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Numero do processo: 14041.000673/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. NOTAS FISCAIS. PARCELAS RETIDAS. RECOLHIMENTO. MULTA MAIS BENÉFICA.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91, aplicando-se, portanto, as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, diante do comprovado pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
A empresa deve recolher a contribuição social previdenciária, prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, retida nas notas fiscais emitidas nos contratos de cessão de mão-de-obra e que foram apresentadas pela recorrente.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, aplicando-se o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se mais favorável ao contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a ) em conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, pela regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA. NOTAS FISCAIS. PARCELAS RETIDAS. RECOLHIMENTO. MULTA MAIS BENÉFICA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91, aplicandose, portanto, as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, diante do comprovado pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. A empresa deve recolher a contribuição social previdenciária, prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, retida nas notas fiscais emitidas nos contratos de cessão de mãodeobra e que foram apresentadas pela recorrente. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, aplicandose o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se mais favorável ao contribuinte. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 73 /2 00 7- 72 Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a ) em conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, pela regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PALLISSANDER ENGENHARIA LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada e manteve débito tributário referente ao período de 02/1999 a 08/2006. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff.147/152, o auto de infração foi lavrado por falta de recolhimento de contribuições sociais retidas sobre as notas fiscais de pagamento de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra prestados no período de apuração, como se verifica no trecho que ora colaciono: “4. Em 13/09/2006, data do início da ação fiscal, foi expedido o primeiro Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD (cópia anexa) solicitando que a documentação necessária à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias fosse colocada à disposição da fiscalização. Dentre os documentos solicitados, foram requisitados os contratos de prestação de serviço sujeitos à retenção de 11% (item 26 do TIAD), bem como das Notas Fiscais de mãodeobra ou serviços prestados. Apesar de solicitados, tais documentos não foram apresentados. 5. Após análise dos registros contábeis apresentados pela empresa, verificouse a existência de retenções de contribuições previdenciárias sobre notas fiscais de prestação de serviços. Em anexo, discriminamos os lançamentos contábeis com a discriminação das contribuições retidas. Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14041.000673/200772 Acórdão n.º 2301003.398 S2C3T1 Fl. 2.136 3 6. Considerando a necessidade de identificar os prestadores de serviços, bem como de apropriar os valores eventualmente recolhidos de tais retenções, foi novamente solicitada a apresentação dos contratos de prestação de serviço sujeitos à retenção de 11%, Notas Fiscais de mãode obra ou serviços prestados e as respectivas guias de recolhimento das contribuições previdenciárias (GPS), conforme TIAD emitido em 25/09/2006. No entanto, tais documentos também não foram apresentados. 7. Tendo em vista que a empresa não atendeu aos termos de intimação anteriores, a fiscalização optou por requerer novamente tais documentos, por meio dos TIAD n° 005/2006, 006/2006 e 009/2006 emitidos em 27/11/2006, 28/11/2006 e 19/12/2006 respectivamente (documentos anexos). Apesar de solicitados, tais documentos não foram entregues, o que deu origem à lavratura do Auto de Infração n° 37.027.4628. Diante da recusa em apresentar os documentos solicitados, não foi possível identificar os prestadores de serviços. Desta forma, o lançamento do débito foi efetuado desconsiderando tais informações. 8. Diante do exposto, considerouse que a Empresa Pallissander Engenharia Ltda reteve onze por cento do valor bruto das notas fiscais emitidas pela empresas prestadoras de serviços e não comprovou o recolhimento das importâncias retidas até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão das respectivas notas fiscais. 9. Tais contribuições estão sendo cobradas da empresa contratante na qualidade de responsável tributário (subrogado), tendo em vista que a mesma não apresentou à auditoria a prova do seu recolhimento. 10.A situação acima descrita configura, EM TESE, crime de apropriação indébita previdenciária, de acordo com o artigo 168 A do DecretoLei n° 2.848 (Código Penal), de 07 de dezembro de 1940, acrescentado pela Lei 9.983, de 14 de julho de 2000, motivo pelo qual será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 282), impugnou o lançamento tempestivamente às ff.287/289. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa converteu o julgamento em diligência fiscal (ff. 1353/1355) a fim de que fosse esclarecido, em síntese: “7. Diante dos fatos expostos, fazse necessário que seja feita diligência fiscal para que o notificante analise as notas fiscais e guias apresentadas pelo contribuinte, apropriandoas nas competências corretas, o que vai implicar, em algumas competências, na alteração dos valores lançados. Assim, deve ser elaborada planilha com os valores a serem excluídos em cada competência.” 4. No relatório fiscal, em atendimento à diligência solicitada pela primeira instância (ff.1357/1359), o auditor levou em consideração as questões suscitadas e apresentou uma planilha como anexo I (ff. 1360/1465), detalhando os valores a serem apropriados após análise de cada nota fiscal e a respectiva guia de recolhimento juntados aos autos pela empresa, Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 modificando o valor do débito tributário: de R$ 1.477.514,67 (um milhão, quatrocentos e setenta e sete mil, quinhentos e quatorze reais e sessenta centavos) para R$ 1.181.722,61 (um milhão, cento e oitenta e um mil, setecentos e vinte e dois reais e sessenta e um centavos). 5. Sem que a empresa apresentasse nova impugnação, após ser notificada (f. 1496), os autos foram remetidos ao órgão julgador, o qual decidiu, por unanimidade, considerar procedente em parte o lançamento NFLD 37.027.4547, nos seguintes dizeres: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006 RETENÇÃO DE 11%. CESSÃO DE MÃODEOBRA. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãode obra ou empreitada é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra. REGISTROS CONTÁBEIS. A escrituração contábil em contas que evidenciam fato gerador de contribuição previdenciária autoriza o fisco a promover o lançamento baseado nestes registros, cabendo à notificada o ônus da prova em contrário, com a devida correção da contabilidade. Lançamento Procedente em Parte” 6. Tempestivamente, a empresa interpôs o recurso voluntário às ffs. 1493/1506, cuja síntese eu descrevo a seguir: Em preliminar: a) o lançamento tributário do período de 01/1996 a 12/2006 foi alcançado pela prescrição e decadência, uma vez que foi respaldado nos arts. 45 e 46, ambos da Lei 8.212/91, declarados inconstitucionais pelo Supremo, consubstanciado na Súmula Vinculante 8; b) aduz a impossibilidade jurídica do pedido pela inexistência do objeto, uma vez que a exigência fiscal foi constituída a partir de erro da fiscalização ao desconsiderar a impugnação e os documentos apresentados pela empresa; c) no mérito, requer que seja declarada a inexistência de débito fiscal, pois a empresa apresentou os documentos probatórios, anexandoos novamente em sede recursal a fim de comprovar o recolhimento tributário total. 7. O fisco não apresentou contrarrazões, porém, a instância a quo considerou sua decisão sujeita a recurso de ofício, com fulcro no art. 34, Decreto 70.235/1971, art. 366 do Regulamento da Previdência Social, combinados com art. 1º, I, da Portaria MPS 158/2007; os Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14041.000673/200772 Acórdão n.º 2301003.398 S2C3T1 Fl. 2.137 5 autos foram remetidos para apreciação dos recursos por este Segundo Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE RECURSAL 1. O recurso de ofício foi respaldado pelo primeiro órgão julgador no art. 34 do Decreto 70.235/1971, no art. 366 do Regulamento da Previdência Social, combinados com o art. 1º, I, da Portaria MPS 158/2007, abaixo colacionados: DECRETO 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. “ Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade.” DECRETO 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999 – REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. “ Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). II relevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 1o No caso de decisão de autoridade delegada, o recurso de ofício será dirigido, por intermédio do delegante, à autoridade Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 competente. (Renumerado com nova pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 2o O Ministro de Estado da Previdência Social poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.032, de 2007) § 2o O recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 3o O Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.224, de 2007).” Portaria 158, de 11042007 “Art. 1o Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2o ,das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização;” 2. A interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) sofreu modificação, conforme o artigo. 1º da Portaria MF 03/2008: Portaria MF 3, de 3 de janeiro de 2008 DOU de 7.1.2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” 3. A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, artigo 6º; a lei nova (latu sensu) é aplicada aos processos ainda em curso, observandose o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada: DECRETOLEI 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942. Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14041.000673/200772 Acórdão n.º 2301003.398 S2C3T1 Fl. 2.138 7 § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição préestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) 4. Verifico que valor apurado inicialmente pelo fisco foi de R$ 1.477.514,67 (um milhão, quatrocentos e setenta e sete mil, quinhentos e quatorze reais e sessenta centavos); e o montante aferido após diligência requerida pelo órgão primário, R$ R$ 1.181.722,61 (um milhão, cento e oitenta e um mil, setecentos e vinte e dois reais e sessenta e um centavos). Dessa forma, constato que o débito que deixou de ser exigido é de R$ 295.792,06 (duzentos e noventa e cinco mil, setecentos e noventa e dois reais e seis centavos), portanto, dentro do escopo da legislação que regia o recurso de ofício. 5. Assim, conheço do recurso de ofício, tendo em vista que o débito tributário exonerado à época que deu o seu ensejo foi superior ao limite determinado na Portaria MF 158/2007. 6. Quanto ao recurso voluntário, doulhe conhecimento, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 7. No caso em tela, por se tratar de questão de ordem pública, examino a decadência referente ao período apurado de 01/1996 a 08/2006, nos termos que se seguem. 8. O Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 9. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 10. Ainda sobre o assunto, a Lei 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 11. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 12. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14041.000673/200772 Acórdão n.º 2301003.398 S2C3T1 Fl. 2.139 9 “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009).” Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 13. Compulsando os autos, verifico que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a sua totalidade incidente sobre a folha de pagamentos da empresa recorrente. Assim, tenho como certa a aplicação da regra contida no art. 150, §4º, do CTN. 14. O CARF, por intermédio da Segunda Turma da Câmara Superior, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)” Processo 36918.002963/200575; Acórdão 920201.418, proferido no Recurso Especial do Procurador 243.707. 15. Dessa forma, tenho como certa a aplicação ao lançamento fiscal a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 16. E, com base nas informações expostas, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal das contribuições referentes ao período de 01/1996 a 08/2006 em 27.12.2006 (f. 282), ficam alcançadas pela decadência quinquenal a competência de 01/1996 a 11/2001, mantidas as demais competências. 17. Dessa feita, dou provimento parcial ao recurso voluntário por reconhecer a decadência na competência de 01/1996 a 11/2001. DA INEXISTÊNCIA DE ERROS NO LANÇAMENTO 18. Aduz a empresa recorrente a impossibilidade jurídica do pedido por inexistência do objeto, tendo em vista que a exigência do débito foi pautada em erro da fiscalização, porquanto esta não considerou os documentos e a impugnação apresentados pela contribuinte. 19. Contudo não vejo incorreções no lançamento fiscal, pois vi que o fisco requisitou a apresentação de documentos probatórios em sucessivos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIADs) para apuração de possível débito tributário, até que, finalmente, a recorrente entregouos para a devida análise. 20. Após apreciação de tais documentos, a fiscalização verificou nos registros contábeis as retenções de contribuições sociais previdenciárias nas notas fiscais emitidas em razão de cessão de mãodeobra, sem, contudo, haver o respectivo recolhimento tributário. 21. Já em sede de julgamento, o órgão administrativo demandou diligência quando a recorrente impugnou o lançamento e juntou aos autos os comprovantes das contribuições recolhidas, a fim de dirimir as dúvidas quanto ao montante a ser exigido da contribuinte. 22. Assim, em novo relatório fiscal (ff. 1357/1359), houve a redução do débito tributário: de R$ 1.477.514,67 (um milhão, quatrocentos e setenta e sete mil, quinhentos e quatorze reais e sessenta centavos) para R$ 1.181.722,61 (um milhão, cento e oitenta e um mil, setecentos e vinte e dois reais e sessenta e um centavos). 23. Dessa sorte, não há de se falar que o lançamento teria sido pautado em erro, uma vez que só teve a efetiva formação do débito tributário após análise de tudo o que a empresa recorrente juntou, com as modificações necessariamente realizadas após diligência requisitada pela primeira instância. Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14041.000673/200772 Acórdão n.º 2301003.398 S2C3T1 Fl. 2.140 11 24. Em tempo, a empresa pediu a declaração de inexistência de débito tributário, porquanto teria comprovado o recolhimento total das contribuições remanescentes, anexando ao recurso as respectivas guias e alguns comprovantes bancários. 25. Tal assertiva não prospera, porquanto a documentação juntada aos autos foi a mesma apresentada na impugnação, a qual foi devidamente analisada quando da Diligência solicitada pela instância a quo. 26. Dessa feita, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto, tendo em vista a legalidade da atuação do agente fazendário, e ratifico o débito tributário no montante auferido no Relatório Fiscal após Diligência, qual seja: R$ 1.181.722,61 (um milhão, cento e oitenta e um mil, setecentos e vinte e dois reais e sessenta e um centavos). 27. Quanto ao recurso de ofício, negolhe provimento, porquanto o crédito foi exonerado diante da comprovação do recolhimento efetivamente realizado pela empresa recorrente, como já explanado neste voto. DA MULTA 28. Por fim, sobre a multa a ser aplicada, importa que seja apreciada de ofício, por tratarse de questão de ordem. Assim, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 29. Em sendo, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 35. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 30. Ao confrontarse a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 31. Assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 32. Dado o exposto, CONHEÇO dos recursos de ofício e voluntário para, no mérito: a) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, uma vez que o crédito exonerado foi em decorrência de comprovação do recolhimento tributário pela empresa recorrente, como bem verificou o auditor fiscal; e b) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência na competência de 01/1996 a 11/2001, anteriores a 12/2001, pela regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, mantendo o débito tributário no montante auferido pela Receita após diligência, com aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, se mais benéfica para o contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11012.001444/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/2003
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. LEGITIMIDADE PARA PEDIR.
Somente o sujeito passivo definido no CTN, ou na legislação instituidora de tributo, tem o direito de pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido.
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Alexandre Gomes fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/2003 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. LEGITIMIDADE PARA PEDIR. Somente o sujeito passivo definido no CTN, ou na legislação instituidora de tributo, tem o direito de pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade. Recurso Voluntário Negado
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LEGITIMIDADE PARA PEDIR. Somente o sujeito passivo definido no CTN, ou na legislação instituidora de tributo, tem o direito de pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Alexandre Gomes fez declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 01 2. 00 14 44 /2 00 8- 13 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 22/10/2008 a empresa recorrente ingressou com o Pedido de Restituição (em papel) de IPI, que teria sido pago a maior na aquisição de bebidas, classificadas nos Capítulos 21 e 22 da TIPI, junto ao fabricante AMBEV, no período de outubro de 1999 a outubro de 2003, decorrente da incidência do IPI sobre os descontos incondicionais. A DRF em Porto Alegre RS indeferiu o pedido da recorrente, alegando, preliminarmente: (i) que os produtos dos Capítulos 21 e 22 da TIPI sujeitamse por unidade ou por determinada quantidade de produto e não pelo preço de venda; (ii) que a requerente não é contribuinte do IPI e, portanto, não tem legitimidade ativa para requerer o crédito; (iii) que está extinto o direito de pleitear a restituição/compensação, relativamente aos pagamentos efetuados antes de 22/10/2003, o que engloba quase a totalidade do crédito pleiteado (o prazo é de 05 anos contados da data do pagamento tido como indevido); (iv) que é desnecessário realizar diligência em face da inexistência de crédito a restituir, conforme Despacho Decisório DRF/POA nº 640, de 01/12/2008 (fls. 98/103). Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cuja síntese consta do relatório do acórdão recorrido, julgada e indeferida pela 3a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS, nos termos do Acórdão no 1030.614, de 24/03/2011 fls. 188/192. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 29/08/2011, conforme AR de fl. 202, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 28/09/2011, com o recurso voluntário de fls. 203/273, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a possibilidade do julgador administrativo analisar as leis em confronto com o texto constitucional, sobre a sua legitimidade para pleitear a restituição, sobre o prazo para pleitear restituição (cinco mais cinco anos) e sobre o direito de ver realizado a diligência requerida. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa interessada está pleiteado a restituição de IPI pago pela AMBEV e relativo às aquisições de bebidas feitas por ela recorrente no período de outubro de 1999 a outubro de 2003, sob a alegação de que o imposto incidiu sobre descontos incondicionais, o que é ilegítimo. Em sede de preliminar, examinarei as questões relativas à extinção do direito de pleitear a restituição e à sujeição passiva e da possibilidade de a recorrente efetuar o pedido de restituição em tela. A sujeição passiva está definida no art. 121 do CTN, abaixo reproduzido. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Para o IPI, o contribuinte do imposto está definido no art. 51 do CTN, abaixo reproduzido: Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. No presente caso, o sujeito passivo contribuinte é a empresa industrial AMBEV e, pelas disposições do art. 165 do CTN, somente o sujeito passivo tem legitimidade para pleitear restituição. Reza este dispositivo: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 5 4 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: (grifei) I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. A recorrente não é, portanto, sujeito passivo do IPI e, consequentemente, não tem legitimidade para pleitear a restituição deste imposto, mesmo tendo adquirido produtos tributados que julga indevido. Inexistindo relação jurídicotributária, relativamente ao imposto objeto do pedido de restituição, entre a recorrente e a Fazenda Nacional (União), não tem ela recorrente legitimidade para postular a restituição em tela. Sobre a possibilidade da restituição de tributos indiretos, como bem disse a decisão recorrida, há necessidade do sujeito passivo cumprir as determinações do art. 166 do CTN, acima reproduzido. Com relação à extinção do direito de pleitear a restituição, a recorrente está pleiteando a restituição de IPI cujos pagamentos, que entende indevidos ou maiores que os devidos, foram realizados pela AMBEV entre outubro de 1999 e outubro de 2003. O pedido de restituição foi apresentado no dia 22/10/2008, ou seja, na vigência da Lei Complementar nº 118/05. A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas DRF e DRJ, entendeu extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição em tela em face do decurso do prazo, que entende ser de 05 (cinco) anos, a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Concordo e ratifico o entendimento da RFB e julgo improcedentes os argumentos da recorrente quanto ao transcurso do prazo para pleitear restituição de eventual pagamento indevido ou a maior de IPI, que entende ser de 10 (dez) anos (cinco mais cinco anos). Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 6 5 Sobre o prazo, e o termo a quo do mesmo, para pedir restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente, reza o art. 168 do CTN: “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. (negritei). Para terminar de vez a querela sobre o termo a quo da contagem do referido prazo de pedido de restituição, o Supremo Tribunal Federal, em sessão do Pleno realizada no dia 04/08/2011, julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621, para declarar inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerar válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Em outras palavras, para os pedidos de restituição apresentados a partir do dia 09/06/2005, o prazo para pleitear restituição contase da data do pagamento, conforme reza o art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, abaixo transcrito. Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional dispositivo da legislação tributária é de aplicação obrigatória pelo CARF, conforme expressa determinação contida no art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). No caso em análise, está o CARF autorizado a afastar a aplicação do referido art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e obrigado a aplicar os demais dispositivos da referida lei complementar, em especial o seu art. 3º, acima transcrito, nos casos de pedido de restituição apresentados a partir do dia 09/06/2005. No caso dos autos, o pedido de restituição foi apresentado no dia 22/10/2008. Consequentemente, não merece prosperar o pleito da recorrente porque seu pedido de restituição foi apresentado no dia 22/10/2008, em plena vigência da Lei Complementar nº 118/05. Está, portanto, extinto o direito de a Recorrente pleitear a restituição dos pagamentos tidos por indevidos e realizados há mais de 05 (cinco) anos da data da apresentação do respectivo pedido de restituição. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 7 6 Sobre o mérito, deixo de apreciar os argumentos da recorrente sobre a ilegitimidade da base de cálculo do IPI, objeto do pedido de restituição, e sobre o pedido de realização de diligência, em face da inexistência do direito da recorrente para pleitear a restituição em tela e, também, do transcurso do prazo para pleitear restituição. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto ALEXANDRE GOMES – Conselheiro. Solicitei vista deste processo para melhor verificar a questão relacionada a legitimidade da Distribuidora de Bebidas para requerer a restituição de valores de IPI recolhidos pela Fabricante sobre os denominados descontos incondicionais. A controvérsia versa sobre a possibilidade do contribuinte de fato (Distribuidora de Bebidas) pleitear restituição de tributos indiretos recolhidos indevidamente pelos chamados contribuintes de direito. O STJ a longo dos últimos anos variou bastante sua interpretação sobre esta possibilidade, e até 2010, entendia que o contribuinte de fato possuía legitimidade para repetir o indébito relativo a tributo recolhido indevidamente pelos contribuintes de direito. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 8 7 Porém, sobreveio nova interpretação da matéria, que culminou com o julgamento do Resp. nº 903394, de Relataria do Min. Luiz Fux, já com o efeito do art. 543C do CPC, cuja ementa segue abaixo transcrita: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DISTRIBUIDORAS DE BEBIDAS. CONTRIBUINTES DE FATO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. SUJEIÇÃO PASSIVA APENAS DOS FABRICANTES (CONTRIBUINTES DE DIREITO). RELEVÂNCIA DA REPERCUSSÃO ECONÔMICA DO TRIBUTO APENAS PARA FINS DE CONDICIONAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO SUBJETIVO DO CONTRIBUINTE DE JURE À RESTITUIÇÃO (ARTIGO 166, DO CTN). LITISPENDÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. 1. O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo ao IPI incidente sobre os descontos incondicionais, recolhido pelo "contribuinte de direito" (fabricante de bebida), por não integrar a relação jurídica tributária pertinente. 2. O Código Tributário Nacional, na seção atinente ao pagamento indevido, preceitua que: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla." Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 9 8 3. Consequentemente, é certo que o recolhimento indevido de tributo implica na obrigação do Fisco de devolução do indébito ao contribuinte detentor do direito subjetivo de exigilo. 4. Em se tratando dos denominados "tributos indiretos" (aqueles que comportam, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro), a norma tributária (artigo 166, do CTN) impõe que a restituição do indébito somente se faça ao contribuinte que comprovar haver arcado com o referido encargo ou, caso contrário, que tenha sido autorizado expressamente pelo terceiro a quem o ônus foi transferido. 5. A exegese do referido dispositivo indica que: "...o art. 166, do CTN, embora contido no corpo de um típico veículo introdutório de norma tributária, veicula, nesta parte, norma específica de direito privado, que atribui ao terceiro o direito de retomar do contribuinte tributário, apenas nas hipóteses em que a transferência for autorizada normativamente, as parcelas correspondentes ao tributo indevidamente recolhido: Tratase de norma privada autônoma, que não se confunde com a norma construída da interpretação literal do art. 166, do CTN. É desnecessária qualquer autorização do contribuinte de fato ao de direito, ou deste àquele. Por sua própria conta, poderá o contribuinte de fato postular o indébito, desde que já recuperado pelo contribuinte de direito junto ao Fisco. No entanto, notese que o contribuinte de fato não poderá acionar diretamente o Estado, por não ter com este nenhuma relação jurídica. Em suma: o direito subjetivo à repetição do indébito pertence exclusivamente ao denominado contribuinte de direito. Porém, uma vez recuperado o indébito por este junto ao Fisco, pode o contribuinte de fato, com base em norma de direito privado, pleitear junto ao contribuinte tributário a restituição daqueles valores. A norma veiculada pelo art. 166 não pode ser aplicada de maneira isolada, há de ser confrontada com todas as regras do sistema, sobretudo com as veiculadas pelos arts. 165, 121 e 123, do CTN. Em nenhuma delas está consignado que o terceiro que arque com o encargo financeiro do tributo possa ser contribuinte. Portanto, só o contribuinte tributário tem direito à repetição do indébito. Ademais, restou consignado alhures que o fundamento último da norma que estabelece o direito à repetição do indébito está na própria Constituição, mormente no primado da estrita legalidade. Com efeito a norma veiculada pelo art. 166 chocase com a própria Constituição Federal, colidindo frontalmente com o princípio da estrita legalidade, razão pela qual há de ser considerada como regra não recepcionada pela ordem tributária atual. E, mesmo perante a ordem jurídica Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 10 9 anterior, era manifestamente incompatível frente ao Sistema Constitucional Tributário então vigente." (Marcelo Fortes de Cerqueira, in "Curso de Especialização em Direito Tributário Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Coordenação de Eurico Marcos Diniz de Santi, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, págs. 390/393) 6. Deveras, o condicionamento do exercício do direito subjetivo do contribuinte que pagou tributo indevido (contribuinte de direito) à comprovação de que não procedera à repercussão econômica do tributo ou à apresentação de autorização do "contribuinte de fato" (pessoa que sofreu a incidência econômica do tributo), à luz do disposto no artigo 166, do CTN, não possui o condão de transformar sujeito alheio à relação jurídica tributária em parte legítima na ação de restituição de indébito. 7. À luz da própria interpretação histórica do artigo 166, do CTN, dessumese que somente o contribuinte de direito tem legitimidade para integrar o pólo ativo da ação judicial que objetiva a restituição do "tributo indireto" indevidamente recolhido (Gilberto Ulhôa Canto, "Repetição de Indébito", in Caderno de Pesquisas Tributárias, n° 8, p. 25, São Paulo, Resenha Tributária, 1983; e Marcelo Fortes de Cerqueira, in "Curso de Especialização em Direito Tributário Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Coordenação de Eurico Marcos Diniz de Santi, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, págs. 390/393). 8. É que, na hipótese em que a repercussão econômica decorre da natureza da exação, "o terceiro que suporta com o ônus econômico do tributo não participa da relação jurídica tributária, razão suficiente para que se verifique a impossibilidade desse terceiro vir a integrar a relação consubstanciada na prerrogativa da repetição do indébito, não tendo, portanto, legitimidade processual" (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª ed., São Paulo, 2008, Ed. Noeses, pág. 583). 9. In casu, cuidase de mandado de segurança coletivo impetrado por substituto processual das empresas distribuidoras de bebidas, no qual se pretende o reconhecimento do alegado direito líquido e certo de não se submeterem à cobrança de IPI incidente sobre os descontos incondicionais (artigo 14, da Lei 4.502/65, com a redação dada pela Lei 7.798/89), bem como de compensarem os valores indevidamente recolhidos àquele título. 10. Como cediço, em se tratando de industrialização de produtos, a base de cálculo do IPI é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria do estabelecimento industrial (artigo 47, II, "a", do CTN), ou, na falta daquele valor, o preço corrente da mercadoria ou sua similar no mercado atacadista da praça do remetente (artigo 47, II, "b", do CTN). 11. A Lei 7.798/89, entretanto, alterou o artigo 14, da Lei 4.502/65, que passou a vigorar com a seguinte redação: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 11 10 "Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. (...)"12. Malgrado as Turmas de Direito Público venham assentando a incompatibilidade entre o disposto no artigo 14, § 2º, da Lei 4.502/65, e o artigo 47, II, "a", do CTN (indevida ampliação do conceito de valor da operação, base de cálculo do IPI, o que gera o direito à restituição do indébito), o estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN), sendo certo que a presunção da repercussão econômica do IPI pode ser ilidida por prova em contrário ou, caso constatado o repasse, por autorização expressa do contribuinte de fato (distribuidora de bebidas), à luz do artigo 166, do CTN, o que, todavia, não importa na legitimação processual deste terceiro. 13. Mutatis mutandis, é certo que: "1. Os consumidores de energia elétrica, de serviços de telecomunicação não possuem legitimidade ativa para pleitear a repetição de eventual indébito tributário do ICMS incidente sobre essas operações. 2. A caracterização do chamado contribuinte de fato prestase unicamente para impor uma condição à repetição de indébito pleiteada pelo contribuinte de direito, que repassa o ônus financeiro do tributo cujo fato gerador tenha realizado (art. 166 do CTN), mas não concede legitimidade ad causam para os consumidores ingressarem em juízo com vistas a discutir determinada relação jurídica da qual não façam parte. 3. Os contribuintes da exação são aqueles que colocam o produto em circulação ou prestam o serviço, concretizando, assim, a hipótese de incidência legalmente prevista. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11012.001444/200813 Acórdão n.º 3302002.032 S3C3T2 Fl. 12 11 4. Nos termos da Constituição e da LC 86/97, o consumo não é fato gerador do ICMS. 5. Declarada a ilegitimidade ativa dos consumidores para pleitear a repetição do ICMS." (RMS 24.532/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 26.08.2008, DJe 25.09.2008) 14. Consequentemente, revelase escorreito o entendimento exarado pelo acórdão regional no sentido de que "as empresas distribuidoras de bebidas, que se apresentam como contribuintes de fato do IPI, não detém legitimidade ativa para postular em juízo o creditamento relativo ao IPI pago pelos fabricantes, haja vista que somente os produtores industriais, como contribuintes de direito do imposto, possuem legitimidade ativa". 15. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A partir deste julgamento, forte no que determina o art. 62 A do Regimento Interno do CARF, tal decisão passa a ser de aplicação obrigatória no âmbito deste colegiado, motivo pelo qual acompanho o eminente Relator quanto a preliminar de ilegitimidade passiva. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Conselheiro. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.913140/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 40 /2 00 9- 81 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.913140/200981 Acórdão n.º 3801001.971 S3TE01 Fl. 127 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa às fls. 1/3, transmitida eletronicamente pela empresa Santos Brasil S/A com o propósito de compensar débito próprio com suposto crédito de Pis oriundo de pagamento indevido ou a maior que teria realizado em 13/10/2000. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 4, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Inconformada, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade anexa às fls. 9/21, na qual alega em síntese que: a. a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b. a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora (vejase cópia em anexo); c. não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer 103 dias mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d. além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que — em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública — afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e. em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f. a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea — situação que, nos termos do art. 138 do CTN, exime a requerente da multa Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.913140/200981 Acórdão n.º 3801001.971 S3TE01 Fl. 128 3 moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina que ora traz à colação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), às fls. 92/96, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP' Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 98 a 118, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.913140/200981 Acórdão n.º 3801001.971 S3TE01 Fl. 129 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS, referente ao mês de setembro/2000, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 3° trimestre/2000, conforme cópia às fls. 33/35. O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.913140/200981 Acórdão n.º 3801001.971 S3TE01 Fl. 130 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN SRF 460/2005, vigente à época, que disciplina o procedimento de compensação, previa no seu art. 30 que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela tratamse de débitos já declarados pelo contribuinte, e não recolhidos, ou seja, o Fisco já tinha conhecimento do fato gerador, por intermédio da declaração efetuada pelo sujeito passivo, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Esse entendimento que é adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive, deu ensejo à publicação da Súmula STJ 360: Súmula 360 do STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.913140/200981 Acórdão n.º 3801001.971 S3TE01 Fl. 131 6 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 11634.000340/2010-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000340/201081 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.123 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 22 de janeiro de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS DE LONDRINA ADEFIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .0 00 34 0/ 20 10 -8 1 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI, DEBCAD n. 37.272.8693, lavrado em 06/04/2010 (fl. 3 da numeração digital), cuja notificação ocorreu em 15/04/2010 (fl. 31 da numeração digital), em face da ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS DE LONDRINA – ADEFIL, no valor de R$ 20.299,21 (vinte mil, duzentos e noventa e nove reais e vinte e um centavos), referente a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados que prestaram serviços à empresa no período compreendido entre: 12/2005 a 04/2006. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 15/18, in verbis: “3. A entidade não apresentou a documentação solicitada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal, datados de 08/12/09 e 16/03/10; 4. Para as competências 13/05, 01/06 a 04/06, o número de segurados empregados constante nas GFIP é inferior ao número de segurados informado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CAGED. Diante disso, para obtermos os valores dos salários dos segurados faltantes, utilizamos a média dos salários declarados na GIFP, multiplicandoa pelo número de segurados não informados (TABELA 1, em anexo). 5. Destacamos que as diferenças apuradas entre os recolhimentos efetuados em Guias da Previdência Social GPS e a contribuição devida em GFIP, foram aproveitadas no presente lançamento, conforme demonstrado na TABELA 1, em anexo.” Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 37/65. Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaPR, por meio da 5a Turma da DRJ/CTA, prolatou o Acórdão n° 0633.350 de fls. 147/160, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 30/04/2006 AIOP 37.272.8693 IMUNIDADE. DISCUSSÃO INCABÍVEL EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL DE CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADO Tratando os autos de lançamento de crédito de contribuições devidas pelos segurados, em que a entidade autuada figura não como contribuinte mas como responsável pelo recolhimento, descabe examinar nesse processo as alegações produzidas acerca dos requisitos pertinentes à imunidade tributária da impugnante. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, cuja emissão é feita de forma exclusivamente Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 4 3 eletrônica, ficando disponível na internet para consulta pelo sujeito passivo. Não é nulo o procedimento fiscal amparado por MPF válido, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal. PROVA DA CIENTIFICAÇÃO DOS ATOS DO PROCESSO Estando juntado o processo ‘principal’, ao qual se encontra apensado o processo objeto da impugnação em exame, os Avisos de Recebimento comprovantes da cientificação ao sujeito passivo dos atos e termos do processo, não há que se cogitar de nulidade desse processo. PROVAS DO ARBITRAMENTO Não é nulo o processo em que as provas da motivação do arbitramento das contribuições encontramse juntadas ao processo ‘principal’, ao qual se encontram apensados os autos objeto da impugnação em exame. MULTA MAIS BENIGNA. A Medida Provisória 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, alterou o cálculo da multa aplicada por entrega de GFIP com omissão de fatos geradores. Tal alteração atrai para o caso a aplicação do art. 106, II, ‘c’ do CTN, devendo subsistir a penalidade pecuniária que for mais benigna para o autuado. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE É válido o agravamento da multa incidente sobre o crédito objeto de lançamento fiscal, na forma do § 2°, inciso II, do art. 44 da lei 9.430, de 1996, por falta de apresentação dos arquivos digitais da GFIP. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao julgador administrativo de primeira instância reconhecer ou declarar a legalidade ou ilegalidade nem a improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais instaurada em face do sujeito passivo. RETRATAÇÃO FISCAL Não compete à autoridade julgadora nem às Turmas de Julgamento impor à Auditora Fiscal autuante qualquer retratação em decorrência de informações prestado no curso do procedimento fiscal ou no auto de infração resultante desse procedimento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE. Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Precluso o direito, devese indeferir o pedido genérico de apresentação de provas. PROVA TESTEMUNHAL Prescinde da apresentação de prova testemunhal quando o deslinde da questão, em processo administrativo fiscal, depender exclusivamente da prova documental. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 164/180, com os seguintes argumentos, em suma: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 5 4 I. Pelo Mérito – Inconsistência e Ilegalidade da Apreciação e Decisão no Acórdão Recorrido Segundo a Recorrente, o relatório da DRJ foi omisso e evasivo, descontextualizando a sua impugnação. O relatório busca dar uma nova interpretação à sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança que reconheceu a imunidade a partir de novembro de 2002, supondo que caberia à AFTN e também à DRJ o “julgamento” do direito da Recorrente à imunidade, mesmo ela tendo sido declarada pelo Sr. Delegado da RFB em Londrina (fl. 76). I.I. Quanto à impossibilidade de discussão de imunidade em processo de compensação e à suposta ausência de comprovação do direito da Recorrente à Imunidade Para a Recorrente, o Relator elaborou uma tese equivocada para averiguar a inexistência do direito da Recorrente à imunidade, assim como afirmou ser incabível a discussão da imunidade em procedimento que aprecia a compensação. Para a Recorrente, essa argumentação deve ser rechaçada, pois é equivocada e ofende o devido processo legal. Isso porque o AI em tela foi lavrado num contexto de um MPF ilegal, que ignorou a imunidade tributária da Recorrente e determinando ilegal procedimento fiscal, tendente a constituir o crédito tributário sobre todas as supostas obrigações relativas às contribuições previdenciárias. A Recorrente destaca que o período de apuração constante no AI em tela está totalmente coberto e respaldado pelo Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, que analisou todos os requisitos da Lei para expedir tal documento em favor da Recorrente e atestou estarem satisfeitos. No AI atacado, a AFRFB ignorou o Ato Declaratório do seu superior hierárquico que reconheceu a imunidade da Recorrente. Para a Recorrente, a AFRFB excedeu, ilegal e arbitrariamente a limitação do seu poder de tributar garantida pela imunidade constitucional que possui a Recorrente, ignorando os procedimentos legais aplicáveis, agindo em completo abuso de autoridade e poder. Assim como o Sr. Relator que “extrapolou a sua competência e buscou navegar fora dos limites de sua jurisdição, adentrando, inclusive, em terreno completamente hostil à sua atuação e cognição, que jamais pode ser subjetiva.” Pelas razões acima, a Recorrente entende que a fundamentação de que ela não cumpriu as obrigações previstas nos arts. 32 e 33 da Lei nº 8.212/91 devem ser repelidas. Pois, ninguém é obrigado a cumprir uma ordem manifestamente ilegal, que fere os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados. O MPF não se assemelha ao que a CF denomina “devido processo legal”. O MPF foi lavrado ao arrepio do Ato Declaratório de fls. 76 e a imunidade ali conferida impede a sua expedição com o escopo que foi relatado no seu objeto. A Recorrente, verificando a arbitrariedade e nulidade do MPF, que apontava a sua total desconformidade com o devido processo legal, agindo em seu direito constitucionalmente garantido, informou à AFRFB a irregularidade e se negou a dar validade àquele procedimento. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 6 5 I.II. MPF – Nulidade pela ausência de juntada Sustenta a Recorrente que o entendimento do Sr. Relator, no sentido de que a juntada do MPF é dispensável, é equivocado e corporativista, pois tem a clara intenção de acobertar o erro grosseiro da Sra. AFRFB. A Recorrente alega que o MPF passou a ser indispensável por força da disposição contida no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou a LC nº 105, com as alterações do Decreto nº 6.104/07. Tanto que a Portaria RFB nº 11.371/07, invocada pelo Sr, Relator na sua fundamentação, atribui a validade do MPF ao válido e vigente Procedimento Fiscal, acarretando a sua extinção se não for requerida a prorrogação do MPF, nos termos dos arts. 11 a 15 da referida norma. O MPF é o ato que autoriza e dimensiona a instauração do processo administrativo fiscal. Sem ele o processo fiscal é nulo, por ausência de legalidade, nos termos da LC nº 105, combinada com os Decretos nºs 70.235/72 e 3.724/01. Sendo o § 1º do art. 2º do Decreto nº 3.24/01 que atribuiu ao MPF o ato que demarca o termo inicial do procedimento fiscal que trata o art. 7º do Decreto nº 70,235/72. Daí a obrigatoriedade da sua juntada aos autos como requisito de validade do processo fiscal, nos termos do art. 8º do Decreto nº 70.235/72. Não há no âmbito do direito brasileiro a possibilidade de haver dois processos distintos e paralelos sobre os mesmos fatos, ainda mais sendo um virtual e outro físico, como equivocadamente afirma o Sr. Relator. Essa impossibilidade emana dos princípios da segurança jurídica e do devido processo legal. I.III. Quanto à inexistência de termo de continuidade da ação fiscal Segundo a Recorrente, o Sr. Relator continuou com a mesma linha de proteção corporativa em relação às irregularidades e defeitos praticados pela Sra. AFRFB, vez que considerou irrelevante a inexistência do termo de continuidade de ação fiscal. Para a Recorrente esse entendimento é equivocado e deve ser reformado. Tendo em vista que a Sra. AFRFB não formalizou corretamente os ilegais AI que lavrou, posto que não laborou com atenta observância as elementares regras do devido processo legal, pois, ainda que contenham conexão com outros processos, deve conter todos os elementos e documentos que lhe assegurem plena validade e proporcionem o correto e amplo exercício do direito de defesa do Sujeito Passivo. A Recorrente conclui que se trata de má formação do processo, ensejando o reconhecimento e declaração de sua total nulidade em homenagem ao devido processo legal. I.IV. Quanto à inexistência do CAGED e da prova dos fatos geradores A Recorrente se insurge em face de outro vício insanável, qual seja, a ausência de documento suficiente para embasar o lançamento, vez que juntado apenas em outro AI. Em relação às fundamentações, razões e pedidos vertidos na impugnação, requer o reconhecimento e declaração da nulidade do AI por inexistência de demonstração da materialidade dos fatos geradores do crédito tributário injustamente lançado, para assim, reformar o acórdão recorrido e reconhecer e declarar a total nulidade e insubsistência do AI. I.V. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais e Inconsistência (falsidade) da narrativa fática A Recorrente se insurge em face da não apreciação do mérito da Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 7 6 representação para fins penais, sob o argumento de que o Sr. Relator “abordou o tema de maneira totalmente equivocada e corporativa.” Segundo a Recorrente, não se verifica no contexto do procedimento fiscal, decorrente do MPF nº 09.1.02.002009017144, de 02/12/2009, a configuração de quaisquer das figuras dos arts. 168A ou 337A do Código Penal, muito menos a obrigatoriedade da Recorrente de apurar e recolher os tributos ali fiscalizados. Logo, se a Sra. AFRFB pratica ato que não contém os pressupostos legais, cabe à autoridade superior administrativa analisar, julgar a anular o ato ilegal. A Recorrente sustenta que o Sr. Relator se equivocou ao negar validade ao Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina para dizer que o sistema CONFILAM é soberano e infalível, com poder para desconstituir qualquer ato específico praticado por um delegado da RFB. Para a Recorrente, da mesma forma que a DRJ se julgou incompetente para analisar eventuais falsidades praticadas por Autoridades Fiscais, julgouse competente para desenvolver atividade típica judicial, quando decretou que a sentença de mérito obtida do Mandado de Segurança e o Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, perderam as validades em 18/10/2005. Por esses motivos, entende que o AI deve ser anulado. I.IV. Quanto à multa Sustenta a Recorrente que, neste tópico, o Sr. Relator condensou seu julgamento dos tópicos III.IV, III.V e III.VI da impugnação. O tópico III.IV se refere à inexistência de narrativa fática do suposto fato gerador da multa aplicada, levantados em sede de mérito na impugnação. Já os tópicos III.V e III.VI se referem à inconsistência da multa e a nulidade de seu agravamento. A Recorrente se insurge em face do argumento utilizado pelo Sr. Relator no sentido de que ela teria demonstrado reconhecer os motivos discriminados no Discriminativo de Débito. Segundo a Recorrente, essa atitude do Sr. Relator é corporativa e visa “justificar” a incauta e desastrosa autuação da Sra. AFRFB e, sem qualquer justo motivo, negar provimento à impugnação da Recorrente. Por esse motivo, pleiteia a nulidade do AI. I.VII. Quanto ao tópico “Pedido genérico de juntada de Provas” Sustenta a Recorrente que o Sr. Relator faz extenso arrazoado para negar o pedido formulado ad cautelam de produção de provas formulado com base no seu direito à ampla defesa e contraditório, inclusive consoante previsão específica dos §§ 4º, 5º, e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Para a Recorrente, a argumentação do Sr. Relator dá a entender que os diversos documentos apresentados com a impugnação não são passíveis de serem acatados e juntados aos autos. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 8 7 A Recorrente questiona: se a DRFB, no Ato Declaratório Executivo nº 19 reconhece a imunidade, como poderia a DRJ/CTA desconhecer e não acatálo? Sustenta a Recorrente que não houve qualquer ato decretando ou comunicando a perda da isenção ou imunidade. Por esse motivo, deve o AI ser anulado. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 163 e 164, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente pleiteia a nulidade do Auto de Infração em tela, ante a falta do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre que a ausência do MPF no Auto de Infração não é causa de nulidade, até porque o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, constante na fl. 19, traz o Número do MPF e o Código de Acesso para se constatar a autenticidade do mesmo, por meio do sítio da RFB. Ademais, o lançamento deve atender as exigências contidas no art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Tendo, portanto, o lançamento atendido aos requisitos constantes no supracitado artigo, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, vez que o MPF não é elemento essencial do lançamento. DA FALTA DO CAGED A Recorrente pleiteia a nulidade do AI em face da suposta inexistência do CAGED nos autos do processo em tela. Ocorre que este processo está apensado ao Processo Principal de nº 11634.000321/201054, conforme consta no Termo de Apensação (2), constante na fl. 161. Analisando o Processo Principal, verifico a presença do CAGED na fl. 92, assim como, nas fls. 93/04 estão os quadros comparativos entre a quantidade de empregados existentes na empresa, informado no CAGED e a quantidade de empregados informado pela empresa nas suas GFIP. Logo, restou demonstrada a materialidade dos fatos geradores. Razão pela qual, não há como prevalecer o pleito da Recorrente. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000340/201081 Resolução nº 2403000.123 S2C4T3 Fl. 10 9 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Insurge a Recorrente em face da não apreciação do mérito por parte da DRJ da Representação Fiscal para Fins Penais. Ocorre que a DRJ agiu de forma correta, vez que a Súmula nº 28 do CARF dispõe nesse sentido, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Nesse diapasão, não compete ao CARF se manifestar sobre esse tema, vez que, as Súmulas do CARF têm efeito vinculante, nos termos do art. 72, § 4º do RICARF, in verbis: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. DO MÉRITO Este processo está apensado ao Processo Principal de nº 11634.000321/201054, também de minha relatoria. Nele, votei pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a imunidade da Recorrente no período compreendido entre 06/2006 a 06/2009. Logo, sendo este processo Reflexo do Principal, reconheço, para o caso em tela, o mesmo entendimento acerca da imunidade. Conforme se verifica dos autos, não há qualquer alusão ao citado documento ou mesmo citação de sua ocorrência. Portanto, para a melhor instrução para julgamento do caso em epígrafe, necessário que a Receita Federal do Brasil informe se houve a existência ou não desse referido procedimento e, caso haja, instrua o processo com cópia integral de seus arquivos. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar que a Receita Federal do Brasil para que informe a ocorrência de procedimento administrativo próprio para determinar o cancelamento do gozo dos benefícios da imunidade do contribuinte em razão da não renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social e, caso positivo, instrua o processo com cópia integral do procedimento cancelatório. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10880.029087/99-60
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 90 87 /9 9- 60 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial por divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 240 a 257) contra o v. acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 169 a 197) que, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário, afastando a decadência da contribuição ao FINSOCIAL indevidamente recolhido pelo contribuinte, após o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação pelo Poder Executivo. Por bem resumir os termos da presente controvérsia, adoto o relatório apresentado na Colenda Câmara a quo, cujo teor é o seguinte, verbis: O recorrente insurgese contra o Acórdão DRJ/CTA n° 1.011, de 27 de agosto de 2001, que indeferiu o pleito que apresentou em 27/09/1999, objetivando a restituição/compensação do FINSOCIAL originado de recolhimentos que efetuou em percentual superior a 0,5%. A ementa do Acórdão recorrido sintetiza a causa essencial do indeferimento, redigida da seguinte forma: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1992 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.029087/9960 Acórdão n.º 9303002.031 CSRFT3 Fl. 267 3 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Inconformada, a recorrente socorrese deste Conselho, para que seja reconhecido o seu direito de compensar débitos de sua responsabilidade com o crédito proveniente dos pagamentos a maior do FINSOCIAL. Entende ela que os no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo de 5 anos previsto no art. 168 do CTN para o exercício do direito de restituir/compensar tributos, teria como marco inicial o fim do transcurso do prazo homologatório previsto no art. 150, § 4° do mesmo CTN. Na prática, o prazo seria de 10 anos contados a partir do fato gerador. É o relatório. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1992 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Irresignada, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão a quo pela via especial. Para viabilizar seu apelo, junta julgados deste Colegiado, satisfazendo, assim, os requisitos de admissibilidade do recurso. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Aponta que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência da Segunda Câmara do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdão nº 30235.762), alegando, em síntese, que a contagem do prazo decadencial na repetição de indébito deve se iniciar da data da extinção do crédito tributário, na forma dos artigos 165, I e 168, I do Código Tributário Nacional (CTN) e não da data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995, como entendeu o acórdão recorrido. De sua parte, em síntese, a Recorrida defende que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data da homologação tácita dos pagamentos antecipados, assim, tendo em conta que os pagamentos ocorreram entre outubro de 1989 e abril de 1992, o termo final para a repetição de indébito se encerraria entre outubro de 1999 e abril de 2000, sendo o pedido de restituição apresentado em 27 de setembro de 1999, não haveria que se falar em decadência do direito de repetir o indébito. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito ao termo inicial para contagem do prazo decadencial para restituição do FINSOCIAL. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser Fl. 280DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.029087/9960 Acórdão n.º 9303002.031 CSRFT3 Fl. 268 5 contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des Fl. 281DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.029087/9960 Acórdão n.º 9303002.031 CSRFT3 Fl. 269 7 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 284DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.029087/9960 Acórdão n.º 9303002.031 CSRFT3 Fl. 270 9 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 27/09/1999 (fls. 01), de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de outubro de 1989 a abril de 1992 (fls. 2 a 37). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em outubro de 1999 e abril de 2002, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 27/09/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, devendo os pedido de restituição e eventual compensação, por consequência, serem analisados pela competente autoridade da Receita Federal. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10660.720448/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/07/2010
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO.
Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, dando parcial provimento, nos termos do relatorio e voto que acompanham o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, dando parcial provimento, nos termos do relatorio e voto que acompanham o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 04 48 /2 01 2- 75 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10660.720448/201275 Acórdão n.º 2302002.514 S2C3T2 Fl. 217 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de dois Autos de Infração, lavrados em 14/02/2012, com créditos tributários de R$ 1.671.465,49, referentes a contribuições e respectivos juros e multa de mora (Debcad n° 51.006.3527); e de R$ 1.787.156,55, relativos à multa isolada (Debcad nº 51.006.3535). Informa a autoridade fiscal que, em procedimento fiscal, apurou que a Prefeitura realizava compensações de contribuições previdenciárias e que tinha ação judicial em que discutia a legitimidade das referidas compensações (Processo n° 2007.34.00.004915 4). Na ação, a 7a Turma do Tribunal Regional Federal da 1a Região, em decisão publicada em 16/09/2011, teria firmado que: (i) não seriam exigíveis contribuições previdenciárias dos ocupantes de cargos eletivos até a publicação da Lei n° 10.887, de 21/06/2004, respeitado o prazo nonagesimal; (ii) quanto às funções gratificadas, não seriam exigíveis as contribuições previdenciárias sobre valores recebidos em decorrência do exercício de cargos ou funções comissionadas, que não vão ser incorporadas aos seus salários, a partir da Lei n° 9.783/99; (iii) relativamente aos subsídios de secretários municipais, não sendo detentores de cargo eletivo e, ainda que recebam subsídios, são ocupantes de cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração, vinculados, portanto, ao Regime Geral da Previdência Social RGPS. Em suma, seguidos os mandamentos acima descritos, o direito à compensação teria restado reconhecido, desde que observada a disposição contida no art. 170 A do Código Tributário Nacional CTN: Art.170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LCP n° 104, de 10/01/2001) Ficou ainda consignado no Relatório Fiscal que a ação não havia transitado em julgado, e encontravase com Recurso Especial e Recurso Extraordinário sobrestados, aguardando julgamentos de processos com repercussão geral reconhecida no Supremo Tribunal Federal STF e no Superior Tribunal de Justiça STJ. Assim, tendo sido verificado que a recorrente não observou pleno atendimento à decisão judicial, foi lavrado Auto de Infração de glosa das compensações, além da lavratura de outro Auto de Infração para a imposição de multa isolada em razão das Fl. 218DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 informações em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, de compensação não transitada em julgado, reduzindo o valor devido em cada competência. Cientificada dos Autos de Infração, a recorrente apresentou, tempestivamente, a defesa de fls. 38/64. Em 03/05/2012, a DRJ de Juiz de Fora, por maioria de votos, vencido o relator, determinou que os autos fossem encaminhados em diligência à Seção de Fiscalização da DRF de origem para que fosse juntada a petição inicial, a sentença e o acórdão (havendo) da ação judicial citada no Relatório Fiscal. A justificativa para a diligência, então aventada, foi de que o conhecimento do pedido do contribuinte e das decisões judiciárias seria importante para se verificar a ocorrência de mesmo objeto em relação à impugnação administrativa. Cumprida a diligência, a referida DRJ, conforme acórdão fls. 166/170, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão em 13 de fevereiro de 2013 (fls. 175), interpôs, em 13 de março de 2013, o recurso de fls. 177/187, no qual alega, em apertada síntese, que: * O óbice oposto à compensação teria sido o fato de a decisão judicial, que amparava o direito de a recorrente proceder às compensações, não ter transitado em julgado, no entanto, esta teria transitado em julgado em 22/11/2012, razão pela qual deve ser procedida a liquidação da sentença para efetuar a compensação nos exatos termos da decisão judicial anexada pela recorrente; * Quanto à multa isolada, entende que para a aplicação da multa prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/03, seria necessária a presença da intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do tributo a ser pago (remete aos artigos 71/73 da Lei n° 4.502/64). Ao final, requer sejam julgados improcedentes os dois Autos de Infração, vez que já houve trânsito em julgado da decisão judicial que permite a compensação, bem como pela inocorrência de conduta típica capaz de fazer incidir a multa isolada. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10660.720448/201275 Acórdão n.º 2302002.514 S2C3T2 Fl. 218 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Ação Judicial. O artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode furtarse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. É por essa razão que ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por “o mesmo objeto” ou “pedido” do processo administrativo. É o que dispõem a Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Lei n° 8.213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Lei n° 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto Decreto 7.574/2011: (Regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) (...) Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. (Todos destaques são nossos) Assim, tendo em vista que as questões relativas (i) ao prazo prescricional para o exercício da compensação, e (ii) à extensão do direito à compensação foram postas sub judice, considerase que houve renúncia à faculdade recursal ou desistência das defesas e recursos interpostos nas instâncias administrativas, quanto às referidas matérias. Vale ressaltar que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre apenas em relação às matérias que constituem objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, de Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10660.720448/201275 Acórdão n.º 2302002.514 S2C3T2 Fl. 219 7 sorte que o processo administrativo deve prosseguir em relação à matéria diferenciada. No caso, a contestação da multa imposta. Quanto às demais matérias, tendo em vista que houve trânsito em julgado da ação, assiste razão à recorrente quando afirma que deverá ser procedida a liquidação da sentença para efetuar a compensação nos exatos termos da decisão judicial anexada pela recorrente. Todavia, tal providência não se encontra na esfera de atribuições deste Conselho, de sorte que não será objeto de deliberação. Multa. Quanto à multa isolada, entende que para a aplicação da multa prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/03, seria necessária a presença da intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do tributo a ser pago. Importa destacar, desde já, que o dispositivo legal indicado pela recorrente, além de ter sido alterado pela Lei n° 11.488/07, é inaplicável ao caso em comento, pois à compensação de contribuições previdenciárias incide o regramento específico previsto no artigo 89 da Lei n° 8.212/91. Todavia, em razão do conhecimento do recurso quanto à multa isolada aplicada, devese perquirir se foi escorreita a sua aplicação. Vejamos as disposições legais que fundamentam as penalidades incidentes na hipótese de compensação indevida: Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Ainda Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ainda Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) (destaques nossos) A leitura atenta dos textos legais indicam que há a previsão de duas penalidades pecuniárias para a compensação indevida de contribuições previdenciárias: (i) a multa de mora de 20%; e (ii) a multa isolada de 150%. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10660.720448/201275 Acórdão n.º 2302002.514 S2C3T2 Fl. 220 9 Ocorre que, para a aplicação da primeira (multa de mora), a legislação exige apenas à apuração de compensação efetuada de forma indevida. Quanto à segunda (multa isolada), consta que tem cabimento “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Se a lei não tem palavras inúteis (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 16. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 251), quanto mais orações inteiras. É verdade que, por força do que dispõe o artigo 136 do CTN, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável”, ou seja, independe de dolo. Todavia, quanto à multa isolada, parece haver disposição em contrário, pois há a condicionante de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Para a compensação ser considerada indevida, ou a declaração que deu origem era falsa ou se tornou falsa. Destarte, sempre haverá falsidade, de sorte que não haveria razão para o legislador condicionar a sua aplicação à comprovação da falsidade despretensiosa. Assim, a única maneira de justificar, do ponto de vista jurídico, a existência da condicionante “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, é invocar a intencionalidade do agente. Ademais, não parece que se possa cogitar de comprovação de uma falsidade sem o elemento subjetivo, pois a própria falsidade, no vernáculo, tem definições que implicam em intencionalidade: s.f. (Do lat. Falsitas, falsitatis). 1. Propriedade do que é falso. – 2. Mentira, calúnia. – 3. Hipocrisia; perfídia. – 4. Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade. (Grande dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Larousse cultural, 1999, p. 420) Isso sem falar que, ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, a exigência do dolo, além de ser interpretação que busca dar coerência ao arcabouço normativa, indubitavelmente, revelase como a mais benéfica ou favorável ao infrator. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Podese afirmar, do quanto exposto até aqui, que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, é indispensável que esteja demonstrada a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. No caso presente, o Relatório Fiscal não indica qualquer elemento do qual se possa extrair, de forma concreta, a intencionalidade do agente, destacando apenas que apurou se que a Prefeitura realizava compensações de contribuições previdenciárias e que tinha ação judicial em que discutia a legitimidade das referidas compensações (Processo n° 2007.34.00.0049154). Ficou consignado também que a ação não havia transitado em julgado, e que se encontrava com Recurso Especial e Recurso Extraordinário sobrestados, aguardando julgamentos de processos com repercussão geral reconhecida no Supremo Tribunal Federal STF e no Superior Tribunal de Justiça STJ. Como se vê, a conduta, da forma como descrita, apesar de contrariar o disposto no artigo 170A do CTN (É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial), não denota qualquer intenção da recorrente. Assim, concluise que não resta demonstrado e tampouco conseguese extrair da conduta da recorrente descrita nos autos que, de forma consciente, mesmo sabedora de que não possuía direito creditório, tenha informado em GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando ludibriar o fisco. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, dando parcial provimento, para excluir do lançamento, a parcela referente à multa isolada (Debcad nº 51.006.3535). (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10855.000560/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA.
O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. O ato inequívoco da pessoa jurídica é hábil para suspender a prescrição, mesmo que o pedido anterior tenha sido feito em nome da matriz, de crédito de titularidade de filial, já que a autonomia dos estabelecimentos do IPI não se sobrepõe à unicidade da personalidade jurídica.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Afastada a prescrição, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito do pedido de ressarcimento, em primeira instância (Decreto nº 70.235/72), para que não sobrevenha supressão de instância.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. O ato inequívoco da pessoa jurídica é hábil para suspender a prescrição, mesmo que o pedido anterior tenha sido feito em nome da matriz, de crédito de titularidade de filial, já que a autonomia dos estabelecimentos do IPI não se sobrepõe à unicidade da personalidade jurídica. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a prescrição, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito do pedido de ressarcimento, em primeira instância (Decreto nº 70.235/72), para que não sobrevenha supressão de instância. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 05 60 /2 00 6- 61 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000560/200661 Acórdão n.º 3402002.043 S3C4T2 Fl. 258 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento formulado por Flextronics International Tecnologia Ltda CNPJ N° 74.404.229/000128 (matriz) em 20/02/2006, de saldo credor de IPI oriundo da filial – CNPJ 74.404.229/000209, no valor de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais), referente ao 4º trimestre de 2000, relativo a insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação nos termos da Lei n° 8.248/91, glosados anteriormente na solicitação feita no processo n° 10855.000432/200111, por falta de previsão legal que autorizasse a transferência entre estabelecimentos da mesma empresa. Ao proceder a análise dos pedidos, a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba por meio do despacho decisório n. 697/2006 de fls. 60/64, houve por bem indeferir integralmente o pedido de ressarcimento de crédito do IPI por decadência do direito de pleitear a restituição. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Devidamente cientificada da decisão em 22 de janeiro de 2007 (fl. 66), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.67/74), em 16 de fevereiro de 2007, alegando que não há que se falar em decadência sendo inaplicável o artigo 173, I do CTN como pretende a decisão proferida, e que o primeiro protocolo do pedido de ressarcimento ocorreu em 09/11/2000, tendo suspendido, ou ainda, interrompido a contagem do prazo prescricional, que teria voltado a ocorrer em 03/05/2005 (data da decisão administrativa que indeferiu o ressarcimento no processo 10855.000432/200111), nos termos do Decreto 20.910/32. Ao final pugna pela reforma da decisão n° 697/2006, para deferir o ressarcimento nos autos do processo administrativo 10855.000.560/200661. DO JULGAMENTO PELA DRJ/RPO Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), houve por bem em considerar totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferindo Acórdão nº. 1435.773 (fls. 195/202), ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 CRÉDITOS DE IPI. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 20.910, DE 1932. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE ESTABELECIMENTO FILIAL TRANSFERIDO PARA A MATRIZ SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. Os créditos de IPI passíveis de ressarcimento tem natureza de dívida passiva da União e, com isto, a norma aplicável é o Decreto nº 20.910, de 1932. A entrada do requerimento do titular do direito ou do credor na repartição pública suspende a prescrição. Em respeito ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, a apuração do IPI deve ser realizada pelo próprio estabelecimento contribuinte, não sendo permitida a transferência de saldo credor para outro estabelecimento e aproveitálo em seu Registro de Apuração do IPI. A questão não é meramente formal, mas sim de mérito. Ao pretender um crédito indevido, a requerente não exerce um direito do qual é o titular ou credor. Por conseguinte, não ocorre suspensão da prescrição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: NULIDADE. APLICAÇÃO INCORRETA DE DISPOSITIVO LEGAL. A análise atinente à correta aplicação de dispositivo legal é matéria de mérito que não dá ensejo à nulidade do despacho decisório. Os vícios capazes de eivar de nulidade o ato são aqueles mencionados no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a DRJ competente para o julgamento entende ser improcedente a arguição de suspensão da contagem do prazo prescricional para o ressarcimento dos créditos de IPI, nos próprios termos dos arts. 1º e 4º do Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932, invocado pelo contribuinte. Nesse caso, avalia que a discussão precedente a respeito do processo administrativo nº 10855.000432/200111, tratou de não reconhecer um direito que o estabelecimento matriz (contribuinte distinto dos estabelecimentos filiais) pretendeu exercer, qual seja o de transferir e aproveitar o crédito de outros estabelecimentos em seu próprio Livro de Apuração do IPI, em flagrante desrespeito ao princípio da autonomia dos estabelecimentos. Portanto, ao pretender um crédito indevido, o estabelecimento matriz não exerceu um direito do qual era o titular ou credor e, sendo o saldo credor oriundo do 4º trimestre de 2000, o prazo fatal para eventuais pedidos de ressarcimento foi 31/12/2005, já estando prescrita a pretensão em 01/01/2006. Já no tocante a fundamentação do indeferimento no despacho decisório, aduz que o equívoco na fundamentação não é o bastante para anular o despacho, vez que a discussão sobre a correta aplicação da legislação que rege o ressarcimento é matéria concernente ao mérito e a suposta aplicação de dispositivo legal inaplicável ao caso não representa vício capaz de conduzir à nulidade prevista no art. 59 do Decreto 70.235/1972. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000560/200661 Acórdão n.º 3402002.043 S3C4T2 Fl. 259 5 DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 07/12/2011, conforme AR de fls. 205, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 206/216) em 22/12/2011, aduzindo que a centralização do pedido não implica em omissão do titular do direito, muito pelo contrário, de forma ativa encaminhou o seu pleito para que a matriz o apresentasse, configurando, assim, um exercício do direito da filial pela matriz de uma mesma empresa. Em sendo assim, o próprio titular haveria exercido o direito ao crédito através de sua matriz e, portanto, o Decreto n. 20.910/1932 surtiu os seus efeitos, suspendendo ou interrompendo a prescrição, estando plenamente tempestiva o pleito instaurado neste processo. Afirma ainda que a decisão recorrida deve ser reformada por não ter aplicado corretamente os fatos, dado que jamais teria ocorrido a inércia do titular do crédito. Subsidiariamente, requer sejam os autos baixados em diligência para conferência da verdade material demonstrada nos autos, sob pena de cerceamento de defesa e/ou supressão de instância. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerados eletronicamente até a folha 256 (duzentos e cinquenta e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando à análise dos fatos articulados pela Recorrente. Inicialmente, verifico que os créditos postulados pela Recorrente são relativos ao 4º trimestre de 2000, sendo o pedido de ressarcimento constantes dos autos formulado em 20/02/2006. Passo à análise: A Recorrente alega que se trata de pedido de ressarcimento de IPI correlacionado a outro formulado tempestivamente em 08/02/2001, nos autos do processo n° 10855.000432/200111, fato que restou incontroverso nos autos e que teria o condão de afastar a ocorrência da prescrição. Afirma, ademais, que houve a suspensão/interrupção do prazo prescricional com o protocolo do pedido original. De outro lado, a Autoridade de 1ª instância considerou prescrito o direito ao crédito pleiteado calculando o lapso temporal entre a data do trimestrecalendário e a data do 2º pedido formulado pela Recorrente (ora em análise). Tenho que a discussão se cinge no fato de ser a pessoa jurídica envolvida no primeiro e segundo pedido de ressarcimento, rigorosamente a mesma, representado juridicamente por uma unicidade, embora possa, em termos de apuração tributária, estar organizada em estabelecimentos, sem que, no entanto, tal fato acarrete concluir ter ela tantas personalidades jurídicas distintas quantas forem os seus estabelecimentos. Explicando: embora haja a autonomia dos estabelecimentos para fins de definição da responsabilidade tributária para o IPI, apurandose o tributo por cada uma das unidades, na verdade estamos diante de uma única pessoa jurídica, com uma única personalidade jurídica, e não de tantas personalidades jurídicas quantas sejam os seus estabelecimentos matriz e filiais. Consequentemente, se ficar assente dentro do Direito que as pessoas jurídicas, mesmo divididas em estabelecimentos – que são seus órgãos operacionais , no todo compõem uma unicidade com personalidade jurídica única, caracterizada estará a hipótese de que os atos praticados pela matriz, que importem em suspensão/interrupção do prazo prescricional, favorecerá a pessoa jurídica como unicidade que é, inclusive em benefício de seu órgão filial. E isso não quer significar que os estabelecimentos não sejam autônomos para fins de se apurar os tributos e as responsabilidades para cada estabelecimentos. Apenas que os atos da pessoa jurídica favorecem todos os seus órgãos. Nesse sentido, os precedentes que abaixo colaciono, assim nos lecionam: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 06/03/1997 a 15/10/1998 DRAWBACK ISENÇÃO IRREGULARIDADE FORMA NA CONCESSÃO ATO ADMINISTRATIVO COMPETÊNCIA PARA ANULAÇÃO. A análise do cumprimento dos requisitos Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000560/200661 Acórdão n.º 3402002.043 S3C4T2 Fl. 260 7 necessários à obtenção e o respectivo deferimento de Regime Especial de Drawback Isenção dáse de forma antecipada pela apresentação da demonstração da exportação de produtos fabricados com mercadorias importadas com pagamento de impostos, é de competência exclusiva da SECEX. Não cabe à Receita Federal declarar a nulidade do ato administrativo vigente daquele órgão ou negarlhe vigência, por entender que ocorreu vicio formal ou material na concessão e, com base nisso, considerar inadimplido o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, uma vez que deve prevalecer a presunção de legitimidade do ato e do principio da moralidade administrativa. Recurso Voluntário Provido.” DESTAQUE DO VOTO “Desta forma, em que pese o fato da não aposição do CNPJ da matriz informado no Ato Concessório nos documentos nos registros de exportação, e sim da filial, real exportadora, esta atitude não fere nem desnatura o objetivo do Ato Concessório em seu intuito políticoeconômico. De fato, houve a exportação por estabelecimento diverso ao informado no Ato Concessório, mas o estabelecimento cujo CNPJ foi informado é diretamente ligado à matriz, sendo desproporcional desconsiderar a fruição do beneficio por descumprimento de obrigação acessória, a verdade material, desta forma, surge como evidência.” (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão 310100.323. Sessão de 04 de dezembro de 2009.) “DRAWBACK — EXPORTAÇÃO FEITA POR OUTRO ESTABELECIMENTO — Com fulcro no princípio da unicidade da personalidade jurídica, devem ser reconhecidas como válidas as exportações realizadas por outro estabelecimento (filial) — que não aquele que firmou o compromisso do Regime Especial (matriz) — para fins de verificação de cumprimento do Ato Concessório. • FUNGIBILIDADE — Havendo clara e inequívoca descrição e distinção dos produtos a serem exportados para adimplemento do compromisso assumido no Ato Concessório do regime especial de Drawback, não pode ser aplicado o princípio da fungibilidade. DESCUMPRIMENTO PARCIAL DE ATO CONCESSÓRIO — A exigência dos tributos incidentes na importação de mercadorias beneficiaras pelo regime especial de Drawback está limitada à parte da obrigação descumprida nos termos do compromissado no Ato Concessório, devendo ser consideradas como cumprimento a parte das exportações efetivamente realizadas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE DESTAQUE DO VOTO Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 “Aliás, como já tive oportunidade de manifestar meu entendimento, a unicidade da personalidade jurídica deve ser concebida pela Administração em todos os momentos das relações jurídicas, ressalvadas as condições especiais (exceções), na medida em que há o efetivo reconhecimento de tal unicidade no momento em que a Administração exige o cumprimento de obrigações tributárias; aí não há diferença nem distinção entre estabelecimentos, qualquer um é responsável pelo todo. Assim, se o estabelecimento filial tem a mesma capacidade de industrializar e/ou exportar, entendo deva ser reconhecida a exportação como da contribuinte, independentemente do "sufixo" de seu CNPJ.” (3º Conselho de Contribuintes . 1ª Câmara. Acórdão n. 301 32.676. Sessão de 25 de abril de 2006.) Seguindo a linha de entendimento dos julgados supra citados, penso que deve ser aplicada a unicidade da personalidade jurídica ao caso dos autos, de forma a colocar alguns limites a regra da "autonomia dos estabelecimentos", que por força de Lei vincula realmente o dever de se apurar e recolher descentralizadamente o IPI. Porém, elevar tal regra excepcional, que é aplicável ao IPI, para conferir status de personalidade jurídica distinta para cada um dos estabelecimentos, penso que seria extrapolar as normas gerais de direito, pois que as filiais são ligadas à matriz, e todas elas são órgãos da empresa, que no todo estão realizando os objetivos sociais contidos nos estatutos sociais, esses sim, registrados no Registro Público correspondentes, conferem a personalidade jurídica ao ente sujeito de direitos e obrigações. Entender de modo diverso, seria penalizar o contribuinte em seu direito, por mero erro de indicação de qual de seus estabelecimentos era o credor, quando em última análise a pessoa jurídica assume toda a responsabilidade tributária por passivos que porventura venha a possuir. E mais: poderia permitir que o elevado volume de trabalho e a demora da Administração na análise de processos de restituição e ressarcimento, que sabidamente podem levar mais que 05 (cinco) anos, e havendo algum vício, indefira o pedido, impedindo que o contribuinte saneieo e renove o pedido. Com isso estaria literalmente "empurrando" o direito do contribuinte para a prescrição. Daí porque existe a previsão de suspensão da prescrição prevista no artigo 4º do Decreto 20.910, de 1932, in verbis: “Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano.” Assim, independentemente de terem sido formulados outros pedidos de ressarcimento de IPI relativos ao mesmo período (4º trimestre de 2000), temse que o prazo prescricional é suspenso a partir do momento em que a Recorrente apresenta o primeiro pedido de ressarcimento até a decisão que impôs o seu indeferimento. Desta feita, apesar do crédito discutido naqueles autos de fato ter sido apurado e requerido de forma equivocada pela centralização do pedido no CNPJ da matriz, de créditos que a rigor seriam do estabelecimento filial configurando nítido erro formal Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.000560/200661 Acórdão n.º 3402002.043 S3C4T2 Fl. 261 9 referidos créditos, se existente, pertenceriam à mesma pessoa jurídica, em homenagem a unicidade da personalidade jurídica. Portanto, considerando que o primeiro pedido foi apresentado em 08/02/2001 e a decisão de indeferimento ocorreu em 09/05/2005, nos autos do processo 10855.000432/200111, o pedido constante destes autos protocolado em 20/02/2006 não se encontra prescrito, já que no período que medeou o protocolo e a decisão final de indeferimento do mesmo, encontravase suspensa a prescrição, por força do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. Superada a discussão a respeito da prescrição, observo que a DRJ não se manifestou com relação à analise do mérito da existência, liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Dessa forma, para que não haja supressão de instância, os autos devem retornar à instância "a quo" para novo julgamento. Na esteira das considerações acima, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a ocorrência da prescrição e determinar o retorno dos autos a DRJ para que se manifeste sobre a existência, certeza e liquidez dos créditos objeto do pedido de ressarcimento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10735.000472/2001-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 03/06/1996 a 10/09/1996
IMPORTAÇÃO IRREGULAR. MULTA POR CONSUMIR OU ENTREGAR A CONSUMO.
A aplicação da multa prevista no artigo 83 da Lei n 4.502/64 por consumir ou entregar a consumo mercadoria importada irregular ou fraudulentamente exige a comprovação de ação dolosa praticada pelo apenado.
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA,
INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente.
Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.207
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário . Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (Relator).
As Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro votaram pela conclusão.
Designado para redigir o voto o Conselheiro Ricardo Paulo.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 03/06/1996 a 10/09/1996 IMPORTAÇÃO IRREGULAR. MULTA POR CONSUMIR OU ENTREGAR A CONSUMO. A aplicação da multa prevista no artigo 83 da Lei n 4.502/64 por consumir ou entregar a consumo mercadoria importada irregular ou fraudulentamente exige a comprovação de ação dolosa praticada pelo apenado. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA, INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente . Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário . Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (Relator). As Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro votaram pela conclusão. Designado para redigir o voto o Conselheiro Ricardo Paulo. ,)1 rajano D orim - Presidente m chado - Relator o Rosa - Redator Designado EDITADO EM: 20/10/201 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Darnorim, Ricardo Paulo Rosa, Corinth° Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Verissimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatório Tratam-se, em síntese apertada, de recurso de oficio e de recurso voluntário no mesmo expediente, oriundos de decisão que julgou parcialmente procedente o lançamento de fls. 5 a 9, e 27 a 29, integrados pelos demonstrativos de fls, 10 a 26, 30 e 31, e do Relatório Conclusivo de fls. 32 e 33, no qual exigia-se o recolhimento da quantia de R$ L247.260,18, a titulo de Multa do Controle Administrativo das Importações, e o valor de R$ 4A57644,19, relativo a Multa Regulamentar do IPI e R$ 109,50 a titulo de Embaraço Fiscalização. Após a decisão de primeiro grau, que declarou definitiva a multa aplicada por não atendimento de intimações, diante da apresentação do seu pagamento, conforme DARF de f1.142, e manteve a multa regulamentar prevista no art. 365, inc. I, do RIPI/82, somente em relação As importações realizadas a partir de 25/06/1996, na quantia de R$ 2.754.789,41, eximindo a interessada da exigência da mesma multa regulamentar correspondente As importações efetuadas entre 01 e 25/06/1996, no valor de R$ 1.402.745,28, e da multa por infração ao controle administrativo das importações, prevista no art. 526, inc. II, do RA185, na quantia de R$ 1.247.260,18, veio a recorrente manifestar-se, tempestivamente, As lis. 195 e seguintes, em apelo voluntário que reprisa as alegações ofertadas por ocasião de sua primeira defesa. Para melhor esclarecimento da lide, reporto-me ao relato de fls. 165 e seguintes, da decisão a quo: Conforme informado no Relatório Conclusivo, a empresa Pharmacia Ind. e Com Lida , CNPJ 00 092,772/0001-09, foi baixada em 28/06/1996, por ter sido incwporada pela empresa interessada no presente processo Pharmacia UP & John Lida, com sede em Sao Paulo. No endereço da incorporada foi instalada uma filial da incorporadora, CNPJ 71,699,490/0003-76, a qual foi cadastrada na SRF em 02/09/1996, e . foi baixada por extinção em 0.5/02/1997. Em trabalho de fiscalização, foi verificado que após a baixa por incorporação da empresa Pharmacia Ind, e Com. Ltda. foram realizadas diversas importações em seu nome, e que na / declara cão 1RPJ de baixa não constaram as importações ' realizadas a partir do 111eS de junho de 1996, 2 Process() n" 10735.000472/2001-11 S3-C1T2 Acórdao it° 3102-00.207 Fl 803 A autoridade encarregada da ação .fiscal intimou a matriz da empresa incorporadora, como responsável pela empresa incorporada e pela filial extinta, a justificar as importações, e a apresentar a documentação correlata, inclusive os livros da filial extinta . Os documentos de importação apresentados, inclusive notas fiscais de entrada e livros fiscais, foram irregularmente escriturados em nome da empresa baixada por incorporação, empresa esta sem personalidade jurídica para agir comercialmente. Assim, as notas fiscais emitidas em nome da empresa baixada são in idôneas, nos termos do art, 231, inc. I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto 87.981/82, restando caracterizada a .falsidade ideológica. A autoridade enfatiza, em seu relatório, que não foram apresentados quaisquer documentos ou livros em nome da filial cadastrada (Pharmacia UP & John Ltda), a qual tinha por objetivo dar continuidade à atividade comercial da empresa incorporada, conforme previsto na alteração contratual que trata da incorporação. Diante do ocorrido, a autoridade lançadora afirma que ficou evidente a intenção do contribuinte de burlar as normas de comércio exterior, pois deixou de solicitar as guias de importação em nome próprio, beneficiando-se de guias já emitidas em nome de outrem, A autoridade afirma, também, que a autuada usou de má-fé ao informar na DI que não há vínculo com o exportador; pois o exportador Pharmacia AB, da Suécia, um dos sócios quotistas da empresa autuada. Os dispositivos legais a seguir arrolados emba,sam a presente exigência.' - art. 432 c/c art. 526, ille II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/8.5 (multa por falta de Guia de Importagiio, visto que a partir de 01/06/2001 as importações .foram irregularmente efetuadas com Guias de Importação emitidas em nome de Pharmacia Ind. e C0111., Ltda.); - art. 365, inc. I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n" 87.981/82 (multa pela importação irregular de mercadorias, em nome de outra pessoa jurídica -. falsidade ideológica); - e art. 47.5 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 2637/98 (penalidade aplicada em virtude de não ter o contribuinte atendido as intimações dells., 42 e 46). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 93 a 111, alegando, em síntese, que: - relativamente a infração descrita como "desacato ou embaraço et autoridade fiscal", que se relaciona com o não atendimento parcial de intimações recebidas, efetuou o pagamento do débito ' 1 exigido, nos termos do art. 482 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n" 2.637/98; 3 - o presente Auto de Infração é insubsistente relativamente as acusações de importação desamparada de Guia de Importação e consumo ou entrega a consumo de produtos estrangeiros em situação irregular; - não houve utilização indevida de guias de importação, pois a incorporação acarretou a sucessão universal de todos os direitos e obrigações da incorporada, a qual não pode ser tida como outrem, conforme regras contidas no art 227 da Lei das Sociedades Anônimas, no art, 18 do Decreto le 3.708/19 e no art, 132 do CT1V; . - a autoridade autuante não logrou êxito em demonstrar qual seria o beneficio da incorporadora em utilizar as GIs emitidas em nome da incorporada, pois todos os tributos aduaneiros . foram recolhidos; - a pep .fiscal está calcada, entre outros, no argumento de que as GIs foram irregularmente emitidas, no entanto as mesmas GIs foram utilizadas para . fins de cálculo das multas, o que equivale a afirmar que todas as informações nelas constantes são verídicas; - ao contrário do que afirma a autoridade na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, as GIs não foram utilizadas para melhor ilustrar o Auto, mas sim para fimdamentar a sua lavratura, sendo que no tocante à valoração das mercadorias, foram tidas como validamente emitidas, muito embora para fins de comprovação da sua própria emissão e da regularidade dos produtos, tidas como inválidas; - a ocorrência limita-se a emissão de documentos em nome da empresa incorporada, que foram transferidos por sucessão legal para a incorporadora, mostrando-se evidente o total descompasso entre a suposta irregularidade praticada e a capitulação legal adotada pela autoridade lançadora, que acusa a importação de produtos sem as correspondentes GIs; - não importou mercadoria sem GI, e tampouco consumiu produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no pais. Ao revés, todas as importações foram regularmente realizadas, muito embora em nome da empresa incorporada, tendo sido o desembaraço aduaneiro autorizado pelas autoridades fazendá rias responsáveis por esse procedimento; - em respeito ao principio da estrita legalidade, não é licito utilizar o instituto da analogia para fins de aplicação da multa prevista no art.. 526, inc. II, do RA, Assim, não existindo no Regulamento Aduaneiro multa para utilização de GI emitida em nome de empresa incorporada, pela empresa incorporadora ou por erro de preenchimento, não pode a autoridade autuante interpretar analogicamente a legislação tributária, para aplicar multa prevista para falta de GI ao caso em que as GI foram emitidas; - a indicação na GI de que o importador era a empresa incorporada e não a impugnante em nada afetou o controle administrativo das importações, pois não houve alteração do 4 Processo n° 10735 000472/2001-11 S3-C1T2 Acerao n 3102-00.207 F1 804 prep do produto, a licença para importar relaciona-se com o produto e não coin o importador, não produziu qualquer reflexo nas estatisticas para efeitos da balança comercial, e não alterou a sistemática de câmbio; - o presente lançamento, ao privilegiar a verdade formal em detrimento da verdade material, ofende o sistema jurídico atualmente vigente, já que no processo administrativo tributário a autoridade deve considerar os fatos existentes; considerando que as GI foram emitidas, e que os produtos foram regularmente importados, inclusive com o pagamento das impostos incidentes, não prospera o argumento de que tais mercadorias se encontravam em situação irregular, sobretudo se considerado que a empresa Pharmacia Ind, e Com Ltda., foi incorporada pela impugnante; - as penalidades exercem, no Direito Tributário, dupla füngila repor ao erário as perdas decorrentes de condutas delituosas ("caráter compensatório), bem como punir os contribuintes e reeducar os infratores (caráter punitivo). Em ambos os casos, a graduação da penalidade deve guardar estrita consonância com a intensidade do dano oriundo da infração; - no caso em apreço, não há necessidade de recompor valores a Unido, pois os tributos .foram recolhidos, não tendo ocorrido qualquer dano ao erário einfimgão da conduta da impugnante; - a multa aplicada, que corresponde ao valor integral da mercadoria, é desproporcional no caso em tela, já que em casos mais graves, como na hipótese de adoção de classificação tarifária errônea, ou de requerimento de isenção ou redução indevida, sequer é aplicada a multa de oficia; - a manutenção da multa de 100% do valor da mercadoria acarretará indiretamente a pena de confisco, sem que tenha havido qualquer prejuízo ao erário, situação que afronta o ordenamento jurídico vigente. Em sua defesa, a impugnante invoca decisões do Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Supremo Tribunal Federal, transcrevendo as correspondentes ementas, Por fim, a interessada requer seja a impugnação recebida e acolhida, e determinado o cancelamento do Auto de Infração, com o conseqüente arquivamento dos presentes autos. Da análise dos documentas trazidos aos autos, verifica-se que foi instaurado junto ao Ministério Público Federal processo de Representação Criminal n" I „30..011 ,002720/2001-85, com fundamento nos Autos de Infração de que trata o presente processo (fls. 148 a 1.50). o Relatório, 5 Voto Vencido Conselheiro Corinth° Oliveira Machado, Relator O crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instancia superava o limite de alçada previsto na Portaria MF n° 375/2001 c/c art. 34, I, do Decreto n° 70.235/72, vigente ao tempo da decisão, e inclusive o atual, regulamentado pela Portaria MF IV 3, de 3 de janeiro de 2008 (um milhão de reais), razão pela qual tomo conhecimento do Recurso de Oficio. DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Para exonerar o contribuinte da exigência da multa por importação desamparada de GI (multa do controle administrativo das importaçeies), a decisão de primeira instância fundamentou assim o r, acórdão: Considerando que a sociedade incorporada desaparece no momenta da transformação das sociedades, por expressa determinação legal, não se admite a continuidade das operações comerciais e de comércio exterior em nome da incorporada, como se a sociedade incopporadora pudesse optar por continuar as atividades' comerciais tanto em nome de uma como de outra sociedade, enquanto lhe fosse conveniente . Assim, verifica-se que não somente as GI que ampararam as importações encontravam-se irregulares, mas as operações Como um todo, ao terem sido efetuadas em nome de empresa já extinta, restaram irremediavelmente comprometidas, impedindo a circulação, comércio e COMM° das mercadorias através delas introduzidas no Pais Saliente-se que mercadorias estrangeiras ern situação irregular no pais sujeitam-se a pena de perdimento, não havendo possibilidade de regularizar tais importações através da cobrança dos tributos e penalidades decorrentes de infrações ao controle das importações.. Por conseguinte, não prospera a exigência da multa por importação desamparada de GI, pois a infração cometida, mais do que afetar o controle administrativo das importações, implicou na completa irregularidade das importações e dos produtos importados, que ficaram sujeitos a pena de perdimento, ) Em sintese a entrega a consumo de mercadoria estrangeira que adentrou o território aduaneiro de forma irregular enseja, considerando-se os dispositivos pertencentes ao Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - RIPI/82, apenas e tão somente a aplicação da multa capitulada no art. 365, inc. I, não havendo espaço legal para que se efetue, de forma concomitante, I o lançamento de multas por infração ao controle administrativo das importações. 6 Processo 10735.000472/2001-11 S3-C1T2 Acórdão n,° 3102-00,207 FL 805 Nesse ponto, concessa maxima venia da i, autoridade julgadora a quo, ouso discordar da conclusão a que chegou de que as duas sanções (administrativa - DL n° .37/66, art 169, I, "h" e § 6', e tributária - Lei ri° 4,502/64, art 83, I) não possam ser aplicadas de forma concomitante pelo nosso sistema jurídico, até porque o § 5° do art. 169 do DL n° 37/66 é expresso nesse sentido: Art 169 - Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei n°6.562, de 1978) (,) § 5" - A aplicação das penas previstas neste artigo: (Incluido pela Lei n°6.562, de 1978) - não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação especifica; (Inchddo pela Lei n" 6.562, de 1978) E o art. 3', I, da Lei n° 6,562/78, que alterou a redação dos arts. 48 e 169 do Decreto-lei n° 37/66 também apontou para a concomitância das duas sanções: Art. 3° - As infrações de que trata o artigo 169 do Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo anterior: 1 - não excluem aquelas definidas no Decreto-lei n° 1,455, de 7 de abril de 1976; (impõe-se observar que As infrações de que trata o artigo 169 do Decreto-lei n" 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo anterior são as infrações administrativas. E as definidas no Decreto-lei n" 1.4,55, de 7 de abril de 1976 são as sancionadas com perdimento) O que não pode acontecer é haver a concomitância de aplicação da sanção tributária prevista na Lei n° 4.502/64, art. 83, I, (multa de 30% do valor da mercadoria) com a sanção do perdimento da mercadoria (ou sua conversão), previstas no DL n° 37/66, art„ 105 e DL IV 1.455/76, art. 23, § 3', corn a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, art. 59. E nesse sentido o RA/2002 é explicito quando trata daquela primeira penalidade: Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no Pais ou importada irregular ou .fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei ne 4„502, de 1964, art. 83, inciso 1, e Decreto-lei If 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1, alteração 2a). Parágrafo único. A inulta referida no caput não será exigida 1 quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do ben', 7 caso em que será procedida a conversão de que trata o § ldo art. 632, (Grifou-se). Com referência ao argumento utilizado pela recorrente, de que em respeito ao principio da estrita legalidade, não é licito utilizar o instituto da analogia para fins de aplicação da multa prevista no art. 526, inc. II, do RA. Ou seja, não existindo no Regulamento Aduaneiro multa para utilização de GI emitida em nome de empresa incorporada, pela empresa incorporadora ou por erro de preenchimento, não pode a autoridade autuante interpretar analogicamente a legislação tributária, para aplicar multa prevista para falta de GI ao caso em que as GI foram emitidas. Penso que a argumentação deve ser analisada A luz dos fatos descritos pela peça fiscal e incontroversos até aqui - a empresa incorporada foi baixada em 28/06/1996, e mesmo após a baixa por incorporação foram realizadas diversas importações em seu nome, sendo que na declaração IRPJ de baixa não constaram as importações realizadas a partir do mês de junho de 1996. Os documentos de importação apresentados, inclusive notas fiscais de entrada e livros fiscais, foram irregularmente escriturados em nome da empresa baixada por incorporação, empresa esta sem personalidade jurídica para agir comercialmente. Tais notas fiscais emitidas em nome da empresa baixada são inidõneas, e inclusive caracterizam falsidade ideológica. Não foram apresentados quaisquer documentos ou livros em nome da filial cadastrada (Pharmacia UP & John Ltda), a qual tinha por objetivo dar continuidade A atividade comercial da empresa incorporada, conforme previsto na alteração contratual que trata da incorporação. Nesse contexto, não me parece razoável dizer que houve emprego de analogia para dizer que as importações, de fato, realizadas pela ora recorrente, Pharmacia UP & John Ltda, foram levadas a efeito sem as GI em seu nome, uma vez que as GI, de fato, pertenciam a outra pessoa jurídica, extinta àquela época. Nesse passo, gostaria de utilizar as palavras da decisão de primeira instância sobre a matéria: A impugnante argumenta que sucedeu a empresa incorporada em todos os seus direitos, obrigações e responsabilidades dos negócios em curso. Assim, entende que as GIs emitidas em nome da incorporada foram, por expressa disposição legal, a ela transferidas Confonne estabelece o art, 227, da Lei n° 6.404/76, com a aprovação da incorporação, mediante a lavratura do correspondente Protocolo pela incorporada e pela incorporadora, é processada a operação, a qual passa a surtir efeitos, ou seja, desaparece a empresa incorporada. Assim, a partir da data da assinatura do Protocolo, em 25 de junho de 1996, a empresa Pharmacia Ind, e Com. Ltda, deixou de possuir personalidade jurídica para operar comercialmente Diante do exposto, as importações realizadas em data posterior incorporação, em nome da empresa baixada, são efetivamente irregulares.. Tais operações necessariamente deveriam ter sido processadas em nome da incorporadora interessada no presente processo No tocante as Guias de Importação, poderiam ter sido alteradas mediante aditivo, para a atualização do nome do importador. Corn efeito, a incorporação é uma operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Assim, as Guias de Importação emitidas em nome da incorporada poderiam ser transferidas para a incorporadora, mediante simples comprovação da transformação da sociedade junto ao órgão responsável por sua emissão,. 8 Processo rl`' 10735.000472/2001-11 S3-C1T2 Acórdlio na 3102-00107 H 806 Considerando que a sociedade incorporada desaparece no momenta da transformação das sociedades, por expressa determinação legal, não se admite a continuidade das operações comerciais e de comércio exterior em nome da incorporada, como se a sociedade incorporadora pudesse optar por continuar as atividades comerciais tanto em nome de uma como de outra sociedade, enquanto the fosse conveniente. Assim, verifica-se que não somente as GI que ampararam as importações encontravam-se irregulares, mas as operações como um todo, ao terem sido efetuadas em nome de empresa já extinta, restaram irremediavelmente comprometidas, impedindo a circulação, comércio e consumo das mercadorias através delas introduzidas no Pais. Dito isso, estou por dar provimento parcial ao recurso de oficio, no que tange à aplicaçfio da multa do Controle Administrativo das Importações, para restabelecê- la em parte, excluindo do restabelecimento as importações efetuadas no period° entre 01 e 25/06/1996, porquanto a interessada promoveu a incorporação da empresa Pharmacia Ind. e Com, Ltda., nos termos do Protocolo e Justificação de Incorporação lavrado em 25 de junho de 1996 (fls. 124 a 127), registrado na Junta Comercial em 26 de julho de 1996, dai serem as importações levadas a efeito pela recorrente até 25/06/1996 regulares. DA MULTA REGULAMENTAR DO IPI Quanto à multa regulamentar do LPI (multa de 100% do valor da mercadoria), esta foi mantida somente em relação As importações realizadas a partir de 25/06/1996, eximindo-se a interessada da exigência da mesma multa regulamentar correspondente As importações efetuadas entre 01 e 25/06/1996. Para exonerar a recorrente da exigência desta multa a decisão de primeira instância fundamentou assim o r. acórdão: Considerando que as importações realizadas a partir de 25/06/1996 em nome da empresa incorporada são irregulares, prevalece a multa aplicada, prevista no art. 365, inc. I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 87.981/82, abaixo transcrito . Art. 365 — Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na Nota Fiscal, respectivamente (Lei n° 4.502/64, art. 83, e Decreto-lei re 400/68, art. 1", alt. 2'9: I — os que entregarem a consumo, ou consumirem, produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente, ou ainda que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado de Declaração de Importação, Declaração de Licitação ou Nota Fiscal, conforme o caso; [--1 O argumento da interessada, no sentido de que os tributos/oram recolhidos, e não houve prejuízo ao Erário, não the socorre, pois \i as importações realizadas em nome de pessoa jurídica baixada 9 são irregulares, e nem mesmo o pagamento dos tributos é capaz de conferir-lhes regularidade, No entanto, merece reforma o lançamento relativamente as importações realizadas no período de 01/06/96 a 25/06/96, Neste interim, a empresa estava ativa, e plenamente habilitada a realizar operações de importação, não prosperando o argumento da autoridade lançadora no sentido de que, por não terem tais importações constado na Declaração do Imposto de Renda, estariam eivadas da mesma irregularidade que as demais importações realizadas após a incorporação. A infração constatada pela autoridade autuante, caracterizada pela falta de Declaração do Imposto de Renda relativamente aos dias 01 a 25 de junho de 1996, não macula as importações realizadas no período em questão, podendo, no entanto, gerar conseqüências no âmbito do Imposto de Renda e demais contribuições, com a eventual apuração de tributos e multas que deixaram de ser recolhidos (Grifou-se) Com relação a esta parcela exonerada da multa regular do IPI, concordo plenamente com a decisão recorrida, dai porque, nesta parte do recurso de oficio, nego-lhe provimento, inclusive percebendo que há reflexos na multa do controle administrativo das importações, consoante visto anteriormente.. Quanto à parte mantida da multa regulamentar do IPI, também faço coro com a decisão de primeiro grau hostilizada, razão por que adoto as suas razões de fato e de direito como se minhas fossem para decidir: Considerando que as importações realizadas a partir de 25/06/1996 em nome da empresa incorporada são irregulares, prevalece a =ilia aplicada, prevista no art 365, inc. I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 87,981/82, abaixo transcrito: Art.. 36.5 — Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na Nota Fiscal, respectivamente (Lei n° 4_502/64, art. 83, e Decreto-lei n° 400/68, art, I', alt. 2° ): I — os que entregarem a consumo, ou consumirem, produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente, ou ainda que tenha entrado no estabelecimento, dele saido ou nele permanecido desacompanhado de Declaração de Importação, Declaração de Licitação ou Nota Fiscal, conforme o caso; [ O argumento da interessada, no sentido de que os tributos foram recolhidos, e não houve prejuízo ao Erário, não lhe socorre, pois as importações realizadas em nome de pessoa jurídica baixada são irregulares, e nem mesmo o pagamento dos tributos é capaz de conferir-lhes regularidade. Ante o exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso de oficio, para restabelecer a Multa do Controle Administrativo das Importações levando em 10 Processo e 10735000472/2001-11 S3-C1T2 Acórdão n,D 3102-00,207 Fl 807 consideração os fatos geradores a partir de 26/06/1996, pelos motivos declinados supra, e DESPROVER o recurso vo1uitp, prejudicados os demais argumentos. Corinth° 0 Machado Voto Vencedor Conselheiro Ricar o Paulo Rosa, Redator Designado. assim resumidos. Os fatos descritos nos autos e discutidos em reunido ordinária podem ser A empresa PHARMACIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA 00,092,772/0001-09 foi extinta por incorporação no dia 28 de junho do ano de 1996 — 28/06/96, adquirida pela empresa PHARMACIA UP & JOHN LTDA 71.699.490/0001-04. Na mesma data, foi criada uma filial desta última, PHARMACIA UP & JOHN LTDA 71.699,490/000.3-76, para operar no endereço onde funcionava a primeira. Mais tarde, ern 05 de fevereiro do ano de 1997 — 05/02/97, a filial foi extinta. Consultando os Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal, a fiscalização descobriu que haviam diversas importações realizadas em nome de empresa extinta, após sua incorporação e não declaradas no IRPJ da mesma, desde junho do ano de 1996, mês em que havia sido incorporada. As importações, conforme extratos do Sistema Lince, foram realizadas no período de 03/06/96 a 10/09/96 e a baixa do CNPJ foi datada de 10/09/96. A fiscalização intimou a empresa incorporadora a apresentai os registros das importações realizadas pela incorporada, supondo que eles estivessem sendo registrados na contabilidade da filial, mas descobriu que as notas fiscais, guias de importação, faturas e livros estavam sendo escriturados em nome da incorporada, mesmo depois da efetivação da incorporação, mas enquanto ainda não havia sido dado baixa na Secretaria da Receita Federal. Do pondo de vista tributário, não ficou claro qual teria sido a vantagem da realização das operações em nome da empresa extinta por incorporação. A fiscalização apenas se refere à falta de indicação da vinculação entre exportador e importador, que de fato existia e foi possível omitir por terem as importações sido realizadas em nome da outra empresa, sem vincula com o exportador. Afora isso, embora não mencionado no auto de infração, há evidente repercussão no campo de tributos internos, pois as operações estavam sendo realizadas por uma empresa que não existia mais e, portanto, desobrigada aos registros próprios da atividade empresarial e pagamentos tributários correspondentes. A delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu manter a multa equivalente ao valor comercial da mercadoria para as importações realizadas no período de 25/06/96 a 10/09/96 e julgou improcedente a multa por falta de guia de importação, por considerar que a mesma regularizaria a mercadoria, recorrente de oficio desta última decisão, A empresa defende-se alegando o princípio da verdade material. Considera que, embora tenha havido problemas formais nas importações, não houve qualquer prejuízo ao Erário. As guias poderiam ter sido transferidas h. autuada, mediante simples aditivo, as importações poderiam ter sido registradas em nome da autuada, sem contratempos. Argumenta que, na incorporação, todas as obrigações e direitos da empresa incorporada passam incorporadora sucessão universal e, portanto, estava em plenas condições de utilizar tudo o que antes pertencia h incorporada. Relatadas, em apertada síntese, as circunstancias faticas, passo a decisão. Na parte que se refere à exoneração do credito tributário correspondente h. multa no percentual de trinta por cento do valor comercial da mercadoria, por importação realizada sem guia de importação ou documento de efeito equivalente, creio que não há qualquer reparo a fazer na decisão de piso. Não restam dúvidas de que, do ponto de vista do controle administrativo das importações, tais operações haviam sido previamente autorizadas, não havendo qualquer óbice à sua intemalização no mercado nacional. Ademais, quando o assunto diz respeito As multas aplicáveis por infrações desta natureza, é sempre conveniente atentar para a legislação própria desta atividade. No processo de análise e deferimento da licença de importação ha uma gama de informações especificadas no Anexo II da Portaria MF/MICT 291/96 que são analisadas corn vistas ao licenciamento da operação. Elas devem ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal solte, que todos os elementos relevantes para cada operação especifica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente a. época em que o licenciamento está sendo examinado. A Portaria Secex n° 21/96, especificava à época da ocorrência dos fatos qual procedimento era observado pela Decex (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art„ 14 Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados, § 1° ,f 2 Art, 15, Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligencia (grife0 Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão .fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei, Portanto, independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou da mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador. Quando forem verificados (0 erros significativos, (i0 indícios de fraude ou (iii) patente negligencia 12 Processo n° 10735,000472/2001-11 S3-C I T2 Acórdão IL° 3102-00,207 Fl 808 Reconhecido isso, o que se tem no caso concreto é que, como apontado pela recorrente, não resta qualquer dúvida de que as guias emitidas em nome da empresa incorporada poderiam ser naturalmente transferidas à incorporadora, não havendo como se considerar que tenha ocorrido, nestas circunstancias, quaisquer das razões impeditivas acima descritas. Superada a questão, passo à análise da multa aplicada no valor comercial da mercadoria importada, que tem a tipificação legal a seguir transcrita . Art 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota respectivamente (Lei n 2 4.502, de 1964, art 83, e Decreto-lei n2 400, de 1968, art, 12, alteração 2a): I - os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou ,fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no S1SCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n 2 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decreto-lei n2 400, de 1968, art. 12, alteração 29; e lI - os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda a saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei n2 4502, de 1964, art, 83, inciso II, e Decreto-lei n2 400, de 1968, art, 12, alteração 2"). 12 No caso do inciso I, a imposição da pena não prejudica a que é aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e, no caso do inciso II, independe da que é cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto em razão da utilização da nota (Lei n2 4.502, de 1964, art.. 83, esç. 1 2,). sg 22 A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplica-se apenas as hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no Pais ou importados irregular ou fraudulentamente. Interpretando-se o texto legal, tal como nele disposto, tem-se que a infração está tipificada como sendo a de consumir ou entregar a consumo, produto de procedência estrangeira (i) introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente ou (ii) que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem declaração da importação, guia de licitação ou nota fiscal; sendo que, conforme parágrafo 2° do mesmo artigo, a multa correspondente é aplicada apenas na hipótese de produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente, Ou seja, embora a hipótese de ausência da documentação fiscal hábil a comprovar a situação regular do produto esteja prevista no texto no inciso primeiro, no qual a / 1.1 13 infração é tipificada, o parágrafo segundo condiciona a aplicação da sanção A constatação de que ocorreu a introdução clandestina, irregular ou fraudulenta do produto no território nacional . Essa vinculação impede que a multa seja aplicada nos casos de produtos de procedência estrangeira adquiridos no mercado interno sem nota fiscal de compra, mas importados de forma regular ou mesmo quando não se tenha noticia ou não se possa provar alguma irregularidade na importação . A esse respeito, cumpre aqui registrar que este redator nunca se afastou do entendimento de que a infração de que aqui se trata esteve sempre dirigida nu aos produtos importados irregularmente, ou aos que estivessem desacompanhados de documentação probante da sua regular importação ou aquisição no mercado interno, dispensando, com isso, que a fiscalização envidasse esforços na comprovação de que produtos estrangeiros desacompanhados de nota fiscal de aquisição no mercado interno foram, de fato, importados irregularmente, já que a ausência dos documentos constituía razão suficiente para aplicação da multa. Também, nunca me filiei A tese de que a multa apenas aplica-se aos casos em que o contribuinte não possui ou não apresenta a documentação fiscal de importação ou aquisição no mercado interno, pois a importação irregular, fraudulenta ou clandestina também 6, de per si, razão bastante para aplicação da multa, tal como disposto no texto normativo. Neste ponto, imperioso que, no caso concreto, se faça uma clara delimitação do significado que possa ser dado A. expressão "irregular" contida no texto legal. Smj, impossível entendê-la como referindo-se a qualquer irregularidade. Penso que, necessariamente, se deve assumir tratarem-se daquelas irregularidades que envolvam alguma espécie de ato doloso, garantindo-se-lhe interpretação harmônica com todas as demais hipóteses contidas no texto. Em caso contrário, restaria tal infração aplicável a qualquer tipo de irregularidade identificada na importação, o que não me parece ser interpretação razoável desse dispositivo, além de não encontrar respaldo na pratica administrativa. Dito isso, parece-me que não foi demonstrado nos autos qual a relevante irregularidade cometida na importação das mercadorias em questão . Além de eventuais problemas na apuração de tributos internos, não objeto da presente contenda, não se identifica qualquer outra infração passível de aplicação de multa tão severa . Os fatos apurados mostram- se de pouca repercussão, mais provavelmente classificáveis como caso de erro escusável, para o qual deveria te,r sido aplicada, se existente, multa por infração especifica, mas não por importação clandetina , fraudulenta ou sem amparo em documentação fiscal própria, razão pela qual VOTO R NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao rec4irs voluntário apresentado pela recorrente, ulo Rosa 14
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003671/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEFESA INTEMPESTIVA PRECLUSÃO
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEFESA INTEMPESTIVA PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal, relativas às contribuições sociais, apuradas com base em recolhimentos e extratos do FGTS. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 37 a 41, os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos seguintes levantamentos: LL — Levantamento referente a contribuições patronal, empregados, apuradas com base em recolhimentos e extratos do FGTS fornecidos pela Caixa Econômica Federal; ACAL — referente a correção monetária, juros e multas, relativos a Guias de Recolhimentos pagas em atraso no período do lançamento. Em virtude de o contribuinte ter se recusado a assinar a notificação, bem como a receber os AR’s postados, o contribuinte foi cientificado via edital em 29/11/2000 e somente em 10/01/2001 apresentou defesa. Às fls. 107/108, foi solicitada uma diligência fiscal que culminou no relatório Fiscal Complementar de fls. 110/113, datado de 20/11/2006 pelo que foi dado ciência ao contribuinte em 12/01/2007, reabrindo o prazo para apresentação de impugnação. Porém a empresa não se manifestou. Inconformada com a decisão de fls. 122/123v, que julgou procedente o lançamento, face a intempestividade da defesa, a notificada apresentou recurso voluntário a este conselho alegando em síntese: A nulidade do processo; entendendo que a notificação de fls. 114 está insuficiente quanto ao preenchimento dos elementos essenciais e legais, pois deixou de constar as regras do processo administrativo fiscal, previstas no Decreto n.70235/72 e da IN 185/2002; Alega a inexistência de crédito para o fisco e débito para a recorrente, pois, já havia sido fiscalizada anteriormente pelo mesmo período e nessa oportunidade o crédito/débito apurado não incluiu o lançamento relativo às contribuições sociais para a Seguridade Social; Entende que decaiu o direito do Fisco de constituir o crédito, uma vez que a consolidação, e notificação por edital ocorreram em 29/11/2000, vindo a ser lavrada a NFLD em 22/09/2000, relativa a contribuições do período de 8/1996 a 13/1998; Defende que a fiscalização, antes de proceder ao lançamento, está obrigada a realizar um rastreamento na base de dados da Empresa a fim de checar a procedência ou não dos lançamentos. Discorda da aferição indireta através de extratos do FGTS, pois existem muitos títulos que não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, mas que são inseridos no FTGS. Diz constatarse a ausência de elementos essenciais e legais para que se constitua o procedimento legalmente amparado por base legal e que a notificação de fls. 114 deixou de se fazer acompanhar do Relatório Fiscal Substituto, o que se constitui em cerceamento de defesa e por conseqüência nulidade da NFLD. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003671/200868 Acórdão n.º 240102.428 S2C4T1 Fl. 154 3 Por fim requer que seja julgada improcedente a NFLD, acolhendo as preliminares suscitadas; no mérito também pela improcedência, ou pela redução do valor deduzindose aqueles constantes das guias anexadas aos autos, evitandose a repetição de recolhimento na mesma rubrica; É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese o recurso ser tempestivo e trazer em seu bojo alegações acerca da matéria objeto da notificação, entendo que este não deva ser conhecido em virtude da preclusão ocorrida em face da intempestividade da defesa apresentada. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, nos termos do artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Notese que, mesmo após a emissão de relatório Fiscal Substitutivo e reabertura do prazo para impugnação, a recorrente não apresentou nova defesa. Como a primeira impugnação apresentada fora intempestiva, a decisão de primeira instância dela não conheceu. No recurso apresentado não há uma linha sequer questionando este argumento. Logo, não há como serem analisadas as questões trazidas na peça recursal. Ante ao exposto, Voto no sentido de Não Conhecer do Recurso. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006259/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial
dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude
ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele
em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do
Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos
meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano
calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte.
RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS.
CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de
apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia,
que reduziram o seu lucro tributável durante os três anos-calendário
examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação
ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a
obrigação tributária.
ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO.
Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com
observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis
os fatos nela registrados.
DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência
de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a
preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia, que reduziram o seu lucro tributável durante os três anos-calendário examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a obrigação tributária. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO. Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis os fatos nela registrados. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E REFLEXOS Recorrente COMERCIAL DE BEBIDAS VIRGINIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia, que reduziram o seu lucro tributável durante os três anoscalendário examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a obrigação tributária. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO. Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis os fatos nela registrados. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório COMERCIAL DE BEBIDAS VIRGINIA LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o processo dos autos de infração relativos aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, na sistemática do lucro real trimestral, que foi a opção da contribuinte: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, fls. 830/847, no valor de R$ 952.758,42, devido resultados não declarados, conforme detalhado no Termo de Verificação da Ação Fiscal, em 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, com base nos arts. 249, 250 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); b. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 848/856, no valor de R$ 364.413,00, devido às mesmas infrações e períodos de apuração; base legal no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, fls. 860/870, no valor de R$ 162.169,51, relativa às mesmas infrações, no regime cumulativo nos períodos de apuração mensais de 01/2003 a 01/2004, com base nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 3 d. contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, fls. 871/878, relativa às mesmas infrações, nos períodos de apuração mensais de 01 a 04/2003, com base, com base nos arts. 1º, 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970, arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51, do Decreto nº 4.524, de de 2002; e. Sobre os impostos e contribuições devidos apurados com base nos depósitos bancários de origem não justificada exigese multa de ofício de 150% do art. 44, I Ida Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 2. Às fls. 821/829, no Termo de Verificação Ação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 3. Cientificada do TVF e do auto de infração em 17/11/2008, a interessada, interpôs a impugnação tempestiva de fls. 882/959, acompanhada dos documentos de fls. 961/2005. 4. Argui preliminarmente a decadência dos lançamentos por homologação relativos aos períodos de 01 a 10/2003, com base no art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, instrumento legal que rege a questão consoante determina o art. 146, III, “b” da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988. 5. Disserta sobre ser prerrogativa da autoridade fazendária constituir o lançamento de ofício e que o auto lançamento pelo contribuinte deve ser homologado no prazo máximo estipulado pela Lei para que a autoridade não perca o direito material, tornandoo “caduco” pela fluência tácita do prazo de homologação do auto lançamento efetuado sob tal condição resolutória. 6. Que, no caso, o dies a quo decadencial de 5 (cinco) anos para a constituição definitiva de parte do crédito tributário começou a fluir, sem interrupção ou suspensão, com o surgimento do fato gerador; cita autores e jurisprudência nesse sentido; que o Fisco tinha a obrigação de homologálo tempestivamente, mas “a resolutoriedade que permeou o ato praticado de per se não é ad infinitum perpetuandose no tempo, devendo ter sido perfectibilizado” no citado prazo máximo. 7. Que, tendo transcorrido in albis mais de 5 (cinco) anos para o Fisco exercer o seu direito potestativo de lançamento, ocorreu a decadência qüinqüenal na forma do art. 150, § 4º do CTN, pois a ciência dos autos só foi dada ao contribuinte em 17/11/2008. 8. Que, se o legislador não previu rupturas no instituto da caducidade, que quando se tratar de situação mais gravosa, a hermenêutica aplicável é a que mais favorece o sujeito passivo; transcreve jurisprudência e cita autores nesse sentido. 9. Advoga a inexistência de dolo, fraude ou simulação, pois a própria autoridade administrativa deixou claro que a contribuinte incorreu em erro quando do preenchimento das respectivas DIPJ, uma vez que ficou comprovado que os valores se achavam correta e regularmente contabilizados; e transcreve trecho do Termo de Verificação Ação Fiscal que descreve tal fato, caracterizando “divergência” entre os valores apurados contabilmente e os declarados, logo, sendo a contabilidade capaz de demonstrar os valores corretos, isso por si só acaba por afastar a intenção de subtrair valores; também transcreve jurisprudência no sentido de que a há necessidade de comprovação do dolo e que a legislação que determina a aplicação da multa qualificada deve ser interpretada restritivamente; aduz que para a existência Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 4 de dolo é imperativo que se verifique primeiro a fraude, já que esta é decorrente daquela. 10. Afirma que acabou por praticar todos os atos contábeis em base aos fatos ocorridos, sem excluir nenhum no sentido de ensejar o retardamento ou mesmo o impedimento da ocorrência do fato gerador, mesmo porque não é pela entrega da declarações ou falta dela que o fato ocorrerá, mas sim pela conduta tipificada na norma; portanto, o contribuinte adimpliu o seu dever instrumental e tanto a escrituração contábil como a fiscal se achavam correta e adequadamente processadas, o que foi reconhecido pela fiscalização. 11. No mérito, após descrever que atua na comercialização, revendendo bebidas, e que declarou pelo lucro real e recolheu PIS e Cofins no regime da não cumulatividade até o advento da tributação monofásica, advoga que: a sua escrituração/contabilidade é regular abrangendo todos os fatos contábeis; que cumpriu as obrigações acessórias de apresentação das Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e das Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF; que foi incabível a glosa das despesas contabilizadas a título de serviços de corretagem efetivamente prestados pela Fênix Distribuidora e pagos, cuja irregularidade não foi comprovada pela fiscalização; invoca os princípios da razoabilidade e do devido processo legal; reclama de multa qualificada indevidamente; argumenta que o ônus da prova é da fiscalização que não comprovou, baseandose na mera presunção; reclama contra o arrolamento de bens de que foi objeto e que o valor do lançamento é totalmente indevido. 12. Sobre ser a sua escrituração/contabilidade regular abrangendo todos os fatos contábeis e dessa forma evidenciando todos os fatos ocorridos no decorrer do período examinado, invoca a descrição dos fatos pela fiscalização. 13. Lembra que apresentou as DIPJ e DCTF dos períodos examinados; afirma que pela manifestação do agente fazendário, fica a impressão de que foram apresentadas com incorreções, diante dos elementos assentados tanto nos livros contábeis quanto nos fiscais, mas é inegável que a autuada cumpriu tempestivamente essas obrigações, inclusive no que tange às declarações retificadoras. 14. Reclama que é incabível a glosa das despesas contabilizadas a título de serviços de corretagem efetivamente prestados pela Fênix Distribuidora e pagos, cuja irregularidade não foi comprovada pela fiscalização, porque simplesmente baseada na análise e poder discriminatório fiscal, sem nexo com a atividade ou com a qualidade dos documentos, que concluiu que tais despesas não eram necessárias à atividade da autuada; afirma que essa mera suposição é insuficiente, faltando prova do fato que respalde a glosa, por parte da fiscalização; aduz que essas despesas eram necessárias como prova o teor do contrato celebrado entre a autuada e a prestadora Fênix, e transcreve trechos do mesmo; que a jurisprudência que transcreve apóia sua tese, dado que os valores glosados foram efetivamente incorridos pela autuada, tendo sido efetivamente pagos, conforme documentos que apresentou à fiscalização e que acosta com a impugnação; que por se tratar de serviços de venda, é inequívoca a necessidade de tal serviço, dada a atividade de comercialização de bebidas da impugnante; discorda que não tenha apresentado qualquer documento fiscal e que os recibos não demonstram quais serviços foram executados, a qualificação dos profissionais envolvidos nem a necessidade dos serviços, ou outros elementos de convicção, pois, conforme jurisprudência, para a identificação da causa de comissões “não é necessário que os recibos descrevam individualmente cada negócio agenciado, cada pedido, cada contrato, o que foi vendido, a quem e por quanto, assunto para longos relatórios e não para recibos” e na verdade, os recibos Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 5 apresentam claramente o objeto, inclusive mencionam o respectivo contrato de prestação de serviços, demonstram a necessidade, a usualidade e normalidade de tais serviços, inclusive pelo seu pagamento e pela assunção de valores por parte da respectiva contratada, Fênix; aduz que a lei não proíbe uma empresa de contratar outra, desde que o objeto da contratação não seja ilícito; que graças às vendas realizadas pela Fênix, foi possível à autuada ter a receita tributável que teve; que glosar a despesa de corretagem, agenciamento de vendas, sob o pretexto de que é desnecessária e não usual é banir uma profissão milenar; que o contrato com a Fênix tem respaldo na Lei do Representante Comercial e que o mero erro gramatical de constar representante comercial em vez de corretagem é insensato, importando a sua natureza jurídica; que o conjunto de provas permite afirmar que os serviços foram contratados, existiram, são normais e necessários, sendo insuficientes as divergências entre os valores contabilizados pela autuada e aqueles contabilizados pela contratada que a fiscalização apontou para justificar a glosa da totalidade dos valores. 15. Invoca os princípios da razoabilidade e do devido processo legal, explicando que o primeiro exige proporcionalidade, justiça e adequação nos meios utilizados pelo Poder Público, não podendo ser confundido com um dos critérios utilizados na sua aplicação, que é a proporcionalidade; portanto, o que se exige da Administração é coerência lógica nas medidas administrativas e legislativas, assim como na aplicação de medidas restritivas e sancionadora; e transcreve jurisprudência. 16. Reclama que a multa foi indevidamente qualificada; explica que apura e recolhe tributos apurados mensalmente, por homologação, sem o prévio exame da autoridade administrativa, em que há a antecipação do crédito sob condição resolutória ; po risso, não se lhe aplica o art. 173, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, mas o art. 150, § 4º, isto é, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito de ofício depois de decorridos 5 (cinco) anos do fato gerado; assevere que, tendo sido a constituição do crédito em 13/11/2008, encaminhado à contribuinte somente em 17/11/2008, parte do lançamento foi atingido pela decadência; aduz que a conduta da litigante não se coaduna com os requisitos imprescindíveis dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, para que ocorra a qualificação da multa de 75% para 150%, pois a fiscalização apontou apenas declarações do sujeito passivo divergentes dos dados escriturados na contabilidade e livros fiscais, o que não pode ser qualificado como sonegação, não houve impedimento ou retardamento do fato gerador tal como definido nos arts. 144 e 116 do CTN; alega que contabilidade e livros fiscais estavam regulares e tudo que houve foi “um erro de transcrição de valores da contabilidade diretamente para a declaração de Imposto de Renda.”, portanto “a conduta do sujeito passivo, até de inocência”; tampouco fraude pois a contabilidade estava correta, nem subtração ou omissão de valores ficando afastada a má fé e tampouco embaraço à fiscalização, pois cumpriu todas as exigências fiscais; protesta contra a conclusão acerca de conduta dolosa pela divergência entre as declarações e a contabilidade, por se tratar de mero erro, e da imputação de ter declarado incorretamente despesas inexistentes e não necessárias. 17. Argumenta que o ônus da prova é da fiscalização que não apresentou provas materiais das infrações imputadas, baseandose na mera presunção, que entre outras praticas tributárias, como “ficções legais, pautas fiscais, arbitramentos tributários, substituições subseqüentes e outros expediente, quando utilizados desnecessariamente, operando verdadeiro “atalho” ao dever de investigação, avilta o primado da verdade material e. muitas vezes, sequer satisfazem a verdade formal”; e invoca que “in dúbio pro reo”. Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 6 18. Reclama contra o arrolamento de bens de que foi objeto, em relação ao qual afirma que não lhe foi oportunizado o direito de ampla defesa e livre contraditório, mas que, uma vez impugnada a autuação e suspensa a exigência fiscal, também fica afastado o ato da autoridade fiscal quanto ao arrolamento de bens. 19. Finaliza afirmando que o valor do lançamento é totalmente indevido, por estar revestido de vício que seguramente implicará na sua nulidade, pois fundado em meros elementos indiciários, sem levar em conta outras informações e dados para então oferecer ao contribuinte a cominação imposta; que o crédito tributário é incerto, inseguro e inexigível, não havendo como identificar uma infração com segurança; que se considerado o art. 112 do CTN, a medida será julgada totalmente improcedente. 20. Pede que se acate a decadência do crédito relativo a 01 a 10/2003; o reconhecimento dos documentos relativos às despesas glosadas revertendoa; desqualificar a multa de 150%, pela ausência de dolo ou fraude e por ter atendido as solicitações fiscais; desconstituir o arrolamento de bens; julgar o lançamento improcedente. Foram também formalizados o processo nº 10950.006260/200879 – Representação Fiscal para Fins Penais, e o de nº 10950.006263/200811 – Arrolamento de Bens. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de dolo, fraude ou simulação, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do Lucro Real Trimestral, em que os impostos e contribuições referentes aos meses e trimestres até novembro podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. CONTABILIZAÇÃO DE DESPESA FICTÍCIA. DOLO. A declaração de apenas parte ou nada das receitas auferidas e a dedução de despesa fictícia, que reduziram o seu lucro tributável durante os três anoscalendário examinados, são suficientes para evidenciar a intenção dolosa de simulação ou ocultação, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte a obrigação tributária. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. CONDIÇÃO. Somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais e se comprovados por documentos hábeis os fatos nela registrados. DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO E NECESSIDADE. Não foi comprovada a alegação de que despesas de “Outros Serviços” eram essenciais às operações da autuada nem que tais serviços foram efetivamente prestados. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. DIPJ. RETIFICADORAS, SOB FISCALIZAÇÃO. Não elidem o lançamento fiscal declarações de débitos retificadoras apresentadas sob procedimento fiscal. Impugnação Improcedente. Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 7 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/5/2010, no qual contesta em parte as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): IV. DO PEDIDO Diante do exposto, requer seja conhecido e provido e presente recurso, para que o Acórdão proferido pela Delegacia Da Receita Federal de Julgamento de Curitiba seja reformado em parte, acatando as pretensões aduzidas pelo recorrente, no sentido de que: a) tendo em vista que o fato apontado pelo Senhor Fiscal não importa, absolutamente, numa infração, não pelo menos da forma proposta, e em não havendo infração, não há razão nenhuma no prevalecimento de uma imposição de penalidade, porquanto se deu o devido cumprimento das obrigações acessória e principal; b) em que pese os objetivos demonstrados pelo Senhor Fiscal autuante quanto ao trabalho realizado, e por todo exposto, a conclusão óbvia do não prevalecimento da ação fiscal, como proposta, é incontestável, tornando evidente a sua nulidade, e sob qualquer ótica que se analise o auto, constatarseá o total descabimento da ação fazendária; c) que, o trabalho de levantamento fiscal não levou em consideração que a DIPJ apresentada sob a forma de retificadora acabou por contemplar valores correta e regularmente contabilizados pelo estabelecimento recorrente, estando evidente tratarse de impropriedades quando da sua transcrição, das peças contábeis, diretamente para a respectiva DIPJ; d) ainda, que o trabalho de fiscalização não levou em consideração que a DIPJ apresentada sob a forma de retificadora acabou por contemplar valores a título de receitas, porquanto os demais valores já haviam sido declarados correta e regularmente na respectiva DIPJ anteriormente apresentada pelo sujeito passivo, verificando com isso, que a retificadora não contemplou todos os valores, mas apenas aqueles relativos à receita, conforme remete o levantamento elaborado às fls. 09 do presente Acórdão. Destarte, a recorrente vem postular à esse Egrégio Conselho, que sejam acolhidas as razões arguidas preliminarmente, e por conseguinte, fazer coisa julgada formal, e, cumulativamente, reconhecendo o instituto da decadência conforme alegado pelo sujeito passivo, no que pertine aos valores constituídos relativos aos meses de janeiro a novembro de 2003, eis que os valores das despesas foram correta e regularmente contabilizadas, e daí incluídas na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sem qualquer impropriedade, ou mesmo, omissão de valores. Caso sejam vencidas tais arguições, que seja julgado, no mérito: a) que seja desqualificada a conduta de dolo, fraude ou simulação imputada ao sujeito passivo, em vista de que não houve divergência de valores apurados pelo senhor fiscal, relativamente aqueles contabilizados pelo estabelecimento recorrente; b) que seja processada a adequação da multa, de forma a descaracterizar aquela apurada em base a 150,0% (cento e cinqüenta por cento), eis que o sujeito passivo acabou por não incorrer na ausência do cumprimento do dever instrumental, conforme evidenciado no próprio trabalho realizado, porquanto, os valores Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 8 apurados pelo senhor fiscal quando da realização da auditoria, revestem naqueles contabilizados pelo estabelecimento recorrente, de forma a não se vislumbra qualquer divergência de valores entre aqueles levantados pelo senhor fiscal e aqueles apresentados contabilmente pelo sujeito passivo; c) uma vez reconhecido o instituto da decadência quanto aos valores relativos aos meses de janeiro a novembro de 2003, da forma como levantada pelo recorrente; uma vez reconhecida a necessidade de adequação da multa aplicada, para o percentual de 75,0% (setenta e cinco por cento), que seja reconhecida a aplicação da renúncia de defesa e/ou recurso às demais matérias constitutivas de crédito tributário, nos termos da petição protocolada em 01.03.2010, e assim, cabendo ao sujeito passivo extinguir referido valor na forma e prazo recepcionados pela Lei n 11941/2009. No dia 13/6/2011 o contribuinte ingressou com pedido de desistência parcial do recurso nos seguintes termos: (...) Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 9 (...) É o relatório. Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência em face de auditoria do lucro real, tendo a fiscalização apurado omissão de receitas, bem como glosado despesas consideradas indedutíveis. Alem disso, foi qualificada a multa de oficio em face das declarações de imposto de renda com valores de receitas sistematicamente informados a menor. Conforme relatado, o contribuinte desistiu de parte do litígio para aderir ao parcelamento especial. Dentre outras matérias reitera a contestação da multa qualificada no percentual de 150%. Pois bem, vejamos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra da ilustre julgadora Eva Maria Los, que manteve integralmente as exigências: 1 Preliminar. 1.1 DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL RELATIVO A 01 A 10/2003. 21. A autuação foi lavrada no lucro real trimestral, conforme opção da empresa, onde o lançamento é por homologação, iniciandose a contagem do prazo decadencial na data do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem passa a se iniciar em conformidade com o art. 173, I do CTN, isto é no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 22. A autuação se refere aos fatos geradores trimestrais desde 31/03/2003, no caso do IRPJ e da CSLL, e mensais iniciandose em 31/01/2003, no caso das autuações de PIS e Cofins, tendo sido os autos cientificados à empresa em 17/11/2008. 23. Todos esses lançamentos são reconhecidos como sendo por homologação, entendimento acatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda – CCMF): (...) 24. Para as infrações com ausência de dolo, o de 5 (cinco) anos que se completou em 17/11/2008, teria início em 17/11/2003, portanto estariam atingidos pela decadência os fatos geradores trimestrais de 31/03/2003, 30/06/2003 e 30/09/2003, e os fatos geradores mensais de 01 a 10/2003. 25. Porém, se comprovado dolo, fraude ou simulação, e podendo ser o lançamento relativo aos citados trimestres e aos meses de 01 a 11/2003 efetuados no mesmo ano de 2003, a contagem se inicia em 01/01/2004, que é Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 11 o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, completandose em 31/12/2008, portanto, nenhum dos fatos geradores da autuação teria sido atingida pela decadência. 26. Uma vez esclarecida essa questão, cabe avaliar a existência ou não de dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas. 1.1.1 Dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas. 27. Consta do Termo de Verificação Ação Fiscal que se exige multa de ofício de 150%, do art. 957, II, aplicável quando há dolo, fraude ou simulação, sobre os impostos e contribuições, porque a empresa, nos três anos examinados, declarou valores incorretos e não verdadeiros, aliado ao fato de haver deduzido valor elevado de despesas inexistentes (6,97% da receita bruta), contabilizadas como “Outros Serviços”, com vistas a reduzir os impostos e contribuições devidos. 28. A litigante assevera que se trata o seu caso de mera falta de pagamento ou inexatidão de declaração, que justificam apenas a multa de ofício de 75%. 29. Porém, temse que, tendo declarado pelo lucro real trimestral, declarou originalmente os seguintes valores de lucro e de receitas, respectivamente bases de cálculo do IRPJ e CSLL e das contribuições incidentes sobre o faturamento; intimada, retificou essas declarações já sob fiscalização, fazendo constar valores muito mais elevados, correspondentes aos da escrituração e que havia omitido; mas também se constatou a dedução indevida de despesas fictícias conforme demonstrado a seguir, e todos esses fatos conduziram á identificação de elevado valor de lucros que não foram declarados: Receita declarada (*) Lucro Real Declarado (*) Receita declarad sob fiscalização Lucro Real declarado sob fiscalização Receita Omitida (contabilidade x declaração original) Despesa indevida mente deduzida Lucro a tributar apurado 1º tr 2003 1.610.405,76 (4.839,38) 2.590.663,72 53.710,31 980.257,96 241.969,24 295.679,55 2º tr 2003 1.716.417,41 (12.096,56) 2.990.197,84 425.763,63 1.273.780,43 291.846,72 717.610,35 3º tr 2003 2.013.160,34 (11.508,15) 3.204.857,35 (2.068,97) 1.191.697,01 244.281,68 242.212,71 4º tr 2003 2.251.081,34 (5.672,51) 4.336.310,72 210.186,12 2.085.229,38 259.641,34 469.827,46 1º tr 2004 0,00 0,00 3.181.609,15 (88.966,68) 3.181.609,15 254.237,87 165.271,19 2º tr 2004 0,00 0,00 3.968.044,75 (834,29) 3.968.044,75 258.543,85 257.709,56 3º tr 2004 0,00 0,00 5.640.013,71 (1.276,66) 5.640.013,71 241.171,38 239.894,72 4º tr 2004 0,00 0,00 7.318.941,47 58.210,44 7.318.941,47 321.328,29 379.538,73 1º tr 2005 6.432.250,61 244.908,73 6.432.250,61 228.908,67 0,00 288.199,33 517.108,00 2º tr 2005 92.590,88 92.590,88 6.443.751,18 92.590,88 6.351.160,30 278.020,94 370.611,82 3º tr 2005 827.826,54 82.826,54 6.876.113,80 82.826,54 6.048.287,26 294.475,89 377.302,43 4º tr 2005 207.066,67 207.066,67 10.342.848,74 207.066,67 10.135.782,07 386.213,19 593.279,86 Total 15.150.799,55 593.276,22 63.325.603,04 1.266.116,66 48.174.803,49 3.359.929,72 (*) Valores declarados espontaneamente, dado que as retificadoras foram entregues sob fiscalização, depois de intimada a empresa Originais: DIPJ 2004/2003, fls. 471/539; DIPJ 2005/2004 fls. 640/741; DIPJ 2006/2005, fls. 771/801 Retificadoras: DIPJ 2004/2003, fls. 401/470; DIPJ 2005/2004 fls. 540/639; DIPJ 2006/2005, fls. 742/770 Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 12 30. A fiscalização examinou a despesa contabilizada na conta “Outros Serviços” e questionou sua validade; tratamse de valores que a litigante transferiu para a empresa Fênix, conforme os comprovantes bancários de fls. 97/382 e 1.173/2.005. 31. A Fênix Distribuidora Ltda é empresa que atua também no ramo de distribuição de bebidas e se evidenciou sua estreita ligação com a autuada. 32. A contribuinte foi intimada a demonstrar que os serviços efetivamente foram prestados pela Fênix e eram normais, usuais e necessários às suas atividades; com essa finalidade, a litigante apresentou somente Recibos emitidos pela Fênix e os comprovantes de depósitos, que não demonstram que serviços teriam sido prestados e se o foram efetivamente, nem a essencialidade dos mesmos às operações da autuada; não constam notas fiscais de prestação de serviços da Fênix e esta apresentou declarações no Simples em que a receita é menor que a alegada despesa que a litigante escriturou, declarou exclusivamente receita não decorrente de prestação de serviços, ou seja, seriam revendas de mercadorias, declarou estoques de mercadorias e número de funcionários variando de 42 a 66 pessoas, fls. 2.015/2.016; no contrato que a Virgínia alega ter sido firmado entre ambas e que é citado nos Recibos da Fênix como “Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços entre Pessoas Jurídicas, firmado em 13/02/1998, com pagamento através de transferência eletrônica (Itaú Bankline) do Banco Itaú S/A” e do qual transcreveu excertos à fl. 905, na impugnação, consta que a autuada teria contratado a Fênix para efetuar corretagem de vendas dos produtos comercializados pela Virgínia, que a Fênix utilizaria pessoal próprio e que a Virgínia colocaria veículos, acessórios e demais utilidades à disposição da Fênix, mas arcaria com as despesas destes, e pagaria à Fênix 3% do total de vendas, medidos a partir dos pedidos entregues pela Fênix à Virgínia – desse teor do contrato se conclui que a Virgínia teria criado a Fênix para que essa contratasse e remunerasse funcionários enquanto declarava e recolhia pelo Simples em cujo percentual favorecido estão incluída a contribuição ao INSS, e estes funcionários trabalhavam à disposição da Virgínia, que, com isso, declarando pelo lucro real, reduzia seu resultado tributável, porque aumentava suas despesas mediante dedução de alegados serviços prestados pela Fênix; dessa forma, economizava nos impostos incidentes tanto sobre o lucro e sobre o faturamento e ainda nos recolhimentos do INSS. 33. Ainda outros fatos confirmaram que nenhum serviço foi prestado pela Fênix à Virgínia, muito menos serviços essenciais à operação da autuada o que é demonstrado em detalhe no tópico 2.1 GLOSA DA DESPESA “ OUTROS SERVIÇOS” , deste voto. 34. O que a documentação acostada comprovou foi a transferência de recursos pela Virgínia para a Fênix, nada mais; e que foram indevidas, não se constituem em despesas e que a Fênix foi intencionalmente criada com a intenção da contribuinte de pagar menos que o devido, ocultando o fato de que sua receita bruta era maior que a que declarava: em 2004, declarou 0 (zero!) receitas, assim como o prejuízo que declarava era na realidade lucro; tais infrações foram continuadas; a contribuinte reiteradamente, durante os Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 13 três anoscalendário examinados incorreu nas infrações que lhe foram imputadas. 35. Por definição, as sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. 36. A sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 37. No presente caso, a empresa, intencionalmente, declarou apenas parte ou nada das receitas auferidas e constituiu a Fênix com o objetivo de criar despesa fictícia que reduzia o seu lucro tributável, enquanto reduzia o INSS que devia sobre a folha de pagamento dos funcionários, tudo isso, visando ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores, receita bruta auferida e lucro auferido. 38. Por todo o exposto, concluise ser correta a conclusão fiscal ao identificar dolo nas ações da contribuinte. 39. Em havendo dolo, nenhum dos períodos de apuração do anocalendário 2003 foi atingido pela decadência. 40. Por pertinente, transcrevese jurisprudência administrativa: (...) 2 Mérito. 2.1 GLOSA DA DESPESA “ OUTROS SERVIÇOS”. 41. Já se descreveu no tópico “1.1.1 Dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas”, o porquê de ter sido essa despesa glosada. 42. Voltase à questão com maiores detalhes. 43. Não consta do processo o contrato social da Virgínia, mas no CNPJ consta o CNAEF 46354402 – Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante, e às fls. 808/819, na 24ª Alteração Contratual de 30/06/2007, consta que o objeto social é “Comércio Atacadista de bebidas” e na 25ª, de 20/11/2007, que passa a ser “Comércio atacadista e varejista de bebidas e de equipamentos de informática e componentes eletrônicos”; o domicílio fiscal informado nas DIPJ entregues e constante do CNPJ é o de fl. 2.012, Av. Mauá, 2.498, Zona 9, Maringá/PR, CEP 87050020, tel. 443027300 e 30273001, sendo o responsável pelo preenchimento Reinaldo Sérgio Marques Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 14 CPF 493.204.0894; no sítio da empresa, fl. 2.014, consta que é o maior distribuidor AmBev do Paraná, sendo exclusiva em Maringá e mais 60 municípios, e que alterou esse endereço. 44. A Fênix Distribuidora Ltda, CNPJ 02.338.645/000164 foi fundada em 1998, tendo como sócia responsável desde a fundação Nuria Nanete Buosi, pertencente à mesma família proprietária da Virgínia e também sócia desta com 10% de participação no capital, desde 08/2004; o outro sócio é Reinaldo Sérgio Marques CPF 493.204.0894, contador tanto da Fênix como da Virgínia e responsável pelo preenchimento das declarações de ambas; o domicílio fiscal segundo relatado no “Termo de Verificação Ação Fiscal” é ao lado do da Virgínia, sendo que no CNPJ consta como Av. Mauá, 2478, Zona 9, Maringá/PR, CEP 87050020; não consta do processo o contrato social, mas o CNAEF é 4723700 – Comércio varejista de bebidas; sempre declarou pelo Simples, sendo de se destacar que empresa prestadora de serviços de corretagem ou de representação comercial não pode ingressar nessa sistemática (art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996; no período examinado, além de as receitas que declarou terem sido em valores bem inferiores aos dos alegados serviços que a autuada declarou como despesas, fls. 823/824, suas receitas foram declaradas como “não decorrente de prestação de serviços” e nenhuma receita de prestação de serviços foi declarada, constando inclusive compras realizadas e estoques de mercadorias, fls. 2.015/2.016; também nenhuma nota fiscal de prestação de serviços foi emitida pela Fênix, o que desmente a alegação da impugnante de que Fênix lhe prestaria serviços de corretagem de vendas de seus produtos, ou de representação comercial; adicionalmente, o valor repassado à Fênix nos 3 (três) anoscalendário examinados representou (48.174.803,49 / 3.359.929,72) = 6,97% da receita, portanto muito mais do que se a Fênix recebesse a alegada corretagem de 3% sobre a totalidade das receitas; desses elementos, segundo o teor das declarações entregues e segundo seu CNAEF, a atuação da Fênix teria sido na revenda a varejo de bebidas, sendo lógico que, nesse caso, compraria e revenderia os produtos dos quais a Virgínia é revendedora atacadista, não havendo porque esta última lhe repassar valores; o lógico seria a Fênix comprovar pagamento efetuados à Virgínia. 45. A Virgínia foi intimada a comprovar a efetividade e necessidade da despesa contabilizada como “Outros Serviços”, a apresentar contratos de prestação de serviços, a discriminar quais eram os serviços prestados e a documentar sua resposta, fls. 4/6, 10/11; em resposta, fls. 14 e 67/96 está o Razão das transferências eletrônicas de recursos à Fênix e fls. 97/382 e 1.173/2.005, os Recibos referentes a “Serviços Prestados” já descritos e comprovantes de transferências bancárias; não apresentou notas fiscais de prestação de serviços da Fênix e como já mencionado, esta não declarou prestação de serviços, mas revenda de mercadoria e também o valor total de receitas que declarou é bem inferior aos valores contabilizados conforme demonstra a fiscalização às fls. 823/824. 46. Resulta que não foram comprovadas pela autuada as despesas de “Outros Serviços” que alega que teriam sido prestados pela empresa Fênix ou que tais serviços eram essenciais às operações da autuada, e “pagos” mediante transferências comprovadas de recursos, contra simples Recibos da Fênix e Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 15 alegado contrato de serviços de corretagem prestados pela Fênix com os 44 a 66 funcionários próprios, utilizando veículos da Virgínia. 47. Por todo o exposto, correta a glosa de despesa que se revela fictícia, o que confirma a sonegação de impostos e contribuições e a imputação de dolo à autuada. 2.2 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 48. A empresa foi autuada relativamente a resultados (lucros) não declarados apurados considerandose o lucro real que a empresa apresentou nas declarações retificadoras que apresentou sob fiscalização, depois de intimada, e que correspondiam aos valores contidos na escrituração contábil e fiscal, acrescidos do valor da despesa com “Outros Serviços”, glosada. 49. A autuação não se baseou em presunção legal. 50. Os arts. 923 e 924 do RIR de 1999, (Decertolei nº 1.598, de 1977, que embasou a autuação) determinam que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados porém se comprovados por documentos hábeis, que é justamente o problema da autuada não há documentos hábeis a comprovar a despesa “Outros Serviços” escriturada. 51. A contribuinte foi intimada a provar que as despesas contabilizadas de “Outros Serviços” foram efetivamente prestados e eram necessários às operações da Virgínia, já que usuais e pagas elas foram. 52. Não sendo comprovadas como efetuadas nem como necessárias, cabe à fiscalização glosálas, o que foi feito, e tendo se revelada usual a prática, contribuiu para caracterização do dolo por parte da contribuinte. 53. O ônus de provar que as despesas contabilizadas procedem é da contribuinte, que não logrou fazêlo. 2.3 CONTABILIDADE. LIVROS FISCAIS. DIPJ. DCTF. 54. Argumenta a seu favor que a sua escrituração/contabilidade estava regular abrangendo todos os fatos contábeis; que cumpriu as obrigações acessórias de apresentar as DIPJ e as DCTF. 55. A fiscalização constatou que as DIPJ apontavam receitas zero ou em valores menores que as constantes da escrituração e livros contábeis; depois de intimada, a contribuinte retificou tais declarações fazendo constar os valores contábeis, que foram utilizados na autuação, portanto, procede a alegação quanto à escrituração, mas não quanto à regularidade na entrega das declarações, claramente fazendo constar valores inferiores aos devidos. 56. Deve ser esclarecido que declarações retificadoras entregues sob fiscalização, portanto não espontâneas, não elidem o lançamento fiscal. 57. No caso das DCTF, relacionadas às fls. 18/25, também não declaravam os débitos corretos. 58. Tudo isso leva apenas à conclusão que descaberia aplicar a penalidade de aumento de metade do percentual da multa de ofício aplicada (denominado Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 16 agravamento), como de fato não foi feito, aplicandose apenas a multa qualificada descrita a seguir. 2.4 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. 59. Argumenta que a conduta da litigante não se coaduna com os requisitos imprescindíveis dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, para que ocorra a qualificação da multa de 75% para 150%, pois a fiscalização apontou divergência das declarações com a escrituração contábil e fiscal, o que não pode ser qualificado como sonegação; que essa escrituração estava regular, houve mero “um erro de transcrição de valores da contabilidade diretamente para a declaração de Imposto de Renda.”, portanto “a conduta do sujeito passivo, até de inocência”; que tampouco houve embaraço à fiscalização. 60. Enganase a litigante. 61. Nos tópicos “1.1.1 Dolo, fraude ou simulação nas infrações autuadas” e 2.1 GLOSA DA DESPESA “OUTROS SERVIÇOS”, analisaramse detalhadamente os fatos que ensejaram a presente autuação, concluindose pela evidência de escrituração e dedução de despesa fictícia e de intenção dolosa pela contribuinte. 62. Por isso, procedente o apenamento com a multa qualificada de 150%. 2.5 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. 63. A autuação pautouse pelo cumprimento dos procedimentos administrativos pertinentes como emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 0910500/00003/2007, intimação do início de fiscalização, concessão de prazos e prorrogações para atendimento a intimações e defesa na forma de impugnação. 64. Também a base legal da autuação, arts. 249, 250 e 926 do RIR, de 1999, cuja matriz legal é instrumento de há muito editado e que vem sendo aplicado sem que tenha sido objeto de declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não foram questionadas e muito menos declaradas, DecretoLei nº 1.598, de 23 de dezembro de 1977. 65. Também não se vislumbra excesso por parte da fiscalização, na aplicação da lei. 2.6 VALOR DO LANÇAMENTO É INDEVIDO. 66. A afirmativa de que o valor do lançamento é totalmente indevido, por estar revestido de vício que seguramente implicará na sua nulidade, pois fundado em meros elementos indiciários, sem levar em conta outras informações e dados para então oferecer ao contribuinte a cominação imposta, não restou respaldada por documentos diferentes dos que a litigante já havia apresentado à fiscalização, que são os Recibos e comprovantes de transferências de valores à Fênix, já comentados, descabendo repetir as conclusões a que se chegou. (...) Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10950.006259/200844 Acórdão n.º 140200.929 S1C4T2 Fl. 0 17 CONCLUSÃO Aos fundamentos acima transcritos, que peço vênia para adotar como razões de decidir, entendo que nada mais cabe ser acrescentando. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O
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