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Numero do processo: 11968.000213/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 13/09/2006
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 13/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 02 13 /2 00 7- 12 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000213/200712 Acórdão n.º 3301002.632 S3C3T1 Fl. 145 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Florianópolis assim expresso: Tratase de auto de infração lavrado contra o impugnante já qualificado nos autos, do qual resultou a exigência fiscal de R$ 40.000,00, relativa i multa por descumprimento de obrigação acessória referente i prestação de informações sobre veiculo ou carga nele transportada. Descreve a autoridade fiscal que o sujeito passivo é representante no Brasil da CMA CUM S/A, a qual atua no transporte internacional de cargas, e informara em prazo superior ao admitido pela legislação os dados de embarque relativos is Declarações de Despacho de Exportação (DDE) n's 2061050828/8, 2061046381/0, 2061042678/8, 2061038819/3, 2061038950/5, 2061052118/7, 2061038162/8, 2061048251/3 (fls. 15/47). Anota a autoridade fiscal que intimou, por meio do Termo de Intimação Saope n° 04/07 (fls. 50), o terminal alfandegado Tecon Suape, responsável pela operação do navio Aliança Maufi, a apresentar a relação das unidades de carga embarcadas neste navio, com destino ao exterior. Após confrontação dos dados de embarque prestados pelo sujeito passivo no Siscomex com os dados fornecidos pelo operador portuário Tecon is fls. 51/63 confirmouse defasagem superior a sete dias entre o efetivo embarque dos contéineres e a prestação da informação no Siscomex. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento de obrigação acessória, sujeitando o infrator, para cada Declaração para Despacho de Exportação— DDE, que não teve o registro dos dados de embarque no prazo legal de sete dias, A. multa de R$ 5.000, 00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do DL n° 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03. Observa ainda a autoridade fiscal que foram registrados com atraso os dados de embarque relativos a oito declarações para despacho de exportação. Registrese que, expressamente, afastou a autoridade fiscal a capitulação da infração prevista na alínea "c" do mesmo dispositivo (embaraço à fiscalização), por entender que a tipificação da alínea "e" (prestação de informações sobre veiculo ou carga nele transportada, fora do prazo previsto pela RFB) seria mais especifica. Devidamente cientificado, comparece o sujeito passivo ao processo para impugnar o lançamento, alegando, em síntese, Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000213/200712 Acórdão n.º 3301002.632 S3C3T1 Fl. 146 3 que não cometera infração capitulada na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DL 37/66 (embaraço à fiscalização), posto que não teria omitido, embaraçado, dificultado ou tentado impedir a fiscalização aduaneira, pelo fato de ter efetuado o registro, fora do prazo de sete dias, no Siscomex, dos dados de embarque marítimo dos despachos de exportação por ele realizado. Por fim, requer seja desonerado do pagamento da multa regulamentar pretendida pelo Auto de Infração. A DRJ de Florianópolis julgou improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2006 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. INTEMPESTIVIDADE. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu depois de decorrido o prazo de 7 (sete) dias, tornase aplicável a multa regulamentar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário alegando que a fiscalização incorreu em grave erro ao, indiretamente, enquadrar, a interessada como transportadora, o que acarreta a nulidade do auto de infração. Informa que desempenha apenas as atividades de agenciamento marítimo, sendo mera mandatária da empresa transportadora e parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente autuação, pois esta penalidade somente pode ser aplicada ao transportador marítimo ou agente de carga (NVOCC). Finaliza argüindo que o afastamento da multa é medida que se impõe em observância aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como o disposto no art. 20 da Lei n° 9.784/99, especialmente porque não se está diante de fraude, máfé ou tentativa de burlar ou causar qualquer embaraço à fiscalização, uma vez que todos os registros dos dados de embarque foram realizados. Aponta a ocorrência de denúncia espontânea ao caso, conforme novel redação do artigo 102, § 2º, do DecretoLei n.° 37/1966. Requer, preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do auto de infração e, no mérito, seja julgado improcedente o lançamento. É o que importa relatar. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000213/200712 Acórdão n.º 3301002.632 S3C3T1 Fl. 147 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei n.° 9.784/1999 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Dai, concluise, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do artigo 33, do Decreto n.° 70.235/1972. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento, ou se apresentálo o mesmo não pode ser conhecido por estar precluso. A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ em 09 de abril de 2012, tendo se esvaído o prazo para manifestarse em 09 de maio do mesmo ano, entretanto, apresentou recurso somente em 10 de maio de 2012 quanto o prazo já havia se precluído, de modo que esse Conselho não mais pode conhecêlo. Nesse sentido, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000027/2011-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INEXISTENTE. CONEXÃO PROCESSUAL. REVERSÃO DA BASE NEGATIVA EM OUTRO PROCESSO. QUESTÃO JÁ DECIDIDA PELO CARF.
Se a decisão proferida pelo CARF no processo nº 16643.000421/2010-95 confirmou o lançamento de CSLL nos anos anteriores a 2009, e manteve a reversão da base de cálculo negativa que havia sido apurada nesses períodos, não cabe outra decisão, no âmbito dos presentes autos, senão manter a exigência de CSLL em 2009 em razão de compensação de base negativa que se mostrou inexistente.
COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO
Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratando-se de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente.
Numero da decisão: 1802-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o conselheiro Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INEXISTENTE. CONEXÃO PROCESSUAL. REVERSÃO DA BASE NEGATIVA EM OUTRO PROCESSO. QUESTÃO JÁ DECIDIDA PELO CARF. Se a decisão proferida pelo CARF no processo nº 16643.000421/2010-95 confirmou o lançamento de CSLL nos anos anteriores a 2009, e manteve a reversão da base de cálculo negativa que havia sido apurada nesses períodos, não cabe outra decisão, no âmbito dos presentes autos, senão manter a exigência de CSLL em 2009 em razão de compensação de base negativa que se mostrou inexistente. COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratando-se de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o conselheiro Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000027/201138 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.550 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de março de 2015 Matéria CSLL Recorrente PLANOVA PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INEXISTENTE. CONEXÃO PROCESSUAL. REVERSÃO DA BASE NEGATIVA EM OUTRO PROCESSO. QUESTÃO JÁ DECIDIDA PELO CARF. Se a decisão proferida pelo CARF no processo nº 16643.000421/201095 confirmou o lançamento de CSLL nos anos anteriores a 2009, e manteve a reversão da base de cálculo negativa que havia sido apurada nesses períodos, não cabe outra decisão, no âmbito dos presentes autos, senão manter a exigência de CSLL em 2009 em razão de compensação de base negativa que se mostrou inexistente. COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 27 /2 01 1- 38 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o conselheiro Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que manteve o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de efls. 6 a 16, no valor de R$ 101.434,92, incluindose nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1639.435, às efls. 285 a 292: Trata o presente processo de lançamento de ofício de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL –, relativa ao anocalendário de 2009, no valor total de R$101.434,92, composto de R$55.362,37 de Contribuição, R$41.521,77 a título de multa de mora de 75% sobre o principal, mais R$4.550,78 de juros de mora, calculados até 31/01/2011. O Auto de Infração, de fls. 06/16, foi lavrado em razão de compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL, tendo em vista a reversão dos valores da CSLL, após lançamento de ofício relativo aos períodosbase de 2005 a 2009, formalizada no processo nº 16643.000421/201095. O enquadramento legal apontado foi o seguinte: Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 58 da Lei nº 8.981/95 e art. 16 da Lei nº 9.065/95; art. 37 da Lei nº 10.637/02. A Interessada tomou ciência da impugnação em 07/02/2011, conforme aviso de recebimento – AR – juntada à fl. 146, apresentou impugnação, dirigida contra a presente autuação e a do processo nº 16643.000028/201182 (que tratou da glosa do saldo de prejuízo fiscal, em decorrência da reversão de prejuízo fiscal, levada a cabo no processo nº 16643.000421/201095), protocolada em 152 e 155/161, trazendo os seguintes argumentos de defesa, em síntese: PRELIMINARMENTE DEPENDÊNCIA PROCESSO REFLEXO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E CSLL PROCESSO N° 16643.000421/201095. Deve ser sobrestado o exame de mérito desses autos até o julgamento final do processo nº 16643.000421/201095, referente aos autos que versam sobre a mesma matéria fática, conforme atestado pela própria autoridade autuante. Ademais, em razão do disposto no art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, e pelo princípio da economia processual, caso o julgamento do processo em comento não seja sobrestado até o julgamento final dos autos de infração de IRPJ e CSLL, formalizados naquele processo, o que se admite apenas para efeito de argumentação, os autos devem ser reunidos em um só Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 5 4 processo para julgamento em conjunto, tendo em vista que a matéria fática discutida é idêntica e os autos de infração ora impugnados reflexos das infrações constatadas naquele processo administrativo. MATÉRIA JÁ CONTESTADAS PELA IMPUGNANTE E AQUI REITERADAS Tendo em vista que a matéria fática discutida nestes autos, por ser idêntica àquela travada nos autos do processo administrativo nº 16643.000421/201095, a Impugnante reitera todos os argumentos expendidos na impugnação já apresentada em 25/01/2011 e, para tanto, anexa à presente cópia integral da referida impugnação anexa. Vale ressaltar que se não houver o sobrestamento do julgamento ou se os autos não forem reunidos, necessário que essa i. Turma Julgadora adentre ao mérito discutido naquele processo, que tem reflexo direto nas autuações ora contestadas, que tratam da reversão da compensação de prejuízos e base negativas da CSLL em virtude das infrações constatadas naquele processo. Nesse contexto, reiteramse aqui os argumentos expendidos, especialmente (i) a imprestabilidade do auto de infração da CSLL, vez que ausente o MPF para a Fiscalização da CSLL; (ii) a inadequação do enquadramento legal registrado nos autos de infração, (iii) a legitimidade das operações praticadas pela Impugnante e a possibilidade de avaliação do investimento a valor de mercado, (iv) a legalidade da decomposição do valor do investimento com o destaque do ágio e (v) a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio asseguradas pela legislação (art. art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97), nos exatos termos da impugnação ora anexada. EQUÍVOCO NA DEMONSTRAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS SALDO DE PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL DESCONSIDERADO Além das matérias reflexas já demonstradas, há, ainda, um ponto a ser analisado na autuação ora questionada e diz respeito ao equívoco cometido pela d. Autoridade autuante no demonstrativo de compensação dos prejuízos fiscais que sustenta a indevida exigência do IRPJ. Analisando o demonstrativo de compensação dos prejuízos fiscais elaborado pelo fiscal no anocalendário 2005, na parte em que há o destaque do "Saldo de Prejuízo Fiscal a Compensar com Lucro real” relativo aos anos calendário anteriores, consta saldo de prejuízos nos seguintes montantes: Saldo de Prejuízo não operacional R$ 2.164,43 Saldo de Prejuízo de anobase anterior R$ 15.077.568,67 TOTAL R$ 15.079.733,10 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 6 5 Todavia, nos anoscalendário subseqüentes o d. auditor fiscal utilizou na compensação somente parte desse saldo de prejuízos (R$ 15.077.568,67), desprezando o valor de R$ 2.164,43. Esse equívoco revela a fragilidade do demonstrativo de apuração dos prejuízos fiscais, que não pode servir para fundamentar a autuação ora impugnada. Vale dizer, se ainda havia saldo de prejuízos a compensar pela Impugnante no anocalendário de 2009, no valor de R$ 2.164,43, relativo a períodos anteriores, deveria ter sido utilizado para compensar os “lucros” apurados naquele ano calendário, o que não foi feito pela autoridade autuante. Sendo assim, os prejuízos compensados pela Impugnante, no montante de R$ 615.137,55, não podem ser glosados integralmente, como fez o d. auditor fiscal no auto de infração do IRPJ. Nem se alegue que o art. 31 da Lei 9.249/95 dispõe que os prejuízos não operacionais somente poderão ser compensados nos períodos subseqüentes com lucros da mesma espécie, pois a desconsideração do ágio (feita no processo 16643.000421/2010 95), que gerou o lucro apurado pela fiscalização nos períodos subseqüentes, tem a ver com aquisição de "investimento” (Ativo Permanente, na época), posteriormente baixado pela incorporação das empresas. Portanto, não há razão para a não utilização do saldo de prejuízos de períodos anteriores no montante de R$2.164,43. Sendo patente o equívoco na elaboração do demonstrativo de apuração dos prejuízos fiscais, o auto de infração do IRPJ deve ser prontamente cancelado pela ausência de certeza e liquidez da exigência fiscal. SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO IMPOSSIBILIDADE Na remota hipótese de ser mantido o lançamento, o que se admite apenas a título de argumentação, protesta a Impugnante pela não incidência de acréscimos moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que a pretensão não encontra qualquer respaldo no ordenamento jurídico. Aqui, pretende a Impugnante manifestar sua repulsa contra a prática de aplicação da taxa SELIC sobre a multa lançada de ofício, procedimento este que, muito embora não encontre qualquer respaldo no ordenamento jurídico, vem sendo reiteradamente adotado pelas autoridades administrativas. Isto porque, ao estabelecer a incidência de juros de mora sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, que devem ser calculados à taxa Selic, o legislador tributário previu remuneração ante a demora no recebimento de receita pública esperada pelo sujeito ativo e, portanto, ali pertinente. Não é o caso da multa de ofício, que tem caráter penal, cujo ingresso não é esperado pela Fazenda Pública, pelo contrário, é regra que se pretende nunca ser aplicada. Por essa razão, não é pertinente a incidência de juro remuneratório sobre a multa de ofício, que Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 7 6 sequer é mencionada no referido dispositivo, assim como também não é devido o juro sobre a multa de mora, que permanece fixa até a liquidação do principal, a despeito dos longos anos transcorridos. Deveras, o débito mencionado no caput da norma em questão referese tão somente ao valor do tributo devido (principal), que não pode em momento algum ser confundido com o termo “crédito tributário”, pois tal interpretação traria enorme contradição na aplicação da norma. Com efeito, se adotada tal interpretação, seriam também admissíveis juros de mora (calculado com base na taxa Selic) inclusive sobre a multa de mora, calculada à taxa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, que também faz parte do “crédito tributário”, algo absolutamente inadmissível e não praticado pela administração tributária! Logo, da mesma forma que não incidem juros de mora sobre a multa de mora, não devem incidir os mesmos juros sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal, pois a expressão "débitos”, a que faz referência a lei, só pode referirse a tributo e não à multa, como se comprova pela não incidência sobre a multa de mora que também compõe o crédito tributário. DO PEDIDO FINAL Do exposto, requer a Impugnante o sobrestamento do feito até julgamento final do processo administrativo n° 16643.000421/201095 ou que os autos sejam reunidos para apreciação/julgamento em conjunto, tendo em vista a identidade fática das matérias tratadas nos dois processos. Por fim, requer a improcedência dos autos de infração com o conseqüente cancelamento dos questionados lançamentos de ofício IRPJ e CSLL, pelos motivos de fato e de direito aqui registrados. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP manteve integralmente a exigência fiscal, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE SALDO. LANÇAMENTO ANTERIOR. GLOSA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVO. DEPENDÊNCIA. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. FALTA DE PREVISÃO. NOVA ANÁLISE DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se analisar novamente o mérito de autuação tratada em processo diverso que gerou, por via de conseqüência, lançamento posterior, sob análise nos autos. A medida Fl. 320DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 8 7 processual cabível é aplicar o decidido por ocasião do seu julgamento, ao caso em discussão, mesmo que haja recurso pendente de análise por instância superior, dada a ausência de previsão legal de sobrestamento de julgamento no âmbito do processo administrativo tributário federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual seria considerada cientificada em 10/08/2012, a Contribuinte apresentou em 06/07/2012 o recurso voluntário de efls. 294 a 304, onde reitera a mesma linha de argumentação de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para exigência de débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativamente ao anocalendário de 2009. A autuação foi motivada por compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL, uma vez que houve reversão dessa base negativa no processo nº 16643.000421/201095, que tratou de lançamento de CSLL nos anos anteriores. As questões suscitadas pela Contribuinte relativamente ao encaminhamento do presente processo administrativo, em razão da conexão processual acima referida, foram corretamente analisadas pela Delegacia de Julgamento, nos seguintes termos: O presente lançamento referese a compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, posto que em autuação constante do processo nº 16643.000421/201095, atualmente no CARF (consulta ao sítio do CARF em 23/05/2012, à fl. 284), houve reversão dos valores da CSLL, não havendo saldo remanescente de base de cálculo negativa para ser utilizada no anocalendário de 2009. A Impugnante, inicialmente, pede o sobrestamento do julgamento do presente processo por haver dependência do lançamento de ofício daquele processo. De fato, se for decidido que aquela autuação não deve prevalecer, esse resultado afetará a presente autuação. Entretanto, apesar dessa relação de causa e efeito existente, não é previsto o sobrestamento de julgamento no ordenamento do Processo Administrativo Fiscal Federal, não sendo possível atender a solicitação da Impugnante de aguardar o desfecho do processo nº 16643.000421/201095. Deve ser aplicado à presente autuação a situação juridicamente vigente. Uma vez que na ocasião a impugnação foi considerada improcedente pela DRJ e mantevese integramente o crédito tributário, permaneceu a situação de inexistência de saldo de base negativa de CSLL para o anocalendário de 2009. O processo hoje se encontra pendente de julgamento no CARF. Do que decorre que, para todos os efeitos, persiste a reversão da CSLL, mantida pela 4ª Turma de Julgamento, por meio do Acórdão nº 1631.831– 4ª Turma da DRJ/SP1 , de 01 de junho de Fl. 322DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 10 9 2011 (cópia às fls. 219/282), do qual a empresa tomou ciência pessoal em 07/06/2011 (fls. 283). E, por fim, não há que se falar, conforme argumentado, em se adentrar no mérito discutido naquele processo, no presente Voto. A solução processual nesse caso é aplicar o decidido no âmbito dessa Delegacia de Julgamento, sobre aquela autuação, conforme julgamento acima citado (Acórdão nº 1631.831– 4ª Turma da DRJ/SP1 , de 01 de junho de 2011). De outro modo, haveria mais de um julgamento pela Delegacia de Julgamento sobre uma única autuação o que é um absurdo processual, somado ao fato de que é naquele processo que estão sendo tratados os autos de infração que acabaram por gerar a que está sob julgamento. A Impugnante apresentou, ainda, alegações específicas à autuação de IRPJ. Lembrando que a defesa procurou contemplar as duas autuações (processo nº 16643.000028/2011 82 e o presente), deixase de se analisar esse item de impugnação nesse Voto, que trata do auto de infração de CSLL. Realmente, não há possibilidade de atender ao pedido de sobrestamento do processo sob exame. No caso do processo administrativo fiscal, a conexão processual é solucionada estendendo, num mesmo nível de instância, a decisão do processo principal (que trata da questão prejudicial) para os processos dependentes, e foi exatamente isso o que ocorreu nos presentes autos. Nesse mesmo contexto, devo registrar que já houve decisão do CARF para o processo nº 16643.000421/201095, em que foi revertida a base negativa utilizada em 2009, conforme acórdão nº 1101000.913, exarado em 09/07/2013 pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Foi negado provimento ao recurso voluntário interposto naquele processo, e confirmado integralmente o lançamento relativamente aos anos anteriores a 2009. Em conseqüência disso, também foi mantida a reversão da base negativa que a Contribuinte havia compensado em 2009, o que motivou a autuação objeto destes autos. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 11 10 Após a ciência da referida decisão do CARF naquele outro processo, a Contribuinte apresentou embargos de declaração, que foram rejeitados por meio do Despacho nº 1100 000.395, de 15/12/2014, assim finalizado: [...] As alegações da embargante, portanto, não suscitam qualquer retificação ou complementação do acórdão aqui proferido, nem demandam, como expresso em seu pedido, a realização de novo julgamento por Colegiado composto na totalidade por Conselheiros independentes e aptos para a atividade de julgamento. Por tais razões, proponho que sejam rejeitados os embargos de declaração aqui opostos pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira De acordo. Rejeito os embargos em comento. Encaminhese ao órgão jurisdicionante da contribuinte, para ciência e demais providências. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF Desse modo, uma vez proferida pelo CARF decisão que confirma o lançamento de CSLL nos anos anteriores a 2009, e mantém a reversão da base negativa que havia sido apurada nesses períodos, não cabe outra decisão, no âmbito dos presentes autos, senão manter a exigência de CSLL em 2009 em razão de compensação de base negativa que se mostrou inexistente. Portanto, em relação à rubrica principal, a decisão recorrida não merece nenhum reparo. Contudo, não compartilho do entendimento manifestado pela Delegacia de Julgamento quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Essa questão é bastante polêmica, e a controvérsia vem de longa data. Esse, a meu ver, já é um primeiro ponto que fragiliza a tese em favor da incidência de juros sobre a multa de ofício, posto que, tratandose de aplicação de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal deixar margem para tantas dúvidas e polêmicas. Para os que entendem que a “multa de ofício” está incluída na expressão “crédito não integralmente pago no vencimento”, contida no art. 161 do CTN, cabe indagar quais seriam então as “penalidades cabíveis” referidas mais adiante no mesmo dispositivo? Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 324DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 12 11 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos acrescidos) Mas esse não é o único problema. A lei 8.383/1991, que instituiu a UFIR, deixava bastante claro que os juros de mora não incidiam sobre a rubrica relativa à multa de ofício: Art. 54. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, vencidos até 31 de dezembro de 1991 e não pagos até 2 de janeiro de 1992, serão atualizados monetariamente com base na legislação aplicável e convertidos, nessa data, em quantidade de Ufir diária. § 1° Os juros de mora calculados até 2 de janeiro de 1992 serão, também, convertidos em quantidade de Ufir, na mesma data. § 2° Sobre a parcela correspondente ao tributo ou contribuição, convertida em quantidade de Ufir, incidirão juros moratórios à razão de um por cento, por mêscalendário ou fração, a partir de fevereiro de 1992, inclusive, além da multa de mora ou de ofício. (grifos acrescidos) Vêse que a multa de ofício era indiretamente atualizada pela UFIR, porque incidia sobre uma base atualizada por esse índice, mas ela própria (a multa de ofício) não sofria a incidência dos juros de mora. Com a estabilização econômica, tivemos a extinção das regras de atualização monetária e a instituição da taxa de juros Selic, mas não houve a introdução de uma regra expressa determinando que os juros passariam a incidir sobre a multa de ofício. Aliás, o texto da Lei nº 8.981/1995 indicava que os juros continuavam a incidir apenas sobre a rubrica principal dos débitos: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (grifos acrescidos) Com a introdução da Lei nº 9.430/1996, as regras relativas à multa de mora e aos juros de mora tiveram nova redação: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 13 12 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos acrescidos) O texto acima, igualmente ao do CTN, veio novamente suscitar dúvidas, na medida em que não identifica claramente quais rubricas estão abrangidas na expressão “débitos para com a União”. Ocorre que se esses “débitos” abrangessem a multa de ofício, haveríamos de concluir também pela incidência da multa de mora sobre a multa de ofício (caput do art 61), incidência essa que não poderia ser afastada pelo § 3º do art. 950 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999): Art.950.Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). §1º (...) §2º (...) §3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. Com efeito, o decreto não poderia derrogar a Lei. Nesse contexto, a interpretação mais adequada, a meu ver, é que a multa de ofício já não estava incluída no caput do art. 61 da Lei 9.430/1996 (de onde concluo que o decreto não incorre em ilegalidade, e não que o decreto exonerou onde a Lei não exonerava). Por outro lado, com a ampliação do alcance da expressão “débitos para com a União”, contida no referido art. 61 da Lei 9.430/1996, os juros de mora deveriam também incidir sobre a multa de mora, e isso todos sabemos que não ocorre. Para afastar esse problema, normalmente se argumenta que os juros devem incidir apenas sobre obrigações com prazo de vencimento, como se apenas a multa de ofício o tivesse, e a multa de mora configurasse uma obrigação sem vencimento, o que a tornaria semelhante às chamadas obrigações naturais em Direito Civil (não exigíveis). Mas a multa de mora, como acontece com a multa de ofício, tem vencimento. Ele apenas é imediato, concomitante à mora (inadimplência), tanto o é que a multa de mora é perfeitamente exigível desde então, configurando, portanto, obrigação vencida. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 14 13 Assim, o argumento em relação ao vencimento não serve para solucionar o problema da incidência dos juros de mora sobre a multa de mora, como também não serviria para afastar a incidência dos juros de mora sobre os próprios juros de mora, ou da multa de mora sobre a multa mora, etc., e não é razoável entender que a lei deixaria em aberto tantas possibilidades de combinação, principalmente quando se trata das conseqüências em relação à aplicação de norma punitiva. A regra contida no parágrafo único do art. 43 da Lei 9.430/1996 poderia solucionar todas essas questões, mas a incidência de juros lá prevista está restrita às multas isoladas. Finalmente, registro que há manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que não deve haver incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que acompanha o tributo, conforme Acórdão CSRF/0203.133, de 06/05/2008, nos seguintes termos: 1) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da preliminar de perda de objeto do recurso em face do trânsito em julgado da decisão judicial quanto ao mérito, suscitada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado); 2) Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência até os fatos geradores do mês de outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Júlio César Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria de votos CONHECER do recurso quanto a incidência sobre a multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Leonardo Siade Manzan, e por maioria de votos DAR provimento nessa parte, vencidos os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa incidência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Como um último argumento, observo que no âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não verifico em relação à questão ora debatida. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio não paga no vencimento, que foi lançada juntamente com a contribuição. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 327DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 15 14 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 19515.002471/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2007
Ementa:
IRPF. GANHOS DE CAPITAL. NOTA PROMISSÓRIA. PRO SOLUTO.
Na alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula pro soluto, fato gerador é a data da alienação reputando-se, assim, ocorrido o ganho de capital no momento da operação.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OBRAS DE ARTE.
Não havendo comprovação de transferência de numerário, a alegada venda de obra de arte não pode ser computada como origem de recursos.
ACORDO. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
É tributável o montante recebido em decorrência de acordo, mormente se inexistir prova de que o rendimento está alcançado pela isenção ou não incidência do imposto de renda.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO. LEGALIDADE.
Não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento mensal obrigatório de carnê-leão, correta a imposição da multa isolada, sobre os rendimentos que não foram objeto de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2201-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação do valor de R$ 8.220,63 com o imposto apurado na infração referente ao Ganho de Capital, excluindo-se a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que excluíram da exigência os itens 01, 02 e 03 do Auto de Infração. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Paschoal Raucci, OAB/SP 215.520.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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GANHOS DE CAPITAL. NOTA PROMISSÓRIA. PRO SOLUTO. Na alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula “pro soluto”, fato gerador é a data da alienação reputandose, assim, ocorrido o ganho de capital no momento da operação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OBRAS DE ARTE. Não havendo comprovação de transferência de numerário, a alegada venda de obra de arte não pode ser computada como origem de recursos. ACORDO. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. É tributável o montante recebido em decorrência de acordo, mormente se inexistir prova de que o rendimento está alcançado pela isenção ou não incidência do imposto de renda. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. LEGALIDADE. Não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento mensal obrigatório de carnêleão, correta a imposição da multa isolada, sobre os rendimentos que não foram objeto de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 71 /2 00 9- 27 Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação do valor de R$ 8.220,63 com o imposto apurado na infração referente ao Ganho de Capital, excluindose a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que excluíram da exigência os itens 01, 02 e 03 do Auto de Infração. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Paschoal Raucci, OAB/SP 215.520. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2004 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 737/766, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.914.692,28, calculado até 29/05/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto; omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; classificação indevida na Declaração de Ajuste de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos; e multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: I – DAS PRELIMINARES I.1 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO AO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FATOS GERADORES 31/05/04 E 31/07/04. 3.1 desde o advento da Lei n° 7713/1.988, o Imposto de Renda das Pessoas FÍsicas é devido mensalmente, na medida em que os rendimentos forem percebidos, tal como consta no Auto de Infração, cujos fatos geradores estão especificados mês a mês e, quando não ficar demonstrado o evidente intuito de fraude Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 3 3 praticado pelo contribuinte, o termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é aquele disposto no art. 150, "caput" e seu § 4º, do Código Tributário Nacional (reproduz o citado dispositivo legal); 3.2 nos lançamentos por homologação, é o fato gerador do tributo que determina o termo inicial do prazo decadencial, sendo esse o marco inicial que habilita o sujeito ativo a proceder ao lançamento, motivo pelo qual o parágrafo 4º do art. 150 do CTN dispõe expressamente que o crédito correspondente ao lançamento por homologação é considerado definitivamente extinto após o decurso de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (reproduz Jurisprudência); 3.3 em relação aos acréscimos patrimoniais a descoberto cujos fatos geradores ocorreram em 31/05/2.004 e 31/07/2.004, cabe declarar, em preliminar, a insubsistência do lançamento recorrido, uma vez que os créditos tributários já estavam definitivamente extintos, nos termos do direito aplicável, pois já atingidos pela decadência na data em que formalizada a autuação, ocorrida somente em agosto de 2.009; I.2 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS NO PERÍODO DE 31/01/2.004 A 31/07/2.004 3.4 aplicandose para o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão as regras atinentes ao lançamento por homologação de que tratam o art. 150, "caput" e seu § 4º, do Código Tributário Nacional, acima já mencionado, ou seja, a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos a partir da data da ocorrência do fato gerador, requerse seja declarada a insubsistência das penalidades aplicadas em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/2.004 a 31/07/2.004, pois já atingido pela decadência na data em que formalizada a autuação, em agosto de 2.009; IIDO MÉRITO II.1 DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 3.5 pela legislação do Imposto de Renda aplicável às pessoas físicas, os bens e direitos (Ativo) e obrigações (Passivo) são declarados anualmente, nas declarações de ajuste que devem ser apresentadas até 30 de abril, considerada a situação em 31 de dezembro do anobase e do ano anterior e, como o patrimônio declarado em 31 de dezembro de um ano corresponde ao patrimônio em 1º de janeiro do ano seguinte (inicial), a única forma de se apurar o acréscimo patrimonial, havido em determinado anocalendário é pelo cotejo entre o patrimônio inicial e o final desse anocalendário, ou seja, comparandose o patrimônio em 31 de dezembro desse ano, com o patrimônio em 31 de dezembro do ano anterior, sendo que isso não foi feito na autuação e, mesmo que fosse adotada tal metodologia, ela não Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 propiciaria a apuração de acréscimos patrimoniais mensais, restringindose a um ciclo anual; 3.6 pelo exposto, verificase que o levantamento fiscal constante dos autos não se presta à apuração de acréscimos patrimoniais a descoberto com periodicidade mensal, sendo inábil para tributação do Imposto de Renda da Pessoa Física, com fatos geradores mensais; II.1.1 DAS FALHAS NA ELABORAÇÃO DOS DEMONSTRATIVOS DE FLUXOS FINANCEIROS MENSAIS (“CASH FLOW”) 3.7 o trabalho fiscal, pela forma como foi realizado, não se presta a servir de base para fins de lançamento tributário, tanto que as movimentações bancárias havidas em todos os meses dos anoscalendário 2.004 e 2.006 não foram computadas, em desacordo com as próprias planilhas elaboradas pela fiscalização; 3.8 efetivamente, os Quadros Demonstrativos, na parte "A) RECURSOS/ORIGENS", contêm o item "4 — SALDO BANCÁRIO C/C INÌCIO MÊS, e na parte"B — DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES", contém o item "6 — SALDO BANCÁRIO C/C FINAL MÊS", constando apenas um saldo em janeiro e outro em dezembro, restando não preenchidos os saldos dos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro e, se esses campos constam dos Quadros Demonstrativos elaborados pela Receita Federal, é óbvio que os saldos bancários mensais (iniciais e finais) necessariamente deveriam ser computados nos fluxos financeiros mensais, elaborados para efeito de apuração de excessos de dispêndios/aplicações num mês sobre os recursos/origens desse mesmo mês; 3.9 embora não tenha sido registrado no Termo de Verificação Fiscal, idêntico procedimento foi adotado nos Quadros Demonstrativos referentes aos fluxos financeiros mensais do anocalendário de 2.006, como se verifica pela leitura dos dados referentes aos itens 4 (Recursos/Origens) e 6 (Dispêndios/Aplicações); 3.10 portanto, sendo imprescindível o cômputo das movimentações bancárias mensais, o que não foi feito na autuação, os levantamentos fiscais dos fluxos financeiros, com periodicidade mensal, base dos lançamentos mensais efetuados sob o título de "acréscimos patrimoniais a descoberto", estão eivados de erro essencial, que vicia frontalmente as bases de cálculo da imposição tributária, determinando o seu cancelamento, por manifesta contrariedade ao disposto no artigo 142 e seu parágrafo único, do CTN (reproduz os citados dispositivos legais); II.1.2 DA ILEGAL PRESUNÇÃO DE RENDA CONSUMIDA AO FINAL DO MÊS 3.11 no fluxo de caixa mensal, não obstante o pseudoacréscimo patrimonial a descoberto apurado pela confrontação inconsistente entre recursos e aplicações, num dado mês, tivesse Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 4 5 sido considerado rendimento omitido e, por isso, submetido à tributação nesse determinado mês, os rendimentos tributados correspondentes a esse "acréscimo a descoberto" não foram considerados no fluxo de caixa do mês seguinte, distorcendo os resultados seqüenciais, que, assim, se tornam inadequados para a determinação da base de cálculo, sobre a qual haverá a incidência do IRPF (reproduz Jurisprudência); 3.12 nos aumentos patrimoniais não justificados por recursos, tributáveis ou não, no interregno de um período anual, válida é a presunção de que a renda omitida seja considerada consumida, isto porque estará ela incluída entre os bens e direitos constantes do patrimônio declarado no final do anocalendário, salvo prova em contrário; todavia, nos casos em que "acréscimos patrimoniais a descoberto" são apurados mensalmente, pela verificação da simples movimentação financeira, padece de amparo legal a presunção de que a renda omitida e submetida à tributação no final de um mês seja considerada renda consumida ao final desse mesmo mês, para deixar de computála na análise da movimentação financeira dos meses seguintes, dentro do mesmo anocalendário (reproduz Jurisprudência); 3.13 os acréscimos patrimoniais a descoberto, em 2.004, apurados nos meses de maio (R$ 39.678,18), julho (R$ 95.945,92) e agosto (R$ 214.855,76), foram tratados como omissão de rendimentos, totalizando a quantia de R$ 350.479,86, submetida à tributação do Imposto de Renda; entretanto, esses mesmos valores, considerados como rendimentos omitidos, e, por isso, tributados, não foram levados em conta na apuração das variações dos meses subseqüentes, nos quais também foram apurados aumentos patrimoniais a descoberto, sendo R$ 43.879,07 em setembro, R$ 53.810,95, em novembro e R$ 267.952,64, em dezembro, perfazendo, os valores desses três meses, o montante de R$ 365.642,66 e, assim sendo, se computados fossem os rendimentos omitidos correspondentes aos três primeiros meses (R$ 350.479,86), o acréscimo patrimonial dos três últimos meses limitarseia, apenas, a R$ 15.162,80 (R$ 365.642,66 R$ 350.479,86); II.1.3 DA INDEVIDA TRIBUTAÇÃO DO SOMATÓRIO DOS “ESTOUROS DE CAIXA” 3.14 os valores resultantes dos excedentes de Dispêndios/Aplicações sobre os Recursos/Origens correspondem, na terminologia contábil, aos denominados "estouros de caixa", ou seja, quando as saídas financeiras suplantam as disponibilidades existentes naquela data ou período (saldo inicial + ingressos), sendo óbvio que, nas hipóteses dos "estouros de caixa", não se tributam todos os "saldos negativos" identificados em diferentes dias dos diferentes meses do anocalendário, pois um é parte integrante na apuração do outro ou dos outros, aplicandose igual raciocínio para a periodicidade mensal, sendo pacifico o entendimento que deva se tributar apenas o maior saldo credor de caixa ("estouro"), e não todos eles ou o somatório de todos eles, ou, Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 ainda, se um for tributado, deverá ele ser excluído do seguinte, e assim sucessivamente; II.1.4 DA VENDA FEITA POR CLÁUDIO COHN LEILOEIRO OFICIAL 3.15 por mais de uma década, o impugnante é conhecido como colecionador de obras de arte, fazendo constar nas suas DIRPF's as variações havidas, tal como ocorrido na declaração do exercício de 2.005, anocalendário 2004, como reportado pela fiscalização às fls. 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 742 e 743 dos autos, com trechos reproduzidos pelo impugnante); 3.16 a fiscalização não questionou o decréscimo patrimonial havido na declaração de bens sob o título "objetos de arte, jóias e imagens barrocas" que, em 31/12/2.003, acusava o valor de R$ 1.130.523,00, reduzido para R$ 490.523,00, em 31/12/2.004, nem a compra de R$ 770.500,00, no ano anterior e, assim sendo, e por não admitir o cômputo dos recursos obtidos com a alienação de objeto de arte, como informado no curso da ação fiscal, presumiu a fiscalização, sem nenhum elemento seguro de prova, que as baixas patrimoniais deramse a título gratuito, o que a fez presumir que as transferências patrimoniais (a venda feita por Cláudio Cohn e as devoluções à Sra. Mércia Maria de Souza) não tiveram contrapartida, ou seja, teriam sido resultado de doações; 3.17 o Sr. Cláudio Cohn é leiloeiro oficial e o objeto de arte por ele vendido rendeu ao impugnante recursos no valor de R$ 280.000,00, como informado à fiscalização, tendo sido tal circunstância esclarecida e constado de um documento, entregue à fiscalização em 03/02/2.009, denominado "acerto de contas", datado de 13/07/2.004, firmado pelo contribuinte e pelo referido leiloeiro oficial, referente à venda de obra de arte, arrematada em leilão publico realizado em 26/05/2.004; 3.18 por julgar que o documento não comprovava a operação realizada com o Sr. Cláudio Cohn, a fiscalização entendeu não ser “possível sequer determinar se o Sr. Renato de Almeida Whitaker participou de tal leilão como alienante ou adquirente ou ambos" e, partindo desse pressuposto, não considerou qualquer valor no fluxo de caixa que elaborou, ou seja, não considerou o recebimento referente à venda (R$ 280.000,00) no mês em que realizado o leilão (maio/2.004) e nem o recebimento parcelado, em quantias de R$ 40.000,00, declaradas como recebidas nos meses de janeiro a julho de 2.004; 3.19 assim, sem nenhum elemento seguro de prova (sequer foi ouvido o leiloeiro em questão, conhecido no mercado de obras de arte, pois é leiloeiro público oficial), considerou não recebido um único centavo da venda feita por Cláudio Cohn, contrariando o que expressamente constou da declaração de imposto de renda, referente ao ano calendário 2.004, como se não tivesse sido feita nenhuma venda; 3.20 para afastar quaisquer dúvidas, anexa à presente impugnação documentação fornecida pelo Sr. Cláudio Cohn, que demonstra e prova, de forma cabal, o pagamento a ele, Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 5 7 impugnante, da quantia de R$ 280.000,00, proveniente da venda que fez de uma obra de arte (Quadro de Portinari), que lhe pertencia, documentação essa a saber: a) contrato de consignação para venda em leilão Público (doc. 11); b) Catálogo distribuído no leilão de 26/05/2004 (doc. 12) e c) Declaração do leiloeiro oficial, Sr. Cláudio Cohn, contendo detalhes da obra de arte vendida e o repasse de R$ 280.000,00 (doc. 13); 3.21 ante o exposto, mister se faz que na planilha de movimentação financeira elaborada pela fiscalização sejam incluídos os R$ 280.000,00, fazendose os ajustes necessários, o que alterará as variações patrimoniais apuradas; II.1.5 DA DEVOLUÇÃO DE IMAGENS À SRA. MÉRCIA DE SOUZA 3.22 a Sra.. Mércia Maria de Souza fez venda de antiguidades ao impugnante, o qual, por exigência da vendedora, fez os pagamentos em espécie, como, aliás, é frequente nesses casos, já que na compra e venda de antiguidades as operações comumente são feitas em dinheiro, sob pena, não raro, de ser obstada a transação; 3.23 ocorre que, nos autos de inventário dos espólios de Leonilda Bocchese Mendes e de Arthur Valle Mendes, foi noticiado que "parte dos bens (móveis e antiguidades) foi desviada, vendida, permutada com terceiros, sem autorização judicial", fato que levou a Sra. Mércia Maria de Souza, companheira do falecido Arthur Valle Mendes, a solicitar devolução das peças. que estariam sendo questionadas judicialmente, algumas das quais por ela vendidas ao impugnante; 3.24 diante dos fatos, e considerando a "Ação Cautelar de Exibição Combinada com Produção Antecipada de Provas", na qual, tanto o impugnante, quanto a Sra. Mércia, são réus, o autuado viuse na contingência de atender ao pedido da Sra. Mércia, procedendo à devolução das obras a ela em janeiro de 2.004, mediante o recebimento, em espécie, do preço que lhe fora pago, ou seja, R$ 360.000,00, tendo constado na declaração de imposto de renda do impugnante, referente ao exercício de 2.005, anocalendário 2004, tanto a devolução das peças adquiridas da Sra. Mércia Maria de Souza, no valor de R$ 360.000,00, quanto a venda de obra de arte por Cláudio Cohn; 3.25 a devolução informada na DlRPF/2.005 está documentada no recibo datado de 12/01/2.004, pelo qual o impugnante relaciona as peças devolvidas à Sra. Mércia e declara dela ter recebido a quantia de R$ 360.000,00, uma vez que a alienação feita pela Sra. Mércia, de acordo com o MPF, teria sido realizada sem autorização judicial, conforme noticiado nos autos de inventário dos Espólios de Arthur Valle Mendes e Leonilda Bocchesi Mendes e, por decisão. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 judicial, várias peças foram postas em indisponibilidade; II.1.6 DOS REQUISITOS PARA DESCONSIDERAÇÃO DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO CONTRIBUINTE 3.26 o regramento determinado no parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99 (reproduz o citado parágrafo) é de caráter imperativo e fixa, de forma peremptória e exaustiva, as hipóteses em que é deferida às autoridades lançadoras a competência para impugnar os esclarecimentos prestados, quais sejam, elemento seguro de prova e indício veemente de falsidade ou inexatidão, não tendo a autoridade lançadora se valido de nenhum desses elementos para desconsiderar os esclarecimentos ou a documentação apresentada; 3.27 conseqüentemente, o lançamento fiscal pautouse em simples presunção para excluir dos recursos auferidos os valores de R$ 280.000,00 e R$ 360.000,00, provocando distorção no levantamento fiscal, que acusou resultados que divergem da verdade material, não tendo sido, outrossim, invocado ou sequer mencionado, pela autoridade lançadora, que o desprezo da documentação apresentada e dos esclarecimentos prestados deu se em virtude de "indicio veemente de falsidade ou inexatidão", como determina a lei vigente (§ 1º do art. 845 do RIR/99); 3.28 um dos documentos não considerados, além de assinado pelo contribuinte, está assinado também por Cláudio Cohn, que é leiloeiro oficial e vendeu em leilão público obra de arte pertencente ao impugnante, como antes e por mais de uma vez mencionado, não havendo nos autos nenhuma notícia de documentos falsos ou falsidade quanto a assinaturas, ou quanto aos fatos neles descritos, não tendo havido, sequer, qualquer iniciativa do Fisco para carrear aos autos "elemento seguro de prova" ou "indício veemente de falsidade ou inexatidão", requisitos estabelecidos em lei para impugnar os esclarecimentos prestados pelo contribuinte; 3.29 conseqüentemente, no que respeita aos impropriamente denominados "acréscimos patrimoniais a descoberto", constata se que os resultados apurados nas planilhas elaboradas pela fiscalização defluem diretamente,da nãoinclusão dos recursos auferidos pelo contribuinte, devidamente informados por esclarecimentos prestados a fiscalização e, em face de tal procedimento estar desconforme aos ditames do § 1° do artigo 845 do RIR/99, concluise que, também nesse particular, o lançamento decorre de entendimento subjetivo do autuante ("praesumptio hominis"), não se prestando a amparar a exação fiscal, conforme doutrina dominante e reiterada e maciça jurisprudências administrativa e judicial, impondose a declaração de insubsistência do lançamento ora impugnado (reproduz Jurisprudência); II.1.7 DO ERRO MATERIAL NO FLUXO DE CAIXA DE JANEIRO/2.006 3.30 no mês de janeiro de 2.006, os RECURSOS/ORIGENS (A) totalizaram R$ 318.764,36, enquanto os DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES (B) somaram R$ 168.449,41, o que determina um resultado positivo de R$ 150.314,95 (AB), Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 6 9 representativo do "Saldo disponível para o mês seguinte" (item 1 do Quadro C — RESULTADO DA ANÁLISE); contudo, por lapso, no demonstrativo elaborado pela fiscalização, no mês de janeiro de 2006, no item 1 do Quadro C (AB), em lugar de ser registrado o saldo de R$ 150.314,95, ficou registrado R$ 0,00; 3.31 procedida a devida correção, observase que o suposto acréscimo patrimonial de fevereiro de 2.006, no valor de R$ 8.344,57, deixaria de existir, e a variação a descoberto em dezembro, no importe de R$ 143.112,17, ficaria reduzida a apenas R$ 1.141,79 e, em se tratando de erro material, mister se faz sua correção; II.2 DA OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL II.2.1 DA TRIBUTAÇÃO DOS GANHOS DE CAPITAL REGIME DE CAIXA 3.32 em 20/09/2.004, o impugnante vendeu um imóvel de sua propriedade pelo preço de R$ 158.000,00, para recebimento futuro mediante emissão, pelo adquirente, de nota promissória de igual valor, conforme consta da escritura pública lavrada pelo 12° Tabelião de Notas da Capital., observandose que, nos termos da legislação vigente e em nome do princípio da capacidade contributiva, constitucionalmente previsto, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos é devido quando do recebimento do preço, ou proporcionalmente, quando o recebimento é parcelado; 3.33 uma vez que no ano de 2.004, em que foi realizada a venda do imóvel, o impugnante não realizou financeiramente o ganho de capital auferido na alienação, pois nada recebeu nesse ano calendário, o imposto sobre o ganho de capital não foi recolhido nesse ano, ao amparo da legislação aludida, como expressamente previsto no “caput” do artigo 140 e seu § 1º, do vigente Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1.999 (reproduz o citado artigo e seu § 1º, bem como Jurisprudência); 3.34 considerar uma nota promissória com vencimento futuro, como venda a vista, e admitila como aquisição de disponibilidade para fins de recolhimento de tributo em dinheiro, implica atribuir ao sujeito passivo uma capacidade contributiva que ele ainda não tem, valendo dizer que a lei de regência adotou o regime financeiro ou de caixa para operar a tributação, isto é, quando da realização do ganho capital em dinheiro, circunstância que não ocorreu nos presentes autos; 3.35 ademais, no caso dos autos, como se demonstrará no subitem seguinte, o contribuinte promoveu o recolhimento do imposto sobre ganhos de capital, objeto da autuação, quando recebeu o valor da nota promissória, em 2.006; II.2.2 “BIS IN IDEM” IRPF SOBRE GANHOS DE CAPITAL Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 3.36 o ganho de capital, ora tributado, decorrente da alienação de bem imóvel, realizouse com o recebimento da nota promissória de R$ 158.000,00 em 25/03/2.006, quando foi baixada do patrimônio do contribuinte, tal como consta na declaração de bens do exercício de 2.007, anocalendário 2.006 (doc. 17) e, com o recebimento do preço, em março de 2.006, o impugnante apurou um ganho de capital no valor de R$ 88.601,92, que, após as deduções previstas em lei, reduziuse a R$ 54.804,25, sobre o qual incidiu o imposto de 15%, chegando se ao imposto devido, no importe de R$ 8.220,63 (doc. 18), recolhido conforme DARF anexo (doc. 19); 3.37 destarte, mesmo que prevaleça a posição do autuante, no sentido de que o imposto sobre o ganho de capital seria devido por ocasião do negócio jurídico de alienação, e não quando do efetivo recebimento do preço, o que se admite apenas "ad argumentandum tantum", configurarseia hipótese de postergação, consubstanciada no artigo 273 do vigente Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (reproduz o citado artigo); 3.38 nos termos do dispositivo supratranscrito, verificase que a inexatidão quanto ao período de competência, só constitui fundamento para lançamento do imposto e acréscimos legais, quando dela resultar redução ou postergação do pagamento do tributo, portanto, quando for apurada uma conseqüência prejudicial ao Erário e, desta forma, caso o contribuinte já tenha efetuado, espontaneamente, em período posterior, o pagamento dos valores do imposto postergado, tal fato deve ser considerado no momento do lançamento de oficio, devendo a autoridade fiscal proceder na conformidade do que dispõe o Parecer Normativo COSIT nº 2/1.996; 3.39 restou demonstrado e provado que o recolhimento do tributo referente ao ganho de capital ocorreu em 2.006, quando do efetivo recebimento do preço do bem imóvel alienado e, ainda que pudesse prevalecer a ótica fiscal, da qual o impugnante discorda, teria ocorrido hipótese de postergação, sendo indevido o procedimento fiscal, por caracterizar "bis in idem"; II.3 DA RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS ANO CALENDÁRIO 2.006 II.3.1 DA PRESUNÇÃO FISCAL SEM AMPARO LEGAL (“PRAESUMPTIO HOMINIS”) 3.40 no ano calendário 2006, o autuado informou o valor de R$ 2.500.000,00 como rendimento não tributável (indenização), no campo próprio de sua declaração de imposto de renda, no item especifico destinado a esse fim, que engloba "rendimentos isentos e não tributáveis", sendo que a documentação entregue à fiscalização, homologada por decisão judicial, expressamente se refere a indenização, não tributável; 3.41 sem demonstrar, por qualquer forma, que a verba recebida por determinação judicial não se tratava de indenização, a fiscalização passou a considerála como rendimento não contemplado por isenção, reportandose a dispositivos da Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 7 11 Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, que exigem norma legal para outorga de isenção; II.3.2 DA INDENIZAÇÃO. DA NÃOOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA 3.42 os esclarecimentos prestados e os documentos fornecidos à fiscalização pelo impugnante, no curso da ação fiscal, revelam ter ele sofrido perdas patrimoniais significativas, na qualidade de fiador e/ou sócio cotista de empresas que obtiveram financiamento bancário (o impugnante reproduz quesitos e respectivas respostas que constam do laudo elaborado pelo perito judicial, referente ao processo n° 000.99.9361589, que corria na 15ª Vara Cível da Comarca de São Paulo doc. 20); 3.43 ao final, resolveram as partes fazer uma composição, para por um paradeiro nas diversas ações judiciais que estavam em curso, como se verifica da documentação anteriormente apresentada e ora complementada, processandose essa composição por documento intitulado "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", firmado entre as partes em 06/02/2.006, por meio do qual ficou estabelecido que o impugnante recebesse uma indenização destinada ao ressarcimento de parte das quantias desfalcadas de seu patrimônio, indenização essa devidamente homologada na via judicial.; 3.44 não se trata de documento feito à margem do processo judicial, mas sim, de documento elaborado e firmado unicamente com propósitos judiciais, por isso juntado aos autos da Ação da Ação Monitória n° 583.00.1998.7175154, na qual foi devidamente homologado por sentença de mérito terminativa do feito, nos termos do Código de Processo Civil, pelo MM. Juiz de Direito Dr. Alexandre Augusto P. M. Marcondes, titular da 12ª Vara Cível Central — Comarca de São Paulo (doc. 21); 3.45 esse Termo de Transação (Acordo), foi anexado às diversas ações que estavam em curso, e também foi devidamente homologado pelos MM. Magistrados por onde corriam os respectivos feitos, pondo fim a todos esses processos, a saber: Ação de Cobrança Processo n° 00.557.8000; Ação Monitória — Processo n° 98.717.5154; Ação de Execução — Processo n° 97.647.5609; Ação Ordinária Declaratória — Processo n° 00.641.9267; Embargos de Terceiros — Processo n° 99.936.1589; 3.46 de outra parte, o impugnante precisou vender a casa onde morava com sua família, e os recursos obtidos destinaramse ao pagamento parcial das pendências referentes às ações judiciais em andamento, concluindose que o impugnante teve desfalcado o seu patrimônio pessoal de diversos bens, de valores elevados, que foram computados para efeito de se determinar o valor da indenização a que fazia jus, fato reconhecido pelas partes e que mereceu homologação, por sentença judicial terminativa, como antes esclarecido; Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 3.47 o impugnante não recebeu qualquer quantia representativa de acréscimo a seu patrimônio, de vez que se tratava de reposição parcial de valores anteriormente dele subtraídos, portanto de natureza nitidamente indenizatória; 3.48 noutros termos, a ordem judicial teve em mira um retorno do patrimônio do impugnante ao "status quo ante", não tendo ocorrido o acréscimo de riqueza, fato gerador do imposto de renda, descrito no artigo 43 do CTN (reproduz o mencionado artigo, bem como Doutrina e Jurisprudência); II.4 DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. ANOCALENDÁRIO 2.004. DESCABIMENTO DA PENALIDADE 3.49 a ação fiscal objeto dos autos foi instaurada em 15/10/2.008, data do recebimento, pelo impugnante, do Termo de Inicio de Ação Fiscal, e os rendimentos recebidos de pessoas físicas, que ensejaram a aplicação de penalidade, já haviam sido declarados como tributáveis na DIRPF do exercício de 2.005, anocalendário 2.004, apresentada em 26/04/2.005, dentro do prazo legal e muito antes de ter início o procedimento fiscal, restando caracterizada, em conseqüência, a denúncia espontânea, hipótese em que fica excluída a responsabilidade do sujeito passivo, descabendo cominação de multa, nos termos do artigo 138 do CTN; 3.50 a aplicação da penalidade somente seria cabível se o oferecimento à tributação tivesse ocorrido "após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização", a teor do parágrafo único do artigo 138 do CTN, mas o contribuinte, como ficou demonstrado, já agira anos antes de qualquer iniciativa do Fisco; III DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 3.51 como amplamente exposto, as supostas irregularidades descritas no Auto de Infração em foco não reúnem condição de prosperar, pelas razões apresentadas e a seguir sintetizadas: ANOCALENDÁRIO 2.004 Acréscimos Patrimoniais a Descoberto 3.52preliminarmente, cabe declarar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em maio e julho de 2.004, posto que a autuação somente formalizouse em 03/08/2.009, com a ciência do contribuinte, após o decurso de cinco anos (CTN art 150, § 4°); 3.53 os aumentos patrimoniais somente são apuráveis pela comparação da situação patrimonial no início e final de um determinado ano, em face da declaração de bens ser anual e, portanto, as planilhas elaboradas pela fiscalização, com apurações mensais, não se prestam à apuração de acréscimos patrimoniais mês a mês; 3.54 os demonstrativos elaborados pelo Fisco contêm a movimentação financeira por períodos mensais, mas não foram Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 8 13 preenchidos os campos destinados à movimentação bancária havida em cada mês, tornando imprestável o procedimento para apuração de fatos geradores mensais; 3.55 os pseudos excessos de aplicações sobre os recursos, em cada mês, foram considerados rendimentos omitidos e submetidos a tributação ao final do mês; contudo, essa renda apurada não foi transportada para o mês subseqüente, sendo considerada "renda consumida", sem que tal presunção seja amparada em lei; 3.56 outrossim, por representar pseudos "estouros de caixa" mensais, inadmissível conjeturarse de tributar cada um deles individualmente, sem considerar a repercussão havida em períodos subseqüentes, podendo cogitarse, quando muito,o maior deles, mas não todos, fato que a doutrina e a jurisprudência reconhecem unanimemente; 3.57 ficou provada, de forma cabal, a venda de obra de arte pertencente ao impugnante, em leilão público, realizado por Cláudio Cohn, leiloeiro oficial, devendo ser computado no fluxo financeiro o ingresso de R$ 280.000,00, não considerados no "cash flow"; 3.58 ficou amplamente demonstrado que diversas obras de arte vendidas pela Sra. Mércia Maria de Souza (companheira de Arthur Valle Mendes) ao impugnante em 2.003 (aquisições devidamente declaradas na DIRPF/2.004), tiveram que ser devolvidas em 2.004, pois teriam sido vendidas sem a autorização do juízo por onde corriam processos de inventário dos espólios de Leonilda Bocchese Mendes e de Arthur Valle Mendes, onde estariam inventariadas; 3.59 o impugnante recebeu a quantia de R$ 360.000,00, pela devolução das obras descritas no recibo passado pelo impugnante, sendo que todos os fatos que deram causa à devolução das aludidas obras, estão respaldados em peças de processo instaurado pelos Ministérios Públicos Federal e do Estado de Minas Gerais, impondose seja computada, dentre os recursos recebidos, a importância de R$ 360.000,00, desconsiderada no levantamento fiscal; 3.60 em face do quanto se expôs, ficam elididos os pseudos acréscimos patrimoniais, tornando descabida a exigência fiscal feita a esse titulo; Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Bem Imóvel 3.61 ficou demonstrado e provado que o imóvel vendido em 2.004 teve o seu preço recebido em dinheiro somente em 2.006, quando recebido o valor da nota promissória emitida pelo adquirente e, como o imposto sobre o ganho de capital somente é devido quando realizado em dinheiro, conferindo capacidade contributiva ao sujeito passivo, não procede a exação fiscal, observandose, ademais, que o ganho de capital, realizado em 2.006, nesse ano foi declarado e recolhido no próprio mês o Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 imposto devido, ocorrendo, quando muito, hipótese de postergação, sendo incabível a cobrança de tributo já pago, por configurar "bis in idem”; Multa Isolada — NãoRecolhimento de CarnêLeão 3.62 em preliminar deve ser declarada a decadência da penalidade aplicada referente aos meses de janeiro a julho de 2.004, posto que a ciência da autuação somente ocorreu em 03/08/2.009; 3.63 no que tange â. penalidade, deve ser ela declarada improcedente, pois o contribuinte submeteu os rendimentos à tributação na DIRPF/2005, muito antes de qualquer procedimento de fiscalização, tendo aplicação o artigo 138 do CTN, que estatui a exclusão de responsabilidade nos casos de espontaneidade; ANO CALENDÁRIO 2.006 Reclassificacão de Rendimentos 3.64 indenização recebida pelo impugnante, por sentença judicial, para recomposição de perda patrimonial sofrida como devedor solidário, foi considerada como rendimento desabrigado por norma isencional e indevidamente submetido à tributação;provado ficou que o impugnante teve seu patrimônio pessoal reduzido por força de execução judicial, no qual figurara no pólo passivo em razão de avais que prestara em contrato de financiamento, junto a instituição financeira, e que a quantia de R$ 2.500.000,00 teve finalidade reparatória, de natureza indenizatória, reconhecida por decisão judicial e, como as indenizações destinadas à recomposição de patrimônio não implicam acréscimo patrimonial, objetivando ao retorno do "status quo ante", não há fato gerador do imposto de renda, caracterizando hipótese de nãoincidência; Acréscimos Patrimoniais a Descoberto 3.65em 2.006, o fluxo financeiro elaborado pela Fiscalização não considerou a movimentação bancária havida em cada mês, por isso que inapto para apuração de fatos geradores mensais o levantamento efetuado; 3.66 foram apurados pseudos excedentes de aplicações sobre recursos nos meses de fevereiro e dezembro, e ambos submetidos à tributação, quando deveria ser tributado apenas o maior (dezembro); entretanto, houve lapso material na elaboração do fluxo financeiro pela fiscalização, que deixou de transportar o saldo disponível de R$ 150.314,95, existente em janeiro de 2.006, para o mês seguinte e, com a correção do lapso praticado, o suposto acréscimo patrimonial de fevereiro de 2.006, no valor de R$ 8.344,57, deixaria de existir, e a variação a descoberto de R$ 143.112,17, em dezembro, ficaria reduzida a apenas R$ 1.141,79; 3.67 ante o exposto, demonstrado e provado ficou, nas razões de defesa, que o Auto de Infração ora questionado não atende Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 9 15 aos requisitos legais para prosperar, devendo ser declarada sua insubsistência. A 17ª Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA COM BASE EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. FATOS GERADORES 31/05/2.004 E 31/07/2.004. Uma vez que o contribuinte não apurou saldo de imposto a pagar na declaração do IRPF/2.005 (anocalendário 2.004) apresentada, e inexistindo, outrossim, retenção de imposto de renda na fonte sobre rendimentos oferecidos à tributação, nem, tampouco, antecipação de imposto, fica prejudicada a caracterização do lançamento por homologação, devendo ser aplicadas as regras atinentes ao lançamento de ofício, observandose que, no caso de apuração de omissão de rendimentos, o fato gerador do imposto de renda é complexivo, de período anual. Preliminar rejeitada. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. FATOS GERADORES DE 31/01/2.004 A 31/07/2.004. Não constando dos autos informação no sentido da existência de pagamentos de multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão, que pudessem ser objetos de homologação, aplicase ao lançamento dessas multas o comando legal que trata do lançamento de ofício, frisandose que essa infração possui fato gerador mensal e é autônoma, não se submetendo ao ajuste na declaração de rendimentos anual. Preliminar rejeitada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO MENSAL. Em estrita observância a disposição legal, para fins de determinação de omissão de rendimentos com base em variação patrimonial não justificada, os demonstrativos que cotejam as origens/recursos e os dispêndios/aplicações devem, a partir do anocalendário de 1.989, ser levantados mensalmente, não podendo, destarte, subsistir a alegação de impossibilidade de apuração mensal de acréscimo patrimonial a descoberto. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE CÔMPUTO DAS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS MENSAIS. ALEGAÇÃO DE VÍCIO DO LANÇAMENTO. Na medida em que o lançamento de ofício deve ser efetuado arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração, e que a fiscalização, ao elaborar as planilhas de Evolução Patrimonial Mensal, não estava de posse dos valores referentes às movimentações bancárias mensais do contribuinte, não pode prosperar a alegação de vício do lançamento, que computou somente os Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 16 saldos bancários existentes no início do mês de janeiro e no final do mês de dezembro. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL PARA APROVEITAMENTO NO MÊS SUBSEQÜENTE. O acréscimo patrimonial a descoberto apurado num determinado mês corresponde aos recursos/rendimentos omitidos pelo contribuinte, necessários, tão somente, para cobrir/igualar os dispêndios/aplicações realizados naquele mês, não representando, portanto, saldo de origens/recursos disponível para aproveitamento no demonstrativo de evolução patrimonial do mês subseqüente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DA INDEVIDA TRIBUTAÇÃO DO SOMATÓRIO DOS “ESTOUROS DE CAIXA”. O acréscimo patrimonial a descoberto apurado num determinado mês resulta da verificação de excesso de dispêndios/aplicações em comparação com os recursos/origens, todos daquele mês, não se comunicando/transferindo para o mês seguinte esse acréscimo patrimonial não justificado, que deve ser tributado de forma anual, de acordo com a legislação vigente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONSIDERAÇÃO DO PRODUTO DA VENDA DE OBRA DE ARTE FEITA POR LEILOEIRO OFICIAL. Uma vez não constar dos autos comprovação de transferência de numerário ao contribuinte, referente à venda de obra de arte por ele informada, e não tendo, outrossim, valor probatório, declaração firmada de próprio punho, discriminando as parcelas que teriam sido recebidas em função da citada venda, fica prejudicado o cômputo da quantia correspondente a essa venda, como origens/recursos, na planilha de evolução patrimonial dos meses referentes ao anocalendário 2.004. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DA DEVOLUÇÃO DE OBRAS DE ARTE. Não havendo comprovação de pagamento, ao contribuinte, decorrente de devolução de obras de arte por ele adquiridas, não pode ser computada como recursos a correspondente quantia, não tendo valor probatório recibo emitido pelo próprio contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO CONTRIBUINTE. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 10 17 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DO ERRO MATERIAL NO FLUXO DE CAIXA DE JANEIRO/2.006. Constatado que, no Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira Exercício 2.007/Anocalendário 2.006, a fiscalização deixou de considerar, como "Saldo disponível para o mês seguinte", no mês de janeiro de 2.006, a diferença positiva entre recursos/origens e dispêndios/aplicações, deve ser efetuada a correspondente retificação, o que implica a exclusão da variação patrimonial a descoberto no mês de fevereiro de 2.006, e sua redução no mês de dezembro de 2.006. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Tendo sido a alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula “pro soluto”, o ganho de capital apurado sujeitase à incidência do Imposto de Renda no momento da operação, reputandose, assim, ocorrido o fato gerador em 20/09/2.004, data da alienação do bem imóvel por parte do contribuinte, fato que impõe a manutenção do ganho de capital lançado. RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CLASSIFICADOS NA DIRPF COMO NÃOTRIBUTÁVEIS. Impõese a interpretação literal da legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção, não havendo nos autos elementos suficientes para caracterizar o valor informado pelo contribuinte na declaração de ajuste anual do IRPF/2.007 (ano calendário 2.006) como rendimento isento e nãotributável, na medida em que a documentação por ele acostada ao processo noticia, tão somente, o recebimento de quantia a título genérico de “indenização”, sem especificar, de forma cabal e inequívoca, qual a origem/natureza dessa indenização. Desta forma, deve ser mantida a tributação de valor declarado pelo contribuinte como nãotributável. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. AUSÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA O fato do contribuinte ter oferecido à tributação na declaração de ajuste anual os rendimentos recebidos de pessoas físicas não o exime do pagamento da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento), posto que essa apresenta como fato gerador a falta de recolhimento de carnêleão, não tendo o contribuinte efetuado recolhimentos dessa natureza que pudessem ensejar a exclusão da aplicação das correspondentes multas isoladas. Lançamento Procedente em Parte (grifei) O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 09/11/2012 (fl. 957) e, em 06/12/2012, interpôs o recurso de fls. 958/998, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, exceto a preliminar de decadência. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 18 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tendo em vista o acréscimo patrimonial a descoberto; omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; classificação indevida na Declaração de Ajuste de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos; e multa isolada devida pela falta de recolhimento do IRPF a título de carnêleão. Como questão preliminar, alega o suplicante que a planilha que apurou o Acréscimo Patrimonial a Descoberto contém diversos vícios, o que acabou por prejudicar a exata apuração da base de cálculo do imposto. De pronto, verifico que a preliminar se confunde com o mérito e com ele será analisada. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Quanto ao mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, os arts. 1º, 2o e 3o da Lei no 7.713/1988 (fl. 215): Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (grifei) Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 11 19 Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreendese que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presumese a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêm de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraílas à tributação devida. Portanto, diferentemente do que alega o recorrente, devem ser tributadas todas as variações patrimoniais apuradas mensalmente. Quanto à alegação de que na apuração do fluxo financeiro foi computado somente os saldos bancários existentes no início do mês de janeiro e no final do mês de dezembro, compulsandose o Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira, fls. 723/736, não constatei qualquer prejuízo ao recorrente ou que tal procedimento houvesse agravado a exigência. Com efeito, para que se declare imprestável a apuração efetuada pela autoridade fiscal deveria o suplicante ter comprovado o prejuízo. No que diz respeito à possibilidade de transferência da variação patrimonial a descoberto no mês, como origens de recursos no demonstrativo de acréscimo patrimonial a descoberto do mês subseqüente, cabe esclarecer que a evolução patrimonial apurada corresponde aos rendimentos omitidos pelo contribuinte em determinado mês e, consequentemente, serve apenas para suprir e/ou neutralizar os dispêndios/aplicações realizados naquele mês. Assim sendo, o acréscimo patrimonial mensal não justificado não representa saldo de recursos disponível, não sendo possível seu aproveitamento como origens/recursos no demonstrativo de evolução patrimonial do mês subseqüente. Em outra passagem, alega o recorrente que a planilha de movimentação financeira, referente ao anocalendário 2004, deixou de computar como origem de recursos o valor de R$ 280.000,00, relativo à venda do quadro de Portinari pelo leiloeiro oficial Sr. Cláudio Cohn, conforme faz prova os seguintes documentos juntados: contrato de consignação para venda em leilão Público (doc. 11 fls. 858 e 859); Catálogo distribuído no leilão de 26/05/2004 (doc. 12 fls. 860 a 862) e declaração do leiloeiro oficial, Sr. Cláudio Cohn, contendo detalhes da obra de arte vendida e o repasse de R$ 280.000,00 (doc. 13 fl. 863). De pronto, cumpre registrar que não identifiquei nos autos a comprovação da efetiva transferência de numerário ao recorrente, referente à venda por ele informada. Com efeito, como se trata de apuração de fluxo mensal de acréscimo patrimonial a descoberto é imprescindível a comprovação da data em que o valor foi aportado em seu movimento financeiro. Assim, a declaração firmada pelo próprio contribuinte, bem como a informação prestada pelo leiloeiro, informando que a quantia de R$ 280.000,00 teria sido recebida em sete parcelas de R$ 40.000,00 cada (fl. 721), por si só, não podem ser considerada como prova de que de fato os valores foram recebidos nas datas informadas. Sobre a alegação de que recebeu a quantia de R$ 360.000,00, relativa à devolução de parte dos bens (móveis e antiguidades) vendida ao recorrente pela Sra. Mércia Maria de Souza, companheira do falecido Arthur Valle Mendes, conforme peças de processo instaurado pelos Ministérios Públicos Federal e do Estado de Minas Gerais, penso que a Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 20 documentação de fls. 864/867, além recibo preenchido pelo próprio recorrente, fls. 722, não comprovam o recebimento do referido valor. Omissão de Ganhos de Capital Quanto à alegação de que vendeu um imóvel de sua propriedade pelo preço de R$ 158.000,00, com emissão, pelo adquirente, de nota promissória de igual valor, conforme consta da escritura pública lavrada pelo 12° Tabelião de Notas da Capital, recebendo a citada quantia somente em 25/03/2006, conforme declaração de bens do exercício de 2007, constata se que a Escritura de Compra e Venda lavrada no Cartório do 12º Tabelião de Notas, fls. 181 a 183, dispõe que a nota promissória emitida foi em caráter “pro soluto”. Transcrevese trecho da Escritura de Compra e Venda (fl. 182): ...confessa e declara haver recebido, representado pela nota promissória emitida nesta data, em caráter “pro soluto” com vencimento para o dia 25 de setembro de 2005, e de cujo preço total dá a mais ampla, geral, rasa e irrevogável quitação à compradora.... (grifei) Pelo que se vê, a nota promissória foi emitida desvinculada do contrato e, consequentemente, esse contrato está perfeito e acabado, caracterizando a disponibilidade jurídica, independentemente de ser o título quitado em momento posterior. Na verdade, como o recorrente não carreou aos autos prova de que o recebimento não ocorreu da forma descrita na escritura, não há como considerar a data do recebimento em 25/03/2006. Em que pese entenda pela regularidade da exigência, em relação ao pedido alternativo, qual seja, compensação do valor recolhido na data de pagamento da nota promissória, penso que deve ser deferido. De fato, verificase que o recorrente efetuou o pagamento do ganho de capital, relativamente ao imóvel em apreço, em 28/04/2006, fl. 872, conforme DARF no valor de R$ 8.220,63 (código 4600). Portanto, o valor de R$ 8.220,63 deve ser compensado com o imposto apurado no procedimento fiscal. Consequentemente, em razão do art. 138 do CTN, devese excluir da exigência a multa de ofício de 75%, já que a exigência foi apurada após o efetivo recolhimento do DARF pelo sujeito passivo. Classificação Indevida na Declaração de Ajuste de Rendimentos Tributáveis como Rendimentos Isentos Em relação à alegação de que o valor de R$ 2.500.000,00, recebido a título de indenização, foi indevidamente reclassificado pela autoridade fiscal como rendimento tributário, verificase da análise da cláusula 13 do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", firmado entre as partes em 06/02/2006, fls. 138 e 139, que os valores recebidos pelo contribuinte seriam de caráter indenizatório, já que decorre da quitação da Ação de Execução n ° 97.647.5609. Contudo, penso que o termo de acordo, mesmo que chancelado pelo judiciário, não tem o condão de definir a natureza tributária de um rendimento. A simples denominação de indenização nos acordos homologados pela justiça não gera direito à isenção do imposto de renda, pois é a lei que define se uma verba está ou não alcançada pela isenção, consoante se observa da leitura do § 6º do art. 150 da CF: Art. 150... § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 12 21 correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, § 2.º, XII, g. (grifei) As motivações para a celebração do acordo, ainda que judicial, podem ser puramente subjetivas, dependendo das avaliações convergentes das partes quanto aos possíveis riscos no curso posterior da ação, envolvendo, necessariamente, uma negociação onde cada parte cede uma pouco para obter o máximo com menor risco. A transação particular homologada pelo juiz não pode ser oposta contra terceiros, neste caso, contra a Fazenda Pública, quando visa eximirse a verba da incidência do imposto de renda. Portanto, penso que a natureza do rendimento recebido é tributável e, consequentemente, sujeito à incidência do imposto. Multa Isolada Falta de Recolhimento do CarnêLeão Por fim, no que tange à multa isolada imposta pela falta de recolhimento do carnêleão, relativamente ao anocalendário de 2004, entendo que a exigência deve ser mantida, já que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnê leão), sobre rendimentos que não foram objeto de lançamento de ofício. Transcrevese alínea “a” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1.996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (grifei) Pelo que se vê, é devida a multa isolada quando o contribuinte deixar de recolher o carnêleão, sobre o rendimento oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Logo, não merece acolhimento a alegação de que em razão da denúncia espontânea, estaria excluída a responsabilidade do sujeito passivo, já que a denúncia espontânea não exime o contribuinte do pagamento da multa isolada aplicada ao carnêleão, em razão da falta de recolhimento sobre rendimento informado pelo próprio recorrente em sua DIRPF/2005. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Ante a todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação do valor de R$ 8.220,63 com o imposto apurado na infração referente ao Ganho de Capital, excluindose a multa de ofício Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10980.007894/2008-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.115
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 4a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR (Acórdão DRJ/CTA nº 0630.484, de 22/02/2011, às fls. 208/212) que manteve o lançamento formalizado nos autos. Por bem resumir os fatos, transcrevese, a seguir, o Relatório constante da decisão recorrida (fls. 208/209): “Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, fls. 118 a 123, referente ao exercício de 2005, que alterou o valor da restituição de IR de 31.363,05 para R$ 854,62, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.007894/200891 Resolução n.º 2801000.115 S2TE01 Fl. 246 2 recebidos em reclamatórias trabalhistas movidas contra o Banco Bandeirantes e o Banorte. Consta do lançamento que foi considerada tributável a totalidade dos valores recebidos acumuladamente do Banco Bandeirantes e do Banorte, respectivamente, R$ 299.773,59 e R$ 197.938,02, em razão de serem referentes a acordo, tendo sido deduzidos os respectivos honorários advocatícios de R$ 21.000,00 e de R$ 15.000,00. A autoridade autuante ressaltou que o juiz homologou o acordo com o Banco Bandeirantes “exceto quanto à discriminação das verbas, para as quais determinou que prevalece o constante da R. decisão, proporcionalmente (fls. 37 a 42)” e que o contribuinte não atendeu à intimação para apresentar os cálculos iniciais de nenhuma das ações. Também é ressalvado na autuação que “o presente auto de infração cancela a NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO n02005/609415350972106”, fl. 122. Cientificado do lançamento por via postal, em 12/06/2008 fl. 127, o contribuinte apresentou, por intermédio de procurador fl. 142, em 10/07/2008, a impugnação de fls. 128 a 141, acompanhada dos documentos de fls. 142 a 204, acatada como tempestiva pelo órgão de origem fl. 206. Alega nulidade do lançamento, suscitando ausência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF e de autorização para reexame de período já fiscalizado. Ressalta que seria necessário o MPF porque não constaria dos autos qualquer informação que revele se tratar de procedimento revisional interno, transcrevendo a seguinte parte do auto de infração: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999”. Salienta que o auto de infração, ao cancelar explicitamente a Notificação de Lançamento 2005/609415350972106, estaria reconhecendo o exame de período já fiscalizado, o qual também já teria sido objeto da Notificação de Lançamento 2005/609415402292123. Portanto, segundo o seu entendimento, teria havido dois reexames de período já fiscalizados, sem constar dos autos a autorização prevista no art. 906 do RIR/1999. Afirma não ter havido qualquer omissão de rendimentos, uma vez que as fontes pagadoras e respectivos CNPJ constam dos devidos campos da declaração de ajuste anual. Em decorrência, teria ocorrido erro na imputação fática, requisito essencial do lançamento segundo o art. 142 do CTN, devendose “reconhecer que a inexistência dela viciao de tal sorte que a alternativa cabível é o reconhecimento de sua invalidade”. Aduz nulidade também por haver “vícios decorrentes da inexatidão (quantificação) da matéria tributável”, insurgindose contra a Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.007894/200891 Resolução n.º 2801000.115 S2TE01 Fl. 247 3 tributação da totalidade dos rendimentos auferidos na RT 21459 e na RT 03239/1998, uma vez que “realizados os cálculos segundo o que determina a R. decisão do Magistrado Trabalhista e tendose em conta os documentos ora anexados”, os valores tributáveis seriam os da planilha de fls. 135 a 137, que já considerou a divisão proporcional dos honorários e do IRRF: na RT 21459, R$ 219.595,97 de rendimento tributável no ajuste, sob os quais incidiu R$ 59.691,87 de IRRF; na RT 03239/1998, R$ 144.686,34 com R$ 43.491,95 de IRRF. Refaz a declaração de ajuste com a soma desses valores, R$ 364.282,31 de rendimentos tributáveis e R$ 103.183,82 de IRRF fl. 139, obtendo, segundo seus cálculos, R$ 20.384,60 de restituição de IR. Finaliza solicitando o reconhecimento de qualquer das preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, a improcedência do lançamento, “restituindose ao impugnante o que lhe é de direito e justiça”. Ao apreciar o feito, o órgão julgador de primeira instância decidiu, por unanimidade de votos, não acatar as preliminares suscitadas pelo impugnante e, no mérito, pela procedência do lançamento, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Devidamente intimado da decisão a quo em 17/03/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 214, o contribuinte interpôs em 18/04/2011 o Recurso Voluntário às fls. 217/235, reiterando os argumentos postos quando da impugnação ao lançamento, e solicitando: “(...) a) Reformar a decisão de primeira instância, cancelandose, na sua totalidade, o débito fiscal reclamado, bem como, se necessário e favorável, o julgamento extra petita, peculiar à natureza do feito; ou b) Decretar, por quaisquer das razões apresentadas no presente recurso, a nulidade da decisão de primeira instância e, por conseqüência, julgar procedentes as razões recursais apresentadas na impugnação; ou c) Determinar a baixa dos autos à autoridade de primeira instância para que ela, convertendoos em diligência, possa apurar, adequada e corretamente, sob a égide do artigo 12A da Lei 7.713/88, eventual montante de tributo devido ou a restituir; ou d) No mérito, decidirse pela procedência do presente apelo, determinandose o julgamento do caso segundo o disposto no artigo 12A da Lei 7.713/88, uma vez assim autorizado pelo artigo 106, inciso II, alínea a, do Código Tributário Nacional; ou, ainda no mérito, e) Decidirse pela procedência do presente apelo, determinandose o julgamento do caso segundo o disposto no artigo 12A da Lei 7.713/88, uma vez assim autorizado pelo artigo 106, inciso II, alínea b, do Código Tributário Nacional; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.007894/200891 Resolução n.º 2801000.115 S2TE01 Fl. 248 4 f) Ao final, desobrigar o Recorrente ao pagamento de qualquer espécie de juros ou multa, sempre e acaso se constate a existência de algum tributo cuja responsabilidade a ele se impute; (...) É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. De proêmio, verificase que o lançamento objeto do presente processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, denotase que a fiscalização, ao proceder a exigência tributária, aplicou a tabela progressiva anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo recorrente no anocalendário de 2004, valores estes decorrentes de reclamatórias trabalhistas ajuizadas contra o Banco do Bandeirantes S/A e o Banorte. Em seu recurso, o contribuinte questiona o procedimento adotado pela autoridade lançadora, e assim, defende que na tributação dos rendimentos considerados como omitidos caberia a aplicação do novo artigo 12A da Lei 7.813/88, que trouxe novo e completo regramento quanto ao tema relativo à incidência do imposto de renda sobre valores recebidos de forma acumulada. Deveras, sobre isto, cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.007894/200891 Resolução n.º 2801000.115 S2TE01 Fl. 249 5 b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, Dje043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 13839.902584/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543-C do CPC-Código de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543-C do CPC-Código de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento.
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TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 25 84 /2 00 8- 12 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 51), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fl.01/16, datada de 18/09/2008, com a seguintes palavras: I DOS FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO 1. Tratase de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí que não homologou a Declaração de Compensação n° 24492.80025.101204.1.3.046874, transmitida em 10/12/2004 (doc.5). 2. Referida Declaração de Compensação informa a extinção por compensação de débito a título de COFINS, período de apuração 31/07/2000, no montante original de R$ 61.609,17. 3. O crédito que suportou esta Declaração de Compensação decorre de pagamento indevido realizado pela Requerente, a título de multa moratória,recolhida em hipótese e denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (“CTN”). 4. Pois bem. Conforme se observa da anexa Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais("DCTF") referente ao 3ºo Trimestre de 2000, e entregue em 14/11/2000 (doc. 6), a Requerente apurou, a título de COFINS (período de apuração de 31/07/2000), um débito a pagar no valor originário de R$ 500.326,30 (página 79 da DCTF), sendo que, dentro do prazo legal (15/08/2000), recolheu o tributo apurado, conforme comprova o Documento de Arrecadação de Receitas Federais ("DARF") anexo (doc. 7). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902584/200812 Acórdão n.º 3802004.054 S3TE02 Fl. 133 3 5. Ocorre que, em momento posterior, a Requerente, espontaneamente, constatou ter recolhido valor inferior ao efetivamente devido, razão pela qual em 13/12/2000 realizou um acerto de contas, pagando, em complementação à COFINS referente ao período de apuração de 31/07/2000, os seguintes valores : a) R$ 261.995,86 sendo R$ 250.163,14 de principal e R$ 11.832,72 de juros) (DARF anexo, recolhido em 13/12/2000 doc.8);e b) R$ 60.620,65 (sendo R$ 57.882,79 de principal e R$ 2.737,86 de juros) (DARF anexo, recolhido em 13/12/2000 doc.9); 6. Conforme se observa dos DARFs anexos (docs. 8 e 9), a Requerente não recolheu o tributo dentro do prazo de vencimento, razão pela qual em 13/12/2000 pagou os valores principais acrescidos de juros de mora. 7. Diante disso, posteriormente à regularização espontânea de sua situação, em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 82 constam os mencionados valores de R$ 261.995,86 sendo R$ 250.163,14 de principal e R$ 11.832,72 de juros) e R$ 60.620,65 (sendo R$ 57.882,79 de principal e R$ 2.737,86 de juros) . 8. No presente caso ocorreram, portanto, os seguintes fatos: (a) em 14/11/2000 foi apresentada DCTF referente ao 3º Trimestre de 2000, na qual consta débito de COFINS (período de apuração de 31/07/2000), no valor originário de R$ 500.326,30 (doc. 6); (b) em 15/08/2000, dentro do prazo legal, este montante de R$ 500.326,30 foi recolhido (doc.7); (c) em 13/12/2000, a Requerente realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 31/07/2000, devidamente acrescida dos juros legais R$ 261.995,86 sendo R$ 250.163,14 de principal e R$ 11.832,72 de juros) e R$ 60.620,65 (sendo R$ 57.882,79 de principal e R$ 2.737,86 de juros) docs. 8 e 9); e, (d) somente em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 82 constam os mencionados valores complementares (R$ 261.995,86 e R$ 60.620,65 ). 9. Dessa forma, é de fundamental importância mencionar que estes recolhimentos, ainda que a destempo, foram efetuados: (a) com acréscimo dos juros devidos; (b) antes do Fisco tomar conhecimento do referidos débitos; (c) antes de ser iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização; e (d) antes do crédito ser constituído, seja por declaração ou por lançamento de ofício. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 10. Sendo assim, neste caso estão evidentemente presentes todos os requisitos necessários à configuração de denúncia espontânea (Código Tributário Nacional "CTN", art. 138). 11. Bem por isso, o procedimento adotado pela Requerente encontrase em perfeita sintonia com o atual posicionamento do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ("STJ"). 12. Nem se alegue, portanto, que ao presente caso poderia ser aplicada a recente Súmula n° 360, editada pelo E. STJ, segundo a qual é inaplicável o benefício da denúncia espontânea "aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Isso porque, conforme já explicitado, a Requerente efetivamente pagou o tributo antes de leválo ao conhecimento do Fisco. 13. Ocorre que, muito embora a inequívoca configuração da denúncia espontânea, em 23/11/2004 a Requerente indevidamente recolheu a multa moratória no valor de R$ 61.609,17, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea (DARF anexo doc. 11). 14. Assim, como forma de recuperar o montante indevidamente recolhido, em 10/12/2004 a Requerente transmitiu o anexo PER/DCOMP (doc. 12, utilizando este valor de R$ 61.609,17, para quitar parte da COFINS apurada no período de apuração novembro de 2004. 15. Ocorre que a Receita Federal do Brasil, possivelmente por não admitir a aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, houve por bem não homologar a compensação declarada. Confirase a íntegra da decisão (doc. 4): "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL. Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 61.609,17, A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada." 16. Observase da decisão recorrida (doc. 4) que o motivo da não homologação da compensação declarada foi a suposta inexistência de crédito, justamente por considerar devido o pagamento da multa moratória, ainda que não tenha havido explicitação da recusa da tese da denúncia espontânea. 17. Contudo, observada a denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, restará demonstrada a existência de crédito, fazendo necessária a homologação da compensação declarada. É o que a Requerente passará a expor. II.l Do Pagamento do Tributo Antes da Entrega da DCTF Súmula n° 360 do STJ Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902584/200812 Acórdão n.º 3802004.054 S3TE02 Fl. 134 5 18. Não obstante o fiel cumprimento das exigências legais, especialmente do artigo 138 do CTN, destacaseque a Requerente procedeu ao recolhimento do tributo com o acréscimo dos juros de mora antes de entregar a DCTF ao Fisco. (...) 19. Cumpre demonstrar que a Requerente enquadrase na exata hipótese de denúncia espontânea conferida pela mais recente jurisprudência do E. STJ, a quem cabe decidir em última análise sobre a interpretação da legislação federal, na qual se inclui o Código Tributário Nacional. Confirase: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO NÃO DECLARADO MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. COMPENSAÇÃO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não há o denominado autolançamento, por meio de prévia declaração de débitos pelo contribuinte, não se encontra constituído o crédito tributário, razão pela qual, nesta situação, a confissão da dívida acompanhada do seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo, configura denúncia espontânea, capaz de afastar a multa moratória. Precedentes: AgRg no REsp n° 868.680/SP, Rei. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 27.11.2006; AgRg no Ag n° 600.847/PR, Rei. Min. LUIZ FUX, DJ de 05.09.2005 e REsp n° 836.564/PR, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJde 03.08.2006. II A multa recolhida indevidamente pelo contribuinte está incluída no conceito de crédito para os fins de compensação tributária, tendo em vista que o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 autoriza o aproveitamento de quaisquer créditos relativos a tributos ou contribuições que sejam passíveis de restituição, restando evidente a vinculação da penalidade com a exação tributária. Precedente: REsp n° 831.278/PR, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJde 30.06.2006. III Recurso especial da FAZENDA NACIONAL impróvido. Recurso especial do contribuinte provido."(Recurso Especial n° 903345/RS, Ia Turma, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ 12/04/2007 destaques da Requerente). "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICADORA. MULTA.EXCLUSÃO. 1. Não se caracteriza a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. 2. Por outro lado, configurase a denúncia espontânea com o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 quando esse débito resulta de diferença de IRRF e CSLL, tributos sujeitos a lançamento por homologação, que não fizeram parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos FederaisDCTF. 3. In casu, o contribuinte reconheceu a existência de erro em sua DCTF e recolheu a diferença devida, acompanhada de correção monetária e juros, antes de qualquer providência do Fisco, que, em verdade, só tomou ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 4. A regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea. Precedentes. 5. Recurso especial não provido." (Recurso Especial n° 908.086/RS, Rei. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 05/06/2008 destaques da Requerente). 20. Com efeito, o E. STJ considera caracterizada a denúncia espontânea, com a decorrente exclusão da multa moratória, quando o recolhimento do tributo e dos juros de mora é realizado antes de constituído o débito, sendo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, considerase constituído o débito quando declarado pelo contribuinte ao fisco. 21. Débito constituído, ainda de acordo com o atual entendimento do E. STJ, é aquele que, embora não quitado, já tenha sido declarado ao fisco (quando tal procedimento compete ao contribuinte), ou antes de qualquer procedimento fiscal iniciado. 22. No presente caso, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cabe à Requerente declarar o montante devido quando da entrega da DCTF. Portanto para a configuração da denúncia espontânea, deve a Requerente recolher os valores devidos, com acréscimo de juros, antes da entrega da DCTF com tais informações. 23. Em decorrência do vasto repertório jurisprudencial sobre a matéria, o E. STJ, em 27/08/2008, fez editar a Súmula n° 360, assim dispondo: uO beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". (Rei. Min. ELIANA CALMON). 24. Referida súmula, ao afastar a aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, evidentemente, acaba por tornar compulsória a aplicação da denúncia espontânea às hipóteses em que os contribuintes realizam o pagamento do tributo antes da declaração da DCTF. 25. E é exatamente a hipótese em exame, pois a Requerente pagou o tributo em 13/12/2000, com o acréscimo dos juros (docs. 8 e 9), e, em momento posterior (29/01/2004), entregou a DCTF Retificadora (doc. 10) onde levou ao conhecimento do Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902584/200812 Acórdão n.º 3802004.054 S3TE02 Fl. 135 7 Fisco referido valor, restando configurada a denúncia espontânea. II.2 Multa Moratória Indevida na Denúncia Espontânea 26. Dispõe o artigo 138 do CTN: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." 27. Da leitura do dispositivo legal transcrito, concluise que a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, exclui a responsabilidade pela infração. Por exclusão da responsabilidade entendese o afastamento da possibilidade de ser aplicada qualquer penalidade, no caso a multa pelo pagamento impontual do tributo. 28. Segundo o Exmo. Ministro MILTON PEREIRA, da Ia Turma do STJ, o artigo 138 do CTN tem por pressuposto que exigir a multa "... seria desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirador da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada via da impontualidade, comportamento prejudicial à arrecadação da receita tributária, principal objetivo da atividade fiscal" (trecho da ementa de acórdão da sua relatoria, no REsp n° 9.421O/PR, DJU de 19/10/1992). 29. Então, denunciada espontaneamente a infração, com o pagamento do tributo devido e dos juros de mora" fiscalização, fica o contribuinte dispensado do cumprimento da penalidade de natureza pecuniária relativa à infração, qual seja, a multa. 30. O E. STJ, por meio de suas Ia e 2aTurmas, a quem compete em última análise apreciar questões relacionadas com a matéria, há muito vem entendendo não ser possível a exigência da multa no caso de débitos denunciados espontaneamente com o respectivo recolhimento do tributo. Nesse sentido, confirase a ementa dos seguintes acórdãos: "Tributário ICM Importação Regime draw back – Mercadoria Importada comercializada em território brasileiro – Denúncia espontânea (CTN, art. 138) Multa moratória. Se o contribuinte denuncia espontaneamente débito tributário em atraso e recolhe o montante devido, com juros de mora, fica exonerado de multa moratória (CTN, art. 138). "( 1ª a Turma, REsp n° 36.796/SP, Rei. Min. Humberto Gomes de Barros, v.u., julg. em 03/08/94, DJU de 22/08/94 destaques da Requerente) •'TRIBUTÁRIO. ICM. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138. Recurso Especial conhecido e provido. "(2a Turma, REsp n° 16.672/SP, Rei. Min. Ari Pargendler, v.u., julg. em 05/02/96, DJU de 04/03/96 destaques da Requerente) 31. Vê se, assim, que também por força do artigo 138 do CTN, a exigência fiscal relativa ao pagamento supostamente realizado fora do prazo afigurase manifestamente insubsistente, fazendo se imperioso o pronto reconhecimento do direito creditório em face do pagamento indevido da multa de mora em denúncia espontânea. II.3 Da Denúncia Espontânea no Caso Concreto 32. Referida multa moratória foi entendida como devida justamente pelo fato da Receita Federal do Brasil desconsiderar a denúncia espontânea, a qual, caso observada, certamente ensejaria o reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, a homologação da compensação declarada. 33. Isto porque, a Receita Federal do Brasil, ao analisar, eletronicamente, o crédito da Requerente, simplesmente vinculou o DARF informado no PER/DCOMP com o valor da multa moratória anteriormente pago, sem, contudo, observar que referido pagamento era indevido, por tratarse a hipótese de denúncia espontânea. 34. Observase, no presente caso, a seguinte situação: (a) em 14/11/2000 foi apresentada DCTF referente ao 3ºo Trimestre de 2000, na qual consta débito de COFINS (período de apuração de 31/07/2000), no valor originário de R$ 500.326,30 (doc. 6); (b) em 15/08/2000, dentro do prazo legal, este montante de R$ 500.326,30 foi recolhido (doc. 7); (c) em 13/12/2000, a Requerente realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 31/07/2000, (R$ 261.995,86 e R$ 60.620,65 ) docs 8 e 9);. (d) em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 82 constam os mencionados valores complementares R$ 261.995,86 e R$ 60.620,65 ); (e) em 23/11/2004, a Requerente indevidamente recolheu a multa moratória no valor de R$ 61.609,17, que seria devida caso não se tratasse a hipótese de denúncia espontânea (DARF anexo doc. 11); e (f) como forma de recuperar o montante indevidamente recolhido, em 10/12/2004 a Requerente transmitiu o anexo PER/DCOMP (doc. 12), utilizando este valor de R$ 61.609,17, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902584/200812 Acórdão n.º 3802004.054 S3TE02 Fl. 136 9 para quitar parte da COFINS apurada no período de novembro de 2004. 35. E é exatamente este PER/DCOMP a razão principal que levou a não homologação da compensação, pois, ao desconsiderar a denúncia espontânea, entendeu a Receita Federal do Brasil ser devida a multa moratória e, conseqüentemente, não reconheceu indevido o pagamento realizado pela Requerente, o que acarretou a suposta inexistência de crédito. 36. Destaquese, por derradeiro, que a Requerente recolheu o tributo com o acréscimo dos juros de mora e antes da adoção de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização por parte do Fisco. 37. Deste modo, a tabela abaixo demonstra exatamente o pagamento integral dos juros de mora, o que corrobora, in casu, a aplicabilidade da denúncia espontânea. Vejase: Data de Vencimento Data do recolhimento em atraso Juros de Mora Devido Juros de Mora Recolhido 15/08/2000 13/12/2000 R$ 11.832,72 R$ 11.832,72(doc.08) 15/08/2000 13/12/2000 R$ 2.737,86 R$ 2.737,86 (doc. 09) 38. Demonstrado o recolhimento integral dos juros de mora, e considerando que a Requerente pagou o tributo devido antes do Fisco adotar qualquer medida administrativa ou de fiscalização e, ainda, antes de entregar a DCTF, forçoso reconhecer a aplicação da denúncia espontânea e, conseqüentemente, o direito creditório, pois configurado o recolhimento indevido da multa de mora. III DO PEDIDO 39. Por todo o exposto, é a presente para requerer seja acolhida a manifestação de inconformidade, para reformar a r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal em Jundiaí, homologandose a compensação realizada, pois configurada a suficiência de crédito em favor da Requerente. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CPS no 0536.561, de 18/01/2012, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. MULTA DE MORA. DEVIDA. É devida a multa de mora incidente sobre o pagamento efetuado a destempo, ainda que inexistente procedimento de fiscalização. O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação que integra a declaração de compensação, ratificando o Despacho decisório. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a motivação da declaração recorrida, para manutenção da não homologação das compensações, foi exclusivamente a de que a multa de mora não teria natureza punitiva e não estaria abrangida pela denúncia espontânea. A multa de mora tem natureza punitiva como reconhecido pelo STJ (recurso especial de n° 1.149.022, julgado pela sistemática de recurso repetitivo) e até mesmo pela PGFN (Pareceres PGFN/CRJ de n°s 2.113/2011 e 2124/2011). Sendo assim, deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Foram encaminhados memoriais pela recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de PER/DCOMP onde se pleiteia restituição/compensação pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, no valor de R$ 61.609,17. A recorrente argumenta que o recolhimento complementar foi efetuado com o principal e juros, portanto espontâneo, pois anterior à retificação da DCTF, e o pagamento da multa de mora posteriormente, sendo indevido; logo, solicitando a homologação da compensação. Existem diversos julgados por esta Turma de julgamento, dentre eles, o proferido pelo Conselheiro Solon Sehn nos autos do processo no 10680.000035/200775 (Acórdão no 3802000.738, de 06/10/2011), cujas razões de decidir adoto para o presente caso: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902584/200812 Acórdão n.º 3802004.054 S3TE02 Fl. 137 11 No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora (fls. 44 e ss); (ii) realizado no dia 1512/2003, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 43); (iii) cópia das Dctfs originárias (fls. 57 e ss.) e retificadoras, de 06/06/2004 (fls. 72 e ss.). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902584/200812 Acórdão n.º 3802004.054 S3TE02 Fl. 138 13 [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 303 30.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Votase, portanto, pelo conhecimento e provimento integral do recurso, afastandose a exigência da multa de mora. Outros julgados, a título de exemplo, confiramse as seguintes ementas: Acórdão de n° 3802003.381, de relatoria de Waldir Navarro Bezerra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543Cdo Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acórdão de n° 3802003.434, de minha relatoria: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. A recorrente, espontaneamente, constatou ter recolhido valor inferior ao efetivamente devido, razão pela qual em 13/12/2000, realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 31/07/2000, (R$ 261.995,86 e R$ 60.620,65 ) docs 8 e 9). Em 29/01/2004 apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 82 constam os mencionados valores complementares de R$ 261.995,86 e R$ 60.620,65 . Em 23/11/2004 a recorrente recolheu a multa moratória no valor de R$ 61.609,17, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea. Observase, portanto, que o pagamento ocorreu antes da apresentação da DCTF, e ainda, antes da prática de qualquer ato de fiscalização. Assim, diante da documentação, a Recorrente promoveu o pagamento em atraso, mas antes da entrega da DCTF, solicitando a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902584/200812 Acórdão n.º 3802004.054 S3TE02 Fl. 139 15 E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, bem como na Nota Técnica Cosit nº 1/2012, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RI/CARF. (Portaria MF n° 256/2009). Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12571.720356/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Comprovado pelo sujeito passivo que determinados créditos bancários, que foram objeto da autuação, não correspondem a ingressos de novas receitas, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário lançado correspondente aos referidos valores creditados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1102-001.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovado pelo sujeito passivo que determinados créditos bancários, que foram objeto da autuação, não correspondem a ingressos de novas receitas, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário lançado correspondente aos referidos valores creditados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720356/201139 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1102001.309 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de março de 2015 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLEDIMIL MARTINS DA COSTA ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovado pelo sujeito passivo que determinados créditos bancários, que foram objeto da autuação, não correspondem a ingressos de novas receitas, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário lançado correspondente aos referidos valores creditados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 03 56 /2 01 1- 39 Fl. 5070DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 12571.720356/201139 Acórdão n.º 1102001.309 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em face do Acórdão 0637.664, de 31 de julho de 2012, da DRJ/Curitiba, que concluiu pela procedência parcial da impugnação interposta por CLEDIMIL MARTINS DA COSTA – ME contra lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa transcrevese a seguir: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Proferese novo acórdão para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão. AUTO DE INFRAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA DE DEPÓSITO. Caracteriza presunção de omissão de receitas os Créditos em Conta de Depósito, cuja origem não é devidamente comprovada, mediante documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Contrário senso, para todos aqueles em que é oferecida documentação desse teor, a presunção fica elidida. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ESCRITURADO NÃO OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO. Havendo lucro apurado e escriturado nos livros do contribuinte, e comprovadamente não tendo ele sofrido tributação voluntária, é procedente a cobrança de ofício dos tributos e contribuições exigidos pela legislação tributária. AUTOS DE INFRAÇÃO REFLEXOS. Aplicamse aos autos de infração reflexos, de CSLL, PIS e COFINS, as mesmas razões de decidir, tendo em vista a intima relação entre os fatos, as provas e os fundamentos legais.” Em síntese, a autuação fiscal, na parte que foi objeto de impugnação pelo contribuinte, decorre da constatação de omissão de receita operacional caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários, os quais não haviam sido contabilizados. Os extratos foram obtidos mediante expedição de RMF – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, dirigidas às instituições financeiras. Na impugnação, requereu o contribuinte que, do total de R$ 10.158,505,58 de valores apurados a título de omissão de receita, fosse excluído o montante de R$ 4.925.630,56, conforme alegações apresentadas, documentos anexos e demonstrativos elaborados. Fl. 5071DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 12571.720356/201139 Acórdão n.º 1102001.309 S1C1T2 Fl. 4 3 A DRJ, analisando o conjunto probatório, julgou comprovados créditos no montante total de R$ 2.631.070,89, mantendo o lançamento com relação aos demais créditos totalizando R$ 2.294.559,67, sobre os quais incidiram o IRPJ e os tributos reflexos (PIS, COFINS, e CSLL). Por ter exonerado créditos tributários em montante superior ao limite de alçada, recorreu a DRJ de ofício a este Colegiado. O contribuinte, por sua vez, intimado do acórdão de impugnação em 13.08.2012, conforme AR de fls. 5.046, e transcorrido o prazo legal de 30 dias, não se manifestou. Na sessão de 8 de maio de 2013, por meio da Resolução 1102000.153, o julgamento do recurso foi sobrestado em razão do disposto nos §§ 1º e 2o do art. 62A do Regimento Interno do CARF, e da discussão pelo STF a respeito da possibilidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Com a revogação dos citados dispositivos regimentais, o processo retorna à pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Ao final do acórdão da autoridade julgadora de primeira instância, constam tabelas demonstrativas dos valores dos tributos e multas exonerados, calculados sobre a parcela de créditos bancários no montante total de R$ 2.631.070,89 que foram considerados comprovados. Ali é possível comprovar que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de créditos relativos a tributos e encargos de multa em valor superior ao limite de R$ 1.000.000,00, fixado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, motivo pelo qual o recurso de ofício deve ser conhecido. Analisandose a bem elaborada decisão de piso, verificase que a autoridade julgadora a quo confeccionou uma esclarecedora tabela na qual retratou cada uma das importâncias questionadas pela impugnante, acrescentando uma coluna na qual constam as razões para a aceitação (“AC”) ou não aceitação (“NAC”) dos argumentos da impugnante, e outra para a indicação das folhas do processo onde se encontram os respectivos documentos apresentados. Tendo sido considerados comprovados os créditos bancários ali discriminados pelos motivos sucintamente referidos como “MOT1”, “MOT2”, “MOT5” e “MOT6”, reproduzo abaixo a exposição mais minuciosa dos referidos motivos: “MOT1 – Nos extratos do Banco Bradesco observase que quando a conta corrente apresenta Saldo Negativo em uma data, no dia seguinte é realizado um lançamento Creditando (sentido bancário) a conta pelo mesmo valor do referido Fl. 5072DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 12571.720356/201139 Acórdão n.º 1102001.309 S1C1T2 Fl. 5 4 saldo, e, no mesmo dia do Crédito é realizado um outro lançamento Debitando (sentido bancário) a conta pelo mesmo valor Creditado, anulandose os valores para efeito de saldo. Tanto o valor Creditado, como o Debitado, tem como histórico “REDUÇÃO SDO DEVEDOR”. A Fiscalização colheu os valores Creditados, para formar a base tributável, sem considerar os respectivos Débitos anulatórios, que, sempre em idêntica quantidade, valor, histórico e repetido procedimento, demonstram que se trata de metodologia daquele banco, para alguma finalidade interna, não se constituindo ingresso de numerário na contacorrente do interessado. MOT2 – No Relatório de Ação Fiscal, fls. 4735, a Fiscalização afirma: “Não foram detectadas transferências entre contas bancárias da própria pessoa jurídica conforme descrito no inciso I, do § 3º, do art. 42, da Lei 9.430 de 1996”. Entretanto, vários ingressos na conta do Bradesco, conforme resumo de fls. 4809, trouxeram o histórico “REMET. CLEDEMIL MARTINS DA COSTA”, ou ainda depósitos em cheque com a observação “O PRÓPRIO FAVORECIDO”; também transferências bancárias originadas a partir do Banco Itaú, traz o histórico “SISPAG TRANSF TITUL TED”, denotando que os valores advieram do próprio interessado. Pesquisando as outras contas bancárias da empresa, cujos extratos constam dos autos, verificase que há idênticos valores saindo das mesmas e na mesma data, à titulo de transferências. Esses valores de remessa estão sendo apontados conforme indicação na coluna “Nº Fls proc docum comprobatório”. MOT5 – O(s) documento(s) comprobatório possui(em) dados que coincidem com o valor tributado, por exatidão ou por aproximação razoável, o que é motivo para sua aceitação para comprovar o alegado. MOT6 – O histórico do lançamento bancário no extrato, ou a relação do valor com outros do extrato, no entender da DRJ/CTA/1ª Turma, é suficientemente claro para esclarecer a origem do recurso, incluído aí o local ou pessoa de quem promana, e a causa/motivo do ingresso.” Vêse, portanto, que os créditos que foram considerados comprovados pela autoridade julgadora a quo o foram de forma fundamentada e coerente com as provas dos autos. Tratase, de fato, de créditos bancários que não representam ingressos de novas receitas, quer por serem oriundos de meras movimentações ou transferências entre contas, ou então de operações de empréstimo bancários, ou, ainda, por serem relativos a valores com relação aos quais foi possível identificar, com exatidão ou razoável grau de precisão, a sua origem. A título de exemplo: em sua impugnação, o contribuinte aponta que o valor de R$12.160,69, creditado em 02/10/2008, referese à nota fiscal 1771, líquida de retenções. A DRJ identifica que a referida nota fiscal se encontra às fls. 4904. Subtraindose do seu valor bruto (R$13.336,17), os valores das retenções para o INSS (R$775,38) e para o ISS (R$400,10), chegase ao exato montante de R$12.160,69, que se encontra registrado no extrato da Caixa Econômica Federal constante às fls. 2516. Encontrase correta, portanto, a decisão proferida, não havendo motivos para a sua alteração por este colegiado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Fl. 5073DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 12571.720356/201139 Acórdão n.º 1102001.309 S1C1T2 Fl. 6 5 João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5074DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10283.000840/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. SÚMULA Nº 99 DO CARF.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º, do CTN.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
Encontra-se finada pela decadência e pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, até a competência 11/2002, inclusive, com base no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º, do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. Encontrase finada pela decadência e pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, até a competência 11/2002, inclusive, com base no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 08 40 /2 00 8- 62 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000840/200862 Acórdão n.º 2302003.647 S2C3T2 Fl. 754 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Data da lavratura da NFLD: 28/12/2007. Data da Ciência da NFLD: 28/12/2007. Temse em pauta Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo do crédito tributário formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.141.2293, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 452/462. Informa a Autoridade Lançadora que o crédito tributário ora lançado tem por objeto contribuições sociais a cargo a empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, e apuradas a partir da Contabilidade da empresa, do exame dos Livros Diário e Razão, folhas de pagamento e planilhas apresentadas à fiscalização pelo sujeito passivo. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 468/506. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0112.498 5ª Turma da DRJ/BEL, a fls. 690/708, julgando procedente em parte a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo para fazer excluir do lançamento as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências já atingidas pela decadência, nos termos plasmados no art. 150, §4º, do CTN, retificando o Crédito Tributário lançado na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado a fls. 710/736, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/09/2009, conforme Termo de Intimação nº 111/2009, a fl. 738 e Aviso de Recebimento a fl. 740, porém não ofereceu Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância acima citada, como assim atesta o Despacho da Equipe de Arrecadação e Cobrança — EAC/02, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM, de 17 de março de 2010, a fl. 743. Relatados sumariamente os fatos de maior relevo. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO CONHECIMENTO DO RECURSO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0112.498 5ª Turma da DRJ/BEL, a fls. 690/708, julgando procedente em parte a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo para fazer excluir do lançamento as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências já atingidas pela decadência, nos termos plasmados no art. 150, §4º, do CTN, retificando o Crédito Tributário lançado na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado a fls. 710/736, e recorrendo de ofício de sua decisão. Dessarte, presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. 2. DO RECURSO DE OFICIO 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000840/200862 Acórdão n.º 2302003.647 S2C3T2 Fl. 755 5 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do Fl. 758DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000840/200862 Acórdão n.º 2302003.647 S2C3T2 Fl. 756 7 art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste subscritor mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso presente, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate em 28/12/2007, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2001, inclusive, bem como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo anocalendário. Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Fl. 760DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000840/200862 Acórdão n.º 2302003.647 S2C3T2 Fl. 757 9 julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. No caso presente, o RDA Relatório de Documentos Apresentados revela a efetiva ocorrência de recolhimentos a título de contribuições previdenciárias patronais em todas as competências de 1999 e 2005. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, assessorado pela Súmula nº 99 do CARF, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo que em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário deve obedecer à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Fl. 762DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000840/200862 Acórdão n.º 2302003.647 S2C3T2 Fl. 758 11 Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Fl. 763DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate no dia 28/12/2007, há que se considerar como homologado tacitamente o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos nas competências de dezembro/2001 até novembro/2002, inclusive, nos termos do §4º do art. 150 do Codex tributário. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF e do Recurso Especial nº 973.733 – SC, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontravam caducas todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2001, nos termos do art. 173, I, do CTN, da mesma forma que já se encontrava tacitamente homologado o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências de dezembro/2001 até novembro/2002, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Dessarte, sendo de janeiro/1999 a dezembro/2005 o período de apuração do crédito tributário em realce, pugnamos pela exclusão do vertente lançamento de todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/1999 a novembro/2002, inclusive. Por tais razões, negamos provimento ao Recurso de Ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000840/200862 Acórdão n.º 2302003.647 S2C3T2 Fl. 759 13 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19515.004672/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO.
Havendo contradição entre a fundamentação, o dispositivo e o resultado do julgamento, em decorrência de equivoco na formulação e publicação da pauta de julgamento, devem ser conhecidos e acolhidos os Embargos de Declaração.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - MPF - PRORROGAÇÃO DE PRAZO.
A Portaria nº 6.087/05 da SRF estabelece a possibilidade de prorrogação por, no máximo, 120 dias do MPF. A nulidade da prorrogação do prazo deve ser comprovada através de descumprimento à forma que acarrete prejuízo ao contribuinte.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2202-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO AOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS: Por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para retificar a decisão embargada (Acórdão nº 2202-002.630, de 15/04/2014) sanando as omissões apontadas, para conhecer o recurso. QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente convocada) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. Designado o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, para redigir o voto vencedor nesta parte. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL PANDOLFO - Relator.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Doantos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Havendo contradição entre a fundamentação, o dispositivo e o resultado do julgamento, em decorrência de equivoco na formulação e publicação da pauta de julgamento, devem ser conhecidos e acolhidos os Embargos de Declaração. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE MPF PRORROGAÇÃO DE PRAZO. A Portaria nº 6.087/05 da SRF estabelece a possibilidade de prorrogação por, no máximo, 120 dias do MPF. A nulidade da prorrogação do prazo deve ser comprovada através de descumprimento à forma que acarrete prejuízo ao contribuinte. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS: Por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para retificar a decisão embargada (Acórdão nº 2202002.630, de 15/04/2014) sanando as omissões AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 72 /2 00 9- 69 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 apontadas, para conhecer o recurso. QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente convocada) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. Designado o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, para redigir o voto vencedor nesta parte. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) RAFAEL PANDOLFO Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Doantos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.944 S2C2T2 Fl. 329 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelo recorrente, o Fisco iniciou procedimento de fiscalização (fls. 0203), intimando o recorrente para comparecer à Divisão de Fiscalização IV/Defic/SPO para ciência de documentos referentes à ação fiscal instaurada através do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08190.00.2009000274 (fl. 06). Em 02/04/09, a autoridade fiscal lavrou novo Termo de Intimação Fiscal (fl. 04), para que o recorrente apresentasse extratos bancários referentes à sua movimentação financeira dos anoscalendário de 2004 e 2005. A intimação foi devolvida com informe de ‘ausente” (fl. 05). O recorrente foi intimado novamente em 30/04/09, tomando ciência no dia 06/05/09 (fl. 09). Ausente manifestação do recorrente, a Fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 001/09 (fls. 1022). Houve, ainda, em razão da falta de resposta do contribuinte, emissão do Termo de Intimação Fiscal nº 002/09 (fls. 2335), do qual restou ciente em 28/09/09 (fl. 36). Em razão da inércia do recorrente, o Fisco intimou as instituições financeiras: Caixa Econômica Federal (fl. 48) e Banco Bradesco S/A (fl. 49), mediante emissão de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF. Tendo em vista as reiteradas intimações para que o contribuinte apresentasse documentos e esclarecimentos, a Fiscalização, após emitir o Termo de Verificação Fiscal (fls. 138144), decidiu lavrar o Auto de Infração. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 29/10/09 (fls. 143150), Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anoscalendário de 2004 e 2005, apurando crédito tributário no montante de R$ 1.556.645,00, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada foi Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. O recorrente tomou ciência do Auto em 30/10/09. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 155162), esgrimindo os seguintes argumentos: a) o prazo máximo do procedimento fiscal é de 120 dias, de modo que a presente fiscalização é nula de pleno direito, vez que excedeu tal prazo; b) o recorrente não foi notificado da instauração do mandado de procedimento fiscal, quando ocorreu a quebra do sigilo bancário, o que Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 configura nulidade da fiscalização, além de ofender os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal; c) segundo o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, para ocorrer a quebra do sigilo fiscal, deve existir processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Assim, o procedimento fiscal nº 0819000.2009.000274 só poderia ser instaurado caso tivesse ocorrido um processo administrativo anterior, do qual o contribuinte deveria, necessariamente, ser cientificado, e desde que houvesse autorização judicial para quebra de sigilo bancário, o que não ocorre no caso; d) a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/01, uma vez que a quebra do sigilo bancário necessita de ordem judicial. Por fim, o recorrente juntou aos autos: (a) Termo de Verificação Fiscal (fls. 167170); e (b) termos de intimações fiscais (fls. 171172). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 10ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 183192), mantendo o crédito tributário exigido. Nessa decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) o mandado de procedimento fiscal é instrumento interno de planejamento de controle das atividades e procedimentos fiscais, de modo que não pode obstar o lançamento, o qual é estabelecido por força de lei; b) no caso, o procedimento fiscal foi prorrogado até 02/11/09, sendo que a ciência do procedimento ocorreu no dia 30/10/09. Assim, não houve desatenção ou não observância às regras estabelecidas pela Portaria SRF nº 11.371/07; c) o fornecimento de informações pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal não constitui violação ao sigilo bancário, nos termos do art. 11, § 2º, da Lei nº 9.311/96; d) todo o procedimento fiscal e atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, estão revestidos de suas formalidades legais, não havendo o que se falar em desrespeito aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; e) verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva da presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase de presunção relativa que poderia a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção; f) em razão do Princípio da Legalidade, a autoridade fiscal possui o poder/dever de, não comprovada a origem dos recursos, considerar os valores depositados como rendimentos tributados omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; g) nos termos da Constituição Federal, artigos 97 e 102, incumbe, exclusivamente, ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão sobre questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.944 S2C2T2 Fl. 330 5 5 Recurso Voluntário O contribuinte interpôs, intempestivamente, Recurso Voluntário em 14/06/11 (fl. 196), após tomar ciência da decisão em 14/04/11 (fl. 194), repisando os argumentos da impugnação. 6 Sobrestamento Em 23/01/13, através da Resolução nº 2202000.430 (fls. 227234 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. 7 Acórdão de Recurso Voluntário O Acórdão nº 2202002.630, no processo nº 19515.004672/200969, na data de 15/04/14 não conheceu do recurso em razão da interposição do recurso voluntário, após o prazo contido no art. 33 do Dec. 70.235/72 (fls. 235240 do eprocesso). 8 Embargos de Declaração Em 09/07/14, embargos foram opostos por Anselmo Rodrigo Baptista em face do Acórdão nº 2202002.630 proferido no presente processo. A contradição alegada diz respeito ao fato de o voto mencionar que o embargante foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação em 14/04/11, e que teria interposto recurso voluntário somente em 14/06/11, razão pela qual não foi conhecido o recurso, conforme o prazo de 30 dias, assinalado no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, o voto menciona que o recurso voluntário foi interposto 29 dias após a intimação, ou seja, no prazo legal (fls. 248253 do e processo). 9 Despacho em Embargos Foram prestadas informação ao Ilmo. Sr. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo, por este Relator, onde se concluiu a ocorrência das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 309310 do eprocesso). 10 Recurso Especial O recorrente interpôs recurso voluntário, alegando que o recurso voluntário é tempestivo, pois interposto em 20/04/11, conforme documento de fls. 215. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pelo contribuinte Anselmo Rodrigo Baptista, a fim de que se retifique o acórdão embargado. Segundo alegado pelo embargante, o voto embargado teria consignado prazos distintos para o ato de interposição do recurso. De um lado, assinalou que o recurso seria intempestivo, pois a intimação do resultado do julgamento de sua impugnação teria ocorrido em 14/04/11, tendo o recurso sido interposto somente em 14/06/11. De outro, considerou que recurso voluntário teria sido interposto 29 dias após a intimação, ou seja, no prazo legal. Em sede de recurso especial, o contribuinte aponta que o seu recurso voluntário seria tempestivo, pois interposto em 20/04/11. Assiste razão ao embargante. De fato, da análise do documento de fls. 219 do eprocesso, observase que o recurso voluntário do recorrente é tempestivo. Assim, passo a análise do referido recurso. 1.1 Da nulidade das provas obtidas através da quebra do sigilo bancário sem prévia autorização do Poder Judiciário e da interpretação conforme a Constituição O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 4849), relativamente à conta da Caixa Econômica Federal e do Banco Bradesco S/A, instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.944 S2C2T2 Fl. 331 7 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.944 S2C2T2 Fl. 332 9 dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99, é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. No presente caso, somente foi possível a constituição do crédito tributário, tendo como base o art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto à instituição financeira por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria considerado tais valores no momento de lavrar o auto de infração. Assim, entendo que deve ser admitida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 10 2.2 Da nulidade do MPF O recorrente sustenta a nulidade do MPF, pois o Termo de Início de Intimação Fiscal não respeitou a legislação, sua denominação não condiz com as nomenclaturas corretas. Acrescenta que o MPF é nulo, pois o prazo máximo do procedimento fiscal é de 120 dias, o qual foi excedido. Não assiste razão ao contribuinte. O direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito, e está explicitado na Constituição Federal em diversos incisos do art. 5º, reforçandose os seguintes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Ainda, no âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo mínimo definido na Lei nº 9.784/99, que consolida institutos identificados pela doutrina como: o direito de petição, a razoável duração do processo, o direito à ampla defesa, instrumentalidade das formas, dentre outros: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.944 S2C2T2 Fl. 333 11 Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1º Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. § 2º Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Como se observa, o princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. A forma está ligada a uma finalidade (contraditório, ampla defesa, imparcialidade, etc.) da qual constitui instrumento. Assim, é assentado na doutrina o entendimento de que o descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). A Portaria nº 6.087/05 da SRF que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, prevê em seu art. 12 os prazos máximos de validade dos MPF e nos artigos seguintes estabelece as hipóteses de prorrogação e a forma de contagem. In verbis: Art. 12. OS MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo mínimo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 12 § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, a AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuados, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo de MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. No caso, ao contrário do alegado pelo contribuinte o Mandado de Procedimento Fiscal foi lavrado, com esta exata denominação, em 06/01/09 (fl. 02 do e processo). Ocorreram, três prorrogações do MPF, conforme fl. 04 do eprocesso, até as seguintes datas: 05/07/09, 03/07/09 e 02/11/09, sendo o contribuinte intimado do início do procedimento em 06/04/09. Entretanto, não se pode cogitar prejuízo ao contribuinte, pois, o mesmo foi intimado distintas vezes (em 16/03/09, em 06/05/09, em 28/08/09 e em 23/09/09) a atender às solicitações da Fiscalização, tendose mantido inerte. Assim, não ocorreu, em momento algum, desrespeito à forma, nem prejuízo ao direito de defesa do recorrente. Sendo assim, não procede a arguição da recorrente de que o processo deveria ser nulo por ofensa ao devido processo legal.. Com base no acima exposto, voto para ACOLHER os embargos declaratórios para retificar a decisão embargada, e, vencido na preliminar do recurso voluntário, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.944 S2C2T2 Fl. 334 13 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Pandolfo, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 14 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.944 S2C2T2 Fl. 335 15 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova, acompanhado o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 13984.000273/2003-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/06/1991
COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE.
A compensação administrativa de créditos tributários fundada em título judicial depende da comprovação da desistência da execução judicial ou da renúncia expressa do direito de executar o título, isso mediante a homologação expressa nesse sentido obtida no juízo da ação.
Numero da decisão: 3803-006.855
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Carolina Gladyer Rabelo, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Carolina Gladyer Rabelo, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1990 a 30/06/1991 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação administrativa de créditos tributários fundada em título judicial depende da comprovação da desistência da execução judicial ou da renúncia expressa do direito de executar o título, isso mediante a homologação expressa nesse sentido obtida no juízo da ação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Carolina Gladyer Rabelo, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 02 73 /2 00 3- 21 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Por intermédio da Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 1 e 2, apresentada em 12/03/2003, a interessada retro identificada pleiteia a compensação de débitos de COFINS e PIS referentes a FEV/2003, nos valores de R$ 26.000,00 e R$ 2.500,00, respectivamente, com créditos de PIS, reconhecidos judicialmente, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, relativos a período de apuração compreendido entre JAN/1990 e JUN/1991. Na apreciação do pleito, em manifestação exarada no Despacho Decisório DRF/LAG nº 387, de 22 de outubro de 2007 (fls. 71 a 73), autoridade administrativa decide não homologar a compensação, em decorrência da falta de comprovação da homologação judicial da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução pela requerente, nos termos do § 2º do art. 50 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Insurgindose contra o indeferimento, a requerente apresentou, por intermédio de seu representante legal, a manifestação de inconformidade de fls. 80 a 85, instruída com os documentos de fls. 86 a 103, fundamentandose nas razões a seguir sintetizadas. Inicialmente, a requerente esclarece que efetuou o pedido de renúncia supra mencionado, mas que, em virtude de contestação por parte da PFN, foi rejeitado pelo TRF da 4ª Região. Alega que a exigência da homologação judicial de renúncia à execução é descabida no presente caso, haja vista que: (i) o pedido de renúncia foi protocolizado e já se mostraria suficiente para a exigência; (ii) antes de apresentar a DCOMP, já havia manifestado sua opção pela compensação; (iii) não há como homologar a renúncia, quando a outra parte se recusa a aceitá la; (iv) que o crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado em 1998, já está prescrito para execução judicial. Reconhece que a homologação judicial da renúncia ou desistência da execução é uma exigência da IN SRF nº 600, de 2005, no entanto, o julgador deve considerar se o objetivo da norma, qual seja, evitar a duplicidade via compensação e execução do mesmo crédito, foi ou não alcançado. Reforça que, para cumprir o solicitado pela DRF/Lages, formulou novo pedido na tentativa de que fosse homologada a renúncia que já era manifesta nos autos, no entanto, em total desrespeito ao seu direito, teve seu pedido contestado; que, por um lado, a Receita Federal exige tal homologação e, por outro, contesta, evidenciando a impossibilidade de ver seu crédito compensado. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13984.000273/200321 Acórdão n.º 3803006.855 S3TE03 Fl. 3 3 Acrescenta que “encaminhou ao juízo na ação judicial que lhe deu origem dos valores a compensação em 23 de fevereiro de 2000 a informação clara e transparente da compensação administrativa efetuada pela recorrente dos valores condenados pelo juízo contra a União e assim ficou demonstrado que não haveria execução judicial” (v. fls. 96 e 97); que, em momento algum, o Juízo e a União opuseramse a essa providência. Em vista disso, a requerente reitera que o disposto no art. 50 da IN SRF nº 600, de 2005, foi atendido por diversos aspectos, pelo que requer que seja homologada a compensação pleiteada e, por conseqüência, anuladas as cartas cobranças dos valores de R$ 4.801,25 e 49.933,00. A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC não homologou a compensação, ficando a decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 30/06/1991 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Compensação não Homologada Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, onde critica a fundamentação da decisão e reitera os argumentos esgrimidos em primeira instância e ao final requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para homologar a compensação, ou, caso contrário, que sejam cobrados os débitos judicialmente para que a recorrente possa reverter para si a multa por cobrança indevida. Apresentado o recurso voluntário, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Em não havendo preliminares, passase de plano ao mérito da pendenga. A quaestio posta neste contencioso é deveras singela ao meu ver, porquanto se trata de cumprir, ou não, um condicionante previsto na legislação para ter direito a compensação administrativa fundada em título judicial. Para tanto, incumbe ao postulante trazer comprovação da desistência da execução judicial do título ou da renúncia expressa do direito de executar o título, isso mediante a homologação expressa nesse sentido obtida no juízo da ação. Pois bem, a recorrente confessadamente não tem tal comprovação, entretanto, irresignase contra a decisão administrativa que lhe é desfavorável coligindo uma série de justificativas para o insucesso de sua incumbência probatória, a saber: i) pedido de renúncia foi protocolizado e já se mostraria suficiente para a exigência; ii) antes de apresentar a DCOMP, já havia manifestado sua opção pela compensação; iii) não há como homologar a renúncia, quando a outra parte se recusa a aceitála; iv) que o crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado em 1998, já está prescrito para execução judicial. E a crítica ao julgador administrativo estribase em que a interpretação da norma aplicável (art. 50 da IN SRF nº 600, de 2005) dada pelo julgador é literal e despida de bom senso. Ora, os motivos pelos quais a fundamental comprovação não veio aos autos não afastam a necessidade de sua exigência. Também não compete ao julgador administrativo perquirir o "espírito da lei", para ver se no caso concreto pode homologar compensação em desatenção à legislação suso mencionada. Por fim, o pedido sucessivo da recorrente cobrança judicial dos débitos não compensados) certamente será atendido quando da definitividade da decisão administrativa em seu desfavor. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13984.000273/200321 Acórdão n.º 3803006.855 S3TE03 Fl. 4 5 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001490/2007-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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DA INF. E EM DESENV.E ADM PROJ TECNICOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 14 90 /2 00 7- 73 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 2403 00.299, proferido pela 3a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2a Seção do CARF em 01/12/2010 (fls. 153/159verso), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 162/167, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 256, de 22/06/2009. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. O vicio material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equivoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido." O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional em 22/03/2011, segundo RM n° 15.064, fls. 160, considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7° ao 9°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). Recurso especial apresentado em 05/05/2011, conforme RM n°11.739, fls. 161, dentro, portanto, do prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no artigo 68 do Regimento Interno do CARF. O pedido foi devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7° a 9° do artigo 67 do RICARF. A Fazenda Nacional explica que o acórdão recorrido destoa dos paradigmas que apresenta no ponto em que, reputando ter havido deficiência na motivação do lançamento, anulou o auto de infração por vicio material. Segue abaixo as ementas dos paradigmas colacionados: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE — NULIDADE POR VICIO FORMAL —A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (AC 203 09.332) "(.) AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. Na Notificação Fiscal Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35464.001490/200773 Acórdão n.º 9202003.312 CSRFT2 Fl. 6 3 de Lançamento de Débito — NFLD deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na lavratura da BFLD acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. A inobservância dessas regras é vicio insanável, configurando a sua nulidade. (..) Recurso Voluntário Provido em Parte. "(AC 20601.026) Explica que os paradigmas afirmaram que a deficiência da fundamentação enseja a anulação por vicio formal. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu pelo seguimento do REsp. Intimado do REsp, o interessado mantevese silente. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator De pronto, analisarei a admissibilidade do Recurso Especial interposto. Tratase de auto de infração lavrado para a exigência de multa no importe de R$ 11.569,42, por ter a empresa deixado de prestar ao Instituto Nacional da Seguridade Social —INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma estabelecida no art. 32, II, da Lei n°8.212/91. Conforme se extrai do relatório fiscal de fl. 20, "a empresa deixou de apresentar relação de cooperados beneficiados com o Programa de Incentivo ao Incremento de Produtividade conforme contrato assinado com a Incentive House S.A. CNPJ 00.416.126/0001 41, solicitada por escrito em Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD infringindo, assim, o art. 32, inciso III, da Lei 8.212/91. A Terceira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em sessão realizada em 1°/12/2010, deu provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento em decisão assim ementada: "VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. O vicio material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equivoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido." Entendeu o Colegiado, por maioria de votos, que a sucinta descrição dos fatos que deram origem a autuação, aliada a circunstância da autoridade fiscal ter deixado de juntar aos autos o contrato a que fez referência no relatório, tornaria o lançamento nulo. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Assim, reputando ter havido deficiência na motivação do lançamento, anulou o auto de infração em epígrafe por vicio material, verbis: O sucinto Relatório Fiscal de folha 20, abaixo transcrito na íntegra,informa que: “A empresa deixou de apresentar a relação de cooperados beneficiados com o Programa de 1ncentivo ao Incremento de Produtividade conforme contrato assinado com a Incentive House SA.CNPJ00.416.126/000141,solicitada por escrito em Termo de Intimação para apresentação de Documentos TIAD infringindo assim,o art.32, Inciso III, da Lei 8.212/91” Aduz que de fato as folhas 15 a 17 contêm Termos de Intimação Para Apresentação de Documentos – TIADs solicitando o 1°, em 11/01/2007, apresentação de contratos da prestação de serviços celebrados com terceiros e o 2°,em 30/01/2007,requerendo relação de cooperados beneficiados pelo Incentive House. Entretanto, não há nada informado sobre ter sido atendida a intimação para apresentação dos contratos bem como sobre o conteúdo desses. Relevante registrar que o Auditor Fiscal não se preocupou em colacionar cópia do contrato a que faz referência o que caracterizaria, desta forma, o pacto. Uma vez exibido o pactuado contratualmente, poderia se apontar a cláusula alusiva da obrigação de se produzir tal solicitada listagem, os beneficiados e, ainda , demonstrar efetivamente a realização dos pagamentos eventualmente realizados face a efetivos lançamentos contábeis. Do exposto se observa precária e subjetiva a caracterização na medida em que carece de materialidade implicando vício que deu margem a empresa alegar que inexiste a listagem e a suposta remuneração afirmada pela fiscalização. Ademais, alega a PFN que o decisum recorrido, contudo, diverge daquele adotado por outras turmas julgadoras desse CARF, conforme ilustram os seguintes julgados: ACÓRDÃO N° 20309332 (Doc. 1) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio. (3º C do 2° CC, Processo n. 13133.000427/200214, Recurso n" 223378, Sessão do dia 02.12.2003). ACÓRDÃO N° 20601026 (Doc. 2) AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VICIO FORMAL INSANÁVEL. Na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD deve haver a expressa Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35464.001490/200773 Acórdão n.º 9202003.312 CSRFT2 Fl. 7 5 fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na lavratura da NFLD acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. A inobservância dessas regras é vicio insanável, configurando a sua nulidade. (6" C do 2" CC, Processo n" 37071.003428/200251, Recurso n" 145.136, Sessão do dia 02.07.2008). No caso presente, os dois paradigmas apresentados tratam de matéria estranha à lide ACÓRDÃO N° 20309332 (erro quanto à fundamentação legal constante da acusação é diversa do Tributo lançado, no caso COFINS) e ACÓRDÃO N° 20601026 (ausência da indicação do fundamento legal para o arbitramento). Estamos, portanto, diante de situações diversas que não possuem comparabilidade para fins de verificação de teses jurídicas divergentes a ensejar o acesso à instância especial. Assim, não conheço do recurso especial em relação a este item. DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO por NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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