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Numero do processo: 10283.721482/2009-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1003-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 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(assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 1426, com a exigência do crédito tributário no valor de R$463,49, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, referente ao anocalendário de 2006. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 5º da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186 e 188, do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 2733 com a exigência do crédito tributário no valor de R$327,85 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 302 3 Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. [...] 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 3443 com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.921,75 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 4451 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.742,80 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 5259 com a exigência do crédito tributário no valor de R$18.684,10 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 303 4 Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0119.810, de 08.11.2010, fls. 265269: Assunto: Simples Nacional Exercício: 2007 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancaria, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 24.02.2011, fl. 270, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 23.03.2011, fls. 281282, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Pertinente ao lançamento aduz que: A empresa recorrente alega em sua defesa que o fato gerador da obrigação tributária se dá pela obtenção de resultados positivos (lucros) em suas operações industriais, mercantis ou de prestação de serviços, além dos acréscimos patrimoniais decorrentes de ganho/s de capital (receitas nãooperacionais). O imposto será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos. Assim, o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza, conforme previsto no artigo 43 do Código Tributário Nacional Lei 5172/66. Portanto, a expressão aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda significa a obtenção de um conjunto de bens, valores e/ou títulos por uma pessoa física ou jurídica, passíveis de serem transformados ou convertidos em numerário o que não ocorreu, conforme a autoridade tributária pretende ao lavrar o presente auto de infração. Para ser tributada pelo Imposto de Renda, a disponibilidade deve ser efetivamente adquirida. Não se cogita a sua incidência de tributação, á luz do CTN, se houver, apenas, indícios, presunção por depósitos bancários efetuados em contacorrente ou potencialidade de se adquirir estas disponibilidades. Fazse necessário apurar o Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 304 5 resultado positivo obtido ou o acréscimo patrimonial para que seja imputado ao sujeito passivo o ônus tributário. No que concerne ao pedido conclui que: À vista de todo exposto, a recorrente solicita que seja realizada uma verificação de suas operações mercantis onde ficará demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhido o presente recurso para o fim assim ser decidido cancelandose o débito fiscal que ora lhe é imputado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida na peça recursal, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 305 6 A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração2. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de acordo com a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 2 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 306 7 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, conformidade com as Súmulas CARF, cujos enunciados devem ser observados pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos 3 Fundamentação legal: 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 307 8 nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes e a titularidade pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada4. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo5. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade6, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 6013147 com trânsito em julgado em 4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 5 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 6 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 7 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 601314/SP. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Edson Fachin. Julgado em 24 fev. 2016. Publicado no DJe em 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+601314%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a97p879>. Acesso em 27 mai. 2018. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 308 9 11.10.2016, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter 8 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 309 10 instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Descrição do Fatos, fls. 1622, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano nesta segunda instância de julgamento: O sujeito passivo apresentou à fiscalização o Livro Caixa e os extratos bancários (Banco do Brasil S/A, Ag. 07749, c/c n° 1.0545), relativos ao ano calendário de 2006. [...] Em 28/09/2009 o sujeito passivo foi intimado com vista ao disposto no artigo 42, caput, da Lei n° 9.430, de 27.12.96, a apresentar documentação hábil e idônea que justificasse a origem dos recursos creditados na conta bancária de titularidade do sujeito passivo, mantida no Banco do Brasil S/A, Agência 07749, c/c 1.0545, no anocalendário de 2006, bem como apresentar demonstrativo de quais créditos poderiam ser decorrentes de transferências de outras contas bancárias do próprio sujeito passivo, e demonstrativo de quais valores, cuja origem fosse comprovada, haviam sido computados na base de calculo dos impostos e contribuições federais, a que estavam sujeitos. Esgotouse o prazo concedido e o sujeito passivo não se manifestou quanto aos créditos bancários, relacionados no demonstrativo anexo ao Termo de Intimação lavrado em 28/09/2009. Com base nos extratos bancários, demais documentação e informações disponibilizados pelo sujeito passivo, e as informações extraídas do Sistema Informatizado RFB, a fiscalização elaborou o demonstrativo a seguir, no qual se verifica a existência de créditos bancários não escriturados no Livro Caixa do sujeito passivo, portanto, sem origem comprovada, caracterizandose omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 310 11 idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, coadunandose o fato constatado com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 [...]: A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que se refere aos valores a serem excluídos do montante dos depósitos tributados, os valores declarados, ressaltese que a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos listados pelo Fisco, da conta para movimentação mantida junto ao Banco do Brasil S/A, agência n° 07749, contacorrente n° 1.0545 de titularidade da Recorrente. Embora deva ser observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 1996, sobre a totalidade dos depósitos cuja origem a Recorrente não logrou comprovar, é possível presumir que os valores a título de receita bruta contidas da DSPJ tenham transitado nas contas bancárias que foram objeto de análise nos presentes autos. Assim sendo, há como acatar a pretensão da Recorrente de excluir da base de cálculo os valores a título de receita bruta informadas da DSPJ no anocalendário de 2006, fl. 03, conforme Tabela 1. Tabela 1 – Receita omitida no período de janeiro a dezembro de 2006 AnoCalendário 2006 Mês (A) Receita Bruta Declarada R$ (B) Diferença s Apuradas R$ (C) Janeiro 2.100,00 18.186,00 Fevereiro 2.050,00 19.530,00 Março 1.950,00 127.424,00 Abril 2.050,00 0,00 Maio 2.600,00 31.866,00 Junho 2.100,00 22.951,00 Julho 2.200,00 2.243,00 Agosto 2.600,00 11.890,00 Setembro 2.300,00 0,00 Outubro 2.500,00 6.986,00 Novembro 2.400,00 0,00 Dezembro 2.300,00 31.292,00 Desse modo que o conjunto probatório produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A inferência denotada na peça recursal, nesse caso, é acertada em parte. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 311 12 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 9. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.911514/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 15/08/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 14 /2 00 9- 28 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 183 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 2.070,39, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/07/2006) veiculado na PER/DCOMP 25528.42129.291106.1.3.04.9557, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 24/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento. b) Não havendo pagamento de Royalties, a retenção de imposto de renda na fonte foi indevida. Intimado em 24/08/2009 a regularizar a representação, o contribuinte apresentou em 04/09/2009 cópia de alteração contratual, bem como cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O Requerente sustenta a existência do indébito tributário amparandose com cópia de razão consolidado da movimentação da conta de royalties a pagar no ano de 2006, cópia de contrato e aditivo de licença de tecnologia firmado com a Huf Husbeck & Furst GmbH & Co sem tradução juramentada e da cópia do Certificado de Averbação emitido pelo INPI em fevereiro/2008. b) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 184 3 b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 25/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Ante a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI, impossibilitouse o pagamento dos mesmos pela inocorrência do fato gerador. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 185 4 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 186 5 Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 187 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 188 7 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. No prazo para comprovar a regularidade da representação em relação à manifestação de inconformidade, já haviam sido carreados aos autos cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 189 8 Em relação ao excerto do Livro Diário não foram apresentados os respectivos Termos de Abertura e Encerramento. De qualquer forma, a força probatória do Livro Razão é reflexa ao respectivo Livro Diário devidamente formalizado e registrado. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório, bem como o excerto do Livro Razão apresentado por não poder ser confrontado com os respectivos Livros Diário. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos, inclusive do excerto do Livro Razão, são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença e Aditamento (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e os Certificados de Averbação apresentados apresentam validade a partir de 30/05/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/07/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.914265/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 65 /2 01 2- 04 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.420, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.000888/2003-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
DECISÃO ADMINISTRATIVA. NÃO ENFRENTAMENTO DE MATÉRIA SUSCITADA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Configura-se a preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, a decisão administrativa que deixa de analisar matéria suscitada na peça de defesa.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3302-005.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão nº 01-27.150, de 17/09/2013, da 3ª Turma da DRJ/BEL, para que outro seja proferido com o enfrentamento de todas as matéria suscitadas no conjunto da defesa apresentada, por meio das sucessivas e complementares Manifestações de Inconformidade, inclusive sobre a matéria de que trata do crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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NÃO ENFRENTAMENTO DE MATÉRIA SUSCITADA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Configurase a preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, a decisão administrativa que deixa de analisar matéria suscitada na peça de defesa. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão nº 0127.150, de 17/09/2013, da 3ª Turma da DRJ/BEL, para que outro seja proferido com o enfrentamento de todas as matéria suscitadas no conjunto da defesa apresentada, por meio das sucessivas e complementares Manifestações de Inconformidade, inclusive sobre a matéria de que trata do crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 08 88 /2 00 3- 44 Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.942 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Cuida o presente de pedido de ressarcimento a título de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n. 9.363, de 1996, no montante de R$ 930.187,72, relativo ao primeiro trimestre de 1999 (fl. 3). Fulcrado no procedimento fiscal levado a efeito para o fim de subsidiar a apreciação do aludido pedido, restou editado o Despacho Decisório n. 26/2007 (fls. 1540/1547), ocasião em que fora o ressarcimento parcialmente deferido, nos termos seguintes: Reconheço PARCIALMENTE o pedido formulado pela requerente, no montante de R$ 6.111,54 (seis mil, cento e onze reais e cinqüenta e quatro centavos), referente ao Crédito de IPI apurado em conformidade ao disposto na Lei n.° 9.363, de 13/12/96, regulamentada pela Portaria MF n°. 93 de 27/04/2004 — DOU 30/04/2004 e Instruções Normativas SRF n° 419 de 10/05/2004 —DOU 21/05/2004, sem atualização monetária, devendo este montante ser RESTITUÍDO e/ou COMPENSADO VOLUNTARIAMENTE, ou ainda COMPENSADO DE OFICIO, de conformidade com IN/SRF n° 600/2005. Com fundamento nos artigos 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2.002 e 17 da Lei 10.833 de 20 de dezembro de 2003, que deram nova redação ao art. 74 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1.996, e ainda no uso das atribuições do art. 41 da IN/SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 – DOU de 30 de dezembro de 2005, homologo PARCIALMENTE a compensação declarada por Agrícola Sperafico Ltda, excluindo PARCIALMENTE os débitos da COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de 05/97 a 07/97, 09/2001 e de 08/2002 a 10/2002 e da CSLL relativa aos fatos geradores ocorridos no mês de 01/2005 até o limite do crédito reconhecido. Inconformada, em 7 de agosto de 2007, apresenta a contribuinte manifestação de inconformidade (fls. 1567/1599), por meio da qual, em síntese, requer: a) Que seja deferido a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, nos termos do artigo 2° da lei Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.943 3 9363/96, as compra de matéria prima de pessoas físicas (agricultores) e cooperativas, crédito este no montante de R$ 406.891,18 (quatrocentos e seis mil, oitocentos e noventa e um reais e dezoito centavos), no caso de exportação de Óleo Degomado e Farelo de Soja, por serem produtos industrializados; b) Que seja deferido o crédito pleiteado no montante de R$ 320,57 (trezentos e vinte reais e cinqüenta e sete centavos) referente à diferença calculada sobre o valor pleiteado e o valor concedido, proveniente da exportação de soja beneficiada (limpeza e secagem) em virtude deste produto ser beneficiado e se enquadrar no dispositivo do artigo 1º da lei 9363/96; b.1) Que seja deferido o crédito pleiteado em mais o montante de R$ 103.137,63 (cento e três mil, cento e trinta e sete reais e sessenta e três centavos) referente a exportação de soja beneficiada e porém com a inclusão na base de cálculo deste crédito das matérias primas adquiridas de Pessoa Física (agricultor) e Cooperativas; c) Que seja deferido a atualização dos créditos, objeto do presente recurso, bem como dos deferidos pela autoridade julgadora desde a data de sua origem, ou seja, quando a recorrente passou a ter o direito de pleitear tal beneficio que foi o primeiro trimestre de 1999, até a data da compensação e que o saldo restante seja atualizado até a efetiva fruição do beneficio, ou, subsidiariamente, que sejam atualizados os créditos a contar da data do protocolo administrativo do pedido de restituição de Crédito Presumido de IPI até a data do final julgamento do feito. Em cumprimento à ordem emanada no âmbito do Agravo de Instrumento n. 2008.04.00.0010727/ PR (fls. 1627/1632) – cuja origem remonta ao Mandado de Segurança n. 2007.70.05.0037088/ PR –, quando restou determinado o reexame do presente pedido de ressarcimento, inclusive, abstendose a autoridade coatora de promover a glosa da parcela do crédito presumido de IPI proveniente dos insumos adquiridos de nãocontribuintes, fora o Despacho Decisório n. 26/2007 alvo de reforma pelo Despacho Decisório n. 96/2008 (fls. 1644/1649), assim decidido: a) Reformar o Despacho Decisório n° 26 de 18/06/2007 (fls. 1151/1158), relativo ao crédito presumido do IPI, admitindo em seu cálculo, por determinação judicial, a inclusão da parcela representada por aquisições de nãocontribuintes (pessoas físicas e cooperativas),no 1o trimestre de 1.999; b) Manter o reconhecimento PARCIAL do direito creditório já homologado através do referido Despacho Decisório n° 026/2007 (fls. 1151/1158), a favor da requerente SPERAFICO AGOINDUSTRIAL LTDA, no Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.944 4 VALOR de R$ 6.111,54 (seis mil, cento e onze reais e cinqüenta e quatro centavos), sem atualização monetária, relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes, utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Apontar o crédito suplementar no valor de R$ 572.737,71 (quinhentos e setenta e dois mil, setecentos e trinta e sete reais e setenta e um centavos), sem atualização monetária, evidenciado no procedimento de reexame, em atendimento aos critérios da determinação judicial, por não ter sido postulada na via judicial a realização efetiva do ressarcimento do crédito de tal origem (aquisições de insumos junto a nãocontribuintes para utilização no processo produtivo destinado a exportação), sendo que a presente decisão não implica em determinação de ressarcimento ou compensação, frente a possibilidade de existirem outros óbices relacionados à situação em tela, como a própria vedação administrativa para o aproveitamento de tais créditos decorrentes da aquisição de nãocontribuintes (IN 419, de 10/05/04, art. 2°, §2°); d) Quanto a presente Reforma do Despacho Decisório n° 026/2007, seus respectivos cálculos para determinação do valor apontado no item "C" acima e valor glosado do crédito pretendido, para a definição do crédito suplementar, nas condições e parâmetros estabelecidos, o contribuinte poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste Despacho Decisório, manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nos termos do art. 74, § 9°, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Na data de 8 de julho de 2008, a contribuinte, incontinenti, carreia aos autos razões suplementares à manifestação de inconformidade anteriormente interposta (fls. 1672/1676), onde, em suma, pleiteia: a) Seja excluída da apreciação desta DRJ, a matéria correspondente à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI, referente às compras de matériaprima de pessoas físicas (agricultores) e cooperativas, uma vez que, embora apresentada em sede recursal, já restou deferida pela autoridade administrativa de primeira instância (DRF de Cascavel — Paraná), mediante Despacho Decisório n°. 94/2008; b) Seja deferido o direito à atualização dos créditos pela taxa SELIC, créditos estes deferidos pela autoridade julgadora desde a data de sua origem, ou seja, quando a recorrente passou a ter o direito de pleitear tal beneficio, que foi o primeiro trimestre de 1999, até a data da Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.945 5 compensação; e que o saldo restante seja atualizado até a efetiva fruição do beneficio. Ao final, reitera os demais argumentos aduzidos por ocasião da manifestação de inconformidade apresentada anteriormente, ao que protesta pelo deferimento da totalidade do crédito pleiteado. Posteriormente, em 9 de junho de 2009, a contribuinte apresenta a petição de fls. 1733/1743, através da qual requer a remessa, dentre outros, do presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente, para que sejam, apreciados os argumentos lançados nas manifestações anteriores, reputados parcialmente pendentes de apreciação. Nesta esteira, restou proferido o Despacho Decisório n. 198/2013 (fls. 1784/1789), decidindose: a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 026/2007, no VALOR de R$ 6.111,54 (seis mil, cento e onze reais e cinqüenta e quatro centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 096/2008, no VALOR de R$ 572.737,71 (quinhentos e setenta e dois mil, setecentos e trinta e sete reais e setenta e um centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 315/2008 (cópia as fls. 1714/1715), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, caso restar crédito remanescente, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o cálculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 13/05/03 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95). Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.946 6 Renitente, na data de 6 de junho de 2013, apresenta a contribuinte nova manifestação de inconformidade (fls. 1849/1859), por intermédio da qual pugna seja determinada: [...] a correção monetária pela Selic do crédito da Manifestante que foi inicialmente homologado pelo AFRFB, à semelhança do que apenas foi reconhecido via judicialmente até a data em que se encerrar a análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos [...] É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. Incabível, face à ausência de previsão legal, atualização monetária de crédito correspondente a ressarcimento a título de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual repisa seus argumentos da peça impugnatória e ataca a decisão recorrida, com destaque ao tópico preliminar sobre nulidade da decisão de primeira instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. PRELIMINAR Alegase cerceamento do direito de defesa e, conseqüente, nulidade da decisão recorrida, por não ter a mesma, nem mesmo, apreciado a matéria referente a possibilidade de usufruir do direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada. Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.947 7 Crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada No tópico "III.1. DA NÃO APRECIAÇÃO DE TODA A MATÉRIA IMPUGNADA PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO" (fls. 1897/1900) a Recorrente traz à lume que a decisão recorrida não enfrentou a matéria referente a possibilidade de usufruir do direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada, suscitando que: Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.948 8 Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.949 9 Embora a Recorrente se confunda e descreva a existência de diversos pronunciamentos da DRJ, o Órgão julgador de primeira instância emitiu apenas a decisão ora recorrida: Acórdão nº 0127.150, de 17/09/2013, sendo todos os demais atos decisórios emanados via, sucessivos e complementares, Despachos Decisórios, impulsionados por ordens judiciais no Mandado de Segurança n° 2007.70.05.0037088PR, as quais optaram por determinar reexames dos pedidos de ressarcimento, sem expressa declaração de nulidade dos exames precedentes. Tendo em vista não ter havido declaração expressa de nulidade dos Despachos Decisórios precedentes e tendo a autoridade competente assumindo seus atos decisórios subseqüentes como complementares, entendo que também as respectivas Manifestações de Inconformidade devem ser entendidas como complementares, assistindo razão à Recorrente, quando afirma que, no conjunto da defesa apresentada, embora tenha devidamente manifestado inconformidade quanto a matéria referente ao indeferimento ao direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada, a DRJ não se pronunciou a respeito. No voto condutor da decisão ora combatida, o Relator, talvez, atendose apenas à última peça de manifestação de inconformidade, enfrenta exclusivamente a questão da correção dos créditos pela taxa Selic, não havendo o enfrentamento da indigitada matéria trazida à lide nas duas primeiras peças de defesa. Pela peculiaridade do caso, no qual determinações judiciais provocaram sucessivos e complementares Despachos Decisórios, há de se constatar que a matéria foi suscitada nas manifestações de inconformidade, ainda que não tenha sido reiterada na última peça complementar da defesa apresentada. A ausência de manifestação da primeira instância em matéria devidamente questionada em sede de manifestação de inconformidade caracteriza o cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, princípios inalienáveis ao processo, caracterizada como fundamento para a nulidade da decisão que os preteriu, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72: Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.950 10 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Isto posto, voto por ANULAR o Acórdão nº 0127.150, de 17/09/2013, da 3ª Turma da DRJ/BEL, para que outro seja proferido com o enfrentamento de todas as matéria suscitadas no conjunto da defesa apresentada, por meio das sucessivas e complementares Manifestações de Inconformidade, inclusive sobre a matéria de que trata do crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada, dandose, após, o devido prosseguimento ao contencioso. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1950DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.720062/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OBSCURIDADE.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou a decisão contiver obscuridade.
MULTA QUALIFICADA E PUNITIVA. PROVIMENTO DO RECURSO.
Diante do provimento do recurso voluntário devem ser excluídas da fundamentação da decisão embargada a parte relativa as multas que não foram objeto de deliberação por parte do colegiado.
Numero da decisão: 2202-004.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que sejam excluídos da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva, nos termos do voto da relatora, e para que seja corrigido o erro material da ementa da decisão, substituindo-se o assunto intitulado "imposto de renda pessoa física", por "contribuições sociais previdenciárias", matéria discutida nos autos.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OBSCURIDADE. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou a decisão contiver obscuridade. MULTA QUALIFICADA E PUNITIVA. PROVIMENTO DO RECURSO. Diante do provimento do recurso voluntário devem ser excluídas da fundamentação da decisão embargada a parte relativa as multas que não foram objeto de deliberação por parte do colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que sejam excluídos da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva, nos termos do voto da relatora, e para que seja corrigido o erro material da ementa da decisão, substituindose o assunto intitulado "imposto de renda pessoa física", por "contribuições sociais previdenciárias", matéria discutida nos autos. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 62 /2 01 2- 26 Fl. 253DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2202004.019 (fls. 224/240), da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão plenária de 04 de julho de 2017, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99. LANÇAMENTO. PROVAS INDICIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Cabe a fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. Cientificada da decisão em 21/08/2017 (despacho de encaminhamento de fls. 241), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em 04/09/2017 (fls. 242/246), alegando obscuridade. De acordo com a embargante já que o colegiado apreciou o mérito da discussão e concluiu pela improcedência do lançamento, a turma não discutiu e votou a Fl. 254DF CARF MF Processo nº 18088.720062/201226 Acórdão n.º 2202004.656 S2C2T2 Fl. 254 3 desqualificação da multa e a redução do patamar da multa punitiva. Todavia, do voto da relatora consta a fundamentação dessas duas questões. Diante desses fatos, conclui a embargante que: Entretanto, inobstante a clara desnecessidade, a Relatora fez constar na fundamentação os motivos pelos quais afastava também a multa qualificada e a retroatividade benigna aplicada para a multa punitiva. Dessa forma, para que a União possa exercer plenamente o seu direito de defesa, assim como para afastar eventual supressão de instância para o contribuinte, caso a CSRF julgue procedente recurso especial da União, necessário que seja aclarado o acórdão, para excluir da fundamentação as matérias que não foram objeto de votação pela Turma, quais sejam, qualificação da multa e a aplicação da multa punitiva, conforme se depreende da ementa do acórdão. Entretanto, remotamente, acaso tenham sido objeto de votação, tendo em vista a inutilidade da discussão que permeia tais pontos (qualificação da multa e a aplicação da multa punitiva), que reste expressamente consignado na ementa do julgado o entendimento adotado, para espancar qualquer dúvida acerca do que foi realmente votado. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de que seja afastada a obscuridade apontada, para que não restem dúvidas acerca do que foi realmente votado pela Turma, propiciando a recorribilidade da União de forma plena.(grifos originais) Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise dos erros materiais e da obscuridade apontados no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Corretas as alegações do embargante. Como já reconhecido no despacho de admissibilidade: A PFN suscita a exclusão da decisão embargada da parte que não foi objeto de discussão e votação pelo colegiado, qual seja, qualificação da multa e redução da multa de ofício. De fato, observase que na ementa do julgado não constam tais matérias, o que nos conduz à conclusão de que, ou a matéria não Fl. 255DF CARF MF 4 foi de fato objeto de discussão e votação pela turma, ou a ementa contém omissão quanto a essas questões. Por outro lado, verificase a ocorrência de erro material relativo ao assunto constante na ementa, onde ao invés de CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS constou IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Assim, considerando o erro material agora detectado e que os embargos revelaram a ocorrência de mácula saneável pela via dos embargos, estes devem ser admitidos. Com efeito, as matérias relativas a redução da multa qualificada no percentual de 150% , bem como a redução do percentual da multa punitiva não foram objeto de apreciação pela turma julgadora, uma vez que esta concluiu pelo integral provimento do recurso voluntário. Sendo assim, para que se evite supressão de instância caso seja dado provimento à eventual Recurso Especial da Fazenda Nacional devem ser exclúidos da decisão embargada os seguintes pontos: 2.4) Da aplicação da multa agravada no percentual de 150% O Recorrente se insurge, também, quanto a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que não teria utilizado de qualquer artifício para ocultar o que teria ocorrido, como falsificação de notas e adulteração de comprovantes. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Por mais que se reconheça a prática de planejamento fiscal não oponível ao fisco, entendo que não está configurada a fraude penal necessária a aplicação da multa agravada. Como esclarece MARCO AURÉLIO GRECO em sua obra planejamento fiscal: Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca do intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc. prevista no inciso I que vai levar a multa em dobro. Se não houve o intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legalmente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir etc. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 18088.720062/201226 Acórdão n.º 2202004.656 S2C2T2 Fl. 255 5 Hipóteses de razoável e justificável divergência de qualificação jurídica não configuram a "fraude" a que se refere o incido II. Poderão em tese configurar fraude civil ou fraude à lei, mas esta não está alcançada pelo inciso II. (grifamos) Além disso, o artigo 112 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que " A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato". Em face do exposto, entendo que a multa agravada deverá ser reduzida para o percentual de 75%; 2.5) Da correta aplicação da multa punitiva Por fim, alega a Recorrente que, se alguma multa de mora fosse aplicada esta deveria ser a multa de 20% previta no artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Conforme consta do voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto, proferido na decisão constante do Acórdão 2202003.445: Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Fl. 257DF CARF MF 6 Em face do exposto, dou provimento ao recurso para reduzir a multa para 0,33%, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96); Em face do exposto, dou provimento aos embargos para que sejam excluídas da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva. Da mesma forma, deve ser corrigido o erro material da ementa da decisão quando menciona como assunto o "imposto de renda pessoa física", quando a matéria em discussão referese às contribuições sociais previdenciárias. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901062/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 62 /2 01 1- 41 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.371 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 35023.93042.301007.1.3.042367. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 35023.93042.301007.1.3.042367, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001204/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-16T17:16:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-16T17:16:41Z; Last-Modified: 2018-08-16T17:16:41Z; dcterms:modified: 2018-08-16T17:16:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:228c0deb-df5c-43f1-a36a-1f6382382dd8; Last-Save-Date: 2018-08-16T17:16:41Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-16T17:16:41Z; meta:save-date: 2018-08-16T17:16:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-16T17:16:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-16T17:16:41Z; created: 2018-08-16T17:16:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-08-16T17:16:41Z; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-16T17:16:41Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.001204/200733 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.647 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de maio de 2008 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CARAIBA METAIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.001229/200737, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., apresenta recurso a este Conselho da DecisãoNotificação proferida pela antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 20 4/ 20 07 -3 3 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13502.001204/200733 Resolução nº 2401000.647 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mão de obra base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1 0 e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13502.001204/200733 Resolução nº 2401000.647 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.001229/200737, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, digna Relatora da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II, do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13502.001204/200733 Resolução nº 2401000.647 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia na íntegra da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto." Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003160/2005-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 31 60 /2 00 5- 53 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.762, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apurada no regime nãocumulativo), relativos ao primeiro trimestre de 2004. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 068/2008, às folhas 147 a 151, e Despacho Decisório, à folha 152), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 155 a 177, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 4 3 internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também ofato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofms (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. Por fim, traz a contribuinte relatórios de "Serviços de Conferência de Capatazia", emitidos pelo "Sindicato de Conferentes de Itajaí", referentes à atracação de navio estrangeiro, com fins de evidenciar, por tais documentos, a efetiva prestação dos serviços de descarga, embarque e remoção de conteineres vazios e cheios, a pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no exterior, por meio de representantes residentes e domiciliados no Brasil. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO A D M I N I S T R A T I V O F I S C AL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 5 4 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.081, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 1025 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 6 5 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. 2) Inexiste saldo credor de crédito da Cofins vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 43/44 (R$ 55.072,05 protocolada em 06/06/2005) e 05/07 (R$ 14.642,53 protocolada em 19/10/2005) que utilizam crédito de dezembro. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 7 6 comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 8 7 Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 9 8 operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 10 9 A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 11 10 E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 1145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720270/2013-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
COOPERATIVAS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. ASSOCIADOS. PESSOAS JURÍDICAS. IMPOSSIBILIDADE.
A participação de pessoas jurídicas em cooperativas é uma regra de exceção. Somente nos casos excepcionalmente previstos pela Lei há a possibilidade de ingresso de pessoas jurídicas no quadro social das cooperativas. Portanto, não havendo previsão legal expressa, não é possível a participação de pessoas jurídicas nas cooperativas de transporte rodoviário de cargas.
Numero da decisão: 9303-007.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSOCIADOS. PESSOAS JURÍDICAS. IMPOSSIBILIDADE. A participação de pessoas jurídicas em cooperativas é uma regra de exceção. Somente nos casos excepcionalmente previstos pela Lei há a possibilidade de ingresso de pessoas jurídicas no quadro social das cooperativas. Portanto, não havendo previsão legal expressa, não é possível a participação de pessoas jurídicas nas cooperativas de transporte rodoviário de cargas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 02 70 /2 01 3- 07 Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n° 3302 004.600, de 25 de julho de 2017, fls. 763 a 779, que negou provimento ao recurso e assim ficou ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS. ATOS NÃO COOPERADOS. RECEITAS INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. Os serviços prestados por pessoas jurídicas transportadoras com fins lucrativos através das cooperativas de transporte de carga são considerados como atos não cooperados, cujas receitas são incluídas na base de cálculo das contribuições. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS. ATOS NÃO COOPERADOS. RECEITAS INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. Os serviços prestados por pessoas jurídicas transportadoras com fins lucrativos através das cooperativas de transporte de carga são considerados como atos não cooperados, cujas receitas são incluídas na base de cálculo das contribuições. Recurso Voluntário Negado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária em relação à possibilidade de pessoas jurídicas participarem de cooperativas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 3202001.119 e 9303004.358. Em seguida, o Presidente da 3º Seção de Julgamento, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 962/966. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 4 3 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso, ás fls. 968/973. No essencial é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de Auto de Infração (AI) por falta/insuficiência das Contribuições para o PIS/Pasep, e das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, do período de 01/2009 a 12/2011, acrescido de multa proporcional e juros de mora. A Contribuinte acima identificada Coopercarga se trata de uma cooperativa de transporte rodoviário, sujeita ao regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins. Esclarece a autoridade fiscalizadora que a autuação foi motivada pelo fato de a contribuinte ter excluído da base de cálculo os repasses efetuados a pessoas jurídicas, consideradas por esta como associadas, sem amparo na legislação de regência. Segundo o fisco, o ingresso de pessoas jurídicas nos quadros da cooperativa é situação excepcional, nas hipóteses previstas nos §§ 2º. e 3º. do art. 29 da Lei nº. 5.764/71: primeiro, somente é possível nas cooperativas de pesca, de produtores rurais ou extrativistas, de eletrificação, irrigação ou telecomunicações; e segundo, a pessoa jurídica exerça as mesmas atividades econômicas ou correlatas das pessoas físicas associadas. Por sua vez, a Terceira Câmara/2º Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que há incidência de PIS e COFINS aos atos praticados entre a cooperativa e seus cooperados pessoas jurídicas, que apenas as cooperativas de pesca constituídas por produtores rurais ou extrativistas, cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações podem admitir pessoas jurídicas. Prima facie, entendo que se aplica ao caso em questão os REsp's nºs 1.164.716 e 1.141.667, julgados pela sistemática dos recursos repetitivos, o qual restou decidido que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo (REsp nº1.164.716) decidiu que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. O precedente tem a seguinte ementa: "RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) VOTO VOGAL MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES: Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 5 4 O presente Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, trata da incidência de PIS e COFINS sobre atos cooperativos típicos, definidos no art. 79 da Lei 5.764/71, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais.Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". A não incidência dos citados tributos sobre os atos cooperativos típicos tem por fundamento o supratranscrito parágrafo único do art. 79 da Lei 5.764/71. Explicase: se tais atos não implicam operação de mercado, ou contrato de compra e venda, não geram receita ou lucro, situação que impossibilita a incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Quanto ao tema, é certo que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que sobre atos cooperativos típicos não incidem as contribuições ao PIS e COFINS: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COOPERATIVA. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA. PIS E COFINS. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. No caso sub judice, o Tribunal de origem, soberano na análise dos fatos e das provas, concluiu que os atos praticados pela cooperativa constituem atos não cooperados, decorrentes de contratos de prestação de serviços firmados com terceiros a serem realizados pelos seus médicos cooperados. Rever tal entendimento encontra óbice na Súmula 7/STJ. 6. Agravo Regimental não provido" (STJ, AgRg no AREsp 573.423/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/12/2014). "DIREITO TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. COFINS. VIOLAÇÃO DO ART. 110 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. COOPERATIVA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. HIERARQUIA DAS LEIS. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. ATOS COOPERATIVOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. INAPLICABILIDADE DO ART. 79 DA LEI Nº 5.764/71. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 6 5 1. A alegada contrariedade ao art. 110 do Código Tributário Nacional não pode ser conhecida, uma vez que o tema regulado em tal dispositivo não foi objeto de juízo de valor por parte do Tribunal recorrido, a caracterizar a ausência de prequestionamento, circunstância processual que atrai o óbice das Súmulas 282 e 356/STF. 2. A análise de conflito entre lei complementar e lei ordinária como é o caso da revogação da LC nº 70/91 pela Medida Provisória nº 1.85810/99 é de cunho constitucional, inviabilizando a análise desse ponto por esta Corte, sob pena de usurparse da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa estabelece uma relação jurídica com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, normativo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, sobre os quais incide a isenção. 4. Da análise dos autos, depreendese que os atos nãocooperativos, que são aqueles praticados pela cooperativa ou por seus associados com terceiros, devem ser tributados normalmente, sendo este exatamente o caso dos autos, uma vez que os contratos firmados entre a recorrente (cooperativa) e a empresa (tomadora de serviços), não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros, motivo pelo qual tais operações devem ser tributadas sem o benefício isencional pleiteado na causa. 5. Recurso especial não conhecido" (STJ, REsp 1.151.573/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 24/06/2013). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. PIS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são meio próprios para reconhecimento de omissão do acórdão que não aferiu a existência de fundamento infraconstitucional no aresto de segundo grau. 2. Os atos cooperativos não geram faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Ausência de base imponível para o PIS. Nãoincidência pura e simples. Já os atos não cooperativos revestemse de nítida feição mercantil e geram receita à sociedade, razão pela qual devem ser tributados. 3. Toda a movimentação financeira das sociedades cooperativas de crédito constitui ato cooperativo. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. Recurso especial provido" (STJ, EDcl nos EDcl no REsp 718.001/MG, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/05/2009). "RECURSO ESPECIAL. COFINS. LEI COMPLEMENTAR 70/91. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO PELA LEI 9.430/96. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE POR ESTA CORTE. ORIENTAÇÃO Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 7 6 FIRMADA NO JULGAMENTO DO AGRG NO RESP 728.754/SP. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. NÃOINCIDÊNCIA. LEI 5.764/71. 1. Na assentada do dia 26.4.2006, a Primeira Seção, julgando o AgRg no REsp 728.754/SP, de relatoria da Exma. Min. Eliana Calmon, em votação unânime, deu nova interpretação à Súmula 276/STJ, para limitar sua aplicação aos casos em que se discuta a questão do regime do Imposto de Renda adotado pelas empresas prestadoras de serviços, afastando a possibilidade de este Superior Tribunal de Justiça emitir qualquer juízo de valor acerca da legitimidade da revogação da isenção prevista na Lei Complementar 70/91 pela Lei 9.430/96, à consideração de que se trata de matéria constitucional, cuja análise compete ao Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção desta Corte, a partir do julgamento do REsp 616.219/MG, julgado em 27.10.2004, de relatoria do Ministro Luiz Fux, manifestou o entendimento de que, dos atos cooperativos típicos, praticados pelas entidades albergadas na Lei 5.764/71, não decorrem receita, ou receita bruta, ou, ainda, faturamento. 3. Recurso especial provido" (STJ, REsp 748.370/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJU de 24/05/2007). Confirmando o posicionamento desta Corte sobre o tema, podem ser citados, ainda, os seguintes precedentes, para os quais a prática de atos pela cooperativa com terceiros devem ser tributados, o que, a contrario sensu, implica afirmar que os atos tipicamente cooperativos – praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, para a consecução dos objetivos sociais – não podem sofrer incidência de PIS e COFINS: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. COOPERATIVA DETRABALHO MÉDICO. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS. RECEITAS AUFERIDAS. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. SÚMULA N. 83/STJ. I A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. II É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os atos praticados pela cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos e, portanto, estão no campo de incidência de contribuição ao PIS e à COFINS. III O recurso especial, interposto pela alínea a e/ou pela alínea c, do inciso III, do art. 105, da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência dessa Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. IV A Agravante não apresenta, no Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 8 7 regimental, argumentos suficientes para desconstituir a decisão agravada.V Agravo Regimental improvido" (STJ, AgRg no Ag 1.418.104/MG,Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de14/09/2015). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. PIS/COFINS. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL. REFORMA EM RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. ATO COOPERATIVO PRATICADO COM TERCEIRO NÃO ASSOCIADO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. OBSERVÂNCIA PELAS DEMAIS INSTÂNCIAS JUDICIAIS. NECESSIDADE. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem dirime, fundamentadamente, as questões que lhe são submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos presentes autos. 2. O acórdão recorrido ancorouse em fundamentação eminentemente constitucional para solucionar a questão relativa à alteração da base de cálculo da COFINS e à revogação da isenção conferida por lei complementar por lei ordinária, cabendo ao Supremo Tribunal Federal, no ponto, dirimir a contenda por meio do recurso extraordinário stricto sensu já admitido na origem. 3. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o mérito da repercussão geral reconhecida no RE 598085/RJ e no RE 599362/RJ, sedimentou posicionamento no sentido de que 'Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável', concluindo ser 'tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas quando prestarem serviços a terceiros não associados (não cooperados), tornando, com isso, imperiosa a observância de tal entendimento pelas demais instâncias judiciárias, a teor dos arts. 543A e 543B do CPC. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido" (STJ, REsp 600.458/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 17/04/2015). "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça, 'os atos praticados pela cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos e, portanto, estão no campo de incidência da contribuição ao PIS e à COFINS. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas. Esse é o conceito que se Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 9 8 depreende do disposto no art. 79 da lei que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas Lei nº 5.764/71 (REsp 1.192.187/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 17/8/10). 2. Agravo regimental não provido" (STJ, AgRg no AREsp 170.608/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 16/10/2012). Nesse contexto, correto o entendimento de que não devem incidir PIS e COFINS sobre atos cooperativos típicos, pelo que acompanho o voto proferido pelo Ministro Relator, no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o voto". Nesse diapasão, cabe salientar que esta E. Câmara Superior possui jurisprudência uníssona no sentido de que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos, in verbis : COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667. Precedentes STJ. (Acórdão nº 9303005.786 – 3ª Turma CSRF, julgado em 20 de setembro de 2017, Relator Conselheiro Demes Brito). Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Quanto a matéria a divergência referente à possibilidade de pessoas jurídicas participarem de cooperativas, esta E. Câmara Superior, na sessão de 08 de novembro de 2016, nos autos do processo nº13982.720025/201391, acórdão nº 9303004.358, de Relatoria da Ilustre Conselheira Érika Costa Camargos Autran, o Colegiado decidiu que pessoas jurídicas podem participar do quadro societário das cooperativas, desde que respeitados os ditames do Código Civil e da Lei n.° 5.764/1971, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 10 9 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PIS. COFINS. ATO COOPERATIVO. PARTICIPAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA COMO COOPERADO. NÃO INCIDÊNCIA. As pessoas jurídicas podem participar do quadro societário das cooperativas, desde que respeitados os ditames do Código Civil e da Lei n.° 5.764/1971. Ato cooperado é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79 da Lei n.° 5.764/1971). A não incidência de COFINS restringese a atos cooperados praticados entre a cooperativa e seus associados. Passo a análise do Recurso. O cerne da presente controvérsia consiste em verificar se é possível a admissão de pessoas jurídicas às cooperativas de transporte de cargas. As Sociedades Cooperativas estão reguladas pela Lei n.º 5.764/1971, que define a política nacional de cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas e dá outras providências, e a Lei n.º 10.406/2002, que institui o Código Civil. Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas: Isingulares, as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos. Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei. § 1° A admissão dos associados poderá ser restrita, a critério do órgão normativo respectivo, às pessoas que exerçam determinada atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade.§ 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas. § 3° Nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, poderão ingressar as pessoas jurídicas que se localizem na respectiva área de operações. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 11 10 § 4° Não poderão ingressar no quadro das cooperativas os agentes de comércio e empresários que operem no mesmo campo econômico da sociedade. O Código Civil, por sua vez, tratou das cooperativas, ressalvando, no entanto, a aplicação da vigente legislação atinente à matéria (Lei n.º 5.764/1971), nos seguintes dispositivos: Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerasse empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considerasse empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; Art. 1.093. A sociedade cooperativa regerseá pelo disposto no presente Capítulo, ressalvada a legislação especial. Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa: I variabilidade, ou dispensa do capital social; II concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade, sem limitação de número máximo; III limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá tomar; IV intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança; V quorum, para a assembleia geral funcionar e deliberar, fundado no número de sócios presentes à reunião, e não no capital social representado; VI direito de cada sócio a um só voto nas deliberações, tenha ou não capital a sociedade, e qualquer que seja o valor de sua participação; Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 12 11 VII distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado; VIII indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de dissolução da sociedade. Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. § 1o É limitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde somente pelo valor de suas quotas e pelo prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a proporção de sua participação nas mesmas operações. § 2o É ilimitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Art. 1.096. No que a lei for omissa, aplicamse as disposições referentes à sociedade simples, resguardadas as características estabelecidas no art. 1.094. Com a convivência desses dois diplomas legais sobre cooperativas poderão surgir dificuldades na aplicação das normas jurídicas constantes de um ou de outro, principalmente daquelas que tiverem conteúdos contraditórios ou incompatíveis. Segundo alguns doutrinadores, devem prevalecer as normas contidas no Código de 2.002, visto tratarse de lei posterior que dispõe sobre o mesmo assunto da Lei n.º 5.764/1971, revogandoa, portanto, no que dispuser em contrário. Segundo outros, existindo contradição deve sempre prevalecer a legislação especial, no caso a Lei n.º 5.764/1971. Entendo que os artigos pertinentes às cooperativas, portanto, devem ser aplicados de forma concomitante e complementar à Lei n.º 5.764/1971. Havendo incompatibilidade entre o Código e a legislação especial anterior, devem prevalecer os artigos do novo Código Civil. Desta maneira, a cooperativa é uma associação de pessoas com interesses comuns, economicamente organizada de forma democrática, isto é, contando com a participação livre de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais presta serviços, sem fins lucrativos. Os princípios que regem as cooperativas são o da adesão livre e da mutualidade. Elas são regidas pelo princípio da adesão livre, pois qualquer pessoa que quiser usar seus serviços e assumir responsabilidade como sócios podem, ou seja, é uma sociedade aberta a todos. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 13 12 Com efeito, a essência das sociedades cooperativas é a composição de seu quadro social por pessoas naturais. Não obstante, é da própria lei que emana a permissão, ainda que excepcional, de admissão de pessoas jurídicas aos quadros sociais de sociedades cooperativas. Entretanto, para que uma pessoa jurídica seja admitida a participar de uma sociedade cooperativa deverá preencher, alternativamente, um dos seguintes requisitos: 1) ter por objeto atividade idêntica ou correlata à das pessoas físicas que a compõem; ou 2) não possuir finalidade lucrativa. A Lei somente trata de restrições específicas destinadas às cooperativas ali mencionadas, senão vejamos: Art. 29. (...) § 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas. § 3° Nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, poderão ingressar as pessoas jurídicas que se localizem na respectiva área de operações. Desta maneira, proíbese a presença de pessoas jurídicas nas cooperativas de pesca, bem como de produtores rurais e extrativistas, fora daquelas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas. O § 3.º do art. 29 também restringe nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, sejam admitidas pessoas jurídicas sediadas fora das áreas de operações das sociedades. Resumindo a restrição temos: primeiro, que nas cooperativas de pesca, bem como de produtores rurais e extrativistas, admitam pessoas jurídicas fora daquelas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas; segundo, que nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações sejam admitidas pessoas jurídicas sediadas fora das áreas de operação das sociedades. No caso das cooperativas de transporte de cargas, as pessoas jurídicas cooperadas são transportadoras, logo têm por objeto as mesmas atividades econômicas (transporte rodoviário de cargas) que os demais associados pessoas físicas (transportadores autônomos), atendendo assim ao disposto no art. 6.º, inciso I, da Lei n.º 5.764/71. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 14 13 Portanto, vêse correto o entendimento emanado no acórdão recorrido que, por sua vez, trouxe essas considerações: "Pareceme, portanto, que, cotejando todos os dispositivos legais acima transcritos, é possível concluir sobre a possibilidade das cooperativas poderem ter pessoas jurídicas em seus quadros societários, desde que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas, havendo exigências específicas para as cooperativas de pesca e constituídas por produtores rurais ou extrativistas, bem como para as cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações. Resta analisar se os cooperados pessoas jurídicas da Recorrente cumprem a exigência contida no artigo 6° da Lei n° 5.764/71 (ter por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas). A resposta para essa questão pode ser encontrada no Termo de Verificação e de Encerramento Parcial de Ação Fiscal (fls. 20) na seguinte passagem: No que diz respeito às pessoas jurídicas, tratamse de pessoas jurídicas com fins lucrativos e que operam no ramo de transporte rodoviário de carga. Inclusive, e conforme a seguir demonstrará, parcela expressiva das exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS, e que foi levada a termo pelo sujeito passivo, se referem a repasses a associados por conta de serviços de por eles prestados à cooperativa... Para melhor compreensão das providências adotadas por esta autoridade fiscal, convém esclarecer que a questão que deu gênese a presente autuação é o fato da COOPERCARGA excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os repasses efetuados aos associados pessoas jurídicas. É de se concluir, outrossim, que cumprido está o requisito exigido no artigo 6° da Lei n5.764/71, motivo pelo qual estamos diante da figura do ato cooperado.” Quanto a não incidência das exações sobre o ato cooperado, adoto o entendimento já proferido no acordão recorrido: “A Lei n° 5.764/1971 assim dispõe sobre o ato cooperativo: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 15 14 Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/ 2001). Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. O artigo 6° da Lei Complementar 70/1991, por sua vez, dispunha que: Art. 6° São isentas da contribuição: I – as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades. Posteriormente, a Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições (culminando na MP n° 2.15835, de 2001), revogou expressamente, a partir de 30 de junho de 1999, a isenção da Cofins quanto aos atos cooperativos próprios das finalidades das cooperativas, prevista no artigo 6°, inciso I, da Lei Complementar n° 70/1991. Tal revogação, a meu ver, é possível, já que não há obrigatoriedade de edição de lei complementar para disciplinar a matéria em voga. Com o advento da Lei n°. 11.196/2005, alterando o artigo 30 da Lei n° 11.051/2004, é que se passou a reconhecer o direito das sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas excluírem, na apuração dos valores devidos a titulo de PIS e Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo, verbis: Art. 30. As sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas, na apuração dos valores devidos a título de Cofins e PIS faturamento, poderão excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo, aplicando, no que couber, o disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e demais normas relativas às cooperativas de produção agropecuária e de infraestrutura. Vêse, portanto, que, até o mês de novembro de 2005, as cooperativas estavam sujeitas à tributação pelo PIS e COFINS sobre a totalidade de suas receitas, sendo que, após esse período, passou a ser possível a exclusão dos ingressos decorrentes do ato cooperado.” Como se verifica no art. 79 da Lei n.º 5.764/1971, este preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parágrafo único, alerta Fl. 996DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 16 15 que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Lembramos que os atos não cooperativos são aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas não associadas, revestindose, nesse caso, de nítida feição mercantil. Neste caso, tais operações, contabilizadas em separado, teriam a incidência de tributos, tendo em vista a existência do fato gerador, qual seja o faturamento. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados, de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão para excluir da tributação pelo PIS e COFINS os repasses efetuados aos cooperados pessoas jurídicas pela Recorrente". Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões quanto à possibilidade de inclusão de pessoas jurídicas como associadas de cooperativa de transporte de cargas. Inicialmente há que se ressaltar que a discussão devolvida a julgamento, por meio do recurso especial, é somente a relativa à possibilidade de inclusão de pessoas jurídicas no quadro de associados da recorrente que é uma cooperativa de transporte rodoviário de cargas. Portanto, não tenho reparos a fazer na parte do voto do relator que concluiu que não são tributáveis pelo PIS e pela Cofins as receitas decorrentes da prática de atos cooperativos. Ou seja, o meu voto não contraria o que foi decidido pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, REsp nº 1.164.716. Na verdade o que foi decidido pelo STJ é que os atos cooperativos típicos não são tributados pelo PIS e pela Cofins. No presente processo, o que se discute é se a legislação permite a inclusão de pessoas jurídicas no quadro de associados da cooperativa de transporte rodoviário de cargas. Havendo o permissivo legal, indubitavelmente os atos praticados entre a cooperativa e essas pessoas jurídicas seriam considerados atos cooperativos e não seriam tributados pelo PIS e pela Cofins. Contrário senso, como decidiu o acórdão recorrido, e foi a causa da lavratura do auto de infração, esses atos não seriam considerados atos cooperativos e portanto, tributáveis pelo PIS e pela Cofins. Penso que não há reparos a serem feitos no acórdão recorrido. Concordo que a legislação que cuida deste assunto é a Lei nº 5.764/1971, que é específica para regulamentar o cooperativismo no Brasil. Vejamos o que ela dispõe sobre o assunto: Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas: I singulares, as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos; (...) Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei. § 1° A admissão dos associados poderá ser restrita, a critério do órgão normativo respectivo, às pessoas que exerçam determinada atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade. § 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas Fl. 998DF CARF MF Processo nº 13982.720270/201307 Acórdão n.º 9303007.040 CSRFT3 Fl. 18 17 jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas. § 3° Nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, poderão ingressar as pessoas jurídicas que se localizem na respectiva área de operações. § 4° Não poderão ingressar no quadro das cooperativas os agentes de comércio e empresários que operem no mesmo campo econômico da sociedade. Da leitura dos dispositivos legais resta inequívoco que a participação de pessoas jurídicas em cooperativas é uma regra de exceção. Somente nos casos excepcionalmente previstos pela Lei há a possibilidade de ingresso de pessoas jurídicas no quadro social das cooperativas. Portanto, não havendo previsão legal expressa, não é possível a participação de pessoas jurídicas nas cooperativas de transporte rodoviário de cargas. Portanto os atos praticados pela cooperativa com estas pessoas jurídicas não podem ser considerados ato cooperativos típicos e portanto são tributados pelo PIS e pela Cofins. Ademais, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9784/99, utilizo como razão de decidir o próprio acórdão recorrido que fez uma análise completa das razões recursais. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial impetrado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 999DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002148/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no Art. 116, Parágrafo Único do CTN e não se confunde com a Desconsideração da personalidade jurídica. No mesmo sentido o art. 229, §2º do RPS, prevê a possibilidade de reclassificação dos negócios jurídicos simulados com fito de esconder a relação de emprego entre segurado e o real contratante.
Numero da decisão: 2402-006.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no Art. 116, Parágrafo Único do CTN e não se confunde com a Desconsideração da personalidade jurídica. No mesmo sentido o art. 229, §2º do RPS, prevê a possibilidade de reclassificação dos negócios jurídicos simulados com fito de esconder a relação de emprego entre segurado e o real contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 48 /2 00 9- 96 Fl. 246DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10670.002148/200996 Acórdão n.º 2402006.275 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 236/242, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 217/228, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4884. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal, tratase de crédito no valor R$ 382.302,81 (trezentos e oitenta e dois mil, trezentos e dois reais e oitenta e um centavos) relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração a trabalhadores médicos que prestaram serviços ao Município autuado, cuja realidade fática demonstrou a presença dos requisitos do conceito legal de segurado empregado, embora a contratação tivesse sido formalizada através de pessoa jurídica interposta. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado; inexistência de elemento concreto que autorize o instituto da desconsideração da pessoa jurídica e falta de competência da autoridade lançadora para decidir sobre a despersonalização de pessoa jurídica, eis que esta é da alçada exclusiva da Justiça do Trabalho. Ao final requer acolhimento da impugnação e improcedência do auto de infração.No apelo, aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura." Afia, às fls. 240: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. Fl. 248DF CARF MF 4 No mérito, alega que a ausência de descrição do fato e da fundamentação legal impossibilita o trabalho do Contribuinte para que possa sanar qualquer irregularidade, eis que ao relatório faltaria elemento concreto para a descaracterização das contratações realizadas, uma vez que tal competência seria exclusiva da Justiça do Trabalho, eis que a contratação de médicos para prestação de serviços ao município, da forma como feita, estaria regida pelos arts. 593 e seguintes do Código Civil Assim, a seu ver, por estar a multa carente de motivação, requer que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10670.002148/200996 Acórdão n.º 2402006.275 S2C4T2 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "descrição do Auto de Infração n°. 7.228.4884 a ausência da descrição do fato e da fundamentação legal que originou o exorbitante valor da multa imposta, não sendo possível ao ora autuado a elaboração de sua defesa técnica." (sic). (fls. 202) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "Ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." (fls. 238) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Tal entendimento, no âmbito do PAF, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 250DF CARF MF 6 Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso conhecendo, contudo, o mérito. 2. MÉRITO. No mérito, a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação, sem articular as razões recursais propriamente ditas e, naquilo que esboçou, o fez de modo extremamente superficial se limitando a alegar ser o lançamento ilegal por ausência de competência para desconsideração da forma contratual adotada pela Recorrente nas operações em foco. O lançamento, neste caso versou sobre: CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS 200.08 Competências: 0112005 a 1212005, 01/2006 a 0812006 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22, 1 (com a redacao dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, 1 e parágrafo único, art. 201, I, paragrafo 1. e art. 216, I, (com as alterações dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10670.002148/200996 Acórdão n.º 2402006.275 S2C4T2 Fl. 249 7 CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE " LABORATIVA Competências: 01/2005 a 12/2005, 04/2006 a 08/2006, Lei nº 8.212 de 24.07.91, art. 22, II com a redação dada pela lei nº 9.732 de 11.12.98. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048 de 06.05.99, art. 12, I, parágrafo único, na redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99, art. 202, I, II e III e parágrafos 1 ao 6. O relatório fiscal do auto de infração — AI DEBCAD 37.228.4884 registra que: "Este Relatório é parte integrante do Auto de Infração — AI acima identificado, onde foram lançadas as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte patronal, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho— GIILRAT, incidentes sobre valores das Notas Fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviços médicos, cujas personalidades jurídicas foram desconsideras em virtude da relação jurídica caracterizar o vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, • conforme Relatório de Lançamentos. 2 — Visando o cumprimento das obrigações inerentes à administração municipal na área da saúde, a Prefeitura Municipal contratou diversas pessoas jurídicas para prestarem serviços médicos, em suas várias especialidades. 3 — Após Análise das Notas de Empenho, das Notas Fiscais de Prestação de Serviços e diligências em algumas prestadoras, concluiuse pela desconsideração da personalidade jurídica dessas empresas pelos motivos abaixo. 3.1 — As empresas normalmente não tiveram empregados registrados, técnicos e habilitados à prestação de serviços, sendo que em seus quadros societários um ou todos sócios são profissionais qualificados de acordo com seu objeto social na área da saúde e foram estes profissionais que prestaram exclusivamente os serviços ao Município, como médicos nas diversas especialidades. 3.2 — Nas diligências nas prestadoras ficou constado que os serviços contratados foram executados no Hospital Municipal, nos Postos de Saúde e na Unidade de Referência da Saúde da Mulher. Os serviços prestados pelos profissionais médicos foram de plantões e sobreaviso em escalas predeterminadas pelo Hospital Municipal e, em alguns casos, pequenas cirurgias, exames e atendimentos ou consulta com horário previamente marcado e executados nas unidades de saúde, conforme declarações dos sócios das empresas diligenciadas. 3.3 — De acordo com informações do próprio órgão e das empresas diligenciadas, na contratação dessas clínicas médicas, Fl. 252DF CARF MF 8 não houve processo licitatório e nem contrato formal de prestação de serviços entre as partes." Considerando que, neste ponto, tanto a impugnação quanto o Recurso se limitaram a buscar o reconhecimento de nulidade do lançamento por ausência de competência do i. Agente Fiscal para aplicar a desconsideração da personalidade jurídica das empresas interpostas. Em que pese os termos contidos no Relatório Fiscal denotarem ausência qualquer esmero técnico quanto ao uso das terminologias aplicadas neste caso, pelo contexto, não há como configurar desconsideração da personalidade jurídica, mas sim a desconsideração de ato ou negócio jurídico. Em realidade, tratase de hipótese de desconsideração de ato ou negócio jurídico simulado, realizado com abuso de forma ou com abuso de direito, nos termos previstos do Parágrafo Único do Art. 116 do CTN: "Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: [...] Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)" Os elementos processuais deixam tal realidade clara: Desconsideração da personalidade jurídica, no presente caso, não significa desconstituição da pessoa jurídica, mas apenas não reconhecêla como tal no que diz respeito à contribuição previdenciária, para que sejam considerados saláriosde contribuição aqueles pagamentos efetuados a essas sociedades fictícias. O Relatório fiscal descreve uma série de situações aptas a demonstrar um descompasso entre a realidade e a forma, vejamos: As pretensas pessoas jurídicas, em regra, prestaram serviços com exclusividade para o Município, conforme notas fiscais emitidas em ordem seqüencial numéricas e cronológica (doc. fls. 92/96). Regra geral, tais "empresas" não possuíam empregados médicos registrados para prestarem os serviços contratados pelo Município autuado. Os serviços eram prestados por sócios das pretensas pessoas jurídicas contratadas, cujo quadro societário era composto, em sua totalidade, ou em parte, pelos médicos prestadores dos serviços. Os serviços eram prestados no Hospital Municipal, nos Postos de Saúde e na Unidade de Referência da Saúde da Mulher, Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10670.002148/200996 Acórdão n.º 2402006.275 S2C4T2 Fl. 250 9 cumprindo escalas predeterminadas, em regime de plantões e sobreaviso (vide documentos de fls. 73/91). Percebam que o Recurso, não está centrado na discussão de materialidade ou não daquilo que foi registrado, mas na ausência de competência do Agente fiscal para desconsiderar a formalidade dos negócios jurídicos em foco. Conforme restou demonstrado, não estamos diante de uma desconsideração da personalidade jurídica, mas da reclassificação de operações que não condizem com a realidade, não havendo como acolher tal argumento. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 254DF CARF MF
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