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Numero do processo: 10325.001825/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADOS.
Não tendo o contribuinte logrado comprovar a origem de parte dos recursos ingressados em sua conta corrente, não há como acolher a tese de que se tratam de operações isentas e/ou não tributadas pela legislação do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1301-001.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares argüidas e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Recorrente MUNDO DOS CEREAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADOS. Não tendo o contribuinte logrado comprovar a origem de parte dos recursos ingressados em sua conta corrente, não há como acolher a tese de que se tratam de operações isentas e/ou não tributadas pela legislação do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares argüidas e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 18 25 /2 00 9- 89 Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada e de Recurso de Ofício, ambos manuseados contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE. Verificase que em desfavor da recorrente foram lavrados autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 1.595 1.605), Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 1.606 1.616), Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL (fls. 1.617 1.630), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 1.631 1.641). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante no lançamento principal (IRPJ fls. 1.597 1.599), foi apurada infração consistente em omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, referentes a depósitos e investimentos, realizados em instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal anexado ao presente (fls. 1.642 1.645). Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 2.057 – 2.058), alegando em síntese que a autoridade fiscalizadora afirma na folha de continuação do Auto de Infração que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos, no entanto, analisou os relatórios de depósitos em conta bancária, enviados pela autoridade fiscalizadora, tendo detectado que parte dos créditos em sua conta corrente no BASA foram advindos de operações de Conta Garantida, parte também desses créditos oriundos de operação de Hot Money e Financiamento com repasse do BNDES. Afirmou que tais valores se encontram descritos de maneira inequívoca nos próprios relatórios denominados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, como na PLANILHA ANEXA AO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, às fls. 50 a 254 deste processo. Argumentou que no dia 25/11/2009, deu entrada em um requerimento protocolado sob nº 03202038, no qual requereu a exclusão desses valores para a apuração adequada da efetiva movimentação financeira, tendo anexado cópias de extratos do próprio BASA nos quais estão demonstrados os saldos devedores dessas operações de crédito, ainda Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10325.001825/200989 Acórdão n.º 1301001.566 S1C3T1 Fl. 3 3 hoje objeto de ação de cobrança judicial do banco contra a empresa, o que não teria sequer sido observado. Sustentou ainda, que teve o cuidado de assinalar nas próprias folhas do então Termo de Solicitação de Documentos, os valores que correspondem à Operações de Conta Garantida e Hot Money e Financiamento, marcandoos com destacador de texto, aduzindo que se descontados os valores correspondentes às Operações de Conta Garantida e Hot Money e Financiamentos, os demais valores objeto da movimentação financeira estão cobertos pelo montante da receita bruta oferecida à tributação, declarada em DCTF e que os valores apurados referentes ao IRPJ e a CSLL tomados pelo total da suposta diferença entre a movimentação e receita bruta deixaram de contemplar, descontando valores que não correspondiam a operações de depósitos, bem como não reconheceram o total da receita bruta Declarada em DCTF. Mencionou que os valores apurados referentes ao PIS e à COFINS não levaram em consideração que o produto objeto de toda a receita bruta da empresa, é isento do pagamento desses dois tributos, requerendo fossem julgados improcedentes os mencionados Autos de Infração. Analisando a matéria, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, Resolução DRJ/FOR nº 1.881, de 02/03/2010 (fls. 2.061 2.063), para que o autuante se pronunciasse a respeito da resposta ao Termo de Intimação apresentada pelo sujeito passivo (fls. 1.632 1.827), informando se as operações por ele apontadas correspondem efetivamente a empréstimos perante o sistema financeiro e, em caso afirmativo, deveria ser apurado o novo saldo a tributar e o crédito tributário remanescente porventura ainda devido. Solicitouse assim, que ao final da diligência fosse elaborado relatório conclusivo, podendo a autoridade responsável pelos exames acrescentar outros esclarecimentos que entender necessários ao deslinde da questão. Em atenção, o responsável pela diligência realizou os exames requeridos, produzindo, ao final, o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 2.072 2.096). A 3ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 2.098 a 2.109, julgou o lançamento parcialmente procedente, acatando os valores que entendeu comprovados pela recorrente e mantendo as demais exigências. Ciente da referida decisão a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aduzindo que o lançamento seria nulo, porquanto calcado em meras presunções, já que os depósitos bancários não constituiriam renda tributável, argumento ainda, que a nulidade também se evidenciaria por ter a autuação se baseado em “quebra do seu sigilo bancário” sem a devida autorização judicial. Sustentou que o auto de infração seria igualmente nulo porque versara autuação por tributo que não constou no Mandado de Procedimento Fiscal. Quanto ao mérito afirmou que realizou parcelamento dos débitos de IRPJ e CSLL antes do encerramento da ação fiscal que resultou nos autos de infração aqui versados. Aduziu ainda que em relação aos lançamentos reflexos de PIS e COFINS deveria ser aplicada redução de alíquota a que faria jus. Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 No mais, reputou a multa como “confiscatória” e pugnou por provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10325.001825/200989 Acórdão n.º 1301001.566 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Cuidase de autuação relacionada à constatada omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem, intimada a fazêlo, a recorrente não teria comprovado. Registrese de início que os valores que a recorrente justificou após a lavratura do auto de infração já foram excluídos da autuação pela decisão recorrida, remanescendo o inconformismo da contribuinte apenas com as questões formais de nulidade e a ausência de materialidade tributável, segundo sustenta, dos depósitos bancários. Assento de início que não verifico qualquer nulidade advinda do fato de o Mandado de Procedimento Fiscal disciplinar a auditoria relativa ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e o auto de infração abranger glosa relativa à CLSS, PIS e COFINS. Ora, a recorrente foi autuada por constatada omissão de receitas, receitas que se omitidas, muito além de gerar a autuação de IRPJ, impactam diretamente os demais tributos correlatos. Vêse, portanto, que o MPF não foi desvirtuado como alega a recorrente, tampouco abrangeu auditoria de tributo que não constou expressamente, o que se verificou foi a ocorrência de descumprimento de obrigação tributária (omissão de receita), que impactou também nos demais tributos. Tanto é assim, que o que decidirse em relação à autuação principal será aplicável também aos demais autos de infração, a revelar que não há nenhuma pecha de nulidade, razão pela qual, afasto a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, encontrase para análise situação relacionada à presunção legal de omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos, cuja origem, devidamente intimada para tanto, a contribuinte não comprovou. O inconformismo da recorrente, resumido em seu mérito, se dá precisamente pelo fato de a Fiscalização ter baseado o auto de infração unicamente nos aventados depósitos bancários, afirmando que esses, por não refletirem a real materialidade tributável da contribuinte, não seriam aptos a ensejar o combatido auto de infração. Na ordem dos argumentos invocados pela recorrente, é oportuno registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal de se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, essa sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Registrese, por fim, que o fato de se ter na espécie glosa implementada em relação à omissão de receitas, não prospera o entendimento da contribuinte que suas receitas, em razão do produto por ela comercializado, seria aplicável algum benefício fiscal. Se os depósitos não foram identificados, não há como atrelálos a uma origem, situação que impede a fruição de qualquer benefício fiscal, dada sua característica de adstrição à legalidade. Quanto ao Recurso de Ofício, impende salientar que os valores exonerados foram aqueles que a Fiscalização, em procedimento de Diligência realizado após a apresentação de documentação comprobatória com a Impugnação, foram efetivamente comprovados e, portanto, excluídos da glosa, razão pela qual, é absolutamente procedente a exclusão promovida pela decisão recorrida. Por tais razões, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e rejeitar a preliminar e negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 05 de junho de 2014. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10325.001825/200989 Acórdão n.º 1301001.566 S1C3T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.723382/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Afastada, por maioria de votos, a conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Cleci Coti Martins, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrente Dra. Lígia Regini da Silveira OAB/SP - 174.328.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Afastada, por maioria de votos, a conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Cleci Coti Martins, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrente Dra. Lígia Regini da Silveira OAB/SP - 174.328. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Afastada, por maioria de votos, a conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Cleci Coti Martins, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrente Dra. Lígia Regini da Silveira OAB/SP 174.328. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 33 82 /2 01 2- 38 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 619/642) interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 607/612), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 03/07, lavrada em 29 de outubro de 2012, em virtude da falta de comprovação da área de produtos vegetais, verificada no exercício de 2009. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 Diligência. Desnecessidade. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese o pedido. Áreas de Produtos Vegetais. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, sejam emitidos no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador em nome do parceiro outorgado e tenham vínculo com o imóvel em questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 607). Não se conformando, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 619/642), pedindo a reforma do acórdão recorrido para cancelar o lançamento Em 14 de novembro de 2013 e 21 de agosto de 2014, o Recorrente juntou novos documentos (efls. 653/811 e 813/846), reiterando o pedido formulado no recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Tratase de notificação de lançamento lavrada em 29/10/2012, por meio da qual o contribuinte foi intimado a recolher crédito tributário de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício de 2009, relativo ao imóvel denominado Fazenda Cruz Alta, em virtude da glosa das áreas apontadas como Área de Produtos Vegetais (APV) e do arbitramento do VTN. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10850.723382/201238 Acórdão n.º 2101002.622 S2C1T1 Fl. 850 3 O contribuinte, devidamente intimado, apresentou cópia autenticada da matrícula atualizada do imóvel, laudos de avaliação do imóvel com datasbase de 1º de janeiro de 2008 e 1º de janeiro de 2009, entre outros documentos. Na impugnação apresentada (efls. 400/414), o contribuinte juntou aos autos Contrato de Arrendamento firmado com a Guarani, Laudo de Avaliação do Imóvel, comprovante de recolhimento do ITR, declaração de utilização da propriedade rural apresentada pela Guarani, demonstrativo de utilização do imóvel, mapas e fotos, entre outros. No entanto, a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) entendeu não restarem comprovadas as áreas de produtos vegetais, sob o fundamento de que “o contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, sejam emitidos no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador em nome do parceiro outorgado e tenham vínculo com o imóvel em questão.” (efl. 608) Ocorre que o contribuinte apresentou em seu recurso voluntário e em petições posteriores outros documentos, dentre eles Laudo Técnico emitido pelo engenheiro agrônomo Ary Rodrigues Alves Junior, em consonância com as normas da ABNT, que comprova a existência da Área de Produtos Vegetais (APV), e que a área utilizada na atividade rural é de 1.404,93ha, sendo que a área aproveitável corresponde a 1.511,80ha, o que significa um grau de utilização de 92,93%. Devese destacar, ainda, que o aluguel pago pelo arrendatário ao Recorrente foi fixado de acordo com o preço da canadeaçúcar e à produtividade da área arrendada, o que corrobora as informações contidas nos laudos técnicos apresentados. Se isso não bastasse, todos os documentos exigidos pela DRJ são relativos à atividade exercida pela arrendatária, que não deixa de ser concorrente da arrendante, aplicando se, de qualquer forma, o disposto no artigo 10, § 4º, da Lei 9.393/93, segundo o qual: “Para os fins do inciso V do § 1º, o contribuinte poderá valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria.” Se isso não bastasse, a jurisprudência da Câmara Superior do CARF firmou se no sentido de que o contrato de arrendamento faz prova, sim, da utilização do imóvel, conforme se extrai do Acórdão 9202001614, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 INSTRUMENTOS PARTICULARES. PROVA. A transcrição de instrumentos particulares no Cartório de Títulos e Documentos e outras formalidades, prevista no art. 128, I da Lei de Registros Públicos, não são imperativas para que eles possam produzir efeitos tributários, eis que a obrigação tributária é ex lege e não decorre diretamente do negócio jurídico celebrado por instrumento particular, mas dos enunciados legais que fazem considerar tal negócio como elemento integrante da hipótese de incidência tributária. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O contrato de arrendamento, mesmo que por instrumento particular, pode ser elemento integrante do conjunto probatório dos autos, criando presunção iuris tanto de utilização do imóvel que, se não infirmada pela autoridade fiscal, deve prevalecer. Recurso especial negado.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 852DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001345/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2402-000.126
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Igor Araújo Soares
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Júlio César Vieira Gomes Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Wilson Antônio Souza Correa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE TRANSPORTE DE LEITE, irresignada com o acórdão de fls. 441/446, por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.041.9238, lavrado para a cobrança de multa aplicada por ter a empresa apresentado as GFIP´s omitindo fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, os valores de serviços pagos que lhe foram prestados por transportadores autônomos. A multa lançada compreende o descumprimento de obrigações acessórias no período de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 26/08/2008 (fls. 01). Consta dos autos que o v. acórdão, mesmo mantendo a procedência do Auto de Infração lavrado, determinou fosse recalculado o valor da multa aplicada em razão da promulgação da Lei 11.941/09, com espeque no art. 32A da Lei 8.212/91. Em seu recurso, alega a recorrente que é associação sem fins lucrativos, cuja finalidade é a de prestar assessoramento e apoio aos seus associados no exercício da atividade de transportadores de leite, especialmente o da negociação e intermediação com os contratantes dos serviços, visando melhores condições de trabalho e rentabilidade aos mesmos, promovendo a aquisição conjunta de equipamentos e insumos, visando diminuir e racionalizar os custos, inclusive angariando financiamentos para veículos e equipamentos, fornecendo, inclusive, as garantias pela instituição financeira e responsabilizandose pelos pagamentos das parcelas, mas, de modo algum presta ou compra serviços de transporte. Afirma, por conseguinte, que não sendo prestadora ou tomadora de serviços, ou compradora ou vendedora de mercadorias, é insubsistente a exigência fiscal, pois em não tendo contratado qualquer serviço de transporte autônomo, não deveria contabilizar qualquer valor de fretes pagos, não havendo o que ser informado em GFIP sobre esta rubrica. Esclarece que embora os repasses efetuados aos associados constem em documento denominado “folha de pagamento”, na verdade esta denominação não representa remuneração feita pela recorrente aos prestadores de serviços de transporte, eis que estes são vinculados diretamente com o produtor que fornece o leite e o comprador (COTIJUI/ELEGÊ) que adquire o produto. Em sendo assim, defende que a COTRIJUI contratava a compra do leite diretamente dos produtores e vinculava a entrega, de forma que diariamente o produto era coletado nas propriedades rurais e entregue na ELEGÊ, quando, ao final do mês, a CONTRIJUI emitia relatórios das entregas e transportes, com base nos quais calculava o valor a ser pago a cada um dos fornecedores e, aplicando o respectivo percentual, calculava também o valor do frete, este descontado do valor do próprio produtor, sendo repassado a cada um dos transportadores, o que, por questão de logística, era feito através da ARTRALEI. Logo, a ARTRALEI apenas recebia um cheque da COTRIJUI com o valor total líquido relativo aos transportes mensais, procedendo, simplesmente ao depósito do valor individual para cada um dos transportadores, descontando o percentual de 1% relativo a remuneração de seus serviços administrativos. Finaliza sob o argumento de que não remunera os transportadores e que o “resumo da folha de pagamento” que emitia era um mero resumo geral no qual identificava cada um dos transportadores e seus respectivos valores, também não podendo ser mantido o entendimento do v. acórdão no sentido de que o fato de ter apresentado a DIRF com dados equivalentes aos das folhas de pagamento, o obrigava a apresentação da GFIP com os mesmos dados, além de Fl. 58DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11070.001345/200839 Resolução n.º 2402000.126 S2C4T2 Fl. 457 3 defender que o recálculo da multa levado a efeito em primeira instância é equivocado, devendo resumirse ao montante de R$ 722,00. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 VOTO Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em algum dos demais Autos de Infração lavrados pela fiscalização, conforme resta indicado no TEAF de fls. 10. De todos os Autos de infração indicados no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, apenas o presente fora distribuído a este relator, de modo que não foi possível descobrirse o paradeiro dos demais, em especial daquele no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados pela recorrente a transportadores autônomos, cujo resultado final certamente surtirá efeitos no julgamento do presente Auto de Infração. Se o lançamento principal vier a ser anulado, por entendimento no sentido de que não incidem as contribuições previdenciárias nos pagamentos que não foram objeto de informação nas GFIP´s, acatandose a tese do contribuinte no sentido de ser mero administrador das quantias pagas aos transportadores autônomos, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informálos, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde do Auto de Infração no qual foi lançada a obrigação principal (contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento a autônomos). Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com o do Auto de Infração principal, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos sejam remetidos a origem e a autoridade competente informe a este Eg. Conselho em qual dos Autos de Infração lavrados foi lançada a obrigação principal que gerou a aplicação da multa pela não apresentação das GFIP´s, objeto do presente AI, bem como para que informe o número do processo administrativo respectivo, fazendo constar de sua resposta, o andamento atualizado com a informação de sua localidade física e se já fora ou não julgado, por fim, fazendo juntar aos autos do presente processo, as decisões porventura já proferidas naquele processo e seu relatório fiscal, com os demais anexos do Auto de Infração. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 60DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10950.720673/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel, apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel, apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 06 73 /2 00 9- 41 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720673/200941 Acórdão n.º 2102003.158 S2C1T2 Fl. 207 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra AGRÍCOLA E PECUÁRIA BACURI DO RIO DOCE LTDA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Estrela do Sul, com área total de 4.219,0ha (NIRF 0.234.4890), relativo ao exercício 2005, no valor de R$ 102.423,52, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração imputada à contribuinte foi a falta de comprovação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. A autoridade fiscal entendeu que o Laudo de Avaliação, fls.18/38, apresentado pela contribuinte, durante o procedimento fiscal, não atendia às normas estabelecidas na NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), razão porque procedeu ao arbitramento do VTN, com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme extrato, fls. 08, (R$ 5.500,00/ha): ITR 2005 Declarado Apurado na Notificação 16Valor da Terra Nua R$ 7.050.000,00 R$ 23.204.500,00 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 65/70, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0425.629, de 15/08/2011, fls. 80/85. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 89, a contribuinte apresentou, em 18/10/2011, recurso voluntário, fls. 90/94, trazendo as seguintes alegações: que a Lei nº 9.393, de 1996, estabelece que o valor declarado pelo contribuinte é aquele considerado preço de mercado da terra nua, independentemente de qualquer tabela de sistema de preços de terras ou afins; que, em se tratando de lançamento de oficio, este somente terá fundamentação nos casos de falta de entrega do DIAT ou do DIAC, ou nos casos de prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Caso contrário, entender como subavaliação o valor declarado pelo contribuinte em total conformidade com os artigos 8°, 10° e 11°, parágrafos e incisos, da legislação em vigor, é ferir o texto da própria lei, desrespeitando o principio da legalidade; que a Portaria n° 447 de 28 de maio de 2002, que criou, unilateralmente, o SIPT, não tem o condão de modificar ou revogar a Lei n° 9.393, de 1996, por ferir o princípio da hierarquia das leis, o princípio do contraditório, não podendo ter aplicabilidade por estar em conflito com a lei ordinária, que disciplina a matéria; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720673/200941 Acórdão n.º 2102003.158 S2C1T2 Fl. 208 3 que o art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, só tem aplicabilidade nos casos em que houver falta de entrega do DIAT ou DIAC, de prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas e de subavaliações, que resultem em lançamento de imposto inferior ao valor mínimo estabelecido no artigo 11, §2° dessa Lei; que ficou provado pelo Laudo de Avaliação apresentado que, no exercício de 2004, a recorrente declarou o valor da terra nua em conformidade com a NBR 14.6533, da ABNT. É o Relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720673/200941 Acórdão n.º 2102003.158 S2C1T2 Fl. 209 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de arbitramento do VTN ao valor de R$ 23.204.500,00. A autoridade fiscal entendeu que o Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, durante o procedimento fiscal, não atendia às normas estabelecidas na NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), razão porque procedeu ao arbitramento do VTN, com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme extrato, fls. 08, (R$ 5.500,00/ha). Em sua DITR/2005, a contribuinte havia informado VTN de R$ 7.050.000,00 (R$ 1.671,01/ha). Já o Laudo de Avaliação, fls. 18/38, indica VTN de R$ 8.400.000,00, sem, contudo, esclarecer como chegouse a este valor. Aliás, nas Considerações Finais, o referido Laudo assim se pronuncia, sobre o tema: A coleta de dados referentes aos valores de áreas semelhantes foi prejudicada pela inexistência de áreas a venda ou que tivessem sido vendidas num período próximo passado, e que pudessem ser estatisticamente consideradas semelhantes. Por esta razão o que temos é um levantamento detalhado de todos os atributos da propriedade, e estamos apresentandoos de forma que possam ser avaliados e considerados no cálculo de atribuição de valores. Temos que considerar que para que tivéssemos dados estatisticamente aproveitáveis, (NBR 14 6533), teríamos que ter duas informações reais para cada variável de valor colocada em questão. Neste caso, pelo tamanho, localização e • outros atributos, é impossível se fazer uma avaliação ao menos razoável com no mínimo 5 variáveis, o que nos obrigaria .a ter pelo menos 10 informações reais de negócios na região em questão, e que fossem de propriedades de características ao menos próximas do imóvel em questão. Pela inexistência destas informações, não foi possível se fazer o cálculo estatístico. Estamos utilizando ainda as informações de valores regionais obtidas através da SEAB (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento) por intermédio do DERAL (Departamento de Economia Rural), pela tabela de VALORES DE TERRAS AGRÍCOLAS NO PARANÁ, (ANEXO 1). Nesse ponto, importante dizer que no Anexo 1, a que se refere o profissional responsável pela confecção do Laudo de Avaliação, o VTN para o município de Umuarana, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720673/200941 Acórdão n.º 2102003.158 S2C1T2 Fl. 210 5 onde se localiza o imóvel rural em questão, em janeiro de 2007, é de R$ 6.272,27 (área arenosa mecanizada) e R$ 5.142,09 (área arenosa mecanizável). Como se vê, o próprio profissional, responsável pela confecção do Laudo de Avaliação, é categórico em afirma que seu trabalho não atende aos preceitos da NBR 14.6533 da ABNT. Importante lembrar que o valor utilizado pela autoridade fiscal quando do arbitramento foi extraído do SIPT, sendo certo que o valor adotado foi justamente aquele indicado pela Secretaria Estadual de Agricultura, para o município de Amuarana, com aptidão agrícola arenosa mecanizável. Logo, não procede a alegação do recorrente de que o Laudo de Avaliação, fls.18/38, esteja em conformidade com a NBR 14.6533, da ABNT. Devese, dizer, ainda, que o arbitramento foi realizado pela autoridade fiscal nos estritos ditames do art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Dos Procedimentos de Ofício Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Do aqui já mencionado e dos documentos que constam dos autos restou demonstrado que o contribuinte incorreu em subavaliação, ao declarar em sua DITR que o VTN do imóvel em questão seria de apenas R$ 7.050.000,00 (R$ 1.671,01/ha). Nesse ponto, importa observar que o VTN médio calculado com base nas DITR/2005 apresentadas pelos proprietários de imóveis rurais localizados no município de Umuarana foi de R$ 4.482,04/ha. Nestes termos, correto o procedimento da autoridade fiscal, posto que a possibilidade do arbitramento do VTN consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF nº 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras (SIPT), o qual é alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores informados pelos proprietários de imóveis rurais nas declarações do ITR. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720673/200941 Acórdão n.º 2102003.158 S2C1T2 Fl. 211 6 A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, já que considerou que o VTN indicado no Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte estava em ampla dissonância com os valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura para o município de Amuarana/PR. Vale lembrar que os valores da terra nua contidos no SIPT somente são utilizados quando o contribuinte deixa de comprovar o valor declarado, mediante laudo de avaliação apropriado, sendo certo que o arbitramento do VTN pode ser contraditado com a apresentação de laudo de avaliação, que atenda aos preceitos da NBR 14.6533 da ABNT. Assim, considerando que o Laudo de Avaliação, fls. 18/38, apresentado pela contribuinte, não atende aos ditames da NBR 14.6533 da ABNT, deve ser mantido o arbitramento do VTN, nos termos em que consubstanciado no lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005382/2002-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei à lei ou à evidência da prova.
Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei ou à evidência da prova.
Exige-se minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Otacílio Dantas Cartaxo. A Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de voto
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei à lei ou à evidência da prova. Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei ou à evidência da prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Otacílio Dantas Cartaxo. A Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 53 82 /2 00 2- 10 Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Declaração de voto EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 106 13.722, proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 03 de dezembro de 2003, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para: a) excluir da base de cálculo a importância equivalente em moeda nacional decorrente da conversão de US$ 31.768,00; e b) pelo voto de qualidade, reduzir a multa de oficio para 75%. Segue abaixo a sua ementa: “IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — Tributase o valor correspondente ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. MULTA — AGRAVAMENTO — CAUSAS — A mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11080.005382/200210 Acórdão n.º 9202003.261 CSRFT2 Fl. 12 3 LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA QUALIFICADA — A mera omissão de rendimentos não justifica a qualificação da multa de oficio ao percentual de 150%; aplicado nos casos em que fique comprovado o evidente intuito de fraude visando a sonegação fiscal mediante comportamento fiscal doloso do contribuinte. Nas situações em que o contribuinte não oferece rendimentos tributação cabe aplicar a multa de oficio no percentual de 75%. Recurso parcialmente provido.” Segundo a Fazenda Nacional, a decisão em comento vai de encontro à evidência da prova constante dos autos. Afirma que a decisão não pode ser mantida, pois seu único fundamento foi a inexistência de disputa entre mãe e filho quanto à titularidade de US$ 31.768,00 apreendidos na casa do contribuinte. Diz que, para a comprovação cabal da titularidade, a mãe do contribuinte deveria ter trazido aos autos alguma prova ou, ao menos, algum indicio de que esses dólares seriam seus. Considera que, por não ter conseguido comprovar a origem do dinheiro, deve ficar mantida a presunção de que os dólares pertencem ao contribuinte autuado, consoante o disposto no art. 368, parágrafo único, do CPC. Entende que a proximidade da decadência do direito de constituir o crédito não pode ser desprezada, como foi feito pela decisão. Considera tal fato mais um indício de que se está frente a uma manobra para se impossibilitar a cobrança do imposto devido e seus consectários legais. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 106183/2005, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Afirma que o fundamento do procurador da Fazenda Nacional é baseado em mera presunção, o que não autoriza uma condenação. Diz que sua mãe morava em sua casa à época, motivo pelo qual o dinheiro foi encontrado em seu endereço residencial. Observa que os dólares foram restituídos à Sra Filomena Vacca em outubro de 2004, através do Banco do Brasil em Porto Alegre. Requer seja oficiado o banco para informar a efetividade do pagamento. Frisa que o contribuinte não teve a disponibilidade econômica ou jurídica da importância tributada, não tendo havido ocorrência do fato gerador. Ao final, requer o não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos termos da Resolução CSRF/0400.004 (fls. 948), converteuse o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Assim, considero imprescindível a transformação do julgamento em diligência para que a autoridade que administra o imposto providencie: 1 — a juntada da decisão judicial, transitada em julgado, no que se refere aos dólares ainda em litígio (US$ 31.768,00); 2 — intime o Banco do Brasil SA., e o sujeito passivo, se imprescindível, a informar a agência em que teria o feito ocorrido; e 3 — na hipótese de o processo judicial .ainda não ter transitado em julgado, que os presentes autos permaneçam na Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre —RS, até decisão definitiva, quando os autos devem retornar a esta Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com cópia da sentença transitada em julgado, para a devida apreciação do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A DRFB em Porto AlegreRS, por meio do Despacho de fls. 1139/1140, encaminhou os autos ao CARF para conhecimento do resultado da diligência efetuada junto ao Banco do Brasil S.A, apesar de não ter havido decisão definitiva no aludido processo judicial. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu do dever de demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à evidência da prova. Em suas razões recursais deve haver a demonstração clara e fundamentada do porque da contrariedade à evidência da prova. Por certo, as alegações da recorrente não são suficientes para que se verifique a se o julgado recorrido foi contrário à evidência de prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11080.005382/200210 Acórdão n.º 9202003.261 CSRFT2 Fl. 13 5 Destarte, não há de se conhecer de recurso especial por contrariedade à evidência da prova se o recorrente não se desincumbiu do dever de demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à evidência da prova. Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Discordo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. Primeiramente, cabe esclarecer que, no presente caso, a decisão recorrida (Acórdão nº 10613.722, de 03/12/2003, fls. 695 a 721), a interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em 06/05/2005 (fls. 723 a 725), o respectivo exame de admissibilidade (Despacho nº 106183/2005, de 23/09/2005, fls. 726/727) e a inclusão do apelo em pauta de julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, que ensejou a edição da Resolução CSRF/0400.004, de 12/12/2006, tudo isso ocorreu ainda sob a égide do antigo Regimento dos Conselhos de Contribuinte e da CSRF, que previa a modalidade recursal eleita, portanto não se trata de aplicação da regra de transição do art. 4º da Portaria MF nº 256, de 2009. Com efeito, dita disposição transitória é reservada aos casos em que, embora a decisão recorrida tenha sido prolatada à luz dos antigos Regimentos, os atos posteriores ocorrem quando já editado o novo Regimento, daí a necessidade de regulamentação via regra de transição, garantindo direitos. Não foi o que ocorreu no caso ora analisado, em que, repita se, todos os atos, inclusive o conhecimento do Recurso Especial pela CSRF, ocorreram antes da edição do novo Regimento. Confirase o voto condutor da Resolução, de 2006, acatado à unanimidade pela Instância Especial (fls. 747): “O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade. Dele, conheço.” Assim, o direito ao rito de “recurso por contrariedade à lei e à evidência de prova”, no presente caso, já estava garantido à Fazenda Nacional, não por força do art. 4º, da Portaria MF nº 256, de 2009, mas sim pelos antigos Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da CSRF. Com efeito, há que diferenciar “revisão de rito do recurso” e “revisão de admissibilidade do recurso”. Nesse passo, a tarefa da Instância Especial, na presente assentada, não é a “revisão de rito do recurso”, e sim a “revisão de admissibilidade do recurso”, e não por força da citada regra de transição, mas sim pelo §6º, do art. 63, do Anexo II, da mesma Portaria, que assim determina: “Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11080.005382/200210 Acórdão n.º 9202003.261 CSRFT2 Fl. 14 7 (...) § 6° No caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência.” (grifei) Esclarecida a tarefa da CSRF no presente julgamento – revisão de admissibilidade e não revisão de rito recursal – passase à reapreciação do conhecimento do apelo pela Instância Especial, prevista no dispositivo regimental acima transcrito e suscitada pelo Conselheiro Relator. Recapitulando, tratase de retorno de diligência, determinada por meio da Resolução CSRF/0400.004, de 12/12/2006, oportunidade que enseja a reapreciação das questões preliminares ou prejudiciais já examinadas, conforme o dispositivo regimental acima negritado. Cabe trazer à colação o contexto que originou o Recurso Especial. Tratase da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, tendo em vista a apuração de APD – Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme Auto de Infração lavrado em 2002 (fls. 26 a 67). De acordo com o Relatório de Atividade Fiscal (fls. 36 a 67), dentre os valores que compuseram o APD, encontravase a importância de US$ 86.496,00, apreendidos pela Polícia Federal na residência do Contribuinte, que alegou pertencerem a sua genitora, Sra. Filomena Rosito Vacca. Como prova, o Contribuinte apresentou petição inicial datada de 12/03/2001, por meio da qual sua genitora solicitara à Justiça Federal a devolução de US$ 80.000,00, apreendidos na casa de seu filho. Entretanto, foram devolvidos apenas US$ 48.232,00, sendo que, relativamente aos US$ 31.768,00 restantes, a Justiça Federal considerou que não havia prova da titularidade da solicitante, razão pela qual determinou a devolução quando da prolação da sentença final da ação principal (item 6.17 do Relatório Fiscal). Confirase o respectivo trecho da sentença (fls. 710): “Com relação ao restante da quantia (US$ 31.768,00), entendo que não está suficiente comprovada a propriedade da requerente, sendo imprescindível analisar os elementos constantes nos autos da ação penal no momento da prolação da sentença, a fim de se averiguar a possibilidade dela pertencer, ainda que parcialmente, ao réu Francisco Vacca. Mesmo sendo plausível a versão apresentada pela requerente, o fato é que, nos presentes autos, não consta nenhum recibo de que ela tenha comprado dólares, bem como não está comprovada a venda do veículo Golf e de uma casa na praia, cujo produto da venda teria sido convertido em dólares. Não há , ainda, qualquer documento hábil a comprovar o rendimento mensal da requerente. Em suma, a destinação da quantia restante será decidida por ocasião da prolação de sentença da ação principal, em face das dúvidas que tenho acerca de sua propriedade, as quais, no presente momento, são incontornáveis.” Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Examinando a questão, a DRJ ressalvou sua posição no sentido de manter a tributação integral dos US$ 86.496,00, porém curvouse à decisão judicial, no sentido de excluir do APD a parte devolvida pelo Juiz à genitora do Contribuinte, ou seja, US$ 48.232,00, mantendo a diferença não devolvida, no valor de US$ 31.768,00 (fls. 634). Em sessão plenária de 03/12/2003, foi proferido o Acórdão do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes nº 10613.722, por meio do qual, por decisão não unânime, foi excluído do APD o restante dos dólares, conforme a seguinte conclusão (711/712): “Se não há certeza de que o Sr. Francisco Vacca estaria ocultando a verdade ou que sua mãe estaria da mesma forma procedendo, não é possível a verificação da ocorrência do fato gerador do tributo, muito menos a alocação do numerário como disponibilidade financeira a justificar matéria tributável. Ressentirseá também de identificar o sujeito passivo, inclusive, pois, outra pessoa se apresenta como proprietária do dinheiro. Ao fisco interessa que os rendimentos que se enquadrarem na definição legal para a imposição do tributo sejam efetivamente tributados em nome da pessoa que se apresentar como proprietária deles ou que, na ausência dela, se obtiver indícios suficientes para caracterizála como titular do bem. O parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional, antes transcrito, deixa claro que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, ou seja, deve se realizar segundo critérios e definições da legislação tributária. A atividade não pode se desviar dos estritos termos legais. O lançamento deve se revestir de certeza e não pode ser feito com o único intuito de garantir um eventual crédito tributário de um possível sujeito passivo. Assim, entendo que o valor de US$ 31.768,00, em relação ao qual se apresenta como proprietária a Sra. Filomena Rosito Vacca, deva ser excluído do cálculo da evolução patrimonial depois convertidos em reais pelo mesmo índice utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando retirou os US$ 48.232,00, devolvidos por decisão judicial à mãe do recorrente. O lançamento em relação aos US$ 80.000,00, se cabível, deve ser feito tendo como sujeito passivo a Sra. Filomena Rosito Vacca, que é quem confessa a propriedade do dinheiro apreendido no banheiro da residência do seu filho. Cientificada do acórdão em 04/05/2005 (fls. 722), a Fazenda Nacional interpôs, em 06/05/2005, tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 723 a 725, visando rever a decisão não unânime de excluir, da base de cálculo do APD, o valor de US$ 31.768,00, alegando que a decisão recorrida fora contrária à evidência da prova, nos seguintes termos: “(...) Como já destacado a decisão foi por maioria, portanto, cabível o Recurso Especial por afronta à lei ou à evidência da prova. E como demonstraremos a decisão vai de encontro à evidência da prova constante dos autos. Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11080.005382/200210 Acórdão n.º 9202003.261 CSRFT2 Fl. 15 9 Tendo como único fundamento da decisão a inexistência de disputa entre mãe e filho quanto à titularidade desses US$ 31.768,00 apreendidos a decisão não pode ser mantida. Não se pode atribuir a titularidade dos dólares à mãe do contribuinte, quando tais dólares foram encontrados na casa do contribuinte. Todo dinheiro é presumivelmente, oriundo de alguma atividade econômica. Destarte, para a comprovação cabal da titularidade, a mãe do contribuinte deveria ter trazido aos autos alguma prova ou, ao menos, algum indício de que esses dólares seriam seus. Assim, ela poderia formar o convencimento do julgador no sentido por ela desejado. Entretanto, assim não procedeu. Deixando sem qualquer subsídio que permitisse ao julgador retirar validade à presunção de que aqueles dólares eram do contribuinte. Em suas alegações, a mãe do contribuinte afirma que os dólares provêem da venda de um automóvel Golf e de uma casa de praia. Entretanto, não junta documentos que venham a comprovar as suas alegações. Assim, fica mantida a presunção de que os dólares pertencem ao contribuinte autuado. Isso fica claro quando se analisa o parágrafo único, do art. 368, do CPC, que transcrevemos abaixo: Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Além disso, a propriedade desses dólares é adquirida com a tradição. A partir do momento em que se diz que o dinheiro não é daquele com quem ele está e, sim, de outrem, tem de se provar o por quê dessa situação anômala. E como depreendemos da leitura do dispositivo acima destacado, uma declaração não prova o fato.” Como se pode concluir, a Fazenda Nacional deixa absolutamente clara a evidência da prova que teria sido contrariada: a presunção de que, tendo os dólares sido apreendidos na residência do Contribuinte, a ele pertenceriam, a menos que se comprovasse o contrário. Nesse passo, entende que, no presente caso, não teria havido a necessária comprovação, no sentido de que o numerário pertenceria à mãe do Contribuinte. Daí a conclusão de que a decisão teria contrariado a evidência da prova dos autos. Assim, considero irretocável o exame de admissibilidade promovido na antiga Sexta Câmara, já que, em face do conteúdo do Recurso Especial, acima transcrito, qualquer exigência no sentido de eventual robustez na demonstração da prova contrariada revelaria juízo de valor, o que constituía o próprio mérito do apelo, cuja competência para decidir era da Instância Especial, e não do Presidente da Câmara recorrida. A meu ver, é absolutamente incabível a exigência de que a PFN aponte a prova eventualmente contrariada, como se todo e qualquer tipo de prova tivesse uma representação documental no processo, a ser indicada, por exemplo, por meio de um número de folhas. No presente caso, tal exigência já revela a valoração das provas dos autos, Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 desqualificandose a prova presuntiva, que é na verdade aquela que a PGFN alega haver sido contrariada. Com efeito, a contrariedade à evidência da prova, alegada pela Fazenda Nacional, é explicitada nos autos por meio de argumentação, não sendo razoável a exigência de indicação de uma prova concreta, documental. Afinal, toda a discussão do processo, inclusive no Poder Judiciário, diz respeito exatamente à presunção apontada pela Fazenda Nacional, no sentido da dificuldade de atribuirse a titularidade dos dólares a um terceiro (no caso, a genitora do Contribuinte), tendo sido o numerário apreendido na residência do Contribuinte. Destarte, uma vez alegada adequadamente a contrariedade à lei e à evidência de prova por parte da Fazenda Nacional, correta a remessa do recurso à CSRF, a quem compete a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a lei/evidência de prova, qualquer que tenha sido o fundamento do julgado guerreado. Isso porque a decisão acerca da efetiva contrariedade à lei ou à evidência da prova, constitui o próprio mérito do apelo, portanto é de competência da Instância Especial. Seguindo essa linha, ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de fls. 726/727, de 23/09/2005. Levado à Instância Especial, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, conforme a Resolução CSRF/0400.004, de 12/12/2006 (fls. 736), nos seguintes termos: “Não obstante, entendo que a matéria em lide não se encontra em situação de ser objeto de julgamento antes que providências sejam tomadas, objetivandose a justiça fiscal. Chegase a essa conclusão em face do posicionamento do M. Juiz da 3ª Vara Federal Criminal, em relação à quantia provida no Acórdão recorrido, no sentido de que "( ) a destinação da quantia restante será decidida por ocasião da prolação de sentença da ação principal, em face das dúvidas que tenho acerca de sua propriedade, as quais, no presente momento, são incontornáveis. (grifamos). Por outro lado, em contrarazões, o sujeito passivo, através de seu Representante legal, informa que os dólares foram restituídos à sua genitora. Se a ela foram restituídos, por serem de sua propriedade, razão teria o sujeito passivo ao afirmar não ter adquirido a disponibilidade econômica ou jurídica. Assim, considero imprescindível a transformação do julgamento em diligência para que a autoridade que administra o imposto providencie: 1 – a juntada da decisão judicial, transitada em julgado, no que se refere aos dólares ainda em litígio (US$ 31.768,00); 2 – intime o Banco do Brasil SA., e o sujeito passivo, se imprescindível, a informar a agência em que teria o feito ocorrido; e 3 – na hipótese de o processo judicial .ainda não ter transitado em julgado, que os presentes autos permaneçam na Delegacia da Receita Federal em Porto AlegreRS, até decisão quando os autos devem retornar a esta Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com cópia da sentença transitada em Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11080.005382/200210 Acórdão n.º 9202003.261 CSRFT2 Fl. 16 11 julgado, para a devida apreciação do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.” Assim, constatase que, no presente caso, a adequada alegação de contrariedade à evidência de prova foi levada a cabo, sem sombra de dúvida, pela Fazenda Nacional, tanto assim que foi feita uma diligência visando comprovar um argumento trazido pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões. Do contrário, terseia simplesmente negado provimento ao apelo. O que se quer dizer é que a própria iniciativa de conversão do julgamento em diligência, buscando claramente a produção de prova em favor do Contribuinte, já demonstra a pertinência, plausibilidade e acerto no conhecimento do Recurso Especial, cuja alegação foi exatamente no sentido de que a decisão recorrida, em favor do Contribuinte, teria sido contrária à evidência da prova. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11020.907481/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RESULTADO DA DILIGÊNCIA. CRÉDITO SUFICIENTE.
Sendo a controvérsia discutida a respeito da suficiência de direito creditório utilizado em compensação, e, restando concluso pela Autoridade Preparadora, em Diligência Fiscal, que os valores utilizados eram suficientes para os pagamentos/compensações realizados, é de se prover o recurso do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3402-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 165 1 164 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.907481/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.488 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Recorrente PANAMERICANA CADERNOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESULTADO DA DILIGÊNCIA. CRÉDITO SUFICIENTE. Sendo a controvérsia discutida a respeito da suficiência de direito creditório utilizado em compensação, e, restando concluso pela Autoridade Preparadora, em Diligência Fiscal, que os valores utilizados eram suficientes para os pagamentos/compensações realizados, é de se prover o recurso do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 74 81 /2 00 8- 20 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.907481/200820 Acórdão n.º 3402002.488 S3C4T2 Fl. 166 3 Relatório Por bem narrados os fatos ocorridos no processo, no relatório da 3ª Turma da DRJ/POA, adoto o mesmo por fidelidade: O contribuinte acima identificado transmitiu, em 13/02/2004, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, no valor de R$ 12.549,06, apurado no 4º trimestre de 2003, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). Cópia do referido PER/DCOMP, de n° 01760.57885.130204.1.3.017640, foi juntada nas fls. 01/19. Vinculadas a esse crédito, apresentou declarações de compensação, de n"s. 34184.73411.130304.1.3.010943, 21180.29125.150404.1.3.01 5990, 12706.55342.130504.1.3.011206, 04954.62800.150604.1.3.015007 e 31596.71748.140704.1.3.01 0490. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, pelo Despacho Decisório Eletrônico da fl. 20, emitido em 07/11/2008, indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 9.173,40, e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, sob a alegação de que houve utilização parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em períodos subseqüentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP. 3. Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 19/11/2008, conforme aviso de recebimento na fl. 32. Irresignado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 25/26, encaminhada via SEDEX, conforme cópia na fl. 31, com data de postagem em 03/12/2008, alegando, em síntese, o que segue. 3.1 0 Despacho Decisório, bem como a Análise de Crédito, não trazem os motivos pelos quais as compensações não foram reconhecidas. Diz não ter fundamento a decisão, uma vez que foram reconhecidas compensações vinculadas ao pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI do 4° trimestre de 2003. 3.2 Acrescenta que as compensações são legitimas, e o art. 11 da Lei no 9.779/1999 dispõe sobre a manutenção dos créditos de IPI na compra de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, bem como da possibilidade de compensação do saldo credor acumulado a cada trimestre calendário. 3.3 Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade apresentada, para cancelar o débito fiscal reclamado. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 É o relatório. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na Manifestação de Inconformidade apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, proferiu o Acórdão de nº. 1023.792, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. Deve ser mantida a decisão, quando nela contidas as informações necessárias e suficientes para justificar a decisão, não refutadas expressamente na manifestação de inconformidade apresentada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido A 3ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que houve a utilização parcial do saldo credor ressarcível após o período do ressarcimento. Destarte, manteve o Despacho Decisório que indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. DO RECURSO Cientificada em 23/02/2010, da Decisão da 3ª Turma da DRJ/POA, por meio de AR de fl. 39 – numeração eletrônica, a contribuinte apresentou em 25/03/2010, Recurso Voluntário a este Conselho, requerendo a reforma da decisão, reafirmando a procedência integral dos créditos constantes do pedido de compensação, afirmando que o despacho decisório não considerou o saldo credor existente no terceiro trimestre de 2003 e a existência do saldo credor mínimo para a compensação, em razão de não realizar no período, operação que gerasse exação do IPI. Afirma ainda, que a apuração do saldo credor acumulado do IPI, registrado nos Livros de 2003 e 2004, comprova a existência dos créditos constantes do pedido de compensação. Para embasar as suas alegações, a Recorrente trouxe aos autos cópia dos Livros de Apuração do IPI dos anos de 2003 e 2004. DO JULGAMENTO DE 2ª INSTÂNCIA Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.907481/200820 Acórdão n.º 3402002.488 S3C4T2 Fl. 167 5 Através da Resolução n°.3403000.182, a 3ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, ao apreciar o recurso interposto pela contribuinte, entendeu que o processo não reunia condições de receber um justo julgamento e houve por bem em converter o mesmo em diligência, determinando a baixa dos autos ao órgão de origem para que a autoridade preparadora providenciasse a verificação da existência de saldos credores conforme os registros escriturados nos Livros de Apuração do IPI, e se houvesse necessidade, deveria fazer nova apuração do crédito de IPI para o período em discussão. DA REALIZAÇÃO DA DILIGÊNCIA: Através do termo de intimação fiscal de fl. 146 – numeração eletrônica, a contribuinte foi intimada, em 25/05/2011, para apresentar no prazo 5 (cinco) dias a contar da data do recebimento da intimação, o Livro Registro de Apuração do IPI dos anos 2003 e 2004, os Livros de Entradas e Saídas de 2003 e 2004, bem como a relação de produtos da empresa (descrição completa) e as respectivas classificações fiscais, juntando os folders dos produtos da empresa. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou os Livros Registro de Apuração do IPI dos anos de 2003 e 2004, os Livros de Entradas e saídas dos anos de 2003 e 2004, já em relação aos outros documentos, esclareceu que a empresa nos anos de 2003 e 2004 comercializava cadernos de vários modelos e tamanhos, porém todos enquadrados na classificação fiscal 4820.20.00 da TIPI e papel ofício A4 enquadrado na classificação fiscal 4802.56.10. No que tange aos folders dos produtos da época, alegou não possuílos. Após a análise dos documentos solicitados, verificou que as glosas efetuadas automaticamente pelo SCC são decorrentes de informações equivocadas nos Livros Registro de Apuração do IPI da contribuinte, bem como nas declarações de compensação apresentadas e conclui que apesar dos equívocos, os saldos credores dão suporte aos valores solicitados/utilizados nas declarações de compensação apresentadas. A contribuinte tomou ciência do relatório da Autoridade Preparadora de fls. 154/158 – numeração eletrônica, no dia 20/06/2011 como consta por escrito na fl. 158 do próprio relatório fiscal. O prazo de 30 (trinta) dias transcorreu e a contribuinte não se manifestou acerca do relatório fiscal. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado até a folha 164 (cento e sessenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr. – Relator Retornam os autos de diligência designada pelo Conselheiro Relator Winderley Morais Pereira, que designou através da Resolução nº. 3403000.182 fossem baixados os autos para que a Autoridade Preparadora procedesse a verificação da existência de saldos credores de IPI conforme os registros escriturados nos Livros RAIPI trazidos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, bem como, acaso fosse necessário, refizesse a apuração do Imposto do sujeito passivo no período versado no processo. Isto porquê, relativamente ao trimestrecalendário analisado pela Autoridade Fiscal no despacho decisório, foi parcialmente reconhecido o direito creditório pleiteado, fundamentandose o valor não reconhecido na eventual utilização do saldo de crédito do imposto no período subseqüente, ao passo em que o contribuinte contrapôs esta motivação, alegando não possuir imposto a pagar, motivo justamente pelo qual pretendeu se ressarcir do saldo credor utilizado nas compensações. Assim, juntados os Livros Fiscais que poderiam fazer prova tanto a favor, quanto contra o contribuinte, foi determinada a diligência para que se apurassem os valores devidos pelo sujeito passivo, bem como, o eventual uso de saldo de crédito para o seu pagamento – o que ensejaria de fato a utilização apontada pela Autoridade no Despacho Decisório. Realizada a diligência, o Relatório Fiscal/Parecer Conclusivo emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, restou por consignar que de fato os valores de créditos de IPI lastreados no artigo 11 da Lei 9.779/99 apropriados pelo contribuinte haviam sido estornados e que, apenas por equívoco em sua escrituração é que houveram glosas por parte da Autoridade Fiscal e, que apesar dos erros, se poderia constar a existência de saldos credores que dessem suporte as compensações realizadas pelo contribuinte, exceto as relativas 4º Trim/2004, por não terem sido estornadas. Desta feita, como estes autos referemse aos créditos do 4º Trim/2003, tenho por considerado existente o crédito utilizado na compensação não homologada, de modo a ensejar necessária aplicação da diligência, provendose o Recurso Voluntário. Restando claros os créditos pleiteados, confirmados pela Autoridade Preparadora, é medida de legalidade a homologação da compensação pleiteada, até o limite do direito reconhecido. Neste sentido: “Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1991 COMPENSAÇÃO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. VALORES CONFIRMADOS. Comprovado nos autos que o crédito existente foi suficiente para cobertura do montante compensado é de se prover o recurso. Recurso Voluntário Provido.” (ACÓRDÃO 3801002.837. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 3a. Seção 1A TURMA ESPECIAL) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.907481/200820 Acórdão n.º 3402002.488 S3C4T2 Fl. 168 7 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 DILIGÊNCIA FISCAL RESTITUIÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório, deve ser deferida a restituição e homologada as compensações até o limite do crédito reconhecido.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.764 em 29.05.2008) Assim sendo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos e limites das conclusões da diligência, para reconhecer o crédito e determinar a homologação da compensação. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 16327.721704/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
ANÁLISE DO PROPÓSITO NEGOCIAL. DISPENSABILIDADE.
Quando a interpretação da matéria fática, do ponto de vista da formalidade dos negócios jurídicos empreendidos, é suficiente para ser subsumida na regra-matriz de incidência tributária não há necessidade de se recorrer à jurisprudência administrativa que faz uma análise objetiva do propósito preponderante dos negócios jurídicos formalizados com a finalidade de afastar a oposição dos seus efeitos ao Fisco.
RO Negado e RV Negado
A redução de capital de instituição financeira não produz efeitos tributários antes da sua aprovação pelo BACEN. Por essa razão, a alienação dos bens a serem devolvidos ao sócio na redução de capital antes daquela aprovação tem como consequência a tributação do ganho de capital na instituição financeira e não na pessoa do sócio.
Numero da decisão: 1102-001.201
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, afastar a preliminar de erro na sujeição passiva e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento parcial para afastar a tributação por ganho de capital decorrente da desmutualização, e o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que dava provimento parcial para afastar somente a multa e os juros sobre este mesmo ganho de capital, em razão do parágrafo único do artigo 100 do CTN.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 ANÁLISE DO PROPÓSITO NEGOCIAL. DISPENSABILIDADE. Quando a interpretação da matéria fática, do ponto de vista da formalidade dos negócios jurídicos empreendidos, é suficiente para ser subsumida na regra-matriz de incidência tributária não há necessidade de se recorrer à jurisprudência administrativa que faz uma análise objetiva do propósito preponderante dos negócios jurídicos formalizados com a finalidade de afastar a oposição dos seus efeitos ao Fisco. RO Negado e RV Negado A redução de capital de instituição financeira não produz efeitos tributários antes da sua aprovação pelo BACEN. Por essa razão, a alienação dos bens a serem devolvidos ao sócio na redução de capital antes daquela aprovação tem como consequência a tributação do ganho de capital na instituição financeira e não na pessoa do sócio.
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Ganhos de capital na desmutualização das bolsas e em alienações de ações. Recorrentes TOV CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 BOLSAS DE VALORES. DESMUTUALIZAÇÃO. Os processos de desmutualização caracterizamse como dissolução parcial das associações civis representativas das antigas bolsas de valores, com devolução do respectivo patrimônio aos associados, convertido em bens que foram utilizados para o aporte em capital das novas sociedades anônimas constituídas. Por essa razão, em consonância com o disposto no artigo 17, e seus §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.532/97, a diferença entre o valor das ações recebidas e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais deve ser computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REDUÇÃO DE CAPITAL. APROVAÇÃO PELO BACEN. DEVOLUÇÃO EM BENS. GANHO DE CAPITAL. A redução de capital de instituição financeira não produz efeitos tributários antes da sua aprovação pelo BACEN. Por essa razão, a alienação dos bens a serem devolvidos ao sócio na redução de capital antes daquela aprovação tem como consequência a tributação do ganho de capital na instituição financeira e não na pessoa do sócio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ANÁLISE DO PROPÓSITO NEGOCIAL. DISPENSABILIDADE. Quando a interpretação da matéria fática, do ponto de vista da formalidade dos negócios jurídicos empreendidos, é suficiente para ser subsumida na regramatriz de incidência tributária não há necessidade de se recorrer à jurisprudência administrativa que faz uma análise objetiva do propósito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 04 /2 01 1- 38 Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.946 2 preponderante dos negócios jurídicos formalizados com a finalidade de afastar a oposição dos seus efeitos ao Fisco. RO Negado e RV Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, afastar a preliminar de erro na sujeição passiva e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento parcial para afastar a tributação por ganho de capital decorrente da desmutualização, e o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que dava provimento parcial para afastar somente a multa e os juros sobre este mesmo ganho de capital, em razão do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por TOV CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA contra acórdão proferido pela 7ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.947 3 Os créditos tributários lançados, no âmbito da Deinf/SP, referentes ao IRPJ e a CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2007, totalizaram o valor de R$ 136.411.188,33. Tal autuação foi fundamentada no ganho de capital apurado (i) na desmutualização das bolsas de valores e de mercadorias e futuros e (ii) em alienações de ações recebidas na referida desmutualização. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o feito fiscal: Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.572 a 2.640), a auditoria fiscal foi realizada para verificar as implicações tributárias relativas à desmutualização das associações Bovespa e BM&F e à alienação das ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, ocorridas no ano calendário de 2007. O AuditorFiscal inicia relatando como ocorreram os processos de desmutualização da Bovespa (em 28 de agosto de 2007) e da BM&F (1º de outubro de 2007), explicando que tiveram como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social das então associações para entidades organizadas sob a forma de sociedades por ações. O acesso das sociedades corretoras aos sistemas de negociação da bolsa, bem como o acesso dos agentes de compensação e liquidação aos sistemas administrados pela CBLC, passou a decorrer de relação contratual desvinculada da participação societária (relação mutual). No caso da Bovespa, houve a sua cisão parcial (permanecendo 0,03% do patrimônio na associação) e incorporação do patrimônio cindido na Bolsa de Valores de São Paulo S/A (BVSP) e na Bovespa Holding S/A. Em seguida, a Bovespa Holding incorporou as ações da BVSP, tornandose controladora de 100% do seu capital. Cada associado recebeu, pela incorporação da parcela cindida da associação, 570.535 ações da Bovespa Holding por título patrimonial, e, pela incorporação de ações da BVSP pela Holding, mais 136.227 ações, totalizando, assim, 706.762 ações da Bovespa Holding por cada um dos 758 títulos patrimoniais que compunham o patrimônio da Bovespa. O valor patrimonial unitário das ações de emissão da Bovespa Holding em 28.08.2007, para fins de registro contábil, foi determinado em, aproximadamente, R$ 2,22, totalizando R$ 1.568.803,71, permanecendo um valor residual de R$ 8,46 para cada título, que permaneceu no ativo permanente, tudo conforme o Ofício Circular Bovespa nº 225, de 18.09.2007. Após a desmutualização, a partir de 26.10.2007, foi iniciada a Oferta Pública Inicial de 250.492.283 ações de emissão da Bovespa Holding, pelo preço unitário de R$ 23,00, acrescida de um lote suplementar de 37.573.842 ações, resultando numa distribuição total 288.066.125 ações. A desmutualização da BM&F consistiu na cisão parcial da associação e incorporação da parcela cindida pela companhia aberta Bolsa de Mercadorias e Futuros – BM&F S/A, que assumiu as atividades comerciais da associação, permanecendo nesta apenas as atividades educacionais, assistenciais e esportivas. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.948 4 Na data da desmutualização havia: 83 títulos de Membro de Compensação, com valor patrimonial por título de R$ 4.961.610,00, correspondendo a 4.961.610 ações por título; 81 títulos de Corretora de Mercadorias, com valor patrimonial por título de R$ 4.898.015,00, correspondendo a 4.898.015 ações por título; 67 títulos de Operador Especial, com valor patrimonial por título de R$ 1.335.141,00, correspondendo a 1.335.141 ações por título; 387 títulos de Sócio Efetivo, com valor patrimonial por título de R$ 10.000,00, correspondendo a 10.000 ações por título. Após a desmutualização, em 15.11.2007, houve a primeira venda de ações de emissão da BM&F S/A, correspondendo a 10% do total de ações, conforme compromisso dos acionistas vendedores. A partir de 29.11.2007 foi iniciada a Oferta Pública Inicial das demais ações, pelo preço unitário de R$ 20,00, sendo 260.160.736 ações no lote principal e 39.024.110 no lote suplementar. Em 2008 ocorreu reorganização societária, em que a BM&F S/A foi incorporada pela empresa Nova Bolsa S/A (CNPJ nº 09.346.601/000125), que, por sua vez, incorporou as ações da Bovespa Holding S/A. A Nova Bolsa passou a se chamar BM&FBovespa S/A – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros. Nesta reorganização os acionistas da BM&F S/A receberam uma ação ordinária da BM&FBovespa para cada ação ordinária detida da BM&F S/A, e os acionista da Bovespa Holding S/A receberam 1,42485643 ação ordinária da BM&FBovespa S/A para cada ação ordinária da Bovespa Holding, bem como ações preferenciais resgatáveis, na proporção de uma ação preferencial da BM&FBovespa para dez da Bovespa Holding. Continua o autuante relatando que em 2007 a corretora autuada efetuou várias alterações contratuais, dentre as quais três reduções de capital, estipulando que seriam entregues ao sócio principal um título patrimonial da Bovespa e ações ordinárias da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A. Observa que a alteração dos estatutos das sociedades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, dentre elas a impugnante, sujeitase, nos termos do artigo 10, inciso X da Lei nº 4.595/94, à autorização daquela autarquia. O Regulamento anexo à Resolução nº 1.655/1989 prevê no seu artigo 17, por sua vez, que a alteração do valor do capital social das sociedades corretoras subordinase à prévia aprovação do Banco Central, enquanto que a Circular nº 2.750/1997 estabeleceu que a redução do capital social, enquanto não aprovada pelo BC, deveria ser registrada a débito da conta redução de capital, tendo como contrapartida: lucros ou prejuízos acumulados, no caso de amortização de prejuízos; credores diversos – país, no caso de resgate de ações ou quotas; ou capital a realizar, no caso de cancelamento de ações ou quotas ainda não integralizadas. Aquela Circular, em seu artigo 5º, §1º, determina que os recursos referentes ao resgate de ações ou quotas somente podem ser pagos aos beneficiários após a aprovação pelo Banco Central da ata da assembleia de acionistas ou reunião de quotistas que deliberou a redução do capital social. Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.949 5 O AuditorFiscal conclui daí que há dois atos que se complementam, um representando a manifestação de vontade dos sócios/quotistas e outro, ato administrativo, do órgão incumbido do controle administrativo, e que somente após a aprovação das reduções do capital social pelo Banco Central, com a publicação no Diário Oficial da União, é que a sociedade poderá efetuar o pagamento dos recursos aos beneficiários pelo resgate das ações ou das quotas. Continua citando os artigos 1.082 a 1.084 do Código Civil, que estabelecem que o ato societário que deliberar pela redução do capital social da sociedade seja registrado na Junta Comercial somente após o prazo de noventa dias da data da sua publicação, para fins de impugnação dos credores que se sentirem prejudicados com aquela alteração, tornandose eficaz se não houver tal manifestação. O artigo 35, inciso VIII da Lei nº 8.934/94 dispõe que os atos das sociedades que necessitem de aprovação governamental só podem ser levados a registro na Junta Comercial após a sua aprovação. Como o Banco Central, por prudência, jamais irá autorizar a redução do capital antes de decorridos os noventa dias a que se refere o Código Civil, na prática, para as instituições financeiras e assemelhadas, para que tenha eficácia a redução do capital social, devem ser atendidas as seguintes condições: não haver impugnação de credores no prazo de noventa dias a partir da publicação do ato societário; autorização prévia pelo Banco Central, publicada no Diário Oficial da União; averbação da alteração estatutária na Junta Comercial. O pagamento pelo resgate das ações só pode ocorrer após a autorização do Banco Central. O autuante passa a analisar as reduções de capital. 1ª) Ocorrida em 30.06.2007, na 59ª alteração contratual, reduzindo o capital social em R$ 1.282.500,00, de R$ 3.667.000,00 para R$ 2.384.500,00, por considerálo excessivo em relação ao objeto da sociedade, com liquidação mediante a entrega de um título patrimonial da Bovespa pelo valor contábil de R$ 1.282.222,60, e o restante (R$ 277,40) em moeda corrente. O ato foi publicado no Diário do Comércio de Belo Horizonte nas datas de 28 a 30 de julho de 2007, e a autorização do Banco Central foi publicada no Diário Oficial da União em 14.02.2008. Somente a partir de 14.02.2008, portanto, a TOV poderia efetuar o pagamento ou liquidação da redução ao sócio. No entanto, naquela data o título patrimonial da Bovespa não mais existia, em decorrência da desmutualização. A corretora, assim, transformou uma expectativa de direito por parte do sócio, consubstanciada no recebimento futuro de um objeto, em um direito consumado, considerando o objeto incorporado ao patrimônio do sócio. Além disso, a entrega de um título patrimonial da Bovespa ao sócio, pessoa natural, encontra barreiras regulamentares e estatutárias, não havendo ressonância com as normas que disciplinam o funcionamento do mercado de capitais, pois apenas uma sociedade pode ser membro da bolsa de valores, e para isso tinha que ser detentora de título patrimonial, conforme Resolução Bacen nº 2.690/2000. Não houve a efetiva entrega de um título patrimonial da Bovespa ao sócio, e a TOV detinha a disponibilidade jurídica do título, para todos os efeitos, até a desmutualização, quando foi devolvido em troca de 706.762 ações de emissão da Bovespa Holding S/A. Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.950 6 2ª) Ocorrida em 09.08.2007, na 61ª alteração contratual, reduzindo o capital social em R$ 10.000.000,78, de R$ 13.303.000,00 para R$ 3.302.999,22, por considerálo excessivo em relação ao objeto da sociedade. Naquele momento não havia a definição expressa da forma de liquidação. O ato foi publicado no Diário do Comércio de Belo Horizonte em 28 de agosto de 2007, e a autorização do Banco Central foi publicada no Diário Oficial da União em 14.02.2008. Na reunião dos sócios de 18.09.2007, cuja ata foi publicada no Diário do Comércio de Belo Horizonte em 18.10.2007, deliberouse que a liquidação da redução do capital se daria mediante a entrega ao sócio de 4.240.572 ações de emissão da Bovespa Holding S/A, pelo valor contábil de R$ 9.412.822,26, e R$ 587.178,52 em espécie. Esta ata não foi levada para aprovação do Banco Central. Como a relação entre as ações da Bovespa Holding recebidas na desmutualização e o título patrimonial foi de 706.762 ações para cada título, as 4.240.572 ações correspondiam a 6 títulos patrimoniais. Também neste caso apenas a partir de 14.02.2008 a TOV poderia ter efetuado o pagamento ou liquidação da redução ao sócio. No caso, não houve a entrega das ações ao sócio, pois em data anterior a corretora havia alienado as ações na oferta pública inicial de ações. Da mesma forma que na redução do capital anterior, a corretora transformou uma expectativa de direito por parte do sócio, consubstanciada no recebimento futuro de um objeto, em um direito consumado, considerando o objeto incorporado ao patrimônio do sócio. A autoridade fiscal destaca que o mesmo objeto (ações de emissão da Bovespa Holding S/A) foi incluído em dois negócios jurídicos distintos: primeiro, em 27.09.2007, a TOV, como acionista vendedora, havia aderido à participação na oferta pública inicial das ações da Bovespa Holding S/A, de sua titularidade, de forma irretratável e irrevogável; e depois, em 18.10.2007, pouco antes da oferta pública, definiu que a liquidação da redução do capital social seria feita mediante a entrega das mesmas ações. Ressalta ainda que, após a oferta pública, restou um saldo de 447.334 ações, que pertenceriam ao sócio controlador, e poderiam ser a ele entregues a partir de 17.02.2008. Entretanto, essa transferência não ocorreu. Do saldo, parte foi alienada em abril de 2008, e o restante foi substituído por ações de emissão da BM&FBovespa S/A, que por sua vez foram alienadas pela TOV em 22.10.2008. A corretora, acionista da Bovespa Holding S/A, passou a ser acionista da BM&FBovespa (e não o sócio controlador), até a data da alienação total das ações desta companhia. Conclui que em nenhum momento houve efetivamente uma transferência da propriedade das ações de emissão da Bovespa Holding ou da BM&FBovespa para o sócio, nem antes, nem depois da autorização do BC, não havendo a intenção de transferir a titularidade das referidas ações da TOV para o seu sócio controlador, detentor de 99,99% do seu capital social. Em 2008 a TOV repassou ao sócio a liquidação financeira recebida decorrente da venda das ações realizada em 2007. 3ª) Ocorrida em 29.10.2007, na 64ª alteração contratual, reduzindo o capital social em R$ 4.408.016,47, de R$ 6.948.762,51 para R$ 2.540.746,04, por considerálo excessivo em relação ao objeto da sociedade. A liquidação se daria com a entrega ao sócio de 4.408.015 ações de emissão da BM&F S/A pelo valor contábil de R$ 4.408.015,00, mais R$ 1,47 em espécie. O ato foi publicado no Jornal do Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.951 7 Comércio de Belo Horizonte em 13 de novembro de 2007, e a autorização do Banco Central foi publicada no Diário Oficial da União em 14.02.2008. Também neste caso apenas a partir de 14.02.2008 a TOV poderia ter efetuado o pagamento ou liquidação da redução ao sócio. No caso, não houve a entrega das ações ao sócio, pois em data anterior a corretora havia alienado as ações na oferta pública inicial de ações. Da mesma forma que na redução do capital anterior, a corretora transformou uma expectativa de direito por parte do sócio, consubstanciada no recebimento futuro de um objeto, em um direito consumado, considerando o objeto incorporado ao patrimônio do sócio. A autoridade fiscal destaca que o mesmo objeto foi incluído em dois negócios jurídicos distintos: primeiro, em 1º.11.2007, a TOV, como acionista vendedora, havia aderido à participação na oferta pública inicial das ações da BM&F S/A, de sua titularidade, de forma irretratável e irrevogável; e depois, em 13.11.2007, pouco antes da oferta pública, definiu que a liquidação da redução do capital social seria feita mediante a entrega das mesmas ações. Ressalta ainda que, após a oferta pública, restou um saldo de 18.213 ações, das quais 8.015 pertenceriam ao sócio controlador, e poderiam ser a ele entregues a partir de 14.02.2008. Entretanto, essa transferência não ocorreu. As 18.213 ações foram substituídas por ações de emissão da BM&FBovespa S/A, em 8 de maio de 2008.. A corretora, acionista da BM&F S/A, passou a ser acionista da BM&FBovespa (e não o sócio controlador), e as ações da BM&FBovespa S/A continuam na titularidade da TV, e não do sócio. Conclui que em nenhum momento houve efetivamente uma transferência da propriedade das ações de emissão da BM&F ou da BM&FBovespa para o sócio, nem antes, nem depois da autorização do BC, não havendo a intenção de transferir a titularidade das referidas ações da TOV para o seu sócio controlador, detentor de 99,99% do seu capital social. Em 2008 a TOV repassou ao sócio a liquidação financeira recebida decorrente da venda das ações realizada em 2007. Afirma que a TOV é o contribuinte de que trata o artigo 121 do CTN, pois foi a sociedade que realizou todos os atos atinentes ao negócio jurídico: recebeu as ações de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A em substituição aos títulos patrimoniais que detinha; subscreveu todos os instrumentos relativos à sua decisão de participar, de forma irretratável e irrevogável, das ofertas públicas iniciais; participou das referidas ofertas como acionista vendedora, conforme consta nos prospectos da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A; e recebeu (auferiu) efetivamente os valores oriundos das vendas das ações nos IPO’s. Todos os atos foram realizados pela TOV, pois era quem detinha a disponibilidade jurídica do ativo, conforme se pode constatar nos informes da instituição custodiante, e ficou com a disponibilidade financeira. Prossegue o AuditorFiscal procurando demonstrar que não havia motivação extratributária para as reduções de capital ocorridas. A primeira redução de capital ocorreu em 30.06.2007, de R$ 3.667.000,00 para R$ 2.384.500,00, por considerálo excessivo em relação ao objeto da sociedade, e pouco depois houve um aumento do capital, em 03.08.2007, de R$ 2.384.500,00 para R$ 13.303.000,00, mediante a capitalização de reservas de capital. Após seis dias (em 09.08.2007) aprovouse a segunda redução de capital, para R$ Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.952 8 3.302.999,22, também por excesso, e em 24.10.2007 (pouco mais de dois meses) foi aprovado o segundo aumento do capital social, para R$ 6.948.762,51, mediante a capitalização de reservas de capital e lucros acumulados. Em 29.10.2007 (5 dias depois) foi deliberada a terceira redução de capital, para R$ 2.540.746,04, novamente por excesso em relação ao objeto social. Observa que todas as alterações foram autorizadas pelo Banco Central, conforme publicação no DOU de 14.02.2008. O autuante afirma que, se o capital social estava em excesso em relação ao objeto social da impugnante, não haveria um motivo que justificasse os aumentos ocorridos alguns dias atrás – aumentou para reduzir, ou nunca aumentou. Entende que nunca houve a intenção de aumentar. Observa que em 2007 a TOV, apesar de reduzir o capital social por três vezes, investiu na abertura de duas novas dependências, e em 2008 investiu na abertura de cinco dependências, encerrou duas e, inversamente ao ano anterior, aumentou o seu capital social (em 16.09.2008, de R$ 2.540.746,04 para R$ 12.541.520,00, com subscrição apenas do sócio FERNANDO FRANCISCO BROCHADO HELLER, sendo 50% em moeda corrente nacional e o restante a ser integralizado em moeda corrente nacional, até 15.09.2009), em plena crise dos subprimes nos Estados Unidos. Em 27.04.2009 houve um novo aumento de capital, de R$ 12.541.520,00 para R$ 21.386.815,00, conforme autorização do Banco Central publicada em 25.07.2009. Afirma que de tal histórico depreendese que nos anos de 2007 e 2008, a TOV tinha por estratégia ampliar a sua capacidade operacional, abrindo novas dependências, no entanto em 2007 optou por realizar três reduções de capital social, indo de encontro aos investimentos realizados. Em 2008 continuou a estratégia de ampliar a sua capacidade operacional, dessa vez aumentando o capital social, o que se mostra compatível com os investimentos realizados. Aduz que as reduções do capital social por excesso, ocorridas em 2007, são paradoxais em contraste com a conjuntura econômica positiva daquele ano, que refletiu em aumento da receita da TOV em 32,75% em relação ao ano anterior, bem como com a expansão dos seus negócios, já que o capital social deve variar de acordo com a conjuntura econômica e o sucesso ou insucesso do empreendimento. Não ocorreu nenhum fato importante naquele ano (como a retirada de sócio quotista, cisão parcial, fechamento de dependências, etc) que pudesse justificar as reduções do capital social por excesso em relação ao objeto da sociedade, pelo contrário, ocorreram aspectos positivos como os resultados expressivos no mercado acionário e os investimentos na abertura de duas novas dependências. Em 2008, em plena crise, com perdas significativas no mercado acionário brasileiro, o capital social foi aumentado de R$ 2.540.746,04 para R$ 12.541.520,00. Se já estava definida a participação da TOV nas ofertas públicas das companhias, com as ações de sua titularidade, por disposição lógica não seria cabível incluir essas ações em outro negócio jurídico distinto que, no caso, são as reduções do capital social. Tais reduções ocorreram quando as ofertas públicas já estavam definidas e adiantadas, após a divulgação dos prospectos preliminares das companhias, onde constam a TOV como acionista vendedora. Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.953 9 O AuditorFiscal afirma que as reduções do capital social tiveram apenas como objetivo reduzir a carga tributária, pois se a tributação ocorresse na pessoa jurídica haveria a incidência de IRPJ à alíquota de 15%, mais adicional de 10%, a CSLL à alíquota de 9%, e ainda o PIS e a COFINS, enquanto na pessoa física incidiria apenas o IR pela alíquota de 15%. Não havia nenhuma motivação extratributária. O AuditorFiscal afirma que o contribuinte considerou que o sócio controlador era o efetivo proprietário das ações, recebidas pelo valor contábil, como permite o artigo 22 da Lei nº 9.249/95, repercutindo inclusive na sua escrituração contábil, e o real beneficiário dos ganhos obtidos nas ofertas públicas iniciais, recolhendo, como se fosse o responsável tributário, o imposto sobre tais ganhos supostamente obtidos pelo sócio controlador. Observa que a TOV recolheu, em nome do sócio, os tributos calculados sobre os ganhos supostamente obtidos pelo sócio controlador nas referidas ofertas públicas, correspondentes aos seguintes valores: impostos nos valores de R$ 14.065.798,89 (pagos no dia 30 de novembro de 2007), R$ 10.556.336,23 e R$ 1.583.247,16 (ambos, pagos no dia 31 de janeiro de 2008), totalizando R$ 26.205.382,28. E a CPMF paga no dia 11 de dezembro de 2007, no valor de R$ 53.450,04 (0,38% incidente sobre R$ 14.065.798,89). Os tributos foram contabilizados na conta Cosif “4.9.9.92.00.625 Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. A Red. Capital” relativo à obrigação ao sócio pelas reduções do capital social. Ressalta que não houve a efetiva transferência das ações ao sócio controlador, e que, ainda que houvesse, a falta de motivação extratributária permite a desqualificação das reduções de capital, para fins tributários, conforme jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (acórdãos nº 101 95.537, 10195.442, 10421.675), ainda que as práticas adotadas estejam sustentadas em atos formais lícitos, típicos ou atípicos. Chama a atenção para a efemeridade das operações (tempo que medeia cada etapa) e para o relacionamento entre as partes, que faz com que as alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e deveres não resultem em alterações substanciais no conjunto do patrimônio das partes. Passa então a descrever as infrações praticadas pelo contribuinte. Infração 1 Conforme a Solução de Consulta Cosit nº 10/2007, a desmutualização se enquadra na norma jurídica do artigo 17 da Lei nº 9.532/97, por configurar um processo de devolução de capital da associação civil sem fins lucrativos mediante a transferência de bens do patrimônio da associação para o patrimônio de outra pessoa jurídica, tornandose, os seus associados, acionistas dessa pessoa jurídica; não se aplica o método da equivalência patrimonial para fins de avaliação da participação em associações civis sem fins lucrativos; a participação deve ser avaliada pelo custo de aquisição; incide imposto sobre a diferença entre o valor nominal das ações da sociedade recebidas pelos associados e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores, proporcionais ao patrimônio segregado. Na desmutualização da Bovespa a TOV detinha sete títulos patrimoniais, que resultaram no valor final atribuído às ações recebidas de R$ 10.982.231,33, sendo o custo total dos títulos de R$ 1.880.000,00, apurandose um ganho tributável de R$ 9.102.231,33. Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.954 10 O AuditorFiscal observa que naquele cálculo está incluído o título transferido ao sócio em decorrência da redução do capital social, pelos motivos já expostos. No caso da BM&F, a TOV detinha um título patrimonial de corretora de mercadorias e um de sócio efetivo, que resultaram no valor final atribuído às ações recebidas de R$ 4.908.015,00. Sendo o custo total de R$ 2.721.894,13, temse um ganho tributável de R$ 2.186.120,87. Observa que o custo do título de corretora é de R$ 2.721.894,13 (soma do valor contratado de R$ 2.682.960,00 mais o pagamento das variações ocorridas de R$ 11.416,13 e R$ 27.518,00), e não de R$ 2.735.446,52, informado pela TOV. Quanto ao título de sócio efetivo, foi considerado custo zero, pois a TOV não apresentou a documentação comprobatória da sua aquisição. Infração 2 A TOV contabilizou os resultados das vendas das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A na conta passiva Cosif “4.9.9.92.00.625 Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. a red. Capital”, e não em contas de resultado, devido às reduções de capital efetuadas. Desconsideradas as reduções de capital, conforme anteriormente exposto, o autuante calculou os ganhos obtidos: R$ 93.510.773,28 na alienação de 4.500.000 ações da Bovespa no IPO, em 30.10.2007; R$ 70.375.574,90 na alienação de 3.826.087 ações da BM&F S/A no IPO, em 03.12.2007; R$ 10.554.981,03 na alienação de 573.913 ações da BM&F S/A, em 07.12.2007, no IPO. O Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL foram então recompostos, da seguinte forma: (...) Observa o autuante, por fim, que são devidas as contribuições ao PIS e à COFINS incidentes sobre os ganhos nas alienações das ações, as quais são objeto de lançamento em outro processo fiscal (16327.721705/201182), em razão de medidas judiciais interpostas contra tais exações. Da impugnação: A empresa autuada apresentou diversos argumentos em sua impugnação. Em apertada síntese, destacamse os seguintes: Relativamente ao ganho de capital na alienação das ações, (i) só seria cabível a tributação no sócio; (ii) impossibilidade de aplicação do artigo 116 do CTN, bem como de invocar a nulidade ou anulabilidade das reduções de capital empreendidas; (iii) o legislador não condicionou qualquer momento para o pagamento ou liquidação da redução de capital; (iv) o negócio jurídico em suspenso produz efeito desde a data da deliberação; (v) a empresa agiu em nome do seu sócio por meio de mandato tácito; (vi) a razão para o ajuste do capital social foi o fim da exigência dos títulos patrimoniais para o acesso aos mercados; (vii) não se tratava de mera expectativa de direito, mas de direito eventual, por isso o sócio poderia agir antes do registro dos atos no registro público; (viii) diante das incertezas futuras, o sócio agiu como lhe facultava a lei e mandava a lógica; (ix) a empresa cumpriu todos os requisitos legais; (x) não havia mais necessidade de se manter o capital em patamar excessivo; (xi) os atos foram Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.955 11 efetuados em curto espaço de tempo porque os processos de desmutualização ocorreram de maneira rápida; e (xii) devese, ao menos, deduzir o imposto pago pelo sócio. Relativamente ao ganho de capital na operação de desmutualização, (i) o instituto da cisão de associações civis sem fins lucrativos, previsto no artigo 44 c/c 2.033 do CC, não equivale a uma devolução de capital, mas mera transferência de patrimônio; (ii) não há disponibilidade de renda; (iii) a Solução de Consulta Cosit nº 10/2007 não pode se sobrepor à Portaria MF nº 785/77 que prevê a não incidência de tributos sobre as atualizações dos títulos patrimoniais; (iv) é de se aplicar o MEP ao caso; e (v) um dos títulos já estava na disponibilidade do sócio. Da decisão recorrida: A já mencionada 7ª Turma da DRJ/São Paulo I, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1642.776, de 10 de janeiro de 2013, por meio do qual decidiu pela parcial procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS. O processo de desmutualização das bolsas de valores implica na devolução dos títulos patrimoniais às sociedades corretoras, o que atrai a incidência do artigo 17 da Lei nº 9.532/97, que prevê a tributação pelo IRPJ e pela CSLL dos valores devolvidos. REDUÇÃO DE CAPITAL COM ENTREGA DE AÇÕES E TÍTULOS DAS BOLSAS AO SÓCIO. APROVAÇÃO DO BANCO CENTRAL. EFEITOS. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A redução de capital de instituição financeira, com a entrega ao sócio de título patrimonial da bolsa de valores e de ações das companhias resultantes do processo de desmutualização, não produz efeitos antes de ser aprovada pelo Banco Central do Brasil. A devolução do título patrimonial, decorrente da desmutualização, e a alienação daquelas ações, em data anterior à aprovação do Banco Central, sujeita a sociedade ao pagamento dos tributos devidos nas operações, por ser ela, e não o sócio, a proprietária do título e das ações naquele momento. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS EFETUADOS EM NOME DO SÓCIO PESSOA FÍSICA PARA ABATER VALORES LANÇADOS NA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Deferese a utilização no lançamento de pagamentos efetuados em nome do sócio pessoa física, referentes às mesmas operações que ensejaram a tributação da pessoa jurídica, considerandose que os recolhimentos foram realizados, de fato, pela Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.956 12 própria pessoa jurídica, e que o sócio, por ser detentor de 99,99% do seu capital social, autorizou tacitamente tal utilização, solicitada pela empresa autuada. LANÇAMENTO DE CSLL. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere ao aproveitamento do pagamento do IRPF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme atestado na ementa da decisão, a instância a quo confirmou a procedência dos ganhos de capital apurados nas duas infrações, quais sejam, na desmutualização das bolsas e nas alienações de ações. No que concerne a esta última infração, no entanto, considerou dispensável a fundamentação da autuação na ausência de motivação extratributária uma vez que seria suficiente a fundamentação que questionou a efetiva propriedade do título e das ações, objetos, respectivamente, da desmutualização e das alienações. Ademais, ainda quanto à segunda infração, foram aproveitados os pagamentos de imposto efetuados em nome do sócio, pessoa física, sobre os ganhos de capital apurado. Do recurso voluntário: Em seu recurso voluntário, a empresa autuada faz a narrativa dos fatos e tece considerações que muitas vezes se repetem. Nada obstante, é possível resumir suas alegações, essencialmente, nos seguintes tópicos: Em caráter preliminar, 1. Há que se cancelar a autuação por erro de sujeição passiva. No item “Do histórico da Bovespa e da BM&F”, 2. O auditor entende que o pagamento dos recursos referentes à devolução do capital só poderia ser feito após a aprovação do Banco Central. No entanto, além do sócio controlador (99,99%), a empresa tem como minoritários apenas duas outras pessoas, sua irmã e esposa, razão pela qual não era necessário o interregno de noventa dias previstos no Código Civil para fins de impugnação dos credores que se sentirem prejudicados com a redução do capital social. As normas do Código Civil não são opostas ao Fisco, mas tão somente à empresa e seus acionistas, voltamse para as partes envolvidas e que entenderem prejudicadas. 3. A autorização do Banco Central deuse com efeito retroativo já que a empresa deu ciência de suas alterações e reestruturação pelo diário oficial e jornais de grande circulação. 4. A averbação da alteração estatutária na Junta Comercial somente se exige para fins comerciais, não afligindo questões fiscais. Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.957 13 5. Ainda que a chancela do Banco Central tenha se dado com efeitos retroativos, o pagamento dos recursos referentes à devolução do capital só ocorreu após essa chancela porque a empresa tomou a atitude mais zelosa de realizar a venda por conta e ordem do sócio controlador. 6. Depois de descrever as três operações de redução de capital, a conclusão que chega é que houve efetivamente uma transferência de propriedade do título patrimonial (1ª operação) e das ações (2ª e 3ª operações) para o sócio, chancelada pelo Banco Central, com efeito retroativo. Porém, por questões de cautela, a empresa só repassou a liquidação financeira recebida com a venda das ações em 2008. 7. A empresa não é o contribuinte de que trata o artigo 121 do CTN, já que realizou os atos atinentes ao negócio jurídico por conta e ordem do sócio controlador. Recebeu as ações de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A por conta e ordem e subscreveu os instrumentos relativos à decisão de participar das ofertas publicas também por conta e ordem. Tanto é que efetuou o pagamento dos impostos pela pessoa física. A empresa apenas negociava na bolsa as ações de seu sócio controlador. 8. Tendo ocorrido a abertura da Bovespa e da BM&F, a empresa pôde ter acesso aos mercados de ações sem a necessidade dos títulos permanentes. A alegação da autoridade fiscal de que a redução de capital vai de encontro à realidade financeira mundial na ocasião é incoerente porque deixa de relatar a necessidade de adequação às normas relativas ao limite de imobilizado, quando da redução do permanente, com a entrega das ações. 9. Na jurisprudência colacionada pelo Fisco acerca da “falta de motivação extratributária” havia uma simulação, fraude e/ou dolo, o que no caso presente não se deu e sequer foi motivo para a qualificação da multa. No item “Das infrações autuadas – 1ª autuação”, 10. A desmutualização das bolsas tratou de um fato permutativo de títulos patrimoniais por ações, sem provocar alteração do patrimônio líquido da empresa. Não configura fato gerador do IRPJ e da CSLL. A desmutualização não se equipara à dissolução da associação. Mesmo que se tratasse de uma dissolução, a operação seria plenamente admitida e não produziria impacto fiscal enquanto não promovida a alienação dos bens recebidos em devolução. 11. São aplicáveis ao presente caso as regras previstas nos artigos 1.113 e seguintes do Código Civil, em detrimento do artigo 61 invocado equivocadamente pelo Fisco. Há que se ter em mente que o disciplinado no artigo 2.033 preceitua que as normas relativas às associações aplicamse subsidiariamente a qualquer tipo de sociedade (artigo 44, §2º). 12. A legislação civil permite a cisão de uma associação isenta e a legislação societária não impõe qualquer restrição a esta operação, nem considera este evento fato gerador do IRPJ e da CSLL desde que o valor vertido tenha sido avaliado a valor contábil. 13. O artigo 15, § 4º, da Lei nº 9.532/97, o qual determinava que as entidades isentas deveriam assegurar a destinação do seu patrimônio a outra instituição isenta, foi revogado pelo artigo 18, IV, da Lei nº 9.718/98. Com isso, não havia restrição para que o patrimônio cindido fosse destinado a uma entidade com fins econômicos. Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.958 14 14. O artigo 17 da Lei nº 9.532/97, que trata de devolução de capital, não é aplicável quando se trata de mera relação de troca. No caso em tela, deve ser aplicado o artigo 16, § único, da mesma Lei, que determina que a transferência de bens e direito do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de cisão, deve ser efetuada pelo valor de sua aquisição. 15. Invoca em seu favor as seguintes conclusões: a troca de títulos da dívida pública federal no âmbito do PND se caracterizava como mera permuta (Parecer PGFN nº 970/91); a natureza de fato permutativo na substituição de títulos patrimoniais por ações envolvendo a CBLC (Solução de Consulta nº 13/97, item 8); a inexistência de ganho de capital quando o bem é transferido pelo seu valor contábil (artigo 22 da Lei nº 9.249/95 e Solução de Consulta nº 07/2002); os ajustes contábeis realizados pelas corretoras nos títulos patrimoniais seriam indiferentes para fins tributários (Portaria MF nº 785/77); a reserva de reavaliação decorrente da atualização dos títulos patrimoniais não deveria ser tributada (Pareceres CST nº 78/78, 2.111/81, 911/83 e 2.867/83); e a aplicação do MEP para fins de avaliação contábil dos títulos patrimoniais das bolsas (Solução de Consulta nº 13/97, Parecer CST nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81). 16. Requer a aplicação do princípio da segurança jurídica e do artigo 100, § único, do CTN, posto que seu procedimento estava em conformidade com o entendimento consagrado na Solução de Consulta nº 13/97. No item “Das infrações autuadas – 2ª autuação”, 17. A empresa efetuou os lançamentos contábeis em conta passiva, e não do resultado, porque as ações não eram suas e, portanto, o ganho de capital era de responsabilidade do sócio controlador. Frente a todo o exposto, reforça os argumentos acima já resumidos para concluir que: (1) houve erro na identificação do sujeito passivo; (2) não houve ganho de capital na transmissão do título da corretora para o seu sócio, nem das bolsas para suas associadas e tão pouco houve ganho de capital na venda por conta e ordem; e (3) não houve incidência tributária sobre as desmutualizações das bolsas. Relativamente ao voto proferido na instância inferior, acrescenta as seguintes alegações: 18. Apesar de ser acertada a decisão quando refere que não se aplica o MEP, o tratamento contábil e fiscal guarda os mesmos efeitos. 19. A Portaria MF nº 785/77 veiculava normas, apenas para os proprietários dos títulos patrimoniais das antigas bolsas, que impunham o dever de, ano a ano, contabilizar a valorização desses títulos em conta do ativo com contrapartida em conta de reserva para sua compulsória incorporação ao capital. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicarseia o disposto no DL nº 1.109/70. É aí que reside o equívoco da Solução de Consulta nº 10, visto que a norma não estava a regular hipótese de postergação de tributação, pelo contrário, estava a veicular autêntica isenção condicionada. Assim trataram todos os pareceres normativos que versaram sobre o assunto. Uma vez incorporada reserva à conta de capital, os valores de atualização patrimonial registrados se tornam perenemente isentos. Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.959 15 20. Admitindose a correção do entendimento da Cosit (na referida Solução de Consulta), a tributação jamais poderia alcançar os valores capitalizados há mais de cinco anos, uma vez que, quanto a esses, a isenção já teria se consolidado e o lançamento estaria atingido pela decadência. 21. O Banco Central, ao tratar da reestruturação realizada pela empresa, não se manifestou sobre a necessidade de sua autorização prévia para a redução do capital. Ao contrário, sua manifestação foi no sentido de que os atos praticados não estavam em desacordo com suas normas. O ato administrativo de aprovação teve seus efeitos retroagidos às datas de assinatura dos atos societários. 22. As reduções de capital tiveram seus regulares efeitos no momento em que deliberadas. Por isso, a conclusão dos julgadores, que tiveram por base as regras de contabilização previstas no artigo 5º da Circular nº 2.750/97, não tem qualquer amparo legal. 23. A decisão recorrida não aplicou o entendimento predominante do CARF contido no Acórdão nº 10245.982, o qual decidiu que, para fins fiscais, o que importa é o ato formalizado e tencionado pelo contribuinte, ainda que, naquele caso, fosse invertida a posição que ocupam o Fisco e o contribuinte. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração. Das contrarrazões: Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional apresenta um breve histórico fático do fenômeno da desmutualização e discorre sobre o regime jurídico aplicável às associações, bem como sobre seus efeitos tributários. Nesse ponto, ressalta que os efeitos tributários do processo de desmutualização já foram perfeitamente delimitados pelo Judiciário e, mais recentemente, pelo próprio CARF. Prossegue enfatizando que a apuração do custo de aquisição dos títulos patrimoniais não deve considerar as atualizações da Portaria MF nº 785/77, mas, sim, o valor aportado pelos associados quando da instituição das bolsas. Assim, os aumentos nominais daqueles títulos ficam sujeitos à tributação em caso de extinção daquelas associações. Esclarece, ainda, que as sociedades corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar aqueles títulos pelo MEP. O que ocorria era a possibilidade de postergação da tributação. Quanto ao ganho de capital decorrente da alienação das ações obtidas com a desmutualização, renova os argumentos de que os atos de redução do capital social somente se tornam eficazes com a ausência de impugnação de credores no prazo de noventa dias, com as autorizações do Banco Central publicada no DOU e com os registros dos respectivos atos na Junta Comercial, após as autorizações do Banco Central. Ademais, reitera o argumento adicional suscitado pela fiscalização que propugna pela ausência de propósito negocial no planejamento fiscal engendrado. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.960 16 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Além disso, o valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto também deve ser conhecido. Em caráter preliminar, a recorrente alega erro na sujeição passiva. De fato, diante da relação de subsidiariedade das disposições do processo civil no processo administrativo fiscal, o erro de sujeição passiva deve ser equiparado à ilegitimidade de uma das partes, o que constituiria ausência de uma das condições da ação e, consequentemente, motivo suficiente para a extinção do processo sem a resolução do mérito (artigo 267, VI, do CPC). No entanto, no presente caso, essa alegação está intimamente ligada às infrações imputadas na medida em que, no mérito, pretendese atribuir ao sócio majoritário a titularidade dos títulos e/ou ações sobre os quais foram constatados os ganhos de capital tributados. Por tal motivo, deixo para analisar essa questão no momento mais adequado. Quanto ao mérito, há, então, duas infrações a serem consideradas. 1ª infração Ganho de capital na desmutualização: A recorrente detinha sete títulos patrimoniais da Bovespa com os seguintes custos de aquisição: 1º – R$ 355.000,00 2º – R$ 250.000,00 3º – R$ 250.000,00 4º – R$ 200.000,00 5º – R$ 275.000,00 6º – R$ 275.000,00 7º – R$ 275.000,00 Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.961 17 Com o processo de desmutualização, os associados receberam em troca de cada título patrimonial o equivalente a 706.062 ações da Bovespa Holding para as quais foi atribuído o valor contábil de R$ 1.568.890,19. Dessa operação, a fiscalização apurou um ganho de capital tributável no valor de R$ 9.102.231,33 referente ao terceiro trimestre de 2007. A despeito de a empresa ter alegado no procedimento fiscal que o 4º título teria sido entregue ao sócio antes da conclusão da desmutualização, em razão da primeira operação de redução de capital, a fiscalização desconsiderou este fato em razão dos mesmos motivos que serão examinados na análise da segunda infração. Portanto, se não concordarmos com a imposição dessa segunda infração, será necessário rever as consequências dessa conduta. Ademais, a recorrente detinha um título de sócio efetivo e um título de corretora de mercadorias na BM&F. A empresa não apresentou documentação comprobatória da aquisição do título de sócio efetivo, razão pela qual a fiscalização lhe atribuiu custo zero. Por outro lado, a documentação entregue referente ao título de corretora de mercadorias revelou um custo de aquisição no valor de R$ 2.721.894,13. Considerando que, com o processo de desmutualização, os associados receberam ações em troca de cada um desses títulos que equivaleram, respectivamente, aos valores contábeis de R$ 10.000,00 e R$ 4.908.015,00, a fiscalização apurou um ganho contábil tributável no valor de R$ 2.186.120,87 referente ao quarto trimestre de 2007. Antes desses processos de desmutualização, em conformidade com o que dispunha o artigo 7º da Resolução CMN nº 1.656/89 (posteriormente reproduzido no artigo 7º da Resolução CMN nº 2.690/00), o patrimônio das bolsas de valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial eram fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. O valor nominal desses títulos eram atualizados anualmente nos termos dos critérios estabelecidos no artigo 10 da mesma Resolução (artigo 9º da Resolução nº 2.690/00). O procedimento contábil para refletir essas atualizações estava disciplinado na Circular BACEN nº 1.273/87, que instituiu o Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, no trecho seguir transcrito: CAPÍTULO: Normas Básicas – 1 SEÇÃO: Ativo Permanente 11 (...) 3. Outros investimentos 1 – Constituem a Carteira Outros Investimentos as seguintes aplicações: (...) b) títulos patrimoniais; (...) Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.962 18 3 – Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, são corrigidos mensalmente e atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. Por ainda não se tratar de renda disponível, os ganhos assim obtidos não eram tributados na esteira do entendimento consubstanciado na Portaria MF nº 785/77, in verbis: I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. Naturalmente, se houvesse a realização da renda pela alienação dos títulos patrimoniais, darseia a tributação dos ganhos disponibilizados com a computação da reserva de atualização dos títulos patrimoniais no resultado tributável (artigo 4º da Lei nº 9.959/00). Neste ponto, cumpre observar a clara distinção entre o que ocorre neste procedimento e o que se passa no método da equivalência patrimonial. Neste último, aplicável aos investimentos relevantes em sociedades controladas e coligadas, o acréscimo patrimonial está sujeito à tributação na sociedade investida na medida em que é contabilizado. O registro desse acréscimo é concomitantemente refletido no investimento da sociedade investidora, porém, em atendimento a uma medida de política fiscal consoante com a técnica de integração para alívio da bitributação econômica, o legislador deixa de tributar tal acréscimo até mesmo quando ocorre a realização do investimento. No caso dos investimentos nos antigos títulos patrimoniais das bolsas de valores, não havia a tributação na sociedade investida. Sua natureza societária estava bem delineada no artigo 1º da já mencionada Resolução CMN nº 1.656/89, in verbis: Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.963 19 Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: (...) Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Portanto, as bolsas de valores eram, no regime anterior, tratadas como associações civis sem fins lucrativos. E essas entidades estavam isentas da tributação pelo IRPJ e pela CSLL, à luz do que estava expressamente previsto no artigo 15 da Lei nº 9.532/97. Confirase: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Assim, quando o investimento das sociedades corretoras que atuavam nas bolsas de valores era realizado, ocorria normalmente a tributação dos ganhos obtidos com os seus acréscimos patrimoniais. Isto porque inexistia a bitributação econômica e, portanto, não havia motivação para uma decisão legislativa que promovesse seu alívio tal como foi tomada com os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Com os processos de desmutualização, as bolsas de valores deixaram de ter a natureza de associações civis sem lucrativos para se tornarem sociedades anônimas. Implementouse uma reestruturação societária, a exemplo do que se sucedeu com as bolsas americana, europeias e asiáticas, com o objetivo de tornar realidade a faculdade há algum tempo prevista no artigo 1ª da Resolução CMN nº 2.690/00 (que havia revogado a já referida Resolução CMN nº 1.656/89), in verbis: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas (...) (grifei) A desmutualizaão ocorreu em duas etapas: num primeiro momento, constituiriamse as sociedades anônimas representativas das novas bolsas de valores (Bovespa Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.964 20 Holding S/A e BM&F S/A); num momento posterior, os títulos patrimoniais das associações civis representativas das antigas bolsas de valores foram trocados por ações de emissão das aludidas sociedades anônimas. Nesse contexto, há que se investigar quais seriam as consequências tributárias dessas operações. O Código Civil prevê as seguintes normas para a destinação do patrimônio líquido das associações dissolvidas: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. Destarte, no caso de dissolução, o patrimônio das associações deverá ser destinado à entidades de fins não econômicos, sendo possível, antes, a restituição aos associados das contribuições que estes tiverem prestado ao patrimônio. E, no caso da devolução dessa parcela do patrimônio aos associados, o artigo 17 da já mencionada Lei nº 9.532/97 é expresso no sentido de que se proceda à tributação pelo IRPJ e pela CSLL da diferença entre o valor recebido e o valor que foi entregue para a formação do patrimônio. Vejase: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.965 21 § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Portanto, nos processos de desmutualização, ocorreu uma dissolução parcial das associações civis representativas das antigas bolsas de valores, com devolução aos associados de suas parcelas do patrimônio na forma de ações das sociedades anônimas representativas das novas bolsas de valores. Impõese, então, a consequente tributação das diferenças apuradas entre o valor recebido e o valor que foi entregue para a formação do patrimônio. E não poderia ser diferente uma vez que instituise um novo regime. Com a mudança da natureza societária, as bolsas de valores deixaram de ser instituições isentas e, assim sendo, tributam e distribuem seus lucros. Os investimentos relevantes nessas instituições passaram a ser avaliados pelo método da equivalência patrimonial. E, como tais, são beneficiados pelo alívio da bitributação econômica quando de sua realização. Não seria coerente migrar para o novo regime, sem que se promovesse a tributação dos acréscimos acumulados dos investimentos quando a instituição investida era beneficiada pelo regime de isenção. Ademais, não se pode alegar que teria havido uma cisão parcial (ao invés de uma dissolução parcial) das antigas bolsas de valores e que, por isso, haveria que se aplicar o previsto no parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/97, in verbis: Art. 16. (...) Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Explicase. O Código Civil trata distintamente as diferentes espécies de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, seu artigo 44 destaca as associações numa categoria autônoma: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.966 22 II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas;(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos.(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada.(Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (grifei) Em suas disposições finais transitórias, o Código determinou que: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código. Ora, esse artigo 2.033 apenas vincula as modificações dos atos constitutivos ao novo Código. Não diz que todas as pessoas jurídicas do artigo 44 são passíveis de sofrer as modalidades de reorganização societária que enuncia. Os institutos da transformação, incorporação, cisão e fusão somente foram tratados pelo Código no Capítulo X (artigos 1.113 a 1.122) do Subtítulo II (Da Sociedade Personificada) do Livro II (Do Direito da Empresa) da Parte Especial. Quando quis compartilhar as regras aplicáveis à categoria das sociedades empresárias com as demais espécies de pessoas jurídicas de direito privado, o Código foi expresso. Confirase, nesse sentido, a regra prevista no § 2º do artigo 51 exclusivamente para os casos de liquidação: Art. 51. (...) 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. Inexiste outro dispositivo determinando a aplicação das regras das sociedades empresárias às associações. Nada obstante, em sentido contrário, o § 2º do artigo 44 estendeu, de forma subsidiária, o regime jurídico das associações às sociedades empresárias. Vejase: Art. 44. (...) Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.967 23 § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código.(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Portanto, a alegada cisão parcial das associações não encontra amparo na legislação civil vigente. Nem se pode recorrer às disposições do Código Civil de 1916. Isto porque as disposições finais e transitórias do Código de 2002 estabeleceram um prazo para que todas as pessoas jurídicas de direito privado se adaptassem às suas novas determinações. Confirase: Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007.(Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) É por isso que todos os atos legais ou infralegais anteriores à vigência do Código Civil de 2002 devem ser interpretados em consonância com suas disposições. E isso inclui a regra contida no parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/97 (acima transcrito). Sua interpretação deve estar em harmonia com o disposto no artigo 61 do Código Civil, isto é, a transferência de bens e direitos do patrimônio das associações só pode ser efetuada para o patrimônio de outra pessoa jurídica que tenha fins não econômicos. Nesse sentido, o parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/97 só pode ser aplicado quando a entidade isenta não se tratar de uma associação. Assim sendo, mesmo que as formas empregadas nos processos de desmutualização tenham sido chanceladas por seus órgãos de controle, não se pode opor ao Fisco consequências tributárias distintas daquelas efetivamente aplicáveis aos fatos constatados. Como conclusão, o resultado dos processos de desmutualização somente pode ser caracterizado como dissolução parcial das associações civis representativas das antigas bolsas de valores, com devolução do respectivo patrimônio aos associados, convertido em bens que foram utilizados para o aporte em capital das novas sociedades anônimas constituídas. E, em consonância com o disposto no artigo 17, e seus §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.532/97, a diferença entre o valor das ações recebidas e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais deve ser computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Como relatado, a Cosit já havia se pronunciado sobre essa questão na Solução de Consulta nº 10/07, a qual foi publicada com a seguinte ementa: OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.968 24 privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002). O art. 61 da Lei nº 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. As sociedades corretoras devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de aquisição. O fato de a operação de “desmutualização” de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores. Nesse sentido, também, a orientação de diversos julgados desta Casa: DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização das bolsas de valores, sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. A inoponibilidade ao Fisco da operação de desmutualização das bolsas de valores atrai a incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações das sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A.) recebidas pelas corretoras associadas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das associações (Bovespa e BM&F). Aplicase o art. 17 da Lei nº 9.532/97, e não o art. 16 da mesma lei, à operação de desmutualização, visto que a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas configura uma devolução de capital em razão da transferência dos títulos representativos do seu capital aos seus associados (sociedades corretoras), sem que as novas sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A) passem a integrar seu quadro social. Os títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) devem ser avaliados por seu custo de aquisição, e não pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), estando apenas autorizadas pela Portaria nº 785/77, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das associações para o momento da redução do capital ou extinção das mesmas. (Acórdão nº 1202.000745, de 11/04/2012, Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora Designada) IRPJ e CSLL. Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA. O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9532. (Acórdão nº 1302.00880, de 11/04/2012, Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, Relator) Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.969 25 DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil. (Acórdão nº 1101.000833, de 08/11/2012, Conselheira Edeli Pereira Bessa, Redatora Designada) AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. (Acórdão nº 1301.001225, de 12/06/2013, Conselheiro Edwal Casoni de P. F. Junior, Relator) Outrossim, já há diversos julgados proferidos no âmbito do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que seguem a mesma linha de entendimento. A título ilustrativo, transcrevese o seguinte: MANDADO DE SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSSL. BOVESPA E BM&F. OPERAÇÃO DE "DESMUTUALIZAÇÃO". TÍTULOS PATRIMONIAIS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. PORTARIA MF 785/77. DECRETOLEI 1.109/70. CTN: ART. 111. LEI 9.532/97, ART. 17. 1. Com a operação de "desmutualização" das Bolsas, ocorrida no ano de 2007 em que as mesmas deixaram de ser associações civis sem fins lucrativos e passaram a se constituir em sociedades anônimas, ocorreu a substituição dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos impetrantes por ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, alterando a situação jurídicotributária então existente. 2. De fato, superando o biênio inicial de vigência do NCC não mais se viabilizaria a transformação de entidades associativas em sociedades, ante o silêncio do seu art. 1.113, quanto àquelas, destinadas a extinção, nos casos da espécie, facultado o retorno das contribuições vertidas ao patrimônio associativo (NCC: art. 61, §§ 1º e 2º), o que se operou através da substituição dos títulos patrimoniais dos associados pelas ações das novas sociedades, estas com e aquelas sem finalidade lucrativa. 3. Hipótese em que opera efeitos a previsão do art. 177 e § 2º da Lei nº 6.404, de 1976, desde sua redação original, exsurgindo as conseqüências tributárias advindas Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.970 26 dos novos lineamentos civis, sem que necessário perquirir acerca da validade das deliberações sociais tomadas em prol da "desmutualização" operada. 4. Daí porque remanesce integra a Solução de Consulta nº 10/2007, incidindo na espécie, tanto o IRPJ com a CSL, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17, §§ 3º e 4º. 5. Não tem lugar a utilização do Método de Equivalência Patrimonial, já que o mesmo somente é viável nas hipóteses de investimentos em controladas e coligadas, nos termos do que dispõe os arts. 384, 387, 388, do Decreto 3000/99. 6. Precedente desta Corte: AG 2007.03.00.1051159. De minha relatoria: AMS 000812150.2008.4.03.6100/SP 7. Tampouco incide a Portaria MF 785/77, restrita ao acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais não distribuídos e segregados contabilmente para compulsória incorporação ao capital associativo (CTN: art. 111). 8. Improsperam, pelas mesmas razões, os pedidos subsidiários, na medida em que assentada a incidência das exações no momento da conversão dos títulos patrimoniais em ações, verificado com a desmutualização em 28/08/2007, sobre a diferença entre o valor de aquisição dos primeiros e o valor de devolução em ações. 9. Não há decadência, portanto, para excluir da base de cálculo atualizações levadas a efeito até 2002, nem como excluir da tributação aquelas procedidas até o advento da Solução de Consulta COSIT nº 10/07, máxime porque apenas espelha entendimento da União, não detendo qualquer força legal. Por fim, como já ressaltado, em caso de posterior alienação de ações, poderá ocorrer nova incidência, se verificado ganho de capital, o que não inviabiliza a cobrança ora hostilizada. 10. Precedentes desta E. Corte (Terceira Turma: AMS 000852215.2009.4.03.6100, AMS 000238466.2008.4.03.6100 e AMS 000870605.2008.4.03.6100, todos de relatoria do Juiz convocado Rubens Calixto; AMS 000812150.2008.4.03.6100, de minha relatoria). 11. Apelo da impetrante a que se nega provimento. (AMS nº 000454379.2008.4.03.6100, de 08/05/2014, Relator Juiz Convocado Roberto Jeuken) Pelos motivos expostos, impõese, então, discordar da recorrente quando afirma: que a desmutualização não se equipara à dissolução da associação; que os artigos 1.113 e seguintes do Código Civil, bem como o artigo 2.033 c/c artigo 44, § 2º, do mesmo Código, poderiam, de alguma forma, lhe ser favoráveis; que a legislação civil permite a cisão de uma associação isenta; que a revogação do artigo 15, § 4º, da Lei nº 9.532/97, permitiria que o patrimônio fosse destinado a uma entidade com fins econômicos; que o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 não seria aplicável ao caso, mas, sim, o seu artigo 16, § único. Além disso, os demais atos legais ou infralegais invocados pela recorrente devem também ser interpretados em consonância com as disposições do novo Código Civil, o que resulta nas conclusões acima alcançadas. É por isso que também não prosperam as alegações de que: a troca de títulos da dívida pública federal no âmbito do PND se caracterizava como mera permuta; a substituição de títulos patrimoniais por ações envolvendo a CBLC teve natureza de fato permutativo; inexiste ganho de capital quando o bem é transferido pelo seu valor contábil; os ajustes contábeis realizados pelas corretoras nos títulos Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.971 27 patrimoniais seriam indiferentes para fins tributários; a reserva de reavaliação decorrente da atualização dos títulos patrimoniais não deveria ser tributada; o MEP deve ser aplicado para fins de avaliação contábil dos títulos patrimoniais das bolsas; deve ser aplicado o § único do artigo 100 do CTN porque seu entendimento estava em conformidade com o consagrado na Solução de Consulta nº 13/97; a norma não estaria a veicular hipótese de postergação da tributação, mas autêntica isenção condicionada; e já se teria operado a decadência dos valores capitalizados. No que se refere à aplicação do princípio da segurança jurídica, não se pode acatar esse argumento. Isso porque a competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do RICARF e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, mantenho a integralidade do lançamento no que concerne ao ganho de capital apurado nos processos de desmutualização. 2ª infração Ganho de capital na alienação de ações: Conforme relatado, durante o ano de 2007, a recorrente alega ter efetuado três operações de redução de capital com a entrega de título/ações à pessoa física do seu sócio majoritário. Na primeira, como acima mencionado, teria havido a entrega do 4º título patrimonial da Bovespa pelo seu valor atualizado, equivalente a R$ 1.282.500,00. Não obstante a regulamentação do BACEN determinar que essa operação só seria concretizada após sua aprovação, a empresa procedeu ao registro contábil da operação, em 30 de junho, promovendo a reclassificação do título para a conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros”. Com a desmutualização, ocorrida em 28 de agosto, aquele título patrimonial foi substituído por 706.762 ações da Bovespa Holding S/A. Na segunda, realizada após a desmutualização, teria havido a entrega de 4.240.572 ações da Bovespa Holding S/A pelo valor contábil de R$ 9.412.822,26. Não obstante a regulamentação do BACEN determinar que essa operação só seria concretizada após sua aprovação, a empresa procedeu ao registro contábil da operação, em 18 de outubro, promovendo a reclassificação das ações para a conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros”. Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.972 28 Na terceira, realizada após a desmutualização da BM&F, ocorrida em 1º de outubro, teria havido a entrega de 4.408.015 ações da BM&F S/A pelo valor contábil de R$ 4.408.015,00. Não obstante a regulamentação do BACEN determinar que essa operação só seria concretizada após sua aprovação, a empresa procedeu ao registro contábil da operação, em 29 de outubro, promovendo a reclassificação das ações para a conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros”. Apesar disso, a recorrente praticou os atos necessários e cumpriu todas as etapas preparatórias para a participação nos leilões de ofertas públicas iniciais (IPO) de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A. Nesse contexto, alienou parte das ações que alega terem sido entregues ao sócio majoritário em três operações. Na primeira, ocorrida em 30 de outubro, alienou 4.500.000 ações da Bovespa Holding S/A pelo preço de R$ 103.500.000,00. As ações alienadas foram baixadas da conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros” e o valor da transação foi contabilizado na conta passiva que continha a descrição “Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. a Red. Capital”. Na segunda, ocorrida em 3 de dezembro, alienou 3.826.087 ações da BM&F S/A pelo preço de R$ 76.521.740,00. As ações alienadas foram baixadas da conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros” e o valor da transação foi contabilizado na conta passiva que continha a descrição “Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. a Red. Capital”. Na terceira, ocorrida em 7 de dezembro, alienou 573.913 ações da BM&F S/A pelo preço de R$ 11.478.260,00. As ações alienadas foram baixadas da conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros” e o valor da transação foi contabilizado na conta passiva que continha a descrição “Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. a Red. Capital”. A empresa considerou que essas alienações foram efetuadas por conta e ordem, por isso apurou o ganho de capital e tributou as operações em nome da pessoa física do seu sócio majoritário. A fiscalização entendeu que não houve a efetiva entrega do título e das ações. A titularidade desses bens só poderia ser atribuída ao sócio quando as operações de redução de capital fossem aprovadas pelo BACEN. Por conseguinte, apurou ganhos de capital tributáveis na pessoa jurídica da empresa, referentes ao quarto trimestre de 2007, nos valores de: R$ 93.510.773,28 na primeira alienação; R$ 70.375.574,90, na segunda alienação; e R$ 10.554.981,03, na terceira alienação. A DRJ acatou o pleito de aproveitamento dos pagamentos de imposto efetuados em nome do sócio, pessoa física, sobre os ganhos de capital apurado. Em minha opinião o feito fiscal, depois do aproveitamento do imposto determinado pela decisão recorrida, não merece mais reparo. Como atestaram a fiscalização e a instância a quo, o artigo 10 e seu § 1º c/c o § 1º do artigo 18 da Lei nº 4.595/64 impõem a autorização do BACEN às alterações estatutárias das instituições financeiras. Dentre estas, incluemse as sociedades corretoras que atuam nas bolsas de valores. Não se trata de uma autorização que possa ser considerada Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.973 29 automática, eis que, a própria Lei, determina o estudo dos pedidos formulados, do que poderá resultar em concessão ou recusa da autorização pleiteada. Confirase: Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil: (...) X Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) (...) f) alterar seus estatutos. (...) § 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso IX deste artigo, com base nas normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, o Banco Central da República do Brasil, estudará os pedidos que lhe sejam formulados e resolverá conceder ou recusar a autorização pleiteada, podendo (Vetado) incluir as cláusulas que reputar convenientes ao interesse público. (...) Art. 18. (...) § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. (grifei) A referência ao inciso IX no § 1º do artigo 10, na realidade, tem como foco o atual inciso X resultante da renumeração promovida pelo artigo 19 da Lei nº 7.730/89. Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.974 30 Consideradas sociedades corretoras de valores mobiliários, essas instituições financeiras também se subordinam aos ditames do Regulamento anexo à Resolução CMN/BACEN nº 1.655/89. Em seus artigos 3º e 17, constam os seguintes mandamentos: Art. 3º A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central do Brasil. (...) Art. 17. Subordinarseão à prévia aprovação do Banco Central, além da autorização de que trata o "caput" do artigo 3º, os seguintes atos relativos à sociedade corretora: (...) III – alteração do valor do capital social; (...) IX qualquer outra alteração do estatuto ou contrato social; No âmbito dos procedimentos que devem ser obedecidos pelas instituições financeiras para o registro contábil de subscrição, aumento e redução do capital social, a Circular BACEN nº 2.750/97 determinou que: Art. 5º A redução do capital social das instituições referidas no art. 1º, deliberada em assembléia de acionistas ou reunião de quotistas, deve ser registrada, enquanto não autorizada por este órgão, a débito da conta redução de capital, tendo como contra partida: I lucros ou prejuízos acumulados, no caso de amortização de prejuízos; II credores diversos país, no caso de resgate de ações ou quotas; III capital a realizar, no caso de cancelamento de ações ou quotas ainda não integralizadas. Parágrafo 1º Os recursos referentes ao resgate de ações ou quotas somente podem ser pagos aos beneficiários após a aprovação por este órgão da ata da assembléia de acionistas ou reunião de quotistas que deliberou a redução do capital social, na forma por essa definida. Parágrafo 2º A redução de capital social deve ser registrada a débito de capital e a crédito de redução de capital, na data da aprovação por este órgão da ata da assembléia de acionistas ou reunião de quotistas que deliberou a redução do capital social. Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.975 31 (grifei) Portanto, está bem claro que os recursos (as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A) só poderiam ser pagos (entregues) aos beneficiários (o sócio majoritário) após a aprovação, pelo BACEN, da ata da reunião de quotistas que deliberou a redução do capital social. Ademais, a redução na conta do capital social só poderia ser contabilizada na mesma data, isto é, quando efetivamente se concretiza a operação de redução do capital social. Noutro prisma, a normatização existente acerca dos procedimentos para o registro público dos atos societários que exigem aprovação governamental também não permite concluir que teria havido a concretização das operações de redução de capital. O artigo 35, VIII, da Lei nº 8.934/94 contém a seguinte redação: Art. 35. Não podem ser arquivados: (...) VIII os contratos ou estatutos de sociedades mercantis, ainda não aprovados pelo Governo, nos casos em que for necessária essa aprovação, bem como as posteriores alterações, antes de igualmente aprovadas. E a Instrução Normativa DNRC nº 32/91, vigente à época dos fatos, que dispunha sobre o arquivamento dos atos subordinados a aprovação prévia de órgãos do governo, incluía expressamente, em seu Anexo, as alterações dos contratos sociais das sociedades corretoras de câmbio e de títulos e valores mobiliários dentre os que estavam proibidos de arquivamento sem a prévia aprovação do BACEN. Por sua vez, o artigo 35 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) esclarece como é feita a transferência da titularidade da propriedade das ações escriturais, in verbis: Art. 35. A propriedade da ação escritural presumese pelo registro na conta de depósito das ações, aberta em nome do acionista nos livros da instituição depositária. § 1º A transferência da ação escritural operase pelo lançamento efetuado pela instituição depositária em seus livros, a débito da conta de ações do alienante e a crédito da conta de ações do adquirente, à vista de ordem escrita do alienante, ou de autorização ou ordem judicial, em documento hábil que ficará em poder da instituição. § 2º A instituição depositária fornecerá ao acionista extrato da conta de depósito das ações escriturais, sempre que solicitado, Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.976 32 ao término de todo mês em que for movimentada e, ainda que não haja movimentação, ao menos uma vez por ano. § 3º O estatuto pode autorizar a instituição depositária a cobrar do acionista o custo do serviço de transferência da propriedade das ações escriturais, observados os limites máximos fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. Como bem observado no voto condutor da decisão recorrida, todos os informes da instituição custodiante juntados aos autos (fls. 241 a 243, 284, 285, 301, 310 e 314) indicam que a empresa recorrente seria a proprietária das ações. Não é certo que tenham caráter apenas informativo nem que o alienante pudesse optar por manter as informações inalteradas para evitar burocracia e custos decorrentes. Não bastasse isso, a fiscalização também constatou que o saldo das ações não alienadas nas ofertas públicas, que pertenceria ao sócio controlador após as respectivas aprovações dos atos societários pelo BACEN, nunca foi efetivamente para ele transferido. Uma parte foi alienada em abril de 2008 e outra parte foi substituída por ações da BM&FBovespa S/A em maio de 2008. Dessas últimas, uma parte foi alienada em outubro de 2008 e outra parte permaneceu no patrimônio da empresa recorrente. Ademais, a liquidação financeira das ações alienadas nas ofertas públicas só foi repassada ao sócio no ano de 2008. Ou seja, tudo levando a crer que nunca houve a intenção de se promover uma efetiva transferência da propriedade das ações para o sócio. Portanto, não se pode acolher a alegação de que houve erro na identificação do sujeito passivo. A titularidade das ações alienadas era, de fato e de direito, da empresa recorrente. Razão pela qual não possuem qualquer fundamento para alterar essa constatação os argumentos que defendem que: não haveria necessidade do interregno de noventa dias para fins de impugnação dos credores sobre as operações de redução de capital; a autorização do BACEN teria efeito retroativo; a averbação da alteração estatutária na Junta Comercial não afligiria questões fiscais; a empresa teria tomado uma atitude zelosa ao realizar a venda por conta e ordem do sócio controlador; o repasse da liquidação financeira em 2008 seria motivado por questões de cautela; a negociação das ações do sócio controlador nas bolsas seria um negócio jurídico por conta e ordem; o ganho de capital seria de responsabilidade do sócio controlador; e as reduções de capital teriam seus regulares efeitos no momento em que foram deliberadas. Quanto à alegação de que a decisão recorrida não aplicou o entendimento predominante no CARF, há que se salientar que a primeira instância de julgamento dos processos administrativos fiscais no âmbito federal, salvo no que diz respeito a matérias objeto de súmulas vinculantes, não está adstrita à jurisprudência desta Casa. Por outro lado, concordo com a decisão recorrida no que concerne à dispensabilidade da fundamentação da autuação com base na ausência de motivação extratributária. Isso porque quando a interpretação da matéria fática, do ponto de vista da formalidade dos negócios jurídicos empreendidos, é suficiente para ser subsumida na regra matriz de incidência tributária não há necessidade de se recorrer à jurisprudência administrativa que faz uma análise objetiva do propósito preponderante dos negócios jurídicos formalizados com a finalidade de afastar a oposição dos seus efeitos ao Fisco. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.977 33 Com isso, mantenho também a integralidade do lançamento no que se refere ao ganho de capital apurado na alienação de ações. Ademais, no que diz respeito ao aproveitamento do imposto pago em nome da pessoa física do sócio, questão que é o objeto do recurso de oficio, considero correto entendimento da decisão recorrida. Nesse sentido, peço vênia para reproduzir as razões de decidir pronunciadas pelo voto condutor daquela decisão, as quais subscrevo: De maneira geral, podemos dizer que, se a autoridade fiscal efetua a constituição de um crédito tributário em nome da pessoa jurídica, sob o argumento de que foi ela quem realizou o fato gerador do tributo, e não a pessoa física do sócio, ela está, ao mesmo tempo, desconstituindo a relação jurídica que existia entre o Fisco e a pessoa física, da qual decorreu o pagamento do IRPF. Dessa maneira, torna indevidos os recolhimentos efetuados em nome do sócio, que poderia, por isso, solicitar a sua restituição, uma vez finalizado o processo administrativo em que a autuada discute o lançamento, e tornada definitiva a decisão. A alternativa de utilização para abater valores lançados na pessoa jurídica apenas poderia ocorrer com autorização da pessoa física, posto que, caso deferida tal utilização, ela ficaria impedida de solicitar a restituição do tributo por ela recolhido. Dadas as circunstâncias do caso em concreto, no entanto, em que o pagamento foi feito pela própria TOV, e considerando que o sócio beneficiário detinha 99,99% do seu capital social (o que implica, ao meu ver, em concordância tácita com o pedido da pessoa jurídica), entendo ser possível a utilização dos recolhimentos de IRPF para reduzir o valor lançado de IRPJ correspondente à venda das ações, pelo que dou provimento, nesta parte, à impugnação do contribuinte. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de afastar a preliminar de erro na sujeição passiva e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721704/201138 Acórdão n.º 1102001.201 S1C1T2 Fl. 2.978 34 Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 15559.000113/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos. Decisão Recorrida Nula.
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GRUPO ECONÔMICO Recorrente UNIWAY COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS LIBERAIS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 9. 00 01 13 /2 01 0- 56 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15559.000113/201056 Acórdão n.º 2402004.272 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à contribuição prevista no art. 1o, inciso II, da Lei Complementar 84/96, incidente sobre importâncias distribuídas a cooperados associados da notificada a título de sobras, apuradas nos Livros Diário/Razão, na conta intitulada “Produção de Cooperados”, para as competências 01/1999 a 02/2000. O Relatório Fiscal (fls. 27/30) informa que, em decorrência de a notificada integrar grupo econômico, foram chamadas outras empresas partícipes a se manifestarem nos autos, contandose o termo para apresentação de defesa a partir da última empresa cientificada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 04/08/2004 (fl.01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. há nulidade do lançamento, na medida em que este omite os artigos das normas legais específicas dadas como infringidas. Argúi, ainda, a nulidade do lançamento pela falta de intimação dos demais supostos devedores do presente crédito; 2. sustenta a ilegalidade da caracterização de grupo econômico pela fiscalização, posto que realizada com base em presunção. Nesse passo, pondera que não há qualquer relação de subordinação entre as empresas, não bastando a mera vinculação; 3. pondera que o lançamento viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como revelam enorme subjetivismo e arbitrariedade os comentários da autoridade fiscal acerca da suposta omissão de receita. Destarte, aproveita o enseja para requerer a produção de prova pericial; 4. por fim, contesta a aplicação de juros moratórios pela taxa SELIC, sustentando a sua ilegalidade. Embora intimadas por via postal, em 25/08/2004 (fls. 119/123), as empresas Uniwork Coperativa de Trabalho LTDA. e EDablio Consultoria e Projetos Ltda., supostas integrantes do grupo econômico, não impugnaram o lançamento. A Delegacia da Receita Previdenciária em Duque de Caxias – por meio da DecisãoNotificação (DN) 17.422.4/0197/2005 (fls. 131/137) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, e determinou a retificação do lançamento na forma prevista no discriminativo de fls. 32/45, conforme emissão de Discriminativo Analítico de Débito Retificado (DADR). Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Sem apresentação de recursos, houve a lavratura de Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância. Processo foi encaminhado ao setor de cobrança judicial. A Procuradoria Especializada do Fisco determina que o processo retorno à fase administrativa para que as empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. A empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda., suposta integrante do grupo econômico, apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua alegação fática de que não integraria o grupo econômico delineado pelo Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (RFB) em Nova Iguaçu/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15559.000113/201056 Acórdão n.º 2402004.272 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Cumpre esclarecer que somente a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda apresentou recurso voluntário. Quanto às prejudiciais, há questão que merece ser analisada. Da análise inicial dos autos, verificase questão prejudicial ao julgamento do recurso encaminhado, face à ocorrência de cerceamento da garantia da ampla defesa e da supressão de instância, vícios esses que devem ser sanados. Após a apresentação da peça de impugnação – oportunidade em que a empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda alegava que não existiria a caracterização de grupo econômico, tendo em vista que não haveria relação de controle ou de subordinação entre as empresas apontadas pelo Fisco como integrantes do suposto grupo econômico, havendo apenas uma presunção de grupo econômico –, a Delegacia de Julgamento proferiu decisão indeferindo as alegações expostas nessa peça de impugnação, nos seguintes termos: “[...] 10. Quanto à argüição de ilegalidade na caracterização do grupo econômico, vale perquirir qual o interesse jurídico da impugnante na exclusão do pólo passivo das empresas coligadas/controladas, quando a sua própria situação permanecerá inalterada qualquer que seja o desfecho da controvérsia suscitada; em outros termos, figurando a impugnante no pólo passivo da presente relação jurídica na qualidade de contribuinte – por possuir relação pessoal e direta com o fato gerador das contribuições ora exigidas –, a condição de eventual responsável tributário por parte das demais empresas solidárias constitui verdadeira exceção pessoal e, portanto, somente a estas pertine. 11. Acrescentese, por oportuno, que eventual vício na caracterização do Grupo Econômico terá como efeito a mera alteração na garantia do crédito tributário, não implicando, em qualquer hipótese, na invalidade do lançamento. 12. Ainda assim, não é despiciendo desfazer a equivocada afirmação da defendente de que a caracterização do Grupo Econômico se deu por presunção, eis que devidamente verificado pela fiscalização, a partir da análise da escrituração contábil da notificada, notadamente nas contas denominadas “empresas coligadas e empresas controladas”, conforme relatório fiscal. [...]” (processo 15559.000113/201056, DecisãoNotificação (DN) 17.422.4/0197/2005, fls. 131/137) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Com a prolação da decisão de primeira instância, inicialmente não houve a apresentação de recurso voluntário. Com isso, o Fisco lavrou Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância, e encaminhou os autos ao setor de cobrança judicial. Posteriormente, a Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada) determinou o retorno do processo à fase administrativa para que as empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. Por sua vez, o Fisco determinou a reabertura de prazo para a interposição de recurso para todas as empresas integrantes do suposto grupo econômico. No retorno do processo à fase administrativa, conforme determinação da Fazenda Nacional, a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda interpôs recurso alegando, em síntese, os seguintes fatos: 1. a sua constituição como empresa somente ocorreu em março de 2000, logo não há de se falar em contribuições nas competências 01/1999 a 02/2000; 2. ela não pertence a grupo econômico algum, e em tal condição não pode ser considerada solidária aos débitos mencionados no lançamento fiscal, pois o único vinculo existente entre a eDablio Consultoria e Projetos Ltda e a cooperativa Uniway era um vínculo comercial, onde a primeira contratava os serviços da segunda; 3. Conforme impugnação da Cooperativa Uniway, a qual sofreu a fiscalização, não restou comprovada, durante a fiscalização, a existência do controle por parte de uma das cooperativas sobre as outras e muito menos da empresa limitada sobre as cooperativas, portando a autoridade fiscalizadora fundamentouse em simples presunção e informações comerciais constantes no site www.uniway.com.br, onde constava a eDablio Consultoria e Projetos Ltda, como sua cliente; 4. Conforme Contrato Social (doc. 3) o responsável pela administração da empresa eDablio Consultoria e Projetos Ltda. era seu Sócio Gerente Pedro Azambuja Pinheiro Machado, portando não há de se falar em controle e direção, pois o Sr. Pedro não fazia parte da direção e muito menos controlava a Cooperativa Uniway; 5. a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 35.699.7758, de 30/07/2004, nunca foi entregue a eDablio Consultoria e Projetos Ltda, apenas a empresa tomou conhecimento em 07/08/2006, quando sua procuradora recebeu cópias da NFLD em questão. Isto, por uma única razão, não há vínculo entre a empresa UNIWAY e a EDABLIO, que é uma empresa limitada e a Uniway, cooperativa. Dessa forma, afirma que não faz parte do mesmo grupo econômico que a cooperativa Notificada e, para comprovar as suas alegações, junta aos autos cópias de documentos. Considerando a garantia da ampla defesa e da supressão de instância, entendese que a decisão de primeira instância deverá examinar e analisar as alegações postas na peça recursal, eis que essa decisão não analisou, de forma suficiente, todos os pontos Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15559.000113/201056 Acórdão n.º 2402004.272 S2C4T2 Fl. 5 7 abordados pela peça de impugnação, no momento em que não houve uma demonstração fática de que todas as empresas comporiam ou não o grupo econômico delineado pelo lançamento fiscal. Segundo a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda), ela não tornou conhecimento imediato da autuação, sendo que isso impossibilitou, dentro do prazo regulamentar, a sua produção de prova na fase de impugnação, e, com isso, somente na fase recursal foram apresentadas as questões fáticas e jurídicas da impugnação do lançamento fiscal. Com a finalidade de afastar qualquer dúvida acerca do sujeito passivo da relação obrigacional tributária do presente processo, já que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) alega que os fatos apontados pelo Fisco não guardam correspondências com a documentação existente na empresa (fato novo para o processo) – tais como as questões fáticas expostas nos itens 1 a 5 retromencionados –, deverá a autoridade de primeira instância de julgamento rebater os pontos apresentados na peça de impugnação, bem como a matéria fática somente apresentada em sede de recurso voluntário (fato superveniente ao momento de sua apresentação), visando demonstrar que o Fisco cumpriu, ou não, a legislação de regência na época de ocorrência do fato gerador. Ou caso os autos não possuam os elementos suficientes, entendese eficaz a baixa do processo em diligência para manifestação do Fisco quanto aos argumentos apresentados na peça recursal ou na peça de impugnação, dandose uma chance para que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) emende a peça inicial (peça de impugnação) e especifique os elementos probatórios que demonstram as suas alegações. Dentro desse contexto da decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que tal decisão deve ser pautada dentro princípio da motivação. Esta motivação exige da Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os pressupostos fáticos e jurídicos, assim como a correlação lógica entre os fatos expostos nos autos e o ato praticado, demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim, exige um raciocínio lógico entre o motivo, o resultado da decisão e a lei. Assim, não é razoável o exame de toda a matéria fática na fase recursal, se a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) não a apresentou em decorrência de uma causa dada pelo próprio Fisco, corroborado pelo retorno do processo à fase administrativa e pela reabertura de prazo, conforme determinação da Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada e Fisco). Isso permitirá que tal matéria fática seja analisada pela primeira instância e evitará a garantia da supressão de instância e da ampla defesa. Esse entendimento acima está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) Diante disso, entendese que a decisão de primeira instância não está devidamente motivada, eis que lhe faltou examinar as questões fáticas retromencionadas (itens a 5 dessa decisão) e sinalizadas na peça de impugnação pela empresa autuada (Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda). Nesse particular não há outra solução a ser dada ao presente processo, anulandose a decisão de primeira instância em decorrência da Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 constatação do cerceamento a garantia da ampla defesa e da supressão de instância evidenciada nos autos. A Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) possui o direito de verificação e análise de todos seus argumentos na primeira instância. Não procedendo dessa forma, ocorrerá a supressão de instância do direito de defesa da Recorrente, motivo de nulidade, ainda que se trata de matéria fática exposta somente na peça recursal, desde que seja de forma excepcional e justificada, que foi: impossibilidade de se manifestar, no prazo regulamentar, da autuação em decorrência da falta de ciência de todos os sujeitos passivos (solidariedade). Esse entendimento é corroborado pelo fato de que, após o retorno do processo à fase administrativa, houve a reabertura de prazo para que as empresas (sujeitos passivos), pertencentes ao suposto grupo econômico, apresentassem peça de contestação (recurso), sendo isso determinado pela Fazenda Nacional. Da forma como foi prolatada a decisão de primeira instância, o direito do sujeito passivo ao contraditório não foi conferido de forma ampla. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações”. Ressaltese, também, que há determinação legal para que se verifique o direito dos cidadãos, nos termos do art. 2o da Lei 9.784/1999 e do art. 5o, inciso LV, da Constituição Federal/1988. Lei 9.784/1999: Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15559.000113/201056 Acórdão n.º 2402004.272 S2C4T2 Fl. 6 9 XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; ......................................................................................................... Constituição Federal/1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (g.n.) Assim, é dever da Administração Pública garantir o direito dos cidadãos contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na Constituição Federal/1988 como cláusula pétrea. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (g.n.) Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da Recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressalto que o Fisco deverá cientificar os sujeitos passivos dessa decisão – ou seja, deverá dar ciência a todas as empresas que integram o suposto grupo econômico delineado pela auditoria fiscal –, emitir nova decisão, dar ciência de todas as diligências e de seus respectivos resultados (pronunciamentos da fiscalização e do órgão julgador), reabrir prazos e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vício apontado para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento fiscal, bem como a análise do recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO: Voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja proferida uma nova decisão consubstanciada em motivação fática e jurídica, presentes nos autos, bem como seja oferecido aos sujeitos passivos um novo prazo para manifestação. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008048/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO CONTRADIÇÃO.
Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto
Ccondutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão.
MULTA DE OFICIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. DATA DA COMINAÇÃO DE PENALIDADE. DESINFLUÊNCIA.
A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp N° 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC.
Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica.
O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Inteligência dos Embargos de Declaração no Recurso Especial n° 923.012-MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC. Entendimento que deve ser reproduzido neste Conselho por força do art. 62- A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1402-001.789
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos acolher os embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que votaram pelo não acolhimento, por entender inaplicável a multa à sucessora. No mérito, por unanimidade de votos, ratificar o acórdão 1402-001.485 e dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez acompanharam pelas conclusões.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO CONTRADIÇÃO. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto Ccondutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. MULTA DE OFICIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. DATA DA COMINAÇÃO DE PENALIDADE. DESINFLUÊNCIA. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp N° 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Inteligência dos Embargos de Declaração no Recurso Especial n° 923.012-MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC. Entendimento que deve ser reproduzido neste Conselho por força do art. 62- A do Regimento Interno do CARF.
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Numero do processo: 10730.724473/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA GRATUITA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A compensação fiscal em virtude da transmissão de propaganda eleitoral e partidária gratuita pelas emissoras de rádio e televisão é feita sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1401-001.146
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA GRATUITA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A compensação fiscal em virtude da transmissão de propaganda eleitoral e partidária gratuita pelas emissoras de rádio e televisão é feita sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
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PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA GRATUITA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A compensação fiscal em virtude da transmissão de propaganda eleitoral e partidária gratuita pelas emissoras de rádio e televisão é feita sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 44 73 /2 01 1- 76 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724473/201176 Acórdão n.º 1401001.146 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de negativa de reconhecimento do direito creditório decorrente da apropriação de crédito em razão de exibição de propaganda partidária e eleitoral, ocorrida no anocalendário 2006. Conforme se extrai do relatório da decisão recorrida, in verbis: A DRF/NiteróiRJ, conforme Despacho Decisório de fls.50/58, indeferiu o citado pedido, sob os seguintes fundamentos: a) inexiste previsão legal atribuindo às emissoras de rádio e televisão o direito à restituição pela cedência de horário gratuito destinado à divulgação das propagandas partidária e eleitoral; b) o direito creditório pleiteado no pedido de restituição não se refere a pagamento indevido ou a maior de valores recolhidos por meio de Darf ou Gps, tratandose de crédito decorrente de supostas despesas com veiculação obrigatória de propagandas eleitoral e partidária gratuitas ocorridas no anocalendário de 2006; c) o crédito pleiteado não se refere a tributo ou contribuição administrado pela RFB e não é passível de restituição; d) na forma da legislação de regência, as compensações não referidas a tributos ou contribuições administradas pela RFB estão expressamente vedadas e, caso formalizadas, serão consideradas não declaradas, sendo hipótese de multa de ofício isolada, prevista no art.18, da Lei nº 10.833, de 2003. (...) Em Manifestação de Inconformidade às fls.65/81, a interessada afirma: a) que está “obrigada, em face do código brasileiro de telecomunicações, a exibir gratuitamente propagandas partidárias e eleitorais, deixando de difundir anúncios publicitários pagos, conforme as Leis nº 8.713/93, nº 9.096/95 e nº 9.054/97, que instituíram o direito à compensação fiscal pela cessão do horário gratuito”; b) que, “não obstante a clareza da legislação em determinar o ressarcimento através da compensação fiscal, dos custos e da perda da receita” (art.80 da Lei nº 9.713/93; parágrafo único do art.52, da Lei nº 9.096/95; art.99 da Lei nº 9.504/97), o Decreto nº 5.331, de 2005, “veio impedir, na prática, a compensação integral da perda de receita das empresas de rádio e TV”; c) que “o Decreto nº 5.331/2005 e os Decretos nºs 1.976/1996, 2.814/1998 e 3.786/2001 (por aquele primeiro revogados), a pretexto de regulamentar o ressarcimento ou compensação fiscal devido às emissoras pela veiculação da propaganda eleitoral gratuita, estabeleceram graves limitações não previstas na lei, chegando mesmo a quase esvaziar o seu conteúdo”; d) os decretos em questão permitem apenas a exclusão do lucro líquido do valor correspondente a oito décimos do produto do preço do espaço comercializável, pelo tempo efetivamente Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 utilizado em publicidade comercial, e, “dessa forma, as emissoras não estariam sendo ressarcidas do prejuízo com a veiculação da propaganda eleitoral e partidária gratuita, mas sim recebendo uma bonificação quase inexistente”; e) “não se trata, pois, de um benefício, dado graciosamente pelo Poder Público, mas de uma indenização – de modo que deve ser integral”; f) os “decretos extrapolaram seu poder estritamente regulamentar”, e, “reduzem tanto o ressarcimento, que esvaziam a provisão de ressarcimento contida na lei”; g) “que a natureza da compensação fiscal decorrente da transmissão de propaganda eleitoral e partidária, segundo o Conselho de Contribuintes é indenizatória, ou seja, é devido às emissoras de rádio e televisão o ressarcimento integral das despesas, diferentemente do que preconizam os Decretos nºs 1.976/96, 2.814/98, 3.786/2001 e 5.331/2005”; h) “ademais, as empresas que estiverem em situação negativa (não obtiverem lucro) terão que arcar totalmente com os custos da propaganda eleitoral e partidária, vez que não terão de onde deduzir as despesas, sendo impedidas de aproveitar a compensação fiscal”; i) “verificase claramente que, da mesma forma que a IN 23/97 não poderia exceder os limites estabelecidos na Lei nº 9.363/96, também os Decretos nº 1.976/96, nº 2.814/98, nº 3.786/2001 e nº 5.331/2005 não poderiam jamais reduzir o alcance das Leis nº 8.713/1993, nº 9.096/1995 e nº 9.504/97, visto que tais normas asseguraram o direito ao ressarcimento às emissoras através de compensação fiscal da totalidade da perda de suas receitas e não uma dedução de parte dos prejuízos”; j) “devem ser considerados inaplicáveis os decretos citados no Despacho Decisório, deferindose a restituição integral dos gastos com a propaganda eleitoral, na forma prevista em lei”; k) “as restrições contidas nos Decretos em questão foram editadas em leis apenas em 2009 (Lei nº 12.034/2009) e em 2010 (Lei nº 12.350), o que confirma a necessidade de lei em sentido estrito para impor as restrições antes contidas apenas em atos infralegais”, que “vieram, na verdade, inovar no ordenamento jurídico (algo que o decreto não pode), não podendo ser aplicada a situações anteriores a suas edições”; l) “como a lei prevê compensação fiscal, isto é, com tributos federais, deve ser considerada competente a Secretaria da Receita Federal para analisar o pedido, ao contrário do que expõe a decisão atacada”; m) “considerandose que a compensação deve ser fiscal, isto é, com tributos (...), concluise que é razoável a aplicação, como forma adequada de cumprir a legislação que dá direito à compensação fiscal, o art.74 da Lei nº 9.430/1996”; n) “afora o art.74 da Lei nº 9.430, não há outro procedimento legal específico para compensar os créditos decorrentes da propaganda eleitoral gratuita, limitandose a lei a dizer que a restituição se dará por ‘COMPENSAÇÃO FISCAL”. Em julgamento perante a DRJ do Rio de Janeiro, a decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724473/201176 Acórdão n.º 1401001.146 S1C4T1 Fl. 4 5 EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. HORÁRIO GRATUITO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor da compensação fiscal em decorrência de transmissão obrigatória e gratuita de propaganda eleitoral ou partidária pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em sede de recurso, a Contribuinte alegou o seguinte: a) ilegalidade dos decretos nº 1.976/1996, 2.817/1998, 3.786/2001 em face das leis 8.713/93, 9.095.95 e 9.504/97, por impor restrições no recebimentos dos créditos decorrentes da exibição das propagandas eleitoral e partidária; b) que referida restrição acaba por limitar o montante da restituição a 20% do valor total do crédito; c) possibilidade de utilização da PER/DCOMP para recebimento de referidos créditos. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator: Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende os pressupostos de admissibilidade. A Recorrente pretende demonstrar, valendose, para tanto, do PER/DCOMP, que as emissoras de rádio e televisão têm direito ao ressarcimento integral das despesas incorridas em face da transmissão gratuita de propaganda eleitoral e partidária, o que deveria ocorrer mediante a aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Ocorre, no entanto, que, conforme já detalhadamente elucidado pelo despacho decisório bem como pelo acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro/RJ, a legislação eleitoral e partidária não ampara a pretensão da Recorrente, de forma que bem andou a Fiscalização ao negar o reconhecimento do suposto direito creditório. De fato, conforme descrição do voto recorrido, in verbis: 11.A Lei nº 8.713, de 30 de setembro de 1993, que estabeleceu n ormas para as eleições de 03.10.1994, dispôs sobre propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão: Art. 65. A propaganda eleitoral no rádio e televisão é restrita ao horário gratuito definido nesta lei, vedada a veiculação de propa ganda paga. (grifos nossos) 12.A mesma lei previu que o Poder Executivo regulamentaria o modo e a forma de ressarcimento fiscal da gratuidade instituída: Art. 80. O Poder Executivo editará normas regulamentando o m odo e a forma de ressarcimento fiscal às emissoras de rádio e tel evisão, pelos espaços dedicados ao horário de propaganda eleito ral gratuita. (grifos/sublinhas nossos) 13 O Decreto nº 1.976, de 6 de agosto de 1996, que regulamento u o sobretranscrito art.80, já dispunha que o dito ressarcimento seria sob a forma de exclusão do lucro líquido/dedução de base de cálculo: Art. 1º As emissoras de rádio e televisão, obrigadas à divulg ação gratuita de propaganda eleitoral, nos termos da Lei n 8.713, de 1993, poderão excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço c omercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado p ela emissora em programação destinada a publicidade com ercial, no período de duração daquela propaganda. (...) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724473/201176 Acórdão n.º 1401001.146 S1C4T1 Fl. 5 7 § 3º O valor apurado poderá ser deduzido da base de cálcul o dos recolhimentos mensais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, tornandose definitivo ca so o contribuinte opte pelo regime de tributação com base n o lucro presumido. 14 A Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, que “dispõe sobre partidos políticos e regulamenta os arts. 17 e 14, § 3º, inciso V, d a Constituição Federal”, dispôs sobre a correspondente compen sação fiscal em face da obrigatoriedade de transmissões gratuita s partidárias: Art. 46. As emissoras de rádio e de televisão ficam obrigada s a realizar, para os partidos políticos, na forma desta Lei, t ransmissões gratuitas em âmbito nacional e estadual, por in iciativa e sob a responsabilidade dos respectivos órgãos de direção. Art. 52. (...) Parágrafo único. As emissoras de rádio e televi são terão direito a compensação fiscal pela cedência do hor ário gratuito previsto nesta Lei. (grifos nossos) 15 A Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, que “estabeleceu normas para as eleições”, também dispôs sobre a compensação f iscal por cessão de horário gratuito: Art. 99. As emissoras de rádio e televisão terão direito a co mpensação fiscal pela cedência do horário gratuito previsto nesta Lei. § 1o O direito à compensação fiscal das emissoras de rádio e televisão previsto no parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e neste artigo, pela cedên cia do horário gratuito destinado à divulgação das propaga ndas partidárias e eleitoral, estendese à veiculação de prop aganda gratuita de plebiscitos e referendos de que dispõe o art. 8o da Lei no 9.709, de 18 de novembro de 1998, mantid o também, a esse efeito, o entendimento de que: (Incluído pe la Lei nº 12.034, de 2009) (grifos/sublinhas nossos) 16 A citada Lei nº 9.504, de 1997, definiu em que consiste a “co mpensação fiscal”: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Art.99. (...) II a compensação fiscal consiste na apuração do valor corre spondente a 0,8 (oito décimos) do resultado da multiplicaçã o de 100% (cem por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cen to) do tempo, respectivamente, das inserções e das transmis sões em bloco, pelo preço do espaço comercializável compr ovadamente vigente, assim considerado aquele divulgado pe las emissoras de rádio e televisão por intermédio de tabela pública de preços de veiculação de publicidade, atendidas a s disposições regulamentares e as condições de que trata o § 2oA; 17 O Decreto nº 2.814, de 22 de outubro de 1998, que “regulame nta o art.99 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, para efe ito de ressarcimento fiscal pela propaganda gratuita ...”, ratifico u as regras do citado Decreto nº 1.976, de 1996: Art 1º Aplicamse às eleições de 4 de outubro de 1998 as no rmas constantes do Decreto nº 1.976, de 6 de agosto de 199 6, com as seguintes alterações: I o preço do espaço comercializável é o preço de propagan da da emissora comprovadamente vigente em 18 de agosto de 1998, que deverá guardar proporcionalidade com os prat icados trinta dias antes e trinta dias após essa data; II o valor apurado de conformidade com o Decreto nº 1.97 6, de 1996, com as alterações deste Decreto, poderá ser ded uzido da base de cálculo dos recolhimentos mensais de que t rata o art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, b em assim da base de cálculo do Lucro Presumido. (grifos no ssos) 18 Já o parágrafo único do art.52 da Lei nº 9.096, de 19.09.1996 , antes reproduzido, foi regulamentado pelo Decreto nº 3.516, de 20.06.2000, que também reza que, a partir do anocalendário de 2000, a forma de ressarcimento fiscal da propaganda partidária gratuita se dá sob a forma de exclusão/dedução da base de cálc ulo do lucro: Art. 1o A partir do anocalendário de 2000, as emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação da propaganda pa rtidária gratuita, nos termos da Lei no 9.096, de 19 de sete mbro de 1995, poderão excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço c omercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado p ela emissora em programação destinada à publicidade com ercial, no período de duração daquela propaganda. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724473/201176 Acórdão n.º 1401001.146 S1C4T1 Fl. 6 9 § 1o O preço do espaço comercializável é o preço de propa ganda da emissora comprovadamente vigente no mês corren te em que tenha realizado a propaganda partidária. § 2o O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela em issora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do t empo destinado à propaganda partidária gratuita, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, bem assim aos comunicados, instruções e a outras requisições d a Justiça Eleitoral, conforme estabelece a Lei no 9.096, de 1 995. § 3o Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras § 4o O valor apurado poderá ser deduzido da base de cálcul o dos recolhimentos mensais de que trata o art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1995, bem como da base de cá lculo do lucro presumido. § 5o As empresas concessionárias de serviços públicos de te lecomunicações, obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de t elevisão e rádio, poderão fazer a exclusão prevista neste art igo, limitada a oito décimos do valor que seria cobrado das emissoras de rádio e televisão pelo tempo destinado à propa ganda partidária gratuita e aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, nos termos da Lei n o 9.096, de 1995. (grifos nossos) 19 O Decreto nº 3.786, de 10 de abril de 2001, que “regulament a o art.99 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, para os ef eitos de ressarcimento fiscal pela propaganda eleitoral gratuita.. ..”, também dispôs que a compensação fiscal se dá sob a forma d e deduçã: Art. 1o A partir do anocalendário de 2000, as emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propa ganda eleitoral, nos termos da Lei no 9.504, de 30 de setem bro de 1997, poderão excluir do lucro líquido, para efeito d e determinação do lucro real, valor correspondente a oito d écimos do resultado da multiplicação do preço do espaço co mercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pe la emissora em programação destinada à publicidade comer cial, no período de duração da propaganda eleitoral gratuit a. (grifos nossos) 20 Em 4 de janeiro de 2005, foi editado o Decreto nº 5.331 (que revogou, expressamente, os Decretos nºs 3.516, de 2000, e 3.786, de 2001), que, “para os efeitos de compensação fiscal pela divul gação gratuita da propaganda partidária ou da propaganda eleit Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 oral”, regulamentou o já citado art.52 da Lei nº 9.096, de 1996, e o também citado art. 99 da Lei nº 9.504, de 1997. 21 No citado Decreto nº 5.331, de 2005, da mesma forma que no s diplomas legais e regulamentares anteriores, a compensação fi scal foi tratada como faculdade de dedução da base de cálculo d o IRPJ: Art. 1o As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulg ação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderã o, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídic a (IRPJ), excluir do lucro líquido, para efeito de determinaç ão do lucro real, valor correspondente a oito décimos do res ultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora e m programação destinada à publicidade comercial, no perí odo de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratu ita. § 1o O preço do espaço comercializável é o preço de propa ganda da emissora, comprovadamente vigente no dia anteri or à data de início da propaganda partidária ou eleitoral, o qual deverá guardar proporcionalidade com os praticados t rinta dias antes e trinta dias depois dessa data. § 2o O disposto no § 1o aplicase à propaganda eleitoral rel ativa às eleições municipais de 2004. § 3o O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela em issora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do t empo destinado à propaganda partidária ou eleitoral, relati vo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, b em assim aos comunicados, instruções e a outras requisiçõe s da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários d e que trata a Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e às eleições de que trata a Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1 997. § 4o Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. § 5o Na hipótese do § 4o, o preço do espaço comercializáve l é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente v igente na data e no horário imediatamente anterior ao das i nserções da propaganda partidária ou eleitoral. § 6o O valor apurado na forma deste artigo poderá ser dedu zido da base de cálculo dos recolhimentos mensais de que tr ata o art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, b em como da base de cálculo do lucro presumido. § 7o As empresas concessionárias de serviços públicos de te lecomunicações, obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de t elevisão e rádio, poderão fazer a exclusão prevista neste art igo, limitada a oito décimos do valor que seria cobrado das Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724473/201176 Acórdão n.º 1401001.146 S1C4T1 Fl. 7 11 emissoras de rádio e televisão pelo tempo destinado à divul gação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral e aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça E leitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei no 9.096, de 1995, e às eleições de que trata a Lei no 9. 504, de 1997. (grifos/sublinhas nossos) 22 A Lei nº 12.304, de 29 de setembro de 2009, que altera as Lei s nº 9.096, de 19 de setembro de 1995 (Lei dos Partidos Políticos ), nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (que estabelece normas p ara as eleições) e nº 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleit oral), alterou o art.99 da Lei nº 9.504, de 1997, mantendo, expre ssamente, porém, o entendimento de que a compensação fiscal é valor a ser deduzido da base de cálculo, senão vejamos: Art. 3o A Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 99. ......................................................................... § 1o O direito à compensação fiscal das emissoras de rádio e televisão previsto no parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e neste artigo, pela cedên cia do horário gratuito destinado à divulgação das propaga ndas partidárias e eleitoral, estendese à veiculação de prop aganda gratuita de plebiscitos e referendos de que dispõe o art. 8o da Lei no 9.709, de 18 de novembro de 1998, mantid o também, a esse efeito, o entendimento de que: I (VETADO); II o valor apurado na forma do inciso I poderá ser deduzid o do lucro líquido para efeito de determinação do lucro real , na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, inclusive da base de cálculo dos recolhimentos men sais previstos na legislação fiscal (art. 2o da Lei no 9.430, d e 27 de dezembro de 1996), bem como da base de cálculo do lucro presumido. § 2o (VETADO) § 3o No caso de microempresas e empresas de pequeno port e optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições (Simples Nacional), o valor inte gral da compensação fiscal apurado na forma do inciso I do § 1o será deduzido da base de cálculo de imposto e contrib uições federais devidos pela emissora, seguindo os critérios definidos pelo Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN. ” (NR) (grifos/sublinhas nossos) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 23 A Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, que dispôs sobre medidas tributárias para a Copa das Confederações Fifa 2013 e da Copa do Mundo Fifa 2014, e alterou diversos diplomas legai, deu nova redação ao mencionado art.99 da Lei nº 9.504, de 199 7. 24 Todavia, como abaixo se vê, a dita lei não introduziu qualque r alteração na regra de que a dita compensação fiscal equivale à dedução da base de cálculo (lucro real, estimativas mensais, luc ro presumido e Simples Nacional): Art. 58. O art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 199 7, alterado pelo art. 3o da Lei no 12.034, de 29 de setembro de 2009, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 99. .................................................................................. . § 1o ......................................................................................... . II a compensação fiscal consiste na apuração do valor corresp ondente a 0,8 (oito décimos) do resultado da multiplicação de 100% (cem por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento ) do tempo, respectivamente, das inserções e das transmissõ es em bloco, pelo preço do espaço comercializável comprov adamente vigente, assim considerado aquele divulgado pela s emissoras de rádio e televisão por intermédio de tabela pú blica de preços de veiculação de publicidade, atendidas as d isposições regulamentares e as condições de que trata o § 2 oA; III o valor apurado na forma do inciso II poderá ser deduzido d o lucro líquido para efeito de determinação do lucro real, n a apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (I RPJ), inclusive da base de cálculo dos recolhimentos mensa is previstos na legislação fiscal (art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996), bem como da base de cálculo do l ucro presumido.(...) § 2oA. A aplicação das tabelas públicas de preços de veicul ação de publicidade, para fins de compensação fiscal, dever á atender ao seguinte:(...) § 3o No caso de microempresas e empresas de pequeno port e optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições (Simples Nacional), o valor inte gral da compensação fiscal apurado na forma do inciso II d o § 1o será deduzido da base de cálculo de imposto e contri buições federais devidos pela emissora, seguindo os critério Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724473/201176 Acórdão n.º 1401001.146 S1C4T1 Fl. 8 13 s definidos pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN ).” (NR) (grifos/sublinhas nossos) 25 Mais recentemente o Decreto nº 7.791, de 17 de agosto de 20 12, que regulamenta “a compensação fiscal na apuração do IRP J pela divulgação gratuita de propaganda partidária e eleitoral, de plebiscitos e referendos”, ratifica que a dita compensação fisc al, de que tratam os art.52 da Lei nº 9.096, de 1995, e o art.99 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, se dá sob a forma de d edução da base de cálculo, senão vejamos: A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e te ndo em vista o disposto no parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e no art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, DECRETA Art. 1o As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divul gação gratuita da propaganda partidária e eleitoral, de ple biscitos e referendos poderão efetuar a compensação fiscal de que trata o parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, d e 19 de setembro de 1995, e o art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, na apuração do Imposto sobre a Rend a da Pessoa Jurídica IRPJ, inclusive da base de cálculo do s recolhimentos mensais previstos na legislação fiscal, e da base de cálculo do lucro presumido. Art. 2o A apuração do valor da compensação fiscal de que t rata o art. 1o se dará mensalmente, de acordo com o seguint e procedimento I partese do preço dos serviços de divulgação de mensag ens de propaganda comercial, fixados em tabela pública pel o veículo de divulgação, conforme previsto no art. 14 do De creto no 57.690, de 1o de fevereiro de 1966, para o mês de v eiculação da propaganda partidária e eleitoral, do plebiscit o ou referendo; II apurase o “valor do faturamento” com base na tabela a que se refere o inciso anterior, de acordo com o seguinte p rocedimento: (...) III apurase o “valor efetivamente faturado” no mês de vei culação da propaganda partidária ou eleitoral com base no s documentos fiscais emitidos pelos serviços de divulgação de mensagens de propaganda comercial local efetivamente prestados; IV calculase o coeficiente percentual entre os valores apu rados conforme previsto nos incisos II e III do caput , de ac ordo com a seguinte fórmula: (...) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 V para cada espaço de serviço de divulgação de mensagen s de propaganda cedido para o horário eleitoral e partidári o gratuito VI apurase o somatório dos valores decorrentes da opera ção de que trata a alínea “c” do inciso V do caput. Art. 3o O valor apurado na forma do inciso VI do caput do art. 2o poderá ser excluído: I do lucro líquido para determinação do lucro real; II da base de cálculo dos recolhimentos mensais previstos no art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e III da base de cálculo do IRPJ incidente sobre o lucro pres umido. (grifos sublinhas nossos) Da leitura da legislação pertinente, constatase que não se trata de formação de crédito tributário passível de ressarcimento, restituição ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mas, tão somente, de compensação fiscal sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, independentemente de aferição de resultado positivo ou negativo da pessoa jurídica no período de apuração. Resta claro, pois, que a pretensão da Recorrente em constituir crédito tributário equivalente à despesa incorrida com transmissão gratuita de propaganda eleitoral e partidária não encontra guarida legal. Diante do exposto, voto pela improcedência do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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