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Numero do processo: 10909.900787/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI Nº 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp nº 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI Nº 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO.
Conforme art. 3o da Lei nº 9.363/1996 (aplicável à Lei nº 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5º), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp nº 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp nº 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI Nº 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp nº 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI Nº 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei nº 9.363/1996 (aplicável à Lei nº 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5º), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp nº 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 07 87 /2 01 0- 11 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 202 2 competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp nº 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do despacho decisório, situado à fl. 63, que reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no PER nº 27593.27358.230506.1.5.018495, que pleiteava o ressarcimento de IPI referente ao 1º trimestre de 2006, no montante de R$ 2.859.226,08, tendo sido homologado parcialmente o conjunto das compensações declaradas que utilizaram este crédito no montante de R$ 218.318,62, em suficiência para satisfazer apenas parte das compensações, que seguem abaixo discriminadas: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 203 3 2. Recortase, por pertinente, o seguinte trecho da decisão recorrida: "O valor pleiteado não foi integralmente reconhecido diante da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento era inferior ao valor pleiteado e da glosa de crédito presumido considerado indevido pela Fiscalização. Instruindo a decisão, também foram disponibilizados à interessada os demonstrativos de apuração do crédito (efls. 115/116) e os demonstrativos da compensação (efls. 109/114), bem como dois arquivos eletrônicos denominados “Poseidon TVF.doc” e “Poseidon.xls”. O primeiro arquivo contém o Termo de Verificação Fiscal (efls. 132/136), que descreve os motivos pelos quais houve glosa de crédito e pelos quais o crédito reconhecido foi inferior ao pleiteado; e o segundo, várias planilhas com informações das aquisições de insumos pelo estabelecimento, das glosas efetuadas e da apuração do crédito presumido. Tanto os demonstrativos quantos os dois arquivos eletrônicos encontramse disponíveis no sítio eletrônico da RFB, na internet. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada apurou o crédito presumido de IPI com base na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Todavia, incluiu nos cálculos, indevidamente, os valores das aquisições de produtos de Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 204 4 pessoas físicas e de cooperativas de produtores rurais, de 2002 a 2006. Por não ocorrer a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, não há direito ao benefício sobre tais operações. Assim, devem ser excluídas da apuração do crédito presumido. Também constatouse divergência de valores das “compras totais acumuladas”, entre aqueles utilizados nos Demonstrativos de Crédito Presumido e os informados à Fiscalização. Em virtude das glosas de aquisições e das diferenças entre os valores das compras totais, o crédito presumido foi reapurado, obtendose o valor de R$ 218.318,62 para o 1º trimestre de 2006" (seleção e grifos nossos). 3. A contribuinte, intimada via postal em 19/04/2012, em conformidade apresentou, em 11/05/2012, manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese: 1) Decadência do crédito tributário Segundo o entendimento jurisdicional e administrativo, a decadência é, em suma, o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo. No presente caso, está configurada a perda do direito do Fisco em cobrar os valores constantes no despacho decisório, referentes aos períodos anteriores a 03/04/2007, eis que somente no mês de abril de 2012 houve a constituição definitiva do crédito tributário dos citados períodos. Como os tributos objetos da compensação estão inseridos na modalidade de lançamento por homologação, o termo inicial da decadência tributária é a ocorrência dos respectivos fatos geradores, consoante dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN. 2) Homologação tácita Em relação às compensações, a própria Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, prevê um prazo de 5 anos para a sua homologação. Em relação aos pedidos de ressarcimento, o art. 24 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, estabelece o prazo de 360 dias para a sua análise. Dentre todos os prazos relacionados ao direito tributário e matérias administrativas e judiciais, nenhum é superior a cinco anos. Decorridos cinco anos, é vedado ao contribuinte ressarcir crédito, alterar DCTF, DACON, DIPJ ou qualquer declaração feita para a RFB, bem como qualquer modificação relacionada a apuração de tributos. Dessa forma, como pode a autoridade fiscal querer modificar um fato jurídico ocorrido há mais de cinco anos, sendo que a lei define claramente que deve ser feito em 360 dias? Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 205 5 O procedimento fiscal contraria a Constituição Federal, porque busca obter para o erário privilégios vedados pelo seu art. 5º, LV. 3) Aquisições de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido Com base na Instrução Normativa SRF nº 420, de 10 de maio de 2004, a autoridade fiscal aduziu que a inserção das compras de pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido, não é permitida, haja vista a inocorrência da incidência de contribuições de PIS e COFINS sobre tais aquisições. Contudo, a IN SRF nº 420, de 2004, não pode limitar benefícios estabelecidos em lei, sob pena de violação ao princípio da legalidade. O entendimento do Fisco viola o art. 2º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, pois este determina que a base de cálculo é composta pelo valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não havendo ressalvas quanto às aquisições de pessoas físicas ou cooperativas. 4) Incidência do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas A COFINS sobre o ato cooperativo ficou intocada até o advento da Medida Provisória nº 1.858, de 1999. Com as mudanças introduzidas, o legislador passou a tratar o ato cooperativo como base de incidência do PIS e da COFINS, concedendo como compensação exclusões da base de cálculo, atualmente constantes principalmente no art. 15 da MP nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001. Como se observa, a isenção concedida aos atos cooperativos não existe desde 1999. A falta de profundo conhecimento das complexas normas que regem a tributação do ato cooperativo pode gerar o entendimento de que este é beneficiado pela isenção, mas é impossível manter tal entendimento. Além disso, como pode a autoridade fiscal saber se a operação é ato cooperativo e não operação com terceiros? 5) Correção monetária do crédito A utilização dos créditos que o contribuinte tem direito apenas pelo seu valor nominal tipifica um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. A correção monetária nada acrescenta ao valor a ser utilizado, posto que mantém a equivalência monetária. O direito à correção monetária dos montantes tributários a serem utilizados é direito consectário do direito de propriedade (CF, arts. 5º, XXII e 170, II). Sua proibição é uma forma de confisco que agride o direito de propriedade e, por isso mesmo, a ordem jurídica expressamente não a tolera (CF, art. 150, IV). 4. Em 07/06/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1461.201, situado às fls. 137 a 151, de relatoria do AuditorFiscal Celso Toshio Sakamoto, que entendeu, por unanimidade de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 206 6 votos, julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, deferindo parte do direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO PELA SISTEMÁTICA DA LEI Nº 10.276, DE 2001. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SOBRE OS QUAIS NÃO INCIDIRAM O PIS E A COFINS. EXCLUSÃO. Na base de cálculo do crédito presumido do IPI, apurado na forma alternativa da Lei nº 10.276, de 2001, não podem ser consideradas as aquisições de insumos sobre os quais não houve incidência das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS. RESSARCIMENTO DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária do crédito de ressarcimento de IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DOS DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. RITO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não é cabível submeter a contestação da cobrança dos débitos indevidamente compensados ao rito processual disciplinado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, em razão de não incluirse entre as matérias de competência atribuídas a DRJ. Não se conhece da matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PROVA DE FATOS. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. Por envolver a fruição de créditos, cabe à postulante o ônus da comprovação da sua existência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 207 7 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PELO DECURSO DO PRAZO. Decorridos cinco anos da apresentação da declaração de compensação, sem ter havido expressa manifestação da autoridade administrativa sobre a homologação ou não da compensação, devem ser considerados ocorrida a homologação tácita e extintos os débitos assim compensados. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA APRECIAÇÃO. LEI Nº 11.457, DE 2007. NORMA PROGRAMÁTICA. INEXISTÊNCIA DE SANÇÃO. A norma do artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, inexistindo sanção decorrente de seu descumprimento pela Administração Tributária, muito menos o reconhecimento tácito do suposto direito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte, intimada da decisão em 05/07/2016, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 155, interpôs, em 26/07/2016, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 187, recurso voluntário, situado às fls. 188 a 198, no qual reiterou as razões de sua impugnação manifestação de inconformidade unicamente quanto ao direito creditório das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas e quanto à correção monetária. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 208 8 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. A questão não é nova a este colegiado, que já se posicionou, em consonância com a posição firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 993.164/MG, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, por unanimidade de votos, em composição próxima à atual,1 e.g. no Acórdão CARF nº 3401005.214, proferido em 26/07/2018, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, por reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior, conforme trecho do voto que abaixo se transcreve que adotamos como razão de decidir: "(...) fiscalização glosou as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, não computadas originalmente nas declarações da recorrente. E a DRJ endossou a glosa, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), entendendo que o precedente do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG) trata da Lei no 9.363/1996, e não do regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Sustentase, na peça recursal, que o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência. Nesse aspecto, entendemos assistir razão à recorrente. Colacionese, inicialmente, o que entendeu o STJ, no REsp no 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). 1 Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 209 9 CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 210 10 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/ 2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 211 11 “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I. de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)”O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir. (...) Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, guarda identidade com a apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: (...) Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 212 12 (...) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão no 3403002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp no 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei no 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei no 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1o, § 1o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos no 3403001.948 a no 3403001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar dois precedentes recentes e unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543C do CPC.” (Acórdão n. 9303004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 – unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543C do CPC.” (Acórdão n. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 213 13 9303005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 – unânime) Ademais, recordese que o § 5o do art. 1o da Lei no 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5o, é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Nesse sentido decisões unânimes recentes desta turma de julgamento, nos Acórdãos no 3401004.457 a 459, de 22/03/2018, sob minha relatoria: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário no que se refere a aquisições de pessoas físicas 8. Também a questão referente à atualização pela SELIC foi objeto de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça e também por este colegiado, nos termos que a seguir se transcrevem: Por fim, demanda a recorrente que seu crédito seja tomado em conta ao longo do tempo, de forma atualizada pela SELIC, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF, inclusive da CSRF. No julgamento de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 214 14 decide unanimemente a DRJ que é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados, visto que a Lei no 9.250/1996, em seu art. 39, trata de indébito de tributos, não se alastrando a crédito presumido (escritural), e que tanto a Instrução Normativa SRF no 210/2002 quanto a Solução de Consulta COSIT no 19/2002 são expressas no sentido de que “não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. A argumentação do recurso voluntário, em relação ao tema, é predominantemente jurisprudencial, colacionandose diversos precedentes do CARF no sentido de que é legítima a atualização de crédito presumido de IPI pela Taxa SELIC, e que o ressarcimento é espécie do gênero restituição. Também neste tópico assiste razão à recorrente, cabendo destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): (...) Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. (...) Assim, e concordando com o fundamento do posicionamento atual da CSRF, que harmoniza distintos precedentes do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no que se refere a oposição estatal por omissão (mora) tenho apenas leve apara a tal entendimento, no sentido de que o termo inicial deve ser a data da ciência do indeferimento do crédito, caso isso ocorra antes dos citados 360 dias do pedido (oposição por ação – análise e indeferimento do crédito). 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10909.900787/201011 Acórdão n.º 3401005.340 S3C4T1 Fl. 215 15 Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720281/2015-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 23/11/2010 a 10/09/2013
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE.
A ocultação do real adquirente das mercadorias importadas enseja a aplicação da pena de perdimento e em caso de não localização das mercadorias aplica-se a multa equivalente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 23/11/2010 a 10/09/2013
RESPONSABILIDADE DO SÓCIO/MANDATÁRIO. NÃO CABIMENTO
Não restando comprovado nos autos, atos de administração/gerência/representação, praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos à época dos fatos, torna-se incabível a manutenção do sócio/mandatário no polo passivo como responsáveis solidários
PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL. OBJETIVIDADE DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS.
As decisões administrativas devem buscar o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais. As decisões administrativas devem se pautar pela objetividade de quem autua e por parte de quem julga. Nem sempre a extensão de argumentações e apresentação de doutrinas e acórdãos auxiliam no esclarecimento da lide.
Numero da decisão: 3401-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para excluir do pólo passivo da autuação as pessoas físicas, por carência probatória, vencidos a relatora (Cons. Mara Cristina Sifuentes), que negava provimento aos recursos voluntários, e o Conselheiro Cássio Schappo, que dava provimento aos recursos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 23/11/2010 a 10/09/2013 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. A ocultação do real adquirente das mercadorias importadas enseja a aplicação da pena de perdimento e em caso de não localização das mercadorias aplica-se a multa equivalente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 23/11/2010 a 10/09/2013 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO/MANDATÁRIO. NÃO CABIMENTO Não restando comprovado nos autos, atos de administração/gerência/representação, praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos à época dos fatos, torna-se incabível a manutenção do sócio/mandatário no polo passivo como responsáveis solidários PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL. OBJETIVIDADE DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. As decisões administrativas devem buscar o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais. As decisões administrativas devem se pautar pela objetividade de quem autua e por parte de quem julga. Nem sempre a extensão de argumentações e apresentação de doutrinas e acórdãos auxiliam no esclarecimento da lide.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 4.185 1 4.184 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720281/201570 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.211 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria PENA DE PERDIMENTO Recorrente MALHAS WILSON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/11/2010 a 10/09/2013 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. A ocultação do real adquirente das mercadorias importadas enseja a aplicação da pena de perdimento e em caso de não localização das mercadorias aplica se a multa equivalente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 23/11/2010 a 10/09/2013 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO/MANDATÁRIO. NÃO CABIMENTO Não restando comprovado nos autos, atos de administração/gerência/representação, praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos à época dos fatos, tornase incabível a manutenção do sócio/mandatário no polo passivo como responsáveis solidários PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL. OBJETIVIDADE DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. As decisões administrativas devem buscar o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais. As decisões administrativas devem se pautar pela objetividade de quem autua e por parte de quem julga. Nem sempre a extensão de argumentações e apresentação de doutrinas e acórdãos auxiliam no esclarecimento da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para excluir do pólo passivo da autuação as pessoas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 02 81 /2 01 5- 70 Fl. 4187DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.186 2 físicas, por carência probatória, vencidos a relatora (Cons. Mara Cristina Sifuentes), que negava provimento aos recursos voluntários, e o Conselheiro Cássio Schappo, que dava provimento aos recursos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 19/02/2015, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.), no valor de R$ 5.567.604,24, de acordo com o art. 23, inciso V, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976. A fiscalização apurou que a importadora das mercadorias, TORENT DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA não é a real adquirente e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, ocultando a empresa MALHAS WILSON LTDA, praticando assim infração à legislação aplicável à matéria com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Foram autuados pelo presente Auto de Infração: · TORENT DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 06.211.677/000155, e o sócio Dario Tomaselli Neto, CPF 005.034.74915; MALHAS WILSON LTDA, CNPJ 83.093.021/000126, e o sócio Mauro José da Silva, CPF 449.194.25953. Foi apresentado impugnação pela empresa Malhas Wilson, em que, em resumo, foi alegado: da inexistência de conduta que se subsuma aos dispositivos legais invocados. ausência de tipicidade. Fl. 4188DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.187 3 - da impossibilidade de transferência da pena de perdimento ao impugnante: princípio da personalidade das penas/ intranscendência da sanção. nulidade ilegitimidade passiva - nulidade indefinição da conduta punida. ofensa ao contraditório - da inexistência de dano ao erário. ausência de justa causa para a penalidade aplicada - a questão do adquirente prédeterminado. da justificativa técnica para essa determinação - detalhe não observado pelo fisco: aquisição por lote decorre de exigência técnica - das questões financeiras vinculadas às importações: o sinal não desqualifica a importação direta do domínio pela importadora sobre as operações de importação - do pedido de diligência fiscal A empresa TORENT DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentou sua impugnação em 31/03/2015, de folhas 871 à 962, em resumo: dos autuados/fiscalizados inexistência de responsabilização solidária e de subsunção fática a norma - da regularidade das operações negociais inexistência de interposição fraudulenta; legislação não veda clientes predefinidos; do total domínio da cadeia de importação; da inexistência de comprovação objetiva ou prova inequívoca da atribuição da penalidade descrita no artigo 33 da lei n° 11.488/2007 A DRJ São Paulo julgou improcedente a impugnação por unanimidade dos votos, acórdão nº 16072.453, de 38/04/2016 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 23/11/2010 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Fl. 4189DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.188 4 O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. A empresa Malhas Wilson obteve acesso eletrônico ao acórdão de impugnação, considerada a ciência em 09/05/2016, solicitando a juntado do Recurso Voluntário em 03/06/2016, em seu nome e em nome de Mauro José da Silva. Encaminhado ao CARF o processo foi sorteado ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, em 26/01/2017, que declinou a competência em favor do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira em razão da conexão ao processo 13971.721848/201444, com data de distribuição mais antiga (17/03/2016), despacho fls. 3975 e sgs. Com o fim do mandato do Conselheiro Eloy Eros o processo foi a mim sorteado, e em 23/11/2017 solicitei ao presidente o encaminhamento do processo a unidade preparadora para suprir deficiência de instrução processual, já que não constava no processo a notificação e ciência de todos os responsáveis, fls. 3979 e sgs. A DRF Blumenau/SC, cumprindo o despacho do CARF, intimou os contribuintes, com envio por via postal, que apresentaram Recursos Voluntários tempestivamente. Consta do Recurso apresentado por Malhas Wilson e Mauro José, em síntese: nulidade da decisão recorrida por não observar o art. 489 do CPC, que não admite fundamentações genéricas, que não enfrentam todos os argumentos, e outros. Além de a decisão recorrida afrontar o princípio da razoabilidade, já que lavrada em 205 páginas; ilegitimidade passiva da recorrente. A empresa importadora tinha pleno domínio das operações de importação,; indefinição sobre a conduta punida, já que o relatório fiscal faz referência às várias figuras contidas no art. 23 do DecretoLei nº 1455/76; Fl. 4190DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.189 5 ausência de prova do dolo que é condição para a cominação da pena de perdimento; a ausência de registro da adquirente no sistema RADAR prova que a adquirente havia decidido não participar de operações de importação; não deve prosperar a tese de adquirente prédefinido. Apresenta provas; ocorreu leitura equivocada do art. 11 da Lei nº 11281/06; não houve financiamento das importações: a importadora realizou as importações com recursos próprios; ausência de base jurídica para a responsabilização da pessoa física; impossibilidade de transferência da pena de perdimento ao impugnante, principio da personalidade das penas, intranscendência da sanção. Consta do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Dário Tomaselli Neto, em síntese: não ocorreu a análise da impugnação apresentada por Dário e pela Torent, mas apenas da impugnação apresentada pela empresa Malhas Wilson; não pode ser efetuada a responsabilização solidária das recorrentes, e não foi identificada a subsunção fática à norma; apresenta quadros com análise detalhada das importações; a legislação não veda clientes predefinidos; havia total domínio da cadeia de importação; não houve comprovação objetiva ou prova inequívoca; a consumação do ilícito da prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros; solicita alternativamente a compensação dos tributos incidentes nos procedimentos de importação; A empresa Torent apresenta recurso voluntário com o mesmo teor do recurso apresentado pelo Sr. Dário, e ambos solicitam que os recursos sejam analisados conjuntamente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Fl. 4191DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.190 6 Os presentes recursos voluntários são tempestivos e preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Inicialmente vale recapitular o enquadramento legal do Auto de Infração, qual seja, o art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02, que trata da conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). A conversão em multa ocorreu por ter sido aplicado os arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° da Lei n° 10.833/03. Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Art. 675. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis separada ou cumulativamente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 96; DecretoLei nº 1.455, de 1976, arts. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59, e 24; Lei no 9.069, de 1995, art. 65, § 3o; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 76): I perdimento do veículo; Fl. 4192DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.191 7 II perdimento da mercadoria; III perdimento de moeda; IV multa; e V sanção administrativa. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1º Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. De acordo com os autos a empresa Torent registrou 28 Declarações de Importação em nome próprio, sendo que a mercadoria se destinava a terceiros, no caso a empresa Malhas Wilson, incidindo no teor do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou Fl. 4193DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.192 8 simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Importante relembrar que as sanções aplicadas no âmbito aduaneiro almejam mais significativamente a garantia do controle aduaneiro, pois a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, conforme artigo 237 da Constituição Federal, de 1988. Por isso uma informação prestada, e declarada pelo contribuinte, em momento oportuno permite que a Secretaria da Receita Federal do Brasil exerça sua competência institucional, e assim garanta a defesa dos interesses fazendários e em um escopo maior a defesa da economia nacional. O comando do inciso I, do art. 80 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, veio agregar possibilidade de atuação à instituição ao dar à RFB a prerrogativa de estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, 1quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. O que se percebe é que a legislação não interfere nas relações comerciais, proibindo uma configuração que é prática no comércio. Ela apenas impõe o disciplinamento da relação comercial quando efetuada por conta e ordem de terceiros. Almejase assim um melhor controle aduaneiro e defesa da economia nacional, afastando a possibilidade do emprego de terceiras pessoas para práticas ilícitas diversas, tais como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e descaminho, dentre outros. Vale lembrar que o objetivo primordial do disciplinamento é estabelecer os devidos controles sobre os verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas, a fim de que sobre eles se exerçam as fiscalizações necessárias para se detectar, entre outros aspectos, a origem lícita dos recursos empregados, o devido recolhimento dos tributos internos incidentes sobre tais operações fiscais, inibindose, dessa forma, que empresas inidôneas venham a competir de forma desleal com aquelas legalmente estabelecidas e observadoras da legislação vigente. As importações “por conta e ordem de terceiros” foram regulamentadas pela IN SRF nº 225, de 18/10/2002: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros 1 O inciso I foi alterado pela Lei nº 12.995/2014 para incluir a empresa exportadora. "I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; Fl. 4194DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.193 9 será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Observese da leitura da IN SRF nº 225/2002 e da IN SRF nº 650/2006, vigentes à época dos fatos, que é condição para atuação da empresa por conta e ordem de terceiros, que ambas estejam habilitadas perante a RFB para a prática de atos de comércio exterior. Também é condição para essa atuação que seja informado no Siscomex, no momento do registro da Declaração de Importação que a operação é efetuada por conta e ordem de terceiros: Ao elaborar a declaração de importação (DI), o importador, pessoa jurídica contratada, deve selecionar, na Aba "Importador" no Campo "Caracterização da Operação", o Tipo "Importação por Conta e Ordem"2 ; A empresa Torent possuía habilitação3 e a empresa Malhas Wilson esteve habilitada, em modalidades diferentes, no período de 17/06/2003 a 19/01/2013. Há de se relembrar que nas Declarações de importação não foi informado tratarse de importações por conta e ordem, nem foi mencionada a existência de um terceiro interessado – um “adquirente” ou “encomendante predeterminado” para as mercadorias importadas. A importação poderia ter sido efetuada por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. Já concluímos que para ser uma importação por conta e ordem de terceiros, não foram cumpridas duas exigências importantes, quais sejam, a habilitação de ambas as empresas, com a apresentação do contrato de prestação de serviços à RFB, e a informação no 2 Informação disponível no site da RFB: idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais 3 Me desobrigo de tecer considerações aqui sobre a habilitação das empresas para práticas de atos de comércio exterior, já que tal informação nada acrescentará aos debates. Fl. 4195DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.194 10 Siscomex de se tratar de uma importação por conta e ordem de terceiros. Ficando constatado o prejuízo ao controle aduaneiro. Para a importação por encomenda também existe disciplinamento para a matéria. A Lei nº 11.281, de 20/02/2006, criou a figura do encomendante predeterminado, submetendo à regulamentação da RFB, e a IN SRF nº 634, de 24/03/2006 trouxe a regulamentação: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). ... § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 20047. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. ... Como ocorreu para a importação por conta e ordem, não houve habilitação do encomendante e também não foi informado no Siscomex tratarse de uma importação por encomenda. E conforme consta no TVF, abaixo da extração efetuada nos sistemas da RFB sobre as importações efetuadas para a Malhas Wilson, por diferentes empresas: As informações contidas no quadro acima foram extraídas dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Tratase de importações realizadas mediante encomenda ou conta e ordem da Wilson através de importadores diferentes da Torent. É de se observar que para as importações acima foram observadas as formalidades estabelecidas na legislação, entre elas a prévia habilitação para operar no comércio exterior nas modalidades acima indicadas e o registro das declarações de importação contendo as informações de que tratase de importações tendo como adquirente a Wilson e como importadoras as empresas que constam no quadro acima. Diferentemente das declarações de importação objetos da presente autuação, onde nenhuma providência ou formalidade foi tomada por nenhum dos Fl. 4196DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.195 11 intervenientes nas operações de comércio exterior. Resta claro, portanto, que a Wilson sabia da necessidade de se observar as formalidades estabelecidas na legislação vigente previamente a qualquer operação por conta e ordem ou por encomenda, formalidades estas que não observou em relação às importações realizadas através da fiscalizada Torent. O que, ante uma análise perfunctória se apresenta como um erro simplório, aparentemente sem oferecer maiores danos, descortinase como uma engendrada trama a subverter completamente os controles sistêmicos, a belprazer e conforme a necessidade das empresas ora autuadas. Voltando ao tipo legal aplicado vemos que fica configurada a ocultação do sujeito passivo, do real comprador da mercadoria pela não informação prestada à RFB, a quem compete a regulamentação e o disciplinamento da matéria: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Não há dúvidas, pela análise efetuada no TVF e analisando os documentos juntados aos autos, que foi comprovada a ocultação do real adquirente das mercadorias, já que as notas fiscais de entrada e saída, da empresa Torent, que ampararam as mercadorias foram emitidas logo após o desembaraço aduaneiro fato que demonstra que as mercadorias haviam sido negociadas anteriormente à importação, sempre ocorrendo a destinação para o real adquirente da totalidade das mercadorias constantes na DI. Também houve adiantamento de recursos por parte da Malhas Wilson para quase todas as importações, no TVF consta tabela demonstrativa com extratos de conta corrente de ambas as empresas. E o TVF conclui pela inidoneidade das faturas apresentadas, por não fazerem menção ao real adquirente, não refletindo a verdadeira transação comercial: Toda a documentação amealhada demonstra de forma cristalina que as faturas apresentadas nos despachos são inidôneas, pois ao deixarem de fazer menção ao verdadeiro adquirente, não se prestam a refletir a realidade das operações comerciais realizadas. Cumpre observar que o art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, uma das bases legais da autuação considera como “dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.” (g.n.). Desta forma e não restando nenhuma duvida acerca da ocorrência das infrações acima indicadas no caso em referência, resta também configurado o dano ao Erário. Fl. 4197DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.196 12 Parte do tipo legal esta confirmada, resta saber se o restante do tipo legal ocorre, ou seja, a ocultação ter sido efetuada mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Encontramos a definição de fraude no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Para a definição de simulação, buscamos o esclarecimento de juristas como Orlando Gomes4 para quem há simulação quando “em um negócio jurídico se verifica intencionalmente divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar a terceiros”. Ou Clóvis Bevilaqua para quem a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Já a interposição fraudulenta de terceiros, é segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda uma simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado no ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar. Revendo toda a documentação acostada ao processo podemos concluir que o caso concreto enquadrase perfeitamente nesses conceitos, restando comprovado que a empresa Malhas Wilson foi a real adquirente das mercadorias importadas, e que a importação foi declarada como importação própria da empresa Torent, quando na verdade já tinha destino certo, inclusive com recebimento de parte do pagamento antes da chegada da mercadoria. Toda essa negociação configura clara a simulação sendo que restou ludibriado o controle aduaneiro. Quanto a alegação das recorrentes que a empresa Torent possuía recursos financeiros para arcar com a operação e que a antecipação de pagamento por parte da Malhas Wilson era parte das tratativas negociais, essas afirmativas restaram desnecessárias ao deslinde da questão, pois mais importante é garantir o controle aduaneiro e os requisitos não foram cumpridos pelas recorrentes, a habilitação de ambas empresas, com a apresentação do contrato de prestação de serviços à RFB, e a informação no Siscomex de se tratar de uma importação por conta e ordem de terceiros. A alegação das recorrentes que toda a autuação foi baseada em presunções, também não merece guarita. A ocultação do sujeito passivo ficou demonstrada a partir do momento em que ele não foi identificado na importação. A fraude, simulação ou interposição fraudulenta também se mostra quando um terceira empresa (Torent) se coloca entre o fisco e o real adquirente, escondendo quem de fato estava adquirindo a mercadoria, inclusive confessado pelas autuadas, que os recursos transferidos à importadora Torent provieram da empresa Malhas Wilson. A respeito da sujeição passiva temos que relembrar os comandos dos arts. 124, 128 e 135 do CTN: 4 Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 374 Fl. 4198DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.197 13 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. E o DecretoLei nº 37/1966 define em seu art. 95 os responsáveis pelas infrações, não fazendo distinção à responsabilização solidária, se a operação é por conta e ordem ou por encomenda: Art 95. Respondem pela infração: I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 78 da Medida Provisória nº 2.158/2001). VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 12 da Lei nº 11.281/2006). Logo tanto o importador quanto o real adquirente das mercadorias são responsáveis solidários pelos tributos e pelas multas aplicadas, e também os sócios Srs. Dario Tomaselli e Mauro José da Silva, pela simples leitura e aplicação dos dispositivos citados. Fl. 4199DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.198 14 Quanto a possibilidade de ressarcimento dos valores recolhidos a título de tributos no caso de manutenção da multa, não há razão para se acatar o argumento. A penalidade lançada se refere a multa substitutiva de pena de perdimento em razão da impossibilidade de localização das mercadorias importadas. Essa impossibilidade de localização se deu pelo fato de essas mercadorias terem sido revendidas, ou seja, terem adentrado à economia nacional. Por essa razão, o Decretolei nº 37/1966 assim estabelece em seu art. 1º, in verbis: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira:(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (destaques acrescidos) A mercadoria não foi localizada, por já ter sido revendida, conforme informado nos autos, aplicandose então a conversão do perdimento em multa. Da análise pontual do recurso voluntário. Após a análise efetuada da situação posta nos autos como um todo, parto para as alegações pontuais das recorrentes. As recorrentes iniciam contestando o elevado número de páginas do acórdão recorrido, 205 páginas, e também o escopo do termo de continuação, anexo ao auto de infração, composto de 162 páginas. Pela extensão dos documentos alegam que ficou difícil identificar qual foi a conduta típica, trabalho que foi transferido aos autuados pela leitura do extenso termo fiscal. A decisão recorrida, seguindo a mesma linha, está formatada em 205 páginas, o que foge dos padrões de normalidade. Isso se deve ao fato de o seu relatório, em vez de ultimar o resumo do que mais de importante se apresenta no processo, transcreve as peças. O relatório não apresenta a suma do processo, como exige o inciso I do art. 489 do novo C.P.C. aprovado pela Lei nº 13.105, de 2015. Não é apenas o relatório que destoa das regras processuais. Deveras, grande parte da fundamentação da decisão é composta por lições doutrinárias da autoria do ilustre Relator, que também contribuiu para passar a impressão que o caso contém fatos graves e extensos, o que não condiz com a realidade, como se verá no momento oportuno. Fl. 4200DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.199 15 Além disso, tornou quase impossível saber o que representa a real fundamentação e o que traduz o desfilar de questionáveis lições doutrinárias, que aparentemente foram retirados de algum trabalho publicado pelo ilustre Relator. O ato decisório não pode converterse em repositório de lições doutrinárias descasadas do litígio avaliado. Com isso, a decisão recorrida perdeu sua organicidade, uma vez que se perdeu o norte entre do problema jurídico apresentado pelos autuantes e o contraponto das defesas. Solidarizome com a postura apresentada pelas recorrentes ao contestar a extensão das peças levadas ao contraditório. De fato o que se busca nas decisões administrativas é a objetividade de quem autua e por parte de quem julga. Nem sempre a extensão de argumentações e apresentação de doutrinas e acórdãos auxiliam no esclarecimento da lide, por vezes servem apenas para confundir e gerar oportunidade para contestações, embargos e recursos. Tal procedimento contraria um dos princípios basilares do processo administrativo, qual seja o princípio da economia processual, e segundo Ada Pellegrini Grinover, o denominado princípio da economia processual preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais. Esse é o princípio da simplificação ou princípio econômico. Princípio segundo o qual o processo deve obter o maior resultado com o mínimo de esforço. Essa tem sido a busca da administração pública em seus julgamentos, o maior resultado com o menor esforço, claro que sem descuidar de propiciar ao administrado condições de entender porque esta sendo sancionado e como poderá se defender. A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo federal traz em seu escopo as diretrizes de como deverá se pautar a administração no processo: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; Fl. 4201DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.200 16 VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Entretanto, não acompanho o posicionamento das recorrentes de que não é possível identificar qual a conduta típica imputada. Apesar de sua extensão, as peças impugnadas estão bem organizadas, e divididas por tópicos, onde é possível acompanhar o raciocínio efetuado tanto no TVF quanto no acórdão recorrido. No auto de infração, consta nas páginas iniciais a fundamentação legal da autuação. E, apesar do esforço despendido, as recorrentes demonstraram compreender a autuação fiscal e sua fundamentação, tanto assim que apresentaram recursos igualmente completos e repletos de argumentação. Não há que se falar em indefinição sobre a conduta punida, pois esta claro na fundamentação legal do auto qual foi a conduta sancionada e o TVF traz o seguinte esclarecimento: Destarte, a ilicitude denominada interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior está plenamente dissecada, consoante explanado à exaustão. Vale lembrar que, ao contrário do que poderseia alegar, restou patente a intenção, no caso em tela, elemento implícito na simulação, caracterizada pelo intuito de prejudicar a fiscalização aduaneira na sua função de controle das operações de comércio exterior, utilizando documentos que não refletem a realidade da transação comercial, ocultando o real adquirente das mercadorias. Quanto a ilegitimidade passiva das recorrentes, esse tema já foi discutido acima quando foi discorrido sobre a decorrência de lei da solidariedade, arts. 124, 128 e 135 do Fl. 4202DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.201 17 CTN, e especificamente para o âmbito do comércio exterior temse o DecretoLei nº 37/1966 art. 95. Esta previsto nas normas a imputação de responsabilidade aos sócios das empresas. Não podemos deixar de comentar que não há transferência da pena de perdimento conforme alegam as recorrentes, mas sim responsabilidade solidária decorrente de lei. Ao contrário do sustentado pelas recorrentes não é necessária a prova do dolo. O dano ao erário decorre de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, é o que esta disciplinado no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76. O que se faz necessário é a prova de houve uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do indicado, segundo ensinamento de Clóvis Beviláqua: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Conforme também já esclarecido, o controle do comércio exterior é competência da RFB, que promove seu disciplinamento, com base em autorização legal, editando normas administrativas que propiciam que o controle seja efetivo. Dentro dessas normativas publicadas esta o disciplinamento das operações por conta e ordem de terceiros. As instruções normativas que tratam da matéria são claras ao estipular que tanto na operação por conta e ordem de terceiros quanto nas operações por encomenda é condição sine qua nom que tanto a empresa importadora quanto o real adquirente sejam habilitados para atuação no comércio exterior, conhecida popularmente por habilitação no Radar. As empresas conheciam essa exigência, tanto é assim que realizaram operações em que identificaram que atuavam por meio de importação indireta, e durante certo período buscaram obter a habilitação necessária. O fato de não possuírem habilitação no sistema Radar durante as operações autuadas não milita a favor dos adquirentes, apenas demonstram o descumprimento das normas administrativas. A importadora, por ser responsável por uma carteira de mais de 230 clientes, somente enfatiza a obrigação que tem de conhecer plenamente as normas legais a que esta sujeita, já que sua atuação traz repercussões para tantas empresas. Tanto no caso da importação por encomenda quanto no caso da importação por conta e ordem existem adquirentes predeterminado, esse é o escopo dessa forma de atuação das empresas intervenientes no comércio exterior. A administração aduaneira não está a punir essa forma de trabalho, nem a dizer que toda importação indireta é ilícita. As leis (também a Fl. 4203DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.202 18 Lei nº 11.281/2006) vieram a disciplinar essa forma de atuação, para garantir celeridade e confiança ao comércio exterior. O que se busca, ao identificar que o importador não é o real adquirente é facilitar os procedimentos aduaneiros, separando as atuações lícitas das que correm a margem do controle administrativo. A tese de adquirente prédefinido é indício de que se esta a ocultar o real adquirente quando esse fato não é informado à aduana. Ora se a mercadoria já foi negociada, a importação busca a atender cliente prédeterminado porque não informar esse fato à RFB? Não há ilícito nessa conduta, podese muito bem agir como um prestador de serviços de importação. São atividades lícitas, claro que desde que informada aos órgãos de controle. A respeito do recurso voluntário específico apresentado pelo Sr. Dário e a empresa Torent em que eles alegam que não houve análise da impugnação apresentada pela empresa, mas somente das alegações apresentadas pelo responsável solidário, carece de fundamentação. Não há impedimento legal, nem determinação para que as alegações sejam efetuadas separadamente. Podese juntar as alegações que sejam equivalentes e fazer uma análise única. Há dissenso na jurisprudência administrativa quanto à interpretação que se deva dar ao texto do art. 31 do PAT, segundo o qual a decisão deverá “referirse, expressamente, [...] às razões de defesa suscitadas pelo impugnante”. Para uma primeira corrente, o julgador deve manifestarse sobre todas as questões levantadas, sob pena de considerarse nula a decisão, por cerceamento do direito de defesa 14. A segunda corrente entende que não é necessário rebater, uma a uma, as alegações do interessado, desde que o julgador apresente razões suficientes para fundamentar seu voto 15. Nossa posição é a de que o dispositivo em comento deve ser interpretado considerandose não apenas o art. 5°, LV, da CRFB, que assegura os litigantes o contraditório e a ampla defesa, mas também o inciso LXXVIII do mesmo artigo, que garante a duração razoável do processo, bem como o art. 37, também da CRFB, que impõem observância ao princípio da eficiência. Poderseia argumentar que a duração razoável, sendo um direito do interessado, não serviria como argumento para justificar a falta de manifestação expressa do julgador sobre alguma, ou algumas das alegações. Porém o tempo, como recurso escasso, deve ser distribuído de forma a maximizar os resultados tanto no aspecto quantitativo quanto qualitativo. Em outras palavras, para termos um processo administrativo de duração razoável, sem comprometer a qualidade das decisões, o tempo disponível deve ser gasto, não necessariamente no enfrentamento de todas as questões levantadas na peça impugnatória, mas com a fundamentação adequadamente da decisão. INVALIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. Marco Meirelles Aurelio. http://idg.carf.fazenda.gov.br/publicacoes/monografias/paf1o lugarmarcomeirellesaurelio.pdf Fl. 4204DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.203 19 Por todo o exposto voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, relatora. Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Redator designado. Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundado voto da Conselheira Relatora Mara Cristina Sifuentes, ouso dele discordar. Cabe, em primeiro lugar, a transcrição dos dispositivos referidos pela decisão em apreço respeitantes à sujeição passiva: Código Tributário Nacional Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DecretoLei nº 37/1966 Art 95. Respondem pela infração: I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.204 20 (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 78 da Medida Provisória nº 2.158/2001). VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 12 da Lei nº 11.281/2006). A leitura desinente dos preceptivos normativos em análise aponta para a necessidade imperativa de que se comprove a concorrência ou o benefício com a prática da infração por parte do sócio ou acionista, pois tais fatos não podem ser presumidos pelo simples fato de alguém deter quotas ou ações, ainda que desempenhe a função de administrador, devendo ser provados, o que não ocorreu no caso concreto. Observese que, no caso dos sócios DARIO TOMASELLI e MAURO JOSÉ DA SILVA, a autoridade fiscal coseu o laço solidarístico pelo simples fato de figurarem como sócios, fundamentando no art. 135 do CTN, sem sequer apontar qual em qual tipo do caput os acusados incorreram, o que carece não apenas de amparo legal, mas de qualquer suporte probatório. Para que as conseqüências da conduta realizada em nome da empresa açambarquem o sócio/acionista, administrador ou não, que tenha agido dentro dos limites estabelecidos no estatuto, na lei ou no contrato social, é necessário que se comprove a concorrência ou o benefício com a prática da infração por parte do acusado, pois descabe o salto lógico da presunção, não sendo bastante, de todo modo, a mera reprodução do dispositivo legal, ainda que tal constatação, por si só, não seja suficiente para inibir a atribuição da responsabilidade sob o pálio de diverso fundamento no curso de cobrança realizada no Poder Judiciário, respeitada a coisa julgada administrativa. Uma vez que os atos ilícitos pelos quais DARIO TOMASELLI e MAURO JOSÉ DA SILVA não foram sequer minimamente apontados pela autoridade fiscal, que se despiu da obrigação de reunir os elementos probatórios aptos e apropriados a tal libelo, uma vez que os meros atos gerenciais não são prova eficaz para a finalidade acusatória intentada, devem ser excluídas do pólo passivo as pessoas físicas. Assim, voto por conhecer e dar parcial provimento aos recursos voluntários para excluir do pólo passivo da autuação as pessoas físicas, por carência probatória. Fl. 4206DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201570 Acórdão n.º 3401005.211 S3C4T1 Fl. 4.205 21 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado Fl. 4207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.730730/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
NULIDADE. PRESSUPOSTOS.
Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO
Na ausência do pagamento, o prazo decadencial de cinco anos começa a contar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.
RECEITAS. COMPROVADAS. NÃO DECLARADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de IRPJ/CSLL, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de PIS/Cofins, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias.
CRÉDITOS. APURADOS A MAIOR. REVISÃO POSSÍVEL.
É conseqüência do direito de constituir o crédito tributário, no qüinqüênio legalmente autorizado, àquele de revisar e retificar os equívocos cometidos na apuração originária do contribuinte, inclusive no que toca a créditos da não-cumulatividade registrados a maior.
Numero da decisão: 1402-003.282
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, afastando a alegação de decadência com base nos artigos 150, § 4º, do CTN, vencido o Relator que votou por acatar este pedido.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010, 2011 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Na ausência do pagamento, o prazo decadencial de cinco anos começa a contar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. RECEITAS. COMPROVADAS. NÃO DECLARADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de IRPJ/CSLL, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de PIS/Cofins, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias. CRÉDITOS. APURADOS A MAIOR. REVISÃO POSSÍVEL. É conseqüência do direito de constituir o crédito tributário, no qüinqüênio legalmente autorizado, àquele de revisar e retificar os equívocos cometidos na apuração originária do contribuinte, inclusive no que toca a créditos da não-cumulatividade registrados a maior.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-24T16:30:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-24T16:30:30Z; Last-Modified: 2018-09-24T16:30:30Z; dcterms:modified: 2018-09-24T16:30:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6520f966-6427-4e7f-9139-074603bb8d12; Last-Save-Date: 2018-09-24T16:30:30Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-24T16:30:30Z; meta:save-date: 2018-09-24T16:30:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-24T16:30:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-24T16:30:30Z; created: 2018-09-24T16:30:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2018-09-24T16:30:30Z; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-24T16:30:30Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.345 1 2.344 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.730730/201550 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.282 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IRPJ Recorrente COMERCIAL RABELO SOM & IMAGEM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Na ausência do pagamento, o prazo decadencial de cinco anos começa a contar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. RECEITAS. COMPROVADAS. NÃO DECLARADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de IRPJ/CSLL, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de PIS/Cofins, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias. CRÉDITOS. APURADOS A MAIOR. REVISÃO POSSÍVEL. É conseqüência do direito de constituir o crédito tributário, no qüinqüênio legalmente autorizado, àquele de revisar e retificar os equívocos cometidos na apuração originária do contribuinte, inclusive no que toca a créditos da nãocumulatividade registrados a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 07 30 /2 01 5- 50 Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.346 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, afastando a alegação de decadência com base nos artigos 150, § 4º, do CTN, vencido o Relator que votou por acatar este pedido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a defesa da Recorrente. Resumo dos fatos: Foram lavrados Autos de Infração exigindo IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2010, bem como Autos de Infração de PIS/CONFINS relativos aos mesmo ano calendário de 2010, bem como dos meses de janeiro, fevereiro e julho do anocalendário de 2011. Segundo relatado no Termo de Verificação Fiscal, após ter sido intimada a Recorrente apresentou sua escrituração fiscal digital EFD, por meio do SPEDEFD, constando apenas movimentação de alguns dos estabelecimentos filiais do grupo. Ao cotejar a EFD com a DIPJ do anocalendário de 2010 a fiscalização constatou divergência no tocante ao total das revendas de mercadorias. Em um levantamento preliminar, detectou que nos documentos de venda totalizavam o montante de R$ Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.347 3 444.935.380,81, enquanto o valor indicado na Ficha 06A, da Linha 04 da DIPJ foi informado o valor de R$ 396.910.725,20. Em seguida, intima varias vezes pela fiscalização a Recorrente não apresentou os esclarecimentos solicitados, limitandose a informar que estava realizando trabalho de batimento das planilhas RESUMO DAS VENDAS 2010 liberadas por esta fiscalização com livros fiscais conforme cada CFOP de Receitas e com a contabilidade consolidada, visto que são vários estabelecimentos e foi o primeiro ano da implantação do SPED, entretanto nada foi entregue ao Auditor Fiscal. Posteriormente, em uma analise mais detalhada feita pela fiscalização, na intenção de identificar os dados de cada nota fiscal com a divergência, foi feito o cruzamento das informações da EFD e das NFe, onde foi constatado que o valor total das revendas de mercadorias eram superiores ao inicialmente apurado, sendo que foi encontrado o valor de R$ 472.951.071,64 a título de revenda de mercadorias. Apos a constatação do novo valor pela fiscalização, a Recorrente foi Intimada a prestar esclarecimentos e em resposta alegou que a diferença encontrada foi decorrente de erros no sistema EFD. Eis que nos valores dos cupons fiscais informados na EFD não estavam computados os valores relativos a cancelamentos e que muitos documentos fiscais informados, estavam com o código de modelo errado, modelo 01, quando na verdade tratavamse de documentos modelo NFe, o que induziu a contagem dobrada pelo Auditor Fiscal que acabou por considerar como documentos fiscais diferentes na junção das duas bases, o SPEDNFe e SPEDEFD. A fiscalização constatou a existência das inconsistÊncia apontadas pelo Recorrente e procedeu os ajustes necessários, excluindo todas as duplicidades, bem como considerando os valores de cancelamentos relativos aos cupons fiscais e emitiu planilha com a relação retificada das notas fiscais e dos cupons fiscais de revenda de mercadorias que totalizou R$ 452.380.957,30, valor ainda distante do informado na DIPJ da contribuinte. Após esta nova constatação, a fiscalização intimou a Recorrente que quedou se inerte. Em relação ao PIS/COFINS nãocumulativos do mês de janeiro de 2010, a fiscalização constatou que a Recorrente tinha se utilizado de créditos de períodos anteriores, em valores superiores aos saldos efetivamente escriturados, onde segundo sua EFD, os saldos de créditos de PIS (conta 11216013) e de COFINS (conta 11216014) em 01/01/2010 totalizaram R$ 477.276,50 e R$ 2.198.364,42 respectivamente, enquanto que na DACON inicialmente apresentada (item 01 da fichas 14 e 24) foram informados os valores de R$ 726.739,15 e R$ 3.346.774,49 respectivamente. Vejamos nas palavras do Termo de Verificação. Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.348 4 Assim, segundo a fiscalização restou constatada em relação a infração de receitas não escrituradas e não declaradas, que a Recorrente deixou de computar na apuração do lucro do período parte de suas receitas de revendas de mercadorias, conforme demonstrativo a seguir, resultando em apuração a menor do lucro e, conseqüentemente, dos tributos do IRPJ e da CSLL. Em decorrência do não oferecimento à tributação de parte das receitas de revenda de mercadorias, a fiscalização evidenciou a apuração a menor das contribuições relativas ao PIS/COFINS nãocumulativos e emitiu planilhas DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS (docs. anexos ao Termo de Verificação) constatando mês a mês o montante das receitas de vendas efetivamente apuradas, além da retificação dos saldos de créditos de PIS e de COFINS nãocumulativos de períodos anteriores que a autuada utilizou de valores a maior, apurados nas DACONS, tendo resultado em valores de contribuições a recolher nos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro outubro e dezembro de 2010, bem como nos meses de janeiro, fevereiro e julho de 2011. De resto, para evitar repetições utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.349 5 Relatório: Tratase de constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, às contribuições CSLL, Cofins e PIS/Pasep, consolidado no valor de R$56.339.283,75, já incluídos juros e multa proporcional (75%), referente a fatos geradores do ano calendário de 2010/2011, conforme fls. 02/25. No Relatório Fiscal (fls. 26/42), o Auditor da Receita Federal informou, em resumo, que: 1. A fiscalizada exerce como atividade principal o comércio varejista de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, com atuação no Estado do Ceará; 2. De acordo com os dados do Cadastro CNPJ, a empresa possui 20 estabelecimentos ativos, porém, de acordo com os dados da SEFAZCE, somente a matriz, CNPJ 69.373777/000106 e a filial de CNPJ 69.373.777/001684 estão ativas; 3. Duas outras empresas possuem nome fantasia semelhante ao da autuada: Dricos Eletrodomésticos LTDA,CNPJ 04.980.258/000152, com 75 estabelecimentos e Nome de Fantasia Rabelo Som e Imagem, Domic. Fiscal NatalRN, tendo como sócios Adriano Rabelo (cap. social 90%), CPF 251.225.47807 e Maria do Socorro Rabelo (cap. social 10%), CPF 044.960.70898; 4. JBR Móveis e Eletrodomésticos LTDA, CNPJ: 05.004.115/000178, com 60 estabelecimentos, nome de Fantasia Rabelo Som e Imagem, Domic. Fiscal PetrolinaPE, sócios Adriano Rabelo (cap. social 83,33%) e Dricos Móveis e Eletrodomésticos (cap. social 16,67%); 5. No cotejamento dos dados da Escrituração Fiscal Digital EFD com as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), foi constatada divergência no tocante ao total das revendas de mercadorias. Em um levantamento preliminar, foi detectado que os documentos fiscais de vendas totalizaram o montante de R$ 444.935.280,81, enquanto que o valor informado na DIPJ (Ficha 06A, Linha 04), foi de R$ 396.910.725,20; 6. Posteriormente, em uma análise mais detalhada, constatamos que o valor total da revendas de mercadorias eram superiores aos inicialmente apurados, somando R$ 472.951.071,64, a titulo de revendas de mercadorias; 7. A fiscalização constatou a existência de inconsistências apontadas pelo sujeito passivo, e procedeu os ajustes necessários, excluindo todas as duplicidades, bem como considerando os valores de cancelamentos relativos aos cupons fiscais, ao final, foi emitida a planilha com a relação retificada das notas fiscais e dos cupons fiscais da revenda de mercadorias que totalizou R$ 452.380.957,30, valor ainda distante do informado na DIPJ; Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.350 6 8. Com relação as contribuições PIS/Cofins, foi constatado ainda que, quando da apuração dos valores de PIS e COFINS NãoCumulativos do mês janeiro de 2010, a fiscalizada utilizou se de Créditos de períodos anteriores, em valores superiores aos saldos efetivamente escriturados. Cientificada dos Autos de Infração (fl. 2266), em 17/12/15, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 2271 e ss) em 18/01/16, alegando, em resumo, que: 1. tendo a Impugnante tomado ciência dos autos de infração em 17/12/2015, os lançamentos de ofícios, relativos às contribuições para o PIS e Cofins, cujos fatos geradores ocorreram em datas anteriores à 17/12/2010 não devem prosperar, haja vista a ocorrência da homologação tácita da apuração pela Impugnante, conforme preconiza o § 4°. do art. 150; 2. Da mesma forma, decaiu o direito de o Fisco rever os valores dos créditos de PIS e Cofins nãocumulativos (saldo credor) utilizados pela Impugnante nos cálculos dessas contribuições, relativos ao mês de janeiro de 2010; 3. nos lançamentos realizados, o d. AFRFB simplesmente adicionou o valor da diferença (EFD X DIPJ) ao lucro real apurado pela Impugnante para a determinação do IRPJ e CSLL, bem como às receitas informadas pela Impugnante nas Dacons para cálculos do PIS e Cofins, sem qualquer tipo de individualização e identificação dos valores ditos não declarados; 4. A simples diferença entre duas informações sobre receitas geradas pelo contribuinte, por si só, não pode suportar o crédito tributário pretendido; 5. Uma diferença entre informações pode, em muito, ser interpretada como indício, que pode levar à presunção de omissão de receita, mas jamais fato gerador para lançamento de tributos. Indispensável que o Auditor aprofunde seus exames na busca da verdade material, o que não foi feito. 6. O AFRFB apresentou uma diferença identificada entre duas informações contidas em obrigações acessórias do contribuinte. Nada mais! Não trouxe um único elemento de prova da dita receita omitida. Portanto, totalmente nulos os lançamentos com base nas ditas receitas não declaradas, já que não há provas da existência de tais receitas. 7. No mérito, o que de fato ocorreu, é que dado o volume de informações a serem revisadas, associado aos trabalhos do dia a dia da empresa, a Impugnante não teve tempo suficiente para cotejar as milhares de informações contidas na Escrituração Fiscal Digital, com os dados dos registros contábeis; 8. A fiscalização ao lavrar os autos de infração ora impugnados, ao determinar os valores dos tributos devidos, não levou em consideração os valores confessados/pagos pela Impugnante, Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.351 7 simplesmente refez os cálculos dos referidos tributos e cobrou a totalidade dos valores encontrados. A Impugnante requer (1) que seja declarada a nulidade dos autos de infração em epígrafe; (2) que seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco lançar o PIS e Cofins para o período entre 31/05/2010 e 31/10/2010, bem como as glosas, de créditos dessas contribuições ocorridas anteriormente a 31/12/2009, informadas na Dacon do mês de janeiro de 2010; (3) que sejam retificados os valores informados como tributos devidos, pela não dedução dos tributos confessados/pagos pela Impugnante. Ao julgar a impugnação da Recorrente, a DRJ decidiu negar provimento, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Nulidade. Pressupostos. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Decadência. Lançamento de Ofício. Prazo. Na hipótese em que não há pagamento, o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de ofício tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento poderia ter sido realizado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Receitas. Comprovadas. Não Declaradas. Lançamento de Ofício. Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de IRPJ/CSLL, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Receitas. Comprovadas. Não Declaradas. Lançamento de Ofício. Cabível o lançamento de ofício para constituir créditos de PIS/Cofins, quando comprovado que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação parte da receitas da revenda de mercadorias. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.352 8 Créditos. Apurados a Maior. Revisão Possível. É conseqüência do direito de constituir o crédito tributário, no qüinqüênio legalmente autorizado, àquele de revisar e retificar os equívocos cometidos na apuração originária do contribuinte, inclusive no que toca a créditos da nãocumulatividade registrados a maior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar: Em preliminar, a Recorrente alega ter ocorrido nulidade dos autos de infração. Alega que o Auditor Fiscal simplesmente adicionou o valor da diferença entre o EFD e a DIPJ ao lucro real apurado pela autuada para a determinação do IRPJ e CSLL, bem como às receitas informadas nas DACONs para cálculos do PIS e Cofins, sem qualquer tipo de individualização e identificação dos valores ditos não declarados, sendo indispensável que se aprofunde o conteúdo probatório em respeito a busca da verdade material. Tal alegação da Recorrente não procede, eis que conforme pode se verificar do Termo de Verificação Fiscal TVF, a fiscalização utilizou os únicos documentos fiscais que conseguiu obter e fez o cotejo por meio do cruzamento deles, onde encontrou diferenças cujas quais a Recorrente não conseguiu apresentar esclarecimentos, mesmo após ter sido diversas vezes intimada para tanto. Outro ponto importante é que os Demonstrativos anexos ao TVF demonstram que foi feito a apuração de forma individualizada e mensal tanto do IRPJ/CSLL, como do PIS e da COFINS, agindo a fiscalização de forma correta e dentro do que a legislação determina. Também não procede a tese da Recorrente, pois a diferença detectada, na ausência de elementos que a justifique, torna plausível o lançamento. Na verdade, a diferença Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.353 9 constatada na auditoria aponta para declaração inexata (a menor), sem qualquer justificativa da contribuinte. Caberia ao contribuinte/Recorrente ao menos justificar com as provas pertinentes a declaração inexata constatada em sua própria escrituração contábilfiscal, não podendo transferir para a fiscalização tal ônus a pretexto de invocação do princípio da verdade material. De qualquer modo, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova ou documento para elidir a acusação, apenas se restringindo a alegar nulidade e falha tanto no trabalho fiscal, como no próprio Auto de Infração. Observese que a fiscalização proporcionou à Recorrente na fase de auditoria varias oportunidades para esclarecer a citada diferença, acolhendo inclusive as justificativas fornecidas que implicaram em reduzir o seu valor inicial encontrado (vide fls. 29 e seguintes do Relatório Fiscal) Desta forma entendo que não existe nos autos as nulidades alegadas pela Recorrente. Ademais, pode se verificar que o auto de infração contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o simples cotejamento dos autos de infração lavrados com cada requisito enumerado pelo dispositivo acima indicado não permite duvidar de obediência plena às determinações legais, inclusive no que se refere à descrição dos fatos. Da mesma forma, não se verifica ofensa ao art. 5º, LV, CF/88, pois houve ciência do auto de infração e oportunidade para o contraditório e a ampla defesa, bem como não se detecta violação aos art. 3º e 142 do CTN, pois, há indiscutível base legal nos Autos de Infração para o lançamento de ofício e para exigência de multa. Para concluir, os Autos de Infração foram lavrados por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), e não resta alternativa senão rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. Desta forma, voto para afastar as preliminares de nulidade do trabalho fiscal e dos Autos de Infração. Decadência do ano de 2010 relativo ao PIS/COFINS: A fiscalização constatou a utilização a maior dos créditos de períodos anteriores, em valores superiores aos saldos efetivamente escriturados, onde segundo a EFD, os saldos de créditos de PIS (conta 11216013) e de COFINS (conta 11216014) em 01/01/2010 totalizaram R$ 477.276,50 e R$ 2.198.364,42 respectivamente, enquanto que na DACON inicialmente apresentada (item 01 da fichas 14 e 24) foram informados os valores de R$ 726.739,15 e R$ 3.346.774,49 respectivamente. Em seguida, a fiscalização fez o ajuste dos créditos dos períodos anteriores utilizados a maior para compensação do PIS/COFINS incidentes no ano de 2010, tendo resultado em valores de contribuições a recolher nos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e dezembro de 2010, bem como nos meses de janeiro, fevereiro e julho de 2011. Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.354 10 Assim, em que pese o muito bem fundamentado voto vencedor do D. Relator do v. acórdão recorrido, no sentido de que não ocorreu pagamento das contribuições no ano de 2010 e que por isso se aplicaria a contagem decadencial nos termos do artigo 173, inciso I do CTN, entendo que tal decisão deve ser reformada. Vejamos. Apesar de a diferença do crédito do período anterior ter sido utilizado pela Recorrente em montante a maior do que o efetivamente comprovado pelo cruzamento da EFD e da DACON, parte dos créditos que sobraram após o ajuste feito pela fiscalização, são legítimos e foram corretamente utilizados para compensar o PIS/COFINS incidentes no ano de 2010, restando comprovado o pagamento parcial (por meio de compensação de créditos) das referidas contribuições para o ano de 2010, sendo que restou a ser recolhido de forma parcial apenas alguns meses do respectivo ano. (Tal entendimento pode ser verificado nos Demonstrativos anexos ao Termo de Verificação Fiscal). Assim, em respeito ao princípio da nãocumulatividade entendo que a compensação do credito feita após o ajuste da fiscalização para quitar o PIS/COFINS incidente no ano de 2010, acarretou em pagamento parcial de tais contribuições, o que desloca a contagem da decadência para o artigo 150, parágrafo quarto do CTN. Desta forma, acolho a alegação de que ocorreu a decadência do PIS e da COFINS relativos aos meses anteriores ao dia 17/12/2010 nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. Em relação a alegação de que os créditos nãocumulativos dos anos anteriores utilizados no mês de janeiro de 2010 para compensar o PIS/COFINS terem decaído, entendo que perdeu seu objeto, eis que os meses seguintes que apresentaram diferença de recolhimento decaíram nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN, bem como que não é possível produzir nova apuração de créditos constituídos em períodos anteriores, a mais de cinco anos. Mérito: Em relação ao mérito, não resta dúvida de que a infração restou devidamente comprovada, bem como que a Recorrente não trouxe nenhuma prova aos autos para afastar a acusação de omissão de receita não declarada e escriturada, relativa a revenda de mercadorias. As provas dos autos nos levam a conclusão de que a infração de fato ocorreu. Ademais, a divergência encontrada entre o histórico constante no cadastro do CNPJ e os dados obtidos junto a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará SEFAZCE onde no CNPJ constam 20 empresas ativas e junto a SEFAZCE somente a matriz com numero CNPJ 69.373.777/000106 e a filia com CNPJ 69.373.777/001684 estão ativas, dificultam a organização, a guarda da documentação e apuração dos impostos e contribuições tanto por parte da contribuinte, como pela fiscalização. Em relação a alegação da Recorrente de que a Fiscalização não levou em consideração os valores confessados/pagos pela contribuinte, também entendo que não merece prosperar, pois as planilhas de fls. 35 e seguintes, anexadas ao Termo de Verificação Fiscal, comprovam a improcedência da alegação. Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.355 11 O v. acórdão recorrido cita um excelente exemplo para comprovar que os valores pagos foram observados pela fiscalização. Observese, por exemplo, na planilha de fl. 40, que do valor apurado de PIS foram descontados créditos da não cumulatividade e foram deduzidos os valores declarados. Houve, nesse caso, dedução de valores declarados (confessados e/ou pagos) para os meses de julho/11 (R$13.882,54), setembro/11 (R$10.447,97) e outubro/11 (R$30.410,41). E, da mesma forma, para os outros demonstrativos. Por outro lado, a impugnante não apontou concretamente qualquer valor confessado e/ou pago que deixou de ser considerado nos cálculos da Fiscalização para que pudesse ser corrigido em sede de recurso. Em relação ao IRPJ/CSLL, o lançamento correspondeu apenas à diferença apurada entre (1) R$ 452.228.849,11 valor total das revendas de mercadorias e produtos obtido diretamente da soma das notas fiscais e cupons fiscais, excluindose os cupons cancelados; e (2) R$ 396.910.725,20 valor das revendas de mercadorias e produtos informado na DIPJ (ficha 06A, linha 04), resultando no montante de R$ 55.318.123,93 que se tomou como base de cálculo dos tributos, não sendo o caso, por esta razão, de cogitarse de qualquer valor pago e/ou confessado em relação aos valores apurados de IRPJ/CSLL sobre tal diferença. A fiscalização fez apuração individualizada, utilizando para cruzamento o valor das revendas de mercadorias e produtos obtidos da soma das notas e cupons fiscais, excluindo os cupons cancelados, com o valor informado na Ficha 06, linha 04 da DIPJ, encontrando a diferença no valor de R$ 55.318.123,93 que não foi esclarecida pela Recorrente nem por argumentos e nem por meio de documentos comprobatórios. Assim, pode se extrair dos autos, que a infração não foi baseada em meros indícios como alega a Recorrente, mas está lastreada com conteúdo probatório robusto a ponto de não deixar dúvida de que a irregularidade tributária realmente ocorreu. Caberia a Recorrente apresentar nos autos argumentos e provas para afastar a acusação, entretanto não se desincumbiu de tal obrigação, motivo pelo qual não resta alternativa senão manter os Autos de Infração em relação a parte que não decaiu. Desta forma, voto para conhecer do Recurso Voluntário e dar parcial provimento para acolher a alegação de decadência do PIS/COFINS do período de janeiro até 14/12/2010. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.356 12 Voto Vencedor Conselheiro Marco Rogério Borges Redator Designado O i. relator, no seu brilhante e detalhado voto, como é de costume nesta turma, entendeu que ocorreu a decadência dos valores lançados de PIS e Cofins referentes ao anocalendário de 2010, sendo a única parte que deu provimento do recurso voluntário da recorrente. Contudo, no entender do colegiado, por maioria dos seus integrantes, ousamos discordar do i. relator, entendendo que não ocorreu a alegada decadência, pois aplica se ao caso o art. 173, I do CTN. Para se aplicar o art. 150, §4º, haveria a necessidade de ter ocorrido pagamento, mesmo que parcial, dos tributos a serem constituídos. A alegação da recorrente, da qual perfilou o nobre relator, de que os créditos compensados seria um pagamento parcial não restou acompanhada pelo demais integrantes do colegiado. Os créditos do sistema da nãocumulatividade são inerentes à própria apuração do tributos PIS e Cofins, efetuados intracontábil, não tendo nenhuma associação, e muito menos se confundindo com a antecipação do pagamento, como preceitua o art. 150, caput e §4º do CTN, conforme citado abaixo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorrendo a cientificação dos autos de infração em 17/12/2015, e não tendo sido verificado nenhum pagamento referente ao período autuado, no caso, anocalendário de 2010, aplicase ao caso o art. 173, I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 10380.730730/201550 Acórdão n.º 1402003.282 S1C4T2 Fl. 2.357 13 Ou seja, não se tendo ocorrido nenhum recolhimento de PIS e Cofins referente ao anocalendário de 2010, a contagem do prazo decadencial é operado pelo art. 173, I do CTN. Tal posicionamento já está cristalizado pela jurisprudência, tanto judicial quanto administrativo. Citese como paradigma basilar, o RE nº 182.241, do STJ, publicado em 21/03/2005, do qual a maciça jurisprudência do CARF tem se baseado ao longos dos anos. Destarte, não há que se falar em decadência, conforme já decidido pela maioria do colegiado nos debates que se sucederam à apresentação do voto do eminente relator. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 2357DF CARF MF
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Numero do processo: 13117.720180/2012-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011, 2012
ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE QUESTÃO
FUNDAMENTAL SUSCITADA PELO IMPUGNANTE. CERCEAMENTO
DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1002-000.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para que seja prolatada nova decisão suprindo a omissão apontada, vencidos os conselheiros Leonam de Rocha Medeiros (relator) e Breno do Carmo Moreira Vieira, que lhe deram provimento parcial, para anular parcialmente a decisão de primeira instância. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: Leonam Rocha de Medeiros
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Cerceamento de defesa. Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Denúncia Espontânea. Recorrente D. P. DE AQUINO COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE QUESTÃO FUNDAMENTAL SUSCITADA PELO IMPUGNANTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para que seja prolatada nova decisão suprindo a omissão apontada, vencidos os conselheiros Leonam de Rocha Medeiros (relator) e Breno do Carmo Moreira Vieira, que lhe deram provimento parcial, para anular parcialmente a decisão de primeira instância. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ailton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 7. 72 01 80 /2 01 2- 26 Fl. 56DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 32/33) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 36/39), proferida em sessão de 30/10/2012, consubstanciada no Acórdão n.º 0349.550, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de Dezembro do AnoCalendário 2011 e de Janeiro do AnoCalendário 2012 (efls. 6 e 8), deixando de acolher a impugnação (efls. 2/3) apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. As notificações de lançamento em questão foram lavradas, eletronicamente, em 10/05/2012, na DRF – Palmas, homologado por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa (...). Enquadramento legal: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: Dezembro – 2011, Multa R$500,00 Janeiro – 2012, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, tendo alegado inatividade durante todo o anocalendário, bem como alegou ter realizado a denúncia espontânea antes de qualquer ação fiscal, no entanto não foi acolhida pela DRJ. De toda sorte, observase que a temática da inatividade não foi abordada pela decisão de primeira instância. O Fl. 57DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13117.720180/201226 Acórdão n.º 1002000.148 S1C0T2 Fl. 57 3 recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos da impugnação, inclusive quanto a inatividade. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Vencido Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (aviso de recebimento efl. 31, postagem efls. 46/47 e despacho de encaminhamento efl. 54), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, contandose o prazo com a observação do art. 5.º, parágrafo único, do mesmo diploma legal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. A recorrente suscita a aplicação da denúncia espontânea para afastar a exação e, em paralelo, também argumenta que se manteve inativa, o que, por si só, igualmente afastaria a exação. Pois bem. Quanto a obrigação de apresentar a declaração em comento a tempo e modo, tenho que destacar que a recorrente, de modo objetivo, alega, desde a impugnação, fato impeditivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. É que a contribuinte, efetivamente, suscita questão de fato e de direito relativa a sua inatividade nos períodos da autuação, a qual, se comprovada e devidamente reconhecida pelos órgãos de julgamento integrantes do contencioso administrativo fiscal federal, configura motivo necessário e suficiente para a exclusão da multa pela entrega extemporânea da DCTF, uma vez que o artigo 3.º da IN RFB n.° 974/2009 dispensa as Pessoas jurídicas inativas da apresentação da DCTF. De fato, a contribuinte, desde o protocolo de defesa que instaurou o litígio, diz que se manteve inativa durante todo o anocalendário, conforme "Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa 2012" (efl. 10 ou efl. 34), relativa ao período 01/01/2011 a 31/12/2011, e "Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa 2013" (e fl. 35), relativa ao período 01/01/2012 a 31/12/2012, tendo declarado não ter efetuado qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial durante os referidos períodos, pelo que não estaria sujeito a multa por entrega extemporânea das DCTF's de Dezembro do AnoCalendário 2011 e de Janeiro do AnoCalendário 2012 (e fls. 6 e 8). Fl. 58DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Registrese, por oportuno, que, a despeito da "Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa 2013" (efl. 35), relativa ao período 01/01/2012 a 31/12/2012, ter sido juntada aos autos após a impugnação, não visualizo preclusão, uma vez que a impugnação foi protocolada em 18/06/2012 (efl. 2), enquanto que a dita declaração de inatividade de 2013 foi transmitida somente em 19/02/2013 (efl. 35), isto é, em momento superveniente, logo não poderia constar no processo quando do protocolo da impugnação. De toda sorte, a impugnação já registrava a tese da inatividade, incluindo ambos os períodos 01/01/2011 a 31/12/2011 e 01/01/2012 a 31/12/2012. Portanto, não observo qualquer preclusão, ex vi dos 14, 15, 16, III, § 4.º, b, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Portanto, a questão da inatividade é tema posto para decisão nos autos, desde a origem. No entanto, a DRJ não se pronunciou sobre a referida temática. Sendo assim, não tendo o órgão julgador de primeira instância se pronunciado sobre a questão de fato e de direito relativo a inatividade, entendo que o acórdão da DRJ é parcialmente nulo. Isto porque, o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972, disciplina que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Demais disto, o referido regulamento do processo administrativo fiscal prevê toda uma estrutura recursal com instância e fases próprias que se não respeitadas resulta em flagrante supressão de instância. Deste modo, entendo que é parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar questão de fato e de direito relevante para a decisão do mérito, no caso a temática da "inatividade", a qual foi suscitada tempestivamente na impugnação, que delimitou os contornos da lide ao instaurar a fase litigiosa do procedimento. De qualquer sorte, é bom pontuar que a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo não apreciado, isto é, a fim de que decida sobre o tema da inatividade frente as provas colacionadas nos autos e a disciplina legal que trata de tal matéria. Isto porque, é dever do órgão julgador enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada no julgamento, sob pena de cerceamento de defesa, na forma do art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Demais disto, como antes afirmado, o órgão colegiado revisor não pode apreciar matéria não decidida pela DRJ, sob pena de supressão de instância. No mais, ressalto que entendo pela nulidade parcial, uma vez que a decisão pode ser dividida em capítulos distintos e estanques, na medida em que, à cada unidade do pedido, atribuise um capítulo correspondente para decisão, especialmente quando as temáticas devem adotar por corolário lógico fundamentação específica, autônoma e independente. Assim, a nulidade deve se referir apenas a parte que contém erro in procedendo, principalmente quando o vício não guarda, e nem interfere, na outra pretensão específica, autônoma e independente. No caso vejo com autonomia a temática da denúncia espontânea e, também, com autonomia o tema da inatividade. Quaisquer delas poderiam afetar, por si só, a conclusão do julgamento. Importa anotar, outrossim, que o pedido único de cancelamento da multa pela entrega extemporânea da DCTF, consubstanciase, na verdade, numa unidade de dois Fl. 59DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13117.720180/201226 Acórdão n.º 1002000.148 S1C0T2 Fl. 58 5 pedidos, posto que pode ser fragmentado em dois capítulos, face ao duplo fundamento, gerador de dupla pretensão, independente e autônoma, apresentado pela defesa, de forma que à cada unidade do pedido podese atribuir capítulo específico na decisão. Uma das unidades do pedido que se extrai dos limites da lide proposta é delimitada pelo cancelamento da multa com fundamento na inatividade e a outra unidade é concernente ao cancelamento da multa com fundamento na denúncia espontânea. Não há uma unidade única de pedido como poderia parecer numa análise superficial, sem verificar os capítulos delimitados na lide que devem capitular a decisão. Aliás, como afirma o Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, o pedido se extrai da "interpretação lógicosistemática da petição inicial, sendo de levarse em conta os requerimentos feitos em seu corpo e não só aqueles constantes em capítulo especial ou sob a rubrica 'dos pedidos' " (REsp n. 233.446RJ). Dito isso, temse, ainda, a circunstância de que o entendimento pela nulidade parcial da decisão de primeira instância já foi admitida, por várias vezes, neste Egrégio Conselho, a teor do Acórdão n.º 1302002.562, da Sessão de 21 de fevereiro de 2018; dos Acórdãos ns.º 1302002.037 e 1302002.038, da Sessão de 14 de fevereiro de 2017; dos Acórdãos ns.º 1302002.041 e 1302002.043, da Sessão de 15 de fevereiro de 2017; do Acórdão n.º 1302001.984, da Sessão de 14 de setembro de 2016; Acórdão n.º 1302001.948, da Sessão de 09 de agosto de 2016; da Resolução n.º 1402000.363, da Sessão de 07 de junho de 2016; do Acórdão n.º 1101001.128, da Sessão de 04 de junho de 2014. Quanto a temática da denúncia espontânea, o acórdão da DRJ, no capítulo em que decidiu a referida pretensão deduzida pela defesa, não é nulo, no entanto, neste presente acórdão do CARF, deixo de analisar o mérito do recurso voluntário quanto a dita matéria. Primeiro, porque, após os debates no Colegiado, o Conselheiro Ailton Neves da Silva apresentou manifestação importante para este aclaramento, no sentido de que não seria pertinente a Turma julgar a denúncia espontânea, haja vista existir tema de nulidade no acórdão da DRJ, a despeito deste Relator divergir quanto a extensão da nulidade. Segundo, porque a ressalva prevista no § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não autoriza que se prossiga na apreciação do mencionado argumento, ainda que eventualmente fosse para acolhêlo e decidir o mérito da exigência em favor do sujeito passivo, na medida em que a Fazenda Nacional teria, em tese, a possibilidade de apresentar recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais e o julgamento deste seria retardado/prejudicado porque não sanado o vício aqui constatado relativo a nulidade parcial no julgamento de primeira instância. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela nulidade parcial do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular parcialmente a decisão de primeira instância, determinando, para os fins do § 2.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo não apreciado no acórdão a quo referente a inatividade suscitada pelo sujeito passivo em sua impugnação nos anoscalendários 2011 e 2012, podendo, inclusive, se entender pertinente, converter inicialmente o julgamento em diligência para solicitar apuração acerca da efetiva inatividade ou não. Fl. 60DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Neste momento, resta prejudicado o julgamento da temática da denúncia espontânea, devendose aguardar a decisão integrativa da DRJ para, se sobrevier novo recurso, ter a lide prosseguimento na forma regulamentar e regimental. Esclareço, por fim, que, sendo proferido o julgamento complementar sobre a temática da inatividade, o sujeito passivo deverá ser cientificado do referido resultado para, se desejar, analisando a integralidade dos acórdãos da primeira instância, apresentar novo recurso voluntário. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Voto Vencedor Conselheiro Aílton Neves da Silva Redator designado. Em que pese a bem elaborada análise e as ponderações do I. Relator, peço vênia para dele divergir. A questão apreciada nos autos diz respeito ao lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao período de 12/2011 e 01/2012. Contra o lançamento em questão são apresentados dois argumentos centrais pelo Recorrente: o da Denúncia espontânea da infração e o da não obrigatoriedade de entrega da DCTF em razão de inatividade da empresa no períodobase da autuação. O argumento da "inatividade", desde que provado ou devidamente reconhecido pelos órgãos de julgamento integrantes do contencioso administrativo fiscal federal, configuraria motivo necessário e suficiente para a exclusão da multa, uma vez que o artigo 3º da IN RFB n° 974/2009 dispensa as pessoas jurídicas inativas da apresentação das DCTF: Art. 3º Estão dispensadas de apresentação da DCTF: I as Microempresas (ME) e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) enquadradas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, relativamente aos períodos abrangidos por esse sistema; II as pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o anocalendário ou durante todo o período compreendido entre a data de início de atividades e 31 de dezembro do ano calendário a que se referirem as DCTF;(grifos nossos) (...) Como destacado nos autos esta matéria "inatividade" não foi enfrentada no acórdão de impugnação exarado pela DRJ (efl. 33), conforme se pode inferir da leitura de sua ementa, vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 61DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13117.720180/201226 Acórdão n.º 1002000.148 S1C0T2 Fl. 59 7 Ano calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional Constato que não foi dedicada uma linha sequer no acórdão de impugnação ao enfrentamento do tema "inatividade", muito embora seja ele essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado da impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme trechos a seguir destacados (efl. 3, 4): (...) b) Acontece, que ditas apresentações foram todas feitas espontaneamente, sem que, para isso, houvesse qualquer notificação, intimação, ou qualquer outra ação fiscal. c) No entanto, para sanar esses deslizes, contando com amparo legal, vem apoiarse na Instrução Normativa da RFB N° 786, de 19 de novembro de 2007, em conformidade com seu Art. 5o, inciso II, que assim se expressa: Art. 5o Estão dispensadas da apresentação da DCTF Inciso II As pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o ano calendário a que se referirem as DCTFs. Para tanto, em anexo, apresenta fotocópia da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa 2012. d) Ainda, a seu favor e com fundamento no Código Tributário Nacional Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 vem amparar se no seu Artigo 138, que assim se manifesta: Art.138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo.devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo depende de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. d) No caso da Requerente, tratase apenas de obrigação acessória que não a obrigaria, necessariamente, ao Fl. 62DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 recolhimento de tributos. Ora, a Requerente apresentou as DCTFs, espontaneamente, antes de qualquer ação fiscal, estando, assim, isenta de qualquer penalidade, inclusive de multa formal. e) Não considerar esses preceitos legais tanto da IN RFB N° 786, acima descrita e do Art. 138 do CNT, será um verdadeiro desrespeito, violação e afronta às determinações do estado de direito. Diante ao exposto, as Notificações de Lançamentos objeto da presente impugnação são nulas de pleno direito, eis que ferem os princípios da inatividade (Art. 5° inciso II, da IN da RFB n° 786) e espontaneidade consagrado no Código Tributário Nacional (art. 138), bem como em farta jurisprudência de nossos Tribunais Superiores. Em seu Recurso Voluntário o Recorrente voltou a questionar a inatividade da empresa no períodobase da autuação, conforme excertos abaixo: (...) c) No entanto, para sanar esses deslizes, contando com amparo legal, vem apoiarse na Instrução Normativa n°. 974 de 27 de novembro de 2009, em conformidade com seu Art. 3o, inciso II, que assim se expressa: Art. 3° Estão dispensadas da apresentação da DCTF: Inciso II As pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o ano calendário ou durante todo o período compreendido entre a data de início de atividades e 31 de Dezembro do ano calendário a que se referirem as DCTFs. d) Outrossim, esclarece que antes não usou desse direito por não ter conhecimento da citada Instrução Normativa que isenta a pessoa jurídica inativa desde o início do ano de apresentar DCTFs e, assim, apresentouas intempestivamente. e) Contudo, por estar desobrigada de apresentar essa declaração, no caso, a DCTF de Janeiro de 2011, que conta com o devido amparo da Instrução Normativa n° 974 e de têla apresentado, no caso, fora do prazo e indevidamente, por não ser necessário, não a sujeita ao pagamento de multa, como a que lhe está sendo, também, indevidamente cobrada. O mesmo se aplica à DCTF de Dezembro de 2011 protegida pela espontaneidade argüida no Art. 138 do respeitável CTN. f) Para tanto, em anexo, apresenta fotocópia da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa, referentes aos exercícios de 2012 e 2013, bem como a DCTF de Dezembro de 2012, que confirma a sua inatividade nesse ano. g) A firma encontrase inativa há alguns anos ao presente mês e, assim, continuará até a sua efetiva baixa; desse modo, estando sem nenhum movimento operacional, não operacional, financeiro ou patrimonial a prestar. Fl. 63DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13117.720180/201226 Acórdão n.º 1002000.148 S1C0T2 Fl. 60 9 h) A inatividade deuse em razão de sua péssima situação financeira, ficando sem condição de arcar com os mínimos gastos. i) Não considerar esses preceitos legais da IN RFB N° 974 da RFB, acima descritos (e/ou de outra que a substitua), no caso, assinada pelo próprio e ilustre SECRETÁRIO DA RECEITA, desrespeitála seria um verdadeiro e inominável absurdo. (...) Assim, é inquestionável o fato de a inatividade argüida pelo Recorrente configurar tema crucial ao deslinde da lide que não foi enfrentado no acórdão de impugnação. Divirjo do relator apenas por entender que a nulidade in casu é total, e não parcial. É que a nulidade parcial do acórdão exarado pela instância a quo só poderia ser declarada com respeito a matéria autônoma, que não fosse considerada determinante ou essencial ao deslinde da lide, o que não é o caso aqui analisado. Isso porque as matérias Denúncia espontânea e inatividade, postas a análise deste colegiado, revelam interdependência, não podendo, por isso, ser tratadas isoladamente. Explico. Se a matéria "inatividade" for julgada a favor do Recorrente em um novo acórdão de impugnação a ser proferido pela instância a quo, a continuidade da discussão na esfera administrativa concernente à matéria "Denúncia espontânea da infração" perderá sentido, eis que ficará carente de pressuposto objetivo básico de admissibilidade recursal, caracterizado pelo surgimento de fato impeditivo ou extintivo do recurso, qual seja: o reconhecimento da inexistência da infração. Assim, a temática da "inatividade" confundese com o próprio mérito da lide processual, não podendo ser desatrelada de seu resultado, eis que eventual reconhecimento da inatividade na nova decisão de primeiro grau faria desaparecer o fundamento de validade do lançamento de multa por atraso na entrega da DCTF questionada, a teor do que dispõe o artigo 3º da IN RFB n° 974/2009. Por consequência, o julgamento da questão de mérito relativa à Denúncia espontânea perderia seu objeto. Fundado nesse argumento da interdependência das matérias, acredito que fere a lógica jurídica processual o entendimento que considera a nulidade parcial do acórdão de impugnação por não ter analisado a temática da inatividade e, ao mesmo tempo, deixa de invalidar a decisão nele contida relativa à Denúncia espontânea. Por todo o exposto, a nulidade integral do acórdão de impugnação é medida que se impõe no caso sub examine, eis que uma nova decisão da instância a quo a respeito da matéria "inatividade" poderá repercutir decisivamente no julgamento da lide na matéria "Denúncia espontânea", mormente na hipótese de uma decisão favorável ao Recorrente, porquanto não poderia haver Denúncia espontânea a respeito de uma DCTF que o Recorrente sequer estivesse obrigado a apresentar. Em razão da constatação de omissão do acórdão recorrido de matéria essencial ao deslinde da lide administrativa, voto no sentido de anulálo integralmente, para Fl. 64DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 que a instância a quo possa pronunciarse sobre o tema "inatividade" e demais matérias, de modo a produzir um novo acórdão, ou resolução, na boa e devida forma, devolvendose o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, se for o caso, de acordo com o Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 65DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0918.16098.UK76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AILTON NEVES DA SILVA em 16/04/2018 16:29:00. Documento autenticado digitalmente por AILTON NEVES DA SILVA em 16/04/2018. Documento assinado digitalmente por: JULIO LIMA SOUZA MARTINS em 01/05/2018, LEONAM ROCHA DE MEDEIROS em 16/04/2018 e AILTON NEVES DA SILVA em 16/04/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/09/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.0918.16098.UK76 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 3C7FE15A18BC5F8897B043C31A4353ECFC1C042354CFAB527903A4C170F516B5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13117.720180/2012-26. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10850.901017/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1302-000.718
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 142DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.901017/200622 Acórdão n.º 130200.718 S1C3T2 Fl. 141 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.901017/200622 Acórdão n.º 130200.718 S1C3T2 Fl. 142 3 Relatório CITER CONSTRUTORA IRMÃS TERRUGGI LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que deferiu, em parte, manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto, São Paulo. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, transmitida em 29 de agosto de 2003, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2001. O Despacho Decisório de fls. 13 indica que o indeferimento se deu em virtude de não se ter constatado apuração de saldo negativo no ano indicado na declaração transmitida pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), por meio da qual sustentou: que teria recolhido mensalmente estimativas de IRPJ no anocalendário de 2001, perfazendo a soma de R$ 18.626,24, conforme guias de recolhimento (DARF) que disse anexar; que ainda que não tivesse informado tais recolhimentos como crédito na DIPJ, não seria possível negarlhe o direito de compensação por tal motivo, sob pena de apropriação indevida do Estado desses valores; que, muito embora não estivesse sob fiscalização, retificou espontaneamente a DIPJ/2002, anocalendário 2001 (fls. 26/27), informando o crédito recolhido por estimativa; que, desse modo, cumpridas as formalidades legais e retificada a DIPJ, não mais existiria óbice para a devida compensação, motivo pelo qual requeria sua homologação. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 1231.992, de 30 de junho de 2010, deferiu parcialmente a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO. ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO DAS ESTIMATIVAS RECOLHIDAS. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. A ocorrência de erro material no preenchimento da DIPJ retificadora, consistente na ausência de informação, no cálculo do imposto sobre o lucro real, das estimativas mensais de IRPJ efetivamente recolhidas, não retira da pessoa jurídica o Fl. 144DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.901017/200622 Acórdão n.º 130200.718 S1C3T2 Fl. 143 4 direito de compensar o saldo negativo (credor) resultante da retificação da declaração. Ciente da Decisão de primeira instância em 27 de julho de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 114, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20 de agosto de 2010, conforme registro de recepção de folha 115, cujo teor transcrevo abaixo. Em face da decisão que homologou em parte a compensação declarada no PER/DCOMP nº 22404.17918.290803.1.3.020804, Exercício 2002, ano base 01/01/2001 a 31/12/2001, IRPJ no valor de R$ 6.258,15. 01. Relata conforme segue. PROCESSO N° 10850.720.012/200862 VINCULADO DO N° 10850.901.017/200622 IRPJ DIPJ 2001 LINHA DISCRIMINAÇÃO VALOR R$ FICHA 12a CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO REAL BASE DE CALCULO DO IRPJ........................................... .126.218,02 01 IMPOSTO DE RENDA SOBRE 0 LUCRO REAL............ 18.932,70* 13 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE................. 6.564,61 16 () IMPOSTO DE RENDA PAGO POR ESTIMATIVA......18.626,24 17 IMPOSTO APAGAR............................................................ (6.258,15) 0101 Informado no PER/DCOMP de N° 22404.17918.290803.1.3.020804, valor do debito R$ 11.568,11, sendo que o mesmo foi lançado erroneamente, e o correto valor do IRPJ exercício 2001 é de R$ 18.932,70, conforme ficha de Cálculo do IRPJ, e o mesmo já considerado liquidado, mediante pagamento de estimativas, e Imposto de renda retido na fonte, e gerando saldo a favor da contribuinte, diante do exposto o valor lançado de RS 11.568,11 não é o correto, portanto solicitando seu cancelamento no PER/DCOMP. 02. Relata conforme segue. PROCESSO N° 10850.720.012/200862 VINCULADO DO N° 10850.901.017/200622 IRPJ DIPJ 2002 FICHA 12a CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO REAL BASE DE CALCULO DO IRPJ............................................ ...21.392,65 01 IMPOSTO DE RENDA SOBRE 0 LUCRO REAL............ ..3.208,90 13 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.................5.580,64 16 () IMPOSTO DE RENDA PAGO POR ESTIMATIVA......20.697,48 17 IMPOSTO APAGAR............................................................(23.069,22) Fl. 145DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.901017/200622 Acórdão n.º 130200.718 S1C3T2 Fl. 144 5 0201 Informado no PER/DCOMP de N° 204.17918.290803.1.3.020804, valor do débito R$ 3.208,90, sendo que o mesmo foi lançado erroneamente, conforme ficha de Calculo do IRPJ, e o mesmo já liquidado, mediante pagamento de estimativas, e Imposto de renda na fonte, e gerando saldo a favor da contribuinte, diante do exposto o valor lançado de R$ 3.208,90 não é devido, portanto solicitando seu cancelamento do PER/DCOMP. 03. Solicita a contribuinte ainda diante do reconhecimento em parte, o direito credit6rio informado no PER/DCOMP nº 22404.17918.290803.1.3.020804, para a quitação do débito do Processo N° 10850901.652/200618 vinculado do 10850 901.017/20622 do debito abaixo descrito RECEITA 2362 PA/EX 04/2003 PERÍODO MENSAL VALOR R$ 1.925,63 VENCIMENTO 30/05/2003 04 Deste modo, cumpridas as formalidades legais a vista do exposto, requer que seja acolhido o presente recurso para que seja reformada a r decisão, ou ainda não sendo esse o entendimento de Vossa Senhorias, que sejam reunido o presente processado aos autos do processo n. 10850720.012/200862, e n° 10850 901.652/2006/18 vinculado do 10850901.017/200622, evitandose decisões divergentes sobre o mesmo objeto, bem como evitandose prejuízo ao contribuinte que tem inequívoco crédito, e por uma simples falha de declaração, poderá ser condenado a pagar novamente tributo que não é devido, o que lhe traria prejuízos e dissabores desnecessários. É o Relatório. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.901017/200622 Acórdão n.º 130200.718 S1C3T2 Fl. 145 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A controvérsia no presente processo gira em torno de pedido de compensação em que o crédito indicado para o encontro de contas foi reconhecido de forma parcial pela autoridade julgadora de primeira instância. No despacho decisório de fls. 13 consta a seguinte informação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 18.626,24 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Por meio de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte esclareceu que, apesar de não ter consignado a informação na Declaração de Informações (DIPJ), promoveu o recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) no período de janeiro a dezembro de 2001, no total de R$ 18.626,24. A Turma Julgadora de primeiro grau acolheu os recolhimentos indicados pela contribuinte e, tomando por base declaração retificadora apresentada, corrigiu erro material de preenchimento, recalculando o saldo negativo apurado na forma abaixo descrita. Imposto de Renda R$ 18.932,70 Imposto na Fonte R$ 6.564,61 Estimativa R$ 18.626,24 SALDO NEGATIVO R$ 6.258,15 Nessa linha, foi reconhecido o direito creditório no montante de R$ 6.258,15, determinandose a homologação das compensações até esse limite. Em sede de recurso voluntário, pelo que foi possível depreender, a contribuinte pretende excluir débitos anteriormente indicados para compensação e, por decorrência, cancelar os PER/DCOMP correspondentes. De acordo com o documento de fls. 30, a contribuinte indicou os seguintes débitos para o encontro de contas: Fl. 147DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.901017/200622 Acórdão n.º 130200.718 S1C3T2 Fl. 146 7 Período de Apuração Natureza Valor (R$) 12/2001 AJUSTE ANUAL 11.568,11 12/2002 AJUSTE ANUAL 3.208,90 04/2003 ESTIMATIVA MENSAL 1.925,63 Na medida em que a decisão de primeira instância recalculou o SALDO NEGATIVO do anocalendário de 2001, a contribuinte, demonstrando que o imposto anual apurado foi extinto por meio de dedução do imposto de renda retido na fonte e das estimativas pagas e afirmando ter havido equívoco na indicação do valor devido ( R$ 11.568,11 em vez de R$ 18.932,70), requer o cancelamento da exigência que, pelo que se infere do documento de fls. 30, está sendo objeto de cobrança por meio do processo administrativo nº 10850.720012/200862. De forma análoga, requer o cancelamento da exigência relativa ao imposto anual do anocalendário de 2002, no montante de R$ 3.208,90, em virtude da sua extinção, também, por meio da dedução do imposto de renda retido na fonte e das estimativas pagas e, da mesma forma, cobradas pelo processo administrativo nº 10850.720012/200862. A contribuinte solicita, ao final, que, a partir do reconhecimento parcial do seu direito creditório, seja quitado o débito de R$ 1.925,63, relativo à estimativa de abril de 2003 e cobrado por meio processo administrativo nº 10850.901652/200618, conforme documento de fls. 30. Solicita, ainda, a reunião ao presente dos processos administrativos nºs 10850.720012/200862 e 10850.901652/200618. Em que pese a plausibilidade dos pedidos formulados pela Recorrente acerca do cancelamento de algumas exigências, creio que encontramse presentes impedimentos de ordem processual que obstam o acolhimento requerido. Com efeito, as alegações relacionadas aos débitos apontados para compensação não foram trazidas na Manifestação de Inconformidade, motivo pelo qual não estão compreendidas na lide instaurada, ex vi do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Diante disso, ainda que se buscasse dar efetividade ao princípio da verdade material, creio que essa instância julgadora não dispõe de meios para, a partir dos elementos colacionados ao presente processo, decretar o cancelamento de exigências que, por não terem sido contestadas, encontramse formalizadas em outros feitos administrativos. Na minha particular opinião, os argumentos expendidos pela contribuinte acerca da improcedência das cobranças feitas por meio dos processos administrativos nºs 10850.720012/200862 e 10850.901652/200618 devem ser apresentados nos referidos feitos, devendo a autoridade responsável pela sua apreciação levar em conta o decidido no presente processo. No que diz respeito ao aproveitamento do crédito reconhecido, tal providência já foi determinada pela decisão exarada em primeira instância. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10850.901017/200622 Acórdão n.º 130200.718 S1C3T2 Fl. 147 8 Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 149DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10166.727999/2014-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e em afastar a preliminar de concomitância do Mandado de Segurança com a matéria devolvida. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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LEGALIDADE. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e em afastar a preliminar de concomitância do Mandado de Segurança com a matéria devolvida. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 79 99 /2 01 4- 11 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 9101003.720 CSRFT1 Fl. 1.357 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte em face do acórdão nº 1402002.448 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, que negou provimento a Recurso Voluntário interposto quanto à incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. Ciência do contribuinte no dia 25/05/2017, à efl. 798. Recurso Especial interposto no dia 19/05/2017, à efl. 799. Nessa oportunidade, alega divergência em relação ao acórdão nº 9202131.351, salientando que os juros de mora só podem incidir sobre o valor do tributo, não alcançando a multa de ofício. Em reforço, argumenta que o Pleno da Câmara Superior rejeitou, em 2014, a proposta da Súmula nº 105, que autorizaria a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em petição à parte, manifesta a existência de concomitância entre a discussão mantida neste processo administrativo e nos autos do mandado de segurança nº 1001730 19.2018.4.01.3400. Ao final, requer seja provido o apelo.. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 19/01/2018, à efl. 1.210. Contrarrazões apresentadas no dia 22/01/2018, à efl. 1.228. Nessa oportunidade, expõe o seguinte: a) a interpretação “literal” do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 justifica a incidência de juros sobre a multa de ofício; b) a interpretação teleológica do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 justifica a incidência de juros sobre a multa de ofício; c) após o lançamento, o tributo é somado à multa de ofício e compõe o crédito tributário sobre o qual incide os juros moratórios; d) o Superior Tribunal de Justiça possui decisões favoráveis à incidência de juros sobre a multa de ofício; e) a dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora o entendimento de que incidem juros de mora sobre a multa de ofício; Por derradeiro, requer que seja negado provimento ao apelo do contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 9101003.720 CSRFT1 Fl. 1.358 3 Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. De início, o exame da alegada concomitância. Com efeito, a Súmula CARF nº 1 tem a seguinte redação: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Como se pode ver, para a incidência da citada Súmula é imprescindível que o objeto do processo administrativo seja idêntico ao objeto do processo judicial. No entanto, no presente processo debatese sobre a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, ao passo que, no processo judicial, a recorrente, então impetrante, pleiteou o suposto direito líquido e certo de não ser cobrada do IRPJ e da CSLL, decorrentes de adição ao lucro líquido do ICMS reduzido, concedido no âmbito de Regime Especial de Apuração (REA) outorgado pelo Distrito Federal. Logo, não há identidade de objetos, o que implica rejeição ao reconhecimento de concomitância. Com exceção da questão relacionada à concomitância, asseverase que, na interposição do Recurso Especial, a recorrente reuniu os requisitos de recorribilidade. Por isso, adotando as razões do Despacho de Admissibilidade, conheço do recurso, no tocante ao pedido de afastamento dos juros sobre a multa de ofício. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à disposição normativa de onde emana a vedação à incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme prevê o parágrafo único do artigo Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 9101003.720 CSRFT1 Fl. 1.359 4 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve ser aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 9101003.720 CSRFT1 Fl. 1.360 5 Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o REsp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 9101003.720 CSRFT1 Fl. 1.361 6 Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 9101003.720 CSRFT1 Fl. 1.362 7 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Alfim, salientase que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 9101003.720 CSRFT1 Fl. 1.363 8 CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, impõese reconhecer a legalidade da incidência dos juros de mora, calculado com base na taxa SELIC, sobre a multa aplicada. CONCLUSÃO: devese conhecer do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1363DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.003950/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - FRAUDE
Imputa-se responsabilidade pessoal a terceiros não participantes do quadro societário da contribuinte quando devidamente comprovada fraude com interpostas pessoas que não eram os gestores/beneficiários de fato.
AUTOARBITRAMENTO DO RESULTADO E APRESENTAÇÃO DE CONSULTA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. INEFICÁCIA.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal, bem com a consulta formulada no curso de ação fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício e, portanto, não tem o condão de modificar a cobrança do crédito tributário a ser executada.
DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN.
De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário
Nacional.
Numero da decisão: 1401-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as alegações de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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AUTOARBITRAMENTO DO RESULTADO E APRESENTAÇÃO DE CONSULTA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. INEFICÁCIA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal, bem com a consulta formulada no curso de ação fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício e, portanto, não tem o condão de modificar a cobrança do crédito tributário a ser executada. DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as alegações de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 39 50 /2 00 8- 71 Fl. 1464DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 233/281, lavrados pela DEFIS/RJO, dos quais o Termo de Constatação Fiscal e de Responsabilidade Pessoal do Sócio de Fato da Sociedade (TCF) faz parte (fls. 209/232), com ciência ao contribuinte em 03/12/2008 (fl. 1195), para exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 870.979,81; do Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 258.098,54; da Contribuição para Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 1.191.224,61; e da Contribuição Social sobre o lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 51.460,83; mais juros moratórios e multa qualificada de 150%. Os fatos descritos no Termo de Constatação Fiscal ensejaram a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Os fatos geradores dos tributos decorrem de operações realizadas pela pessoa jurídica FRIOMINAS 2000 COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 05.000.374/0001 20, porém os autos de infração foram lavrados em nome da pessoa física do sócio em epígrafe, a quem foi atribuída a responsabilidade pelos créditos tributários constituídos, em razão dos fatos descritos no TCF, com fundamento nos artigos 135 e 137 do Código Tributário Nacional CTN. Em suma, a empresa tributara suas receitas auferidas nos anoscalendário de 2002 a 2005 pela sistemática do Simples, e entregou as Declarações correspondentes no modelo apropriado para esse tipo de tributação DSPJ. Em 03/04/2006, solicitou a RFB baixa da inscrição no CNPJ, por extinção. Em 27/07/2007, o Juízo da Primeira Vara Criminal da Capital do Rio de Janeiro expediu, por solicitação do Ministério Público Federal, mandados de busca e apreensão para diversas localidades, a serem executados pela Polícia Federal e por auditores da Receita Federal. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 18471.003950/200871 Acórdão n.º 1401002.751 S1C4T1 Fl. 1.465 3 O principal objetivo das buscas e apreensões era comprovar que a empresa FRIOMINAS seria constituída em nome de interpostas pessoas, e que o verdadeiro responsável pela empresa — dirigente e sócio de fato seria Maurício José Inácio de Lima. Em setembro de 2007 — momento posterior às buscas e apreensões , a pessoa jurídica FRIOMINAS entregou DIPJ de autoarbitramento, considerando como receita conhecida o somatório de todos os depósitos registrados em suas contas correntes bancárias, no período de 2002 a 2005. A diferença entre as receitas declaradas pelo Simples e aquelas informadas nas DIPJ soma aproximadamente R$ 38.000.000,00. Após ter entregado as DIPJ, FRIOMINAS formula consulta à Receita Federal sobre a regularidade do seu procedimento: Na consulta (fls. 1230 a 1232) se informa que, já tendo encerrado suas atividades em 03/04/2006, com a conseqüente baixa de inscrição no CNPJ, verificou que ultrapassara os limites para enquadramento na qualidade de microempresa. Em razão disso, retificara as declarações de rendimentos relativas aos anos de 2002 a 2005, adotando, para o cálculo do Imposto de Renda, a sistemática do autoarbitramento, nos termos do artigo 531 do Decreto n° 3.000, de 1999 — RIR/99, considerando, como receita conhecida, o somatório dos depósitos bancários ocorridos no citado período. Ao final, questiona se procedera corretamente ao fazer o autoarbitramento com base nos depósitos bancários e, em caso negativo, quais seriam os procedimentos a serem adotados. Não tendo a empresa recolhido, nem confessado em DCTF, os tributos informados nas DIPJ de autoarbitramento, a fiscalização lavrou os autos de infração correspondentes. Foi aplicada a multa de 150%, em razão de a autoridade fiscal ter considerado que o Interessado agiu com evidente intuito de fraude, enquadrandose na tipificação a ocorrência de simulação de participação societária, a fim de ocultar do Fisco a verdadeira identidade do titular da empresa autuada (art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96). Por possuírem as mesmas bases de cálculo, os autos de infração foram reunidos em um único processo, porém com fundamentação específica para cada tributo (lançamentos conexos). O Interessado apresenta impugnação ao lançamento (fls. 1200/1228), onde argumenta, em síntese: que, de acordo com os disposto no artigo 48 do Decreto n° 70.235, o procedimento fiscal não poderia ter sido instaurado, uma vez que quando este se iniciou, em 24/03/2008, a pessoa jurídica Friominas estava aguardando a solução de uma consulta formulada à RFB sobre a matéria objeto da autuação. Em razão disso, requer o cancelamento dos autos de infração; que a fiscalização incorreu em equívoco ao considerar como reflexos do IRPJ os autos de infração do PIS, da Cofins e da CSLL, por se tratar de tributação baseada em falta de recolhimento desses tributos. Entende o interessado que cada auto de infração deveria ser objeto de processo específico; Fl. 1466DF CARF MF 4 que o dispositivo legal que dá respaldo à quebra do sigilo bancário LC n° 105/2001, art. 5° é uma total afronta ao artigo 5°, Inciso X, da Constituição, que protege o direito à intimidade e à privacidade; que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois a fiscalização considerar a extinção da empresa como irregular é o mesmo que afirmar que a empresa não foi extinta. Assim, deveriam ter efetuado o lançamento contra a empresa, e não contra o Interessado; que o auto de infração contraria o disposto no artigo 150, parágrafo 4°, da Lei n° 5.172, de 1966, pois o período para constituição de créditos tributários relativos ao período compreendido entre o segundo trimestre de 2002 e o terceiro trimestre de 2003 decaíram em 30 de junho de 2007 e 30 de setembro de 2008, respectivamente, já que a ciência do auto se deu em 03/12/2008, e por serem os tributos sujeitos a lançamento por homologação; que não se aplica ao caso a multa de 150%, pois os fiscais se valeram de indícios, teses, e conjecturas para caracterizar a ocorrência do ilícito, quando a lei exige que exista evidente intuito de fraude. Quando do julgamento pela DRJ, foi provido em parte o recurso (reconhecida a decadência do período compreendido entre janeiro e novembro de 2001, tendo sido ementada a decisão da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 CONSTITUCIONALIDADE. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. CONSULTA. PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. LANÇAMENTOS CONEXOS. NULIDADE. EFEITOS. Deve ser negada a solicitação de nulidade quando a autuação obedece aos requisitos estabelecidos na legislação tributária. Por se tratar SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os sóciosgerentes são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, quando restar comprovada a ocorrência das hipóteses legais que permitem a imputação. MULTA QUALIFICA DE 150% Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 18471.003950/200871 Acórdão n.º 1401002.751 S1C4T1 Fl. 1.466 5 A conduta que tenha a finalidade de impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tenha conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente, enseja a aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS. COFINS. CSLL. São classificados como conexos os lançamentos que, a despeito de terem fundamentação legal distintas, possuírem a mesma base de cálculo. Inconformado com a decisão da Delegacia, interpôs o recorrente, recurso a esse Conselho argumentando, em síntese: Que o recorrente não participava do capital social, nem quando da fundação da sociedade em abril/2002 nem em qualquer das alterações subseqüentes do Contrato Social, não sendo assim parte no Distrato de 06/3/ 2006. (documentos 1 a 4) Que o lançamento devia ter sido feito contra os signatários do documento de Distrato que desde a constituição da sociedade, participavam do seu capital, e que nele estão identificados Helena Inascia de Souza e Edite Francisca Ferreira. Que antes que fosse lavrado o presente auto de infração, o que ocorreu em 03/12/2008, a empresa Friominas, verificou inconsistências em suas declarações, apresentado espontaneamente, novas declarações que cobriram o período de 2002 a 2005. Que apresentadas a declaração de rendimento cabia à autoridade lançadora proceder a revisão dos dados constantes da declaração de rendimentos que tinha sido apresentada. Que não podia desconsiderar sem exame prévio a declaração apresentada, arbitrando o resultado em valores diferentes dos que foram tidos como devidos pelo próprio contribuinte. Que no regime atual o IR e CS são calculados em bases mensais e portanto há de se considerar que o primeiro mês que pode ser discutido na presente demanda é dezembro de 2003, em virtude da prescrição. Que em qualquer hipótese não cabe argüição de fraude na medida em que a suplicante tomou iniciativa de apresentar as declarações retificadoras em regime de auto arbitramento antes de qualquer iniciativa fiscal. Fl. 1468DF CARF MF 6 Que este fato por si só exclui a possibilidade da imposição da multa agravada face à jurisprudência consolidada nos diversos acórdãos do C.C. que transcreve em sua peça recursal. Que não há fundamento para que se imponha ao suplicante a multa majorada se não existe no curso do processo nenhuma argüição de fraude, conluio ou sonegação, e ao contrario, a boa fé se presume na medida em que o suplicante espontaneamente apresentou declaração de rendimentos, antes de que fosse autuado pela fiscalização para cobrança dos tributos que se afirmam devidos através do lançamento que ora é contestado. Sendo essas as razões do recurso, esse é o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora Tendo em vista que, de acordo com a decisão de primeira instância foi reconhecida a decadência de parte do crédito, impede verificar a necessidade de recurso de ofício. A parte desonerada pela DRJ é a seguinte: IRPJ: R$ 57.902,50, referente aos 2° e 3° trimestres de 2002 (fl. 241); PIS: R$ 29.577,28, referente aos meses de maio a novembro de 2002 (fl.248) COFINS: R$ 136.510,61, referente aos meses de maio a novembro de 2002 (fl. 261); CSLL: R$ 3.666,71, referente aos 2° e 3° trimestres de 2002 (fl. 280); Assim, a soma dos valores desonerados é de R$227.657,00, ou seja o crédito tributário tem valor é inferior a R$2.500.000,00 não havendo a necessidade de recurso de ofício. Pois bem, o Auto de Infração em julgamento foi lavrado em face do ora recorrente, tendo sido o Sr. Maurício José Inácio de Lima responsabilizado pessoalmente pelos tributos devidos pela Contribuinte Friominas 2000, no período compreendido entre 2002 a 2005. Isso porque, conforme o TVF, foram abertos procedimentos fiscais em 04/03/2008 para verificar indícios de interposição fraudulenta no quadro da empresa Friominas 2000. A empresa foi constituída em 10/04/2002 e baixada em 03/04/2006. A empresa apresentou as seguintes declarações e teve as movimentações financeiras, conforme descrito abaixo: Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 18471.003950/200871 Acórdão n.º 1401002.751 S1C4T1 Fl. 1.467 7 É fato, que após o início da ação fiscal, o Contribuinte apresentou retificação de declaração bem como formulou consulta à Receita Federal, conforme trecho do TVF (volume 2, fls.28): Em 25/06/2008, o Sr. Maurício apresentou resposta ao Termo de Início de Fiscalização, informando que, em face da ausência de escrituração regular fez declarações retificadoras,declarando como receita bruta os valores constantes dos extratos de contas bancárias, para fins de apuração do Lucro Arbitrado, assim como apresentou consulta, datada de 18/09/2007, à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, a respeito do procedimento adotado. Além disso, entregou cópia dos extratos bancários da FRIOMINAS, relativos aos bancos Bradesco S/A (anoscalendário 2004 e 2005) e Unibanco (2002 a 2005), faltando os referentes ao banco BCN S/A. Ou seja, tentou o contribuinte, depois de verificar que a Receita já possuía todas as suas informações e que já tinha sido constatada a fraude, retificar as declarações sem, contudo, providenciar qualquer recolhimento de valores, e, também, apresentar consulta na tentativa de diminuir os valores a serem pagos, bem como suspender a exigibilidade dos tributos, vencidos desde 2002. Essa tentativa, contudo, foi infrutífera, tendo em vista que não procedeu a qualquer pagamento e, também, a consulta, por óbvio, era ineficaz, pois formulada por quem se encontrava em procedimento de fiscalização a época da Consulta o que torna a consulta ineficaz (hoje regulamentado pela IN 1396/13). Nesse sentido, a fiscalização arbitrou os lucros da Contribuinte, conforme movimentação financeira da empresa. Cumpre ressaltar que foi concedido ao contribuinte a faculdade de justificar os depósitos levantados pela fiscalização pela RMF (requisição de movimentação financeira). Ou seja, a fiscalização arbitrou os lucros, bem como o fez o contribuinte na vã tentativa de retificar a suas declarações após o início da ação fiscal. Nesse sentido, não cabe qualquer arguição sobre o procedimento utilizado pela fiscalização pois não poderia o contribuinte contradizer o que tinha declarado, nesse sentido e o Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo tributário: Fl. 1470DF CARF MF 8 Art. 276. Quando a lei prescreve determinada forma sob pena de nulidade, a decretação desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. Essa é uma disposição que impede àquele que alegou em requerer a nulidade de seu próprio ato, venire contra factum proprium. Assim, não foram desconsideradas as declarações apresentadas e tãosomente essas o foram refeitas pela fiscalização, nas mesmas bases informadas anteriormente pelo contribuinte, contudo, considerando alguns depósitos que não tinham composto a declaração anteriormente apresentada. Com relação às bases mensais para a apuração do IR e da CS, arguida pelo contribuinte em sua peça recursal, para fins de contagem de prazo prescricional, o art. 530 que dispõe sobre o arbitramento é claro que o imposto será devido trimestralmente. Assim, deve ser mantida a decisão da DRJ sobre a decadência. Pois bem, devidamente demonstrado que a fiscalização apenas fez o que o próprio contribuinte requereu, ou seja, arbitrar os lucros conforme movimentação bancária da Friominas 2000, importante verificar a questão da responsabilidade pessoal do recorrente. Afinal, a questão posta nos autos comporta duas questões principais, quais sejam: i) arbitramento dos lucros com base na Movimentação Financeira da então contribuinte, Friominas 20000 e; ii) responsabilidade pessoal do recorrente, Sr. Maurício José Soares de Lima e a multa agravada de 150%; Com relação à conduta do recorrido, o TVF é enfático em descrever o esquema fraudulento engendrado pelo recorrente, nos seguintes termos: Dos levantamentos acima descritos, do conjunto de evidências elencadas, do material probatório obtido nas buscas e apreensões realizadas, bem como dos elementos obtidos no curso do procedimento fiscal, fica exaustivamente comprovado que o Sr. MAURÍCIO elaborou amplo esquema fraudulento, constituído para fins de sonegação dos tributos federais, através das seguintes condutas, dentre as demais já relatadas anteriormente: Desativação, na prática, a partir de meados de 2002, da empresa FRILADER, devedora da Fazenda Nacional, possuindo dívida que alcança a cifra de cerca de R$ 1.300.000,00 em autos de infração lavrados pela Receita Federal. Os autos de infração se referiam aos anos de 1998 e 2000. Um dos autos de infração lavrados transitou em julgado na esfera administrativa, e a dívida encontrase em. execução fiscal na 3' Vara Federal de Execução Fiscal •do Rio de Janeiro, processo 2006.51.01.5198388. Constituição de nova empresa, denominada FRIOMINAS, sucedendo de imediato a anterior (FRILADER), em nome de interpostas pessoas (laranjas). Após mais de três anos de atividade, omitiu dos cofres Públicos quase da totalidade dos tributos devidos (montante avaliável de receitas omitidas de mais de R$ 35.000.000,001 esta empresa FRIOMINAS é encerrada, não sem antes providenciar a troca de endereço da empresa Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 18471.003950/200871 Acórdão n.º 1401002.751 S1C4T1 Fl. 1.468 9 junto à Receita Federai visando provavelmente impedir sua localização numa possível ação fiscal no futuro. Abertura de nova empresa a partir de meados de 2005, denominada BARRA DO CEDRO, que continua operando no mesmo endereço das duas anteriores. Alienação da maioria de seus bens, em agosto de 2005, após a segunda autuação fiscal em face da empresa FRILADER, incorporando o patrimônio pessoal a outra empresa de MAURÍCIO e sua filha (CEDRO PARTICIPAÇÕES), conforme 2° • alteração contratual da empresa acima citada, registrada em outubro de 2005. Dessa forma, verificase o objetivo de fraudar as execuções fiscais, inviabilizando a satisfação dos créditos da Fazenda Nacional. Dissolução irregular da empresa FRIOMINAS, efetuada em 03/04/2006, conforme explicitado no item 5.2, não havendo como considerar regular a extinção de pessoa jurídica que tenha excluído do conhecimento do Fisco obrigações de sua responsabilidade enquanto em atividade. Tanto é que a baixa no cadastro do CNPJ é aceita condicionalmente pela Receita Federal, com ressalva do direito à exigência créditos tributários que venham a ser levantados posteriormente. Em setembro de 2007, somente após o cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão realizadas pela Polícia Federal (agosto de 2007), é que os rendimentos omitidos pela FRIOMINAS foram retificados de R$ 1.848.249,10 para R$ 39.707.491,27, através de Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ de Auto arbitramento retificadoras, anoscalendário 2002 a 2005. Tal fato confirma entendimento deste Fisco que cerca de R$ 35.000.000,00, a título de receitas, estavam sendo omitidos, com evidente intuito de sonegar os tributos federais. Pertinente ressaltar que, apesar de o referido montante ter sido informado em DIPJ, os tributos correspondentes permaneceram sem recolhimento e nem mesmo foram confessados ao Fisco, o que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração. Nesse sentido, não resta qualquer dúvida que há a responsabilidade pessoal do recorrente, e como tal, esse deve responder pelo crédito tributário, pois seria ele o verdadeiro sócio da pessoa jurídica. Ademais esse era acobertado por terceiras pessoas, (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que o recorrente realizasse em nome da pessoa jurídica, da qual tinha procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias. Com relação à fraude, não resta qualquer dúvida de que o recorrente se utilizou de pessoas interpostas para ocultar o verdadeiro beneficiário de toda a operação. Nesse sentido deve ser aplicada a multa agravada de 150%. Constatada a responsabilidade pessoal do recorrente, conforme art. 136 e 137 do CTN, deve ser aplicada a multa agravada, bem como, o crédito tributário somente restará decaído nos exatos termos do art. 173 do CTN. Fl. 1472DF CARF MF 10 Esta é a jurisprudência desse Conselho, conforme súmula 72: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Tributos Reflexos Com relação aos demais tributos reflexos, o decidido quanto ao IRPJ também se aplica ao PIS, CONFINS e CSLL naquilo em que for cabível. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto para negar provimento ao recurso voluntário mantendose a decisão da DRJ na totalidade. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 1473DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908550/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2001
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2001 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 50 /2 01 1- 82 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.475. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.380, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10850.908550/201182 Acórdão n.º 3301005.033 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.722221/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO EM PARTE.
Verificada a existência de omissões no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados em relação a estas.
Numero da decisão: 2202-004.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO EM PARTE. Verificada a existência de omissões no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados em relação a estas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos nos autos do processo nº 13005.722221/201367, em face do acórdão nº 2202003.572, julgado pela 2ª Turma Ordinária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 22 21 /2 01 3- 67 Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.882 2 da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 21 de setembro de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado para desqualificar a multa de ofício, reduzindo a ao percentual de 75%. Apresentados os Embargos, foram admitidos, tendo o Despacho de Admissibilidade assim relatado os fatos: “Tratase de Embargos de Declaração apresentados pelo sujeito passivo, em face de acórdãos proferidos pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção. ACÓRDÃOS EMBARGADOS A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2202003.572 (fls. 1.778/1.817), o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do auto de infração, bem como os documentos anexados aos autos permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa, estando este configurado na plena e detalhada impugnação apresentada. DEDUÇÃO. DESPESAS. LIVRO CAIXA. As despesas necessárias à percepção de rendimento do trabalho nãoassalariado somente podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando escrituradas em livro caixa e comprovadas. DEDUÇÃO. DESPESAS. LIVRO CAIXA. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. A legislação tributária não confere aos recibos e notas fiscais valor probante absoluto, podendo à fiscalização exigir elementos Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.883 3 adicionais de prova que demonstrem a efetividade do pagamento e da realização do serviço. GANHO DE CAPITAL. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital, as alienações, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DOS DIREITOS CREDITÓRIOS DISCUTIDOS EM JUÍZO. AÇÕES DA COMPANHIA TELEFÔNICA. No caso de cessão dos direitos creditórios discutidos em juízo, do titular das ações da companhia telefônica (cedente) para terceiro (cessionário), a diferença positiva entre o custo de aquisição dos direitos cedidos, ou seja, o montante pago pelo cessionário ao titular das ações, e o valor recebido em resultado da ação judicial, constitui ganho de capital sujeito à incidência do imposto sobre a renda. GANHOS DE CAPITAL. INDENIZAÇÃO. Não se sujeitam à incidência do imposto de renda somente as indenizações pagas ou creditadas destinadas a reparar danos exclusivamente patrimoniais. A indenização que representem acréscimo patrimonial para o interessado sujeitase a incidência do imposto de renda ante a ocorrência do fato gerador do tributo. PROVA. APRECIAÇÃO. Na apreciação de provas no processo administrativo tributário, a legislação tributária confere ao órgão julgador o livre convencimento de sua validade para os fins de que são propostas. DILIGÊNCIAS. PRODUÇÃO DE PROVAS. ÔNUS DA PARTE. A diligência somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. SIGILO FISCAL. É vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação contida em declarações de terceiros. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.884 4 MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: i) pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também excluir a multa isolada do carnêleão; ii) quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deram provimento ao recurso nessa parte. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor na parte em que foi vencido o Relator. Dessa decisão, o órgão responsável pela sua liquidação apresentou embargos inominados, alegando erro de fato, em razão da turma haver determinado a desqualificação da multa, quando tal provimento já havia sido dado pela primeira instância. Os embargos foram acolhidos pelo colegiado, consoante Acórdão n.º 2202003.958, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. Verificada a existência de omissões no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados. Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.885 5 Assumiu a nova decisão a seguinte parte dispositiva: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.572, de 21/09/16, alterar a decisão embargada para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada do carnêleão e os juros de mora sobre a multa de ofício. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor". EMBARGOS A ciência dos acórdãos ao sujeito passivo ocorreu em 10/08/2017 (comprovante de fls. 1.847/1.848). Em 11/08/2017 (termo de fls. 1.850), este opôs embargos de declaração (fls. 1.851/1.861), com fulcro nos arts. 64, I e 65 do Regimento Interno do CARF. A Embargante aponta que a decisão do CARF apresentase omissa, contraditória e obscura e passa a apontar as máculas conforme a seguir. OMISSÕES o1. OMITIDAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES RECURSAIS NO RELATÓRIO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIAS “1.0” E “1.1” Segundo a Recorrente não constaram do relatório do acórdão as preliminares relativas aos seguintes tópicos: 1.0 – VEDADO JULGAMENTO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE PERMITIDO JULGAMENTO SOBRE ILEGALIDADE 1.1 – ERROS DE JULGAMENTO – DECISÕES SEM EMBASAMENTO LEGAL o2. OMITIDA ALEGAÇÃO DE MÉRITO RECURSAL NO RELATÓRIO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.1” PROVA CONTÁBIL (LIVRO DIÁRIO) Alegase que houve omissão no relatório do acórdão do CARF quanto à alegação do recurso intitulada de "2.1 INDEVIDA GLOSA DAS DESPESAS DE CUSTEIO LIVRO CAIXA". o3. OMITIDA ALEGAÇÃO DE MÉRITO RECURSAL NO RELATÓRIO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.3” VÍCIO MATERIAL PROVA ILÍCITA Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.886 6 A Embargante alega que foi também omitida do relatório do acórdão hostilizado a menção ao argumento da ilicitude da prova obtida pela turma da DRJ no endereço eletrônico da empresa Day Trade Assessoria. o4. OMITIDA ALEGAÇÃO RECURSAL NA PRELIMINAR RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “1.2” PROVA CONTÁBIL (LIVRO DIÁRIO) PEDIDO DE ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS DE OUTROS CONTRIBUINTES Essa omissão diz respeito à falta de apreciação no voto das provas contábeis obtidas pelo sujeito passivo junto a Haeser Advogados. o5. OMITIDA ALEGAÇÃO RECURSAL NO MÉRITO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.1” PROVA CONTÁBIL – LIVRO DIÁRIO DESPESA DO LIVRO CAIXA – DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Também este ponto dos embargos está relacionado a falta de análise no voto da contabilidade da Haeser Advogados. o6. OMITIDA ALEGAÇÃO RECURSAL NO MÉRITO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.3” VÍCIO MATERIAL – PROVA ILÍCITA DESPESAS DAY TRADE ASSESSORIA E ADMINISTRAÇÃO DE INVESTIMENTO A omissão sob destaque referese ao não enfretamento pelo Relator do argumento recursal que trata da ilicitude relativa à prova obtida pela turma da DRJ no sítio da empresa Day Trade. CONTRADIÇÕES c1. DESOBEDIÊNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL NO ÂMBITO DA ILEGALIDADE DECISÃO COM SÚMULA NO ÂMBITO DA INCONSTITUCIONALIDADE Segundo a Embargante, o Relator do acórdão embargado se contradiz na análise de preliminares, pois enfatiza que a Autoridade Lançadora não descumpriu normas tributárias, defendendo a inexistência de ilegalidade, mas em outro tópico fundamenta sua decisão na Súmula CARF n.º 2, a qual diz respeito à impossibilidade do CARF se manifestar sobre inconstitucionalidade de leis tributárias. c2. INTERPRETAÇÕES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA SOBRE NOTAS FISCAIS NÃO HÁ LEGISLAÇÃO QUE IMPÕE UMA FORMA DE PAGAMENTO EM DETRIMENTO DE OUTRA Alegase nos embargos que surge uma contradição na decisão do CARF, pois, ao mesmo tempo que aduz que faltaria demonstração das operações comprovadas mediante notas fiscais, admite que os pagamentos podem ter sido feitos em dinheiro, para os quais, a única forma de comprovação seria a apresentação das próprias notas fiscais de prestação de serviço, Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.887 7 documentos estes que não foram considerados inidôneos pelo fisco. OBSCURIDADES ob1. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DE ARTIGO DA LEI POR PARTE DO FISCO JUSTIFICATIVA: APRESENTAR DOCUMENTOS NA FASE DE LITÍGIO Para a Recorrente, o acórdão embargado ao afirmar que o contribuinte poderá apresentar documentos não exibidos durante o procedimento fiscal na defesa e, em algumashipóteses, em momento posterior, incorreu em obscuridade, ao não mencionar a legislação que daria embasamento a tal procedimento. ob2. PROVA DA EFETIVAÇÃO DAS OPERAÇÕES COM NOTAS FISCAIS COMPLEMENTAR COM PROVA BANCÁRIA DO EFETIVO PAGAMENTO A Recorrente suscita obscuridade no fato de o Fisco mencionar a possibilidade de comprovação adicional da operação relativa à prestação de serviços com documentos de movimentação bancária, sem citar a legislação que a fundamente. Ao final, requer que os embargos sejam recebidos, conhecidos e providos, a fim de que sejam saneados os vícios apontados, inclusive com efeitos modificativos. É o breve relato. ADMISSIBILIDADE Os embargos foram apresentados tempestivamente, visto que a ciência do acórdão pelo sujeito passivo ocorreu em 10/08/2017 e a apresentação da peça de embargos ocorreu no dia seguinte. Assim, há de se reconhecer sua tempestividade. ANÁLISE A nossa análise será feita na mesma sequência adotada pela Embargante. Antes porém, vamos tratar da questão atinente ao cabimento dos embargos de declaração nos termos da legislação processual vigente, o Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. Nos termos do "caput" do art. 65 do mencionado Regimento: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Do dispositivo transcrito observase que os embargos de declaração são cabíveis apenas nas hipóteses em que ocorra na decisão atacada as seguintes hipóteses: Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.888 8 a) omissão no enfrentamento de ponto que a turma deveria se pronunciar; b) obscuridade, que se caracteriza pela impossibilidade de se compreender o raciocínio desenvolvido para fundamentar a decisão e/ou o que efetivamente restou decidido pelo órgão de julgamento; e c) contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Passemos as alegações constantes nos aclaratórios. OMISSÕES o1. OMITIDAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES RECURSAIS NO RELATÓRIO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIAS “1.0” E “1.1” Sobre a omissão de questões no relatório, observase que o Relator fez suas considerações sobre a lide mediante "relatório per relationem", fazendo reprodução do que foi apresentado no relatório da decisão de piso. Com isso houve a omissão a determinadas questões apresentadas apenas no recurso. Todavia, não devemos admitir os embargos sobre este fundamento, caso se observe que a questão, embora omitida no relatório, tenha sido suficientemente enfrentada na fundamentação do voto. É que o relatório serve para sintetizar os principais aspectos da demanda, todavia, o que prevalece para se reconhecer o cabimento dos embargos por omissões nesta parte do acórdão é existência de questão não decidida ou conclusão adotada com base em falso pressuposto por erro no relatório. Sobre essa alegação é de se observar que há situações na processualista pátria em que até se dispensa o relatório, como é o caso dos juizados especiais (art. 38 da Lei n.º 9.099/1995). Passemos ao caso concreto. A empresa suscita a omissão em razão de falta de menção no relatório em relação às seguintes questões: 1.0 – VEDADO JULGAMENTO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE PERMITIDO JULGAMENTO SOBRE ILEGALIDADE 1.1 – ERROS DE JULGAMENTO – DECISÕES SEM EMBASAMENTO LEGAL De fato, analisandose o recurso voluntário de fls. 1.452/1.514, verificase que tais argumentos foram de fato apresentados. Vejamos, então, se foram contemplados na fundamentação do Relator. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.889 9 Observase que não houve o devido aprofundamento no acórdão embargado. Uma leitura cuidadosa do recurso revela que nestes tópicos são trazidas duas questões preliminares: a) a Autoridade Lançadora teria se desviado de prescrições infraconstitucionais, portanto, não se estaria apresentando pedido de análise de inconstitucionalidade de lei, mas de conformações do lançamento com a legislação ordinária e b) a decisão de primeira instância deveria ser anulada em razão de falta de motivação. Acerca da primeira questão, pode se ver o seguinte excerto do recurso: Sobre esse aspecto, é de se observar que o voto condutor do acórdão limitouse a tratar da impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade de lei, conforme se vê deste trecho: 1. Alegações de inconstitucionalidade As questões relacionadas aos princípios constitucionais não podem ser analisadas pelo julgador da esfera administrativa. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. Entendo que deve ser aplicado ao caso a Súmula 02 deste Conselho, que dispõe o seguinte: SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.890 10 Afasto, portanto, a presente preliminar, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Das considerações acima, percebese a ocorrência de omissão do acórdão embargado quanto à alegação de desobediência do lançamento à legislação infraconstitucional. Quanto ao segundo ponto, o recurso voluntário o tratou nos seguintes termos: O Relator abordou esta questão no tópico "2. Demais nulidades suscitadas", todavia, não chegou a tratar do pedido de declaração de nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação. Vêse claramente que o voto limitouse a tratar da nulidade do lançamento e ausência de cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo em relação ao auto de infração, mas em nenhum momento toca no argumento concernente à nulidade do acórdão da DRJ. De ser reconhecer a omissão quanto a este item. o2. OMITIDA ALEGAÇÃO DE MÉRITO RECURSAL NO RELATÓRIO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.1” PROVA CONTÁBIL (LIVRO DIÁRIO) Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.891 11 Alegase que houve omissão no relatório do acórdão do CARF quanto à alegação do recurso intitulada de "2.1 INDEVIDA GLOSA DAS DESPESAS DE CUSTEIO LIVRO CAIXA". De fato, não se localiza no relatório a menção a este tópico do recurso, o qual conferimos e consta da peça recursal. Neste ponto específico, o contribuinte alega que obteve, para comprovar as despesas com honorários, cópias de Livros Diário da empresa Haeser Advogados S/S onde estão lançados os registros contábeis das notas fiscais que ensejaram os repasses que o Fisco glosou. Vale a pena transcrever parte das alegações apresentadas sobre este ponto: No acórdão embargado não encontramos nenhuma apreciação de tais documentos, o que nos leva a concluir que de fato houve omissão também quanto a esse ponto. o3. OMITIDA ALEGAÇÃO DE MÉRITO RECURSAL NO RELATÓRIO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.3” VÍCIO MATERIAL – PROVA ILÍCITA A Embargante alega que foi também omitida do relatório do acórdão hostilizado a menção ao argumento da ilicitude da prova obtida pela turma da DRJ no endereço eletrônico da empresa Day Trade Assessoria. Consta no recurso voluntário: Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.892 12 Também não encontramos no relatório, tampouco na fundamentação do voto condutor, o enfrentamento desta questão, o que nos leva a acatar a existência desta mácula. o4. OMITIDA ALEGAÇÃO RECURSAL NA PRELIMINAR – RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “1.2” PROVA CONTÁBIL (LIVRO DIÁRIO) PEDIDO DE ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS DE OUTROS CONTRIBUINTES Essa omissão diz respeito à falta de apreciação das provas contábeis obtidas pelo sujeito passivo junto a Haeser Advogados, questão que já havíamos tratado no item "o2" deste despacho. Assim da mesma forma, reconhecemos aqui a omissão suscitada pela Embargante. o5. OMITIDA ALEGAÇÃO RECURSAL NO MÉRITO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.1” PROVA CONTÁBIL – LIVRO DIÁRIO DESPESA DO LIVRO CAIXA – DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Também este ponto dos embargos está relacionado a falta de análise da contabilidade da Haeser Advogados, omissão esta que já foi admitidas nos itens "o2" e "o4" deste despacho. o6. OMITIDA ALEGAÇÃO RECURSAL NO MÉRITO RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA “2.3” VÍCIO MATERIAL – PROVA ILÍCITA DESPESAS DAY TRADE ASSESSORIA E ADMINISTRAÇÃO DE INVESTIMENTO A omissão sob destaque referese ao não enfretamento do argumento recursal que trata da ilicitude relativa a prova obtida pela turma da DRJ no sítio da empresa Day Trade. Essa omissão já foi reconhecida no item "o3" deste despacho. CONTRADIÇÕES c1. DESOBEDIÊNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL NO ÂMBITO DA ILEGALIDADE DECISÃO COM SÚMULA NO ÂMBITO DA INCONSTITUCIONALIDADE Segundo a Embargante, o Relator do acórdão embargado se contradiz na análise de preliminares, pois enfatiza que a Autoridade Lançadora não descumpriu normas tributárias, defendendo a inexistência de ilegalidade, mas em outro tópico fundamenta sua decisão na Súmula CARF n.º 2, a qual diz respeito à impossibilidade do CARF se manifestar sobre inconstitucionalidade de leis tributárias. De fato, esta questão já havia sido tratada no item "o1" deste despacho quando reconhecemos que faltou ao voto do acórdão hostilizado enfrentar a alegação de ilegalidade do lançamento, uma vez que tinha se limitado a afastar argumentos de inconstitucionalidade. Entendemos que, no momento que tal omissão for suprida, a contradição acima exposta restará também saneada. Nesse sentido, achamos por bem reconhecer a apenas a omissão Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.893 13 relativa à análise de ilegalidade do lançamento, afastando a contradição apontada. c2. INTERPRETAÇÕES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA SOBRE NOTAS FISCAIS NÃO HÁ LEGISLAÇÃO QUE IMPÕE UMA FORMA DE PAGAMENTO EM DETRIMENTO DE OUTRA Alegase nos embargos que surge uma contradição na decisão do CARF, pois, ao mesmo tempo que aduz que faltaria comprovação das operações justificadas mediante notas fiscais, admite que os pagamentos podem ter sido feitos em dinheiro, para os quais, a única forma de comprovação seria a apresentação das próprias notas fiscais de prestação de serviço, documentos estes que foram considerados idôneos pelo Fisco. Essa contradição não existiu. Observase do excerto do acórdão embargado abaixo transcrito que o Relator manifestouse sobre o tipo de prova adicional que poderia ser feito nos casos de pagamento em espécie: Na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos de prova que possam elidir a imputação da infração. Se a comprovação é possível e este não a faz de modo satisfatório, é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente valores da base de cálculo tributável. Observese que o contribuinte poderia completar a prova, exibindo a comprovação do efetivo pagamento das despesas que diz ter suportado (cópia de cheques, comprovante de depósito na conta do prestador dos serviços, comprovante de transferências eletrônicas de fundos, transferência interbancárias, comprovante de transmissão de ordem de pagamento, ou, no caso de pagamento efetuado em dinheiro, extrato bancário que demonstre a realização de saque em data e valor coincidente ou aproximado em relação aos pagamentos em questão). grifamos De se afastar assim a contradição apontada. OBSCURIDADES ob1. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DE ARTIGO DA LEI POR PARTE DO FISCO JUSTIFICATIVA: APRESENTAR DOCUMENTOS NA FASE DE LITÍGIO Para a Recorrente, o acórdão embargado ao afirmar que o contribuinte poderá apresentar documentos não apresentados durante o procedimento fiscal na defesa e, em algumas hipóteses, em momento posterior, incorreu em obscuridade, ao não mencionar a legislação que daria embasamento a tal procedimento. Nesta questão não enxergo qualquer anomalia no acórdão, uma vez que pode ser compreendido perfeitamente. Nas próprias palavras constantes nos embargos, "O acórdão é obscuro por Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.894 14 verificarmos dificuldade da exata compreensão dos termos dos fundamentos da decisão." A contrário senso, não havendo dificuldade de entendimento, há de se afastar a obscuridade apontada. Pois bem, o Relator ressaltou a existência do prazo de 20 dias conforme o art. 844 do Regulamento do Imposto de Renda RIR e também no art. 19 da Lei n.º 3.450/1958, na redação dada pela MP 2.15835/2001 e a possibilidade de juntada posterior de documentos no art 16 e no seu §4°, do Decreto nº 70.235/72. Não se localiza, portanto, a obscuridade apontada quanto a esta questão. ob2. PROVA DA EFETIVAÇÃO DAS OPERAÇÕES COM NOTAS FISCAIS COMPLEMENTAR COM PROVA BANCÁRIA DO EFETIVO PAGAMENTO A Recorrente suscita obscuridade no fato de o Fisco mencionar a possibilidade de comprovação adicional da operação relativa à prestação de serviços com documentos de movimentação bancária, sem citar a legislação que a fundamente. O trecho em que estaria localizada a suposta obscuridade é o seguinte: “Observase que o contribuinte poderia completar a prova, exibindo a comprovação do efetivo pagamento das despesas que diz ter suportado (cópia de cheques, comprovante de depósito na conta do prestador dos serviços, comprovante de transferência eletrônicas de fundos, transferência interbancárias, comprovante de transmissões de ordem de pagamento, ou no caso de pagamento efetuado em dinheiro, extrato bancário que demonstre a realização de saque em data e valor coincidente ou aproximado em relação aos pagamentos em questão).” Não enxergo qualquer obscuridade neste trecho, pois plenamente compreensíveis os termos em que é posto. O Relator mencionou diversos meios de prova que seriam aceitáveis para comprovação do pagamento de despesas. A falta de fundamentação poderia ser tratada como uma omissão, mas nem isso conseguimos visualizar, pois a citação dos meios de prova constante do voto condutor do acórdão embargado não precisaria estar fundamentado em ato normativo, uma vez que o legislador não tem como prever todas as situação da vida real. Uma vez que restou fundamentado que o Fisco poderia pedir documentos adicionais para justificar/comprovar as operações, estes comprovantes podem ser de diversas naturezas, desde que não se exija elementos que fujam à razoabilidade, a exemplo de prova impossível de ser realizada. Afasto assim mais esta mácula. CONCLUSÃO Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.895 15 Pelo exposto, os embargos propostos devem ser admitidos em parte, de modo que sejam saneadas as seguintes omissões: a) desobediência do lançamento à legislação infraconstitucional; b) nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação; c) análise dos documentos contábeis da empresa Haeser Advogados; d) ilicitude da prova obtida pela turma da DRJ no endereço eletrônico da empresa Day Trade Assessoria. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente da alegação apresentada. O exame em profundidade dos pressupostos de admissibilidade e de toda a matéria registrada na peça recursal (Embargos de Declaração) será realizado pelo colegiado.” É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram opostos dentro do prazo legal e reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, entendo por conhecêlos. Os embargos foram admitidos para sanar as seguintes omissões apontadas pela embargante: a) desobediência do lançamento à legislação infraconstitucional; b) nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação; c) análise dos documentos contábeis da empresa Haeser Advogados; d) ilicitude da prova obtida pela turma da DRJ no endereço eletrônico da empresa Day Trade Assessoria. Passase a análise de cada omissão apontada. a) desobediência do lançamento à legislação infraconstitucional; Consoante referido no acórdão embargado, entendo que o item do acórdão " 1. Alegações de inconstitucionalidade" tratou impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade de lei, afastando a preliminar invocada de que a Autoridade Lançadora teria se desviado de prescrições infraconstitucionais, portanto, não se estaria apresentando pedido de análise de inconstitucionalidade de lei, mas de conformações do lançamento com a legislação ordinária. Claramente as alegações da contribuinte acarretam na determinação que a legislação infraconstitucional em questão seria inconstitucional, o que contraria a Súmula CARF nº 2. Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.896 16 Não merece acolhimento dos embargos de declaração neste tocante, por considerar inexiste a omissão referida. b) nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação; Em relação a nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação, o voto do abordou esta questão no tópico "2. Demais nulidades suscitadas", todavia, não teria tratado do pedido de declaração de nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação. Vêse claramente que o voto limitouse a tratar da nulidade do lançamento e ausência de cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo em relação ao auto de infração, mas em nenhum momento toca no argumento concernente à nulidade do acórdão da DRJ. Merece ser sanada a omissão. Pois bem. Não vislumbrase que a decisão tenha decidido sem embasamento legal, ou ainda, que, em razão disso, haja erro no julgamento. Busca, em verdade, a contribuinte, rediscutir o mérito apreciado pela DRJ, pois não se conformou com o resultado julgamento da DRJ de origem, pleiteando que seja declarado a nulidade do acórdão por falta de embasamento legal e de fundamentação. Fundamentação e embasamento legal se fazem presentes no acórdão da DRJ, porém em desacordo com o entendimento da contribuinte. Rejeitase a preliminar, portanto. Assim, acolho os embargos neste ponto, sem atribuir efeitos infringentes, mas somente integrativos ao acórdão. c) análise dos documentos contábeis da empresa Haeser Advogados; Conforme o despacho de admissibilidade, neste ponto específico, o contribuinte alega que obteve, para comprovar as despesas com honorários, cópias de Livros Diário da empresa Haeser Advogados S/S onde estão lançados os registros contábeis das notas fiscais que ensejaram os repasses que o Fisco glosou. A questão foi devidamente apreciada no recurso, no item "4. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas honorários advocatícios" : "O contribuinte escriturou no livro caixa dos anos de 2009 e 2010 valores recebidos de clientes pela prestação de serviços advocatícios – rendimentos percebidos – como sendo despesas. Estes valores foram incluídos na base de cálculo dos rendimentos tributáveis da declaração de ajuste. Na impugnação o contribuinte não apresenta nenhum argumento quanto à omissão de rendimentos apurada, entendo a DRJ de origem que deveria ficar mantido o lançamento. Portanto, considero matéria não impugnada" (grifouse) A questão foi tratada, não havendo omissão. Ora, se o contribuinte não concorda com o julgamento, deve utilizarse do recurso cabível e não da via dos embargos de declaração. Não merece acolhida os aclaratórios neste tocante. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 13005.722221/201367 Acórdão n.º 2202004.587 S2C2T2 Fl. 1.897 17 d) ilicitude da prova obtida pela turma da DRJ no endereço eletrônico da empresa Day Trade Assessoria. Em relação a nulidade da decisão de primeira instância suscita esta questão no tópico "2. Demais nulidades suscitadas", todavia, não teria tratado do pedido de nulidade da decisão de primeira instância por prova obtida pela turma da DRJ no endereço eletrônico da empresa Day Trade Assessoria. Deve ser sanada a omissão. A autoridade julgadora de primeira instância tem competência para fazer, a seu juízo, diligências necessárias para formar sua convicção, não merecendo acolhida a alegação do contribuinte de que houve prova nova, em razão de ter sido realizada consulta a site da internet. Ademais, as informações localizadas na internet não alteram a fundamentação jurídica do lançamento, mas tão somente reforçaram a convicção do julgador de primeira instância. Assim, acolho os embargos neste ponto, sem atribuir efeitos infringentes, mas somente integrativos ao acórdão Conclusão. Assim, voto por acolher em parte os embargos de declaração em relação aos itens "b) nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação" e "d) ilicitude da prova obtida pela turma da DRJ no endereço eletrônico da empresa Day Trade Assessoria", sem atribuirlhes efeitos infringentes, mas somente integrativos ao acórdão. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1897DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003262/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE.
Dada a natureza e a expressividade dos valores unitários dos bens adquiridos e não tendo a recorrente trazido qualquer evidência de que os mesmos seriam meras peças de reposição para manutenção e reforma de outros itens do seu ativo, as aquisições devem ser consideradas bens do ativo permanente, sujeitos à depreciação, não podendo ser deduzidos diretamente como custos.
IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS.
Correta a glosa de custos escriturados quando o contribuinte não apresenta os comprovantes da sua realização. A escrituração contábil e fiscal faz prova a favor do sujeito passivo, desde que esteja respaldada em documentação hábil e idônea.
IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA
DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração.
IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA
DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. ADIÇÃO EM
ANO POSTERIOR. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO.
Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração. A adição à base de cálculo do valor excluído indevidamente no
ano-calendário anterior caracteriza postergação do pagamento dos tributos.
CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras, incidindo sobre eles a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE.
A imposição de multa de ofício e de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício pelo fisco decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nº 2 e 4.
Numero da decisão: 1302-000.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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GLOSA DE CUSTOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. Dada a natureza e a expressividade dos valores unitários dos bens adquiridos e não tendo a recorrente trazido qualquer evidência de que os mesmos seriam meras peças de reposição para manutenção e reforma de outros itens do seu ativo, as aquisições devem ser consideradas bens do ativo permanente, sujeitos à depreciação, não podendo ser deduzidos diretamente como custos. IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Correta a glosa de custos escriturados quando o contribuinte não apresenta os comprovantes da sua realização. A escrituração contábil e fiscal faz prova a favor do sujeito passivo, desde que esteja respaldada em documentação hábil e idônea. IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração. IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. ADIÇÃO EM ANO POSTERIOR. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 267 2 sua apuração. A adição à base de cálculo do valor excluído indevidamente no anocalendário anterior caracteriza postergação do pagamento dos tributos. CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras, incidindo sobre eles a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. A imposição de multa de ofício e de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício pelo fisco decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nº 2 e 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o Conselheiro Diniz Raposo e Silva. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, do anocalendário 2003, no valor total de R$ 5.171.813,58, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/05/2008, efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 102 a 112. Foram constatadas pela fiscalização as seguintes infrações, resumidamente descritas: 1) Valor de aquisição de bens do ativo permanente deduzidos indevidamente como custo; 2) Falta de comprovação de custos; 3) Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI não utilizado em compensações; 4) Inobservância do regime de competência ao excluir da apuração do resultado fiscal do anocalendário de 2003 o saldo do crédito presumido de IPI não utilizado em compensações de impostos naquele AC, adicionandoo nos anos em que ocorreu a sua utilização (ou compensação com outros impostos); 5) Exclusão do cálculo da CSLL do valor relativo à receita de exportação. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 23/06/2008 e apresentou impugnação em 23/07/2008 (fls. 115/140), cujos principais argumentos estão bem sintetizados no relatório no acórdão da DRJRibeirão Preto, que transcrevo abaixo: O Fisco glosou custo no valor de R$ 1.187.408,28, por entender incabível a apropriação como custo das despesas provenientes da aquisição de bens que compõem o ativo permanente da pessoa jurídica, sustentando que, por serem aplicados em bens de natureza permanente e que aumentam a vida útil desses bens consumindose em período superior a um ano, deveriam ser imobilizados; A legislação autoriza a dedução da diminuição do valor dos bens do ativo, por meio dos arts. 305 e 307 do RIR, de 1999, que tratam da depreciação. O art. 249, I, do RIR, de 1999, citado no auto de infração, simplesmente determina que sejam adicionados ao lucro do exercício os custos e despesas que não sejam dedutíveis na determinação do lucro real, o que não se aplica ao caso em tela, já que exaustivamente demonstrado se tratar de apropriação de custos autorizados por lei. Não houve, também, violação ao art. 251 do RIR, de 1999, uma vez que, no caso em tela, não foi demonstrada qualquer contrariedade entre a escrituração da requerente e a legislação comercial e fiscal. No tocante ao art. 301, que não permite a dedução integral dos custos dos bens do ativo permanente quando seu valor ultrapasse R$ 326,61 ou sua vida útil ultrapasse a um ano, tal dispositivo deve ser interpretado em cotejo com o art. 305 do mesmo regulamento, uma vez que nele consta permissão Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 269 4 para a apropriação das despesas com ativo permanente, decorrentes do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal; É de se considerar que os equipamentos utilizados na usina de açúcar, em razão do desgaste pela operação ininterrupta durante o ano, se desgastam com intensidade, sendo reformados todos os anos para que tenham condição de operação, portanto, os materiais usados para reforma jamais ultrapassam o prazo de um ano; As aquisições dos bens ocorreram no primeiro e segundo trimestres de 2003 e considerando a depreciação acelerada, por se tratar de empresa em operação durante as 24 horas do dia, temse que os bens já se encontravam depreciados, à época da autuação (23/06/2008), em aproximadamente 95% de seu montante integral, razão pela qual, caso seja mantido o auto, o direito ao crédito extemporâneo deve ser garantido; Nos termos da legislação de regência, no segundo semestre de 2008, o contribuinte já teria direito à integral apropriação dos custos. Assim, nesse momento, a conduta do contribuinte somente poderia ser punida como descumprimento de obrigação acessória e não como falta de pagamento de tributo como fez a fiscalização; Deve ser reconhecida a inviabilidade da cobrança na forma como delineada pelo auto de infração, porque autorizada por lei, ou, na pior das hipóteses, seja reconhecido o direito à apropriação das despesas referentes aos equipamentos mencionados pelo Fisco, vez que já foram adquiridos há mais de cinco anos; Quanto aos custos não comprovados, alguns documentos foram extraviados e outros serão encaminhados pelas empresas fornecedoras, razão pela qual requer seja deferida a juntada dos citados documentos posteriormente. As despesas foram comprovadas por outros instrumentos probatórios, tais como a escrituração contábil regular e registro nos livros fiscais; O crédito presumido de IPI, para ressarcimento de PIS/Cofins, é incentivo fiscal para o exportador possuindo natureza jurídica de subsídio governamental e não ingresso de novas receitas operacionais na pessoa jurídica e que devam compor a base de cálculo dos impostos. A IN nº 413, de 2004, ampliou o conceito contábil de receita operacional para nele fazer constar os créditos presumidos de IPI, para ressarcimento de PIS/Cofins, que, em verdade, são incentivos dados pelo governo aos exportadores; A legislação garante ao contribuinte o prazo de cinco anos para se aproveitar do crédito presumido de IPI, razão pela qual fica a critério da defendente fazer ou não o uso do incentivo, em não o fazendo, descabida é a exigência de inclusão do mesmo na base de cálculo do IRPJ e CSLL; O crédito presumido foi concedido pelo governo para premiar o exportador, como forma de recuperar o custo do PIS/Cofins embutidos nos produtos exportados e o entendimento fiscal, na via contrária, por meio de instrução normativa, modifica o conceito do subsídio fiscal e o classifica como receita operacional, o que se mostra absurdo, uma vez que um crédito concedido para recuperar um imposto é oferecido à base de cálculo de outro; Depois do advento da Emenda Constitucional (EC) nº 33, de 2001, que instituiu a imunidade das contribuições sobre a receita de exportação, alterando o art. 149, § 2º, I da Constituição Federal (CF), não mais houve a incidência de CSLL sobre tais receitas. Impende esclarecer que, tanto nas receitas sobre as quais recaem Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 270 5 as contribuições para o PIS/Cofins, como nas receitas sobre as quais recaem a CSLL, temos as adições e exclusões previstas na legislação pertinente, e, desta operação, é que sai a base de cálculo de ambos os tributos. Assim, descabida a argumentação de que a imunidade não se aplica à CSLL já que esta tem como base de cálculo o lucro, eis que este nada mais é do que as receitas da pessoa jurídica excluídas as despesas empregadas para a produção, bem como as deduções permitidas conforme legislação de regência; Disto resulta que o lucro está contido no âmbito das receitas e, se a imunidade atinge estas, obviamente impedem que as mesmas formem o lucro para que sejam tributadas; A multa aplicada é confiscatória e ofende o princípio da moralidade (art. 37, caput da Constituição Federal – CF), da igualdade/isonomia das relações jurídicas fiscocontribuinte e viceversa (Arts. 1º, IV, 3º, I e IV, 5º, caput, c/c 150, II da CF), e da proporcionalidade e razoabilidade. Ofende, também, a Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, parágrafo único, VI; Os juros de mora exigidos com base na taxa Selic têm natureza remuneratória, contrariando o CTN. A sua aplicação para fins tributários carece de expressa previsão legal, eis que existem leis que fazem referência à aplicação da taxa Selic, no entanto não tem uma que trace seus contornos para fins tributários, para que seja atendido o princípio da legalidade; Os juros aplicados confrontamse com o preceituado no CTN, vez que vinculados à taxa Selic, possuem caráter remuneratório e possuem oscilação que se afasta do limite máximo de 1% determinado pelo CTN. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1432.914, de 17/03/2011 (fls. 197/208), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 BENS DE NATUREZA PERMANENTE. DEDUÇÃO COMO CUSTO. Os bens de natureza permanente, de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,61 devem ser ativados para futura depreciação, não cabendo a sua contabilização como custo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRIBUTAÇÃO. A receita relativa ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, deverá ser integralmente oferecida à tributação pelo imposto de renda, observandose o regime de competência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMUNIDADE. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 271 6 A norma constitucional que impede a incidência de contribuições sociais sobre receitas decorrentes de exportação aplicase apenas às contribuições que tenham incidência direta sobre a receita, não se estendendo àquelas incidentes sobre o lucro das pessoas jurídicas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 08/04/2011 (AR – fls. 212), tendo interposto recurso voluntário em 29/04/2011(fls. 215/240). A recorrente repete em suas razões de recursos, ipsis litteris, as alegações trazidas na impugnação, já transcritas anteriormente, conforme relatório do acórdão da DRJ Ribeirão Preto que adoto. Ao final a recorrente requer que seja provido recurso, e ainda que sejam afastados a multa de ofício e os juros de mora, pelas razões expostas. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 272 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Assim passo a analisar as razões de recurso em relação a cada uma das infrações imputadas nos autos. 1. Sobre a glosa de custos. 1.1 Sobre dedução indevida de bens do ativo permanente como custo. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento identificou que a recorrente lançou em sua contabilidade, diretamente como custos, a aquisição de diversos bens que, pela sua natureza e valor, caracterizarseiam como bens do ativo permanente, considerandoos indevidos e glosando tais custos. A recorrente alega que a legislação autoriza a dedução da diminuição do valor dos bens do ativo, por meio dos arts. 305 e 307 do RIR, de 1999, que tratam da depreciação. Entende que não se aplica ao presente caso os arts. 249, I, e 251 do RIR, de 1999, citados no auto de infração. Sustenta que em relação ao art. 301 do RIR/1999 que o mesmo deve ser interpretado em cotejo com o art. 305 do mesmo regulamento, uma vez que nele consta permissão para a apropriação das despesas com ativo permanente, decorrentes do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal. Alega ainda que os equipamentos utilizados na usina de açúcar, em razão do desgaste pela operação ininterrupta durante o ano, se desgastam com intensidade, sendo reformados todos os anos para que tenham condição de operação, portanto, os materiais usados para reforma jamais ultrapassam o prazo de um ano. Com relação a estas primeiras alegações sobre a matéria, observo que a recorrente traz argumentos genéricos no sentido de que os bens adquiridos e deduzidos como custos seriam todos eles utilizados para reforma de equipamentos e que seriam sujeitos a desgaste tal que sua vida útil não atingiria a um ano. No entanto, não trouxe aos autos sequer uma descrição vinculando cada um dos bens adquiridos à reforma de outros bens já constantes de seu ativo. Em contrapartida, a autoridade fiscal, em seu Termo de Constatação Fiscal relaciona em uma planilha os bens que foram adquiridos e deduzidos como custos, revelando, além do alto valor de cada item, tratarse de equipamentos autônomos e não a partes e peças de outros equipamentos. Verificase que entre os bens glosados estão, por exemplo: centrífugas de aço (R$ 360.000,00); filtro rotativo de cana (R$ 110.000,00); hidratador de cal (R$ 37.800,00); painéis para comando elétrico (R$ 545.006,02). Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 273 8 A autoridade fiscal observa, no Termo de Constatação Fiscal (fls 94), que a maior parte desses bens foram adquiridos em peça única, o que reforça a sua condição de bem permanente, in verbis: De acordo com a descrição dos materiais e da respectiva classificação fiscal, constantes nas notas fiscais (fls. 37 a 43), constatase que eles são bens de natureza permanente. Cabe ainda observar que a quantidade adquirida e respectivos valores são referentes, normalmente, a uma peça, o que também evidencia tratarse de bens de natureza permanente. Ante a natureza dos bens e a expressividade de seus valores unitários, não há como discordar das conclusões da autoridade autuante, mormente não tendo a recorrente trazido qualquer evidência de que tais bens seriam, de fato, meras peças de reposição para manutenção e reforma de outros bens do seu ativo. Com efeito, o art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece como regra que os bens do ativo permanente não podem ser deduzidos como despesa operacional, salvo se de valor inferior a R$ 326,61 ou que não ultrapassem a um ano de vida útil. O § 2º do mesmo dispositivo estabelece ainda que, o custo dos bens adquiridos ou melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse ao período de um ano, deve ser ativado para posterior depreciação. De fato, o art. 305 do RIR/1999, permite a apropriação das despesas com ativo permanente, decorrentes do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal. Tal dedução, porém não pode ser feita diretamente por meio do lançamento do valor do bem em conta de custos ou de despesas operacionais. É necessário que o bem seja registrado no ativo sendo a apuração da quota de depreciação registrável na escrituração como custo ou despesa operacional mediante a aplicação da taxa anual de depreciação permitida na legislação do imposto de renda sobre o custo de aquisição dos bens depreciáveis (arts. 309 e 310 do RIR/1999). A recorrente alega ainda que as aquisições dos bens ocorreram no primeiro e segundo trimestres de 2003 e considerando a depreciação acelerada, por se tratar de empresa em operação durante as 24 horas do dia, temse que os bens já se encontravam depreciados, à época da autuação (23/06/2008), em aproximadamente 95% de seu montante integral, razão pela qual, caso seja mantido o auto, o direito ao crédito extemporâneo deve ser garantido e que no segundo semestre de 2008, o contribuinte já teria direito à integral apropriação dos custos. Assim, nesse momento, a conduta do contribuinte somente poderia ser punida como descumprimento de obrigação acessória e não como falta de pagamento de tributo como fez a fiscalização. Sustenta que na pior das hipóteses, seja reconhecido o direito à apropriação das despesas referentes aos equipamentos mencionados pelo Fisco, vez que já foram adquiridos há mais de cinco anos. Também não procedem esses argumentos expendidos pela recorrente. A autuação se reporta ao momento da ocorrência dos fatos geradores, no caso o anocalendário 2003. Assim o transcurso do tempo entre a data de ocorrência dos fatos geradores e a data da apuração não podem produzir efeitos retrospectivos, de forma a repercutir na base de cálculo do fato gerador apurado. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 274 9 O registro das quotas de depreciação na escrituração é faculdade conferida pela legislação ao sujeito passivo; porém, para a sua dedução é imprescindível que tanto os bens depreciáveis tenham sido ativados como as quotas de depreciação, que reduzem o seu valor contábil, sejam igualmente lançadas na escrituração. A ausência desses registros na contabilidade da recorrente impede que a depreciação venha a ser considerada para fins de apuração do imposto devido no ano calendário em que a falta foi verificada. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso nesta parte. 1.2. Sobre a falta de comprovação de custos. A recorrente afirma, com relação aos custos não comprovados, que alguns documentos foram extraviados e que outros seriam encaminhados pelas empresas fornecedoras, razão pela qual requereu que fosse deferida a juntada dos citados documentos posteriormente. Alega ainda que ss despesas foram comprovadas por outros instrumentos probatórios, tais como a escrituração contábil regular e registro nos livros fiscais. A autoridade fiscal autuante descreveu a infração, no subitem A.2 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 95), nestes termos: Após decorrido longo prazo desde a primeira intimação, e mesmo reintimado, o contribuinte não apresentou as notas fiscais referentes às seguintes Requisições de Materiais, constantes no Termo de Intimação datado de 17/01/2008: (....) Em que pese tenha requerido prazo adicional para apresentação dos documentos, tanto na impugnação, como no recurso voluntário apresentado, a recorrente em momento algum trouxe ao processo novos elementos que pudessem comprovar que os custos contabilizados tinham amparo documental. A escrituração contábil não é, por si só, suficiente para comprovar a ocorrência dos fatos nela registrados, devendo estar amparados por documentação hábil e idônea, nos termos do art. 923 do RIR/19991. Ante ao exposto, não tendo sido comprovados os custos é de ser mantida a sua glosa. 1.3 Tributação Reflexa: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, nego provimento ao recurso, no que se refere à glosa de custos, também em relação à CSLL. 1 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 275 10 2. Sobre a redução indevida do Lucro Real e inobservância do regime de competência, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI. 2.1 Em relação ao IRPJ A autoridade fiscal apurou que foi excluído do lucro real apurado no ano calendário 2003, sem autorização da legislação, o valor referente a crédito presumido de IPI não utilizado em compensações. Identificou ainda a que a fiscalizada inobservou o regime de competência ao excluir, da apuração do resultado fiscal do anocalendário de 2003, o saldo do crédito presumido de IPI não utilizado em compensações de impostos naquele AC, adicionandoo nos anos em que ocorreu a sua utilização (ou compensação com outros impostos). A recorrente alega que o crédito presumido de IPI, para ressarcimento de Pis/cofins, é incentivo fiscal para o exportador possuindo natureza jurídica de subsídio governamental e não ingresso de novas receitas operacionais na pessoa jurídica e que devam compor a base de cálculo dos impostos. Afirma que a IN nº 413, de 2004, teria ampliado o conceito contábil de receita operacional para nele fazer constar os créditos presumidos de IPI, para ressarcimento de Pis/cofins, que, em verdade, são incentivos dados pelo governo aos exportadores. Sustenta que a legislação garante ao contribuinte o prazo de cinco anos para se aproveitar do crédito presumido de IPI, razão pela qual fica a seu critério fazer ou não o uso do incentivo e, em não o fazendo, é descabida a exigência de inclusão do mesmo na base de cálculo do IRPJ e CSLL. Argumenta que o crédito presumido foi concedido pelo governo para premiar o exportador, como forma de recuperar o custo do Pis/cofins embutidos nos produtos exportados e o entendimento fiscal, na via contrária, por meio de instrução normativa, modifica o conceito do subsídio fiscal e o classifica como receita operacional, o que se mostra absurdo, uma vez que um crédito concedido para recuperar um imposto é oferecido à base de cálculo de outro. Examinando as infrações apuradas e as alegações da recorrente verificase que esta excluiu da apuração do lucro real do anocalendário 2003 parte do valor lançado como outras receitas, relativo a título de crédito presumido de IPI, como ressarcimento do Pis/Cofins, apurado conforme previsto na Lei nº 9.363/1996. Parte desses valores foi adicionado ao resultado tributável dos anos calendários subseqüentes (2004 e 2005) e parte foi simplesmente excluído. Deste modo, embora a fiscalizada conteste a tributação desses recursos, o fato é que ela própria reconheceu em sua escrituração contábil e fiscal que os valores eram tributáveis. No entanto, adotou o regime de caixa na tributação dos valores, ao adicionálos ao lucro líquido somente quando da sua utilização para compensação com outros tributos. A Lei nº 9.363/1996 que instituiu o incentivo à exportação, trata o crédito presumido como ressarcimento das contribuições ao Pis e a Cofins, incidentes sobre as respectivas Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 276 11 aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo2. Portanto, em princípio, os valores apurados como crédito presumido do IPI corresponderiam ao reembolso das contribuições ao Pis e à Cofins incidentes sobre os insumos utilizados nos produtos importados, devendo ser reconhecidos contabilmente nas contas de resultado como recuperação de custos. Outra alternativa, adotada pela interessada, é a de reconhecêla como outras receitas operacionais. Assim, não há reparos ao procedimento contábil adotado pela recorrente. O litígio, portanto, cingese ao momento em que essas receitas deveriam ter sido oferecidas à tributação, o que passo a analisar. A legislação do imposto de renda adota o regime de competência para a tributação dos resultados das pessoas jurídicas. Assim, salvo disposição legal expressa em outro sentido, as receitas e demais ganhos da pessoa jurídica devem ser reconhecidas pelo regime de competência (arts. 251 e § 1º do art. 274 do RIR/1999 e § 1º do art. 187 da Lei nº 6.404/1976) 3. 2 Lei nº 9.363/1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 3 RIR/1999: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). § 1º O lucro líquido do período deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 5º). (...) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (,,,) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 277 12 Já o lucro real corresponde ao lucro líquido ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda (art. 247, caput do RIR/1999) 4. As exclusões do lucro líquido estão previstas no art. 250 do RIR/1999, in verbis: Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: a) os rendimentos e ganhos de capital nas transferências de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, quando auferidos pelo desapropriado (CF, art. 184, § 5º); b) os dividendos anuais mínimos distribuídos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei nº 2.288, de 1986, art. 5º, e DecretoLei nº 2.383, de 1987, art. 1º); c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional BTN e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei nº 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 11 de março de 1999, art. 4º); 4 RIR/1999: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 278 13 d) os juros reais produzidos por Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas para troca compulsória no âmbito do Programa Nacional de Privatização PND, controlados na parte "B" do LALUR, os quais deverão ser computados na determinação do lucro real no período do seu recebimento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 100); e) a parcela das perdas adicionadas conforme o disposto no inciso X do parágrafo único do art. 249, a qual poderá, nos períodos de apuração subseqüentes, ser excluída do lucro real até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas nos mercados de renda variável e operações de swap (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 5º). Por outro lado, a Lei nº 9.363/1996 que instituiu o incentivo fiscal para exportação, nada dispôs sobre a sua exclusão desses valores na apuração do lucro tributável ou para sua tributação apenas no momento de sua efetiva utilização, seja na forma de compensação com outros tributos, seja na forma de ressarcimento em dinheiro. Assim, à míngua de disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do lucro real no período de sua apuração. Ante ao exposto, mantenho o lançamento das infrações relativas à redução indevida do Lucro Real e à inobservância do regime de competência, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI. 2.2 Em relação à base de cálculo da CSLL Aplicamse ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL as mesmas conclusões acima, aplicadas à apuração do IRPJ. A base de cálculo da CSLL foi definida pelo art. 2o da Lei n° 7.689, de 1988, in verbis: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 279 14 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º (...) Além dessas disposições, aplicamse ao cálculo da CSLL as mesmas regras do imposto de renda, nos termos do artigo 57 da Lei 8.981, de 1995, com redação dada pela Lei 9.065, de 1995, in verbis: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Assim, inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão da base de cálculo da CSLL no período de sua apuração. Face ao exposto, mantenho o lançamento das infrações relativas à redução indevida da base de cálculo da CSLL e à inobservância do regime de competência da mesma contribuição social, em virtude da exclusão de sua base de cálculo, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI. 3. Sobre a exclusão da receita de exportação da base de cálculo da CSLL. A última infração identificada pela autoridade fiscal trata da exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 280 15 A recorrente alega que depois do advento da Emenda Constitucional (EC) nº 33, de 2001, que instituiu a imunidade das contribuições sobre a receita de exportação, alterando o art. 149, § 2º, I da Constituição Federal (CF), não mais houve a incidência de CSLL sobre tais receitas. Esclarece que, tanto nas receitas sobre as quais recaem as contribuições para o PIS/Cofins, como nas receitas sobre as quais recaem a CSLL, existem as adições e exclusões previstas na legislação pertinente, e, desta operação, é que sai a base de cálculo de ambos os tributos. Assim, seria descabida a argumentação de que a imunidade não se aplica à CSLL já que esta tem como base de cálculo o lucro e que este nada mais é do que as receitas da pessoa jurídica, excluídas as despesas empregadas para a produção, bem como as deduções permitidas conforme legislação de regência. Disto resulta, seguindo a recorrente, que o lucro está contido no âmbito das receitas e, se a imunidade atinge estas, obviamente impedem que as mesmas formem o lucro para que sejam tributadas. Com efeito, a Emenda Constitucional nº 33/2001 deu nova redação ao art. 149 da Constituição Federal de 1.988, ao incluir o § 2º que dispõe sobre a imunidade das receitas de exportação à incidência das contribuições sociais, in verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (grifei) (...) Por outro lado, a própria CF/88 estabeleceu no seu art. 195, inc. I, com a redação dada pela EC. 20/1998, que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, estabelecendo as hipóteses de incidência para as empresa, nestes termos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; (grifei) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 281 16 (...) A Constituição discriminou, portanto, as bases de incidência das contribuições sociais de forma clara, diferenciando a receita ou faturamento do lucro. Assim, não há como interpretar a imunidade prevista no inc. I do § 2º do art. 149 da Carta Magna como aplicável tanto às receitas como ao lucro. Essa questão foi objeto de decisão recente do Supremo Tribunal Federal, na análise do Recurso Extraordinário nº 564.413SC, Relator Min. Marco Aurélio, apreciada pelo pleno do STF com repercussão geral, tendo a maioria dos ministros entendido que a imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação não se aplica à CSLL, nos termos do acórdão: IMUNIDADE CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE EXPORTAÇÃO RECEITA LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria e nos termos do voto do relator, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 12 de agosto de 2010. MARCO AURELIO RELATOR Ante ao exposto, e tendo em vista o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais5, aprovado pela Portaria MF. Nº 256, de 22/06/2009, nego provimento ao recurso também nesta parte. 4. Sobre a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. A recorrente questiona a aplicação da multa de ofício e a incidência de juros de mora à taxa Selic. 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 282 17 Afirma que a multa aplicada é confiscatória e ofende o princípio da moralidade (art. 37, caput da Constituição Federal – CF), da igualdade/isonomia das relações jurídicas fiscocontribuinte e viceversa (Arts. 1º, IV, 3º, I e IV, 5º, caput, c/c 150, II da CF), e da proporcionalidade e razoabilidade. Ofende, também, a Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, parágrafo único, VI; Com relação aos juros de mora, exigidos com base na taxa Selic, sustenta que têm natureza remuneratória, contrariando o CTN. A sua aplicação para fins tributários careceria de expressa previsão legal, eis que existem leis que fazem referência à aplicação da taxa Selic, no entanto não tem uma que trace seus contornos para fins tributários, para que seja atendido o princípio da legalidade. Argumenta que os juros aplicados confrontamse com o preceituado no CTN, vez que vinculados à taxa Selic, possuem caráter remuneratório e possuem oscilação que se afasta do limite máximo de 1% determinado pelo CTN. As alegações da recorrente não podem ser acolhidas. A aplicação da multa de ofício sobre os lançamentos efetuados decorre de expressa disposição legal (art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/1996) 6, pois o crédito tributário foi constituído por iniciativa da administração fazendária, resultando na aplicação de penalidade mais gravosa do que a simples multa moratória, que incide sobre os recolhimentos feitos com atraso, porém por iniciativa do próprio sujeito passivo, antes de iniciado o procedimento fiscal. Com relação à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, e ainda ofenderia outros princípios constitucionais que, nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é “vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Assim também dispõe a Súmula CARF nº 2, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne à aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado, também esta decorre de disposição legal (Art. 13 da Lei 9.065/1995 e Art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996)7, não podendo ser acolhida por este colegiado a alegação de inconstitucionalidade do dispositivo, nos termos acima expostos. 6 Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 7 Lei nº 9.065/1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 283 18 Também não se vislumbra qualquer ilegalidade ou contrariedade ao CTN, pois o mesmo estabelece, no § 1º do seu art. 161, que a taxa de juros de mora será calculada à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso8. Além disso, a Súmula CARF nº 4, assim dispõe sobre a aplicação dos juros à taxa Selic: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto rejeito as alegações da recorrente. 5. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 8 Lei nº 5.172/66 (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 284 19 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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