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Numero do processo: 18471.001549/2006-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2004
VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. COFINS. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO.Tendo o Supremo Tribunal Federal declarado inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, é de se entender que a receita a ser tributada pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, com base na referida lei, corresponde ao faturamento. O que, por conseguinte, cabe afastar da tributação pela Cofins as receitas cambiais ativas.
E, no que tange especificamente às receitas cambiais ativas decorrentes de exportação, conforme decidido pelo STF, quando da apreciação do RE 627.815, devem ser afastadas tais receitas da incidência da Cofins, em respeito a regra de imunidade preceituada no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal.
Numero da decisão: 9303-005.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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COFINS. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO.Tendo o Supremo Tribunal Federal declarado inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, é de se entender que a receita a ser tributada pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, com base na referida lei, corresponde ao faturamento. O que, por conseguinte, cabe afastar da tributação pela Cofins as receitas cambiais ativas. E, no que tange especificamente às receitas cambiais ativas decorrentes de exportação, conforme decidido pelo STF, quando da apreciação do RE 627.815, devem ser afastadas tais receitas da incidência da Cofins, em respeito a regra de imunidade preceituada no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 49 /2 00 6- 34 Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.023 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 220200.085, de 06 de maio de 2009 (fls. 1645 a 1661 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do antigo CARF, decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência até 28/12/2001 e afastar o alargamento da base de cálculo, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2004 DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°, CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. NÃO APLICAÇÃO. 0 prazo decadencial para o lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é o estabelecido no art. 150, § 40, do CTN, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF que vincula o julgador administrativo, conforme art. 103A da Constituição Federal. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo do PIS e da COFINS corresponde à totalidade do faturamento, nos termos fixados pelas Leis Complementares n.'s 7/70 e 70/91, devendo ser excluídas todas as outras receitas que não correspondam ao faturamento da empresa. A aplicação do entendimento inequívoco do e. Supremo Tribunal Federal manifestado nos RE's 357950, 390840, 358273 e 346084 é medida de rigor, nos termos do que dispõe o art. 1° do Decreto 2.346/97. Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.024 3 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A partir de janeiro de 2000 o legislador expressamente autorizou o reconhecimento das variações cambiais pelo regime de caixa, desde que adotado o mesmo critério para o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS. Tendo optado a empresa pela adoção do regime de competência em relação aos dois primeiros, fica igualmente obrigada a sua adoção quanto aos outros dois, pelo que deve ser oferecida à tributação a contrapartida do aumento do valor do ativo ou da redução do valor do passivo ocorrida entre duas demonstrações contábeis. Inexistindo forma alternativa de cálculo, não cabe, tampouco, falar em aplicação do princípio da prudência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. Nos casos de lançamento de oficio para constituição do crédito tributário em razão de falta de recolhimento, deve ser aplicada a multa capitulada no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N°2 DO 2° CC. 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. NORMAS PROCESSUAIS. TAXA SELIC. Os encargos moratórios devem ser calculados em percentual equivalente à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, SELIC, como determinado por lei. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ACESSÓRIO QUE SEGUE 0 PRINCIPAL. Por serem acessórios que seguem o principal, neste caso, não devem ser exigidos no presente processo os juros de mora e a multa de oficio. Recurso negado. Recurso Provido em Parte. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em virtude de falta de recolhimento de Cofins e de PIS pelo Contribuinte no período de 01/01/2001 a 31/08/2004. O Contribuinte constituiu o crédito tributário a título de Cofins no valor de R$ 16.115.020,84 sendo R$6.498.106,29 de contribuição, R$4.743.334,96 de juros de mora e R$4.873.579,59 de multa proporcional à contribuição. Além disso, o Contribuinte constituiu o crédito tributário a título de PIS no valor de R$3.892.480,52, sendo R$1.584.121,82 de contribuição, R$1.120.267,45 de juros de mora e R$1.188.091,25 de multa proporcional à contribuição. Devidamente cientificado da autuação, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro II, que indeferiu o pleito. Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.025 4 Irresignado com a decisão desfavorável, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O colegiado, por sua vez, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até 28/12/2001 e afastar o alargamento da base de cálculo. O contribuinte opôs embargos declaratórios (fls. 1698 a 1705), sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 1826 e 1827. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1664 a 1682) em face do acórdão recorrido, alegando contrariedade à lei e divergência jurisprudencial. Tanto o recurso por contrariedade à lei, como por divergência, investem contra a parcela da decisão atinente a aplicação da jurisprudência do STF acerca do conceito de faturamento e a (in)constitucionalidade do art. 3°, § 1° da Lei n° 9.718/98, que redundou na exclusão das receitas de variação cambial da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. 0 recurso por contrariedade em questão se assenta na possibilidade de questionar decisão não unânime de Câmara, quando contraria a lei ou evidência de prova, Foram indicados como paradigma os acórdãos de números os acórdãos 20313.007 e 20312.357, reproduzidos por inteiro teor no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido parcialmente conforme despacho de fls. 1688 a 1690, por ter entendido que não ficou comprovada a divergência jurisprudencial, dando seguimento apenas ao recurso especial por contrariedade à lei. No reexame de admissibilidade (fls. 1690) mantevese a decisão em dar seguimento parcial do recurso. Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.026 5 O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 1745 a 1756 postulando pelo não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional e para que se mantenha o cancelamento da cobranças dos débitos de PIS e Cofins sobre receitas decorrentes da variação cambial verficadas na vigência da Lei nº 9718/98. O Contribuinte, também apresentou Recurso Especial de Divergência (1874 a 1896), a divergência suscitada pelo contribuinte diz respeito à impossibilidade de cobrança de PIS e de Cofins sobre as receitas de variação cambial na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003. Os acórdãos indicados como paradigma são respectivamente os de n° 202 19.557 e 3402002.457, reproduzidos por inteiro teor no corpo da peça recursal. O Recurso Especial do Contribuinte não foi admitido, conforme despacho de fls. 2000 a 2005, em razão de sua intempestividade. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria em discussão trata do alargamento da base de cálculo da contribuição (inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998) sobre as receitas financeiras (variação cambial ativa) do Contribuinte. Como já é do conhecimento deste Colegiado, o alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins estimado nesta sistemática foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quando da apreciação do Recurso Extraordinário REs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, não há que se falar em incidência da Cofins sobre quaisquer outras quantias que não correspondam aquelas decorrentes do faturamento das pessoas jurídicas. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.027 6 A respeito deste assunto, mais uma vez, peço licença para transcrever o brilhante voto da a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama que através do acórdão n.º 9303004.181 decidiu afastar a cobrança do PIS e da COFINS sobre receitas de variação cambial em caso da empresa Perteco Mineração S/A, senão vejamos: "Para o deslinde dessa questão, primeiramente, cabe trazer que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, restando o conceito de "faturamento" definido como sendo a receita proveniente da atividade da empresa com a venda de mercadorias e pela prestação de serviço, e não mais a totalidade das receitas auferidas. Dessa forma, vêse que a partir da decisão do STF declarando inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, nos autos dos Recursos Extraordinários 390.840MG, 357.950/RS e 358.273/RS, não há que se falar em incidência da Cofins sobre quaisquer outras quantias que não correspondam aquelas decorrentes do faturamento das pessoas jurídicas. Frisese a ementa consignada por aquele Tribunal – RE 390.840MG (Grifos meus): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006) Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.028 7 Proveitoso também trazer o decidido pelo STF, reconhecendo a repercussão geral do tema, conforme ementa do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, em 10.9.08, que teve como relator o Ministro Cezar Peluso: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006)(grifei).” Finalizando, refletese ainda o reconhecimento da “Repercussão Geral”: “Referida matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” conforme a seguir se transcreve: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes.Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.(grifei).” Sendo assim, com tal definição da base de cálculo do PIS e da Cofins de forma definitiva pelo STF, no que diz respeito à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, vêse que essa Conselheira deve respeitar o decidido pela Corte, em respeito ao art. 62, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores (Grifos meus):“Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.029 8 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...]” O que, por conseguinte, em se tratando de receita de variação cambial ativa, tenho que tal receita ora em discussão não corresponde ao sentido estrito de "faturamento". Ressaltase que o STF não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, tampouco trouxe que faturamento equivale a todas as receitas operacionais auferidas pelas empresas, pacificando o entendimento de que a receita as ser tributada pelas contribuições ao PIS e à Cofins deveria ser entendida como a receita de vendas de mercadorias e pela prestação de serviços. Enfatizando, é de se ater que o STF vem adotando o conceito restritivo de prestação de serviços, tanto é que julgou inconstitucional a tributação, pelo ISS, da "locação de bens móveis", entendendo que, para ser considerado "serviço", este deve preencher os requisitos do conceito jurídico, que é "obrigação de fazer" e, para ser tributável, costumase exigir o critério "preço". O que, por óbvio, temse que a receita de variação cambial ativa não seria tributada pela Cofins, pois decorre da flutuação do dólar. É de se trazer ainda que a variação cambial ativa decorrente de operação de importação tampouco seria atrelada ao faturamento, eis que a empresa somente “fatura” quando vende uma mercadoria, e não quando compra (ou importa uma mercadoria). Dessa forma, pelo exposto acima, já resta afastar a tributação da Cofins da receita de variação cambial ativa. No que tange à natureza da receita de variação cambial ativa, argumentação exibida pela Fazenda Nacional de que a Lei 9.718/98 trouxe que tais variações possuem a natureza de Receita Financeira e, portanto, sofrem incidência de PIS e de Cofins, eis que a redação traz: “Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.030 9 aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Temse que tal natureza reforça ainda mais o afastamento da tributação pela Cofins sobre tal receita, pois as receitas financeiras não devem ser confundidas como “faturamento”, vez que não são decorrentes da prestação de serviço e da venda de mercadorias, mas sim de mera flutuação do dólar. Caso o legislador tenha elaborado o art. 9º da Lei 9.718/98 para se fazer incidir as contribuições sobre a variação cambial ativa, é de se verificar que, com a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei, tal dispositivo perdeu a razão de sua existência, tendo em vista que com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo, a base de cálculo que abrangia todas as receitas, independentemente da forma como eram contabilizadas, passou a ser estritamente o “faturamento” da empresa. Sendo assim, entendo que não cabe invocar o art. 9º da Lei 9.718/98 para se forçar a incidência da Cofins sobre as variações cambiais ativas. Ademais, quanto às receitas de variação cambial decorrentes de exportação, é de se trazer ainda que o STF em recente julgado do Recurso Extraordinário 627.815, com repercussão geral reconhecida, decidiu que as receitas de exportação decorrentes de variação cambial não devem ser tributadas pelo PIS e pela COFINS. Para melhor elucidar o posicionamento do STF, peço licença para transcrever parte do acórdão consignado (Grifos meus): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 627.815 PARANÁ RELATORA :MIN. ROSA WEBER RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) :INCEPA REVESTIMENTOS CERÂMICOS LTDA ADV.(A/S) :HENRIQUE GAEDE E OUTRO(A/S) EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.031 10 III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” – conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade e nos termos do voto da Relatora, em conhecer e negar provimento ao recurso extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Brasília, 23 de maio de 2013. Ministra Rosa WeberRelatora” O STF, nesse julgado, decidiu de forma definitiva que não há que se falar em se tributar pela Cofins a variação cambial positiva decorrente de operações de exportação. Por fim, conforme o Estatuto Social da Recorrida, o objeto social consiste em: (i) “adquirir (...) direitos de crédito”; e (ii) “exportar mercadorias (...) podendo, para tanto, firmar contratos de compra e venda de mercadorias com outras sociedades comerciais e captar recursos financeiros no mercado externo". Como se percebe as receitas de variação cambial apuradas pela Contribuinte têm natureza financeira (não operacional), segundo disposto expressamente pelo artigo 9º da própria da Lei 9.718/98. Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.032 11 Dessa forma, pelo exposto acima, já resta afastar a tributação da Cofins da receita de variação cambial ativa. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2032DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.000375/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 75 /2 00 4- 11 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 227 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.617, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: " Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de novembro de 2004, apurado de conformidade com o art. 6° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 155.708,04. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 92/99), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos; apuração incorreta do crédito presumido relativo aos estoques de abertura; inclusão indevida na base de cálculo de receita de álcool para fins carburantes; créditos quanto à aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica e receita de variação cambial. O Auditor fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 56/80) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 61), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 84); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 85); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 86); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl. 87); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls.82/83). VI – Demonstrativo da Variação Cambial e Cópia, por amostragem, de Notas Fiscais de Complemento de Preço – Variação Cambial (fls. 62/63 e 82/83) Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 67.016,82, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls.100/101, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 121/138. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 228 3 Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Defende o direto à totalidade do crédito dos estoques de abertura de bens destinados à venda e de bens e serviços utilizados como insumos. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas que tratam da variação cambial, defendendo que “o legislador infraconstitucional extrapolou a sua competência para instituir PIS/COFINS, equiparando e incluindo na base de cálculo o evento – variação cambial que não possui, essencialmente, natureza de “receita” ao qual se refere a Constituição Federal.” e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/ RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. Na determinação da Cofins não cumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto de crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens referidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, existentes na data de início da incidência da Cofins não cumulativa, calculado na forma prevista no art. 12 da citada Lei. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 229 4 A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF e da questão sobre os estoques de abertura, que não foram abordadas. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF julgou o recurso voluntário parcialmente procedente. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.617 (fls. 194 a 213) e dispositivo: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 230 5 No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 231 6 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator" Foram opostos embargos de declaração (fls. 223 a 227), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.617 (fls. 194 a 213), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 232 e 233), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS de novembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 232 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 223 a 227), em face do Acórdão n° 3801004.617 (fls. 190 a 206), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 232 e 233), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS no mês de novembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte apontou que as supostas omissões teriam ocorrido em relação à análise de dois tipos específicos de custo: compras de lubrificantes e depreciação de torre de bens. Como não obtivera êxito no recurso voluntário, justamente por não ter apresentado os valores dos custos que teriam sido glosados, nos embargos menciona os valores e os correspondentes documentos apresentados ao Fisco durante a fiscalização e que supostamente não teriam sido analisados pela autoridade julgadora de segunda instância, com indicação das respectivas folhas dos autos em que se encontram, a saber: a) "Relação de Notas Fiscais de Aquisição de Insumos e Serviços Pessoa Jurídica PISPASEP" (fls. 68 a 73). b) Nota fiscal n° 2.871 (fl. 75), referente à compra de Torre de Processamento de Massa da Planusi Equipamentos Industriais Ltda., datada de 19/05/2004, no valor de R$ 1.207.500,00. Este documento acompanha demonstrativo preparado pela embargante (fl. 74), onde indica que o crédito de COFINS do mês de novembro de 2004, calculado sobre a respectiva quota mensal de depreciação do bem, seria de R$ 415,08. Os trabalhos das fiscalização e DRJ não merecem qualquer reparo. E não houve omissão alguma do colegiado do CARF. Na peça recursal, a Recorrente alegou que o Fisco ajustou as bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, porém não indicou os insumos que nelas teriam sido indevidamente computados. Discorreu acerca da possibilidade de calcular créditos de PIS e COFINS sobre bens e serviços necessários ao desenvolvimento de suas atividades. E fez menção específica à imprescindibilidade dos custos com óleos e lubrificante, afirmando ter o Fisco afastadoos do conceito de insumos. Dispôs, de forma semelhante, acerca dos custos com depreciação de máquinas e equipamentos indispensáveis à produção do açúcar, dando como exemplos a torre Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 233 8 de processamento de açúcar e caldeiras. E consigna que a glosa deveuse ao fato de não se tratar de bens que sofressem desgaste durante o processo produtivo. O relator do voto condutor do Acórdão embargado, sob o ponto de vista conceitual, concordou com a então recorrente. Contudo, em razão de a então recorrente não ter mencionado os valores glosados pelo Fisco, assim concluiu: tópico "gastos com óleo diesel e lubrificantes" (fls 207 e 208): "(. . .) uma vez que a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há reparo a fazer na decisão administrativa". tópico ao "depreciação" (fl. 208): "(. . .) Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório (. . .)". Fui aos autos e compulsei os demonstrativos de cálculo e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (fls. 58 a 80). E também os cálculos realizados pela fiscalização (fls 81 a 87). E depareime com o seguinte: não houve as glosas dos valores de óleos e lubrificantes e depreciação da torre de processamento de massa apontadas pela embargante, porém adoção de critérios para a apropriação destes créditos que divergiram dos adotados pela embargante. O Fisco, com base nos elementos providos pelo contribuinte, segregou as receitas da embargante em tributadas pelos regimes cumulativo e não cumulativo. Identificou os custos que não davam direito a créditos integrais, porém presumidos (35% da alíquota regular, art. 8° da Lei n° 10.925/04) bens adquiridos de pessoas físicas e jurídicas agroindústria pois estes, ainda que dessem origem a exportações, os excedentes de créditos à época não podiam ser objeto de ressarcimento ou compensação. Por fim, no âmbito das receitas tributadas sob o regime não cumulativo, identificou as relativas a vendas nos mercados interno e externo (neste último caso, o excedente de créditos podia ser objeto de ressarcimento ou compensação) e apurou as respectivas participações percentuais na receita total. E realizou os pertinentes rateios proporcionais dos custos que poderiam gerar créditos de PIS e COFINS e identificação dos saldos a serem ressarcidos ou compensados. Com efeito, vale mencionar, inclusive, que a decisão embargada alterou o cálculo do referido rateio, de forma favorável ao contribuinte, promovendo a inclusão das variações cambiais como receita no mercado externo. Tratase de evidência de que o julgador de segunda instância revisou os cálculos da fiscalização. Assim sendo, o Acórdão não foi omisso quanto à análise dos documentos indicados nos embargos como suportes de custos glosados, relativos a compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento. Se a totalidade dos valores daqueles custos não foi computada nos cálculos dos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação, o motivo, definitivamente, não foi a falta de análise de documentos tempestivamente carreados aos autos. Foi, todavia, a Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 234 9 divergência entre os critérios adotados pela fiscalização, detalhadamente descritos nos demonstrativos de cálculo e na Informação Fiscal, e pelo contribuinte. Dos recurso voluntário (fls. 161 a 178) e acórdão embargado (fls. 223 a 227), constatase que tais critérios foram contestados pelo contribuinte e os respectivos argumentos devidamente enfrentados pelo colegiado do CARF. Contudo, não foram acatados. E, em sede de embargos, não há que se reabrir discussões já exauridas nos momentos processuais devidos. De todo o exposto, concluo, consignando meu voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, opostos em face do Acórdão CARF n° 3801004.617, uma vez que não ocorreram as omissões apontadas pela embargante. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.001625/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas.
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 16 25 /2 00 7- 05 Fl. 240DF CARF MF 2 Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 128/135), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2005, ano calendário de 2004, em que a declarante após intimada, não comprovou importâncias declaradas em sua DIRPF, restando glosados valores: 1) indevidamente declarados como isentos e não tributáveis por moléstia grave (por falta de comprovação da declarante ser portadora de moléstia grave para fins de isenção do imposto de renda); 2) deduzidos a título de incentivo (por falta de previsão legal para a dedução); 3) deduzidos a título de previdência privada e Fapi, no valor de R$ 11.866,25 (por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido da contribuinte). No atendimento à intimação a declarante apresentou informe de rendimentos financeiros emitido pela Canadá Life Previdência e Seguros S/A, referente a aplicação em VGBL (fls.155), que não se refere a previdência privada dedutível na DIRPF; 4) deduzidos a título de despesa com instrução (de dependente que não consta da declaração de ajuste anual); 5) de despesas médicas (que a contribuinte, após intimação, não apresentou os comprovantes dos gastos): · Cláudia Mara Miranda R$ 4.500,00 · Cintia Guedes Bellini R$ 4.000,00 · Yara M. Silva Bezerra R$ 1.066,60 · Xenofonte P. R. Mazzini R$ 150,00 · Fernando Henrique G. V. Santos R$ 2.660,00 · Suely Akemi Yanz R$ 410,00 · Centro Paulista de Laser Ltda R$ 450,00 · Volkswagem do Brasil Assist. Médica R$ 9.528,00 · Unimed Taubaté R$ 954,56 A intimação fiscal para apresentação de documentos está às fls. 150 dos autos digitalizados e os documentos então disponibilizados se encontram às fls. 151/156. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 241 3 Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial (não contestada a dedução a título de incentivo) e juntados documentos (fls. 03/126). A parte não impugnada foi liquidada por pagamento. A DIRPF da contribuinte encontrase às fls. 137/140 dos autos. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 183/195, aceitando a comprovação da declarante ser portadora de moléstia grave e a consequente inclusão dos rendimentos de aposentadoria como isentos/não tributáveis. As demais glosas foram mantidas sob os seguintes motivos: 1. Cláudia Mara Miranda que foi emitido apenas um recibo abrangendo todos os pagamentos do período de abril a dezembro de 2004; que a contribuinte indicou o número dos cheques que suportaram os pagamentos mas não apresentou a cópia dos cheques e que não foi apresentada solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico; 2. Cíntia Guedes Bellini os recibos apresentados não contém as informações mínimas exigidas pela legislação, pois não identificam para quem foi prestado o serviço, quem realizou o pagamento nem o endereço do profissional que prestou os serviços. A contribuinte identificou cheques que teriam sido utilizados para realizar os pagamentos a esta profissional mas não apresentou a cópia dos cheques e não foi apresentada solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico; 3. Yara Marques S. Siqueira no recibo apresentado não consta o endereço da profissional nem indicação de quem foi o beneficiado pelo tratamento. Que o pagamento teria sido realizado em espécie mas o saque identificado em conta corrente bancária foi efetuado em 25/08/2004 e o recibo data de 30/08/2004, não havendo correspondência entre as datas e o odontograma anexado não está sequer assinado por profissional; 4. Xenofonte P. R. Mazzini no recibo apresentado não consta o endereço do profissional nem indicação de quem foi o beneficiado pelo tratamento. A contribuinte indicou o cheque que teria sido utilizado para realizar o pagamento mas não apresentou a cópia do cheque; 5. Centro Paulista de Laser Ltda notas apresentadas não indicam o tipo de serviço prestado, a atividade deste centro, no CNPJ está identificada na CNAE 86500 Atividades de profissionais da área de saúde não especificada, não sendo possível identificar tratarse de despesas médicas passíveis de dedução; 6. Volkswagen do Brasil Assistência Médica os documentos apresentados (informativos e agendamentos de pagamentos) não são Fl. 242DF CARF MF 4 hábeis para comprovar a realização de despesas com plano de saúde, cuja prova se dá através de demonstrativo oficial fornecido pelo próprio plano de saúde aos seus associados. O documento referente à Canadá Life Previdência e Seguros S/A não foi aceito para comprovar dedução realizada a título de previdência privada por não se referir a plano de previdência privada ou Fapi (Fundo de Aposentadoria Programada Individual), mas de aplicação financeira em VGBL. Cientificada dessa decisão por via postal em 21/09/2010 (A.R. de fls. 201), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 15/10/2010 (fls. 205), insurgindose contra as glosas das deduções de previdência privada, desta feita se referindo a pagamentos à Brasilprev Seguros e Previdência S/A, no valor de R$ 6.600,00 e das despesas médicas referentes a: · Cláudia Mara Miranda R$ 4.500,00 · Cintia Guedes Bellini R$ 4.000,00 · Yara M. Silva Siqueira R$ 1.066,60 · Xenofonte P. R. Mazzini R$ 150,00 · Centro Paulista de Laser Ltda R$ 450,00 · Volkswagem do Brasil Assist. Médica R$ 4.565,00 (pois a metade se refere a despesa do cônjuge). Em seu recurso, a contribuinte anexou documentos às fls. 207/221: 1. Informe de Rendimentos Financeiros da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, referente a pagamento de contribuição de previdência privada em 2004, para plano PGBL no valor de R$ 6.600,00 (fls. 207/209); 2. Cláudia Mara Miranda (Cláudia Miranda Russi), além do recibo já apresentado quando da impugnação, trouxe declaração da fisioterapeuta identificando a finalidade do atendimento prestado (fls. 211); 3. Cíntia Guedes Bellini, reapresenta os mesmos recibos trazidos na impugnação, nos quais não consta a identificação do responsável pelo pagamento/beneficiário do tratamento nem consta o endereço da profissional (fls. 212/214); 4. Yara Marques S. Siqueira, reapresenta o mesmo odontograma para fins de reembolso odontológico no valor de R$ 430,00, desacompanhado de recibo ou assinatura da profissional mas onde consta o endereço da profissional (fls. 215/216) e o mesmo recibo de R$ 750,00 não aceito pela DRJ por falta do endereço da profissional; 5. Xenofonte P. R. Mazzini, apresenta o mesmo recibo sem o endereço do profissional; Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 242 5 6. Centro Paulista de Laser Ltda, apresenta as mesmas notas trazidas na impugnação; 7. Volkswagen do Brasil Assistência Médica, apresenta declaração com o discriminativo mensal dos valores pagos, totalizando R$ 9.130,00 e indicação de que os valores também se referem ao participante Luiz C Catalano companheiro. A demonstração dos valores incontroversos está às fls. 224. O processo foi distribuído à então 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF. Da Diligência Em sessão de 30/09/2011 aquele colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF de origem intimasse a Volkswagen do Brasil Assistência Médica a discriminar quais os valores pagos para o plano de saúde da recorrente e quais seriam para o plano de seu companheiro, considerando que o demonstrativo juntado ao recurso apresenta a soma dos valores mensais pagos pelos dois participantes no ano calendário de 2004. A resposta à intimação está às fls. 234, com a discriminação solicitada. Intimada a se manifestar sobre a diligência (fls. 235/236), a interessada não se pronunciou, retornando o processo ao CARF para julgamento. De acordo com o art. 6º da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, as Turmas Ordinárias da 1ª Câmara das Seções de Julgamento foram extintas. Tendo em vista que o Conselheiro anterior não mais compõe o quadro de Conselheiros do CARF, o processo foi submetido a novo sorteio caindo para minha relatoria. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a despesas médicas pagas pela declarante, inclusive a plano de saúde e dedução de plano de previdência privada. Reconheço que o Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas Fl. 244DF CARF MF 6 desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Previdência Privada O documento apresentado, da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, comprova a dedução de R$ 6.600,00 a título de previdência privada. Como a declarante deduziu 12% de seu rendimento bruto tributável a este título (R$ 11.866,25) e não apresentou provas do restante deduzido, poderá ser restabelecida a dedução de R$ 6.600,00. Despesas Médicas a) Cláudia Mara Miranda (Cláudia Miranda Russi) a princípio o recibo é a prova da despesa. O recibo apresentado contém todos os requisitos exigidos na legislação. Os pagamentos mensais realizados por meio dos cheques identificados e corroborados pela declaração da profissional são suficientes para aceitar a dedução e restabelecer a dedução no valor de R$ 4.500,00. Não há base legal para exigência em sede de julgamento administrativo, de solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico. Qualquer exigência neste sentido deveria partir da autoridade lançadora. b) Cíntia Guedes Bellini os recibos apresentados não contém sequer a identificação da pessoa que realizou os pagamentos nem o endereço da profissional, não podendo ser aceitos para fins de dedução de despesas médicas na declaração de ajuste do IRPF por não atenderem os requisitos mínimos exigidos no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995. A legislação admite que na falta do recibo possa ser aceito o cheque nominativo utilizado para o pagamento. Vejamos o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(destaquei) A declarante não apresentou cópia do cheque nominativo do pagamento, portanto, mantémse a glosa de R$ 4.000,00 relativa a esta dedução. c) Yara Marques S. Siqueira a autoridade Julgadora de primeira instância não aceitou o recibo de R$ 750,00 por falta do endereço da profissional. Ocorre que no odontograma apresentado consta o endereço da dentista. Outro argumento da DRJ para não aceitar esta dedução foi no sentido de que a interessada teria realizado o pagamento em Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 243 7 dinheiro mas não comprova saque em conta corrente na mesma data do recibo. Entendo que a exigência de comprovação do efetivo pagamento deveria partir da autoridade lançadora e não da julgadora. De qualquer sorte, a contribuinte demonstrou ter realizado saque em conta bancária em 25/08/2004, no valor de R$ 750,00 e o recibo tem data de 30/08/2004, estando, a meu entender, comprovada a origem do dinheiro utilizado neste pagamento. Portanto, considerando que no conjunto probatório constante dos autos o endereço da profissional não restou omisso, deve ser restabelecida a dedução desta despesa no valor de R$ 750,00 e mantida a glosa do restante por falta de comprovação. d) Xenofonte P. R. Mazzini o recibo não traz o endereço do profissional, não podendo ser aceito por não atender os requisitos exigidos na legislação. Mantida a glosa de R$ 150,00. e) Centro Paulista de Laser Ltda mantémse a glosa pelas mesmas razões apontadas na decisão da DRJ. A interessado não apresenta nenhum elemento novo. f) Volkswagen do Brasil Assistência Médica face declaração emitida por esta empresa, deve ser restabelecida a dedução no valor de R$ 4.565,00 relativo a plano de saúde da própria declarante. Deste modo, com base na legislação, critérios e princípios expostos, há que se restabelecer as deduções: a) a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e b) a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00 (R$ 4.500,00 + R$ 750,00 + R$ 4.565,00). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720083/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.364
Decisão: Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
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Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 08 3/ 20 10 -2 5 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 918 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 12/08/2010, em face da homologação parcial das compensações indicadas nos Per/Dcomp listados à fl. 748, transmitidos entre 14/02/2006 e 18/07/2007, conforme Despacho Decisório de 23/03/2010 (fls. 748/750), proferido, por delegação, pelo Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort da DRF em Santo André/SP e cientificado em 13/07/2010 (fls. 761/762). Segundo consta do aludido despacho decisório, após a implementação dos cálculos relativos à ação judicial nº 1999.61.00.0158250 (origem dos créditos indicados nos Per/Dcomp), apenas a parcela de R$ 59.740,43 (em valor de 21/11/2005), foi reconhecida (de um total pleiteado de R$ 2.856.521,19). Em decorrência, as compensações transmitidas pela contribuinte foram homologadas até esse montante. Na manifestação apresentada (fls. 774/782), a contribuinte, após relato dos fatos, afirma que a decisão questionada levou em consideração compensações realizadas antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Esclarece que tais compensações foram acompanhadas e controladas nos processos administrativos nºs 10880.009073/9901 e 13820.000329/200409, e que “tanto em um (compensação antes do trânsito) quanto em outro caso (compensação após a homologação de habilitação de crédito), a autoridade administrativa não homologou as compensações realizadas em sua integralidade.” A seguir discorre sobre a evolução legislativa e sobre a base de cálculo do PIS após a Constituição Federal de 1988. Conclui que tal base sempre foi o faturamento apurado no sexto mês anterior ao do respectivo fato gerador, sem a aplicação de correção monetária. No tópico seguinte, chama a atenção para a existência de equívocos nos cálculos que embasaram o despacho decisório. Afirma que a simples análise dos cálculos efetuados é suficiente para se constatar que foram cometidos equívocos já que “ao elaborar o cálculo do PIS nos moldes da LC nº 7/70 e nos moldes dos Decretos 2.445 e 2.449, o agente fiscal converteu os valores devidos em unidade BTN e UFIR, fato este que levou à indexação dos valores apurados como ‘PIS devido’, hipótese esta afastada na decisão judicial transitada em julgado.” Reafirma que a base de cálculo deve ser o faturamento ”cru” do 6º mês anterior ao fato gerador, não incidindo correção monetária sobre a mesma. Sobre o assunto, transcreve jurisprudência. Questiona, na seqüência, a sistemática de cálculo adotada no procedimento fiscal. Salienta que nos demonstrativos elaborados pela fiscalização percebese que a base de cálculo informada “corresponde ao 5º mês anterior ao fato gerador, ao invés de se utilizar o valor correspondente ao 6º mês, conforme preceituado na LC nº 7/70.” Argumenta, ainda, que “o agente fiscal, ao elaborar seus cálculos utilizou como parâmetros os valores recolhidos nos decretos declarados inconstitucionais, o que resultou na redução dos créditos da ora requerente, o que não aconteceria se fossem utilizados como base para apuração os valores devidos pela LC nº 7/70.” Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 919 3 Informa que junto com sua manifestação está apresentando uma planilha com os valores que teriam sido indevidamente recolhidos bem como com a composição do crédito, índices de correção utilizados, compensações realizadas, abatimentos e saldo residual que foi objeto do pedido de habilitação. Entende que, a partir dessa documentação, será possível demonstrar que os valores apurados pelo agente fiscal encontramse equivocados. Ao final, requer o acolhimento de sua manifestação e a total homologação das compensações informadas. À fl. 773, Termo de Vista Processual (em face da extração de cópias realizada com a utilização de equipamento eletrônico) datado de 09/08/2010. É o relatório." A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 0651.635 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/1989 a 30/04/1995 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. SEMESTRALIDADE. Correto o despacho decisório que observou os termos da decisão judicial que transitou em julgado e que determinou a observância da semestralidade, sem correção monetária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, novamente, aponta erros nos cálculos do crédito tributário efetuado pela fiscalização, porém não os que constam na manifestação de inconformidade. Apresenta dois exemplos numéricos e comparativos as planilhas de cálculo foram apresentadas no Pedido de Habilitação de crédito e na Manifestação de Inconformidade : a) No primeiro exemplo, o valor pago a maior foi apurado mediante a comparação entre os valores apurados de acordo com a LC n° 7/70 e os pagos no terceiro mês subsequente ao de competência da base de cálculo. No segundo, com o recolhido no mês seguinte ao de competência da base de cálculo. a1) Contudo, de acordo com a LC n° 7/70 e legislações que dispunham sobre as datas de pagamento das Contribuições para o PIS, o vencimento era no mês seguinte ao da ocorrência da fato gerador, o qual, por sua vez, se dava no sexto mês subsequente ao da apuração da base de cálculo. b) Menciona a Súmula CARF n° 15 e a decisão do STJ, em sede do REsp 1127713, na sistemática de recursos repetitivos, que vinculam as decisões deste colegiado, dispondo que a base de cálculo do PIS, sob a LC n° 7/70 era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 920 4 c) Caso seus argumentos não sejam suficientes, protesta pela realização de diligência. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 921 5 Voto O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. De pronto, consigno que não considero como preclusos (art. 17 do Decreto n° 70.235/72) os argumentos aduzidos pela Recorrente no recurso voluntário, apesar de diferirem dos incluídos na manifestação de inconformidade. A Recorrente menciona critérios de cálculo adotados para fins de preparação das planilhas apresentadas por ocasião do Pedido de Habilitação de Crédito e também anexadas à manifestação de inconformidade. Assim, não se trata de argumentos novos, motivo pelo qual entendo que devemos apreciálos. Vamos à contenda. O contribuinte obteve decisão judicial favorável, que reconheceu indébitos derivados de pagamentos a maior de PIS, efetuados com base nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88. O crédito tributário referese aos anos de 1989 a 1995 e poderia ser compensado com parcelas vincendas daquela mesma contribuição, acrescido da inflação verificada entre a data do pagamento a maior e 31/12/95 e, a partir de então, de juros calculados com base na taxa Selic. Foi apresentado Pedido de Habilitação do Crédito, no montante de R$ 2.815.989,79, o qual foi deferido, em 21/11/05 (fls. 175 e 176). Nos anos de 2006 e 2007, foram apresentados diversos PER/DCOMPs. Da revisão dos cálculos dos créditos, o Fisco deferiu tão somente R$ 59.740,43 (Despacho Decisório, fls. 751 a 754), patamar até o qual foram homologadas as compensações. A DRJ ratificou a decisão da unidade de origem. No recurso voluntário contestou os cálculos do auditor fiscal. Apresentou dois exemplos numéricos e comparativos, que reproduzo abaixo: Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 922 6 E assim descreveu as diferenças entre os seus e os procedimentos adotados pela fiscalização: a) No primeiro exemplo, o Fisco teria apurado o valor pago a maior mediante a comparação entre os valores apurados de acordo com a LC n° 7/70 e os pagos no terceiro mês subsequente ao de competência da base de cálculo. No segundo, com o recolhido no mês seguinte ao de competência da base de cálculo. a1) Contudo, de acordo com a LC n° 7/70 e legislações que dispunham sobre as datas de pagamento das Contribuições para o PIS, o vencimento era no mês seguinte ao da ocorrência da fato gerador, o qual, por sua vez, se dava no sexto mês subsequente ao da apuração da base de cálculo. b) Menciona a Súmula CARF n° 15 e a decisão do STJ, em sede do REsp 1127713, na sistemática de recursos repetitivos, que vinculam as decisões deste colegiado, dispondo que a base de cálculo do PIS, sob a LC n° 7/70, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Se confirmado que a fiscalização cometeu tais equívocos, entre outros, identifico os seguintes possíveis impactos no cálculo do crédito tributário: a) Distorção na apuração do valor original do crédito apurado, pois o valor efetivamente pago (Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88) e o realmente devido (LC n° 7/70) teriam sido calculados sobre bases de cálculo distintas. b) As eventuais insuficiências ou superveniência derivadas do mencionado no item anterior produziriam efeitos nos cálculos da atualização monetária e dos juros Selic. Isto posto, como, sob o ponto de vista conceitual, os argumentos da Recorrente encontram respaldo da decisão judicial prolatada em seu favor e na LC n° 7/70, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que esta turma possa proferir decisão com absoluta convicção acerca do montante de crédito tributário a que o contribuinte tem direito. Para tanto, a unidade de origem deverá realizar as seguintes tarefas: a) Selecionar, para revisão, alguns créditos indicados nas planilhas encaminhadas pelo contribuinte juntamente com o Pedido de Habilitação de Crédito e a manifestação de inconformidade. b) Preparar planilha, em que figurem as seguintes informações: mês de competência da base de cálculo (sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador) e o respectivo valor; data da ocorrência do fato gerador; alíquota aplicável (0,75%); valor devido (conforme LC n° 7/70) e data do vencimento, conforme legislação aplicável; Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 923 7 valor efetivamente pago (conforme Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88) e data do pagamento; valor original do crédito; atualização monetária (resultado da aplicação de índices inflacionários entre a data do pagamento efetuado e 31/12/95); juros Selic, incidentes a partir de 01/01/96; valor do crédito atualizado; débito compensado; e saldo a transportar para o período seguinte, se aplicável. d) Os cálculos citados no item precedente devem ser efetuados de forma comparativa. e) Na hipótese de serem identificados erros nos cálculos revisados, a totalidade dos cálculos dos créditos deverá ser refeita para apuração de novo montante de créditos de PIS. f) Emissão de relatório conclusivo e abertura de prazo para manifestação do contribuinte. Cumpridas as tarefas acima listadas, o processo deverá retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.002371/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/03/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES.
A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro - COANA n.º 06/2001 e Acórdão 301-31-002 deste Conselho.
MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA.
Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente.
Numero da decisão: 3201-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 18/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES. A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro - COANA n.º 06/2001 e Acórdão 301-31-002 deste Conselho. MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA. Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente.
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nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
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PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES. A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro COANA n.º 06/2001 e Acórdão 30131002 deste Conselho. MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA. Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 23 71 /2 00 2- 77 Fl. 392DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório Tratase de Recuso Voluntário de fls. 119 interposto em face de decisão de primeira instância de procedimento administrativo fiscal de âmbito Federal proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo DRJ/SP de fls. 103 que considerou integralmente procedente o lançamento do Imposto de Importação II e Multa Regulamentar decorrente de "Simples Divergência de Classificação de Mercadoria" (Auto de Infração fls. 02) com declaração inexata. Sendo costume desta Turma de julgamento a transcrição do Relatório das decisões de primeira instância, segue para apreciação: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/03/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, além da multa regulamentar, totalizando o valor de R$ 95.246,38, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação No. 02/01881289, parametrizada no CANAL 'VERDE, Transponder e seu software para a detecção de veículos por ondas de rádio, recebendo classificação fiscal na posição NCM 8526.10.00, com incidência da alíquota de 0% (nihil) para o Imposto de Importação e para o Imposto de Produtos Industrializados; • Através do Laudo Técnico Oficial No. 22/02, foi apurado que a classificação fiscal correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 8525.20.79, de acordo com a Regra No. 1 das Regra Gerais do Sistema Harmonizado, em cumprimento A. nota 2 das Notas da Seção XVI do Capitulo 85; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhiento do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, além da multa regulamentar, totalizando o valor de R$ 95.246,38. Cientificado do auto de infração, pessoalmente„ em 19/03/2002 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, protocolizou impugnação, tlempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 08/04/2002, de fls. 46 à 79, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Nenhum dos equipamentos tem a capacidade de operar separadamente ou tem funções independentes; Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 341 3 • Através do Processo Administrativo 10882.01193/0092 a impugnante providenciou junto a Secretaria da Receita Federal formulação de consulta para o produto em questão, tendo por resposta do GNOM que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8525.20.71, publicada no Diário Oficial da União de 1/12/2000; • Posteriormente a COANA avocou o processo para si, decidindo que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8526.10.00, o que confere a segurança jurídica à impugnante; • A impugnante procedeu diversas importações do equipamento sempre elegendo como classificação fiscal esta posição; • 0 auto de infração em comento tem por impropriedade considerar que o transponder não faz parte do rádio detecção, pois isoladamente ele não desempenha o fenômeno da comunicação, sendo ele elemento do aparelho; • A adequada aplicação da nota 2 das Notas da Seção XVI do Capitulo 85 indica que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8526.10.00, uma vez que a parte definida como transponder é exclusivamente concebida para o aparelho rádio detecção dessa posição; • A posição eleith pela fiscalização não pode prevalecer porque o equipamento importado não exerce função de radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão; • Em face do Ato Declaratório COSIT No. 10/97, inaplicável a multa de oficio; • Inaplicabilidade da taxa selic; Pugna a improcedência do Auto de Infração. É o Relatório." Esta decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 103 foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2002 Despacho aduaneiro de Transponder e seu software para a detecção de veículos por ondas de radio, recebendo classificação fiscal na posição NCM 8526.10.00. 0 equipamento importado não é idêntico aquele que foi objeto da consulta. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado normatizadas pela Instrução Normativa No. 157/2002, insere o equipamento importado na posição NCM 8525. Fl. 394DF CARF MF 4 Incidência da multa por ausência de Licença de Importação e da Taxa Selic. Lançamento Procedente" Em maio de 2010 este Conselho conheceu o Recurso Voluntário e converteu o julgamento em diligência por meio de Resolução de fls. 165. Após o cumprimento da Resolução que determinou a juntada aos autos de cópia do Processo Administrativo de Consulta de n.º 10882.001193/0092, manifestaramse o contribuinte em fls. 313 e a União em fls. 341. Os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros Titulares, conforme Portaria de Condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Diante da análise do autos verificase que o ponto central da lide entre o contribuinte e a União se resume à classificação do Transponder MD 5888 e trata da possibilidade deste, parte integrante de um produto principal, o Sistema de Detecção de Veículos, ser classificada de forma divergente do produto principal quando importada separadamente. Por conta desta premissa utilizada para o lançamento, a de que uma parte de um produto principal poderia ter classificação fiscal divergente deste, a lide atingiu este Conselho. O Processo Administrativo de Consulta de n.º 10882.001193/0092 juntado aos autos é importante para a solução da lide, porque trouxe aos autos informações suficientes que demonstraram o entendimento da classificação do produto principal pela própria União, em conformidade com a classificação utilizada pelo contribuinte. De fato, tanto o produto/parte ora analisado, o Transponder MD 5888, quanto a Multileitora MD5850, parametrizados no canal verde, foram contemplados expressamente pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA em Solução de Divergência n.º 06/2001 de fls 288 dos autos. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 342 5 Em breve análise verificase que a classificação adotada pelo contribuinte no código NCM 8526.10.00 é decorrente do entendimento desta Solução de Divergência, conforme Ementa transcrita a seguir: "Assunto: Classificação de Mercadorias. Ementa: Reforma da Decisão Diana/SRRF/8' RF n.° 98, de 14 de novembro de 2000. Mercadoria. sistema de detecção de veiculos, por ondas de radio, operando na freqüência de 5,8 GHz, utilizando padrão DSCR, capaz de identificar automaticamente veículos contendo um Transponder, constituído por uma unidade transmissora receptora fixa, denominada Multileitora, modelo MD 5850, que se destina a identificação e registro dos veículos que passem pela sua zona de atuação, e Transponder, modelos 5888 R/W ou 5803 RJW, que também é um transmissorreceptor, porém portátil e instalado nos veículos, de fabricação da Micro Design ASA, classificase no código NCM 8526.10.00 Dispositivos Legais: RG1 1.a (texto da posição 8526) e 6.a (texto da subposição 8526.10), RGC1, Notas 4 e 5 da Seção XVI da NCM, aprovada pelo Decreto n° 2.376, de 12 de novembro de 1997, na sua versão atual." Tendo ciência de que a partir de iniciativas da própria União em conjunto com a Organização Mundial das Alfândegas, o Brasil aderiu à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias em 1986, assim como o Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador previa em seu Art. 100 que a interpretação do conteúdo das posições seriam feitas pelas Regras Gerais (RG), a fiscalização motivou o lançamento a partir destas regras para interpretação do sistema harmonizado: "001 SIMPLES DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA A empresa QFree America Latina submeteu a despacho para consumo, através da Declaração de Importação 02/01881289, parametrizada no canal verde, pelo SISCOMEX, mercadorias com a seguinte descrição: "MD5888 Transponder e seu software para detecção de veículos através de ondas de radio", e indicou o código NOM 8526.10.00 para a classificação tarifária com aliquota de 0% para o Imposto de Importação e 0% para o IPIvinculado. Com fundamento no artigo 36 da IN/SRF/69/96, foi determinada a abertura dos volumes referentes a Declaração de Importação acima, tendo em vista a possível indicação incorreta do código NCM. 0 representante legal da empresa, ciente do procedimento, alegou que a opção pelo código NCM declarado está amparada na Solução de Divergência No.06 de 05/07/2001 da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro (COANA) da Secretaria da Receita Federal. 0 documento em questão determina que o sistema de detecção constituído por uma unidade transmissorareceptora Fl. 396DF CARF MF 6 fixa, denominada Multileitora MD5850 e o Transponder MD5888, classificase no código NCM 8526.10.00, sendo que a Multileitora se destina a identificação e registro dos veículos que passam pela sua zona de atuação e o Transponder é um transmissorreceptor portátil a ser instalado nos veículos. Em ato de conferência física das mercadorias verifiquei que a empresa adquiriu apenas o Transponder modelo 5888. Para dirimir as dúvidas quanto as características técnicas do Transponder, e sua capacidade de efetuar rádiodetecção desacompanhado da Multileitora, solicitei o Laudo Técnico No.22/2002. Após o exame das respostas aos quesitos constantes do mencionado Laudo Técnico, conclui que os Transponders, isoladamente, não são aparelhos de rádiodetecção, portanto não se enquadram no código NCM 8526.10.00, uma vez que a Solução de Divergência No.06 da COANA, anteriormente citada, indica tal código NCM para o sistema composto pela.Multileitora e pelo Transponder. Consubstanciado no exame do catálogo da mercadoria, apresentado pelo representante da empresa, e do Laudo Técnico, verifiquei que o Transponder MD5888 é um aparelho transmissoremissor de dados digitais através de ondas de radio freqüência na faixa de 5,8GHZ. Após estudo das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), conclui que o código NCM mais adequado para o Transponder, importado isoladamente, é 8525.20.79, pelos motivos a seguir: As mercadorias não podem ser classificadas como partes e pegas de um aparelho de rádiodetecção (8529.90.30) pois a Regra No.1 das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado determina que: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:" 0 texto da Posição 8525 é o seguinte: "Aparelhos transmissores (emissores) para radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão, mesmo incorporando um aparelho de recepção If A nota 2 das Notas da Seção XVI determina: "Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 8484, 8544, 8546 ou 8547) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos capítulos 84 ou 85 (exceto as Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 343 7 posições 8409, 8431, 8448, 8466, 8473, 8485, 8503, 8522, 8529, 8538 e 8548) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem;" As Considerações Gerais, II Partes (Nota 2 da Seção XVI) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) explicam: "De um modo geral, ressalvadas as exclusões compreendidas no número I, acima, as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou pra varias maquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 8479 ou 8543) classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluemse, todavia, em posições próprias diferentes das das máquinas: H) As partes dos aparelhos das posições 8525 a 8528 (poSição 8529). Todavia, estas disposições não se aplicam as partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 8485 e 8548). Os artefatos deste tipo seguem seu próprio regime em todos os casos, mesmo se concebidos especialmente para serem utilizados como partes de uma máquina determinada." Face ao exposto verificase que os transponders, apesar de concebidos para serem utilizados como parte do sistema de rádiodetecção, quando importados isoladamente, são classificados na sua própria posição. Composição do código NON 8525.20.79: 8525: aparelhos transmissores (emissores) para radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão, mesmo com um aparelho de recepção incorporado 8525.20: aparelhos transmissores (emissores) com receptor incorporado 8525.20.7: outros transmissores (emissores) com receptor incorporado, de radiotelefonia ou radiotelegrafia digitais, de freqüência inferior a 15 GHZ." Conforme exposto acima, "as Considerações Gerais, II Partes (Nota 2 da Seção XVI) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) explicam: as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou pra varias maquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 8479 ou 8543) classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluemse, todavia, em posições próprias diferentes das das máquinas: H) As partes dos aparelhos das posições 8525". Ou seja, se a única hipótese de exceção para classificação de parte construída exclusivamente para um aparelho ou máquina, de forma isolada e separada, é quando o Fl. 398DF CARF MF 8 aparelho se encontra na posição 8525, tal raciocínio utilizado no lançamento não se aplica ao caso uma vez que não foi nem contestada a posição do aparelho, a 8526. Logo, a classificação do Transponder deve corresponder à classificação do Sistema de Detecção de Veículos e não à uma classificação isolada e separada. Não foi sequer levantada a hipótese de que o Transponder é um aparelho que funciona sem o sistema de detecção, assim como não há prova de que esse suposto "aparelho" é um transmissor com receptor incorporado de radio "telegrafia" ou rádio "telefonia" (características da posição de reclassificação). O verificado no Laudo e no próprio Auto de Infração, é que o Transponder transmite dados digitais através de ondas de rádio frequência: "Consubstanciado no exame do catálogo da mercadoria, apresentado pelo representante da empresa, e do Laudo Técnico, verifiquei que o Transponder MD5888 é um aparelho transmissoremissor de dados digitais através de ondas de radio freqüência na faixa de 5,8GHZ." Verificase que não há no lançamento e também não há na manifestação da União motivações conclusivas que permitam a reclassificação do produto/parte de forma independente do Sistema de Detecção de Veículos. Situação que é conflitante com o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Por exemplo: utilizado como fundamento para o lançamento, o próprio Laudo Técnico Oficial de fls. 22 é contraditório nas alegações de "radio detecção" e realmente não foi suficiente para demonstrar que o Transponder MD 5888 teria utilização diversa, ao contrário, demonstrou a possibilidade de ser exclusivo e essencial ao Sistema de Detecção de Veículo da posição 8526. Por meio de provas juntadas pelo contribuinte em fls. 206 e seguintes, ficou claro que o Transponder é obsoleto isoladamente, o que mais uma vez confirma o alegado pelo contribuinte que, deliberadamente, comprovou em fls. 153 não atuar em qualquer outra atividade além do Sistema de Detecção de Veículos. Não se trata de uma linguagem de comunicação comum, como telefonia ou televisão, como fez crer a fiscalização, é claramente uma tecnologia nova e aproximada à tecnologia do radar, com aplicação específica, comunicação própria e única sem qualquer outra utilidade (fls. 257 e seguintes Laboratório de Antenas). A simples concepção do Sistema de Detecção de Veículos não permite a utilização de outras classificações comuns a outros produtos como telefonia, televisão, rádio de comunicação de embarcações, telefonia e demais referências utilizadas pela fiscalização para adotar da posição 8525, transcrita a seguir em comparação com a posição 8526 adotada pela mencionada decisão COANA e pelo contribuinte: "85.25 APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RADIOTELEFONIA, RADIOTELEGRAFIA, RADIODIFUSÃO OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CAMERAS DE TELEVISÃO; CAMERAS DE VÍDEO Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 344 9 DE IMAGENS FIXAS E OUTRAS CAMERAS DE VÍDEO; CÂMERAS FOTOGRÁFICAS DIGITAIS. 8525.20Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado (...) 85.26 APARELHOS DE RADIODETECÇÃO E DE RADIOSSONDAGEM (RADAR), APARELHOS DE RADIONAVEGACÃO E APARELHOS DE RADIO TELECOMANDO." O Laudo afirmou que a mercadoria examinada não é capaz de efetuar a radiodetecção, sendo que somente a central fixa faria a radio detecção em fls. 22, mas em fls. 23 afirma que "o transponder realiza a transmissão de ondas de rádio frequência..." e "realiza comunicação bidirecional através de rádio frequência, ou seja, transmite e recebe...". Destes trechos podese concluir que ambos os aparelhos que formam o Sistema de Detecção de Veículos são responsáveis por detectar o veículo, por ondas de rádio, ou seja, rádio detecção. Ainda, em favor do contribuinte, em fls. 23 o Laudo explica: "Ao aproximarse da central de rádio detecção, o transponder que encontrase em estado de espera. recebe um sinal de rádio freqüência emitido pela central. solicitando ao transponder que emita sua identificação. Recebendo esse sinal, o transponder rapidamente transmite um sinal em resposta, enviando os dados que estão armazenados em sua memória (incluindo o seu código único de identificação). Ao receber esse sinal, a central de rádio detecção identificao e toma as providências necessárias de registro, abertura de barreiras, acionamento de cameras fotográficas. etc.. Em resumo, o principio de funcionamento do aparelho MD 5888 R/W baseiase na transmissão e recepção de mensagem de identificação digital através de ondas de RF." Por meio da análise do próprio Laudo que fundamentou o lançamento verificase que a mercadoria/parte é essencial e exclusiva ao produto principal "Sistema de Detecção de Veículos", assim como ficou clara a contradição da afirmação da "radiodetecção" ser qualidade exclusiva da central fixa, o que confirma a ausência de fundamentação legal ou técnica para a reclassificação do lançamento. Em breve análise das Regras Gerais para interpretação do sistema harmonizado, verificase que a classificação do Transponder é primeiro resolvida na Regra Geral n. 01, porque o texto contém a palavra radiodetecação. O simples fato de importar a mercadoria de forma separada não impede este Conselho de analisar as características desta diante de sua essencialidade, que por convergência com o disposto na Solução de Divergência n.º 06/2001 da COANA, adota a mesma classificação utilizada pela contribuinte como a correta, código NCM 8526.10.00. Fl. 400DF CARF MF 10 Além da mencionada decisão da COANA, que hora se utiliza como fundamento deste voto, é importante citar que este Conselho tem precedente no mesmo sentido, conforme Acórdão 30131002, proferido em nome deste mesmo contribuinte. Não havendo cobrança de diferença de tributos e multa, não há motivo para aplicação de juros. CONCLUSÃO Em face do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em sua integralidade, para exonerar toda a cobrança e considerar como correta a classificação do Transponder MD588 na posição NCM 8526.10.00. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720236/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Transitada em julgado decisão judicial favorável ao contribuinte, os débitos objeto de processo administrativo devem ser extintos nos termos do art. 156, X, do CTN.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que interam o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Transitada em julgado decisão judicial favorável ao contribuinte, os débitos objeto de processo administrativo devem ser extintos nos termos do art. 156, X, do CTN. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que interam o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A empresa recorrente foi autuada para cobrança de créditos de COFINS, no valor de R$ 13.155.009,67 e de PIS, no valor de R$ 2.856.021,85, referente ao ano de 2007. A autuação foi consubstanciada no fato de ter a pessoa jurídica auferido receitas de serviços de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 36 /2 01 3- 13 Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 11 2 industrialização por encomenda, sem, contudo, ter oferecido as mesmas, à tributação do PIS e da COFINS. A fiscalização constatou que o contribuinte prestou serviços de industrialização por encomenda para empresa relacionada, a Yamaha Motor da Amazônia Ltda., registrados nas notas fiscais de vendas, no código CFOP 5124 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA, mas deixou de indicálos nas DACONS do anocalendário de 2007, como integrantes das bases de cálculo do PIS e da COFINS devidos no período. Entendeu a fiscalização que a conduta da empresa não estaria respaldada no art. 5°A, da Lei n° 10.637/2002, acrescido pela Lei n° 10.684/2003, com redação dada pela Lei n° 10.865/2004, que estipulou a incidência de alíquota zero no caso de receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoantes projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. Para a autoridade, a industrialização por encomenda difere da industrialização acobertada pelo art. 5° A, da Lei n° 10.637/2002. A empresa levou a questão à apreciação do Poder Judiciário, por meio do processo judicial n. 7029414.2011.4.01.3400, e foi vencedora, motivo pelo qual foi reconhecida pela DRJ a concomitância entre o processo fiscal e o judicial, por isso a 3ª Turma da DRJ/BEL negou provimento à impugnação, acórdão nº 0125.443, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 JURISDIÇÃO UNA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA. A coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal iniciativa fere a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una. Isso significa que as decisões judiciais são soberanas. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito pelo lançamento. Decisão Judicial pode suspender a exigibilidade do crédito tributário, ou seja, a sua cobrança, porém não impede sua constituição pelo lançamento. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 12 3 JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. PRINCIPAL. VALOR NÃO PAGO. Os juros de mora serão devidos sobre o valor do principal não pago, seja qual for o motivo determinante da falta, ex vi artigo 161 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. O lançamento para prevenir decadência é constituído quando a suspensão da exigibilidade, na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, ocorre antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo ao tributo lançado. Quando a suspensão ocorrer após o início do procedimento fiscalizatório, aplicase a multa de ofício. Impugnação Improcedente. A DRJ não conheceu a impugnação na parte relativa ao principal do crédito tributário cobrado no auto de infração, por reconhecer a concomitância. Todavia, a DRJ manteve a aplicação da multa e dos juros de mora, pois o §1º do artigo 63 da Lei 9.430/96 informa que a inaplicabilidade da multa de ofício destinase exclusivamente aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo e, no caso em comento, o mandado de procedimento fiscal é datado de 09/02/2011. Assim, como a contribuinte obteve antecipação dos efeitos da tutela em 25/01/2012, logo, após iniciado o procedimento fiscalizatório, a cobrança dessa penalidade tornase devida. Tendo em vista o resultado do julgamento na DRJ, foi determinado o desmembramento do processo n. 10283.720368/201264 (o principal da cobrança de PIS e COFINS), deste processo administrativo n. 10283.720236/201313 (multa de ofício e juros de mora). Confirase o teor do Termo de efl. 2387: O acórdão nº 0125.443 3ª Turma da DRJ/BEL não conheceu da impugnação na parte relativa ao principal do crédito tributário cobrado no auto de infração nº 10283.720368/2012 64, declarandoo definitivo na esfera administrativa e que tal parcela deverá ser cobrada imediatamente em autos apartados, desde que a coisa julgada no processo judicial n° 7029414.2011.4.01.3400 resulte de modo favorável à Fazenda Pública. Ao operacionalizar tal decisão no sistema SIEFProcessos, não foi possível o desmembramento do principal para autos apartados, uma vez que esse sistema só permite o desmembramento da multa vinculada, razão pela qual o interessado em epígrafe teve o referido auto de infração DESMEMBRADO para recepcionar o valor relativo à multa de ofício e aos juros de mora, parte esta conhecida do lançamento. A parte referente ao principal do crédito tributário, sub judice, permanecerá controlada no processo original, e será encaminhado à Equipe de Medidas Judiciais – EQJUDMED, Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 13 4 para acompanhamento da ação no processo judicial supracitado, e demais providências de sua alçada. Diante do exposto, abrimos a presente REPRESENTAÇÃO para recepcionar os valores relativos à multa de ofício e aos juros de mora, que passarão a ser controlados neste processo de nº 10283.720236/201313. Em seu recurso voluntário, a Recorrente insurgese contra o desmembramento deste processo daquele principal, com fundamento no art. 62 do Decreto 70.235/71, bem como contra a imposição de multa e juros, com fundamento nos art. 63 da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No caso em questão, houve sentença concedendo antecipação de tutela à contribuinte no processo judicial nº 7029414.2011.4.01.3400, nos seguintes termos: Tratase de ação ajuizada por YAMAHA MOTOR COMPONENTES DA AMAZÔNIA LTDA em face da UNIÃO (Fazenda Nacional), com pedido para que seja reconhecido o seu direito à isenção da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nas operações de venda de bens e serviços para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e projetos aprovados pela SUFRAMA em especial para a Yamaha Motor da Amazônia Ltda. empresa do mesmo grupo. (...) 3. DISPOSITIVO Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para declarar que a alíquota zero fixada para a incidência da Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social estabelecida no artigo 5°A da Lei n° 10.637/2002 abrange as receitas decorrentes de industrialização por encomenda de matériasprimas e produtos intermediários efetuadas na Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 14 5 Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais também ali instalados, encomendantes da industrialização por encomenda, tudo consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. Concedo a antecipação dos efeitos da tutela na sentença para que quaisquer créditos tributários referentes a essas operações que tenham sido constituídos ou venham a ser constituídos pela Receita Federai fiquem com sua exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado do presente processo. Condeno a Fazenda Nacional no reembolso das custas processuais, bem como no pagamento de honorários advocatícios que arbitro, por equidade, com base no artigo 20, § 4º, do CPC, em RS 10.000,00 (dez mil reais). Sentença adstrita ao duplo grau de jurisdição obrigatório. Após vencido o prazo para recurso voluntário, com ou sem ele, remetamse os autos ao egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Posteriormente, a decisão de segunda instância, também favorável ao contribuinte, foi assim ementada: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E PARA A COFINS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ZONA FRANCA DE MANAUS. APLICAÇÃO DA REDUÇÃO DE ALÍQUOTA PREVISTA NO ARTIGO 5ºA DA LEI Nº 10.637/2002. REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.865/2004. DECRETO Nº 7.212/2010. IPI. 1. Acerca da prescrição do direito de pleitear repetição de indébito dos tributos lançados por homologação, ressalto que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em recente julgamento (RE 566.621/RS, Rel. Min. ELLEN GRACIE, trânsito em julgado em 17/11/2011, publicado em 27/02/2012), com aplicação do art. 543B, do CPC (repercussão geral), com eficácia vinculativa, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/2005, decidindo pela aplicação da prescrição quinquenal para a repetição de indébito, às ações ajuizadas a partir de 09 JUN 2005, que é o caso em apreço. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 15 6 2. Quanto à matéria de fundo, pretende a autora, sejalhe garantida, relativamente às contribuições sociais ao Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), a aplicação do disposto no art. 5ºA, da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, incluído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 30/04/2004, nas operações de venda de bens/serviços para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus (ZFM). 3. A Fazenda Nacional apresentou irresignação às razões do requerimento apresentado pela autora, com fundamento na Solução de Consulta nº 12, de 12 de julho de 2011, editada por autoridade da 2ª Região Fiscal, na qual consta entendimento de aplicação da alíquota geral para a contribuição para o PIS e para a COFINS, mesmo nas situações de industrialização por encomenda, nos seguintes moldes: “(...) EMENTA: ZONA FRANCA DE MANAUS. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA. REDUÇÃO A ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a 0 (zero) da alíquota da aplicase somente à receita bruta auferida com a venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus. Verificada a inexistência de tratamento fiscal específico, sobre as receitas decorrentes de serviços de industrialização por encomenda incide a alíquota geral definida na legislação, conforme o regime de tributação a que estiver sujeito o executor da encomenda. (...)”. 4. A Autora informa que no desenvolvimento de suas atividades aufere receita decorrente da venda no regime denominado “industrialização por encomenda”, buscando, em razão disso, conforme já noticiado, os benefícios decorrentes da aplicação do disposto no art. 5ºA da Lei nº 10.637/2002, ressaltando que: “Em respeito às normas vigentes, apresentou projetos (doc. anexos) perante os órgãos competentes da Administração Pública, os quais foram aprovados como fazem prova cabal os adunados Laudos Constitutivos 150/2005, 151/2005, 196/2008, 197/2008, 198/2008, 199/2008 e 200/2008 (doc. anexos) e correlatos Atos Declaratórios Executivos 36/2006, 64/2006 e 56/2009 (doc. Anexos). Por conseguinte, confiando na segurança das condições econômicas apresentadas e aprovadas, a Autora procedeu a elevados investimentos destinados ao custeio operacional, máxime aquisição de bens para o imobilizado, máquinas, equipamentos, qualificação de operadores, entre outros de monta. (...)”. Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 16 7 5. O Decreto nº 7.212/2010, que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI dedicou Seção específica para tratamento do regime fiscal no âmbito da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental, em especial quanto à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados. Tal norma permite a identificação clara de que o processo de industrialização, por encomenda ou não, consiste preponderantemente em “Industrialização de Produtos”, demonstrando que o legislador não atribuiu distinção quanto à natureza da operação. 6. E, nesse sentido, a industrialização por encomenda também se enquadra na regra que o próprio art. 81 do citado decreto apontou, quanto à isenção do imposto relativamente aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, nos limites fixados pelo citado dispositivo, uma vez que não há indicação de ressalva pela norma de regência. Mesmo que a Fazenda Nacional defenda a inaplicabilidade do art. 5ºA em processo de industrialização por encomenda, sob a alegação de ausência de previsão legal, reconhecese que as ressalvas que o próprio o Decreto nº 7.212/2010 traz sobre a isenção a ser aplicada no processo de industrialização não alcançam tal processo. 7. Diante disso, verificase que o processo de industrialização por encomenda, nos moldes em que demonstrado nos autos, não difere do processo de industrialização defendido pela Fazenda Nacional, merecendo, desse modo, a aplicação das disposições do art. 5ºA da Lei nº 10.637/2002. 8. Ademais, a operação de industrialização por encomenda alcança o mesmo objetivo do processo geral de industrialização, enquadrandose na redução à alíquota zero, levando em conta que a receita auferida, do mesmo modo, é decorrente da comercialização de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus em razão do emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, conforme literalmente trazido pelo artigo 5ºA em estudo. 9. Quanto à fixação dos honorários advocatícios deve atender aos princípios da razoabilidade e da equidade. Assim, levandose em conta as diretrizes adotadas pela Turma e os requisitos contidos no art. 20, § 4º, do CPC, Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 17 8 entendo razoável a fixação dos honorários conforme estabelecido pelo Juízo a quo. 10. Apelação e remessa oficial parcialmente providas, tão somente para aplicar o prazo prescricional quinquenal, de acordo com a nova orientação da Suprema Corte. Ressaltese que o referido processo judicial n. 0070294.14.2011.4.01.34/DF, transitou em julgado na data de 27/01/2015 em favor da empresa. Em decorrência disso, o processo administrativo principal n. 10283.720368/201264, vinculado ao presente processo (10283.720236/201313), foi arquivado pela Receita Federal com a extinção dos débitos tributários, nos termos do artigo 156, X, do CTN. A Recorrente comprovou o trânsito em julgado através da juntada dos seguintes documentos, que constam nas efls. 25812608: · Sentença nº 62/2012B5ª Vara Tipo A, de 25/01/2012 (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Ementa/Acórdão/Relatório/Voto em Apelação/Reexame Necessário (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Certidão de Trânsito em Julgado em 27/01/2015 do Acórdão, lavrada em 13/02/2015 (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Certidão de objeto e pé expedida pela Diretora da Divisão de Procedimentos Diversos da Coordenadoria de Recursos da Secretaria Judiciária do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF). Às efls. 25582563 consta o termo de encerramento do processo principal, nestes termos: Ante o exposto, nesta data, foram extintos os débitos objeto deste processo administrativo tendo como base jurídica o dispositivo legal do art. 156, X, do CTN, e, em ato contínuo encerrouse o presente processo administrativo. Tais feitos, comprovase ao visualizar o Extrato de Encerramento do Processo Administrativo às folhas 2.443/2.446. Como não há mais nada a se fazer neste processo administrativo, proponho o arquivamento deste por 5 anos. Caso a Chefia concorde com tal arquivamento, deve assinar digitalmente o Extrato de Encerramento do Processo Administrativo às folhas 2.443/2.446. Caso não concorde com o arquivamento do presente processo Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 18 9 administrativo, deve retornar este processo a esta EQMEJ, apontando em suas considerações as causas que criaram óbice ao arquivamento. Por conseguinte, considerando que: 1) A concomitância não é matéria controvertida nestes autos; 2) Este presente processo é fruto do desmembramento, restando nele apenas a cobrança dos valores relativos multa de ofício e aos juros de mora; 3) O processo administrativo principal n° 10283.720.368/201264 (a cobrança de PIS e COFINS) encontrase definitivamente encerrado; 4) Não subsistiu o auto de infração para o PIS e COFINS em face do provimento judicial definitivo em favor da Recorrente. Então, todas as penalidades e encargos moratórios do principal devem ser cancelados, com fundamento no referido artigo 156, X, do CTN. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 26 de janeiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2619DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000318/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA.
O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizá-lo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA. O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizá-lo. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-04-17T11:11:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-04-17T11:11:02Z; Last-Modified: 2017-04-17T11:11:02Z; dcterms:modified: 2017-04-17T11:11:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:8534b542-dd83-4bed-9a7d-e53d99296885; Last-Save-Date: 2017-04-17T11:11:02Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-04-17T11:11:02Z; meta:save-date: 2017-04-17T11:11:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-04-17T11:11:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-04-17T11:11:02Z; created: 2017-04-17T11:11:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2017-04-17T11:11:02Z; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-04-17T11:11:02Z | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.103 1 1.102 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12268.000318/200802 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.959 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Recorrente DTCOM DIRECT TO COMPANY S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA. O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizálo. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 18 /2 00 8- 02 Fl. 1106DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.104 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação realizada em 30/06/2008. O crédito é decorrente da contribuição previdenciária sobre serviços prestados por pessoas físicas contribuintes individuais que celebraram com o recorrente contrato de cessão de direitos autorais; porém, considerados pela fiscalização como prestação de serviços em geral. Seguem transcrições do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS O Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007 AIOP 37.161.6190 GRAVAÇAO EM AUDIVISUAIS. PRESTAÇAO DE SERVIÇOS. Não configura cessão de direitos autorais mas sim prestação de serviços a gravação em audiovisuais de cursos, palestras, conferências, incidindo sobre a remuneração contratada as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Em 30/06/2008 foi lavrado Auto de Infração sob o número acima identificado, no montante de R$ 77.124,21 (atualizados até a data do lançamento), contra o sujeito passivo supraqualificado, para constituição do crédito previdenciário (contribuição dos segurados), prevista no art. 21 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, incidente sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais no período de apuração em referência, que a empresa deveria ter arrecadado, no percentual de 11%, e recolhido à previdência social. ... 3.2.2 A empresa contrata profissionais para a gravação de audiovisuais com conteúdo de autoria dos contratados em troca da contraprestação de bens e serviços. Os contratos estipulam um valor em moeda corrente que corresponderia ao montante dos bens e serviços oferecidos em troca , tais como, a produção de comerciais da obra do autor com a conseqüente transmissão em seus canais de comunicação, a edição de um DVD com a gravação do curso que é repassada ao contratado, a inserção de comercias de divulgação das obras dos autores na grade de programação da empresa, a veiculação do nome e endereço Fl. 1108DF CARF MF 4 eletrônico do autor em revista mensal e no site da empresa. Estes serviços oferecidos em regime de permuta com os autores estão discriminados nos anexos aos contratos, que estabelecem um valor em espécie pela permuta. Este tipo de contraprestação caracterizase claramente como pagamento in natura, uma vez que a empresa tem por objeto social justamente a produção de programas audiovisuais com o objetivo de promover seminários, simpósios ,congressos e treinamento à distância. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reitera as alegações trazidas na impugnação: a) os pagamentos efetuados pela impugnante às pessoas físicas, sejam em espécie ou in natura, configuram hipótese de não incidência tributária, pois não constituiriam remuneração pela prestação de serviços, mas sim, contraprestação pela cessão de direitos autorais, parcela sobre a qual não incide a contribuição previdenciária; b) não haveria prestação de serviços por contribuintes individuais. Todos os contratos têm por objeto licenciar, em favor da impugnante, o uso das obras intelectuais de autoria dos contratados. E também que: Na hipótese, observase, com clareza, que a relação jurídica havida entre a Recorrente e as pessoas físicas indicadas pela Fiscalização tem por objeto verdadeira obrigação de dar coisa certa (obra intelectual), não havendo que se fala em prestação de serviços Partindo dessas premissas, adequadas à realidade concreta, impõese a conclusão de que as permutas implementadas entre a Recorrente e os contribuintes individuais indicados na autuação não integram a materialidade da norma de incidência tributária, mas,_pelo contrário, são dela expressamente excluídas, tratandose de verdadeira hipótese de nãoincidência. Desse modo, é certo que os valores relacionados aos contratos de licença de uso de obras intelectuais não estão sujeitos à imposição da contribuição previdenciária, derruindo, por completo, o lançamento a que se refere a presente notificação (levantamento “PAL”). ... Como se extrai dos dispositivos supra, as obras intelectuais expressadas em material audiovisual, consideramse bens móveis (obrigação de dar), e encontram tutela na lei de direitos autorais. A transferência e a utilização dos direitos autorais, por meio da utilização de obras audiovisuais, também foram disciplinadas pela Lei n° 9.610/98, merecendo destaque os seguintes dispositivos: “Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.105 5 representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: (...) Art. 50. A cessão total ou parcial dos direitos de autor, que se fará sempre por escrito, presumese onerosa. (...) Art. 81. A autorização do autor e do intérprete de obra literária, artística ou científica para produção audiovisual implica, salvo disposição em contrário, consentimento para sua utilização econômica.” Portanto, é certo que a cessão de direitos autorais por meio de obras audiovisuais encontra guarida no âmbito da legislação específica, devendo ser considerada como autorização para a produção de obras de cunho intelectual, similarmente ao que ocorre nos textos escritos e nas produções literárias. Diferentemente do que sustenta o julgador de primeira instância, não há qualquer impedimento à cessão de direitos autorais na forma de gravação de material audiovisual, tampouco a transmutação da natureza jurídica da obrigação que lhe é subjacente (dar coisa certa) para prestação de serviços, como conseqüência da eleição desse mecanismo de reprodução das obras. Pelo contrário, tal modalidade de transferência de direitos autorais é expressamente protegida pela legislação de regência! É o Relatório. Fl. 1110DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.106 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mérito A controvérsia em questão versa sobre o enquadramento da situação em exame no conceito de cessão de direito autoral sobre obras intelectuais, tal como previsto no artigo 7° da Lei 9.610, de 1998: Art. 7° São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I os textos de obras literárias, artísticas ou cientificas; II as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; ... Isso porque não incide contribuição previdenciária sobre a remuneração pela cessão dos direitos autorais: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; Examinando os contratos juntados aos autos, especialmente os anexos I e II, verifico que para todos os serviços é fixado um valor de contraprestação na forma de Fl. 1112DF CARF MF 8 divulgação dos trabalhos do contratado, marketing junto a potenciais clientes que também poderiam contratar os serviços do contratado: O preço de R$ 5.000,00, cinco mil reais indicado na cláusula 3.* do contrato será pago pela Dtcom Direct to Company S.A o Autor conforme as regras estabelecidas neste anexo. 1. A Dtcom Direct to Company S.A produzirá o comercial no modelo padrão com os parceiros de conteúdo (logomarca e apresentação de um roteiro de 30" definido pelo Autor) e transmitirá nos seus canais, (durante 06 meses, 108 inserções mensais de 30" segundos cada), veiculadas em programas com assuntos ligados à mesma área de atuação do Autor, nos horários entre 8:00 e 23:00h, em dias de semana. 2. Além do previsto no item 2, a Dtcom Direct to Company S.A editará 1 (uma) fita VHS ou um DVD do curso gravado pelo Autor, o qual poderá reproduzila após a transmissão do curso no canal Dtcom Direct to Company S.A, a suas próprias expensas. . 3. Finalmente, a Dtcom Direct to Company S.A realizará para o Autor: a) divulgação do autor na grade de programação da Dtcom Direct to Company S.A; b) inserção de vinhetas com logomarca durante cada programa de autoria da instituição; c) A Dtcom Direct to Company S.A exibirá na Internet propaganda do autor, permitindo link direto para o seu endereço eletrônico, apresentadas no site Dtcom para todos os seus usuários, durante 12 meses todo 0 período de 24 horas/dia. No anexo I são discriminados os detalhes da produção a ser realizada pelo contratado, fls. 1.017: Estrutura da aula (teleaula) O professor deverá fornecer um esquema, um desenho, ou uma descrição que represente a hierarquia das idéias que serão abordadas teleaula. Deve ficar claro quais serão as idéias principais, as idéias secundárias e assim por diante. A estrutura deve demonstrar a linha de raciocínio utilizada pelo professor para concluir os temas abordados. Conteúdos a serem abordados nos blocos (teleaula) Uma aula corresponde a 48 min divididos em 3 blocos de dezesseis minutos. Os professores deverão mencionar, da mesma forma, o que será abordado em cada um destes blocos. Ex: Bloco 1 tópicos e assuntos abordados Bloco 2 tópicos e assuntos abordados Bloco 3 tópicos e assuntos abordados e fechamento do curso. Carga Horária: 2 horasaula Finalidade do Curso Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.107 9 O professor deverá explicar o que se pretende com o curso de uma forma geral. Lembrando que o objetivo deve ser razoável e condizente com o conteúdo do curso. Deve ficar claro se o curso irá informar, capacitar, demonstrar etc. Apresentar; analisar e discutir as inovações introduzidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e seus reflexos no âmbito da Administração Pública, de modo que os servidores. ao final do curso, possam conhecer e interpretar a lei para entender sua relevância e, por conseqüência, evitar as falhas passíveis de punição. Objetivos Específicos O professor deverá informar claramente o que se espera dos alunos na elaboração dos objetivos específicos. O conteúdo de suas aulas deve estar de acordo com estes objetivos que se pretende atingir. Os objetivos específicos devem responder a seguinte frase: ao final desta aula, os alunos deverão ser capazes de ter conhecimento básico do assunto e até mesmo aprofundar os conhecimentos já existentes. Prérequisitos Informar se são necessários alguns pre'requisitos para participar mais eficazmente do curso. Mencionar quais säo e se possível, fornecer fontes onde os alunos possam buscar maiores informações. Preferencialmente indicado para os Gestores e Servidores Públicos do Município, cujas atribuições tenham afinidade com o tema. Referencial teórico principal e complementar O professor deverá indicar em quais referenciais teóricos está embasada sua aula, para que o professor tutor e eventualmente, o desenvolvedor de conteúdo, possam trabalhar melhor o conteúdo na web. Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas, 2004 Legislação divulgada no site: wvvw.tesouro.fazenda.gov.br Material complementar e de apoio O professor deverá indicar sites, artigos, resenhas, entre outros para constar como indicação de material complementar aos alunos. Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas. 2004 Legislação divulgada no site: www.tesouro.fazenda.gov.br Fl. 1114DF CARF MF 10 Como se pode constatar, não se trata de uma produção intelectual livre, uma manifestação da capacidade de criação do autor. Na verdade, o que temos no presente caso é uma produção intelectual, isso não se nega, mas na forma de prestação de um serviço sob encomenda a fim de que o contratante, ora recorrente, disponha de um produto a ser comercializado, principalmente a empresas interessadas em promoverem desenvolvimento corporativo de seus funcionários. Assim, tenho para mim não se tratar de uma cessão de direito autoral, mas uma prestação de serviço; contudo, no caso, não identifico na forma de contraprestação uma remuneração propriamente dita, seja na forma direta ou in natura. Vêse que o contratado, pela prestação de serviços, somente vem auferir um direito de divulgação de seu nome, logotipo e outros meios de marketing pessoal que, de fato, potencializam novas contratações. Quanto mais notoriedade melhor para o profissional que está no mercado para comercialização de seus trabalhos. Assim, o que vejo no presente caso é que a contraprestação por parte do recorrente termina nesse ponto: contribuir para a notoriedade do profissional, mas com isso ainda não se configura um benefício concreto, tangível, uma utilidade a ser usufruída pelo contratado. De acordo com a Lei nº 8.212/91, o salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade. Nenhum dos dois está presente. A potencial e presumida utilidade ainda não configura salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Em síntese, tratase de prestação de serviço e não de cessão de direitos autorais; porém, ausente a remuneração, seja direta ou na forma de utilidade. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.108 11 Fl. 1116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721539/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Tendo em vista o julgamento proferido por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/2011-42, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontra-se diretamente relacionada à obrigação principal.Cabível a exigência da multa.
Numero da decisão: 2401-004.922
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento..
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Tendo em vista o julgamento proferido por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/2011-42, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontra-se diretamente relacionada à obrigação principal.Cabível a exigência da multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.721539/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.922 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente USINA AÇUCAREIRA SÃO MANOEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Tendo em vista o julgamento proferido por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/201142, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontrase diretamente relacionada à obrigação principal.Cabível a exigência da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 15 39 /2 01 1- 17 Fl. 271DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento.. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1458.440 (fls.99/101): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 Debcad 51.003.5396 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A fiscalização lavrou em face do sujeito passivo o Auto de Infração DEBCAD nº 51.003.5396 (fl. 03), no valor de R$ 4.000,00, por descumprimento de obrigações acessórias, face a empresa não ter declarado os fatos geradores das contribuições, parte patronal, devidas à Previdência Social, relativas ao período compreendido entre 01/2008 a 08/2008. Em 09/09/2011 a Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, pessoalmente, e em 11/10/2011, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 65/75). Deste ponto em diante, adota se parte do relatório da decisão recorrida, que bem retrata os fundamentos do lançamento e da impugnação, iniciandose pelo próprio Relatório Fiscal: A autuada declarou em GFIP compensações indevidas no período 01 a 12/2008, as quais foram glosadas no processo 10825.721413/201142, Debcad n° 37.343.2356. Esclarece a fiscalização que, como o período da compensação indevida é anterior à competência 12/2008, comparou (planilhas nas folhas 56 a 58) as multas previstas pela legislação anterior e posterior à MP 449/2008, a fim de encontrar a multa mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional). Multa da legislação anterior à MP 449/2008: multa de mora, prevista no art. 35, I (12%, para as compensações indevidas) mais a multa prevista no art. 32, §4º, ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 273DF CARF MF 4 Multa da legislação posterior à MP 449/2008: multa de mora pela compensação indevida, calculada com a alíquota de 0,33% ao dia, limitada a 20% mais a multa prevista no art. 32A, “caput” e inc. I, incluídos pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Conforme planilhas nas folhas 53 a 55, para as competências 01/2008 a 08/2008 a multa mais benéfica ao contribuinte é aquela nos termos da legislação atual. A autuada impugnou o lançamento com as seguintes alegações: os créditos compensados objetos do processo 10825.721413/201142 são provenientes do MS impetrado em litisconsórcio ativo com outras empresas do setor sucroalcoleiro; referido MS transitou em julgado; realizou a compensação com fundamento no trânsito em julgado do MS que reconheceu a ilegalidade de cobrança de contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a tratoristas e motoristas rurais; propôs ação ordinária para liquidar valores a serem compensados, pois inexistia à época dispositivo que regulamentasse a compensação no âmbito previdenciário; com a superveniência das regras para realizar a compensação no âmbito previdenciário e com o trânsito em julgado da ação ordinária, realizou a compensação de seus créditos; o motivo da ação ordinária 002533385.1988.4.03.03.6100 foi somente para apurar e liquidar o valor exato se seu crédito; contesta a premissa adotada pela fiscalização de “ausência de autorização judicial”, em face do caráter meramente executivo da ação em que busca a liquidação dos valores a serem compensados; o art. 170A do CTN trata do requisito de existência de direito creditório em favor do contribuinte; superada a discussão acerca do tributo, abrese a possibilidade da materialização da compensação pretendida, ainda que exista em relação à compensação ação judicial destinada à liquidação de seu valor; a fiscalização afasta a aplicação do art. 170A do CTN, porém não indicou qualquer dispositivo legal que impedisse a compensação (supostamente violado), restringindose à suposta “ausência de autorização judicial para fazêla”. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento pela 9ª Turma da DRJ/RPO, e esta, por unanimidade de votos, decidiu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO apresentada, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO exigido. A Contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª Instância, Acordão nº 14 58.440, via Correio (AR – fls. 106/107), em 16/06/2015. Inconformados com a decisão de 1ª instância, a Contribuinte apresentou em 14/07/2015, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fls. 112/116), onde, em síntese, aduziu o seguinte: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 4 5 1. Preliminarmente fala da necessidade de vinculação e julgamento conjunto deste processo com o processo administrativos nº 10825.721413/201142; 2. No caso da remota hipótese de ser superada a preliminar aduzida, alega, para que o Auto de Infração deve ser cancelado, em razão da regularidade da compensação realizada pela Recorrente, que deram origem ao presente lançamento, pelas razões aduzidas no Processos Administrativos nº 10825.721413/201142. Conclui seu RV requerendo a reforma do acórdão recorrido, para que seja cancelado o Auto de Infração objeto do lançamento. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente Lançamento trata de auto de infração relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, por ter a autuada declarado em GFIP compensações indevidas no período 01/2008 a 12/2008, as quais foram glosadas no processo 10825.721413/201142, DEBCAD n° 37.343.2356. Segundo a Recorrente não há que se falar em multa por descumprimento de obrigação acessória em virtude da regularidade das compensações efetuadas. Da regularidade das compensações e da inexigibilidade da multa apurada com base nas contribuições exigidas no Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.2356 Conforme se verifica dos fatos narrados pela fiscalização no Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.2356, o Lançamento se refere à glosa de valores mensais compensados, no período de 01/2008 a 12/2008, declarados em GFIP. De acordo com as constatações fiscais e as razões recursais apresentadas, a Recorrente e várias empresas obtiveram o direito de crédito contra o INSS, em virtude de recolhimentos indevidos de contribuições previdenciárias, através do Mandado de Segurança nº 569.6224, com trânsito em julgado em 02/02/1987. A decisão proferida na ação mandamental declarou indevida a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas a trabalhadores tratoristas e motoristas rurais (fl. 13), o que afasta qualquer questionamento do Fisco em relação à procedência do direito favorável ao contribuinte em vista da definitividade da decisão. Posteriormente, a empresa ajuizou ação ordinária (Processo nº 00025333 85.1988.4.03.6100), por meio da qual lhe foi assegurado o direito de restituição das parcelas recolhidas indevidamente de contribuição previdenciária a partir dos cinco anos anteriores à propositura do Mandado de Segurança nº 569.6224 que declarou o seu direito. Após o trânsito em julgado da ação ordinária de repetição de indébito, procedeu a execução do julgado objetivando a liquidação do indébito no valor de R$ 6.808.181,90. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 5 7 Ocorre que o INSS interpôs Embargos à Execução (Processo nº 2002.61.00.0186026), os quais foram julgados procedentes decretando a nulidade da execução em razão da ausência de reexame necessário da sentença proferida na ação ordinária de repetição de indébito nº 0002533385.1988.4.03.6100, conforme se constata das informações extraídas do sitio da Justiça Federal na internet: Autos com (Conclusão) ao Juiz em 22/07/2008 p/ Sentença *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinatório Tipo : B Com mérito/Sentença homologatória/repetitiva Livro : 7 Reg.: 492/2009 Folha(s) : 104 Tópicos finais da sentença de fl.(s) (...)Ante o exposto, JULGO PROCEDENTES os embargos à execução opostos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, decretando a nulidade da execução promovida pela embargada nos autos da ação ordinária autuada sob o nº 88.00253334, nos termos do artigo 618, inciso I, do Código de Processo Civil, em razão da ausência do reexame necessário da sentença proferida naquele processo. Por conseguinte, torno sem efeito a certidão de trânsito em julgado lançada à fl. 412/vº daqueles autos e determino a imediata remessa dos mesmos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para o reexame necessário. Condeno a embargada ao pagamento de honorários de advogado em favor do embargante, que arbitro em R$ 2.000,00 (dois mil reais), nos termos do artigo 20, 4º, do Código de Processo Civil, cujo montante deverá ser corrigido monetariamente a partir da data desta sentença (artigo 1º, 1º, da Lei federal nº 6.899/1981). Após o trânsito em julgado desta sentença, trasladese cópia aos autos do processo principal, arquivandose os presentes. Publiquese. Registrese. Intimemse. Disponibilização D.Eletrônico de sentença em 13/05/2009 ,pag 844/846 Consoante destacado no Relatório Fiscal, não há dúvidas acerca do direito da contribuinte ao crédito. Destacou ainda que não cabe a aplicação do art. 170A do CTN, eis que a empresa, via execução do julgado, requereu e aguarda decisão definitiva acerca da compensação. No entanto, entendeu ser necessária glosa das compensações realizadas em face da ausência de autorização judicial expressa para fazêla, já que a demanda judicial tinha como objeto a restituição e não a compensação. Assim, procedeu ao lançamento relativo à glosa das compensações, e entendeu que no caso não se consubstanciava a hipótese do art. 151 do CTN de realização do lançamento com exigibilidade suspensa, na medida em que a situação fática não contemplava as hipóteses do dispositivo legal. Fl. 277DF CARF MF 8 Pois bem. Cabe nesse ponto destacar que a jurisprudência pacífica no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a sentença declaratória tem eficácia executiva, e que, em vista do princípio da economia processual, pode o contribuinte optar pela repetição do indébito via precatório ou proceder à compensação na fase de execução, conforme entendimento sumulado a seguir transcrito: Súmula 461 O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. (Súmula 461, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 08/09/2010) Nesse contexto, verificase que a compensação perfectibilizada pela contribuinte encontravase respaldada por decisão judicial transitada em julgado que lhe assegurava o direito inequívoco ao indébito tributário e, consoante entendimento sumulado pelo STJ (Súmula 461), poderia ser de logo executada. Cabe ainda ressaltar que, o fato de existir decisão em que foram julgados procedentes os Embargos à Execução interpostos pelo INSS, através da qual foi decretada a nulidade da execução em razão da ausência de reexame necessário da sentença proferida na ação ordinária de repetição de indébito, não configurava qualquer óbice à realização da compensação, tendo em vista que a contribuinte interpôs recurso de apelação o qual foi recebido em seus efeitos devolutivo e suspensivo (item 5.4.7 do Relatório Fiscal – fl. 15) e, por conseguinte, tem o condão de suspender os efeitos da sentença até o pronunciamento do Tribunal acerca do recurso. A decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região negando provimento à apelação interposta pela contribuinte foi disponibilizada no Diário Eletrônico no dia 04/05/2011, conforme se verifica no sitio do TRF da 3ª Região. Dessa forma, os efeitos da exigência da contribuição previdenciária em face da glosa de compensação realizada pela Recorrente, somente poderia se efetivar a partir da publicação da decisão proferida pelo Tribunal. Tal fato é importante em virtude do cálculo da multa e juros exigidos no lançamento. Assim, o termo inicial para a exigência das contribuições por glosa da compensação, ocorreu com a publicação do Acórdão do TRF da 3ª Região que apreciou a apelação interposta pela empresa contra a sentença proferida nos embargos à execução. As compensações efetuadas pelo contribuinte anteriores a referida decisão são consideradas legítimas e indevidas as glosas das compensações da forma como levantadas no Auto de Infração. No entanto, inobstante o entendimento supra, cabe noticiar que foi proferido julgamento por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/201142, no qual esta Relatora restou vencida. Desta forma, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontrase diretamente relacionada à obrigação principal. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 6 9 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.901111/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 11 /2 01 2- 11 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.229. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003927/2005-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e
critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização.
INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do
fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N" 9.430, DE 1996- Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados
em conta de deposito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL- Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de I" de janeiro de
1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO - COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS - Incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa Física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação
anexada aos autos, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeter-se-ão às normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (art. 42, § 2°, da
Lei n°9.430, de 1996).
RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL - JUSTIFICATIVA DE ORIGEM - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos
rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO - A falta ou insuficiência de
recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1° de abril
de 199$, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da_Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1 CC nº 4).
Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2202-000.422
Decisão: Aordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 400.204,00; R$ 131.944,00; RS 142.095,00e R$ 98.420,00 c R$ 117.973,89, correspondentes aos anos-calendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez, que não acompanharam os demais conselheiros na questão da exclusão no valor dos depósitos bancários não justificados o valor dos rendimentos tributados declarados nas Declarações de Ajuste Anual.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Nelson Mallmann
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