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Numero do processo: 10680.935623/2009-93
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas em PERDCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 35 62 3/ 20 09 -9 3 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935623/200993 Resolução nº 1801000.217 S1TE01 Fl. 3 2 Por meio de PERDCOMP a interessada pretende a compensação de débitos próprios com direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito pleiteado nos presentes autos totaliza R$ 88.148,42. Pelo Despacho Decisório a DRF em Belo Horizonte não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações sob o argumento de que o DARF mencionado pela interessada como origem do indébito havia sido alocado a um débito confessado em DCTF e, assim, não haveria crédito disponível para compensação pleiteada. Em manifestação de inconformidade defendeuse a interessada alegando que, de acordo com a DIPJ do anocalendário 2003 – exercício 2004, teria apurado um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 40.003,77. Assim, considerandose o débito apurado e o pagamento efetuado, verificarseia o indébito no valor de R$ 294.465,83. Apresenta planilha demonstrativa do pretenso indébito, confrontando DCTF original, DCTF retifícadora e DIPJ. Afirma ter cometido mero erro de fato no preenchimento da DCTF, de modo que não haveria recolhimento suplementar algum a ser efetuado após a retificação da DCTF. Defendeuse, ainda, contra os encargos moratórios imputados ao débito exigido. No julgamento do litígio a Turma Julgadora de 1a. instância observou que a DCTF retificadora foi apresentada após a não homologação da compensação pleiteada e que a contribuinte não teria apresentado qualquer prova do erro cometido no preenchimento da DCTF original. Observou que na DIPJ do anocalendário 2003 teria sido apurado um saldo negativo de IRPJ, assim composto: DIPJ 2003 DCTF Original DCTF Retificadora IRPJ Apuração Anual Alíquota 15% 330.483,34 Adicional 196.322,22 Total IRPJ Apurado 526.805,56 () Deduções () IRRF 294.465,83 () IR Pago Estimativa 192.335,96 () Total Deduções 486.801,79 IR a Pagar IRPJ Apurado Deduções 40.003,77 334.496,60 40.003,77 Assinalou que o IRPJ declarado na DCTF original foi apurado sem o cômputo do IRRF consignado pelo contribuinte em sua DIPJ. Nesse sentido o direito de crédito Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935623/200993 Resolução nº 1801000.217 S1TE01 Fl. 4 3 invocado na manifestação de inconformidade corresponderia a esta mesma importância R$ 294.465,83 e que o valor deduzido a título de "IR pago por estimativa", no importe de R$ 192.335,96 estaria em consonância com os valores declarados em DCTF, extintos pelo pagamento. Assim, o valor do IRPJ a pagar, consignado na DIPJ, estaria adstrito à confirmação do IRRF deduzido. Constatou que, de acordo com a DIPJ, que o IRRF teria origem em rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio recebidos pela interessada de 2 (duas) fontes pagadoras que estariam em consonância com aqueles informados em DIRF. Contudo, na DIPJ, a linha correspondente aos rendimentos de juros sobre o capital próprio estaria zerada (Ficha 06 B – linha 37), razão pela qual a dedução do IRRF não teria amparo. Assim, o DARF utilizado para pagamento do IRPJ apurado no anocalendário 2003 não representaria indébito. Também justificou a aplicação dos encargos moratórios sobre o débito indicado para compensação. Notificada da decisão, em 05/09/2011, apresentou, a interessada, em 04/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz, quanto à retificação da DCTF, que a declaração é o instrumento para se dar conhecimento ao Fisco do cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes e que as informações nela contidas devem retratar a realidade das atividades econômicas, não se podendo admitir a vedação da correção de erros que possam ser comprovados pela análise de sua documentação contábil, livros fiscais e documentos correlatos. Pondera que com a retificação da DCTF teria comprovado, de maneira hialina, a existência de crédito, e consequentemente, do seu direito em ser restituído do pagamento a maior efetuado, já que a DIPJ comprovaria um IRPJ devido para o anocalendário 2003, de R$ 40.003,77, enquanto que no valor recolhido, de R$ 334.469,60, por equívoco, não teria sido feita a dedução do IRRF de R$ 294.465,83. Explica que auferiu rendimentos com juros sobre o capital próprio, mas que parte do valor teria sido contabilizado e oferecido à tributação no anocalendário 2002, na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99) no valor total de R$ 2.288.905,47. O valor teria sido registrado, na DIPJ, equivocadamente na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Esclarece que muito embora parte da receita auferida com Juros sobre o Capital Próprio tenha sido obtida no ano calendário de 2002 e declarada na DIPJ AC 2002, apenas foi realizada a retenção do IRRF no ano de 2003, conforme se verificaria das informações prestadas no comprovante de rendimentos (doc. n° 10), porque somente em 2004 teria recebido da fonte pagadora o respectivo informe de rendimentos. Teria assim procedido em estrita observância à legislação que determina que somente o IRRF comprovado com o informe de rendimentos pode ser deduzido na apuração anual. Afirma que, comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos com juros sobre o capital próprio, parte no anocalendário 2002 e parte no anocalendário 2003, faria jus à dedução do valor do IRRF de R$ 294.465,83 no ajuste do anocalendário 2003. Apresenta cópia de registros contábeis e outros documentos para comprovar suas alegações. Tece considerações a respeito da vedação de enriquecimento ilícito do Fisco, do princípio da verdade material da não caracterização da mora e da não incidência de encargos moratórios. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935623/200993 Resolução nº 1801000.217 S1TE01 Fl. 5 4 Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. VOTO. Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Verifico que o presente processo não está em condições de julgamento. A recorrente pleiteia o reconhecimento de indébito, no valor de R$ 294.465,83, pelo recolhimento a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito seria resultado da diferença entre o valor efetivamente devido, de R$ 40.003,77, como apurado na DIPJ do anocalendário 2003, e o valor recolhido em DARF, de R$ 334.469,60. O direito creditório pleiteado nestes autos também é pleiteado e encontrase em litígio nos seguintes processos distribuídos a esta Relatora: 10680.935618/200981; 10680.935619/200925; 10680.935620/200950; 10680.935621/200902; 10680.935622/200949; 10680.935625/200982; 10680.933966/200913; Nos processos acima listados as peças e argumentos de defesa apresentados pela interessada são idêntico, assim como são idênticas as decisões proferidas pela Turma Julgadora de 1a. instância. Em pesquisas realizadas junto ao sistema Eprocesso constatei a existência de inúmeros outros processos em nome da mesma interessada. Entretanto, não foi possível verificar quantos deles se referem aos mesmos fatos – mesmo direito creditório. A Portaria RFB n º 666, de 24/04/2008, assim dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:... IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935623/200993 Resolução nº 1801000.217 S1TE01 Fl. 6 5 ... Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. ... Assim, nos termos da Portaria acima mencionada, deverá a Unidade de jurisdição da recorrente proceder à juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada. Quanto ao mérito noto que a Turma Julgadora de 1a. instância consignou que, apesar do valor do IRRF informado pela recorrente na DIPJ ter sido confrontado e confirmado com o valor informado pelas fontes pagadoras em DIRF, os rendimentos que deram origem a tais retenções não teriam sido oferecidos à tributação pois a linha correspondente na DIPJ estaria zerada. A seu turno a recorrente alega que teria se equivocado no preenchimento da DIPJ, informando o valor dos rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Observou, ainda, que parte dos rendimentos teria sido oferecida à tributação na DIPJ do anocalendário 2002 e parte na DIPJ do anocalendário 2003. Apresentou, para comprovar suas alegações, cópia do Livro Razão e balancetes de 2002 e 2003 na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99), assim como comprovantes de rendimentos. Pelo exposto voto no sentido de converter o presente julgamento na realização de diligência para que: 1) a Unidade de jurisdição da recorrente proceda a juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada; 2) verifique, junto aos registros contábeis da recorrente, se, de fato, os rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, que deram origem às retenções discutidas nos autos, foram oferecidos à tributação, esclarecendo, ainda, quanto ao período de apropriação e de oferecimento à tributação de tais receitas e de retenção do IRRF. Ao final deverá o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos efetuados a fim de atender a esta solicitação, dandose ciência à interessada do resultado, conforme determina o PAF, retornandose, posteriormente, o presente processo, a esta relatora, para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935623/200993 Resolução nº 1801000.217 S1TE01 Fl. 7 6 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 26512.400007/88-75
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 1994
Ementa: PROCEDIMENTO FISCAL - Declarada a reincidência na hipótese prevista no art. nº 13, é de se reabrir prazo ao contribuinte para nova impugnação. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1º INSTÂNCIA ACOLHIDA. Processo que se restitui para que a autoridade julgadora de instância singular, tomando como nova impugnação a petição apresentada à guisa de recurso, prolate uma nova decisão nos precisos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 202-06636
Nome do relator: Hélvio Escovedo Barcellos
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ementa_s : PROCEDIMENTO FISCAL - Declarada a reincidência na hipótese prevista no art. nº 13, é de se reabrir prazo ao contribuinte para nova impugnação. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1º INSTÂNCIA ACOLHIDA. Processo que se restitui para que a autoridade julgadora de instância singular, tomando como nova impugnação a petição apresentada à guisa de recurso, prolate uma nova decisão nos precisos termos do Decreto nº 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T08:01:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T08:01:16Z; Last-Modified: 2010-01-30T08:01:16Z; dcterms:modified: 2010-01-30T08:01:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T08:01:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T08:01:16Z; meta:save-date: 2010-01-30T08:01:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T08:01:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T08:01:16Z; created: 2010-01-30T08:01:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-01-30T08:01:16Z; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T08:01:16Z | Conteúdo => c ' , unta!~ O. NO O. U. • 12 :-_____-- C wa rim MINISTÉRIO DA FAZENDA : I : À&). SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ~.... - Processo no: 26512.400007/S8-75 Sessão de: 26 de abril de 1994 ACORDA() Np 202-06.636 Recurso non 83.016 Recorrente : USINA SANTA BÁRBARA S/A - AÇUCAR E ÁLCOOL Recorrida : DRF EM LIMEIRA - SP PROCEDIMENTO FISCAL - Declarada a reincidencia na hipótese prevista no art. 13, é de se reabrir prazo ao contribuinte para nova impugnaçao. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISPU DE: lâ INSTANCIA ACOLHIDA. Processo que se restitui para que a auto. ridade julgadora de instância singular, tomando como nova impugnaçao a petiçao apresentada A guisa de recurso, prolate uma nova decisao nos precisos termos do Decreto.no 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por USINA SANTA BÁRBARA S/A - AÇUCAR E ÁLCOOL. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de vetos, em anular o processo a partir da decisNo de primeira instância, inclusive, nos termos do voto do relatar. Ausente o Conselheiro JOSE ANTONIO AROCHA DA CUNHA. . . Sala das SesJÓes. em 26bril de 1994. // agOr' I '' /1 HELVIO ES'.VE . O BArnaLJS - Fresid .,mte e Relator 1 g L c›.-L,K, 47- / ADRIANA LUEIROZ DE CAR'ALHO • Procuradora-Represen. tante da Fazenda Nacional VISTA EM SESSAO DE 1 7 JUN 1994 i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO, OSVALDO TANCREDO DE: OLIVEIRA, TARASIO CAMPELO BORGES e ;JOSE CABRAL GAROFANO. H . MINISTÉRIO DA FAZENDA *dl '-t:. SEGUNDO lumsaHo DE CONTRIBUINTES .121W Processo no: 26512.400007/88-75 Recurso no: 83.016 Acórdab no: 202-06.636 Recorrente : USINA SANTA BARBARA S/A - AÇUCAR E ÁLCOOL RELATORI O Por bem descrever os fatos ora em exame, adoto e transct;evo, a seguir, o relatório que compee a decis go recorrida (fls. 35/37): . "Conforme Termo de Veriflcaçáo exarado às fls. 03, a Fiscal de Tributos do instituto do Açúcar e Alcool, em exame da escrita contabil e fiscal da empresa supra, constatou que a mesma deu salda de açúcar e álcool no mês de Fevereiro/80, sem recolhimento da contribui~adicional a que se referem os Decretos-leis nos 309/67 e 1952/02. A 1101:1V :1 de fls. 02 exige a contribuiçgo adicional de Cz$ 23.444.969,38, mais multa de mora (20%), juros de mora e 'correçáo monetária. Apresentando, tempestiva(flente, stia defesa (fls. 16/25), a autuada alega em sIntesee - que a exigência tributária ali expendida objetiva a constituiçab de receita• própria desse instituto, com a qual possa ele exercitar uma política de estratégias e programas, destinados à criaçáo de uma infra-estrutura capaz de promover ao desenvolvimento e aperfeiçoamento do setor sucro-alcooleiro do Pais; - que com tais objetivos aninhados em seu bojo, encontra a supracitada 1.0(1 :is supedâneo jurídico constitucional no parágrafo único do art. 163 da Constituiçgo Federal; - que a exigência contida na notificaçgo ê a prevista nos Decretos-leis nós 308/67 e 1712/79, mais adicional criado pelo Decreto-lei no 1.952/82, em razab de salda de açúcar e álcool durante o mês de Fevereiro~ ,› 21 L MINISTÉRIO DA FAZENDA gic.t:'• ''' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '140 Processo no: 26512.100007/88-75 AcérdWo no: 202-06.636 •- que entende ser ilegítima tal 1exigencia por se encontrar divorciada doS suportes 1 necessários a sua exigibilidade: , - roi solicitado através da petição de fls. 33, manifestação sobre a ocorrencia de reincidencia prevista no art. 6o, parágrafo 49 do Decreto-lei no 308/67. Em resposta, foi j untado aos autos informação de fls. 34, onde afirma que a interessada foi autuada por infração ao art. 39, parágrafos 2g e 4g do art. 6g do Decreto-lei no 308/67: ar -t lq, parágrafos 19 e 2g do Decreto-lei no 1952/82, c/c art. 42 e seus parágrafos do Decreto no 62.388/68 e ar -t 59 da Resolução n9 2.005/68, conforme processo administrativo nq 10768.023695/88-77, cuja Decisão de ia instãocia e Acórdão no 202-02.561 do 29. Conselho de Contribuintes mantiveram o lançamento." Na mencionada decisão, a autoridade julgadora de primeira instãncia julgou procedente a notificação, aplicando-lhe multa de 100%, conforme o disposto no art. 12 da Resolução no 2.005/68. Inconformada, a empresa inter:n .5s o recurso de fls. 45/55, em que argui, preliminarmente, cerceamento do direito de defesa, uma vez que: a) tendo havido majoração da pena aplicada, não foi reaberto prazo para interposição de defesa: b) não foi apreciado pela autoridade singular o pedido de realização de provas; c) não foram analisadas suficientemente as 1 , alegaçUes deduzidas no processo.. No mérito, a recorrente argumenta que: . . ,a) não . havendo verificação da primeira condição, tal fato impossibilitaria o enquadramento da contribuinte como reincidente; . , b) ingressou com pedido de reconsideração fundamentado no 'ar t. 37 do Decreto no 70.235/72 e não obteve resposta: , , , ' _I MINISTÉRIO DA FAZENDA - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PrcidÉsso no: 26512.400007/98-75 Acorda.° no: 202-06.636 c) só poderia ser considerada reincidente se cometes a mesma infracWo, nos próximos cinco anos após pas,sada em iolgLio a referida decis.Xo. • E o relatório. •:$ /I 63 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 26512.400007/8S-75 Acórdao no: 202-06.636 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HELVIO ESCOVEDO DARCELLOS • Dispffe o artigo 20 do Decreto nq 70.235/72 "Art. 20 - Será reaberto o prazo para impugnaçao se da realizaçáo de diligOncia resultar agravada a exigOncia iniciai e cwaudg q ImAj2112 pasEs. yo fqr, declarado reincidente na hipgtese prevista no art. 11... 1L (grifamos). Acolho, portanto, a preliminar de nulidade da decisab recorrida e voto no sentido de que o processo seja devolvido à repartiOo de origem para que a autoridade julgadora de primeira instância, tomando como nova impugna0o a petiOo dirigida ao Conselho à guisa de recurso, prolate uma nova decitiao nos precisos termos do Decreto no 70.235/72. E o meu voto. Sala das Sescles, em Ide abril de 1990. - '6140 HELV O EDO B 1 rCELLO •
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Numero do processo: 13888.904191/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 04 19 1/ 20 09 -3 1 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.996, às fls. 86 a 91: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 03/2002. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o crédito informado em PER/DCOMP estaria correto, todavia teria incorrido em erro ao não efetuar a retificação das informações prestadas em DCTF, considerando suposta apuração incorreta do imposto devido no período de apuração em questão. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, declarada a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 4 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/02/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 5 4 atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 6 5 CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitou se a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 7 6 Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 8 7 julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõe se a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confunde se com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Fl. 277DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 9 8 Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Procuração original com reconhecimento de firma e Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da PER/DCOMP, DARF recolhido, DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 10 9 10. Cópia da decisão recorrida. Este é o Relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 11 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 07/04/2006 (fls. 79 a 84), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 1º trimestre de 2002. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 30/04/2002 e possui o valor total de R$ 23.812,02. A compensação abrange débitos de IRRF, no montante de R$ 371,66 (principal e acréscimos legais). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 23.812,02 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 75. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2005) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso II1,do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 12 11 [...] Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de DCOMP, DIPJ e DCTF, e planilha de compensações, juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 13 12 Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (07/04/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 14 13 Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 15 14 anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 16 15 diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 17 16 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 18 17 Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 19 18 Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte pretendeu quitar o próprio IRPJ do 1º trimestre de 2002, no valor que ela entende devido, com crédito do ano de 2000, mediante apresentação do PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074, conforme informado em DCTF/retificadora apresentada em 2009 (fls. 8). Com isso, ela pretendeu deixar como disponível para compensação todo o valor do DARF referente à quitação do IRPJ do 1º trimestre de 2002, parte dele utilizado no PER/DCOMP objeto destes autos, e o remanescente em outros PER/DCOMP, como indica o Demonstrativo de fls. 59. Assim, a decisão sobre o montante do crédito debatido neste processo depende do resultado deste outro PER/DCOMP, porque se aquela compensação não restar homologada, parte do valor do DARF ficará mesmo vinculado ao débito do 1º trimestre de 2002, e não disponível para compensação. Por tudo isso, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário de 2002; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 1º trimestre de 2002; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; Fl. 288DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904191/200931 Resolução nº 1802000.401 S1TE02 Fl. 20 19 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) informe a situação do referido PER/DCOMP 27657.06153.06050.91304.00 74, que também é objeto de diligência determinada nesta mesma sessão do CARF – processo nº 13888.910975/200906, e pelo qual a Contribuinte pretendeu quitar o IRPJ do 1º trimestre de 2002, no valor que entende devido; 6) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 7) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000067/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/SP2/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 00 67 /2 00 9- 81 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10821.000067/200981 Acórdão n.º 2801003.412 S2TE01 Fl. 83 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Do Lançamento O processo referese à notificação de lançamento de fls. 08/14 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2006, ano calendário 2005, por meio da qual foi exigido o seguinte crédito tributário: (...) De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 10/12, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das seguintes infrações na notificação fiscal em exame: Glosa de Dedução Indevida de Dependente – R$ 1.404,00 – referente a Natan Rodrigues Nogueira, que apresentou declaração de ajuste em separado para o exercício fiscalizado; Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Previdência Privada, PGBL e Fapi – constatouse omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual no valor de R$ 0,33, proveniente do Bradesco Vida e Previdência S/A – CNPJ 51.990.695/000137 para o titular. Compensação Indevida de IR na Fonte – R$ 11.274,25 – correspondente a diferença entre o valor declarado de R$ 1.413,72 e o total de IR Retido de R$ 706,89 informado pela fonte pagadora Curso e Colégio Modulo Ltda CNPJ 46.232.922/000125, e R$ 10.567,42 declarado contra R$ 0,00 retido informado pela fonte pagadora Sociedade Empresaria de Ensino Superior do Litoral Norte Ltda – CNPJ 50.005.735/000186, ambas para o titular; Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou manifestação às fls. 02 através de procurador, anexando procuração por instrumento particular às fls. 15, documentos às fls.03/07 e 16, alegando em síntese que: > a dedução indevida apurada não se aplica, uma vez que possui o comprovante da relação de dependência com Natan Rodrigues Nogueira, e sua esposa apresentou declaração de ajuste em separado; > a omissão de rendimentos recebidos de resgate de contribuição de previdência privada tratase de erro de digitação dos centavos; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10821.000067/200981 Acórdão n.º 2801003.412 S2TE01 Fl. 84 3 > quanto a compensação indevida de IR na fonte, a empresa Sociedade Civil de Educação e Cultura do Litoral Norte corrigiu mediante DIRF e novo comprovante de rendimentos pagos e de retenção, apurandose o valor correto do imposto retido; > requer acolhimento da impugnação e cancelamento do débito fiscal reclamado; A impugnação não foi conhecida, conforme Acórdão de fls. 56/60, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. EFEITOS DA IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Nos termos do artigo 15 do Decreto n.º 70.235/72, a impugnação ao lançamento de débito fiscal deverá ser apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Manifestações apresentadas fora deste prazo devem ser desconsideradas pela autoridade julgadora. Expirado o prazo para impugnação da exigência fiscal, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável do crédito tributário. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 06/02/2012 (fl. 69), o Interessado, representado por seu advogado (fl. 77), interpôs recurso voluntário de fls. 72/76, em 27/02/2012, no qual alega que : A Comissão Julgadora só analisou o prazo de entrega da Impugnação como intempestiva, por estar fora do prazo legal de 30 dias após a data da entrega da Notificação de Lançamento, não analisando o mérito, os argumentos e documentos apresentados. Reconheço perante os Senhores Membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a impugnação ocorreu fora do prazo devido a minha falha na contagem do prazo em decorrência da intimação ter sido recebida por terceiros. Assim posto, solicito aos Senhores conselheiros que analisem o mérito da questão, considerando os argumentos e documentos apresentados como prova válida de que parcela dos impostos cobrados não são devidos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10821.000067/200981 Acórdão n.º 2801003.412 S2TE01 Fl. 85 4 A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. No caso, o Recorrente reconhece a intempestividade da impugnação apresentada, eis que afirma que a impugnação ocorreu fora do prazo devido a sua falha na contagem do prazo em decorrência da intimação ter sido recebida por terceiros. O interessado não apresentou qualquer justificativa que tivesse o condão de afastar a perda do prazo para impugnar. Assim, não tendo sido superada a intempestividade da interposição da peça impugnatória, falece competência tanto a DRJ quanto a este Conselho para apreciação do mérito, haja vista que o litígio administrativo não foi instaurado à luz do artigo 15 do Decreto nº. 70.235 de 1972. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 16561.000047/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE,
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto
final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
Numero da decisão: 1402-001.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, da provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente aos ajustes efetuados pelo método PRL60, exceto em relação ao produto Lisinopril. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez que davam provimento integral.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, da provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente aos ajustes efetuados pelo método PRL60, exceto em relação ao produto Lisinopril. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez que davam provimento integral. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de Autos de Infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005 como decorrência de ajustes de preços de transferência em importação de bens ou insumos junto a pessoas ligadas. Os itens importados de vinculadas analisados pela fiscalização foram selecionados por amostragem, incluindo os mais relevantes e englobando mais de 80% do volume de importações de vinculadas no anocalendário de 2003. Em relação aos itens importados de vinculadas e revendidos diretamente, foi aplicado o método PRL20, seguindo a metodologia determinada no artigo 12 da IN/SRF n° 243/2002. Analisando as informações constantes dos arquivos apresentados, o Fisco constatou que que alguns itens não tiveram saída (revenda) direta, mas foram vendidos apenas após sofrerem alterações e agregação de valor dentro do processo produtivo da fiscalizada, dando origem a outro produto, ainda que de descrição semelhante. Nesse caso, o Fisco utilizou o método PRL60, seguindo a metodologia do § 11º, do art. 12, da IN/SRF nº 243/2002. Após a apuração de infrações operacionais no montante de R$ 46.116.980,87, no anocalendário de 2003, o resultado do exercício (lucro real) foi ajustado para R$ 100.019.426,32, tendo sido recalculado o limite de 30%, para R$ 30.005.827,90. Diante disso, foi utilizada uma parcela do saldo de prejuízos fiscais, no montante de R$ 13.835.094,26 (R$ 30.005.827,90 R$ 16.170.733,64), para reduzir as infrações apuradas pela fiscalização no anocalendário de 2003. Como decorrência da infração foram apuradas diferenças no saldo de prejuízos a compensar e, conseqüentemente, compensação indevida de prejuízos fiscais em 2004 (R$ 1.047.646,07) e 2005 (R$ 12.296.718,69). Em impugnação contra o feito, a interessada apresenta as razões de defesa a seguir sintetizadas: É equivocado o entendimento da Fiscalização em definir como industrialização qualquer agregação de valor ao bem, mesmo que não importe em processo de produção, transformação ou alteração do produto; Os medicamentos importados pela impugnante (exceto o Lisinopril) já se encontram prontos e acabados e são revendidos sem qualquer processo de alteração de sua natureza. No Brasil, esses medicamentos são submetidos a novo processo de embalagem, para se adequarem à legislação brasileira disciplinadora das matérias de vigilância sanitária, na qual está inserida a comercialização de medicamentos), sendo realizados testes de qualidade e colocados selos de segurança. Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 A Fiscalização baseouse no conceito de industrialização previsto na legislação do IPI, aplicável somente a esse tributo, e não há base para utilizálo nas regras de preços de trasnferência. Acrescentese a existência de uma pluralidade de conceitos diversos daquele referido na legislação fiscal; Da análise da legislação de preços de transferência (artigo 18 da Lei n° 9.430/96, artigo 4º, § 1º, , artigo 12, inciso IV e § 9°, da IN SRF n° 243/2002), constatase que o legislador e a Administração, quando da regulamentação da lei, utilizaram essencialmente a expressão "produção" como termo para aplicação do PRL60%; na hipótese de o raciocínio fiscal prosperar, inexistiria hipótese de revenda no Brasil submetida ao método PRL20%, uma vez que qualquer agregação de valor desqualificaria a aplicação desse método. Importante esclarecer que toda a atividade exercida sobre um bem importado resulta em agregação de valor, requerendo a aplicação de capital e trabalho; A adoção do método PRL20 no presente caso está embasada no entendimento da própria RFB pois o Guia de Perguntas e Respostas da DIPJ/2004 esclarece que nos casos de acondicionamento e reacondicionamento (gênero do qual a embalagem é espécie) não há produção de outro bem; Ainda que prevaleça o método PRL60, a sistemática trazida pela IN/SRF/243/2002 criou obrigação nova, sem previsão legal. Além disso, a fórmula prevista na IN cria bases irreais para aferição do preçoparâmetro, ocasionando verdadeira majoração da carga tributária; Os custos de frete, seguros e impostos, por decorrerem de operações com parte não vinculada, não poderiam ser considerados na aferição do preço praticado; A Fiscalização aferiu o preço praticado segregando o custo médio dos estoques iniciais de 2003 do custo médio dos produtos importados e consumidos no mesmo período (método PEPS). Assim, foi desconsiderado, sem qualquer fundamento, o método do custo médio adotado pela impugnante. O equívoco fica ainda mais claro quando se percebe no cálculo do preço parâmetro o Fisco utilizou o preço final de venda com base no custo médio; e: No caso do produto Lisinopril a apuração fiscal incluiu erradamente na apuração produtos que foram exportados a partes vinculadas. Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo converteu o julgamento do recurso em diligência para que fosse esclarecido, em relação a cada produto, os motivos pelos quais houve a desqualificação do método PRL20. Além disso, foi requerido pronunciamento sobre a alegação relativa ao Lisinopril. A autoridade responsável pela diligência admitiu o equívoco em relação ao medicamento Lisinopril mas ressaltou que a correção implicou em preço parâmetro menor e, por conseguinte, aumento no valor do ajuste sujeito a novo lançamento. Quanto à desqualificação do método PRL20, afirmou a diligenciante em resumo que: 1 Os itens importados em questão não foram vendidos diretamente. Os mesmos foram requisitados, via ordem de produção, para gerar um item fabricado, com código de estoque distinto, o qual, este sim, foi posteriormente vendido. Ademais, esses itens são Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 3 5 separadamente controlados no Livro de Registro de Inventário. Aqui, não haveria que se falar em revenda pura, pois, além de tudo, são produtos com códigos distintos e sujeitos a controle de estoques distintos; e: 2 Desde o início da fiscalização ficou evidenciado que a própria contribuinte distingue a revenda direta, discriminando os itens diretamente revendidos (estes são mantidos com a mesma codificação de origem) em relação aos demais itens que passam pelo processo produtivo para se transformarem em produtos com características distintas do item importado e passíveis de serem colocados à venda, seja em razão de necessidades do mercado, seja em cumprimento à legislação que rege a área farmacêutica. O Órgão julgador de primeira instância prolatou o Acórdão 1620.588 (sessão de 02/03/2009) acolhendo parcialmente a impugnação. Desconsiderou a segregação efetuada pelo Fisco em relação ao valor dos estoques e recalculou os ajuste, o que implicou também na reconstituição do impacto nos anoscalendário de 2004, onde a exigência foi integralmente exonerada, e 2005. Em face do montante exonerado, o Órgão julgador recorreu de ofício a este colegiado. Quanto à exigência mantida, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário onde repisa as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício foi originado da exoneração de parte da exigência pela recomposição do ajuste, com a desconsideração da segregação efetuada pelo Fisco em “ajuste do estoque inicial” e “ajuste das importações do ano”. De fato, a autoridade lançadora descreveu o procedimento mas não esclareceu o motivo do cálculo em separado. Nessa linha, correta a decisão recorrida em utilizar na apuração o montante do bem consumido no ano. Recurso de ofício a que se nega provimento. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Além da questões suscitadas referentes à ilegalidade da metodologia descrita na IN/SRF nº 243/2002, merece análise cuidadosa a alegação quanto ao suposto uso indevido pela Fiscalização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência em relação a determinados produtos que, nos dizeres da defesa, teriam sido objeto exclusivamente do processo de embalagem, sem qualquer alteração em sua natureza. Assim, sustenta a reclamante, caberia para esses produtos a utilização do método PRL20. A legislação sob a qual a matéria deve ser estudada tem como pólo o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação da época do período analisado, e o § 9º, do art. 12 da IN/SRF nº 243/2002. A lei estabelece: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, çerviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (..) 11 Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (.....) Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 4 7 d) de margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda avós deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses A IN regulamenta o tema nos seguintes termos: Art. 12. (......) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. (.....) Vêse que a lei estabelece a utilização do método PRL60 na hipótese de agregação de valor resultante de bens importados aplicados à produção. O ato normativo por sua vez menciona a agregação de valor de forma genérica o que poderia induzir ao entendimento de que qualquer agregação descaracterizaria o processo de revenda. Não se pode olvidar que uma Instrução Normativa regula a forma de aplicação da lei que lhe deu origem. Sendo assim, por óbvio que não deve haver incompatibilidade entre elas. Se a lei formal estabelece um regramento de forma restritiva, não cabe ao ato normativo ampliar esse alcance. Na mesma linha, é grande o risco de agressão à lei quando a Instrução Normativa restringe o alcance de dispositivo legal de caráter abrangente. Sobre esse prisma, entendo que a agregação de valor mencionada no § 9º, da IN/SRF nº 243/2002 só pode ser interpretada como aquela relacionada à aplicação do bem importado ao processo produtivo. Por definição legal, não é o valor da agregação que define o método mas de que forma ela ocorreu. A exposição de motivos da Lei nº 9.959/2000, que modificou a Lei nº 9.430/96 e introduziu o método PRL60, traz com clareza: (.......) 5. O artigo 2º admite. para fins de controle de preços de transferência. a utilização do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL. nos casos de importação de bens. serviços ou direitos empregados. utilizados ou aplicados na produção de outros bens. serviços ou direitos. estabelecendose para tanto. uma margem de lucro de sessenta por cento. (.....) Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Nesse ponto, concordo com a recorrente quando afirma que generalizar o alcance da agregação de valor para definir o método de ajuste adequado tornaria quase impraticável a utilização do PRL20. Cabe então avaliar se o processo de colocação de embalagem, pois é essa a atividade sob exame, caracterizaria a utilização do bem no processo produtivo. Em primeiro lugar, convém esclarecer que entender ou não o processo de embalagem como industrialização mostrase irrelevante no presente caso. Não está em discussão a definição legal para efeito de incidência do IPI, mas sim os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o impacto na margem de lucro daí decorrente. No análise feita pela Fiscalização no procedimento fiscal e corroborada na diligência, a autoridade lançadora enfatiza a agregação de valor para justificar a desqualificação do método PRL20. Com já esclarecido acima, tal hipótese, por si só, não daria ensejo à utilização do método PRL60. Quanto à utilização do bem no processo produtivo, o Fisco baseouse nos registros contábeis onde haveria uma mudança de codificação do bem após o embalamento o que implicaria na assunção, pelo sujeito passivo, de que o produto original teria se transformado em outro com características distintas. Com todo respeito que merece a autoridade lançadora pelo exaustivo trabalho de levantamento e verificação de dados, penso que tal entendimento está na esfera da hipótese. Até porque poderseia supor que a forma de registro do sujeito passivo envolve questões de controle interno. Em função da matéria sob exame, caberia um aprofundamento da diligência com verificações que permitissem em primeiro lugar a descrição do processo de embalagem para cada um dos produtos avaliados e como conseqüência uma avaliação precisa quanto à caracterização ou não desse procedimento como modificador do estado original do bem. Ratificase: a questão aqui tratada não é de direito mas fática. A colocação de embalagem pode ou não implicar na alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL60 para ajuste dos preços de transferência. No presente caso, tratandose de indústria farmacêutica essa possibilidade é até mais significativa. Entretanto, nem a ação fiscal nem o procedimento de diligência lograram trazer elementos de prova suficientes a demonstrarem essa circunstância, que representava a questão primordial a ser dirimida nos autos. Do até aqui exposto, voto por dar provimento ao recurso nessa parte e cancelar a exigência decorrente da aplicação do método PRL60, exceto no que se refere ao produto Lisinopril, pois nesse caso a viabilidade do método PRL60 foi admitida pela recorrente. Ainda no que se refere ao Lisinopril, os questionamentos do sujeito passivo dirigemse à suposta ilegalidade da IN/SRF 243/2002 e aos equívocos da metodologia de cálculo que teria sido por ela instituída. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 5 9 aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação equivocada que se dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 6 11 contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 7 13 parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 8 15 bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência em relação ao produto Lisinopril. No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço parâmetro, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 242/2002. Não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) Quanto ao ajuste decorrente da aplicação do método PRL20, o questionamento dirigese exclusivamente à inclusão dos valores referentes a frete, seguros e imposto de importação na apuração do preço praticado, o que foi acima abordado. Assim, em relação ao ajuste efetuado pelo método PRL20, voto no sentido de manter a exigência. Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão n.º 1402001.467 S1C4T2 Fl. 9 17 A questão da incidência da taxa SELIC como indexador dos juros de mora já foi consolidada nesta Corte através da Súmula CARF nº 4. Em resumo do voto, manifestome no sentido de dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente aos ajustes de preços de transferência efetuados pelo método PRL60, exceto em relação ao produto Lisinopril; e manter a exigência concernente aos ajustes efetuados pelo método PRL20. A partir da decisão de primeira instância, resumida no quadro contido naquele voto condutor (fl. 1.085), fica mantida a exigência referente aos itens 356, 501, 503, 533, 909 e 13076, no montante tributável de R$ 1.732.353,20. Excluise a exigência correspondente ao valor tributável de R$ 38.808.961,71. É como voto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10783.902706/2008-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2000
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2000 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 06 /2 00 8- 67 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902706/200867 Acórdão n.º 9303002.596 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902706/200867 Acórdão n.º 9303002.596 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.299, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902706/200867 Acórdão n.º 9303002.596 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902706/200867 Acórdão n.º 9303002.596 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902706/200867 Acórdão n.º 9303002.596 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11080.722376/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
PESSOA JURÍDICA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA
A constituição do crédito tributário contra empresa em liquidação extrajudicial deve incluir a exigência de multa de ofício e juros de mora quando formalizada antes de iniciado o procedimento de liquidação pois, nesse caso, esses consectários já estariam integrados ao passivo da pessoa jurídica.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº4)
Numero da decisão: 1402-001.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 PESSOA JURÍDICA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA A constituição do crédito tributário contra empresa em liquidação extrajudicial deve incluir a exigência de multa de ofício e juros de mora quando formalizada antes de iniciado o procedimento de liquidação pois, nesse caso, esses consectários já estariam integrados ao passivo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº4)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
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INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA A constituição do crédito tributário contra empresa em liquidação extrajudicial deve incluir a exigência de multa de ofício e juros de mora quando formalizada antes de iniciado o procedimento de liquidação pois, nesse caso, esses consectários já estariam integrados ao passivo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 23 76 /2 01 1- 11 Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Contra o contribuinte, acima identificado, foram lavrados autos de infração: (i) de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1137/1148), no valor de R$ 730.469,90, com multa de ofício de 75% e juros de mora correspondentes e mais multa isolada por falta de recolhimentos sobre a base de cálculo estimada, no valor de R$ 359.842,68;(ii) de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 1149/1162), no valor de R$ 1.423.512,62, com multa de ofício de 75% e juros de mora correspondentes; (iii) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1163/1175), no valor de R$ 373.222,97, com multa de ofício de 75% e juros de mora correspondentes e mais multa isolada por falta de recolhimentos sobre a base de cálculo estimada, no valor de R$ 184.684,17. O total de crédito tributário lançado foi R$ 5.543.887,91. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1117/1136), o contribuinte, no anocalendário de 2007, deixou de adicionar na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 1.168.803,71, correspondente à diferença entre o valor recebido da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), a título de devolução de patrimônio, e o valor desprendido para a formação do referido patrimônio. A BOVESPA operava sob a forma de associação, portanto, era uma entidade sem fins lucrativos, com regime jurídico estabelecido nos artigos 53 a 61 do Código Civil. O objetivo da entidade, que congregava as sociedades corretoras de valores mobiliários, era viabilizar, controlar e garantir a consistência do mercado bursático, mantendo um sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários. Em 28/08/2007, mediante deliberações aprovadas em assembléia geral extraordinária, a BOVESPA, sociedade civil sem fins lucrativo, procedeu à reestruturação societária com o objetivo de ser transformada em sociedade anônima de capital aberto, processo que foi chamado de desmutualização das bolsas brasileiras. Nessa data, foi levantado balanço patrimonial que resultou estabelecido em R$ 1.568.890,19 o valor de cada título patrimonial da associação, anteriormente ao processo de desmutualização. Para os acionistas da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, o valor de cada ação de emissão da companhia ficou em R$ 4.224,98. De acordo com o Ofício Circular 226/2007 da BOVESPA, as corretoras de valores mobiliários associadas e os acionistas da CBLC, para registrarem os eventos contábeis resultantes da reestruturação societária ocorrida, deveriam, para efeitos de conversão em ações de emissão da Bovespa Holding S.A, considerar um título patrimonial da BOVESPA equivalente a 706.762 ações de emissão da Bovespa Holding S.A., no valor de R$ 1.568.803,71. O valor residual, R$ 86,46, deveria permanecer registrado no ativo de cada entidade. Cada lote de 25 ações de emissão da CBLC equivalente a 46.223 ações da Bovespa Holding S.A.. Para efeito de registro contábil, o valor patrimonial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., em 28/08/2007, foi de R$ 2,23. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.722376/201111 Acórdão n.º 1402001.498 S1C4T2 Fl. 3 3 O contribuinte era detentor de um título patrimonial da entidade associativa isenta denominada Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA, adquirido em 20/07/2000, pelo valor de R$ 400.000,00 (fls. 924/925), e registrado na conta contábil do ativo permanente 2141010002 (fls. 898/901). Considerandose as orientações contábeis emanadas da própria BOVESPA (fls. 955/957), em 28/08/2007, o valor daquele título patrimonial correspondia a R$ 1.568.890,19. O contribuinte contabilizou a débito da conta do ativo permanente 2141010002 o valor de R$ 1.168.890,17, fazendo com que o seu saldo fosse compatível com o valor atualizado do título patrimonial. A contrapartida da atualização patrimonial foi creditada na conta de reserva de capital, denominada BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO, código 61317000001 (fls. 898/901). Em face do processo de desmutualização, para o titular de cada título patrimonial da associação BOVESPA foram atribuídas 706.762 ações de emissão da BOVESPA HOLDING S.A., com valor de R$ 1.568.803,71. Recebida as referidas ações, o contribuinte efetuou o lançamento contábil a débito da conta 1312010049, no valor de R$ 1.568.803,71, creditando a contrapartida na 2141010002 (fls. 898/901), restando um saldo residual de R$ 86,46 na conta 2141010002, que permaneceu no ativo circulante. No anocalendário de 2007 o contribuinte apurou o imposto de renda e contribuição social com base em balancetes mensais acumulados, não adicionando na base de cálculo dos referidos tributos o valor de R$ 1.168.803,71, resultante da diferença de entre o valor dos bens e direitos recebidos da associação BOVESPA a título de devolução de patrimônio e o valor aplicado ou entregue para a formação do referido patrimônio (art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997). No ajuste anual também não foi adicionado. No processo de desmutualização a BOVESPA transferiu parcela significativa de seu patrimônio à Bovespa Holding S.A. e à Bovespa Serviços e Participações S.A. Os seus associados receberam ações das referidas pessoas jurídicas como contrapartida, e não a própria BOVESPA. As ações da Bovespa Serviços e Participações S.A., recebidas pelos associados da BOVESPA, posteriormente, foram substituídas por mais ações da Bovespa Holding S.A., quando esta se tornou controladora integral daquela. Esse conjunto de procedimentos, irrefutavelmente, configura devolução de patrimônio para as sociedades corretoras de valores mobiliários associadas da BOVESPA, matéria que, no âmbito tributário, está disciplinado pelo artigo 17 da Lei nº 9.532, de 1997, que determina a adição da diferença entre o valor entregue para a formação do patrimônio da entidade isenta e o valor recebido da instituição isenta na determinação do lucro real. Segundo o referido Termo de Verificação Fiscal, a segunda infração diz respeito ao pagamento de despesas com captação de clientes nos anoscalendário de 2007 a 2009 à JF & PS Assessoria Ltda., num total de R$ 2.643.666,64 cuja prestação de serviços não foi comprovada. Tais despesas foram glosadas, o que afetou as apurações mensais acumuladas e também a apuração anual dos referidos períodos. Foi também apurado o imposto de renda retido na fonte sobre os pagamentos sem causa comprovada. Nesse caso, o contribuinte e a JF & PS Assessoria Ltda. foram intimados a apresentar, entre outros elementos, documentos que comprovassem a efetiva prestação de captação de clientes para a Diferencial S.A. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 O autuante afirma que, por mais específica, diferenciada e personalíssima que possa ser considerada a atividade, ela é desenvolvida no âmbito de um conjunto de ações humanas, que se compõem de atos preparatórios, executórios e conclusórios. Não foram apresentados elementos materiais sólidos e suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços, tais como: um plano de trabalho, um plano de metas, fichas de clientes captados, relatórios de valores aportados pelos clientes, relatórios de diagnósticos de situação, boletins informativos, correspondências administrativas, boletins de medição dos serviços ou de cobrança, relatórios das comissões devidas, etc., embora tenha sido apresentado um contrato de prestação de serviços, que se apresenta abrangente e genérico, sem especificação de preço dos serviços e forma de pagamento. Em razão desses fatos, foram glosadas todas as despesas de captação de clientes pagas à JF & BS Assessoria Ltda. nos anoscalendário de 2007 a 2009 (Demonstrativos fls. 1113), e recalculadas as bases de cálculo do Imposto de Renda e CSLL decorrentes de balancetes mensais acumulados. Em razão da insuficiência de recolhimento mensal foram lançadas as multas isoladas, conforme prescrito no artigo 44, II, “a”, da Lei nº 9.430, de 1996 (Demonstrativos fls. 1107/1110). Os tributos decorrentes das infrações fiscais foram exigidos na data do ajuste anual (demonstrativos fls. 1111/1112). Em razão da glosa das despesas de captação de clientes pagas à JF & BS Assessoria Ltda. nos anoscalendário de 2007 a 2009, foi efetuado também o lançamento do imposto de renda na fonte, conforme disposições do art. 61 da Lei 8.981, de 1995, e art. 674 do RIR/99. O contribuinte apresentou impugnações distintas para cada auto de infração (CSLL – 1181/1206; IRPJ – fls. 1207/1232; IRRF – 1233/1257), mas com conteúdos quase que idênticos, por isso seus argumentos serão tratados como se formulados em um único documento. A única argumentação diferenciada diz respeito à alegação de nulidade, por vício formal, do auto de infração da CSLL, pois não teria sido demonstrada com clareza a infração e a base de cálculo da multa isolada, o que lhe trouxe dificuldade em identificar com segurança qual foi a infração cometida. Em relação aos pagamentos à JF & BS Assessoria Ltda., alega que eram decorrentes de assessoramento na venda de Títulos da Dívida Agrária – TDAs – à proprietários de áreas rurais para pagamento de até 50% do ITR, de acordo com a legislação vigente. Pelo assessoramento a JF & BS fazia jus a, aproximadamente, 70% do resultado de cada operação, conforme detalha a planilha em anexo (fls. 1258/1268), pelo que pagou o total de R$ 2.643,664,64, correspondente a uma receita total de, aproximadamente, R$ 3.800.000,00, conforme comprova a farta documentação em anexo (fls. 1269/1280). Foram operações rentáveis e de difícil busca no mercado, daí justificarem os elevados ganhos em favor da referida empresa. Em relação à questão da desmutualização da BOVESPA, alega que essa instituição, como entidade sem fins lucrativos, não possuía valor econômico, nem atribuía resultados aos seus associados, portanto, a devolução de seu patrimônio não gerava nenhum efeito tributário, assim como também não gerou a seus associados qualquer resultado ou ganho. Além disso, o capital foi vertido com cláusula de indisponibilidade, ou seja, estava bloqueado, não lhe permitindo a transferência a terceiros. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.722376/201111 Acórdão n.º 1402001.498 S1C4T2 Fl. 4 5 Ainda que se tratasse de devolução de patrimônio às sociedades corretoras de valores imobiliários associadas à BOVESPA, mesmo assim não teria tributação, seja como ganho de capital, seja como rendimentos, tanto pelo fato de ser uma associação sem fins lucrativos, onde o título ficou esterilizado por muitos anos, seja porque não houve incremento efetivo de valor, aliado ao fato de que o tempo da constituição da sociedade a devolução do capital estava isenta de tributação. O fato de a entidade ser isenta, conjugase com a inexistência de fins lucrativos e a inexistência de qualquer rendimento aos seus associados. A tributação só seria possível depois do recebimento do capital restituído, incorporado em sociedade de fins lucrativos. A BOVESPA não foi extinta, houve sim uma cisão. Em recente decisão, o Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF3), concedeu liminar em favor de uma corretora de câmbio e títulos paulista suspendendo a exigibilidade do IRPJ e da CSLL, que incidiria sobre a parcela da atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BMF de propriedade da corretora, até o julgamento do mérito. Também, a Receita Federal se manifestou por meio da resposta à consulta nº 13, de 1997, que não incidiriam esses tributos sobre uma operação semelhante à desmutualização. As atualizações dos títulos patrimoniais, escrituradas na conta de reserva de atualização de títulos patrimoniais, por determinação da Portaria MF nº 785, de 1977, quando positivas, não compunham o lucro das corretoras e consequentemente não estavam sujeitas à incidência do IRPJ e da CSLL. A chamada desmutualização não encontra previsão expressa na legislação civil, razão pela qual a Receita Federal fez analogia ao artigo 61 do Código Civil na Solução de Consulta nº 10/2007, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação, entendendo que a diferença entre o valor nominal das ações recebidas e o custo de aquisição dos títulos representativos do patrimônio segregado das bolsas de valores está sujeita ao IRPJ e CSLL. Esse entendimento é equivocado, visto a mera substituição de títulos patrimoniais por ações não implica em qualquer impacto tributário, conforme a Portaria MF nº 785, de 1977. As referidas atualizações têm natureza de mera equivalência patrimonial que, segundo o artigo 225 do RIR/99 e o artigo 32 da Lei nº 8.981, de 1995, não acarreta incidência de IRPJ e CSLL. A própria Receita Federal, na Decisão nº 13, de 1997, da Coordenação Geral do sistema de Tributação firmou este entendimento acerca da natureza desta avaliação. Caso seja entendido que tal valoração dos títulos patrimoniais realmente está sujeita à incidência do IRPJ e CSLL, não é a data da desmutualização, ou seja, da substituição destes pelas ações, o fato gerador dos tributos em questão, pois, se a reserva de atualização dos títulos patrimoniais representa um acréscimo patrimonial, este somente poderia vir a ser tributado quando da venda das ações. Isto porque a desmutualização não foi uma alienação, mas mera substituição de títulos da BM&F e da BOVESPA por ações das novas companhias. Tal procedimento não acarretou qualquer ganho por parte das corretoras, visto inexistir Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 qualquer recebimento em dinheiro, o que representou, quando muito, uma reavaliação patrimonial. A simples transformação de uma associação civil sem fins lucrativos em uma empresa não enseja a incidência tributária prevista no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, uma vez que não é tido nesse momento a apuração de qualquer ganho, desde que a associação não tenha distribuído os rendimentos auferidos durante a sua existência. Na devolução dos valores investidos por entidades isentas, o dispositivo legal aplicável Na devolução dos valores investidos por entidades isentas, o dispositivo legal aplicável é o art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, que dispõe que, na devolução de valores investidos, não haverá ganho de capital se tal devolução se der pelo valor contábil dos bens. Somente se a devolução se processasse pelo valor de mercado haveria a incidência do IRPJ. Considerando se que o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995, e o artigo 17 da Lei nº 9.532, de 1997, coexistem no ordenamento jurídico, não há em que se falar na revogação tácita da Portaria MF nº 785, de 1977, a qual dispõe que o acréscimo nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas, desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. Esse entendimento foi detalhado pela Receita Federal em diversos atos, dentre eles os Pareceres Normativos CST nº 2.111, de 1981; nº 911, de 1983; e nº 2.687, de 1983. Além da Receita Federal do Brasil, outras agências reguladoras têm poderes para normatizar a contabilidade de suas reguladas, como é o caso da Comissão de Valores Mobiliários, Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil. O Conselho Monetário Nacional editou o Cosif, Capítulo I, item 11, subitem 3, parágrafo 3, que determina que a reserva que espelha a atualização do valor dos títulos seria elevada quando as bolsas apresentassem resultado positivo e reduzida quando tal resultado fosse negativo, o que nada mais é do que a aplicação do método de equivalência patrimonial, ainda que este nome não seja utilizado in casu. Orientação semelhante à do Conselho Monetário Nacional já havia sido instituída pela Comissão de Valores Mobiliários, ofício Circular CVM nº 325, de 1979. O fato de a legislação da Comissão de Valores Mobiliários, do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central não fazerem referência expressa à aplicação do método de equivalência patrimonial não impede a sua aplicação, ao contrário do que conclui a Solução de Consulta Interna Cosit nº 10, de 2007, porque não é o nome que determina o instituto jurídico, e sim o contrário. Esta afirmação é tão verdadeira que foi reconhecida pela Receita Federal do Brasil quando da Solução de Consulta Cosit nº 13, de 1997. Alega que a exigência relativa aos juros de mora é improcedente, por carecer o indexador aplicado de fundamentação legal apropriada ao caso fático. Por fim, requer que seja julgada procedente a sua impugnação, tornando insubsistentes os autos de infração. Em face às alegações do contribuinte, surgiram dúvidas a respeito da comprovação dos serviços que teriam sido prestados pela JF & Assessoria Ltda. nas transações com TDAs. Em razão disso, o processo foi remetido, em diligência, à Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.722376/201111 Acórdão n.º 1402001.498 S1C4T2 Fl. 5 7 DRF em Porto Alegre para que o autuante efetuasse novas intimações ao contribuinte e à própria JF & PS Assessoria Ltda. para que estas apresentassem quaisquer outros elementos materiais de controle e acompanhamento dos serviços de corretagem, como por exemplo, um plano de trabalho, um plano de metas, fichas de clientes captados, précontratos, boletins informativos, correspondências administrativas, boletins de medição de serviços ou de cobrança, relatórios de apuração das comissões devidas, etc. Retornaram os autos com a Informação Fiscal de folhas 1295 a 1300, dando conta que o contribuinte encontrase em liquidação e que procedeu a sua intimação para que apresentasse documentos comprobatórios da execução dos serviços que justificassem os pagamentos efetuados à JF & PS Assessoria Ltda. O contribuinte não prestou esclarecimentos, nem apresentou nenhum documento. Também foi intimada a JF & PS Assessoria Ltda. a apresentar informações e documentos comprobatórios dos serviços prestados à Diferencial S/A, que apresentou cópia das notas fiscais emitidas conta a Diferencial, extratos da conta corrente bancária na qual foram recebidos os pagamentos efetuados pela Diferencial r relatório de controle interno discriminando os pagamentos recebidos. Concluindo, o autuante informa que as informações e documentos apresentados pela JF & PS Assessoria Ltda. já eram conhecidos e tinham sido considerados no quadro demonstrativo de folhas 1113. Todos os elementos apurados nas diligências foram disponibilizados à apreciação da Diferencial, sendolhe aberto o prazo de 30 dias para sua manifestação. Às folhas 1300 consta cópia do Ato nº 1.229, de 09 de agosto de 2012, do Presidente do Banco Central do Brasil decretando a liquidação extrajudicial da Diferencial Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A e nomeando o Sr. Flavio Fernando da Fontoura Ferreira como liquidante. O liquidante, na qualidade de representante legal do contribuinte, manifestase (fls. 1457) afirmando que as operações objeto do pagamento de comissões pela prestação de serviços, em princípio, foram executadas com a intermediação da JF & PS Assessoria Ltda., que captava os clientes que adquiriram os TDAs para pagamento do ITR e elaborava os processos correspondentes junto à Receita Federal. Esclarece que buscará junto a clientes declarações que comprovem a efetiva participação da JF & PS nas operações em questão, pelo que solicita um prazo adicional de 30 dias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS, prolatou o Acórdão nº 1042.065 negando provimento à impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008 CSLL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Não é nulo o auto de infração que demonstra claramente as infrações cometidas e a base de cálculo da multa exigida isoladamente. IRPJ/CSLL DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E BM&F. SOLUÇÃO DE CONSULTA. GANHO DE CAPITAL NA DEVOLUÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS AOS ASSOCIADOS. Formulada consulta pela Comissão Nacional de Bolsas de Valores e proferida a respectiva Solução de Consulta pela COSIT, que analisou a questão da desmutualização das Bolsas, o entendimento assim proferido impõese à autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, que tem o dever de observância das normas, o que abrange também os atos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. IRPJ/CSLL DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO Sujeitase à incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. IRPJ/CSLL DESPESAS OPERACIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO É condição imprescindível, para ser admitida a apropriação de uma despesa operacional, além da necessidade para a percepção da receita e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, que o sujeito passivo demonstre com documentos hábeis a contraprestação dos serviços recebidos. IRPJ/CSLL/IRRF JUROS DE MORA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, conforme previsto no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Devidamente cientificada a interessada, através de seu liquidante, recorre a este colegiado questionando fundamentalmente a incidência dos juros de mora e da multa de ofício sobre débitos de pessoas jurídicas em liquidação extrajudicial, como seria o caso. É o Relatório. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.722376/201111 Acórdão n.º 1402001.498 S1C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso foi interposto tempestivamente e subscrito pelo liquidante da pessoa jurídica, devidamente legitimado, motivo pelo qual merece ser conhecido. A peça de defesa não questionou a autuação, mas sim a incidência de multa de ofício sobre empresas em liquidação extrajudicial. Como regra geral, a inobservância da norma jurídica que traz como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. A exclusão da penalidade ocorre em situações específicas, como as previstas no art. 151, do CTN; ou em outros casos estabelecidos na legislação. A princípio, a empresa em liquidação extrajudicial não se constitui em exceção à regra geral, nos termos estabelecidos no art. 60, da Lei nº 9.430/96: Art. 60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Entretanto, o alcance do dispositivo mencionado tem sido limitado pela jurisprudência, inclusive administrativa., conforme se verá a seguir. Se a exigência tributária tivesse sido formalizada após a decretação da liquidação extrajudicial (ou falência), o entendimento majoritário da jurisprudência caminha no sentido de que não se justificaria a cobrança da multa, mesmo em relação a fatos geradores anteriores à liquidação. Por outro lado, no caso sob exame é crucial levar em consideração o fato de a autuação ter sido formalizada ANTES da liquidação. Nesse caso, o crédito tributário (incluindo multa) já integrava o passivo da empresa quando da liquidação. A partir daí, não se cogita mais da exclusão administrativa de tais valores, o que só pode ser cogitado na fase de execução. Os acórdãos prolatados pela CSRF e mencionados pelo sujeito passivo como base da defesa, na verdade vão ao encontro da tese aqui esposada, como se vê pelas transcrições abaixo: [.....] Se as multas foram aplicadas em procedimentos fiscalizatórios encerrados anteriormente à declaração da liquidação Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 extrajudicial, por certo seu montante integra o passivo da sociedade e, nessa hipótese, entendo deva ser mantida sem maiores questionamentos. (CSRF Acórdão 0105.389 – Relator José Carlos Passuelo, sessão de 21/03/2006 ) [....] Vale ressaltar que se o lançamento tivesse sido lavrado antes da decretação da liquidação extrajudicial, comporia o passivo da empresa e então seria devida a multa. (CSRF Acórdão 01 05.387, Relator José Clóvis Alves, sessão de 21/03/2006 ) Em relação à exigência da taxa SELIC como indexador dos juros de mora, é matéria consolidada neste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 4, de Enunciado abaixo transcrito e de obediência compulsória pelos julgadores: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902488/2006-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA.
O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Afastada a prescrição, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito do pedido de ressarcimento, em primeira instância (Decreto nº 70.235/72), para que não sobrevenha supressão de instância.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à DRJ para julgamento do restante das matérias.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a prescrição, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito do pedido de ressarcimento, em primeira instância (Decreto nº 70.235/72), para que não sobrevenha supressão de instância. Recurso Provido em Parte.
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SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a prescrição, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito do pedido de ressarcimento, em primeira instância (Decreto nº 70.235/72), para que não sobrevenha supressão de instância. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à DRJ para julgamento do restante das matérias. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 24 88 /2 00 6- 93 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11020.902488/200693 Acórdão n.º 3402002.247 S3C4T2 Fl. 111 3 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento Residual nº 05315.99452.271008.1.1.016200 no montante de R$ 18.193,11 (dezoito mil, cento e noventa e três reais e onze centavos) vinculada ao Pedido de Ressarcimento Inicial formalizado através do nº 19830.85999.211003.1.3.014495 no valor de R$ 79.578,31 (setenta e nove mil, quinhentos e setenta e oito reais e trinta e um centavos), tudo referente ao saldo credor de IPI do 3º trimestre de 2003. O pedido foi indeferido por meio do Despacho Decisório constante nos autos, às fls. 34/35, e tem por fundamento a prescrição do direito de pleitear o referido ressarcimento, pelo fato de ter transcorrido período superior a cinco anos entre a data da apuração e pleito de ressarcimento inicial dos créditos e a data do pedido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do indeferimento do pedido de ressarcimento em 04/08/2009, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, em 24/08/2009. Inicialmente o Recorrente faz um relato acerca do seu pedido, aduzindo que em 21/10/2003 protocolou eletronicamente Demonstrativo de Apuração de Crédito Presumido do IPI – DCP onde foi informado que o seu crédito presumido correspondia à R$ 79.384,86, tendo, na mesma data, utilizado o crédito para compensar com débito de IRPJ por meio do PER/Dcomp nº 19830.85999.211003.1.3.014495, vindo a compensar com outros débitos nos anos posteriores até que em 27/10/2008 solicitou por meio da PER/DCOMP n°05315.99452.271008.1.1.016200, pedido de ressarcimento de IPI residual referente ao período ora discutido. Após, discorre que no caso não pode ser aplicado o Decreto nº 20.910/1932 vez que a ele são aplicáveis os dispositivos 165, 168 e 150, §4º do Código Tributário Nacional relativos à restituição de pagamento indevido. Relata que, se tivesse sido ressarcido dos créditos ora discutidos têlosia compensado com os débitos de IPI, deixando assim de efetuar desembolso de numerário, o que resultou em pagamento a maior do que devido, resultando um crédito a seu favor. Conclui, portanto, que o IPI é tributo sujeito ao lançamento por homologação, assim sendo, a Recorrente teria o prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, que por sua vez, se dá com a homologação (expressa ou tácita) do pagamento indevido. Ao fim requer a reforma da decisão recorrida, restabelecendo seu direito de restituição dos pagamentos indevidos, reconhecendose a legitimidade do crédito pleiteado. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, proferiu o Acórdão de nº. 1024.974, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PRESCRIÇÃO Estão prescritos os créditos relativos aos insumos adquiridos há mais de cinco anos entre a efetiva entrada dos insumos no estabelecimento fabril e a data do protocolo do pedido administrativo, no caso a data do envio da PER/DCOMP. Incidência do Decreto 20.910/1932 e não do CTN, eis que não é hipótese de repetição de indébito, mas de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a DRJ alega que não houve pagamento indevido pela Recorrente, assim sendo, por se tratar de pedido de ressarcimento de créditos, aplicase o artigo 1º do Decreto 20.910/1932, e não as normas do CTN cujas se aplicariam somente em relação à repetição do indébito, conforme requer a Recorrente. Votou pela improcedência da manifestação de inconformidade, ratificando a decisão da DRF de indeferimento do pedido de restituição. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ciente em 17/05/2010 do Acórdão nº. 1024.974, e não se conformando com a manutenção das exigências a ele impostas, o contribuinte apresentou em 04/06/2010 Recurso Voluntário a este Conselho, que aduz os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, os quais, por brevidade, não os repetirei. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volumes, numerados até a folha 109 (cento e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11020.902488/200693 Acórdão n.º 3402002.247 S3C4T2 Fl. 112 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre esclarecer fato até aqui equivocadamente tratado nos autos, pois que essencial ao entendimento que destino à causa. É que o pedido versado neste processo não tratase de pedido de ressarcimento inicial, com o tratado pela instância de julgamento a quo, mas sim de pedido de ressarcimento de saldo remanescente vinculado a pedido de ressarcimento anteriormente protocolado, e cuja data de protocolo incide diretamente na interpretação da regulamentação do instituto da prescrição aplicada ao caso. Do que se lê do relatório acima, a DRJ de Porto Alegre analisou o pedido do contribuinte sob a ótica de que o mesmo pretendia, em 27/10/2008, o ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 3º trimestre do ano de 2003, e que teria transcorrido, portanto, mais de 05 (cinco) anos da data da apropriação do mesmo na escrita do contribuinte, estando, por via de consequência, prescrito. Todavia, entendo que a data que serve como termo de início para contagem do referido prazo prescricional é aquela da data da decisão que analisou o pedido inicialmente apresentado pelo contribuinte. Registro ainda, que da cópia do pedido de ressarcimento objeto desses autos, de fls. 24 – numeração eletrônica, é possível claramente observar que o mencionado pedido reportase à existência de pedido de crédito anterior. Assim, entre a data do protocolo do pedido inicial de ressarcimento do crédito e a data da decisão que analisou o crédito inicialmente pleiteado, encontravase suspenso o prazo prescricional para a completa utilização do mesmo. Neste sentido, existe a previsão de suspensão da prescrição no artigo 4º, do Decreto 20.910, de 1932, in verbis: “Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano.” Do que se colhe dos autos, o contribuinte apresentou inicialmente um pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, não tendo, até 13/10/2008 (conforme data registrada em conjunto com a assinatura eletrônica no Relatório Fiscal de fls. 22 – n.e), conhecimento de que dos R$ 79.578,31 (setenta e nove mil, quinhentos e setenta e oito reais e trinta e um centavos), pleiteados, lhe restariam ainda, R$ 18.193,11 (dezoito mil, cento e noventa e três reais e onze centavos), passíveis de restituição, ressarcimento ou compensação. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Assim, independentemente de terem sido formulados outras Declarações de Compensação vinculadas ao inicial Pedido de Ressarcimento de IPI, e que após a decisão que homologou em parte o crédito originalmente pleiteado, foi ainda pleiteado saldo remanescente do crédito, tudo relativo ao mesmo período (3º trimestre de 2003), temse que o prazo prescricional é suspenso a partir do momento em que a Recorrente apresenta o primeiro pedido de ressarcimento até a decisão que impôs o seu deferimento parcial. Portanto, considerando que o primeiro pedido foi apresentado em 21/10/2003 e a decisão de indeferimento ocorreu em 13/10/2008, nos autos deste processo, o pedido ora analisado protocolado em 27/10/2008 não se encontra prescrito, já que no período que medeou o protocolo e a decisão final que analisou o mesmo, encontravase suspensa a prescrição, por força do art. 4º, do Decreto nº 20.910/32. Importante registrar aqui, que o referido Despacho Decisório proferido pela SEFIS da DRF de Caxias do Sul, RS, sequer observou o devido processo administrativo, oportunizando ao contribuinte abertura de prazo para Manifestação de Inconformidade (vez que o contribuinte pediu R$ 79.578,31 e o referido despacho pronunciouse apenas acerca de R$ 61.385,20, sem manifestarse do porquê apenas estaria reconhecendo “parte” do crédito), nulidade esta que deixo de considerar em razão da prerrogativa prevista no parágrafo 3º, do artigo 59, do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [omissis] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)(Grifei) Superada a discussão a respeito da prescrição, observo que a DRJ não se manifestou com relação à analise do mérito da existência, liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Dessa forma, para que não haja supressão de instância, os autos devem retornar à instância "a quo" para novo julgamento, agora sem a prejudicial da prescrição. Na esteira das considerações acima, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a ocorrência da prescrição e determinar o retorno dos autos a DRJ para que se manifeste sobre a existência, certeza e liquidez do saldo credor remanescente objeto do pedido de ressarcimento. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11020.902488/200693 Acórdão n.º 3402002.247 S3C4T2 Fl. 113 7 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916352/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.916352/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.655 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 63 52 /2 00 9- 77 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 31/07/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência outubro de 2004, com débitos de IRPJ referentes ao 2º trimestre de 2006, no valor total de R$ 4.051,67. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 1000.000.2005.1740386124 de 14/02/2005 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 12.96.04.88.98. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de outras provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 57DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.916352/200977 Acórdão n.º 3803004.655 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.916352/200977 Acórdão n.º 3803004.655 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10983.721212/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA IMPLANTADO PELO CONTRIBUINTE. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo à adesão a plano de aposentadoria incentivada, implantado pelo contribuinte, não se sujeitam à incidência de contribuição social previdenciária, ante o seu caráter indenizatório.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA IMPLANTADO PELO CONTRIBUINTE. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo à adesão a plano de aposentadoria incentivada, implantado pelo contribuinte, não se sujeitam à incidência de contribuição social previdenciária, ante o seu caráter indenizatório. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 12 /2 01 0- 41 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A em face da decisão que julgou procedente o auto de infração lavrado pela fiscalização e manteve a aplicação da multa referente à incidência de contribuições sociais sobre o plano de aposentadoria incentivada implantado pelo contribuinte no período de 01/01/2006 a 31/12/2009. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (ff. 18/40), o contribuinte não declarou em GFIP as importâncias incidentes sobre os valores creditados a seus segurados empregados, referentes a contribuições devidas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAR, SESI e SEBRAE), sob a denominação de “Apropriação referente ao Plano de Readequação Programada do Quadro do Pessoal” – PREQ. Para a fiscalização, este plano apresenta peculiaridades em relação àqueles de demissão voluntária ou incentivada, tratando se, em verdade, de uma prestação de serviços por parte dos empregados que o aderiram, conforme transcrito abaixo: 2. As contribuições apuradas no presente Auto de Infração referemse a contribuições devidas à Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAR, SESI e SEBRAE), tendo como fatos geradores determinados valores creditados a seus segurados empregados, com a denominação de “Apropriação referente ao Plano de Readequação Programada do Quadro do Pessoal”, os quais foram considerados como saláriodecontribuição uma vez que se enquadram no conceito legal de remuneração. (...) 17. Na análise realizada do “Plano de Readequação Programada do Quadro do Pessoal – PREQ”, esta fiscalização constatou que tal programa não se reveste de um “Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada”, o que ensejaria a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos ou creditados, nos termos da alínea ‘e’ – 5 do §9º do Art. 28 da Lei nº 8.212/91, e sim de uma prestação de serviços por parte daqueles que aderiram ao plano, dadas as exigências do programa no tocante ao repasse dos conhecimentos. (...) 21. A implantação do PREQ mudou o escopo vigente dos planos anteriormente instituídos, uma vez que estabeleceu determinadas obrigações a serem cumpridas pelos empregados, obrigações essas relacionadas a desempenho de tarefas e atividades dentro da empresa, além do fato de beneficiar somente aqueles empregados próximos da aposentadoria, desvirtuando o que caracteriza um plano de demissão voluntária, (...). Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10983.721212/201041 Acórdão n.º 2301003.710 S2C3T1 Fl. 274 3 22.A intenção da empresa em favorecer somente os empregados próximos da aposentadoria vinculase, de certa forma, as determinações do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público do Trabalho, pois o contribuinte fora intimado a regularizar a situação dos empregados que estavam aposentados junto ao INSS, sem se desligar da empresa, uma vez que tal fato contrariava as determinações da Constituição Federal e da Lei nº 8.213/91 (sic); (...) 25. Ou seja, o contribuinte estava ciente de que não poderia manter em seus quadros segurados empregados aposentados junto ao órgão oficial (...). 26. Tal medida, considerando a data proposta, possibilitaria que o contribuinte pudesse planejar a qualificação do pessoal remanescente mantendo a “massa crítica” necessária ao desempenho das atividades, sem prejuízo da continuidade do negócio, mesmo porque o repasse do conhecimento, de certa forma, é intrinsecamente previsto no contrato individual de trabalho. (...) 40. Assim, extrapolando os planos de demissão voluntária/incentivada, referido plano cria obrigações e deveres aos empregados que aderiram, não podendo ser classificado como um PDV/PDI tradicional. 3. Ademais, o relatório transcreve um trecho do PREQ relativo à forma de pagamento do bônus financeiro: 5. O bônus será pago em 18 parcelas mensais e sucessivas, sendo a primeira no quinto dia útil do mês seguinte ao da homologação da Rescisão do Contrato de Trabalho. As parcelas do bônus serão atualizadas mensalmente pela taxa SELIC acumulada no período contado a partir da primeira parcela. Por solicitação do empregado, o bônus poderá ser pago em uma única parcela ao final de 18 (dezoito) meses a contar do desligamento, atualizado no período pela taxa SELIC. 4. Quanto à ocorrência do fato gerador das contribuições devidas, o relatório fiscal aponta que, para a empresa, acontece quando for paga, devida ou creditada a remuneração que lhe cabe, o que ocorrer primeiro, devendo o crédito da remuneração ser considerado quando reconhecida contabilmente a despesa incorrida. 5. No que tange à aplicação da multa, consta no relatório que, “em virtude de ausência de recolhimento e declaração inexata na GFIP, foi aplicada a multa de mora de 24% nos termos do Art. 35, II, ‘a’ da Lei nº 8212/91 (...) para o período de junho/2006 a novembro/2008 e de 75% a partir de dezembro/2008 nos termos do Art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007”. 6. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AIOP/DEBCAD: 37.177.0904, de 17/12/2010. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA E/OU PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA. Os valores do Plano de Demissão Voluntária (PDV) e/ou Plano de Aposentadoria Incentivada (PAI) pagos em desacordo com a norma isentiva integram o salário de contribuição previdenciário, vez que em casos de outorga de isenção, a interpretação deve ser realizada de forma literal, não autorizando o exegeta estender a referida benesse a situações não contempladas expressamente pela norma. CRIMES. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá realizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 7. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 70/227), no qual aduz, em apertada síntese: a) que as atividades de repasse de conhecimentos pelos empregadores que aderiram ao PREQ não se diferenciam daquelas habitualmente prestadas e previstas nas normas da empresa, sendo uma atribuição intrínseca ao contrato de trabalho; b) o bônus pago àqueles que aderiram ao programa e cumpriram as metas determinadas (repasse de conhecimentos e preparação para a aposentadoria) constitui mera indenização pelo rompimento do vínculo empregatício por estes empregados, sendo que estes continuam fazendo jus ao salário e demais verbas trabalhistas, não tendo, portanto, caráter remuneratório; c) alega que o conhecimento adquirido e/ou desenvolvido pelo empregado em sua atividade é de propriedade da empresa, fazendo prevalecer o interesse público e retendo as informações relevantes para o setor; d) o entendimento do fisco ao considerar como contrato de prestação de serviços o PREQ desenvolvimento pela empresa é vedado pela Lei nº 8.666/93, uma vez que esta proíbe a participação de servidor na licitação para contratação de obras e serviços; e) o PREQ é um plano de demissão incentivada e há norma expressa excluindo tais verbas do saláriodecontribuição (art. 28, §9º, e, 5, da Lei nº 8.212/91); f) ao pretender tributar o repasse de conhecimento, já contemplado quando do desempenho da atividade laboral, restaria configurado o bis in idem; g) a incidência tributária não deve ocorrer no momento do provisionamento contábil, pois violaria os princípios que regem a Administração Pública; e Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10983.721212/201041 Acórdão n.º 2301003.710 S2C3T1 Fl. 275 5 h) que a desproporcionalidade das multas aplicadas configura o efeito confiscatório. 8. O fisco apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS QUESTÕES RECURSAIS 2. Inicialmente, cumpre delimitar a demanda trazida a este colegiado. Adotando como base o relatório fiscal, temos que a fiscalização adotou como uma das premissas para o lançamento fiscal o fato de que no: Plano de Readequação Programada do Quadro do Pessoal – PREQ”, esta fiscalização constatou que tal programa não se reveste de um “Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada”, o que ensejaria a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos ou creditados, nos termos da alínea ‘e’ – 5 do §9º do Art. 28 da Lei nº 8.212/91, e sim de uma prestação de serviços por parte daqueles que aderiram ao plano, dadas as exigências do programa no tocante ao repasse dos conhecimentos. 3. Ainda segundo a análise fiscal: (...) a implantação do PREQ mudou o escopo vigente dos planos anteriormente instituídos, uma vez que estabeleceu determinadas obrigações a serem cumpridas pelos empregados, obrigações essas relacionadas a desempenho de tarefas e atividades dentro da empresa, além do fato de beneficiar somente aqueles empregados próximos da aposentadoria, desvirtuando o que caracteriza um plano de demissão voluntária. 4. Na minha concepção, a questão a ser decidida reside em saber se o plano estabelecido como “Plano de Readequação Programada do Quadro do Pessoal – PREQ” está dentro da concepção jurídica do chamado “Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada”, possuindo, portanto, caráter estritamente indenizatório. 5. A fiscalização desenvolveu longa argumentação no sentido de que se tratou de uma prestação de serviços por parte daqueles que aderiram ao plano, dadas as Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 exigências do programa no tocante ao repasse dos conhecimentos pelos empregados que aderiram ao programa. 6. A Procuradoria fazendária também se manifestou, por meio das suas contrarrazões, pela manutenção da decisão recorrida, ou seja, pela total procedência do lançamento efetuado pelo auditor, ressaltando que não se trata de discutir natureza jurídica dos valores pagos a título de PDV, mas sim se o programa implantado pela empresa consiste em um PDV para que não sejam integrados ao saláriodecontribuição. 7. Ora, verifico que a legislação previdenciária trata dessa matéria em seu artigo 29, §8º, “e”, “5”, da Lei 8.212/91, asseverando claramente que não integram o salário decontribuição as importâncias recebidas a título de incentivo à demissão. A referida norma também não colocou qualquer ressalva ao formato estabelecido pela empresa aos planos oferecidos. Vejamos o teor o dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 8. De maneira que não vejo óbice algum para a empresa estabelecer critérios para a adesão ao plano de desligamento voluntário, desde que baseados em princípios de isonomia e razoabilidade. Ainda mais no presente caso quando o contribuinte apenas visou resguardar elemento primordial para qualquer empresa, ou seja, assegurar que os novos empregados pudessem aproveitar o conhecimento dos mais antigos (que estavam saindo da empresa), de maneira a darem continuidade aos serviços prestados, integrando, portanto, ao PDV. 9. Também não comungo com a fiscalização tratarse de serviço prestado, uma vez que tais pagamentos estavam intrinsecamente ligados à rescisão contratual dos empregados. É dizer: mesmo que parcelado os valores ou pagos ainda no decorrer do contrato de trabalho, tais circunstâncias não possuem o condão de alterar a natureza jurídica da parcela destinada a indenizar os trabalhadores pela demissão. 10. A Receita Federal do Brasil reconhece a natureza indenizatória das verbas pagas a título de Programas de Demissão Voluntária: Consideramse Programas de Demissão Voluntária apenas os instituídos pelas pessoas jurídicas a título de incentivo à demissão voluntária de seus empregados. Não estão incluídos nesse conceito os programas de incentivo a pedido de aposentadoria ou qualquer outra forma de desligamento voluntário. Entendese como verba indenizatória contemplada pela dispensa de constituição de créditos tributários os valores especiais recebidos a título de incentivo à adesão a PDV, doravante denominadas verbas indenizatórias. (http://www.receita.fazenda.gov.br/guiacontribuinte/restressarcomp/restcreda dmin/RestPDV.htm) 11. O órgão fiscalizador, no que tange ao imposto de renda, chegou a editar o Ato Declaratório SRF nº 3, de 07 de janeiro de 1999, dispondo sobre os valores recebidos a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário – PDV, sem colocar Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10983.721212/201041 Acórdão n.º 2301003.710 S2C3T1 Fl. 276 7 qualquer ressalva à natureza indenizatório da parcela. Ao contrário expressamente asseverou que: “os valores pagos por pessoa jurídica a seus em pregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual”. 12. A doutrina também enfrenta a matéria como sendo de natureza indenizatória. Tratase de um programa de demissão voluntária funcionando como mecanismo de incentivo financeiro dado pelo empregador a seus empregados, com objetivo de incentivar pedidos de resilição contratual pelos obreiros, mediante pagamento de uma indenização baseada, geralmente, no tempo de serviço do trabalhador: 6. O Programa de Demissão Voluntária (PDV) se consubstancia como um mecanismo de incentivo financeiro dado pelo empregador a seus empregados, com objetivo de incentivar pedidos de resilição contratual pelos obreiros. 7. Os PDVs são, portanto, instrumento de enxugamento de pessoal, que decorrem da falta de interesse do empregador na manutenção de determinada mãodeobra, e que visam desencadear pedidos de demissão mediante pagamento de uma indenização baseada no tempo de serviço do trabalhador, vale dizer, em troca do pedido de dispensa voluntária do obreiro, este é compensado monetariamente, segundo o período de labor já prestado ao empregador. 8. Inicialmente, é importante assinalar que o empregado não é obrigado a aderir ao PDV estabelecido pelo empregador. Compete, portanto, ao obreiro, após seu juízo de conveniência, decidir se postula ou não seu pedido de demissão. (Alan Saldanha Luck, Procurador do Estado de Goiás, pós graduado em Direito e Processo do Trabalho pela UNIDERPLFG) 13. A Jurisprudência trabalhista firmou posição no sentido de que tais quantias pagas espontaneamente ao empregado em virtude de este aderir a plano de desligamento voluntário constitui uma indenização especial destinada a fazer face à perda do emprego: COMPENSAÇÃO. PLANO ESPECIAL DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO. VERBAS DEFERIDAS EM JUÍZO. SÚMULA Nº 18 DO TST. 1. A quantia que o empregador paga espontaneamente ao empregado em virtude de este aderir a plano de desligamento voluntário constitui uma indenização especial destinada a fazer face à perda do emprego. Não é resgate de dívida trabalhista, sendo, pois, insuscetível de compensação ulterior com créditos tipicamente trabalhistas reconhecidos em juízo. (...) 4. Embargos de que se conhece, por divergência jurisprudencial, e a que se nega provimento. (R. Ministro João Oreste Dalazen Processo ERR 554.614/99.3 (DJ de 6/2/2004) (grifei) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 14. Inclusive, é bom notar a informação trazida aos autos no sentido de que a 1ª instância da Justiça do Trabalho chegou a apreciar em ação própria o programa implantado pela recorrente e firmou posição no sentido de que se trata de “programa complexo de renovação dos quadros, treinamento de empregos antigos para aposentadoria’’, mediante transmissão de conhecimentos e experiência aos empregados novos, reconhecendo o seu “caráter indenizatório’’, inclusive afastou o reflexo da parcela sobre o bônus indenizatório. (5° Vara o trabalho de Florianópolis, PROCESSO n. 00069741.2010.5.12.0035) 15. No que diz respeito ao imposto de renda, a matéria está sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, desde 2008: STJ Súmula nº 215 24/11/1998 DJ 04.12.1998 Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PDV ou PDI) Imposto de Renda A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda. 16. In casu, vale destacar que o contribuinte adotou diversas regras para assegurar que efetivamente se tratava de verbas advindas do plano por ele estabelecido, de maneira que não se tratava de pagamentos aleatórios, mas integrantes do programa mencionado. Vejamos as informações trazidas pelo agente fiscalizador: Para a adesão ao programa os candidatos deveriam aceitar, além do preenchimento de alguns prérequisitos quanto a sua situação previdenciária junto a Previdência Complementar da empresa, administrada pela Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social ELOS, as seguintes condições (Doc. XVI Regras Básicas para Adesão ao PREQ, fls. 135 a 144): a) preenchimento e assinatura, em caráter irrevogável e irretratável, do formulário "Pedido de Adesão ao Plano de Readequação Programada do Quadro de Pessoal — PREQ", sendo considerado desligamento "A Pedido do Empregado". A assinatura do Pedido de Adesão ao PREQ implica na aceitação das condições impostas no PRC (Programa de Repasse de Conhecimentos), no PPA (Programa de Preparação Para a Aposentadoria) e no PCM (Programa de Bônus para O Desligamento Voluntário por Cumprimento de Metas), bem como aceitação do prazo fixado pela ELETROSUL para o desligamento definitivo do quadro da Empresa. b) Apresentação, no ato da adesão, de declaração da Fundação ELOS de que o empregado, caso fosse considerado os requisitos tempo de contribuição/serviço e idade, reconhecidos em seu cadastro, já estaria apto a aposentarse naquela Fundação, ainda que de forma proporcional nos termos do Regulamento de Planos de Benefícios do qual a ELETROSUL é patrocinadora, no mês da adesão ao PREQ ou, no máximo, até um ano após o ato de adesão, bem como declarar o empregado sua condição previdenciária junto ao órgão público oficial. Para cálculo do tempo de contribuição/serviço aqui referido a ELOS deverá levar em consideração os resultados da conversão do tempo de serviço em atividade especial sob o risco elétrico em tempo de contribuição/serviço para aposentadoria normal (SB 40), já reconhecidos pelo INSS. c) O desligamento efetivo do empregado darseá no mínimo em 90 dias e no máximo em 3 (três) anos, a contar da data da assinatura do Pedido de Adesão ao Plano de Readequação Programada do Quadro de Pessoal PREQ, desde que o empregado, na data do desligamento, já possa aposentarse pela Fundação ELOS, nos termos da letra "b" acima. Caso Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10983.721212/201041 Acórdão n.º 2301003.710 S2C3T1 Fl. 277 9 após os três anos o empregado ainda não preencha os requisitos para aposentadoria plena (não antecipada em nenhum dos requisitos) na Fundação ELOS, por esta comprovado e sem a utilização de tempo de serviço em atividade especial convertido em tempo para aposentadoria normal (SB40), este poderá, a seu pedido, permanecer no Plano por até mais 2 (dois) anos, desde que o pedido seja aprovado pelo Gerente da Area, pela Area de Gestão de Pessoas e pelo Diretor responsável. Se no decorrer dos dois anos prorrogados o empregado preencher todos os requisitos para aposentadoria plena na fundação ELOS (para efeitos do PREQ tais requisitos plenos são: idade mínima e tempo de contribuição/serviço sem conversão de tempo trabalhado em atividade especial sob risco elétrico SB40 em tempo normal), exigidos no Regulamento do Plano de Benefícios patrocinados pela ELETROSUL e reconhecidos no cadastro da ELOS, este deve pedir tempestivamente seu desligamento, sob pena de o tempo de serviço (TSE) excedente não ser computado para efeitos do bônus do desligamento previsto no PCM. O prazo para desligamento do empregado que aderir ao PREQ, obedecidos aos limites mínimos e máximos aqui fixados e desde que já possa, na data do desligamento, aposentarse pela ELOS, será definido exclusivamente a critério da Area de lotação do empregado, ouvido o órgão de Gestão de Pessoas com o "de acordo " do Diretor responsável pela Area. d) Os empregados cedidos, licenciados ou afastados, cumpridos os requisitos, poderão inscreverse no PREQ desde que no Pedido de Adesão já fique definido o período para cumprimento dos requisitos do PRC e PPA, respeitados os prazos mínimos e máximos fixados para o repasse de conhecimentos na ELETROSUL. 17. Nesse mesmo sentido houve inclusive a interferência do sindicato dos trabalhadores da categoria da empresa que estabeleceu, juntamente com a empresa, a justificativa para o programa, vinculado, estritamente, ao desligamento dos empregados. É o que diz a cláusula 9ª do Acordo Coletivo de Trabalho de 2003/2004: A ELETROSUL, no intuito de salvaguardar a sua massa crítica de empregados treinados e com experiência, necessários ao cumprimento de sua missão, e para poder admitir, treinar, planejar e programar a sua adequada reposição num programa de sucessão ajustado ao cronograma de desligamento por motivo de aposentadoria e, para propiciar novos empregos junto à sociedade, se compromete na vigência deste Acordo, a implantar como instrumento permanente de Recursos Humanos, um plano de Preparação da ELETROSUL, para a aposentadoria de seus empregados, condicionado à anuência dos órgãos controladores.(fls. 31) 18. Razão pela qual foi acrescentado mais um elemento norteador para conceituar as verbas pagas pela empresa como tendo caráter indenizatório, eis que estritamente vinculada ao desligamento dos empregados, sem deixar perder o que mais importante restaria para a empresa, ou seja, o conhecimento técnico adquirido ao longo de vários anos de trabalho. 19. Forte nestes argumentos, o meu voto é pelo provimento do recurso voluntário manejado pelo contribuinte, ante as provas apresentadas nos autos no sentido de que as verbas pagas pelo contribuinte, objeto da totalidade do seu Plano de Readequação Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Programada do Quadro do Pessoal – PREQ, eis que enquadradas no conceito de indenização pela perda do emprego. DOS DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO 20. Os autos de infração lavrados pela fiscalização em desfavor do contribuinte para apurar contribuições e aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessórias foram distribuídos na seguinte forma: 50.1 A contribuição relativa à parte da empresa (patronal), correspondente a 20% sobre o total das remunerações (art. 22, I, da Lei nº 8.212/91), apurada no auto de infração de nº 37.177.0882; 50.2 – A contribuição relativa à parte da empresa (patronal) em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – GILRAT, correspondente a 1%, 2% ou 3% sobre o total das remunerações (art. 22, II, da Lei nº 8.212/91), apurada no Auto de Infração nº 37.177.0882; 50.3 – As contribuições devidas pelos segurados empregados, devidas pelos segurados empregados, de 8 a 11% sobre o total da remuneração (art. 20 da Lei 8.212/91), as quais foram apuradas no presente auto de infração; 50.4 – As contribuições devidas a Terceiros (Salário Educação, Incra, Sesi, Senai e Sebrae), correspondente a 5,8% sobre o total das remunerações, as quais foram apuradas no Auto de Infração de nº 37.177.0904. 50.5 – O Auto de Infração de nº 37.177.0910, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude do contribuinte não ter declarado todos os valores devidos/creditados em GFIP. Os Autos de Infração nº 37.177.0890, 37.177.0904 e 37.177.0912 serão apensados no de nº 37.177.1882 por tratarse dos mesmos elementos de prova. 21. Assim, considerando que os autos acima alinhavados estão calcados no mesmo objeto, quais sejam: a ausência de recolhimento de contribuição social previdenciária e os elementos de provas carreados aos autos, também dou provimento ao recurso voluntário, recaindose esta decisão, portanto, sobre os processos 10983.721211/201005; 10983.721212/201041; e 10983.721213/201096. DA REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS 22. No que se refere à representação para fiscal para fins penais, concordo plenamente com a informação trazida pela autoridade julgadora de primeira instância: Todavia, a decisão definitiva sobre a ocorrência ou não do crime de sonegação, não é da competência dos órgãos que atuam no processo administrativo fiscal. A apreciação de tal matéria, caso o Ministério Público Federal apresente denúncia com base na Representação Fiscal Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10983.721212/201041 Acórdão n.º 2301003.710 S2C3T1 Fl. 278 11 para Fins Penais formulada pela autoridade lançadora, deverá ser efetuada pelo Poder Judiciário. 23. De maneira que não há qualquer análise da questão nesta esfera administrativa, limitandose o julgador ao exame do levantamento do crédito tributário e das obrigações acessórias. 24. Nesse sentido, já se pronunciou o CARF, inclusive, mediante edição da seguinte Súmula: Súmula 28:O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONCLUSÃO 25. Do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, nos termos acima alinhavados. (assinado digitalmente) Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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