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Numero do processo: 11020.000608/2010-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PERDCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 06 08 /2 01 0- 01 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 546 a 565), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330201.516 (fls. 506 a 543) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostra se ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. PERÍCIA NÃO NECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. A realização de perícia somente deve ocorrer quando não for possível a aferição dos fatos pelo conhecimento ordinário, devendo o pedido ser considerado como não formulado quando não houver respeito às regras do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Nem todo insumo, mas somente aquele utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 4 3 COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. É vedada a apuração de créditos da COFINS nãocumulativa, quando da aquisição de insumos sujeitos à incidência de alíquota zero. CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE. As embalagens, ainda que não sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas depois de concluído o processo produtivo, geram direito ao crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS, VEÍCULOS E INSTALAÇÕES. As peças e as despesas e custos de manutenção de máquinas, veículos, equipamentos e instalações não geram direito de crédito da contribuição não cumulativa à vista de não serem insumos utilizados na produção de bens e serviços vendidos. Os custos de manutenção de empilhadeiras utilizadas no processo produtivo, entretanto, geram direito de crédito. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. O desconto de créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode se dar se adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. O eventual crédito presumido apurado com base no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores), somente pode ser utilizado para dedução da contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue seu ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com embalagens; com aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 546 a 565) alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da nãocumulatividade, insurgindose especificamente quanto aos seguintes itens reconhecidos Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 5 4 como insumos pela decisão recorrida: despesas com manutenção de empilhadeiras; com aquisição de GLP e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Visando à comprovação do dissenso interpretativo, indicou como paradigma o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Além disso, invocou paradigmas específicos para alguns dos créditos atacados: despesas com embalagem de transporte (material de transporte) – Acórdão n.º 310100.795; despesas com empilhadeira – Acórdão n.º 3802000.341; despesas com combustíveis – Acórdão n.º 380100.470. Dentre as decisões citadas como paradigmas na peça recursal, foi considerado como suficiente à comprovação do dissenso, no exame de admissibilidade, o Acórdão n.º 203 12.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho nº 330000.227, de 08 de julho de 2013 (fls. 567 a 571), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 203 12.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade. Cientificada a Contribuinte (fls. 577 a 579), não foram apresentadas contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS não cumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras (manutenção e aquisição de GLP) e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 7 6 nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 8 7 (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 9 8 serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 10 9 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 11 10 Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; (2) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 12 11 inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). (b) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem): consta, também do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 99 a 100), como bens incluídos pela Contribuinte como insumos: (i) cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; (ii) pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento das caixas para armazenamento e transporte e (iii) fitas/amarras – utilizadas para “amarrar” as caixas de papelão sobre os pallets. Não foram aceitos como créditos os materiais de embalagem de transporte indicados pela Contribuinte, pois não classificáveis dentro das hipóteses do art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como insumo (inciso II) ou como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Com fulcro na legislação de IPI, considerou a Fiscalização que o materiais de embalagem indicados pela Contribuinte não atenderiam aos requisitos para serem considerados como embalagem para acondicionamento de transporte. Também neste tópico deve ser mantida a decisão recorrida. A embalagem de transporte faz parte do custo de venda do produtor das frutas, pois se destinam à conservação e proteção do produto durante o transporte, garantindo a integridade das frutas durante o transporte até o estabelecimento de venda. Os materiais de embalagem podem ser considerados como insumos sempre que a operação de venda incluir o transporte da mercadoria, nos termos do art. 3º, inciso II da Lei n.º 10.637/2002. Além disso, o inciso IX da referida norma prevê expressamente que dão Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 13 12 direito ao crédito de PIS nãocumulativo os serviços de armazenagem de mercadoria e frete, desde que suportados pelo vendedor. Nessa esteira, mantémse o reconhecimento do direito ao crédito com relação aos materiais de embalagem para transporte das mercadorias. Dispositivo Diante do exposto, conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional, no mérito, negase provimento ao mesmo. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras; e 2) Materiais utilizados para embalagens de transporte. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 15 14 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 16 15 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Materiais utilizados para embalagens de transporte Conforme acórdão recorrido, tratam se dos seguintes itens: "tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets". Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11020.000608/201001 Acórdão n.º 9303007.328 CSRFT3 Fl. 17 16 é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 598DF CARF MF
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Numero do processo: 35464.004947/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DO CONTRIBUINTE
DECADÊNCIA. RE/STJ. PAGAMENTO ANTECIPADO ATRAI APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4 DO CTN.
Comprovado o início de pagamento para o mesmo fato gerador, é considerado adiantado o tributo.
RECURSO DA FAZENDA NACIONAL
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DO CONTRIBUINTE DECADÊNCIA. RE/STJ. PAGAMENTO ANTECIPADO ATRAI APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4 DO CTN. Comprovado o início de pagamento para o mesmo fato gerador, é considerado adiantado o tributo. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RE/STJ. PAGAMENTO ANTECIPADO ATRAI APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4 DO CTN. Comprovado o início de pagamento para o mesmo fato gerador, é considerado adiantado o tributo. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 49 47 /2 00 6- 11 Fl. 709DF CARF MF 2 unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 240300.400, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.043.5958, no valor consolidado de R$ 5.542.605,70 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e dois mil, seiscentos e cinco reais e setenta centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social (cota patronal, parte dos segurados, parte da empresa e incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados para fins de financiar os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e o INCRA, abrangendo os períodos de 01/1999 a 12/2005 (01/1999 a 12/2000, 07/2001 a 12/2001, 07/2003 a 06/2004 e 01/2005 a 12/2005). Apresentada impugnação às fls. 110/128. A Delegacia da Receita Previdenciária em SP, às fls. 226/236, julgou totalmente procedente o lançamento. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 245/265. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 345/355, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Fl. 710DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Acórdão n.º 9202007.032 CSRFT2 Fl. 10 3 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART. 150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173,1, CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça Proferidas em conformidade com o art. 543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art. l50, § 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art. 173,1, do Código Tributário Nacional.' PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recalculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado Fl. 711DF CARF MF 4 pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 378/382, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, arguindo omissão ao determinar a aplicação da multa de mora mais benéfica ao contribuinte, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/09 ao art. 35 da Lei 8.212/91, de forma indireta, acabando por determinar a aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96. E, conforme se verificou do Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR, anexo ao acórdão ora embargado, a multa de mora aplicada ao contribuinte supera o limite de 20% previsto no art. 61 da Lei 9.430/96, em decorrência de sua omissão na parte dispositiva do acórdão. Os Embargos restaram conhecidos e providos às fls. 417/420, para sanar a obscuridade. Às fls. 422/436, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Retroatividade benigna: observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 474/478, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência proposta pela União. Intimado à fl. 481, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 484/501, alegando, preliminarmente, ausência de dissídio jurisprudencial a viabilizar o Recurso Especial proposto, e, no mérito, arguindo o cabimento da multa limitada a vinte por cento. Às fls. 547/566, o Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação às matérias: 1. Prazo Fl. 712DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Acórdão n.º 9202007.032 CSRFT2 Fl. 11 5 decadencial do auto de infração. O acórdão recorrido interpretou que no caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o art. 150, § 4º do CTN só seria aplicado quando fosse constatada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, essa não é a melhor solução, conforme a decisão do acórdão paradigma: estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do art. 150, § 4º do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento. Nessa hipótese, é perfeitamente legal e possível afirmar que a ausência do pagamento não desnatura o lançamento por homologação, mormente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. 2. Prêmios – natureza salarial. O acórdão recorrido deu à verba natureza salarial devido a sua habitualidade com que era paga aos empregados. Diversamente, o Contribuinte alega que o acórdão paradigma considera que ganhos eventuais e os abonos desvinculados do salário não integram o salário de contribuição. Às fls. 680/683, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação apenas à divergência relativa prazo decadencial do tributo, mantido o despacho em sede de Reexame de Admissibilidade, à fl. 686. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 688/691, requerendo a manutenção do acórdão na parte recorrida. Na seção de 30/08/2017, esta Colenda Turma decidiu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para saneamento, a fim de cientificar o sujeito passivo dos despachos de exame e de reexame de admissibilidade que deram seguimento parcial ao seu recurso especial. Após a cientificação do Contribuinte, à fl. 703, vieram novamente os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Contudo, observo nas CONTRARRAZÕES do Contribuinte a alegação de ausência de dissídio jurisprudencial entre o acórdão recorrido e acórdão paradigma utilizado pela Fazenda Nacional no momento da interposição do Recurso Especial. Analisando o paradigma apontado junto ao Recurso Especial vejo que este possui divergência na interpretação do texto legal em discussão. Pois o debate gira em torno da Fl. 713DF CARF MF 6 tese jurídica de cesta de multa, cujas diferenças meramente acidentais não prejudicam a discussão e aplicação da tese ao caso concreto de ambos os processos. Motivo pelo qual conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.043.5958, no valor consolidado de R$ 5.542.605,70 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e dois mil, seiscentos e cinco reais e setenta centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social (cota patronal, parte dos segurados, parte da empresa e incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados para fins de financiar os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e o INCRA, abrangendo os períodos de 01/1999 a 12/2005 (01/1999 a 12/2000, 07/2001 a 12/2001, 07/2003 a 06/2004 e 01/2005 a 12/2005). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: prazo decadencial do auto de infração. Já o Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência sobre retroatividade benigna. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: Fl. 714DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Acórdão n.º 9202007.032 CSRFT2 Fl. 12 7 AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Fl. 715DF CARF MF 8 Da análise dos autos observo que o levantamento se refere a Cartão de Premiação para segurados empregados – salário indireto. O levantamento se refere a parte da cota patronal e parte de segurados para os períodos de 01/2001 a 11/2001. Por se tratar de segurados empregados, qualquer recolhimento em folha de pagamento serviria como início de pagamento por força da aplicação da SÚMULA CARF 99. Logo, constatada a existência de prévio recolhimento, atrai a aplicação do disposto no 150, §4 do CTN, conforme decidiu o acórdão recorrido. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Contribuinte, para no mérito darlhe provimento. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 716DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Acórdão n.º 9202007.032 CSRFT2 Fl. 13 9 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 717DF CARF MF 10 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 718DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Acórdão n.º 9202007.032 CSRFT2 Fl. 14 11 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 719DF CARF MF 12 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 720DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Acórdão n.º 9202007.032 CSRFT2 Fl. 15 13 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 721DF CARF MF 14 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Saliento aqui que quanto ao mérito restou reconhecido período mais abrangente de decadência 01/2001 a 11/2001 no julgamento do Recurso Especial do Contribuinte. Em face ao exposto, conheço de ambos os recursos para no mérito dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 722DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000945/2005-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE DO ADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INOCORRÊNCIA.
Improcede a arguição de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal por cerceamento do direito de defesa, quando verificado que o Ato Administrativo revestiu-se de todas as formalidades legais e que o contribuinte teve ciência de seus termos, sendo-lhe assegurado o exercício pleno da faculdade de interposição do Recurso Voluntário.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CABIMENTO.
A locação de mão de obra constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal.
Numero da decisão: 1002-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE DO ADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INOCORRÊNCIA. Improcede a arguição de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal por cerceamento do direito de defesa, quando verificado que o Ato Administrativo revestiuse de todas as formalidades legais e que o contribuinte teve ciência de seus termos, sendolhe assegurado o exercício pleno da faculdade de interposição do Recurso Voluntário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CABIMENTO. A locação de mão de obra constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 45 /2 00 5- 44 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 105 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade que contestou a exclusão do Simples Nacional, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO, complementandoo ao final. Trata o processo de exclusão da contribuinte acima identificada, do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a partir de 01/05/2003, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/Araçatuba/SP, n° 004, de 2 de fevereiro de 2009 (fl. 50), tendo em vista a prestação de serviços que caracterizam locação de mão obra, atividade vedada para opção pelo sistema, consoante o disposto na Lei n° 9.317, de 1996. arts. 9°, XII, f e XIII e IN SRF n° 608. de 2006, arts. 20,inciso XI, alínea e, e 24, II. Cientificada do ADE e do despacho de fls. 46/49 em 12/02/2009, a contribuinte ingressou em 13/03/2009 com a manifestação de inconformidade de fls. 53/60, mediante a qual solicita o cancelamento do referido ato, sendo mantida no Simples. Para tanto, alegou em suma: • A empresa está cadastrada no CNPJ com a seguinte atividade econômica principal: CNAE 01.61.099 — atividade de apoio agricultura não especificados anteriormente. Além disso, como atividade secundária: CNAE 01.63.600 — atividades pós colheita. • Mediante instrumento particular de contratação de serviços, datado de 14/04/2003 foi contratada pela empresa FBAFranco Brasileira S/A Açúcar e Álcool para que fossem prestados serviços. O objeto do contrato é 'serviços de operações com máquinas agrícolas em lavoura de canadeaçúcar'. Quanto à remuneração dos serviços, estes somente serão pagos se a contratada apresentar nota fiscal respectiva e os documentos comprobatórios do recolhimento de todos os encargos relacionados à atividade da contratada. • O auditor é taxativo ao concluir que a empresa atua exclusivamente na atividade de locação de mão de obra e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 106 3 considera que a situação que deu origem A. exclusão ocorreu na data de 30/04/2003, baseandose na nota fiscal n° 110 emitida para a empresa FBAFranco Brasileira S/A Açúcar e Álcool, a qual possui em seu corpo a seguinte especificação: 'Serviços de mecanização agrícola'. • O serviço compreende o uso de tratores, assim, mesmo que constasse a discriminação 'locação de mãodeobra', não haveria dúvidas quanto ao ramo de atividade. Em momento algum a recorrente utilizou artifícios. • Os efeitos da exclusão somente poderiam alcançar os atos supervenientes ao entendimento manifestado pela Receita Federal do Brasil, por força do principio constitucional da segurança jurídica e das disposições contidas nos arts. 103, I e 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Além disso, a Lei n° 9.317, de 1996 foi revogada a partir de 01/07/2007 e portanto não seria possível a aplicabilidade da penalidade. Para instrução processual juntou contrato de prestação de serviço à empresa acima referida e cópias de notas fiscais de prestação de serviços. Ao final da apresentação de suas razões de defesa, o então manifestante afirma que não ficou configurado o impedimento estabelecido na legislação relativo ao exercício da atividade de locação de mão de obra e da prestação de serviços profissionais de corretor. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1428.655 (efl. 85), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Constatado nos autos que a empresa exerce atividade vedada pela legislação tributária para manterse no Simples locação de mãodeobra cabe sua exclusão. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Considerado que a contribuinte exerce locação de mãodeobra, deve ser excluída do Simples a partir do mês subseqüente Aquele em que incorrida a situação excludente. Verificado que isto ocorreu em abril de 2003, cabe a exclusão a partir de 01/05/2003, de acordo com a legislação de regência. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário no qual elenca argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 107 4 Diz que (sic) "Em relação a fundamentação da recorrente no recurso interposto a DRFB de julgamento, foi baseado no motivo que ensejou a Notificação/Sacat, pois em nenhum momento, foi observado na referida Notificação que o motivo da exclusão do Simples se fez em função da folha de pagamento da empresa e da Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, do recorrente, fatos estes somente apresentado no relatório dos ilustres julgadores, dos quais deixaram claro, que este fato veio a confirmar que a empresa realizava locação de mãodeobra". Salienta que "os ilustres julgadores deixaram claro, que a motivação real que ensejou a Notificação/Sacat não estava discriminada na mesma, pois, como pode ser observado, em nenhum momento ficou configurado a locação de mãodeobra pelos autos, como querem fazer transparecer os ilustres julgadores da DRFB". Aduz que "...os ilustres julgadores fizeram alusão que o recorrente não poderia optar pelo regime de tributação, dado o exercício de atividade vedada" ressaltando que "tal situação em nenhum momento foi questionada pela RFB, pois, quando da abertura da empresa, ficou armazenado no sistema da RFB o pedido de inclusão no Simples Federal e o responsável pela análise, ao receber o arquivo, em nenhum momento, mesmo com toda a documentação de abertura da empresa em vossas mãos ou nas dependências da Delegacia da Receita Federal de AraçatubaSp, detectou que a empresa estaria impedida de optar pelo Simples Federal, pelo fato de estar com sua atividade vedada". Afirma que (sic) "no caso que se cuida, as autoridades administrativas é bastante clara, em observar a irregularidade que teria motivado a Notificação/Sacat, portanto, querer desviar do fato concreto o que foi imputado na Notificação buscando provas emprestada que em nenhum momento foi citado, é acreditar que as autoridades não foram preciso na infração aliado a deficiente instrução probatória do ilícito cometido, impedindo assim a identificação real do motivo que originou a exclusão da recorrente". Ao final requer a "nulidade do feito fiscal, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa da empresa notificada" alegando que (sic) "fez seu recurso baseado em uma situação e no relatório dos julgadores da DRFB de julgamento, trouxe fatos que realmente motivaram a exclusão da empresa do Simples Lei 9.317/96". É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como preliminar de mérito, o ora Recorrente alega que o Acórdão de Impugnação exarado pela instância a quo deixou claro que não estava consignado no Parecer Sacat nº 10820/047/2009 (efls. 48) a "motivação real" da exclusão do Simples Federal. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 108 5 Perscrutando os autos, verifico que o que Parecer Sacat nº 10820/047/2009 consubstanciou o Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009, que excluiu o contribuinte do Simples Federal com efeitos retroativos a 01/05/2003, ante a constatação da realização de atividades econômicas vedadas à opção ou permanência naquele sistema de tributação simplificado relativas à prestação de serviços de corretor e ao exercício de locação de mão de obra. Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base legal em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples Federal e que constou do Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009 (grifos nossos): Lei nº 9.317/96 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I (...) (...) XII que realize operações relativas a: a)(...) (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Como se observa, o ora Recorrente foi excluído do Simples Federal pelo exercício da atividade de locação de mão de obra e da prestação de serviços profissionais de corretor, atividades que foram expressamente referenciadas no Parecer Sacat nº 10820/047/2009, conforme comprova a imagem ilustrativa abaixo: (grifos do original): Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 109 6 Reconhecese, portanto, que o fundamento legal da exclusão que constou do Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009 foi devidamente evocado e consignado no Parecer Sacat nº 10820/047/2009, que o precedeu e lhe serviu de base, o que infirma o argumento do Recorrente de ausência da motivação real da sua exclusão e que supostamente teria dado azo ao cerceamento de seu direito de defesa. Aliás, em nenhum momento de sua Manifestação de Inconformidade apresentada na instância a quo notase qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa. Muito pelo contrário, verificase que o próprio Manifestante contesta sua exclusão afirmando expressamente em suas razões de defesa que não ficaram materialmente configuradas as atividades de locação de mão de obra e de corretor que motivaram sua exclusão do Simples Federal. Pelos argumentos expendidos, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente, baseada na argüição de cerceamento do direito de defesa por suposta imprecisão na descrição dos dispositivos legais infringidos. Quanto ao mérito, o Recorrente não contesta os fundamentos jurídicos exarados no Acórdão de Impugnação. Apenas afirma que há deficiência de instrução probatória da infração nos autos e reitera o argumento apresentado em sede de Manifestação de Inconformidade no sentido de que, desde a abertura da empresa junto à RFB, em nenhum Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 110 7 momento foi detectado pelo órgão que o contribuinte estaria impedido de optar pelo Simples por exercer atividade vedada. Quanto a essa última alegação, cabe registrar que a análise deste julgador cingese às provas e aos elementos constantes dos autos, as quais evidenciaram de modo inequívoco a realização de atividades vedadas ao ingresso/permanência no Simples Federal, descabendo, portanto, perscrutar acerca dos motivos que, à época da abertura da empresa e de registro de seus dados cadastrais e fiscais junto à RFB, permitiram sua inclusão neste regime simplificado, mesmo porque a constatação de eventual irregularidade administrativa nesse sentido não teria o condão de deslegitimar juridicamente a exclusão perpetrada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009. No que toca à deficiência de instrução probatória, vejo que se trata de alegação genérica do Recorrente, desacompanhada de qualquer novo elemento fático ou jurídico capaz de desconstituir a decisão recorrida. Sendo assim e considerando que os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade foram fundamentadamente afastados em primeira instância, peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF (grifos do original) : Assim, limitase este julgamento a analisar tãosomente a atividade que realmente foi constatada nos autos, a locação de mãodeobra. Dispõe a Lei n°9.317, de 1996, art. 9°, inciso XII, f : Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessou jurídica: XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Cabe então, analisar a atividade da empresa à luz do esclarecimento contido no Parecer n° 69, de 10 de novembro de 1999, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, que examinou a questão da vedação à opção pelo Simples para as empresas que se dedicam à locação de mãodeobra, empreitada exclusivamente de mão deobra ou cessão de mãodeobra, valendo transcrever os itens 3 a 5: 3. Em se tratando de locação da mão de obra, pressupõese que será utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade laborativa em virtude de necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou do acréscimo extraordinário de tarefas. 4. A locação de mão de obra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 111 8 trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mão de obra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vinculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. (grifos nossos) 5. A legislação aplicável ao SIMPLES, relativamente ao aspecto discutido, estabelece a vedação para as pessoas jurídicas que tenham como atividade a locação de mãodeobra. Assim, onde a atividade referida for o objeto da pessoa jurídica, estará caracterizada a vedação a sua opção pela sistemática de pagamento de que trata o SIMPLES. O Parecerista, no final, concluiu que estão impedidas de optar pelo Simples as pessoas jurídicas que: a) tem como atividade a locação de mãodeobra; (...) De acordo com a IN SRF n° 31 de 1989, na locação de mãode obra, os empregados são colocados a serviço da locatária, pessoa jurídica, em local por esta determinado. O Parecer n° 1.236, de 26 de dezembro de 1989, emitido por esta Coordenação, acerca das disposições acima, expressa o entendimento que na locação de mãodeobra é necessário que a locatária administre os serviços realizados pelos empregados da locadora, isto é, a locatária detém o comando, determinando as tarefas, fiscalizando a execução dos trabalhos, enfim, controlando o andamento dos serviços desempenhados pelos empregados colocados à sua disposição. Ressaltese que consta do contrato juntado pela manifestante (fl..68/71), na cláusula décima primeira: '... — A contratante fica autorizada a inspecionar os serviços prestados pela contratada sempre que isso desejar, podendo exigir modificações visando a adequar os serviços à melhor técnica existente, assim, por ela considerada, o que de forma alguma exime e nem tampouco diminui a responsabilidade da contratada pelos serviços por ela prestados, nos termos deste ajuste'. Com relação a alegação de que o objeto do contrato com a empresa FBAFranco Brasileira S/A Açúcar e Álcool é o serviço de operação com máquinas agrícolas, em lavoura de canade açúcar (fls. 68/71) e que deve apresentar para o recebimento de seus serviços, os documentos comprobatórios de recolhimento de todos os encargos relacionados com a atividade contratada, tal fato não descaracteriza a atividade de locação de mãodeobra, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 112 9 ao contrário, visto que, nessa atividade os encargos tributários, trabalhistas etc. são da contratada. Além disso, embora se constata das notas fiscais de nºs 110 e 117, emitidas em 30 de abril de 2003 e 30 de setembro de 2003, que a contribuinte discriminou a prestação de serviços de mecanização agrícola, o que também foi descrito nas notas fiscais apresentadas pela contribuinte, quando da apresentação de sua inconformidade, de n° 105, 107 e 109. Todavia, analisandose a relação dos funcionários da empresa e a folha de pagamento de abril de 2003 (fls. 03 e 04), verificase que a empresa possuía, em média, 12 (doze funcionários) na função de 'tratorista'. Porém, conforme informação constante da representação de fls. 01 02, em diligência efetuada pelo Auditor da Receita Federal do Brasil junto ao escritório de contabilidade da contribuinte, foi verificado que no anocalendário de 2003, a empresa não possuía máquinas agrícolas. Foi ainda informado que não apresentou nenhum comprovante de propriedade. Consta apenas um trator na Declaração de Ajuste anual da Pessoa Física, do sócio Sr. Paulo César Dias, relativa ao ano calendário de 2003. Assim, mesmo que a contribuinte se utilizasse de trator de propriedade de seu sócio firmando contrato de locação, não teria necessidade de contratar tantos funcionários para uma só máquina (trator). Esse fato vem confirmar que a empresa realiza locação de mãodeobra, sob a supervisão e comando da contratante, conforme cláusula contratual acima citada, atividade que não permite à contribuinte, manterse no sistema simplificado de tributação. A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado, não merecendo qualquer reparo, porquanto os fundamentos da exclusão do Simples Federal estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria e porque a circunstância excludente foi inequivocamente comprovada nos autos. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900432/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 43 2/ 20 14 -7 9 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720803/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO.
É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderando-o, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Trata-se de norma indutora de comportamento.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA.
São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Relatora), Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negavam provimento ao recurso. Designada a conselheira Gisele Barra Bossa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderando-o, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Trata-se de norma indutora de comportamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
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HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderandoo, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Tratase de norma indutora de comportamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 03 /2 01 6- 88 Fl. 2095DF CARF MF 2 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Relatora), Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negavam provimento ao recurso. Designada a conselheira Gisele Barra Bossa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, por meio dos quais se exige em face da apuração de omissão de ganho de capital, as importâncias de R$ 29.625.803,27 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, e R$ 10.667.449,18 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, acrescidas de multa de ofício de 150% e juros moratórios calculados até 12/2016. A tributação se dá pelo Lucro Presumido em relação ao 2º trimestre de 2012. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida, efls.1.972/1.990, do qual transcrevo as seguintes partes: A fiscalização relatou os seguintes fatos: Por meio dos Termos de Início, foram solicitados: contrato social e alterações; demonstrativo de todas as alterações societárias ocorridas na empresa; cópia dos contratos de compra e venda da participação societária; justificativa, por escrito, se houve a comunicação à RFB e à JUCESP das citadas alterações societárias; Livro Diário ou equivalente; plano de contas, balancetes mensais, Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício; demonstrativo da composição dos valores declarados em cada linha da DIPJ 2012; e justificativa, por escrito, se houve alguma atividade comercial com a empresa Neogama BBH Publicidade Ltda (03.248.864/000115). Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 3 3 Durante o procedimento fiscal, foram lavrados outros Termos, por meio dos quais foram pedidos outros documentos e esclarecimentos. Durante a execução destes procedimentos fiscais programados, visando obter subsídios à fiscalização, foram feitas as seguintes diligências: 08.1.90.002015014982: no CPF 010.130.16858, de Alexandre Gama Medeiros, sócio da Eyedo; 08.1.90.002015015008: no CNPJ 03.248.864/000115, da Neogama BBH Publicidade SA, que tinha como sócia a empresa Eyedo; e 08.1.90.002015015016: no CNPJ 10.389.403/000128, da BRZ Digital Comunicações Ltda, que adquiriu, de Alexandre Gama Medeiros, as quotas da Neogama. ... Conforme Contrato Social, a sociedade tem o seu objeto social assim descrito em sua cláusula 2a.: “A sociedade tem por objeto: a) o agenciamento nas áreas de comunicação e entretenimento; b) a produção cinematográfica e o marketing cultural; c) o planejamento, produção e organização de eventos; d) a criação, planejamento e veiculação publicitária; e) a participação em outras sociedades; f) o planejamento de marketing e comunicação; g) o desenvolvimento, marketing, comunicação e serviços correlatos na INTERNET". Na primeira resposta dada à fiscalização durante o procedimento, foi informado que a única movimentação societária de entrada ou saída de sócios da Eyedo ocorreu em 2011, mediante a transferência de 50 quotas de titularidade da Sra. Presciliana Gama de Medeiros ao Sr. Alexandre Gama de Medeiros, por seu respectivo valor nominal, R$ 50,00 (cinquenta reais), quitada no ato da transferência em moeda corrente nacional. Na mesma 4ª Alteração Contratual de 15/06/2011, o capital social da empresa foi aumentado, mediante a capitalização de reservas, de R$ 5.000 (cinco mil reais) para R$ 10.000,00 (dez mil reais), com a emissão de 5.000 (cinco mil) novas quotas, sendo que a totalidade delas foi atribuída ao Sr.Alexandre Gama de Medeiros, passando ele a ser o único quotista da Eyedo. Esta 4ª Alteração Contratual foi registrada na JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo), em 31/01/2012. Fl. 2097DF CARF MF 4 A sociedade Eyedo detinha investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda (Neogama), atualizado contabilmente pelo método da equivalência patrimonial. Constatou o fisco que a composição das contas "Saldo de Lucros Acumulados" = R$ 15.661.500,53 e "Lucro Líquido do Ano" = R$ 27.948.155,82, constantes da DIPJ 2012, decorrem, essencialmente, do reflexo, por equivalência patrimonial, do investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda. Importante notar que a contribuinte Eyedo efetuou o ajuste por equivalência patrimonial para todo o ano de 2011, havendo a cessão das quotas em 28/12/2011, conforme conta contábil 12201001 Investimento em Coligada/Controlada. A seguir, os lançamentos referentes à equivalência patrimonial: Data Histórico Valor 31/01/2011 Equivalência Patrimonial 957.071,12 28/02/2011 Equivalênda Patrimonial 3.219.099,02 31/03/2011 Equivalência Patrimonial 915.885,55 30/04/2011 Equivalência Patrimonial 1.746.628,14 31/05/2011 Equivalência Patrimonial 1.202.649,58 30/06/2011 Equivalência Patrimonial 769.564,90 30/06/2011 Apropriação de Custo 988.448,02 31/07/2011 Equivalência Patrimonial 6.759,70 31/08/2011 Equivalência Patrimonial 4.395.315,99 30/09/2011 Equivalência Patrimonial 1.076.502,37 31/10/2011 Equivalência Patrimonial 1.733.998,43 30/11/2011 Equivalência Patrimonial 1.392.523,73 28/12/2011 Equivalência Patrimonial 10.636.633,50 Total 27.064.184,01 O lançamento de 30/06/2011, referente à apropriação de custo, é proveniente da venda de 75.180 quotas da participação societária da Neogama para o Sr.Roberto Crissiuma Mesquita, e de 32.220 quotas para a sociedade Rahenann Participações Ltda. Assim, do total de quotas detidas no início de 2011 (1.030.951), com a venda das mencionadas quotas (107.400), o saldo de quotas passou a ser de 923.551, exatamente a quantidade que foi transferida para Alexandre Gama de Medeiros, conforme lançamento contábil de 28/12/2011. Portanto, o valor declarado na DIPJ 2012 na linha Demais Receitas e Ganhos de Capital, se deve exclusivamente à venda de quotas da Neogama para Roberto e Rahenann. Foram apresentados contratos de compra e venda. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 4 5 Relativamente à 4ª. alteração contratual da Eyedo, não se trata de simples aumento de capital social da empresa mediante capitalização de reservas, de R$ 5.000,00 para R$ 10.000,00, com a emissão de 5.000 novas quotas, conforme primeira resposta dada à fiscalização. Na verdade, foram duas operações na mesma alteração contratual: primeiro,aumentouse o capital social de R$ 5.000,00 para R$ 9.495.000,00, realizado mediante a emissão de 9.490.000 quotas, e imediato cancelamento de 9.485.000 quotas. O aumento fora subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros, da seguinte forma: R$ 7.186.695,56 mediante capitalização do valor registrado como "obrigações com quotista", e R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta "Lucros Acumulados" e de parcela da conta "Resultado do Exercício". Em contrapartida ao cancelamento, Alexandre Gama de Medeiros recebeu 923.551 quotas de titularidade da Eyedo, representativas de 51,595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda de valor contábil correspondente a R$ 9.484.442,95, mais R$ 557,05 em moeda corrente nacional. A Ata de Reunião de Sócios foi registrada em 31/01/2012, sob número 46.840/126, na JUCESP. A alteração contratual foi registrada sob número 46.839/124, em 31/01/2012 (data do protocolo: 26/01/2012). Com o aumento e redução do capital social no mesmo dia, foi possível viabilizar a cessão das quotas da Neogama ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. Com relação à integralização de R$ 7.186.695,56, este valor consta da conta contábil 24401001 Empréstimo de Sócios. No entanto, não houve o efetivo ingresso financeiro de recursos nas contas correntes da Eyedo. Este saldo provém, conforme documentos apresentados pela contribuinte (anexos), do reconhecimento de ativos adquiridos (essencialmente imóveis e veículos) e de despesas pagas pelo Sr. Alexandre Gama de Medeiros. Com relação à integralização de R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta "Lucros Acumulados" e de parcela da conta "Resultado do Exercício", importante destacar que o saldo de ambas as contas decorre, essencialmente, do reflexo, por equivalência patrimonial, do investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda, cujas quotas foram cedidas em contrapartida à "redução de capital". Contabilmente, a baixa do investimento se deu apenas em 28/12/2011,conforme lançamento na conta Investimento. A alegada "redução do capital" teria se dado nos termos do art. 1.082, II, do Código Civil. De acordo com esse artigo e o de nº 1084 na redução de capital social é necessária a alteração contratual pertinente. E mais, a redução do capital deve ser realizada com a consequente diminuição proporcional do valor nominal das quotas e só se tornará efetiva após sua averbação no órgão de registro competente, que, no caso, é a JUCESP. A Fl. 2099DF CARF MF 6 hipótese argumentada pela contribuinte para redução do capital é a do inciso II do art. 1.082, qual seja, que o capital seja excessivo em relação ao objeto da sociedade. No caso em tela, não foi o que ocorreu, ou seja, não é possível vislumbrar o capital excessivo em relação ao objeto da sociedade. Também não houve diminuição proporcional do valor nominal das quotas, mas tão somente um aumento de quotas e, ato contínuo, o seu cancelamento. Este mecanismo foi utilizado para viabilizar a cessão, por parte da Eyedo, de quotas da Neogama, pelo valor contábil, para o sócio Alexandre Gama, em contrapartida ao cancelamento mencionado. A cessão de quotas pela Eyedo para Alexandre Gama, que já era sócio minoritário da Neogama, consta do Instrumento Particular de 9ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da Neogama BBH Publicidade, datado de 28/12/2011, e registrado na JUCESP sob número 97.069/127, em 16/03/2012. Alexandre Gama já possuía 89 quotas da Neogama, correspondentes a 0,01% do Capital Total. Com o registro da 9a. Alteração Contratual em 16/03/2012, efetivouse a cessão e transferência de 923.551 quotas pertencentes à Eyedo para Alexandre Gama. Ato contínuo, o sócio Alexandre Gama cedeu e transferiu 3.222 quotas de que era titular a Eduardo Lorenzi Paiva de Carvalho e 3.222 quotas de que era titular a Mônica Mattos Fernandes, nos termos de Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas Sociais e Outras Avenças, permanecendo, portanto, com 917.196 quotas, correspondentes a 51,24% do Capital Social Total da Neogama. O sócio Alexandre Gama alienou o total remanescente de 917.196 quotas da Neogama para BRZ Digital Comunicações Ltda, CNPJ 10.389.403/000128, por R$ 127.946.816,04, conforme contrato de compra e venda celebrado em 28 de maio de 2012(cópia anexa). Por tal contrato, a BRZ adquire 1.178.536 quotas, que representam 65,84% do Capital Social Total, conforme a seguir: ... A venda das quotas da Neogama para a BRZ Digital Comunicações Ltda, cuja sócia majoritária é a Publicis Groupe Holdings BV, foi amplamente divulgada pela imprensa mundial. Antes da operação, o grupo Publicis já detinha, indiretamente, 49% do capital social da BBH Brazil Limited (por meio de participação de 49% do capital social da BBH Communications Limited) e, portanto, já era acionista minoritário indireto da Neogama BBH. Os 51% restantes da BBH Brazil Limited (e, consequentemente, os 51% do capital social da BBH Communications Limited) eram detidos pelo grupo BBH. Como já detinha uma participação indireta na Neogama BBH antes da operação, o grupo Plublicis já exercia influência no processo decisório/gerencial da Neogama BBH. Diante desses fatos, constatase um planejamento tributário abusivo associado à transferência da apuração de ganho de Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 5 7 capital de pessoa jurídica para pessoa física, por meio de uma simulação. Houve uma "redução de capital" da Eyedo em 31/01/2012. A rigor, como demonstrado, não se trata de redução de capital, mas sim de um mecanismo utilizado para viabilizar a cessão das quotas da Neogama ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. Esta transferência passou a ter eficácia a partir do registro da 9a. Alteração Contratual da Neogama BBH, em 16/03/2012 (reg. JUCESP 97.069/127). Por fim, as quotas de titularidade de Alexandre Gama foram alienadas para BRZ Digital Comunicações Ltda (grupo Publicis) em 28 de maio de 2012. O art. 22 da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, prevê: ... A cessão de quotas, pela Eyedo, da Neogama BBH, para o sócio Alexandre Gama, se deu pelo valor contábil, o que levaria a apuração do ganho de capital para a pessoa física. Na prática, corresponde a uma alíquota inferior (15% de IRPF, ante 34% na PJ 15% de IR, 10% de adicional e 9% de CSLL). Contudo, os fatos constatados durante o procedimento fiscal indicam planejamento tributário abusivo. O grupo Publicis tinha a intenção de adquirir o controle de 100% da Neogama BBH, empresa sobre a qual já exercia influência no processo decisório/gerencial, pois já detinha, indiretamente, 49% do capital social da BBH Brazil Limited (por meio de participação de 49% do capital social da BBH Communications Limited) e, portanto, já era acionista minoritário indireto da Neogama BBH. Portanto, Alexandre Gama, Eyedo e, indiretamente, o grupo Publicis, já eram sócios da Neogama BBH. As negociações da venda de 100% da Neogama BBH para o grupo Publicis, como se depreende dos fatos, foram iniciadas há mais de um ano do efetivo contrato de compra e venda entre Alexandre e BRZ (grupo Publicis). A transferência das quotas da Neogama de titularidade da Eyedo para o sócio Alexandre se deu em 16/03/2012, por meio de um mecanismo de aumento e cancelamento simultâneo de quotas, como já explicado. A venda das quotas para a BRZ se deu em 28/05/2012. Portanto, o lapso temporal entre a transferência das quotas para Alexandre e a venda destas para a BRZ foi de pouco mais de dois meses. Portanto, o conjunto destes e dos demais fatos narrados estabelecem a inequivocidade de uma situação de fato: houve um planejamento tributário abusivo por meio de uma simulação, pois, a rigor, a operação que de fato aconteceu foi a alienação feita pela Eyedo de 917.196 quotas da Neogama BBH para a BRZ (grupo Publicis). Foi aplicada a alíquota de multa de ofício de 150,00%, prevista na lei 9.430/96, art. 44, I e §1°, com a redação dada pela lei 11.488/07, haja vista o planejamento tributário abusivo. A aplicação da multa em dobro (qualificada) está relacionada com a existência das circunstâncias agravantes previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 2101DF CARF MF 8 A fiscalização formou convicção de que o ato de "redução de capital" simulado foi utilizado para viabilizar a cessão, por parte da Eyedo, de quotas da Neogama BBH, pelo valor contábil, para o sócio Alexandre Gama, com a intenção de declarar o ganho de capital na venda das quotas da Neogama BBH para a BRZ na pessoa física, em condições menos onerosas. Ou, dito de outra forma, suprimir a apuração, declaração e o pagamento de tributo pela FISCALIZADA. Essas conclusões a que chegou a fiscalização nos itens precedentes a respeito do IRPJ afetam, na mesma medida, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), uma vez que se aplica a esta contribuição as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, por força do comando do art. 57 da lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pela lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Foi lavrado o presente auto de infração de IRPJ, com reflexos de CSLL Contribuição Social sobre o Lucro, utilizando como base de cálculo para o IRPJ o ganho de capital de valor total R$ 118.527.213,12. Notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.1779 a 1810, na qual alega: ● O Auto de Infração não merece prevalecer, na medida em que (a.) a redução de capital não foi realizada com o propósito de economia tributária; (b.) houve lapso temporal de aproximadamente um ano entre a redução de capital e a efetiva venda da participação societária na Neogama pelo Sr. Alexandre Gama; (c.) não há irregularidades na operação de redução de capital na forma como foi realizada; e (d.) a operação realizada encontra amparo na legislação, bem como na jurisprudência do E. Carf. ● Antecedentes Necessários: ● A Impugnante foi constituída em 23 de maio de 1996 com o objetivo de atuar como holding patrimonial do Sr. Alexandre Gama. Por meio da Impugnante, portanto, o Sr. Alexandre Gama detinha uma série de ativos, dentre eles, a participação societária na Neogama. Foi exatamente nesse contexto que o Sr. Alexandre Gama, na qualidade de sócio controlador indireto da Neogama, deliberou a redução de capital da Impugnante, de forma que passasse a deter a participação societária na Neogama diretamente em sua pessoa física. Destaquese que a redução de capital da Impugnante foi realizada, basicamente, por conta de duas razões. A primeira decorreu da exigência dos demais sócios da Neogama para que o Sr. Alexandre Gama na qualidade de controlador e principal executivo da agência de publicidade detivesse diretamente a participação societária da Neogama em seu nome, sem o intermédio da Impugnante. A segunda consistiu na necessidade de o Sr. Alexandre Gama destacar seus demais ativos mantidos sob a titularidade da Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 6 9 Impugnante da participação societária da Neogama. Buscavase, portanto, evitar confusão patrimonial entre bens relacionados à esfera pessoal do Sr. Alexandre Gama e o investimento na Neogama. ● A redução de capital com a transferência da participação na Neogama para a Sr. Alexandre Gama se deu em 15 de junho de 2011. foi publicada em 15 de julho de 2011, protocolada na JUCESP em 06 de dezembro de 2011 e, finalmente, registrada em 31 de janeiro de 2012. Inobstante a data de registro da alteração contratual ser em 31 de janeiro de 2012, a redução de capital da Impugnante já tinha sido deliberada (e, inclusive, levada a conhecimento público pela publicação em jornais de grande circulação) em julho de 2011. É importante mencionar que o último passo da operação de redução de capital da Impugnante ocorreu em 16 de março de 2012. com o registro da alteração do contrato social da Neogama, que refletiu no quadro de sócios a transferência das quotas da Impugnante para o Sr. Alexandre Gama. ● Posteriormente à operação da redução de capital se iniciaram as primeiras tratativas para venda da participação societária na Neogama pelo Sr. Alexandre Gama, a qual passou a ser mantida em seu nome próprio, conforme demonstrado. Assim, em junho de 2011, quando de fato ocorre a redução de capital, não havia sequer cogitação de venda da participação na Neogama, seja por quem fosse. Nesse contexto, em 28 de maio de 2012, o Sr. Alexandre Gama assinou contrato de compra e venda das 917.196 quotas que detinha da Neogama , anexo às fls.623/702 deste processo administrativo (versão traduzida para o português às fls. 711/793), pelo valor total de R$127.946.816,04. Referido contrato regulava os termos e condições da operação, condicionandoa à verificação de determinados eventos. O cumprimento de todas condições da operação foi verificado em 04 de julho de 2012. quando foi finalmente concluída a operação de compra e venda e transferidas as 917.196 ações da Neogama para a BRZ (doe. 02). Visando facilitar a compreensão da matéria posta a julgamento, os fatos acima narrados podem ser sintetizados na seguinte linha do tempo: ● Nulidade do Auto de Infração. A acusação fiscal busca fundamentação legal nos artigos 3º da Lei nº 9.249/95 e 521, 522 e 528 do Decreto n.º 3.000/99 ("RIR/99"), sendo que a Impugnante é acusada essencialmente de omitir receita não operacional (ganho de capital), nos termos do relatório fiscal de fls. 1.740/1.759. Contudo, o fato é que a Impugnante não omitiu qualquer receita, uma vez que não vendeu a participação societária na Fl. 2103DF CARF MF 10 Neogama. A venda foi realizada pelo Sr.Alexandre Gama, que reconheceu o produto da venda das quotas como 'rendimento tributável' em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física ("DIRPF"), recolhendo o IRPF sobre o ganho de capital à alíquota de 15%. Assim, na verdade, em momento algum a Impugnante omitiu qualquer receita. O AuditorFiscal desconsiderou totalmente a operação de redução de capital da Impugnante e deixou de fundamentar a autuação fiscal na legislação federal que dá suporte à desconsideração de negócios jurídicos para fins tributários. Houve incoerência da fundamentação legal e as razões adotadas pelo fisco para autuar. Se o Sr. AuditorFiscal entendeu que para acusar a Impugnante de omitir receita não operacional (ganho de capital) seria preciso desconsiderar os efeitos da operação de redução de capital (plenamente regular do ponto de vista formal, jurídico e negocial),certamente deveria ter fundamentado a autuação fiscal nos dispositivos da legislação tributária que dão suporte à desconsideração de negócios jurídicos, ou seja, art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). ● Regularidade da operação de redução de capital. A fiscalização federal requalificou os atos efetivamente realizados para construir o raciocínio de que, na realidade, a alienação da participação societária da Neogama deveria ter sido realizada diretamente pela Impugnante e não pelo Sr. Alexandre Gama. Ocorre que, para invalidar a operação de redução de capital, o Sr. Auditor Fiscal levou em consideração argumentos que não merecem prevalecer. Inicialmente, ao contrário do quanto sustentado pelo Sr. AuditorFiscal, a operação de redução de capital não foi realizada como forma de proporcionar menor carga tributária sobre a venda das quotas da Neogama. Até porque, conforme será evidenciado, à época da operação de redução de capital da Impugnante, ainda não havia qualquer indício ou intenção de venda da Neogama. Na verdade, conforme já mencionado, a redução de capital foi realizada por conta de dois motivos: (i) o Sr. Alexandre Gama na qualidade de controlador da Neogama (agência de publicidade) e de seu principal executivo era pressionado pelos demais sócios e pela busca de transparência ao mercado para que detivesse diretamente a participação societária da Neogama em seu nome, sem o intermédio da Impugnante; e (ii) identificouse a necessidade de o Sr. Alexandre Gama destacar seus demais investimentos mantidos sob a titularidade da Impugnante das quotas da Neogama. Além disso, também não merece prosperar a alegação do Sr. Auditor Fiscal de que entre a redução de capital da Impugnante e a venda das quotas da Neogama pelo Sr. Alexandre Gama teria decorrido lapso temporal de pouco mais de 02 meses, até Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 7 11 porque, qualquer operação de redução de capital, legalmente, não pode ser concluída em menos de 90 dias, prazo legal exigido para oposição de credores. É juridicamente impossível uma operação de redução de capital seguida de venda do ativo no prazo de 02 meses, como tenta fazer crer o Sr. AuditorFiscal que teria ocorrido no presente caso. Ao contrário do que sustenta a d. fiscalização federal, houve relevante lapso temporal entre a redução de capital e a efetiva venda da participação societária na Neogama. O decurso de um ano desde a aprovação da redução de capital até a efetiva venda da participação societária afasta a possibilidade de qualificar essa operação como "simulada", tal como pretendido pelo Sr. AuditorFiscal. Para validar seu argumento de curto lapso temporal entre as duas operações, a fiscalização federal ardilosamente utiliza como termo inicial para contagem desse prazo a data de registro da alteração contratual de Neogama em que foi refletida a transferência das quotas da Impugnante para o Sr. Alexandre Gama. O fato é que o registro da alteração contratual da Neogama foi o último ato de todo o processo de redução de capital da Impugnante, que passou pelas seguintes etapas: (i.)realização de reunião de sócios e aprovação da redução de capital, devidamente documentada em ata; (ii.) publicação da Ata de Reunião de Sócios para conferir publicidade a terceiros (sobretudo, eventuais credores); (iii.) assinatura e registro da alteração contratual da Impugnante; e, por fim, (iv.) assinatura e registro da alteração do contrato social da Neogama. Notese que todas essas etapas envolviam uma série de documentos, os quais precisavam ser assinados por todos os sócios das sociedades envolvidas, sendo inclusive que alguns deles são estrangeiros e, portanto, de difícil acesso e carecem de representação adequada no Brasil, que por si só já implica relevante procedimento burocrático. Conforme já mencionado, o registro da correspondente alteração contratual da Impugnante (fls., 588/592) perante JUCESP se deu em 31 de janeiro de 2012, em decorrência do prazo mínimo de 90 (noventa) dias exigido por lei (cf. art. 1.084 do Código Civil/2002) para a redução de capital de qualquer sociedade limitada com devolução de bens aos sócios, somado ao prazo para cumprimento de exigências impostas pela JUCESP e as restrições de expedientes de final de ano de referido órgão. A própria alegação de que a redução de capital da Impugnante teria ocorrido 02 meses antes da operação de venda, nesse sentido, é juridicamente impossível. Se para a conclusão de qualquer operação de redução de capital são necessários no mínimo 03 meses de prazo para oposição de credores, como Fl. 2105DF CARF MF 12 seria possível concluir a redução e a venda em 02 meses como alega o Sr. AuditorFiscal? Ora, não foi com o registro da alteração contratual da Neogama que surgiu o interesse de reduzir o capital da Impugnante, essa intenção foi manifestada formalmente com a assinatura da Ata de Reunião de Sócios em que foi deliberada a redução de capital da Impugnante, o que se deu em 15 de junho de 2011. É nesse momento, por óbvio, que deve ser verificada a intenção da sociedade e do sócio na restituição de ativos pela redução de capital. Notese que a participação societária da Neogama passou a ser reconhecida já na DIRPF12, referente ao anocalendário 2011, do Sr. Alexandre Gama, de forma que, para fins fiscais, os seus efeitos já poderiam ser observados (doc. 03) por quaisquer terceiros e, principalmente, pelas autoridades fiscais desde aquele momento. Nesse particular, para dar suporte a seu argumento de "planejamento tributário abusivo", o Sr. AuditorFiscal maliciosamente, cita declarações isoladas dadas à imprensa pelo Sr. Alexandre Gama de que sempre existiu assédio de outros grupos para aquisição da agência. Isso não quer dizer, contudo, que o capital da Impugnante foi reduzido especificamente em vistas do processo de venda da participação das quotas da Neogama para a BRZ. Ademais, é fato notório o interesse de grandes grupos publicitários internacionais em se estabelecer no pujante mercado brasileiro. A operação de venda da Neogama foi antecedida pela operação de compra pela Publicis da rede britânica Bartle Bogle Hegarty, mais conhecida como BBH, esta uma das acionistas da Neogama. Aquela operação sim, era negociada internacionalmente há mais de um ano e, somente quando de sua conclusão, passouse a negociar a consolidação da operação da BBH no Brasil, por meio da aquisição da totalidade de quotas da Neogama. Não houve, àquela época, qualquer venda de quotas pela Impugnante ou pelo Sr. Alexandre Gama. As notas da imprensa eram reflexo daquela operação ocorrida no exterior, envolvendo indiretamente a Neogama e não a Impugnante. ● Não bastassem os questionamentos do Sr. AuditorFiscal quanto aos motivos que levaram à redução de capital, no relatório fiscal às fls. 1.740/1.759, ainda são questionados aspectos formais da operação de redução de capital. Mais especificamente, o Sr. AuditorFiscal questiona a forma como foi realizada a operação de redução de capital, pois entendeu que (i.) o capital da sociedade não era excessivo em relação ao objeto da sociedade, de forma que não estaria satisfeita a hipótese prevista no artigo 1.082, II, do Código Civil; e (ii.) a operação de redução de capital não deveria ocorrer mediante redução do número de quotas, mas mediante a diminuição do valor nominal atribuído a cada quota. Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 8 13 Em relação a esse ponto, vale dizer que a avaliação quanto à suficiência ou não do capital da sociedade cabe exclusivamente a seus sócios, desde que a redução não represente a insolvência da sociedade e a consequente impossibilidade de arcar com as suas obrigações com terceiros (credores). É exatamente por essa razão que a deliberação da redução de capital deve ser levada a conhecimento público (mediante publicação em jornal de grande circulação, providência observada pela Impugnante) e somente pode ser registrada depois de decorridos 90 dias da respectiva publicação. Tanto que a impossibilidade de pagamento de credores é a única hipótese legalmente prevista que permite o questionamento da redução de capital por terceiros, nos termos do artigo 1.082, § 1º do Código Civil. Além disso, o Sr. AuditorFiscal afirmou que a operação de redução de capital não deveria ocorrer mediante redução do número de quotas, mas mediante a diminuição do valor nominal atribuído a cada quota. Novamente, está equivocada a afirmação. Vale destacar que a diminuição do valor nominal das quotas ao invés de seu cancelamento, no contexto adotado atualmente pelas sociedades brasileiras, ocasionaria inúmeros transtornos de ordem prática, com quotas de valores quebrados e de difícil cálculo. Sendo assim, passou a ser usual o cancelamento de parte das quotas em casos de redução do capital social. Importante notar que, caso fosse a intenção do Sr. Alexandre Gama a alienação da Neogama com carga tributária mais benéfica, não precisaria ter passado por todo o procedimento de redução de capital da Impugnante. Seria muito mais simples, do ponto de vista societário, a segregação, por cisão ou dação em pagamento dos demais ativos diferentes da participação na Neogama e, ato subsequente, a venda da Impugnante que, nesse momento, deteria a participação societária na Neogama como seu único ativo. As razões pelas quais foi realizada a redução de capital, por consequência lógica, foram outras que não a busca por uma eficiência fiscal. Existiam questões operacionais e de imagem da Neogama que, naquele momento demandavam a participação direta do Sr.Alexandre Gama na composição acionária da sociedade e esse resultado somente era viável por meio da redução de capital. Tanto é verdade que, na mesma época da redução de capital, a Impugnante alienou 107.400 quotas da Neogama para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda., apurando o efetivo ganho de capital em tal operação e o submetendo à tributação. Ou seja, se a intenção naquele momento fosse de alienação da Neogama para BRZ com menor carga tributária, Fl. 2107DF CARF MF 14 porque a mesma sistemática não foi utilizada para a alienação de participação para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda.? Ainda no mesmo sentido, quando da alienação da Neogama pelo Sr.Alexandre Gama, outras empresas voltadas ao mercado de comunicação, mais especificamente as sociedades Triacom e Made in Moon, também foram alienadas ao Grupo Publicis pela Investmark, empresa da qual o Sr. Alexandre Gama é controlador e que não tinha a BBH como sócia. Ou seja, se a intenção era reduzir a carga tributária, a Investmark também poderia ter reduzido o seu capital e transferido a participação para que seus sócios alienassem os investimentos em Triacom e Made in Moon. Não foi isso o que se passou, tendo a Investmark alienado diretamente tais empresas para a Publicis e suportado a carga tributária correspondente. ● Respaldo jurídicotributário da operação realizada. A operação de redução de capital realizada pela Impugnante e que deu ensejo à presente autuação fiscal encontra respaldo jurídicotributário no artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Nesse sentido, com base no quanto disposto pelo artigo 22 da Lei nº 9.249/95, quando da redução de capital da Impugnante com a transferência da participação na Neogama para o Sr. Alexandre Gama, foi levantado balancete especial da Neogama (data base 31.05.2011), oportunidade na qual foi reconhecido o correspondente resultado de equivalência patrimonial nas demonstrações contábeis da Impugnante e, com base nesse valor contábil (i.e.R$9.484.442,95), determinouse a devolução de bens aos sócios. Referido critério, inclusive, está evidenciado na 4ª Alteração Contratual da Impugnante. Verificase, portanto, que foi deliberada a redução de capital da Impugnante com a restituição das quotas da Neogama ao Sr. Alexandre Gama com base no valor contábil desse ativo, o qual refletia a respectiva equivalência patrimonial da participação societária. Essa operação, portanto, não teve qualquer reflexo tributário, na medida em que não foi auferido qualquer ganho de capital pela Impugnante, com total respaldo pelo quanto disposto no artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Ato subsequente, nos termos do artigo 22, §3º da Lei nº 9.249/95, o Sr.Alexandre Gama reconheceu em sua DIRPF12 (ano calendário 2011 doc. 03) as quotas da Neogama pelo respectivo valor de custo das quotas da Impugnante que foram canceladas (i.e.R$ 9.484.442,95). Vale mencionar que o Carf adotou o entendimento de que, com o advento do artigo 22 da Lei n.º 9.249/95, a redução de capital mediante a entrega em bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não constitui mais hipótese de distribuição disfarçada de lucros e, portanto, não há qualquer ilicitude/irregularidade na conduta de redução do capital pelo valor contábil dos ativos, mesmo que o objetivo da operação seja a subsequente venda do ativo pelo sócio pessoa física. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 9 15 Nos acórdãos proferidos ainda foram analisados aspectos formais das operações societárias realizadas, com o objetivo de identificar eventuais distorções nas condutas dos contribuintes. Mais especificamente, foram analisadas as seguintes questões: "(i.)quando os bens foram alienados; (ii.) a quem pertenciam na data da alienação; (iii.) quem alienouos; e (iv.) quem pagou e quem efetivamente recebeu a importância correspondente" (Acórdão nº 1402001.477). No caso presente caso, (i.) as quotas da Neogama foram alienadas em 04 de julho de 2012; (ii.) as referidas quotas pertenciam ao Sr. Alexandre Gama, desde de 15 de junho de 2011, um ano antes da operação de alienação): (iii.) as quotas foram efetivamente alienadas pelo Sr. Alexandre Gama, que figurou como vendedor no contrato de compra e venda; (iv.) o preço de venda ajustado com a BRZ foi pago diretamente ao Sr. Alexandre Gama; (v.) o Sr. Alexandre Gama reconheceu ganho de capital e recolheu os respectivos tributos; e (vi.) o Sr. Alexandre Gama refletiu a operação em sua DIRPF12 relativa o anocalendário de 2011, antes de qualquer negociação de alienação da Neogama. Dessa forma, resta claro que a Impugnante conduziu seus atos com base na estrita observância da legislação tributária (especialmente, no artigo 22 da Lei nº 9.249/95). Assim, é de rigor que se reconheça a regularidade da operação realizada pela Impugnante e, por consequência, a improcedência da presente autuação fiscal. ● Erro de cálculo cometido no auto de infração. Tendo em vista que as quotas da Neogama foram efetivamente alienadas pelo Sr. Alexandre Gama, o qual figurou como vendedor no contrato de compra e venda celebrado com a BRZ, o mesmo reconheceu em sua DIRPF12 o lucro decorrente da venda da participação societária, tendo apurado e recolhido o IRPF sobre o ganho de capital. Da análise da DIRPF13 (anocalendário 2012) anexa ao doc. 03, verificase que foi apurado e recolhido IRPF sobre o ganho de capital no montante total de R$16.876.021,10. Tendo sido desconsiderados os efeitos da operação de redução de capital, por decorrência lógica, a fiscalização federal deveria ter abatido do presente Auto de Infração os valores espontaneamente recolhidos pelo Sr. Alexandre Gama a título de IRPF sobre ganho de capital. ● Impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150%. Não houve no presente caso a caracterização de "simulação", não sendo possível a aplicação da multa agravada. Aliás, sequer juridicamente fundamentado em eventual simulação (i.e. artigo 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional) foram os Autos de Infração ora guerreados. Fl. 2109DF CARF MF 16 Nos termos da legislação civil (artigo 167 do Código Civil), será caracterizada a simulação do negócio jurídico quando (i.) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (ii.) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; e (iii.) os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Nenhuma dessas hipóteses foi verificada no presente caso. Conforme já evidenciado, todos os atos e negócios jurídicos que culminaram na alienação da participação societária diretamente pelo Sr. Alexandre Gama foram realizados em estrita observância à legislação civil, societária e tributária. A operação realizada encontra amparo na legislação tributária vigente, como também no entendimento consolidado da jurisprudência do E. Carf. Da mesma forma nenhum ato foi praticado com o intuito de encobrir a real intenção das partes, mas tão somente, aplicar a legislação sobre a matéria com o respaldo da jurisprudência administrativa sobre a matéria vigente. A vontade declarada pelas partes em todos os documentos societários efetivamente refletia a realidade e a real intenção das partes, não existindo qualquer conduta simulada. Não há um laivo sequer de simulação ou falta de transparência negocial. Além disso, todos os atos realizados foram formalmente aprovados pelas autoridades competentes e corretamente divulgados, mediante registro na JUCESP e publicação em jornais. Da mesma forma, todos os atos que deram ensejo à presente autuação fiscal foram declarados à Receita Federal do Brasil na exata forma em que foram realizados, o que indica que a Impugnante sempre pautou sua autuação na estrita legalidade e observância da legislação sobre a matéria, valendose de operação expressamente reconhecida pelo legislador e já validada em inúmeras oportunidades pelas instâncias administrativas de julgamento em outros casos semelhantes ao presente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (3ª Turma/ DRJ/RPO), mediante o Acórdão nº 1466.958, de 23 de junho de 2017, julgou improcedente a impugnação. O predito Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Constatada, pelo conjunto de atos praticados pelas partes envolvidas, a ocorrência de fraude em operações de aumento e redução de capital objetivando desconfigurar Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 10 17 transferência de participação societária, procedente a tributação na pessoa jurídica do ganho de capital na alienação de investimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As exigências decorrentes devem seguir a mesma orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista serem fundadas nos mesmos fatos. COMPENSAÇÃO. GANHO DE CAPITAL APURADO PELA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há permissivo legal para compensação do ganho de capital de pessoa jurídica, não declarado no devido tempo, com os tributos já recolhidos pela pessoa física a título também de ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. Deve ser mantida a qualificação da multa quando configurada a ocorrência de simulação. A contribuinte tomou ciência da referida decisão de 1ª instância, em 03/07/2017, conforme o Termo de Ciência (efl.1.997), e protocolizou Recurso Voluntário em 01/08/2017 (efls.2.000/2.035), conforme o Termo de Juntada, efls.1.999. No recurso voluntário a autuada, alega, no essencial, os mesmos argumentos trazidos na impugnação, desnecessário repetilos. Finalmente requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário apresentado pela contribuinte/autuada é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Conforme relatado a autuação decorre da apuração de ganho de capital na alienação da participação societária que a autuada (EYEDO) detinha na sociedade Neogama BBH Publicidade Ltda ("NEOGAMA") para BRZ Digital Comunicações Ltda ("BRZ"). O âmago da questão envolve a desconsideração, pelo Fisco, de duas operações societárias registradas pela "EYEDO", quais sejam: a redução de capital nela ocorrida pela qual o sócio pessoa física Sr.Alexandre Gama recebera a devolução de capital em quotas da "NEOGAMA" e a posterior alienação dessas quotas (pelo mencionado sócio pessoa física) à "BRZ". Fl. 2111DF CARF MF 18 No entendimento da Fiscalização, essas duas operações representaram uma "estratégia" com vistas a ocultar a alienação das quotas, pertencentes a autuada (EYEDO), diretamente à BRZ e assim pagar menos tributo. Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a contribuinte alega, em síntese, que a autuação não deve prevalecer, uma vez que (a) a redução de capital não foi realizada com o propósito de economia tributária; (b) houve lapso temporal de aproximadamente um ano entre a redução de capital e a efetiva venda da participação societária na Neogama pelo Sr. Alexandre Gama; (c) não há irregularidades na operação de redução de capital na forma como foi realizada; e (d) a operação realizada encontra amparo na legislação, bem como na jurisprudência do E. Carf. Sobre as operações, no Relatório Fiscal, parte integrante do auto de infração, consta o seguinte: ... 13 Voltando à 4ª. alteração contratual da Eyedo, não se trata de simples aumento de capital social da empresa mediante capitalização de reservas, de R$ 5.000,00 para R$ 10.000,00, com a emissão de 5.000 novas quotas, conforme primeira resposta dada à fiscalização. Na verdade, foram duas operações na mesma alteração contratual: primeiro, aumentouse o capital social de R$ 5.000,00 para R$ 9.495.000,00, realizado mediante a emissão de 9.490.000 quotas, e imediato cancelamento de 9.485.000 quotas. O aumento fora subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros, da seguinte forma: R$ 7.186.695,56 mediante capitalização do valor registrado como “obrigações com quotista”, e R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta “Lucros Acumulados” e de parcela da conta “Resultado do Exercício”. Em contrapartida ao cancelamento, Alexandre Gama de Medeiros recebeu 923.551 quotas de titularidade da Eyedo, representativas de 51,595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda de valor contábil correspondente a R$ 9.484.442,95, mais R$ 557,05 em moeda corrente nacional. 14 A Ata de Reunião de Sócios foi registrada em 31/01/2012, sob número 46.840/126, na JUCESP. A alteração contratual foi registrada sob número 46.839/124, em 31/01/2012 (data do protocolo: 26/01/2012). 15 Com o aumento e redução do capital social no mesmo dia, foi possível viabilizar a cessão das quotas da Neogama ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. 16 Com relação à integralização de R$ 7.186.695,56, este valor consta da conta contábil 24401001 – Empréstimo de Sócios. No entanto, não houve o efetivo ingresso financeiro de recursos nas contas correntes da Eyedo. Este saldo provém, conforme documentos apresentados pelo contribuinte (anexos), do reconhecimento de ativos adquiridos (essencialmente imóveis e veículos) e de despesas pagas pelo Sr. Alexandre Gama de Medeiros. 17 Com relação à integralização de R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta “Lucros Acumulados” e de parcela da Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 11 19 conta “Resultado do Exercício”, importante destacar que o saldo de ambas as contas decorre, essencialmente, do reflexo, por equivalência patrimonial, do investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda, cujas quotas foram cedidas em contrapartida à “redução de capital”. 18 Contabilmente, a baixa do investimento se deu apenas em 28/12/2011, conforme lançamento na conta Investimento. 19 A alegada “redução do capital” teria se dado nos termos do art. 1.082, II, do Código Civil, que traz o seguinte: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade. 20Por sua vez, o art. 1.084 diz: Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. § 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá oporse ao deliberado. § 2o A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. § 3o Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, procederseá à averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. 21Analisando tais artigos verificamos que, primeiramente, na redução do capital social fazse necessária a alteração contratual pertinente. E mais, a redução do capital deve ser realizada com a consequente diminuição proporcional do valor nominal das quotas e só se tornará efetiva após sua averbação no órgão de registro competente, que, no caso, é a JUCESP. A hipótese argumentada pelo contribuinte para redução do capital é a do inciso II do art. 1.082, qual seja, que o capital seja excessivo em relação ao objeto da sociedade. No caso em tela, não foi o que ocorreu, ou seja, não é possível vislumbrar o capital excessivo em relação ao objeto da sociedade. Também não houve diminuição proporcional do valor nominal das quotas, mas tãosomente um aumento de quotas e, ato contínuo, o cancelamento destas quotas. ... Fl. 2113DF CARF MF 20 Como visto, de acordo com o Código Civil, a redução de capital constitui medida de caráter excepcional, somente utilizada em circunstâncias específicas e justificáveis, por exemplo capital excessivo, a conferir, inclusive, direito de oposição por parte dos credores. Há que se comprovar que o capital social se mostra excessivo para o desenvolvimento das atividades empresariais. No caso da redução pelo capital social se mostrar excessivo para a atividade, a diminuição ocorrerá com a restituição proporcional ao valor das quotas, a cada sócio. Esta regra encontrase inserta no artigo 1.084: Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. Conforme ata de reunião dos únicos sócios (Presciliana e Alexandre), registrada na JUCESP, em 31/01/2012, efls.588/592, foi deliberada, na EYEDO, a redução do capital social de R$ 9.495.000,00 para R$10.000,00, pelo motivo de ser "excessivo" para o objeto da sociedade, nos seguintes termos: Inicialmente, o Presidente informou que esta reunião tinha por ordem do dia deliberar sobre: (i) a cessão da totalidade das quotas representativas do capital social da Sociedade de titularidade de Presciliana Gama de Medeiros para Alexandre Gama de Medeiros, (ii) o aumento do capital social da Sociedade; (ii) a posterior redução do capital social da Sociedade, nos termos do artigo 1.082, inciso II do Código Civil Brasileiro. Colocadas as matérias em discussão, os sócios, por unanimidade de votos, aprovaram: (i) a cessão da totalidade das 50 (cinqüenta) quotas representativas do capital social da Sociedade de titularidade de Presciliana Gama de Medeiros para Alexandre Gama de Medeiros e, em virtude da cessão de quotas, aprovaram a saída da Presciliana Gama de Medeiros do quadro de sócios da Sociedade; (ii) o aumento do capital social de RS 5.000,00 (cinco mil reais) para RS 9.495.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil reais), sendo o aumento de RS 9.490.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa mil reais), realizado mediante a emissão de 9.490.000 (nove milhões, quatrocentas e noventa mil) quotas, sendo que o aumento de capital ora aprovado é subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros neste ato, da seguinte forma: (ii.1) R$7.186.695,56 (sete milhões, cento e oitenta e seis mil, seiscentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e seis centavos) mediante capitalização do valor registrado no balanço patrimonial da Companhia de 31 de maio de 2011 como "obrigações com quotista", conforme adiantamento para futuro aumento de capital realizado pelo referido sócio; e (ii.2) RS 2.303.304,44 (dois milhões, trezentos e três mil, trezentos e quatro reais e quarenta e quatro centavos) mediante incorporação (a) da conta Lucros Acumulados e (b) de parcela da conta Resultado do Exercício, conforme balanço patrimonial da Companhia de 31 de maio de 2011; (iii) nos termos do artigo 1.082, inciso II, do Código Civil Brasileiro, reduzir o capital Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 12 21 social da Sociedade de R$9.495.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil reais) para R$10.000,00 (dez mil reais), sendo a redução, no valor de R$ 9.485.000,00 (nove milhões, quatrocentos e oitenta c cinco mil reais), realizada mediante o cancelamento de 9.485.000 (nove milhões, quatrocentas e oitenta e cinco mil) quotas, de valor nominal de R$1,00 (um real) cada, de titularidade do sócio Alexandre Gama de Medeiros, que recebeu, em contrapartida ao cancelamento: (a) 923.551 (novecentas e vinte e três mil, quinhentas e cinqüenta e uma) quotas de titularidade da Sociedade, representativas de 51,595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda., sociedade limitada, com sede na Capital do Estado de São Paulo, na Rua Mofarrej, n° 1.174, Vila Leopoldina, CEP 05311000, inscrita no CNPJ sob n° 03.248.864/000115, com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob NIRE 35.216.178.231, em sessão de 10.03.2000, de valor correspondente a R$9.484.442,95 (nove milhões, quatrocentos e oitenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e noventa e cinco centavos), conforme investimento registrado no balancete patrimonial da Companhia levantado em 31 de maio de 2011, pelo método de equivalência patrimonial; e (b) R$557,05 (quinhentos e cinquenta e sete reais e cinco centavos) em moeda corrente nacional; e (c) em decorrência das deliberações anteriores, alterar a Cláusula 5a do Contrato Social, mediante a celebração do competente instrumento de alteração contratual da Sociedade. Vejamos o texto da deliberação, mediante o INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL DA EYEDO CRIAÇÃO, PLANEJAMENTO E MARKETING LIDA, após, ATA DE REUNIÃO DE SÓCIOS, ambos registrados no mesmo dia 31/01/2012 na JUCESP: ... I. Cessão de quotas. 1.1 A sócia Preseiliana Gama de Medeiros, titular e legítima proprietária de 50 (cinqüenta) quotas da Sociedade, de valor nominal de R$ 1.00 (um real) cada uma. neste ato retirase da Sociedade, cedendo e transferindo, em caráter irrevogável e irretratável, a totalidade das quotas de que é titular ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. 1.2 A cessão e transferência de quotas mencionada em 1.1, supra, foi realizada pelo respectivo valor nominal das quotas, valor este pago neste ato pelo cessionário à cedente, que outorga a mais ampla, geral, irrevogável e irretratável quitação quanto ao pagamento tias quotas, declarando nada mais ter a receber a este titulo, a qualquer tempo. 1.3 O sócio Alexandre Gama de Medeiros subrogase em todos os direitos e obrigações inerentes às quotas por ele adquiridas, bem como se compromete a compor a pluralidade de sócios da Fl. 2115DF CARF MF 22 Sociedade no pra/o de 180 (cento e oitenta) dias a contar da presente data. 2.Aumento de capital social. 2.1 O sócio Alexandre Gama de Medeiros resolve aumentar o capital social de R$ 5.000.00 (cinco mil reais) para R$ 9.495.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil reais),sendo o aumento de R$ 9.490.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa mil reais),realizado mediante a emissão de 9.490.000 (nove milhões, quatrocentas e noventa mil) quotas.O aumento de capital ora aprovado é subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros neste ato, da seguinte forma: (i)R$7.186.695.56 (sete milhões, cento e oitenta e seis mil. seiscentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e seis centavos) mediante capitalização do valor registrado no balanço patrimonial da Sociedade de 31.05.2011 como 'obrigações com quotista', conforme adiantamento para futuro aumento de capital realizado pelo referido sócio; (ii)R$ 2.303.304,44 (dois milhões, trezentos e três mil. trezentos e quatro reais e quarenta e quatro centavos) mediante incorporação (a) da conta Lucros Acumulados e (b) de parcela da conta Resultado do Exercício. conforme balanço patrimonial da Sociedade de 31.05.2011. 2.2 Em decorrência do disposto em 1.1 e 2.1, supra, o capital social passa a ser dividido em 9.495.000 (nove milhões, quatrocentas e noventa e cinco mil) quotas, do valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma integralmente detidas pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros. 3.Redução do capital social. 3.1. Ato contínuo, o sócio Alexandre Gama de Medeiros resolve, nos termos do artigo 1.082. inciso II. do Código Civil Brasileiro, reduzir o capital social da Sociedade de R$9.495.000,00 (nove milhões, quatrocenios e noventa e cinco mil reais) para R$ 10.000,000 (dez mil reais), sendo a redução, no valor de RS 9.485.000.00 (nove milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil reais), realizada mediante o cancelamento de 9.485.000 (nove milhões, quatrocentas e oitenta e cinco mil) quotas, de valor nominal de R$1.00 (um real) cada. de titularidade do sócio Alexandre Gama de Medeiros, que recebeu, em contrapartida ao cancelamento: (a) 923.551 (novecentas e vinte e três mil, quinhentas e cinqüenta e uma) quotas de titularidade da Sociedade, representativas de 51.595% do capital social da Neogama BBII Publicidade Ltda.. , sociedade limitada com sede na Capital do Estado de São Paulo, na Rua Mofarrcj, n° 1.174. Vila Leopoldina. CLP 05311000, inscrita no CNP.) sob nv 03.248.864/000115, com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial do listado de São Paulo sob NIRL 35.216.178.231. em sessão de 10.03.2000, de valor correspondente a R$ 9.484.442,95 (nove milhões, quatrocentos e oitenta e quatro mil. quatrocentos e quarenta c dois reais e Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 13 23 noventa e cinco centavos), conforme investimento registrado no balanço patrimonial da Sociedade. ... Por força da operação de "redução de capital" realizada nos termos do disposto o artigo 5o do contrato social da Sociedade passou a vigorar com a seguinte redação: '"Artigo 5a O capital social, totalmente subscrito e integralizado em moeda corrente nacional, é de RS 10.000.00 (dez mil reais), dividido em 10.000 (dez mil) quotas, de valor nominal de R$1.00 (um real) cada, distribuídas da seguinte forma: Sócios Nº de Quotas Valor (RS) Alexandre Gama de Medeiros 10.000 10.000.00 Total 10.000 10.000,00 Pois bem, com a redução do capital social, na EYEDO, fora considerado devolvido ao único sócio da EYEDO o valor em disponibilidades e bens do ativo permanente (51.595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda). A recorrente aduz que: (i) as quotas da Neogama foram alienadas em 04/07/2012; (ii) as referidas quotas pertenciam ao Sr. Alexandre Gama, desde 15 de junho de 2011; (iii) as quotas foram efetivamente alienadas pelo Sr. Alexandre Gama, que figurou como vendedor no contrato de compra e venda; (iv) o preço de venda ajustado com a BRZ foi pago diretamente ao Sr. Alexandre Gama; (v) o Sr. Alexandre Gama reconheceu ganho de capital e recolheu os devidos tributos; e (iv) o Sr. Alexandre Gama refletiu a operação de redução de capital em sua DIRPF/12 relativo ao ano calendário de 2011, antes de qualquer negociação de alienação da Neogama. Observase, de plano, que se a Ata de Reunião de Sócios foi registrada em 31/01/2012, sob número 46.840/126, na JUCESP, e, alteração contratual foi registrada sob número 46.839/124, em 31/01/2012 (data do protocolo: 26/01/2012), não há falar que as quotas da Neogama pertenciam ao Sr. Alexandre Gama, desde 15 de junho de 2011. A análise realizada na decisão da Delegacia de Julgamento, que não merece reparo, considera que, no presente caso, ocorreu a realização de planejamento tributário abusivo com vistas à redução da incidência tributária. Vejamos: Segundo alega a contribuinte a redução do capital foi realizada, basicamente, para que Alexandre Gama destacasse seus demais ativos mantidos sob a titularidade da impugnante da participação societária da Neogama, para evitar confusão patrimonial. Entretanto, apesar de a impugnante argumentar que a operação é lícita, está comprovado que ela decorreu de abuso de direito. A utilização do art. 22 da Lei nº 9.249/95, que a impugnante alega permitir a transferência a título de devolução de capital, bens e direitos aos seus respectivos acionistas avaliados pelo valor contábil ou de mercado, deve ser visto por meio do “quadro completo”. A transferência com imediata venda, em Fl. 2117DF CARF MF 24 operação que poderia ser direta, não é permitida justamente por gerar efeitos tributários abusivos. Os fatos descritos no Relatório Fiscal denotam que, embora tenha sido registrado aumento e redução de capital da contribuinte, a vontade das partes não era de promover as operações retratadas, mas sim de transferir o controle da Neogama para a BRZ, sem pagamento de tributos. O próprio Alexandre Gama afirma em entrevistas que as negociações da venda da Neogama BBH para o grupo Publicis foram iniciadas há mais de um ano do efetivo contrato de compra e venda entre Alexandre Gama e BRZ (grupo Publicis), mesma época em que foi realizada a “redução” do capital da contribuinte com a entrega das quotas da Neogama, transferindo a propriedade dessas quotas da pessoa jurídica para a pessoa física. À época da alteração contratual, Alexandre Gama era o único proprietário da contribuinte, possuindo, assim, 51,595% das quotas da Neogama, restando claro que o único propósito da redução de capital foi a redução do pagamento de tributo. Ficou configurado o planejamento tributário abusivo, pois o grupo Publicis tinha a intenção de adquirir o controle de 100% da Neogama BBH, empresa sobre a qual já exercia influência no processo decisório gerencial. Ademais, de acordo com a alteração contratual (fl.589), o fundamento da redução de capital foi o art. 1082, II, do Código Civil, qual seja, que o capital era excessivo em relação ao objeto da sociedade, o que, de acordo com o artigo 1084, do citado Código, demandaria a redução proporcional do valor nominal das quotas, e não o cancelamento delas como ocorreu no presente caso. Desse modo, no quadro probatório posto, constatase que as operações aparentemente lícitas (redução do capital social, devolução ao sócio pelo valor contábil e venda da participação recebida como devolução de capital pela pessoa física) foram realizadas de modo a evitar situações previstas nas normas de incidência tributária. A descrição dos fatos é transparente ao atestar que uma série de ações intencionais perpetradas com um único fim: excluir a impugnante do pólo passivo tributário, modificando característica essencial do fato gerador (sujeição passiva tributária) e ainda esquivarse do pagamento do montante dos tributos devidos. É pertinente discorrer sobre as fraudes à lei relacionadas aos casos de planejamento tributário com abuso de direito. Cabe mencionar as lições de Marco Aurélio Greco, na obra já citada, págs. 219 e 251: “Interessanos neste momento a figura da fraude à lei também chamada de fraus legis. (...) Nesta figura, estamos perante duas normas (ou de uma norma e uma ausência de previsão expressa do ordenamento: Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 14 25 .uma norma imperativa de tributação que se considera indesejada, à qual o contribuinte não quer se submeter (a norma contornada); e.uma norma ou uma ausência de previsão expressa, que o contribuinte utiliza para evitar a norma contornada (a norma de contorno). Na fraude à lei, o contribuinte monta determinada estrutura negocial que se enquadre na norma de contorno para, desta forma, numa expressão coloquial, “driblar” a norma contornada. Com isto pretende fazer com que a situação concreta seja regulada pela norma de contorno, com o que ficaria afastada a aplicação da norma de tributação (ou de tributação mais onerosa). (...) Na fraude à lei, buscase contornar determinada norma imperativa, mediante a utilização de outra norma (ou ausência de previsão expressa). Neste caso, o ordenamento reage aplicando a norma contornada.” Ainda segundo Marco Aurélio Greco, na mesma obra, págs. 419 a 421: “O abuso é corolário do uso regular do direito, pois há décadas já se afastou a visão individualista de que um direito comporta qualquer tipo de uso, inclusive o excessivo ou que distorça seu perfil objetivo. A fraude à lei é decorrência da legalidade e da imperatividade do ordenamento positivo, como um todo, e da norma jurídica específica. Lei existe para ser seguida e não contornada ou ‘driblada’. (...) Em suma, a aplicação das figuras do abuso do direito e da fraude à lei em matéria tributária, no ordenamento positivo brasileiro, pode ocorrer independente de lei expressa que as autorize, pois são decorrência da legalidade e da imperatividade do ordenamento. Ainda que fosse indispensável uma lei autorizando a aplicação de tais categorias, este requisito estaria atendido pelo parágrafo único do artigo 116 aqui comentado.” No caso em tela, ficou caracterizado o abuso do direito, visto que a impugnante praticou atos societários que resultaram em uso abusivo de autoorganização. A fraude à lei caracterizouse também pela inobservância da norma impositiva que previa a incidência de IRPJ (alíquota de 15% e adicional de 10%) e CSLL (alíquota de 9%) na venda de bem do ativo permanente por pessoa jurídica (norma contornada), tendo a impugnante montado uma seqüência de operações de modo a enquadrar a operação como venda de bem por pessoa física (norma de contorno). A alegação de que quem alienou os bens foi a pessoa física, que era, à época da venda, a legítima proprietária e, portanto, contribuinte, não se sustenta, pois, conforme já mencionado, a Fl. 2119DF CARF MF 26 seqüência de atos demonstrou a falta de propósito negocial na transferência da participação societária para a pessoa física. Dessa forma, é de se confirmar que houve alteração irregular do pólo passivo da obrigação tributária. ... No presente processo, o fisco não desconsiderou o negócio jurídico realizado entre particulares, como foi alegado. O negócio continua válido entre eles, tanto que não foi notificada a Jucesp para qualquer providência de anulação do arquivamento anteriormente levado a efeito. Não foram considerados, apenas, os efeitos tributários desse negócio, que tiveram por finalidade exclusiva a diminuição do recolhimento de tributos ao fisco. Diante de todo o exposto, é de se concluir que está correto o lançamento formalizado na pessoa jurídica. Como visto, a ata de reunião dos sócios que determinou a redução de capital em nada demonstra ser o capital excessivo em relação ao objeto da sociedade. Não apresenta nenhum motivo específico, para simplesmente reduzir o capital e se desfazer das quotas da NEOGAMA. De fato, não vislumbro qualquer propósito negocial, nenhum motivo outro para a realização da redução do capital e devolução ao único sócio das quotas da NEOGAMA senão o de transferir a tributação do ganho de capital a ser auferido na alienação da participação da pessoa jurídica (autuada) para a pessoa física do sócio/titular, Sr.Alexandre Gama de Medeiros. E nem se diga que constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias. É dessa forma que se consegue evitar a tributação pela alíquota mais alta. Se a venda fosse feita pela EYEDO seriam aplicados 34% de Imposto de Renda (IRPJ) e CSLL sobre o ganho de capital. Já com o negócio sendo fechado pelo quotista pessoa física, a tributação varia de 15% a 22,5%. A recorrente alega que, a operação de redução de capital realizada que deu ensejo à autuação fiscal encontra respaldo jurídicotributário no artigo 22 da Lei nº 9.249/95 que assim dispõe: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Ora, o artigo 22 da Lei 9.249, de 1995, por si só, não dá ao interessado a opção fiscal de escolher quem seja o sujeito passivo da obrigação tributária se a pessoa física ou a pessoa jurídica. É cediço, que, a teor do artigo 123 do Código Tributário Nacional (CTN) ...as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. É de meridiana clareza a inexistência de motivo econômico do ato em comento que não seja a pura e simples economia tributária. Assim, o ato realizado pela Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 15 27 EYEDO não implica apenas em uma simples operação econômica, mas sim a alteração indevida do sujeito passivo de uma operação iminente. Essa operação que envolve a chamada redução do capital com a devolução de patrimônio da empresa para o quotista Sr.Alexandre, tem como escopo exclusivamente evitar que a alienação das quotas da NEOGAMA fosse registrada na autuada. Assim, não merece reparo a desconsideração dos efeitos tributários na operação (alienação das quotas da NEOGAMA efetuada pelo sócio/titular Sr.Alexandre Gama de Medeiros) para modificar a titularidade da participação, sem qualquer propósito econômico ou comercial, única e exclusivamente para não submeter os ganhos da operação à tributação que lhe seria típica no caso. De sorte que, a operação efetiva a ser considerada é a venda pela autuada para BRZ Digital Comunicações Ltda ("BRZ") da participação que detinha na Neogama BBH Publicidade Ltda ("NEOGAMA"). Sob o título " Erro de cálculo cometido na lavratura do Auto de Infração", a Recorrente argúi que tendo sido desconsiderados os efeitos da operação de redução de capital, por decorrência lógica, a d. fiscalização federal deveria ter abatido do presente Auto de Infração os valores espontaneamente recolhidos pelo Sr. Alexandre Gama a título de IRPF sobre ganho de capital. Finalmente requer: 139. Assim, na impensável hipótese de manutenção do presente Auto de Infração, tornase imperioso seja radicalmente corrigida a autuação fiscal, para o fim de que seja cobrada da Recorrente apenas eventual diferença de IRPJ e CSLL, descontandose os valores recolhidos pelo Sr. Alexandre Gama a título de IRPF sobre ganho de capital, reformandose nessa parte o v. acórdão recorrido. Sobre a matéria diverge a decisão recorrida, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, razão pela qual transcrevo os termos do voto condutor da decisão (fls.1200 e seguintes), conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, verbis: No que tange ao pleito de compensação do crédito tributário aqui cobrado com o tributo já recolhido pela pessoa física, quando da alienação das quotas, não há permissivo legal para tanto. E o caput do art. 170 do CTN é claro quanto a essa necessidade: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A tributação da pessoa física, declarada via DIRPF, não se confunde com a tributação da pessoa jurídica, declarada via DIPJ e DCTF. Em caso de recolhimento a maior ou indevido do ganho na pessoa física, somente a retificação da DIRPF possibilita sua restituição administrativa. O mesmo se daria no caso de restituição na pessoa jurídica. Nesse caso, não há que se Fl. 2121DF CARF MF 28 falar em dívidas recíprocas, já que são o eventual credor da União (pessoa física) e diverso do devedor neste processo (Impugnante). A legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra. As multas e juros decorrem da ausência de oferecimento à tributação do modo correto, ou seja, por meio de declaração da empresa autuada, motivo pelo qual também não se confunde com eventual tributação (indevida) na pessoa física. Além disso, há que se ressaltar que a Impugnante não detém autorização ou procuração da pessoa física que declarou ganho de capital para que transacione em seu nome. Quanto à aplicação da multa qualificada de 150%, em síntese, alega a Recorrente que jamais pretendeu omitir a ocorrência do fato gerador, mediante atos simulados, mas valeuse de estrutura inegavelmente lícita e regular do ponto de vista formal e material, portanto, não pode a operação ser tratada como fraudulenta ou simulada, razão pela qual requer o cancelamento da mencionada multa. Sobre a matéria, também não merece reparo à decisão de primeira instância ao entender cabível a qualificação da multa porque considera caracterizada a fraude com a simulação descrita pela autoridade fiscal, portanto, ocorrida alguma das hipóteses previstas nos art. 71 a 73, da Lei n 4.502/64. Vejamos: De acordo com o Relatório Fiscal foi imputada a multa qualificada de 150% porque a fiscalização considera que houve simulação na redução de capital, que foi utilizada para viabilizar a cessão, por parte da Eyedo, de quotas da Neogama para o sócio Alexandre Gama, com a intenção de declarar o ganho de capital na venda das citadas quotas da Neogama para a BRZ, na pessoa física, em condições menos onerosas e suprimir a apuração e pagamento de tributo pela contribuinte. Nos termos da legislação de regência, a qualificação da multa é cabível quando ocorrida alguma das hipóteses previstas nos art. 71 a 73, da Lei n 4.502/64. Assim, a ocorrência da simulação deve ser avaliada sob o enfoque dos dispositivos mencionados: Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 16 29 Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No presente caso, ficou claro que a redução de capital foi uma operação artificial com o único objetivo de transferir as ações para a pessoa física de forma que a alienação posterior à BRZ, já decidida em momento anterior e de pleno conhecimento dos envolvidos, fosse tributada nessa pessoa física em montante inferior àquele decorrente da alienação pela autuada. Plenamente caracterizada a intenção de modificar as características essenciais do fato gerador (venda das quotas pela Eyedo à BRZ) através da montagem de outra operação desprovida de lastro motivacional com vista a pagar menos tributo. De fato, as operações realizadas não podem legitimar consequências tributárias, visto que são procedimentos legais apenas no seu aspecto formal, mas ilícitas na medida em que objetivaram unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita a fiscalizada. Portanto, mantida a multa qualificada prevista na Lei nº 9.430/96, art.44, I e §1º, com a redação dada pela Lei 11.488/07. LANÇAMENTO REFLEXO – CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Voto Vencedor 1. Em que pesem os argumentos apresentados pelo Ilustre Colega Relatora, peço vênia, para, respeitosamente, divergir de seu voto para fins de afastar os lançamentos de IRPJ e CSLL em virtude da inocorrência de omissão de ganho de capital nas operações constantes do presente processo administrativo. 2. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário interposto por Eyedo Criação Planejamento e Marketing Ltda. (“Eyedo”) contra r. acórdão que manteve auto de infração que exige IRPJ e CSLL, em decorrência da venda de participação societária detida pelo sócio da Recorrente – Sr. Alexandre Gama – na sociedade Neogama BBH Publicidade Ltda. (“Neogama”) para BRZ Digital Comunicações Ltda. (“BRZ”). 3. Em síntese, a DRJ/RPO manteve o auto de infração com base nos mesmos fundamentemos utilizados pela autoridade lançadora, por entender que “houve um planejamento tributário abusivo associado à transferência de apuração de ganho de capital de pessoa jurídica para pessoa física, por meio de uma simulação”. Fl. 2123DF CARF MF 30 4. Em outros termos, para as autoridades fiscal e julgadoras a venda da participação na Neogama deveria ter sido realizada diretamente pela Recorrente – que era inicialmente titular das quotas na Neogama – e não pelo Sr. Alexandre Gama, que passou a ser titular direto da participação societária quase um ano antes de realizada a respectiva venda. I. Da Observância dos Pressupostos de Validade do Lançamento 5. Preliminarmente, a Recorrente alega ser nulo o lançamento "por grave equívoco na fundamento dos autos de infração". Contudo, não verifico qualquer nulidade formal e/ou material ocasionada pela inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, tampouco dos requisitos constantes do artigo 5º, incisos V e XXXIII, da Constituição Federal e artigo 142 do Código Tributário Nacional. 6. Sem adentrar na questão de estarem corretas ou não as razões que levaram a autoridade fiscal à constituição do crédito tributário, o que será feito quando da análise de mérito, não há que se falar em falta de motivação ou fundamentação equivocada, pois as exigências legais para a lavratura do auto de infração foram cumpridas e a constituição do crédito tributário foi feita de maneira a preservar os direitos da contribuinte. 7. Por essas razões, afasto a caracterização de nulidade. II. Da Legitimidade da Operação de Redução de Capital no Caso Concreto 8. No mérito, evidencio que as autoridades fiscal e julgadoras fundamentaram as autuações fiscais e a manutenção dos lançamentos na premissa equivocada de que a operação de redução de capital da Recorrente consistiu em planejamento tributário abusivo, visando tão somente possibilitar a venda das quotas da Neogama diretamente pelo Sr. Alexandre Gama, com carga tributária reduzida. 9. Em análise as circunstâncias fáticoprobatórias constantes dos autos, fica claro que a redução de capital foi realizada porque (i) o Sr. Alexandre Gama, na qualidade de controlador da Neogama e seu principal executivo, era pressionado pelos demais sócios e pelo próprio mercado investidor para que detivesse diretamente a participação societária da Neogama em seu nome, sem o intermédio da Recorrente; e (ii) identificouse a necessidade de o Sr. Alexandre Gama destacar seus demais investimentos mantidos sob a titularidade da Recorrente das quotas da Neogama. 10. Vejam que, para superação destas questões operacionais e de imagem da Neogama (necessária participação direta do Sr. Alexandre Gama na composição acionária da sociedade) a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente. 11. Ademais, se o único propósito da operação fosse a economia tributária, por que, na mesma época da redução de capital, a Recorrente alienou 107.400 quotas da Neogama para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda., apurando o efetivo ganho de capital em tal operação e o submetendo à tributação? Em outras palavras, se a intenção naquele momento fosse de alienação da Neogama para BRZ com menor carga tributária, porque a mesma sistemática não foi utilizada para a alienação de participação para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda.? 12. Na mesma linha de raciocínio, quando da alienação da Neogama pelo Sr. Alexandre Gama, outras empresas voltadas ao mercado de comunicação, mais especificamente as sociedades Triacom e Made in Moon, também foram alienadas ao Grupo Publicis pela Investmark, empresa da qual o Sr. Alexandre Gama é controlador e que não tinha a BBH como sócia. Ou seja, se a intenção era reduzir a carga tributária, a Investmark também Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 17 31 poderia ter reduzido o seu capital e transferido a participação para que seus sócios alienassem os investimentos em Triacom e Made in Moon. Não foi isso que ocorreu, tendo a Investmark alienado diretamente tais empresas para a Publicis e suportado a carga tributária correspondente. 13. Logo, fica evidente que não havia intenção de venda das quotas remanescentes da Neogama à época, mas um simples rearranjo societário para melhor governança da sociedade. Estrutura essa que trazia a transparência e inegável associação da pessoa física do Sr. Alexandre Gama com a Neogama, sociedade que inclusive faz alusão ao seu próprio nome. 14. Não é demais consignar que, tais medidas são usuais nas empresas para fins de atender às políticas de compliance e transparência corporativa, bem como para fomentar a atração de investimentos, o que por si só afasta o argumento de que o único objetivo da operação em pauta é economia tributária. 15. Por outro lado, não alinhase aos fatos a alegação das doutas autoridades de que a redução de capital foi seguida de "imediata venda", isso porque, de acordo com a própria legislação, qualquer operação de redução de capital não pode ser concluída em menos de 90 dias. 16. Em verdade, a Recorrente demonstrou que houve relevante lapso temporal entre a redução de capital e a venda da participação societária na Neogama. O decurso de 1 ano desde a aprovação da redução de capital até a venda da participação societária, somado ao fato de todos os requisitos formais para a redução de capital terem sido atendidos, acaba por afasta a possibilidade de qualificar essa operação como “simulada”. 17. Vale trazer a timeline apresentada pela Recorrente: 18. Ainda assim, entendo que são evidentes as razões negociais/operacionais que impulsionaram a reestruturação societária em análise. O suposto curto espaço de tempo entre a redução do capital e a alienação definitivamente não configuram planejamento tributário abusivo. 19. No mais, a operação de redução de capital foi realizada pela Recorrente de acordo com ao artigo 22, da Lei nº 9.249/951. É certo que, nos casos de redução de capital 1 “Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. §1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica Fl. 2125DF CARF MF 32 com devolução em bens aos sócios ou acionistas, os referidos bens podem ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. E, na hipótese de devolução pelo respectivo valor de mercado, caso este seja superior ao valor contábil, a sociedade deve oferecer à tributação do IRPJ e CSLL o ganho de capital auferido. De outro lado, na hipótese de devolução pelo valor contábil, nenhum tributo é devido, mantendo o acionista o respectivo custo da participação cancelada pelo recebimento dos ativos restituídos. 20. Em observância a citada dinâmica normativa, quando da redução de capital da Recorrente com a transferência da participação na Neogama para o Sr. Alexandre Gama, foi levantado balancete especial da Neogama (data base 31.05.2011), oportunidade na qual foi reconhecido o correspondente resultado de equivalência patrimonial nas demonstrações contábeis da Recorrente e, com base nesse valor contábil (i.e. R$ 9.484.442,95), determinouse a devolução de bens aos sócios. Este critério restou evidenciado na 4ª Alteração Contratual da Recorrente, conforme relatado. 21. Verificase, portanto, que foi deliberada a redução de capital da Recorrente com a restituição das quotas da Neogama ao Sr. Alexandre Gama com base no valor contábil desse ativo, o qual refletia a respectiva equivalência patrimonial da participação societária. Essa operação, portanto, não teve qualquer reflexo tributário, na medida em que não foi auferido qualquer ganho de capital pela Recorrente. 22. Ato subsequente, nos termos do artigo 22, §3º, da Lei nº 9.249/95, o Sr. Alexandre Gama reconheceu em sua DIRPF12 (anocalendário 2011 – fls. 1.820/1.848) as quotas da Neogama pelo respectivo valor de custo das quotas da Recorrente que foram canceladas (i.e. R$ 9.484.442,95). 23. Logo, não há dúvidas de que as operações em questão seguiram as diretrizes constantes do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e mais, a própria jurisprudência deste E. CARF reconhece a regularidade de operações dessa natureza: "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELOS ARTS. 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os arts. 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico: o art. 23 prevê que a pessoa física transfira à pessoa jurídica, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou de mercado: o art. 22, que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou o sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, também poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado." tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. §2º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital. §3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo ano base, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica”. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 18 33 (Processo nº 16561.720087/201512, Acórdão nº 1201001.809, Relatora Eva Maria Los, julgado em 25/07/2017). "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação no capital social, forem entregues/avaliados por montante superior ao que consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a diferença a maior será tributada como ganho de capital (Inteligência dos artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995). Não seria lógico exigir ganho de capital quando os bens e direitos fossem entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil. INTERESSE PROTEGIDO E NORMA INDUTORA DE COMPORTAMENTO. É juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995). Diante do fato de que o acesso a recursos junto ao mercado financeiro, de que necessitam as empresas, está ligado, em parte, ao capital social das Companhias, a regra que permite a devolução da participação acionária pelo valor contábil, sem que isto implique em custo tributário ao titular dos recursos, se constitui em norma indutora de comportamento que tem por finalidade aumentar o capital social das empresas, garantindo a devolução destes aos sócios acionistas, pelo valor contábil, sem exigência de tributação neste ato. Ademais, o fato de os acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, com cláusulas suspensivas, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. Fl. 2127DF CARF MF 34 No caso concreto, não se pode confundir os contratos preliminares feitos entre os titulares das ações e o contrato definitivo que foi o instrumento que materializou e conferiu validade e eficácia na transação feita entre os titulares das ações e a empresa adquirente. Por fim, em que pese a autuação invocar o contrato preliminar datado de 3/8/2007 para imputar responsabilidade à empresa POLPAR, esta sequer figurou como parte ou anuente no referido instrumento e tampouco recebeu o produto da venda que foi entregue, mediante crédito em conta, aos titulares das ações. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 19515.004548/201037, Acórdão nº 1402 001.477, Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva , julgado em 09/10/2013). "DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido. (Processo nº 11080.724651/201123, Acórdão nº 1402 001.252, Relator Designado Antônio José Praga de Souza, julgado em 07/11/2012). 24. Pessoalmente, já me pronunciei sobre a questão no Acórdão nº 1201 002.082, julgado em 15 de março de 2018. 25. Por fim, cabe consignar que tal entendimento tem fundamento na opinião própria opinião do citado Marco Aurélio Greco2, para quem as faculdades asseguradas pela legislação tributária não se inserem na temática da elisão fiscal. Segundo o autor, as opções fiscais “estão fora do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivamente coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha”, podendo um caminho “ser menos oneroso do que o outro”. 26. Não é o caso, mas ainda que motivado pela economia tributária (leiase boa gestão corporativa), são legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário, 2.ed. São Paulo: Dialética, p. 100. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 19 35 para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto” (Acórdão 1302001.713, Rel. Cons. Hélio Eduardo de Paiva Araújo, J: 25/03/2015). 27. No processo em tela, não se verifica atipicidade da forma jurídica adotada em relação ao fim, ao intenso prático visado, tampouco adoção de forma jurídica anormal, atípica e inadequada. Definitivamente, não estamos diante de condutas abusivas e/ou simuladas. III. Tributação Reflexa 28. A solução dada ao litígio principal, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicase ao litígio decorrente ou reflexo relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na medida em que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Conclusão 29. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 2129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004049/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 28/10/2008
II. PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA.
Para efeito de ocorrência dos fatos geradores do Imposto sobre a Importação (II) e das contribuições de PIS/COFINS-importação, considerar-se-á entrada no território nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada em procedimento de vistoria aduaneira.
IPI. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA.
Para efeito de ocorrência do fato gerador do IPI vinculado à importação, considerar-se-á ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal em vistoria aduaneira.
VISTORIA ADUANEIRA. FALTA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR.
Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver extravio, constatado na descarga, de volumes manifestados.
Recurso Voluntário negado
Crédito Tributário mantido
Numero da decisão: 3402-005.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 28/10/2008 II. PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA. Para efeito de ocorrência dos fatos geradores do Imposto sobre a Importação (II) e das contribuições de PIS/COFINS-importação, considerar-se-á entrada no território nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada em procedimento de vistoria aduaneira. IPI. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA. Para efeito de ocorrência do fato gerador do IPI vinculado à importação, considerar-se-á ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal em vistoria aduaneira. VISTORIA ADUANEIRA. FALTA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver extravio, constatado na descarga, de volumes manifestados. Recurso Voluntário negado Crédito Tributário mantido
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PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA. Para efeito de ocorrência dos fatos geradores do Imposto sobre a Importação (II) e das contribuições de PIS/COFINSimportação, considerarseá entrada no território nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada em procedimento de vistoria aduaneira. IPI. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA. Para efeito de ocorrência do fato gerador do IPI vinculado à importação, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal em vistoria aduaneira. VISTORIA ADUANEIRA. FALTA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver extravio, constatado na descarga, de volumes manifestados. Recurso Voluntário negado Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 40 49 /2 00 8- 17 Fl. 410DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre Notificações de Lançamento decorrentes de vistoria aduaneira para a exigência de Imposto sobre a Importação (II), com a correspondente multa de ofício, IPI, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, no montante total de R$ 38.166,83, em razão de extravio de mercadorias desembarcadas. Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: i) Inexiste extravio de carga, eis que, embora a transportadora tenha informado no Mantra 4 (quatro) volumes pesando 56,000 kg, apenas lhe foram efetivamente confiados para transporte 2(dois) volumes com 6,450 kg. ii) O agente consolidador, que expede o conhecimento aéreo, tem a obrigação de repassar ao transportador as informações precisas que atentem fielmente aos interesses do proprietário da mercadoria para a que o transporte tenha êxito. Houve erro exclusivo do agente consolidador, pois dois volumes da mercadoria objeto do HAWB 417 1046 3493MIA 05146 não seguiram no vôo para o qual estavam originalmente manifestados. iii) O Termo de Vistoria Aduaneira comprova que a carga importada chegou absolutamente incólume, uma vez que não há qualquer sinal externo de avaria, não há indícios de violação. Não há, portanto, elementos concretos aptos a comprovar a responsabilidade da impugnante pelo hipotético extravio em debate, uma vez não observado o quanto determinado no art. 592, II do Regulamento Aduaneiro. iv) A fiscalização utilizase de meras presunções jurídicas para definir o fato gerador dos tributos cobrados; presunção essa relativa, já que a impugnação configura admissão de prova em contrário. A Delegacia de Julgamento não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Os registros de descarga e movimentação da carga, relativos ao conhecimento aéreo Master AWB 417 1046 3493, House HAWB MIA 05146, indicam que apenas dois volumes com 6,540 kg foram descarregados, quando estavam manifestados 4 volumes com 56,000 kg (fl. 198). Considerase responsável, nos termos do inciso I do § 2º do art. 60 do Decretolei nº 37/66, o transportador, quando constatado o extravio até a conclusão da descarga da mercadoria no local ou recinto alfandegado. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 12466.004049/200817 Acórdão n.º 3402005.670 S3C4T2 Fl. 411 3 O argumento de que o art. 10 da Convenção de Varsóvia determina ao consolidador o dever de indenizar o transportador pelo dano em razão das indicações e declarações sobre a carga referese à relação entre eles e o consignatário da carga, da mesma forma que o estabelecido no art. 745 do Código Civil; não, perante o Fisco. A alegação de que os dois volumes faltantes não embarcaram não restou comprovada, além do que o transportador nenhuma ressalva fez acerca da carga quando da recepção da mesma para transportar. Cientificada dessa decisão em 08/08/2016, a interessada interpôs recurso voluntário em 25/08/2016, sob os seguinte tópicos: 1. Da conferência final de manifesto e dos princípios da legalidade e da verdade Material dos Fatos 2. Da responsabilidade exclusiva do agente de cargas pelo extravio de carga consolidada (Full Pallet) 3. Da não ocorrência dos fatos geradores dos tributos discriminados no auto de infração É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Alega a recorrente que a fiscalização teria adotado o procedimento equivocado para a constatação da falta de mercadoria. Conforme consta nas Notificações de Lançamento, foi realizado o procedimento de "vistoria aduaneira" a pedido da empresa Target Trading S/A, no processo n° 12466.003390/200847, por existirem indícios de extravio nas mercadorias por ela importadas e acobertadas pelo conhecimento de transporte aéreo MAWB 4171046 3493/ HAWB MIA05146. Foi, assim, constituída a Comissão de Vistoria Aduaneira, a fim de apurar a existência de extravio e atribuir a responsabilidade tributária pela mercadoria eventualmente extraviada, nos termos do art. 581 do Regulamento Aduaneiro/2002, abaixo transcrito: Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). § 1o A vistoria será realizada a pedido, ou de ofício, sempre que a autoridade aduaneira tiver conhecimento de fato que a justifique, devendo seu resultado ser consubstanciado em termo próprio. § 2o No caso de remessa postal internacional, a vistoria atenderá ainda às normas da legislação específica. § 3o Não será efetuada vistoria após a saída da mercadoria do recinto de despacho. Fl. 412DF CARF MF 4 A vistoria aduaneira poderá ser realizada a qualquer momento antes da saída da mercadoria importada do recinto alfandegado, inclusive havendo fatos que a justifique, após o início da conferência aduaneira ou da verificação física da mercadoria, situação na qual tais procedimentos serão interrompidos até a conclusão da vistoria aduaneira, nos termos do art. 584 do Regulamento Aduaneiro/2002. A recorrente parece confundir um pouco os conceitos de "vistoria aduaneira" e de "conferência final de manifesto", que são procedimentos distintos, embora, em algumas situações, possam ter resultado semelhante, com a exigência dos tributos em face do responsável pela falta das mercadorias. Nesse ponto, é pertinente transcrever as sempre preciosas lições de Roosevelt Baldomir Sosa1 acerca da "conferência final de manifesto": 50. MANIFESTO DE CARGA O manifesto de carga é documento típico do veículo transportador e corresponde a um rol ou relação dos conhecimentos relativos à carga transportada pelo veículo. 51. CONTROLE DO MANIFESTO O registro do manifesto na repartição fiscal inaugura, por assim dizer, um espécie de contacorrente pela qual controlam se as cargas chegadas e desembarcadas nos pontos alfandegados. As mercadorias, no manifesto, estão designadas aos respectivos consignatários, os quais, por ocasião do despacho aduaneiro, credenciamse a seu recebimento, fazendo prova de propriedade pelo conhecimento de carga. Os conhecimentos são então confrontados com o manifesto e "baixados". Se ao final houver saldos a maior a mercadoria poderá ser reembarcada a seu verdadeiro destino, ou poderá recair no abandono, ou ainda poderá ser normalmente desembaraçada, conforme o caso. A qualquer sorte, acréscimos de cargas não manifestadas ensejam aplicação de sanção ao transportador. Havendo falta, ou seja, quando uma dada mercadoria foi manifestada e não foi encontrada presumese ocorrido o fato gerador (fato gerador presumido) e exigemse direitos aduaneiros do responsável. (...) 558. FALTA (OU EXTRAVIO) DE MERCADORIAS. CONCEITO (...) (...) Devese distinguir, por boa técnica, as faltas por mercadorias não descarregadas, embora manifestadas para descarga no País, das demais espécies de faltas. As faltas em manifesto dão ensejo à presunção de terem sido desviadas do que decorrerá exigência tributária por "fato gerador presumido" (vide comentário nº 91). A hipótese de falta em manifesto obedece rito próprio não sendo abrangida pelo processo de vistoria aduaneira. (...) 570. MANIFESTO DE CARGA. CONFERÊNCIA FINAL O manifesto de carga é literalmente, um rol, lista ou relação, das mercadorias transportadas e destinadas a um determinado destino, segundo os conhecimentos de transporte emitidos (contratos de transporte) a favor dos respectivos recebedores ou consignatários. É documento fundamental ao controle aduaneiro das mercadorias em importação. Após a descarga das mercadorias adotase, no âmbito da repartição aduaneira com jurisdição no ponto de descarga, um procedimento de apuração de eventuais faltas ou acréscimos relativamente ao manifestado. A esse cotejo entre o declarado por manifesto e o efetivamente descarrregado e que o legislador chama de "confronto do manifesto com o registro de cargas", consoante o art. 476 [do Regulamento Aduaneiro/85] corresponde à denominada conferência final de manifesto (vide comentários nºs 50 e 51). 1 SOSA, Roosevelt Baldomir. Comentários à Lei Aduaneira. São Paulo: Aduaneiras, 1995. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 12466.004049/200817 Acórdão n.º 3402005.670 S3C4T2 Fl. 412 5 A conferência final de manifesto destinase a verificar eventual falta ou acréscimo de mercadoria em relação ao manifestado para todo ponto de descarga do veículo no País, enquanto que a vistoria aduaneira visa apurar eventual avaria ou falta de mercadoria numa carga em particular, objeto de um determinado conhecimento de carga. No caso presente, apurouse, no procedimento de vistoria aduaneira, a falta de 2 volumes, com peso bruto de 6,450 kg, do total da carga objeto do conhecimento de carga MAWB 4171046 3493/ HAWB MIA05146, o qual foi devidamente manifestado, ou seja, constou no manifesto de carga do ponto de destino, razão pela qual não se apurou qualquer problema no que diz respeito à conferência final de manifesto. Dessa forma, não procedem as alegações da recorrente acerca de irregularidade no procedimento para a apuração da falta de mercadoria, o qual foi efetuado adequadamente como vistoria aduaneira para apurar indícios de extravio nas mercadorias acobertadas pelo conhecimento de transporte aéreo MAWB 4171046 3493/HAWB MIA05146, importadas pela empresa Target Trading S/A, inclusive a pedido desta. Acerca da responsabilização da transportadora, ela foi efetuada nas Notificações de Lançamento em conformidade com o disposto na legislação, conforme se depreende da trecho abaixo: Na descarga das mercadorias no Aeroporto Internacional de Vitória foram recebidos pelo depositário 02(dois) volumes com peso bruto total de 6,450kg, quando deveriam ter sito a ele entregues pelo transportador aéreo 04(quatro) volumes com peso bruto total de 56,000kg, de acordo com o que consta no conhecimento de transporte aéreo citado. (...) Ao final da vistoria, apurouse a responsabilidade do transportador estrangeiro, com base no art. 32, parágrafo único, alínea "b" do DecretoLei n°2.472/88, pela falta, nos seguintes valores, conforme o demonstrativo abaixo e pelas seguintes razões: Regulamento Aduaneiro Decreto n° 4.543/02: "Artigo 592 Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver: VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados.; A alegação da recorrente de que teria sido induzida a erro pelo Agente Consolidador das cargas, carece de demonstração nos autos, como já havia sido esclarecido na decisão da DRJ, não tendo a recorrente apresentado qualquer elemento modificativo quanto a essa parte da decisão recorrida, razão pela qual é de ser mantida pelos próprios fundamentos: O texto legal estabelece de maneira objetiva a responsabilidade do transportador em caso de extravio, na condição especificada, ressalvada a hipótese de erro inequívoco ou comprovado de expedição; conforme já salientado, a impugnante limitouse a alegar que lhe foram entregues para transporte apenas dois volumes com 6,540 kg, enquanto o agente consolidador tinha indicado quatro volumes com 56,000 kg; contudo, ainda que verdadeira tal situação, a responsabilidade, para efeitos fiscais, é do transportador, como se depreende da leitura do dispositivo legal citado. (...) Já se explicou que a alegação de que os dois volumes faltantes não embarcaram não foi comprovada, além do que o transportador nenhuma ressalva fez acerca da carga quando da recepção da mesma para transportar; na verdade, Fl. 414DF CARF MF 6 portanto, não há nada concreto que possa sustentar a alegação da impugnante, de modo que, diferentemente da responsabilidade para efeitos fiscais, com base na legislação mencionada, ficalhe assegurado o exercício do direito de regresso pelo dano que suportar; por conclusão, a fiscalização não se valeu de meras presunções, mas de definição legal; e descabido qualquer direcionamento da responsabilidade ao agente de carga, porque nos termos legais, para os efeitos fiscais, reiterando, o ônus é do transportador. Ademais, os dispositivos colacionados pela recorrente do Código Brasileiro de Aeronáutica, da Convenção Internacional de Varsóvia e do Código Civil, no sentido de que caberia ao expedidor indenizar o transportador pelo prejuízo que causar em face de suas indicações ou declarações irregulares, acaso sejam efetivamente comprovadas, poderiam dar guarida à recorrente fora do âmbito administrativo, inclusive quanto a eventuais tributos daí decorrentes, mas não lhe socorrem na sua relação com o Fisco, que é regida pelo art. 592 do Regulamento Aduaneiro/2002, cuja matriz legal é o art. 41 do Decretolei nº 37/66. O art. 146, III, "a" da Constituição Federal, mencionado pela recorrente, delimita como uma das atribuições da lei complementar em matéria tributária estabelecer "as normas gerais" em relação aos fatos geradores dos impostos, mas não o próprio fato gerador, o qual pode ser definido por lei ordinária, nos termos do art. 114 do CTN ("Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência" [negritei]). No caso, a situação retratada nos autos, de falta de mercadoria importada declarada, acarreta as incidências tributárias do II, IPI e das contribuições de PIS/Cofins importação, nos termos dos dispositivos legais abaixo transcritos: Decretolei nº 37/66: Art. 1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Lei n° 4.502/64: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: (...) § 3o Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) Lei nº 10.865/2004: Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 12466.004049/200817 Acórdão n.º 3402005.670 S3C4T2 Fl. 413 7 (...) Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou (...) § 1o Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722082/2016-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Somente são dedutíveis as despesas efetuadas que tenham como beneficiário o contribuinte ou seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Somente são dedutíveis as despesas efetuadas que tenham como beneficiário o contribuinte ou seus dependentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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score : 1.0
Numero do processo: 11634.000207/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004
CIDE-ROYALTIES. REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO.
Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior.
Numero da decisão: 9303-007.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 02 07 /2 00 9- 91 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 745 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3102002.141, de 25 de fevereiro de 2014, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso de voluntário, nos termos das ementas transcritas abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royalties. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador quando não houver transferência de tecnologia, determinada pela Lei 11.452/07, não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a regra entraria em vigor no dia 1º de janeiro de 2006. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 746 3 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). CÁLCULO POR DENTRO (GROSSUP). VALOR DO IMPOSTO. INCORPORAÇÃO AO VALOR DA OPERAÇÃO. O valor do Imposto de Renda (IRRF) incidente sobre o valor pago na espécie de operação onerada pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e retido pela fonte pagadora integra a base de cálculo da Contribuição. A metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, requerendo a sua reforma a fim de que seja reconhecida a não incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte, alegando, em síntese, a inocorrência do fato gerador da contribuição pelo fato de não ter havido transferência de tecnologia pelos fornecedores; alegou ainda a indevida inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na base de cálculo da contribuição por falta de amparo legal. Por meio do despacho do Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 697e/700e, o recurso do contribuinte foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, defendendo a manutenção da decisão recorrida, alegando, em síntese, que, no presente caso, a contribuição é devida nos termos dos arts. 1 e 2º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.168/2000, sem a necessidade de transferência de tecnologia pelos fornecedores, citando a Solução de Consulta Cosit nº (DOU de 18/5/2006) e a decisão do TRF da 3ª Região, na Apelação nº 2002.61.00.0252771/SP, bem como jurisprudência administrativa; quanto à inclusão do IRRF, na base de cálculo da contribuição, alega que está de acordo com o disposto no art. 2º da Lei nº 10.168/2000, tendo em vista que esse dispositivo define como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos, a titulo de royalties ou da contraprestação de serviços, o que implica considerar o valor bruto. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, em parte, ou seja, da matéria que não foi objeto de ação judicial. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 747 4 A matérias em litígio abrangem (i) a incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte e (ii) a inclusão do IRRF na base de cálculo da contribuição. Do exame dos autos, verificase que a CIDE, objeto do lançamento em discussão, foi também objeto de ação judicial MS 2004.51.01.0040563, inclusive, o crédito tributário foi constituído sem o lançamento da respectiva multa de ofício, conforme se verifica do auto de infração às fls. 317e, do Termo de Verificação Fiscal às fls. 313e. Também, o contribuinte, na impugnação às fls. 330e/331e, bem como no recurso voluntário às fls. 462e, reconheceu que a matéria tributada foi objeto daquela ação judicial, inclusive, informa que efetuou depósitos judiciais dos valores lançados e exigidos. Ora, a opção do contribuinte pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada pelo CARF por meio da Súmula nº 01, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, por força no disposto no art. 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, obrigatoriamente, aplicase esta súmula ao presente caso. Também, em face do disposto no art. 72, daquela portaria, o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido, quanto à incidência da CIDE, objeto do lançamento em discussão. Remanesce todavia, a análise e julgamento da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, matéria que não foi objeto da referida ação judicial A CIDE foi criada e regulamentada pela Lei nº 10.168/2000 que assim dispõe: "Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 748 5 bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...). § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001." Ao contrário do entendimento do contribuinte, a base de cálculo da CIDE, segundo o § 3º do art. 2º, da Lei nº 10.168, de 2000, citado e transcrito acima, é o valor pago, creditado ou remetido, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. Do exame das normas legais que tratam desta contribuição, não encontramos quaisquer dispositivos que determinam e/ ou permitam a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. Também este é o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) externado por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº de 13 de outubro de 2004, que assim dispõe: “Art. 1º As disposições do Regulamento de Melbourne, trazidas pelo Tratado de Melbourne, celebrado em 09 de dezembro de 1988, não foram legitimamente incorporadas ao Direito Brasileiro, não tendo eficácia no País no tocante ao Imposto sobre a Renda e à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidentes sobre as remessas efetuadas por empresas de telecomunicações pela prestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no País, ou em chamadas de longa distância nacional, em circunstâncias em que haja a utilização de redes de propriedade de não domiciliadas no Brasil. Art. 2º É devido o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, à alíquota de 15%, e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), à alíquota de 10%, sobre o total dos valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos às empresas de telecomunicações domiciliadas no exterior, a título de pagamento pela contraprestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no Brasil, ou a chamadas de longa distância nacional, em que haja a utilização de redes de propriedade de empresas congêneres, domiciliadas no exterior. Art. 3º A base de cálculo do Imposto sobre a Renda e da Cide, incidentes nas hipóteses previstas no art. 2º, é o valor total da operação, ainda que não sejam as remessas integralmente enviadas ao exterior, e não apenas o saldo líquido resultante de encontro de contas envolvendo débitos e créditos entre o tomador e o prestador dos serviços. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 749 6 Art. 4º Os rendimentos decorrentes da prestação de serviços técnicos de telecomunicações que sejam pagos, creditados, entregues ou remetidos a residentes ou domiciliados em países com os quais o Brasil mantenha tratados para evitar a dupla tributação (regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro) estão sujeitos ao tratamento específico neles constantes.” Ressaltamos ainda que, por meio da Solução de Divergência nº 17, a Coordenação Geral de Tributação (Cosit) da RFB, solucionou a divergência até então existente sobre esta questão, assim decidindo: “BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF.” Dessa forma, independentemente de quem assumiu a responsabilidade pela retenção/pagamento do IRRF, a base de cálculo da CIDE é o valor bruto pago e/ ou creditado ao residente/domiciliado no exterior. À luz do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte, quanto à incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte, matéria objeto de ação judicial, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 750 7 Fl. 775DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.925302/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.925302/201618 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.927 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ALGAR TI CONSULTORIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 02 /2 01 6- 18 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.508. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.736682/2011-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES.
Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado.
Numero da decisão: 9202-006.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202-005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES. Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202-005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES. Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202 005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 82 /2 01 1- 83 Fl. 1346DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar omissão, face ao acórdão 9202005.708, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Trata o presente processo de três Autos de Infração: 37.342.7328; 31.342.7336 e 37.342.7344, relativos a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), efetuados pelo Contribuinte aos seus empregados, nos meses de fevereiro e agosto de 2007, em desconformidade com o art. 2º, I, da Lei nº 10.101/2000, por não participação do sindicato nas negociações do respectivo Acordo de PLR. O Contribuinte apresentou a impugnação, contudo, a 13ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 347/360, julgou totalmente procedente o lançamento. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 363/386, e, às fls. 595/609, 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial contra o Acórdão do CARF, às fls. 614 a 625, no sentido de que prevalecesse o entendimento de que deveria ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: havendo lançamento de contribuições previdenciárias, o dispositivo legal aplicado passa a ser o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009. Igualmente o Contribuinte apresentou Recurso Especial, às fls. 640/663, para que restasse reanalisado o entendimento sobre exigência da participação do sindicato nas negociações do PLR. Às fl. 1019/1042, o Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da União. No Acórdão nº 9202005.708, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, 29/08/2017, às fls. 1075/1096, deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Às fls. 1107/1118, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de que, embora mencionada no relatório, a preliminar arguida em sede de contrarrazões não foi enfrentada pelo voto vencido acerca do conhecimento do apelo da União. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 10 3 Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 1341/1345, retornando os autos para novo julgamento. Os citados itens, que no entender do Contribuinte não teriam sido enfrentados, têm o seguinte conteúdo: "2.1. Como visto no presente caso, o ACÓRDÃO RECORRIDO analisou autos de infração em que foram exigidas (i) multa de mora pelo descumprimento de obrigação principal, com base no que dispunha o art. 35 da Lei no 8.212/ 91, com a redação dada pela Lei nº 9.816/99, e (ii) multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP), com fundamento no que dispunha o art. 32, IV, §5º, da Lei nº 8.212/9L, com a redação dada pela Lei nº 9.528/91. 2.2. Em face do disposto no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, segundo o qual a 1ei aplicase a ato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa, o ACÓRDÃO RECORRIDO concluiu que ambas as multas devem ser recalculadas da seguinte forma: (i) no que diz respeito a multa moratória exigida pelos AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, ela deve ficar limitada ao percentual de 20%, nos termos do art. 35 da Lei no 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, 9.430/96, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/96; (ii) no que diz respeito a multa isolada exigida pelo AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, ela deve ser comparada e reduzida (se mais ben6fica) conforme o disposto no art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei no 11.941/09. 2.3. PeIa leitura do recurso especial da Fazenda Nacional, verificase que e1a apenas se insurgiu, de forma clara e específica, contra a parte do ACÓRDÃO RECORRIDO que determinou que a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória fosse recalculada, se mais benéfica, nos termos do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. 2.4. Isso porque a Fazenda Nacional sequer menciona em seu recurso especial o art. 61 da Lei nº 9.430/96 que, combinado com o art. 35 da Lei no 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, prevê que a multa de natureza moratória deve ficar limitada ao percentual de 20%. 2.5. Notese, ainda, que: (i) o fundamento suscitado pelo recurso especial fazendário foi o de que o ordenamento jurídico pátrio rechaçaria a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, pelo que o art. 32A da Lei no 8.212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, não poderia ser aplicado ao caso concreto, já que o descumprimento de obrigação acessória, quando acompanhado do descumprimento de obrigação principal, teria passado a ser punido pelo art. 35A da Lei nº 8,212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, que remete a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/00; e Fl. 1348DF CARF MF 4 (ii) todos os Acórdãos citados no recurso especial fazendário (quais sejam, Acórdãos nos 20601.782, 240100.127, 2402002.070, 2401 02.206, 2401 001.625 e 240101.552, sendo os dois primeiros coligidos como paradigmas) envolviam autos de infração em que se exigia multa isolada por omissão de informação em GFIP (obrigação acessória). 2.6. Portanto, o art. 61 da Lei específica contra a parte do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora exigida nos autos de infração nos 31 .342.7328 e 37 .342.7336 ao percentual de 20% (descumprimento de obrigação principal) e apenas cita Acórdãos do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes (CC) que envolviam o julgamento de auto de infração exigindo multa pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP), forçosa é a conclusão de que aquela parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO se tornou definitiva. 2.7. Mas, ainda que prevaleça o entendimento de que a Fazenda Nacional também recorreu da parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora ao percentual de 20%, o que se admite apenas para fins de argumentação, essa suposta parte do recurso especial não poderia ser admitida. 2.8. A época em que interposto o recurso especial fazendário, vigia o art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 256, de 22 .06.2009 , que assim dispunha: "Art. 67. Compete a CSRF, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF". 2.9. O pressuposto para o conhecimento do recurso especial fazendário é a apresentação de acórdão proferido por outra Câmara, Turmas de Câmara ou pela própria CSRF que tenha dado ao mesmo dispositivo legal, interpretação contrária àquela conferida pelo ACÓRDÃO RECORRIDO. 2.10. Como visto acima, nos Acórdãos nos 20601.782 e 2401001.127, coligidos como paradigmas pela Fazenda Nacional., discutiuse, apenas autos de infração lavrados para exigir multa solada por descumprimento de obrigação acessória (omissão de informações em GFIP), com fundamento no art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica nos seguintes trechos de seus relatórios e votos: (...) 2.11. Portanto, verificase que os Acórdãos coligidos como paradigmas nºs 20601.782 e 2401001 .127 não envolviam o julgamento de autos de infração exigindo multa de mora pelo descumprimento de obrigação principal, com fundamento no art. 35 da Lei no 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 9.876/99), tratase, repitase, autos de infração lavrados para exigir multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 9.528/97) . Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 11 5 2.12. Logo, ainda que se vislumbrasse do recurso fazendário, instauração de litígio contra a parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora ao percentual de 20%, essa suposta e fictícia parcela do recurso não poderia ser admitida, por falta de demonstração de específica divergência jurisprudencial. 2.13. Registrese, neste particular, que a RECORRIDA tem conhecimento de que há divergência jurisprudencial específica sobre a matéria (limite do percentual da multa de mora nos casos envolvendo julgamento de auto de infração de obrigação principal, mas o fato é que nenhum desses precedentes foi citado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, não podendo esse fato ser ignorado em eventual exame de admissibilidade dessa suposta parcela do recurso especial". (destaques no original). O Embargante acrescentou, ainda, que “2ª Turma da CSRF parece ter reformado a parte do Acórdão nº 2301003.752 que limitou a multa de mora exigida pelos AUTOS DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ao percentual de 20%, já que afirmou que ‘a multa de mora prevista no art. 67 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de oficio’, em que pese o fato de essa matéria não ter sido objeto do recurso especial fazendário e, portanto, ter se tornado definitiva na esfera administrativa”. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Trata o presente processo de três Autos de Infração: 37.342.7328; 31.342.7336 e 37.342.7344, relativos a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), efetuados pelo Contribuinte aos seus empregados, nos meses de fevereiro e agosto de 2007, em desconformidade com o art. 2º, I, da Lei nº 10.101/2000, por não participação do sindicato nas negociações do respectivo Acordo de PLR. O Acórdão embargado deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte visa correção de omissão quanto às preliminares arguidas em sede de Contrarrazões ao Recurso Especial do Contribuinte. Assiste razão o embargante quanto a omissão apontada. Embora a relatora tenha se referido ao conhecimento o fez de modo demasiadamente sucinto. Contudo no que se refere as questões recursais que discutem tese jurídica tenho seguido o entendimento de que pequenas divergências são meramente acidentais e não Fl. 1350DF CARF MF 6 possuem o condão de elidir a divergência jurisprudencial entre o que foi provido na Turma ordinária e o que foi concedido pelo acórdão paradigma. Na hipótese dos autos, adoto as razões do exame de admissibilidade: Vêse, portanto, que a E. Câmara a quo entendeu que em relação a infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal aplicável é o art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Aplicando aos DEBCAD relativos aos AIOP a multa prevista na nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Em posicionamento diametralmente oposto, a então 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes e a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção consideraram ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Dessa forma, uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial no que toca ao diploma legal a reger a aplicabilidade da multa no caso em testilha, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido. Assim, considero a informação prestada suficiente para corrigir a omissão apontada, contudo esta não altera o conteúdo material do voto e de seu dispositivo. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 12 7 Fl. 1352DF CARF MF
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