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Numero do processo: 19985.721859/2017-02
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DESPESAS COM INSTRUÇÃO Na declaração anual de ajuste somente poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, curso de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS Somente são admitidos como deduções na declaração anual de ajuste os dispêndios efetivamente realizados e sobre os quais não recaia nenhuma dúvida por parte da administração tributária.
Numero da decisão: 2003-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Wilderson Botto.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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DESPESAS COM INSTRUÇÃO Na declaração anual de ajuste somente poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, curso de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS Somente são admitidos como deduções na declaração anual de ajuste os dispêndios efetivamente realizados e sobre os quais não recaia nenhuma dúvida por parte da administração tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Wilderson Botto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 18 59 /2 01 7- 02 Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 Trata-se de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Federal de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), acórdão nº 08-45-275, de 11/12/2018 (e-fls. 49/62), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra lançamento que se encontra adunado aos autos (e-fls. 4/12). Intimado da referida decisão em 23/01/2019, por meio de aviso de recebimento (e-fls. 68), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 13/02/2019 (e-fls. 71/76), no qual, após historiar a partir do lançamento até o julgamento de primeira instância, afirma não concordar com a manutenção da exigência por parte da autoridade de piso tendo em vista que: 1. Concorda com a manutenção da glosa efetuada a título de dependentes, no valor de R$ 6.190,92, por se tratar o valor referente a netos com relação aos quais não detém a guarda judicial; 2. Que os gastos que foram realizados com a Unimed Curitiba/PR, no valor de R$ 2.329,39, foram em favor do seu neto João Guilherme Berton da Silva, o qual não detém a guarda judicial, o qual teria se comprometido a mantê-los desde o seu nascimento; 3. Que os gastos com instrução (R$ 1.660,00) teriam sido realizados em benefício de sua filha Vânia Caroline Sabino Casagrande que contava a época com 22 anos de idade; 4. Relativamente ao pagamento de pensão alimentícia, no montante de R$ 17.500,00, que estaria sendo realizado em face de acordo extrajudicial firmado em 01.04.1998, o qual afirma está anexando uma cópia; 5. Que os gastos médicos realizados com o profissional Fabiano Bassetti Borba, R$ 200,00, teriam sido em benefício da sua filha Vânia Caroline Sabino Casagrande, que contava com 22 anos à época; 6. Que os gastos realizados com a dentista Vanessa de Oliveira Casagrande, R$ 2.000,00, estaria comprovando a sua inscrição no Conselho Regional de Odontologia; 7. Que o pagamento realizado com fisioterapia para a profissional Viviane Berton da Silva, R$ 1.500,00, que estaria anexando a comprovação da sua inscrição juntamente ao Crefito da 13ª Região; 8. É o que interessa relatar. Pede ao final o recorrente (e-fls. 76): DO PEDIDO. Ante o exposto, pugna o recorrente JOAMIR CASAGRANDE no sentido de que seja PROVIDO O PRESEfiTE RECURSO com exclusão de glosa de todas as deduções expostas no presente a exceção da dedução de dependentes de Jose Eduardo Berton da Sifva, João Guilherme Berton da Silva e Aline Tissot Casagrande) no valor de R$ 6.190,92 (seis mil cento e noventa reais e Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 noventa e dois centavos) uma vez que não detêm a guarda judicial daqueles para sustentar sua permanência, devendo ser mantida todas as demais deduções, as quais não podem ser tributáveis em razão dos documentos anexados. O recorrente colacionou ao presente recurso voluntário os documentos constantes às e-fls.79/84. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Decido. Voto Conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, Relator. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, bem como estão presentes os demais pressupostos de admissibilidade, de tal forma que deve ser conhecido. Preliminares Nenhuma preliminar foi suscitada no presente recurso voluntário. Mérito Delimitação da Lide O presente recurso voluntário é parcial, tornando-se incontroversas e definitivas as demais matérias que não foram trazidas para a devida apreciação pela autoridade de 2º grau. Cingem-se, destarte, as questões devolvidas ao conhecimento desse órgão julgador de 2ª instância e que estão corroboradas pelas pretensões que se encontram estampadas nos termos do presente recurso voluntário: 1. Pensão Alimentícia (R$ 17.500,00), 2. Gastos com instrução (R$ 1.660,00) e 3. Despesas Médicas remanescentes no montante (R$ 4.529,39). Dedução de Despesas com instrução Afirmou o ilustre relator da autoridade de piso ao enfrentar a presente questão, ora transcrita para os fins que se encontram previstos no art. 57, § 3º, do RICARF (e-fls. 52/53): DA DEDUÇÃO INDEVIDAS COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO. Durante o procedimento fiscal foi glosado o valor de R$ 1.660.00 referente a deduções com despesas de instrução, pois o contribuinte não apresentou comprovação como exigido no Termo de Intimação Fiscal 2014/428495692354156. Cabe ressaltar que na Solicitação de Antecipação de Análise da DIRPF 2014/01040008868682 o contribuinte declara que não está apresentando comprovante de despesa com instrução. Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 O contribuinte não apresentou comprovação como exigido no Termo de Intimação Fiscal 2014/428495692354156 Constatou-se também dos autos que o impugnante não apresentou comprovantes de despesas com instrução. Constatou-se também dos autos que o impugnante não apresentou comprovantes de despesas com instrução. Conforme a Lei n° 9.250. de 26 de dezembro de 1995, temos que. Art.8°—A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II— das deduções relativas: (...) b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente á educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (Redação dada pela Lei n° 11.482, de 31 de maio de 2007) Considerando que o disposto acima e a ausência de documentos comprobatórios, resta ser mantida a glosa no valor de R$ 1.660,00. Não havendo o recorrente em sede recursal trazido elementos suficientes para vir a malferir o acórdão que ora está sendo objurgado, relativamente ao montante glosado na presente rubrica, o mesmo deverá permanecer hígido em nosso ordenamento jurídico pelos seus próprios fundamentos fáticos e jurídicos, mantida a glosa no montante de R$ 1.660,00. Pensão alimentícia Afirmou o ilustre relator da autoridade de piso ao enfrentar a presente questão, ora transcrita para os fins que se encontram previstos no art. 57, § 3º, do RICARF (e-fls. 58/61): DEDUÇOES INDEVIDAS DE PENSA O ALIMENTICIA. A fiscalização informou que foi glosado o valor de RS 17.500.00 pois o contribuinte não apresentou comprovação como exigido no Termo de Intimação Fiscal 2014/428495692354156. Cabe ressaltar que na Solicitação de Antecipação de Análise da DIRPF 2014/01040008868682 o contribuinte declara que não está apresentando comprovante de despesa com Pensão Alimentícia. O contribuinte não apresentou comprovação como exigido no Termo de Intimação Fiscal 2014/428495692354156 Compulsando os autos verifica-se que o impugnante não apresentou quaisquer documentos que comprovassem possuir a obrigação de pagar alimentos, como por exemplo: escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 fixando o valor da pensão alimentícia e determinando o ônus das despesas com instrução e médicas com alimentando e respectivos comprovantes de pagamento. Para o deslinde da questão cumpre dizer que para efeito de dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia judicial é necessário provar que tal pensão decorre de decisão, de acordo judicial ou. ainda, de escritura pública e que o correspondente valor pago esteja nos limites do estabelecido pela sentença, conforme se verifica a partir da publicação DEDUÇOES INDEVIDAS DE PENSAO ALIMENTICIA. A fiscalização informou que foi glosado o valor de RS 17.500.00 pois o contribuinte não apresentou comprovação como exigido no Termo de Intimação Fiscal 2014/428495692354156. Cabe ressaltar que na Solicitação de Antecipação de Análise da DIRPF 2014/01040008868682 o contribuinte declara que não está apresentando comprovante de despesa com Pensão Alimentícia. O contribuinte não apresentou comprovação como exigido no Termo de Intimação Fiscal 2014/428495692354156 Compulsando os autos verifica-se que o impugnante não apresentou quaisquer documentos que comprovassem possuir a obrigação de pagar alimentos, como por exemplo: escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia e determinando o ônus das despesas com instrução e médicas com alimentando e respectivos comprovantes de pagamento. Para o deslinde da questão cumpre dizer que para efeito de dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia judicial é necessário provar que tal pensão decorre de decisão, de acordo judicial ou. ainda, de escritura pública e que o correspondente valor pago esteja nos limites do estabelecido pela sentença, conforme se verifica a partir da publicação 338 — Quais são as pensões judiciais dedutíveis pela pessoa física? São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme nonnas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, a que se refere o art L124-A da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Piocesso Civil. Atenção: As despesas com instovção e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome do alimentando, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por esciitura pública, a que se refere o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, podem ser deduzidas somente na declaração de rendimentos, em seus campos próprios, obseivado o limite anual relativo às despesas com instrução. Na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, devem ser informados o nome e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de todos os beneficiários da pensão e o valor total pago no ano, mesmo que tenha sido descontado pelo empregador em nome de apenas um dos beneficiários. O contribuinte que paga pensão não pode incluir o filho como dependente, observado o tópico "Atenção" da resposta àpergunta 325. Para efeitos da aplicação da referida dedução, observe-se que: Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 1) as importâncias pagas relativas ao suprimento de alimentos, em face do Direito de Família, serão aquelas em dinheiro e somente a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia; 2) tratando-se de sociedade conjugal, a dedução somente se aplica, quando o provimento de alimentos for decorrente da dissolução daquela sociedade; 3) não alcança o provimento de alimentos decorrente de sentença arbitral, de que trata a Lei n°9.307, de 23 de setembro de 1996. (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil; Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, arts. 4 o , inciso II, e 8 o , inciso II, alínea "f; Lei n° 9.307, de 23 de setembro de 1996, arts I o e 31; Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999-Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 78; Instrução Normativa SRFn° 15, de 6 de fevereiro de 2001, art. 15, inciso I, art. 21, inciso IV, eart. 49; e Instrução Normativa RFB n° 1.142, de 31 de março de 2011; Solução de Consulta Interna n°3 - Cosit, de 8 de fevereiro de 2012) (...). Como se verifica da legislação, os valores devem estai 1 delimitados pela sentença, bem como qualquer valor pago além do estabelecido não é dedutível. Cumpre informar que a dedução da base de cálculo do imposto de renda apurada na declaração de ajuste do valor relativo a pensão alimentícia é permitida pela Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995. em seu artigo 8°. 11. alínea 6 *f\ reproduzido no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) aprovado pelo Decreto 3.000. de 26 de março de 1999. como segue: "Art 8°A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II-das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais"; "Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n- 9.250, de 1995, art. 4-, inciso II). § 1- A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2- O valor da pensão alimenticia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3- Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4* Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei n* 9.250, de 1995, art. 8* §3 S ). §5- As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (arí. 80) ou despesa com educação (art. 81)(Lei n*9.250, de 1995, art. 8*, §3*)". Tem-se, ainda, que citar o que está transcrito no art. 49 da Instrução Normativa SRF 15. de 06 de fevereiro de 2001: Art. 49. Podem ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Parágrafo único. É vedada a dedução cumulativa dos valores correspondentes à pensão alimentícia e a de dependente, quando se referirem à mesma pessoa, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do ano-calendário. Posteriormente, com a edição da Lei n- 11.441. de 4 de janeiro de 2007, a dedução prevista no art. 49 da IN SRF tf 15, de 2001. foi disciplinada pela Instrução Normativa RFB n 5 867. de 8 de agosto de 2008. a qual passou a facultar a escritura pública como forma legítima paia dispor sobre pensão alimentícia paia fins de dedução do imposto de renda: Art. I o Os arts. 2 o e 3 o da Instrução Normativa RFB n° 803, de 28 de dezembro de 2007, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 2°(...) I - as importancias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei n" 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; Art. 3°(...) §1°(.~) a.ouy, f/f ±y/o Nos tennos do Decreto n° 3.000. de 26 de março de 1999 - RIR/99, todas as deduções estão sujeitas a comprovação, senão vejamos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. 11, §3°). §1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, §4°). §2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto- Lei n°5.844, de 1943, art. 11, §5°). Como se vê. para a dedução da despesa em tela a legislação acima transcrita exige o efetivo pagamento da importância e que este seja a título de pensão alimentícia em face Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. Da análise dos autos, verifica-se que o contribuinte não comprovou sua condição de alimentante para fins de dedução do imposto de renda. Por fim. resta concluir pela manutenção da glosa da dedução pretendida no valor total de RS 17.500.00. Não havendo o recorrente em sede recursal trazido elementos suficientes para vir a malferir o acórdão que ora está sendo objurgado, relativamente ao montante glosado na presente rubrica, o documento trazido e que se encontra adunado às e-fls. 101 não se encontra devidamente homologado judicialmente, o mesmo deverá permanecer hígido em nosso ordenamento jurídico pelos seus próprios fundamentos fáticos e jurídicos, mantida a glosa no montante de R$ 17.500,00. Gastos com despesas médicas Afirmou o ilustre relator da autoridade de piso ao enfrentar a presente questão, ora transcrita para os fins que se encontram previstos no art. 57, § 3º, do RICARF (e-fls. 75/78): DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MEDICAS. Compulsando os autos verifica-se que a lide se restringe aos pagamentos feitos pelo contribuinte frente às despesas médicas no valor total de RS 6.02939. Cumpre informai' para o deslinde da questão que. os atos administrativos gozam da presunção de veracidade e legalidade. O Fisco em face de sua imperatividade para tributar, prevista na Constituição Federal e em normas legais, pode exigir, em especial, que o contribuinte comprove suas deduções para fins de Imposto de Renda. Dessa forma, o ônus da prova das despesas médicas, caso o contribuinte pretenda deduzi-las, lhe pertence. Portanto, cabe a ele trazer aos autos a documentação que entenda capaz de comprovar seu direito, mas submetida ao critério da autoridade lançadora, de forma a dirimir os questionamentos acerca dos fatos informados em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme determina o art. 73 do RTR/99: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3 o ). § I o Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art 11, § 4 o ). Ressalte-se que a legislação lista algumas fornias para o contribuinte provar o seu direito ao mesmo tempo em que permite ao Fisco, a seu juízo, exigir outros meios de comprovação de maneira a firmar sua convicção frente aos fatos informado. O que importa ao presente julgamento, conforme determina a lei, é que o impugnante apresente provas de que realmente arcou com tais despesas, tanto que permite que ele comprove de várias maneiras o seu direito de deduzir. Assim, se o contribuinte pretende deduzir tais despesas médicas deve agir provando a veracidade de suas afirmações. Ressalte-se que a dedução dessas despesas com saúde é uma faculdade do contribuinte, ou seja. ele não está obrigado a deduzi-las. mas caso deseje aproveitá-las, deve obedecer, se submeter aos ditames da lei. Destaque-se ainda que a solicitação de documentos, por parte da Receita Federal, constitui uma obrigação acessória sob responsabilidade do contribuinte, que tem de manter em boa guarda a documentação comprobatória dos fatos atinentes à seara tributária. Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 conforme pode-se extrair* das disposições do art. 797 do RIR/99 logo abaixo transcritas. Caso contrário, tal previsão legal seria letra morta, pois de que adiantaria exigir a apresentação da prova se o ônus fosse do Fisco? Art. 797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigando-se, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (Decreto-Lei n° 352, de 17 junho de 1968, art. 4 o ). Confirmando o entendimento acima, acrescente-se ainda à presente discussão, que mesmo estando presente todos os requisitos enumerados para os recibos, a legislação tributária não confere aos mesmos valor probante absoluto, pois a tônica do art. 80, § I o . inciso IH. do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Em sendo assim, o contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco - caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso. este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. Por fim. destaque-se que, na apreciação dos elementos de prova, é fundamental que estes não só atendam aos requisitos formais previstos na legislação, como sejam pertinentes e coerentes paia a formação da convicção do julgador, tal como permitido no art. 63 do Decreto 7.574/2011, que dispõe: Art. 29. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36. Compulsando os autos, verifica-se que assiste razão em parte à fiscalização pelos motivos apontados abaixo: Cumpre informar ainda que quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos e declarações, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. Fundamentando ainda o presente voto, destaque-se o disposto no art. 80, §1°, incisos II e IH, do RIR/99, conforme segue. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n°9.250, de 1995, art. 8°, inciso II, alínea "a"). § I o O disposto neste artigo (Lei n°9.250, de 1995, art. 8 o , §2°): Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2003-002.113 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721859/2017-02 II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Destarte, considerando os motivos discorridos em itens anteriores e com base no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, gravado no art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, deve ser mantida a glosa no valor de R$ 4.529,39. Não havendo o recorrente em sede recursal trazido elementos suficientes para vir a malferir o acórdão que ora está sendo objurgado, relativamente ao montante glosado na presente rubrica, o mesmo deverá permanecer hígido em nosso ordenamento jurídico pelos seus próprios fundamentos fáticos e jurídicos, mantida a glosa no valor de R$ 4.529,39. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do presente recurso voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13888.722710/2016-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.852
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão definitiva do STF nº RE 592.891/SP, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que votava pelo julgamento do processo no estágio em que se encontra.
Nome do relator: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.253            2 Transcrevo o relatório anexo ao r. acórdão de fls. 986­1011, posto que fiel aos  eventos ocorridos até então, complementando­o ao final com o necessário.  Lançamento de ofício  O  estabelecimento  industrial  acima  qualificado  foi  autuado  por  Auditor­Fiscal  da  Receita Federal do Brasil, por falta de recolhimento do IPI, decorrente da utilização  de  créditos  indevidos  desse  imposto.  A  exigência  foi  formalizada  no  Auto  de  Infração das fls. 568 a 575, e anexos, e se refere ao IPI, no valor de R$ 4.382.854,90,  acrescido  de  juros  de mora  e  da multa  de  ofício  de  75%,  totalizando,  na  data  da  autuação,  R$  9.696.941,27.  Os  motivos  do  lançamento  de  ofício  encontram­se  explicitados no Termo de Constatação Fiscal das fls. 506 a 567 e seguem resumidos.  A  auditoria  teve  por  objetivo  examinar  Pedidos  Eletrônicos  de  Ressarcimento  ou  Restituição  e  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMPs),  transmitidos  pelo  estabelecimento Sistema de Alimentos e Bebidas do Brasil Ltda. (SABB), sucedido  em 2 de janeiro de 2013 por Leão Alimentos e Bebidas Ltda. O crédito alegado em  tais  PER/DCOMPs  é  de  ressarcimento  de  saldos  credores  do  IPI  apurados  entre  julho de 2011 e setembro de 2012, conforme demonstrativo que segue:      Leão Alimentos e Bebidas Ltda. e SABB integram o chamado “Sistema Coca­Cola  Brasil”,  na  condição  de  engarrafadores  de  bebidas  do  Capítulo  22  da  Tabela  de  Incidência do  IPI  (TIPI). Tais bebidas  são  fabricadas com a utilização de  insumos  adquiridos do estabelecimento Recofarma Indústria do Amazonas Ltda.,  localizado  em Manaus  (AM)  e  também  integrante  do  referido  sistema,  estabelecimento  que  detém 50% das quotas societárias de Leão Alimentos e Bebidas Ltda.  Em primeiro  lugar, o  autor do procedimento  fiscal  glosou créditos básicos do  IPI,  vale  dizer,  aqueles  decorrentes  do  princípio  constitucional  da  não  cumulatividade  desse  imposto,  os  quais  foram  atribuídos  às  aquisições  dos  produtos  adiante  mencionados,  porque  esses  créditos  estão  em  desacordo  com  o  art.  226,  I,  do  Decreto  no  7.212,  de  15  de  junho  de  2010, Regulamento  do  IPI  (RIPI),  de  2010,  combinado  com  o  Parecer  Normativo  CST  nº  65,  de  31  de  outubro  de  1979:  “Desinfetante Vortexx ES 3444”, “Desinfetante Whisper V – 52981”, “Detergente  Alcalino  Espuma  Big  Blue  –  44046”  “Detergente  Alcalino  Bevro  Sheen”,  “Detergente Alcalino  – Espuma Topax  32­7781”,  “Detergente Neutro Liquid K  –  12481”,  “Lubrificante  para  Esteiras  Dryexx”  e  “Lubrificante  para  Esteiras  Lubodrive OS”.  Em  segundo  lugar,  o Auditor­Fiscal  glosou  créditos  incentivados  do  IPI,  os  quais  não decorrem do princípio da não cumulatividade, e foram atribuídos a aquisições de  Fl. 1253DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.254            3 insumos  denominados  “concentrados”  para  fabricação  de  néctares,  fornecidos  ao  interessado  pelo  referido  estabelecimento  Recofarma,  que  os  remete  na  forma  de  “kits” constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente sai do  estabelecimento em embalagem individual. Nas notas  fiscais de saída emitidas por  Recofarma para os  engarrafadores  não há  lançamento  (destaque)  do  IPI,  existindo  menção de que os produtos fornecidos são isentos desse imposto, com base nos arts.  81,  II,  e  95,  III,  do  RIPI,  de  2010,  dispositivos  que  se  referem  a  benefícios  instituídos no âmbito de regimes fiscais regionais, a saber: Zona Franca de Manaus  (art. 81, II) e Amazônia Ocidental (art. 95, III).  Assinala o autor do procedimento fiscal que, com respeito ao art. 81, II, do RIPI, de  2010, cuja base legal é o art. 9º do Decreto­lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, o  benefício  se  restringe  à  isenção  do  IPI  em  favor  do  adquirente.  A  ausência  de  lançamento  (destaque)  do  referido  imposto  nas  notas  fiscais  respectivas  exclui  a  possibilidade  de  crédito  do  IPI  em  favor  do  adquirente  que  utilize  esses  itens  na  fabricação  de  produtos  tributados.  Observa  quanto  à  alusão  feita  pelo  estabelecimento interessado, no curso da ação fiscal, sobre o julgamento do Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  212.484­2/RS,  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  em  favor  de  terceiro,  que  no  referido  recurso  foi  analisado  o  aspecto  genérico  do  princípio  da  não  cumulatividade  do  IPI,  sem  adentrar  na  legislação  que  rege  os  benefícios fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, especialmente no tocante ao  cumprimento de requisitos para gozo da benesse, tampouco a classificação fiscal dos  produtos  e  a  decorrente  alíquota  do  IPI  a  ser  aplicada  para  cálculo  do  crédito  admitido no âmbito do referido RE.   Quanto ao art. 95, III, do RIPI, de 2010, cuja base legal é o art. 6º do Decreto­lei nº  1.435,  de  16  de  dezembro  de  1975,  o  benefício  em  favor  do  adquirente  abrange,  além da isenção do IPI na saída do estabelecimento fornecedor, também o direito de  o adquirente se creditar do referido  imposto, como se devido fosse, nos  termos do  art. 237 do mesmo regulamento, a título de incentivo.  No  caso  concreto,  o  estabelecimento  transmissor  dos  PER/DCOMPs  de  início  referidos, SABB, sucedido por Leão Alimentos e Bebidas Ltda., escriturou e utilizou  créditos  incentivados  do  IPI  considerando­se  amparado  pelo  art.  237  do  RIPI,  de  2010. No cálculo do crédito, para apurar o IPI “como se devido fosse”, aplicou, ao  valor dos “kits”, a alíquota da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) correspondente ao  Ex  01  do  código  2106.90.10,  que  é  a  classificação  existente  nas  notas  fiscais  emitidas  pelo  fornecedor  Recofarma.  O  referido  Ex  01  tem  a  seguinte  descrição:  “preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados  ou  sabores  concentrados),  para  elaboração  de  bebida  da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”. Até 30 de  setembro de 2012, os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI  eram tributados à alíquota de 27%, conforme Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro  de 2006, e Decreto n° 7.660, de 23 de dezembro de 2011. A partir de 1º de outubro  de 2012, os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 passaram a  ser  tributados à alíquota de 20%, em face do Decreto n° 7.742, de 30 de maio de 2012.   Em  diligência  fiscal,  o  estabelecimento  Recofarma  foi  intimado  a  informar  quais  matérias­primas  agrícolas e  extrativas vegetais de produção  regional da Amazônia  Ocidental  foram  empregadas  nos  “kits”  para  néctares,  ao  que  respondeu:  cana­de­ açúcar, utilizada para a produção de álcool neutro e ácido cítrico.   Segue  a  fiscalização,  dizendo  que,  de  acordo  com  o  informado  por  Recofarma,  o  álcool neutro ou o ácido cítrico são empregados em todos os “kits” para os néctares,  ressaltando  que  o  direito  à  isenção  prevista  no  art.  95,  III,  do  RIPI,  de  2010,  é  Fl. 1254DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.255            4 condicionado ao atendimento cumulativo dos seguintes requisitos: (a) que o produto  adquirido  seja  elaborado  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem  pecuária;  (b)  que  o  estabelecimento  fornecedor seja localizado na Amazônia Ocidental; (c) que os projetos do fornecedor  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  Superintendência  da  Zona Franca de Manaus (Suframa); e (d) que o produto adquirido não seja o fumo  do Capítulo 24 da TIPI, nem as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos  códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 1) da TIPI. O Auditor­ Fiscal verificou que a condição da letra “a”, antes mencionada, não foi atendida no  caso  concreto,  porque  o  álcool  e  o  ácido  cítrico  utilizados  não  são  resultado  de  processo  de  extração  de  um  vegetal,  e,  portanto,  não  podem  ser  chamados  de  “matérias­primas extrativas vegetais”. Acrescenta que não há emprego de sacarose  (açúcar)  na  industrialização  dos  concentrados,  mas,  sim,  de  produtos  industrializados que usam o açúcar como matéria­prima, como é o caso do álcool e  do  ácido  cítrico,  sendo  este  último  fornecido  para  Recofarma  por  produtor  localizado em São Paulo, fora da Amazônia Ocidental. Pondera, ainda, que a isenção  do IPI não se aplica automaticamente em relação a todos os produtos cujos projetos  tenham  sido  aprovados  pela  Suframa,  mencionando  que  o  projeto  apresentado  à  fiscalização refere­se ao processo produtivo de concentrado para  refrigerante sabor  “cola”.  Sob  essa  perspectiva,  o  autor  do  procedimento  fiscal  concluiu  que  nos  meses  de  julho  de  2011  a  maio  de  2012  ocorreu  o  aproveitamento  indevido  do  crédito  incentivado  de  que  trata  o  art.  237  do RIPI,  de  2010,  que  teria  suporte  em  notas  fiscais  emitidas  por Recofarma,  que  deixou  de  utilizar  em  seu  processo  produtivo  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  requisito  indispensável  para  fruição  do  benefício  pretendido  por  SABB,  sucedido  por Leão  Alimentos  e Bebidas Ltda.,  sem  prejuízo  da  existência  de  outra motivação  para  a  glosa em comento, a seguir descrita.   A par disso  tudo, o crédito  supostamente embasado no art. 237 do RIPI, de 2010,  também  carece  de  legitimidade,  segundo  o  Auditor­Fiscal,  porquanto  os  “kits”  fornecidos  por  Recofarma  foram  enquadrados  em  classificação  fiscal  única  e  incorreta.  Com  efeito,  recordando  o  que  foi  relatado  anteriormente,  os  produtos  fornecidos por Recofarma para os engarrafadores de bebidas do Capítulo 22 da TIPI  são designados nas notas fiscais pelo termo “concentrado”, das marcas dos néctares  a  que  se  destinam,  e  são  apresentados  na  forma  de  “kits”  constituídos  de  dois  ou  mais componentes, sendo que cada componente sai do estabelecimento industrial em  embalagem individual. Tais “kits”  são classificados, nas notas  fiscais emitidas por  Recofarma, no já referido Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, ao qual corresponde  alíquota de 27% para o IPI.  Para o autor do procedimento fiscal,  a classificação utilizada por Recofarma e por  SABB para os “kits” está equivocada, pois tais produtos não se caracterizam como  uma mercadoria única, passível de enquadramento no Ex 01 do código 2106.90.10  da TIPI, devendo ser classificados em códigos próprios para cada item do “kit”, aos  quais  corresponde,  em  sua maioria,  alíquota  zero,  o  que  leva  a  um  IPI  calculado  como se devido fosse também igual a zero, em prejuízo dos créditos utilizados.  O  Auditor­Fiscal  se  valeu  das  Notas  Explicativas  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias  (Nesh),  especificamente  o  item XI  da Nota  Explicativa  da Regra Geral  Interpretativa  3  b  (RGI­3b).  Cita  decisão  do  Conselho  de  Cooperação  Aduaneira  (CCA),  hoje  conhecido  por  Organização Mundial  das  Alfândegas  (OMA),  nas  fls.  435  a  487,  constando  o  original  em  inglês  e  a  tradução  para  o  português,  sobre  classificação  Fl. 1255DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.256            5 fiscal de bases de preparação de bebidas, decisão cujo mérito restou incorporado às  Nesh,  no  citado  item  XI  da  Nota  Explicativa  da  RGI­3b.  Também  se  reporta  à  documentação das  fls. 418 a 434, original  e  traduzida, que  explicita a  semelhança  entre “kits” para elaboração de bebidas e “kits” para elaboração de sanduíches, que  foi  constatada  pela  Alfândega  dos  Estados  Unidos,  ao  incluir  como  um  dos  fundamentos de sua decisão  justamente o item XI da Nota Explicativa da RGI­3b,  como  se  depreende  do  teor  da  ruling  letter  expedida  no  âmbito  da Customs  and  Border Protection (Alfândega e Proteção de Fronteiras Estadunidense), a respeito da  classificação  fiscal  de  “kits  de  alimentos”  a  serem  então  importados  com a marca  Griddle Stacker TM.  Sob  outra  perspectiva,  o  autor  do  procedimento  fiscal  ressalta  que  a  classificação  fiscal  é  definida  pelas  características  intrínsecas  e  extrínsecas  da  mercadoria,  em  especial,  a  forma  de  apresentação,  no  momento  da  ocorrência  do  fato  gerador,  alertando que os “kits” não podem ser classificados como “preparação composta”,  segundo mencionado no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, pois os componentes  dos “kits” não estão misturados, preparados, prontos para uso pelo adquirente, não  se  caracterizando  como  preparação.  A  mistura  dos  ingredientes,  para  o  sujeito  passivo, é mera operação complementar, ao passo que, para o autor do procedimento  fiscal, é uma operação de industrialização autônoma. Considerando que os “kits” são  formados por vários componentes acondicionados em embalagens individuais, trata­ se  de mercadorias  que  não  estão  prontas  para  uso  pelo  adquirente,  que  utiliza  os  insumos  para  elaborar  néctares,  demandando  operação  de  industrialização  intermediária. Após a etapa do processo industrial em que ocorre a mistura, forma­se  uma  preparação  composta  que  ainda  recebe  tratamento  complementar,  com  o  acréscimo  de  ingredientes  adicionais,  inclusive  a  polpa  da  fruta,  os  quais  não  são  adquiridos de Recofarma.  Nessa mesma  linha  de  raciocínio,  a  fiscalização  pondera  que  o  referido Ex 01  do  código  2106.90.10  da  TIPI  trata  de  uma mercadoria  que,  por  diluição,  resulta  na  bebida final, o que não é o caso dos “kits”, que não tem capacidade de diluição no  estado em que foram fornecidos para SABB. Cita e transcreve dispositivos da Lei nº  8.918,  de  14  de  julho  de  1994,  que  dispõe,  em  especial,  sobre  a  padronização,  a  classificação,  o  registro,  a  inspeção,  a  produção  e  a  fiscalização  de  bebidas,  do  Decreto nº 6.871, de 4 de junho de 2009, que regulamenta a citada Lei nº 8.918, de  1994, e da Instrução Normativa nº 12, de 4 de setembro de 2003, do Ministério da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento,  que  aprova  o  regulamento  técnico  para  fixação dos padrões de identidade e qualidade gerais para suco tropical, os padrões  de identidade e qualidade dos sucos tropicais de abacaxi, acerola, cajá, caju, goiaba,  graviola, mamão, manga, mangaba, maracujá e pitanga; e os padrões de identidade e  qualidade  dos  néctares  de  abacaxi,  acerola,  cajá,  caju,  goiaba,  graviola,  mamão,  manga, maracujá, pêssego e pitanga.  Por fim, no tocante à autuação, o demonstrativo de créditos indevidos das fls. 490 a  505 explicita os valores das glosas efetuadas, por período de apuração e por tipo de  glosa:  créditos  básicos,  referentes  aos  itens  ali  designados  como  “materiais  utilizados que não tem contato com o produto final”, a saber, material de limpeza e  lubrificantes  para  esteiras,  e  créditos  incentivados,  referentes  ao  que  consta  no  demonstrativo  como “kits de  concentrados”. O demonstrativo de  reconstituição da  escrita  fiscal  das  fls.  488  e  489  evidencia  os  saldos  devedores  do  IPI,  de  responsabilidade do interessado.  Impugnação  Fl. 1256DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.257            6 Cientificado da exigência em 18 de julho de 2016, conforme Aviso de Recebimento  (AR) da fl. 578, o sujeito passivo apresentou, em 8 de agosto de 2016, pelo que se vê  no Termo  de  Solicitação  de  Juntada  da  fl.  599,  a  impugnação  das  fls.  600  a  693,  subscrita  por  advogados,  credenciados  pelos  documentos  das  fls.  694  a  735,  e  instruída com os documentos das fls. 736 a 980, alegando, em síntese, o que segue  resumido,  com  diversas menções  à  jurisprudência  administrativa  e  judicial,  que  o  impugnante considera pertinentes ao caso.  Afirma  a  defesa  que  o  concentrado  fornecido  por  Recofarma  é  beneficiado  pela  isenção do IPI de que trata o art. 81, II, do RIPI, de 2010, e pela isenção de que trata  o art. 95,  III, do mesmo diploma, sendo que, no caso dessa última, o próprio RIPI  autoriza  o  crédito  do  IPI,  como  se  devido  fosse,  em  favor  do  adquirente  do  concentrado.  Em  que  pese  isso,  o  autor  do  procedimento  fiscal  glosou  o  crédito,  pelos seguintes motivos: (a) o concentrado não poderia  ter sido classificado no Ex  01  do  código  2106.90.10  da  TIPI,  por  não  ser  um  produto  único,  devendo  ser  adotadas as classificações para os componentes; (b) a Suframa não teria competência  para conceder benefícios fiscais, mas para aprovar projeto técnico econômico, que é  um  dos  requisitos  para  o  benefício;  (c)  Recofarma  não  utilizou  matéria­prima  agrícola  e  extrativa  vegetal,  de  produção  regional  da  Amazônia  Ocidental,  de  maneira direta, no concentrado; (d) a Resolução nº 298, de 11 de dezembro de 2007,  do  Conselho  de  Administração  da  Suframa  (CAS)  (fls.  404  e  405)  e  o  Parecer  Técnico de Projeto nº 298, de 1º de novembro de 2007 (fls. 406 a 417), aprovaram o  projeto  exclusivamente  para  o  concentrado  do  tipo  “cola”,  não  podendo  ser  estendido  a  outros  tipos  de  concentrado  fornecidos  por  Recofarma;  (e)  o  RE  212.484­2/RS, que reconheceu o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de  insumos  isentos,  oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus,  não  teria  assegurado  a  classificação fiscal do concentrado, nem a aplicação da alíquota de 27% para cálculo  do crédito do referido imposto; (f) a idoneidade das notas fiscais não seria suficiente  para autorizar o aproveitamento do crédito do IPI, dada a falta de previsão legal para  crédito na ausência de pagamento do imposto na etapa anterior; e (g) os produtos de  limpeza  e  lubrificantes  não  teriam  sido  empregados  diretamente  na  produção  das  bebidas,  ficando  excluídos  do  conceito  de matéria­prima,  produto  intermediário  e  material de embalagem.  O impugnante argumenta que o auto de infração viola o art. 146 da Lei no 5.172, de  25  de  outubro  de  1966,  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  porquanto  alterou  retroativamente  o  critério  jurídico  já  aceito  pela  fiscalização  do  IPI  em  procedimentos  fiscais  anteriores,  nos  quais  não  houve  qualquer  questionamento  sobre  a  classificação  fiscal  do  concentrado  fornecido  por  Recofarma,  que  sempre  ocorreu no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, tampouco rejeitou a correspondente  alíquota do IPI. Ressalta que a atividade do lançamento é vinculada, conforme art.  142 do CTN, razão pela qual o autor do procedimento fiscal sempre esteve obrigado  a examinar todos os aspectos do fato gerador da obrigação tributária.  A alteração do critério  jurídico,  segue  a defesa,  teve origem na  ciência,  em 22  de  dezembro de 2014, do auto de infração lavrado contra o fornecedor Recofarma, para  exigência  de  multa  em  razão  de  ter  supostamente  classificado  o  concentrado  de  forma equivocada, sob o argumento de que tal insumo não poderia ser enquadrado  em uma única posição, além do que não teria sido cumprido um dos requisitos para  isenção do IPI de que trata o art. 95, III, do RIPI, de 2010, que é a utilização direta  de  matéria­prima  agrícola  e  extrativa  vegetal  de  produção  regional.  Referida  autuação  aguarda  julgamento  de  recurso  voluntário  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais  (Carf).  À  vista  disso,  o  novo  critério  jurídico  adotado pela fiscalização deveria alcançar fatos geradores ocorridos a partir de 22 de  Fl. 1257DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.258            7 dezembro de 2014, sendo que a autuação ora discutida abrange períodos anteriores a  essa data.  Acrescenta que o Parecer nº 405, de 14 de março de 2003, da Procuradoria­Geral da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  adotou  a  classificação  do  concentrado  no  Ex  01  do  código 2106.90.10 da TIPI, reconhecendo o direito ao crédito do IPI ao adquirente  do concentrado para bebidas, à alíquota de 27%.  Sob  outra  perspectiva,  a  defesa  alega  que  a  Suframa  é  autarquia  vinculada  ao  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior,  tendo  como  finalidade promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável da Zona Franca  de  Manaus,  mediante  geração,  atração  e  consolidação  de  investimentos.  Para  cumprir tal objetivo, foi outorgada à Suframa, pelo Decreto nº 7.139, de 29 de março  de 2010, competência exclusiva para aprovar os projetos industriais para fruição dos  benefícios  previstos  no  art.  9º  do  Decreto­lei  nº  288,  de  1967,  e  no  art.  6º  do  Decreto­lei  1.435,  de  1975,  bem  assim  para  determinar  e  administrar  quaisquer  questões inerentes aos referidos benefícios. Consequentemente, resta sem suporte a  imputação  fiscal  de  que  a  Suframa  carece  de  competência  para  promover  a  classificação fiscal do concentrado fornecido por Recofarma.  A  classificação  fiscal  do  concentrado  fornecido  por Recofarma  é matéria  definida  pela  Suframa,  conforme  Resolução  CAS  nº  298,  de  2007,  e  Parecer  Técnico  de  Projeto nº 224, de 2007. A Suframa inclusive reconhece que o concentrado pode ser  entregue  desmembrado  em  partes,  ou  em  preparações  químicas,  sem  que  isso  desnature a condição de produto único do concentrado, passível de classificação no  Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI. Em resposta a pedido de informações dirigido  pelo autor do procedimento fiscal à Suframa, essa superintendência esclareceu que  fiscaliza o fornecedor Recofarma, não havendo qualquer ressalva ou divergência em  relação aos compromissos assumidos quando da aprovação do projeto aprovado pela  Resolução CAS nº 298, de 2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224, de 2007.  Note­se que, para a Suframa, o produto elaborado por Recofarma é o concentrado  para bebidas definido como preparações químicas utilizadas como matéria­prima de  bebidas, com capacidade de diluição superior a 10 partes de bebida para cada parte  do concentrado, classificado no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, ao passo que,  para  o  autor  do  procedimento  fiscal,  o  concentrado  para  bebidas  fabricado  por  Recofarma  não  formaria  um  produto  único,  devendo  cada  parte  integrante  ser  classificada em uma posição distinta.   No caso, não foi instaurado procedimento administrativo algum perante a Suframa,  objetivando  a  alteração  da  definição  do  produto  beneficiado  pela  isenção  e  pelo  crédito ficto, tampouco foi editado qualquer ato da Suframa alterando tal definição e  respectiva  classificação  fiscal,  razões  suficientes  para  dizer  que  o  procedimento  fiscal  discutido  viola  o  devido  processo  legal  e  configura  evidente  preterição  do  direito de defesa.  A  aplicação  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI/SH) não legitima a conclusão a  que  chegou  o  autor  do  procedimento  fiscal,  de  não  admitir  a  classificação  do  concentrado  no  Ex  01  do  código  2106.90.10  da  TIPI,  adotada  pela  Suframa  e  seguida  por Recofarma. Pelo  contrário,  a RGI­1,  que  tem  aplicação  prioritária  em  relação às demais regras, corrobora a classificação adotada pela Suframa e seguida  por Recofarma. O autor do procedimento fiscal subverteu a ordem de aplicação das  RGI/SH, porquanto aplicou as RGI 2 e 3 antes de aplicar a RGI­1.   Fl. 1258DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.259            8 Além disso, louvou­se em decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira que não é  aplicável  no  direito  brasileiro,  e  se  aplicável  fosse,  legitimaria  a  classificação  adotada por Recofarma no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, com a ressalva que  segue.  Existiria  uma  aparente  divergência,  pois  o  Conselho  de  Cooperação  Aduaneira, ao aplicar a RGI­1, decidiu pela classificação fiscal dos componentes do  concentrado de forma isolada, enquanto o impugnante utilizou a classificação fiscal  do  produto  como  um  todo.  Ocorre  que  na  legislação  dos  países  envolvidos  na  consulta  que  motivou  a  decisão  do  Conselho  de  Cooperação  Aduaneira  o  concentrado  não  é  classificado  numa  posição  específica,  como  o  é  na  legislação  brasileira.  Para a defesa, é equivocado o argumento do autor do procedimento fiscal, no sentido  de que a mistura das partes integrantes do concentrado, feita no estabelecimento do  impugnante, corresponderia a uma operação de industrialização, nos termos do art.  4º,  I,  do  RIPI,  de  2010,  dizendo  o  impugnante  que  ocorre,  na  verdade,  mero  tratamento  complementar,  disciplinado  no  item  12  das  Nesh  referentes  à  posição  2106.  Sustenta que não tem relevância, para fins de classificação fiscal do concentrado, o  fato  de  SABB  ter  adquirido  a  polpa  ou  o  suco  concentrado  da  fruta  de  outro  fornecedor e não de Recofarma, porque tais insumos são utilizados pelo impugnante  no  processo  produtivo  da  bebida  final,  não  sendo  componentes  do  concentrado  fornecido por Recofarma.  Invoca  o  art.  112,  I,  do Código Tributário Nacional,  para  alegar  que,  em  caso  de  dúvida  quanto  à  capitulação  legal  do  fato,  a  lei  tributária  deve  ser  interpretada de  maneira mais favorável ao infrator.   Em que pese a aprovação de projeto pela Resolução CAS nº 298, de 2007, o autor  do procedimento fiscal concluiu que Recofarma não faria jus à isenção de que trata o  art. 95, III, do RIPI, de 2010, pela não aplicação direta de matérias­primas agrícolas  e  extrativas  vegetais  na  fabricação  dos  concentrados,  mas,  sim,  de  produtos  industrializados com essas matérias­primas. Todavia, ao aprovar o Parecer Técnico  de Projeto nº 224, de 2007, parte  integrante da Resolução CAS nº 298, de 2007, a  Suframa  entendeu  que  era  suficiente  e  bastante  para  a  aprovação  do  projeto  para  gozo da isenção do art. 6º do Decreto­lei nº 1.435, de 1975, a utilização de açúcar  e/ou  álcool  e/ou  extrato  de  guaraná  e/ou  corante  de  caramelo  na  produção  do  concentrado  produzido  a  partir  de  cana­de­açúcar  e  de  semente  de  guaraná,  adquiridos de produtores localizados na Amazônia Ocidental. O álcool, a propósito,  é  considerado matéria­prima pela Suframa,  e  não  simples  aditivo. A Suframa  tem  competência  exclusiva  para  aprovar  projetos  de  estabelecimentos  industriais  situados na  sua  região de  atuação, definir  o processo produtivo básico do produto  incentivado,  aprovar  a  concessão  do  benefício  fiscal  do  art.  6º  do  Decreto­Lei  nº  1.435,  de  1975,  aos  produtos  objeto  do  processo  produtivo  básico  (PPB)  por  ela  definido  e  cancelar  a  concessão  do  respectivo  benefício,  bem  como  administrar  e  fiscalizar  quaisquer  questões  inerentes  a  esse  benefício. Essa  competência  decorre  do Decreto nº 7.139, de 2010, e, quando questionada a respeito pela Receita Federal  e  pelo  Carf,  a  Suframa  esclareceu,  que  fiscaliza  periodicamente  as  instalações  industriais de Recofarma, conforme atestado no Laudo de Produção e Relatório de  Acompanhamento  de  Projetos  Industriais,  e  que  não  há  qualquer  ressalva  ou  divergência  em  relação  aos  compromissos  assumidos  quando  da  aprovação  do  projeto  aprovado  pela  Resolução  CAS  nº  298,  de  2007,  integrado  pelo  Parecer  Técnico  nº  224,  de  2007.  Resta,  portanto,  um  conflito  de  interpretação  entre  a  Suframa  e  a Receita  Federal,  sendo  que  essa  última  deve  agir  perante  a  primeira,  Fl. 1259DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.260            9 para cancelar, pelos meios previstos, a concessão do benefício, e não simplesmente  desconsiderar a outorga promovida pela Suframa.   Além disso, o autor do procedimento fiscal afirmou que alguns concentrados teriam  sido elaborados com  insumos oriundos de  fornecedores  localizados em São Paulo,  fora  da  Amazônia  Ocidental.  O  que  ocorre,  ao  contrário,  é  que  todos  os  concentrados adquiridos de Recofarma contém pelo menos um  insumo oriundo da  Amazônia  Ocidental,  bastando  compulsar  os  correspondentes  Demonstrativos  do  Coeficiente de Redução do  Imposto de  Importação  ­ Eletrônico  (DCR­E),  o que  é  suficiente  para  o  gozo  do  benefício  do  art.  6º  do  Decreto­lei  nº  1.435,  de  1975.  Repete  que  todos  os  concentrados  são  elaborados  com  matérias­primas  regionais  originárias  da Amazônia Ocidental,  dentre  elas  o  açúcar  utilizado  na  produção  do  ácido cítrico e o álcool neutro, ambos oriundos da matéria­prima agrícola e extrativa  vegetal regional cana­de­açúcar. É verdade que, em relação a alguns concentrados, o  fornecedor  Recofarma  deixou  de  apresentar  os  competentes  DCR­E,  documentos  aos quais o  impugnante não  tem acesso, em razão do que, se esses demonstrativos  forem  considerados  imprescindíveis  à  solução  do  litígio,  deve  ser  realizada  diligência para esclarecimento da situação.  Sob  outro  aspecto,  o  autor  do  procedimento  fiscal  está  equivocado  ao  dizer  que,  mesmo  aceitando  a  validade  do  benefício  concedido  pela  Suframa,  ele  seria  aplicável  exclusivamente  ao  concentrado  do  tipo  “cola”,  porquanto  o  Parecer  Técnico nº 224, de 2007, aprovou projeto para esse tipo de concentrado, o que não é  verdade, em face do art. 13 da Resolução CAS nº 202, de 2006, segundo o qual os  empreendimentos  regularmente  implantados  na  Zona  Franca  de  Manaus  ficam  dispensados da apresentação de projetos de atualização, diversificação ou ampliação  conforme  roteiro  pleno,  desde  que  o  pleito  refira­se  a  produtos  similares  ou  congêneres, classificados na mesma posição e subposição da Nomenclatura Comum  do Mercosul  (NCM),  com os projetos  já  aprovados pela  empresa  e  não  envolva  a  fixação  de  limites  anuais  adicionais  de  importação. É  desnecessário,  pois,  aprovar  projeto para cada tipo de concentrado.  A defesa  alega que  as notas  fiscais  idôneas emitidas por Recofarma mencionam a  isenção  do  IPI  de  que  trata  o  art.  81,  II,  do  RIPI,  de  2010,  enquadramento  que  legitima  o  crédito  desse  imposto  ao  adquirente.  Afirma,  para  tanto,  que,  no  julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 212.484­2/RS, que trata, em favor de  terceiro,  de  situação  idêntica  à  discutida  no  presente  processo,  foi  assegurado  o  direito ao crédito do IPI, à alíquota de 27%, em favor de adquirente de concentrado  isento,  oriundo  de  fornecedor  situado  na  Zona  Franca  de  Manaus  e  utilizado  na  fabricação  de  bebidas  cuja  saída  é  sujeita  ao  IPI. Acrescenta  que  o  entendimento  exarado no RE nº 212.484­2/RS ainda subsiste, até que a matéria seja reapreciada no  âmbito do RE nº 592.891/SP, sob o regime de repercussão geral.   O  interessado  argumenta  que  as  notas  fiscais  idôneas  emitidas  por  Recofarma  mencionam  a  isenção  do  IPI  de  que  trata  o  art.  95,  III,  do RIPI,  de  2010,  a  qual  legitima  o  crédito  desse  imposto  ao  adquirente,  em  face  do  art.  237  do  mesmo  diploma regulamentar. À vista disso, foi em decorrência dessas circunstâncias que o  adquirente escriturou e utilizou os referidos créditos, o que ocorreu de boa­fé, sem  que tenha decidido, por sua conta e  risco, apurar créditos pela alíquota de 27%. O  impugnante  sustenta que o crédito  subsiste  inclusive na hipotética inidoneidade de  notas fiscais, desde que evidenciadas a boa­fé e a efetiva aquisição dos produtos, o  que  afasta,  no  caso  concreto,  a  responsabilidade  objetiva  na  prática  da  infração,  estabelecida no art. 136 do Código Tributário Nacional.  Fl. 1260DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.261            10 Para  a  defesa,  a multa,  os  juros  de mora  e  a  correção monetária  não  são devidos,  porquanto o art. 100 do Código Tributário Nacional estabelece que a observância de  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  tem  o  condão  de  excluir a cobrança das citadas parcelas. No caso, a Suframa, no uso da competência  outorgada  pelo  Decreto  nº  7.139,  de  2010,  expediu  a  Resolução  CAS  nº  202,  de  2006,  integrada  pelo  Parecer  Técnico  nº  224,  de  2007,  para  aprovar  o  projeto  industrial tendente ao gozo da isenção prevista no art. 6º do Decreto­Lei nº 1.435, de  1975,  em  favor  do  concentrado  fabricado  por  Recofarma  Indústria  do  Amazonas  Ltda.,  classificando  esse  produto  no  Ex  01  do  código  2106.90.10  da  TIPI,  e  autorizando  o  crédito  correspondente.  À  vista  disso,  independentemente  de  estar  correta ou equivocada a  referida classificação  fiscal,  fato é que ela constou de ato  administrativo  com  efeito  normativo  para  os  adquirentes  do  concentrado,  dentre  eles, o interessado neste processo.  O impugnante afirma que o art. 76, II, “a”, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de  1964, exclui a imposição de multa aos que  tiverem agido ou pago o IPI de acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte  o  interessado.  Refere  que  na  solução  do  litígio  formado  no  processo  15956.720043/2013­16,  em  instância  especial,  pelo  Acórdão  9303­003.517,  a  Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) decidiu, em caso idêntico ao presente,  que deve ser excluída a multa de ofício na exigência do IPI decorrente de glosa de  créditos desse imposto, na aquisição de insumos isentos, oriundos da Zona Franca de  Manaus, conforme arts. 486,  II,  “a”, do RIPI, de 2002, e 567,  II,  “a”, do RIPI,  de  2010, dispositivos regulamentares cuja observância é obrigatória, conforme art. 26­ A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  A  glosa  de  créditos  pela  aquisição  de  produtos  de  limpeza  e  lubrificantes  é  equivocada,  diz  a  defesa,  porque  se  refere  a  produtos  utilizados  para  assepsia,  sanitização  e  limpeza  em  geral,  os  quais  integram  obrigatoriamente  o  processo  produtivo de bebidas, por exigências sanitárias. O impugnante invoca o art. 226, I,  do  RIPI,  de  2010,  e  o  Parecer  Normativo  CST  nº  65,  de  1979,  para  dizer  que  o  conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora  não sejam consumidos no processo de fabricação, exercem uma ação direta sobre o  produto  fabricado.  Os  lubrificantes,  por  seu  turno,  também  integram  o  processo  produtivo das bebidas, porquanto são indispensáveis para que as caixas deslizem nas  esteiras.  O  interessado argumenta que a cobrança de  juros de mora  sobre a multa de ofício  implica majoração indireta da referida penalidade, além do que não se pode falar em  mora na exigência da multa. Reporta­se ao art. 16 do Decreto­lei nº 2.323, de 26 de  fevereiro de 1987, que trata da impossibilidade de exigência de juros sobre a multa  de  mora,  referindo  que  a  multa  de  mora  enquadra­se  na  categoria  das  multas  punitivas. Alude também ao art. 59 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e  ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os quais, para a defesa, não  legitimam a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício.  O impugnante pede, então, o deferimento do pedido de diligência formulado no item  4.4.36  da  defesa,  a  nulidade  da  autuação,  por  preterição  do  direito  de  defesa,  e,  quanto  ao  mérito,  a  improcedência  do  lançamento  de  ofício,  para  que  reste  exonerado do crédito tributário.  Ar. DRJ proferiu decisão assim ementada:  Fl. 1261DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.262            11 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2011 a 31/05/2012  ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO.  O  lançamento  de  ofício  baseado  em  entendimento  distinto  daquele  que  usualmente  adota  o  sujeito  passivo, mas  que  jamais  foi  objeto  de manifestação  expressa  da  administração tributária, não caracteriza modificação no critério jurídico adotado pelo Auditor­ Fiscal da Receita Federal do Brasil no exercício do lançamento. A alteração de critério jurídico  que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a  lançamentos diversos.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/07/2011 a 31/05/2012  ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO.  É descabida a alegação de nulidade do lançamento de ofício, em que não ocorreu a  alegada preterição do direito de defesa.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA.  Indefere­se  pedido  de  diligência  tendente  a  elucidar  matéria  que  não  interfere  na  solução do litígio.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2011 a 31/05/2012  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  ISENTOS  DO  IPI.  AMAZÔNIA  OCIDENTAL.  “KITS”  DE  PRODUTOS  UTILIZADOS  NA  ELABORAÇÃO  DE  BEBIDAS.  CRÉDITO INDEVIDO.  É ilegítimo o crédito do IPI calculado como se devido fosse na aquisição de “kits”  de  produtos  com  a  isenção  da  Amazônia  Ocidental,  utilizados  na  elaboração  de  bebidas,  mediante  adoção  de  alíquota  incorreta,  decorrente  de  classificação  fiscal  equivocada  em  código  único  da  Tabela  de  Incidência  do  IPI,  próprio  para  “preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados  ou  sabores  concentrados),  para  elaboração  de  bebida  da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  parte  do  concentrado”.  A  mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui­se de um  conjunto  cujas  partes  consistem  em  diferentes  matérias­primas  e  produtos  intermediários  que  só  se  tornam  efetivamente  uma  preparação  composta  para  elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no  estabelecimento adquirente.  AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS DO IPI. ZONA FRANCA DE MANAUS.  “KITS”  DE  PRODUTOS  UTILIZADOS  NA  ELABORAÇÃO  DE  BEBIDAS.  CRÉDITO INDEVIDO.  É ilegítimo o crédito do IPI calculado como se devido fosse na aquisição de “kits”  de produtos com a isenção da Zona Franca de Manaus, utilizados na elaboração de  bebidas.   AQUISIÇÃO  DE  PRODUTOS  DE  LIMPEZA  E  DE  LUBRIFICANTES  PARA  ESTEIRAS. CRÉDITOS INDEVIDOS.  Fl. 1262DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.263            12 Aquisições de produtos de  limpeza e de  lubrificantes para esteiras,  itens excluídos  dos  conceitos  de  matéria­prima  e  produto  intermediário,  não  legitimam  o  aproveitamento de créditos de IPI.  GLOSA  DE  CRÉDITOS  INDEVIDOS.  RECONSTITUIÇÃO  DA  ESCRITA  FISCAL.  FALTA DE RECOLHIMENTO DO  IPI.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.  É legítimo o lançamento de ofício do IPI, acrescido de juros de mora e de multa de  ofício,  por  falta  de  recolhimento  desse  imposto,  decorrente  de  reconstituição  da  escrita fiscal do estabelecimento, pela ocorrência de glosa de créditos indevidos.  SUPERINTENDÊNCIA  DA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS  (SUFRAMA).  SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIAS.  A  competência  da Suframa no  âmbito  dos  benefícios  próprios  da Zona Franca  de  Manaus e da Amazônia Ocidental não exclui a competência da Receita Federal em  matéria  de  classificação  fiscal  de  produtos,  exercida  para  formalizar  exigência  do  IPI, decorrente de glosa de créditos indevidos.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Às fls. 1.100­1166, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário em que aduz seu  direito  ao  crédito  relativo  à  isenção  do  art.  6º  do  Decreto­lei  nº  1435/75.  Sustenta  ainda  o  direito  ao  crédito  relativo  à  isenção  do  art.  9º  do  Decreto­lei  nº  288/67.  Alega  ainda  a  ilegalidade  do  auto  por  ausência  de  motivação,  haja  vista  não  indicar  quais  as  partes  do  concentrado  estariam  sujeitas  à  alíquota  zero  –  ilegalidade  que  não  poderia  ser  sanada,  pois  violaria o art. 146 do CTN.  Sustenta  ainda  que  não  cabe  se  falar  em  responsabilidade  da  recorrente  por  suposto erro na classificação fiscal do concentrado.  Defende  que  o  produto  adquirido  é  mercadoria  única,  conforme  laudo  do  instituto  nacional  de  tecnologia,  o  que  não  poderia  ser  afastado,  ainda  mais  quando  a  autoridade  fiscal  não  apresentou  sequer  laudo  técnico  para  amparar  o  suposto  equivoco  no  qualificação.  Sustenta  também  ser  competência  da  SUFRAMA  efetuar  a  classificado  fiscal  dos  produtos  incentivados  objeto  de  projeto  industrial  aprovado  para  fruição  dos  benefícios  fiscais  previstos  no  art.  9o  do DL  no  288/61  e  no  art.  6"  do DL  no  1.435/7  5  e  fabricados  conforme PPB definido em Portaria Interministerial.  E que historicamente, os concentrados para bebidas não alcoólicas sempre foram  classificados  em  uma  única  posição  do  TIPI.  Os  EX.  01  e  EX.  02  da  posição  21.06.90.10  consolidaram  todas  as  subposições  da  TIPI  anterior  (inclusive  as  residuais),  e  enfatizaram  unicamente  a  sua  destinação,  condicionando  a  sua  aplicação  a  utilização  dessas  preparação  compostas na fabricação das bebidas do Capitulo 22. O que foi mantido nas TIPIs 2002, 2006 e  inclusive na 2016.  Protesta  ainda  pela  aplicação  dos  arts.  100  e  112  do  CTN,  bem  como  a  impossibilidade de exigência de multa nos termos do art. 76, II, a DA Lei 4502/64.  Fl. 1263DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.264            13 Alegou por fim haver direito aos créditos decorrentes da aquisição de produtos  de limpeza e de lubrificantes, haja visa se integrarem ao processo produtivo. Inconteste que a  utilização  dos  produtos  de  limpeza  e  dos  lubrificantes  também  atende  aos  requisitos  estabelecidos pela jurisprud6ncia do STJ para fins de aproveitamento do crédito de IPI (RESP  no  1.075.508  ­  SC, DJe  de  13.  10  .2009,  julgado  sob  a  sistemática  de  recursos  repetitivos),  visto que (i) não integram o ativo imobilizado e (ii ) são consumidos integralmente no processo  de industrialização das bebidas.   Por fim, defende não incidirem juros sobre a multa de ofício.  É o Relatório.    Voto    Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.    Tendo em vista a discussão nos presentes autos respeitante a produtos oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus  sobre  o  creditamento  do  IPI  quando  em  jogo  medidas  desonerativas, voto por converter o presente feito em diligência para a finalidade de sobrestar o  julgamento até a decisão definitiva do STF nº RE 592.891/SP, uma vez que se trata de questão que  envolve prejudicialidade externa correlata à análise das demais matérias em apreço.    É como voto.  (assinado digitalmente)  Leonardo Ogassawara de Araújo Branco ­ Relator                Fl. 1264DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.722710/2016­73  Resolução nº  3401­001.852  S3­C4T1  Fl. 1.265            14   Fl. 1265DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 14 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0520.08173.ZGSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO em 26/09/2019 08:41:00. Documento autenticado digitalmente por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO em 26/09/2019. Documento assinado digitalmente por: ROSALDO TREVISAN em 04/10/2019 e LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO em 26/09/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 26/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP26.0520.08173.ZGSL Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 0F235CE9B0CE463A1947390B8AF710BFE190A9C3110A378598CA63CF2B14E83E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13888.722710/2016-73. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 13855.904804/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2005 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3201-006.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria nas esferas administrativa e judicial. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13855.720934/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2005 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.

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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria nas esferas administrativa e judicial. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13855.720934/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 48 04 /2 00 9- 17 Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.587 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.904804/2009-17 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3201-006.553, de 17 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, na qual pede reforma da decisão de piso, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem relatar bem os fatos ocorridos, em nome do princípio da economia processual, remeto e adoto, como se aqui transcrito fosse, o minudente relatório que integra o acórdão exarado pela autoridade julgadora de primeira instância. Originou-se a controvérsia de processo de Declaração de Compensação (DComp) que compensou crédito proveniente de pagamento indevido da contribuição ao PIS com débitos diversos. A seu turno, a DRF/Franca-SP, por meio do despacho decisório em que apreciou a matéria, não homologou a compensação. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em preliminar, que o direito creditório ora discutido está relacionado com o processo no 13855.721049/2011-51, em que foi apurado crédito tributário, em parte, em função das mesmas infrações apuradas no presente para, em seguida, aduzir as razões de mérito, em que argumenta a natureza jurídica dos contratos com a Luizacred, que não ensejariam a incidência das contribuições não cumulativas e que, no âmbito das compras originadas da ZFM, que se creditava à alíquota de 5,6% e, no momento em que atentou que estaria sob o regime misto – com receitas cumulativas e não- cumulativas –, passou a se creditar à alíquota de 9,25%. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu para improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório, conforme consta da ementa do acórdão exarado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO (...) CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em síntese requerendo reforma sob as seguintes alegações: Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.587 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.904804/2009-17 a) sobrestamento do feito, para aguardar decisão do PAF 13855.721049/2011-51, que trata sobre auto de infração, donde se discute existência de credito tributário, decorrente da alteração de regime de apuração e julgamento conjunto de outros 34 processos; b) que o contrato de constituição da empresa Luizacred pelo regime cumulativo, firmado antes de 31 de outubro de 2003; c) que consta no contrato exclusividade; pré-determinação de preço; d) recomposição dos custos, conforme o art. 109, da Lei no. 11.196/05; e) ilegalidade de juros sobre a multa; Suscitada conexão, não foi reconhecida nos termos do despacho do Presidente da Seção. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.553, de 17 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso voluntário é tempestivo. Inicialmente a contribuinte que o presente processo é dependente dos processo 13855.721049/2011-51, em que foi apurado crédito tributário, em parte, em função das mesmas infrações apuradas no presente decorrentes da suposta "postergação" no recolhimento do tributo. O Acórdão DRJ foi proferido na seguinte maneira: Preliminarmente, a impugnante alega, que este processo, por conter infrações que também foram apuradas no processo nº 13855.721049/2011-51 - que constituiu o crédito tributário das contribuições sociais para a contribuinte - deveria ficar sobrestado até o julgamento desse processo, por considerar questão prejudicial. De fato, o que for decidido em um processo afeta o outro, porquanto parte das infrações apuradas em um e em outro são as mesmas. No entanto, tal problema foi solucionado com a apensação deste àquele, fato que determina que serão julgados simultaneamente, portanto desnecessário o sobrestamento. De fato, os créditos encontram-se no processo no. 13855.721049/2011-51 que assim foi julgado por esse CARF: Ementa(s)Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO NÃO CARACTERIZADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.587 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.904804/2009-17 apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM - Zona Franca de Manaus - depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime não-cumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não-cumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546-C do CPC. COFINS NÃO- CUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições.Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas pré- operacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO NÃO CARACTERIZADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM - Zona Franca de Manaus - depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-006.587 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.904804/2009-17 aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime não-cumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não-cumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546-C do CPC. PIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. PIS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas pré- operacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. O processo administrativo acima encontra-se com trânsito julgado administrativo, no entanto, nos autos 13855.720820/2011-73, envolvendo caso análogo foi assim enfrentado pelo Conselheiro Winderley Morais Pereira: A teor do relatado, o processo retorna de diligência com cópias dos documentos referentes à ação judicial nº 1020392-31.2018.4.01.3400, que confirma a discussão no Poder Judiciário da mesma matéria em discussão no presente processo, conforme consta do trecho abaixo, extraído da petição inicial da referida ação. 1.2. A autuação fiscal aqui combatida A despeito disso, a Ré lavrou autos de infração para a exigência de PIS/COFINS em razão das seguintes acusações fiscais: a. Exigência de PIS/COFINS sobre bonificações. outorgadas por fornecedores à Autora; b. Exigência PIS/COFINS na sistemática não cumulativa sobre as receitas decorrentes dos serviços prestados à Luizacred S.A. (Joint Venture com Banco Fininvest); c. Glosa de créditos de PIS/COFINS na aquisição de mercadorias oriundas da Zona Franca de Manaus; d. Glosa de créditos de PIS/COFINS com despesas de cartões, embalagens, empilhadeiras e depreciação; e e. Exigência de PIS/COFINS sobre Juros sobre Capital Próprios (JCP). Sucedeu questionamento administrativo da exigência, objeto do Processo Administrativo nº 13855.721049/2011-51, que culminou na manutenção integral da cobrança, o Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-006.587 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.904804/2009-17 que justifica o ajuizamento da presente ação. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Portanto, no caso em tela, tratando-se da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicia Desta feita, nota-se que a contribuinte ingressou com ação judicial referente ao Processo Administrativo nº 13855.721049/2011-51, o qual tem o crédito que gera reflexo no presente processo. Com isso é de se reconhecer a concomitância: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, considerando que a matéria em discussão no presente processo está sendo discutida na esfera judicial, por não conhecer do recurso diante da concomitância. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria nas esferas administrativa e judicial. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10855.907960/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/04/2006 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DA PROVA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Cabe ao sujeito passivo que teve declaração de compensação não homologada demonstrar e provar que possui o direito creditório líquido e certo que objetiva aproveitar.
Numero da decisão: 1402-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-01T04:14:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-01T04:14:25Z; Last-Modified: 2020-04-01T04:14:25Z; dcterms:modified: 2020-04-01T04:14:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-01T04:14:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-01T04:14:25Z; meta:save-date: 2020-04-01T04:14:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-01T04:14:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-01T04:14:25Z; created: 2020-04-01T04:14:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-04-01T04:14:25Z; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-01T04:14:25Z | Conteúdo => S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10855.907960/2009-41 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-004.478 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2020 Recorrente JOSIAS MARTINS DE BRITO NETO & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/04/2006 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DA PROVA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Cabe ao sujeito passivo que teve declaração de compensação não homologada demonstrar e provar que possui o direito creditório líquido e certo que objetiva aproveitar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 79 60 /2 00 9- 41 Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.478 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907960/2009-41 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, mantendo o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada, considerando a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, pois o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente requereu a reforma do despacho decisório com a consequente admissão da compensação e o cancelamento da exigência tributária. Em síntese, alegou que o crédito referido no despacho tem origem no recolhimento a maior de tributo. Anexou cópia da PER/Dcomp, do DARF, e da DIPJ do ano-calendário do suposto crédito. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com o entendimento que a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999 (Decreto nº 3000, de 26/03/99). No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitando-se a tão-somente apresentar cópia de parte da DIPJ do ano-calendário do suposto crédito. Inconformado com a decisão a quo, a recorrente apresentou recurso voluntário em que ratifica as razões expendidas em sua peça impugnatória. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Do Mérito Conforme o relatório, o valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de imposto/contribuição. Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.478 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907960/2009-41 O pedido de compensação não cumpriu todos as normas e requisitos exigidos pela Receita Federal, pois , por intermédio do despacho decisório, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não-homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cabia à recorrente, conforme destacado no acórdão impugnado, trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacam-se: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, LALUR, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Os documentos que comprovam o crédito alegado pela recorrente deveriam ter sidos apresentados na impugnação, a apresentação em momento posterior deve atender as requisitos previstos no Art. 16, § 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe- á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.478 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907960/2009-41 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A jurisprudência do CARF, em atendimento ao princípio da verdade material, tem apreciado provas trazidas no recurso voluntário, avaliando-as no caso concreto, contudo no presente processo não foram trazidas a documentação comprobatória do alegado crédito de pagamento a maior de IRPJ. Conclui-se que não há que como se aplicar o princípio da verdade material no presente caso, pois os documentos comprobatórios não foram apresentados nem na impugnação nem no recurso voluntário, nem posteriormente ao recurso, logo deve ser indeferido o requerimento da recorrente. Como bem afirmou a autoridade julgadora de 1ª instância, a recorrente, que possui o ônus da prova, não demonstra não demonstra a liquidez e certeza do crédito que afirma possuir, requisitos exigidos pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13963.720757/2015-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Jun 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. PROJETO DE LEI DE ANISTIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Mero projeto de lei que não foi votado pelo Congresso Nacional e que não foi objeto de sanção pelo Presidente da República não obriga os particulares, nem a Administração Tributária, que atua com base no princípio da legalidade.
Numero da decisão: 2003-001.338
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.723894/2015-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. PROJETO DE LEI DE ANISTIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Mero projeto de lei que não foi votado pelo Congresso Nacional e que não foi objeto de sanção pelo Presidente da República não obriga os particulares, nem a Administração Tributária, que atua com base no princípio da legalidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.723894/2015-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 72 07 57 /2 01 5- 71 Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-001.338 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13963.720757/2015-71 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-001.335, de 14 de abril de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, na qual solicita cancelamento do débito sob alegação de que as declarações foram entregues antes de qualquer intimação, portanto houve a denúncia espontânea da infração, invocando a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, e da Lei 13.097/2015. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não se aplicam ao lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Cientificado da decisão de primeira instância, o recorrente interpôs o presente recurso voluntário no qual solicita a anulação do crédito tributário, sob alegação preliminar de que houve a denúncia espontânea da infração e também a existência do Projeto de Lei nº 7.512/2014, que anistia as multas aplicadas. No mérito, repisa que houve a denúncia espontânea da infração, invocando a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-001.335, de 14 de abril de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-001.338 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13963.720757/2015-71 Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-001.338 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13963.720757/2015-71 instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Do projeto de Lei nº 7.512/2014 A existência de projetos de lei que anulariam as multas que se discute nos autos em nada influencia neste julgamento, já que são apenas projetos, de forma que não existem tais leis no mundo jurídico. Conforme inteligência do art. 66, caput, da Constituição da República, o projeto de lei somente adquire força após conclusão da votação pelas Casas do Congresso Nacional e promulgação pelo Presidente da República, de forma que, tratando-se apenas de projeto de lei, não pode ser invocado pelo recorrente para se eximir da multa aplicada. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13971.720372/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. ARTIGO 147 CTN. Retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. OBSERVÂNCIA EM CONCRETO DO PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO REFORMATIO IN PEJUS. DEVER DE CAUTELA DO JULGADOR. O respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus impõe dever de cautela por parte do julgador, no sentido que esteja suficientemente claro que a aplicação da norma jurídica no caso concreto não implique prejuízo ao recorrente. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico e/ou outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e reserva legal. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 122. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA. Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. VALOR DA TERRA NUA. VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. VTN. REVISÃO DO LANÇAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS. SIPT. LAUDO TÉCNICO EM DESCONFORMIDADE COM A NBR 14.653-3. É assegurada ao contribuinte a possibilidade de, ante laudo técnico hábil e idôneo, redigido em conformidade com as normas da ABNT, contestar os valores arbitrados com base no Sistema de Preço de Terras - SIPT. É imprescindível, entretanto, que o laudo esteja revestido do rigor técnico para afastar o arbitramento. A apresentação de documento em desconformidade com a NBR 14.653-3 o desqualifica como prova hábil para rever o Valor da Terra Nua (VTN). PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110.
Numero da decisão: 2401-007.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Rodrigo Lopes Araújo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, André Luis Ulrich Pinto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. ARTIGO 147 CTN. Retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. OBSERVÂNCIA EM CONCRETO DO PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO REFORMATIO IN PEJUS. DEVER DE CAUTELA DO JULGADOR. O respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus impõe dever de cautela por parte do julgador, no sentido que esteja suficientemente claro que a aplicação da norma jurídica no caso concreto não implique prejuízo ao recorrente. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico e/ou outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e reserva legal. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 122. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA. Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. VALOR DA TERRA NUA. VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. VTN. REVISÃO DO LANÇAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS. SIPT. LAUDO TÉCNICO EM DESCONFORMIDADE COM A NBR 14.653-3. É assegurada ao contribuinte a possibilidade de, ante laudo técnico hábil e idôneo, redigido em conformidade com as normas da ABNT, contestar os valores arbitrados com base no Sistema de Preço de Terras - SIPT. É imprescindível, entretanto, que o laudo esteja revestido do rigor técnico para afastar o arbitramento. A apresentação de documento em desconformidade com a NBR 14.653-3 o desqualifica como prova hábil para rever o Valor da Terra Nua (VTN). PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110.

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A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. ARTIGO 147 CTN. Retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. OBSERVÂNCIA EM CONCRETO DO PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO REFORMATIO IN PEJUS. DEVER DE CAUTELA DO JULGADOR. O respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus impõe dever de cautela por parte do julgador, no sentido que esteja suficientemente claro que a aplicação da norma jurídica no caso concreto não implique prejuízo ao recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 03 72 /2 01 0- 09 Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital S2-C4T1 Fl. 2 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico e/ou outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e reserva legal. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 122. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA. Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. VALOR DA TERRA NUA. VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. VTN. REVISÃO DO LANÇAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS. SIPT. LAUDO TÉCNICO EM DESCONFORMIDADE COM A NBR 14.653- 3. Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital S2-C4T1 Fl. 3 É assegurada ao contribuinte a possibilidade de, ante laudo técnico hábil e idôneo, redigido em conformidade com as normas da ABNT, contestar os valores arbitrados com base no Sistema de Preço de Terras - SIPT. É imprescindível, entretanto, que o laudo esteja revestido do rigor técnico para afastar o arbitramento. A apresentação de documento em desconformidade com a NBR 14.653-3 o desqualifica como prova hábil para rever o Valor da Terra Nua (VTN). PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Rodrigo Lopes Araújo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, André Luis Ulrich Pinto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 117 e ss). Pois bem. Exige-se da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informações inexatas na Declaração do ITR - DITR/2007, no valor total de R$ 289.140,79, referente ao imóvel rural com Número na Receita Federal - NIRF 3.669.280-8, denominado: Sítio Picadão da Baía, localizado no município de Santa Terezinha - SC, com Área Total - ATI de 1.377,1ha, conforme Notificação de Lançamento - NL, fls. 01 e 02, frente e verso, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 01 e 02 versos. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados no exercício de 2007, especialmente o Valor da Terra Nua - VTN, a declarante foi intimada a apresentar matrícula atualizada do imóvel; Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, acompanhado Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, conforme estabelecido nas' Normas Brasileiras da Associação Brasileira de Normas Técnicas - NBR 14.653 ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima. Informou-se, inclusive, que na falta de atendimento à intimação poderia ser efetuado lançamento de ofício, com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, conforme a legislação, constando os valores pertinentes ao preço de terras do município dos tipos de Terra: Campo ou Reflorestamento, Mista Mecanizável, Não Mecanizável e Várzea não sistematizada. Foi deferido pedido de prorrogação de prazo, fls. 07 a 12, e não consta dos autos atendimento à intimação. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais a Autoridade Fiscal explicou da intimação, da prorrogação de prazo e do não atendimento, fato que ensejou a modificação do VTN com base nas informações do SIPT. Procedida a mencionada alteração, bem como dos demais dados conseqüentes, foi apurado o crédito tributário e lavrada a NL, cuja ciência foi dada à interessada em 26/11/2010, fl. 03. A impugnação foi protocolada em 27/12/2010, segunda-feira, fls. 15 a 46, na qual, após tratar Dos fatos, destacando a razão do lançamento e afirmando que as metragens referente à Área de Preservação Permanente - APP não estaria correta, já que o imóvel está coberto por vegetação nativa de Mata Atlântica, entre outros, a interessada apresentou seus argumentos de discordância em 33 laudas, alegando, em resumo, o seguinte: Das preliminares Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 Da nulidade do lançamento de ofício - Aplicação da Instrução Normativa SRF 97/97 e IN SRF 579/2005 (a) Em síntese disse que se impõe o reconhecimento da nulidade do lançamento de ofício, por haver verificado ausência de alguns requisitos obrigatórios na NL, tais como norma legal infringida e penalidade aplicável, as quais não foram especificadas, bem como a descrição da meteria tributável e, ainda, ausência de assinatura do AFTN autuante. Do Direito Da prova material (Laudo Técnico de Avaliação) apresentado em primeira e segunda instância de julgamento - Princípio da instrumentalidade processual e a busca da verdade material (b) Tratou da legalidade e possibilidade da apresentação de laudo; explanou sobre o laudo anexado, que visa carrear provas da verdade material. (c) Aprofundou-se na questão do laudo reproduzindo pareceres doutrinários e jurisprudência administrativa pertinentes, para afirmar que se impõe o acolhimento do laudo. Do Valor da Terra Nua ITR 2007 - Revisão do Lançamento com base no laudo técnico de avaliação do imóvel para fixação do VTN na data de 01/01/2007, a preço de mercado (d) Afirmou haver ocorrido super avaliação do VTN pelo SIPT. Reproduziu dispositivo legal que trata da possibilidade de retificação da declaração e da possibilidade de revisão pela autoridade administrativa com base em laudo técnico e, como título do item indica, reiterou a questão do acolhimento laudo. Do erro no preenchimento da DITR 2007 - Isenção por não serem tributáveis das Areas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, nos termos do Art. 10, Inciso 11, Alínea A, da Lei 9.393/1996 (e) Informou que preencheu com erro sua DITR com relação às metragens das APP e Área de Interesse Ecológico - AIE, haja vista que, além da Área de Reserva Legal - ARL (20,0% = 276,0ha) o imóvel possui, ainda, cerca de 1.377,1ha de AIE cobertos por vegetação nativa primária ou em estágio médio e avançado de regeneração em Mata Atlântica. (f) Na sequência se alongou no tema das áreas e preservação, reproduziu legislações pertinentes, pareceres doutrinários, entre outros assuntos, todos relativos à ampliação das restrições de uso da área do imóvel e visando sua exclusão da tributação, discordando, entre outras exigências, da necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. Da necessidade de realização de perícia (g) Diante dos critérios na avaliação do VTN, especialmente no aspecto de desconsiderar os 1.377,1 hectares de área não tributável, mostra-se imperiosa a realização de perícia, a fim de que sejam retificadas a áreas de preservação permanente e delimitada a AIE coberta por Mata Atlântica. (h) Observou da possibilidade de indeferimento da perícia e frisou a possibilidade jurídica de seu pedido, bem como o cerceamento da defesa quanto ao indeferimento da prova pericial pretendida. (i) Após outras argumentações indicou perito e listou os quesitos a serem respondidos. Dos Pedidos (j) Diante do exposto requereu: I- Processamento do recurso voluntário, com efeito suspensivo ao crédito tributário. II- Improcedência da decisão administrativa e do lançamento ora combatido (mencionou os motivos sintetizando os temas tratados). III- Requereu que, nos moldes do artigo 31, do Decreto 70.235/1972, a decisão se refira, entre outros requisitos, expressamente às razões de defesa suscitadas pela impugnante contra todas as exigências, sob pena do malsinado cerceamento de defesa. IV- A realização de perícia no imóvel, para fins de comprovação do VTN e de isenção do ITR, identificando e Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 quantificando a APP, AIE e ARL. V- Enquanto devidamente provado os fatos protesta, ainda se necessário, pela produção de todos os meios de provas em direito admitidos, sem exceção, especialmente pela juntada de novos documentos, oitiva de testemunhas, depoimentos pessoais e perícias. (k) Requereu, outrossim, que todas as intimações sejam remetidas para o endereço do procurado. (l) A documentação que instrui a impugnação foi juntada das fls. 48 a 100, e está composta por: procuração, documento de identificação do procurador, documentos da empresa, a NL impugnada, Laudo Técnico de Avaliação, mapa do uso do solo, entre outros. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 04-27.505 (fls. 117 e ss), cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário exigido. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2007 ENQUADRAMENTO LEGAL - DESCRIÇAO DOS FATOS Imprecisão na descrição do enquadramento legal ou dos fatos, por si só, não é motivo de nulidade do lançamento por cerceamento de direito de defesa, quando o sujeito passivo demonstra perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito da autuação, com mais razão se não se constatar as imprecisões apontadas. ÁREAS DE FLORESTAS PRESERVADAS - REQUISITOS DE ISENÇÃO A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente - APP, Matas Nativas ou Área de Reserva Legal - ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. ISENÇÃO - HERMENÊUTICA A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. VALOR DA TERRA NUA - VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 134 e ss), reiterando os argumentos já apresentados em sua impugnação, além de requerer a juntada de documentos anexos. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. Cabe esclarecer que, a teor do inciso III, do artigo 151, do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Nesse sentido, enquanto a recorrente tiver a oportunidade de discutir o débito em todas as instâncias administrativas, até decisão final e última, o crédito tributário em questão não deve ser formalizado pela Administração Pública, nos termos do art. 151, III, do CTN. Portanto, neste momento, em razão do recurso tempestivamente apresentado, o presente crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa, o que torna desnecessária a solicitação da recorrente neste sentido. 2. Preliminares e Mérito. Tendo em vista que a recorrente transcreve, em seu recurso, ipsis litteris, a sua impugnação, enxertando apenas alguns comentários sobre a decisão recorrida, opto por reproduzir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordo em suas conclusões, para, ao final, apresentar considerações adicionais com o intuito de reforçar as convicções tecidas no presente voto. É de se ver: [...] Do Procedimento Fiscal 11. É importante destacar que o lançamento em foco foi legal e corretamente efetuado. Preencheu todos os requisitos necessários para sua elaboração, não existindo nenhum vício formal ou material que exija sua anulação. 12. Deve-se lembrar que, com base na Lei n° 9.393/1996, o ITR passou a ser lançado por homologação, cabendo ao contribuinte apurar o imposto, através de declaração, e proceder ao seu recolhimento sem o exame prévio da autoridade fiscal e sem a necessária comprovação, também prévia, dos dados declarados, conforme disposto no artigo 150, da Lei n° 5.172/1966, 0 Código Tributário Nacional - CTN. O artigo 14, da mencionada Lei 9.393/1996, embasa o lançamento de ofício no caso de informações inexatas ou não comprovadas. 13. Também é importante observar que o fato de haver dispensa da prévia comprovação do declarado, ou seja, de apresentar documentos comprobatórios no ato da entrega das declarações, não exclui do contribuinte a responsabilidade de manter em sua guarda, no prazo legal, os documentos que devem ser apresentados ao fisco quando solicitado, ou, dependendo das características da prova, providenciar sua elaboração, como no caso do laudo técnico. 14. Desta forma, fica clara a existência de legislação que obriga o contribuinte a fazer prova do declarado, estando correto o procedimento fiscal. Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 15. Com base nos referidos dispositivos legais, para verificar a correição das DITR/2007, como já dito, a interessada foi regularmente intimada a lauto técnico de avaliação para comprovar o VTN informado. Tendo em vista que, apesar de haver pedido e deferido prorrogação de prazo, não houve atendimento à intimação, razão pela qual foi procedida à alteração deste dado, de acordo coma tabela do SIPT, e lavrada Notificação de Lançamento. Da impugnação Das preliminares 16. Das alegações de que se impõe o reconhecimento da nulidade do lançamento de ofício, por haver verificado ausência de alguns requisitos obrigatórios na NL, tais como norma legal infringida e penalidade aplicável, as quais não foram especificadas, bem como a descrição da meteria tributável e, ainda, ausência de assinatura do AFTN autuante, não se verifica sua procedência. Acreditamos que o signatário da impugnação se confundiu com outras autuações, pois, contrariamente ao afirmado, a NL não contém nenhum dos vícios apontados. A descrição dos fatos está clara: não houve atendimento à intimação para apresentação de laudo de avaliação para comprovar o VTN declarado; os enquadramentos legais da infração e da penalidade estão informados e; relativamente à autoridade fiscal consta de sua identificação, sendo prescindível sua assinatura, conforme, § único, do artigo 11, do Decreto n° 70.235/ 1972. 17. Além disso o sujeito demonstrou compreensão suficiente do procedimento em pauta e apresentou sua impugnação sem demonstrar nenhuma dúvida a respeito. Reproduziu o teor da intimação, que consta de um linguajar simples, de fácil compreensão. 18. Reforça a improcedência da referida alegação o seguinte entendimento pacificado na esfera administrativa, conforme a seguinte proposta de súmulas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: Não é motivo de nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito de defesa, qualquer imprecisão na descrição do enquadramento legal, quando o sujeito passivo demonstrar perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito do lançamento. 19. Quanto ao princípio da ampla defesa e do devido processo legal, também, não se verifica nenhum desrespeito. O sujeito passivo foi intimado a comprovar sua declaração e, apesar de pedir prorrogação de prazo, não se manifestou a respeito, optando por aguardar a NL e exerceu, livremente, o seu direito de ampla defesa apresentando a impugnação, instaurando o contraditório e, assim, inaugurando o devido processo legal em foco. 20. A respeito do pedido de que todas as intimações sejam remetidas no endereço do procurador, é assunto a ser solicitado junto à unidade de origem, onde, normalmente, o procedimento é o envio para o endereço atualizado do contribuinte. Da juntada posterior de documentos e da realização de perícia 21. No tocante ao requerimento de concessão de prazo para juntada de documentos, passado mais de um ano da protocolização da impugnação a interessada nada mais apresentou. Deveria ter apresentado todas as provas que julgasse cabível dentro do prazo de impugnação, pois, esta deve estar acompanhada dos documentos nos quais se fundamente, consoante artigo 15, do Decreto n° 70.235, de O6 de março de 1972 (in verbis): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta dias), contados da data em que for feita a intimação da exigência. 22. O art. 16, §§ 4° e 5°, do Decreto 70.235/1972, assim se posiciona em relação ao assunto: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 § 4 °. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo e alíneas acrescentados pela Lei n° 9. 532, de 10.12.1997) (grifamos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997) 23. Não se verifica dos autos nenhuma das hipóteses que justifique a apresentação posterior de comprovantes e, além disso, o documento que interessa à questão foi solicitado desde o início do procedimento fiscal, que é o laudo técnico, o qual foi anexado à impugnação e será analisada sua eficácia quando da verificação do mérito. 24. Relativamente à perícia, o sujeito passivo pretende seja considerada isenta a totalidade da área de seu imóvel e, para tal fim, quer que o Fisco proceda à diligência na propriedade para constatação da existência das áreas preservadas. 25. Neste aspecto, verifica-se, antes de tudo, a intenção de se reverter o ônus da prova. Pois, para comprovar os dados declarados o Fisco procedeu à intimação para apresentação de laudos e demais documentos cuja guarda é de responsabilidade do contribuinte, que além de não haver atendido à intimação, busca modificar outros dados de sua declaração, que nem foi objeto de fiscalização, e pede para que o Fisco produza prova para demonstrar a existência de floresta em sua propriedade, comprovação esta que deveria ser apresentada com sua impugnação. 26. Entretanto, como se verá quando da análise do mérito, além da questão do ônus da prova ser do contribuinte, a constatação de existência das áreas de floresta não define a concessão da isenção, sendo necessária, também, a comprovação de sua regularização perante o órgão ambiental, com a apresentação de ADA, o que não depende de nenhuma verificação in loco, pois, bastaria a anexação de tal documento. 27. Desta forma, não há razão para tal procedimento, sendo indeferido o pedido, com base no Art. 18, do Decreto n° 70.235/1972 a seguir reproduzido: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.°da Lei n.°8. 748, de 1993). 28. Superadas as questões preliminares, ingressemos ao mérito. Do mérito Das Áreas Isentas 29. Como visto, além das questões do VTN que. será analisada mais adiante, na impugnação se informa que a DITR havia sido preenchido com erro quanto à metragem da APP e da AIE, pois, além da ARL, o imóvel possuiria, ainda, cerca de 1.377,1 ha de AIE, ou seja, a área total coberta por vegetação nativa primária ou em estágio médio e avançado de regeneração de Mata Atlântica, nos quais estariam incluídas as APP, conforme laudo técnico e mapa de uso atual do solo em anexo. 30. Da análise do laudo há uma leve referência a respeito da cobertura de vegetação nativa, sem a especificação a respeito da APP, de seu enquadramento no Código Florestal, entre outras informações necessárias para a visualização das áreas pretendidas. Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 31. Já o mapa informa a dimensão de 41,4ha de APP, inferior, portanto, aos 72,0ha declarados e aceitos pelo Fisco. Outrossim, da análise da simbologia constante do mapa, das convenções adotadas não se visualiza nesse documento a APP, a ARL e nem há menção das matas nativas, além de, na matrícula do imóvel, não constar de averbação da referida ARL, que não foi objeto de fiscalização. Do Ato Declaratório Ambiental 32. Entre os argumentos do sujeito passivo constou sua discordância quanto à apresentação deste documento. Entretanto, para se ter direito à isenção do imposto, além da comprovação de existência da APP, seja através de laudo técnico, seja através de Ato específico do Poder Público, da existência e averbação da ARL, da mata nativa, entre outros, é necessário comprovar, também, a regularização dessas áreas junto ao IBAMA, com a apresentação do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício fiscalizado. 33. A exigência do ADA, inicialmente embasada em Instrução Normativa - IN/SRF e amplamente questionada, tem como base legal a lei n° 10.165/2000, alterando a lei n° 6.938/1981: Art. 1° - Os artigos I7-B, I7-C, I7-D, 17-F, 17-G, 17-I-I, 17-I E I7-O da lei n” 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória (grifo nosso) 34. Posteriormente, Instruções Normativas da SRF disciplinaram o prazo para sua protocolização, ratificaram a exigência de averbação de ARL e de Servidão Florestal na matrícula do imóvel, inclusive para obtenção do ADA, bem como foi tratada da consequência tributária no caso do não requerimento desse Ato no prazo fixado. 35. Na seqüência surgiu o Decreto n° 4.382/2002, que trata da matéria da mesma forma. 36. Na IN 76/2005, do IBAMA, é destacada a importância desse documento para o reconhecimento das áreas preservadas para fins de isenção do ITR: Art. 1 ° O Ato Declaratório Ambiental - ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural - ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural - DITR, que tenham informado: I - a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do ITR; e II - a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT - Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996. 37. Cabe observar, ainda, que a exigência do ADA passou a ser anual a partir do exercício de 2007, como consta da publicação do IBAMA na internet. 38. A respeito das áreas com florestas nativas, que passou a ser isenta a partir de 2007, também necessita de comprovação de sua existência bem como de sua informação em ADA. 39. Como já dito, o sujeito passivo discordou desta exigência e não apresentou tal documento. Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 40. Conforme visto, não basta apenas a existência da reserva para ser considerada isenta, pois, a legislação tributária, cujo objetivo é o financiamento das atividades do Estado, com justiça social e proteção ambiental, estabeleceu condições (obrigações acessórias) para fruição do direito à exclusão da tributação das áreas indispensáveis à proteção ambiental, ou a ela destinada por seus proprietários, mediante a ampliação de restrições de uso, tais como: ARL, Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, Servidão Florestal e AIE, conforme descritas no dispositivo legal mencionado. 41. Em razão disso, as pretensas áreas não deveriam estar declaradas como isentas, pois, não foram cumpridos os requisitos legais para tal; não estavam amparadas para essa concessão e, assim, sua informação como isenta configuraria, também, declaração incorreta. 42. Considerando que as atividades do servidor público estão vinculadas à lei, se constatado o não atendimento aos requisitos legais necessários para a isenção, as áreas declaradas como isentas devem ser glosadas, pois, em atendimento ao disposto no artigo 111, do Código Tributário Nacional - CTN, 0 dispositivo legal de concessão de benefício fiscal interpreta-se restritivamente: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - (...); II - outorga de isenção; III - (..) 43. Desta forma, não atendido o requisito legal da averbação no prazo regulamentar e/ou não requerido 0 Ato Declaratório Ambiental dentro do prazo estipulado, as pretensas áreas de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada ficarão sujeitas à tributação, enquadradas como áreas aproveitáveis e não explorada pela atividade rural, afetando, assim, o Grau de Utilização - GU e alíquota de cálculo. 44. Embora enquadradas como áreas aproveitáveis e não exploradas pela atividade rural, por não haver sido comprovado o direito à isenção, é importante esclarecer que esta situação não autoriza o desmatamento destas áreas. 45. Cabe observar que os documentos apresentados, além de no mapa não alocar a área de mata nativa questionada, atestaram dimensão menor de APP e não alocaram a ARL, que nem constou de averbação na matrícula, sendo mantidos como declarados, pois, não foi objeto de fiscalização. Porém, em virtude da vedação do reformatio in pejus (julgamento em prejuízo ao sujeito passivo), permanecerá como declarado. Do Valor da Terra Nua 46. A respeito do VTN, quando da análise das DITR o fiscal verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, o procedimento da fiscalização deve ser a intimação do declarante para comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada, entre outros. 47. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam a caracterização do imóvel, as fontes idôneas de pesquisa, a similitude da propriedade em relação às amostras levantadas no município, entre outros. 48. Como reiteradamente dito, tendo em vista o não atendimento à intimação, consequentemente, não houve apresentação de laudo de avaliação da terra nua que fora solicitado e, assim, o VTN foi modificado pelo Fisco, sendo utilizadas as informações do SIPT. Do Laudo Técnico de Avaliação Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 49. Com a impugnação foi apresentado laudo de avaliação. Porém, este documento contém várias incorreções que afetam sua eficácia perante o VTN. Das falhas detectadas as principais são as seguintes: I- A maior parte do trabalho se resume em definições constantes das Normas da ABNT, não se visualiza, com precisão, a obediência aos requisitos. II- Das considerações iniciais o profissional afirmou que foram utilizados dados e informações fornecidas pelo solicitante e/ou retirados de documentação apresentadas, bem como aqueles obtidos de terceiros, julgados corretos e considerados idôneos e de boa fé, mas, nenhum documento idôneo comprovando a negociação foi apresentado, tais como: escritura pública e/ou certidão imobiliária, cópia de contratos com assinatura reconhecida à época, entre outros. III- Embora dito que a pesquisa de mercado foram realizadas por meio de entrevistas juntos às fonte de dados imparciais, como cartórios, propriedades vizinhas e corretores imobiliários que autuam na região, dos dados coletados todos foram embasados em corretores de imóveis, profissionais não habilitados para influenciar no VTN, não há nenhuma referência de cartório, muito menos comprovação da efetiva negociação à época do fato gerador, como escritura pública, matrícula de imóveis, entre outros. IV- Não se demonstrou a similaridade dos imóveis pesquisados com a propriedade fiscalizada. V- Das amostras apresentadas, nenhuma apresenta dimensão de área próxima à da propriedade fiscalizada; apenas uma alcança 73,0% e as demais variam entre 40,0% e 5,0%, não servindo para comparação. VI - Das cinco amostras apenas três se localizam no município do imóvel fiscalizado. VII - Dos valores apresentados se verifica a média de mais R$ 4.200,00 por hectare, sendo que com os cálculos de homogeneização e outros ajustes de correção foi apresentada média aritmética de R$ 1.966,64 e, por fim, com campo de arbítrio superior ao permitido pela norma, foi adotado o valor de R$ 1.246,36, cerca de 25,0% da média, fatos que demonstram a incorreção dos cálculos e/ou dissociação de similaridade entre a amostra e o imóvel avaliando. 50. É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 14653-3, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. 51. Inconteste, portanto, 0 fato de que o Laudo trazido aos autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, aceitar-se levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. 52. Assim, tendo em vista a ausência de laudo técnico eficaz de avaliação não há, também, como modificar o VTN do lançamento. Da conclusão 53. Da análise dos autos se verificou que: da APP, ARL e AIE, que não foram objeto de fiscalização, não houve comprovação suficiente para sua exclusão da tributação e, apesar dessa constatação, com relação à isenção mantida no lançamento não há como desconsiderá-la, em virtude da vedação para reformatio in pejus e; do VTN, o laudo de avaliação apresentado não foi elaborado de acordo com a norma da ABNT, demonstrando-se ineficaz. Assim sendo, se conclui não haver como modificar o lançamento corretamente efetuado. 54. Isto posto, e considerando tudo mais que dos autos consta, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento, devendo retornar os autos para a unidade de origem para prosseguir com a cobrança, inclusive com as atualizações legais, e demais providências cabíveis. Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 Pois bem. Entendo que as razões adotadas pela decisão de piso são suficientemente claras e sólidas, não tendo a parte se desincumbindo do ônus de demonstrar a fragilidade da acusação fiscal. A começar, constato que a Notificação de Lançamento em epígrafe não possui nenhum dos vícios apontados pela recorrente. O lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo, tudo conforme a legislação. Nesse sentido, o atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. Em relação ao mérito, inicialmente, é preciso pontuar que, conforme consta na Notificação de Lançamento de fls. 02 e ss, a recorrente foi regularmente intimada a apresentar laudo técnico de avaliação para comprovar o VTN informado. Tendo em vista que, apesar de haver pedido e deferido prorrogação de prazo, não houve atendimento à intimação, foi procedida à alteração deste dado, de acordo coma tabela do SIPT, e lavrada a Notificação de Lançamento em epígrafe. Nesse sentido, o objeto do presente lançamento consiste na alteração do VTN informado pela contribuinte, não tendo ocorrido a glosa de qualquer área declarada. Contudo, pelo que se percebe, a recorrente procura pleitear a retificação de sua DIAT, aproveitando a oportunidade do recurso para a alteração das áreas declaradas, bem como a inclusão de áreas não declaradas. Curvando-me ao entendimento deste Colegiado, formo a convicção no sentido de que o procedimento adequado deveria ser a retificação da declaração, antes de notificado o lançamento, para a alteração das áreas declaradas ou inclusão de áreas não declaradas, na referida DIAT/ITR. Cabe destacar que o Recurso Voluntário não é o instrumento adequado para requerer para a inclusão de áreas não declaradas e retificação de áreas declaradas, eis que, conforme dicção conferida pelo § 1º, do art. 147, do CTN, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nessa linha de pensamento, posteriormente ao lançamento tributário, não poderia mais a Administração Fazendária retificar o referido ato, em observância do princípio da imutabilidade do lançamento. A esse respeito, é de se ver as seguintes decisões emanadas do Superior Tribunal de Justiça, in verbis: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. ERRO NA DECLARAÇÃO QUANTO AO TAMANHO DO IMÓVEL. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE POR INICIATIVA DO CONTRIBUINTE OU DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 147, §§ 1º e 2º, DO CTN. PRECEDENTE (RESP 770.236-PB, REL. MIN. LUIZ FUX, DJ 24/09/2007) 1. O lançamento pode ser revisto se constatado erro em sua feitura, desde que não esteja extinto pela decadência o direito de lançar da Fazenda. Tal revisão pode ser feita de ofício pela autoridade administrativa (art. 145, inciso III, c/c 149, inciso IV, do CTN) e a pedido do contribuinte (art. 147, § 1º, do CTN). 2. É cediço que a modificação da Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 declaração do sujeito passivo pela Administração Fazendária não é possível a partir da notificação do lançamento, consoante o disposto pelo art. 147, § 1.º, do CTN, em face do princípio geral da imutabilidade do lançamento. Contudo pode o sujeito passivo da obrigação tributária se valer do Judiciário, na hipótese dos autos mandado de segurança, para anular crédito oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em que o contribuinte declarou, equivocadamente, base de cálculo superior à realmente devida para a cobrança do Imposto Territorial Rural. 3. Recurso especial não provido (STJ - REsp: 1015623 GO 2007/0296123-5, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 19/05/2009, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: 20090601 --> DJe 01/06/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EXCESSO DE EXECUÇÃO. ITR. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. LANÇAMENTO. ART. 147, § 1.º, DO CPC. CORREIÇÃO DO ERRO PELO PODER JUDICIÁRIO. POSSIBILIDADE. 1. A modificação da declaração do sujeito passivo pela Administração Fazendária fica obstada a partir da notificação do lançamento, consoante o disposto pelo art. 147, § 1.º, do CTN. Isto porque, com o lançamento encerra-se o procedimento administrativo, ficando a Fazenda, por força do princípio geral da imutabilidade do lançamento, impedida de alterá-lo. 2. Isto significa, consoante a melhor doutrina, que: "(...) Após a notificação, a declaração do sujeito passivo não poderá ser retirada. É o que preleciona o § 1.º. Isto significa que, uma vez notificado do lançamento, não poderá pretender o sujeito passivo a sua modificação por parte da Administração Fazendária. Qualquer requerimento nesse sentido será fatalmente indeferido. O procedimento administrativo está encerrado e a Fazenda não poderá modificá-lo, em decorrência do princípio geral da imutabilidade do lançamento. Assim, uma vez feita a notificação ao contribuinte, não poderá a Administração, de ofício, ou a requerimento deste, alterar o procedimento já definitivamente encerrado."(in"Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 2: arts. 96 a 218, Ives Gandra Martins, Coordenador - 4.ª ed. rev. e atual. - São Paulo: Saraiva, 2006, pp. 316/317) 3. Deveras, mesmo findo referido procedimento, é assegurado ao sujeito passivo da obrigação tributária o direito de pretender judicialmente a anulação do crédito oriundo do lançamento eventualmente fundado em erro de fato, como sói ser o ocorrido na hipótese sub examine e confirmado pela instância a quo com diferente âmbito de cognição do STJ (Súmula 07), em que adotada base de cálculo muito superior à realmente devida para a cobrança do Imposto Territorial Rural incidente sobre imóvel da propriedade da empresa ora recorrida. Matéria incabível nos embargos na forma do art. 38 da Lei n.º 6.830/80. 4. O crédito tributário, na expressa dicção do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e, esta, por sua vez, nasce com a ocorrência do fato imponível, previsto na hipótese de incidência, que tem como medida do seu aspecto material a base imponível (base de cálculo). 5. Consectariamente, o erro de fato na valoração material da base imponível significa a não ocorrência do fato gerador em conformidade com a previsão da hipótese de incidência, razão pela qual o lançamento feito com base em erro" constitui "crédito que não decorre da obrigação e que, por isso, deve ser alterado pelo Poder Judiciário. 6. Recurso especial desprovido. (STJ - REsp: 770236 PB 2005/0124362-1, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 14/08/2007, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 24/09/2007 p. 252) Nesse desiderato, cabe reforçar que a retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel, somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração, e antes de notificado o lançamento, não sendo essa a hipótese dos autos. A propósito, os seguintes excertos demonstram que a DRJ examinou com proficuidade a questão posta, sendo que as conclusões que ali constam, convergem com o exame das provas feito por este Relator: 30. Da análise do laudo há uma leve referência a respeito da cobertura de vegetação nativa, sem o especificação a respeito da APP, de seu enquadramento no Código Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 Florestal, entre outras informações necessárias para a visualização das áreas pretendidas. 31. Já o mapa informa a dimensão de 41,4 ha de APP, inferior, portanto, aos 72,0ha declarados e aceitos pelo Fisco. Outrossim, da análise da simbologia constante do mapa, das convenções adotadas não se visualiza nesse documento a APP, a ARL e nem há menção das matas nativas, além de, na matrícula do imóvel, não constar de averbação da referida ARL, que não foi objeto de fiscalização. Conforme bem pontuado pela decisão de piso, além da ausência de comprovação das referidas áreas por meio de Laudo Técnico, cabe destacar que, para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, exige-se sua averbação tempestiva e antes do fato gerador. Interpretação diversa não se sustenta, pois a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que dispõe sobre a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal do cálculo do ITR, redação vigente à época, fazia referência às disposições da Lei nº 4.771/65 do antigo Código Florestal. E, ainda, o § 8° do art. 16 do Código Florestal exigia que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente. Ademais, cabe pontuar que, tendo em vista que a Área de Preservação Permanente mencionada pela contribuinte, no mapa acostado pela recorrente, é menor do que a área declarada e considerada pela fiscalização, entendo que não cabe o seu acatamento, sob pena de agravamento do lançamento. A propósito, o respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus impõe dever de cautela por parte do julgador, no sentido que esteja suficientemente claro que a aplicação da norma jurídica no caso concreto não implique prejuízo à recorrente. A propósito, apenas a título de esclarecimento, uma vez que houve a perda da espontaneidade em relação à retificação de sua DIAT/ITR e da imutabilidade do lançamento, bem como em razão da ausência de comprovação acerca da existência das referidas áreas, cabe pontuar que, no tocante às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR 1 , sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Tem-se notícia, inclusive, de que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR, relativamente aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, tendo a referida orientação incluída no item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). A propósito, este Conselho já sumulou o entendimento segundo o qual a averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel, em data anterior ao fato gerador, supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). É de se ver: Súmula CARF nº 122 1 É ver os seguintes precedentes: REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007; REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004; AgRg no REsp 1.395.393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 31/03/2015. Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazê-lo. Contudo, conforme visto anteriormente, uma vez que houve a perda da espontaneidade em relação à retificação de sua DIAT/ITR, bem como em razão da ausência de comprovação acerca da existência das referidas áreas, não resta outra alternativa senão a improcedência do pleito da recorrente. Ademais, ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Já em relação ao VTN apurado pela fiscalização, este sim objeto do presente lançamento, cabe destacar que o VTN considerado pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisa as que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. A título de referência, para justificar as avaliações, poderão ser apresentados anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores e que levem à convicção do valor da terra nua na data do fato gerador. O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado (Lei n° 9.393, de 1996, art. 8°, § 2°). Para revisão dos valores arbitrados pela fiscalização, cabia à interessada carrear aos autos “Laudo Técnico de Avaliação” emitido por profissional habilitado, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, com observância da metodologia utilizada e às fontes eventualmente consultadas, demonstrado de forma inequívoca, que não houve sub avaliação no valor declarado. Contudo, o Laudo Técnico carreado aos autos não demonstrou o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, sobretudo a NBR 14653-3, conforme bem analisado pela DRJ e também constatado por este Relator, nos seguintes termos: Do Laudo Técnico de Avaliação 49. Com a impugnação foi apresentado laudo de avaliação. Porém, este documento contém várias incorreções que afetam sua eficácia perante o VTN. Das falhas detectadas as principais são as seguintes: I- A maior parte do trabalho se resume em definições constantes das Normas da ABNT, não se visualiza, com precisão, a obediência aos requisitos. II- Das considerações iniciais o profissional afirmou que foram utilizados dados e informações fornecidas pelo solicitante e/ou retirados de documentação apresentadas, bem como aqueles obtidos de terceiros, julgados corretos e considerados idôneos e de boa fé, mas, nenhum documento idôneo comprovando a negociação foi apresentado, tais Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 como: escritura pública e/ou certidão imobiliária, cópia de contratos com assinatura reconhecida à época, entre outros. III- Embora dito que a pesquisa de mercado foram realizadas por meio de entrevistas juntos às fonte de dados imparciais, como cartórios, propriedades vizinhas e corretores imobiliários que autuam na região, dos dados coletados todos foram embasados em corretores de imóveis, profissionais não habilitados para influenciar no VTN, não há nenhuma referência de cartório, muito menos comprovação da efetiva negociação à época do fato gerador, como escritura pública, matrícula de imóveis, entre outros. IV- Não se demonstrou a similaridade dos imóveis pesquisados com a propriedade fiscalizada. V- Das amostras apresentadas, nenhuma apresenta dimensão de área próxima à da propriedade fiscalizada; apenas uma alcança 73,0% e as demais variam entre 40,0% e 5,0%, não servindo para comparação. VI - Das cinco amostras apenas três se localizam no município do imóvel fiscalizado. VII - Dos valores apresentados se verifica a média de mais R$ 4.200,00 por hectare, sendo que com os cálculos de homogeneização e outros ajustes de correção foi apresentada média aritmética de R$ 1.966,64 e, por fim, com campo de arbítrio superior ao permitido pela norma, foi adotado o valor de R$ 1.246,36, cerca de 25,0% da média, fatos que demonstram a incorreção dos cálculos e/ou dissociação de similaridade entre a amostra e o imóvel avaliando. 50. É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 14653-3, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. 51. Inconteste, portanto, 0 fato de que o Laudo trazido aos autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, aceitar-se levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. 52. Assim, tendo em vista a ausência de laudo técnico eficaz de avaliação não há, também, como modificar o VTN do lançamento. Caberia à recorrente, a meu ver, combater as afirmações tecidas pela DRJ, que culminaram na desclassificação do Laudo como elemento de prova robusto, sobretudo as diversas afirmações no tocante às amostras colhidas, o que não foi feito. A propósito, o Laudo apresentado em sede de Recurso é idêntico, inclusive, ao Laudo apresentado quando da impugnação e, por isso, repete os mesmos vícios. Dessa forma, entendo que não é possível acatar a pretensão do contribuinte, eis que o laudo foi elaborado em desacordo com as normas da ABNT, sendo imprestável para fins de alterar o VTN apurado pela fiscalização. Em síntese, o sujeito passivo não se desincumbiu da prova do valor da terra nua da propriedade em questão e, na falta da peça técnica adequada, deve ser mantida a avaliação fiscal realizada com base no art. 14 da Lei 9.393/96. A apresentação de documento em desconformidade com a NBR 14.653-3 o desqualifica como prova hábil para rever o Valor da Terra Nua (VTN). A propósito, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou o pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensando-o de comprovar suas alegações. A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo- Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. A meu ver, o crédito tributário foi apurado conforme previsão legal, sendo apurado o Imposto Territorial Rural com aplicação da alíquota de cálculo prevista no Anexo da Lei n.° 9.393/1996 sobre o VTN tributável, como previsto no art. 11 dessa Lei. Ao imposto apurado foram acrescidos multa de ofício e juros de mora, nos termos da legislação citada na Notificação de Lançamento. Quanto ao pedido de juntadas de novos documentos, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, são expressos em relação ao momento em que as alegações da recorrente, devidamente acompanhadas dos pertinentes elementos de prova, devem ser apresentadas, ou seja, na impugnação. Portanto, não cabe à recorrente se valer de pedido para apresentar provas não trazidas aos autos no momento oportuno, quando esse ônus lhe cabia, por ter operado sua preclusão. Por fim, cabe esclarecer que, no tocante ao pedido para intimação do de seu procurador, trata-se de pleito que não possui previsão legal no Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, nem mesmo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, por força do art. 37 do referido Decreto. Ademais, o art. 23, incisos I a III do Decreto n° 70.235/72, dispõe expressamente que as intimações, no decorrer do contencioso administrativo, serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo e não a seu patrono. A propósito, neste sentido dispõe a Súmula CARF n° 110, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. E, ainda, as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Dessa forma, entendo que as alegações do contribuinte não são suficientes para afastar a acusação fiscal, devendo ser mantida a decisão proferida pela DRJ. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2401-007.519 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720372/2010-09 Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital

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8260743 #
Numero do processo: 11516.006676/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. Conforme declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”.
Numero da decisão: 2301-006.866
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e dar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11516.720469/2012-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-05-08T12:47:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-05-08T12:47:20Z; Last-Modified: 2020-05-08T12:47:20Z; dcterms:modified: 2020-05-08T12:47:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-05-08T12:47:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-05-08T12:47:20Z; meta:save-date: 2020-05-08T12:47:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-05-08T12:47:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-05-08T12:47:20Z; created: 2020-05-08T12:47:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2020-05-08T12:47:20Z; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-05-08T12:47:20Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11516.006676/2007-06 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.866 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de janeiro de 2020 Recorrente SIND AUX ADM ESCOLAR GRANDE FPOLIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. Conforme declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e dar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11516.720469/2012-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 66 76 /2 00 7- 06 Fl. 1294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.866 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.006676/2007-06 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2301-006.856, de 15 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de lançamento de contribuição previdenciária incidente sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho, nos termos do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. O lançamento foi impugnado e a impugnação foi considerada improcedente. Manejou-se recurso voluntário em que se arguiu: a) A nulidade da decisão recorrida, por prejuízo à defesa, porque não teriam sido integralmente apreciados os argumentos da impugnação; b) Da inaplicabilidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, a cooperativas de trabalho que prestam serviços de saúde; c) Ausência de disposição constitucional que autorize a equiparação de cooperativas a pessoas jurídicas para efeito da incidência previdenciária; d) O descabimento da taxa Selic, e e) O descabimento de juros sobre a multa lançada. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2301-006.856, de 15 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata-se da incidência de contribuição previdenciária sobre as notas fiscais de prestação de serviços realizados por cooperativas de trabalho, matéria inúmeras vezes decidida por esta turma. Compulsando a decisão recorrida, percebo que os argumentos trazidos na impugnação foram enfrentados, ainda que de maneira tangencial. Rejeito, pois, a preliminar. Fl. 1295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.866 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.006676/2007-06 O STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no RE 595.838, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. De acordo com o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF: Assim, existindo decisão definitiva do STF, submetida à sistemática da repercussão geral, no sentido de ser inconstitucional o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991), deve esta Turma reproduzir o conteúdo de tal decisão em seus acórdãos. Considerando que essa é a única matéria dos autos, o recurso deve ser provido. Deixo de apreciar as demais razões recursais por desnecessário. Voto por rejeitar a preliminar e dar provimento ao recurso. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar e dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 1296DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 16511.721942/2015-90
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. O principio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei, que a ela deve obediência. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-001.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13794.720543/2014-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. O principio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei, que a ela deve obediência. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 19 42 /2 01 5- 90 Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-001.809 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16511.721942/2015-90 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13794.720543/2014-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-001.340, de 14 de abril de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de lançamento de exigência de Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação em que declinou suas razões de defesa, a qual foi julgada improcedente pela Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Cientificado da decisão de primeira instância, o recorrente interpôs o presente recurso voluntário, no qual alega a improcedência do lançamento, aduzindo que: houve a denúncia espontânea da infração; baseava suas ações no art. 472, da IN RFB nº 971/2009 e também no manual da GFIP; as GFIP foram entregues antes de qualquer intimação prévia conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212/91; não caberia a aplicação da multa, citando, nesse aspecto, jurisprudência dos tribunais pátrios, além da Súmula 410 do STJ e acórdãos do CARF; houve ofensa a princípios constitucionais na aplicação da penalidade; já havia recolhido os tributos devidos e que portanto a multa não seria devida; houve a demora no lançamento, o que insinua que houve mudança de interpretação por parte da administração tributária, invocando a aplicação do art. 146 do CTN. Requer o cancelamento do débito reclamado. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-001.809 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16511.721942/2015-90 Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-001.340, de 14 de abril de 2020, paradigma desta decisão. . Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-001.809 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16511.721942/2015-90 já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma Instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue em atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Dessa forma, não há como prover o recurso diante dessa alegação. Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-001.809 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16511.721942/2015-90 Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ, segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de a Súmula não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No que se refere ao acórdão deste Conselho trazido aos autos, trata-se de situação distinta daquela que aqui se discute. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, além de tratar de situação diversa, há que se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015 (novo Código de Processo Civil), que estabelece que a “sentença faz coisa Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-001.809 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16511.721942/2015-90 julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Além disso, não são normas complementares como as tratadas no art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras, não tendo assim efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelos Órgãos Julgadores Administrativos. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Também não assiste razão ao recorrente neste capítulo. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência. Da alteração do critério de interpretação O recorrente alega que houve mudança do critério jurídico adotado pela autoridade administrativa quando do lançamento, já que a Receita Federal não lançava tais multas até o exercício de 2009. Não assiste razão ao recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo incabível, para fins de cancelamento da infração, a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado com observância do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir tal fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Do pagamento da obrigação principal Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-001.809 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16511.721942/2015-90 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 18050.007125/2008-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 SIMPLES. EXCLUSÃO. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não estava suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1002-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA

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EXCLUSÃO. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não estava suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/Salvador: Trata-se de processo de manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/SDR n 2 220862, de 22/08/2008, que impôs a exclusão do Simples Nacional, a partir de 01/01/2009, em virtude de a pessoa jurídica possuir débitos para com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa (fl. 05). Os débitos motivadores do ADE são de natureza previdenciária, relacionados na IP 3569582008, e não-previdenciária, inscritos em Divida Ativa da União (DAU), junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme demonstrativo A fl. 38 dos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 71 25 /2 00 8- 04 Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.219 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18050.007125/2008-04 Ciente do ADE, a contribuinte apresentou a sua contestação, As folhas iniciais, alegando, em síntese, que não existem débitos ativos em nome da pessoa jurídica que pudessem servir de motivação para a exclusão de oficio do Simples Nacional. Ressalta que os únicos débitos outrora existentes foram objeto de parcelamento e atualmente se encontram devidamente quitados, conforme Darf’s anexos, já tendo solicitado a baixa desses processos, o que, aparentemente, não foi concretizado. Isto posto, requer a baixa e arquivamento dos processos de parcelamento de nºs 10580.207589/2004-87; 10580.504389/2005-51; 10580.504388/2005-14; 10580.504387/2005-61; 10580.504390/2005-85; 10580.504391/2005-20 e 10580.508794/2006-29, e que seja revista a exclusão do Simples Nacional. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/Salvador, conforme acórdão n. 15-23.702, de 05 de maio de 2010 (e-fl. 112), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 EXCLUSÃO DE OFICIO. DÉBITO PARA COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. Correta a exclusão de oficio do Simples Nacional da pessoa jurídica que tem débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. Será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo referido sistema mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 116), no qual, oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados (destaques do original). Diz que “...quando da apresentação do pedido para ingresso no programa SIMPLES NACIONAL, Recorrente atendeu a todos os requisitos exigidos na Legislação, efetivando pagamento e parcelamento, na forma da lei, de todos os débitos existentes” e que “não obstante o pagamento e o deferimento do parcelamento, a a DRF apurou, em momento posterior, a existência de valores previdenciários originários de diferenças entre o que foi pago/parcelado e o que realmente deveria ser pago.” Aduz que “...não obstante a DRF ter detectado esta diferença, a mesma, em momento algum, INTIMOU a Recorrente para promover a regularização dessas pendências, não dando ciência de que tais débitos estavam em aberto” e que “Essa ausência de intimação, além de ferir o próprio Decreto 70.235/72 fere a própria Constituição, uma vez que, impossibilita a manifestação dos princípios do devido processo legal e da ampla defesa.” Registra que “...após conhecimento da Decisão, o Recorrente requereu a emissão das guias relativas aos valores considerados devidos e efetivou o pagamento na sua integralidade, sanando assim, qualquer tipo de pendência.” Como forma de dar crédito a seus argumentos, apresenta, ainda, escólio de doutrina e acórdãos de jurisprudência. Ao final, requer o provimento do recurso e a reforma da decisão recorrida. É o Relatório do necessário. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.219 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18050.007125/2008-04 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva , Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito O Recorrente foi excluído do Simples Nacional a partir de 01/01/2009, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 220862 (e-fls. 8), ante a constatação de débitos com exigibilidade não suspensa, os quais apresentavam a seguinte composição (e-fls. 43): A exclusão foi fundamentada no inciso V do artigo 17 da Lei Complementar nº 123/2006, e na alínea “d" do inciso II do artigo 3º, combinado com o inciso I do artigo 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15/2007. Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base legal em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples (grifos nossos): Lei Complementar nº 123/2006 Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-001.219 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18050.007125/2008-04 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I -(...) (...) V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; VI -(...) Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: I - (...) § 2 o A comunicação de que trata o caput deste artigo dar-se-á na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor. (...) II - obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I - (...) (...) IV - na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do ano-calendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão; Da leitura do trecho destacado, observa-se que é lícita a exclusão de contribuintes do Simples Nacional que possuam débitos com exigibilidade não suspensa ao tempo da exclusão. De acordo com o que consta dos autos, o Recorrente parcelou parte dos débitos geradores da exclusão, contudo, não regularizou dentro do prazo legal o débito da IP 3569582008 constante do extrato supra, conforme consta dos excertos seguintes extraídos do acórdão recorrido: (...) Quanto aos débitos inscritos em DAU/PGFN, que também motivaram a emissão do ADE em questão (ver relação A fl. 38), verifica-se que constavam no parcelamento denominado Programa de Recuperação Fiscal - REFIS (ver fls. 49/74), que foi rescindido em 27/03/2008. Mas, a manifestação de manifestação de inconformidade contra a rescisão por parte da RFB foi julgada procedente, reativando aquele Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-001.219 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18050.007125/2008-04 parcelamento em 11/09/2009, de acordo com o despacho decisório As fls. 46/48 e telas de consulta do Refis As fls. 103/104. No entanto, conforme dito no despacho de fl. 89, e comprovado nos extratos do sistema Plenus, os débitos constantes da IP 3569582008, relativos a períodos de apuração dos anos-calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, uma vez que não foram objeto de nenhum parcelamento anterior A expedição do ADE hostilizado nestes autos, encontrando-se ativos até a data da consulta ao referido sistema, em 01/10/2009 e 02/10/2009, conforme telas de consulta anexas (fls. 78/87). (...) Assim, à luz da legislação de regência, a existência de débitos com exigibilidade não suspensa justifica a exclusão do contribuinte deste sistema de tributação simplificado. O Recorrente não contesta a existência dos débitos que motivaram sua exclusão; apenas sustenta que em momento algum a Receita Federal do Brasil (RFB) o intimou para promover a regularização dessas pendências, e que após o conhecimento da Decisão efetuou o pagamento integral dos débitos. A irresignação do Recorrente não prospera. Isto porque foi ele devidamente informado, no artigo 1º do ADE/SDR nº 220862/2008 (e-fls. 7), do endereço eletrônico do sitio da RFB no qual teria acesso à composição dos débitos que deram azo a sua exclusão do Simples Nacional, e que teria prazo de 30 dias da ciência do ADE para regularização das pendências para torná-lo sem efeito, conforme disposto no artigo 3º do mesmo Ato. Logo, a liquidação extemporânea dos débitos não tem o condão de deslegitimar a exclusão, eis que a legislação tributária veda o recolhimento de tributos na forma do Simples Nacional a contribuintes excluídos em razão de inadimplemento de tributos que não tenham sido regularizados dentro do prazo nela previsto. Nesse quadro o não provimento do recurso é medida que se impõe. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13018.720162/2015-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula n° 49 deste CARF. DA ILEGALIDADE DA LEI. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2002-005.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.

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A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula n° 49 deste CARF. DA ILEGALIDADE DA LEI. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: O presente processo trata do auto de infração 101060320154120958 lavrado em 09/10/2015 para lançamento de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 8. 72 01 62 /2 01 5- 13 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-005.241 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13018.720162/2015-13 Previdência Social - GFIP relativa(s) ao ano-calendário 2010 com valor original igual a R$ 6.000,00. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Cientificado do lançamento, o interessado apresenta impugnação alegando, em síntese, o que se segue: ocorrência de denúncia espontânea. Ciente do julgamento primeiro, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, requerendo o que segue: É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. No seu relato a recorrente confessa que explorava do comércio, sem ter firma aberta, que tinha no seu negócio três empregados sem registro, e que cumprindo as determinações do MPT, providenciou a abertura da firma, registrando os empregados. Em sua defesa diz a recorrente que teve de registrar os empegados com data retroativa, e em razão deste fato não poderia a RFB lhe multar, por entrega da GFIP em atraso. Pois bem, quer a recorrente beneficiar-se da própria torpeza. As matérias alegadas em sede de recurso voluntário que não foram alegadas na fase impugnatória, tem caráter de inovação recursal, o que é defeso, deixando de serem apreciadas. O ponto crucial da irresignação da recorrente é o instituto da denúncia espontânea. A r. decisão primeira, fincou o seguinte entendimento: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Súmula n° 49 deste Colendo CARF. Anoto por oportuno que a referida Súmula tem efeito Vinculante. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-005.241 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13018.720162/2015-13 Da ilegalidade das multas. A sanção é um elemento que geralmente acompanha a norma jurídica, ou seja, trata-se de elemento estabelecido de antemão (princípio da legalidade da pena), o que significa que não fica a mercê do arbítrio do poder público. Como pontifica Gusmão, “só podem ser aplicadas as sanções previstas em lei: além delas, o juiz não tem escolha”. A penalidade aplicada tem estribo na legislação de regência, ademais este Órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inteligência da Súmula nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Assim nesta quadra de entendimento, não carece de reparos a r. decisão de origem. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e no mérito nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital

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