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Numero do processo: 10166.908067/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início e incluindo-se o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3302-002.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 67 /2 00 9- 00 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata se de compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS e Cofins em virtude de apuração equivocada por parte da contribuinte. Ocorre que a contribuinte, constatado o erro de apuração, não retificou as respectivas DCTF’s. O despacho decisório foi pelo indeferimento da compensação em vista do crédito ter sido considerado inexistente. Após o Despacho Decisório a contribuinte retificou as DCTF’s e recorreu do indeferimento da compensação promovida. Com detalhes segue o relato da decisão de primeira instância administrativa que reproduzo, verbis: “Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp no 12537.52354.150806.1.3.040872, transmitida eletronicamente em 15/08/2006, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese, que de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, foram pagos Pis e Cofins sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Esclarece que a atividade da empresa é bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes, tendo sido pago Cofins a maior, haja vista a não observância do tratamento tributário adequado. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao Pis e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do Pis e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, por meio de PER/DCOMP. Inteirada do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Desta forma, com a apresentação das DCTF retificadoras, solicita a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, estaremos a disposição para a apresentação de outros documentos.” Após analisar as razões de impugnação, a 4ª Turma da Delegacia da Receita de Julgamento de Brasília DRJ/BSB – proferiu o acórdão no 0347.843 o qual seguiu assim ementado: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908067/200900 Acórdão n.º 3302002.391 S3C3T2 Fl. 11 3 “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Em resumo, as autoridades administrativas de primeira instância entenderam que a Recorrente apenas retificou sua DCTF, sem contudo comprovar a existência de seu direito, razão pela qual indeferiram a compensação pleiteada. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões de impugnação e rogando pela aplicação do princípio da verdade material. Conforme aviso de recebimento – AR – de fls. 25, a Impugnante foi intimada do acórdão de primeira instância administrativa em 28/05/2012 e apresentou recurso voluntário em 28/06/2012, por meio do qual reiterou suas razões de impugnações. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso não atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual não o conheço. Conforme se verifica da análise das datas apresentadas no relatório supracitado (intimação da decisão da DRJ em 28/05/12 e a apresentação do RV 28/06/12), o recurso voluntário apresentado é intempestivo e, portanto não pode ser conhecido. O contribuinte tomou ciência do Acórdão no 0347.841 (fls. 19/22), da DRJ de Brasília por meio de Aviso de Recebimento anexado às fls. 25, no qual consta como data de recebimento 28 de maio de 2012, data esta confirmada pelos correios através do carimbo de entrega. Contudo, compulsando os autos administrativos, verificase que o recurso foi protocolizado em 28/06/2012, conforme se verifica à fls. 27. De efeito, o art. 33 do Decreto no 70.235/72 dispõe , verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do mesmo diploma legal, verbis: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Assim, tendo em vista que o dia 28/05/2012, foi uma segundafeira, a contagem do prazo teve seu início no dia 29/05/2012, primeiro dia subseqüente de expediente normal, terçafeira, expirando em 30 dias, no dia 27/06/2012, uma quartafeira, dia útil. O recurso apenas foi apresentado dia 28/06/12, quintafeira. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244), razão pela qual, com o mero decurso in albis do lapso temporal respectivo, extinguese, pleno jure, como sucedeu na espécie, o direito de o interessado deduzir o recurso pertinente: "Os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244)” MS 24.274 AgR Rel. Min. Celso de Mello. Desta feita, impõese a conclusão de que a decisão a quo já se tornou definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto no 70.235/72, verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;” Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908067/200900 Acórdão n.º 3302002.391 S3C3T2 Fl. 12 5 Tendo em vista a intempestividade, o recurso não preenche os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual NÃO O CONHEÇO, deixando, portanto, de analisar o mérito. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10860.722144/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/12/2011
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91,
É nulo o lançamento quando se verifica vício material de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada, quando impedirem o conhecimento pelo contribuinte da sua conduta faltosa e da obrigação descumprida.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGOS 11 E 12 DA LEI N° 8.218/91. ART.57, III, DA MP Nº 2.15835/01, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.766/2012.
Na linha da interpretação contida no Parecer Normativo n° 3/2013, expedido em julho de 2013, entendemos que a Lei n° 8.218 ficou circunscrita apenas para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua ou caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012. Todas as outras condutas como não entrega, entrega em atraso, com erro, com inexatidões ou com omissões amoldam-se às previsões então contidas na Lei n° 12.766/2012. Apesar desta lei não estar vigente por ocasião do procedimento fiscal e nem atualmente, é indubitável que teve plena vigência enquanto o caso em debate não estava definitivamente julgado, cabendo a sua análise para fins de aplicação do princípio da retroatividade benigna.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD n° 51.008.229-7. Por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, relativamente ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 51.008.230-0, vencidos o Conselheiro Relator e o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que votaram pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer que a multa aplicada no Auto de Infração DEBCAD n° 51.008.230-0 deve ser ajustada à pena prevista no artigo 57 da Medida Provisória n° 2.138-35/2001, na redação dada pela Lei n° 12.766/2012, na estrita hipótese de se mostrar mais benéfica à Recorrente. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente vencedor. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi entenderam que o vício apontado seria de natureza formal.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
(assinado digitalmente)
LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD n° 51.008.229-7. Por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, relativamente ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 51.008.230-0, vencidos o Conselheiro Relator e o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que votaram pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer que a multa aplicada no Auto de Infração DEBCAD n° 51.008.230-0 deve ser ajustada à pena prevista no artigo 57 da Medida Provisória n° 2.138-35/2001, na redação dada pela Lei n° 12.766/2012, na estrita hipótese de se mostrar mais benéfica à Recorrente. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente vencedor. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi entenderam que o vício apontado seria de natureza formal. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator (assinado digitalmente) LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, É nulo o lançamento quando se verifica vício material de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada, quando impedirem o conhecimento pelo contribuinte da sua conduta faltosa e da obrigação descumprida. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGOS 11 E 12 DA LEI N° 8.218/91. ART.57, III, DA MP Nº 2.15835/01, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.766/2012. Na linha da interpretação contida no Parecer Normativo n° 3/2013, expedido em julho de 2013, entendemos que a Lei n° 8.218 ficou circunscrita apenas “para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua” ou “caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos”, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012. Todas as outras condutas como não entrega, entrega em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 21 44 /2 01 1- 13 Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 atraso, com erro, com inexatidões ou com omissões amoldamse às previsões então contidas na Lei n° 12.766/2012. Apesar desta lei não estar vigente por ocasião do procedimento fiscal e nem atualmente, é indubitável que teve plena vigência enquanto o caso em debate não estava definitivamente julgado, cabendo a sua análise para fins de aplicação do princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD n° 51.008.2297. Por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, relativamente ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 51.008.2300, vencidos o Conselheiro Relator e o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que votaram pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer que a multa aplicada no Auto de Infração DEBCAD n° 51.008.2300 deve ser ajustada à pena prevista no artigo 57 da Medida Provisória n° 2.13835/2001, na redação dada pela Lei n° 12.766/2012, na estrita hipótese de se mostrar mais benéfica à Recorrente. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente vencedor. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi entenderam que o vício apontado seria de natureza formal. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator (assinado digitalmente) LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.101 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 1.038 e seguintes). Adotase o relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.039 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Inferese do Relatório Fiscal que foram lavrados contra a empresa em epígrafe dois Autos de Infração de Obrigação Acessória, são eles : (...) Do Auto de Infração – AI Nº 51.008.2297 Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no Art. 11, §§ 1º, 3º e 4º da Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, na redação dada pela Medida Provisória n.º 2.158, de 24 de agosto de 2001, tendo em vista que de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a mesma apresentou arquivos digitais correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas com atraso. O Relatório Fiscal vem assim articulado: Assim, o contribuinte autuado, comprovadamente, usuário de sistema eletrônico de processamento de dados, apresentou as informações solicitadas, com atraso, em relação ao prazo de 20 dias estabelecido no TIPF, cujo vencimento ocorreu em 13/04/2011. Considerando que a apresentação completa somente se efetivou em 30/09/2011 para o exercício de 2007 e em 05/09/20011 para o exercício de 2008, transcorreram respectivamente 191 e 170 dias de atraso, entre o dia útil seguinte ao recebimento da intimação (23/03/2011) e o cumprimento da obrigação acessória exigida pelo artigo 8°, da Lei n. 10.666/2003, bem como pelo artigo 11, da Lei n° 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001. Em face da competência estabelecida no art. 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 aplico a multa de 0,02% (dois centésimos por cento), por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período de 01/2007 a 12/2008, prevista na Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. 12, inciso III, e parágrafo único, importando, nesta data, no valor de R$ Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 2.010.198,83 (Dois milhões, dez mil, cento e noventa e oito reais e oitenta e três centavos), conforme demonstrativo abaixo: NOTAS SOBRE O CÁLCULO DA MULTA: DATA DA INTIMAÇÃO, CONFORME TIPF: 23/03/2011 (RECEBIMENTO DA INTIMAÇÃO): CONTAGEM DO PRAZO A PARTIR DO DIA SEGUINTE: 24/03/2011; DATA DE VENCIMENTO DO PRAZO PARA OS ARQUIVOS DIGITAIS: 13/04/2011; DATA DE ENTREGA DOS ARQUIVOS MANAD: CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO do exercício de 2007 = 30/09/2011 2007: CONTAGEM DOS DIAS DE ATRASO (DE 24/03/2011 A 30/09/2011) 191 DIAS; % MULTA = 191 DIAS x 0,02% = 3,82 % % MULTA APLICADA = 1,00% (LIMITE MÁXIMO) CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO do exercício de 2008= 05/09/2011 2008: CONTAGEM DOS DIAS DE ATRASO (DE 24/03/2011 A 05/09/2011) 170 DIAS; % MULTA = 170 DIAS x 0,02% = 3,40 % % MULTA APLICADA = 1,00% (LIMITE MÁXIMO)’ Do Auto de Infração – AI Nº 51.008.2300 Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória , lavrado contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no Art. 11, §§ 3º e 4º da Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, na redação dada pela Medida Provisória n.º 2.158, de 24 de agosto de 2001, tendo em vista que de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a mesma apresentou arquivos digitais correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas com informações incompletas, precisamente: informações digitais da sua Folha de Pagamento com VALORES INCORRETOS/OMISSOS, em diversos campos, conforme amplamente explicitado nos itens 14 a 16 do referido documento. A multa aplicada com previsão legal na Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. 12, inciso II e parágrafo único foi assim delimitada pela autoridade fiscal: ‘A multa a ser aplicada, prevista na Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. 12, inciso I e parágrafo único, corresponde a 5% (cinco por cento), incidente sobre os valores das operações correspondentes às informações omitidas ou incorretas, limitada a 1% da receita bruta da pessoa jurídica. As informações omitidas e ou incorretas referemse a totalidade dos registros das Folhas de pagamento dos empregados (Anexo VI) e dos cooperados(Anexos I, II, III, IV, VI e VII e item 15.9). Os valores destas operações correspondem a remuneração declarada em GFIP, cujos totais anuais, conforme discriminado no Anexo X, equivalem a: Exercício de 2.007 = 25.898.884,06 5% = 1.294.944,20 Exercício de 2.008 = 29.759.711,28 5% = 1.487.988,56 Em face da competência estabelecida no art. 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, aplico a multa acima prevista importando, nesta data, no valor de R$ 2.010.198,83 (Dois milhões, dez mil, cento e noventa e oito reais e oitenta e três centavos), conforme demonstrativo abaixo: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.102 5 Das Impugnações Inconformada com as autuações a empresa apresenta suas razões de defesa, de idêntico teor aventando inicialmente a tempestividade das impugnações e relatando sumariamente a motivação de ambas as infrações e reclamando do excessivo valor da multas aplicadas. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 1.052 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * caráter confiscatório das penalidades aplicadas e ofensa ao princípio da capacidade contributiva, sendo de se considerar que as diferenças apuradas totalizaram R$ 150.488,98 (tributo com juros e multa) e somente as multas dos dois Autos de Infração em comento ultrapassaram os quatro milhões de reais. Ademais, o escopo da fiscalização seria apurar contribuições previdenciárias, de sorte que a quantificação nada tem a ver com a receita da recorrente; * não é a totalidade dos ingressos que constitui a receita bruta da recorrente, devendo ser deduzidos os repasses a terceiros; * houve cobrança em duplicidade pela lavratura de dois autos de infração relacionados à mesma obrigação acessória. Ao final requer seja reconhecido o caráter confiscatório, devendo a penalidade, quando muito, recair sobre o tributo fiscalizado. Caso contrário, requer que a exigência deixe de incidir sobre a totalidade dos ingressos, impondose a dedução dos valores repassados a terceiros prestadores de assistência à saúde e provisões técnicas. Por fim, requer o reconhecimento da impossibilidade de dupla penalização pela mesma conduta. É o relatório. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Vencido Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Confisco. Capacidade Contributiva. A recorrente alega que a multa aplicada teria efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Assevera a ofensa ao princípio da capacidade contributiva, sendo de se considerar que as diferenças apuradas totalizaram R$ 150.488,98 (tributo com juros e multa) e somente as multas dos dois Autos de Infração em comento ultrapassaram os quatro milhões de reais. Ademais, o escopo da fiscalização seria apurar contribuições previdenciárias, de sorte que a quantificação nada tem a ver com a receita da recorrente. Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente. Cobrança em duplicidade. Quanto à cobrança em duplicidade, pela lavratura de dois autos de infração relacionados à mesma obrigação acessória, cumpre destacar que, do ponto de vista hipotético, tratase de obrigações autônomas, ambas muito bem delimitadas. O Auto de Infração debcad n° 51.008.2297 tem como base legal o artigo 11, §§ 3° e 4°, c.c. art. 12, III, parágrafo único, ambos da Lei n° 8.218/91, tendo como conduta punível deixar a empresa de cumprir o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para a apresentação de arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.103 7 Já o Auto de Infração debcad n° 51.008.2300 tem como base legal o artigo 11, §§ 3° e 4°, c.c. art. 12, II, parágrafo único, ambos da Lei n° 8.218/91, tendo como conduta punível a apresentação de arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção. Entretanto, do que consta nos autos, não restou configurada a conduta de a empresa deixar de cumprir o prazo. Vejamos. Conforme Relatório Fiscal de fls. 7, o Auto de Infração debcad n° 51.008.2297 foi lavrado “por ter apresentado, com atraso, os arquivos digitais contendo as informações dos seus trabalhadores das categorias empregados e contribuintes individuais, relativas ao período 01/2007 a 12/2008”. Logo no início do relatório afirma que “o contribuinte foi intimado a apresentar as informações em meio digital em 28/12/2010 conforme TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal e TIFs – Termo de Intimação Fiscal, n° 01 e 02, de 09/08/2011 24/08/2011, respectivamente, cópias anexas” Analisando os autos, constato que o Termo de Início de Procedimento Fiscal, diferentemente do que afirma a autoridade fiscal, foi lavrado em 11/03/2011 e concedeu o prazo de 20 dias úteis para a apresentação de toda a documentação, inclusive “arquivos digitais das FP” (707/708). O próprio termo, apesar de alertar num primeiro momento para o prazo de 20 dias úteis, estabelece que “a documentação relacionada deverá ficar à disposição (...) no dia 13/04/2011”. A ciência à recorrente ocorreu em 23/03/2011, conforme AR de fls. 709. De toda sorte, o termo de retenção de documentos n° 1 foi datado de 13/04/2011 e indica que foram entregues diversos documentos, muitos dos quais arquivos digitais, dentre os quais destacase “CD folha de pagamento 2007 e 2008” e “CD folha de pagamento 13° 2007 e 2008” (fls. 711/712). Portanto, dentro do prazo de 20 dias úteis a contar de 23/03/2011, que venceu em 20/04/2011, pelo que consta dos autos. Notase a observação de que a documentação está “sujeita a conferência posterior”. Às fls. 713 consta “folha de autônomos: Janeiro 2007 à Dezembro: 2008 Em anexo: * recibo original ref pagamento a autônomos * Faturas de cooperativas (xerox)”. Os arquivos foram autenticados conforme recibos de entrega de arquivos digitais de fls. 752 e seguintes, indicando que se relacionam à folha de pagamento, conforme nome do arquivo e o próprio conteúdo “cadastro de trabalhadores”; “tabela de rubricas”; “arquivo mestre da folha”; “arquivo de itens da folha de pagamento”, etc. É verdade que nos TIFs – Termo de Intimação Fiscal, n° 01 e 02, de 09/08/2011 24/08/2011, respectivamente, constam solicitações como “informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. (MANAD) da SRF atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores das Folhas de Pagamento de todos os segurados, incluindo também os registros K200”; “FP dos credenciados de 01 a 06/2007”; FP dos cooperados apontando a base para a Previdência Social e valor do INSS com totalização mensal”; “FP estagiários de 01/2007 a 04/2008, e de 09/2008 a 12/2008”; e Rubrica 153 da FP esclarecimentos do que se trata em forma de declaração datada e assinada acompanhada dos documentos comprobatórios de Rosangela e Mauro Eduardo”. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Também é verdade que a autoridade fiscal deixa claro que os arquivos digitais originalmente entregues não continham os contribuintes individuais e cooperados e tampouco continha a contabilização da Folha de Pagamento dos empregados, registros K200”. Todavia, todas essas solicitações, do ponto do cumprimento das obrigações acessórias, devem ser entendidas como complementação aos documentos anteriormente entregues, na medida em que se reconhece que uma folha de pagamento foi entregue, ainda que com omissões e incorreções. Ora, ou consideramos tal conduta como atraso na entrega ou como omissão no documento originalmente entregue. Parecenos óbvio a duplicidade de punição, no caso concreto. Ressaltese que a situação seria diversa se a recorrente nada tivesse entregue tempestivamente e, em momento subseqüente, entregasse documentos como omissões ou incorreções. Nesta situação sim poderiam ter sido lavrados dois Autos de Infração. Portanto, o Auto de Infração debcad n° 51.008.2297 não merece prosperar. Cálculo da Multa. Receita Bruta. Retroatividade Benigna. A recorrente afirma ainda que não é a totalidade dos ingressos que constitui a sua receita bruta, devendo ser deduzidos os repasses a terceiros. Todavia, veremos que o cálculo da multa sofreu substanciais alterações diante do quadro normativo que se sucedeu à autuação, alterando, inclusive, a base sobre a qual a multa é calculada. Antes, porém, ressaltamos que, diante do que se expôs no tópico anterior, cumpre alongar a análise apenas quanto ao Auto de Infração debcad n° 51.008.2300, lavrado por ter a recorrente apresentado arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção. Como visto, a conduta punível tinha como base legal o artigo 11, §§ 3° e 4°, c.c. art. 12, II, parágrafo único, ambos da Lei n° 8.218/91. Apesar de o texto legal não ter sofrido alteração legislativa expressa, é de se reconhecer que o advento da Lei 12.766/2012, que alterou o artigo 57 da Medida Provisória n° 2.13835/2001, trouxe alterações significativas quanto às condutas puníveis referentemente a arquivos e sistemas digitais. Vejamos. O artigo 57 da Medida Provisória n° 2.13835/2001, na redação vigente à época dos fatos, não tratava especificamente de arquivos e sistemas digitais: Art.57.O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no9.779, de 1999,acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.104 9 Parágrafo único.Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Na época do procedimento fiscal, não havia que se cogitar de sua aplicação no caso em comento. Como bem agiu a autoridade fiscal, aplicavase a Medida Provisória n° 2.13835/2001, que tratava específica e exclusivamente de casos como o presente. Ocorre que, como afirmado, a Lei n° 12.766/2012 alterou substancialmente o panorama legislativo, ao prever: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido;(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento;(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário;(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços.(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento).(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput.(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) É verdade que tal dispositivo deixou de tratar especificamente do assunto, voltando a ter previsão genérica quanto ao cumprimento de obrigações acessórias, com a recentíssima Lei n° 12.873/2013. Todavia, a sua passagem no ordenamento jurídico reflete no caso em comento em matéria de retroatividade benigna. Na linha da interpretação contida no Parecer Normativo n° 3/2013, expedido em julho de 2013, entendemos que a Lei n° 8.218 ficou circunscrita apenas “para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua” ou “caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos”, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012. Todas as outras condutas, como não entrega, entrega em atraso, entrega com erro, entrega com inexatidões ou entrega com omissões amoldamse às previsões então contidas na Lei n° 12.766/2012. Assim, na hipótese de entrega com erro, inexatidões ou omissões, como no caso em comento, a multa que era de 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período (art.12, II, da Lei nº 8.218/91), passou a ser de 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da escrituração digital equivocada (art.57, III, da MP nº 2.15835/01, na redação dada pela Lei n° 12.766/2012). Apesar de tal lei não estar vigente por ocasião do procedimento fiscal e nem atualmente, é indubitável que teve plena vigência enquanto o caso em debate não estava definitivamente julgado, cabendo a sua análise para fins de aplicação do princípio da retroatividade benigna. Assim, tendo em vista ter cominado penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, “c”, Código Tributário Nacional), cumpre reconhecer que a penalidade aplicada no presente caso deve ser ajustada à pena prevista no artigo 57 da Medida Provisória n° 2.13835/2001, na redação dada pela Lei n° 12.766/2012, consistente em “0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços”. Quanto à base de cálculo da multa, o dispositivo aplicável é de clareza solar quanto ao cálculo da multa (obrigação acessória), não havendo que se cogitar de qualquer dedução ou exclusão específica da normatização das contribuições para o PIS/COFINS (obrigação principal), pleiteadas pela recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, julgado improcedente o Auto de Infração debcad n° Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.105 11 51.008.2297 e reconhecendo que a multa aplicada no Auto de Infração debcad n° 51.008.230 0 deve ser ajustada à pena prevista no artigo 57 da Medida Provisória n° 2.13835/2001, na redação dada pela Lei n° 12.766/2012, na estrita hipótese de se mostrar mais benéfica à recorrente. É como voto. André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, redator designado Após análise das razões contidas no voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Relator, peço a máxima vênia para divergir do seu entendimento, pelos fundamentos a seguir expostos: A obrigação do contribuinte de apresentar todas as informações solicitadas pela fiscalização está prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, que disciplina as obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias, inclusive acessórias: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. O ensinamento retrocitado é corroborado pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, uma vez que o Auditor Fiscal, ao solicitar os arquivos em meio digital a serem apresentados pela empresa, o faz com base nesta mesma legislação. O artigo 33, §§1º e 2º da Lei nº 8.212/1991 é exatamente aquele que autoriza o auditor fiscal a solicitar as informações de interesse da fiscalização, sendo obrigação tributária acessória já contida na Lei de Custeio da Previdência Social, cuja penalidade também está prevista na mesma Lei, nos seus arts. 92 e 102: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...). Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.106 13 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Remetendose ao Regulamento da Previdência Social, neste é que devemos encontrar a conduta tipificada e o valor da multa: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...). II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...). b) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Ora, verificandose que a Lei nº 8.212/1991, combinada com o Decreto nº 3.048/1999, prescreve a conduta e a sanção correspondente, deve ser esta a aplicada. São inúmeros os autos de infração que têm fundamento legal neste mesmo fato (Fundamento Legal AI 38) e que penalizam exatamente esta mesma conduta, sendo aplicada a multa decorrente do suposto descumprimento do art. 33 da Lei 8.212/1991. Cabe transcrever a tipificação da conduta infracional utilizada pela Receita Federal em autos de infração semelhantes: FUNDAMENTO LEGAL: 38 DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "j" e art. 373. Existindo, portanto, uma norma específica na Lei que disciplina as fontes de custeio da Previdência Social, não pode outra norma ser simultaneamente aplicada, sob pena de bis in idem. O princípio do non bis in idem é secular, erigido à condição de garantia constitucional implícita em respeito a princípios expressos, como o da estrita legalidade, da moralidade pública, da dignidade da pessoa humana e o do Estado Democrático de Direito. Por outro lado, uma lei posterior não revoga uma que lhe seja anterior se esta for especial, princípio positivado no ordenamento jurídico brasileiro através do art. 2º, §2º da Lei de Introdução ao Código Civil, conhecida pela expressão latim “lex specialis derogat legi generali”. Da análise das duas normas, verificase ainda que a Lei posterior, no caso a Lei 8.218/1991, não revogou expressamente a anterior, não era com ela incompatível e nem regulou a matéria de que tratava a anterior (art. 2º, §1º da Lei de Introdução ao Código Civil). Diante da existência de duas normas que, aparentemente, disciplinam a matéria do mesmo modo, o conflito deve ser resolvido a partir da escolha daquela que seja específica da matéria, no caso, a Lei nº 8.212/1991, que dispõe sobre o Plano de Custeio da Previdência Social, dentro do qual se encontram as contribuições previdenciárias. A Lei nº 8.218/1991, por sua vez, dispõe sobre impostos e contribuições federais, de forma genérica, inclusive sobre a prestação de informações à fiscalização e respectivas penalidades, excluindose da sua abrangência, contudo, o que se relacionar às contribuições previdenciárias, sob pena de dupla incidência (bis in idem). A simples leitura dos dois dispositivos legais aparentemente conflitantes já seria suficiente para se chegar à conclusão de que a primeira, qual seja a Lei nº 8.212/1991, deve ser a aplicada ao caso concreto. A própria penalidade instituída pela Lei nº 8.218/1991 deixa evidente que sua aplicação está limitada às hipóteses em que o tributo tem no seu fato gerador relação com a receita bruta auferida pela empresa, o que não é o caso da regra geral das contribuições previdenciárias. O art. 112 do CTN também determina que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, in verbis: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.107 15 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Outros aspectos também podem ser observados que só confirmam a afirmação acima. A Lei nº 8.218/1991 foi editada quando ainda não existia uma unificação da Secretaria da Receita Federal e da Receita Previdenciária em Super Receita, de modo que apenas os tributos administrados pela primeira eram submetidos ao regramento previsto na referida Lei, tais quais as contribuições sociais não previdenciárias (por exemplo, PIS, COFINS, CSLL) e impostos federais. Por esta razão, a penalidade aplicada no caso de entrega de arquivos digitais em descumprimento às regras determinadas em lei e em normas infralegais teve como base a receita bruta das empresas, já que diretamente relacionada com o proveito econômico que poderia ser obtido com a supressão da informação relativa aqueles tributos, que têm em sua base de cálculo algum elemento da receita bruta. Bastante coerente, portanto, a eleição da receita bruta como parâmetro da aplicação de penalidades quando o contribuinte estivesse sujeito à fiscalização de tributos que também têm em sua base de cálculo aquela mesma expressão econômica, ou pelo menos um dos seus elementos. No caso desses tributos e contribuições sociais, a omissão de informações estaria relacionada diretamente à receita bruta, seja porque as informações omitidas estariam contidas dentro desta mesma expressão econômica, seja porque o benefício obtido pelo contribuinte infrator teria repercussão no recolhimento dos tributos que a tem como base de cálculo. Se a omissão da informação poderia conferir ao contribuinte desses tributos e contribuições sociais benefício econômico proporcional à receita bruta, a penalidade também pode ser aplicada com base nesta. Para atender ao fim educativo e repressivo que devem estar presentes na penalidade, os valores que tiverem atrelados ao possível proveito econômico devem ser os utilizados para tipificação da conduta e da sanção. No caso das contribuições previdenciárias devidas pela empresa Impugnante, contudo, não existe qualquer relação com a sua receita bruta. Eventual omissão de informações não teria o condão de reduzir o montante da receita e, em consequência, do tributo devido. A base de cálculo das contribuições previdenciárias é, em regra, a folha de salário e demais remunerações pagas a quem lhe presta serviço. Eleger a receita bruta como parâmetro para a punição do contribuinte por omissão de informação absolutamente dissociada daquele valor seria permitir medida desproporcional e irrazoável. Por esta razão é que se chega, novamente, à conclusão de que a Lei nº 8.218/1991, ao utilizar a receita bruta como base para o cálculo da penalidade ao contribuinte, Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 não poderia ser aplicada às contribuições previdenciárias que, além disso, possuem norma específica prevendo a multa para o caso de supressão de informações solicitadas pela fiscalização. Não é por outro motivo que a Lei nº 8.212/1991 prevê, dentre as multas aplicáveis aos casos de descumprimento de obrigações acessórias, aquelas consistentes em percentual sobre a base de cálculo ou número de informações omitidas, sem qualquer relação com receita bruta. E não se diga que a unificação da Receita Federal, através da Lei nº 11.457/2007, teria alterado a sistemática e passado a permitir a aplicação da Lei nº 8.218/1991 às contribuições previdenciárias. Ora, a Lei que criou a Super Receita nada mais fez do que centralizar procedimentos e fixar competências, não alterando, contudo, normas relacionadas a obrigações tributárias e penalidades. Entendimento diverso levaria também à conclusão absurda de que a Lei nº 11.457/2007 teria revogado a Lei nº 8.212/1991, o que não ocorreu, tanto que mantida a aplicação pela Receita Federal às contribuições previdenciárias, tanto para lançar tributos devidos, quanto para determinar a multa devida pelo contribuinte que descumpre obrigação acessória. Em suma, a obrigação acessória descumprida está prevista no art. 33 e parágrafos da Lei nº 8.212/1991, cuja multa respectiva tem seu cálculo nos termos dos arts. 92 e 102 do mesmo diploma, combinado com o art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social, jamais a da Lei 8.218/1991. Por fim, o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, dentre o que se inclui a indicação correta da legislação em que se baseia. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. [1] Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto deinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma”, esta não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10860.722144/201113 Acórdão n.º 2302003.034 S2C3T2 Fl. 1.108 17 veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. *** O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Desta feita, tendo sido aplicada multa não prevista pela legislação previdenciária, incorreu o Auto de Infração em vergaste em vício material, por ausência de fundamentação na imputação da penalidade, pelo que deve ser anulada a autuação. Da Conclusão Ante ao exposto, deve ser DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, para que seja anulado o Auto de Infração por vício material. É como voto. Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10640.005052/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema.
O art. 62, inciso I, do anexo II do Regimento do CARF permite que se afaste a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos em que a lei já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
Dessa forma, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incide sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, bem como sobre as demais receitas típicas decorrentes de outras atividades da empresa, mas não sobre receitas não operacionais, decorrentes de alienação de parte do fundo de negócio e da marca para empresa sediada no exterior, como feito no lançamento em análise.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1102-001.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir, dos lançamentos de PIS e Cofins, a tributação da receita não operacional de R$ 2.676.982, 61, com fato gerador em 31/12/2002.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Douglas Bernardo Braga.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo da COFINS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema. O art. 62, inciso I, do anexo II do Regimento do CARF permite que se afaste a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos em que a lei já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, a Cofins tributada na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incide sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, bem como sobre as demais receitas típicas decorrentes de outras atividades da empresa, mas não sobre receitas não operacionais, decorrentes de alienação de parte do fundo de negócio e da marca para empresa sediada no exterior, como feito no lançamento em análise. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 50 52 /2 00 7- 75 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10640.005052/200775 Acórdão n.º 1102001.153 S1C1T2 Fl. 539 2 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema. O art. 62, inciso I, do anexo II do Regimento do CARF permite que se afaste a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos em que a lei já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incide sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, bem como sobre as demais receitas típicas decorrentes de outras atividades da empresa, mas não sobre receitas não operacionais, decorrentes de alienação de parte do fundo de negócio e da marca para empresa sediada no exterior, como feito no lançamento em análise. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir, dos lançamentos de PIS e Cofins, a tributação da receita não operacional de R$ 2.676.982, 61, com fato gerador em 31/12/2002. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Douglas Bernardo Braga. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10640.005052/200775 Acórdão n.º 1102001.153 S1C1T2 Fl. 540 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, bem como Autos de Infração reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que totalizaram R$ 836.645,77, incluindo principal, multa de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2007 (fls. 8 a 47). Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações constante no relatório de primeira instância (fl. 522): No Termo de Verificação Fiscal de fls. 43/46, o Fisco relata que a empresa foi intimada a comprovar os ingressos no Caixa nos valores de R$ 729.000,00, em 2003, e de R$ 171.000,00, em 2004, a título de integralização de capital, bem como comprovar a efetiva entrega à fiscalizada do valor de R$ 3.600.000,00, em 31/12/2002, também a título de integralização de capital, pela sócia ora admitida empresa ROMMY TRADING S/A. Posteriormente, nova intimação foi lavrada intimando a fiscalizada a comprovar a origem da totalidade dos recursos entregues pelos sócios à empresa para o tal aumento do capital social (24ª alteração social) que foi de R$1.000.000,00, iniciandose a integralização em 2002 indo até 2004. A 24ª alteração contratual previa a admissão do sócio ROMMY TRADING S/A, com sede no exterior, com integralização de capital no valor de R$3.600.000,00. Previa ainda que os recursos de origem estrangeira seriam convertidos em reais, na cotação do dia da operação, sendo que o montante em reais que excedesse ao valor da participação societária seria “considerado alienação de parte do fundo de negócio e da marca ABC, para a empresa Rommy Trading S/A e registrado na contabilidade como Receita não Operacional” A documentação apresentada pela autuada e pela nova sócia comprova a internação do valor de R$6.276.982,61 correspondente a USD 1,717,089.06. Confirmouse também a contabilização em 31/12/2002, na conta “Outras Receitas” do valor de R$2.676.982,61, o qual compôs a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, mas não das contribuições para o PIS e para a COFINS. A empresa não logrou comprovar a origem dos numerários entregues pelos sócios para aumento de capital. Também não foi comprovado a origem do valor de R$200.000,00, emprestado pelo sócio João Batista Peixoto, em 10/01/2005, visto que só apresentaram o comprovante de depósito, a cópia do cheque e o contrato de mútuo. A não comprovação da efetiva entrega dos recursos, pelos sócios, a título de integralização de capital, haja vista que os recibos de depósitos não identificavam o depositante. Da mesma forma a não comprovação da origem dos recursos utilizados para efetivar o empréstimo supra referido, caracterizam omissão de receitas conforme disposto no art. 282 do RIR/99. A Fiscalização salienta que foram considerados na lavratura dos autos o prejuízo fiscal e a base negativa da contribuição social. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10640.005052/200775 Acórdão n.º 1102001.153 S1C1T2 Fl. 541 4 IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 461 a 473), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, da descrição do recurso feita pelo relatório do acórdão de primeira instância (fl. 523): Em 18/01/2008, a empresa apresentou impugnação PARCIAL ao lançamento, restringindose o litígio, a falta de recolhimento da COFINS e do PIS sobre as receitas não operacionais no valor de R$ 2.676.982,61, ao IRPJ e os decorrentes (PIS, COFINS e CSLL) no que se refere ao valor de R$200.000,00, pela não comprovação de sua origem. Alega com relação à falta de recolhimento das contribuições sobre receita não operacional a inconstitucionalidade do art. 3º,§ 1º da Lei 9.718/98, o que já foi reconhecido pelo STF no recurso extraordinário 357.950. Diz ainda, que a Lei 10.833/03 bem como a 10637/02 que instituíram o regime não cumulativo para as contribuições estipularam que a base de cálculo para as empresas do lucro real, na qual se enquadra, seria a receita bruta. Verificase, “de plano, segundo o próprio entendimento da Secretaria da Receita Federal, que a base de cálculo da Cofins equivalente ao faturamento teria eficácia até a publicação da lei em comento” Com relação ao PIS, a Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002, que instituiu o PIS não cumulativo, só poderia entrar em vigor após noventa dias e como fato gerador ocorreu em 31/12/2002 o lançamento não poderia ser feito, com base nesta lei. Com relação a não comprovação da origem dos recursos que originaram o empréstimo de R$200.000,00, efetuado pelo sócio João Batista Peixoto, em 10/01/2005, o impugnante junta os seguintes comprovantes: Extrato da conta corrente; Informe de Rendimentos Financeiros do ano de 2004 e o informe da existência de aplicação BB Fix especial no R$472.700,86. Salienta que no dia 10/01/2005, ocorreu transferência da citada aplicação para a conta corrente a fim de cobrir o cheque utilizado no empréstimo. Diante do exposto requer seja dado provimento à impugnação e também que o prejuízo fiscal do exercício 2005 seja reclassificado. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação procedente em parte, cancelando a autuação de omissão de receitas por suprimento de numerário de R$200.000,00, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 521 a 525): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10640.005052/200775 Acórdão n.º 1102001.153 S1C1T2 Fl. 542 5 administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. OMISSÃO DE RECEITAS.SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Não configura omissão de receita o suprimento de numerário cuja efetiva entrega foi comprovada por documentação bancária e a origem vinculase a aplicação financeira pré existente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) mantevese o lançamento das contribuições feito com base em receita não operacional, decorrente da alienação de parte do fundo de negócio e da marca ABC, para a empresa Rommy Trading S/A, obedecendo legislação em vigor, ou seja, arts. 1º e 3º da Lei Complementar 7, de 1970, art. 24 § 2º da Lei 9.249, de 1995 e Lei 9.718, de 1998, que são as bases legais dos artigos citados do Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins; b) não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional (Parecer Normativo CST n.º 329/70), exceto quando houver declaração de inconstitucionalidade pelo STF de lei, o que não aconteceu com o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998; c) considerouse comprovada a origem do valor entregue à empresa a título de empréstimo pelo sócio João Batista Peixoto, cancelandose a infração de omissão de receitas. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 14/8/2009 (fl. 528), o contribuinte apresentou, em 14/9/2009, o recurso voluntário de fls. 529 a 537, onde argumenta que as receitas não operacionais não podem ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois o alargamento da base de cálculo das contribuições, efetuado pelos artigos 2° e 3º da Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, sendo esse o entendimento do Conselho de Contribuintes. Em 6/8/2013, o recorrente apresentou o documento de fls. 533 a 535, onde reitera os argumentos do recurso. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em março de 2014, numerado digitalmente até a fl. 537. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10640.005052/200775 Acórdão n.º 1102001.153 S1C1T2 Fl. 543 6 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Após a exoneração da exigência de IRPJ e reflexos pela decisão recorrida, sem a interposição de recurso de ofício, permanece em discussão apenas as exigências de PIS e Cofins sobre receitas não operacionais. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 44 a 47), a empresa Rommy Trading S/A, sediada no exterior, integralizou R$ 3.600.000,00 de capital social, sendo que o contrato previa que a parcela do pagamento que excedesse o valor da participação societária seria considerada alienação de parte do fundo de negócio e da marca ABC, e registrada na contabilidade como receita não operacional. Nesse sentido, comprovouse que foram internalizados R$ 6.276.982,61, correspondente a USD 1.717.089,06, tendo sido contabilizado, em 31/12/2002, na conta 3.2.01 Outras Receitas, o valor de R$ 2.676.982,61. Contudo, o contribuinte apenas ofereceu essas receitas à tributação do IRPJ e da CSLL, o que motivou o lançamento do PIS e da Cofins. De início, devese esclarecer que, apesar de em 31/12/2002 já estar em vigor o PIS nãocumulativo (arts 1º e 68, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002), o lançamento se deu com base na Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Observese que o enquadramento legal do auto de infração de PIS (fl. 30) incluiu os arts. 2°, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que fazem referência à Lei n° 9.718, de 1998. Ademais, o lançamento se divide em duas infrações, sendo que apenas a segunda se relaciona ao PIS nãocumulativo. Já para o lançamento das receitas não operacionais, utilizouse da alíquota da contribuição cumulativa de 0,65% (fl. 32). O interessante é que, na segunda infração, incluiuse uma ocorrência com fato gerador 31/12/2002, não existindo qualquer justificativa da autoridade lançadora para ter enquadrado a tributação das receitas não operacionais, na mesma data, na modalidade cumulativa. Imagino que o autuante tomou essa decisão ao constatar que o capital foi internalizado em 31/10/2002 (fl. 69), apesar da contabilização ter se dado apenas em 31/12/2002, sendo que, em outubro, ainda vigia a contribuição cumulativa. De qualquer modo, não é possível que a autoridade julgadora inove o lançamento, alterando seu enquadramento legal, sendo inconteste que as receitas não operacionais em discussão foram submetidas à tributação do PIS e da Cofins nos termos do § Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10640.005052/200775 Acórdão n.º 1102001.153 S1C1T2 Fl. 544 7 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que determinou o alargamento da base de cálculo desses tributos, passando a nela incluir a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Contudo, o Supremo Tribunal Federal reputou tal alargamento da base de cálculo como inconstitucional, reconhecendo a repercussão geral do tema, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, em 10/9/2008, tendo por relator o Ministro Cezar Peluso, que restou assim ementado: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Verificase que a jurisprudência mais recente do CARF tem adotado o mesmo entendimento, sendo que algumas decisões se fundamentam no art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 200, enquanto outras no art. 62 do Regimento. Como a decisão do STF não foi tomada na sistemática prevista pelo art. 543 B do Código de Processo Civil, penso que a alternativa correta é o uso do art. 62, inciso I, do anexo II do RICARF, que permite que se afaste a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos em que a lei já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Foi esse o entendimento do Acórdão nº 9303002.182, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 5 de fevereiro de 2013, tendo por relator o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2004 Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10640.005052/200775 Acórdão n.º 1102001.153 S1C1T2 Fl. 545 8 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Assim, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas não operacionais, como feito no lançamento em análise. É verdade que o STF vem temperando seu entendimento, estendendo o conceito de faturamento a receitas típicas decorrentes de outras atividades da empresa, ainda que acessórias. Entretanto, no caso, não há dúvidas de que os rendimentos tributados eram absolutamente atípicos, decorrentes de alienação de parte do fundo de negócio e da marca para empresa sediada no exterior. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para excluir, dos lançamentos de PIS e Cofins, a tributação da receita não operacional de R$ 2.676.982,61, com fato gerador em 31/12/2002. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 19515.001582/2006-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
GLOSA DE CUSTOS. COMPRAS NÃO COMPROVADAS. O indício de compras não comprovadas, constituído a partir de divergência entre os registros no Livro de Entradas e na Demonstração de Resultado do período, resta fragilizado quando o sujeito passivo aponta a existência de operações desconsideradas pela Fiscalização.
GLOSA DE DESPESAS. PROVA DOCUMENTAL. DILIGÊNCIA DESNECESSÁRIA. São mantidas as glosas promovidas pela autoridade fiscal se a contribuinte, depois de deixar de atender às intimações no curso do procedimento fiscal, não traz as provas das despesas escrituradas, cuja natureza é documental e em volume que poderia ter sido juntado aos autos.
Numero da decisão: 1101-001.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, relativamente à glosa de custos; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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COMPRAS NÃO COMPROVADAS. O indício de compras não comprovadas, constituído a partir de divergência entre os registros no Livro de Entradas e na Demonstração de Resultado do período, resta fragilizado quando o sujeito passivo aponta a existência de operações desconsideradas pela Fiscalização. GLOSA DE DESPESAS. PROVA DOCUMENTAL. DILIGÊNCIA DESNECESSÁRIA. São mantidas as glosas promovidas pela autoridade fiscal se a contribuinte, depois de deixar de atender às intimações no curso do procedimento fiscal, não traz as provas das despesas escrituradas, cuja natureza é documental e em volume que poderia ter sido juntado aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, relativamente à glosa de custos; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 82 /2 00 6- 73 Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório DIA BRASIL SOCIEDADE LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/08/2006 para redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa apurados no anocalendário 2001. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 217/222 a autoridade fiscal indica as seguintes infrações apuradas no anocalendário 2001: · Custos não dedutíveis, no valor de R$ 175.112,19, correspondente a compras informadas em DIPJ por valor superior ao apurado a partir do Livro Registros de Entradas; · Despesas não comprovadas, no valor de R$ 1.684.747,53, correspondente a serviços de consultoria vinculados a contrato de franquia firmado com a empresa espanhola Distribuidora Internacional de Alimentación S/A, suportados apenas por contrato e fatura, dissociados de comprovantes da realização dos trabalhos técnicos, com apresentação de estudos técnicos, instruções ou desenhos, além do registro do contrato no Banco Central do Brasil e no Instituto Nacional da Propriedade Industrial; e · Despesas não comprovadas, no valor total de R$ 259.005,01, distribuído entre contas representativas de aluguel de funcionários, aluguel de carro, e gastos diversos estrangeiro, relativamente às quais, embora intimada, a contribuinte não apresentou prova hábil, associandoas às despesas que geraram as obrigações citadas no item anterior. Impugnando a exigência, a contribuinte argüiu a nulidade dos lançamentos por falta de investigação da verdade material, afirmando superficiais as diligências realizadas, que não atentaram para a regularidade dos custos deduzidos, bem como para a grande gama de documentos que comprovam os serviços prestados e os aluguéis de veículos, bem como a adição ao lucro tributável de parte das despesas glosadas. Apresentou demonstrativo dos custos deduzidos e observa que boa parte das glosas corresponde a bonificações computadas no resultado no momento da saída das mercadorias. Quanto aos serviços de consultoria, argumentou que apenas uma intimação lhe foi dirigida e que somente por ocasião do lançamento tomou conhecimento dos comprovantes pretendidos pela Fiscalização, os quais estariam sendo apresentados na defesa. Demonstrou a adição de parte das despesas glosadas e junta comprovantes das despesas com aluguéis de veículos. Subsidiariamente, pediu a conversão do julgamento em diligência para aprofundamento das investigações fiscais. A Turma julgadora rejeitou a argüição de nulidade do lançamento porque não verificadas as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, mas com base no art. 60 do mesmo diploma legal saneou irregularidades relativamente à glosa de despesas com serviços de Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 4 3 consultoria, por entendêlos provados por meio dos documentos juntados à impugnação. Afastou, também, parte da glosa de despesas com aluguel de veículos, rejeitando a prova por amostragem e identificando a demonstração apenas da parcela correspondente a R$ 3.616,83. Com referência à glosa de custos, a exigência foi mantida porque a contribuinte não logrou demonstrar que as bonificações não estariam consideradas nas entradas computadas no cálculo fiscal, bem como não evidenciou seu prévio reconhecimento como receitas. Também foram mantidas as glosas de despesas que a contribuinte afirmou ter adicionado ao lucro real, porque não demonstrada a correspondência entre a glosa e as adições, bem como os valores registrados a título de gastos diversos estrangeiro, porque dissociado de qualquer prova. Por fim, rejeitou a conversão do julgamento em diligência porque a prova documental deveria ter sido apresentada na impugnação. As glosas no valor total de R$ 2.118.864,73 foram reduzidas para R$ 430.500,37, mas como ensejaram apenas alteração do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, não houve crédito tributário exonerado, razão pela qual a decisão não se submete a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/09/2013 (fl. 3635/3636), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/10/2013 (fls. 3654/3665). Preliminarmente argúi a nulidade parcial da decisão recorrida, na parte em que lhe foi desfavorável, porque a ausência de diligência teria ensejado cerceamento ao seu direito de defesa. Invoca o princípio da verdade material, cita resolução deste Conselho, e assevera que a decisão do Colegiado não pode assentarse na incerteza, num estado de dúvida, até porque não é possível a presunção neste caso, mormente tendo em conta o exame superficial da documentação comprobatória apresentada à Fiscalização. Assim, além de ser necessária a conversão do julgamento em diligência, entende imperiosa a devolução dos autos à instância inferior para análise adequada das razões de defesa e das provas apresentadas. No mérito, afirma que as provas juntadas aos autos são suficientes para validar as compras supostamente lançadas a maior na DIPJ, reafirmando que seus livros fiscais não representam a totalidade dos custos incorridos, especialmente em razão das mercadorias entradas a título de bonificação. A autoridade fiscal limitou seu exame ao resumo dos Livros de Registro de Entradas, e desconsiderou aqueles itens, afastandose da busca pela verdade material, consoante doutrina que transcreve. Quanto às demais despesas glosadas, reafirma que a adição sob o título “Demais Provisões” certamente abrange os valores deduzidos no resultado, e contesta a razão para maior detalhamento, se foi cabalmente comprovado o acréscimo do valor, conforme se depreende nas cópias do LALUR, dos Livros Diário e Razão. A decisão recorrida teria se fundado na presunção de inveracidade das informações prestadas pela recorrente, em que pese ser inequívoca a prova da verossimilhança, através de recibos, balancetes e livros contábeis da recorrente. Estende estas mesmas razões à comprovação de despesas com aluguel de carros, afirmando que a decisão recorrida carece de fundamentação, e acrescenta que as despesas com gastos diversos estrangeiro também foi demonstrada por amostragem na impugnação. E diz ser justificável tal amostragem, na medida em que foram juntadas mais 1500 folhas aos autos, somente de documentação. Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 5 4 Pede que seja declarada a legitimidade dos custos e despesas realizados, mas subsidiariamente pede a conversão do julgamento em diligência para, inclusive, evidenciar o encontro de contas entre os valores declarados e os registros de entrada de mercadorias. Finaliza invocando a necessária busca da verdade material. Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre rejeitar a argüição de nulidade da decisão recorrida, pois o indeferimento motivado de diligência requerida em impugnação não acarreta cerceamento ao direito de defesa do autuado, na medida em que o Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por sua vez, o mesmo diploma legal fixa os seguintes requisitos para apresentação da prova documental: Art.16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;( acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) E, como relatado na decisão recorrida, a impugnante requereu, subsidiariamente, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que o Auditor Fiscal aprofunde suas investigações e examine com a cautela necessária os documentos contábeis da empresa, quando facilmente concluirá pela legalidade da dedução dos custos e das despesas glosados. A autoridade julgadora de 1a instância, por sua vez, confrontou as provas reunidas pela Fiscalização com aquelas trazidas pela impugnante, e na parte da exigência que foi mantida declarou os elementos apresentados insuficientes para desconstituir a acusação fiscal, e concluiu que, por se tratar de prova documental, incumbiria à contribuinte carreálas aos autos: Considerando que, conforme já exposto, a prova documental deve ser apresentada na impugnação (e que não se vislumbra no caso em tela as exceções previstas) e que não há a necessidade de melhor instrução do processo, desnecessária a conversão do julgamento em diligência. Ao contrário do que entende a recorrente, o princípio da verdade material não impõe à autoridade julgadora o dever de converter o julgamento em diligência, com vistas a Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 7 6 suprir ônus probatório que entende imposto ao sujeito passivo. Na medida em que a autoridade julgadora de 1a instância exteriorizou seus argumentos para concluir que a acusação estava validamente formatada e incumbiria ao sujeito passivo provar os fatos alegados, a decisão está devidamente motivada, e ainda que este Colegiado discorde de tais argumentos, cumprelhe deferir a diligência e/ou reformar a decisão recorrida, e não declarar sua nulidade. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida. No mérito, cumpre inicialmente detalhar como se desenvolveu o procedimento fiscal. Por meio do Termo de Início de Fiscalização de fl. 72/73, cientificado à contribuinte em 17/02/2005, a autoridade lançadora concedeu à contribuinte 5 (cinco) dias úteis para apresentação de seus livros contábeis e fiscais pertinentes ao anocalendário 2001, bem como comprovantes de pagamentos, passivos, retenções e recolhimentos, além de todos os comprovantes das receitas, custos e despesas. A resposta da contribuinte não está juntada aos autos. Em 05/07/2005 a contribuinte foi cientificada de outra intimação exigindo lhe a apresentação, em meio magnético, dos livros contábeis e fiscais antes solicitados (fl. 92), mas também não há registro da resposta apresentada pela contribuinte. Na seqüência, em 05/08/2005, a contribuinte é intimada a apresentar, em 5 (cinco) dias úteis, contratos e comprovações das movimentações de recursos contabilizadas, dentre outras, nas contas aluguel de funcionários, aluguel de carro, e gastos diversos estrangeiro (fls. 94/95). Em 04/10/2005 a contribuinte é reintimada a apresentar estes elementos (fl. 96). Em 02/12/2005 é lavrado termo de continuação de procedimento fiscal sem exigência de outros elementos (fl. 98), mas em 18/05/2006 a autoridade lançadora cientifica a contribuinte de nova reintimação, em razão de a intimação de 05/08/2005 não ter sido atendida integralmente até aquela data (fl. 102). Em paralelo, em 08/02/2006 a contribuinte é intimada a apresentar os disquetes contendo os registros magnéticos dos Livros Registro de Entradas e Saídas, referentes às filiais 13 e 18, faltantes nos disquetes apresentados anteriormente (fls. 99/100). Em 23/03/2006 é lavrado termo de continuação de procedimento fiscal sem exigência de outros elementos (fl. 101). Às fls. 103/130 estão juntados demonstrativos dos registros mensais nas contas aluguel de funcionários, aluguel de carro, e gastos diversos estrangeiro, controles de contacorrente intragrupo e documentos referentes ao contrato de franquia. Na seqüência, estão juntadas cópias de folhas do Livro Diário (fls. 131/167). Em 08/06/2006 a contribuinte é intimada a justificar, em 5 (cinco) dias úteis, a diferença apurada pela fiscalização, entre os valores das compras informadas pela empresa na sua DIPJ/2002, baseados nos balancetes e na escrita fiscal, em confronto com os Livros de Registro de Entradas, conforme Mapas em anexo, apresentado, para tanto, demonstrativo indicando folhas e livros de registro de valores (fls. 168/215). Em 08/08/2006 é lavrado termo de continuação de procedimento fiscal sem exigência de outros elementos (fl. 216). Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 8 7 Em 28/08/2006 a contribuinte é cientificada da conclusão do procedimento fiscal. No Termo de Verificação Fiscal, relativamente às infrações que subsistem em litígio, a autoridade lançadora registra que: · A glosa de custos foi apurada mediante confronto dos valores lançados a título de compras nos balancetes contábeis e na DIPJ (R$ 10.710.481,88) e do montante apurado a partir dos Livros Registros de Entradas (R$ 10.535.369,69), digitados pela Fiscalização em razão de inconsistências verificadas nos registros magnéticos apresentados pela contribuinte; · As glosas de despesas não comprovadas com aluguel de funcionários, aluguel de carro, e gastos diversos estrangeiro decorreram do fato de a contribuinte, embora intimada e reintimada, não ter apresentado a documentação comprobatória. Como se vê, ao longo de 18 (dezoito) meses, a autoridade fiscal questionou diversos valores contabilizados pela contribuinte, mas somente nos últimos 6 (seis) meses do procedimento fiscal passou a questionar os registros de entradas e saídas da contribuinte, lavrando uma única intimação 2 (dois) meses antes da conclusão do trabalho fiscal para que a contribuinte, em 5 (cinco) dias úteis, justificasse a diferença apurada pela fiscalização, entre os valores das compras informadas pela empresa na sua DIPJ/2002, baseados nos balancetes e na escrita fiscal, em confronto com os Livros de Registro de Entradas, conforme Mapas em anexo, apresentado, para tanto, demonstrativo indicando folhas e livros de registro de valores (fls. 168/215). Não há notícia, nos autos, da resposta apresentada pela contribuinte, e no Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora nada menciona a respeito, e inclusive lavra termo de continuação de procedimento fiscal em 08/08/2006 sem exigir outros elementos ou esclarecimentos da contribuinte (fl. 216). Os mapas que instruem a intimação de fl. 168 estão consolidados no resumo de fl. 169, no qual a Fiscalização demonstra o total de entradas em cada mês e exclui aqueles que não seriam representativos de compras, somados aos registros correspondentes a devoluções, para determinar o montante de compras líquidas confrontados mensalmente com os registros contábeis transpostos para a DIPJ. Apesar das oscilações mensais, de valores mais representativos, o confronto anual dos valores escriturados resulta na diferença de R$ 175.112,19, glosada pela Fiscalização. Os demais mapas juntados detalham as operações entre os estabelecimentos da contribuinte (matriz e filiais 0002 a 0020). Verificase que, em suas análises, a autoridade fiscal não admitiu como registros de compra aqueles escriturados sob códigos 122 (transferência para comercialização), 132 (dev. vendas mercadorias adquiridos e/ou recebidas terceiros), 176 (transferência para comercialização em op. sujeitas em regime subst. tributária), 178 (dev. vendas mercadorias adquiridos e/ou recebidas terceiros em op. suj. reg. subst. tributária) 191/291/391 (compra ativo imobilizado), 192 (transf. para o ativo imobilizado), 197/297 (compra material para uso ou consumo), 199.1/199.9/299.1/299.9/399.9 (outras entradas ou aquisições de serv. não especificados), bem como valores indicados sob o título “icms” e “devolução”. Em sua impugnação, a contribuinte juntou demonstrativos às fls. 273/274 nos quais confronta os registros contábeis com o Livro Registro de Entradas e identifica que o Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 9 8 montante compras transportado da contabilidade para a DIPJ é afetado pelas seguintes rubricas que não fazem parte do fiscal: 1) desconto promocional (R$ 5.069,15); 2) transferência entre armazéns (R$ 13.246,34, negativo); 3) diferença de frete (R$ 33.200,11); 4) bonificação (R$ 92.617,51); e 5) provisão entrada s/ fatura (R$ 58.873,74). Tais valores, somados, superariam em R$ 1.421,96 a diferença apurada pela Fiscalização (R$ 175.112,19). Embora a contribuinte não tenha apresentado, em sua defesa, as notas fiscais de bonificação, observase que o montante alegado é significativamente inferior àqueles escriturados sob códigos representativos de outras entradas ou aquisições de serv. não especificados. Por sua vez, apenas a partir de 2003 estas entradas passaram a ser registradas sob CFOP específicos (1.910/2.910/3.910), e deixaram de ser computadas nos CFOP residuais (1.99, 2.99, 3.99). Assim, é válido concluir que a autoridade fiscal não tenha considerado estas entradas quando identificou as compras escrituradas no Livro Registro de Entradas. Esta Conselheira já teve oportunidade de apresentar a esta Turma de Julgamento abordagem feita pela DRJ/São PauloI acerca da sistemática de bonificações exigidas pelas redes de varejo para colocação das mercadorias em suas lojas. Do voto vencedor do Acórdão nº 110100.659 extraise: De outro lado, as receitas informadas na DIPJ, decorrentes de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria, representaram, em 2001, R$ 1.925.488.053,98, a evidenciar que as bonificações contabilizadas no período (R$ 55.430.504,17) representaram menos de 3% daquele montante, compatível com os percentuais acima negociados, e, em regra, presentes nas demais grandes redes de varejo, e até nas menores, como bem abordado pela autoridade julgadora de 1a instância: 1 no domínio “skywalker.com.br”, há a seguinte matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, de 18/01/2004, de vários autores, cujos trechos relevantes para a compreensão da natureza dessa despesa são a seguir reproduzidos: “A ditadura do varejo Fornecedores revelam as pressões e as exigências dos grandes e até dos pequenos supermercados (...) Entre as exigências, consideradas descabidas pelas indústrias, está a verba incondicional, um tipo de "pedágio" que o fornecedor paga para colocar a mercadoria nas grandes redes. Tratase de um porcentual sobre o valor da venda, sem a contrapartida da prestação de um serviço, como ocupar um espaço mais nobre na loja. Outras exigências são o pagamento de cifras elevadas para manter o produto exposto na prateleira e até a cobrança de um porcentual sobre o crescimento de vendas. A novidade agora é que essa rotina começa a ser incorporada pelos supermercados menores, sobretudo os aglutinados em centrais de compras que já somam mais de 130 espalhadas pelo País, segundo o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. É que os supermercados menores perceberam o enorme poder de barganha que podem exercer em relação às indústrias, interessadas em escapar da ditadura dos gigantes do varejo na hora de fechar um contrato de fornecimento. (...) Um fabricante ... cita como exemplo uma verba de distribuição cobrada do fornecedor pelo fato de a mercadoria ser entregue em apenas um local. Também são cobradas cifras extras quando há publicidade de um produto nos encartes semanais da rede de supermercados. De acordo com o fabricante, o diferencial Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 10 9 entre a pressão exercida pelas grandes redes e os pequenos varejistas é apenas o porcentual da comissão cobrada. Descontos Quanto maior a rede, mais extensa é a lista de "bonificações", ou descontos especiais, exigidas no contrato assinado entre varejistas e fornecedores. "Os supermercados alavancam o crescimento em cima da indústria", diz um grande fornecedor. Na lista de exigências, entram itens como verba para a inauguração e reforma de lojas, para informatização, para publicidade cooperada, descontos no aniversário da rede, para a colocação de novas linhas de produtos nas gôndolas, e assim por diante. "Existe uma nomenclatura vasta para se obter descontos adicionais, regulada em contrato formal, que determina como vai ser a relação comercial entre ambas as partes", admite um varejista. O lugar que um produto ocupa nas prateleiras, mais próximo ou distante dos olhos do consumidor, também tem um preço. Metas de faturamento acertadas com a indústria e cumpridas podem significar outras bonificações. Segundo uma fonte de uma grande indústria, são, no mínimo, 25 itens envolvendo descontos de todo tipo. "Há até mesmo exigências como desconto no caso de um concorrente abrir uma loja próxima para compensar uma eventual queda de demanda." A última que inventaram, revela, foi uma verba para fechamento de loja, para compensar prejuízos com mercadorias. "Alguns pagaram, mas depois essa exigência caiu." A loja nova é sempre financiada pelos fornecedores. Tratase do tradicional "enxoval", o primeiro lote de mercadorias colocado na loja de graça. A posição que o produto ocupa na prateleira também tem um custo. A ponta de gôndola esquina entre um corredor e outro da loja, segundo o jargão do setor é o local mais nobre para o produto. Fabricantes contam que o "aluguel" desse espaço varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil pelo período de duas semanas. (...) ... O professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e especialista em varejo, Nelson Barrizzelli, lembra que esse processo reflete a decisão tomada pelas indústrias no início dos anos 80 em reduzir equipes de vendas, concentrandose nas grandes redes e no atacado, para cortar custos. Nos anos 70, conta o especialista, que fazia parte da direção da empresa, a Cica atendia a cerca de 46 mil pontosdevenda; hoje a companhia não abastece mais de 10 mil varejistas. (...) Quanto às inúmeras cláusulas incluídas no contrato, o diretor do Pão de Açúcar lembra que cada vez mais a rede presta serviços e tem de ser remunerada por isso. "Eu não vendo marca", diz o executivo. Ele considera muita "petulância" do fornecedor reclamar das condições que, segundo ele, são previamente combinadas. "Ele pode vender para outro." Avaliação semelhante é feita pelo diretor comercial do Grupo Sonae, que controla a rede de hipermercados Big, Abílio Almirante. Ele diz que as exigências existem porque o varejo fez investimentos pesados em logística, novas lojas e, na prática, é uma vantagem para o fornecedor vender o produto na rede. "Isso faz parte do negócio", diz o executivo, alegando que o varejo presta serviço à indústria. Quanto aos porcentuais cobrados para exibir o produto no supermercado, Almirante lembra que a prateleira da loja não é elástica. A entrada do produto é negociada, diz, para não afetar a rentabilidade da categoria. Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 11 10 (...)” (grifouse e negritouse) Considerese, ainda, que o valor pago ao Carrefour foi por ele determinado ao emitir o boleto de cobrança, sendo pouco crível que esta despesa pudesse ter sido majorada para além das disposições contratuais, especialmente se a autuada, na condição de devedora, a reconhece e paga. No presente caso, a matéria é apreciada sob a ótica da rede de varejo que recebe os produtos em bonificação, e tem a obrigação de registrálos em seu estoque, como entrada que somente se distingue das demais compras por ter como contrapartida o registro de uma receita, e não de uma obrigação ou desembolso financeiro. Além das bonificações, a contribuinte também teria computados como registro representativo de compra parcelas referentes a diferença de frete (R$ 33.200,11) e de provisão entrada s/ fatura (R$ 58.873,74), as quais poderiam não ter lastro em notas fiscais emitidas, sendo omitidas dos registros fiscais totalizados pela Fiscalização. Frente a estes esclarecimentos, poderseia argumentar, como fez a autoridade julgadora de 1a instância, que a prova apresentada foi incompleta, e assim negar a necessidade de diligência para sua complementação, bem como afirmar imperioso tal procedimento para confirmação do início de prova apresentado, tendo em conta o volume de elementos cuja juntada aos autos seria necessária para comprovar não só aquelas diferenças, como também que elas não estavam computadas nos valores já considerados pela Fiscalização. Todavia, devese ter em conta que a autoridade fiscal apenas erigiu um indício de irregularidade no registro de custos deduzidos na apuração do anocalendário 2001. Não demonstrou que parcelas foram indevidamente registradas, mas apenas apontou uma incompatibilidade entre os totais anuais escriturados nos registros fiscais e nos livros contábeis/DIPJ. A explicação para a diferença pouco representativa identificada pela Fiscalização (R$ 175.112,19 do total de compras deduzido de R$ 10.710.481,88), mormente tendo em conta que a contribuinte opera como rede de vendas a varejo, poderia decorrer não só dos fatores alegados pela contribuinte, como também de diversos outros, como, por exemplo, a falta de escrituração de alguma nota fiscal de compra, ou mesmo a postergação ou antecipação do registro, em outro anocalendário. Neste sentido, aliás, os confrontos mensais apresentados pela Fiscalização em seu demonstrativo de fl. 169 evidenciam que na maior parte deles há diferenças bem mais significativas que a apuração consolidada do anocalendário. Concluise, do exposto, que a acusação fiscal, fundada em indício de irregularidade no registro de compras do anocalendário 2001, restou fragilizada pelas evidências em contrário apresentadas pela contribuinte em impugnação, e os elementos ali juntados, embora não delineiem por completo os fatos alegados, são suficientes para por em dúvida a apuração fiscal, impondo o cancelamento da exigência. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, relativamente à glosa de custos. Com referência às glosas de despesas com aluguel de funcionários, aluguel de carro, e gastos diversos estrangeiro, verificase que a contribuinte, embora por três vezes intimada, não apresentou à Fiscalização a documentação correspondente. Em sua impugnação, apresentou documentos que estariam juntados às fls. 1846/1863, vez que depois daqueles referentes à glosa de custos (fls. 273/462), os demais juntados às fls. 463/1485 foram Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 12 11 interpretados pela autoridade julgadora como vinculados as despesas de consultoria, e a contribuinte não discordou deste ponto específico em seu recurso voluntário. A defesa limitase a questionar a decisão recorrida acerca da necessidade de detalhamento dos valores adicionados no LALUR, e alegar que demonstrou as despesas por amostragem, justificada em razão de ter juntado mais de 1500 folhas aos autos. Com referência à glosa de aluguel de funcionários, a contribuinte aduziu que do montante de R$ 211.120,00 adicionou a parcela de R$ 88.000,00 ao lucro real. Conforme balancete à fl. 62, tais valores foram escriturados na conta 511221, no grupo Outras despesas administrativas (R$ 3.138.198,74), subgrupo Viagens e estadias (R$ 674.447,31). Na DIPJ, os valores registrados a título de Outras Despesas Operacionais totalizam R$ 1.362.414,63, dos quais foi adicionada a parcela de R$ 8.185,35 (fl. 10). Somadas às demais despesas indedutíveis de remuneração de dirigentes (R$ 17.910,02), despesas de veículos (R$ 27.112,41), depreciação (R$ 10.574,43) e demais provisões (R$ 2.499.440,13), as despesas operacionais indedutíveis, adicionadas ao lucro real, representaram o total de R$ 2.563.222,34 no anocalendário 2001 (fl. 10/12). Além desta adição, a contribuinte declarou a parcela de R$ 502.165,44, a título de Outras Adições, de modo que o ajuste total representou R$ 3.065.387,78. A contribuinte, por sua vez, alega que o valor glosado integraria o montante declarado a título de Demais Provisões, cujo valor de R$ 2.499.440,13 foi integralmente adicionado. Por sua vez, os registros da Parte A do LALUR também indicam adições no valor total de R$ 3.065.387,78, compostos pelas seguintes parcelas (fl. 1852): Como se vê, não há adição específica para os valores lançados na conta representativa de aluguel de funcionários (número 511221) e, para admitila integrada ao Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 13 12 grupo de Despesas Operacionais não dedutíveis, extraído das contas contábeis de nº 222111 ao 22227 seria necessário, minimamente, uma demonstração da composição do montante de R$ 1.942.673,64, mormente tendo em conta que o número da conta contábil nº 511221, a primeira vista, não integra o intervalo referido no LALUR, e que as demais contas que não integram aquele intervalo foram objeto de adições individualizadas, à semelhança da conta 523031 (Gasolina), que também integra o grupo Viagens e Estadias. Evidente, portanto, que ao contrário do que foi alegado, não está cabalmente comprovado o acréscimo do valor, conforme se depreende nas cópias do LALUR, dos Livros Diário e Razão. Logo, não há qualquer presunção de inveracidade das informações extraídas de sua escrituração. Como demonstrado, desde as intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, a prova exigida da contribuinte é de natureza documental e o início de prova produzido em impugnação, e não complementado em recurso voluntário, não se mostra hábil a suscitar dúvidas acerca das conclusões fiscais. Por tais razões, a diligência é desnecessária e a glosa deve ser mantida. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas referentes a aluguel de funcionário. Com referência às despesas com aluguéis de veículos, a autoridade julgadora de 1a instância admitiu as provas juntadas às fls. 1857/1863 para excluir, do total glosado de R$ 14.805,78, a parcela de R$ 3.616,83, resultante da soma das operações nos valores de R$ 1.630,78 , R$ 249,28, R$ 207,92 e R$ 1.528,85. À fl. 1863 a contribuinte juntou extrato dos registros contábeis que totalizaram o montante glosado de R$ 14.805,78, evidenciando que além das operações admitidas, outras 10 (dez) comporiam o saldo escriturado no ano calendário 2001, mas em sua defesa limitase a alegar que a documentação necessária para comprovação das operações seria volumosa, requerendo diligência para sua complementação. Como se vê, a prova documental era factível, devendo ser indeferida a diligência requerida porque desnecessária. E, considerando que também aqui a contribuinte não havia atendido às diversas intimações que lhe foram dirigidas, a glosa deve subsistir. Acrescentese, por oportuno, que a despesa glosada foi contabilizada na conta nº 523021, a qual não representa adição específica no LALUR, como antes demonstrado, e não integra o intervalo de contas que representaram a adição de R$ 1.942.673,64. O presente voto, portanto, é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas referentes a aluguéis de veículos. Por fim, no que tange à glosa de despesas com gastos diversos estrangeiro, a recorrente alega que a demonstrou por amostragem na impugnação, mas nenhum outro documento foi juntado para além do que antes descrito. Por sua vez, caso a contribuinte esteja alegando que também adicionou estes valores ao lucro real, constatase que, à semelhança do que já dito acerca da glosa de aluguel de funcionários, os registros na conta 523091 (gastos diversos estrangeiro) não constituem adição específica ao lucro real do anocalendário 2001 e a contribuinte não apresentou demonstração da composição do montante de R$ 1.942.673,64, o qual, primeira vista, resulta de contas numeradas em intervalo no qual não se inclui a despesa em questão. Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001582/200673 Acórdão n.º 1101001.101 S1C1T1 Fl. 14 13 Assim, importa aqui concluir também que, desde as intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, a prova exigida da contribuinte é de natureza documental e o início de prova produzido em impugnação, e não complementado em recurso voluntário, não se mostra hábil a suscitar dúvidas acerca das conclusões fiscais. Por tais razões, a diligência é desnecessária e a glosa deve ser mantida. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas referentes a gastos diversos estrangeiro. Diante de todo o exposto, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a glosa de custos no valor de R$ 175.112,19, com o conseqüente ajuste do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa apurados no anocalendário 2001. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10280.720852/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
LUCRO ARBITRADO.NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS INDISPENSÁVEIS À TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL.
A não apresentação dos livros obrigatórios e da documentação correspondente, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a conferência dos valores tributados, restando como única alternativa o arbitramento dos lucros para efeito da tributação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF.
Não pode esse E. Tribunal cancelar lançamentos fiscais por violação de regra constitucional, visto o teor da Súmula nº 2 do CARF, que exclui a competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria essa reservada ao Poder Judiciário.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso. Ausente o conselheiro João Carlos de Lima Junior, tendo sido substituído pelo Conselheiro André Almeida Blanco. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna, sendo a sessão de julgamento sido presidida pelo Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros os conselheiros Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Carlos Mozart Barreto Vianna, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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A não apresentação dos livros obrigatórios e da documentação correspondente, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a conferência dos valores tributados, restando como única alternativa o arbitramento dos lucros para efeito da tributação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. Não pode esse E. Tribunal cancelar lançamentos fiscais por violação de regra constitucional, visto o teor da Súmula nº 2 do CARF, que exclui a competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria essa reservada ao Poder Judiciário. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso. Ausente o conselheiro João Carlos de Lima Junior, tendo sido substituído pelo Conselheiro André Almeida Blanco. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Carlos Mozart AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 52 /2 00 8- 37 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 Barreto Vianna, sendo a sessão de julgamento sido presidida pelo Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros os conselheiros Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Carlos Mozart Barreto Vianna, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de auto de infração que cobra da contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, relativo ao ano calendário de 2004, em razão de apuração de omissão de receitas, provenientes de depósitos bancários e outros créditos de origem não comprovada, bem como provenientes de depósitos de prestação de serviços por meio de cartão de crédito e débito de duplicatas. A fiscalização usou a modalidade de arbitramento do lucro para realizar os lançamentos dos tributos acima mencionados. Vejamos com detalhes os fatos narrados no Relatório Fiscal: Em 26/05/2008, fomos entregar ao contribuinte o Termo de Iníco de Procedimento Fiscal no endereço constante dos dados cadastrais Receita Federal do Brasil, qual seja, Av. Bras de Aguiar, n» 612, Bairro de Nazaré, BelémPa. Entretanto, ao chegarmos no referido endereço, constatamos que neste endereço funciona a empresa Rent Hotéis do Brasil, CNPJ nº 07.984.371/000102, tendo sido entregue por um de seus sócios o Contrato Social e suas alterações posteriores desta empresa. Por conseguinte, foi Lavrado Termo de Constatação Fiscal para registrar tal fato. No mesmo dia (26/05/2008), conseguimos entregar o Termo de Início de Procedimento Fiscal ao sócio administrador do contribuinte, Sr. João Teixeira Marques dos Reis, CPF 008.298.54215, intimando o contribuinte a apresentar à fiscalização, no prazo de 20 (vinte) dias, os livros contábeis e fiscais, bem como os Extratos Bancários de contas mantidas pelo mesmo nas instituições financeiras Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal, Banco Safra S/A, Banco Itaú S/A, Banco Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10280.720852/200837 Acórdão n.º 1201000.985 S1C2T1 Fl. 3 3 Bradesco S/A e Banco Sudameris Brasil S/A, referentes ao ano calendário 2 004. Em 16/06/2 008 (pela parte da manhã), o contribuinte, por intermédio de seu procurador, solicitou prorrogação de 20 (vinte) dias para a entrega da documentação objeto da intimação, sendo concedida expressamente tal prorrogação. No mesmo dia (16/06/2008, pela parte da tarde), o contribuinte solicitou p r o r r o g a ç ã o de 60 (sessenta) dias para a entrega da documentação objeto da intimação, não sendo concedida expressamente tal prorrogação. Em 19/06/2008, cientificamos o contribuinte, através do Termo de Ciência e de Continuação de procedimento Fiscal, da concessão de prorrogação de 40 (quarenta) dias a partir do dia 16/06/2008 para entrega da documentação objeto da intimação. Em 08/07/2008, o c o n t r i b u i n t e , por intermédio de seu procurador, Solicitou prorrogação de mais 30 (trinta) dias para entregar a documentação objeto da intimação, sendo concedida expressamente tal prorrogação a partir do dia 07/07/2008. Em 06/08/2008, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, informa que para o procedimento fiscal a empresa está impossibilitada de apresentar os documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, visto que os mesmo não foram localizados, segundo o próprio contribuinte. Portanto, após concessão de mais de 60(sessenta) dias de prazo para entregar os documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, o Contribuinte não entregou nenhum destes documentos à fiscalização. A operação da fiscalização está relacionada com a movimentação financeira do contribuinte incompatível com a receita declarada pelo mesmo à Receita Federal do Brasil (Receita Declarada=zero, movimentação financeira= aproximadamente R$ 6.000.000,00); sendo imprescindível, portanto, a obtenção dos referidos extratos para o procedimento fiscal. Com base nos fatos acima relatados e de acordo com o inciso I do art. 33 da lei ns 9.430/96, solicito a emissão de RMF. Os bancos responderam à Receita Federal as requisições de movimentações financeiras, juntando extratos das contas do contribuinte. Intimado nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o não atendeu à solicitação dos esclarecimentos. A contribuinte, após ser intimada da lavratura dos Autos de Infração, apresentou impugnação, alegando em síntese que: a) Das ilegalidades cometidas no levantamento da suposta receita omitida: Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 “Como se observa, não existe renda tributável em decorrência da alegada omissão de receita, já que o imposto de renda exigido apenas foi apurado porque o Fisco utilizou como base de cálculo o somatório dos valores encontrados em contas bancárias, como se todos esses valores fosse renda tributável. O que se constata é que o Auditor Fiscal não apurou, na forma da legislação pertinente, a efetiva renda tributável e, portanto o efetivo imposto de renda a pagar, já que desconsiderou as despesas da Impugnante, passando a tributar as receitas auferidas (receita bruta), o que não é autorizado constitucionalmente. Logo, resta demonstrado que o Auditor Fiscal não observou que toda receita, sempre e necessariamente, implica no sacrifício de dispêndios em custos ou despesas. Inadmissível, destarte, a não ser que se prove o contrário, a possibilidade de obtenção, em atividades empresariais, de receitas sem o sacrifício em custos/despesas.” b) Da obrigatoriedade da autoridade tributária determinar o imposto a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica, no período base a que corresponder a suposta omissão de receita: “Desta forma, o sistema de Lucro Arbitrado foi utilizado de forma indevida, visto que a Lei n° 9.249/95 determina de forma bem clara que havendo omissão de receita o imposto deve exigido e calculo de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.” c) O sigilo bancário só pode ser quebrado em decorrência de ordem judicial, não sendo possível fazêlo apenas através de ato administrativo. “O Auto de Infração deve também ser considerado improcedente pelo fato de que o fisco federal realizou a quebra do sigilo bancário da Impugnante, sem requerer autorização judicial para tanto, conforme dispõe o art. 5o , XII, da CF/88, in verbis: Art. 5°(...) XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Como se observa claramente no dispositivo supramencionado, apenas por ordem judicial e para os fins trazidos pela norma se faz possível o acesso à dados sigilosos. É importante ressaltar que no momento que o fisco federal quebrou o sigilo bancário da Impugnante, sem autorização judicial, violou de forma flagrante as garantias fundamentais do contribuinte, já que o sigilo bancário constitui uma projeção do Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10280.720852/200837 Acórdão n.º 1201000.985 S1C2T1 Fl. 4 5 direito à privacidade que não tolera ingerências de órgãos governamentais.” “...Da análise dos dispositivos legais citados, compreendese que a autoridade fiscal pode solicitar informações às instituições financeiras, com relação aos bens, negócios ou atividade de terceiros, salvo, porém, no tocante àquelas protegidas pelo sigilo bancário, que somente poderão ser exigidas pelo Poder Judiciário, conforme preceitua as normas jurídicas supracitadas. Por conseguinte, seria legítimo o procedimento de qualquer instituição financeira que se recusasse a atender às requisições da Receita Federal no que concerne às informações bancárias de seus contribuintes, já que estaria protegida pelas normas jurídicas vigentes no nosso país. Diante do exposto, nulo é o Auto de Infração aqui impugnado, que decorreu de informações obtidas pelo Fisco mediante quebra de sigilo bancário, que na espécie só poderia ser realizado mediante ordem judicial, em respeito assim à legislação de regência e a jurisprudência.” a) Depósito bancário não pode ser utilizado como base para tributação por omissão de rendimentos: “...A presunção estabelecida pela Receita Federal de que o Impugnante omitiu receitas em razão da realização de depósitos bancários é inadequada, visto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação, pois a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, já que depósito bancário é estoque (patrimônio) e não fluxo (renda). Juridicamente, somente a renda tem a conotação de acréscimo patrimonial...” “...Assim, há que se reconhecer que o débito imputado ao Impugnante é improcedente,visto que foi originado através de lançamento efetuado com base exclusivamente em depósitos bancários, devendo deste modo ser cancelado, conforme dispõe o preceito legal antes transcrito e a jurisprudência relacionada...” “...Inferese, portanto, que a presunção efetuada pelo fisco federal é Inadequada, visto que depósito bancário não é fato gerador de obrigação tributária, não podendo presumirse que se constitui em renda...” b) Da falsa identidade entre movimentação financeira e aquisição de disponibilidade econômica: “...Logo, o Auto de Infração é insubsistente, já que a Receita Federal considerou que houve omissão de rendimentos simplesmente porque houve movimentação bancária, não comprovando em nenhum momento a existência de aquisição de renda e proventos pelo contribuinte...” Ao final, a impugnante solicita: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 reconhecimento da tempestividade da impugnação; reconhecimento da improcedência dos lançamentos constantes do Auto de Infração; inaplicabilidade da taxa de juros SELIC; pedido de perícia, aos quais apresenta os questionamentos que entende pertinentes. A DRJ manteve integralmente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: LUCRO ARBITRADO.NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS INDISPENSÁVEIS À TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL. A não apresentação dos livros obrigatórios e da documentação correspondente, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a conferência dos valores tributados, restando como única alternativa o arbitramento dos lucros para efeito da tributação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não constitui quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. PROVA PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderiam as partes ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Intimada da decisão da DRJ em 29/03/2012, a contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 26/04/2012, alegando em síntese os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, embora com outra roupagem lingüística. Anexou ao Recurso cópia da decisão do STF, do seu pleno. Este é o relatório! Fl. 729DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10280.720852/200837 Acórdão n.º 1201000.985 S1C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. As matérias trazidas no Recurso são todas de mérito, incluindo a retórica da nulidade do lançamento. Diante disso, passemos ao mérito da decisão. A questão da quebra de sigilo bancário, a despeito de passar pela análise da Lei nº 4.595/64, em seu artigo 38, § 5º, que trata de procedimento instaurado pela autoridade fiscal competente, para fins de obter esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras, a despeito de envolver o artigo 197 do CTN e a Lei Complementar nº 105/2001 (vide artigos 1º e 6º), é uma matéria reflexa no plano da discussão de eventual ilegalidade, tendo como fundamento principal a inconstitucionalidade do acesso às informações sem decisão judicial fundamentada para tanto, qual seja violação clara do artigo 5º, inciso XII. Sob esse prisma, a violação dos dados e informações bancárias pelas autoridades Fazendárias, a despeito de ter total rechaço por esse julgador, é matéria que deve ser levada ao Poder Judiciário, que já sinalizou no brilhante voto do Ministro Marco Aurélio, que é um direito do contribuinte não se sujeitar à quebra de sigilo bancário sem ordem judicial. Vejamos: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. RE 389808/PR, Min. Rel. Marco Aurélio, Julgamento em 15/12/2010. Pleno. No caso específico ora julgado o fundamento do lançamento fiscal, a despeito de se tratar de omissão de receita em razão de depósitos bancários, tem como preceito a quebra de sigilo bancário sob a forma de RMF – Requisição de Movimentações Financeiras, não existindo nenhuma outra peculiaridade. Toda a retórica da DRJ de que as informações apenas mudaram de mão, mantendose sigilosa é retórica para dar constitucionalidade ou mesmo de legalidade num ato que não há. Se estamos diante de entidades distintas (Banco Central x Receita Federal), sendo o primeiro uma autarquia federal criada pela Lei Federal nº 4.595/64 e o segundo se trata de órgão do poder executivo, não há como sustentar tamanha argumentação. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 Faltou a esses que sustentam a referida tese conhecimento em direito administrativo, pois as informações mudaram de mão sim, entre entes distintos, e a Fazenda, maior interessada nas informações, não manteve sigilo, agiu publicizando a movimentação financeira. Como esse E. Tribunal não pode cancelar lançamentos fiscais por violação de regra constitucional, visto o teor da Súmula nº 2 do CARF, que exclui a competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria essa reservada ao Poder Judiciário, não podemos acolher a pretensão da contribuinte na parte que ventila essa matéria em seu Recurso: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe então analisarmos a questão da Receita omitida, que não fora afastada por elementos de provas ou justificativas objetivas pelo contribuinte, preferindo impugnar a forma, do que a essência dos depósitos bancários. Nesse caso, é sabido que movimentação financeira não pode ser considerada como receita tributada sob uma verdade absoluta. Também é notório que existe uma lei que inverte o ônus da prova quando a fiscalização, ao se deparar com a movimentação financeira incompatível com as informações declaradas pelos contribuintes, sob o manto da presunção, notifica o contribuinte a demonstrar e esclarecer as movimentações financeiras, sob pena de autuação fiscal. Essa regra está insculpida no artigo 42 da Lei nº 9.430/06: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Diante disso, cabe ao contribuinte afastar a presunção legal de omissão de receita. Ao não apresentar provas e justificativas plausíveis, fica difícil acolher os argumentos pela afastabilidade da acusação fiscal. Outro ponto que merece destaque e que coloca por terra as alegações da Recorrente, especificamente quanto à ilegalidade do trabalho fiscal e o arbitramento é o fato de que o contribuinte não apresentou nenhum documento ou livro fiscal que pudesse justificar as movimentações financeiras ou as informações prestadas pelo contribuinte à Fazenda quanto à sua receita. Portanto, agiu de forma correta a fiscalização ao aplicar o disposto no artigo 530, inciso III, do RIR/99, medida essa que traduz apenas no arbitramento a possibilidade de apuração dos tributos devidos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º ): Fl. 731DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10280.720852/200837 Acórdão n.º 1201000.985 S1C2T1 Fl. 6 9 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Por fim, quanto à taxa selic, esse E. Tribunal já pacificou o entendimento pela aplicabilidade, nos termos da Súmula nº 4 do CARF: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, NEGOLHE provimento. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 732DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 10580.720986/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt, que proviam o recurso
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:. Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 86 /2 00 9- 54 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt, que proviam o recurso (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.720986/200954 Acórdão n.º 2202002.675 S2C2T2 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:. Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls.02 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$62.389,10, acrescido de multa de ofício e juros de mora, sendo o crédito tributário apurado no montante de R$131.871,81. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual Baiana n° 8.730, de 08 de setembro de 2003 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 16/69), acatada como tempestiva. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Em sessão realizada em 23 de fevereiro de 2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a 3ª turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, Acórdão de fls. 79 a 84, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pela contribuinte, afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.720986/200954 Acórdão n.º 2202002.675 S2C2T2 Fl. 4 5 É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação da contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão da impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/04/2011 (fls. 88/125), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração da contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 19 de junho de 2012 determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão a Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Assim também, devese ressaltar que, nada obstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento contestado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões do recorrente, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.720986/200954 Acórdão n.º 2202002.675 S2C2T2 Fl. 5 7 A tese é simples e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Assim, para ilustrar, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual a Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Importante destacar que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” De tal modo, com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pela Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer eiva de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso percebese ter ocorrido uma recomposição salarial que, apesar da extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta da requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.720986/200954 Acórdão n.º 2202002.675 S2C2T2 Fl. 6 9 erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que a contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11080.918357/2012-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 57 /2 01 2- 61 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918357/201261 Acórdão n.º 3801003.504 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918357/201261 Acórdão n.º 3801003.504 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918357/201261 Acórdão n.º 3801003.504 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918357/201261 Acórdão n.º 3801003.504 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918357/201261 Acórdão n.º 3801003.504 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.002314/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2000
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. MULTAS ISOLADAS. CANCELAMENTO E REDUÇÃO.
Nos termos do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, tratando-se de lançamento tributário efetuado para prevenir a decadência, presente medida judicial autorizando o procedimento adotado pelo contribuinte fiscalizado, descabe aplicação de multa de ofício sobre o montante da contribuição que deixou de ser recolhida, bem como sobre a antecipação obrigatória igualmente não extinta. Em outra vertente, reduzidas, por meio decisão administrativa, as matérias tributáveis submetidas ao lançamento de ofício, as antecipações obrigatórias delas decorrente também devem ser objeto de redução.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA.
No caso em que a decisão é dirigida no sentido de autorizar o contribuinte a deduzir a correção monetária dos encargos de depreciação (diferença IPC/BTNF) da base de cálculo da CSLL, a suspensão da exigibilidade se dá em razão do disposto no inciso IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, enquanto que o lançamento, nos termos em que foi admitido pela decisão de primeiro grau e ratificado em segunda instância, com base no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Inaplicável, ao caso, o disposto no art. 62 do Decreto nº 70.235, de 1972.
CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO.
Se, em razão do acolhimento de razões trazidas em sede de recurso, a matéria tributável apurada é reduzida, de modo que as bases de cálculo que serviram de suporte para aplicação da penalidade tornaram-se negativas, há de se cancelar as exações formalizadas.
Numero da decisão: 1301-001.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as multas isoladas aplicadas, em virtude de apuração de bases de cálculo negativas. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Angelo Tsukalas RG nº 23.681.954-9.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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CANCELAMENTO. MULTAS ISOLADAS. CANCELAMENTO E REDUÇÃO. Nos termos do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, tratandose de lançamento tributário efetuado para prevenir a decadência, presente medida judicial autorizando o procedimento adotado pelo contribuinte fiscalizado, descabe aplicação de multa de ofício sobre o montante da contribuição que deixou de ser recolhida, bem como sobre a antecipação obrigatória igualmente não extinta. Em outra vertente, reduzidas, por meio decisão administrativa, as matérias tributáveis submetidas ao lançamento de ofício, as antecipações obrigatórias delas decorrente também devem ser objeto de redução. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. No caso em que a decisão é dirigida no sentido de autorizar o contribuinte a deduzir a correção monetária dos encargos de depreciação (diferença IPC/BTNF) da base de cálculo da CSLL, a suspensão da exigibilidade se dá em razão do disposto no inciso IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, enquanto que o lançamento, nos termos em que foi admitido pela decisão de primeiro grau e ratificado em segunda instância, com base no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Inaplicável, ao caso, o disposto no art. 62 do Decreto nº 70.235, de 1972. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 14 /2 00 4- 15 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 433 2 sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO. Se, em razão do acolhimento de razões trazidas em sede de recurso, a matéria tributável apurada é reduzida, de modo que as bases de cálculo que serviram de suporte para aplicação da penalidade tornaramse negativas, há de se cancelar as exações formalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as multas isoladas aplicadas, em virtude de apuração de bases de cálculo negativas. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Angelo Tsukalas RG nº 23.681.9549. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 434 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e MULTA ISOLADA, relativamente ao anocalendário de 1999, formalizadas em razão da ausência de adição ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da contribuição, de encargos de depreciação, amortização, exaustão e baixas de bens – DIFERENÇA IPC/BTNF, e da falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). A seguir, reproduzo relato feito em primeira instância acerca das razões trazidas pela contribuinte em sede de impugnação. [...] O contribuinte tomou ciência da autuação pessoalmente em 26/10/04, por intermédio do seu Gerente Contábil (fl. 183); do Termo de Encerramento (fl. 187) e dos Termos de Verificação Fiscal (fls. 069 e 175). O sujeito passivo apresentou impugnação em 24/11/2004 às fls. 194/222, juntando, ainda, os documentos às fls. 223/252. Consta da impugnação, em síntese, o seguinte: 1) Quanto à infração: DA NÃO ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF/90 EM VIRTUDE DA ALIENAÇÃO DO INVESTIMENTO DETIDO NA HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Preliminar de nulidade existência de vício formal no lançamento fiscal: que o AuditorFiscal equivocouse ao aplicar a multa de oficio, uma vez que o crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa; que o Sr. AuditorFiscal, em face de imputação de suposta infração no tocante a não adição da correção monetária IPC BTNF/90 na apuração da CSLL do anocalendário 1999 quando da alienação do investimento detido na HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, não observou que a impugnante é titular de decisão judicial que lhe assegura deduzir os custos de aquisição de investimento, inclusive a correção monetária IPC/BTNF, na apuração da CSLL; que a impugnante impetrou em 24/10/94 Mandado de Segurança, perante a Justiça Federal em São Paulo/SP (nos autos do processo n° 9400276915), tendo sido concedida a segurança em 1ª instância; que, inconformada com essa decisão, a União interpôs Recurso de Apelação perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF da 3ª Região), o qual negou provimento ao recurso, bem como à remessa oficial, em 03/10/01, sendo mantida a decisão proferida em 1ª instancia (fls. 245/246 e 248/252)); que, após essa decisão do TRF/3ª Região, as partes interpuseram Embargos de Declaração, o qual não tem o condão de modificar os termos da decisão, estando, no momento, pendente de apreciação; que como se observa do inteiro teor do Acórdão proferido pela 3ª Turma do TRF/3ª Região a impugnante tem ou possui o direito assegurado de deduzir a diferença IPC/BTNf sobre o custo de aquisição de investimento baixado, para efeito de CSLL; que sendo assim apenas caberia ao Sr. AuditorFiscal o lançamento da contribuição com a finalidade única de prevenir a decadência (sem a imposição de multa de oficio art. 62 do Decreto n° 70.235/72), já que os valores por ele identificados estão sob discussão judicial e com a exigibilidade suspensa; que, por conseguinte, a Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 435 4 impugnante vem, em sede de preliminar, questionar a validade do lançamento fiscal que considerou indedutível a diferença do IPC/BTNf sobre o custo de aquisição de investimento baixado, para efeito de CSLL; que o lançamento deve ser declarado, em parte, nulo (vício formal), quanto à exigência da multa de oficio. Que, no mérito, inexiste no ordenamento jurídico vigente lei impondo que os custos de aquisição decorrentes da correção monetária IPC/BTNf sejam indedutíveis para efeito de apuração da CSLL (falta de base legal); que de acordo com o princípio da estrita legalidade que rege a prática tributária, o contribuinte só pode fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (CF, arts. 5º, II e 150, I); que em face da ausência de lei, que pudesse determinar a exigência de CSLL sobre a diferença de correção monetária IPC/BTNf que afetou o custo do investimento baixado pela impugnante, o Fisco estaria vedado de exigir a CSLL; que, infringindo frontalmente essas disposições constitucionais, o AuditorFiscal pretende que a impugnante recolha a CSLL, sobre a diferença de correção monetária IPC/BTNf que afetou o custo de investimento baixado, com fulcro no art. 41, § 2°, do Decreto n° 332/91, verbis: (...) CAPITULO I DA CORREÇÃO MONETÁRIA COM BASE NO INPC Da Contribuição Social e do Imposto sobre o Lucro Líquido Art. 41. O resultado da correção monetária de que trata este Capitulo não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689/88) e do imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido (Lei n° 7.713/88, art. 35). (...) P. 2° Os valores a que se refere o art. 39, computados em conta de resultado, deverão ser adicionados ao lucro liquido na determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689/88) e do imposto sobre o lucro liquido (Lei n° 7.713/88, art. 35). (...) Que o Decreto n° 332/91 não é considerado lei em sentido estrito para fins tributários, de modo que sua exigência não encontra parâmetros na lei, redundando em ilegalidade; que o Acórdão do TRF/3ª Região, que reconheceu o direito da impugnante deduzir como custo a diferença de correção monetária IPC/BTNf, aborda a questão do seguinte modo, senão vejamos (fls. 248/252): "Portanto, verificase que as normas citadas do Decreto n° 332/91 colidem com a Lei n° 8.200/91.É bastante_ressaltar_que o referido decreto possui caráter regulamentar, não podendo portanto se opor à norma ensejadora de sua edição, ao dispor sobre a incidência da correção monetária das demonstrações financeiras com relação à CSL e o ILL. (...) Assim, a indedutibilidade dos encargos de depreciação calculada sobre a diferença de correção monetária pelo IPC, na determinação da base de cálculo da CSL e do ILL, disposta no , P. 2° do Art. 41 do Decreto n. 332/91 não pode Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 436 5 prevalecer, pois tal disposição não está prevista em lei, se contrapondo, inclusive, à Lei 8.200/91." Que se exigir a CSLL sobre a diferença de correção monetária IPC/BTNf é uma ilegalidade flagrante, uma vez que extrapola os limites da Lei n° 8.200/91, que dispôs sobre os efeitos tributários da correção monetária da diferença IPC/BTNf; que, em face da Súmula 473 do STF, a Administração pode anular seus atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais; ou revogálos, por motivo conveniência e oportunidade. Ademais, a impugnante citou e transcreveu diversos precedentes jurisprudenciais reconhecendo a dedutibilidade da diferença de correção monetária IPC/BTNf sobre o custo de aquisição de investimento, para efeito de CSL; que – com base no RESP n° 133.069SC – o 1° Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais acenam no sentido de que é dedutivel, para efeito da CSLL, os efeitos da correção monetária IPC/BTNf sobre o custo de aquisição de investimento, conforme abaixo: "Acórdão n° 10194.491 Processo n° 10920.002057/200376 Relator – Valmir Sandri Matéria: CSLL — Ex (s). 2000 e 2001 1' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Sessão de 29 de janeiro de 2004 Ementa CSLL — DIFERENÇA IPC/BTNF — ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E BAIXAS — A restrição imposta pelo artigo 41 do Decreto n°332/91, extrapola a sua função de regulamentar o comando contido na Lei n° 8.200/91, contrariando o disposto no art. 99 do Código Tributário Nacional. Acordam os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." 1 2) Quanto à infração: FALTA DE RECOLHIMENTOS ESTIMADOS DA CSLL Preliminar Da matéria impugnada; que esta infração foi reflexo da prática de 3 (três) infrações, quais sejam: a) omissão de receitas; b) amortização de ágio/perda de capital não comprovada em participação extinta ; c) não adição da correção monetária IPC/BTNF/90 em virtude da alienação do investimento detido na HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. 41, Que considerandose essas infrações foi alterada a situação da impugnante, de prejuízo fiscal, para lucro, nos meses de outubro a dezembro/99; Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 437 6 que, nestes autos, a impugnante somente irá defenderse da suposta infração cometida relacionada à não adição da correção monetária IPC/BTNF/90 em virtude da alienação do investimento detido na HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA; que, em relação às outras infrações citadas neste tópico supostamente incorridas (omissão de receitas e amortização do ágio /perda de capital não comprovada em participação extinta), embora ambas tenham sido levadas em conta para ajuste da base de cálculo da CSLL, elas são objeto de apreciação na impugnação do auto de infração do IRPJ, decorrente do mesmo procedimento fiscal; que no auto de infração da CSLL – objeto destes autos não há referência expressa quanto às infrações: omissão de receitas e amortização de ágio (despesa indedutível). No entanto, ao calcular a infração multa isolada (falta de recolhimento da CSLL) sobre base estimada , o AuditorFiscal imputa os valores dessas duas infrações, o que motiva a impugnante a suscitar preliminar de matéria impugnada nos autos do processo do lançamento do IRPJ; que, para que não fique configurada a disposição do art. 17 do Decreto n° 70.235/72 (matéria não impugnada); que a impugnante esclarece que toda argumentação quanto a essas infrações foi desenvolvida na impugnação do IRPJ (porque só ali tais infrações foram imputadas). Que, no mérito, da insubsistência da falta de recolhimento estimada da CSLL frente ao afastamento das infrações: omissão de receita, amortização de ágio/perda de capital não comprovada em participação societária extinta e da não adição da correção monetária IPC/BTNF/90 em virtude de alienação de investimento detido na HUYCK; que, considerando que as infrações que dão suporte para esta infração, não se sustentam diante deste arrazoado e do apresentado nos autos do IRPJ, o lançamento não deve prevalecer; que seja cancelada esta infração, em face dos fatos e documentos apresentados. 3) PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL E PROTESTO PELA APRESENTAÇÃO DE TODOS OS MEIOS DE PROVA EM DIREITO ADMITIDOS, EM ESPECIAL, AS PROVAS DOCUMENTAIS PRODUZIDAS E PERÍCIAS SOLICITADAS E DEMAIS PROVAS DOCUMENTAIS A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 03 20.851, de 18 de maio de 2007, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. REJEIÇÃO DA PRELIMINAR. A questão atinente à aplicação da multa de oficio (se cabível ou não tal imposição) é matéria de mérito. Logo, não é questão a ser apreciada em sede de preliminar, mas sim quando do enfrentamento do mérito, de tal imposição (multa). Se restar comprovado ao final, quando da apreciação do mérito, que o crédito tributário já estava suspenso na data de início do procedimento fiscal e persiste suspenso em relação à matéria objeto da infração imputada, deve ser afastada a aplicação da multa de oficio, e tal situação implica a improcedência dessa parcela do crédito tributário (multa), e não nulidade. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MÁTÉRIA SUB JUDICE. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 438 7 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. AFASTAMENTO DA MULTA. Incabível a imposição de multa nos lançamentos de oficio para prevenir a decadência, caso a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial – relativa à matéria discutida em juízo – tenha ocorrido antes do início do procedimento fiscal. MULTAS ISOLADAS. NÃO RECOLHIMENTO DA CSLL – ESTIMATIVA MENSAL, EM FACE DE RECOMPOSIÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. Revisase o lançamento fiscal – quanto à imposição de multas isoladas para ajustar a base de cálculo mensal da CSLL, e por conseguinte das multas isoladas , pelo acolhimento da redução da omissão de receitas (redução reconhecida nos autos do IRPJ) e pela exclusão do valor da correção monetária – Diferença IPC/BTNF/90 – matéria sub judice com exigibilidade suspensa , o que impede a imposição de multa isolada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA E PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO REJEITADO. Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1° artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Irresignada, a contribuinte apresenta o recurso voluntário de fls. 281/310, em que, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, sustenta: não ser possível o lançamento de ofício para exigir crédito suspenso por medida liminar; a nulidade da decisão de primeira instância, em razão de preterição ao direito de defesa; ter havido equívoco por parte da decisão recorrida no recálculo do valor da multa isolada; no caso de a multa isolada ser mantida, a observância das disposições do art. 14 da Medida Provisória nº 351/07 (Lei nº 11.488/07); a impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multa isolada. Esta Primeira Turma Ordinária, em sessão realizada em 16 de março de 2012, resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 130100.050) para que o presente processo fosse juntado ao de nº 19515.002315/200451, para fins de julgamento conjunto. É o Relatório. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 439 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Verificado que sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário superior ao limite estabelecido na Portaria MF nº 3, de 2008, que o recurso voluntário foi interposto dentro do prazo legal e que foram atendidas as demais prescrições legais, conheço dos apelos. Cuida o presente processo de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e MULTA ISOLADA, relativas ao anocalendário de 1999, formalizadas em razão da ausência de adição ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da contribuição, de encargos de depreciação – DIFERENÇA IPC/BTNF, e da falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Aprecio, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO As matérias submetidas ao recurso necessário, como bem descreveu o Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha no corpo da Resolução nº 130100.050, são as seguintes (transcrevo): a) O afastamento da multa de ofício, no valor de R$ 778.146,02, diante do entendimento da autoridade julgadora em primeira instância de que a matéria de fundo estaria submetida à apreciação do Poder Judiciário, com exigibilidade suspensa, desde antes do início do procedimento fiscal. b) A redução das multas exigidas isoladamente nos meses de outubro e novembro de 1999 e seu completo afastamento no mês de dezembro daquele ano, em face da redução do valor da infração de “omissão de receitas” (nos autos do processo 19515.002315/200451) e da exclusão da base dessas multas do valor da infração “correção monetária – diferença IPC/BTNF”, neste processo. A infração “amortização de ágio/perda de capital não comprovada em participação extinta” (nos autos do processo 19515.002315/200451) foi mantida naquele outro processo, em primeira instância, e também persistiram seus efeitos aqui, sobre a base das estimativas de CSLL. No que diz respeito ao afastamento da multa de ofício, restando comprovado nos autos que a matéria que serviu de suporte para a sua aplicação foi efetivamente submetida à apreciação do Poder Judiciário (documentos de fls. 245/252), não existe reparo a ser feito no decidido em primeira instância. Como é cediço, nos termos do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o lançamento tributário, no caso, visa prevenir a decadência e deve ser efetivado sem a imposição de penalidade. Quanto à segunda matéria (redução das multas isoladas), na medida em que as incidências decorreram da infração imputada por meio do presente processo e de outras Fl. 439DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 440 9 objeto do processo administrativo nº 19515.002315/200451, a apreciação, a exemplo da realizada na instância a quo, deve levar em consideração o decidido naquele processo. As multas isoladas exigidas no presente processo, decorreram da recomposição da base de cálculo das antecipações obrigatórias de CSLL dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1999, em razão da imputação das seguintes infrações: omissão de receitas; amortização de ágio/perda de capital na alienação de investimento; e correção monetária – diferença IPC/BTNF. As duas primeiras infrações foram tratadas no processo nº 19515.002315/200451, enquanto a terceira diz respeito ao presente. No julgamento do processo nº 19515.002315/200451, a decisão foi dirigida no sentido de: i) reduzir a omissão de receita no mesmo montante do decidido pela Turma Julgadora de primeira instância (de R$ 8.175.137,59 para R$ 519.243,01); e ii) no caso da amortização de ágio/perda de capital na alienação de investimento, reduzir a matéria tributável de R$ 41.050.793,93 para R$ 14.136.178,61. Quanto à infração imputada por meio do presente processo, correto o procedimento da Turma Julgadora de primeiro grau no sentido de cancelar a multa isolada dela decorrente, vez que, tratandose de matéria que se encontra em discussão no âmbito do Poder Judiciário em que o lançamento da contribuição foi efetuado com a exigibilidade suspensa, descabe a aplicação de multa pela falta de recolhimento antecipado que não foi realizado exatamente em função da medida judicial. Quanto às infrações objeto do processo nº 19515.002315/200451, como se vê, o voto nele proferido em segunda instância, acolheu o recurso voluntário em maior extensão do que a decisão exarada em primeira instância que serviu de fundamento para a exoneração efetuada no presente, logo, por decorrência lógica, descabe contraditála. Em vista do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA EXIGIR CRÉDITO SUSPENSO POR MEDIDA LIMINAR Alega a Recorrente que, em virtude de o auto de infração ter sido lavrado em desacordo com a legislação, deve ser declarada a sua nulidade. Adita que, ainda que assim não fosse, em que pese os acertos, a decisão recorrida foi falha ao não constatar que o auto de infração impugnado era desnecessário e sem mister. A alegação trazida pela Recorrente revela certa inovação em relação ao expendido na peça impugnatória, eis que ali, embora também tenha feito referência às disposições do art. 62 da Decreto nº 70.235, de 1972, asseverou que “apenas caberia ao Sr. AFRF o lançamento do tributo com a “finalidade única de prevenir a decadência”, já que os valores por ele identificados estão sob discussão judicial, tendo sua exigibilidade suspensa em Fl. 440DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 441 10 decorrência de decisão judicial”, pretensão, digase de passagem, acolhida pela autoridade julgadora de primeiro grau. Agora, contudo, roga pela desconstituição total do crédito tributário. Não obstante, não merece acolhimento o pleito da Recorrente. Isto porque, nos exatos termos do documento acostado às fls. 248/252, a decisão judicial foi direcionada no sentido de autorizar a Recorrente a deduzir os encargos de depreciação (diferença IPC/BTNF) da base de cálculo da CSLL, não tratando exatamente de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. No caso, a suspensão da exigibilidade se dá em razão do disposto no inciso IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, enquanto que o lançamento, nos termos em que foi admitido pela decisão recorrida, com base no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Ainda que assim não fosse, a jurisprudência, seja a administrativa, seja a advinda do tribunais pátrios, é predominante no sentido de que a medida judicial não pode impedir a constituição do crédito tributário, o que, não basta repetir, não é a situação dos presentes autos. Rejeito, pois, a preliminar argüida. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA Alega a Recorrente que a decisão recorrida, ao não adentrar ao mérito da questão relacionada à correção monetária representativa da diferença IPC/BTNF tratada no presente processo, incorreu em hipótese de nulidade, eis que preterido o seu direito de defesa. Adiante, inovando mais uma vez, alega que a Turma Julgadora de primeiro grau ratificou equívocos cometido pela autoridade autuante, eis que o valor de R$ 8.646.067,19, que constituiu a matéria tributável relativa ao item em questão (correção monetária de encargo de depreciação diferença IPC/BTNF), é composto de R$ 6.810.910,71 e R$ 1.835.156,48, sendo que o segundo montante não se refere à diferença IPC/BTNF, mas, sim, ao denominado PLANO VERÃO. Quanto ao primeiro dos questionamentos, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, vez que, como é cediço, ao optar por discutir a matéria no âmbito do Poder Judiciário, a Recorrente renunciou à esfera administrativa. Tal entendimento, inclusive, já se encontra pacificado neste Colegiado, tendo sido objeto da súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com base nesse mesmo fundamento, já adianto que os argumentos trazidos pela peça recursal para sustentar a dedutibilidade da correção monetária relativa à diferença Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 442 11 IPC/BTNF dos encargos de depreciação da base de cálculo da CSLL, que se encontra em discussão na esfera judicial, não serão objeto de apreciação. No que diz respeito ao segundo, tratase de matéria não ventilada na peça impugnatória. Nessa circunstância, tornase imperioso destacar que, por força do disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES OBRIGATÓRIAS Diante do decidido no presente processo e no de nº 19515.002315/200451 acerca das multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento das antecipações obrigatórias, penso ser desnecessário o enfrentamento dos argumentos trazidos pela Recorrente, eis que canceladas tais exigências. A multa isolada referente à estimativa de dezembro de 1999 foi integralmente cancelada pela decisão de primeira instância, sendo tal cancelamento ratificado nesta instância julgadora. Quanto às multa isoladas referentes às estimativas de novembro e dezembro de 1999, decorrentes de infrações imputadas por meio do processo administrativo nº 19515.002315/200451, como já dito, o provimento recurso voluntário nele interposto foi dado em maior extensão, de modo que, não obstante o cômputo das referidas infrações, as bases de cálculo das antecipações revelaramse negativas. No referido julgado (processo administrativo nº 19515.002315/200451), restou assinalado: [...] FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES OBRIGATÓRIAS Alega a Recorrente que a Turma Julgadora de primeiro grau se equivocou até mesmo no recálculo do valor da multa lançada em virtude da suposta falta de recolhimento de estimativas. Diz que o acórdão recorrido exonerou integralmente o IRPJ e a CSLL devidos, mas manteve a redução dos saldos do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL. Afirma que, em virtude de ter apurado prejuízo fiscal em 31.12.1999, não há possibilidade de exigência da multa por falta de recolhimento de estimativas. Argumenta que, se o entendimento for no sentido de que a multa deve ser mantida, é imprescindível a observância das inovações trazidas pelo artigo 14 da Medida Provisória 351/07 (convertida sem alterações no artigo 14 da Lei n.° 11.488/07), devendo ser reduzido o seu percentual. Equivocase a Recorrente, vez que a legislação de regência autoriza a aplicação da penalidade ainda que o resultado fiscal final tenha sido negativo. Quanto à redução penalidade, merece acolhimento a alegação, haja vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 443 12 Entretanto, considerando o cancelamento parcial da glosa promovida pela autoridade fiscal relativamente à perda de capital apurada pela Recorrente, bem como o demonstrativo constante na decisão de primeira instância, o resultado fiscal final das antecipações obrigatórias que serviram de base para a aplicação da penalidade passou a ser o seguinte: LUCRO REAL OUTUBRO/99 NOVEMBRO/99 LALUR/DIPJ 40.734.256,40 40.407.209,71 OMISSÃO DE RECEITAS 519.243,01 519.243,01 ÁGIO GLOSA 14.136.178,61 14.136.178,61 LUCRO REAL (PREJUÍZO FISCAL) 26.078.834,78 25.751.788,09 Ou seja, em virtude de apuração de prejuízos fiscais nos meses submetidos à aplicação da penalidade, descabe mantêlas. No presente processo, tomando por base o demonstrativo apresentado na decisão de primeiro grau, temos: BASE CSLL OUTUBRO/99 NOVEMBRO/99 DIPJ 41.128.120,13 40.815.674,14 OMISSÃO DE RECEITAS 519.243,01 519.243,01 ÁGIO GLOSA 14.136.178,61 14.136.178,61 BASE NEGATIVA 26.472.698,51 26.160.252,52 Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: a) rejeitar as preliminares arguidas; b) não conhecer, em virtude de CONCOMITÂNCIA, as razões de mérito; e c) cancelar as multas isoladas aplicadas, em virtude de apuração de bases de cálculo negativas. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002314/200415 Acórdão n.º 1301001.504 S1C3T1 Fl. 444 13 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 11030.904368/2012-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 88 1 87 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904368/201250 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.182 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente LATICINIOS BOM GOSTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 68 /2 01 2- 50 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904368/201250 Acórdão n.º 3801003.182 S3TE01 Fl. 89 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904368/201250 Acórdão n.º 3801003.182 S3TE01 Fl. 90 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/03/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904368/201250 Acórdão n.º 3801003.182 S3TE01 Fl. 91 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904368/201250 Acórdão n.º 3801003.182 S3TE01 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904368/201250 Acórdão n.º 3801003.182 S3TE01 Fl. 93 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904368/201250 Acórdão n.º 3801003.182 S3TE01 Fl. 94 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902547/2012-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/02/2009
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/02/2009 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 47 /2 01 2- 93 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902547/201293 Acórdão n.º 3801003.543 S3TE01 Fl. 139 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902547/201293 Acórdão n.º 3801003.543 S3TE01 Fl. 140 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$4.455,67. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902547/201293 Acórdão n.º 3801003.543 S3TE01 Fl. 141 4 Data do fato gerador: 28/02/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902547/201293 Acórdão n.º 3801003.543 S3TE01 Fl. 142 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 28/02/2009 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902547/201293 Acórdão n.º 3801003.543 S3TE01 Fl. 143 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902547/201293 Acórdão n.º 3801003.543 S3TE01 Fl. 144 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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