Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 36624.000814/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 31/12/2005
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN. Incidência da Sumula CARF 99.
ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento.
MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos.
BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO EM BENEFÍCIO DOS TRABALHADORES E SEUS DEPENDENTES. VERBA QUE NÃO POSSUI CARÁTER SALARIAL. Tendo em vista que a concessão de bolsas de estudos não pode ser considerada como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, o lançamento há de ser julgado como improcedente. Ademais, quanto aos dependentes, a partir da edição da Lei 12.513/11, o art. 28, §9o, alínea t da Lei 8.212/91, passou a contemplá-los como beneficiários da concessão de bolsa para fins da não incidência das contribuições previdenciárias.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento todos as contribuições até 09/2000, face a aplicação da decadência qüinqüenal, c) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições patronais e a destinada a terceiros. II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso em relação a contribuição de segurados, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento nessa parte.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2000 a 31/12/2005 ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN. Incidência da Sumula CARF 99. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento. MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos. BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO EM BENEFÍCIO DOS TRABALHADORES E SEUS DEPENDENTES. VERBA QUE NÃO POSSUI CARÁTER SALARIAL. Tendo em vista que a concessão de bolsas de estudos não pode ser considerada como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, o lançamento há de ser julgado como improcedente. Ademais, quanto aos dependentes, a partir da edição da Lei 12.513/11, o art. 28, §9o, alínea t da Lei 8.212/91, passou a contemplá-los como beneficiários da concessão de bolsa para fins da não incidência das contribuições previdenciárias. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 36624.000814/2007-39
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474288
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.876
nome_arquivo_s : Decisao_36624000814200739.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 36624000814200739_5474288.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento todos as contribuições até 09/2000, face a aplicação da decadência qüinqüenal, c) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições patronais e a destinada a terceiros. II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso em relação a contribuição de segurados, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento nessa parte. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5960322
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890553733120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.078 1 2.077 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.000814/200739 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401003.876 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria ISENÇÃO Recorrentes ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 31/12/2005 ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN. Incidência da Sumula CARF 99. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento. MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos. BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO EM BENEFÍCIO DOS TRABALHADORES E SEUS DEPENDENTES. VERBA QUE NÃO POSSUI CARÁTER SALARIAL. Tendo em vista que a concessão de bolsas de estudos não pode ser considerada como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 14 /2 00 7- 39 Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 2 efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, o lançamento há de ser julgado como improcedente. Ademais, quanto aos dependentes, a partir da edição da Lei 12.513/11, o art. 28, §9o, alínea “t” da Lei 8.212/91, passou a contemplálos como beneficiários da concessão de bolsa para fins da não incidência das contribuições previdenciárias. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento todos as contribuições até 09/2000, face a aplicação da decadência qüinqüenal, c) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições patronais e a destinada a terceiros. II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso em relação a contribuição de segurados, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento nessa parte. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.079 3 Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício, interpostos, respectivamente, por ISCP – SOCIEDADE EDUCACIONAL AS e FAZENDA NACIONAL, em face do v. acórdão de fls., que manteve parcialmente a NFLD N°. 37.014.234.9, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos empregados, da empresa, destinadas ao financiamento do GILRAT e a terceiros. Consta do relatório fiscal de fls. que o lançamento fora realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n°. 01/2005, emitido em desfavor da recorrente em 23/03/2005, nos autos do processo n. 35462.002444/200469. Referido Ato Cancelatório cassou a isenção que usufruía a contribuinte desde 01/1998, por descumprimento do requisito constante no inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. Além disso, também informou o ilustre fiscal autuante que o crédito tributário lançados encontrase com a exigibilidade suspensa em virtude de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n°. 10.510DF, pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, suspendendo o ato do Sr. Ministro de Estado do Previdência Social, que cancelava o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, para o período. Foram considerados como fatos geradores da presente apuração remuneração indireta paga aos segurados empregados a título de bolsas de estudo dissídio coletivo e bolsas de estudo FUNADESP, não consideradas pela empresa base de cálculo para as contribuições previdenciárias. O lançamento compreende as competências de 01/98, 09/2000 e 09/2003 a 12/2005, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006 (fls. 01). Fora determinada a realização de diligência para que a fiscalização pormenorizasse, em ordem cronológica de acontecimentos, os fatos que deram ensejo ao lançamento. Em cumprimento assim apontou a fiscalização a ordem cronológica dos fatos que ensejaram o presente lançamento: 3.1 O primeiro Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (antiga denominação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS), obtido pelo Instituto Superior de Comunicação Publicitária ISCP, atual ISCP Sociedade Educacional S.A., manteve sua validade de 07/07/81 a 31/12/94. 3.2 A Resolução CNAS n 0 . 086/97 deferiu a renovação do primeiro certificado assegurandolhe a validade para o período de 01/01/95 a 31/12/97. 3.3 Em 05/01/1998, nos autos do Processo n°. 35462.000002/98 51, aentidade requereu o direito de isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 4 assim como das exigidas pela Lei Complementar n°. 84, de 18/01/1996. 3.4 Em 08/10/1998 a entidade teve seu pedido deferido, estando dispensada das referidas contribuições a partir de 01/01/1998, resguardado o direito do INSS de periodicamente verificar se a entidade continuava atendendo aos requisitos legais da Lei n°. 8.212/91, 3.5 A instituição não era portadora do CEAS no período de 01/01/98 a 16/09/2000 uma vez que o novo certificado só lhe foi concedido pelaResolução CNAS n0 . 181/2002. publicado no DOU de 16/12/2002, comvalidade de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.6 O Parecer MPS/CJ n 3.347/2004, publicado no DOU de 24/11/2004, deu provimento ao recurso interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no sentido de cancelar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pela Resolução CNAS n 0 .181/2002, de 10/12/2002, DOU de 16/12/2002, o que significa que a instituição deixou de ser portadora do CEAS também no período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.7 Com base no § 2 0 do art. 11 da Medida Provisória n. 213 de 10/09/2004, em novembro/2004 a instituição protocolou pedido de adesão ao PROUNI. 3.8 A Resolução CNAS n 49/2005 de 17/03/2005, DOU de 30/03/2005, restabeleceu o CEAS da entidade para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003, com base no artigo 11, § 2 0 da Lei n. 11.096 de 13/01/2005. 3.9 A partir de 18/09/2003 não foi expedido nenhum CEAS para a entidade. 3.10 Em 23/03/2005 foi emitido o Ato Cancelatório n 01/2005 declarando cancelada a isenção das contribuições sociais, a partir de 01/01/98, por infração ao inciso II do art. 55 da Lei no. 8.212/91, combinado com o art. 206, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3.11 Posteriormente à emissão do Ato Cancelatório a entidade impetrou Mandado de Segurança no Superior Tribunal de Justiça, contra o ato doSenhor Ministro de Estado da Previdência Social que havia cancelado o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (MS n 10.510/DF 2005/00429090). Na referida ação judicial, em 28/03/2005, foi concedida liminar à Impetrante; suspendendo os efeitos do ato ministerial, razão pela qual a instituição teve a validade de seu certificado restabelecida, compreendendo o período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.12 Em 06/10/2005 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n°. 0926776700, para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, das contribuições por lei devidas a terceiros e dos requisitos de regularidade quanto à manutenção da isenção, período de janeiro/2000 a Agosto/2005. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.080 5 3.13 Durante a ação fiscal, foi detectado pelo contencioso que o período de 01/1998 a 16/09/2000 não está contido na liminar (MS n 10.510/DF, 2005/00429090). Assim, foi determinado o levantamento da cota patronal e a glosa da restituição efetuada no PT n°. 36624.005141/200192, com base no Ato Cancelatório n°. 01/2005, de23/03/2005, respeitando a suspensão de exigibilidade por força da medida judicial acima citada. 3.14 Em 26/1012006 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n°. 09267767C07, estendendo o período de apuração, de 01/2000 a 0812005, para janeiro/1998 a dezembro/2005. 3.15 Durante o procedimento fiscal foi constatado que a instituição não cumpridos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Foi emitida uma Informação Fiscal sugerindo o cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias, o que deu origem ao Processo 44023.0001411200714 (cópia anexa). Sobre os fatos geradores, o relatório fiscal complementar apontou o seguinte: 7.1. “Bolsas de Estudo Dissídio CoIetivo"} concedidas aos funcionários e a filhos de funcionários, por força de Acordo Sindical, assumindo cunho trabalhista de natureza salarial, (saláriouülidade). 7.1.1. A empresa não atendeu à solicitação para identificar os beneficiários das “bolsas de estudo dissídio coletivo”, empregados e seus respectivos dependentes legais, uma das razões pelas quais foi lavrado o auto de infração AI 37.065.6318 (Código de Fundamentaáo Legal 38). 7.2. “Bolsas de Estudo FUNADE$P" (Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular), concedidas a funcionários pertencentes ao corpo docente e/ou administrativo. A entidade alega tratarse de “capacitação profissional”, porém, em nenhum momento da ação fiscal apresentou elementos (pesquisas, estudos, teses, publicações, etc.) que corroborassem o disposto nas cláusulas la a 33 do Termo de Convênio com a FUNADESP e nos itens 2 e 3 do “Termo de Compromisso do Bolsista”. (vide doc. Fls. 285 a 290 e fls. 333 a 398). . 7.3. Assim, diante dos fatos acima narrados, em ambos os casos, ficou caracterizada a remuneração indireta, não incluída, portanto, na hipótese de exclusão prevista no § 9°, alínea "t", do art. 28 da Lei 8.212/91. Intimada, a recorrente não se manifestou quanto resultado da diligência, mas apenas reiterou os argumentos de impugnação e requereu a aplicação da Súmula 08 e o art. 150, 4o do CTN ao caso. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 6 Sobreveio, então o julgamento de primeira instância, quando foram excluídos do lançamento as contribuições relativas às competências de 01/98 e 09/2000 em razão do reconhecimento da decadência com base no art. 173, I, do CTN. Em seu recurso, a contribuinte sustenta ser indevida a expedição do Ato Cancelatório 01/2005, pois o suposto descumprimento do inciso II, do artigo 55, da Lei n. ° 8.212/91, teria ocorrido no período de 1998 a 2000 e a fazenda visa a cobrança de débitos tributários com fatos geradores de 2000 a 2003. Acresce que o Ato Cancelatório é genérico, pois não aponta o período do descumprimento da exigência legal tida por inobservada. Diante do ato ilegal praticado pelo Ministro de Estado da Previdência Social, qual seja o cancelamento do CEAS que resultou na expedição do Ato Cancelatório 01/2005, o recorrente impetrou mandado de segurança com pedido de medida liminar, MS n.° 10.510DF, em 22 de março de 2005, tendo em vista que o ISCP não necessitaria renovar trienalmente seu certificado, ao fazer jus ao direito adquirido, sendo que tal procedimento era efetivadoapenas por cautela. Que teve o restabelecimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095), não havendo que se falar em ausência do descumprimento do requisito legal constante no relatório fiscal da infração. Aduz que entendimento do v. acórdão de primeira instância, no sentido de que o restabelecimento do CEAS para o período do lançamento fiscal em comento: 18/09/2000 até 17/09/2003 somente teria eficácia a partir da legislação que instituiu o referido Programa é absurdo e merece ser reformado, pois, se assim fosse, não haveria qualquer benesse para as empresas que aderissem ao programa, na medida em que não se pode requerer renovações de certificados que foram ANTERIORMENTE indeferidos, se os mesmos somente teriam eficácia após vigência da Lei do PROUNI. Que além do deferimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, teve também deferido a seu favor o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) para o período em razão da Medida Provisória n.° 446, de 2008. Que a Lei n.° 12.101 de 2009 editou lei tributária mais benéfica, que impõe expressamente que o direito a isenção/imunidade a contribuições sociais (artigo 195, §7º, da Constituição da República) , quando suspenso ou cancelado em razão de descumprimento da legislação, deve ter como data inicial o da infração, além de demonstrar o período (competências) em que tal infração ocorreu, não podendo ser descrito de forma genérica, conforme ocorreu no presente caso. Consoante exaustivamente demonstrado em sua impugnação, em estrito cumprimento às legislações pertinentes, o recorrente cumpriu com todos os requisitos exigidos para fazer jus à imunidade às contribuições sociais, possuindo direito adquirido à fruição da isenção. Que foi expedido em seu favor Ato Declaratório de Isenção, quando foi devidamente reconhecida como entidade imune às contribuições sociais, pelo próprio INSS, em 8 de outubro de 1998, declarando que o ISCP cumpriu integralmente com as condições do artigo 55, da Lei n.° 8.212, de 1991, estando dispensada das referidas contribuições, a partir de 01/98. Equivocouse, portanto, a Douta Delegacia de Julgamento ao afirmar nos lançamentos Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.081 7 fiscais que no período de 01/01/98 a 16/09/2000 não possuía o recorrente o certificado, vez que o próprio então INSS, nesse período, emitiu ato declaratório de isenção em seu favor. Que o Ato Cancelatório n.° 01/2007 trata de matéria diversa daquela objeto do presente processo, não podendo ser considerado como fundamento apto a determinar a cassação de sua isenção. Que os efeitos dos Atos Cancelatórios não podem retroagir a fatos geradores passados, mas apenas a partir da data em que são emitidos. Que o MS impetrado junto ao STJ ainda não transitou em julgado, de modo que ante a inexistência de decisão definitiva, não há que se falar na possibilidade de adoção dos fundamentos ali tomados como razões de decidir para manter o lançamento. Além disso, sustenta que as bolsas de estudo concedidas a seus funcionários e os seus dependentes não possuem caráter remuneratório, se tratando de obrigação legal decorrente de convenção de trabalho, bem como consoante reiterada jurisprudência do STJ sobre o tema e a própria CLT. Por fim, pretende o reconhecimento da decadência do lançamento com base no art. 150, 4o do CTN. É o relatório. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 8 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tendo em vista que o julgamento de primeira instância exonerou a recorrente do pagamento de crédito tributário contra si lançado em valores superiores a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), tenho como preenchidos os requisitos da Portaria MF 03/08, motivo pelo qual conheço do recurso de ofício. E, tempestivo o voluntário, dele também conheço. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício, neste caso, possui duas vertentes objeto de análise. A primeira com relação à decadência e a segunda, com relação às correções das bases de cálculo do lançamento, levadas a efeito pelo fiscal. Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.082 9 Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. E, no caso dos autos, o acórdão de primeira instância vislumbrou que não foram considerados pagamentos, a partir da análise do DAD – Discriminativo Analítico do Débito, de modo que, em seu entendimento, em não havendo pagamentos, fora determinada a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN. Por fim, verifico que o v. acórdão de primeira instância levou a efeito as necessárias correções no que se refere às bases de cálculo em conformidade com os apontamentos nas planilhas trazidas aos autos juntamente com o relatório complementar. Logo, por tais motivos, tenho que o recurso de ofício não merece provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Decadência Por outro lado, a parte interessada aponta a existência de pagamentos, o que confirmo a partir da verificação do TEAF, onde foram apropriadas guias de pagamento. A propósito, cito jurisprudência deste conselho que ampara tal entendimento: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 10 publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, verificados no relatório termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF. Embargos Rejeitados. (Acórdão 2403001.890, Rel. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Sessão de 20/02/2013) No entanto, no presente caso, seja pela regra do art. 150, §4o ou do art. 173, I, ambos do CTN, fato é que, a decadência somente alcança as contribuições lançadas até a competência 09/2000, sendo, pois, declarados extintos tais valores. Nulidade do Lançamento Refiscalização Na oportunidade da sustentação oral, o patrono da recorrente argüiu a nulidade do lançamento em razão de que, diante das determinações da DRJ quanto aos motivos que ensejaram o lançamento, em verdade houve a formalização de novo lançamento e não a mera complementação do relatório fiscal original. E trouxe tal matéria, sob o argumento de tratarse de matéria de ordem pública, que poderia ser enfrentada por este colegiado, mesmo sem ter sido argüida no recurso. Todavia, sem qualquer manifestação acerca do pedido formulado, seja mesmo quanto a se tratar de matéria de ordem pública, valhome nesta oportunidade do disposto no art. 59, §3o do Decreto 70.235/72, a seguir, por entender que o mérito do recurso voluntário deve ser julgado em favor da recorrente. Confirase: Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Dessa forma, passo ao mérito. MÉRITO Logo, da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.083 11 Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Dessa forma, passo a analisar os demais fundamentos de recurso. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. Vejamos o que constava em referido Ato Declaratório: DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 811, artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 011 0111998, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212, de, 24 de Julho de 1991 concedida à entidade Instituto Superior de Comunicação Publicitária, acima identificada, por infração ao inciso II do artigo 55 da Lei n.° 8.212, de 1991, combinado com o artigo 206, inciso III do RPS, consoante o § 3 0 do artigo 313 da Instrução Normativa INSS/DC n.° 100/2003. São Paulo, 23 de Março de 2005 E assim preceitua o dispositivo legal cujo requisito não fora observado pela recorrente: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 12 atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). [...] II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). Defende, sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). E assim dispõe referido artigo de Lei: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3oe no inciso II do caput e §§ 1oe 2odo art. 7odesta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: III gozar do benefício previsto no § 3odo art. 7odesta Lei. [...] § 2oAs entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata oart. 55 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991. § 3oO Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória no 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.084 13 gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: 3.7 Com base no § 2o do art. 11 da Medida Provisória n. 213 de 10/09/2004, em novembro/2004 a instituição protocolou pedido de adesão ao PROUNI. 3.8 A Resolução CNAS n 49/2005 de 17/03/2005, DOU de 30/03/2005, restabeleceu o CEAS da entidade para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003, com base no artigo 11, § 2o da Lei n. 11.096 de 13/01/2005. Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: CERTIFICAMOS que a entidade protocolou pedido de renovação do CEAS peio processo 71010.0009351200376, formalizado ern 15/09/2003, o qual aguarda análise. CERTIFICAMOS finalmente que a entidade requereu novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, pelo processo 71010.0004371200595, com adesão a Lei do PROUNI, a qual foi Deferido, pela Resolução n° 49/2005 de .17/03/05, DOU 30/03/2005 . ficando a validade assegurada de 18/09/2000 a 17/09/2003.///////////////////////////////////////ESTA CERTIDÃO E VALIDA POR SEIS MESES A PARTIR DA DATA DE SUA EXPEDIÇÃO Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. Da renovação do certificado no período de 2003 a 2006. Outro ponto que necessariamente deve ser analisado por esta Turma referese aos argumentos da recorrente no sentido de que também era possuidora do CEAS válido para o triênio posterior ao período de 09/2003. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 14 E justifica sua afirmação em razão de que o certificado antes concedido fora renovado, em tal caso, pela Medida Provisória n.° 446 de 07 de novembro de 2008. Mister elucidar que sobre o assunto o art. 39 da Medida Provisória 446 de 2008 assim preceituava: Art.39. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos pelo CNAS, que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Assim, todos os pedidos de renovação do CEAS protocolados e que ainda estavam pendentes de análise foram considerados como automaticamente deferidos quando da publicação de referida medida provisória. E diante de tal preceito legal, aponta a recorrente que em fevereiro de 2009 fora publicada a Resolução CNAS n. 11/09, deferindolhe a renovação do CEAS para o período de 09/2003 a 09/2006, cujo teor segue transcrito: RESOLUÇÃO N.° 11, DE 9 DE FEVEREIRO DE 2009 Publica os DEFERIMENTOS dos pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social das entidades abaixo relacionadas, na forma do art. 39 da Medida Provisória n' 446, de 7 de novembro de 2008. 0 CONSELHO NACIONAL DE ASSISTENCIA SOCIAL, no uso da competência que lhe confere o artigo 18 da Lei n.'8.742, de 07 de dezembro de 1993 Lei Orgânica de Assistência Social LOAS e, CONSIDERANDO a Medida Provisória n.' 446, de 7 de novembro de 2008 que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, publicada no Diário Oficial da União em 10 de novembro de 2008; CONSIDERANDO o Parecer da C71MDS n.° 1.76512008 e relato do Grupo de Trabalho de Transição Gerencial instituído pela Resolução CNAS n.° 7912008, que trataram de procedimentos a serem adotados em relação às disposições transitórias dos artigos 36, 37, 38 e 39 da Medida Provisória n.' 44612008, aprovados em Reunião Plenária realizada nos dias 10 e 11 de dezembro de 2008; CONSIDERANDO a orientação da Comissão de Normas aprovada pela Plenária do CNAS em Reunião dias 30 e 11 de dezembro de 2008, adota as providências observando a ordem dos processos. RESOLVE: Art.1` Publicar os DEFERIMENTOS , na forma do disposto no artigo 39 da MP n. 2 44612008, dos pedidos de RENOVAÇÃO de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, com respectivas validades, que são objeto de pedido de reconsideração ainda não Julgados pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, até a data da publicação da Medida Provisória n.' 446, de 7 de novembro de 2008, relativos às (321 ) Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.085 15 entidades abaixo relacionadas , considerando a ordem dos processos: 230) INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA CNPJ: 62.596.408/000125 SÃO PAULO SP processo de reconsideração n.2 71010.0022101200746 processo de referência n.2 71010.0004351200376 Período de validade desta renovação: 18/09/2003 a 17/09/2006 — Area de Atuação: EDUCAÇÃO. Em face de tais constatações, vejo, mais uma vez, que o fundamento adotado pela fiscalização para levar a efeito o lançamento das contribuições previdenciárias não se sustenta, na medida em que a condição de não possuidora do CEAS não mais se verifica, pois sua renovação fora deferida em decorrência de autorização legal expressa. Não obstante a MP 446/2008, tenha perdido a eficácia, a Constituição Federal prevê tal ocorrência e sua conseqüência, no artigo 62, na redação dada pela Emenda Constitucional nº32/2001, no seguinte sentido: Art. 62 Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (...) §3ºAs medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, senão forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período,devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo,as relações jurídicas delas decorrentes. (...) §11Não editado o decreto legislativo a que se refere o §3ºaté sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. Também valhome de entendimento já emanado sobre o assunto pela própria AGU, através da Nota DECOR/CGU/AGU N. 180/2009JGAS, abaixo transcrita: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008. REJEIÇÃO. EFEITOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACESSO A BENEFÍCIO FISCAL. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE EDIÇÃO DE DECRETO LEGISLATIVO. PREVALÊNCIA DAS RELAÇÕES JURIDICAS. 1. A referida Medida Provisória rejeitada intentou modificar os procedimentos a serem seguidos pelas entidades interessadas no acesso ao benefício fiscal de que trata o art. 195, par. 5º, da Constituição Federal, estabelecendo novos procedimentos para a concessão de isenção de contribuições previdenciárias e para a outorga do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas). 2. O Congresso Nacional, ao rejeitar a Medida Provisória nº 446/08, não editou o decreto legislativo disciplinando as relações jurídicas dela Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 16 decorrentes, conforme preconiza do art. 62, par. 3º, da Constituição Federal. 3. Como consequência, é forçoso reconhecer a incidência do art. 62, par. 11, da Constituição Federal, que estabelece que não editado o decreto legislativo a que se refere o par. 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. 4. As relações jurídicas que se formaram sob a égide das regras previstas nos arts. 37, 38, 39, 40 e 41 da Medida Provisória nº 446/08, bem como aquelas decorrentes de atos praticados pela Administração Pública Federal durante o seu período de vigência, continuarão sendo regidas pela citada Medida Provisória. 5. As normas que instituem órgãos e pessoas jurídicas ou alteram suas atribuições não estabelecem relações jurídicas entre sujeitos de direito e por isso não têm sua atividade preservada pelo art. 62, par. 11, da CF/88. Ainda sobre o assunto, também entendendo pela necessidade de improcedência do lançamento pela falta do CEAS, quando referido documento veio a ser renovado pela MP 446/08, cito os seguintes acórdãos deste Eg. Conselho: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/11/2007a31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS tem caráter declaratório vide Parecer PGFN/CRJ/2132/2011, retroagindo seus efeitos desde o protocolo de requerimento. Demonstrado que o período autuado encontrase albergado por CEBAS posteriormente emitido, deve ser afastado o lançamento efetuado por este único fundamento. Recurso Voluntário Provido (Acórdão 2803004.021, Rel. Conselheiro Oseas Coimbra, Sessão de 22/01/2015) Assim, do mesmo modo que para o período de 09/2000 a 09/2003, entendo que a recorrente possui certificado válido para o período de 09/2003 a 09/2006, motivo pelo qual, a meu ver, resta insustentável o lançamento efetuado. Em face do entendimento supra abarcar a totalidade do período objeto do presente lançamento, tenho por prejudicados os demais argumentos trazidos no recurso voluntário. Passo, portanto, a analisar a incidência das contribuições sobre a parte dos segurados. Contribuições parte dos empregados – Concessão de bolsas de estudo No presente caso, conforme já relatado, a recorrente concedeu dois tipos de bolsa aos seus funcionários, a saber: (i) bolsas pelo convênio firmado com a FUNADESP e (ii) bolsas a funcionários e dependentes em decorrência de dissídios coletivos. No que se refere às bolsas em razão do convênio com o FUNADESP, da análise dos autos, tenho que o reconhecimento da decadência abarcou totalmente tal Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.086 17 levantamento, somente restando a ser analisado, no que se refere às contribuições dos empregados, a concessão de bolsas em razão dos dissídios coletivos. Sobre o assunto, a fiscalização esclareceu, no segundo relatório complementar que: 7.1. “Bolsas de Estudo Dissídio CoIetivo"} concedidas aos funcionários e a filhos de funcionários, por força de Acordo Sindical, assumindo cunho trabalhista de natureza salarial, (saláriouülidade). 7.1.1. A empresa não atendeu à solicitação para identificar os beneficiários das “bolsas de estudo dissídio coletivo”, empregados e seus respectivos dependentes legais, uma das razões pelas quais foi lavrado o auto de infração AI 37.065.6318 (Código de Fundamentaáo Legal 38). Ou seja, a fiscalização entendeu que a bolsa de estudos concedida revestese do caráter salarial, uma vez que a recorrente não lhe franqueou acesso a quais seriam os beneficiários de referida verba, entendendoa como não abarcada pelas exclusões previstas no art. 28, §9o da Lei 8.212/91. Os argumentos objeto de recurso voluntário apontam que o entendimento geral é no sentido de que a concessão das bolsas não se traduz em salário, possuindo cunho indenizatório, conforme preconiza a própria CLT. Fato é que, no que se refere ao caráter salarial ou não da concessão de bolsa de estudos, a funcionários e seus dependentes, verifico que já se trata de matéria que por diversas vezes fora tratada no âmbito do Poder Judiciário, sobretudo junto ao Superior Tribunal de Justiça e diversos outros Tribunais pátrios que possuem entendimento uníssono sobre o assunto. Em tais julgamentos, a toda evidência, o caráter não remuneratório da concessão de bolsas de estudo já vem sendo reconhecido desde o ano de 2006, como parcela não integrante do salário de contribuição, já que não possui qualquer relação de contraprestação com o trabalho prestado. A propósito cito os seguintes precedentes: STJ – Superior Tribunal de Justiça PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 18 trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO – VALORES GASTOS COM EDUCAÇÃO DO EMPREGADO – INEXISTÊNCIA DE CARÁTER SALARIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NÃOINCIDÊNCIA. 1. Não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores gastos pela empresa a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados. 2. Recurso especial provido. (REsp 853.969/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2007, DJ 02/10/2007, p. 234) TRF DA 1A REGIÃO TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE BOLSAS DE ESTUDOS. PROVA PERICIAL IDÔNEA. PRECEDENTES.1 Tratase de remessa oficial tida por interposta e de apelação do INSS que se insurge contra a sentença proferida pelo MM. Juiz Federal Itelmar Raydan Evangelista, da 20ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, na parte que afastou a incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de bolsa de estudos. 2 Não merece reparo a sentença, pois que na linha da jurisprudência que se firmou sobre o tema, conforme orienta o precedente que segue:"(...).12. No que tange àbolsa de estudos falta o requisito da habitualidade, na medida em que é limitada ao lapso temporal de duração do curso. Além disso, tal benefício não reclama contraprestação de serviço, não possuindo, assim, natureza salarial. 13. Com efeito, a referida benesse, concedida pelo empregador aos seus empregados e/ou seusdependentes, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, porquanto não se consubstancia sequer salário indireto. 14. Precedentes do colendo STJ, desta egrégia Corte e Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.087 19 dos Tribunais Regionais Federais da 2ª, 3ª e 4ª Regiões: AgRg no REsp 1079978/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/10/2008, DJe 12/11/2008; REsp 853.969/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2007, DJ 02/10/2007, p. 234; REsp 729.901/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/09/2006, DJ 17/10/2006, p. 274; AC 000096108.2002.4.01.3200/AM, Juiz Federal CLEBERSON JOSÉ ROCHA (conv.), Oitava Turma,eDJF1 p.413 de 27/08/2010; AC 1998.38.00.0346027/MG,. Juíza Federal GILDA MARIA SIGMARINGA SEIXAS (conv.), Sétima Turma,eDJF1 p.231 de 18/09/2009; TRF/2ª Região Apelação Cível 200551060003025 401240, Rel. Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, Quarta Turma Especializada, E DJF2R Data:29/04/2010 Página:259/260; TRF/3ª Região Apelação Cível 200303990324204 906757, Rel. JUIZ ALEXANDRE SORMANI, Segunda Turma, DJF3 CJ1 DATA: 25/02/2010 PÁGINA: 155; TRF/4ª Região Apelação Cível 200170000151434, Rel. Juíza TAÍS SCHILLING FERRAZ, Primeira Turma, D.E. 04/09/2007. (...)". (AC 0003964 21.2010.4.01.3901 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.917 de 23/11/2012).3 No presente caso, notase que, inclusive, a prova pericial deixou claro que "o pagamento debolsade estudo era efetuado diretamente às instituições de ensino, não sob a forma de reembolso, sem integrar salário (item 2, fls. 538), sem haver participação do empregado na mensalidade (fls. 539)".4 Improvidas a apelação e a remessa oficial tida por interposta.( AC 001932865.1998.4.01.3800, Rel. Dês. GRIGÓRIO CARLOS DOS SANTOS, DJE de 06/09/2013) TRF DA 2A REGIÃO TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINARIA. REMESSA NECESSÁRIA E APELAÇÕES DA AUTORA E DA UNIÃO FEDERAL. DESCONSTITUIÇÃO DE NFLD. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE VALORES RELATIVOS A BOLSAS DE ESTUDO AOS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS. DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DECORRENTE DE REEMBOLSO DE DESPESA EDUCACIONAL ALFABETIZAÇÃO, 1º, 2º E 3º GRAUS REFERENTE AOS DEPENDENTES DOS TRABALHADORES DA EMPRESA; VERBA DE MATERIAL ESCOLAR E MATERIAL DIDÁTICO. TREINAMENTO DE IDIOMA ESTRANGEIRO 1. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário referente às contribuições sociais previstas na Lei nº 8.212 é de cinco anos, em razão do artigo 173 do CTN e da inconstitucionalidade formal dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 reconhecida pelo STF na Súmula Vinculante nº 08. 2. Conforme a jurisprudência da 1ª Seção do STJ, tratandose de tributo lançado por homologação, se não houver o pagamento antecipado pelo sujeito passivo tributário, a decadência do Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 20 direito de lançar regese pela regra do art. 173, I, do CTN, devendo ser contada a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não havendo cumulação com a regra do art. 150, § 4º, do CTN. 3. O crédito constituído referese ao período compreendido entre janeiro/1990 e dezembro/1998, e o lançamento somente foi efetuado com a notificação realizada em 31.10.2000, conforme o documento de fls. 66, de modo que, no período compreendido entre janeiro de 1990 e setembro de 1995, já havia se operado a decadência. 4. Conforme o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso a ele. 5. Assim, os valores destinados ao custeio de cursos de capacitação e qualificação de empregados da empresa não estão sujeitos à incidência da contribuição social questionada desde que os critérios de acesso ao plano educacional da empresa sejam os mesmos para todos os empregados. 6. Os valores pagos a título de bolsa deestudos,integral ou parcial, destinados a custear a educação dos filhos dos empregados, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois são desprovidos de natureza salarial, seja porque assim estabelecido em acordo coletivo de trabalho, seja porque não têm a característica da habitualidade nem qualquer contraprestação de parte do empregado beneficiário, que aufere as quantias por prazo limitado ou eventual, ou seja, enquanto durar o curso. 7. Desta forma, por não terem natureza salarial, os valores pagos pela empresa para o custeio da educação de seus empregados e dos filhos destes não repercutirão no pagamento das aposentadorias e pensões correspondentes, o que, nos termos do art. 201, parágrafo 11 da Constituição Federal de 1988, faz com que não haja a incidência de contribuição previdenciária. 8. Carece à bolsa de estudo o requisito de habitualidade na sua forma de pagamento para que possa ser considerada de caráter remuneratório. A benesse tem vigência limitada no tempo, ou seja, perdura no exato limite de tempo do curso, e não tem a continuidade necessária para a sua inserção no conceito de remuneração. 9. As despesas da autora com material escolar, reembolso de despesa educacional de alfabetização, de 1º, 2º e 3º graus, de material escolar e de material didático não integram o saláriodecontribuição. Tratase de rubricas com expressa não incidência determinada pelo art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. Não há que se falar em habitualidade no pagamento de auxílio material pago no início ou no fim de ano para custear o material escolar dos filhos dos empregados. As despesas com formação, aprimoramento e treinamento do trabalhador não se afiguram como salário, uma vez que são pagas no interesse da empresa para desenvolver as habilidades do trabalhador e melhorar sua performance. Dessa forma, não podem ser consideradas contraprestação ao trabalho. 10. Os valores destinados ao custeio de cursos de capacitação e qualificação de empregados da empresa, dentre eles os de treinamento de língua estrangeira, não estão sujeitos à Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.088 21 incidência da contribuição social questionada, desde que os critérios de acesso ao plano educacional da empresa sejam os mesmos para todos os empregados. Assim, as verbas de reembolso referentes ao plano educacional não retribuem trabalho efetivo, mas representam investimento da apelada na qualificação de seus empregados. São empregadas para o trabalho. 11. Remessa necessária e apelação da União Federal improvidas e apelação da autora provida. (APELRE 200651010130366, Rel. Dês. LUIZ MATTOS, DJE de 22/11/2012) TRF DA 3A REGIÃO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. CPC, ART. 557, § 1º. APLICABILIDADE. PEDIDO DE REFORMA DE DECISÃO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDOS. DEPENDENTES DO EMPREGADO. AUXÍLIODOENÇA OU ACIDENTE. PRIMEIROS 15 (QUINZE) DIAS DE AFASTAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A utilização do agravo previsto no art. 557, § 1º, do CPC, deve enfrentar a fundamentação da decisão agravada, ou seja, deve demonstrar que não é caso de recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo Tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. Por isso, que é inviável, quando o agravante deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. Precedentes do STJ. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o auxílioeducação ou salárioeducação não integra a base de cálculo do saláriodecontribuição (STJ, REsp n. 853.969 RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 20.09.07; REsp n. 729.901 MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 05.09.06; REsp n. 371.088PR, Rel. Min. Humberto Martins, j. 03.08.06; REsp n. 447.100RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 27.06.06; REsp n. 231.739SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 17.05.05; REsp n. 676.627PR, Rel. Min. Luiz Fux, j. 12.04.05; REsp n. 324.178PR, Rel. Min. Denise Arruda, j. 02.12.04). Com supedâneo nesse entendimento, considerase que as bolsas de estudosconcedidas aos empregados e aos filhos destes não se sujeitam à incidência da contribuição. Com efeito, o inciso II do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho, acrescentado pela Lei n. 11.243/01, estabelece que a educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático, não é considerada salário. Desprovida de natureza salarial, a utilidade não sofre a incidência da exação (STJ, REsp n. 921.851SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 11.09.07). 3. Nos termos do art. 59 da Lei n. 8.213/91, "o auxíliodoença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido nesta Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 22 consecutivos". Esse benefício é devido no caso de doença, profissional ou não, ou de acidente de trabalho (Lei n. 8.213/91, art. 61), de modo que "durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral" (Lei n. 8.213/91, art. 60, § 3º). Como se percebe, os valores recebidos pelo empregado durante o período em que fica afastado da atividade laboral em razão de doença ou de acidente têm natureza previdenciária e não salarial, pois visam compensálo pelo período em que ele não pode trabalhar, não tendo a finalidade de remunerálo pelos serviços prestados. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (REsp. n. 1.217.686, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 07.12.10; EEREsp. n. 1.098.102, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 10.11.09) e a deste Tribunal (AMS n. 2008.61.03.0006739, Rel. Des. Fed. Luiz Stefanini, j. 17.01.11; AI n. 2010.03.00.0274413, Rel. Des. Fed. Cecília Mello, j. 07.12.10) são no sentido de que, efetivamente, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento do empregado doente ou acidentado. 4. Não houve violação ao art. 97 da Constituição da República ou à Súmula Vinculante n. 10. A decisão agravada não declarou a inconstitucionalidade ou afastou a incidência de dispositivo legal, apenas aplicou o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça. 5. Agravo legal não provido. (AI 00201537820134030000, Rel. Dês. JUÍZA CONVOCADA LOUISE FILGUEIRAS, DJE de 24/01/2014) Como se tais julgados já não fossem suficientes a demonstrar o nítido caráter remuneratório da verba, este Eg. Conselho, também já o tem feito, até mesmo em se tratando da concessão das bolsas a dependentes de funcionários. Vejamos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2008 BOLSA DE ESTUDOS. DEPENDENTES DOS FUNCIONÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos aos empregados, mesmo em sendo os beneficiários os dependentes dos mesmos, inserese na norma de não incidência. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 2402004.150, Rel. Conselheiro Tiago Taborda Simões, Sessão de 16/07/2014) Notadamente, há de se apontar que diante das alterações trazidas a lume pela Lei , no art. 28, §9o, alínea “t”, da Lei 8.212/91, a concessão de bolsas de estudo a dependentes passou a ser expressamente considerada pela norma de não incidência como não componente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, de modo que norma mais benéfica e posterior ao lançamento, veio a tratar tal situação como não mais contrária ao ordenamento jurídico, entendimento, este aplicável ao presente caso, tendo em vista que não foram Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000814/200739 Acórdão n.º 2401003.876 S2C4T1 Fl. 2.089 23 imputados à recorrente quaisquer outros supostos descumprimentos de referida norma, mas apenas imputado à verba o caráter salarial. Cito, a propósito, o art. 106 do CTN: Art.106.A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – Tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. No mesmo sentido, já decidiu este Eg. Conselho, em julgado capitaneado pelo Em. Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, cuja ementa é a seguir reproduzida: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2008 DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APURADA COM BASE EM DIRF. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A apuração de contribuição previdenciária com base em Dirf entregue pela fonte pagadora configura aferição indireta, hipótese que só se admite em caso de falta de apresentação ou apresentação deficiente de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Nos autos, está ausente a motivação fática para a utilização desse método excepcional de apuração das contribuições previdenciárias. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que extensivo a todos, inserese na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílioeducação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. CONCEDIDO AOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A concessão de bolsas de estudo e de material escolar aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, inserese na norma de não incidência. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 24 auxílioeducação aos segurados empregados e aos dependentes, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.(Acórdão 2402004.164, Rel. Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, sessão de 16/07/2014) Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, e, quanto ao recurso voluntário, reconhecer a decadência das contribuições parte da empresa e dos empregados lançadas até as competências 09/2000 e, no mérito, em DARLHE PROVIMENTO, para julgar totalmente improcedente o lançamento quanto às demais competências lançadas relativamente às contribuições parte da empresa, destinadas ao financiamento do GILRAT, terceiros e as relativas à parte do empregado. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004848/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.004848/2003-97
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472876
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-000.220
nome_arquivo_s : Decisao_19515004848200397.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
nome_arquivo_pdf_s : 19515004848200397_5472876.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
dt_sessao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5958910
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890568413184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1440; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004848/200397 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.220 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de setembro de 2014 Assunto Diligência Recorrente POSADAS DO BRASIL EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS (sucessora de Hotel Coral da Guanabara, CNPJ n. 02.494.081/000159) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 84 8/ 20 03 -9 7 Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, destaco: Contra a empresa em epigrafe foi lavrado o auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1RPJ — de fls. 304 a 309, correspondente ao 2° e ao 3o trimestres de 1998, em razão de irregularidades praticadas pela empresa Hotel Coral da Guanabara, CNPJ n° 02.494.081/000159, incorporada pela autuada, relativas a omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários, e a redução indevida do lucro real, por inobservância do regime de competência nos registros contábeis referentes a alienação de investimentos e pela indedutibilidade de perda havida na mesma operação. Foram apontados como enquadramento legal os seguintes dispositivos: depósitos bancários não contabilizados: artigos 195, inciso II, 197, caput e parágrafo único, 226 e 229 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994 (RIR/1994), artigo 24 da Lei n° 9249/1995 e artigo 42 da Lei n° 9430/1996; inobservância do regime de competência — perda indedutível na alienação de investimentos: artigos 194, 195, inciso II, 197, 219, 220, 222 c 336 do RIR/1994. Em decorrência da omissão de receita, foram também lavrados os autos de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 310 a 313), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 314 a 317) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 320 a 323). O enquadramento legal dos lançamentos é o constante a seguir: PIS: artigos 10 e 3° da Lei Complementar n° 7/1970, artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 90 da Medida Provisória n° 1.212/1995 e suas reedições, convalidadas pela Lei n°9715/1998; COF1NS: artigos 1°c 2° da Lei Complementar n° 70/1991 e artigo 24, §2°, da Lei n° 9.249/1995; CSLL: artigo 2°, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/1995, artigo 1° da Lei n° 9.316/1996 e artigo 28 da Lei n° 9.430/1996. Da referida ação fiscal resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, cujos acréscimos legais foram calculados até 28/11/2003: IRPJ 3.401.059,40 Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 4 3 PIS 43.998,45 COFINS 135.379,98 CSLL – 534.078,69 Os valores tributáveis relativos ao IRPJ e à CSLL foram parcialmente compensados com prejuizo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL dos próprios períodos de apuração. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 289 a 293, integrante do auto de infração, o autuante informa o que segue, quanto aos fatos que motivaram os lançamentos: Quanto à omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários: a empresa foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que comprovasse a movimentação financeira da empresa Hotel Coral da Guanabara Ltda., CNPJ n° 02.494.081/000159, que foi incorporada pela fiscalizada em 30/10/1998, passando a ser filial desta; após a conciliação dos depósitos e créditos constantes dos extratos bancários fornecidos, considerando as transferências entre bancos, a empresa foi novamente intimada, sendo discriminados os depósitos e créditos bancários cujas origens deveriam ser comprovadas com documentação hábil e idônea; da análise dos elementos apresentados pela fiscalizada, foram considerados corno comprovados inúmeros depósitos bancários, principalmente no que se refere a ingressos decorrentes de cartões de crédito, restando vários depósitos para os quais não foi possível identificar o registro como receitas contabilizadas ou aceitar a documentação apresentada como suficiente em relação a operações tais como transferências bancárias sem contrapartida, empréstimos recebidos da NOTEG, valores recebidos do caixa, reembolsos, etc. Tais depósitos/créditos têm como históricos: "Dep. Não Identif.", "Valor Transf. p/ ...", "Valor Rec. ..."; os depósitos e créditos cujas origens não foram comprovadas constam do "EXTRATO DE CRÉDITO — Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea" (integrante do Termo de Verificação Fiscal, fls. 294 a 301), cujos montantes mensais são indicados abaixo: Incorporada Hotel Coral da Guanabara (Processo n° 19515.004848/200397): Filial Hotel Coral da Guanabara (Processo n° 19515.004847/200342) Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 5 4 Quanto à inobservância do regime de competência e à perda indedutível na alienação de investimentos: a empresa incorporada Hotel Coral da Guanabara, CNPJ n° 02.494.081/0001 59, alienou suas ações da Riotur e da Flumitur para a empresa Asteca Empreendimentos Ltda. (atual Posadas do Brasil Empreendimentos Hoteleiros Ltda.), CNPJ n° 02.419.765/000196, em 24 de setembro de 1998, pelo valor total de R$ 901.014,75; a empresa incorporada, ao contabilizar a operação, registrou a baixa dos custos dos referidos investimentos em junho de 1998 e o valor da venda em setembro de 1998, o que configura inobservância do regime de competência; o custo dos referidos investimentos estava registrado na escrituração pelo valor total de R$ 3.487.963,74, portanto, a alienação das ações se efetivou com deságio superior a 10% (dez por cento), o que toma o prejuízo havido na operação indedutivel, na forma do artigo 336 do RIR/1994; não procede a alegação da sucessora de que o lançamento efetuado em junho ocorreu a titulo de provisão para ajuste ao valor de mercado, visto que não existe qualquer conta ou lançamento registrado a esse título, conforme comprovam os balancetes de junho/1998 e setembro/1998 (fls. 58 a 74); pela recomposição dos resultados dos períodos envolvidos (fl. 3 do Termo de Verificação Fiscal, 11. 291), conforme determina a Instrução Normativa (IN) SRF n° 02/1996, verificase que, na apuração do lucro real do 2 0 trimestre de 1998, o efeito da antecipação do custo dos investimentos foi anulado pela adição ao lucro liquido efetuada pela empresa, intitulada indevidamente de provisão indedutivel e que, na apuração do lucro real do 3° trimestre de 1998, esta provisão não pôde ser considerada como revertida porque simplesmente não houve contabilização nem da sua constituição nem da sua reversão; concluise, portanto, que houve uma redução indevida do Lucro Real no 3° trimestre de 1998 (e não postergação do imposto, visto que a empresa apurou prejuízo nesse trimestre), no valor de R$ 2.586.948,99, que representa a falta de adição do valor do prejuízo havido na perda dos referidos investimentos. Cientificada em 17/12/2003, a empresa apresentou em 16/01/2004, por intermédio de procuradores (fls. 344 a 363), as impugnações de fls. 328 a 343 destes autos (acompanhada dos documentos de fls. 364 a 997) e de fls. 402 a 460 do Processo n° 19515.004847/200342 (cópia às fls. 1338 a 1396, acompanhada dos documentos de fls. 1397 a 1449). Alega a interessada, em síntese, o que segue: somente a existência de saldo credor no caixa ou a contabilização de suprimento não comprovado nesta mesma conta Caixa é que permitem aplicar a presunção relativa de omissão de receita tributável; Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 6 5 no presente caso, não houve suprimento de caixa por parte da impugnante, pois todas as receitas estão devidamente comprovadas conforme a planilha acostada à impugnação, em que estão descritos todos os documentos que suportam os lançamentos contábeis efetuados; não há indícios de omissão de receita da impugnante na forma de depósitos bancários de origem não comprovada, visto que a impugnante não somente efetuou todos os lançamentos contábeis e, conseqüentemente, o devido recolhimento dos tributos incidentes, como todas as receitas estão devidamente comprovadas pelos documentos acostados à presente impugnação; o lançamento do tributo não pode basearse em mera presunção de omissão de receita, conforme precedentes reiterados do E. Primeiro Conselho de Contribuintes; uma vez improcedente o lançamento a titulo de Imposto de Renda sobre receitas omitidas, inexiste qualquer reflexo sobre a base de cálculo das contribuições (CSLI.,, PIS e COFINS); quanto à alienação da participação societária que detinha nas empresas Riotur e Flumitur, o lançamento contábil efetuado em junho de 1998 consistiu em provisão para ajuste do investimento a valor de mercado, em observância ao principio contábil da prudência ou do conservadorismo; na ausência desse ajuste, poderia haver redução indevida no ganho ou perda de capital da alienação do investimento, em afronta ao artigo 425 do RIR/1999; esta provisão foi considerada indedutivel na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em atendimento ao inciso I do artigo 13 da Lei n° 9.249/1995, conforme demonstra a cópia da fl. 33 do LALUR da "Guanabara" (11. 76), no qual consta o ajuste efetuado em junho de 1998; no mês de setembro de 1998, quando ocorreu a incorporação da "Guanabara" pela "Asteca", o valor da alienação do investimento foi obtido pela equivalência patrimonial (demonstrativo à fl. 1356), diante da ausência de transações no mercado financeiro e na bolsa de valores, conforme balanço publicado em 31 de dezembro de 1997, tudo nos termos do Decretolei n° 1.648/1978 e do Parecer Normativo CST n° 107/1978; o deságio na alienação da participação societária somente ocorre havendo diferença entre o custo de ingresso e o preço obtido em sua venda, o que não ocorreu no presente caso, em que o custo da participação societária foi inferior ao preço de sua alienação; conforme demonstram os documentos contábeis e fiscais anexos, o investimento em tela estava registrado, até o mês de maio de 1998, em valor inferior àquele obtido em sua venda; o lançamento de provisão para ajuste do investimento ao valor de mercado em nada interfere nesse quadro, porquanto o artigo 84 da Lei n° 3.470/1958 somente alude à diferença entre o custo de aquisição e o valor de alienação; Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 7 6 o único dispositivo legal que restringe a dedutibilidade da perda havida na alienação de investimento é o artigo 60 do Decretolei n° 1.648/1978, compilado no atual artigo 429 do RIR/1999; no caso em tela, os investimentos não foram adquiridos com dedução do imposto de renda devido pela pessoa jurídica, mas mediante a concessão de incentivos fiscais de ISS/IPTU e ICMS, conforme comprovam os documentos anexos (fls. 1407 a 1449); ante a inaplicabilidade do artigo 84 da Lei n° 3.470/1958 e do artigo 6° do Decretolei n° 1.648/1978 uma vez que a perda havida na alienação de investimento não constituiu deságio nem tampouco pode ser considerada indedutivel não há previsão legal para restrição do procedimento adotado pela impugnante (considera caracterizada a afronta ao disposto nos artigos 150, inciso I, 153,inciso III, da Constituição Federal e aos artigos 43, 44 e 110 do Código Tributário Nacional); caso ainda remanesçam dúvidas para a formação do convencimento, ante os esclarecimentos prestados e as provas apresentadas, requer a realização de diligência nos livros e registros da impugnante, a fim de certificar a propriedade e exatidão das suas alegações, protestando pela indicação de assistente técnico. Cabe esclarecer que as razões aduzidas pela defesa, no que concerne às multas devidas pela falta de recolhimento das estimativas de IRPI e CSLL apuradas no curso do ano calendário de 1999, referemse ao lançamento objeto do Processo n° 19515.004847/200342. Em 08/03/2004, a interessada requereu a juntada dos documentos restantes que comprovariam a origem das receitas consideradas como omitidas pela Fiscalização (fls. 1003 a 1335). Baixado o feito em diligência, conforme despacho de fls. 1452 e 1453, a Fiscalização, em relatórios de fls. 1632 a 1639 destes autos e de fls. 1561 a 1567 do Processo n° 19515.004847/200342 (cópia às fls. 1713 a 1719), evidencia que não houve a necessária presteza da empresa no atendimento às diversas intimações realizadas no curso da diligência, razão pela qual os trabalhos prosseguiram, em busca da verdade material objetiva, até o limite da razoabilidade. Quanto aos fatos verificados, relativos aos períodos de apuração de junho a setembro de 1998, objeto do presente processo, a Fiscalização esclarece o que segue, em síntese: a empresa fiscalizada, após a extração de cópias de todos os documentos juntados aos dois processos (19515.004847/200342 e 19515.004848/200397), elaborou resumos dos documentos apresentados (fls. 1475 a 1485 do Processo n° 19515.004847/200342, copia às fis.1665 a 1675), com identificação dos documentos que correspondiam a cada depósito ou crédito bancário, por banco; a Fiscalização efetuou o cotejo dos elementos apresentados com os originais e com os registros contábeis, para ao final elaborar o DEMONSTRATIVO DE ORIGENS DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS 13ANCARIOS, integrante do Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal, onde concluiu que parte dos recibos emitidos pela interessada e Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 8 7 juntados à impugnação possui respaldo em faturas e/ou documentos de terceiros e foram contabilizados como receitas nos correspondentes períodos de apuração ou como recebimento de receitas anteriormente contabilizadas (conforme Livro Diário, fls. 1486 a 1513 do Processo n° 19515.004847/200342, cópia às fls. 1676 a 1703), restando, todavia, alguns recibos e documentos sem comprovação de origem, conforme discriminado no citado Demonstrativo; a maioria dos depósitos e créditos bancários que restaram como não comprovados nos dois processos se refere a valores que a empresa alega ter origem na Ata da Assembléia Geral realizada em 21/05/1998, quando ocorreu o aumento de capital de R$ 5.000,00 para R$ 14.501.094,00 do então Hotel Coral da Guanabara, pela sócia quotista Novos Hotéis da Guanabara S/A, mediante conferência de parte dos bens do ativo imobilizado e créditos liquidos, apurados no balanço patrimonial levantado em 30/04/1998. Para tanto, apresentou as alterações contratuais e atas das empresas investidas e investidoras, bem como um resumo desses documentos (fls. 1562 a 1598); os documentos apresentados e que supostamente teriam dado suporte aos depósitos e créditos bancários são apenas sleeps de lançamentos contábeis, que não são documentos hábeis por não terem sido emitidos por terceiros; o aumento de capital mediante conferência de bens, no presente caso, se aperfeiçoa na efetiva entrega dos bens. Se houve recebimento de títulos (duplicatas ou faturas a receber) que antes eram da empresa sócia controladora Novos Hotéis da Guanabara S/A, os respectivos valores deveriam ser depositados pelos clientes (sacados), o que não ocorreu ou não foi comprovado; os históricos contidos nos lançamentos contábeis referentes aos citados depósitos e créditos bancários se referem a 'TRANSE. BCO ITAU CHQ N° ...", indicando transferência entre contas bancárias de um mesmo titular, o que, no caso, não ocorreu, visto que as transferências entre bancos foram eliminadas no exame preliminar da Fiscalização; em 05/06/1998, Novos Hotéis da Guanabara S/A saiu da sociedade, transferindo suas quotas para Asteca Empreendimentos Ltda., pelo mesmo valor do aumento de capital, que seria integralizado à medida que os créditos fossem recebidos e realizados. Na referida data, os bens já eram do Hotel Coral da Guanabara (no caso, as duplicatas ou faturas a receber). Não restou comprovado pela empresa quem deveria receber os valores referentes aos títulos, com a nova transferência, se o Hotel Coral da Guanabara ou a Asteca Empreendimentos Ltda; durante a ação fiscal e confirmado na diligência realizada, verificouse que os lançamentos referentes a alguns depósitos e créditos bancários com o histórico "VALOR REEMB. CX. RECEPÇÃO" tiveram como documentos de suporte apenas recibos de depósitos e a posição financeira (documento emitido pela própria autuada), ambos insuficientes para comprovar as origens dos citados depósitos e créditos; na elaboração do DEMONSTRATIVO DE ORIGENS DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS BANCÁRIOS, foram adotados os seguintes critérios: Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 9 8 a) os depósitos c créditos bancários foram organizados por ordem cronológica, observandose os valores apurados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 294/301), totalizados por mês; b) o citado Demonstrativo possui ainda 5 Anexos, um para cada Banco; c) foi especificado em quais páginas dos Processos nas 19515.004847/200342 e 19515.004848/200397 foram juntados os documentos relativos a cada um dos depósitos e créditos bancários, uma vez que a empresa juntou indiscriminadamente c em duplicidade os mesmos documentos nos dois processos; d) alguns depósitos e créditos bancários, apesar de não terem sido comprovados com documentação hábil, foram considerados comprovados, visto que foi identificada a sua contabilização como receita ou como recebimentos de títulos ou notas fiscais anteriormente contabilizados; e) os documentos, que a diligenciada identificou nos seus resumos dos documentos apresentados corno "Noteg conf. AGE de 21/05/1998 e Alteração conf. Contrato Social número 1", foram considerados como não comprovados e como documentação inábil, visto que não foram apresentados documentos emitidos por terceiros, mas apenas os sleeps de lançamentos contábeis, que mostram lançamentos a débito de urna conta de Banco (a maioria do Banco Haia S/A) e a crédito de Noteg a Pagar ou Noteg a Receber. Nenhum dos lançamentos se refere à integralização de capital conforme a citada AGE de 21/05/1998, como alegou a diligenciada. Quanto ao item "2" da autuação (irregularidades relacionadas à alienação de investimentos), a Fiscalização informa que: a venda das ações da Riotur e da Flumitur ocorreu efetivamente em 24/09/1998, portanto antes e não durante o processo de incorporação ocorrido em 30/10/1998; em junho de 1998, o valor dos investimentos foi baixado indevidamente pelo valor contábil. em contrapartida a uma conta de resultado (conta 3.1.2.06.003 Custo de Baixa de Ações, fls. 83/87), valor esse adicionado no LALUR como custo e não como provisão (fls. 76 e 1601/1602); de acordo com o Balancete de Junho de 1998 (fls. 59/60), os saldos das contas de investimentos 1.1.5.01.001 — RIOTUR, 1.1.5.01.002 — FLUMITUR, 1.1.5.08.001 — RIOTUR e 1.1.5.08.002 — FLUMITUR foram zerados em 30/06/1998 em decorrência da baixa das ações, permanecendo sem saldo nos Balancetes de julho a setembro de 1998 (fls. 1028/1055); os documentos apresentados pela diligenciada, de fls. 1604/1605, que têm corno titulo Apuração do Lucro Real do período encerrado em setembro de 1998, não estão de acordo com o que está escriturado no LALUR (fls. 75/78 e 1601/1602). A Fiscalização esclarece, ainda, o que segue, no tocante aos quesitos formulados por esta Turma de Julgamento: Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 10 9 Quesito n° 01: Os documentos de fls. 403/1335 foram apresentados no curso da ação fiscal e objeto de análise pela fiscalização? os documentos de fls. 403 a 608 se referem a extratos bancários que já constavam do processo (fls. 106 a 216); os documentos de fis. 609 a 997 foram apresentados no curso da ação fiscal e foram objeto de análise durante a fiscalização (ainda que de maneira resumida), por terem sido apresentados juntamente com o Relatório de fls. 219/242; a fiscalizada apresentou, ainda, intempestivamente, à luz do disposto no artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, os documentos de fls. 1004 a 1335, os quais também já tinham sido considerados como não comprovados no curso da ação fiscal. Na diligência fiscal, todos os depósitos não comprovados foram objeto de novos exames baseados nos Resumos elaborados pela empresa (fls. 1475 a 1485 do Processo n° 19515.0048471200342, cópia às fls. 1665 a 1675), nos quais não foram mencionados tais documentos. Quesito n° 02: Os recibos emitidos pela interessada e juntados à impugnação possuem respaldo em outros documentos, tais como faturas e/ou documentos de terceiros (correspondências, etc.)? durante os trabalhos de fiscalização, a empresa tentou comprovar alguns depósitos ou créditos bancários apenas com recibos e NÃO com notas fiscais faturas e/ou documentos de terceiros; alguns depósitos ou créditos bancários representados pelos recibos (ou outros documentos não emitidos por terceiros) NÃO foram comprovados como receitas contabilizadas; na diligência fiscal, a empresa conseguiu comprovar a origem apenas de parte dos depósitos ou créditos bancários com recibos emitidos, respaldados em faturas e/ou documentos de terceiros juntados à impugnação, e que foram comprovados como receitas contabilizadas nos correspondentes periodos de apuração ou como recebimento de receitas anteriormente contabilizadas, restando, todavia, alguns recibos e documentos sem comprovação de sua origem, conforme especificado no DEMONSTRATIVO DE ORIGENS DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS BANCÁRIOS, integrante do Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal. Cientificada do resultado da diligência, a autuada apresentou a manifestação de fls. 1647 a 1660, com as seguintes razões, em síntese: a alegada protelação ocasionada pelo contribuinte, no curso da diligência, constituiu a observação estrita do principio do contraditório e ampla defesa em busca da verdade real, com vistas à comprovação cabal da origem dos Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 11 10 depósitos questionados no processo administrativo, dado o volume de documentos a serem apresentados e a localização destes em outra cidade; a manifestação da Fiscalização extrapolou os limites legalmente impostos, por ter feito juizo de valor acerca da autuação, função reservada somente à Delegacia de Julgamento; os documentos apresentados pela autuada são hábeis a comprovar todas as movimentações financeiras questionadas; não se caracterizou a preclusão para a apresentação de documentos, citada pela Fiscalização, vez que as provas hábeis a afastar a imputação poderão ser apresentadas até o julgamento do processo administrativo, conforme prevêem os artigos 3o , inciso III, e 38 da Lei n° 9.784/1999, sob pena de transgressão ao principio da razoabilidade e da busca da verdade real; A autuada repete, ainda, argumentos já aduzidos por ocasião da impugnação, acerca da inexistência das irregularidades apuradas pelo Fisco. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, concluiu então a douta 3a Turma da DRJ/SPO1 pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo. Exonerase a parcela comprovada na fase impugnatória. PERDA NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. INDEDUTIBILIDADE. É indedutivel a perda na alienação de ações, com desàgio superior a dez por cento do respectivo valor de aquisição, cuja operação, realizada entre a investidora e sua controladora, não ocorreu em bolsa de valores ou por leilão público. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COEINS, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, onde destaca o seguinte: A não caracterização de omissão de receita tributável: Os valores supostamente não identificados após as diligências fiscais determinadas pela turma julgadora de primeira instância referirseiam, segundo sustenta a recorrente, aos procedimentos adotados pelas acionistas da contribuinte no sentido de promover o aumento de capital no ano de 1998, Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 12 11 alterandoo de R$ 5.000,00 para R$ 14.496.094,00, conforme se verifica na Cláusula 1a do Instrumento Particular da Primeira Alteração Contratual da sociedade originária (Hotal Coral da Guanabara Ltda.). Nessa linha, todos os valores apontados pela fiscalização como supostamente ‘não comprovados’ constariam no demonstrativo anexado, com indicações, inclusive, das respectivas contas e registros mantidos na contabilidade da empresa, afastando, assim, definitivamente, qualquer discussão a respeito dessa matéria. A recorrente destaca que as provas ali apresentadas (no recurso) seriam adequadas e suficientes para espancar, definitivamente, as considerações mantidas pelas fiscalização, devendo, assim, ser analisadas nesta oportunidade por esta Turma Julgadora. Em face dessas circunstâncias, requer a contribuinte a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para a análise desses novos documentos trazidos aos autos, privilegiando, sobretudo, a busca da verdade material. A par dessas considerações, afirma ainda a recorrente que, identificadas a natureza e origem dos referidos créditos, não se haveria como determinar a aplicação das disposições legais mencionadas (sobretudo art. 42 da Lei 9.430/96), uma vez que devidamente comprovada estaria a natureza e origem dos créditos respectivamente apontados. A recorrente afirma, insistentemente, que todos os registros teriam sido devidamente promovidos em sua contabilidade, não se havendo falar em materialização das hipóteses de “saldo credor de caixa”, “suprimento de caixa” ou mesmo “depósitos de origem não comprovada”. Da tributação reflexa da CSLL, do PIS e da COFINS Não havendo sustentação na consideração da suposta omissão de receitas, não se há falar na possibilidade de manutenção do lançamento reflexo respectivo. Da não ofensa ao regime de competência na alienação de participação societária e da absoluta inexistência de perda indedutível nessa operação Tendo a decisão de primeira instância reconhecido e rechaçado a suposta inobservância dos critérios de apuração dos montantes de tributos devidos relativos ao respeito ao regime de competência dos respectivos resultados, indevida se apresentaria a acusação de que a contribuinte não teria adicionado ao lucro líquido da empresa a perda dos respectivos investimentos considerados. Em junho/98 a recorrente adicionou sim as perdas na alienação de investimentos na apuração de seu respectivo lucro real. “Inegável, portanto, que a D. Fiscalização incorreu em grave erro ao deixar de considerar a adição do valor de R$ 1487.963,74 quando da apuração do lucro real da empresa nos segundos e terceiros trimestres de 1998, circunstância essa que torna de rigor que V.Sa. decrete a total Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 13 12 improcedência do lançamento fiscal combatido, sob pena de se impor iniusta e ilegal BITRIBUTAÇÃO sob tais valores como demonstrado.” Da improcedência do lançamento da multa de mora em denúncia espontânea de infração tributária, suportada em medida judicial proposta pela recorrente A recorrente indica que, tendo proposto o respectivo Mandado de Segurança de no 2000.61.00251617, teria obtido, em sede de Recurso, o reconhecimento de seu direito. No caso, tratase de pretensão de afastamento da aplicação de multa moratória pela suposta realização de “denúncia espontânea” pela contribuinte, nos termos do art. 138 do CTN. Em sua alegação, destaca: “Ressaltese que a autoridade administrativa só tomou conhecimento da situação irregular da recorrente porque esta espontaneamente se denunciou, sob a forma de instauração de processo administrativo, o que se torna evidente, também, diante da forma de constituição do presente auto de infração, que foi lavrado somente diante da propositura de medida judicial pelo contribuinte.” Da tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS Em face da insubsistência do lançamento do IRPJ, mesma sorte pretende a recorrente em relação aos lançamentos reflexos. É o que se tem a relatar. Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 14 13 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Do necessário saneamento do feito Do reconhecimento da conexão entre este processo e o PAF no 19515.004847/200342 Antes, entretanto, de qualquer consideração a respeito dos elementos contidos nos presentes autos, insta, inicialmente, promover o adequado saneamento do feito, sobretudo porque, conforme se verifica das informações aqui antes apresentadas e, também, dos próprios atos já praticados neste feito, existe, de fato, íntima e direta relação havida entre o que aqui se verifica e o que se discute no PAF no 19515.004847/200342, havendo, inclusive, pedido expresso formulado pela contribuinte de reconhecimento da conexão entre este e aquele processo. Pois bem. Incluído o feito em pauta na primeira oportunidade, verificamos a pertinência da pretensão deduzida pela recorrente, entendendo então pelo necessário julgamento conjunto entre os dois processos apontados, o que se mostrou facilitado, sobretudo, por verificar constarem ambos os feitos sob minha relatoria. De acordo com o que destacado nos presentes autos, desde a apreciação do feito pela douta delegacia de julgamento de primeira instância reconheceuse a existência de fatos relevantes para o julgamento do presente feito juntado naquele outro processo, e também o inverso, promovendose, inclusive, a indicação de juntada de cópias dos documentos pertinentes. Analisando as circunstâncias contidas naquele processo (PAF no 19515.004847/200342), verifico que enquanto o que se discute neste processo é a apuração promovida pela fiscalização em relação aos 2o e 3o trimestres do anocalendário de 1998, naqueloutro tratase de discussão a respeito dos fatos tributáveis relativos ao 4o trimestre daquele mesmo ano, havendo, em relação a todos eles, indubitavelmente, íntima e direta relação de conexão e continência. Em face dessas razões, acolhendo a pretensão formulada pela recorrente, reconheço aqui, no caso, a conexão entre os dois processos, entendendo como salutar e necessária a sua reunião e, com isso, o julgamento conjunto, evitandose, assim, eventuais julgamentos contraditórios. Da juntada de novos documentos pela recorrente Além da reunião dos processos, da forma como indicada no item antecedente, cumpre aqui ainda destacar que, conforme antes apontado, a matéria discutida nos presentes autos, pelo que se verifica, referese – sobretudo na primeira parte do lançamento – à inexistência de comprovação, pela contribuinte, da natureza, origem e destino dos recursos Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 15 14 identificados pela fiscalização como de depósitos bancários e a sua correspondente contabilização, identificandose, a partir daí, a possibilidade de aplicação da presunção legal de “omissão de receitas” da forma como então efetivado. A recorrente, nesta oportunidade, destaca em suas razões recursais que grande parte dos supostos depósitos de origem não comprovada já teriam sido devidamente identificados nas realizações realizadas em sede de julgamento de primeira instância, sendo mantido o lançamento, entretanto, em relação aos depósitos em relação aos quais essa comprovação não se teria verificado. Nada obstante, a recorrente sustenta que a parcela mantida do lançamento no julgamento de primeira instância seria referente aos créditos por ela recebidos quando da efetivação do aumento de capital, ocorrido no ano de 1998, quando a Sociedade originária (Hotel Coral da Guanabara Ltda.) promovera o seu aumento de capital, saindo de R$ 5.000,00 para R$ 14.496.094,00. Esse aumento de capital, destaca a recorrente, seria promovido então – de acordo com o que indicado nos respectivos instrumentos contratuais – a partir de duas providências específicas, quais sejam: a) integralização do capital, em espécie, pela sóciaquotista Novos Hotéis da Guanabara (NOTEG), à medida em que os valores fossem recebidos e realizados; e b) conferência de demais créditos e de parte de bens do ativo imobilizado da mesma sóciaquotista Novos Hotéis da Guanabara (NOTEG). Tal apontamento, destaca a recorrente, constaria expressamente nas disposições da Cláusula 1a do Instrumento Particular da Primeira Alteração Contratual daquela sociedade, que, nesta oportunidade, seria então apresentado nos autos (DOC. 02), juntamente com todos os outros elementos e registros que, segundo entende, seriam suficientes para a comprovação da origem e, sobretudo, dos regulares registros mantidos na contabilidade da contribuinte, inexistindo, assim, condições para a manutenção do lançamento apontado. Com base nessas considerações, verifico que, de fato, juntamente com a peã do recurso voluntário interposto, apresenta a contribuinte uma série de documentos (novos) que, confirmando aquilo que por ela então afirmado, seriam – segundo entende – suficientes para a completa desconstituição do lançamento. A relação de documentos juntados é a seguinte: DOC. 01: Instrumento Particular De Constituição De Sociedade Por Quotas De Responsabilidade Limitada Denominada "HOTEL CORAL DA GUANABARA LTDA." DOC. 02: Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social no 01 "HOTEL CORAL DA GUANABARA LTDA." DOC. 03: Planilha demonstrativa de origem e natureza dos créditos apontados DOC. 04: DIPJ 97 DOC. 05: Guias DARF de recolhimento DOC. 06: Guias DARF de recolhimento DOC. 07: Cópia de parte do Livro do Razão Analítico DOC. 08: Protocolo de Incorporação e Justificação de HOTEL CORAL SÃO PAULO LTDA. e HOTEL CORAL DA GUANABARA LTDA. Ata de reunião de quotistas da "HOTEL CORAL DA GUANABARA LTDA." Alteração de contrato social da ASTECA EMPREENDIMENTOS LIDA. Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 16 15 Segunda Alteração de contrato social da ASTECA EMPREENDIMENTOS LIDA. Terceira Alteração de contrato social da ASTECA EMPREENDIMENTOS LIDA. Tradução juramentada e publicação oficial DOC. 09: instrumento particular de alteração de contrato social no 2 "HOTEL CORAL DA GUANABARA LTDA." 3a Alteração de contrato social da "HOTEL CORAL DA GUANABARA LTDA." DOC. 10: Cópia de páginas do LALUR DOC. 11: DIPJ 98 Cópias de parte do Livro Diário Cópias de parte do Livro Razão Cópias de Balancete Padrão Analítico A primeira consideração que aqui deve ser considerada diz respeito à admissibilidade desses (ditos) novos documentos e, no caso, a sua relevância para a solução da controvérsia apresentada. Em relação à possibilidade de juntada de documentos nessa fase recursal, é relevante destacar que, sobre esse ponto, possui o regramento próprio do Processo Administrativo Fiscal Federal especifico tratamento, sendo, neste ponto, de relevante destaques as disposições contidas no art. 16 do Decreto 70.235/72 que, sobre o assunto, destaca: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 17 16 autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A partir da leitura dessas disposições, verificase que, no âmbito do processo administrativo fiscal, relevante se faz a observância dos específicos regramentos próprios, garantindose, assim, a perfeita regularidade do feito. No caso tratado nos presentes autos, verificase, conforme registros contidos na r. decisão de primeira instância, que a contribuinte, muitas vezes, não conferiu a importância necessária às determinações de apresentação de provas e documentos pelos agentes da fiscalização. No recurso interposto, apesar de indicar a contribuinte a juntada de “novos” documentos, não chega ela a indicar, objetivamente, qual seria a razão de não têlos apresentados em momento anterior, o que, por si, autorizaria a sua rejeição nessa oportunidade. Ocorre que, pela análise dos elementos contidos nos autos, tendo em vista a grande quantidade documental apresentada, o que se verifica é que a contribuinte, ante a admissão de grande parte de suas razões pela r. decisão de primeira instância, agora, em sede recursal, direcionase exclusivamente aos fundamentos da regularidade de seus procedimentos em relação aos créditos mantidos, tecendo, inclusive, considerações antes sequer tangenciadas em sua impugnação. A par dessas iniciais considerações, relevante observar que, no caso, estáse diante de procedimento fiscal especificamente relacionado à identificação de “omissão de receitas” pela contribuinte, e ela, nesta oportunidade, agora destaca que os montantes mantidos pela r. decisão de primeira instância seriam relativos, especificamente, aos créditos por ela recebidos em decorrência do seu relevante aumento do capital social, ocorrido no ano de 1998 por força das alterações societárias apontadas, sendo certo que, ao menos em análise superficial, a comprovação da validade do argumento e a regularidade das referidas movimentações – ao menos em tese , poderiam ser confirmadas a partir da análise dos apontamentos e documentos então apresentados. Ademais, relevante destacar que, conforme se tem, de forma recorrente, admitido nos julgamentos desta Corte Administrativa, a atuação do CARF deve ser pautada, sobretudo, no controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, sendo certo que, no caso, a admissão dos documentos e a verificação da pertinência e regularidade dos argumentos apresentados, além de representar efetivo e verdadeiro privilégio ao corolário da “ampla defesa” e do “contraditório” (neste caso, aplicado à Fazenda Pública), representa ainda a relevante importância no campo dos princípios da legalidade, moralidade, economicidade e razoabilidade, podendo aqui, portanto, ser então efetivamente mitigado os limites próprios estabelecidos pelas normas de regência do Processo Administrativo Fiscal e, com isso, admitido o recebimento dos apontados documentos. A admissão das provas apontadas, por certo, impõe como conseqüência direta a necessidade de sua regular avaliação pelos competentes agentes da fiscalização, sobretudo em face do que expressamente apontado nos termos do Recurso Voluntário oferecido, possibilitandose assim, ao final, o completo e regular enfrentamento das questões apresentadas nos autos, possibilitando, assim, a conclusão definitiva do presente feito. Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004848/200397 Resolução nº 1301000.220 S1C3T1 Fl. 18 17 Em face dessas considerações, entendo como pertinente a admissão das provas juntadas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, e, nesse caso, concluo já pela necessidade de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, especificamente no sentido de determinar aos agentes da douta Delegacia Fazendária competente que avaliem os documentos juntados pela contribuinte com o seu respectivo Recurso Voluntário, destacando, no caso, a identificação de elementos suficientes para a comprovação de que os créditos mantidos pela r. decisão de primeira instância como supostas movimentações financeiras de origem não comprovada tratavase, ou não, de valores à época recebidos pela contribuinte em decorrência do apontado aumento do capital social promovido por suas sóciasquotistas, nos termos em que ali então especificamente apresentados. Encerrada a diligência, com o apontamento conclusivo a respeito da (in)existência de prova regular e suficiente dos argumentos aduzidos pela recorrente, seja ela então regularmente intimada das conclusões apresentadas, retornando o feito, assim, para julgamento por esta egrégia 1a Turma da 3a Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001852/2002-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/04/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art.
33 do Decreto ré 70.235/72. Não observado este preceito, dele
não se toma conhecimento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 201-81.161
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Walber José da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200806
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto ré 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 16327.001852/2002-41
conteudo_id_s : 5478616
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 201-81.161
nome_arquivo_s : Decisao_16327001852200241.pdf
nome_relator_s : Walber José da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 16327001852200241_5478616.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
id : 6005342
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890593579008
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T19:43:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T19:43:23Z; Last-Modified: 2009-08-03T19:43:23Z; dcterms:modified: 2009-08-03T19:43:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T19:43:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T19:43:23Z; meta:save-date: 2009-08-03T19:43:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T19:43:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T19:43:23Z; created: 2009-08-03T19:43:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-08-03T19:43:23Z; pdf:charsPerPage: 1193; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T19:43:23Z | Conteúdo => MF • 5E0Ln c3/4.0 . r ;• c:. • l : ;1(3;74AL CCOVC01 Fls. 222 Márcia Crisiiiin Garcia Man %lave 0117501 t . MINISTÉRIO DA F SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n• 16327.001852/2002-41 Recurso n• 135.867 Voluntário Matéria Multa Atraso Entrega Declaração CPMF coom; \TAAcórdão n* 201-81.161 „Arco Sessão de 04 de junho de 2008 1.0swee"efttisfi I se_ ao" -Recorrente BANCO SANTOS S/A Recorrida DRJ em Campinas - SP AssuNTo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto ré 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto. t)40("A: ite013S*1 MARIA COELHO MARQU Presidente WALT ' J • E DA . ILVA Relator, \ j Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Ivan Allegretti (Suplente). Processo,? 16327.001852/2002-4 ME •:"*; :r c:;) ; :r rC.;.I.IwuEs CCO2/C01 Acórdão n.• 20141.181 c:. : Fb. 223 425 1 06 . 1 o2___ NUR: 12 Cri 4ina Mat titaN 01 17502 Relatório Contra o BANCO SANTOS S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de multa regulamentar pelo atraso na entrega de declarações trimestrais de CPMF dos anos de 1998, 1999 e 2000, conforme Termo de Verificação de fls. 07/09. Tempestivamente a contribuinte insurge-se contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 21/41, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - SP manteve parcialmente o lançamento para reduzir em 50% a multa relativa às declarações dos 2, 3 2 e 42 trimestres de 1999 e às declarações de 2000, nos termos do Acórdão DRJ/CPS n2 10.551, de 06/09/2005 - fls. 147/153. Ciente da decisão de primeira instár' mia em 15/05/2006, AR de fl. 158/159, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 19/06/2006, no qual repisa os argumentos da impugnação, exceto quanto à redução de 50% da multa lançada. Há decisão judicial proferida em sede de mandado de segurança assegurando o processamento do recurso voluntário sem o depósito recursal de 30% e sem arrolamento de bens (fls. 188/205). Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 212. 4,Nt 2 Processo e 16327.001852/200241 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81181 -Ct.O --11:NTESI Fls. 224 ' 01)_ : te< • _ . Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é intempestivo e, por esta razão, dele não conheço. Como relatado, a matéria em exame refere-se à inconformidade do recorrente contra o lançamento de multa regulamentar pelo atraso na entrega das Declarações Trimestrais da CPMF dos anos de 1998, 1999 e 2000. Pelas razões abaixo, levanto a preliminar de perempção do recurso voluntário. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 15 de maio de 2006 (segunda-feira) e somente no dia 19 de junho de 2006 (segunda-feira), já transcorridos 35 (trinta e cinco) dias da ciência da decisão de primeira instância, foi interposto o recurso voluntário - fls. 158, 159 e 160. Determina o art. 33 do Decreto n2 70.235/72 que é cabível recurso voluntário dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão". Por sua vez, o art. 35, também do Decreto n 2 70.235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho de Contribuintes, que julgará a perempção: "Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção". No caso sob exame não resta nenhuma dúvida de que o recurso foi interposto após o transcurso do prazo assinalado no art. 33 acima transcrito. A recorrente silenciou sobre a interposição do recurso após o decurso do prazo legal. Em face do exposto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de, em sede de preliminar, não conhecer do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 4 de junho de 2008. kr • WALBF,R JOSE DA ILVA 3 Page 1 _0085700.PDF Page 1 _0085900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000525/2006-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço.
FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP).
EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.000525/2006-20
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474299
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-005.221
nome_arquivo_s : Decisao_10830000525200620.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 10830000525200620_5474299.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
id : 5960333
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890599870464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.000525/200620 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.221 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2015 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário NacionalCTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 05 25 /2 00 6- 20 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 3 2 procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório A recorrente, BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA, na data de 06/01/2006, apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação nº 34361.61298.060106.1.1.112390 (fls. 27 a 29), no montante de R$ 4.933.560,93 decorrentes de operações de mercado interno ocorridas nos meses de julho, agosto e setembro de 2005 (3º trimestre de 2005); Na data de 30/01/2006 formalizou DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, através do formulário 1 do Anexo IV da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 (fls. 3), requerendo a compensação de débitos – código de receita: 2484 (CSLL – Estimativa Mensal) para o período de apuração 31/08/2005, 30/09/2005 e 31/10/2005 e 2362 (IRPJ – Estimativa Mensal) para o período de apuração 31/08/2005 30/09/2005, com a utilização do montante do crédito contido na PER/DCOMP antes citada; No campo “Outras Informações” da Declaração de Compensação, destaca: “Nesta compensação utilizamos o instituto da denúncia espontânea constante do Artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Segue Petição de compensação em anexo”; a título explicativo destacas a seguinte parte: 1. Inicialmente, cumpre mencionar que a requerente é Pessoa Jurídica cujo objeto social abarca, preponderantemente, a fabricação e comercialização dos produtos relacionados nos anexos I e II da Lei 10.485/2002. Outrossim, referida Sociedade também realiza execução de industrialização por encomenda dos referidos produtos, sujeitando, as respectivas receitas, à hipótese de redução a zero das alíquotas das contribuições ao PIS e à COFINS. 2. Goza, outrossim, da não incidência das contribuições incidentes sobre o faturamento, segundo o disposto nos artigos 5o e 6o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e, de acordo com o artigo 149, parágrafo 2o , inciso I, da Constituição Federal, decorrente das operações de exportação de mercadorias para o exterior, operação usual praticada pela Sociedade. 3. Por conseguinte, tendo em vista a realidade fática apresentada, é corriqueiro o acúmulo de créditos de PIS/COFINS, motivo pelo qual, habitualmente, a Requerente recorre aos pedidos de ressarcimento e compensação disponibilizados pela Secretaria da Receita Federal. 4. Nesse contexto, procedeu ao pedido de ressarcimento dos créditos acumulados competentes aos segundo, terceiro e quarto trimestres do exercício de 2005, nos termos das disposições da novel Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. [...] 7. Posteriormente, como de praxe, a Requerente optou por realizar a compensação dos créditos objeto do pedido de ressarcimento efetuado outrora. [...] Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 5 4 Em atendimento ao requerimento da Contribuinte, o SEFIS – Serviço de Fiscalização da DRF de Campinas/SP implantou procedimento com exame documental e escritural, necessários à instrução do processo, pontuando o seguinte: f) Verificação da legitimidade dos créditos registrados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) mediante o exame, por amostragem, das notas fiscais, contratos e documentos referentes aos bens e serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de máquinas, equipamentos e prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de fretes, bem como de outros créditos previstos na legislação de regência; Do exame realizado o fisco constatou o registro de créditos da COFINS sem amparo legal conforme relatado: No curso das verificações ora citadas, identificouse que o contribuinte inseriu despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva" dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, conforme art. 3 o da Lei n° 10.833/2003 não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas dessa natureza. Dessa forma, devem ser excluídos os seguintes valores da base de cálculo dos créditos da Cofins: Discriminação Julho Agosto Setembro Manutenção Predial Corretiva 19.110,09 29.193,55 14.499,94 conta contábil 440206001 Manutenção Predial Preventiva 5.266,07 14.584,90 44.726,87 conta contábil 440206011 Total 24.376,16 43.778,45 59.226,81 Também foi identificado que o contribuinte inseriu nas despesas de fretes de entrada, valores de fretes de transferência de produtos do estabelecimento localizado em Campinas São Paulo para o outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari Bahia. As despesas de fretes de entrada compuseram a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, conforme art. 3o da Lei n° 10.833/2003, não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas de fretes de transferência. Dessa forma, devem ser excluídos os seguintes valores da base de cálculo dos créditos da Cofins: Discriminação Abril Maio Junho Fretes entrada conta contábil 440214001 791.586,11 841.762,20 758.728,39 Fretes transferência incluídos na conta 440214001 273.244,07 301.804,57 253.600,70 Valor a ser excluído da base de cálculo 273.244,07 301.804,57 253.600,70 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 6 5 As folhas 46 apresentou planilha com o cálculo da glosa de tais valores no montante de crédito peticionado pela contribuinte, conforme a seguir resumido e faz a seguinte conclusão: Discriminação Abril Maio Junho Valor da glosa 21.239,37 24.733,10 22.669,36 Não foram identificadas outras exclusões da base de cálculo da contribuição nem outros créditos apurados de forma irregular além dos mencionados acima. Assim, refazendose o cálculo do crédito devido, teremos a seguinte situação: Informações sobre os créditos Julho Agosto Setembro Total Crédito proc 10830.000525/200620 1.569.447,51 1.733.054,05 1.631.059,37 4.933.560,93 Crédito apurado pela fiscalização 1.548.208,14 1.708.320,95 1.608.390,01 4.864.919,10 Tendo sido efetuadas as verificações necessárias à apuração da contribuição para a COFINS, bem como do cálculo dos créditos da referida contribuição, propõese o envio do presente processo ao Seort / DRF Campinas para prosseguimento. O Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT da DRF de Campinas/SP proferiu despacho decisório (fls.52), com a seguinte fundamentação e decisão: FUNDAMENTAÇÃO O pedido de ressarcimento está amparado na Lei n° 5.172, de 25/10/66, na Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, que disciplina, entre outros, o ressarcimento e a compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, assim como nas Leis n° 10.833/2003 e 11.033/2004. A exatidão das informações, a que se refere o artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, foi aferida em análise efetuada pelo Serviço de Fiscalização desta DRF e resumida na Informação Fiscal à fls. 41/44, parte integrante e inseparável do presente despacho, sendo constatada a parcial regularidade das operações incentivadas, do que resultou a glosa de R$ 68.641,83 e a disponibilidade de R$ 4.864.919,10. DECISÃO Assim, pela competência a nós delegada, reconhecemos à interessada, em face do PER à fls.25/27, o direito creditório de R$ 4.864.919,10 e homologamos até esse limite a compensação declarada pela DCOMP à fl. 01 de acordo com os demonstrativos SIEF à fls. 45/47 e o extrato PROFISC à fls. 48/49. Seguese a ciência do presente Despacho Decisório e a exigência do saldo devedor em aberto, facultandose à interessada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 7 6 do Brasil de Julgamento no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de ciência deste. Conforme decisão do SEORT, o extrato PROFISC, fls.50/51 do processo, discrimina os débitos declarados e a compensação com o crédito reconhecido até o limite de R$ 4.864.919,10 resultando num saldo devedor para o tributo 2362 (IRPJ) PA/EX: 09/2005 Vcto IMPOSTO: 31/10/2005 no valor de R$ 818.240,75. O fisco não reconheceu a denuncia espontânea alegada pela contribuinte e acrescentou aos valores dos impostos declarados, o valor da multa e dos juros de mora, para após efetuar a compensação. O sujeito passivo da obrigação tributária foi intimado a recolher o saldo devedor em aberto aos cofres da Fazenda Nacional, na data de 09/11/2010 (fls.56), facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. No prazo legal foi apresentado MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls.59/82), culminando com o seguinte pedido: Por todo exposto, requer, preliminarmente, seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco analisar a procedência dos créditos de COFINSmercado interno apurados entre abril a junho de 2005, motivo pelo qual devem ser integralmente homologados os Pedidos de Restituição e de Compensação objetos do r. Despacho Decisório em referência. Caso por absurdo assim não se entenda e não seja acolhida a preliminar de decadência, requer a Requerente seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, a fim de que seja reformado o r. despacho decisório, devendo ser integralmente reconhecido o montante creditório pleiteado relativamente às operações de mercado interno efetuadas no 2o trimestre de 2005, bem como para que seja reconhecida a regularidade da denúncia espontânea dos débitos de IRPJ e CSLL, afastandose, assim, a incidência de multa de mora sobre os valores compensados, a fim de que sejam integralmente homologadas as compensações efetuadas, ante a regularidade do crédito apurado e, por conseguinte, seja cancelada a cobrança em razão de extinção do débito, de acordo com o artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO PREDIAL. FRETES DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 8 7 Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação, como manutenção predial e fretes contratados para transporte de bens em elaboração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apesar de não fazer parte da ementa acima transcrita a DRJ se posicionou também, sobre as teses de defesa relacionadas a decadência e denúncia espontânea, bem como, sobre a compensação efetuada. Sobre estes temas a DRJ assim se manifestou: De início, é importante registrar que os autos não tratam de lançamento fiscal, ou seja, não há constituição de crédito pela Fazenda Pública que chame a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Os débitos que eventualmente venham a ser objeto de cobrança foram confessados pela própria contribuinte nas declarações de compensação, previamente a qualquer ação do Fisco. Por outro lado, o prazo que corria contra a Administração é tratado no art. 74, §5º da Lei nº 9.430, de 1996, e diz respeito à homologação da compensação declarada pela contribuinte. No caso em exame, a DCOMP que se aproveita do direito de crédito pleiteado foi apresentada em 30/01/2006 (fl. 1). Por sua vez, a ciência do despacho que homologou parcialmente a citada declaração de compensação se deu em 09/11/2010, portanto, na guarda do prazo tratado no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a Administração Tributária agiu no sentido de aferir, dentro do prazo que lhe cabia, a correção do procedimento de compensação. A nova apuração do saldo de créditos da não cumulatividade é, dessa forma, atividade imprescindível à certificação da compensação e não está sujeita aos ritos e aos prazos aplicáveis à constituição de crédito tributário pela Fazenda Pública. [...] No caso em tela, a repercussão tributária do saldo credor coincide com o do aproveitamento do crédito em DCOMP. Não há portanto, a alegada expiração do prazo na ação da Fazenda Pública. [...] Notese que o dispositivo (art. 138 do CTN) condiciona a caracterização da denúncia ao pagamento do tributo devido e dos juros de mora. O dispositivo não menciona outras formas de extinção do crédito como beneficiárias do instituto. Assim, de pronto, tratando o citado artigo de regra de direito excepcional, sua interpretação deve ser estrita, o que coloca a compensação fora dos efeitos da denúncia espontânea. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 9 8 Além disso, ainda que se considere a compensação como forma de extinção alcançada pelo disposto no art. 138, do CTN, não ficaria afastada a multa de mora no caso. Sustenta a contribuinte que, ao declarar a compensação de tributos vencidos, ficou ao abrigo do instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. A esse respeito devese lembrar, de início, rememorar o dever legal que compele o contribuinte a extinguir a obrigação tributária no prazo de vencimento. Neste sentido, para o crédito não integralmente pago no vencimento, o art. 161 do CTN determina o acréscimo de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária, dentre as quais inserese a multa de mora, estipulada na Lei nº 9.430, 1996. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário onde espera ver integralmente reformado o acórdão recorrido e homologada por completo a compensação efetuada, sob os seguintes argumentos de defesa: DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO ANALISAR A APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RELATIVO AO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2005 NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO No presente caso, como os valores utilizados como crédito de COFINSmercado interno para compensação foram apurados no terceiro trimestre de 2005, a D. Fiscalização somente poderia ter questionado tal procedimento até o terceiro trimestre de 2010, respeitandose o prazo decadencial de cinco anos, em atenção ao disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, porém, não foi o que ocorreu, pois a ora Recorrente somente foi intimada acerca do Despacho Decisório no dia 09/11/2010 (após decurso do prazo decadencial de cinco anos). Dessa forma, concluise que ocorreu a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN. Portanto, no presente caso, não se poderia ter procedido à glosa dos créditos de COFINSmercado interno, realizando verdadeira revisao da apuração do tributo, após o decurso do prazo decadencial, sem procedimento próprio e inerente ao lançamento de ofício. DO DIREITO AO INTEGRAL RESSARCIMENTO DOS VALORES PLEITEADOS Assim, os valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris devem servir de base de cálculo para o cálculo dos créditos de COFINS, sendo indevida a glosa procedida pelo i. Auditor Fiscal e ratificada pelo acórdão ora recorrido, vez que tais gastos influenciam diretamente na fabricação dos produtos da Sociedade, porquanto depende das instalações prediais operando com Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 10 9 pleno vigor e eficiência para fabricar seus produtos e desempenhar sua atividade, configurandose, portanto, em efetivos insumos aplicados na produção de bens, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido. Portanto, o que se pode verificar é que o frete utilizado pela Recorrente para composição de seu saldo credor de COFINS é efetivamente o de um "serviço utilizado como insumo", haja vista que a transferência de um produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Recorrente e assim deve ser considerado para fins de aproveitamento dos créditos. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA Encerrado o anocalendário, foi apurado pre1mzo fiscal, o que significa dizer que os valores das estimativas deixaram de ser devidos, já que não foi apurada base de cálculo passível de incidência do tributo. E, sendo assim, ainda que não fosse reconhecido o direito creditório da Recorrente, certamente não podem ser exigidos os valores a título de estimativa, mas apenas e tão somente, poderse ia ajustar o valor dos saldos negativos apurados. Aliás, nem mesmo se fosse apurada base de cálculo positiva, com o encerramento do anocalendário, as estimativas seriam devidas, pois, neste momento, seria apurado o valor definitivo a título de IRPJ e CSLL. Desta feita, insistase, eventual diferença de estimativa recolhida a menor, deveria ser atribuído ao resultado final do anocalendário, com o ajuste da base de cálculo apurado, o que, no presente caso, resultaria em redução do saldo negativo apurado. DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DE MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA De fato, a norma geral determina a aplicação de multa moratória nos casos de tributo recolhido fora do prazo determinado. Entretanto, o artigo 138 do Código Tributário Nacional traz hipótese de exceção. Tal dispositivo impõe certas condições, conforme segue: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 11 10 Pelo visto acima, duas são as condições a serem observadas para o gozo do benefício da denúncia espontânea. A primeira referese ao pagamento integral do débito tributário, devidamente acrescido dos juros de mora devidos. A segunda refere se ao pagamento antes de qualquer atividade de fiscalização. No presente caso, ambos os requisitos foram devidamente preenchidos pela ora Recorrente. Dessa forma, uma vez que a ora Recorrente seguiu à risca a regra imposta pelo Código Tributário Nacional, é de se concluir que o pagamento (compensação) espontâneo do débito em atraso rechaçou a incidência da multa de mora. Ademais, a indenização pelo mero atraso já resta satisfeita com a inclusão dos juros de mora, condição cumprida pela Recorrente para a configuração da denúncia espontânea. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Cássio Schappo, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, as questões aqui discutidas se dividem em dois fatos: 1º) o PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU REESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – PER/DCOMP nº 34361.61298.060106.1.1.112390, transmitida em 06/01/2006, que trata de créditos da COFINS nãocumulativa – mercado interno referente aos meses de julho, agosto e setembro de 2005, ou seja, 3º trimestre/2005; 2º) a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO recepcionada pela DRF – Campinas/SP na data de 30/01/2006, indicando os débitos da CSLL/IRPJ apurados por estimativa em 31/08/2005, 30/09/2005 e da CSLL apurada por estimativa em 31/10/2005, compensados com os créditos dispostos no PER/DCOMP acima mencionado. O embate fisco/contribuinte se dá a partir do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/2310/2010, cientificado na data de 09/11/2010, o qual comunica: que foi deferido em parte o pedido de ressarcimento da COFINS MERCADO INTERNO relativa ao 3º trimestre de 2005, reduzindo o crédito declarado de R$ 4.933.560,93 para R$ 4.864.919,10 resultante da glosa de R$ 68.641,83 correspondente a créditos sem previsão legal, relativos a “Serviços Utilizados como Insumos” inseridos como despesas de “manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva” e de valores de fretes de transferência de produtos em processo de fabricação do estabelecimento localizado em Campinas/SP para o outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari/BA; que foi homologada parcialmente a compensação objeto da DCOMP formalizada no processo em discussão, resultante da glosa de crédito da PER/DCOMP e da Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 12 11 multa de mora não considerada nos cálculos da contribuinte para os débitos vencidos relacionados na DCOMP; dessa forma o contribuinte foi intimado a recolher o saldo devedor em aberto aos cofres da Fazenda Nacional, conforme DARF no valor de R$ 818.240,75 a título de imposto, mais multa e juros de mora; A inconformidade manifestada pela contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ em Campinas/SP e por consequência não reconhecido o direito creditório nos termos do Despacho Decisório SEORT/DRF/DSP e fundamentos já destacados no relatório. O recurso voluntário foi instruído sem destaque de preliminares, expondo em sequência as teses de defesa, que serão seguidas no encaminhamento do voto, começando pela PER/DCOMP (questão 1): 1 DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO ANALISAR A APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RELATIVO AO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2005 – NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO. A recorrente busca através dessa premissa, anular a glosa do crédito da COFINS referente ao 3º trimestre do ano de 2005, devidamente declarado ao fisco, por não estar mais sujeito a revisão, uma vez ultrapassado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Cabe aqui esclarecer que a atividade do contribuinte de registrar os créditos da COFINS para o período de julho, agosto e setembro de 2005, já havia sido declarada ao fisco através da DACON e não pela PER/DCOMP como dito no julgamento pela DRJ. O prazo decadencial estabelecido pelo mencionado dispositivo do CTN, passa a contar do fato gerador declarado, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que a Fazenda Pública tomando conhecimento da atividade do obrigado expressamente a homologa. E não o fazendo, deixando transcorrer esse tempo, considerase tacitamente homologado. O Serviço de Fiscalização agiu em perfeita consonância com o estabelecido no art. 150 do CTN, porém, concluiu sua análise, dando ciência ao contribuinte sobre a atividade declarada, ou seja, sobre o montante de créditos acumulados da COFINS no 3º trimestre de 2005, na data de 09/11/2010, quando já homologado tacitamente por decurso de prazo. A DRJ em seu julgamento nem leva o assunto ao texto do art. 173, I do CTN, restringindo ao fato do despacho da SEORT estar amparado no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 1996, que trata do prazo para homologação da compensação declarada pela contribuinte. Além do que, não existe lançamento de ofício para que se discuta eventual ocorrência de decadência na presente exigência. Os prazos aqui mencionados não se confundem e nem se complementam. O prazo para homologação da atividade declarada, do tributo apurado e declarado é um e o prazo de homologação da compensação requerida é outro, apesar de serem atribuídos para os dois casos o prazo de 5 (cinco) anos. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 13 12 Excelente comentário sobre o tema envolvendo o art. 150, § 4º do CTN, da lavra de José Oleskovicz, ExConselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, contribui e enriquece a discussão, destacandose: As disposições do § 4º do art. 150 do CTN, têm sido utilizadas para considerar que a data de início do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento iniciar seia, ao contrário do que dispõe o art. 173 do CTN, a contar da data da ocorrência do fato gerador do tributo. Esse entendimento, entretanto, não encontra respaldo legal, como se pode constatar do § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, que, literalmente, não trata de decadência, mas tãosomente de constituição e extinção do crédito tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" "§ 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.". O prazo de 5 anos contado da data do fato gerador foi estabelecido pelo § 4º do art. 150 do CTN para delimitar o período de tempo em que a Administração Tributária deve constituir o crédito tributário, mediante homologação expressa da atividade apuratória do tributo informada pelo contribuinte, mesmo na hipótese de falta, total ou parcial, de pagamento. Se nesse prazo o Fisco não homologar expressamente a referida atividade, esta se considerará tacitamente homologada e, automaticamente, efetuado o lançamento, ou seja, constituído o crédito tributário, bem como extinto este, integral ou parcialmente, na proporção do que houver sido pago antecipadamente, pois o que se homologa é a atividade, não o pagamento, conforme farta doutrina e jurisprudência. Desse ensinamento, concluise que existe uma clara distinção entre o prazo à homologação da atividade apuratória do tributo, devidamente declarada ao fisco pelo contribuinte, art. 150, § 4º do CTN e o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo, art. 173, I do CTN. No primeiro caso, transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador sem que houvesse pronunciamento pelo fisco, a atividade do contribuinte fica automática e tacitamente homologada, tornandose definitivos os valores declarados. No segundo caso, do prazo decadencial para lançamento de ofício do tributo, este se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 14 13 que o lançamento poderia ter sido efetuado, ai considerados, inclusive, as ocorrências comprovadas de dolo, fraude ou simulação, passíveis de aplicação de multa qualificada. Evidente que a atividade tacitamente homologada não mais estaria sujeita ao lançamento, este só poderia atingir fatos não declarados. A jurisprudência assente no STJ faz referência ao fato de haver pagamento, mesmo que parcial, com relação à atividade declarada ao fisco pelo contribuinte, onde a contagem do prazo decadencial se dá na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN. O entendimento firmado pelo STJ, de haver pagamento mesmo que parcial, está relacionado ao fato de existir débito apurado e declarado, diferentemente do aqui exposto que trata da existência de saldo credor no final do período declarado. Do contrário recairíamos em um tratamento desigual para casos essencialmente idênticos. Basta compararmos dois contribuintes com atividade industrial que apuram e declaram ao fisco o tributo de um mesmo período, só que um apresentou saldo credor e outro um saldo devedor de apenas R$ 10,00 recolhendoos rigorosamente em seu vencimento. Depois de transcorridos 5 (cinco) anos o primeiro estaria sob a égide do art. 173, I do CTN e o segundo contribuinte estaria amparado pela decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Se a homologação tácita recai sobre a atividade de um determinado período de apuração declarado ao fisco e não somente se homologa o pagamento que chegou aos cofres públicos, após passados 5 (cinco) anos do fato gerador o credito fica extinto e a administração tributária está impedida de questionar os fatos que contribuíram para a atividade declarada pelo contribuinte, salvo os casos comprovados de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º do CTN). Nos casos de lançamento por homologação, que se aplica a COFINS, em que o contribuinte tem a obrigação de fazer os registros fiscais de entrada, de saída e apurar o imposto devido por períodos determinados, declarando essa atividade ao fisco, não só preenche inicialmente o princípio constitucional da não cumulatividade do imposto, como também, define a data inicial de contagem do prazo para que a administração tributária a homologue, expressamente ou tacitamente, decorridos o período quinquenal do fato gerador. O dever de antecipar o pagamento, quando da existência de tributo a recolher, sem prévio exame da autoridade administrativa é inerente ao processo do lançamento por homologação. Caso contrário recairia na hipótese da homologação apenas do pagamento e não é essa a melhor exegese do art. 150, § 4º do CTN. Diante desses fatos, acolho a pedido, considerando tacitamente homologado a atividade do contribuinte para o período referente ao 3º trimestre de 2005, com base no art. 150, § 4º do CTN e por consequência reabilitado o crédito da COFINS informado na PER/DCOMP. 2 DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS 2.1 – MANUTENÇÃO PREDIAL Sobre os valores glosados pela SEFIS – Serviço de Fiscalização no curso das verificações sobre créditos da COFINS possuem duas questões distintas relacionadas à GLOSA. Para o primeiro caso – MANUTENÇÃO PREDIAL CORRETIVA E MANUTENÇÃO PREDIAL PREVENTIVA, a interpretação do fisco está correta e, portanto, Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 15 14 procedente a glosa praticada, caso não estivesse sujeito ao prazo de homologação como visto no tópico anterior. No aspecto teórico o registro fiscal como praticado pela contribuinte, lançamento como insumo de produção os gastos com manutenção predial corretiva e preventiva, contraria as melhores formulações conceituais a respeito de insumos sujeitos à crédito da COFINS. Porém, fere o princípio da não cumulatividade do tributo, pois os gastos de manutenção do prédio do setor produtivo, com incidência da COFINS em sua origem e que participam do preço de venda, também, com incidência da COFINS, está sendo excluído. O que mais se aproximaria às justificativas da defesa seria o tratamento dado ao item máquinas, equipamentos e demais bens incorporados ao ativo imobilizado, abrangidos pelo inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, quando estiverem relacionados à produção das mercadorias vendidas ou aos serviços prestados pela pessoa jurídica, abrangidos pelo conceito de insumo, empregado pela legislação do PIS/PASEP e da COFINS. Nesse sentido apontase precedente do CARF, conforme se verifica pela ementa do acórdão nº 3202000.411, de 24/01/2012 da 2ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, com semelhante entendimento adotado por outras turmas, de outras câmaras, também da 3ª Seção: CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados insumos todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Estender esse entendimento a manutenção predial, seja corretiva ou preventiva, com classificação de insumo imprescindível à produção, foge a melhor conceituação dada até agora a permissão de crédito da COFINS, no âmbito do CARF. Não assiste razão ao sujeito passivo pelo crédito praticado sob a rubrica de manutenção predial corretiva e preventiva. 2.2 FRETE DE TRANSFERÊNCIA Porém, contrariamente ao entendimento dado pelo fisco e pelo julgamento firmado pela DRJ em Campinas/SP, razão assiste ao sujeito passivo pelo crédito praticado a título “fretes de transferência” de peças em produção entre estabelecimentos da mesma empresa, agregados a “Serviços Utilizados como Insumos”. Os valores de fretes glosados se referem a transferência de produtos inacabados, do estabelecimento localizado em Campinas/SP para outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari/BA, que de acordo com a interpretação dada pelo fisco ao art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de fretes de transferência. Conforme detalhado pela recorrente as folhas 124 a 128, o frete de transferência referese a produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento, que nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Recorrente, assim demonstrado: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 16 15 A Benteler Componentes Campinas, fabrica o item 899500315AA Eixo Traseiro BV226 e o item 899500316AA Eixo Traseiro BV256, onde os componentes comprados conforme lista técnica abaixo são soldados e pintados: [...] Após esse primeiro processo, esses itens são transferidos para a Benteler Camaçari, onde o processo de Industrialização é finalizado. A partir dos Eixos recebidos de Campinas, a planta de Camaçari agrega vários outros componentes, conforme lista técnica abaixo, transformandoo em um Módulo de Suspensão o qual é Vendido para a FORD. Tecnicamente a conceituação de custo de aquisição compreende as despesas de transporte, como previsto no art. 13, § 1º. “a” do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Nesse sentido o CARF tem reconhecido o direito ao crédito no transporte de produtos não acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, consoante acórdãos nº 330100.424 – 3ª S. 1ª T.O. 3ª C.; nº 3403002.508 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C.; com destaque para ementa do acórdão nº 3403002.010 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C. data de 03/05/2013, da relatoria do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz: [...]COFINS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. [...] Neste processo, não há divergência quanto ao fato de que o frete envolvido está integralmente relacionado com o transporte de produtos ainda em fase de elaboração entre estabelecimentos industriais do sujeito passivo e nem tem como descaracterizálo como custo de produção, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. “In verbis”: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 17 16 inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). 3 DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ART. 138 DO CTN A contribuinte efetuou a compensação dos débitos de CSLL e IRPJ estimativa, dos períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2005, cuja declaração foi satisfeita pela transmissão da DCTF retificadora de cada período, transmitida na data de 04/04/2006. Na DCTF original não foi declarado nenhum valor de débito apurado a título de CSLL e IRPJ estimava. Dessa forma, o benefício da denúncia espontânea fica respaldado pelo art. 138 do CTN, pleiteada pela recorrente, o qual encontra ressonância com os atos normativos da RFB e a jurisprudência do CARF e STJ. O CARF em recente julgado, Acórdão nº 1301001.366 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 05/12/2013, tratou do assunto e firmou o seguinte entendimento: Assim, entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. O objetivo do art. 138 do CTN é o de estimular o contribuinte infrator a regularizar a sua situação, denunciando fatos desconhecidos por parte do Fisco, sendo certo que sua conduta – denúncia espontânea – tem por conseqüência o recolhimento de tributo devido acompanhado dos juros de mora, cujo recolhimento não fora efetuado dentro do prazo legal e que não fosse sua iniciativa, talvez nunca viesse a lhe ser exigido de ofício. Por outro lado, não configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o crédito tributário, tais como DCTF, DIRPF, Dcomp, etc. e em momento posterior quita o débito, mediante pagamento ou compensação. O Superior Tribunal de Justiça – STJ em Recurso Especial representativo de controvérsia tratou desse assunto e assim ementou sua decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 18 17 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 19 18 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, permite ao devedor de um determinado tributo, antes do início de qualquer procedimento da fiscalização, informar voluntariamente à Administração Tributária, sendolhe assegurado a não cobrança da multa de mora, desde que acompanhado do pagamento do respectivo tributo e dos juros de mora. Confere o texto do dispositivo legal citado: Art. 138 – A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único – Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Conforme disposto na Súmula 360 do STJ, não é a situação de qualquer tributo que lhe assegura o benefício da exclusão da multa: “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do fisco. Contrariamente ao entendimento da DRJ nestes autos, a Receita Federal, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconhece que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, pode configurar denúncia espontânea. Isso porque, a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Segue transcrita parte da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/12/2012, que trata do assunto: 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 20 19 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes aplicase o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; Pelas razões expostas, fica afastada a incidência de multa moratória sobre os débitos compensados, em face da declaração via DCTF retificadora dos débitos apurados (04/04/2006), por terem sido em data posterior a Declaração de Compensação requerida (30/01/2006), prevalecendo a denuncia espontânea prevista no art. 138 do CTN que afasta a incidência da multa de mora. 4 DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Sobre esse ponto e da forma como transcorrido o processo desde a apresentação da DECOMP, improcedem os argumentos da recorrente, não merecendo nenhum reparo às colocações dadas pelas DRJ em Campinas/SP. Tratase de valores declarados, com data de vencimento estabelecidas em lei e sujeitos a sanções pelo inadimplemento da obrigação. Esta situação não se altera quando ao final do exercício eventual saldo negativo venha a ser apurado. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Apesar do excelente voto do Conselheiro Relator, ouso dele discordar em relação à tese de homologação tácita defendida com base na premissa de que a contribuinte declarou os créditos da contribuição social referente ao período de apuração em DACON e não através do PER/DCOMP conforme havia dito a turma de julgamento da DRJ. Diferentemente da DCTF e da DCOMP, o DACON não é documento hábil para a constituição de crédito tributário, logo, não se pode dizer que seja passível de homologação. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 21 20 Os prazos para o Fisco proceder à homologação do lançamento, ao final dos quais este se considera tacitamente homologado, estabelecidos nos arts. 150 e 173 do CTN não se aplicam ao presente caso, simplesmente, porque não houve lançamento que pudesse ser homologado e não se está diante de lançamento de ofício para constituição de crédito tributário. Vejase o O CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Aceitar que ocorreu homologação tácita em relação aos créditos pleiteados implicaria afastar a exigência de que o crédito deve ser líquido e certo, arts. 165 e 170 do CTN, e negar à autoridade fiscal o poder/dever de apurar a liquidez e certeza do crédito. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 3801005.221 S3TE01 Fl. 22 21 Não há norma que diga que valores informados em DACON sejam considerados homologados após determinado prazo. Outra hipótese de homologação é a prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que também não se aplica ao caso, pois, conforme relatório do acórdão, a Administração Tributária não extrapolou o prazo de cinco anos para decidir sobre a compensação declarada. Cito esta norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Logo, não está presente nenhuma das hipóteses previstas em lei que ensejariam alguma homologação tácita, motivo pelo qual, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à alegação de que houve homologação tácita do crédito alegado. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721544/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP e RE 410.054 AgR/MG (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10660.721544/2010-79
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5518185
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.279
nome_arquivo_s : Decisao_10660721544201079.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10660721544201079_5518185.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP e RE 410.054 AgR/MG (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 6119833
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890608259072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.721544/201079 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.279 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de outubro de 2013 Assunto Sobrestamento de processo Recorrente ATLANTIS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP e RE 410.054 AgR/MG (sob a sistemática do art. 543B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .7 21 54 4/ 20 10 -7 9 Fl. 6342DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10660.721544/201079 Resolução nº 1401000.279 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o processo de lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e reflexos. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 4059 (grifado): 10.Após uma análise inicial do que foi informado no Depoimento em questão, esta fiscalização, visto não ter sido entregue pela empresa os contratos de abertura, extratos bancários e procurações em nome de terceiros referentes às contas bancárias solicitados no Termo de Inicio de Fiscalização e novamente solicitados no Termo de Intimação Fiscal n° 001, propôs a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF em relação às Contas bancárias da empresa, nos termos do art. 6º da Lei Complementar 105/01 e dos incisos X e XI do art. 3° do Decreto 3.724/01, fls 119 a 134. É o relatório. VOTO Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator A constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC). Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 6343DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000244/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/11/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. PROCEDIMENTO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
A obrigação de manter arquivos magnéticos pelo prazo decadencial indica o tipo de fiscalização em que é aplicável a multa pelo seu descumprimento. Nas fiscalizações que têm por objetivo aferir a legitimidade de um crédito alegado, a apresentação de arquivos magnéticos configura dever instrumental, e não obrigação acessória. Inteligência do Parecer Normativo RFB nº 3/2013. Inaplicável, portanto, a multa do art. 12, inc. III, da Lei nº 8.218/1991 quando do atraso na entrega de arquivo magnético requerido em procedimento de restituição, ressarcimento e compensação.
Numero da decisão: 3201-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros WINDERLEY MORAIS PEREIRA e JOEL MIYAZAKI que davam parcial provimento.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
Nome do relator: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/11/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. PROCEDIMENTO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A obrigação de manter arquivos magnéticos pelo prazo decadencial indica o tipo de fiscalização em que é aplicável a multa pelo seu descumprimento. Nas fiscalizações que têm por objetivo aferir a legitimidade de um crédito alegado, a apresentação de arquivos magnéticos configura dever instrumental, e não obrigação acessória. Inteligência do Parecer Normativo RFB nº 3/2013. Inaplicável, portanto, a multa do art. 12, inc. III, da Lei nº 8.218/1991 quando do atraso na entrega de arquivo magnético requerido em procedimento de restituição, ressarcimento e compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13896.000244/2011-68
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5485008
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-001.872
nome_arquivo_s : Decisao_13896000244201168.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
nome_arquivo_pdf_s : 13896000244201168_5485008.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros WINDERLEY MORAIS PEREIRA e JOEL MIYAZAKI que davam parcial provimento. JOEL MIYAZAKI - Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO - Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
id : 6037724
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890610356224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 223 1 222 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000244/201168 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.872 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente VOTORANTIM CIMENTOS BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/11/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. PROCEDIMENTO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A obrigação de manter arquivos magnéticos pelo prazo decadencial indica o tipo de fiscalização em que é aplicável a multa pelo seu descumprimento. Nas fiscalizações que têm por objetivo aferir a legitimidade de um crédito alegado, a apresentação de arquivos magnéticos configura dever instrumental, e não obrigação acessória. Inteligência do Parecer Normativo RFB nº 3/2013. Inaplicável, portanto, a multa do art. 12, inc. III, da Lei nº 8.218/1991 quando do atraso na entrega de arquivo magnético requerido em procedimento de restituição, ressarcimento e compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros WINDERLEY MORAIS PEREIRA e JOEL MIYAZAKI que davam parcial provimento. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 02 44 /2 01 1- 68 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN. Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por Votorantim Cimentos S/A, doravante referida como Recorrente, contra o Acórdão nº 1437.682, de 23/05/2012, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário em discussão. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese o relatório da decisão recorrida: Contra a interessada, antes qualificada, foi lavrado Auto de Infração para a exigência de Multa Regulamentar, no valor de R$ 11.515.033,70, por não ter sido cumprido o prazo estabelecido para a apresentação de arquivos magnéticos e sistemas de sua contabilidade, referentes ao período de 01/04/2008 a 30/09/2008. Após intimada e reintimada, a contribuinte apresentou os arquivos com 12 dias de atraso. A penalidade está prevista nos arts. 11 e 12, inciso III, da Lei nº 8.218/91, com a redação data pelo art. 72 da MP nº 2.15835/2001, combinado com IN SRF nº 86/2001, e corresponde a dois centésimos por cento (0,02%) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no anocalendário – 0,24% (12 dias x 0,02). Regularmente cientificada, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 93/110, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. Apurou saldo credor de IPI no 2º e 3º trimestres de 2008 e requereu o ressarcimento e a compensação com outros tributos, o que resultou em ação fiscal por parte da Receita Federal para a verificação dos valores apurados; 2. Após o início da fiscalização, informou que transmitiu, via internet, o cancelamento das PER/DCOMPs, por ter percebido a inexistência dos créditos; 3. Mesmo resolvida a questão, foi irregularmente indeferido o pedido de cancelamento das PER/DCOMPs, e mantido o procedimento fiscal; não havia mais motivação para a autoridade fiscal exigir a apresentação dos arquivos magnéticos; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13896.000244/201168 Acórdão n.º 3201001.872 S3C2T1 Fl. 224 3 4. O atraso se justifica porque a documentação do Grupo Votorantim está centralizada em Curitiba, e porque na mesma época estavam em curso diversas outras fiscalizações; 5. Por estar sujeita à escrituração digital – Sistema SPED – está legalmente dispensada da apresentação de arquivos eletrônicos; 6. Não houve prejuízo à arrecadação e à fiscalização do tributo, que aliado à boafé da contribuinte, não permitem a imposição de qualquer sanção; 7. A multa não é razoável e sua exigência representa violação aos princípios da razoabilidade e da moralidade; 8. A exigência configura desrespeito ao princípio da reserva legal e da tipicidade em matéria tributária, na medida em que, se punição houvesse que ser aplicada, seria cabível a pena de que trata o art. 592 do RIPI/2010, mais específica; 9. A multa foi calculada de forma errada, pois deveria ter sido usado como base a receita bruta do estabelecimento sob fiscalização, e não a receita bruta da pessoa jurídica. Por fim, requereu o cancelamento do auto de infração. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/11/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Descumprido o prazo legalmente fixado na intimação para apresentação dos arquivos magnéticos da contabilidade da pessoa jurídica, é devida a multa regulamentar. Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos da sua defesa original. O processo foi distribuído para a Primeira Seção de Julgamento, mais especificamente para a 2ª Turma da 2ª Câmara, que, em 10/06/2013, não conheceu o recurso voluntário por entender que a competência para o seu julgamento era da Terceira Seção de Julgamento, nos termos do Regimento Interno do CARF. O Acórdão nº 1202001.005 foi ementado da seguinte maneira: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Compete à 3ª Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário em que se discute penalidade pelo descumprimento de obrigações acessórias relativamente ao IPI. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 O processo foi, então, redistribuído e sorteado para este Conselheiro, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudino O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Como já relatado, o cerne da controvérsia travada administrativamente consiste no cabimento, ou não, da multa pelo atraso na apresentação de arquivos magnéticos à luz das circunstâncias fáticas aduzidas pela Recorrente. A exigência dos autos está fundamentada nos arts. 11 e 12, III, da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, bem como no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001. Confirase o teor dos referidos dispositivos: Lei nº 8.218, de 1991 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. [...] Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13896.000244/201168 Acórdão n.º 3201001.872 S3C2T1 Fl. 225 5 Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 Art. 2º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. O colegiado da instância a quo analisou todos os argumentos fáticos trazidos pela Recorrente em sua peça impugnatória e concluiu que as normas em questão não deveriam ser afastadas. Dada a clareza e objetividade do voto condutor do acórdão recorrido, transcreve se abaixo boa parte do seu teor: No caso dos autos, o prazo inicial (20 dias) para a apresentação dos arquivos magnéticos relativos ao período de 01/04/2008 a 30/09/2008 foi estabelecido pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 04/06, que foi recebido em 20/07/2010, conforme AR de fl. 07. Em 09/08/2010, a contribuinte solicitou e a fiscalização concedeu prazo suplementar de 20 dias. Em 02/09/2010, a contribuinte foi comunicada, através de telegrama (fl.22), do prosseguimento da ação fiscal, inclusive das prorrogações do Mandado de Prosseguimento Fiscal (MPF). Em 14/10/2010, a contribuinte foi reintimada a apresentar os arquivos magnéticos, no prazo de 10 dias (fls. 26/28). Em 25/10/2010, a interessada solicitou prazo suplementar de 20 dias para a entrega dos arquivos magnéticos (fl. 31). O prazo foi prorrogado pela fiscalização até o dia 05/11/2010, conforme consta na própria solicitação (fl. 31) e em telegrama de 27/10/2010 (fl. 32). A contribuinte entregou os arquivos magnéticos em 19//11/2010, com doze dias de atraso, o que ensejou a lavratura do auto de infração. Inicialmente, cabe destacar que a impugnante não contesta o fato de que apresentou em 19/11/2010 os arquivos magnéticos requeridos, com atraso em relação ao prazo concedido pela fiscalização. Desse modo, configurase a situação prevista nos arts. 11 e 12, III, da Lei nº 8.218/91, para a aplicação da multa regulamentar de dois centésimos por cento (0,02%) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no anocalendário. Ressaltese que a aplicação da multa independe da boafé ou de prejuízo à arrecadação. Caracterizado o atraso na entrega do arquivo, aplica se a multa legalmente prevista. A impugnante alega que após o pedido, via internet, de cancelamento das PER/DCOMPs, não havia mais motivo para o prosseguimento da fiscalização e, conseqüentemente, não haveria obrigatoriedade de apresentação dos arquivos magnéticos. A alegação é absurda. O cancelamento das PER/DCOMPs ocorreu posteriormente ao início do procedimento fiscal, quando já não havia espontaneidade por parte da contribuinte. Mas a questão do cancelamento ou não das PER/DCOMPs é irrelevante. Não é prerrogativa dos contribuintes estabelecer se há ou não interesse Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 fiscal. Tal seria se fosse permitido aos contribuintes definir qual fiscalização deve prosseguir e qual deve ser encerrada. È competência da Receita Federal estabelecer, iniciar e prosseguir fiscalizações. No caso, o delegado da Delegacia da Receita Federal de Barueri emitiu o Mandado de Procedimento Fiscal e suas prorrogações, e o autuante teve o cuidado adicional de informar, reiteradamente, o prosseguimento da fiscalização. Nos termos do art. 11, da Lei nº 8.218/91, a empresa está obrigada a manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os arquivos digitais, e o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86/2001 estabeleceu que as pessoas jurídicas, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, devem apresentálos no prazo de 20 dias. A exigência não está condicionada ao entendimento da contribuinte sobre a necessidade ou não do procedimento fiscal. Também não procedem as justificativas para o atraso na entrega dos arquivos. O fato do Grupo Votorantim optar por centralizar sua documentação na unidade de Curitiba, não pode impedir a empresa de cumprir os prazos legais, e o atendimento a outras fiscalização não legitima o atraso, porque, tratandose de arquivos digitais, não havia documento em poder de outros entes fiscalizadores. Ademais, a fiscalização concedeu diversas prorrogações de prazo. A fiscalização iniciouse em 20/07/2010, e a autuada apresentou os arquivos somente em 19/11/2010, quatro meses após a primeira intimação. Sustenta a recorrente que por estar sujeita à escrituração digital – Sistema SPED – está legalmente dispensada da apresentação de arquivos eletrônicos. Constatase nos autos (fls. 151 e 154) que o protocolo de adesão à escrituração fiscal digital ocorreu em 10/02/2011, portanto após o atraso na apresentação dos arquivos digitais em 19/11/2010, quando a impugnante estava sujeita à obrigatoriedade de entrega dos arquivos. Além disso, conforme cópia do requerimento de fl. 152, o pedido de inclusão abrangia arquivos a partir de janeiro de 2011, e os arquivos digitais entregues em atraso referemse a períodos de 2008. Quanto ao argumento de a multa violar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco, cabe lembrar à contribuinte que argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. [...] Ademais, é preciso observar que a multa ora aplicada é limitada a 1% da receita bruta auferida pela empresa no ano de 2008, o que não revela confisco, nem contraria o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Apesar de a multa ser em montante elevado, o fato somente revela que o faturamento da empresa também o é, pois esta não pode ultrapassar 1% deste valor. A impugnante questiona a multa aplicada defendendo que caso houvesse punição a ser aplicada, seria a multa prevista no art. 592 do RIPI/2010, por ser mais específica. O argumento está equivocado. Ao contrário do que afirma, a multa aplicada prevista Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13896.000244/201168 Acórdão n.º 3201001.872 S3C2T1 Fl. 226 7 no art. 12 da Lei nº 8.218/91 (com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória nº 2.15835/2001) é justamente a mais específica, pois referese particularmente aos casos de não entrega ou entrega em atraso dos arquivos magnéticos, o que se aplica perfeitamente ao caso em comento. Por sua vez, a multa prevista no art. 592 do RIPI/2010, tem com base legal o art. 57 da mesma Medida Provisória nº 2.15835/2001, que se reporta ao art. 16 da Lei nº 9779/99. O referido artigo trata das obrigações acessórias de modo geral, enquanto que o art. 72 referese, especificamente, à obrigatoriedade de apresentação dos arquivos magnéticos. Por último, a autuada contesta o cálculo elaborado, entendendo que a receita bruta adotada deveria ser a do estabelecimento sob fiscalização, e que o período deveria ser de abril a setembro de 2008. O inciso III, do art. 12 da Lei nº 8.218/91 é expresso em determinar que a multa deve ser calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, não havendo previsão para se utilizar a receita de um estabelecimento isolado. Em relação ao período, o parágrafo único do art. 12 da Lei nº 8.218/91 estabelece que se refere ao anocalendário em que as operações foram realizadas. Não há, portanto, nenhuma restrição a ser feita ao cálculo elaborado pela fiscalização que adotou a receita bruta da pessoa jurídica no ano de 2008. Como se vê, todos os argumentos aduzidos pela Recorrente foram rebatidos fundamentadamente no acórdão recorrido, e de forma tal que não há como dissentir da análise realizada. Por outro lado, a fiscalização e o colegiado a quo passaram ao largo de uma análise que é fundamental para a aplicação correta da legislação tributária, qual seja a aplicabilidade da multa em tela nos casos de restituição, ressarcimento e compensação. Pois bem, compulsando os autos, verificase que a exigência dos arquivos magnéticos da Recorrente teve origem na análise de pedidos de ressarcimento de créditos de IPI e declarações de compensação relativos aos 2º e 3º Trimestres de 2008 (efl. 4). A partir da leitura atenta da base legal relativa à penalidade ora discutida, percebese que a mesma decorre da obrigação de manter arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial. O seu objetivo é inibir que os sujeitos passivos obrigados a utilizar arquivos digitais e sistemas obstruam a atividade precípua da Administração Tributária, que é fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e efetuar o lançamento de ofício quando tais obrigações não forem cumpridas ou o forem incorretamente. Em outras palavras, a razão da existência da multa em tela é garantir que a autoridade fiscal competente possa constituir o crédito tributário quando identificar o descumprimento, total ou parcial, da obrigação tributária principal. Por isso, a norma menciona expressamente o prazo decadencial. O prazo decadencial referese inegavelmente à constituição do crédito tributário. Ora, nos casos de compensação, o débito declarado não deve ser objeto de lançamento, pois o sujeito passivo já o confessou. Caso o crédito declarado não seja legítimo, tal débito será cobrado com multa de mora, antes de ser inscrito em dívida ativa. O prazo para que esse débito seja liquidado é prescricional, e não decadencial. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 8 Portanto, como a Recorrente atrasou a entrega dos arquivos magnéticos no contexto de uma fiscalização que visava aferir a legitimidade do crédito alegado para fins de ressarcimento e compensação, a multa exigida por meio do lançamento ora contestado não é aplicável. A propósito da interpretação ora adotada, trazse à baila trechos do Parecer Normativo da Receita Federal do Brasil nº 3, de 2013, in verbis: 9. O procedimento de compensação, restituição e ressarcimento possui deveres instrumentais para se efetivar (apresentar mediante programa específico PER/Dcomp, comprovação do crédito do requerente, etc.), mas que não podem ser classificados como obrigação acessória. 9.1. O conceito legal de obrigação acessória está no § 2º do art. 113 do CTN: “A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.”. 9.2. Fica explícito que a obrigação acessória é a de fazer ou não fazer do sujeito passivo “no interesse da arrecadação ou da fiscalização”. A compensação por intermédio do sistema PER/Dcomp enseja o pedido de reconhecimento de um crédito do sujeito passivo em face de um débito que ele mesmo declara, por exemplo. 9.3. O que a RFB verifica é a existência daquele crédito do sujeito passivo. Os deveres instrumentais não podem ser considerados como as obrigações acessórias do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, uma vez que a base legal para tais deveres é, por exemplo, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Não se aplica, portanto, a multa do novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, nem o prazo mínimo de quarenta e cinco dias para apresentação de arquivo, demonstração ou escrituração digital. Embora a multa em debate não esteja tipificada no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o raciocínio externado pela Receita Federal do Brasil é totalmente aplicável ao caso concreto, eis que o mote do presente lançamento foi o atraso no cumprimento de deveres instrumentais em procedimentos de ressarcimento e compensação. Registrese, por oportuno, que há precedentes deste CARF corroborando o exposto acima, a saber: MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. Considerandose que (a) a falta de apresentação de arquivos magnéticos se deu no bojo de procedimento de fiscalização em que se pretendida analisar apenas a procedência ou a improcedência dos pedidos de compensação e deles não poderia ser lançado qualquer tributo, na forma da própria legislação vigente à época dos fatos; (b) os arquivos digitais eram apenas parte do conjunto de elementos necessários para que a autoridade fiscal pudesse comprovar a liquidez e certeza do crédito, e não o objeto da fiscalização; (c) diante do não oferecimento dos arquivos incumbiria à Fiscalização indeferir os pedidos respectivos, restabelecer a Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13896.000244/201168 Acórdão n.º 3201001.872 S3C2T1 Fl. 227 9 exigibilidade dos tributos confessados e compensados e aplicar as penalidades previstas para as hipóteses de indeferimento de compensação; (d) entenderse em sentido contrário seria considerar a irrazoável e desproporcional hipótese de o contribuinte, a par de não ter reconhecido seu pedido de crédito, ser penalizado pelo descumprimento de obrigações acessórias relativas às contribuições que sequer serão objeto de lançamento no processo, impõese o cancelamento da penalidade aplicada. Reconhecimento pela própria RFB por meio do Parecer Normativo 13/2013. Recurso voluntário provido. (Acórdão nº 1102000.935, Rel. Cons. Antonio Carlos Guidoni Filho, Sessão de 08/10/2013) Ex positis, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário e exonero integralmente o crédito tributário em discussão. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006754/98-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2005
Ementa: VALOR ADUANEIRO.VALOR DE TRANSAÇÃO. O conjunto de dados documentais acostados aos autos permite identificar o fato acontecido e firmar convicção quanto ao erro na quantidade de 97.836 metros de cabo FO 18, constante da Fatura n° 7797000598, quando a quantidade desse cabo embarcada e entrada nos estoques da empresa foi de 72.152 metros. Não houve alteração do valor de transação, mas mero equívoco quanto à declaração da quantidade embarcada. Não há a diferença de tributos pretendida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-31.952
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Zenaldo Loibman
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200504
ementa_s : VALOR ADUANEIRO.VALOR DE TRANSAÇÃO. O conjunto de dados documentais acostados aos autos permite identificar o fato acontecido e firmar convicção quanto ao erro na quantidade de 97.836 metros de cabo FO 18, constante da Fatura n° 7797000598, quando a quantidade desse cabo embarcada e entrada nos estoques da empresa foi de 72.152 metros. Não houve alteração do valor de transação, mas mero equívoco quanto à declaração da quantidade embarcada. Não há a diferença de tributos pretendida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Terceira Câmara
numero_processo_s : 11128.006754/98-02
conteudo_id_s : 5511798
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 303-31.952
nome_arquivo_s : Decisao_111280067549802.pdf
nome_relator_s : Zenaldo Loibman
nome_arquivo_pdf_s : 111280067549802_5511798.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2005
id : 6100010
ano_sessao_s : 2005
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-06-10T17:24:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-06-10T17:24:13Z; created: 2013-06-10T17:24:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2013-06-10T17:24:13Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2013-06-10T17:24:13Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713047890614550528
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919034/2012-95
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/01/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/01/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.919034/2012-95
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473390
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-005.174
nome_arquivo_s : Decisao_11080919034201295.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 11080919034201295_5473390.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5959424
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890654396416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.919034/201295 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.174 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CALIENDO METALURGIA E GRAVACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/01/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 34 /2 01 2- 95 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919034/201295 Acórdão n.º 3801005.174 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11850.000111/2008-97
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA - SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES.
Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida.
Embargos acolhidos parcialmente.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3802-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA - SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida. Embargos acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11850.000111/2008-97
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5488166
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-003.945
nome_arquivo_s : Decisao_11850000111200897.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 11850000111200897_5488166.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
id : 6051598
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890675367936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 248 1 247 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11850.000111/200897 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3802003.945 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de novembro de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante LUFTHANSA CARGO A.G. Interessado LUFTHANSA CARGO A.G. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida. Embargos acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 01 11 /2 00 8- 97 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 247), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A empresa LUFTHANSA CARGO A.G., opôs os presentes Embargos de Declaração de decisão emanada por esta 2ª Turma Especial, em Acórdão ementado nos seguintes termos: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/08/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela IN SRF nº 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado No caso em tela, foi negado provimento a Recurso Voluntário no qual o contribuinte arguiu que houve nulidade do lançamento por erro no enquadramento legal da infração, e que eventual violação de multa por embaraço à fiscalização deveria vir acompanhada de descrição condizente. Percebendo omissão e contradição no julgado, o contribuinte opôs os presentes embargos, alicerçado nos seguintes itens: Questiona que o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102/94 não estabelece qual o prazo que deve ser observado pelo transportador aéreo, deixando a questão carente de regulamentação, sendo pois não executável para fins de aplicação da multa pelo eventual descumprimento da norma, pois “no momento de sua chegada” não pode ser interpretado como prazo; Que a referida questão foi levantada no oferecimento da impugnação e da interposição do recurso voluntário, porém assevera que deixou de ser analisada objetivamente; Que a questão foi analisada, em caso semelhante, em relação a ausência de regramento disciplinador do prazo para as empresas através de Ação Ordinária, onde foi decidido pela impossibilidade de penalização do contribuinte no caso de não estabelecimento de prazo pelo legislador antes das alterações introduzidas pela IN/SRF nº 510/05, cuja vigência se deu após 14 de fevereiro de 2005; Informa que registrou as informações necessárias conforme Instrução Normativa nº 102/94 e do art. 107, IV, “e” e do DecretoLei nº 37/66; Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11850.000111/200897 Acórdão n.º 3802003.945 S3TE02 Fl. 249 3 Informa obscuridade sobre se a autoridade julgadora reconhece que a embargante, de fato, registrou as informações; e porque o registro espontâneo não é válido, pois, de acordo com o art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/66, a providência de registro em denúncia espontânea por parte do contribuinte “(...) exclui a aplicação de penalidade (...)”. Recebidos os autos, incluílos em pauta para apreciação dos aclaratórios. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 247), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, passo à análise dos Embargos. Compulsando os autos, verifico que não há a contradição apontada. Ao contrário, o Embargante pretende se valer dos presentes aclaratórios para rediscutir a matéria mediante reforço dos seus argumentos. Isso porque, nada obstante não ter ocorrido manifestação expressa e exaustiva sobre a interpretação de todas as normas apontadas pelo Recorrente, a conclusão foi bastante clara quanto à possibilidade de se responsabilizar o transportador de carga. O Embargante assevera que a expressão “no momento da chegada” não pode ser determinada como parâmetro de controle de horários para a apresentação de registros de mercadorias, conforme inteligência do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102/94. Ora, o inconformismo do Embargante quanto à conclusão do Acórdão no sentido de que a autoridade administrativa acertou em sua interpretação da expressão “no momento da chegada”, não é razão suficiente para embargos de declaração. Deve ser explorado na via própria, que é o recurso especial, uma vez superados seus requisitos para admissibilidade. Em relação ao instituto da denúncia espontânea igualmente não assiste razão, uma vez que o contribuinte cometeu infração por obrigações acessórias, com relação às quais descabe o benefício da denúncia espontânea. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará concretizada. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Admitir a denúncia espontânea no caso em tela, seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificálo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. De igual modo, a multa a ser aplicada no caso em tela não é feita por provocar prejuízos materiais ao fisco, mas por simples descumprimento de obrigação acessória. Assim é que, uma vez ocorrido o fato gerador, nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo está vinculado ao ente tributante para cumprir com um dever formal diferente do pagamento. Seu descumprimento já é mais do que suficiente para a imputação de penalidade: tratase de multa de caráter formal. Assim, o fato de não haver falta de recolhimento de tributos não pode servir como excusante para aplicação de penalidade pelo sujeito passivo quanto ao descumprimento de suas obrigações acessórias. A rigor, a simples independência entre essas duas obrigações já leva a essa conclusão. Conclusão Ante todo o exposto, conheço dos Embargos de Declaração para, provendo os parcialmente de modo a colmatar a omissão apontada, sem, no entanto, aplicar os efeitos infringentes objetivados pelo Embargante. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001121/00-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração.
Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-003.252
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas , Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11065.001121/00-69
anomes_publicacao_s : 201508
conteudo_id_s : 5511292
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.252
nome_arquivo_s : Decisao_110650011210069.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 110650011210069_5511292.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas , Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
id : 6099985
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890677465088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.172 1 1.171 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.001121/0069 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303003.252 – 3ª Turma Sessão de 3 de fevereiro de 2015 Matéria Embargos Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SCHMIDT IRMÃOS CALÇADOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas , Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 11 21 /0 0- 69 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Tratase de processo devolvido pela DRFB em Novo Hamburgo/RS mediante despacho de fl. 274, em que aponta contradição entre a ementa e a decisão e solicita eventual correção de erro material. Com razão aquela Delegacia. Vejamos. Na parte relativa à industrialização por encomenda, assim dispõe a ementa do Acórdão 930300.846: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA" O beneficiamento de matériaprima ou produto intermediário realizado por terceiros possui natureza de industrialização por encomenda e integra o custo do produto a ser exportado, portanto, integra a base de cálculo de credito presumido de IPI Já o texto da decisão, nessa parte, foi nos seguintes termos: "(..) pelo voto de qualidade: I) em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto à industrização por encomenda;". São duas as matérias objeto dos recursos especiais apreciados: industrialização por encomenda (Fazenda Nacional) e atualização do ressarcimento de IPI pela taxa Selic (contribuinte). Como o Relator foi vencido (Conselheiro Leonardo Siade Manzan) tanto em relação à industrialização por encomenda quanto em relação à atualização do ressarcimento de IPI pela taxa Selic, foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. É o relatório. Voto Analisando o voto vencedor, verificase que o Redator designado abordou apenas a matéria relativa à atualização do ressarcimento pela Selic, objeto do recurso do sujeito passivo, nada se referindo à industrialização por encomenda de que trata o recurso da Fazenda Nacional. Com isso, ficou mantido, equivocadamente, o texto da ementa do Relator, cujo teor é contrário ao que foi decidido pelo Colegiado. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11065.001121/0069 Acórdão n.º 9303003.252 CSRFT3 Fl. 1.173 3 Considerando que o Redator designado não mais compõe o Colegiado, Ficou designado, com fundamento no § 7° do art. 49, c/c § 2° do art. 65 do RICARF, o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, para reapreciação, mediante inclusão em pauta. O que ocorreu, foi um erro na ementa, que ficou com o texto oposto ao teor do acórdão aprovado pela 3ª turma desta CSRF. Também houve, no voto do redator designado, uma omissão em relação a uma das matérias constantes no acórdão. Para sanar tal omissão trataremos da matéria "industrialização por ecomenda" nos presentes embargos de declaração e faremos também o acerto da ementa, na parte referente a matéria ora analisada. A Fazenda Nacional assevera que o aresto recorrido desobedeceu o art. 1º da Lei nº 9.363/96, ao permitir a utilização do valor dos serviços prestados correspondentes à industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. A Lei n.º 9.363, de 1996, que introduziu o benefício em tela, previu, em seu art. 1º, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes “sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo” (g.n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das seguintes premissas: por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do benefício devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como “Gastos Gerais de Fabricação”, não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do benefício, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, conforme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 312, de 3 de agosto de 1998. Aliás, não há razão para que os custos dos insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem não sejam agregados quando utilizados pelo encomendante, quando a operação de industrialização se dá em seu próprio estabelecimento, mas, ao contrário, sejam agregados quando a industrialização se dê por encomenda. Ora, “Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito”, diz o brocardo romano. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Com efeito, tratarseia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IPI. No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que, quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica, tão costumeiramente encontráveis no diaadia do julgador. Em que pese o brilhantismo como tais teses são construídas, é preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. Aliás, ainda com relação à terceira premissa, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que “a lei não contém palavras inúteis”, a qual, segundo se diz, vem a ser princípio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Querse evidenciar com isso que, caso se concebesse o contrário, não haveria razão para que o legislador expressamente previsse o cômputo do valor relativo à prestação de serviços na hipótese de industrialização por encomenda. Veja como dispôs ao estruturar o art. 1º da Lei n.º 10.276, de 2001, in verbis: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto” (g.n.). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.º 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insumos (energia elétrica e combustíveis). Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11065.001121/0069 Acórdão n.º 9303003.252 CSRFT3 Fl. 1.174 5 Notese, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.º 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.º 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Assim sendo, é de se concluir que a hipótese introduzida no inciso II naquele diploma legal não se encontrava incluída neste último. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, dou provimento ao recurso da Fazenda Pública para negar o aproveitamento dos custos com beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da sociedade para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Dessa forma, nos termos do art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, acolho os embargos para que seja o Acórdão no 930300.846, de 2 de fevereiro de 2010, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais retificado, em sua ementa, passando, para todos os efeitos, a ter a seguinte redação: BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. Portanto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para reratificar o acórdão embargado e, a fim de sanar a inexatidão material constante na ementa, que ficou com o texto diferente em relação ao que foi votado pela 3ª turma da CSRF, conforme preceitua o art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, devese alterar a ementa conforme proposto acima. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
