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Numero do processo: 10909.720605/2015-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2013
CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL.
O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e da parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/02/2013 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e da parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 06 05 /2 01 5- 35 Fl. 230DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Reproduzo relatório da primeira instância: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 226.052,42 referente a Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a interessada submeteu a despacho de importação um automóvel estrangeiro, amparado pela Declaração de Importação nº 13/02949030, registrada em 15/02/2013, sem, contudo, recolher o valor referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, com base no Mandado de Segurança nº 500033195.2013.404.7208/SC. A ação judicial foi impetrada para o reconhecimento da inexigibilidade do IPI, por se tratar de importação de veículo para uso próprio, sob o argumento de que a incidência do imposto feriria o princípio constitucional da não cumulatividade; bem como para que a base de cálculo das contribuições se restringisse ao valor aduaneiro do bem, pois irregular o disposto na Lei nº 10.865/2004. A liminar foi deferida em 06/02/2013 reconhecendo a inexigibilidade do IPI e determinando que a base de cálculo das contribuições fosse somente o valor aduaneiro. A liminar foi confirmada no mérito, porém a inexigibilidade do IPI foi reformada pelo TRF 4ª Região, em 14/08/2013. O mérito aguarda julgamento de paradigma. Em 30/01/2015 a autora efetuou o depósito judicial no montante de R$ 138.384,43. Neste ponto o relatório de primeira instância passa a explicitar as razões do autuante: O montante depositado pela interessada não corresponde ao integralmente devido, portanto não se enquadra nas hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151 do Código Tributário Nacional. O montante integral a ser depositado, relativo ao IPI, até 04/08/2013, seria de R$ 161.676,70 (R$ 117.046,77 referentes Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10909.720605/201535 Acórdão n.º 3201003.090 S3C2T1 Fl. 230 3 ao IPI; R$ 23.409,36 referentes à multa de mora; R$ 21.220,57 referentes aos juros de mora). Não é o caso de denúncia espontânea, pois o depósito foi realizado a menor. Na DI não foi informado o montante devido a título de IPI, assim tal montante depende de apuração da autoridade fiscal, cuja importância ainda não foi arbitrada. Assim, em razão de não ter havido depósito do montante integral, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário e devese lançar a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, o que remonta o crédito tributário a R$ 226.052,42. Dessa forma, foi lavrado o auto de infração, em 19/02/2015, referente ao IPI, com multa de ofício e juros de mora. Continua o relatório da primeira instância: Cientificada (AR fl. 78), a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese que: Há violação aos princípios constitucionais da não cumulatividade, da segurança jurídica e da estrita legalidade. Julgados dos tribunais amparam a defesa. O “acórdão que afastou a liminar concedida à Impugnante, somente produziu efeitos após a decisão dos embargos de declaração, cujo acórdão foi proferido em 08/08/2014, ao contrário do que dispõe a lavratura do auto de infração ora combatido. (...) No lançamento de ofício vergastado, o Fisco determinou como data de início para a contagem do prazo para cumprimento do acórdão, que afastou a liminar concedida, o dia 05/07/2013, porém como retro exposto, a data para cumprimento teve seu início em 20/08/2013. Portanto, resta flagrante o equívoco perpetrado no lançamento de ofício, que tem reflexo direto na apuração do crédito tributário vergastado e, portanto, importa em desconstituição do auto de infração.” O depósito realizado foi no montante devidamente corrigido. Todavia, a fiscalização lançou multa de ofício desconsiderando o montante que está à disposição do juízo da causa. Há falta de razoabilidade, pois o valor depositado a menor é inferior a 20% do total lavrado no auto de infração.O art. 44 da Lei nº 9430/1996 estabelece que a multa será calculada sobre a diferença de imposto não recolhido ou pago. Portanto, caso mantida a multa, essa deve recair somente sobre a diferença de Fl. 232DF CARF MF 4 imposto que, no caso é de R$ 23.409,36. Do contrário restaria configurado o efeito confiscatório vedado pela Carta Magna. O lançamento de ofício resta eivado de nulidade quanto a intimação do sujeito passivo e no mérito discrepa dos permissivos legais na constituição do crédito tributário pelo Fisco. Requer seja cancelado o auto de infração ou que seja sobrestado o processo administrativo fiscal até o julgamento dos recursos interpostos, nos termos do regimento interno do CARF. Aduz ainda o relatório de primeira instância: Verificada a concomitância da discussão do crédito tributário relativo ao IPI na esfera judicial e administrativa, a autoridade competente declarou sua definitividade no âmbito administrativo e encaminhou o processo a julgamento em relação às matérias diferenciadas, em especial quanto à multa vinculada. (fl. 154/155) A DRJ/Florianópolis/SC, por meio do acórdão 0737.419, de 10/06/2015, decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2013 TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO OU RECOLHIMENTO. ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. Nos casos de lançamento de ofício a multa deve ser lançada quando não houver pagamento ou recolhimento espontâneo do tributo devido dentro do prazo legal. Sobreveio então o Recurso Voluntário, no qual a recorrente reitera os argumentos de defesa quanto ao mérito da incidência do IPI na importação para uso próprio; quanto às datas de efeito das decisões judiciais, para fins de cálculo dos acréscimos legais; quanto ao cálculo da multa de ofício e a correta interpretação do art. 44 da Lei 9.430/96; informa, ainda, que efetuou, em 16/06/2015, depósito judicial complementar, no montante de R$ 87.785,10. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Preliminar de conhecimento Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10909.720605/201535 Acórdão n.º 3201003.090 S3C2T1 Fl. 231 5 O recurso é tempestivo, porém veicula matéria relativa à incidência do IPI e das contribuições sociais, na importação, no caso de importação de bens para uso prórprio. Tal matéria foi submetida ao Poder Judiciário, conforme relatado, e desse modo, não deve ser conhecida, nos termos da Súmula Carf nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, somente as matérias relativas ao cálculo da multa de ofício e dos acréscimos legais será conhecida. Mérito Alega a recorrente que o autuante tomou datas equivocadas como marco temporal inicial do cálculo dos acréscimos legais (fl. 179): “A decisão liminar foi afastada com a decisão do e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, em 05/07/2013, julgou procedente a apelação e remessa oficial em desfavor do contribuinte. Entretanto, os artigos 535 e 537, ambos do Código de Processo Civil, assim prescrevem (...) Neste viés, o acórdão que afastou a liminar concedida no pleito da Recorrente, somente produziu efeitos após a decisão dos embargos de declaração, cujo acórdão foi proferido em 29/08/2013, ao contrário do que dispõe a lavratura do auto de infração ora combatido. Todavia, toda essa argumentação é inócua, porque o depósito judicial somente foi efetuado em 30/01/2015 (fl. 77), muito depois dos efeitos da decisão do TRF. E o cálculo dos juros e multa de mora têm como marco temporal o fato gerador do tributo e seu vencimento, caso o contribuinte não tenha efetuado o depósito no prazo de 30 dias da cassação da liminar que o amparava, nos termos do §2º do art. 63 da Lei 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a Fl. 234DF CARF MF 6 concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Como o depósito foi feito muito depois desse prazo, deveria ter sido efetuado com multa de mora, o que o contribuinte não fez. Com efeito, o valor depositado corresponde apenas ao tributo e a juros de mora, não existindo o depósito do valor relativo à multa de mora. Portanto, afasto as alegações da recorrente nesse sentido. A recorrente sustenta ainda que a multa de ofício seria cabível somente sobre a diferença não depositada. Nesse ponto, assiste razão à recorrente. A expressão do art. 44 da Lei 9.430/96 é clara ao indicar o lançamento, no caso da multa de ofício, somente sobre a diferença não recolhida: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os juros de mora também não incidem sobre a parcela depositada, nos termos da Súmula Carf nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A interpretação do art. 44 adotada pelo Fisco é de que a multa de ofício incide sobre a totalidade do tributo, quando o depósito judicial for parcial. Mas tal interpretação não é razoável, na medida em que as penalidades devem corresponder proporcionalmente às infrações. Qual sentido haveria em lançar a multa de ofício sobre a totalidade do tributo, se faltassem dez centavos, ou dez reais, ao depósito judicial ? Nenhum. A parcela depositada não está subsumível à cobrança, sendo suspensa sua exigibilidade, e portanto, o que não se pode exigir, não se pode multar. Reproduzo trecho do acórdão 110100.050, Relatora Sandra Maria Faroni, analisando a matéria: “Assim, a leitura do artigo 151, II, do CTN, deve ser no sentido de que o crédito tributário, como um todo, tem sua exigibilidade suspensa mediante depósito do seu montante integral. O depósito não integral suspende a exigibilidade até a força do depósito. A parcela não depositada, se não acobertada por outra causa de suspensão, deve ser transferida para outros autos para prosseguimento na cobrança. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10909.720605/201535 Acórdão n.º 3201003.090 S3C2T1 Fl. 232 7 Desse modo, em interpretação teleológica da Lei, não cabe a exigência de multa de ofício e juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente. Outros precedentes, no mesmo sentido, acórdãos 10803.955, 110100.306, 330100.140, 20312.259, 10515.685 e outros. Pelo exposto, voto por não tomar conhecimento da matéria relativa à incidência dos tributos na importação. Na parte conhecida, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para exonerar a multa de ofício e juros de mora incidentes sobre a parte depositada judicialmente na data do início do procedimento fiscal. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.001643/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001, 01/10/2002 a 31/03/2003
DCOMP PROTOCOLIZADA EM 26/08/2003. DEBITO NÃO CONFESSADO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Relativamente aos débitos não confessados, o exercício do direito ao contraditório deve se dar em sede de impugnação ao lançamento, motivo pelo qual a instância a quo não conheceu da manifestação de inconformidade. Da mesma forma, não deve ser conhecido o recurso voluntário.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS
Não deve ser homologada a compensação, uma vez que restou provada a inexistência dos créditos indicados na DCOMP.
Numero da decisão: 3301-003.617
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001, 01/10/2002 a 31/03/2003 DCOMP PROTOCOLIZADA EM 26/08/2003. DEBITO NÃO CONFESSADO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Relativamente aos débitos não confessados, o exercício do direito ao contraditório deve se dar em sede de impugnação ao lançamento, motivo pelo qual a instância a quo não conheceu da manifestação de inconformidade. Da mesma forma, não deve ser conhecido o recurso voluntário. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS Não deve ser homologada a compensação, uma vez que restou provada a inexistência dos créditos indicados na DCOMP.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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DEBITO NÃO CONFESSADO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Relativamente aos débitos não confessados, o exercício do direito ao contraditório deve se dar em sede de impugnação ao lançamento, motivo pelo qual a instância a quo não conheceu da manifestação de inconformidade. Da mesma forma, não deve ser conhecido o recurso voluntário. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS Não deve ser homologada a compensação, uma vez que restou provada a inexistência dos créditos indicados na DCOMP. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 16 43 /2 00 5- 27 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10940.001643/200527 Acórdão n.º 3301003.617 S3C3T1 Fl. 166 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10940.001643/200527 Acórdão n.º 3301003.617 S3C3T1 Fl. 167 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: O processo em exame versa sobre as Declarações de Compensação de fls. 52/70, protocolizada em 26/08/2003 e 17/08/2004, nas quais constam compensações de débitos de PIS, referentes aos períodos de apuração 10/2001 a 12/2001 e 10/2002 a 03/2003, com créditos oriundos do Processo Judicial n° 9800160760. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, às fls. 1.02/103, decidiu não homologar as DCOMP, tendo em vista a inexistência de crédito, pois, segundo a apuração elaborada pela SACAT/DRF/PTG, conforme documentos anexados às fls. 71/101, todo o valor do crédito resultante da ação judicial indicada foi utilizado na amortização de débitos de PIS referentes aos anos 1989 a 1994, sendo, inclusive, insuficiente para quitar totalmente estes débitos. Cientificada do citado Despacho Decisório em 01/09/2005 (fl. 104), a contribuinte ingressou, em 30/09/2005, com a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 110/11.3, cujo teor será a seguir sintetizado: De início, diz que a empresa efetuou compensações com base na Ação Ordinária de PIS transitada em julgado nos Autos n° 9800160760 e as declarou em DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Em seguida, alega que os valores objeto da presente cobrança, embasada na alegação de que a empresa não teria créditos para compensar tendo em vista que o seu crédito foi amortizado com valores em aberto do ano 1989 a 1994, estão prescritos, vez que o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4° do CTN. Sustenta que grande parte da doutrina entende que, na hipótese de lançamento por homologação, o fisco perde o direito de não concordar com o lançamento efetuado pelo sujeito passivo após findo o prazo de cinco anos. Neste sentido, cita jurisprudência judicial. Acrescenta que o suposto crédito tributário está extinto pela homologação tácita, consoante disposto no artigo 156, V e VII do Código Tributário Nacional. Por fim, afirma que a empresa possuía todo o seu crédito judicialmente reconhecido e já anexado nestes autos quando efetuou as compensações, razão pela qual requer o arquivamento do presente processo. A manifestação de inconformidade não foi conhecida, em parte. E, na parte conhecida, foi negado provimento. O Acórdão n° 0619.751 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/08/2004 DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO *E TACITA. IMPOSSIBILIDADE. * O impedimento para constituir o crédito tributário, com o transcurso do prazo decadencial, não implica o afastamento do Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10940.001643/200527 Acórdão n.º 3301003.617 S3C3T1 Fl. 168 4 direito de pronunciamento do órgão competente acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. DIREITO ÇREDITÓRIO NAO RECONHECIDO. DCOMP. NAO HOMOLOGAÇAO. Não tendo sido reconhecido pela autoridade administrativa o direito creditório vinculado às compensações declaradas pela contribuinte, impõese a não homologação das DCOMP transmitidas. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 26/08/2003 DCOMP. DEBITO NAO CONFESSADO. MANIFESTAÇAO DE INCONFORMIDADE. INCABIMENTO. Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o lançamento de ofício é o ato jurídico que, nos termos do art. 142 do CTN, perfaz o único instrumento legal hábil para formalizar a pretensão fazendária e conferir exigibilidade ao crédito tributário, razão pela qual o exercício do direito ao contraditório, nestes casos, deve se dar em sede da impugnação ao lançamento, e não via manifestação de inconformidade contra a nãohomologação de declaração de compensação. Compensação não Homologada Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, alega o seguinte: I) DCOMP protocolizadas em 2003: requer que seja conhecida a manifestação de inconformidade, a fim de que lhe sejam garantidos os direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Pleiteia o direito de juntar planilhas de cálculo. II) DCOMP protocolizadas em 2004: aduz que os débitos de 1989 a 1994 contra os quais o Fisco teria compensado o crédito de PIS já estavam prescritos. E que a Fazenda, a sua conta e risco, teria efetuado encontros de contas, à revelia do contribuinte. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10940.001643/200527 Acórdão n.º 3301003.617 S3C3T1 Fl. 169 5 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de DCOMPs, protocolizadas em 26/08/2003 e 17/08/2004. Débitos de PIS (PAs 10/2001 a 12/2001 e 10/2002 a 03/2003) foram compensados com créditos de PIS, oriundos de pagamentos a maior realizados em razão de disposições dos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88. Estes diplomas legais foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 1487542/RJ) e suas execuções foram suspensas pela Resolução 49/95 do Senado Federal. O Fisco não homologou as compensações, pois identificou em seus arquivos que os citados créditos já haviam sido compensados com débitos do próprio PIS, referentes aos anos de 1989 a 1994 demonstrativos de cálculo nas fls. 72 a 102. Cumpre mencionar que, em resposta à intimação, o contribuinte apresentou planilhas de cálculo, que foram revisadas por agentes fiscais, que nelas apontaram inconsistências. Na impugnação e no recurso voluntário, a Recorrente argumentou que os débitos de 1989 a 1994 estariam prescritos, sendo, portanto, incorreta a compensação de ofício com os créditos pleiteados. Ademais, na peça recursal, apontou possível cerceamento de direito de defesa, em razão de a DRJ não ter conhecido da manifestação de inconformidade, no que se referiu à DCOMP protocolizada em 26/08/2003. De plano, consigno que a decisão de primeira instância é irretocável. O Fisco não homologou as compensações, realizadas por meio de DCOMPs, protocolizadas em 26/08/2003 e 17/08/2004, para liquidação de débitos de PIS relativos aos PAs 10/2001 a 12/2001 e 10/2002 a 03/2003, respectivamente, pois, em seus controles, consta que os créditos de PIS (diferenças derivadas da declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88) já haviam sido compensados com débitos de 1989 a 1994. Quando intimado, o contribuinte apresentou seus cálculos, dos quais o Fisco discordou. Em suas defesas, o contribuinte não contestou os controles do Fisco. Assim, nada temos a discutir acerca de cálculos. Sobre a suposta "prescrição dos débitos de PIS de 1989 a 1994", resta claro que, em sede do processo em comento, o Fisco não está cobrando débitos daquele período. Apenas não homologou as compensações dos supostos créditos de PIS com débitos desta mesma contribuição, relativos aos PAs 10/2001 a 12/2001 e 10/2002 a 03/2003, pois, em seus controles, consta que foram utilizados para liquidar débitos de PIS de 1989 a 1994. Portanto, não há que se debater sobre cobrança de débitos prescritos. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10940.001643/200527 Acórdão n.º 3301003.617 S3C3T1 Fl. 170 6 Por fim, há de se enfrentar o fato de a DRJ não ter conhecido da manifestação de inconformidade, relativamente à DCOMP protocolizada em 26/08/2003. Quando da apresentação da DCOMP (fls. 66 a 71) citada no parágrafo anterior, os valores nela incluídos não constituíam confissão de dívida. Por conseguinte, a não homologação não podia ser contestada, por meio de manifestação de inconformidade, porém em sede de impugnação de lançamento de ofício do tributo compensado, nos termos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Naquele período, constituíam confissão de dívida somente os valores que figuravam como "saldo a pagar" em DCTF. Como os "saldos a pagar" das DCTFs relativas aos PAs 10/2002 a 03/2003 (fls. 119 a 124) estavam zerados, concluise que os respectivos débitos não se encontravam confessados. Assim disciplinavam os artigos 22, 23 e 35 da IN SRF n° 210/2002, então vigente: "Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. (. . .) Art. 35. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de ofício ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10940.001643/200527 Acórdão n.º 3301003.617 S3C3T1 Fl. 171 7 § 1º Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. § 2º A manifestação de inconformidade e o recurso a que se referem o caput e o § 1º regerseão pelo disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. § 3º O disposto no caput não se aplica às hipóteses de lançamento de ofício de que trata o art. 23." A partir de 30/12/2003, com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, que alterou a redação do § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, entrou em vigor a regra que considera como confissão de dívida o valor indicado na DCOMP. Assim, ratifico a decisão da DRJ, que não conheceu da manifestação de inconformidade relativa à DCOMP protocolizada em 26/08/2003. Conclusão Voto por não conhecer do recurso voluntário, no que se refere à DCOMP protocolizada em 26/08/2003, cujo objetivo era o de fazer o processo retornar para a instância a quo, para que fossem analisados os argumentos correspondentes. Por outro lado, nego provimento ao recurso voluntário, relativamente aos argumentos que visavam o reconhecimento de créditos de PIS e a homologação da correspondente DCOMP, apresentada em 17/08/2004. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15979.000199/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL- APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL- APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 9. 00 01 99 /2 00 7- 71 Fl. 350DF CARF MF 2 Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão 2803 00.663, proferido em 14/04/2011, interpôs o presente Recurso Especial. Vejase a Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2007 REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO. A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 inciso I; 20; 28 inciso I, 30 inciso I, todos da Lei n º8.212/91. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2o ., 4o . e 5o ., da Lei n º8.212/91. A contribuição a cargo da empresa encontra respaldo legal nos artigos 22 e 33, da Lei n º8.212/91. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. Há presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equívoco do alegado. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. O presente lançamento referese à cobrança de contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa e as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE), competências 01/2005 a 01/2007, relativas às remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (transportadores autônomos e retirada de prólabore dos sócios), não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Consoante Relatório Fiscal de fls. 54/59, a fiscalização observouse que o contribuinte consta como "não optante pelo simples", tendo sido excluído a partir de 01/01/2000. O contribuinte demonstrou que o Ato Declaratório Executivo DRF/STS n° 11/2005 que determinou sua exclusão foi cancelado mediante decisão da 1° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo, fato este que restabelecia sua condição de empresa optante pelo Simples. Ocorre que, no exercício de 2005, o sujeito passivo espontaneamente adotou a forma de tributação pelo Lucro Presumido ao recolher segundo este sistema o imposto devido referente ao primeiro período de apuração, situação esta definitiva e irretratável, conforme expressa disposição do art. 516 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 9202005.503 CSRFT2 Fl. 351 3 Saliente se que o contribuinte ratificou esta opção com a entrega do Ajuste Anual pelo Lucro Presumido (fls. 60/69). Ademais, no exercício de 2005 o sujeito passivo ultrapassou o limite legal para sua possível manutenção no sistema simplificado(receita bruta neste exercício atingiu o montante de R$ 1.548.864,30; sendo que o limite legal vigente para época era de R$ 1.200.000,00, conforme art. 9° da Lei n° 9.317/96). O contribuinte tomou ciência da notificação em 28/03/2007 (fls. 01). Inconformado, apresentou impugnação às folhas 73 a 75. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fls. 84 a 90. O contribuinte tomou ciência da decisão em 17/09/2007 (fls. 95), apresentando recurso voluntário em 25/10/2007, fls. 98 a 100, alegando em síntese: a eventual mudança do regime fora por iniciativa da empresa, sem qualquer interesse de prejudicar os recolhimentos exigidos e legais. O regime do ramo de fretes sempre fora o “simples”. A aplicação da multa, não pode prevalecer porque o ato declaratório de excluíla do simples para outro sistema fora por absoluta desconexidade, naturalmente por informações errôneas. não há comprovação do nexo causal de ter praticado a infringência dos não recolhimentos das contribuições aos empregados. Não há ilícito de sonegação. Foram prestadas todas as informações exigidas, inclusive com o fornecimento de documentos. A exclusão do regime “simples” fora por imposição da fiscalização; reitera o desbloqueio da soma que se encontra a disposição da recorrida, por tutela antecipada, atendendo o artigo 273, do C.P.C., também, o 649, do mesmo CODEX, posto que se refere ao pagamento de salários. Requer a dispensa do depósito recursal. A Fazenda se insurgiu contra a aplicação da multa, recurso admitido. O contribuinte, em contrarrazões pugna pelo não conhecimento sob o argumento que a Fazenda somente está revisitando discussão da Turma a quo. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Fl. 352DF CARF MF 4 Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 9202005.503 CSRFT2 Fl. 352 5 Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Fl. 354DF CARF MF 6 Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reformado o acórdão recorrido na parte em que determinou a aplicação da multa prevista no art. 35 com redação original da Lei n° 8.212/91, permitindo que a Fazenda Nacional realize a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002193/2004-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA.
A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964,impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9303-005.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. Julgamento iniciado na sessão de 18/05/2017 e concluído na sessão de 22/06/2017.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada MárcioCanuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, LuizAugusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello eRodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964,impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. Julgamento iniciado na sessão de 18/05/2017 e concluído na sessão de 22/06/2017. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 93 /2 00 4- 01 Fl. 667DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3402002.784, de 08 de dezembro de 2015 (fls. 628 a 635 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa de lançamento de ofício exige prova inequívoca que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64 em relação ao tributo que deixou de ser recolhido ou declarado. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls.637 a 653) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso de ofício, a divergência suscitada da Fazenda Nacional diz respeito à redução da multa de oficio de 150% para 75%. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 9303005.297 CSRFT3 Fl. 668 3 Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, os acórdãos de números nº 1102001.184 e 1302001.069, cuja ementas foram transcrita na peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 655 a 657, sob o argumento que restou comprovada a divergência jurisprudencial suscitada, pois na decisão recorrida, a Turma julgadora entendeu pela desqualificação da multa e por sua vez, o paradigma citado, em situação similar, de apresentação de declaração em montantes muito inferiores aos devidos pelo contribuinte, firma entendimento diverso, no sentido de que a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício. O Contribuinte foi cientificado por edital (fls. 665) para apresentar contrarrazões e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional. A discussão dos presentes autos tem origem no de auto de infração relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Em face da citada ação fiscal foi também lavrado auto de infração relativo à falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS. O Contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, argumentando que aderiu ao Parcelamento Especial – Paes de que trata a Lei nº 10.684/2003, declarando, Fl. 669DF CARF MF 4 assim, todos os seus débitos para o respectivo parcelamento, inclusive os débitos relativos ao PIS e à COFINS, dos períodos de 2000, 2001 e 2002. Em relação ao período de 2003 e janeiro a julho de 2004, o Contribuinte constituiu créditos junto ao Fisco Federal, inerentes à exclusão do Refis I, créditos oriundos de ações judiciais (inconstitucionalidade de majoração de alíquotas), que estavam sendo levantados para a respectiva quitação dos débitos fiscais, devendo ser registrado que o fato gerador dos créditos fiscais é anterior à obrigação tributária. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento Rio de Janeiro DRJ/RJOII julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004 PIS/Pasep. VALORES DECLARADOS EM PROGRAMA ESPECIAL DE PARCELAMENTO. PAES. Somente os débitos confessados pelo contribuinte em programa de parcelamento antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de ofício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não compete à DRJ apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. CABIMENTO. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, cabendo a sua incidência no percentual expressamente previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa exige, como condição imposta pela lei prova robusta que demonstre, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2004 COFINS. VALORES DECLARADOS EM PROGRAMA ESPECIAL DE PARCELAMENTO. PAES. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 9303005.297 CSRFT3 Fl. 669 5 Somente os débitos confessados pelo contribuinte em programa de parcelamento antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de ofício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não compete à DRJ apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. CABIMENTO. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, cabendo a sua incidência no percentual expressamente previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa exige, como condição imposta pela lei, prova robusta que demonstre, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento procedente em parte Da sua decisão a DRJ recorreu de ofício, na parte exonerada do lançamento, e o Colegiado entendeu por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Verificase nos autos, que foi aplicado a multa de lançamento de oficio de 150% (cento e cinquenta por cento) do PIS, prevista no inciso II do art. 957 do RJR/99, tendo em vista evidente intuito de sonegação e fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. No entanto, essa multa foi reduzida para 75%. A decisão da DRJ e do Acordão Voluntário, concluíram pela inexistência do elemento subjetivo para a incidência da multa de lançamento de ofício qualificada, ou seja, de que a contribuinte teria procurado ocultar bens e fatos jurídicos, ou intentado dolosamente evitar ou diferir o pagamento da obrigação tributária principal relativamente ao PIS e à Cofins. Desta maneira, transcrevo o trecho do voto trazido pela ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, o que, por conseguinte, compartilho do entendimento exposto no Voto, o qual peço licença para transcrever (grifos meus): Em relação à multa de ofício, ela foi exigida pela fiscalização no percentual qualificado de 150% para os períodos de apuração de janeiro/2000 a Fl. 671DF CARF MF 6 dezembro/2001, sob o fundamento de "evidente intuito de sonegação e fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, caracterizado por divergência na receita contabilizada (a maior) e na receita declarada (a menor) nas DIPJs Originais dos anoscalendário 2000 e 2001, com intuito de diminuir a base de cálculo e a contribuição devida ao PIS, posteriormente retificada sob procedimento fiscal." Apurou a fiscalização que os valores das receitas omitidas na declaração original seriam próximos aos valores das notas fiscais emitidas pela autuada por serviços por ele prestados à CONSTRAN, cujos contratos de subempreitada estavam sob fiscalização. Além disso, constatou a fiscalização que a autuada promoveu, artificialmente, acréscimo nos custos com serviços prestados pelos mesmos montantes acrescidos nas declarações retificadoras, custos esses nos quais se inserem os valores pagos à empresa Framar Terraplenagem S/C Ltda. Quanto às receitas omitidas e depois informadas na declaração retificadora não espontânea, apurou, detalhadamente, o julgador de primeira instância que, na verdade, havia relação de proximidade entre esses valores e os da notas fiscais de serviços prestados à CONSTRAN somente para alguns meses entre 01/2000 a 12/2001, o que não ocorria para os demais meses. Com relação à majoração artificial de custos pela empresa, bem esclareceu a decisão recorrida que tal procedimento não causa reflexos nas autuações do PIS e da Cofins sob estudo, que incidem a receita auferida, nada importando em suas apurações o custo incorrido. De forma que entendo correta a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, que concluiu pela inexistência do elemento subjetivo para a incidência da multa de lançamento de ofício qualificada, de que a contribuinte teria procurado ocultar bens e fatos jurídicos, ou intentado dolosamente evitar ou diferir o pagamento da obrigação tributária principal relativamente ao PIS e à Cofins, nos seguintes termos: (...) Fl. 672DF CARF MF Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 9303005.297 CSRFT3 Fl. 670 7 32. Quanto à análise da procedência da aplicação da multa qualificada, é de se assinalar, inicialmente, que a majoração artificial de custos pela empresa não causa reflexos nas autuações do PIS e da COFINS que ora se examinam, que possuem por base de incidência a receita auferida, nada importando em suas apurações o custo incorrido, muito embora o elemento doloso aventado pela fiscalização para proceder à aplicação da multa qualificada aqui nos interessa, não há a menor sombra de dúvida, até mesmo porque o custo artificialmente inflado teve por contrapartida acréscimo de receitas supostamente pelo mesmo montante. 33. Ocorre, nesse sentido, todavia, que a fiscalização procurou estabelecer uma correlação entre a receita omitida pelo autuado em suas DIPJ originais com as notas fiscais emitidas à CONSTRAN, procurando, não se sabe ao certo o motivo e, pelo menos, ante os elementos que integram o presente processo omitilas não de sua contabilidade, mas de suas declarações obrigatórias, pelo menos até que a fiscalização chegasse à empresa. 34. Não creio, contudo, que tal conduta configure as práticas a que aludem os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, tal como propugnado pela fiscalização, não somente porque, como acima comentado, não foi perfeitamente esclarecido o elemento doloso, ou seja, o porquê da intenção de omitir (vale dizer, no sentido de não declarar) somente as receitas obtidas junto à empresa CONSTRAN das declarações de rendimento do autuado, mas, sobretudo, porque, no demonstrativo de fl. 143, a correlação entre a receita não declarada nas DIPJ (originais) com as notas fiscais emitidas pelos serviços prestados à CONSTRAN não se encontra inequivocadamente caracterizada, senão vejamos. 35. Se é certo que as receitas não declaradas nas DIPJ guardam alguma proximidade com o valor das notas fiscais emitidas para a CONSTRAN nos meses assinalados em destaque no demonstrativo de fl. 143 (05/00 a 07/00, 09/00, 01/01 e 05/01), o mesmo não ocorre em todos os demais meses. Nos meses fevereiro e abril de 2000, fevereiro a abril e junho a dezembro de 2001, por exemplo, observasse que o fiscalizado igualmente não declara integralmente suas receitas em DIPJ (original), muito embora, em citados meses, sequer tenha se verificado a emissão de notas pelo autuado por Fl. 673DF CARF MF 8 serviços prestados para a CONSTRAN. Além disso, nos meses janeiro, março, agosto e outubro a dezembro de 2000, não se faz possível vislumbrar qualquer relação ou proximidade das receitas não declaradas em DIPJ com as notas fiscais para a CONSTRAN, sendo o valor destas últimas bastante superior à receita não declarada. Ou seja, se intenção houvesse em ocultar da declaração de rendimentos as notas fiscais emitidas para a CONSTRAN, o valor a ser ocultado deveria ser bem superior. 36. No mais, também é certo que se a criação de custos junto à empresa Framar, supostamente artificiais, teve por objetivo fazer frente às receitas obtidas com os serviços verdadeiramente prestados à CONSTRAN, somente declaradas após as retificadoras apresentadas ou até mesmo o inverso, ou seja, que buscaria o autuado, em verdade, “fabricar” custos para fazer frente às receitas auferidas com a prestação de serviços inexistentes à CONSTRAN, sem causar, de forma dolosa e ardil, reflexos na apuração do imposto de renda devido, o que aqui, vale dizer, somente se cogita, em função da precariedade de elementos e demais informações trazidas ao presente processo fato é que o montante dos custos junto à Framar, relacionados na Tabela de fl. 101, encontra se dentro do limite dos custos declarados já na DIPJ original (2000 – R$ 7.439.760,33; 2001 – R$ 7.230.112,64, cf. fl. 141), nunca os ultrapassando, situação somente na qual poderia ser cogitado de que, nas retificadoras, o autuado teria se apropriado indevidamente, e com o elemento dolo, de custos junto à empresa interposta, omissa e desativada, para fazer frente às receitas com a CONSTRAN, que buscava ocultar de sua declaração, situação essa que, entretanto, também não restou devidamente demonstrada. Não deve ser também esquecido que a glosa de custos indevidamente apropriados diz respeito à apuração do IRPJ e da CSLL e não das contribuições aqui versadas (PIS/COFINS). 37. Portanto, não há nos autos prova material suficiente de que o contribuinte tenha procurado ocultar bens e fatos jurídicos, ou intentado dolosamente evitar ou diferir o pagamento da obrigação tributária principal. Não bastam prova da falta de pagamento do tributo, nem tampouco meros indícios; é necessário que as circunstâncias materiais do fato estejam perfeitamente identificadas e comprovadas, com vistas a configurar o evidente intuito de fraude e sonegação, relativamente a cada fato gerador. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 9303005.297 CSRFT3 Fl. 671 9 38. Inexiste, pois, o elemento subjetivo do ilícito, devendo reduzirse a multa de lançamento de ofício qualificada para multa de lançamento de ofício regular de 75%. (...) Ora, dispõe o art. 957, inciso II do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda, in verbis: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1º): I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; II isoladamente, quando o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto na forma do art. 106, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto, na forma do art. 222, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal, no anocalendário correspondente. (grifouse) Fl. 675DF CARF MF 10 Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem a expressão "evidente intuito de fraude", nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Conforme dispositivos legais acima transcritos, nas hipóteses de lançamento de ofício será aplicada multa sobre a totalidade ou diferença do imposto, no montante de 75% (setenta e cinco por cento) ou de 150% (cento e cinquenta por cento), este último nos casos de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Portanto, a multa de 150% terá aplicação sempre que for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do contribuinte, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. A caracterização do elemento dolo exige a presença de substancial conjunto probatório sobre a prática do ato infracional, não se prestando para tal a existência de meros indícios da intenção dolosa por parte do agente. No caso dos autos, no curso da ação fiscal, foi constatado que “não há nos autos prova material suficiente de que o contribuinte tenha procurado ocultar bens e fatos jurídicos, ou intentado dolosamente evitar ou diferir o pagamento da obrigação tributária principal. Não bastam prova da falta de pagamento do tributo, nem tampouco meros indícios; é necessário que as circunstâncias materiais do fato estejam perfeitamente identificadas e Fl. 676DF CARF MF Processo nº 19515.002193/200401 Acórdão n.º 9303005.297 CSRFT3 Fl. 672 11 comprovadas, com vistas a configurar o evidente intuito de fraude e sonegação, relativamente a cada fato gerador. Ou seja, não há prova contundente de ter o contribuinte agido com "evidente intuito de fraude", ônus do qual não se desincumbiu o Fisco. Sendo a conduta do sujeito passivo dissociada dos conceitos qualificadores de fraude, sonegação e conluio, capazes de configurar o dolo, a mesma enquadrase em equívocos e erros na interpretação da legislação aplicável, afastando qualquer possibilidade de agravamento da penalidade da multa. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendo a exigência de multa isolada de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Designado Com a devida vênia, discordamos da il. Relatora. No caso ora em exame, durante os períodos de apuração compreendidos nos anos de 2000 e 2001, a contribuinte contabilizou as suas receitas em valores superiores ao que por ela mesma foram declarados nas DIPJs, o que, a toda evidência, caracteriza o dolo, a vontade livre e consciente de recolher menos tributos que o devido. Em casos idênticos, esta mesma Turma tem mantido a qualificação da multa de ofício, ao fundamento de que bem caracterizado o dolo, a ensejar a sua aplicação, não se tratando, portanto, de mera omissão, a atrair a incidência da Súmula CARF nº 14. Ilustrativamente: Fl. 677DF CARF MF 12 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 9303 004.319, de 15/09/2016) Ante o exposto, e sem maiores delongas, dou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, para restabelecer a aplicação da multa qualificada. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 678DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900256/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.681
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 56 /2 01 3- 22 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.715, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900256/201322 Acórdão n.º 3301003.681 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.001287/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO.
O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria.
Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.035
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.001287/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.035 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quotaparte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregálos em "produtos" em relação à sua quotaparte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cotaparte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 87 /2 01 1- 69 Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de Cofins nãocumulativo(a) Exportação, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. A contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceiro outorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 4 3 própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 5 4 deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levandose em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 6 5 ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. A DRJ decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06050.206. Inconformada com os indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.013, de 31 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.013):Relator "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 7 6 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 8 7 que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 9 8 • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, tem se mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quota parte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 10 9 O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceiro outorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 12 11 Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 13 12 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10935.001287/201169 Acórdão n.º 3301004.035 S3C3T1 Fl. 14 13 cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, o Crédito Presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011, e o cálculo de rateio proporcional no regime da não cumulatividade se aplica tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 2049DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.720002/2015-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA.
Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplica-se a multa qualificada prevista na legislação de regência.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica.
SÓCIO-GERENTE. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI E CONTRATO SOCIAL. CRÉDITOS RESULTANTES. RESPONSABILIDADE.
O sócio-gerente é responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
RECURSO DE OFÍCIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO COTISTA. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO.
O sócio não se confunde com a pessoa jurídica de cujo capital participa, e o inciso III do art. 135 do CTN expressa e restritivamente só atribui a responsabilidade solidária ao sócio administrador em relação aos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Exclui-se do pólo passivo a pessoa cujo interesse comum não restar comprovado.
Numero da decisão: 1402-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer da argüição da natureza confiscatória do percentual da multa, rejeitar a arguiçao de decadência e negar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. SÓCIOGERENTE. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI E CONTRATO SOCIAL. CRÉDITOS RESULTANTES. RESPONSABILIDADE. O sóciogerente é responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RECURSO DE OFÍCIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO COTISTA. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO. O sócio não se confunde com a pessoa jurídica de cujo capital participa, e o inciso III do art. 135 do CTN expressa e restritivamente só atribui a responsabilidade solidária ao sócio administrador em relação aos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 02 /2 01 5- 86 Fl. 8630DF CARF MF 2 estatutos. Excluise do pólo passivo a pessoa cujo interesse comum não restar comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer da argüição da natureza confiscatória do percentual da multa, rejeitar a arguiçao de decadência e negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório Fl. 8631DF CARF MF Processo nº 14098.720002/201586 Acórdão n.º 1402002.609 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela DRJ de Recife de improcedência de impugnação da contribuinte TILLO CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA e de seus sócios, ante a lavratura de auto de infração por suposta omissão de receitas decorrentes da identificação de depósitos bancários de origem não comprovada, verificados nos anoscalendários de 2009 e 2010. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 1162/1240, através dos quais foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e à Contribuição para o PIS/Pasep. O crédito tributário total importou em R$ 9.669.580,60, conforme demonstrativo de fl 02. 2. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 1241/1251, o lançamento, que se refere aos anoscalendário 2009 e 2010, decorreu de i) omissão de receita em face da não emissão de notas fiscais relativas a serviços prestados e ii) falta de declaração e recolhimento referente a receitas de serviços prestados. O lucro foi arbitrado em razão da não apresentação dos livros e documentos a que está obrigado o optante pelo Lucro Presumido. 3. Foram responsabilizadas solidariamente cinco pessoas físicas tidas como sócios de fato e de direito da pessoa jurídica. Qualificouse a multa (percentual de 150%) e efetuouse Representação Fiscal para Fins Penais. 4. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 1803/1840), alegando, em síntese: a) nulidade por cerceamento do direito de defesa, pois a intimação por edital somente pode ser feita quando exauridos os outros meios de notificação; b) que, na análise da movimentação bancária, a fiscalização apenas considerou as transferências para os filhos da sócia Vânia, não considerando as devoluções ocorridas, as quais devem ser excluídas da base de cálculo do lançamento; c) que não foram observados determinados princípios constitucionais; d) que foram baseadas em presunções as acusações de passivo fictício, de saldo credor de caixa e de depósitos bancários não contabilizados; e) que, em caso de dúvida, determina o CTN a interpretação benigna; f) que o caso não se enquadra nas hipóteses legais de arbitramento previstas no RIR/80, vigente à época dos fatos (sic); g) que depósitos bancários por si não constituem fato gerador do imposto; h) que a multa, além de confiscatória, poderia ser reduzida com base no princípio da retroatividade da lei mais benéfica. 5. Ao final, requereu o cancelamento dos autos de infração deste processo e do processo nº 14098.720003/201521. Fl. 8632DF CARF MF 4 6. Os indicados como responsáveis solidários apresentaram impugnações de fls. 1265/1279, 1286/1300, 1310/1322, 1329/1345 e 1377/1392, nas quais se alegam, em resumo: a) nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, pois não teria havido sua citação; b) que o serviço de contabilidade era terceirizado, e a empresa nunca soube que havia irregularidades tributárias; c) que as obras contratadas eram públicas e não houve desvio de recursos; d) que, por enfrentar dificuldades financeiras, os valores eram depositados nas contas dos filhos da proprietária da empresa e depois devolvidos para honrar os pagamentos dos funcionários; e) que não cabe a imputação de responsabilização solidária; f) que o lançamento baseouse em presunções e que não foram considerados os custos e despesas. 7. Às fls. 8151/8153 constam pedido de prorrogação de prazo para apresentação de defesa. O r. DRJ/PE proferiu acórdão que foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EDITAL. VALIDADE. É válida a intimação por edital quando resultar improfícua a via pessoal, a postal ou a eletrônica, ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. NÃO OBRIGATORIEDADE. Os procedimentos de auditora fiscal têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nessa fase. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano calendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, Fl. 8633DF CARF MF Processo nº 14098.720002/201586 Acórdão n.º 1402002.609 S1C4T2 Fl. 1.113 5 pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Excluise do polo passivo a pessoa cujo interesse comum não restar comprovado. SÓCIOGERENTE. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI E CONTRATO SOCIAL. CRÉDITOS RESULTANTES. RESPONSABILIDADE. O sóciogerente é responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO COTISTA. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. O sócio não se confunde com a pessoa jurídica de cujo capital participa, e o inciso III do art. 135 do CTN expressa e restritivamente só atribui a responsabilidade solidária ao sócio administrador em relação aos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Ademar Alves Vilarindo Filho e Vânia Regina Marques da Silva apresentam Recursos Voluntários sustentando em síntese que (a) o julgador não analisou os documentos da defesa, uma vez que estes teriam sido apresentados com a defesa da pessoa jurídica; (b) os valores apenas transacionavam por sua conta, para fins de pagamento da folha salarial, servindo como espécie de blindagem patrimonial, uma vez que a conta da empresa já havia sido bloqueada uma vez, causando transtornos no pagamento dos funcionários o que seria comprovado pelos extratos bancários juntados; (c) a ilegitimidade da responsabilidade do sócio de fato dado que seria Ademar Alves Vilarindo Filho mero auxiliar administrativo não constando nem mesmo Contrato Social, logo, sem poder de gestão; (d) não teria obtido qualquer vantagem econômica; (e) os tributos estariam decadentes (f) caráter confiscatório da multa qualificada de 150%. Em sede do julgamento proferido pela DRJ restou afastada a responsabilidade de Ana Paula Marques Vilarindo e Maria Marques da Silva dado que ausentes Fl. 8634DF CARF MF 6 poderes de administração; não cotempladas, portanto, na hipótese de responsabilidade do art.135, II do CTN. A exoneração da responsabilidade submetese a Recurso de Ofício que demanda enfrentamento, também, neste julgamento. É o relatório. Voto Fl. 8635DF CARF MF Processo nº 14098.720002/201586 Acórdão n.º 1402002.609 S1C4T2 Fl. 1.114 7 Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: 1.1 O Recurso Voluntário é tempestivo e assinado por patrono competente. 2. DO MÉRITO DA OMISSÃO DE RECEITA As provas juntadas aos autos demonstram irrefutavelmente a omissão de receitas. A diferença existente entre os valores verificados em depósitos bancários e aqueles declarados pela empresa em suas obrigações acessórias evidenciam isso e as provas colacionadas ao Termo de Verificação Fiscal arrematam: As provas do recebimento de receitas omitidas, de receitas informadas em DIRF por terceiros e das condutas praticadas, são as seguintes: 1 – ANEXO I (UM) – amostra dos beneficiários de pagamentos; 2 – ANEXO II (DOIS) – resumo das respostas dos beneficiários; 3 – ANEXO III (TRÊS) – documentação das respostas; 4 – EXTRATO DOS DACON; 5 DIPJ AC 2009 a 2011; 6 – DEMONSTRATIVO DIPJ; 7 – DEMONSTRATIVO DACON; 8 Extratos de contas com Banco do Brasil S/A, Banco da Amazônia S/A, Caixa Econômica Federal e Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Ouro Verde de Mato Grosso Sicredi Ouro Verde MT; 9 – EXTRATOS DIRF 2009/2010 e resumo; 10 – EXTRATO SIAFI; 11 – DEMONSTRATIVO DA RECEITA OMITIDA. Conforme o TVF: O sujeito passivo apresentou DIPJ pelo regime do lucro presumido nos anoscalendário de 2009 e 2010, exercendo a atividade principal de “locação de mãodeobra temporária”, de acordo com a referida declaração. Em relação ao anocalendário 2009 não informou nenhuma receita operacional na DIPJ. No que tange ao anocalendário 2010 informou receitas no valor de R$ 2.130.000,00, além de fazer com que o IRRF e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retidos ficassem igual ao imposto/contribuição devidos, como se nada tivesse a pagar. Na DIPJ relativa ao anocalendário de 2010 informou que o percentual de apuração do lucro era de 8%, sendo que o percentual aplicável é de 32%. No caso da CSLL aplicou o percentual de 12%, Fl. 8636DF CARF MF 8 quando o correto também seria de 32% para determinação da base de cálculo. Apresentou Dacon para todo o período fiscalizado sem conter quaisquer informações sobre a apuração de PIS e Cofins, de acordo com EXTRATO DOS DACON. Nas DCTF apresentadas para todo o período em exame, informou apenas débito de R$ 1,00 (um real) em relação a Contribuição para o PIS em novembro/2010... Afirma o Recorrente que os valores meramente transacionaram por sua conta para fins de “blindagem patrimonial”, para possibilitar o pagamento dos funcionários, em caso de bloqueio da conta da pessoa jurídica, mas que os valores eram devolvidos. Para fins de aplicação do art. 42, da Lei n. 9.430/1996, entretanto, isso não importa, pelo contrário, apenas confirma que os valores pertenciam a PJ e não foram declarados devidamente. Importante ressaltar que o recorrente foi autuado como responsável solidário, e não como contribuinte, não estamos aqui imputando tais rendimentos a seu patrimônio pessoal e cobrando IRPF. Vejamos o dispositivo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim sendo, o fato de haver devolução não afasta a presunção prevista no art. 42, citado, pelo contrário, apenas a confirma. A conta simplesmente não fecha. Confirmada a omissão de receitas, passo a analisar a responsabilidade solidária atribuída aos sócios pessoafísicas. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ADELMAR ALVES VILARINDO FILHO Importa aqui recuperar o que a r. DRJ decidiu especificamente em relação a este responsável: 89. Em sua peça de defesa, argui o impugnante: i) que era auxiliar administrativo da empresa, sem qualquer interferência em sua gerência ou em sua movimentação bancária, ii) que a empresa efetuou indevidamente depósitos em sua conta corrente, os quais eram destinados ao pagamento de funcionários e fornecedores em razão de termo de ajuste de conduta firmado pelo sujeito passivo, iii) que todos os valores depositados em seu nome foram devolvidos à empresa, conforme avisos de crédito e depósitos online constantes dos extratos obtidos pela fiscalização. 90. O impugnante não trouxe prova alguma a respaldar suas alegações. Examinandose os anexos acostados pelo impugnante (fls. 1393/1476), constatase que a defesa cingiuse a relacionar créditos nas contas da Tillo que constituiriam devoluções de recursos recebidos pelo impugnante. Fl. 8637DF CARF MF Processo nº 14098.720002/201586 Acórdão n.º 1402002.609 S1C4T2 Fl. 1.115 9 91. Tal demonstrativo, bem assim os extratos bancários da Tillo anexados pela defesa, apenas indicam créditos na conta da empresa, sem, contudo, comprovarem sua origem. 92. Tenho, assim, que a expressiva soma de recursos recebidos da empresa pelo impugnante revela sua participação de fato na sociedade, pelo que deve ser mantida a imputação de responsabilidade com fulcro no art. 124, I, do CTN. Os fundamentos levantados pelo Sr. Aldemar Alves Vilarindo Filho, a meu ver não ilidem sua responsabilidade no caso concreto. Como bem apontado pelo Conselheiro Leonardo Couto em caso de omissão de receitas saldo credor de caixa, mas cujas conclusões podem ser estendidas sem prejuízo para casos de omissão de receitas – depósitos bancários: Vejase, a lei não fala, no caso do art. 135, em “sócios”, mas, sim, em “administradores”, embora no que tange à recorrente pessoa jurídica isso não tenha maior relevância, já que todos os seus sócios eram, ao mesmo tempo, seus administradores. (...) não há dúvidas de que os administradores da pessoa jurídica autuada por omissão de receitas (saldo credor de caixa), presunção não elidida pela recorrente, participaram ou tiveram – todos eles – conhecimento dos fatos, ou seja, da existência de inequívoca “infração à lei” de que cuida o artigo 135, III, do CTN, e, vejase, não se trata de uma simples “infração” como, por exemplo, a entrega extemporânea da DIPJ ou da DCTF, mas de manter à margem da escrituração e da tributação vultosos valores só detectados pela intervenção do Fisco em auditoria realizada na pessoa jurídica. (...) Ora, inimaginável se possa aceitar que os administradores da recorrente não tinham conhecimento ou participaram deste ato delituoso, até porque, nunca é demais lembrar, ainda que a pessoa jurídica possa ter “vida própria” e “existência real” (teorias da “Realidade Objetiva” e “Realidade Técnica”), ou que, “sendo sujeito de direito, vale dizer, sendo uma pessoa, será dotada de personalidade e possuirá todos os direitos e obrigações semelhantes a uma pessoa natural ou física” , posições que se contrapõem à conceituação de Savigny, para o qual a pessoa jurídica é uma mera “ficção”, o fato inconteste – é que quem toma decisões nas empresas são pessoas humanas investidas de poderes para tal e o fazem de acordo com os preceitos que norteiam as companhias das quais participam ou administram. Valores irreais transitavam por sua conta corrente para “mero pagamento de funcionários”, valores muito superiores aos declarados pela Empresa Jurídica. Pouco crível que tais valores transitassem pela conta de um mero auxiliar administrativo, sem qualquer poder de gestão. No que irreparável a conclusão da r. DRJ. DA DECADÊNCIA Fl. 8638DF CARF MF 10 Por fim, suscitam os Recorrentes a decadência com fulcro no art. 150, §4 do CTN. Não merece prosperar o argumento. Não há que se falar na aplicação do referido artigo quando comprada a fraude in casu. À luz do art. 173,I não há que se falar de decadência, quando o lançamento deuse dentro do prazo legal. DA MULTA QUALIFICADA: Argumenta a recorrente que a multa imposta em 150% tem caráter confiscatório ao que não conhecemos do argumento no que respeita a (in)constitucionalidade. No que respeita ao aspecto de legalidade da multa qualificada temse por cristalino o dolo dos recorrentes caracterizado pela confusão patrimonial no fluxo dos recursos ao que mantemse a multa fixada. É certo que existe Súmula do CARF no sentido de que simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Todavia, a contrario sensu do entendimento consolidado pelo Colegiado Administrativo Tributário na citada Súmula, a contribuinte não só omitiu receitas como buscou impedir ou retardar totalmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou mesmo seu conhecimento pela Fiscalização mediante movimentação bancária em conta de terceiro. Por isso tudo, não é “apenas” a omissão de receitas tomada isoladamente que levou à exasperação da multa, mas todo um complexo de fatos entrelaçados e as circunstâncias presentes que assim a definiram. A jurisprudência administrativa é nesta linha: Acórdão 120100205 Relator: Guilherme Adolfo dos S. Mendes MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão Fl. 8639DF CARF MF Processo nº 14098.720002/201586 Acórdão n.º 1402002.609 S1C4T2 Fl. 1.116 11 11/11/2010 Relator(a) Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão 1402000.314) Deste modo, presentes os requisitos exigidos por lei para a exasperação da multa de ofício ao patamar de 150%, nenhum reparo deve ser feito ao trabalho do Fisco, pela sua procedência. DOS RECURSOS DE OFÍCIO: No que respeita aos Recursos de Ofícios ante ao afastamento da responsabilidade de Ana Paula Marques Vilarindo e Maria Marques da Silva tenho para mim que ausentes motivos legais suficientes para considerálas como coresponsáveis. Com relação à primeira temse que não há como colocála como coresponsável pelo mero argumento de ser "sócia de fato" e com relação a segunda sua participação societária é mínima (0,4%) o que ademais não lhe confere poder de gerência algum, logo, correta a decisão DRJ em afastar a responsabilidade das mesmas. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela improcedência dos Recursos Voluntários interpostos com a manutenção do auto de infração. Quanto ao afastamento da responsabilidade de Ana Paula Marques Vilarindo e Maria Marques da Silva voto pela improcedência do Recurso de Ofício mantendose a decisão da DRJ. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 8640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002235/2006-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa total da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a averbação de parte da área na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa total da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a averbação de parte da área na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 22 35 /2 00 6- 02 Fl. 245DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). Relatório Trata o presente processo, de exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2002, acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente ao imóvel denominado "Fazenda Rio Preso", cadastrado na RFB sob o nº 14586444, tendo em vista glosa da ARL Área de Reserva Legal de 308,0 hectares. Em sessão plenária de 21/09/2010, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280100.892 (efls. 81 a 85), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE AVERBAÇÃO. A averbação à margem da matricula do imóvel da Área de Reserva Legal junto ao respectivo cartório de Registro de Imóveis serve de comprovação de sua existência, para efeito de sua exclusão da base de cálculo de ITR conforme previsto na Lei no 9.393/96. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Utilização Limitada/Área de Reserva Legal no montante de 153,8 ha. Os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende votaram pelas conclusões.” O processo foi recebido na PGFN em 03/05/2012 (carimbo aposto na RM Relação de Movimentação de efls.87) e, em 04/05/2012, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls. 89 a 99 (Relação de Movimentação de efls. 88). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a necessidade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da ARL Área de Reserva Legal da tributação do ITR/2002. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, por meio do Despacho de Admissibilidade de 06/06/2014 (efls. 132 a 134). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13971.002235/200602 Acórdão n.º 9202005.682 CSRFT2 Fl. 246 3 para efeito da exclusão das Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, apresentando o ADA respectivo ou protocolizando requerimento perante o Ibama ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração; a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, lei em vigor para o ITR do exercício de 2001; de fato, esse diploma reiterou os termos da Instrução Normativa nº 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; nesse sentido, confirase o caráter impositivo da norma legal aludida: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (grifos do recorrente) assim, a obrigatoriedade de apresentação do ADA ou do protocolo de requerimento para sua emissão é exigência que sempre decorreu da legislação tributária e, atualmente, encontra previsão expressa no art. 17O, § 1º, da Lei n° 6.938/81, em vigor a partir de 27/12/2000, em tudo se aplicando ao ITR do exercício de 2002, tal como é o caso dos autos; da mesma forma, a Instrução Normativa SRF n° 60, de 2001, que revogou a Instrução Normativa SRF n° 73, de 2000, consolidou, em seu art. 17, caput e incisos, a exigência de lei: "Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; Fl. 247DF CARF MF 4 III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for deferido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido." (grifos do recorrente) o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, por sua vez, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição em um único instrumento inclusive a Medida Provisória n° 2.16667/2001 , assim dispõe em seu art. 10: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1°); II de reserva legal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1°); Ill de reserva particular do patrimônio natural (Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II, alínea " h" ); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II, alínea " c" ). (...) § 2° A área total do imóvel deve se referir CI situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3° Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 5°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13971.002235/200602 Acórdão n.º 9202005.682 CSRFT2 Fl. 247 5 II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR."(grifos do recorrente) a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que tem a competência regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, editou a Solução de Consulta Interna nº 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima exposto; nos termos da legislação retro, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a não incidência tributária sobre as Áreas de Preservação Permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR; a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2° e 3°, da Lei n°5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), ou seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória mas sim incidência do imposto; por outro lado, é inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não mais existe a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no § 7° do art. 10 da Lei n°9.393/1996, incluído pelo art. 3° da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001, pelas razões expostas a seguir; a literalidade do texto dispensa maiores comentários; o que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas, portanto o contribuinte preenche os dados relativos às Áreas de Preservação Permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento; no entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo; o "Manual de Perguntas e Respostas do ITR", editado em 2002 após a edição da Medida Provisória n° 2.16667/2001 disponível no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal na Internet, ratifica, em suas perguntas de nºs 66 e 67, o entendimento de que não houve qualquer alteração na legislação, no que tange à existência de prazo para requerimento do ADA: "066 Qual é o prazo legal para requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA)? O ADA deve ser protocolizado no lbama no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Caso o ADA não seja requerido Fl. 249DF CARF MF 6 tempestivamente, ou seja denegado o requerimento, será efetuado lançamento de oficio com os acréscimos legais cabíveis. (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1 °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1°)" "067 Caso o Ato Declaratório Ambiental (ADA) não tenha sido requerido, quais as conseqüências? Caso não seja requerido o Ato Declaratório Ambiental (ADA) dentro do prazo legal, poderá ocorrer uma das situações seguintes: 1) o contribuinte poderá pagar a diferença de imposto, com os acréscimos relativos à mora (multa e juros), desde que o faça antes do inicio de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar a infração tributária (pagamento espontâneo); ou 2) a Secretaria da Receita Federal (SRF) apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. (Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, § 1°, com redação dada pela Lei n° 10.165, art. 1°, de 2000)" a obrigatoriedade da apresentação do ADA para o ITR exercício 2002, registrese, é determinação que decorre do art. 170, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, alinhandose com a norma que consagrou o beneficio tributário (art. 10, § 1°, II, da Lei n° 9.393/96) e apontando o meio para a comprovação da existência das áreas de utilização limitada e de Preservação Permanente, e com esse desiderato foi prevista a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA; nos termos do art. 17 da IN SRF nº 60/2001 c/c art. 10 do Decreto nº 4.382/2002, para se valer do beneficio, o contribuinte deve protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; ora, o exercício do direito do contribuinte está atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente; tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do IIR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos; o que não se pode conceber é que o contribuinte queira se valer da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação; não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de utilização limitada e de Preservação Permanente, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente; o direito ao beneficio legal deve estar documentalmente comprovado, e o ADA, apresentado tempestivamente, é o documento exigido para tal fim; registrese que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que se busca Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13971.002235/200602 Acórdão n.º 9202005.682 CSRFT2 Fl. 248 7 é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação; a condição acima referida está vinculada ao aspecto temporal, não sendo coerente nem prudente que a regularização junto ao Ibama das áreas excluídas da tributação do ITR pudesse ser feita a qualquer tempo, de acordo com a conveniência do contribuinte; no caso concreto, o contribuinte não apresentou ADA tempestivamente, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente (SIC). Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial. Cientificado em 22/08/2014 (AR Aviso de Recebimento de efls. 188), o Contribuinte quedouse silente (Despacho de Encaminhamento de efls. 244). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2002, tendo em vista glosa da ARL Área de Reserva Legal, sobre a qual a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989, assim especifica: “Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área”. (grifei) Sobre a matéria, o acórdão recorrido assim se manifestou: "De acordo com artigo acima mencionado do Código Floresta a averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel é maneira legalmente prevista de comprovar a preservação e conseqüentemente a existência das áreas de Reserva Legal. A recorrente desde a resposta da intimação de fls. 03/04, já havia juntado aos autos certidão do competente cartório de registro de Imóveis, na qual se verificavam averbados 153,85 hectares a título de área de Reserva Legal. Fl. 251DF CARF MF 8 Além da averbação supramencionada, que por si só já constitui prova suficiente, também foi juntado aos autos laudo de Avaliação Técnica que afirma que tantos a área declarada como de Preservação Permanente quanto à de Reserva Legal estão devidamente preservadas." (grifei) Com efeito, a averbação citada no trecho acima foi efetuada em 07/05/1999 (efls.21). Nesse passo, filiome ao posicionamento adotado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a averbação da ARL à margem do registro do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, que no presente caso ocorreu em 1º/01/2002, supre a necessidade de apresentação do ADA. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 252DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726965/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas.
ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis.
Numero da decisão: 2401-005.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 65 /2 01 0- 86 Fl. 321DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10580.726965/201086 Acórdão n.º 2401005.081 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1449.852/2014, às efls. 231/239, que julgou procedente o lançamento fiscal, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas, deixando de declarar a totalidade dos pagamentos feitos a segurados contribuintes individuais, além do valor dos serviços a ela prestados por cooperados através de cooperativa de trabalho, em relação ao período de 01/2006 a 04/2006, conforme Relatório Fiscal, às efls. 29/38, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: DEBCAD n° 37.058.2578 Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n° 8.212/91, inciso IV e § 3°, acrescentados pela Lei n° 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, Código de Fundamentação Legal CFL 68. Informa a fiscalização em seu relatório que a empresa não incluiu em suas GFIP, na sua totalidade, os pagamentos feitos aos contribuintes individuais registrados nas contas 4.1.01.03.006 Serviços Prestados Pessoa Física, 4.1.01.03.018 Serviço Manutenção Geral, 4.1.01.03.020 Serviço Manutenção Equipamentos Hospitalares, 4.1.1.03.022 Serviço de Manutenção de Equipamentos não Médicos Hospitalares, 4.2.01.02.025 Despesas de Complementarização, 4.2.01.12.999 Outras Despesas não Dedutíveis, 4.2.01.04.007 Honorários Advocatícios e 4.2.01.03.007 Representação Diretoria Técnica. Também não foi incluído em GFIP as remunerações pagas às cooperativas através de suas notas fiscais de prestação de serviços, contabilizadas nas contas 4.1.01.03.012 Serviços Hospitalares, 4.1.01.03.010 Serviços Médicos, 2.1.01.02.023 – COOPRO, entre outras. Para as competências até 11/2008, deve a fiscalização proceder à comparação de multas a serem aplicadas, levandose em consideração a legislação anterior e a introduzida pela edição da Medida Provisória MP 449/2008, transformada em Lei 11.941/2009, em atendimento ao contido no art. 106, II, “c”, do CTN, que trata da retroatividade benigna em termos de penalidade a ser aplicada. Diante disso, concluiu a fiscalização, conforme tópico específico do Relatório Fiscal da Multa Aplicada do RF, que, para as competências 01/2006 e 04/2006, objeto deste AIOA, é mais benéfico ao contribuinte a aplicação da multa calculada com base na legislação anterior à MP, conforme planilha constante no citado tópico do RF, e lavrase o presente AIOA. Toda a sistemática de comparação, critérios, legislação e planilhas estão demonstradas no item Relatório Fiscal da Multa Aplicada. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 243/249, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugnando inicialmente pelo enviou das notificações e/ou intimações ao endereço dos patronos, sob pena de nulidade. Fl. 323DF CARF MF 4 Insurgese quanto a exigência de depósito prévio de 30% do valor discutido em débito para conhecimento do recurso, visto que tal exigência já foi devidamente considerada inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, aduz que visa impedir a cobrança da multa por suposto descumprimento de obrigações acessórias dispondo sobre o art. 442 da CLT que autoriza a relação contratual com cooperativas. Faz um histórico da legislação que trata de cooperativas desde a Lei Complementar nº 84/96 até sua revogação pela Lei nº 9.876/99 que modificou a Lei nº 8.212/91, aduzindo que é inconstitucional a contribuição em discussão, já que há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, a lei ordinária em comento usurpou competência prevista no art. 146, inciso III, alínea “c”, da CF, eis que, em se tratando de matéria envolvendo atividade cooperativa, o instrumento normativo é lei complementar, e, a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode criada mediante Lei Complementar. Afirma ter o STF no julgamento do RE 595838 declarada inconstitucional a contribuição sobre serviços de cooperativas de trabalho, anexando tal decisão. Explicita não haver qualquer renúncia ou desistência ao litígio na esfera administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.726965/201086 Acórdão n.º 2401005.081 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. A apresentação de GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias é obrigação da empresa, determinada por dispositivo legal art. 32, inc. IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, c/c art. 225, inciso IV e § 4º do RPS, na redação vigente à época da lavratura, e ao deixar de proceder em consonância com o estabelecido, estará cometendo infração à legislação previdenciária. O foco das alegações da recorrente, em suma, consiste no que se sintetizou no Relatório que precede a este Voto, ou seja, asseverando que a Lei nº 9.876/99 revogou a Lei Complementar nº 84/96, aduz que é inconstitucional a contribuição disposta no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, já que i) há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, e, ii) a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, c/c 154, I, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode ser criada mediante Lei Complementar. Neste contexto, necessário trazer à pauta os limites deste julgamento administrativo. Há que se destacar que um dos princípios basilares da administração pública é o da legalidade, princípio que obsta a aplicação da discricionariedade pelo gestor público, ou seja, existe a obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Assim, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, surtirá efeito enquanto vigente e será obrigatoriamente cumprida pela administração por força do ato administrativo vinculado. Não é possível, em sede administrativa, afastar a aplicação de legislação em vigor, conforme estabelece o art. 18 da Portaria RFB nº 10.875, de 16/08/2007 (DOU de 24/08/2007) e art. 26A do Decreto n° 70.235/1972, acrescentado pela MP 449, de 03/12/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, este transcrito abaixo: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Fl. 325DF CARF MF 6 Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da legislação aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por fim, a interessada requer que sejam notificados/intimados os advogados constituídos da impugnante, no endereço destes. Observase que, na presente fase do processo administrativo fiscal, no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB), aplicamse as seguintes determinações constantes no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, este abaixo: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113); ou IV por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 25): a) no endereço da administração tributária na Internet; b) em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação;ou c) uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. §1° A utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). §2° Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.726965/201086 Acórdão n.º 2401005.081 S2C4T1 Fl. 5 7 II o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, inciso II, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113). § 3° O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2° somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 5º, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113) Conforme parágrafo 1º do art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, entre as formas de cientificação do sujeito passivo constantes nos incisos I a III não há ordem de preferência e a RFB utilizase, nesta fase do julgamento administrativo, a via postal ou via eletrônica. Neste contexto, verificase que o local legalmente determinado para o recebimento de intimações, é aquele eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio tributário (endereço, postal fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado). Portanto, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome e no endereço do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal ou eletrônica, endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, II e III, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97 e pelos dispositivos elencados acima. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 327DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003021/2004-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a DRF de origem intimar da decisão da DRJ, o responsável solidário: Marcos Rubens Soares dos Santos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Recorrente BRUFRUIT COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a DRF de origem intimar da decisão da DRJ, o responsável solidário: Marcos Rubens Soares dos Santos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0320.586, de 27 de abril de 2007, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente os lançamentos, conforme a seguir relatado. Houve Recurso de Ofício, em função da exoneração de crédito tributário acima do limite legal que, à época era de R$500.000,00 (Portaria nr. 3275/2001, art. 2º). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 02 1/ 20 04 -4 7 Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Resolução nº 1302000.512 S1C3T2 Fl. 3 2 A recorrente foi autuada, em virtude de não recolhimento de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e Cofins, conforme autos de infração às fl. 776/808, referentes ao anocalendário 1998, no valor total de R$ 6.584.791,01 (sendo os juros de mora calculados até 30/11/2004) IRPJR$2.569.842,84; Cofins, CSLL e PIS: R$724.052,07; R$2.227.853,22; R$1.063.042,88. Apurouse omissão de receitas e arbitrouse o lucro, nos termos do art. 42, da Lei no. 9.430/96, em função da falta de comprovação da origem de depósitos bancários. Para essa apuração, expurgaramse os recursos creditados a título de empréstimos bancários, devolução de cheques, estornos diversos, resgates de aplicações financeiras e transferências intercontas. A multa foi qualificada, em função da simulação de participação societária; da omissão de declarações; da não apresentação da documentação contábil e fiscal, e da prestação de informações discrepantes dos documentos apresentados; e omissão de prestação de informações às autoridades fazendárias. Nessa situação, concluiuse que houve o intuito de elidir a responsabilidade dos reais proprietários da empresa, quanto ao não recolhimento dos tributos e contribuições devidos, bem como do crédito tributário ora lançado. Tais fatos ensejaram o enquadramento na situação de sonegação fiscal. Responsabilizaramse solidariamente os sócios Pedro Fernandes Neto, Valdeci Silva Teles e Marcos Rubens Soares dos Santos que, em vista de diversas situações descritas no Termo de Constatação de Responsabilidade Tributária (fl. 1338), são sócios gerentes da recorrente. Na primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf (fl. 1512, vol. VIII), decidiuse por anular os atos processuais, desde a intimação, por edital, da recorrente, determinandose a intimação por via postal no endereço declinado pela contribuinte. À época, a intimação teria sido realizada por edital, face à situação "inapta" da empresa. O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1302 000.110, de 18 de outubro de 2011, dessa Segunda Turma Ordinária (fls. 01/05). , para que fossem intimados os responsáveis tributários, Pedro Fernandes Neto (fl. 1565, intimado em 19/03/2012) e Valdeci Silva Teles (fl. 1567, intimação sem êxito; e fl. 1.570, intimação por Edital: fixado em 02/07/2012 e retirado em 24/08/2012). Não obstante a oportunidade respeitada, os responsáveis tributários não se manifestaram. Assim, há para exame somente o recurso voluntário interposto pela contribuinte. Quando da impugnação, a DRJ Brasília rejeitou a preliminar de decadência, com base no art. 149, inc. V c.c. art. 173, inc. I do CTN. Concluiuse que os fatos geradores verificados até novembro de 1998, precluiriam somente em 31/12/2009. Também foi rejeitada a alegação de nulidade do auto de infração, pelo fato de ter sido lavrado em São Paulo (DEFIC SP). A recorrente insurgiu ressaltando que haveria a obrigatoriedade de ser autuada em seu domicílio, DRF Vitória ES. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Resolução nº 1302000.512 S1C3T2 Fl. 4 3 Da mesma forma, não foram acolhidas as alegações genéricas de que o auto de infração seria nulo, em razão de falta de tipificação legal, pois o auditor fiscal fundamentou detalhadamente os lançamentos. No mérito, aplicouse multa qualificada, em decorrência de sonegação fiscal (art. 71, CTN), simulação de participação societária, cumulativamente com a omissão de declarações e de apresentação de informações e documentos. Concluiuse que, não haveria contradição entre a aplicação de multa qualificada e o arbitramento do lucro. Pois, o arbitramento decorreu da falta de apresentação de livros comerciais e fiscais e a qualificação da multa, do caráter doloso dos atos e omissões do contribuinte e seus sócios, demonstrados nos autos, que resultou na falta de recolhimento de tributo. A DRJ registrou que a recorrente não se opôs à conclusão pela responsabilidade tributária (art. 135 do CTN). Cingiuse a defender que os sócios Marcos e Valdeci não poderiam ser responsabilizados, pelo fato de não serem sóciosgerentes. Não houve contestação, em relação ao sóciogerente Pedro Fernandes. Concluise que seriam responsáveis tributários, os sócios Pedro e Marcos. Valdeci seria apenas uma interposta pessoa ("laranja"). Concluiuse como receitas omitidas, os depósitos em contas bancárias de origem não comprovada, com base nas disposições do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Afastouse a alegação de que não teria sido demonstrada a certeza e a liquidez dos valores considerados como receita, mediante detalhada apuração, excluindose valores indevidos. A contestação sobre a aplicação da Taxa Selic foi afastada, com base nas disposições do art. 61 da Lei nº 9.430/96 e na vinculação auditor fiscal à norma legal. Mantevese a exigibilidade das contribuições (CSLL, PIS e COFINS). Diante da exclusão de valores, a DRJ refez os cálculos dos tributos devidos. Em conclusão a DRJ julgou parcialmente procedentes os lançamentos, conforme a seguir indicado, mantendose a qualificação da multa de ofício e a cobrança de juros de mora (Selic), incidentes sobre as parcelas remanescentes dos tributos: IRPJ reduzir o imposto (principal) de R$ 701.165,19 para R$ 145.977,66; CSLL reduzir a CSLL (principal) de RS 290.066,08 para R$ 265.076,88; PIS reduzir o PIS (principal) de RS 196.398,86 para RS 179.479,10; Cofins reduzir a Cofins (principal) de R$ 604.304,31 para RS 552.243,48. É o relatório. Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Resolução nº 1302000.512 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, somente a empresa contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Verificase a sua tempestividade e o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Conheço do Recurso. Todavia, verificase que não houve a intimação do responsável solidário, Marcos Rubens Soares dos Santos para cientificarse do acórdão recorrido, oportunizandolhe a interposição de Recurso Voluntário. Esse ato, no caso, é obrigatório, pois esse devedor impugnou a decisão da DRJ. Assim, para regularizar essa questão, evitandose eventual alegação de nulidade, proponho a conversão do julgamento em diligência para que, seja designado o retorno dos autos à DRF de origem para que seja intimada da decisão da DRJ, o responsável solidário: Marcos Rubens Soares dos Santos. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1579DF CARF MF
score : 1.0
