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Numero do processo: 10825.000674/2008-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
NORMAS PROCESSUAIS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Nos termos do art. 2°, inc. V, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores, é da competência da Primeira Seção o julgamento de recursos acerca de questões relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES-Nacional).
Numero da decisão: 3201-001.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e declinar competência para 1ª Seção de Julgamento para novo julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 04/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 NORMAS PROCESSUAIS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Nos termos do art. 2°, inc. V, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores, é da competência da Primeira Seção o julgamento de recursos acerca de questões relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES-Nacional).
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COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Nos termos do art. 2°, inc. V, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores, é da competência da Primeira Seção o julgamento de recursos acerca de questões relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLESNacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e declinar competência para 1ª Seção de Julgamento para novo julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 04/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 06 74 /2 00 8- 20 Fl. 62DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por João Victor Cocito Correa Me, doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 1435.268, de 15/09/2011, proferido pela 9ª Turma da Delegacia de Julgamento Ribeirão Preto (SP). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o sintético relatório do acórdão recorrido: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, em relação ao Despacho Decisório proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru, que indeferiu o seu pedido de opção retroativa ao Simples. O contribuinte aduz que tinha a intenção de optar pelo Simples Nacional desde a abertura da empresa, mas por possível erro no sítio da RFB na internet sua opção não foi concluída; que acreditava que a sua opção houvesse sido efetivada, uma fez que foi gerado para ele um código de acesso, passando a emitir guias de pagamento no modelo DARFSIMPLES e a recolher os tributos também nesse regime; e que apenas tomou conhecimento de que não era optante meses após, quando houve restrição na emissão da guia DARFSIMPLES. Aduz haver comprovado a intenção inequívoca de optar pelo Simples Nacional e que a opção só não foi realizada em decorrência de “erro de fato”, devendo ser autorizada a sua inclusão no Simples Nacional com efeitos retroativos, sendo equivocado o entendimento de que a inclusão retroativa só se aplica ao Simples Federal. Transcreve ementas de Acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes. Requer a reforma da decisão para que seja deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional. A instância a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. FORMA. PRAZO. A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10825.000674/200820 Acórdão n.º 3201001.634 S3C2T1 Fl. 249 3 A opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com a manutenção do lançamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Como indicado no relatório, a matéria versada no recurso não é da competência desta Terceira Seção, mas sim da Primeira Seção deste Conselho. Com efeito, o artigo 2º, inciso V, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, e alterações posteriores, assim dispõe: Artigo 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); (...) Como se vê, cabe àquela Seção a apreciação de recursos versando a legislação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLESNacional). Fl. 64DF CARF MF 4 Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, que deve ser redirecionado à Primeira Seção do CARF para novo julgamento, conforme determinação regimental. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726433/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 64 33 /2 00 9- 13 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10580.726433/200913 Acórdão n.º 9202006.381 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10580.726433/200913 Acórdão n.º 9202006.381 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10580.726433/200913 Acórdão n.º 9202006.381 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10580.726433/200913 Acórdão n.º 9202006.381 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10580.726433/200913 Acórdão n.º 9202006.381 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10580.726433/200913 Acórdão n.º 9202006.381 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10580.726433/200913 Acórdão n.º 9202006.381 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 414DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.720855/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .7 20 85 5/ 20 14 -1 7 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 3/9, acompanhado do Relatório Fiscal de fls. 12/25, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2010, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.440.715,04, composto da seguinte forma: R$ 690.143,27 relativo ao Imposto; R$ 232.964,31 de Juros de mora (calculados até 06/2014); e R$ 517.607,46 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 5), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos (ações e quotas não negociadas em bolsa de valores), cujos fatos geradores ocorreram em 27/08/2010 e 15/10/2010. Consta do Relatório Fiscal (fls. 87/97): “13. Consoante dispõe o Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, o Contribuinte alienou, no mês de agosto de 2010, parte de suas quotas do capital social da Pessoa Jurídica INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA. 14. A referida alienação foi informada na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010 (folhas nos 29 a 44). Segundo a DIRPF (AC 2010), o imposto devido e pago na operação corresponde a R$ 199.959,39 (cento e noventa e nove mil, novecentos e cinquenta e nove reais e trinta e nove centavos). 15. O recolhimento no valor de R$ 199.975,00 foi encontrado no Sistema Informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (folha n° 46). 16. A seguir será analisada a correção do valor apurado diretamente pelo Fiscalizado. III.1.1 – Custo de Aquisição das Quotas 17. O Contribuinte adquiriu as quotas da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA da seguinte forma: I) de acordo com a 8ª alteração contratual datada de 0903 2010, registrada na JUCEG em 22062010 (folhas nos 120 a 137), o Sr. Wilson Constante adquiriu 5.000.000 quotas do capital social da Pessoa Jurídica, com valor nominal de R$ 1,00 cada uma, totalizando R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). 18. Do que foi relatado no parágrafo anterior, depreendese que o custo unitário (e médio) das quotas pertencentes ao Fiscalizado antes da alienação é de R$ 1,00 (um real). Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 4 3 III.1.2 – Quantidade de Quotas Alienadas 19. De acordo com o Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, o Contribuinte alienou, em 26 de agosto de 2010, 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentas mil) quotas do capital social da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA à ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A (CNPJ n° 60.659.463/000191). 20. Em diligência anterior realizada junto à ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A (MPFDiligência n° 0120100.2013.008393) foi obtida a cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da MELCON, realizada em 20 de dezembro de 2010 (folhas nos 160 a 167). No mencionado documento foi registrada a retificação do número de quotas alienadas pelo Contribuinte: 1.289.167 (um milhão, duzentas e oitenta e nove mil e cento e sessenta e sete) quotas, com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. 21. Importante salientar que a ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A adquiriu, no total, 3.867.501 (três milhões, oitocentas e sessenta e sete mil, quinhentas e uma) quotas da MELCON, com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. Ou seja, apenas um terço do total das quotas foram adquiridas do ora Fiscalizado. III.1.3 – Valor de Alienação 22. O instrumento contratual por meio do qual foi realizada a negociação da alienação / transferência de parte das quotas da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA à ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A foi lavrado em 26 de agosto de 2010 (folhas nos 168 a 213). 23. Do referido documento consta a forma de pagamento das quotas (folhas nos 171 e 172): 2.3 Forma de Pagamento do Preço de Compra. O Preço de Compra será pago pela Compradora aos Vendedores da seguinte forma: (i) o total de R$ 20.072.000,00 (vinte milhões e setenta e dois mil reais) será pago na presente data mediante transferência eletrônica disponível – TED, com recursos imediatamente disponíveis, para as contas correntes dos Vendedores indicadas no Anexo 2.3 (i), de acordo com os percentuais nele indicados; (ii) observadas as disposições da Cláusula 2. 4 abaixo, o valor remanescente de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) será pago mediante transferência eletrônica disponível – TED, com recursos imediatamente disponíveis, para as contas correntes dos Vendedores indicadas no Anexo 2.3 (i), de acordo com os percentuais nele indicados, quando da ocorrência dos seguintes eventos: (a) o valor de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) será pago no 15° dia útil após a data da publicação, no Diário Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 5 4 Oficial da União, do registro na ANVISA do último dos seguintes Produtos: Hora H, Hora H Uno e Melisse, ou seus genéricos, o que for publicado primeiro. Sendo considerado como prazo limite para publicação 2 (dois) anos da previsão de lançamento indicados na Cláusula 2.2. (b); (b) o valor de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), corrigido anualmente, a partir da data de assinatura do presente instrumento, pelo Índice de Reajuste de Preços de Medicamentos, será pago 15 (quinze) dias após a aferição do VPL do Fluxo de MC2 Realizado Deflacionado acumulado até o 18° (décimo oitavo) mês contados do lançamento de cada Produto, em uma ou mais parcelas conforme os respectivos lançamentos ocorrerem na mesma data ou em datas distintas, observadas as proposições aplicáveis a cada Produto (Anexo 2.3 (b) (i)), tendo por referência a “Parcela Variável 1” do “VPL do Fluxo de MC2 Base dos Produtos” (Anexo 2.3 (b(ii)). As aferições mencionadas neste item serão efetuadas mensalmente até o 15° dia após o fechamento do mês. (c) o valor de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), corrigido anualmente, a partir da data de assinatura do presente instrumento, pelo Índice de Reajuste de Preços de Medicamentos, será pago 15 (quinze) dias após a aferição do VPL do Fluxo de MC2 Realizado Deflacionado acumulado até o 36° (trigésimo sexto) mês contados do lançamento de cada Produto, em uma ou mais parcelas conforme os lançamentos ocorrerem na mesma data ou em datas distintas, observadas as proposições aplicáveis a cada Produto (Anexo 2.3 (b) (i)), tendo por referência a “Parcela Variável 2” do VPL do Fluxo de MC2 Base dos Produtos (Anexo 2.3 (b) (ii)). As aferições mencionadas neste item serão efetuadas mensalmente até o 15° dia após o fechamento do mês. 24. Conforme visto acima, na resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, o Contribuinte apresentou cópia de extrato bancário do qual consta o recebimento do valor de alienação das quotas, no montante informado na DIRPF (folhas nos 43 e 256). 25. O valor de R$ 6.690.666,67 (seis milhões, seiscentos e noventa mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos), pago um dia após a celebração do contrato, equivale a em terço (são três vendedores) da primeira parcela do pagamento, correspondente a R$ 20.072.000,00 (vinte milhões e setenta e dois mil reais). 26. O pagamento do valor correspondente a R$ 6.690.666,67 (seis milhões, seiscentos e noventa mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos) também foi confirmado pela ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A, em resposta ao Termo de Diligência Fiscal n° 01, por meio da apresentação da cópia do documento de transferência bancária (folha n° 294). 27. Na mesma oportunidade, a respeito dos esclarecimentos requeridos acerca do pagamento realizado ao Fiscalizado, no mês de outubro de 2010, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 6 5 seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), a Diligenciada informou o seguinte (folha n° 264): c) Conforme celebrado no “Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças”, firmado entre as empresas Aché e os sócios da empresa Melcon: Sérgio Paulo Carrijo Elias, Jairo de Melo e Wilson Constante, ficou estabelecido no item iv “Das Considerações”, que o capital social da Companhia seria reduzido com o intuito de ajustar o caixa para R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais), composto por R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) por parte dos vendedores e R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) por parte da Compradora, vez que a presente negociação, entre as partes, considerava saldo de caixa zero. Sendo assim, caberia aos Vendedores efetuarem a redução do capital social e para isso, seria necessário efetuar a baixa de aplicações bancárias, o que geraria uma perda de rentabilidade do montante aplicado. Diante do exposto, os sócios resolveram manter o valor total aplicado e acordaram que a Compradora faria o depósito dos R$1,750MM (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais), diretamente aos sócios fundadores. Ainda, quando do pagamento, foram efetuados alguns ajustes (relacionados a encontro de contas), reduzindo o valor de R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) para R$ 1.597.866,36 (Um milhão, quinhentos e noventa e sete mil, oitocentos e sessenta e seis reais e trinta e seis centavos), o que justifica o depósito de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), para cada sócio vendedor das cotas. 28. A ACHÉ enviou cópia do comprovante de transferência bancária relativo ao valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), datado de 15 de outubro de 2010 (folha n° 325). 29. Depreendese da análise dos esclarecimentos prestados pela Diligenciada que: I) o preço de venda no valor de R$ 32.072.000,00 (trinta e dois milhões e setenta e dois mil reais = R$ 20.072.000,00 + 12.000.000,00) foi ajustado para saldo de caixa igual a zero; II) para que fossem obtidas as condições equivalentes às pactuadas no contrato de transferência das quotas, os sócios da MELCON deveriam reduzir o capital social da Pessoa Jurídica; III) mas a referida redução do capital social não foi realizada, pois, segundo informado, seria necessário resgatar aplicações financeiras, o que geraria perda de rentabilidade; Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 7 6 IV) consequentemente foi realizado um depósito adicional na conta de cada sócio, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), para compensar a “não redução” do capital social da MELCON; V) ou seja, o preço de venda correspondente a R$ 32.072.000,00 é relativo a um capital social menor do que aquele efetivamente transferido à ACHE e, para fins de ajuste, foi realizado um depósito adicional no valor total de 1.597.866,36 (um milhão, quinhentos e noventa e sete mil, oitocentos e sessenta e seis reais e trinta e seis centavos); VI) em outras palavras, o depósito realizado na conta corrente do Contribuinte, na data de 15102010, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), corresponde a complemento do preço de venda de suas respectivas quotas. 30. Ao encontro da conclusão apresentada acima, apresentase a escrituração do fato contábil pela ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A, consoante informação obtida por meio do “download” da Escrituração Contábil Digital referente ao ano calendário 2010, apresentada pelo Pessoa Jurídica junto ao sítio SPED. A Empresa informou no histórico do lançamento contábil que o pagamento a WILSON CONSTANTE, em 15102010, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos) se refere a integralização de capital: 31. Observase que o pagamento das outras parcelas do preço de venda das quotas (R$ 12.000.000,00 – doze milhões de reais) está submetido a uma condição suspensiva: o lançamento do(s) produto(s). 32. Os artigos nos 116 e 117 do Código Tributário Nacional dispõem sobre fatos geradores associados a tais circunstâncias: [...] 33. Assim, de acordo com o art. 117, inciso I, do CTN, quando da celebração do contrato, as parcelas do preço de venda submetidas à condição suspensiva não podem ser consideradas no cômputo do preço de alienação para efeito do cálculo do gando de capital. Significa dizer que o preço de alienação deve ser composto pelas parcelas não submetidas a tal condição. Posteriormente, à medida do recebimento (se ocorrer), as parcelas submetidas à condição suspensiva serão tributadas como ganho de capital, sem abatimento de custo de aquisição (todo utilizado anteriormente). 34. O preço de alienação das quotas (pertencentes ao Sr. Wilson Constante) relativas ao capital social da INDÚSTRIA Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 8 7 FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA corresponde à soma das seguintes parcelas: I) R$ 6.690.666,67 (seis milhões, seiscentos e noventa mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos), pagos em 27 de agosto de 2010; II) R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), pagos em 15 de outubro de 2010. [...] 40. Consoante o exposto nos itens III.1.1 a III.1.4 acima, é demonstrado abaixo o cálculo do imposto de renda sobre o ganho de capital: [...]" Por fim, a autoridade fiscal atribui a responsabilidade solidária a Senhora Mariamárcia Melo Constante (esposa do contribuinte), inscrita no CPF sob o n° 498.265.571 53, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, com fundamento no artigo 124, I, do CTN, tendo em vista que o bem alienado foi adquirido após a contração de núpcias. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls.332/338), alegando, resumidamente, o que segue: (i) O Impugante e os seus dois sócios celebraram contrato de compra e venda de quotas (antes da sua transformação em sociedade por ações) com a empresa Aché Laboratórios Farmacêuticos, por meio do qual foi realizada a alienação de 50% das quotas do capital social da empresa Industria Farmacêutica Melcon do Brasil Ltda.; (ii) O Capital social subscrito e integralizado da empresa à época da alienação era de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões), distribuídos igualmente entre os três sócios (33,33%) e o valor nominal da respectiva quota de R$ 1,00 (um real); (iii) Nos termos da avença, restou convencionado como preço da venda das 7.500.000 cotas o valor total de R$ 32.072.000,00 (trinta e dois milhões e setenta e dois mil reais), conforme descrito na cláusula 2.2 do contrato, definindo as condições de pagamento no item 2.3 e demais disposições nos itens 2.4 e 2.5; Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 9 8 (iv) Restou estipulado que o pagamento seria realizado da seguinte forma: R$ 20.072.000,00 pagos à vista, uma parcela intermediária de R$ 4.000.000,00 quando da entrada em comercialização dos produtos ali destacados pela aprovação junto a ANVISA, e o saldo remanescente, ou seja, R$ 8.000.000,00, baseado no cumprimento de metas de desempenho; (v) Informa que cada sócio recebeu o valor de R$ 6.690.066,67 em 27/08/2010, correspondente a 2,5 milhões de cotas de cada um vendidas; (vi) Dessa forma, defende que a base de cálculo do IR sobre o ganho de capital desta venda de 50% é o preço pago (R$ 6.690.066,67) pela Aché, subtraído o que cada sócio possuía de cotas (2,5 milhões) no momento da ocorrência do fato gerador. Isto é, da formalização do contrato e do pagamento do preço por parte do Aché, o que ocorreu no dia 27/08/2010; (vii) Sendo assim, assegura que o IR apurado na competência de setembro de 2010 (mês subsequente à venda) é de R$ 628.599,99 e não de R$ 890.118,27, como pretende o fisco federal; (viii) Destaca que a venda e o pagamento ocorreram em agosto de 2010. Explica que nesta data as cotas valiam R$ 5 milhões (50%, então, R$ 2,5 milhões). Contudo, segundo o defendente, erroneamente, ao elencar como valor das cotas negociadas R$ 1.289.167,00, o representante do fisco (aumentando assim a base de cálculo) entendeu que a redução de capital ocorrida em momento posterior retroagiu à data da venda, o que, para o autuado, não é o correto. Ou seja, a venda foi em agosto/10, ao passo que a redução do capital foi efetivada em dezembro/10; (ix) Sustenta que não pode o fiscal querer considerar que o capital social foi reduzido na data da venda, quando tal evento só teria ocorrido 3 meses depois, quando já realizada a venda e já ocorrido o fato gerador da tributação sobre o ganho de capital; (x) Nesse rumo, informa que, para comprovar suas alegações, anexou a ata realizada em 20/12/2010 que formalizou a cessão à Aché de R$ 3.867.501 de capital social do total de R$ 15 milhões existentes, sendo certo que cada um dos três sócios cedeu R$ 1.289.167; (xi) Prossegue, alegando que, consoante consta da ata de 22/12/2010, houve a redução de capital da empresa para R$ 9.485.001,00 e a Aché (quarta sócia) deveria, em consequência, repassar o total dessa redução ocorrida somente nas ações dos três sócios (total de R$ 5.514.999,00) para estes sócios (a título de retorno de capital), ou seja, R$ 1.838.330,00 per capita; (xii) Cita também a Ata de 02/12/2011, em que teria ficado deliberado o aumento de capital de R$ 9.485.001,00 para R$ 11.235.000,00 com a subscrição da Aché de R$ 1.750.000,00; (xiii) Assim, segundo o autuado, restou formatado o cenário atual do capital social: R$ 1.872.500,00 para cada sócio, somando R$ 5.617.500,00, e R$ 5.617.500,00 para a Aché (R$ 3.867.000,00 + R$ 1.750.000,00), totalizando R$ 11.235.000,00; (xiv) Com base nas considerações feitas, aduz que auditorfiscal entendeu que estas mesmas cotas teriam um custo de R$ 1.289.167,00, por considerar que no momento da Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 10 9 ocorrência do fato gerador já teria ocorrido a redução de capital que, na verdade, somente ocorreu em dezembro de 2010; (xv) Não bastasse isso, pondera o impugnante que o auditor cometeu outro erro no tocante à competência do recolhimento do tributo no caso da alienação das cotas; (xvi) Explica que a venda foi realizada em agosto de 2010, com pagamento à vista, logo, a seu ver, o imposto de renda sobre o ganho de capital deveria ser apurado no mês subsequente, ou seja, setembro de 2010; (xvii) Em outro plano, discorda também do entendimento por parte da fiscalização de que o valor de R$ 532.622,12 recebido em conta pelo impugnante em 15/10/2010, referese à parcela da venda, afirmando que tal importância não está prevista em contrato, nem como parcela com vencimento posterior; (xviii) Assim, assevera que tal parcela não integrou o valor da venda das cotas, razão por que não há que se falar em ganho de capital, visto que de alienação de patrimônio não se tratou; (xix) Por fim, requer a procedência da impugnação para determinar o cancelamento integral do Auto de Infração e o cancelamento da multa aplicada. Ademais, pleiteia a exclusão da responsável solidária, sob a justificativa de que não teve participação nenhuma nos presentes atos, bem como deles pouco sabe e participou. Assim, como deles não se beneficiou ou se prejudicou, de modo que o suposto beneficio exposto pela autoridade fiscal é completamente baseada em suposições e achismos, o que não estabelece ou justifica a solidariedade apontada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0736.896 da 6ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 403/413, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE. O custo de aquisição, para fins de apuração de ganho de capital, deve ser aferido com base real venda realizada, devendo prevalecer a realidade fática sobre a realidade formal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CÔNJUGE BEM COMUM DO CASAL. CARACTERIZAÇÃO. O Cônjuge casado sob o regime de comunhão parcial de bens é considerado responsável solidário em relação ao débito de imposto de renda em nome do consorte decorrente da alienação de bem comum, Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 11 10 por estar presente o interesse comum na situação jurídica que constitui o fato gerador do tributo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIAS DAS DRJ. As Delegacias de Julgamento não são competentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 08/04/2015, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 420. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 422/440), alegando o que segue: (i) É sabido que não existe legalidade alguma em autuação por presunção como ocorreu no presente caso. A jurisprudência administrativa e judicial não permitem presunção como forma de autuação. Cita jurisprudência a corroborar a sua tese e defende que não existe obrigação do contribuinte em fazer prova negativa, prova de que não sonegou, de que não incorreu em determinado fato gerador do tributo, cabendo ao Fisco provar o que alega. Assim, a simples alegação de presunção de certeza e liquidez não pode afastar a necessidade da Administração Pública de provar, mediante documentação hábil, o fato supostamente tido como infrator, não podendo, de forma alguma, permitir sob o véu de tal presunção, a arbitrariedade de seus atos; (ii) Da verdade fática e documental Em 26/08/2010, o primeiro Recorrente e os seus dois sócios celebraram contrato de compra e venda de quotas (antes da sua transformação em sociedade por ações) com a empresa Aché Laboratórios Farmacêuticos, por meio do qual foi realizada a alienação de 50% das quotas do capital social da empresa Industria Farmacêutica Melcon do Brasil Ltda., à Aché, pelo preço ajustado de R$ 32.072.000,00, sendo R$ 20.072.000,00 pagos à vista e o restante sob resultados operacionais a serem apurados nos anos seguintes. O Capital social subscrito e integralizado da empresa à época da alienação era de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões), distribuídos igualmente entre os três sócios (33,33%) e o valor nominal da respectiva quota de R$ 1,00 (um real). Cada sócio recebeu o valor de R$ 6.690.066,67 em 27/08/2010, correspondente a 2,5 milhões de cotas de cada um vendidas. Dessa forma, defende que a base de cálculo do IR sobre o ganho de capital desta venda de 50% é o preço pago (R$ 6.690.066,67) pela Aché, subtraído o que cada sócio possuía de cotas (2,5 milhões) no momento da ocorrência do fato gerador. Isto é, da formalização do contrato e do pagamento do preço por parte do Aché, o que ocorreu no dia 27/08/2010. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 12 11 Sendo assim, assegura que o IR apurado na competência de setembro de 2010 (mês subsequente à venda) é de R$ 628.599,99 e não de R$ 890.118,27, como pretende o fisco federal. Narra que a prova do capital social à época, para fins de certificação dos valores, é, além do contrato já anexado na defesa, a demonstração da mutação de patrimônio líquido e sua publicação no Diário Oficial de 29/04/2013, documento que ora se junta; À par de elucidar todos os pontos controversos, anexa o “Acordo de Acionistas – Anexo 3.1 (V) do “Contrato de Compra e Venda de Quotas”, que trata dos seguintes pontos: (i) Alteração Contratual; (v) Assinatura do Acordo de Acionistas da Sociedade; 3.11. Registro de Alteração Contratual. Destaca que à folha 03 do documento referido acima, consta expressamente que: “O capital social da Companhia, totalmente subscrito e integralizado nesta data é de R$ 15.000.000,00, dividido em 15.000.000 de ações, todas nominativas e sem valor nominal, assim distribuídas entre os acionistas: Aché 7.500.000 de ações, equivalentes a 50% do capital social da Companhia, Sérgio detém 2.500.000 ações, equivalente a 16,66% do capital social da Companhia ... sendo certo que o capital social poderá ser reduzido para ajustar o saldo de caixa da companhia, que deverá ser de R$ 3.500.000,00, sendo R$ 1.750.000,00 por parte dos acionistas fundadores e R$ 1.750.000,00 por parte do Aché, vez que a negociação efetivada considera saldo de caixa zero. Esclarece que no próprio contrato de compra e venda (anexo 3.1) ficou prevista a possibilidade da redução de capital, diferente do que entendeu a decisão recorrida. Para melhor elucidar a questão, destaca que, em atendimento ao item dos “Considerandos” do Acordo de Acionistas (Anexo 3.1 do Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças), foi promovida, em 31/08/2010, a transferência de R$ 2.000.000,00, sendo um terço desse valor para cada sócio vendedor (Recorrente), originada da baixa de aplicações financeiras da Companhia no Banco do Brasil (doc. 03), como efetivação de parte da redução do capital social, prevista no acordo de acionistas. Afirma que ocorreu uma manutenção das aplicações financeiras, conforme demonstra o Razão de agosto/10 (doc. 04), no valor aproximado de R$ 3.208.000,00, visando tão somente que se evitasse de “baixar” esses valores aplicados há mais de dois anos, o que poderia gerar prejuízos tributários por conta dos impostos sobre rendimentos em aplicações financeiras, e assim atender o acordo relativo ao valor do caixa inicial da empresa, à partir do início da nova sociedade, de R$ 3.500.000,00, após o caixa zero. Argumenta que a parte que cabia ao Aché, no valor de R$ 1.750.000, correspondente a 50% de sua participação no valor acordado, foi depositada diretamente na conta dos sócios vendedores, em 15/10/2010, conforme documentos 05 e 06 anexados ao recurso, resultando em valores depositados de R$ 532.622,12 para cada. Ainda, o valor de R$ 152.133,70, referese tão somente a ajustes de responsabilidade societárias relativos a eventos anteriores à aquisição, para atender a decisão conjunta da nova sociedade de não mexer nas aplicações financeiras, cujos valores muito se aproximavam do valor total do caixa inicial de R$ 3.500.000,00 – o restante se completaria com os saldos em conta corrente da Companhia existentes à época. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 13 12 Ato contínuo, diz que na Ata de 20/12/2010 ocorreu a aprovação de ajustes para promover a equalização dos capitais, de acordo com as participações de cada sócio, a partir da redução do capital social de R$ 15.000.000,00 da data da referida aquisição, para 11.235.000,00, como pode ser comprovado pelas Demonstrações Financeiras – Balanços Patrimoniais, publicados no D.O.U., referentes aos exercícios findados em 31/12/2010 e 31/12/2011. Informa que o objetivo dos ajustes foi promover a redução do capital em R$ 3.765.000,00, conforme demonstrado no balanço patrimonial de 31/12/2010, como “Adiantamento aos sócios”, sendo um terço para cada sócio vendedor. Assim, de acordo com o alega, o novo quadro de capital deveria ficar, mantendo a igualdade de participações (50% para cada parte), da seguinte forma: Assevera que após a redução do capital de R$ 3.765.000,00, ocorrida através da transferência para os sócios vendedores em 31/08/2010 pela empresa de R$ 2.000.000,00 e de depósitos efetuados pela Aché aos sócios vendedores em 15/10/2010 de R$ 532.622,12, correspondendo aos R$ 1.750.000,00, relativos à sua obrigação de 50% no caixa inicial da sociedade. Assim, como a Aché precisava formalizar sua parte relativa aos 50% na formação do caixa inicial de R$ 3.500.000,00, restou decidido entre as partes que a Aché faria uma subscrição de R$ 1.750.000 de ações, no valor de R$ 1.750.000,00, da seguinte forma: A Melcon depositaria a importância de R$ 1.750.000,00 (doc 06) na conta corrente dos três sócios vendedores, sendo R$ 583.333,33 para cada, e estes, por sua vez, transfeririam a referida quantia para a Aché, que, ao final, depositaria na conta corrente da Melcon, caracterizando e oficializando a subscrição. Para registrar e oficializar tudo o quanto foi dito acima, foi elaborada a Ata de 21/12/2010 com um quadro de capitais onde os três sócios vendedores (fundadores) “receberiam” uma quantidade de ações que, multiplicada por três e deduzidas do capital social de R$ 15.000.000,00, registrado quando da aquisição de R$ 50% da empresa pelo Aché em 26/08/2010, encontrarseia um número saldo de ações que, somado à subscrição de R$ 1.750.000,00 a ser efetuada pelo Aché posteriormente, para a regularização da formalização da sua obrigação de R$ 50% na formação do caixa inicial de R$ 3.500.000,00, levaria à sua Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 14 13 participação no novo capital social, já reduzido para R$ 11.235.000,00, a 5.617.500 ações, ou R$ 5.617.500,00, isto é, 50% do mesmo. Contudo, informa que para continuidade e formalização dos atos que regularizariam e fixariam, em definitivo, as participações corretas, como assim foi feito, de acordo com o percentual de participação de cada acionista na sociedade, viuse a necessidade de promover uma redução do capital superior a R$ 3.765.000,00, ou seja, de R$ 5.515.000 – unicamente por parte dos sócios vendedores, para quando o Aché integralizasse, através da referida subscrição, o valor de R$ 1.750.000,00, este ato traria a igualdade entre as partes (50% para a Aché e 50% aos três sócios vendedores). Com isso, foram então decididos os atos constantes da Ata 22/12/2010, onde o novo quadro de capitais ficaria com a seguinte distribuição de ações: Destaca, ainda, a Ata de 02/12/2011, cujo objetivo era formalizar em definitivo a participação de 50% no caixa inicial de R$ 3.750.000,00, e de oficializar o capital social reduzido em 2010, em termos reais e categóricos (sem prejuízo e sem maiores riscos jurídicos e fiscais às duas partes), conforme a movimentação financeira ocorrida naquele ano de 2010, de forma inadequada do ponto de vista formal, a respeito dos atos tomados quando da criação do Acordo de Acionistas, foram aprovados outros atos que tornariam, como o fez, o Capital Social para R$ 11.235.000,00 e todas as suas responsabilidades conseqüentes, inclusive com algumas alterações do Estatudo Social. Com essas considerações entende que resta comprovado que: 1º O valor das cotas/ações quando da venda de 50% da Melcon ao Aché era de R$ 5.000.000,00 para cada sócio, tendo então sido alienadas R$ 2.500.000,00, ou seja, a metade, e, portanto, o valor base para cálculo do ganho de capital; 2º A redução do capital ocorreu após a entrada do comprador e, por consequência, reduziu o valor da participação remanescente de cada acionista vendedor, de R$ 2.500.000,00 (saldo após a venda de 50%) para R$ 1.872.500,00 e de R$ 7.500.000,00 (correspondente a 50% das cotas/ações adquiridas pelo comprador quando das assinaturas do Contrato de Compra e Venda) para R$ 5.617.500,00. Alega que a venda ocorreu em agosto de 2010, e a redução do capital social somente em dezembro/2010, ou seja, no momento da ocorrência do fato gerador as cotas valiam R$ 2.500.000,00 Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 15 14 Em outro plano, discorda também do entendimento por parte da fiscalização de que o valor de R$ 532.622,12 recebido em conta pelo impugnante em 15/10/2010, referese à parcela da venda, afirmando que tal importância não está prevista em contrato, nem como parcela com vencimento posterior. Assim, assevera que tal parcela não integrou o valor da venda das cotas, razão por que não há que se falar em ganho de capital, visto que de alienação de patrimônio não se tratou. (iii) Requer a exclusão da responsável solidária ao fundamento de que esta não teve participação nenhuma nos presentes atos. (iv) Requer a exclusão da multa de ofício aplicada, ou, alternativamente, a sua redução Ao final requer o provimento do Recurso Voluntário para julgar improcedente a ação fiscal. Juntamente com o Recurso Voluntário, o Recorrente juntou os documentos de fls. 441/490. É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 16 15 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/04/2015 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 420, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/04/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA Conforme relatado, juntamente com o Recurso Voluntário, o Recorrente juntou os documentos de fls. 441/490, que servem de embasamento às suas teses de defesa, com as quais busca a improcedência do lançamento fiscal objeto de discussão nos presentes autos. Via de regra, a prova documental deve ser apresentada em sede de impugnação, sob pena de preclusão. No entanto, em razão do Princípio da Verdade Material, devese analisar os documentos apresentados pelo Contribuinte após a impugnação, uma vez que tal documentação visa reforçar seu direito em face da argumentação apresentada pelo julgador a quo. Em seu recurso, o Recorrente defende a redução do capital social para ajustar o saldo de caixa da Companhia, que deverá ser de R$ 3.500.000,00, sendo R$ 1.750.000,00 por parte dos acionistas fundadores e R$ 1.750.000,00 por parte do Aché, vez que a negociação efetivada considera saldo de caixa zero. Narra que a prova do capital social à época, para fins de certificação dos valores, é, além do contrato já anexado na defesa, a demonstração da mutação de patrimônio líquido (fl.441) e sua publicação no Diário Oficial de 29/04/2013 (fl. 442). Com o objetivo de elucidar os pontos controvertidos, junta o “Acordo de Acionistas” (fls. 453/476) que trata dos seguintes pontos: “(i) Alteração Contratual; (v) Assinatura do Acordo de Acionistas da Sociedade; 3.11. Registro de Alteração Contratual”. Com efeito, verificase do documento referido acima, que consta expressamente o seguinte: “III. O capital social da Companhia, totalmente subscrito e integralizado nesta data é de R$ 15.000.000,00, dividido em 15.000.000 de ações, todas nominativas e sem valor nominal, assim distribuídas entre os acionistas: (i) Aché 7.500.000 de ações, equivalentes a 50% do capital social da Companhia; (ii) Sérgio detém 2.500.000 ações, equivalente a 16,66% do capital social da Companhia; (iii) Jairo detém 2.500.000 ações, equivalente a 16,66% do capital social da Companhia; e (iv) Wilson detém 2.500.000 ações, Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 17 16 equivalente a 16,66% do capital social da Companhia, sendo certo que o capital social poderá ser reduzido para ajustar o saldo de caixa da companhia, que deverá ser de R$ 3.500.000,00, sendo R$ 1.750.000,00 por parte dos Acionistas Fundadores e R$ 1.750.000,00 por parte do Aché, vez que a negociação efetivada considera saldo de caixa zero; Em razão disso, sustenta que em atendimento ao item transcrito acima, foi promovida, em 31/08/2010, a transferência de R$ 2.000.000,00, sendo um terço desse valor para cada sócio vendedor, incluindo o Recorrente, originada da baixa de aplicações financeiras da Companhia no Banco do Brasil (fl. 483/486), como efetivação de parte da redução do capital social, prevista no acordo de acionistas. Sendo assim, alega que ocorreu uma “manutenção das aplicações financeiras”, conforme demonstra o Razão de agosto de 2010, no valor aproximado de R$ 3.208.000,00, “visando tão somente que se evitasse de ‘baixar’ esses valores aplicados há mais de dois anos, o que poderia gerar prejuízos tributários por conta dos impostos sobre rendimentos em aplicações financeiras, e assim atender o acordo relativo ao valor do caixa inicial da empresa, à partir do início da nova sociedade, de R$ 3.500.000,00, após o caixa zero”. Ademais, argumenta que “a parte que cabia ao Aché, no valor de R$ 1.750.000, correspondente a 50% de sua participação no valor acordado, foi depositada diretamente na conta dos sócios vendedores em 15/10/2010 (docs. 05 e 06 – consulta extratos bancários), resultando em valores depositados de R$ 532.622,12 para cada. Ainda, o valor de R$ 152.133,70, referese tão somente a ajustes de responsabilidade societárias relativos a eventos anteriores à aquisição, para atender a decisão conjunta da nova sociedade de não mexer nas aplicações financeiras, cujos valores muito se aproximavam do valor total do caixa inicial de R$ 3.500.000,00 – o restante se completaria com os saldos em conta corrente da Companhia existentes à época”. Ato contínuo, diz que na Ata de 20/12/2010 ocorreu a aprovação de ajustes para promover a equalização dos capitais, de acordo com as participações de cada sócio, a partir da redução do capital social de R$ 15.000.000,00 da data da referida aquisição, para 11.235.000,00, como pode ser comprovado pelas Demonstrações Financeiras – Balanços Patrimoniais, publicados no D.O.U., referentes aos exercícios findados em 31/12/2010 e 31/12/2011 (fl. 442). Informa que o objetivo dos ajustes foi promover a redução do capital em R$ 3.765.000,00, conforme demonstrado no balanço patrimonial de 31/12/2010, como “Adiantamento aos sócios”, sendo um terço para cada sócio vendedor. Ocorre, todavia, que a Fiscalização não tomou conhecimento da referida documentação. Após a atenta leitura às razões recursais do contribuinte, em cotejo com a documentação apresentada (fls. 441/490), considero imprescindível ao deslinde da controvérsia, que os autos sejam baixados em diligência para que a unidade de origem, cotejando a documentação da Mutação do Patrimônio Líquido (fl. 441) com o Diário Oficial (fl.442) e as Demonstrações Financeiras (fls. 481/490) se manifeste de forma conclusiva em relação aos documentos citados, informando: (i) se é possível identificar a alegada Redução do Capital Social da empresa Industria Farmacêutica Melcon, para ajustar o Saldo de Caixa da Companhia, nos termos do “Acordo de Acionistas” (fls. 453/476); e (ii) se as transações Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Resolução nº 2401000.637 S2C4T1 Fl. 18 17 bancárias realizadas (fls. 481/490) foram utilizadas com essa finalidade (Redução do Capital Social), dandose ciência ao contribuinte, após retornem os presentes autos conclusos para julgamento. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.002157/2008-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
A dedução das despesas realizadas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
ARGUMENTOS DESPROVIDOS DE PROVAS.
O art. 15 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal federal, dispõe que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar.
Numero da decisão: 2001-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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DEDUÇÃO. A dedução das despesas realizadas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. ARGUMENTOS DESPROVIDOS DE PROVAS. O art. 15 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal federal, dispõe que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 21 57 /2 00 8- 10 Fl. 40DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 34.389,28,00 , por falta de comprovação de pagamento bem como dedução indevida com despesas com instrução no valor total R$ 2.373,84 devido a falta de comprovação, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$18.883,19. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que teria protocolado junto à DERAT/RIOCAC MEIER, em resposta à intimação, justificativa com documentação pertinente, dentro do prazo determinado de cinco dias úteis. Contudo, verificou que tal procedimento teria sido em vão já que não foram consideradas as justificativas e os documentos apresentados, tendo em vista a notificação de lançamento, sem maiores informações. Pelos fatos expostos, sentindose prejudicado, requer a análise dos fatos. A DRJ Rio de Janeiro I, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações, tampouco juntou qualquer prova para fundamentar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte apenas que seja considerada como tempestiva a impugnação e analisados os argumentos nela expostos. Não traz mais nenhum argumento adicional. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O entendimento desta julgadora segue a mesma linha daquela apresentada pela DRJ Rio de Janeiro I. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento. Alega o Contribuinte em sede recursal, que, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, protocolou, dentro do prazo de cinco dias úteis, justificativa acompanhada de documentação pertinente às despesas realizadas. Apesar de alegar que apresentou os documentos solicitados, não acostou aos autos qualquer documento que comprovasse sua alegação. De acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deverá estar instruída com os documentos que embasem sua fundamentação. Vejamos: Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13708.002157/200810 Acórdão n.º 2001000.168 S2C0T1 Fl. 3 3 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Como bem registrou a DRJ Rio de Janeiro I, as glosas das despesas com instrução, de Previdência Privada e Médicas foram apuradas devido à falta de comprovação por parte do Contribuinte. Também não foram apresentados pelo Contribuinte em sua impugnação quaisquer documentos comprobatórios referentes às despesas glosadas. Estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) no “caput” de seu art. 73, como segue. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Neste diapasão, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme preceitua a legislação aplicável. Dessa forma, tendo em vista que o Contribuinte não comprovou a realização das despesas discriminadas na Declaração de Ajuste Anual, bem como a ausência de apresentação de documentos comprobatórios, entendo também por manter as glosas efetuadas. Por tudo o quanto exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA do recurso voluntário, mantendose o crédito tributário apurado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908436/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 84 36 /2 01 1- 06 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10805.908436/201106 Acórdão n.º 1401002.266 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.242, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10805.908436/201106 Acórdão n.º 1401002.266 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.242, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10805.908436/201106 Acórdão n.º 1401002.266 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 03/12/2013 via ARECF de efls. 60 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 62 a 71), conforme protocolo de efl. 62, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.908436/201106 Acórdão n.º 1401002.266 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908436/201106 Acórdão n.º 1401002.266 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908436/201106 Acórdão n.º 1401002.266 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908436/201106 Acórdão n.º 1401002.266 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.001506/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/09/2004
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como é exemplo a prestação de informações sobre veículo ou carga transportada.
Numero da decisão: 9303-006.499
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAMPAYO NICKHORN S/A ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/09/2004 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como é exemplo a prestação de informações sobre veículo ou carga transportada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 15 06 /2 00 9- 11 Fl. 126DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3803004.313, de 27/06/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/09/2004 MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, após o desembaraço da mercadoria mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque anteriormente declarado em Declaração de Despacho de Exportação (DDE). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2004 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No julgamento de atos administrativos, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a validade ou não do lançamento de ofício lavrado por servidor competente, não se inserindo na competência do órgão julgador a alteração da fundamentação legal da exigência inicial. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto à inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, no caso de infrações a obrigações acessórias aduaneiras. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 380200.570. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 118/119. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 9303006.499 CSRFT3 Fl. 127 3 De fato, os acórdãos recorrido e paradigma divergiram sobre a mesma matéria: a aplicação da denúncia espontânea sobre obrigação acessória, a de registrar, no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, os dados de embarque de exportação, o que bem caracteriza a divergência de interpretação, em ordem a permitir a admissibilidade do recurso especial. No mérito, discordamos da tese adotada na Câmara baixa. O fundamento da decisão foi o de que o art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Medida Provisória nº 497, de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, passou a prever que a denúncia espontânea excluiria a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, de modo que, no caso tratado nos autos, a penalidade seria inexigível. Confirase: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (g.n.) Todavia, é entendimento consolidado que os efeitos da denúncia espontânea não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Portanto, o dispositivo acima só alcançaria a obrigação tributária principal e a administrativa, motivo por que editado o Verbete de jurisprudência nº 49, segundo o qual “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” No caso em análise, a nosso juízo, a penalidade aplicada não tem natureza “aduaneira”, no sentido de constituirse uma outra modalidade, diversa das tributárias ou administrativas. O que se quer dizer com isso é que a penalidade aplicada pela legislação aduaneira, seja ela qual for, apresentase, conforme o caso, com a natureza tributária ou a administrativa. Assim, a multa por falta de licenciamento não automático, quando o produto importado o requer, é administrativa, porque não tem por objeto prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), senão que ao controle administrativo das importações. Fl. 128DF CARF MF 4 Diversa, contudo, é a penalidade aplicada nos autos, pois a finalidade de sua instituição é a de permitir o controle das operações de comércio exterior pelo Fisco, mas não pelos órgãos intervenientes, o caso antes referido. Ademais, é cediço, as normais gerais em Direito Tributário são matéria reservada a lei complementar (como as que estabelecem os contornos da denúncia espontânea), tanto que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, pacificou o entendimento de que são inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. A matéria, como se sabe, já foi apreciada nesta mesma Turma, em decisão que restou assim ementada: PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 9303 003.648, de 26/04/2016). Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.908089/2009-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
Numero da decisão: 3001-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 89 /2 00 9- 61 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 3001000.275 S3C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS (cód.2172) do período de apuração 09/2006 com crédito de PIS/PASEP, por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 11/2005, arrecadado na data de 15/12/2005. Do Despacho Decisório A DRF de Brasília em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.3), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 11/2005. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando o ocorrido da seguinte forma: 1. que parte de sua receita, no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, estaria sujeita a alíquota zero de incidência do PIS e da COFINS, correspondente a produtos tributados no sistema monofásico, em face de grande volume de suas vendas serem Chopp, cervejas e refrigerantes; 2. por ter ocorrido a tributação normal de seu faturamento no período acima mencionado, efetuou o recolhimento de PIS e COFINS em valores maior que o devido; 3. constatado o erro na apuração dos impostos fez a retificação da DIPJ e passou a realizar as compensações a partir de março/2006 através de PER/DCOMP; 4. ao tomar conhecimento do Despacho Decisório procurou o Plantão Fiscal da Receita Federal e foi orientado a apresentar DCTF retificadora, para demonstrar o correspondente crédito passível de compensação; 5. ao final pede deferimento da compensação praticada; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BSB, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 3001000.275 S3C0T1 Fl. 4 3 Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 33) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, repisa os fatos e apela para busca da verdade material no processo administrativo; menciona outros julgados do CARF condescendentes a juntada de novos documentos probatórios com o recurso voluntário; que em face de ter havido o pagamento a maior que o devido, como bem demonstra as planilhas anexadas, tem o direito de realizar compensações do tributo e espera a compensação do crédito informado em PER/DCOMP. Do julgamento do Recurso Voluntário A 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, no acórdão de nº 3803003.488, sessão de 25/09/2012, negou provimento por unanimidade de votos, ratificando a decisão de piso. Do Recurso Especial Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 3001000.275 S3C0T1 Fl. 5 4 Cientificado da decisão de Segundo Grau a interessada tempestivamente ingressou com Recurso Especial. Primeiramente expôs os pressupostos de admissibilidade e com base no formalismo moderado (Lei nº 9.784/99), também, no princípio da razoabilidade que se aplicado com cautela, equilíbrio, moderação e harmonia, bem pode conduzir aos efeitos desejados. Esclarece ainda, “que a juntada de novos documentos no Recurso Voluntário tem respaldo sim no processo administrativo fiscal, no princípio da legalidade e o da verdade material que orienta e autoriza a Administração Pública a aceitar e buscar as provas que venham a demonstrar, a posteriori, a existência de vícios que tornem ilegal o ato administrativo. Os processos administrativos de que resultem sanções ao contribuinte poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício”. Adota como paradigma decisões da 2ª Seção de Julgamento do CARF que demonstram divergência de entendimento, com relação a possibilidade de juntada de novos documentos com o recurso voluntário, onde se destaca o seguinte trecho: “Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário”. Em suas razões finais pede para declarar nulo o Acórdão da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por ofensa aos princípios da busca da verdade material e do formalismo moderado. Do exame de Admissibilidade do Recurso Especial Presentes os pressupostos de admissibilidade o Recurso Especial foi admitido, pois “a matéria foi prequestionada no acórdão recorrido, os paradigmas apresentados foram proferidos por colegiados distintos do da decisão recorrida e não sofreram reforma, restou demonstrada a divergência alegada e não foi constatado que as teses paradigmas tenham sido superadas pela CSRF”. Com base no fundamento do RICARF o exame de admissibilidade foi submetido ao Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que aprovou e encaminhou à Câmara Superior de Recursos Fiscais (3ª Turma) para prosseguimento. Da ciência do Despacho pela PFN Cientificada a PFN, a mesma apresentou contra razões ao recurso especial, requerendo que seja negado provimento, uma vez que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a seu encargo, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. Da decisão do Recurso Especial Levado a julgamento o presente Recurso Especial pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na data de 16/05/2017, Acórdão nº 9303005.095, por unanimidade de votos, dele tomou conhecimento e no mérito deulhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão das provas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 3001000.275 S3C0T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com base nas decisões acima apresentadas, incorridas no presente processo, ficou superada a preclusão de provas no processo administrativo tributário na forma como conduzido pela recorrente em seu recurso voluntário. Da mesma forma é de se reconhecer como válida a DCTF retificadora para fins de análise e posterior homologação dos créditos pretendidos. Portanto, em cumprimento ao dispositivo de sentença prolatada pela CSRF, procedese a análise de mérito do recurso voluntário, que restou prejudicada na decisão contida no acórdão proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em primeiro plano surgiu a apresentação de DCTF retificadora que tratou de acertar os corretos valores devidos de PIS e COFINS para o período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006. Por ter sido apresentada, a DCTF retificadora, em data posterior a emissão do Despacho Decisório, a DRJ/BSB – 4ª Turma sustentou que essa simples entrega, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior; que incumbe ao sujeito passivo fazer a demonstração das provas que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 3001000.275 S3C0T1 Fl. 7 6 força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DIPJ, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. A premissa menor que compõe a ementa do acórdão do Recurso Especial, tratado nesse processo, resume com precisão a questão que envolve a apresentação de prova no processo administrativo tributário, “verbis”: Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 3001000.275 S3C0T1 Fl. 8 7 despacho decisório eletrônico no qual não são apresentadas ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Merece ser reproduzido aqui, por oportuno, parte em destaque dos fundamentos do acórdão do Recurso Especial que determinou a análise de mérito nos presentes autos: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. O fato material que resultou em revisão de base de cálculo do PIS/COFINS, diz respeito a não exclusão do total de suas vendas mensais realizadas no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, dos valores correspondentes às saídas de produtos enquadrados no regime MONOFÁSICO de tributação, instituído pela Lei 10.147/2000. Tal regime consiste em mecanismo semelhante à substituição tributária, pois atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo tributo devido em toda cadeia produtiva ou de distribuição subsequente. O art. 2º da Lei 10.147/2000 define que: “São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador”. Com respaldo nessa previsão legal a recorrente sustentou em sua manifestação de inconformidade, que realizou grande volume de vendas de Chopp, cervejas e refrigerantes, sujeitos ao regime monofásico e que efetivamente foram tributados pelo regime normal de incidência do PIS/COFINS. A revisão de cálculo dessas contribuições é que Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 3001000.275 S3C0T1 Fl. 9 8 redundou em saldo credor pelo pagamento a maior que o devido e objeto dos pedidos de compensação via PER/DCOMP. As DCTFs retificadoras nada mais representam, conforme os argumentos de defesa, do que o repasse ao fisco dos corretos valores devidos de PIS e COFINS do período antes mencionado. Caso a unidade julgadora de primeiro grau tivesse remetido os autos a unidade de origem para que promovesse a análise das DCTFs retificadoras, talvez o deslinde do litígio tivesse outro rumo. As razões recursais reforçam essa tese com a juntada de provas que evidenciam as operações com produtos enquadrados no regime monofásico, planilhas e livros fiscais, plenamente vinculados ao objeto da recorrente. Não reconhecer a análise de mérito de todas as operações realizadas pelo sujeito passivo para o período que deu causa ao levantamento do crédito pleiteado, é incorrer em cerceamento do amplo direito de defesa, desrespeito ao princípio da verdade material e o da moralidade que rege os atos da Administração Pública, em não impedir exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725659/2012-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à qualificação da multa relativa ao ágio interno e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luís Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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MULTA QUALIFICADA. RReeccoorrrreenntteess BRAFER CONSTRUÇÕES METÁLICAS S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 56 59 /2 01 2- 81 Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à qualificação da multa relativa ao ágio interno e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luís Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de autos de infração (Efls. 03 ss.) lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL relativos aos anos calendário de 2007 e 2008, decorrente de glosa (i) da amortização de ágio considerado inexistente, porque originado de operações fictas intragrupo, (ii) de despesas não comprovadas registradas como serviços de assessoria prestados à contribuinte por empresa formada por seus próprios sócios – do que também resultou (iii) a cobrança do IRRF em função de pagamentos sem causa –, acrescidos de (iv) multa qualificada de 150% e (v) multa isolada pelo não recolhimento de estimativas. O conteúdo do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (E fls. 1325 ss.), ao qual se remete para uma leitura mais detalhada, foi sitentizado pelo relatório do acórdão recorrido: “Na ação fiscal, a autoridade fiscal identificou a ocorrência de três infrações tributárias: 1ª) amortização de ágio inexistente (IRPJ e CSLL); 2ª) despesas operacionais não comprovadas (IRPJ e CSLL); 3ª) pagamentos sem causa ou referentes a operação não comprovada (IRRF). Na fase inquisitória foram analisadas as operações de reorganização societária realizadas entre a contribuinte (Brafer Construções Metálicas S/A – Brafer S/A), a pessoa jurídica Brafer Indústria e Construções Ltda – Brafer LTDA e a pessoa jurídica MAG Administração e Participações Ltda – MAG. No anocalendário de 2000, a Brafer Ltda tinha como quotistas a Brafer S/A (557.489 quotas de R$1,00) e Marino Garofani (1 quota de R$1,00). Para os anos calendário de 2001 a 2004, informou na DIPJ que estava inativa. A Brafer S/A, conforme DIPJ/2005, tinha no quadro social em 31/12/2004 os sócios acionistas Marino Garofani (69,94%), Luiz C. Caggiano Santos (20%), Suzely Olsen Garofani (10%) e outros (0,06%). A MAG (DIPJ/2005), em 31/12/2004, tinha como quotistas Marino Garofani (315.000 quotas), Luiz C. Caggiano Santos (90.000 quotas) e Suzely Olsen Garofani (45.000 quotas). Em 20/10/2005, na 2ª Alteração Contratual, a composição da MAG foi alterada, para Marino Garofani (8.934.821 quotas), Luiz C. Caggiano Santos (2.554.570 quotas) e Suzely Olsen Garofani (1.277.285 quotas). O aumento do capital social deuse mediante a entrega de 14.993.133 ações da empresa Brafer S/A para a MAG pelo valor de R$12.271.676,00. Assim, consolidouse situação no qual a MAG detinha 14.993.133 ações da Brafer S/A, o que correspondia a 99,95% do patrimônio líquido da investida. O investimento estava contabilizado no valor de R$ 30.517.208,85. Em 31/10/2005, na 3ª Alteração Contratual da Brafer Ltda: 1) a Brafer S/A cede a título gratuito as 557.489 quotas para Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 5 4 Marino Garofani; 2) a MAG integraliza capital na Brafer Ltda, mediante entrega das 14.993.133 ações que detinha na Brafer S/A, avaliadas em R$60.817.145,00. Foi registrado ágio no valor de R$30.299.936,15. Em 21/11/2005, Laudo de Avaliação apresentado pelos contadores José Henrique Alves Ospedal, Emerson Ernesto Maures, Josilei Lopes de Oliveira, concluiu que o patrimônio líquido da Brafer Ltda era de R$62.019.611,29 na database 31/10/2005. Na mesma data, em 21/11/2005, na 38ª Assembléia Geral Extraordinária, a Brafer S/A incorpora a Brafer Ltda. Constatou a autoridade fiscal que o ágio decorrente da incorporação foi amortizado pela Brafer S/A, nos anos calendário de 2007 e 2008, valores de R$6.345.172,44 e R$17.389.777,69, respectivamente. Intimada, a contribuinte justificouse: ... em 21/11/2005, a Brafer Construções Metálicas S.A. incorporou a Brafer Indústria e Construções Ltda, sucedendo neste direito a partir deste ato. A baixa do valor do ágio de R$30.299.936,15 foi levado a despesa em 60 parcelas, como regulamenta a legislação, sem qualquer desembolso financeiro. Diante dos fatos apresentados, a Fiscalização discorreu sobre as seguintes conclusões, no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (TVEAF) de fls. 1325/1347: (fl. 1330 do TVEAF) Em 21/11/2005, no instrumento particular: Proposta, Justificativa e Protocolo de Incorporação da BRAFER INDUSTRIA E CONSTRUÇÕES LTDA,. pela BRAFER CONSTRUÇÕES METÁLICAS S/A fica claro o vínculo entre incorporada e incorporadora. Quer seja pela participação em sociedades do mesmo grupo, quer seja por administradores em comum. Ora pois, o Sr. Marino Garofani é o representante legal das duas empresas, onde assina o mesmo ato no mesmo momento. Fls.92. A justificativa da incorporação, assim está descrita no item abaixo: "...I –Justificativas: ..:reestruturação das atividades operacionais e administrativas; unificação das rotinas administrativas, principalmente aquelas contábeis e fiscais... " A justificativa para a incorporação da BRAFER Ltda, é meramente formal e não merece crédito. Como demonstrado no item 2.2 Ágio Interno, fica comprovado que o contribuinte quis utilizarse desse meio para gerar ágio sobre investimento no montante de R$30.299.936,15 e assim reduzir so reu (sic) resultado tributável pelo IRPJ e CSLL. Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 6 5 Laudo de Avaliação de 21/11/2005 apresentado pelos contadores: José Henrique Alves Ospedal, Emerson Ernesto Maurer, Josilei Lopes de Oliveira, todos residentes em CuritibaPR, concluíram que o Patrimônio Líquido contábil da BRAFER INDUSTRIA E CONSTRUÇÕES LTDA era de RS 62.019.611,29 na database de 31 de outubro de 2005. Fls.88. No Laudo de Avaliação, temos outro conflito de interesses. Ora pois, o Sr. Josilei Lopes de Oliveira era e continua sendo o contador da empresa que incorporou a empresa por ele avaliado. E, continua representando, aqui nestes atos, a empresa incorporadora................................................................... (fls. 1332/1333 do TVEAF) O contribuinte afirmou que levou à despesa o ágio gerado, à razão de um sessenta avos, no máximo, conforme regulamenta a legislação. Como o total do ágio gerado é de R$ 30.299.936,15 então teríamos R$ 504.998.94 para ser apropriado mensalmente, caso fossem preenchidos os requisitos legais. Contudo, podemos observar no item 02.2 Do Agio Interno, que foi apropriado valor bem superiores, citamos como exemplo o mês de dezembro/2008 onde foi contabilizado e apropriado como despesa o valor de R$ 6.066.888.33. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, originado de operações efetuadas pelos mesmos detentores e controladores das participações societárias, sem a movimentação de recurso financeiro e sem efeito econômico, constitui prova da artificialidade do ágio. Eventuais amortizações efetuadas em função de ágio efetuado nessas condições, devem ser glosadas. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Desta forma, os ágios amortizados em 2007 e 2008, que são correspondentes à incorporação de 2005, não são dedutíveis como despesas na apuração do IRPJ e da CSLL, por trataremse de ÁGIO INTERNO conforme já mencionado acima. Assim, a primeira infração tipificada pela autoridade autuante foi a glosa das amortizações de ágio promovidas pela contribuinte no decorrer dos anoscalendário de 2007 e 2008. Por sua vez, a segunda infração tratou da glosa de despesas referentes a serviços prestados pela MAG. Constatou a autoridade fiscal que a contribuinte contratou a sua controladora MAG para prestação de serviços de gestão, desde o suprimento de materiais, controle de produção, produtividade, busca de novos negócios até o aumento do faturamento e lucratividade da sua holding. De acordo com o contrato os serviços seriam executados exclusivamente e pessoalmente pelos diretores da contratada, a MAG. A contribuinte apresentou notas fiscais decorrentes da prestação Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 7 6 de serviços. Por sua vez, a MAG foi intimada por meio de diligência a prestar esclarecimentos sobre os serviços prestados à contribuinte, e respondeu que a empresa não possuía funcionários e que as atividades eram executadas pelos sócios. Relata a autoridade fiscal que a MAG não justificou e nem informou como teriam sido recebidos os valores correspondentes à sua receitas de prestação de serviços, e não comprovou que os serviços teriam sido efetivamente prestados e tampouco a forma de recebimento. Por outro lado, ao analisar a contabilidade da contribuinte, constatou a Fiscalização lançamentos de contas a pagar referentes à assessoria prestada pela MAG. Destaca ainda a autoridade autuante que os sócios da MAG em 2007 e 2008 (Marino Garofani, Luiz Carlos Caggiano Santos e Suzely Olsen Garofani), participavam com 99,90% do capital social da contribuinte (Brafer S/A). Sobre a situação, concluiu a autoridade autuante: (Fl.1337 do TVEAF) Conforme Contrato, a remuneração dos serviços prestados, sera de 3,5 % (três virgula cinco por cento) sobre o faturamento bruto mensal da contratante. A remuneração por serviços prestados na ordem de 3,5% é um absurdo, se compararmos com a rentabilidade da empresa (...) Mesmo que fosse devidamente demonstrado a efetividade dos serviços prestados, a remuneração na ordem de 3,5% da Receita Bruta é desproporcional ao resultado apresentado. O contribuinte com todos os riscos inerentes à sua atividade, é remunerado na ordem de 9%. Então seria, no mínimo, imprudente destinar quase a metade desse lucro para remunerar serviços de consultoria. ......................................................................... (Fl.1340 do TVEAF) Ou seja, a BRAFER S/A prestou serviços de assessoria para si mesma, cobrando para tanto R$ 5.999.636,98 em 2007 e RS 9.776.300,44 em 2008. Estes valores tiveram como fundamento os serviços de consultoria técnica, aplicando o seu vasto conhecimento técnico, na busca de novos mercados e de novos negócios... Conforme Contrato de Prestação de serviços, de 15 de janeiro de 2007, cláusula primeira. Fls.1242. O Contrato de Prestação de serviços foi assinado por Luiz Carlos Caggiano Santos e por Suzely Olsen Garofani, representando a BRAFER S/A, e por Marino Garofani, representando a MAG Ltda. Ou seja, as partes são as mesmas, com os mesmos interesses.(grifos originais) ......................................................................... (Fl.1341 do TVEAF) Ora pois, os sócios não podem vender seus serviços para si mesmos. Já recebem prólabore e ao final do exercício, ainda recebem dividendos do resultado da empresa. Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 8 7 Nesse sentido, foram glosadas pela autoridade fiscal as despesas lançadas pela contribuinte na contabilidade, pela ausência de prova da origem e efetividade das operações, com fulcro no art. 302, inciso II do RIR/99. Enfim, foi também tipificada a terceira infração, prevista no art. 674, § 1º, do RIR/99, referente à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, dos pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa. A multa de ofício foi qualificada (150%) para a primeira e segunda infrações, conforme entendimento exposto no TVEAF (fls. 1344/1345): Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a conduta acima descrita nas definições contidas na Lei 4.502/64, abaixo transcrita. O contribuinte, ao gerar de forma artificial uma despesa com ágio sabidamente inexistente, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente, a qual retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador, já que tudo isso que foi feito teve o propósito de iludir o Fisco, pois deu o nome de "Ágio sobre Investimentos" a fatos sabidamente desprovidos de quaisquer características que o compõe. Não basta o fato de estar tudo informado em DIPJ ou em Notas Explicativas, ou então, os Atos Formais registrados nos Órgãos competentes. O fato é que tudo isso foi feito para ' informar ao Fisco algo que inexistia e, que, portanto, produziu o retardamento do conhecimento das verdadeiras circunstâncias. Ademais, houve a modificação de característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes de IRPJ e CSLL devidos foram reduzidos (usou despesas sabidamente inexistentes). A FISCALIZADA não praticou estes fatos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta, restando caracterizada a atitude dolosa. Desta forma, a conduta sob análise amoldase às hipóteses previstas nos artigos da Lei 4.502/64 abaixo citados. O fundamento para a qualificação da multa reside na utilização de uma série de instrumentos com o intuito de criar uma roupagem legal capaz de dar uma aparência legítima às operações de reorganização societária cujo único fundamento era o aproveitamento do ágio como despesa dedutível. Nessa construção, utilizouse a contribuinte da confecção de laudos de avaliação capazes de sustentar a existência do ágio e da celebração de protocolo de incorporação para justificar a incorporação efetivada, pela autuada, que nada mais foi do que uma série de modificações societárias de forma a se colocar em situação de aproveitamento do ágio. O conjunto dos atos levados a efeito pela autuada corresponderia à uma prática deliberada, consciente dos riscos envolvidos, com o objetivo de alcançar, por meio da criação Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 9 8 fictícia de ágio e de uma estrutura societária artificial, vantagem fiscal indevida. O conjunto dos fatos verificados no caso sob exame colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a mascarar, senão a ocultar, o que de fato se pretendia, o que de fato se buscava. É dizer, todas as ações envolvidas tinham por fim único a criação de um ágio fictício a ser transformado em benefício fiscal por força de um arranjo societário artificial. (...) E o mesmo enquadramento legal deve ser aplicado para a "fabricação" de despesas de assessoria, onde o contribuinte, contratou ele mesmo e ainda pagou 3,5% (três ponto cinco percentuais) de seu faturamento mensal. A prestadora de serviços MAG Ltda, detinha 99,90% do capital do contribuinte BRAFER S/A. Os valores pagos tiveram como fundamento os serviços de consultoria técnica, onde a MAG Ltda, que é uma empresa de Administração e Participações, cujo CNAE fora informado como sendo 64.620/00 Holding de instituições nãofinanceira, iria aplicar o seu vasto conhecimento técnico, na busca de novos mercados e de novos negócios... Conforme Contrato de Prestação de serviços, de 15 de janeiro de 2007, cláusula primeira. O Contrato de Prestação de serviços foi assinado por Luiz Carlos Caggiano Santos e por Suzely Olsen Garofani, representando a BRAFER S/A, e por Marino Garofani, representando a MAG Ltda. Ou seja, as partes são as mesmas, com os mesmos interesses. Como demonstrado, o contribuinte estava "fabricando" despesas para poder reduzir o lucro real da BRAFER S/A, transferindo a receita para a MAG Ltda que é uma empresa tributada pelo Lucro Presumido, reduzindo assim a sua carga tributária. Com a revisão da base de cálculo, em razão das infrações identificadas pela Fiscalização, foram apuradas estimativas mensais a recolher de IRPJ e CSLL, razão pela qual foram lançadas de ofício as multas isoladas incidentes sobre insuficiência de recolhimento. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF de fls. 1282/1324, acompanhados do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 1333/1347, cuja ciência foi dada à contribuinte em 20/08/2012.” Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação às Efls. 1352 ss, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG proferiu o acórdão n. 0246.228 (Efls. 1633 ss.) mantendo o lançamento, pelas razões resumidas na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 10 9 Anocalendário: 2007, 2008 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, absorver patrimônio de sua controladora, a qual tinha desdobrado o valor da participação em seu capital em valor patrimonial e em ágio fundamentado em expectativa de resultados futuros, somente poderá deduzir a despesa com a amortização desse ágio se observadas as seguintes condições: demonstração do fundamento do ágio mediante documentação hábil e tempestiva; existência de substância econômica e propósito negocial nas operações de reorganização societária; independência entre si e possibilidade de livre negociação quanto a todas as pessoas jurídicas envolvidas na operação; ônus efetivo na aquisição do ágio para a pessoa jurídica que o registrar em sua contabilidade e cujo patrimônio for absorvido; reunião numa só pessoa jurídica do patrimônio que tiver sofrido o encargo do ágio e o patrimônio que presumivelmente gerará os lucros que justificaram o seu pagamento. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Na apuração do lucro real, não se admite computar gastos ou despesas que não estejam comprovados com documentação hábil e idônea. Os pagamentos, de qualquer natureza, a titular, sócio ou dirigente da pessoa jurídica, poderão ser impugnados pela autoridade lançadora, se o contribuinte não provar a origem e a efetividade da operação ou transação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 APURAÇÃO DA CSLL. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 11 10 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as multas de ofício determinadas pela legislação de regência, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. As multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo, são inteiramente diversas e previstas em lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada no percentual de 150%, quando restar devidamente caracterizado em procedimento fiscal, o evidente intuito de fraude, nos termos da lei. JUROS DE MORA. Sobre todos os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a Selic. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. A contagem da decadência tem por referência o fato gerador da obrigação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. São nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerer prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de diligência, Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 12 11 REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência do lançamento e, no mérito, julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido.” Em face de referida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (E fls. 1678 ss.), cujas razões foram relatadas pelo acórdão recorrido, que ora se aproveita: “Nulidade. Caso o Fisco constate a amortização de despesa indevida, forçosamente deve efetuar o lançamento somente caso comprovada a postergação do imposto, ou a redução indevida do lucro real, conforme dispõe o art. 273 do RIR/99. O art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, que embasa o procedimento combinado com os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, estabeleceu uma forma de reavaliação do investimento, cuja tributação correspondente seria diferida. Assim, a rigor, não houve desoneração do ganho patrimonial gerado pela reavaliação, mas sim, tão somente a postergação dos respectivos tributos. Portanto, no caso concreto, ao se analisar o quadro formado para a utilização do ágio, constatase que o efeito é o de postergação do imposto, situação também tratada no Parecer Normativo Cosit nº 02, de 1996. Ainda, na apuração do IRPJ elaborada pelo Fisco, deve ser levada em consideração quando ocorreu a atividade da contribuinte que deu causa ao ágio, qual seja, anocalendário de 2005, para se determinar o fato gerador. Na autuação não foi assim que se procedeu, e tampouco a autoridade fiscal levou em consideração a existência de prejuízo fiscal que poderia ser compensado com eventual resultado positivo. Decadência. O lançamento de ofício encontrase fulminado pela decadência, vez que o registro do ágio ocorreu em 2005 e a lavratura dos autos de infração em 2012, ou seja, já decorreu o prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN. Mérito. A autuação fiscal criou condições inexistentes na legislação tributária para fundamentar a glosa da amortização do ágio. A desoneração integral dos tributos é possível por meio da combinação do § 2º do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, com o art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997. De fato, o § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1997, determina ser obrigatória a indicação do fundamento econômico para o lançamento do ágio, com base em um dos critérios, (i) valor de mercado de ativos, (ii) expectativa de rentabilidade futura ou (iii) fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas. A intenção da recorrente é expressa no momento da aquisição, pelo fundamento escolhido. E o dispositivo do art. 7º, inciso II da Lei nº 9.532, de 1997, condicionou a amortização do ágio apenas e tão somente à absorção do patrimônio da investida pela investidora e viceversa, absorção esta que só pode ocorrer mediante a incorporação, cisão ou fusão, precisamente o que ocorreu no caso em tela. Há que se observar que todos os atos da recorrente foram efetivados na mais estrita legalidade. Toda a operação foi declarada e contabilizada, conforme Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 13 12 constatado pelo Fisco. Não ocorreu a simulação acusada pela autoridade autuante, prevista no art. 167 do Código Civil. Portanto, o tipo de operação efetuada pela recorrente, tão comum em reorganizações societárias ocorridas no passado, como é o caso da privatização de empresas de telecomunicações, não é abusive nem simulada, vez que atende ao disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Lucro Líquido x Lucro Real. Ainda que seja considerada a amortização do ágio para fins de apuração do IRPJ, o mesmo não se pode aplicar à CSLL, cuja base de cálculo é o lucro líquido, e não o lucro real. Despesas com Assessoria. O Fisco incorreu em equívoco ao interpretar os requisitos de dedutibilidade face as atividades contratadas pela recorrente. Foi firmado contrato com a MAG ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA para prestação de serviços de gestão de todas as atividades da recorrente. A autoridade fiscal não tem competência para exigir aquilo que a lei não determinada, conforme art. 112, inciso II do CTN. O Parecer Normativo CST nº 10. de 1976, predica que a comprovação de despesas pode ser feita por meio de quaisquer documentos (notas fiscais, conhecimentos, contratos, recibos, etc). Assim, em matéria de despesas devidamente contabilizadas e suportadas em documentos idôneos e não sendo posto em causa a questão do pagamento, como no caso concreto, cabe à auditoria fiscal a demonstração de que as despesas não seriam dedutíveis, seja porque realmente não seriam usuais ou necessárias ou porque os documentos que as embasaram não seriam hábeis e idôneos. O direito de o Fisco indagar da efetiva prestação de serviços só ocorre quando a fiscalização reunir provas, ou mesmo indícios, de que os serviços não foram ou não poderiam ter sido prestados. E, se a autoridade fiscal tem dúvida quanto à efetiva prestação do serviço, deveria promover diligências junto ao prestador de serviços para verificar a ocorrência de possível irregularidade. No caso em análise, foi completamente desconsiderado o Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria, Assessoria e Gestão de Negócios celebrado, que identifica as partes envolvidas, a espécie do serviço e a condições de prestação. Ademais, em nenhum momento foram ocultadas as informações fiscais e contábeis do Fisco. IRRF. O enquadramento legal, arts. 674 e 675 do RIR/99, não apontou com precisão qual seria a acusação do Fisco, vez que o art. 674 trata do beneficiário não identificado, e o art. 675 da não incorporação ao salário dos beneficiários. A correta inteligência do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 ainda não foi feita, e esta sendo construída a partir dos casos conhecidos e pela reflexão que o tempo impõe. No rigor jurídico, o mencionado artigo não criou mais uma modalidade de tributação exclusiva na fonte, já que o fato tomado para essa tributação, o pagamento, não tem signo de renda, como exige o art. 43 do CTN. Na realidade, o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 parece instituir uma efetiva penalidade, dissimulada como imposto de renda retido na fonte, o que é problemático, vez que o Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 14 13 art. 3º do CTN veda a utilização do tributo como substituto de penalidade. Portanto, ainda que mantido o IRRF, a recorrente observa que seria impossível aplicar a multa de ofício, sob pena de incorrer em bis in idem. Ainda, registerse que já foi recolhido IRRF, que deve ser descontado na eventualidade de subsistir o lançamento de ofício. Multa de Ofício. No decorrer de toda a auditoria fiscal, a Recorrente foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para aproveitar o ágio. A criação de empresa para este fim era prática normal à época, tanto que foi objeto de normatização pela CVM (Instrução CVM 349/2001). Por seu turno, a própria Lei 9.732/97, em seu artigo 8º, versou sobre aspectos relativos a incorporação da controlada pela controladora. Assim, reside dúvida em saber se, num caso como o presente, em que todos os atos praticados pela Recorrente, apesar de terem sido considerados sem intenção negocial no primeiro momento, e com simulação, no segundo momento, mas mediante ampla publicidade de todo o processado, permitiria a identificação do chamado evidente intuito de fraude ou a prática de sonegação fiscal. Isso por que a sonegação importa necessariamente em práticas de encobrir o fato realizado, de forma a que a conduta do contribuinte tenha necessariamente de vir acobertada por um doloso véu de ocultação. E, no caso dos autos, toda a operação, pela sua própria natureza e pelas partes envolvidas, incluindo empresa de capital aberto, foram divulgadas, em atendimento às prescrições das normas comerciais e da CVM, tendo as atas de assembléia sido devidamente registradas. Assim, apesar de o negócio ter sido considerado simulado afastandose os seus efeitos para fins de tributação, identificandose ser o tributo devido, resta evidente que a Recorrente agiu certa de que estaria praticando o chamado negócio jurídico indireto, de forma absolutamente pública, respaldado por entendimentos abalizados de que negócio estaria abarcado pela chamada elisão fiscal. Não há, portanto, que se falar em dolo específico previsto no caput dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, elemento essencial para se promover a qualificação da multa de oficio. Multa Isolada. Jurisprudência do CARF é no sentido de que não é devida multa isolada, posto que incide sobre a mesma base da multa de ofício. Ainda, há que se observar que, tendo o ágio como desdobramento a postergação do imposto, outro efeito da postergação é de que o lançamento de ofício é efetuado sem imposição de multa. Não Incidência da SELIC sobre Multa de Ofício. Não há previsão legal para exigir os juros calculados com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Provas. Requerse a produção de provas complementares e produção de diligência, caso necessário.” Do julgamento do recurso pela Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção resultou o acórdão n. 1103001.170 (Efls. 1783 ss.), que manteve Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 15 14 praticamente todo o lançamento, com exceção da dedução da exigência de IRRF dos valores pagos mediante os Darf de fls. 1.552/1.556 e da multa isolada imposta em razão da falta de pagamentos sobre estimativas mensais. Leiase a sua ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo a descrição dos fatos e o enquadramento legal da autuação sido cirúrgicos, tratando precisamente da glosa das amortizações efetuadas pela recorrente no decorrer dos anoscalendário de 2007 e 2008, que tiveram como desdobramento uma nova apuração na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO ANTES DA CONSUMAÇÃO DO PRAZO. Mesmo aplicandose a contagem mais favorável à recorrente, art. 150, § 4º do CTN, não restou consumada a decadência, tendo em vista que o fato gerador do ano calendário de 2007 (lucro real anual) aperfeiçoouse em 31/12/2007. Isso porque, tendo a ciência dos autos de infração ocorrido em 20/08/2012, o prazo decadencial restaria consumado apenas em 31/12/2012. FORMAÇÃO DO ÁGIO. Investimento avaliado pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP) adquirido por valor superior ao contabilizado no patrimônio líquido constitui ágio que, em regra geral, não é objeto de aproveitamento para fins fiscais, salvo em casos específicos dispostos na legislação tributária, como alienação, liquidação ou transformação societária envolvendo controlador e controlada ou coligada. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. NORMA TRIBUTÁRIA. ASPECTOS DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, nos casos de transformação societária (incorporação, fusão ou cisão) envolvendo o investimento objeto da mais valia, com repercussão direta na base de cálculo do tributo, o que permite a sua análise sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, mediante verificação dos aspectos pessoal, temporal e material. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ASPECTO TEMPORAL. Devese verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ASPECTO PESSOAL. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 16 15 Os arts. 385 e 386 do RIR/99 se dirigem à sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, sendo ela, e apenas ela a destinatária da prerrogativa de amortização do sobrepreço. A partir do momento em que o ágio é transferido ou repassado para outras pessoas (de A para B, de B para C, de C para D e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora, a subsunção à norma tributária não se concretiza por incompatibilidade do aspecto pessoal. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ASPECTO MATERIAL. Devese consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). FUNCIONALIDADE DO SISTEMA TRIBUTÁRIO. Os fatos do mundo real, para se amoldarem perfeitamente à hipótese de incidência definida pela norma tributária, devem surgir naturalmente, decorrente de atuação isenta dos agentes envolvidos e de negociação imparcial, mediante conciliação dos interesses econômicos e financeiros. Incorre em afronta à normalidade a construção de um suporte fático artificial, entre agentes não relacionados, que celebram entre si negócios que desafiam a lógica empresarial, com aquisição de investimentos sem contrapartida, valoração de sobrepreço sem fundamentação econômica, e reorganizações intragrupo desprovidas de substância. A ocorrência de comportamentos “fora da curva” provocam a desfuncionalidade do sistema. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA ARTIFICIAL. Ágio construído a partir de uma reorganização societária artificial, partindo de um grupo de empresas com administração em comum, para viabilizar um sobrepreço no investimento sem fundamento econômico, especificamente para produzir despesas com o intuito deliberado de reduzir a base de cálculo dos tributos, não repercute na esfera tributária. GLOSA DE DESPESAS. Prestação de serviços, fruto de situação artificial criada pela contribuinte, não se mostra dedutível, tendo em vista que nasceu a partir de um fato fictício e inexistente. Despesas criadas, sem substância, apenas para lastrear os pagamentos efetuados e justificar a dedução na base de cálculo do IRPJ e da CSLL a título de despesas operacionais, devem ser glosadas. QUALIFICAÇÃO DE MULTA. Demonstrado que os atos praticados pela recorrente tiveram o intuito doloso, o plus na conduta, aspecto subjetivo que vai além do tipo tributário previsto na infração tributária, extrapolando o contorno delineado pela moldura da norma, a consequência é a Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 17 16 qualificação da multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. Diante do mesmo suporte fático e matéria tributável, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2007, 2008 PAGAMENTOS SEM CAUSA. A hipótese de incidência delineada no art. 674 do RIR/99 comporta pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Trata se de situação no qual, partindose do pressuposto de que o prestador de serviços não ofereceu os rendimentos à tributação, a sujeição passiva é transferida para o tomador de serviços. Assim, restando comprovada a ocorrência de pagamentos para lastrear situação forjada pela contribuinte, que concebeu uma ficção com o intuito de produzir despesas operacionais dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, e a artificialidade da prestação de serviços, não há que se falar em causa que pudesse justificar os pagamentos, razão pela qual cabe a incidência do imposto de renda exclusivo na fonte sobre os correspondentes recolhimentos. IRRF. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. Pagamentos efetuados de IRRF devidamente comprovados, com correspondência em notas fiscais emitidas, devem ser aproveitados e deduzidos do tributo apurado no lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa isolada, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, “b”, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial para (i) deduzir da exigência de IRRF os Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 18 17 valores pagos mediante os Darf de fls. 1.552/1.556, por unanimidade, e (ii) excluir as multas isoladas impostas em razão da falta de pagamentos sobre estimativas mensais, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Em primeira votação, o Conselheiro Marcos Shigueo Takata entendeu ser improcedente a exigência de IRRF, no que foi vencido. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício foi mantida por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata, e a qualificação da multa de ofício no percentual de 150% foi mantida por unanimidade. Os Conselheiros Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata acompanharam o voto do Relator pelas conclusões quanto às matérias relativas a ágio e glosa de despesas e o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos acompanhou o Relator pelas conclusões quanto ao ágio. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Assinado Digitalmente Fábio Nieves Barreira – Redator Designado” Contra o referido acórdão, inicialmente, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (Efls. 1824 ss.), pretendendo fosse restabelecida a multa isolada, diante da defendida possibilidade de sua cumulação com a multa de ofício, pelas diferentes razões que desenvolve, para o que apresentou os acórdãos n. 1101001.057 e n. 1802001.592 como paradigmas da divergência. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 1845 ss.) e, intimada, primeiramente a contribuinte apresentou contrarrazões (Efls. 1861) defendendo a insustetabilidade da concomitância entre as multas de ofício e isolada e requerendo a não aplicação da multa de ofício em função da postergação. Em continuidade, a contribuinte opôs embargos de declaração (Efls. 1892 ss.) visando sanar omissão relativa à não apreciação do tema da postergação do IRPJ, com a consequente declaração de nulidade do auto de infração, que não foram admitidos pelo despacho às Efls. 1907 ss. A contribuinte também interpôs recurso especial (Efls. 1947 ss.), suscitando divergência para enfrentar as seguintes matérias, com os respectivos paradigmas: (i) nulidade: recomposição dos exercícios pretéritos (acórdãos n. 1301002.111 e CSRF/0105.936); (ii) decadência (acórdãos n. 10809.501); (iii) ágio (acórdãos n. 1201001.242 e 1301001.852); (iv) lucro líquido x lucro real – aplicação da dedutibilidade do ágio da base da CSLL (acórdão n. 10707.315); (v) despesas com assessoria (acórdãos n. 1101001.204 e 1301001.646); (vi) IRRF (Acórdão n. 1402001.343); (vii) multa qualificada de 150% (Acórdãos n. 1401001.584 e 2102003.014). No entanto, o despacho de admissibilidade (Efls. 2321 ss.) recepcionou o Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 19 18 recurso somente com relação à dedutibilidade do ágio da base da CSLL e à qualificação da multa, mas apenas no que disse respeito ao ágio interno e com base no primeiro paradigma (Acórdã n. 1401001.584), não se prestando a configurar divergência quanto à parcela das despesas de assessoria. Sequencialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, acatanda a representação às Efls. 2353 opôs embargos de declaração (Efls. 2354 ss.) visando sanar inexatidão por lapso manifesto quanto ao nome da recorrente constante do despacho de admissibilidade, o que foi corrigido por outro depacho, às Efl. 2357. A contribuinte interpôs agravo (Efls. 2368 ss.) objetivando que fossem admitidos os pontos do recurso especial aos quais foi negado seguimento, contudo, foi rejeitado por decisão às Efls. 2774 ss. Por fim, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões (Efls. 2802 ss.), manifestandose quanto ao mérito dos dois pontos admitidos do recurso especial. Passase, assim, à apreciação dos recursos. Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 20 19 Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora I. Recurso da contribuinte: CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, observase primeiramente, com relação à dedutibilidade do ágio da base da CSLL, que não se atendeu ao requisito do prequestionamento, apenas sendo tratada a matéria no recurso da contribuinte, motivo pelo qual este não pode ser conhecido neste ponto. De outro lado, com relação à qualificação da multa, entendese preenchidos as exigências enumeradas acima para o conhecimento, ressaltandose que o despacho de admissibilidade apenas deu seguimento à questão da com base no primeiro paradigma (Acórdão n. 1401001.584) e com relação ao tema do ágio interno. Com efeito, dispôs o despacho de admissibildiade quanto a este tema: “Com relação ao primeiro paradigma (Acórdão 1401001.584), contudo, entendo que a recorrente logrou êxito em demonstrar a existência de divergência jurisprudencial, muito embora apenas no que diz respeito às despesas com a amortização do ágio. De fato, consoante ao norte já exaustivamente exposto, para a demonstração de divergência jurisprudencial, necessário se faz que se esteja tratando de contextos fáticos idênticos ou substancialmente semelhantes. E, no caso, o Acórdão 1401001.584, apresentado como paradigma, efetivamente trata de autuação relativa à glosa de despesas com a amortização de ágio interno, o qual foi Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 21 20 considerado ter sido artificialmente criado pela contribuinte (à semelhança do que se deu no caso do acórdão recorrido), tendo sido inclusive mantida a glosa, portanto, de sua amortização (assim como também o foi no caso do acórdão recorrido). Entretanto, a multa de ofício foi desqualificada, ao entendimento de que as operações haviam sido feitas às claras, e de que a própria jurisprudência do CARF era vacilante a respeito do tema, o que evidenciaria a boa fé do contribuinte e a sua legítima expectativa de que tais operações viessem a ser mesmo chanceladas pela Receita Federal, pelo CARF ou pelo Poder Judiciário. Os seguintes excertos de sua ementa sintetizam o quanto acima afirmado: “ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL NA CRIAÇÃO DA RECORRENTE. ARTIFICIALIDADE. Apesar de não ter havido configuração de empresa veículo, a Recorrente foi criada para gerar o ágio, pois a empresa incorporada por ela, ou mesmo a empresa uruguaia, poderia ter se tornado o tal Centro de Serviços Compartilhados. A criação da Recorrente no mesmo endereço da incorporada, com transferência de ativos, operações e funcionários desta para aquela, revela uma estratégia, sem propósito negocial, traçada para gerar a redução da tributação. MULTAS DE 150%. DESQUALIFICAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO SEM FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O contribuinte tentou realizar operações de uma forma que mais lhe beneficiassem do ponto de vista tributário, entendo que elas poderiam vir a ser aceitas pela Receita Federal, pelo CARF ou mesmo pelo Judiciário. A jurisprudência do CARF sobre o tema do ágio era vacilante em 2006 e ainda é até hoje. Devem ser desqualificadas as multas de ofício, retornando ambas a 75%.” Portanto, diante de situações fáticas substancialmente equivalentes, com a constatação de ágio interno gerado artificialmente por meio de operações societárias, o acórdão recorrido manteve a multa qualificada, enquanto o acórdão paradigma a reduziu ao percentual de 75%. Demonstrada, assim, a divergência jurisprudencial. Não é possível, entretanto, aproveitarse o mesmo acórdão 1401 001.584, com a devida vênia, como paradigma de divergência com relação à aplicação da multa qualificada sobre as despesas com a prestação de serviços não comprovados.” Com essas observações, VOTASE POR CONHECER PARCIALMENTE o recurso especial da contribuinte, apenas no que tange à qualificação da multa relacionada ao ágio interno. MÉRITO De acordo com a análise de conhecimento procedida, devolvese ao julgamento desta instância, então, apenas a matéria relativa à desqualificação da multa quanto à Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 22 21 infração referente ao ágio interno, diferentemente do que decidido no acórão recorrido, o qual se transcreve: “(...) QUALIFICAÇÃO DE MULTA. Demonstrado que os atos praticados pela recorrente tiveram o intuito doloso, o plus na conduta, aspecto subjetivo que vai além do tipo tributário previsto na infração tributária, extrapolando o contorno delineado pela moldura da norma, a consequência é a qualificação da multa de ofício. (…) Sobre a multa de ofício, observase que foi qualificada (150%) para as duas primeiras infrações. Entendo que não poderia ser diferente. Notase a consciência da recorrente em engendrar uma construção, partindo de um grupo de empresas com administração em comum, especificamente para produzir despesas com o intuito deliberado de reduzir a base de cálculo dos tributos. No caso concreto, restou demonstrada a presença de dois elementos inerentes ao dolo: o cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica, e o volitivo, a vontade de realizar a conduta. Cezar Roberto Bitencourt esclarece, com clareza peculiar, in verbis: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada (...) A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente (...) É indispensável uma determinada relação de vontade entre o resultado e o agente e é exatamente esse elemento volitivo que distingue o dolo da culpa. Não há que se falar em desconhecimento ou ignorância da norma por parte da recorrente. A formação do ágio decorreu de uma reorganização societária artificial, que viabilizou uma reavaliação no investimento, registro de ágio e posterior amortização. Sequer ocorreu pagamento à investidora pela suposta valorização das ações. A própria recorrente, sem nenhum constrangimento, respondeu à Fiscalização, em resposta à intimação realizada em 18/05/2012: Em 21/11/2005, a Brafer Construções Metálicas S.A. incorporou a Brafer Indústria e Construções Ltda., sucedendo neste direito a partir deste ato. A baixa do valor de ágio R$30.299.936,15, foi levado a despesa em 60 parcelas, como regulamenta a legislação, sem qualquer desembolso financeiro. Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 23 22 O mesmo se pode dizer a respeito do contrato de prestação de serviços celebrado entre a recorrente e a MAG. Restou evidente a manipulação entre as duas empresas administradas pelo mesmo grupo, para fabricar despesas operacionais. As conclusões descritas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal são precisas: O contribuinte, ao gerar de forma artificial uma despesa com ágio sabidamente inexistente, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente, a qual retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador, já que tudo isso que foi feito teve o propósito de iludir o Fisco, pois deu o nome de "Ágio sobre Investimentos" a fatos sabidamente desprovidos de quaisquer características que o compõe. Não basta o fato de estar tudo informado em DIPJ ou em Notas Explicativas, ou então, os Atos Formais registrados nos Órgãos competentes. O fato é que tudo isso foi feito para ' informar ao Fisco algo que inexistia e, que, portanto, produziu o retardamento do conhecimento das verdadeiras circunstâncias. Ademais, houve a modificação de característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes de IRPJ e CSLL devidos foram reduzidos (usou despesas sabidamente inexistentes). A FISCALIZADA não praticou estes fatos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta, restando caracterizada a atitude dolosa. Desta forma, a conduta sob análise amoldase às hipóteses previstas nos artigos da Lei 4.502/64 abaixo citados. O fundamento para a qualificação da multa reside na utilização de uma série de instrumentos com o intuito de criar uma roupagem legal capaz de dar uma aparência legítima às operações de reorganização societária cujo único fundamento era o aproveitamento do ágio como despesa dedutível. Nessa construção, utilizouse a contribuinte da confecção de laudos de avaliação capazes de sustentar a existência do ágio e da celebração de protocolo de incorporação para justificar a incorporação efetivada, pela autuada, que nada mais foi do que uma série de modificações societárias de forma a se colocar em situação de aproveitamento do ágio. O conjunto dos atos levados a efeito pela autuada corresponderia à uma prática deliberada, consciente dos riscos envolvidos, com o objetivo de alcançar, por meio da criação fictícia de ágio e de uma estrutura societária artificial, vantage fiscal indevida. O conjunto dos fatos verificados no caso sob exame colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a mascarar, senão a ocultar, o que de fato se pretendia, o que de fato se buscava. É dizer, todas as ações envolvidas tinham por fim único a criação de um ágio fictício a ser transformado em benefício fiscal por força de um arranjo societário artificial. (...) Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 24 23 A série de atos praticados pela recorrente caracterizam o intuito doloso, o plus na conduta, aspecto subjetivo que vai além do tipo tributário previsto na infração tributária. Restou evidente a intenção de enganar o Fisco, mediante ardil, malícia, em conduta reprovável. Portanto, deve ser mantida a qualificação de multa de ofício.” Retornandose ao Termo de Verificação Fiscal delimitase que a infração em tratamento da amortização de valores de ágio inexistente, porque criado artificialmente, uma vez decorrente de operação intragrupo. Leiase “A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, originado de operações efetuadas pelos mesmos detentores e controladores das participações societárias, sem a movimentação de recurso financeiro e sem efeito econômico, constitui prova da artificialidade do ágio. Eventuais amortizações efetuadas em função de ágio efetuado nessas condições, devem ser glosadas. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Desta forma, os ágios amortizados em 2007 e 2008, que são correspondentes à incorporação de 2005, não são dedutíveis como despesas na apuração do IRPJ e da CSLL, por trataremse de ÁGIO INTERNO conforme já mencionado acima. Assim, a primeira infração tipificada pela autoridade autuante foi a glosa das amortizações de ágio promovidas pela contribuinte no decorrer dos anoscalendário de 2007 e 2008.” Desse artificialismo, pela sequência de operações descritas no início do referido termo de verificação fiscal, entendeuse aplicável a qualificação da multa, porque consciente a contribuinte de que estaria praticando atos tendentes a evitar o fato gerador da obrigação tributária, caracterizado o dolo necessário à imposição da multa qualificada. Dentro dessa demarcação quanto ao ágio haver sido gerado intragrupo e independentemente da oponibilidade dessas operações ao fisco, não vislumbro a possibilidade de se imputar penalidade qualificada pela operação praticada, justamente porque entendo não se estar no campo da ilicitude, uma vez que a legislação vigente à época dos fatos não vedava essa espécie de transação, o que demandaria uma maior trabalho fiscal para se comprovar atos que maculassem a causa do negócio jurídico e o evidente intiuito fraudulento necessário à qualificação, cujo dolo de fraudar é essencial. Ocorre que, muito embora o fiscal tenha tratado fartamente do artificialismo das operações e mencionado a existência de conluio, fraude ou simulação, o fez de maneira genérica, capitulando a infração nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64, sem individualizar as condutas, procedendo à competente subsunção. É até admissível que se compreenda dizer ter havido a escolha de um caminho fiscal menos oneroso, mas que por fugir à causa do negócio jurídico, admitiria a Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 25 24 requalificação dos negócios, sendo o caso, com a exigência do tributo e a multa pelo seu não recolhimento. No entanto, além da ausência de previsão legal que vedasse a dedutibildiade do ágio interno à época dos fatos, a jurisprudência desse colegiado também não se mostrava consistente em inquinar a operação controversa como inválida. Como, então, imputar ilicitude à conduta da contribuinte, se nem este órgão se posicionava assim em todos os casos? Penso que não se pode atribuir, desse modo, peremptoriamente essa consciência do ilícito e dolo à contribuinte. Assim sendo, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso da contribuinte. II. Recurso da Fazenda Nacional: CONHECIMENTO Assim como realizado em relação ao recurso da contribuinte, antes que se adentre ao mérito é importante se verificar o preenchimento dos mesmos requisitos enumerados quando da análise de conhecimento acima, os quais não se reproduzirá nesta oportunidade para se evitar repetição. Objetivamente, como a matéria recorrida corresponde à concomitância entre multas de ofício e isolada pelo não recolhimento de estimativas nos anos calendário de 2007 e 2008, entendese pela impossibilidade de conhecimento do recurso especial por ir de encontro ao disposto na Súmula CARF n. 105, que se entende aplicável por esta relatora inclusive a períodos posteriores a 2007: “Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” (grifouse) Assim sendo, votase por NÃO CONHECER o recurso da Fazenda Nacional. MÉRITO Na eventualidade de o recurso especial da Fazenda Nacional ser conhecido, a matéria de mérito posta a julgamento restringese à definição da possibilidade de cominação da multa isolada por não pagamento do IRPJ e CSLL calculada com base no regime de estimativas mensais concomitantemente com a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo ao final dos anos calendário 2007 e 2008, fundamentadas nos artigos 44, inciso I e parágrafo 1o., IV, da Lei n. 9430/96., cuja redação original assim versava: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 26 25 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. (…)” Muito embora o veículo introdutor dessa norma seja posterior à edição da Súmula n. 105, editada por este conselho no ano de 2004 e aplicável aparentemente de forma pacífica para os anos calendários até 2006, entendese que a norma jurídica, enquanto significação que pode ser construída a partir do enunciado do artigo 44, II, b da Lei n. 9.430/96, em sua nova redação, não difere em sua substância daquela que deu origem à referida súmula e, portanto, continuase a aplicála: “Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” (grifouse) Contudo, ainda que assim não fosse, vale dizer, ainda que não houvesse súmula editada nesse sentido ou que se estivesse referindo a períodos posteriores à mencionada alteração legislativa, a visão que se possui sobre o tema não se modificaria, pois, no posicionamento adotado, não se discorda da existência de dois fatos jurídicos distintos, embora ambos tendo como objeto central o não recolhimento do IRPJ e como obrigação o pagamento de multa pelo seu descumprimento. Entendese cuidar, sim, de dois fatos jurídicos, porque quando se altera qualquer um de seus critérios, a exemplo do temporal, tornase o fato diferente de um outro que não possua a mesma condição. Ocorre que se vê proximidade tanto no objeto de suas hipóteses de incidência – originadas do descumprimento de normas que se referem à obrigação tributária de recolhimento do IRPJ e CSLL –, seja em caráter antecipatório ou definitivo, como na consequência imputada correspondentes às penalidades, diferenciadas sim pela grandeza considerada, nos diferentes incisos do mencionado artigo 44 da Lei n. 9.430/96. Vêse como elemento de diferenciação, portanto, o caráter antecipatório da obrigação, cujo descumprimento gera como consequência a imputação da multa isolada – como, afinal, se vislumbra em diversas regras da sistemática do Imposto sobre a Renda, a exemplo da substituição tributária que antecipa o pagamento no regime de retenção na fonte –, mas, uma vez se encerrando o período de apuração, temse a identificação precisa da base de cálculo do tributo devido e a determinação da multa efetiva pelo seu não recolhimento, não mais devendo prevalecer aquilo que era calculado com base em estimativas, assim como a multa pela não não pagamento neste regime. Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 27 26 O fato de haver estimativas para o cômputo do IRPJ que será adiantado mensalmente não pode significar que a sua base de cálculo – ou seja, aquilo que juntamento com a hipótese de incidência diferencia um tributo, numa linha há muito ensinada por Rubens Gomes de Sousa – seja desvirtuada daquele montante que deve sofrer os necessários ajustes para se alcançar a renda objeto da competência da União Federal, o que muito provavelmente não é o que se encontra a partir, como o próprio nome sugere, das estimativas verificadas ao longo do período de apuração. Daí porque não se considera a possibilidade de imputação de multas distintas sob a justificativa de possuírem diferentes bases de cálculo, quando se chega ao final do período e se identifica a efetiva base de cálculo do tributo e, então, se impõe uma multa pelo seu não recolhimento – ainda que isso pareça esvaziar o conteúdo do artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n. 9430/96, a não ser para se penalizar quando a autuação ocorra no decorrer do período de apuração ou não gerar um tratamento não equânime entre os contribuintes que, diligentes, recolhessem o tributo antecipadamente, em relação aos que não procederiam a tal adiantamento e, ao final, verificando haver prejuízo fiscal ou saldo negativo, não se sujeitariam a qualquer penalidade. Dizer ser o IRPJ no regime mensal recolhido sobre bases estimadas não infirma a proximidade substancial das obrigações, mas justamente confirma que, se se está tratando de adiantamento, apenas se pode estar estimando aquilo que ainda não foi mensurado em caráter definitivo e que, o sendo, prevalece sobre as presunções efetuadas, assim como prevalece a multa pelo seu não recolhimento, por identificarse, afinal, com a que pune igualmente o não recolhimento do tributo, mas de forma antecipada. Por essa linha, não se precisaria também buscar no Direito Penal o princípio da consunção (vide acórdãos n. 9101001.307, 1803001.263, 9101001.261), muito embora se coincidam quanto ao resultado alcançado, embora nesse caso não se possa sofrer as críticas de que não haveria previsão para aplicação da espécie na legislação fiscal. De todo modo, esse é um dos argumentos que sustentam os precedentes administrativos da referida Súmula n. 105 do CARF, assim como as duas decisões que se encontram proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria, retratadas por trecho do voto do Ministro Humberto Martins no REsp 1496354, do qual se transcreve trecho representativo, em que também se orientou o acórdão do AgRg no REsp 1499389: “(…) Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a títul de obrigação tributária principal. Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 28 27 As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normative tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. (…)” Assim sendo, considerandose a linha ora adotada ou os próprios fundamento dos precedentes da Súmula n. 105 do CARF, que neste caso se pautaram na compreensão da base de cálculo da multa isolada pela multa de ofício ou na aplicação do princípio da consunção, não se vê as alterações promovidas pela Lei n. 11.488 como capazes de alterar tais circunstâncias e sustentar questionamentos quanto à aplicação da súmula a períodos posteriores a 2007, ano em que publicada a lei. Portanto, além de se poder estar aplicando o entendimento da Súmula CARF n. 105 para se afastar a imputação da multa isolada mesmo fundamentada no artigos 44, inciso II, alínea b, da Lei n. 9430/96, em função de sua concomitância com a multa de ofício pevista no inciso I do mesmo dispositivo, as razões para se decidir desta maneira caberiam ainda que não houvesse referido enunciado sumulado e que a autuação se referisse a ano calendário posterior à Lei n. 11.488/2007. Assim sendo, seja porque não se aceita a sua concomitância com a multa de ofício, somada ao fato de se compreender não haver limitação temporal para a aplicação da Súmula CARF n. 105, entendese que deva ser mantido o acórdão recorrido. Por essas razões, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 29 28 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado Abordo neste voto os pontos a respeito dos quais divirjo dos entendimentos tão bem expostos pela i. Conselheira Relatora, sempre com a devida vênia. A nobre Relatora restou vencida quanto: (i) ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional; (ii) à negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no que diz respeito à única matéria ali contestada, relacionada à cobrança concomitante das multas isolada e de ofício; e (iii) ao provimento dado ao recurso especial da contribuinte, no que toca à multa de ofício qualificada, única matéria recorrida que foi conhecida. I) Conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial da PGFN narra que o acórdão recorrido teria cancelado a exigência da multa isolada relativa à falta de recolhimento de estimativas por considerar ilegítima sua cobrança em concomitância com a multa de ofício. Assim teria se inaugurado dissenso jurisprudencial entre a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas nº 1101001.057 e nº 1802001.592, que defenderiam a possibilidade de cobrança da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas juntamente com a multa de ofício, por caracterizarem penalidades diferentes e se referirem a infrações distintas. A i. Conselheira Relatora deste julgamento votou pelo não conhecimento do recurso especial fazendário porque a matéria "cobrança concomitante das multas isolada e de ofício", única recorrida, já teria sido sumulada no âmbito do CARF, em sentido oposto ao defendido pela recorrente. Como a Súmula CARF nº 105 já teria estabelecido a impossibilidade de lançamento concomitante das citadas multas, a nobre Relatora afirma que o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional iria de encontro ao teor da Súmula, provavelmente fazendo referência à regra insculpida no § 3º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), equivalente ao § 2º do art. 67 do Anexo II do RICARF vigente à época da interposição do recurso (RICARF/2009), que veda a apresentação de recurso especial contra decisão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF. O voto da nobre Conselheira Relatora menciona, para fundamentar sua decisão pelo não conhecimento do recurso, que considera a tese exposta na Súmula CARF nº 105 aplicável inclusive a períodos posteriores a 2007. Divirjo de tal entendimento. A Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Observese que o dispositivo legal que fundamenta a cobrança da multa de ofício não é mencionado. Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 30 29 Sendo assim, é bastante provável que a intenção da 1ª Turma da CSRF tenha sido exatamente a de delimitar a vedação de aplicação concomitante à multa isolada fundamentada especificamente no inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Caso a menção ao dispositivo legal tivesse sido feito de forma despretensiosa, apenas com a intenção de identificar de que multa isolada a Súmula estaria tratando, provavelmente a referência à multa de ofício também viria acompanhada da identificação do dispositivo legal que a fundamenta. Além disso, tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/2007, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. A previsão legal da multa aplicada isoladamente foi significativamente alterada em janeiro de 2007. Na redação anterior, contida no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, previase a exigência de multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, deixar de fazêlo, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. O percentual da multa aplicável era de 75%. Já com a redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, prevêse no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/1996 a cobrança de multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. Verificase, portanto, que houve alterações expressas e significativas na base de cálculo e nos percentuais aplicáveis à multa isolada. Desta forma, não é possível afirmar, em sede de análise do conhecimento do recurso e sem adentrarmos no mérito da discussão, que a Súmula CARF nº 105 abrangeria também períodos posteriores a 2007. Diante do exposto, entendo inaplicável ao caso sob análise a restrição tipificada no art. 67, § 3º, do Anexo II do RICARF/2015 (art. 67, § 2º, do Anexo II do RICARF/2009), razão pela qual CONHEÇO do recurso especial da PGFN em relação às multas isoladas relacionadas aos anoscalendário 2007 e 2008. II) Mérito do recurso especial da Fazenda Nacional cobrança concomitante das multas isolada e de ofício A Fazenda Nacional contesta, em seu recurso, a conclusão do acórdão recorrido de que deve ser excluída a aplicação das multas isoladas no caso concreto por ser ilegal a exigência de duas penalidades sobre uma mesma base de cálculo. Esta foi a única matéria em que restou vencido o Conselheiro Relator daquele julgado. O voto vencedor do acórdão recorrido é bastante econômico na fundamentação de sua decisão, citando apenas que o entendimento estaria em consonância com a jurisprudência do CARF, conforme decisão administrativa exarada nos autos do processo administrativo nº 10510.000679/200219, cuja ementa parcialmente transcrita declara: "a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9430, de Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 31 30 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo". Divirjo do entendimento exposto, inclusive por entender que, em relação aos anoscalendário 2007 e posteriores, não se verifica a incidência das multas isolada e de ofício sobre uma mesma base de cálculo. Até o advento da MP nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 32 31 (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser pago na forma prevista no art. 2º da mesma lei; e (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do § 1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a multicitada Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Conforme declarei no voto pelo conhecimento do recurso especial da PGFN, não considero razoável se considerar que tenha sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a Egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 33 32 que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (grifouse) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Portanto, relativamente ao pedido de restabelecimento da exigência das multas isoladas lançadas em vista do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. III) Mérito do recurso especial da contribuinte qualificação da multa de ofício A autoridade tributária considerou que o grupo econômico de que faz parte a contribuinte BRAFER CONSTRUÇÕES METÁLICAS S.A. (doravante mencionada apenas como BRAFER S.A.) praticou uma sequência de operações societárias com o único intuito de criar, de forma interna e artificial, ágio cuja posterior amortização se pretendeu dedutível, de forma que foram indevidamente reduzidos os montantes de IRPJ e CSLL recolhidos aos cofres públicos, relativos aos anoscalendário 2007 e 2008. A primeira etapa destas operações societárias ocorreu em 31/10/2005, quando a empresa MAG PARTICIPAÇÕES LTDA (deste ponto em diante citada como MAG) promoveu o aumento do capital social de sua controlada BRAFER INDUSTRIA E CONSTRUÇÕES LTDA (de agora em diante, denominada apenas de BRAFER LTDA), de R$ 557.490,00 para R$ 61.374.635,00, mediante a entrega de 14.993.133 ações da BRAFER S.A. avaliadas a R$ 60.817.145,00. Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 34 33 Como o valor patrimonial das ações dadas em conferência era de R$ 30.517.208,85, houve o registro, na contabilidade da BRAFER LTDA, de ágio no valor de R$ 30.299.936,15, correspondente à diferença entre o valor atribuído às ações da BRAFER S.A. (R$ 60.817.145,00) e seu valor patrimonial. Já em 21/11/2005, a BRAFER S.A. incorporou sua então controladora BRAFER LTDA, cujo patrimônio líquido contábil estaria avaliado, segundo laudo de avaliação elaborado por contadores, em R$ 62.019.611,29, na data base de 31/10/2005. Com isso, passou a integrar a contabilidade da BRAFER S.A. o ágio originalmente registrado na BRAFER LTDA. A partir de então, a contribuinte BRAFER S.A. passou a aproveitar tributariamente tal ágio para reduzir as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, sob a alegação de que tal prática estaria autorizada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (base legal do art. 386 do RIR/1999). Foram aproveitados R$ 6.345.172,44 no anocalendário 2007 e R$ 17.389.777,69 no anocalendário seguinte. A Fiscalização entendeu como indevido o aproveitamento tributário do ágio (considerado artificial e internamente gerado) e determinou a glosa das despesas indevidamente deduzidas nos dois anoscalendário, constituindo créditos tributários correspondentes à diferença entre os valores devidos e os recolhidos no período. Além disso, determinou a Fiscalização a aplicação, sobre a parte do crédito tributário que se relaciona à indevida amortização do ágio interno (como se sabe, os autos de infração apontaram também outras infrações), de multa de ofício em sua modalidade qualificada, no percentual de 150%, com base na seguinte fundamentação: "04.1 Multa de Ofício A penalidade aplicada é aquela autorizada pelo parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por centro) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a conduta acima descrita nas definições contidas na Lei 4.502/64, abaixo transcrita. O contribuinte, ao gerar de forma artificial uma despesa com ágio sabidamente inexistente, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente, a qual Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 35 34 retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador, já que tudo isso que foi feito teve o propósito de iludir o Fisco, pois deu o nome de "Ágio sobre Investimentos" a fatos sabidamente desprovidos de quaisquer características que o compõe. Não basta o fato de estar tudo informado em DIPJ ou em Notas Explicativas, ou então, os Atos Formais registrados nos Órgãos competentes, O fato é que tudo isso foi feito para informar ao Fisco algo que inexistia e, que, portanto, produziu o retardamento do conhecimento das verdadeiras circunstâncias. Ademais, houve a modificação de característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes de IRPJ e CSLL devidos foram reduzidos (usou despesas sabidamente inexistentes). A FISCALIZADA não praticou estes fatos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta, restando caracterizada a atitude dolosa. Desta forma, a conduta sob análise amoldase às hipóteses previstas nos artigos da Lei 4.502/64 abaixo citados. O fundamento para a qualificação da multa reside na utilização de uma série de instrumentos com o intuito de criar uma roupagem legal capaz de dar uma aparência legítima às operações de reorganização societária cujo único fundamento era o aproveitamento do ágio como despesa dedutível. Nessa construção, utilizouse a contribuinte da confecção de laudos de avaliação capazes de sustentar a existência do ágio e da celebração de protocolo de incorporação para justificar a incorporação efetivada, pela autuada, que nada mais foi do que uma série de modificações societárias de forma a se colocar em situação de aproveitamento do ágio. O conjunto dos atos levados a efeito pela autuada corresponderia a uma prática deliberada, consciente dos riscos envolvidos, com o objetivo de alcançar, por meio da criação fictícia de ágio e de uma estrutura societária artificial, vantagem fiscal indevida. O conjunto dos fatos verificados no caso sob exame colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a mascarar, senão a ocultar, o que de fato se pretendia, o que de fato se buscava. É dizer, todas as ações envolvidas tinham por fim único a criação de um ágio fictício a ser transformado em benefício fiscal por força de um arranjo societário artificial. Residem aí os fundamentos para a qualificação da multa de ofício, cujos fundamentos legais fazse importante evidenciar. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao prever a majoração do percentual normal da multa de ofício, toma como referência os comportamentos descritos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 36 35 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstãncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como está expresso, a multa mais gravosa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), tem aplicação sempre que em ação fiscal constatasse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento que se encontra nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, se caracteriza pela vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuição devidos.." (grifouse) Verificase, assim, que a autoridade tributária entendeu que a contribuinte, ao lado das demais empresas que integravam seu grupo econômico, praticou ação dolosa, intencional e consciente, utilizando intrumentos para dar uma aparência legítima a operações de reorganização societária cujo único propósito era criar artificialmente ágio fictício a ser transformado em benefício fiscal indevido. Entendeuse que a ação da contribuinte contribuiu para retardar o conhecimento, por parte do Fisco, dos fatos reais e promoveu alterações nas verdadeiras circunstâncias do fato gerador, ao dar o nome de ágio ao que sabidamente não o era. Diante disso, a autoridade tributária considerou que a situação verificada subsumiase às previsões legais contidas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, o que demandava a qualificação do percentual aplicável à multa de ofício, nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996. Provocada pela impugnação manejada pela contribuinte, a 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG manteve a aplicação da multa qualificada, conforme se depreende dos seguintes trechos retirados do acórdão por ela exarado: "O Termo de Verificação Fiscal apresenta a seguinte fundamentação para a exigência da multa de ofício qualificada: (...) Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 37 36 À vista dos documentos juntados aos autos, que evidenciam a falta de propósito negocial da reorganização societária implementada e a exclusiva intenção de economia tributária, constatase que assiste razão à autoridade fiscal ao afirmar que os atos praticados foram apenas artificial e formalmente revelados na documentação e na escrituração da interessada, tendo havido na realidade uma simulação de reestruturação societária para justificar a amortização do ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido, em operações sem substância econômica e realizada mediante utilização de empresa veículo. De igual modo, está inequivocamente evidenciado o registro doloso de despesas de assessoria, com o objetivo de reduzir os tributos devidos e de transferir renda para outra pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo econômico. Assim, considerando que as reestruturações societárias, assim como contabilização de despesas com consultoria, assessoria e gestão, tiveram por único objetivo impedir dolosamente a ocorrência de parte do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, está caracterizada a situação tipificada no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Por tais razões, voto por manter a qualificação da multa de ofício." (grifouse) O acórdão prolatado pela 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG corroborou, portanto, o entendimento da Fiscalização de que fazse necessária a aplicação, ao caso concreto, da multa de ofício em seu percentual qualificado de 150%. Entendeu aquele Colegiado que a contribuinte simulou uma reorganização societária para justificar a amortização do ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido, em operações sem propósito negocial, sem substância econômica e realizadas mediante utilização de empresa veículo. Considerando que as reestruturações societárias tiveram o único objetivo de impedir dolosamente a ocorrência de parte do fato gerador da obrigação tributária principal, reduzindo o montante dos tributos devidos, concluiu a Turma da DRJ que estaria caracterizada a fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, devendo, pois, ser mantida a qualificação da multa de ofício. Por fim, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF foi instada a se manifestar acerca do assunto em razão da interposição de recurso voluntário. O voto condutor do Acórdão nº 1103001.170, ora recorrido, traz as seguintes considerações a respeito do cabimento da qualificação da multa de ofício no caso concreto: Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 38 37 "Sobre a multa de ofício, observase que foi qualificada (150%) para as duas primeiras infrações. Entendo que não poderia ser diferente. Notase a consciência da recorrente em engendrar uma construção, partindo de um grupo de empresas com administração em comum, especificamente para produzir despesas com o intuito deliberado de reduzir a base de cálculo dos tributos. No caso concreto, restou demonstrada a presença de dois elementos inerentes ao dolo: o cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica, e o volitivo, a vontade de realizar a conduta. Cezar Roberto Bitencourt esclarece, com clareza peculiar, in verbis: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada (...) A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente (...) É indispensável uma determinada relação de vontade entre o resultado e o agente e é exatamente esse elemento volitivo que distingue o dolo da culpa. Não há que se falar em desconhecimento ou ignorância da norma por parte da recorrente. A formação do ágio decorreu de uma reorganização societária artificial, que viabilizou uma reavaliação no investimento, registro de ágio e posterior amortização. Sequer ocorreu pagamento à investidora pela suposta valorização das ações. A própria recorrente, sem nenhum constrangimento, respondeu à Fiscalização, em resposta à intimação realizada em 18/05/2012: Em 21/11/2005, a Brafer Construções Metálicas S.A. incorporou a Brafer Indústria e Construções Ltda., sucedendo neste direito a partir deste ato. A baixa do valor de ágio R$30.299.936,15, foi levado a despesa em 60 parcelas, como regulamenta a legislação, sem qualquer desembolso financeiro. O mesmo se pode dizer a respeito do contrato de prestação de serviços celebrado entre a recorrente e a MAG. Restou evidente a manipulação entre as duas empresas administradas pelo mesmo grupo, para fabricar despesas operacionais. As conclusões descritas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal são precisas: (...) A série de atos praticados pela recorrente caracterizam o intuito doloso, o plus na conduta, aspecto subjetivo que vai além do tipo Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 39 38 tributário previsto na infração tributária. Restou evidente a intenção de enganar o Fisco, mediante ardil, malícia, em conduta reprovável. Portanto, deve ser mantida a qualificação de multa de ofício." (grifouse) Constatase que o posicionamento do i. Conselheiro Relator do acórdão recorrido, que prevaleceu entre seus pares, foi no sentido de que teria restado demonstrada nos autos, em relação à conduta da contribuinte e das demais empresas submetidas à administração dos mesmos sócios, a presença dos dois elementos necessários à caracterização do dolo: o cognitivo (conhecimento do fato constitutivo da ação típica) e o volitivo (vontade de realizar a conduta). A conduta analisada, que tinha o propósito específico de redução da base de cálculo de tributos, consistiu de reorganização societária artificial, que viabilizou uma reavaliação de investimento, registro de ágio e sua posterior amortização, sem sequer ter havido pagamento pela suposta valorização das ações reavaliadas. Concluiu o Colegiado, portanto, que a conduta da contribuinte caracterizou intuito doloso, aspecto subjetivo que vai além do tipo tributário previsto na infração tributária, sendo impossível falarse em desconhecimento ou ignorância da norma. Assim, diante da evidente intenção de enganar o Fisco, mediante ardil, mantevese a aplicação da multa de ofício qualificada. Como se sabe, a contribuinte se insurgiu, pela via do recurso especial, contra as conclusões construídas pelo Acórdão nº 1103001.170 em relação a vários temas, entre eles a possibilidade da qualificação da multa de ofício relativa às glosas de despesas de amortização de ágio indevidamente deduzidas. Ao cabo, esta matéria foi a única que logrou ser admitida em sede de exame preliminar e conhecida por esta 1ª Turma da CSRF. Além disso, registrese que a contribuinte contestava também a aplicação da multa de ofício qualificada sobre o crédito oriundo de outra infração fiscal (despesas não comprovadas), matéria que não foi admitida. A nobre Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, sorteada para atuar como Relatora no presente julgamento, votou por desqualificar a multa de ofício imputada à contribuinte, por considerar que não se pode atribuirlhe de forma peremptória o dolo e a consciência do ilícito. A conclusão se baseou nos argumentos de que a legislação tributária vigente à época dos fatos não vedava o tipo de operação societária praticada pela contribuinte e de que não havia sequer jurisprudência firmada deste CARF (ou dos extintos Conselhos de Contribuintes) a respeito do tema. O voto da i. Conselheira Relatora restou, entretanto, vencido quanto ao mérito da discussão relatíva à qualificação da multa de ofício, razão pela qual fui designado para redigir o voto vencedor explicitando o entendimento que prevaleceu no julgamento. Muito bem. Inicialmente, julgo importante ressaltar que não serão retomados no presente voto os argumentos pela indedutibilidade das despesas de amortização do ágio gerado internamente pelas empresas do grupo a que perntencia a contribuinte BRAFER S.A.. Como se mencionou há poucas linhas, a contribuinte contestou o posicionamento adotado pelo Acórdão nº 1103001.170 a respeito do assunto, mas a matéria não foi admitida em razão do descumprimento de requisitos de admissibilidade recursais fixados pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 40 39 A respeito do tema da qualificação da multa de ofício, examinados os argumentos e as teses expostas por ambas as partes e os posicionamentos das decisões anteriormente proferidas nos presentes autos, concluo pelo seu cabimento no caso sob análise. Acompanho o entendimento exposto no Acórdão recorrido, no sentido de que a reorganização societária promovida pelo grupo da BRAFER S.A. tinha um único objetivo traçado desde seu início: a fabricação artificial de ágio que pudesse ser objeto de aproveitamento fiscal para fins de redução da carga tributária da contribuinte. Assim, verifica se a dissociação entre a vontade declarada pela contribuinte e sua vontade real, configurandose hipótese de simulação apta a caracterizar a fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. As operações societárias que envolveram a contribuinte foram desacompanhadas de qualquer circulação ou troca de riquezas ou recursos com o mundo exterior ao seu grupo econômico. O ágio milionário que surgiu nos registros contábeis da BRAFER LTDA em 31/10/2005 não foi amparado por qualquer pagamento ou sacrifício patrimonial que pudesse justificálo. Conforme já se mencionou, tal ágio surgiu em decorrência de uma reavaliação do valor de mercado das ações da contribuinte BRAFER S.A., promovida unilateralmente pela sua controladora MAG (e pelas pessoas físicas que controlavam todas as empresas envolvidas, como será destacado mais adiante). Sem amparo de qualquer laudo ou documento que comprovasse o valor de mercado das ações da contribuinte com base na expectativa de sua rentabilidade futura, a controladora MAG atribuiu a elas, de forma unilateral, o valor de mercado de R$ 60.817.145,00, praticamente o dobro do seu valor patrimonial. Como se sabe, a legislação exige que seja apresentada documentação comprobatória do fundamento econômico do ágio, para fins de seu aproveitamento tributário previsto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Como bem apontou o i. Conselheiro Relator do acórdão recorrido, o único laudo de reavaliação que consta dos autos é datado de 21/11/2005 e se refere não ao valor de mercado das ações da BRAFER S.A., com base na expectativa de sua rentabilidade futura, mas ao valor do patrimômio líquido contábil da BRAFER LTDA, empresa que estava prestes a ser extinta por conta de sua incorporação pela contribuinte, sua então controlada. Segundo tal laudo, o valor do patrimônio que viria a ser incorporado pela BRAFER S.A. era de R$ 62.019.611,29. Tal laudo não serve, portanto, como fundamentação da reavaliação unilateral do valor de mercado da BRAFER S.A., promovida pela MAG. Além de não se referir a expectatia de rentabilidade futura ou mesmo à própria empresa que foi reavaliada, o laudo apresenta ainda uma característica que fere de morte sua credibilidade: entre seus signatários, está o Sr. JOSILEI LOPES DE OLIVEIRA, contador da BRAFER S.A.. Ou seja, o laudo está comprometido por evidente conflito de interesses. Além disso, outro aspecto que demonstra o intuito doloso dos atores envolvidos na geração artificial do ágio é o fato de a empresa BRAFER LTDA ter funcionado como típica empresa veículo, figura utilizada em planejamentos tributários apenas para carrear recursos ou ágio entre empresas de um mesmo grupo econômico. No caso concreto, a BRAFER LTDA permaneceu inativa entre os anos calendário 2001 e 2004 (informação constante nas suas DIPJ), voltando a atuar no final de 2005 especificamente para possibilitar a reorganização societária artificial engendrada pelos controladores do grupo econômico. Em 31/10/2005, a empresa teve seu capital social Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 41 40 aumentado em mais de 110 vezes (!) e, menos de um mês depois, em 21/11/2005, foi extinta. Não existe lógica negocial capaz de justificar tal sequência de operações fora do contexto de um planejamento tributário tendente a criar artificialmente um milionário ágio fictício. O ágio criado em uma operação assim realizada é completamente desprovido de propósito negocial. Finalizada a reorganização societária, o único efeito relevante que restou foi o ágio de R$ 30.299.936,15 registrado na contabilidade da contribuinte. Tal fato comprova, por si só, que a criação do ágio era, desde o início, o único propósito das operações realizadas. Existe ainda um fator que, no meu ponto de vista, representa prova cabal da falta de substância econômica da reorganização societária promovida e do real objetivo desejado de mera economia fiscal: nenhuma alteração de fato ocorreu, entre o início e o encerramento das operações societárias analisadas, no controle societário da empresa fiscalizada, cuja rentabilidade futura teria, em tese, justificado o surgimento do ágio. Ao final do ano de 2004, antes do início da reorganização societária, a BRAFER S.A. tinha suas ações distribuídas entre os seguintes sócios: MARINO GAROFANI (69,94%), LUIZ CARLOS CAGGIANO SANTOS (20%), SUZELY OLSEN GAROFANI (10%) e outros (0,06%). No breve período entre 31/10/2005 e 21/11/2005, a BRAFER S.A. foi controlada pela BRAFER LTDA, que teve o aumento de seu capital social integralizado por meio da entrega de ações da contribuinte a valor reavaliado. Durante estes vinte dias, a BRAFER LTDA tinha 99,1% de suas quotas detidas pela empresa MAG e os 0,9% restantes, por MARINO GAROFANI. Já a MAG tinha suas quotas assim distribuídas: MARINO GAROFANI (70%), LUIZ CARLOS CAGGIANO SANTOS (20%), SUZELY OLSEN GAROFANI (10%). Por fim, após a incorporação da BRAFER LTDA pela BRAFER S.A., em 21/11/2005, a contribuinte viu suas ações concentraremse em posse da MAG (99,9% de participação societária). Constatase, portanto, que o controle, direto ou indireto, das ações da contribuinte sempre esteve nas mãos de três pessoas físicas: MARINO GAROFANI, LUIZ CARLOS CAGGIANO SANTOS, SUZELY OLSEN GAROFANI. Também as demais pessoas jurídicas envolvidas nas operações societárias, BRAFER LTDA e MAG, sempre estiveram submetidas ao controle das mesmas pessoas físicas citadas. Nunca houve, portanto, figuras distintas de alienante e adquirente que pudessem protagonizar um negócio jurídico apto a provocar o legítimo aparecimento de ágio. Diante de todo o exposto, não se pode alcançar outra conclusão a não ser que a atuação da contribuinte (e das demais empresas que integravam seu grupo econômico) caracterizou simulação e foi desenvolvida com evidente intuito de fraude. De forma livre, consciente e deliberada, a contribuinte buscou reduzir irregularmente os tributos devidos ao Fisco, por meio da criação artificial de ágio em operação carente de propósito negocial e de substrato econômico. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte e manter a multa de ofício ao seu percentual qualificado de 150%. Desse modo, sumariando os entendimentos expostos, voto no sentido de: Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 10980.725659/201281 Acórdão n.º 9101003.368 CSRFT1 Fl. 42 41 CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação à única matéria recorrida: "cobrança concomitante de multas isolada e de ofício"; DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a cobrança das multas cobradas isoladamente em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais nos anoscalendário de 2007 e 2008; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte, mantendo a qualificação da multa de ofício relativa à glosa das despesas de amortização de ágio interno indevidamente deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referentes aos anos calendário 2007 e 2008. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 2897DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008869/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
ÔNUS DA PROVA.
Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial.
PROCEDIMENTO FISCAL.
A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestar-se no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de Janeiro de 2001.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38)
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2401-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de Janeiro de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 88 69 /2 00 8- 55 Fl. 644DF CARF MF 2 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 433/437, acompanhado dos demonstrativos de fls. 438/49, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do exercício de 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 776.219,29, composto da seguinte forma: R$ 332.456,44 relativo ao Imposto; R$ 194.420,52 de Juros de mora (calculados até 30/06/2008); e R$ 249.342,33 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 435), que o lançamento é decorrente de omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Termo de Verificação, no anocalendário de 2003. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 435/437): Fl. 646DF CARF MF 4 Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 446/462), e, após discorrer sobre os fatos, alega, resumidamente, o que segue: a) Da escrituração do Livro Caixa em conformidade com o Regulamento do Imposto de Renda Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999: O impugnante é um grande empresário e produtor rural deste Estado que trabalha dentro da mais estrita legalidade, não tendo apresentado qualquer tipo de embaraço, ou dúvidas, em suas atividades até os dias atuais. Tratase de uma pessoa honesta e de caráter límpido, que preza sempre à justiça. Argumenta que o Fiscal teria deixado de levar em consideração origens de recursos provenientes de empréstimos contraídos durante o anocalendário, quais sejam: 1) Empréstimo no Banco Safra, no montante de R$ 173.712,36. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 4 5 2) Crédito de R$482.699,20, no HSBC, proveniente de CPRF n° 028/2003 (Cédula de Produtor Rural Financeira). 3) Cédula de Produtor Rural Financeira n° 034/2003 no montante de R$182.133,20. 4) Contrato de liberação no montante de R$ 188.936,50, no Banco do Brasil. 5) Operação no valor de R$ 300.750,00, referente a extrato do HSBC CPRF n° 004/2003. Sustenta que o Auditor Fiscal, mesmo tendo recebido tais informações, acompanhadas de provas fornecidas pelos bancos envolvidos e embasadas no Livro Caixa do contribuinte, deixou de levar em consideração os empréstimos contraídos. Dessa forma, entende que eventuais omissões apuradas contra o contribuinte devem ser tributadas como provenientes da atividade rural tendo a base de cálculo arbitrada à razão de 20%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0327.634 da 3ª Turma da DRJ/BSA, às fls. 602/606, julgando procedente em parte a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por Sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Lançamento Procedente em Parte” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 613/627, argumentando o que segue: 2.1 DA ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA EM CONFORMIDADE COM O REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA DECRETO N.° 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999: O recorrente, através de um fato isolado ocorrido, foi autuado. Autuação esta que está sendo apurada através do Processo Administrativo que nesta ocasião se recorre, onde constatouse uma irregularidade no tocante a sua declaração de Imposto de Renda, caracterizada pelo autor fiscal como omissão de rendimentos em vista de variação patrimonial em descoberto. Fl. 648DF CARF MF 6 Ocorre que, assim como na oportunidade de apresentação de Impugnação, argumenta que o peticionante, como grande empresário que é, sempre manteve sua contabilidade em dia, tendo sempre registrada mediante documentação idônea todas suas movimentações, arcando ainda, de forma fiel e leal a arrecadação do tributo da maneira que lhe é devido. Mesmo após a correção parcial da injustiça que lhe era apontada e atribuída, restou ainda nebuloso e não aceito algumas receitas, que se pretende, mais uma vez, digase de passagem, comprovar sua legalidade. Para isso, basta observarmos os documentos anexados de fls.___, qual seja o Livro Caixa do anocalendário de 2003. A irregularidade apontada é inexistente e por que não dizer traiçoeira quando se observa a minúcia com se desenvolve e se apresenta os dados elencados no mesmo, comprovando não ter havido estouro de caixa ou caixa a descoberto, que é afirmado pelo fiscal como fundamento de sua autuação. Resta informar que o recorrente apresenta elaborada contabilidade, atendendo aos mesmos princípios exigidos para escrituração de Pessoa Jurídica, conforme regras do Conselho Federal de Contabilidade, tendo escriturado o Livro Diário, Razão, em especialmente a conta razão (caixa geral), em cuja conta corrente estão pormenorizados todos os valores debitados, independentemente dos lançamentos terem origem em receitas ou empréstimos. Tal comprovação é feita com a entrega dos livros fiscais cuja análise do nobre julgador verificará que o saldo da conta caixa (integrado ratificado por todos e quaisquer créditos) jamais foi devedor ou teve sua variação patrimonial a descoberto como foi implicado pelo auditor fiscal e não aceito em parte pela nobre corte Julgadora em Primeira Instância. Diante de tudo que já fora apresentado e juntado aos autos em questão, verificase que o peticionante é ainda mais rigoroso com sua escrituração do que a própria legislação lhe exige, qual seja, apenas do Livro Caixa, conforme o artigo acima transcrito. Por tal fato e em presença da pormenorizada escrituração do Livro Caixa que se apresenta, passemos a análise da origem da penalidade imposta pelo auditor fiscal que remanesceu. 2.2 DOS VALORES TRIBUTADOS PELO AUDITOR FISCAL E DA DESCONSIDERAÇAO DE ALGUNS RENDIMENTOS DO CONTRIBUINTE: O auditor menciona em seu Demonstrativo de Variação Patrimonial de que o impugnante omitiu rendimentos, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e/ou comprovados em diversas operações efetuadas pelo peticionante. Com fundamento no que foi narrado acima, o auditor analisou as movimentações efetuadas pelo impugnante e arguiu tal omissão. Ocorre que o auditor fiscal que lavrou o auto de infração NÃO analisou todas as entradas no caixa geral do impugnante, outrora declarante. Observase pelos documentos de fls.__ encaminhado ao mesmo, que supriram alguma eventual dúvida entradas oriundas de empréstimos liberados junto a instituições financeiras enumeradas em referido holerite e em julgamento de Primeira Instância acatadas. Entretanto, mesmo sendo considerados os empréstimos e apontamentos trazidos à peça de Impugnação um se fez ausente, o que não pode prosperar e Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 5 7 merece reforma, Justamente por se tratar de uma atividade ignorada e de ser fruto de um meio lícito de obtenção de renda. Apontou o auditor fiscal no auto rebatido em seu relatório que, nos meses de março e dezembro, o acréscimo patrimonial a descoberto se fez. Entretanto, o mesmo não considerou em referido MFP, as origens e/ou recursos e ainda dispêndios/aplicações provenientes dos créditos complementados pelo contribuinte, o que fora corrigido posteriormente pela decisão que aqui se recorre, mas não por esta parte e sim pela não aceitação e pelo fato de ter sido ignorado o seguinte empréstimo outrora trazido à baila, o qual deve ser debitado a conta caixa e a contra partida a conta do empréstimo da atividade rural, que segue: Cédula de Produtor Rural em que se liberou e repassou o valor de R$ 182.133,20 (cento e oitenta e dois mil, cento e trinta e três reais e vinte centavos); Conforme constou em referido documento, foram elencadas diversas informações referentes aos valores tidos como omitidos. As importâncias levadas a crédito em virtude de empréstimos este último apontado e olvidado pela autoridade fiscal foram ainda todos comprovados por extratos bancários das instituições cedentes do crédito, sendo que todos os relacionados foram acatados, por exceção da que se aponta nesse momento, devendo este ser analisado novamente e atentamente, justamente por integrar a contabilidade da mesma maneira dos outros aprovados. Ora Senhor Julgador, é de notório conhecimento, ainda que para um leigo do direito, que todo e qualquer processo se orienta e se forma mediante provas e que qualquer condenação depende da veraz e efetiva comprovação da prática de um ato que feriu ou descumpriu alguma norma que lhe é imposta. A acusação genérica em termos de procedimento é totalmente inaceitável por se tratar de uma medida desproporcional e não razoável, vez que não pode provocar uma simples defesa genérica, porquanto uma acusação genérica tolhe o direito de defesa e dificulta, para não dizer, inviabiliza a apresentação da peça de resistência. É de se considerar que a parte quando busca a prestação jurisdicional para resolver um conflito de interesse deve apresentar sua pretensão jurídica com base nos fatos que comprovadamente ocorreram, ou deixaram de ocorrer, e esses fatos afirmados pela mesma é que são averiguados no momento que se produz a prova. Isto porque a finalidade dela é demonstrar cabalmente a verdade dos fatos para que se possa autorizar a incidência da norma (autuação), isto é para que o aplicador da decisão forme sua convicção baseado na verdade apurada nos autos e aplique o direito ao caso concreto, sendo ela imprestável à instrumentalização de todo e qualquer processo. A produção da prova, em qualquer que seja o meio, é o confrontamento dos fatos controvertidos, a demonstração da verdade em relação ao que é alegado no processo, ou seja, a explicitação da prática do ato ilegal e nada disso ocorreu no presente feito. Fl. 650DF CARF MF 8 É o meio para se chegar a verdade dos fatos necessários ao deslinde do conflito, pois os fatos irrelevantes ao processo não constituem objeto de prova, razão pela qual explicase o ônus probante. O recorrente utilizouse de todas as formas possíveis e além do que lhe é exigido para comprovar a verdade de suas argumentações enquanto a tese contrária proferida em julgamento de Primeira Instância carece de argumentação e, mormente de provas. Se folhearmos o processo em questão encontraremos junto à peça de impugnação os livros caixa, dentre outros anexados à época, todos elementos tendentes a comprovar o que aqui se alega e se clama. Portanto, resta evidenciado que o auditor fiscal, mesmo recebendo tais informações, interpretara a declaração de forma parcial e tendenciosa ao Fisco, procurando justificativas para enquadrar o recorrente em irregularidades que não existiram e que ainda foram comprovadas de forma contrária ao que lhe atribui, ou seja, não há que se falar em valores a descoberto. [...] Não houve qualquer irregularidade na contabilização do Livro Caixa do peticionante, estando este além dos enquadramentos legais e fiscais, demonstrando que não houve saldo a descoberto em nenhuma das datas indicadas pelo auditor. Deve o auto de infração ser julgado improcedente para que respeite o ensinamento maior, que não cuida apenas de vedar discriminações arbitrárias ou não razoáveis, mas de afirmar que o sistema tributário se orienta em conformidade com um critério específico de justiça. O acréscimo patrimonial a descoberto fica caracterizado na comparação entre a renda líquida e a variação patrimonial do contribuinte. Conforme mencionado, a autoridade fiscal não se ateve aos valores levantados em decorrência de empréstimo, sendo este fato corrigido em decisão primeira, excetuandose o empréstimo aqui apontado, que, de mesma sorte, deve seguir o mesmo caminho e o mesmo raciocínio. Conforme se observa, houve acréscimo nos bens e direitos e também acréscimo nas dívidas tanto rurais quanto de outras rubricas. Portanto, houve aumento de passivo tanto quanto de ativo, concluindo que não houve acréscimo patrimonial. O empréstimo, como já argumentado em oportunidade pretérita, pode ser contratado e liquidado no anocalendário, ou em data posterior. Notese que, no caso de empréstimo, há apenas movimentação de valores, pois, em decorrência da saída/entrada de moeda, existe a entrada/saída de dívida. O pagamento dentro do próprio anocalendário dispensa a indicação do empréstimo na DIRPF. Não sendo o valor restituído dentro do próprio anocalendário, tornase necessária a inclusão do crédito decorrente do empréstimo, o que, conforme se denota do Livro Fiscal uma vez mencionado, lançado está. Argumenta a autoridade julgadora na decisão rebatida que além de não conceber o que fora argumentado não se enquadra o recorrente na condição de produtor rural. O empréstimo remanescente e que concedeu ao fisco o Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 6 9 direito de autuar o peticionante se fez em decorrência de uma CPR financeira, sobre ela, notemos: A lei n.º 8.929/94 versa sobre tal título, atribuindo a condição de produtor rural a quem a emite, logo em seu art. 2°. Complementando tal definição, sabemos que a CPR é um título que sé pode ser emitido por produtores rurais, suas cooperativas de produção e associações, com a finalidade de obtenção de recursos para desenvolver sua produção ou empreendimento. [...] Em consonância com Livro Caixa, verificase que a omissão argüida nunca existiu, estando o auditor fiscal agindo de forma parcial e tendente ao fisco, o que, jamais pode vingar. O Estado Democrático de Direito deixa de assim ser quando as normas legais não são aplicadas em conjunto e em beneficio do todo com a penalização severa de um. Por mais que se analise o caso, não há que se falar em omissão de renda, tendo o peticionante efetuado todas as suas declarações de forma fiel ao exigido, estando munido de documentos tendentes a comprovar a entrada e saída de valores de sua movimentação financeira mediante escrituração regular em livros devidamente registrados, além até do que a lei lhe exige, quais sejam, Livro Caixa, sobretudo de seu Diário e Razão. 2.3 DA NÃO ACEITAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL DO RECORRENTE, DA ILEGALIDADE DA BASE DE CALCULO E AFRONTA AO PRINCIPIO DA LEGALIDADE E DA PROPORCIONALIDADE: O Código Tributário Nacional, em seu artigo 43, estabelece que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza deve incidir sobre a variação patrimonial positiva ou sobre as rendas obtidas com o capital ou com o trabalho, ou com a combinação de ambos. [...] Assim, renda está definida no inciso I e proventos de qualquer natureza no inciso II do artigo 43 do CTN. O caput do artigo transcrito, no entanto, define que o fato gerador do tributo sobre a “renda” ou “proventos de qualquer natureza” é a aquisição de DISPONIBILIDADE ECONÔMICA E FINANCEIRA, ou seja, é o resultado financeiro final da atividade econômica desenvolvida pelo sujeito passivo dentro do exercício. O que não pode ser ignorado e merece duras críticas nesse momento é o fato do recorrente não haver sido enquadrado como produtor rural, melhor dizendo, que exerce atividade rural, pelo simples e frágil argumento de que é possuidor e responsável por sete empresas junto ao Ministério da Fazenda. Ora, então quer dizer que a pessoa não pode ser empresário e produtor rural ao mesmo tempo? Tal pergunta vem à tona por ser bastante curiosa. Pelo que Fl. 652DF CARF MF 10 se sabe, não há qualquer lei ou imposição que determine tal fato, pelo menos nenhuma do humilde conhecimento deste causídico. Resta salientar ainda que o próprio recorrente, por todo seu histórico na Receita Federal sempre declarou que sua atividade preponderante é a atividade rural, não havendo o mesmo enfrentado qualquer embaraço anteriormente e tampouco, desqualificado sobre sua atividade. É indiscutível ainda o reconhecimento da atividade rural do peticionante por se enquadrar nas definições do artigo 58 do Decreto 3000/1999. Se não bastasse tal contradição, outro erro cometido pelo auditor, foi utilizarse da base de cálculo do tributo na margem de 100% (cem por cento), o que não está certo, demonstrando de forma cristalina a parcialidade em que atua o mesmo e ainda age a autoridade julgadora de Primeira Instância, concordando com tal ilegalidade. Ainda que o mesmo estivesse correto, o que não é o caso, a Base de Cálculo das receitas da atividade rural é de 20% (vinte por cento). Sabese ainda que 0 resultado da Atividade Rural deve ser auferida de forma anual. Os valores relacionados à mesma, quando não oferecidos à tributação, devem ter a base de cálculo arbitrada à razão de 20% (vinte por cento). Essa argumentação encontra respaldo no artigo 18, § 2° da Lei 9250/1995. Traz a mesma redação, o § 2° do artigo 60 do Decreto 3.000/1999. Considerando que o auditor fiscal reconheceu apenas as receitas da atividade rural do impugnante, de acordo com o fixado pelo § 2° do artigo 18 da Lei 9.250/1995 e artigo 60, § 2° do Decreto 3000/1999, os valores apurados nesta atividade devem ter a base de cálculo de 20% (vinte por cento) e não de 100% (cem por cento), para que este respeite o Princípio da Legalidade, tendo em vista que o rendimento foi auferido com exercício da Atividade Rural. Combinandose ainda a lei 9.250/95 com o artigo 97, V do Código Tributário Nacional, a base de cálculo do imposto é aquela definida em lei. Assim dispõe o Código Tributário Nacional: Ademais, o poder de tributar, ou até mesmo de punir, não pode se confundir com o poder de destruir ou de aniquilar o patrimônio do sujeito passivo da obrigação. A administração tributária deve utilizarse do princípio da razoabilidade e, em se tratando de sanção, especialmente levar em consideração o não procedendo, poderá incorrer em injustiça e praticar o confisco e nao a distribuição da renda, finalidade basilar do mesmo. Na finalidade fiscal geralmente observase a capacidade contributiva, de forma que o ônus da manutenção do Estado seja repartido igualitariamente entre todos. Ou seja, o tributo ou a sanção incidem de forma a recolher do maior número possível de cidadãos, o maior valor que cada um pode dar. Para se atingir tal intento surgem critérios para o dimensionamento da tributação ou da sanção, como a progressividade das alíquotas em razão da base de cálculo e a seletividade. Por um outro lado, surgem também limites para a tributação e para penalidades, como a preservação no mínimo vital e a vedação do confisco, que impedem que a repressão incida de maneira demasiadamente onerosa, de forma a destituir o patrimônio ou prejudicar a subsistência do autuado. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 7 11 A Constituição Federal vigente, em seu artigo 5°, entrega aos cidadãos a Segurança Jurídica e a certeza de que todas as leis devem ser cumpridas, mas com equilíbrio e razoabilidade. É cediço ainda que o operador do direito deve conhecer a lei, bem como o sistema legal em que vive. A ele caberá, portanto, situar o fato dentro do enquadramento normativo que, a seu juízo, convém à solução da lide, que deve ser efetivamente justa, obedecendo ainda principiologia do Estado Democrático de Direito, qual seja. Diante disso, trazemos outro princípio constitucional à baila, qual seja, o princípio da proporcionalidade que deve, no presente caso, saltar aos olhos, não podendo, de forma alguma, ser ignorado. Senão vejamos: [...] O princípio da proporcionalidade em sentido estrito determina que se estabeleça uma correspondência entre o fim a ser alcançado por uma disposição normativa e o meio empregado, que seja juridicamente a melhor possível. Este quer significar que o Estado não deve agir com demasia, tampouco de modo insuficiente na consecução dos seus objetivos, devendo sempre primar para a vontade de evitar resultados desproporcionais e injustos, como aqui se observa e razão pelo qual foi invocado. Dessa forma, é imprescindível que seja alterada a base de cálculo dos valores relacionados à Atividade Rural, passando de 100% (cem por cento) para 20% (vinte por cento). 3. DOS PEDIDOS: Ex positis, com fulcro nos argumentos fáticos e de direito acima expedidos, requerse: 3.1 Que seja o presente recurso recebido e processado por ser tempestivo e cumprir todos os requisitos legais de admissibilidade; 3.2 Que seja mantida a suspensão da exigibilidade do crédito enquanto não julgado definitivamente o presente recurso, conforme artigo 151, III do Código Tributário Nacional; 3.3 Que seja ainda mantida a parcialidade da decisão de Primeira Instância proferida e, posteriormente se altere sua parte desfavorável ao recorrente, dando também provimento ao presente Recurso, acolhendo o decisum, pela ordem, as razões de fato e de direito para desconstituir, anular e/ou declarar nulo o auto de infração, considerando se a defesa ora discorrida, em virtude das irregularidades e ilegalidades já apontadas; 3.4 Apesar de, DE FORMA ALGUMA, reconhecer o que lhe é imputado, apenas em caso de julgamento de improcedência; que os rendimentos relacionados com a Atividade Rural sejam tributados de acordo com o § 2° do artigo 18 da Lei 9.250/95, ou seja, que a base de cálculo seja de 20% (vinte por cento) e não de 100% (cem por cento); Fl. 654DF CARF MF 12 3.5 Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito durante a instrução do processo, nos termos do Decreto 70.235/72 e demais legislações aplicáveis. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 27/11/2008 conforme A.R às fls. 612, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 11/12/2008 (fl. 613), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Do mérito 2.1 – Do acréscimo patrimonial a descoberto Consoante se observa dos autos, o presente lançamento é decorrente de omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto no anocalendário de 2003. De acordo com a Autoridade Fiscal (fl. 437), apurouse um Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos meses de fevereiro de 2003 no valor de R$ 147.855,09; outubro de 2003 no valor de R$ 447.938,67; novembro de 2003 no valor de R$ 196.511,09; e dezembro de 2003 no valor 416.627,65. Em contrapartida, a defesa argumentou que a fiscalização teria deixado de levar em consideração origens de recursos provenientes de empréstimos. Na sequência, ao analisar a impugnação apresentada pelo contribuinte, os julgadores de primeira instância administrativa entenderam que “Esses empréstimos devem ser necessariamente considerados como origem de recursos para que o contribuinte não seja penalizado, uma vez que os saldos positivos em conta corrente ao final do mês foram considerados como aplicações de recursos e os empréstimos foram depositados nas contas”. O Recorrente, afirma que o procedimento administrativo de lançamento, no caso em comento consubstanciado no auto de infração ora combatido, deve ter como objetivo a busca da verdade material, devendo esta ser demonstrada e provada objetivamente, à luz dos rigores do devido processo legal. Com amparo no artigo 142 do CTN, sustenta que “NÃO há que se falar que verificados supostos indícios ou presunções que indicam fatos tributáveis (EXTRATOS BANCÁRIOS), haveria a transferência do ônus da prova para o contribuinte, para que fizesse a demonstração e justificação dessas presunções”. Ao final, defende que “(i) como nos autos não pôde ser comprovado inequivocamente a pretendida omissão de receitas indicadas pela fiscalização, (ii) deixando esta última de fazer a busca pela verdade material dos fatos e cumprir o dever objetivo de prova e investigação das premissas fáticas que dariam ensejo à autuação, (iii) sendo a Fl. 656DF CARF MF 14 presunção realizada pelo Fisco calcada apenas em depósitos bancários, insuficiente para conferir ao crédito tributário a certeza e a liquidez necessárias, deve o presente Recurso ser provido para reformar o v. acórdão recorrido e, consequentemente, cancelar o Auto de Infração ora combatido.” Entretanto, razão não lhe assiste. Salientese de imediato que não cabem mais questionamentos quanto à possibilidade de formalização da exigência com base em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A propósito, confirase: IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2402005.592, Rel. Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Sessão 19/01/2017) Vejase que é pacífico o entendimento deste Conselho no sentido de que “a presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Ademais, tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Portanto, a alegação de que em regra cabe ao Fisco comprovar as suas alegações, não merece acolhida. 3. Da quebra de sigilo bancário O Recorrente sustenta que Administração Tributária não pode, por si, exigir do contribuinte ou de terceiros a prestação de informações que representem a quebra de seu Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 9 15 sigilo bancário, seja antes da edição da Lei Complementar nº 105/01, ou mesmo posterior à adição da referida lei. Desse modo, defende que é vedado à Administração, sem qualquer razoabilidade, exigir ou obter junto a terceiros, informações que dizem respeito à intimidade do contribuinte. Só o Judiciário, em procedimento fiscal regularmente instaurado e subscrito, pode eximir as instituições do dever de segredo. Interessante à solução do caso repisar a sucessão de eventos que justificam o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal quanto à Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira. O procedimento iniciouse com o TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL (fls. 02/03), cuja ciência via postal ocorreu em 31.03.2014, ocasião em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em síntese, os seguintes documentos/informações: [...] 2. Documentos/informações a serem apresentados: 2.1 Extratos bancários de contacorrente, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, referente a todas as contas mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes, em instituições financeiras situadas no Brasil e no exterior. Devem ser apresentados, inclusive, os extratos das contas nas seguintes instituições financeiras: BANCO DO BRASIL SA, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, ITAÚ UNIBANCO SA, BANCO BRADESCO SA, COOPERATIVA DE CRÉDITO DE SÃO ROQUE DE MINAS LTDA, BANCO SANTANDER BRASIL SA. [...] Em 17.04.2014, contribuinte solicita prorrogação do prazo em 30 (trinta) dias; deferida. (fls. 07/08) Em 16.05.2014 o contribuinte é cientificado do TERMO DE CIÊNCIA DE CONTINUIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL (fls. 09/10) e, em resposta (fls. 11/15) ao Termo de Início, informa que “deixa de apresentar os extratos bancários, entendendo que o caminho correto para solicitação passa pela devida autorização do Poder Judiciário, inclusive conforme já decidido pelo Excelso Supremo Tribunal Federal.” Em 03.06.2014, ante a não apresentação das informações bancárias solicitadas, com fundamento no art. 6º da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, arts. 2º, §5º; 3º, incisos VII e XI e 4º do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Fiscalização lavrou o relatório circunstanciado para fins de solicitação de emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. (fls. 17/23) Fl. 658DF CARF MF 16 Em 05.06.2014, expedida Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. (fl. 24) No caso dos autos, a questão levantada no recurso se refere à legalidade do procedimento adotado na requisição administrativa de informações bancárias diretamente às instituições financeiras, ante a recusa da apresentação dos extratos do cartão de crédito pelo Recorrente. Segundo entendimento do Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. De proêmio, cumpre esclarecer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 repercussão geral) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos aos Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Recordese: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 10 17 Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento”. (STF, Tribunal Pleno, RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/02/2016, acórdão eletrônico repercussão geral DJe198 Divulg. 15/09/2016 publicado 16/09/2016) Portanto, a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensado, nesta ordem, a interferência do Poder Judiciário para a aquisição das referidas informações. 4. Da decadência Sobre o tema, o Recorrente alega que “não pairam dúvidas sobre a decadência de parte do crédito tributário exigido, eis que não é dado ao Fisco constituir em outubro de 2015 (a notificação do lançamento se concretizou em 02.10.2015) créditos tributários que tenham fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a setembro de 2010, ou seja, com lapso temporal superior a 05 (cinco) anos contados do fato gerador.” Entende que no caso deve ser aplicada a regra contida no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. O inconformismos não merece prosperar. Importante frisar que a Súmula CARF nº 38 (Vinculante) pacificou entendimento de que o fato gerador do IR ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, e não mensalmente, como pretende o Recorrente. Recordese: “Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” No caso dos autos, como o fato gerador do anocalendário 2010 ocorreu, em 31/12/2010, a decadência se daria apenas em 31/12/2015, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, sendo que a ciência do lançamento aconteceu em 02/10/2015. Logo, não há que se falar em decadência. 5. DO MÉRITO Consoante destacado anteriormente, o presente lançamento tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996, que assim dispõe acerca da presunção de Fl. 660DF CARF MF 18 omissão de rendimentos relativos aos valores depositados em conta cuja origem não seja comprovada: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). (art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (incluído pela Lei nº 10.637/2.002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (incluído pela Lei nº 10.637/2.002)” Da leitura dos dispositivos transcritos acima, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Na espécie, de posse dos valores movimentados nas contas bancárias do Recorrente, a fiscalização o intimou a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nelas efetuados. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 11 19 Todavia, o contribuinte preferiu trilhar caminho diverso, e, em resposta (fls. 11/15) ao Termo de Início, informou que “deixa de apresentar os extratos bancários, entendendo que o caminho correto para solicitação passa pela devida autorização do Poder Judiciário, inclusive conforme já decidido pelo Excelso Supremo Tribunal Federal.”. Ou seja, não atendeu à intimação de modo a demonstrar a origem dos recursos recebidos. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente, a teor do que dispõe o já citado artigo 42 da Lei n. 9.430/1996. Ao deixar de comprovar, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A falta de justificativas por meio de documentação hábil e idônea, em relação à origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que ela corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, razão pela qual a respeitável decisão não merece reforma. 5.1 Das operações de mútuo realizadas Da comprovação da origem dos depósitos realizados nas contas correntes vinculados aos contratos de mútuo O Recorrente, para tentar justificar a comprovação da origem dos depósitos realizados, alega que firmou vários contratos de mútuo com terceiros. Para tanto, defende o que segue: “Conforme já noticiado durante a ação fiscal, o contribuinte estabeleceu durante o anocalendário de 2010 diversas operações de mútuo com pessoas físicas, nas quais em algumas oportunidades figurou como mutuante e em outras oportunidades como mutuário. Depois de muito diligenciar em seus arquivos e também perante as próprias pessoas físicas mencionadas, o contribuinte localizou os contratos de mútuo firmados à época dos fatos, que dão conta de demonstrar que muitos dos depósitos apontados pelo Fisco Federal como sendo de origem não comprovada ou ainda como receita auferida pelo contribuinte e omitida à tributação cabível, se referem, na verdade, as operações de mútuo realizadas com tais pessoas. De fato, como se comprova nos documentos anexados com a Impugnação, bem como naqueles que se apresenta juntamente com o presente Recurso, o Recorrente mantinha verdadeira “contacorrente” com outros empresários conhecidos, de forma que todos se ajudavam mutuamente, emprestando recursos quando necessário para as atividades dos parceiros, mas também recebendo valores quando havia essa necessidade. De fato, os extratos bancários do Recorrente já constantes dos autos, em cruzamento com os extratos bancários de alguns de seus parceiros, Fl. 662DF CARF MF 20 comprovam efetivamente o trânsito de numerário em suas contascorrentes, sem que isso seja caracterizado como fato gerador do importo de renda. Ora, os documentos anexados à Impugnação comprovam inequivocamente a origem dos recursos decorrentes dos contratos de mútuo neles representados, sendo que basta se verificar que eles correspondem exatamente aos valores constantes dos extratos bancários respectivos, inclusive como indicado em cada planilha separada por Credor juntada à Impugnação. Cumpre esclarecer, por exemplo, que apenas os mútuos realizados entre o Recorrente e os Srs. Marcos Soares Rezende e Aureliano das Graças Oliveira superam a quantia de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), o que corrobora o entendimento da ausência de certeza e liquidez do suposto crédito tributário pretendido pela d. Fiscalização. As operações de mútuo, como não poderia deixar de ser, na mesma linha do que defendido acima, NÃO IMPLICAM EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL daquele que recebe as quantias pactuadas (até mesmo porque necessita devolvêlas), de forma que não há que se falar em incidência do IRPF, inclusive conforme reconhecido pela jurisprudência do CARF: [...] Na verdade, as operações de mútuo ora comprovadas são exemplos claros do motivo pelo qual não se pode defender como juridicamente válido um lançamento por omissão de receitas calcado apenas em depósitos bancários. Em outras palavras, os documentos juntados aos autos, mais do que comprovar a origem das operações específicas nele tratadas, reforçam a tese de que o lançamento como um todo deve ser cancelado.” Em que pese o seu esforço, entendo que as argumentações supra não tem o condão de alterar a bem fundamentada decisão de piso, e peço a mais respeitosa licença para transcrever parte do voto profícuo de primeira instância. Confirase: “Sobre empréstimos a título de mútuo, cabe observar. Especificamente no que se refere às alegações formuladas sobre os empréstimos supostamente contraídos junto a terceiros (pessoas físicas e jurídicas), dentre eles parentes, para suas comprovações, seria imprescindível que fossem juntados ao processo: a) a apresentação dos contratos de mútuo devidamente assinados e registrados pelas partes por ocasião da celebração dos respectivos acordos; b) que os empréstimos fossem regularmente informados nas Declarações de Ajuste Anual do interessado; c) que os mutuantes tivessem disponibilidade financeira para o empréstimo, bem como o mutuário para saldar tempestivamente seus compromissos; d) que restasse comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), bem como a comprovação da restituição dos valores tomados pelo mutuário (bem suas previsões de restituição, caso os empréstimos ainda estivessem em andamento). Assim não fosse, abrirseia um enorme leque de possibilidades de fraudes mediante informações de ‘operações fantasmas’, permitindo, por exemplo, que quem dispusesse de meios, ficticiamente Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10120.008869/200855 Acórdão n.º 2401005.215 S2C4T1 Fl. 12 21 ‘emprestasse’ a outro um determinado valor, ‘esquentando’, dessa forma, recursos do ‘mutuário’ não apresentados à tributação.” (grifei) Em outras palavras, a pretensão do interessado deveria estar baseada em outros documentos que não deixassem margem à dúvida quanto à consistência das operações, ou seja, recebimento das quantias que afirma terem sido emprestadas, como é o caso de transferências bancárias do numerário ou cópias de cheques emitidos e comprovadamente sacados ou creditados. Não consta dos autos a comprovação, seja da saída do numerário do patrimônio dos mutuantes seja da quitação efetuada pelo mutuário, não socorrendo ao contribuinte a alegação de que os empréstimos foram realizados por ambas as partes. É de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Assim, por não estar respaldada em documentos que comprovem a transferência de numerário, não há como acatar a alegação do Recorrente acerca do ingresso de recursos provenientes dos mencionados empréstimos. 6. Da multa de ofício aplicada em caráter confiscatório Por fim, o Recorrente sustenta que a multa de ofício de 75% aplicada estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, e, além disso, o valor aplicado é exorbitante. Entretanto, o inconformismo não merece prosperar. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (multa de 75%). “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, Fl. 664DF CARF MF 22 de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Neste sentido, o artigo 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Recorrente, sobre a aplicação da multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta matéria é estranha à sua competência. Assim, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 665DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.900434/2012-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO.
Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantém-se os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação.
Numero da decisão: 3001-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantém-se os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação.
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CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantém se os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 04 34 /2 01 2- 44 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13855.900434/201244 Acórdão n.º 3001000.118 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 23/10/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 39106.50120.231009.1.3.047596 declarando a compensação de débito de COFINS (Cód.5856), do P.A. 09/2009 no valor de R$ 82.006,84 com crédito de COFINS (cód. 5856), recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 11/2005 (R$ 56.315,650 mais Selic de 45,62% igual R$ 82.006,84). Do Despacho Decisório A DRF de Franca/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls. 8), pela homologação parcial a compensação pretendida, em face de insuficiência de crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito informado no PER/DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 3), pugnando por seu direito à compensação praticada; que retificou suas declarações – DACON, DCTF e DIPJ, onde ficou demonstrado o pagamento a maior que o devido, passível de suportar o débito compensado. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/CTA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantémse os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação de direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuição. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13855.900434/201244 Acórdão n.º 3001000.118 S3C0T1 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 146), abordando apenas questão de direito nos seguintes termos: “Considerando o direito líquido e certo aos valores em tela conforme se depreendem das declarações bastantes, é a presente manifestação de inconformidade para requerer a VALIDAÇÃO E DEVIDO PROCESSAMENTO DOS CRÉDITOS LEVANTADOS ORIUNDOS DE PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DEVIDAMENTE DECLARADOS EM DCTFs E DIPJs E UTILIZADOS PARA PAGAMENTOS DE DÉBITOS ENTÃO VINCENDOS NOS TERMOS QUE DEMONSTRAM A DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA AOS AUTOS, com a homologação das compensações ora acostadas e confeccionadas com o saneamento dos erros acima apontados, mas que, por impossibilidade de configuração do sistema, não pode ser enviada para análise devida, assim pedese a transmissão das mesmas”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA tratou adequadamente a matéria, expondo de forma clara e objetiva suas razões de decidir, apontando o fato que impossibilitou convalidar a totalidade da compensação requerida. As telas (efls. 118 a 127) resumem todos os fatos representativos do crédito alegado e sua utilização, tornando insuficiente para atender o pleito da recorrente, senão vejamos: 1. O débito declarado de COFINS (cód. 5856) para o Período de Apuração nov/2005 foi de R$ 23.357,56 com os seguintes créditos vinculados: R$ 11.922,86 por compensação de pagamento indevido ou a maior via PER/DCOMP nº 16751.70171.180209.1.7.04 8057 (R$ 11.476,99), PER/DCOMP nº 26185.10501.130406.1.3.044697 (R$ 243,30) e PER/DCOMP nº 30703.09183.170406.1.3.048112 (R$ 202,57), efls. 120; 2. Observase que na DCTF do mês 11/2005 (efls.83) para compensação do valor de R$ 11.476,99 foi indicada a PER/DCOMP nº 26325.07561.170406.1.3.049944, quando o correto seria a PER/DCOMP nº 16751.70171.180209.1.7.048057; 3. A diferença do valor devido de Cofins da competência 11/2005 R$ 11.434,70 (R$ 23.357,56 () R$ 11.922,86), foi pago através do DARF no valor de R$ 147.041,92. na data de 15/12/2005. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13855.900434/201244 Acórdão n.º 3001000.118 S3C0T1 Fl. 5 4 4. Ocorre que, conforme se depreende da tela efls.126, o crédito vinculado de R$ 202,57 via PER/DCOMP nº 30703.09183.170406.1.3.048112, foi efetivamente utilizado para compensar um débito de COFINS (cód.5856) do Período de Apuração 01/04/2005; 5. O saldo do DARF acima discriminado (R$ 147.041,92 () R$ 11.434,70 igual R$ 135.607,22) teve a seguinte destinação: R$ 202,57 para suprir a compensação efetuada na PER/DCOMP nº 30703.09183.170406.1.3.048112; R$ 79.291,57 na PER/DCOMP nº 39130.54873.210909.1.3.040717 e R$ 56.113,08 na PER/DCOMP nº 39106.50120.231009.1.3.047596.que está em discussão no presente processo. 6. Como o crédito alocado na PER/DCOMP nº 39106.50120.231009.1.3.047596 foi de R$ 56.315,65 ficou faltando o valor de R$ 202,57 que corrigido pela SELIC (45,62%) resulta no valor de principal R$ 294,98, remanescente, em cobrança neste PAF de nº 13855.900434/201244. A recorrente sendo detentora de todos os documentos que correspondem as declarações encaminhadas à Receita Federal do Brasil, principalmente aos que deram origem a PER/DCOMP nº 30703.09183.170406.1.3.048112, nada alegou em seu recurso sobre a questão mencionado no item 4 acima, muito menos trouxe qualquer prova documental que pudesse modificar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter inalterada a decisão de primeiro grau. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 144DF CARF MF
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