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Numero do processo: 11020.002232/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/03/2004 a 20/03/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO.
Em razão da ausência de previsão legal específica, a compensação com créditos de terceiros não pode ser realizada na via administrativa fiscal.
Numero da decisão: 3201-006.119
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2004 a 20/03/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. Em razão da ausência de previsão legal específica, a compensação com créditos de terceiros não pode ser realizada na via administrativa fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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CRÉDITO DE TERCEIRO. Em razão da ausência de previsão legal específica, a compensação com créditos de terceiros não pode ser realizada na via administrativa fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 293 apresentado em face da decisão de primeira instância da DRJ/RS de fls. 286, que negou provimento a Manifestação de Inconformidade de fls. 149, restando mantido o Despacho Decisório de fls. 136. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 22 32 /2 00 6- 84 Fl. 314DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.119 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.002232/2006-84 Como de costume nesta Turma de julgamento, segue a reprodução do mesmo relatório apresentado no Acórdão de primeira instância, para o fiel acompanhamento do trâmite e matéria constante nos autos: “Não resignado com o despacho decisório de homologou fls. 135 a 137, que não as compensações referente aos débitos elencados á fl. 04 e 139 por entender que a empresa não poderia se compensar com créditos de terceiros, conforme dicção do art. 74 da Lei 9.430/96, o contribuinte manifestou sua inconformidade contra o mesmo. Após historiar que o crédito objeto das compensações foi adquirido por instrumento público, e que a origem do mesmo advém de processo judicial transitado em julgado, alega, em suma, que a compensação é regida pela legislação vigente à época do crédito, a qual, no caso vertente, não impedia aquela com crédito de terceiros. Discorre sobre a natureza da cessão de crédito e o direito que a embasa. É o relatório.” Este Acórdão de primeira instância da DRJ/RS de fls. 286 foi publicado com a seguinte Ementa: “Assunto: Normas GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: O1/03/2004 a 20/03/2004 COMPENSAÇAO CRÉDITO DE TERCEIRO Não admite a legislação a compensação com créditos de terceiros, somente aqueles apurados pelo próprio sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Os autos digitais foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Por conter os requisitos legais e substanciais necessários, o Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese o Poder Judiciário ter reconhecido o crédito de Finsocial pago a mais ao cedente, conforme decisão do TRF da 4.ª Região de fls. 261, não é possível que um terceiro faça a compensação na via administrativa porque não há norma que permita. Fl. 315DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.119 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.002232/2006-84 Quando o terceiro, o atual sujeito ativo deste processo administrativo, fez o pedido administrativo de compensação dos créditos de Finsocial cedidos à ele a Lei nº 10.637/02 já havia alterado a redação original do Art. 74 da Lei 9.430/96, que deixou de prever a possibilidade de compensação com créditos de terceiros. A única hipótese que permitiria a compensação de créditos de terceiros na via administrativa seria se o Poder Judiciário tivesse determinado, de forma clara, que tal compensação deveria ser realizada, mas este não é o caso dos autos. O que se verificar é que a compensação foi informada ao Juiz competente na fase de execução e que tal informação foi suficiente para a extinção da execução, conforme pode ser verificado em fls. 116 e 123 dos autos, reproduzidas parcialmente a seguir: (...) Fl. 316DF CARF MF http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/98897/lei-10637-02 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/11694678/artigo-74-da-lei-n-9430-de-27-de-dezembro-de-1996 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109196/lei-9430-96 Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.119 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.002232/2006-84 Ou seja, a cessão de créditos pode ter sido suficiente para a extinção da execução, mas não é suficiente para permitir a compensação na vai administrativa, por ausência de previsão legal. Ao adquirir os créditos, a empresa deveria ter se certificado de que era possível compensar créditos de terceiros por via administrativa. Diante do exposto, vota-se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913812/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 16/01/2008
ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO. PEDIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ESTIMATIVA DEVIDA E SALDO DO ANO-CALENDÁRIO. VERIFICAÇÃO.
Para o reconhecimento do direito à restituição é imprescindível a verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tratando de pedido de restituição de pagamentos por estimativa de CSLL, a determinação do indébito deverá ser realizada mediante o cotejo com o valor da estimativa que deveria haver sido recolhida, bem como pela comparação entre o montante de estimativas recolhidas e o saldo de CSLL apurado ao final do respectivo ano-calendário.
RESTITUIÇÃO. PEDIDO. SALDO DISPONÍVEL. AUSÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A ausência de saldo disponível do pagamento indicado como crédito é circunstância apta a fundamentar o indeferimento do pedido de restituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 16/01/2008
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
ACÓRDÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MESMA FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É incabível a argüição de nulidade de Acórdão cujo fundamento é o mesmo adotado no Despacho Decisório recorrido, apenas prosseguindo na análise do direito creditório invocado.
Numero da decisão: 1302-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do despacho decisório e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório e Flávio Machado Vilhena Dias votaram pelas conclusões do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente momentaneamente a conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada).
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/01/2008 ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO. PEDIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ESTIMATIVA DEVIDA E SALDO DO ANO-CALENDÁRIO. VERIFICAÇÃO. Para o reconhecimento do direito à restituição é imprescindível a verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tratando de pedido de restituição de pagamentos por estimativa de CSLL, a determinação do indébito deverá ser realizada mediante o cotejo com o valor da estimativa que deveria haver sido recolhida, bem como pela comparação entre o montante de estimativas recolhidas e o saldo de CSLL apurado ao final do respectivo ano-calendário. RESTITUIÇÃO. PEDIDO. SALDO DISPONÍVEL. AUSÊNCIA. INDEFERIMENTO. A ausência de saldo disponível do pagamento indicado como crédito é circunstância apta a fundamentar o indeferimento do pedido de restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/01/2008 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. ACÓRDÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MESMA FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É incabível a argüição de nulidade de Acórdão cujo fundamento é o mesmo adotado no Despacho Decisório recorrido, apenas prosseguindo na análise do direito creditório invocado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do despacho decisório e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório e Flávio Machado Vilhena Dias votaram pelas conclusões do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente momentaneamente a conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada).
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MONTREAL INFORMATICA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/01/2008 ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO. PEDIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ESTIMATIVA DEVIDA E SALDO DO ANO-CALENDÁRIO. VERIFICAÇÃO. Para o reconhecimento do direito à restituição é imprescindível a verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tratando de pedido de restituição de pagamentos por estimativa de CSLL, a determinação do indébito deverá ser realizada mediante o cotejo com o valor da estimativa que deveria haver sido recolhida, bem como pela comparação entre o montante de estimativas recolhidas e o saldo de CSLL apurado ao final do respectivo ano-calendário. RESTITUIÇÃO. PEDIDO. SALDO DISPONÍVEL. AUSÊNCIA. INDEFERIMENTO. A ausência de saldo disponível do pagamento indicado como crédito é circunstância apta a fundamentar o indeferimento do pedido de restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/01/2008 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. ACÓRDÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MESMA FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É incabível a argüição de nulidade de Acórdão cujo fundamento é o mesmo adotado no Despacho Decisório recorrido, apenas prosseguindo na análise do direito creditório invocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 38 12 /2 01 2- 19 Fl. 291DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.108 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.913812/2012-19 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do despacho decisório e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório e Flávio Machado Vilhena Dias votaram pelas conclusões do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente momentaneamente a conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada). Relatório Trata-se de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 31/05/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano-calendário de 1999, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/2005-04. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasou-se no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/00-46, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao ano-calendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/00-46 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano- calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/2005-04, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Fl. 292DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.108 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.913812/2012-19 Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual renova a alegação de inexistência de fundamentos para o indeferimento do pedido de restituição objeto do presente processo, bem como sustenta a nulidade da decisão de primeira instância, dada a existência de inovação. Por fim, requer a nulidade de todos os atos proferidos e o reconhecimento integral do direito creditório. O julgamento foi convertido em Diligência, em 16 de março de 2018, de modo a que a autoridade administrativa se manifestasse acerca do saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/00-46, bem como dos pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/2005- 04. Após a realização da Diligência, foi emitido Relatório, do qual foi cientificado a Recorrente, e, em relação ao qual, apresentou a sua manifestação. Em 18 de outubro de 2018, esta Turma Julgadora, diante de inconsistência contidas no Relatório de Diligência Fiscal, decidiu, novamente, converter o julgamento em diligência, para esclarecimentos adicionais acerca dos pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/2005-04. A nova Diligência resultou em Informação da autoridade fiscal, da qual foi cientificado a Recorrente, sem que tenha se manifestado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator I. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 18 de agosto de 2014 (fls. 144 e 145), tendo apresentado Recurso, também por via postal, com data de postagem em 17 de setembro de 2014 (fl. 146). O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996, somente estabelece que o prazo para a apresentação do Recurso é de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, não veiculando qualquer regra distintiva em relação à interposição do Recurso por via postal. A jurisprudência do CARF, em consonância com o estabelecido para a Impugnação, por meio do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 19, de 26 de maio de 1997, e do art. 56, §§5º e 6º, do Decreto nº 7.574, de 2011, tem entendido que, para o exame da tempestividade dos Recursos, deve-se considerar como data de apresentação a data de postagem constante do aviso de recebimento ou, na falta de cópia deste, a data constante do carimbo aposto no envelope, quando da postagem da correspondência. Neste sentido: Fl. 293DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.108 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.913812/2012-19 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário:2004 (...) CONTAGEM DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A interposição do recurso voluntário pode acontecer por meio dos Correios, hipótese em que o dies ad quo será a data de sua postagem na agência da Empresa de Correios e Telégrafos. (...) (Acórdão nº 1401-001.871 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, sessão de 17 de maio de 2017, Relator Conselheiro Antônio Bezerra Neto) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. REMESSA DO RECURSO VOLUNTÁRIO PELOS CORREIOS. DATA DE PROTOCOLO É A DATA DA POSTAGEM. ARTIGO 33 DO DECRETO Nº 70.235/1972. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 19/1997. A postagem de impugnações e recursos pelos Correios é aceita como protocolo, conforme previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997, devendo ser considerado tempestivo o recurso voluntário postado dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972.(...) (Acórdão nº 3401-003.853 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, sessão de 24 de julho de 2017, Relator Conselheiro Augusto Fiel Jorge D´Oliveira) Não enxergo razão para a adoção de entendimento diverso, uma vez que inexiste óbice para a apresentação do Recurso por via postal; que apenas a data de postagem se encontra sob controle do sujeito passivo, mas não a data em que a correspondência será entregue na Unidade administrativa; e que a contagem do dies ad quem pela data de entrega na repartição representaria, na prática, a redução do prazo recursal, em afronta à isonomia com os demais meios de apresentação facultados pela legislação. O Recurso é assinado procuradores, devidamente constituídos às fls. 11 e 12. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso II, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO A Recorrente sustenta que "o voto condutor do Acórdão proferido pela DRJ inovou, de forma ilegal, nos fundamentos de fato e de direito do despacho decisório então vergastado, caracterizando odioso agravamento". Fl. 294DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.108 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.913812/2012-19 Na visão da Recorrente, foram introduzidos novos argumentos não veiculados no Despacho Decisório, de modo que teria havido violação ao seu direito de defesa, o que implicaria a nulidade do Acórdão, com base no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Advoga, ainda, a nulidade da decisão por ausência de competência da autoridade julgadora para modificar o lançamento, alterando a capitulação legal nele inscrita, o que seria competência da autoridade lançadora, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Não há como concordar com a Recorrente. A leitura do Acórdão recorrido revela que a autoridade julgadora nada mais fez do que apurar a existência ou não do indébito alegado pelo sujeito passivo. Sendo o pagamento cuja restituição se pleiteia referente a estimativa de CSLL, a determinação do indébito deverá ser realizada mediante o cotejo com o valor da estimativa que deveria haver sido recolhida, bem como pela comparação entre o montante de estimativas recolhidas e o saldo de CSLL apurado ao final do respectivo ano-calendário. Essa foi a análise que foi realizada no Acórdão recorrido, sem se afastar jamais da motivação que fundamentou o indeferimento do pedido de restituição da Recorrente, no Despacho Decisório: a inexistência de crédito disponível para restituição. Em nenhum instante houve alteração de fundamento ou alteração de capitulação legal, não estando presente quaisquer das hipóteses de nulidade de que trata o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não acolho, portanto, a preliminar invocada. III. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO A Recorrente repete a alegação de nulidade do Despacho Decisório, por preterição do seu direito de defesa. A tese já havia sido suscitada na Manifestação de Inconformidade, e tem por embasamento a suposta inexistência, no Despacho Decisório, de motivação para o indeferimento do Pedido de Restituição. A simples leitura do Despacho Decisório de fl. 127 permite a óbvia constatação de que a decisão é sim motivada, trazendo as razões do indeferimento e o enquadramento legal que a fundamenta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Fl. 295DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.108 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.913812/2012-19 Como acertadamente decidiu o julgador de primeira instância, o direito de defesa da Recorrente foi plenamente assegurado, sendo-lhe possível apresentar a Manifestação de Inconformidade contestando o Despacho Decisório com pleno conhecimento das razões de fato e de direito que fundamentaram o indeferimento. Isto posto, deixo de acolher também esta preliminar. IV. DO MÉRITO Como já relatado, trata-se de Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 31/05/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano-calendário de 1999, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/2005-04. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasou-se no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi considerado no processo administrativo nº 13009.000190/00-46, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao ano-calendário de 1999, para a composição de tal saldo. De fato, a leitura do Acórdão nº 103-22.960, de 29 de março de 2007, proferido pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/00-46, permite a constatação de que nenhum valor pago pelo sujeito passivo no referido parcelamento foi considerado na apuração do saldo de CSLL relativo ao citado ano- calendário. Tal fato, poderia levar ao reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, já que todos os pagamentos de referido parcelamento seriam indevidos. Ocorre que, como já dito, tratando-se o pagamento cuja restituição se pleiteia da estimativa de CSLL, a determinação do indébito deverá ser realizada mediante o cotejo com o valor da estimativa que deveria haver sido recolhida, bem como pela comparação entre o montante de estimativas recolhidas e o saldo de CSLL apurado ao final do respectivo ano- calendário. Assim, a análise da liquidez e certeza do crédito invocado pelo sujeito passivo no presente processo não pode ser dissociada de toda a análise realizada no processo nº 13009.000190/00-46, que concluiu que, desconsiderados todos os pagamentos a título de estimativa, o sujeito passivo possuía, ao final do ano-calendário de 1999, saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59, conforme expresso no Acórdão nº 9013, de 30 de novembro de 2005, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ. Assim, considerando que os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, ainda que em parcelamento extemporâneo, referem-se a débitos confessados a título de estimativa, Fl. 296DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-004.108 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.913812/2012-19 somente deverá ser reconhecido qualquer indébito no caso de os valores pagos excederem o referido saldo a pagar. O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.000062/2005-04 demonstram que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referentes ao ano-calendário de 1999, mas que, em agosto de 2006, rescindiu o referido parcelamento, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Assim, como acertadamente reconheceu o Acórdão recorrido, as parcelas pagas desde a adesão até a rescisão do parcelamento (janeiro de 2005 a julho de 2006, que perfazem dezenove parcelas e não dezoito, como constante daquela decisão), dentre as quais está o pagamento de cuja restituição tratam os presentes autos, são insuficientes sequer para liquidar o saldo a pagar de CSLL, de modo que inexistiria qualquer indébito a ser reconhecido. Na Informação de fls. 278/280, a autoridade fiscal confirma as informações acima, mostrando que, à data da rescisão do parcelamento tratado no processo administrativo nº 13009.000062/2005-04, o montante de estimativas quitadas era de apenas R$ 182.943,50: Assim, ainda que, posteriormente, a Recorrente tenha realizado novos pagamentos no âmbito de parcelamentos especiais, tais pagamentos devem ser objeto de Pedidos de Restituição/Declaração de Compensação específicos, observado o prazo prescricional e deduzido o montante de CSLL a pagar apontado no processo administrativo nº 13009.000190/00-46. Nesta linha, recente decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal, cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS PARCELADAS. A utilização de indébito tributário exige que o direito seja líquido e certo. Se a estimativa somente foi quitada em razão de posterior parcelamento, ela não pode ser admitida no saldo negativo, ainda que o parcelamento seja formalizado depois da não homologação de Declaração de Compensação - DCOMP apresentada para liquidação da estimativa. O procedimento correto é apresentação de DCOMP à medida que o saldo negativo vai sendo formado pelos pagamentos parcelados. Inadmissível a contribuinte primeiro se beneficiar do crédito, para depois pagar o tributo que daria ensejo àquele indébito, mormente se os benefícios concedidos no parcelamento impedem a recomposição integral da mora. (Acórdão nº 9101-004.447, de 9 de outubro de 2019, Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) Fl. 297DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-004.108 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.913812/2012-19 Em relação ao processo administrativo nº 13009.000062/2005-04, porém, à data da apresentação do PER sob análise nos presentes autos, inexistia qualquer indébito a ser reconhecido à Recorrente. V. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pelo não acolhimento das preliminares de nulidade suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, mantendo o indeferimento do Pedido Eletrônico de Restituição por ele apresentado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720844/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida quando o processo seguiu os trâmites pertinentes, na medida em que a fiscalização atuou dentro da estrita legalidade, e o julgador, nos autos, já tenha encontrado fundamentos e provas suficientes para proferir sua decisão.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). MATÉRIA NÃO GLOSADA NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO E NEM, EXPRESSAMENTE, CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO.
Em fase recursal, não há que se falar em retificação de ofício da DITR para considerar APP, que não foi objeto da autuação e, muito menos, foi, expressamente, refutada na fase impugnatória.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. INEXISTÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE.
Afasta-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado decorre do valor médio das DITR do respectivo município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 2402-007.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação referente à Área de Preservação Permanente (APP), e, na parte conhecida do recurso, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida quando o processo seguiu os trâmites pertinentes, na medida em que a fiscalização atuou dentro da estrita legalidade, e o julgador, nos autos, já tenha encontrado fundamentos e provas suficientes para proferir sua decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). MATÉRIA NÃO GLOSADA NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO E NEM, EXPRESSAMENTE, CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. Em fase recursal, não há que se falar em retificação de ofício da DITR para considerar APP, que não foi objeto da autuação e, muito menos, foi, expressamente, refutada na fase impugnatória. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. INEXISTÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado decorre do valor médio das DITR do respectivo município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Regimento Interno do CARF).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-10T08:09:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-10T08:09:51Z; Last-Modified: 2019-12-10T08:09:51Z; dcterms:modified: 2019-12-10T08:09:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-10T08:09:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-10T08:09:51Z; meta:save-date: 2019-12-10T08:09:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-10T08:09:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-10T08:09:51Z; created: 2019-12-10T08:09:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-12-10T08:09:51Z; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-10T08:09:51Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10469.720844/2007-10 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-007.759 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de novembro de 2019 Recorrente TEREZA DE JESUS RIBEIRO EMERENCIANO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida quando o processo seguiu os trâmites pertinentes, na medida em que a fiscalização atuou dentro da estrita legalidade, e o julgador, nos autos, já tenha encontrado fundamentos e provas suficientes para proferir sua decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). MATÉRIA NÃO GLOSADA NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO E NEM, EXPRESSAMENTE, CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. Em fase recursal, não há que se falar em retificação de ofício da DITR para considerar APP, que não foi objeto da autuação e, muito menos, foi, expressamente, refutada na fase impugnatória. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. INEXISTÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado decorre do valor médio das DITR do respectivo município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 08 44 /2 00 7- 10 Fl. 176DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação referente à Área de Preservação Permanente (APP), e, na parte conhecida do recurso, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante notificação de lançamento. Notificação de Lançamento e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 11-26.534 - proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - DRJ/REC (e-fls. 91 a 105), transcrito a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 2004, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Divina Luz" localizado no município de Tangará RN, com area total de 568,0 hectares, cadastrado na RFB sob o n° 5.988.564-5, no valor de R$ 5.087,60, acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total de R$ 11.296,50. A ciência do lançamento ocorreu em 11/01/2008, conforme AR de fl. 41 e despacho de fl. 42. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, em 31/01/2008: Não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal por encontrar-se viajando, além de a correspondência haver sido enviada para endereço outro que não o do seu domicilio. No imóvel que recebeu de herança hi uma area de preservação ambiental em área de serrote bastante ampla, a ser considerada no cálculo do ITR. Questiona não haver constado na Notificação de Lançamento Suplementar prova da emissão/ciência do Termo de Intimação, exigência dos artigos 835 e 844 do RIR/99, Decreto n° 3.000/99. Além dos artigos mencionados, transcreve o art. 15 e § único da Lei n° 9.393, de 19/12/1996. Apresenta doutrina de autoria de Juraci Mourdo Lopes Filho sobre a emissão de notificações por parte da Receita Federal do Brasil, sem prévia comunicação do inicio da fiscalização. Cita ainda Rubens Gomes de Souza. Conclui que "a fiscalização da Receita Federal no Rio Grande do Norte não poderia proceder a lançamento fiscal por controle remoto, ignorando os atos e termos processuais previstos na legislação que rege a espécie, notadamente a vinculação da Fl. 177DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 atividade fiscal estatuída no § único, do artigo 142 do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66". Comenta o art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Cita Acórdão do Superior Tribunal de Justiça, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Camara Superior de Recursos Fiscais. Acrescenta que "a Contribuinte não reside mais no endereço constante da notificação de lançamento, para onde foram enviados os autos de infração e respectiva intimação de Pedido de Esclarecimentos, conforme faz prova através de comprovante de endereço/domicilio. Portanto, senhor Julgador, a via postal s6 pode ser utilizada quando houver recusa do contribuinte ou estiver em lugar incerto ou não sabido." Sobre provas apresenta o art. 37 da Lei n° 9.784, de 29/01/99, que modificou o Decreto n° 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal — PAF). Aponta Hugo de Brito Machado a seu favor. Esclarece que de acordo com a IN/SRF n° 43, de 07/05/97, a apuração do imposto é feita exclusivamente pelo contribuinte, através de lançamento por homologação. Explica como se deve dar esse processo. "Na Declaração de Apuração do ITR, a Contribuinte informou os dados pertinentes, inclusive o VTN — Valor da Terra Nua, que reflete o preço de mercado das terras, sendo considerado auto-avaliação, nos termos do artigo 10 da Lei n° 9.393/96 e IN/SRF 43/97, tudo conforme Laudo de Avaliação anexo, nos termos do ordenamento jurídico pertinente." Copia o § 1 0 do art. 10 da Lei n° 9.393/96. "Portanto, Senhor Julgador, não houve contestação do valor fundiário, nem avaliação de oficio, mesmo porque a Contribuinte sequer foi intimada, tendo tomado conhecimento dos lançamentos em lide, por acaso, tendo o domiciliado no seu antigo endereço feito entregue dos autos de infração e Termo de Intimação após o decurso do prazo para apresentação dos esclarecimentos, pelos motivos fiticos e jurídicos ora exaustivamente dissertados." Faz referencia a Planta Topográfica da Fazenda Divina Luz, em especial ao Serrote de Tamanduá, que seria de interesse ecológico pra a preservação dos ecossistemas, imprestáveis para qualquer exploração. Apresenta documentos, de fls. 21 a 37, para fins de prova. Ao final requer a nulidade do Auto de Infração. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, por unanimidade, julgou improcedente a contestação do impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa segue transcrita (e-fls. 91 a 105): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa,- com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura do auto de infração, não hi que se falar em violação ao Principio do Contraditório e da Ampla Defesa, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. Fl. 178DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da insconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais s6 produzem efeitos para as partes entre as quais sio dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência. VALOR DA TERRA NUA. APURAÇÃO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. 0 Valor da Terra Nua - VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a DITR. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Impugnação improcedente. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, basicamente repisando os argumentando apresentados na impugnação, cuja essência relevante para a solução da presente lide , em síntese, aborda suposta preliminar de nulidade, questiona o VTN arbitrado por meio dos valores constantes do SIPT, pede a consideração da área de preservação permanente, como também que seja reconhecida a quebra de sigilo fiscal em face do encaminhamento da notificação para endereço a ele não pertencente. Ademais, traz posicionamento doutrinário e jurisprudencial perfilhados aos seus argumentos (e-fls. 113 a 161). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 7/7/09 (e-fl. 111), e a Peça recursal foi recebida em 6/8/09 (e-fl. 113), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972,, dele tomo conhecimento. Preliminares A Recorrente alega nulidade do lançamento, por suposto cerceamento de defesa, sob o argumento de que a intimação inicial e demais termos da fiscalização foram encaminhados para endereço diverso. Contudo, admite não ter realizado a alteração cadastral nos Sistemas da Repartição Fiscal, cujos argumentos seguem sintetizados nos excertos abaixo: Fl. 179DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 [...] 20. Com efeito, a Contribuinte desincumbiu-se documentalmente em ofertar provas materiais incontrastáveis à mudança de endereço/domicilio, cujos elementos probantes não foram julgados, conhecidos na decisão recorrida, o que caracteriza cerceamento ao direito de defesa. 21. A afirmação do Julgador monocrático de que "o impugnante ao declarar persistentemente o mesmo endereço em sua DITR, caracterizou a sua opção por tal endereço", não encontra guarida nos tribunais administrativos e judiciários, conforme decisus retro transcritos, jurisprudência interativa dos tribunais administrativos e judiciários. [...] 37. Observe-se, por oportuno, que a Contribuinte não pode recorrer dos elementos trazidos aos autos - desconhecidos pela DRJ/Recife, porque sabe se a supressão de instância decorreu de esquecimento dos fatos, irrelevância/improcedência dos mesmos; falta de informação dos respectivos dados aos órgãos competentes -SRFB ou INCRA, etc., o que não ocorreu, consoante Oficio/Atualização Cadastral/SR-19/RN/n0 004. de 31/07/2000, expedido pelo Sr. Coordenador do Georreferenciamento do INCRA/RN — cópia anexa. Dito argumento não pode prosperar, já que o processo seguiu os trâmites pertinentes, na medida em que a fiscalização atuou dentro da estrita legalidade e no limite institucional de sua competência, inclusive oportunizando à Contribuinte prestar as informações e esclarecimentos necessários para a condução dos trabalhos fiscais. Ademais, cabe ao sujeito passivo manter seu domicílio tributário atualizado nos sistemas informatizados na Repartição Fiscal, o que, no caso, vinha ocorrendo mediante a entrega regular da declarações. Nestes termos, não há que se falar em envio de termos para endereço diverso, e sim para aquele eleito e mantido como efetivo domicílio fiscal vigente. Tocante a isso, ressalta-se que o julgador não está obrigado a responder a todos os argumentos suscitados pelas partes, quando já tenha encontrado fundamentos suficientes para proferir sua decisão. A apreciação e valoração das provas acostadas aos autos é de seu livre arbítrio, cuja decisão poderá ser fundamentada com outros elementos probatórios presentes no processo, que entenda suficientes à formação de sua convicção. É nesse sentido, ao tratar da fundamentação das decisões judiciais com fulcro no art. 489, § 1°, da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil - CPC) o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), verbis: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585). Por oportuno, cabe destacar ainda que, o CPC/2015, e por conseqüência os pronunciamentos dos tribunais superiores a ele referentes, são importantes fontes de direito subsidiárias a serem observadas no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A esse respeito, trata o Acórdão 2402006.494, proferido por este órgão julgador: Fl. 180DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. Isto posto, referida preliminar não merece prosperar. Mérito Previamente à apreciação de mencionada contenda, trago a contextualização da autuação, caracterizada pela discriminação das divergências verificadas entre as informações declaradas na DITR e aquelas registradas no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (e-fl. 11), nestes termos: Linha Descrição Declarado (DITR) Apurado (NL/AI) 17 Valor Total do Imóvel (R$) 75.000,00 183.459,60 Matéria não impugnada Embora não objeto da presente autuação conforme visto acima, na impugnação, a Recorrente manifesta a existência de suposta área de interesse ecológico (AIE), permanecendo silente quanto eventual área de preservação permanente (APP) naquela oportunidade, o que surge somente nesta instância recursal. Logo, em fase recursal, não há que se falar em retificação de ofício da DITR para considerar APP, que não foi objeto da autuação e, muito menos, foi, expressamente, refutada na fase impugnatória. Nesse cenário, tal parte se torna incontroversa e definitiva, não se sujeitando a recurso na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Confirma-se: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n' 9.532/97). Delimitação da lide Consoante visto no relatório, já que o Sujeito Passivo não logrou êxito perante o julgamento de primeira instância, restou o litígio instaurado quanto à matéria arbitramento do VTN com base nos valores constantes no SIPT - Sistema de Preços de Terra. Posta assim a questão, passo à análise da controvérsia suscitada. De inicio, vale registrar que o VTN submetido a julgamento foi arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT, apurado a partir do valor médio das DITR do respectivo município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel (e-fl. 45). A matriz legal que ampara reportado procedimento - arbitramento baseado nas informações do SIPT - está contida no nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Confira-se: Fl. 181DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios Lei nº 8.629, de 1993 (alterada peal MP nº 2.183-56, de 2001): Art.12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I - localização do imóvel; II - aptidão agrícola; III - dimensão do imóvel; IV - área ocupada e ancianidade das posses; V - funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. [grifo nosso] Por oportuno, releva registrar que este Conselho vem decidindo pela impossibilidade de utilização do VTN médio, calculado a partir das declarações de ITR para imóveis localizados em determinado município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal por falta de previsão legal. Ademais, referido procedimento não poderia servir de parâmetro, pois não reflete a realidade e a peculiaridade atinentes à localização e dimensão potencial do imóvel avaliado. Confira-se: ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Acórdão CSRF n.º 9202-007.251, de 27/09/2018. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Acórdão CSRF n.º 9202-007.331, de 25/10/2018. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Acórdão CSRF n.º 9202-007.341, de 25/10/2018. Jurisprudência administrativa e judicial Como se há verificar, a análise da jurisprudência que a Recorrente trouxe no recurso deve ser contida pelo disposto nos arts. 472 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC) e 506 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (novo CPC), os quais estabelecem que a sentença não reflete em terceiro estranho ao respectivo processo. Fl. 182DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8629.htm#art12 Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 Logo, por não ser parte no litígio ali estabelecido, o Recorrente dela não pode se aproveitar. Confirma-se: Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Lei nº 13.105, de 2015 - novo Código de Processo Civil: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Mais precisamente, as decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho, conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Confirma-se: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) Assim sendo, já que o cálculos do VTN não considerou o grau de aptidão agrícola do imóvel rural (pastagem/pecuária, cultura/lavoura – solos superiores planos, campos, cultura/lavoura – solos regulares planos ou acidentados, terra de campo ou reflorestamento), tem-se como incorreto o arbitramento, devendo, em razão disso, ser restabelecido o Valor da Terra Nua declarado pela Contribuinte. Fl. 183DF CARF MF http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602411 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602411 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621789 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621789 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602414 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621791 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621791 Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720844/2007-10 Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do presente recurso, não se acolhendo a alegação referente à APP, já que tal contestação não foi prequestionada em sede de impugnação. Na parte conhecida, rejeito a preliminar nela suscitada e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, DOU-LHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000624/00-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1995, 1996, 1997
Ementa:
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) PAF. NULIDADES. No processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quais sejam, os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser
sanadas, exceto se o sujeito passivo as tenha dado causa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno da repartição
fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolvem-se no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional.
MULTA DE OFÍCIO. A multa ofício de 75% tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) e é aplicada pela autoridade autuante no lançamento e não pela autoridade julgadora.
INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é
competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
FATO GERADOR DO IRPF. A disponibilidade econômica ou jurídica
ocorre quando os recursos estão à disposição do beneficiário em moeda ou em crédito em conta corrente bancária não se assimilando a essa última o crédito contábil na empresa devedora.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA. No caso de rendimentos recebidos do exterior, a
responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-000.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade rejeitar as preliminares argüidas e no mérito negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1995, 1996, 1997 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) PAF. NULIDADES. No processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quais sejam, os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser sanadas, exceto se o sujeito passivo as tenha dado causa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolvem-se no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. A multa ofício de 75% tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) e é aplicada pela autoridade autuante no lançamento e não pela autoridade julgadora. INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). FATO GERADOR DO IRPF. A disponibilidade econômica ou jurídica ocorre quando os recursos estão à disposição do beneficiário em moeda ou em crédito em conta corrente bancária não se assimilando a essa última o crédito contábil na empresa devedora. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. Recurso Voluntário Negado.
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) PAF. NULIDADES. No processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quais sejam, os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser sanadas, exceto se o sujeito passivo as tenha dado causa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolvemse no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. A multa ofício de 75% tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) e é aplicada pela autoridade autuante no lançamento e não pela autoridade julgadora. INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). FATO GERADOR DO IRPF. A disponibilidade econômica ou jurídica ocorre quando os recursos estão à disposição do beneficiário em moeda ou em crédito em conta corrente bancária não se assimilando a essa última o crédito contábil na empresa devedora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade rejeitar as preliminares argüidas e no mérito negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. EDITADO EM: 24/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 70/73) lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigir crédito tributário de IRPF, no valor total de R$ 321.968,55, calculado até 31/03/2000, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, relativos ao recebimento de comissões, nos anoscalendário de 1994, 1995 e 1996. Nos seus esclarecimentos (fls.33/34), o contribuinte confirma que prestou serviço de vendas para as empresas portuguesas Supercentro – Cortiças Ltda e Vinocor – Indústria de Cortiça Ltda, no período fiscalizado. Conforme contrato com as mesmas, o pagamento dos serviços foi feitos muito tempo depois da efetiva prática e ocorreram efetivamente apenas quando foi fechada a operação, bem como aduz que a realização das vendas, sem recebimento pelos serviços prestados não é fato gerador do imposto de renda. Os valores cobrados pelos serviços prestados pelo contribuinte estão comprovados pelas notas de débitos assinadas por ele (fls.41, 45/47); por notas de créditos e extratos de contas emitidos por referidas empresas (fls.37/39 e 42/47) e por comprovantes de transferências bancárias (fls.48/56). O demonstrativo de rendimentos recebidos no exterior está acostado às fls.59. Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou sua impugnação, fls.75/80, acompanhada dos documentos de fls. 81/83, nos quais consta declarações da empresas afirmando que são exclusivamente responsáveis pelo imposto de renda. Os principais argumentos impugnatórios estão sintetizados pelo relatório do acórdão de primeira instância, o qual adoto (fls. 104/105): “13.1 – o procedimento foi levado a efeito sem que houvesse ação fiscal direta e “espontânea” (sic), denúncia ou sorteio Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13808.000624/0066 Acórdão n.º 220100.970 S2C2T1 Fl. 2 3 administrativo, com base em documentação encaminhada pela COFIS em que o Ministério das Finanças de Portugal solicitava informações para evitar a dupla tributação; 13.2 – que teve o direito cerceado, ante a não serem fornecidos os documentos solicitados pelo advogado, quando este prestava informações solicitadas, até hoje não tendo recebido as cinco primeiras páginas do processo de encaminhamento da COFIS, para que pudesse se defender de eventual denúncia; 13.3 – houve afronta aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa; 13.4 – conforme documentos constantes dos autos, fornecidos pelo Ministério das Finanças de Portugal, as comissões eram pagas muito tempo após o efetivo crédito que as empresas efetuavam em sua contabilidade; 13.5 – das importâncias consideradas como pagas em 1994, 1995 e 1996 constam valores relativos a comissões creditadas em 1993, o que desfigura o lançamento por falta de liquidez; 13.6 – quanto ao anocalendário 1993 já se operou a decadência; 13.7 – a autuante efetuou a conversão do imposto devido incidente sobre os rendimentos apurados no anobase de 1995 utilizandose da UFIR vigente em 1997 (0,9108) e não a de 1995 (0,7061) que é a correta; 13.8 – o imposto de renda incidente sobre as comissões pagas seria de responsabilidade das empresas contratantes, o que “imunizaria” (sic) o impugnante do seu pagamento, por força da Convenção firmada entre o Brasil e Portugal. Para comprovar o alegado são trazidas declarações das referidas empresas; 13.9 – a multa proporcional foi imposta encontrandose inserida no valor do crédito apurado, “de forma indissolúvel e monolítica” (sic), fato que vicia de nulidade o Auto de Infração, uma vez à autoridade lançadora ser deferido somente propor a aplicação da penalidade; 13.10 – é nulo o procedimento, uma vez ter se iniciado antes da emissão de mandado de procedimento fiscal o qual recebeu apenas em 24 de abril de 2000, junto com o Auto de Infração; 13.11 – é nulo ainda o procedimento, ante o valor apurado como base de cálculo em 1996 ser relativo a comissões creditadas em 1993, sobre as quais já se operou a decadência; 13.12 – a tributação do imposto de renda sobre as comissões foram assumidas pelas empresas portuguesas de acordo com documentos juntados, não podendo haver bitributação, ante à Convenção existente entre o Brasil e Portugal; 13.13 – pelo princípio “tempus regit actum” a conversão do imposto devido incidente sobre os rendimentos apurados no ano Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 4 base de 1995 deve ser efetuada utilizandose da UFIR vigente em 1995 (0,7061) e não a de 1997 (0,9108); 13.14 – houve omissão por parte do autuante no que se refere à não oposição do argumento expendido em informações, fato que leva à improcedência do Auto de Infração. 14 – Ao final, requer seja declarada a nulidade total ou parcial do Auto de Infração ou a sua improcedência.” Examinando tais razões, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, por intermédio de sua 2ª Turma, à unanimidade de votos, manteve integralmente a exigência inicial. Tratase do acórdão nº 8.946, de 07/04/2006 (fls. 101/117), assim ementada: “NULIDADE. Não é nulo o lançamento em que foram observados os requisitos do art. 10 do PAF e que não incidiu em nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 desse mesmo instrumento legislativo. DECADÊNCIA. Não ocorre a decadência se o lançamento foi efetuado no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, de acordo com o art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. Os rendimentos pagos por fontes situadas em Portugal e obtidos por residente no Brasil, são aqui tributados, a teor do disposto na Convenção aprovada pelo Decreto Legislativo n. 59/71. Lançamento Procedente.” O contribuinte cientificado dessa decisão, em 03/01/2008 (“AR” fls. 124), e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 31/01/2008, o Recurso Voluntário de fls. 126/136, nos termos a seguir elencados. Inicialmente, o contribuinte insurgese contra o relatório da decisão de primeira instância, por entender que o mesmo ao analisar o cerceamento do direito de defesa durante o processo fiscalizatório e a falta ou emissão irregular do MPF, o fez de forma ilegal e inconstitucional, pois não atentou para estruturas legais existentes no Brasil, prevista na CF. A decisão de primeira instância ao insistir em obedecer ao Decreto n° 70.235/72, feriu frontalmente a Constituição Federal e os Princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Devido Processo Legal. O MPF só foi entregue após manifestação escrita do seu advogado, ficando sob suspeita que o mesmo foi providenciado após saber que o recorrente tinha advogado. Sendo nulo, o procedimento fiscal que desrespeitou a legislação pertinente, assim como o acórdão de primeira instância ao acompanhar a nulidade. Quando o Acórdão de primeira instância analisou a proposição de penalidade, não apresentou argumento válido e competente e quedouse inconclusivo sobre a matéria de mérito que abordou, pois apenas traz a interpretação do art.142 do CTN, infringindo, por conseguinte o art.111 do mesmo código. Não foi aplicado o art.112 do CTN, que determina que, em caso de dúvida, a interpretação deve ser da maneira mais favorável ao acusado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13808.000624/0066 Acórdão n.º 220100.970 S2C2T1 Fl. 3 5 O Acórdão recorrido pretendeu invalidar a Convenção entre Brasil e Portugal, ao afirmar: “os acordos particulares, relativos a responsabilidade de tributos, não podem ser opostos à Fazenda Pública, a teor do art. 123, do Código Tributário Nacional.” O MPF extensivo foi emanado de documentação encaminhada pela COFIS, face a fiscalização das empresas em Portugal. Por conseguinte, a Auditoria Fiscal procedeu a revisão das declarações do recorrente, sem dar conhecimento da sua ação interna ao recorrente, e sem autorização para emitir MPF extensivo. O advogado do recorrente somente conseguiu cópia dos documentos após manifestação por escrito, em afronte a Lei n° 9.051/1995. Contudo jamais recebeu as 5 primeiras paginas do processo de encaminhamento da COFIS. A auditoria Fiscal transformou um pedido de informação em denúncia e com a autorização de sua digna chefia, processou o recorrente, negoulhe cópia do procedimento e agiu contra a lei em vigor. Parte dos valores recebidos são relativos a pagamento de 1993, comprovando a alegação do recorrente que as firmas portuguesas, efetivamente pagavam as comissões muito tempo depois dos créditos que efetuavam nas suas respectivas contabilidades. As importâncias apuradas como base de cálculo para os anos bases de 1994, 1995, 1996 pelo auto de infração estão eivadas, pois delas constam comissões creditadas em 1993, 1994 e 1995, desfigurando os lançamentos procedidos e lhes retirando o grau de certeza e legalidade, pois superiores às efetivamente devidas. Não obstante, para o ano base de 1993, já acorreu à decadência. A conversão dos rendimentos apurados no ano base de 1995 de UFIR para real, utilizou a UFIR de 1997 e não a de 1995. Esse equívoco, evidentemente, aumentou o valor do débito, causando, seria nulidade ao lançamento. Alega ainda, que restou evidenciado pelos contratos que as comissões pagas eram de inteira responsabilidade das empresas, o que “imuniza” o recorrente do seu pagamento, por força da Convenção firmada entre Brasil e Portugal. Por fim, o contribuinte apresenta suas razões de direito e mérito, alegando em síntese:: Primeira Preliminar Prescrição Intercorrente; Segunda Preliminar Nulidade do Auto de Infração, causada pela imposição de multa no valor de R$90.442,60, dentro do crédito apurado. Por entender que a aplicação da penalidade é competência da autoridade superior que toma conhecimento da propositura e defesa do contribuinte; Terceira Preliminar Nulidade do Procedimento Fiscal, por ter recebido o Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, junto com o auto de infração, em abril 2000, sendo que vinha sendo fiscalizado, dede do final de 1999; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 6 Quarta Preliminar Decadência do lançamento no valor de U$137.449,00 que se refere a comissões creditadas no ano base de 1993, devendo ser expurgado esse montante da base de cálculo do ano base de 1996; Quinta Preliminar Nulidade por Bitributação, por ser as empresas estrangeiras responsáveis pelos recolhimentos dos impostos; e Sexta Preliminar – Nulidade por ter o lançamento do auto de infração negado validade ao Principio Tributário da aplicação da em lei em vigor, quando da prática do ato, nos termos do art.144 do CTN, quando utilizou UFIR de períodos diferentes para calcular o quantum devido em real. Nas razões de mérito, infere que o Acórdão recorrido, fundamentouse indevidamente no Relatório subjetivo, equivocado e repleto de afirmações inconstitucionais e portanto, vulnerando de nulidade plena e absoluta a decisão proferida. No seu pedido requer o recebimento do recurso, para em razão das seis preliminares levantadas declarar a nulidade do acórdão de primeira instância e do auto de infração com imposição de multa. Quanto ao mérito, argumenta que o mesmo se confunde com a matéria de direito, requerendo que seja declarada a revogação do Acórdão por ser continente de nulidades insanáveis, e assim sendo, que seja ineficaz e insubsistente pela mais cabal improcedência. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Sendo prejudiciais ao mérito, analisemos cada uma das preliminares argüidas. Primeira Preliminar Prescrição Intercorrente. O recorrente argúi prescrição intercorrente do crédito tributário. Entretanto, no direito tributário o prazo prescricional se inicia com a constituição definitiva do crédito tributário que ocorre quando não mais couber discussão sobre o mesmo e esse puder ser cobrado através de ação de execução fiscal. Deste modo, para proteger o direito ao contraditório e ampla defesa no processo administrativo, a própria impugnação interrompe o prazo prescricional, que só voltará a fluir após o trânsito em julgado deste recurso administrativo. Neste sentido, manifestase Alberto Xavier em seu livro Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, pág. 427/428: “A suspensão da exigibilidade tem, como conseqüência necessária, a suspensão da prescrição. Afirmase, por vezes, mas sem razão, que o Direito Tributário só conhece a figura da interrupção da prescrição, única prevista no Código Tributário Nacional (artigo 174 parágrafo único). Com efeito, se o fundamento da prescrição é a inércia do credor no que respeita ao exercício de direitos, ela não poderá correr se a exigibilidade do direito se encontra, ela própria, suspensa por Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13808.000624/0066 Acórdão n.º 220100.970 S2C2T1 Fl. 4 7 força da lei. A suspensão da prescrição, em matéria tributária, está consagrada, pois, de modo implícito no artigo 151 do Código Tributário Nacional. A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito”. Inclusive, há muito, este já era entendimento pacífico no Conselho de Contribuintes, como se observa as ementas dos Acórdãos a seguir: “IRPF DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO Existente o crédito tributário, não há que se falar em decadência. A prescrição intercorrente também inexiste. Ela só pode ocorrer quando cabível a ação de execução, adequada para a cobrança do crédito tributário, a Fazenda Nacional tiver ingressado em juízo e descurarse de ato processual que deva praticar, mantendose inerte por mais de 05 anos, de acordo com o artigo 174 do CTN.” (Acórdão 10242693, de 18/02/1998) “IRPF PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO A apresentação da impugnação suspende o início da contagem da prescrição em virtude da consolidação do lançamento somente ocorrer por ocasião da decisão definitiva na esfera administrativa. A partir da ciência da decisão definitiva, iniciase o prazo para a fazenda cobrar o seu crédito já líquido e certo, e também o prazo prescricional. Este é o entendimento, não só deste Tribunal Administrativo mas também do Supremo Tribunal Federal.( CTN arts. 151 e 174).” (Acórdão 102 44131, de 23/02/2000) “PRELIMINAR PRESCRIÇÃO – a contagem do prazo prescricional para cobrança do crédito tributário se inicia após o trânsito em julgado das decisões dos recursos administrativos na forma do PAF. Inteligência do art. 174 c/c art. 145 do Código Tributário Nacional CTN.” (Acórdão 10248436, de 25/04/2007) “PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE – Não ocorre a prescrição prevista no art. 174 do CTN quando não constituído definitivamente o crédito tributário, em virtude de a exigência encontrarse suspensa por força de impugnação ou recurso na esfera administrativa. Súmula nº 11 do 1º Conselho de Contribuintes.” (Acórdão 10809569 de 06/03/2008) Ademais qualquer controvérsia teve seu entendimento pacificado por meio da Súmula CARF nº 11: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” A intimação do contribuinte da ação fiscal suspende o prazo prescricional e deste modo a preliminar aventada não deve prosperar. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 8 Segunda Preliminar Nulidade do Auto de Infração, causada pela imposição de multa no valor de R$90.442,60, dentro do crédito apurado. O recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício no lançamento, por entender que a aplicação da penalidade é competência da autoridade superior que tomar conhecimento da propositura e defesa do contribuinte. Nesse ponto também não cabe razão ao contribuinte. A multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito e pelas infrações a disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios, “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Assim, tendo sido apurado o debito fiscal através de procedimento de fiscalização, cabe sobre o mesmo multa de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Inclusive a aplicação da mesma, está em consonância com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade no lançamento, conforme previsão do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 Nno que se refere a suposta inconstitucionalidade da multa, já é posição sumulada deste Conselho de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula CARF nº 2) Terceira Preliminar Nulidade do Procedimento Fiscal por falta do recebimento do Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, desde o inicio da fiscalização. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal; eventuais inobservâncias de suas normas resolvemse no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional. Desta forma erros e omissões no Mandado MPF, não nulifica o processo. Inclusive já é entendimento pacífico deste Conselho que no processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art.59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13808.000624/0066 Acórdão n.º 220100.970 S2C2T1 Fl. 5 9 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93).” Assim, não havendo nulidade legalmente prevista, resta refutada essa preliminar. Quarta Preliminar Decadência do lançamento no valor de U$137.449,00 que se refere a comissões creditadas no ano base de 1993. Neste tocante importa ressaltar que independente do ano a que se refere as comissões recebidas, o fato gerador ocorre no momento do seu recebimento, conforme previsão legal imposta no próprio Regulamento do Imposto de Renda, RIR/94 (artigo correspondente ao art.2º do RIR/99): “CAPÍTULO I PESSOAS FÍSICAS DOMICILIADAS OU RESIDENTES NO BRASIL Art. 1º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85.”(Grifei.) Apesar do argumento apresentado pelo contribuinte que as firmas portuguesas pagavam as comissões muito tempo depois dos créditos que efetuavam as respectivas contabilidades. Esse fato tornase irrelevante, pois a disponibilidade econômica ou jurídica ocorre quando os recursos estão à disposição do beneficiário em moeda ou em crédito em conta corrente bancária não se assimilando a essa última o crédito contábil na empresa devedora Neste sentido, inclusive a jurisprudência desse conselho já se pronunciou através do Acórdão 10243.815/99, publicado no DO 09/11/99. Desse modo, o imposto de renda das pessoas físicas difere das pessoas jurídicas. O imposto sobre a renda das pessoas físicas incide com base no regime de caixa e não com base no regime de competência, como na maioria das pessoas jurídicas. O regime de caixa determina a tributação no momento em que a renda é materialmente auferida, ou seja, a renda é considerada tributável no momento em que é recebida. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 10 Rejeitada portanto, também essa preliminar. Quinta Preliminar Nulidade por Bitributação, pois as empresas estrangeiras ficaram responsáveis pelos recolhimentos dos impostos Não houve bitributação dos rendimentos, conforme argüi o recorrente, pois no sistema tributário brasileiro a responsabilidade pelo pagamento do imposto de rendimentos recebidos do exterior é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. Assim não há que se falar em nulidade por bitributação como melhor esmiuçaremos na análise o mérito. Sexta Preliminar – Nulidade, por ter sido usado no lançamento UFIR de períodos diferentes para calcular o quantum devido em real. A UFIR considerada no lançamento é a do momento do fato gerador, assim se ocorreram fatos geradores em períodos distintos são esses que devem ser considerados para apurar o quantum devido na moeda corrente, aplicandose inclusive a correção pertinente. Esse argumento, foi detalhadamente analisando na decisão de primeira instância, conforme demonstra o enxerto abaixo transcrito, que adoto também nas minhas razões de decidir: “Conversão em UFIR. 47. Nos itens a.3 e b.5 da impugnação, o contribuinte argumenta que “ao fazer a conversão do imposto devido, incidente sobre os rendimentos apurados no anobase de 1.995, de UFIR para o REAL, utilizouse da UFIR de 1.997, equivalente a 0,9108, e não a de 1.995 que é de 0,7061 que é a correta” (sic). 48. Laborou em equívoco, uma vez que no Auto de Infração os rendimentos relativos ao anocalendário 1995 constam em Reais, como pode ser visto na f. 71, no demonstrativo de apuração relativo a esse ano (f. 66), bem como na planilha inserta à f. 59: “Demonstrativo de Rendimentos Recebidos no Exterior”. 49. Entretanto, se o contribuinte queria se referir ao exercício 1995, anocalendário 1994, novamente equivocouse. 50. Como pode ser visto na f. 65, os valores relativos às infrações em CR$ foram corretamente convertidos segundo a UFIR do mês correspondente. Como exemplo tomamos o mês de março de 1994. Os valores são de CR$ 23.998.164,61 ou 65.737,50 UFIR, pelo que se vê que a UFIR de conversão foi 365,06 (exatamente a do mês de março de 1994). 51. Relativamente ao valor do tributo apurado (em UFIR), a conversão em Reais se deu pelo valor desta em 1º de janeiro de 1997, para que pudesse ser adicionado aos valores dos apurados nos outros anoscalendário, totalizando o montante expresso na Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13808.000624/0066 Acórdão n.º 220100.970 S2C2T1 Fl. 6 11 primeira folha do Auto de Infração (f. 70). E tal conversão também ocorreu de maneira correta ante ao disposto no art. 29 da Lei n. 10.522/2002, abaixo transcrito: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. 52. Verificase, portanto, que não houve qualquer erro cometido pela autuante nos cálculos efetuados, relativos a conversão em UFIR e reconversão em Reais.” Destarte, não há qualquer nulidade que invalide o lançamento ou a decisão de primeira instância. Por conseguinte, passo a análise do mérito. No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. Assim, os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, por residente no Brasil, transferidos ou não para o País, estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), no mês do recebimento, e na Declaração de Ajuste Anual. Alega também o Recorrente, que, mesmo que devido fosse o IRPF, a responsabilidade pela sua retenção seria da fonte pagadora, conforme dispositivo contratual assinado entre as partes, para a qual requer, então, a transferência da responsabilidade tributária, por não têlo feito. Porém, mais uma vez não lhe cabe razão, eis que, nos termos do artigo 106, inciso III, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, bem como no art. 115, § 1º, a, b, c do RIR/94 vigente á época, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no país (como é o caso do Contribuinte) estão sujeitos ao recolhimento do carnêleão. A decisão recorrida, quando trata especificamente do Tratado para evitar bitributação assinado entre o Brasil e Portugal, apresenta precisamente que o lançamento não invalidou de forma algum referida Convenção e o lançamento ocorreu nos termos legais previstos. Se não vejamos: “66. Relativamente à referida convenção, aprovada pelo Decreto Legislativo n. 59/71 e promulgada pelo Decreto n. 69.393/71, cumpre transcrever o artigo XIV, aplicável ao caso em questão: Artigo XIV Profissões Independentes 1. Os rendimentos obtidos por um residente de um Estado Contratante pelo exercício de uma profissão liberal ou de outras atividades independentes de caráter similar só podem ser Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 12 tributados nesse Estado, a não ser que esse residente disponha, de forma habitual, no outro Estado Contratante, de uma instalação fixa para o exercício das suas atividades. Se dispuser dessa instalação, os rendimentos podem ser tributados no outro Estado mas ùnicamente na medida em que o respectivo devedor for esse Estado, uma sua subdivisão política ou autarquia local ou um residente desse Estado ou o pagamento dos rendimentos for suportado por um estabelecimento estável situado nesse Estado. 67. Pelo constante no artigo supratranscrito, os rendimentos são tributados no Estado em que o recebedor dos rendimentos for residente, no caso o Brasil. A exceção constante na parte final do artigo ocorre quando o residente de um Estado possuir “instalação fixa para o exercício de suas atividades” no outro Estado, o que não é o caso dos autos. 68. Assim, claro está que as comissões (rendimentos de profissões independentes) pagas por fontes situadas em Portugal a residente no nosso País somente podem ser tributadas no Brasil, estando correto, também nesse ponto, o lançamento efetuado.” Para que o recorrente pudesse se beneficiar do imposto recolhido no exterior, deveria ter comprovado seu recolhimento no exterior, demonstrando não ter havido qualquer restituição e/ou compensação, conforme expressa determinação legal do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, que estava anteriormente prevista no art.111 do RIR/94: CAPÍTULO III IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei nº 4.862, de 1965, art. 5º, e Lei nº 5.172, de 1966, art.98): I em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. § 1º A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos § 2º O imposto pago no exterior será convertido em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América informado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento (Lei nº 9.250, de 1995, art. 6º). Analisando o processo e os argumentos apresentados pelo contribuinte, não resta dúvida de que o Contribuinte foi o beneficiário dos recursos recebidos do exterior, fato aliás, que o próprio Contribuinte não nega, alegando apenas que parte destes recursos teve origem em ganhos amealhados em anos anteriores e que a fonte pagadora era responsável pelo pagamento de impostos. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13808.000624/0066 Acórdão n.º 220100.970 S2C2T1 Fl. 7 13 Ocorre que apesar de discorrer largamente sobre os princípios e pressupostos de direito, o contribuinte não trouxe nenhuma prova que pudesse afastar o lançamento. Diante do exposto, rejeito as preliminares argüidas e no mérito NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908750/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/08/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF. RETIFICADORA.
Deve ser prolatado novo despacho decisório com observância das informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3201-005.911
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10983.907292/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF. RETIFICADORA. Deve ser prolatado novo despacho decisório com observância das informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10983.907292/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3201-005.898, de 22 de outubro de 2019, que lhe serve de paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 87 50 /2 01 2- 19 Fl. 168DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.911 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908750/2012-19 O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS não-cumulativo, relativo ao fato gerador tratado nos autos. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi localizado, mas não houve saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Nas “Informações Complementares da Análise de Crédito” foi apresentada a justificativa para o não reconhecimento do crédito: “Ausência de documentação comprobatória”. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidem nos centavos nos valores do crédito, que foi quitado por Darfs, estando extinto pelo pagamento (art. 156, I, do CTN). Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e seja julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. Seguindo a marcha processual normal, o feito foi assim julgado, conforme ementa: INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. ELEMENTOS DE PROVA. PRECLUSÃO. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, por força do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário pedindo reforma, a em síntese, conforme consta da resolução: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; Fl. 169DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.911 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908750/2012-19 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratar se de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. O feito foi vinculado como recurso repetitivo, sendo julgado nos termos da resolução 3201-001.095 que assim restou consignado: - a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; - a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; - cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após conclusão e retorno da diligência, a contribuinte foi intimada a se manifestar, deixando transcorrer in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Ressalvo que a decisão consagrada no paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pelo que adoto o entendimento que prevaleceu no colegiado, consignado no Acórdão nº 3201-005.898, de 22 de outubro de 2019, paradigma desta decisão, que passo a reproduzir: O Recurso é tempestivo e merece ser conhecido. A unidade preparadora ao analisar os quesitos apresentados por essa Turma Julgadora, se manifestou nos seguintes termos: Fl. 170DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.911 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908750/2012-19 Assim, conforme o apontamento realizado, no contencioso administrativo não há despacho decisório considerando as DCTF´s retificadoras. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. Tendo a DCTF sido retificada antes da emissão do despacho decisório, no momento da decisão da repartição de origem, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo, ou seja, quando cientificado do despacho decisório, o Recorrente já havia retificado as informações anteriormente prestadas e que foram ignoradas pela autoridade administrativa de origem. Valendo-se do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN), que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. Fl. 171DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.911 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.908750/2012-19 Note-se que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à ciência de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à sua desconsideração Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para determinar a prolação de novo despacho decisório, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado CONCLUSÃO Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000806/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS
A legislação de regência (art. 8º, § 1º, III da Lei n° 9.250/95) somente permite a dedução de despesas médicas relativas ao tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, e desde que, ainda, os respectivos pagamentos cuja dedução se pretende sejam devidamente especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 2402-007.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: RAFAEL MAZZER DE OLIVEIRA RAMOS
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RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS A legislação de regência (art. 8º, § 1º, III da Lei n° 9.250/95) somente permite a dedução de despesas médicas relativas ao tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, e desde que, ainda, os respectivos pagamentos cuja dedução se pretende sejam devidamente especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Relatório O sujeito passivo insurgiu-se contra o lançamento consubstanciado às fls. 06 e seguintes, emitido em 27/10/08, relativo ao imposto sobre a renda pessoa física DIRPF EX2004/AC2003, que glosou os valores pleiteados, na declaração de ajuste, a título de dedução de despesas médicas totalizando R$ 25.000,00 de deduções glosadas, conforme descrito à fl.07. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 08 06 /2 00 8- 39 Fl. 43DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.852 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000806/2008-39 Na impugnação apresentada às fls. 01 e seguintes requereu o restabelecimento dos valores glosados em razão das declarações que juntou aos autos. Em julgamento pela DRJ, a impugnação foi totalmente improcedente visto a ausência de recibos ou qualquer comprovante, limitando-se, tão somente, às declarações apresentadas junto com a impugnação. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente, protestando pela reforma da decisão atacada. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que conheço e passo à sua análise. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como amparo os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) (Destacamos) Fl. 44DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.852 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000806/2008-39 O art. 80 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99) contem disposição no mesmo sentido: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Compulsando os autos, ao analisar as declarações (fls. 02/05) emitidas em 2008 pelos profissionais aos quais o Contribuinte alega ter pagado supostos serviços realizados em 2003, ou seja, há quase 05 anos, não contribuem para como pedido de dedução do Contribuinte. Tal situação, conforme destacado na Lei acima, ao Contribuinte para ter direito a dedução deve apresentar o competente recibo preenchido com os requisitos indispensáveis. Todavia, não há nos autos qualquer recibo ou comprovante de pagamento, p. ex., microfilmagem de cheque ou transferência bancária. Desse modo, não merece provimento no sentido de serem deduzidos do imposto de renda. Fl. 45DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.852 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000806/2008-39 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento total ao recurso voluntário, mantendo-se a decisão da DRJ, assim como a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000113/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO.
DACON. OBRIGATORIEDADE.
É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo.
Numero da decisão: 3302-007.704
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata.
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DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 01 13 /2 01 0- 91 Fl. 45DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.704 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000113/2010-91 Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. Dessa forma, adoto excertos do relatório do Acórdão nº 3302-007.678, paradigma desta decisão. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo-se, assim, o lançamento fiscal que cobra unicamente a multa por atraso na entrega do DACON, nos termos da ementa abaixo: Ementa: DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso correspondente. Em sede recursal, a Recorrente alega erro no sistema de recepção eletrônica da administração tributária e que não há como fazer provas das tentativas de entrega da declaração porque o sistema não fornece mensagem de anormalidade, bem assim a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Fl. 46DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.704 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000113/2010-91 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, e, desta forma, reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-007.678, da lavra do Conselheiro Walker Araujo, paradigma desta decisão: A Recorrente, por sua vez, transmitiu seu Dacon fora do prazo previsto, fato este incontroverso, sem comprovar documentalmente a existência de falha no sistema da Receita Federal que a de protocolar/apresentar o referido demonstrativo. Fl. 47DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.704 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000113/2010-91 outro lado, caso a Recorrente constatasse irregularidades no sistema, deveria ter procurado uma agência da Receita Federal e transmitir manualmente o Dacon e, em caso de negativo do exercício de seu direito, exigir documento do órgão sobre a recusa. Nada nesse sentido foi realizado. cenário, correto o lançamento fiscal. fim, não se aplica ao presente caso os ditames do artigo 138, do CTN, posto que sua incidência somente se aplica na hipótese de pagamento do tributo não recolhido, situação totalmente distinta deste processo, onde a exigência é oriunda de descumprimento de obrigação acessória e não existe na legislação norma que afasta a multa pelo referido instituto. , este Conselho já aprovou a Súmula 49 nos seguintes termos: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame as situações fáticas e jurídicas encontram correspondência com a verificadas na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.913275/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CONEXÃO COM PROCESSO CUJO OBJETO É LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR DO IPI.
Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI em processo conexo, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.
Numero da decisão: 3302-007.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CONEXÃO COM PROCESSO CUJO OBJETO É LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI em processo conexo, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CONEXÃO COM PROCESSO CUJO OBJETO É LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI em processo conexo, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 32 75 /2 00 9- 54 Fl. 301DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.757 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.913275/2009-54 Relatório Reporto-me à Resolução nº 3101-00.215, de 25/01/2012, da 1ª TO/1ª C/3ª SJ, fls. 201 e seguintes, em que o conselheiro relator em seu voto assim observa e dispõe: Tratam os autos deste processo, conforme relatado, de pedido de ressarcimento de imposto sobre produtos industrializados (IPI) apurado no 2º trimestre de 2005, atrelado a declaração de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela Receita Federal do Brasil. No entanto, nos autos de outro processo administrativo, litígio concernente ao IPI decorrente de estorno de créditos básicos indevidamente escriturados é precedente jurídico para a aferição do saldo credor alegado no pedido referido no parágrafo imediatamente anterior. Ora, perante a identidade de matéria litigiosa, período de apuração e contribuinte em processos administrativo-fiscais distintos, somente um deles pode solucionar a controvérsia. No caso concreto, o processo no qual é formalizada a exigência fiscal decorrente do lançamento para estornar os créditos básicos tidos como indevidos pelo fisco e escriturados pelo contribuinte tem prevalência sobre o julgamento do pedido de ressarcimento, porque este último é subordinado à existência de créditos escriturais legítimos. Por conseguinte, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para a autoridade competente: (1) aguardar o julgamento definitivo na esfera administrativa do processo que cuida do mencionado lançamento do IPI; e (2) instruir os autos do presente processo administrativo com o resultado do julgamento definitivo do processo administrativo 16024.000026/2010-08. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Após ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência determinada, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação de inconformidade no tocante às conclusões da diligência proposta, e sem manifestação da recorrente, devolveu-se o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, o recurso voluntário merece ser apreciado. Fl. 302DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.757 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.913275/2009-54 O resultado final do processo que cuida do mencionado lançamento do IPI (nº 16024.000026/2010-08) foi desfavorável à recorrente, conforme se pode depreender da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples, nas modalidades “Simples Federal” e “Simples Nacional”. Acórdão nº 3302-005.771 de 28/08/2018; Relator Walker Araujo Impende observar, ainda, que o recurso especial interposto pela recorrente naquele processo não foi admitido por meio de despacho definitivo, não mais cabendo a interposição de qualquer recurso na esfera administrativa. Como bem observado pelo relator originário do expediente – o litígio do processo acima noticiado, concernente ao IPI decorrente de estorno de créditos básicos indevidamente escriturados, é precedente jurídico para a aferição do saldo credor alegado no pedido de ressarcimento de imposto sobre produtos industrializados (IPI) atrelado a declaração de compensação veiculados neste processo. Assim é que por relação de causa e efeito, inexistentes os créditos lá discutidos resulta a não homologação da compensação aqui discutida. Nessa moldura, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11557.000283/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece em sede de recurso voluntário matéria não prequestionada na impugnação.
Numero da decisão: 2402-007.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por falta de prequestionamento em sede de impugnação.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Júnior, Luis Henrique Dias Lima, Paulo Sérgio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece em sede de recurso voluntário matéria não prequestionada na impugnação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 461 1 460 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11557.000283/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.752 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de novembro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SEMIC ES SERV MED A IND E COM ES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece em sede de recurso voluntário matéria não prequestionada na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por falta de prequestionamento em sede de impugnação. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Júnior, Luis Henrique Dias Lima, Paulo Sérgio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 233) pelo qual a recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade julgadora de primeiro grau considerou improcedente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 02 83 /2 00 8- 85 Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11557.000283/200885 Acórdão n.º 2402007.752 S2C4T2 Fl. 462 2 impugnação apresentada contra lançamento de contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento da seguridade social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GIL/RAT) e, ainda, contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), no valor de R$ 633.806,10 (além de juros e multa), incidentes sobre remunerações pagas a segurados trabalhadores da fiscalizada, declaradas pela empresa em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, no período de 01/05/2002 a 31/12/2004, tendo sido consolidado o lançamento em 29.06.2005. Ao impugnar o lançamento (fls 191) o contribuinte apenas argumentou dificuldades financeiras para quitar as obrigações fiscais, manifestou inconformismo quanto aos juros moratórios exigidos, por considerar inconstitucional a aplicação da taxa Selic, além de discordar da imposição da penalidade. Em razão disso, a empresa requereu a exclusão dos juros e da multa aplicados. Ao analisar o caso, em 27.09..2016 (fls 213), entendeu a autoridade julgadora ser improcedente a impugnação, mantendo o crédito lançando, conforme a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRI A. CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. JUROS. MULTA. SELIC. A empresa é obrigada a efetuar o recolhimento das contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços, conforme previsto no artigo 22, I e 11 da Lei n° 8.212/91 e contribuições por lei devidas a terceiros conveniados, arrecadadas pela SRP/INSS conforme o disposto no art. 94 da Lei 8.212/9. A empresa é obrigada a efetuar o recolhimento das contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, conforme no artigo 22, III da Lei n° 8.212/91 na redação dada pela Lei 9.876/99. As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, e multa de mora, ambas de caráter irrelevável, conforme previsto nos artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212/91. As multas para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento são as previstas na Lei n° 8.212/91, art. 35, inciso II (na redação dada pela Lei n° 9.528/97), alíneas, "a", "b", "c" e "d"(na redação da Lei n° 9.876/99) com as reduções previstas no § 4o (acrescentado pela Lei 9.876/97). Inconstitucionalidade é matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal, conforme previsto no art. 102, parágrafo primeiro da Constituição Federal. Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 233), inovando totalmente em sua linha de defesa, para argumentar que seu ramo de atividade não se sujeita à incidência das contribuições ao Sesc/Senac e que é ilegal a exigência do adicional GIL/RAT, pedindo ao final a nulidade do lançamento. É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11557.000283/200885 Acórdão n.º 2402007.752 S2C4T2 Fl. 463 3 Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, no entanto, ambas as matérias argumentadas em sede recursal pela contribuinte (vale citar: não sujeição à incidência das contribuições ao Sesc/Senac e ilegalidade do adicional GIL/RAT) não foram objeto de prequestionamento na impugnação. Em razão disso, com fulcro no art. 14 c/c 17 do Decreto 70.235/72, a fim de evitar ofensa ao princípio do duplo grau de exame administrativo, o presente recurso não deve não deve ser conhecido, já que a DRJ não foi instada a manifestarse sobre tais matérias, não tendo sido, portanto, instaurado litígio em relação a esses assuntos. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER o recurso voluntário apresentado, mantendo o crédito discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 463DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.006761/2004-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 07/11/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA.
Mistura de Reação constituída de Aminas Graxas Terciárias, derivada de Ácidos Graxos (Gordos) industriais, na forma sólida, classifica-se no código NCM 3824 90,29.
DRAWBACK- SUSPENSÃO, MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Cabível a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2,158- 35, de 24/08/2001.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.521
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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A() c f * JUDITil D AMARAL, MARCONDES ARMANDO - I),\esidente ( ) \ 1,14-e_.,' jik_.„7--1--• --/,,,, V CIM ' A. HEL NA TRAJA41510 D'AMORIM - Relator FORMALIZADO EM: 03 de agosto de 2010, Processo rl° 11 / 28.006761/2004-97 S3-C2 T1 Acórdão n " 3201-K1521 F I 150 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral , Marcondes Armando, Mércia Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana -Midoii Migiyama (Suplente). Processo n" 11128 006761/2004-97 S3 -C2T1 Acórdão n 0 320100 .521 Fl. 151 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo de auto de infração de exigência de recolhimento da Milha por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada importou, sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback — Suspensão, mercadoria descrita como "GENAMIM SH 301. DIESTEARILMETILAMINA. GRAU DE PUREZA: MÍNIMO DE 99% EM AMINA TERCIARIA. EMBALAGEM ISOTANK, QUALIDADE: INDUSTRIAL ESTADO FÍSICO: LLOUIDO", por meio da declaração n" 01/1088171-5, registrada em 07/11/2001 (cópia de .fls. 20 a 2.2), classificando-a no código NCM 3824 90.90. Quando da conferência . física, .foram coletadas amostras da mercadoria para análise laboratorial, Pedido de Exame LAB 3080/GCOF, cópia na fl. 10. Do exame do Laudo n" 3003.01 (de fls. 11 a 13) e n°3003.0.2 (de .fls. 14 a 16), de 28/11/2001, elaborados pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, esclarecendo que a mercadoria ti-atava-se de - Mistura de Reação constituída de Aminas Graxas Terciárias, um Derivado de Ácidos Graxas (Gordos) Industriais, na . fbrina sólida, e que de acordo com Literatura Técnica Especifica (cópia nas J/S, 13 e 16), mercadoria de nome comercial GENAMIM SH 301 trata-se de uma Mistura de Reação de 66% de Dioctadecihnetilarnina (Diestearihnetilamina), 30% de Dihexadecihnetilamina (Dicetilmetilamina), 2% de Ditetradicetihnetilamina (Dizniristilmetilamina) e 1% de Didodecilinetilanzina (Dilaurihnetilamina), os quais são produtos provenientes de Ácidos Graxas (Gordos) Industriais, a autoridade fiscal classificou a mercadoria no código NCA/I 3824,90.29. Diante da discordância do contribuinte quanto à classificação fiscal adotada pela autoridade aduaneira, não efetuando o pagamento do crédito tributário apurado conforme o Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar n" 315/04, cópia na 17, foi lavrado o presente auto de inflação, .formalizando a exigência do recolhimento da multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Processo n" 11128 006761/2004-97 S3 -C211 Acórdão n " 3201-00.521 P1 152 Mercostd, preceituada no inciso 1 do artigo 84 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24/08/2001, no valor de R$ 3 619,90. Cientificado da lavratura do auto de infração em 08/12/2004 (II 24-verso), o contribuinte, por intermédio de seu advogado e procurador (instrumento de Mandato na fl 63), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 07/01/2005, de fis 27 a 62, alegando, em preliminar, que• 1) deve ser declarada a nulidade do lançamento, vez que se encontra eivado de vícios formais insanáveis, pois o contribuinte teve cerceado seu direito de defesa, na medida em que somente aos agentes fiscais foi assegurado o direito de formular quesitos, quando da realização do exame laboratorial do produto importado, contrariando as disposições contidas /10 Decreto n" 70.235/72, art.. 18; 2) não há embasamento legal para exigência de quaisquer tributos e/ou penalidades de multas, pois a mercadoria em tela .foi importada sob o regime aduaneiro especial de drawback - suspensão, amparado por um ato concessório, já integralmente cuniprido. E, quanto ao mérito, alega que, 1) o mesmo Labana em uma outra importação do mesmo produto, realizada em 1996, identificou-o como mistura de caninas graxas terciárias, na forma sólida (no laudo técnico n" 4..599/96, nas fls. 66/67), a qual foi classificada pela fiscalização no código TEC/NCM 3824 90.0, na autuação dell. s. 69 a 74; transcorridos sete anos dessa autuação, a mesma repartição fiscal indica como correta a classificação em um outro código da TEC/NCM: 3824.90.29; 2) em que pese os .fatos acima apontados, a mercadoria em tela classifica-se corretamente no código pleiteado, 3824.90.90, pela utilização das RG1/SH 2b, 3a e 6; 3) nas situações da espécie, ou seja, quando ambas as classificações tarifárias estão incorretas (tanto a adotada pelo importador, bem como a eleita pelo Fisco) deverá prevalecer o enquadramento do contribuinte, em . fitce da orientação contida no artigo 112 do CTN,• 4) improcedente, também, a exigência da penalidade por erro de classificação . fiscal, diante das disposições do Ato Declarató rio Normativo CST n" 29/80 e Parecer CST 11" 477/88; quando do .julgamento do processo administrativo n" 11128.002050/97-07, cópia de . is. 68 a 74, também de interesse da ora requerente, sucessora dos negócios jurídicos da empresa "Hoechst do Brasil Química e Farmacêutica S/A", envolvendo discussão acerca da classificação tarifária do mesmo produto, esta DRJ, ao proferir o Acórdão n" 00781/2002, cópia de .fls. 81 a 86, decidiu que classificação do produto é no código TEC/NCM 3824.90.90; assim, na medida que a impugnante adotou o código TEC/NCM 3824,90.90, está amparada pelas disposições contidas no art. 4 Processo r," 11128 006761/2004-97 S3-C2T1 Acórdão ri." 3201-00,521 Fl 153 100 do Código Tributário Nacional (inciso II e • único) e art 610 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 11" 4.543/2002,- 5) a incidência de juros de !nora reveste-se de flagrante ilegalidade, na medida que computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já . foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça; indevida a incidência dos juros de mora, que somente podem ser computados após decisão final proferida no processo administrativo; 6) requer a conversão do julgamento em diligência à repartição fiscal de origem, afim de que sejam respondidos os quesitos que .formulou no item 6 3 da peça de dcfesa (fls. .57/58), indicando o seu perito e respectivo endereço no item 64 «[. 58.). É o relatório." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO 17-28.271, de 23/10/2008, às fls.101/109, proferido pelos membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/11/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Mistura de Reação constituída de Aminas Graxas Terciárias, derivada de Ácidos Graxos (Gordos) industriais, na forma sólida, classifica-se no código NCM 3824,90.29 DRAWBACK SUSPENSÃO. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Cabível a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2.158- 35, de 24/08/2001 LANÇAMENTO PROCEDENTE," O julgamento foi no sentido de julgar procedente o lançamento Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, às fls. 112/145, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, à fl, 148 (última). É o relatório,. 5 Processo n° 11128006761/2004-97 S3-C2T 1 Acórdão n.3201-0Q321 1:1 154 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAIANO D'AMORIM, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Discute-se nos autos a classificação fiscal do produto importado, sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback — Suspensão, mercadoria descrita como "GENAMIM SH 301. DIESTEARILMETILAMINA, GRAU DE PUREZA: MÍNIMO DE 99% EM AMINA TERCIARIK EMBALAGEM: ISOTANK. QUALIDADE: INDUSTRIAL, ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO", por meio da declaração n° 01/1088171-5, registrada em 07/11/2001, às fls. 20 a 22, classificando-a no código NCM 3824,90.90, enquanto a fiscalização entendeu deve-se ser na NCM 3824.9029, Preliminarmente a recorrente alega preliminar de nulidade do auto de infração porque não teria participado da elaboração do laudo técnico realizado pela fiscalização, ocorrendo então cerceamento do direito de defesa. Entendo deva ser rejeitada a referida preliminar, haja vista não ter ocorrido qualquer cerceamento do direito de defesa ou violação do processo administrativo fiscal. Quanto ao mérito, a empresa, inicialmente, argumenta que não há embasamento legal para exigência de quaisquer tributos e/ou penalidades de multas, pois a mercadoria em tela foi importada sob o regime aduaneiro especial de drawback, amparada por um ato concessório, já integralmente cumprido. Tem-se que o art. 317 do Regulamento Aduaneiro/85, vigente à época, disciplina que: "Art. 317. Na modalidade de suspensão do pagamento de tributos o beneficio será concedido após o exame do plana de exportação do beneficiário, mediante expedição, em cada caso, de ato concessó rio do qual constarão.. a) b) especificação e código tarifitio das mercadorias a serem importadas, com as quantidades e os valores respectivos, estabelecidos com base na mercadoria a ser exportada;" (grifei) Portanto, foi observada irregularidade quando do registro da declaração de importação sob o amparo do regime de drawback — suspensão: ou seja, a classificação incorreta da mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul e pelo artigo citado acima, exige-se que o código tarifário da mercadoria importada conste no Ato Coneessorio. Conforme já relatado, versa o presente processo de auto de infração de aplicação de multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Pois, a empresa importou, sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback 6 Conselho sua validade, que dispõe: Processo n" 11128 006761/2004-97 S3-C2T1 Acórdão i" 3201-00.521 F1 155 Suspensão, mercadoria descrita como "GENAMIM SH 301. DIESTEARILMETILAMINA, GRAU DE PUREZA: MÍNIMO DE 99% EM AMINA TERCIARIA. EMBALAGEM: 1SOTANK. QUALIDADE: INDUSTRIAL. ESTADO FÍSICO: LIQUIDO", por meio da declaração n" 01/1088171-5, registrada em 07/11/2001 (cópia de fls. 20 a 22), classificando-a no código NCM 3824.90.90. Os Laudos de n 300.3.01 e 300102, às fis. 11/13 e 14/16, apontam que a mercadoria tratava-se de - Mistura de Reação constituída de Aminas Graxas Terciárias, um Derivado de Ácidos Graxos (Gordos) Industriais, na forma sólida, e que de acordo com Literatura Técnica Específica (fi.13), mercadoria de nome comercial GENAMIM SH 301 trata- se de uma Mistura de Reação de 66% de Dioctadecilmetilamina (Diestearilmetilamina), 30% de Dihexadecilmetilamina (Dicetilmetilamina), 2% de Ditetradicetilmetilamina (Dimiristilmetilamina) e 1% de Didodecilmetilamina (Dilaurilmetilamina), os quais são produtos provenientes de Ácidos Graxos (Gordos) Industriais, por conseguinte, a autoridade fiscal classificou a mercadoria no código NCM 3824.90.29. A empresa não discorda que a mercadoria em questão classifica-se na subposição 3824,90. A solução do litígio é em torno da classificação tarifária do produto em um item dessa subposição. No caso, a mercadoria é constituída por produtos provenientes de Ácidos Graxos (Gordos) Industriais é fundamental para a definição do item no âmbito da subposição 3824,90. Na TEC vigente na data do registro da declaração de importação objeto deste processo já existia o item 3824.90.2, no qual são classificados, de acordo com o texto desse item: os Derivados de Ácidos Graxas Industriais, No caso, trata-se de um produto químico não compreendido ou especificado em outras posições. No âmbito dessa posição, encontra-se compreendido na subposição 3824.90, por falta de subposição mais especifica. Tratando-se de um derivado de ácidos graxos industriais inclui-se no item 3824.90.2, e por fim se classifica no código 3824.90.29, por falta de código mais específico, conforme classificação da fiscalização. Assinz sendo, a multa aplicada por erro na classificação fiscal da mercadoria, quando incorreta a classificação . fiscal,é cabível a multa decorrente dessa infração, tipificada no inciso Ido artigo 84 da Medida Provisória n" de .24/08/2001, in verbis: "Art 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I- classificada incorretanzente na Nomenclatura Conzum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria,. Em relação à taxa SELIC não merece abrigo, já que sumulada por este 7 f/U`Ge- RCIA HELENA TRAJÁ,ÂNO D'AMORIM n/ Processo n° 11128 006761/2004-97 S3-C2 T1 Acórdão n ° 3201-00,521 F I 156 "Súmula 3°CC ri." 4 - A partir de 1" de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Destarte, não merece reparo decisão a quo.. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar levantada e, no mérito, negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos.
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