as conclusões acerca da invalidade do PLR. Assim, entendo pelo trânsito em julgado do acórdão nº 2301003.730 neste ponto. Assim, mesmo havendo uma relação direta entre o lançamento da obrigação principal e a multa pelo descumprimento do dever instrumental, considerando a matéria que foi devolvida e a cognição restrita dos Recursos Especiais de Divergência, o que temos é uma decisão de mérito no presente processo quanto a procedência do lançamento haja vista o entendimento pela invalidade da PLR distribuída aos empregados do contribuinte, entendimento não invalidado pela declaração da decadência das obrigações principais. Diante do exposto, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Do Recurso da Fazenda Nacional A primeira matéria diz respeito ao cumprimento da Lei nº 10.101/2000 no que tange a data da assinatura do Programa de Participação nos Lucros e Resultados para fins de incidência da regra excepcional do art. 28, §9º, 'j' da Lei nº 8.212/91. E, neste ponto, embora compartilhe do entendimento externado pelo Redator do voto vencedor, para o qual a norma trazida pela Lei nº 10.101/2000 não fixa data para assinatura do acordos, no caso concreto diante da ausência de evidências de serem normas previamente conhecidas deve o acórdão ser reformado neste ponto. O direito do trabalhador à participação nos lucros e resultados da empresa está previsto no art. 7º, XI da Constituição Federal que expressamente afasta tais verbas do conceito de remuneração, condicionado no entanto tal classificação aos requisitos de lei específica. No entender do Supremo Tribunal Federal temos uma norma constitucional de eficácia limitada, e que nos casos de relação de emprego, somente a partir da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994, convertida posteriormente na Lei nº 10.101/00, passouse a admitir exclusão de tais verbas do conceito de salário de contribuição nos termos do art. 28, §9º, j da Lei nº 8.212/91. Importante ter em mente que o objetivo primordial da PLR é a integração entre o capital e trabalho, permitindo que o empregado participe do resultado da atividade econômica da empresa. Tanto é assim que a Lei 10.101/00, nos dizeres de Alessandro Mendes Cardoso (2017: Estudos de Custeio Previdenciário, p. 22), "foi bastante sucinta ao regulamentar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no claro intuito de permitir que as partes, respeitados certos parâmetros, tenham liberdade de definir o plano mais compatível Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 808 13 com sua realidade e os seus interesses". Essa liberdade negocial foi recentemente reconhecida com as alterações promovidas na CLT pela Reforma Trabalhista valendo citar a redação do art. 611A o qual prevê que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre participação nos lucros ou resultados da empresa. Assim, partindose da premissa de que a PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, somente nos casos em que restar demonstrado abuso que leve a sua descaracterização, será possível admitir a incidência da Contribuição Previdenciária. A Lei 10.101/2000, no meu entender, possui como objetivo defender os interesses do empregado no que tange a negociação do plano de PLR, tanto é assim que em alguns casos trazem imposições que devem ser observadas. É o caso da vedação para formalização de acordo mediante instituição de regras unilaterais; o acordo deve trazer regras claras e objetivas pactuada livremente pelas partes já que os incisos do §1º do art. 2º são meras sugestões. Considerando que o objeto da PLR é exatamente a integração entre capital e trabalho e considerando que para tanto sua função é incentivar os colaboradores a comprometerse cada vez mais com os objetivos da empresa gerando melhores resultados, é decorrência lógica o raciocínio de que as regras devem ser conhecidas previamente entre as partes. A Lei 10.101/2000, no entanto, não traz qual o prazo para fixação dessas regras. Entretanto, devemos lembrar que o citado §1º define que além das regras claras, os instrumentos decorrentes da negociação deverão trazer mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Esse importante requisito material do Plano de PLR viabiliza que o empregado acompanhe a concretização do acordo e tenha condições de avaliar se terá direito à PLR e em qual montante. Diante disso, considerando a ausência de previsão normativa da lei regulamentadora quanto ao aspecto temporal, e para não restringir direito previsto constitucionalmente, nos parece razoável aceitar como válido plano assinado até a data do pagamento das respectivas parcelas, desde que haja nos autos comprovação do início das negociações e ainda que as regras eram de conhecimento das partes, ainda que não formalizadas como ocorre na repetição de planos padrões ao longo dos anos. Até o pagamento, nestas circunstâncias, o empregado poderá questionar os critérios eleitos e eventualmente solicitar a revisão do plano. No entanto, dentro dos limites da lide, não foram juntados a este processo quaisquer provas no sentido de que as regras eram de conhecimento prévio dos empregados, viabilizando a realização do objetivo perseguido pelo instituto de promover a integração entre o capital e trabalho. Assim, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para reformar o acórdão recorrido entendendo pela violação à Lei nº 10.101/2000 no que tange a data da assinatura do acordo de PLR. Destaco que o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de que a Lei nº 10.101/2000 exige que a assinatura do Programa de Participação nos Lucros e Resultados se dê em data anterior ao respectivo período aquisitivo Fl. 814DF CARF MF 14 Por fim, quanto a retroatividade benigna relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo, devemos esclarecer que o acórdão recorrido, embora tenha adotado outras razões de decidir, concluiu pela exata aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. A conclusão do Relator foi no seguinte sentido: As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; Ora, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 809 15 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 816DF CARF MF 16 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 810 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 818DF CARF MF 18 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 811 19 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 820DF CARF MF 20 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Considerando a decadência das obrigações principais, inexiste a cobrança da respectiva multa, assim, nos termos da conclusão do acórdão recorrido, ao caso devese aplicar para fins do art. 106, II, 'c' do CTN a comparação entre as multas por infrações anteriormente previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, na nova redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Conclusão: Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do contribuinte e dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reformar a decisão recorrida entendendo que o acordo de PLR violou a Lei nº 10.101/2000 no quesito data da assinatura. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o voto da relatora peço vênia para discordar quanto ao ponto que fundamenta seu voto a favor da Fazenda Nacional. O caso dos autos discute a questão de pacto prévio em razão da falta de comprovação que este tenha sido de conhecimento prévio das partes, para que então possa se afirmar que as regras constantes do acordo de PLR restaram claras e objetivas aos trabalhadores. Pois bem, para discutir sobre o tema necessário se faz discorrer brevemente a respeito da legislação que rege a matéria, bem como sobre os posicionamentos deste tribunal sobre o tema. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 812 21 III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 822DF CARF MF 22 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, a inexistência de pacto prévio anterior ao pagamento da PLR. Neste Tribunal Administrativo existem várias correntes de pensamento a respeito do que seria a expressão ‘pacto prévio’ prevista em na Lei. Recentes estudos demonstram que a jurisprudência desta Corte, observada de 2010 até 2016, já se dividiu em quatro posicionamentos distintos a respeito do momento da assinatura do acordo (i) necessidade de assinatura antes do início do exercício relativo ao cumprimento das metas; (ii) possibilidade de assinatura no exercício seguinte ao cumprimento das metas, em razão de a Lei n. 10.101/00 não trazer “limite temporal para a celebração dos acordos” e, consequentemente, pela impossibilidade de assinatura no exercício seguinte em razão de não haver incentivo à produtividade, com precedente da CSRF; Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 813 23 (iii) possibilidade de assinatura até período em que possa vislumbrar um incentivo à produtividade, mas não necessariamente até o fim do período a que se refere; e (iv) possibilidade até antes do pagamento da PLR, havendo também precedente da CSRF nesse sentido. Para a Fazenda Nacional vige o entendimento de que a data de assinatura do acordo – posterior ao início do período de apuração do PLR – retira da verba uma característica essencial à recompensa pelo esforço feito para alcance de metas. Contudo, discordo frontalmente deste entendimento, por compreender que ele desconfigura a real intenção do poder Legislativo na adoção da PLR. A relação globalizada entre os países, as trocas mercantis, a participação do Brasil nos mercados externos contribuiu para a adoção da PLR no Brasil, a fim de tornar o Brasil competitivo no mercado externo, bem como trazer um incentivo aos seus empregados e trabalhadores, a fim de que esta produtividade trouxesse lucro e participação para aqueles que se encontram na base da pirâmide, no plano da força de trabalho. Exigir algo que a Lei não exigiu consiste em criar regras mais gravosas que aquelas que foram elaboradas pelo Congresso, fugindo assim do real objetivo da norma legal. Hoje não se fala mais no positivismo exacerbado, mas a norma ainda é a matriz, o ponto de partida de onde se retira o Direito. Sendo assim, a meu ver a PLR pode ser assinada até a data do efetivo pagamento realizado aos trabalhadores, pois a Lei não impôs limite temporal para a celebração dos acordos, isso ocorre por que, é notório que um conjunto de fatores de ordem burocrática, são conjugados até a finalização destes acordos. O acórdão recorrido, no entanto, ressaltou a necessidade de pacto prévio ao período aquisitivo do direito. Por mera construção jurídica exige que o contrato seja assinado, não apenas antes do pagamento como prevê a norma, mas também antes do exercício do período para o qual o acordo é valido, como forma de comprovação de que a meta era clara e objetiva. Tal argumento exacerba a competência deste Conselho que não pode criar requisitos mais gravosos do aquele imposto pela lei. No caso dos autos, não há que se falar em ofensa, isso por que basta que a data de assinatura do contrato seja anterior a data do pagamento, ou se posterior, isso seja em período razoável com a comprovação de que os contratos eram reiterados, o que pressupõe o conhecimento das normas pelos trabalhadores ao longo dos anos. Pensar diferente significaria, repito, criar um requisito temporal não existente na lei, o qual não poderia ser imposto ao Contribuinte, quanto menos poderia este ser penalizado com base numa regra não positivada. Quanto a alegação de que a falta de assinatura prévia corrompe a ideia de que o trabalhador deve ter conhecimento das regras que devem ser claras e objetivas, a respeito da PLR, não há qualquer razão de ser. Fl. 824DF CARF MF 24 Observese, que para saber se há conhecimento das regras, se estas são claras e objetivas, basta que se observe as negociações entre a empresa e seus empregados, as quais serão realizadas, ou por comissões paritárias, com participação de empregados e sindicato, ou ainda, por meio de convenções ou acordos coletivos, dentro das formalidades já conhecidas. Quando se chega a assinatura do acordo, este já foi deveras vezes debatido e negociado pelas partes, todos capazes, assim definidos pela Lei. Diante do exposto voto por conhecer e negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 825DF CARF MF
score : 1.0
