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Numero do processo: 13558.000753/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA EXPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 33.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964.
Numero da decisão: 2201-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro ODMIR FERNANDES (Suplente convocado).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA EXPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 33. “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25. “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 07 53 /2 00 9- 15 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/09, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.395.629,36, calculado até 30/04/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Argumenta, em síntese (fls. 152/155), que apresentara durante a fiscalização declarações retificadoras dos exercícios 2004 a 2008 comprovando o exercício de atividade rural; que os depósitos bancários não são fato gerador do imposto; que a súmula 182/85 do extinto Tribunal Federal de Recursos considera ilegítimos os lançamentos efetuados com base em meros depósitos bancários. Requer, por fim, o parcelamento do imposto apurado nas declarações retificadoras. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumemse rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000753/200915 Acórdão n.º 2201002.452 S2C2T1 Fl. 3 3 Intimado da decisão de primeira instância em 29/09/2009 (fl. 234), Edilson Santos de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 02/10/2009 (fls. 235/240), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Nas fls. 14 do seu Relatório Fiscal o eminente Auditor destaca a consolidação histórica da movimentação bancaria do contribuinte, onde neste encontrase tabela dando destaque a seqüente dado "TED TRANSF ELETR DISPONIV" em destaque os maiores valores tanto da conta Banco do Brasil quanto Bradesco, o auditor sequer excluiu ou aventou a possibilidade de movimentação entre elas. Só este fato de tratarse de transferência bancária o valor do Banco do Brasil deve ser reduzido em R$ 1.723.812,02 (hum milhão setecentos e vinte e três mil, oitocentos e doze reais e dois centavos), de pronto o suposto crédito anual reduziria para R$ 7.294.191,57 (sete milhões duzentos e noventa e quatro mil cento o noventa e um reais e cinqüenta e sete centavos). Diminuída a renda já declara de R$ 320.527,56 (trezentos e vinte mil quinhentos e vinte e sete reais e cinqüenta e seis centavos), o hipotético crédito anual seria R$ 6.973.664,01 (seis milhões novecentos e setenta e três mil seiscentos e sessenta e quatro reais e um centavo). Como demonstra suas declarações base da sua defesa, o contribuinte cidadão é um fomentador da produção agrícola, em especiais as culturas do cacau, cravo e castanha, durante todo o processo anual de cultivo em que mediante parcerias e arrendamentos, recebe adiantamento de mais variadas fontes compradoras da sua produção, sazonal e cíclica... A constatação 2, faz menção a créditos efetuados em conta corrente durante o ano de 2005. Conforme cópias de declarações em anexo 08 a 13, o referido crédito diz respeito a antecipações de venda de produção agrícola, devidamente retificadas e reconhecidas pelo contribuinte em suas declarações de Imposto de renda, de 2003 a 2008, conforme anexo 08 a 13 e 45 a 69. Portanto, o intimado apresenta suas declarações de retificação (que inclusive tem suas primeiras quotas já recolhidas) e aguarda o fim do termo de fiscalização para, em virtude do esforço financeiro, poder fazer o parcelamento do restante do principal. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2005. A autoridade fiscal constituiu a exigência com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do art. 43 do Código Tributário Nacional2. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que “é fomentador da produção agrícola, em especiais as culturas do cacau, cravo e castanha, durante todo o processo anual de cultivo em que mediante parcerias e arrendamentos, recebe adiantamento de mais variadas fontes compradoras da sua produção”. Assevera ainda que retificou suas Declarações de Ajuste de 2003 a 2008, reconhecendo os valores recebidos. Pois bem, quanto às declarações retificadoras dos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, apresentadas em 09/12/2008, fls. 201/225, verificase que o contribuinte se encontrava sob ação fiscal desde 09/05/2008, conforme Termo de Início de 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000753/200915 Acórdão n.º 2201002.452 S2C2T1 Fl. 4 5 Fiscalização e Aviso de Recebimento – AR (fls. 16/18). Nesses termos, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, conforme assentando na Súmula CARF nº 33, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Quanto à alegação de que os valores foram recebidos a título de adiantamento a produtor rural, portanto não poderiam ser considerados como rendimento do autuado, verifico, pois, que não foi carreado aos autos qualquer documento que indique a origem dos depósitos. Da mesma forma, quanto à alegação de que a autoridade fiscal não excluiu da movimentação as operações intituladas "TED TRANSF ELETR DISPONIV”, constatase que o recorrente, em seu apelo, não indicou, objetivamente, a origem da transferência, razão pela qual não há como acolhêla. Ademais, como bem ponderou a autoridade lançadora no Relatório Fiscal, fl. 13, o contribuinte foi intimado e reintimado a manifestar sobre a origem dos créditos bancários, no entanto, preferiu quedarse silente. Em verdade, além das questões de direito mencionados em sua defesa, o interessado não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Com efeito, era necessário que o fiscalizado carreasse aos autos os documentos que forçosamente lastrearam as operações financeiras em comento, de modo a vinculálos, mediante o cotejo de datas e valores, diretamente aos depósitos bancários efetuados na contacorrente que foram apurados pela autoridade lançadora. A indicação da fonte do recurso, sem outro elemento de prova, é absolutamente insuficiente para comprovar a origem dos diversos créditos havidos em suas contas bancárias. Ressaltese que o contribuinte apresentou sua DIRPF/2006 em 17/04/2006, informando rendimento tributáveis no valor total de R$ 7.800,00, contudo, movimentou recursos em suas contas bancárias no montante R$ 10.741.815,61 (fl. 12). Dessarte, não se constatando nos autos provas documentais contrárias, correta a tributação dos valores como renda omitida. No que tange à qualificação da multa, entendeu a autoridade lançadora que “foi efetuado lançamento com multa de oficio qualificada 150%, devido a prática, em tese, de crime de sonegação fiscal”. Ora, o que foi relatado pelo fiscal nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, simples omissão de rendimentos ou declaração inexata, sem qualquer prova de conduta dolosa. É neste sentido a Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000753/200915 Acórdão n.º 2201002.452 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13558.000753/200915 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.452. Brasília/DF, 17 de julho de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720790/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, declinar da competência em favor da 2ª Seção do CARF.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 15/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALE S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, declinar da competência em favor da 2ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 15/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 79 0/ 20 11 -1 2 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 299 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em razão do provimento integral da impugnação, o que conduziu à exoneração de valor de R$ 74.597.928,90, nos termos do art. 34 do Dec. 70.235/72, tendo em vista a nulidade do auto de infração e do termo de verificação fiscal de fls. 219 a 231. O presente processo tem origem no Mandado de Procedimento Fiscal n. 07.1.85.002011.005682, cujo objetivo era fiscalizar o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo ao anocalendário de 2009. Foram expedidas intimações solicitando informações e documentos, o que foi atendido pela recorrida (fls. 4 e 184). De posse das informações apresentadas, o auditor fiscal identificou um negócio jurídico no qual incidiria o IRRF, qual seja, a aquisição da empresa Rio Tinto Brasil pela recorrida, Vale S/A. Melhor esclarecendo. A empresa Rio Tinto Brasil (RTB) foi adquirida em 2003 pelas empresas Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd (RTBH), sediada na Inglaterra. Na ocasião, a RTBH cedeu 1 (uma) cota da Rio Tinto Brasil à empresa Rio Tinto Brazilian Investiments Ltd (RBTI), também situada na Inglaterra. Em 18/09/2009, as empresas RTBH e RTBI alienaram a empresa RTB à recorrida, que adquiriu a totalidade da participação societária, pelo valor de R$ 434.333.385,80. Nesta operação incide, portanto, o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o ganho de capital auferido pelas alienantes (RTBH e RTBI). O ganho de capital é determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição da empresa Rio Tinto Brasil. Neste caso específico, as empresas alienantes (RTBI e RTBH) situamse no exterior, motivo pelo qual a empresa Vale S/A tornouse responsável pela retenção e repasse do IRRF sobre o ganho de capital (caso existente). É o que esclarecem o art. 3º, da Lei n. 7.713/88, art. 18 da Lei n. 9.249/95 e art. 26 da Lei n. 10.833/03, adiante transcritos: Lei n. 7.713/88. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) [...]. §3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins [...]. Lei n. 9.249/95. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 300 3 Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País. Lei n. 10.833/03. Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere oart. 18 da Lei no9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. Neste sentido, determina o art. 2º, §2º da Portaria MF n. 550/94 que devem ser considerados como custo de aquisição “os valores em moeda estrangeira constantes dos itens de Investimento e Reinvestimento do certificado de registro de capital estrangeiro emitido pelo Banco Central do Brasil”. Entretanto, procurando discutir o critério de definição do custo de aquisição, as empresas RTBH e RTBI impetraram o Mandado de Segurança n. 2009.51.01.0198272 (29ª Vara da Justiça Federal do rio de Janeiro/RJ) (fls. 24 e ss.). As empresas alienantes (RTBH e RTBI) entendem quedeveria ser aplicada a IN 208/02, segundo a qual o custo de aquisição “deve ser comprovado com documentação hábil e idônea” (art. 26, §3º) e, somente na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição será “apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito” (art. 26, §4º). No curso do processo, por força de decisão liminar, a Vale S/A foi intimada a depositar judicialmente o valor de IRRF, levandose em conta o cálculo exigido pelo fisco: Ao ter conhecimento do depósito em juízo realizado pela empresa Vale S/A, o auditor fiscal declarou que foi observado o critério adequado(fl. 225). Todavia, entendeu ser oportuno o lançamento para prevenir a decadência, incluindo a Vale S/A como sujeito passivo, observese: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 301 4 Em face da constituição do crédito tributário em seu desfavor, a recorrida apresentou impugnação argumentando o que segue (fl. 236 e ss.): (i) Ilegitimidade passiva: a lavratura do auto de infração teve como fundamento sua responsabilidade pela retenção e recolhimento do tributo, nos termos do artigo 26 da Lei n° 10.833/04; a responsabilidade da fonte pagadora lhe é atribuída apenas para antecipar o imposto devido pelo beneficiário e existe só em função da disponibilidade transitória da renda de terceiro (o contribuinte), situação que a vincula ao fato gerador da obrigação respectiva; tendo a fonte pagadora efetuado a retenção e recolhimento do tributo, não há hipótese de manutenção de sua responsabilidade por se encerrar a vinculação com a hipótese de incidência, passando o beneficiário a se responsabilizar pela correta apuração do mesmo; portanto, deve ser desonerado o responsável, visto que não é lícito ou justo que este seja responsabilizado pela ausência do recolhimento diante de ordem judicial, uma vez que, retido o tributo, este perdeu a disponibilidade da renda, assim como concluiu a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT n° 2998; após, colaciona acórdão da Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, que já decidiu que a responsabilidade deve ser imputada ao contribuinte e não ao responsável; a Receita Federal do Brasil já reconheceu que o impedimento à retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, desloca a responsabilidade para o contribuinte nos termos do Parecer Normativo n° 1 de 24.09.2002 (DOU de 25.09.2002); a própria autoridade fiscal atesta que são contribuintes as empresas alienantes, respaldando a nulidade do auto de infração pela indicação incorreta do sujeito passivo. (ii) Obrigação legal devidamente adimplida: ao efetuar o lançamento com exigibilidade suspensa, a autoridade fiscal atestou que os contribuintes iniciaram discussão judicial e que foi efetivado depósito do valor integral; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 302 5 o fundamento legal para o lançamento com a exigibilidade suspensa citado no próprio relatório fiscal é o art. 63 da Lei n° 9430/96 e, consoante o disposto, esse é efetuado para evitar a decadência, nas hipóteses dos incisos IV e V do art. 151 do CTN; os referidos incisos trazem as hipóteses de concessão de medida liminar em mandado de segurança e concessão de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial; entretanto, a hipótese dos autos corresponde ao art. 151, II do CTN: suspensão do crédito por força do depósito de seu montante integral; assim, não é lícito à RFB efetuar o lançamento de ofício de crédito suspenso por força de depósito judicial, com fulcro no art. 63 da Lei n° 9430/96; também porque a situação em tela dispensa o próprio lançamento, haja vista sua natureza intrínseca; por fim, a autuada procedeu ao depósito mediante ordem judicial, na qualidade de fonte pagadora, do valor previamente apurado, sendo este declarado como suficiente pela RFB. desta forma, o ciclo de constituição do crédito tributário está completo, não restando ato a ser levado a efeito para preservar o efeito creditório, o que constitui a finalidade última do ato de lançamento. (iii) Ilegitimidade de incidência de juros de mora: o depósito do valor integral do crédito tributário, hipótese prevista no art. 151, II do CTN, tem o condão de afastar definitivamente os efeitos da mora, posto que o depósito necessariamente ficará vinculado à decisão final a ser prolatada; trouxe para corroborar o entendimento diversas decisões da Câmara Superior do antigo Conselho de Contribuintes. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ/RJI declarou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão nº 1243.778 (fls. 274/281) e, portanto, exonerando a recorrida do crédito tributário lançado, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. BENEFICIÁRIA DO RENDIMENTO. LANÇAMENTO. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar o recolhimento do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 303 6 Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão da exoneração do crédito tributário, a autoridade julgadora determinou à fl. 274, recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A União (Fazenda Nacional) apresentou razões de recurso de ofício às fls. 288/296, aduzindo em síntese: (i) o critério pessoal da regra matriz de incidência tributária, no tocante à sujeição passiva, poderá ser composto por contribuinte ou responsável, de acordo com art. 121 do CTN; (ii) no caso de tributação do ganho de capital auferido por domiciliado no exterior, o responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda é o adquirente, pessoa física ou jurídica domiciliada no Brasil, sendo, no presente caso, a Vale S/A o sujeito passivo; (iii) ocorrido este evento, está instaurada a relação jurídica em face do sujeito ativo (União) e sujeito passivo (responsável), sendo que a extinção da referida obrigação ocorrerá apenas por uma das hipóteses previstas em lei, conforme o art. 97 do CTN; (iv) o art. 156 do CTN traz rol taxativo das hipóteses de extinção da obrigação, o que não é permitido pelo depósito do valor integral; (v) sendo assim, o lançamento realizado pela fiscalização é legítimo, pois não está extinto o crédito tributário; (vi) ainda, o Parecer utilizado como um dos fundamentos não diz respeito à mesma realidade que a hipótese dos autos, visto que este analisa o procedimento adotado quando, existindo provimento judicial, a fonte pagadora encontrase impossibilitada de efetuar a retenção. No presente caso, a recorrida efetuou a retenção, apesar de ter sido determinado o depósito judicial do valor, em nome dos contribuintes; (vii) traz outro trecho do Parecer mencionado acima, que dispõe que a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo e que a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que não tenha ela retido o imposto, ressalvadas apenas as hipóteses previstas nos parágrafos 18 a 22, que tratam da impossibilidade de retenção por provimento judicial. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 304 7 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O presente recurso de ofício tem por objeto a exoneração do valor de R$ 74.597.928,90, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte do anocalendário de 2009. A recorrente insurgese alegando que não houve a extinção do crédito tributário, visto que as hipóteses de extinção do crédito estão elencadas no art. 152 do CTN, o qual configura rol taxativo. 1. DA COMPETÊNCIA MATERIAL DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO DO CARF Da análise do processo administrativo, verificase que a lide versa sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre o ganho de capital resultante da alienação da empresa Rio Tinto Brasil pelas empresas RTBI e RTBH para a recorrida. O Regimento Interno do CARF dispõe sobre a competência material das Seções de Julgamento no Anexo III, determinando no art. 3º, inciso II, que compete à 2ª Seção de Julgamento processar e julgar os recursos que versem sobre o IRRF, vejamos: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo (grifo nosso). O artigo 2º, Anexo III, do RICARF determina que caberá à 1ª Seção de Julgamento processar e julgar os recursos que versem sobre o IRRF apenas em duas situações: quando se tratar de antecipação de IRPJ ou quando houver procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, in verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...]III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 305 8 IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ (grifo nosso). Desta forma, concluise que esta Seção de Julgamento é incompetente para julgar o presente processo administrativo, sendo competente a 2ª Seção de Julgamento do CARF, conforme o teor dos artigos 2º e 3º do Anexo III do RICARF transcritos acima. 2. CONCLUSÃO Ante ao exposto, julgo pela declinação de competência a favor da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 19515.002193/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. LANÇAMENTO PROPORCIONAL. ART. 42, § 6º DA LEI Nº 9.430/96.
Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado e, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29.
É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.400
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 110.154,00 e R$ 27.554,00, nos anos-calendário de 2001 e 2002, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento parcial em maior extensão. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia (Relatora), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor quanto a esta última matéria o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cassio Sztokfisz, OAB/SP 257.324.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. LANÇAMENTO PROPORCIONAL. ART. 42, § 6º DA LEI Nº 9.430/96. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado e, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 110.154,00 e R$ 27.554,00, nos anos-calendário de 2001 e 2002, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento parcial em maior extensão. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia (Relatora), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor quanto a esta última matéria o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cassio Sztokfisz, OAB/SP 257.324. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. LANÇAMENTO PROPORCIONAL. ART. 42, § 6º DA LEI Nº 9.430/96. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado e, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 93 /2 00 6- 65 Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 110.154,00 e R$ 27.554,00, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento parcial em maior extensão. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia (Relatora), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor quanto a esta última matéria o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cassio Sztokfisz, OAB/SP 257.324. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 948 e seguintes, lavrado em 16/10/2006, exigese do Contribuinte ISMAR ARLINDO GRECHI ROMANI, o montante de R$ 918.671,28 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 631.706,69 de juros de mora e R$ 689.003,45 de multa de ofício, totalizando R$ 2.239.381,42 (atualizados até a data da autuação) referente ao anoscalendário de 2001 e 2002. O lançamento decorreu em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 941 a 947), o Contribuinte reportou em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA) referente aos anoscalendário 2001 e 2002, rendimentos incompatíveis com sua movimentação financeira, conforme pode ser detectado por intermédio da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). Desta feita, foi iniciado processo fiscalizatório no qual foram solicitados ao Contribuinte os extratos bancários que justificassem a referida movimentação. O Contribuinte logrou êxito na apresentação de alguns, mas houve pendência na apresentação de outros. Assim, a fiscalização solicitou à entidade bancária por meio de Relatório de Movimentação Financeira (RMF), a informação faltante. Após o tratamento das informações pela fiscalização, foi submetido ao Contribuinte sue resultado para que o mesmo justificasse a natureza dos depósitos. Durante o processo de fiscalização, constatouse que algumas contas bancárias tinham como cotitulares a Sra. NANA GRECHI ROMANI (conta: 308293 da agência 02780) e a Sr. ROSÂNGELA MARIA DELFFAÍO ROMANI (conta: 116114 da agência 02780). Logo, as mesmas foram intimadas para terem a oportunidade de justificarem os referidos depósitos. Nem o Contribuinte, nem as cotitulares apresentaram justificativa acerca da natureza do depósito. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 18/10/2006 (fls. 958) e apresentou Impugnação (fls. 970 a 992) em 08/11/2006, com as seguintes alegações, conforme trecho extraído do Relatório da decisão da DRJ: · Nulidade em função do fato de que a autuação fundamentase apenas em extratos bancários, documentos que por si só são incapazes de demonstrar a ocorrência de acréscimo patrimonial. · Alega que os valores descritos nos extratos bancários decorrem em grande medida, de receitas de terceiros e de empréstimos pessoais, não configurando omissão de rendimentos. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 · Acrescenta que auferiu juntamente com terceiros (sua mãe Nana, seu irmão Ivo e sua esposa Rosângela), rendimentos de aluguéis que eram creditados em sua conta corrente no Banco Bradesco e que posteriormente, ele repassava os recursos correspondentes aos outros locadores. · Pretende ele ainda justificar os créditos tributados no presente por meio de empréstimos que tomou, cujos recursos foram creditados em sua conta corrente. · Além dos empréstimos e contratos de aluguel, o requerente alega ainda que parte dos créditos decorrem de lucros distribuídos pela empresa Racional Comércio de Veículos Ltda, conforme comprovante de rendimentos de fl. 1082, no valor de R$40.000,00. · Informa o contribuinte que no exercício de 2001, teria ele vendido à sua mãe Nana Romani 50% da fração ideal de terreno correspondente ao 7o andar do edifício na Rua Fernandes Abreu, n°s 78, 90, 102 e 108 pelo valor de R$ 100.800,00 depositados integralmente em 01/06/2001, tendo sido recolhido o IRPF sobre o ganho de capital. · Acrescenta que no anocalendário de 2001, ele teria vendido um automóvel marca Audi, modelo A8 para Wagner Farid Gattaz, conforme cópia do documento de transferência de veículo de fls. 1106 a 1108, por R$ 60.000,00, creditados em 31/01/2001 e 13/03/2001. · Alega que não teria havido omissão de rendimentos, em virtude da utilização do mesmo dinheiro durante os exercícios de 200le 2002. Esses recursos seriam seu capital de giro, movimentado para a realização dos negócios jurídicos. · Finalmente alega a ilegalidade da taxa SELIC como índice de recomposição patrimonial no âmbito tributário, transcrevendo voto do ministro Franciulli Netto, em acórdão publicado em 16/06/2000 a fim de embasar suas alegações. A 6ª Turma da DRJ/SP2, em 08/12/2010, em decisão de fls. 1134 a 1150, julgou a Impugnação procedente em parte para excluir do lançamento os valores recebidos da Nextel Telecomunicações Ltda. pela locação de imóvel, conforme ementa destacada a seguir: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANOS CALENDÁRIO 2001 E 2002. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. No entanto, devem ser excluídos da tributação os créditos cuja origem foi efetivamente comprovada por meio dos documentos trazidos aos autos. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. O Contribuinte foi notificado da decisão em 11/05/2011 (fls. 1159), tendo apresentado Recurso Voluntário em 10/06/2011 (fls. 1162 a 219) com os seguintes argumentos: · Necessidade da interpretação sistemática do art. 42 da Lei nº 9.430/96 em face do conceito constitucional de renda. Assim, o Fisco deveria diligenciar a fim de verificar se os valores apresentados nos extratos bancários de fato correspondem a acréscimo patrimonial. · Pugna pela nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que o mesmo foi superficial não priorizando a verdade material, sendo o lançamento efetuado com base em suposições. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 4 5 Entende que cabe à fiscalização demonstrar que os referidos depósitos representam acréscimo patrimonial. Acrescenta ser ilegal a cobrança de tributo com base em presunções. · Defende que o lançamento é nulo, pois em relação às contas bancárias em conjunto, cujos co titulares apresentem Declaração de Ajuste Anual (DAA) em separado, não foi efetuado o lançamento proporcional, conforme preconiza o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A integralidade do lançamento foi efetuado na pessoa do Contribuinte. · Afirma que as cotitulares não foram intimadas a apresentar justificativa acerca dos referidos depósitos. Logo, pleiteia a nulidade do lançamento com base na Súmula CARF nº 29. · Pleiteia a decadência do lançamento efetuado em relação ao período de janeiro a setembro de 2001. Entende que a decadência no caso de depósito bancário deve ser mensal e não anual. · No tocante à origem dos depósitos, remete aos argumentos de sua peça impugnatória e justifica que os mesmos se comprovam por receitas auferidas em nome de terceiros e empréstimos pessoais contraídos. · Insurgese quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. Das Preliminares I.1. Necessidade de Diligência da Autoridade Fiscal O Contribuinte alega a necessidade da interpretação sistemática do art. 42 da Lei nº 9.430/96 em face do conceito constitucional de renda. Assim, entende o Contribuinte que o Fisco deveria diligenciar a fim de verificar se os valores apresentados nos extratos bancários de fato correspondem a acréscimo patrimonial. A argumentação levantada pelo Contribuinte não se sustenta a partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Nesta senda, a autoridade tributária não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio) incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorreria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O presente posicionamento já encontrase pacificado na presente Corte conforme enunciado nº. 26 da Sumula do CARF: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Preliminar rejeitada. I.2. Lançamento por Presunção O Contribuinte pugna pela nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que o mesmo foi superficial não priorizando a verdade material, sendo o lançamento efetuado com base em suposições. Entende que cabe à fiscalização demonstrar que os referidos depósitos representam acréscimo patrimonial. Acrescenta ser ilegal a cobrança de tributo com base em presunções. A preliminar de nulidade apresentada pelo Contribuinte não encontra respaldo na legislação pátria vigente. Como exposto anteriormente, após o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não mais cabe à fiscalização comprovar que os depósitos representam acréscimo patrimonial. A presunção é que os depósitos bancários representam acréscimo patrimonial, cabendo ônus ao Contribuinte em comprovar a origem dos depósitos. Nesta linha, já há Súmula do presente órgão – Súmula CARF nº 26 – devendo ser rejeitada essa preliminar. I.3. Ausência de Lançamento Proporcional – Cotitulares Ainda em sede de preliminar, o Contribuinte defende que o lançamento é nulo, pois em relação às contas bancárias em conjunto, cujos cotitulares apresentem Declaração de Ajuste Anual (DAA) em separado, não foi efetuado o lançamento proporcional, conforme preconiza o art. 42, § 6º da Lei nº 9.430/96. A integralidade do lançamento foi efetuado na pessoa do Contribuinte. Não obstante a alegação do Contribuinte, ao compulsar os autos, resta comprovado que o lançamento em relação às contas conjuntas ocorreu proporcionalmente a cada cotitular, conforme disposto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 944 e 945) verificase que os valores considerados pela fiscalização para o lançamento correspondem a 50% do valor depositado nas contas em conjunto, conforme demonstrado a seguir: Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 5 7 Conta Conjunta nº 3082903 (Nana Romani) 2001 Total de Depósitos R$ 622.858,23 Fls. 923 Total Autuado R$ 290.783,80 Fls. 944 Conta Conjunta nº 3082903 (Nana Romani) 2002 Total de Depósitos R$ 414.892,39 Fls. 928 Total Autuado R$ 207.446,21 Fls.945 Conta Conjunta nº 116114 (Rosangela Romani) 2001 Total de Depósitos R$ 16.769,00 Fls. 935 Total Autuado R$ 8.384,50 Fls.944 Conta Conjunta nº 116114 (Rosangela Romani) 2002 Total de Depósitos R$ 15.407,20 Fls. 936 Total Autuado R$ 7.703,60 Fls. 945 Desta feita, considerando que o Contribuinte apenas alegou que o rateio não foi efetuado não apresentando provas que contra argumentem os valores lançados, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada. I.4. Ausência de Intimação dos Cotitulares O Contribuinte afirma que as cotitulares não foram intimadas a apresentar justificativa acerca dos referidos depósitos. Logo, pleiteia a nulidade do lançamento com base na Súmula CARF nº 29. Compulsando os autos, verificase que às fls. 933 e seguintes há intimação da cotitular Sra. Rosangela Maria Delfino Romani, com devido aviso de recebimento assinado às fls 937. No mesmo sentido, às fls. 918, há intimação da cotitular Sra. Nana Romani com aviso de recebimento assinado às fls 929 e 930. Preliminar rejeitada. I.5. Decadência Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 O Contribuinte pleiteia a decadência do lançamento efetuado em relação ao período de janeiro a setembro de 2001. Entende que a decadência no caso de depósito bancário deve ser mensal e não anual. Acerca do tema a Súmula CARF nº 38 já pacificou entendimento no sentido que o fato gerador do IRPF quando lançado com base em depósitos bancários sem origem comprovada é 31 de dezembro do anocalendário. Confirase: “Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Desta feita, o prazo decadencial não deve ser computado mensalmente, mas sim anualmente. Preliminar rejeitada. II. Do Mérito II.1. Origem dos Depósitos Bancários II.1.1. Rendimentos de Aluguel O Contribuinte alega que grande parte dos valores depositados em sua conta corrente (Bradesco) eram referentes a aluguéis. Os referidos valores pertenciam a ele próprio, bem como a sua mãe (Sra. Nana Grechi Romani) e sua esposa (Sra. Rosângela Maria Delfino Romani). Assim, o Contribuinte concentrava o recebimento dos aluguéis em sua conta corrente e depois os distribuía para sua mãe e esposa, que recebiam tais valores em suas contas conjuntas. Por esse cenário, o Contribuinte defende que apenas a parcela da qual é beneficiário que deve ser considerada como renda e afirma que o foi, tendo em vista que o rendimento foi reportado em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) e o imposto recolhido. Para comprovar os aluguéis recebidos, o Contribuinte apresentou, em sede de Impugnação, contratos de locação firmados com os seguintes locatários: ALCA ATACADISTA ALIMENTOS LTDA., COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA.; SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA., SR. JOÃO FERNANDO LIMA ABREU; SR. LOURIVAL DE OLIVEIRA TEOTÔNIO, LESTE PAINÉIS, SR. PAULO FAVANO e SR. OLAVO LEAL DE CARVALHO GUERREIRO. Além disso, o Contribuinte vinculou cada aluguel recebido com os extratos bancários utilizados pela fiscalização para promover a autuação e os valores são coincidentes. A DRJ decidiu por não considerar os contratos de locação apresentados como documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos, pois os mesmos não se encontram registrados em cartório. Confirase trecho da decisão da DRJ: “Quanto aos contratos de aluguel apresentados de fis. 1001 a 1026 de fis. 1049 a 1067, há que se esclarecer que nenhum deles foi registrado e, por esta razão, faz prova somente entre as partes e não tendo valor perante o Fisco, conforme dispõe o caput do artigo 221 do Código Civil abaixo transcrito. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 6 9 Ademais, com exceção do contrato firmado com a Nextel, não foi possível fazer a necessária vinculação entre o crédito que pretende comprovar com o locatário do imóvel, por meio de DOCs, depósitos em cheques, transferências bancárias em que conste a identificação do depositante, etc. Transcrevemos o artigo 221 do Código Civil, que trata da necessidade de registro público dos contratos: "Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprirse pelas outras de caráter legal." (grifo nosso).” Compulsando os autos, verificase que para o anocalendário de 2001, o Contribuinte ofereceu à tributação os valores (proporcionais) de aluguel recebidos das empresas SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA. (R$ 6.600,00), COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00). Em relação às pessoas físicas e as demais empresas locatárias não consta na Declaração de Ajuste Anual (ano calendário 2001) reporte da renda auferida a título de aluguel. Para o anocalendário de 2002, verificase que o Contribuinte ofereceu à tributação dos valores (proporcionais) de aluguel recebidos da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e reportou como rendimento tributável recebido de pessoa física R$ 20.000,00 que alega ser dos locatários pessoas físicas. Em relação aos demais locatários não consta na Declaração de Ajuste Anual (ano calendário 2002) reporte da renda auferida a título de aluguel. Não obstante o entendimento da DRJ, entendo que os referidos contratos de locação são válidos para comprar a origem dos depósitos bancários. A um porque, apesar de não registrados em cartório, possuem reconhecimento das firmas dos signatários dos mesmos à época de sua execução. A dois porque há coincidência dos valores informados nos contratos e aqueles depositados na conta corrente do Contribuinte. A três porque a forma do recebimento dos aluguéis na figura do Contribuinte que posteriormente distribui entre sua mãe e esposa é plenamente factível e corriqueira, tendo em vista as relações familiares. A quatro porque, ao meu ver, não resta necessário o registro em cartório para que um contrato de locação tenha validade perante o Fisco. O Fisco tem aparatos necessários para verificar se o contrato de locação é adimplido como tal e de forma correta. Assim, não é o registro do contrato de locação em cartório que o faz ser uma locação para fins fiscais, os demais elementos de prova são suficientes para comprovar que de fato a locação existe. Apesar de comprovada a origem dos depósitos, é importante destacar que tais rendimentos não foram reportados como tributáveis pelo Contribuinte quando da confecção de sua Declaração de Ajuste Anual (anos calendário 2001 e 2002). Desta feita, como as provas que justificam a comprovação do aluguel não foram trazidas pelo Contribuinte durante o processo de fiscalização, mas apenas quando da apresentação da Impugnação, o Contribuinte acabou por prejudicar que a fiscalização efetuasse o lançamento corretamente, ou seja, ao invés depósito bancário, como rendimento recebido de Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 aluguel art. 42, § 7º da Lei nº 9.430. Logo, resta mantido o lançamento em relação aos valores que não foram reportados na Declaração de Ajuste Anual. Portanto, entendo que devem ser excluídos da base de cálculo do imposto os valores dos aluguéis reportados na DAA (anos calendário 2001 e 2002), quais sejam: (i) para o ano calendário de 2001 SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA. (R$ 6.600,00), COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e (ii) para o ano calendário de 2002 COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e R$ 20.000,00 recebidos dos locatários pessoas físicas. II.1.2. Empréstimos Pessoais O Contribuinte também afirma que parte dos depósitos em sua conta bancária são referentes a empréstimos pessoais tomados pelo mesmo, e, por isso, não configuram renda tributável. Apresenta no Recurso Voluntário listagem de nomes, valores e datas dos empréstimos tomados. Alega, ainda, que não pode apresentar mais documentação acerca das operações de empréstimos, pois as mesmas são muito antigas, fato que dificulta a obtenção de documentação. A decisão da DRJ entendeu que o Contribuinte não apresentou prova hábil e idônea que comprove a contratação dos referidos empréstimos. Confirase trecho de decisão da DRJ: “Quanto aos empréstimos, há que se esclarecer que não há prova alguma da concretização dos mesmos. Os documentos de fls. 1072, 1074, 1076, 1078 e 1080 são Notas Promissórias emitidas pelo próprio contribuinte que não fazem prova do empréstimo supostamente contratado. Uma delas nem está assinada por ele (fl. 1076). Tratase somente de uma declaração do próprio contribuinte comprometendose a pagar um valor a uma determinada pessoa. Tal documento não é hábil a comprovar a origem dos créditos que o contribuinte aponta como sendo relativos aos empréstimos. De fato, os históricos constantes nos extratos não trazem a necessária vinculação com os depositantes e, por esta razão não serão considerados comprovados. Acrescentese a isto o fato de que, com exceção do empréstimo supostamente tomado com sua mãe Nana Grechi Romani, o total identificado pelo contribuinte como sendo proveniente de empréstimos não guarda relação com os valores que alega ter tomado Emprestado (...)”, Em face do exposto nos autos, verificase que o Contribuinte não logrou êxito em comprovar a contratação dos empréstimos por meio de documentação cabível. O Contribuinte alega a contratação dos empréstimos e apresenta correlação de datas, valores e nomes, porém não junta qualquer outro documento que comprove a operação, apenas Notas Promissórias, algumas despidas de reconhecimento de firma e as demais com reconhecimento de firmas efetuadas na mesma data em 2006, muito posterior à contratação dos alegados empréstimos. Desta feita, considerando que resta necessário para comprovação da origem dos depósitos bancários documentação hábil e idônea e esta não foi apresentada pelo Contribuinte, o lançamento deve ser mantido nesse aspecto. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 7 11 II.1.3. Distribuição de Lucros O Contribuinte argumenta que alguns depósitos têm como origem a distribuição de lucros, isentos de IRPF, conforme disposição legal. Alega que recebeu da empresa RACIONAL COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA. o valor de R$ 40.000,00 a título de dividendos distribuídos, nas seguintes datas e valores: em 23/08/2001 (R$ 1.000,00 e R$ 25.000,00), em 18/09/2001 (R$ 9.000,00) e em 20/11/2001 (R$ 5.000,00). Verificando a DAA do Contribuinte referente ao ano calendário de 2001, constatase que o valor declarado como “lucros e dividendos recebidos” é de R$ 36.000,00, conforme Informe de Rendimentos emitido pela RACIONAL COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA. (fls. 1088). Há Informe de Rendimentos da esposa do Contribuinte (Sra. Rosângela Romani) emitido pela mesma pessoa jurídica, tendo como informado o montante de R$ 4.000,00 como “lucros e dividendos recebidos”. Importante mencionar que o Contribuinte não apresenta Declaração de Ajuste Anual em conjunto com a esposa. Além disso, verificandose os extratos bancários, constatase que há depósitos de identidade de data e valor, conforme informado pelo Contribuinte. Desta feita, entendo que o valor de R$ 36.000,00 deve ser excluído da base de cálculo do ano calendário de 2001 por restar comprovada a origem e a mesma ser isenta de IRPF (lucros e dividendos distribuídos). II.1.4. Alienação de Imóveis O Contribuinte argumenta que um depósito tem como origem o valor obtido em face da alienação de imóvel, cujo ganho de capital já fora oferecido à tributação. Tratase da alienação de 50% da fração ideal do terreno vendido a Sra. Nana Romani pelo valor de R$ 100.800,00, depositados em sua conta corrente em 01/06/2001. Verificandose a DAA (ano calendário de 2001), constatase que não foi reportado tributação sobre o ganho de capital em alienação de imóveis, conforme reporta o Contribuinte. Além disso, verificandose os extratos bancários, constatase que houve depósito no referido valor na mencionada data (R$ 100.800,00). Com base na documentação apresentada pelo Contribuinte, verificase que, apesar de o mesmo informar na Impugnação que junta cópia do contrato de compra e venda do imóvel como “documento 07”, o mesmo não consta nos autos do processo. Desta feita, apesar de haver identidade entre o valor recebido na data mencionada pelo Contribuinte, não há prova capaz de justificar a origem do referido depósito, a um porque não há nos autos cópia do contrato de compra e venda do referido imóvel e a dois porque não foi reportado na DAA do ano calendário de 2001 tributação com base no ganho de capital apurado na venda do imóvel, conforme alegado pelo Contribuinte no Recurso Voluntário. Logo, a autuação deve ser mantida nesse aspecto. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 II.1.5. Alienação de Veículo O Contribuinte argumenta que alguns depósitos têm como origem o valor obtido em face da alienação de veículo, na qual foi apurado prejuízo (perda de capital), sem impacto tributário. Tratase da alienação de veículo usado no ano calendário de 2001 no valor de R$ 60.000,00, cuja metade do valor recebeu em depósito em 31/01/2001 e a outra metade em 13/03/2001. Além disso, verificandose os extratos bancários, constatase que há depósito de idêntico valor nas datas indicadas pelo Contribuinte. A argumentação da DRJ para negar procedência ao pleito do Contribuinte foi no sentido de que a transferência de titularidade do automóvel apenas ocorreu em período seguinte, logo não poderia considerar tal depósito como vinculado à venda do mesmo. Ouso discordar do entendimento da DRJ, por se tratar de bem móvel, a transferência da propriedade ocorre com a tradição e não a alteração de título de propriedade veicular perante o órgão de trânsito. Desta feita, tendo em vista que o Contribuinte logrou êxito em identificar o bem, que fora reportado no balanço de abertura da sua DAA (ano calendário 2002) e depois retirado no balanço final, bem como o montante pelo qual alega ter alienado o veículo possui identidade de data aos depósitos bancários em sua conta corrente, acredito que restou comprovado a origem dos recursos e que os mesmos não são passives de tributação por se tratar de alienação com apuração de perda de capital. II.2. Incidência dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício O Contribuinte em antecipação já defende a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, em razão da ausência de respaldo legal, bem como se tratar de uma dupla penalização. A cobrança de juros sobre multa de oficio ocorre em face do Parecer MF nº. 28, de 02.04.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), cuja conclusão deixa exposto que: “O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos.” Contudo, essa conclusão parte de uma exegese equivocada, porquanto o art. 61 da Lei nº 9.430/96 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de oficio, que não são espécie tributária, conforme previsão do art. 3º do Código Tributário Nacional. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 8 13 Assim, entendo não ser cabível a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: i. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2001 os rendimentos recebidos da SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA. (R$ 6.600,00), COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00). ii. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2002 os rendimentos recebidos da COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e R$ 20.000,00 recebidos dos locatários pessoas físicas. iii. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2001 o valor de R$ 60.000,00 referente à alienação de veículo usado com apuração de perda de capital. iv. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2001 o valor de R$ 36.000,00 por restar comprovada a origem como rendimento isento (lucros e dividendos distribuídos). v. Excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Não obstante brilhante voto proferido pela insigne Nathália Mesquita Ceia, peço vênia para discordar de seu entendimento, somente em relação aos juros sobre a multa de ofício. No que tange à incidência dos juros sobre a multa, penso que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa, já que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Esse entendimento possui precedentes neste Órgão Administrativo, consoante se verifica das ementas transcritas: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138– 1ª Seção. 2ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) ... JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.” (Acórdão 140100.155 – 1ª. Seção. 4ª. Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). No mesmo sentido é a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF Nº 910100.539, em Sessão de 11 de março de 2010) ... JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 9 15 Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10980.017942/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 2201-002.372
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 79 42 /2 00 8- 50 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Contra o contribuinte Wagner Augusto Illith Bauer, já qualificado nos autos, foi efetuado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 38) de R$ 142,73, sobre o qual incide multa de ofício e juros de mora, decorrente da glosa de despesas médicas, apurada em revisão interna da declaração de saída definitiva do país. No levantamento da base de cálculo, a auditoria, conforme relatado na “descrição dos fatos” do Auto de Infração, verificou que o contribuinte teria informado a condição de não residente em 30 de abril de 2003, efetuando a apuração do imposto com base na tabela progressiva mensal vigente no ano calendário 2003, calculada no período de quatro meses. E que, diante da não apresentação dos documentos solicitados, foi procedida a glosa das despesas médicas no montante de R$ 3.012,00. O contribuinte apresentou impugnação alegando que por motivos de mudanças constantes de endereço, devido a sua atividade profissional, não teria sido possível localizar, a tempo, todos os comprovantes solicitados na intimação, e que, em 2009, recebera duas autuações, a primeira referente à glosa de despesas médicas e imposto suplementar compensado com a restituição, e a segunda referente à multa por atraso na entrega da declaração, pretensa penalidade sobre obrigação cumprida a mais de cinco anos, portanto, abrangido pelo instituto da decadência, com base no art. 173, parágrafo único do CTN, bem assim, do pagamento, nos casos de saída definitiva, com base no art. 855 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba (PR), por unanimidade de votos, em rejeitou a preliminar de decadência, e, no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo a exigência consignada na autuação. Cientificado em 13 de setembro de 2011 (fl. 85), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês subsequente (fls. 86/88) arguindo que: a) Como funcionário da Kraff Food Brasil foi deslocado para integrar o quadro funcional da empresa na Costa Rica e que, em decorrência disso, apresentou a declaração de saída definitiva do país; b) Em outubro de 2008 recebera um pedido de esclarecimento sobre a dedução de despesas médicas, porém, em função das constantes mudanças de endereço, informou não ter encontrado a documentação solicitada; c) A declaração de saída definitiva do País contemplava o ciclo completo da obrigação jurídicotributária, com a declaração de ajuste/prestação de contas e a quitação do crédito tributário, e que a entrega da declaração de saída não distingue exercício de anocalendário; e d) À época havia uma restituição de R$ 685,57 e que se houvesse crédito tributário, esse teria obrigatoriedade de quitação imediata, portanto, teria sido abrangido pela decadência nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Por fim, pede que seja declarada improcedente a ação fiscal que deu origem ao crédito tributário apurado. Relatório Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.017942/200850 Acórdão n.º 2201002.372 S2C2T1 Fl. 102 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O recorrente questiona a decadência do lançamento alegando que o imposto fora apurado na declaração de saída definitiva do país, referente ao ano 2003, cuja ação fiscal iniciouse apenas em 22 de setembro de 2008. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte enviou a declaração de saída definitiva do país à Receita Federal do Brasil em 4 julho de 2003, onde comunicou a condição de não residente a partir de 30 de abril de 2003, e foi autuado em 29 de dezembro de 2008. Para que se cheque a uma conclusão, dois pontos precisam ser esclarecidos: o primeiro, a data de ocorrência do fato gerador do imposto de renda no caso de saída definitiva do país; e o segundo, qual dispositivo legal a ser aplicado em relação à contagem do prazo decadencial. A legislação tributária obriga a pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano calendário à apresentação imediata da nova declaração dos rendimentos do período de 1º de janeiro até o momento anterior à saída do país, conforme consolidado no art. 16 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999): Art. 16. Os residentes ou domiciliados no Brasil que se retirarem em caráter definitivo do território nacional no curso de um anocalendário, além da declaração correspondente aos rendimentos do anocalendário anterior, ficam sujeitos à apresentação imediata da declaração de saída definitiva do País correspondente aos rendimentos e ganhos de capital percebidos no período de 1º de janeiro até a data em que for requerida a certidão de quitação de tributos federais para os fins previstos no art. 879, I, observado o disposto no art. 855 (Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, art. 17). § 1º O imposto de renda devido será calculado mediante a utilização dos valores da tabela progressiva anual (art. 86), calculados proporcionalmente ao número de meses do período abrangido pela tributação no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 15). § 2º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos após o requerimento de certidão negativa para saída definitiva do País ficarão sujeitos à tributação exclusiva na fonte ou definitiva, na forma deste Livro, e, quando couber, na prevista no Livro III (Lei nº 3.470, de 1958, art. 17, § 3º, Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 78, incisos I a III, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 18). § 3º As pessoas físicas que se ausentarem do País sem requerer a certidão negativa para saída definitiva do País terão seus rendimentos tributados como residentes no Brasil, durante os primeiros doze meses de ausência, observado o disposto no § 1º, e, a partir do décimo terceiro mês, na forma dos arts. 682 e 684 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "b", e Lei nº 3.470, de 1958, art. 17). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Da mesma forma, o pagamento da obrigação tributária é a data da entrega da declaração, conforme dispõe o art. 855 do citado Decreto: Art. 855. O pagamento do imposto nos casos de saída definitiva do País e de encerramento de espólio deverá ser efetuado na data prevista para a entrega da respectiva declaração de rendimentos (Lei n º 8.218, de 1991, art. 29). À época do fato gerador, a questão da entrega da declaração era normatizada pela IN SRF 208/2002, que, em seu art. 9º, inciso I, definia a data de saída do Brasil como o termo para cumprimento da obrigação, como se vê abaixo: Art. 9º A pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano calendário deve: I apresentar, até a data da saída do Brasil, a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em tenha permanecido na condição de residente no Brasil no ano calendário da saída, bem assim as declarações correspondentes a anos calendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues; Apesar de o contribuinte apresentar sua declaração após a data de saída definitiva país, não cumprindo de “imediato” o comando legal, a entrega ocorreu antes do final do exercício corrente. O teor das normas citadas leva a conclusão de que a data de ocorrência do fato gerador se dá na saída definitiva do país, que, neste caso, é 30 de abril de 2003. Em relação à decadência, a questão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos. Em decisão proferida no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), de 12 de agosto de 2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, o Tribunal expressou o entendimento de que, quando cabe ao próprio beneficiário proceder ao recolhimento do imposto em prazo específico, caracterizadamente em um lançamento por homologação, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme a ementa abaixo parcialmente transcrita: Ementa: [...] Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. [...] II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. [...] (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) Nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, a decadência ocorre em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, como no caso em análise houve retenção do imposto de renda e não há evidencias de fraude, dolo ou simulação, a revisão de lançamento do imposto sobre os rendimentos auferidos e declarados em 2003, em decorrência da saída definitiva do país, deveria ter sido encerrada em 1º de maio de 2005, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Como o contribuinte foi cientificado do lançamento em 29 de dezembro de 2008 (fl. 44), estava decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.017942/200850 Acórdão n.º 2201002.372 S2C2T1 Fl. 103 5 Diante do exposto, voto em dar provimento ao recurso do contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.372, referente ao processo nº 10980.017942/200850. Brasília/DF, (ASSINADO DIGITALMENTE) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10865.000033/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62-A do RICARF por tratar-se de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie trata-se de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão refere-se à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314.
Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa.
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62-A do RICARF por tratar-se de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie trata-se de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão refere-se à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314. Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
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Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62A do RICARF por tratarse de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie tratase de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão referese à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314. Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em exercício. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e Relator), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 03 3/ 20 06 -3 7 Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.216 ___________ Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão 0114.249 – 2ª Turma da DRI/BEL, que julgou procedente o lançamento lavrado contra o sujeito passivo, acima identificado, foi lavrado auto de infração de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, referente aos anos calendários 2000 a 2003, R$ 1.094.997,91, fls. 04/20. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, após regular intimação do contribuinte. Segundo Termo de Verificação de fls. 13/20, o contribuinte apresentou como justificativa para os depósitos bancários em suas contas correntes: seriam provenientes de clugUis de terceiros (familiares e amigos) que transitaram em suas contas devido aos serviços de cobrança que executava de forma gratuita, e que a seguir eram , repassados aos beneficiários. Mas, não houve a coincidência de datas e valores entre os valores listados na planilha do contribuinte (fls. 244/256) e os depósitos, e não houvç a apresentação de documentos que corroborasse a afirmação do contribuinte. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 153/180, em que elenca, em resumo, as seguintes reclamações: a) O fato gerador do imposto de renda pessoa física é mensal. Como o lançamento regese pelo art. 150, § 4 0, do CTN, decaiu o direito do Fisco lançar tributos; b) A alteração introduzida pela lei 10.174/2001, respeitado o princípio da anualidade, só terá eficácia a partir do dia 1° de janeiro de 2002; c) Depósitos bancários não representam aquisição de disponibilidade econômica; d)Não houve a análise individualizada dos depósitos bancários; e) A taxa Selic não pode ser utilizada para a cobrança de juros de mora. ; f) A lei 10.174/2001 é inconstitucional; g) A quebra do sigilo bancário do contribuinte não se subsume a nenhuma das hipóteses elencadas no art. 30 do Decreto 3.724/01; h) Eventuais valores tributados como omissão de receita em determinado mês são considerados como saldo disponível no mês seguinte. i) os depósitos bancários em suas contas correntes são provenientes de aluguéis de terceiros (familiares e amigos) que transitaram em suas contas devido aos serviços de cobrança que executava de forma gratuita, e que a seguir eram repassados aos beneficiários. j) Requer perícia e eventual juntada de provas. A DRJ proferiu decisão assim ementada: Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.217 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores Creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte Inconformado o contribuinte recorre reafirmando os argumentos da impugnação. Posteriormente, o contribuinte protocolou petição desistindo parcialmente do recurso. É o relatório do necessário. Voto. Inicialmente, tendo em vista a desistência parcial do recurso, entendo que o presente feito deve ser baixado para à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. Contudo o presente feito trata da constitucionalidade da quebra de sigilo bancário, bem como a utilização de dados da CPMF é matéria que teve a sua repercussão geral reconhecida nos autos do Recurso extraordinário 601.314 em 22 de outubro de 2009, aguardando estes autos julgamento pelo STF, in verbis: RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 DJe218 DIVULG 1911 2009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Por outro lado, o mesmo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389808, que versa sobre a mesma matéria, em sessão plenário decidiu ser inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem a intervenção do Poder Judiciário, nos seguintes termos: RE 389808 / PR PARANÁ RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 15/12/2010 Órgão Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.218 4 Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218Parte(s) SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Ocorre aqui a seguinte dúvida, poderia o Supremo Tribunal Federal, julgar o RE nº 389808, antes do julgamento do RE 601314 que estava em regime de Repercussão Geral? Entendo que tal possibilidade havia até o advento da Emenda Regimental nº 42. Analisando o Regimento Interno do A. STF verificase que a supra citada alteração Regimental, de 2 de dezembro de 2010, publicada no Dje de 7 de dezembro de 2010, procurou solucionar eventuais conflitos determinando a prevenção do relator do caso paradigma nos seguintes termos: “Art. 325A. Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuídos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema.” Ocorre que o Ministro Marco Aurélio já havia pedido a inclusão do RE nº 389808 em pauta de julgamento, antes mesmo da deliberação administrativa que resultou na supra citada Emenda Regimental. Considerando que a regra é de que a lei processual seja aplicada tão logo entre em vigor, ou seja, tempus regit actum (o tempo rege o ato) deverseia perquirir se se trata de nulidade do julgado ou se ao caso deve prevalecer o juiz natural, ou mesmo ainda se ao ato de julgamento se aplicaria tal regra por ser ato complexo. Não vejo no caso qualquer tipo de nulidade. Isso porque não houve julgamento por órgão distinto, ambos os casos deveriam ser julgados pelo tribunal pleno o que ocorreu no no julgamento do RE nº 389808. Além disso também participou do julgamento o Ministro relator do leading case, que inclusive fez declaração de voto. Além disso, o ato de julgamento não é ato instantâneo, mas um verdadeiro procedimento que ao meu ver tem o seu início com o pedido de dia. Ademais, a nova regra regimental deve ser aplicada aos novos casos em que a repercussão geral for reconhecida e não aos anteriores. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.219 5 O próprio Supremo Tribunal Federal vem negando monocraticamente seguimento aos recursos com o mesmo tema, in verbis: RE 410054 / MG MINAS GERAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI Julgamento: 18/10/2011 Publicação DJe204 DIVULG 21/10/2011 PUBLIC 24 (...) Já se pacificou, neste Supremo Tribunal Federal, o entendimento segundo o qual a pretendida quebra de sigilo bancário de particulares depende de prévia e fundamentada liberação por parte da autoridade competente. Nesse sentido, confirase: “1. RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Instituições Financeiras. Sigilo bancário. Quebra. Requisição. Necessidade de autorização judicial ou decisão de Comissão Parlamentar de Inquérito, ambas devidamente fundamentadas. Jurisprudência assentada. Ausência de razões novas. Decisão mantida. Agravo regimental improvido. Negase provimento a agravo regimental tendente a impugnar, sem razões novas, decisão fundada em jurisprudência assente na Corte. 2. RECURSO. Agravo. Regimental. Jurisprudência assentada sobre a matéria. Caráter meramente abusivo. Litigância de máfé. Imposição de multa. Aplicação do art. 557, § 2º, cc. arts. 14, II e III, e 17, VII, do CPC. Quando abusiva a interposição de agravo, manifestamente inadmissível ou infundado, deve o Tribunal condenar a agravante a pagar multa ao agravado” (RE nº 243.157/MSAgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 1º/2/08). Tal posição foi referendada pelo Plenário desta Corte, mais recentemente, quando a apreciação do recurso supra mencionado, cuja ementa se transcreve: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo àReceita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte” (RE nº 389.808/PR, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJe de 10/5/11). RE 555112 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. AYRES BRITTO Julgamento: 22/09/2011 Publicação DJe195 DIVULG 10/10/2011 PUBLIC 11/10/2011 DECISÃO: vistos, etc. Tratase de recurso extraordinário, interposto com suporte na alínea “a” do inciso III do art. 102 da Constituição Republicana, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Acórdão assim ementado (fls. 120): Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.220 6 “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. RESERVA DE JURISDIÇÃO. DADOS DE TERCEIROS. HONORÁRIOS. Afirmada a reserva de jurisdição, com o conseqüente reconhecimento de vício na quebra de sigilo bancário determinada diretamente pela autoridade administrativa sob a égide da Lei 8.021/90. Ademais, o art. 8º da Lei nº 8.021/90 diz respeito à quebra do sigilo do contribuinte e não de terceiros. Vício na quebra também por ter alcançado os diretores da sociedade sem procedimento de fiscalização relativo a eles, com evidente confusão entre a sociedade e a pessoa de seus sócios. O art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 881 do RIR/94 não autorizam quebra de sigilo de terceiros sem que contra eles seja dirigido procedimento fiscal. Majorados os honorários para 2% sobre o valor atualizado da causa em razão do seu vulto.” 2. Pois bem, a parte recorrente alega violação aos incisos X e XII do art. 5º da Magna Carta de 1988. 3. Tenho que a insurgência não merece acolhida. É que o entendimento da instância judicante de origem afina com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que me parece juridicamente correta. Leia se, nesse mesmo sentido, a ementa do RE 389.808,da relatoria do ministro Marco Aurélio: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” Ante o exposto, e frente ao caput do art. 557 do CPC e ao § 1º do art. 21 do RI/STF, nego seguimento ao recurso. Publiquese. Brasília, 22 de setembro de 2011. Ministro AYRES BRITTO Relator RE 387604 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 23/02/2011 Publicação DJe049 DIVULG 15/03/2011 PUBLIC 16/03/2011 DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.221 7 Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.222 8 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientouse que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF” (Informativo n. 613). O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Por outro lado, consultando o andamento do RE nº 389808 junto ao site oficial do A. Supremo Tribunal Federal, verifico que foram opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, não tendo transitado em julgado o feito. Nesta esteira, em que pese o tratamento que vem sendo dado ao tema pelo próprio STF, entendo que o julgamento do presente processo deve ser sobrestado até o julgamento final dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional nos autos do RE Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 10865.000033/200637 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.062 S2C2T1 Fl. 1.223 9 nº 389808, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.”. Diante do exposto, proponho sobrestar o processo tendo em vista o disposto no art. 62A do RICARF por tratarse de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. No caso em espécie tratase de lançamento decorrente de movimentação de depósitos bancários cuja questão referese à constitucionalidade, ou não, do art. 6º da lei complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. conforme Leading Case RE 601314. Como providência, devolver à unidade de origem para que seja apartada a parte do crédito tributário em relação à qual houve renúncia por parte da defesa. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE
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Numero do processo: 10120.012545/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SOBRA DE RECURSOS. SÚMULA CARF Nº 30.
Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, sendo que não se pode admitir a transferência do montante tributado em um mês como origem de recursos para o mês seguinte, por ausência de amparo legal e, ainda, pela falta de comprovação de que tais valores foram sacados e novamente depositados no mês subsequente.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL.
Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade.
Numero da decisão: 2201-002.406
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SOBRA DE RECURSOS. SÚMULA CARF Nº 30. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, sendo que não se pode admitir a transferência do montante tributado em um mês como origem de recursos para o mês seguinte, por ausência de amparo legal e, ainda, pela falta de comprovação de que tais valores foram sacados e novamente depositados no mês subsequente. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL. Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SOBRA DE RECURSOS. SÚMULA CARF Nº 30. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, sendo que não se pode admitir a transferência do montante tributado em um mês como origem de recursos para o mês seguinte, por ausência de amparo legal e, ainda, pela falta de comprovação de que tais valores foram sacados e novamente depositados no mês subsequente. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL. Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 25 45 /2 00 8- 11 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 472, lavrado em 08/10/2008, exigese do Contribuinte SALVADOR SYDNEY FARINA FILHO o montante de R$ 2.882.199,86 de imposto sobre a renda da pessoa física, R$ 1.494.611,61 de juros de mora e R$ 2.161.649,89 de multa de ofício, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, exercício 2004 e 2005, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 24/10/2008 (AR Postal fls. 485), tendo apresentado Impugnação, tempestiva, em 25/11/2008 (fls. 498), na qual expõe, em síntese, os motivos de fato e direito que se segue: · Como a matéria que sustenta o presente auto de infração referese ao IRPF relativo ao ano calendário de 2003, indubitavelmente que o direito da Fazenda Pública constituir o lançamento relativamente ao período de janeiro a outubro, inclusive, do ano de 2003, está sepultado pela decadência, por se tratar de fato gerador mensal, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN que determina o prazo decadencial de 05 anos, contados da ocorrência do fato gerador, isto porque o auto somente foi formalizado no dia 24/10/2008, com a ciência do contribuinte:. · Ressalta que a autuação baseouse exclusivamente em levantamentos procedidos nos extratos das contas bancárias do Contribuinte, cujos depósitos foram listados e "planilhados" pela fiscalização, tendo sido elaborado um quadro demonstrativo. · Os depósitos ou créditos feitos nas contas bancárias não refletem, obrigatoriamente, rendimentos omitidos. É absolutamente impertinente inquinarse de "omissão de rendimentos", sem outros indícios concludentes, créditos em contas bancárias sem pelo menos considerar os valores declarados no período examinado. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012545/200811 Acórdão n.º 2201002.406 S2C2T1 Fl. 3 3 · Nesse sentido, o artigo 849 do RIR/99 e artigo 1º da MP n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002 (fundamento legal da autuação) não servem para sustentar a ação fiscal, pois, para fundamentar validamente a autuação, é imprescindível que o Fisco comprove a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. · O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimento. Aliás, este entendimento (de ilegitimidade do lançamento baseado unicamente em extratos bancários) já vinha imperando, por reiteradas vezes, nossos tribunais fiscais e judiciais, quando ainda vigorava a Lei n° 8.021/90, que em seu artigo 6°, regulava a matéria debatida neste processo. · Os dispositivos em que o Fisco fundamenta a autuação (artigos 849 do RIR199 e 1º da MP 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/02) não passam de uma reprodução do § 5º, do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado por nossos tribunais pátrios, tanto na órbita administrativa quanto na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar os depósitos bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo para autuação fiscal. Portanto, na prática a legislação não mudou. · No caso do Contribuinte, o que levou o Fisco a constituir o lançamento foi, única e exclusivamente, a existência de depósitos nas contas bancárias examinadas. Não se preocupou a autoridade fiscal lançadora em comprovar que tais depósitos resultaram em aumento patrimonial, com a aquisição de bens ou consumo com pagamento de terceiros, serviços etc. · Dentre as ocupações exercidas pelo Contribuinte, também está a de pecuarista, sendo as vendas de rebanho bovino efetuadas, mais das vezes, feitas a frigoríficos ou mesmo para outros agropecuaristas, cujas receitas transitavam regularmente por suas contas bancárias. · Por ser bastante conhecido na região, onde atua já há mais de 10 anos, em muitos casos, terceiras pessoas encaminham gado para abate em determinados frigoríficos e autorizam a proceder aos depósitos das quantias referentes a tais vendas nas contas bancárias por ele movimentadas. Portanto, como se observa, as contas bancárias auditadas pelo Fisco jamais foram movimentadas somente pelo Contribuinte, o que será provado oportunamente, já que no prazo para apresentação desta peça de defesa não foi possível a juntada. · Durante o período fiscalizado, o Contribuinte promoveu também nas contas correntes, inúmeros saques, que totalizaram a quantia de R$ 336.326,72, no anocalendário 2003 e R$ 84.737,75, no anocalendário 2004, os quais, evidentemente, serviram de recursos para depósitos posteriores nas mesmas contas correntes, conforme se verifica das planilhas anexas. · Ainda, nos anoscalendário fiscalizados, houve recebimento de receitas da atividade rural que, embora momentaneamente não seja possível juntar tais provas, uma vez que foram encontrados apenas controles pessoais e anotações paralelas, contudo, está diligenciando no sentido de obter os documentos necessários à prova pretendida e desde já protesta pela juntada posterior, em homenagem aos princípios do contraditório e ampla defesa, consagrada constitucionalmente. · E, por se tratar de receita preponderante da atividade rural estas devem ser consideradas ao longo de todo o respectivo anocalendário na medida de seus recebimentos. · Transitaram ainda pelas contas correntes do Contribuinte, vários depósitos ao longo dos anos calendário de 2003 e 2004, que se tratavam, mais das vezes, de empréstimos emergenciais de pessoas físicas e/ou de pessoas jurídicas, cujos comprovantes estão sendo providenciados. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Também os rendimentos declarados regularmente em suas DIRPF's dos anoscalendário de 2003 e 2004, devem servir como origem dos recursos para fazer face aos depósitos nas contas bancárias. · Também parte dos recursos que resultaram em créditos nas contas bancárias examinadas tiveram origem em cheques emprestados por amigos e parentes para custódia em bancos para levantamento de recursos capital de giro , também não raras vezes, o autuado socorria financeiramente pessoas próximas, descontando cheques dessas pessoas nos bancos com os quais movimentava, cujos valores líquidos eram creditados em sua conta corrente que por sua vez eram a eles repassados, cuja documentação também está sendo providenciada. · Assim, vários depósitos listados no demonstrativo do auto de infração, são de diversas naturezas, inclusive oriundos de contratos de abertura de crédito bancário, para desconto de cheques e outros títulos de créditos mediante borderôs. Portanto, grande parte desses valores se trata de recursos originários de tais contratos, os quais estão sendo providenciados junto às instituições financeiras com as quais movimentava. · O autuado mantinha com a pessoa jurídica Auto Posto Fagos Ltda, CNPJ/MF n° 00.904.465/000177 uma espécie de contacorrente entre eles, já que o mencionado Posto, não raras vezes, efetivava depósitos e empréstimos ao Contribuinte, cujos valores eram depositados nas contas bancárias do mesmo. · Portanto, todos estes créditos hão de servir como comprovação de origem dos recursos que transitar pelas contas correntes examinadas, independentemente de coincidência de datas e valores, pois basta a comprovação da existência dos recursos, principalmente por se tratar de receitas originárias da atividade rural, que se apura anualmente. · Ressalta que o Fisco ao tributar os depósitos mensalmente, haveria que "planilhálos" e transportálos para o mês seguinte a título de recursos, pois, estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior servirão de recursos para o mês seguinte, conforme entendimento do 1ª CCMF, acórdão n.° 10419.682. · Todos os recursos auferidos no período fiscalizado hão de servir como origem para depósitos nas contas correntes do Contribuinte, sejam eles tributos isentos, não tributados ou tributados exclusivamente na fonte. Segundo o Fisco, os créditos em contas correntes quando não comprovada sua origem ficam sujeitos à tributação de acordo com a tabela progressiva, portanto, como foi efetivado o lançamento, ou seja, os créditos cuja origem, o Contribuinte não comprovou foram tributados e, uma vez tributados, foram legalmente regularizados, assim, todos esses créditos deverão ser aproveitados a título de recursos para realização de depósitos nos meses seguintes. · Assim, todos os saques feitos em contas correntes nos meses anteriores ao longo do período fiscalizado, servirão de recursos para os meses seguintes, "planilhamento" que não foi feito pelo Fisco em total prejuízo ao Contribuinte. · Outro equívoco cometido pela fiscalização foi o fato de não terem sido excluídos dos valores depositados, os cheques devolvidos nas contas bancárias, bem como as transferências entre contas da mesma titularidade, cujo total deverá ser excluído do montante tributado, nos termos da Lei n° 9.430/96. · Desde já o Contribuinte, em homenagem aos princípios da ampla defesa e do contraditório, protesta pela juntada posterior dos documentos que, no prazo para a apresentação da Impugnação, não conseguiu reunir, entretanto, está diligenciando neste sentido. Tão logo os tenha em mãos os fará juntar ao respectivo processo. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012545/200811 Acórdão n.º 2201002.406 S2C2T1 Fl. 4 5 A 3ª Turma da DRJ/BSA pelo Acórdão 0328.570 de 18/12/2008, às fls. 526, manteve o lançamento nos seguintes termos: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO OCORRÊNCIA. No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando não houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o contribuinte apresentála em outro momento, a menos que ou demonstre motivo de força maior, ou se refira a fato ou direito superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. O Contribuinte foi intimado da decisão em 20/04/2009 pelo AR de fls. 560, vindo a apresentar Recurso Voluntário de fls. 561, tempestivo, em 21/05/2009, aduzindo o que se segue: · O Fisco não comprovou o nexo causal entre os depósitos efetivados nas contas e o fato que, efetivamente, representasse omissão de rendimentos. · O Fisco, praticamente, desconsiderou a atividade rural desenvolvida pelo recorrente, ao planilhar mensalmente os depósitos e as receitas auferidas, já que a legislação de regência, especialmente a Lei n° 8.023/90, determina que tal levantamento deve ser considerado anualmente, razão pela qual todas as receitas auferidas servirão de recursos para efetivação de depósitos em suas contas, independentemente de coincidência de datas e valores. · O Fisco, ainda que fosse admitida a hipótese de levantamento mensal, não considerou a sobra de recursos de um mês para o outro subsequente. · O Fisco não planilhou os depósitos objeto da mesma acusação, transportandoos para o mês seguinte a título de recursos, de forma a servirem como fonte para depósitos posteriores. · Ainda, não considerou como origem dos recursos para fazer face aos créditos em conta corrente tributados pelo fisco, os saques em moeda corrente nas mesmas contas ocorridos no período fiscalizado, bem como as receitas provenientes de suas operações normais durante o mesmo período. Pela Resolução nº 220200.283 de 15/08/2012, às fls. 582, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário, com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Fl. 600DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria/MF nº 545/13 revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito, eis que a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há preliminares argüidas pelo Contribuinte, passemos à análise do mérito. I – Do Mérito I.1 Da Falta de Nexo Causal O Contribuinte impugna a pretensão fiscal em razão de o Fisco não ter estabelecido o nexo causal entre os depósitos e/ou débitos em conta corrente e o fato que representou para a fiscalização a omissão de rendimentos, já que os depósitos bancários e/ou débitos por si só não constituem fato gerador do imposto, portanto, não ficou comprovada a utilização desses recursos como renda consumida, equívoco cometido pela fiscalização e que foi mantido pela decisão recorrida, com o que não pode conformarse o Contribuinte. Ressalta que, a ilegitimidade do lançamento baseado unicamente em extratos bancários já vinha imperando, por reiteradas vezes, em tribunais fiscais e judiciais, quando ainda vigorava a Lei n.º 8.021/90, que em seu artigo 6°, que regulava a matéria debatida neste processo. Complementa que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não passa de uma reprodução do § 5°, do artigo 6°, da Lei nº 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado pelos tribunais pátrios, tanto na órbita administrativa quanto na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar os depósitos bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo para autuação fiscal. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012545/200811 Acórdão n.º 2201002.406 S2C2T1 Fl. 5 7 Neste contexto, o Contribuinte sustenta que o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desacompanhado de prova, não serve para sustentar a ação fiscal e uma vez excluídos os depósitos bancários não haveria o que se tributar, inexistindo dívida tributária. A argumentação levantada pelo Contribuinte não se sustenta a partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é, como afirma o Contribuinte, mera reprodução do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Notase que o caput do dispositivo revogado, expressamente, exige a exteriorização de sinais de riqueza, requisito não exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996). Diante da alteração legislativa, a autoridade tributária não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio) incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorreria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Destacase que o presente posicionamento já se encontra pacificado na presente Corte conforme enunciado nº 26 da Súmula do CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em complemento, destacase que a jurisprudência colacionada pelo Contribuinte é anacrônica, abordando entendimento jurisprudencial anterior a janeiro de 1997, início da eficácia da Lei ora em tela. Por exemplo, no CARF, o Acórdão 10610.782, citado pelo recorrente, apura IRPF do exercício de 1991, o acórdão nº. 10418.097 apura IRPF dos anoscalendário de 1994 a 1997. Desta feita não se prestam para embasar a pretensão do Contribuinte. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Isso posto, uma vez que está em discussão omissão de rendimento decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários realizados nos anoscalendário de 2004 e 2005, a alegação nulidade do Auto de Infração com base na falta de comprovação de nexo causal entre os depósitos e o aumento patrimonial do recorrente não procede. I.2 Da Origem dos Recursos do Recorrente O Contribuinte afirma que exerce a função de pecuarista, e, desta função – exclusivamente ligada a atividade advêm as suas receitas. O Contribuinte afirma que a referida atividade está comprovada pelos documentos já trazidos aos autos e de outros que virão oportunamente, os quais, no prazo para a apresentação da presente peça, não conseguiu reunir, entretanto, tão logo os tenha em mãos os fará juntar ao processo, comprovandose, então suas alegações defensivas, de que os recursos que transitaram pelas contas correntes investigadas tiveram origem nesta atividade. O Contribuinte afirma que há documentação nos autos do processo que comprovam que exerce atividade de pecuarista, sem citar qual é a documentação ou as páginas em que se encontram a citada documentação. Não se encontrou qualquer documentação que demonstre que o Contribuinte exerceu atividade de pecuarista. A única referência a esta documentação encontrase na Impugnação, na qual o Contribuinte cita sua existência de forma genérica e idêntica à peça recursal, afirmando que irá apresentála em momento futuro. Destacase que as Declarações de Ajuste Anual (DAAs) de 2004 e 2005 (fls. 466 e 469, respectivamente) não contêm como anexo a Declaração de Atividade Rural para respaldar a alegação de exercício pecuária. Em complemento observase que na Declaração de Bens e Direitos não consta sequer a existência de imóvel rural, ou pagamento de aluguel de imóvel do gênero. Até a presente data o Contribuinte não juntou aos autos do presente processo administrativo a documentação citada, carecendo assim, a defesa de respaldo probatório que atestem sua veracidade da sua alegação. A simples alegação de que os depósitos são decorrentes de atividade rural, desacompanhado de documentos que comprovem a referida alegação, não elidem a presunção legal criada pelo o art. 42 Lei nº 9.430/96, logo é poderdever da Autoridade Tributária, em razão do princípio da legalidade ao qual está jungida, de considerar os valores depositados em contas bancárias como receita efetuando o lançamento do imposto correspondente. Com relação à alegação de que os depósitos de um mês devem ser utilizados para cobrir a omissão de rendimentos do mês seguinte e assim sucessivamente, cumpre ressaltar que tal postura não encontra respaldo legal. Ademais, para que referida pretensão pudesse ser considerada procedente, o contribuinte deveria provar que os valores depositados em um mês foram sacados e novamente depositados no mês subsequente. Tal prova não foi produzida. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012545/200811 Acórdão n.º 2201002.406 S2C2T1 Fl. 6 9 O Contribuinte está sendo autuado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, onde foi intimado a comprovar a origem dos depósitos destacados no Auto de Infração e não se possui recursos capazes de albergar o volume de depósitos. O presente critério jurídico de autuação é distinto do critério jurídico para hipótese de Acréscimo Patrimonial Descoberto (art. 55, XIII do Decreto nº 3.000/99), onde o contribuinte é intimado a comprovar a existência de recursos suficientes para cobrir as despesas. A presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 incide sobre a totalidade dos depósitos bancários sem origem comprovada, respeitadas as exceções dos incisos I e II, do § 3°, desse dispositivo, sendo irrelevante a existência ou não de variação patrimonial. Frisese que o presente ponto já se encontra pacificado na presente Corte Administrativa através do enunciado nº 30 da Súmula do CARF: Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. O Contribuinte pugna pela adoção, como origem, os valores correspondentes aos saques em dinheiro que realizou nas contas auditadas, uma vez que tais saques serviram para efetuar depósitos futuros. Alterca também que não foi considerado pela decisão recorrida os valores referentes a dívidas e ônus constantes de suas DAA's dos anoscalendário de 2003 e 2004, nos valores de R$ 52.196,40 (R$ 102.196,40 R$ 50.000,00) em 2003 e R$ 65.000,00 (R$ 203.171,46 R$ 138.171,46) em 2004. Não se pode inferir pela documentação dos autos de que os recursos movimentados nas contas bancárias do Contribuinte sejam advindos dos saques planilhados pelo Contribuinte de fls. 518 ou das dívidas declaradas nas DAAs de 2004 e 2005, razão pela qual não se acolhe o pleito do Contribuinte. Conforme destacado acima, o Contribuinte está sendo chamado a comprovar a origem dos depósitos e não para demonstrar que possuía recursos suficientes para efetuar tais depósitos. Quanto as seguintes argumentações: (i) vários depósitos listados no demonstrativo do Auto de Infração, são de diversas naturezas, inclusive oriundos de contratos de abertura de crédito bancário, para desconto de cheques e outros títulos de créditos mediante borderôs; (ii) o Contribuinte mantinha com a pessoa jurídica Auto Posto Fagos Ltda, CNPJ/MF n° 00.904.465/000177 uma espécie de contacorrente entre eles, já que o mencionado Posto, não raras vezes, efetivava depósitos e empréstimos ao Contribuinte, cujos valores eram depositados nas contas bancárias do mesmo; o Contribuinte não produziu prova sobre os fatos anteriormente descritos, não vindo a atender os requisitos legais para afastar o lançamento com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. No que concerne à exclusão dos valores referentes aos cheques devolvidos, bem como as transferências entre contas da mesma titularidade, o Contribuinte não lista quais cheques devolvidos não foram excluídos pela Autoridade Lançadora e nem quais depósitos listados no Auto de Infração são depósitos entre as contas de sua titularidade, razão pela qual não se acolhe o pleito do Contribuinte. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 605DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001485/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer aos deveres instrumentais estabelecidos em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei nº 9.424/1996.
SESC E SEBRAE
As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao SESC e SEBRAE.
INCRA. EMPRESAS URBANAS.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.227
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para limitar a multa a 20%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Assinado Digitalmente
Carlos Cesar Quadros Pierre - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INOCORRÊNCIA. A imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer aos deveres instrumentais estabelecidos em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei nº 9.424/1996. SESC E SEBRAE As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao SESC e SEBRAE. INCRA. EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 14 85 /2 00 8- 11 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para limitar a multa a 20%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Assinado Digitalmente Carlos Cesar Quadros Pierre Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Tratase auto de infração lavrado em decorrência do descumprimento da obrigação tributária principal relativa às contribuições destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SESC e SEBRAE), DEBCAD 37.138.1630, no valor de R$ 2.961,813,79. De acordo com a fiscalização, a autuação decorre da expedição do ato cancelatório de isenção das Contribuições Sociais – Ato Declaratório Executivo DRF/MRA 51, de 28/12/2007, com efeitos a partir de 01/08/2003. A autoridade fiscal efetuou a análise das Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 991 3 folhas de pagamento, recibos e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. Cientificada do lançamento, a autuada apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: O lançamento ocorrido, mesmo com a suspensão da exigibilidade, representa ofensa à imunidade da entidade, visto as conseqüências geradas não só na esfera tributária, mas também nos campos contábil/fiscal, financeiro, comercial e trabalhista. Discorre acerca das características da imunidade. São ilegais e inconstitucionais as contribuições destinadas ao Salárioeducação, SESC, SEBRAE e INCRA, destacandose não ser sujeito passivo das duas últimas por não se enquadrar como micro ou pequena empresa (SEBRAE) e ser empresa urbana (INCRA). Tendo sido o lançamento efetuado com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não cabe acréscimos a título de juros e multa. É confiscatória a multa aplicada. A contribuição lançada foi devidamente declarada em GFIP, cabendo a redução prevista no artigo 35, parágrafo 4o. da Lei 8.212/91. Cabível a aplicação da multa mais benéfica em decorrência da alteração legislativa introduzida pela Medida Provisória 449/2008 que remete à multa limitada a 20% prevista no artigo 61, parágrafo 2o., da Lei 9.430/96. É inconstitucional a taxa SELIC. Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a produção das provas admitidas, tais como documentais, testemunhais e outras que se mostrem necessárias. A 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas transcritas: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o ato de lançamento, inclusive com a aplicação de multa e juros moratórios, exceto nos casos em que a legislação exclua a incidência dos acréscimos legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 SEBRAE. É devido o adicional de contribuição ao SEBRAE pelas empresas contribuintes do SENAI, SENAC, SESI e SESC. INCRA. É devida a contribuição ao INCRA, ainda que a empresa exerça atividade de natureza urbana. CONTRIBUIÇÕES INFORMADAS EM GFIP. REDUÇÃO DA MULTA. INFORMAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Cabível a redução de 50% da multa conforme previsto no parágrafo 4o. do artigo 35 da Lei 8.212/91 para as contribuições declaradas em GFIP, não bastando para a concessão da redução legal a informação em referido documento declaratório da remuneração dos segurados quando o código FPAS informado importa na não declaração das contribuições em questão. MULTA APLICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. SITUAÇÃO MAIS BENÉFICA AO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DESCABIMENTO. Em se tratando de lançamento de ofício, a multa prevista na legislação superveniente ao lançamento não se caracteriza como mais benéfica ao sujeito passivo não sendo o caso de sua aplicação retroativa. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora e ao atendimento, por parte de seu requerente, dos requisitos previstos na legislação Lançamento Procedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 14/07/2009, fl. 148, e apresentou recurso voluntário em 12/08/2009 (fl. 149/219), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. O processo em apreço foi colocado em pauta de julgamento e os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por meio da Resolução nº 2301 000.184, resolveram converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas as providências estipuladas no artigo 234 da Instrução Normativa nº 971/2009. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marília/SP, por meio do Memorando MF/RFB/DRF Marília/SP/SAFIS/EFI3, de 05/02/2013, fl. 231, realizou a diligência proposta, verbis: Em atenção à Resolução nº 2301000.184 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 223/225), foi designada a realização de diligências junto ao sujeito passivo, conforme MPFD nº 08.1.18.002012009152, a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 992 5 fim de verificar o cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção, conforme dispõe o art. 234 da Instrução Normativa IN RFB nº 971 de 13 de novembro de 2009. 2. Realizadas as diligencias foi lavrada a Informação Fiscal que, acompanhada de anexos, foi juntada às fls. 358/423 do processo nº 11444.000797/200727, que trata da Isenção das Contribuições Previdenciárias, no qual há recurso pendente de julgamento pelo CARF, contra o Ato Declaratório Executivo nº DRF/MRA nº 51, de 28/12/2007, de fls. 302, que cancelou a isenção das contribuições sociais a partir de 01/08/2003. 3. O sujeito passivo foi cientificado da Informação Fiscal lavrada em decorrência das diligencias realizadas e, no prazo concedido de 30 dias, apresentou as suas manifestações que foram juntadas às fls. 427/475 do referido processo. 4. Em razão do cancelamento da isenção e o conseqüente lançamento dos créditos tributários, há diversos processos com recursos tramitando junto ao CARF, razão pela qual não apensamos ao presente o processo nº 11444.000797/200727, mas, em face da afinidade, realizamos a sua vinculação a todos os processos de crédito tributário e estamos Encaminhandoo à Turma Especial/3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, concomitantemente baixou o processo de isenção também em diligência, conforme Despacho nº 280315 de fls. 350/351, do referido processo. 5. Assim, retorne o presente à 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, tratase de lançamento relativo ao descumprimento da obrigação tributária principal das contribuições destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SESC e SEBRAE), conforme DEBCAD 37.138.1630, lavrado em 17/11/2008. De acordo com a autoridade fiscal, a autuação decorre da expedição do ato cancelatório de isenção das Contribuições Sociais – Ato Declaratório Executivo DRF/MRA 51, de 28/12/2007, com efeitos a partir de 01/08/2003. Para fins de constituição da exigência, a autuante procedeu à análise das folhas de pagamento e respectivos recibos e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. Pois bem, relativamente à alegação de impossibilidade de lavratura do auto de infração em razão da imunidade, entendo que a afirmação é estéril e não merece prosperar. Na verdade, a imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer as Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 obrigações instrumentais estabelecidas em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta. Portanto, constatado o descumprimento pela contribuinte dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil lavrar o competente auto de infração relativo ao período correspondente, nos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, mormente porque o lançamento ficará dependente do desfecho do processo da isenção/imunidade. Quanto à alegação de consequências geradas pelo lançamento realizado nessas circunstâncias, além das explicações e conceituação atinentes à imunidade, esposadas na peça recursal, penso que devem ser rejeitadas. A lavratura do auto de infração está amparada pelo princípio da legalidade, fundamentalmente porque o lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, consoante determina o Código Tributário Nacional (CTN) no seu art. 142, parágrafo único. Ademais, conforme abordado anteriormente, a imunidade não é ampla nem absoluta. Constatado o descumprimento dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento. No que toca à alegação de que o crédito tributário deveria ser lavrado sem a incidência dos juros e da multa, cumpre esclarecer que a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio (acrescidos dos juros correspondentes). Nesse caso, como o crédito tributário encontrase dependente do desfecho do processo de isenção/imunidade, como bem pontuou a própria recorrente em seu apelo, não será objeto de cobrança enquanto perdurar essa suspensão. Ademais, o art. 151, III, do CTN não prevê a exclusão da multa e dos juros quando da interposição do recurso administrativo. Sobre a alegação de que a autoridade administrativa devese manifestar sobre a constitucionalidade de leis, impende esclarecer que não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 343/2015), a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134) sobre a matéria: (...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada. Rejeitamse, assim, as suscitadas preliminares. SALÁRIO EDUCAÇÃO Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 993 7 A contribuição social do salário educação está prevista no artigo 212, §5º, da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/1996 e 9.766/1998 e pelo Decreto nº 6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Em razão de diversas alegações de inconstitucionalidade o Procurador Geral da Republica ajuizou, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário da Justiça de 10/12/1999, pautou pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. Em razão do entendimento do Supremo Tribunal Federal, foi publicada a Súmula nº 732 pacificando entendimento sobre a constitucionalidade da cobrança do salário educação: Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Pelo que se vê, é totalmente constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, portanto, não pode o CARF afastar sua aplicação. SEBRAE No que tange à obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SEBRAE, especificamente às entidades que não se enquadram no conceito de micro e pequena empresa, verificase que o Supremo Tribunal Federal (STF), em processo com repercussão geral reconhecida, considerou devida a contribuição pelas empresas prestadoras de serviço, já que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte: Transcrevese o RE n° 635.682/RJ: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF, RE 635682/RJ, Min. GILMAR MENDES, 05/2013) Isso posto, é devida a cobrança das contribuições sociais destinadas ao SEBRAE. SESC/SENAC No que tange à obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESC e SENAC, especificamente às entidades não comerciais, a jurisprudência Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 do Superior Tribunal de Justiça está pacificada no sentido de que as empresas prestadoras de serviço devem recolher contribuição para o SESC e para o SENAC, já que enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, conforme a classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, jurisprudências do STJ (AGREsp no 438.724/DF, 1a Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 17/03/2003; REsp no 449.786/RS, 2a Turma, Min. Milton Francisco Peçanha Martins, DJ de 10/03/2003; REsp no 431.347/SC, 1a Seção, Min. Luiz Fux, DJ de 25/11/2002; RESP no 642.338/PE, 2a Turma, Min. Castro Meira, DJ de 30/03/06; RESP no 612.281/SC, 1a Turma, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 23/05/05), além da Súmula 499: As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social. (DJe mar/2013) Portanto, a recorrente, na condição de empresa prestadora de serviço, deve recolher as contribuições destinadas ao SESC e SENAC. INCRA Sobre a contribuição ao INCRA, verificase que sua natureza é de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico (CIDE), ou seja, visa beneficiar toda a sociedade e não apenas o meio rural, ao custear a atuação do Estado na estrutura fundiária, notadamente o programa nacional de reforma agrária, sendo prescindível sua vinculação direta em relação ao sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). O próprio Supremo Tribunal Federal já analisou a questão, se posicionou acerca da constitucionalidade da referida exação e entendeu ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches) Dessarte, igualmente devida a contribuição ao INCRA. MULTA/RETROATIVIDADE BENIGNA Em outra passagem alega a suplicante que o parágrafo 4°, da antiga redação do artigo 35, da Lei n° 8.212/1991 determina que, na hipótese em que tenha o sujeito passivo da contribuição social informado em GFIP a ocorrência dos fatos geradores da exação, aplica se a redução de 50% da multa lançada. Assim, assevera a recorrente que “Ora, no caso em apreço, a contribuição lançada por meio da lavratura do presente, foi devidamente informada em GFIP. Não houve, destarte, qualquer distorção das informações contidas em folha de pagamento, que pudessem importar em redução da base de cálculo da contribuição em GFIP”. Sobre a matéria supra, sem querer ser repetitivo, reproduzo os bem lançados fundamentos do relator singular que analisou a questão: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 994 9 Quanto à pretensão de redução da penalidade em 50% em decorrência da aplicação do disposto no artigo 35, parágrafo 4o. da Lei 8.212/91 na redação então vigente, a mesma não merece prosperar. Isso porque, mesmo tendo inserido nas GFIP as remunerações dos segurados a seu serviço, ao considerarse beneficiária da isenção a que faz jus as entidades beneficentes de assistência social e preencher referidos documentos declaratórios com o código FPAS 6391 fato confirmado no sistema informatizado institucional a impugnante deixou de declarar as contribuições referentes ao presente AI (destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros), posto tal código FPAS referir se a entidades isentas destas contribuições. (grifei) De fato, para fazer jus à redução de 50% da multa prevista no dispositivo legal mencionado, não basta informar em GFIP a remuneração dos segurados, fazendose necessária também a declaração das contribuições devidas, com o correto preenchimento da GFIP quanto a este aspecto. No que tange ao pedido de redução da multa aplicada em decorrência da alteração legislativa trazida pela Medida Provisória 449/2008, que importaria no enquadramento no artigo 61, parágrafo 2o da Lei 9.430/1996, o qual prevê multa limitada a 20%, impende esclarecer que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/1991, estavam ali descritas duas multas, ou seja, a multa de mora e a multa de ofício. A primeira, cobrada com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. A última, cobrada quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Portanto, a análise acerca de eventual retroatividade benigna, consoante dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), deve ser efetuada mediante comparação da redação da Lei nº 8.212/1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No presente caso, foram aplicadas multas de 30% e, como as multas por descumprimento de obrigações principal e acessório deve ser limitada a 75% (parágrafo 2o da Lei 9.430/1996), não resta caracterizado a hipótese ensejadora da retroatividade da legislação superveniente contemplada no artigo 106, II, “c” do CTN. Sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Conselho Administrativo declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, supracitada. 1 FPAS 639 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, com isenção requerida e concedida pela Previdência social, inclusive aquela transformada em entidade de fins econômicos na forma do artigo 7o. da Lei 9131/95, no período de pagamento parcial das contribuições patronais, nos termos do art. 13 da Lei 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante a todo o exposto, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão da aplicação da multa de mora. No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 995 11 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. No presente caso, a multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para limitar a multa de mora a 20%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10805.723215/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. REQUISITOS. CUMPRIMENTO.
Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALUGUEL E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INTEGRAÇÃO.
Os valores pagos a título de auxílio aluguel e gratificação de gerência integram o salário de contribuição posto que ostentam natureza remuneratória.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REEMBOLSO PNEUS. NÃO INTEGRAÇÃO.
Os valores pagos aos segurados empregados a título reembolso pneus, assim entendido o reembolso de percentual da nota fiscal, emitida por revendedor autorizado - da aquisição de pneus fabricados pelo Contribuinte, não integram o salário de contribuição, posto que além de não possuírem natureza contraprestacional - por serem igualmente disponíveis a todos os empregados, limitados em quantidade e no tempo, e onerosos - ostentam características de benefício.
Numero da decisão: 2201-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar: i) a exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento P2 Unidades sem acordo PPR (que por amor à clareza se reitera que são os valores relativos ao pagamento realizado aos segurados empregados), e ii) a exclusão dos valores referentes ao lançamento decorrente do valores pagos a título de reembolso pneus. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira quanto ao reembolso pneu.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALUGUEL E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INTEGRAÇÃO. Os valores pagos a título de auxílio aluguel e gratificação de gerência integram o salário de contribuição posto que ostentam natureza remuneratória. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REEMBOLSO PNEUS. NÃO INTEGRAÇÃO. Os valores pagos aos segurados empregados a título reembolso pneus, assim entendido o reembolso de percentual da nota fiscal, emitida por revendedor autorizado - da aquisição de pneus fabricados pelo Contribuinte, não integram o salário de contribuição, posto que além de não possuírem natureza contraprestacional - por serem igualmente disponíveis a todos os empregados, limitados em quantidade e no tempo, e onerosos - ostentam características de benefício.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALUGUEL E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INTEGRAÇÃO. Os valores pagos a título de auxílio aluguel e gratificação de gerência integram o salário de contribuição posto que ostentam natureza remuneratória. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REEMBOLSO PNEUS. NÃO INTEGRAÇÃO. Os valores pagos aos segurados empregados a título reembolso pneus, assim entendido o reembolso de percentual da nota fiscal, emitida por revendedor autorizado da aquisição de pneus fabricados pelo Contribuinte, não integram o salário de contribuição, posto que além de não possuírem natureza contraprestacional por serem igualmente disponíveis a todos os empregados, limitados em quantidade e no tempo, e onerosos ostentam características de benefício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 32 15 /2 01 3- 13 Fl. 2922DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar: i) a exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento P2 Unidades sem acordo PPR (que por amor à clareza se reitera que são os valores relativos ao pagamento realizado aos segurados empregados), e ii) a exclusão dos valores referentes ao lançamento decorrente do valores pagos a título de reembolso pneus. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira quanto ao reembolso pneu. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados e contribuintes individuais, além das devidas a outras entidades e fundos. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 25 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.044.8917, no valor de R$ 6.284.325,12, atualizado até novembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. · Auto de Infração Debcad n° 51.044.8925, no valor de R$ 1.578.807,81, atualizado até novembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição devida aos terceiros sobre os valores pagos aos segurados empregados. · Auto de Infração Debcad n° 51.044.8933, no valor de R$ 11.280,00 atualizado até novembro de 2013, referente multa por omissões e incorreções na GFIP. Fl. 2923DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.923 3 · Auto de Infração Debcad n° 51.054.1208, no valor de R$ 1.717,38 atualizado até novembro de 2013, referente multa por não incluir todos os segurados em folha de pagamento. · Auto de Infração Debcad n° 51.054.1216, no valor de R$ 17.173,58 atualizado até novembro de 2013, referente multa por não contabilizar em títulos próprios. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro a dezembro de 2009. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do sujeito passivo em 14 de novembro de 2013 (fls. 1924). Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 1931), tempestivamente. A 5ª Turma da DRJ Brasília, por unanimidade, por meio do Acórdão 03 62.889 (fls. 2627), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 25/55, foram observadas as seguintes situações: V Dos Programas de PLR. A auditoria fiscal apos tecer as considerações sobre a legislação que disciplina a participação nos lucros elencou algumas irregularidades relativas aos acordos coletivos de participação nos resultados, separadamente por estabelecimentos da empresa. VIDo Estabelecimento de Santo André. A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Afins de São Paulo e região, estado de São Paulo, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 1°de junho de 2008, com vigência de 1º de janeiro de 2008 até 31 de maio de 2010. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa e mais uma quantia diferenciada. Ainda nesta Cláusula Quarta, item 4, estabelece que empregados lotados nas áreas de Marketing, Trade Marketing, Call Center, Exportação, Regionais São Fl. 2924DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Curitiba receberão valores diferenciados, sem indicar quais são os valores. Por meio da Cláusula Nona, pretendese a submissão dos pagamentos aos termos previstos na Lei no 10.101/200 visando à obtenção do tratamento fiscal dado por aquele Diploma Legal, especificamente quanto à exclusão dos valores pagos do campo de incidência de encargos trabalhistas e previdenciários. Em relação aos excluídos do Acordo assinado em 01/06/2008, ou seja, os Dirigentes, Executivos e Seniores, não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei nº 10.101, de 2000, no acordo celebrado foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A cláusula segunda do Acordo Coletivo revela que os valores a serem pagos decorreriam da exclusiva vontade do empregador, evidenciando a mais completa alienação dos trabalhadores contemplados. Ou seja, tal situação não decorre da negociação entre empresa e trabalhadores, com a interveniência do sindicato, além de não especificar metas e valores, e, portanto, em desacordo com a Lei. Assim sendo, por estarem em desacordo com a Lei, considerou se que os pagamentos a título de participação nos resultados a Dirigentes, Executivos e Seniores, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei no 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A empresa foi intimada através do a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. Em atendimento ao TIF P04 apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). VIIDo Estabelecimento de Gravataí A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha de Gravataí, estado do Rio Grande do Sul, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 10 de julho de 2008, com vigência de 1°de junho de 2008 até 31 de maio de 2010. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. Fl. 2925DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.924 5 No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa e mais uma quantia diferenciada, conforme o respectivo salário. A empresa apresentou Acordo Coletivo para Participação nos Resultados para os empregados horistas contratados por prazo determinado, onde foram estabelecidos valores e condições para o pagamento. Na unidade localizada em Gravataí, ocorreram os mesmos problemas de Santo André indicados quais sejam: Em relação aos Diretores, Executivos e Seniores não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei nº 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram utilizados para o Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). VIIIDo Estabelecimento de Feira de Santana A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha, de Pneumáticos e Afins do Estado da Bahia – SINDBORRACHA BA, sobre a Participação nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 25 de junho de 2008, com vigência de 1° de junho de 2008 até 31 de maio de 2010. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa mais uma quantia diferenciada, conforme o respectivo salário. A empresa apresentou Acordo Coletivo para Participação nos Resultados para os empregados horistas contratados por prazo determinado, onde foram estabelecidos valores e condições para o pagamento. Na unidade localizada em Feira de Santana, ocorreram os mesmos problemas de Santo André, quais sejam: Em relação aos Diretores, Executivos e Seniores não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei no 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores. Em atendimento ao TIP P 04 a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). XIDo Estabelecimento de Campinas A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha, Acabamentos, Recauchutadoras, Pneumáticos, Beneficiamento de Borracha natural, Látex e Afins de Campinas e região, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 16 de junho de 2008, com vigência de 1°de junho de 2008 até 31 de maio de 2010. Não obstante a base territorial de o referido Sindicato incluir Campinas e Sumaré, o Acordo Coletivo especificou o CNPJ 59.179.838/000218 situado em Campinas. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa mais uma quantia diferenciada, conforme o respectivo salário. Para os empregados horistas e mensalistas, prevê o pagamento em Fl. 2927DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.925 7 junho de 2009, a título de adiantamento, e em 18 de dezembro de 2009, o pagamento complementar e final. A empresa apresentou Acordo Coletivo para Participação nos Resultados para os empregados horistas contratados por prazo determinado, onde foram estabelecidos valores e condições para o pagamento. Na unidade localizada em Campinas, ocorreram os mesmos problemas de Santo André, quais sejam: Em relação aos Diretores, Executivos e Seniores não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei no 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. Em atendimento ao TIF P04 a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/0004 80), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). X – Do Estabelecimento de Barueri A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha de Cotia e região, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008, datado de 1° de junho de 2008, com vigência de 1°de junho de 2008 até 31 de maio de 2 009. No entanto, além de referirse somente ao ano de 2008, não contem assinatura dos representantes da empresa, motivo pelo qual a empresa foi intimada, através do TIF P 04 e respectivo Anexo, a apresentar o Acordo indicado como Não Assinado, mas em resposta informou que não havia novos Acordos a serem apresentados. Na unidade localizada em Barueri, ocorreram os seguintes problemas: O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto, diferente do período objeto da presente fiscalização. O Acordo Coletivo não está assinado pelos representantes da empresa. Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009. Fl. 2928DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 Em atendimento ao TIF P04 a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/0004 80), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). O Acordo Coletivo, além de não assinado e não se referir ao período objeto da fiscalização, também, como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos, Seniores e contratados por prazo determinado. A empresa não apresentou qualquer Acordo relativo ao contratados por prazo determinado XI – Do Estabelecimento de São José dos Pinhais A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias Metalúrgicas, Máquinas Mecânicas, de Material Elétrico, de Veículos Automotores, de Autopeças e de componentes e partes de veículos automotores da grande Curitiba, sobre a Participação Nos Lucros Ou Resultados – Ano 2008, datado de 1°de julho de 2008, com vigência de 01 /01/2008 a 31/12/2008. Considerando que o Acordo apresentado referese somente ao ano de 2008, a empresa foi intimada, através do TIF P 04 e respectivo Anexo, a apresentar o Acordo indicado como “Apresentou o ACPPR de 2008”, mas em resposta informou que não havia novos Acordos a serem apresentados. Portanto, na unidade localizada em São José dos Pinhais, ocorreram os seguintes problemas: O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização que é de 2009. Os pagamentos foram lançados no levantamento P2 Unidades Sem Acordo PPR (P4 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). ı XII – X – Do Estabelecimento de Belo Horizonte e Ibirité. A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha de Belo Horizonte, sobre a Participação Nos Lucros Ou Resultados – Ano 2008, datado de 1°de julho de 2008, com vigência de 01/01/2008 a 30/11/2008 e a unidade 59.179.838/003233. Considerando que o Acordo apresentado referese somente ao ano de 2008, a empresa foi intimada, através do TIF P 04 e respectivo Anexo, a apresentar Acordo indicado como “Apresentou o ACPPR de 2008” e Não Apresentado – já que Fl. 2929DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.926 9 não incluiu o CNPJ 59. 179.838/001028, mas em resposta informou que não havia novos Acordos a serem apresentados. Portanto, nas unidades localizadas em Belo Horizonte e Ibirité ocorreram os seguintes problemas: Para o CNPJ 59.179.838/003233, o Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização, que é de 2009. Para o CNPJ 59. 179.838/001028, a empresa não apresentou qualquer Acordo Coletivo. O Acordo Coletivo apresentado, além de não se referir ao período objeto da fiscalização, também, como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos e Seniores. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. Em atendimento ao TIF P04, a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). XIII – Dos Demais Estabelecimentos sem PPR Além dos já citados anteriormente, os estabelecimentos com os CNPJ nº 59.179.838/000480, 59.179.838/001028, 59.179.838/001532, 59.179.838/003748, 59.179.838/004558, 59.179.838/004639, 59.179.838/004710, 59.179.838/004809, 59.179.838/005104 e 59.179.838/005287 não possuem Acordo Coletivo específico para pagamento de participação nos resultados. Assim sendo, em relação às unidades acima referidas, por estarem em desacordo com a Lei, na medida em que não possuem Acordo Coletivo, ou qualquer outro instrumento, todos os pagamentos a título de participação nos resultados não se enquadram no disposto no art. 28, § 9o, alínea j da Lei no 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. XIV – Das Remunerações de Contribuinte Individuais não Declaradas em GFIP A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre valores da DIRF X GFIP dos contribuintes individuais. Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 Em atendimento ao TIF n° P 04, a empresa declarou que as diferenças entre valores da DIRF X GFIP dos contribuintes individuais nos meses de 06 e 07/2009 referentes a Guilherme Luis Kelly são benefício residência e gratificação função gerente. E, ainda, que o pagamento a João Batista Costa refere se a autônomo mediante Recibo – RPA. Em relação a Eugenio Carlos Deliberato, Romana Ghirotti Prado e Sérgio Lomando não justificou as diferenças. A empresa foi intimada, através do TIF n° P04, apresentar os documentos que serviram de base para os lançamentos indicados no Anexo – Documentos da Contabilidade. Em atendimento, apresentou arquivo magnético com relação denominada “Base Fornecedores Contribuintes Ind”, onde identificou os pagamentos a pessoas físicas colocando o CPF no campo CPF/CNPJ. Analisando o arquivo apresentado, foram identificados pagamentos a pessoas físicas que não foram declarados em GFIP, os quais deram origem ao Anexo –Fornecedores não declarados. Para Massimo da Ronch foram utilizados os valores da conta N16001JV05 M.E. Comissões Terceiros – PETIN indicada pela empresa, Anexo – Valores Massimo da Ronch. Para Juan Efrain Cangahuala foram utilizados os valores da relação apresentada: “Base Fornecedores Contribuintes Ind”. Para Sergio Lomando foram utilizados os valores da conta N14219JA01 Honorários Advocatícios – Trab indicada pela empresa, Anexo – Valores Sergio Lomando. Para Cláudio Wurlitzer foram utilizados valores não declarados e diferenças de valores encontradas na conta N14913JP05 Despesas Com Informativos Inst e a GFIP indicada pela empresa, Anexo – Valores Cláudio Wurlitzer. O prestador de serviço Atenante Norman foi identificado como pessoa jurídica a partir de 07/2009, motivo pelo qual só foram utilizados os valores anteriores. Em virtude da falta de declaração, foi criado o levantamento C1 Contribuintes Individuais, a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrado o Auto de Infração n°51. 044.8917 . XV – Dos Valores pagos a Título de Reembolso Pneus não Declarados em GFIP A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer o motivo do pagamento da rubrica 15BN – Reembolso de Vale Pneus e informar se considera base de cálculo de contribuições previdenciárias ou não e o motivo. Em atendimento, limitouse a requerer a juntada do manual de Integração dos empregados, informando que nele há a previsão do benefício. O referido manual informa o empregado que, após Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.927 11 a admissão, ele poderá adquirir pneus para carros e /ou motos na rede autorizada e obter reembolso de parte do valor. Não há qualquer relação com a atividade desenvolvida pelo empregado, e, portanto, não se trata de reembolsar uma despesa inerente ao exercício do cargo, sendo tão somente um benefício pago em dinheiro. Tendo sido assim levantado o valor a título de contribuição previdenciária devido incidente sobre citada verba. XVI – Das Diferenças entre as Bases da Folha de Pagamento e as Bases Declaradas em GFIP A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre Base da Folha e GFIP. Ressalta a fiscalização que al planilha indica as categorias 1 empregado, 3 trabalhador não vinculado ao RGPS com direito ao FGTS, 4 empregado por prazo determinado e 7 – menor aprendiz, tendo em vista que a empresa não apresentou a folha de pagamento dos contribuintes individuais. Em atendimento, a empresa declarou que faltou considerar a rubrica /117 –Base estorno INSS. A fiscalização incluiu a rubrica indicada, mas, ainda assim, restaram diferenças a esclarecer, que indicaram que a base da folha de pagamento é maior que a base declarada em GFIP para as categorias indicadas no item 126. Através do TIF n° P 07, a empresa foi intimada a esclarecer as diferenças apontadas no Anexo – DIF BC FOPAG – estorno X GFIP. Tendo apresentado os arquivos magnéticos contendo a Relação de Estabelecimentos Centralizados – REC das unidades e competências indicadas que não apresentam as bases segregadas por categoria e, portanto, não serviram como parâmetro para comparação e esclarecimento das diferenças. A fim de demonstrar os valores declarados que foram indicados na planilha, foram extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil as seguintes informações: Relação de GFIP enviada, por unidade e por competência e Bases de cálculo por categoria, por unidade e por competência. Foi elaborado o Anexo DIF BC FOPAG estorno X GFIP Corrigido Out 2013, a fim de demonstrar os valores das diferenças que não foram declaradas em GFIP e não foram esclarecidas pela empresa e por se tratar de remuneração constante da folha de pagamento que não foi declarada, foram lançadas as diferenças verificadas. XVII – Das Declarações em GFIP A empresa transmitiu aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP, para as competências 01 a 12/2009, sem informar determinados valores pagos a título de participação nos resultados, os quais foram considerados Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme itens acima, assim como pagamentos a contribuintes individuais, pagamentos a título de reembolso de vale pneus e diferenças entre as bases da folha de pagamento e as bases da GFIP. Dos Autos de Infração por Descumprimento de Obrigações Acessórias –AIOA. Os Autos de Infração por Descumprimento de Obrigações Acessórias –AIOA lavrados na ação fiscal foram lançados de acordo com a natureza da infração cometida: XXII – AIOA DEBCAD Nº 51.044.8933 CFL 78. Relata a fiscalização que o contribuinte não tributou as verbas pagas a título de Reembolso Pneus, Pagamento de PPR e Adiantamento de PPR e consequentemente não as declarou em GFIP, assim como deixou de declarar a totalidade dos valores pagos a contribuintes individuais, infringindo desta forma o art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. Em decorrência da infração praticada, está sendo aplicada a multa prevista no art. 32A, inciso I e §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, artigo este acrescentado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. XXIIIAIOA DEBCAD Nº 51.054.1208 CFL 30. De acordo com o Relatório Fiscal empresa foi autuada por deixar de preparar a Folha de Pagamentos das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou creditadas aos contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, infringindo assim o disposto no artigo art. 32, inciso I da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I e § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Em decorrência da infração cometida à multa aplicada é a prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, artigo 283, inciso I, alínea "a" e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. XXIV – AIOA DEBCAD Nº 51.054.1216 CFL 34. O presente auto de infração foi lavrado por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma, discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, conforme previsto na Lei n°8. 212/91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência social –RPS, aprovado pelo Decreto n°3. 048, de 06.05.99. Em decorrência da infração foi aplicada a multa prevista na Lei n°. 8.212/91, artigos 92 e 102, combinado com o art. 283, II, a, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06 de maio de 1999. Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.928 13 Todos os valores da multas foram atualizados conforme Portaria Interministerial no 15, de 10 de janeiro de 2013, DOU 11/01/20. Da Representação Fiscal para Fins Penais Registra a fiscalização que as situações descritas nos itens acima deste relatório, em relação às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, em tese, constituem indício de Crime de Sonegação Fiscal, de acordo com o artigo 337A, I e III do Código Penal Decretolei n°2. 848, de 07/12/1940 – na redação dada pela Lei n°9. 983, de 14/07/2000, razão pela qual foi formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP, em relatório à parte, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis, indicando os documentos de crédito relacionados aos aludidos crimes. Das Impugnações Tempestivamente o contribuinte apresentou a impugnações, alegando, em síntese: Preliminarmente solicita que os todos os autos de infração relacionados aos mesmos fatos geradores sejam reunidos e julgados em oportunidade única para fins de economia processual. Com relação à participação nos resultados rebate separadamente por estabelecimentos. Estabelecimento de Santo André, Gravatai, Feira de Santana e Campinas. No tocante aos estabelecimentos de Santo André, Gravatai, Feira de Santana e Campinas, em relação aos excluídos do Acordo assinado em 01/06/2008, ou seja, os Dirigentes, Executivos e Seniores, alega que diferente do que afirma a fiscalização foi apresentado o PPR durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Quanto ao mérito aduz que os acordos existentes suportam totalmente os pagamentos efetuados, na medida em que são aplicáveis a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores, que exercem suas atividades na empresa, os quais estão vinculados ao atingimento de metas individuais e coletivas estabelecidos no documento Plano de Incentivo (PPR) e documento SCHEDA entregues previamente a cada empregado. Aduz estar juntando, por amostragem, referidos documentos. Desta feita acredita que resta demonstrado que o PPR é necessariamente atrelado aos resultados corporativo e individual e a índices de produtividade e qualidade, sendo que tais metas são claras e objetivamente estipuladas nos documentos elencados: Plano de Incentivo (PPR) e SCHEDA, além de ser paga em semestre civil. Estabelecimento de Barueri Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 Quanto ao estabelecimento de Barueri alega a impugnante que, embora a fiscalização tenha afirmado que o Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto, diferente do período objeto da presente fiscalização, como também não foi assinado pelos representantes da empresa, tal afirmação não pode prosperar, pois o PPR foi apresentado durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. E com relação ao PPR de 2009 e elegível aos empregados em geral, a empresa possuía tal instrumento, registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero SP 009168/2009, em 21/10/2009, (Doc. 03). Tal instrumento preenchia os requisitos legais e formais, atingia sua finalidade principal almejada pelo legislador e tinha por objetivo o atingimento de metas e resultados econômicos e de produtividade conforme se pode verificar pelas suas clausulas. Estabelecimento de São José dos Pinhais. Quanto ao estabelecimento de São José dos Pinhais afirma a impugnante que diferente do entendimento da fiscalização esta firmou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados referente ao ano de 2009, registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero SP 002264/2009, em 02/09/2009 e foi apresentado durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Estabelecimentos de Belo Horizonte e Ibirité No tocante a estes estabelecimentos a impugnante aduz que embora a fiscalização alegue que o PPR de 2008 alem de não estar assinado, exclui os Dirigentes, Executivos e Seniores e contratados por tempo determinado, a empresa apresentou o PPR dos anos de 2008 e 2009 para todos os empregados e dirigentes durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Em relação à ausência de acordo coletivo aplicável a essa unidade, relativo aos empregados em geral, resta demonstrado que este existe e está devidamente registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero MG 001966/2009, em 29/07/2009. Estabelecimento sem Acordos Coletivos A impugnante afirma que dos estabelecimentos elencados como sem PPR, cabe informar que o de Juiz de Fora, possui e está devidamente registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero MG 002483/2009, em 01/09/2009. Quanto aos demais estabelecimento, CNPJ nºs 59.179.838/0004 80, 59.179.838/001028, 59.179.838/001532, 59.179.838/0037 48, 59.179.838/004558, 59.179.838/004639, 59.179.838/0047 10, 59.179.838/004809, 59.179.838/005104 e 59.179.838/0052 87, a impugnante afirma se tratar de escritórios regionais, sendo aplicável a estes o acordo da matriz da empresa, ou seja, o PPR de Santo André. Da Real Natureza dos Pagamentos Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.929 15 A impugnante destaca que a fiscalização entende que o PPR implantado na empresa possui falhas e, portanto, não obedece às regras estipuladas pela Lei nº 10.101/2000, devendo, por conseguinte, sofrer a incidência de contribuição previdenciária. No entanto o que se observa do demonstrado pela impugnante é o cometimento de um equivoco, devendo, portanto, ser anulada a autuação. Do Pagamento a Contribuintes Individuais não Declaradas em GFIP Com relação aos valores pagos aos contribuintes individuais e não declarados em GFIP a impugnante justifica que tais valores, como beneficio relativo à residência do empregado e gratificação para função de gerente, pagamento a autônomo mediante recibo e outros não se encaixam no conceito de remuneração, pois não visam remunerar a prestação de serviços, razão pela qual não devem se enquadrar na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Do Pagamento Reembolso de Pneus Justifica a impugnante que o pagamento a este título não se trata de remuneração por serviços prestados, mas de um desconto de 30% concedido aos empregados para aquisição dos produtos da própria empregadora, mediante reembolso, de acordo com a Política de Beneficio da Autuada e o Manual de Integração da empresa, a todo empregado com mais de noventa dias de empresa, limitado a cinco pneus de automóvel, dois de motocicleta, quatro de bicicletas e cinco câmaras de ar. Das Divergências entre a Folha de Pagamento e GFIP. Insurgese a autuada em relação a estas divergências, alegando que da análise do relatório e das planilhas mencionadas pela fiscalização não é possível identificar quais seriam as supostas divergências identificadas. Mas afirma que todas as verbas que devem sofrer a incidência previdenciária sempre foram devidamente declaradas em GFIP, sendo que as únicas hipóteses de pagamento não declaradas referemse a verbas não sujeitas a contribuições previdenciárias, portanto, improcedente tal lançamento. Da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP Solicita seja cancelada a ordem de realização de RFFP, ou a sua suspensão até o término do processo administrativo em discussão, mesmo porque não há qualquer indício da caracterização do mencionado crime." Cientificado de decisão que contrariou seus interesses em 11 de setembro de 2014 (AR fls. 2662), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, em 29 de junho, recursos voluntários específicos para cada debcad (fls. 2664, 2711, 2827 e 2873), com alegações identicas entre si. Constam de seu apelo, em síntese, as mesmas alegações constantes das impugnações interpostas e acima reproduzidas. Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Conheço dos recursos voluntários interpostos, pois presentes as condições de admissibilidade. Passo a analisálos. Antes porém, como relatado, necessário recordar que foram interpostos quatro recursos de mesma argumentação, cada qual relativo a um documento de crédito tributário constituído (debcad). Opto por apreciálos em conjunto. O litígio tributário foi instaurado em face de inconformidade do sujeito passivo no tocante a não aceitação, pelo Fisco, do programa de pagamento de PLR implantado no ano de 2009. Entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.930 17 totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outros casos há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.931 19 Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.932 21 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Assentes quanto ao requisitos para que se usufrua da imunidade condicionada relativa ao pagamento da PLR, passo à apreciação do recurso na ordem em que os argumentos são apresentados. DO PAGAMENTO DE PPR EM CONFORMIDADE COM A LEI 10.101/00 Alega a Recorrente em sua primeira peça recursal, interposta contra o lançamento constante do Debcad 51.044.8933 (fls. 2666): "ESTABELECIMENTOS DE SANTO ANDRÉ, GRAVATAÍ, FEIRA DE SANTANA E CAMPINAS Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 22 A decisão ora guerreada estabelece que o PPR das filiais acima identificadas não foi elaborado em acordo com a legislação fiscalização, posto que "a existência de regras nem tão claras e objetivas e não inseridas no instrumento de negociação e nem arquivada no sindicato equivale a sua inexistência, porque não se presta para surtir os efeitos pretendidos pela lei, conforme exposto acima. Ou seja, o programa próprio de PLR arquivado no sindicato, como exigido pelo §2°, do artigo 2o, da Lei 10.101/00, não continha regras claras e objetivas". Inicialmente, destaca a Recorrente que foram apresentados os acordos coletivos de trabalho referente ao programa de participação nos resultados elegível aos empregados Dirigentes, Executivos e Seniores (diretores, gerentes, chefes ou administrativos de nível gerencial) anos 2008 e 2009 não apenas durante os procedimentos da fiscalização, mas também no protocolo da Impugnação Administrativa. (...) Não deve prosperar o quanto decidido na r. decisão sobre o programa de PLR instituído pela empresa recorrente estar em desacordo com as regras estipuladas pela Lei 10.101/00. Pelo contrário, o PLR implantado pela autora sempre apresentou um programa claro, com formulários de avaliações objetivas de meta e desempenho, objetivando o incentivo à produtividade. Os planos da recorrente respeitaram a intenção do Legislador, não só porque a formalização dos planos foi feita conforme determinado pela legislação vigente, mas também porque a estrutura de efetiva participação periódica nos resultados da empresa, mesmo que aferida individualmente com base em metas préestabelecidas, atende integralmente, e desde sempre, o espírito da Lei. Mesmo assim, o I. Julgador atentouse a eventuais falhas formais que, como já exaustivamente mencionadas, não podem, por si só, afastar a natureza da verba, posto que não há reais indícios de que a empresa utiliza este plano para pagamento de prêmios ou salários. Voltando ao relatório fiscal, encontramos (fls 33): "47. Passamos, então, a indicar os pontos que consideramos em desacordo com a legislação. 48. Em relação aos excluídos do Acordo assinado em 01/06/2008, ou seja, os Dirigentes, Executivos e Seniores, não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. 49. Contrariando a Lei nº 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A cláusula segunda do Acordo Coletivo revela que os valores a serem pagos decorreriam da exclusiva Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.933 23 vontade do empregador, evidenciando a mais completa alienação dos trabalhadores contemplados. 50. Tal situação não decorre da negociação entre empresa e trabalhadores, com a interveniência do sindicato, além de não especificar metas e valores, e, portanto, em desacordo com a Lei. 51. Assim sendo, por estarem em desacordo com a Lei, consideramos que os pagamentos a título de participação nos resultados a Dirigentes, Executivos e Seniores, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 52. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. 53. Em atendimento apresentou relação com os nomes e valores solicitados, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR DIRETOR EXECUTIVO SENIORES (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). A leitura atenta do relatório demonstra que, no sentir da Autoridade Lançadora, houve descumprimento dos preceitos constantes da Lei nº 10.101/00, em razão da ausência de metas claras e objetivas que ensejassem o pagamento da PLR aos diretores, executivos e seniores. Consta do programa de participação nos lucros (fls 1527): Clara a abrangência do programa ajustado entre a Recorrente e o sindicato. O ajuste firmado foi direcionado especificamente para os empregados horistas e mensalistas contratados a prazo indeterminado. Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 24 Expressamente foi acordado que o programa de participação nos resultados firmado não se aplicava aos empregados contratados por prazo determinado, aos dirigentes, executivos e seniores. Porém, ressalvouse, também expressamente, que a Empresa poderia, a seu exclusivo critério, estabelecer condições especiais, que nesse caso, serão consideradas parte integrante do instrumento firmado. Tal previsão se concretizou. Consta das folhas 1984 o programa para participação nos resultados de dirigentes, executivos e seniores firmado entre o Sindicato de Trabalhadores do estabelecimento matriz e a Recorrente e válido para os anos de 2008 e 2009. A cláusula terceira do ajuste tem a seguinte redação: Aqui o ponto fulcral da questão. Podese admitir que as partes firmem um acordo pelo qual se impute ao critério de somente uma delas, a definição dos parâmetros para a percepção dos valores a título de PLR? Vejamos. Como visto acima, ao analisarmos a participação nos lucros ou resultados, que a verba de nítida natureza contraprestacional, não sofre incidência tributária quando cumpridos os requisitos da Lei nº 10.101/00, em face do caráter isentivo desta. Assim, é no bojo dos ditames da Lei nº 10.101 que devemos buscar a resposta da questão que se apresenta. Recordemos o texto legal: "Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.934 25 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." A leitura do texto legal espanca qualquer dúvida. Devem as partes acordar sobre as metas claras e objetivas, não só quanto ao direito substantivo como também quanto às regras adjetivas, e devem, também, publicizar o acordo celebrado. Ora, tal determinação, voltada não só para o ajuste entre os interessados mas também para a total transparência do conteúdo acordado, não pode ser tomada como simples tutela da convergência de vontades, mas também deve ser entendida como ajuste expresso, formal e transparente sobre os direitos e mecanismo de exercício desses direitos e deveres. Assim, entendo que o legislador não só exigiu o acordo entre as vontades, mas também determinou que tal ajuste ocorra sobre determinadas condições e balizas, tendo condicionado a vantagem tributária ao cumprimento dessas condicionantes. Com essas considerações, observo que, no caso concreto, as partes ao afastarem textualmente o alcance do pactuado dos trabalhadores mencionados, ressalvando a possibilidade de uma extensão unilateral, impediram o acesso desses trabalhadores da vantagens tributárias constantes da Lei nº 10.101/00. Ressalto que, se ao reverso, tivessem estipulado, minimamente, as condições para a percepção da PPR, e os valores desta, ainda que indiciariamente, não haveria a ofensa mencionada à vontade do legislador. Aponto ainda que, ao reverso do que entende a decisão de piso, o fato de tal acordo ter sido firmado somente com o sindicato representativo dos trabalhadores da matriz, não ofende os ditames da lei, quanto mais ao se recordar que tal programa se refere, exclusivamente, aos dirigentes e altos funcionários da recorrente. Diante do exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. ESTABELECIMENTO DE BARUERI Consta do Relatório Fiscal (fls. 38): "87. Na unidade localizada em Barueri, ocorreram os seguintes problemas: • O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização. • O Acordo Coletivo não está assinado pelos representantes da empresa. Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 26 • Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009. 88. Portanto, em relação à unidade localizada no município de Barueri, por estarem em desacordo com a Lei, na medida que não foi apresentado qualquer Acordo Coletivo referente ao período, consideramos que todos os pagamentos a título de participação nos resultados, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 89. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. 90. Em atendimento apresentou relação com os nomes e valores solicitados, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR DIRETOR EXECUTIVO SENIORES (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). 91. O Acordo Coletivo, além de não assinado e não referirse ao período objeto da fiscalização, também, como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos, Seniores e contratados por prazo determinado. A empresa não apresentou qualquer Acordo relativo ao contratados por prazo determinado" (negritei) Em seu recurso, o sujeito passivo arguiu (fls 2674): "Com relação ao estabelecimento de Barueri, aduz a decisão que não foi juntada na Impugnação a documentação do PPR 2009 que confirme que o mesmo é aplicável a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores. Contudo, além da Recorrente ter apresentado no curso da fiscalização a toda a documentação requerida, a Recorrente também a anexou na Impugnação Administrativa, que confirma que programa de participação nos resultados é aplicável aos empregados Dirigentes, Executivos e Seniores (diretores, gerentes, chefes ou administrativos de nível gerencial) anos 2008 e 2009. Pela análise destes documentos, é possível verificar na cláusula segunda do programa de participação nos resultados em comento que o acordo é aplicável a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores que exercem suas atividades nos estabelecimentos da Empresa e que participem efetivamente nos resultados da Empresa. Assim, restou demonstrado que o acordo coletivo de participação nos resultados elegível aos empregados Dirigentes, Executivos e Seniores anos 2008 e 2009, abrange os Dirigentes, Executivos e Seniores que trabalham também no estabelecimento de Barueri." (sublinhado original) Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.935 27 Observo que a decisão de piso se pronuncia sobre a questão (fls 2645): "No caso de Barueri o Acordo Coletivo, de fls. 1583/1588, além de referirse somente ao ano de 2008, não contem assinatura dos representantes da empresa nem do Sindicato e como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos, Seniores e contratados por prazo determinado. No entanto alega a impugnante que o PPR de 2009 foi apresentado durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Aduz ainda que o PPR de 2009 elegível aos empregados em geral registrado perante o Ministério do Trabalho sob o número SP 009168/2009, em 21/10/2009, é extensivo a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores, que exercem sua atividades na empresa, mas não o junta na impugnação para comprovar o alegado. E alegações desprovidas de prova não servem para modificar o crédito ora exigido." (destaquei) Porém, ao perquirir a impugnação acostada aos autos, encontro às folhas 2031 o ajuste válido para o ano de 2009, conforme consta do voluntário. Assim, como acusação fiscal se funda na ausência de acordo para considerar a incidência sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados empregados, entendo caber razão ao recorrente nessa parte. Já no tocante à extensão do programa aos dirigentes e demais executivos, cabe todo o exposto acima, acrescido da constatação que o instrumento acostado às folhas 2031 é totalmente silente quanto aos dirigentes da recorrente, nada mencionando sobre metas ou valores a serem percebidos por estes segurados. Logo, comprovada a existência do acordo de participação nos resultados na unidade de Barueri para os empregados, relativo ao ano de 2009, entendo improcedente o lançamento nessa parte, e portanto, dou parcial provimento para exclusão da incidência da contribuição sobre os valores pagos a título de PLR aos empregados da unidade Barueri. ESTABELECIMENTO DE SÃO JOSÉ DOS PINHAIS, BELO HORIZONTE E IBITIRÉ Segundo a Autoridade Lançadora (fls 39): "95. Portanto, a unidade localizada em São José dos Pinhais, ocorreram os seguintes problemas: • O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização. • Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009. 96. Portanto, em relação à unidade localizada no município de São José dos Pinhais, por estarem em desacordo com a Lei, na Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 28 medida que não foi apresentado qualquer Acordo Coletivo referente ao período, consideramos que todos os pagamentos a título de participação nos resultados, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. (...) 100. Portanto, nas unidades localizadas em Belo Horizonte e Ibirité ocorreram os seguintes problemas: • Para o CNPJ 59.179.838/003233, o Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização. • Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009." Observase que o Fisco verificou os mesmos problemas apontados na unidade de Barueri, ou seja, ausência da comprovação da existência de plano de participação para o ano do lançamento e a exclusão da participação dos dirigentes. A decisão de piso enfrentou a questão (fls. 2646): Neste caso a impugnante apresenta a mesma alegação de que apresentou o PPR dos anos de 2008 e 2009 para todos os empregados e dirigentes durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04, mas não junta nada para comprovar suas alegações. Não obstante, observo às folhas 2036 a cópia do PPR da unidade de São José dos Pinhais e às folhas 2041 o programa da unidade Ibirité, ambos válidos para o ano 2009. Assim, como acusação fiscal se funda na ausência de acordo para considerar a incidência sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados empregados, entendo caber razão ao recorrente nessa parte. Quanto à exclusão dos dirigentes, executivos e seniores, cabem os fundamentos já esposados acima. Nesse sentido, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte Logo, comprovada a existência do acordo de participação nos resultados nas unidades de São José dos Pinhais e Ibirité para os empregados, relativo ao ano de 2009, entendo improcedente o lançamento nessa parte, e portanto, dou parcial provimento para exclusão da incidência da contribuição sobre os valores pagos a título de PLR aos empregados da unidade São José dos Pinhais e Ibirité. ESTABELECIMENTOS 000480; 001028; 001532; 003748; 004558; 004639; 004710; 004809; 005104 E 005287 Segundo a Autoridade Lançadora, as unidades mencionadas não possuem qualquer acordo com a devida participação sindical relativa à PLR para o período fiscalizado. Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.936 29 Tal fato é reconhecido pela Recorrente (fls. 2677), que também assevera: "Com relação aos estabelecimentos 59.179.838/0004 80,59.179.838/001028,59.179.838/001532,59.179.838/0037 48, 59.179.838/004558,59.179.838/004639,59.179.838/0047 10, 59.179.838/004809, 59.179.838/005104 e 59.179.838/0052 87, foi devidamente esclarecido que tratamse de escritórios regionais que não possuem acordo coletivo específico para pagamento de participação nos resultados. (...) Conforme anexado à Impugnação Administrativa, a unidade de Juiz de Fora possui acordo coletivo de trabalho para pagamento de participação nos resultados específico aos empregados aplicável em 2009. O acordo coletivo foi devidamente registrado perante o Ministério do Trabalho sob o número MGÜ02483/2009, em 01/09/2009, e totalmente desconsiderado pela DRJ/BSB no momento da prolação da decisão. O acordo coletivo de trabalho anexado no momento oportuno aplicase ao período objeto da fiscalização (2009), conforme demonstrado pela cláusula primeira do programa: (...) Portanto, não há que se falar em integração a base de cálculo das contribuições previdenciárias dos pagamentos efetuados a título de participação nos resultados em Juiz de Fora, visto que fora comprovada a existência de acordo específico para tal localidade, conforme os critérios estabelecidos em Lei. Para os demais estabelecimentos, por se tratarem de escritórios regionais, o acordo coletivo aplicável a estes estabelecimentos é o da matriz da empresa, ou seja, o programa de participação nos resultados de Santo André. Portanto, o pagamento do PPR aos empregados destes estabelecimentos é realizado de acordo com o que fora previsto no Acordo Coletivo de Santo André" Observo às folhas 2046 o programa da unidade de Juiz de Fora, o que por certo, afasta a imputação fiscal, posto que fundada na ausência de acordo sindical devidamente firmado. Quanto às demais unidades, escritório regionais na visão do Recorrente, entendo despiciendo, em razão da pequena quantidade de trabalhadores abrigados, a necessidade de ajuste específico com o sindicato da localidade. Mister realçar que não há na Lei nº 10.101/00, a determinação de que todas os estabelecimentos do empregador firmem acordos distintos, cada qual com o sindicato de sua base territorial. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 30 Novamente, ressalto haver incidência nos valores pagos aos dirigentes pelos motivos anteriormente mencionados. Pelo exposto, entendo caber parcial razão ao recorrente e dou provimento parcial nessa parte para excluir a incidência sobre os valores pagos aos segurados empregados dos estabelecimentos mencionados neste item. DO REEMBOLSO DE PNEUS Sobre o tema, assim se pronunciou a autoridade lançadora (fls 43): "122. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer o motivo do pagamento da rubrica 15BN – Reembolso de Vale Pneus e informar se considera base de cálculo de contribuições previdenciárias ou não e o motivo. 123. Em atendimento, limitouse a requerer a juntada do manual de Integração dos empregados, informando que nele há a previsão do BENEFÍCIO. O referido manual informa o empregado que, após a admissão, ele poderá adquirir pneus para carros e /ou motos na rede autorizada e obter reembolso de parte do valor. 124. Não há qualquer relação com a atividade desenvolvida pelo empregado, e, portanto, não se trata de reembolsar uma despesa inerente ao exercício do cargo, sendo tão somente um benefício pago em dinheiro." A insurgência ao lançamento está assim fundamentada no apelo (fls 2681): "De acordo com a Política de Benefícios da Autuada e Manual de Integração anexado à Impugnação, todo empregado com mais de noventa dias de empresa é elegível ao programa de reembolso na compra de pneus ou câmaras de ar, que funciona por uma cota semestral. A partir da Política, o empregado da autuada tem direito ao reembolso de 30% do valor gasto na aquisição de pneus, observados os seguintes limites: (a) cinco pneus de automóvel/camioneta; (b) dois pneus de moto; (c) quatro pneus de bicicleta e (d) cinco câmaras de ar. Portanto, não se trata, nem de longe, de remuneração por serviços prestados. Tratase, na verdade, de um desconto concedido aos empregados para aquisição dos produtos da própria empregadora. Ora, o trabalhador não recebe parte do seu trabalho com pneus; 'o contrário: ele pode escolher COMPRAR o pneu em fornecedores Pirelli com um mero desconto, que poderia ser dado para qualquer consumidor em uma situação de negociação do valor da mercadoria. A única diferença entre um empregado Pirelli e o consumidor final é que o desconto concedido pela loja é devolvido por meio de reembolso feito pela folha de pagamento." Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.937 31 Entendo caber razão ao Recorrente nessa parte. Não há incidência tributária em razão da ausência do caráter de remuneração da verba em análise. Vimos, linhas atrás que o conceito de remuneração do segurado empregado abarca quatro situações, ou seja são valores pagos pelo empregador a título de: i) contraprestação, isto é, verbas pagas em decorrência do trabalho prestado; ii) tempo à disposição do empregador; iii) casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho; iv) expressa previsão legal ou constante do contrato coletivo ou individual de trabalho. Não se observa nenhuma das condições acima que determinam o caráter remuneratório da verba para o caso em análise. Cumpre recordar que utilidades são bens disponibilizados pelo empregador ao empregado. Estes bens assumem caráter salarial, nos termos da CLT, quando ostentam características remuneratórias, ou seja, exsurge a feição contraprestacional, uma vez que há pagamento de utilidades por força da suspensão dos efeitos do contrato de trabalho, tampouco por força do tempo à disposição. Diverso é o caso de uma utilidade entregue como benefício ao trabalhador empregado, típica situação de mera liberalidade do empregador. Observase nitidamente ser esse ato volitivo, desobrigado, do empregador, quando tal bem é o mesmo (ou seja, idêntico), disponibilizado para todos os trabalhadores, daqueles que exercem as funções mais simples aos que realizam as tarefas mais graduadas. Os valores são pagos aos empregados que comprem produtos da Recorrente em sua rede varejista. Sem dúvida que se trata de um benefício para o trabalhador, que pode adquirir o produto de uso comum e necessário para todos que possuem veículos sem obter nenhuma vantagem extra, exceto o desconto concedido por meio do reembolso que só é pago mediante a comprovação da aquisição por meio da correspondente nota fiscal emitida por revendedor oficial da Apelante. (cf. folhas 2068) Ora, não há caráter contraprestacional em verba decorrente de pagamento efetuado pelo empregado para aquisição de bens ou utilidades. Não quando tal benefício é extensivo a todos os empregados da empresa. Diante do exposto, dou provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores referentes ao reembolso pneu. DO AUXÍLIO RESIDÊNCIA E GRATIFICAÇÃO DE GERENTE Sobre o tema, assim se manifestou a autoridade fiscal (fls 42): "110. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre valores da DIRF X GFIP dos contribuintes individuais. 111. Em atendimento, declarou que as diferenças nos meses de 06 e 07/2009 referentes a Guilherme Luis Kelly são benefício residência e gratificação função gerente. E, ainda, que o pagamento a João Batista Costa referese a autônomo mediante Recibo – RPA." Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 32 As alegações da apelação podem ser expressa pelo excerto (fls 2684): "Conforme demonstrado durante a fiscalização, a Recorrente efetuou pagamento de auxílio residência para um empregado que trabalhou, durante todo o ano de 2009, em localidade diversa daquela para qual foi contratado, de forma que durante este período foram pagas verbas a título de auxílioresidência e gratificação de função. Ora, sendo a alteração do local de trabalho com respectiva mudança de residência necessária para que o trabalhador exercesse suas atividades, não há que se falar em enquadrar tal benefício no salário de contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. E, na nova localidade, o trabalhador exerceu atividades de gerente, motivo pelo qual foi necessário pagar, durante o período de transferência, a verba em comento." Em que pesem as alegações, pertinentes, é bom que se diga, não observo no processo administrativo comprovação de tais fatos. Cediço que há previsão na CLT, reconhecida pela disposição do art. 28, § 9º, alínea 'm' da Lei de Custeio, da indenização correspondente ao pagamento da habitação ao funcionário transferido de seu local de contratação por interesse do empregador. Porém, como dito, não restou comprovado que os valores apontados pela fiscalização se encaixam nessa exceção legal. Tratandose de fato impeditivo do lançamento tributário é ônus do recorrente sua comprovação. Assim, nego provimento ao recurso nessa parte, ressaltando que a gratificação de função apontada tem natureza salarial posto que contraprestacional. 4. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DOS PAGAMENTOS FEITOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Quanto ao tópico, alega a recorrente (fls 2684): "Com relação aos pagamentos identificados pela fiscalização como feitos a contribuintes individuais, a decisão recorrida limitase a manter a autuação sob o argumento de que a Recorrente apresentou impugnação genérica sobre o tema Contudo, conforme será demonstrado abaixo, a Recorrente impugnou todo o tópico, com o intuito de demonstrar de forma clara e precisa os motivos que ensejam a insubsistência da autuação, conforme abaixo. Os pagamentos apontados pela fiscalização no presente auto de ni.jção não se encaixam no conceito de remuneração, razão pela qual .ião devem se enquadrar na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Conforme disposto no artigo 28 da Lei 8212/91, conceituase como salário de contribuição a remuneração paga como contraprestação aos serviços prestados pelo empregado, de Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.938 33 modo a delimitar a regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias: (...) Por esta razão, esclarece a Recorrente que todas as verbas que devem sofrer incidência previdenciária sempre foram devidamente declaradas em GFIP, sendo certo que os valores identificados no relatório fiscal como "remunerações de contribuintes individuais não declaradas em GFIP" referemse a verbas não sujeitas a contribuições previdenciárias e não se encaixam no conceito de remuneração, conforme demonstrado. Ademais, da própria narrativa constante do relatório fiscal, resta evidente que as verbas em análise não se encaixam neste conceito, pois nao visam remunerar a prestação dos serviços!!!" Claríssimas as alegações genéricas formuladas. Não há, ao longo de todo o recurso, nenhuma alegação comprovada que afaste as imputações fiscais, estas sim, ao reverso apontam especificidades que atraem a exação. Vejamos (fls 42): "112. Em relação a Eugenio Carlos Deliberato, Romana Ghirotti Prado e Sérgio Lomando não justificou as diferenças. 113. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a apresentar os documentos que serviram de base para os lançamentos indicados no Anexo – Documentos da Contabilidade. 114. Em atendimento, apresentou arquivo magnético com relação denominada “BASE FORNECEDORES CONTRIBUINTES IND”, onde identificou os pagamentos a pessoas físicas colocando o CPF no campo CPF/CNPJ. 115. Analisando o arquivo apresentado, foram identificados pagamentos a pessoas físicas que não foram declarados em GFIP, os quais deram origem ao Anexo – Fornecedores não declarados. 116. Para Massimo da Ronch foram utilizados os valores da conta N16001JV05 M.E. COMISSOES TERCEIROS – PETIN indicada pela empresa, Anexo – Valores Massimo da Ronch. 117. Para Juan Efrain Cangahuala foram utilizados os valores da relação apresentada: “BASE FORNECEDORES CONTRIBUINTES IND”. (...)" Como dito e repetido ao longo do presente voto, os fatos impeditivos ou modificativos do direito do Fisco ao lançamento tributário devem ser provados pelo sujeito passivo, fato que não ocorreu no presente caso. Recurso voluntário negado nessa parte. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 34 DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE FOLHA DE PAGAMENTO E GFIP Segundo o relatório fiscal (fls 43): "126. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre Base da Folha e GFIP. 127. Ressalto que a planilha indica as categorias 1 empregado, 3 trabalhador não vinculado ao RGPS com direito ao FGTS, 4 empregado por prazo determinado e 7 – menor aprendiz, tendo em vista que a empresa não apresentou a folha de pagamento dos contribuintes individuais. 128. Em atendimento, declarou que faltou considerar a rubrica /117 – Base estorno INSS. 129. A fiscalização incluiu a rubrica indicada, mas, ainda assim, restaram diferenças a esclarecer, que indicaram que a base da folha de pagamento é maior que a base declarada em GFIP para as categorias indicadas no item 126. 130. Através do TIF n° P 07, a empresa foi intimada a esclarecer as diferenças apontadas no Anexo – DIF BC FOPAG – estorno X GFIP. 131. Em atendimento, apresentou arquivos magnéticos contendo RELAÇÃO DE ESTABELECIMENTOS CENTRALIZADOS – REC das unidades e competências indicadas que não apresentam as bases segregadas por categoria e, portanto, não serviram como parâmetro para comparação e esclarecimento das diferenças. 132. A fim de demonstrar os valores declarados que foram indicados na planilha, foram extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil as seguintes informações: • Relação de GFIP enviada, por unidade e por competência. • Bases de cálculo por categoria, por unidade e por competência. 133. Foi elaborado o ANEXO DIF BC FOPAG estorno X GFIP CORRIGIDO OUT 2013, a fim de demonstrar os valores das diferenças que não foram declaradas em GFIP e não foram esclarecidas pela empresa. 134. Por se tratar de remuneração constante da folha de pagamento que não foi declarada, foi criado o levantamento D1 – DIFERENÇA FOLHA DE PAGAMENTO (D2 para a matriz e filial 59.179.838/000480), a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades)." (destaquei) A insurgência recursal pode ser resumida com a seguinte transcrição (fls Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.939 35 "Mais uma vez, não há como prevalecer a subsistência da autuação no tocante as obrigações acessórias relativas a divergências entre folha de pagamentos e GFIP, conforme será demonstrado a seguir. A Recorrente reitera que a autuação, da forma como lavrada, viola o direito à ampla defesa e ao contraditório, na medida em que não permite à Recorrente o regular exercício de defesa. Afinal, da análise do relatório fiscal e das "planilhas' mencionadas pela autuação, não é possível identificar quais seriam as supostas divergências identificadas. Portanto, desde já resta evidente a insubsistência da autuação neste particular. De qualquer forma, esclarece a Recorrente que todas as verbas que devem sofrer a incidência previdenciária sempre foram devidamente declaradas em GFIP, sendo certo que as únicas hipóteses de pagamentos não declarados em GFIP referemse a verbas não sujeitas a contribuições previdenciárias." Novamente observo a presença de alegações genéricas, e obviamente não comprovadas, que não se prestam a afastar a imputação fiscal, esta sim, específica e comprovada pelo documentos produzidos pela própria recorrente e de cunho declaratório constitutivo. Não veja a violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório apontado. Ao reverso, desde a fiscalização, comprovo que o Fisco sempre intimou e buscou a comprovação de sua inferência, somente efetuando o lançamento após tal constatação. Recurso negado nesta parte. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Se insurge a recorrente contra a elaboração de RFFP em razão do cumprimento das obrigações tributárias, pela recorrente, e da discussão sobre o crédito tributário constituído, o que, segundo ela, demonstra a incerteza da exação. Nesse sentido, alega a desnecessidade da representação, em face da inexistência de crime e da discussão sobre a procedência do crédito tributário ensejador de tal comunicado. Em que pese a existência da Súmula CARF nº 28, de caráter vínculante, que afasta a competência do CARF sobre o tema, mister realçar que o pedido da recorrente decorre da processo administrativo, ou seja, a RFFP só terá seu andamento processado após o trânsito em julgado do crédito tributário constituído pelo lançamento que aqui se discute. Recurso negado também nesta parte. Por fim, necessário reafirmar que, como dito ab initio, que foram interpostos diversos recursos com conteúdo idênticos, sendo que as páginas mencionadas no presente voto se referem ao apelo protocolizado em primeiro lugar. Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 36 CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso e no mérito, darlhe provimento parcial para: i) exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento P2 Unidades sem acordo PPR (que por amor à clareza se reitera que são os valores relativos ao pagamento realizado aos segurados empregados), e ii) os valores referentes ao lançamento decorrente do valores pagos a título de reembolso pneus. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 18365.721630/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. RENDIMENTOS DE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA.
Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário serão tributados exclusivamente na fonte.
DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2201-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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RENDIMENTOS DE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário serão tributados exclusivamente na fonte. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 36 5. 72 16 30 /2 01 4- 51 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 18365.721630/201451 Acórdão n.º 2201003.364 S2C2T1 Fl. 110 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF/Manaus AM, a Notificação de Lançamento de fls. 4/8, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2013. Foi apurado imposto suplementar de R$ 2.071,89, mais multa de ofício e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA nº 02/25.694.441. Os dados declarados foram alterados em decorrência da seguinte infração: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$ 7.534,13, excedente do limite de R$ 40.152,54 (21% dos rendimentos brutos). A descrição dos fatos e o enquadramento legal estão anotados na Notificação de Lançamento. Depois da regular ciência do lançamento, o Contribuinte apresenta Impugnação e documentos comprobatórios, fls. 2/3, 11/37 e 53/81. O Impugnante protesta pelo direito ao restabelecimento da despesa glosada, pois se refere a Pensão Alimentícia paga sobre os seus rendimentos totais. Informa que a dedução a este título soma R$ 47.686,67, conforme cópias dos contracheques, sendo R$ 43.582,67 e R$ 4.104,00 relativos aos pagamentos percebidos da PREVI e do INSS, respectivamente. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte. Foi considerada a parcela de aposentadoria proveniente do INSS no valor de R$ 21.282,43, sendo dedutível o valor de R$ 44.621,85 a título de pensão alimentícia, nos termos do acordo homologado judicialmente. Cientificado do acórdão da DRJ em 03/06/2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 18/06/2015. Alega, em síntese, que a soma dos rendimentos atinge o valor de R$ 227.079,42. Aplicando o percentual devido de 21%, temse o valor deduzido de R$ 47.686,67 com correto É o Relatório. Voto Fl. 110DF CARF MF Processo nº 18365.721630/201451 Acórdão n.º 2201003.364 S2C2T1 Fl. 111 3 Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da dedução da pensão alimentícia A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontra previsão no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; O inconformismo do sujeito passivo reside no fato de a decisão de primeira instância ter considerado como parcela dedutível o valor de R$ 44.621,85, resultante da aplicação do percentual de 21% (vinte e um por cento) sobre a totalidade dos rendimentos do contribuinte para o anocalendário 2012, que foi R$ 212.485,03. Soma dos rendimentos tributáveis de R$ 191.202,60 recebido da PREVI e de R$ 21.282,43, proveniente do INSS. Não há como se ter entendimento diverso do esposado pelo colegiado a quo. O percentual de 21% da obrigação alimentar do contribuinte, que foi objeto de acordo homologado judicialmente incidiu sobre todos os rendimentos auferidos no anocalendário Fl. 111DF CARF MF Processo nº 18365.721630/201451 Acórdão n.º 2201003.364 S2C2T1 Fl. 112 4 2012, ou seja, não se limitou apenas aos rendimentos tributáveis, abarcando, também, os rendimentos isentos e não tributáveis, como foi o caso da parcela de aposentadoria originária da autarquia previdenciária. Ressaltese que o 13° salário tem tributação exclusiva na fonte , não devendo ser adicionado aos rendimentos tributáveis no anocalendário. Trago abaixo o artigo 638 do Decreto 3.000/1999, que estabelece que "a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário". Subseção VI Décimo Terceiro Salário Art.638.Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7º, inciso VIII)estão sujeitos à incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 26,eLei nº 8.134, de 1990, art. 16): I não haverá retenção na fonte, pelo pagamento de antecipações; II será devido, sobre o valor integral, no mês de sua quitação; III a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário; IV serão admitidas as deduções previstas na Seção VI. Isto significa dizer que o Imposto de Renda devido com base neste rendimento é calculado de forma separada dos demais rendimentos auferidos mês a mês ao longo do ano e o seu resultado é definitivo, ou seja, não é passível de alteração, compensação ou ajuste na declaração anual de rendimentos. Assim, analisandose detidamente os elementos constantes dos autos, entendo que não merece prosperar a pretensão recursal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722434/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/01/2014
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA.
O instituto da compensação, segundo o CTN, exige lei específica que o regule. O Fisco só pode homologar a compensação realizada se esta se der nos termos da lei ou, caso exista, de sentença judicial que explicite todo o procedimento a ser adotado.
COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA.
O artigo 170-A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado.
APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. COMPATIBILIDADE COM AS DISPOSIÇÕES CODICISTAS.
Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA
A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada.
Numero da decisão: 2201-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a glosa da compensação. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto a aplicação da multa isolada agravada. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos César Quadros Pierre, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocado).
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2010 a 31/01/2014 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. O instituto da compensação, segundo o CTN, exige lei específica que o regule. O Fisco só pode homologar a compensação realizada se esta se der nos termos da lei ou, caso exista, de sentença judicial que explicite todo o procedimento a ser adotado. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170-A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. COMPATIBILIDADE COM AS DISPOSIÇÕES CODICISTAS. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/01/2014 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. O instituto da compensação, segundo o CTN, exige lei específica que o regule. O Fisco só pode homologar a compensação realizada se esta se der nos termos da lei ou, caso exista, de sentença judicial que explicite todo o procedimento a ser adotado. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. COMPATIBILIDADE COM AS DISPOSIÇÕES CODICISTAS. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a glosa da compensação. Por voto de qualidade, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 24 34 /2 01 4- 39 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 negar provimento ao recurso quanto a aplicação da multa isolada agravada. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos César Quadros Pierre, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocado). CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de impugnação que julgou procedente lançamento de glosa de compensações efetuadas, antes do trânsito em julgado, de contribuições previdenciárias recolhidas e incidentes sobre aviso prévio indenizado, décimo terceiro salário proporcional ao aviso prévio indenizado, primeiros quinze dias de afastamento por auxíliodoença, salário maternidade, férias e adicional de 1/3 sobre férias. A descrição dos motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (folhas 21 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: "Auto de Infração AI n° 51.048.1469, no valor de R$ 2.563.580,62, por glosa de compensação indevida de contribuição previdenciária incidente sobre as verbas pagas e descriminadas no relatório fiscal aos segurados empregados. Auto de infração n° 51.048.1477 , no valor de R$ 2.870.542,46 referente multa isolada em razão da inserção de dados falsos em GFIP, consoante a previsão constante do artigo 89 da Lei nº 8.212/91." O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro de 2010 a dezembro de 2013. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência do Contribuinte, por via postal, em 25 de abril de 2014 (AR às folhas 39). Consta do relatório fiscal a seguinte descrição fática: "A partir da documentação apresentada pelo sujeito passivo (Anexo II do Conjunto de Provas) e de consulta aos sítios da Justiça Federal do Distrito Federal JFDF e do Tribunal Regional Federal 1a Região TRF1 (Anexo III do Conjunto De Provas), constatouse a existência de 2 (dois) processos que discutem a exigibilidade do crédito previdenciário sobre determinadas verbas: Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 305 3 a) Processo n2 2009.34.00.0367174. discute a suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e 13º salário proporcional ao aviso prévio indenizado. DECISÃO N° 524 17a Vara Federal 11/12/2009: LIMINAR DEFERIDA suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidentes sobre as verbas objeto de contestação (documento apreseniddo pelo contribuinte). SENTENÇA N° 223/2010 17a Vara Federal 08/03/2010 EXAME DO MÉRITO PEDIDO PROCEDENTE concede segurança para declarar a inexigibilidade do crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidente sobre as verbas objeto de contestação, bem como condena "a ré a restituir, mediante compensação com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, os valores recolhidos indevidamente a tal título nos 10 (dez) anos anteriores à impetração, cujo quantum deverá ser acrescido da Taxa Selic" (documento apresentado pelo contribuinte). b) Processo n 2009.34.00.0367188: discute a suspensão da exigibilidade do crédito tributário incidente sobre verbas pagas a título de "primeiros 15 dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3". DECISÃO 354/2009 14a Vara Federal 06/11/2009 DECISÃO LIMINAR INDEFERIDA. DECISÃO (AGRAVO DE INSTRUMENTO) 07/12/2009 suspende a exigibilidade de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas ao seguradoempregado a título de: primeiros 15 dias de afastamento do empregado doente ou acidentado e adicional de férias de 1/3. Não suspende a exigibilidade de contribuição previdenciária sobre as parcelas referentes à saláriomaternidade e férias (documento apresentado pelo contribuinte). SENTENÇA N° 52/2010 14a Vara Federal 17/05/2010 SENTENÇA C/ EXAME DO MÉRITO PEDIDO PROCEDENTE EM PARTE mantém a suspensão de exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a parcela: "primeiros 15 dias de afastamento do empregado doente ou acidentado" e não suspende a exigibilidade de contribuição previdenciária sobre as parcelas referentes "salário maternidade, férias e adicional de férias de 1/3". Declara o direito do impetrante de compensar os créditos decorrentes do pagamento indevido da contribuição previdenciária sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente). Por fim esclarece que a compensação farseá após o trânsito em julgado da presente ação. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 Foi expedida Certidão, em 11/03/2014, pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região, em que o Diretor da Divisão de Processamento da Coordenadoria de Recursos da Secretaria Judiciária apresenta um histórico dos fatos ocorridos nos autos do Mandado de Segurança 003583202.20C . ^1.3400. Relata, entre outros fatos, que, na sessão realizada em 08/'x4/2 ' i , a Oitava Turma do TRF 1a Região reconhece o direito à compensação, sem a limitação prevista no artigo 89, da Lei n° 8.212/1991, e que a compensação se dará somente com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Em 19/04/2013, a mesma oitava turma limita a repetição do indébito aos 5 (cinco anos) anteriores ao ajuizamento da ação. Conforme o exposto no item 13, supra, verificase que o sujeito passivo não poderia ter compensado os valores de crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidente sobre as verbas discutidas judicialmente antes do trânsito em julgado de decisão que reconhecesse o direito creditório, conforme previsto no artigo 170A da Lei ne 5.172, de 25/10/1966 CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp n° 104. de 10.1.2001) Observase que na sentença n° 52/2010 Processo n 2009.34.00.0367188, o Juiz esclarece no próprio texto que a compensação poderia ser realizada após o trânsito em julgado da ação. Na sentença n° 223/2010 Processo n9 2009.34.00.0367174, a Juíza condena a ré a restituir mediante compensação os valores recolhidos indevidamente e objeto de contestação judicial, mas não afasta a previsão contida no artigo 170A do CTN, o que vale dizer que a compensação somente poderá ser efetuada após o trânsito em julgado de decisão que reconhecer o direito creditório. Ressaltase que na Certidão expedida pelo TRF 1a Região, a Oitava Turma afasta a limitação prevista no artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 (parágrafo terceiro, já revogado pela Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei n° 11.941/2009)." (os destaques do último parágrafo transcrito não constam do original, os demais sim) Verificando o descumprimento da legislação de regência, a autoridade lançadora constitui o crédito tributário, nos termos descritos no Relatório Fiscal. Inconformado, o Contribuinte apresenta impugnação (fls. 139), tempestivamente. Em consequência, foi produzido, por maioria de votos, o Acórdão de Impugnação da 17ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, cuja ementa abaixo reproduzimos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/01/2014 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da inconstitucionalidade das leis. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 306 5 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Além das disposições gerais, estabelecidas no CTN (especialmente artigo 170A, em caso de vigência de lei que determina a incidência tributária), às compensações de contribuições previdenciárias aplicamse as específicas, previstas na Lei 8.212/1991 e na legislação pertinente. INCIDÊNCIA DE MULTA ISOLADA CARACTERIZAÇÃO DAS RAZÕES QUE AS FUNDAMENTAM. Constatados os correspondentes requisitos legais, incide multa isolada. A compensação através de GFIP pressupõe a existência de crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior. Por isso, ao realizar a compensação, sem que o crédito declarado realmente exista, o Contribuinte presta falsa informação à Receita Federal do Brasil, na medida em que dos dados transmitidos pela GFIP resulta a determinação de montante de tributo inferior àquele realmente devido. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA COM MATÉRIA OBJETO DE LANÇAMENTO FISCAL. Ajuizada ação para afastar a cobrança de determinada contribuição não fica a Fazenda Pública impedida de proceder ao lançamento, que constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa. As questões submetidas ao Poder Judiciário não podem ser apreciadas ou decididas no âmbito do julgamento administrativo. Presentes as premissas legais e para prevenir decadência, o lançamento fiscal deve ser lavrado, devendo o correspondente processo administrativo tramitar até sua conclusão, ficando a eventual cobrança ou execução fiscal sujeitas às pertinentes regras e condições legais na oportuna ocasião, ressalvado o impedimento judicial expresso e específico. ACRÉSCIMOS LEGAIS PERCENTUAIS E VALORES DAS MULTAS APLICADAS EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Em face da legislação formalmente vigente, não é possível, no âmbito do processo administrativo tributário, decidir acerca do questionamento das multas aplicadas, quanto aos seus valores ou percentuais, sob a alegação de que caracterizariam infração a princípios constitucionais princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e até mesmo da vedação constitucional ao confisco. TAXA SELIC DETERMINAÇÃO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. A utilização da taxa SELIC como índice para determinação de acréscimos legais é questão superada, não apenas pela existência de legislação formalmente vigente, como também pela pacificação jurisprudencial operada pelo STF e pelo STJ. Por isso, estabelecida que foi, de acordo com os limites e parâmetros legais vigentes e aplicáveis, a determinação dos acréscimos legais, com a incidência da taxa SELIC, deve ser mantida. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 12 de fevereiro de 2015, o Contribuinte foi cientificado, via AR (fls 247), da decisão que contrariou seus interesses. Em 26 de fevereiro seguinte, tempestivamente portanto, foi interposto recurso voluntário (fls 251), do qual constam, em síntese, as seguintes alegações: · O procedimento fiscal adotado pelo contribuinte cumpre as determinações constantes da Lei nº 9.430/96 e, portanto, possui o manto da legalidade. Segundo o STJ não há necessidade de propositura de ação judicial prévia. · A regra prevista no artigo 170A do CTN é dirigida, pelo Poder Legislativo, ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. · Além de outros argumentos, entende também com base no dito acima, ser o procedimento de compensação adotado totalmente legal. · Alega ainda que os valores compensados decorrem de verbas pagas indevidamente, a título de contribuição previdenciária, uma vez que não há incidência da quota patronal das referidas contribuições sobre as verbas mencionadas no REFISC. · Alega, com base em jurisprudência e reiteradamente, a não incidência da quota patronal da contribuição .previdenciária sobre as verbas em discussão. · Argui a inaplicabilidade da Taxa Selic sobre o créditos tributário em discussão, mencionando jurisprudência. · Refuta o cabimento da multa isolada, em razão da inocorrência das condições previstas em lei para sua aplicação.. · Alega ainda que, caso não se afaste a multa isolada, esta não pode ser aplicada em razão de seu caráter confiscatório. · Assevera também não ser cabível o encaminhamento da RFFP para o MP até que o crédito esteja definitivamente constituído. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 307 7 O recurso voluntário é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço e passo a analisálo na ordem de suas alegações. DA ESTRITA LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO PELO RECORRENTE Consta do recurso (fls. 254): "O acórdão ora vergastado compartilhou do mesmo entendimento, alegando terem sido amortizadas contribuições previdenciárias patronais de forma indevida, fundamento que não merece prosperar, senão vejamos No caso em tela, as declarações previstas no parágrafo 1º da Lei 9.430/96 outras não são senão as GFIP's descritas nos Autos de Infração n° 51.048.1469 e 51.048.1477 Comprot n° 10166.722434/201439, o que apenas reforça e confirma o argumento segundo o qual o procedimento de compensação foi absolutamente regular. Não obstante, caso se entenda pela necessidade de autorização judicial para realização da compensação por força do prescrito no artigo 170A do Código Tributário Nacional, cumpre contrastar as peculiaridades do debate ao mais recente entendimento do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, para ao final demonstrar a impertinência da vedação legal às questões ora debatidas. O montante apontado como devido deriva, exclusivamente, de valores relativos às contribuições previdenciárias devidas pelo Recorrente, restituídos em razão de sentença judicial que reconheceu o direito líquido e certo deste de compensar prestações futuras com os valores até então recolhidos indevidamente a título de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos empregados afastados com auxílio doença/acidente. Fazse salutar lembrar que é prescindível a autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes do trânsito em julgado da decisão, pois tal permissivo já está contido no bojo do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, que prevê a modalidade de compensação denominada sponte própria, de iniciativa, portanto, exclusiva do contribuinte." (destacamos) Não se pode concordar com os argumentos esposados. O instituto da compensação é forma de extinção do crédito tributário, consoante o disposto no artigo 156 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66, recepcionada pela Carta de 1988 (artigo 146, III) como lei complementar. Tratando especificamente do tema, o Códex Tributário explicita em seu artigo 170: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento." (negritei) Exsurge da leitura do texto legal que os limites da compensação decorrem de expressa previsão legal, uma vez que a lei pode estipular não só a própria compensação em si, como também as condições e garantias que a autorizem. Não cabe ao interprete do direito, tampouco ao sujeito passivo, estipular as condições da compensação dos eventuais créditos existentes frente ao débito decorrente do surgimento da obrigação tributária. Explicitando o caráter singular da compensação tributária, leciona Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, pg. 619): "Em matéria tributária, não se aplica a compensação legal regulada no Código Civil. Na verdade, quando o novo Código Civil foi promulgado, seu artigo 374 estendia o instituto à matéria fiscal, mas o referido artigo, matéria de lei complementar nos termos do artigo 146 da Constituição Federal, foi imediatamente revogado pela Lei nº 10.677/03. Assim, aplicase o que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional: (...)" (negritei) Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 14ª ed. Ed. Saraiva, pag. 457), no mesmo sentido das especificidades da compensação tributária, nos lembra que: "Sempre em homenagem ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos, o Código Tributário Nacional acolhe o instituto da compensação como forma extintiva, mas desde que haja lei que autorize. É a seguinte a redação do seu art. 170: (...)" (destaquei) Os dois professores titulares de Direito Tributário da Faculdade de Direito do Largo São Francisco apontam de maneira inequívoca a necessária autorização legal para que exista a compensação tributária. Schoueri (ob. cit. pg.620) é veemente quanto à questão: "Relevante, outrossim, notar que, na matéria fiscal, a compensação somente se dá quando a lei autorizar, e nos limites desta. Não há um direito assegurado à compensação ampla e irrestrita. Diversos Municípios não prevêem compensação. Nesses casos, o sujeito passivo mantém sua obrigação, mesmo tendo créditos contra a Administração Pública" (destaques não constam do original) Patente a ausência de direito à compensação fora dos limites da lei tributária. Nesse sentido os argumentos da recorrente padecem de respaldo jurídico. Há, forçosamente, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 308 9 que se verificar no caso concreto quais as exigências legais que permitem a extinção do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias por meio de compensação. De plano constatamos que existe permissivo legal para a compensação. A Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, em seu artigo 89, prescreve: "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." (negritei) Voltando os olhos para as condições estabelecidas pela RFB, encontramos na Instrução Normativa RFB nº 900, vigente à época dos procedimentos, as regras necessárias para o encontro de contas. Com os regramentos aplicáveis devidamente determinados, recordemos que os créditos compensados pelo sujeito passivo surgiram a partir de sentenças judiciais que reconheceram a não incidência das contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas pagas pelo Contribuinte aos seus empregados. Não se pode olvidar que, em que pese a opinião pessoal deste julgador sobre o tema, para a análise sobre a procedência do crédito tributário que aqui se discute, a incidência tributária no caso concreto é irrelevante. Importa, sim, observar se houve, pelo sujeito passivo, cumprimento das exigências constantes da legislação tributária sobre a compensação das contribuições previdenciárias no caso da existência de ação judicial, pois existe uma norma individual e concreto sentença que permite a compensação. Com o fito de espancar qualquer dúvida: no caso em apreço, o que se discute, a motivação da glosa de compensação realizada pelo Fisco, é o cumprimento das exigências legais para se possa implementar o encontro de contas autorizado. Vejamos. Consta do artigo 170A do Código Tributário Nacional: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." (destaques não constam do texto legal) Como não poderia deixar de ser, a IN RFB nº 900, expressamente veda: "Art. 34 . O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 § 2° A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3o Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o crédito que: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;" (grifamos) Patente a vedação legal à compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o crédito tributário do sujeito passivo. Não obstante a expressa proibição constante da lei, observou a Autoridade Fiscal que tal vedação também constava da sentença que reconheceu o direito de crédito do Recorrente (fls. 25): "Observase que na sentença n° 52/2010 Processo n 2009.34.00.0367188, o Juiz esclarece no próprio texto que a compensação poderia ser realizada após o trânsito em julgado da ação. Na sentença n° 223/2010 Processo n9 2009.34.00.0367174, a Juíza condena a ré a restituir mediante compensação os valores recolhidos indevidamente e objeto de contestação judicial, mas não afasta a previsão contida no artigo 170A do CTN, o que vale dizer que a compensação somente poderá ser efetuada após o trânsito em julgado de decisão que reconhecer o direito creditório. Ressaltase que na Certidão expedida pelo TRF 1a Região, a Oitava Turma afasta a limitação prevista no artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 (parágrafo terceiro, já revogado pela Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei n° 11.941/2009)." Tal descumprimento da lei, e também da sentença judicial, é o motivo fulcral do lançamento. Sobre isso não resta dúvida. Assim se pronunciou o Fisco: "Conforme o exposto no item 13, supra, verificase que o sujeito passivo não poderia ter compensado os valores de crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidente sobre as verbas discutidas judicialmente antes do trânsito em julgado de decisão que reconhecesse o direito creditório, conforme previsto no artigo 170A da Lei ne 5.172, de 25/10/1966 CTN: (...) Verificase que a compensação efetuada pelo sujeito passivo não encontra respaldo nas hipóteses previstas na legislação previdenciária como necessárias ao surgimento do direito do contribuinte efetuar compensação de valor de contribuição previdenciária. Diante do exposto, concluise que o contribuinte, ora sob Ação Fiscal, lançou valor de compensação indevido em GFIP e deixou de recolher à Previdência Social o valor da contribuição social devida nas competências 07 a 08/2011, 06 a 08/2012, 11 a 13/2012 e 03 a 13/2013." Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 309 11 Logo, não cabem os argumentos do contribuinte quando à lisura de seu procedimento e ao direito de compensação por própria vontade. Como bem apontado por Luis Eduardo Schoueri, não há amplo direito à compensação, ao reverso o direito do contribuinte está delineado pela vontade do legislador. Com esse supedâneo, não cabem os argumentos e a jurisprudência mencionada pelo recurso, quanto mais ao se recordar que a norma individual e concreta representada pela sentença judicial, obtida pelo sujeito passivo, contém a mesma restrição ao direito à compensação: há que se aguardar a definitividade da decisão. Como visto, tampouco se discute a existência do crédito, ou seja, a incidência da quota patronal das contribuições previdenciárias sobre as verbas mencionadas. Aliás, tal questão, a incidência das contribuições sobre as verbas especificadas, se encontra sob análise do poder judiciário, não cabendo discussão na via administrativa, consoante sólida jurisprudência, inclusive consolidada por meio da Súmula CARF nº 1. Com essa constatação, sobre a desnecessidade e impossibilidade da discussão sobre a origem dos créditos compensados, este julgador não se pronunciará sobre a incidência da contribuição patronal previdenciária e também sobre a natureza das verbas em si, alegações constantes do recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Consta do recurso a insurgência do contribuinte contra a aplicação da taxa Selic ao lançamento tributário em discussão. Segundo o Recorrente há nítida incompatibilidade entre o artigo 161, § 1º do CTN e as disposições da Lei 8981/95. Quanto a este argumento, melhor sorte não cabe ao Recorrente. O tema da aplicação da taxa SELIC é amplamente conhecido pelos membros deste Conselho. A incidência dos juros, com base na taxa mencionada, nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei, o que, de plano, afasta a discussão do âmbito administrativo. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em complemento, a Súmula CARF nº 5, assevera: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 310 13 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Recurso negado também nessa parte. DO DESCABIMENTO DA MULTA ISOLADA O recorrente se insurge contra a aplicação da multa isolada de 150%. Alega (fls. 282): "No que toca à multa isolada, referente ao Auto de Infração DEBCAD n° 51.048.1477, o acórdão afirma que é devida a Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 311 15 referida multa quando comprovada falsidade na declaração apresentada pelo contribuinte. No entanto, carece de procedência a alegação, uma vez que o Recorrente em momento algum agiu de forma dolosa no intuito de falsificar a declaração, o que restou comprovado, haja vista que o Recorrente submeteu todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Judiciário e do próprio Fisco. Em relatório da autoridade administrativa, o Fisco atribuiu à Recorrente infração por ter solicitado pedido de compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial. Todavia, esta conclusão é totalmente desarrazoada, pois ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de indícios de dolo, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e desarrazoada." (destaques não constam do recurso) A imposição de penalidades cabe, segundo expressa disposição do artigo 142 do CTN à autoridade lançadora. Tal poder enseja o dever dessa mesma autoridade em comprovar tal imposição de pena, ou seja, para que a penalidade aplicada subsista, é ônus da Administração Tributária comprovar que houve a prática reprovada legalmente e motivadora da sanção legal. Tal entendimento encontra apoio na legislação tributária. Recordemos as disposições do Decreto nº 70.235/72: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaquei) Logo, em que pese as alegações da Recorrente, a imputação da penalidade majorada decorre da comprovação da conduta prevista na lei. Portanto, é do texto legal que se retira a pratica vedada pelo ordenamento e a quantificação de sua reprovação. É no relatório fiscal que se comprova que o sujeito passivo, ou terceiro em favor dele, incidiu na conduta ativa ou omissiva proibida pela lei. Simples assim! Determina a Lei de Custeio da Previdência: "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado" (negritei e sublinhei) Não restam dúvidas sobre o ditame da lei. Havendo falsidade na declaração prestada pelo sujeito passivo caberá a multa que aqui se discute. Ressaltemos: Não se discute o dolo, fraude ou simulação. Nenhuma dessas condutas constam do tipo sancionador. A única questão que se deve ponderar é: houve falsidade na declaração prestada? Falsa declaração, segundo a ínclita Professora Maria Helena Diniz (Dicionário Jurídico Universitário, Ed. Saraiva, pag. 263), é: "Falsa declaração. 1. Direito civil. Dizse da declaração negocial que não corresponde à verdade ou à realidade dos fatos. 2. Direito Penal. a) Crime contra a fé pública que consiste em inserir declaração diversa da que devia ser escrita, ou não correspondente à realidade, com intuito de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar verdade sobre fato jurídico relevante, apenado com reclusão e multa. Tratase do crime de falsidade ideológica. (...)"(destaquei) Tratando do tema, Alexandre Macedo Tavares (A não Homologação da Compensação e/ou o Indeferimento de Pedido de Ressarcimento e a Endêmica Multa de Ofício, Revista Dialética de Direito Tributário, Vol. 202, Ed. Dialética, pg.46) , afirma sobre a falsidade de declaração constante do texto legal: "Tratase de modalidade comissiva, onde o agente (contribuinte), diretamente, insere informação falsa ou diversa do que deveria ter sido escrita" Assentes na definição da falsidade exigida pela Lei como conduta reprovável e ensejadora da sanção, vejamos se o Fisco pode comprovar que a conduta do contribuinte se coaduna com o agir reprovado pelo ordenamento. Segundo o Relatório Fiscal, (fls 28): "Ressaltase que o sujeito passivo inseriu em GFIP valor a ser compensado, referente ao montante das contribuições sociais devidas, oriundo de valores objetos de contestação judicial antes do trânsito em julgado de decisão que reconhecesse o direito creditório, o que contraria o previsto no artigo 170A do CTN. Agindo assim, reduziu, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social. Dessa forma comprovouse falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo tal como o previsto no parágrafo 10, do artigo 89 da Lei n 8.212/1991, o que determina a multa aplicada no percentual constante no inciso I do caput do art. 44 da Lei n2 9.430/1996, aplicado em dobro, ou seja , resulta na cominação de multa de 150% (cento e cinquenta Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.722434/201439 Acórdão n.º 2201003.281 S2C2T1 Fl. 312 17 por cento) do valor das contribuições que se informou ter compensado, independentemente da exigência do próprio tributo com os acréscimos moratórios" (destaquei) Patente a conduta do contribuinte. Sabedor da vedação da compensação antes do trânsito em julgado da decisão, insere os valores de crédito assegurados por decisão judicial sujeita à alteração, como valores passíveis de compensação. Há inserção de informação diversa da que deveria ter sido escrita, informação falsa portanto. Não se pode admitir que a Recorrente desconheça além da lei, a sentença judicial que obteve. Ao recorrer ao Poder Judiciário para ter reconhecido seu direito de crédito, o sujeito passivo, necessariamente, teve que contratar um profissional com conhecimento mínimo do tema para ingressar com a ação. Não é crível que tal profissional, exitoso em sua demanda, não tenha informado o resultado obtido e principalmente a extensão deste. Mesmo não o fazendo, o que se analisa somente por hipótese, não é crível, aos olhos deste julgador, que o Contribuinte não conheça a lei e nem a sentença judicial que o favoreceu. Importa realçar que, não é qualquer informação diversa que no meu entendimento cause a qualificadora prevista na norma. Dúvidas interpretativas reais, possibilidades de duplo entendimento, ou mesmo, casuísmos raros, podem ensejar uma informação errônea na declaração, porém, sem atrair a pena. Porém, no lançamento em apreço, houve, como comprovado pelo Fisco, inserção de informação falsa pois diversa da realidade existente no caso concreto causadora de compensação indevida. Observase a incidência da norma geral e abstrata contida na Lei de Custeio. Multa isolada aplicável. Quanto ao caráter confiscatório da multa, mister recordar que tal discussão não é cabível no âmbito deste Colegiado que tem por mister o controle de legalidade do ato administrativo e portanto, uma vez que legalmente prevista, ocorrendo as condições que determinam sua aplicação, não pode o Julgador Administrativo questionar ainda mais principiologicamente a prescrição legal. Recurso negado nessa parte. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente alega a impossibilidade de encaminhamento aos órgão competentes a Representação Fiscal para Fins Penais antes da constituição definitiva do crédito tributário que aqui se discute. Outro não é o entendimento da administração tributária. O processo administrativo que contém a RFFP se encontra apensado ao presente processo, garantindo assim que, somente após o trânsito em julgado do presente processo administrativo, se for o caso, a mencionada representação será encaminhada ao Ministério Público Federal, nos termos da legislação em vigor. Logo, não há interesse jurídico no recurso nessa parte, uma vez que o que se pede é exatamente o previsto. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 Conclusão Diante do exposto, e com fundamento nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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