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Numero do processo: 15504.001245/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004
NFLD. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA O RAT.
Os adicionais destinados ao custeio de aposentadoria especial serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária ao ensejo da concessão do referido benefício.
Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais pertinentes.
CONFIGURAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. APOSENTADORIA ESPECIAL.
O artigo 58 da Lei nº 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos.
No caso concreto, restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação desses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador.
TAXA SELIC. SÚMULA CARFNº 4.
A partir de 01 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 NFLD. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA O RAT. Os adicionais destinados ao custeio de aposentadoria especial serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária ao ensejo da concessão do referido benefício. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais pertinentes. CONFIGURAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. APOSENTADORIA ESPECIAL. O artigo 58 da Lei nº 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos. No caso concreto, restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação desses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador. TAXA SELIC. SÚMULA CARFNº 4. A partir de 01 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 12 45 /2 00 7- 35 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.340 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.341 3 Relatório 1. O presente processo administrativo fiscal referese à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD Nº 35.488.2740, lavrada contra a contribuinte ESMETAL LTDA., na qual são exigidas as contribuições previdenciárias não recolhidas no período de 01/04/1999 a 31/05/2004, correspondentes aos adicionais para o financiamento das aposentadorias especiais, de que trata o art 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. 2. De acordo com o apontado no RELATÓRIO FISCAL DE LANÇAMENTO (fls. 220/238), a empresa teria deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e os riscos ocupacionais existentes. 3. A documentação analisada pela autoridade fiscal lançadora, dentre outros, foram os Programas de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, e os Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, com base nos agentes nocivos listados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social – RPS (aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999). 4. Ao analisar a documentação supra, a fiscalização verificou diversas irregularidades praticadas pela empresa, consubstanciadas em não apresentação ou realização de Medidas de Proteção Coletiva – EPC; a não apresentação de relatório que especifique ou demonstre a periodicidade de troca de Equipamentos de Proteção Individual – EPI; apresentação de Fichas de Controle de Fornecimento de EPI com periodicidade de substituição superior a indicada no PPRA (como os protetores auriculares tipo “plug”); e que os funcionários não teriam recebido treinamento para a utilização dos EPI’s, conforme registrado por Engenheiro de Segurança do Trabalho quando da avaliação do PPRA. 5. Ao demonstrar seu inconformismo com o lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 245/295), tendo sido a NFLD nº 35.488.2740 julgada procedente, conforme Acórdão nº 0217.106, prolatado pela 8ª Turma da DRJ/BHE, em 13/02/2008 e anulado pelo CARF, em 10/06/2010, por cerceamento de defesa, nos termos do Acórdão nº 240200.937 4ª Câmara / 2" Turma Ordinária (fl. 1265), verbis: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DE PROFERIDO O acórdão DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o contribuinte ser intimado do resultado de diligência requerida pela fiscalização antes de proferido o acórdão de primeira instância, sob pena de nulidade. Precedentes. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.342 4 DECISÃO RECORRIDA NULA.." 6. Para melhor evidenciar os fatos geradores que ensejaram a presente autuação, trago a colação parte do relatório apresentado a este Conselho pelo Conselheiro relator à época: "(...). As atividades desenvolvidas pelos empregados que estavam expostos a agentes nocivos a sua saúde ou integridade física são as de: soldador, frisador planador e torneiro mecânico, zelador de ferramentas, caldeireiro, auxiliar de caldeiraria, ajustador mecânico, trançador, encarregado de ajustagem, chefe geral de oficina, ferramenteiro, encarregado de maquinas, mecânico de manutenção e auxiliar de manutenção mecânica. O lançamento compreende o período de 04/1999 a 05/2004, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 30/09/2004. Ofertada impugnação (fls. 718), foi determinada a realização de diligencia fiscal para averiguação dos documentos apresentados possuírem força para a modificação do lançamento, principalmente os PPP's que não haviam sido analisados na fase de fiscalização. Resposta do fiscal as fls. 720, no sentido de que a documentação apresentada não possui o condão de alterar quaisquer dos fundamentos do lançamento. Logo após, as fls. 722/732, verificase que o Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário da DRF Belo Horizonte, propôs consulta a equipe de auditoria dos riscos ocupacionais no Ambiente de Trabalho, sobre como efetuarse o enquadramento do agente nocivo químico cromo para fins de cobrança da contribuição prevista no inciso II do art.22 da Lei 8.212/91. Sobreveio, então, resposta de fls. 735/740, tendo sido o processo administrativo enviado a DRJ de Belo Horizonte para julgamento em primeira instancia. Mantida, pois a integralidade da notificação, fora interposto recurso voluntário, por meio do qual, sustenta o contribuinte: • que a caracterização da hipótese de incidência do adicional para aposentadoria especial dos empregados expostos a agentes nocivos está condicionada a submissão dos mesmos a tais riscos de forma permanente e não intermitente; • que a recorrente fornece EPI a todos os empregados, • que os PCMSO 's, apesar de evidenciarem, em algumas situações, a exposição a agentes nocivos em diferentes graus e intensidades, também apontam que não houve qualquer indicativo de doença que leve a incapacidade laboral; Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.343 5 • que mesmo que se considere que os empregados estivessem expostos a ruídos acima do nível de tolerância, o que não ocorreu, a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda da capacidade labora; • que a fiscalização efetuou o lançamento com base em meras presunções e em desacordo com o art. 142 do CTIV, motivo que enseja a nulidade da NFLD; e • inaplicabilidade da taxa SELIC; (...)." 7. A seguir tabela ilustrativa, cujos dados constam do Relatório Fiscal (Fls. 221 e ss), contendo as funções dos trabalhadores expostos a riscos ambientais, evidenciando assim a motivação do lançamento: FUNÇÃO DATA DO PPRA RISCOS FUNDAMENTOS Soldador 1999 Físicos – 94,1 dB 9ª) para 8 horas trabalhadas Químicos – fumos metálicos PPRA não informa se a exposição é habitual e permanente a ficha de controle de fornecimento de EPI, constatou se que o equipamento de proteção não foi devidamente fornecido aos empregados; empregado João Bosco Quintão recebeu um protetor auricular em 08/98, outro em 08/99; outro protetor entre 09 e 11/99 (na ficha não consta data nem assinatura do empregado) e outro apenas em 09/02. O empregado fazia parte do quadro da empresa até o encerramento da ação fiscal, ou seja, 05/2004. o certificado que consta na ficha de controle de fornecimento de EPI referese a protetor auditivo pré moldado de espuma de PVC, tipo inserção, com pequeno pino no interior, quando no PPRA o técnico em segurança do trabalho da empresa contratada para elaborar o PPRA informa que os protetores auriculares tipo plug; a empresa não apresentou cronograma de substituição de EPIs; concluiuse que o EPI fornecido ao empregado não atendia à sua finalidade de proteger o trabalhador do agente nocivo; a empresa apresenta para a função, um Certificado de Análise que consta a análise dos fumos metálicos constando a presença do elemento químico cromo; conclui que, tendo em vista que o cromo está relacionado no anexo 13 da NR 15 da Portaria 3.214/78 do MTE e como este anexo não determina limite de tolerância, bastando a sua presença para se caracterizar o agente nocivo, considerouse o empregado exposto aos riscos físicos (ruído acima do limite de tolerância) e agentes químicos 9fumos metálicos, cromo) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.344 6 11/01/2001 Químicos – fumos metálicos Físicos – ruído de 86 dB nível de ruído abaixo do nível de tolerância, mas o empregado continua exposto, pois a empresa não elaborou outro laudo de análise do fumo metálico, assim para o referido período, foi considerado o laudo anterior, onde consta a presença do cromo. 02/07/2002 Químicos fumos metálicos Físicos ruído de 90,8dB Empresa apresentou Laudo Técnico Ambiental elaborado em 26.03.2002 no laudo não consta análise do cromo e demonstra concentração para o chumbo; o PPRA caracteriza como exposição intermitente ao agente químico e o laudo caracteriza exposição como contínua, durante toda a jornada de trabalho; nível de ruído acima do limite de tolerância (90dB) o parecer técnico Conclusivo do PPRA atesta que o ruído ultrapassou o limite de tolerância devendo ser adotado medias de caráter coletivo, como enclausuramento de fontes ruidosas, isolamento acústico e fornecimento do equipamento de proteção individual a empresa não adotou nenhuma medida de caráter coletivo e o fornecimento do equipamento de proteção individual se mostrou deficiente; 16/12/2003 Químicos fumos metálicos habitual e permanente Físicos ruido/ radiação nãoionizante habitual e permanente a empresa não apresentou outro laudo para a análise dos fumos metálicos; não consta medição do nível do ruído; o parecer técnico informa que “a atividade é considerada insalubre de grau médio (anexo 01 ruído continuo e intermitente da NR 15 da Portaria 3.214/78 do MTE); não restou demonstrado no item 8.1.1 o uso adequado do EPI Mandrilhador Fresador Plainador e Torneiro Mecânico PPRA de 1999 Químicos – hidrocarbonetos Físicos – ruídos 83 dB insalubridade caracterizada por hidrocarbonetos e outros compostos de carbono pois são usados como solvente ou em limpeza de peças; a empresa contratada para elaborar o PPRA, confirma que existe contato com o hidrocarboneto e indica o uso do creme protetor para pele resistente a água; ao analisar a ficha de controle de EPI de dez destes profissionais apenas um empregado (torneiro mecânico) recebeu um pote de creme paras as mãos. Ele foi contratado em 17/01/2001 e somente recebeu o EPI em 04/08/2003; concluiu configurada a exposição ao agente nocivo hidrocarboneto, para as funções até a elaboração o PPRA de 2002. 02/07/2002 Químicos – óleo de corte sintético – exposição intermitente nível de ruído acima do limite de tolerância; José Turibo – a partir de 01/01/200 a empresa não forneceu mais o protetor auricular para o empregado. Na Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.345 7 Físicos – 92,8m dB – exposição contínua ficha do empregado consta apenas fornecimento de botina em 12/99, luva de raspa em 01/200 e respirador em 01/2001; Dirson Magela Pereira A partir do ano de 2001 passou a receber apenas um protetor a cada ano. Foi admitido em 02/11/1998 na função de plainador e continua trabalhando na empresa até 05/2004. Marcos Filix da Cruz o empregado recebeu um protetor em 01/2001 e o outro apenas 12/2003, três anos depois, tempo muito superior ao previsto para troca do equipamento, conforme informação da empresa contratada para elaboração do PPRA; Cláudio Mauricio Soares maior período que ficou sem receber o equipamento foi 11/98 a 05/99, o que ainda é aceitável. Todavia, após 03/2000 ficou mais de 02 anos sem receber o equipamento. Recebeu protetores apenas em 13/09/2002, em 14/07/2003, em 15/08/2003 e outro em 09/02/2004. Praticamente um protetor a cada ano. Foi admitido em 01/04/1998 e demitido em 05/02/2003, na função de fresador e foi readmitido 14/07/2003. Em 01/08/2003 sua função foi alterada para mandrilhador. Lausdinei Fernandes do Amaral recebeu um protetor auricular tipo plug em 07/99, 02 (dois) entre 07/1999 e 07/2002 (na ficha não consta a data de entrega), outro em 12/2002, mais um em 07/2003 e outro apenas em 03/2004. Renato Viana Caldeira até 08/1999 recebia o equipamento de proteção com certa regularidade, de quatro em quatro meses. A partir de 08/99 a situação mudou, recebeu dois protetores entre 08/1999 e 10/2002 (na ficha não consta a data de entrega), outro protetor em 12/2002 e outro apenas em 02/2004. Esteve afastado da empresa no período de 05/03 a 10/03, e só recebeu outro equipamento em 02/02/2004. Foi admitido em 01/10/1997 na função de mandrilhador, saiu em15105/2003 e retornou a empresa em 01/10/2003, na mesma função. Rafael Alves Neves recebeu protetor auricular em 01/2001; 08/2001; 12/2002; 09 e , 10/2003; 01, 02 e 04/2004. Na ficha do empregado não consta entrega do equipamento de proteção individual entre 08/2001 e 12/2002, portanto, o mesmo ficou 16 meses usando o mesmo equipamento. Foi admitido em 17/01/2001, como torneiro mecânico. Helvio Carneiro consta entrega de um protetor auricular tipo plug em 01/2000, 02 (dois) protetores entre 01/2000 e 08/2001 (na ficha não consta a data da entrega), um em 07/2003, 09/2003, 12/2003, 03/2004, 06/2004 e 07/2004. O empregado ficou sem trocar o seu equipamento no período de 08/2001 ate 07/2003, portanto todo o ano de 2002 e mais quase sete meses em 2003. Foi admitido em 04/09/1996, foi demitido em 11/10/1999 e readmitido em 12/01/2000, sempre na função de torneiro mecânico. Sirley de Lima até 02/99 recebeu um protetor auricular todo mês. Todavia, não recebeu nenhum protetor no período de 2000 a 2002. Recebeu 02 protetores no ano de 1999, mas na ficha não consta a data de entrega. Consta apenas entrega de botina em 17/09/1999, entrega de 02 protetores (sem data) e em 18/01/1999 entrega de outro protetor auricular. A ficha está fora de ordem cronológica, mas comprova a falta de troca do equipamento no período de 2000 a 2002, uma vez que consta registro de troca de protetor Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.346 8 auricular apenas em 05/09/2002, 10/2002, 02 e 09/2003. Foi admitido em 01/12/1998 e demitido em 19/01/2004, na função de torneiro mecânico. João Carlos Ferreira recebeu o protetor auricular em 09/2001 e outro apenas em 08/2003, quase 24 meses depois. O Ultimo protetor que recebeu foi em 01/2004. Foi admitido em 12/09/2001 na função de torneiro mecânico. a empresa não apresentou cronograma de substituição de EPIs. Segundo o Técnico em segurança do Trabalho da empresa contratada para elaborar o PPRA os protetores auriculares tipo plug deveriam ser substituídos de mês em mês, no máximo. o EPI fornecido ao empregado não atendia à sua finalidade, ou seja proteger o trabalhador do agente nocivo. 16/12/2003 Químicos – poeira metálica e óleo mineral Físicos – ruído 85,1 dB – habitual e permanente o ruído está cima do nível de tolerância; o equipamento de proteção individual não foi regularmente fornecido par ao empregado, não restando provada a sua eficácia; Zelador de ferramentas 1999 Risco químico nenhum Risco físico nenhum Apesar desta função constar da mensagem enviada à empresa notificada, informando que existe contato com o hidrocarboneto, não efetuamos o levantamento dos empregados desta função, tendo em vista informação do PPRA que não identifica exposição a agente químico. 11/01/2001 Riscos Químicos DGN (desengraxante) Hidrocarboneto Riscos Físicos 86 DB o único empregado na função não recebeu nenhum pote de creme de proteção para as mãos, apesar de estear em contato com o Hidrocarboneto. concluise que a partir dessa data o empregado estava exposto, tendo em vista constar no PPRRA a exposição ao agente químico e a mensagem enviada à empresa em 07/125/2001; 02/01/2002 Riscos Químicos DGN (desengraxante) intermitente Riscos Físicos 92,8 DB de forma continua empregado continua exposto; ruído em nível acima do limite de tolerância de forma contínua; Geraldo Ferreira da Silva – recebeu um protetor auricular por ano. empregado permanece prestando serviço na empresa e continua usando o mesmo protetor auricular desde 03/2002, hi 25 meses (considerando a última comp. fiscalizada 05/04), sendo totalmente incompatível com a informação da necessidade de se trocar o equipamento a cada mês; 16/12/2003 Riscos Químicos DGN (desengraxante) intermitente Riscos Físicos ruído habitual e permanente parecer conclusivo do PPRA atesta que" a atividade é caracterizada como Insalubre de grau médio, tendo em vista a exposição ao hidrocarboneto; a empresa não adotou nenhuma medida de controle geral e quanto ao Equipamento de Proteção Individual, este sequer foi entregue ao empregado; no ano de 2002, consta do PPRA um nível de ruído de 92,8 dB para esta função, e como para 2003 não foi feita a medição, considerouse o empregado exposto ao agente Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.347 9 ruído tendo por base a medição apresentada no ano anterior. Caldeireiro 1999 Esta função não estaca exposta a agente nocivo 11/01/2001 Não consta informação a função de caldeireiro 02/07/2002 consta nível de ruído de 90,8 dB e no PPRA de 16/12/2003 consta nível de ruído de 95 dB, considerou se que no ano de 2001 (sobre o qual não constam informações), o caldeireiro também esteve exposto ao ruído, acima do nível de tolerância. A empresa tem dois empregados nesta função e analisando as fichas de EPI constatamos que para o Sr. Jairo César Rosa o Ultimo protetor auricular foi entregue em 02/2000. O empregado continua trabalhando até 05/2004, portanto usando o mesmo protetor há quatro anos. O Sr. Reinaldo Edson de Almeida, trocou o protetor auricular em 10/99 e s6 recebeu outro em 12/2003, permanecendo quatro anos com o mesmo equipamento. Auxiliar de Caldeiraria 1999 Esta função não estaca exposta a agente nocivo 01/11/2001 Não consta informação a função de caldeireiro considerouse este profissional exposto, no período de 01/2001 ate 07/2001 (quando de sua promoção para a função de caldeireiro) tendo em vista a falta de informação para o ano de 2001 e os argumentos utilizados no item anterior. Ajustador mecânico 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos Óleo de corte sintético exposição intermitente Riscos Físicos ruído de 101,4 dB exposição continua nível do ruído acima da tolerância (90 dB); Luciano Lopes Teixeira recebeu o último protetor auricular em 01/11/1999 (data em que foi readmitido na empresa) e desta data até o dia 26.08.2004 (data em que esta fiscalização carimbou as fichas) o empregado não trocou o equipamento; Duas outras fichas analisadas apresentaram entrega de protetor auricular em 09 e 11/2002 e somente em 02 e 07/2004, respectivamente, os protetores foram trocados, caracterizando um longo período com o mesmo equipamento, restando comprovada a exposição do trabalhador a agente nocivo. 16/12/2003 Riscos Químicos poeira metálica, desengraxante industrial, óleo mineral e graxa exposição habitual, não ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído de 87 dB exposição habitual e permanente nível de ruído acima da tolerância; longo período com o mesmo equipamento; Traçador 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição Marcos Pasqual de Abreu O empregado permaneceu com o mesmo equipamento, sem trocálo por 32 meses, entre 03/01 até 10/03. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.348 10 continua 16/12/2003 Riscos Químicos desengraxante industrial e óleo mineral ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído habitual e permanente como a empresa não efetuou a medição do nível de ruído, considerouse a medida anterior, ou seja, 92,8 dB, acima do limite de tolerância. quanto ao hidrocarboneto "a atividade é caracterizada como Insalubre de grau médio Encarregado de Ajustagem 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua Uilson Miranda de Souza – o mesmo recebeu um protetor auricular em 02/2000 e outro apenas em 07/2003, mais de 03 anos depois. Recebeu outro protetor somente em 02/2004. O empregado exerce a função de encarregado de ajustagem a desde 16/07/2001. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído habitual e permanente parecer conclusivo do PPRA atesta que no tocante ao ruído, a caracterização deste agente será feita após a medição quantitativa no ambiente do trabalho pelo método dosimétrico. No entanto as medidas propostas para o controle da exposição do trabalhador devem ser implementadas; o equipamento de proteção individual, não foi devidamente fornecido ao empregado. Chefe Geral de Oficina/Chefe de Produção 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua Vander Célio Gomes que ocupa esta função desde 01/11/2000, recebeu o último protetor auricular em 11/2000 e como continuava trabalhando na empresa até o encerramento da ação fiscal, ou seja, 05/2004 utiliza o mesmo equipamento há 43 meses, tempo muito superior ao considerado necessário. Neste caso considerouse o empregado exposto. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos físicos – ruído – habitual e permanente a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Ferramenteiro 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos fumos metálicos exposição eventual Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua empregado exposto de forma contínua a nível de ruído acima do limite considerado tolerável pelo MTE, o protetor auricular, não foi fornecido de forma adequada; 16/12/2003 Riscos Químicos poeira metálica, fumos metálicos exposição ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído habitual e a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.349 11 permanente Encarregado de Maquinas Operatrizes/Enc arregado de Usinagem 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição contínua Antônio Jorge Abreu Silva recebeu um protetor auricular em 04/2003 e outro em 08/2004. Foi admitido em 04/03 e permaneceu sem trocar o equipamento de segurança por mais de um ano. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído habitual e permanente a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Mecânico de manutenção o único profissional da empresa nesta função foi admitido em 01/02/2001. No PPRA deste ano não consta exposição. 02/07/2002 Riscos Químicos poeira metálica, óleo de corte sintético e graxa exposição intermitente Riscos Físicos ruído de 101,4 dB exposição contínua Leopoldo José Silva Souza recebeu apenas um protetor auricular em 01/02/2001. Foi admitido em 01/02/2001 e permaneceu sem trocar o equipamento de segurança até o encerramento da ação fiscal.. 16/12/2003 Riscos Químicos óleo mineral, graxa, desengraxante industrial Riscos físicos – ruído de 87 dB – exposição habitual e permanente empregado exposto, tendo em vista que o uso do equipamento de segurança não ter se mostrado eficaz; Auxiliar de Manutenção Mecânica ruído acima da tolerância (87dB); empregado recebeu apenas um protetor auricular quando de sua admissão (admitido em 01/10/2003) 8. A recorrente foi regularmente cientificada da decisão de segunda instância que anulou o Acórdão a quo, proferido em 13/02/2008 (fls. 781/800), reabrindose o prazo de defesa de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para apresentação de manifestação a respeito de Diligência Fiscal, anteriormente efetuada ,conforme consignado às fls. 749/752 dos autos. 9. A autuada não se manifestou acerca da referida Diligência Fiscal, tendo limitadose em apresentar requerimento, onde pede a apreciação da defesa (fls. 246/295) administrativa então apresentada. 10. O julgador a quo ao reanalisar a defesa apresentada em 15/10/2004 (fl. 245) decidiu pela procedência do lançamento, cuja decisão (fls. 1295/1314) restou ementada nos seguintes termos: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.350 12 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 RISCOS OCUPACIONAIS. ADICIONAL PARA O CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL .ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM VIGOR. O gerenciamento adequado do ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, é condição para afastar a cobrança do adicional de contribuição destinada à aposentadoria especial prevista no artigo 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. No processo administrativo fiscal, não cabe apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de norma. Impugnação Improcedente." 11. A contribuinte tomou ciência da decisão supra em 17/09/2013 (fls. 1317 AR) e, demonstrando sua irresignação com o resultado do julgamento de primeira instância, a empresa, tempestivamente, e, basicamente com os mesmos argumentos apresentados na defesa inicial, interpôs Recurso Voluntário, às fls. 1318/1333, no qual, em síntese, aduz que: a) o lançamento deve ser anulado, eis que está fundado em "(...) meras presunções, e não de fatos concretos que espelhem os efetivos riscos ocupacionais, bem como se apóiam em circunstâncias que não tem relação de pertinência com os fatos concretos". Tal fato macula de vício o auto de infração a teor do art. 142 do CTN; b) a fiscalização não se desincumbiu do ônus de exaurir a matéria tributável, nos termos do referido artigo 142, limitandose a tentar descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada, sem sequer conhecer ou analisar as instalações da Recorrente, sob o argumento de que o "levantamento está embasado nos documentos apresentados pela empresa, ou seja, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA”; c) não está configurada a situação na qual os empregados da recorrente estejam submetido a risco à saúde ou integridade física, inclusive, em virtude de medidas preventivas e corretivas adotadas não haverá hipótese de sujeição do empregado à aposentadoria especial, resultando na desnecessidade de pagamento do adicional ora exigido; d) sempre adotou e exigiu de seus funcionários a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), tais como botas, luvas, óculos de proteção, capacetes, máscaras descartáveis, protetores auriculares, cremes de proteção, dentre outros, conforme depreendese dos demonstrativos de Estoque de Material à Disposição em Almoxarifado, Notas Fiscais de Compra de Material para EPI’s e relação de EPI’s entregues, anexados aos autos por ocasião da apresentação da impugnação; Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.351 13 e) o uso constante dos EPI’s fornecidos pela recorrente pode ainda ser evidenciado pelas declarações individuais de cada um de seus funcionários que atestam a aplicação dos equipamentos; f) além de adquirir os equipamentos adequados à atenuação e/ou neutralização de riscos ocupacionais, exerce a devida fiscalização quanto à utilização, através de controle de entrega de EPI’s, complementado pela imposição de ordens internas a este respeito e pela realização periódica de treinamento dos empregados, como se apura dos documentos já apresentados; g) o controle quanto à utilização e gerenciamento dos EPI’s pode ser comprovado pela realização, desde 1999, de diversas palestras e treinamentos, através da qual a recorrente forneceu orientações gerais e específicas para a adequada utilização dos referidos equipamentos, bem como no que se refere às demais medidas de segurança no trabalho, jogando por terra a afirmação da fiscalização de que os funcionários não receberam treinamento para a utilização de EPI’s; h) seus funcionários não estavam expostos a riscos permanentes e contínuos, haja vista que se dedica a fabricação de produtos diversos, sendo certo que ela não trabalha sob um sistema de produção em série; i) a análise dos PCMSO evidencia que apesar da existência em determinadas situações, de exposição a agentes nocivos em diferentes graus de intensidade, não houve qualquer indicativo de doença ou condição que leve à incapacidade, ainda que parcial; j) a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda de capacidade laboral; k) no caso, é inaplicável a taxa SELIC, visto ter esta natureza remuneratória, sendo sua utilização, inclusive, contrária ao disposto no artigo 192, § 3o, da C.F./88. 11. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos foram remetidos a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.352 14 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. PRELIMINARES 2. Embora não tenham sido suscitadas, explicitamente, como preliminares na peça recursal, considerando os supostos vícios apontados pela recorrente na busca da anulação do lançamento e da decisão a quo, de início, no entanto, registro que no procedimento adotado pela fiscalização para a formalização da autuação foram observados todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...). Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.353 15 3. Ademais, a recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)." 4. No que tange à decisão a quo, notese que esta também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que eventualmente pudesse em resultar na nulidade do referido ato. "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)." 5. Assim, pelas razões anteriormente apontadas, da análise dos autos, não identifico quaisquer vícios que possam tornar nulo, quer o lançamento ou a decisão proferida em primeira instância, até porque na elaboração dos referidos atos administrativos não foram detectadas nenhuma causa de nulidade, conforme previsto no art. 59, do Dec. nº 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." DA CONFIGURAÇÃO DO RISCO 6. Insta mencionar que a controvérsia está posta no fato de que o auditor fiscal identificou circunstância fática que autoriza o recolhimento de contribuições previdenciárias, relativas ao adicional do SAT, destinadas ao custeio do benefício de aposentadoria especial de determinados empregados que estão expostos a risco ambientais do trabalho. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.354 16 7. A empresa autuada possui como objeto social a reparação e fabricação sob encomenda de peças e equipamentos de reposição para a indústria siderúrgica e de mineração. 8. Segundo o relatório fiscal os lançamentos constantes no auto de infração sob análise, referemse ao adicional à contribuição social relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (art. 22, inciso II, da Lei n. 8.212/91), destinado ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos arts. 57 e 58 da Lei n. 8.213/91. 9. Esta contribuição incide, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos sendo às alíquotas: a) 1% para as empresas em cuja atividade preponderante do risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% paras as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. 10. Os agentes nocivos compreendem a situação combinada, ou não, de substâncias e de demais fatores de risco capazes de ocasionar danos à saúde ou à integridade física em função de sua natureza, sua concentração e sua intensidade ou da exposição do segurado aos mesmos. 11. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou a associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física do segurado que ensejam a concessão da aposentadoria especial consta no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº. 3.048/99). 12. Os agentes nocivos consubstanciados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social são meramente ilustrativos. Desse modo, caso seja constatada a efetiva exposição do segurado a um determinado agente nocivo não previsto no respectivo regulamento, o segurado, ainda assim, terá direito à contagem do tempo de serviço especial. 13. In casu, a empresa teria deixado de (i) comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, de (ii) controlar os riscos ocupacionais existentes e de (iii) dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. 14. O lançamento foi lavrado com base no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) no que se refere às seguintes funções: soldador, frisador planador e torneiro mecânico, zelador de ferramentas, caldeireiro, auxiliar de caldeiraria, ajustador mecânico, trançador, encarregado de ajustagem, chefe geral de oficina, ferramenteiro, encarregado de maquinas, mecânico de manutenção e auxiliar de manutenção mecânica. 15. A empresa garante que os riscos derivados da exposição a agentes nocivos são atenuados ou até mesmo eliminados por conta da adoção de medidas protetivas. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.355 17 Isso porque, sempre exigiu de seus empregados a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Segundo a empresa, o uso constante dos EPI’s fornecidos pode ser evidenciado não só pelos demonstrativos de Estoque de Material à Disposição em Almoxarifado, Notas Fiscais de Compra de Material para EPI’s e relação de EPI’s entregues, mas também pelas declarações individuais de cada um de seus funcionários que atestam a aplicação dos equipamentos. 16. Entretanto, segundo laudo da Clinica Médica Engenharia e Saúde do Trabalho Ltda. (CLIMEST), empresa que a própria recorrente contratou para realizar a Avaliação Anual do PPRA, ficou constado que muitas das funções exercidas realmente estavam expostas a riscos e, inclusive, foram dadas orientações para a recorrente, no sentido de fazer cumprir o disposto na legislação vigente de Segurança e Medicina do Trabalho. 17. Cabe ressaltar que as avaliações do PPRA eram realizadas anualmente e ficou evidenciado que a empresa deixou seus empregados expostos a agentes nocivos. Isso porque, com base nas avaliações feitas pela CLIMEST (ff. 123 a 219), muitas das situações de risco, no decorrer dos anos, permaneceram idênticas e algumas delas até chegaram a piorar, como se mostra a seguir: FUNÇÃO DATA DA AVALIAÇÃ O DO PPRA RISCOS LEVANTADOS ORIENTAÇÕES CARACTERIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO Soldador. 1999 Físicos – Radiação não ionizante. Ruído: 94,1 dB (A) para 8 horas trabalhadas. Químicos – fumos metálicos. Ergonômicos – exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies aquecidas, projeção de partuculas. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor; Óculos maçariqueiro; Mascara para soldador; , Mascara para fumos metálicos, semifacial, sem manutenção; Avental, luva de raspa cano longo, manga e perneira de raspa; Creme de proteção para soldador; Botina de segurança com biqueira de aço. Soldador 2001 Químicos – fumos metálicos. Físicos – Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas, radiação nãoionizante Ergonômicos – exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda , de materiais sobre membros superiores e inferiores, eletricidade, contato com superfície aquecida, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra fragmentos de escória; Óculos para macariqueiro com filtros de luz adequado; Máscara facial para soldador com lentes adequadas; Respirador para retenção de fumos e poeiras metálicas, semifacial, sem manutenção tipo P1; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Habitual e permanente, não eventual nem intermitente ao agente físico ruído e intermitente ao agente radiação não ionizante durante, a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não eventual e intermitente ao agente químico fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Plainador, Fresador, 2001 Químicos – Óleo de Corte sintético Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de Habitual e permanente, não eventual e nem intermitente Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.356 18 Mandrilhador e Torneiro mecânico. Físicos – Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada, monotonia e repetitividade Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de aço. ao agente físico ruído, não eventual e intermitente ao agente químico óleo de corte sintético Spilcort SFM"C" durante a jornada de trabalho. Zelador de Ferramentas 2001 Químicos – Desengraxante de uso industrial (DGN) Físicos Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes e queda de ferramentas sobre membros inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Creme protetor para a pele águaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não eventual nem intermitente ao agente físico ruído, não eventual e intermitente ao agente químico durante a jornada de trabalho. Mecânico Ajustador 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético Físicos Ruído: 101,4 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele águaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de ago. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição intermitente ao agente químico óleo de corte sintético durante a jornada de trabalho; Exposição continua ao agente físico ruído durante a jornada de trabalho. Traçador 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com biqueira de ago. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Exposição continua ao agente físico ruído durante a jornada de trabalho. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.357 19 cortantes Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Plainador, Fresador, Mandrilhador e Torneiro mecânico 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada, monotonia e repetitividade Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes e aquecidas Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico óleo de corte sintético Spilcort SFM "C" durante a jornada de trabalho. Encarregado de Maquinas Operatrizes/ Encarredado de Ajustagem 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Projeção de partículas, queda de materiais sobre membros superiores e inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Chefe Geral de Oficina 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Projeção de partículas, queda de materiais sobre membros superiores e Inferiores, acidentes de trânsito próprio e de terceiros Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.358 20 trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Zelador de Ferramentas 2002 Químicos – Desengraxante de uso industrial (DGN) Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Contato com. superfícies perfurocortantes e queda de ferramentas sobre membros inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho. Ferramenteiro 2002 Químicos – Fumos Metálicos Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas/ Radiação não ionizante Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Eletricidade, projeção de partículas, contato com superfície aquecida Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Máscara facial para soldador com lentes adequadas; Protetor auricular tipo plug; Respirador semifacial para retenção de fumos e poeiras metálicas, sem manutenção, tipo P2; Avental, luva de cano longo manga e perneira de raspa; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente ruído , durante a jornada de trabalho; Exposição eventual ao agente físico radiação não ionizante durante a jornada de trabalho; Exposição eventual ao agente químico fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Mecânico de Manutenção 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético e graxa (componentes mecânicos) Físicos Ruído: 101,4 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos segurança lente incolor; Protetor auricular tipo plug ou concha; Máscara respiratória semifacial Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.359 21 Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes, prensamento das mãos, projeção de partículas. sem manutenção tipo P1 para esmerilhar pegas; Creme protetor para pele óleo resistente; Botina de segurança com biqueira de ago e elástico. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Soldador 2002 Químicos – fumos metálicos. Físicos Ruído: 90,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, choque elétrico, contato com material incandescente, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos para soldador com lentes adequadas; Máscara facial para soldador; Máscara semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Exposição intermitente ao agente químico fumos metálicos, durante a jornada de trabalho; Exposição continua ao agente fisico ruldo, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente físico radiação não ionizante, durante a jornada de trabalho. Mecânico Ajustador, Mecânico de manutenção, Auxiliar de Manutenção 2003 Químicos – Poeira metálica, desengraxante industrial, óleo mineral e graxa (componentes mecânicos). Físicos Ruído: 87,0 dB(A) e dose de 150,2% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superficies aquecidas e perfurocortantes, prensamento de membros superiores, projeção de partículas, queda de material sobre o trabalhador Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos segurança lente incolor contra impactos; Protetor auricular tipo plug; Respirador respiratória semi facial valvulado sem manutenção tipo P1 para esmerilhar peças; Creme protetor para pele óleo resistente, Botina de segurança com biqueira de ago. Óculos para magariqueiro (durante o aquecimento de pegas através do maçarico); Protetor Facial (para uso do esmeril) Habitual, não ocasional e intermitente aos agentes químicos durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho. Traçador 2003 Químicos – desengraxante industrial, óleo mineral Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico durante a Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.360 22 Físicos Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento de membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele óleoresistente; Botina de segurança com biqueira de aço. Bota, avental e luva de PVC (quando: Atividade: Lavagem das peças). jornada de trabalho. Ocasional e intermitente ao agente químico durante a jornada de trabalho. Encarregado de ajustagem 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico durante a jornada de trabalho. Plainador, Fresador, Mandrilhador e Torneiro mecânico 2003 Químicos – Poeira metálica, óleo mineral (óleo mineral e fluído de corte) Físicos – Ruído médio ponderado no tempo de 85,1 dB (A) e dose de 115,6% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento de membros superiores e inferiores, projeção de partículas, contato com arestas perfurocortantes, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos lente incolor contra projeção partículas; Protetor auricular tipo plug; Luva de raspa ou vaqueta para contato com arestas perfuro cortantes; Creme protetor para pele óleo resistente; Protetor facial (durante a afiação das ferramentas de corte no esmeril); Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Habitual, não ocasional e intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Encarregado de máquinas operatrizes/ Encarregado de Usinagem 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança lente incolor contra impacto; Protetor auricular tipo plug; Botina de segurança com biqueira de ago. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Chefe Geral de Oficina 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador, acidente de transito Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança lente incolor contra impacto; Protetor auricular tipo plug; Botina de segurança com biqueira de ago. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Zelador de Ferramentas 2003 Químicos – DGN (desengraxante industrial) Físicos – Ruído Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug ou concha; Habitual, não ocasional e intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.361 23 Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes, queda de ferramentas sobre membros inferiores, projeção de partículas. Óculos de segurança lente incolor contra respingos, no manuseio do DGN; Creme de proteção para a pele óleoresistente; Luva de PVC ou Nitrilica para contato com DGN; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Ferramentaria 2003 Químicos – poeira metálica, fumos metálicos. Físicos – Ruído / radiação não ionizante Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – projeção de partículas, contato com superfície aquecida. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Mascara facial para soldador com lentes com filtro conforme o tipo de solda a ser utilizada: Protetor auricular tipo plug; Respirador semifacial para retenção de fumos e poeiras metálicas, sem manutenção, tipo P2 (nos trabalhos com solda); Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa (nos trabalhos com solda); Botina de segurança com biqueira de aço. Protetor facial (durante a afiação das ferramentas de corte no esmeril) Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Ocasional e intermitente ao agente físico radiação não ionizante durante a jornada de trabalho; Ocasional e intermitente aos agentes químicos poeira metálica e fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Mecânico de manutenção 2003 Químicos – Óleo mineral, Graxa, desengraxante industrial. Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortante, prensamento das mãos, projeção de partículas, queda em nível diferente, eletricidade. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de proteção contra impactos; Protetor auricular tipo plug; Bota, avental e luva de PVC (durante a limpeza do separador de óleo e agua); Creme protetor para pele óleo resistente; Botina de segurança com biqueira de aço; Cinto de segurança tipo paraquedista com 03 pontos de ancoragem para os trabalhos de manutenção da ponte rolante e nos trabalhos com mais de 02 metros de altura; Capacete de proteção com jugular em trabalhos em altura Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente aos agentes químicos, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho. Soldador 2003 Químicos – fumos metálicos Físicos – Ruído / Radiação nãoionizante Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, choque elétrico, contato com superfície aquecida, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores, probabilidade de explosão e ou incêndio, queda de materiais sobre trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos para soldador com lentes filtrantes com tonalidade adequada ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Máscara facial para soldador com lentes filtrantes com tonalidade adequada ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; . Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente aos agentes físicos, durante a jornada de trabalho Caldeireiro 2003 Químicos – fumos metálicos / Poeira metálica Físicos –Radiação não ionizante / Ruído médio Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Atividade de Montagem Óculos para soldador com Habitual, não ocasional e intermitente aos agentes químicos, durante a jornada de trabalho; Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.362 24 ponderando no tempo de 95,0 dB(A) e dose de 453,6% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – contato com superfície aquecida e perfurocortante, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores, queda de materiais sobre trabalhador. lentes filtrantes com tonalidade adequadas ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Máscara facial para soldador com lentes adequadas ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de ago. Atividade: Esmerilhamento Óculos de Proteção com lente incolor; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de poeira metálico, tipo P1 Protetor auricular tipo plug; Avental, luva e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de aço e elástico; Protetor Facial (durante a utilização de esmeril de bancada). Habitual, não ocasional e intermitente a radiação ionizante, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao ruido, durante a jornada de trabalho; 18. Analisando os programas elaborados pela CLIMES e os documentos anexos à NFLD, a fiscalização constatou a existência dos agentes nocivos, ruído acima do limite de tolerância, fumos metálicos de Chumbo e de Cromo, e Hidrocarbonetos. Isto é, os documentos ambientais elaborados pela empresa atestam a presença dos agentes físicos e químicos em nível superior ao tolerável previsto no anexo IV do RPS/99. 19. Contudo, a recorrente insiste que além de adquirir os equipamentos adequados à atenuação e/ou neutralização de riscos ocupacionais, exerce a devida fiscalização quanto à utilização, através de controle de entrega de EPI’s, complementado pela imposição de ordens internas a este respeito e pela realização periódica de treinamento dos empregados, através do qual a recorrente forneceu orientações gerais e específicas quanto à utilização dos referidos equipamentos. 20. Todavia, com base na tabela exposta no relatório acima, verificase que os EPI’s não eram entregues com a frequência necessária e tampouco entregues a todos os funcionários que estavam expostos aos riscos. 21. A meu ver, restou comprovado que a empresa apresentou Fichas de Controle de Fornecimento de EPI’s com periodicidade de substituição superior a indicada no PPRA, e que os funcionários não receberam treinamento para a utilização dos EPI’s, conforme registrado por Engenheiro de Segurança do Trabalho quando da avaliação do PPRA. 22. Diante de todo o exposto, é forçoso concluir que restou configurada a existência, no ambiente de trabalho dos empregados, não só de agente nocivos diversos (agentes químicos, físicos) constantes no anexo IV do RPS99, mas também riscos ergonômicos, mecânicos e de acidentes. Da mesma forma, podese constatar o ineficiente gerenciamento dos riscos ambientais por parte da empresa, fato incontroverso nos pareceres da empresa contratada para avaliar os riscos ambientais do trabalho. 23. Assim, ao analisar o conjunto probatório trazido pela fiscalização e pela recorrente em suas razões recursais, concluo que o lançamento deve ser mantido. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.363 25 DA EXPOSIÇÃO AO RISCO EVENTUALIDADE 24. A recorrente sustenta ainda que seus funcionários não estavam expostos a riscos permanentes e contínuos. Entretanto, conforme pareceres da empresa contratada para avaliar os riscos ambientais do trabalho, ficou comprovado que os riscos eram habituais. 25. Cabe ressaltar o art. 151 da Instrução Normativa INSS/PR nº 99/2003 ratifica que a permanência significa a presença do agente nocivo de maneira indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço em decorrência do mando que se submete o trabalhador, in verbis: Art. 151. O núcleo da hipótese de incidência tributária, objeto do direito à aposentadoria especial, é composto de: I – nocividade, que no ambiente de trabalho é entendida como situação combinada ou não de substâncias, energias e demais fatores de riscos reconhecidos, capazes de trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador; II – permanência, assim entendida como o trabalho não ocasional nem intermitente, durante quinze, vinte ou vinte cinco anos, no qual a exposição do empregado, do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço, em decorrência da subordinação jurídica a qual se submete. § 1º Para a apuração do disposto no inciso I, há que se considerar se o agente nocivo é: I) apenas qualitativo, sendo a nocividade presumida e independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho, conforme constante nos Anexos 6, 13, 13A e 14 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR 15) do Ministério do Trabalho e Emprego MTE e no Anexo IV do RPS, para os agentes iodo e níquel; II) quantitativo, sendo a nocividade considerada pela ultrapassagem dos limites de tolerância ou doses, dispostos nos Anexos 1, 2, 3, 5, 8, 11 e 12 da NR15 do MTE, por meio da mensuração da intensidade ou da concentração, consideradas no tempo efetivo da exposição no ambiente de trabalho. § 3º Quanto ao disposto no inciso II, não quebra a permanência o exercício de função de supervisão, controle ou comando em geral ou outra atividade equivalente, desde que seja exclusivamente em ambientes de trabalho cuja nocividade tenha sido constatada. [grifos próprios]. 26. A recorrente defende, também, que a análise dos PCMSO evidencia que apesar da existência em determinadas situações, de exposição a agentes nocivos em diferentes graus de intensidade, não houve qualquer indicativo de doença ou condição que leve à Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.364 26 incapacidade, inclusive, sustenta que a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda de capacidade laboral. 27. Ocorre que, os Relatórios Anuais dos Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da recorrente não são conclusivos quanto ás condições ambientais de trabalho, uma vez que devem estar articulados com as demais NR’s, conforme dispõem os subitens 7.2.1 e 7.2.4 da Norma NR7, e por isso não podem ser utilizados como prova. Em outras palavras, o PCMSO pode indicar uma exposição a agentes nocivos à saúde, mas o não indicativo de doença não infere, obrigatoriamente, que o trabalhador não está ou esteve exposto a agentes nocivos. 28. Dessa forma, entendo que no presente caso os riscos eram habituais, e não eventuais como alega a recorrente. DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA LEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 29. A recorrente entende que as observações da autoridade fiscal partem de meras presunções e não de fatos, bem como se apoiam em circunstâncias que não tem relação de pertinência com os fatos concretos. 30. Segundo a recorrente, a fiscalização tenta descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada, sem sequer conhecer ou analisar as instalações da recorrente, sob o argumento de que o “levantamento está embasado nos documentos apresentados pela empresa, ou seja, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA”. 31. Diante de todo o exposto, entendo não caber razão à recorrente, visto que os argumentos da fiscalização foram fundados em fatos, podendo utilizar como prova, inclusive, documentos apresentados pela própria recorrente. 32. A meu ver a fiscalização agiu corretamente e em nenhum momento tenta descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada. DA TAXA SELIC 33. O contribuinte suscita que não poderia o Fisco reclamar o pagamento de juros de mora sobre suposto débito tributário, calculado mediante a aplicação de taxa com natureza remuneratória, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios. 34. Quanto a tais argumentos, restrinjome a reproduzir a súmula CARF n.º 4, destacando que a utilização da taxa Selic têm por suporte leis tributárias dotadas de vigência plena. “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 35. Nesse contexto, correta é a aplicação da taxa SELIC como juros de mora. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.365 27 CONCLUSÃO 36. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos delineados. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 19515.721805/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 05 /2 01 2- 61 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721805/201261 Acórdão n.º 2402005.063 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por S&AA MARKETING LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 51.010.1062 (CFL 34), lavrado par a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de lançar de forma discriminada em títulos próprios de sua contabilidade, os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Constou do relatório fiscal da infração que com relação aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, a recorrente transferia o saldo indicado na conta n. 41208 (Serviços Prestados por Pessoas Físicas) para a conta 41209 (Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas). O lançamento se refere ao período de 01/2008 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 16/10/2012. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que não pode produzir prova a defenderse durante o procedimento fiscal, bem como houve a descabida inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte; 2. que não lhe foram fornecidas as planilhas de cálculo do fiscal durante a ação fiscal, de forma a produzir corretamente seus apontamentos sobre os termos de intimação que recebera em tal período; 3. que a autoridade lançadora deixou de fazer constar no acórdão recorrido a devida fundamentação a justificar o lançamento; 4. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Antes mesmo de passar as demais razões de decidir, pontuou que a recorrente utilizou como razões de defesa, as mesmas objeto dos lançamentos principais correlatos. Passo, portanto, a sua análise. Nulidade do Lançamento A recorrente sustenta ter sido cerceada em seu direito de defesa, na medida em que não lhe fora oportunizada a possibilidade de produzir prova em seu favor durante a ação fiscal levada a efeito, além do ônus da prova ter sido indevidamente invertido em desfavor do contribuinte. Em que pesem os esforços, tenho que o pedido merece ser rejeitado. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento das contribuições não adimplidas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Fl. 218DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721805/201261 Acórdão n.º 2402005.063 S2C4T2 Fl. 4 5 Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. A todo o momento a fiscalização intimou a contribuinte para apresentação de toda a documentação que entendia pertinente avaliar para concluir a auditoria, tendoa intimada de todos os termos e atos seja durante a ação fiscal, seja durante o presente processo administrativo. É de bom alvitre esclarecer que durante a fase de ação fiscal cabe ao contribuinte atender todas as solicitações realizadas pela fiscalização tributária, desde que não absolutamente sejam impertinentes ao objeto da fiscalização, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, até porque a fase litigiosa do procedimento só se inicia com a impugnação do lançamento formalizado. Também não houve qualquer situação de indevida inversão do ônus da prova, pois o lançamento fora efetuado com base na documentação apresentada pela contribuinte, a saber suas GFIP´s, folhas de pagamento e contabilidade apresentadas. Por tais motivos, não se pode decretar a nulidade do lançamento, seja em face da alegação do cerceamento do direito de defesa, seja em face da ausência de fundamentação. MÉRITO Quanto a mérito, a recorrente apenas se insurge no tocante a excessividade da multa aplicada no presente caso e que a sua cobrança ofende ao princípio do nãoconfisco, não tendo impugnado o seu fato gerador, no caso a existência das transferências dos pagamentos em sua escrituração contábil, e, por consequência, a existência da infração imputada. Tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Fl. 219DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 16004.001137/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO.
Apresentar a GFIP sem declarar a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA.
O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime torna-se obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral, bem como a sua declaração na GFIP.
PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA.
São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizar-se de evidências narradas em inquérito policial.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias.
GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada.
Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas.
Recursos Voluntários Providos em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência. E, no mérito, dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluí-lo do polo passivo do lançamento, e, para os demais, negar-lhes provimento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP sem declarar a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime tornase obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral, bem como a sua declaração na GFIP. PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA. São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizarse de evidências narradas em inquérito policial. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 37 /2 00 8- 47 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias. GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada. Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência. E, no mérito, dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluílo do polo passivo do lançamento, e, para os demais, negarlhes provimento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 687 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.570 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.181.7862. Lançamento A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da empresa haver declarado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP sem informar o montante das contribuições correspondente à cota patronal. Segundo o fisco, tal fato se deu em razão da empresa indevidamente haver se declarado optante pelo Simples, incorrendo em conduta punível com multa administrativa. Conforme o relato do fisco, a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas João Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patrícia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãode obra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurando lhes o exercício do direito de defesa. O presente encontrase apensado ao processo 16004.001134/200811. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” Impugnações As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência, que teria se dado mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. Alega ainda que, em relação ao preenchimento da GFIP, não pode ser autuada, haja vista que declarou a guia conforme o enquadramento tributário existente quando da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 688 5 Sustentou por fim que a multa imposta possui caráter de confisco, O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía com o Grupo Mozaquatro era o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Eis a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE • FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. Em se tratando de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória, a lavratura da autuação se sujeita ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal. SIMPLES. EXCLUSÃO. IRREGULARIDADES. Eventual argüição de irregularidades ocorridas na exclusão do SIMPLES devem ser formuladas nos autos do processo que trate dessa exclusão, não importando tal possibilidade, em óbice ao lançamento de contribuições decorrentes da exclusão, nem ao prosseguimento do processo administrativo fiscal decorrente. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 RELEVAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITO. NÃO CABIMENTO. A correção da falta no prazo previsto na legislação representa requisito indispensável para a concessão do beneficio da relevação da multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária acessória. PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo, assegurandose o contraditório e a ampla defesa aos litigantes, só se podendo falar na existência de litígio após a impugnação do lançamento. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o principio da substância sobre a forma. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo auditorfiscal da RFB. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua previsão legal e à necessidade formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 689 7 De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim, não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. As contribuições relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4.º do art. 150 do CTN. A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo ao direito de defesa da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que recolhera as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. Esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, requerendo que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem informasse acerca da cientificação da recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal. Foi apensado ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, que trata da exclusão da empresa do regime tributário do Simples Federal. Conforme despacho à fl. 72 do mencionado processo, a empresa foi cientificada em 01/07/2008 do Ato Declaratório de Exclusão n.º 59/2008 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), e não se manifestou dentro do prazo regulamentar. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência. Nova diligência foi determinada para que os devedores fossem cientificados da informação fiscal relativa à diligência anterior. Conforme documentos de fls. 586/609 a irregularidade processual foi saneada. Não houve a apresentação de novas manifestações pela empresas arroladas no polo passivo. É o relatório. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 690 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. O lançamento Conforme relatado, o lançamento referese à aplicação de multa pelo fato da empresa não haver declarado na GFIP às contribuições da empresa, por se declarar indevidamente optante pelo Simples, ferindo assim o § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. A ocorrência dos fatos geradores de contribuições é incontroversa, posto que a empresa declarou em GFIP as remunerações e recolheu a contribuição dos segurados, deixando de adimplir as contribuições da empresa, por se valer da opção pelo Simples. Do relatório se extrai que em 10/06/2008 o sujeito passivo foi excluído do regime simplificado por exercer atividade incompatível. A exclusão do Simples, com efeitos retroativos a 11/06/2003, deuse mediante o Ato Declaratório Executivo ADE n.º 59, de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), que compõe o processo n.º 16004.000454/200846, o qual foi apensado ao processo sob apreciação. Observase que a empresa foi cientificada da sua exclusão do Simples em 01/07/2008, não tendo se manifestado no prazo regulamentar. Assim, ocorreu o trânsito em julgado do processo de exclusão, não cabendo a essa turma discutir sobre as questões ali tratadas. Considerandose que a única alegação questionado a ocorrência da infração referiuse à possível falta de ciência do contribuinte do ADE n.º 59, a verificação do processo de n.º 16004.000454/200846 elimina qualquer dúvida acerca da regularidade da intimação da exclusão da empresa do Simples Federal. Tal constatação me leva a concluir que a autuação é procedente, uma vez que não declaradas são efetivamente devidas, pois o principal efeito da exclusão do regime simplificado é tornar obrigatório para o sujeito passivo o recolhimento dos tributos dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. Nulidade utilização de provas obtidas em procedimento de busca e apreensão As principais conclusões do fisco acerca da responsabilidade tributária de terceiros para com o crédito lançado foram lastreadas em provas documentais obtidas em procedimentos de busca e apreensão levados à efeito na "Operação Grandes Lagos" pela Polícia Federal, Receita Federal e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 As recorrentes alegam que essas provas seriam inválidas e contaminariam todo o procedimento fiscal, acarretando na nulidade do lançamento. Alegase que, não tendo o Poder Judiciário dado a palavra final sobre a lisura do procedimento de colheita de provas no inquérito policial, os papéis ali obtidos não poderiam ter sido utilizados para fundamentar a lavratura fiscal. Não vejo como dar razão às recorrentes, posto que o fisco federal obteve autorização para extrair cópias dos documentos relativos ao processo de busca e apreensão. Não há dúvida que se a administração tributária foi oficiada pelo juízo processante a lançar as contribuições devidas em razão da fraude descoberta a partir de diligências policiais, nada mais natural de que ao fisco, para fundamentar o lançamento, fosse permitida a utilização das provas obtidas em procedimentos de busca e apreensão. Acerca dos elementos obtidos para subsidiar a ação fiscal, o fisco assim se pronunciou no Relatório de Grupo Econômico (Anexo I): "1.2.1 DOS MANDADOS JUDICIAIS NA SEGUNDA BUSCA E APREENSÃO PROCESSO N° 2007.61.24.0012673 Em conseqüência da resistência imotivada dos responsáveis pela contabilidade (na investigação inicial foram identificados como "colaboradores") e dos contribuintes —pessoas jurídicas e físicas envolvidos no Grupo Mozaquatro, em atender as requisições do fisco federal, no curso das auditorias em andamento iniciadas por força da demanda judicial foram solicitadas buscas autorizada pelo Poder Judiciário da 16.ª Vara Federal de Jales e através do processo n° 2007.61.24.0012673 em curso, foram expedidos MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO, para cumprimento em 05/10/2007, nos seguintes locais: (...) Efetuadas as buscas e apreensões, acompanhando os Mandados e o Auto Circunstanciado, foram juntados: Termos de Retenção; Nota Técnica de Autenticação —Arquivos Magnéticos; Termo de Recibo de Arquivos Digitais; Termo de Declaração, Retirada de Elementos e Lacração, referentes informações colhidas em HD ("hard disc") de computadores e documentos retidos para análise. (União doc.fls. 918 a 941 e CM4 doc.fls. 946 a 964)." Notase assim que os elementos utilizados pelo fisco para embasar o lançamento foram obtidos regularmente, sendo lícito que, dentre as provas consideradas na acusação fiscal, algumas fossem extraídas peças do inquérito policial. Todo esse conjunto probatório foi posto à disposição das pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo do lançamento, não havendo o que se falar em atropelo ao princípio do contraditório, posto que todos os interessados puderam se contrapor aos aspectos fáticos e jurídicos apresentados no relatório fiscal. Muito bem lembrado pela decisão recorrida que o procedimento fiscal é fase que precede o contencioso e ocorre a pratica dos atos de oficio necessárias à verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo e, se cabível, a constituição do crédito tributário e/ou aplicação de penalidades. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 691 11 O procedimento fiscal caracterizase como etapa oficiosa ou não contenciosa, onde a autoridade administrativa coleta dados, examina documentos, solicita esclarecimentos do contribuinte, procede à auditagem dos dados contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária. Os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização não havendo que se falar em processo. Qualquer intervenção do contribuinte tem caráter de mero cumprimento de obrigação informativa. Com a ciência do contribuinte do lançamento tributário, encerrase a fase inquisitória e, caso o contribuinte não concorde com o resultado do trabalho fiscal, tem a faculdade de dar início ao contencioso mediante a apresentação da impugnação. Nesse sentido, somente há de se falar em cerceamento ao direito de defesa quando o fisco não apresenta ao sujeito passivo a descrição fática da situação que deu ensejo ao lançamento e as provas que foram utilizadas para tal mister, impossibilitando o contribuinte de compreender a imputação na sua inteireza. Não assiste razão ao sujeito passivo quando alega a nulidade do procedimento fiscal, em razão da utilização de prova emprestada. A jurisprudência do CARF tem afastado esse entendimento como se pode ver da ementa do Acórdão n.º 2301004.269, de 04/12/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. (...) Oportuno ainda esclarecer que o fato da ação penal contra os responsáveis pela empresa não ter tido trânsito em julgado, não invalida a citação pelo fisco de trechos de relatório do inquérito policial. Embora as instâncias penais e tributárias não se confundam, a utilização de elementos do procedimento policial para fundamentar o lançamento é plenamente aceitável, desde que todos os fatos narrados e as provas produzidas sejam apresentadas pelo fisco ao sujeito passivo, de modo que este possa se defender com amplitude. Afasto, portanto, a nulidade suscitada. Decadência Na alegação recursal acerca da decadência, afirmase que a norma a ser aplicada para contagem do prazo decadencial seria o § 4.º do art. 150 do CTN, uma vez que o fisco não teria demonstrado a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 O órgão de primeira instância não aderiu a essa tese, entendeu que o prazo deveria ser contado com esteio no inciso I do art. 173 do CTN, haja vista se tratar de aplciação de multa por descumprimento de obrigação acessória. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Diante dessas considerações e tratando o caso de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória no período de 07/2003 a 12/2005, encaminho por afastar a decadência suscitada, uma vez que a ciência mais tardia aos devedores, efetuada por edital, ocorreu em 30/12/2008, ou seja, quinze dias após a sua publicação, conforme preceitua o inciso IV do § 2.º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/1972 (ver fl. 263 do processo n.º 16004.001134/200811). Fl. 697DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 692 13 Responsabilidade solidária As fundamentações fática e jurídica para vincular pelo laço da solidariedade passiva as empresas e pessoas físicas listadas no relatório fiscal encontramse detalhadas no Anexo I, denominado Relatório de Grupo Econômico de Fato Grupo Econômico Mozaquatro. Passamos a relatar os principais fatos narrados no citado relatório, na parte que interessa para a solução da presente lide. Ali informase que, desde o ano de 2001, a Administração Tributária Federal vinha recebendo denúncias de um grandioso esquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, mormente nos municípios de Jales e Fernandópolis. Para averiguar os fatos denunciados, foram abertas ações fiscais que culminaram com a lavratura de inúmeros autos de infração, todavia, os créditos tributários não eram satisfeitos em razão das empresas, nem seus sócios, possuírem qualquer patrimônio. Daí surgiram evidências de que o quadro societário das empresas era composto por "laranjas", que se reportavam aos verdadeiros donos dos negócios. No final do ano de 2005, a Receita Federal solicitou apoio da Polícia Federal para o aprofundamento das investigações com vistas a identificar os reais proprietários das empresas e desbaratar as quadrilhas especializadas em sonegação fiscal. Citase que o inquérito policial decorrente deu ensejo à representação ao Poder Judiciário, que culminou com a expedição de mandados de busca e apreensão necessários à deflagração da "Operação Grandes Lagos". No decorrer da investigação policial foram identificados vários núcleos de atuação da suposta quadrilha, sendo que a empresa autuada compunha o chamado "Núcleo Mozaquatro", cuja forma de atuação foi assim descrita no relatório da Polícia Federal: "O Núcleo Mozaquatro é voltado principalmente à prática de crimes fiscais e contra a organização do trabalho. Seu "modus operandi" consiste me constituir empresas em nome de "laranjas" através dos quais movimenta a maior parte do faturamento do grupo sem pagar os tributos incidentes sobre as operações. Outras empresas, também abertas em nome de "laranjas", tem como objetivo servir de anteparo entre o grupo e ações trabalhistas movidas por seus empregados, através de contratos simulados de fornecimento de mãodeobra, crime que detalharemos mais adiante. Há evidências da prática de crime de estelionato contra a Fazenda Pública, num esquema de liberação de créditos de ICMS que não são devidos à empresa." Mais adiante o fisco passa a mencionar trechos do relatório policial, onde são tratadas as participações das pessoas físicas que seriam os "chefes" da organização, os quais gozariam de autonomia ampla de dariam a palavra final em todos os negócios do grupo. Eis a transcrição: "...Já o Grupo Mozaquatro tem quatro: Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzlin Mozaquatro, Patrícia Buzlin Mozaquatro e João Pereira Fraga. É nítida, no entanto, a Fl. 698DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 ascendência do primeiro sobre os demais, em que pese todos serem proprietários dos negócios da quadrilha e gozarem de autonomia decisória no subgrupo que comandam. Marcelo e Patrícia, por exemplo, gozam de autonomia sobre a empresa Friverde; João Pereira Fraga, decide sobre os negócios da empresa Coferfrigo de Fernandópolis. Ambas são empresas colocadas em nomes de "laranjas". Apesar de todos serem considerados "cabeças", Alfeu coordena as atividades, ao passo que Marcelo e Patrícia a gerenciam. O que todos têm em comum é o fato de serem os donos do empreendimento e os principais beneficiários das fraudes (...)". Continuando o fisco afirma que a empresa CM4 Participações Ltda, empresa ostensiva do Grupo Mozaquatro, arrendava suas instalações industriais frigoríficas para as empresas constituídas em nome de "laranjas", de modo a evitar que os bens fossem penhorados em eventuais ações fiscais e trabalhistas. Alega que os idealizadores do esquema fraudulento eram os membros da família Alfeu, seus filhos Patrícia e Marcelo, além do cunhado Djalma Buzolin. Ao lado desses é citado também João Pereira Fraga. Segundo o fisco, todos participavam ativamente da administração de todas as empresas abertas em nome de sócios de fachada. Na sequência, narrase a participação das pessoas físicas chamadas a responder pelo débito. Eis o trecho do relatório: "Alfeu Crozato Mozaquatro oficialmente é proprietário da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação), Mapra Veículos e Peças Ltda (com 99% de participação), Indústrias Reunidas CMA Ltda (com 95% de participação) e CMA Indústria de Subprodutos Bovinos Ltda (com 10% de participação). Marcelo Buzolin Mozaquatro oficialmente consta como sócio da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação), como sócioadministrador da M4 Logística Ltda e como administrador das Indústrias Reunidas CMA Ltda (sem participação no capital social). Patrícia Buzolin Mozaquatro consta como sócia da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação) e como administradora das Indústrias Reunidas CMA Ltda (sem participação no capital social). Extraoficialmente, Alfeu, Patrícia e Marcelo são também proprietários das empresas Coferfrigo, Friverde, Transverde, Mega Boi, Caromar, Nogueira e Poggi, Pedretti e Magri, Wood Comercial e Atual Carnes, todas colocadas em nomes de sócios "laranja". Alfeu foi também proprietário de outras empresas abertas em nomes de" laranjas", como o Frigorífico Boi Rio, a Comercial de Carnes Boi Rio e a Distribuidora São Luiz (...)" O fisco relata ainda que o grupo lançou mão de empresas criadas em nome de interpostas pessoas, geralmente seus exempregados, com a finalidade exclusiva de executar a prestação de serviços nas atividadesfim dos frigoríficos. Essas empresas, ao dissimular seu verdadeiro objeto social optaram irregularmente pelo Simples. Nesse contexto, situase a Comercial Reis de Bovinos (a autuada), a qual foi criada exclusivamente para fornecer mãode obra para as Indústrias Reunidas CMA Ltda, substituindo a empresa Frigorífico Caromar que anteriormente cumpria essa função. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 693 15 Acerca da autuada, informase que a mesma não foi inicialmente objeto de investigação na fase preliminar no inquérito policial, todavia, no curso da ação fiscal verificou se a sua ligação com o Grupo Mozaquatro, posto que registrada em nome de José Roberto Barbosa, que já havia atuado como sócio de fachada em outra empresa do Grupo (Coferfrigo), e Nilza Alves Reis, cônjuge de Nelson Pimenta dos Reis, exempregado das Indústrias Reunidas CMA Ltda. Afirmase que esta empresa atuou no período de 07/2003 a 11/2005 com uma média de 70 empregados exclusivamente para fornecer mãodeobra para a empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O fisco cita ainda uma condenação trabalhista sofrida pela CMA em reclamação postulada por empregado da Comercial Reis. Citase também que a empresa de contabilidade Contábil União Ltda atendia, além das empresas registradas em nome dos membros da família Mozaquatro, àquelas constituídas pelo Grupo Mozaquatro em nome de terceiros. A partir dos fatos apresentados, a auditoria fiscal passa a vincular as empresas integrantes do Grupo Mozaquatro como responsáveis solidárias, com base no inciso II do art. 124 do CTN combinado com o IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. São citados ainda dispositivos da CLT e da Lei n.º 6.404/1976 para reforçar o conceito de grupo econômico. Por fim, é apresentado um conjunto de decisões administrativas tratando de responsabilidade solidária para empresas integrantes de grupo econômico. a) Responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Além do contribuinte, o CTN prevê a possibilidade de que possam ser incluídas como responsáveis pela satisfação do crédito tributário outras pessoas que são tratadas ali como responsáveis. Esses responsáveis em determinadas situação podem ser colocados no polo passivo da relação jurídica tributária como devedores solidários e, nesses, casos o fisco pode exigir o cumprimento da obrigação tanto do contribuinte como do responsável. Essa situação encontrase delineada no art. 124 do Códex Tributário, onde se prevê duas formas de solidariedade, uma decorre do interesse comum na situação que configura o fato gerador (solidariedade de fato), a outra depende unicamente da vontade do legislador que pode estabelecer em lei hipóteses em que um terceiro pode ser chamado a responder solidariamente com aquele que realizou fato gerador, o contribuinte (solidariedade legal). A redação do dispositivo é a seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 Para as contribuições previdenciárias, o legislador achou por bem criar a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes de grupo econômico Essa norma encontrase inserta no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Diante dessa conclusão, o primeiro passo para se verificar a existência da solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as empresas arroladas. A lei previdenciária não traz o conceito do que seja grupo econômico, mas é possível localizálo na lei trabalhista, onde o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais enfático ao positivar: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Da conjugação dos dispositivos citados, é possível inferir que a caracterização de grupo econômico não pressupõe necessariamente que as empresas envolvidas tenham constituído formalmente um conglomerado econômico. A solidariedade em questão requer tão somente que empresas, mesmo que de fato, estejam submetidas a um comando unificado e atuem no sentido de juntar esforços visando a um ganho para todo o grupo. No caso sob testilha, verificase que a autuada foi criada em nome de pessoas que serviam apenas de anteparo para encobrir os reais proprietários do negócio, tendo feito a opção pelo Simples com o único intuito de ceder mãodeobra para a empresa Indústria Reunidas CMA, a qual pertence de fato e de direito à família Mozaquatro, que efetivamente dirige os empreendimentos. A farta documentação colacionada permite a afirmação segura de que a Comercial Reis era uma das empresas de fachada criada para favorecer a supressão do Fl. 701DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 694 17 pagamento de tributos por parte do grupo econômico de fato composto por empresas ostensivas e por empresas constituídas em nome de "laranjas". As evidências são muitas. Utilização de estrutura administrativa única, o que é demonstrado pela envio das declarações da autuada por empregada da CMA; sócios que pertenciam ao quadro funcional da CMA antes de depois do funcionamento da Comercial Reis, empregados desta que declararam que efetivamente trabalhavam para a empresa formalmente pertencente ao Grupo Mozaquatro. Todos os fatos narrados no Relatório de Grupo Econômico (Anexo I do processo n.º 16004.001134/200811), onde está evidenciada toda interligação entre as diversas empresas integrantes do Grupo Mozaquatro, deixamme à vontade para concluir pela existência de grupo econômico de fato. Tal constatação inexoravelmente implica na conclusão de que a responsabilidade solidária atribuídas às pessoas jurídicas é procedente, devendo ser mantido o que ficou decidido na DRJ quanto a essa questão. a) Responsabilidade solidária das pessoas físicas Foram arroladas na condição de devedoras solidárias as pessoas físicas Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e João Pereira Fraga. A fundamentação jurídica para incluílos no polo passivo diverge daquela utilizada para vincular as empresas. Aqui nos Termos de Sujeição Passiva lançouse mão de dois dispositivos do CTN, quais sejam o inciso I do art. 124 e o inciso III do art. 135, os quais passo a transcrever: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A luz da doutrina e da jurisprudência não vejo como se possa atribuir a responsabilidade solidária a um sócio ou administrador meramente com base no inciso I do art. 124 do CTN, o qual exige interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A apreciação dessa questão envolve a pesquisa do que o legislador quis atribuir ao que chamou "interesse comum". Pareceme que para a doutrina majoritária o significado do termo vinculase ao interesse jurídico, não ao mero interesse econômico. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 Nesse sentido os interessados devem ser partícipes da mesma relação jurídica, a qual no caso do Direito Tributário referese à formação do ato que dá ensejo à obrigação tributária. Explicando melhor, uma sociedade quando pratica o fato gerador faz nascer uma relação jurídica entre ela e a Fazenda, passando a ser sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo. O mesmo não se pode dizer do sócio, posto que este não faz parte da relação tributária, portanto, não é correto afirmar que a pessoa física integrante do quadro social da empresa possua "interesse comum" na situação que configure o fato gerador. Percebese assim que, embora o sócio possua interesse econômico na consecução dos fins empresariais, não há de sua parte o interesse jurídico exigido para caracterizar a solidariedade tratada no inciso I do art. 124 do CTN. O mestre Rubens Gomes de Souza não me deixa falando sozinho, quando leciona sobre o tema: "São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador." (SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed. 1960, p 67) A jurisprudência também caminha nesse sentido, como se pode observar de decisão do Egrégio STJ onde fica patente o entendimento de que o interesse econômico de uma pessoa quanto à ocorrência do fato gerador é insuficiente para caracterizar a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Vejamos: "Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível." STJ REsp 884845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIM EIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009 Feitas essas considerações, entendo que deva ser afastada a responsabilidade solidária das pessoas físicas arroladas pelo fisco feita com base no inciso I do art. 124 do CTN. Passo agora a apreciar a outra fundamentação legal lançada nos Termos de Sujeição Passiva. O inciso III do art. 135 do CTN, que trata de responsabilidades de terceiros, vincula como responsáveis pelo crédito os diretores, gerentes ou representantes das empresas, quando a obrigação de pagar o tributo decorrer de atos praticados com excesso de poderes ou mediante infração à lei ou aos atos constitutivos da sociedade. No presente lançamento observase claramente que houve burla à lei comercial e à lei tributária na constituição da empresa Comercial Reis Ltda em nome de sócios de fachada, com opção por um regime tributário que vedava a inclusão de empresas dedicadas à cessão de mãodeobra. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 695 19 Não há dúvida também de que a administração da empresa autuada era feita em evidente afronta ao seu contrato social da autuada, posto que as pessoas que efetivamente geriam o negócio eram estranhas ao seu quadro social e não constavam como seus mandatários ou prepostos. Assim, de acordo com a jurisprudência do CARF, é certo que nesses casos cabe a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 Acórdão n.º 1402001.601, de 11/03/2014 ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos à execução, numa eventual execução do título representado pela CDA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Pessoa física que não consta do contrato social mas que era seu administrador de fato, conforme demonstrado mediante prova indireta, responde pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A não observância da norma que impõe que todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular, constituindo infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN. Acórdão n.º 1301001.536, de 03/06/2014 A luz do entendimento de que os terceiros podem ser chamados a responder pelo crédito tributário na hipótese do inciso III do art. 135 do CTN e que a situação sob análise pede a aplicação deste dispositivo, devemos nos debruçar sobre a posição de cada uma das pessoas físicas arroladas pelo fisco, de modo a decidir se é cabível a atribuição de responsabilidade imputada. a) Alfeu Crozato Mozaquatro É apontado como o líder do Grupo, que é sócio de direito da empresa Indústrias Reunidas CMA, a qual foi a beneficiária da criação da Comercial Reis em nome de "laranjas" e exclusivamente para lhe ceder mãodeobra. É evidente que a atuação de Alfeu Mozaquatro gerindo empresa criada em nome de sócios de fachada representa atropelo ao ordenamento jurídico, o que caracteriza a fraude tributária já tratada alhures. A gerência de fato da empresa autuada sem o correspondente respaldo no contrato social é, fora de dúvida, ato ilícito que contraria os atos constitutivos da empresa Comercial Reis, atraindo a regra do inciso III do art. 135 do CTN. É justa, portanto, a imputação de responsabilidade tributária a esta pessoa. b) Patrícia e Marcelo Buzolin Mozaquatro Fl. 705DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 696 21 Filhos de Alfeu Mozaquatro, foram admitidos como administradores não sócios da Indústrias CMA e participavam da gestão da empresa. Para dar uma ideia da forma como essas duas pessoas atuavam no Grupo Mozaquatro, colo trecho do Relatório Fiscal de Grupo Econômico (Anexo I) No recurso apresentado não há nenhuma argumentação no sentido de infirmar a narrativa do fisco acerca da participação da família Mozaquatro nos atos de constituição da Comercial Reis em nome de "laranjas". Os autos demonstram cabalmente que Alfeu Mozaquatro e seus filhos Patrícia e Marcelo autuaram como administradores de fato de uma sociedade em que não figuravam formalmente como sócios ou integrantes da administração. Tal fato, conforme já mencionei, é suficiente para vincular os três na condição de devedores solidários, conforme o inciso III do art. 135 do CTN. c) João Pereira Fraga Passo inicialmente a apresentar excerto do Relatório de Grupo Econômico (Anexo I do processo n.º 16004.001134/200811), que trata da atuação de João Pereira Fraga: "4.1.1.2.2. João Pereira Fraga Também é um dos "cabeças" e proprietário de fato da Coferfrigo, beneficiandose das fraudes assim como Alfeu. Segundo apontam as conversas interceptadas, João Pereira Fraga é proprietário da filial da empresa em Fernandópolis, enquanto Alfeu Crozato Mozaquatro é proprietário da filial de São José do Rio Preto. Em que pese ambos serem chefes no esquema, Alfeu tem certa ascendência sobre Fraga. Foi indiciado em dois inquéritos e denunciado em três processos criminais, havendo registro de condenação em dois deles." Observase das afirmações acima e do conjunto dos fatos trazidos ao processo pelo fisco que a atuação de João Pereira Fraga era circunscrita a um dos empreendimentos do Grupo, o Frigorífico Coferfrigo. Portanto, não se pode dizer que este atuou na constituição da empresa autuada, tampouco em sua gestão. Nesse sentido, não se pode atribuir à João Pereira Fraga a responsabilidade prevista no inciso III do art 135 do CTN, posto que não se comprovou que ele tenha incorrido, em relação à empresa fiscalizada, em nenhum ato ilícito contrário à lei ou aos atos constitutivos. Encaminho, portanto, por afastar a responsabilidade solidária atribuída a João Pereira Fraga. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e a decadência e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluílo do polo passivo do lançamento e para os demais negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15586.001872/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 72 /2 01 0- 17 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001872/201017 Acórdão n.º 2402004.728 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, combinados com o art. 216, inciso I e alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, para as competências 01/2007 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 10/11), o sujeito passivo deixou de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados incidentes sobre os valores de salários indiretos pagos (alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 17/12/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 87/212), alegando, em síntese, que o beneficio não tem natureza remuneratória e o fato de a empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não é suficiente para a modificação da natureza do instituto, consoante precedentes jurisprudenciais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1237.763 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 215/219) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O lançamento da obrigação instrumental (acessória) segue o mesmo encaminhamento da obrigação principal, já que aquela é oriunda exclusivamente da multa aplicada pelo fato da empresa deixar de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados incidentes sobre os valores de salários indiretos pagos (alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT). Isso decorre do fato de que um único momento contábil originou o lançamento da obrigação acessória e principal. Neste caso, o lançamento referente à obrigação acessória tornarse, por via reflexa, também insubsistente, tendo em vista que não há incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados. Assim, tratandose de tributação reflexa, o julgamento do lançamento da obrigação principal faz coisa julgada no lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito existente entre ambos. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que o fato gerador decorrente da presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal, informando que “a empresa não possui o PAT para o período do presente lançamento”. Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001872/201017 Acórdão n.º 2402004.728 S2C4T2 Fl. 4 5 constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001872/201017 Acórdão n.º 2402004.728 S2C4T2 Fl. 5 7 inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária e, por consectário lógico, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para que seja excluída, em sua integralidade, a multa decorrente da verba paga a título de vale alimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721804/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES Recorrente S&AA MARKETING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 04 /2 01 2- 16 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721804/201216 Acórdão n.º 2402005.064 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por S&AA MARKETING LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 51.010.1054 (CFL 78), lavrado par a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, pois deixou de informar parte dos pagamentos efetuados a segurados empregados e a totalidade dos pagamentos efetuados a contribuintes individuais. A multa aplicada no presente caso foi aquela prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91. O lançamento se refere ao período de 01/2008 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 16/10/2012. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que não pode produzir prova a defenderse durante o procedimento fiscal, bem como houve a descabida inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte; 2. que não lhe foram fornecidas as planilhas de cálculo do fiscal durante a ação fiscal, de forma a produzir corretamente seus apontamentos sobre os termos de intimação que recebera em tal período; 3. que a autoridade lançadora deixou de fazer constar no acórdão recorrido a devida fundamentação a justificar o lançamento; 4. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Antes mesmo de passar as demais razões de decidir, pontuou que a recorrente utilizou como razões de defesa, as mesmas objeto dos lançamentos principais correlatos. Passo, portanto, a sua análise. Nulidade do Lançamento A recorrente sustenta ter sido cerceada em seu direito de defesa, na medida em que não lhe fora oportunizada a possibilidade de produzir prova em seu favor durante a ação fiscal levada a efeito, além do ônus da prova ter sido indevidamente invertido em desfavor do contribuinte. Em que pesem os esforços, tenho que o pedido merece ser rejeitado. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento das contribuições não adimplidas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721804/201216 Acórdão n.º 2402005.064 S2C4T2 Fl. 4 5 A todo o momento a fiscalização intimou a contribuinte para apresentação de toda a documentação que entendia pertinente avaliar para concluir a auditoria, tendoa intimada de todos os termos e atos seja durante a ação fiscal, seja durante o presente processo administrativo. É de bom alvitre esclarecer que durante a fase de ação fiscal cabe ao contribuinte atender todas as solicitações realizadas pela fiscalização tributária, desde que não absolutamente sejam impertinentes ao objeto da fiscalização, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, até porque a fase litigiosa do procedimento só se inicia com a impugnação do lançamento formalizado. Também não houve qualquer situação de indevida inversão do ônus da prova, pois o lançamento fora efetuado com base na documentação apresentada pela contribuinte, a saber suas GFIP´s, folhas de pagamento e contabilidade apresentadas. Por tais motivos, não se pode decretar a nulidade do lançamento, seja em face da alegação do cerceamento do direito de defesa, seja em face da ausência de fundamentação. MÉRITO Quanto a mérito, a recorrente apenas se insurge no tocante a excessividade da multa aplicada no presente caso e que a sua cobrança ofende ao princípio do nãoconfisco, não tendo impugnado o seu fato gerador, no caso eventual incorreção nas informações não constantes em GFIP. Tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 15586.001088/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 88 /2 00 7- 03 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001088/200703 Acórdão n.º 2402004.688 S2C4T2 Fl. 587 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 22.117 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.110.2839. O crédito em questão referese à exigência da contribuição patronal para a Seguridade Social, incidente sobre os pagamentos por serviços médicos prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho. De acordo com o Relatório Fiscal, os valores que integram a presente NFLD referemse à contribuição devida pela cooperativa incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (faturas emitidas pela Federação das Unimed's no ES). Os respectivos valores foram discriminados, por competência, no Discriminativo Sintético de Débito DSD. Cientificado do lançamento em 29/11/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação na qual, em síntese, requestou pelo reconhecimento da decadência em atendimento ao que determina a Súmula Vinculante STF n.º 08, aplicandose para tal a regra do § 4.º do art. 150 do CTN. Depois suscitou equívoco cometido pela auditoria ao enquadrar os médicos cooperados de outras UNIMED's como contribuintes individuais, ignorando a sistemática de funcionamento das cooperativas e a figura do intercâmbio. Assegura que, tendo em vista a edição da Lei 9.876/1999, as cooperativas não mais estão sujeitas ao recolhimento de contribuição previdenciária sobre o pagamento realizado aos médicos cooperados, nem mesmo quando se tratar de atendimento por médicos associados a cooperativas diversas (intercâmbio). Assim, há ausência de previsão legal expressa para imputar às cooperativas o ônus de recolher contribuição social sobre o pagamento aos seus cooperados ou de outras cooperativas. Asseverou que a Lei n.º 9.876/1999, que instituiu a contribuição em destaque, é inconstitucional. Finalmente contestou a aplicação dos acréscimos de juros e multa. O órgão de primeira instância, aplicando o § 4.º do art. 150 do CTN, declarou decadente o período de 03/2000 a 10/2002. Os demais argumentos defensórios foram afastados. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 418 e segs., no qual, apresentou as mesmas alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Contribuição sobre faturas relativas a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – inconstitucionalidade Em sessão plenária realizada em 23/04/2014, o Corte Constitucional, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do dispositivo questionado, em julgamento, com repercussão geral reconhecida, que teve o seguinte resultado: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014.” Contra essa decisão a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que foram rejeitados por unanimidade pela Corte, em julgamento com ata publicada no DJE em 20/02/2015. Segundo o inciso I do § 1.º do art. 62 do Regimento Interno RI do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, a contrário senso, esse tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivos declarados inconstitucionais por decisão definitiva do STF. Nesse sentido, cabível a declaração de improcedência do auto de infração, haja vista que os pagamentos à Cooperativa de Trabalho não se sujeitam à incidência de contribuições, conforme decisão da Corte Constitucional. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001088/200703 Acórdão n.º 2402004.688 S2C4T2 Fl. 588 5 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16095.000465/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
No presente caso, impõe-se o esclarecimento devido, informando que esta Turma julgadora deu total provimento ao recurso do contribuinte, e não parcial provimento como consta na ementa da decisão.
As competências de 01/1996, 12/1996, 02/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 01/1998, 03/1998, 05/1998, 12/1998, 12/1999, 03/2000, e, 04/2000, restaram atingidas pela decadência, nos termos do art. 173, I do CTN.
Quanto às competências de 01/2001 a 12/2002, foi dado provimento ao recurso para não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, nos termos do voto do relator.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.809
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos apresentados para sanar a contradição apontada e para que o Recurso Voluntário seja integralmente provido.
Acompanhou a Seção de Julgamento Dra Fernanda Baracui Pereira. OAB nº 46623/DF.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. No presente caso, impõe-se o esclarecimento devido, informando que esta Turma julgadora deu total provimento ao recurso do contribuinte, e não parcial provimento como consta na ementa da decisão. As competências de 01/1996, 12/1996, 02/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 01/1998, 03/1998, 05/1998, 12/1998, 12/1999, 03/2000, e, 04/2000, restaram atingidas pela decadência, nos termos do art. 173, I do CTN. Quanto às competências de 01/2001 a 12/2002, foi dado provimento ao recurso para não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, nos termos do voto do relator. Embargos acolhidos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. No presente caso, impõese o esclarecimento devido, informando que esta Turma julgadora deu total provimento ao recurso do contribuinte, e não parcial provimento como consta na ementa da decisão. As competências de 01/1996, 12/1996, 02/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 01/1998, 03/1998, 05/1998, 12/1998, 12/1999, 03/2000, e, 04/2000, restaram atingidas pela decadência, nos termos do art. 173, I do CTN. Quanto às competências de 01/2001 a 12/2002, foi dado provimento ao recurso para não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, nos termos do voto do relator. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 65 /2 00 7- 73 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 717 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos apresentados para sanar a contradição apontada e para que o Recurso Voluntário seja integralmente provido. Acompanhou a Seção de Julgamento Dra Fernanda Baracui Pereira. OAB nº 46623/DF. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 718 3 Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração, fls. 488/489, proposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional contra Acórdão deste conselho, fls. 452/456, sustentando que o acórdão embargado apresenta contradição, especificamente no que ser refere ao crédito tributário mantido e ao valor cancelado. 2. Alega a embargante, em síntese, que: 1. “Na folha 01 do Acórdão (fls. 452 do processo), a decisão, assinada pelo Sr. Presidente e a Sra. Relatora, é "Crédito Tributário Mantido em Parte". Continuando, na folha 2 do Acórdão (fls. 452V do processo) vem o "Relatório", assinado pela Sra. Relatara em 01/06/2009, onde na folha 6 (454V do processo), temos que "as competências até 04/2000 ficam alcançadas pela decadência, por inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei. 8.212/91, prevalecendo a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN". Com relação às competências dos anos 2001 e 2002, a Sra. Relatora conclui , "que os pagamentos do PLR estão de acordo com a Lei 10.101/00", de folha 9 (fls 456 do processo). Assim, a decisão do Sr. Presidente ("Crédito Tributário Mantido em Parte") é conflitante com a decisão da Sra. Relatora, que concluiu que parte do débito está decadente e a parte restante está de acordo com a Lei 10.101/00, favorecendo a Empresa, cancelando, desta forma o total dos créditos constantes do presente processo; 2. Ocorre que ainda, nas fls. 464 do processo, a Empresa reconhece o valor devido de R$ 5.916.784,12 (consolidado em 11/2009) e requer a inclusão do mesmo no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, solicitação esta datada de 29/03/2011. 3. Portanto os embargos devem, ser acolhidos e providos.” 3. Em seguida, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 719 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. 1. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, a omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 2. Os embargos de declaração possuem o escopo de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR, verbis: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciá los, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 3. No presente caso, os embargos opostos tem o condão de esclarecer ponto contraditório entre a decisão que “exonerou todo o lançamento” e a ementa que discorreu como “provido em parte”. 4. Destarte, reconhecese a contradição alegada, tendo em vista que, na primeira folha do acórdão, a decisão assinada pelo Sr. Presidente e pela Sra. Relatora informa que o crédito tributário foi “mantido em parte”, sendo que em seu voto, a relatora concedeu provimento total ao recurso voluntário. 5. Consta na folha nº 06 do acórdão, que a relatora invoca o art. 173, I do CTN, afirmando que ficam alcançadas pela decadência as contribuições referentes às competências de 01/1996, 12/1996, 02/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 01/1998, 03/1998, 05/1998, 12/1998, 12/1999, 03/2000, e, 04/2000, no que foi acompanhada pela maioria da turma. 6. Quanto ao período relativo à competência de 01/2001 a 12/2002, consta na folha nº 09 do mesmo acórdão que a relatora deu provimento ao recurso, sendo acompanhada por unanimidade de votos. 7. No que tange ao pedido de parcelamento do débito efetuado pelo contribuinte, anoto que foi efetuado em março de 2011, período posterior à prolação da decisão ora embargada (junho 2009), daí porque os presentes embargos não constituem meio idôneo ou Fl. 719DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16095.000465/200773 Acórdão n.º 2402004.809 S2C4T2 Fl. 720 5 adequado para sanar qualquer problemática outra que não aquela advinda da decisão embargada. CONCLUSÃO 8. Por todo o exposto, conheço e acolho os embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa integrar a decisão embargada, sanando a contradição apontada, para que o Recurso Voluntário seja integralmente provido e o crédito tributário exonerado. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 11080.732918/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO NA ÁREA SOCIAL. FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE.
Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN.
Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci no que tange às contribuições destinados a Terceiros/Outras Entidades.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE. Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN. Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 29 18 /2 01 2- 37 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci no que tange às contribuições destinados a Terceiros/Outras Entidades. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 161 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 45.007 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 51.030.5938: exigência das contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 51.030.5946: exigência das contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros); e c) AI n.º 51.030.5920: aplicação de multa pela conduta da empresa de não preparar as folhas de pagamento nos padrões definidos pelo órgão da Seguridade Social. Nos termos do Relato Fiscal, os fatos geradores contemplados no lançamento foram: a) as remunerações pagas a segurados empregados de verificadas mediante análise das folhas de pagamento e contabilidade. Esse valores não foram objeto de declaração na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP (levantamento FP2); b) as remunerações pagas ao Sr. Luis Carlos Sperling, obtidas de processo trabalhista em que foi reconhecido o vínculo empregatício deste segurado, cujos salários, nas competências 01/2008 a 12/2008, 01/2009, 02/2009, 08/2010 a 12/2010, não foram lançados em folha de pagamento (levantamento EF2). A multa por descumprimento de obrigação acessória decorreu do fato da autuada não haver em razão da entidade autuada não ter incluído nas folhas de pagamento das competências 01/2008 a 12/2008, 01/2009, 02/2009, 08/2010 a 12/2010, o segurado empregado Luiz Carlos Sperling. Informase que e entidade, cuja finalidade precípua é acolher, orientar e assessorar pessoas carentes visando ao seu tratamento de saúde, declarouse erroneamente como entidade beneficente de assistência social com isenção da cota patronal previdenciária. Afirmase que a autuada não atendeu as exigências previstas no revogado art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Ressaltase que a entidade não seria possuidora de Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, tampouco consta seu registro no Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social SICNAS. Cientificado do lançamento em 06/11/2012, fl. 76, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual alega que nos termos do § 7.º do art. 195 da Constituição Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Federal são imunes ao pagamento das contribuições previdenciárias que atendam ao requisitos da Lei. Considerandose que o art. 146, II, também da Constituição dispõe que somente lei complementar pode dispor acerca das limitações do poder de tributar, então é o Código Tributário Nacional CTN, norma com força de lei complementar, que, validamente, pode exigir requisitos para fruição da referida imunidade. A entidade cumpre integralmente todos os requisitos do art. 14 do CTN, por isso as contribuições previdenciárias lançadas são indevidas. Prossegue afirmando que a contribuição ao INCRA, a qual visa ao financiamento da reforma agrária, é referente apenas ao contribuinte do segmento rural, não podendo a exação atingir empresas do meio urbano, como é o caso da autuada. Cita jurisprudência que acolhe este entendimento. Alega que o STF reconheceu a existência de repercussão geral em relação ao tema, quando apreciou o Recurso Extraordinário RE n.º 630.898, onde o Ministro Relator manifesta o mesmo entendimento que a entidade fiscalizada. Ao final, requer o cancelamento da lavratura. As teses da empresa não foram acolhidas pela DRJ, que manifestou a posição de que o art. 14 do CTN trata especificamente de impostos, não alcançando a imunidade relativa às contribuições previdenciárias. Assim, por não possuir o ato administrativo reconhecendo a isenção, a entidade desobedeceu ao § 1.º do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, não sendo merecedora da isenção pretendida. Quanto ao período de vigência da Lei n.º 12.101/2009, a partir de 29/11/2009, a DRJ também concluiu que a entidade não poderia usufruir da isenção, posto que sequer demonstrou que era certificada como entidade beneficente de assistência social. Acerca da contribuição ao INCRA, o órgão de primeira instância concluiu que essa exação caracterizase, no caso, como contribuição especial de intervenção no domínio econômico, classificada doutrinariamente como contribuição especial atípica. Tem, portanto, caráter de universalidade, não estando sua incidência condicionada a que a empresa exerça atividade rural. Complementou que o RE citado na defesa ainda não teria sido objeto de julgamento pela Corte Constitucional. Essas considerações levaram a DRJ a manter integralmente o lançamento. Inconformada, a entidade interpôs recurso voluntário, no qual lança argumentos idênticos aqueles apresentados na impugnação. É relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Aplicação do art. 14 do CTN A invocada imunidade da recorrente com base no inciso II do art. 14 do CTN não se sustenta. Vejamos: O inciso VI do art. 150 da Constituição Federal veda aos entes federados a instituição de impostos para as seguintes situações: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente processo. O desdobramento infraconstitucional do inciso IV do art. 150 da Lei Maior encontrase na alínea “c” do inciso IV do art. 9.º e no art. 14, ambos do CTN, assim redigidos: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. (...) Como se pode ver, esses dispositivos do CTN têm aplicação restrita à imunidade/isenção relacionada aos impostos. Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade/isenção, dispositivo esse que foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 e hoje é tem regramento ordinário na Lei n.º 12.101/2009. Para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2009 aplicase o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, que dentre os requisitos para gozo da isenção das contribuições previdenciárias previa em seu inciso II a necessidade de que a entidade beneficente de assistência social fosse possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Para corroborar as informações prestadas pela autoridade lançadora, efetuei consulta no SICNAS e pude constatar que sequer a autuada consta naquele cadastro, o que me leva a inferir que em nenhum momento houve de sua parte do cumprimento do requisito de possuir o CEAS. Para o período posterior, referente à vigência da Lei n.º 12.101/2009 também se pode dizer que a entidade não atendeu aos requisitos legais. Vejamos o que diz este diploma normativo acerca da necessidade de certificação para gozo da isenção: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 163 7 sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos, exceto no caso de associações assistenciais ou fundações, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. (...) grifei Ora, em nenhum momento a recorrente logrou demonstrar ser reconhecida pelos órgão competentes como entidade beneficente de assistência social, o que nos leva a concluir que, mesmo após a revogação do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, ela não atendeu aos requisitos necessários à isenção. Assim deve ser mantida a exigência das contribuições lançadas, posto que a recorrente não cumpria as determinações legais para gozo da isenção pretendida. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Contribuição ao INCRA Afirma a recorrente em seu arrazoado que a contribuição paro Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA não poderia ser aplicada às empresas urbanas, por ser destinada ao atendimento dos trabalhadores rurais. Além de que é a mesma seria inconstitucional por não se enquadrar em nenhuma das espécies tributárias previstas na Constituição Federal. Para afastar essa tese, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, a qual pode ser exigida também das empresas urbanas. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732918/201237 Acórdão n.º 2402004.736 S2C4T2 Fl. 164 9 Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência tem sedimentado o entendimento de que a contribuição ao INCRA pode ser exigida também das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. Acerca do RE n.º 630.898, embora o STF tenha reconhecido a repercussão geral da questão constitucional ali suscitada, o recurso em questão ainda não teve julgamento naquela corte, estando conclusos ao Relator desde 08/05/2013. Devese, portanto, ser mantida a exigência da contribuição ao INCRA. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 17883.000075/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
PARTICIPACAO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006 AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. PARTICIPACAO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. PARTICIPACAO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 75 /2 01 0- 85 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000075/201085 Acórdão n.º 2402004.890 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por VIAÇÃO SANTO ANTÔNIO E TURISMO LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto De Infração n. 37.249.2436, lavrado para a cobrança de contribuições da empresa, no percentual de 2,5%, destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), incidente sobre o total da remuneração de segurados empregados e trabalhadores avulsos, face convênio firmado para esta finalidade sem que tenha sido apresentada nenhuma guia de recolhimento específica recolhida diretamente à entidade conveniada. Contou do relatório fiscal que: “A base de cálculo para a apuração da contribuição da empresa, foi apurada com base nos Livros Diários de números 021 e 022, registrados na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o n° 280/2009, autenticados em 17/11/2009, relativamente aos itens de Cesta Básica e Participação nos Lucros, enquanto que o salário de contribuição contido nos levantamentos FP e FP1 foram apurados com base nas folhas de pagamento. O salário de contribuição e a contribuição devida estão discriminados no relatório "DD — DISCRIMINATIVO DO DÉBITO” O lançamento se refere ao período de 06/2005 a 13/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 31/05/2010. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a não incidência de contribuições previdenciárias em razão do fornecimento de cestas básicas, mesmo diante da não inscrição da recorrente no PAT; 2. sobre a participação nos resultados aduz que, sobre ela, não há incidência de contribuição previdenciária, não havendo como se entender que sobre o parcelamento dessa mesma participação, ainda que de forma adiantada, para se evitar perda de poder aquisitivo dos empregados, deva incidir aludida contribuição na medida em que o que deve ser considerado é que a parcela paga nada mais é que a participação nos resultados e não salário, desde que esta ação não mascarasse uma intenção de suprimir direitos do empregado. 3. acresce que a periodicidade da distribuição não é não pode ser considerada como aspecto substancial da qualificação da verba como salarial ou isenta das contribuições lançadas; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Do lançamento sobre a concessão de cestas básicas A fiscalização apontou que a recorrente forneceu cesta básica aos seus empregados sem recolher as contribuições previdenciárias incidentes, agindo, pois, em desacordo com a legislação já que não possuía inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Todavia, referida matéria já fora objeto de pacificação, por meio do parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, mediante o qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional passou a reconhecer estar definitivamente vencida quanto no que se refere a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, concedida pelos empregadores a seus empregados, conforme consolidada jurisprudência do STJ. O parecer restou assim ementado: "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio alimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos". No mesmo sentido foi editado o Ato Declaratório PGFN n. 03/2011, confira se: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. No caso dos autos, consta expressamente do relatório fiscal do presente Auto de Infração que a recorrente fornecia a alimentação in natura, no caso, cestas básicas, sendo, portanto, o caso de acatarse aquilo o que determinado pelo parecer supra. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000075/201085 Acórdão n.º 2402004.890 S2C4T2 Fl. 4 5 Logo, sobre a concessão de cestas básicas, não incidem as contribuições previdenciárias. "Da participação nos Lucros e Resultados Sobre referido fato gerador, assim se manifestou o ilustre fiscal: 8.2 — Participação nos Lucros — Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais de R$ 10,00 e, desta forma, o procedimento ficou em desacordo com a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000". Verificase, portanto, que a fiscalização considerou que os pagamentos efetuados estavam em desacordo com a Lei 10.101/00, em razão da inobservância da regra da periodicidade da distribuição dos valores pagos a título de PLR. Sobre o assunto, a Lei 10.101/00 dispunha, à época dos fatos geradores, de forma bastante clara, que os pagamentos da PLR não poderiam ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, conforme se verifica do §2º de seu artigo 3º, a seguir: "§ 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil." No caso dos autos, a recorrente efetuou pagamento da PLR mensalmente aos seus segurados empregados, agindo em desacordo ao que determinado pelo dispositivo legal supramencionado. E a recorrente alega, em sua defesa, que a regra da periodicidade não poderia ser considerada como aspecto substancial, a determinar a classificação da verba como salaria ou não, tendo em vista que a Participação nos Lucros e Resultados possui previsão constitucional que a caracteriza como verba imune a incidência das contribuições previdenciárias, devendo este conselho afastar a incidência da regra inscrita no art. 3º, §2º, da Lei 10.101/00. Tenho, no entanto, que tais irresignações, da forma como constam no recurso voluntário, não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Ademais, percebese que a Constituição Federal de 1988 remeteu de forma expressa à lei ordinária a incumbência na fixação dos direitos da participação nos lucros, confirase: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. " Dessa forma, a meu ver, a norma supra, apesar de insculpir verdadeira imunidade, fez clara alusão à necessidade de promulgação de norma infraconstitucional que regulamente e integre o pagamento da participação nos lucros e resultados, para que então venha a ser desvinculada do salário. A própria constituição Federal exige a promulgação de legislação ulterior que venha a definir as condições necessárias para que o direito por ela garantido, possa surtir seus efeitos de forma prática. O saudoso jurista Pontes de Miranda já dizia que nem todas as normas constitucionais são aplicadas em decorrência da simples promulgação do texto constituciona, conforme lição a seguir: “quando uma regra se basta, por si mesma, para a sua incidência, dizse bastante em si, self executing, self acting, self enforcing. Quando, porém, precisam as regras jurídicas de regulamentação, porque, sem a criação de novas regras jurídicas, que as complementem ou suplementem, não poderiam incidir e, pois, ser aplicadas, dizemse não bastantes em si”(MIRANDA, Francisco Cavalcanti Pontes de.Comentários à Constituição de 1946.São Paulo: Max Limonad, 1953, p.148)". Assim, diante da própria constituição ter determinado a necessidade de norma regulamentadora, in casu, somente com a existência desta e desde que respeitado os limites que por ela vierem a ser impostos, é que irão surtir na prática os efeitos essenciais da norma constitucional. No que se refere a PLR a questão veio a ser tratada por intermédio da Lei 10.101/00, que regula a forma de pagamento da verba em questão, para que venha a ser consumado o efeito prático pretendido pelo legislador constituinte, de modo que não cabe a este relator deixar de aplicar ao caso referida legislação ao caso em concreto, ainda considerado o comando do art. 28, §9o da Lei 8.212/91. Assim, verificada a desobediência aos critérios de periodicidade da distribuição da PLR, é de ser mantido o lançamento sobre este aspecto. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000075/201085 Acórdão n.º 2402004.890 S2C4T2 Fl. 5 7 Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO tão somente para excluir do lançamento os valores considerados de cesta básica. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 18050.007950/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS.
É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS. É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado.
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS. É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 79 50 /2 00 8- 09 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007950/200809 Acórdão n.º 2402004.865 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória, prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontada, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, para as competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), os fatos geradores de contribuições previdenciárias que deixaram de ser lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade foram os incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais. Isso está consubstanciados pelos seguintes motivos: lançamento da remuneração paga aos contribuintes individuais em diversas contas de despesa, não existindo contas especificas de cada rubrica, sobretudo a distinção de pagamentos efetuados a pessoas físicas e jurídicas. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 43) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c o art. 283, inciso II, alínea “a”, o art. 373 e o art. 290, inciso V, parágrafo único, todos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/10/2008 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 61/62), alegando, em síntese, que: 1. a multa originouse de obrigações principais indevidas, assim, tratando de acessório do principal, caindo este, cai, conseqüentemente, aquele. Com efeito, nenhuma dessas imputações promovidas pelo fisco previdenciário enquadramse na conduta da impugnante, uma vez que seus preceitos materiais estão dissonantes com a realidade tática, conforme visto nas impugnações dos autos de infrações principais; 2. o fisco previdenciário não tem competência para avaliar se está de acordo com as normas brasileiras de contabilidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão no 1519.229 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 82/84) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 90/101). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007950/200809 Acórdão n.º 2402004.865 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), nos seguintes termos: “[...] 3. Da análise da documentação contábil do contribuinte, constatouse que o mesmo contabilizou a remuneração paga aos contribuintes individuals em diversas contas de despesa dos livros contábeis: 483 3.2.1.02.012 Serviços Prestados P.); 3375 3.2.1.02.014 Honorários Advocatícios; 3471 3.2.1.02.017 Outras Despesas; 2201 3.3.1.02.005 Manutenção e Conservação; 2163 3.3.1.02.001 Serviços Prestados PF. 4. Estas remunerações devem ser contabilizadas em contas próprias de pessoa física, mas, conforme relatado acima, estes valores foram contabilizados em contas de pessoa jurídica, em conta de outras despesas e também na conta especifica de manutenção e conservação. Desta forma, houve lançamentos de pagamentos efetuados a autônomos em conjunto com outras despesas da empresa e com pagamentos a pessoas jurídicas. Somente a conta 2163 possui exclusivamente pagamentos a autônomos. [...]” Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/60) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) e de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 08/33, e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 34/35 –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória, e a informação de que a Recorrente recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 06/07. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/35) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007950/200809 Acórdão n.º 2402004.865 S2C4T2 Fl. 5 7 Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que – para as competências 01/2004 a 12/2004 – a Recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, eis que ela não contabilizou os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (autônomos) em conta específica de pessoa física, pelo contrário tais valores foram escriturados em conta de pessoa jurídica. Além disso, a contabilidade não registra, distintamente, a indicação dos totais das contribuições descontadas dos empregados, da parte da empresa e dos valores recolhidos. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 225, inciso II, §§ 13 a 17: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (g.n.) O valor da multa aplicada, por sua vez, está em perfeita conformidade com o disposto artigo 283, inciso II, alínea “a” e artigo 373, c/c artigo 290, inciso V e parágrafo único, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. A Recorrente insiste que é necessária a realização de perícia contábil para demonstrar a veracidade das suas argumentações expostas na peça recursal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de perícia contábil requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a perícia contábil só deverá ser concedida com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois ela só tem sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de pedido de perícia contábil quando se referir a matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a perícia contábil que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Verificase que a diligência não foi formulada de acordo com as disposições do art. 16 do Decreto 70.235/1972, pois lhe faltam os motivos e a formulação dos quesitos desejados para sua realização. Além disso, a matéria contestada não se refere à irregularidade nos valores apurados que demandasse tal revisão e os autos foram instruídos com os elementos contábeis fornecidos pela Recorrente (Relatório Fiscal, fls. 06/07), em que se poderiam extrair eventuais equívocos em que pudesse ter incidido o procedimento de auditoria fiscal. Portanto, caberia a Recorrente demonstrar o contrário por meio de documentos idôneos – tais como folhas de pagamentos, escrituração contábil, recibos de pagamentos, Guias de Recolhimentos (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), dentre outros – que os valores declarados nas folhas de pagamento e na contabilidade, devidamente apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria fiscal, não espelhavam a realidade contábil da empresa. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, nos documentos de fls. 01/58, constam de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em realização de perícia contábil, eis que entendo que essa diligência é descabida no presente lançamento fiscal. Esse fato evidencia que a perícia contábil seja de pronto indeferida e considerada como não formulada. Assim reza o art. 16 da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18050.007950/200809 Acórdão n.º 2402004.865 S2C4T2 Fl. 6 9 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Tratase de solicitação não necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, o art. 18 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a autoridade julgadora deverá indeferila. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, indeferese o pedido de perícia contábil, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela, as competências 01/2004 a 12/2004 em que a Recorrente não contabilizou os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (autônomos) em conta específica de pessoa física – concernentes aos serviços prestados por pessoa física –, bem como a contabilidade não registra, distintamente, a indicação dos totais das contribuições descontadas dos segurados, da parte da empresa e dos valores recolhidos. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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