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Numero do processo: 13679.001149/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 22/25, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 13.917,02. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do Banco do Brasil S/A, no valor de R$ 35.227,79, com IRRF de R$ 1.056,83. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 79 .0 01 14 9/ 20 08 -4 1 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13679.001149/200841 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.129 S2C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: ... após indeferida sua SRL – fl. 3, apresentou a impugnação de fls. 1/2, instruída com os elementos de fls. 4/21. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal argumentando que o valor considerado omitido foi recebido em razão de uma ação judicial ajuizada contra o INSS no TRF 1ªRegião, a qual visava a concessão de aposentadoria rural por tempo de serviço de um salário mínimo. Como houve resistência do INSS em conceder, foi acumulando mensalmente até que o resultado da ação lhe foi favorável. Os valores se fossem pagos mês a mês não teriam sido tributados por serem inferiores aos limites de isenção mensais, assim, o total acumulado também não o seria. Ademais, teria natureza indenizatória. Anexa, nesse sentido, diversos julgados do STJ. Requer ao final o cancelamento da NL e a restituição do IRRF que incidiu sobre tais rendimentos. A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no ano calendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial para obtenção de benefício previdenciário não têm caráter indenizatório e estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Intimado da decisão de primeira instância em 29/07/2009 (fl. 72), Agenor Franklin Gomes apresenta Recurso Voluntário em 18/08/2009 (fl. 74), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação, sobretudo: Os valores se fossem pagos mês a mês não teriam sido tributados por serem inferiores aos limites de isenção mensais... É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13679.001149/200841 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.129 S2C2T1 Fl. 4 3 Alega o recorrente, em apertadíssima síntese, que todo o valor recebido do Banco do Brasil referese à indenização judicial movida contra o INSS, portanto, o rendimento recebido não poderia ter sido alcançado pela tributação. Pois bem, em relação à natureza da verba verifico, pois, que se trata de rendimento de aposentaria e como tal deve ser tributada. Quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, o Supremo Tribunal Federal ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que versa exatamente sobre a forma de cálculo do imposto objeto dos presentes autos, determinou o sobrestamento dos demais feitos que versem sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 543B do CPC, verbis: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei) Ante ao exposto, voto no sentido de sobrestar os autos até decisão definitiva do STF. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13679.001149/200841 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.129 S2C2T1 Fl. 5 4 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006266/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA - VÍCIO MATERIAL
Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.422
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, para em preliminar anular o lançamento por vício material.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Gonçalves Junior OAB/ SP nº 18.3311.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA - VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, para em preliminar anular o lançamento por vício material. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Gonçalves Junior OAB/ SP nº 18.3311.
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 62 66 /2 00 9- 31 Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, para em preliminar anular o lançamento por vício material. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Gonçalves Junior OAB/ SP nº 18.3311. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006266/200931 Acórdão n.º 2403002.422 S2C4T3 Fl. 1.387 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – NUBE NÚCLEO BRASILEIRO DE ESTÁGIOS LTDA. contra Acórdão nº 1627.730 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.176.3843, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.329,18. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 59, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ter deixado de arrecadar as contribuições previdenciárias dos "estagiários" considerados segurados empregados, no período de 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 16, aponta o correlato processo principal AIOP nº 37.176.3800: 3. Em anexo, o Relatório de Lançamentos RL do AI número 37.176.3800 , do código de Levantamento FP e FP1, (não declarados em Gfip), cuja cópia anexamos ao presente ,onde constam os valores não informados em GFIP, por competência, por segurado e por levantamento. Esclareçase que o AIOP nº 37.176.3800, se refere ao processo administrativo nº 19515.006262/200952, corresponde ao crédito previdenciário oriundo das contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls.16, a fiscalização anexou ao presente o Relatório de Lançamentos RL do AI n° 37.176.3800, código de levantamento. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. FP e FP1 (não declarados em GFIP), onde constam os valores não informados em GFIP, por competência, por segurado e por levantamento. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e Capa do AI, por sua vez, informam que a multa aplicada para esta infração foi de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), conforme artigo 283, inciso I, alínea "g", e artigo 373 Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 do RPS aprovado pelo Decreto n.° 3048/99, na gradação estabelecida pelo artigo 292, inciso I deste mesmo diploma legal, sendo que esta foi atualizada, como disposto no art. 102 da Lei n.° 8.212/91, através da Portaria MPS/MF n.° 48, de 12/02/2009. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa não constam AIs lavrados em ações fiscais anteriores. 0 val9r deste Auto será atualizado pela SELIC, conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF no 10/2008 de 14/11/2008, DOU de 17/11/2008, bem como na legislação que a ampara A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 24.12.2009, conforme Aviso de recebimento – AR nº SO705231549BR às fls. 41 e 43. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 44 a 62, com Anexo às fls. 63 a 955, juntando Procuração (doc.01), alteração Contratual n° 5 (doc.02), Termos de Compromisso de Estagio (doc. 3), Apostilas de Treinamento (doc.4) e Requerimento solicitando a juntada de cópia da Impugnação e de nova Procuração, em substituição à Procuração juntada a peça impugnatória inicial. As alegações deduzidas em sede de Impugnação, conforme o relatório da decisão de primeira instância: (i) DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA — APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN De acordo com a Súmula 8, do STF, o INSS tem o prazo decadências de 05 anos para constituir seus créditos. No caso, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos a lançamento por homologação, o referido prazo começa a fluir da data da ocorrência do fato gerador, a teor do disposto no art. 150, §4°, do CTN, e não deve ser aplicado o disposto no art.173, I, do CTN, como entendeu a fiscalização. Ressalta ainda, que houve nesses meses outros fatos geradores em seus documentos declaratórios, de modo que houve o pagamento de tributo declarado em GFIP e cabia A autoridade homologar o valor informado e recolhido, o que não ocorreu, Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006266/200931 Acórdão n.º 2403002.422 S2C4T3 Fl. 1.388 5 acarretando assim a extinção do pretenso crédito tributário após 5 anos do fato gerador. Cita jurisprudências a respeito. Acresce ainda que o Conselho de Contribuintes já tem aplicado o referido prazo decadencial, destacando o processo administrativo 10940.000.445/200201, em observância ao Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008. Portanto, o presente AI deve ser totalmente anulado em razão da sua decadência. (ii) DA MOTIVAÇÃO GENÉRICA — NULIDADE PELA VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Argúi ainda que após um frágil e superficial procedimento de fiscalização, pois esta deixou de analisar fatos e documentos que demonstram a absoluta legalidade da contratação dos estagiários da empresa, com o fiel cumprimento A legislação aplicável a essas contratações, a Impugnante foi autuada pela genérica motivação de que a empresa não teria atendido ao disposto na lei n° 6494/77, bem como pelo fato de ter informado, erroneamente, em sua DIM' 2005 o rendimento das bolsas auxilio de seus estagiários sob o código 0561, atinente aos rendimentos de trabalho assalariado (erro formal de preenchimento da declaração). Aliado a esses motivos, o fato de a Impugnante possuir urna quantidade superior de estagiários do que funcionários segurados, levou o fisco a descaracterizar a TOTALIDADE dos contratos de estágios firmados pela Impugnante ao longo do ano de 2004 para enquadrar seus estagiários como segurados obrigatórios do INSS. Assim, ao lavrar o presente Auto com motivação e fundamentos genéricos, a fiscalização ceifou da Impugnante o seu direito a ampla defesa e ao contraditório, o que demonstra a absoluta nulidade desta autuação. O relatório fiscal não especifica quais as disposições da lei 6494/77, regulamentada pelo decreto 87.497/82 foram descumpridos. Ressalta que em cumprimento ao principio da motivação a administração pública tem a obrigação de justificar de fato e de direito o motivo de seus atos e que, apesar de este Principio não estar expressamente previsto na CF, sendo um principio infraconstitucional previsto na lei 9784/99, já está amplamente reconhecido na doutrina e na jurisprudência. Transcreve julgados do Conselho de Contribuintes e do Conselho Superior de Recursos Fiscais. Em que pese a absoluta nulidade deste Auto por deficiência de sua motivação, a Impugnante demonstrará a seguir o total cumprimento à legislação aplicável contratação de seus estagiários. (iii) DAS RAZOES DE MÉRITO DO FIEL CUMPRIMENTO DA LEI N° 6.494/77 E DECRETO N° 87.497/82 Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Transcreve o disposto na lei n° 6.494/77 e no decreto n° 87.497/82 afirmando que a Impugnante cumpriu todos os requisitos objetivos impostos pela referida legislação na contratação e utilização de seus estagiários, ou seja: 1 que os estagiários estejam comprovadamente freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial (art.1°, §1 0, da lei 6494/77 e art.1° do decreto 87.497/82); 2 que a jornada do estágio seja compatível com o seu horário escolar( art. 50 da referida lei); 3 que o termo de compromisso celebrado seja assinado entre o estudante e a empresa contratante, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino, onde estarão acordadas todas as condições de realização do estágio (art. 3° da lei 6494/77 e art.5° do decreto 97.497/82); 4 que seja contratado seguro de acidentes pessoais em favor do estudante(art.8° do decreto 87.497/82). Para que a fiscalização constatasse o cumprimento dos requisitos objetivos, reproduzidos nos itens 1 a 3 acima, bastaria que a mesma examinasse os termos de compromisso de estágio (docs.3) que lhe foram disponibilizados. Esses termos, além de comprovarem o cumprimento do item 3 também demonstram que os estudantes estavam devidamente matriculados nos cursos citados, bem como que suas jornadas de trabalho eram compatíveis com o seu horário escolar, do contrário os Termos jamais seriam firmados e aprovados pelas instituições de ensino intervenientes. Da análise desses termos verificase também o cumprimento do item 4 acima, pois conforme consta do art. 5° dos referidos contratos, a Impugnante possui para todos os seus estagiários seguro contra acidentes pessoais da seguradora Santander Seguros SA (apólice n° 101.97.0.00000142). Da mesma forma a fiscalização quedouse inerte quanto ao eventual descumprimento dos requisitos subjetivos, o que só poderia ser constatado por meio de diligências fiscalizatórias nas instalações do contribuinte, o que jamais ocorreu. Entretanto, para que não restem dúvidas quanto ao cumprimento de todos os requisitos impostos, salienta que mesmo os requisitos subjetivos, previstos no art. Art.1°, §2° e 3° da lei. 6494/77 e art. 2° e 3° do decreto 87.497, foram cumpridos pela impugnante. 0 estudante ao ser contratado como estagiário estará efetivamente vivenciando e absorvendo na prática, situações de vida e de trabalho, tais experiências são inerentes a qualquer atividade profissional. Quanto a complementação do ensino de seus estagiários, ressalta que todos os funcionários do contribuinte, sejam eles estagiários ou não, são submetidos constantemente a treinamento e cursos de diversos temas, que proporcionam uma efetiva complementação ao ensino desses estudantes. A titulo de ilustração, anexa os autos apostilas dos Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006266/200931 Acórdão n.º 2403002.422 S2C4T3 Fl. 1.389 7 mais recentes cursos e treinamentos oferecidos pela Impugnante, abrangendo diversos temas, docs.4. Diante do exposto, verificase que a Impugnante cumpre todos os requisitos exigidos pela legislação aplicável à contratação de estagiários, vigente à época dos fatos geradores. (iv) DO ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DA DIRF 2005 E DA INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO À QUANTIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS Enfatiza que o fato de a Impugnante ter declarado na DIRF 2005 a retenção do imposto de renda incidente sobre as bolsas de seus estagiários sob o código 0561 (aplicável aos rendimentos de trabalho assalariado) levou a autoridade fiscalizadora a presumir que a Impugnante "admite a qualidade de segurado empregado de seus estagiários." Ocorre que tal fato ( utilização de código de receita atinente ao trabalho assalariado) não caracteriza esses pagamentos como salários de funcionários segurados. A errônea informação do código de receita consiste, tão somente, em um erro formal de preenchimento da declaração do contribuinte, não podendo esse fato isolado servir de fundamentação para a autuação ora combatida. Quanto ao argumento de que a quantidade de estagiários era desproporcional à quantidade de segurados empregados da empresa, em momento algum pode ser utilizada para demonstrar ou caracterizar a validade do ato administrativo, isto porque, a legislação então aplicável à contratação de estagiários JAMAIS limitou quantitativamente a contratação dos estudantes, tampouco impôs limitações de proporção para manutenção dos estagiários. Ademais, não se pode olvidar que uma empresa, que tem como principal atividade e final idade a integração e o fomento na utilização dessa "mão de obra" de estudante, tenha por preferência a contratação e treinamento de estagiários para realização de sua própria atividade. Finaliza afirmando que mesmo se houvesse uma limitação à quantidade de estagiários a serem contratados pela Impugnante, a fiscalização descaracterizou a totalidade desses estudante, ou seja, se o fisco considera que existe um "limite tolerável" para a contratação de estagiários, a presente autuação se verifica nula, porquanto abarcou a totalidade das contratações da Impugnante. Portanto, os argumentos utilizados pela fiscalização acima combatidos sequer merecem ser considerados para o julgamento da subsistência de seu ato, a uma porque não encontram respaldo na legislação a duas porque não demonstram a verdade material dos autos, qual seja, de que as contratações dos estagiários atendeu plenamente à legislação especifica citada. Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1627.730 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço constitui infração legislação previdenciária. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM 0 QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. Nos termos do artigo 9°, inciso I, alínea "h" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, os estagiários que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n.° 6.494/77, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregados. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos tributários será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratandose de auto de infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito da fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA. DOCUMENTAL PERICIAL. INDEFERIMENTO. A apresentação de razões e provas documentais deve obedecer as regras contidas no art. 16 do Decreto 70235/72. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de pericias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006266/200931 Acórdão n.º 2403002.422 S2C4T3 Fl. 1.390 9 Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da lla Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, MANTENDO 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Encaminhese 6. Delegacia de jurisdição do contribuinte, para cientificálo deste Acórdão, fornecendolhe cópia, e intimálo para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, nos termos dos artigos 25, inciso II (redação dada pela Lei n.° 11.941, de 27/05/2009), e 33 do Decreto n.° 70.235/72. Sala de Sessões, em 11 de novembro de 2010. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA — APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN (ii) DA MOTIVAÇÃO GENÉRICA — NULIDADE PELA VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO (iii) DAS RAZOES DE MÉRITO DO FIEL CUMPRIMENTO DA LEI N° 6.494/77 E DECRETO N° 87.497/82 (iv) DO ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DA DIU 2005 E DA INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO À QUANTIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS Em julgamento realizado em 18.10.2012, esta Colenda Turma de Julgamento deliberou em baixar o processo em Diligência para informação da Unidade da Receita Federal do Brasil RFB de Jurisdição do Recorrente informasse: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Autoridade Fiscal responsável pela lavratura do presente AIOP informe: (a) se e em quais competências, no período 01/2004 a 12/2004, consta nos sistemas da Receita Federal do Brasil informações de recolhimentos, e ou parcelamentos, feitos pelo sujeito passivo em Guias da Previdência Social – GPS, independentemente do código de recolhimento; (b) se o sujeito passivo efetivou ou não a retificação DIRF do ano 2005, referente ao ano calendário 2004, ao enquadrar os "estagiários" que sofreram retenção do Imposto de Renda na Fonte, como RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO CÓD. 0561. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Após, em 27.08.2013, a Unidade da RFB informa às fls. 1376: REFERENCIA PROCESSO: 19515.006266/200931 EMPRESA: NUBE NÚCLEO BRASILEIRO DE ESTÁGIOS LTD CNPJ: 02.704.396/000183 ASSUNTO: AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 37.176.3843 de 21/12/2009 DESPACHO Objetivo da Diligência: 1) Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada, correspondente à contribuição previdenciária referente 'a parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa , relativa ao período de 1 a 12/2004.. 2) Em atendimento ao Despacho de Diligência conforme Resolução n° 2403000.103 de 18/10/12 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 4o Câmara / 3 a Turma Ordinária , a diligência fiscal foi iniciada em 14/08/2013 , conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal e Aviso de Recebimento AR datado de 19/08/2013 , 3) Em função da falta de elementos comprobatórios nos autos, os membros do colegiado solicitam que se informe se houve recolhimentos ou parcelamentos nas competências de 1 a 12/2004 e se houve retificação da DIRF 2005 ano calendário 2004 para os rendimentos do trabalho assalariado cód.0561.: 4) Em resposta às solicitações do item 3, informamos que: 4.1 Constam recolhimentos nas competências de 1 a 12/2004 conforme declarado em GFIP (anexas Telas extraídas de Sistema Interno da Receita Federal)..Não constam parcelamentos. 4.2 A DIRF 2005 referente ao ano calendário 2004 foi retificada anteriormente ao início da referida ação fiscal, entregue em 18/04/2005 sendo processada em 02/05/2005 conforme recibo n° 30.15.18.80.38 (anexas Telas extraídas de Sistema Interno da Receita Federal), 5) O contribuinte foi cientificado deste documento em 27/08/2013 através do Termo de Encerramento de Diligência entregue por via postal e do prazo de 30 (dez) dias , conforme art. 35 parágrafo único do Decreto 7.574 de 29/9/11 para apresentar contrarazões sobre os resultados desta diligência caso não concorde. São Paulo 27/08/2013 Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006266/200931 Acórdão n.º 2403002.422 S2C4T3 Fl. 1.391 11 Em relação à Diligência Fiscal, o contribuinte atravessou Manifestação nos autos anexando cópias de GPS pagas e também declarando não ter apresentado DIRFs retificadoras relacionadas com o tema tratado nos autos. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA — APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN Analisemos. Cumpre resgatar que: O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 24.12.2009, conforme Aviso de recebimento – AR nº SO705231549BR às fls. 41 e 43. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 59, o valor da multa é único, com base na Portaria MPS/MF n° 48, de 12.12.2009, aos valores da época, R$ 1.329,18, sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 24.12.2009, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/2004 a 12/2004, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência 12/2004, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006266/200931 Acórdão n.º 2403002.422 S2C4T3 Fl. 1.392 13 Desta forma, não prospera a possibilidade de decadência parcial da obrigação acessória em questão. (ii) DA MOTIVAÇÃO GENÉRICA — NULIDADE PELA VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Analisemos. Devemos cotejar o presente AIOA nº. 37.176.3843, CFL 59, com o correlato processo principal AIOP nº 37.176.3800, Processo nº 19515.006262/200952. No correlato processo principal AIOP nº 37.176.3800, Processo nº 19515.006262/200952, o crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal do correlato processo principal AIOP nº 37.176.3800, às fls. 43 a 48, informa que: Constitui fato gerador das contribuições lançadas as remunerações pagas aos segurados empregados, sobre as quais o contribuinte não fez os recolhimentos das contribuições previdenciárias. As bases de cálculo, as alíquotas e as contribuições apuradas encontramse devidamente discriminadas no anexo Discriminativo do Débito DD. O contribuinte não atendeu ao disposto na lei n° 6.494/77, regulamentada pelo decreto n° 87.497/82, portanto, os estagiários foram enquadrados como segurados obrigatórios, na qualidade de segurados empregados, com suas bolsas servindo de basedecálculo das contribuições previdenciárias. Tomouse como base os valores lançados na DIRF 2005, ano calendário 2004, cód. 0561 —RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO, Livro Diário n° 7, registrado no JUCESP sob. N° 146430, de 11/08/2006, conta contábil 04.01.03.001.00009 e Relação de Estagiários. 0 próprio contribuinte admite a qualidade de segurado empregado de seus estagiários, quando, da informação anual na DIRF 2005, ano calendário 2004, enquadra os "estagiários" que sofreram retenção do Imposto de Renda na Fonte, como RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO CÓD. 0561, conforme cópias das DIRFs anexas ao presente. Os segurados identificados com o CPF no Relatório de Lançamentos, constam da DIRF 0561 e os demais segurados estão discriminados na Relação de Estagiários. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Ressalta ainda que, de uma massa salarial total de R$ 168.821,09 declarada em GFIP, para o ano de 2004, a empresa apresenta como remuneração de estagiários o valor de R$ 715.713, 69, em seu Demonstrativo de Resultado do Exercício, anobase 2004, superando em mais de 04 (quatro) vezes o valor gasto com sua folha de salários. No Relatório Fiscal do correlato processo principal AIOP nº 37.176.3800 podemos destacar a fundamentação legal adotada pela AuditoriaFiscal na caracterização dos segurados empregados: O contribuinte não atendeu ao disposto na lei n° 6.494/77, regulamentada pelo decreto n° 87.497/82, portanto, os estagiários foram enquadrados como segurados obrigatórios, na qualidade de segurados empregados, com suas bolsas servindo de basedecálculo das contribuições previdenciárias. Evidenciase que o Relatório Fiscal do correlato processo principal AIOP nº 37.176.3800 aponta de forma genérica que houve um descumprimento do disposto na Lei 6.494/1977, regulamentada pelo Decreto 87.497/1982, ponto fundamental para a descaracterização do estagiário em prol da caracterização do segurado empregado. De fato, compulsandose os autos, ora no presente AIOA nº. 37.176.3843, CFL 59, ora no correlato processo principal AIOP nº 37.176.3800, não se consegue evidenciar com clareza e especificamente qual o dispositivo da Lei 6.494/1977 ou do Decreto 87.497/1982 que foi descumprido pela Recorrente, ou seja, há uma ausência expressa e precisa de fundamentação legal para suportar a autuação fiscal de descaracterização de estagiário e caracterização de segurado empregado, de modo a se violar princípio da ampla defesa posto que também não se consegue com precisão identificar o fato gerador da obrigação. Neste sentido, o lançamento fiscal deve ser elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto, a autuação lavrada deve ser anulada por vício material pela falta de fundamentação legal clara e precisa, violando portanto o art. 142, CTN, o que, ademais, claramente também implicou em violação ao princípio constitucional da ampla Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006266/200931 Acórdão n.º 2403002.422 S2C4T3 Fl. 1.393 15 defesa posto que ao contribuinte não foi possibilitada ampla defesa na descaracterização do estagiário e na caracterização do segurado empregado a partir do momento que o Relatório Fiscal fundamentou de forma genérica o descumprimento do disposto na Lei 6.494/1977, regulamentada pelo Decreto 87.497/1982. (iii) DAS RAZOES DE MÉRITO DO FIEL CUMPRIMENTO DA LEI N° 6.494/77 E DECRETO N° 87.497/82 (iv) DO ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DA DIRF 2005 E DA INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO À QUANTIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS Analisemos. Não iremos discutir estes tópicos em função da análise do tópico anterior em que se decidiu pela anulação por vício material da autuação. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso, dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.724374/2012-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - OCORRÊNCIA - INOBSERVÂNCIA DE PROVIMENTO JUDICIAL - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - VÍCIO MATERIAL
Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade do lançamento. A lavratura das autuações deve observar sentença judicial anteriormente prolatada, de forma a refleti-la na fundamentação sob pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.392
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular por vício material os AIOP nº 37.366.613-6, AIOP nº 37.366.614-4 e AIOA nº 37.366.612-8. Fez sustentação oral a Dra. Carina Elaine de Oliveira - OAB nº 19.7618/SP.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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A lavratura das autuações deve observar sentença judicial anteriormente prolatada, de forma a refletila na fundamentação sob pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 43 74 /2 01 2- 47 Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular por vício material os AIOP nº 37.366.613 6, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128. Fez sustentação oral a Dra. Carina Elaine de Oliveira OAB nº 19.7618/SP. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.019 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pelo Recorrente – MATERNIDADE DE CAMPINAS contra Acórdão nº 0540.258 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, que não conheceu a parte da Impugnação devido à renúncia ao contencioso administrativo em razão de propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com objeto idêntico ao veiculado no processo administrativo, Autos de Infração AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128. Conforme o Relatório Fiscal, às fls 723, segue o objeto da autuação: 4 O sujeito passivo acima está sendo notificado do presente Processo Administrativo Fiscal, nos termos dos artigos 2º e 3º da Lei 11.457, de 16/03/2007, no valor consolidado e detalhado, por tipo de exigência, nos DEBCAD adiante relacionados, relativamente às contribuições, a saber: ∙ Contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos trabalhadores empregados e contribuintes individuais, nos termos do art. 22, inciso I e III da Lei 8.212/91 e alterações constantes do Relatório FLD –Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD; ∙ Contribuição previdenciária patronal para financiamento dos benefícios em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, conforme art. 22, inciso II da Lei 8.212/91 e alterações constantes do Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD; ∙ Contribuição previdenciária (adicional) para custeio do benefício previsto na Lei nº. 8.213/91, artigo 57, §6º, em face da inclusão em GFIP do código de ocorrência “04” (Exposição a agente nocivo – aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho), nos termos da legislação constante do Relatório FLD –Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD; ∙ Contribuições para Outras Entidades e Fundos Terceiros (SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), código de terceiros 0115, nos termos da legislação constante do Relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, em anexo, específicos por DEBCAD. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Foram lavrados os Autos de Infração: AI Descrição VALOR R$ 37.366.6128 AIOA CFL 68 323.424,00 37.366.6136 AIOP contribuição patronal 5.981.677,46 37.366.6144 AIOP contribuição aos terceiros 1.114.244,21 Em relação ao lançamento fiscal, o Relatório Fiscal informa: 7 Através do ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS nº 21.424.1/001/2004, datado de 06/10/2004, foi cancelada a isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida à MATERNIDADE DE CAMPINAS, por infração aos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91. A Entidade argüiu a nulidade do processo através de Recurso de Embargos de Declaração, em 10/01/2007, cujo decisório foi pelo não conhecimento do recurso de revisão, por unanimidade, mantendose, assim, o Ato Cancelatório da Isenção, conforme Acórdão nº 1078/2007, de 27/06/2007. 8 – A Medida Provisória nº 446, de 07/11/2008, que vigorou no período de 10/11/2008 a 11/02/2009, estabeleceu que o direito ao gozo da isenção podia ser exercido pela entidade a partir da data de sua certificação pelo Ministério da área de atuação correspondente, desde que atendidos, cumulativamente, os requisitos previstos no referido ato legal, não sendo necessário formular requerimento à RFB. Em face da rejeição da MP nº 446/2008 pelo Congresso Nacional, em Ato do Presidente da Câmara dos Deputados, a Lei nº 8.212/1991 teve sua vigência restabelecida a partir de 12/02/2009. 9 – A Lei nº 12.101, de 27/11/2009, regulamentada pelo Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, trouxe alterações similares às promovidas pela MP 446/2008, revogando os dispositivos da Lei 8.212/91, a partir de sua vigência, em 30/11/2009. 10 – Com base no acima exposto, foram apuradas as contribuições patronais, devidas pela Maternidade de Campinas, na vigência da Lei 8.212/91, qual seja: de 01/01/2008 à 09/11/2008 e de 12/02/2009 à 29/11/2009, sendo incluído no presente processo, o período de 01/01/2008 a 09/11/2008 e no processo 10830.724375/201291 o período de 12/02/2009 à 29/11/2009. 11 O sujeito passivo informou as remunerações dos trabalhadores a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com o código do FPAS 639. Ao utilizar o código do FPAS 639 na GFIP o sistema deixou de calcular a cota patronal de contribuição previdenciária. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.020 5 Entretanto em razão do ATO CANCELATÓRIO, citado no item “7”, o sujeito passivo deixou de fazer jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária, durante a vigência da Lei 8.212/91, sendo, portanto, inadequada a utilização do referido código. Agindo assim o sujeito passivo teve a intenção de iludir a autoridade fazendária, com conduta sistemática, durante o período fiscalizado, fato que ensejou a lavratura do Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA nº 37.366.6128, código de fundamentação legal – CFL 68, bem como o AIOA nº 51.017.2881 – CFL 78, incluído no processo 10830.724375/201291. 12 A situação ora descrita configura, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária de acordo com o artigo 1o, Inciso I da Lei 8137/90, motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, em relatório à parte, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. 13 O Lançamento do crédito previdenciário foi efetuado com base nos comprovantes de declaração das contribuições a recolher à previdência social e a outras entidades e fundos, por FPAS 639 e comprovantes de entrega da GFIP, via Conectividade Social, apresentados pela empresa, após recebimento do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal – TIPF e posteriores Termos de Intimação Fiscal, corroborados com as informações constantes dos nossos sistemas corporativos: GFIP WEB e PLENUS. Em relação aos fatos geradores: 14.1 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01, no período abrangido pelas competências 01/2008 a 11/2008, apuradas com base nos valores informados na GFIP, no código FPAS incorreto, lançadas sob código de levantamento “RE” e discriminadas, por trabalhador, no ANEXO I; 14.2 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores contribuintes individuais, código categoria 13, no período abrangido pelas competências 01/2008 a 11/2008, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código FPAS incorreto, lançadas sob código de levantamento “RC” e discriminadas no ANEXO I; 14.3 – As contribuições para custeio do benefício previsto na Lei nº. 8.213/91, artigo 57, §6º, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01, no período abrangido pelas competências 01/2008 a 11/2008, apuradas com base nos valores informados na GFIP, no código FPAS incorreto, com indicação no campo de ocorrência 4 ou 8 (exposição a agentes nocivos – aposentadoria especial 25 anos de trabalho), Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 sendo a base de cálculo lançada no presente Auto, sob código de levantamento “AR” e discriminada no Relatório de Lançamentos – RL. 15 Os créditos lançados na competência 11/2008 foram apurados proporcionalmente ao número de dias da vigência da Lei 8.212/91, qual seja: ∙ Vigência até 09/11/2008 – competência 11/2008 = 09 dias DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O Relatório Fiscal, às fls. 727, assim dispõe: 17 – O sujeito passivo incorreu em infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, a seguir relatada: FUNDAMENTO LEGAL 68 – DEBCAD 37.366.6128 – VALOR: R$ 323.424,00. Descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido – Em ação fiscal desenvolvida junto à empresa ora autuada, constatamos que a mesma informou as Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com código do FPAS 639. Conforme descrito nos itens 7 a 11 do presente relatório, o mesmo não faz jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária tendo, a utilização do referido código do FPAS, implicado em alteração dos valores das contribuições devidas no período 01/2008 a 10/2008, vez que o sistema deixou de calcular a referida cota patronal de contribuição previdenciária. Desta forma o sujeito passivo incorreu em infração prevista na Lei 8.212, de 24/07/91, artigo 32, inciso IV e § 3º, acrescentado pela Lei 9528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3048 de 06/05/99. 17.1 Com relação ao número de trabalhadores, a empresa está enquadrada, no período de 01/2008 a 10/2008, na faixa de “501 a 1000 trabalhadores” 17.2 A relação dos valores não declarados em GFIP, encontrase em planilha constante do ANEXO II. Em relação à multa aplicada: 18 Conforme o disposto no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social– RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Lei 8.212/91 art. 32, §5º acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.1997, a empresa está sujeita à multa correspondente a 100% do valor da contribuição não declarada em GFIP, limitada aos valores da tabela constantes do artigo 32, inciso IV, parágrafo 4º da Lei 8.212/91, em função do número de trabalhadores a serviço da empresa, conforme detalhado no item “17.1”, supra, que corresponde a 20 vezes o Valor Mínimo, atualizado pela Portaria Interministerial nº 02 de 06/01/2012. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.021 7 19 Ante ao exposto nos itens 17 e 18, aplico à infratora a multa cominada no artigo 284, inciso II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, atualizada pela Portaria Interministerial nº 02 de 06/01/2012, DOU de 09/01/2012, no valor de R$ 323.424,00 (trezentos e vinte e três mil, quatrocentos e vinte e quatro reais). O período objeto dos AIOPs, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 01/2008 a 11/2008. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Anexo, é de 01/2008 a 10/2008. O contribuinte teve ciência das autuações em 22.11.2012, conforme fls. 01 dos autos. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 797 a 805, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: está desonerada das obrigações exigidas em razão de decisão judicial favorável; não houve a lavratura de Auto de Infração específico para sua filial, onde esta constasse como sujeito passivo do lançamento, que, portanto, o mesmo não merece prosperar, por descumprimento do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN; existe sentença judicial determinando que o fisco refaça os lançamentos das contribuições previdenciárias existentes em face da filial (processo nº 0000017152012.403.6105) a jurisprudência é pacífica em reconhecer a nulidade de lançamento ante a existência de erro na identificação do sujeito passivo; em 1562012 foi proferida sentença no processo mencionado no sentido de cancelar todas as exigências fiscais decorrentes do ato Cancelatório 21.424.1/001/2004; a Apelação apresentada pela União foi recebida somente no efeito devolutivo; o presente somente poderia ter sido lavrado para prevenir a decadência, mas que deve ficar suspenso até o trânsito em julgado daquela decisão judicial; na data da lavratura do presente existia decisão judicial favorável à impugnante que determinava a suspensão da exigibilidade e que, portanto, não lhe poderia ter sido imposta qualquer multa; este tem sido o entendimento do CARF. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando por não conhecer da Impugnação na parte de matéria objeto de ação judicial e considerar improcedente a Impugnação, nos termos do Acórdão nº 0540.258 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A propositura de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento administrativo aterse, eventualmente, à matéria diferenciada. A existência de ação judicial não desobriga o Fisco de formalizar o lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ASPECTO MATERIAL. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, notadamente quanto ao seu aspecto quantitativo e material, vale dizer, o montante da remuneração paga aos segurados e os valores pagos à cooperativa de trabalho. MULTA. LEGALIDADE. As multas aplicadas pela fiscalização estão em perfeita sintonia com os dispositivos legais de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER da impugnação, na parte que contém matéria objeto de discussão judicial, e considerar IMPROCEDENTE a impugnação relativa aos Autos de Infração nº 37.366.6144, nº 37.366.6136 e nº 37.366.6128 (Processo nº 10830.724374/201247), MANTENDOSE os créditos previdenciários por meio deles constituídos, na forma do voto do Relator. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.022 9 Intimese para pagamento dos créditos mantidos no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. À Unidade de Origem, para cientificar o interessado deste Acórdão, nos termos da legislação em vigor. Sala de Sessões, em 14 de março de 2013 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, onde alega em apertada síntese que: (i) DA EXISTÊNCIA DE PRÉVIA DECISÃO NA ESFERA JUDICIAL SUSPENDENDO A EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM DISCUSSÃO NO QUE TANGE À MATRIZ A Recorrente teve cancelado via ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/001/2004, isenção de contribuições sociais. (...) Todavia, o citado "Ato Cancelatório de Isenção" foi objeto de medida judicial, qual seja, da Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 000001715.2012.403.6105, em trâmite perante a 4a Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL, em 30/12/2011 Insta asseverar que o objeto da medida judicial é anular o "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme anexa cópia da petição inicial (Doe. 04). A liminar foi deferida para suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído em virtude do "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme se verifica abaixo (Doe. 05): No dia 15 de junho de 2012 foi proferida sentença que concedeu parcialmente a segurança pleiteada pela ora Recorrente no sentido de cancelar todas as exigências fiscais relativas a contribuições previdenciárias oriundas do cancelamento de sua isenção, notadamente em relação à matriz, dispondo o MM. Juízo de primeira instância: "(...) Diante de tudo o que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, razão pela Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 qual cancelo em parte as exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias. quota pa *Tonal. decorrente do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, uma vez aue os documentos coligidos aos autos atestam o expresso reconhecimento dos entes federados (União. Estado e Município), quanto à autora, da sua condição de entidade beneficente assistencial. De outro lado, diante da impossibilidade de se estender automaticamente o benefício fiscal constante do art. 195, 7°., da Constituição Federal, à filial da autora, que, por sua vez, deve abranger unicamente as rendas destinadas à entidade beneficente matriz para o desenvolvimento das suas atividades estatutárias, determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial, conforme motivação, nos termos da legislação vigente, e aue, em sendo o caso, constitua o crédito tributário e adote as medidas administrativas pertinentes em face desta, resolvendo o mérito nos termos A determinação judicial é bastante clara para que a UNIÃO FEDERAL tome as seguintes providências: Cancelar os lançamentos relativos às Contribuições Previdenciárias, constituídos em decorrência do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, incidentes sobre a matriz da Maternidade de Campinas CNPJ n° 46.043.980/000100; Promover a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, possivelmente incidente sobre a Filial da Recorrente antigo Terminal Rodoviário de Campinas CNPJ n° 46.043.980/0002¬ 91. Desta feita, resta claro que foi reconhecida a imunidade tributária da matriz da Maternidade de Campinas, e foi determinada a anulação de todos os lançamentos decorrentes do Ato Cancelatório n° 21.424.1/001/2004. Em 18 de junho de 2012 os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência da sentença que concedeu parcialmente a segurança, conforme se verifica através do extrato anexo movimentação n° 39 obtido no s/feda Justiça Federal. (Doe. 06) A UNIÃO interpôs recurso de Apelação, o qual foi recebido somente no efeito devolutivo, conforme comprovam o extratos de andamento processual e a publicação no Diário Oficial anexos (Does. 07 e 08) juntados quando da impugnação administrativa, situação esta que ainda permanece, devendo posteriormente haver julgamento favorável a Recorrente no TRF (ii) DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.023 11 Importante observar não ser possível impor qualquer multa, nem mesmo a decorrente por descumprimento de obrigação acessória, pois, na data da lavratura do auto de infração, ou seja, 22/11/2012, havia decisão judicial favorável a ora Recorrente suspendendo a exigibilidade do crédito e determinando o cancelamento das contribuições previdenciárias decorrentes do Ato Cancelatório de Isenção n° 21.424.1/001/2004. Esse entendimento já está consolidado em Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e não pode ser afastada como fez o julgador de primeira instância, senão vejamos: Súmula CARF 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Desta forma, deve ser cancelada a multa aplicada, eis que totalmente descabida. Além disso, a multa aplicada por descumprimento da obrigação acessória, qual seja, em razão da ausência de declaração em GFIP das contribuições previdenciárias também é descabida, eis que há decisão judicial que determina que a Recorrente não é imune ao recolhimento das contribuições previdenciárias em cobro. Ora, se o tributo não é devido, também não lhe pode ser aplicada multa em virtude de sua não declaração em GFIP. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 166. Avaliados os pressupostos, passo para as Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (i) DA EXISTÊNCIA DE PRÉVIA DECISÃO NA ESFERA JUDICIAL SUSPENDENDO A EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM DISCUSSÃO NO QUE TANGE À MATRIZ A Recorrente teve cancelado via ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/001/2004, isenção de contribuições sociais. (...) Todavia, o citado "Ato Cancelatório de Isenção" foi objeto de medida judicial, qual seja, da Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 000001715.2012.403.6105, em trâmite perante a 4a Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL, em 30/12/2011 Insta asseverar que o objeto da medida judicial é anular o "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme anexa cópia da petição inicial (Doe. 04). A liminar foi deferida para suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído em virtude do "Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2004", conforme se verifica abaixo (Doe. 05): No dia 15 de junho de 2012 foi proferida sentença que concedeu parcialmente a segurança pleiteada pela ora Recorrente no sentido de cancelar todas as exigências fiscais relativas a contribuições previdenciárias oriundas do cancelamento de sua Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.024 13 isenção, notadamente em relação à matriz, dispondo o MM. Juízo de primeira instância: "(...) Diante de tudo o que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, razão pela qual cancelo em parte as exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias. quota pa *Tonal. decorrente do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, uma vez aue os documentos coligidos aos autos atestam o expresso reconhecimento dos entes federados (União. Estado e Município), quanto à autora, da sua condição de entidade beneficente assistencial. De outro lado, diante da impossibilidade de se estender automaticamente o benefício fiscal constante do art. 195, 7°., da Constituição Federal, à filial da autora, que, por sua vez, deve abranger unicamente as rendas destinadas à entidade beneficente matriz para o desenvolvimento das suas atividades estatutárias, determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial, conforme motivação, nos termos da legislação vigente, e aue, em sendo o caso, constitua o crédito tributário e adote as medidas administrativas pertinentes em face desta, resolvendo o mérito nos termos A determinação judicial é bastante clara para que a UNIÃO FEDERAL tome as seguintes providências: Cancelar os lançamentos relativos às Contribuições Previdenciárias, constituídos em decorrência do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, incidentes sobre a matriz da Maternidade de Campinas CNPJ n° 46.043.980/000100; Promover a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, possivelmente incidente sobre a Filial da Recorrente antigo Terminal Rodoviário de Campinas CNPJ n° 46.043.980/0002¬ 91. Desta feita, resta claro que foi reconhecida a imunidade tributária da matriz da Maternidade de Campinas, e foi determinada a anulação de todos os lançamentos decorrentes do Ato Cancelatório n° 21.424.1/001/2004. Em 18 de junho de 2012 os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência da sentença que concedeu parcialmente a segurança, conforme se verifica através do extrato anexo movimentação n° 39 obtido no s/feda Justiça Federal. (Doe. 06) A UNIÃO interpôs recurso de Apelação, o qual foi recebido somente no efeito devolutivo, conforme comprovam o extratos de andamento processual e a publicação no Diário Oficial Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 anexos (Does. 07 e 08) juntados quando da impugnação administrativa, situação esta que ainda permanece, devendo posteriormente haver julgamento favorável a Recorrente no TRF Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, em outro processo administrativofiscal, através do ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS nº 21.424.1/001/2004, datado de 06/10/2004, foi cancelada a isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida à MATERNIDADE DE CAMPINAS, por infração aos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91. Entretanto, tal Ato Cancelatório de Isenção foi objeto de medida judicial, qual seja, da Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 000001715.2012.403.6105, em trâmite perante a 4a Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL, em 30/12/2011. A controvérsia está centrada no argumento da Recorrente de que estaria desobrigada das autuações lavradas ma matriz, CNPJ 46.043.980/000100, em função de sentença judicial favorável no Processo nº 0000017152012403.6105, tramitando na Justiça Federal de São Paulo. Em consulta ao site do TRF 3ª região (http://www.trf3.jus.br), em 17.01.2014, encontramos a seguinte movimentação processual na qual aponta que o Agravo Regimental entrará em pauta de julgamento no dia 17.02.2014, sendo relator o Desembargador Federal Antonio Cedenho, portanto sem ainda ter ocorrido o trânsito em julgado: Consulta Processual Visualizar Processo Momento da consulta: sextafeira, 17 de janeiro de 2014 às 15:00 Número (CNJ, 20 dígitos) 000001715.2012.4.03.6105 Processo 2012.61.05.0000175 Número de origem 000001715.2012.4.03.6105 Classe 1808785 AC SP Vara 4 CAMPINAS SP Data de autuação 23/11/2012 Partes Nome ApelanteUniao Federal (FAZENDA NACIONAL) AdvogadoMARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO ApeladoMATERNIDADE DE CAMPINAS AdvogadoJOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator DES.FED. ANTONIO CEDENHO Assuntos Descrição AssuntoContribuição sobre a folha de salários Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.025 15 Detalhe 1Suspensão da Exigibilidade Crédito Tributário Direito Tributário Detalhe 2Contribuição de Autônomos, Empresários (Pró labore) e Facultativos Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 3Entidades sem Fins Lucrativos Imunidade Limitações ao Poder de Tributar Direito Tributário Detalhe 4PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Órgão julgador QUINTA TURMA Localização SUBSECRETARIA DA QUINTA TURMA Endereço AV. PAULISTA, 1842 15º ANDAR TORRE SUL Número de volumes 3 Número de páginas 541 Número de caixa 0 Peticões NúmeroTipoParteEntradaData de juntada 2013095420AGRAVO (REGIMENTAL/LEGAL)Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL)02/05/201313/05/2013 2013133447MANIFESTAÇÃOMATERNIDADE DE CAMPINAS13/06/201327/06/2013 2013212283MANIFESTAÇÃOMATERNIDADE DE CAMPINAS10/09/201317/09/2013 Fases DataDescriçãoDocumentos 15/01/2014INCLUIDO EM PAUTA PEDIDO DE DIA PELO RELATOR DO DIA 17.02.2014 SEQ.: 8 (DO DIA 17/02/2014 SEQ: 8) 14/01/2014RECEBIDO(A) COM DESPACHO/DECISÃO INCLUASE EM PAUTA DE JULGAMENTO 13/01/2014DESPACHO MERO EXPEDIENTE (1) Das datas em que ocorreram os fatos Para melhor esclarecimento acerca da controvérsia, devemos observar as datas em que ocorreram os fatos, utilizandose também da consulta ao site da Justiça Federal em São Paulo, Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, em 17.01.2014, (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/): (a) O procedimento fiscal teve início em 06.06.2011, conforme o Termo de Início de Procedimento Fiscal, às fls. 03; (b Em 30.12.2011, o sujeito passivo ingressou com Ação Declaratória de Nulidade de Ato Cancelatório com Pedido de Liminar, processo n° 0000017 15.2012.403.6105, em trâmite perante a 4ªa Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas/SP, ajuizada em face da UNIÃO FEDERAL. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 (c) Em 14.03.2012, é conferida a decisão liminar deferindo a tutela antecipada; (d) Em 14.06.2012 é prolatada a sentença com resolução do mérito, com o pedido procedente em parte; (e) O contribuinte teve ciência das autuações em 22.11.2012, conforme fls. 01 dos autos. (2) Da liminar expedida em 14.03.2012, no transcorrer do procedimento fiscal: (3) Da sentença prolatada no Processo Judicial nº 0000017 15.2012.4.03.6105, em 14.06.2012, no transcorrer do procedimento fiscal e antes da lavratura das autuações: Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.026 17 Resta claro que a sentença judicial decidiu por cancelar os lançamentos relativos às Contribuições Previdenciárias incidentes sobre a matriz da Maternidade de Campinas CNPJ n° 46.043.980/000100, bem como que se faça a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a Filial da Recorrente CNPJ n° 46.043.980/000291. (4) Das autuações fiscais lavradas, com ciência do Recorrente em 22.11.2012: O contribuinte teve ciência das autuações em 22.11.2012, conforme fls. 01 dos autos. Compulsandose o Relatório Fiscal, às fls. 722 a 730, não se encontra qualquer referência à decisão judicial prolatada, em 14.06.2012, no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105. Ora, resta óbvio que o procedimento fiscal na fase de lavratura dos Autos de Infração, quais sejam, AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128, não considerou a decisão judicial anteriormente veiculada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105. (5) Da autuação fiscal em relação à Matriz do sujeito passivo Cumpre esclarecer que o lançamento fiscal deve ser elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Por outro lado, as autuações fiscais em relação à Matriz, CNPJ nº 46.043.980/000100, quais sejam, AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128, deveriam ter sido lavradas com a fundamentação de que o lançamento fiscal estaria sendo realizado para se prevenir a decadência, com referência expressa à sentença prolatada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, porquanto este processo judicial, conforme consulta ao site do TRF 3ª região (http://www.trf3.jus.br) em 17.01.2014, ainda não transitou em julgado. Logo, as autuações lavradas em relação à Matriz do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000100, devem ser anuladas por vício material pela falta de fundamentação, violando portanto o art. 142, CTN, por não refletir o prolatado na sentença decorrente do Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, o que, ademais, claramente também implicou em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da segurança jurídica posto que o contribuinte teve o provimento judicial a seu favor descumprido pela AuditoriaFiscal, mesmo que momentâneo pois ainda não tinha ocorrido o trânsito em julgado, (6) Da autuação fiscal em relação à Filial do sujeito passivo Em relação à filial do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000291, temos que a sentença judicial decidiu que se faça a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a Filial da Recorrente CNPJ n° 46.043.980/000291. No entanto, conforme o já exposto, compulsandose o Relatório Fiscal, às fls. 722 a 730, não se encontra qualquer referência à decisão judicial prolatada, em 14.06.2012, no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, restandose óbvio que o procedimento fiscal na fase de lavratura dos Autos de Infração, quais sejam, AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128, não considerou a decisão judicial anteriormente veiculada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105. Nesta ponto, devemos observar o que a sentença judicial expressamente determinou em relação à filial do sujeito passivo: "determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial (...) e que, em sendo o caso, constitua o crédito tributário (...)". (gn). Logo, as autuações lavradas em relação à Filial do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000291, devem ser anuladas por vício material pela falta de fundamentação, violando portanto o art. 142, CTN, por não refletir o prolatado na sentença decorrente do Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, o que, ademais, claramente também implicou em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da segurança jurídica posto que o contribuinte teve o provimento judicial a seu favor descumprido pela AuditoriaFiscal, mesmo que momentâneo pois ainda não tinha ocorrido o trânsito em julgado Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 2403002.392 S2C4T3 Fl. 1.027 19 (ii) DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA Analisemos. Não iremos discutir este tópico em função da análise do tópico anterior em que se decidiu pela anulação por vício material das autuações. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, para, NAS PRELIMINARES, anular por vício material os AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.614 4 e AIOA nº 37.366.6128. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10950.900773/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
RESTITUIÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-001.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Roberto Domingo- Relator, Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator, VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (VicePresidente no exercício da Presidência) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 73 /2 00 8- 78 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900773/200878 Acórdão n.º 3101001.629 S3C1T1 Fl. 147 2 Relatório Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação – cujo direito creditório decorre do recolhimento da multa de mora quando do pagamento de tributos em atraso, em relação ao qual a Recorrente busca o reconhecimento da excludente da responsabilidade por infrações, em face da alegada denúncia espontânea. Adoto o relatório da Resolução nº 3101000.305, que, em 24/10/2013, converteu o julgamento em diligência para que repartição de origem confirmasse, “em face do sistema da Receita Federal, os DARF e as declarações (DCTF) apresentados” e informasse “se houve declaração dos débitos, objeto do presente feito, anterior ao pagamento, juntando, se for o caso, a respectiva declaração”. Foram juntados os documentos requisitados e elaborado demonstrativo da diligência conforme quadro abaixo: Processo Tributo PA Vencimento Data Entrega Vlr Principal Data Vlr Principal Vlr Juros Vlr Multa Vlr Total OBS 10950.900766/200876 2172 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 31.549,26 13/02/2001 31.267,18 312,67 2.992,27 34.572,12 10950.900830/200819 2172 jul/02 15/08/2002 13/11/2002 50.421,29 08/11/2002 21.000,00 846,30 4.200,00 26.046,30 11/11/2002 23.000,00 926,90 4.600,00 28.526,90 12/11/2002 6.421,29 258,77 1.284,28 7.964,34 10950.900772/200823 2172 ago/02 13/09/2002 13/11/2002 38.091,11 22/10/2002 22.091,11 220,91 2.697,32 25.009,34 23/10/2002 16.000,00 160,00 2.006,40 18.166,40 24/10/2002 9.800,00 291,06 10.091,06 10950.900780/200870 2172 set/02 15/10/2002 13/11/2002 36.924,28 25/10/2002 9.800,00 323,40 10.123,40 12/11/2002 17.324,28 173,24 1.600,76 19.098,28 26/12/2003 5.000,00 199,00 1.000,00 6.199,00 10950.900782/200869 2172 ago/03 15/09/2003 31/03/2004 50.990,03 23/08/2004 45.990,03 45.990,03 DCOMP 10950.900769/200818 8109 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 6.835,67 13/02/2001 6.777,39 67,77 648,60 7.493,76 10950.900764/200887 8109 jun/01 13/07/2001 15/08/2001 7.623,28 15/08/2001 7.623,28 76,23 830,18 8.529,69 10950.900770/200834 8109 ago/01 14/09/2001 14/11/2001 8.838,81 06/11/2001 8.838,81 223,62 1.487,57 10.550,00 10950.900773/200878 8109 nov/01 14/12/2001 15/02/2002 8.715,65 07/02/2002 8.715,65 220,51 1.524,37 10.460,53 Ciente da diligência, a recorrente reiterou os argumentos e pedidos formulados no recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. No presente caso, em apertadíssima síntese, o contribuinte efetuou o pagamento referente à sua obrigação tributária fora do prazo legal com todos os acréscimos legais, multa e juros de mora antes de qualquer fiscalização. Entende a Recorrente que tal recolhimento cumpre os requisitos do instituto da “denúncia espontânea”. As provas juntadas foram conferidas pela autoridade fiscal de origem. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900773/200878 Acórdão n.º 3101001.629 S3C1T1 Fl. 148 3 É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ1, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal. Em recurso repetitivo o STJ pacificou o entendimento que se aplica o instituto da denúncia espontânea nos acasos em que o tributo sujeito a lançamento por homologação declarado parcialmente e pago integralmente com posterior retificação da declaração: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. 1 REsp 1360.365SC, Rel. Min. Humberto Martin, Segunda Turma, julgado em 09.04.2013, DJe 15.05.2013; REsp 1.309.163/AM, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28.8.2012, DJe 3.9.2012; REsp 1086051/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 02/06/2010; REsp 922.206/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJe 22/08/2008 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900773/200878 Acórdão n.º 3101001.629 S3C1T1 Fl. 149 4 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Tal entendimento é uma variante que extraída da ratio decidendi utilizada a partir da Súmula 360 do E. STJ. É exatamente esse o caso dos autos, cujo pagamento ainda que extemporâneo, mas espontâneo, acrescido de juros de mora e antes de qualquer intervenção fiscalizadora estatal, afasta a incidência da multa de mora, que, recolhida, deve ser reconhecida como pagamento indevido. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo nos autos do REsp n° 1.149.022/SP Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente à multa de mora recolhida indevidamente, haja vista o reconhecimento da denúncia espontânea. Luiz Roberto Domingo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
score : 1.0
Numero do processo: 13827.001007/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
NÃO CUMULATIVIDADE. RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS COMUNS ENTRE AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO E AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS.
Por receita bruta total auferida no mês, a que se refere o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, dispositivo invocado pelo Fisco para se obter o percentual a ser aplicado na vinculação dos custos, despesas e encargos comuns às receitas no mercado interno e às receitas de exportação, deve ser compreendida apenas aquelas decorrentes da receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia, consoante, aliás, preceitua o § 1º, do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Desta forma, há que referido cálculo ser integrado pelas Receitas Financeiras.
Numero da decisão: 3402-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria referente à inclusão dos custos com benfeitorias no cálculo do crédito das contribuições pela falta de interesse recursal.
Na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para:
1)Admitir como insumos e, por consequência, a inclusão dos custos abaixo relacionados no cálculo do crédito das contribuições devidas na forma das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003:
1.a) Custos com serviços de transporte de pessoal e de cana-de-açúcar;
1.b) aquisição de camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes;
1.c) aquisição de materiais aplicados na manutenção de tratores, maquinas agrícolas e veículos Chevrolet;
1.d) serviços em motores de máquinas agrícolas, compra de pneus, extintores de incêndio e radiadores;
1.e) serviço de manutenção dos prédios ligados ao tratamento do caldo - manutenção elétrica;
1.f) rebobinamento de motor elétrico, sinalização visual, aquisição de equipamentos de segurança, de parafusos utilizados nos maquinários do setor produtivo, de vedações e de peças de máquinas industriais;
1.g) serviços de manutenção da balança de cana;
1.h) serviços de manutenção da destilaria de álcool manutenção predial em construção civil e de rede elétrica, compra de extintores de incêndio, de materiais de manutenção de bombas, de peças e de acessórios hidráulicos
2)Admitir a inclusão dos custos com armazenagem no cálculo do crédito a ser descontado das contribuição devidas na forma das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003;
3)Determinar a inclusão das receitas financeiras no cálculo do percentual de rateio previsto no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; e
4)Determinar a inclusão das despesas com o arrendamento das terras utilizadas no processo produtivo da sociedade do crédito das exações no cálculo dos créditos a serem descontados das contribuições apuradas na forma das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003.
Vencidos o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida quanto às peças de reposição. O conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações, quanto ao custo com combustíveis, quanto ao custos com recarga de extintores, higienização, transporte de resíduos, manutenção de big bag, serviços em veículos, vulcanização de pneus. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações, quanto ao custos com recarga de extintores, higienização, transporte de resíduos, manutenção de big bag, serviços em veículos, vulcanização de pneus. Votaram pelas conclusões na matéria referente aos custos com peças de reposição os conselheiros Pedro Souza Bispo e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, João Carlos Cassuli Junior. Apresentará declaração de voto o conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com peças para reposição.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. NÃO CUMULATIVIDADE. RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS COMUNS ENTRE AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO E AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. Por “receita bruta total auferida no mês”, a que se refere o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, dispositivo invocado pelo Fisco para se obter o percentual a ser aplicado na vinculação dos custos, despesas e encargos comuns às receitas no mercado interno e às receitas de exportação, deve ser compreendida apenas aquelas decorrentes da “receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia”, consoante, aliás, preceitua o § 1º, do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Desta forma, há que referido cálculo ser integrado pelas “Receitas Financeiras”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 10 07 /2 01 0- 57 Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 205 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria referente à inclusão dos custos com benfeitorias no cálculo do crédito das contribuições pela falta de interesse recursal. Na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) Admitir como insumos e, por consequência, a inclusão dos custos abaixo relacionados no cálculo do crédito das contribuições devidas na forma das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003: 1.a) Custos com serviços de transporte de pessoal e de canadeaçúcar; 1.b) aquisição de camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes; 1.c) aquisição de materiais aplicados na manutenção de tratores, maquinas agrícolas e veículos Chevrolet; 1.d) serviços em motores de máquinas agrícolas, compra de pneus, extintores de incêndio e radiadores; 1.e) serviço de manutenção dos prédios ligados ao tratamento do caldo manutenção elétrica; 1.f) rebobinamento de motor elétrico, sinalização visual, aquisição de equipamentos de segurança, de parafusos utilizados nos maquinários do setor produtivo, de vedações e de peças de máquinas industriais; 1.g) serviços de manutenção da balança de cana; 1.h) serviços de manutenção da destilaria de álcool – manutenção predial em construção civil e de rede elétrica, compra de extintores de incêndio, de materiais de manutenção de bombas, de peças e de acessórios hidráulicos 2) Admitir a inclusão dos custos com armazenagem no cálculo do crédito a ser descontado das contribuição devidas na forma das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003; 3) Determinar a inclusão das receitas financeiras no cálculo do percentual de rateio previsto no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; e 4) Determinar a inclusão das despesas com o arrendamento das terras utilizadas no processo produtivo da sociedade do crédito das exações no cálculo dos créditos a serem descontados das contribuições apuradas na forma das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Vencidos o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida quanto às peças de reposição. O conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações, quanto ao custo com combustíveis, quanto ao custos com recarga de extintores, higienização, transporte de resíduos, manutenção de big bag, serviços em veículos, vulcanização de pneus. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 206 3 com aeronaves, veículos e embarcações, quanto ao custos com recarga de extintores, higienização, transporte de resíduos, manutenção de big bag, serviços em veículos, vulcanização de pneus. Votaram pelas conclusões na matéria referente aos custos com peças de reposição os conselheiros Pedro Souza Bispo e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, João Carlos Cassuli Junior. Apresentará declaração de voto o conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com peças para reposição. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000410, de 24/05/2012: O presente processo da de dois autos de infração, constituindo créditos tributários referentes ao PIS e a Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e março de 2006. A Autoridade Fiscal efetuou glosas de créditos referentes aos seguintes custos: oficinas elétricas, arrendamento de terras, produção terceirizada de canadeaçúcar, mecanização agrícola, desenvolvimento agronômico, transporte agrícola, armazém de açúcar, balsa, supervisão e serviços de tratos culturais, administração e controle agrícola, supervisão manutenção agrícola, materiais de manutenção que não se enquadravam no conceito de insumos, insumos indiretos, laboratório industrial e microbiológico, balança de cana, preparo e moagem, alojamento agrícola. laboratório teor sacarose, oficina mecânica, meio ambiente, recepção/armazenagem/alimentação, manutenção conservação civil, fabricação de açúcar, vinhaça, área administrativa, oficina caldeiraria, ICMS débito direto, transporte industrial, frete na compra de insumos(quando os insumos não puderam ser identificados), alugueis de veículos, depreciação do imobilizado (quando não associados aos centros de custos da produção industrial), depreciação de itens adquiridos antes de 01/05/2004, despesas com software, pernoite de técnicos, movimentações de estoque sem as datas de aquisição de bens, e os itens não relacionados à produção e nas obras de benfeitorias. O sujeito passivo inconformado com a autuação protocolou impugnação na qual refuta as glosas referentes às ferramentas Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 207 4 operacionais materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana de açúcar, na destilaria de álcool referentes aos combustíveis, referente aos serviços de manutenção ligados à produção, referentes aos bens adquiridos para revenda, referente às despesas de arrendamento agrícola, referentes às benfeitorias em imóveis, referentes aos bens adquiridos de pessoa física, referentes aos alugueis de máquinas, equipamentos e prédios e referentes às peças de reposição – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação e manteve todas as glosas efetuadas pela Fiscalização. Irresignado com a decisão da DRJ, protocolou recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) A Receita Federal do Brasil, a pretexto de "interpretar" e "aplicar" a legislação federal, maliciosa e ilegalmente, limitou o conceito de "insumos" na Instrução Normativa n° 247/02. Segundo o fisco federal, são "insumos" utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, exclusivamente, a matéria prima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também são "insumos" os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Tal restrição, porém, padece de manifesto vício de ilegalidade, na medida em que o poder regulamentador do Executivo está adstrito apenas e tão somente a assegurar a fiel execução das leis, não podendo, em hipótese alguma, inovar na ordem jurídica, seja ampliando, seja reduzindo, ou seja, alterando o sentido e conteúdo da lei; b) Não há como prevalecer as glosas relativas: 1) aos combustíveis adquiridos para transporte do produto para exportação; 2) ao transporte da mão de obra; 3) aos serviços prestados para obtenção dos produtos exportados, mesmo que esses serviços não se integrem ao produto final; 4) aos custos com armazenagem de álcool e açúcar; 5) aos custos com materiais utilizados em imóveis de uso da empresa, trabalhos de alvenaria, na colocação de caixilhos/portas e outros materiais de construção – todos esses materiais foram utilizados para benfeitorias em imóveis ligados à produção; 6) aos serviços prestados por pessoa física transporte de resíduos industriais e vinhaça, para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante; 7) aos alugueis de aeronaves, embarcações e veículos; 8) aos custos com a aquisição de moendas, peças de reposição – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes; e 9) aos custos com as ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 208 5 no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool. c) A receita financeira faz parte da receita bruta sujeita à incidência das exações, logo, deverá fazer parte do rateio proporcional previsto no art. 3º § 8º da Lei nº 10.833/2003; d) No amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legítimo o crédito referentes a esses custos. Termina sua petição recursal requerendo a reforma da decisão de primeira instância para fins de cancelar o auto de infração e reconhecer integralmente os créditos das contribuições para o PIS e para a Cofins não cumulativa referente aos fatos geradores de 30/01/2006, 28/02/2006 e 30/03/2006.. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fossem verificados: 1) Quais os valores das despesas com combustível aplicados diretamente na produção, seja no transporte de pessoas, seja na alimentação de máquinas? 2) Quais os valores referentes a mãodeobra aplicados diretamente na produção? 3) Quais são os serviços utilizados para a produção? 4) Quais foram os valores dos custos com benfeitorias em imóveis ligados à produção? 5) Quais foram os valores dos custos com benfeitorias que não tem ligação com o processo produtivo? 6) Qual o papel das aeronaves, das embarcações e dos veículos no processo produtivo? 7) Qual a ligação das peças de reposição camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes com processo produtivo? 8) Quais são as ferramentas operacionais, os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool que foram glosados pela fiscalização e qual a participação de cada um no processo produtivo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP realizou a diligência. O Sujeito Passivo apresentou sua manifestação a sobre o resultado da diligência. Os autos retornaram para análise deste Colegiado É o Relatório. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 209 6 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo à análise. Custos com Benfeitorias. O recorrente se insurge contra as glosas efetuadas referentes às benfeitorias realizadas para desvio de águas e córregos, transformação da balança de cana, irrigação da vinhaça, por serem indispensáveis ao correto desenvolvimento da atividade agroindustrial. A Autoridade Fiscal apresentou planilha com os valores utilizados para crédito com benfeitorias em imóveis ligados à produção e mantidos na base de cálculo dos créditos. Acontece que analisando a planilha contida no termo final da diligência, constatase que esses valores foram incluídos no cálculo do crédito. Portanto, não foram glosados e não fazem parte do conflito de perspectiva posto nestes autos. Ressaltado esse fato, é de conhecimento de todos que para o avanço à análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foram observados os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 210 7 extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Após esse breve intróito, regressando aos autos, conforme já relatado, não há sucumbência do recorrente na matéria que trata utilização dos custos com benfeitorias para fins de cálculo de créditos do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, logo, não há interesse recursal, senão vejamos: Nas linhas do professor Bernardo Pimentel: O requisito de admissibilidade do interesse recursal está consubstanciado na exigência de que o recurso seja útil e necessário ao legitimado. O recurso é útil se, em tese, puder trazer alguma vantagem sob o ponto de vista prático ao legitimado. É necessário se for a única via processual hábil à obtenção, no mesmo processo, do benefício prático almejado pelo legitimado. Araken de Assim define o interesse recursal: O interesse em impugnar os atos decisórios acudirá ao recorrente quando visar à obtenção de situação mais favorável do que a plasmada no ato sujeito ao recurso e, para atingir semelhante finalidade, a via recursal se mostra o caminho necessário. À luz dessa noção básica, o interesse em recorrer resulta da conjugação de dois fatores autônomos, mas complementares: a utilidade e a necessidade do recurso. A utilidade do recurso estará caracterizada quando da interposição porventura cabível há de resultar ao recorrente situação mais favorável que a defluente do ato impugnado. A necessidade do recurso resta evidente quando apenas por meio dele o recorrente pode alcançar situação mais favorável. Regressando aos autos, como dito alhures, não houve glosa dos valores referentes aos custos com benfeitorias, logo, a utilidade de parte do recurso que trata dessa matéria está prejudicada, pois não haverá situação mais favorável do que já foi conferido pela decisão recorrida. Sem a utilidade do recurso, quebrase o binômio “necessidadeutilidade”, imprescindível para evidenciar o interesse recursal. Forte nestes argumentos não conheço desta matéria por falta de interesse recursal. Quantos às demais matérias, identifico todos os requisitos de admissibilidade, de sorte que passo ao mérito. Tratase de processo de pedido de ressarcimento do PIS e da Cofins apurados no regime da não cumulatividade referente ao 1º trimestre de 2006. BENS E SERVIÇOS INSUMOS Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 211 8 O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 65 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 212 9 física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 213 10 a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 214 11 Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 215 12 Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 216 13 secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 217 14 Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 218 15 Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf entendeu que os autos não estavam maduros para julgamento e retornouos para fase instrutória com o fim de sanar dúvidas que assombravam as mentes dos componentes do Colegiado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência e apresentou suas considerações acerca das conclusões da diligência. Regressando a lide, passo ao exame dos itens reclamados pelo recorrente, tendo por base a diligência realizada e o conceito de insumo alhures detalhado, para tanto, reproduzo as conclusões da Autoridade Fiscal e os argumentos apresentados pelo recorrente no âmbito da diligência proposta. 1) Custos com combustível aplicados diretamente na produção, seja no transporte de pessoas, seja na alimentação de máquinas: Autoridade Fiscal: Conforme informado pela empresa, a energia que movimenta a industria é a proveniente da queima do bagaço da cana de açúcar, produzindo vapor que aciona turbinas, transformando a energia térmica em mecânica que movimentam moendas, picadores, desfibradores, etc, bem como geradores de energia elétrica utilizada em outros setores da indústria. Essas despesas não foram objetos de glosas, e não possuem valor de aquisição, mesmo porque o bagaço é resultado do processo de moagem da cana, que gera caldo e bagaço, sendo o caldo utilizado para produzir açúcar e álcool e o bagaço queimado nas caldeiras. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 219 16 No Recurso Voluntário a Cosan menciona que além do combustível ser indispensável para a atividade agrícola e o transporte da cana até a indústria, adquirio, também para o transporte do produto para exportação e transporte de pessoas. O transporte dos produtos para exportação é feito através de empresas transportadoras contratadas para essa finalidade. Essas despesas não foram objeto de glosa e estão contabilizadas nas contas 6.1.01.24.2411 – Despesas com Exportação – Transporte Rodoviário e 6.1.01.24.2401 – Despesas com Exportação – Transporte Ferroviário. O transporte de pessoas é feito, também, através da contratação de empresas de transportes de passageiros, sendo que não há previsão legal para apuração de créditos não cumulativos de PIS e Cofins para este tipo de despesa. Dessa forma, concluise que não há aquisição de combustíveis aplicados diretamente na produção para alimentação de máquinas. O transporte de produtos para exportação e o de pessoas é feito por empresas contratadas, não havendo aquisição pela Cosan de combustível para essas finalidades. Sujeito Passivo: A recorrente informa que houve glosa de valores referentes a combustíveis que são utilizados na manutenção de seu maquinário industrial e para abastecer os veículos de seu processo produtivo. No recurso voluntário, o recorrente reclama da glosa dos valores dos combustíveis adquiridos para transporte do produto para exportação, para transporte de matériasprimas, maquinários, adubos e mãodeobra. A empresa fiscalizada é produtora de açúcar e álcool (industrial e carburante), além de vender produtos derivados da fabricação de ambos, como bagaço e levedura. Também compra e revende os mesmos produtos, tanto no mercado interno como no externo. Para a produção do açúcar e do álcool necessário se faz o corte, o carregamento e transporte da canadeaçúcar até o estabelecimento industrial para que nele, parque fabril, haja a transformação da matériaprima em produto final que será oportunamente comercializado. Portanto, na operação de fabricação de álcool e açúcar, o combustível para os veículos de transporte de pessoal e de canadeaçúcar, e os próprios serviços de transporte estão diretamente envolvidos no processo produtivo da empresa. Fato que possibilita o creditamento dos referidos custos. Não obstante, entendo que a glosa dos custos com combustíveis utilizados no transporte dos produtos para exportação é devida, em vista de que esse serviço é feito através de empresas transportadoras contratadas para essa finalidade. Logo, o combustível é despesa da empresa contratada para realizar o serviço e não da recorrente. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 220 17 2) Custos com mãodeobra aplicados diretamente na produção. Autoridade Fiscal: A mãodeobra aplicada diretamente na produção é a dos funcionários empregados. Os valores pagos estão contabilizados na conta 4.1.01.11.0000 – Custos Industriais – Fabricação de Açúcar e Álcool – Salários, correspondendo a R$ 4.464.369,44 no primeiro trimestre de 2.006. Conforme prevê os §§ 2º dos artigos 3º das Leis 10.637 e 10.833: não dará direito a crédito o valor da mão de obra paga a pessoa física. Essa despesa não foi objeto de análise na ação fiscal, nem foi incluída na base de cálculo de créditos de PIS e Cofins apurada pela Cosan. Sujeito Passivo: Não há dúvida de que os serviços de pessoas físicas mencionados (transporte de resíduos industriais vinhaça para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc), também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito de PIS não cumulativo, devendo referido crédito ser realizado de forma integral para não ferir a regra da não cumulatividade da contribuição. Quanto a esses custos, o recorrente não apresentou dados que divergissem dos apurados na diligência fiscal. O texto acima reproduzido foi extraído do recurso voluntário. Após apresentar a operação sob a ótica das partes envolvidas na lide, parto da premissa de que o ônus da prova é do recorrente, em vista do processo tratar de pedido de ressarcimento. Diante do quadro apresentado, ao meu sentir, a afirmativas das partes convergem no sentido de que a operação efetuada é de prestação de serviço por pessoa física. Consoante noção cediça, a legislação veda o direito ao crédito relativo ao valor de prestação de serviço por pessoa física. Deste modo, mantenho a decisão da Delegacia de Julgamento quanto à glosa desses valores do cálculo do crédito das exações. 3) Custos com Serviços. Autoridade Fiscal. Todos os serviços apresentados como vinculados a um centro de custo ligado à produção foram mantidos, exceto alguns serviços que não atendem o conceito de insumo, conforme citado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 26), como por exemplo, recarga de extintores, higienização, transporte de resíduos, manutenção de big bag, serviços em veículos, vulcanização de pneus. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 221 18 Serviços utilizados na produção: serviços de locação de equipamentos utilizados na produção, serviços na manutenção das moendas, caldeiras, turbinas, esteiras e demais equipamentos instalados nos setores lavagem de cana, moagem, tratamento do caldo, fermentação, fabricação de açúcar, geração de vapor, refinaria, ensacamento de açúcar e destilaria. Esses itens foram mantidos conforme apresentado nas planilhas fornecidas pela empresa e não fazem parte do Anexo II Despesas Glosadas e Apuração da Base de Cálculo dos Créditos PIS Cofins 1º Trimestre 2006 (fls. 36/714). Sujeito Passivo. No recurso voluntário o recorrente alega: No item de serviços utilizados como insumos, todas as glosas são equivocadas e indevidas, tendo em vista que todos os itens elencados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao processo produtivo. Registrese, por exemplo, que para a industrialização do açúcar e do álcool é imprescindível a constante manutenção dos equipamentos industriais, constituindose serviços especializados essenciais e inerentes ao processo de produção. Além disso, a Recorrente também não pode se conformar com a indevida glosa dos custos relacionados a armazenagem de álcool e açúcar, ao transporte das referidas mercadorias para fins de exportação e demais despesas portuárias. Não há como negar que essas despesas estão diretamente ligadas ao processo produtivo. Por conta disso, é absolutamente ilegal e injusta a limitação temporal pretendida pela fiscalização, em atenção ao princípio da não cumulatividade. Na manifestação contra as conclusões da diligência, se pronunciou o recorrente da seguinte forma: A fiscalização parte da equivocada premissa de que todos os bens e serviços utilizados na parte agrícola de produção não podem encontramse albergados pelo conceito de insumo, por entender que o processo de fabricação do açúcar e do álcool apenas se inicia quando da entrada da canadeaçúcar na usina onde será processada. A premissa firmada mostrase em absoluta dissonância com a realidade fática e com a legislação que alberga os créditos indevidamente glosados. Percebese a prima facie que todos os serviços acima aludidos encontramse albergados pela conceituação de insumo já devidamente esculpida pela lei e adotada pelo Tribunal Administrativo e, uma vez que tais serviços são indispensáveis ao desenvolvimento das atividades agroindustriais da Manifestante, deverão necessariamente gerar direito ao creditamento de PIS e COFINS, enquadrandose como insumos da atividade, nos moldes do item III.2 desta manifestação. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 222 19 Aliás, o próprio enquadramento jurídico da Recorrente como empresa agroindustrial já evidencia que a mesma deve, obrigatoriamente, ser responsável por parte da produção de sua matériaprima, tal como preconizam o art. 22A da lei 8.212, e o art. 2º , § 5º da IN 971/09. Ora, depreendese dos aludidos dispositivos que toda agroindústria possui como parte de seu processo produtivo a produção própria (integral ou parcial) de sua matériaprima. No caso da Recorrente, o açúcar e o álcool constituem apenas o resultado final (produto) do processo produtivo realizado no qual a produção da canadeaçúcar encontrase inserida, e que tem início com a análise e obtenção da terra (própria ou de terceiros), planejamento (mediante levantamento topográfico, etc.) preparo, plantio e colheita da canadeaçúcar, conforme demonstrado no item III.3 supra. Verificase, desse modo, que a atividade agrícola de uma empresa agroindustrial do setor sucroalcooleiro tem intrínseca vinculação com a atividade de produção do açúcar e do álcool, razão pela qual todos os serviços utilizados na área agrícola da Manifestante devem ser consideradas como insumo, posto que encontramse inseridas no processo produtivo da Manifestante. Sendo assim, os bens e serviços listados no termo de diligência, bem como aqueles elencados no Termo de Verificação Fiscal não merecem prosperar, posto que afiguramse indispensáveis ao desenvolvimento do processo produtivo da Manifestante, concedendo o direito creditório de PIS e COFINS com fulcro no art. 3o , inciso II, das leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Como se pode notar, o sujeito passivo se limitou a discordar de forma generalizada da conclusão da diligência. Não houve dissecação pelo recorrente dos serviços utilizados e a efetiva aplicação em seu processo produtivo. Pela perspectiva apresentada nos autos, levando em conta que o ônus da prova é do recorrente, entendo que as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela Delegacia de Julgamento estão corretas. 4) Custos com Aeronave, embarcação e veículos. Autoridade Fiscal. Conforme consta no Recurso Voluntário (fl. 1211), as aeronaves são utilizadas para pulverizar a plantação, com adubos e fertilizantes, os veículos transportam insumos como adubo, água, cana de açúcar e as embarcações transportam produtos agrícolas (cana) em rios e lagos existentes nas fazendas, ou seja, utilizações ligadas às atividades de cultivo da cana de açúcar. No entendimento da fiscalização, essas despesas, não foram aceitas como base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, de acordo com os fundamentos expostos no Termo de Verificação Fiscal, e não fazem parte do processo de fabricação do açúcar e do álcool. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 223 20 Anexadas, a este termo, as despesas glosadas na ação fiscal, relacionadas com aeronaves, embarcações e veículos, extraídas do Anexo II do Auto de Infração (fls 36/714): Aeronaves – Glosados pagamentos à empresa Aeroagrícola Chapadão Ltda de aplicações de produtos na lavoura com a utilização de avião agrícola. Também houve glosas de pagamentos de aluguéis de hangares e pernoite do helicóptero PRCOS, do helicóptero Jet Ranger Bell e da aeronave Baron 58. Embarcações – Glosadas as despesas identificadas no centro de custo “Balsa”, por se tratar de manutenção das balsas utilizadas no transporte de cana por meio fluvial, não ligadas ao processo de fabricação do açúcar e álcool. Veículos – Identificadas glosas de pagamentos de aluguel de veículos que foram utilizados nos centros de custos: Diretoria Agrícola, Imobiliário, Administração e Controle Agrícola, Arrendamento Imobilizado, Colhedeira de Cana Picada, Departamento de Fornecedor de Cana, Diretoria Industrial, Fiscal, Mão de Obra Agrícola, Patrimônio, Segurança do Trabalho, Segurança Patrimonial, Serviço Social, Serviços Administrativos, Supervisão Serviços Agrícolas, Topografia, Transporte Agrícola e Transporte Industrial. Conforme prevê as Leis 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3º, inciso IV, é permitido descontar créditos sobre aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a PJ, utilizados nas atividades da empresa, não existindo previsão legal para veículo. Sujeito Passivo. No recurso voluntário o recorrente afirma que o art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003 permite o crédito das contribuições referentes aos alugueis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica e que sejam utilizados nas atividades da empresa. Já na manifestação sobre a diligência, o recorrente foi mais minucioso e arrematou: Assim como no que toca as glosas perpetradas sobre bens e serviços, as glosas mantidas sobre os dispêndios sobre veículos e aeronaves possuem como fundamento premissa da autoridade fiscal de que a área agrícola não faz parte do processo produtivo da Manifestante, aplicandose o equivocado conceito de insumo preconizado pelas IN nº 247/2002 e IN nº 404/2004. Ora, conforme demonstrado no item anterior, o processo produtivo da Manifestante se inicia com a escolha do solo, sua preparação e o cultivo da canadeaçúcar, configurando uma atividade agroindustrial exatamente pelo fato de que seu processo produtivo começa no campo e termina após a entrega de seu produto final (açúcar e álcool). Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 224 21 Desta forma, mostrada a ilegalidade da premissa adotada pela fiscalização, temse por decorrência lógica que todas as glosas carecem de albergue legal, senão vejamos. No tocante as aeronaves e embarcações, a própria fiscalização crivou que tais despêndios são realizados para a consecução da etapa agrícola do processo produtivo, razão pela qual os mesmos devem conferir o direito ao crédito de PIS e COFINS, com fulcro no art. 3º, inciso IV, das leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Imperioso ressaltar que as aeronaves alugadas possuem função vital para o processo produtivo, sendo utilizadas para a aplicação em massa de elementos químicos (agrotóxicos, fertilizantes e t c ) , bem como para o planejamento e verificação do cultivo. Desta forma, tanto as despesas utilizadas com o aluguel de tais máquinas, como aquelas destinadas ao aluguel de seus respectivos hangares são classificadas jurídico e contabilmente como custos de produção, conferindo a Manifestante o direito ao crédito do PIS e da COFINS. A mesma sorte socorre às glosas realizadas sobre veículos, uma vez que a fiscalização manteve a glosa sobre diversos maquinários agrícolas excluindoos espuriamente do conceito de de equipamentos crivados no art. 3o , inciso IV, das leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Não há como negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e no transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas e equipamentos utilizados para realizar a integração do processo produtivo que se inicia no campo e é finalizado na transformação da matéria prima ocorrida na indústria da Manifestante. Resta comprovado que o processo de produção do açúcar e do álcool industrial se inicia com a atividade agrícola, sendo a etapa industrial apenas a parte final do processo. A título exemplificativo, vejase que a glosa dos créditos pretendidos pela Manifestante atingiu centros de custos diretamente relacionados à atividade agrícola, tais como a atividade de colheita de cana, plantio, preparo do solo, transporte agrícola da colheita, entre outros, os quais são manifestamente indispensáveis à obtenção e tratamento do insumo de fabricação do açúcar e do álcool. Impõese, desse modo, a análise do processo produtivo da Manifestante como um todo, não se podendo admitir a exclusão, de modo amplo, superficial e genérico, de todos os custos de produção relacionados à área agrícola, compreendendo o aluguel de aeronaves, embarcações e demais maquinários glosados pela pretensa classificação como veículos, todos sob o albergue do art. 3o inciso IV, das leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Agora digo eu. Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 225 22 Nos termos do art. 3º, IV das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, o sujeito passivo pode descontar créditos referentes à alugueis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, desde que utilizados no processo produtivo da empresa. Essa é a premissa que devemos ter em mente. As aeronaves e as embarcações utilizadas no processo produtivo da sociedade não subsumem ao conceito de prédio, máquina ou equipamento, condição prevista em lei para inclusão destes custos no valor do crédito a ser descontado do valor do PIS ou da Cofins e até mesmo ressarcido ao contribuinte. Na linha do entendimento mantido sobre o direito ao crédito das exações, ressalto que se o recorrente tivesse contratado o serviço de aplicação de agrotóxicos, fertilizantes, etc, e o serviço utilizasse aeronaves para a execução, não teria dúvida em aceitar a inclusão dos custos no cálculo do crédito. A mesma linha deve ser aplicada às embarcações, o custo com o serviço de transporte utilizado no processo produtivo da empresa, como já tratado em momento anterior, deve fazer parte do cálculo do crédito. Não obstante, não foram contratados esses serviços acima mencionados. Pelos autos, foram alugados aeronaves para executar a aplicação de agrotóxicos e fertilizantes e embarcações fluviais para transportar produtos agrícolas em rios e lagos existentes nas fazendas. Por derradeiro, quanto aos veículos, é importante separar os de transporte e os que são considerados maquinários agrícolas. De acordo com o apurado na diligência fiscal e não contraditado pelo recorrente, os veículos alugados correspondem: Identificadas glosas de pagamentos de aluguel de veículos que foram utilizados nos centros de custos: Diretoria Agrícola, Imobiliário, Administração e Controle Agrícola, Arrendamento Imobilizado, Colhedeira de Cana Picada, Departamento de Fornecedor de Cana, Diretoria Industrial, Fiscal, Mão de Obra Agrícola, Patrimônio, Segurança do Trabalho, Segurança Patrimonial, Serviço Social, Serviços Administrativos, Supervisão Serviços Agrícolas, Topografia, Transporte Agrícola e Transporte Industrial. Como se pode notar foram alugados diversos veículos para executar várias funções. Ao meu sentir, apenas a colhedeira de cana picada poderá ter seu custo agregado ao valor dos créditos das exações, nos termos do inciso IV, art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 226 23 5) Custos com aquisição de peças classificadas pelo recorrente de “reposição” – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes. Autoridade Fiscal. As camisas, bagaceiras, rodetes, luvas e flanges são peças da moenda (fl. 1074). As usinas possuem varias moendas que esmagam a cana de açúcar separando das fibras (bagaço). Portanto, essas peças fazem parte dos equipamentos utilizados na fabricação do açúcar e do álcool, estando ligados ao processo produtivo. Não houve a consideração das despesas com aquisição desses componentes para fins de base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, em razão de possuírem vidas úteis superiores a um ano, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fl. 26). As partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que respondam diretamente pela fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes da ação diretamente exercida no processo de fabricação do produto que está sendo produzido e desde que não estejam incorporadas ao ativo imobilizado da empresa. Sujeito Passivo. O recorrente se limitou a afirmar que todos os elementos, diretos ou indiretos, necessários à produção estão no conceito de insumos e a glosa de seus valores no cálculo do crédito das exações é indevida. Neste caso, como a própria fiscalização atestou que as peças fazem parte dos equipamentos utilizados na fabricação do açúcar e do álcool, estando ligados ao processo produtivo, reformo a decisão da DRJ e voto no sentido de incluir no cálculo dos créditos os valores referentes à aquisição desses elementos. 6) Custos com aquisição de ferramentas industriais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana de açúcar, na destilaria de álcool. Autoridade Fiscal. O primeiro critério de glosa utilizado foi a identificação do centro de custo em que a despesa foi apropriada. No anexo II – Despesas Glosadas e Apuração da Base de Cálculo dos Créditos PIS Cofins 1º Trimestre 2006 (fls. 36/714). Foram mantidos todos os itens identificados em centros de custos ligados à produção do açúcar e álcool. Nos itens de peças, aparelhos e materiais de manutenção, sem identificação do centro de custo, foram mantidos os valores vinculados às colunas: “comum”, Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 227 24 “açúcar” e “álcool”, entendendose que houve a utilização no processo industrial. As glosas de materiais de manutenção efetuadas nos respectivos centros de custo mencionados foram: Mecanização Industrial – materiais aplicados na manutenção de tratores, maquinas agrícolas e veículos Chevrolet. Demais glosas feitas neste centro de custo referemse a serviços em motores de máquinas agrícolas, pneus, extintores de incêndio, assentos e radiadores. Nenhuma dessas despesas esta ligada ao processo produtivo. Tratamento do Caldo – contem glosas de materiais aplicados na manutenção predial (construção civil), manutenção elétrica predial, rebobinamento de motor elétrico, sinalização visual, equipamentos de segurança, todos não envolvidos com o processo produtivo. Também foram glosados alguns parafusos, vedações e peças de máquinas industriais, que apesar de estarem no processo produtivo, não entram em contato com o produto, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fl. 23). Balança de Cana – Todos os valores glosados neste centro de custo são materiais aplicados na manutenção predial (construção civil), não ligados ao processo produtivo. Destilaria de álcool – Foram glosados: materiais aplicados em manutenção predial em construção civil e de rede elétrica, extintores de incêndio, materiais de equipamentos de informática, não ligados ao processo produtivo e, também, materiais de manutenção de bombas, peças e acessórios hidráulicos que são componentes de equipamentos que estão no processo produtivo, mas não mantém contato com o álcool. Listado todos os itens glosados nos quatro centros de custos descritos acima, extraídos do Anexo II (fls.36/714) do Auto de Infração. Não identificado glosa de ferramentas operacionais. Sujeito passivo. Mantendo sua linha de defesa, cingiuse a afirmar que todos os custos com o processo produtivo deve fazer parte do cálculo do crédito. Pelas mesmas razões jurídicas e legais já explicitadas no item anterior, reformo a decisão a quo e voto no sentido de incluir no cálculo do crédito os valores gastos com os itens abaixo listados: a) Materiais aplicados na manutenção de tratores, màquinas agrícolas e veículos Chevrolet; b) Serviços em motores de máquinas agrícolas, pneus, extintores de incêndio e radiadores; Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 228 25 c) Serviço de manutenção dos prédios ligados ao tratamento do caldo manutenção elétrica; d) Rebobinamento de motor elétrico, sinalização visual, equipamentos de segurança, parafusos utilizados nos maquinários do setor produtivo, vedações e peças de máquinas industriais; e) Custos com manutenção da balança de cana; f) Custos com manutenção da destilaria de álcool – manutenção predial em construção civil e de rede elétrica, extintores de incêndio, materiais de manutenção de bombas, peças e acessórios hidráulicos. ARMAZENAGEM As despesas com armazenagem também foi prevista no inciso II, como insumo e IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 como integrante dos créditos descontáveis da exação. De sorte que afasto a glosa efetuada pela fiscalização e mantida pela instância a quo. RATEIO E RECEITA FINANCEIRA O Fisco desconsiderou a receita financeira para fins de cálculo do rateio previsto no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sob a alegação de que a receita financeira está sujeita à alíquota zero das contribuições, não havendo base de cálculo para o rateio. Discordo da posição da Autoridade Lançadora e da Julgadora. No meu entender, os §§ 7º e 8º do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, definem que caso a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência da não cumulatividade e da cumulatividade, o crédito a ser descontado do valor das exações será determinado ou pela apropriação direta ou pelo rateio proporcional. Se a opção for pelo rateio proporcional, o cálculo será aplicação do valor dos custos, despesas e encargos comuns ao percentual extraído da relação entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total auferida em cada mês. Não identifico na norma legal ressalva que permita a exclusão das receitas financeiras no cálculo do percentual a ser aplicado para determinação do crédito a ser descontado do valor das contribuições devidas. Deste modo, reformo a decisão de primeira instância para determinar a inclusão das receitas financeiras no cálculo do percentual de rateio previsto no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA O recorrente alega que os bens vendidos para o exterior permitem que o exportador aproveite créditos nos termos do artigo 3o da Lei n° 10.833/03 e compense com débitos próprios vincendos ou vencidos (art. 6º , §1° da Lei nº 10.833/03 e artigo 5º da Lei n° Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 229 26 10.637/02). Não há razões para a glosa do crédito, pois não apurou o fisco que houve lançamento na conta de custo de vendas do mercado interno por simples impossibilidade de saber, no momento da operação, o que seria exportado e o que seria vendido no mercado nacional. Por outro lado, permite o artigo 3º, parágrafo 8º da Lei n° 10.833/03, que o crédito seja realizado por rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Assim, caso tivesse a fiscalização apurado o crédito pelo sistema de rateio conforme determina o artigo 3º, parágrafo 8º da Lei n° 10.833/03, certamente verificaria que o montante do mesmo estava correto e proporcional ao volume exportado ou comercializado no mercado interno. Discordo da posição defendida pelo recorrente. O rateio previsto nas leis nº 10637/2002 e nº 10.833/2003 é utilizado nos casos em que parte da receita da empresa esteja sujeita à incidência da nãocumulatividade e da cumulatividade. Não é feito para separar o valor dos bens que serão exportados e os bens que não serão exportados e conduzir a apuração do crédito para cada um desses bens que foram adquiridos para revenda. Como dito anteriormente, esse processo tem como objeto pedido de ressarcimento, cujo ônus probandi é do sujeito passivo. Portanto, caberia ao recorrente provar quais os bens que foram adquiridos para revenda no mercado interno e para o mercado externo. Como a Autoridade Fiscal não tinha elementos para separar o joio do trigo, ou seja, os bens que seriam exportados e os que seriam comercializados nacionalmente, nego a pretensão do recorrente em os aplicar o procedimento de rateio previsto nos §§ 7º e 8º das nº Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 para fins de separar os bens adquiridos para revenda e determinar que os custos de aquisição não façam parte do cálculo do crédito pleiteado. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA O recorrente alega que: O art 3º, IV, da Lei 10.833/2003, expressamente contempla o direito a compensação de créditos decorrentes de aluguel de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Com efeito, o arrendamento de terras para cultivo de cana se enquadra tranqüilamente no conceito de aluguel. Afinal, arrendar e alugar são palavras sinônimas que definem uma relação jurídica segundo a qual o proprietário de um bem cede o seu uso e gozo a outrem mediante contraprestação consistente no pagamento de aluguel (ou de uma renda). Ademais, o arrendamento de área para lavoura de canadeaçúcar, na verdade, também se equivale ao arrendamento (ou locação) de prédio. Já pontuei em momento passado neste voto que o art. 3º, IV das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, permite ao contribuinte descontar créditos referentes à alugueis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, desde que utilizados no processo produtivo da empresa. Por amor a coerência, parto dessa premissa para aceitar que na atividade agropecuária o arrendamento das terras a serem cultivadas equiparase ao aluguel de prédios para implantação do parque fabril, previsto na legislação. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 230 27 Sem muitas delongas, reformo a decisão a quo para incluir no cálculo do crédito das exações o valor com o arrendamento das terras utilizadas no processo produtivo da sociedade. Ex positis, não conheço da matéria referente à inclusão dos custos com benfeitorias no cálculo do crédito das contribuições pela falta de interesse recursal. Na parte conhecida, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) Admitir como insumos e, por consequência, a inclusão dos custos abaixo relacionados no cálculo do crédito das contribuições devidas na forma das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003: 1.a) Custos com serviços de transporte de pessoal e de canadeaçúcar; 1.b) aquisição de camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes; 1.c) aquisição de materiais aplicados na manutenção de tratores, maquinas agrícolas e veículos Chevrolet; 1.d) serviços em motores de máquinas agrícolas, compra de pneus, extintores de incêndio e radiadores; 1.e) serviço de manutenção dos prédios ligados ao tratamento do caldo manutenção elétrica; 1.f) rebobinamento de motor elétrico, sinalização visual, aquisição de equipamentos de segurança, de parafusos utilizados nos maquinários do setor produtivo, de vedações e de peças de máquinas industriais; 1.g) serviços de manutenção da balança de cana; 1.h) serviços de manutenção da destilaria de álcool – manutenção predial em construção civil e de rede elétrica, compra de extintores de incêndio, de materiais de manutenção de bombas, de peças e de acessórios hidráulicos 2) Admitir a inclusão dos custos com armazenagem no cálculo do crédito a ser descontado das contribuição devidas na forma das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003; 3) Determinar a inclusão das receitas financeiras no cálculo do percentual de rateio previsto no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; e 4) Determinar a inclusão das despesas com o arrendamento das terras utilizadas no processo produtivo da sociedade do crédito das exações no cálculo dos créditos a serem descontados das Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/201057 Acórdão n.º 3402002.396 S3C4T2 Fl. 231 28 contribuições apuradas na forma das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Vencidos o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida quanto às peças de reposição. O conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações, quanto ao custo com combustíveis, quanto ao custos com recarga de extintores, higienização, transporte de resíduos, manutenção de big bag, serviços em veículos, vulcanização de pneus. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com aeronaves, veículos e embarcações, quanto ao custos com recarga de extintores, higienização, transporte de resíduos, manutenção de big bag, serviços em veículos, vulcanização de pneus. Votaram pelas conclusões na matéria referente aos custos com peças de reposição os conselheiros Pedro Souza Bispo e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, João Carlos Cassuli Junior. Apresentará declaração de voto o conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto aos custos com peças para reposição. É como voto. Sala das Sessões, em 22/07/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10215.000578/2003-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional.
PAF. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência ou perícia deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo, e não para produzir provas de responsabilidade das partes.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000 APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. PAF. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência ou perícia deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo, e não para produzir provas de responsabilidade das partes. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
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RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. PAF. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência ou perícia deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo, e não para produzir provas de responsabilidade das partes. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 05 78 /2 00 3- 55 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a nulidade do processo ou a total improcedência da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Belém (PA), no Acórdão nº 10215.000578/200355, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, realizado com suporte no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF,às fls. 480/495, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas em sede de impugnação, e acresce pedido pela nulidade do processo ou a total improcedência da decisão de primeiro grau, visto que não atendeu o artigo 59, II do Decreto nº 70.235/72 e deixou de apreciar as justificativas vis a vis. Afirma o impugnante que permaneceram os mesmos erros que deram causa a Nulidade da Decisão da Delegacia de Julgamento (fls.455/459), em razão do indeferimento do pleito alusivo à diligência, objetivando o confronto dos depósitos bancários e as operações respectivas, e, ainda, que houve quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial com base na Lei Complementar 105 de 2001, violando o direito do recorrente, referente a fatos de 1998 e 2000, antes de a Lei citada entrar em vigor; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.000578/200355 Acórdão n.º 2101002.405 S2C1T1 Fl. 506 3 No mérito, argumenta que: a) A diligência indeferida é sem fundamentação legal e que os Nobres Julgadores da Delegacia de Julgamento não se pronunciaram, não justificaram e não mencionaram na decisão, causandolhe prejuízo a ampla defesa; b) As origens dos depósitos foram todas justificadas, porém, os Nobres Julgadores da Delegacia de Julgamento não analisaram as operações, não confrontaram e não deram atenção aos argumentos do recorrente; c) O voto do relator não foi com base nas justificativas apresentadas, que o recorrente comprovou as origens quando detalhou mês a mês – banco por banco – operação por operação. d) O breve histórico do relator é equivocado, visto que a Lei 9.430/96 é a que deve ser discutida na matéria e não a 8.021/90; e) A presunção mantida pelo relator não condiz com a verdade material e formal; Por derradeiro, requer, diante da obscuridade e pela falta de apreciação das provas apresentadas e por não ter analisados os pedidos da recorrente, seja declarado nulo o processo ou a total improcedência da decisão. É o relatório. Voto Conselheiro GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verificase que a Decisão à quo deu correta solução à demanda, analisando minuciosamente todas as questões suscitadas pelo impugnante. Preliminarmente, pacífico o entendimento desta Câmara de que o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícia, pelo Órgão julgador de primeiro grau, não implica em cerceamento do direito de defesa, nem ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, já que é regra consagrada no direito processual brasileiro que o ônus da prova recai sobre aquele que alega fato constitutivo do seu direito. Ao se contrapor à pretensão, cabe ao sujeito passivo provar os fatos alegados como impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. Como se verá adiante, na análise do mérito da exigência tributária em questão, provar a origem dos créditos bancários é ônus atribuído expressamente pelo artigo 42 da Lei n] 9.430, de 1996, ao sujeito passivo. O contribuinte poderia ter apresentado todas as provas que julgasse cabível durante o procedimento de fiscalização ou dentro do prazo de impugnação, pois esta deve estar Fl. 507DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 acompanhada de documentos que lhes dê suporte, consoante dispõe o artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (in verbis): “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Já o artigo 16, §§ 4º e 5º, do mesmo diploma legal, assim dispõe em relação ao tema: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As diligências destinamse à formação da convicção do julgador, e servem para que se aprofunde ou complemente matéria probatória existente nos autos. Jamais poderão estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Não se pode conceber, portanto, o uso da diligência para fins de suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção. No presente caso, não foi apresentado nenhum elemento de prova destinado a pelo menos evidenciar a necessidade de esclarecimentos ou solicitação de novos documentos às instituições financeiras ou terceiros. É cristalino que o contribuinte, mesmo não possuindo comprovantes relacionados à origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, poderia ter trazido alguns elementos de prova dos fatos alegados. Não o fez durante o procedimento de fiscalização e buscou transferir tal responsabilidade para a autoridade fiscal, como se vê às folhas 483. Se na decisão anulada, relativa ao Acórdão nº 016.049 (fls. 403/408), não houve a manifestação quanto ao pleito da diligência, motivo da anulação em comento, na decisão relativa ao Acórdão nº 0118.494 (fls. 468/475), a autoridade julgadora se manifestou na forma do art. 18, caput, do Decreto nº70.235/1972. Esperavase que a impugnação ao Fl. 508DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.000578/200355 Acórdão n.º 2101002.405 S2C1T1 Fl. 507 5 lançamento fosse robustecida por elementos de prova de suas alegações, o que não ocorreu. Vejase que no Termo de Intimação Fiscal nº 705 (fls. 308) o Auditor Fiscal, intimou o contribuinte a: “Comprovar, mediante documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nas operações que resultaram nos créditos constantes da relação anexa (contendo 4 páginas), ou seja, deverá ser apresentada documentação que justifique o porquê de V.S.a. ter recebido cada um dos referidos créditos.” Nenhuma prova também foi colecionada aos autos com a interposição do recurso voluntário. Neste diapasão, também rejeito o pedido para realização de diligência para realização de perícia, já que os quesitos formulados e as providências requeridas para serem respondidos e efetuados no procedimento de perícia deveriam te sido realizadas pelo próprio interessado, mesmo que parcialmente. O Órgão julgador diante das provas apresentadas poderia concluir serem necessários novos esclarecimentos, a ensejar a realização de diligência ou perícia. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que: caracterizamse omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com efeito, não há que se falar em nulidade do lançamento em exame, pois este contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa, e também não ocorreram os pressupostos elencados no artigo 59 do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. É ônus probatório do contribuinte, por expressa determinação legal a comprovação da origem dos créditos bancários e não cabe a fiscalização substituílo neste dever, porque o titular da conta bancária é que conhece a natureza das operação que propiciaram os ingresso. Neste aspecto, nenhum elemento de prova foi apresentado para comprovar a origem dos recursos, que pudesse ser vir de pretexto para o aprofundamento da investigação, com a realização de diligência. Importa destacar que os recibos, por si só não se constituiriam em prova pois o que se busca é a motivação dos créditos correspondentes, motivação essa alicerçada em documentos hábeis e idôneos. Compulsandose os autos verificase que a fiscalização procedeu à requisição dos extratos bancários às instituições financeiras com suporte na Lei complementar nº 105, de 2001, que define o âmbito de aplicação do conceito de sigilo com relação às informações bancárias, dispensando a administração tributária da autorização judicial para obtêlas, conforme regulamentação do Decreto nº 3.724, de 10/01/2001. O acesso aos dados financeiros constitui uma das formas de obtenção de elementos para configurar os fatos econômicos possíveis de subsunção à hipótese de incidência do imposto de renda. Assim, dita norma insere se no campo do Direito Adjetivo ou Direito Processual Tributário. No concernente ao argumento alusivo à irretroatividade da Lei Complementar nº 105, de 2001, o mesmo não merece acolhida, não sendo outra a posição deste Conselho, inclusive manifesta em súmula, a saber: SÚMULA CARF Nº 35 – O art. 11, § 3º , da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a Fl. 509DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica se retroativamente. A citada súmula está alicerçada no artigo 144 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Temse que o fato gerador do imposto de renda, portanto, é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, reafirmase, não se constituem em rendimentos. Por força do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como presuntivo de omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Em suma, o fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Assim, relativamente à presunção vergastada, a mesma se manifestou na forma da legislação aplicável, não merecendo guarida o argumento do Recorrente. Não merece, portanto, quaisquer reparos a decisão à quo. Em face ao exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.000578/200355 Acórdão n.º 2101002.405 S2C1T1 Fl. 508 7 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.722148/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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Numero do processo: 13888.005305/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/03/2005
PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES REALIZADAS DURANTE A AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O não atendimento de intimações enviadas pela fiscalização, no caso fixados em 20 (vinte) dias, por si só, não tem o condão de acarretar o cerceamento do direito de defesa, sobretudo ainda em curso a ação fiscal e considerando-se que o contribuinte poderia apresentar os documentos que entendia pertinentes à sua defesa, ainda no prazo para impugnação.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
PERÍCIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. Tendo em vista que o lançamento fora levado a efeito com base em informações constantes em folha de pagamento apresentadas pela própria recorrente, faz-se desnecessária a realização de perícia para o deslinde da causa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/03/2005 PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES REALIZADAS DURANTE A AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O não atendimento de intimações enviadas pela fiscalização, no caso fixados em 20 (vinte) dias, por si só, não tem o condão de acarretar o cerceamento do direito de defesa, sobretudo ainda em curso a ação fiscal e considerando-se que o contribuinte poderia apresentar os documentos que entendia pertinentes à sua defesa, ainda no prazo para impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. PERÍCIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. Tendo em vista que o lançamento fora levado a efeito com base em informações constantes em folha de pagamento apresentadas pela própria recorrente, faz-se desnecessária a realização de perícia para o deslinde da causa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 109 1 108 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.005305/201000 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.107 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria TERCEIROS Recorrente DOR RIO COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/03/2005 PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES REALIZADAS DURANTE A AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O não atendimento de intimações enviadas pela fiscalização, no caso fixados em 20 (vinte) dias, por si só, não tem o condão de acarretar o cerceamento do direito de defesa, sobretudo ainda em curso a ação fiscal e considerandose que o contribuinte poderia apresentar os documentos que entendia pertinentes à sua defesa, ainda no prazo para impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. PERÍCIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. Tendo em vista que o lançamento fora levado a efeito com base em informações constantes em folha de pagamento apresentadas pela própria recorrente, fazse desnecessária a realização de perícia para o deslinde da causa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 53 05 /2 01 0- 00 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.005305/201000 Acórdão n.º 2402004.107 S2C4T2 Fl. 110 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por DOR RIO COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA, em face do acórdão que manteve integralmente o Auto de Infração n. 37.307.6550, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a terceiros, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e sóciosgerentes. Consta do relatório fiscal que o que o contribuinte equivocadamente declarouse em "Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP" optante do SIMPLES nos meses em questão, deixando de declarar e recolher as contribuições patronais devidas. Verificouse, em verdade, que referida empresa era optante pelo lucro presumido conforme restou apurado de suas DIPJ´s. No caso dos autos, no que se refere a aplicação da multa, verificouse que a mais benéfica, em todas as competências fora a multa de ofício de 75%, motivo pelo qual fora esta a aplicada, sem que fosse lavrado Auto de Infração pelo descumprimento da obrigação acessória de não informação em GFIP. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 03/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/11/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. em preliminar, a nulidade da intimação para apresentação do recurso voluntário, bem como do v. acórdão recorrido, por ter sido enviado à pessoa distanta da empresa autuada, no caso a empresa RIO DOR CONFECCÇÕES LTDA; 2. que a exiguidade do prazo concedido para apresentação dos documentos solicitados em auditoria lhe causou o cerceamento do direito defesa, por não ter conseguido atender vastas exigências em período tão resumido; 3. apresenta entendimentos acerca dos princípios da legalidade e da razoabilidade e com base nessas premissas, entende não existir razoabilidade na cobrança da multa, argumentando que a apresentação parcial de alguns documentos não equivale à ausência de informação e não resultou em prejuízo aos cofres públicos. 4. Que, por se tratar de empresa de pequeno porte deveria receber tratamento jurídico diferenciado, entendendo pela aplicabilidade da dupla visita nas fiscalizações trabalhistas e previdenciárias, ou seja, na visita inicial o Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 auditor constata o erro e concede prazo ao contribuinte para sua regularização, autuando a empresa somente em caso de não atendimento da solicitação. Requer, assim, a nulidade do auto de infração. 5. Insurgese também contra a multa aplicada à alíquota de 75%, sob o fundamento de sr ilegal e confiscatória; Além disso, menciona que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias não podem exceder 30% do tributo devido. 6. requer a realização de prova pericial com análise do livro auxiliar da empresa, com a finalidade de identificar o seu lucro real. Formula quesitos e indica assistente técnico. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.005305/201000 Acórdão n.º 2402004.107 S2C4T2 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Realmente como indicado na peça recursal, de fato a intimação para apresentação do Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância fora enviada para pessoa que não a contribuinte que consta como autuada nos autos, mas sim para a empresa RIO DOR CONFECÇÕES LTDA. No entanto, mesmo sapiente de que tal providência mereceria a nulidade da intimação, e não do acórdão recorrido, verifico que o recurso voluntário fora apresentado no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de intimação da outra empresa e nominalmente pela empresa RIO DOR COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA, situação esta, a meu ver, que justifica o reconhecimento de que a nulidade, neste aspecto, restou sanada, tendo em vista a interposição do recurso voluntário pelo contribuinte correto e dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias. Assim, afasto a preliminar de nulidade intentada e conheço do recurso voluntário. PRELIMINARES Quanto às demais preliminares, verifico que esta se resumem às mesmas alegações trazidas na peça de impugnação, de modo que compartilho do entendimento do v. acórdão recorrido no sentido de que o pedido, neste ínterim, deve ser afastado. A recorrente alega que teve o seu direito de defesa cerceado em razão do exíguo prazo para responder as intimações fiscais durante o ação fiscal, considerando como exíguo o prazo de 20 (vinte) dias que lhe era concedido para o atendimento. No entanto, poderia a recorrente ter requerido prorrogações de referido prazo, o que não chegou a fazer, bem como teve prazo suficiente, após a lavratura do Auto de Infração, dentro do prazo de impugnação, para trazer aos autos toda a documentação que entendia pertinente a demonstrar a improcedência do lançamento fiscal. Todavia, assim, não o fez, resumindose a alegar que os prazos concedidos pelo fiscal eram exíguos. A meu ver, ainda em respeito ao princípio da verdade material, poderia ter trazido referida documentação aos autos mesmo após apresentada sua impugnação. Assim, rejeito referida preliminar. MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente se insurge alegando que, por se tratar de empresa de pequeno porte deveria receber tratamento jurídico diferenciado, entendendo pela aplicabilidade da dupla visita nas fiscalizações trabalhistas e previdenciárias. No entanto entendo que o argumento merece ser afastado mesmo porque restou consignado que a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 recorrente não era optante pelo SIMPLES, de modo a mesmo poder fazer jus a tal tratamento de acordo com a Lei Complementar. 123/07. Além disso, por expressa previsão legal contida no §4° daquele dispositivo tal critério não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, não se aplicando, dessa forma, ao presente auto de infração Quanto as alegações de ausência de razoabilidade da multa aplicada, bem como da necessidade de reconhecimento de seu caráter confiscatório melhor sorte não aufere a recorrente. Tenho tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Por fim, também merece rejeição o pedido de realização de perícia, já que não restou demonstrada a necessidade de dilação probatória, encontrandose nos autos todos os elementos necessários ao lançamento. Ademais, a apuração do lucro real mediante análise de documentos contábeis da empresa, como pretende a recorrente, não é capaz de ensejar qualquer alteração nos valores lançados, pois a base de cálculo considerada foi obtida diretamente nas folhas de pagamento da empresa, não se tratando de aplicação de caso de aferição indireta. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13805.004176/96-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1992
Omissão de Receitas. Suprimento de Numerário.
A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. (Súmula CARF n º 95)
Omissão de Receitas. Despesas não Escrituradas
constatada a existência de despesas à margem da contabilidade oficial, e, não havendo comprovação da origem dos recursos para o seu pagamento, presume-se que os recursos utilizados para o pagamento das referidas despesas são oriundos de receitas omitidas.
Juros de Mora
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais.
Tributação Reflexa. CSLL, IRRF e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991, 1992 Omissão de Receitas. Suprimento de Numerário. A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. (Súmula CARF n º 95) Omissão de Receitas. Despesas não Escrituradas constatada a existência de despesas à margem da contabilidade oficial, e, não havendo comprovação da origem dos recursos para o seu pagamento, presume-se que os recursos utilizados para o pagamento das referidas despesas são oriundos de receitas omitidas. Juros de Mora São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais. Tributação Reflexa. CSLL, IRRF e COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.004176/9604 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.992 – 1ª Turma Especial Sessão de 4 de junho de 2014 Matéria AI IRPJ e Reflexos Recorrente EUCLIDES PINHEIRO REPRESENTAÇÕES S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1991, 1992 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991, 1992 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. (Súmula CARF n º 95) OMISSÃO DE RECEITAS. DESPESAS NÃO ESCRITURADAS constatada a existência de despesas à margem da contabilidade oficial, e, não havendo comprovação da origem dos recursos para o seu pagamento, presumese que os recursos utilizados para o pagamento das referidas despesas são oriundos de receitas omitidas. JUROS DE MORA São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 41 76 /9 6- 04 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para tributos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, IRRF E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, manteve, em parte, a exigências consubstanciadas nos autos. Por bem descrever os fatos, adoto os seguintes trechos do relatório da DRJ em Salvador/BA: Tratase do auto de infração de fls. 41 a 70, que pretende a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao períodobase de 1991 (exercício 1992) e anocalendário de 1992 (exercício 1993), no valor de 26.790,37 UFIR (vinte e seis mil, setecentas e noventa Unidades Fiscais de Referência e trinta e sete centésimos), além da multa de oficio e dos juros de mora calculados até 08/04/1996. 3. Conforme a descrição dos fatos no auto de infração e no termo de verificação de fls. 39/40, o contribuinte violou dispositivos da legislação tributária, cometendo as seguintes infrações: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13805.004176/9604 Acórdão n.º 1801001.992 S1TE01 Fl. 3 3 1 Omissão de Receitas referente ao períodobase de 1991, em razão de não ter sido comprovada com documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem e a efetiva entrega dos valores dos recursos de caixa fornecidos pelo sócio Euclides Pinheiro Jr., no montante de Cr$ 1.275.000,00. Fundamentação legal: artigos 153 a 156; 157, § 1 0; 172 e seu parágrafo único; 173; 181; 387, inciso II; e 391, todos do Regulamento do Imposto de Renda RIR 1980, aprovado pelo Decreto n°85.450, de 4 de dezembro de 1980; II Omissão de Receitas referente ao anocalendário de 1992, em razão de não ter sido comprovada com documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem e a efetiva entrega dos valores dos recursos de caixa fornecidos pelo sócio Euclides Pinheiro Jr., nos meses de janeiro a dezembro de 1992. Fundamentação legal: arts. 1° a 6°, da Lei n° 6468, de 14 de novembro de 1977; art. 1°, incisos I e II, do DecretoLei n° 1.706, de 23 de outubro de 1979; art. 41, da Lei n°7.799, de 10 de julho de 1989; art. 40, § 7°, item "a" da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991; III Omissão de receitas referente ao anocalendário de 1992, em razão de o contribuinte, apesar de intimado, não ter esclarecido a origem dos recursos utilizados para saldar as despesas registradas à margem da contabilidade oficial, nos meses de janeiro a dezembro de 1992, no caderno de anotações de despesa apreendido pela autoridade autuante nas dependências da empresa. Fundamentação legal: arts. 10 a 6°, da Lei n° 6.468, de 14 de novembro de 1977; art. 1°, incisos I e II, do DecretoLei n° 1.706, de 23 de outubro de 1979; art. 41, da Lei n°7.799, de 10 de julho de 1989; art. 40, § 7 0, item "a" da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991. 4. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos foram lavrados os autos de infração referentes ao PIS (fls. 71 a 77), no valor equivalente a 763,06 UFIR (setecentas e sessenta e três Unidades Fiscais de Referência e seis centésimos), à Contribuição para o Fundo de Investimento Social Finsocial (fls. 78 a 81), no valor equivalente a 492,26 UFIR (quatrocentas e noventa e duas Unidades Fiscais de Referência e vinte e seis centésimos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 82 a 86), no valor de 1.855,64 UFIR (mil oitocentas e cinqüenta e cinco Unidades Fiscais de Referência e sessenta e quatro centésimos), ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 87 a 91), no valor de 119,59 UFIR (cento e dezenove Unidades Fiscais de Referência e cinqüenta e nove centésimos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fls 92 a 99), no valor de 1.356,34 UFIR (mil trezentas e cinqüenta e seis Unidades Fiscais de Referência e trinta e quatro centésimos), todos os valores acrescidos das multas de oficio e dos juros de mora, sob a seguinte fundamentação: ... 5. O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 08/04/1996, e, inconformado com as exigências, os impugnou em 02/05/1996 (fls. 102 a 108), alegando, em síntese, que: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 a) os autos de infração são nulos, haja vista que as provas foram obtidas de forma ilícita, pois os livros e documentos foram apreendidos através de procedimento ilegal e autoritário vulgarmente denominado de "blitz", com invasão do estabelecimento comercial e apreensão de documentos sem autorização judicial; b) as chamadas "anotações" apreendidas não passam, em sua maioria, de alguns cadernos, que nem foram preenchidos pelo sóciogerente; c) os livros e documentos que se prestaram aos lançamentos fiscais não dizem respeito à contabilidade da empresa impugnante; d) a empresa atendeu à solicitação do Fisco e apresentou os esclarecimentos sobre os suprimentos de caixa, no prazo fixado, de forma clara e objetiva; e) as provas documentais dos suprimentos de caixa encontramse nos próprios registros; f) os rendimentos provêm de outra fonte, conforme a carta datada de 16/10/1995 (fl. 37) g) a legislação não obriga o contribuinte a fornecer prova documental, conforme verificase pelo art. 181 do RIR/1980; h) a descrição dos fatos relativamente ao anocalendário de 1992 é no sentido de omissão de receitas, e o enquadramento legal é no sentido de infringência da aplicação de percentual de presunção, de modo que se o autuado não aplicou a percentagem prevista no dispositivo que o Fisco alega ter sido infringido, compete a este corrigir a percentagem e lançar a diferença; i) o Fisco faz confusão com os números, somando suprimento de caixa com omissão de receita operacional, sendo que omissão de receitas e suprimento de caixa são excludentes; j) as despesas da empresa devem ser provadas pelo contribuinte e não pelo Fisco, não havendo como este provar que as despesas são da empresa se o empresário não o faz neste sentido; m) o impugnante esclareceu que nos apontamentos existem despesas particulares e também despesas de terceiros; n) o contribuinte é uma microempresa e como tal deveria ser tributada nos exercícios de 1992 e 1993, e não como o Fisco o fez. 6. Finalizando, o contribuinte pede para ser dispensado o mesmo tratamento aos autos de infração reflexos do auto de infração principal do IRPJ, estendendo a estes as razões apresentadas na impugnação ao lançamento do IRPJ. Apreciando o litígio a Turma Julgadora de 1a. Instância afastou a preliminar de nulidade dos autos de infração suscitada pela defesa. No mérito ressaltou aquela autoridade que a empresa fora intimada a esclarecer, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e efetiva entrega de numerário pelo sócio à empresa, sem contudo, apresentálos. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13805.004176/9604 Acórdão n.º 1801001.992 S1TE01 Fl. 4 5 Também foi mantida a imputação de omissão de receitas por suprimento de numerário, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos utilizados na quitação de despesas mantidas à margem da escrituração. A exigência de PIS foi exonerada em função da Resolução n º 49, de 1995, do Senado Federal, que suspendeu a execução dos DLs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, como também foi exonerada parte da multa de ofício, reduzida de 100% para 75% em função da retroatividade benigna. Notificada da decisão, em 13/05/2008, conforme “Termo de Vista” à fl. 202 do p.d., apresentou a interessada, em 21/05/2008, recurso voluntário. Inicia as razões de defesa por pedir a exclusão dos juros de mora do período de 1996 até a data da notificação, em 2008. Alega que não ter dado causa à mora, mas sim a Fazenda Nacional que, em razão da burocracia, não deu andamento ao feito. Aduz violação ao que chama de “razoável duração do processo administrativo”. Observa que somente após decisão final irrecorrível poderá ser obrigada a pagar os juros impostos, mas reafirma que os juros somente devem incidir até a data da instauração do processo administrativo. Salienta a ausência de “memorial descritivo do débitos” e pede pela nulidade dos autos de infração, por violação ao art. 5o, XI da CF que trata da inviolabilidade do estabelecimento comercial, pois, como alega, a auditoria fiscal se deu por meio de “blitz”, sem qualquer autorização do empresário franqueando a entrada dos agentes fiscais em seu estabelecimento. Reitera os demais argumentos de defesa deduzidos na impugnação e pede, ao final, pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 1 Preliminarmente. 1.1 NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13805.004176/9604 Acórdão n.º 1801001.992 S1TE01 Fl. 5 7 Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Reputase indevida a alegação de que a auditoria fiscal violou o domicilio da empresa. A Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, base legal do Regulamento do Imposto de Renda à época regido pelo Decreto n º 85.450, de 1980, estabelece: Art. 7º Suprimamse na Seção I, do Capítulo II, do Título II, os artigos 124, 136 (...vetado...) do Decreto nº .24.239, de 22 de dezembro de 1947, e acrescentemse os seguintes: "Art. 124. A fiscalização do imposto de renda compete às repartições encarregadas do lançamento desse tributo e, especialmente aos agentes fiscais do imposto de renda, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes". "Art. 125. A ação fiscal direta e externa e permanente consiste no comparecimento do agente fiscal do imposto de renda ao domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento dos seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando quando for o caso, o competente têrmo". "Art. 126. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos agentes fiscais do imposto de renda no exercício das suas funções, sendo tais declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante". "Art. 127. Os agentes fiscais do imposto de renda procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, e das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais". Atualmente a previsão se encontra no art. 904 do RIR/1999: Art. 904.A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1º A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). § 2º A ação do AuditorFiscal do Tesouro Nacional poderá estenderse além dos limites jurisdicionais da repartição em que servir, atendidas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 3º A ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por AuditorFiscal do Tesouro Nacional de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º). Portanto, é legítimo o acesso dos agentes fiscais, quando em serviço, ao estabelecimento do contribuinte, razão pela qual afastase a preliminar suscitada. 2 Mérito. A recorrente foi intimada e reintimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem e efetiva entrega do numerário suprido pelo sócio Sr. Euclides Pinheiro, como se verifica das cópias das intimações às fls. 33 e 34 do processo digital. Mas a recorrente sequer apresentou qualquer resposta às intimações. Não apresentou sequer um documento. Desta feita, limitase a defesa a targivesar sobre o assunto, tecendo considerações no sentido de que não seria obrigada por lei a apresentar qualquer documento, deixando de enfrentar a questão do suprimento de numerário propriamente dita. Sem muito me estender sobre o tema, a jurisprudência desta Casa é pacífica no sentido de que sim, deve haver a comprovação, com documentos hábeis e idôneos, tanto da origem, quanto da efetiva entrega pelo sócio do numerário suprido à pessoa jurídica. Nesse sentido, a seguinte súmula: Súmula CARF 95 A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Contudo, a omissão de receitas caracterizada pela ausência de comprovação, também com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, do pagamento de despesas não registradas na escrituração da empresa, não deve prosperar. Em verdade, somente a Lei n º 9.430, de 1996, erigiu tal infração como presunção legal de omissão de receitas. Lei n º 9.430, de 1996 Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13805.004176/9604 Acórdão n.º 1801001.992 S1TE01 Fl. 6 9 Antes disso, não havia autorização legal que permitisse tal presunção. A jurisprudência deste órgão colegiado encontrase pacificada nesse mesmo sentido, como se verifica da seguinte súmula, de observância obrigatória: Súmula CARF n º 54. A constatação de existência de “passivo não comprovado” autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do ano calendário de 1997. Tratandose de fatos geradores apurados no anocalendário 1992 e, diante da ausência de autorização legal, deve ser cancelada a autuação referente a infração omissão de receitas – despesas não contabilizadas – presumidamente pagas com recursos obtidos à margem da escrituração, devendo ser exonerada a parcela do crédito tributário a ela correspondente. Rejeitase o pedido de exclusão de juros de mora sobre o crédito tributário remanescente mantido nos autos. É mansa e pacífica a jurisprudência administrativa e, particularmente este CARF já editou as seguintes súmulas, que, como consignado, devem ser obrigatoriamente observada pelos seus membros: Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n º 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. É fato que a recorrente somente será compelida a pagar os juros de mora quando da decisão final transitada em julgado, pois, até esse momento, o crédito tributário estará sujeito a alterações em função das decisões que poderão se seguir. Pode ocorrer, também, de a recorrente optar por quitar os débitos constituídos no presente processo antes do julgamento final da lide. Caso isso não ocorra, entretanto, os juros de mora, assim como os valores principais, somente serão cobrados quando houver decisão final transitada em julgado. Os tributos exigidos como reflexo do principal seguem o mesmo entendimento adotado no seu julgamento. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16561.000069/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO EM FAVOR DO RECORRENTE. MATÉRIA ACESSÓRIA EM DISCUSSÃO. PERDA DO OBJETO.
Tratando-se de lançamento para prevenir a decadência, em função de liminar obtida pelo recorrente em mandado de segurança que permitia a não tributação do resultado de equivalência patrimonial de sua controlada no exterior, e estando o recurso centrado na possibilidade de compensação do valor lançado com prejuízos da controlada, com o trânsito em julgado da ação judicial de modo favorável ao contribuinte, deixou de existir a base de cálculo autuada, com a consequente perda do objeto da discussão sobre a questão acessória da possibilidade de sua compensação.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1102-000.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por perda do objeto. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento, em seu lugar, a conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO EM FAVOR DO RECORRENTE. MATÉRIA ACESSÓRIA EM DISCUSSÃO. PERDA DO OBJETO. Tratandose de lançamento para prevenir a decadência, em função de liminar obtida pelo recorrente em mandado de segurança que permitia a não tributação do resultado de equivalência patrimonial de sua controlada no exterior, e estando o recurso centrado na possibilidade de compensação do valor lançado com prejuízos da controlada, com o trânsito em julgado da ação judicial de modo favorável ao contribuinte, deixou de existir a base de cálculo autuada, com a consequente perda do objeto da discussão sobre a questão acessória da possibilidade de sua compensação. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por perda do objeto. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento, em seu lugar, a conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 69 /2 00 7- 01 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000069/200701 Acórdão n.º 1102000.960 S1C1T2 Fl. 220 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Meigan Sack Rodrigues. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, que exigiu o imposto suplementar no valor de R$ 4.108.186,30, e o Auto de Infração decorrente de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que lançou contribuição no valor de R$ 364.542,70. Os valores principais foram acrescidos apenas de juros de mora, pois a autuação se deu para prevenir a decadência em virtude de liminar em mandado de segurança (fls. 4 e 98 a 113). Houve, também, compensação de ofício de prejuízos e bases negativas no limite de 30% do resultado (fls. 103 e 104, 109 e 110). Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e da infração constante no relatório de 1a instância (fls. 161 a 162): Conforme “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL” de fls. 97 a 101, foram verificados os fatos a seguir sintetizados. A Autoridade Lançadora inicialmente intimou o Contribuinte a informar acerca de suas participações empresariais no exterior bem como apresentar toda a documentação a elas referente. Da análise da documentação apresentada, a Autoridade Fiscal constatou que a controlada Ith Zux Cayman Company Limited, empresa sediada nas Ilhas Cayman, apurou um valor positivo de equivalência patrimonial não oferecido à tributação em 2002 no valor de R$ 23.475.350,30, conforme demonstrado às fls. 99 e 100 dos autos. A Autoridade Fiscal mencionou a existência do mandado de segurança nº 2003.61.00.0049660, no qual o Contribuinte obteve liminar (em 05/03/2003) determinando à autoridade coatora que se abstivesse de exigir o cumprimento do previsto no art. 7º da IN SRF nº 213/2002, liminar essa ainda vigente na data da ciência do auto de infração. Por esse motivo, o lançamento foi praticado para evitar a decadência e sem a aplicação da multa de ofício, conforme art. 63 da Lei nº 9.430/96. As infrações apuradas possuem o seguinte enquadramento legal: IRPJ – Art. 25 da Lei 9.249/95; art. 74, § único, da MP nº 2.15835/01; art. 7º, § 1º, da IN SRF nº 213/02; art. 249, incisos I e II, 251, parágrafo único, 385, 387, 389 e 434, do RIR/99. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000069/200701 Acórdão n.º 1102000.960 S1C1T2 Fl. 221 3 CSLL – Arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 19 da Lei nº 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 120 a 122), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, da descrição do recurso feita pelo relatório do acórdão de primeira instância (fls. 162 a 163): Inicialmente, a Impugnante mencionou que os cálculos elaborados pela Fiscalização para apuração da base de cálculo dos tributos exigidos estão incorretos. Indica que a controlada Itaúsa Zux Cayman Company Ltd apresentou prejuízo fiscal no valor de R$ 47.494.168,40 no ano de 2001, conforme informado na DIPJ. No ano de 2002, a controlada apresentou lucro líquido de R$ 1.149.230,88 que, acrescido da variação cambial do período (R$ 23.475.350,33), resulta no valor de R$ 24.624.581,21. Em razão do deferimento de liminar obtida nos autos do mandado de segurança nº 2003.61.00.0049660, que permite que o resultado positivo de equivalência patrimonial decorrente de variação cambial não seja tributado, o único valor passível de tributação no Brasil seria R$ 1.149.230,88. E esse valor não sofreu tributação, pois foi compensado com o prejuízo fiscal obtido no exterior por sua controlada. Dessa compensação, ainda restou saldo de prejuízo fiscal no valor de R$ 46.344.937,52. Caso a ação judicial venha a ser julgada improcedente, o valor de R$ 23.475.350,33 não sofreria tributação por parte do imposto de renda e da contribuição social, uma vez que o prejuízo fiscal remanescente no exterior seria suficiente para absorver o valor decorrente da variação cambial. Dessa forma, é improcedente a inclusão dos R$ 23.475.350,33 com a finalidade de apurar o imposto e a contribuição, devendo ser cancelado o auto de infração lavrado contra a Impugnante. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 159 a 167): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. RENDIMENTO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do ano calendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000069/200701 Acórdão n.º 1102000.960 S1C1T2 Fl. 222 4 lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme prevê a legislação regente do tema. PREJUÍZOS DE COLIGADAS OU CONTROLADAS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. É permitida a compensação dos prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, com os lucros dessa mesma controlada ou coligada (e não com o resultado de equivalência patrimonial), desde que observados os requisitos prescritos na legislação regente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) não é possível a compensação dos prejuízos da empresa controlada ou coligada no exterior com o resultado positivo de equivalência patrimonial. A compensação permitida é aquela entre os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, com os lucros dessa mesma controlada ou coligada, e não com o resultado de equivalência patrimonial; b) embora esteja clara a impossibilidade da compensação pretendida, convém observar que a compensação que a norma permite estaria sujeita ao cumprimento dos requisitos previstos na Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002. A título exemplificativo, as contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela controlada ou coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em Reais, deveriam ser classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Também, as demonstrações financeiras em reais das controladas ou coligadas, no exterior, deveriam estar transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil; c) dessa forma, resta comprovada a impossibilidade da compensação pretendida e a correção dos valores lançados no presente processo administrativo fiscal, sendo que a tributação da CSLL segue a mesma linha decisória quanto ao decidido no IRPJ. RECURSO AO CARF O contribuinte apresentou, em 8/9/2010, o recurso de fls. 171 a 187, onde argumenta que: a) os valores lançados jamais poderão ser exigidos, mesmo se a empresa não tiver sucesso na ação judicial, pois a controlada no exterior apresentou prejuízo fiscal no valor de R$ 47.494.168,40 em 2001, compensado com o lucro líquido de 2002 de R$ 1.149.230,88, mas ainda com saldo suficiente para compensar o valor lançado de R$ 23.475.350,33; b) em razão do exposto, resta patente a precariedade da autuação que, ao efetuar o lançamento por entender que os valores decorrentes de variação cambial representam Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000069/200701 Acórdão n.º 1102000.960 S1C1T2 Fl. 223 5 lucro da coligada no exterior, deixou de observar a possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais. Isso porque, se a legislação expressamente permite que os prejuízos fiscais apurados no exterior por coligadas poderão ser compensados com os lucros por elas auferidos, caberia à fiscalização averiguar sobre a existência de prejuízo fiscal capaz de absorver esse “lucro”; c) como a fiscalização se restringiu em apurar o valor do IRPJ e da CSLL sobre a variação cambial (resultado positivo da equivalência patrimonial), ignorando o prejuízo fiscal constante da DIPJ referente ao ano de 2001, tal fato ofende o artigo 142 do CTN, principalmente no que tange ao cálculo do tributo devido, o que acarreta a nulidade da autuação. Ao final, requer que seja reconhecida a nulidade do auto de infração por afronta ao art. 142 do CTN ou, se assim não se entender, que seja julgado improcedente o lançamento. No dia 5/11/2013, na véspera do julgamento do processo, o contribuinte protocolou petição de fls. 190 a 217, onde informava que, em 4/10/2012, ocorrera o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0049660 de modo favorável à empresa, o que implicaria a inexistência da base de cálculo autuada e a consequente perda do objeto da presente discussão, por falta de matéria autônoma a ser apreciada. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em agosto de 2013, numerado digitalmente até a fl. 188, onde consta despacho da autoridade fiscal afirmando ser o recurso tempestivo. Com o acréscimo da petição acima citada, os autos restaram numerados até a fl. 218. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator Apesar de não constar dos autos o comprovante de ciência do resultado da decisão recorrida, o despacho de fl. 188 reconhece que o recurso voluntário é tempestivo, e assim também o considero. Entretanto, em virtude das informações trazidas pelo recorrente um pouco antes do julgamento, a Turma Julgadora entendeu por bem não conhecer do recurso por perda do objeto. Isso porque o auto de infração sob análise foi lavrado para prevenir a decadência, em função de liminar obtida pelo contribuinte nos autos do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0049660, que permitia que a empresa não tributasse o resultado de equivalência patrimonial de sua controlada no exterior, nos termos do art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002. No voluntário, o contribuinte afirmava que, mesmo que perdesse a ação judicial, ainda assim o saldo de prejuízo fiscal não compensado da controlada no ano de 2001 seria superior ao valor lançado, não havendo tributo a ser exigido. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16561.000069/200701 Acórdão n.º 1102000.960 S1C1T2 Fl. 224 6 Assim, neste processo não se discutia a base de cálculo lançada R$ 23.475.350,30 do resultado da equivalência patrimonial da controlada, mas apenas a questão acessória relativa à necessidade/possibilidade de compensação desse valor com o saldo de prejuízos da controlada de anos anteriores. Contudo, com a informação do trânsito em julgado da ação judicial de modo favorável ao contribuinte, deixou de existir a base de cálculo lançada, uma vez que ficou definitivamente assentado que o resultado de equivalência patrimonial de sua controlada no exterior não deveria ser tributado, com a consequente perda do objeto da discussão sobre a questão acessória da possibilidade de sua compensação. Com a perda do objeto da discussão, informação trazida pelo próprio recorrente, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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