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Numero do processo: 23034.000501/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2003
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO.
1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observando-se o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996.
4. Precedentes do CARF e do STJ.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.
3. Em não havendo comprovação de recolhimento parcial, ou não tendo sido alegado, pela autoridade lançadora, que o lançamento corresponderia a diferenças não recolhidas, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inc.I.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2003 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observando-se o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996. 4. Precedentes do CARF e do STJ. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Em não havendo comprovação de recolhimento parcial, ou não tendo sido alegado, pela autoridade lançadora, que o lançamento corresponderia a diferenças não recolhidas, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inc.I. Recurso Voluntário Negado.
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POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996. 4. Precedentes do CARF e do STJ. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Em não havendo comprovação de recolhimento parcial, ou não tendo sido alegado, pela autoridade lançadora, que o lançamento corresponderia a diferenças não recolhidas, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inc.I. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 05 01 /2 00 3- 55 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000501/200355 Acórdão n.º 2402005.441 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase da Notificação de Recolhimento de Débito nº 2003/0000867, lavrada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE em 06/05/2003, que constituiu crédito tributário relativo ao salárioeducação, no período de 01/01/1998 a 28/02/2003, no valor total de R$ 1.142.255,21 (fl. 35). A autoridade fiscal relatou que a recorrente impetrou Mandado de Segurança pleiteando a compensação do salárioeducação que havia sido recolhido indevidamente no período de 03/1989 a 12/1996. Houve a concessão de liminar, mas ela foi cassada na sentença que denegou a segurança. À época do lançamento, a ação estava aguardando julgamento da apelação. Após tomar ciência da autuação em 09/05/2003 (fl. 36), a recorrente apresentou defesa, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso. O Presidente do FNDE, em consonância com as razões expostas pela Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, indeferiu a defesa, mantendo o lançamento integralmente. A contribuinte foi intimada da decisão em 24 de novembro de 2003 (fl. 148) e interpôs recurso em 23 de dezembro de 2003 (fls. 149/157), alegando em síntese que: a) As considerações da autoridade administrativa acerca da constitucionalidade da contribuição são irrelevantes, pois essa questão seria matéria da ação ordinária, devendo, portanto, ser analisada na esfera judicial; b) O lançamento não poderia ter sido efetuado, vez que ela estava amparada por tutela antecipada concedida na referida ação; c) A autoridade administrativa não poderia ter efetuado o lançamento com imposição de multa de mora; d) As competências janeiro/1998 a abril/1998 estariam atingidas pela decadência. Diante do advento da Lei 11.457/2007, os autos foram transferidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), conforme informação de fl. 258. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente será conhecido.. 2 Lançamento preventivo de decadência Segundo a recorrente, o lançamento não poderia ter sido efetuado, vez que ela estava amparada por tutela antecipada concedida em ação ordinária. Contudo, este Colegiado tem o entendimento uníssono de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. Vejase: [...] LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. [...] Recurso Voluntário Provido. (Relator(a) RONALDO DE LIMA MACEDO, acórdão 2402 004.749, julgado em 09/12/2015) É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000501/200355 Acórdão n.º 2402005.441 S2C4T2 Fl. 4 5 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento. Veja se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). 3. Recurso especial desprovido. (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) A existência do lançamento efetuado para prevenir a decadência está prevista na Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, o recurso deve ser desprovido neste ponto. 3 Multa moratória No entender da recorrente, a autoridade administrativa não poderia ter efetuado o lançamento com imposição de multa de mora. Ocorre que, em memoriais apresentados por ocasião da sessão de julgamento, a recorrente informou ter ajuizado a ação anulatória nº 2004.51.01.0248009, para pleitear o cancelamento da referida multa. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000501/200355 Acórdão n.º 2402005.441 S2C4T2 Fl. 5 7 Sendo assim, deve ser integralmente aplicada a Súmula CARF nº 1, a qual é de observância obrigatória, ex vi do art. 72 do Regimento Interno desta Corte. Vejase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Logo, o recurso não deve ser conhecido neste ponto. 4 Decadência A recorrente alega que as competências janeiro/1998 a abril/1998 estariam atingidas pela decadência. Entretanto, o sujeito passivo não se dignou de comprovar a existência de recolhimentos parciais nas competências supra aludidas, o que inviabiliza a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Em não havendo comprovação de recolhimento parcial, ou não tendo sido alegado, pela autoridade lançadora, que o lançamento corresponderia a diferenças não recolhidas, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inc. I. Cumpre observar que o ônus probatório, nesse tocante, é da recorrente, conforme preleciona o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, bem como o § 4º do art. 16, segundo o qual a prova documental será apresentada na impugnação. Nesse contexto, como a recorrente foi autuada em 08/05/2003, e como a competência mais pretérita é janeiro/1998, não há decadência a ser declarada. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 316DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720015/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 26/01/2007 a 26/12/2007
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL DA SANÇÃO APLICADA. INEXISTÊNCIA.
Não há erro na capitulação legal quando diferentes normas imputam sanções para um mesmo fato com o objeto de tutelar diferentes bens jurídicos da vida. A exigência disposta no art. 14 da lei 11.033/04 tem por escopo preservar o erário público, enquanto que a regra estatuída pelo art. 76, inciso I, alínea "i" da lei n. 10.833/03 tem por objetivo preservar a moralidade jurídica, na medida em que evita abuso de direito em relação à regimes fiscais beneficiados, bem como em desfavor da Administração Pública, já que visa coibir embaraços para que a fiscalização exerça o controle para a concessão/manutenção de regimes fiscais especiais.
PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRECISÃO NA CAPITULAÇÃO DA SANÇÃO APLICADA. OFENSA À TIPICIDADE CERRADA E AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Capitulação sucinta não é sinônimo de capitulação imotivada, desde que seja promovida a adequada subsunção do fato ocorrido em concreto àquele prescrito em um antecedente normativo, o que fica confirmado quando se analisa a substanciosa defesa apresentada pelo contribuinte que, de forma certeira, discute exatamente o fato que lhe é imputado.
REPORTO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA UTILIZAÇÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL.
Sendo o beneficiário do regime um estabelecimento específico de uma empresa de instalação portuária de uso público, conforme estipulado em Ato Declaratório Executivo específico da RFB em cumprimento à lei de regência do REPORTO, fica o uso dos bens importados com benefícios restrito à área fisicamente por ele arrendada, nas referidas condições, bem como nas finalidades previstas no artigo 14 da Lei 11.033/2204. O uso de tais bens em áreas fora do âmbito já referido, configura descumprimento de requisitos e condições para utilização do regime aduaneiro especial, sujeitando o sujeito passivo às penalidades previstas no art. 76 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, além da exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação.
Numero da decisão: 3402-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
RELATOR DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Relator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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NULIDADE DA AUTUAÇÃO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL DA SANÇÃO APLICADA. INEXISTÊNCIA. Não há erro na capitulação legal quando diferentes normas imputam sanções para um mesmo fato com o objeto de tutelar diferentes bens jurídicos da vida. A exigência disposta no art. 14 da lei 11.033/04 tem por escopo preservar o erário público, enquanto que a regra estatuída pelo art. 76, inciso I, alínea "i" da lei n. 10.833/03 tem por objetivo preservar a moralidade jurídica, na medida em que evita abuso de direito em relação à regimes fiscais beneficiados, bem como em desfavor da Administração Pública, já que visa coibir embaraços para que a fiscalização exerça o controle para a concessão/manutenção de regimes fiscais especiais. PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRECISÃO NA CAPITULAÇÃO DA SANÇÃO APLICADA. OFENSA À TIPICIDADE CERRADA E AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. Capitulação sucinta não é sinônimo de capitulação imotivada, desde que seja promovida a adequada subsunção do fato ocorrido em concreto àquele prescrito em um antecedente normativo, o que fica confirmado quando se analisa a substanciosa defesa apresentada pelo contribuinte que, de forma certeira, discute exatamente o fato que lhe é imputado. REPORTO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA UTILIZAÇÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. Sendo o beneficiário do regime um estabelecimento específico de uma empresa de instalação portuária de uso público, conforme estipulado em Ato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 00 15 /2 01 2- 10 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 2 Declaratório Executivo específico da RFB em cumprimento à lei de regência do REPORTO, fica o uso dos bens importados com benefícios restrito à área fisicamente por ele arrendada, nas referidas condições, bem como nas finalidades previstas no artigo 14 da Lei 11.033/2204. O uso de tais bens em áreas fora do âmbito já referido, configura descumprimento de requisitos e condições para utilização do regime aduaneiro especial, sujeitando o sujeito passivo às penalidades previstas no art. 76 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, além da exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. RELATOR DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Relator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração que tem por objetivo a cobrança de crédito tributário referente a Imposto de Importação, PISImportação e COFINSImportação, devidamente acrescido dos consectários legais e que totaliza o importe de R$ 9.298.854,73 (nove milhões, duzentos e noventa e oito mil, oitocentos e cinquenta e quatro reais e setenta e três centavos). Segundo a acusação fiscal as exações em tela estariam suspensas no momento da importação em razão de regime tributário favorecido estabelecido pelo REPORTO (lei n. 11.033/04) e, ainda, que o descumprimento de um dos requisitos exigidos pelo citado regime especial fundamentaria a presente autuação. 2. Detalhando melhor os fatos, a Recorrente é beneficiada pelo REPORTO, conforme atesta o Ato Declaratório n. 09, de 15 de março de 2005 (fl. 175) e, assim qualificada, promoveu a importação de 14 guindastes autopropulsados sobre pneumáticos (DI's n.s 07/01175685, 07/01174670 e 07/01694143), bem como de 7 pórticos sobre pneus (DI n. 07/17957700). 3. Em cumprimento ao MPF n. 08178002011001830, a fiscalização promoveu diligência nos locais em que situados os bens importados e acima referidos, de modo a verificar se tais bens estavam sendo utilizados nos termos do que prevê o art. 14 da lei n. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11128.720015/201210 Acórdão n.º 3402003.198 S3C4T2 Fl. 350 3 11.033/041. Esta diligência está devidamente retratada no Termo de Constatação Fiscal de fls. 94/98 e, como consequência, redundou na presente autuação ao fundamento que: (i) "...das vinte e uma máquinas importadas diretamente pelo beneficiário do Reporto, no ano de 2007, apenas 7 estavam efetivamente sendo utilizadas exclusivamente em sua área na qualidade de arrendatário de instalação portuária de uso público, conforme determina o Ato Declatório e a Lei mencionados acima. As demais máquinas foram encontradas executando operações em áreas, cujo endereço e CNPJ são distintos do importador beneficiário do Regime suspensivo (Reporto), conforme podese observa detalhadamente no Termo de Constatação Fiscal, em anexo." (fl. 16). 4. Devidamente notificado, o contribuinte apresentou tempestiva Impugnação (fls. 107/122), oportunidade em que alegou o que sumariamente segue abaixo: (i) preliminarmente, protesta pela nulidade da autuação em razão do erro na capitulação da sanção imposta, haja vista o entendimento da Recorrente no sentido de que, havendo alguma sanção passível, a repressão adequada seria a pena de advertência prevista no art. 6o. da IN/RFB n. 879/082, c.c. o disposto no art. 76, inciso I, alínea "i" da lei n. 10.833/033; (ii) ainda preliminarmente, requer seja reconhecida a nulidade da autuação pela motivação genérica quanto à sanção imposta, uma vez que a fiscalização não teria promovido em concreto a adequada relação entre o fato fiscalizado e aquele previsto no antecedente normativo convocado como fundamento da autuação; (iii) no mérito, afirma ter cumprido todos os requisitos estabelecidos pela lei n. 11.033/04 e que a acusação fiscal implicaria indevida extensão de tais requisitos; e, por fim (iv) aduz que a finalidade perseguida pelo REPORTO (melhoria da infra estrutura portuária e prestação de serviços nesta seara) com a instituição do benefício fiscal 1 "Art. 14. Serão efetuadas com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e, quando for o caso, do Imposto de Importação II, as vendas e as importações de máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens, no mercado interno, quando adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto e destinados ao seu ativo imobilizado para utilização exclusiva na execução de serviços de: I carga, descarga, armazenagem e movimentação de mercadorias e produtos; II sistemas suplementares de apoio operacional; III proteção ambiental; IV sistemas de segurança e de monitoramento de fluxo de pessoas, mercadorias, produtos, veículos e embarcações; V dragagens; e VI treinamento e formação de trabalhadores, inclusive na implantação de Centros de Treinamento Profissional. (...)." 2 "Art. 6º Na hipótese de inobservância dos requisitos estabelecidos para habilitação ao regime, inclusive sua manutenção, aplicase o disposto no art. 76 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." 3 "Art. 76. Os intervenientes nas operações de comércio exterior ficam sujeitos às seguintes sanções: I advertência, na hipótese de: (...). i) descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; ou (...)." Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 4 aqui debatido (suspensão de impostos de importação) teria sido plenamente atingido sem que houvesse qualquer prejuízo ao erário público. 5. Devidamente processada, a Impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela DRJSP1 (acórdão n. 1.645.235), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 26/01/2007 a 26/12/2007 REPORTO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA UTILIZAÇÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. Sendo o beneficiário do regime um dos estabelecimentos de uma empresa que tenha sido contemplado por ele na qualidade de arrendatário de instalação portuária de uso público, fica o uso dos bens importados com benefícios restrito à área fisicamente por ele arrendada, nas referidas condições, bem como nas finalidades previstas no artigo 14 da Lei n. 11.033/2004. O uso de tais bens em áreas fora do âmbito já referido configura descumprimento de requisitos e condições para utilização do regime aduaneiro especial, sujeitando o sujeito passivo às penalidades previstas no art. 76 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, além da exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação, com os respectivos acréscimos legais (v. parágrafo 12 do mencionado artigo). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 6. Uma vez intimado da decisão alhures, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 279/295, oportunidade em que repisou os fundamentos expostos em sua Impugnação. 7. É o relatório. Voto Vencido Relator Diego Diniz Ribeiro 8. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminares (a) Da nulidade da autuação por erro na capitulação legal da sanção aplicada 9. Segundo o Recorrente a autuação seria nula, uma vez que os fatos aqui tratados não conflitam com o disposto no art. 14 da lei n. 11.033/04 e, por conseguinte, não poderiam redundar na exigência fiscal aqui tratada. Ainda segundo a Recorrente, eventual equívoco cometido se enquadraria na hipótese do art. 6o. da IN/RFB n. 879/08, c.c. o disposto no art. 76, inciso I, alínea "i" da lei n. 10.833/03. Penso, todavia, de forma diferente. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11128.720015/201210 Acórdão n.º 3402003.198 S3C4T2 Fl. 351 5 10. Tanto a norma utilizada como fundamento da autuação como aquelas invocadas pelo Recorrente se reportam a um mesmo fato: descumprir requisito para utilização de regime aduaneiro especial (REPORTO). Entretanto, essas diferentes normas visam tutelar bens jurídicos diversos. Enquanto a norma invocada como fundamento jurídico da autuação tem por escopo tutelar o erário público (nítida exigência de caráter fiscal), as regras indicadas pelo contribuinte têm por pretensão (i) preservar a moralidade jurídica, de modo a evitar que um regime especial seja objeto de abusos pelos seus beneficiados, bem como (ii) tutelar a Administração Pública, vez que visa coibir embaraços para que a fiscalização exerça o controle para a concessão/manutenção de regimes especiais. Tanto é assim que a norma da lei 10.833/03 apresenta um caráter geral, na medida em que trata de qualquer regime tributário especial, não se limitando, pois, ao REPORTO. 11. Neste sentido, visando tais normas a tutela de bens jurídicos diversos, é possível que um mesmo fato tido como infracional seja sancionado por diferentes formas, exatamente como ocorre no caso em tela. Não é por acaso, pois, que o §15 do art. 76 da lei 10.833/03 assim prevê: Art. 76 (...). § 15. As sanções previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. 12. Logo, não há que se falar em erro na capitulação da multa aplicada, razão pela qual afasto esta primeira pretensão do Recorrente. (b) Da nulidade da autuação pela motivação genérica quanto a sanção aplicada 13. Ainda preliminarmente, a Recorrente protesta pela nulidade da autuação ao fundamento de que a motivação convocada para sustentar a sanção imposta seria genérica, o que ofenderia a ideia de tipicidade cerrada e, por conseguinte, conflitaria com os princípio da ampla defesa e do contraditório. 14. Com a devida vênia, tais argumentos não merecem prosperar. É bem verdade que a descrição do fiscal no momento da autuação foi sucinta. Tal fato, entretanto, não é sinônimo de carência de motivação. Vejamos a literalidade da motivação fiscal: O art.14 da Lei n 11.033/2004 prevê: "(...) A Lei é clara ao mencionar que a suspensão de que trata o artigo é relativa aos bens importados diretamente pelos beneficiários do Reporto e destinados ao seu ativo imobilizado para utilização exclusiva em portos, ou seja, possui um caráter restritivo. No caso da fiscalização efetuada na Libra Terminais S/A, observamos que das vinte e uma máquinas importadas diretamente pelo beneficiário do Reporto, no ano de 2007, apenas 7 estavam efetivamente sendo utilizadas exclusivamente em sua área na qualidade de arrendatário de instalação portuária de uso público, conforme determina o Ato Declatório e Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 6 a Lei mencionados acima. As demais máquinas foram encontradas executando operações em áreas, cujo endereço e CNPJ são distintos do importador beneficiário do Regime suspensivo (Reporto), conforme podese observar detalhadamente no Termo de Constatação Fiscal, em anexo. Diante deste fato, prevê o § 11 e § 12 do art. 14 da Lei n 11.033/2004: § 11. Na hipótese de utilização do bem em finalidade diversa da que motivou a suspensão de que trata o caput deste artigo, a sua não incorporação ao ativo imobilizado ou a ausência da identificação citada no § 10 deste artigo, o beneficiário fica sujeito à multa de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor de aquisição do bem no mercado interno ou do respectivo valor aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 11.726, de 23 de junho de 2006) (Incluído pela Lei nº 11.726, de 23 de junho de 2006) § 12. A aplicação da multa prevista no § 11 deste artigo não prejudica a exigência dos tributos suspensos, de outras penalidades cabíveis, bem como dos acréscimos legais. (Incluído pela Lei nº 11.726, de 23 de junho de 2006) Sendo assim, lavrouse, então, o presente Auto de Infração, a fim de cobrar os tributos e multas devidos (II, Cofins e Pis), em 3 (três) vias de igual teor, que vão assinadas por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e pelo contribuinte/representante legal. (...). 15. A leitura do trecho acima deixa claro a motivação fiscal: a partir do momento que o art. 14 da lei n. 11.033/04 estabelece que o bem só pode ser importado pela beneficiária do REPORTO referida disposição legal também prevê, ainda que implicitamente, que tal bem só pode ser usufruído pela beneficiária do regime especial, sob pena, inclusive, de desvio de finalidade. 16. Convém destacar que não houve qualquer dificuldade para que a Recorrente chegasse a tal conclusão, o que se depreende da sua substanciosa defesa que, no mérito, atacou exatamente este fundamento. Tal fato demonstra que o Recorrente teve plena condição de se defender não apenas sob uma perspectiva formal, mas também de forma conteudística. 17. Nessa toada, também refuto as alegações do Recorrente quanto à pretensa nulidade do presente Auto de Infração neste tópico em particular. II. Mérito (a) Os requisitos do art. 14 da lei n. 11.033/04 em vista da exigência fiscal 18. Conforme se observa do relatório aqui desenvolvido, a presente autuação gravita em torno da figura do REPORTO. Referido programa implica a concessão de eventuais benefícios fiscais para operadores portuários com um intuito muito claro: aprimorar a sucateada estrutura dos portos nacionais e, reflexamente, dos serviços ali prestados. Consequentemente, visa aprimorar a operação logística afeta ao comércio exterior. É o que se observa da exposição de motivos da MPv n. 206/04, convertida na lei n. 11.033/04, in verbis: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11128.720015/201210 Acórdão n.º 3402003.198 S3C4T2 Fl. 352 7 (...). 13. A instituição do REPORTO, constantes dos arts. 12 a 15, destinase a criar condições para a melhoria da infraestrutura portuária brasileira, objetivando atribuir modernidade a setor fundamental para o crescimento do comércio exterior nacional, inclusive com reduções de custos operacionais para aqueles que atuam nesse comércio. (...). 19. Para atender tais desígnios o art. 14, caput, da lei citada prevê a concessão de certos benefícios fiscais que, na hipótese de importação de máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens pelo beneficiário do REPORTO, consistem na suspensão do Imposto de Importação e do PIS/COFINSimportação. 20. Para que tais benefícios fiscais sejam efetivados em concreto, é indispensável o preenchimento do seguintes requisitos: (i) habilitação no REPORTO; (ii) nas operações de importação, o bem importado não pode possuir similar nacional e o beneficiário do regime tem que comprovar a "quitação de tributos e contribuições federais e, no caso do IPI vinculado à importação e do Imposto de Importação, a formalização de termo de responsabilidade em relação ao crédito tributário suspenso"; (iii) a operação de importação deve ser feita diretamente pela beneficiária do REPORTO; (iv) os bens importados devem ser destinados ao ativo imobilizado do importador; e, por fim (v) os bens importados devem se destinar exclusivamente para a consecução dos serviços portuários descritos nos incisos do art. 14 da lei n. 11.033/04. 21. No presente caso não há dúvida quanto ao preenchimento dos requisitos estabelecidos nos itens "i", "ii", "iv" e "v" acima descritos. Conforme se observa dos documentos vinculados no processo, a Recorrente (i) é beneficiária do REPORTO (Ato Declaratório n. 09, de 15 de março de 2005 fl. 175); (ii) os bens importados não apresentam similar nacional, a empresa não possuía débitos tributários e houve a assinatura do correspondente termo de responsabilidade, o que se presume pelo fato de tais questões não terem sido apresentadas pelo fiscal como motivação para a presente autuação; (iv) os bens utilizados foram devidamente registrados no ativo imobilizado da Recorrente, conforme atestam documentos de fls. 203/206, bem como o termo de constatação fiscal (fls. 93/98); e (v) os bens importados se destinam a operação portuária, exatamente como apurado pela diligência perpetrada pelo fiscal autuante (fls. 93/98). 22. A suposta dúvida surge em relação ao item "iii" acima descrito, ou seja, diz respeito a necessidade de que a operação de importação seja feita diretamente pela beneficiária do REPORTO. E, neste particular, a dúvida não decorre da literalidade da exigência legal, até porque, neste sentido, as DI's fiscalizadas (fls. 176/202) atestam, de forma inequívoca, que a Recorrente é a pessoa jurídica apontada como a importadora de tais bens. O Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 8 problema deste requisito está na interpretação extensiva que é indevidamente atribuída pela fiscalização. 23. Antes, todavia, de seguir adiante, convém lembrar que o presente caso versa a respeito de um regime tributário que prevê como contrapartida benefícios fiscais, tais como suspensão, isenção e conversão de tributos em alíquota zero4. E, em hipóteses como essas, a interpretação a ser convocada é a literal, exatamente como prevê o disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional5. 24. Dito isso e voltandose novamente para o caso em concreto, é possível desde já perceber que a fiscalização realiza uma interpretação extensiva de um dos requisitos estabelecidos no art. 14 da lei n. 11.033/04, mais precisamente daquela exigência que estabelece que a operação de importação seja feita diretamente pela beneficiária do REPORTO. 25. Ao se analisar os motivos da autuação o fiscal afirma que os bens internados no país só poderiam ser utilizados pelo importador nos limites geográficos da área portuária que lhe fora arrendada. É o que se extrai do seguinte trecho da autuação fiscal: (...). No caso da fiscalização efetuada na Libra Terminais S/A, observamos que das vinte e uma máquinas importadas diretamente pelo beneficiário do Reporto, no ano de 2007, apenas 7 estavam efetivamente sendo utilizadas exclusivamente em sua área na qualidade de arrendatário de instalação portuária de uso público, conforme determina o Ato Declatório e a Lei mencionados acima. As demais máquinas foram encontradas executando operações em áreas, cujo endereço e CNPJ são distintos do importador beneficiário do Regime suspensivo (Reporto), conforme podese observar detalhadamente no Termo de Constatação Fiscal, em anexo. (fl. 08). 26. Analisando o referido excerto é possível concluir que a interpretação realizada pelo fiscal redunda na equivocada criação de mais um requisito para fruição dos benefícios fiscais instituídos pelo REPORTO que, por seu turno, não encontra guarida legal. 4 É o que prevê a lei n. 11.033/04: "Art. 14. Serão efetuadas com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e, quando for o caso, do Imposto de Importação II, as vendas e as importações de máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens, no mercado interno, quando adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto e destinados ao seu ativo imobilizado para utilização exclusiva na execução de serviços de: (...). § 1o A suspensão do Imposto de Importação e do IPI convertese em isenção após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da ocorrência do respectivo fato gerador. § 2o A suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS convertese em operação, inclusive de importação, sujeita a alíquota 0 (zero) após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da ocorrência do respectivo fato gerador. (...). 5 "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11128.720015/201210 Acórdão n.º 3402003.198 S3C4T2 Fl. 353 9 27. Aliás, ao se analisar os autos, é possível perceber que praticamente todas as máquinas fiscalizadas encontramse em área portuárias (Porto de Santos) operadas por empresas do grupo Libra, exatamente como atestam os documentos de fls. 207/252. Inclusive, em relação a empresa inscrita no CNPJ sob o n. 33.813.452/000575, onde foram encontrados dois dos guindastes importados, insta registrar que tratase de filial da Recorrente, importadora e beneficiária do REPORTO. A única exceção diz respeito às máquinas encontradas em área retroportuária terceirizada (Brasil Terminais), cujo espaço é utilizado pela Recorrente mediante remuneração à concessionária do terreno. 28. Não se trata, portanto, de abuso do regime especial instituído pelo REPORTO, i.e., não se está diante de um contribuinte que importou as mercadorias com benefícios legais de forma abusiva para depois revendêlas ou alugálas para terceiros que não gozam do REPORTO, o que, eventualmente, poderia suscitar a medida tomada pela fiscalização. E esta ilação se faz de forma hipotética e a título de obter dicta, haja vista que a legislação não impede a transmissão de mercadorias importadas nas condições do REPORTO, haja vista o que dispõe o art. 14, §§ 5o. e 6o. da lei 11.033/04, in verbis: Art. 14 (...). § 5o A transferência, a qualquer título, de propriedade dos bens adquiridos no mercado interno ou importados mediante aplicação do REPORTO, dentro do prazo fixado nos §§ 1o e 2o deste artigo, deverá ser precedida de autorização da Secretaria da Receita Federal e do recolhimento dos tributos suspensos, acrescidos de juros e de multa de mora estabelecidos na legislação aplicável. § 6o A transferência a que se refere o § 5o deste artigo, previamente autorizada pela Secretaria da Receita Federal, a adquirente também enquadrado no REPORTO será efetivada com dispensa da cobrança dos tributos suspensos desde que, cumulativamente: I o adquirente formalize novo termo de responsabilidade a que se refere o § 3o deste artigo; II assuma perante a Secretaria da Receita Federal a responsabilidade pelos tributos e contribuições suspensos, desde o momento de ocorrência dos respectivos fatos geradores. 29. No presente caso os bens estão devidamente registrados no ativo imobilizado da Recorrente, o que foi constatado em concreto pela fiscalização. Mais do que isso, tais bens são efetivamente utilizados para que a Recorrente, ainda que por meio de empresas do seu grupo econômico, realize operações portuárias. 30. Nesse sentido, ainda que se caminhe para uma interpretação finalística do art. 14 da lei n. 11.033/04, é notório que os objetivos visados com tal legislação (aprimoramento estrutural dos portos nacionais e incremento da operação logística afeta ao COMEX) foram devidamente alcançados, ou seja, não houve qualquer desvio de finalidade, mas, ao contrário, a sua plena efetivação. E isso porque, conforme atestado pela própria fiscalização no termo de constatação, os bens importados e aqui tratados estavam sendo empregados em uma daquelas atividades portuárias descritas nos incisos do art. 14 da lei n. 11.033/04. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 10 31. Assim, entendo ser indevida a interpretação realizada pela fiscalização no presente caso, motivo pelo qual afasto a exigência fiscal. Dispositivo 32. Ex positis, superadas as questões preliminares, voto no mérito por dar integral provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente. 33. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo do ilustre relator no que pertine à questão de fundo, eis que convergimos quanto às suas conclusões nas questões preliminares ventiladas na peça recursal. E minha dissensão com o relator tem por fundamento a mesma norma, qual seja, o art. 111 do CTN, que dispõe que as normas que têm por fundamento benefício fiscal devem ser interpretadas de forma estrita. A meu sentir, o voto do i. relator usou essa norma para motivar seu voto de forma extensiva, aplicandoa equivocadamente conforme o teor das normas legais que instituíram o REPORTO. Não resta dúvida que o REPORTO tem por escopo a concessão de benefícios fiscais para operadores portuários com um intuito muito claro: aprimorar a sucateada estrutura dos portos nacionais e dos serviços neles prestados. Contudo, entende o nobre relator "que a interpretação realizada pelo fiscal redunda na equivocada criação de mais um requisito para fruição dos benefícios fiscais instituídos pelo REPORTO que, por seu turno, não encontra guarida legal". Ora, a fiscalização apenas fez a leitura que deve ser feita em relação às normas que estatuem benefícios fiscais, de forma restritiva. Entendeu o Fisco que os bens internados no país só poderiam ser utilizados pelo importador nos limites geográficos da área portuária que lhe fora arrendada. Vamos à legislação. Art. 14 da Lei n 11.033/2004: "Art. 14. As vendas de máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens, no mercado interno ou a sua importação, quando adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto e destinados ao seu ativo imobilizado para utilização exclusiva em portos na execução de serviços de carga, descarga e movimentação de mercadorias, na execução dos serviços de dragagem, e nos Centros de Treinamento Profissional, na execução do treinamento e formação de trabalhadores, serão efetuadas com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para c PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e, quando for o caso, do Imposto de Importação." (Redação dada pela Lei n° 11.726, de 23 de junho de 2006). Art. 15 da mesma Lei: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11128.720015/201210 Acórdão n.º 3402003.198 S3C4T2 Fl. 354 11 Art. 15. São beneficiários do Reporto o operador portuário, o concessionário de porto organizado, o arrendatário de instalação portuária de uso público e a empresa autorizada a explorar instalação portuária de uso privativo misto ou exclusivo, inclusive aquelas que operam com embarcações de offshore. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá os requisitos e os procedimentos para habilitação dos beneficiários ao REPORTO. A IN RFB nº 879, de 15 de outubro de 2008, que dispõe sobre a habilitação ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), dispõe em seu art. 5º que: “Art. 5º A habilitação para a sociedade empresária operar o regime será concedida por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE) do Delegado da DRF ou da Derat referida no art. 3º . § 1º O ADE referido no caput será emitido para o número do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de cada estabelecimento, conforme o requerido pela sociedade empresária.” (grifei) Resta claro da norma concessiva do benefício fiscal que o legislador ordinário delegou competência à Receita Federal para que esta estabelecesse "os requisitos e os procedimentos para habilitação dos beneficiários ao Reporto...". Em caso, essa delimitação do incentivo fiscal foi feita nos seguintes termos, de acordo com o Ato Declaratório Executivo nº 09, de 15 de março de 2005 (fl. 175): "1. Conceder, em caráter precário, a habilitação de que trata a Lei n 11.033, de 21/12/2004 (DOU de 22/12/2004), para que o estabelecimento da empresa LIBRA TERMINAIS S/A, inscrito no CNPJ sob nº 33.813.452/001032 e localizado no endereço Avenida Engenheiro Eduardo M. Gama s/n Armazém 37 Bairro Macuco Santos/ SP, possa operar, na qualidade de arrendatário de instalação portuária de uso público, o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), nos termos, prazos e condições estabelecidos nos artigos 13 e 17 da referida Lei, no disposto na IN SRF n 477/2004, e na legislação correlata.”(sublinhei) Com efeito, a concessão do regime foi para o CNPJ descrito acima, correspondente a um dos estabelecimentos da respectiva empresa, no endereço ali disposto, para utilização em áreas de instalação portuária de uso público por ele arrendadas (condição na qual o mesmo pleiteou o regime). Em nenhum momento mencionase no texto acima que o benefício é extensivo a outros estabelecimentos da mesma empresa, e menos ainda a qualquer outra empresa, para uso dos produtos importados ao amparo do benefício fora das áreas de instalação portuária de uso público por ele (estabelecimento com CNPJ nº 33.813.452/001032) arrendadas. A Lei é clara ao mencionar que a suspensão de que trata o artigo é relativa aos bens importados diretamente pelos beneficiários do Reporto e destinados ao seu ativo Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 12 imobilizado para utilização exclusiva em portos (por ele arrendados, já que nessa qualidade se habilitou ao benefício). Ou seja, possui um caráter restritivo. A fiscalização constatou que das vinte e uma máquinas importadas diretamente pelo beneficiário do Reporto, no ano de 2007, apenas 7 estavam efetivamente sendo utilizadas exclusivamente em sua área na qualidade de arrendatário de instalação portuária de uso público, conforme determina o Ato Declaratório e a Lei que dá amparo ao beneplácito fiscal. As demais máquinas foram encontradas executando operações em áreas, cujo endereço e CNPJ são distintos do importador beneficiário do Regime suspensivo (Reporto), conforme se observa da tabela abaixo: Gizese que o artigo 6º da Instrução Normativa nº 879/2008, remete ao art. 76 da Lei n. 10.833/2003, que prevê como sanção para casos de inobservância dos requisitos estabelecidos no regime, a pena de advertência ao interveniente do comércio exterior agente do deslize. Contudo, dispõe o parágrafo 15 do mesmo artigo, que as sanções previstas nele previstas não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. No presente processo, discutese a parte tributária, independentemente da advertência cabível. Assim, diante de todo o exposto, o beneficiário do benefício fiscal foi exclusivamente o estabelecimento da empresa LIBRA TERMINAIS S/A, com CNPJ 33.813.452/001032, localizado no endereço que consta no aludido Ato Declaratório Executivo/RFB 09/2005. Pelo que, estender o incentivo à outras filiais e, in casu, até mesmo junto à outra empresa, sem Ato Declaratório Executivo específico, é afrontar os termos da Lei 10.833/2003, e, certamente, à interpretação restritiva que ser dada à leis concessivas de beneplácitos fiscais, consoante os termos do art. 111 do CTN. Portanto, sem reparos à r. decisão que deve ser mantida hígida. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 01/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Numero do processo: 10730.726662/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 14.122,29.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 14.122,29. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 112 1 111 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.726662/201183 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.533 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente HOMERO BICALHO DE REZENDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 14.122,29. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 66 62 /2 01 1- 83 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10730.726662/201183 Acórdão n.º 2202003.533 S2C2T2 Fl. 113 2 Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13819.721147/201559, em face do acórdão nº 0266.303, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, acostado às fls. 05/12, relativo ao Exercício de 2008, ano calendário 2007, no montante de R$ 5.171,95, a serem acrescidos multa de ofício e juros de mora. 2. O lançamento decorreu em face da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica (R$ 1.544,56); b) Dedução indevida de despesas médicas (R$ 24.430,49). c) Dedução indevida de dependente (R$ 3.169,20). d) Dedução indevida de despesa com Instrução (R$ 2.480,66). 3. Cientificado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 02 , em que aduz, em resumo: a) A glosa da Dedução de uma dependente é indevida (R$ 1.584,60), pois a dedução referese a esposa Neide Aparecida de Rezende. b) A glosa da Dedução de despesa com Instrução é devida; c) A glosa da Dedução de despesa médicas é indevida até o montante de R$ 15.982,48, conforme comprovantes de pagamento; d) Omissão de rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica (R$ 1.544,56) é procedente. 4. A Unidade de Origem reviu de ofício o lançamento, Despacho de fls. 41/44, diminuindo o imposto suplementar Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10730.726662/201183 Acórdão n.º 2202003.533 S2C2T2 Fl. 114 3 de R$ 5.171,95 para R$ 4.131,19, mantendo a omissão e as glosas de: um dependente (R$ 1.584,60), pois a outra dedução referese a esposa Neide Aparecida de Rezende; despesa com Instrução (R$ 2.480,66), pois o contribuinte concorda com a dedução; despesa médicas (até o montante de R$ 2.200,00), por falta de comprovação. Cientificado da Revisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 52/57), em que requer a dedução dos valores retidos, a título de assistência médica, pela empresa Conbor Borrachas Técnico Ind Ltda, nos recibos de pagamento de prolabore. A DRJ de origem julgou parcial procedente a impugnação, mantendose o IRPF no montante de R$ 4.121,19, em razão da Unidade de Origem ter revisto de ofício o lançamento, conforme Despacho de fls. 41/44, diminuindo o imposto suplementar de R$.5.171,95 para R$ 4.131,19. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 78/79, onde são reiterados, em parte, os argumentos já lançados na impugnação quanto ao que foi vencido, apresentando, em anexo ao recurso, documentos às fls. 80/106, no intuito de comprovar seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Em recurso voluntário o contribuinte delimita a lide. Ocorre que a DRJ de origem manteve a glosa de despesas médicas no valor de R$ 22.230,49. O contribuinte, em recurso voluntário, manifestase expressamente que somente está apresentando recurso em relação a glosa de R$ 14.163,96, concordando com o valor de R$ 8.066,53. Os documentos anexados pelo contribuinte em recurso voluntário, em fls. 80/106 devem ser recebidos nesta fase processual pelo princípio da verdade material e formalismo moderado. A respeito da glosa de despesas médicas em questão, entendeu a DRJ de origem que é necessário documento comprobatório da retenção dos valores pagos a título de plano de saúde DIX AMICO em favor do contribuinte e seus dependentes. O plano de saúde DIX AMICO é realizado por intermédio da empresa CONBOR BORRACHAS TECNICAS INDUSTRIAIS LTDA, da qual o contribuinte é sócio. De janeiro a setembro de 2007, foram Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10730.726662/201183 Acórdão n.º 2202003.533 S2C2T2 Fl. 115 4 pagos ao plano de saúde o valor mensal de R$ 1.162,01, referente ao contribuinte e seus dependentes, sendo estes assim discriminados: · R$ 536,22 Homero Bicalho de Rezende · R$ 536,22 Neide Aparecida de Rezende · R$ 89,37 Sonya Maria de Rezende Ainda, de outubro a dezembro de 2007, foram pagos ao plano de saúde o valor mensal de R$ 1.222,00, referente ao contribuinte e seus dependentes, sendo estes assim discriminados: · R$ 564,00 Homero Bicalho de Rezende · R$ 564,00 Neide Aparecida de Rezende · R$ 94,00 Sonya Maria de Rezende Portanto, o valor total comprovado como despesas médicas é R$ 14.122,29. Todavia, o contribuinte alega em recurso que não concordava com a glosa no valor de R$ 14.163,96. Logo, há uma diferença não comprovada no valor de R$ 41,67. Esta diferença se dá em razão de que os valores retidos pela fonte pagadora, comprovados pelos prólabores de fls. 52/57, foram levemente maiores do que os efetivamente pagos pela fonte pagadora à DIX AMICO. Assim, diante da prova apresenta nos autos pelo contribuinte, não há razões para manter a referida glosa, pois prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte. Ante o exposto, voto em dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 14.122,29, em relação a dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 13955.000063/90-68
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 1993
Ementa: ITR - PEREMPAÇÃO COMPETÊNCIA 1) Não ocorrência de perempção face a apresentação tempestiva do recurso: 2) O Colegiado não é órgão competente para decidir litígios a respeito da posse ou propriedade do imóvel rural; recurso negado.
Numero da decisão: 202-05.957
Decisão: ACORDAM os Membros do Segundo Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em RETIFICAR o
acórdão nº 202-05.570, de 08/01/93, para conhecer do recurso,
por tempestivo e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente a Conselheira TERESA CRISTINA GONÇALVES PANTOJA.
Nome do relator: Antonio Carlos Bueno Ribeiro
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PI:~ ITR .... PEI:;:EI"'IP(;;r~íO.... COI"IPETEI'ICI(.:'I:: :1.) Hii(o ocol"'I'''C.)nc:i.,:\ d(.:.! P(':':'I"'E'mp~j:?\O'f',:\C(.:~ ,:\ ,oq:)I"(,:,:'!:;.(-:.:.nt<':I~i:ii(otf?'mpE'!:,t:i.v,:1, do I"'(.:~cuI"'!:,o;: ~':'~) O C01E'!(J:1.<":'Idonii(o é Ó'''(];-!\O CClmp(.:.:,t(.:.:'nt(.:,. p~r~ decidir litígios ~ respeito d~ posse ou propried~de do imÓvel I"'ur~l. Recurso negado. Vistos, re1at~dos e discutidos os presentes auto~, eI(.:! 1"'(':'!CUI"!:,o:i.nt(':':'j"PO!,:.to P01" ANTONIO GARCIA' POMBO. ACORDAM os Membros d~ Segund~ C~m~r~ do Segundc) Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em RETIFICAR C) acórdâ'o nQ 202-05 ..570, de 08/01/93, para conhecer do reCLtrSo~1 por tempestivo e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente ~ Con !::. (.:.! :I.h(.:.d. I" ,oI TI::: 1:;:1::: ~:;f.l u::: :u:rr I !'Ir-l EiOI".IÇ(~lI...VI:::S pr-d.,rrO,':r ti • HEI...VICl til... 1"'1E I D (.~I I... I::: 1"1O ~:; .... P I" q C UI" <:1d o I"....F::(.:.:,p 1" f:~.... seGt~nte d~ F~- :<: (.:.:.nd,:\ Ha c:!. 01"1 ,,\ J ao PFN, Dr. GUSTAVO DO AMARAL MARTINS, ex-vi da Portaria PGFN nº 483. P <:1'" t :i.c :i.p,:\""'o'.m!' 'o•.:i. 1"1 d 'o•.!' do PI"E'!':.("!n t (.:.:,.:i u 1q <,'I,m(':'!1"1 to:, o !,' Con !::.(.:.:.1h (.:.! :i. I" o!,' EI...J O 1:;:ClTHE !I O~:;\.I('~Jl...DO Tf.Jl',ICHEDCl, DE DI...J 'v'E:I: F;:t,!, -JOSE ('~JI,rrC)l',110 AR OC1..1(.:) Df, CUI'-IH(i!, T(.iF;:(')SIO Cf.W'IPEI...O El(JF;: C.)!:::r.:; E' ,'.roS!::: C(:-d-:l F;:til ... Gt,I:;:OF(.:-II'ID .. '1'c11:1/ :I. Rc,:,~Cl.lI'"SC) nQ:: Ac6n:li~c) nQ:: Reconrente:: MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' 13955.000063/90-68 89.522 ~:~O~:~....O~:\.n.\7 ANTONIO GARCIA POMBO R E L A T O R I O Com base no expediente de fls. 46/47, do douto Procurador da Fazenda Nacional junto à esta Cámara, em que ~ ,':1miO;in,:'I1ad o ,oI n~\o''''OC01''I''t~nci,'oI d ,':'1 pc,:.:. j"(':,:-mp~;:~~(odo n-:'~Cl.lI"'~!:,D :i. n tc~:v' POi!:, to pelo Recorrente, às fIm. 23/25, conforme decidido no Acórdâo n9 202-05.570, de 08.01.93, deste Colegiado, fls. 42/45~ a matéria volta para reexame, por for~a do despacho de fls. 47 do Sr. P I"c':':'i,;:i, cI E' n tc'::clc'::-i,;t,':'1 C ;"~t1'1'1,:i I" <:1 • E:: o "'C:,:' 1 <:'1tó I":i. o • " '".-::. MINISTÉRIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO 'SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PI"O c:(.:~~;;~;;c)nQ:: ,A <::<51"<:1 iro nº:: 1395~.000063/90-6B ~':~O~':~""O~:i.957 VOTO DO CONS8_HEIRO-RELATOR ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO Com e'feito, assumo a 6corrência de um lapso ao nào atentar que a data final para interposiiâo do citado recurso seria 08/FEVEREIRO/1992, um sábado, sendo o prazo prorrogado para o primeiro dia útil, ou seja, 10/FEVEREIRO/1992 - SEGUNDA-FEIRA .... cI :i.,:'1(.:.:'mq u (.:.:.'1' o :i. (.:.:,'1' (:.) t :i. \,.o ,:'Im~:.,n '1:.(0:.) P "'0 t o c:o 1 i Z i:\ do!. d <':'1:r. po I"q U (:.:. o I"[.:,c on h (.:.)~i:o co mo t<-::'ITIp(.:.:.~::.t :i. 'lO (.:.)p <':'l~::.~:;o a (.::.;< am in i:\ ....lo .. Inicialmente, é dé se rejeitar a preliminar de chamamento ao processo dos cabeias dos posseiros-invasores de sua PI"OPI'''i(':')c!i:\c1(.::'como co ....c!(.:.:.V(.:.:.c1ol"(.:.:.~;;1 :i. 'I:.:i. con';;;ol,.t(.:.:,~;;.:.no~;; t(':':'I'''(no~::.do i:\I...t:i.qo '77 do C ..P.C!. (.:)i~::.qU(':':''fundi:\c1<':\n<':\~;;I..I.po~;;.i~;:;';'lod(.:.:,qUf:':'O~::. ITI~:.)~::.mo~:;d<,-:,v(,:,,(1'I ter procedido ao cadastramento das poriUes de terra invadidas junto ao INCRA, o que nâo se encontra comprovado nestes autos e I'lem é pertinente no Processo Administrativo-Fiscal, regulado pelo X)e(::I"e"tc;) 1')9 7()'1235/72'1 1".10 decidir 1itiqios :i. (nó'v'(.:.:,l (.:.)m qU(':':'~;;t:'ii'o mé I" i to:, (.:.:.~::.t.(.:.)Co 1 (':')(1 :i. <,\ cIo 1"1 ;.?(o sobre posse ou propriedade está cadastrado no INCRA em é competente para sobre imóveis" O nome do Recorrente. pond (.:.)'"<'~.\,.o(.:.):i. ~:;. cI[) '1:.1" :i. bu to do 1'" :: .. t ".....:.,,,:..:1')1" '::,.:::'F'I" '1::: ri .:<:. I"~"[ c. Pc::' cc 1"1"'::'1" t(-'., I" ('lI'" m '.\'i <:.\.\ •• I..}C. 0.0 <.1,.. L••••••• I _•..1,. (.1.••;. .)\ •••.. .1 ",_ ••• ) t .. I ••• :' .).. < •• ' .•• > qU(':ô' PO!;;~::.i:\m!:;.E'l"!.n:Xo i:'lutol"i?<':\mi:\ :i.~:;,(,'!I'l~:i:\'oCH.\ I"(':"cll.l~::'?{o imóvel focalizado. Isto posto, nego provimento ao recurso .. 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721109/2014-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIO. DEDUTIBILIDADE.
A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracteriza-se como regime de competência.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
LANÇAMENTO REFLEXO.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Caio César Nader Quintella que votou por dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIO. DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracteriza-se como regime de competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Caio César Nader Quintella que votou por dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIO. DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracterizase como regime de competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Caio César Nader Quintella que votou por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 09 /2 01 4- 45 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 166 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 167 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/POA, em sessão de 20 de março de 2015 (fls. 121/129)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada perante aquela Turma Julgadora e manteve os lançamentos de IRPJ/CSLL, em Acórdão assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. PATRIMÔNIO LÍQUIDO. EXERCÍCIOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Para efeito de apuração do lucro real, é vedada a dedução de juros, a título de remuneração do capital próprio, que tome como base de referência contas do patrimônio líquido relativas a exercícios anteriores ao do seu efetivo reconhecimento como despesa, por desatender ao regime de competência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DA ACUSAÇÃO FISCAL Conforme TVF de fls. 67/76, “O presente Termo de Verificação trata de procedimento de fiscalização em que foi lavrado auto de infração decorrente da apuração de Adições não computadas na apuração do Lucro Real – Excesso de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) e Falta/insuficiência de adições a base de cálculo ajustada da CSLL – Juros sobre o capital próprio pagos ou creditados, ano calendário de 2009”. Após fazer referência preliminar à legislação que trata dos JCP, o condutor do feito argui que “o montante dos Juros sobre o Capital Próprio, apurado de acordo com caput do artigo 9º da Lei 9.249/95, para efeitos de dedutibilidade, não pode exceder a 50% do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou a 50% dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, dos dois o maior. (...) A instrução normativa SRF 41/98, com o objetivo de elucidar a aplicabilidade do art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, esclareceu considerarse creditado, individualizadamente o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada na escrituração contábil da pessoa jurídica em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio”. Cita doutrina de Hiromi Higuchi, reportase aos artigos 177 da Lei das sociedades anônimas e 247, 248 e 251 do RIR/1999, e prossegue: “Ou seja, resta claro que o regime de competência deve ser obedecido pela empresa na apuração do lucro real, considerando que, em se tratando de Sociedade Anônima, a expressa previsão legal encontrase no art. 177 da Lei 6.404/76. Entretanto, com relação aos JCP, inexiste na Lei nº 9.249/95 qualquer referência a JCP acumulados e/ou retroatividade ou, 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 168 4 até mesmo, previsão de pagamentos destes em momento posterior, até mesmo porque o pagamento ou crédito de JCP consiste em faculdade da pessoa jurídica, a respeito da qual inexiste qualquer obrigatoriedade. A faculdade é exercida ou não pelos acionistas mediante disposição estatutária ou deliberação em assembléia. Antes disso a sociedade não se obriga e nada se pode exigir por absoluta falta de título jurídico. Logo, enquanto não houver ato jurídico que determine a obrigação de pagar/creditar juros, inexiste despesa. O cerne da questão reside, portanto no respeito das condições de dedutibilidade estabelecidas na legislação de regência e na temporalidade deste ato. (...) Ou seja, as contas do exercício só têm existência jurídica quando sobre elas tiver recaído deliberação homologatória da assembléia dos acionistas. E uma vez aprovadas, são atos jurídicos perfeitos e acabados, só cabendo ser retificadas nos casos de erro, dolo ou simulação. A aprovação das demonstrações implica em verificar as operações realizadas pela administração, os lançamentos contábeis e documentos que o embasam, bem como os dados do balanço patrimonial e de resultado econômico. Cabendo, inclusive, deliberação sobre a destinação do lucro do exercício se existente. Logo, uma vez não prevista na ata da assembléia, que delibere acerca das demonstrações financeiras e destinação de lucros do exercício, a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio no período, inexiste de fato e de direito a despesa correspondente ao períodobase. Por outro lado, do ponto de vista econômico, temos que a aprovação das demonstrações financeiras reflete um interesse público. Perante terceiros, as contas do exercício quando aprovadas se revestem de um ato jurídico perfeito, e tornamse uma ferramenta essencial para que seja avaliada a situação financeira e os resultados da empresa, indispensável para que os interessados em realizar negócios com esta possam tomar suas decisões respaldados em informações certas e verificadas. Neste cenário, permitir que deliberações no futuro gerem despesas referentes a exercícios passados além de ocasionar uma atmosfera de insegurança jurídicoeconômica aos usuários dos balanços publicados, vai frontalmente de encontro às normas legais então vigentes. Destacamos que os ajustes de exercícios anteriores são permitidos pelo art. 186 da Lei 6.404/76 nos casos decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou no caso de retificação de erro, o que evidentemente não é caso. E, ainda Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 169 5 assim, os valores não transitam pelo resultado, ou seja, não geram receitas ou despesas, estes são lançados diretamente contra conta de Patrimônio Líquido. (...) Logo, podemos concluir que para haver dedutibilidade das despesas de JCP necessário se faz que tenha se materializado o fato gerador correspondente, ou seja, a deliberação social tomada no devido tempo, e que a empresa tenha observado as condições previstas na lei 9.249/95, ou seja, o pagamento ou creditamento (no caso de pagamento futuro), em favor dos sócios/acionistas com o devido registro contábil no ano de competência, além de obedecer os limites previstos na lei. Por certo também não se pode invocar o decisum do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.086.752 a favor da dedução do JPC retroativa, posto que a questão como decidida por aquela E. Corte não se conforma com o caso presente, em especial quando se considera o teor do voto que dispõe que “...os juros sobre capital próprio, de acordo com a Lei 9.249/95, apresentamse como uma faculdade à pessoa jurídica, que pode fazer valer de seu creditamento sem que ocorra o efetivo pagamento de maneira imediata, aproveitandose da capitalização durante esse tempo. Além do mais, ao contrário dos dividendos, os JCP dizem respeito ao patrimônio líquido da empresa, o que permite que sejam creditados de acordo com os lucros e reservas acumulados”. Esse entendimento do STJ confirma a doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho, no sentido de que somente pode ser deduzida a despesa correspondente ao JCP se houver decisão assemblear no tempo devido. À toda evidência não pode uma assembléia decidir sobre exercícios findos sob pena de “legislar” sobre um período já aprovado por outra assembléia, incorrendose, numa situação dessas, total desvirtuamento da legislação societária. No caso do presente procedimento fiscal não houve deliberação social sobre distribuição dos JCP, referente aos períodos de 2006 a 2008, nas aprovações das demonstrações financeiras de 2006 a 2008, assim como nenhum registro contábil de crédito nos períodosbase. (...) Conforme informação na linha 24, Ficha 06C Demonstração do Resultado da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ 2010/ AC 2009), o contribuinte registrou despesas de Juros sobre Capital Próprio no montante de R$ 45.800.000,00, no anocalendário de 2009. Os juros sobre o capital próprio foram integralmente pagos aos sócios Banco Safra S.A., CNPJ 58.160.789/000128 no montante de R$ 45.799.987,43 e R$ 12,57 ao sócio Investpar Participações S.A. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 170 6 Em 13/10/2014, em atendimento ao Termo de início do Procedimento Fiscal, o contribuinte apresentou demonstrativo da base de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio, no qual informa que o valor total deduzido é composto por cálculos dos limites relativos aos anos calendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme tabela abaixo: Limite de 2009 14.484.288,78 Saldo utilizado de 2006 9.391.105,35 Saldo utilizado de 2007 9.864.951,66 Saldo utilizado de 2008 12.059.654,21 Pagamento de 2009 45.800.000,00 Conforme podemos verificar nos registros contábeis da fiscalizada, os juros foram registrados na conta “3.6.2.9.6.1.0.0.00.0001 – DESPESAS DE JUROS AO CAPITAL”. Intimado a apresentar as atas das assembléias em que foram deliberados os pagamentos dos juros sobre o capital próprio relativos aos anos calendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, o contribuinte apresentou apenas a ata de 2009 relacionada ao período solicitado. Na Ata de reunião da diretoria realizada em 28/12/2009 foi deliberado o pagamento aos acionistas, na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 e legislação sucedânea, de juros a título de remuneração do capital próprio no valor total de R$ 45.800.000,00, relativo ao exercício de 2009, para pagamento ou crédito a partir daquela data. Dessa forma foi verificado que para os anos calendário de 2006, 2007, 2008 não houve deliberação social para pagamento de JCP. Além disso, as demonstrações financeiras dos anoscalendário 2006, 2007, 2008 foram aprovadas sem a previsão do pagamento/creditamento de Juros sobre Capital Próprio no período. Ou seja, a empresa deduziu, no anocalendário de 2009, R$ 31.315.711,22 de JCP calculados retroativamente aos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, com base na TJLP e PL desses períodos de apuração. Concluise então que só podem ser consideradas para fins de dedução tributária no anocalendário de 2009 as distribuições de Juros sobre o Capital Próprio cujo cálculo que se reporte ao próprio ano de 2009, no montante de R$ 14.484.288,78, valor que atende aos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249/95. Dessa forma foi constatado que o contribuinte não respeitou as condições de dedutibilidade estabelecidas na legislação de regência para o ano calendário de 2009, deduzindo indevidamente o montante de R$ 31.315.711,22, referente a utilização de saldos dos períodos anteriores, anos calendário de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 171 7 2006, 2007 e 2008, valor não adicionado na apuração do lucro real. O contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores, portanto não dedutível para fins tributários. Pelos motivos expostos, impõese revisar o lançamento do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido efetuado pelo contribuinte para recalcular a base tributável. O valor a ser tributado é, portanto, o representado pela dedução apenas do JCP calculado em 2009, sendo glosado o valor excedente de R$ 31.315.711,22”. (...) Ainda de acordo com o TVF (fls. 75), a infração teve o seguinte enquadramento legal: Art. 177 da Lei nº 6.404/76; Art. 3º e 9º da lei nº 9.249/95, com a redação dada pelo art. 78 e 88 da Lei nº 9.430/96; Arts. 247, 249, inciso I, 250, inciso III, 251, 347, 509 e 510 do RIR/99; Art. 2º e §§ da lei nº 7.689/88; Art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 37 da lei nº 10.637/02. DA IMPUGNAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA Segundo relatório da decisão recorrida (DRJ/POA), a autuada apresentou peça impugnatória de fls. 96/106, e em essência alegou: “a) Defende que a lei não define prazo pra o pagamento ou crédito dos juros sobre capital próprio. Pelo contrário, argumenta que “o art. 9º da Lei nº 9.249/1995 estabelece que a pessoa jurídica ‘poderá deduzir’ os juros pagos ou creditados a titular, sócios ou acionistas, deixando claro, pois, que o pagamento dos JCP é uma faculdade da sociedade, a qual não está condicionada a qualquer espécie de periodicidade”. b) Entende que a fiscalização promoveu interpretação equivocada da IN nº 11/1996, “olvidando que ela necessariamente deve ser entendida dentro dos limites legais, pois qualquer disposição normativa fiscal destituída de base legal não obriga os contribuintes”. Nesse contexto, argumenta que “antes da deliberação e do pagamento ou crédito não há o que deduzir, e não há que se dizer que o regime de competência não foi cumprido”. Aduz que “a exigência do art. 29 da IN nº 11/96 milita exatamente a favor do entendimento da Impugnante, ou seja: o JCP será dedutível no período em que este for deliberado e pago ou creditado aos acionistas, em respeito, justamente, ao princípio da competência”. Nesse particular, cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes (acórdão 10196.751) a seu favor. c) Em resumo, repisa que, “para fins de determinação dos limites de dedutibilidade dos JCP, devese atentar apenas para as condições previstas em Lei, quais sejam, a existência de Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 172 8 lucros, no momento em que haja deliberação para pagamento ou crédito, em montante igual ou superior a duas vezes o valor dos juros a serem pagos ou creditados. E foi assim que a Impugnante procedeu”. Analisando o litígio, a 1ª Turma da DRJ/POA, depois de reportarse à Solução de Consulta COSIT nº 329, de 27/11/2014, argumentar que o ali exposto não deixa dúvidas quanto ao posicionamento da RFB a respeito do tema, e transcrever o seu texto naquilo que é mais pertinente ao caso apreciado, concluiu estar “correto o entendimento da fiscalização de que a dedução como despesa, na apuração do lucro real referente ao anocalendário de 2009, dos juros sobre o capital próprio calculados sobre as contas do patrimônios líquido da sociedade dos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, não encontra respaldo normativo”. Mais, que a referida Solução de Consulta certifica, ainda, que “a linha de entendimento adotada tem seus efeitos estendidos à CSLL, tendo em vista a previsão em vários dispositivos, como o art. 6º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; o art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; o art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004 (...)”. Para finalizar julgando improcedente a impugnação, mantendo os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 01/04/2015 (fls. 133/134), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/04/2015 (fls. 136/154), basicamente repisando os argumentos expendidos na impugnação e combatendo, pontualmente, aspectos presentes na decisão recorrida, especificamente sua sustentação na SC COSIT nº 329/2014. Aventa que o art. 114, do Código Civil aponta que “os negócios jurídicos e a renúncia interpretamse estritamente” e que, assim, “se não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP, se até mesmo no Direito Privado a renúncia deve ser interpretada de forma restrita, é desarrazoado afirmar que o silêncio do acionista deve ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito gerando efeitos tributários”. Assenta inexistir dispositivo legal que obrigue a sociedade a deliberar sobre os JCP no encerramento do anocalendário, que o art. 132, da Lei nº 6.404/76 só trata de lucros e dividendos, e que, “se é possível postergar o pagamento de dividendos obrigatórios para pagálos no futuro, quando a situação financeira da empresa permitir, também é possível pagar, no futuro, os JCP relacionados a esses dividendos postergados (...). Que, “ faz todo sentido que assim seja, já que a falta de liquidez momentânea da empresa não pode impedir que, no futuro, verificadas as condições para tanto, a empresa distribua lucros acumulados e/ou pague JCP aos acionistas” (RV – fls. 148/150). Reproduz jurisprudência que entende lhe ser favorável e requer o provimento do Recurso Voluntário. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 173 9 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 174 10 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares a enfrentar, passo à análise do mérito. O tema discutido neste processo, dedução, para fins fiscais, de juros a título de remuneração do capital próprio que tome como base de referência contas do patrimônio líquido relativas a exercícios anteriores, tem frequentado, assiduamente, os julgamentos deste Tribunal Administrativo desde quando ainda na sua formatação como Conselho de Contribuintes. Nas primeiras decisões e até há aproximadamente um lustro, a jurisprudência administrativa (como observado pela recorrente em sua defesa), tendia a dar provimento à tese dos contribuintes, ou seja, validava a possibilidade de se deduzir, a título de despesas com Juros sobre o Capital Próprio, montantes pagos em períodos posteriores àqueles em que teriam ocorrido. Todavia, nos últimos anos, as decisões das diversas Turmas Ordinárias das Câmaras da 1ª Seção e, mais recentemente ainda, as da Câmara Superior mudaram substancialmente de rumo, perfilando entendimento de que o regime de competência deve ser obrigatoriamente observado pelos interessados em deduzir, das bases imponíveis do IRPJ e da CSLL, a despesa de JCP. Nesta linha, dentre outros, destaco os seguintes precedentes, todos recentes: Acórdão nº 1101000.904 – 1ª Câmara/1º Turma Ordinária Acórdão nº 1401001.535 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 1302001.785 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 9101002182 – CSRF 1ª Turma Acórdão nº 9101002181 – CSRF 1ª Turma Por refletir o pensamento deste Relator, adoto como razões de decidir, o voto exarado pelo I. Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Processo nº 16327.720497/201102, Acórdão nº 1201000.857, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 10/09/2013, abaixo reproduzido, com os devidos ajustes pontuais pertinentes ao caso concreto aqui analisado: “Pois bem, é pacífico o entendimento, tanto administrativo quanto judicial, de que o pagamento/crédito de juros sobre o capital próprio é uma faculdade da pessoa jurídica, e, como tal, poderá ou não vir a exercê lo, conforme melhor lhe convier. Essa faculdade encontrase regulada pela norma acima transcrita, bem como pelas demais normas comerciais, societárias e fiscais que com ela interajam. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 175 11 Parece claro que a faculdade de pagar/creditar juros sobre o capital próprio poderá ser exercida ao longo dos anos em que o capital do titular, sócios ou acionistas permanecer no patrimônio líquido da pessoa jurídica, e que o valor dos JCP será calculado mediante a aplicação da taxa de juros (limitada à TJLP) sobre o patrimônio líquido do ano em que exercida a faculdade, observados os limites estabelecidos na norma acima transcrita. Mas no caso dos presentes autos a contribuinte, além de haver pago/creditado, em 2007, JCP calculados sobre o patrimônio líquido do ano de 2007, também pagou/creditou JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, quais sejam, os anos de 2002 a 2006. É a dedutibilidade desses últimos que está aqui em discussão2. Nesse sentido, especificamente no caso sob exame, é preciso responder às duas seguintes questões de direito: a) a faculdade de pagar/creditar JCP poderá ser legalmente exercida em um determinado ano, mas incidir sobre o patrimônio líquido de anos anteriores? b) Em caso positivo, em qual ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Passemos, então, a responder essas questões. 2.1) Do Exercício da Faculdade de Pagamento/Crédito de JCP Sobre a possibilidade legal do exercício da faculdade de pagar/creditar JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, peço licença para transcrever, a seguir, trechos do excelente voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferido em 12/06/2013 nos autos do processo nº 16327.002051/200716, e acompanhados pela unanimidade dos demais membros da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF: “Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema. A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos: (...) De outro lado, há jurisprudência administrativa favorável ao entendimento que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos: (...) Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli em Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (36ª ed., São Paulo, IR Publicações, 2011, p. 130), que “(...) a contabilização no períodobase 2 No caso concreto, anos de 2009, e de 2006 a 2008 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 176 12 correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente dos juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento”. (grifos acrescidos). À semelhança do que disse a Fiscalização, o referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio (Op. cit., p. 131). No mesmo sentido é a manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho em Imposto de Renda das Empresas (3ª Ed., São Paulo, Atlas, 2006, p. 240/242). (...) Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquela que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando, dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76, na redação vigente no período de apuração autuado. (...) É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no momento em que formalizada a obrigação de pagálos em favor dos sócios. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 177 13 podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no ano calendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. (...).” Portanto, segundo o acórdão acima referido, cujas conclusões aqui adoto, a lei não permite que os JCP incidam sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, em especial, porque nos anos anteriores, à falta do exercício tempestivo da faculdade de pagar/creditar JCP, a pessoa jurídica destinou integralmente o lucro ao pagamento de dividendos, ou à reserva de lucros para posterior distribuição. Nesse sentido, é de se admitir que no caso dos autos a contribuinte pagou/creditou em 2007 JCP até o limite legal permitido para o período, sendo inde dutível a despesa com JCP relativos a períodos anteriores. 2.2 ) Da Apropriação da Despesa com Pagamento/Crédito de JCP Mas ainda que admitíssemos, meramente para fins de argumentação, que o exercício da faculdade de pagar/creditar JCP pudesse incidir sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, teríamos ainda que responder à questão levantada na letra “b”, contida ao final do item 2 deste voto, qual seja: em que ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Pois se é certo que a lei faculta à pessoa jurídica pagar/creditar JCP, uma vez exercida essa faculdade, não caberá a ela determinar, a seu bel prazer, o período em que deverá ser apropriada respectiva despesa com JCP. Sobre o período em que deverão ser apropriadas as mutações patrimoniais (despesas, custos, perdas, receitas, ganhos, etc.), a lei societária assim estabelece: Lei nº 6.404/76: (...) Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência (grifamos) (...) Não é demais recordar que o registro das mutações patrimoniais pelo regime de competência constitui regra geral que, por conseguinte, deverá ser observada na interpretação e aplicação das demais normas contábeis e fiscais relativas às pessoas jurídicas em geral e, em especial, por aquelas constituídas sob a forma de sociedade anônima, como é o casa da contribuinte. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 178 14 Daí porque é desnecessário que cada uma dessas normas contábeis e fiscais contenha expressamente a observação de que o registro das respectivas receitas, despesas, etc., deva observar o regime de competência. Em verdade, ocorre justamente o contrário. Quando a receita, despesa, etc. deva ser registrada segundo o regime de caixa é que deverá haver expressa referência na norma, já que esse regime é empregado apenas excepcional mente. Isso posto, e uma vez que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 é silente sobre qual o regime de apropriação da despesa com JCP deverá ser adotado, é de se concluir, necessariamente, que deverá ser empregado o regime de competência, pois, se a lei desejasse excepcionálo haveria que estabelecer, expressamente, a apropriação pelo regime de caixa. Mas afirmar que a despesa com JCP deverá ser apropriada segundo o regime de competência resolve apenas parte da questão que no propusemos a responder. Resta ainda investigar a qual período compete a apropriação de juros sobre o capital próprio. Em outras palavras, e especificamente no caso dos autos, resta investigar se a despesa competirá a 2007, data em que a contribuinte exerceu a faculdade de distribuir JCP incidente sobre o patrimônio liquido de 2002 a 2006, ou se a despesa competirá aos anos de 2002 a 20063. Para tanto, necessário se faz determinar a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio. Sobre o assunto vale transcrever as lições de Luís Eduardo Schoueri, em seu artigo intitulado Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da "Nova Contabilidade" (in Controvérsias Jurídico Contábeis (Aproximações e Distanciamentos), 3º volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193): (...) Afastandose qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9º da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital. O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica de custo de oportunidade, entendida enquanto renúncia, pelo agente econômico, dos benefícios derivados de determinado investimento em função do potencial de lucro superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o lucro do negócio, sob uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se desconsiderado o lucro sobre o capital. (...) Tais considerações, intimamente relacionadas com o conceito econômico de custo de oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que é dedutível. E dizer, do ponto de vista tributário, a situação apresentase tal qual como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, 3 No caso concreto, anos de 2009, e de 2006 a 2008 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 179 15 recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (Grifamos) Ora, pelo acima exposto, é de se concluir que as despesas com JCP têm a natureza jurídica de despesa com juros pagos/creditados ao titular sócios ou acionistas pelo uso do capital por estes investido na empresa. Em outras palavras, tratase de despesa pelo uso do dinheiro investido na pessoa jurídica. E, segundo o regime da competência, as despesas pelo uso do dinheiro devem ser apropriadas ao longo dos períodos em que for utilizado esse dinheiro. Respondendo, então, à questão objeto deste item do voto, ainda que a contribuinte estivesse autorizada por lei a exercer, em 2007, a faculdade de pagar/creditar JCP incidente sobre o patrimônio líquido de 2002 a 2006, a respectiva despesa com JCP deveria ter sido apropriada nos anos de 2002 a 2006, e não em 2007, como fez a recorrente, já que se trata de uma despesa pelo uso, ao longo daqueles anos, do capital empregado na pessoa jurídica por seus acionistas. Por fim, quanto à decisão do STJ proferida nos autos do REsp 1.086.752/PR, em que acolhe o argumento trazido pela recorrente, e cuja ementa abaixo se transcreve, é importante ressalvar que se trata da única decisão do STJ sobre o assunto, e que, a meu sentir, não é negligenciável a possibilidade de a Corte vir a rever seu entendimento em outra oportunidade, pois aquele julgado considera que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 deve ser aplicado segundo o regime de caixa, quando, de acordo com o art. 177 da Lei nº 6.404/76, correto seria o emprego do regime de competência”. Postos estes argumentos, salientese ser pacífico não haver vedação às empresas para cálculo e pagamento de JCP sobre suas contas patrimoniais. O que aqui se discute, entretanto, não é sua permissibilidade societária, mas sua dedutibilidade tributária. Em outro dizer, se a recorrente, no caso concreto, resolveu pagar a seus acionistas o montante de R$ 45.800,000,00, relativos aos JCP dos anos de 2006 a 2009, pode até não haver, em tal ato, qualquer impedimento sob o ângulo societário. Porém, na leitura da Lei Fiscal, o limite possível de DEDUTIBILIDADE dos JCP em 2009 seria de R$ 14.484.288,78, significando dizer que o excedente (R$ 31.315.711,22), por ferir o básico e incontroverso regime de competência aplicável às pessoas jurídicas, não pode ser aceito como redutor das bases imponíveis de IRPJ e CSLL, como pretendido pela recorrente. É verdade, como sustentado pela recorrente (RV – fls. 138), que, “nem a Fiscalização, nem a decisão recorrida, se insurgiram contra a formação material dos JCP, de sorte que deve ser considerada acertada a apuração numérica levada a efeito pela Recorrente”, e que, “é certo que a questão posta em debate trata, apenas, da (i) possibilidade de serem deduzidos do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL as despesas com o pagamento de créditos de JCP”. Ora, é exatamente este o cerne da questão. O fato de não ter havido contestação quanto aos cálculos matemáticos não significa concordância com sua dedutibilidade, esta, sem nenhuma centelha de dúvida, em face do que já foi argumentado, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 180 16 extrapolada no montante objeto dos lançamentos ((R$ 31.315.711,22), conforme quadro abaixo (TVF – fls. 74): Portanto, quanto ao mérito, não há reparos a fazer ao trabalho fiscal. Resta analisar alguns outros aspectos suscitados pela recorrente, a saber: a) A respeito da legalidade do artigo 29, da IN SRF nº 11/96. No voluntário – fls. 140/142, a recorrente questiona a legalidade do artigo 29, da IN (SRF) nº 11/96: Sobre o assunto, adoto, como fundamento de decidir, as razões expostas no voto do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator do Processo nº 16327.720497/201102, Acórdão nº 9101002.180 da CSRF, sessão de 20/01/2016, em tudo aplicável ao caso: “A Instrução Normativa (IN) SRF nº 11, de 21/02/1996, ao tratar dos Juros sobre Capital Próprio, trouxe o caput do art. 29 com a seguinte redação: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. 39. Comparandose o texto do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996 com o caput do art. 9º da Lei nº 9.249/1995, observase que foi incluída a expressão "observado o regime de competência". 40. Surgiram questionamentos a respeito da legalidade do caput do citado art. 29, por ter incluído essa expressão em sua redação. 40.1. A legalidade dessa inclusão me parece tão óbvia que, para defendêla, entendo suficiente a leitura do dispositivo sem a expressão atacada para verificar que não haverá nenhuma modificação de aplicação do caput do art. 29 da IN SRF nº Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 181 17 11/1996, ou seja, com ou sem a expressão incluída o artigo tem a mesma efetividade. 40.2. É fato que não é a expressão guerreada que impõe a observância do regime de competência, nem para a legislação societária, tampouco para a legislação fiscal. Como ficou cristalino no item 14 e seus subitens, o regime de competência é dever legal, é regra geral, sem exceção para a legislação societária e com exceções para a legislação fiscal desde que expressas (entre as quais os JCP não se enquadram). 40.3. Aqui dáse a velha retórica, eu enuncio no dispositivo específico a regra geral, leio o dispositivo específico e vejo que a regra geral não está escrita nele, em seguida tento defender que, como a regra geral não está ali expressa, então tratase de uma exceção. A isso se responde apenas que a exceção não se presume nem que a regra geral tem que ser escrita em todos os lugares. 40.4. Assim, não há qualquer ilegalidade no caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996”. b) Sobre a disponibilidade de recursos para pagamento. Argumentou a recorrente (fls. 149) que: E às fls. 150: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 182 18 Ileso de dúvidas, não cabe ao Fisco intervir nos assuntos de cunho interno das empresas, muito menos no caso de pagamentos a sócios, acionistas e administradores, a títulos os mais diversos possíveis. Porém, cabe, sim, imiscuir nas situações em que a legislação tributária seja ferida, por interpretação diversa da que seria correto fazer. Se a empresa, por qualquer motivo, por exemplo, indisponibilidade de caixa, como aventado, não consegue fazer frente ao pagamento de JCP no momento oportuno e só o efetiva em período posterior, quando teria tal disponibilidade, não significa que a despesa daí advinda possa ser considerada integralmente dedutível neste momento de desencaixe, e por um fator impeditivo: desobediência ao regime de competência, já tratado antes neste voto. Nada impediria, porém, que a recorrente (ou qualquer empresa), em perfeita sincronia com os postulados contábeis4, com o artigo 177, da Lei nº 6.404/76 e com os artigos 247, 251 e 273, do RIR/1999, apurasse, calculasse e provisionasse, em seu passivo, em contrapartida a uma conta de DESPSA, os Juros sobre Capital Próprio de cada um dos anos calendários, adiando para “quando” e “se” tivesse disponibilidade financeira, o pagamento de cada rubrica. Com isso, de forma elementar, cumpriria todos os requisitos – societários, fiscais e contábeis – abateria a despesa das bases dos tributos eventualmente devidos (IRPJ e CSLL), sua contabilidade estaria consentânea com as normas que a regem e o passivo estaria individualizando e identificando os credores da sociedade. Tudo isso perfeitamente de acordo com o regime de competência. Por isso, dedutível a despesa. Em outro dizer, é perfeitamente possível fazer incorrer as despesas de JCP de um exercício relativamente ao capital disponibilizado naquele exercício e não efetuar pagamento algum, e, com esse procedimento, habilitarse à dedução tributária dos JCP. 4 Resolução CFC nº 750/93: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 183 19 O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender o método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência, de forma que, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas em períodos antecedentes e não no que eventualmente houver o pagamento. Não foi esse, porém, o procedimento formalizado pela recorrente, de forma que o argumento suscitado de que o cálculo e pagamento (e subsequente contabilização) dos JCP poderiam depender de um evento futuro (existência de disponibilidade para sua quitação) não se sustenta e é afastado. c) Sobre o art. 114, do Código Civil. Incisivamente, sustenta a recorrente que “os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente” (Código Civil, art. 114). Com isso, assenta que a renúncia a direitos deve ser expressa e não presumida, salvo em casos de previsão legal. Com este apoio, levanta tese de que, se no Direito Privado “a renúncia deve ser interpretada de forma restrita, é desarrazoado afirmar que o silêncio do acionista deve ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários”. (RV fls. 148). Equivocase a recorrente. Em momento algum a Fiscalização sustentouse nesta tese, nem a decisão recorrida e menos ainda a ela se fez referência neste voto. O que se disse, com todas as tintas (e se diz novamente) é que, se é permitido, dentro dos atos de vontade das pessoas (direito privado), acordar qualquer negócio jurídico da forma que melhor aprouver às partes, não é menos verdade que, extrapoladas tais avenças ao raio de alcance do direito público, especialmente do Direito Financeiro e Tributário, a legislação que dá suporte a estes segmentos deve ser observada de forma rigorosa. No caso, como exaustivamente visto, há regras e travas legais impositivas e que devem ser obedecidas para as empresas que queiram lançar mão da dedução das despesas havidas com crédito/pagamento de JCP. Certo que os acordos privados têm valor entre as partes. Porém, para a legislação tributária, a dedutibilidade das despesas subordinase, imperiosamente, aos ditames legais já antes delineados. Resumindo, o regime de competência simplesmente não permite a dedução de despesas incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito na verdade sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Repelemse, pois, os argumentos aduzidos. d) Sobre “postergação” ou “antecipação” do imposto devido. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 184 20 Sem maiores digressões, resta claro nos autos que não há postergação de tributo porque, por óbvio, não se protelou para períodos subsequentes, valores devidos em anos anteriores. Também não ocorreu “antecipação de tributos”, posto que, como largamente exposto ao longo deste voto, os valores de 2006 a 2008, no momento de suas apurações, eram exatamente aqueles levantados, não se podendo falar em qualquer “antecipação”, já que seus montantes eram efetivamente os devidos. Ainda a respeito deste assunto, uma análise das mais perspicazes verificouse no voto condutor do Ac. CSRF nº 9101002.180, já citado anteriormente, e aqui trazido subsidiariamente como argumento de decisão. De acordo com o Relator, Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Da postergação de tributo “53. Não é o caso, não estamos frente a uma situação em que um tributo deixou de ser pago em exercícios anteriores e seria devido no exercício fiscalizado. 53.1. O que poderia até se defender (no máximo) é que houve "postergação de despesa", logo, em exercícios anteriores, teria havido antecipação de tributo; e, portanto, no exercício fiscalizado estaria havendo "compensação" desses tributos antecipados. 53.2. Entretanto, esta defesa não procede porque não se trata de despesa (não foi incorrida nos anos anteriores); depois, ainda que fosse, essa "postergação de despesa" foi indevida (em desrespeito à legislação societária, e, conseqüentemente, à legislação fiscal). Assim, o tributo não foi realmente antecipado, sempre foi tributo devido”. (negritado). Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Brasília (DF), em 05 de julho de 2016. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 16327.721109/201445 Acórdão n.º 1402002.239 S1C4T2 Fl. 185 21 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 01/08/2016 por PAULO MATEUS CICCONE
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Numero do processo: 10711.722965/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 29 65 /2 01 1- 55 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722965/201155 Acórdão n.º 3302003.473 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12268.000263/2007-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 63 /2 00 7- 41 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 211DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 213DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 9202004.703 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900434/2009-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 34 /2 00 9- 23 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900434/200923 Acórdão n.º 9303003.995 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.961, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900434/200923 Acórdão n.º 9303003.995 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900434/200923 Acórdão n.º 9303003.995 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900434/200923 Acórdão n.º 9303003.995 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900434/200923 Acórdão n.º 9303003.995 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900434/200923 Acórdão n.º 9303003.995 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900434/200923 Acórdão n.º 9303003.995 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13819.903351/2008-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente THREE BOND DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 51 /2 00 8- 67 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903351/200867 Acórdão n.º 9303004.061 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3402001.420, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903351/200867 Acórdão n.º 9303004.061 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903351/200867 Acórdão n.º 9303004.061 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903351/200867 Acórdão n.º 9303004.061 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903351/200867 Acórdão n.º 9303004.061 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903351/200867 Acórdão n.º 9303004.061 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903351/200867 Acórdão n.º 9303004.061 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10730.010601/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 22/06/2006 a 12/09/2008
FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DO REPETRO. AUTO DE INFRAÇÃO. HIGIDEZ.
A opção pela lavratura de auto de infração, por si só, não justifica a decretação da nulidade do procedimento instaurado no intuito de promover a cobrança dos tributos garantidos em Termo de Responsabilidade, além das multas cabíveis em razão do descumprimento do regime de Repetro.
Restando evidenciado que as multas lançadas não faziam parte do Termo e que o Fisco adotou todas as providencias regimentais sob sua alçada e, ao invés de encaminhar os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, optou pela instauração de novo procedimento, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade formal ou material.
Além de inexistir qualquer dispositivo legal ou regulamentar que preveja a decretação da nulidade em tal hipótese, o rito adotado confere nova oportunidade para o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório, privilegiando-os, e , o que é mais importante, não traz qualquer prejuízo ao contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial, determinado o retorno dos autos ao órgão julgador de 1ª instância para analisar as demais questões trazidas na impugnação. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/06/2006 a 12/09/2008 FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DO REPETRO. AUTO DE INFRAÇÃO. HIGIDEZ. A opção pela lavratura de auto de infração, por si só, não justifica a decretação da nulidade do procedimento instaurado no intuito de promover a cobrança dos tributos garantidos em Termo de Responsabilidade, além das multas cabíveis em razão do descumprimento do regime de Repetro. Restando evidenciado que as multas lançadas não faziam parte do Termo e que o Fisco adotou todas as providencias regimentais sob sua alçada e, ao invés de encaminhar os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, optou pela instauração de novo procedimento, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade formal ou material. Além de inexistir qualquer dispositivo legal ou regulamentar que preveja a decretação da nulidade em tal hipótese, o rito adotado confere nova oportunidade para o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório, privilegiandoos, e , o que é mais importante, não traz qualquer prejuízo ao contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial, determinado o retorno dos autos ao órgão julgador de 1ª instância para analisar as demais questões trazidas na impugnação. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 06 01 /2 00 9- 86 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 706 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3102002.313 (fls. 640 a 654) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 11/11/2014, no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/06/2006 a 12/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO EM TERMO DE RESPONSABILIDADE. NULIDADE. O art. 682 do RA/2002 e art. 766 do RA/2009 são expressos ao prescrever que o que deve ser formalizado em auto de infração é apenas e tão somente a exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do Termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo do tributo devido. O crédito já constituído em Termo de Responsabilidade deve ser encaminhado diretamente para inscrição em dívida ativa, dispensada qualquer providência por parte do Fisco. Recurso Ofício Negado. O processo tem origem em autos de infração lavrados em face da contribuinte para cobrança de crédito tributário referente aos seguintes tributos: imposto de importação (II), imposto sobre produtos industrializados (IPI), PIS/Pasepimportação, COFINS importação, além de multas de ofício proporcionais a 75% (setenta e cinco por cento) dos tributos exigidos e juros de mora. A exigência decorre da inadimplência de condições estabelecidas para o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), e da falta de recolhimento dos tributos incidentes na importação do navio MAERSK MASTER e dos demais bens acessórios, registradas através de declarações de importação (DI´s) no período compreendido entre 22/06/2006 e 12/09/2008. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 707 3 No julgamento da impugnação (fls. 602 a 617), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) declarou a nulidade do auto de infração por vício de ordem formal em razão da ausência da descrição do fato que ensejou a lavratura do auto de infração, tendo o Acórdão nº 0727.000, da 2ª Turma da DRJ/FNS, recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/06/2006 a 12/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DO FATO. REQUISITO DE VALIDADE. DESATENDIMENTO. NULIDADE. A autoridade lançadora deve descrever o fato que ensejou a lavratura do auto de infração, sem o que, o feito é nulo porquanto contrário à determinação legal que designa a descrição do fato como requisito de validade do auto de infração. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado (grifo no original) Ao apreciar o recurso de ofício, interposto nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por unanimidade de votos, manteve a decisão de primeira instância pela nulidade do auto de infração, por entender que o crédito tributário já havia sido constituído em Termo de Responsabilidade, não sendo cabível qualquer providência por parte do Fisco nesse sentido (fls. 640 a 654). No ensejo, insurgese a Fazenda Nacional por meio do recurso especial de divergência (fls. 656 a 668), ora em julgamento, buscando ver reformado o acórdão nº 3102 002.313 (fls. 640 a 654), que negou provimento ao recurso de ofício. Sustenta, em síntese, ser o lançamento administrativo ato administrativo vinculado e obrigatório, conforme art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, não podendo a autoridade fiscal deixar de efetuá lo, ainda que diante de título líquido e certo como o Termo de Responsabilidade, sob pena de responsabilidade funcional. Aduz que o art. 63 da Lei nº 9.430/96 autoriza ao Fisco efetuar o lançamento de ofício para prevenir a decadência do crédito tributário. Para embasar a divergência, traz como paradigmas os acórdãos nºs 30134.533 (1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes) e 30333.145 (3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes). O recurso especial foi admitido, conforme despacho nº 3100101, de 20 de maio de 2015 (fls. 675 a 677), proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. De acordo com o que foi consignado em despacho pela autoridade preparadora (fl. 704), não houve a apresentação de contrarrazões pelo sujeito passivo. O presente processo foi distribuído a esta Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 708 4 análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, devendo, portanto, ser conhecido. O fato de os paradigmas apresentados tratarem do regime aduaneiro especial de drawback suspensão e o presente caso referirse ao Repetro não lhes retira a função de comprovar a divergência jurisprudencial, uma vez explicitarem entendimento quanto à dispensa ou não da lavratura do auto de infração pela autoridade fiscal frente à existência de termo de responsabilidade. No mérito, delimitase a controvérsia a averiguarse a validade do auto de infração lavrado em face do sujeito passivo face à existência do termo de responsabilidade, título líquido e certo, e da existência de procedimento próprio para a cobrança dos tributos suspensos em razão do Repetro. A matéria a ser analisada por este Colegiado, portanto, passa ao largo do adimplemento das condições legais para a fruição do regime aduaneiro especial do Repetro. O Repetro constituise em regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens, destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural, estando no campo de incidência dos tributos sobre o comércio exterior, embora a exigibilidade de seu pagamento permaneça suspensa, em razão dos tratamentos aduaneiros, dispensados aos bens admitidos neste regime aduaneiro. Conforme previsto no art. 308 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro, com exceção do regime aduaneiro de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (RECOF), as obrigações fiscais suspensas pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais serão constituídas em termo de responsabilidade firmado pelo beneficiário do regime. Sobre o termo de responsabilidade, dispõem os artigos 758 a 760 do Regulamento Aduaneiro/2009 (reproduzindo os artigos 674 a 676 do revogado Decreto nº 4.543/2002), in verbis: Art. 758. O termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 72, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1º). §1º Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4º do art. 121. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 709 5 §2º As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade não integram o crédito tributário nele constituído. Art. 759. Poderá ser exigida garantia real ou pessoal do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 72, §1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o). Parágrafo único. A garantia a que se refere o caput poderá ser prestada sob a forma de depósito em dinheiro, fiança idônea ou seguro aduaneiro em favor da União. Art. 760. O termo de responsabilidade é título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 72, § 2º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1º). Parágrafo único. Não cumprido o compromisso assumido no termo de responsabilidade, o crédito nele constituído será objeto de exigência, com os acréscimos legais cabíveis. (grifouse) Sendo descumpridas as condições para concessão do regime aduaneiro especial, no caso o Repetro, emerge para a Fazenda Nacional o direito e dever de exigir o crédito tributário constituído em termo de responsabilidade, na forma especificamente prevista nos artigos 761 a 766 do Regulamento Aduaneiro/2009 (reproduzindo os exatos termos dos artigos 677 a 682 do revogado Decreto nº 4.543/2002) : Art. 761. A exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade deve ser precedida de: I intimação do responsável para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso assumido; e II revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito. § 1º A exigência do crédito, depois de notificada a sua ratificação ou liquidação ao responsável, deverá ser efetuada mediante: I conversão do depósito em renda da União, na hipótese de prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou II intimação do responsável para efetuar o pagamento, no prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro aduaneiro. § 2º Quando a exigência for efetuada na forma prevista no inciso II do § 1º, será intimado também o fiador ou a seguradora. Art. 762. Decorrido o prazo fixado no inciso I do caput do art. 761, sem que o interessado apresente a manifestação solicitada, será efetivada a exigência do crédito na forma prevista nos §§ 1º e 2º desse artigo. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 710 6 Art. 763. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. Art. 764. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá, no âmbito de sua competência, editar atos normativos para o disciplinamento da exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade. Art. 765. O termo não formalizado por quantia certa será liquidado à vista dos elementos constantes do despacho aduaneiro a que estiver vinculado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 72, § 3º, com a redação dada pelo Decreto Lei no 2.472, de 1988, art. 1º). § 1º Na hipótese do caput, o interessado deverá ser intimado a apresentar, no prazo de dez dias, as informações complementares necessárias à liquidação do crédito. § 2º O crédito liquidado será exigido na forma prevista nos §§ 1º e 2º do art. 761. Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972. (grifouse) Da análise dos dispositivos transcritos acima, depreendese que deixando o beneficiário do regime de efetuar o pagamento do crédito tributário até então suspenso pela concessão do regime aduaneiro especial, por se constituir o termo de responsabilidade em título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional às obrigações nele constituídas, a providência a ser adotada é o seu encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional de modo que esta proceda à respectiva cobrança. Portanto, existindo no Regulamento Aduaneiro previsão de ter o termo de responsabilidade força de título executivo e disciplinado procedimento específico para a cobrança do crédito tributário nele constituído, não há de se falar na lavratura de auto de infração pela autoridade fiscal, nos termos do Decreto nº 70.235/72. A legislação aduaneira admite a lavratura de auto de infração somente na hipótese de ser apurado crédito tributário em procedimento posterior ao termo de responsabilidade, em razão da apuração da diferença de tributo ou de penalidade aplicável, nos termos do art. 766 do Regulamento Aduaneiro. No mesmo sentido das disposições contidas no Regulamento Aduaneiro para cobrança das obrigações tributárias constituídas em termo de responsabilidade, foi editada pela Secretaria da Receita Federal a Instrução Normativa nº 117, de 31 de dezembro de 2001, nos seguintes termos: [...] O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF Nº 259, de 24 de agosto de 2001, e Fl. 710DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 711 7 tendo em vista o disposto no § 1º do art. 249 e no § 1º do art. 548, ambos do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto Nº 91.030, de 5 de março de 1985, resolve: Art. 1º Os créditos da Fazenda Nacional, constituídos em virtude da aplicação da legislação aduaneira e representados em termo de responsabilidade, serão exigidos na forma desta Instrução Normativa. Art. 2º A garantia vinculada a termo de responsabilidade, quando exigível, poder ser prestada sob a forma de seguro aduaneiro em favor da União Federal, nos seguintes casos: I admissão Temporária; II trânsito aduaneiro; III drawback; IV determinação do valor aduaneiro; V cumprimento de obrigações acessórias; e VI outras situações previstas na legislação aduaneira. Art. 3º O crédito garantido por depósito em moeda ser cobrado mediante execução do respectivo termo de responsabilidade, que consistir na conversão do depósito em renda da União, imediatamente após o vencimento do prazo consignado no referido termo. Art. 4º Na hipótese de garantia sob a forma de fiança prestada por pessoa física ou jurídica, fiança bancária ou seguro aduaneiro em favor da União Federal, a execução do termo de responsabilidade farseá mediante intimação do garantidor para, no prazo de trinta dias, proceder ao pagamento devido. § 1º A intimação referida no caput dever conter, além do prazo: I a qualificação do notificado; II o número do processo ou da declaração de importação correspondente; III o valor do crédito a recolher; IV a indicação do local de pagamento e a forma de fazêlo; e V o nome e a assinatura do servidor, bem assim a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. § 2º O pagamento referido neste artigo ser efetuado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). § 3v Não comprovado o pagamento no prazo estabelecido, o título ser , de plano, remetido à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 712 8 Art. 5º O crédito representado em termo de responsabilidade sem garantia ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, no trigésimo primeiro dia subseqüente à data de vencimento nele consignada, caso Não tenha havido o adimplemento da obrigação ou a comprovação do pagamento devido. Art. 6º O crédito apurado em procedimento posterior à formalização do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, ser constituído mediante lavratura de auto de infração, observado o disposto no Decreto Nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelas Leis Nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 7º O seguro de que trata esta Instrução Normativa observar as normas específicas editadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 9º Ficam revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas SRF Nº 83/98, de 27 de julho de 1998, e Nº 84/98, de 27 de julho de 1998. (grifouse) A argumentação aqui expendida encontra amparo, ainda, em entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 463.481/RS, ao equiparar o termo de responsabilidade à DCTF como meio hábil e suficiente à constituição do crédito tributário, elidindo a necessidade de constituição formal da obrigação tributária pelo Fisco. Segue o teor da ementa: TRIBUTÁRIO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK SUSPENSÃO DESCUMPRIMENTO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E DO IPI DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 142 DO CTN DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. 1. Inexistindo similitude fática entre acórdãos confrontados, não se conhece do especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. 2. O regime de drawback, instituído pelo Decretolei 37/66, consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto a ser exportado, servindo de incentivo às exportações. 3. Para ter direito ao benefício, a empresa apresenta a declaração de importação, identificando, assim, a natureza da operação, o importador, o país de procedência, as especificações do produto e o código da receita dos tributos devidos, além do termo de responsabilidade. Outros documentos detalham a exportação, cujas condições ficam registradas em Ato Concessório. 4. Na operação de drawback há fato gerador e incidência do Imposto de Importação e do IPI, quando do desembaraço aduaneiro, com suspensão da exigibilidade, até a efetiva comprovação da exportação, nos moldes acordados. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 713 9 5. Descumpridas as condições, tornamse exigíveis os impostos suspensos, independentemente de constituição formal do crédito tributário (lançamento), o que afasta a alegada infringência ao art. 142 do CTN. 6. Recurso especial conhecido em parte e improvido. (REsp 463.481/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2004, DJ 20/09/2004, p. 233) (grifouse) Dessa forma, sendo o termo de responsabilidade título representativo do direito líquido e certo da Fazenda Nacional à exigência do crédito tributário nele constituído, bem como havendo previsão específica na legislação aduaneira para a sua cobrança, não há de se falar em lançamento de ofício pela autoridade fiscal, inexistindo, assim, violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Por fim, resta afastada também a alegação de cerceamento ou prejuízo à defesa do sujeito passivo, uma vez previsto no Regulamento Aduaneiro a necessidade de (a) prévia intimação do mesmo "para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso" e (b) "revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito" (art. 761 do RA/2009). Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose incólume o acórdão que negou o recurso de ofício. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto da ilustre relatora, desta ouso divergir. É importante esclarecer, preambularmente, que não há espaço para se adentrar no mérito da exigência fiscal, no caso, o alegado descumprimento do regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens que se destina às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural Repetro, pois, em todas as instâncias, os órgãos julgadores se limitaram a discutir a nulidade do procedimento. Assim, cabe devolver o processo à primeira instância julgadora, para que sejam enfrentadas as demais questões que fazem parte do presente litígio. Cumpre a este Colegiado, portanto, exclusivamente decidir se o rito adotado, no caso a lavratura de auto de infração ao invés do encaminhamento dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, com vistas à adoção das providências necessária à execução, implicará a decretação da nulidade do procedimento, com todas as implicações que tal medida possa vir a ter, em especial a eventual fluência do prazo prescricional. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 714 10 Para tanto, há que se considerar, em primeiro lugar, que parte da exigência aqui debatida, no caso as multas de ofício de 75%, calculadas sobre o valor do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não foram consignados no Termo de Responsabilidade às fls. 207 e 208. Sobre tais parcelas, portanto, incide a regra do art. 766 do Regulamento Aduaneiro (RA), de 2009, que reproduz o art. 682 do RA de 2002. Eis a sua redação (destaques acrescidos): Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972. De fato, se as multas não constam do referido termo, as únicas formas autorizadas para a formalização da exigência decorrente de tais apurações são as previstas no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, que reza: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Nessa linha, podese concluir que a discussão acerca dos efeitos de eventual inobservância do rito de execução do Termo de Responsabilidade circunscrevese à fração relativa aos impostos e contribuições que constaram daquele Termo. Quanto às multas, não há a menor dúvida de que o Fisco adotou o único rito possível. Pois bem, com relação a esta fração, peço licença para transcrever, mais uma vez, os arts. 761 a 763 do Regulamento Aduaneiro de 2009, que reproduzem os arts. 677 a 679 do RA anterior, já transcrito no voto vencido: Art. 761. A exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade deve ser precedida de: I intimação do responsável para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso assumido; e II revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito. § 1º A exigência do crédito, depois de notificada a sua ratificação ou liquidação ao responsável, deverá ser efetuada mediante: I conversão do depósito em renda da União, na hipótese de prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou Fl. 714DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 715 11 II intimação do responsável para efetuar o pagamento, no prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro aduaneiro. § 2º Quando a exigência for efetuada na forma prevista no inciso II do § 1º, será intimado também o fiador ou a seguradora. Art. 762. Decorrido o prazo fixado no inciso I do caput do art. 761, sem que o interessado apresente a manifestação solicitada, será efetivada a exigência do crédito na forma prevista nos §§ 1º e 2º desse artigo. Art. 763. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. Cotejando o procedimento descrito no campo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 44 e seguintes, chegase à conclusão de que a único procedimento que o Fisco deixara de adotar seria a remessa dos autos para a Procuradoria da Fazenda Nacional, com vistas à adoção das medidas necessárias à promoção da inscrição do débitos em Dívida Ativa da União e demais medidas com vistas à cobrança judicial. Confirase os seguintes excertos do relato do Fisco: Em 10/03/2009, foi enviada ao interessado, por via postal, com aviso de recebimento, a notificação da ratificação do crédito tributário consubstanciado nos termos de responsabilidade (Notificação n° 70/2009, fls. 228 a 230), bem como o Termo de Intimação n° 71/2009 (fls. 231 e 232), para que fosse efetuado o pagamento dos tributos suspensos no prazo de 30 (trinta) dias, e que promovesse o recolhimento da multa prevista no inciso I do artigo 72 da Lei n° 10.833/03. Foi também intimado o garantidor dos tributos suspensos, conforme disposto no parágrafo 2° do artigo 18 da IN SRF n° 285/03, por meio do Termo de Intimação no 72/2009 (fls. 233 e 234), dentro do mesmo prazo, 30 (trinta) dias, a recolher os valores consubstanciados nos termos de responsabilidade constantes da Notificação n° 70/2009. Em revisão ao processo, verificouse que o acima alegado pelo despachante aduaneiro deve ser absolutamente descartado, haja vista ele mesmo ter encaminhado em 10/11/2008 a sua via original do Termo de Responsabilidade n° 3520/08 solicitando que nela fosse lavrado o competente apostilamento, certificando a ocorrência dessa circunstância, a via original do termo de responsabilidade respectivo, registrado nessa repartição sob o n° 3520/08 ", conforme se observa em fls. 227 deste processo. Assim, tendo ficado demonstrado de forma inequívoca que o interessado não apresentou o competente Requerimento de Prorrogação do Regime (RPR) dentro do prazo de vigência do regime, por razões outras que não foi a falta de ciência da prorrogação anterior lavrada no TR n° 3520/08, o mesmo interpôs recurso voluntário (fls. 235 a 244), ensejando o Fl. 715DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 716 12 encaminhamento do processo de Admissão Temporária sob o n° 10730.002913/200673 à Superintendência Regional da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, competente regimentalmente a sua apreciação. (...) Por fim, tendo em vista o despacho exarado pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª RF em fls. 248 a 251 corroborando o entendimento firmado pela Equipe de Despacho Aduaneiro, o processo foi encaminhado o A Equipe de Fiscalização Aduaneira da DRF Niterói para a execução dos procedimentos relativos A exigência do crédito tributário constituído nos termos de responsabilidade relacionados na Notificação n° 70/2008 (fls. 228 a 230) e da multa prevista no inciso I do artigo 72 da Lei n° 10.833/03. Como visto, a lavratura da Notificação nº 70/2009, colacionada às fls. 236 a 238, além da realização de revisão do processo, descrita no excerto do auto de infração acima transcrito, demonstram que as exigências elencadas nos incisos I e II do caput do art. 761 do RA foram regularmente cumpridas. Por outro lado, os Termos de Intimação nº 71/2009 e 72/2009, colacionados às fls. 239 a 240 e 241 a 242, respectivamente, demonstram o cumprimento dos §§ 1º, II, e 2º desse mesmo art. 761, além do art. 762 do RA. Notar que o termo está garantido por fiança idônea. Indiscutivelmente, após o encerramento dessas etapas procedimentais, os autos não foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do já transcrito art. 763 do RA. Ocorre que, não consigo imaginar que tal opção, que potencializa o exercício do direito de defesa, conferindo nova oportunidade (além da já conferida) para que o Contribuinte apresente novamente suas razões de inconformidade em duas instâncias ordinárias e, conforme o caso, uma instância especial, redunde na nulidade da autuação, máxime em razão de que não há qualquer dispositivo na legislação aduaneira ou processual administrativa que preveja essa consequência. Quando se trata de discutir nulidade procedimental, entendo salutar tomar como referência a lição de Bedaque1 (original não destacado): “...De fato, a observância da técnica é fundamental para que o método estatal de solução de controvérsias cumpra com êxito sua função. O problema está nos exageros. Tudo que é levado às últimas conseqüências acaba produzido efeitos perversos. A técnica processual deixa de ser fator de segurança e se transforma em fim, adorando a sua própria imagem. Necessário evitar que isso ocorra, pois ela está prestes a cair no lago. 1 Bedaque, José Roberto dos Santos. Efetividade do Processo e Técnica Processual. São Paulo. Malheiros, 2006, pp 82 e 83. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 717 13 É preciso considerar, portanto, as situações em que a falta de um pressuposto do processo não afeta os valores a serem assegura dos por ele, nem impede a solução adequada no âmbito material. Nem sempre a ausência de requisito de admissibilidade do exame de mérito compromete a segurança e a ordem, devendo essas situações ser solucionadas à luz dos objetivos visados pelo instrumento, não em função da forma em si mesma considerada. Cabe ao processualista dizer em que medida a violação da técnica pode ser relevada, porque não afetados os valores assegurados pelo processo.” É preciso firmar, ainda, que essa abordagem encontrase dogmatizada nos arts. 60, do Decreto nº 70.235, de 19722 e 55, da Lei nº 9.784, de 19993, este último aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Trazendo tal discussão ao âmbito do Processo Administrativo Fiscal, indiscutivelmente, situações há em que tal prejuízo (ou ameaça) presumese jure et de jure, taxativamente elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/724. Sendo certo que não se discute a competência do agente, hipótese tratada no inciso I, caberia investigar se o alegado descumprimento da forma prescrita em lei efetivamente cerceara o direito de defesa dos sujeitos passivos, hipótese do inciso II. Deveras, conforme se observa da leitura desse inciso II, em conjunto com o art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mesmo quando a legislação é taxativa quanto à forma por meio da qual determinado ato processual deve ser executado, o saneamento ou a nulidade só tem vez quando caracterizada prejuízo a interesse processual. Ou seja, mesmo quando a lei estabelece a presunção, transfere ao julgador a análise da validade do ato sob um prisma teleológico, que direciona tal avaliação para o atingimento do resultado, sem a prévia definição da forma. Se, e somente se, caracterizado prejuízo, conforme o caso, tornarseá nulo o procedimento ou ato, ou exigirseá seu saneamento. Caso contrário, não se fala em nulidade ou saneamento. Feita tal delimitação, restaria, ainda, explorar o significado da expressão “prejuízo” no âmbito processual, elencada no já mencionado art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Para tanto, recorro à lição de Teresa Arruda Alvim Wambier5 2 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 3 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. 4 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 5 Nulidades do Processo e da Sentença. São Paulo, RT, 2007, 6ª ed, p. 169. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 9303004.140 CSRFT3 Fl. 718 14 A existência de prejuízo está correlacionada com o princípio do contraditório, no sentido de que, não ensejado o contraditório, por ausência de comunicação, configurase, processualmente, prejuízo. Dizse configurarse processualmente prejuízo, já que, em nível do processo, haverseá de ensejar a oportunidade sonegada à parte; no entanto, ainda que proporcionada tal oportunidade, isto não significa que, necessariamente, fique demonstrado um efetivo prejuízo, agora aferido em nível do direito material. Ou seja, nem pelo fato de renovarse ou repetir se o ato decorrerá necessariamente a demonstração de um direito. Partindo dessas referências, não vejo como afirmar que a prática dos atos segundo a forma adotada pelo Fisco, que reforçaram o direito ao contraditório e pleno exercício do direito de defesa possa culminar na decretação da nulidade do auto de infração, pois, em momento algum, restou caracterizado prejuízo para o contribuinte. Não foge ao conhecimento deste Relator que há pelo menos dois julgados do Superior Tribunal de Justiça, à exemplo do RE nº 463.481RS6, que dispensam a lavratura de auto de infração (frisese, dispensam), por considerar o Termo de Responsabilidade equiparado à DCTF. Entretanto, com a devida licença, não comungo com tal conclusão, pois o referido termo não corresponde a uma confissão, mas a uma declaração condicional. Ou seja, traçando um paralelo com a DCTF, o Termo de Responsabilidade representaria, no máximo, a declaração de suspensão que, sabidamente, não corresponde a uma confissão. Como já pacificado, apenas os saldos a pagar produzem tal efeito. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial, afastando a declaração de nulidade do auto de infração e, devolvendo o processo à primeira instância, para análise das demais questões suscitadas. Henrique Pinheiro Torres 6 MINISTRA ELIANA CALMON, Julgado em 18/05/2004 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 11/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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