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Numero do processo: 16327.720528/2012-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008, 2009
DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA.
É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do início do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A decadência fulmina a possibilidade de lançamento do crédito tributário e tem como prazo inicial as hipóteses previstas no Código Tributário Nacional.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2008, 2009
ÁGIO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CSLL. PREVISÃO NORMATIVA.
A adição à base de cálculo da CSLL de despesas com amortização de ágio possui amparo legal e corrobora a tese de convergência entre as bases do IRPJ e da referida contribuição, que compartilham a mesma sistemática de apuração.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008, 2009
DOCUMENTOS. JUNTADA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. INFORMAÇÕES MERAMENTE COMPLEMENTARES. POSSIBILIDA-DE.
A juntada de documentos que corroboram dados e informações já constantes do processo não fere o disposto na legislação de regência.
Numero da decisão: 9101-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à decadência, por unanimidade, acordam em negar provimento ao recurso; (ii) quanto à dedução da base de cálculo da CSLL, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) quanto aos juros sobre a multa, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Nelso Kichel não votou no julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Flávio Franco Correa na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demétrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa, substituído pelo conselheiro Nelso Kichel.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008, 2009 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do início do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A decadência fulmina a possibilidade de lançamento do crédito tributário e tem como prazo inicial as hipóteses previstas no Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008, 2009 ÁGIO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CSLL. PREVISÃO NORMATIVA. A adição à base de cálculo da CSLL de despesas com amortização de ágio possui amparo legal e corrobora a tese de convergência entre as bases do IRPJ e da referida contribuição, que compartilham a mesma sistemática de apuração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008, 2009 DOCUMENTOS. JUNTADA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. INFORMAÇÕES MERAMENTE COMPLEMENTARES. POSSIBILIDA DE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 28 /2 01 2- 06 Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.208 2 A juntada de documentos que corroboram dados e informações já constantes do processo não fere o disposto na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à decadência, por unanimidade, acordam em negar provimento ao recurso; (ii) quanto à dedução da base de cálculo da CSLL, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) quanto aos juros sobre a multa, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Nelso Kichel não votou no julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Flávio Franco Correa na reunião anterior. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demétrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa, substituído pelo conselheiro Nelso Kichel. Relatório Tratase de recursos especiais do contribuinte em epígrafe e da Fazenda Nacional interpostos em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.786 (fls. 1.274 e segs.), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 27 de agosto de 2014, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, rejeitar a arguição de decadência vencido o Conselheiro Carlos Pelá. Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.209 3 No mérito: i) por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à amortização do ágio até o limite do valor pago. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que acolhiam a dedução da integralidade do ágio; ii) por unanimidade de votos, restabelecer a dedução das despesas com serviços prestados pela Opus Serviços Financeiros e Consultoria Ltda; iii) por maioria de votos, negar provimento quanto à dedução da despesa com amortização de ágio na base de cálculo da CSLL. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá; e: iv) por voto de qualidade, manter a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O processo cuida de autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ e de CSLL para fatos geradores ocorridos em 31/12/2007, 14/11/2008 (incorporação da Ágora Holdings S.A.) e 31/12/2008. A fiscalização apurou, basicamente, três infrações: a) dedução indevida de despesas relativas a amortização de ágio decorrente da incorporação da empresa Serena Holdings Ltda.; b) dedução indevida de despesas relativas a amortização de ágio decorrente da incorporação da empresa Ágora Holdings S/A; c) dedução indevida de despesas referentes a serviços prestados pela empresa Opus Serviços Financeiros e Consultoria Ltda. A descrição dos fatos e operações é bastante relevante para a compreensão das matérias sob análise, de sorte que reproduziremos, a seguir, trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 393 e ss.), com destaque para as informações mais pertinentes. Do Ágio Decorrente da Incorporação da Serena Holdings Ltda. A fiscalização relata que, em 10/02/2004, o Banco Bradesco S/A, CNPJ 60.746.948/000112, através de leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, adquiriu o controle do Banco do Estado do Maranhão BEM, CNPJ 06.271.464/000119, com a compra de 324.181.808 ações ordinárias pelo valor de R$ 78.000.000,00, pagos da seguinte forma: Dinheiro R$ 7.801.181,44 Títulos públicos federais R$ 70.198.818,56 Total R$ 78.000.000,00 Considerandose que os títulos públicos federais foram adquiridos pelo Banco Bradesco com deságio de R$ 27.732.502,97, o custo de aquisição do Banco BEM resultou em: Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.210 4 Valor de aquisição R$ 78.000.000,00 () Deságio títulos públicos R$ 27.732.502,97 Custo de investimento R$ 50.267.497,03 A fiscalização informa ainda que as ações dos acionistas minoritários foram adquiridas pelo Banco Bradesco em 31/03/2004 e 31/07/2004. Assim, relata a fiscalização, que o Banco Bradesco se tornou o único acionista do Banco BEM, tendo apurado os valores de ágio abaixo discriminados, que totalizaram R$ 107.839.919,67. A fiscalização informa que a empresa Serena Holdings Ltda. foi constituída em 27/06/2003, com capital social de R$ 1.000,00, dividido em 1.000 cotas de R$ 1,00 cada, distribuídas entre dois acionistas: União de Comércio e Participações Ltda. (empresa controlada pelo Banco Bradesco), com 999 cotas, e Márcio Cypriano, com 1 cota. Acrescenta que, em 29/09/2004, o contrato social da Serena Holdings foi alterado, tendo a União de Comércio e Participações Ltda transferido suas 999 cotas para o Banco Bradesco. Além disso, seu capital social foi aumentado de R$ 1.000,00 para R$ 213.902.700,00 com a emissão de 213.901.700 cotas, de valor nominal de R$ 1,00, subscritas e integralizadas pelo sócio Banco Bradesco, sendo R$ 90,60 em moeda corrente e R$ 213.901.609,40 mediante a conferência de 360.522.879 ações ordinárias de emissão do Banco BEM. A fiscalização informa que, em 31/12/2004, foi deliberada a incorporação da Serena Holdings pelo Banco BEM. Assim, com a incorporação da sociedade controladora pela controlada, o saldo de ágio apurado na aquisição do Banco BEM, no valor de R$ 98.494.379,46 foi transferido para o próprio Banco BEM, que posteriormente alterou sua denominação para Banco Bradesco BBI, sujeito passivo da autuação. No termo de verificação, a fiscalização não questiona as operações societárias realizadas, mas apenas o valor do ágio apurado. Sustenta que não pode existir investimento com saldo credor, de acordo com a Instrução CVM nº 247/96 e o Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007. Argumenta que o valor mínimo de um ativo é zero, sendo indevido o registro de patrimônio líquido negativo Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.211 5 relativamente à participação adquirida. Assim, conclui a fiscalização que seria de R$ 50.267.497,03 (custo de aquisição do investimento) o valor máximo do ágio que poderia ser amortizado no presente caso. Além disso, a fiscalização alega que o Banco BEM não apresentou patrimônio líquido negativo em nenhum momento. Sustenta que o alegado patrimônio líquido negativo no valor de R$ 48.657.685,66 não decorreu de prejuízos passados ou de reconhecimento de perdas em seus ativos, mas de meros ajustes contábeis que não foram contabilizados e não afetaram o patrimônio líquido. Argumenta que, ainda que os ajustes fossem contabilizados, deveriam ser constituídas provisões cujas contrapartidas não teriam efeitos para fins fiscais, a teor do disposto no art. 335 do RIR/99. Sustenta a fiscalização que o balancete referente a 31/01/2004 (antes da aquisição) apresenta patrimônio líquido de R$ 37.947.967,88 e que o balancete relativo a 28/02/2004 (após a aquisição) apresenta patrimônio líquido de R$ 65.424.820,66. Assim, a fiscalização apurou o ágio efetivamente incorrido da seguinte forma: Com base em informação prestada pela própria contribuinte, a fiscalização relata que foi amortizado ágio no valor de R$ 9.345.540,20 em 2004, R$19.698.876,24 em 2005 e R$19.698.876,24 em 2006. Assim, conclui a fiscalização que não restou saldo a ser amortizado em anos posteriores, sendo necessária a lavratura de auto de infração para a exigência de IRPJ e de CSLL relativos ao ágio amortizado indevidamente nos montantes de R$ 19.698.876,24 no ano de 2007, R$ 17.236.516,71 referente ao fato gerador ocorrido em 14/11/2008 (evento de incorporação) e R$ 2.462.359,53 relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2008. Do Ágio Decorrente da Incorporação da Ágora Holdings S.A. Relata a fiscalização que, em 2008, a contribuinte fiscalizada adquiriu a totalidade das ações da Ágora Holdings S.A., controladora integral da Ágora Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, tendo sido o pagamento efetuado mediante a entrega de ações da própria fiscalizada (Banco Bradesco BBI) aos acionistas da Ágora Holdings. A fiscalização informa que, no balanço patrimonial de 31/08/2008 da Ágora Holdings, foi apurado patrimônio líquido de R$ 213.212.539,04. Por outro lado, o laudo de avaliação, Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.212 6 elaborado segundo a metodologia do fluxo de caixa descontado, lhe atribuiu o valor de R$ 907.873.718,82, incluindo a avaliação a valor de mercado das ações da BM&F e da Bovespa detidas à época pela Ágora CTVM. Acrescenta a fiscalização que a contribuinte entregou como pagamento aos acionistas da Ágora Holdings 362.625.150 ações de sua emissão, ao valor de mercado de R$ 2,503614876 por ação, totalizando R$ 907.873.718,82. Assim, relata a fiscalização que a contribuinte apurou o seguinte ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, a ser amortizado em 60 meses: Valor conforme laudo de avaliação R$ 907.873.718,82 () Patrimônio líquido R$ 213.212.539,04 () Ágio relativo ao valor de mercado das ações da BM&F Bovespa R$ 203.113.220,06 (=) Ágio R$ 491.547.959,72 Acrescenta que, em 2008, foi amortizado o valor de R$ 16.384.931,99, referente a dois meses. A fiscalização questiona o valor do ágio passível de amortização. Alega que a contribuinte emitiu 362.625.150 ações e as entregou como pagamento aos acionistas da Ágora Holdings, que passaram a ser seus acionistas, juntamente com o Banco Bradesco S/A. Quando da aquisição Ágora Holdings, o valor de mercado das ações da contribuinte era de R$ 2,503614876 por ação, como já mencionado. Informa a fiscalização que, ainda em 2008, a contribuinte recomprou, dos antigos acionistas da Ágora Holdings, parte de suas ações em duas ocasiões, tendo cada acionista vendido exatamente a mesma proporção de ações de sua propriedade: 04/11/2008 – recompra de 194.843.569 ações pelo valor total de R$ 495.746.971,59, resultando em custo unitário de R$ 2,54443, valor consistente com o apurado por ocasião da incorporação; 23/12/2008 – recompra de 89.973.611 ações pelo valor total de R$ 114.029.038,05, resultando em custo unitário de R$1,2674, valor que não guarda consistência com o apurado por ocasião da incorporação. A fiscalização sustenta que houve redução no custo de aquisição das ações da Ágora Holdings no montante de R$ 114.266.485,97, pois a recompra efetuada em 23/12/2008 teve valor inferior ao valor de emissão das ações da contribuinte e também inferior ao preço pago na recompra de 04/11/2008. Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.213 7 Assim, no entender da fiscalização, o ágio correto a ser amortizado seria de R$ 377.281.473,75 (R$ 491.547.959,72 – R$ 114.266.485,97), resultando em amortização mensal de R$ 6.288.024,56. No ano de 2008, alega a fiscalização que a contribuinte poderia ter amortizado ágio de R$ 12.576.049,13, mas amortizou R$ 16.384.931,99, concluindo pela amortização indevida de R$ 3.808.882,87, a ser objeto de lançamento de ofício. Dos Serviços Prestados por Terceiros A fiscalização relata que, em 06/03/2008, a contribuinte fiscalizada e os acionistas da Ágora Holdings S.A. celebraram um instrumento particular de compromisso de incorporação de ações e outras avenças, no qual se acordou a incorporação das ações da Ágora Holdings pela fiscalizada. Informa ainda que, em 27/05/2008, a contribuinte celebrou contrato de consultoria com a empresa Opus Serviços Financeiros e Consultoria Ltda, cujos sócios eram também acionistas da Ágora Holdings, com os seguinte termos e condições, em síntese: (...) A fiscalização acrescenta que o contrato também previa que as obrigações assumidas eram de meio, não garantindo ao Bradesco BBI qualquer resultado. Informa também que, no ano de 2008, foi pago à Opus o valor de R$ 93.890.059,38. Alega a fiscalização que apenas as despesas que atendam aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do disposto no art. 299 do RIR/99. Acrescenta que o Parecer Normativo CST nº 32/81 esclarece que “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. No caso, a fiscalização sustenta que os serviços discriminados no contrato com a Opus não eram atividades desconhecidas do Bradesco BBI; ao contrário, eram atividades rotineiras de uma corretora de valores e de incorporação de empresas, sendo que o Grupo Bradesco tem um longo histórico de experiência nessas áreas. Acrescenta que o gasto com a consultoria da Opus não tinha vínculo com as fontes produtoras de rendimentos. Alega também que a curta duração do contrato não permitiu que a contribuinte fiscalizada auferisse resultados da consultoria e isso nem era previsto, visto que o contrato previa que as obrigações da Opus eram apenas de meio. Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.214 8 Assim, conclui a fiscalização que os pagamentos feitos pela contribuinte à Opus não podem ser deduzidos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, devendo ser objeto de autuação, visto que não se configuram como despesas necessárias, usuais e normais. Com a ciência dos autos de infração o contribuinte apresentou impugnação (fls. 948), na qual questionou todos os pontos relativos à autuação, com argumentos que podem assim ser resumidos: Da Amortização do Ágio Apurado na Aquisição do Banco do Estado do Maranhão S/A Alega a impugnante que a forma jurídica adotada pelo Grupo Bradesco para a aquisição do Banco BEM foi a mais direta, correta e adequada para atingir seu objetivo final: a expansão das atividades financeiras no território nacional, com o consequente aproveitamento do ágio decorrente dessa aquisição. Acrescenta que o Grupo Bradesco agiu de forma legítima, cumprindo todos os requisitos necessários para que fizesse jus à dedutibilidade das amortizações glosadas pela fiscalização. A impugnante discorda da conclusão da fiscalização de que o patrimônio líquido do Banco BEM era positivo na data da aquisição. Sustenta que a fiscalização não considerou todas as contas patrimoniais e de resultado hábeis a traduzir o patrimônio líquido da sociedade conforme a legislação societária. Ressalta que o patrimônio líquido, nos termos da legislação societária, corresponde à diferença entre a totalidade dos ativos e a totalidade dos passivos, motivo pelo qual somente pode ser corretamente quantificado se forem considerados todos os ajustes efetuados pela impugnante (R$ 113.207.272,36), que resultaram na apuração de patrimônio líquido negativo ou passivo a descoberto de R$ 48.657.685,66. A impugnante alega que o patrimônio líquido negativo deve ser considerado para fins de cálculo do ágio na aquisição do investimento, visto que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição e a equivalência patrimonial, conforme previsto nos artigos 20 e 21 do Decretolei nº 1.598/77 e no art. 13 da Instrução CVM nº 247/96. Assim, a impugnante alega estar correto o valor do ágio por ela apurado, requerendo o cancelamento das autuações relativas a essa matéria. Além disso, a impugnante alega que os fatos que deram origem ao ágio não podem mais ser questionados pela fiscalização, visto que ocorreram em 2004 e a ciência dos autos de infração ocorreu somente em 07/05/2012, após o decurso do prazo decadencial de cinco anos entre o surgimento do ágio e a ciência da autuação. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.215 9 Argumenta que o Fisco não pode efetuar lançamentos sobre fatos pretéritos já consumados no tempo (fatos ocorridos em 2004 que deram origem ao ágio) para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos em períodos subsequentes (amortização do ágio em 2007 e 2008). Da Amortização do Ágio Apurado na Aquisição da Ágora Holdings S.A. A impugnante também se insurge contra a redução, no valor de R$ 114.266.485,97, efetuada pela fiscalização relativamente ao valor do ágio apurado na aquisição da Ágora Holdings S.A. Informa a impugnante que, nos termos do Instrumento Particular de Compromisso de Incorporação de Ações, o preço de aquisição da Ágora Holdings foi composto por três parcelas, sendo uma delas (parcela C) referenciada pelo valor de mercado das 6.271.398 ações da Bovespa e das 9.605.466 ações da BM&F, de propriedade da Ágora CTVM. Acrescenta que, em razão da incorporação de ações da Bovespa pela BM&F, que passou a se denominar BM&F Bovespa, houve uma troca de ações, e a Ágora CTVM passou a ser detentora de 18.541.308 ações da BM&F Bovespa. Alega a impugnante que essas ações foram avaliadas a valor de mercado pelo laudo econômico no montante total de R$ 225.259.270,69, ou seja, corresponderam a 24,8117404% do valor total da aquisição, de R$ 907.873.718,82. Assim, considerandose que o pagamento aos acionistas da Ágora Holdings foi efetivado mediante a entrega de 362.625.150 ações emitidas pela impugnante, sustenta a mesma que essas ações podem ser divididas em duas categorias: (i) 75.1882596% (272.651.539 ações) representativas da parcela do preço relacionada à expectativa de rentabilidade futura das atividades da Ágora e (ii) 24,8117404% (89.973.611 ações) representativas da parcela do preço correspondente ao valor de mercado das ações da BM&F Bovespa. A impugnante sustenta que as 89.973.611 ações recompradas em 23/12/2008 correspondiam exatamente à parcela vinculada às ações da BM&F Bovespa. Argumenta que essa recompra decorreu do exercício da opção de venda das ações da impugnante detidas pelos antigos acionistas da Ágora Holdings, conforme previsto no Contrato de Opções de Compra e de Venda de Ações Lockup, que estabelecia que o preço de alienação das ações BBI Lockup estaria atrelado ao valor de alienação das ações Bovespa e BM&F. Acrescenta que, na ocasião do exercício da opção de venda, as ações da BM&F Bovespa estavam cotadas a R$ 6,15 por ação. Assim, os antigos acionistas da Ágora tinham direito ao Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.216 10 recebimento do preço de R$ 114.029.038,05 por força do mencionado contrato. Assim, sustenta que não existe qualquer justificativa para a afirmação da fiscalização de que “o ágio teria deixado de existir”. Argumenta que, no caso, ocorreram duas operações completamente distintas: (i) fato 1 em 17/09/2008, houve a incorporação das ações da Ágora Holdings pelo preço de R$ 907.873.718,82, com a entrega de 362.625.150 ações da impugnante como forma de pagamento, tendo sido apurado ágio de R$ 694.661.179,78; (ii) fato 2 em 23/12/2008, foi exercida a opção de venda de parte das ações recebidas da impugnante, que estavam indexadas ao valor de mercado das ações da BM&F Bovespa. A impugnante alega que o fato 2 não tem qualquer influência no ágio apurado no fato 1. Acrescenta que o exercício da opção de venda das ações foi deliberado pelos antigos acionistas da Ágora, não havendo qualquer ato de vontade da impugnante nessa operação. Da Dedutibilidade das Despesas Referentes aos Serviços Prestados pela Opus Serviços Financeiros e Consultoria Ltda. A impugnante alega que as despesas relativas aos serviços prestados pela Opus Serviços Financeiros e Consultoria Ltda. podem ser deduzidas na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, visto que se configuram como despesas usuais, normais e necessárias à sua atividade. Argumenta que a Ágora CTVM era a maior corretora do País em operações de home broker, sendo de interesse do Grupo Bradesco manter as estruturas operacionais e de atendimento da Ágora como uma unidade de negócios da impugnante. Acrescenta que um dos fatores que motivou a aquisição da Ágora foi justamente o know how de seus gestores, que possibilitava à corretora desfrutar de posição privilegiada no seu nicho de atuação e obter resultados expressivos. Alega que, apesar de o Grupo Bradesco já possuir a atividade de corretora de valores, o desempenho da Ágora CTVM na sua área de atuação era claramente superior. Alega a impugnante que a contratação da Opus ocorreu quase três meses depois do início da participação do Grupo Bradesco na administração da Ágora. Ressalta que o Grupo Bradesco realizou seus melhores esforços na tentativa de gestão autônoma e independente da nova empresa adquirida, mas julgou que seria necessário contratar os antigos gestores para que os mesmos transferissem seu conhecimento e experiência aos novos gestores. Sustenta que tal despesa foi necessária, na medida em que, na ausência do referido contrato, a impugnante teria adquirido Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.217 11 apenas as estruturas físicas, objetos e carteiras de clientes, sem usufruir de um dos maiores diferenciais da Ágora, que era justamente o know how de seus gestores. Argumenta ser inadmissível classificar como mera liberalidade a busca por uma melhor gestão, pela manutenção de seu investimento e por resultados superiores. A impugnante também alega que a fiscalização utilizouse de critérios eminentemente subjetivos para valorar a relevância de suas escolhas empresariais, interferindo na política de gestão de recursos da empresa, sem ter o adequado conhecimento das atividades por ela desenvolvidas e de suas necessidades empresariais. Da Inexistência de Previsão Legal para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, das Despesas com Amortização de Ágio e das Despesas com Contratação de Serviço Supostamente não Usual, Normal ou Necessária Ad argumentandum, caso não sejam acolhidos os argumentos anteriormente expostos, a impugnante alega que deve ser cancelado o auto de infração relativo à CSLL por absoluta ausência de previsão legal para a adição das despesas em comento à base de cálculo da CSLL. Aduz que o legislador, ao determinar a base de cálculo da CSLL, fixando taxativa e individualmente cada um dos ajustes aplicáveis (art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88), não arrolou, como hipótese de adição ao lucro líquido (i) o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, tampouco (ii) os valores decorrentes de despesas supostamente não usuais, normais e necessárias. Sustenta que eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL se houver previsão expressa em lei, o que não ocorre no presente caso. Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa de Ofício A impugnante também se insurge contra a incidência de juros sobre a multa lançada de ofício. Sustenta que o art. 13 da Lei nº 9.065/95 remete ao art. 84 da Lei nº 8.981/95 que, por sua vez, estabelece a cobrança de juros moratórios apenas sobre tributos. Argumenta que a multa é penalidade pecuniária e não tributo, a teor do disposto no art. 3º do CTN. Acrescenta que o art. 113, também do CTN, distingue tributo de penalidade pecuniária, deixando claro que essas duas figuras não se confundem. Com a impugnação foram juntados diversos documentos, cuja relação consta das fls. 841/842. Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.218 12 Em 20 de março de 2013, a 10ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 828 e ss.), exonerando os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos ao ágio da Ágora e mantendo as demais autuações (ágio BEM e despesas incorridas com a Opus Consultoria). Dessa decisão houve recurso de ofício e o contribuinte, por seu turno, apresentou recurso voluntário (fls. 894), no qual repisou os argumentos da impugnação em relação às matérias em que restou vencido. Na sessão de julgamento de 27 de agosto de 2014, a 2a Turma da 4a Câmara, ao apreciar os recursos voluntário e de ofício decidiu, como visto, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) Rejeitar a arguição de decadência do direito de o fisco revisitar as operações que ensejaram o ágio; b) Reconhecer o direito à amortização do ágio até o limite do valor pago; c) Reconhecer a dedutibilidade das despesas com serviços prestados pela Opus Consultoria; d) Negar provimento quanto à dedução da despesa com amortização de ágio na base de cálculo da CSLL; e e) Reconhecer a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício em relação às autuações mantidas. Na oportunidade ainda foi negado provimento ao recurso de ofício apresentado pela DRJ/SP1. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2007, 14/11/2008, 31/12/2008 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. O sujeito passivo está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando tais fatos repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros. Deve o sujeito passivo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Reconhecese que o julgador a quo analisou todas as provas apresentadas pelo contribuinte, sendo, contudo, livre para apreciálas conforme sua convicção e juízo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007, 14/11/2008, 31/12/2008 Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.219 13 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DETERMINAÇÃO. Na aquisição de investimento em empresa com passivo a descoberto, o ágio limitase ao valor pago pela investidora. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. REQUISITOS DE NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE. São dedutíveis como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, necessárias, normais e usuais para o desenvolvimento do seu objeto social. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. A adição à base de cálculo da CSLL de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. A Fazenda Nacional foi cientificada do Acórdão e apresentou embargos de declaração (fls. 1.449), por entender que havia omissão e obscuridade na decisão. Os embargos não foram admitidos, conforme decisão de fls. 1.458. Com a negativa dos embargos, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 1.460) para questionar a juntada extemporânea de provas, que teria sido admitida pelo acórdão recorrido sem a competente justificativa de enquadramento nas exceções previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. A partir dessa constatação, aduz a Fazenda Nacional que houve preclusão do direito de a autuada provar a existência de PL negativo e que a aceitação dos documentos depois da impugnação implica supressão de instância. Apresentou como paradigmas os Acórdãos nºs 20218.463 e 1202000.442. O recurso especial fazendário foi admitido pelo despacho de fls. 1.474 e seguintes, que deu seguimento no que tange à interpretação conferida ao art. 16, § 4º, do Decreto n. 70.235/72, que trata da possibilidade de apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.220 14 Por seu turno, o contribuinte, com a ciência da decisão, opôs embargos de declaração (fls. 1.521), nos quais alegou omissão quanto à desconsideração do patrimônio líquido negativo para a apuração do ágio a ser amortizado. Na oportunidade, o contribuinte apresentou, ainda, contrarrazões ao recurso especial fazendário (fls. 1.643). Os embargos não foram admitidos, conforme despacho de fls. 1.811. Cientificado da decisão, o contribuinte ingressou com recurso especial, no qual questiona quatro pontos da decisão, a seguir descritos: a) Da Decadência do Direito do Fisco Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio b) Da Legitimidade da Amortização do Ágio Apurado na Aquisição do Banco do Estado do Maranhão S/A c) Da Possibilidade de Dedução da Despesa com Amortização de Ágio da Base de Cálculo da CSLL d) Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Divergência de Interpretação Quanto ao Artigo 61 da Lei nº 9.430/96 Por meio do despacho de admissibilidade de fls. 2.100 foi dado seguimento a três matérias, relativas aos itens "a", "c" e "d" acima transcritos e negado seguimento ao item "b", que defende a legitimidade da amortização do ágio apurado na aquisição do Banco do Estado do Maranhão. Irresignado com o seguimento apenas parcial do recurso, o contribuinte interpôs agravo (fls. 2.122). A presidência do CARF, conforme despacho de fls. 2.161 e ss., negou seguimento à matéria "Legitimidade da Amortização do Ágio Apurado na Aquisição do Banco do Estado do Maranhão S/A", mas deu seguimento à matéria "Dedução do Ágio da Base de Cálculo da CSLL", para aceitar também a divergência suscitada no acórdão paradigma nº 9101002.310, com os seguintes fundamentos (destaques no original): No que diz respeito à dedução de parcelas de amortização de ágio na determinação da base de cálculo da CSLL, a decisão recorrida firmou o entendimento acerca da impossibilidade de tal dedução nas seguintes disposições legais e normativas: art. 57 da Lei nº 8.981/95; art. 28 da Lei nº 9.430/96; e arts. 38, 44 e 75 da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004. No acórdão paradigma nº 9101002.310, apesar de o seu voto condutor admitir que a imputação formalizada pela Fiscalização dizia respeito à amortização contábil de ágio, e não à prevista na Lei nº 9.532/97, que é a matéria enfrentada pela decisão recorrida, a decisão ali veiculada foi fundamentada nos seguintes elementos: Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.221 15 a) inexistência de diferença entre o ágio não incentivado (supostamente o ágio amortizado contabilmente e questionado pela Fiscalização) e o previsto na Lei nº 9.532/97; b) o art. 57 da Lei nº 8.981/95 não autoriza a aplicação indiscriminada das disposições relativas ao imposto de renda à CSLL; c) as disposições do art. 2º, § 1º, alínea "c", da Lei nº 7.689/88, faz referência a ajustes específicos para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, que não se confundem com as regras aplicáveis ao imposto de renda; d) não há previsão em lei no sentido de que a amortização contábil do ágio não deve impactar a base de cálculo da CSLL. O exame de admissibilidade agravado rejeitou a comprovação da divergência com base no argumento de que o quadro fático enfrentado pelo acórdão paradigma nº 9101002.310 não guarda semelhança com o espelhado no presente processo, haja vista a natureza distinta dos ágios apreciados. Tal argumento, é certo, deve ser superado, pois, como visto, a decisão paradigma emite entendimento a partir da premissa de que é indiferente se a amortização é de natureza contábil ou se teve por lastro as disposições da Lei nº 9.532/97. No que diz respeito à legislação interpretada, não se pode negar que há uma certa distinção entre os acórdãos comparados, recorrido e paradigma, visto que este último limitouse a tecer considerações acerca do art. 57 da Lei nº 8.981/95, enquanto a decisão recorrida, diferentemente, além de fazer referência ao citado dispositivo, respalda o seu entendimento também nas disposições do art. 28 da Lei nº 9.430/96 e dos arts. 38, 44 e 75 da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004. Não obstante, há também na decisão paradigma pronunciamento no sentido de que existem ajustes específicos para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, ajustes esses que não se confundem com os aplicáveis à determinação do lucro real. Consigna ainda a referida decisão que "as regras de dedutibilidade de despesas que sejam aplicáveis na apuração do lucro real, não podem ser estendidas, sem a necessária pré existência de previsão legal, à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido". Assim, parece não restar dúvida de que a decisão prolatada em 2016 que, não fazendo distinção entre as despesas de ágio decorrentes de amortização contábil e as apropriadas em virtude de benefício fiscal, preconiza inexistir previsão de lei estendendo, quanto à matéria em debate (ágio), regras aplicáveis ao Imposto de Renda à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, refuta peremptoriamente como suficientes para tal, disposição de lei de 1996 e norma complementar editada em 2004. Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.222 16 Presente, pois, a colisão de entendimentos entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma nº 9101002.310. Por fim, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2.179) ao recurso especial admitido, para rebater os argumentos formulados pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora 1. Do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional Conhecimento Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido reconheceu a existência de PL negativo com base em provas juntadas somente na fase de interposição do recurso voluntário e que essa extemporaneidade indicaria divergência jurisprudencial, por adotar entendimento distinto daquele consignado nos acórdãos paradigmas 20218.463, da lavra da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes e 1202000.442, da lavra da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, consoante as seguintes ementas, respectivamente: 20218.463 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2001 Ementa: RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO FISCAL. REGULARIDADE. NECESSIDADE. A manutenção em ordem dos livros e demais elementos fiscais é imprescindível para o deferimento do pedido de ressarcimento de IPI. PROVA. PRECLUSÃO. De acordo com o PAF, o momento para juntada de provas é o da realização do pedido, nos processos de iniciativa do contribuinte, e na impugnação, nos de iniciativa do Fisco. 1202000.442 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.223 17 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. A restituição do saldo negativo de IRPJ condicionase à demonstração da existência e da certeza e liquidez do direito, o que inclui a comprovação dos itens que compõem a respectiva apuração. APURAÇÃO DO IRPJ. DEDUÇÃO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Não pode ser aceita a alegação de que valores de estimativas foram extintos mediantecompensação, desacompanhada de documentos hábeis a demonstrála, tais como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais e seus assentamentos contábeis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. [...] Sobre este ponto específico apresentou o contribuinte contrarrazões (fls. 1643 e ss.), em que pugnou pela incompatibilidade fática entre o presente caso e os acórdãos paradigma indicados. Na verdade, o recurso fazendário deve ser conhecido, pois o objeto da divergência jurisprudencial é o momento válido para a apresentação de provas no bojo do processo administrativo tributário, a partir da interpretação de norma geral que disciplina o regime jurídico processual no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Conquanto as conclusões relativas ao caso concreto possam ser distintas daquelas existentes nos paradigmas, a tese em debate permanece a mesma: se seria possível a apresentação de provas em momento processual posterior à impugnação ou se haveria preclusão de tal direito, como declararam os acórdãos paradigmáticos. Ante a existência de divergência relativa à interpretação de dispositivo legal (art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72), entendo que estão presentes os requisitos para a admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional e ratifico o teor do despacho de fls. 1.474, que o admitiu. Mérito No que respeita ao mérito, o recurso fazendário indica como ponto controvertido a aceitação de provas em fase recursal sem o devido fundamento nas exceções previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, que veiculam situações excepcionais que autorizariam a aceitação de documentos em instante posterior ao da impugnação. Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.224 18 No caso dos autos, pareceme evidente o fato de que o voto condutor da decisão recorrida entendeu que os documentos apresentados junto com o voluntário apenas corroborariam, de forma consolidada e complementar, dados e informações que já tinham sido juntados na fase impugnatória. Com efeito, a leitura dos autos nos leva a concluir que não houve, na esfera recursal, inovação probatória ou apresentação de documentos cuja ciência fosse essencial para a decisão de primeira instância. Aliás, verificase na própria impugnação e em seus anexos a existência de diversos documentos e informações que permitiram à DRJ apreciar a matéria relativa ao valor do patrimônio líquido, tanto assim que a decisão adotou como parâmetro o valor do PL constante do balancete levantado em 31/01/2004 e impresso a partir do sistema SISBACEN, de R$ 37.947.967,88, por entender que não restaram comprovados os ajustes promovidos pela empresa. No acórdão recorrido, o voto vencedor, da lavra do exConselheiro Frederico de Matos Alencar, adota o trecho do voto vencido que bem ilustra a situação, pelo que se reproduz: i) Da demonstração do PL negativo na data da aquisição das aç ões Quanto a esse ponto, não enxergo máculas na análise levada a c abo no voto vencido, que repiso abaixo. Da demonstração do PL negativo na data da aquisição das ações Intimada, a Recorrente apresentou documentos e as informações constantes dos quadros abaixo para comprovar o valor do PL do Banco BEM na data da aquisição do investimento: [...] Com relação a tais informações a fiscalização sustenta que: (i) os ajustes contábeis do quadro acima, chamados de fatos geradores ocorridos até a data da aquisição, no valor de R$ 113.207.305,36, não teriam sido contabilizados e não teriam afetado o PL. Ademais, o balancete referente a 31/01/2004 (antes da aquisição) apresenta PL de R$37.947.967,88 e o balancete relativo a 28/02/2004 (após a aquisição) apresenta PL de R$ 65.424.820,66; e contrapartidas não teriam efeitos para fins fiscais, nos termos do art. 335 do RIR/99 (indedutibilidade na apuração do lucro real). A aquisição das ações do Banco BEM se deu em 13/02/2004, tendo sido utilizado o balancete do mês anterior, qual seja, de 31/01/2004, nos moldes do que determina o inciso I do artigo 21 do Decretolei nº. 1598/77. Na data da aquisição, a Recorrente constatou que o valor de PL constante do balancete de 31/01/2004 (R$ 37.072.766,89 Cosif 6.0.0.00.002) não contemplava: (i) o valor do aumento de capital realizado pela União em 13/02/2004, no valor de R$ Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.225 19 27.476.852,81 (cosif 6.1.1.10.002) e (ii) os ajustes contábeis decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da aquisição (no montante de R$ 113.207.305,36 cosif 7.0.0.00.009 e 8.0.0.00.006). Nesse passo, abrase um parêntese para ressaltar que, já no processo de avaliação do Banco BEM para fins de determinação do preço pago (due diligence), o Grupo Bradesco identificou diversos fatos realizados sob a gestão da União Federal que receberam tratamento contábil inadequado, especialmente no que tocam a provisões não registradas. Assim, em conformidade com a legislação societária e fiscal, seus critérios contábeis e princípios contábeis geralmente aceitos, verificou que seria necessário efetuar alguns ajustes no PL do Banco BEM, para fins de uniformização dos critérios. Ocorre que, na data da aquisição das ações o balancete de verificação de janeiro de 2004 já estava fechado, não comportando alterações, haja vista que o Bacen não permite a realização de lançamentos retroativos. E, nada obstante, o mesmo artigo 21 do Decretolei nº. 1598/77 expressamente determina que, se os critérios contábeis adotados pela coligada/controlada e pelo contribuinte (que adquiriu a participação na sociedade) não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada/controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios. Ou seja, a realização dos ajustes não era uma conveniência do contribuinte, já que a lei expressamente o obriga a proceder dessa forma. Nesse cenário, uma vez que os ajustes referentes à data da aquisição (13/02/2004) não poderiam ser levados a cabo no balancete de verificação de 31/01/2004, estes foram refletidos no balancete de verificação de 28/02/2004. Abrase novo parêntese para esclarecer que, nos termos das regulamentações do Bacen e do Cosif, as instituições financeiras somente apuram balanços em 30/06 e 31/12 de cada ano. Nos demais meses, como foi o caso de 31/01 e 28/02, são “levantados” apenas balancetes de verificação. Nos balancetes de verificação não se faz o encerramento das contas de resultado em formação e consequente transferência para a conta que registra parcialmente o PL. Apenas nos balanços semestrais as contas de resultado são encerradas, com sua respectiva migração para o PL como um todo. Justamente por isso, nos balancetes de verificação, para que se apure o valor do PL, é indispensável que sejam considerados, além dos valores constantes da conta de PL (Cosif 6.0.0.00.002), Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.226 20 aqueles constantes das contas de resultado credoras (Cosif 7.0.0.00.009) e das contas de resultado devedoras (Cosif 8.0.0.00.006), já que elas representam, em essência, contas de PL que não foram migradas e consolidadas. Sobre esse ponto, a Recorrente apresenta exemplos numéricos em sua peça recursal (fls. 922 e 923 dos autos), bem como documentos às fls. 1045/1055, que demonstram que o PL do Banco BEM obtido no balancete de verificação de 30/06/2004, com a devida consideração das contas de PL (Cosif 6.0.0.00.002), contas de resultado credoras (Cosif 7.0.0.00.009) e das contas de resultado devedoras (Cosif 8.0.0.00.006), é exatamente igual ao PL constante do balanço patrimonial de 30/06/2004, publicado em 27/08/2004, que estava negativo em R$ 50.856.570,07. Para comprovar a contabilização dos ajustes ao balancete de verificação de 31/01/2004, como suporte para a contabilização do ágio pago, o Banco Bradesco produziu um demonstrativo com a discriminação dos ajustes necessários à uniformização dos critérios contábeis na data da aquisição (13/02/2004), anexado às fls. 1025/1043 dos autos. Dessa forma, considerando as receitas e despesas em formação e ainda não transferidas ao PL, bem como o aumento de capital realizado pela União em 13/02/2004, de R$ 27.476.852,81 (Cosif 6.1.1.10.002), resta claro que o Banco BEM possuía PL negativo de R$ 48.657.685,66, tal como demonstram os documentos e planilhas apresentadas pela Recorrente no curso da ação fiscal e aquelas acostadas às defesas. Anexado ao recurso voluntário, vale dizer, encontramse (i) cópias das folhas do Razão Analítico do Banco BEM, nas quais estão registrados os ajustes efetuados no PL; e (ii) demonstrativo com a indicação da consolidação dos ajustes e de sua localização no Livro Razão (fl. 1025/1043). Destarte, de forma a comprovar que a Recorrente efetivamente realizou os ajustes em questão, vale transcrever trecho da Nota Explicativa 17 do Balanço Patrimonial de 30/06/2004, primeiro balanço levantado após a aquisição do Banco BEM, publicado no Diário oficial do Estado do Maranhão de 27/08/2004, devidamente aprovado pelos auditores independentes (fls. 1045/1055): [...] (destaques no original) Tal circunstância consta, inclusive, do despacho de admissibilidade dos embargos de declaração apresentados, acerca do mesmo tema, pela Fazenda Nacional, no qual restou expressamente consignado: Compulsandose os autos, constatase que os documentos citados, de fls. 1.045/1.055, consistem em cópias da publicação em diário oficial, de 27/08/2004, do balanço patrimonial, demonstrativos de origens e aplicações de recursos, Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.227 21 demonstrativo das mutações do PL e notas explicativas em 30/06 do banco BEM. Tais documentos não são novos nos autos. Já constavam do processo, fls. 630/641, entregues por ocasião da apresentação da impugnação ao auto de infração, em consonância com o citado §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Quanto aos exemplos numéricos trazidos na peça recursal (fls. 922 e 923), verificase que se tratam de consolidações de informações constantes dos balancetes de verificação do banco BEM, também anexados aos autos por ocasião da impugnação, fls. 585/627. Os documentos de fls. 1.025/1.043 consistem em cópias do livro razão analítico, banco BEM fevereiro/2004, e trazem os lançamentos contábeis que deram suporte à contabilização dos ajustes ao balancete de verificação de 31/01/2004. Como ressaltado acima, os balancetes de verificação do banco BEM foram anexados aos autos por ocasião da impugnação, fls. 585/627. Também nesse caso não vislumbro ofensa aos §§4º e 5º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Como se vê, a documentação acostada na fase recursal apenas reafirma ou dá suporte a documentação anteriormente apresentada, por ocasião da impugnação. Nesse sentido, não consigo vislumbrar que o entendimento no acórdão embargado, de considerar como negativo o patrimônio líquido do Banco BEM, tenha se dado com base nos documentos juntados na fase recursal. Aqueles foram citados no acórdão embargado apenas de forma subsidiária, para reforçar a convicção do julgador quanto à matéria analisada. (grifouse) Assim, na exata medida em que os documentos trazidos em sede de recurso voluntário apenas complementam informações já presentes nos autos, constatase o mero detalhamento e a extensão do conjunto probatório, sem inovação substancial quanto à realidade ou interpretação dos fatos, em nada macula o processo administrativo ou o disposto na legislação de regência, especialmente o art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Nesse contexto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso fazendário. Do recurso especial apresentado pelo Contribuinte O recurso especial do contribuinte, inicialmente, foi admitido de forma parcial, por meio do despacho de fls. 2.100, que reconheceu divergência jurisprudencial quanto a três das quatro matérias apresentadas pelo recorrente. Irresignado com a decisão, o contribuinte apresentou agravo, com o objetivo de que também fosse dado seguimento à matéria "Legitimidade da Amortização do Ágio Apurado na Aquisição do Banco do Estado do Maranhão S/A". A presidência do CARF rejeitou o pedido formulado em sede de agravo e manteve, neste ponto, a posição do despacho de admissibilidade, mas reconheceu divergência Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.228 22 de entendimento em relação ao acórdão paradigma nº 9101002.310, quanto à matéria "Dedução do Ágio da Base de Cálculo da CSLL". Verificase que a Fazenda Nacional, em contrarrazões, não questiona o seguimento das matérias admitidas, mas apenas o mérito das alegações formuladas, razão pela voto pelo seu conhecimento, por entender que foram preenchidos os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67 do RICARF. Nesse contexto, ratifico o teor do despacho de admissibilidade de fls. 2.100 e também a decisão prolatada em sede de agravo, para conhecer do recurso especial apresentado pelo contribuinte quanto às seguintes matérias: I) Da Decadência do Direito do Fisco Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio; II) Da Possibilidade de Dedução da Despesa com Amortização de Ágio da Base de Cálculo da CSLL (2 paradigmas); e III) Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Divergência de Interpretação Quanto ao Artigo 61 da Lei nº 9.430/96 A seguir, farseá a análise tópica dos pontos controvertidos. I) Da Decadência do Direito do Fisco Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio Aduz a Recorrente, com base no paradigma apresentado (acórdão nº 101 97.084) que "não seria possível efetuar os lançamentos de ofício, em 2012, sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (ato/negócio jurídico que gerou o direito à utilização do ágio, que ocorreu em 2004), para alcançar os efeitos decorrentes desse negócio jurídico pretérito, em períodos subsequentes (amortização do ágio realizado em 2007 e 2008)". O assunto é bastante conhecido e tem posição firme neste Conselho, no sentido de que não se submete ao prazo decadencial ou a qualquer limitação objetiva a análise, pela fiscalização, de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando deles se extrai a repercussão tributária de períodos ainda não fulminados pela caducidade. Como se sabe, a decadência impede apenas o lançamento do crédito tributário relativo a períodos fora do alcance legal, mas isso em nada se confunde com a possibilidade (em verdade, com o dever) de a fiscalização analisar fatos, operações ou documentos cuja repercussão econômica ainda possa ser objeto de autuação. Se não fosse assim, de nada serviria o comando previsto, por exemplo, no art. 195 do Código Tributário Nacional: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.229 23 Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. (grifamos) O dever da fiscalização é o de apurar matéria tributável (dentro dos limites legais) e não o de verificar continuamente os registros do contribuinte. É evidente que o prazo previsto pelo CTN cuida de prescrição, sendo certo que, na hipótese dos autos, este prazo sequer se iniciou. Isso porque é forte o entendimento de que o prazo prescricional só pode ter início quando possível a cobrança do crédito, inclusive na esfera judicial. Com a interposição de recurso no âmbito administrativo, o prazo prescricional de cinco anos, nos termos do art. 174 do CTN, só pode ter início com a constituição definitiva do crédito, que ocorre quando prolatada decisão administrativa irrecorrível e contrária ao sujeito passivo. Já o prazo decadencial, de outro giro, tem como marco inicial a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado (nas hipóteses do art. 173, I, do mesmo diploma legal). No caso em análise os lançamentos foram efetuados em 2012 e, logo, não se encontram prejudicados pela decadência. Também não se vislumbra, na hipótese, a existência de qualquer preclusão ou limitação do direito de a fiscalização analisar operações e negócios jurídicos relativos a 2004, posto que a autuação recaiu sobre os efeitos da amortização indevida dos ágios, em períodos posteriores (2007/2008), não atingidos pela decadência. Ressaltese que o simples registro do ágio na contabilidade (ou da operação que o ensejou) não implica redução do crédito tributário ou qualquer outra circunstância passível de autuação pela autoridade competente, pois isso não é fato gerador da obrigação tributária nem produz qualquer efeito sobre a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Apenas as hipóteses que alteram a base de cálculo dos referidos tributos encontramse sujeitas a controle e auditoria pelas autoridades fiscais e o Estado tem a prerrogativa de analisar toda e qualquer operação ou documento relacionado à redução dos montantes devidos em cada anocalendário. É o que se depreende da determinação contida no art. 37 da Lei nº 9.430/96: Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. A lei não trata do prazo decadencial e nem poderia fazêlo, por se tratar de matéria que deve ser regulada por lei complementar, no caso o CTN , mas expressamente autoriza a possibilidade de auditoria de lançamentos que afetarão outros exercícios. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.230 24 Esse entendimento é pacífico no caso de operações ou fatos com repercussão em exercícios futuros, até porque não seria lógico ou razoável opor ao Fisco a ocorrência de qualquer preclusão cronológica que impossibilitasse a análise dos documentos e operações, posto que o único limite temporal para a verificação da escrituração comercial e fiscal encontrase previsto no art. 195, parágrafo único, do CTN, acima reproduzido. Como as glosas dizem respeito a deduções efetuadas em 2007 e 2008 e os lançamentos efetuados tiveram ciência do contribuinte em 2012, como visto, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial, inexistindo qualquer vício ou mácula na atividade fiscal. Em síntese, verificase, neste tópico, que não assiste razão à Recorrente, pois é legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos para deles extrair a repercussão econômica e tributária de períodos ainda não atingidos pela decadência. II) Da Possibilidade de Dedução da Despesa com Amortização de Ágio da Base de Cálculo da CSLL Neste passo, entende a Recorrente que não pode prevalecer o entendimento pela indedutibilidade do ágio na base de cálculo da CSLL, ante o que denomina "maciça jurisprudência deste CARF", segundo a qual tal despesa não pode ser adicionada à base de cálculo do tributo ante a falta de previsão legal específica e à não identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O tema realmente é controverso e capaz de gerar enormes debates, mas penso ser necessário reconhecer a evidente aproximação e quase identidade entre o IRPJ e a CSLL, notadamente quanto à apuração das respectivas bases de cálculo. Dentro dos limites do que se discute neste processo, cumpre ressaltar as regras fixadas pelos seguintes dispositivos: Art. 28 da Lei n° 9.430 de 1996 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Art. 57 da Lei n° 8.981/95 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifamos) A leitura dos dispositivos acima nos leva a concluir que a metodologia e as regras de apuração para o imposto de renda são aplicáveis ao cálculo da CSLL (o que se infere da dicção "mesmas normas de apuração") e que o preceptivo só perderia eficácia se houvesse norma específica, relativa à contribuição, em sentido diverso. Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.231 25 Aliás, os demais parágrafos do art. 57 corroboram a tese de semelhança entre as duas figuras: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Igual raciocínio se aplica, ainda, para fins de compensação, conforme dispõe o art. 58 do mesmo diploma legal: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Além de fixar idêntica trava para a compensação das bases negativas (em relação ao IRPJ), o comando expressamente menciona que a base de cálculo será o lucro líquido ajustado, ou seja, o legislador estabelece para a CSLL o mesmo ponto de partida previsto para o cálculo do lucro real, afinal o lucro é "ajustado" pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de Renda (arts. 250 e 510 do Decreto nº 3.000/99). Não se trata, portanto, de integração por analogia, figura vedada pelo art. 108 do CTN no que se refere à exigência de tributos. O que se tem, de fato, é a identidade, prevista em lei, quanto às sistemáticas de apuração da base de cálculo das duas figuras. Também não se cuida de omissão, pois a lei expressamente configura a base de cálculo do tributo e a aproxima, por equivalência, às regras do IRPJ. E mais, apenas a título de argumentação: ao contrário do que alega a Recorrente, que pugna pela ausência de norma específica relativa à CSLL, ainda que tal circunstância fosse observada, isso não autorizaria a sua dedutibilidade; ao revés, justamente impediria tal procedimento, pois, ao se defender a autonomia normativa da contribuição o argumento automaticamente exigiria a previsão legal de dedutibilidade, posto que a regra geral, como se sabe, é em sentido contrário. Nessa linha de raciocínio, simplesmente inexiste norma que autorize a dedutibilidade, para além do art. 386 do RIR/99, circunstância essencial para a sua realização, visto que o silêncio normativo não confere ao contribuinte qualquer direito quando se trata de benefício legal, que deve ser interpretado literalmente. Conquanto existam julgados em sentidos diversos no âmbito do CARF, esta Câmara Superior, em votos recentes, tem decidido pela aplicação da tese de convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, inclusive nos casos que envolvem despesas com amortização de ágio, como se pode depreender, a título de exemplo, de recente julgado Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.232 26 (acórdão nº 9101003.397, de 18 de fevereiro de 2018), em que o redator designado, o i. conselheiro André Mendes de Moura, assim se manifestou (destaques no original): Protesta a Contribuinte sobre a repercussão de glosa de despesa de amortização de ágio na Base de Cálculo da CSLL. Há que se buscar a interpretação sistêmica da legislação tributária, sob pena de incorrer em contradições. Toda a construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram tratados três momentos cruciais para o investidor, nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, respectivamente delineados: (1) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, e (2) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3) e desfazimento do investimento. Em relação ao segundo momento (desenvolvimento do investimento), a interpretação integrada dos dois diplomas normativos consolidou a construção de sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. Isso porque, em se considerando estritamente os lançamentos contábeis, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. Por isso, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida. É o que prescreve o art. 22 do Decretolei nº 1.598, de 1977, quando determina o procedimento a ser adotado pelo investidor ao final de cada exercício: o valor do investimento na data do balanço (...), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Caso tenha apurado resultado positivo, lançamento a débito na conta de investimento e a crédito em conta de resultado (receitas de equivalência patrimonial), com repercussão na base tributável. Tal repercussão é neutralizada logo no artigo seguinte (art. 23), ao predicar que a contrapartida do ajuste por aumento do valor de patrimônio líquido do investimento não será computada no lucro real (...). Assim, o crédito em conta de resultado seria excluído na apuração do lucro real. Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.233 27 Com a criação da CSLL, a Lei nº 7.689, de 1988, discorreu sobre ajuste na base de cálculo para fins fiscais, e determinou pela exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido (art. 2º, § 1º, alínea "c", item 1). Restou, nesse momento, nítida, clara e transparente, a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos. A preocupação do legislador em compatibilizar a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a operacionalização de ajustes no lucro líquido, é evidente. Portanto, não há nenhum sentido entender que, para as operações societárias relativas ao primeiro momento (aquisição do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), poderseia aplicar um entendimento diferente daquele relativo ao segundo momento (desenvolvimento do investimento). Em relação ao terceiro momento (desfazimento do investimento), predica a norma que na alienação do investimento, o valor do ágio deverá ser considerado, na apuração da base de cálculo tributável (art. 25 e 33 do Decretolei nº 1.598, de 1977). E, em conexão indissociável com o segundo momento (desenvolvimento do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), o primeiro momento (nascimento do investimento) trata da aquisição do investimento que, se for realizada com sobrepreço, implica na contabilização desse valor a maior em conta específica. É o que diz o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ao determinar nos incisos I e II que o custo de aquisição deveria ser desdobrado em (I) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (II) ágio ou deságio na aquisição. Por isso que, apesar da disposição no art. 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ser no sentido de que as contrapartidas da amortização do ágio não seriam computadas na determinação do lucro real, não há nenhum sentido em se considerar que tal ajuste não se aplica para fins de apuração da Base de Cálculo da CSLL. Repito: o que se tutela é a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (...) Nessa perspectiva, as regras de dedutibilidade de despesas previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL. A redação do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe claramente sobre hipóteses de despesas indedutíveis tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, incluindo expressamente as situações previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964. Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.234 28 Sendo a despesa de amortização de ágio submetida ao regramento geral das despesas operacionais, não há que se falar em ausência de previsão normativa para a sua adição à Base de Cálculo da CSLL. No mesmo contexto, encontrase a redação do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, mencionada pela autoridade fiscal: (...) Pela expressão normas de apuração entendese o cômputo do quantum tributável, o procedimento consistente em determinar a base de cálculo do tributo, mediante operações de soma e diminuição de valores. Ou seja, precisamente a discussão dos presentes autos. Pelo dispositivo, resta mais evidente que repercussão dos ajustes efetuados para apuração da base de cálculo do IRPJ para a CSLL. Nesse contexto, entendo não haver reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal ao promover a glosa de despesa de amortização de ágio tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Assim, de acordo com o entendimento que adotamos e em consonância com a atual jurisprudência desta CSRF, concluise que não assiste razão ao contribuinte, de forma que deve ser mantida, também quanto a este ponto, a decisão recorrida. III) Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Divergência de Interpretação Quanto ao Art. 61 da Lei nº 9.430/96 Por fim, a Recorrente aduz ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício por ausência de previsão legal. Entendo sem razão a recorrente. A questão vem sendo discutida no âmbito deste Conselho desde longa data e não é novidade para este colegiado. Pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo art. 113 do Código Tributário Nacional. Ademais, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o art. 43 da Lei nº 9430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (g.n.) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional: Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.235 29 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (g.n.) Assim, entendo inexistir qualquer dúvida quanto ao alcance da norma prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96 quando esta se refere a “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, pois o débito em atraso com a União é formado pelo tributo originário e demais consectários legais. Nesse sentido já me manifestei: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (AC 910100.539, de 11/03/2010) Cabe ainda referir que a jurisprudência do Carf se consolidou nos últimos anos nesse mesmo sentido para reconhecer ser devida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, como se observa em precedentes das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais julgados recentemente: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Esse também é o firme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 16327.720528/201206 Acórdão n.º 9101003.685 CSRFT1 Fl. 2.236 30 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Podese concluir, assim, que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque estas se encontram incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Nesse contexto, a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos federais, como juros de mora, é pacífica no âmbito deste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, também nessa matéria, deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso fazendário para negarlhe provimento e conheço do recurso apresentado pelo contribuinte, nos termos em que admitido e, quanto ao mérito, voto por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2236DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.926617/2016-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.950
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 17 /2 01 6- 74 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10680.926617/201674 Acórdão n.º 3301004.950 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.532. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10680.926617/201674 Acórdão n.º 3301004.950 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.926617/201674 Acórdão n.º 3301004.950 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10680.926617/201674 Acórdão n.º 3301004.950 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10680.926617/201674 Acórdão n.º 3301004.950 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.901492/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.
Numero da decisão: 1201-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 14 92 /2 00 9- 61 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10425.901492/200961 Acórdão n.º 1201002.434 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação DCOMP de fls., por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 4º trimestre do anocalendário 2002. Através do despacho, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal DRF em Campina Grande identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argui que o erro nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. Decisão da DRJ Em decisão de 26/09/2011 a 3° Turma da DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado ern DCTF. Recurso Voluntário Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica os termos de sua Impugnação. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10425.901492/200961 Acórdão n.º 1201002.434 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.433, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10425.901491/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.433): "Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, merece ser apreciado. Mérito Dada a inexistência de novos argumentos trazidos pelas Recorrente em sede de Recurso Voluntário e o total alinhamento do presente Conselheiro à decisão da DRJ, faço aqui uso do disposto no Art. 57, § 3°do Regimento Interno deste CARF que assim dispõe: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10425.901492/200961 Acórdão n.º 1201002.434 S1C2T1 Fl. 5 4 Desta forma, faço abaixo a transcrição integral do voto vencedor da decisão da DRJ: 4. A manifestação de inconformidade é tempestiva (fl. 30) e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em 30/10/2001, pagamento de DARF no valor de R$ 3.810,48 , relativo ao IRPJ apurado no 3° trimestre de 2001. Por entender que o tributo era indevido ou a maior, transmitiu a DCOMP ora em exame, por via da qual utilizou o referido valor para compensar débitos por ela apurados. 6. A DRF/Campina Grande constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado no 3° trimestre de 2001, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Assim, restou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. 7. Alega a inconformada que o valor correto do débito é o informado na DIPJ, e não o constante da DCTF, arguindo que a retificação desta não constitui obrigação legal e que não impede o reconhecimento do crédito. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 014, de 14 de fevereiro de 2000), a DIPJ tem caráter apenas informativo, enquanto a DCTF constitui instrumento de confissão de divida quanto aos débitos nela declarados. 9. No caso concreto, verifiquei, no banco de dados da Receita Federal, que a empresa efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado débito do IRPJ no 30 trimestre de 2001 no valor de R$ 11.431,44, com pagamento em 3 quotas de R$ 3.810,48, o exato valor do recolhimento efetuado. 10. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo liquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). 11. Destaquese que, além de não retificar a DCTF, que constituía obrigação sua (Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, e seguintes), não trouxe a interessada prova alguma do tanto alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10425.901492/200961 Acórdão n.º 1201002.434 S1C2T1 Fl. 6 5 12. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723406/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO.
Havendo obscuridade, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que ela seja esclarecida.
Numero da decisão: 2402-006.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em acolher os embargos, sem alteração do resultado do julgamento, para adequar os fundamentos contidos no voto ao resultado da decisão originária, de conformidade com o voto vencedor dos presentes embargos. Vencidos os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima e Gregório Rechmann Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior- Relator.
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Havendo obscuridade, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que ela seja esclarecida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em acolher os embargos, sem alteração do resultado do julgamento, para adequar os fundamentos contidos no voto ao resultado da decisão originária, de conformidade com o voto vencedor dos presentes embargos. Vencidos os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima e Gregório Rechmann Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior- Relator. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Havendo obscuridade, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que ela seja esclarecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em acolher os embargos, sem alteração do resultado do julgamento, para adequar os fundamentos contidos no voto ao resultado da decisão originária, de conformidade com o voto vencedor dos presentes embargos. Vencidos os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima e Gregório Rechmann Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 34 06 /2 01 4- 39 Fl. 1754DF CARF MF 2 Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Em sessão plenária realizada em 09 de maio de 2017, esta Turma julgou Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402005.801 (fls. 1650/1665), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 REDUÇÃO DE CAPITAL. CONTRAPARTIDA REDUÇÃO DE DÍVIDA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO INDIRETA. A redução de dívidas contabilizadas de origem não comprovada, do sócio perante a empresa, a título de contrapartida de redução de capital social, não se configura, por si só, em remuneração indireta que enseje a incidência do imposto de renda pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MÚTUO NÃO COMPROVADO. CONTA CORRENTE COM A PESSOA JURÍDICA. Não se consubstanciam em efetivos empréstimos, mas sim em omissão de rendimentos, pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas aos sócios, quando amparados em contratos de contacorrente sem previsão de encargos e com estipulação apenas formal do prazo de devolução dos valores. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMULAÇÃO. O descompasso da escrituração e dos contratos de mútuo formalizados, com as provas carreadas nos autos, evidencia a intenção de dissimular o pagamento de rendimentos às pessoas físicas dos sócios, apta a respaldar a qualificação da multa de ofício. O dispositivo do acórdão recebeu a redação abaixo transcrita: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 4.002.000,00, relacionado com o levantamento R2 e atinente à competência julho de 2009. O processo foi encaminhado para ciência do acórdão por parte da Fazenda Nacional, a qual interpôs Recurso Especial de fls. 1667/1693 que restou admitido nos termos do Despacho de Admissibilidade de fls. 1703/1708. O processo, então, foi encaminhado à DRF de origem para cientificar o sujeito passivo do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2402005.801 (fls. 1650 a 1665), bem como do Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 3 3 Recurso Especial interposto pela PGFN (fls. 1667 a 1693) e do seu respectivo despacho de admissibilidade. Na origem, a DRF/Brasília/DF interpôs embargos tempestivos alegando a existência de obscuridades no julgado (fls. 1713/1717). Mediante o Despacho datado de 06/11/2017 (fls. 1723/1730), foram parcialmente admitidos os embargos da DRF/Brasília, para o fim específico de sanar as seguintes obscuridades alegadas: · Obscuridade quanto à quitação de dívidas; · Obscuridade quanto à habitualidade; e · Obscuridade quanto à prestação de serviço. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Os embargos interpostos são tempestivos e merecem ser conhecidos, consoante explanado no relatório e no despacho de admissibilidade. Inicialmente, cumpre rememorar que, de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração o lançamento decorreu da constatação de que foram omitidos rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 4.431.000,00 conforme quadro resumo abaixo: O presente processo, pois, tratase de lançamento decorrente de operação de aumento de capital de empresa com base em reavaliação de marca, seguido de redução de capital social, a qual, segundo a fiscalização, teria resultado no pagamento de remuneração indireta ao contribuinte, não declarada ao Fisco. Também foi objeto de autuação o recebimento de valores associados a mútuos não comprovados, lançamento esse mantido integralmente por ocasião do Fl. 1756DF CARF MF 4 julgamento do recurso voluntário, cabendo observar não ter sido a conclusão do aresto quanto a esse segundo aspecto objeto de embargos. O acórdão embargado deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 4.002.000,00, relacionado com o levantamento R2 e atinente à competência de julho de 2009. O montante exonerado referese, justamente, à remuneração indireta recebida pelo contribuinte, de acordo com a fiscalização, em decorrência da reavaliação da marca da pessoa jurídica, seguido de redução de capital. Conforme informado linhas acima, por meio do Despacho datado de 06/11/2017 (fls. 1723/1730), foram admitidos os embargos da DRF/Brasília, para o fim específico de sanar as seguintes obscuridades alegadas, a seguir analisadas de forma individualizada: · Obscuridade quanto à quitação de dívidas; · Obscuridade quanto à habitualidade; e · Obscuridade quanto à prestação de serviço. Da alegada obscuridade quanto à quitação de dívidas Antes de adentrar no mérito da matéria embargada, impõese rememorar com mais detalhes os fatos que deram origem ao lançamento fiscal. Assim, nos termos do relatório da decisão de DRJ, temse que: Em decorrência da “Operação Esperança” (Inquérito nº 1374 37.2010.4.01.0000/DF, intitulada “Caixa de Pandora” foram realizados procedimentos fiscais na Construtora Artec S/A. No decorrer dos procedimentos fiscais, constatouse que o Autuado recebeu remunerações indiretas, não declaradas à Receita Federal, por intermédio dessa empresa. Na análise da documentação apresentada constatouse que o Autuado recebeu remunerações indiretas da ARTEC relacionadas a: Retirada ilegal de Capital Social e Mútuos Simulados não pagos. Verificouse que a construtora adotou outra forma de remunerar indiretamente seus sócios ao aumentar o capital da empresa mediante avaliação da marca da ARTEC e, posteriormente, reduzir esse capital e redirecionálo a seus sócios. Essas operações estão registradas na 54ª e 57ª alteração contratual. Salienta a autoridade lançadora que tal forma de remuneração indireta perpassou pela avaliação equivocada da marca da empresa, pela contabilização inadequada de lançamentos, pela existência de situações fictícias de excesso de capital, pela adoção de práticas ilegais, dentre outros. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 4 5 De acordo com a documentação entregue pela ARTEC, essa empresa avaliou a marca ARTEC Construtora em mais de 23 milhões de reais e contabilizou tais valores em contas relacionadas a Reservas de Reavaliação. No entanto as informações obtidas indicaram que o laudo de avaliação da marca ARTEC Construtora utilizado para a reavaliação retromencionada, contém inconsistências que culminaram com uma avaliação arbitrária, distorcida e já direcionada para a redução de capital que remunerou indiretamente os sócios da empresa. A reavaliação foi baseada principalmente na avaliação e projeção das receitas da Autuada e a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da ARTEC do ano calendário 2005 revela que nesse ano a receita líquida utilizada para as projeções do referido laudo foi superdimensionada em mais de R$ 8.000.000,00 e a receita bruta em mais de R$ 4.000.000,00. O laudo de reavaliação desconsiderou fatores relevantes como: a existência de lucros/prejuízos, o grau de endividamento, o índice de solvência, índices de rentabilidade e de lucratividade, o retorno sobre o patrimônio líquido, variáveis mercadológicas, dentre outros. Em relação aos motivos que ensejaram a redução de capital a empresa informou que foi realizada por conta do excesso de capital empregado a atividade econômica da empresa. Destaca o Auditor Fiscal que o código Civil discriminas as duas situações que permitem a redução de capital: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade. Porém a análise da documentação contábil fornecida pela ARTEC não indicou a existência de capital excessivo em relação ao objeto da sociedade. • A conta “2.1.05.001.0002 – Banco de Brasília” e as demais contas relacionadas a Empréstimos/Financiamentos (Contas Sintéticas “2.1.0.5” e “2.2.0.5”) revelam que a ARTEC adquiriu empréstimos superiores a 17 milhões de reais no período de 07/2009 a 12/2009; Fl. 1758DF CARF MF 6 • No ano de 2010 as contas relacionadas a Empréstimos/Financiamentos (Contas Sintéticas “2.1.0.5” e “2.2.0.5”) registraram a aquisição de empréstimos que superaram o montante de 54 milhões de reais; • O Balanço Patrimonial relativo ao ano de 2009 denuncia que a ARTEC possuía dívidas tributárias registradas no passivo não circulante superiores a 4 milhões de reais; • Somente no período de 08/2009 a 12/2010, período imediatamente posterior à redução de capital em comento, foram constatados pagamentos superiores a R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais) relativos a juros sobre empréstimos junto a instituições financeiras. Tais valores foram contabilizados na seguinte conta: “7.2.01.001.0001 – Juros Pagos”. O grau de endividamento da empresa autuada também não recomendaria a redução do capital. Assim, constatada a inexistência de excesso de capital empregado a atividade econômica da empresa e o pagamento de montantes aos sócios, a fiscalização aduziu que tal manobra contábil serviu na verdade para remunerar, de forma indireta, os sócios da empresa. Embora a avaliação da marca da empresa tenha considerado uma projeção de valores futuros até o ano de 2016, os valores advindos da reavaliação da marca ARTEC foram transferidos em 2008 para contas de capital social subscrito relacionados aos sócios da empresa sem terem transitado por contas relativas a lucros acumulados. Na realização da reserva de reavalização foi descumprido o art. 6º da Lei nº 11.638, de 258 de dezembro de 2007 e a Resolução CFC nº 1004/2004, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou a NBC T 19.6 – Reavaliação de Ativos. Destacou a autoridade lançadora que na análise das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos três sócios da ARTEC relativas ao período de 2007 a 2010, especificamente no campo relacionado a “Dívida e ônus Reais”, que o capital social da ARTEC não havia sido sequer integralizado em sua totalidade nesse período. Nestes campos há dados relativos a nota promissória não integralizado em moeda. Tais fatos indicam que apesar de ter havido uma redução no capital social da empresa e de a contabilidade da ARTEC não registrar a existência de capital a integralizar, o capital da ARTEC não havia sido sequer integralizado em sua totalidade. Diante do exposto a fiscalização considerou como incorporados a remuneração dos sócios os valores a eles direcionados após a redução do capital, tendo efetuado lançamento de imposto de renda sobre estes valores. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 5 7 Em relação a essa matéria, o acórdão de recurso voluntário, ora embargado, concluiu que pagamento não houve, mas sim a liquidação de um passivo que o recorrente tinha para com a empresa. De fato, assim ficou consubstanciado o entendimento do colegiado no referido Acórdão nº 2402005.801: Vejase que a autoridade lançadora não logrou demonstrar a existência de rendimentos ou mesmo de proventos percebidos, assim entendidos como acréscimos patrimoniais nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88 e legislação de regência, decorrentes da quitação de dívidas do contribuinte perante a empresa, sejam aquelas constantes na conta “títulos a receber”, seja as lançadas na conta “conta corrente financeira”, previamente a julho de 2009.” Como se vê, a decisão embargada foi clara ao afirmar que a fiscalização não teria comprovado a existência de rendimentos (acréscimo patrimonial) decorrentes da quitação de dívidas do contribuinte. Ocorre que, embora tenha chegado a tal conclusão, a referida decisão, conforme apontado nos Embargos em análise, reconheceu expressamente que a dívida do contribuinte não teria origem comprovada e que teria sido quitada com um crédito indevido, ou seja, sem respaldo legal. É o que se infere, pois, dos excertos abaixo reproduzidos: · Em relação à Reavaliação da Marca: O aumento do capital social foi baseado em laudo datado de 1/11/2007 (fls. 449/490). A empresa teve sua marca avaliada em aproximadamente R$ 23.000.000,00, valor que foi contabilizado como Reservas de Reavaliação ainda em novembro de 2007. Segundo o contribuinte, o laudo foi efetuado com base no método “alívio de royalty”, o qual, através de projeções da receita futura da empresa, descontadas a valor a presente, calcula como um percentual dessa receita o valor atribuível à marca. Acrescenta que nos anos de 2008 e 2010, a receita projetada no laudo se aproximou bastante da realmente alcançada, o que indicaria a sua qualidade. Por sua vez, a fiscalização frisou que as receitas líquidas de 2005 foram, sem justificativa, superestimadas para fins de realizar a projeção efetuada. Aduz também que sendo o principal cliente da empresa o Estado, que contrata por meio de licitações, não faz sentido a utilização do método “alívio de royalty”, o qual pressupõe que valorização da marca decorre principalmente dos benefícios que a sua aquisição traz para potenciais adquirentes. Fl. 1760DF CARF MF 8 Muito embora as razões da autoridade lançadora levantem suspeita no sentido de que o laudo tenha, efetivamente, superestimado o valor da marca tal como calculado no documento, não há argumentos suficientes para a sua consideração como inidôneo, ao menos de plano (grifei) · Em relação à contabilização da reavaliação da marca como Reserva de Reavaliação e sua posterior destinação como aumento do capital social: (...) quando do advento da Lei nº 11.638/07, que entrou em vigor em 1º/1/2008, alterando uma série de dispositivos da Lei das S.A, relativo a regras contábeis, dentre eles o supra transcrito art. 182, o qual se reproduz com novel redação conferida, bem como as subsequentes: (...) § 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo (§ 5º do art. 177, inciso I do caput do art. 183 e § 3º do art 266 desta Lei) e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. (Redação dada pela Lei nº 11.638 de 2007) (...) § 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 (Redação dada pela Medida Provisória nº 499 de 2008) (...) § 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 (Redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009) Em simultâneo, o art. 6º da Lei nº 11.638/07 estabeleceu: Art. 6º Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que esta Lei entrar em vigor. No caso concreto, exsurge hialina a afronta direta a essa regra, pois as únicas possibilidades contempladas pela legislação para a destinação das reservas de reavaliação constantes no patrimônio eram o seu estorno até 31/12/2008 ou manutenção até a sua completa realização, enquanto que a Artec, 54ª alteração contratual (fls. 75/78), deliberou em aumentar o capital social “em face da Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 6 9 utilização de reserva de reavaliação constante do Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2007". (grifei) Tal irregular proceder levou o capital social da empresa de R$ 20 milhões para R$ 43.179.000,00 milhões, sendo realizados em 12/3/2008 lançamentos a débito de reservas de reavaliação e a crédito de conta de capital subscrito dos sócios, sendo R$ 9.271.600,00 (40% do total) em favor do contribuinte (fl. 655). · Em relação à redução do capital social: Posteriormente, conforme ata de reunião publicada no dia 2/4/2009 (57ª alteração contratual, fls. 89/95), decidiram os sócios reduzir o capital social em cerca de R$ 20 milhões, mediante compensação, fundamentalmente, de títulos e créditos em contacorrente, tocando ao recorrente cerca de R$ 8 milhões de reais, tendo sido alegado em recurso que tal redução se deu face ao excesso de capital em relação ao objeto da sociedade (art. 1.082 do Código Civil, c/c o art 173 da Lei das S.A). (...) a mera presença de endividamento substancial, apontada no relatório fiscal, não se traduz empecilho a obstar, isoladamente, eventual redução de capital. Chama a atenção, contudo, que o montante da redução equivalha à cifra que resultou da reavaliação dos ativos da empresa. De fato, não houvesse ocorrido tal reavaliação, restaria inviabilizada a redução patrimonial, dado que o patrimônio da empresa era antes de 20 milhões. Em suma, estarseia diante da redução de 20 milhões de um capital social nesse mesmo valor. (grifei) · Em relação ao aumento do capital social da empresa em 2002, integralizado com notas promissórias de emissão dos sócios (débito do contribuinte para com a pessoa jurídica): Conforme narrativa do autuado, em 2002 houve aumento do capital social da empresa de 10 para 20 milhões de reais, registrado na DIPJ 2003, o qual foi integralizado com notas promissórias de emissão dos sócios, via lançamento a crédito em "capital social subscrito" e débito em “títulos a receber”, o que estaria comprovado pelo saldo dessa conta, que mantém o valor de R$ 10 milhões referentes à essa contrapartida do aumento do capital social. Porém, há uma série de incongruências em tal exposição dos fatos. Não são apresentados os registros contábeis de 2002, o que, independentemente do motivo, traz sérias dúvidas quanto ao argumento de que os R$ 10 milhões registrados como títulos a receber tenham origem em contrapartipa de aumento de capital social. (grifei) Além disso, o próprio recorrente admite que a DIPJ 2003 não registra crédito nesse valor contra pessoas ligadas, mas sim contra clientes, o que teria sido erro no seu preenchimento (fls. 871/872). Vale anotar que o citado equívoco continuou Fl. 1762DF CARF MF 10 nos anos posteriores, como atestam as DIPJ 2005 (fl. 948) e DIPJ 2007 (fl. 978). Apenas na DIPJ 2009 o valor da conta clientes aparece zerado (fl. 1002), mas assim também se apresenta a conta crédito com pessoas ligadas, do que se conclui, em princípio, que os valores anteriormente lançados na conta clientes não tem correspondência com as indigitadas notas promissórias, pois senão teriam sido ainda que tardiamente, revertidas para aquela conta de pessoas ligadas. (grifei) Também não se pode concluir, sem exame da escrituração, que o capital subscrito tenha sido efetivamente integralizado; pelo contrário, as DIRPF dos três sócios da Artec relativas ao período de 2007 a 2010 trazem a informação de que o capital sequer tinha sido integralizado totalmente até então. Perfeitamente possível, assim, que sequer os R$ 20 milhões subscritos antes da malfadada reavaliação tivesse sido integralizados, o que reforça a dúvida quanto à redução de capital ulteriormente realizada. (grifei) Nesse diapasão, não há como dissentir da decisão contestada de que o saldo da conta títulos a receber, constante do balanço de 2005 e seguintes, não comprova que aqueles títulos foram emitidos para a integralização do capital. E isso é fundamental, pois o art. 1.084 do Código Civil, ao tratar da matéria “Do Aumento e da Redução do Capital", assevera que a redução poderá ser feita “dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional (...) do valor das cotas”. (grifei) (...) Os documentos contábeis e fiscais carreados pelo contribuinte não atestam a sua versão dos fatos, sendo incoerentes e permeados de equívocos, consoante ele próprio admite, sucessivamente. (grifei) · Em resumo: Em suma, o que se verifica de modo concreto é que foi dado baixa em uma conta de ativo da empresa denominada títulos a receber, ou seja quitada uma dívida do sócio para com a pessoa jurídica, em contrapartida da conta de patrimônio capital subscrito. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 7 11 Só que, como relatado, tal conta de capital estava literalmente “inflada” por intermédio de flagrantemente ilegal capitalização de reservas de reavaliação. De sua parte, dos mencionados títulos a receber não se tem conta de sua existência documental, não se prestando a escrituração e DIPJs juntadas para esclarecer a sua origem. (grifei) Assim, queda sem suporte fático a operação de compensação realizada pela empresa, pois o suposto crédito que daria lastro para tanto é sobejamente inexistente, dado, reiterese, a desconformidade da capitalização da reserva de reavaliação com o ordenamento jurídico. (grifei) Neste contexto, em face da fundamentação do voto condutor do acórdão embargado, notoriamente daquela que se extrai dos excertos supra reproduzidos, temse que assiste razão à Embargante quando esta aponta que, levando em consideração o inequívoco fato de que o contribuinte foi beneficiado pela operação que objetivou quitar suas dívidas com a empresa, essa operação – digase de passagem, ilegal – subsumese ao citado art. 3º da Lei 7.713/88. Salvo melhor juízo, basta que o contribuinte tenha sido beneficiado por qualquer forma e a qualquer título. Patente, portanto, obscuridade do citado trecho do acórdão ao sugerir que a quitação de dívidas feitas por terceiros não representaria um benefício, um acréscimo patrimonial, ao contribuinte. De fato, restando claro e evidente que o acórdão embargado reconheceu que a dívida do contribuinte não teria origem comprovada e que teria sido quitada com um crédito indevido, ou seja, sem respaldo legal – entendimento compartilhado por este relator, registrese – temse configurada a subsunção do caso em análise ao disposto no art. 38 do Decreto 3000/99, in verbis: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Sobre a matéria em análise (avaliação da marca da empresa, utilização da reserva de reavaliação para aumento do capital, a não integralização do aumento anteriormente efetuado), a Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ1, por ocasião do julgamento do processo 10166.724040/201344, que exige contribuições previdenciárias da Artec sobre a remuneração indireta paga aos sócios de que trata o presente lançamento, concluiu pela procedência daquele lançamento, nos termos do Acórdão nº 62.496. Assim, considerando que as conclusões alcançadas pela DRJ/RJ1 coadunam com o entendimento deste relator no que tange à matéria em voga, reproduzse a seguir as razões de decidir do mencionado Acórdão 62.946: Fl. 1764DF CARF MF 12 Da avaliação da marca da empresa Informa a Auditoria que, de acordo com a documentação entregue pelo contribuinte (anexos 5 a 13), a ARTEC avaliou a marca da empresa em mais de 23 milhões de reais e contabilizou tais valores em contas relacionadas a Reservas de Reavaliação. Concluiu a Auditoria que o laudo de avaliação da marca ARTEC contém inconsistências que culminaram com uma avaliação arbitrária, distorcida e já direcionada para a redução de capital que remunerou indiretamente os sócios da empresa. A Auditoria apresentou argumentos para demonstrar a inconsistência do laudo: a) o laudo se baseia principalmente na avaliação e projeção das receitas do contribuinte e a DIPJ da Autuada relativa ao ano calendário de 2005 (anexo 22) revela que, somente nesse ano, a receita líquida utilizada para as referidas projeções foi superdimensionada em mais de 8 milhões de reais e a receita bruta em mais de 4 milhões de reais; b) ao se basear sobretudo na projeção de receitas do contribuinte até o ano de 2016, o laudo de avaliação desconsiderou fatores como: a existência de lucros/prejuízos, o grau de endividamento, o índice de solvência, índices de rentabilidade e de lucratividade, o retorno sobre o patrimônio líquido, variáveis mercadológicas (participação relativa da marca no seu segmento de autuação em comparação com as concorrentes, satisfação dos clientes, efetividade do posicionamento da marca etc.). Além disso, não foi realizada nenhuma pesquisa mercadológica para avaliar o valor de mercado da marca ARTEC. A Autuada alega que o laudo de avaliação da marca foi realizado de forma criteriosa, através de critérios técnicos, levando em conta os seguintes fatores: o aumento da receita líquida nos últimos 10 anos girou em torno de 27,9% ao ano; a reestruturação organizacional e mercadológica assegurarão os níveis de crescimento, faturamento e rentabilidade compatíveis com o setor; há previsão de lançamento de novos serviços e aumento de participação de produtos existentes; a empresa é líder na área de obras públicas no Distrito Federal; existem novos investimentos previstos a curto e médio prazos nos setores industrial e mercadológico; há novos contratos de obras a serem firmados e orçamento de obras em análise. Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 8 13 Entendo que o laudo é inconsistente, pois baseado principalmente no faturamento que a empresa obteve no período de 1997 até a elaboração do laudo (concluído em 01/11/2007, conforme informação da Autuada prestada na fl. 936), bem como na projeção do faturamento que a empresa deveria vir a ter a partir da elaboração do laudo até 2016. Verificase, assim, que o laudo não considerou os relevantes fatores listados pela Auditoria, e ao qual nos referimos acima no item 36.2. O valor da marca foi calculado mediante o conceito de “alívio de royalty”, assim definido pela empresa avaliadora em seu laudo: O conceito de “alívio de royalty” parte do princípio da cessão das marcas para utilização por terceiros, que a queiram explorar comercialmente, pressupondo que se a empresa não fosse a titular teria que pagar pela sua utilização. Como visto, a empresa avaliadora procurou calcular o valor que outras empresas se disporiam a pagar para poder utilizar a marca da Autuada. Ora, entendo que, pela metodologia adotada pela empresa avaliadora, a valorização da marca decorra principalmente dos benefícios que a aquisição da marca ensejaria para uma potencial empresa adquirente. A empresa avaliadora assinalou em seu laudo de avaliação que, vários estudos, através de muitas linhas de produtos e serviços, sugerem que, quando uma marca é conhecida, é provável que o consumidor ou comprador (atacadista) responda favoravelmente adquirindo este produto baseado na identificação da marca. Isto posto, há que ser considerado que a Autuada tem como principal cliente o Estado, seja nas esferas federal, estadual, municipal ou distrital (essa informação consta da impugnação na fl. 938). Como é sabido, a Administração Pública, salvo algumas exceções, contrata mediante processo de licitação, e, assim sendo, a aquisição da marca da Autuada não resultaria na captação de sua clientela habitual, eis que a mesma, em regra, só contrata através de licitação. Ainda que a Autuada goze de bom conceito perante as pessoas jurídicas de direito público, tal fato não seria de grande valia para a empresa adquirente da marca, quando a mesma participasse de licitações. Assim sendo, a valorização da marca decorreria da imagem positiva da Autuada perante as pessoas físicas e as pessoas jurídicas de direito privado. Esse seria o público consumidor que tenderia a contratar os serviços da empresa adquirente em razão da imagem positiva da marca, sendo assim necessária a realização de uma pesquisa mercadológica para avaliar o valor de mercado da marca ARTEC, a qual não foi realizada, como ressaltou a Auditoria. Essa é mais uma grave inconsistência do laudo de avaliação. Fl. 1766DF CARF MF 14 Há que se considerar também que a seriedade do laudo fica bastante comprometida diante da constatação da Auditoria (ver item 47 do relatório fiscal) de que pela Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da ARTEC, relativa ao ano calendário 2005, é possível constatar que a receita líquida utilizada para as projeções do referido laudo foi superdimensionada em mais de 8 milhões de reais e a receita bruta em mais de 4 milhões de reais. Tratase de erro grave e que não foi justificado na impugnação da Autuada. A Autuada informa na fl. 936 que a avaliação da marca foi concluída em 01/11/2007, assim sendo, não haveria dificuldade alguma em constatar o valor da receita líquida e da receita bruta do ano de 2005. Não se justifica um erro de tamanha dimensão, que compromete a credibilidade do laudo de avaliação, já que a empresa avaliadora trabalhou com os dados que lhe foram fornecidos pela Autuada. Transcrevemos a observação que consta do laudo: As conclusões apresentadas neste Relatório estão baseadas, principalmente, em dados e documentos apresentados pela empresa analisada, cuja precisão e veracidade não podem ser atestadas pela contratada. Esta se responsabiliza exclusivamente pelas projeções de comportamento de mercado sobre as hipóteses econômico financeiras adotadas. Outra falha importante é que o laudo não indica a conta onde a marca havia sido contabilizada, e nem o valor dessa contabilização. Dessa forma, não se sabe qual o valor da valorização da marca. A reavaliação de um bem só permite a elevação do capital no valor correspondente ao acréscimo resultante da reavaliação. Assim sendo, a Autuada agiu irregularmente quando elevou o capital no valor integral da marca, sem deduzir o valor pelo qual ele teria sido originalmente avaliado. Essa é uma falha muito grave do laudo: o aumento do capital social não corresponde ao acréscimo resultante da reavaliação. Entendo que as considerações acima efetuadas são suficientes para demonstrar a inconsistência do laudo de avaliação. Essa constatação dá suporte ao entendimento da Auditoria, segundo o qual o laudo de avaliação da marca ARTEC contém inconsistências que culminaram com uma avaliação arbitrária, distorcida e já direcionada para a redução de capital que remunerou indiretamente os sócios da empresa. Gostaria de ressaltar que a operação de aumento e redução do capital da empresa autuada padece de outras irregularidades, além das falhas do laudo de avaliação acima apontadas. Passo a tratar das outras irregularidades. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 9 15 Da utilização da reserva de reavaliação para aumento do capital A Auditoria informa no relatório fiscal que a Autuada descumpriu a Lei 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Assim como a Auditoria, também entendo que a operação de aumento do capital da empresa, mediante a utilização da reserva de reavaliação, foi efetuada em desacordo com o disposto na Lei 11.638/2007, conforme demonstro a seguir. A Lei 11.638/2007 e, posteriormente, a Lei 11.941/2009 alteraram a redação da Lei 6.404/1976, acabando com a conta “reserva de reavaliação”. O parágrafo 2º, alínea “d”, do artigo 178 da Lei 6.404/1976 que fazia menção à “reserva de reavaliação” passou a mencionar a conta “ajustes de avaliação patrimonial”. Também foi alterado o parágrafo 3º, do artigo 182, da Lei 6.404/1976. Transcrevo o dispositivo, em sua redação original, e após as diversas alterações: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. (...) § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8º, aprovado pela assembleia geral. (redação original) § 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo (§ 5o do art. 177, inciso I do caput do art. 183 e § 3o do art. 226 desta Lei) e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) § 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Colho o seguinte comentário sobre as referidas alterações legislativas, na obra “Regulamento do Imposto de Renda 2010’” da Editora FISCOSOFT (13ª edição): Fl. 1768DF CARF MF 16 FIM DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO – Como visto, com as alterações na alínea “d”, do § 2º, do artigo 178 da Lei nº 6.404/76, trazida pela Lei nº 11.638/2007 e pela Lei nº 11.941/2009, aos artigos 178 e 182 da Lei nº 6.404/76, formalmente, a reserva de reavaliação deixou de existir (destaquei). O artigo 6º da Lei nº 11.638, de 2007, confirma essa assertiva, ao determinar que “os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que esta Lei entrar em vigor”. O artigo 9º da Lei 11.638/2007 estabeleceu a data em que o referido diploma legal entraria em vigor: 01/01/2008. Transcrevo: Art. 9º Esta Lei entra em vigor no primeiro dia do exercício seguinte ao de sua publicação. Como visto, as reservas de reavaliação existentes quando da entrada em vigor da Lei 11.638/2007 deveriam ser mantidas até a sua efetiva realização ou estornadas até o final de 2008. Em 17 de janeiro de 2008, data em que já estava em vigor a Lei 11.638/2007, a Autuada, através da qüinquagésima quarta alteração e consolidação de contrato social da empresa, efetuou a seguinte alteração: O capital social que é de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) é elevado para R$ 43.179.000,00 (quarenta e três milhões cento e setenta e nove mil reais) em face da utilização de reserva de reavaliação constante do Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2007. Entendo que a utilização da reserva de reavaliação para aumento do capital social da empresa, efetuada em 17/01/2008, afronta a Lei 11.638/2007, pois a mesma determina que os saldos existentes nas reservas de reavaliação (após a entrada em vigor do referido diploma legal) deveriam ser estornados (isso não ocorreu) ou mantidos até a sua efetiva realização. Não se pode considerar que a reserva de reavaliação (constituída através da reavaliação da marca da empresa) tenha sido realizada mediante a utilização dos valores da reserva para aumento do capital social da empresa. Esse procedimento não era recomendável nem mesmo antes da extinção da conta “reserva de reavaliação”. Na obra “Manual de Contabilidade” de Sérgio Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, da Editora Atlas (5ª edição) já constava a seguinte observação: (...) A Reavaliação é um acréscimo de valor de bens do ativo, que provoca um acréscimo também no Patrimônio Líquido, mas ambos por fatores normalmente exógenos à empresa e sempre não realizados. Por isso, tal aumento no Patrimônio Líquido deve ser mantido em conta separada, representando uma espécie de lucro em potencial ainda por se realizar no futuro. Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 10 17 A Reserva de Reavaliação, portanto, não pode tecnicamente nunca ser utilizada para aumento de capital, distribuição de dividendos nem sequer para absorção de prejuízos. Deve ser mantida intacta enquanto o ativo não for realizado. Sua redução só se dá pela transferência a Lucros ou Prejuízos Acumulados nos momentos já discutidos. (destaquei) O entendimento acima se coaduna com o disposto na Resolução CFC nº 1.004/2004, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou a “NBC T 19.6 – Reavaliação de Ativos” (transcrita no item 56 do relatório fiscal), a qual dispõe que a reserva de reavaliação não pode ser utilizada para aumento de capital, enquanto não realizada. Ora, se antes das alterações legislativas a operação realizada pela Autuada já era questionável, entendo que após a edição da Lei 11.638/2007, a referida operação tornouse ilegal, já que não foi observado o disposto no artigo 6º do referido diploma legal. Correto, portanto, o entendimento da Auditoria ao se pronunciar sobre as irregularidades acima mencionadas: 57. No caso da ARTEC, notase claramente que não foram cumpridos os normativos retromencionados. Embora a avaliação da marca da empresa tenha considerado uma projeção de valores futuros até o ano de 2016, os valores advindos da reavaliação da marca ARTEC foram transferidos em 2008 para contas de capital social subscrito relacionadas aos sócios da empresa sem terem transitado por contas relativas a lucros acumulados. (destaquei) Creio já estar plenamente comprovada a irregularidade da operação (utilização da reserva de reavaliação para aumento do capital social), cabendo apenas assinalar que, uma vez comprovada a irregularidade do aumento do capital, tal fato contamina automaticamente a redução do mesmo, pois, se o aumento foi irregular decerto a redução também. Da não integralização do aumento anteriormente efetuado As irregularidades do procedimento não cessam por aí, pois como ressaltou a Auditoria: 59. As Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) dos três sócios da ARTEC relativas ao período de 2007 a 2010, no campo relacionado a “Dívidas e Ônus Reais”, denunciam que o capital social da ARTEC não havia sido sequer integralizado em sua totalidade nesse período. Nos campos supracitados dessas declarações hà dados relativos a “nota promissória de capital não integralizado em moeda” na Construtora ARTEC. 60. Ora, tais fatos indicam que, apesar de ter havido uma redução no capital social e de a contabilidade da ARTEC não registrar a existência de capital a integralizar, o capital da ARTEC não havia sido sequer integralizado em sua totalidade! Fl. 1770DF CARF MF 18 A Autuada informa que o capital social foi integralizado mediante notas promissórias emitidas pelos sócios. Transcrevo: (...) o capital social foi integralizado com notas promissórias emitidas pelos sócios da empresa. Dessa forma, na contabilidade da empresa, foi feito um crédito a “capital social subscrito” e um débito a “títulos a receber – LP “ 19 19 Realizável a longo prazo. Embora a contribuinte não tenha mais disponível a contabilidade anterior ao ano de 2005, no balanço deste ano (2005) é possível ver o saldo da conta “títulos a receber – LP”, cujo valor contém os R$ 10.000.000,00 referentes à contrapartida do aumento do capital social em 2002.21 21 O saldo é de R$ 13.947.000,00 Por outro lado, a empresa realizava diversos empréstimos aos sócios, que eram reconhecidos na conta contábil “conta corrente financeira”, no ativo circulante. Tais empréstimos, inclusive, foram objeto de autuação neste processo, o que será tratado, especificamente, em momento oportuno. Então temse que a empresa detinha dois tipos de títulos contra os sócios: as notas promissórias, registradas na conta “títulos a receber – LP”, e os mútuos, lançados na conta “conta corrente financeira”. De posse dessas informações, quando em 1º de julho de 2009, a contribuinte efetuou a já mencionada redução do capital social, realizando lançamento a débito na conta “capital subscrito” e a crédito nas contas “títulos a receber – LP” e “conta corrente financeira”. (...) As alegações da empresa são inconsistentes, não servindo ao fim colimado de ensejar a revisão do lançamento fiscal. A comprovação das alegações não pode ser tida como corretamente efetuada. A impugnação fica extremamente prejudicada com a não apresentação da contabilidade referente ao período anterior a 2005, já que o aumento que teria sido integralizado com notas promissórias foi efetuado em 2002. O saldo da conta “títulos a receber – LP”, constante do balanço de 2005, não comprova que aqueles títulos foram emitidos para a integralização do capital. O referido saldo apenas comprova que a sociedade tinha quase R$ 14.000.000,00 a receber dos sócios, mas não indica a que negócio jurídico aqueles títulos estariam atrelados. Além disso, a impugnação teria que ter indicado com precisão quais foram exatamente os títulos cuja cobrança foi dispensada, o que parece difícil sem a utilização da contabilidade anterior a 2005. Essa comprovação é indispensável já que o saldo da conta “títulos a receber – LP” supera o valor da integralização e somente os títulos vinculados à integralização poderiam, em tese, ser devolvidos aos sócios em razão da redução do capital. Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 11 19 Na própria impugnação a Autuada se contradiz, pois assevera na fl. 938 que o montante subscrito (indicado na DIPJ de 2002, no item 16 “créditos com pessoas ligadas”) é de R$ 4.004.196,21. Acrescenta ainda que, no balanço de 2005 o saldo da conta “títulos a receber – LP” corresponde ao montante subscrito, no valor de R$ 10.000.000,00. Outra grave inconsistência da alegação surge mediante a constatação de que, se o capital foi integralizado em 2002, com notas promissórias, em 01/07/2009, data da redução, tais títulos já estariam prescritos. Não há nos autos nenhuma alegação, evidência ou comprovação de que os títulos foram pagos, logo é forçosa a conclusão de que os títulos prescreveram, e, portanto, não houve integralização do capital, já que não se concebe integralização com títulos prescritos. Entendo que o aporte de notas promissórias dos próprios sócios da empresa, sem a fixação de um prazo para o pagamento (que seja cumprido), equivale a uma mera promessa de integralização, e isso é subscrição e não integralização. Por outras palavras, entendo que, nessa hipótese, as notas promissórias deverão ser tidas como notas emitidas “pro solvendo” e não “pro soluto”. Quando as notas não são pagas e prescrevem, fica ainda mais caracterizada a falta de integralização. Também seria indispensável que a impugnação demonstrasse, de forma precisa, quais teriam sido os títulos cuja cobrança foi dispensada, pois somente os títulos vinculados ao aumento do capital social podem ter a sua cobrança dispensada em razão da redução do capital. A redução do capital social motivada por excesso de capital só autoriza a devolução dos valores empregados na constituição do capital (ou a dispensa da integralização do capital excessivo), assim sendo somente os títulos vinculados ao aumento do capital social podem ter a sua cobrança dispensada em razão da redução do capital. A falta de comprovação da vinculação dos títulos devolvidos aos sócios ao aumento do capital é mais um motivo para a rejeição da impugnação. Com relação aos empréstimos, é óbvio que os mesmos não guardam qualquer relação com o aumento do capital; logo, o perdão da dívida não pode ser justificado mediante a redução do capital (ainda que a operação tivesse sido considerada regular). Assim sendo, os benefícios concedidos aos sócios devem ser classificados como pró labores. Fica, assim constatada a inconsistência das alegações apresentadas. Fl. 1772DF CARF MF 20 Da alegada obscuridade quanto à habitualidade Neste ponto, aduz a Embargante que a decisão embargada é obscura ao sugerir que, “para ser considerado tributável, deveria haver habitualidade na operação que beneficiou o contribuinte”. A esse respeito, o voto condutor traz o seguinte texto: A conclusão da fiscalização acaba por se consubstanciar em verdadeiro "salto" argumentativo, ao entender que se o montante relativo à reavaliação das reservas foi creditado em conta passivo da empresa com o recorrente, isso representaria remuneração indireta, de "natureza salarial". Ora, não há qualquer habitualidade naquele creditamento, o qual se deu como evento isolado, acontecido em julho de 2009, sem liame aferível com prestação de serviços. Razão assiste à Embargante. De fato, considerando que o acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização independe do fator “habitualidade”, resta caracterizada a obscuridade do acórdão neste particular, tendo em vista que, conforme sinalizado acima, nos termos do acórdão embargado, “para ser considerável tributável, deveria haver habitualidade na operação que beneficiou o contribuinte”. Ora, tal requisito não consta dos arts. 37 e 38 do Decreto 3.000/99, abaixo reproduzidos para melhor análise: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Assim, impõese o reconhecimento do equívoco da decisão embargada ao estabelecer como requisito o fator habitualidade para que restasse configurado o acréscimo patrimonial, devendose adotar as fundamentações já expostas no item precedente deste voto. Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 12 21 Da alegada obscuridade quanto à prestação de serviço Aduz a Embargante que, conforme se observa, no trecho do voto condutor, já transcrito no item anterior, a decisão embargada sugere que o sócio beneficiário da operação não teria prestado serviços para a empresa. Vejamos: Ora, não há qualquer habitualidade naquele creditamento, o qual se deu como evento isolado, acontecido em julho de 2009, sem liame aferível com prestação de serviços. (grifei) Prosseguindo em sua linha argumentativa, a Embargante afirma que este ponto do acórdão também é obscuro, merecendo ser esclarecido. Para tanto, destaca que o Autuado “era sócio da empresa e assinou as alterações contratuais que o beneficiaram e, dentre outros documentos, as DIRPF do contribuinte confirmam que ele prestava serviços para a empresa no período objeto da fiscalização”. Mais uma vez, razão assiste à Embargante. De fato, sobre este ponto levantado pela Embargante, destaquese o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16/25): III – DO PROCEDIMENTO FISCAL 4. Ante o exposto, foi aberta fiscalização no Sr. Paulo César Nogueira Lacerda para verificação de obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) dos anoscalendário de 2009 e 2010, sobretudo as que concernem a eventuais omissões de rendimento relacionadas aos pagamentos de remunerações efetuadas pela ARTEC. 5. Nesse contexto, o contribuinte em comento foi devidamente intimado a apresentar a relação discriminada de todos os pagamentos recebidos, nos anos de 2009 e 2010, por serviços prestados à CONSTRUTORA ARTEC (ANEXO 01) e, em resposta a tal solicitação, apresentou a documentação constante do ANEXO 02. Como se vê, o próprio contribuinte trouxe aos autos, ainda no curso da fiscalização, relação de pagamentos recebidos por serviços prestados à Artec (fls. 45/46 e 53/55) Dúvidas não há, portanto, de que o Autuado efetivamente prestou serviços para a Construtora Artec no período fiscalizado. Assim, conforme bem sinalizado pela Embargante, não há como falar que as ações tomadas pelo próprio sócio no sentido de assinar alterações contratuais para "perdoar" ou "quitar" indevidamente suas próprias dívidas, dívidas essas que se referem diversos períodos, não teriam relação com os serviços prestados por ele à sua própria empresa. Fl. 1774DF CARF MF 22 Dessa forma, impõese o reconhecimento do equívoco da decisão também em relação a este ponto, devendose adotar as fundamentações já expostas nos itens precedentes deste voto. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2402005.801, alterar a decisão embargada para conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, alterandose a ementa daquele julgado nos seguintes termos: De: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 REDUÇÃO DE CAPITAL. CONTRAPARTIDA REDUÇÃO DE DÍVIDA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO INDIRETA. A redução de dívidas contabilizadas de origem não comprovada, do sócio perante a empresa, a título de contrapartida de redução de capital social, não se configura, por si só, em remuneração indireta que enseje a incidência do imposto de renda pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MÚTUO NÃO COMPROVADO. CONTA CORRENTE COM A PESSOA JURÍDICA Não se consubstanciam em efetivos empréstimos, mas sim em omissão de rendimentos, pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas aos sócios, quando amparados em contratos de conta corrente sem previsão de encargos e com estipulação apenas formal do prazo de devolução dos valores. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMULAÇÃO. O descompasso da escrituração e dos contratos de mútuo formalizados, com as provas carreadas nos autos, evidencia a intenção de dissimular o pagamento de rendimentos às pessoas físicas dos sócios, apta a respaldar a qualificação da multa de ofício. Para: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 REMUNERAÇÃO INDIRETA. REDUÇÃO DE DÍVIDA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA COM CRÉDITO INDEVIDO SEM RESPALDO LEGAL. A redução de dívidas contabilizadas de origem não comprovada, do sócio perante a empresa, a título de contrapartida de redução de capital social sem respaldo legal, caracteriza remuneração indireta que enseje a incidência do imposto de renda pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MÚTUO NÃO COMPROVADO. CONTA CORRENTE COM A PESSOA JURÍDICA Não se consubstanciam em efetivos empréstimos, mas sim em omissão de rendimentos, pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas aos sócios, quando amparados em contratos de conta corrente sem previsão de encargos e com estipulação apenas formal do prazo de devolução dos valores. Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 13 23 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMULAÇÃO. O descompasso da escrituração e dos contratos de mútuo formalizados, com as provas carreadas nos autos, evidencia a intenção de dissimular o pagamento de rendimentos às pessoas físicas dos sócios, apta a respaldar a qualificação da multa de ofício. Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Redator Designado Tratase de embargos opostos pela DRF/Brasília, os quais foram parcialmente admitidos pelo Presidente da Turma, com o objetivo de sanar as alegadas obscuridades em relação (a) à quitação de dívidas; (b) à habitualidade e (c) à prestação de serviços. O ilustre conselheiro relator dos embargos, em extenso e muito bem fundamentado arrazoado, votou por acolhêlos com efeitos infringentes, para alterar a decisão embargada e negar provimento ao recurso voluntário. Pois bem. Em regra, os embargos de declaração não têm a finalidade de reformar a decisão embargada, mas apenas visam a eliminar a contradição, a esclarecer a obscuridade, a suprir omissão ou a corrigir mero erro material. Tal conclusão é extraída das regras expressas constantes dos incs. I, II e III do art. 1022 do CPC e do próprio art. 65 do RICARF. Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III corrigir erro material. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Os embargos irão alterar o resultado do julgamento apenas e tãosomente quando tais providências (esclarecer, eliminar, suprir ou corrigir erro material) tiverem como consequência a igual modificação do conteúdo da decisão embargada, de forma a alterar a conclusão do decisum. Ao julgar os embargos, mormente os embargos opostos em face de decisão que não é de autoria dos membros da turma que proferiu o acórdão embargado, a turma que irá julgálo deverá manter, na medida do possível, a fundamentação e a conclusão da turma originária, jamais podendo, a pretexto de esclarecer, eliminar, suprir ou corrigir simples erro Fl. 1776DF CARF MF 24 material, expor um entendimento totalmente diverso daquele que havia sido anteriormente exposto. Exemplificativamente, tenho julgado embargos opostos em face de decisões antigas do CARF, cuja fundamentação de seus votos condutores nem sempre coincidem com o meu entendimento a respeito das matérias. Todavia, e diante do que foi exposto, não tenho modificado o entendimento exposto pela turma na ocasião da prolatação do acórdão de recurso voluntário e posso citar, como exemplos, as decisões dos embargos proferidas nos PAFs 13971.000770/200882 e 11330.000250/200717. A parte que se sentiu lesada com a decisão obviamente tem o direito de interpor os demais recursos cabíveis, a exemplo do recurso especial já interposto pela PGFN neste caso concreto, este sim o meio processual adequado para reformar a decisão ora embargada. Neste caso concreto, verificase que esta turma, nos termos do voto da então relatora Bianca Felícia Rothschild, acordara, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: REDUÇÃO DE CAPITAL. CONTRAPARTIDA REDUÇÃO DE DÍVIDA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO INDIRETA. A redução de dívidas contabilizadas de origem não comprovada, do sócio perante a empresa, a título de contrapartida de redução de capital social, não se configura, por si só, em remuneração indireta que enseje a incidência do imposto de renda pessoa física. Como fundamentação, a citada relatora valeuse, por sua vez, da fundamentação constante do acórdão 2402005.298, com as alterações relativas ao acórdão 2402005.550, ambos de relatoria do conselheiro Ronnie Soares Anderson. Observase, no acórdão embargado, que a ilustre conselheira relatora transcreveu a fundamentação do voto do ilustre conselheiro Ronnie Soares Anderson, para concluir por dar provimento ao recurso. Entre os pontos mais relevantes da argumentação da conselheira, para entender que não teria havido o fato gerador do IRPF, podem ser destacados os seguintes: A conclusão da fiscalização acaba por se consubstanciar em verdadeiro "salto" argumentativo, ao entender que se o montante relativo à reavaliação das reservas foi creditado em conta passivo da empresa com o recorrente, isso representaria remuneração indireta, de "natureza salarial". Ora, não há qualquer habitualidade naquele creditamento, o qual se deu como evento isolado, acontecido em julho de 2009, sem liame aferível com prestação de serviços. Vejase que a autoridade lançadora não logrou demonstrar a existência de rendimentos ou mesmo de proventos percebidos, assim entendidos como acréscimos patrimoniais nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88 e legislação de regência, decorrentes da quitação de dívidas do contribuinte perante a empresa, sejam aquelas constantes na conta "títulos a receber", seja as lançadas na conta "conta corrente financeira", previamente a julho de 2009. Dívidas essas, aliás, acerca das quais o próprio Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 10166.723406/201439 Acórdão n.º 2402006.477 S2C4T2 Fl. 14 25 procedimento fiscal lançou incisivas dúvidas sobre sua concreta existência. Reiterese que não houve fluxo financeiro vinculado à redução de capital em tela, passível porventura de tributação pelo imposto de renda na fonte, tampouco evidenciouse no Termo de Verificação Fiscal a mínima descrição de acréscimo patrimonial a dar azo à tributação pelo imposto de renda. Por outra via, a ação fiscal não teceu menção sequer no sentido de guardar, a situação ora analisada, similaridade com a prevista no art. 22 da Lei nº 9.249/95, que trata de devolução de participação no capital por meio da entrega de bens e direitos em valor superior ao constante na declaração da pessoa física. Mister notar que a fiscalização se esmerou em lançar dúvidas sobre a operação de reavaliação da marca, em frisar a ilegalidade do aumento de capital, e em questionar a própria existência das dívidas escrituradas como "títulos a receber" e "conta corrente financeira" objeto de redução, porém não se revelou capaz de delinear os fatos concretos hábeis a atrair a incidência do imposto de renda pessoa física. Ou seja, em esclarecer em que medida houve a subsunção de tais fatos à hipótese normativa de incidência do tributo em questão. Na verdade, se tais dívidas estavam associadas a retiradas anteriores de recursos da empresa, caberia à fiscalização ter identificado claramente no curso da ação fiscal as ocasiões em que tais levantamentos foram feitos, bem como os valores neles envolvidos, e verificar a eventual percepção de acréscimo patrimonial decorrente de tais ocorrências. Não é esteio suficiente para manutenção do gravame em questão, por conseguinte, a mera constatação de que uma dívida espelhada na contabilidade foi quitada, compensada, ou mesmo 'perdoada', mediante lançamento a créditos em contas de ativo, sem que tenha se comprovado o acontecimento de efetivas saídas de recursos da companhia para o sócio, a elas relacionados, em algum momento. Ademais, registrese que a eventual artificialidade ou mesmo ilegalidade das operações examinadas não se consubstancia, por si só, em fundamento para a imposição da autuação. Deve restar configurado no ato do lançamento o fato gerador do imposto de renda, ônus esse que obviamente cabe à autoridade lançadora, não ao julgador administrativo. Quer dizer, nos termos da fundamentação do acórdão ora embargado, a eventual artificialidade ou mesmo ilegalidade das operações examinadas não configuraria o fato gerador do imposto de renda. No presente caso, houve o lançamento de imposto de renda pessoa física, mas, de acordo com a decisão embargada, a autoridade administrativa não teria demonstrado a existência do seu fato gerador, nem de fluxo financeiro e tampouco de acréscimo patrimonial, sendo insuficiente, para tanto, as considerações relativas à artificialidade ou ilegalidade das operações. Fl. 1778DF CARF MF 26 Quanto às obscuridades relativas à habitualidade e à prestação dos serviços, o seguinte trecho da fundamentação é muito elucidativo: Ora, não há qualquer habitualidade naquele creditamento, o qual se deu como evento isolado, acontecido em julho de 2009, sem liame aferível com prestação de serviços. Quanto à obscuridade atinente à quitação de dívida, a turma havia entendido que, embora estivesse sem suporte fático a operação de compensação realizada pela empresa, seria um salto argumentativo entender que o montante dali resultante teria o objetivo de remunerar o embargado. Vejase: A conclusão da fiscalização acaba por se consubstanciar em verdadeiro "salto" argumentativo, ao entender que se o montante relativo à reavaliação das reservas foi creditado em conta passivo da empresa com o recorrente, isso representaria remuneração indireta, de "natureza salarial". Para a turma julgadora, de toda forma, o fator mais relevante seria a demonstração da existência do fato gerador do IRPF, de fluxo financeiro e de acréscimo patrimonial, o que não teria sido demonstrado pela fiscalização. Vejase: [...] Deve restar configurado no ato do lançamento o fato gerador do imposto de renda, ônus esse que obviamente cabe à autoridade lançadora, não ao julgador administrativo. Outro ponto importante é o seguinte: Pagamento não houve então, mas sim a liquidação de um passivo que o recorrente tinha para com a empresa. E mais: Reiterese que não houve fluxo financeiro vinculado à redução de capital em tela, passível porventura de tributação pelo imposto de renda na fonte, tampouco evidenciouse no Termo de Verificação Fiscal a mínima descrição de acréscimo patrimonial a dar azo à tributação pelo imposto de renda. Por outra via, a ação fiscal não teceu menção sequer no sentido de guardar, a situação ora analisada, similaridade com a prevista no art. 22 da Lei nº 9.249/95, que trata de devolução de participação no capital por meio da entrega de bens e direitos em valor superior ao constante na declaração da pessoa física. Diante do exposto, e estando esclarecidas as obscuridades, voto por acolher os embargos de declaração, sem alteração do resultado do julgamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1779DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13652.000021/2005-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. AUSÊNCIA DE PROVAS
Não havendo provas que justifiquem erro de fato ou quaisquer outras circunstancias que demonstrassem justificados motivos para o atraso, é devida a multa por entrega extemporânea da DCTF.
Numero da decisão: 1003-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13652.000021/200515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.162 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente ACT REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. AUSÊNCIA DE PROVAS Não havendo provas que justifiquem erro de fato ou quaisquer outras circunstancias que demonstrassem justificados motivos para o atraso, é devida a multa por entrega extemporânea da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 2. 00 00 21 /2 00 5- 15 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 13652.000021/200515 Acórdão n.º 1003000.162 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0919.334, de 14 de maio de 2008, da 2ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Aos 14/12/2004, a Recorrente apresentou impugnação contra Auto de Infração fls. 03, que autuou a mesma por atraso na entrega de DCTF relativa aos 2º, 3º e 4º/trimestres/2002. A DRJ/JFA analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO. DCTF. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que não é uma empresa dotada de estrutura administrativa para acompanhar e cumprir a "burocracia". vigente no país; como também afirma ser constituída apenas para dar maior flexibilidade para prestação de serviços de representação comercial de seu principal sócio; (ii) que, em relação aos fatos, não tem como reunir provas, porém reitera as informações constantes na impugnação, qual seja, ter sido vítima de confusão por pagamentos efetuados por determinada empresa. (iii) que as multas não podem ser mantidas pois não se constata omissão ou negligência de sua parte, pois desconhecia que os créditos haviam sido transferidos à empresa, quando esta estava inativa. Requer, por fim, o cancelamento da imposição da multa. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 13652.000021/200515 Acórdão n.º 1003000.162 S1C0T3 Fl. 4 3 Quanto a análise da denúncia espontânea, a Recorrente declara ter cumprido espontaneamente a falta de apresentação da DCTF antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e defende que o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias está abrangido no art. 138 do CTN. Inicialmente, cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, nem o cálculo que foi realizado no tocante ao valor da multa, limitando se, apenas, a alegar a existência de denúncia espontânea para o caso em análise. O Recorrente, em suas razões de recurso e na impugnação, destacou que o sócio gerente prestava serviço, como autônomo e também como pessoa jurídica, de representação comercial e, no período de maio a dezembro de 2002, prestou serviços na condição de autônomo para empresa Intermed Farmacêutica Ltda. Afirma que os valores referentes a essa prestação de serviço foram recebidos como pessoa física, contudo, no ano seguinte, conforme informe de rendimentos fornecidos pela tomadora dos serviços, verificou que haviam sido creditados para a pessoa jurídica, inclusive com inclusão na DIRF. Em razão desse fato, a Recorrente foi obrigada a fornecer notas fiscais extemporâneas das prestações de serviços, providenciar recolhimento em atraso dos impostos devidos e apresentar DCTF. Ocorre que declara que, na data do fato, desconhecia que as transferências haviam sido realizadas para a empresa. Em que pese os argumentos ventilados pela Recorrente, a empresa não colacionou um único documento que comprovasse tais alegações, como contrato de prestação de serviço, ou na ausência de um contrato, documentos, emails ou quaisquer outros meio de prova que comprovasse o prestador do serviço (se a pessoa física ou a jurídica), bem como a forma de pagamento remunerado. A simples alegação sem que qualquer meio de prova fosse apresentado não permite que a autoridade pública reveja o posicionamento quanto a sua aplicação. Cumpre esclarecer que estão obrigadas à apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, excetuandose aquelas enquadradas no artigo 3° da IN SRF n° 126/98 instrumento legal que regia o assunto à época dos fatos. Art 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 49 da Instrução Normativa SRF ni” 28, de 05 de março de 1998; Fl. 32DF CARF MF Processo nº 13652.000021/200515 Acórdão n.º 1003000.162 S1C0T3 Fl. 5 4 IV os órgãos públicos; as autarquias e fundações públicas. A Recorrente não informa se estava enquadrada em qualquer das exceções do dispositivo acima, sequer contesta quanto à obrigatoriedade de entrega da DCTF para o ano calendário em , limitandose apenas a justificar o atraso com a suposta confusão em relação ao serviço prestado pelo seu sócio pessoa física. A Lei nº 10.426/2002, no seu artigo 7º, estabelece regras específicas de sanção para descumprimento de obrigação relativa às declarações e, dentre elas, a DCTF, senão vejamos: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo; e(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Outrossim, conforme o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Isto significa que a administração publica tem o dever de cumprir com as determinações legais sob pena de responsabilização, uma vez identificado o descumprimento da obrigação acessória, fica o contribuinte subordinado à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13652.000021/200515 Acórdão n.º 1003000.162 S1C0T3 Fl. 6 5 Assim, uma vez constatado que a Recorrente não entregou as DCTF a que estava obrigada, no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa por atraso na entrega das declarações, prevista na legislação vigente. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000359/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 59 /2 00 9- 22 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.126, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16349.000359/200922 Acórdão n.º 3401004.906 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18183.720043/2018-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado se a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, que foi apresentada com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, motivando o auto de infração em julgamento, foi entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado se a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, que foi apresentada com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, motivando o auto de infração em julgamento, foi entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
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(assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório O presente processo inicialmente foi autuado com o nº 10630.001632/201016, sendo, conjuntamente outros processos da mesma recorrente, juntado por anexação ao processo principal 10630.001638/201085 (efls. 1400 a 3009 do processo 10630.001638/201085); com isso, tal processo perdeu sua identidade processual, do que decorreu a impossibilidade de indicálo para a pauta; tal fato motivou o despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, do que decorreu a nova numeração, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Passo à sua análise. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0230.190, exarado pela 8ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 305 a 309), do qual utilizo o relatório fiscal: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 81 83 .7 20 04 3/ 20 18 -1 5 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 18183.720043/201815 Resolução nº 2301000.706 S2C3T1 Fl. 3 2 Tratase de infração à Lei 8.212, de 24/07/91, artigo 32, inciso IV, na redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, por ter a Prefeitura Municipal de Carangola apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, com incorreções ou omissões, conforme Relatório Fiscal da Infração de fl.05 e planilhas de fls.06/36 verso. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl.62), foi aplicada penalidade no valor de R$22.500,00, prevista no artigo 32A, "caput", inciso I, §§2° e 3o, da Lei 8.212/91, acrescentados pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Segundo o referido relatório, para as infrações com fato gerador anteriores a 04/12/2008, data de entrada de vigor da MP 449/2008, a multa deve ser aplicada em observância ao artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Para tanto, foi efetuada comparação, por competência, da multa em vigor com as penalidades previstas antes da publicação da MP 449/2008, conforme planilhas de fls.63/66. E a fiscalização concluiu que, em todas as competências, a multa de menor valor seria a capitulada atualmente. A interessada foi cientificada do presente Auto de Infração AI em 27/07/2010, conforme cópia de Aviso de Recebimento AR de fl.89, e apresentou impugnação, em 27/08/2010 (fls. 92/97). Em suma: assevera que a aplicação da multa não se deu por descumprimento da legislação tributária, mas sob interpretação do que o Fisco considera ou não correto; argumenta que uma das incorreções apontadas pela fiscalização referese às compensações nas GFIP de 07/09 a 05/09, mas que tais compensações estavam devidamente amparadas por decisão judicial; afirma que atuou sob tutela judicial, no sentido de autorizar a compensação e ainda, que não tinha qualquer dever de informar os pagamentos realizados a estagiários e autônomos em GFIP, vez que não estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/03/2011 (efl. 312). Em 15/04/2011 (efl. 327), foi apresentado recurso voluntário (efls. 313 a 321), sendo alegado, em síntese, que uma das incorreções apontadas pela fiscalização referese às compensações nas Gfip de 07/09 a 05/09, mas que tais compensações estavam devidamente amparadas por decisão judicial, a ausência de incorreções em Gfip, que as compensações foram realizadas com amparo judicial, na decisão proferida nos autos do processo 2008.38.00.0290379. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 18183.720043/201815 Resolução nº 2301000.706 S2C3T1 Fl. 4 3 Os pedidos consistem em se julgar improcedente o auto de infração. Em 30/04/2015, despacho da Secretaria da 3ª Câmara desta 2ª Seção do Carf (e fl. 3010 do processo principal 10630.001638/201085), informou que: O processo indicado acima teve Recurso Voluntário julgado em 14/05/2013, conforme Acórdão 2803002.328 (fls. 1.369/1.380). Encaminhado para ciência do representante da Fazenda Nacional, retornou ao Carf e foi à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para ciência do Recorrente. Em 07/04/2015 o processo retornou ao Carf com o seguinte despacho (fl. 1.399): "Após entendimento telefônico, devolvemos o presente processo ao CARF/DF/MF para prosseguimento. Ressaltamos que após análise dos processos anexados a este, todos os processos deverão retornar juntos a esta ARF/MAN tendo em vista o sistema só permite movimentar o processo principal." De fato, há um termo de juntada por anexação (fl. 1.367) dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/201005, 10630.001636/201096, 10630.001637/2010 31, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. No entanto, no momento do julgamento, em 14/05/2014, não estavam juntados aos autos do 10630.001631/201063. Assim, como a juntada por anexação já existia de direito, conforme o termo (fl. 1.367), mas não estava consolidada de fato, fizemos nesta data a juntada dos demais autos de infração referentes aos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020 e devolvo ao Relator para prosseguimento. (Grifouse.) O despacho de admissibilidade de embargos do conselheiro das efls. 3015 a 3017 (processo 10630.001631/201063) determinou o julgamento dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/2010 96, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. Como já referido, como decorrência do despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, tal processo foi numerado, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O auto de infração foi lavrado em 20/07/2019 (efl. 1402), em razão de ter a contribuinte apresentado com informações incorretas ou omissas a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, conforme se constata da transcrição a seguir: Fl. 332DF CARF MF Processo nº 18183.720043/201815 Resolução nº 2301000.706 S2C3T1 Fl. 5 4 Reza o art. 32A da Lei 8.212, de 1991: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) A seu turno, dispõe o art. 32 da Lei 8212, de 1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS;(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 333DF CARF MF Processo nº 18183.720043/201815 Resolução nº 2301000.706 S2C3T1 Fl. 6 5 Dispõe o art. 49 da Lei n° 13.097, de 2015: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (Grifouse.) Não há dúvidas de que a referida declaração tenha sido entregue, uma vez que o relatório fiscal descreve a sua apresentação com incorreções. Porém, o auto de infração é silente quanto ao momento da entrega da declaração em comento. Assim, não há como saber se é aplicável, ou não, a anistia carreada no art. 49 da lei 13.097, de 2015, que transcrevo: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (Grifouse.) Desse modo, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que seja informado se a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, que motivou o auto de infração em julgamento, foi entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. A recorrente deverá ser intimada da manifestação da autoridade preparadora, abrindose o prazo de trinta dias para suas alegações. Após, devem os autos retornar para julgamento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.909919/2012-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados
da ciência do Aviso de Recebimento da decisão da DRJ.
Numero da decisão: 3001-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência do Aviso de Recebimento da decisão da DRJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 62 1 61 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.909919/201208 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.522 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente INDÚSTRIA GOIANA EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência do Aviso de Recebimento da decisão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 99 19 /2 01 2- 08 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório A empresa apresentou Dcomp a fim de compensar pagamento como tido a maior. Após os cruzamentos devidos, foi decidido através de Despacho Eletrônico, pela inexistência de saldo passível de ser compensado, tendo em vista que todos os pagamentos foram alocados em débitos informado pelo próprio contribuinte. Manifestação de Inconformidade A recorrente apresentou defesa fundada no argumento de ocorrência de erro no preecnchimento da DCTF original do 2.o semestre de 2008, no qual informou um débito de Pis no valor de R$ 480,78, quando, consoante relata a contribuinte, o correto seria R$200,03, em paridade com a DACON apresentada. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada conforme a seguinte ementa: Acórdão 1448.000 5ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. O relatório por bem transcrever a realidade dos autos merece ser transcrito: INDUSTRIA GOIANA DE EMBALAGENS LTDA contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10120909919201208, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma materia em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10120.909919/201208 Acórdão n.º 3001000.522 S3C0T1 Fl. 63 3 Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 1719 do “processo principal” transmitida em 17/02/2009 que se refere ao recolhimento relativo ao período de apuração de julho/2008. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 6 do “processo principal”, proferido em 1/10/2012, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, tal qual as fls. 45 do processo principal alegando erro no preenchimento das DCTFs quanto ao valor do PIS devido naqueles períodos, que seriam menores, sendo que apresenta DCTFs. Trechos retirados do texto do voto condutor que demonstram a concatenação do raciocínio utilizado na fundamentação da decisão de primeira instância administrativa. Rejeito de plano tal alegação. Isso porque inexiste no Perdcomp qualquer registro da contribuinte de qual seria o motivo do alegado “recolhimento a maior”. Os Recolhimentos que apontou como realizados a maior já estavam alocados a débitos regularmente confessados. Logo, ao apreciar o pleito a Autoridade Administrativa constatou a inexistência de créditos disponíveis para compensação e corretamente indeferiu o pleito por esse motivo. Por certo, a contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar as DCTF para aflorar o direito creditório que pleiteava. Tenho por norte a premissa de que a DCTF regularmente entregue é o documento hábil para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram quitados. No presente caso entendo que não se trata de Simples erro no preenchimento do Perdcomp passível de retificação, tratase de vicio insuperável até por conta do decurso de prazo de 5 anos para pleitear a restituição. Recurso Voluntário Após reproduzir parcela dos fatos narrados na defesa inicial, Ao analisar o voto condutor da decisão sob vergasta, entende que a ausência de DCTF retificadora impediu o devido encontro de contas para a efetiva compensação, vez que o débito informado na DCTF original absorveu o pagamento tido a maior. Informa que o valor tido como legitimo a recuperar originouse da reapuração de seu tributo, resultando, em tributo menor que o originalmente quantificado. Fl. 64DF CARF MF 4 Não obstante, a recorrente reconhece sua falha a respeito da atraso em retificar a obrigação acessória em data posterior ao despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Admissibilidade do Recurso Voluntário Intempestividade Compulsando estes autos, verificase que a ciência do resultado do julgamento ocorrido em primeira instância, deuse em 29 de abril de 2014, conforme se depreende do termo de abertura de documento em fls. 44. O decurso de prazo para a apresentação do Recurso Voluntário deuse em 30 dias, ocorrido, portanto, em 29 de maio de 2014. Já o termo de solicitação de juntada do referido recurso, em fls. 55, referente ao Recurso voluntário,demonstra que ocorreu somente, em data em 30 de maio de 2014. Desta forma, intempestivo o recurso. Dos requisitos de admissibilidade O contribuinte, conforme visto acima, e, corretamente averiguado pelo TERMO DE PEREMPÇÃO de fls. 60, sendo assim constatada, conforme fls. 55, o TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA. A juntada dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) se deu em 30/05/2014, portanto, após a data fatal de 29 de maio de 2014. De acordo com os termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF), iniciouse a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme seu artigo 5º. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Logo, o recurso apresentado é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10120.909919/201208 Acórdão n.º 3001000.522 S3C0T1 Fl. 64 5 Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Vale ressaltar que o que o exame do recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção, conforme dispõe o art. 35 do PAF: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conclusão Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, não comportando apreciação por essa instância recursal, exceto quanto à admissibilidade. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722960/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. AUTO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO.
Inexiste nulidade quando a autuação está amparada nos fatos e nos fundamentos que, no entender da autoridade autuante, ensejariam as glosas das despesas declaradas e a apuração do imposto suplementar devido.
DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF
Numero da decisão: 2402-006.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente PAULO PEDRO BELLINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. AUTO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. Inexiste nulidade quando a autuação está amparada nos fatos e nos fundamentos que, no entender da autoridade autuante, ensejariam as glosas das despesas declaradas e a apuração do imposto suplementar devido. DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 29 60 /2 01 3- 35 Fl. 389DF CARF MF 2 João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de IRPF, anoscalendário 2009 a 2011, no valor total de R$ 122.986,72, lavrada diante da constatação das seguintes infrações: (a) anocalendário 2009: dedução indevida de despesas médicas – R$ 87.8000,00; (b) anocalendário 2010: dedução indevida de despesas médicas – R$ 69.218,81; (c) anocalendário 2011: dedução indevida de despesas médicas – R$ 70.561,49. Os fatos e os fundamentos que ensejaram as glosas das deduções, com a consequente apuração do imposto suplementar, estão detalhados no relatório fiscal de fls. 211/217, que podem ser assim sintetizados: · Unimed Nordeste S/A nos anoscalendário 2009 a 2011, o contribuinte deduziu valores superiores aos passíveis de dedução; · Francisco J. Karkow os valores seriam elevados, mensais, e pagos em dinheiro, de forma sistemática, sendo que, a partir de maio de 2011, os serviços teriam sido prestados através da Clínica K Serviços Médicas Ltda. As glosas também foram efetuadas porque relativas a despesas de deslocamento, conforme alegado pelo sujeito passivo, despesas estas não passíveis de dedução. Veja:se: · Elisabeth Macedo Karkow os valores seriam elevados, mensais, e pagos em dinheiro, de forma sistemática. Os recibos também não evidenciaram o CPF e o endereço da profissional. Vejase: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11020.722960/201335 Acórdão n.º 2402006.542 S2C4T2 Fl. 3 3 · Antônio Karkow os recibos carecem de requisitos formais, tais como o CPF do profissional e a natureza do serviço prestado. O contribuinte apresentou impugnação, acompanhada de documentos, na qual requereu o cancelamento do débito fiscal, tendo em vista a (i) existências das preliminares suscitadas e (ii) os documentos comprobatórios. Em petição protocolada em 23/09/2012, o sujeito passivo requereu prioridade de tramitação, com base no art. 71 do Estatuto do Idoso. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. PROVA. A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Da impugnação e da decisão da DRJ, depreendese que o contribuinte não contestou a glosas das despesas declaradas em favor da Unimed Nordeste S/A, mas sim efetuou o recolhimento das parcelas atinentes a essa infração. Intimado da decisão em 29/01/2015 (fl. 370), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 25/02/2015, no qual reafirmou os seguintes fundamentos de sua impugnação: (a) preliminar de nulidade do lançamento, uma vez que a autoridade teria se baseado em ilações para rejeitar as despesas declaradas e não teria fundamentado a pretensão tributária; (b) no mérito, basicamente afirma que os documentos juntados preenchem os requisitos necessários para permitir a dedução pleiteada; (c) ainda assevera que as despesas seriam relativas a dois octogenários que tiveram diversos problemas de saúde ao longo daqueles anos; Fl. 391DF CARF MF 4 (d) as despesas não seriam exageradas em relação aos rendimentos declarados; (e) o próprio recorrente teria se submetido a uma cirurgia cardíaca em 2008; (f) a esposa do recorrente tinha vários problemas de saúde e inclusive veio a falecer; (g) todas as informações constariam de relatório médico; (h) o fisco não apontou nem demonstrou quaisquer indícios que poderiam colocar em dúvida os recibos. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da controvérsia Como visto, as glosas de parte das deduções declaradas com a Unimed Nordeste S/A são incontroversas e o próprio sujeito passivo teria efetuado o recolhimento dos valores devidos, o que certamente será apurado em sede de liquidação. A DRJ, por outro lado, julgou improcedente a impugnação, mantendose as demais glosas que são objeto de controvérsia neste PAF. Em sendo assim, a controvérsia remanescente é aquela relativa às seguintes glosas: Francisco J. Karkow, Clínica K Serviços Médicas Ltda, Elisabeth Macedo Karkow e Antônio Karkow. Em sede de recurso, o sujeito passivo basicamente reafirmou as teses de defesa postas na impugnação, que serão analisadas a seguir. 2.1 DA PRELIMINAR Em sede de preliminar, o recorrente assevera que a autoridade teria se baseado em ilações para rejeitar as despesas declaradas e não teria fundamentado a pretensão tributária. Todavia, observase que o auto de infração e o relatório fiscal estão amparados nos fatos e nos fundamentos que, no entender da autoridade autuante, ensejariam as glosas das despesas declaradas e a apuração do imposto suplementar devido. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11020.722960/201335 Acórdão n.º 2402006.542 S2C4T2 Fl. 4 5 Vejase, exemplificativamente, que os fatos detalhados no relatório fiscal são suficientemente claros, a exemplo da acusação segundo a qual parte dos recibos não teriam o número do CPF do profissional e nem o seu endereço. Além disso, o agente autuante dignouse de indicar os dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda que, na sua ótica, ensejariam o lançamento, a exemplo do art. 73. Quanto às supostas ilações, realmente um lançamento dessa natureza acaba por descredibilizar os recibos e as declarações prestadas por terceiros (no caso, pelos médicos e pela clínica que a atendeu o contribuinte e sua dependente), mas essa matéria será tratada no mérito, uma vez que a comprovação ou não das despesas através dos documentos carreados aos autos é relativa ao próprio direito material, não se tratando, pois, de questão de natureza preliminar. De outro vértice, É amplamente sabido que somente há nulidade quando o descumprimento de uma regra legal ou infralegal cause prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Nessa toada, as eventuais formalidades constantes das instruções normativas emanadas da Receita Federal do Brasil ou da antiga Receita Previdenciária não constituem um fim em si mesmas, mas sim representam um meio de assegurar o direito do devido processo legal. O sujeito passivo tem todo o direito de saber os fatos contra si imputados e as provas nos quais ele se alicerçam. Todos os atos e termos devem ser lavrados por pessoa competente, e os despachos e as decisões devem ser devidamente fundamentados, e de forma alguma pode, por qualquer via, ser preterido o direito de defesa do administrado. Expressandose de outra forma, a apoiandose na inexcedível doutrina do professor Leandro Paulsen, "a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente"1, já que as formalidades "não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa"2. Neste caso concreto, a recorrente fez alegações extremamente genéricas acerca do cerceamento do seu direito de defesa. Nem mesmo num patamar mínimo aceitável, ela precisou de que forma estaria caracterizado tal cerceamento. É óbvio que, a depender do grau de deficiência da instrução processual ou da decisão prolatada no bojo do processo administrativo, o sujeito passivo realmente não tem como fazer uma indicação mais precisa, mas não é isso que ocorre neste caso. Pelo contrário, e como bem decidido pela instância a quo, o RDA relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que seriam deduzidas das contribuições apuradas, mas a própria contribuinte reconheceu não ter efetuado nenhum recolhimento das contribuições lançadas, nem mesmo quanto à prestação de serviços prestados por meio de cooperativa de trabalho. Por outro lado, não houve o arrolamento de bens do sujeito passivo e, por consequência, não houve a emissão do TAB. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 133. 2 PAULSEN, Leandro. Obra citada, p. 133. Fl. 393DF CARF MF 6 Finalmente, e quanto à não entrega dos relatórios em mídia digital, a decisão recorrida foi igualmente incensurável ao afirmar que o sujeito passivo teve acesso a todos os relatórios integrantes da presente NFLD em meio impresso, o que viabilizou o seu direito de defesa. Noutro giro verbal, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu ao recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o lançamento ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Ou seja, do ponto de vista procedimental, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente, rejeitandose, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. 2.2 DA COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80 do RIR/1999. O seu § 1º, inciso III, preleciona o seguinte a respeito da comprovação: Art. 80. [...] § 1º O disposto neste artigo: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destacouse) A comprovação, portanto, é feita mediante a indicação do nome, endereço e número de inscrição do profissional. Dito de outra forma, os pagamentos são comprovados através dos recibos ou das notas fiscais de prestação de serviços, elaborados em consonância com os requisitos supra mencionados. Na falta dessa documentação (“podendo, na falta de documentação”), admite o Regulamento a exibição dos cheques nominativos. Essa exibição, pois, é uma alternativa para o contribuinte que não possua os recibos ou as notas fiscais. Vale lembrar que lançamento tributário é um ato administrativo vinculado, no qual não há margem para discricionariedade, conforme regra expressa do art. 142, parágrafo único, do CTN. Segundo o Professor Paulo de Barros Carvalho, “o ato jurídico administrativo do lançamento é vinculado, significando afirmar que se coloca entre aqueles Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11020.722960/201335 Acórdão n.º 2402006.542 S2C4T2 Fl. 5 7 para a celebração dos quais não atua o agente com qualquer grau de subjetividade” 3, de tal modo que a comprovação das deduções deve ser efetuada em conformidade com a Lei, e não de acordo com o juízo da autoridade administrativa. Da própria definição de tributo, contida no art. 3º do Código, depreendese a natureza vinculada do ato de lançamento. Nesse sentido, o professor e juiz federal Leandro Paulsen observa que “da própria definição legal de tributo (art. 3º do CTN) tirase que é prestação pecuniária cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” 4. O único critério aceitável, portanto, é o critério legal, que, digase de passagem, não varia de pessoa para pessoa, tampouco está sujeito a variações de humor. Destarte, a hipótese em estudo é regida pelo art. 80, § 1º, inciso III, do Regulamento, segundo o qual os pagamentos devem ser comprovados “com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu”. A par desse dispositivo, o art. 320 do Código Civil Brasileiro preleciona que o recibo é o meio de prova do pagamento, isto é, do fato de o devedor ter solvido a obrigação entabulada junto ao credor. A Fazenda Pública tem exacerbado a exigência a respeito da comprovação dos pagamentos em função da prática infeliz da utilização de despesas de modo simulado, o que não significa que todas as situações nas quais não haja a exibição de movimentação bancária possa ser subjetivamente considerada como fraudulenta. Por se colocar entre os atos administrativos vinculados, não se pode admitir que a simples vontade do agente fiscal seja suficiente para obrigar o contribuinte a apresentar outros meios de prova, até porque não há como demonstrar um pagamento em dinheiro, senão por intermédio do recibo ou da nota fiscal. Em todas as relações do Estado com o cidadão ainda se nota uma predominância exagerada do poder estatal, sobretudo na relação jurídicotributária, que é, por essência, uma relação de poder. Todavia, e como sabido, as normas limitadoras desse poder estão erigidas em patamares superiores, fundadas que estão na Lei Maior, segundo a qual a máfé não se presume, mormente em função da extensão do princípio fundamental da presunção de inocência. A infeliz utilização de recibos fraudulentos deve, efetivamente, ser coibida e combatida pelo Estado, mas somente mediante os meios legais e justificáveis. Não se pode esquecer que a possibilidade de dedução das despesas médicas não é nenhum favor legal. 3 Curso de Direito Tributário. 22. Ed. – São Paulo : Saraiva, 2010, p. 463. 4 Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 987 Fl. 395DF CARF MF 8 O Estado é quem deveria fornecer um serviço de saúde adequado (art. 6º da Constituição Federal), não o fazendo pelo mal uso dos recursos públicos, obrigando os bons cidadãos a se utilizarem de serviços privados de saúde, educação, segurança, etc. No caso concreto, verificase o seguinte: (1) Francisco J. Karkow A glosa foi efetuada porque, inclusive no tocante aos valores pagos através da Clínica K Serviços Médicos Ltda, eles seriam elevados, mensais e não teria havido comprovação do efetivo pagamento. Todavia, o conjunto dos recibos comprobatórios anexados às fls. 271/283, 298/308 e 317/325 demonstra que foram cumpridos os requisitos estabelecidos no Regulamento, havendo, no citado conjunto, a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu. Por outro lado, a declaração de fls. 267/268 dá conta da extensão e da necessidade dos serviços prestados por aquele profissional. Nesse contexto, deve ser restabelecida a dedução dos valores pagos a Francisco J. Karkow, sendo R$ 53.500,00 no anocalendário 2009, R$ 28.500,00 no ano calendário 2010 e R$ 13.000,00 no anocalendário 2011, devendo, igualmente, serem restabelecidas as deduções com a Clínica K Serviços Médicas Ltda, no valor total de R$ 23.000,00, no anocalendário 2011. (2) Elisabeth Macedo Karkow No entender do agente fiscal, os valores seriam elevados, mensais e pagos em dinheiro, de forma sistemática. Os recibos também não evidenciariam o CPF e o endereço da profissional. Pois bem. O CPF da profissional está transcrito nos recibos de fls. 285, 294 e 309/315. Com razão, entretanto, a autoridade pontuou a inexistência do endereço da psicóloga, o que realmente infringiu o disposto no Regulamento. A este conselheiro, parece importante a menção ao endereço do profissional, a fim de propiciar uma eventual fiscalização da Receita no próprio prestador. Desta maneira, o descumprimento desse requisito legal torna o valor passível de glosa, a qual, portanto, deve ser mantida. Lembrese que o próprio Regulamento prevê que a dedução "limitase a pagamentos especificados" na forma do inc. III do § 1º do seu art. 80, havendo, ali, determinação do endereço do profissional. (3) Antônio Karkow De acordo com a autoridade fazendária, os recibos careceriam de requisitos formais, tais como o CPF do profissional e a natureza do serviço prestado. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11020.722960/201335 Acórdão n.º 2402006.542 S2C4T2 Fl. 6 9 Todavia, o CPF do prestador está transcrito no recibo de fl. 270. Já o pagamento somente poderia ser de honorários médicos, uma vez que os dois recibos estão em papeis timbrados do prestador, contando, ainda, com o número do seu CRM. E mais, o signatário dos documentos qualificouse como médico, o que revela a natureza do serviço prestado, a par dos esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. Nesse contexto, deve ser restabelecida a dedução das despesas pagas a esse profissional, no valor total de R$ 2.400,00, anocalendário 2009. Nada havendo que possa infirmar a veracidade dos documentos elaborados de conformidade com o Regulamento (e a veracidade deles não foi contestada em momento algum), não se mostra razoável exigir a exibição de cheques, extratos, transferências ou qualquer outro documento comprobatório, mormente porque os pagamentos foram efetuados em espécie e diluídos mensalmente. Por outro lado, e muito embora pudesse ter comprovado o contrário, a RFB não negou que os beneficiários dos recibos tenham recebido os pagamentos. Isto é, podese presumir que os valores já foram oferecidos à tributação. A não aceitação dos recibos traz em seu bojo, ainda que implicitamente, uma série de ilações infundadas, em prejuízo, inclusive, dos profissionais envolvidos, o que não se coaduna com o princípio segundo o qual a boafé se presume, devendo a máfé ser provada pelo interessado. A par disso, e como demonstrado pelo recorrente, os valores pagos são compatíveis com os seus rendimentos declarados. Até pela idade do recorrente e de sua esposa, e sobretudo por sua condição financeira bastante favorável, essa fração, que já não é elevada, é totalmente compreensível, como demonstram as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). O próprio valor absoluto também não é elevado. Nesse contexto, cumpre observar que o § 1º do art. 73 do RIR/1999 preceitua que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, o que, como o recorrente comprovou, não é o caso dos autos, em que as despesas são realmente compatíveis com seus rendimentos. Nessa toada, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, a fim de que sejam restabelecidas as deduções referidas acima. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que sejam restabelecidas (i) as deduções dos valores pagos a Francisco J. Karkow, sendo R$ 53.500,00 no anocalendário 2009, R$ 28.500,00 no anocalendário 2010 e R$ 13.000,00 no anocalendário 2011; (ii) as deduções dos valores pagos à Clínica K Serviços Fl. 397DF CARF MF 10 Médicas Ltda, no valor total de R$ 23.000,00, anocalendário 2011; (iii) e as deduções dos valores pagos a Antônio Karkow, valor total de R$ 2.400,00, anocalendário 2009. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado. Em que pese as muito bem articuladas fundamentação e conclusão do voto condutor, delas ouso discordar. O ponto de discordância resumese, podese assim dizer, à necessidade de o contribuinte comprovar, após regularmente intimado, a transferência do numerário em função das despesas com hospital e com profissionais da área médica de que pretendeu se valer por meio de recibos apresentados à Fiscalização. Faço registrar as considerações promovidas pela autoridade julgadora de primeira instância. Confirase: Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11020.722960/201335 Acórdão n.º 2402006.542 S2C4T2 Fl. 7 11 A base legal para dedução de despesas dessa natureza é a alínea "a" do inciso II do artigo 8º da Lei 9.250/95, que assim estabelece: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaquei) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Vejase, não basta que tenha havido a despesa. É imprescindível que tenha sido efetivamente PAGA pelo contribuinte. De início, a despesa reputase comprovada por meio da indicação do nome, endereço e nº do CPF de quem recebeu o pagamento, sendo que, por outro lado, a comprovação do efetivo pagamento não se dá, por óbvio e necessariamente, por meio dessa mera indicação. Da leitura do dispositivo encimado, inferese que não basta que haja um pagamento a determinada pessoa, há de se comprovar a natureza da despesas e/ou motivo que deu azo a tal pagamento; da mesma forma, não basta que haja a despesa descrita e evidenciada por meio da indicação do nome, endereço e CPF do profissional que prestou o serviço, há de se comprovar seu efetivo pagamento por parte do contribuinte. Assim, penso que há de se comprovar, quando intimado, o pagamento de despesas dessa natureza, aí entendida a transferência do numerário pelo contribuinte àquele que teria prestado o serviço cuja despesa é dedutível para fins de apuração do IR, sobretudo quando o Fisco, a seu juízo, evidencia a necessidade de que assim seja feito, em função, por exemplo, da ocupação do contribuinte (em regra, profissionais liberais), valores envolvidos (em geral, abaixo do limite de isenção por emitente dos recibos), expressividade das despesas médicas em comparação aos rendimentos tributáveis declarados, tipo das despesas médicas envolvidas (a rigor, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, via de regra não cobertos por planos de saúde), dentre outros. Fl. 399DF CARF MF 12 Não é por outro motivo que o artigo 73 do Decreto 3.000/99 estabelece que "todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora". Assim sendo, uma vez não atendida a intimação fiscal de fls. 172, no sentido de que fosse comprovado o desembolso para pagamento das despesas com aqueles profissionais, tenho que a manutenção do lançamento é um imperativo, alinhandome à conclusão da decisão de piso quando assentou que "pelo fato da não comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas e glosadas pelo Fisco, deve ser mantida a infração de dedução Indevida de Despesas Médicas pertinentes ao anos calendários 2009 a 2011, constantes do Auto de Infração de fls 196/210" Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000151/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2002
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
Numero da decisão: 3302-005.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9º-A e 9º-B ao art. 3º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9ºA e 9ºB ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 51 /2 00 3- 81 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 169 2 Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 8890: Trata o presente de Declaração de Compensação — DCOMP na qual o interessado compensa débito da Cofins do período de apuração fev./2003 com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido da Cofins, referente ao período de apuração jun.12002, crédito esse de valor declarado de R$ 2.179,06 — fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 51/53, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da0 base de cálculo da COFINS o valor de R$ 417.213,24 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9 0 , do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fls.52/53) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 09/05/2008 (sextafeira), fl. 57, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/06/2008, fls. 58/65, alegando, em síntese: a) Que a base de cálculo da Cofins é o faturamento nos termos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 3° da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; b) Que é operadora de planos de assistência à saúde., atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; c) Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; d) Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins; Em 24 de novembro de 2008, a DRJ/RPO, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação feita na manifestação de inconformidade e, manteve o despacho decisório que não homologou a compensação objeto dos autos, com base nos seguintes fundamentos: A manifestação é tempestiva e revestida das formalidades legais, pelo que deve ser conhecida. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 170 3 O § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, inserido pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, permitiu deduções da base de cálculo do PIS e da Cofins às operadoras de plano de assistência à saúde, caso do interessado, somente das rubricas relacionadas no referido dispositivo legal, a saber: Art. 2°. O art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado. Do exposto, voto pelo indeferimento da solicitação, mantendo a decisão proferida pela DRF em são José do Rio Preto. Intimada da decisão em 10.03.2009 (fls.96), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.03.2009 (fls.97106), reproduzindo as alegações apresentadas em sua defesa. Em 26 de junho de 2012, o processo foi convertido em diligência nos termos da decisão de fls. 116129, a saber: Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 417.213,24 ou de R$ 412.818,12, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. Intimada à fornecer documentos e prestar informações para cumprimento da diligência anteriormente citada, a Recorrente se manifestou através da petição carreada às fls.152157. Ato contínuo a fiscalização apresentou a informação fiscal de fls. 158161, prestando os seguintes esclarecimentos: (...) 5. Intimamos o contribuinte no Termo de Intimação às fls. 142 a 146, para que esclarecesse se entre os prestadores que ele já havia nos apresentado (em resposta à intimação de fl 37, o contribuinte detalhou, às fls. 42 a 44, todos os Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 171 4 pagamentos feitos à sua rede de prestadores dos serviços médicos) estavam listados profissionais ou estabelecimentos de sua rede própria, considerando a definição de “rede própria” constante da RESOLUÇÃO DE DIRETORIA COLEGIADA – RDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000, in verbis: Art. 2º Para fins desta Resolução, definese como rede própria: I hospitalar: todo e qualquer recurso físico hospitalar de propriedade: a) da operadora; b) de entidade ou empresa controlada pela operadora; c) de entidade ou empresa controladora da operadora; II médica ou odontológica: a constituída por profissional assalariado ou cooperado da operadora 6. Também, consultamos a DIRF/2002 entregue pelo contribuinte, e verificamos que nenhum dos seus assalariados (relação abaixo) constava da lista dos prestadores de serviços médicos de fls. 42 a 44. (...) 7. Em resposta ao Termo de Intimação às fls. 142 a 146, às fls. 152 a 157, o contribuinte confirma que nenhum dos pagamentos feitos à sua rede de prestadores dos serviços médicos referiase a pagamento a profissionais ou estabelecimentos de sua rede própria. 8. Portanto, os valores das contas 4.1.1.1 e 4.4.1.3.4 não incluíram pagamento de eventos à rede própria do São Domingos Saúde. Era o que se tinha a informar. 9. Para constar e surtir os efeitos legais, lavro o presente termo, lavro o presente termo, assinado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e enviado ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) do contribuinte, em conformidade com o disposto no artigo 23, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. 10. É facultado ao interessado manifestarse quanto esta Informação Fiscal, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Intimada da informação fiscal, a Recorrente permaneceu silente. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 172 5 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 10.03.2009 (fls.156) e protocolou Recurso Voluntário em em 23.03.2009 (fls.157166) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Mérito A discussão sob análise já foi inúmeras vezes analisada por este Conselho, inclusive contra a própria Recorrente. Assim, por se tratar de matéria fartamente debatida neste Tribunal, adoto como razão de decidir o voto proferido no acórdão 3302002.012 (PA 10850.900093/200611) que, envolve a ora Recorrente e matéria idêntica a discutida nos presentes autos, a saber: Conforme se depreende do relatório acima transcrito, os pedidos de restituição e as compensações dele decorrentes foram considerados indevidos uma vez que a fiscalização entendeu como indevidas as deduções da base de calculo efetuadas pela recorrente. As divergências foram assim resumidas: Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a titulo de "Outras Exclusões" valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. A recorrente entende que faz jus a exclusão do que ela denomina como sendo atos cooperativos auxiliares (hospitais, clinicas, etc) e os médicos não cooperados, mas que na verdade são valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. É bom destacar que tal benefício não está relacionado a atividade cooperativista, pois está direcionado as operadoras de plano de assistência à saúde. Sobre este tema são esclarecedores os argumentos externados pela ilustre Conselheira Fabiola C. Keramidas, nos autos do processo nº 13971.002373/200411, que com o brilhantismo de praxe assim pontuou: “Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 173 6 Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 174 7 ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais1, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 175 8 É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1)O credenciado presta o serviço para o beneficiário;Janeiro /X1 (2)após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação.Fevereiro/X1 (3)apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento.Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 176 9 setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 177 10 beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para pode atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE E ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. Assim, entendo que devam ser excluídos da base de calculo das contribuições os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, valores estes relacionados ao item III do dispositivo legal ora analisado. Neste contexto são indevidas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal relacionadas a pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, ente outros, devendo o processo retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. Nestes termos, entendo que é direito da Recorrente excluir, da base de cálculo da contribuição aqui tratada, os valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc..., outrora registrados na conta "Outras Exclusões", devendo, assim, o processo Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 178 11 retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 178DF CARF MF
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