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Numero do processo: 13896.903160/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 31 60 /2 00 9- 63 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 333DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001651/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. AUTORIZAÇÃO. AUTORIDADE LEGAL COMPETENTE. POSSIBILIDADE. EXAME DE FATOS NÃO EXAMINADOS ANTERIORMENTE. NOVO LANÇAMENTO. REGULARIDADE.
É possível o reexame de período já fiscalizado, mediante autorização expressa do Superintendente da Receita Federal do Brasil, na forma do quanto dispõe o artigo 906 do RIR/99, mesmo quando a fiscalização inicial não tenha resultado em lançamento de ofício.
Ao recair esse novo exame sobre fatos já examinados por ocasião do primeiro exame, e sendo apuradas irregularidades tributárias, correto o procedimento do Fisco de constituir o crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de revisão do lançamento anterior, nem de erro de direito, muito menos de alteração do critério jurídico do lançamento.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos artigos 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - NATUREZA JURÍDICA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO
Nulidade da autuação, higidez do acordo judicial homologado.
Numero da decisão: 2201-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 25/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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AUTORIZAÇÃO. AUTORIDADE LEGAL COMPETENTE. POSSIBILIDADE. EXAME DE FATOS NÃO EXAMINADOS ANTERIORMENTE. NOVO LANÇAMENTO. REGULARIDADE. É possível o reexame de período já fiscalizado, mediante autorização expressa do Superintendente da Receita Federal do Brasil, na forma do quanto dispõe o artigo 906 do RIR/99, mesmo quando a fiscalização inicial não tenha resultado em lançamento de ofício. Ao recair esse novo exame sobre fatos já examinados por ocasião do primeiro exame, e sendo apuradas irregularidades tributárias, correto o procedimento do Fisco de constituir o crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de revisão do lançamento anterior, nem de erro de direito, muito menos de alteração do critério jurídico do lançamento. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos artigos 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 51 /2 00 9- 91 Fl. 391DF CARF MF 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NATUREZA JURÍDICA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO Nulidade da autuação, higidez do acordo judicial homologado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 321/349) interposto contra decisão da DRJSPOII (fls. 301/312) que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário relativo a IRPF lançado através do Auto de Infração (fls. 266/271) no valor de R$ 17.509.626,53, sendo R$ 5.493.905,60 de principal, R$ 8.240.858,40 de multa de ofício (150%), e R$ 3.774.862,53 de juros de mora; lavrado em decorrência da fiscalização autorizada pelo MPF 08.1.12.002009001754 em 03/04/2009 (fls. 01) que, em sede de reexame de período já fiscalizado, apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica do ano calendário de 2003. Intimado a comprovar o recolhimento do imposto de renda incidente sobre o valor de RS 19.984.000,00, creditado na conta poupança nº 6.3479, agência 23930, mantida no Banco Bradesco, em 28 de novembro de 2003, o Recorrente alegou que tal rendimento se refere a indenização recebida da CocaCola, por força de decisão judicial nos autos do processo Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 392 3 nº 000.96.900.6069002, que tramitou na 32º Vara Cível Central da Comarca de São Paulo Capital. Os fatos reportados no relatório do Acórdão proferido pela DRJ precisam mais detalhada e sucintamente o ocorrido, conforme abaixo transcrito: “Segundo informações extraídas da cópia integral dos autos, a autoridade fiscal assim descreve o objeto da ação judicial: "O contribuinte moveu ação contra a empresa CocaCola, em 14/03/1996, alegando que ele, Paulo Afonso Antunes Júnior, havia criado um projeto publicitário de sua exclusiva criação e autoria, então inédito e de concepção Original, que denominou de Copa União/CocaCola. O referido projeto publicitário (fls. 42/47) consistia no patrocínio das equipes que viessem a disputar o campeonato brasileiro de futebol profissional, como pagamento da divulgação do nome comercial do patrocinador CocaCola nos uniformes de todos os participantes dessas competições, atletas e respectivas comissões técnicas, bem como em locais estrategicamente escolhidos nos estádios onde se desenrolassem as competições. (...) A contratação do patrocínio com o Clube dos Treze, necessariamente, deveria ser intermediada pelo autor, Sr. Paulo Afonso Antunes Júnior, dentre outras razões, para proteger a autoria do projeto e resguardar sua originalidade, a quem caberia, também, a celebração do respectivo contrato. A alegação na ação judicial foi de que, embora o prazo de vigência do contrato de 24 de setembro de 1987 fosse de cinco anos (fls. 48/53), a verdade é que estava sempre vinculado aos prazos de vigência dos contratos que a CocaCola celebrasse com o Clube dos Treze, prorrogáveis, independente de qualquer aviso, até o final de 10 anos. Em 14 de maio de 1191, Paulo Afonso recebeu a comunicação de que não seria renovado o contrato, recebendo a última parcela contratual 2 dias depois. Entretanto, a CocaCola já havia reformado com o Clube dos Treze o contrato para exploração comercial do seu projeto publicitário, edições 1991 a 1995, nos moldes idênticos ao projeto elaborado por Paulo Afonso. Em 15/02/2000, foi proferido o Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo dando ganho de causa ao Sr. Paulo Afonso Antunes Junior nos atos da ação ordinária movida contra a Coca Cola." O pagamento efetuado pela CocaCola foi de R$ 19.984.000,00, por meio de cheque administrativo em nome de ISPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda. (fls. 116/118), com quem o contribuinte havia celebrado contrato de cessão e transferência de direito resultante do título executivo objeto da ação judicial em tela. Assim, tendo em vista que o valor obtido por meio da ação judicial não foi declarado nem pela pessoa jurídica, nem pela pessoa física e que o real Fl. 393DF CARF MF 4 beneficiário do ganho foi o contribuinte, a ação fiscal é encerrada com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: 1 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de trabalho sem vínculo empregatício, constante em DIRF e não declarado, no valor de R$ 125.770,45, no anocalendário 2000. Fundamentação legal: artigos lº ao 3° e parágrafos e artigo 6o da Lei 7.713/88, artigos 1°e 3° da Lei 8.134/90, artigo 1°, da Lei 9.887/99. Sobre o valor do imposto apurado foi, ainda, aplicada a multa qualificada de que trata o art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96, por entender a autoridade fiscal presentes as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. O contribuinte toma ciência do auto de infração 01/06/2009, e inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 26/06/2009 de fls. 282/297, em que alega, em síntese, que: 1 no ano de 1996, o impugnante ingressou com a Ação Judicial denominada Ação Anulatória de Documentos e Indenização contra a empresa CocaCola Indústrias Ltda, pois mantinha com a referida empresa contrato de projeto publicitário que, após cinco anos, a empresa decidiu rescindir tal contrato alegando não haver mais interesse no projeto; 2 no entanto, a CocaCola continuou a utilizar o projeto, nos exatos moldes criados pelo impugnante, porém sem o pagamento de seus direitos contratuais. Descoberta a utilização indevida e não autorizada, o impugnante ingressou em juízo buscando indenização pelos danos causados pela empresa; 3 o ganhos obtido na ação foram repassados a ISPM Inter Sports Promoções Desportivas, com base em contrato de cessão de direitos, homologada judicialmente em 27 de novembro de 2003; 4 com o falecimento do pai do impugnante, sócio da SPM Inter Sports, o valor recebido da indenização ficou com o impugnante, que era a quem pertencia o direito decorrente da Ação; 5 contrariamente ao que consta no auto de infração, o rendimento decorrente da ação judicial não é relativo a trabalho sem vínculo empregatício, até porque se fosse esse o caso a ação não teria transitado na Justiça Cível, mas sim na Justiça Trabalhista; 6 o valor recebido da empresa CocaCola não corresponde a qualquer serviço prestado nos cinco anos posteriores ao contrato; pelo contrário, o valor recebido foi proposital e cabalmente qualificado como indenização; 7 isso se comprova em vários trechos do Acórdão do TJ do Estado de São Paulo que trata o contrato como de cessão de direitos de obra intelectual ou, ainda, como fornecimento de tecnologia do ramo publicitário, porém em momento algum trata a questão como relação do trabalho sem vínculo empregatício; 8 resta claro que o valor recebido decorrente da referida ação tem natureza indenizatória e, como tal, não representa acréscimo patrimonial para efeito de aplicação dos incisos I e II, do art. 43, do Código Tributário Nacional; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 393 5 9 ainda que se admitisse a possibilidade de eventual incidência de imposto de renda seria outra a exigência fiscal, cogitandose a aplicação do art. 68, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, não fosse a não incidência reconhecida no §5°; 10 há evidente erro na eleição do sujeito passivo, na medida em que os documentos oficiais e judiciais atestam que a titularidade dos direitos da ação judicial não pertenciam ao autuado, e sim, à pessoa jurídica que era sua real beneficiária; 11 no caso em tela, a administração tributária praticou a condenada mudança de critério jurídico no lançamento, isto porque no exercício regular da atividade de fiscalização iniciada em 03/2008, há ato administrativo homologando expressamente todas as atividades praticadas pelo fiscalizado no ano de 2003; 12 é visível a falta de fundamentação para o indevido agravamento da penalidade na medida em que a auditora limitase a transcrever todos os dispositivos legais indicados, sem qualquer iniciativa para tipificar a conduta; 13 o auto de infração exige crédito tributário abarcado por período já decaído, vez que o prazo previsto no §4°, do art. 50, do Código Tributário Nacional, estava consumado, uma vez que não há que se falar em fraude, simulação ou conluio; 14 requer que não sejam aplicados juros moratórios sobre a multa lançada de ofício, por falta de amparo legal.” A DRJSPOII julgou improcedente a Impugnação, afastando a alegação de decadência e mantendo o crédito lançado, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. É possível a realização de novo procedimento fiscal quando expressamente autorizado pelo Superintendente da Receita Federal do Brasil, mesmo quando o primeiro não tenha resultado em lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NATUREZA JURÍDICA. Rendimento recebido em decorrência de ação judicial em que se pleiteava o pagamento de “indenização” a título de pagamento pela utilização de projeto desenvolvido pelo contribuinte após rescisão contratual caracteriza se como rendimento tributável decorrente de trabalho sem O vínculo empregatício. A incidência do imposto independe da denominação do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Fl. 395DF CARF MF 6 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA APLICAÇÃO. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude do contribuinte nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Desde 1° de janeiro de 1997, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado da decisão de primeira instância em 26/02/2014 (fls. 1.709), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 08/12/2009, Recurso Voluntário (fls. 321/349), nos seguintes termos: a. É impertinente o questionado lançamento tributário, que somente foi mantido pela decisão de primeira instância pelo evidente corporativismo e falta de neutralidade e de independência da maioria dos AuditoresFiscais que funcionaram como membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo; b. É tão evidente a precariedade do questionado lançamento tributário que o próprio relator da DRJSão Paulo, em manifesto ato falho, concluiu seu voto fazendo juízo pela “IMPROCEDÊNCIA do lançamento", sendo que, em verdade, manteve o lançamento fiscal; c. Impossibilidade de reexame a destempo do mesmo fato, já submetido à homologação anterior, com atestado de inexistência de “crédito tributário devido”: O primeiro procedimento fiscal aberto contra o Recorrente, iniciado em 07/03/2008 através do MPF nº 08.1.90.002008014360, concluiu pela regularidade da sua conduta e deixou de tributar o valor da indenização recebida, conforme se extrai do expresso atestado de inexistência de crédito tributário a ser formalizado, como consta do "Termo de Encerramento” lavrado em 23/12/2008, que assim dispôs: “Encerramos, nesta data, a Ação Fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA dos AnosCalendário 2003 e 2005/Exercícios 2004 e 2006, em que não foram constatadas irregularidades que demonstrassem lançamento de Crédito Tributário devido.”; d. Ao contrário do que menciona o contraditório voto condutor do Acórdão da DRJSão Paulo, há legítimo ato administrativo retratado nesse "Termo de Encerramento", ato administrativo qualificado como válido e eficaz, porque praticado por servidora pública competente e dentro do prazo reservado ao Fisco (5 anos) para homologar ou não homologar os atos praticados pelo contribuinte (atividade de autoapuração). Portanto, sendo válido e eficaz, há que se reconhecer os efeitos desse legítimo ato administrativo; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 394 7 e. A certificação da não incidência do imposto de renda, por ato administrativo lavrado em 23/12/2008, não pode ser ignorada pelos julgadores, porque consumou os efeitos da homologação expressa, realizada tempestivamente (dentro dos 5 anos), sendo forma de extinção do Crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VII, do CTN; f. Com essa natureza de ato administrativo válido e eficaz, não poderia ser sumariamente substituído por outro ato administrativo com divergente qualificação, sem a observância do rito adequado para revogação do primeiro, sendo a motivação o primeiro dos requisitos; g. No entanto, nada disso foi observado no novo procedimento de fiscalização, pois não há qualquer indicativo da motivação, do porquê da reabertura de procedimento fiscal para reexame da mesma matéria fática já expressamente fiscalizada. Contrariamente ao que consta no Acórdão da DRJSão Paulo, a existência de novo “Mandado de Procedimento Fiscal" (de nº 08.1.12.002009001754), contendo a necessária "autorização para reexame" (art. 906 do RIR/99) assinada pelo Sr. Superintendente da Receita Federal (fls. 01 e 04), em nada socorre para encobrir o insanável vício. Isto porque, é inválido e ineficaz o novo MPF, uma vez que a autorização foi expedida a destempo (26/03/2009), ou seja, quando já ultrapassados os 5 anos regulamentares, contrariando não só o artigo 150, § 4°, do CTN, mas principalmente a norma interna concebida pela PortariaRFB nº 11.37107, que regula a expedição do MPF, especialmente seu artigo 7º, § 1º que limita o seu período de abrangência “nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF”; h. Portanto, emitido o novo MPF em 26/março/2009, só poderia alcançar os fatos geradores ocorridos a partir do ano de 2004 (5 anos anteriores), jamais o ano de 2003 como indevidamente consignado no irregular e imprestável MPF. Além desse insanável Vício de afronta à norma interna, o ato também é ineficaz porque não se apontou a imprescindível motivação para o reexame, nem qualquer vício formal do ato administrativo regular anterior que já havia reconhecido a não incidência do imposto de renda sobre a indenização e expressamente homologado o procedimento da não tributação; i. É contraditória a decisão recorrida, pois está comprovada, a mudança de critério jurídico, que fica caracterizada pela divergente qualificação do fato em diferentes momentos da fiscalização (não incidência, na primeira fiscalização; fato tributado, no reexame), constatação que prescinde da existência ou inexistência do ato do lançamento nas duas oportunidades; Fl. 397DF CARF MF 8 j. Ainda que se admitisse que o valor da indenização pudesse ser tributado, é deplorável verificar que o novo ato abusivo de indevida exigência do IR sobre fato ocorrido em novembro de 2003 venha acompanhado de imposição de multa de 150%, com esdrúxula e genérica acusação de prática de sonegação, fraude e conluio. É preciso registrar que a acusação é grave e o Recorrente tem motivos para estar indignado, porque há excesso de exação e indevida denúncia de prática de crime comprovadamente inexistente; k. Há obstáculo legal que inviabiliza o exame de mérito, visto que o questionado Auto de Infração foi lavrado quando já extinta a possibilidade de lançamento pela Fazenda Nacional, porque já transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, uma vez que o lançamento se refere a pretenso fato gerador ocorrido em 30/11/2003 e a ciência do Auto de Infração operouse por via posta somente em 01/06/2009 (fls. 272); l. Assim, o termo a quo do prazo decadencial independe do fato de o contribuinte ter ou não efetuado o pagamento do tributo, pois o que a Administração Tributária homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, e não o ato do pagamento. Essa confirmação está expressa no caput do artigo 150, do CTN, ao consignar que a homologação “operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". Fosse a homologação dirigida ao pagamento, a norma do CTN viria com o artigo masculino “o”, e não o artigo feminino “a” que só pode se referir à atividade; m. Natureza de indenização do valor recebido: É contraditória e não encontra qualquer fundamento nos documentos acostados aos autos a conclusão da autoridade fiscal de que a natureza jurídica do pagamento recebido pelo Recorrente se trata de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício. Essa tese sustentada pela fiscalização é precária e foi levianamente homologada pela DRJSão Paulo. Do contrário, sua interpretação não pode ser simplória, afoita, ou ao talante da fiscalização, pois é ônus do Fisco comprovar que se trata de rendimento decorrente de trabalho. Assim, não se pode exigir a prova negativa do autuado, o qual já produziu a prova positiva que lhe cabia e que merece fé pública; n. Contrariamente ao que consta do Auto de Infração, não se trata de ação decorrente de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, como alega a AFRF, até mesmo porque, se fosse esse o caso, a ação não teria tramitado na Justiça Cível, mas sim na Justiça Trabalhista. Em nenhum momento a decisão judicial faz referência à remuneração por qualquer trabalho. Dessa forma, a reparação financeira por ato ilícito, determinada pelo Poder Judiciário, não pode ser trasmudada pelo Fisco em remuneração do trabalho, em afronta aos artigos 109 e 110 do CTN, que vedam a alteração do conteúdo de institutos de direito privado (indenização), com o objetivo de atribuirlhes efeitos tributários. Aquilo que o Poder Judiciário concedeu como “reparação de danos", com base em preceitos do Código Civil, não pode ser rotulado Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 395 9 pelo Fisco como "remuneração de trabalho sem vínculo empregatício", mormente quando o valor fixado na decisão judicial não cogita da existência de qualquer trabalho, ao contrário, tem a ver com o a indevida exploração de projeto sem o trabalho ou autorização do seu autor; o. O auto de infração é imprestável pois, se o valor recebido fosse tributável, a fundamentação legal seria, quando muito, diversa daquela utilizada pelo lançamento, qual seja de “multa por rescisão de contrato” (RIR/99, Art. 681 e § 1º), que nem mesmo poderia ser pois o § 5º do artigo 681 do RIR/99 não tributa as indenizações; p. Como os direitos da referida ação judicial foram transferidos à pessoa jurídica SPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda., se percebe que há evidente erro na eleição do sujeito passivo do lançamento, na medida em que os documentos oficiais e judiciais atestam que a titularidade dos direitos da ação judicial não pertencia ao Recorrente, mas sim à pessoa jurídica que era a real beneficiária; q. Se houve endosso do cheque, pela pessoa jurídica, como indica a fiscalização, é porque era a única titular do direito e efetivamente o recebeu. Se assim não fosse, seria desnecessário o endosso que se qualifica como ato jurídico pelo qual se transmite direitos (cessão); r. Se pretende o Fisco tributar o resultado dessa cessão de direitos, o fato gerador teria ocorrido em 11/08/2003 (data da cessão) e a forma de tributação seria outra (art. 117 do RIR/99), pela modalidade instantânea de "ganho de capital", sujeita à alíquota fixa de 15% e, igualmente alcançada pela decadência; s. Mesmo que se force em considerar que o valor recebido pelo Recorrente deva sofrer algum tipo de tributação, aquela realizada de uma só vez sobre o valor recebido acumuladamente não pode se pautar pela tabela progressiva do IR do período do seu recebimento, devendo o referido valor ser distribuído pelos períodos a que competirem e, dessa forma, ocorrer a tributação; t. Há norma geral expedida pelo Ministério da Fazenda propugnando pela imprestabilidade de lançamento que tributa via imposto de renda, de uma única vez, os chamados rendimentos recebidos acumuladamente. Dessa forma, ainda que tributável fosse o valor da indenização, o cancelamento do Auto de infração é medida que se impõe em atendimento à orientação do próprio ministério, ao qual está vinculado CARF; Fl. 399DF CARF MF 10 u. Como inexiste prova nos autos que aponte para o “evidente intuito de fraude", não deve ser aplicada a multa qualificada de 150%, que somente se sustenta pela demonstração da tipicidade do ocorrido; v. Impossibilidade de incidência de Juros SELIC sobre a multa de ofício: O Recorrente manifesta sua repulsa contra a prática de aplicação da taxa SELIC sobre a multa lançada de ofício, procedimento este que, muito embora não encontre qualquer respaldo no ordenamento jurídico, vem sendo teimosamente adotado pelas autoridades administrativas; w. Ao estabelecer a incidência de juros de mora sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, que devem ser calculados à taxa Selic, o legislador tributário previu remuneração ante a demora no recebimento de receita pública esperada pelo sujeito. Não é o caso da multa de ofício, que tem caráter penal, cujo ingresso não é esperado pela Fazenda Pública. Por essa razão, não é pertinente a incidência de juro remuneratório sobre a multa de ofício, que sequer é mencionada no referido dispositivo, assim como também não é devido o juro sobre a multa de mora, que permanece fixa até a liquidação do principal, a despeito dos longos anos transcorridos; x. Da mesma forma que não incidem juros de mora sobre a multa de mora, não devem incidir os mesmos juros sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal, pois a expressão "débitos", a que faz referência a lei, só pode referirse a tributo e não à multa, como se comprova pela não incidência sobre a multa de mora que também compõe o crédito tributário, conforme jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes; y. Ao final, requer a reforma da decisão guerreada, para julgar totalmente improcedente a equivocada exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 396 11 Ilegalidade e Nulidade Reabertura de Fiscalização Inicialmente, aduz o Recorrente que o primeiro procedimento fiscal aberto contra ele, iniciado em 07/03/2008 através do MPF nº 08.1.90.002008014360, concluiu pela regularidade da sua conduta e deixou de tributar o valor da indenização recebida, conforme se extrai do "Termo de Encerramento” lavrado em 23/12/2008, que assim dispôs: “Encerramos, nesta data, a Ação Fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA dos AnosCalendário 2003 e 2005/Exercícios 2004 e 2006, em que não foram constatadas irregularidades que demonstrassem lançamento de Crédito Tributário devido.” Assim, sustenta ser ilegal e nulo o novo expediente fiscal. Com efeito, o artigo 906 do RIR/99 determina ser legalmente possível o exame de período já fiscalizado, bastando para tanto que decorra de ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, senão vejamos: “Reexame de Período já Fiscalizado Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal.” Este não deixa de ser o entendimento deste E. CARF: “PERÍODO FISCALIZADO. REEXAME. O fato de o contribuinte ter sido objeto de fiscalização em períodos anteriores ou o fiscalizado, não significa a homologação de todas as suas ações, nesses períodos, sendo que há previsão de eventual segunda fiscalização, devidamente autorizada.” (Ac. 1402002.144. Primeira Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma. Rel. Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Sessão: 05/04/2016) “REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art. 906 do RIR/99.” (Ac. 2202002.782. Segunda Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma. Rel. Carlos André Ribas de Mello. Sessão: 09/09/2014) No caso em apreço, se se verificar a Autorização para Reexame de Período Fiscalizado acostada às fls. 05, perceberseá que aludido documento foi assinado pelo Superintendente Adjunto Roberto Duarte Alvarez (matrícula Sjapecad 00023053). Fl. 401DF CARF MF 12 Outrossim, não há que se falar na aplicação do artigo 146 do CTN, pois este se relaciona à modificação promovida nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento e, como não ocorreu lançamento do procedimento fiscal anterior, não se pode aventar a aplicação do mencionado artigo. Isto posto, entendo pela legalidade da reabertura da fiscalização ou do reexame de período já fiscalizado, como ocorre nos autos, afastando, por isso, toda a alegação do Recorrente relativa à ilegalidade e nulidade, e contrárias ao que dispõe a lei. Decadência Alega o Recorrente que o novo MPF é inválido e ineficaz, uma vez que a sua autorização foi expedida a destempo (26/03/2009), ou seja, quando já superado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contrariando não só o artigo 150, § 4°, do CTN, mas principalmente a norma interna concebida pela PortariaRFB nº 11.37107, que regula a expedição do MPF, especialmente seu artigo 7º, § 1º que limita o seu período de abrangência “nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF”. Aduz que, ao contrário do que menciona o contraditório voto condutor do Acórdão da DRJSão Paulo, há legítimo ato administrativo retratado nesse "Termo de Encerramento de Fiscalização", lavrado em 23/12/2008, que é um ato administrativo qualificado como válido e eficaz, porque praticado por servidora pública competente e dentro do prazo reservado ao fisco (5 anos) para homologar ou não homologar os atos praticados pelo contribuinte (atividade de autoapuração). Portanto, sendo válido e eficaz, há que se reconhecer os efeitos desse legítimo ato administrativo. Portanto, emitido o novo MPF em 26/03/2009, só poderia alcançar os fatos geradores ocorridos a partir do ano de 2004 (5 anos anteriores), jamais o ano de 2003 como indevidamente consignado no irregular e imprestável MPF. Além desse insanável vício de afronta à norma interna, o ato também é ineficaz porque não se apontou a imprescindível motivação para o reexame. Dito isso, mister se faz trazer à colação o julgado do STJ que norteia o tema da “decadência” no âmbito tributário, consubstanciado no REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC, nos excertos abaixo transcritos: “3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199)” Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 397 13 Em seguida, posto que já analisado este tema na decisão de piso, passo a transcrever os fundamentos daquela decisão, que servirão para embasar este voto, pela sua clareza e pontualidade, senão vejamos: “(...) Em relação à decadência suscitada, esta Terceira Turma, por maioria, já firmou o entendimento que, nos casos de lançamento de ofício, a contagem do prazo dáse, sempre, seguindo as regras estabelecidas no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, (...) O artigo 150, S4°, do mesmo diploma legal, trata da homologação tácita do pagamento, no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e este tenha sido corretamente recolhido. Tal norma é reproduzida abaixo, in verbis: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento Sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar praco à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a Ocorrência de dolo, fraude ou Simulação.” Conforme descrito no artigo 150, caput, o lançamento por homologação ocorre somente nos casos de tributos em que o sujeito passivo tem o dever de antecipar o pagamento e operase pelo ato em que a autoridade fiscal, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Apesar de existir alguma divergência sobre o assunto, podese afirmar que a atividade a ser “expressamente homologada” pela autoridade administrativa, conforme prevista pela citada norma, é a apuração e posterior recolhimento do imposto, ou seja, é o pagamento do tributo. Sacha Calmon Navarro Coelho (in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Editora Forense, 6° Edição, Rio de Janeiro, 2002, pág.672) assim leciona sobre a questão: “A homologação é mera acordância relativa a ato de terceiro, no caso o contribuinte, de natureza satisfativa, i.e., pagamento. Por isso, o $1o diz que o pagamento extingue o crédito, mas sob a condição resolutória de ulterior homologação do lançamento. Que lançamento? O que a Fazenda homologa é o pagamento.” (grifos nossos) Fl. 403DF CARF MF 14 Assim, não havendo recolhimentos antecipados, não se pode falar em lançamento por homologação e o termo inicial da contagem do prazo decadencial segue o artigo 173, I. Da mesma forma, ou seja, remetese à contagem do artigo 173, I, quando sujeito passivo efetua recolhimento incorreto, pois, em relação à diferença de tributo não paga, o lançamento será de ofício, por meio de lavratura de auto de infração, nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, e não mais “lançamento por homologação” que se restringiu à parcela apurada e paga pelo sujeito passivo. Reproduzo, abaixo, a citada norma: Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte, " (grifouse) O Como o que se homologa é o pagamento, não se pode considerar ocorrida a dita “homologação tácita” quando o contribuinte nada recolheu ou quando houve recolhimento insuficiente, pois não se pode reputar homologado o que não foi pago. Assim, quando há pagamento a menor, operase a homologação tácita apenas do pagamento efetuado e, quanto ao restante, à diferença, cabe o lançamento de ofício nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, segundo a contagem decadencial do artigo 173, I. Podese afirmar, portanto, que, nos casos de lançamento de ofício, a contagem decadencial sempre segue a forma estabelecida pelo artigo 173, I e nunca a do artigo 150, S4° do Código Tributário Nacional. Por oportuno, reproduzo abaixo excerto do Acórdão CSRF/0101.994: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no 4° do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiéncia de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de oficio. (gn) Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ”. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 398 15 Portanto, em relação ao anocalendário 2003, para fins de contagem do prazo decadencial, tomase o termo inicial conforme determinado pelo art. 173, inciso I do O CTN, isto é, 01/01/2005, com termo final em 31/12/2009. Como o lançamento de ofício foi efetuado dentro do prazo (em 26/03/09), não há que se falar em decadência. Colocado isso, entendo por afastar a preliminar de decadência aventada pelo Recorrente e aplicável o artigo 173 em vista da apuração de fraude por parte da fiscalização, inclusive com aplicação de multa qualificada. Ilegitimidade Passiva Sustenta o Recorrente que, como os direitos da ação judicial que proporcionaram os rendimentos obtidos foram transferidos à pessoa jurídica SPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda., se percebe que há evidente erro na eleição do sujeito passivo do lançamento, na medida em que os documentos oficiais e judiciais atestam que a titularidade dos direitos da ação judicial não lhe pertencia, mas sim à mencionada pessoa jurídica, que era a real beneficiária. Não assiste razão ao Recorrente nesse tópico, pois pela análise dos fatos e dos documentos acostados aos autos, se verifica que este possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do crédito em cobro e, assim, é considerado como o responsável pelo crédito exigido, em homenagem ao princípio da primazia da realidade. No caso em análise percebese que o contribuinte cedeu a título gratuito o seu direito aos valores da ação judicial em face da CocaCola para a empresa ISPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda., inclusive a empresa adentrou aos autos do processo e o crédito foi homologado para si. Tais valores eram para serem utilizados para capitalizar a empresa ISPM, contudo, por conta da morte do pai do contribuinte, esse plano não foi concebido e o cheque foi depositado diretamente através de endosso na conta bancária do contribuinte tendo sido o beneficiário da disponibilidade jurídica e econômica do bem. Rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício Acusa o Recorrente que é contraditória e não encontra qualquer fundamento nos documentos acostados aos autos a conclusão da autoridade fiscal de que a natureza jurídica do pagamento recebido por ele se trata de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício. Essa tese sustentada pela fiscalização é precária e foi levianamente homologada pela DRJSão Paulo. Fl. 405DF CARF MF 16 Contrariamente ao que consta do Auto de Infração, aduz que não se trata de ação decorrente de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, como alega a AFRF, até mesmo porque, se fosse esse o caso, a ação não teria tramitado na Justiça Cível, mas sim na Justiça Trabalhista. Sustenta que em nenhum momento a decisão judicial faz referência à remuneração por qualquer trabalho. Entende que a reparação financeira por ato ilícito, determinada pelo Poder Judiciário, não pode ser trasmudada pelo Fisco em remuneração do trabalho, em afronta aos artigos 109 e 110 do CTN, que vedam a alteração do conteúdo de institutos de direito privado (indenização), com o objetivo de atribuirlhes efeitos tributários. Pela análise dos fatos e dos documentos, se percebe que a questão principal no caso em tela referese à natureza do rendimento pago ao Recorrente pela CocaCola, por força de decisão judicial, nos autos da ação Anulatória de Documentos e Indenização. Diz a decisão da DRJ: “De acordo como narrado pela autoridade fiscal e confirmado na impugnação, o contribuinte celebrou, no ano de 1987, com a CocaCola contrato de projeto publicitário de sua exclusiva autoria denominado “Copa UniãoCocaCola” que tinha o objetivo de patrocinar as equipes de futebol participantes do campeonato nacional. Após o cumprimento do contrato pelo prazo de cinco anos, a CocaCola decidiu rescindir o contrato alegando não haver mais interesse no projeto desenvolvido pelo impugnante. Entretanto, a mesma empresa continuou a utilizar nos campeonatos seguintes a mesma fórmula publicitária desenvolvida pelo autor. “Segundo as alegações apresentadas pelo contribuinte na petição inicial da ação, ele foi afastado “do negócio por ele mesmo criado para, absolutamente só (a empresa). locupletarse, às suas custas, das vantagens decorrentes da exploração comercial do seu projeto publicitário”. No item 27, da mesma Petição Inicial, o contribuinte alega que: "Em conseqüência e á evidência que pertencendo ao autor o direito de utilização comercial do projeto que concebeu (...)somente ele poderia autorizar o uso de sua obra. Como esta utilização foi feita com finalidade comercial, como retro ficou demonstrado, esta circunstância, por si só, comprova o prejuízo, uma vez que ao mesmo autor cabe participar dos benefícios econômicos decorrentes do aproveitamento comercial do seu trabalho intelectual. "(grifei) Já no item 28, da peça mencionada, o contribuinte afirma que teve prejuízo decorrente da renovação do contrato celebrado entre a CocaCola e o Clube dos Treze “objetivando a desautorizada repetição da utilização do projeto da concepção do autor, por mais cinco anos, sem a menção do seu nome, bem como da falta do pagamento da remuneração contratualmente ajustada.” (grifei) Fl. 406DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 399 17 No voto constante do Acórdão do Tribunal da Justiça do Estado de São Paulo, o relator desembargador Ênio Santarelli Zuliani assim expressa seu entendimento(fls. 47/76): "De posse de todo este banco de dados jurídicos, voltemos ao contrato epistolar firmado pelas partes. O autor almejava remuneração pelo trabalho que apresentou por dez anos. O que equivale a dizer que pretendeu ceder. Os direitos de sua obra intelectual, transferindo a titularidade para a CocaCola, desde que respeitado o prazo decenal. (...) Não resta dúvida, portanto, que a denominada indenização requerida na ação descrita acima não era outra coisa senão o pagamento pelo trabalho desenvolvido pelo contribuinte de um projeto publicitário inovador para ser utilizado nos campeonatos brasileiros de futebol. O direito de ser ressarcido pela CocaCola foi decorrente da proteção jurídica dos trabalhos intelectuais, semelhante à garantia do criador de um bem objeto de direito autoral, conforme didática redação da ementa do Acórdão do Tribunal de Justiça de fls. 65. É o direito patrimonial relacionado com a reprodução de sua criação que foi tutelada pelo direito e não uma reposição de perdas como defende o impugnante. O fato de estes rendimentos terem sido pleiteados na justiça e de terem sido denominados “indenização” não lhes subtrai a sua verdadeira natureza de rendimentos provenientes do trabalho. A leitura, ainda, do voto demonstra cabalmente que o relator também teve este entendimento, já que a indenização teve como base o valor monetário que o autor da ação deixou de receber nos anos em que seu trabalho foi utilizado pela CocaCola sem o seu consentimento. “A CocaCola comprou o plano por cinco anos, mas não tomou posse dos direitos morais do autor. Este o prazo comum de exploração econômica da idéia inédita e original, muito bem aceita e assimilada pela empresa. (...) Resulta que, decorrido o quinquênio de execução fiel do contrato, o continuísmo da utilização da obra do autor dependeria de novo consentimento e, obviamente, de outra rodada de negociação sobre valores de comissões. Como isso não ocorreu, abrese o campo para a responsabilidade civil (...). A indenização que o Estadojuiz mentaliza para buscar o equilíbrio monetário deve sopesar o único argumento válido, qual seja, a medida exata do valor que o autor exigiria para determinar aquela modalidade de execução. E isso ficou claro no contrato firmado.” Vêse que a dita “indenização” não é nada mais nada menos que a remuneração que teria sido paga pela CocaCola ao contribuinte (autor do projeto) se o contrato tivesse sido renovado na forma como ocorrido nos anos anteriores. Assim, a natureza jurídica do pagamento recebido pelo contribuinte foi corretamente identificada pela autoridade fiscal como rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício. Fl. 407DF CARF MF 18 No que concerne ao sujeito passivo, com base nas conclusões apresentadas pela autoridade fiscal e pelos documentos que as fundamentam, verificase que é de fato o impugnante o real beneficiário dos rendimentos recebidos da CocaCola. Como se depreende pela leitura do contrato firmado entre o impugnante e a CocaCola (fls. 42/53) e como defendido nos autos do processo judicial, o autor do projeto publicitário e o beneficiário do pagamento era Paulo Afonso Antunes Júnior. O autor da demanda judicial em face da CocaCola foi o impugnante. Na própria impugnação, o contribuinte reconhece que o cheque de R$ 19.984.000,00 deveria ser depositado em sua conta pois “era a quem pertencia o direito decorrente da ação”. O contrato de Cessão de Direitos, datado de 11 de agosto de 2003, em que foi transferido o direito resultante do título executivo decorrente do Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, longe de demonstrar o erro cometido na eleição do sujeito passivo, ratifica a intenção dolosa do contribuinte de omitir tais rendimentos à tributação. Contrariamente a que o impugnante alega, o Termo de Verificação Fiscal enumera exaustivamente todas as provas coletadas que demonstram o intuito fraudulento do contribuinte nos termos dos artigos, 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A autoridade fiscal relata que: 1 o cheque emitido pela CocaCola foi depositado diretamente na conta do impugnante; 2 em diligência efetuada na pessoa jurídica ISPM foi solicitada a apresentação de livros contábeis, porém nada foi entregue; 3 a situação cadastral da empresa ISPM é de inatividade no anocalendário 2003; 4 o valor da ação judicial não foi declarado nem na pessoa jurídica, nem na pessoa física; Ora, o cheque nem sequer transitou pelas contas da pessoa jurídica e, além de não ter apresentado nenhum livro contábil, encontravase inativa. E o mais relevante é que o contribuinte, apesar de haver recebido tamanha quantia, nada informou em sua declaração. Deve ser levado em conta que não é verossímil que tenha ocorrido apenas um lapso ou equívoco para justificar a falta de declaração destes rendimentos. Concatenando todos estes atos, percebese, claramente, que o contribuinte buscou interpor a ISPM no recebimento destes rendimentos para que seu nome restasse oculto e pudesse livremente omitilos em sua declaração.” Fl. 408DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 400 19 Entendo equivocada a análise por parte da DRJ e da autoridade autuante ao desconsiderar os documentos e o acordo judicial homologado entendendo que o real beneficiário do valor sempre foi o contribuinte, explico. Verificase da ação judicial promovida pelo contribuinte e que foi favorável ao mesmo, que tinha o título judicial tendo sido condenada a CocaCola a pagarlhe a título de indenização um valor expressivo constante dos autos. Veja às fls. 97 mandado de execução de 2001 contendo um valor de R$ 27.027.555,54. O contribuinte cedeu em 11/08/2003 (fls. 118/120) seus direitos de forma gratuita à empresa ISPM, cujos sócios, na época eram sua esposa e mãe. Veja que a empresa ISPM (de acordo com prova nos autos) entrou no processo substituindo o contribuinte com base no termo de cessão de direitos e em petição (fls. 121/123) conjunta com a CocaCola pediram a homologação de acordo em Juízo para o recebimento do valor de R$ 19.984.000,00 que foi homologado pela Justiça às fls. 124 em 27/11/03. Não vejo que houve tentativa de fraude ou dolo por parte do contribuinte, na medida em que caso fosse o contribuinte que recebesse tais rendimentos diretamente na ação, provavelmente fossem considerados isentos ou não tributados na medida em que decorre de uma indenização concedida pela Justiça, sendo que os motivos que levaram o particular a efetuar tal procedimento, entendo que são irrelevantes, na medida em que houve a devida homologação judicial. O fato do cheque ter sido depositado diretamente na conta do contribuinte foi esclarecido às fls. 252/253 pela ISPM através de sua sócia esposa do contribuinte, que diz que a ideia organizada pelo então pai do contribuinte e advogado da causa, quando do recebimento da indenização fosse recebido através da empresa ISPM a fim de gerar novos negócios para a empresa e capitalizála, contudo não houve tal acerto em decorrência do falecimento do pai do contribuinte dias antes do recebimento da indenização (certidão de óbito às fls. 254). Com o falecimento do advogado e pai do contribuinte, assevera a sócia da ISPM que houve o depósito do cheque através de endosso direto na conta do contribuinte. A meu ver o fato de ter ocorrido a cessão gratuita entre o direito do contribuinte e a ISPM tira do valor recebido a sua natureza indenizatória, pois tal valor passou a ser patrimônio da ISPM a partir do momento em que houve a homologação judicial e cujo cheque estava nominal à empresa (fls. 217) sendo receita da pessoa jurídica. Fl. 409DF CARF MF 20 O fato de não ter sido depositado na conta da ISPM pouco importa pois se trata de receita da mesma (que não fora tributada) mas que fora transferida a qualquer outro título para o patrimônio do contribuinte que efetuou o depósito em sua conta e omitiu tais rendimentos de sua declaração. A meu ver o fundamento da autuação, por esse motivos acima, são equivocados, pois não se trata de omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, sem vínculo de emprego. A fiscalização desconsiderou uma sentença judicial (homologação do acordo) e não fundamenta de forma clara e precisa a causa, apenas alega que quem seria o real beneficiário do rendimento proveniente da ação judicial seria o contribuinte, por isso do lançamento indicando omissão de rendimento de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (o contribuinte recebendo da CocaCola, entendo que a ISPM era interposta pessoa fraudulenta). Contudo, repito, tais valores provavelmente seriam isentos ou não tributados devido ao fato de ter natureza indenizatória conforme leitura da sentença e acórdão (fls. 98/117), mas a fiscalização sequer chegou nesses detalhes. De todo modo, entendo pela higidez dos acordos entabulados entre as partes tanto contribuinte e ISPM (cessão gratuita do crédito) e ISPM e CocaCola (acordo judicial homologado), pois a ISPM teve que se utilizar de tal documento para substituir processualmente o contribuinte na ação judicial e até mesmo a CocaCola não iria se arriscar e fechar um acordo com parte ilegítima sem qualquer segurança jurídica, em valores de tal monta, conforme adágio jurídico: “quem paga mal paga duas vezes”. Apenas não considero que tais rendimentos são de natureza indenizatória na medida do que já exposto acima e portanto, no caso entendo ser nulo o lançamento por erro na fundamentação, pois não se trata de crédito tributário por omissão de rendimento oriundo do trabalho, sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica e sim mera omissão de rendimento, posto que houve o endosso do cheque ao contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO anulando o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Fl. 410DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 401 21 Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 411DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.001385/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 04/07/2006 a 28/07/2006
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE.
Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003, aos embarques, cujo atraso nas informações é superior a 7 (sete) dias.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 04/07/2006 a 28/07/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010. CABIMENTO.
Embora comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, aplica-se a retroatividade benigna com base na alínea b do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte para os embarques cujas informações foram efetuadas em até 7 (sete) dias da data do embarque.
Numero da decisão: 3302-004.308
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar retroativamente o prazo definido na IN RFB nº 1.096/2010, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa, que negavam provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente AEROLINEAS ARGENTINAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/07/2006 a 28/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003, aos embarques, cujo atraso nas informações é superior a 7 (sete) dias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/07/2006 a 28/07/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010. CABIMENTO. Embora comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, aplicase a retroatividade benigna com base na alínea “b” do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte para os embarques cujas informações foram efetuadas em até 7 (sete) dias da data do embarque. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 85 /2 01 0- 18 Fl. 252DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar retroativamente o prazo definido na IN RFB nº 1.096/2010, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa, que negavam provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3801005.018, de fls.191/207, conforme a seguir transcrito: Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 105.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. previr t i ) artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente.(sic). De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em julho de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00092/10” (fl. 09), descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo Io da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 15 a 31 alegando, em síntese, que: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10715.001385/201018 Acórdão n.º 3302004.308 S3C3T2 Fl. 253 3 a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/72, eis que cerceia o direito de defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2a da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2o do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; I o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os. dados de embarque das mercadorias no Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04. que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações Fl. 254DF CARF MF 4 realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; até o ano de 2008 o Siscomex Exportação registrava às averbações tempestivamente realizadas com novas, logo, em caso de qualquer divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas tinham que excluir a informação equivocada para posteriormente incluir a correta, porém, para fins de contagem de prazo, o Siscomex levava em consideração a data da inserção da informação correta; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; são freqüentes, tal qual nos anos anteriores, a indisponibilidade temporária do sistema Siscomex Exportação, uma vez que apresenta diversas falhas que impedem seu acesso, impossibilitando que as empresas transportadoras e demais intervenientes insiram os dados de embarque das mercadorias transportadas no prazo estipulado pela norma de regência, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade; a inobservância dos prazos regulamentares tão somente acarretaria embaraço à fiscalização se prejudicasse negativamente a capacidade de o fisco arrecadar tributos, o que não é o caso, pois referida intempestividade não traz qualquer prejuízo à atividade fiscalizadora, sendo irrelevante para o direito tributário a conduta infracional supostamente praticada. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/07/2006, 12/07/2006, 18/07/2006, 24/07/2006, 31/07/2006 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/07/2006, 12/07/2006, 18/07/2006, 24/07/2006, 31/07/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10715.001385/201018 Acórdão n.º 3302004.308 S3C3T2 Fl. 254 5 autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; evidenciada a ausência de qualquer violação às disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de infração. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03. a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Datado fato gerador: 07/07/2006, 12/07/2006, 18/07/2006, 24/07/2006, 31/07/2006 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA.PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096, de 2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de Fl. 256DF CARF MF 6 mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional, alegando ainda que a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37, de 1966, possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. Através do Acórdão nº 3801005.018 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.749, de 26/04/2016, fls.234/242, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/07/2006 a 31/07/2006 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/07/2006 a 31/07/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10715.001385/201018 Acórdão n.º 3302004.308 S3C3T2 Fl. 255 7 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Excertos do voto: Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Fl. 258DF CARF MF 8 Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." A empresa teve ciência do julgado em 23/06/2016, através do Termo de Ciência por abertura de mensagem, conforme despacho, fl. 249. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da multa pela extemporaneidade dos dados de embarque Conforme relatado o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fls. 10/11. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 1inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) 1 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10715.001385/201018 Acórdão n.º 3302004.308 S3C3T2 Fl. 256 9 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal [artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003] uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Em cumprimento à determinação referida na alínea "e" do art. 107 transcrito a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou o seguinte ato: IN SRF nº 510, 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." (NR)(grifei). Pela planilha de fls.10/11, constatase que os dados dos embarques compreendem o período de 04/07/2006 a 28/07/2006, portanto, à época estava em vigor IN SRF nº 510, 14/02/2005, DOU de 15/02/2005. Não tratando o caso dos autos da excepcionalidade do § 2º acima transcrito, visto que adstrito ao modal marítimo, constatase das planilhas citadas, que as informações foram efetivamente extemporâneas ao prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque, situação que configura a infração tipificada no artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003 acima reproduzido. Fl. 260DF CARF MF 10 Ocorre que no curso processual, foi editada a IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte. "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana)." (NR) Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no 2art. 106 a possibilidade de aplicação retroativa da lei tributária a fatos pendentes nas hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Nesse sentido dispõe o artigo 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10715.001385/201018 Acórdão n.º 3302004.308 S3C3T2 Fl. 257 11 (...) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (...) Embora os embarques tenham excedido a 2(dois) dias, segundo IN SRF nº 510, 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, vigente à época dos referidos embarques, no curso processual foi editada a IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, assim estando referido ato normativo autorizado pela lei para disciplinar o prazo ora debatido, aplicase ao caso em exame, exceto para os embarques a seguir indicados, conforme planilha fls.10/11, cujas informações excederam a 7 (sete) dias da data do embarque: Desse modo mantémse a exigência formalizada aos citados embarques, cujo prazo excedeu a 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. Ante o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir a exigência relativa à multa lançada, cujos embarques ocorreram até 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004396/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
IRPJ E CSLL. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DO ACÓRDÃO SOBRE A CSLL.
Verificado que houve o acolhimento das razões da Recorrente, no exame de mérito relativo ao IRPJ e à CSLL, é devida a complementação da parte dispositiva do Voto do Recurso de Ofício para constar, além do IRPJ, a CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão suscitada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BOIFRAN ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 IRPJ E CSLL. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DO ACÓRDÃO SOBRE A CSLL. Verificado que houve o acolhimento das razões da Recorrente, no exame de mérito relativo ao IRPJ e à CSLL, é devida a complementação da parte dispositiva do Voto do Recurso de Ofício para constar, além do IRPJ, a CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão suscitada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 96 /2 00 7- 77 Fl. 2601DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela PFN face ao acórdão nº 1102000.796, de 11/09/2012 da extinta 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. Os embargos indicam que há omissão no acórdão, relativamente ao lançamento de CSLL, também objeto do recurso de ofício. A Procuradoria ressalta que não obstante a ratificação do entendimento da DRJ, quanto à exoneração de parte da exigência, o acórdão referente ao recurso de ofício não haveria se pronunciado sobre o lançamento de CSLL. Diante dessa demonstração, nos termos do referido despacho de admissibilidade, a situação de omissão estaria objetivamente indicada e o recurso de ofício implicaria a devolução das matérias atinentes ao IRPJ e CSLL, sendo que a turma teria se pronunciado apenas sobre o IRPJ. É o relatório Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Admitidos os embargos de declaração, passase à análise da referida omissão, em relação à CSLL. Verificase que realmente houve omissão, quanto ao lançamento de CSLL. O acórdão referente ao recurso de ofício assim concluiu: Comprovados os custos e despesas por adequados documentos fiscais, não há que se falar em glosa para fins de apuração da base do IRPJ. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso de ofício interposto para, no mérito, negarlhe provimento. De outro modo, no entanto, a DRJ analisou as questões que envolvia a CSLL, termos específicos a seguir, de tal forma que as respectivas exonerações também foram objeto do recurso de ofício: Ementa LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Relatório 5. Em decorrência, foi também lavrado o auto de infração relativo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 228 a 233). Enquadramento legal: artigos 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 15/12/1988, 19 da Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 19515.004396/200777 Acórdão n.º 1302002.119 S1C3T2 Fl. 3 3 Lei n° 9.249, de 26/12/1995, 1° da Lei n° 9.316, de 22/11/1996, 28 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 29/06/1999 e reedições. 6. Da ação fiscal em referência resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, já incluída a multa de lançamento de oficio, de 75,00%, bem como os juros de mora calculados até 30/11/2007: IRPJ R$ 13.567.172,06 CSLL R$ 4.905.905,46 Analisandose as questões expostas, verificase que, na realidade o voto do recurso de ofício transcreveu os trechos acima, relativos à CSLL. Na realidade, a Contribuição foi considerada no exame de mérito. Constatase, entretanto, que faltou incluir na referida parte final do voto, além do IRPJ, como constou, a CSLL. Assim sendo, voto no sentido de acolher os embargos de declaração da PFN para suprir a omissão do acórdão de recurso de ofício passe conter os seguintes termos: Em substituição aos termos a seguir: Comprovados os custos e despesas por adequados documentos fiscais, não há que se falar em glosa para fins de apuração da base do IRPJ. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso de ofício interposto para, no mérito, negarlhe provimento. O acórdão de recurso de ofício Comprovados os custos e despesas por adequados documentos fiscais, não há que se falar em glosa para fins de apuração da base do IRPJ e da CSLL. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso de ofício interposto para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 2603DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000849/2008-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007
ENQUADRAMENTO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL NO GRAU DE RISCO SAT/RAT.
A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante da empresa como um todo e a recorrente sustenta que seria por estabelecimento, de forma que aqueles cujas atividades principais sejam de grau leve ou médio não podem ser reenquadrados no grau de risco grave.
Aplicação da súmula 351 do STJ - A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
Corroborada pelo Parecer nº 2.120/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011
Numero da decisão: 9202-005.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 ENQUADRAMENTO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL NO GRAU DE RISCO SAT/RAT. A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante da empresa como um todo e a recorrente sustenta que seria por estabelecimento, de forma que aqueles cujas atividades principais sejam de grau leve ou médio não podem ser reenquadrados no grau de risco grave. Aplicação da súmula 351 do STJ - A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Corroborada pelo Parecer nº 2.120/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15586.000849/200882 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.207 – 2ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ARCELORMITTAL TUBARAO COMERCIAL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 ENQUADRAMENTO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL NO GRAU DE RISCO SAT/RAT. A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante da empresa como um todo e a recorrente sustenta que seria por estabelecimento, de forma que aqueles cujas atividades principais sejam de grau leve ou médio não podem ser reenquadrados no grau de risco grave. Aplicação da súmula 351 do STJ A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Corroborada pelo Parecer nº 2.120/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 49 /2 00 8- 82 Fl. 1334DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 230201.675, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase autuação decorrente do lançamento referente às despesas com a cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica para os dependentes dos segurados contratados pelo Contribuinte, bem como referente às despesas com a cobertura da assistência prestada no Sistema Integrado Médico Familiar para os dependentes; e referente às despesas com cobertura da assistência farmacêutica para os dependentes dos segurados. A autuação considerou as competências dezembro de 2001 a outubro de 2007, conforme relatório fiscal às fls. 119 a 123. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 281/300. Houve o comando de diligência fiscal, às fls. 462/463, com a correspondente prestação de informações pela Fiscalização, às fls. 467/471 e posterior manifestação do Contribuinte, às fls. 477/502. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu a decisão, às fls. 517/528, julgando parcialmente procedente o lançamento. Houve o reconhecimento da fluência parcial do prazo decadencial. Não concordando com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs recurso, às fls. 563/586, alegando em síntese que: a) seria ilegítima a parte autuada; b) a autuação teria ocorrido em uma empresa que não mais existia, além do CNPJ ser de uma empresa em São Paulo; c) deveriam ser excluídos os corresponsáveis; d) não haveria o crime de sonegação; e) deveria ser observado o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN; f) a alíquota SAT deveria ser aplicada por estabelecimento; g) a verba teria sido paga de modo não habitual; h) o dispositivo legal deveria ser interpretado de maneira extensiva aos dependentes; i) os valores pagos não se encaixariam no conceito de salário; e j) deveria ser observado o Parecer n 107 de 1992. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 15586.000849/200882 Acórdão n.º 9202005.207 CSRFT2 Fl. 10 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 670/726, pugnando pela manutenção da decisão de primeira instância. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 728/743, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de corresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Não se pode esquecer que o domicílio tributário é interpretado sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2º do CTN. A fiscalização foi feita no estabelecimento centralizador à época do início da ação fiscal, todos os documentos foram pedidos nesse estabelecimento, conforme TIAD, a empresa apresentou documentação e atendeu a fiscalização nesse estabelecimento. Uma vez que o Fl. 1336DF CARF MF 4 domicílio é interpretado no interesse do Fisco, iniciada a ação fiscal, a alteração do domicílio fica a juízo da autoridade fiscal aceitar ou não, para que não haja prejuízo à arrecadação e fiscalização tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Às fls. 752/782 e 877/908, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos para analise, em relação a três temas: primeiramente, incorreta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, sob a alegação de que a Fiscalização valeuse do argumento de que, à época da lavratura do auto, desconhecia as alterações societárias ocorridas na CST, pois as alterações já eram de conhecimento da RFB época dos fatos, e que a incorreta identificação do sujeito passivo, sendo este um elemento indispensável para caracterização da obrigação tributária, nos termos do art. 142 do CTN, é causa de nulidade da autuação por vício material, e que nesse sentido já teria decidido o CARF em inúmeros julgados e no acórdão que colaciona como paradigma; aplicação do art. 150, § 4° do CTN por haver recolhimento do tributo, só que inferior ao que o Fisco, conforme entendimento do acordão paradigma, em contrapartida ao entendimento adotado pelo acordão recorrido, que entendeu ser devido, sob a aplicação do art. 173, I, do CTN. Arguiu o Recorrente que o art. 173, I, do CTN só poderia ser adotado se, para o período de apuração em tela, o contribuinte não tivesse feito nenhum recolhimento, ou as parcelas discutidas nos autos fossem outras; enquadramento do SAT conforme o grau de risco existente em cada empresa, individualizado pelo seu CNPJ, nos termos da Súmula 351 do STF, em divergência ao acórdão recorrido, o qual definiu que o grau de risco é definido para a empresa como um todo. Às fls. 1045/1051, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, negando seguimento às primeira e segunda divergências arguidas por não vislumbrar a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas; e dando seguimento em relação à terceira divergência alegada, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. Às fls. 1053/1054, em sede de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve o Despacho que deu seguimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte. Às fls. 1325/1332, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, arguindo que o grau de risco é definido para a empresa como um todo, e não por estabelecimento. Após, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 15586.000849/200882 Acórdão n.º 9202005.207 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase autuação decorrente do lançamento referente às despesas com a cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica para os dependentes dos segurados contratados pelo Contribuinte, bem como referente às despesas com a cobertura da assistência prestada no Sistema Integrado Médico Familiar para os dependentes; e referente às despesas com cobertura da assistência farmacêutica para os dependentes dos segurados. A autuação considerou as competências dezembro de 2001 a outubro de 2007, conforme relatório fiscal às fls. 119 a 123. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante ao enquadramento do SAT conforme o grau de risco existente em cada empresa, individualizado pelo seu CNPJ, nos termos da Súmula 351 do STF, em divergência ao acórdão recorrido, o qual definiu que o grau de risco é definido para a empresa como um todo. Atualmente esta questão encontra guarida em diversas fontes do Direito, tais como, Súmula STJ, Acórdãos CARF, e Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, as quais transcrevo a título informativo: 1. Sumula 351 do STJ 2. Parecer da PGFN N. 2120/2011 3. Acórdão 240202.841 da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Relatoria do Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes: Fl. 1338DF CARF MF 6 Atividade econômica preponderante Discutese no processo o dissenso sobre o enquadramento de estabelecimentos da empresa nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho. A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante da empresa como um todo e a recorrente sustenta que seria por estabelecimento, de forma que aqueles cujas atividades principais sejam de grau leve ou médio não podem ser reenquadrados no grau de risco grave. Sobre esse matéria, após o Parecer nº 2.120/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011, que acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: (...) Assim, voto pelo provimento ao recurso voluntário reconhecendo a aplicação ao caso em exame da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Deste modo, não resta dúvida que assiste razão ao Contribuinte, em cujas alegações escreveu: Verifico a necessidade desta Corte Superior pacificar a questão, seguindo assim a Súmula do STJ e o Parecer da PGFN que por meio de posterior ato declaratório, foi reconhecido e assinado pelo Ministro da Fazenda. Registro, contudo, que a decisão deste acórdão não aproveita o Recorrente, pois compulsando os autos observo que não se trata de vários estabelecimentos, mas apenas de um. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 15586.000849/200882 Acórdão n.º 9202005.207 CSRFT2 Fl. 12 7 A maioria deste colegiado vota pelas conclusões por entender que a matéria em discussão e não aproveita ao recorrente, motivo pelo qual seria despicienda as argumentações do Contribuinte, pois no presente caso, como muito bem ressaltado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, o lançamento em si reportase a apenas um estabelecimento, ao contrário de outras situações onde eram lançados diversos estabelecimentos em uma mesma autuação. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Peço licença a ilustre conselheira relatora, para esclarecer os motivos pelos quais a acompanhei com relação a não acolhimento da pretensão do recorrente de ter o SAT calculado por estabelecimento. Na verdade, já me manifestei em diversas outras ocasiões acolhendo referida pretensão, contudo, entendo que no caso concreto não é possível aplicar essa tese. Primeiro, vejamos, o caso concreto. Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias sobre modalidades de salários indiretos para o estabelecimento 27.251.974/000102, conforme consta do relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito, fls. 04. Dessa forma, o lançamento em si reportase a apenas um estabelecimento, ao contrário de outras situações onde eram lançados diversos estabelecimentos em uma mesma autuação. O fato de que foi acatado a súmula 351 do STJ em outro processo da mesma empresa, não vincula a que no presente processo se adote o mesmo entendimento. Isto porque, tem que restar demonstrado nos autos que no presente processo se adotou a alíquota do SAT maior em função da atividade preponderante de outros estabelecimentos da empresa, o que não resta demonstrado. Vejamos trecho do relatório fiscal que explica a alíquota: Com relação à alíquota GILRAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, c/c o art. 202, I e §3°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Fl. 1340DF CARF MF 8 Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, cumpre esclarecer que, em relação aos lançamentos constantes nos levantamentos "MHO", "SIM" e "FAR", aplicouse a alíquota de 3% (três por cento), em razão do enquadramento da empresa no código CNAE 27.227 / Produção de ferro, aço e ferrosliga em formas primárias e semiacabados, no período de 12/2001 a 05/2007, sendo que este grupo compreende a produção de laminados, planos ou longos, em açoscarbono e aços especiais, usando processos eletrometalúrgicos ou outras técnicas metalúrgicos, em unidades produtivas integradas, semiintegradas ou não integradas, e no CNAEFISCAL 24.22901 / Produção de laminados planos de aço ao carbono, revestidos ou não, no período de 06/2007 a 10/2007, conforme Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048 de 06/05/1999 e alterado pelo Decreto n.° 6.042, de 12/02/2007. Dessa forma, apenas se restasse demonstrado que a alíquota de 3% fora originada em função do enquadramento pela atividade preponderante, ou ainda, ficasse efetivamente demonstrado pelo recorrente que o estabelecimento lançado no presente processo teria uma atividade diversa daquela apontada pela autoridade fiscal, é que poderíamos acolher a pretensão de aplicação da referida súmula. Dessa forma, correto o entendimento que Negou provimento ao recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910816/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/02/2002
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.841
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/02/2002 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.910816/200951 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.841 – 3ª Turma Sessão de 23 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/02/2002 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 16 /2 00 9- 51 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.910816/200951 Acórdão n.º 9303004.841 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.134, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/02/2002 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/02/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11065.910816/200951 Acórdão n.º 9303004.841 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.910816/200951 Acórdão n.º 9303004.841 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11065.910816/200951 Acórdão n.º 9303004.841 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901752/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/01/2009
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.468
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/01/2009 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 17 52 /2 01 4- 15 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.901752/201415 Acórdão n.º 3302004.468 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14055.551. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.901752/201415 Acórdão n.º 3302004.468 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.901752/201415 Acórdão n.º 3302004.468 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903392/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 33 92 /2 00 8- 31 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13896.903392/200831 Acórdão n.º 1402002.564 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13896.903392/200831 Acórdão n.º 1402002.564 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13896.903392/200831 Acórdão n.º 1402002.564 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13896.903392/200831 Acórdão n.º 1402002.564 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13896.903392/200831 Acórdão n.º 1402002.564 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720027/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento até que sejam apreciados no CARF os processos 19515.001128/2008-84 e 19515.001129/2008-29.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Relatório
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento até que sejam apreciados no CARF os processos 19515.001128/200884 e 19515.001129/2008 29. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 02 7/ 20 12 -4 9 Fl. 4817DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.818 2 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1648.124, julgado pela 2ª Turma da DRJ/SP, na sessão de 27 junho de 2013. Tratase de impugnação de fls. 4082/4121 aos autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados contra o contribuinte acima identificado em razão de ter o contribuinte utilizado Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL inexistentes. O auto de infração monta a R$ 141.126.977,24, aí incluídos principal, juros de mora calculados até a data da autuação e multa de ofício de 75%. O enquadramento legal encontrase arrolado nos respectivos autos de infração. O auto de infração assim descreve a ação fiscal: D1) Intimação ITEM 04 Explicar o por quê da falta de atualização dos valores de Prejuízos Fiscais e de Bases de Cálculo Negativas da CSLL constantes da Parte B do LALUR e do Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL após as autuações de IRPJ e CSLL sofridas pelo contribuinte a partir do ano calendário 1998; ITEM 05 Explicar o por quê da utilização de Prejuízos Fiscais e de Bases de Cálculo Negativas da CSLL inexistentes, uma vez que esses valores foram reduzidos em função das diversas autuações de IRPJ e CSLL sofridas pela fiscalizada a partir do ano calendário de 1998. D2) Resposta e documentos apresentados A fiscalizada informou, em 17/02/2012, resumidamente, que não atualizou o saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa da CSLL em função das autuações sofridas porque os processos formalizados ‘ainda aguardam decisão das Delegacias de Julgamento sobre as Impugnações apresentadas, razão pela qual não foram proferidas decisões administrativas definitivas que ensejariam a alteração do Lucro Líquido do Exercício e/ou Lucro Real e/ou a Base de Cálculo da CSLL’. A fiscalizada, nessa afirmação, referiuse apenas aos processos administrativos sob n° 13808.000670/2002¬52, (ii) 19515.001128/200884, (iii) 19515.001129/200829 e (iv) 19515.004188/200778, todavia, essa tese defendida pela mesma vale para os demais processos que aguardam decisão definitiva. 4. DA COMPENSAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL RESPECTIVAMENTE COM PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INEXISTENTES Dentro os sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil, temos o Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL SAPLI, o qual, como o próprio nome sugere, acompanha e controla o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa do contribuinte. Esse sistema é alimentado por diversas informações, algumas vindas do contribuinte e outras vindas do Fisco, tais como: informações Fl. 4818DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.819 3 das DIPJ, dos autos de infração e das decisões administrativas de instâncias julgadoras (DRJ/CARF). Foi constatado em nossos sistemas informatizados e posteriormente por esta fiscalização, como veremos a seguir, que a fiscalizada tem se aproveitado de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa inexistentes, os quais deveriam ter sido baixados da Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e do Livro de Registro de Apuração da CSLL. Analisando os Livros de Apuração do Lucro Real LALUR dos anoscalendário 1997 a 2010, os Livros de Registro de Apuração da CSLL de 2006 a 2010 e as DIPJ da fiscalizada, constatamos os seguintes erros e irregularidades cometidas pela fiscalizada: a) não realização da baixa do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa em função do percentual remanescente do Patrimônio Líquido decorrente da cisão parcial ocorrida em 30/07/2000 (database 30/06/2000) informado na Linha 15 da Ficha 28A da DIPJ 2000, anocalendário 2000, que foi de 0,00%; b) não realização da retificação do valor do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa em função dos autos de infração lavrados contra o contribuinte e das respectivas decisões administrativas definitivas exaradas pelas instâncias julgadoras (DRJ/CARF); Em relação à alínea "a" acima, a fiscalizada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 02 a apresentar cópia dos atos societários que registraram a cisão parcial ocorrida em 30/07/2000 (database 30/06/2000). Em 10/02/2012, a fiscalizada apresentou a Ata da Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 30 de julho de 2000, o Protocolo das Condições da Cisão Parcial da Spal Indústria Brasileira de Bebidas S/A e Incorporação por Dixer Distribuidora de Bebidas S/A e o Laudo de Avaliação, nos quais foi aprovada e demonstrada que a cisão parcial foi efetuada pelo valor de R$ 26.378.986,00 (vinte e seis milhões, trezentos e setenta e oito mil, novecentos e oitenta e seis reais) referente a 90% do investimento na KSP Participações S/A (68.417.955/000182) representado por 43.671.146 (quarenta e três milhões, seiscentos e setenta e um mil, cento e quarenta e seis) ações nominativas, participação essa que foi vertida para a companhia Dixer Distribuidora de Bebidas S/A (43.821.594/000104), e referente a parte do saldo de contas a pagar (mútuo) para a Dixer Distribuidora de Bebidas S/A. Foi apresentado também o lançamento contábil dessa transação no respectivo Livro Diário. Verificase então que o valor do percentual cindido de seu Patrimônio Líquido foi de 0,00% e como contrapartida o percentual remanescente do Patrimônio Líquido foi de 100%, uma vez que não houve qualquer alteração do Patrimônio Líquido. Todavia, o nosso Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL SAPLI "zerou", em 30/06/2000, todo o saldo acumulado de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL em função da informação errônea da fiscalizada (informou 0,00% a título de percentual remanescente do Patrimônio Líquido após a ocorrência da cisão parcial) e do que prescreve a legislação do Imposto de Renda ‘in verbis’:... Portanto, detectado o erro da informação apresentada pela fiscalizada na DIPJ 2000, anocalendário 2000, conforme demonstrado nas planilhas em anexo denominadas Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.820 4 ‘PREJUÍZO FISCAL PARTE B DO LALUR’ e ‘BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL PARTE B DO LALUR’, mantivese, em 30/06/2000, o saldo acumulado de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL. Em relação à alínea "b" acima, a fiscalizada sofreu diversas autuações por parte do Fisco que resultaram na redução do saldo de Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa, reduções essas provenientes ou da redução/eliminação do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL do exercício fiscalizado, ou ainda da compensação de ofício de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores. Essas autuações forma formalizadas nos processos administrativos sob n° 19515.000943/200231, 19515.002136/200503, 19515.003658/200514, 19515.004188/200778, 19515.002612/200821, cujas influências de cada um deles no saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa estão expostas a seguir: processo administrativo n° 19515.000943/200231: O processo localizase na PFN, já tendo passado pela DRJ e pelo CARF (decisão administrativa definitiva). Em função das decisões administrativas da 1ª a e 2ª instâncias julgadoras, no anocalendário 1998, o Lucro Real antes da compensação foi alterado para R$ 29.639.563,70 (prejuízo) e a Base de Cálculo da CSLL antes da compensação foi alterada para R$ 38.377.038,08 (base de cálculo negativa); processo administrativo n° 19515.002136/200503: O processo localizase no CARF, Em função da fiscalização externa, no anocalendário 1999, o Lucro Real antes da compensação foi alterado para R$ 203.604.512,70, havendo uma compensação de ofício com Prejuízo Fiscal acumulado no valor de R$ 61.081.353,81. Já em relação à Base de Cálculo da CSLL antes da compensação, a mesma foi alterada para R$ 194.191.053,10. Em função da decisão administrativa da 1 ª a instância julgadora, o Lucro Real antes da compensação foi alterado para R$ 78.578.174,62 (prejuízo) e a Base de Cálculo da CSLL antes da compensação foi alterada para R$ 87.991.634,22 (base de cálculo negativa); processo administrativo n° 19515.003658/200514: O processo localizase no ARQUIVO (decisão administrativa definitiva). Em função da fiscalização externa, no ano calendário 2000, o Lucro Real antes da compensação foi alterado para R$ 10.851.672,3. Já em relação à Base de Cálculo da CSLL antes da compensação, a mesma foi alterada para R$ 9.169.592,44. Em função da decisão administrativa da 1ª instância julgadora, o Lucro Real antes da compensação foi alterado para R$ 10.698.533,66 e a Base de Cálculo da CSLL antes da compensação foi alterada para R$ 9.016.453,71; processo administrativo n° 19515.004188/200778: O processo encontrase na DRJ. Em função da fiscalização externa, o Lucro Real antes da Compensação do ano calendário 2002 foi alterado para R$ 2.736.385,09, havendo uma compensação de ofício com Prejuízo Fiscal acumulado no valor de R$ 820.915,53. Já em relação à Base de Cálculo da CSLL antes da compensação, a mesma foi alterada para R$ 15.638.985,73, havendo uma compensação de ofício com Base de Cálculo Negativa da CSLL acumulada no valor de R$ 4.691.695,71; processo administrativo n° 19515.002612/200821: O processo encontrasse na DERAT/SPO (proveniente da DRJ). Em função da fiscalização externa, no anocalendário 2003, o Lucro Real antes da compensação foi alterado para R$ 13.846.521,53, havendo uma compensação de ofício com Prejuízo Fiscal acumulado no valor de R$ 4.153.955,86. Já em relação à Base de Cálculo da CSLL antes da compensação, a mesma foi alterada para R$ Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.821 5 12.471.046,87, havendo uma compensação de ofício com Base de Cálculo Negativa da CSLL acumulada no valor de R$ 3.741.313,46. Em função da decisão administrativa da 1ª instância julgadora, o Lucro Real antes da compensação foi alterado para R$ 12.359.532,51, havendo uma compensação de ofício com Prejuízo Fiscal acumulado no valor de R$ 3.707.859,75. Já em relação à Base de Cálculo da CSLL antes da compensação, a mesma foi alterada para R$ 10.984.057,85, havendo uma compensação de ofício com Base de Cálculo Negativa da CSLL acumulada no valor de R$ 3.295.217,35. A fiscalizada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 02 a esclarecer o por quê da não atualização do saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa em função das autuações de IRPJ e CSLL sofridas pela mesma a partir do ano calendário 1998. Apesar da pergunta referirse a todas as autuações que reduziram ou extinguiram o saldo de Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa, a fiscalizada protocolou, em 17/02/2012, uma resposta ao referido termo referindose apenas aos processos administrativos sob n°: (i) 13808.000670/200252, (ii) 19515.001128/200884, (iii) 19515.001129/200829, (iv) 19515.004188/200778, na qual relata: Com relação a estes processos, cumpre esclarecer que estas autuações não deram motivo para alteração do Lucro Liquido do Exercício e/ou Lucro Real e/ou a Base de Cálculo da CSLL anteriormente contabilizados pela empresa fiscalizada. Isto porque, conforme print do COMPROT e cópias disponibilizadas a esta Fiscalização, os processos (ii), (iii) e (iv) ainda aguardam decisão das Delegacias de Julgamento sobre as Impugnações apresentadas, razão pela qual não foram proferidas decisões administrativas definitivas que ensejariam a alteração do Lucro Líquido do Exercício e/ou Lucro Real e/ou a Base de Cálculo da CSLL. (g.n.) No único processo já julgado definitivamente, qual seja, o processo (i), o débito foi extinto definitivamente pela decadência, motivo pelo qual não há razão para alteração do Lucro Líquido do Exercício e/ou Lucro Real e/ou a Base de Cálculo da CSLL. Por estes mesmos motivos não há que se falar em falta de atualização dos valores dos Prejuízos Fiscais e de Bases de Cá/cu/o Negativas da CSLL constantes na Parte B do LALUR e do Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL após a lavratura dos Autos de Infração referidos acima, uma vez que até o presente momento não foram proferidas decisões administrativas definitivas desfavoráveis à empresa fiscalizada. Ainda neste sentido, resta esclarecido o porque da utilização dos Prejuízos Fiscais e de Bases de Cálculo Negativas de CSLL, vez que nenhum acontecimento ocorrido nos referidos processos justificariam sua redução.’ Posto isso, vejamos a situação dos processos administrativos sob n° 19515.000943/200231, 19515.002136/200503, 19515.003658/200514, 19515.004188/200778, 19515.002612/200821 analisados acima por esta fiscalização, os quais geraram reflexos no saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa da CSLL. Os processos sob n° 19515.000943/200231 e 19515.003658/200514 já possuem decisões administrativas definitivas, não se sujeitando às considerações trazidas pela fiscalizada. Em relação aos processos administrativos sob n° 19515.002136/200503 e 19515.004188/200778, 19515.002612/200821, é bem verdade que em relação aos mesmos não foram proferidas decisões administrativas definitivas. Todavia, a alegação da fiscalizada de que Fl. 4821DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.822 6 decisões administrativas não definitivas não ensejariam a alteração do Lucro Líquido do Exercício e/ou Lucro Real e/ou a Base de Cálculo da CSLL está equivocada. Na esfera administrativa, os recursos têm efeito suspensivo, além do devolutivo. O efeito suspensivo adia os efeitos da decisão até a deliberação definitiva. Com isso, não pode ser o crédito tributário exigido, pois está suspenso desde a apresentação da impugnação (Código Tributário Nacional, art. 151, 111). Mas somente a decisão definitiva da qual não caiba recurso ou esse não tenha sido apresentado exonerará o contribuinte dos gravames da exigência formulada. Isso significa dizer que, enquanto não houver o julgamento definitivo desses processos, a fiscalizada não pode, em hipótese alguma, utilizarse do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa que foram reduzidos ou extintos em função dessas autuações. Caso contrário, até o julgamento final desses processos, poderia ocorrer a decadência do direito ao lançamento do tributo que deixou de ser constituído em função da redução do Lucro Real e da Base de Cálculo Negativa da CSLL de exercícios posteriores às autuações, tendo em vista a compensação indevida com Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa inexistentes. Portanto, conforme demonstrado nas planilhas em anexo denominadas "PREJUÍZO FISCAL PARTE B DO LALUR" e "BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL PARTE B DO LALUR", efetuamos os devidos ajustes no saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa da CSLL em função das referidas autuações e respectivas decisões administrativas definitivas das instâncias julgadoras. Portanto, conforme demonstrado nas planilhas em anexo denominadas ‘PREJUÍZO FISCAL PARTE B DO LALUR’ e ‘BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL PARTE B DO LALUR’, efetuamos os devidos ajustes no saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa da CSLL em função das referidas autuações e respectivas decisões administrativas definitivas das instâncias julgadoras. Como consequência da utilização de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa da CSLL inexistentes e conforme demonstrado nas planilhas "PREJUÍZO FISCAL PARTE B DO LALUR" e "BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL – PARTE B DO LALUR", foram lançados IRPJ e CSLL, cuja base de cálculo foi apresentada no quadro de fls.: 4071. Cientificado, em 22/03/2012, por via postal, conforme doc. de fls. 4208, o contribuinte apresentou, em 19/04/2008, a impugnação de fls. 4082/4118, insurgindose contra as exigências do IRPJ e da CSLL, respectivamente, pelas razões abaixo sintetizadas: PRELIMINARMENTE A nulidade do auto de infração em razão da decadência dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL. O prazo decadencial começaria a ser contado a partir do momento em que os saldos de prejuízo fiscal e base negativa teriam sido apurados e não o período em que foram compensados. Sustenta sua argumentação com jurisprudência do Conselho de Contribuintes, para concluir que o prazo de decadência contase na forma do art. 50, §4º, do CTN, a partir do momento da apuração do respectivo saldo a compensar, no caso anos calendário 1997 a 2002. A nulidade do auto de infração em razão de erro do quantum debeatur. A fiscalização teria se equivocado no cálculo da exigência fiscal, visto que no processo Fl. 4822DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.823 7 administrativo n°1 (19515.000943/200231) teria computado a glosa de valores (R$ 1.188.553,97) cuja dedutibilidade teria sido reconhecida em decisão do CARF. MÉRITO ARGUMENTO Nº1. O direito do contribuinte em compensar os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. As limitações impostas pela legislação tributária a esse direito seria única e exclusivamente aquelas dispostas nos arts. 509 a 515 do RIR/1999. A impugnante teria compensado seus saldos de prejuízo fiscal e bases negativas nos termos das regras e limites impostos pela legislação tributária, sendo assim não teria incorrido em nenhuma das hipóteses impeditivas de compensação prescritas pela legislação, inexistindo qualquer ilegalidade ou irregularidade no procedimento por ele adotado. A condição imposta pela fiscalização, no presente auto de infração, exigindo a conclusão dos processos administrativos em que a dedutibilidade de despesas é discutida para a efetiva utilização do prejuízo fiscal/base negativa, não encontraria fundamento em qualquer dispositivo legal. Conclui aduzindo que não teria incorrido em nenhuma das hipóteses impeditivas de compensação dos seus prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL determinadas pela legislação tributária e que as autoridades fiscais teriam tentado impor condição para a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL que não seriam previstas pela legislação de regência. ARGUMENTO Nº2. O crédito tributário só seria efetivamente constituído após o término da discussão administrativa e gozaria de presunção de liquidez e certeza até esse momento. Parte dos valores do processo administrativo nº 1 19515.000943/200231 estaria com a exigibilidade suspensa na esfera judicial, sendo assim a efetiva redução do saldo de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL estaria condicionada ao resultado final daquele processo. Deveria ser suspenso o andamento do presente processo administrativo, até o encerramento dos Processos Administrativos de n° 1 (19515.000943/200231), n° 2 (19515.002136/200503), n° 4 (19515.004188/200778) e n° 5 (19515.002612/200821). O presente lançamento, ainda que não expressamente reconhecido pela fiscalização, poderia ser considerado realizado para tão somente evitar a decadência, na medida em que o seu resultado estaria diretamente relacionado ao que for decidido nos demais processos administrativos acima citados, portanto a fiscalização teria deixado de observar que no caso deveria ter sido aplicada a regra do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, sendo inaplicável a multa de ofício. Após tecer suas teses de defesa, apresentou a seguinte conclusão e pedido: VI. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 4823DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.824 8 Preliminarmente, a Requerente tem como certa a nulidade do presente Auto de Infração pelos seguintes argumentos: (i) o prazo decadencial começa a ser contado a partir do momento em que os saldos de prejuízo fiscal e base negativa são formados, razão pela qual as compensações discutidas nesse Processo Administrativo se encontram fulminadas pela decadência, visto que tais valores foram gerados ao longo dos anoscalendários de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2002 ; e (ii) a determinação equivocada do ‘quantum debeatur’ acarreta a nulidade do auto de infração, posto que tal grandeza é a essência do lançamento de ofício. No presente caso, as Autoridades Fiscais computaram a glosa do valor de R$ 1.188.533,97, cuja dedutibilidade foi expressamente reconhecida pela decisão de segunda instância administrativa proferida pelo Conselho de Contribuintes no Processo Administrativo n°1 (19515.000943/20023). 108 109. Por outro lado, no que diz respeito ao mérito, restou comprovado que: (i) a Requerente não incorreu em nenhuma das hipóteses impeditivas de compensação dos seus prejuízos fiscais e bases negativas que são determinadas pela legislação tributária, de forma que o direito à compensação é legítimo; (ii) com a observância da legislação de regência e os procedimentos instituídos pelas Autoridades Fiscais para promover a compensação dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas, o crédito tributário de IRPJ e CSL dos anos de 2007 a 2010 foi efetivamente extinto pela compensação de prejuízos e bases negativas de CSL; (iii) enquanto não for encerrada a discussão travada nos Processos Administrativos mencionados nesta Impugnação, jamais se poderá considerar que os créditos tributários objeto desses processos administrativos estão definitivamente constituídos. Conseqüentemente, eventuais efeitos reflexos desse lançamento ainda não produzem efeitos; e (iv) também no que diz respeito ao Processo Administrativo n° 1 (que possui discussão pendente de análise judicial), também não se pode considerar que o crédito tributário encontra se constituído, vez que ainda será examinado judicialmente; (v) portanto, tendo sido legítimas as compensações realizadas pela Requerente, deve o presente Auto de Infração ser julgado integralmente improcedente. Caso o entendimento acima não seja acolhido, o que se admite apenas para fins de argumentação, ao menos deve ser suspenso o andamento do presente processo administrativo, até o encerramento dos Processos Administrativos de n°1 (19515.000943/200231), n°2 (19515.002136/200503), n°4 (19515004188/200778) e n°5 (19515.002612/200821). Isso porque a exigência formulada pela D. Fiscalização no presente Auto de Infração ora impugnado está diretamente relacionada ao resultado final dos Processos Administrativos mencionados. Requereu por fim que seja dado INTEGRAL PROVIMENTO à presente Impugnação e, pois: (i) cancelada a exigência de IRPJ e CSL consubstanciada no Auto de Infração em questão, para que o presente processo administrativo seja remetido ao arquivo, em conformidade com os fundamentos de fato e de direito expostos nesta defesa; ou (ii) suspenso o andamento do presente processo administrativo, até o encerramento dos Processos Administrativos de n°1 (19515.000943/200231), nº2 (19515.002136/200503), n°4 (19515.004188/200778) e n°5 (19515.002612/200821). Pois bem. Passo, agora, a complementar o presente relatório. Fl. 4824DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.825 9 O pedido da recorrente foi declarado improcedente e o crédito tributário foi mantido. Inconformada, a ora recorrente interpôs Recurso Voluntário sem inovar em seus argumentos ou pedidos. Vejase, abaixo, a ementa da decisão combatida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007, 2008, 2009, 2010 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. Não se submetem à decadência a verificação de prejuízo e bases de cálculo negativas informados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de utilização em compensação. PREJUÍZO. IRPJ. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. ALÉM DO SALDO EXISTENTE. Verificada utilização de prejuízo e de base de cálculo negativa de CSLL além do valor disponível, mantémse a autuação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal nem para o sobrestamento, nem para o julgamento conjunto de processos, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. Quanto ao restante do trâmite processual, registrase que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN, e que não há Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 4825DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.826 10 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator. No presente processo são cobrados débitos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, anocalendário de 2007, 2008, 2009 e 2010 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, anocalendário 2008, 2009 e 2010, em decorrência de recomposição do saldo de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL, respectivamente, para os anos de 1998, 1999, 2000, 2002 e 2003, que redundaram em falta de saldos para os períodos autuados e, consequentemente, autuação do contribuinte por utilização de saldo inexistente para compensação. Afirma o Fisco que os prejuízos fiscais e as bases negativas da Requerente não existiriam no montante por ela compensado, devido à sua utilização, feita de ofício pelas Autoridades Administrativas, para quitar parte dos débitos objeto dos Processos n°s 19515.000943/200231, 19515.002136/200503, 19515.003658/200514, 19515.004188/2007 78 e 19515.002612/200821, conforme se denota do Termo de Verificação Fiscal de fls. 4186 a 4206, notadamente na recomposição da Parte B do LALUR do contribuinte. Verificase que, por ocasião da recomposição do LALUR, a fiscalização considerou as decisões de primeira instância dos processos 19515.000943/200231 e 19515.003658/200514. Por ainda não terem decisão, foram desconsiderados pela fiscalização, para fins de recomposição da Parte B do LALUR os processos 19515.002136/200503, 19515.004188/200778 e 19515.002612/200821. O processo 19515.002136/200503 teve decisão parcialmente favorável da DRJ, mantida pelo CARF e o processo 19515.002612/200821, obteve decisão parcialmente favorável no CARF. Por fim, o processo 19515.004188/200778 não chegou a subir para o CARF, embora tenha decisão definitiva na esfera administrativa. Há, ainda, os processos administrativos 19515.001128/200884 e 19515.001129/200829, que estão no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com recurso de ofício e voluntário no primeiro e apenas de ofício no segundo, pendentes de julgamento. Todos os processos mais acima indicados já têm decisão definitiva no âmbito administrativo (19515.000943/200231, 19515.002136/200503, 19515.003658/200514, 19515.004188/200778 e 19515.002612/200821), o que não existia no momento da lavratura dos autos de infração, interferindo na apuração dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas levadas a efeitos pela fiscalização. Adicionalmente, os processos 19515.001128/200884 e 19515.001129/200829, ainda pendentes no CARF, já têm recursos de ofício em ambos, o que denota que há decisão ao menos parcialmente favorável ao contribuinte que também poderá interferir na apuração dos prejuízos fiscais e bases negativas controladas na Parte B do LALUR. Diante dos fatos narrados é imperiosa a reconstituição dos saldos de Prejuízos Fiscais de IRPJ e Base Negativa de CSLL para verificar se remanesce saldo a ser cobrado no Fl. 4826DF CARF MF Processo nº 16561.720027/201249 Resolução nº 1402000.431 S1C4T2 Fl. 4.827 11 presente processo, ou seja, se ainda há matéria objeto de julgamento, à vista das decisões definitivas atualmente existentes. No entanto, por ainda remanescerem pendentes de julgamento pelo CARF os processos 19515.001128/200884 e 19515.001129/200829, ambos com recurso de ofício, o que certamente interferirá na reconstituição dos saldos de Prejuízos Fiscais de IRPJ e Base Negativa de CSLL do contribuinte, pelo que proponho o sobrestamento do presente julgamento até que os dois processos administrativos em questão sejam julgados no âmbito das turmas ordinárias deste Conselho. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 4827DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902775/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.357
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 75 /2 01 1- 70 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902775/201170 Acórdão n.º 3301003.357 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.396. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902775/201170 Acórdão n.º 3301003.357 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902775/201170 Acórdão n.º 3301003.357 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902775/201170 Acórdão n.º 3301003.357 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902775/201170 Acórdão n.º 3301003.357 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 120DF CARF MF
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