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Numero do processo: 11516.000918/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COFINS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.
Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos da COFINS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Insumo dedutível para efeito de COFINS não-cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos.
Numero da decisão: 3803-003.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COFINS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos da COFINS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de COFINS não-cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINS NÃOCUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos da COFINS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de COFINS nãocumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 18 /2 00 9- 10 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas. Relatório Cuidase de PER/DCOMP com a finalidade de ressarcimento da COFINS, correspondente ao segundo trimestre de 2006, com fundamento em créditos oriundos da aquisição de insumos utilizados “supostamente”no processo produtivo. Inicialmente cumpre esclarecer que se trata de empresa que possui como objeto social bastante extenso, sendo que cabe destacar: produção, a pesquisa, a lavra, a extração, a industrialização, a comercialização, a importação e a exportação de quaisquer substâncias minerais e vegetais, tais como antracito para tratamento de água, construção de Estações de Tratamento de Água; prestação de serviços na área laboratorial de análises químicas e físicas em geral. Em que pese o amplo objeto social da empresa, o cerne da lide repousa exclusivamente em relação ao conceito de insumo vinculado a aquisição de produtos e serviços adquiridos pela empresa em especial no tocante as atividades de extração, beneficiamento e comercialização de carvão mineral. Às fls. 188 e seguintes consta Informação Fiscal, por meio do qual o agente fazendário cita a legislação afeta a contribuição, bem como as Instruções Normativas da SRF n.º 404/2004 e 247/2002, com a intenção de demonstrar que o Recorrente creditouse indevidamente e ao arrepio do conceito de insumo contido na legislação federal e ressalta que os produtos sobre os quais recaiu a glosa estão arrolados na planilha anexa às fls. 171/176, por não estarem relacionados ao processo produtivo. Às fls. 200/218 sobreveio a Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que acolheu na íntegra as conclusões da repartição de origem e homologou apenas parcialmente o pedido do contribuinte, conforme se verifica às fls. 191/192. Já às fls. 244 e seguintes consta a Decisão 0725.794 – 4ª Turma da DRJ/FNS, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000918/200910 Acórdão n.º 3803003.868 S3TE03 Fl. 251 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas a sua obrigatoriedade ou a caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente ha produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Com efeito, conforme se pode observar a DRJ manifestouse no sentido de que o contribuinte não provou o seu direito e se limitou a apenas alegar que os gastos são indispensáveis e obrigatórios para manter a mina de extração de carvão em funcionamento e reclama pela correta interpretação da legislação e pelo afastamento da IN da SRF n.º 247/2002. A decisão “a quo” comenta que o Recorrente relacionou os gastos glosados que compreende gerar créditos, todavia, não demonstrou, a partir da planilha elaborada pelo agente fazendário, quais daquelas notas fiscais, a DRJ deveria considerar para que o Despacho Decisório fosse reformado em seu favor. Importante fazer contar no relatório, que a decisão de primeira instância menciona que no PAF n.º 13963.000565/200573 a Recorrente juntou diversos documentos que possuem correlação com notas fiscais para as quais se pretendem os créditos, quais sejam: a) Termos emitidos pela Fundação do Meio Ambiente — FATMA; b) Acordos Coletivos de Trabalho e aditivos; c) Termo de Convênio com a Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina — UNESC; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 d) Ofícios do Departamento Nacional de Produção Mineral; e) Contratos de prestação de serviços de limpeza e conservação e vigilância; contratos de prestação de serviços relacionados à manutenção do equilíbrio e controle do impacto ambiental. A DRJ afirma ainda que os serviços de consertos e manutenção de motores; consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais, rodantes, etc., apresentaram também correlação com notas fiscais relacionadas pelo agente fazendário na planilha que fundamentou a glosa. Os julgadores comentam também que há gastos para os quais o contribuinte pleiteia créditos que não constam relacionados na planilha elaborada pelo auditor fiscal e o Recorrente não apresentou na Manifestação de Inconformidade cópia de notas fiscais. Assim, no entender da decisão de primeiro grau, o Recorrente deixou de instruir adequadamente os autos com documentos que demonstre o seu direito e inclusive deixou de provar se realmente ocorreu a glosa sobre os seguintes gastos, sobre os quais a DRJ não se manifestou: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) mudas de roupa; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos. Insiste a DRJ no sentido de que se equivocou o contribuinte quando utiliza o critério da “essencialidade” ou “obrigatoriedade” da despesa para definir o conceito de insumo. No seu entender, o conceito de insumo, deve ser aquele previsto na IN da SRF n.º 247/2002, ou seja, somente as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e serviços aplicados na produção de produtos postos a venda. Já em relação aos contratos firmados com a empresa GR Terraplanagem Ltda., a DRJ destaca que a Recorrente deixou de apresentar notas fiscais de prestação de serviços. No seu entender, estas notas seriam úteis para demonstrar os valores glosados e a vinculação com o processo produtivo. De qualquer forma, os julgadores consideram que essas notas fiscais são aquelas anexas às fls. 475/479 do PAF n.º 13963.000565/200573. No tocante as despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, retífica de motores, consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais rodantes, etc., a DRJ pondera que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova de que estes serviços tenham sido utilizados em máquinas e equipamentos pertencentes da cadeia produtiva da empresa. No recurso voluntário, o contribuinte cita o Acórdão n.º 320200.226 – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária julgado em 08 de dezembro de 2010, para fundamentar a tese de que deve ser considerado como insumo toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ e não da legislação aplicada ao IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é diferente da materialidade da COFINS e PIS. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000918/200910 Acórdão n.º 3803003.868 S3TE03 Fl. 252 5 Assim, em suas razoes recursais, a empresa insiste na tese de que o conceito de insumo trazido pela IN da SRF n.º 247/2002 não se aplica ao caso em exame, por restringir o direito subjetivo ao creditamento previsto no art. 195 do Texto Constitucional e na Lei. A empresa lembra que a exploração de uma mina de carvão, difere da atividade industrial habitual em que os maquinários ficam instalados num galpão industrial, pois a mina localizase no campo e ao redor de vegetação nativa e cursos de água e por esse motivo a rigidez da legislação ambiental. Protesta pelo reconhecimento de crédito em relação a todas as despesas indispensáveis e obrigatórias à exploração, ao beneficiamento e a produção do carvão mineral. Ressalta que o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Fundação do Meio Ambiente — FATMA, Departamento Nacional de Produção Mineral e o Ministério do Trabalho impõem exigências, que caso descumpridas, inviabilizam o funcionamento da mina. A empresa insiste em afirmar que a Fazenda Nacional não reconheceu créditos sobre as seguintes despesas: (i) turfas ambientais; (ii) terraplenagem; (iii) análise da água dos córregos arroios e rios; (iv) análise de solo; (v) recomposição da vegetação nativa; (vi) dragagem das bacias de decantação do carvão; (vii) tratamento de efluentes líquidos da mineração e respectivo beneficiamento e decantação do carvão; (viii) topografia; (ix) auditorias ambientais; (x) projetos de conservação e reparação de meioambiente; (xi) análises de lodo flotado; (xii) coleta de resíduos e serviços de elaboração de RIMA; Reclama ainda os crédito em relação às despesas com: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) uniforme; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos; (xvii) consertos de bombas hidráulicas, (xviii) empilhadeiras; (xix) reformas de materiais rodantes; (xx) consertos e manutenção de motores; (xxi) leite; (xxii) água; (xxiii) cálculos estruturais para muro e suporte de rampa; (xxiv) recarga de extintores; (xxiv) pilares de sustentação; (xxv) auditorias de certificação de qualidade e de procedimentos como as ISSO; (xxvi) serviços técnicos de geologia da mineração; (xxvii) pino e bucha do britador; (xxviii) soldas permanentes; (xxix) copos plásticos e serviços prestados pela empresa GR Terraplenagem Ltda. Ainda destaca que em relação aos bens que gerem créditos apurados sobre a depreciação ou amortização, fazse obrigatório o recalculo dos valores dos créditos devidos na proporção e equivalência destas depreciação/amortização. Por fim, requer a reforma do acórdão hostilizado e a homologação integral dos créditos pleiteados. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 O recurso voluntário é tempestivo e por isso merece ser conhecido. A lide no presente processo administrativo gira em torno do conceito de insumo em relação aquisições de produtos e serviços em função da produção de carvão mineral. Conforme se extrai da decisão da DRJ, foram homologados parcialmente os créditos pleiteados, sob o argumento de que o contribuinte desrespeitou a redação da IN da SRF n.º 247/2002, razão pela qual as aquisições de vários produtos e serviços, relacionados na planilha anexa, já citada no relatório, foram glosadas pela fiscalização. Controversa em Relação à Extensão da Glosa O agente fazendário informou em seu relatório que a glosa recaiu apenas em relação aos produtos e serviços que “não” estavam vinculados diretamente ao processo produtivo e cita especificamente: aquisições de cartuchos para impressora, serviços de conservação e limpeza, sementes, serviços relacionados a preservação do meio ambiente, serviços de vigilância e consultoria, impressão gráfica, encadernações, transporte de trabalhadores, etc, conforme planilha já citada. Já o contribuinte insiste que a glosa teve por objeto não apenas os produtos e serviços descritos na planilha citada pelo agente fiscal, mas também a aquisição de outros serviços e produtos, conforme menciona no Recurso Voluntário, ou seja, despesas com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, exames médicos e laboratoriais, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, aquisição de caixas de papelão, embalagens BIG BAG, etiquetas e explosivos e cursos em relação aos explosivos, manutenção de motores, empilhadeira e bombas hidráulicas. Conforme dito em relatório, os julgadores de primeiro grau já haviam identificado que o contribuinte pleiteou créditos em relação aos produtos e serviços, citados no parágrafo anterior, que não estavam indicados na planilha apresentada pela fiscalização. Assim, no tocante a esses serviços e produtos, a DRJ conclui que o contribuinte não apresentou prova de que os mesmos estavam relacionados com o processo produtivo e por isso negou também o creditamento. Das Provas Produzidas pelo Contribuinte e da Análise do PAF 13963.000565/200573 No PAF n.º 13963.000565/200573, o contribuinte trouxe várias provas de seu direito e que merecem ser analisadas com atenção. Cumpre informar inclusive que a própria DRF à fl. 874 PAF 13963.000565/200573, comenta que as provas juntadas serão úteis para todos os processos administrativos do contribuinte em que se pleiteiam os créditos de PIS/PASEP e COFINS. Assim, deve ser afastado qualquer argumento no sentido de que o Recorrente deveria ter trazido as provas específicas para o presente processo. Em relação às provas de interesse do contribuinte, vale citar as seguintes: Número das fls. Descrição do contrato de prestação de serviços, notas fiscais e outras provas Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000918/200910 Acórdão n.º 3803003.868 S3TE03 Fl. 253 7 140/149 Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Recorrente e a Procuradoria da República de Criciúma. Nesta ação judicial a interessada era Ré na Ação Civil Pública n.º 2000.72.040025.439 e tinha por objeto a Recuperação de Áreas Degradadas. 150/161 Termo de Ajusta de Conduta firmado entre a Recorrente e o MPF/MP SC/FÁTMA/DNPM, com a finalidade de obrigar aquele a recuperar o meio ambiente. 162/172 Termo de Ajuste de Conduta celebrado entre a FÁTMA e o contribuinte, com o fito de obrigar este a realizar auditorias ambientais. 177/188 Acordo Coletivo de Trabalho que obriga o contribuinte a realizar o transporte gratuito dos trabalhadores; realizar o controle e prevenção de pneumoconiose; fornecer equipamento de proteção individual aos trabalhadores, bem como roupas, água potável e custear exames médicos e laboratoriais. 189 Termo Aditivo ao Acordo de Coletivo de Trabalho, por meio do qual a interessada foi obrigada a fornecer leite aos empregados. 216/238 Contrato de transporte de trabalhadores. 239/467 Contrato de prestação de serviços de vigilância, limpeza e conservação. 468 Contrato de venda a Recorrente pela CSN rejeitos de carbono fino. Vale citar esse contrato porque na seqüência o contribuinte irá pleitear os créditos em relação ao transporte e destinação final desses rejeitos. 470/479 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental e manuseio de carvão mineral e rejeitos celebrado com a empresa GR Terraplanagem. Neste contrato há a previsão para a prestação dos serviços de escavação, carga, transporte, etc. 475 550/555 746 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental. 483/489 Contrato firmado com a GR Terraplanagem com o objetivo de que fossem prestados serviços de terraplanagem e drenagem para a área de reposição de rejeitos. 490 783/796 Nota fiscal emitida pela GR Terraplanagem para a prestação de serviços de recuperação ambiental. 494 Nota fiscal emitida pela empresa PROFAMI em razão da aquisição de pallets. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 497 Nota fiscal emitida em razão da prestação dos serviços de construção de muro de contenção, pintura de banheiro, emenda, manutenção de redutor de correias, manutenção elétrica e serviço de guincho. 498/499 Nota fiscal referente a conserto de motor. 501/503 Relação de empresas fornecedoras de produtos e serviços. 504/508 542/545 586/591 601/605 724/727 Contrato de prestação de serviços com a finalidade de que esta realize a coleta de resíduos sólidos. 509/522 826/829 Contrato de prestação de serviços planialtimétricos e anteprojeto de recuperação de área ambiental. Contrato de prestação de serviços planialtimétricos, projeto de drenagem etc. 523/525 Contrato de prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas. 526/531 Contrato de prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina. 532/539 Contrato de prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas. 592/595 Contrato de prestação de serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA). 596/598 Contrato de Ensaio técnico. 606/744 Contrato de concessão de certificação e direito de uso de logomarca. 703/809 Contrato de locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental. 709/712 738/743 760/763 802/805 Contrato de prestação de serviços para a realização de Estudos de Ambientais. 713/723 Contrato de prestação de serviços de Estudos Hidrológicos. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000918/200910 Acórdão n.º 3803003.868 S3TE03 Fl. 254 9 764/766 Contrato de prestação de serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental. 771 Contrato de prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas. 772/825 Contrato de prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia. 780/782 Contrato de prestação de serviços de terraplanagem com a finalidade de promover a recuperação ambiental. 835/841 Contrato de prestação de serviços de auditoria ambiental. 848/853 Ofício expedido pelo DNPM em relação ao Plano de Fechamento das Minas. 780/782 Contrato de prestação de serviços de análise de risco ambiental da atividade mineradora Das Aquisições de Bens e Serviços que Geram Créditos Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: Data da Emissão da NF Nome do Fornecedor CNPJ Descrição da aquisição do material ou serviço 05/10/2005 FUNDACAO EDUC. DE CRICIUMA FUCRI 83661074000104 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 04/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 10 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 35 MEIO AMBIENTE 18/11/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 5 MEIO AMBIENTE 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 02/12/2005 TISCOSKI & CIA. LTDA. . 82838434000634 SEMENTES 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 09/12/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 05/12/2005 AQUAFLOT INDUSTRIAL LTDA 04322694000134 MEIO AMBIENTE 08/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000918/200910 Acórdão n.º 3803003.868 S3TE03 Fl. 255 11 16/12/2005 LOUBER LTDA ME 02254873000156 MEIO AMBIENTE 20/12/2005 METRO EXTRACAO DE ARGILA LTDA 06167524000158 MEIO AMBIENTE 21/12/2005 ENGEMIL IND.COM .MAQUINAS EQUIP.SERVICOS 06947454000150 MEIO AMBIENTE 15/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA. 80982945000195 MEIO AMBIENTE Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo. Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 12 recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência nãocumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado. Das Aquisições de Bens e Serviços que Não Geram Créditos Por outro giro, observo que o contribuinte deseja ver aplicado ao conceito de insumo a legislação do IRPJ para efeito de credimento da COFINS e PIS/PASEP. Todavia, penso que não lhe assiste razão, pois caso o legislador desejasse, teria permitido aos contribuintes a dedução das despesas operacionais, em outras palavras, nem ao mar, mas também nem à terra. Assim, seguindo esse raciocínio, não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. Neste sentido, cito Apelação Cível n.º 00054351120104036102 – TRF 3ª Região, DJF de 03.08.2012, Desembargadora Cecília Marcondes: APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. REFEIÇÕES, CONVÊNIO MÉDICO, VALETRANSPORTE, UNIFORME E SEGURO DE VIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. As Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS) disciplinam a nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS, dispondo sobre os limites objetivos e subjetivos para a implementação dessa técnica de tributação. (...) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000918/200910 Acórdão n.º 3803003.868 S3TE03 Fl. 256 13 7. Resta claro que as despesas com refeições, convênio médico, valetransporte, uniforme e seguro de vida não se qualificam como insumos, pois não são bens ou serviços utilizados diretamente no processo de fabricação/produção dos produtos comercializados pela impetrante.(...) Apelação Improvida. A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas. Da Elaboração do Conceito de Insumo É preciso ter em mente que a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo não cumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Seus créditos possuem natureza financeira. Outra constatação não menos importante é a de que a hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 14 contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas. Deve ainda ser fixada a premissa de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto, conforme no IPI. Neste sentido são os ensinados de Marco Aurélio Grego em Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan.2003, Belo Horizonte. Com foco nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as IN da SRF ns. 247/02 e 404/04 não têm condições de trazer para a COFINS e PIS o conceito de insumo aplicado ao IPI, sob pena de ir de encontro com a vontade do legislador no que se refere ao princípio da nãocumulatividade. Disso tudo se conclui que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS) exige que: a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo e por fim que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente, nos termos do voto e bens do ativo imobilizado em razão da depreciação. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13227.000397/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA.
No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito.
Numero da decisão: 1803-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Relator e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA. No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 03 97 /2 00 9- 73 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13227.000397/200973 Acórdão n.º 1803001.712 S1TE03 Fl. 58 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13227.000397/200973 Acórdão n.º 1803001.712 S1TE03 Fl. 59 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 37 e 38 numeração digital ND): Tratase de declaração de compensação transmitida em 26/07/2005 pela contribuinte acima identificada, no valor de R$ 5.640,64, na qual indicou o crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 31/08/2004, com arrecadação em 29/09/2004, no valor originário de R$ 5.640,64. A Delegacia de origem, em análise datada de 25/05/2009 (fl. 07), deferiu o pleito, homologando parcialmente a compensação declarada, vez que “analisadas as informações prestadas (...), constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido (...). Entretanto (...) o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP...”. Cientificada, a interessada apresentou, em 01/07/2009, Manifestação de Inconformidade (fl. 10), na qual alega que: R & S COMÉRCIO E TRANSPORTES DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA., empresa comercial, com sede à Av. Celso Mazutti n° 4467, na cidade de Vilhena/RO, devidamente cadastrada no CNPJ/MF n° 15.864.341/000182, vem mui respeitosamente à presença de V.Sª., apresentar MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ao DESPACHO DECISÓRIO N° 835774728, pelas razões que passa a expor: 1. Em: a. 30/08/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 07/2004 Valor: R$ 5.435,87 (cinco mil, quatrocentos e trinta e cinco reais e oitenta e sete centavos). (DARF anexo); b. 29/09/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 08/2004 Valor: R$ 5.640,64 (cinco mil, seiscentos e quarenta reais e sessenta e quatro centavos). (DARF anexo); c. 29/10/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 09/2004 Valor: R$ 4.374,72 (quatro mil, trezentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos). (DARF anexo); 2. Os recolhimentos foram efetuados mensalmente, os quais deveriam ter sido recolhidos após o encerramento do trimestre, motivo pelo qual foi entregue o Per/DComp para compensação com os valores declarados em DCTF e DIPJ, conforme abaixo: Receita Trimestre Base Calculo CSLL Valor Pago 1.430.670,41 1.430.670,41 15.451,24 15.451,23 • O valor pago corresponde à soma dos DARFs descritos no item 1, “a, b e c”; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13227.000397/200973 Acórdão n.º 1803001.712 S1TE03 Fl. 60 4 3. Por isso, não [se] justifica apuração de valores diferentes destes declarados, pois os valores são exatamente iguais, estando os pagamentos idênticos aos valores devidos naquela ocasião, tudo em conformidade com a PER/DCOMP transmitida sob n° 42455.50361.260705.1.3.044361; (PER/DCOMP anexo); 4. No PER/DCOMP, foi informado o DARF de pagamento, como origem do crédito. Portanto, a compensação foi efetuada de forma legal, o que torna o Despacho Decisório n° 835774728 sem nenhum efeito. Diante dos fatos apresentados, requer a anulação do referido Despacho Decisório, por ser de Justiça e Direito. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 36ND): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 01/09/2011 (fls. 42 ND), a tempo, em 30/09/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 43 a 50 (ND), instruído com os documentos de fls. 51 a 54 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13227.000397/200973 Acórdão n.º 1803001.712 S1TE03 Fl. 61 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Foi dito de fls. 39 e 40 (ND) o seguinte, na decisão recorrida (destaques do original): No Detalhamento da Compensação (fl. 35), integrante do Despacho Decisório, notese que na análise do pleito foi procedida a atualização do valor restituído, tendo sido utilizado na compensação o crédito corrigido. A homologação apenas parcial deuse em função do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. Dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo. 5. Essa assertiva da decisão recorrida está correta na generalidade dos casos. 6. Com efeito, [...], tratandose de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, esta devese realizar com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente e de juros de um por cento no mês em que houver a entrega da declaração de compensação, da forma que procedeu a delegacia de origem (fls. 39 – ND). 7. Por outro lado, Em relação aos acréscimos legais aplicados a débitos vencidos vinculados em PER/DCOMP, a legislação de regência, referida no caput do art. 36 da IN RFB nº 900/2008, nos termos dispostos no art. 161 do Código Tributário Nacional determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (fls. 39 – ND). Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13227.000397/200973 Acórdão n.º 1803001.712 S1TE03 Fl. 62 6 8. Observo, porém, que, neste caso específico, tratase do mesmo tributo, atinente a períodos equivalentes, ou seja, recolhimentos de estimativas mensais de CSLL (código 2484) que, somados, correspondem exatamente ao montante devido de CSLL no trimestre correspondente, apurado pela sistemática do resultado presumido (código 2372). 9. Nessa situação específica, entendo não ser cabível se falar em exigência de acréscimos legais (multa de mora), mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação um ano depois do vencimento do referido débito. 10. É que não se trata de crédito diverso do débito que se pretende extinguir: os recolhimentos de CSLL a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, ao mesmo período (trimestre) que o débito de CSLL declarado pelo resultado presumido, e totalizando o mesmo montante deste. 11. Como bem observa a Recorrente (fls. 44ND): Os recolhimentos foram efetuados mensalmente, os quais deveriam ter sido recolhidos após o encerramento do trimestre, [...]. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 19515.003013/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE.
A Autoridade fiscal pode obter informações relacionadas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, com procedimento fiscal em curso e as informações forem indispensáveis a apuração dos fatos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
Considera-se comprovada a origem dos depósitos quando especificado, de forma individualizada, a que título os valores foram creditados e seja estabelecida uma vinculação entre cada crédito e a fonte dos recursos, com coincidência de datas e valores, tudo demonstrado mediante documentação hábil e idônea.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO.
Para fins de comprovar os empréstimos e os depósitos correspondentes, principalmente quando numerosos no período, faz-se necessário, na fase processual adequada, fornecer outros elementos das operações realizadas além da simples indicação de cedentes.
Numero da decisão: 2201-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$41.140,00, R$85.480,00 e R$91.760,00, nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
EDITADO EM: 04/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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LEI COMPLEMENTAR Nº 105. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. A Autoridade fiscal pode obter informações relacionadas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, com procedimento fiscal em curso e as informações forem indispensáveis a apuração dos fatos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Considerase comprovada a origem dos depósitos quando especificado, de forma individualizada, a que título os valores foram creditados e seja estabelecida uma vinculação entre cada crédito e a fonte dos recursos, com coincidência de datas e valores, tudo demonstrado mediante documentação hábil e idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. Para fins de comprovar os empréstimos e os depósitos correspondentes, principalmente quando numerosos no período, fazse necessário, na fase processual adequada, fornecer outros elementos das operações realizadas além da simples indicação de cedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$41.140,00, R$85.480,00 e R$91.760,00, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 13 /2 00 7- 43 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 278 2 (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. EDITADO EM: 04/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Lavrado Auto de infração para exigir do contribuinte, acima identificado, crédito tributário de R$363.271,11, sendo R$ 163.258,72 de imposto sobre a renda; exercícios 2003 a 2005, R$122.444,03 de multa de ofício e R$77.568,36 de Juros de mora (calculados até 28/09/2007). Das Declarações de ajuste O contribuinte apresentou declarações de ajuste para os exercícios 2003, 2004 e 2005, em modelo simplificado, fls. 6 a 17, com os valores indicados a seguir: Exercícios Rendimentos Tributáveis Dívidas Bens e direitos Movimentação Financeira 2003 R$10.200,00 0,00 R$900,00 R$209.444,13 2004 R$12.000,00 R$2.256,00 R$7.412,00 R$328.267,51 2005 R$14.250,00 0,00 R$10.232,00 R$332.074,21 Do Lançamento A fiscalização solicitou ao contribuinte que apresentasse os dados financeiros e que comprovasse a origem dos valores que foram creditados em sua conta corrente, uma vez evidenciada a incompatibilidade entre sua movimentação financeira e os rendimentos declarados para os exercícios de 2003 a 2005. Não foi atendida. Com base no disposto no inciso XI do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, a autoridade fiscal solicitou a emissão da Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira, RMF, para obter os dados diretamente da instituição bancária. Obtido o extrato , a autoridade fiscal destacou os depósitos existentes na conta corrente nº 66.7366, agência nº Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 279 3 656, do Banco Bradesco e solicitou, por meio da intimação de fls. 87 a 91, a comprovação da origem desses créditos. Transcorrido o prazo da intimação sem o seu atendimento, foi lavrado Auto de Infração que, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, lançou os rendimentos omitidos, nos exercícios 2003 a 2005, caracterizados por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações (fls. 92 a 102). Da impugnação O contribuinte impugnou o lançamento apresentando as razões de fato e de direito, resumidas a seguir. Aduz que a multa de ofício aplicada tem caráter confiscatório e desproporcional à infração cometida e cita trechos de jurisprudência e da doutrina, para reforçar seus argumentos. Alega, também, que a aplicação da taxa Selic nos juros cobrados é ilegal, face ao disposto no § 1º do art. 161 do CTN e § 3º do art. 192 da Constituição Federal. Informa que é radialista profissional e exerce atividades relacionadas a organização de eventos e intermediação na venda equipamentos e que, com essas atividades e empréstimos, pode justificar os valores questionados. Informa que organizou eventos para as empresas Inter Ação Vídeo Ltda., JM Vídeo e Produções Ltda e Ébano Produção e Comunicação Ltda, das quais recebeu quantias para efetuar as despesas e retirar sua remuneração. Vincula depósitos da sua conta corrente com os valores contratados. Alega receber um percentual que varia de 5% a 8% sobre as vendas de equipamentos que realiza, identifica os proprietários e os adquirentes dos equipamentos e aponta os depósitos ligados a essas operações. Assim, em 02/05/2002, o impugnante intermediou a venda de equipamentos de propriedade da empresa PFE Comunicações Ltda., ao Sr.Ricardo da Silva Alves, pelo valor total de R$41.140,00; em 20/05/2003, da empresa PFE Comunicações Ltda. à Luva Propaganda e Promoções Ltda., pelo valor de R$ 10.000,00; em 14/07/2003, da empresa PFE Comunicações Ltda. à TV São José do Rio Preto S/A, pelo valor total de R$ 9.000,00, conforme doc. 01 (fls. 120/122). Em 16/07/2003, foi depositado este valor na conta do impugnante, porém este apenas auferiu, pela intermediação da venda, o valor de R$ 900,00; em 14/07/2003, da empresa PFE Comunicações Ltda. à TV Aliança Paulista S/A, pelo valor de R$ 41.000,00, sendo este valor depositado na conta corrente do impugnante em 16/07/2003. Desta venda, o impugnante auferiu, pela intermediação, o valor de R$ 2.050,00. Doc. 02 (fls.123/125). Lista os empréstimos de familiares que efetuaram depósitos em sua conta, demonstrando esses valores às fls. 114/115 e empréstimos à juros de 3% obtidos com Antonio Paulo de Souza, relacionados às fls. 115/116. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 280 4 Relaciona depósitos as fls. 116/117 realizados por PFE Comunicações Ltda para arcar com as despesas com mão de obra terceirizada e sem vínculo empregatício, no período de fevereiro de 2002 até dezembro de 2004. A responsabilidade do pagamento era do impugnante, que recebia pelo trabalho uma comissão de 5%. Informa que vendeu uma motocicleta Yamaha que ganhou por R$ 3.200,00 a Antônio Bezerra que efetuou depósito do valor em 21/10/2003. Requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal, pelos vícios meritórios trazidos à colação. Da decisão de 1ª instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II (DRJ/SP2) julgou improcedente a impugnação, justificando a decisão com os argumentos resumidos a seguir. Quanto ao questionamento sobre a inconstitucionalidade de leis, as autoridades julgadoras informaram que o órgão não tem competência para apreciála, pois é matéria reservada ao Poder Judiciário. Ademais, não cabe a autoridade administrativa esquivar se da aplicação das leis vigentes que, no caso concreto, estabeleceram a multa de ofício de 75% (Lei nº 9.430, de 1996) e a aplicação de juros de mora tendo como referência a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), estabelecida pela Lei nº 8.981, de 1995 e alterações posteriores, consolidadas no art. 953 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizadas pelo disposto no § 1º d o art. 161 do CTN Lei 5.172, de 1966. Quanto ao lançamento, as autoridades julgadoras reconheceram a legalidade do procedimento fiscal que efetuou o lançamento com base no disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta corrente bancária. Quanto às justificativas e documentos apresentados pelo impugnante, os i. julgadores consideraram insuficientes e deficientes para comprovarem a origem dos depósitos. Sobre os contratos de coordenação de eventos fls. 126 a 128 e de venda de equipamentos fls. 120 a 124, as autoridades julgadoras não aceitaram a comprovação porque as declarações não estavam acompanhadas de documentos que atestem que os signatários são representantes legais das empresas. Quanto aos empréstimos, os adiantamentos da empresa PFE Comunicações Ltda e o valor recebido pela venda de uma motocicleta, a deficiência na comprovação se deve à falta de qualquer documento que confirme o alegado. Do Recurso Voluntário Conforme informação constante do Despacho de fls. 274 e 275, o contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 1737.538 em 24/06/2011 e apresentou em 20/07/2011 o Recurso Voluntário de fls. 181 a 202, acompanhado dos documentos de fls. 207 a 273, relacionando as razões de fato e de direito, a seguir resumidas. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 281 5 Preliminarmente, questiona a legalidade da obtenção e da utilização dos seus dados bancários sem ordem judicial violando o sigilo bancário protegido pela Constituição Federal. Informa que R$3.200,00, do depósito de R$16.390,00 em outubro de 2003, teve origem na venda de uma motocicleta recebida como prêmio da promoção Pernambuco dá sorte e que este valor está isento de imposto por se tratar de bem móvel de valor inferior a 35 mil Reais. Em relação às vendas de equipamentos, o recorrente informa que: 1. O depósito de R$41.400,00 em 2/05/2002 referese à venda de equipamento da PFE Comunicações Ltda para Ricardo da Silva Alves, mas recebeu somente R$2.470,00; 2. O depósito de R$10.000,00 em 20/05/2003 referese à venda de equipamento da PFE Comunicações Ltda para Luva Propaganda e Promoções Ltda, sobre a qual auferiu R$500,00; 3. R$9.000,00 depositados em 14/07/2003 referese à venda de equipamentos da PFE Comunicações Ltda para a TV São João do Rio Preto S/A, auferindo R$900,00; 4. R$41.000,00 depositados em 16/07/2003 referese à venda de equipamentos da PFE Comunicações Ltda para a TV Aliança Paulista S/A, conforme documentos juntados às fls.221 a 223 e 227 a 250, sobre a qual auferiu R$2.050,00. Pela coordenação de eventos, informa os valores recebidos da empresa Interação Vídeo Ltda, nos meses de junho, julho, agosto e outubro de 2003, que totalizam R$25.480,00 e admite ter recebido R$1.274,00 (5%) do valor deste contrato. Da empresa JM Vídeo e produções Ltda recebeu de março a julho de 2004, R$39.460,00 divididos em quatro depósitos nos valores de R$9.730,00, R$10.000,00, R$9.730,00 e R$10.000,00. Admite ter recebido R$1.973,00 referente à sua comissão de 5% do valor do contrato. Ainda em relação aos contratos que firmou para coordenar eventos, o contribuinte informa que recebeu da Ébano Produção e Comunicação Ltda o valor de R$52.300,00 em sete depósitos de outubro a dezembro de 2004 e que recebeu R$6.300,00 equivalente a 12% do contrato pelos serviços prestados. Requer que sejam considerados comprovados os depósitos referentes aos empréstimos concedidos pelo Senhor Antônio Paulo de Souza representados por seis depósitos listados à fl. 197, assim como os depósitos realizados por familiares, conforme relaciona às fls. 195 a 197 e (seis) advindos de transferências entre contas de sua própria titularidade nas datas e valores listados à fl. 194. Para os depósitos cujos valores foram relacionados às fls. 198, 199 e 200, informa tratar de adiantamentos para pagar as despesas com mão de obra de operadores de câmera, auxiliares de câmera e de iluminação e operadores de áudio, realizados por PFE Comunicações Ltda. Juntou contratos sociais das empresas TV Aliança Paulista S/A, TV São José do Rio Preto S/A, JM Vídeo e produções Ltda e Inter Ação Vídeo Ltda para comprovar que os Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 282 6 recibos e os contratos, que apresentou, foram firmados pelos representantes legais das empresas. Solicita a aplicação da regra estabelecida no art.4º da Lei 9.481, de 1997, com os créditos (depósitos) remanescentes. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A autoridade fiscal, de posse de informações originadas dos controles sobre a arrecadação da extinta CPMF, constatou que a movimentação financeira do recorrente, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, alcançava valores muito acima dos rendimentos declarados naqueles anos. Intimado a comprovar a origem dos valores ou justificar a movimentação financeira, o recorrente não se manifestou. Nessa condição, a autoridade fiscal providenciou relatório com as justificativas para a emissão da RMF (fl. 25), que considero oportuno reproduzir aqui, a saber: A ação fiscal foi iniciada pela lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, com entrega por via postal recebido em 27 de março de 2007, sendo o contribuinte intimado a apresentar os extratos bancários e comprovar a origem dos recursos movimentados em todos suas contas bancárias nos anos calendário de 2002 a 2004. A operação programada foi Movimentação Financeira Incompatível com os Rendimentos Declarados. O contribuinte não atendeu a referida intimação. Em 03 de Agosto de 2007, o contribuinte foi novamente intimado pessoalmente pela fiscalização e manifestou verbalmente, a dificuldade em fornecer os extratos bancários, uma vez que sua obtenção acarretaria um custo cobrado pelo Banco e que este custo seria relativamente alto, (para sua condição financeira atual). Analisando o dossiê do contribuinte verificamos que nos períodos base fiscalizados, 2002, 2003 e 2004, a movimentação financeira é superior a 10 (dez), vezes a renda disponível, conforme demonstrado abaixo: AnoBase Movimentação Renda Disp. Relação Mov/Rend 2002........ 209.444,31....... 10.200,00........................ 20,5 2003........328.267,51........12.000,00......................... 27,3 2004........332.074,21........14.403,45........................ 23,0 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 283 7 Tal situação se enquadra na definição de indício de interposição de pessoa do Artigo 3º , § 2º , inciso I do Decreto 3.724/01, ou seja: § 2º Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Portanto, com base no inciso XI do Artigo 3º do Decreto 3.724/2001, solicitamos a emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira, (RMF), para permitir a continuidade da ação fiscal. De posse dos extrato da conta nº 66.7366 da agência nº 0656 do Banco Bradesco, que tem como único titular o recorrente, a autoridade fiscal relacionou os depósitos e solicitou ao recorrente que comprovasse a origem desses valores, identificando as fontes pagadoras e explicando a que título foram depositados. Sem resposta, a autoridade fiscal efetuou o lançamento, aplicando a regra prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza considerar omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósitos quando o titular da conta não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Anoscalendário 2002 2003 2004 Total dos depósitos não comprovados R$138.828,08 R$207.525,90 R$273.538,49 O lançamento foi mantido integralmente pelas autoridades julgadoras de 1ª instância. No recurso voluntário, em preliminar, o recorrente questiona a legalidade do uso de dados bancários para fins fiscais sem autorização judicial. Quanto à essa matéria, vale lembrar que, a Lei Complementar nº 105, de 2001, autorizou, expressamente, o acesso aos dados bancários pelas autoridades e agentes fiscais, condicionando a sua utilização ao resguardo do sigilo, nos seguintes termos: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados. do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 284 8 considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária. Após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi publicada a Lei nº 10.174, de 2001, que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, nos seguintes termos: Art. 1º O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 11. ................................................................................” § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável a matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido pelo recorrente quanto à impossibilidade legal da utilização dos dados bancários. Na avaliação das provas e justificativas apresentadas, constato que, desde a fase impugnatória, o contribuinte afirma que uma parte dos depósitos seriam oriundos da sua atividade de coordenador de eventos. Nesta atividade, afirma ter recebido da empresa Inter Ação Vídeo Ltda, em sete parcelas (depósitos), o total de R$25.480,00, a saber: 2/6/2003 10/6/2003 2/7/2003 3/7/2003 4/8/2003 20/10/2003 24/10/2003 R$1.500,00 R$9.500,00 R$3.500,00 R$1.000,00 R$3.000,00 R$6.500,00 R$480,00 Esses valores são confirmados pela declaração da empresa juntada à fl. 128 e reapresentada no recurso à fl. 224, que especifica tratarse de serviços, prestados pelo recorrente, na produção de Áudio Visual do Campeonato Brasileiro de 2003. Da empresa JM Vídeo e Produções Ltda, o recorrente afirma ter recebido, em quatro parcelas (depósitos), pagamentos referentes à coprodução dos eventos discriminados nos documentos de fls. 129 e 225, conforme quadro abaixo: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 285 9 3/03/2004 2/04/2004 4/05/2004 15/06/2004 R$9.730,00 R$10.000,00 R$9.730,00 R$10.000,00 Em relação a Ébano Produções e Comunicação Ltda, o recorrente afirma ter recebido pagamentos que totalizam R$52.300,00, efetuados em sete parcelas (depósitos) conforme o quadro abaixo: 11/10/2004 29/10/2004 12/11/2004 24/11/2004 7/12/2004 21/12/2004 29/12/2004 R$8.800,00 R$7.000,00 R$12.000,00 R$6.000,00 R$6.000,00 R$6.500,00 R$6.000,00 Esses valores foram confirmados por declaração da empresa juntada à fl. 130 e reapresentada, no recurso, à fl. 226, que informa tratarse de serviços prestados pelo recorrente na produção de documentário em Aparecida do Norte, no período de outubro a dezembro de 2004. Para justificar outros depósitos em sua conta corrente, o contribuinte reitera, no recurso, como afirmou na impugnação, ter recebido valores pela venda de equipamentos de radiodifusão. Intermediou a venda de equipamento da empresa PFE Comunicações Ltda para ao pessoa física Ricardo da Silva Alves no valor total de R$41.140,00 em única parcela (depósito) realizado em 2/05/2002. O recorrente afirma ainda ter atuado na venda de equipamentos da empresa PFE Comunicações Ltda para as pessoas jurídicas Luva propaganda e Promoções Ltda, TV São João do Rio Preto S/A e TV Aliança Paulista S/A nos valores de R$10.000,00, R$9.000,00 e R$41.000,0, respectivamente. Com essas operações pretende justificar os depósitos de mesmo valor realizados em sua conta corrente nos dias 20/05/2003, 14/07/2003 e 14/07/2003. Para comprovar as transações, o recorrente apresenta os documentos de fls. 218 a 226 que dariam suporte às suas justificativas. Neste ponto, me curvo à jurisprudência deste Conselho e considero que a presunção relativa, instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicada quando o contribuinte não oferece nenhum elemento para justificar a origem dos depósitos ou quando a informação fornecida pelo contribuinte não subsiste a verificações e se mostra imprestável como prova. Não há dúvidas de que compete ao contribuinte desenvolver o esforço probatório ou, quando não dispõe de uma prova cabal, fornecer todos os elementos de que dispõe para a elucidação dos fatos. No caso concreto, o recorrente, quando intimado pela fiscalização e, de posse da relação dos depósitos em sua conta, não forneceu qualquer resposta ao questionamento. Entretanto, na impugnação, apresentou documentos que poderiam, caso fosse esse o interesse do Fisco, ser contrapostos com diligências e procedimentos junto aos emitentes, para a checagem cruzada de informações e valores. Sem essas providências, o lançamento com base na presunção relativa instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, fica dependendo da consistência e da coerência das informações e documentos fornecidos pelo recorrente. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 286 10 Assim, as operações de venda de equipamentos de radiodifusão e a atividade de coordenação de eventos, face aos elementos apresentados pelo recorrente, configuram, a meu ver, origem para os valores indicados. Quanto aos empréstimos, com exceção do empréstimo do Bradesco para a aquisição de veículo, verifico que o recorrente também não cuidou de informálos nas declarações de ajuste, conforme pode ser constatado às fls. 6 a 17. Também não identifico qualquer referência a pagamentos de qualquer um deles, ao longo dos três anoscalendário. Sabese que os empréstimos são operações caracterizadas pela existência de tomador, cedente, prazo fixado para pagamento, correção dos valores, garantias, fiadores, forma de pagamento, pagamento, contraprestação e outros elementos próprios do acordo. Em transações dessa natureza, quando se repetem ao longo do tempo, como no caso aqui analisado, fazse necessário, na fase processual adequada, que o interessado forneça outros elementos das operações, além da simples indicação de cedentes. Assim, faço minhas as palavras do i. relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que “a mera alegação desacompanhada de qualquer documento firmando os empréstimos não tem o condão de invalidar a presunção da omissão de rendimentos.” Outros pontos abordados pelo recorrente trazem consigo a mesma fragilidade probatória, desacompanhados de documentos e/ou de outros elementos que pudessem permitir uma avaliação distinta da realizada na instância de piso. É importante ressaltar que o recorrente deveria oferecer provas que justificassem os depósitos, pois, afinal, foi esta a fundamentação do lançamento. Isso deveria ter sido realizado independentemente da apuração de ganho pessoal com a transação. Entretanto , não há nos autos qualquer comprovação relacionada à atividade de fornecimento terceirizado de mão de obra, à operação de venda da motocicleta, às transferências de valores e, assim, inviabiliza o acatamento de suas razões. .Eis as razões que considero relevantes para fundamentar o meu voto e dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento os depósitos que foram comprovados e que estão individualizados, por data, nos quadros a seguir. 2/05/2002 R$41.140,00 2/6/2003 10/6/2003 2/7/2003 3/7/2003 4/8/2003 20/10/2003 24/10/2003 R$1.500,00 R$9.500,00 R$3.500,00 R$1.000,00 R$3.000,00 R$6.500,00 R$480,00 20/05/2003 14/7/2003 14/7/2003 R$10.000,00 R$9.000,00 R$41.000,00 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 287 11 3/03/2004 2/04/2004 4/05/2004 15/06/2004 R$9.730,00 R$10.000,00 R$9.730,00 R$10.000,00 11/10/2004 29/10/2004 12/11/2004 24/11/2004 7/12/2004 21/12/2004 29/12/2004 R$8.800,00 R$7.000,00 R$12.000,00 R$6.000,00 R$6.000,00 R$6.500,00 R$6.000,00 Mesmo após as exclusões acima indicadas, não existem depósitos em valores que mereçam ser desconsiderados em face dos limites fixados pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$41.140,00, R$85.480,00 e R$91.760,00, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.003013/200743 Acórdão n.º 2201002.203 S2C2T1 Fl. 288 12 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.203. Brasília, 4 de setembro de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ ______________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.903651/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 65 1/ 20 09 -0 1 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.353 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 19/04/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 36094.94426.190406.1.3.046420, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: março/2006; vencimento: 20/04/2006 principal: R$ 56,84; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 56,84. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 36094.94426.190406.1.3.046420 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 3.512,65 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 3.512,65 Crédito Atualizado: R$ 6.002,77 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 56,84 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 33,26 Saldo do Crédito Original: R$ 3.479,39 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 3.512,65. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.353 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 19/04/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. Em 07/05/2013, por unanimidade de votos, esta Turma através da Resolução nº 1802000.212, baixou o processo em diligência para que a DRF Aracajú: “a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.353 S1TE02 Fl. 5 4 c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a março de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar.” Em 23/07/2013, antes de concluída a diligência pela DRF de Aracajú para cumprimento da diligência a Recorrente veio a requerer a desistência do presente processo, conforme consta do pedido de fls. 67. “A empresa RÁDIO CARMÓPOLIS LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 16.467.358/000103, vem perante V.Sa., por meio de seu representante legal ao final firmado, requerer a desistência de ação administrativa constante nos processos administrativos abaixo relacionados. Processos : 10510.903.804/200911; 10510.903.805/200957; 10510.903.878/200949; 10510.903.879/200993” Em seguida a DRF de Aracajú mediante profere o seguinte Despacho de Encaminhamento: “O contribuinte acima apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário apresentado em processos de compensação abaixo listados. Na petição, o mesmo informa os processos de débitos relativos às compensações não homologadas, no entanto o que se encontra em julgamento de Recurso Voluntário são os respectivos processos de Crédito, conforme tabela abaixo. Estes recursos voluntários foram convertidos em diligência pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução acima. Proponho, então, que o processo retorne àquele conselho para o mesmo se manifeste sobre o pedido de desistência e demais providências. PROCESSO DE COBRANÇA PROCESSO DE CRÉDITO EM JULGAMENTO 10510.903.804/200911 10510.903.651/200901 10510.903.805/200957 10510.903.652/200948 10510.903.878/200949 10510.903.749/200951 10510.903.879/200993 10510.903.750/200985” É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.353 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado o contribuinte apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário em relação ao processo de cobrança eletrônico nº 10510.903.804/200911e não do processo nº 10510.903.651/200901 em que se analisa o crédito vinculado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos. Como cediço, o processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) é o objeto do processo em que se analisa o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Com efeito, a persistir a contenda tratada nos presentes autos, os mesmos devem retornar a DRF de Aracaju para, cumprindo a diligência requerida por este colegiado, verificar e informar: a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente; b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002; c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao ano calendário de 2002. d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Aracaju/SE, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.353 S1TE02 Fl. 7 6 Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18088.720466/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL:
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito (diligências).
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito (diligências). A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Ronaldo de Lima Macedo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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EXCLUSÃO SIMPLES NACIONAL Recorrente EFICIENTE MÓVEIS E SOLUÇÕES PARA ESCRITÓRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESFederal/SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito (diligências). A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 04 66 /2 01 1- 39 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2008 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 19/25) informa que os fatos geradores decorrem de remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento e declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s). Esse Relatório Fiscal menciona que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.365.5908 à referese às contribuições sociais relativas à parte patronal, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT); 2. DEBCAD 37.365.5916 à relativo a contribuições para outras Entidades/Terceiros; 3. DEBCAD 37.365.5894 à referente à omissão de fatos geradores em GFIP (Código Fundamento Legal CFL 68), a contribuição patronal concernentes aos segurados empregados e contribuinte individual, competências 07/2008 a 09/2008. Esse Relatório Fiscal informa ainda que a autuada, tendo sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo – ADE DRF/AQA nº 40, de 26/10/2010, com efeito a partir de 01/01/2006, continuou informando GFIP como se ainda fosse optante por esse sistema simplificado de tributação e recolhendo apenas a contribuição dos segurados, deixando de recolher a parte patronal e dos terceiros. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 14/12/2011 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 41/51), alegando, em síntese, que: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. tem processo administrativo tramitando no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), não julgado, discutindo sua exclusão do SIMPLES; 2. não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração. Toda a ação fiscal deve obedecer os princípios da moralidade, legalidade e eficiência, nos termos do art. 34 da Constituição Federal (CF), sendo que o presente lançamento quer impor apenamento indevido, à revelia da lei, contrariando o disposto no art. 112 do CTN. Excesso de exação configurado pela exigência de tributo indevido, conforme previsto no art. 316, § 1º do Código Penal; 3. não se pode falar em violação da obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada através de apreciação pelo Judiciário. O contribuinte tem o direito de constituir o processo de discussão da obrigação fiscal que lhe está sendo imposta, o que gera o significativo efeito de suspender a exigibilidade do tributo discutido, nos termos do art. 151, III do CTN. Qualquer medida que vise coagir o contribuinte a cumprir obrigação tributária sem que tenha havido decisão definitiva em processo administrativo ou judicial, tornase ilegal; 4. Requer a nulidade ou insubsistência do AI; não acatado o pedido anterior, a determinação da suspensão do AI até o julgamento, pelo CARF, do processo versando sobre sua exclusão SIMPLES. Solicita a realização de diligências, inclusive perícias, para a comprovação de que tramita, no CARF, processo administrativo em que se busca a devolução de seu direito de pagar seus impostos como optante do SIMPLES. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão 1437.984 da 7a Turma da DRJ/RPO – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araraquara/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço, em parte, do recurso interposto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela patronal, inclusive as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT e aos Terceiros/outras Entidades, bem lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória oriundo da omissão de fato gerador em GFIP (CFL 68). Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES”, por meio de processo próprio (18088.000658/201044), no qual foram expedidos os Atos Declaratórios Executivo (ADE) DRF/AQA nº 40, de 26/10/2010, com efeitos a partir de 01/01/2006, e DRF/AQA nº 41, de 26/10/2010, a partir de 01/07/2007, ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP. Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES” estão devidamente registrados no processo no 18088.000658/201044, iremos afastar e não conhecer todos os motivos que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade de sua exclusão da sistemática de recolhimentos pelo SIMPLES, que não estão em julgamentos nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para analisar essas matérias. O foro adequado para a discussão dessas matérias é o respectivo processo instaurado para esse fim (processo no 18088.000658/201044) e não o presente processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário oriundo de obrigação tributária principal e acessória. Com isso, a decisão desta Turma da Corte Administrativa (CARF) vai restringirse exclusivamente às demais questões que não dizem respeito ao âmbito da matéria da sua exclusão do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ................................................................................................ Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Dessas regras do Regimento Interno do CARF, retromencionadas, percebe se, então, que os processos de exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade. De fato, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (relação obrigacional principal) e a matéria referente ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL (processo no 18088.000658/201044), uma vez que essa última matéria, sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários (lançamento da obrigação principal). Por outro lado, ainda que se tenha notícia de que a Recorrente encontrase questionando a sua exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL – conforme relato na peça recursal –, o que se deve preponderar, para fins de análise do lançamento fiscal da obrigação tributárioprevidenciária principal, é a informação de que a Recorrente permanece excluída desse sistema de recolhimento dos tributos (SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL). Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva sobre o enquadramento da empresa no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, o qual deverá ser analisado pela Primeira Seção do CARF. Como a empresa foi excluída do sistema “SIMPLES”, os tributos que antes vinham sendo recolhidos na sistemática do programa devem ser recolhidos pela sistemática aplicável às demais empresas não incluídas no sistema. Isso permitiu o lançamento das contribuições sociais devidas pela empresa em função de sua exclusão do Simples, conforme o art. 16 da Lei 9.317/1996, in verbis: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) O mesmo entendimento está consubstanciado na regra estampada no art. 32 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias que não dizem respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. I DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram: as contribuições patronais, as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT e aos Terceiros, e, de forma instrumental, o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória oriundo da omissão do fato gerador nas competências 07/2008 a 09/2008. Os valores apurados decorrem das remunerações declaradas em folhas de pagamento e nas GFIP’s, ambos são documentos declaratórios apresentados ao Fisco pela Recorrente. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal e seus anexos, complementados pelos documentos acostados pela Recorrente, são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA); base de cálculo declarada nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. No lançamento da obrigação principal, não há registro da configuração de grupo econômico na decisão de primeira instância, assim houve a preclusão dessa matéria, postulada somente na peça recursal. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 6 9 Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial (diligência), afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/88) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial ou testemunhal. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, inclusive a solicitação de prova pericial, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 7 11 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 8 13 consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. II DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal, bem como na Notificação de número AIOP 37.365.5894. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 9 15 § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados (parcela patronal) – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Logo, constatase que a Recorrente deixou de informar nas GFIP’s os valores concernentes à contribuição previdenciária (cota patronal), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuas nas competências 07/2008 a 09/2008. Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 10 17 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 2402003.728 S2C4T2 Fl. 11 19 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que: (i) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996; e (ii) seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32 A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Caso o Fisco ainda não tenha proferida a decisão definitiva das questões concernentes à exclusão do regime diferenciado de tributação SIMPLES FEDERAL/NACIONAL (processo 18088.000658/201044), deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo de exclusão (ou não inclusão) desse regime diferenciado. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10280.900262/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
ACRESCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA.
Comporta à empresa recorrente juntar ao feito a DCTF como forma de comprovar, de forma pretérita ao procedimento fiscal, para fazer jus à denúncia espontânea pleiteada.
Numero da decisão: 1803-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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MULTA DE MORA. Comporta à empresa recorrente juntar ao feito a DCTF como forma de comprovar, de forma pretérita ao procedimento fiscal, para fazer jus à denúncia espontânea pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 02 62 /2 00 8- 96 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP nº 24042.54202.190405.1.2.020032, em que a empresa recorrente indica crédito de saldo negativo de IRPJ , ano calendário 2003 no valor de R$ 457.138,81. O referido crédito foi utilizado nas declarações de compensação n°s: 42382.35046.190405.1.3.020000 (fls. 140/143), 01954.93586.250505.1.3.020287 (fls 144/147) e e 20324.06802.040705.1.3.021956 fls.148/154). Temse que o saldo negativo seria constituído por pagamento de estimativa e por estimativas compensadas. A Delegacia de Origem (Belém), através do despacho decisório de nº 757747854 (fl.31), não homologou o pedido, asseverando que “não houve apuração de crédito na DIPJ correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Aduz que enquanto no PER/DCOMP foi informado saldo negativo de R$ 457.138,81, na DIPJ o valor é de R$ 0,00". Devidamente cientificada, a recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando que optou por apurar, no ano calendário de 2003 o IRPJ e CSLL devidos com base no lucro real anual e antecipações mensais calculadas por estimativas e que a antecipação efetuada mensalmente excedeu ao valor da IRPJ devido anualmente em crédito passível de recuperação. Aduz ainda que o valor das antecipações mensais e o IRPJ efetivamente devido podem ser observados em fichas específicas (11e 09 A), sendo que o valor nominal do crédito perfaz o total de R$ 457.138,81. Salienta, a empresa recorrente, que os motivos que sustentam o indeferimento, além de serem inverdades são criminosos, já que não houve análise acerca da existência do crédito. Afere que DIPJ, DCTF`s, DARF`s e DCOMP`s comprovam que houve a apuração e pagamento/compensação de IRPJ. Afirma a empresa que optou pelo pagamento do IRPJ via estimativas mensais e transcreve o art.2º da Lei 9.430/96 e IN 93/97, salientando que o inciso II, §1º do art.6º da Lei 9.430/96 estabelece o direito à restituição do valor estimado em excesso, sendo que se aplicam, ao IRPJ, as mesmas normas de pagamento estabelecidas pela Lei 8.541/92. Transcreve os artigos 38 e 39 da norma referida acima. Prossegue a empresa recorrente aferindo que efetivamente recolheu as estimativas mensais, antecipando o IRPJ devido e apurando, com base na estimativa sobre as receitas e, neste contexto, a empresa demonstra os pagamentos efetuados e as compensações. Ao contrário do que afirma a decisão que impugna, salienta que os recolhimentos/compensações realizados pela empresa configuramse saldo negativo IRPJ que o direito da impugnante emerge cristalino das disposições constantes do art.165 do CTN que transcreve, assim como o art.170 do CTN e 74 da Lei 9.430/96. 2 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Afirma que o direito à atualização do crédito pleiteado é claro e robusto já que determinado pelo Regulamento do Imposto de Renda e transcreve o art. 894 do Decreto 3.000/99, cita jurisprudência do TRF4, bem como requer perícia contábil para que se comprove a total procedência do pleito. Por fim, a recorrente requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações. A autoridade julgadora, de primeira instância, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 457.138,81, posto considerar as compensações parcialmente homologadas, nos termos da Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes e do Demonstrativo Analítico de Compensação, nos seguintes termos: “SALDO NEGATIVO IRPJ. FALTA DE APURAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Comprovado o erro de fato no preenchimento da ficha de apuração do IRPJ na DIPJ, que olvidou os pagamentos de estimativas mensais já informados em ficha própria, a autoridade administrativa, em nome da verdade material, deve apurar o saldo de imposto a pagar com base nas informações declaradas e comprovadas.” Devidamente cientificada da decisão proferida em primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, reiterando os argumentos já dispostos na Impugnação, requerendo a homologação integral das compensações, assim como correção do crédito pela Selic. Ressalvou que ao julgamento da manifestação de inconformidade, o agente fiscal deixou de exonerar o contribuinte do pagamento da multa de mora sobre os tributos que pretendia a compensação, assim como deixou de fixar a Selic como forma de correção do crédito. Argumenta que: “[...] tão logo apurou o credito constante dos autos do presente processo providenciou a sua compensação de livre e espontânea vontade, antes que qualquer procedimento fiscal fosse deflagrado e que tais créditos tributários lhes fossem exigidos de oficio pela autoridade fazendária, competente e mais, antes de têlos declarado em sua DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais o que configuraria o lançamento definitivo do crédito nos termos da jurisprudência do Egrégio STJ (Sumula 360STJ). Ocorreu, portanto, por parte da Recorrente, a denúncia espontânea, seguida da correspondente liquidação do débito – ambas via declaração de compensação. Diante disso, apurou o principal em aberto e os correspondentes juros devidos, deixando de considerar a multa face à sua exclusão diante da denuncia espontânea, compensando, assim, somente a parcela do principal e dos juros e deixando, 3 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 conseqüentemente, de compensar a parcela da multa por ser indevida.” Analisandose aquela listagem e demonstrativo de compensações (anexo) observase que o agente julgador deixou de considerar a não incidência da multa no caso da denuncia espontânea, tendo com isso rateado o valor compensado a titulo de principal e juros e “distribuído” para principal, juros e multa proporcionalmente. [...] Repitase, a homologação parcial da compensação (a menor que o declarado originalmente) devese exclusivamente ao fato de que o agente julgador originário pretendeu cobrar e fazer incidir multa não compensada por ser indevida no caso específico da Recorrente diante da sua exclusão pela denuncia espontânea.” O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. É o breve relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP nº 24042.54202.190405.1.2.020032, em que a empresa recorrente indica crédito de saldo negativo de IRPJ , ano calendário 2003 no valor de R$ 457.138,81. O referido crédito foi utilizado nas declarações de compensação n°s: 42382.35046.190405.1.3.020000 (fls. 140/143), 01954.93586.250505.1.3.020287 (fls 144/147) e e 20324.06802.040705.1.3.021956 fls.148/154). Temse que o saldo negativo seria constituído por pagamento de estimativa e por estimativas compensadas. Ocorre que o presente feito referese, na realidade, de erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e não de alteração da origem do crédito pleiteado. Ademais, temse que a própria autoridade de primeira instância reconheceu parte dos valores e a recorrente admite que deveria ter indicado o pagamento de estimativas mensal nas fichas (11 e 09A) para as devidas deduções ao final do período de apuração, compondo assim o saldo negativo correspondente. 4 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Contudo, o que se tem de fato no presente feito é a discussão quanto aos acréscimos legais, multa de mora, que persiste no feito. Como o a empresa recorrente não juntou ao presente feito a DCTF, com a finalidade de comprovar que a mesma foi realizada de forma pretérita ao procedimento, não faz jus à denúncia espontânea, tal como pleiteia. Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 5 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10680.722849/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RETIRADA DE SÓCIOS DO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. Os sócios de fato somente são responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário quando demonstrada sua atuação vinculada à prática do fato jurídico tributário, ou a possibilidade de eles se beneficiarem de seus resultados. Ausente tal demonstração, e limitando-se a acusação ao disposto no art. 124 do CTN, são excluídos do pólo passivo da obrigação tributária resultante do crédito tributário lançado os sócios de fato e a pessoa jurídica constituída para abrigar seu patrimônio pessoal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS QUE SE SUCEDEM NO EXERCÍCIO DA MESMA EMPRESA. Reunido robusto conjunto probatório no sentido de que a pessoa jurídica autuada foi substituída em seus estabelecimentos por outra constituída pelos mesmos sócios, é valida a inclusão da sucessora de fato como responsável pela totalidade do crédito tributário constituído.
DIVIDENDOS PAGOS A EMPRESAS INEXISTENTES. Se a fiscalização afirma a inexistência dos beneficiários em razão de eles configurarem interpostas pessoas dos reais sócios da pessoa jurídica, há substrato suficiente para identificar o beneficiário e a causa do pagamento, não se justificando a presunção legal.
DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. O prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador, o qual, na sistemática de apuração anual do lucro tributável, verifica-se em 31 de dezembro. Confirmada a opção da contribuinte pela apuração anual do lucro em 2006, o lançamento de ofício seria possível, minimamente, até 31/12/2011.
FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. Correto o lançamento de ofício dos tributos sobre o lucro reconhecido contabilmente quando o sujeito passivo se mantém omisso até o início do procedimento fiscal. ALTERAÇÃO DA FORMA DE APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO PELA APURAÇÃO ANUAL. O lucro tributável deve ser apurado trimestralmente. A apuração anual do lucro real somente é possível se o sujeito passivo formaliza a opção na forma estabelecida em lei.
GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Correta a glosa de custos e a qualificação da penalidade aplicada quando demonstrado que os fornecedores não estavam estabelecidos de modo a entregar as mercadorias supostamente adquiridas. Cabe à contribuinte, em tais circunstâncias, demonstrar que as operações foram efetivamente realizadas, mediante prova da circulação das mercadorias e da efetiva tradição dos recursos financeiros em favor dos fornecedores.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas. PRAZO DECADENCIAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. Sendo obrigação acessória imposta aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro, a regra de contagem do prazo decadencial para aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é a mesma fixada para lançamento de diferenças apuradas no ajuste anual.
GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE PROVA DA REDUÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Cancela-se a exigência se ausente prova de que os valores, embora contabilizados a débito da conta agregadora do resultado do exercício, prestaram-se a reduzir o lucro tributável.
Numero da decisão: 1101-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e sob reexame; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício para prevalência do lançamento decorrente do primeiro procedimento fiscal iniciado; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de decadência; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à forma de apuração aplicada no ano-calendário 2007; 6) relativamente às glosas de custos inidôneos: 6.a) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva que davam provimento parcial em maior extensão, e 6.b) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 7) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga, que davam provimento ao recurso voluntário e negavam provimento ao recurso de ofício; 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao IRPJ e CSLL calculados sobre glosa de outras despesas; 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente o IRRF calculado sobre pagamentos de outras despesas; 10) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da prova compartilhada pelo Poder Judiciário; 11) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação a responsabilidade de Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 12) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Quatre Empreendimentos e Participações Ltda. em relação à responsabilidade; 13) também em relação à responsabilidade, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Informática Nacional S.A., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RETIRADA DE SÓCIOS DO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. Os sócios de fato somente são responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário quando demonstrada sua atuação vinculada à prática do fato jurídico tributário, ou a possibilidade de eles se beneficiarem de seus resultados. Ausente tal demonstração, e limitando-se a acusação ao disposto no art. 124 do CTN, são excluídos do pólo passivo da obrigação tributária resultante do crédito tributário lançado os sócios de fato e a pessoa jurídica constituída para abrigar seu patrimônio pessoal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS QUE SE SUCEDEM NO EXERCÍCIO DA MESMA EMPRESA. Reunido robusto conjunto probatório no sentido de que a pessoa jurídica autuada foi substituída em seus estabelecimentos por outra constituída pelos mesmos sócios, é valida a inclusão da sucessora de fato como responsável pela totalidade do crédito tributário constituído. DIVIDENDOS PAGOS A EMPRESAS INEXISTENTES. Se a fiscalização afirma a inexistência dos beneficiários em razão de eles configurarem interpostas pessoas dos reais sócios da pessoa jurídica, há substrato suficiente para identificar o beneficiário e a causa do pagamento, não se justificando a presunção legal. DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. O prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador, o qual, na sistemática de apuração anual do lucro tributável, verifica-se em 31 de dezembro. Confirmada a opção da contribuinte pela apuração anual do lucro em 2006, o lançamento de ofício seria possível, minimamente, até 31/12/2011. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. Correto o lançamento de ofício dos tributos sobre o lucro reconhecido contabilmente quando o sujeito passivo se mantém omisso até o início do procedimento fiscal. ALTERAÇÃO DA FORMA DE APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO PELA APURAÇÃO ANUAL. O lucro tributável deve ser apurado trimestralmente. A apuração anual do lucro real somente é possível se o sujeito passivo formaliza a opção na forma estabelecida em lei. GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Correta a glosa de custos e a qualificação da penalidade aplicada quando demonstrado que os fornecedores não estavam estabelecidos de modo a entregar as mercadorias supostamente adquiridas. Cabe à contribuinte, em tais circunstâncias, demonstrar que as operações foram efetivamente realizadas, mediante prova da circulação das mercadorias e da efetiva tradição dos recursos financeiros em favor dos fornecedores. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas. PRAZO DECADENCIAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. Sendo obrigação acessória imposta aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro, a regra de contagem do prazo decadencial para aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é a mesma fixada para lançamento de diferenças apuradas no ajuste anual. GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE PROVA DA REDUÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Cancela-se a exigência se ausente prova de que os valores, embora contabilizados a débito da conta agregadora do resultado do exercício, prestaram-se a reduzir o lucro tributável.
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DECISÃO PROFERIDA POR ÓRGÃO JULGADOR SITUADO FORA DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. REGULARIDADE. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional. PARCELAMENTO. ESPONTANEIDADE EXCLUÍDA. A adesão ao parcelamento especial e a confissão de débitos pertinentes ao período fiscalizado não opera efeitos sobre a exigência fiscal se promovidos depois de excluída a espontaneidade mediante início do procedimento fiscal. A autoridade administrativa local deve, apenas, respeitar a suspensão da exigibilidade dos valores parcelados, bem como evitar a cobrança em duplicidade de débitos que se tornaram exigíveis em razão da referida confissão, mas sem dispensar os acréscimos devidos em procedimento de ofício. SOBREPOSIÇÃO DE FISCALIZAÇÕES E EXIGÊNCIAS. É preventa a autoridade fiscal que primeiro iniciar a formalização da exigência, devendo prevalecer o lançamento daí resultante, ainda que cientificado ao sujeito passivo posteriormente a outro lançamento decorrente de procedimento fiscal iniciado em segundo lugar. DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. O prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador, o qual, na sistemática de apuração anual do lucro tributável, verificase em 31 de dezembro. Confirmada a opção da contribuinte pela apuração anual do lucro em 2006, o lançamento de ofício seria possível, minimamente, até 31/12/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 28 49 /2 01 1- 41 Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 3 2 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. Correto o lançamento de ofício dos tributos sobre o lucro reconhecido contabilmente quando o sujeito passivo se mantém omisso até o início do procedimento fiscal. ALTERAÇÃO DA FORMA DE APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO PELA APURAÇÃO ANUAL. O lucro tributável deve ser apurado trimestralmente. A apuração anual do lucro real somente é possível se o sujeito passivo formaliza a opção na forma estabelecida em lei. GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Correta a glosa de custos e a qualificação da penalidade aplicada quando demonstrado que os fornecedores não estavam estabelecidos de modo a entregar as mercadorias supostamente adquiridas. Cabe à contribuinte, em tais circunstâncias, demonstrar que as operações foram efetivamente realizadas, mediante prova da circulação das mercadorias e da efetiva tradição dos recursos financeiros em favor dos fornecedores. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. PRAZO DECADENCIAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. Sendo obrigação acessória imposta aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro, a regra de contagem do prazo decadencial para aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é a mesma fixada para lançamento de diferenças apuradas no ajuste anual. GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE PROVA DA REDUÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Cancelase a exigência se ausente prova de que os valores, embora contabilizados a débito da conta agregadora do resultado do exercício, prestaramse a reduzir o lucro tributável. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 11/01/2006 a 23/03/2007 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. PAGAMENTOS VINCULADOS. Afastada a causa do pagamento contabilizado, bem como infirmado o beneficiário declarado, é cabível a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35% sobre o valor considerado líquido do imposto de renda que sobre ele incide, bem como a aplicação de multa qualificada em razão do evidente intuito de fraude. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. GLOSA DE DESPESA NA APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. INCIDÊNCIA DE IRPJ. COMPATIBILIDADE. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, impõe conseqüências à fonte pagadora de rendimentos que não se desincumbe de seu dever de identificar o beneficiário e a causa do pagamento, de modo a permitir a confirmação da regular tributação de eventual rendimento auferido por aquele beneficiário. Nada impede que este mesmo pagamento, quando contabilizado como despesa, seja também glosado na apuração do lucro tributável e resulte na exigência de imposto da mesma pessoa jurídica, mas na condição de contribuinte. Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 4 3 DIVIDENDOS PAGOS A EMPRESAS INEXISTENTES. Se a fiscalização afirma a inexistência dos beneficiários em razão de eles configurarem interpostas pessoas dos reais sócios da pessoa jurídica, há substrato suficiente para identificar o beneficiário e a causa do pagamento, não se justificando a presunção legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RETIRADA DE SÓCIOS DO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. Os sócios de fato somente são responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário quando demonstrada sua atuação vinculada à prática do fato jurídico tributário, ou a possibilidade de eles se beneficiarem de seus resultados. Ausente tal demonstração, e limitandose a acusação ao disposto no art. 124 do CTN, são excluídos do pólo passivo da obrigação tributária resultante do crédito tributário lançado os sócios de fato e a pessoa jurídica constituída para abrigar seu patrimônio pessoal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS QUE SE SUCEDEM NO EXERCÍCIO DA MESMA EMPRESA. Reunido robusto conjunto probatório no sentido de que a pessoa jurídica autuada foi substituída em seus estabelecimentos por outra constituída pelos mesmos sócios, é valida a inclusão da sucessora de fato como responsável pela totalidade do crédito tributário constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e sob reexame; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício para prevalência do lançamento decorrente do primeiro procedimento fiscal iniciado; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de decadência; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à forma de apuração aplicada no anocalendário 2007; 6) relativamente às glosas de custos inidôneos: 6.a) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva que davam provimento parcial em maior extensão, e 6.b) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 7) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga, que davam provimento ao recurso voluntário e negavam provimento ao recurso de ofício; 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao IRPJ e CSLL calculados sobre glosa de outras despesas; 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente o IRRF calculado sobre pagamentos de outras despesas; 10) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da prova compartilhada pelo Poder Judiciário; 11) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação a responsabilidade de Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 5 4 Pereira Valadão; 12) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Quatre Empreendimentos e Participações Ltda. em relação à responsabilidade; 13) também em relação à responsabilidade, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Informática Nacional S.A., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 6 5 Relatório NACIONAL MERCANTIL COMPUTADORES E SUPRIMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA e os responsáveis tributários Informática Nacional S/A, Quatre Empreendimentos e Participações Ltda, Marco Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento formalizado em 20/05/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 55.624.043,65. Os fiscais autuantes iniciam o Termo de Verificação Fiscal reportandose a “Representação para Propositura de Requerimento de Medida Cautelar Fiscal e Indicação de Responsáveis Tributários Solidários”, objeto do processo administrativo nº 10680.000747/201090, do qual foi extraído relatório fiscal que demonstra a criação sucessiva da empresa Nacional Teleinformática Importadora Ltda, seguida pela autuada e depois por Informática Nacional S/A, todas atuando nos mesmos endereços, sob os mesmos nomes de fantasia, com os mesmos empregados e estoques, e todas de propriedade e sob gestão de Marcos Aurélio de Guilherme Silva e sua esposa Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva. Seguese, então, detalhes do encadeamento societário entre as empresas Nacional Teleinformática Importadora Ltda e a autuada, com destaque para operações com a intervenção do escritório de Juvenil Alves patrocinador do esquema de blindagem patrimonial descoberto no âmbito da “Operação Castelhana”, desenvolvida em conjunto pela Polícia Federal, Secretaria da Receita Federal e pelo Ministério Público Federal, que resultaram na atribuição das empresas a Djalma Leonardo de Siqueira que foi utilizado como “laranja” no esquema de blindagem patrimonial do Grupo Nacional, assim como de vários outros grupos econômicos, conforme informações resultantes daquela operação. Relatando que a Nacional Mercantil possuía enorme passivo tributário e que suas filiais tiveram suas inscrições estaduais bloqueadas pelo fisco mineiro em decorrência de “irregularidades apuradas em ação fiscal”, as autoridades lançadoras demonstram a continuidade de suas atividades por meio da empresa Informática Nacional, destacando a evolução de seus faturamentos e da quantidade de empregados, e novamente mencionando o relatório fiscal inicialmente referido, bem como apontando seus 7 (sete) anexos, que também instruem estes autos. Mencionaram, também, a criação da empresa Quatre Empreendimentos e Participações Ltda para abrigar o patrimônio imobiliário do Grupo Nacional e seus sócios, e abordaram a falta de propósito negocial nas operações que se prestaram, apenas, a desvincular os verdadeiros proprietários do “Grupo Nacional” das obrigações tributárias, reportandose a diversos documentos que assim demonstrariam. Descrevendo o procedimento fiscal referente aos anoscalendário 2006 e 2007, as autoridades fiscais informaram que o contribuinte, representado por Djalma Leonardo de Siqueira, apresentou em seu domicílio fiscal (uma pequena sala com apenas três mesas e diversas caixas com documentos contábeis aparentemente com pouquíssima ou nenhuma Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 7 6 freqüência de pessoas) os Livros Razão, os Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR, alteração contratual, dois CDs com arquivos digitais de registros contábeis. Quanto aos Livros Diário e documentos contábeis, embora afirmando que eles estariam disponíveis em seu domicílio fiscal, apesar de agendadas datas para comparecimento dos agentes fiscais no domicílio da pessoa jurídica, nas duas primeiras ocasiões a sala estava fechada, e inclusive há meses, segundo informação da portaria do edifício. Na terceira visita ao local, constatouse que apenas parte dos elementos solicitados haviam sido disponibilizados. Na seqüência, a contribuinte transferiu seu domicílio de São Paulo para Belo Horizonte, e depois disso para Maceió. Todavia, a partir dos elementos coletados, foram identificadas notas fiscais acobertando custos e pagamentos referentes a operações que foram negadas pelos supostos fornecedores. Intimado a apresentar comprovação dos efetivos pagamentos (tais como saques bancários coincidentes em datas e valores, recebimentos em espécie e outros comprovantes da tradição, tendo em vista as vultosas quantias envolvidas). A fiscalizada apenas questionou os termos da intimação e não apresentou qualquer comprovação. Reintimado, o sujeito passivo não atendeu ao requerido. Como as intimações dirigidas aos endereços antigo e novo da pessoa jurídica retornavam com a informação de mudança, Marcos Aurélio de Guilherme Silva, Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva e Quatre Empreendimentos e Participações Ltda foram constituídos responsáveis solidários pela fiscalizada, e Informática Nacional S/A como responsável subsidiário na forma do art. 133 do CTN. Na seqüência, as intimações foram dirigidas a Informática Nacional S/A e só então respondidas, embora parcialmente, por Djalma Leonardo de Siqueira. As autoridades fiscais, então, abordam as irregularidades verificadas nos custos e pagamentos relativos às empresas Tecno Shop Ltda, Soie Informática Ltda, MGTECH Logística e Distribuição S/A, Broker RJ Comercial EletroEletrônico Ltda e Projetech Comercial Informática Ltda, e concluem pela glosa dos custos não comprovados, individualizandoos a partir da data e histórico dos lançamentos contábeis, e totalizando em R$ 8.851.287,88 a glosa no anocalendário 2006, e em R$ 17.700,00 a glosa pertinente ao 1o trimestre de 2007. Registraram que embora a contribuinte tenha apresentado DIPJ com valores zerados, em 25/11/2009 elas foram retificadas para consignar os valores expressos nos livros fiscais e contábeis. Também as DCTF foram retificadas em 16 e 25/11/2009, mas quando a contribuinte já estava sob ação fiscal. No anocalendário 2006 foram efetuados recolhimentos caracterizadores da opção pela apuração anual do lucro real, mas em 2007 eles não se verificaram, impondose a apuração trimestral do lucro real. As glosas de custos repercutiram na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, bem como na determinação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, ensejando neste caso falta de recolhimento submetida à multa isolada de 50%. Ainda, as autoridades lançadoras apuraram falta de declaração/recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual de 2006 e nos trimestres de 2007, estes determinados mediante soma das apurações mensais escrituradas pela contribuinte em seu LALUR. Ainda, os pagamentos contabilizados com base em documentação inidônea caracterizaram pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados, ensejando a exigência de imposto de renda retido na fonte (IRRF) na forma do art. 61, §1o da Lei nº Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 8 7 8.981/95, com base de cálculo reajustada na forma do §3o daquele dispositivo legal. Foram submetidos também a esta incidência pagamentos contabilizados em favor de empresas inexistentes de fato (Vitória Participações Ltda e Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda), além do que foram glosados como despesas as duas parcelas de R$ 280.000,00 destinadas àquelas empresas e que reduziram o resultado do exercício sob o histórico transferência de dividendos. Considerando a interposição de pessoas, a contabilização de notas fiscais inidôneas, as saídas de caixa acobertadas por documentação inidônea, concluiuse que a fiscalizada praticou voluntária e intencionalmente atos que, analisados objetivamente, compõem percurso notoriamente utilizado para lesar ninguém mais que o Fisco, visto que, o uso de documentos inidôneos leva à convicção de que a fiscalizada se orientou para a realização da infração, além do que, dispunha, em concreto, da capacidade de antecipar e prever as conseqüências do seu modo de agir, restando caracterizado o intuito de tirar proveito em detrimento do Fisco. Daí o evidente intuito de fraude a que aludem os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 e o cabimento da multa qualificada prevista no §1o do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por fim, os fiscais autuantes noticiaram a lavratura de Termos de Responsabilização Solidária/Subsidiária, de forma a dar ciência dos Autos de Infração e seus respectivos Termos, aos responsáveis solidários pelo pagamento dos tributos e penalidades, nos termos dos artigos 124 e 133, do Código Tributário Nacional. Os Termos lavrados contra Marcos Aurélio de Guilherme Silva (fl. 2757/2763), Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva (fls. 2764/2772), Informática Nacional S/A (fls. 2773/2779) e Quatre Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 2780/2788), concluem pela responsabilidade solidária destas pessoas com fundamento no art. 124 do CTN, e reportamse aos fatos constatados na “Operação Castelhana”, também detalhando o encadeamento societário entre as empresas Nacional Teleinformática Importadora Ltda e a autuada, a continuidade de suas atividades por meio da empresa Informática Nacional, a falta de propósito negocial nas operações que se prestaram, apenas, a desvincular os verdadeiros proprietários do “Grupo Nacional” das obrigações tributárias. Especificamente o termo lavrado contra Informática Nacional S/A também consigna a responsabilidade subsidiária desta, nos termos do art. 133 do CTN, Os Termos de Responsabilização Solidária/Subsidiária foram cientificados aos responsáveis no curso do procedimento fiscal, como relatado, mas em 20/05/2011 eles também recepcionaram, por via postal, os autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal aqui lavrados (fls. 2857/2866). Em 21/05/2011 todos os sujeitos passivos solidários também foram cientificados de correspondência que lhes enviou cópia de documentos apreendidos (fls. 2867/2878) Todos os sujeitos passivos apresentaram impugnação. Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda preliminarmente argüiu a competência da DRJ/São Paulo para apreciação de sua defesa; afirmou a nulidade do lançamento em razão da inclusão do crédito tributário no REFIS IV (Lei 11.941/2009); questionou a validade da prova emprestada, na medida em que o Poder Judiciário não teria compartilhado com a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, onde tem domicílio, as informações sigilosas a ela relativas, bem como não estaria explicitado qual o alcance da medida cautelar de sigilo que deu azo à “Operação Castelhana”, afirmando ser Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 9 8 terceiro naquele processo judicial; e alegou a decadência das exigências pertinentes ao ano calendário 2006, nos termos do art. 150, §4o do CTN. No mérito, questionou a alteração da forma de tributação por ela escolhida; afirmou que as despesas seriam dedutíveis conforme trabalho pericial anexo, posto que acobertadas por notas fiscais que efetivamente ingressaram em seu estabelecimento e foram pagas aos fornecedores, que eram empresas idôneas à época das operações; discordou da glosa de valores pagos a Serra Grande e Vitória Participações, porque contabilizados em contrapartida ao Patrimônio Líquido; afirmou a existência de bis in idem em relação a procedimento fiscal anterior que já exigira tributos em razão da falta de declaração/recolhimento de estimativas, observando a inexistência de autorização expressa para reexame de período já fiscalizado, bem como o efeito constitutivo das DCTF apresentadas; alegou que a exigência do ajuste anual no anocalendário 2006 deixou de considerar os débitos parcelados, bem como as estimativas informadas em DCTF, e quanto ao anocalendário 2007 acrescentou a indevida desconsideração de sua opção pela apuração anual; aduziu que os pagamentos questionados teriam sido feitos a beneficiários identificados e existentes àquela época, e que nenhuma operação utilizada pela empresa seria ilegal; invocou o dever de prova do Fisco e observou que a fundamentação em indícios e presunções afronta a capacidade contributiva da empresa autuada. Por fim, quanto à multa qualificada, novamente afirmou a ausência de provas, classificou de inverídicas as afirmações que conduziram à responsabilização de terceiros e ressaltou que elas estão desvinculadas dos fatos geradores. Informática Nacional S/A, Quatre Empreendimentos e Participações Ltda, Marco Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa impugnaram o lançamento apenas para combater a sujeição passiva solidária da Impugnante que não tem e nunca teve qualquer relação com os fatos geradores supostamente verificados e incorridos pela autuada principal. Informática Nacional S/A também buscou demonstrar que inexiste hipótese de sucessão, não tendo figurado em momento nenhum a Impugnante como sucessora da autuada principal como equivocadamente sugeriu o Fisco Federal. A Turma julgadora acolheu parte dos argumentos de Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda, observando que houve sobreposição de fiscalizações e exigências, e que para evitar prejuízo à contribuinte deveria prevalecer o primeiro lançamento formalizado. A exigência de valores informados para o anocalendário 2006 seria idêntica em ambos os lançamentos, devendo prevalecer o primeiro formalizado nos autos do processo administrativo nº 19515.001534/201061. Já em relação ao anocalendário 2007, embora correta a apuração trimestral adotada pela Fiscalização nestes autos, também prevaleceria o primeiro lançamento, formulado na sistemática anual. Em conseqüência, foi cancelada a glosa de custos pertinente ao 1o trimestre/2007, porque não observada a sistemática anual. Ainda, foram canceladas parcialmente as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas no anocalendário 2006, relativamente àquelas já exigidas no outro procedimento fiscal. Por fim, também foi exonerado o IRRF sobre os pagamentos feitos a Vitória Participações Ltda e Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda, porque identificada na contabilidade os beneficiários e a causa dos pagamentos, e ausente maior aprofundamento fiscal para afastálos. De outro lado, a Turma rejeitou as demais alegações dos impugnantes, aduzindo que: · Em regra, tem competência para apreciar as impugnações a DRJ que tem jurisdição sobre a DRF que formalizou o lançamento, in casu, a DRF/Belo Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 10 9 Horizonte. Por sua vez, o art. 9o, §2o do Decreto nº 70.235/72 permite que os lançamentos sejam formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo; · A contribuinte poderia, mesmo estando sob procedimento fiscal, incluir débitos ainda não constituídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, mas isto não a exime da constituição, nem das multas de ofício, proporcional e isoladas, porque suas ações não foram espontâneas. Os efeitos da adesão deverão ser verificados pela DRF competente e não afetam o lançamento; · Quanto à validade das provas, há decisão judicial determinando a quebra do sigilo do processo judicial nº 2008.38.00.038500 em favor da Receita Federal, delimitando o trabalho fiscal ao aproveitamento dos dados apenas para constituir crédito tributário. Os autos estão instruídos com todos os documentos pertinentes ao procedimento fiscal e não houve cerceamento ao direito de defesa; · Era desnecessária a autorização para reexame de período fiscalizado, porque o outro lançamento formalizado decorreu de procedimento fiscal iniciado depois do presente, mas concluído antes deste, até porque destinado apenas à revisão das DIPJ retificadoras, ao contrário do presente, muito mais abrangente; · É inegável que as condutas descritas no TVF, no Relatório Fiscal e nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária são mais que suficientes para caracterizar a responsabilidade solidária e por sucessão empresarial de todos os envolvidos. De outro lado, os Impugnantes não justificam, não explicam, nem rebatem os diversos fatos minuciosamente relatados que apontam ou comprovam as diversas irregularidades cometidas pelos proprietários do “Grupo Nacional” e das empresas utilizadas para continuidade dos negócios mantidos pelo grupo, esquema montado para blindagem patrimonial, sucessão empresarial do referido grupo econômico e desvincular os proprietários das obrigações tributárias decorrentes das atividades desse grupo. · [...] o que se comprova, no caso vertente, é que o “Grupo Nacional”, mais a empresa Quatre Empreendimentos e Participações Ltda, capitaneados pelo casal Marcos e Mara tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, pois conjugavam esforços para a consecução das atividades comerciais realizadas pelo referido grupo econômico. · Diante dos conceitos doutrinários acerca da sociedade de fato, verificase, no presente caso, que o órgão da pessoa jurídica, ou seja, o conjunto de pessoas naturais que exprime a sua vontade, não agiu dentro das formas que preconizam as normas tributárias, pois utilizaram a pessoa jurídica com o intuito de obtenção de lucros à margem da incidência tributária; · Ainda que admitida a aplicação do art. 150, §4o do CTN, considerandose a apuração anual do lucro em 31/12/2006, a decadência somente se operaria em 31/12/2011, subsistindo válido o lançamento cientificado em 20/05/2011; · A glosa de custos está fundamentada em extenso trabalho fiscal, o qual reuniu diversos indícios suficientes para subsidiar a conclusão de que as Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 11 10 operações não foram realizadas. O laudo pericial apresentado pela contribuinte limitase a afirmar que as operações ocorreram e que as empresas existiam à época, mas não está suportado por documentos; · Os pagamentos em favor de Serra Grande e Vitória Participações tiveram contrapartida no Resultado do Exercício, revelando distribuição ou pagamento de exercícios que não é gasto dedutível na apuração do lucro líquido, nem do lucro real; · As multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas em 2006 prevalecem naquilo que não coincidem com as lançadas no processo administrativo nº 19515.001534/201061, dado que adequadamente exigidas pela Fiscalização e não refutadas pelos impugnantes. · A exigência de IRRF sobre os custos glosados é válida porque o documento fiscal inidôneo não se presta a nada, pois inexiste, de fato, qualquer operação comercial ou contrato de compra e venda de mercadorias. Logo, subsiste sem identificação o beneficiário e a causa do pagamento. · Inexiste concomitância entre a exigência de IRRF e de IRPJ/CSLL porque a primeira decorre do pagamento a terceiros, e a segunda da redução do lucro tributável. · Quanto à multa qualificada, inexiste dúvida que a utilização de documentos fiscais inidôneos, “NOTAS FRIAS”, ou seja, operações comerciais inexistentes, contabilizados como custos, no caso do IRPJ e da CSLL, subsumese às hipóteses da Lei nº 4.502, de 1964, e da Lei nº 8.137, de 1990. Como a autuada não conseguiu rebater estes fatos, a autuação é mantida. · Argumentações doutrinárias acerca de princípios constitucionais não permitem que as autoridades julgadoras deixem de aplicar a lei. A posterior juntada de documentos não é admitida pelo Decreto nº 70.235/72. A decisão resultou na exoneração de IRPJ no valor principal de R$ 4.258.012,52, acrescido de multa de 150%; de multas isoladas por falta de recolhimento de IRPJ no valor de R$ 1.182.843,07; de CSLL no valor principal de R$ 1.539.325,10 acrescido de multa de 150%; de multas isoladas por falta de recolhimento de CSLL no valor de R$ 427.514,50; e de IRRF no valor principal de R$ 301.538,48 acrescido de multa de 150%. Em razão deste montante exonerado, a decisão foi submetida a reexame necessário. O resultado de julgamento foi cientificado a todos os responsáveis, mediante intimações específicas (fls. 3578/3623). Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda foi cientificada em 25/10/2012, depois de transcorridos 15 (quinze) dias da disponibilização em 10/10/2012 da decisão através da Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal (fl. 3632). Os demais responsáveis foram cientificados, por via postal, em 17/10/2012 (fls. 3633/3636). Em 26/11/2012 foi postado recurso voluntário interposto por Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda (fls. 3649/3752), no qual preliminarmente requer a nulidade da decisão recorrida em razão da incompetência da DRJ/Belo Horizonte para apreciação da impugnação, pois o Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido pela DEFIS/SP, e entendimento doutrinário firma a competência de julgamento em razão do domicílio do contribuinte. Também reafirma a nulidade do lançamento em razão da Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 12 11 inclusão do crédito tributário no REFIS IV (Lei 11.941/2009), reportandose aos atos normativos e esclarecimentos prestados pela Receita Federal em favor da inclusão de débitos com vencimento até 30/11/2008, defendendo que suas declarações não podem ser consideradas “sem efeito”, e concluindo que os débitos parcelados devem ser excluídos do lançamento. Requer, ainda, a nulidade do procedimento fiscal em razão do uso de provas ilícitas, reportandose aos princípios constitucionais que regem a constituição do crédito tributário (direito ao contraditório, a ampla defesa, produção de provas necessárias quanto à matéria alegada, o princípio do duplo grau de cognição e o princípio do julgador competente) e invocando a vedação contida no art. 5o, inciso LVI da Constituição Federal acerca de provas produzidas mediante a prática de ilícito civil, penal ou administrativo, bem como aquelas que afrontem princípios constitucionais, aí incluídas as provas emprestadas sem a devida ordem judicial. Argumenta que a decisão judicial que, devido ao segredo de justiça, compartilhou provas com a Receita Federal, foi proferida em processo no qual constavam como acusados os advogados, contadores, “laranjas” e uruguaios, sem fazer qualquer referência à recorrente. Ademais, a origem da Operação Castelhana verificase em razão de medida cautelar de sigilo cujo alcance deve ser avaliado, de modo a aferir se o Fisco estava autorizado a utilizar os documentos que instruem este procedimento fiscal, sob pena de sua nulidade por falta de documentação que o embase. Assevera que somente se admite a importação de provas colhidas em processo que tramita em segredo de justiça para outro processo ou procedimento que tramita entre as mesmas partes. Observa que alguém que seja terceiro ao processo que tramita em segredo de justiça sequer poderia saber quais foram os atos processuais que ocorreram em seu bojo, podendo haver, nesse caso, a incidência do tipo penal de quebra do sigilo da justiça (art. 10 da Lei nº 9.296/96). Cita as restrições doutrinárias e jurisprudenciais à prova emprestada, e ainda aduz que as provas que se prestam ao juízo criminal não poderiam ser utilizadas em processo administrativo sem a prévia apreciação e determinação de um juízo cível. Menciona, também, que na ação penal nº 2008.38.00.0038500 não houve decisão compartilhando as provas ali coletadas, especialmente com a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, onde a recorrente está domiciliada, bem como que nada neste sentido foi juntado aos autos. Pede, assim, a declaração de nulidade de tais provas e o seu desentranhamento dos autos. Na seqüência, argüi a decadência do crédito tributário lançado relativamente ao período de janeiro a maio de 2006, porque já transcorrido o prazo previsto no art. 150, §4o do CTN à época do lançamento. Observa que a Lei nº 9.430/96 lhe impõe a antecipação dos pagamentos, motivo pelo qual os tributos têm fato gerador mensal. Cita acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais em favor de seu entendimento, e ressalta que apresentou DCTF para os períodos indicados. No mérito, inicia pelos questionamentos dirigidos à forma de apuração adotada pela contribuinte, afirmando que a opção foi regular e não pode ser alterada pelo Fisco. Ademais, os débitos assim apurados foram incluídos no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, sendo descabida a exigência. No que tange aos custos glosados, defende seu direito à dedução com base no trabalho pericial anexo, cujo complemento segue anexo. Afirma que as operações comerciais realmente ocorreram, ou seja, as mercadorias que foram acobertadas pelas notas fiscais em apreço efetivamente ingressaram no estabelecimento da Recorrente, houve circulação Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 13 12 econômica e financeira das mercadorias, havendo o efetivo pagamento aos fornecedores. As declarações de inidoneidade dos fornecedores seriam posteriores aos negócios comerciais, na medida em que a recorrente sempre cuidou de confirmar a regularidade de seus fornecedores. Houve destaque dos tributos pertinentes e a circulação física das mercadorias é comprovada pelo registro de entrada das notas fiscais de compra; daí o regular aproveitamento do crédito resultante das notas tidas como inidôneas pelo adquirente de boafé. Em suas palavras: Se naquela ocasião nem o próprio Fisco, que tem poder fiscalizatório sobre os contribuintes, tinha ciência da regularidade das fornecedoras, não pode vir, depois que tomou ciência, querer que o ato administrativo declaratório de inidoneidade tenha efeito retroativo, de forma a desconsiderar um ato jurídico perfeito, isto é, praticado em estrito acordo com a legislação vigente. Defende que os efeitos do ato declaratório são ex nunc, e invoca o art. 106 do CTN para se opor à retroatividade da legislação tributária em prejuízo de um terceiro na relação fiscocontribuinte. Acrescenta, ainda, que a Fiscalização se fundou em presunção, reportandose às constatações expressas em laudo pericial que instrui sua defesa, transcrevendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, indicando o registro contábil de notas fiscais questionadas, afirmando seu direito de fazer o pagamento em dinheiro, demonstrando que sua contabilidade não foi desqualificada, e apresentando argumentos específicos contra as constatações fiscais relativamente às operações realizadas com Tecno Shop Ltda, Soie Informática Ltda, Mgtech Logística e Distribuição, Broker RJ Comercial Eletroeletrônicos Ltda e Projetech Comercial Informática Ltda. Descreve o trâmite de suas operações comerciais de aquisição de produtos e novamente reportase às constatações contidas em laudo pericial e à documentação que lhe dá suporte, como prova da idoneidade dos fornecimentos questionados. Acrescenta que todas as notas fiscais foram apresentadas juntamente com as respectivas consultas ao Sintegra nas datas das operações, a evidenciar que eram empresas regulares perante as Secretaras das Fazendas Estaduais. Discorda, ainda, da glosa de despesas correspondentes a pagamentos à Serra Grande e à Vitória Participações, porque contabilizados em contra partida ao Patrimônio Líquido, e não a débito de conta de custo ou despesa redutora do lucro líquido. O lucro líquido de R$ 4.849.577,26 não foi influenciado por aqueles valores e foi oferecido à tributação. Quanto à acusação de falta de recolhimento de estimativas, aponta que a Fiscalização foi realizada sem a prévia autorização para reexame prevista no art. 906 do RIR/99, e também tendo em conta os arts. 145 e 149 do CTN. Ademais, a apuração mensal decorreria da desconsideração de sua opção pela apuração anual dos lucros, e seria redundante em razão da exigência anterior que lançou multas nos meses de janeiro/2006 a maio/2007, bem como incompatível com o parcelamento dos débitos de estimativas declarados em DCTF. Aborda o tratamento jurisprudencial e doutrinário acerca do bis in idem e requer a exclusão, da base de cálculo, do valor total já apurado e tributado. Por fim, menciona que haveria duplicidade em relação aos valores apurados anualmente em 2006, ou no 1o trimestre de 2007, mas sem desenvolver seus argumentos. Relativamente à exigência de IRRF, comprovadas as operações que justificam os pagamentos, indevido é o crédito tributário. O mesmo se diga relativamente aos Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 14 13 pagamentos a Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda e Vitória Participações Ltda, cujos beneficiários e causa estão identificados. Opõese à acusação de dolo e fraude na blindagem patrimonial que ocultou os verdadeiros sócios da empresa, porque não foram praticados atos ilegais. Quanto à irregularidade apontada em relação aos fornecedores contratados, diz que a Fiscalização classificou a grande maioria como inidônea, em evidente presunção, muito embora pela própria lista disposta pelo fisco todas as empresas estavam aptas e com situação cadastral ATIVA e REGULAR perante os órgãos públicos. Como as notas fiscais foram escrituradas e devidamente pagas, não há se falar em operação fictícia, consoante acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes que cita. Diz que a exigência do IRRF é contraditória, porque os pagamentos estão contabilizados, com efetiva saída desses recursos da empresa autuada, com destino à liquidação das operações consubstanciadas pelas notas fiscais de aquisição dos fornecedores. Ressalta que a liquidação foi feita nos exatos valores das notas fiscais, e cita julgado do Superior Tribunal de Justiça contra efeitos retroativos de atos que declararem a irregularidade de empresas. E conclui que o Fisco opera com mera presunção, sem provas do que afirma, inclusive porque há operações com reconhecida entrega dos produtos e prova do pagamento. Invoca o princípio da verdade material e o art. 142 do CTN para expor o dever de prova do Fisco, citando doutrina e asseverando que: O que fez a fiscalização foi juntar um emaranhado de documentos apreendidos na empresa Recorrente, “jogálos” no procedimento administrativo fiscal em comento, sem qualquer análise conclusiva e objetiva, culminando, irrazoavelmente, no auto de infração em comento em face da Recorrente. Complementa que não houve qualquer tratamento dos documentos juntados, que o Fisco preferiu bater pelo arbitramento do lucro, que seria atividade menos complexa, reunido apenas meros indícios e presunções que certamente são imprestáveis a sustentar a atividade fiscal. Em seu entendimento, quando o fiscal deveria iniciar seu trabalho de investigação, a partir dos documentos colhidos junto à empresa Autuada, ele concluiu a fiscalização e lavrou o auto de infração, sem realizar qualquer tipo de cotejo analítico entre a documentação obtida e o dever de prova que é inerente ao lançamento tributário. Ante a ausência do cumprimento do dever de prova e investigação pelo Fisco, não cabe ao contribuinte desfazer presunções e indícios apontados, conforme doutrina que cita. Menciona que o fato de não ter sido encontrada para prestar justificativas não autorizaria a afirmação de omissão de receitas e arbitramento dos lucros. Reportase a julgados administrativos que declaram a imprestabilidade de lançamentos que não trazem os mínimos elementos de segurança necessários a demonstrar e embasar o fato nele presumido pela fiscalização. Argumenta que a autuação com base em presunção afronta sua capacidade contributiva, em desrespeito à determinação constitucional, devendo ser cancelada a exigência. Diz, também, que a aplicação da multa qualificada se deu com base em presunção, sem elementos formais e documentais e sem provas da intenção do agente em fraudar o Erário Público. Repete que o fisco presume a intenção a partir de uma presunção de omissão de receitas. Argumenta que a fraude deve ser provada, e que a exigência configura um Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 15 14 verdadeiro confisco por seu montante excessivo e despropositado, pois até mesmo o percentual de 75% já é exorbitante. Acrescenta que as afirmações fiscais que culminaram com a esdrúxula responsabilização de terceiros não caracterizam fraude porque não impediram, nem retardaram o fato gerador. Inexistem provas neste sentido nos autos, pois as seqüências das Alterações Contratuais e Estatutárias não guardam relação com os fatos geradores. Ademais, em seu entendimento, a inidoneidade de documentos fiscais não pode atribuir responsabilidade solidária, quando não haja interesse e conhecimento (e não esteja comprovado) do Contribuinte. Observa que da suposta omissão de receita não restou demonstrado nenhuma vantagem às pessoas envolvidas, uma vez que não foram produzidas provas ou evidências deste pretenso locupletamento (nem poderia, por ser inexistente!). Assim, a multa qualificada é inaplicável porque ausentes os pressupostos que poderiam autorizála, a teor da Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes e de julgados administrativos que cita. Ao final, reitera os pedidos apresentados ao longo do recurso e requer, ainda, a oportunidade de juntada do complemento do laudo pericial para comprovação dos elementos contábeis. Em 14/11/2012 foi postado recurso voluntário interposto por Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva (fls. 3753/3779), inicialmente argumentado que não abordarão o mérito da autuação porque lhes falta interesse e elementos para combatêlo, dado que não têm e nunca tiveram qualquer relação com os fatos geradores supostamente verificados e incorridos pela autuada. Diz que a Fiscalização não cumpriu o dever de prova da realização das premissas fáticas que validariam sua autuação em desfavor dos Recorrentes, e que a autoridade julgadora de 1a instância não abordou a questão sob o prisma jurídico tratado na Impugnação. Asseveram que são descabidas discussões envolvendo a estrutura societária do suposto grupo que os autuantes julgam existir, e que inclusive a Fiscalização não tem competência para avaliar sua legalidade. Isto porque somente lhes cabe apurar fatos geradores e a existência de coobrigados pelos supostos débitos apurados. Não há que julgar, com base em suas convicções subjetivas, a existência de um “encadeamento societário” (como lançou o Fisco) e concluir que, em razão disso, estariam as pessoas físicas e jurídicas mencionadas qualificadas como coobrigadas pela suposta obrigação tributária apurada em relação a autuada principal. As hipóteses de responsabilidade tributária estão previstas no CTN, e não podem ser alargadas sob pena de ilegalidade ou ilegitimidade passiva dos autuados. E não bastam indícios, presunções e ficções para demonstrálas, cabendo ao Fisco demonstrar cabalmente os fatos que justificam a inclusão dos responsáveis no pólo passivo da demanda. De outro lado, as condutas dos recorrentes teriam sido abordadas apenas pontualmente e a autoridade julgadora teria indevidamente invertido o dever de prova, impondo aos recorrentes apresentar justificativas para afastar as irregularidades apontadas. Observam que a aplicação do art. 124 do CTN somente é citada na porção em que o Fisco aponta que teria havido a notificação dos Recorrentes a respeito da referida sujeição passiva solidária, inexistindo outro momento em que o Fisco relaciona a conduta eventualmente imputada aos Recorrentes aos requisitos exigidos pela lei para a configuração Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 16 15 da hipótese de sujeição passiva solidária. Já a decisão recorrida abordou genericamente a responsabilidade atribuída a todos os recorrentes, inclusive dificultando o exercício do direito de defesa. Asseveram que o art. 124 do CTN não visa instituir uma nova espécie de responsabilidade indireta e não pretende determinar que toda e qualquer pessoa que eventualmente tenha interesse na situação que constitua o fato gerador seja responsável solidário pelo crédito tributário. A doutrina esclarece que este dispositivo é aplicável em caso de pluralidade efetiva de pessoas no pólo passivo da obrigação tributária, ordenando a relação entre aqueles que respondam pelo crédito tributário. Transcrevem abordagens neste sentido e conclui que o Fisco procedeu como ali condenado, utilizando o dispositivo como forma de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, no caso os Recorrentes. De toda sorte, a expressão “interesse comum” somente poderia ser entendida como sendo aqueles que necessariamente praticaram em conjunto os negócios jurídicos ensejadores do fato gerador. Por sua vez, o Fisco sequer demonstrou qual teria sido a relação fática estabelecida entre eles e a autuada principal que dariam azo a aplicação da solidariedade, limitandose a lançar, sem qualquer comprovação e correlação, a idéia de que os Recorrentes seriam os proprietários e gestores de toda a suposta cadeia societária apontada. Daí, inclusive, a inviabilidade de se estabelecer uma malha de argumentação sólida diante da ausência de elementos qualificadores de sua conduta na acusação e na decisão recorrida. Destacam que o “interesse comum” não se confunde com interesse econômico nem equivale à “combinação de esforços” citada na decisão recorrida, sendo necessária a demonstração da atuação como responsáveis pela pessoa jurídica, participando das supostas operações (e realizando os supostos fatos geradores!) que geraram o suposto recolhimento a menor dos tributos em comento. Reportase a manifestações do Superior Tribunal de Justiça, que inclusive incumbe ao Fisco esta prova, e também transcreve doutrina a respeito do tema. Acrescentam ser irrelevante o fato de uma sociedade participar do capital de outra, evidenciando relação direta entre elas, se inexiste prova da participação efetiva na realização do fato gerador. Subsidiariamente também argumentam que não seria o caso de aplicação dos arts. 134 e 135 do CTN, dado que o Fisco sem qualquer comprovação cabal colocou os Recorrentes na condição de gestores da autuada principal. E, nos termos da lei, deve ser comprovada a prática de atos com excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos. Ou seja, além da gestão é preciso estar presente a culpa subjetiva, que não foi comprovada. Cita posicionamento jurisprudencial e doutrinário neste sentido. Concluem que o simples inadimplemento, caso existente, não se amolda ao previsto no art. 135 do CTN, dado que a infração à lei não deve ser praticada pela empresa, mas sim pelo gestor. Por esta razão, o Superior Tribunal de Justiça somente admite esta responsabilizada se comprovada a prática de infração da lei ou estatuto, ou se comprovada a dissolução irregular da sociedade. Assim, qualquer exigência em confronto ao disposto na lei – que no caso deve ser complementar a teor do art. 146, III, “b”, da Constituição Federal – ensejará confisco, vedado constitucionalmente. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser acolhido para exclusão dos recorrentes do processo administrativo e conseqüente cancelamento da exigência fiscal em seu desfavor. Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 17 16 Em 14/11/2012 foi postado recurso voluntário interposto por Quatre Empreendimentos e Participações Ltda (fls. 3810/3833), estruturado de forma semelhante ao apresentado por Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva, mas destacando que no Termo de Verificação Fiscal apresentado pelo Fisco Federal há uma simples abordagem sobre a constituição da empresa e a breve indicação de sua evolução societária, não havendo sequer menção sobre o envolvimento da Recorrente com a autuada principal, que supostamente teria incorrido nos fatos geradores apontados. Menciona, também, que ao abordar genericamente a matéria, a autoridade julgadora de 1a instância sequer citou seu nome. Ressalta que (a) não tem qualquer relação com os supostos débitos tributários apurados, (b) exercendo sua atividade de maneira autônoma e com efetivo propósito comercial, (c) inexistindo vínculo da sociedade com os fatos geradores que amparam a pretensão fazendária. No caso em comento (d) são inexistentes as causas legalmente apontadas e exigidas para a transferência de responsabilidade tributária e solidariedade passiva, pois o Fisco não cuidou de demonstrar qual relação da Recorrente com os fatos geradores apontados. Menciona que sua atividade social é totalmente distinta da devedora principal, e exercida com autonomia. Sua constituição é anterior aos fatos geradores e seu patrimônio está declarado à Receita Federal, e lastreado em receitas e ingressos devidamente informados. E, embora em alguns casos o patrimônio dos sócios da pessoa jurídica possa ser alcançado, nada na lei autoriza envolver outra pessoa jurídica que nada tem a ver com os fatos geradores realizados. Enfatiza que não há qualquer imposição legal que determine a solidariedade passiva em relação a empresa que em determinado momento eventualmente possuem ou possuíram os mesmos sócios, se apenas uma, independentemente, realizou os fatos geradores do tributo, sem qualquer participação da outra pessoa jurídica. Diz ser equivocada a discussão de questões societárias nestes autos, e que somente é mencionado nos autos o suposto “encadeamento societário”, inexistindo fundamentação fática e legal para a responsabilização pelos créditos tributários exigidos. Reiterando a interpretação acerca do art. 124 do CTN, firma inexistir interesse comum, e que mesmo se tivesse alguma relação com o devedor principal, necessário seria que atuasse como seu responsável para figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Conclui, assim, pela necessária exclusão da recorrente do processo administrativo e conseqüente cancelamento da exigência fiscal em seu desfavor. Em 14/11/2012 foi postado recurso voluntário interposto por Informática Nacional S/A (fls. 3780/3809), cujo conteúdo é semelhante ao do recurso interposto por Quatre Empreendimentos e Participações Ltda, mas observando que sua criação se deu em momento em que a autuada principal desenvolvia suas atividades normalmente, ainda nos idos de 2003, a evidenciar que a sucessão é inexistente nos autos, tendo a Recorrente atuado no mercado no mesmo ramo de atividade da autuada principal durante anos, exercendo com ela, inclusive, concorrência comercial, em razão de diferença no tipo de mercadorias contabilizadas, nos serviços desenvolvidos e ainda no público alvo da atividade desenvolvida. E, além de se opor à aplicação do art. 124, inciso I do CTN, também afirma a inaplicabilidade do art. 133 do CTN, porque a afirmação de que a Recorrente teria continuado com as atividades da devedora principal é lastreada apenas em presunções formadas a partir de convicções subjetivas, desprovidas de legalidade. Sua atuação foi concomitante e autônoma Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 18 17 em relação à da devedora principal, e embora inseridas no mesmo ramo de negócio, isto não seria causa suficiente para imputação de responsabilidade tributária. Ademais, a acusação é confusa quanto aos argumentos e omissa quanto à correlação com os dispositivos legais. Diz que a decisão recorrida não enfrentou o tema; que o art. 133 do CTN pressupõe a aquisição de outra, a qualquer título, o que definitivamente não ocorreu na hipótese dos autos; que a própria Fiscalização reconheceu que a relação entre elas era puramente comercial e sem qualquer interdependência, verificandose mera transação de mercadorias acobertada por nota fiscal e não venda de fundo de comércio ou estabelecimento; que a venda de mercadorias era normal ante os problemas da devedora principal com suas inscrições estaduais e impedimentos à sua atividade; que as tabelas trazidas pela Fiscalização demonstram que em determinado período as empresas atuaram normalmente possuindo faturamento comum e de acordo com as práticas de mercado; que a ausência de faturamento da autuada principal decorreu dos impedimentos à sua atividade como disse a Fiscalização. Subsidiariamente argumenta que o art. 133 do CTN limita a responsabilidade do sucessor aos tributos, e não se refere às multas, principalmente as de natureza punitiva. Cita doutrina e jurisprudência neste sentido. Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 19 18 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A autuada Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda foi cientificada em 25/10/2012 da decisão de 1a instância, e tempestivo se mostra o recurso voluntário por ela apresentado em 26/11/2012. Os demais responsáveis foram cientificados em 17/10/2012, de modo que também são tempestivos os recursos por eles interpostos em 14/11/2012. Preliminarmente, a recorrente Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda argúi a nulidade da decisão recorrida e sob reexame, em razão da incompetência da autoridade julgadora de 1a instância. Entende que a competência é definida em razão do domicílio do contribuinte, e observa que o Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido pela DEFIS/SP. O Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, estabelece, em seu art. 25, que o julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal. Tratandose, portanto, de órgão de deliberação interna, sem qualquer intervenção presencial do impugnante no julgamento, mostrase irrelevante, para este, o local onde se processará o julgamento, sendolhe exigível, apenas, o encaminhamento dos autos a seu domicílio fiscal ante eventual pedido de vistas prévio ao julgamento, ou para ciência da decisão proferida pelas Turmas Julgadoras da DRJ. Esta a razão, inclusive, de o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587/2010, em seu art. 229, na redação vigente à época em que proferida a decisão recorrida e sob reexame, conceber as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ como órgãos de jurisdição nacional, facultandolhes o julgamento de processos administrativos fiscais formalizados em qualquer unidade da Receita Federal no Brasil, e implementando o princípio constitucional da eficiência administrativa ao permitir o deslocamento de litígios para unidades nas quais eles serão apreciados mais rapidamente. Ainda, embora os argumentos até aqui apresentados sejam suficientes para afastar a argüição da recorrente, importa reproduzir a menção feita, na decisão recorrida, acerca da divisão primária de competências estabelecida para direcionamento inicial dos processos a serem julgados: [...] No entanto, não há nenhuma irregularidade no julgamento da presente lide pela DRJ/BHE, uma vez que essa competência decorre naturalmente do fato de que todo o procedimento fiscal, inclusive, o lançamento, ora apreciado, terem sido efetuados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, lotados na DRF de Belo Horizonte. Ocorre que a jurisdição territorial da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte contempla as Unidades da RFB situadas nos municípios mineiros de Belo Horizonte, Curvelo, Contagem, Divinópolis e Sete Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 20 19 Lagoas, e suas jurisdicionadas, conforme estabelece o Anexo V, da Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, alterado pela Portaria SRF nº 179, de 13 de fevereiro de 2007. Esta Portaria delimitou a competência de julgamento de cada DRJ atrelada a certas DRFs, em função de determinado território que as circunscreve. Nesse sentido, como regra geral, a DRJ competente para julgar a impugnação é a que tem jurisdição sobre o território da DRF que efetuou o lançamento. Por sua vez, muito embora o domicílio fiscal do sujeito passivo fosse localizado na cidade de São Paulo/Capital, posteriormente alterado para a de Maceió, Estado de Alagoas (vide item 61, do TVF), isso não invalida os procedimentos fiscais praticados pelos AFRBs lotados na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte/MG, pois o § 2º, do art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, assim prescreve, “verbis”: “2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748/1993)” (Grifos acrescentados) Nesse sentido, também o RIR/1999, no seu art. 904, § 3º, contém idêntica autorização: “Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). (...) § 3º A ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por AuditorFiscal do Tesouro Nacional de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º).”(Grifouse) Sendo assim, tanto a ação fiscal (realizada no domicílio fiscal da Impugnante) como a formalização do auto de infração são válidos, ainda que praticados por servidor lotado em jurisdição diversa da do sujeito passivo. Na prática, isso significa que, no caso dos tributos e contribuições federais, a competência administrativa dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil não está delimitada em razão do território (competência ratione loci). Por oportuno, salientese que o exercício das funções normais inerentes à atividade de fiscalização dos tributos federais, no caso de operações programadas pelos órgãos centrais da RFB, por envolver situações especiais de fiscalização (o que é o caso dos autos; MPFFs emitidos pela COORDENAÇÃOGERAL DE FISCALIZAÇÃO COFIS; vide fls. 2964/2965), fora do âmbito da jurisdição administrativa do servidor, depende das pertinentes autorizações dos seus superiores hierárquicos, inclusive no que se refere ao MPF e ao deslocamento do servidor do seu local de origem para o de atuação. Evidentemente, no caso concreto, os ARFBs que atuaram na ação fiscal e na confecção do lançamento executaram tais atos porque sempre estiveram acobertados pelas autorizações administrativas pertinentes procedidas por seus superiores hierárquicos. Por estas razões, a argüição preliminar de nulidade da decisão recorrida e sob reexame deve ser REJEITADA. Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 21 20 A mesma recorrente reafirma a nulidade do lançamento em razão da possibilidade de inclusão de débitos com vencimento até 30/11/2008 no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, mas de outro lado assevera que os débitos parcelados devem ser excluídos do lançamento. A interessada nada opõe, especificamente, aos argumentos veiculados na decisão recorrida acerca dos efeitos do referido parcelamento. A autoridade julgadora, por sua vez, embora atestando a existência de processo administrativo em nome da contribuinte, destinado a controlar os débitos assim parcelados, reportouse ao art. 1o da Lei nº 11.941/2009 que, embora autorizando o parcelamento de débitos com vencimento até 30/11/2008 ainda que não constituídos, como aqueles aqui tratados, foi seguido pelo art. 5o da mesma lei que configurou como opção a inclusão de débitos no parcelamento, até porque se tratava de confissão irrevogável de dívida. Por sua vez, a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009, alterada por outras subseqüentes, estabelecera que o sujeito passivo deveria indicar os débitos a serem parcelados, perante o órgão que administrasse o tributo. E a Instrução Normativa RFB nº 1.049/2010, alterada pela IN/RFB nº 1.109, de 24 de dezembro de 2010, determinou que os débitos ainda não declarados perante a Receita Federal deveriam ser informados mediante entrega da correspondente declaração até 30/07/2010, in casu, por meio de DCTF. Contudo, observou a autoridade julgadora que, como o início da ação fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo a teor do art. 7o, §1o do Decreto nº 70.235/72, a opção pelo parcelamento não afastaria as penalidades cabíveis sobre os valores que não haviam sido pagos nem declarados até o início do procedimento fiscal. Desta forma, e tendo em conta que as DCTF somente foram retificadas depois de iniciado o procedimento fiscal, o lançamento não seria prejudicado. Argumentou ainda, que: Na verdade, o procedimento do contribuinte, após o início da ação fiscal, reforça ou robustece o lançamento efetuado, à medida que não constitui senão uma confissão de que cometera infrações fiscais, não cumprindo regularmente suas obrigações tributárias. Nestas circunstâncias, a adesão do contribuinte ao referido parcelamento especial produz efeitos legais em relação aos débitos efetivamente nele incluídos (notadamente, o de importar em confissão extrajudicial, irrevogável e irretratável dos débitos incluídos), observado o cumprimento das formalidades e dos prazos estabelecidos na legislação de regência. De todo modo, as questões atinentes ao cumprimento das condições, do deferimento ou acompanhamento deste parcelamento especial não se inserem dentro das competências da autoridade julgadora de primeira instância, mas da Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte. A função das DRJ consiste em examinar a correlação entre os procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, no que diz respeito ao lançamento de ofício regularmente formalizado, não lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade ou não do parcelamento levado a efeito pelo contribuinte. A administração destes créditos tributários – inclusive de sua satisfação pelo pagamento à vista ou mediante parcelamento normal ou especial – fica a cargo das Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), a teor da Portaria MF nº 587, de Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 22 21 21 de dezembro de 2010, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. No tocante ao procedimento fiscal propriamente dito, este seguiu estritamente as normas legais pertinentes, tendo os autos de infração sido lavrados em rigorosa observância às determinações contidas no Decreto nº 70.235, de 1972. Portanto, o fato de a Impugnante, no curso do procedimento fiscal, ter optado pelo parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, incluídos nele débitos que seriam ou foram apurados e lançados pela Fiscalização, não tem o condão de anular o lançamento, efetuado, como já se disse, dentro das normas legais que regem tal atividade. Em suma, os questionamentos do contribuinte acerca dos efeitos de sua adesão ao aludido parcelamento especial, relativamente ao crédito tributário exigido no presente processo, devem ser dirigidos à DRF competente, a fim de que seja verificada a conformidade do parcelamento à luz da legislação de regência e, eventualmente, para que sejam tomadas as providências cabíveis. Enfim, digase que não possuiu qualquer relevância sobre o lançamento dos valores apurados, bem como das respectivas multas de ofício proporcionais e exigidas isoladamente, a adesão do contribuinte a esse parcelamento, uma vez que tanto a opção como a constituição do crédito, por meio de DCTF, não representaram denúncia espontânea. O início do procedimento fiscal, portanto, foi suficiente para afastar a espontaneidade, nos moldes já delineados. Nos autos constatase que, iniciada a ação fiscal em 02/09/2009, e lavradas subseqüentes intimações, em 16/10/2009 e 16/11/2009 (fls. 90/94 e 145/147), a recorrente, em 16 e 25/11/2009 transmitiu as DCTF para confissão de parte dos débitos aqui lançados. Em sua defesa, limitase a invocar os dispositivos legais e normativos que autorizam o parcelamento de débitos não confessados, mas nada opõe à exclusão de sua espontaneidade. Além disso, interpreta equivocadamente as palavras da autoridade julgadora, que não afirmou “sem efeito” suas declarações, mas apenas disse que sua conduta não afastaria as penalidades, e que a contribuinte deveria, como inclusive expresso nos itens 4.3 e 4.10 do Perguntas e Respostas disponibilizados pela Receita Federal na Internet, comunicar a DRF competente que débitos aqui exigidos estariam parcelados, de modo a atribuirlhes os efeitos do parcelamento, no sentido de evitar a cobrança daqueles valores. Em síntese, a contribuinte estava autorizada a retificar as DCTF para fins de optar pelo parcelamento concedido pela lei, mas em razão da exclusão de sua espontaneidade a infração cometida antes do início do procedimento fiscal sujeitase à penalidade, sendo válido o lançamento que alcança estes valores para sobre eles aplicar a multa cabível, não havendo porque anulálo ou mesmo dele expurgar os valores eventualmente parcelados. Apenas que a autoridade administrativa competente do domicílio da pessoa jurídica deverá adotar as providências necessárias para evitar a cobrança, nestes autos, das parcelas que já estejam submetidas aos benefícios da Lei nº 11.941/2009. Assim, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. A recorrente Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda também afirma a nulidade do procedimento fiscal em razão do uso de provas ilícitas. Todavia, os elementos questionados pela recorrente são aqueles que se prestaram a justificar a responsabilidade tributária de terceiros, bem como a imputação de fraude. Por esta razão, necessário se faz, primeiro, apreciar o mérito das infrações aqui constatadas, para Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 23 22 somente depois de delineado este cenário, avaliar as imputações daí decorrentes e, por conseqüência, as provas que as sustentam. Demais disso, por afetar a validade da prova dos autos, tal aspecto integra o mérito, e não deve ser tratado como preliminar. Quanto à argüição de decadência, na medida em que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação exclui a aplicação do art. 150, §4o do CTN, invocado pela recorrente como fundamento de sua defesa, também necessário se faz, primeiramente, apreciar o mérito da exigência. A exigência decorre de: 1) glosa de custos e despesas; 2) alteração da forma de apuração do lucro real adotada pela recorrente no anocalendário 2007; 3) falta de recolhimento de estimativas no anocalendário 2006; e 4) falta de declaração/recolhimento de IRPJ e CSLL originalmente apurados pelo sujeito passivo. Também foram lançados valores devidos a título de IRRF, porque não identificados causa e/ou beneficiários dos pagamentos vinculados aos custos/despesas glosados. Necessário se faz iniciar a análise de mérito pela alteração da forma de tributação escolhida pela contribuinte para o anocalendário 2007 e pelas exigências decorrentes da falta de declaração/recolhimento do IRPJ e da CSLL originalmente apurados pelo sujeito passivo, na medida em que estes aspectos são prejudiciais para decisão acerca das glosas de custos e despesas promovidas naqueles períodos. No anocalendário 2006, a contribuinte havia apresentado DIPJ com valores zerados, muito embora seus livros contábeis e fiscais apontassem a apuração de lucro no valor de R$ 4.849.577,26. Considerando que a retificação da DIPJ, bem como das correspondentes DCTF, somente foi promovida em 25/11/2009, quando a contribuinte já se encontrava sob procedimento fiscal, os agentes fiscais calcularam o IRPJ e a CSLL sobre aquele resultado, promovendo seu lançamento com acréscimo de multa de ofício de 75% e juros de mora. Além disso, exigiu a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no anocalendário 2006 no percentual de 50%. Já com referência ao anocalendário 2007, ao contrário do período anterior no qual a contribuinte ao menos apresentara DCTF informando débitos de estimativas e formalizando a opção pela tributação anual dos lucros, não foi efetuado qualquer recolhimento ou declaração, impondo a apuração do lucro na forma trimestral, a teor do disposto no art. 1o da Lei nº 9.430/96. Em razão de alegação em impugnação no sentido de que a pessoa jurídica já havia sofrido autos de infração referentes aos anoscalendário 2006 e 2007 (processo administrativo nº 19515.001534/201061), a autoridade julgadora observou que embora a presente exigência não configurasse reexame de período fiscalizado, ela não poderia subsistir porque a outra ação fiscal, embora iniciada depois, foi concluída antes desta, de modo que deveria prevalecer o primeiro lançamento formalizado. Em conseqüência, foram canceladas as exigências de IRPJ e CSLL sobre o lucro líquido escriturado no anocalendário 2006, de idêntico valor ao exigido naqueles autos, bem como afastada a multa isolada sobre estimativas não recolhidas, mas estas até o limite do que fora lançada no procedimento anterior. Já com referência ao anocalendário 2007, foram canceladas não só as exigências de IRPJ e CSLL sobre o lucro escriturado, como também a Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 24 23 parcela decorrente de uma das glosas de custos que serão a seguir expostas, alocada no 1o trimestre de 2007, na medida em que deveria prevalecer a forma de apuração fixada no processo administrativo nº 19515.001534/201061. As exonerações promovidas pela DRJ, como dito, estão submetidas a reexame necessário. Por sua vez, a recorrente Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda afirma que a opção pelo lucro real anual em 2007 foi regular e não pode ser alterada pelo Fisco. Acrescenta que os débitos por ela apurados nos anoscalendário 2006 e 2007 foram incluídos no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, e mais à frente menciona a necessidade de prévia autorização para reexame dos períodos aqui fiscalizados, em razão do lançamento antes realizado. Como já visto, o parcelamento dos débitos foi promovido depois de iniciado o presente procedimento fiscal, assim como tardia foi a informação da maior parte dos débitos em DCTF, com exceção de pequena parcela das estimativas devidas em 2006, as quais inclusive foram consideradas como redutoras do valor aqui lançado. Assim, este aspecto é irrelevante para decisão da matéria em tela, consoante inicialmente explanado neste voto. Cumpre, então, decidir qual dos dois lançamentos deve prevalecer. Como dito, o presente lançamento foi formalizado por último, mas resultou de procedimento fiscal iniciado antes daquele que ensejou a formalização do processo administrativo nº 19515.001534/201061 A teor da Lei nº 10.593/2002, ambos lançamentos foram formalizados por autoridades competentes, na medida em que constituição do crédito tributário mediante lançamento é atribuição privativa dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, in verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Todavia, tendo em conta que a empresa tivera domicílio fiscal em Belo Horizonte/MG, posteriormente transferindoo para a cidade de São Paulo/SP, as infrações por ela cometidas acabaram sendo investigadas por auditores fiscais lotados nas Delegacias da Receita Federal de ambas as localidades. O Decreto nº 70.235/72 regula a hipótese de formalização da exigência fiscal por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, ou seja, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil lotado em repartição fiscal que não jurisdiciona o contribuinte: Art. 9º............................................................... [...] § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 25 24 § 3º. A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Renumerado de 2º para 3º, pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (negrejouse) O §2o do art. 9o faz referência aos procedimentos tratados no art. 7o, dentre os quais aquele desenvolvido em ambos os autos: Art. 7.º. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] Diante destas disposições, vêse que o legislador reputou irrelevante a Unidade da Receita Federal a desenvolver o procedimento fiscal, mas deu prevalência àquele desenvolvido pela autoridade que primeiro conhecer da necessidade de formalização da exigência. E esta formalização, nos termos do §2o do art. 9o do Decreto nº 70.235/72, resulta do procedimento fiscal iniciado com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Assim, em que pese uma leitura rápida do §3o do art. 9o do Decreto nº 70.235/72 pudesse levar à conclusão de que deveria prevalecer o primeiro lançamento de ofício formalizado, a interpretação conjunta dos seus §§ 2o e 3o do art. 9o, e do art. 7o do mesmo Decreto, deixa claro que a pretensão do legislador foi validar o lançamento decorrente do primeiro procedimento fiscal iniciado. E, de fato, outra conclusão não seria possível, na medida em que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, delimitando a matéria que necessariamente se sujeitará a lançamento de ofício, independente de tentativas do sujeito passivo de desconstituir as infrações praticadas. Admitir a prevalência do primeiro lançamento formalizado, ainda que resultante de procedimento fiscal iniciado posteriormente àquele que resultou no segundo lançamento formalizado, postergaria os efeitos da exclusão da espontaneidade validamente estabelecida desde o primeiro ato de ofício praticado em face do sujeito passivo, eventualmente prejudicando lançamento de créditos tributários que estavam originalmente sujeitos aos acréscimos previstos para procedimentos de ofício. Esta interpretação, inclusive, alinhase àquela adotada no Código de Processo Civil, ao tratar da prevenção: Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. Neste sentido é também a doutrina processual civil: Por outro lado, a prevenção de que fala freqüentemente a lei (CPC, arts. 106, 107 e 219; CPP, arts. 70, §3º, 75, par.ún., e 83) não é fator de determinação nem de modificação da competência. Por força da prevenção permanece apenas a competência de um entre vários juízes competentes, excluindose os demais. Prae venire significa chegar primeiro; juiz prevento é o que em primeiro lugar tomou contato com a causa. (CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, e outros. “Teoria Geral do Processo”. 15ª ed. ver. atual. São Paulo: Malheiros Editores) Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 26 25 Portanto, como no presente caso a ação fiscal foi iniciada em 02/09/2009, antes daquela desenvolvida nos autos do processo administrativo nº 19515.001534/201061 (iniciada em 26/04/2010, a teor da informação extraída dos autos digitalizados daquele processo), devem ser restabelecidas as exigências excluídas pela autoridade julgadora de 1a instância, bem como reapreciada a validade da forma de apuração do IRPJ e da CSLL escolhida pela contribuinte no anocalendário 2007. Anotese que o processo administrativo nº 19515.001534/201061 já foi apreciado pela 2a Turma Ordinária da 3a Câmara desta Primeira Seção, que concluiu em 12/09/2012 pela necessidade de diligência, ante a alegação da contribuinte que parcelara os débitos ali lançados antes do início da ação fiscal. Demonstrado, aqui, que a contribuinte já se encontrava, à época do parcelamento, com a espontaneidade excluída em razão do início do presente procedimento fiscal, aquela diligência se tornará duplamente desnecessária: porque a anterior exclusão da espontaneidade está provada nestes autos, e porque esta circunstância determina a prevalência dos valores aqui lançados, em relação àqueles lá constituídos. A recorrente Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda alegou que seria necessária prévia autorização para o reexame aqui realizado, em face do que disposto no art. 906 do RIR/99, e também tendo em conta os arts. 145 e 149 do CTN. Todavia, como exposto, este procedimento fiscal foi iniciado primeiro, e inclusive por esta razão seu resultado deve prevalecer sobre a outra exigência. Neste contexto, é impróprio cogitar de necessidade de prévia autorização para reexame, se o outro procedimento fiscal sequer havia sido iniciado. Por estas razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso de ofício para prevalecer o lançamento decorrente do primeiro procedimento fiscal iniciado. A recorrente também argüiu que já estariam decaídas as parcelas referentes ao período de janeiro a maio/2006, na medida em que lançamento somente lhe foi cientificado em 20/05/2011. Todavia, na medida em que a apuração deste período foi anual, o fato gerador somente se completa em 31/12/2006, e a partir desta data é contado o prazo de 5 (cinco) anos para revisão da apuração do sujeito passivo. Logo, o Fisco teria, minimamente, até 31/12/2011 para exigir créditos tributários pertinentes à apuração anual de 2006. Assim, deve ser REJEITADA argüição de decadência. Quanto ao anocalendário 2007, a mesma recorrente asseverou que a opção quanto à forma de escrituração contábil foi efetuada pela pessoa jurídica (artigo 3o da Lei 9.430/96), e não poderia ter sido alterada ou efetuada de “exofficio” pela Autoridade Administrativa na Ação Fiscal. Todavia, a Lei nº 9.430/96 assim dispõe: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 27 26 observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. [...] Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. Nestes termos, a apuração do lucro real deve, em regra, ser feita trimestralmente, podendo o sujeito passivo optar pela apuração anual desde que promova recolhimentos mensais estimados. Esta opção é manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao primeiro mês de atividade, mas também pode ser informada mediante outras condutas equivalentes, como a confissão dos débitos de estimativa em DCTF, ou sua extinção por meio de Declaração de Compensação – DCOMP, e até mesmo mediante a apresentação, apenas, da DIPJ devidamente preenchida, especialmente nos casos em que inexistem pagamentos devidos, em razão da apuração de prejuízos fiscais em balancetes de suspensão e no ajuste anual. Os agentes fiscais, por sua vez, constataram que até o início do procedimento fiscal, a contribuinte somente apresentara a DIPJ referente ao anocalendário 2007, e ainda com valores zerados (fls. 416/440). Somente em 16 e 25/11/2009 são apresentadas a DIPJ e as DCTF retificadoras contendo débitos de IRPJ e CSLL, veiculando as informações expressas em sua contabilidade. Ressaltese que o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR juntado às fls. 1243/1265 aponta a apuração de bases positivas nos balancetes mensais de redução das estimativas devidas a partir de abril/2007, a evidenciar que neste momento passado a contribuinte deveria ter manifestado sua opção pela apuração anual do lucro real. Logo, a pretendida “opção” pela apuração anual do lucro real somente foi manifestada pela contribuinte em sua escrituração contábil, estruturada em balancetes mensais para apuração de estimativas, e em um único balanço patrimonial ao final do anocalendário 2007. Concluise, daí, que não foram observadas as exigências legais para que a contribuinte se valesse da faculdade de apurar apenas anualmente o lucro tributável. Correta, portanto, a conclusão fiscal de que a tributação, com base no lucro real, deveria observar a periodicidade trimestral. Para apurar os resultados trimestrais, a autoridade fiscal valeuse dos balancetes de redução levantados pela própria contribuinte no LALUR, aproveitando o resultado acumulado ao final de cada trimestre e dele deduzindo o valor acumulado até o trimestre anterior. Identificou, assim, prejuízo fiscal nos 1o, 3o e 4o trimestres de 2007, e lucro real apenas no 2o trimestre de 2007, em relação ao qual, inclusive, admitiu a compensação de prejuízo fiscal do 1o trimestre de 2007 (ajustado pela infração de glosa de custos apurada neste período e que será adiante apreciada), porque inferior a 30% do lucro apurado neste 2o trimestre. Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 28 27 Exigiu, assim, IRPJ a pagar de R$ 3.077.691,16, bem como CSLL no valor de R$ 1.110.128,82, produzindo as correspondentes alterações no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL – SAPLI, de modo a disponibilizar para compensação futura os prejuízos e bases negativas apurados e não utilizados na determinação da exigência. A contribuinte, de outro lado, ao retificar as DCTF para inclusão dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, declarou débitos de estimativas de IRPJ em abril e maio/2007, nos valores de R$ 1.828.046,03 e R$ 1.362.067,91, bem como débitos de estimativas de CSLL em abril e maio/2007, nos valores de R$ 660.976,57 e R$ 491.064,45. Considerando que o procedimento fiscal está regularmente fundamentado, as exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao 2o trimestre de 2007 devem ser mantidas, e os débitos confessados pela contribuinte, caso permaneçam parcelados, devem ter seu código e vencimento ajustados para apuração trimestral, de modo a evitar a cobrança em duplicidade, limitando a cobrança, nestes autos, ao principal, multa de ofício e juros de mora que não forem alcançados pela suspensão da exigibilidade conferida por aquela moratória. Por tais razões, no que tange à infração de falta de recolhimento e de declaração dos débitos de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual de 2006 e nos trimestres de 2007, o presente voto, além de DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, de modo a restabelecer, na íntegra, os valores originalmente exigidos. Passando à glosa de custos considerados inidôneos, a recorrente afirma a regularidade dos valores contabilizados com base em trabalho pericial juntado à impugnação, o qual seria complementado em momento futuro, providência da qual não se tem notícia nos autos. Defende que as operações comerciais realmente ocorreram, ou seja, as mercadorias que foram acobertadas pelas notas fiscais em apreço efetivamente ingressaram no estabelecimento da Recorrente, houve circulação econômica e financeira das mercadorias, havendo o efetivo pagamento aos fornecedores. Ressalta que houve destaque dos tributos pertinentes e que a circulação física das mercadorias é comprovada pelo registro de entrada das notas fiscais de compra. Classificase como adquirente de boafé e diz que as declarações de inidoneidade não podem ter efeitos retroativos. Assevera que a autuação se fundou em presunção, defende seu direito de fazer o pagamento em dinheiro e observa que sua contabilidade não foi desqualificada. Apresenta argumentos específicos para cada grupo de operações questionado. Cumpre, assim, confrontar pontualmente a acusação fiscal e os argumentos de defesa da recorrente. TECNO SHOP LTDA – CNPJ 04.071.439/000166 Em diligência realizada em 15/09/2010 no endereço situado no Jardim Paulista em São Paulo/SP, a autoridade fiscal colheu depoimentos no sentido de que a referida empresa operara durante alguns meses em uma sala do prédio, há mais de quatro anos. O funcionamento consistia apenas na presença esporádica de uma funcionária, sem movimentação de mercadorias (fl. 929), e a locação da sala fora feita pela proprietária anterior a uma pessoa física (fl. 928). A empresa foi baixada por inaptidão e seu representante legal não foi encontrado em seu endereço cadastral. Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 29 28 Às fls. 918/927 consta intimação dirigida ao domicílio da pessoa jurídica e do seu responsável, exigindo informações referentes às operações com a autuada nos anos calendário 2006 e 2007, devolvida com a informação de “mudouse” e justificativa não identificada, respectivamente. No cadastro da pessoa jurídica, os efeitos da inaptidão estão anotados a partir de 31/12/2008, e decorreriam do disposto no art. 54 da Lei nº 11.941/2009 (fl. 930). Às fls. 118/131 consta intimação por meio da qual os agentes fiscais informam à fiscalizada, dentre outras irregularidades verificadas em análise de custos contabilizados, que, especificamente em relação a esta fornecedora em epígrafe, seu estabelecimento não foi localizada no endereço constante do cadastro, exigindo a apresentação dos cheques utilizados para pagamento ou da comprovação do saque bancário, de modo a demonstrar a tradição das vultosas quantias envolvidas. Nas respostas apresentadas a partir desta intimação (fls. 269/279), a fiscalizada comunica a mudança de seu domicílio para Maceió/AL, e diz: Quanto aos documentos de aquisições de mercadorias – Notas Fiscais, Duplicatas, Recibos e as cópias de cheques – regularmente contabilizados e perfeitamente identificados por V.S. em nossos registros, todos estes se encontram à sua disposição. Em relação a terceiros, não temos como levar ao seu conhecimento, fatos ou documentos que não existem em nossos arquivos, não sendo por nós usuais ou regulamentares. Caso estas informações e documentos de terceiros sejam imprescindíveis para o desempenho desta Auditoria, solicitamos a indicação da norma legal coercitiva para que possamos levar ao conhecimento das Instituições Financeiras e dos Fornecedores, para exigirlhes dados, documentos e informações. Posteriormente, documentos relativos aos pagamentos aos fornecedores (Boletos Bancários, Notas de Débitos e as cópias de cheques com os respectivos Borderôs Bancários) relacionados por V.S. na intimação teriam sido apresentados, comunicando a fiscalizada que solicitara a instituições financeiras as cópias dos documentos de débitos ocorridos nas contas correntes. Ainda, reportouse a relatórios individualizados por Fornecedor como indicativos das demais notas fiscais apresentadas naquela ocasião, mencionou que consultas ao SINTEGRA acusava os fornecedores como ativos e regulares à época das operações e também juntou relatório indicativo de cópias de documentos de fretes emitidos pela Viação Presidente Ltda em determinadas aquisições de mercadorias, distintas daquelas glosadas. Todavia, a autoridade lançadora anotou no Termo de Verificação Fiscal que os documentos assim apresentados referiamse ao fornecedor Conceito Distribuidora de Produtos de Informática Ltda, a indicar que a fiscalizada pode ter agido de boafé em relação às transações com esse fornecedor. Seguem, então, respostas apresentadas por Informática Nacional S/A, afirmando desconhecer as atividades da fiscalizada, e por fim nova apresentação de documentos correspondente aos fornecedores, além de cópias microfilmadas dos documentos de débitos ocorridos em contas correntes, indicados em relatórios anexos. Quanto às operações com o fornecedor em epígrafe, a autoridade fiscal disse que: 1) não foram localizados documentos comprobatórios da efetividade das operações que Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 30 29 seria consubstanciada pelos comprovantes de transportes das mercadorias da cidade de São Paulo/SP para Belo Horizonte/MG; 2) os pagamentos, no total de R$ 2.515.971,28, foram feitos em espécie, a crédito da conta caixa, e acobertados com “Recibo do Sacado” de emissão do Banco Itaú, com quitação do Banco Real, todos emitidos em 23/06/2006 (fls. 931/951); 3) o pagamento de R$ 27.690,00, contabilizado em 24/08/2006, foi promovido mediante transferência bancária e seu comprovante estava grampeado a quatro notas fiscais que totalizavam R$ 989.051,00, sendo que no verso da última havia o registro a lápis do valor de R$ 27.693,43, equivalente a 2,80% do valor das operações, que foi arredondado para o valor transferido (fls. 952/958). Às fls. 959/987 constam outros recibos bancários de pagamento, e às fls. 988/1017 constam as notas fiscais escrituradas pela pessoa jurídica, em alguns casos com indicação do transportador Braspress, e em outros tendo o destinatário como transportador. Algumas notas apresentam carimbo de controle chegada de mercadorias. À fl. 884, 996, 1006, 1008, 1013, 1015 e 1017 constam dados de consulta pública ao cadastro do Estado de São Paulo indicando a pessoa jurídica como habilitado. Em seu recurso voluntário, a contribuinte enfatiza seu direito de realizar pagamentos em espécie oriundos do caixa, já que a lei não veda este procedimento. Diz que sua contabilidade não foi desqualificada e que o próprio Fisco reconhece que os pagamentos estão acobertados na contabilidade. Exemplifica a efetiva ocorrência das transações comerciais demonstrando os pagamentos vinculados à nota fiscal nº 3140, cujo valor foi dividido em três parcelas de R$ 3.304,00. Junta um dos comprovantes de pagamento de títulos promovido a partir da conta mantida pela empresa junto ao Banco do Brasil S/A. O laudo pericial apresentado na impugnação, por sua vez, faz referência apenas à nota fiscal acima destacada, que em conjunto com diversas operações realizadas com outros fornecedores (que até foram questionados pelo Fisco, mas sem ensejar glosas, como no caso do fornecedor Conceito Distribuidora de Produtos de Informática Ltda), teriam observado o trâmite normal de operações com mercadorias (fls. 3059/3075). O laudo é instruído com demonstrativos, cópias de notas fiscais, comprovantes de transferência bancária, conhecimentos de transporte (fls. 3076/3264), mas tudo com referência a operações com fornecedores que não foram glosadas pelo Fisco. Especificamente em relação à nota fiscal nº 3140, inexiste qualquer informação acerca do transporte das mercadorias fornecidas nesta operação. Concluise, diante deste contexto, que a autoridade fiscal reuniu evidências de que a fornecedora não estava estabelecida em seu endereço cadastral, que não fora provada a circulação das mercadorias supostamente adquiridas, e que os pagamentos de significativa monta concentravamse em boletos bancários emitidos em determinada data, inclusive apresentando indícios de um injustificado pagamento de comissão sobre o valor de algumas operações, destinado à própria fornecedora. E, para se contrapor a estas acusações, a contribuinte questiona em tese o direito de assim operar, pretendendo fazer prova da entrada das mercadorias mediante seu registro em livros fiscais, e argüindo a regularidade dos pagamentos mediante a demonstração destes relativamente a apenas uma das notas fiscais questionadas. A contabilidade da pessoa jurídica autuada evidencia que notas fiscais emitidas pela empresa em epígrafe foram contabilizadas de 15/02/2006 a 13/03/2007. Inicialmente os valores eram pouco representativos, de R$ 12.600,00 a R$ 42.498,47 (aí Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 31 30 incluídas duas operações de R$ 360,00 e R$ 270,00), e os pagamentos eram periodicamente feitos em quatro parcelas (à semelhança da nota fiscal nº 3140 antes mencionada, que embora datada de 18/07/2006 apresenta numeração anterior às notas seguintes contabilizadas desde 02/06/2006), vinculados a boletos bancários emitidos na mesma data das notas fiscais. A partir de 02/06/2006 as operações passam a superar, individualmente, a centena de milhares de reais, bem como os pagamentos efetuados a partir de 29/06/2006 estão, em sua maioria, vinculados a boletos emitidos em 23/06/2006 (e não mais na data de emissão da nota fiscal), embora observando parcelamento semelhante ao anterior, relativamente às notas contabilizadas até 14/06/2006. Anotese que até mesmo o formato dos boletos bancários deste grupo de operações é diferente daqueles verificados nas anteriores, e nas finais, de menor monta, pois nestas menos significativas os boletos são emitidos pelo Unibanco, inclusive com código de barras, ao passo que o conjunto de boletos emitidos em 23/06/2006 são emitidos pelo Banco Itaú S/A sem código de barras. Já para as operações a partir de 01/08/2006, também de valor elevado, especialmente as notas fiscais nº 3341, 3331, 3336 e 3326, a autoridade fiscal anotou que o pagamento a elas vinculadas, em 24/08/2006, correspondia a uma transferência bancária de R$ 27.690,00 equivalente ao arredondamento do percentual de 2,80% sobre o valor total das notas (R$ 989.051,00), anotado a lápis no verso da última nota fiscal. Por sua vez, relativamente a estas operações, a contribuinte não apresentou outros boletos de pagamento, verificandose apenas o registro contábil de um pagamento de R$ 987.699,48 a crédito da conta Caixa em 26/12/2006. Interessante observar, também, que algumas notas fiscais dos custos glosados no presente item apresentam indicações de a mercadoria ter sido entregue ao destinatário por meio de uma transportadora independente. Todavia, os conhecimentos de transporte destas operações não foram apresentados pela fiscalizada, deixando em aberto a possibilidade de eles não terem sido localizados, ou de eles não existirem revelandose falsa a indicação contida na nota fiscal. Recordese, ainda, que nem mesmo da demonstração da suposta regularidade da nota fiscal nº 3140, a contribuinte logrou demonstrar o transporte das mercadorias fornecidas nesta operação. Por certo, o fato de o fornecedor ter sido declarado inapto após a realização das operações questionadas, assim como a contabilização do pagamento das despesas a crédito da conta Caixa, e a anotação a lápis no verso de uma nota fiscal, individualmente considerados, pouco ou nada provam. Mas associados à diligência fiscal e a testemunhos no sentido de que a fornecedora nunca operou, efetivamente, em seu domicílio, bem como ante a ausência de prova do transporte das mercadorias entre duas cidades tão distantes, mormente tendo em conta o valor das operações, e ainda verificandose a anormalidade nos pagamentos promovidos àquele fornecedor, um deles inclusive indicativo do pagamento apenas de uma comissão sobre o valor da nota fiscal contabilizada, é perfeitamente válido exigir da contratante demonstração da efetiva ocorrência das operações, para além de meros relatórios do SINTEGRA – os quais apenas evidenciam que a pessoa jurídica vinha cumprindo com as obrigações formais para manutenção de seus registros cadastrais. Diante deste contexto, na medida em que a autuada não logrou provar as operações com Tecno Shop Ltda, subsistem inidôneos os custos contabilizados, devendo ser mantida sua glosa. Em conseqüência, os pagamentos associados a estes custos deixam de ter causa e beneficiário identificado. Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 32 31 SOIE INFORMÁTICA LTDA – CNPJ 03.061.985/000153 A autoridade fiscal constatou que a empresa é inapta por ser omissa não localizada (fl. 904), que se valeu de mandados de segurança em 2005 para obter autorização para emissão de notas fiscais, que também não foi localizada pela Fazenda Estadual para tomar ciência de auto de infração (fls. 907/908). O sócio responsável não foi localizado no endereço cadastral, e foi localizada notícia publicada em 06/05/2010 acerca de sua prisão juntamente com outros comparsas, acusado de montar empresas de fachada (fl. 906). Às fls. 891/904 consta intimação dirigida ao domicílio da pessoa jurídica e do seu responsável, exigindo informações referentes às operações com a autuada nos anos calendário 2006 e 2007, devolvida em ambos os casos por motivos que aparentam ser “mudou se” e “ausente, respectivamente. As informações cadastrais da pessoa jurídica indicam que a inaptidão teve efeitos a partir de 01/01/2007, e à fl. 905 consta que a pessoa jurídica apresentou declarações de rendimentos até o anocalendário 2005. Às fls. 118/131 consta intimação por meio da qual os agentes fiscais informam à fiscalizada, dentre outras irregularidades verificadas em análise de custos contabilizados, que, especificamente em relação a esta fornecedora em epígrafe, seu estabelecimento não foi localizada no endereço constante do cadastro, exigindo a apresentação dos cheques utilizados para pagamento ou da comprovação do saque bancário, de modo a demonstrar a tradição das vultosas quantias envolvidas. Anotaram, ainda, que a nota fiscal nº 24.186, no valor de R$ 581.680,00, foi contabilizada duas vezes, em 02/05/2006 e 01/06/2006, além de integrar os pagamentos contabilizados em 12/05/2006 e 15/12/2006. As respostas apresentadas pela fiscalizadas são aquelas já relatadas no tópico anterior, juntadas às fls. 269/279, as quais se prestaram a justificar operações com outros fornecedores, inclusive afastando a glosa dos custos delas decorrentes. Às fls. 910/911 e 914 constam informações de consulta pública ao cadastro do Estado de Minas Gerais que apontam a fornecedora como habilitado, às fls. 909 e 912/913 constam duplicatas com assinatura no campo “emitente”, e às fls. 915/917 constam as notas fiscais escrituradas pela contribuinte, com a informação do destinatário como transportador. Quanto às operações, a autoridade fiscal disse que: 1) não foram localizados documentos comprobatórios da efetividade das operações que seria consubstanciada pelos comprovantes de transportes das mercadorias da cidade de Contagem/MG para Belo Horizonte/MG; 2) a nota fiscal nº 24.186, no valor de R$ 581.680,00 foi contabilizada em duplicidade; 3) os pagamentos, no total de R$ 1.339.250,97, foram feitos em espécie. Em seu recurso voluntário, a contribuinte reitera suas objeções aos questionamentos fiscais acerca da realização de pagamentos em espécie oriundos do caixa, e destaca que neste caso, ao contrário do que dispõe o art. 923 do RIR/99, a contabilidade está sendo utilizada como prova contra o contribuinte pelo simples fato do contribuinte escolher praticar os pagamentos aos fornecedores em dinheiro. Diz que não há aproveitamento de custos de operações inidôneas porque as operações comerciais supra estão devidamente contabilizadas, e ressalta que a Fiscalização além de promover a exigência dos tributos incidentes sobre o lucro e da correspondente multa isolada, também lançou o Imposto de Renda Retido na Fonte, acarretando na duplicidade dos lançamentos. Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 33 32 O laudo pericial apresentado na impugnação, por sua vez, não faz referência a qualquer uma das operações com a empresa em epígrafe. Concluise, diante deste contexto, que a autoridade fiscal reuniu evidências de que a fornecedora não estava estabelecida em seu endereço cadastral e que deixara de operar em 2005, inclusive valendose de mandados de segurança para obter, neste último ano, autorização para emissão de notas fiscais. De outro lado, a fiscalizada não provou a circulação das mercadorias supostamente adquiridas, ou mesmo que os pagamentos de significativa monta teriam beneficiado o fornecedor em epígrafe, dado que nem mesmo boletos de cobrança foram apresentados. Para se contrapor a estas acusações, a contribuinte simplesmente diz que sua contabilidade faz prova das operações realizadas, sem atentar que a autoridade fiscal validamente desconstituiu o precário aparato documental reunido para suportar os custos e pagamentos contabilizados. Aliás, vejase que a fiscalizada sequer procurou justificar a dupla contabilização da operação de R$ 581.680,00, tanto em relação à redução do lucro tributável, quanto no que se refere à saída de recursos do patrimônio da pessoa jurídica. Por fim, anotese que a nota fiscal contabilizada em duplicidade corresponde à suposta aquisição de 1.760 monitores de computador, equivalentes ao peso bruto de 20.680 kg, retirados pelo destinatário sem qualquer traço documental da movimentação física de tamanho volume de mercadorias. É de se questionar como não foi notado, em uma rotineira conferência de estoque físico com o escritural, o erro assim praticado, permitindo até por em dúvida se alguma conferência neste sentido era realizada. Também aqui, o fato de o fornecedor ter sido declarado inapto após a realização das operações questionadas, assim como a contabilização do pagamento das despesas a crédito da conta Caixa, pouco provam. Mas associados às demais evidências de que a empresa já não operava normalmente desde 2005, e ante a ausência de prova do transporte das mercadorias adquiridas, mormente tendo em conta o valor das operações e o volume das mercadorias adquiridas, e ainda inexistindo qualquer prova de pagamento dos vultosos valores por via bancária, é perfeitamente válido exigir da contratante demonstração da efetiva ocorrência das operações, para além de meros relatórios do SINTEGRA. Diante deste contexto, na medida em que a autuada não logrou provar as operações com Soie Informática Ltda, subsistem classificados como inidôneos os custos, um deles inclusive registrado em duplicidade, devendo ser mantida sua glosa. Em conseqüência, os pagamentos associados a estes custos deixam de ter causa e beneficiário identificado. MGTECH LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO S/A – CNPJ 06.233.732/000108 Em diligência realizada no endereço situado na Bela Vista em São Paulo/SP, a autoridade fiscal constatou que nas salas 802 situadas nos dois prédios comerciais do endereço indicado pela empresa somente estiveram instaladas outras pessoas jurídicas (conforme Termo de fl. 774), bem como colheu depoimentos do responsável pela entrega de correspondências de que nunca operou no local empresa com o nome MGTECH. O responsável pela pessoa jurídica é também Djalma Leonardo de Siqueira e o endereço esta pessoa jurídica foi utilizado nas operações realizadas pelo Escritório JUVENIL Alves. Às fls. 769/773 consta intimação dirigida ao domicílio da pessoa jurídica exigindo informações referentes às operações com a autuada nos anoscalendário 2006 e 2007, devolvida com a informação “desconhecido”. Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 34 33 Às fls. 135/139 consta intimação por meio da qual os agentes fiscais informam à fiscalizada, dentre outras irregularidades verificadas em análise de custos contabilizados, que, especificamente em relação a esta fornecedora em epígrafe, como seu responsável era o próprio Djalma Leonardo Siqueira, necessária seria a apresentação dos cheques utilizados para pagamento ou da comprovação do saque bancário, de modo a demonstrar a tradição das vultosas quantias envolvidas. As respostas apresentadas pela fiscalizadas são aquelas já relatadas no tópico inicial, juntadas às fls. 269/279, as quais se prestaram a justificar operações com outros fornecedores, inclusive afastando a glosa dos custos delas decorrentes. Quanto às operações, a autoridade fiscal disse que: 1) não foram localizados documentos comprobatórios da efetividade das operações que seria consubstanciada pelos comprovantes de transportes das mercadorias da cidade de São Paulo/SP para Belo Horizonte/MG; 2) os pagamentos, no total de R$ 3.069.362,64, foram feitos em espécie. Às fls. 776/778 consta o recibo referente ao único pagamento efetuado por via bancária, correspondentes a parcela de R$ 10.000,00 referente a nota fiscal emitida em 2005. Às fls. 779/812 constam notas fiscais emitidas pelo fornecedor em epígrafe no ano de 2006 em favor da fiscalizada, mas que não coincidem com quaisquer das operações por ela contabilizadas neste período. Tais notas apresentam valores acima de R$ 200.000,00, alguns dos quais ultrapassam R$ 1.000.000,00, informam o destinatário ou o nome de uma pessoa física como transportador, e estão integradas pelo canhoto de recebimento das mercadorias, algumas vezes assinado. Em seu recurso voluntário, a contribuinte reitera suas objeções aos questionamentos fiscais acerca da realização de pagamentos em espécie oriundos do caixa. Diz que há saldo contábil suficiente em 31/12/2005 para justificar os pagamentos contabilizados em 2006, demonstrando que a fiscalizada devia a este fornecedor, no início de 2006, o montante de R$ 9.287.330,19, que somado aos fornecimentos ao longo de 2006, autorizariam os pagamentos de R$ 2.200.000,00 e R$ 1.200.000,00 em maio/2006, bem como as demais parcelas pagas em outubro e novembro, e a liquidação da dívida, de R$ 8.884.692,83, em 14/12/2006. Questiona a glosa de custos referentes a operações anteriores a janeiro de 2006, novamente afirma que foram imputadas duas infrações com a mesma base de cálculo, muito embora demonstre que a glosa de custos representou R$ 3.060.362,64 e que a exigência de IRRF sobre pagamentos de R$ 12.320.692,83. O laudo pericial apresentado na impugnação, por sua vez, não faz referência a qualquer uma das operações com a empresa em epígrafe. Concluise, diante deste contexto, que a autoridade fiscal reuniu evidências de que a fornecedora não estava estabelecida em seu endereço cadastral, que não fora provada a circulação das mercadorias supostamente adquiridas, e que os pagamentos de significativa monta não estavam demonstrados quanto à efetiva tradição dos valores envolvidos. E, para se contrapor a estas acusações, a contribuinte questiona em tese o direito de assim operar, pretendendo fazer prova das operações em razão de elas estarem escrituradas em sua contabilidade. Cabe destacar que não vieram aos autos, sequer, as notas fiscais correspondentes aos custos contabilizados, e que os outros documentos integrados aos autos apresentam o canhoto de entrega, que normalmente é destacado pelo fornecedor como prova de Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 35 34 que a mercadoria está na posse do destinatário. Por sua vez, pagamentos de R$ 2.200.000,00, R$ 1.200.000,00 e de R$ 8.884.692,83, além de outros de menor importância, foram feitos por meio do Caixa da empresa, sem qualquer intervenção bancária ou evidência de sua entrega ao fornecedor que, como destacado pela Fiscalização, é representado pela mesma pessoa física que representa a autuada. Inconcebível admitir como provados estes custos simplesmente porque eles estão contabilizados. Indispensável que operações entre pessoas ligadas sejam efetivamente provadas, mormente quando representam redução de lucro e de caixa tão significativos, e ante as demais evidências de que o fornecedor jamais operou em seu domicílio declarado. E vejase que a inidoneidade, neste contexto, sequer necessita da informação de o endereço desta pessoa jurídica ter sido utilizado nas operações realizadas pelo Escritório JUVENIL Alves, aspecto vinculado aos questionamentos acerca da utilização de prova emprestada, cuja análise neste voto está postergada. Diante deste contexto, na medida em que a autuada não logrou provar, sob qualquer aspecto, as operações contabilizadas, subsistem classificados como inidôneos os custos glosados vinculados a MGTECH Logística e Distribuição S/A. Em conseqüência, os pagamentos associados a estes custos deixam de ter causa e beneficiário identificado. BROKER RJ COMERCIAL ELETROELETRÔNICO LTDA – CNPJ 07.144.125/000134 A autoridade fiscal constatou que a empresa é considerada inapta desde sua abertura (em 17/12/2004, fl. 756) e encontrase na condição omissa não localizada, assim como seu representante legal não foi localizado. Às fls. 746/755 consta intimação dirigida ao domicílio da pessoa jurídica e de seu representante legal, exigindo informações referentes às operações com a autuada nos anos calendário 2006 e 2007, devolvida em ambos os destinos com a informação “mudouse”. Às fls. 118/131 consta intimação por meio da qual os agentes fiscais informam à fiscalizada, dentre outras irregularidades verificadas em análise de custos contabilizados, que, especificamente em relação a esta fornecedora em epígrafe, seu estabelecimento não foi localizada no endereço constante do cadastro, exigindo a apresentação dos cheques utilizados para pagamento ou da comprovação do saque bancário, de modo a demonstrar a tradição das vultosas quantias envolvidas. As respostas apresentadas pela fiscalizadas são aquelas já relatadas no tópico inicial, juntadas às fls. 269/279, as quais se prestaram a justificar operações com outros fornecedores, inclusive afastando a glosa dos custos delas decorrentes. Quanto às operações, a autoridade fiscal disse que: 1) não foram localizados documentos comprobatórios da efetividade das operações que seria consubstanciada pelos comprovantes de transportes das mercadorias da cidade de Duque de Caxias/RJ para Belo Horizonte/MG; 2) os pagamentos, no total de R$ 1.147.900,00, foram feitos em espécie. Às fls. 758/765 constam os “recibos do sacado” referentes aos pagamentos efetuados e às fls. 766/768 constam as notas fiscais escrituradas pela contribuinte, as quais apresentam carimbo de controle chegada de mercadorias com data posterior à emissão, e com a indicação de que o transportador seria o próprio destinatário. Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 36 35 Em seu recurso voluntário, a contribuinte reitera suas objeções aos questionamentos fiscais acerca da realização de pagamentos em espécie oriundos do caixa, e destaca que existe o reconhecimento da contabilidade como prova capaz de validar pagamentos realizados através dos recursos do Caixa, que se dá quando os pagamentos são reconhecidos para fundamentar a cobrança de IRRF. O laudo pericial apresentado na impugnação, por sua vez, não faz referência a qualquer uma das operações com a empresa em epígrafe. Concluise, diante deste contexto, que a autoridade fiscal reuniu evidências de que a fornecedora jamais operara, sendo declarada inapta desde a sua constituição. De outro lado, os boletos bancários são semelhantes àqueles verificados em operações com a Tecno Shop Ltda, ou seja, emitidos pelo Banco Itaú S/A sem código de barra, in casu todos em 22/06/2006. De outro lado, a fiscalizada não provou a circulação das mercadorias supostamente adquiridas e para se contrapor a estas acusações, simplesmente diz que sua contabilidade faz prova das operações realizadas, sem atentar que a autoridade fiscal validade desconstituiu o precário aparato documental reunido para suportar os custos e pagamentos contabilizados. Vejase que aqui o fornecedor foi declarado inapto desde o início de suas supostas atividades, e a contribuinte não trouxe qualquer evidência de movimentação física das mercadorias adquiridas, entre as cidades de Duque de Caxias/RJ e Belo Horizonte/MG. Não é razoável cogitar que, por exemplo, a transferência de 98 unidades de Notebook Acer 2424, no valor declarado de R$ 303.800,00, fosse efetivada entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais sem deixar qualquer evidência documental. O mesmo se diga em relação à 40 gabinetes cujo valor unitário superou R$ 8.700,00. Diante deste contexto, na medida em que a autuada não logrou provar as operações com Broker RJ Comercial EletroEletrônico Ltda, subsistem classificados como inidôneos os custos. Em conseqüência, os pagamentos associados a estes custos deixam de ter causa e beneficiário identificado. PROJETECH COMERCIAL INFORMÁTICA LTDA – CNPJ 07.331.983/000198 A autoridade fiscal constatou a existência de três cheques que se destinariam a pagar notas fiscais de emissão desta empresa, cujos valores não equivaliam aos pagamentos, os quais favoreceram Sobeva Sociedade de Administração (fls. 825/827, 830/832, 835/836), considerada inapta por inexistente de fato (fl. 839), à semelhança de outras duas empresas administradas pela mesma pessoa física (fl. 840). A empresa Projetech não foi localizada em seu endereço, que se encontra fechado sem nenhuma atividade; não possui inscrição municipal e nada declarou nos anos de 2006 e 2007, bem como não teve qualquer movimentação financeira. O sócio responsável da pessoa jurídica também não foi localizado no endereço, que é uma sala comercial onde não se tem conhecimento da referida pessoa (fls. 841/890). Às fls. 118/131 consta intimação por meio da qual os agentes fiscais informam à fiscalizada, dentre outras irregularidades verificadas em análise de custos contabilizados, que, especificamente em relação a esta fornecedora em epígrafe, seu estabelecimento não foi localizada no endereço constante do cadastro, exigindo a apresentação dos cheques utilizados para pagamento ou da comprovação do saque bancário, de modo a demonstrar a tradição das vultosas quantias envolvidas. Anotaram, ainda, os cheques Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 37 36 encontrados na contabilidade associados a depósitos em favor de Sobeva Sociedade de Administração, exigido esclarecimentos. As respostas apresentadas pela fiscalizadas são aquelas já relatadas no tópico inicial, juntadas às fls. 269/279, as quais se prestaram a justificar operações com outros fornecedores, inclusive afastando a glosa dos custos delas decorrentes. Quanto às operações, a fiscalizada apresentou documentos comprobatórios de transporte, mas deixou de fazêlo em relação a duas das notas fiscais discriminadas, no valor total de R$ 438.953,00. Pagamentos contabilizados no valor total de R$ 884.163,00 não foram comprovados. Às fls. 813/824, 828/829, 833/834 e 837/838 constam as notas fiscais escrituradas pela contribuinte, algumas delas com carimbo de controle de expedição de mercadorias, ou de chegada de mercadorias. A recorrente reitera que a Fiscalização contraditoriamente reconhece que a contabilidade é prova dos pagamentos realizados através dos recursos de Caixa. Argumenta que apesar de provada a operação mercantil, e por conseqüência o pagamento das transações mediante apresentação do conhecimento de transporte das mercadorias, ainda assim foi exigido IRRF sobre a totalidade dos valores contabilizados. O presente caso distinguese dos demais porque: 1) a fornecedora permanece em situação cadastral ativa perante o CNPJ; 2) a diligência realizada no seu endereço cadastral apenas constatou que o imóvel encontravase fechado em 16/11/2010; 3) a consulta às informações da Fazenda Estadual confirmaram o cadastramento da pessoa jurídica com atividades a partir de 01/02/2005; 4) não houve resposta à intimação dirigida ao proprietário do imóvel onde estaria situada a fornecedora, exigindo prova acerca de locação do imóvel nos anos de 2006 e 2007. A acusação fiscal fundase em: 1) a pessoa jurídica não ter sido localizada em seu endereço em 2010; 2) inexistir inscrição municipal para a pessoa jurídica; 3) nada ter sido oferecido à tributação em 2006 e 2007; e 4) inexistir movimentação financeira no mesmo período. De outro lado, a contribuinte logrou provar o transporte das mercadorias correspondentes a 11 (onze) das 13 (treze) operações questionadas. Daí a glosa dos custos equivalentes às duas operações não comprovadas, no valores individuais de R$ 397.923,00 e R$ 41.030,00. A glosa destes valores, em tais condições, é admissível por ausência de comprovação documental, e não por inidoneidade do fornecedor. É certo que o valor de uma das operações glosadas (R$ 397.923,00) destoa significativamente das demais comprovadas, e estranhamente esta nota fiscal não está associada a uma transportadora independente, como nos demais casos envolvendo menor volume de mercadorias. Porém, o valor das mercadorias fornecidas nesta operação glosada não destoam daqueles apontados nas demais operações comprovadas e, como demonstrado, a autoridade fiscal não logrou evidenciar que a fornecedora não estava em atividade no anocalendário 2006. Apenas apurou que ela nada ofereceu à tributação e que não apresentou movimentação financeira sob o seu CNPJ no período em questão. Mas estas evidências não são suficientes para afirmar que ela não operou, mormente tendo em conta que outros fornecimentos feitos à fiscalizada foram admitidos como válidos. É razoável, portanto, exigir a prova da efetiva entrada das mercadorias com vistas a admitir sua dedutibilidade como custos, mas para afirmálos inidôneos é necessário que outros Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 38 37 elementos venham aos autos, à semelhança do que feito em relação aos demais fornecedores aqui abordados. Já com referência aos pagamentos contabilizados em contrapartida a estes fornecimentos, os agentes fiscais demonstraram que os três primeiros, contabilizados de 01/02/2006 a 10/03/2006, destinaramse a uma pessoa jurídica inapta por inexistente de fato, e a fiscalizada não logrou justificar porque este destino foi dado aos valores contabilizados como pagamentos ao fornecedor em epígrafe, subsistindo incomprovada sua causa. Quanto aos demais fornecimentos, sua liquidação foi feita em 29/12/2006, em um único lançamento no valor de R$ 746.328,00, em contrapartida à conta Caixa, e dissociada de qualquer evidência documental de entrega deste valor à fornecedora em epígrafe. Ao contrário do que afirma a recorrente, não basta a contabilidade vincular o pagamento a uma operação comercial comprovada para que seja admitido como provado o beneficiário e a causa do pagamento. É indispensável que o lançamento contábil do pagamento esteja, também, lastreado por prova da entrega dos recursos financeiros ao fornecedor indicado na contabilidade, e isto a contribuinte não logrou demonstrar. Logo, tais pagamentos não podem ser admitidos como comprovados. Por tais razões, a glosa de custos vinculados a Projetech Comercial Informática Ltda subsiste, apenas, em razão da falta de comprovação. Já os pagamentos permanecem sem causa e beneficiário identificado. Diante de todo o exposto, concluise que as alegações da recorrente não são hábeis a afastar a glosa de custos, apenas prestandose a excluir a inidoneidade agregada à glosa das parcelas de R$ 397.923,00 e R$ 41.030,00, vinculadas ao fornecedor Projetech Comercial Informática Ltda. Quanto à falta de comprovação da causa e dos beneficiários dos pagamentos contabilizados em contrapartida a estes pagamentos, a recorrente também não logrou proválos, limitandose a afirmar que eles estavam demonstrados contabilmente, mas olvidandose que nos termos do art. 923 do RIR/99, a contabilidade somente faz prova em favor do contribuinte quando suportada por documentação hábil. Portanto, subsiste na íntegra a motivação para a exigência do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Concluída a análise individualizada das glosas, é pertinente reforçar os argumentos em favor da inidoneidade atribuída e mantida em relação à maioria dos custos glosados, mediante transcrição das razões expostos no voto condutor da decisão de 1a instância: Primeiramente, vale lembrar que a legislação fiscal aplicável tanto ao imposto de renda como à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Nesse sentido, os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. Desse modo, a lei exige que os custos ou despesas sejam registrados na escrituração contábil da empresa, devendo ser identificadas, quer sob aspectos formais (documentação hábil e idônea, como notas fiscais ou recibos), quer sob aspectos intrínsecos (identificação da operação, efetividade da operação e do respectivo pagamento, identificação do beneficiário, etc.). De pronto, digase que a Fiscalização realizou um extenso e vasto trabalho, muito bem arrazoado e sustentado, apontando no TVF, elementos e provas robustas que Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 39 38 não deixam quaisquer dúvidas que notas fiscais contabilizadas pela Impugnante, cujos correspondentes custos goram glosados, são inidôneas. Cumpre ressaltar que, analisandose a defesa como um todo, inclusive o laudo pericial apresentado, a Impugnante, efetivamente, não rebateu de forma eficaz as evidências expostas no trabalho fiscal, deixando sem respostas os questionamentos que surgiram das provas coletadas pela Fiscalização denunciando a contabilização de custos inexistentes, por meio de artifícios fraudulentos, quais sejam, supostas compras de mercadorias lastreadas em documentos fiscais inidôneos. Por oportuno, frisese que, no processo administrativo, se admite a prova indiciária ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador. O RIR/1999, no § 1º do art. 845, faz alusão à adoção do indício veemente, legitimandoo: “Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive: (...) § 2º. Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão."(grifo acrescentado) Indícios são fatos conhecidos, comprovados, que se ligam a outro fato que se tem de provar. São a base objetiva do raciocínio, ou da atividade mental, por via dos quais se pode chegar ao fato desconhecido. Presentes os caracteres de gravidade, precisão e concordância, prestamse como ponto de partida para as presunções relativas, gerando o efeito de inverter o ônus da prova. Apenas um indício, desde que veemente, pode levar a conclusão da ocorrência de um fato. Da mesma forma, vários indícios em si fracos, quer dizer, com baixo teor de gravidade e precisão, podem, somados, fazer prova do ilícito, desde que todos indiquem a mesma direção. Assim, ante as evidências expostas no trabalho fiscal, provas diretas e vários indícios convergentes, restou comprovado que, efetivamente, são inexistentes as operações comerciais, objeto das glosas de custos efetuadas pelo Fisco. A Impugnante alegou que se a sociedade empresária vendedora foi posteriormente declarada inidônea, isso não pode afetar o adquirente de boafé; e, no âmbito administrativo, os efeitos do ato declaratório são ex nunc, ou seja, somente a partir de sua publicação é que se podem produzir efeitos contra terceiros. Entretanto, esqueceuse que as irregularidades dos documentos fiscais não nasceram com a publicação dos atos, mas os acompanham desde o início ou do nascimento. Ademais, nessas operações irregulares, não existe adquirente de boafé, pois ambos os participantes da suposta operação praticam ilícito civil, tributário e penal, ficando sujeitos às penas da lei. De outro lado, para edição e posterior publicação dos referidos atos declaratórios de inidoneidade de documentos fiscais, os órgãos públicos dos fiscos estaduais, por meio de processo regular, realiza um vasto trabalho de investigação e coleta de provas que redundam nas apurações ou constatações de irregularidades que são aquelas descritas nesses atos normativos. Juridicamente, os atos normativos emitidos, atestando diversas irregularidades existentes nos documentos fiscais, são, como o próprio nome diz, declaratórios de direito, e não constitutivos. Como se sabe, diferentemente do ato constitutivo, o declaratório não cria nenhum direito, mas apenas indica ou delimita um direito préexistente. Então, no caso concreto, os referidos atos apenas declararam (indicaram ou delimitaram), dando a devida publicidade, as irregularidades (existentes desde o início) que, Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 40 39 evidentemente, atestam a inidoneidade dos documentos fiscais (devidamente discriminados pela Fiscalização) contabilizados pela Impugnante. Enfim, nessa parte, o lançamento não merece reparo. Relevante também observar que, ao contrário do que alega a interessada, os fatos constatados ensejam duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ e a CSLL exigidos da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, mas o declarou em montante menor que o devido, em razão da dedução de custos que não foram regularmente provados. Em outras palavras, a incidência do IRPJ e da CSLL decorrentes de uma operação que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendimento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL restam majoradas e, por consequência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitarse a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Pertinentes, também, os argumentos da autoridade julgadora de 1a instância acerca da regularidade da exigência do IRRF: O documento fiscal (idôneo) tem a função primordial de acobertar o transporte das mercadorias transacionadas. Poderá, nele, ocorrer a quitação da obrigação, desde que observados os requisitos legais: a Lei nº 10.407, de 10 de janeiro de 2002, do Novo Código Civil, dispõe no seu art. 320, que “a quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante”. (Grifos acrescentados) Como se vê, o documento de quitação (que sempre poderá ser dado por instrumento particular) deve conter os requisitos obrigatórios exigidos no referido dispositivo legal. Entretanto, o documento fiscal inidôneo não se presta a nada, pois inexiste, de fato, qualquer operação comercial ou contrato de compra e venda de mercadorias. Tal documento acoberta uma fraude, ficando, pois, o pagamento contabilizado dele decorrente sem a identificação do beneficiário e sem causa. Sendo assim, em relação aos referidos pagamentos, efetuouse, corretamente, o lançamento do IRRF, com base no transcrito art. 674, do RIR/1999. [...] Quanto à alegação de “bis in idem”, haja vista que, no que toca aos documentos fiscais inidôneos e às empresa inexistentes, houve, concomitantemente, a glosa do custo, o que gerou lançamento de imposto e contribuição social, e a exigência do IRRF, não há nenhuma incoerência lógica nessas tributações, pois coexistem perfeitamente as referidas infrações tributadas pelo Fisco que não são reciprocamente excludentes. Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 41 40 Conquanto baseadas no mesmo fato, de imediato, fazse necessário diferençar as duas infrações: a que acarretou o lançamento do IRPJ e da CSLL, daquela tributada no IRRF. Tratase, pois, de hipóteses de incidências diversas. A primeira relacionase às glosas de custo ou despesas, fato esse que enseja os respectivos lançamentos, pois altera, concomitantemente, o lucro real e a base de cálculo da CSLL (o que já foi objeto de apreciação, nesse voto); a segunda, à tributação exclusiva na fonte do imposto de renda, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), incidente sobre os pagamentos feitos por pessoas jurídicas a beneficiários não identificados ou sem a causa da operação. Acontece que, simultaneamente, houve a contabilização de um custo inexistente e a saída de recursos do caixa da empresa, conforme contabilizado. Entretanto, não se pode determinar a motivação da saída nem identificar os beneficiários desses recursos. No caso, a lógica adotada pela Fiscalização é bem simples e perfeitamente correta: se a nota fiscal é inidônea (conforme amplamente demonstrado), toda a operação fica descaracterizada, não tendo existido compra de mercadoria nem tampouco o correspondente documento fiscal inidôneo serve para identificar a causa ou o beneficiário do pagamento, que efetivamente ocorreu, segundo atesta a própria contabilidade da Impugnante. Resta, então, a seguinte indagação, quem foram os reais beneficiários e quais foram as verdadeiras causas das operações mascaradas por documentação fiscal inidônea? Desse modo, está correta a tributação feita com base no art. 674, do RIR/1999,[...] Prosseguindo, temse que estas exigências foram acrescidas de multa qualificada no percentual de 150%, em razão de quatro fundamentos, dos quais, neste momento, excluise aquele vinculado aos questionamentos da recorrente contra a utilização de prova emprestada, porque suficiente a análise apenas dos seguintes argumentos: · A contabilização de notas fiscais inidôneas (de empresas de fachada, declaradas inaptas, inexistentes de fato, omissas, não localizadas, etc, conforme descrito neste Termo) para onerar custos, reduzindo assim o lucro líquido, acarretando a redução ou supressão de pagamentos de tributos e contribuições. · As saídas de caixa acobertadas por documentação inidônea (depósitos em nome de empresas de fachada, inexistentes de fato, créditos efetuados em nome de terceiros – caso da SOBEVA, conforme descrito neste Termo) e conseqüente ocultação dos reais beneficiários dos recursos. Mesmo porque, nada impediria que a fiscalizada independentemente de ter praticado os desvios de recursos tivesse calculado e recolhido os respectivos tributos. · A fiscalizada praticou voluntária e intencionalmente atos que, analisados objetivamente, compõem percurso notoriamente utilizado para lesar ninguém mais que o Fisco, visto que, o uso de documentos inidôneos leva à convicção de que a fiscalizada se orientou para a realização da infração, além do que, dispunha, em concreto, da capacidade de antecipar e prever as conseqüências do seu modo de Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 42 41 agir, restando caracterizado o intuito de tirar proveito em detrimento do Fisco. Como exposto na análise individualizada das glosas, a acusação fiscal somente não demonstrou a inidoneidade dos custos correspondentes às parcelas de R$ 397.923,00 e R$ 41.030,00, vinculadas ao fornecedor Projetech Comercial Informática Ltda. Os tributos devidos sobre o lucro indevidamente reduzido por estes valores não comprovados são, assim, exigíveis com o acréscimo da multa de ofício de 75%, sem a duplicação decorrente da acusação de evidente intuito de fraude. O mesmo se diga em relação ao IRRF incidente sobre o pagamento de R$ 746.328,00, contabilizado em 29/12/2006, porque embora não provada a entrega dos recursos ao beneficiário indicado na contabilidade, a autoridade lançadora não logrou demonstrar conduta caracterizadora de fraude, mas apenas da presunção estabelecida no art. 61 da Lei nº 8.981/95. Em suma, nas operações vinculadas à Projetech Comercial Informática Ltda subsiste a qualificação da penalidade, apenas, em relação ao IRRF incidente sobre os três pagamentos realizados de 01/02/2006 a 10/03/2006, porque não esclarecida a falsidade no registro contábil que atribuiu tais valores à Projetech Comercial Informática Ltda, enquanto o efetivo beneficiário foi a empresa inapta e inexistente de fato Sobeva Sociedade de Administração de Bens e Valores Ltda. Quanto aos demais custos glosados e pagamentos submetidos à incidência de IRRF, a autoridade fiscal demonstrou a inidoneidade dos fornecedores, suficiente para evidenciar a fraude não só na redução do lucro tributável, como também na destinação de recursos patrimoniais da pessoa jurídica autuada a beneficiários não identificados e sem causa esclarecida. Assim, relativamente a estas incidências deve ser mantida a aplicação da multa qualificada, independentemente das acusações de dolo e fraude na blindagem patrimonial que teria ocultado os verdadeiros sócios da empresa. A recorrente alega que o trabalho fiscal fundouse em presunção, e, de fato, supondose possível uma prova direta do dolo do agente no presente caso, ela não foi alcançada. Contudo, os trabalhos fiscais resultaram na formação de um consistente conjunto de indícios que autorizaram a presunção da intenção dolosa da contribuinte de reduzir seu lucro tributável mediante a contabilização de custos vinculados a fornecedores que, embora à época dos fatos até poderiam estar regulares perante os cadastros fiscais, foram posteriormente declarados inidôneos em razão de sua inexistência de fato, ou mesmo por outros motivos, mas neste segundo caso associado a diligências fiscais reveladoras da ausência de qualquer atividade por parte daquelas pessoas jurídicas à época das aquisições contabilizadas. A contribuinte, de outro lado, não reuniu qualquer evidência de sua boafé, quer mediante demonstração do transporte das mercadorias, ou do pagamento das aquisições aos fornecedores, inclusive contabilizando estes valores a crédito a conta Caixa. Logo, não se trata de mera retroatividade de ato declaratório de inidoneidade do fornecedor, mas também do precário suporte documental mantido pela contribuinte para demonstração de suas operações com aqueles fornecedores, diversamente da própria jurisprudência citada pela recorrente, que nega este efeito retroativo quando comprovada, através de documentação hábil (cheques, extratos bancários, ordens de pagamento e etc), a efetiva aquisição das mercadorias constantes das notas fiscais (Acórdão 20304.822). No mesmo sentido a manifestação do Superior Tribunal de Justiça invocada pela recorrente, que exige evidências de que a operação não ocorreu, para além da irregularidade do fornecedor declarada após a emissão da nota fiscal. Vejase que a imperatividade do uso da presunção, na esfera tributária, é defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 43 42 único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. E, mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Como se vê, a exigência imposta à verificação da intenção dolosa, para atribuirlhe uma conseqüência é a prova, e esta pode se dar por meio de presunção. Por fim, resta observar que, para promover as exigências de IRPJ e CSLL, os agentes fiscais admitiram a apuração anual dos lucros no anocalendário 2006, inclusive reproduzindo na apuração das estimativas mensais os efeitos das glosas de custos. Já com referência à glosa de uma nota fiscal da Tecno Shop Ltda contabilizada em 13/03/2007, a autoridade lançadora não admitiu a opção da contribuinte pela apuração anual, e formalizou a exigência sob as regras da apuração trimestral do lucro real. Como antes exposto, corretas se mostraram as conclusões fiscais acerca da sistemática de apuração do lucro tributário em 2006 e 2007, de modo que também não merece reparos a sua repercussão na determinação dos efeitos das glosas aqui promovidas. Significa dizer que: 1) as glosas pertinentes ao anocalendário 2006 ensejam a apuração de IRPJ e CSLL devidos em 31/12/2006, assim não afetados pela decadência argüida pela recorrente; 2) a glosa promovida em 13/03/2007 resulta na redução do prejuízo fiscal apurado no 1o trimestre/2007 e, Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 44 43 por conseqüência, a concessão de menor compensação de prejuízos e de bases negativas na determinação do IRPJ e da CSLL no 2o trimestre/2007, antes abordada; 3) a descaracterização da inidoneidade das glosas dos custos correspondentes às parcelas de R$ 397.923,00 e R$ 41.030,00, vinculadas ao fornecedor Projetech Comercial Informática Ltda ensejam a redução da multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual de 2006 sobre aqueles valores. Por todo o exposto, com referência às exigências de IRPJ, CSLL e IRRF sobre os custos glosados e correspondentes pagamentos, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para apenas excluir a qualificação da penalidade sobre o IRPJ e a CSLL apurados em razão das glosas de R$ 397.923,00 e R$ 41.030,00, vinculadas ao fornecedor Projetech Comercial Informática Ltda, bem como sobre o IRRF apurado em razão do pagamento de R$ 746.328,00 contabilizado em nome no mesmo fornecedor, além de DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício para restabelecer a redução de prejuízo fiscal e base negativa pertinentes ao 1º trimestre/2007, vez que afirmada a prevalência do lançamento decorrente do primeiro procedimento fiscal iniciado. Ainda, cabe aqui apreciar as exigências de multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL ao longo do anocalendário 2006. Até aqui, afirmouse regular o procedimento fiscal que ensejou a exigência com multa de ofício de 75% sobre o IRPJ e a CSLL apurados sobre o lucro reconhecido contabilmente no anocalendário 2006, bem como a exigência com multa de ofício de 150% sobre o IRPJ e a CSLL apurados sobre os custos confirmados inidôneos, e com multa de ofício de 75% sobre os custos apenas não comprovados. Ocorre que diante deste contexto, a autoridade fiscal também se valeu das estimativas declaradas pela contribuinte para os meses do anocalendário 2006, sem espontaneidade, ajustandoas em razão da glosa dos custos acima abordada, para determinar as parcelas sem recolhimento no início do procedimento fiscal e assim aplicar a multa de ofício isolada no percentual de 50%. A recorrente assevera que esta “apuração mensal” decorreria da desconsideração de sua opção pela apuração anual dos lucros, e seria redundante em razão da exigência anterior que lançou multas nos meses de janeiro/2006 a maio/2007. Menciona que haveria duplicidade em relação aos valores apurados anualmente em 2006, ou no 1o trimestre de 2007, além de genericamente alegar a decadência dos valores exigidos de janeiro a maio/2006. A autoridade julgadora de 1a instância, por sua vez, cancelou parte das multas aplicadas nos meses de janeiro a maio/2006 e novembro/2006 em razão da prevalência atribuída ao lançamento formalizado nos autos do processo administrativo nº 19515.001534/201061. Logo, tal exoneração também está submetida a reexame necessário. Primeiramente cabe esclarecer que as exigências de multas isoladas decorre, justamente, do respeito à opção pela apuração anual dos lucros, na medida em que as estimativas somente são devidas nesta sistemática. Quanto à alegada duplicidade, devese notar que não está sendo exigido o principal devido mensalmente, pois tal lançamento cabe apenas ao final do anocalendário, quando remanesceram a descoberto a quase totalidade dos tributos apurados, em razão da baixa representatividade das estimativas espontaneamente declaradas e/ou recolhidas. O lançamento restringese à multa isolada sobre as antecipações não Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 45 44 recolhidas, cabível ainda que aplicada, também, multa de ofício proporcional ao principal devido no ajuste anual. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 3886DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 46 45 a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%, o que inclusive motivou a aplicação de retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, pela autoridade lançadora. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o fato ilícito que enseja a multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e o fato ilícito que motiva a multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Vejase, ainda, que o mesmo limite temporal para formalização do lançamento do ajuste anual do IRPJ e da CSLL vigora para exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, que como já dito são apenas obrigações acessórias impostas àqueles que optam pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, não se constituindo em pagamento do próprio tributo e, por conseqüência, não se sujeitando à homologação tácita prevista no art. 150, §4o do CTN. A regra de contagem do prazo decadencial para lançamento das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas é definida em razão do regime a que se sujeita o tributo devido no ajuste anual. Se há apuração, declaração ou recolhimento que Fl. 3887DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 47 46 autorize a aplicação do art. 150 do CTN, e a exigência de eventual diferença apurada no ajuste anual é possível em até 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, o mesmo prazo terá a autoridade lançadora para aplicar a multa isolada decorrente de eventual falta de recolhimento de estimativas durante o correspondente anocalendário. No mais, como já dito, o presente lançamento prevalece em relação àquele formalizado nos autos do processo administrativo nº 19515.001534/201061, porque este procedimento fiscal foi o primeiro a ser iniciado. Logo, não subsistem as exonerações promovidas pela autoridade julgadora de 1a instância sob o entendimento de que deveria prevalecer o primeiro lançamento cientificado à contribuinte. Por tais motivos, com referência às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para restabelecer, na íntegra, os valores originalmente exigidos. O lançamento também formaliza créditos tributários de IRPJ e CSLL, bem como de IRRF, devidos em razão de registros contábeis em favor de Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda e Vitória Participações Ltda. Segundo a Fiscalização, dois lançamentos no valor de R$ 280.000,00 cada, efetuados em 31/12/2006, sob o histórico transferência de dividendos em favor daquelas empresas, teriam diminuído indevidamente o lucro líquido. Além disso, outros pagamentos contabilizados ao longo de 2006, em favor daquelas empresas, foram classificados como pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa, na medida em que o Relatório Fiscal elaborado em 30/03/2010 teria demonstrado que elas seriam inexistentes de fato. As exigências de IRPJ e CSLL sobre a glosa do total de R$ 560.000,00 foram mantidas no julgamento de 1a instância. Já o IRRF sobre os outros pagamentos que favoreceram aquelas empresas foi cancelado porque a autoridade fiscal não aprofundou os trabalhos para desconstituir a causa e o beneficiário dos pagamentos informados na contabilidade. A glosa das parcelas no total de R$ 560.000,00 não apresenta substrato fático suficiente para sua manutenção. A Fiscalização apenas anota que seu registro foi em contrapartida ao resultado do exercício, e glosa estes valores como despesas, mas não demonstra que estes valores reduziram a base tributável do anocalendário 2006. De outro lado, a recorrente assevera que estes valores foram contabilizados em contrapartida ao Patrimônio Líquido e que o lucro de R$ 4.849.577,26 não foi por eles influenciado. Na reprodução do Razão Analítico referente à conta 0238 – Resultado do Exercício, à fl. 1416, as duas parcelas de R$ 280.000,00 reduzem o saldo acumulado de R$ 3.919.554,37, mas este valor é inferior ao lucro líquido informado na DIPJ (fl. 445) e reconhecido no próprio Termo de Verificação Fiscal (R$ 4.849.577,26). Aliás, embora a autoridade lançadora considere estes valores como despesas a serem glosadas, não os integra na recomposição da base de cálculo das estimativas mensais para cálculo da multa isolada sobre o valor que deixou de ser recolhido (fl. 22). As parcelas no total de R$ 560.000,00 também figuram no balancete de dezembro de 2006, como redutoras de Lucros ou Prejuízos Acumulados no Patrimônio Líquido (fl. 629). As contas de resultado ainda não estão encerradas no referido balancete e a diferença entre receitas (R$ 122.597.061,98) e despesas (R$ 117.747.484,72) revela o lucro declarado de Fl. 3888DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 48 47 R$ 4.849.577,26, a corroborar a alegação de que este resultado não foi influenciado por aquelas parcelas destinadas a Vitória Participações Ltda e Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda. Em outras palavras, quando a contribuinte contabilizou aquelas parcelas a débito da conta Resultado do Exercício, referida conta ainda não havia recebido os lançamentos de encerramento do exercício e, por conseqüência, o lucro líquido do ano calendário 2006. Na medida em que o lucro líquido evidenciado pelas contas de resultado antes de sua liquidação é equivalente ao informado na DIPJ, resta incomprovada a afirmação fiscal de que as parcelas no total de R$ 560.000,00 reduziram o resultado do exercício de 2006, de modo que não subsiste a glosa promovida pela Fiscalização. Assim, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL sobre as glosas no valor de R$ 560.000,00, no anocalendário 2006. Para fundamentar a exigência de IRRF sobre os pagamentos contabilizados em favor de Vitória Participações Ltda e Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda, os agentes fiscais reportamse ao RELATÓRIO FISCAL, do dia 30/03/2010 (fls. 32/89) no qual constaria a motivação para considerar tais empresas inexistentes de fato. Em síntese, referido documento procura demonstrar o esquema de blindagem patrimonial por meio do qual os sócios originais da autuada (Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva) transferiram o controle por eles detido para interpostas pessoas. Suas quotas foram quase integralmente transferidas para Vitória Participações Ltda, restando pequena parcela atribuída a Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda, a qual posteriormente passou a controlar a Vitória Participações Ltda. Em conseqüência, o sócio da Serra Grande Participações Empreendimentos Ltda, Djalma Leonardo de Siqueira, e sua esposa Maria Consuelo de Siqueira, passaram a ser os proprietários da autuada, afastando os sócios originais das obrigações tributárias decorrentes dos negócios sociais por eles explorados há vários anos. Ocorre que, mais uma vez sem adentrar à validade da prova emprestada a partir da “Operação Castelhana”, temse que os agentes fiscais, embora pretendendo declarar inválidos os atos que afastaram Marcos Aurélio Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva, empenharamse em demonstrar que Vitória Participações Ltda e Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda eram sociedades inexistentes, mas ao analisar os pagamentos aqui questionados limitaram sua análise, afirmando tratarse de operações com beneficiários não identificados e sem causa, quando, em verdade, suas conclusões deveriam conduzir à afirmação de que os verdadeiros beneficiários daqueles pagamentos seriam os sócios originais da autuada, e que a causa seria a distribuição dos lucros por ela apurados, mediante adiantamento de dividendos, como expresso em todos os lançamentos contábeis questionados pelo Fisco. Logo, é de se dar razão à autoridade julgadora de primeira instância, que não vislumbrou motivação suficiente para a manutenção da exigência de IRRF sobre estes pagamentos, para assim NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nesta parte. Finalizando a análise do recurso voluntário interposto por Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda, cabe observar que: Fl. 3889DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 49 48 · A recorrente tece várias considerações acerca de arbitramento de lucros e de omissão de receitas, que não têm lugar nestes autos, dado não ser aqui tratadas tais matérias; · As objeções opostas pela recorrente acerca da utilização de prova emprestada não exigiram apreciação porque estes elementos não influenciaram a determinação do crédito tributário exigido, nem mesmo a qualificação da penalidade. Em verdade, os argumentos da recorrente mais se prestariam a afastar a responsabilização de terceiros, e sob este prisma devese notar que a recorrente não tem interesse processual em defender, no âmbito administrativo, direito alheio. Considerando que os demais recursos voluntários limitamse a questionar o vínculo de responsabilidade estabelecido pela autoridade lançadora, sem adentrar ao mérito da exigência, já é possível, com base nos fundamentos até aqui expostos, afirmar a regularidade parcial do crédito tributário exigido, de modo a: · DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário interposto por Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática para: o Afastar a qualificação da penalidade aplicada sobre os débitos de IRPJ e a CSLL apurados em razão das glosas de R$ R$ 397.923,00 e R$ 41.030,00, bem como sobre o débito de IRRF apurado em razão do pagamento de R$ 746.328,00, todos vinculados ao fornecedor Projetech Comercial Informática Ltda, no anocalendário 2006; e o Afastar as exigências de IRPJ e CSLL sobre a glosa de despesas no valor de R$ 560.000,00, no anocalendário 2006; · DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para: o Restabelecer o lançamento de IRPJ e CSLL sobre o ajuste anual do anocalendário 2006 escriturado pela contribuinte; o Restabelecer a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL no 1o trimestre/2007 em razão da glosa de custos apurada neste período; o Restabelecer as exigências de IRPJ e CSLL sobre os resultados escriturados pela contribuinte no 2o trimestre/2007; e o Restabelecer as multas isoladas de IRPJ e CSLL pertinentes aos meses de janeiro a maio/2006 e novembro/2006. Os responsáveis tributários indicados pela autoridade lançadora não questionam o mérito da exigência, na medida em que lhes faltaria interesse e elementos para combatêlo, pois não têm e nunca tiveram qualquer relação com os fatos geradores supostamente verificados e incorridos pela autuada. Asseveram que a Fiscalização não Fl. 3890DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 50 49 cumpriu o dever de prova da realização das premissas fáticas que validariam sua autuação em desfavor dos Recorrentes e que são descabidas discussões envolvendo a estrutura societária do suposto grupo que os autuantes julgam existir. Acrescentam que a Fiscalização não tem competência para avaliar sua legalidade, na medida em que somente lhe cabe apurar fatos geradores e a existência de coobrigados pelos supostos débitos apurados. Antes, porém, da apreciação dos argumentos contrários à imputação de responsabilidade, cabe abordar a alegação da própria pessoa jurídica autuada acerca da nulidade das provas obtidas a partir da Operação Castelhana. Como antes exposto, esta análise mostrouse desnecessária para aferição da procedência do crédito tributário lançado, mas referidas provas afetam diretamente a imputação de responsabilidade, como será demonstrado a seguir. Consoante relatado, o Termo de Verificação Fiscal inicia com referências à “Representação para Propositura de Requerimento de Medida Cautelar Fiscal e Indicação de Responsáveis Tributários Solidários”, objeto do processo administrativo nº 10680.000747/201090, do qual foi extraído relatório fiscal que demonstra a criação sucessiva da empresa Nacional Teleinformática Importadora Ltda, seguida pela autuada e depois por Informática Nacional S/A, todas atuando nos mesmos endereços, sob os mesmos nomes de fantasia, com os mesmos empregados e estoques, e todas de propriedade e sob gestão de Marcos Aurélio de Guilherme Silva e sua esposa Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva. Seguese, então, detalhes do encadeamento societário entre as empresas Nacional Teleinformática Importadora Ltda e a autuada, com destaque para operações com a intervenção do escritório de Juvenil Alves patrocinador do esquema de blindagem patrimonial descoberto no âmbito da “Operação Castelhana”, desenvolvida em conjunto pela Polícia Federal, Secretaria da Receita Federal e pelo Ministério Público Federal, que resultaram na atribuição das empresas a Djalma Leonardo de Siqueira que foi utilizado como “laranja” no esquema de blindagem patrimonial do Grupo Nacional, assim como de vários outros grupos econômicos, conforme informações resultantes daquela operação. Relatando que a Nacional Mercantil possuía enorme passivo tributário e que suas filiais tiveram suas inscrições estaduais bloqueadas pelo fisco mineiro em decorrência de “irregularidades apuradas em ação fiscal”, as autoridades lançadoras demonstram a continuidade de suas atividades por meio da empresa Informática Nacional, destacando a evolução de seus faturamentos e da quantidade de empregados, e novamente mencionando o relatório fiscal inicialmente referido, bem como apontando seus 7 (sete) anexos, que também instruem estes autos. Mencionaram, também, a criação da empresa Quatre Empreendimentos e Participações Ltda para abrigar o patrimônio imobiliário do Grupo Nacional e seus sócios, e abordaram a falta de propósito negocial nas operações que se prestaram, apenas, a desvincular os verdadeiros proprietários do “Grupo Nacional” das obrigações tributárias, reportandose a diversos documentos que assim demonstrariam. A pessoa jurídica Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda, por sua vez, entende que são ilícitas as provas emprestadas sem a devida ordem judicial, e argumenta que a decisão judicial que, devido ao segredo de justiça, compartilhou provas com a Receita Federal, foi proferida em processo no qual constavam como acusados os advogados, contadores, “laranjas” e uruguaios, sem fazer qualquer referência à recorrente. Ademais, a origem da Operação Castelhana verificase em razão de Fl. 3891DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 51 50 medida cautelar de sigilo cujo alcance deve ser avaliado, de modo a aferir se o Fisco estava autorizado a utilizar os documentos que instruem este procedimento fiscal, sob pena de sua nulidade por falta de documentação que o embase. Assevera que somente se admite a importação de provas colhidas em processo que tramita em segredo de justiça para outro processo ou procedimento que tramita entre as mesmas partes. Observa que alguém que seja terceiro ao processo que tramita em segredo de justiça sequer poderia saber quais foram os atos processuais que ocorreram em seu bojo, podendo haver, nesse caso, a incidência do tipo penal de quebra do sigilo da justiça (art. 10 da Lei nº 9.296/96). Cita as restrições doutrinárias e jurisprudenciais à prova emprestada, e ainda aduz que as provas que se prestam ao juízo criminal não poderiam ser utilizadas em processo administrativo sem a prévia apreciação e determinação de um juízo cível. Menciona, também, que na ação penal nº 2008.38.00.0038500 não houve decisão compartilhando as provas ali coletadas, especialmente com a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, onde a recorrente está domiciliada, bem como que nada neste sentido foi juntado aos autos. Pede, assim, a declaração de nulidade de tais provas e o seu desentranhamento dos autos. Disse a autoridade julgadora de 1a instância: Primeiramente, não se pode olvidar que, segundo estabelece o art. 142 do CTN, a atividade de lançamento envolve o procedimento de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e propor a penalidade cabível. Tal atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, vale destacar que a presente ação fiscal tem origens na investigação iniciada pelo “ESPEI06” (órgão investigativo da 6ªRF/MG), tendo sido criada a Equipe Especial de Fiscalização – EEF de que trata a Portaria Copes nº 01, de 12/03/2009, que teve acesso e analisou os autos do processo judicial nº 2008.38.00.038500, bem como os dados internos e documentos apreendidos durante a denominada “Operação Castelhana”. Nesse sentido, o MM. Juiz Federal Substituto da 4ª Vara Federal/MG determinou a quebra do sigilo à RFB, delimitando o trabalho fiscal ao aproveitamento dos dados apenas para constituir crédito tributário. Vejase fls. 1.444: INTRODUÇÃO A presente representação foi elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização – EEF de que trata a Portaria Copes nº 01, de 12/03/2009, após a análise dos autos do processo judicial nº 2008.38.00.038500, dos dados internos e de documentos apreendidos durante a denominada “Operação Castelhana”, cuja investigação foi iniciada pela ESPEI06, tendo como alvo empresas do grupo que integram o escritório de advocacia “Juvenil Alves Advogados Associados”. Não obstante os documentos se encontrarem sob segredo de justiça, o MM. Juiz Federal Substituto da 4a Vara Federal, Seção Judiciária de Minas Gerais, determinou a extensão da quebra do sigilo à Receita Federal do Brasil – RFB, asseverando que só podem ser aproveitados pela autoridade fiscal os dados pertinentes à fiscalização para efeito de constituição do crédito tributário, devendo a autoridade administrativa preservar o sigilo dos dados a que tenham acesso. Essa EEF, então , elaborou o Relatório Fiscal RF (documento de fls. 32/89), onde descreve, minuciosamente, fatos envolvendo o grupo econômico conhecido como Fl. 3892DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 52 51 “Grupo Nacional”, que demonstram um esquema de blindagem patrimonial e sucessão empresarial do referido grupo econômico. Nesse sentido, a empresa Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda, ora Impugnante, integra o aludido “Grupo Nacional”, tendo participado do esquema de blindagem patrimonial e sucessão empresarial, cujo objetivo não foi senão o desvincular os proprietários das obrigações tributárias decorrentes das atividades desse grupo. O Relatório Fiscal – RF, elaborado pelos integrantes do EEF, além de conter dados, quadros e indicação de diversas provas, é bastante elucidativo e muito convincente no sentido provar tal conclusão. Ocorre que a presente ação fiscal foi uma continuidade desse procedimento, destinada, especificamente, para verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte da empresa Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda. O que se executou consoante o princípio da legalidade e a determinação judicial de que o aproveitamento de dados e documentos sigilosos obtidos na denominada “Operação Castelhana” fossem utilizados tãosomente para constituir crédito tributário. Toda a ação fiscal encontrase detalhadamente narrada no Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 02/31, integralmente transcrito no relatório deste voto), onde o Fisco fundamenta ou esclarece: (i) os fatos e provas que o levaram a imputar responsabilidade solidária do crédito tributário lançado às pessoas físicas proprietárias do “Grupo Nacional”, Marcos Aurélio de Guilherme Silva e sua esposa Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva, e às pessoas jurídicas, Informática Nacional S/A e Quatre Empreendimentos e Participações Ltda; (ii) os elementos de provas que utilizou para imputar as infrações fiscais constantes dos Autos de Infração lavrados; e (iii) propriamente todo o desenvolvimento da ação fiscal, onde se fez diversas intimações solicitando documentos contábeis e fiscais e para que o contribuinte prestasse esclarecimento ou informações, bem como diligência fiscais, realizadas no intuito de provar as infrações apuradas. Não corresponde à verdade dos fatos a alegação do contribuinte de ter sido cerceada a sua defesa, na medida em que ao longo de todo procedimento teve oportunidade prestar informações, esclarecer fatos ou produzir provas a seu favor. E feita a intimação da exigência a todos os envolvidos (contribuinte e responsáveis), foram tempestivamente apresentadas defesas que demonstram perfeito conhecimentos dos fatos e infrações que lhes foram imputados. Não houve, pois, nenhuma ilicitude na seleção da empresa Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda, para ser fiscalizada, nem na obtenção do conjunto probatório que embasa tanto o lançamento das infrações apuradas quanto a imputação de responsabilidade solidária a outras pessoas físicas e jurídicas pelo credito tributário constituído. As provas constantes dos autos decorreram naturalmente da ação legal da Fiscalização Federal (obedecidos ainda os atos normativos pertinentes que regulamentam tal atividade), composta por funcionários de carreira da RFB, à qual incumbe, nos termos da lei, acompanhar e verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte de todos os contribuintes, sejam pessoas físicas ou jurídicas ou entidades imunes e isentas. Enfim, no curso da ação fiscal e na consecução do lançamento, a Fiscalização produziu, nos autos, provas muito convincentes e robustas das infrações que capitulou e foram obedecidas estritamente todas as normas legais e atos normativos que regem ou regulamentam tais atividades. Portanto, não prospera a preliminar de nulidade invocada pela defesa, por ilicitude na obtenção das provas e cerceamento de defesa. Fl. 3893DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 53 52 Especificamente quanto à decisão judicial questionada pela recorrente, proferida nos autos do processo nº 2008.38.00.0038500 (Inquérito Policial nº 2007.38.00.03220870 e Medida Cautelar nº 2006.38.00.0195251), está ela assim versada, no que aqui importa (fls. 2286/2307): Extensão da quebra de Sigilo à Receita Federal Como é sabido, a novel jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal acerca dos crimes contra ordem tributária exige o término do processo administrativo fiscal, isto é, a constituição definitiva do crédito tributário como condição (justa causa) para o oferecimento da ação penal. Tal orientação inovadora impõe, por sua vez, uma interpretação diferenciada das normas processuais que disciplinam a formação da prova nos crimes contra a ordem tributária. Desta forma, ao seguirse o entendimento do STF, apontase manifesto que nos delitos tributários a “apuração das infrações penais e da sua autoria” (art. 4o do CPP) foi transferida para as Administrações Tributárias. O inquérito policial só será necessário caso haja crimes conexos como formação de quadrilha, crimes financeiros, etc. Tal conclusão se impõe pois ao tornar o processo administrativo fiscal indispensável para a realização do tipo penal, toda prova colhida judicialmente que indique a presença de fatos geradores de obrigações tributárias deve ser compartilhada com a Receita Federal para que instaure a necessária ação fiscal e comprovando o não recolhimento ou a sonegação, que lavre o auto de infração (art. 142 do CTN). Isso posto, no que concerne à extensão em favor da Secretaria da Receita Federal de Minas Gerais das quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico, informático e telemático, bem como dos documentos apreendidos durante a busca a apreensão, entendo que este compartilhamento mostrase imprescindível uma vez que há indícios da prática de ilícitos contra a ordem tributária e consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal a consumação (e o início da prescrição) dos crimes materiais contra a ordem tributária encontrase condicionada à constituição definitiva do crédito tributário pelo fisco. Assevero, outrossim, que o compartilhamento destes dados sigilosos tem previsão no ordenamento jurídico por meio da Lei Complementar nº 105/2001: [...] Ademais, só podem ser aproveitados pela autoridade fiscal aqueles dados pertinentes à administração tributária, isto é, pertinentes à fiscalização para efeito de constituição do crédito tributário, sendo certo que, por dever de ofício, a autoridade administrativa, está obrigada a preservar o sigilo dos dados a que tenha acesso, configurando infração penal a eventual divulgação que venha a ser feita. Desse modo, determino a intimação do Superintendente da Receita Federal em Minas Gerais, a fim que designe equipe para analisar os autos relativos às quebras de sigilo telefônico, bancário, informático e telemático, bem como os malotes derivados das apreensões realizadas nestes autos e acautelados nesta secretaria, a fim de subsidiar eventual instauração de ações fiscais ou ainda instruir ações já instauradas. Autorizo, desde já, a carga dos malotes pela Receita Federal pelo prazo de 60 dias quando então deverão ser devolvidos à Secretaria, com termo nos autos. Fl. 3894DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 54 53 Às fls. 2308/2317 constam certidão e demais elementos referentes à abertura dos 60 (sessenta) malotes lacrados, contendo o material apreendido na Operação Castelhana, tudo realizado na Secretaria da 4a Vara da Justiça Federal, Seção Judiciária de Minas Gerais. A partir do exame destes documentos, os agentes fiscais elaboraram o documento de fls. 1444/1452, denominado Representação Fiscal EEF Castelhana nº 027 – Interposta Pessoa, no qual indicam que Djalma Leonardo de Siqueira foi utilizado como “laranja” em ações do grupo capitaneado pelo advogado Juvenil Alves Ferreira Filho. Reportandose a informações contidas em outro procedimento (IPEI MG2006001, relativo ao caso URUGUAI, investigação prévia à que resultou na decisão judicial questionada, conforme relatado pelo Ministério Público Federal na denúncia à fl. 2188), as autoridade fiscais relatam que, domiciliado em Maceió/AL, Djalma Leonardo de Siqueira tinha 70 (setenta) anos de idade, era contador em empresa privada, recebia rendimentos modestos no exercício dessa profissão, e é pai de Carlos Eduardo Leonardo de Siqueira, atuante advogado do escritório de Juvenil Alves Ferreira Filho, o qual provavelmente cooptou o seu pai e também o irmão JAIRO, para atuarem de forma ilegal à frente de empresas de “fachada”, substitutas de empresas com débitos junto aos órgãos fazendários e previdenciário; que dissolveram irregularmente para desvincular os efetivos proprietários desses débitos. Figurava, assim, como responsável por 11 (onze) empresas perante o Ministério da Fazenda, dentre elas as aqui mencionadas Serra Grande Participações e Empreendimentos S/C, Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda, Vitória Participações Ltda e MGTech Logística e Distribuição S/A. Prosseguindo, já com base nas informações do IPL 3338/2006SR/DPF/MG e Medida Cautelar nº 2006.38.00.0195251 (esta vinculada ao processo judicial nº 2008.38.00.0038500), os agentes fiscais enunciaram os responsáveis e as pessoas interpostas pelo escritório Juvenil Alves e Advogados Associados S/C para oferta de modelos de blindagem patrimonial a empresários brasileiros, enfatizando a abordagem acerca da atuação de Djalma Leonardo de Siqueira como laranja utilizado pelo grupo comandado por Juvenil Alves, e citando esta sua condição à frente das pessoas jurídicas acima mencionadas, dentre outras. Às fls. 2181/2286 consta a íntegra da denúncia oferecida pela Procuradoria da República em Minas Gerais à 4a Vara Federal de Belo Horizonte/MG (especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de Lavagem e Ocultação de Bens, Direitos e Valores), em razão do Inquérito Policial nº 2007.38.00.0322087, formalizada contra Carlos Eduardo Leonardo de Siqueira, Djalma Leonardo de Siqueira e Jairo Leonardo de Siqueira, dentre outros vinculados às operações do escritório de advocacia de Juvenil Alves Ferreira Filho, mas sem foro privilegiado como este, diplomado Deputado Federal em 18/12/2006 (fl. 2189). Dela destacase o item III – Casos ilustrativos do esquema de blindagem, onde, diante da impossibilidade de fazer menção a todos os clientes, optouse por cuidar na presente denúncia dos processos de blindagem de oito grupos econômicos, a fim de exemplificar os diversos modi operandi relativos aos delitos denunciados. Tratase dos grupos [...] NACIONAL, [...] cujos esquemas de blindagem foram resumidos nos seguintes termos, no que aqui importa: 36. O Grupo NACIONAL atual no ramo de vendas de computadores e suprimentos de informática. É formado pelas empresas “Nacional Teleinformática Importadora Ltda”, “Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda” e “Informática Nacional S/A”, cujos efetivos proprietários são MARCOS AURÉLIO Fl. 3895DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 55 54 Guilherme Silva e MARA Lúcia Tavares Barbosa Silva. Como bem elucida o relatório confeccionado pelo ESPEI, há fortes indícios de que tais sociedades estariam sucedendo umas às outras em suas atividades, pois operam nos mesmos endereços e usam idênticos nomes de fantasia. De fato, constatase que a “Nacional Teleinformática”, cujos quadros eram integrados à época pelos “laranjas” JOELMO Lemos Costa e IRACEMA Alves Costa, foi extinta por liquidação voluntária em 16.05.03. Assumiu então os negócios do Grupo a “Nacional Mercantil”, cujo controle foi alienado para as empresas de fachada “Vitória Participações Ltda” – da qual é acionista majoritária a SAFI “Phyneas Corp. Financial & Trading S/A”, representada no país pela advogada SÔNIA – e “Serra Grande Participações e Empreendimentos Ltda”. Finalmente, apurouse na escuta que a “Nacional Mercantil” seria substituída em breve pela “Informática Nacional S/A”. Há notícia de que o Grupo também foi objeto de comunicação de operação suspeita encaminhada ao COAF. 37. Em interceptação de conversa mantida entre CARLOS e JUVENIL, constatouse a grande insatisfação do mentor do bando com a falta de pagamento de honorários pelo Grupo Nacional. [...] A Representação Fiscal EEF Castelhana nº 027 – Interposta Pessoa faz referência às participação de Djalma Leonardo de Siqueira nos fatos relatados na denúncia, e conclui : Inegável, pois, a condição de laranja de Djlama Leonardo de Siqueira no esquema montado por Juvenil Alves Ferreira Filho, sendo relevante, no combate integrado ao conjunto das infrações cometidas por todo grupo, configurar, de modo claro e inconteste, a condição de laranja e testa de ferro de Djalma, buscando, dessa forma, identificar e responsabilizar os verdadeiros gestores e donos dos negócios. Fundamental, então, no caso de abertura de ação fiscal em empresa na qual figure no quadro societário Djalma Leonardo de Siqueira, é a promoção de ações diligentes no sentido de identificar e responsabilizar os verdadeiros donos e gestores do negócio. Isto posto, propomos o encaminhamento da presente representação às Delegacias da Receita Federal do Brasil que jurisdicionam as pessoas jurídicas das quais o representado é sócio ou representante legal, figurando, de fato, como interposta pessoa, conforme relação abaixo: [...] Surge, daí, portanto, o procedimento fiscal que resulta na presente exigência, bem como na imputação de responsabilidade tributária ora em debate. Não há dúvidas, assim, que a decisão judicial compartilhou com a Receita Federal as informações referentes aos clientes dos investigados, motivo pelo qual era desnecessário que a recorrente figurasse como parte na referida ação judicial. Por sua vez, a Receita Federal fez uso destas informações precisamente para aferir seus efeitos tributários, observando o sigilo que lhe foi imposto, nos termos antes transcritos. A alegação da recorrente no sentido de que somente se admite a importação de provas colhidas em processo que tramita em segredo de justiça para outro processo ou procedimento que tramita entre as mesmas partes, poderia ter alguma aplicação caso esta transposição fosse feita por uma das partes do processo, ou tendo por objeto não apenas a prova, mas também os efeitos da decisão judicial dali resultante. No caso, a importação decorreu de expressa ordem judicial, que vislumbrou a impossibilidade de se discutir, naqueles Fl. 3896DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 56 55 autos, ou em outro no âmbito judicial, eventuais crimes tributários sem que antes se desenvolvesse o necessário processo administrativo para constituição do crédito tributário correspondente. Presente a ordem, e observados seus limites, não há que se falar em quebra do sigilo da justiça (art. 10 da Lei nº 9.296/96). E, por esta razão, também é imprópria a alegação de que as provas que se prestam ao juízo criminal não poderiam ser utilizadas em processo administrativo sem a prévia apreciação e determinação de um juízo cível. As repercussões tributárias das provas coletadas naquele procedimento penal não foram lá apreciadas justamente porque o Supremo Tribunal Federal já afirmou a necessidade da prévia conclusão da discussão administrativa para tanto. No mais, a competência concorrente das autoridades fiscais vinculadas a diferentes unidades da Receita Federal já foi abordada neste voto, de modo que é irrelevante o fato de a recorrente estar domiciliada no âmbito territorial de atuação da Delegacia da Receita Federal em São Paulo. O acesso às informações contidas no processo judicial foi deferido à Receita Federal, inexistindo qualquer vício na sua utilização, como prova, na presente acusação. REJEITAse, assim, a argüição de nulidade apresentada pela recorrente. Com base nestes elementos, os agentes fiscais imputaram responsabilidade tributária às demais recorrentes motivados pelos fatos que serão a seguir descritos e confrontados com a defesa das recorrentes: Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva Referidas pessoas físicas eram sócias de Nacional Teleinformática, mas em 30/09/2002 transferiram o domicílio da pessoa jurídica para a Alameda Lorena, nº 638, sala 112, em São Paulo/SP, e em 25/05/2004 cederam suas quotas para outras duas pessoas físicas de baixíssimo poder aquisitivo declarado à Receita Federal. Antes disso, em 12/09/2000, já haviam adentrado ao quadro social da autuada por intermédio da holding Vitória Participações Ltda, controlada por ambos, e em 30/09/2002 a Nacional Mercantil também tem seu endereço alterado para São Paulo/SP, mas na sala 111 do endereço antes mencionado. Em 31/03/2003, 1% das quotas da autuada é cedido para Serra Grande Empreendimentos e Participações, representada por Djalma Leonardo de Siqueira, mas em 10/11/2002 o controle de Vitória Participações S/A já havia sido transferido para Phineas Corp. Financial & Trading S/A, empresa uruguaia representada por advogada do escritório Juvenil Alves, e foi posteriormente cedido para Serra Grande Empreendimentos e Participações. Ao final, Vitória Participações S/A tem seu domicílio transferido para a sala 33 do mesmo endereço antes mencionado, recebe Djalma Leonardo de Siqueira em seu quadro social com 1% de participação, e este ao lado de Serra Grande Empreendimentos e Participações, por ele também representada, passa a ser o controlador da empresa autuada. A autoridade fiscal disse que não houve qualquer propósito negocial nas operações que desvincularam as pessoas físicas em epígrafe da empresa autuada, e que elas continuaram, ininterruptamente, a gestão das empresas. Relaciona diversos documentos emitidos em diferentes datas, de 02/03/2005 a 19/09/2006, os quais denotam a atuação daquelas pessoas físicas em liberação de ordem de pagamento, documentos dirigidos a prestadores de serviços da pessoa jurídica, remessas ao exterior em favor da pessoa jurídica, extratos de cartão de crédito empresarial concedido à diretoria e garantia de contrato de mútuo de empréstimo rotativo. Fl. 3897DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 57 56 Os agentes fiscais indicaram, ainda, a abordagem mais ampla das constatações, contidas no Relatório Fiscal de fls. 32/89, no qual a sucessão é exposta com mais detalhes acerca das filiais e dos registros junto à Secretaria de Fazenda de Minas Gerais. Constam, também, os atos jurídicos que ensejaram a transferência dos imóveis de propriedade do casal para a empresa Quatre Empreendimentos e Participações Ltda, dentre os quais o imóvel no qual funcionava a filial 0013 da autuada (atual sede da empresa Informática Nacional, nome de fantasia Multimídia). Ressaltase, ali, que estas transferências se verificaram quando a Nacional Mercantil possuía débitos em aberto relativos aos anos calendário de 2001 e 2002, os quais foram objeto de parcelamento especial em 25/12/2004. Ao longo do referido relatório, os agentes fiscais relatam detalhes das operações que resultaram na exclusão das pessoas físicas em epígrafe do quadro social da autuada, concluindo ao final que: Vimos que não houve nenhum propósito negocial na suposta venda da VITÓRIA PARTICIPAÇÕES LTDA (proprietária da NACIONAL MERCANTIL) para a offshore PHYNEAS e o contador DJALMA (suposto proprietário ou proprietário de fachada da SERRA GRANDE Participações e Empreendimentos Ltda), tratando tal evento de simulação de negócio jurídico. Vimos ainda, que a offshore PHYNEAS foi criada pela empresa UTT – UNITED TRADERS TRUST, sediada em Montevidéu, a pedido do Escritório Juvenil Alves para blindagem patrimonial dos proprietários do “Grupo Nacional”. Além disso, as planilhas apreendidas no referido escritório, referentes aos pagamentos das mensalidades de manutenção da PHYNEAS vinculava a offshore à própria NACIONAL MERCANTIL. Conforme vimos no INFORME da UTT enviado ao Escritório Juvenil Alves que o repassou para a NACIONAL MERCANTIL, consta que o capital integralizado da PHYNEAS, de US$ 100,000 (cem mil dólares americanos), era insuficiente, pois já havia sido investido US$ 198,920 (cento e noventa e oito mil, novecentos e vinte dólares americanos) na compra das quotas da VITÓRIA PARTICIPAÇÕES e, sendo assim, não teria origem para os US$ 100,000 (cem mil dólares americanos) enviados ao Brasil para a aquisição das quotas da VITÓRIA PARTICIPAÇÕES e que também estaria faltando o contrato de câmbio do envio desse valor. Vimos também, que dos balanços da PHYNEAS não constam os registros dos valores supostamente enviados ao MARCO AURÉLIO para esse pagamento pela aquisição das quotas da VITÓRIA PARTICIPAÇÕES LTDA, corroborando que os valores não saíram do caixa da PHYNEAS. Como ocorreu nas blindagens patrimoniais de outros clientes do Escritório Juvenil Alves, os valores enviados não tem origem, por que, na realidade, tratamse de retorno ao Brasil, por meio de contratos de câmbio, de remessa ao exterior de numerário “via cabo” para dar aparência de efetividade a venda da VITÓRIA PARTICIPAÇÕES LTDA. Acrescentase ao conjunto probatório da operação de blindagem, a “Escritura Pública de Aditamento e Constituição de Garantia Hipotecária Vinculada ao Contrato de Mútuo, entre o HSBC e a NACIONAL MERCANTIL, registrada no Cartório de Notas de Fortuna em Minas, em 18/07/2005 (após a venda dessa empresa), em que MARCOS AURÉLIO e MARA LÚCIA comparecem como Garantidores e também como devedores solidários, responsabilizandose ilimitada e solidariamente pelo cumprimento de todas as obrigações decorrentes do Contrato de Mútuo de Empréstimo rotativo (limite de R$ 1.200.000,00). Fl. 3898DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 58 57 Esse documento confirma que o casal continuava como efetivo proprietário dos negócios da NACIONAL MERCANTIL, comprometendo inclusive o patrimônio pessoal nessa transação. Nas operações de blindagem promovidas por MARCOS AURÉLIO e sua esposa MARA LÚCIA, que não alteraram o rumo de seus negócios, constatase que esses sócios buscaram desvincularse das obrigações tributárias decorrentes das atividades da NACIONAL MERCANTIL, cujos débitos no âmbito da Receita Federal do Brasil alcançaram o montante superior de R$ 70.000.000,00 (atualmente a NACIONAL MERCANTIL encontrase sob fiscalização referentes aos períodosbase de 2006 e 2007). Ademais, quando o casal transferiu diversos bens imóveis para a QUATRE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, a título de integralização de capital, a NACIONAL MERCANTIL possuía débitos em aberto de IRPJ, PIS/Faturamento, Cofins e CSLL, relativos aos períodosbase de 2001 e 2002, que foram objetos de pedido de Parcelamento Especial em 25/11/2004 e 15/06/2007, processos número 10880485.740/200431 e 18.208692.622/200774, respectivamente. Diante de todo o exposto, elaboramos o presente RELATÓRIO FISCAL no qual ficou demonstrado a participação no esquema de blindagem patrimonial e sucessão empresarial do “Grupo Nacional”, das seguintes pessoas jurídicas e físicas: · INFORMÁTICA NACIONAL S/A [...] na qual os negócios sociais do “Grupo Nacional” continuaram sem interrupção das atividades; · QUATRE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA [...] cujo capital foi integralizado em 27/05/2002 com diversos imóveis de propriedade do casal; · VITÓRIA PARTICIPAÇÕES LTDA [...] usada na blindagem patrimonial dos sóciosfundadores MARCOS AURÉLIO e sua esposa MARA LÚCIA; · MARCOS AURÉLIO DE GUILHERME SILVA [...] e MARA LÚCIA TAVARES BARBOSA E SILVA [...] por serem os efetivos proprietários dos negócios. Os Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra estas pessoas físicas reportamse ao art. 124 do CTN, mencionam que após apresentarem enorme passivo tributário, as empresas do grupo foram se sucedendo nas atividades, em paralelo a outras operações evidenciadas no âmbito da “Operação Castelhana” para desvincular os verdadeiros proprietários do “Grupo Nacional” das obrigações tributárias (fls. 2757/2772) Em recurso voluntário, Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva anotaram que não discutiriam o mérito da autuação porque lhes falta interesse e elementos para combatêlo, dado que não têm e nunca tiveram qualquer relação com os fatos geradores supostamente verificados e incorridos pela autuada. Disseram que a Fiscalização não cumpriu o dever de prova da realização das premissas fáticas que validariam sua autuação em desfavor dos Recorrentes, e que a autoridade julgadora de 1a instância não abordou a questão sob o prisma jurídico tratado na Impugnação. Reputaram descabidas discussões envolvendo a estrutura societária do suposto grupo que os autuantes julgam existir, e que inclusive a Fiscalização não tem competência para avaliar sua legalidade. Isto porque somente lhes cabe apurar fatos geradores e a existência de coobrigados pelos supostos débitos apurados. Não há que julgar, com base em suas convicções subjetivas, a existência de um “encadeamento societário” (como lançou o Fisco) e concluir Fl. 3899DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 59 58 que, em razão disso, estariam as pessoas físicas e jurídicas mencionadas qualificadas como coobrigadas pela suposta obrigação tributária apurada em relação a autuada principal. Observaram que a aplicação do art. 124 do CTN somente é citada na porção em que o Fisco aponta que teria havido a notificação dos Recorrentes a respeito da referida sujeição passiva solidária, inexistindo outro momento em que o Fisco relaciona a conduta eventualmente imputada aos Recorrentes aos requisitos exigidos pela lei para a configuração da hipótese de sujeição passiva solidária. E, neste ponto, é de se dar razão aos recorrentes. O art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E esta condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram no quadro social da pessoa jurídica, e assim não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Ao contrário do que asseveram os recorrentes, o referido dispositivo legal pode ser, sim, utilizado como forma de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas desde que presente prova de sua atuação ao lado da pessoa jurídica, e fora de seu quadro social, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Neste sentido, inclusive, é o entendimento expresso por Marcos Vinícius Neder, no artigo Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito (in FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius (coords.). Responsabilidade Tributária, Dialética, São Paulo: 2007, p. 46). Depois de abordar a hipótese de interposição de pessoas na prática de fatos jurídicos tributários, e ressaltar que a simulação dos atos constitutivos impõe o afastamento do sujeito passivo aparente para alcançar os reais titulares da renda, o autor observa: Outra situação completamente distinta é quando o ilícito é promovido por pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parcela com terceiros (sócios ocultos) para benefício comum. Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos. Aqui, porém, os agentes fiscais empenharamse em demonstrar que Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva permaneceram gerindo a autuada mesmo depois de realizada a blindagem patrimonial que os retirou do quadro social da pessoa jurídica, e transferiu seus bens (das pessoas físicas) para uma outra pessoa jurídica. Contudo, não há referências a provas, nos autos, evidenciando que esta gestão desviou patrimônio da pessoa jurídica, ou permitiu que Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva se beneficiassem dos resultados de sua atividade, e assim prejudicassem o recolhimento do crédito tributário. Há referências a liberação de recursos da Nacional Mercantil em favor de Intel Inside, mas em razão de contrato mantido entre esta e a autuada; há notícia de extratos de cartão de crédito empresarial faturados contra a pessoa jurídica, em nome de Marcos Aurélio Fl. 3900DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 60 59 de Guilherme Silva na condição de diretor, mas dissociado de qualquer evidência de gastos pessoais pagos pela pessoa jurídica; e há contrato de garantia no qual as pessoas físicas expõe seu patrimônio pessoal para viabilizar contrato de mútuo entre a autuada e o HSBC Bank Brasil S/A. Tais evidências confirmam a gerência e a atuação daquelas pessoas como se sócios fossem da pessoa jurídica. Mas para que um sócio de fato seja responsabilizado solidariamente com a pessoa jurídica, é necessário prova do interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ou seja, na riqueza que dele se extrai, e especialmente na destinação desta riqueza – lucro do período. Em outra linha argumentativa, a gerência da sociedade, concomitante à prática de atos dolosos que resultam na supressão de tributos devidos, também permitiria a imputação de responsabilidade com fundamento no art. 135, inciso III do CTN, o qual vincula pessoalmente os agentes ao crédito tributário devido em razão de seus atos. Mas embora a exigência aqui presente tenha sido formalizada com multa qualificada, decorrente da imputação de fraude, a responsabilidade tributária não foi imputada às pessoas físicas com esta fundamentação. De fato, a formalização de Termo de Sujeição Passiva deve decorrer do vínculo do responsável com a situação que constitua o fato gerador ou da prática de atos que procurem ocultar os verdadeiros representantes da pessoa jurídica. Desta forma, assegurase o direito de defesa àqueles que de alguma forma contribuíram para a prática do fato gerador, e aos que efetivamente representam a pessoa jurídica. Contudo, a autoridade fiscal não logrou demonstrar a hipótese prevista no art. 124, inciso I do CTN, e não fundamentou a vinculação dos responsáveis no art. 135, inciso III do CTN. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva, para excluílos do pólo passivo relativamente à exigência fiscal aqui em debate, obviamente sem expandir estes efeitos aos demais créditos tributários devidos pela pessoa jurídica autuada, na medida em que a competência deste órgão julgador restringese à matéria lançada. Quatre Empreendimentos e Participações Ltda As referências feitas pelas autoridades fiscais à recorrente são aquelas descritas ao longo dos fatos vinculados a Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva. Em suma, a pessoa jurídica em epígrafe foi constituída para abrigar o patrimônio pessoal daquelas pessoas físicas, em razão do esquema de blindagem patrimonial aqui extensamente abordado. O Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra esta pessoa jurídica apresenta idêntico teor aos acima mencionados: reportase ao art. 124 do CTN, menciona que após apresentarem enorme passivo tributário, as empresas do grupo foram se sucedendo nas atividades, em paralelo a outras operações evidenciadas no âmbito da “Operação Castelhana” para desvincular os verdadeiros proprietários do “Grupo Nacional” das obrigações tributárias (fls. 2780/2788). Inferese, daí, que a pretensão fiscal era assegurar a realização do crédito tributário aqui lançado mediante vinculação do patrimônio de Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva. Fl. 3901DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 61 60 Na medida em que não restaram provadas as circunstâncias fáticas que permitiram a responsabilização daquelas pessoas físicas pelo crédito tributário aqui exigido, o presente voto é, também, por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Quatre Empreendimentos e Participações Ltda, para excluíla do pólo passivo relativamente à exigência fiscal veiculada nestes autos. Informática Nacional S/A A acusação fiscal contra esta responsável agrega outras motivações, com vistas a demonstrar a continuidade, por ela, das operações da autuada. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora diz que em paralelo à transferência da autuada para interpostas pessoas, Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva também teriam transferido os negócios da pessoa jurídica, consistentes na compra e venda de máquinas, equipamentos e suprimentos de informática e telefonia celular móvel para a Informática Nacional S/A, constituída em 07/04/2003, com capital social igualmente distribuído entre aquelas pessoas físicas. Os agentes fiscais relatam que os estoques da NACIONAL MERCANTIL foram faturados para a INFORMÁTICA NACIONAL, e que ao longo de 2006 e 2007 esta empresa foi progressivamente utilizada para o faturamento das novas operações, até que em 01/03/2007 ela passou a possuir 13 estabelecimentos nos mesmos endereços comerciais e com os mesmos nomes de fantasia de estabelecimentos da NACIONAL MERCANTIL (Multimídia, Info2 e Max Computadores). Com o bloqueio das inscrições estaduais das filiais da autuada em abril e maio de 2007, o faturamento foi integralmente assumido pela Informática Nacional S/A. Os quadros à fl. 5 destes autos demonstram o deslocamento do volume de faturamento e de empregados entre os estabelecimentos da autuada e da Informática Nacional S/A, muito embora aquela, mesmo sem faturamento, tenha mantido empregados em todos seus estabelecimentos inoperantes. Reportamse, ainda, a informação prestada pela contadora Cláudia Alves Sol a representante do Escritório Juvenil Alves, ao assumir a contabilidade do Grupo Nacional em abril/2003, na qual ela manifesta insatisfação na condução e execução dos trabalhos contábeis e fiscais, e afirma que até hoje a documentação da NACIONAL não vem separada da INFORMÁTICA NACIONlAL. As contas da INFORMÁTICA na sua maioria são pagas pela NACIONAL e não temos o controle de valores entre as empresas. No Relatório Fiscal de fls. 32/89 a sucessão entre as empresas é exposta com maiores detalhes acerca: 1) da correlação entre os estabelecimentos da autuada e da responsável; 2) da intervenção de pessoas vinculadas ao escritório de Juvenil Alves na constituição da matriz e das filiais da responsável; 3) da mudança de domicílio fiscal da autuada, o qual, como visto, foi transferido para um das três salas à Alameda Lorena, nº 638, em São Paulo/SP, nas quais foram instaladas a autuada, a sua antecessora Nacional Teleinformática, e Vitória Participações S/A, constituída em meio às providências para blindagem patrimonial dos sócios originais da autuada; 4) da transferência de faturamento entre as diversas filiais da autuada e da responsável, a evidenciar a exata continuidade de operações entre elas; 5) do volume de notas fiscais emitidas pela autuada em favor da responsável, para transferência dos estoques; e 6) dos empregados que foram transferidos de uma pessoa jurídica para outra com a interrupção das atividades da autuada, de modo que em 2007 várias filiais da autuada não apresentavam mais empregados, localizados agora nas correspondentes filiais da responsável. Fl. 3902DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 62 61 Daí a conclusão exposta nos seguintes termos: Por todo o exposto, vimos que, inobstante, os proprietários do “Grupo Nacional” , MARCOS AURÉLIO e sua esposa MARA LÚCIA, terem simulado a venda da NACIONAL MERCANTIL, na tentativa de desvincularse das obrigações tributárias decorrentes de suas atividades, a continuidade dos negócios dessa empresa pela INFORMÁTICA NACIONAL é inequívoca e está caracterizada pelo prosseguimento das atividades, sem interrupção, nos mesmos endereços comerciais, usando os mesmos nomes fantasia (MAX COMPUTADORES, INFO 2 e MULTIMÍDIA), os mesmos empregados e também os mesmos estoques de mercadorias. Da mesma forma que a NACIONAL MERCANTIL deu continuidade aos negócios sociais do “Grupo Nacional”, após transferência da TELEINFORMÁTICA para sócios “laranjas”, a INFORMÁTICA NACIONAL, por sua vez, também deu continuidade aos negócios do grupo com a transferência da NACIONAL MERCANTIL para sócios “laranjas” e após ter suas inscrições estaduais bloqueadas em decorrência de “irregularidades apuradas em ação fiscal”. Não deixa dúvidas quanto a sucessão da NACIONAL MERCANTIL pela INFORMÁTICA NACIONAL o fato do principal estabelecimento dessas empresas, nos meses de abril e maio de 2007, sob duas versões diferentes do CNPJ (filial 0013 da NACIONAL MERCANTIL e filial 0012 da INFORMÁTICA NACIONAL), terem ambos desenvolvido suas atividades no mesmo endereço comercial (Rua da Bahia, 1.700, loja 01), usando o mesmo nome fantasia (MULTIMÍDIA), e compartilhando as mesmas instalações, empregados e estoques. Também não deixa dúvidas a correspondência enviada pela CLÁUDIA ALVES SOL, contadora da NACIONAL MERCANTIL, ao CARLOS EDUARDO corroborando que a NACIONAL MERCANTIL e a INFORMÁTICA NACIONAL eram tratadas pelos seus proprietários como sendo uma única empresa. Às fls. 2773/2779 consta Termo de Sujeição Passiva Solidária e Subsidiária, que responsabiliza Informática Nacional S/A pelos créditos tributários lançados não só em razão do art. 124, como também do art. 133 do CTN, o qual estabelece responsabilidade por sucessão nos seguintes termos: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Significa dizer que o sucessor de fundo de comércio ou estabelecimento comercial também responde pelos créditos tributários do sucedido, na hipótese do inciso I integralmente – ou seja, solidariamente com o sucedido, sem benefício de ordem –, e na hipótese do inciso II subsidiariamente, caso o sucedido, mantendose em atividade, não satisfaça o crédito tributário antes devido. Fl. 3903DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 63 62 A recorrente assevera que não houve sucessão, que atuava no mesmo ramo de atividade da autuada, e que, inclusive, era sua concorrente. Diz que a continuidade dos negócios é lastreada apenas em presunções formadas a partir de convicções subjetivas, desprovidas de legalidade. Defende que o fato de estarem inseridas no mesmo ramo de negócio não seria causa suficiente para imputação de responsabilidade tributária e questiona a falta de correlação da sua conduta com os dispositivos legais. Ocorre que todas estas supostas imprecisões decorrem, justamente, do procedimento irregular adotado pelo grupo empresarial para deslocar as atividades da autuada para a responsável. Por certo não há prova de aquisição de outra, a qualquer título. Também é possível defender que mera transação de mercadorias acobertada por nota fiscal não caracteriza venda de fundo de comércio ou estabelecimento. As investigações fiscais, porém, reuniram robusto conjunto de evidências no sentido da substituição da autuada pela responsável em todos os seus estabelecimentos, do deslocamento dos empregados de uma para outra, e também laboraram na demonstração da causa destas operações: o bloqueio das inscrições estaduais da autuada e o acúmulo de débitos fiscais no patrimônio desta. Os elementos reunidos nos autos não deixam dúvida acerca da vinculação entre as pessoas jurídicas, na medida em que os estoques, os empregados e os nomes de fantasia da autuada passaram a integrar as atividades da responsável. Destaquese, ainda, a identidade entre os sócios das duas pessoas jurídicas, uma vez demonstrado o esquema de blindagem patrimonial que pretendeu afastar esta evidência. E nestas condições, embora seja possível uma equiparação com a situação descrita no art. 133 do CTN, como pretendeu a Fiscalização, as limitações ali contidas, no sentido de excluir a responsabilização por penalidades, ou chamar apenas subsidiariamente o adquirente para arcar com os tributos não pagos pelo alienante, restam inaplicáveis, dado alienante e adquirente se confundirem por pertencerem aos mesmos sócios, e não estar demarcado o momento em que houve a transposição do negócio e cessou, efetivamente, a exploração da atividade por parte da autuada. Em verdade, sucessora e sucedida, neste caso, são a mesma empresa, embora formalizada sob pessoas jurídicas diferentes. Em tais condições, a responsabilização pelo crédito tributário não resulta de uma ampliação das hipóteses legais, mas sim da impossibilidade de enquadrar a situação fática em uma delas, em razão das práticas escusas promovidas pelo grupo empresarial. Em condições semelhantes, aliás, o Superior Tribunal de Justiça admite a responsabilização porque caracterizado grupo econômico. Neste sentido é a ementa contida no julgamento do REsp nº 1.071.643/DF: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 2º DA CLT. SÚMULA 07/STJ. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. SOCIEDADE PERTENCENTE AO MESMO GRUPO DA EXECUTADA. POSSIBILIDADE. DESNECESSIDADE DE AÇÃO PRÓPRIA. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. Não se conhece de recurso especial, por pretensa ofensa ao art. 535 do CPC, quando a alegação é genérica, incidindo, no particular, a Súmula 284/STF. 2. Quanto ao art. 2º da CLT, a insurgência esbarra no óbice contido na Súmula n. 07/STJ, porquanto, à luz dos documentos carreados aos autos, que apontaram as Fl. 3904DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 64 63 relações comerciais efetuadas pela executada e pela recorrente, o Tribunal a quo chegou à conclusão de que se tratava do mesmo grupo de empresas. 3. A indigitada ofensa ao art. 265 do Código Civil não pode ser conhecida, uma vez que tal dispositivo, a despeito de terem sido opostos embargos declaratórios, não foi objeto de prequestionamento nas instâncias de origem, circunstância que faz incidir a Súmula n. 211/STJ. 4. Quanto à tese de inexistência de abuso de personalidade e confusão patrimonial, a pretensão esbarra, uma vez mais, no enunciado sumular n. 07 desta Corte. À luz das provas produzidas e exaustivamente apreciadas na instância a quo, chegou o acórdão recorrido à conclusão de que houve confusão patrimonial. 5. Esta Corte se manifestou em diversas ocasiões no sentido de ser possível atingir, com a desconsideração da personalidade jurídica, empresa pertencente ao mesmo grupo econômico, quando evidente que a estrutura deste é meramente formal. 6. Por outro lado, esta Corte também sedimentou entendimento no sentido de ser possível a desconstituição da personalidade jurídica no bojo do processo de execução ou falimentar, independentemente de ação própria, o que afasta a alegação de que o recorrente é terceiro e não pode ser atingido pela execução, inexistindo vulneração ao art. 472, do CPC. (negrejouse) Por estas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Informática Nacional S/A. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário de Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda; DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício; DAR PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos por Marcos Aurélio de Guilherme Silva, Mara Lúcia Tavares Barbosa Silva e Quatre Empreendimentos e Participações Ltda; e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Informática Nacional S/A. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3905DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.722849/201141 Acórdão n.º 1101000.916 S1C1T1 Fl. 65 64 Fl. 3906DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 23034.034323/2004-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - SALÁRIO EDUCAÇÃO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO - Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72.
Somente serão apreciados em sede recurso, as matérias suscitadas na impugnação bem como os documentos à ela anexados, salvo a hipótese de documentos novos ou de que a recorrente não tinha conhecimento de sua existência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.102
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - SALÁRIO EDUCAÇÃO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO - Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Somente serão apreciados em sede recurso, as matérias suscitadas na impugnação bem como os documentos à ela anexados, salvo a hipótese de documentos novos ou de que a recorrente não tinha conhecimento de sua existência. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 373 1 372 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.034323/200447 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.102 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO Recorrente BANCO ITAÚ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SALÁRIO EDUCAÇÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Somente serão apreciados em sede recurso, as matérias suscitadas na impugnação bem como os documentos à ela anexados, salvo a hipótese de documentos novos ou de que a recorrente não tinha conhecimento de sua existência. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 43 23 /2 00 4- 47 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Notificação par Recolhimento de Débito, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado em face do não recolhimento das contribuições sociais devidas à título de salário educação e destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE. A notificação de fls. 276 foi entregue a empresa em 20 de dezembro de 2004, conforme AR de fls. 277 e, em virtude do não pagamento do débito e da não apresentação de defesa, o Presidente do FNDE declarou a revelia do contribuinte, decidindo pela procedência da notificação, conforme cópia anexa da Informação n.° 697/2006. Inconformada a empresa apresentou recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, onde alegou em síntese: Que o Banco Itaú S.A. recolheu as verbas devidas a título de Salário Educação nos moldes da legislação vigente, de modo que nada mais é devido a qualquer título. Argumenta que a empresa recebeu inúmeras Notificações para Recolhimento de Débito, que entende descabidas, cujos prazos para respectivas análises e conferências foram por demais exíguos. Requereu então o acolhimento do recurso para que fosse absolvido de qualquer multa ou penalidade, com a declaração de insubsistência da NRD ou, alternativamente que fosse concedido novo prazo para a apresentação de documentos. Em virtude da Transferência de processo administrativofiscal sobre Salário Educação, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, os autos foram encaminhados para julgamento por este conselho. Antes do presente julgamento a recorrente atravessou petição anexando diversos documentos que diz comprovarem os recolhimentos cobrados na nesta notificação. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.034323/200447 Acórdão n.º 2403002.102 S2C4T3 Fl. 374 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem os argumentos contidos no recurso e a documentação recentemente anexada aos autos, estes não serão apreciados por este colegiado tendo em vista estarem atingidos pela preclusão, já que não ofertados em sede de impugnação. Este é o entendimento contido no artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso “V”, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ PORTARIA Nº 520 Art. 9º. A impugnação mencionará: [...] § 6º. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.” “PORTARIA MPS Nº 88 – Regimento Interno CRPS Art. 54. As decisões proferidas pelas Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos poderão ser: [...] § 5º. Constituem razões de não conhecimento do recurso: [...] V – a preclusão processual;” Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Esta também é a posição majoritária da jurisprudência administrativa, conforme os julgados com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATISVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidandose a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mêscalendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.”(Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Nesse sentido, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a matéria não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Com relação aos comprovantes anexados, se estes realmente comprovarem a adimplência da empresa com relação aos valores ora cobrados, certamente haverão de ser levados em consideração quando da liquidação do débito pela RFB. Ademais, não se tratam de documentos novos ou que a empresa não tinha conhecimento de sua existência quando da notificação. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.034323/200447 Acórdão n.º 2403002.102 S2C4T3 Fl. 375 5 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13851.902206/2009-43
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HOMOLOGAÇÃO.
A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.
COMPENSAÇÃO. PRAZO. HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1803-001.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. COMPENSAÇÃO. PRAZO. HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 06 /2 00 9- 43 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13851.902206/200943 Acórdão n.º 1803001.875 S1TE03 Fl. 44 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13851.902206/200943 Acórdão n.º 1803001.875 S1TE03 Fl. 45 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 25): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (PIS/PASEP e Cofins) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fls. 06/08, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl.09, na qual alega, em síntese, que: a) a empresa, optante pelo lucro presumido no ano de 2000, efetuou o recolhimento do IRPJ, código de receita: 2089, período de apuração 30/06/2000, no valor de R$ 514,09, correspondente a 32% da receita bruta, quando deveria ter recolhido somente 16%, equivalente a R$ 263,11; b) a empresa promoveu este PER/Dcomp com base na Solução de Divergência nº 14, de 07/08/2003; c) esclarece ainda que, após o recebimento do despacho decisório, constatou a falta da retificação da DCTF deste período, acreditando ser este o motivo principal da cobrança; d) anexa cópia da Solução de Divergência, além de páginas da DIPJ/2001, nas quais constam a retificação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 24): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2000 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO NA ÁREA DE CURSO DE IDIOMA. PERCENTUAL. A redução do percentual de 32% para 16% incidente sobre a receita bruta para cálculo do imposto de renda pelo lucro presumido somente poderá ser aplicável se a Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13851.902206/200943 Acórdão n.º 1803001.875 S1TE03 Fl. 46 4 receita bruta anual da Pessoa Jurídica for inferior a R$ 120.000,00 e, ainda assim, se a mesma não efetuar qualquer tipo de venda de mercadorias e produtos, vez que o percentual favorecido somente poderá ser utilizado no caso de a pessoa jurídica realizar exclusivamente atividade de prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 30/08/2010 (fls. 36), a tempo, em 27/09/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 37 a 41, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13851.902206/200943 Acórdão n.º 1803001.875 S1TE03 Fl. 47 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Dispõe o art. 74, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 5. No presente caso, temos que a entrega do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) se deu em 11/05/2004 e a emissão do correspondente despacho decisório de não homologação ocorreu apenas em 25/05/2009, como segue (fls. 6): Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13851.902206/200943 Acórdão n.º 1803001.875 S1TE03 Fl. 48 6 6. Dessa forma, está tacitamente homologada a compensação, objeto destes autos, e, consequentemente, extinto o crédito tributário correspondente. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para reconhecer a homologação tácita da compensação, objeto destes autos, e a consequente extinção do crédito tributário correspondente. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 35311.000262/2003-04
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1994 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Nos casos de tributos sujeitos o lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF.
BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS ATENDIDAS.
Em consonância com os parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Caracterização da hipótese legal quando a fiscalização constata que o pagamento a vários prestadores de serviço não foram contabilizados. Corrobora o permissivo para aferição indireta o fato de a empresa ter deixado de fornecer documentos que demonstrem o risco ocupacional.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado o art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 21/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Vice-Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1994 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos o lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS ATENDIDAS. Em consonância com os parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Caracterização da hipótese legal quando a fiscalização constata que o pagamento a vários prestadores de serviço não foram contabilizados. Corrobora o permissivo para aferição indireta o fato de a empresa ter deixado de fornecer documentos que demonstrem o risco ocupacional. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos o lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS ATENDIDAS. Em consonância com os parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Caracterização da hipótese legal quando a fiscalização constata que o pagamento a vários prestadores de serviço não foram contabilizados. Corrobora o permissivo para aferição indireta o fato de a empresa ter deixado de fornecer documentos que demonstrem o risco ocupacional. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 31 1. 00 02 62 /2 00 3- 04 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado o art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 21/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (VicePresidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO. Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social, contra a Associação Fluminense de Educação AFE, por intermédio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD). No lançamento acima referido, verificouse a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinouse a base de cálculo tributável e calculouse o montante do tributo devido em R$ 3.186,02 ( três mil, cento e oitenta e seis Reais e dois centavos), consolidado em 06/02/2003. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 75/81, o débito consolidado se refere às contribuições da parte dos segurados devidas em virtude das contribuições previdenciárias apuradas nas ações trabalhistas verificadas decorrentes de pagamentos de valores correspondentes às parcelas integrantes do saláriodecontribuição, à vista ou parcelado, resultante de sentença condenatória ou de conciliação homologada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 20 3 Segundo o Relatório Fiscal, os valores que serviram de base para a constituição do presente crédito previdenciário foram extraídos dos acordos trabalhistas apresentados pela empresa sendo que todos os processos trabalhistas que serviram de objeto para a constituição deste crédito estão relacionados no anexo de fls. 82 dos autos. Informa também a Fiscalização que foram emitidos subsídios fiscais às Gerências Executivas circunscricionantes de cada prestador de serviços a fim de se verificarem as informações colhidas naqueles documentos e informar sobre a constituição do crédito no tomador de serviços, por responsabilidade solidária. Verificou ainda, que a contabilidade da empresa não foi considerada como elemento de prova em favor do contribuinte, pelos motivos apresentados no Anexo I – Relatório "Desconsideração da Contabilidade da Empresa como prova a favor do contribuinte". Instada a se manifestar, a entidade, tempestivamente, insurgiuse contra a notificação em tela apresentando, em síntese, sob os seguintes argumentos: (i) afirma que os coresponsáveis pela obrigação tributária, são parte legítima para configurarem no contencioso administrativo fiscal; (ii) aduz que o presente lançamento foi procedido por arbitramento, adotando o mecanismo da aferição indireta, o que não é cabível no caso em tela posto não existirem motivos para a desconsideração da contabilidade; (iii) afirma que o argumento utilizado pelo auditor fiscal para corroborar sua conclusão de desconsideração da contabilidade, diz respeito a suposta existência de duas folhas de pagamento em diversas competências, no período de janeiro/93 a julho/94 e que a fiscalização admite a existência de uma folha considerada "correta" que foi contabilizada, logo, teria admitido de forma explícita, que os salários foram devidamente contabilizados e que não existia outra folha contabilizada, ou seja, que inexistia duplicidade de lançamento contábil da folha de pagamento. Aduz, ainda, que não ocorreu violação ao princípio da competência, pois este fica caracterizado pelos recibos de pagamento reconhecidos contabilmente. Alega que a fiscalização buscou desqualificar a contabilidade da empresa, privilegiando a forma em detrimento da essência, contrariando a Resolução nº 750/93. Afirma que as irregularidades apontadas no processo não servem de base à aferição indireta vez que são pontuais e limitadas a um intervalo mínimo de tempo. Não sendo cabível o arbitramento, não é possível a mensuração do tributo devido pela aferição indireta; logo, o lançamento é nulo, pois se baseia em critérios inexistentes e fere o disposto no art. 37 da Lei nº 8212/91, apresentando fato gerador que nem é claro e nem preciso. Requereu como meio de prova a realização de perícia. No mérito, quanto à incidência de contribuições sociais sobre o valor total apurado em liquidação da sentença, ou sobre o valor total do acordo homologado, cujos acordos ou sentenças não discriminam de forma clara as verbas indenizatórias ou salariais, não obstante a legislação previdenciária ( art. 43 da Lei 8.212 de 1991 ) autorize essa modalidade de tributação, cabe ressaltar que à impugnante é assegurada a constituição de prova realização de perícia requisito este que uma vez invocado pela parte constitui elemento de validação do devido processo legal . Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Mesmo que não esteja claramente discriminado nas sentenças ou acordos trabalhistas as parcelas legais relativas às contribuições previdenciárias, por intermédio da realização de perícia dos documentos fiscais da impugnante, podese alcançar valores menos gravosos à empresa. A incidência das contribuições previdenciárias sobre o valor total dessas reclamatórias trabalhistas constitui verdadeira ilegalidade ao contribuinte, equivale dizer que a autoridade fiscal se utiliza do arbitramento para fins de tributação, verdadeiro confisco e em desrespeito da capacidade contributiva do sujeito passivo tributário. Essa prática é verdadeira afronta ao Sistema Tributário Nacional pois fere a capacidade contributiva do contribuinte, possui efeito manifestamente confiscatório e sobrepõe o princípio da legalidade estrita. Conforme preceitua o Código Tributário Nacional, art. 142, à autoridade administrativa compete privativamente constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, se for o caso, propor a aplicação da penalidade cabível, transcrevendo em seguir os art. 195 e 148 do CTN. Conclui que a realização de perícia está perfeitamente prevista na norma tributária como mecanismo de desconstituição do lançamento por meio de arbitragem e transcreve o art. 44 da Lei 8.212/91. Entende que a alegação do AFPS de incidência sobre o valor total pago nas reclamatórias trabalhistas por não haver distinção entre verbas salariais e indenizatórias não pode prosperar pois, nos termos da norma específica (art. 44 da Lei 8.212/91 ) e da norma tributária ( art. 198, parágrafo único do CTN ) compete ao órgão tributante buscar as informações necessárias para o regular desempenho de sua atividade fiscalizadora de cobrança, não podendo a impugnante incorrer em prejuízos por motivos alheios à sua competência. Requer que o levantamento de débito em nome da impugnante fundada na referida NFLD seja imediatamente reparado através da realização de perícia nos termos do art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972. Alega que não assiste razão à fiscalização sobre a diferença de contribuição de segurados calculada pela alíquota mínima sobre o total do salário de contribuição do acordo, nos casos em que a empresa limitou a contribuição do segurado ao desconto máximo, como se o valor pago se restringisse unicamente a uma competência. Cita que a Lei 8.212/91 ao tratar de incidência de contribuições sociais sobre os valores oriundos de reclamatórias trabalhistas não especifica que a mesma deva ser realizada mês a mês, o que nada impede ao contribuinte limitar a contribuição do segurado ao desconto máximo pelo valor condenado a pagar, considerando em uma única competência e transcreve o art. 43 da citada Lei. Como se sabe, o entendimento de que a contribuição do empregado no caso de ações trabalhistas será calculada, mês a mês, observado o limite máximo do saláriode contribuição, só foi estabelecido pelo Decreto nº 3.048/99 e transcreve caput do art. 276 e seu respectivo § 4º. As regulamentações que antecedem ao período de maio de 1999 nada previam que as contribuições da parte do empregado, oriundas de reclamatórias trabalhistas, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 21 5 deveriam ser calculadas mês a mês, e não calculálas em uma única competência e transcreve os art. 68 e 69 do decreto 612/92. Conclui que é indevido o lançamento efetuado mediante esta NFLD em nome do impugnante, tendo em vista que a mesma efetuou os recolhimentos em consonância com a regulamentação vigente ao fato gerador do tributo, verdadeira afronta ao princípio da legalidade estrita que compõe o Sistema Tributário Nacional. Por fim, reitera a solicitação de perícia, formula quesitos e indica perito assistente, solicita a nulidade do crédito por ter se baseado em ilegal aferição indireta, em face da desconsideração da escrita contábil da impugnante e a insubsistência da NFLD m face da argumentação de mérito. Por fim, requereu a declaração da nulidade da NFLD lavrada. Cabe informar que o Relatório "Desconsideração da Contabilidade da Empresa como prova a favor do Contribuinte" foi anexado a todas as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito lavradas contra a Empresa, de forma que parte das informações ali constantes não têm relação com o presente lançamento. A mesma ressalva pode ser feita em relação à Defesa da Empresa, vez que foi efetuada uma impugnação única, para todos os lançamentos de débito, apresentando argumentos não relacionados a esta NFLD, e que, portanto, são incapazes de ocasionar a nulidade ou improcedência do lançamento. Em 11 de dezembro de 2003, por meio de DecisãoNotificação n. 17.422.4/0118/2004 [fls. 177191], a então Gerência Executiva julgou procedente o lançamento realizado e refutou, na oportunidade, os argumentos colacionados na peça de impugnação: (i) que não houve desconsideração dos registros contábeis no levantamento em análise, já que os valores que serviram de base para o presente lançamento foram extraídos dos lançamentos contábeis localizados nos Livros Diários, bem como pela análise de notas fiscais, faturas e recibos emitidos pelas empresas prestadoras de serviços, não serão analisadas as alegações da empresa referentes à desconsideração da contabilidade da mesma; (ii) na presente ação fiscal, a aferição indireta foi utilizada apenas quando a fiscalização se encontrou sem outros meios para calcular o valor do tributo devido em outras notificações aplicadas ao mesmo contribuinte; (iii) o presente levantamento não foi efetuado por meio de aferição indireta, não tendo sido analisadas as alegações da empresa referentes ao uso da mesma nesta Notificação Fiscal; (iv) não têm relevância para o deslinde do presente processo os argumentos referentes à ausência de contrato escrito com o Sr. André Schechter, aos professores contratados para realizar atividades de consultoria, ao pagamento de descanso semanal remunerado; ao contrato de trabalho da professora Mara Lúcia Dias Pará e a cerceamento de defesa por não terem sido individualizados os valores levantados entre autônomos e segurados empregados; (v) não procedem as alegações de que “compete ao órgão tributante buscar as informações necessárias para o regular desempenho de sua atividade fiscalizadora de cobrança, não podendo incorrer em prejuízos por motivos alheios à sua competência”. Inconformados com o decisum singular, os tidos coresponsáveis interpuseram recurso voluntário [fls. 196247], tempestivamente e sob os mesmos argumentos da peça impugnatória. Por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 2005.51.10.0009951, em tramitação na 2ª Vara Federal de São João de Meriti/RJ, foi dispensado aos Recorrentes a exigência de depósito de 30%. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Em 10 de outubro de 2007, a então 5ª Câmara do Segundo Conselho resolveu converteu o julgamento em diligência para que o Órgão de Fiscalização prestasse os seguintes esclarecimentos [fls. 366/370]: Ora, a inversão do onus probandi em desfavor do sujeito passivo é consequência muito relevante e, geralmente; tornase um fardo insuportável ao contribuinte para a plena defesa de seus interesses e direitos, findo de morte seu direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, entendo que restam alguns esclarecimentos a serem prestados pelo órgão de Fiscalização, quais sejam: (i) apresentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de planilha indicando de forma pormenorizada os tidos vícios na contabilidade da AFE e em quais competências foram constatadas; (ii) Do resultado deverão ser intimados a Notificada e Interessados para, se quiserem, manifestarse, no prazo de 10 [dez] dias, em atendimento ao disposto no art. 308, do Decreto n° 3.048/99. Portanto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Instada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ apresentou Informação Fiscal [fls. 1539/1544] que, em síntese, manifestou: Em atendimento a Resolução n° 20500.010, de 10.10.2007, da 5ª Câmara de Julgamento do Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 366 a 370, passamos aos esclarecimentos solicitados à folha 370, itens (i) a (iv), a saber: (i) Anexamos Planilha Demonstrativa dos Tidos Vícios na Contabilidade da AFE, de fls. 1542 a 1544, com indicativo por competência. A Planilha segue acompanhada de documentação comprobatória, de fls. 389 a 1460, referente a cópias de: folhas de Livros Diários, de Livros Razão, documentos anexos a Livros contábeis, Notas Fiscais, Plano Geral de Contas, Fichas de Registro de Empregados, Recibos de Pagamentos a Autônomo e outros documentos, agrupados por classificação de vícios contábeis aos anexos CBL I ao CBL XV (anexos citados na última coluna da Planilha formulada). Tal documentação comprobatória foi levantada pelo próprio AFRFB notificante no desenvolvimento da Ação Fiscal que deu origem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em referência, porém, não apensada a totalidade das NFLD's lavradas, inclusive não apensada a presente NFLD, de conformidade com as informações de fl. 83. Considerando a ilegibilidade de parte desta documentação comprobatória, resgatamos junto aos sistemas contábeis da Empresa uma segunda via legível dos mesmos, que também foram anexadas ao processo, seguindose às respectivas primeiras vias (cópias originárias). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 22 7 A Planilha Demonstrativa anexada atende ao nível de pormenorização requerida, quando apreciada em conjunto com o Relatório Anexo I Motivações da Desconsideração da Contabilidade, de fls. 83 a 95, contendo a descrição detalhada do vício contábil, bem como, com a documentação comprobatória dos anexos CBL I ao CBL XV, ora acostada. [...] (iii) Assim, diante da realidade documental possível passamos a responder os questionamentos elencados às fls. 245/246, a saber: Item 1: Da análise da contabilidade da impugnante, e ainda que sem a documentação relacionada às reclamatórias trabalhistas (acordos ou sentenças), podemos concluir que a empresa, ao efetuar os registros contábeis relacionados com o pagamento de reclamatórias trabalhistas, não dá tratamento distintivo aos valores lançados, quer sejam de natureza salarial ou indenizatória, uma vez que todos os lançamentos são registrados em uma única conta, n. 4.01.01.01.050 02908 – INDENIZAÇÃO TRABALHISTA. (cópia da documentação contábil anexada as fls. 1489 a 1538); Item 2: O questionamento viuse prejudicado, uma vez que a Empresa não nos apresentou os processos trabalhistas (acordos ou sentenças) e, ainda, porque a contabilidade não faz qualquer diferenciação entre as rubricas salariais e as rubricas indenizatórias; [...] Cientificado da Informação Fiscal, o Sujeito Passivo apresentou manifestação [fls. 1557 e ss] que, em resumo: ratificou os argumentos dispostos no recurso voluntário; decadência do art. 24, da Lei n. 11.457/2007; decadência do art. 150, §4º, do CTN; da competência da Justiça do Trabalho para o presente lançamento; requer o provimento do recurso, pelo reconhecimento da nulidade da NFLD em epígrafe, pela indevida realização do lançamento com base em aferição indireta, com a ilegal desconsideração da escrita contábil; realizada de forma genérica e descuidada, como ficou evidente na informação fiscal, que reportase a fatos decaídos e/ou sem correlação temporal com presente processo, o que apontam para urgente nulidade do feito; Caso não sejam consideradas a preliminares supra, antes de decidir o mérito, essa Corte deve sanear o processo para desconsiderar os fatos, inclusive apontados na informação fiscal, que não possuem correlação temporal com o presente processo, ou já decaíram e/ou já foram objeto de julgados em outras NFLD'S, tudo como apontado nas razões precedentes e ao final, no mérito, a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator. A peça recursal é tempestiva. Dessa forma, satisfeitas as exigências legais, passo ao exame das questões preliminares. PRELIMINARES 1.1Decadência – art. 24, Lei n. 11.457/2007 A Recorrente suscita que, em respeito ao art. 24, da Lei acima numerada, deve ser a pretensão creditícia da Fazenda Nacional ser fulminada pela decadência: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Não obstante a alegação realizada, entendo que por força do veto dos §§1º e 2º, a “obrigatoriedade” prevista no caput do artigo não tem o condão de decretar a nulidade da pretensão e do processo administrativo fiscal. Para ratificar este entendimento, colaciono ao presente as razões para o veto: Os Ministérios da Fazenda e da Justiça propuseram, ainda, veto ao seguinte dispositivo: §§ 1o e 2o do art. 24 “Art. 24. […] § 1o O prazo do caput deste artigo poderá ser prorrogado uma única vez, desde que motivadamente, pelo prazo máximo de 180 (cento oitenta) dias, por despacho fundamentado no qual seja, pormenorizadamente, analisada a situação específica do contribuinte e, motivadamente, § 2o Haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 (cento e vinte) dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte.” Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 23 9 Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das conseqüências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Destarte, não reconheço a decadência suscitada. 1.2Decadência: art. 150, §4º, do CTN Referese a presente notificação a contribuições da parte dos segurados devidas em virtude das contribuições previdenciárias apuradas nas ações trabalhistas verificadas decorrentes de pagamentos de valores correspondentes às parcelas integrantes do saláriodecontribuição, à vista ou parcelado, resultante de sentença condenatória ou de conciliação homologada, cujos fatos geradores ocorreram em 04/94 a 12/98. A ciência ocorreu em 14/03/2003 [fl. 99]. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 11DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 24 11 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [g. n.] No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art. 173, I do CTN quando do cálculo do Fl. 12DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Segundo consta dos autos, tratamse de diferença de contribuição previdenciária. Nesse sentido, aplico, ao caso, o prazo disposto no §4º, do art. 150, do CTN, considerando fulminadas pela decadência as competências anteriores a 02/1998, tendo em vista que a cientificação ocorreu em 14/03/2003 [fl. 99]. 2MÉRITO A recorrente reclama que o lançamento foi lavrado com base em aferição indireta, porém não teria sido demonstrado que havia motivos para utilização desta sistemática excepcional para apuração da base de cálculo das contribuições, conforme os requisitos legais do §6º do art. 33 da Lei 8.212/91 que assim preceitua: “§ 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” A questão central, portanto, reside no fato de ter havido ou não adequado enquadramento do caso dentro do permissivo legal que trata da aferição indireta, pois é fora de dúvidas que se trata de sistemática excepcional que só pode ser utilizada se configurados os requisitos legais para tanto. Tanto é verdade tal afirmação que, em 10/10/2007, foi comandada pela a então 5ª Câmara do Segundo Conselho diligência para que o Órgão de Fiscalização prestasse os seguintes esclarecimentos apresentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de planilha indicando de forma pormenorizada os tidos vícios na contabilidade da AFE e em quais competências foram constatadas. A Informação Fiscal apresentada as fls. 1539/1544, separou por competência e vícios na contabilidade. Esse documento consubstanciou as evidências apontadas no Relatório Fiscal e no decisum recorrido, que por terem sido consignadas no relatório do presente voto e serem de conhecimento do Sujeito Passivo, dispenso nova colação neste. Intimado da Informação Fiscal referida, o Sujeito Passivo apresentou manifestação que, em resumo, rebate cada “linha” apontada como vício pela contabilidade. Realizandose o cotejo entre os argumentos (fisco e contribuinte), entendo que em uma “linha” [8ª (“mudança de tratamento nos serviços prestados por autônomos: aulas ministradas passaram a ser descritas como ‘consultoras’)], o Sujeito Passivo não conseguiu afastar o vício em sua contabilidade. Além disso, consta da Informação Fiscal [fls. 1539/1544] que: (iii) Assim, diante da realidade documental possível passamos a responder os questionamentos elencados às fls. 245/246, a saber: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 25 13 Item 1: Da análise da contabilidade da impugnante, e ainda que sem a documentação relacionada às reclamatórias trabalhistas (acordos ou sentenças), podemos concluir que a empresa, ao efetuar os registros contábeis relacionados com o pagamento de reclamatórias trabalhistas, não dá tratamento distintivo aos valores lançados, quer sejam de natureza salarial ou indenizatória, uma vez que todos os lançamentos são registrados em uma única conta, n. 4.01.01.01.050 02908 – INDENIZAÇÃO TRABALHISTA. (cópia da documentação contábil anexada as fls. 1489 a 1538); Item 2: O questionamento viuse prejudicado, uma vez que a Empresa não nos apresentou os processos trabalhistas (acordos ou sentenças) e, ainda, porque a contabilidade não faz qualquer diferenciação entre as rubricas salariais e as rubricas indenizatórias; [...] É cediço que o arbitramento deve ter a sua utilização reservada somente para os casos excepcionais, após ficar demonstrada a impossibilidade de se obter as informações de forma convencional, ou seja, com base nos registros oferecidos pelo contribuinte ou constantes em sua contabilidade. Os fatos conforme narrados apontam exatamente no sentido da ocorrência real das situações excepcionais apontadas pelo contribuinte como autorizadoras da condução do levantamento da base de cálculo por arbitramento. No plano infraconstitucional, a matéria relativa à apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual dispõe em seu art. 33 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o Fl. 14DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Esmiuçando a matéria em realce, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, inserida no conceito de “Legislação Tributária” adotado pelo codex, conferiu o detalhamento dos procedimentos fiscais a serem conduzidos pela fiscalização, assim dispondo em seu art. 487, verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 486. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, deverá ser auditada com base na escrituração contábil, observado o disposto nos arts. 433 e 435, e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Parágrafo único. Os livros Diário e Razão, com os lançamentos relativos à obra, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Art. 487. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I – quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil; II – quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado no § 6º do art. 65; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV – quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse do INSS; (grifos nossos) V – quando os documentos ou informações de interesse do INSS forem apresentados de forma deficiente. (grifos nossos) Fl. 15DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 26 15 §1º Nas situações previstas no caput , a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 441, 619 e 623, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; II– pela aferição do valor da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; (grifos nossos) III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. §2° Na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada total ou parcial, até janeiro de 1999, aplicarseá a responsabilidade solidária, na forma da Seção III do Capítulo X do Título II, em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. §3° Na contratação de empreitada total a partir de fevereiro de 1999, não tendo o contratante usado da faculdade da retenção prevista no art. 200, aplicarseá a responsabilidade solidária em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. A conduta infracional perpetrada pelo Recorrente culminou por frustrar os objetivos da lei e, como consequência, prejudicou a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce. Para não permitir que tórpidos venham a se valer da própria torpeza, mediante a intercalação artificial de embaraços e percalços no curso regular dos procedimentos fiscais, a lei, de forma expressa, promoveu a inversão do ônus probante nas situações em que o iter procedimental da fiscalização tenha que ser desviado por culpa ou dolo do sujeito passivo. É exatamente o que ocorre no caso da apuração da base de cálculo de contribuições previdenciárias, nas hipóteses em que o agente do fisco tenha que se valer do expediente da aferição indireta para apurar a matéria tributável, em razão de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou de sua apresentação deficiente; de falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, ou, ainda, nos casos em que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, dentre outras. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 16DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Dessa forma, o fisco procedeu à confecção dos cálculos com base em valores aferidos indiretamente, os quais resultaram em um débito para o contribuinte, como restou demonstrado nos autos. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 27 17 O procedimento indireto adotado encontra respaldo na Legislação Previdenciária, conforme se depreende da combinação do disposto na Lei n.º 8.212/91; com o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo de sua contabilidade regular, deverá ser aferida, de forma indireta, a mãodeobra mínima a ser considerada na execução dos serviços para o cálculo da contribuição a ser recolhida. Os parágrafos, do artigo 33 da Lei de Organização da Seguridade Social, trazem em seu texto: “Art. 33 (...). § 1 É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2 A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4 Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Fl. 18DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 Nesse sentido, artigos 232 a 234 do Regulamento da Previdência Social, dispõem: “Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ... Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Dessa forma, não tendo a empresa colacionado aos autos a documentação comprobatória de sua regularidade contábil e dos termos alegados, e tendo sido configurado que a mesma, na verdade está em débito para com o fisco, uma vez que não recolheu o valor devido, mantenho a decisão recorrida, no sentido de indeferir o pedido do contribuinte. TAXA DE JUROS E MULTA A recorrente alega, por fim, que “o valor cobrado não poderia sofrer acréscimos moratórios pela variação da taxa selic, procedimento flagrantemente inconstitucional”. Sem razão a empresa. A legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia e à multa de mora, nos termos dos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91. A propósito da incidência da SELIC, convém mencionar que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Nesse contexto, correta a aplicação da taxa de juros e multa, com fulcro na legislação previdenciária acima destacada. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35311.000262/200304 Acórdão n.º 2302002.296 S2C3T2 Fl. 28 19 CONCLUSÃO Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, considerando fulminadas pela decadência as competências anteriores a 02/1998, tendo em vista que a cientificação ocorreu em 14/03/2003 [fl. 99]. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Conselheiro Fl. 20DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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