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Numero do processo: 10935.904732/2012-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/06/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/06/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 32 /2 01 2- 25 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904732/201225 Acórdão n.º 3801002.451 S3TE01 Fl. 85 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904732/201225 Acórdão n.º 3801002.451 S3TE01 Fl. 86 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904732/201225 Acórdão n.º 3801002.451 S3TE01 Fl. 87 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904732/201225 Acórdão n.º 3801002.451 S3TE01 Fl. 88 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720217/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano-calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9101-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINEIRO TORRES - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 28/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano-calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINEIRO TORRES - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 28/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINEIRO TORRES Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 28/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 17 /2 00 6- 11Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez. Relatório Tratase de recurso especial contra o Acórdão 110200.389, proferido em 28 de janeiro de 2011, pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF no qual se decidiu pela inaplicabilidade da multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base mensal estimada, concomitantemente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, decorrente dos mesmos valores apurados em procedimento fiscal. A ementa da decisão foi consubstanciada nos seguintes termos: CSLL EXERCÍCIO 2002 — VALORES DECLARADOS EM DIPJ INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DIPJ DO EXERCÍCIO — VALIDADE — Procedem os ajustes realizados que consideram os valores declarados na DIPJ como válidos, ante as provas juntadas aos autos na fase inquisitória e através de diligência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES ASSENTAMENTOS CONTABEIS — Livro Razão Os dados constantes do Razão servem para respaldar exigência fiscal, nos termos do artigo 276 do RIR/1999. INSTRUÇÃO PROCESSUAL LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR — NULIDADE DA DECISÃO — INOCORRÊNCIA — Valido o julgamento que, independente do resultado insatisfatória da diligência fiscal, conclui pela suficiência da instrução e firma convencimento quanto a matéria de fato. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU — PROVIMENTO PARCIAL — VALIDADE — Acolher parte das razões oferecidas em grau de impugnação e ajustar a exigência frente a este provimento parcial não se reveste em atividade de lançamento, nem implica em nulidade do feito. PAF — NULIDADE DA DECISÃO — CITAÇÃO DE DISPOSITIVOS — Descabe a Preliminar de nulidade do acórdão de 1º. grau, por invocar o inciso V do § 3° .do artigo 74 da Lei 9430/1996, cuja redação inicial se dá através da Lei 10833/2007, para justificar a negativa de PER/DECOMPs protocolados em outubro de 2003, quando este argumento não vem descolado da base legal do lançamento, dos fatos e das provas juntadas e analisados na decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRECLUSÃO PRECLUSÃO CONSUMATIVA — Descabe conhecer, no âmbito deste litígio, razões oferecidas referentes a processo que negou compensação e não teve, tempestivamente, manifestação de inconformidade por parte da Contribuinte. PREQUESTIONAMENTO — Apenas se toma conhecimento de matéria não prequestionada quando se tratar de fato superveniente. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.720217/200611 Acórdão n.º 9101001.904 CSRFT1 Fl. 3 3 PAF PROVAS Tratandose de matéria de prova, o julgador formará livremente a sua convicção, nos termos do art. 29 do Dec. 70.235/72. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ ou CSLL sobre base de cálculo mensal estimada no pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (grifei) Inconformada com a decisão, a Fazenda Nacional, às fls. 482/497, apresentou recurso especial por divergência, no qual requer a reforma do acórdão ora fustigado argüindo a legalidade da exigência concomitante da multa de ofício proporcional e da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas. O recurso foi admitido pelo presidente da 1ª Câmara da 1ª SEJUL, por meio de despacho às fls. 500/501. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Entendo presentes os requisitos de admissibilidade, pelo que passo à análise do mérito. O fato que originou a discordância objeto do recurso especial é especificamente a possibilidade de cobrança de multa isolada na estimativa pela CSSL não recolhida mensalmente, cumulada com a multa de ofício pelo não recolhimento da CSLL apurada anualmente, referentes aos anocalendário 2001. Sopesados os argumentos da decisão recorrida e aqueles expostos pelas partes, passo a expor meu entendimento sobre a matéria. Observese que a infração em debate decorreu de omissão de recolhimento de CSLL, no anocalendário de 2001, o que implica omissão também do recolhimento das estimativas mensais, ficando sujeito à incidência de multa isolada, conforme auto de infração. A questão é se a multa referente ao não recolhimento da(s) parcela(s) da estimativa, devidas mensalmente se acumulam com a multa pelo não pagamento do tributo devido apurado na declaração anual. Entendo possível a aplicação da multa proporcional sobre o ajuste anual e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas que ensejaram, em Fl. 522DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 referência ao mesmo exercício fiscal. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, sujeitamse às multas previstas na legislação que se aplica à espécie. Na redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Referida norma recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: ‘Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.720217/200611 Acórdão n.º 9101001.904 CSRFT1 Fl. 4 5 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. .................................................’ Nestes termos, em ambos os dispositivos (anterior e alteração) estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário, o que nem é o caso, pois há tributo devido ao final do ano Considerase, assim, impróprio falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis, repitase que a assunção desta obrigação foi uma opção do contribuinte e que o desobrigou dos efetivos pagamentos trimestrais – e a outra hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação principal referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código tributário Nacional. Como bem colocado na ementa do Ac. 1802001.876: 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 Aliás, interpretarse de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre, que embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Do exposto, meu voto seria por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, após o encerramento do anocalendário. Porém, essa 1ª Turma da CSRF tem reiteradamente afastado a aplicação do que se tem denominado "multa concomitante", tendo se consolidado essa jurisprudência, sendo a minha posição vencida reiterada e exaustivamente. Vejase, por exemplo, Acs. ns. 9101001.693, (de 16/07/2013, que cita outras decisões), 9101001.820, 9101001.788 . Posição que vem sendo cada vez mais hialina na jurisprudência desta Colenda 1ª Turma, além do que as turmas ordinárias da 1ª Seção têm adotado de maneira preponderante o mesmo entendimento (e.g., Acs. nºs. 1402001.505, 1103000.934, 1202001.011, 1103 000.945, 1102000.867) sendo que as poucas decisões em sentido contrário, mais recentes, são tomadas por voto de qualidade. Pareceme, que estamos em um ponto em que teremos que aderir à conclusão, mas não aos fundamentos, de que não cabe a multa in casu, por questões de economia processual e também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido amplo, com a perspectiva de suas consequências. Não que me curve aos argumentos em sentido contrário, mas à imposição do colegiado em sua forma de garantir suas conclusões. Destaquese que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, com as todas ressalvas e observações acima transcritas. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 525DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 13839.913788/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 13 78 8/ 20 09 -5 1 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 242 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/05/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 243 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 244 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, período de apuração de 02/05/2005, no valor histórico de R$ 314.579,70, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo da COFINSImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINSImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 245 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 246 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 247 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 248 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913788/200951 Resolução nº 3801000.730 S3TE01 Fl. 249 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.720450/2013-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010
INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE. NORMA REVOGADA. ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELA ENTIDADE DE CLASSE ASSOCIAÇÃO POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2o da Lei 12.690/2012. O art. 1o, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em benefício dos segurados. A cooperativa de trabalho, também se equipara à empresa quando da contratação de outro serviço por intermédio de cooperativa de trabalho (art. 15, § único, Lei 8.212/91).
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE. NORMA REVOGADA. ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELA ENTIDADE DE CLASSE ASSOCIAÇÃO POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2o da Lei 12.690/2012. O art. 1o, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em benefício dos segurados. A cooperativa de trabalho, também se equipara à empresa quando da contratação de outro serviço por intermédio de cooperativa de trabalho (art. 15, § único, Lei 8.212/91). (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 50 /2 01 3- 19 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720450/201319 Acórdão n.º 2803003.003 S2TE03 Fl. 585 2 Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720450/201319 Acórdão n.º 2803003.003 S2TE03 Fl. 586 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.030.2513, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.030.2527, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 12 a 17, com período de apuração de 01/2008 a 12/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 32 e 33. O PAF é composto pelo levantamento denominado AA2 – COOPERATIVA UNIMED, período do débito 01/2009 a 12/2009, bem como pela multa punitiva do CFL.78, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DD, de fls. 04 a 06, e, a Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 09. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 28/01/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03, e, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 09. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 203 a 220, recebida, sem data de recepção, acompanhada dos documentos, de fls. 221 a 508. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 511. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1044.051 7ª, Turma DRJ/POA, em 23/05/2013, fls. 512 a 516. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 07/06/2013, conforme AR, de fls. 530. Irresignado o contribuinte impetrou dois Recursos Voluntários, uma para cada crédito, o que se mostra desnecessário, pois as matérias arguidas são praticamente idênticas, razão pela qual serão estes apreciados em conjunto. As petições de interposição encontramse, as fls. 532 e 556, com razões recursais, as fls. 533 a 550 e 557 a 575, acompanhados, respectivamente, dos documentos, de fls. 551 a 555 e 576 a 580. As razões recursais, conjuntamente, sumariadas estão a seguir expostas. Preliminar. · que se faz necessário sobrestar a julgamento do feito administrativo, pois pende de julgamento no Supremo Tribunal Federal – STF a Fl. 579DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720450/201319 Acórdão n.º 2803003.003 S2TE03 Fl. 587 4 ADIN 2594, aplicandose o artigo 62A, do RICARF, sob forma de evitar decisão administrativa que contraste com a judicial · que é possível o exame de constitucionalidade por órgão judicante administrativo, conforme pensa Gilberto de Ulhoa Canto, não se busca dar a decisão administrativa os mesmos contornos da judicial, mas garantir a interpretação das diversas espécies de norma pelo órgão judicante administrativo, pois seria absurdo admitir que a Administração Pública ignore a Constituição Federal, a qual se submete e aplique norma infraconstitucional inconstitucional, cita precedente da CSRF, a Lei 9.784/99, não se devendo aplicar norma em descompasso com sue fundamento de validade; Mérito. · que o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 sofre de inconstitucionalidade formal, uma vez que nova contribuição deveria ser instituída por lei complementar e não ordinária como no caso em tela, cita Jose Souto Maior Borges e a ADIN 1103DF e material, pois instituiu nova base de cálculo, não contratando a recorrente com o cooperado ou a esta fazendo qualquer pagamento, mas sim com a pessoa jurídica cooperativa, cita Waldirio Bulgarelli e Fauquet, sendo a relação jurídica entre a tomadora dos serviços e a cooperativa na qualidade de pessoa jurídica, segundo equiparação do artigo 15, da Lei 8.212/91, o que não se compatibiliza com a CF/88; · que a ADIN 25945 não foi julgada, mas tem parecer do PGR favorável à inconstitucionalidade, ficando demonstrado que o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 viola a Constituição Federal, deve o crédito ser desconstituído; · Ao final a recorrente pede: EM PRELIMINAR: a) o sobrestamento do presente julgamento, até decisão da ADIN 2594 pelo Supremo Tribunal Federal – STF; EM MÉRITO – b) total procedência ao recurso, com reforma da decisão a quo com a extinção do crédito pelos defeitos apontados. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade dos recursos. Os autos subiram ao CARF, fls. 583. É o Relatório. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720450/201319 Acórdão n.º 2803003.003 S2TE03 Fl. 588 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre informar que o julgador a quo está correto não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, aquém a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720450/201319 Acórdão n.º 2803003.003 S2TE03 Fl. 589 6 Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Quanto ao pedido de sobrestamento este, também, não deve prosperar, haja vista que a Portaria GM/MF Nº 545/2013 revogou os parágrafos primeiro e segundo do artigo 62A, da Portaria GM/MF Nº 256/2009 RICARF. Cumpre esclarecer, ainda, que como consta do crédito e do relatório deste acórdão o presente lançamento é composto pelo levantamento denominado AA2 – COOPERATIVA UNIMED, período do débito 01/2009 a 12/2009, bem como pela multa punitiva do CFL.78, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DD, de fls. 04 a 06, e, a Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 09. A exação em tela nestes autos vem sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até o momento venha me posicionando ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos entre os quais os estudos sobre a matéria realizado pelo Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior, passo a adotar um novo posicionamento. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus associados. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma transportadora. Ora a transportadora vai contratar a cooperativa que colocará nas dependências desta ou de terceiros os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22, IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que ofertará os cooperados em seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos associados pessoas físicas e não a entidade contratante da cooperativa. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.720450/201319 Acórdão n.º 2803003.003 S2TE03 Fl. 590 7 Destarte, penso que a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos associados. A exação tornase indevida, isto é, esta deixa de ter suporte e substrato, pois não ocorre o nascimento da obrigação tributário, uma vez que a hipótese de incidência e o fato jurídico material do mundo dos fenômenos não se ajustam, pois compreendem círculos excêntricos e não concêntricos, não havendo a subsunção do fato à norma jurídico tributária. Assim com esses esclarecimentos rejeito as alegações da recorrente em preliminar e em mérito, no entanto, ainda, que por motivos e fundamentos diversos dos suscitados pela recorrente, entendo que a exação é improcedente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13851.001210/2006-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/05/2007
COFINS - BASE DE CÁLCULO - RECEITAS FINANCEIRAS - ART. 3º, § 1º, DA L. 9.718/98 - INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF - EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da L. 9.718/98 RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 - Inf./STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475-L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliara a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação.
COFINS - BASE DE CÁLCULO - ICMS - EXCLUSÕES - PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E ISONOMIA.
A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da COFINS e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converte-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal.
Numero da decisão: 3402-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel (Substituta) e João Carlos Cassuli Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta..
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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É assente na jurisprudência administrativa “a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo”, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais., eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/05/2007 COFINS BASE DE CÁLCULO RECEITAS FINANCEIRAS ART. 3º, § 1º, DA L. 9.718/98 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da L. 9.718/98 RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 Inf./STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 12 10 /2 00 6- 40 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliara a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÕES PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E ISONOMIA. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo da COFINS e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertelos em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel (Substituta) e João Carlos Cassuli Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 727/265) contra o Acórdão DRJ/RPO nº 1422.992 de 06/04/09 constante de fls. 32/38 exarado pela da 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir” a manifestação de inconformidade de fls. 18/23, mantendo o r. Despacho decisório (fls. 10/15) da DRF de Araraquara SP que indeferiu o Pedido de Restituição de COFINS (fls. 01) protocolado em 11/10/06 no valor de R$ 9.210,86 (fls. 01), através do qual a ora Recorrente pretende a restituição de suposto recolhimento “indevido” efetuado em 10/05/07, vez que se prenderia a Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13851.001210/200640 Acórdão n.º 3402002.315 S3C4T2 Fl. 3 3 receitas não operacionais (receitas financeiras) e à suposta inclusão “indevida” do ICMS na base de cálculo da contribuição. O r. Despacho decisório (fls. 10/15) da DRF de Araraquara SP r. Despacho decisório (fls. 10/15) da DRF de Araraquara SP indeferiu o Pedido de Restituição, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “Assunto: RFSITTUIÇÃO/COFINS Ementa: BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins devida pelas pessoas jurídicas é o faturamento da empresa, correspondente à sua receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas por ela auferidas, conforme determinação legal. COFTNS BASE DE CÁLCULO ICMS INCLUSÃO O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da COFINS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE — APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA — IMPOSSIBILIDADE — A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "h" da Constituição Federal. No âmbito administrativo fica vedado aos órgãos julgadores afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. Crédito Indeferido.” Por seu turno a decisão de fls. 32/38 da 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “indeferir” a manifestação de inconformidade de fls. 18/23, mantendo o r. Despacho decisório (fls. 10/15) da DRF de Araraquara – SP, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/05/2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que corresponde à receita bruta, entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Somente as parcelas legalmente autorizadas podem ser excluídas da base de cálculo, não se enquadrando nessa situação os valores devidos a título de ICMS. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Solicitação Indeferida.” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 41/50) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito restituendo, tendo em vista: a) a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de cálculo da COIFNS e do PIS instituída pela Lei nº 9718/98; b) a legitimidade da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e, no mérito merece parcial provimento. Inicialmente anoto ser assente na jurisprudência deste Conselho que “a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo”, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 1.770RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). E isto porque, como também esclareceu o E. STJ, “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186). Nessa ordem de idéias verificase já ser do domínio público, que “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da L. 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468 PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 2306 2006, pág. 52 EMENT VOL0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538), anteriormente à EC nº 20/98. Nesse particular, releva notar que o pronunciamento do STF sobre a inconstitucionalidade de uma lei ou exigência administrativa tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13851.001210/200640 Acórdão n.º 3402002.315 S3C4T2 Fl. 4 5 importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 1.770RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliara a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF”. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza. No caso concreto verificase que as acusações fiscais do lançamento fiscal excogitado, se fundamentam na disposição legal inconstitucional e versam sobre receitas não operacionais (receitas financeiras) que se inserem na base de cálculo julgada inconstitucional, o que, nos termos da Jurisprudência citada “torna ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação”. Portanto nesse particular merece reforma a r. decisão ora recorrida. O mesmo não se pode afirmar em relação à inclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, pois como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC nº 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado “por dentro”, não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3º da Lei nº 9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou, no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do STJ. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592).” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp 706766RS, Reg. nº 2004/01685982, em sessão de 18/05/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 29/05/06 p. 169) Finalmente releva notar que no caso excogitado (pretensão de exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo “os magistrados e Tribunais – que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o benefício da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rel. Min. Celso de Mello). (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Agr. Reg. no AI nº 171.733SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237) Isto posto, meu voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso, para reformar parcialmente a r. decisão recorrida apenas para proclamar o direito à restituição da COFINS referente às receitas não operacionais (receitas financeiras) que se inserem na base de cálculo julgada inconstitucional pelo STF. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2014. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13851.001210/200640 Acórdão n.º 3402002.315 S3C4T2 Fl. 5 7 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 13839.001061/2003-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 28/02/2001
COMPENSAÇÃO. GLOSA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, a glosa do excesso de compensação rende ensejo ao lançamento de ofício para a cobrança dos tributos não recolhidos, ainda que a compensação tenha sido declarada em DCTF.
RETROATIVIDADE BENÍGNA. SCI COSIT Nº 3/2004
Aplica-se o princípio da retroatividade benígna ao art. 18 da Lei nº 10.833/2001 para excluir a multa de ofício dos autos de infração lavrados com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, a teor do que estabelece a SCI Cosit nº 3/96.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa de ofício.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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GLOSA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Na vigência do art. 90 da MP nº 2.15835/2001, a glosa do excesso de compensação rende ensejo ao lançamento de ofício para a cobrança dos tributos não recolhidos, ainda que a compensação tenha sido declarada em DCTF. RETROATIVIDADE BENÍGNA. SCI COSIT Nº 3/2004 Aplicase o princípio da retroatividade benígna ao art. 18 da Lei nº 10.833/2001 para excluir a multa de ofício dos autos de infração lavrados com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, a teor do que estabelece a SCI Cosit nº 3/96. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa de ofício. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 10 61 /2 00 3- 34 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 07/05/2003, lavrado para exigir diferenças de COFINS relativas aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2001, em razão de glosa de compensação. Segundo a descrição dos fatos o contribuinte pleiteou ressarcimento de IPI com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99 nos processos nº 13836.000049/200171 e 13836.000048/200126, cumulando pedidos de compensação. Tendo em vista que nos pedidos de ressarcimento o contribuinte corrigiu o valor histórico do crédito, a autoridade administrativa glosou a parcela relativa à correção por falta de amparo legal, homologou em parte os pedidos de compensação e, em face do art. 90 da MP nº 2.15835/2001, lavrou o auto de infração albergado neste processo para cobrar as diferenças de tributo que restaram em aberto. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) conexão deste processo com os processos 13836.000049/200171 e 13836.000048/200126; 2) a motivação deste lançamento consiste na glosa da correção monetária pleiteada nos processos referidos; 3) não constou qualquer motivação fundamentadora das glosas da correção monetária, o que cerceou sua defesa; 4) na verdade não pleiteou correção monetária dos créditos, mas sim a aplicação da taxa Selic; 5) apontou lapsos na especificação dos dispositivos legais que dão lastro à autação, o que confirmaria o cerceamento de defesa; 6) reafirmou seu direito à correção do ressarcimento de IPI pela taxa Selic. Por meio do Acórdão 12.016, de 26 de janeiro de 2006, a 3ª Turma da DRJ Campinas julgou a impugnação improcedente em julgado que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inocorre cerceamento do direito de defesa quando o Auto de Infração descreve a infração cometida e embora a capitulação legal não esteja correta, o sujeito passivo impugna a exigência demonstrando que entendeu a imputação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofíns Período de apuração: 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a insuficiência dos créditos utilizados pelo sujeito passivo em compensações tributárias, é cabível o lançamento de ofício para a cobrança do crédito tributário inadimplido. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 12/04/2006, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reprisou as alegações de impugnação. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13839.001061/200334 Acórdão n.º 3403002.950 S3C4T3 Fl. 5 3 Por meio da Resolução 20400.454, o julgamento foi convertido em diligência para que "se verifique a concessão ou não da taxa Selic no processo conexo supra mencionado." Os autos retornaram com o relatório fiscal de fls. 142 a 143, que nada acrescentou ao que já se continha nos autos, pois a fiscalização se limitou a narrar a situação dos pedidos de ressarcimento sem juntar nenhum documento comprobatório. Por meio da Resolução 3403000.059, o processo foi baixado em diligência pela segunda vez, a fim de que fossem juntadas cópias das decisões derradeiras proferidas nos processos de ressarcimento e se os valores cobrados neste auto de infração já não teriam sido objeto de cobrança nos próprios processos de compensação ou em outros processos. Os autos retornaram com os documentos de fls. 152 a 241, dando conta de que: 1) as manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de ressarcimento não foram conhecidas pela DRJ Ribeirão Preto, em face do contribuinte ter impugnado apenas as cartas de cobrança, deixando de instaurar o contraditório em relação ao direito de crédito; 2) os processos de ressarcimento estão findos administrativamente e encontramse arquivados por 10 anos no Arquivo Geral da SAMFSP; e 3) a cobrança das diferenças não cobertas pela compensação está ocorrendo apenas por meio deste auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica na fl. 115, não é possível aferir a tempestividade do recurso voluntário, pois na imagem do processo a data de protocolo está ilegível. Sendo assim, devese presumir a tempestividade do recurso, para evitar prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Considerando que os demais requisitos formais de admissibilidade foram atendidos, passo ao exame das alegações do contribuinte. Alegou o contribuinte a nulidade do auto de infração, por falta de motivação e também por imprecisão na indicação de alguns dispositivos legais. Ao contrário do alegado, a irregularidade foi perfeitamente descrita na fl. 13, tanto que o próprio contribuinte ao iniciar sua impugnação na fl. 41, registrou com precisão o motivo da autuação, nos seguintes termos: "A motivação do ato administrativo de constituir o crédito tributário foi a glosa da atualização monetária pleiteada nos processos já referidos, sob o argumento de que não é admitida pela Secretaria da Receita Federal." No que concerne à imprecisão nos dispositivos legais citados, é pacífica a jurisprudência do CARF no sentido de que erros de digitação ou mesmo erros nas citações de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 incisos e parágrafos dos dispositivos legais, não rendem ensejo à nulidade por cerceamento de defesa, se a irregularidade estiver perfeitamente descrita e a peça de defesa revelar que o contribuinte entendeu os fatos que lhe foram imputados. Preliminar de nulidade rejeitada. No mérito, verificase que o contribuinte se limita a alegar que tem direito à aplicação da taxa Selic aos valores solicitados nos processos de ressarcimento. Ora, tal alegação deveria ter sido formulada nos processos de ressarcimento, que era o foro adequado para a discussão do direito de crédito. Os documentos que vieram com a diligência, revelam que nos processos de ressarcimento/compensação o contribuinte não instaurou o contraditório em relação ao crédito, apenas se insurgiu contra as cartas de cobrança, conforme se pode comprovar nas fls. 219/220 e 229/230. A DRJ não conheceu das impugnações e o contribuinte não recorreu daquelas decisões. Sendo assim, os despachos decisórios da autoridade administrativa, que negaram o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic, bem como as decisões da DRJ que não conheceram as manifestações de inconformidade, se tornaram definitivas na via administrativa, a teor do que determina o art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72. Existindo decisão definitiva na esfera administrativa no sentido do não cabimento da correção dos ressarcimentos pela taxa Selic, e sendo constatado excesso de compensação, foi correto o lançamento de ofício das diferenças apuradas nos processos de compensação, pois naquela época vigia o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Entretanto, com o advento do art. 18 da Lei nº 10.833/03 que alterou o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a própria administração tributária tem entendimento no sentido de que devem ser excluídos dos lançamentos pendentes de julgamento a multa de ofício, caso os valores tenham sido objeto de declaração prévia ao fisco. Eis o que dispõe a Solução de Consulta Interna Cosit nº 3/96: "(...) Os lançamentos que foram efetuados, com base no art. 90 da MP no 2.15835, no período compreendido entre a edição da MP no 2.15835, e a MP no 135, de 2003, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados, devendo ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal; No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo.(...)" Considerando que no caso concreto, as compensações foram informadas em DCTF (fl. 84), deve ser aplicado o princípio da retroatividade benígna, conforme entendimento normatizado pela Receita Federal. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13839.001061/200334 Acórdão n.º 3403002.950 S3C4T3 Fl. 6 5 Por fim, esclareço que não tem razão o contribuinte quando alega que haverá "bis in idem", em face de os mesmos valores lançados de ofício estarem sendo cobrados nos processos de ressarcimento/compensação. Isto porque atendendo aos pedidos do contribuinte, a fiscalização excluiu as diferenças lançadas de ofício dos processos de compensação, conforme se pode comprovar nas fls. 224 (processo 13836.000048/200126) e 234 (processo 13816.000049/200171). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a exigência da multa de ofício. Antonio Carlos Atulim Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10920.001813/2006-92
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO MAJORITÁRIO E ADMINISTRADOR.
Responde solidariamente pelos débitos na forma prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional o sócio majoritário e administrador que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
NULIDADES.
Não se configura qualquer nulidade processual a ciência por via editalícia do termo de início de fiscalização, quando adotadas as cautelas e exauridos os meios para localização do estabelecimento comercial e dos sócios atuais e pretéritos da pessoa jurídica.
PRECLUSÃO. DEFINITIVIDADE.
Não se conhece no recurso voluntário de matérias preclusas ou tornadas definitivas em processos distintos ao objeto de debate e julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1803-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO MAJORITÁRIO E ADMINISTRADOR. Responde solidariamente pelos débitos na forma prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional o sócio majoritário e administrador que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. NULIDADES. Não se configura qualquer nulidade processual a ciência por via editalícia do termo de início de fiscalização, quando adotadas as cautelas e exauridos os meios para localização do estabelecimento comercial e dos sócios atuais e pretéritos da pessoa jurídica. PRECLUSÃO. DEFINITIVIDADE. Não se conhece no recurso voluntário de matérias preclusas ou tornadas definitivas em processos distintos ao objeto de debate e julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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DE APARELHOS PARA TELEFONIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. SIMPLES FEDERAL. Correto o arbitramento do lucro efetuado após restar consolidada a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), adotandose como parâmetro a receita bruta declarada na DSPJ SIMPLES e compensados os tributos de mesma natureza já recolhidos anteriormente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO MAJORITÁRIO E ADMINISTRADOR. Responde solidariamente pelos débitos na forma prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional o sócio majoritário e administrador que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. NULIDADES. Não se configura qualquer nulidade processual a ciência por via editalícia do termo de início de fiscalização, quando adotadas as cautelas e exauridos os meios para localização do estabelecimento comercial e dos sócios atuais e pretéritos da pessoa jurídica. PRECLUSÃO. DEFINITIVIDADE. Não se conhece no recurso voluntário de matérias preclusas ou tornadas definitivas em processos distintos ao objeto de debate e julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 18 13 /2 00 6- 92 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório IDALICE SALOMÃO RONDINELLI DE CASTRO, RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO DE GFC COM. DE APARELHOS PARA TELEFONIA LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. HISTÓRICO Em sequência a Representação Administrativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) do Ministério da Previdência, de 7 de junho de 2006 (f.1 a 4 e anexos), a pessoa jurídica (optante pelo Simples Nacional desde 12/8/2004, na condição de Empresa de Pequeno Porte EPP f. 17), locadora de mãodeobra da BRASIL TELECOM S.A. (contrato as f. 19 a 25 e Notas Fiscais de Prestaçao de Serviços As f. 27 a 72), e constatação de que "[...] mantém sua equipe de 48 trabalhadores permanentemente em dependências da tomadora —lojas da contratante em várias cidades do Estado, [..1" (f. 4), foi excluída do Simples Federal com efeitos a partir do dia 12 de agosto de 2004 (data da opção), pelo ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO 11' 5, de 21 de janeiro dc 2008 (f. 88), com base no Relatório de f. 82 e no Despacho Decisório Sacat n° 43/20C1 (f. 83 a 87) "[...] por exercer atividade econômica vedada à opção a esta sistemática de tributação, conforme disposto na alínea “f”, do inciso XII, do art. 90 da Lei 9.317/96, e • demais informações contidas no processo administrativo n° 10920.001813/200692." (f. 88). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA A EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Por discordar da exclusão do Simples Federal, a pessoa jurídica contra ela Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 388 3 apresentou manifestação de inconformidade (f. 90 a 95, e anexos), decidida pelo Acórdão n° 0622.731 — 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), de Curitiba — PR, em 18 de junho de 2009 (f. 110 a 113), nos seguintes termos (f. 110v): Acordam os membros da r Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em deferir parcialmente a solicitação, para manter a exclusão do Simples, e alterar a data de inicio dos efeitos da exclusão para 01/10/2005. Cientifiquese a interessada, ressalvandolhe o direito a interposição de recurso voluntário do Conselho de Contribuintes no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, [..]. A intimação do acórdão acima mencionado se deu por meio do Edital n° 81/2009 (f. 118), em virtude de a destinatária não ter sido localizada pelo serviço de distribuição postal da Empresa .Brasileira de Correios e Telégrafos ECT, no endereço informado (Rua Nove de Março, 585, sala 2, centro, 89201400 Joinville — SC, f. 117). PEREMPÇÃO Á f. 119 consta o Termo de Revelia (sic), lavrado após o transcurso do prazo legal — em 4 de setembro de 2009 , de que dispunha a pessoa jurídica para interpor perante o Conselho de Contribuintes recurso contra o acima referido acórdão n° 0622.731 da DRJ em Curitiba —PR, evento que tornou definitivo por preclusão, na instância administrativa, o referido acórdão. ESCOLHA DE FORMA DE TRIBUTAÇÃO E APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES Por meio da Intimação Sacat n° 288/2009 (f. 121), foi a pessoa jurídica instada a "Escolher forma de tributação (Lucro Presumido, ...) e apresentar acompanhada do respectivo recibo de entrega/transmissão a via original e cópia autenticada por cartório ou servidor público federal das Declarações da Pessoa Jurídica (DCTF, DACON, DIPJ, etc.) dos Exercícios de 2006, anobase 2005; 2007, anobase 2006 e 2008, anobase 2007. Em virtude de ser frustrada a entrega postal da Intimação Sacat n° 288/2009, pelo motivo já relatado, foi a pessoa jurídica intimada pelo Edital n° 122/2009 (f. 123). CANCELAMENTO DE DSPJ À f. 124, consta o seguinte despacho: Não tendo sido atendida a Intimação SAC'T (sic) n° 288/2009 (if 121), ENCAMINHESE À SATEC desta Delegacia para que se proceda o cancelamento das DSPJ 2006, anobase 2005, 2007, anobase 2006 e 2008, anobase 2007, retornando posteriormente este processo a ,SACAT para sequência dos procedimentos vinculados ao caso. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 ARQUIVAMENTO Foi assentado a f. 129 despacho de arquivamento com o seguinte teor: Tendo sido verificados os pagamentos do contribuinte nos sistemas da RFB, estando aqueles referentes ao período em pauta, 1° de janeiro de 2005 a 30 de junho de 2007, desalocados e disponíveis, tendo sido notificada a Safis/DRF/JOI da disponibilidade do período retrocitado para lançamento de tributos devidos, verificados a oportunidade e o interesse público, ARQUIVESE este processo pelo prazo de 10 (dez) anos de acordo com a legislação vigente. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL Aos 19/5/2010, pelo Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (MPFF 09.2.022010 006750) foi formalizada a comunicação do referido inicio e a solicitação de apresentação a autoridade fiscal dos livros e documentos nele elencados (f. 130/131). INTIMAÇÕES. Pelos correios foram encaminhadas cópias do Termo acima mencionado à pessoa jurídica (f. 132 — endereço: Rua Itajubá, 456, sala 2 .— Bom Retiro, 89223200 Joinville— SC), devolvido b. DRF por ser "desconhecido"; à mesma PJ, aos cuidados (a/c) de Idalice S. R. de Castro (f. 133 — endereço: Rua Berilo, 47 — Saguaçu — 89221226 Joinville — SC), recebido pessoalmente; A. mesma PJ, aos cuidados (a/c) de Sandro Avelino Conte (f. 134 —endereço: Praça Marechal Castelo Branco, 475, centro, 89201225 Joinville — SC), devolvido DRF por ser "desconhecido" no endereço, que é sede de uma filial da ECT (f. 135), e à. mesma PJ, aos cuidados (a/c) de Lauro Gemischi (f. 136— endereço: Estrada do Sul, s/n'', km 18, Vila Nova, 89237800 Joinville — SC), devolvido A. DRF por "não procurado". Conforme consta a. f. 137, a intimação do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal à pessoa jurídica também foi feita por meio do Edital n° 12/2010, afixado de 9 a 26 de julho de 2010. Por meio do documento de f. 138/139, foi IDALICE SALOMÃO RONDINELI DE CASTRO intimada da seguinte determinação da autoridade fiscal: 11 Não tendo sido possível localizar a sede atual da empresa, nem os responsáveis legais perante a Receita Federal, intimo a contribuinte a apresentar cópia da documentação que comprove a efetiva transferência das cotas da empresa GFC COMÉRCIO DE APARELHOS PARA TELEFONIA LTDA. ME CNPJ 06.928.404/0001 26 para terceiros, informando a data, valor e a forma de quitação da referida transferência. (f. 138) A destinatária recebeu a referida intimação em 30 de agosto de 2010, como prova o Aviso de Recebimento (AR) por ela fumado, A. f. 140. Aos 2 de setembro de 2010, a intimada assim respondeu à autoridade fiscal (f 141): RESPOSTA: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 389 5 A contribuinte, anteriormente qualificada, declara, para os devidos fins, que transferiu suas cotas para terceiros, sócios da empresa GFC COMÉRCIO DE APARELHOS PARA TELEFONIA LTDA. ME, no dia 20 de março de 2008, data na qual o ato foi registrado perante a Junta Comercial deste estado. Foi transferido a totalidade de 29.700 (vinte e nove e setecentas mil) (sic) cotas, no valor de R$ 1,00 (hum real) cada uma, no total de R$ 23.700,00, quitados na forma de dinheiro, conforme comprovado pelo documento em anexo. Na estampa impressa a. f. 147, pela Junta Comercial do Estado de Santa Catarina — Jucesc, consta: CERTIFICO 0 REGISTRO EM: 10/04/2008 SOB N 220080915752 PROTOCOLO: 08/0915752, DE 03/04/2008 EMPRESA: 422 0349300 6 GFC COMÉRCIO DE APARELHOS PARA TELEFONIA LTDA. EPP Diligencia da DRF Joinville nos sistemas corporativos da RFB revelou que o novel sócio SANDRO AVELINO CONTE (CPF 005.782.17988) apenas apresentara a DIRPF do exercício de 2007 (anocalendário de 2006) em 13/3/2008 (f. 148/149); quanto ao novo sócio LAURO GERNISKI (CPF 287.804.77968), em sua DIRPF do ano calendário de 2008 (exercício de 2009) não consta a aquisição de quotas da pessoa jurídica fiscalizada. LANÇAMENTO Como resultado do procedimento fiscal foram expedidos autos de infração do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica (IRPJ), e exigências decorrentes, contra a pessoa jurídica em epígrafe, conforme demonstrado a seguir, com acréscimo de multa de oficio de 75% e juros de mora com base na taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic (inicialmente calculados até 31/8/2010) a ser calculados a época do pagamento: (...) No ANEXO I (f. 192) a autoridade fiscal demonstrou a RECEITA BRUTA CONHECIDA PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO, em relação aos anoscalendário de 2006 e do primeiro semestre de 2007, e na folha seguinte (f. 193), compôs DEMONSTRATIVO DE IMPUTAÇÃO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS NO SIMPLES — 2006 a 06/2007. 0 lançamento com base em arbitramento do lucro (enquadramento legal: Art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR199) nos quatro trimestres de 2006 e nos dois primeiros trimestres de 2007 foi assim justificado (f. 196): Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 Entre as f. 243 e 251 a autoridade fiscal apresenta seu RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL — IRPJ, de que se transcrevem os trechos abaixo: No intuito de dar ciência do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, encaminhamos via postal com AR, o Termo de Inicio de Fiscalização, tendo sido retornada a correspondência pelo correio, com a observação "desconhecido". Então comparecemos na sede da empresa, que consta no cadastro junto a Receita Federal, na Rua Itajubd 456 Sala 02 Bairro Bom Retiro. No entanto, verificamos que a empresa não se encontra no local, indicado e com informações obtidas de vizinhos, fomos informados que desconheciam a existência daquela empresa no local. Paralelamente, ás tentativas de intimar a empresa, verificando que a empresa fora transferida aos atuais proprietários após a ciência da exclusão do Simples, o que gera a suspeita de transferência para "laranjas" com o intuito de escapar de eventual tributação, também encaminhamos uma cópia do Termo de Inicio de fiscalização a antiga proprietária Sra. Idelice S. R. de Castro, mediante via postal, entregue em 05/07/2010 (fls. 133). (destaque acrescido) Continuando, as tentativas de intimar a empresa, encaminhamos o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal para o endereço do sócio responsável junto a Receita Federal, Sr. Sandro Avelino Conte Irineu Pereira, na Praça Marechal Castelo Branco, 475 Centro de Joinville — SC, tendo também retornada a correspondência em 06/07/2010, com a observação "desconhecido". Comparecendo ao local do endereço, verificamos que era da antiga sede da agencia do correio. Encaminhamos, também, o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal para o endereço de outro sócio da empresa, Sr. Lauro Gernischi, na Estrada do Sul, sn Km 18 Vila Nova em Joinville — SC, tendo retornada a correspondência em 26/07/2010, com a observação ‘não procurado’. Por resultarem improfícuas a tentativa de intimação pessoal e postal, do responsável pela empresa, foi emitida o Edital SAFIS/GAB N 2 012/2010 em 09 de julho de 2010 em 09 de julho de 2010, e afixado no saguão da Delegacia da Receita Federal em Joinvile, pelo prazo legal de 15 (quinze) dias 137). Em 26 de julho, de 2010, foi desafixado o Edital e para todo o efeito legal, considerada dada ciência a empresa do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal. Em 30 de agosto de 2010, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n2 09.2.002010011265, foi intimada a Sra. IDELICE SALOMÃO ROND1NELI DE CASTRO, CPF: 079.430.22890, para que comprovasse a efetiva transferência das cotas da empresa para terceiros, informando a data, valor e a forma de quitação da referida transferência. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 390 7 Em 08 de setembro de 2010, a contribuinte respondeu a intimação declarando que transferiu as cotas para terceiros, no dia 20 de m arço de 2008, data do registro do ato perante a Junta Comercial do Estado, recebendo pela totalidade das cotas o valor de R$ 23.700,00 em dinheiro. No exame detalhado do processo, verificamos que a responsável pela empresa, em 25 de fevereiro de 2008, protocolou manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRFB/JOI N2 005 de 21.01.2008. No dia 20 de marco de 2008, portanto, 23 dias após protocolizar a defesa administrativa, a empresária transferiu a empresa para terceiros, ou seja para SANDRO AVELINO CONTE, e LAURO GERNISCHI. A referida transferência da empresa para terceiros foi efetivada com a clara finalidade de eximir a pessoa jurídica e consequentemente a responsabilidade pessoal da sócia IDALICE SALOMÃO RONDINELI pelos tributos devidos à Receita Federal em decorrência da exclusão do Simples. Então vejamos os fatos: 1. A empresa não foi localizada no endereço que consta no contrato social e nos cadastro [sic] na Receita Federal. 2. Os Sócios SANDRO AVELINO CONTE, CPF: 005.782.1788 (sic) e LAURO GERNISCHI, CPF: 287.804.77968, ambos, informaram na alteração do contrato social que os seus endereços residenciais, na Estrada do Sul sn2 Km 18, Poste 103. L.10, Bairro Vila Nova em Joinville — SC. 3. No cadastro na Receita Federal o Sócio S,4NDRO AVELINO CONTE, informou o endereço — Rua Marechal Castelo Branco,. 475 Centro — Joinville — CEP: 89 201225, cujo endereço é o da antiga sede da agência central do correio. 4. No cadastro na Receita Federal o Sócio SANDRO AVELINO CONTE, informou o endereço — Estrada do Sul, sn Km 18— Vila Nova — Joinville — SC, CEP: 89 237800. Em diligência ao endereço verificamos que se trata da Rodovia que liga a cidade de Joinville a Guaramirim — SC, e que no citado Km 18, estão situadas uma Igreja e Sala() Paroquial, um posto de saúde Municipal, algumas casas e um estabelecimento comercial (bar). No estabelecimento comercial, solicitei informações a respeito dos sócios da empresa, no que fui informado que os nomes das pessoas eram desconhecidos na região, embora no local os moradores todos se conheçam. 5. Prosseguindo nas investigações sobre o paradeiro dos sócios, verificamos que: 1. 0 sócio Sandro Avelino Conte CPF 00.782.179;88, NA0 apresentou declaração de rendimentos da pessoa fisica (fls. 148/149). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 8 2. O sócio LAURO GERNISCH, ou LAURO GERNISK,I „ CPF 287.804.779 68, na última declaração de rendimentos da pessoa física, correspondente ao exercício de 2009, ano calendário de 2008, apresentou declaração sem rendimento algum, e consta apenas na declaração de bens a participação em duas empresas, a DELLAN INDÚSTRIA DE MADEIRAS LTDA, CNPJ 04.307.404/0001/83, e EMPÓRIO DA COZINHA, CNPJ: 04.614.393/000184 . (fls. 150 a 153). A empresa DELLAN INDÚSTRIA DE MADEIRAS LTDA, apresentou a última declaração de rendimentos, referente ao exercício de 2007, ano calendário de 2006, em branco, constando um capital de R$ 50,00 (cinquenta reais) para cada sócio. (lis. 154/156). A empresa EMPÓRIO DA COZINHA INDUSTRIAL LTD,4 — ME, está omissa de declaração desde os exercícios de 2007 e 2008. Os fatos acima nos levam a convicção de que a empresa foi transferida somente no papel, haja vista que os adquirentes não foram localizados, não demonstram que possuem patrimônio para a aquisição da empresa ora fiscalizada. 0 primeiro, sequer apresenta declaração de rendimentos da pessoa física. O segundo, não declarou na declaração de bens as cotas supostamente adquiridas da empresa fiscalizada, e ainda, as empresas que constam em sua declaração, se tratam de empresas que não apresentam atividade alguma nos últimos anos. Assim, concluímos que há fortes indícios de que a empresa fiscalizada efetivamente encerrou suas atividades irregularmente, após a protocolização de sua defesa administrativa contra o ato de Exclusão do Simples. Portanto, permanece a responsabilidade solidária pelos tributos devidos até a data da transferência da empresa para terceiros, na pessoa da sócia IDALICE SALOMÃO RONDINELI DE CASTRO, conforme lavratura do Termo de Responsabilidade Solidaria, a ser entregue a responsável, juntamente com cópia dos Autos de Infração constantes deste processo. 3 INFRAÇOES APURADAS A partir de 12 de janeiro de 1997, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir. do período em que se processarem os efeitos da exclusão, as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas (Lei 9.317/96, art. 16). Desta forma, lavramos os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COF1NS, constantes deste processo com a utilização dos elementos disponíveis nos sistemas informatizados da Receita Federal 3.1. ARBITRAMENTO DO LUCRO Tendo em vista que a empresa não foi localizada e não foi possível obter a escrituração contábil e o livro LALUR, e a DIPJ apurada pelo Lucro Real, não restou outra alternativa à fiscalização que não fosse a apuração do IPJR (sic) e CSLL, pelo Lucro Arbitrado, nos termos do Art. 530 do RIR199. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 391 9 3.2. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA LUCRO ARBITRADO Na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica na forma do lucro arbitrado, foram consideradas as receitas declaradas nas Declarações Simplificadas Simples dos anos calendário de 2006, e de janeiro a junho de 2007, fls (158 a 187), e demonstradas no Anexo I Receita Bruta Conhecida p/ Arbitramento do Lucro (f1. 192). No cálculo das diferenças a pagar do IRPJ e CSLL, foram compensados os valores que correspondem ao IRPJ, pagos no Simples, conforme o Anexo II Demonstrativo de Imputação dos Pagamentos Efetuados no SIMPLES, 2006 a 06/2007 (fls. 188 a 193). 3.3. TRIBUTOS REFLEXOS S/ RECEITA BRUTA 3.3.1. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ LUCRO LÍQUIDO — CSLL Desta forma, efetuamos o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, com base nos valores das receitas declaradas nas Declarações Simplificadas Simples dos anos calendário de 2006, e de janeiro a junho de 2007, e demonstradas no Anexo I Receita Bruta Conhecida p/ Arbitramento do Lucro (f1s. 193). 3.3.2. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS 3.3.3. CONTRIBUIÇÃO P/ FINC. SEGURIDADE SOCIAL — COFINS As bases de cálculo da COFINS, e do PIS — FATURAMENTO corresponde as receitas declaradas nas Declarações Simplificadas — Simples dos anos calendário de 2006, e de janeiro a junho de 2007, fls (158 a 187), e demonstradas no Anexo I — Receita Bruta Conhecida p/ Arbitramento do Lucro (tg. 192). Nos cálculos do PIS — FATURAMENTO e da COFINS, foram compensados os valores que correspondem a essas contribuições pagas no Simples, conforme o Anexo II — Demonstrativo de Imputação dos Pagamentos Efetuados no SIMPLES, 2006 a 06/2007 (fl. 193). 4— FUNDAMENTACÃO LEGAL — [..] 5 — PENALIDADES — [...] 6— CRÉDITO TRIBUTÁRIO—Não foi possível a realização do Arrolamento de Bens previstos no art. 64, da Lei n2 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no art. 72 e no ,¢ 32 do art. 82 da IN/SRF n2 264, 20 de dezembro de 2002, haja vista que a empresa não foi localizada. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, que é parte integrante e inseparável dos Autos de Infração, em 03 (três) vias de igual teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e cuja ciência será dada a empresa via Edital haja vista que a empresa inexistir no local indicado e o representante legal da empresa encontrase em lugar incerto e não sabido, e uma via será encaminhada à sócia Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 10 IDALICE SALOMÃO RONDINELI DE CASTRO, responsabilizada solidariamente nos termos do art. 124 do CTN. Entre as f. 251 e 257 consta TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDARIA lavrado contra a sócia IDALICE SALOMÃO RONDINELI DE CASTRO, já referida, e que contém os mesmos elementos informativos constantes no Relatório da Atividade Fiscal — IRPJ (anteriormente transcrito em sua maior parte). Dele se transcrevem, por sua relevância, os seguintes trechos: f.254 Assim, concluímos que há fortes indícios de que a empresa fiscalizada efetivamente encerrou suas atividades irregularmente, após a protocolização de sua defesa administrativa contra o ato de Exclusão do Simples. Portanto, permanece a responsabilidade solidária pelos tributos devidos até a data da transferência da empresa para terceiros, na pessoa da sócia IDALICE SALOMÃO RONDINELI DE CASTRO. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei e 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). A seguir, a autoridade fiscal colaciona precedentes judiciais relativos à dissolução irregular de empresa que não seja localizada em seu endereço declarado ou que não tenha providenciado sua exclusão dos cadastros fiscais e do Registro Público de Empresas Mercantis (apud Junta Comercial do Estado de Santa Catarina — Jucesc), e conclui, à f. 257: Portanto, comprovado que a empresa não mais existe de fato, fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que tratam os Autos de Infração lavrados relativamente aos tributos contra a empresa GFC COMÉRCIO DE APARELHOS PARA TELEFONIA LTDA, CNPJ 03.697.852/000178, em decorrência de sua exclusão do SIMPLES, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são entregues neste ato. A intimação da pessoa jurídica foi feita, como já anunciado, por meio do Edital n2 19/2010, afixado em 15/9/2010 e removido em 12/10/2010 (f. 260). Após vistas na repartição (Sacat da DRF em Joinville — SC) por parte de Robson Carrer Pereira, CPF 170.425.23857 (tennoà f. 264), e de Sérgio Vinicius Barbosa Silva, CPF 226.172.858 — 12 (termo à f. 265), consta impugnação interposta em 15 de outubro de 2010 por IDALICE SALOMÃO RONDINELI DE CASTRO, por advogado ut procuração à f. 281, em que alega: Preliminares: la Da nulidade em razão do descumprimento do devido processo legal, pois (f. 269): [...] a autoridade administrativa, não respeitou o devido processo legal, quando antes de esgotar os meios de busca para intimação do sócio responsável Lauro Gernischi, conforme Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 392 11 consta na página 04 do relatório de atividade fiscal, a autoridade emitiu notificação do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal em data posterior a fixação do Edital SAFIS/GAB N. 012/2010, que foi realizado em 09/07/2010, informando que os meios de tentativas para notificação por correio e pessoal, restaram improfícuos, sendo que a notificação que retornou como "não procurado" ocorreu em 26/07/2010, mais de 15 dias depois da fixação do Edital. Tal fato deixa evidente que a autoridade, na tentativa de responsabilizar a Impugnante, imputandoa dissolução irregular em razão da não localização dos sócios, não realizou as devidas cautelas para intimação dos mesmos, incidindo no descumprimento da Lei, ao realizar a notificação por meio de Edital, antes da tentativa de notificação que retornou como "não procurado". Evidente que referida pessoa, não seria nunca devidamente intimada._ Tal ato evitou que o atual proprietário da empresa contribuinte não fosse regularmente notificado, nem apresentasse impugnação, tal participação no polo passivo do presente MPF, é de extrema importância para elucidação dos fatos ocorridos. Sendo assim, o processo deverá retornar a fase de notificação do Termo de Abertura de Procedimento Fiscal, com a devida notificação do sócio proprietário Lauro Gernichi, declarando nulo o edital SAFIS/GAB N. 012/2010. Em 21/01/08, momento em que a Impugnante recebeu a primeira notificação do Ato Declaratório Executivo DRFB/JOI n. 005 para a exclusão do SIMPLES, já havia realizado em 12/09/2006 alteração contratual que removia o motivo que poderia excluíla do Regime do SIMPLES. Vale ressaltar, que ao contrário do que alega a autarquia, a empresa já estava em processo de transferência, quando recebeu a notificação, sendo certo que não foi a notificação da exclusão motivo para transferência da empresa. A empresa foi transferida por motivos pessoais com todo passivo quitado, inclusive encargos trabalhistas de todos os empregados, não havia no momento da transferência qualquer tributo com lançamento realizado nem dividas com entes públicos, ou ainda, débitos com clientes e fornecedores. A Impugnante realizou a transferência para os atuais sócios da empresa em 20 de março de 2008, mediante a venda da totalidade de suas cotas para Sandro Avelino Conte e Lauro Gernichi, ambos apresentaram documentação idônea, e receberam todos os bens e direitos da empresa, que na época da transferência era plenamente viável, conforme extratos de rendimentos, em anexo ao procedimento fiscal. A exclusão definitiva do simples foi decidida somente em 18 de junho de 2009, sendo que a exclusão teve seus efeitos reduzidos e determinado a partir de 01/10/2005, certo que o tributo aqui cobrado, não seria motivador de fraude pela Impugnante. f 271: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 12 3 — Do DIREITO: 3.a — DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA IMPUGNANTE Completamente incabível os indícios da Secretaria da Receita Federal, que imputam à Impugnante a responsabilidade solidária ao pagamento do tributo. Vale destacar que a impugnante nunca falhou como gestora da empresa, sempre cumpriu todas as obrigações tributárias principais e acessórias. Nos fatos alegados pela Secretaria da Receita Federal, caberia sim a responsabilidade solidária dos sócios atuais da empresa e não da antiga sócia, sendo certo que a mesma, em nenhuma parte do procedimento fiscal tem demonstrado alguma atitude de fraude, ou máfé por parte da Impugnante, que prestou todas as informações solicitadas pela Secretaria da Receita Federal, não pode ser a mesma punida pela sua conformidade com a lei e cumprimento da legislação. Não existe no presente processo administrativo qualquer indicio de fraude por parte da Impugnante que motive a sua responsabilização solidária pelo tributo, todos os motivos fundamentadores do presente Termo de Sujeição Passiva Solidária, seio justificados em condições e atitudes dos atuais sócios da empresa contribuinte, seja por dificuldades em encontrar referidos sócios, seja por motivações em suas declarações de Imposto de Renda, um dos sócios é proprietário de outras empresas, sendo que ter outras empresas não é motivo para não ter capital para aquisição de outras empresas, sobre a falta de Declaração de Renda pelo outro sócio, este não é motivo que justifique que o mesmo haja com máfé e seja "laranja" como alega a Secretaria da Receita Federal, evidente que a Impugnante, ao realizar a venda não poderia prever a capacidade administrativa dos sócios, nem teria acesso a todas as informações que agora são utilizadas pela Secretaria da Receita Federal. A empresa realmente foi transferida nos termos da alteração social e no momento da transferência tinha bens e meios de continuar a prover renda para seus novos proprietários, bem como, foi realizado a transferência da empresa para o novo endereço, e mediante informações que a Impugnante obteve por meios próprios a empresa realmente funcionou no endereço declinado no contrato social. A receita federal demorou mais de 03 anos, para procurar os atuais sócios da empresa, referido período é suficiente para que a empresa tenha passado por dificuldades financeiras e tenha parado de funcionar ou alterado o endereço sem o adequado procedimento, caso a Secretaria da Receita Federal pretenda responsabilizar algum sócio, estes deveriam ser os atuais sócios, pois de houve fechamento da empresa e houve alguma falha em tal procedimento, esta responsabilização deverá ser imputada a estes sócios que realizaram tal procedimento. A Secretaria da Receita federal responsabiliza solidariamente somente a ex sócia, aqui impugnante, estranhamente, não faz menção aos atuais sócios, sendo que estes são os verdadeiros responsáveis pelo tributo. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 393 13 A Secretaria da Receita Federal incorre em ato vedado pela Constituição Federal, ao realizar tratamento diferente entre os sócios devendo ser cancelado a responsabilização da impugnante pelo tributo tendo em vista que os outros sócios não esteio sendo responsabilizados. f.276: 3.6 —DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 3. c — DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO Deixase de relatar esta parte da impugnação em razão, de a exclusão de oficio da impugnante já terse tornado definitiva na instância administrativa (o que impede sua rediscussão em sede de impugnação ou de manifestação de inconformidade) pois, como se constata, a interessada dela não recorreu ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. f. 279: 3.d — DA REINCLUSÃO DA EMPRESA NO SIMPLES A empresa ficou um curto período na situação que supostamente a vedava da participação no SIMPLES (sic), dessa forma, tem direito a sua reinclusão a partir do momento que cessou tal motivo. 4 — DOS REQUERIMENTOS Diante do exposto, requer: 1 — A concessão do pedido realizado em sede de preliminar. Após a análise da preliminar, requer o cancelamento do lançamento do tributo com a respectiva reincluslio da empresa no SIMPLES. 2 — A exclusão da Impugnante como sujeito passivo na responsabilização solidária pelo débito tributário da empresa contribuinte 3 — 0 cancelamento dos efeitos retroativos do tributo, com a possível reinclusão da empresa no SIMPLES DAS PROVAS: 4 — A redução dos tributos apurados, bem corno o período tributado em razão da forma realizada dos cálculos bem como multas aplicadas, discordando dos cálculos apurados tendo em vista a falta de análise adequada de todos os documentos contábeis da empresa na fora (sic) da apuração do tributo, ficando desde já requerida a perícia, nos termos do artigo 16, inciso IV, Decreto n. 70.235/72, indica Nome do Perito Fernando Rafael Viertel Qualificação.. Contador, CRC 25.417, CPF . 970.214.90968 Endereço: Rua Quintino Bocaiúva, 300, Bairro América, Joinville — SC 5 — 0 requerente impugna todo o termo de procedimento fiscal, bem como o termo de sujeição passiva solidária, conforme pontos indicados, bem como fica impugnada documentação acostada no laudo, sendo que tudo deverá ser verificado através de perícia qualificada para tal fim. 6 — Requer a revisão dos cálculos realizados, bem como realização de perícia dos mesmos atribuindo o cálculo dos tributos baseados em valores adequados. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 14 7 — Quesitos: I — No período em que a impugnante atuou na empresa, os tributos devidos foram recolhidos regularmente ? Havia outros débitos tributários além dos indicados em razão da exclusão do SIMPLES pela Secretaria da Receita Federal ? 2 — Os valores calculados dos tributos estão corretos ? Existem diferenças apuradas ? Qual o valor ? 3 — Os valores pagos a titulo de SIMPLES foram compensados corretamente ? Foram aplicados os índices de correção monetária adequados? 4— O período de apuração está correto ? 5 — A cobrança causada pela exclusão do SIMPLES seria motivo suficiente para o fechamento irregular da empresa contribuinte ? 6 — A causa da exclusão do SIMPLES pela Secretaria da Receita Federal foi correta ? A partir de que data deve ser cobrado o tributo ? Até que data a empresa se manteve em situação excludente do SIMPLES? 8— Documentos Anexos: 1 — Procuração Original 410 2— Contrato social e quatro alterações. Isto posto, espera a Impugnante o conhecimento e total provimento da presente impugnação, para que a ação fiscal seja considerada totalmente improcedente, cancelandose, assim, o presente auto de infração. A ciência se deu por edital (fl. 367) tendo no entanto a recorrente solicitado cópia do processo em 15/05/2012 e apresentado o recurso voluntário em 15/06/2012 fls. 371/384, onde reitera as alegações da inicial. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo, de lançamento de ofício com arbitramento do lucro dos anos calendários 2006 e 2007 realizado em virtude da exclusão da empresa do SIMPLES. Tanto a impugnação como o recurso voluntário foram apresentados exclusivamente pela exsócia Idalice Salomão Rondinelli De Castro, que alega em síntese: Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 394 15 a) A nulidade do processo por ter sido utilizada a via editalícia para ciência do termo de início da fiscalização antes do retorno dos AR comprovando a não localização dos atuais sócios da empresa; b) Que não pode ser responsabilizada de forma solidária pelos débitos da pessoa jurídica pois não é caso de dissolução irregular e tampouco qualquer outro caso de responsabilização solidária previsto no CTN; c) Que foi indevida a exclusão do SIMPLES, não podendo retroagir seus efeitos e devendo ser reincluída tão logo cessados os motivos que causaram a exclusão; d) Requer adicionalmente: diligência para localização dos atuais sócios; diligência no local onde funcionou por último a empresa; revisão da modalidade de tributação adotada e recálculo dos tributos devidos, requerendo ao final perícia na forma do Art. 16, inciso IV do Decreto 70.235/72. Não assiste razão à interessada. Com efeito, inexiste qualquer nulidade processual pois o fato de ter sido realizada a via editalícia para ciência do termo de início supostamente antes do retorno dos AR nenhum prejuízo causou à recorrente. Conforme se observa dos elementos contidos no processo, tanto a empresa como os supostos atuais sócios, não foram localizados seja pelo correio seja através de visita pessoal da autoridade nos endereços indicados, tendo a autoridade fiscal efetuado todas as tentativas possíveis para a adequada intimação seja da empresa (que não mais existia) seja dos atuais componentes do quadro social (não localizados). Por outro turno, considerando que todos os elementos utilizados para o lançamento já estavam a disposição da autoridade fiscal (receita bruta declarada na DSPJ), não haveria alteração do quadro considerando que a empresa não mais existia de fato e os documentos se referiam ao período em que a recorrente era administradora e detentora de 99% do Capital Social. Não há comprovação de entrega de quaisquer documentos que seja para os supostos sócios adquirentes da empresa, sendo sintomático que a recorrente indique o então contador Carlos Roberto Viertel para perito, mas não tenha qualquer indicação do paradeiro da documentação fiscal e contábil da empresa. Rejeito, portanto as alegações de nulidade do processo. No tocante a sujeição passiva não merece acolhida a irresignação da recorrente. Com efeito, conforme se observa do quadro social da empresa no período dos fatos (2006 e 2007), o mesmo era composto pela recorrente Sra. IDALICE SALOMÃO RONDINELI DE CASTRO com 99% do Capital Social e sua filha menor Giovanna Rondineli de Castro, com 1% do Capital Social. Assim, qualquer responsabilidade pelas irregularidades apontadas, somente pode ser atribuída única e exclusivamente à recorrente. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 16 Afirma a recorrente que efetuou a venda de sua participação societária para os novos sócios estando totalmente em dia com suas obrigações fiscais e trabalhistas, não se podendo imputar nenhum gravame para os fatos apontados pela autoridade fiscal. Conforme restou demonstrado nos relatórios de pagamentos de tributos (fls. 188/191) e cálculo de decomposição dos recolhimentos no SIMPLES (fls. 192/193), a empresa não recolheu a maior parte dos tributos devidos pela significativa receita auferida nos anos calendários 2006 e 2007 o que desmistifica em muito a sua tese apresentada na impugnação e recurso voluntário. Ou seja, mesmo que não tivesse sido efetuada a exclusão do SIMPLES FEDERAL e arbitrado o lucro para efeito de lançamento de ofício, a empresa GFC COM. DE APARELHOS PARA TELEFONIA LTDA, era devedora de significativa importância de tributos federais incluídos na sistemática de recolhimento simplificado, no período de 2006 e 2007. A autoridade fiscal apontou no Termo de Sujeição Passiva (fl. 251/257) a responsabilidade solidária estampada no art. 124 do Código Tributário Nacional, sem prejuízo de atribuição de responsabilidade tributária pessoal. Conforme se infere dos documentos contidos no processo e do relato contido no relatório de atividade fiscal (fl. 243/250)e reproduzido parcialmente no Termo de Sujeição Passiva, a recorrente além de ser a sócia majoritária no período dos fatos tinha como sócia apenas a sua filha menor. Assim, nos termos do art. 124, I do CTN tinha interesse comum na situação que constitui os fatos geradores da obrigação principal no período de 2006 e 2007, sendo a única beneficiária dos resultados auferidos com a indevida inclusão no SIMPLES FEDERAL e da falta do recolhimento dos tributos incidentes. A recorrente escudase no fato de que teria transferido as suas quotas para os novos sócios em situação de total normalidade, quando conforme já se verificou já não recolhia adequadamente sequer os tributos normalmente devidos pelo SIMPLES FEDERAL. Outrossim, o fato de que a autoridade fiscal não efetuou a responsabilização ou sujeição passiva dos supostos atuais sócios, não invalida a atribuição de responsabilização solidária da recorrente que como visto, tem íntima e total relação com os fatos geradores da obrigação tributária principal. Relembro que conforme relata a autoridade fiscal, a transferência para os supostos novos sócios se deu após a pessoa jurídica ter formalizado a manifestação de inconformidade do ato de exclusão do SIMPLES, demonstrando que a recorrente tinha pleno conhecimento das irregularidades na situação fiscal e cadastral da empresa. Quanto aos supostos novos sócios, conforme documentos acostados aos autos, não tem a menor capacidade econômicofinanceira para adquirir as quotas da empresa, não se tendo qualquer notícia da continuidade das operações da empresa após a suposta transferência do controle societário. Destarte, sem prejuízo de que a responsabilidade tributária seja também atribuída aos supostos adquirentes considerando a dissolução irregular da empresa, deve ser mantida a responsabilidade solidária da recorrente dada sua íntima vinculação com os fatos narrados no processo. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10920.001813/200692 Acórdão n.º 1803002.060 S1TE03 Fl. 395 17 Quanto aos questionamentos relacionados com a exclusão da sistemática do SIMPLES FEDERAL, conforme já expôs a bem lançada decisão de primeira instância é matéria preclusa no presente processo. No entanto, verificase com total clareza de que uma das atividades da pessoa jurídica era o fornecimento de mão de obra para atendimento nas lojas da Brasil Telecom, caracterizandose assim a vedação oi ingresso e permanência na sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), ao longo de todo o período que foi objeto do lançamento (2006 e 2007). Sem razão outrossim, sua irresignação em relação à modalidade de tributação e metodologia adotada pela autoridade fiscal para o lançamento de ofício. Não atendendo a recorrente aos requisitos para a tributação pelo lucro real (única modalidade alternativa ao arbitramento do lucro), impõese o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida que foi justamente obtida através da DSPJ Simples dos anos calendários 2006 e 2007. Quanto a metodologia, esta se apresenta irrepreensível já que a autoridade fiscal conforme planilha (fls. 192/193), apurou a diferença dos tributos devidos compensando os valores recolhidos na sistemática do SIMPLES FEDERAL, conforme percentuais estabelecidos na Lei nº 9.317/96. Pelos motivos expostoS, dispicienda a concessão de perícia aventada pela recorrente pois a matéria tributável e os tributos foram corretamente apurados considerando a situação fática do processo. Não conheço portanto, das matérias preclusas em relação a inclusão e exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e rejeito as alegações em relação a modalidade, método de apuração e pedido de perícia formulados no recurso. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e pela íntima relação de causa e efeito, em relação aos lançamentos reflexos ou decorrentes de CSLL, PIS e COFINS. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 18 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 15471.000938/2010-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 09 38 /2 01 0- 31 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 128 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 3738, com a exigência do crédito tributário no valor de R$224.386,62 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 22.03.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 19.03.2010. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0205, com as alegações a seguir transcritas: DA TEMPESTIVIDADE DA DEFESA Em 22/0/2010, a impugnante tomou ciência da referida Notificação de Lançamento, e dessa forma, iniciandose o prazo no dia 23/03/2010, e encerrandose no dia 21/04/2010, sendo tempestiva portanto esta defesa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 129 3 DOS FATOS A presente Notificação de Lançamento foi emitida pelo fato de a impugnante ter entregue a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, competência Janeiro de 2010, em 22/03/2010 (segundafeira), quando o prazo regulamentar encerrarase antecipadamente em 19/03/2010 (sextafeira), uma vez que o dia próprio, 20/03/2010, era um sábado. Diante disso, foi imputada a impugnante multa no valor R$448.773,25 (quatrocentos e quarenta e oito mil, setecentos e setenta e três reais e vinte e cinco centavos), correspondente a 2% sobre o montante dos tributos informados na DCTF. Com os descontos previstos na legislação, o valor da multa foi reduzido para R$112.193,31 (cento e doze mil, cento e noventa e três reais e trinta e um centavos). DO MÉRITO Tratase de caso de absoluta impossibilidade de atendimento da obrigação em razão de problema técnico no sítio da RFB na internet. A impugnante ao tentar enviar eletronicamente a referida declaração às 16h do dia 19/03/2010, dentro do prazo portanto, foi informada que somente seria possível o envio com a utilização da versão do programa Receitanet 2010_02, que é o software disponibilizado pela Receita Federal do Brasil para validar e transmitir, via internet, as declarações relativas a tributos e contribuições federais. Ao tentar efetuar o "download" da versão 2010_02 do Receitanet, na página da internet da Receita Federal do Brasil, surgiu a seguinte mensagem de erro (cópias do "print" das telas em anexo): Erro 404 página não encontrada. HTTP://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/programas/Receitanet2010_02.E XE Não existe página no sítio da Receita Federal que corresponda a este endereço. É possível que você tenha digitado a URL errada ou a página tenha sido excluída. Efetuamos diversas tentativas, inclusive reiniciando o computador, mas a mensagem de erro continuou. Somente na 2ª feira, 22/03/2010, pela manhã, conseguimos efetuar o "download" do programa Receitanet normalmente e enviar a declaração (cópia em anexo). DO PEDIDO Diante do exposto, fica evidente que o não envio da DCTF dentro do prazo legal, 19/03/2010, foi provocado por uma falha técnica no sítio da RFB na internet, o que nos impossibilitou de baixar e instalar o "software" RECEITANET, indispensável ao cumprimento da obrigação. Assim sendo, requer a impugnante o cancelamento e baixa da referida Notificação de Lançamento, considerandose atendida a obrigação acessória por parte da impugnante. Pede Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0942.656, de 07.02.2013, fls. 4345: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor: Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 130 4 prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. De outro lado, a Receita Federal prorroga o prazo para cumprimento da obrigação acessória, em situações que ocorrem problemas técnicos de sua responsabilidade. É o que ocorreu, por exemplo, nos casos tratados nas IN RFB nº 940/2009, nº 1.191/2011, nº 1.302/2012, relativamente ao prazo de entrega do Dacon; no ADE 90/2009 e nas IN RFB nº 1.129/2011 e nº 1.212/2011, no tocante ao prazo de entrega da DCTF. Entretanto, na espécie, não há qualquer ato administrativo reconhecendo instabilidade ou falha em sistema da Receita Federal que tenha impedido a interessada de entregar tempestivamente a DCTF. Portanto, como a interessada não contesta o fato de ter entregue sua declaração após prazo legal, impõese o lançamento da multa prevista no art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, ainda que o descumprimento da obrigação tenha se dado por motivos alheios a sua vontade. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS. MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração ou demonstrativo, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Notificada em 05.03.2013, fl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.04.2013, fls. 5154, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta I DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente teve ciência do Acórdão n° 0942.656 em 05/03/2013 (terça feira). Dessa forma, a contagem do prazo legal previsto no artigo 5º do Decreto n° 70.235/72 se iniciou apenas em 06/03/2013 (quartafeira), encerrandose em 04/04/2013 (quintafeira). [...] O presente Recurso Voluntário é, portanto, manifestamente tempestivo. II DOS FATOS A Notificação de Lançamento que ora se recorre foi emitida pelo fato de a Recorrente ter entregue a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, competência Janeiro de 2010, em 22/03/2010, quando o prazo regulamentar encerrarase antecipadamente em 19/03/2010, uma vez que o dia próprio, 20/03/2010, era um sábado. [...] Diante disso, foi imputada a Recorrente multa no valor de R$448.773,25 correspondente a 2% sobre o montante dos tributos informados na DCTF. Com os Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 131 5 descontos previstos na legislação, o valor da multa foi reduzido para R$112.193,31. [...] Em 31/03/2010, a ora Recorrente apresentou Impugnação em face de referida Notificação de Lançamento demonstrando que a obrigação era de absoluta impossibilidade de cumprimento diante de problema técnico no sítio da Receita Federal do Brasil na internet. [...] Após análise da impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/JFA) proferiu o Acórdão n° 09 42.656 julgando procedente o lançamento. [...] Contudo, não merece prosperar o referido acórdão, devendo ser o mesmo reformado, conforme demonstrará a Recorrente. III DA REFORMA DO V. ACÓRDÃO N° 0942.656 A ora Recorrente, ao tentar enviar eletronicamente a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, competência Janeiro de 2010, dentro do prazo determinado, verificou que somente seria possível o envio com a utilização da versão do programa Receitanet 201002, que é o software disponibilizado pela Receita Federal do Brasil para validar e transmitir, via internet, as declarações rela. hs a tributos e contribuições federais. Ao tentar efetuar o download da versão 2010_02 do Receitanet, na página da internet da Receita Federal do Brasil, apareceu a seguinte mensagem de erro, cujas cópias já foram juntadas quando da apresentação da impugnação: Erro 404 página não encontrada. HTTP://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/programas/Receitanet2010_02.E XE Não existe página no sítio da Receita Federal que corresponda a este endereço. É possível que você tenha digitado a URL errada ou a página tenha sido excluída. [...] Embora tenha efetuado diversas tentativas verificando, inclusive, se o problema não decorria de falhas do computador a Recorrente não teve êxito no envio de DCTF. Somente na segundafeira, 22/03/2010, pela manhã, foi possível efetuar o download do programa exigido pela Receita Federal e enviar a já citada declaração. [...] Dessa forma, tendo em vista que o atraso na entrega da DCTF foi ocasionado por circunstância imprevisível, que não pôde ser evitada, claro está que a caracterização do ilícito deve ser excluída, não havendo que se falar em punição. [...] A jurisprudência, inclusive, tem manifestado entendimento de que, no caso de multas administrativas e punições tributárias, o caso fortuito ilide a punição. Veja se: [...] "TRIBUTÁRIO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SEM CULPA. CASO FORTUITO. ENCHENTE COM INUNDAÇÃO DO ESTABELECIMENTO. EXTRAVIO DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS. Em caso de infração tributária, a responsabilidade independe de culpa, podendo, todavia, ser elidida por ocorrência de caso fortuito ou força maior. O extravio de documentos fiscais da empresa devido a uma enchente que inundou o estabelecimento caracteriza caso fortuito, pois imprevisível e de efeitos inevitáveis. Apelação improvida." (AC 343546 SE 2004.05.00.0224840; Primeira Turma TRF5; Des. Federal Francisco Wildo) [...] Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 132 6 No caso em debate, o envio de DCTF não foi concluído diante do não funcionamento do site da Receita Federal que exigia o download da versão 2010_02 do Receita. Diante da comprovação de caso fortuito pelos documentos já juntados na Impugnação, devese admitir a elisão da responsabilidade da ora Recorrente, que não deve ser punida por evento para cuja ocorrência não concorreu. IV CONCLUSÃO. Com base nas considerações aqui expostas, a Recorrente, confiante no elevado saber de V.Exas., requer seja dado provimento ao presente recurso a fim de que seja reformado in totum o v. Acórdão n° 0942.656, proferido pela 1º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/JFA). Nestes Termos, pede deferimento. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Gustavo de Penha, OAB/DF 29.044. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrado sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 133 7 deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 134 8 Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 135 9 ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do Auto de Infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos4. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; 4 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 136 10 (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores5. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária6. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 7 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. Consta na Descrição dos Fatos, fls. 3839, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Está registrado no Voto condutor da decisão de primeira instância de julgamento, fls. 4345, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos também cabem ser adotados de plano: De outro lado, a Receita Federal prorroga o prazo para cumprimento da obrigação acessória, em situações que ocorrem problemas técnicos de sua responsabilidade. É o que ocorreu, por exemplo, nos casos tratados nas IN RFB nº 940/2009, nº 1.191/2011, nº 1.302/2012, relativamente ao prazo de entrega do Dacon; no ADE 90/2009 e nas IN RFB nº 1.129/2011 e nº 1.212/2011, no tocante ao 5 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 6 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 7 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 137 11 prazo de entrega da DCTF. Entretanto, na espécie, não há qualquer ato administrativo reconhecendo instabilidade ou falha em sistema da Receita Federal que tenha impedido a interessada de entregar tempestivamente a DCTF. (grifo acrescentado) No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 22.03.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 19.03.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15471.000938/201031 Acórdão n.º 1801001.900 S1TE01 Fl. 138 12 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.013427/99-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Negado. Recurso Especial do Procurador NegadoAguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 34 27 /9 9- 05 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido. Tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de FINSOCIAL do período de setembro /89 a março de 92, no que excedeu a alíquota de 0,5%. O pedido foi formalizado em data de 10 de junho de 1999. O contribuinte requereu, ainda, que a restituição se desse através de compensação com os outros tributos. O pedido foi instruído com os DARFs originais dos recolhimentos efetuados e indeferido, pela Delegacia da Receita Federal em Salvador, sob o argumento de caducidade do pedido. Inconformada, a requerente interpôs recurso junto a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA A DRF de Julgamento de Salvador manteve o indeferimento do pedido, sob a justificativa de que estaria extinto o direito do contribuinte de pleitear a restituição/compensação, tendo havido apresentação de tempestivo recurso ao Conselho de Contribuintes, pelo contribuinte. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: RESTITUIÇÃO FINSOCIAL. O dies a quo para o exercício do pedido de restituição dos valores recolhidos a título de FINSOCIAL, com base nas Leis 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, que foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, através do RE n° 150.7641PE, contase a partir da data da publicação da referida decisão no Diário Oficial (DJ de 02/04/1993) ou, como fora entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes, a partir da edição da Medida Provisória 1.110, de 31/08/95 . Afastada a declaração de decadência RECURSO PROVIDO POR MAIORIA Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 105 a 114 (autos em papel), onde pugna pelo prazo prescricional de 5 anos, contados a partir do pagamento indevido. A esse recurso foi dado seguimento, nos termos do despacho de fl. 144 (autos em papel). Intimado por edital, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões ao apelo fazendário. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.013427/9905 Acórdão n.º 9303002.837 CSRFT3 Fl. 221 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em seu especial a Fazenda Nacional defende a aplicação do art.. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. A Câmara recorrida entendeu que o termo inicial para repetição de Finsocial seria a data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 31 de agosto de 1995. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1989 e março de 1992, e que o pedido de restituição foi protocolado em 10 de junho de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. ACORDÃO Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.013427/9905 Acórdão n.º 9303002.837 CSRFT3 Fl. 222 5 Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeito a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos pleiteados, referentes a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, na data em que efetuado o pedido de restituição/compensação – 110/06/1999 ainda não haviam sido alcançados pela prescrição. Com essas considerações, e, embora utilizando de fundamentação diversa da do acórdão recorrido, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres 1 O fato gerador do Finsocial era o faturamento mensal, que era apurada no último dia do mês. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13855.003007/2006-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDOS BANCÁRIOS.
O demonstrativo de variação patrimonial, levantado para fins de apuração de omissão de rendimentos, deve refletir a realidade do patrimônio do contribuinte, contemplando todas as aquisições e aplicações de recursos, inclusive os saldos bancários.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2102-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para sanar as omissões contidas no Acórdão nº 3301-00076, de 07/05/2009, sem efeitos infringentes.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDOS BANCÁRIOS. O demonstrativo de variação patrimonial, levantado para fins de apuração de omissão de rendimentos, deve refletir a realidade do patrimônio do contribuinte, contemplando todas as aquisições e aplicações de recursos, inclusive os saldos bancários. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. Embargos Acolhidos em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para sanar as omissões contidas no Acórdão nº 3301-00076, de 07/05/2009, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 607 1 606 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.003007/200678 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2102002.929 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Acréscimo Patrimonial a Decoberto Embargante NAJEH ACCARI BARBOZA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDOS BANCÁRIOS. O demonstrativo de variação patrimonial, levantado para fins de apuração de omissão de rendimentos, deve refletir a realidade do patrimônio do contribuinte, contemplando todas as aquisições e aplicações de recursos, inclusive os saldos bancários. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. Embargos Acolhidos em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 30 07 /2 00 6- 78 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 608 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para sanar as omissões contidas no Acórdão nº 3301 00076, de 07/05/2009, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NAJEH ACCARI BARBOZA foi lavrado Auto de Infração, fls. 04/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001 a 2003, exercícios 2002 a 2004, no valor total de R$ 1.627.941,76, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 12/27, foi acréscimo patrimonial a descoberto, detectado por fluxo de caixa, que considerou as informações prestadas pela contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA) e movimentações bancárias verificadas em contas mantidas em instituições financeiras nacionais e internacionais. No que tange à movimentação de recursos no exterior há de se esclarecer que os fatos trazidos aos autos foram apurados durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 434/477, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII n° 1717.853, de 11/04/2007, fls. 482/492. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 609 3 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/05/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 495, a contribuinte apresentou, em 20/06/2007, recurso voluntário, fls. 496/559, no qual apresenta, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Nulidade da decisão de primeira instância – A recusa da autoridade julgadora de primeira instância em apreciar as alegações relativas a depósitos bancários e rendimentos recebidos no exterior enseja a nulidade da referida decisão. Decadência – Os rendimentos do trabalho e outros, inclusive o acréscimo patrimonial a descoberto, estão sujeitos à tributação mensal e o lançamento farseá com base no regime de homologação, na forma do disposto no art. 150 do CTN. Na data do lançamento (dezembro de 2006) os fatos geradores ocorridos até 31/12/2001 já se encontravam alcançados pela decadência. Da penalidade agravada – O auditorfiscal não demonstrou a ocorrência do dolo, fraude ou simulação, que não comportam presunções. Para esses casos, a lei não as erigiu ao conceito das presunções legais. São presunções “júris tantum”, de responsabilidade de quem alega (o Fisco) fazer a prova. O dolo não se presume, pelo contrário, deve ser evidenciado com provas cabais, irrefutáveis, da vontade do agente na prática das condutas infracionais. Rendimentos auferidos no exterior – Os valores que transitaram na conta bancária no Banco Audi e que foram depositados no MTB Hudson Bank, por intermédio de seu marido em alguns casos (mas não todos os depósitos), não lhe pertencem. Entretanto, como a fiscalização presume que seja rendimento omitido, cabe observar que, se realmente se tratasse de algum rendimento recebido de fonte localizada no exterior, o fato gerador do imposto sobre a renda ainda não teria ocorrido, pois inexiste lei determinando o momento da disponibilidade dos rendimentos oriundos do exterior. (art. 43, § 2º, do CTN, acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001). Cálculos da Fiscalização. Critério. Créditos e débitos em duplicidade – A Fiscalização considerou como rendimentos, as entradas na conta bancária da autuada e de seu esposo e as saídas que presume terem ocorrido, de maneira indireta, em razão de depósitos no MTB Hudson Bank. Ocorre que nem todos os depósitos no Hudson Bank transitaram pela conta bancária conjunta da recorrente, e o fato de serem apresentadas informações em mídia eletrônica relacionando o nome da recorrente com tais depósitos não significa que tais informações estejam corretas. Na verdade, não há no processo nenhum documento assinado pela recorrente ordenando tais depósitos, de forma que possa confirmar nesses casos que houve efetivamente a sua interveniência. Tendo em vista o tempo decorrido, nem mesmo o próprio marido da recorrente se recorda de quantas vezes interveio nessas ordens de pagamento, o que só poderia ser comprovado mediante documentação hábil, que não foi juntada pela Fiscalização. Não se pode admitir o somatório de débitos e créditos de uma mesma conta, no mesmo período, para que se considere tudo receita. Mas o mais relevante, é que não só não há documentos que comprovem que a recorrente teve algum benefício com os depósitos feitos no Hudson Bank, como não há documentos que comprovem que os depósitos feitos nessa conta seriam gastos da autuada. Aliás, nem mesmo há documentos sobre essa conta, apenas a fiscalização chamou de “mídia eletrônica”, que não oferece segurança e certeza necessárias para ser erigida à categoria de prova. De qualquer forma, quando muito, depósitos feitos Fl. 609DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 610 4 na conta da Norport, só poderiam ser atribuídos a ela, e não a terceiros. Mormente, quando não foi estabelecido nenhum nexo de causalidade entre a conta da Norport e a autuada. Presunção de rendimentos. Movimentação bancária – Quando se trata de depósitos bancários é evidente que estes devem ter sido feitos na conta do próprio contribuinte. Não é lícito ao Fisco presumir, por falta de base legal, que depósitos feitos em outras contas bancárias sejam gastos do contribuinte, sem que tenha sido estabelecido pela Fiscalização, um nexo causal entre referidos depósitos e o contribuinte, que permitam afirmar que se refiram dispêndio ou despesas pessoais. Rendimentos considerados omitidos e tributados justificam depósitos posteriores – Considerados mês a mês determinados valores, como sendo receita omitida, e tributados esses valores, estes devem servir de prova para justificar futuros depósitos em contas bancárias dos mesmos titulares. O fundamento de tal entendimento está calcado no fato de que inexiste, na legislação vigente, em relação às pessoas físicas, qualquer obrigação no sentido de manterem escrituração regular ou registro de suas operações. Em sessão plenária realizada em 07/05/2009, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF apreciou o recurso voluntário, para assim decidir, conforme Acórdão nº 330100076, fls. 561/571: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos: 1) AFASTAR as preliminares: 2) no mérito: 2.1) excluir dos demonstrativos de APD, dos anos 2001, 2002 e 2003, os dispêndios correspondentes aos depósitos realizados na conta NORTPORT; 2.2) desqualificar a multa. A contribuinte foi cientificada do acórdão acima mencionado, em 30/03/2011, fls. 610, e, em 01/04/2011, apresentou embargos de declaração, fls. 618/622, argüindo a existência de omissões no Acórdão nº 330100076, de 07/05/2009: I. Imotivada decisão que rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento. Ao analisar o recurso voluntário da Recorrente, a r. decisão embargada considerou "Por outro lado, em nenhum momento do procedimento fiscal, ou no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, foi mencionado ou sugerido pela autoridade fiscal que o contribuinte houvesse auferido rendimentos no exterior. Nestes termos, argumentos relativos a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada ou rendimentos recebidos do exterior não dizem respeito à infração imputada à contribuinte, de modo que a falta de sua apreciação não trouxe nenhum prejuízo à defesa da contribuinte. Afastase, portanto a argüição de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela defesa." (fl.565/566) Ocorre que não só constou do Termo, como também durante toda a fiscalização foi utilizado o expediente de intimação para Fl. 610DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 611 5 comprovação de origem de depósitos bancários. Isso se vê claramente das intimações à contribuinte durante a fiscalização. Tal fato deve ser identificado no acórdão para fins de prequestionamento, pois a Embargante pretende recorrer da r. decisão que rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento. De qualquer forma, o desacerto entre a descrição dos fatos e enquadramento legal, juntamente com o Termo de Verificação Fiscal, causou prejuízo à defesa e ao próprio julgamento. Isso ficou claro no próprio acórdão ora embargado, como também se vê dos itens seguintes do presente Embargos. II. Falta de comprovação da propriedade dos valores transitados nas contas Bank Audi/Interaudi Bank A Embargante renegou a propriedade dos valores transitados na conta junto ao Bank Audi/Interaudi. Porém, esta Colenda Câmara não apreciou a alegação da contribuinte e, considerando tratarse de acusação de acréscimo patrimonial a descoberto e/ou presunção de omissão por depósito bancário, mister se faz tal constatação através das PROVAS constantes dos autos. III. Inexistência de provas de que os recursos junto ao Bank Audi foram benefícios auferidos. Na folha 571 consta do Voto do Relator: Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que a contribuinte realizou as remessas de recursos ao exterior, de modo que devese excluir dos Demonstrativos de Variação Patrimonial, dos anoscalendário de 2001 a 2003, fls. 343/345, os dispêndios correspondentes a tais valores, que estão discriminados no item denominado outros pagamentos efetuados. Há omissão no acórdão quanto aos remanescentes de depósitos (saldos) da conta Bank Audi/Interaudi Bank. Ou seja, da mesma forma não há prova nos autos que vincule a Embargante às acusações. IV. Acréscimo Patrimonial a Descoberto: apuração anual. A r. decisão embargada não entendeu quando a Recorrente, ora Embargante, se insurgiu com a tese de que os depósitos do mês servem para justificar os depósitos do mês subseqüente, pois assim consta na folha 571: "Nesse sentido, vale lembrar que o presente lançamento cuida de omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto e não por depósitos bancários de origem não comprovada, de modo que para elidir a tributação imputada à contribuinte fazse necessário que se demonstra que os acréscimos patrimoniais apurados Fl. 611DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 612 6 pela autoridade fiscal estão justificados por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos e não tributados ou tributados exclusivamente na fonte. Não se trata, portanto, de justificar a origem de depósitos, conforme acredita a defesa." Nesse sentido, requer o esclarecimento acerca da apuração anual do acréscimo patrimonial, que autoriza que o saldo do mês anterior seja considerado recurso para o mês seguinte. Por outro lado, assim prevê o Enunciado 67, aprovado pela 2ª Turma do CARF: Enunciado n° 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Nesse sentido, diante do caráter vinculante das súmulas do CARF, requer sua aplicação ao presente caso, conforme dispõe o §4° do artigo 72 de seu Regimento Interno: "§ 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF." Assim, considerando mais uma vez a confusa redação do Termo de Verificação, o que por si só causa a nulidade do auto de infração, requer a apreciação da tese de apuração anual do acréscimo patrimonial do contribuinte, levando em consideração os saldos mensais, bem como a aplicação do Enunciado 67 do CARF. É o Relatório. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 613 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os embargos de declaração apresentados pela contribuinte preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos, posto que, como se verá a seguir, procede a alegação da recorrente de existência de omissões no Acórdão nº 330100076, de 07/05/2009. Nos embargos de declaração a contribuinte aponta, em suma, a existência das seguintes omissões: falta de apreciação da preliminar de nulidade de lançamento e das questões de mérito no que se refere à movimentação de contas bancárias mantidas no Brasil e no exterior, solicitando ao fim a aplicação da Súmula CARF nº 67. A alegação de falta de apreciação da argüição de nulidade do lançamento não procede, posto que tal alegação não constou dentre as questões suscitadas no recurso. Há aqui uma confusão da embargante entre a alegação de nulidade da decisão de primeira instância (esta sim, suscitada pela defesa e devidamente apreciada) e a alegação de nulidade do lançamento. Ora, por lógico, se a contribuinte não argüiu a nulidade do lançamento no recurso voluntário, não há que se falar em omissão na decisão embargada por falta de apreciação de tal matéria no acórdão. Já no que tange à falta de apreciação das questões de mérito relativas à movimentação de contas bancárias mantidas no Brasil e no exterior assiste razão à contribuinte. Veja que o lançamento imputou à recorrente a infração de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, detectado por fluxo de caixa, que considerou as informações prestadas pela contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA) e movimentações bancárias verificadas em contas mantidas em instituições financeiras nacionais e internacionais. Nesse ponto, cumpre esclarecer que os Demonstrativos de Variação Patrimonial, fls. 343/345, indicam duas causas para a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, quais sejam: outros pagamentos efetuados (item 3 da letra B Dispêndios/Aplicações) e letra C – Movimentação Bancária, sendo certo que o item 3 da letra B contempla as movimentações bancárias efetivadas na conta nº 30101840, mantida junto ao MTB Hudson Bank, em nome da Norport Ltd, conforme Anexo D, fls. 354, já a letra C é representada pela movimentação bancária mantidas no Brasil e na conta nº 150943, mantida no exterior, no Interaudi Bank. Ocorre que quando da análise das questões de mérito suscitadas pela defesa, o voto condutor da decisão recorrida reportouse somente às alegações acerca da conta nº 30101840, mantida junto ao MTB Hudson Bank, em nome da Norport Ltd, não se pronunciando acerca das contas bancárias mantidas no Brasil, tampouco, sobre a conta nº Fl. 613DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 614 8 150943, mantida no exterior, no Interaudi Bank, incorrendo em omissão, conforme apontado pela embargante. Pois muito bem. No que tange à movimentação bancária, efetivada nas contas mantidas no Brasil e na conta nº 150943, mantida no exterior, no Interaudi Bank, a autoridade fiscal adotou um tratamento diverso daquele dispensado à conta nº 30101840, mantida junto ao MTB Hudson Bank, em nome da Norport Ltd. Explicando: os depósitos efetuados na conta em nome da Norport foram considerados pela autoridade fiscal como dispêndio, já quanto à movimentação bancária havida nas contas mantidas no Brasil e na conta nº 150943 do Interaudi Bank, a autoridade fiscal considerou como aplicação de recursos a variação mensal entre os saldos nos inícios e nos finais de cada mês. De pronto, devese dizer que no caso da conta nº 150943, mantida no exterior, no Interaudi Bank, há nos autos farta documentação, fls. 73/94, que comprova ser a contribuinte uma das titulares da referida conta, conforme se infere dos seguintes trechos destacados do Auto de Infração: Como resultado das investigações e afastamentos dos sigilos bancários do contribuinte sob procedimento de fiscalização, temos: 1 Em 06 de janeiro de 2004 foi apresentada pelo INTERAUDI BANK correspondência contendo informações bancárias da conta de número "150943", no "Bank Audi (USA)", em Nova York, aberta em 29 de agosto de 1996, tendo sido identificados como titulares os contribuintes Otto Cézar Barboza, CPF 043.585.89804 e Najeh Accari Barboza, CPF 081.457.61840, conforme documentos abaixo relacionados (fl.73): • "Account Opening Form"; • "For Individual and Joint Accounts Only e For All Accounts"; • "Know Your Customer"; • "Signature Card"; • copias dos Passaportes; • "Telecommunications Instructions"; • cópia da 7ª alteração contratual da empresa A Internacional de FRC Agência de Viagens e Turismo Ltda, CNPJ 64.957.442/000103; • "Certificate of Foreign Status of Beneficial Owner for United States Tax Withholding" do Department of the Treasury Internal Revenue Service; • "Certificate of Foreign Status" do Department of the Treasury Internal Revenue Service. Observese, que constam ainda extratos bancários da mencionada conta, os quais proporcionaram o levantamento dos saldos iniciais e finais de cada mês. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 615 9 Logo, no que pertine a conta nº 150943 no Interaudi Bank não há que se falar em insuficiência de provas, estando perfeitamente caracterizado nos autos que a contribuinte é titular da conta em questão, sendo, portanto, detentora da titularidade dos saldos mensais apurados. De igual modo, no que concerne às contas bancárias mantidas no Brasil, está perfeitamente demonstrado nos autos a titularidade das contas e os correspondentes saldos. Devese dizer, ainda, que a autoridade fiscal apurou o acréscimo patrimonial a descoberto de forma mensal, conforme se infere dos Demonstrativos de Variação Patrimonial, fls. 343/345, nos termos em que determinado na legislação de regência (arts. 1° a 3° e parágrafos e art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; artigos 1° a 4° da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990; art. 6º e parágrafos da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990 e arts. 4º a 6º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991), sendo certo que, ao contrário do que afirma a defesa, os saldos positivos de um mês foram considerados como recurso nos meses seguintes. Por fim, cabe esclarecer que a Súmula CARF nº 67, abaixo transcrita, não se aplica ao presente lançamento, no que se refere à conta nº 150943 no Interaudi Bank e as contas mantidas no Brasil: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Conforme, aqui já mencionado, nos caso da conta do Interaudi Bank e das contas, mantidas no Brasil, a autoridade fiscal levou para a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto apenas a variação obtida entre os saldos iniciais e finais de cada mês, nas correspondente contas. Ou seja, os saques e as transferências bancárias, a que se reporta a súmula, não foram considerados recursos no lançamento. Repitase, considerouse apenas os saldos bancários iniciais e finais, sendo certo que tais saldos são inegavelmente recursos, que pertencem ao contribuinte e devem ser computados nos Demonstrativos de Variação Patrimonial, de modo que seja propiciado um verdadeiro espelho da situação patrimonial do contribuinte. Tanto é assim que quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte está obrigado a informar seus saldos bancários, posto que tais recursos são parte de seu patrimônio. Nestes termos, considerando que a contribuinte não trouxe aos autos a demonstração da existência de outros rendimentos, sejam tributáveis ou isentos, além daqueles já considerados nos Demonstrativos de Variação Patrimonial, devem ser mantidos os acréscimos patrimoniais remanescentes, depois de excluídos os dispêndios correspondentes aos depósitos efetivados na contacorrente da Nortport. Ante o exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração, para sanar as omissões contidas no Acórdão nº 330100076, de 07/05/2009, sem efeito infringentes. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 615DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.003007/200678 Acórdão n.º 2102002.929 S2C1T2 Fl. 616 10 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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