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Numero do processo: 10166.727505/2011-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JURISPRUDÊNCIA DO CARF.
A jurisprudência deste Conselho é uníssona no sentido de afastar a contribuição previdenciária incidente sobre adicional/terço de férias, em virtude de seu patente caráter indenizatório, razão pela qual não deve prosperar lançamentos realizados sob esta rubrica.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PRESSUPOSTOS.
Apenas existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar o crédito tributário contido no levantamento "OF1 - OUTROS ADICIONAIS DE FÉRIAS", (ii) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para excluir do pólo passivo da autuação as pessoas arroladas como solidárias por ausência de demonstração de prática comum do fato gerador e ausência dos requisitos legais para tanto. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, e Daniele Souto Rodrigues. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (iii)- Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JURISPRUDÊNCIA DO CARF. A jurisprudência deste Conselho é uníssona no sentido de afastar a contribuição previdenciária incidente sobre adicional/terço de férias, em virtude de seu patente caráter indenizatório, razão pela qual não deve prosperar lançamentos realizados sob esta rubrica. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PRESSUPOSTOS. Apenas existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 05 /2 01 1- 47 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar o crédito tributário contido no levantamento "OF1 OUTROS ADICIONAIS DE FÉRIAS", (ii) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para excluir do pólo passivo da autuação as pessoas arroladas como solidárias por ausência de demonstração de prática comum do fato gerador e ausência dos requisitos legais para tanto. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, e Daniele Souto Rodrigues. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (iii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10166.727505/201147 Acórdão n.º 2403002.691 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou procedente em parte a impugnação ofertada em face do lançamento consubstanciado nos DEBCAD’s nº 37.344.1703 e nº 37.344.1711, almejando o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas a cota patronal e a dos segurados, respectivamente. A autoridade fiscal, quando do lançamento, procedeu à imputação de responsabilidade tributária, reconhecendo um grupo econômico de fato em relação à Recorrente com mais nove empresas, todas com o nome fantasia BIG BOX SUPERMERCADOS. Em suas razões para assim proceder, alega que, além do uso do mesmo nome fantasia, foi verificado que sete empresas tiveram sua natureza jurídica alterada, de sociedade empresária limitada para sociedade anônima de capital fechado, no mês de março de 2008. Prossegue com a informação de que a participação ostensiva dos sócios Maria Habka e Jorge Helou Filho constava na estrutura de todas as sociedades listadas que continuaram na gestão dos negócios através de procuração com amplos poderes, passadas pelos administradores com poderes delegados pela Assembléia Geral Extraordinária. Quanto à constituição do crédito, a autoridade fiscal relata que não houve a declaração em GFIP, tampouco incidência de contribuições sociais sobre as rubricas pagas em folha de pagamento: a) 855 – Premiação; b) 163 – Dissídio Retroativo; c) 025 – Outros Adicionais de Férias, assim como: d) Alimentação fornecida in natura; e) Vale Transporte pago em pecúnia. Também destaca que foram identificados em folha de pagamento remunerações pagas a segurados empregado e prólabore pago a contribuintes individuais que não foram declarados em GFIP. Alimentação Afirma o auditor fiscal que a alimentação é preparada pela equipe de cozinheiros do próprio contribuinte, com os alimentos que são por ele vendidos e servida nos refeitórios de cada loja, ocorrendo a sua autuação em virtude da não apresentação do comprovante de adesão ao PAT. Premiação Realizou a tributação dos valores pagos sob a rubrica premiação, elaborando, para tanto, o anexo VI, fls. 247/324. Dissídio Retroativo Constatouse que o pagamento dessa rubrica está previsto na convenção coletiva de trabalho da categoria, que determinou reajuste de 8,2% a partir de 01 de novembro de 2008, podendo ser pago na folha de pagamento do mês de dezembro de 2008. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 Outros adicionais de férias Segundo o auditor, sua tributação decorreria da própria definição legal de saláriodecontribuição, prevista no artigo 28 da Lei nº 8.212/91, discriminando por trabalhador no Anexo VI. Vale Transporte O auditor constatou que na convenção coletiva de trabalho apresentada, consta dispositivo que faculta aos empregadores o pagamento em dinheiro do vale, até o quinto dia útil de cada mês ou na folha de pagamento, tendo sido assim procedido. Prólabore Na fl. 42, consta a informação de que, analisando a folha de pagamento entregue pelo contribuinte em meio digital e as informações declaradas em GFIP, a auditoria fiscal pode identificar pagamentos ao Sr. MARIO HABKA realizados sob a rubrica 078 – Pró labore, que não foram declarados nos meses de janeiro e fevereiro de 2008. Da mesma forma ocorreu em relação a pagamentos efetuados à Sra. MARIA CRISTINA DE CASTRO HABKA, no período de janeiro a novembro de 2008. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, o contribuinte apresentou defesa por meio de instrumento de fls. 397/417. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, DRJ/DF, prolatou o Acórdão nº 03 50.068, fls. 438/453, na qual julgou pela procedência em parte da impugnação ofertada, mantendo parcialemente o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AIOA DEBCAD N. 37.344.1703 (PATRONAL) AIOP DEBCAD N.37.344.1711 (SEGURADO) GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, conforme art. 30, inciso IX, da Lei Nº 8.212/91. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10166.727505/201147 Acórdão n.º 2403002.691 S2C4T3 Fl. 4 5 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparadas as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, e recolher à Seguridade Social, as contribuições dos segurados a seu serviços, conforme previsto nas Lei nº 8.212/91 e nº 10.666/93. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. O pagamento in natura do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, este o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. (Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 03/2011) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Em decorrência do entendimento da AGU, manifestado pela Súmula nº 60, de 08 de dezembro de 2011, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAIS DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago ao empregado, a título de adicionais de férias, só não integra o valor do salário de contribuição, para fim de incidência da contribuição previdenciária, se tratar de férias indenizadas e for concedido estritamente de acordo com a legislação pertinente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISSÍDIO RETROATIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Consideramse remunerações as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa, ou possibilidade de nulidade quando os fatos descritos nos relatórios do Auto de Fl. 555DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 Infração permitem a exata compreensão dos fatos e dos valores apurados no cômputo da multa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Segundo a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A exoneração recaiu sobre os seguintes levantamentos, conforme conclusões do Relator, in verbis: VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, retificando o crédito lançado, excluindo os levantamentos AL1 – Alimentação e AL2 – Alimentação e VT1 – Vale Transporte e VT2 – Vale Transporte, conforme DADR em anexo, devendo, entretanto, ser reanalisado o cálculo e a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, no momento em que for postulada a liquidação do crédito, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4 de dezembro de 2009. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 469/477, alegando, em síntese, a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa e que a não declaração, excepcionalmente, na GFIP ocorreu por falha e não por dolo, e o que era devido foi pago. DA RESOLUÇÃO Ato contínuo, tendo em vista a imputação de responsabilidade solidária a nove outras empresas que, segundo a fiscalização, formariam um grupo econômico, foi proferida a Resolução nº 2403000.193, fls. 495/500, na sessão de 15 de outubro de 2013, requerendo a ciência dos demais responsáveis acerca do acórdão da DRJ. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS Após devidamente intimados, as pessoas jurídicas solidárias, assim como o devedor principal, apresentaram Recurso Voluntário, através de peça única de fls. 531/537, na qual apresenta os mesmos argumentos constantes na peça recursal apresentada pelo devedor principal, acrescida da alegação de inexistência de grupo econômico. É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10166.727505/201147 Acórdão n.º 2403002.691 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fls. 492 e 549, temse que os recursos são tempestivos e reúnem os pressupostos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA As Recorrentes afirmam que o Auto de Infração está eivado de nulidade em razão da autoridade fiscal ter descrito os fatos de forma incompleta e sem a sua fiel reprodução, o que causaria cerceamento do direito de defesa. No entanto, não merece prosperar tal fundamento. A partir da leitura do Relatório Fiscal, é possível verificar todos os fatos ensejadores da presente autuação, inclusive esmiuçandoa em levantamentos, a fim de facilitar a compreensão não apenas por parte do julgador, como também do contribuinte. Ademais, além dos dispositivos legais indicados no Relatório Fiscal, há de se destacar os Fundamentos Legais do Débito , dispostos nas fls. 08/09 e 24/26. Por tais razões, não há que se falar em cerceamento de defesa, tampouco nulidade da autuação. ADICIONAL DE FÉRIAS Um dos levantamentos realizados pela autoridade fiscal, para apuração das contribuições devidas, recaiu na rubrica “Outros Adicionais de Férias”. Ocorre que sua incidência é afastada pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se percebe dos procedentes abaixo colacionados: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE A VERBA TITULADA DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTA CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No Fl. 557DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 caso, devem ser considerados como direito de crédito a Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias, desde que seja observado o prazo de cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias e, reconhecendose o direito a compensação de seus valores, observado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos a contar da data do efetivo pagamento indevido, nos termos do voto. Vencido o conselheiro Thiago Taborda Simões que votou pelo provimento também em relação ao adicional de horas extraordinárias. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. (CARF. Processo 13161.720148/201396, Data da Sessão: Relator:RONALDO DE LIMA MACEDO, Nº Acórdão: 2402 004.014) Vêse que o afastamento da incidência de contribuição previdenciária corresponde ao terço constitucional, conhecidamente denominado adicional de férias também, coincidindo com o título da rubrica incluída no presente levantamento, impossibilitando, portanto, a manutenção do auto de infração concernente a esta rubrica. DO DISSÍDIO RETROATIVO E DA PREMIAÇÃO A autoridade fiscal apurou os créditos tributários através da análise das folhas de pagamento, onde pode se constatar a existência de pagamentos a título de dissídio retroativo e premiação. Quanto a esta primeira rubrica, a alegação das Recorrentes seria no sentido de haver um engano por parte do fiscal autuante, uma vez que a convenção coletiva firmada entre o Sindicato dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato patronal ressalva em sua cláusula primeira a previsão de aumento apenas em 01 de novembro de 2008, não havendo que se falar em retroatividade. Não se vislumbra quaisquer equívocos. A autoridade fiscal relata no item 46 que o pagamento da rubrica é oriunda de um reajuste de 8,2% exatamente a partir de 01 de novembro de 2008, que poderia ter sido pago na folha de pagamento do mês de dezembro de 2008. Neste sentido, a autuação recai sobre este último mês, uma vez que o referido percentual de aumento foi tomada como base pela empresa apenas para o FGTS, não o declarando em GFIP. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10166.727505/201147 Acórdão n.º 2403002.691 S2C4T3 Fl. 6 9 Portanto, não subsistem razões que impeçam a incidência e cobrança dos valores constantes no levantamento “DR – DISSÍDIO RETROATIVO”. Quanto às verbas apuradas nos levantamentos “ PM1 – PREMIAÇÃO” e “PM2 – PREMIAÇÃO”, verificase através do Anexo IV, colacionado aos autos em epígrafe, que as verbas sob este título foram percebidas pelo empregado por diversos meses o que caracteriza a habitualidade dos ganhos, contida na própria definição legal de salário de contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, mantémse a incidência da contribuição previdenciária sobre referida rubrica. PROLABORE PAGO E NÃO DECLARADO E DIFERENÇAS NÃO DECLARADAS EM GFIP Quanto ao prólabore pago ao Sr. MARIO HANKA e à Sra. MARIA CRISTINA DE CASTRO HANKA, além das diferenças não declaradas em GFIP, os Recorrentes restaram silentes, sem a existência de quaisquer provas nos autos que elida a presente exação. Isso porque, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, tanto ao Fisco e quanto ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder, quando dispõe acerca do ônus da prova (NEDER, Marcos Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de; FERRAGUT, Maria Rita (coord). A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 19): “No processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” Portanto, por inexistir elementos probatórios que tolham a pretensão fazendária, reputamse devidas as contribuições previdenciárias exigidas, eis que se encontram amparadas no art. 22, III, da Lei nº 8.212/91, conforme se depreende dos Fundamentos Legais Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 10 do Débito – FLD, para efetuar o lançamento referente à cota patronal na alíquota de 20% em relação aos contribuintes individuais: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Permanecese, pois, a devida tributação. RECÁLCULO DA MULTA DE MORA Inobstante as disposições tecidas pela autoridade julgadora quando da prolação do acórdão de primeira instância, importa alinhavar algumas considerações acerca do recálculo da multa de mora a ser realizado. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10166.727505/201147 Acórdão n.º 2403002.691 S2C4T3 Fl. 7 11 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 12 retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DESCARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO A fiscalização imputou responsabilidade solidária a nove outras empresas em relação aos créditos tributários devidos pelo Supermercado Tatá (devedor principal), tendo sido devidamente cientificadas da autuação e da decisão de primeira instância. Contudo, em se tratando de caracterização de grupo econômico na seara fiscal, independentemente dos fundamentos expostos, temse que o mero fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico não é suficiente a ensejar a solidariedade no pólo passivo de uma demanda fiscal, fazendose imprescindível a demonstração da prática conjunta do fato gerador pelos demais responsáveis tributários. O Superior Tribunal de Justiça já possui entendimento pacífico neste sentido, tendo se manifestado em vários precedentes, assim como dispõe em recente julgado: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. REEXAME DE PROVAS EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Precedentes do STJ 2. Para verificar as alegações da parte agravante de existência de solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento, em contraposição ao que foi decidido pelo Tribunal de origem, é necessário o revolvimento de matéria de provas, o que é inadmissível em recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1240335/RS, Rel Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2011, Dje 25/05/2011) ____________________________________________________ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES: AGRG NO ARESP 21.073/RS, REL MIN HUMBERTO MARTINS, DJE 26.10.2011 E AGRG NO AG 1.240.335/RS, REL MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10166.727505/201147 Acórdão n.º 2403002.691 S2C4T3 Fl. 8 13 1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal. 2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora, seria necessário o reexame de matéria fáticoprobatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3.Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido. (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012) ____________________________________________________ TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontrar óbice na Súmula 7 desta Corte. (AgRG no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, Dje 26/10/2011) Portanto, não merece prosperar a imputação fiscal quanto a solidariedade em razão de não estar comprovado que as empresas arroladas como solidárias praticaram o fato gerador sob análise, mas sim o contrário, uma vez que, conforme os Relatórios de Lançamento e Discriminativo de Débitos, anexos aos Autos de Infração, estes apenas corroboram e destacam que os levantamentos dizem respeito apenas ao CNPJ do principal autuado – Supermercado TATA S.A. – 04.059.113/000113. A autoridade fiscal foi silente quanto a estes fatores, de modo que não se vislumbram as hipóteses que caracterizariam a imputação de responsabilidade a terceiros, por supostamente formem um grupo econômico. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário para que exonerar o crédito tributário contido no levantamento “OF1 – OUTROS ADICIONAIS DE FÉRIAS”, excluir do pólo passivo da autuação as empresas arroladas como solidárias por ausência de demonstração de prática comum do fato gerador e ausência dos requisitos legais Fl. 563DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 14 para tanto, bem como para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
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Numero do processo: 13839.001093/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08.
Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos.
CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento, sendo este último o caso dos autos.
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO.
A partir de 21/09/2010, a eficácia do provimento cautelar do Supremo Tribunal Federal, proferido na ADC nº 18, que suspendera a tramitação de processos cujo objeto coincidisse com aquele versado nesta causa.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62-A do Regimento Interno do referido Conselho, enquanto o STF não fixar entendimento definitivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2.
À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4.
A exigência dos juros de mora decorre de lei e estes, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.A cobrança dos encargos moratórios deve ser feita com base na variação acumulada da SELIC, como determinado por lei.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. INEXISTÊNCIA. DESAGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Para aplicação da multa qualificada é necessária a comprovação da prática, pela contribuinte, de quaisquer das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Tendo a contribuinte apresentado declaração de rendimentos referente ao ano-calendário de 2002, informando o seu faturamento e as correspondentes exclusões efetuadas, não há indícios nos autos que demonstrem a prática de conduta dolosa adotada pela empresa com intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores, não se verificando elementos suficientes que justifiquem o agravamento da multa de ofício pela prática de fraude, conluio ou sonegação.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DE SÓCIOS E ADMINISTRADORES. DESCABIMENTO.
É incabível a imputação de responsabilidade solidária aos sócios e administradores da pessoa jurídica quando não se verifica nos autos qualquer prática das condutas estabelecidas nos arts. 135 e 137 do CTN.
Recurso de Ofício negado.
Recurso Voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, Preliminar rejeitada e, no mérito, Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) em negar provimento ao recurso de ofício; e (b) em relação ao recurso voluntário, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08. Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos. CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento, sendo este último o caso dos autos. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO. A partir de 21/09/2010, a eficácia do provimento cautelar do Supremo Tribunal Federal, proferido na ADC nº 18, que suspendera a tramitação de processos cujo objeto coincidisse com aquele versado nesta causa. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62-A do Regimento Interno do referido Conselho, enquanto o STF não fixar entendimento definitivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4. A exigência dos juros de mora decorre de lei e estes, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.A cobrança dos encargos moratórios deve ser feita com base na variação acumulada da SELIC, como determinado por lei. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. INEXISTÊNCIA. DESAGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Para aplicação da multa qualificada é necessária a comprovação da prática, pela contribuinte, de quaisquer das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Tendo a contribuinte apresentado declaração de rendimentos referente ao ano-calendário de 2002, informando o seu faturamento e as correspondentes exclusões efetuadas, não há indícios nos autos que demonstrem a prática de conduta dolosa adotada pela empresa com intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores, não se verificando elementos suficientes que justifiquem o agravamento da multa de ofício pela prática de fraude, conluio ou sonegação. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE SÓCIOS E ADMINISTRADORES. DESCABIMENTO. É incabível a imputação de responsabilidade solidária aos sócios e administradores da pessoa jurídica quando não se verifica nos autos qualquer prática das condutas estabelecidas nos arts. 135 e 137 do CTN. Recurso de Ofício negado. Recurso Voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, Preliminar rejeitada e, no mérito, Recurso Voluntário Negado.
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INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08. Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos. CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento, sendo este último o caso dos autos. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 10 93 /2 00 7- 63 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 A partir de 21/09/2010, a eficácia do provimento cautelar do Supremo Tribunal Federal, proferido na ADC nº 18, que suspendera a tramitação de processos cujo objeto coincidisse com aquele versado nesta causa. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno do referido Conselho, enquanto o STF não fixar entendimento definitivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4. A exigência dos juros de mora decorre de lei e estes, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.A cobrança dos encargos moratórios deve ser feita com base na variação acumulada da SELIC, como determinado por lei. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. INEXISTÊNCIA. DESAGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Para aplicação da multa qualificada é necessária a comprovação da prática, pela contribuinte, de quaisquer das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Tendo a contribuinte apresentado declaração de rendimentos referente ao anocalendário de 2002, informando o seu faturamento e as correspondentes exclusões efetuadas, não há indícios nos autos que demonstrem a prática de conduta dolosa adotada pela empresa com intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores, não se verificando elementos suficientes que justifiquem o agravamento da multa de ofício pela prática de fraude, conluio ou sonegação. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 219 3 RESPONSABILIDADE PESSOAL DE SÓCIOS E ADMINISTRADORES. DESCABIMENTO. É incabível a imputação de responsabilidade solidária aos sócios e administradores da pessoa jurídica quando não se verifica nos autos qualquer prática das condutas estabelecidas nos arts. 135 e 137 do CTN. Recurso de Ofício negado. Recurso Voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, Preliminar rejeitada e, no mérito, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) em negar provimento ao recurso de ofício; e (b) em relação ao recurso voluntário, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Trata a lide de Auto de Infração lavrado contra a empresa OLIVEIRA E SILVA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS, em 23/03/2007, referente ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2002, para exigência de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, multa de ofício agravada de 150% e juros de mora, no valor total de R$ 1.126.598,03. Também foram autuados, na condição de responsáveis solidários, os sócios e administradores da empresa JOSÉ ELIVALDO DA SILVA, VALMIR JOÃO DE OLIVEIRA e JOSÉ NILSON FERREIRA PINTO, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal e Imputação de Responsabilidade Tributária constante às efls. 82/100, cujos fatos apurados foram assim sintetizados pela autoridade julgadora de base: “A FISCALIZADA, conforme se depreende de seu Contrato Social,tem por objeto o comércio atacadista e varejista, inclusive importação e exportação, de produtos industrializados em geral, transportes de cargas, representações de outras sociedades, e atuação como distribuidor logístico. No ano de 2002, seus sócios e administradores eram JOSÉ ELIVALDO DA SILVA (CPF 920.530.41404), domiciliado na cidade de CamaragibePE, e VALMIR JOÃO DE OLIVEIRA (CPF 457.038.09487), domiciliado na cidade de JundiaíSP. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Em novembro de 2003, ambos os sócios decidem transferir todas as suas quotas para BERGOLD LLC, sociedade constituída sob as leis do Estado de Delaware, nos Estados Unidos da América, e representada pela procuradora CARMEM LÚCIA ALVES FIGUEIREDO DE SOUZA (CPF 572.457.38220), e domiciliada na cidade de Jaboatão dos GuararapesPE. Nesta ocasião, a sócia BERGOLD LLC cede uma quota no valor de R$ 1,00 (um real) para a sócia N. D. COMÉRCIO LTDA (CNPJ 02.920.449/000101), domiciliada na cidade de Jaboatão dos GuararapesPE, e representada por seu administrador, JOSÉ ELIVALDO DA SILVA.E por fim, nomeiam como administrador, a pessoa de VALMIR JOÃO DE OLIVEIRA. Em julho de 2006, portanto, já no curso da ação fiscal, as sócias BERGOLD LLC (representada por JOSÉ NILSON FERREIRA PINTO, CPF 198.457.90453, domiciliado na cidade de VinhedoSP), e N. D.COMÉRCIO LTDA, representada por VALMIR JOÃO DE OLIVEIRA, promovem a oitava alteração contratual, pela qual a sócia N.D. COMÉRCIO LTDA cede e transfere sua quota no valor de R$ 1,00 (um real) para DISTRIBUIDORA IMPORTADORA E EXPORTADORA OLIVEIRA LTDA (CNPJ 04.117.315/000174), estabelecida na ciadade de ImperatrizMA, e representada por seu administrador, VALMIR JOÃO DE OLIVEIRA. Dedidem as sócias transferir a administração da sociedade para JOSÉ NILSON FERREIRA PINTO. (fls.7/52). Nos anoscalendário de 2002 e 2003, adotou como sistemática de tributação a do Lucro Real, com apuração anual, conforme declarações DIPJ (Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica) entregues espontaneamente, dentro do prazo estabelecido pela legislação fiscal. O faturamento anual nestes anos foi da ordem de R$ 70 milhões. Entretanto, no que se concerne aos anoscalendário de 2004 e 2005, as respectivas DIPJs somente foram apresentadas após sucessivas intimações e reintimações fiscais, devendose salientar que, foram preenchidas sem qualquer informação sobre suas atividades operacionais, ou seja, todos os campos de faturamento, receitas, custos e despesas, bem como a apuração dos devidos tributos, foram preenchidos com zero. (fls. 53/151). Através de sucessivos termos elaborados no curso da fiscalização (Termo de Início de Fiscalização, de 23/1212005, Termo de Reintimação Fiscal n° 6, de 21/08/2006, Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 8, de 18/12/2006, Termo de Intimação Fiscal n° 9, de 16/02/2007, e Termo de Reintimação Fiscal n° 10, de 02/03/2007), foram apresentados os livros abaixo relacionados, com as respectivas observações: (fls.152/153, 207/208, 255/257, 262, e 272). (..) Mediante Termo de Intimação Fiscal n.° 2, de 17/02/2006, a FISCALIZADA foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea comprobatória de lançamentos extraídos de sua contabilidade. Foi ainda intimada a apresentar, para o ano de 2002, o detalhamento dos valores informados na declaração DIPJ/2003 nos campos Outras Exclusões das fichas de Cálculo Fl. 221DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 220 5 das Contribuições para o PIS e para a Cofins, e também as folhas dos livros contábeis onde se encontrava a apuração de tributos federais. E constou, por fim, neste termo, a intimação para apresentar as declarações DCTF referentes aos anos calendário de 2004 e 2005, uma vez que já se encontrava na situação de omissa perante tais declarações. (fis. 157/163). (...). Numa rápida apreciação das datas da intimação fiscal até a data de seu atendimento, notase que se passaram quatro meses, evidenciando que não houve por parte do contribuinte a presteza e a celeridade quanto ao atendimento das exigências fiscais. E mesmo assim, conforme se demonstrará, o atendimento mostrou se ineficaz. As declarações DCTF não foram apresentadas, nem sequer foi apresentada resposta a respeito das Outras Exclusões das fichas de cálculo das Contribuições para o PIS e Cofias, bem como as folhas dos livros contábeis onde se encontrava a apuração de tributos federais. (...) Esgotado o prazo estipulado no Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n.° 5 sem que houvesse qualquer manifestação por parte da FISCALIZADA, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal n.° 6, de 21/08/2006, pelo qual era novamente intimada a apresentar os elementos já solicitados nas intimações anteriores. (...) Considerandose que parte considerável dos elementos solicitados desde o início da fiscalização ainda não havia sido apresentada, foi lavrado Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal n.° 8, de 18/12/2006, ou seja, passado praticamente um ano do início da ação fiscal. Neste termo, foram relacionados primeiramente todos os livros, declarações e esclarecimentos solicitados. Em seguida, foram relacionados os livros e documentos apresentados, e por último, destacouse o que havia ainda para ser apresentado, sendo concedido prazo para atendimento. (fls. 255/257). (...) Em 21/12/2006, a FISCALIZADA transmitiu email através de seu consultor, Sr. Demétrio Carlos Cozer, informando o número dos recibos das declarações enviadas, e informou acerca das outras exclusões das bases de cálculo de PIS e Cofins tratarem se de custo das mercadorias vendidas. A legislação vigente à época dos fatos geradores de PIS e de Cofins não amparam estas exclusões pretendidas pela FISCALIZADA. A permissão destas exclusões somente deuse posteriormente, com a instituição da nãocumulatividade destas duas contribuições. Portanto, sem qualquer amparo legal vigente no ano calendário de 2002, cabe a esta fiscalização proceder à glosa de tais exclusões indevidas. Ainda que venha a ser questionada a validade jurídica ou não de email encaminhado pelo consultor, uma vez que em momento algum foi apresentada procuração Fl. 222DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 outrorgada pela FISCALIZADA dando ao consultor poderes para representála perante esta fiscalização, o fato é que em momento algum foi apresentada a esta fiscalização qualquer justificativa a respeito das exclusões das bases de PIS e Cofins. (fls. 258/259). Tendo em vista que esta fiscalização não teve acesso aos livros e documentos considerados essenciais para a devida conferência dosvalores apurados pelo contribuinte no tocante aos tributos federais, prevê o art. 845 do Regulamento do Imposto de Renda 1999 (RIR/99) de que farseá o lançamento de ofício com os elementos de que se dispuser. APURAÇÃO DOS TRIBUTOS DEVIDOS Para o anocalendário de 2002, não havendo permissão legal para as exclusões promovidas nas bases de cálculo mensais de PIS e Cofins, procedese à glosa. ARROLAMENTO DE BENS E DE DIREITOS (...) AGRAVAMENTO DA MULTA Diante da conduta dos administradores, deparase com a ocorrência de fatos que, em tese, caracterizam o intuito da sonegação e da fraude, definidas no art. 71 da Lei n.° 4.502, de 1964, ensejando a aplicação da multa de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Estabelece o Código Tributário Nacional em seus artigos 135 e 137 a imputação da responsabilidade tributária pessoal àqueles que tenham dado causa à infração tributária, na prática de atos com infração de lei, e decorrentes de dolo. Acerca da solidariedade, dispõe o Código Tributário Nacional em seu artigo 124: (...) Assim, diante de todo o relato dos fatos caracterizadores das infrações à legislação tributária, e da constatação de que no período fiscalizado, o Fisco foi deixado intencionalmente à margem das operações mercantis, quando a FISCALIZADA optou por deixar de apresentar as declarações a que se encontrava obrigada, bem como por deixar de recolher aos cofres públicos todos os tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro, é de se imputar a responsabilidade tributária pelo crédito tributário ora constituído aos seus administradores, abaixo relacionados: 1. JOSÉ ELIVALDO DA SILVA, CPF 920.530.41404, domiciliado no município de CamaragibePE; 2. VALMIR JOÃO DE OLIVEIRA, CPF 457.038.09487, domiciliado na cidade de JundiaíSP; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 221 7 3. JOSÉ NILSON FERREIRA PINTO, CPF 198.457.90453, domiciliado na cidade de VinhedoSP. CONCLUSÕES Em face do acima exposto, procedese ao presente lançamento de ofício, em relação à constatação de infrações à legislação tributária, descritas anteriormente, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro, Contribuições do PIS e da Cofins, e Imposto de Renda da Fonte, além dos acréscimos moratórios e das multas, demonstrados nos presentes Autos de Infração com o pertinente embasamento legal. Esclarecese que as remissões constantes neste relatório referemse a documentos integrantes do processo administrativo fiscal protocolizado sob o 13839.001092/200719, do qual fazem parte os presentes Autos de Infração. Foram também formalizados os processos sob n° 13839.001093/200763 (Auto de Infração PIS), e 13839.001094J200716 (Auto de Infração Cofins). E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo em cinco vias de igual forma e teor, assinado por AuditorFiscal da Receita Federal, e pelo contribuinte/preposto da fiscalizada, que neste ato recebe uma das vias. A cada uma das pessoas a quem foi imputada a responsabilidade tributária, será entregue Termo de Sujeição Passiva Solidária, acompanhado de urna cópia dos Autos de Infração e do presente Termo. As autuadas apresentaram impugnação, cujas alegações de defesa foram assim sintetizadas no Relatório da decisão recorrida: “Inconformada com a autuação, cuja ciência foi dada em 28/03/2007, a contribuinte, protocolizou impugnação de fls. 75/105, em 27/04/2007. Aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: PIS 1. Em relação aos lançamentos cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de 28/03/2002, já havia operado a decadência de a Fazenda Nacional constituir tais créditos, nos termos do art. 150 do CTN. Frisa a impugnante que os tribunais superiores já se posicionaram no sentido de declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.° 8.212, de 1991; 2. A defesa apresenta vasto arrazoado para alegar quebra do princípio da isonomia, quando foi permitido às instituições financeiras, cooperativas e revendedoras de veículos usados, o direito de excluir da base de cálculo despesas e perdas, o que significa dizer que a base de cálculo do PIS para tais empresas é o lucro bruto. Assim, para evitar o tratamento diferenciado entre pessoas jurídicas de direito privado, com o fim de se realizar justiça fiscal e observar os princípios da capacidade contributiva e, principalmente, da isonomia, assevera a defesa que deve ser admitida as exclusões efetuadas da Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 base do cálculo do PIS e, por conseqüência, cancelar as glosas realizadas pela fiscalização. 3. O auto também é improcedente porque incluiu na base de cálculo o ICMS. Mas o conceito de faturamento não abriga a inclusão de outra exação no cômputo da base de cálculo. De outra forma, a contribuinte estaria sendo compelida ao recolhimento da contribuição social sobre uma base para a qual não revelou capacidade contributiva; 4. O STF já decidiu pela inconstitucionalidade do novo conceito de faturamento dado pela Lei n.° 9.718/98. Sendo a base de cálculo das contribuições a receita bruta, evidente que o valor do ICMS não deverá compôla, pois não possui origem em contrato mercantil e não constitui faturamento; 5. A inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições viola o princípio da capacidade contributiva, pois desnatura o verdadeiro faturamento advindo da venda de bens e serviços; Multa Qualificada 6. Quanto à multa qualificada (150%), é de se destacar a inexistência dos requisitos estatuídos nos dispositivos legais que determinam sua aplicação. Ora, a impugnante sempre procedeu de forma lícita, mantendo sua contabilidade atualizada, a qual foi apresentada ao fisco, quando solicitada. E, em segundo lugar, não restou caracterizada uma omissão dolosa por parte da empresa; 7. "Se a impugnante cometeu falhas, estas ocorreram simplesmente por erro, porém jamais com intenção de fraudar o fisco. Ou seja, mesmo que não tenha cumprido todas as obrigações fiscais exigíveis pela legislação, este fato não poderia, em hipótese alguma, levar à aplicação de uma multa qualificada, pois a impugnante nunca deixou de atender as intimações fiscais e nem de entregar as declarações necessárias e nem omitiu dolosamente receitas"; 8. A impugnante não praticou qualquer ato considerado doloso e, portanto, há de ser revista a aplicação da penalidade imposta, passando para o percentual de 75%; 9. A multa no percentual aplicado tem efeitos confiscatórios, pelo que é nitidamente inconstitucional Taxa Selic 10. A utilização da taxa Selic não tem previsão legal e também fere preceitos constitucionais; Face ao termo de responsabilidade solidária, também apresentaram impugnação José Nilson Ferreira Pinto, Valmir João de Oliveira e José Elivaldo da Silva, os quais tomaram ciência do lançamento em 30/03/2007. Os recursos referentes aos dois primeiros foram entregues em 27/04/2007. Já o último responsável citado postou sua defesa em 04/05/2007. Todos alegaram as razões de fato e de direito, a seguir dispostas: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 222 9 a) A responsabilidade solidária somente pode ser atribuída ao administrador ou sócio se este tiver agido com excesso de poderes ou contra a lei, o que efetivamente não ocorreu no presente caso; b) Nesse sentido, o fiscal não provou que o administrador agiu com excesso de poderes ou com violação da lei ou do contrato social; c) Não vigora em nosso ordenamento jurídico a responsabilidade objetiva dos sócios e diretores da empresa pelos débitos tributários. Cabe ao fisco provar a culpa dos sócios, a fim de que eles venham a responder pelos débitos; d) E ainda que fossem superáveis os argumentos antes expedidos, cabe lembrar que o administrador somente responde pelo período em que exerceu a administração da empresa, não podendo responder pela integralidade dos débitos; e) Por fim, Valmir João de Oliveira e José Elivaldo da Silva, afirmam ainda que somente podem responder pelo valor de suas quotas no capital social, não podendo haver responsabilização por todo o débito fiscal apurado.” A DRJCampinas/SP julgou o lançamento procedente em parte (efls. 162/177), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 1 Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE ICMS. Por falta de previsão legal, não é permitida a exclusão base de cálculo do PIS do ICMS cobrado da empresa na condição de contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento relativo ao PIS extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. MULTA QUALIFICADA. EXISTÊNCIA DE DOLO. Impõese o cancelamento da aplicação de multa qualificada, se as provas carreadas aos autos pelo fisco não evidenciam a intenção dolosa da pessoa jurídica de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência fato gerador. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA CONCEITO DE FATURAMENTO E PERCENTUAL DAS MULTAS APLICADAS. Estando o julgamento administrativo estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade, não poderia negar os efeitos de lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RESPONSABILIDADE PESSOAL DE ADMINISTRADORES E SÓCIOS. Inexistindo nos autos conjunto probatório demonstrando a ocorrência de atos praticados pelos sócios e administradores da pessoa jurídica contrários aos interesses da sociedade e com infração à lei e ao contrato social, inaplicável a estas pessoas a responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário. Lançamento Procedente em Parte Aquela autoridade de piso decidiu julgar parcialmente procedente a exigência fiscal em relação ao PIS, reduzindo a multa de ofício de 150% para 75%, e, ainda, decidiu julgar improcedente a imputação de responsabilidade solidária aos administradores/sócios, afastandoos do pólo passivo da autuação. Em razão do crédito tributário exonerado pela DRJ, além do seu limite de alçada, a Fazenda Nacional recorre de ofício da decisão. A contribuinte OLIVEIRA & SILVA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 182/209), no qual repisa idênticos argumentos expendidos na impugnação, exceto quanto à questão da multa qualificada, tendo em vista o desagravamento da multa de ofício pela DRJ. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Os recursos de ofício atendem às condições de admissibilidade, razões pelas quais deles conheço. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 223 11 Passo a tratar, inicialmente, das matérias trazidas pelo recurso voluntário. Da Decadência Preliminarmente, alega a recorrente que teria havido decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação a fatos geradores anteriores a 28/03/2002, tendo em vista que, por aplicação do §4º do art. 150 do CTN, quando da data da ciência do Auto de Infração, em 28/03/2007, já se teriam passado 5 anos contados da data do fato gerador. No tocante ao prazo decadencial, é remansosa a jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, no sentido de adotar o prazo limite de cinco anos, estabelecido no CTN, em face da Súmula Vinculante nº. 08 do STF. Referida Súmula passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008 para os demais órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como para a Administração Pública, direta e indireta, e pelos demais entes federativos. Por ela, foram reduzidos os prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias para cinco anos, diferente dos 10 anos preconizados na Lei Ordinária 8.212/1991: “São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, afastada a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo inicial do prazo quinquenal previsto no CTN. O art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal e a decisão daquela Corte deve ser aqui adotada, independentemente das convicções pessoais dos julgadores. Esta é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo, versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, o prazo o Fisco constituir o crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento (art. 150, §4º do CTN), ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, nos casos de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, do CTN). O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 228DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 224 13 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso dos autos, temse que não houve qualquer antecipação de pagamento da contribuição por parte da contribuinte (basta observar as informações do Demonstrativo de Apuração do PIS/PASEP, às efls. 73, constante do Auto de Infração). Assim, tratando a autuação de fatos geradores relativos a todo o ano de 2002, o prazo de cinco anos há de ser contado na forma do inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (01/01/2003), podendo, portanto, ser constituído o crédito tributário até 31/12/2007. Sendo 28/03/2007 a data em que a contribuinte tomou ciência da autuação, não há que se falar em decadência em relação a nenhum período de 2002. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/PASEP Neste ponto, transcrevo o voto prolatado pelo i. Conselheiro Francisco José Barroso Rios, proferido nos autos do processo administrativo nº. 10830.001934/200813, cujos fundamentos adoto como razões de decidir: “Conforme asseverado tanto no recurso como na decisão recorrida, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS é objeto ao menos de dois processos judiciais sob a responsabilidade do STF, no caso, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18 e o Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG. Nenhuma das duas ações foi ainda julgada até a presente data. Relativamente à ADC no 18 (proposta pelo Presidente da República), o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852 MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC nº 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 1 Esses dispositivos encontramse atulamente revogados. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 14 nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. A suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria, determinada pelo STF, motivou fosse também sustado, pelo STJ, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP, recurso o qual fora recebido na origem segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, conforme despacho proferido pelo Sr. relator, Min. Teori Zavascki, em 03/11/2009. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, o STJ proferiu decisão monocrática e definitiva no aludido REsp nº 1.127.877SP (transitada em julgado em 20/06/2012), entendimento o qual deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, abaixo transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, não há como reconhecer direito creditório favoravelmente à recorrente, já que o STJ, no âmbito do REsp nº 1.127.877SP, entendeu que o ICMS integra sim a base de cálculo da COFINS, conforme ementa do voto acima referenciado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009.” A matéria encontrase, inclusive, sumulada pelo STJ, nas Súmulas 68 e 94/STJ, que assim dispõem: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS" e "a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL”. Esta matéria também já foi objeto de apreciação por esta Turma julgadora, que, por unanimidade de votos, entendeu procedente a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.Vejase a ementa do julgado: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 225 15 ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO. A partir de 21/09/2010, a eficácia do provimento cautelar do Supremo Tribunal Federal, proferido na ADC nº 18, que suspendera a tramitação de processos cujo objeto coincidisse com aquele versado nesta causa. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo da COFINS, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno do referido Conselho, enquanto o STF não fixar entendimento definitivo. (Processo nº 13971.002136/200701, Relator Thiago Moura de Albuquerque Alves) Por tais razões, mais uma vez improcedentes as alegações da contribuinte. Questões Referentes a Ofensas a Princípios Constitucionais e Justiça Fiscal Conforme observa a autoridade julgadora de piso, a empresa tenta justificar as exclusões feitas na base de cálculo do PIS e da Cofins, pautandose no princípio da isonomia, o qual permitiria a empresa ter o mesmo direito dado às instituições financeiras, cooperativas e revendedoras de carros usados, de cuja base de cálculo são expurgados custos e despesas determinados. Por tais razões, pugna para que seja realizada justiça fiscal. As questões constitucionais trazidas pela recorrente, referentes a ofensa aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, temse que a este Tribunal administrativo não cabe manifestarse sobre a constitucionalidade das leis. Tendo sido ao caso fielmente aplicadas leis que estão em plena vigência, possíveis alegações de inconstitucionalidade devem ser deduzidas perante a autoridade competente do Poder Judiciário. O recurso voluntário, portanto, não merece ser conhecido nesta parte, por aplicação da Súmula CARF nº.2. (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária) Da Multa de Ofício A autoridade julgadora de piso reduziu a multa de ofício ao percentual de 75% A recorrente manifesta, em seu recurso voluntário, o entendimento de que, ainda que no percentual de 75%, a multa de ofício é nitidamente inconstitucional e tem efeito confiscatório, o que violaria o disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 16 O não recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a multa de ofício referida, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. Demais disso, quanto ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, temse que a análise desse tema passa necessariamente pela constitucionalidade da norma impositiva da penalidade, o que foge do campo de competência das instâncias administrativas. Isto porque, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade por este Poder seja com efeitos erga omnes (no controle concentrado de constitucionalidade), seja com efeito inter partes (no controle difuso) a lei gozará, sim, de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, será válida e terá aplicação cogente em todo o território nacional. Tal questão encontrase sumulada no âmbito deste CARF: Súmula CARF nº.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mais uma vez, o recurso voluntário não merece ser conhecido nesta parte. Da Aplicação da Taxa Selic É indubitável ser o lançamento tributário atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estritos termos da lei. Por conseguinte, não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os percentuais dos encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especificam. No caso presente, os juros foram calculados em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme determinação dada pelo § 3º do artigo 61 da Lei 9.430/1996. Desse modo, como a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressa disposição legal, não se pode imputar vício ao ato de lançamento no qual foi formalizado o crédito tributário inadimplido com os acréscimos determinados por lei. Quanto à suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic como índice dos juros de mora, é de se observar que à autoridade administrativa não compete a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias. Assim, como os dispositivos legais relativos aos juros de mora objeto da presente lide não foram julgados inconstitucionais, tampouco tiveram sua execução suspensa pelo STF, não se pode negarlhes vigência, agindo, pois, corretamente o Fisco ao aplicarlhes ao lançamento. Por último, cabe ressaltar que essa matéria encontrase sumulada pelo CARF, a saber: Súmula nº 4 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 226 17 A partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa refrencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do Recurso de Ofício: Do Desagravamento da Multa de Ofício Mostrase acertada a decisão da DRJ, que reduziu o percentual aplicado à multa de ofício, de 150 para 75%, nada havendo a reparar na decisão a quo neste sentido. O agravamento da multa de ofício, via de regra, decorre da aplicação do disposto no §1º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, estabelece a Lei nº. 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 18 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No caso em questão, pela descrição dos fatos constantes da autuação, verificase inexistir a caracterização de qualquer uma das três condutas que permitem a qualificação da multa, seja por sonegação, seja por fraude ou, ainda, por conluio, conforme bem asseverou a autoridade julgadora a quo: “Como visto, a fiscalização formalizou o crédito tributário em decorrência da glosa das exclusões feitas na base de cálculo do PIS, as quais, mesmo intimada, a contribuinte não logrou esclarecer, informando apenas que se tratavam de custos de mercadorias vendidas. Cumpre ressaltar que para o anocalendário 2002 a empresa entregou declaração de rendimentos, informando o seu faturamento e as correspondentes exclusões efetuadas. Via de regra, para os casos de declaração inexata é aplicada a multa de 75%, a menos que o Fisco detecte e aponte o evidente intuito de fraude, ou seja que se demonstre tratarse de conduta dolosa. Evidente intuito de fraude é conceito amplo no qual se inserem aquelas condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n.° 4.502, de 1964, in verbis: (omissis) Pela Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, no âmbito do Direito Penal e, portanto, com inflexão sobre este caso (aplicação de penalidade com representação para fins penais), a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária, entre as quais coloco em relevo as que colaciono abaixo: Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; [...] Art. 2º. Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento detributo; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 227 19 [...] Assim, no exame dos dois dispositivos legais supra transcritos, verificase que sonegação, para fins de Direito Tributário Penal ou, como não poderia deixar de ser, para o Direito Penal Tributário, necessita do falso material ou da omissão de informações na declaração ou omissão da própria declaração a que está sujeito a contribuinte. Contudo, compulsandose os autos, não se encontra caracterizada a conduta dolosa da contribuinte para o não pagamento da contribuição devida. Havendo a contribuinte declarado o seu faturamento e a exclusão realizada, qual teria sido a conduta adotada pela empresa com intenção de impedir ou retardar, dolosamente, o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores? Ora, quando o sujeito passivo deixa de apurar tributo ou contribuição, em razão de interpretação da legislação, de acordo com a responsabilidade objetiva fixada no art. 136 do Código Tributário Nacional, é imputável apenas a multa de ofício no patamar de 75%. E, no presente caso, inexistindo demonstração de que o sujeito passivo agiu de forma dolosa, a fim de subtrairse ao pagamento dos valores ora lançados, cabe reduzir o percentual da multa aplicada de 150% para 75%.” Por tais razões, deve ser mantida a multa de ofício, porém desagravada, reduzindose o seu percentual para 75%, conforme decidiu a DRJ. Do Recurso de Ofício: Da Exoneração da Responsabilidade Pessoal dos Sócios e Administradores Também neste ponto entendo que a decisão recorrida não merece reparo. Não vislumbro nos autos qualquer prática de gerenciamento, financiamento ou operacionalização de esquema de fraude, tão comum nos diversos casos de interposição fraudulenta de terceiros que sempre aqui analisamos, na aérea de comércio exterior, tampouco qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos que pudessem ter sido praticados pelas pessoas físicas apontadas na autuação como responsáveis solidários. Mais uma vez, adoto como razões de decidir os fundamentos muito bem traçados pela autoridade julgado a quo, e transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor do acórdão: “............................................................................................................................ Entre as situações em que se verifica a ocorrência de responsabilidade tributária, encontrase previsto o dever dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado recolherem aos cofres públicos os créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos (art. 135 e 137 do CTN). Sobre o assunto, Hugo de Brito Machado Segundo (In "Responsabilidade de Sócios e Dirigentes de Pessoas Jurídicas e o Fl. 236DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 20 Redirecionamento da Execução". Problemas de Processo Judicial Tributário 4° Volume. São Paulo, Dialética, 2000, págs. 127/146) explica: Não se pode pretender que a pessoa jurídica somente pratique atos lícitos, excluindo de sua responsabilidade a violação de normas jurídicas, supostamente imputável apenas aos seus sócios ou dirigentes. Se o ato foi praticado pela pessoa jurídica, através de órgão seu, a responsabilidade é da pessoa jurídica, e não da pessoa física que validamente exercia a função de órgão. Ao revés, se a pessoa ou as pessoas que compõem o órgão atuam fora dos limites da competência, o ato não é ato de órgão; portanto, não é ato da pessoa jurídica. (...) Sendo assim, a violação da Lei societária pode ocorrer, dando azo à responsabilização do sóciogerente ou diretor, em dois momentos distintos. O primeiro, quando o fato gerador é praticado pelo diretor ou sóciogerente fora de suas funções, extrapolando os limites impostos pelos atos constitutivos ou pela Lei societária. (...) O segundo, quando embora o fato gerador tenha sido realizado pela pessoa jurídica, a dívida tributária não for adimplida em virtude de ato contrário à Lei societária praticado pelo diretor ou sóciogerente, como é o caso da liquidação irregular da sociedade, do desvio de recursos desta para a pessoa natural do diretor, ou quaisquer outros atos que, no dizer de Misabel Abreu Machado Derzi, embora praticados em nome do contribuinte, são contrários aos seus interesses". [grifos e destaques acrescidos]. A questão cingese então a verificar se as irregularidades imputadas à empresa por intermédio do presente auto de infração decorrem de atos praticados com excesso de poderes pelos seus sóciosgerentes e administradores ou em dissonância com os interesses da sociedade. Como já comentado, o auto em questão resulta da exclusão do custo das mercadorias vendidas da base de cálculo do PIS, que segundo a impugnação tem fundamento no princípio constitucional da isonomia e no fato de instituições financeiras, cooperativas e revendedoras de carros usados possuírem este direito. Por si só, tal procedimento não configura que os sócios e administradores da empresa agiram de forma a infringir a legislação tributária e comercial e os interesses da própria empresa. Desta feita, tendo em conta que nos autos não se encontra produção probatória da ocorrência dos atos praticados com infração à lei e ao contrato social pelos sócios e administradores da pessoa jurídica, não procede a responsabilidade tributária pessoal atribuída aos administradores. Cumpre observar, por fim, que, apesar de José Elivaldo da Silva ter apresentado a destempo sua contestação, o presente acórdão também lhe favorece. Isso porque, no caso é impossível a imputação de responsabilidade solidária a qualquer um dos administradores, posto que a infração encontrase fundamentada em infração decorrente da errônea interpretação pela pessoa jurídica da legislação tributária.” Por fim, cabe salientar que estas mesmas matérias objeto do recurso de ofício (redução da multa agravada para 75% e exclusão da imputação da responsabilidade solidária Fl. 237DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13839.001093/200763 Acórdão n.º 3202001.266 S3C2T2 Fl. 228 21 dos administradores) já foram julgadas pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamento deste CARF, nos autos do processo administrativo nº. 13839.001094/200716, tendo aquela Turma, à unanimidade, decidido negar provimento ao recurso de ofício, adotando como decisão os fundamentos esposados pela autoridade julgadora de piso. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de (i) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e, (ii) em relação ao recurso voluntário, CONHECER EM PARTE do recurso; na parte conhecida, REJEITAR A PRELIMINAR suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Relator Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 30/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.001950/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ELIZETE MORAES RIBEIRO DINIZ.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa e Márcio de Lacerda Martins.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa e Márcio de Lacerda Martins. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 95 0/ 20 07 -5 5 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001950/200755 Resolução nº 2202000.548 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, ELIZETE MORAES RIBEIRO DINIZ, foi lavrado o Auto de Infração referente ao anocalendário de 2002, exercício de 2003, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 104 a 123. 2 O valor lançado inclui imposto suplementar de R$1.047.783,23, multa proporcional de R$785.837,42, multa exigida isoladamente, no valor de R$397,80, e acréscimos moratórios cabíveis. 3 A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal às fls.110 a 119, versando sobre as seguintes infrações: o 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA; o 002 — MULTAS ISOLADAS. MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO NO ANOCALENDÁRIO DE 2002.. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes emissão RMFs de Requisição de informação sobre a movimentação financeira do fiscalizado de fls. 95 e 99. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001950/200755 Resolução nº 2202000.548 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001950/200755 Resolução nº 2202000.548 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001950/200755 Resolução nº 2202000.548 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 239DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001950/200755 Resolução nº 2202000.548 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011482/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade
Súmula CARF n° 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade Súmula CARF n° 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 14 82 /2 00 8- 15 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.011482/200815 Acórdão n.º 2801003.797 S2TE01 Fl. 77 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/FOR (Fls. 42), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza de Pessoa Física – IRPF relativa ao ano calendário 2005, exercício 2006, por meio da qual houve ajuste do saldo do imposto a restituir declarado de R$ 499,67 para saldo de imposto a pagar no valor de R$ 10.401,59, que, acrescido de multa de ofício e juros de mora, resultou em R$ 20.870,78. De acordo com a descrição dos fatos na Notificação de Lançamento, apesar de regulamente intimado, a contribuinte não atendeu a intimação, motivo pelo qual foram glosados os seguintes valores: R$ 7.020,00, deduzido a título de dependentes; R$ 6.753,00, deduzido a título de despesas médicas; R$ 1.441,38, deduzido a título de Contribuição à Previdência Privada/FAPI; R$ 10.990,00, deduzido indevidamente a título de despesas com instrução. Ademais, por meio do confronto entre os valores declarados e aqueles informados em Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – DIRF das fontes pagadoras, foi detectada omissão de rendimento na importância de R$ 15.081,87. Foi considerado o imposto retido informado pela fonte pagadora (R$ 452,46). A contribuinte foi intimada da Notificação de Lançamento em 21/06/2008 e apresentou impugnação em 06/08/2008, na qual, após expor seus argumentos quanto ao mérito, disse: Desta forma, o requerente solicita à Secretaria da Receita Federal do Brasil, unidade Fortaleza, revisão de oficio da Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n° 2006/603425110683028, no que tange ao campo glosa de Deduções Indevidas do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.011482/200815 Acórdão n.º 2801003.797 S2TE01 Fl. 78 3 Demonstrouse acima as despesas que efetivamente farão valer para fins de dedução do imposto devido, excluindo, portanto, algumas que foram demonstradas na Declaração do Imposto de Renda feito na época devida. Ressaltase ainda que devido ao transtorno ocorrido pela greve dos funcionários da ETC (Empresa de Correios e Telégrafos) não foi possível obedecer ao tempo hábil para impugnar o processo ora defendido, pois a requerente só teve ciência da Notificação de Lançamento faltando um dia para o término do prazo demonstrado nos termos dos arts. 14 a 17 e 23 do Decreto n° 70.235/72, com alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/93 e n° 9.532/97. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem não conhecer a Impugnação por Intempestiva, em decisão que restou assim ementada: ADMISSIBILIDADE DA IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. A impugnação com argumento em prol da sua tempestividade não acatado pela autoridade julgadora não instaura o contencioso administrativo com respeito às demais questões, uma vez que deixa de ser atendido requisito essencial para a sua admissibilidade. Cientificada em 28/02/2012 (Fls. 48), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/03/2012 (fls. 51 e 54), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Considerando que a ciência do auto de infração pela recorrente deuse em 21/06/2008 e que a sua impugnação foi protocolada em 06/08/2008, é notório que a peça da defesa foi interposta intempestivamente. No entanto a recorrente apresentou recurso voluntário, onde reitera as alegações da impugnação, que sequer foi apreciada no julgamento de primeira instância, dada a sua reconhecida intempestividade, e afirma que a impugnação é tempestiva. Com efeito, convém reproduzir a norma que aborda a matéria questionada pela recorrente, o art. 14 e 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, in verbis: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.011482/200815 Acórdão n.º 2801003.797 S2TE01 Fl. 79 4 “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Vêse que os dispositivos citados deixam claro que somente a impugnação, interposta dentro do prazo recursal, é instrumento jurídico hábil a instaurar o processo administrativo, sendo a tempestividade dessa, pressuposto intransponível para a prática do ato processual. Insta mencionar ainda, que este Conselho já decidiu diversas vezes, que o fato da impugnação ser intempestiva, não instaura o processo administrativo fiscal e só cabe ao colegiado se pronunciar sobre matéria que venha a se insurgir contra a declaração de intempestividade propriamente dita, ou seja, caso o recorrente alegue que não houve intempestividade. Da mesma forma entendeu o Superior Tribunal de Justiça – STJ ao julgar, em 05 de abril de 2011, o Resp 1240018 – SC, de relatoria do Ministro Humberto Martins no tocante a questão de nuance idêntica. “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.A RTS. 14 E 15 DO DECRETO N. 70.235/72. APLICABILIDADE AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS PEREMPTOS E NÃO ÀS IMPUGNAÇÕES 1. Discutese nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. 2. O tribunal de origem, soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, o que justifica o não cabimento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. 3. Depreendese da interpretação dos art. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72 que a falta da impugnação da exigência, no prazo preconizado de trinta dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. 4. Aplicase o art. 35 do Decreto n. 70.235/72 aos casos em que o próprio caso próprio recurso voluntário é considerado perempto, e não quando a impugnação da exigência não é conhecida em face da intempestividade. Recurso Especial Improvido.” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.011482/200815 Acórdão n.º 2801003.797 S2TE01 Fl. 80 5 A recorrente afirma que a impugnação deve ser reconhecida como tempestiva haja vista que a notificação do lançamento foi entregue ao porteiro do seu prédio, e que, como a mesma estava de férias, não a recebeu em tempo hábil. Ocorre que a Súmula CARF n 9, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, já pacificou o entendimento que é valida a ciência da notificação realizada nestes moldes; in verbis: Súmula CARF n° 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dessa forma, dada a jurisprudência pacífica, tanto no conselho quanto no STJ, entendo ter sido correta a decisão recorrida, que não conheceu a impugnação, posto que, de fato, o litígio administrativo só se instaura com a impugnação apresentada tempestivamente. Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000276/97-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996/
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado depois de decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não deve ser conhecido, por se ter operado a perempção.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESSARCIMENTO Recorrente REFINADORA CATARINENSE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996/ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado depois de decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não deve ser conhecido, por se ter operado a perempção. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório O presente litígio decorre de pedidos de ressarcimento de crédito presumido do IPI (efl. 1/ss), de que trata a Lei nº 9.363/96, regulamentada pela Portaria MF nº 38, de 1997, e Instruções Normativas SRF nº 21/97, 23/97 e 103/97. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 02 76 /9 7- 60 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10909.000276/9760 Acórdão n.º 3202001.289 S3C2T2 Fl. 658 2 Em 25/08/1999, os pedidos de ressarcimentos foram indeferidos pelo Inspetor da Receita Federal em Itajaí, conforme despacho decisório de fl. 168. O contribuinte manifestou tempestivamente sua inconformidade, conforme documentos anexados às folhas 172 a 175. A DRJ – Porto Alegre, através do Acórdão nº 655, de 04/04/2002 (fls. 455/464) deferiu em parte a solicitação do contribuinte. Contudo, a decisão foi anulada por acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 531/537). Em 11 de outubro de 2007, a DRF – Florianópolis, mediante o Despacho Decisório de fls. 566/567, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade (fls. 575/590). Em 05/11/2008, a DRJ – Ribeirão Preto – SP proferiu o Acórdão nº 14 21.294 deferindo parcialmente a manifestação de inconformidade apresentada (fls. 609/ss). A interessada foi regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Ribeirão Preto em 16/12/2008, conforme documentos anexados à folha 624 (correspondente às efls. 631/632). O Recurso Voluntário foi interposto, intempestivamente, em 30/01/2009, conforme documentos anexados às folhas 626/639 (correspondentes às efls. 634/647). A unidade de origem exarou o despacho de fl. 642 (efl. 650) informando que o recurso voluntário era intempestivo e encaminhou o processo ao antigo Conselho de Contribuintes para prosseguimento. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, por ter sido interposto intempestivamente. Determina o art. 33 do Decreto no 70.235/72 que é cabível recurso voluntário dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão”. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10909.000276/9760 Acórdão n.º 3202001.289 S3C2T2 Fl. 659 3 Por sua vez, o art. 35, também do Decreto no 70.235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que julgará a perempção: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção”. Com efeito, a Intimação DRF/FNS/SEORT nº 2008/586, emitida pela autoridade competente da DRF Florianópolis – SC, notificando a empresa da decisão de primeira instância foi entregue no dia 16/12/2008 (3ª feira), via Correios com AR – Aviso de Recebimento, ao domicílio fiscal declarado pelo contribuinte, conforme pode ser atestado à folha 624 (efls. 631/632). Desta feita, o prazo para interposição de seu recurso voluntário teve início em 17/12/2008 (4ª feira) e encerrouse 16/01/2009 (6ª feira), de acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Todavia, o recurso só veio a ser oposto em 30/01/2009 (folhas 626/639), portanto, fora do prazo previsto na legislação. A Recorrente silenciou sobre a interposição do recurso após o decurso do prazo legal. Os prazos para interposição de impugnações e recursos estabelecidos no Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, são fatais, de forma que as petições da espécie apresentadas além dos prazos de lei não devem ser conhecidas nas instâncias administrativas julgadoras. Em face do exposto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de, em sede de preliminar, não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 659DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.013674/2002-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2002
INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO
As receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais das instituições de educação e assistência social para os quais foram criadas são isentas da Cofins, desde devidamente comprovados os requisitos para a sua fruição.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Fabiola Cassiano Keramidas e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Ana Paula Schincariol Lui, OAB/SP nº 157.658, advogada do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Fabiola Cassiano Keramidas e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Ana Paula Schincariol Lui, OAB/SP nº 157.658, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO As receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais das instituições de educação e assistência social para os quais foram criadas são isentas da Cofins, desde devidamente comprovados os requisitos para a sua fruição. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Fabiola Cassiano Keramidas e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Ana Paula Schincariol Lui, OAB/SP nº 157.658, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 36 74 /2 00 2- 14 Fl. 957DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela Primeira Câmara da do Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2002 (...) ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL. IMUNIDADE OU ISENÇÃO. CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO. As entidades de assistência educacional, sem fins lucrativos, estão dispensadas do pagamento da Cofins, desde que atendidas as exigências do art. 55 da Lei no 8.212/91. (...) Recurso negado. Contra a UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR UCSAL, já qualificada nos autos, foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins, relativa aos períodos de apuração de 02/1999 a 02/2002, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada não atende aos requisitos legais para a fruição da exação e declarou à SRF valores menores do que os calculados com base em seus registros contábeis, tudo conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/29. Tempestivamente a contribuinte insurgese contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 146/207, cujos argumentos de defesa estão sintetizados às fls. 473/476 do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA manteve o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SDR no 04.399, de 28/11/2003, cuja ementa apresenta o seguinte teor: COFINS. IMUNIDADE. A exclusão do campo de incidência das contribuições previdenciárias impõe normas excepcionais para enquadrar apenas as entidades beneficentes de assistência social. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.013674/200214 Acórdão n.º 9303003.059 CSRFT3 Fl. 423 3 Reconhecida a natureza de contribuição social da Cofins, perde o sentido discutirse a imunidade do art. 150, VI, ‘c’, da Constituição Federal, porque restrita aos impostos. A imunidade insculpida no § 7º do art. 195 da Constituição Federal de 1988 diz respeito às entidades beneficentes de assistência social. COFINS. ENTIDADES ISENTAS. A partir da competência abril/99, as entidades sem fins lucrativos educacionais que não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimentos a pessoas carentes, gozarão da isenção das contribuições para a seguridade social, nas proporções do valor das vagas cedidas integral e gratuitamente a carentes. Ciente da decisão de primeira instância em 29/12/2003, fl. 505, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/01/2004, que foi negado, conforme ementa transcrita acima, no qual repisa as alegações da impugnação, a seguir resumidas: 1 é uma instituição de ensino sem fins lucrativos, beneficente de assistência social e atende aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da condição de imune prevista nos arts. 150, inciso VI, alínea “c”, e 195, § 7o, da Constituição Federal de 1988, que lhe confere o direito de não ser contribuinte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS; 2 o procedimento de fiscalização contém vícios formais relacionados ao MPF (procedimento realizado fora do prazo de validade do MPF e alcançou períodos não autorizados, sendo inválido os Termos de Intimação e os MPF/C); 3 o auto de infração é nulo porque inexiste prévio Termo de Suspensão de Imunidade para os períodos autuados e o STF suspendeu, na ADI no 1.8023, a eficácia do § 1o e alínea “f” do § 2o, ambos do art. 12, arts. 13 e 14, da Lei no 9.532/97, aplicandose os termos do artigo 1A do Decreto no 2.346/97, com as alterações do Decreto no 3.001/99; 4 possui Medida Cautelar no 2002.01.00.0122904 determinando que o Delegado da Receita Federal da 5a Região Fiscal se abstenha de proceder à lavratura de Termo de Suspensão de Imunidade em relação aos exercícios de 1998, 1999 e 2000; 5 a autoridade fiscal trata a questão da imunidade/isenção da Cofins com alusão ao art. 55 da Lei no 8.212/91 e, se assim fosse, seria necessária a aplicação do previsto no § 8o do art. 206 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto no 3.048/99; 6 não há como desconstituir a relação entre a mantida e a mantenedora existente entre a UCSAL e a Associação porque as duas entidades representam uma unidade econômica, existindo a Associação para manter a UCSAL, em decorrência de exigências contidas na legislação educacional, no que ratifica o Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS e o Conselho Nacional de Assistência Social CNAS; 7 tanto a UCSAL quanto a Associação são consideradas, nos termos da lei, como entidade filantrópica, tendo a recorrente obtido o reconhecimento de Entidade Beneficente de Assistência Social, junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, emitido desde 1993, sucessivamente renovado, conforme certificado que anexa; Fl. 959DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 8 a Associação e a UCSAL são uma unidade econômica, sendo a primeira a mantenedora da segunda, e não há autonomia entre as duas, exceto didáticoadministrativa da UCSAL; 9 em momento algum admitiu que não estava “enquadrada” como entidade imune.O que afirmou foi que cumpre as condições previstas no art. 55 da Lei no 8.212/91 e do art. 14 do CTN; e 10 é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. A contribuinte interpôs Recurso Especial com os mesmo argumentos anteriormente expostos. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. As matérias trazidas a esse nobre colegiado são a necessidade de expedição de ato declaratório de suspensão de imunidade prévio ao lançamento de contribuições sociais e a aplicação do art. 55 da Lei 8.212/91, para fins de verificação dos prérequisitos da imunidade tributária prevista no § 7º do at. 195 da Carta Magna. Como se pode depreender do voto vencedor, toda a sua fundamentação se deu no não cumprimento das exigências contidas no at. 55 da Lei 8.212/91 Também as alegações da alegação da recorrente vão no mesmo sentido, alegando que ela é que ela seria imune à exigência da Cofins. Dessa forma, teria deixado de recolher a contribuição devida e que a empresa teria informado se tratar de uma entidade sem fins lucrativos e isenta em relação à exigência da Cofins. Alega o seu direito com fundamento em duas normas constitucionais: o art. 150, inciso VI, alínea “c”, e o § 7º do art. 195, ambos da Constituição Federal. Também cita e pugna pela aplicação do art. 14 do CTN, até porque é nessa linha que seguem os acórdãos apresentados como paradigmas. Também a PGFN, em suas contrarrazões, pede que seja preservado o acórdão recorrido, com a mesma fundamentação exposta no voto vencedor, qual seja, o não cimprimento dos requisitos constantes no art. 55 da Lei 8.212/91. Embora, a recorrente não atenda ao disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, para efeito de se beneficiar da isenção, de fato imunidade, da Cofins sobre seu faturamento, a exigência desta contribuição, em nosso entendimento, continua tendo amparo legal, eis que a exigência fiscal também constatou que não foram atendidas as exigências da MP 5.15835, transcrita abaixo, nas partes relevantes para o presente processo. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.013674/200214 Acórdão n.º 9303003.059 CSRFT3 Fl. 424 5 Houve uma alteração legislativa em 24/8/2001, com aplicação retroativa a 1º de fevereiro de 1999, que passou a dispor sobre a isenção de Cofins sobres as receitas relativas às atividades próprias de instituições de educação e assistência social. Assim dispõe a MP nº 5.15835, de 24/8/2001: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...); X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...).” Por sua vez, o artigo 13, estabelece: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...). III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...).” Com a referida MP, devese verificar se as receitas são oriundas de atividade própria da instituição e que atenda aos requisitos previstos no art. 12 da Lei 9.532/1997. Caso seja feita essa comprovação as receitas ali enquadradas serão isentas. Não basta apenas comprovar que as receitas são próprias, senão todas as entidades que prestam serviços educacionais serão isentas. Ocorre que a autuada também não comprovou que atende aos requisitos acima expostos, conforme se pode depreender da leitura do texto legal. Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 961DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. § 3 ° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) § 4o A exigência a que se refere a alínea “a” do § 2o não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 5o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 4o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, Fl. 962DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.013674/200214 Acórdão n.º 9303003.059 CSRFT3 Fl. 425 7 diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) O auto de infração foi lavrado sob a alegação de pagamento a menor da Cofins e que a autuada não faz jus aos requisitos legais para o gozo da isenção/imunidade. Tal benefício seria somente para as entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social e não abrangeria as instituições de educação. Essa afirmação, ao meu ver, está correta na primeira parte, porém não está na segunda, quando afirma que o benefício não abrangeria as instituições de ensino. Pode sim abranger as instituições de ensino, desde satisfaçam os requisitos previstos em lei, o que não foi devidamente comprovado pela recorrente, que se ateve somente a apresentar o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos emitido pelo INSS. Tal documento é necessário mas não suficiente para a concessão da imunidade. Ademais, os documentos apresentados em nome da associação não servem para o pleito de imunidade de outra entidade autônoma que é a recorrente. O art. 55, § 2º da Lei 8.212/91 é explícito nesse sentido. Esse artigo foi revogado, mas era vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Artigo 55 Fica isenta das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei n. 9.732, de 11 de dezembro de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo acrescentado pela Lei n. 9.732, de 11 de dezembro de 1998). § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo acrescentado pela Lei n. 9.732, de 11 de dezembro de 1998). § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n. 9.732, de 11 de dezembro de 1998). Ainda, o relator da instância a quo transcreveu a parte conclusiva do Relatório de Diligência Fiscal, que " a ASSOCIAÇÃO não existe de fato, posto que não realiza qualquer operação contábil é tem patrimônio irrisório (R$ 1,00), não dispondo, portanto, de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização do seu objeto. Consta no estatuto da entidade a atividade de prestação de serviços educacionais. Faltou porém a comprovação dos requisitos legais para a fruição do benefício. "Art. 4º — A Universidade Católica do Salvador ... tem como objetivos fundamentais, abrangentes do ensino superior, da pesquisa e da extensão: I — ministrar o ensino superior em todas as suas modalidades; II — realizar investigação e a pesquisa científicas, III — concorrer para o desenvolvimento da comunidade, atenta aos princípios da solidariedade e de respeito à dignidade e às liberdades essenciais da pessoa humana;" Pode até haver o direito à isenção pleiteado pela recorrente. Ocorre que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.013674/200214 Acórdão n.º 9303003.059 CSRFT3 Fl. 426 9 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. Como já mencionado, as partes, durante todo o processo se ativeram aos argumentos de terem, ou não , sido satisfeitos os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, sendo que o auto de infração, também foi fundamentado no descumprimento dos requisitos da MP 5.15835, embora houvesse uma acusação com base legal concomitante com o art. 55, acima mencionado. Pelo princípio do livre convencimento do juiz (julgador) insculpido no Código de Processo civil, o julgador não precisa se ater aos fundamentos e provas trazidos pelas partes, sendo livre para formar a sua convicção, inclusive por outros argumentos ou provas não suscitados pelas partes. Aqui se aplica tal princípio eis que a fundamentação do presente voto não esteve presente no acórdão recorrido, nos paradigmas e tampouco no Recurso Especial. Assim, as receitas operacionais que correspondem àquelas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais e econômicos da recorrente estão isentas da Cofins, desde comprovada a satisfação dos requisitos exigidos em lei, o que não ocorreu no presente caso. O relator Walber José da Silva ainda enumerou todos os requisitos necessários à fruição da isenção e que não foram cumpridos pela recorrente, em que pese ter afirmado nos recursos que todos eles foram cumpridos (fl. 802). A primeira matéria trazida fica prejudicada visto que não há que se falar em ato declaratório de suspensão de imunidade, visto que não há imunidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 965DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Fl. 966DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002108/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF n. 43).
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (Súmula CARF n.º 63).
Constatada a moléstia grave, mediante laudo oficial, o marco inicial para o início da isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão é a data de emissão do laudo ou a data do início da doença, se esta for indicada no laudo pericial.
Hipótese em que a Recorrente comprovou ter recebido proventos de aposentadoria ou pensão e ser portadora de moléstia grave desde março de 2004.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF n. 43). Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (Súmula CARF n.º 63). Constatada a moléstia grave, mediante laudo oficial, o marco inicial para o início da isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão é a data de emissão do laudo ou a data do início da doença, se esta for indicada no laudo pericial. Hipótese em que a Recorrente comprovou ter recebido proventos de aposentadoria ou pensão e ser portadora de moléstia grave desde março de 2004. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF n.º 63). Constatada a moléstia grave, mediante laudo oficial, o marco inicial para o início da isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão é a data de emissão do laudo ou a data do início da doença, se esta for indicada no laudo pericial. Hipótese em que a Recorrente comprovou ter recebido proventos de aposentadoria ou pensão e ser portadora de moléstia grave desde março de 2004. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 21 08 /2 00 8- 81 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 91/97) interposto em 06 de janeiro de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) (efls. 81/84), do qual a Recorrente teve ciência em 09 de dezembro de 2011 (efl. 90), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 48/52, lavrada em 28 de janeiro de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificadas no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preenche os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e o outro que relacionase à existência da moléstia tipificada no texto legal. Há que se observar o que determina o Código Civil atual, em seu artigo 1767, uma vez que o portador de alienação mental se torna incapaz para os atos da vida civil. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Impugnação Improcedente” (fl. 81). Não se conformando, a curadora da Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 91/97), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11543.002108/200881 Acórdão n.º 2101002.566 S2C1T1 Fl. 133 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II decidiu que, por ter a contribuinte assinado sua peça de defesa, embora tenha alegado estar representada por sua filha em decorrência de sua curatela, não fazia jus ao benefício da isenção do imposto (inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88). A Recorrente afirma por sua vez ser beneficiária da norma de isenção supramencionada, que ampararia sua moléstia grave, qual seja, doença de Alzheimer. De acordo com o dispositivo supra, ficam isentos do imposto de renda: “XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. Dispondo sobre essa isenção, a Lei 9.250/95, em seu art. 30, veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7. 713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." § 1º. O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2°. Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 1713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).” Da simples leitura dos dispositivos supracitados concluise que o contribuinte para gozar da isenção ora em discussão deve cumprir três requisitos, quais sejam: i) os rendimentos percebidos pelo interessado devem ser rendimentos de aposentadoria; ii) estar o interessado acometido de moléstia grave prevista no rol do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88; iii) ser a moléstia comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Aplicável, portanto, ao presente caso, a Súmula CARF n. 43, que tem a seguinte redação: “Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” Portanto, o fato de a Recorrente ter assinado sua petição não afasta seu direito à isenção, tendo em vista que o requisito para que a pessoa faça jus a ele é o de estar acometida por moléstia grave, fato que se observa in casu. Cumpre ressaltar que a regra do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, tem como objetivo maior isentar do IRPF os proventos de aposentadoria de pessoas acometidas por moléstia grave, devido, justamente, a sua condição. Desta feita, tendo em vista que os rendimentos percebidos pela Recorrente são rendimentos de aposentadoria (fls. 19 e 30), que ela está acometida de moléstia grave prevista no rol do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 (fls. 38, 39 e 42) e que a moléstia é comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial do Estado do Rio de Janeiro (fl. 130), estão cumpridos os requisitos supramencionados, fazendo jus a Recorrente aos benefícios constantes da norma de isenção. A própria Receita já deferiu pedidos idênticos da Recorrente (Processos 11543.002109/200826 e 11543.002110/200851), existindo ainda precedentes favoráveis à sua pretensão no CARF (Acórdãos 2102002.951, 2102002.526 e 2801003.535). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10860.000976/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa).
Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos CONHECER PARCIALMENTE o recurso voluntário, não o conhecendo quanto ao pedido de restituição. Na parte conhecida, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros RONNIE SOARES ANDERSON (Relator), que dava provimento parcial, e JACI DE ASSIS JÚNIOR que acompanhou o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
(Assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández, redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos CONHECER PARCIALMENTE o recurso voluntário, não o conhecendo quanto ao pedido de restituição. Na parte conhecida, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros RONNIE SOARES ANDERSON (Relator), que dava provimento parcial, e JACI DE ASSIS JÚNIOR que acompanhou o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 09 76 /2 00 9- 52 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON CARF Nota 2 (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. (Assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández, redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SP2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 7.989,60, relativo ao anocalendário 2008. A autuação decorreu da compensação indevida de imposto de renda concomitante com a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação previdenciária. Em síntese, o contribuinte ofereceu à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) os valores recebidos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) já líquidos do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), ao invés de informálos como rendimentos tributáveis pelo seu valor total, descontados os honorários advocatícios, e computar a indigitada retenção no ajuste, dado o seu caráter antecipatório. Em sede de impugnação, o contribuinte arguiu que: os rendimentos notificados como omitidos são proventos de aposentadoria recebidos através de Ação Revisional junto à Justiça Federal, sendo porém isentos pela sua natureza; a Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100 teve sentença de procedência proferida, sendo a União condenada a devolver a todos os segurados, pensionistas ou beneficiários, tanto da Previdência Social, quanto da Assistência Social, os valores descontados a título de imposto de renda que incidiram sobre benefícios recebidos com atraso; há posicionamentos administrativos e jurisprudenciais reconhecendo que, em casos similares, o imposto de renda não deve incidir sobre o valor total, mas sobre cada uma das parcelas devidas e não pagas na época própria, observandose as alíquotas e legislação então vigentes, do que restariam serem isentos tais rendimentos; elaborou nova DAA retificadora, a qual, considerando os proventos de aposentadoria isentos e nãotributáveis, resulta em restituição. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 137 3 Pleiteou, como fecho, que os rendimentos em foco fossem considerados isentos e nãotributáveis, “cancelandose a presente notificação de lançamento, e em consequência a restituição do imposto no valor de R$ 102.169,14, devidamente corrigido na data da efetiva restituição, e por ser de JUSTIÇA”. A instância recorrida manteve integralmente o lançamento, sumarizando seu entendimento em acórdão assim ementado: IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no ano calendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial para obtenção de benefício previdenciário não têm caráter indenizatório e estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/9/2011, reiterando as razões e o pedido da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Cumpre, inicialmente, negar conhecimento ao recurso no que tange ao pedido de restituição, por absoluta falta de interesse em recorrer. O lançamento realizado, e a respeito do qual foi estabelecido o presente contencioso, constituiu crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos e de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, não versando sobre negativa de pedido de restituição eventualmente formulado pelo contribuinte. Não há assim nos autos, ato administrativo desse jaez que possa ser reformado por esta via recursal, a qual se configura, portanto, sem utilidade para esse fim. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 O contribuinte parece procurar transformar o presente litígio em espécie de ação reconvencional, intento o qual, na ausência de previsão legal em sede administrativa e respeitandose os limites da lide instaurada, não merece prosperar. Sendo assim, não admito o recurso no particular. No restante, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O recorrente postula, em síntese, que os rendimentos recebidos acumuladamente em função da Ação Revisional Previdenciária nº 2004.61.210040112 sejam tidos por isentos e nãotributados, pois se calculado o imposto de renda mensalmente, tomando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, estariam estes dentro das respectivas faixas de isenção legais, quedando insubsistente a autuação. A matéria em tela é tormentosa e ainda controversa no seio das Turmas que compõem a 2ª Seção do CARF, merecendo, conseqüentemente, ser sua análise realizada no devido passo. Dos regimes de apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Breve escorço histórico pode evidenciar, sem maior estorvo, que o regime geral tradicionalmente abraçado pelo direito pátrio para o IRPF foi o denominado regime de caixa, desde o início de sua regulamentação com a edição do Decreto nº 16.581, de 4 de setembro de 1924: Art. 7º. Os rendimentos liquidos, produzidos no territorio nacional, são tributaveis na base dos realmente percebidos no anno immediatamente anterior ao exercicio financeiro em que o imposto é devido, observado o disposto neste capitulo (art. 31 da lei n. 4.625, de 31 de dezembro de 1922, e art. 3º da lei n. 4783 de 31 de dezembro de 1923). (...) §2º. Na determinação da base serão computados todos os rendimentos liquidos, percebidos no anno considerado, inclusive os originarios em apocha anterior. Nos ulteriores Decreto nº 17.390, de 26 de julho de 1926 (art. 41), Decreto Lei nº 4.178, de13 de março de 1942 (art. 22) e DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 (art.22), foi repetida a orientação supra, sem quaisquer exceções. O regime de competência adveio no ordenamento tãosomente com a edição da Lei nº 154, de 25 de novembro de 1947, mais precisamente mediante o disposto nos seus arts. 7º1 e 14. Posteriormente, esse regime teve como supedâneo legal o art. 19 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, o qual parcialmente transcrevo: 1 Lei nº 154, de 25/11/1947. Art 7º Poderão ser redistribuídos, pelos exercícios financeiros a que se referirem, para efeito do pagamento do impôsto de renda, os rendimentos do trabalho recebidos cumulativamente, em virtude de sentenças judiciais ou administrativas. Parágrafo único. Para efeito da aplicação do disposto neste artigo, não corre a prescrição qüinqüenal, de que trata a legislação do impôsto de renda. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 138 5 Art. 19. Para efeito de tributação poderão ser distribuídos por mais de um exercício financeiro os rendimentos recebidos acumuladamente em determinado ano: I Como remuneração de trabalhos ou serviços prestados em anos anteriores e em montante que exceda de 10% (dez por cento) dos demais rendimentos do contribuinte no ano do recebimento, se o recebimento acumulado resultar: a) de anterior incapacidade financeira do devedor para pagá los; b) de disputa judicial ou administrativa sôbre o respectivo pagamento; c) de estipulação contratual prevendo o recebimento acumulado ou final, nos casos de honorários ou remunerações dos profissionais liberais; (...). Essa lei teve como última referência regulamentar o art. 521 do Decreto nº 85.450, de 4 de dezembro de 1980 (RIR/80), que dispunha que “os rendimentos pagos acumuladamente serão considerados nos meses a que se referirem”. Importante mudança ocorreu, entretanto, com a introdução do sistema de bases correntes mensais dado o advento da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. A inovação aconteceu com a substituição do sistema de apuração anual do imposto de renda pelo ajuste mensal do tributo, o que levou o legislador a estabelecer, buscando coerência com esse ordenamento, o regime de caixa para todos os rendimentos recebidos, inclusive os de modo acumulado, conforme explicitado no art. 12 desse diploma2: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Essa sistemática vigorou somente para o anocalendário de 1989, sendo retomado o tradicional ajuste anual do imposto, com a possibilidade de antecipações mensais, a partir da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990. No entanto, o art. 12 da Lei nº 7.713/88 permaneceu incólume, afastando a aplicação do regime de competência para o IRPF. Art 14. Executamse da regra do art. 22, parágrafo único do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, os honorários de advogado referentes a cada causa ou serviços prestados durante mais de um ano civil, recebidos em uma ou mais prestações, e que serão considerados proporcionalmente, para o efeito do cálculo do impôsto de renda, em tantos anos base quantos forem os da duração da causa ou serviço. Igualmente se procederá com relação aos honorários ou salários profissionais, como os dos médicos, engenheiros ou arquitetos, em cada serviço que dure mais de doze meses, e também em relação ao prêmio ou vintena do testamenteiro nos inventários que não se encerrem dentro de um ano. Ainda assim se procederá com as pensões, salários ou vencimentos totais ou em partes, devidos em mais de um exercício, se recebidos após habilitação ou pleito demorado, observandose as demais prescrições regulamentares que não contrariem o disposto neste artigo, sendo que, em todos êsses casos, para o pagamento do impôsto não correrá o prazo prescricional estabelecido na lei fiscal. 2 Registrese que as disposições em contrário quedaram expressamente revogadas por força do art. 58 da referida lei. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 A respectiva mudança regulamentar veio com o Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/94), que revogou de modo expresso o RIR/80 pelo seu art. 3º, e prescreveu, em seu art. 61, caput, que “no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária”. Somente com a publicação da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 12A na Lei nº 7.713/88, é que voltou a existir, por força das modificações ali incluídas, o regime de competência para o tributo focado. Vale lembrar que, indo ao encontro da sistemática de caixa para o imposto de renda, tratou o art. 46 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, de regrar o respectivo regime de retenção na fonte: Art. 46. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1° Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2° Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês de pagamento. Concluise, desse breve retrospecto históriconormativo, que desde o advento do art. 12 da Lei nº 7.713/88, até a publicação da Lei nº 12.350/10, inexistiu fonte formal de direito que amparasse o cômputo do imposto de renda pessoa física pelo regime de competência. Complementando essa conclusão, merecem ser referidos dois pontos. Primeiro, que a Lei nº 7.713/88 continua em pleno vigor, inclusive no tocante ao seu art. 12, não havendo sido proferida decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que a tenha expurgado do ordenamento ou lhe dado interpretação divergente da imediatamente apreendida pela leitura do seu enunciado, em que pese a existência de repercussão geral sobre o tema tendo como paradigmas os Recursos Extraordinários nº 614.332/AM e 614.406/RS. Segundo, que inexiste atualmente ato administrativo da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) com força normativa e cogente, que prescreva como deve ser o posicionamento dos órgãos do Ministério da Fazenda acerca da questão. O Ato Declaratório PGFN nº 1, publicado em 14/5/2009, e que estabelecia a aplicação do regime de competência na espécie, com supedâneo no Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331, de 26 de outubro de 2010, editado em razão dos já mencionados Recursos Extraordinários em repercussão geral no STF. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 139 7 Dito isso, cabe passar a análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria, e de suas conseqüências para os julgamentos deste colegiado. Do STJ e da decisão em sede de recurso repetitivo. Não obstante os termos da legislação acima referida, o STJ, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, vem entendendo que deve ser aplicado o regime de competência no caso de rendimentos recebidos acumuladamente em face de decisão judicial, devendo o cálculo do imposto considerar os meses aos quais se referirem tais rendimentos. Mediante pesquisa realizada em 30 acórdãos3 desse Tribunal, sendo o mais antigo publicado em 4/9/2003 (REsp nº 538.137), e o mais recente publicado em 24/6/2014 (REsp nº 1420607), pôdese apreender a existência das teses jurídicas centrais que ampararam esse posicionamento. Tais acórdãos versaram, em sua maioria (16), sobre questões previdenciárias, mas há também número significativo trazendo casos envolvendo servidores públicos (7) e relações trabalhistas (7). Desde já cabe adiantar a conclusão de que as ratio decidendi a seguir sumarizadas, que justificaram a não incidência do regime de caixa nos respectivos casos concretos foram aplicadas, indistintamente, a essas diferentes situações. Eis as razões de convencimento: 1) Ato ilegal da fonte pagadora (29 acórdãos): a fonte pagadora, ao não pagar tempestivamente os valores devidos, teria cometido ato ilícito em virtude do qual o contribuinte não poderia ser penalizado. Mais grave ainda se delineia a situação no caso da fonte pagadora ser o Estado, beneficiário último da arrecadação da exação, por restar violado o princípio geral do direito segundo o qual a ninguém é dado beneficiarse de sua própria torpeza. 2) Violação de princípios constitucionais: isonomia (24 acórdãos), legalidade (22 acórdãos), e capacidade contributiva (6 acórdãos). 3) Violação de princípios gerais do direito: vedação ao enriquecimento sem causa (21 acórdãos) e razoabilidade (5 acórdãos). 4) Equidade no direito tributário (22 acórdãos). 3 Foram pesquisados os seguintes Recursos Especiais, aqui identificados pelo seu número e data de publicação: 1ª Turma: 583.137 (4/9/2003), 492.247 (3/11/2003), 424.225 (19/12/2003), 505.081 (6/4/2004), 719.774 (4/4/2005), 617.081 (29/5/2006), 789.029 (14/5/2007), 901.945 (16/8/2007), 1.047.343 (4/2/2009), 2ª Turma: 659.008 (14/3/2005), 723.196 (30/5/2005), 399.949 (7/4/2006), 383.309 (7/4/2006), 783.724 (25/8/2006), 759.183 (19/3/2007), 899.576 (22/3/2007), 897.314 (28/2/2007), 852.333(4/4/2008), 704.845 (16/9/2008), 1.075.700 (17/12/2008), 1.119.133 (20/9/2010), 1.420.607 (24/6/2014) 5ª Turma: 613.996 (15/6/2009). E, ainda, as seguintes decisões: AgRg REsp: 1.055.182 (1/10/2008), 641.531 (21/11/2008), 1.069.718 (25/5/2009), 1.023016 (21/9/2009), 1.049.109 (9/6/2010). AgRg no Ag 1.079.439 (7/12//2009) e AgRg no AREsp 41.782 (7/3/2012). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 5) Harmonização dos arts. 12 da Lei nº 7.713/88 c/c o art. 521 do Decreto nº 85.450/80 – já revogado, observese (26 acórdãos) e 46 da Lei nº 8.541/92 (11 acórdãos) com os fundamentos acima aludidos. Não cabe aqui aprofundar o mérito ou analisar mais detalhadamente cada um dos fundamentos supra. O escopo é mais modesto. Pretendeuse apenas verificar a eventual existência de relação entre o tipo de matéria fática subjacente à causa (previdenciária, trabalhista ou administrativa) e as correspondentes ratio decidendi presentes nas decisões, de maneira a conformar alguma espécie de critério de julgamento em função daquela variável. No levantamento realizado, entretanto, constatouse que essas razões de decidir são utilizadas de modo múltiplo e intercambiável nos acórdãos examinados, os quais, por sua vez, se retroalimentam mutuamente com vistas à formação dos respectivos precedentes. Nos casos em que os rendimentos acumulados tinham origem trabalhista por exemplo, os acórdãos dos REsp nº 759.183/SC e nº 704.845/PR os fundamentos da decisão em nada diferiam, em sua essência, dos casos em que se tratava de revisão de benefícios previdenciários. Apenas havia uma escolha pessoal do relator do voto condutor por este ou aquele precedente, o qual poderia ser a decisão de um caso em que as verbas controvertidas provinham, v.g., de diferenças de URP, ou, ainda, de outro no qual os valores decorriam de reclamatória trabalhista. Bem demarcada essa constatação, cabe frisar, noutro giro, que a jurisprudência reiterada do STJ sobre o tema culminou na prolação da decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção segundo o rito firmado no art. 543C (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. A controvérsia fática ali tratada versou, consoante descrito pelo Ministro Relator, sobre o modo de cálculo do imposto de renda retido na fonte pelo INSS, incidente sobre os valores recebidos com atraso e acumuladamente a título de benefício previdenciário Podem ser identificadas diretamente as seguintes ratio decidendi na decisão: ato ilegal da administração (mora indevida do INSS) e violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Além disso, há referência a cinco precedentes daquele tribunal, sendo que um abordou rendimentos de origem administrativa (AgRg no Ag nº 1.079.439/SP) e nos restantes as verbas eram decorrentes de matéria previdenciária (REsp nº 901.945/PR, nº 897.314/PR, nº 783.724/RS, nº 617.081/PR e AgRg no Resp nº 641.531/SC). Perscrutando os respectivos precedentes desses recursos especiais, pôde ser verificado que suas fundamentações abarcam praticamente todas as teses jurídicas mais acima assinaladas como principais razões para o afastamento do regime de caixa na incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Notese, também, que ambos Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 140 9 os precitados Resp nº 783.724/RS e AgRg no REsp nº 641.531/SC fazem referência explícita ao precedente contido no REsp nº 383.309/SC, o qual versou sobre importâncias pagas em decorrência de ação trabalhista. Temse, dessa maneira, que os precedentes da decisão em sede de recurso repetitivo abrangem varias situações de fato, no tocante à natureza dos rendimentos sujeitos à tributação. Trilhando essa senda, o próprio STJ vem aplicando, em julgados posteriores, as conclusões do indigitado paradigma para todas as decisões em que seja enfrentado o tema da incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, independentemente da natureza das verbas percebidas – vejase, nesse sentido o AgRg no Ag nº 1.049.109/RS e o AgRg no REsp nº 434.044/SP. Do exposto, fica difícil sustentar a posição, por nós inicialmente adotada, segundo a qual o entendimento firmado no REsp nº 1.118.429/SP estaria adstrito ao caso de percepção de rendimentos acumulados vinculados a questões de natureza previdenciária, pois a tese ali desenvolvida não se particulariza em função dessa qualidade. Com efeito, desde o julgamento dos acórdãos que estabeleceram o paradigma abraçado naquela decisão, a saber, os REsp nº 538.137/RS (Rel. Ministro José Delgado, DJe de 4/9/2003 – precatórios), nº 492.217/RS (rel. Ministro Luis Fux, DJe de 3/11/2003 – revisão benefícios previdenciários) e nº 424.225/SC (Rel. Ministro Teori Zavascki, DJe 19/12/2003 – sentença trabalhista), temse que o tipo de rendimento recebido por força de decisão judicial não se revela motivo determinante para a afirmação dos precedentes formados. Calha destacar que a exegese dos precedentes, no intuito de se extrair a norma geral criada no julgamento realizado sob o rito de recursos repetitivos, deve ser efetuada de maneira sistemática, conforme costumam demandar os enunciados legislativos, ainda que respeitando os aspectos individuais dos casos abordados. Abraçar entendimento em prol da interpretação literal do julgado configura se assim, com a devida vênia das posições em sentido contrário, desarrazoado, pois não se pode entender que o STJ, apenas no julgamento do REsp nº 1.118.429/SP, e contrariamente a toda a jurisprudência que lhe antecedeu e que lhe foi subsequente, pretendeu limitar a aplicabilidade da multifacetada ratio decidendi ali erigida aos casos que versam sobre rendimentos de origem previdenciária, tal e qual um ponto fora da curva hermenêutica. Isso posto, concluo comungando do entendimento de que a tese jurídica assentada no REsp nº 1.118.292/SP é a de que os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, independentemente da natureza das verbas sujeitas à percepção intempestiva, devem sofrer a incidência do imposto de renda levandose em consideração as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido adimplidos. Da aplicação do precedente do STJ Reza o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 1.118.292/SP, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento do recurso repetitivo, no caso em exame. Nesse aspecto, acompanho o posicionamento predominante nesta Turma, considerando que a aplicação do entendimento do STJ nessas situações implica em efetiva mudança de critério jurídico no lançamento. Antotese que o lançamento se pautou no art. 12 da Lei nº 7.713/88 para fins de disciplinar a incidência e o modo de cálculo do imposto de renda, em interpretação literal do enunciado legal. Já a decisão em recurso repetitivo afastou interpretação do gênero, com base em princípios constitucionais e gerais do direito, bem como nas ratio decidendi mais acima enumeradas, prescrevendo que o cálculo do tributo leve em conta os meses a que se referirem os rendimentos. Em outras palavras, as definições de alíquota aplicável e faixas de isenção do imposto devem seguir dispositivos legais diversos dos utilizados na apuração do lançamento vergastado, consubstanciando real modificação de critério jurídico, dada a mudança na valoração jurídica dos fatos, a ser realizada em função da aplicação do paradigma judicial. Muito embora tais aduções, ouso divergir do entendimento majoritário neste colendo Colegiado, segundo o qual nos casos em que há mudança de critério jurídico deve ser a exigência cancelada. Esse tratamento da questão não me parece ser o mais adequado, dadas as considerações que passo a tecer. O art. 146 do Código Tributário Nacional dispõe: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Mister ponderar, na espécie, sobre qual é a finalidade dessa norma, pois, como já lecionava Celso Antônio Bandeira de Mello4, “o que explica, justifica e confere sentido a uma norma é precisamente a finalidade que a anima. A partir dela é que se compreende a racionalidade que lhe presidiu a edição. Logo, é na finalidade da lei que reside o critério norteador de sua correta aplicação, pois é em nome de um dado objetivo que se confere competência aos agentes da Administração”. E a finalidade da norma em tela, conforme ampla e abalizada doutrina e jurisprudência, é a proteção da confiança e boafé do contribuinte, ao resguardálo de possíveis mudanças nos critérios jurídicos adotados pela administração tributária. Contudo, não há falar em afronta à proteção dessa confiança legítima do contribuinte, quando a alteração no entendimento vai ao encontro de seus interesses, lhe sendo mais benéfica e ocorrendo sob a guarida da restauração da legalidade, assim entendida no caso como a aplicação da norma jurídica de alcance geral estabelecida em sede de recurso repetitivo pelo STJ. 4 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 97. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 141 11 O mestre Luciano Amaro, superando a mera interpretação literal, e enfrentando o tema sob o ponto de vista teleológico, observa com percuciência: Parece evidente que o dispositivo procura traduzir norma de5 proteção ao sujeito passivo. Quem aplica critério jurídico de lançamento é a autoridade (já que se trata de atividade que é dela privativa). A autoridade, portanto, é que está impedida de aplicar o novo critério em lançamentos relativos a fatos geradores já ocorridos antes de sua introdução. Nessa ordem de idéias, o preceito só cabe nos casos em que o novo critério jurídico beneficia o Fisco, restando proibida, nessa hipótese, sua aplicação em relação ao passado. (grifei) Por sua vez, a doutrina de Alberto Xavier6, ao abordar o tema do erro de direito, assim se manifesta no que se refere à possibilidade de se alterar o lançamento quando as mudanças jurídicas são mais favoráveis ao particular: A ininvocabilidade do erro de direito desempenha uma função garantística, decorrente do princípio da segurança jurídica, tendente a proteger a estabilidade das situações jurídicas individuais que tenham sido objeto de atos declaratórios em relação a alegada defeituosa aplicação do direito por iniciativa de autoridade administrativa, que tem o dever funcional da sua correta aplicação mediante a prática de atos dotados de ‘presunção de legalidade’. Esta proibição só deve prevalecer, no entanto, se o ato de revisão for desfavorável para o particular, pois só neste caso se justifica a função garantística da limitação; se o ato de revisão for favorável, nenhuma razão existe para limitar a plena apreciação da legalidade do ato, pelo que entendemos que a revisão não está submetida aos fundamentos rígidos do artigo 149 do Código Tributário Nacional, podendo, portanto, operar se com base em erro de direito. (grifei) Em sentido similar, colhamse as palavras de Ricardo Lodi Ribeiro7 ao analisar o art. 146 do CTN: Tratandose de dispositivo que tutela a confiança do contribuinte, nenhum óbice existe quanto à retroatividade de interpretação mais benéfica, pois, nesse caso, a restauração da legalidade não encontra oposição na segurança jurídica. Apontando os dois interesses para o mesmo lado, não há que se falar em ponderação. (grifei) Não bastassem as lições doutrinárias de escol acima compartilhadas, merece registro o fato de que há diploma normativo que prevê expressamente a retroatividade de novel entendimento da administração tributária mais benéfico ao sujeito passivo, quando lançado em Solução de Consulta, qual seja, o parágrafo único do art. 100 do Decreto nº 7.574, de 29 de 5 AMARO, Luciano.Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2007, 13ª edição, p.353. 6 XAVEIR, Alberto. Do lançamento no Direito Tribútário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 3ª edição, p.272. 7 RIBEIRO, Ricardo Lodi. A Proteção da Confiança Legítima do Contribuinte. RDDT nº 145, out/07, p. 99. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008. 10ª edição, p.994 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 12 setembro de 2011 (que regulamentou o art. 48, § 12, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996): Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. À evidência, não há notícia de insurgência por parte dos contribuintes, frente a essa norma, suportada em eventual alegação de violação do art. 146 do CTN, obviamente por ela lhes ser significativamente mais favorável, ao conciliar o princípio da isonomia com o princípio da proteção da confiança. Registrese que o STJ ainda não enfrentou a questão sob o enfoque ora trazido, rejeitando, nos casos que analisou, tãosomente as mudanças de critério jurídico que acarretaram prejuízo ao sujeito passivo, consoante pesquisa no respectivo repertório de jurisprudência revela. Não é difícil perceber que isso se deve, fundamentalmente, e de modo similar ao caso do parágrafo único do art. 100 do Decreto nº 7.574/11, dantes mencionado, ao fato de que, quando eventual novo entendimento da administração tributária passa a ser mais favorável ao contribuinte, a este não remanesce qualquer interesse em agir para restabelecer o status quo anterior. Vale citar, de todo modo, as seguintes decisões ilustrativas: REsp nº 810.565/SP (DJe 3/3/2008) e EDCl no REsp nº 1.174.900/RS (DJe 9/5/2011). Neste último acórdão, o respectivo relator, Ministro Mauro Campbell Marques, assim asseverou em sua fundamentação: Em virtude do princípio de proteção à confiança, o citado art. 146 impede a revisão do ato administrativo de lançamento tributário em desfavor do contribuinte pela alteração dos critérios jurídicos empregados pela autoridade administrativa "em relação a um mesmo sujeito passivo". Ou seja, a autoridade administrativa não poderia adotar novos critérios, ou dar interpretação diversa à norma tributária que institui o tributo, para o fim de determinar a ocorrência de fato gerador e mensurar a obrigação principal.(grifei) Interpretar que critérios jurídicos mais favoráveis não podem retroagir é, ao fim e ao cabo, incompatível com o próprio desiderato protetivo do contribuinte insculpido no art.146 do CTN. Restariam violados o princípio da isonomia (pois quedaria o contribuinte prejudicado em relação aos demais que viessem a se beneficiar do novel entendimento mais favorável) e da legalidade (ao negarlhe a proteção do controle da legalidade levado a efeito pela administração, no caso, com base na decisão do STJ). Traduzse, assim, em exegese que acarreta inequívoco prejuízo e contradição com os fins do mencionado diploma. A par disso, e em sentido convergente com as razões supra, é de se notar que não há empecilho, a priori, para que a autoridade julgadora altere o lançamento. Pelo contrário, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 142 13 é essa possibilidade que dá ensejo, em última análise, a própria existência do contencioso administrativo tributário, ex vi do art. 145, I do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; (...) Importante frisar que o caso em tela difere substancialmente dos julgados administrativos em que se considerou inviável a alteração do lançamento, optandose por cancelar a exigência. Na espécie, a modificação a ser efetuada advém da aplicação cogente, por força do art. 62A do RICARF, de norma jurídica geral desenvolvida e consolidada no âmbito do STJ. Nessa esteira, como se procurou demonstrar à saciedade mais acima, essa aplicação não encontra óbice no disposto no art. 146 do CTN, pois dela exsurge situação mais favorável ao contribuinte frente à imposição tributária original. Não se trata, à evidência, da execução de um novo lançamento, mas sim de alterar o lançamento já realizado à luz de, repitase, novo critério jurídico mais benéfico para o contribuinte. E, de uma maneira fundamental, deve ser destacado que não há falar em violação do princípio da ampla defesa ou do devido processo legal face à modificação do lançamento a ser realizada, pois é justamente essa modificação que o contribuinte buscou quando interpôs o recurso voluntário sob apreciação, ao defender a aplicação no caso em comento do multicitado entendimento do STJ acerca da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Enfim, em virtude das razões acima expendidas, tenho que a melhor solução no caso concreto é, com amparo no inciso I do art. 145 do CTN ou seja, a partir da existência de permissivo legal expresso no sentido da possibilidade de se alterar o lançamento no bojo do contencioso fiscal determinar que seja procedida a modificação do lançamento em conformidade com os critérios jurídicos mais benéficos ao contribuinte assentados na decisão do STJ no REsp nº 1.118.292/SP , exarada sob o rito do art. 543C. Ante o exposto, voto por não conhecer do pedido de restituição, e, no mérito, no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo os autos retornarem à repartição de origem para que seja realizado o recálculo do imposto de renda considerandose as tabelas e alíquotas de incidência vigentes à época em que originalmente devidos os rendimentos. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Voto Vencedor Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 14 Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, redator designado. Em que pese o bem fundamentado voto do i. relator, divirjo quanto à possibilidade de refazimento do lançamento na atual fase processual. Explico e fundamento. Nos termos do voto do relator, a superveniência do decidido em sede de repetitivo pelo STJ, pela impossibilidade de aplicação do regime de caixa ao recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de ação judicial, importaria em modificação do critério jurídico do lançamento, aplicável retroativamente em caráter excepcional ao crédito tributário impugnado, por se tratar hipoteticamente de situação mais benéfica ao contribuinte. Por isso, possível ordenar, em sede recursal, à autoridade lançadora, a aplicação das alíquotas vigentes à época do recebimento dos valores, em evidente novo lançamento. Entretanto, a premissa utilizada para a aplicação retroativa do decidido em sede de repetitivo, qual seja, a de ser mais benéfica ao contribuinte autuado, não se justifica. Isso porque, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídas por opção do contribuinte à época. Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal diversa daquela reconhecida como correta pelo STJ, ficou reconhecido que a autoridade fiscal se utilizou de critério jurídico equivocado, o que afetou substancialmente a constituição do crédito tributário. A adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência prejudicou a correta quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e por consequência, o valor do tributo devido, caracterizandose em insanável vício material. O próprio Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas expostas pela RFB, indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ, reconheceu a necessidade de oportunizar aos contribuintes a retificação das informações prestadas, como único meio de se chegar ao valor tributável correto do IRPF: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 143 15 pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que a manutenção da exigência representaria novo lançamento com outro critério jurídico, o que é expressamente vedado pelo artigo 146 do CTN. Ademais, não compete a este órgão de julgamento, ainda mais em adiantada fase recursal, refazer o lançamento com critérios jurídicos distintos daqueles utilizados à época, mas tão somente exercer o controle de legalidade em sede contenciosa, caracterizado pelas suas limitações quanto à alteração de alguns aspectos da hipótese de incidência, base de cálculo e alíquotas. Nesse sentido, alguns precedentes deste E. Sodalício no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 16 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013) (grifos meus). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013) (grifos meus). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos meus) Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. Quanto ao não conhecimento do pedido de restituição, com o relator. É o meu voto. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2802002.924 S2TE02 Fl. 144 17 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10711.008718/98-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 19/09/1998
VISTORIA ADUANEIRA. FORÇA MAIOR REQUISTO PARA SUA COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR NÃO CARACTERIZADA. AGENTE MARÍTIMO - SOLIDARIEDADE COM O TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO.
Para que seja excluída a responsabilidade do transportador, em evento de avaria, deve-se provar o caso fortuito ou a força maior, e que tais ocorrências sejam registradas em protestos formados a bordo do navio, e que tais protestos, necessariamente, devem ser ratificados por autoridade judiciária competente. À mingua dessa ratificação, não há falar-se em exclusão da responsabilidade.
O agente marítimo, nos termos da legislação aduaneira, responde solidariamente pelos tributos devidos pelo transportador estrangeiro do qual é representante.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 19/09/1998 VISTORIA ADUANEIRA. FORÇA MAIOR REQUISTO PARA SUA COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR NÃO CARACTERIZADA. AGENTE MARÍTIMO - SOLIDARIEDADE COM O TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. Para que seja excluída a responsabilidade do transportador, em evento de avaria, deve-se provar o caso fortuito ou a força maior, e que tais ocorrências sejam registradas em protestos formados a bordo do navio, e que tais protestos, necessariamente, devem ser ratificados por autoridade judiciária competente. À mingua dessa ratificação, não há falar-se em exclusão da responsabilidade. O agente marítimo, nos termos da legislação aduaneira, responde solidariamente pelos tributos devidos pelo transportador estrangeiro do qual é representante. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki.
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FORÇA MAIOR REQUISTO PARA SUA COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR NÃO CARACTERIZADA. AGENTE MARÍTIMO SOLIDARIEDADE COM O TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. Para que seja excluída a responsabilidade do transportador, em evento de avaria, devese provar o caso fortuito ou a força maior, e que tais ocorrências sejam registradas em protestos formados a bordo do navio, e que tais protestos, necessariamente, devem ser ratificados por autoridade judiciária competente. À mingua dessa ratificação, não há falarse em exclusão da responsabilidade. O agente marítimo, nos termos da legislação aduaneira, responde solidariamente pelos tributos devidos pelo transportador estrangeiro do qual é representante. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 87 18 /9 8- 12 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 171 a 175) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 165 a 169) que, no mérito, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, entendendo que no presente caso, em procedimento de vistoria aduaneira, a força maior é notória e está devidamente comprovada nos autos, excluindo sua responsabilidade sobre os impostos devidos na operação. Os presentes autos tratam, em síntese, de mercadorias extraviadas transportadas por navio que enfrentou o furacão “Bonnie” em águas internacionais no hemisfério norte, devidamente manifestadas em Nota de Protesto (fls. 85 a 89) apresentada nos Estados Unidos. Posteriormente, outro navio trouxe as mercadorias avariadas para o Brasil, atracando no Porto do Rio de Janeiro. Considerando esse panorama fático, diante da constatação de que a mercadoria chegou avariada e imprópria para consumo, entendeu a Colenda Câmara a quo (i) que não seria o caso de aplicação do disposto no artigo 480 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, que exige para comprovação da ocorrência de força maior que, no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronaves somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. Além disso, apontou a (ii) inexistência de prejuízo à Fazenda Nacional. O v. acórdão recorrido possui a seguinte ementa: VISTORIA ADUANEIRA — FORÇA MAIOR — EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. O Regulamento Aduaneiro é omisso quanto ao aceite de nota de protesto marítimo lavrado na forma da jurisdição, usos e costumes praticados fora de nossas fronteiras. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado Recurso Especial, alegando, em síntese, contrariedade ao artigo 480 do Regulamento Aduaneiro, porquanto teria faltado a comprovação de ratificação pela autoridade judiciária brasileira da nota de protesto. A Fazenda Nacional alegou, ainda, ter sofrido prejuízo em virtude da incidência de tributos sobre o valor agregado da mercadoria, no momento de seu retorno ao território nacional, ocasião em que teria se concretizado o fato gerador do imposto de importação. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.008718/9812 Acórdão n.º 9303002.314 CSRFT3 Fl. 233 3 O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 176 a 179. Contrarrazões às fls. 192 a 198, em que se apontou, em síntese, que o Regulamento Aduaneiro é omisso quanto ao aceite de nota de protesto lavrada na forma de jurisdição internacional e que o comandante do navio que passou pelo furacão (força maior) adotou todas as providências cabíveis, nos termos da legislação vigente no país em que o navio atracou, após ter passado por tal fenômeno natural. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional deve ser conhecido. Inicio o voto pela análise da necessidade da ratificação, por autoridade judiciária brasileira, da nota de protesto emitida pelo capitão do navio que passou pelo furacão, a comprovar as avarias causadas. A Recorrente sustenta que a nota de protesto deveria ter sido ratificada pela autoridade judiciária brasileira em virtude da inexistência de acordo internacional firmado entre os dois países, devendo, neste caso, serem respeitados os requisitos e exigências impostos pela legislação brasileira. A meu ver, este entendimento não merece ser acolhido. Vejamos o que estabelece o artigo 480, § 1º, do Regulamento Aduaneiro de 1985: Art. 480. Ao indicado como responsável cabe a prova de caso fortuito ou força maior que possa excluir sua responsabilidade. § 1º. Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronaves somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. Depreendese da leitura do referido artigo que os protestos firmados a bordo de navio ou aeronave devem ser ratificados por autoridade judiciária competente. No presente caso, após passar pelo furacão Bonnie, o navio que transportava as mercadorias ora tratadas atracou nos Estados Unidos da América, em virtude de sua localização geográfica. Em seguida, outro navio transportou tais mercadorias, já avariadas, ao Porto do Rio de Janeiro. Ao atracar nos Estados Unidos, o capitão do navio atuou de maneira a formalizar os fatos de acordo com as leis americanas, agindo de acordo com as determinações da jurisdição local. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Entendo ter agido o capitão de maneira correta, em virtude da omissão da legislação brasileira em tal situação. Inexiste, no caso, sujeição às normas brasileiras, pois o navio sequer encontravase em território nacional. Vale ressaltar, ainda, que pelas informações constantes na nota de protesto, o navio enfrentou os efeitos de um furacão quando navegava em águas internacionais, restando evidente, mais uma vez, a ausência de sujeição à legislação brasileira. Face à omissão da legislação quanto à hipótese específica dos autos, aplicável o artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, abaixo transcrito: “Art. 4ºQuando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito”. Nestes termos, entendo ser incabível a aplicação do artigo 480, §1º do Regulamento Aduaneiro de 1985 ao presente caso, restando observados os requisitos da legislação do local onde o navio atracou após passar pelo furacão e, consequentemente, regularmente operados os efeitos do protesto. Superada tal questão, passo à análise da prova da força maior, a qual, além de não ser refutada pela autoridade fiscal, entendo estar cabalmente demonstrada pelos documentos apresentados pela Recorrida. Aliás, sem prejuízo da documentação, destaco que o furacão ocorrido à época foi um fato notório, de conhecimento geral, amplamente divulgado na mídia, independendo, deste modo, de prova, nos termos do artigo 334 do Código de Processo Civil: “Art.334.Não dependem de prova os fatos: I notórios; (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade”. Indubitável, assim, a ocorrência de força maior, restando afastada a responsabilidade sobre os tributos incidentes na operação, em virtude da observação da legislação do primeiro local em que o navio atracou após passar pelo furacão. Não há justificativa, portanto, na mesma linha de entendimento do v. acórdão recorrido, para não se levar em consideração o conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos para comprovação da ocorrência de força maior. O voto proferido pelo relator na Colenda Turma a quo, a propósito, que transcrevo abaixo e também acolho como razão de decidir, asseverou o seguinte, verbis: (...) A decisão recorrida não acatou a tese da recorrente sob a alegação de que, não obstante a apresentação de diversos documentos, a nota de protesto não foi ratificada pela autoridade judiciária brasileira, a luz do que estabelece o § 1 0, do art. 480 do Regulamento Aduaneiro de 1985. Em suma, a negativa da decisão recorrida centrase na falta da comprovação de ratificação do protesto marítimo pela autoridade judiciária brasileira. Todavia, entendo que tal Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.008718/9812 Acórdão n.º 9303002.314 CSRFT3 Fl. 234 5 providência não foi tomada pela recorrente por absoluta impossibilidade de fato e de direito. Primeiro, porque o navio que enfrentou o furação não é o mesmo que transportou as mercadorias (já avariadas) até o Porto do Rio de Janeiro. O capitão deste navio não teria nada a ratificar. Segundo, porque o capitão do navio que encontrou o furacão tomou todas as providências de acordo com a legislação vigente no primeiro porto que chegou. Assim, encampo a tese da recorrente no sentido de que o Regulamento Aduaneiro é omisso quanto ao aceite de nota de protesto marítimo lavrado na forma da jurisdição, usos e costumes praticados fora de nossas fronteiras. Assim, o protesto firmado a bordo de acordo com a lei do local onde ocorreram os fatos não está sujeito à ratificação pela autoridade judiciária brasileira. A força maior está devidamente comprovada nos autos, é inequívoca, para não dizer que é notória (que independe de prova). Portanto, entendo que a recorrente não pode ser responsabilizada por um fato que não deu causa, bem como pela sua ilegitimidade de requerer em juizo a homologação do juramento do capitão de um navio que sequer atracou no Pais trazendo as mercadorias avariadas. Esclareço, outrossim, que quanto ao mérito, diz a decisão de primeiro grau de jurisdição administrativa que há incidência do Imposto de Importação sobre o valor agregado à mercadoria. Discrepo, pois, a mercadoria já chegou avariada. Tornouse imprópria para consumo a que se destina. Assim, voltando mercadoria, em tese, da mesma forma em que foi exportada, não há o que se falar em prejuízo à Fazenda Nacional. Por fim, entendo inexistir prejuízo à Fazenda Nacional no presente caso. Isto porque, ainda que a responsabilidade da Recorrida não tivesse restado afastada, existe nos autos laudo oriundo de vistoria técnica de avaliação das perdas sofridas pelo material, preparado por engenheiro designado pela própria Secretaria da Receita Federal (Alfândega do Porto do Rio de Janeiro), a avaliar as condições da mercadoria, concluindo pela sua avaria e, consequentemente, sua condição de imprópria para o uso (fls. 29 a 57), inexistindo valor agregado que justifique a incidência de qualquer tributo. Mantenho, deste modo, a decisão proferida pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, uma vez que a Recorrida “não pode ser responsabilizada por um fato que não deu causa, bem como pela sua ilegitimidade de requerer em juízo a homologação do juramento do capitão de um navio que sequer atracou no País trazendo as mercadorias avariadas”. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo, na íntegra, a decisão proferida pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate cingese à controvérsia sobre a responsabilidade do agente marítimo pelo crédito tributário que lhe fora exigido. A decisão de primeira instância manteve a exigência relativa ao imposto de importação, ao entender que a excludente de responsabilidade, prevista no art. 480 do Regulamento Aduaneiro de 1985, alegada pelo sujeito passivo, não o socorria em razão de que não fora satisfeita a condição prevista no § 1º do dispositivo legal citado, qual seja, a ratificação por autoridade judiciária brasileira da nota de protesto de avaria formada a bordo do navio. Em segunda instância, o julgamento foi favorável ao sujeito passivo, entendendo o Colegiado recorrido que: 0 Regulamento Aduaneiro é omisso quanto ao aceite de nota de protesto marítimo lavrado na forma da jurisdição, usos e costumes praticados fora de nossas fronteiras. Ao seu turno a PGFN apresenta recurso especial onde defende a manutenção da decisão de primeira instância. O relator votou pelo improvimento do recurso fazendário, entendendo que o capitão do navio atuou de maneira a formalizar os fatos de acordo com as leis americanas, agindo de acordo com as determinações da jurisdição local. Entendo ter agido o capitão de maneira correta, em virtude da omissão da legislação brasileira em tal situação. Inexiste, no caso, sujeição às normas brasileiras, pois o navio sequer encontravase em território nacional. A meu sentir, com todo respeito ao entendimento do nobre relator, entendo que o acórdão recorrido deve ser reformado de modo a se restabelecer a decisão de primeira instância, que bem interpretou a legislação de regência e pois as coisas em seu devido lugar. Consta dos autos que, após passar pelo furacão Bonnie, o navio que transportava as mercadorias ora tratadas atracou nos Estados Unidos da América, em virtude de sua localização geográfica. Em seguida, outro navio transportou tais mercadorias, já avariadas, ao Porto do Rio de Janeiro. Segundo o relator, ao atracar nos Estados Unidos, o capitão do navio teria atuado de maneira a formalizar os fatos de acordo com as leis americanas, agindo de acordo com as determinações da jurisdição local. Entendo, o nobre relator, ter agido o capitão de maneira correta, em virtude da omissão da legislação brasileira em tal situação. Inexiste, no caso, sujeição às normas brasileiras, pois o navio sequer encontravase em território nacional. Aqui começa divergência de entendimento deste conselheiro com o do relator, pois, a meu sentir, o fato de o capitão do navio haver formado o protesto abordo do navio, de ter agido de acordo com as leis norte americanas e de que o sinistro ocorrera em Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.008718/9812 Acórdão n.º 9303002.314 CSRFT3 Fl. 235 7 águas internacionais, em absoluto, não exime o transportador, de, ao atracar em um porto brasileiro, dirigirse à autoridade judiciária competente para ratificar o protesto forrmado a bordo da embarcação avariada. A Recorrente sustenta que a nota de protesto deveria ter sido ratificada pela autoridade judiciária brasileira em virtude da inexistência de acordo internacional firmado entre os dois países, devendo, neste caso, serem respeitados os requisitos e exigências impostos pela legislação brasileira. Com razão a Recorrente, pois, predita ratificação, nos termos do § 1º do art. 480 do Regulamento Aduaneiro de 1985, abaixo transcrito, é condição sine qua non para se excluir a responsabilidade do transportador. Art. 480. Ao indicado como responsável cabe a prova de caso fortuito ou força maior que possa excluir sua responsabilidade. § 1º. Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronaves somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. O dispositivo legal não deixa margem à dúvida, para que seja excluída a responsabilidade, devese provar o caso fortuito ou a força maior, e que tais eventos sejam registrados em protestos formados a bordo do navio, mas não é só, deve o protesto ser ratificado por autoridade judiciária competente, sem essa ratificação, não há falar em exclusão da responsabilidade. No caso dos autos, é incontroverso que não houve a ratificação exigida no 1º do art. 480 do Regulamento Aduaneiro de 1985, com isso, o protesto formado a bordo do navio, não produziu os efeitos legais. Por conseguinte, não houve a pretendida exclusão da responsabilidade aludida pela defesa. Notese, por oportuno, que a lei exige formalidade a ser observada pelo transportador na comprovação do caso fortuito ou força maior, que excluem sua responsabilidade pela avaria. Não é qualquer prova, é a prova indicada na lei, mais precisamente, o protesto formado a bordo do navio ratificado por autoridade judiciária competente. À mingua dessa prova não há falarse em exclusão de responsabilidade do transportador. De outro lado, o agente marítimo, nos termos do art. 32, parágrafo único, alínea "b", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 10 de setembro de 1988, responde solidariamente pelos tributos devidos pelo transportador estrangeiro do qual é representante. Por último, não se alegue a ausência de prejuízo à Fazenda Nacional para obstaculizar a autuação fiscal, pois, nos termos do 1art. 118 do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador do tributo deve ser interpretada abstraindose a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, e ainda, os efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 1 Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Daí, a ocorrência ou não de prejuízo à fazenda Nacional é, legalmente, irrelevante para definir a tributação. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MI RANDA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10480.727184/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Alice Grecchi Relatora
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Alice Grecchi Relatora (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 402 1 401 S2C1T2 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.727184/201380 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2102000.195 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 4 de novembro de 2014 Assunto IRPF Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA COOPVITA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Alice Grecchi – Relatora (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 06/06/2013 (fls. 03/11), contra a contribuinte acima qualificada, que exige crédito tributário no valor de R$ 6.247.978,52, composto do principal, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 06/2013, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente sobre rendimentos do trabalho assalariado (0561), relativo aos períodos do anocalendário de 2012 e do trabalho sem vínculo empregatício (0588), referente aos períodos dos anoscalendário 2008 a 2012. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 18 4/ 20 13 -8 0 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10480.727184/201380 Resolução nº 2102000.195 S2C1T2 Fl. 403 2 Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, em fls.14/18, foram declarados em DIRF a retenção de IRRF que não foi declarado em DCTF, nem recolhido, relativos a períodos dos anos calendários de 2008 a 2012. Cientificada da exigência tributária em 07/06/2013, e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a contribuinte apresentou impugnação em 02/07/2013 (fls. 302/309), acompanhada dos documentos de fls. 310/336, que em síntese, alega o que segue, conforme relatório da decisão a quo: Compensação do IRRF retido ( 1,5%) Tratandose de cooperativa de trabalho, contrata em nome de seus cooperados serviços que são por estes realizados. Em face dessa atividade sofre incidência tributária de acordo com o art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, havendo a retenção do percentual de 1,5% sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. Esse crédito pode ser compensado com os débitos perante a RFB, nos termos do art. 48 da IN RFB nº 1.300, de 2012 aqui transcrito: Art. 45. O crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, poderá ser por ela utilizado, durante o anocalendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados pessoas físicas. § 1° O crédito, mencionado no caput, que ao longo do ano calendário da retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos cooperados ou associados pessoas físicas poderá ser objeto de pedido de restituição depois do encerramento do referido ano calendário, bem como ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB. § 2º A compensação de que tratam o caput e o § 1º será efetuada pela cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, na forma prevista no § 1° do art 41. Destarte, conforme permissivo em comento, a impugnante detém um crédito aproximado no importe de R$ 711.143,48 (tendo em vista que não possui a informação detalhada do crédito retido para atualizar mês a mês) a ser compensado do montante do valor do tributo lançado, conforme demonstrado à fl. 304. Nessa senda, para fim de apurar o real valor devido, requer desde já que a autoridade tributante informe os valores retidos mês a mês e repassados à RFB por cada pessoa jurídica contratante da impugnante, utilizando os mesmos critérios que deram ensejo à apuração constante na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (Relatórios anexos ao Termo de Verificação), sob pena de inviabilizar a defesa da impugnante, nos termos do art. 16, inciso IV, do PAF, tendo em vista que só a Receita dispõe de tais informações. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10480.727184/201380 Resolução nº 2102000.195 S2C1T2 Fl. 404 3 Multa de ofício. Efeito confiscatório. Veda a Constituição Federal no artigo 150, IV, a utilização de tributo que tenha efeito confiscatório. As multas, tanto moratórias quanto de lançamento de ofício devem ter limites dentro do critério da razoabilidade. A multa capaz de conduzir o contribuinte a uma situação de indevida perda patrimonial deixa de ser razoável. A razoabilidade da multa estará intimamente ligada à própria proporcionalidade, que deve haver entre os fatos que deram causa e os efeitos alcançados pelo contribuinte. Se a própria multa inviabiliza o pagamento da obrigação principal pelo contribuinte, ou leva a um estado próximo da insolvência ou de penúria, ou seja de difícil satisfação, quando devem ser satisfeitas, inicialmente, obrigações inerentes à sua subsistência, à subsistência da família ou de seus empregados, não é razoável. Não se pode desconsiderar a capacidade contributiva do sujeito passivo. Será undue process of law. Não faz sentido, também, aplicar multa de lançamento de ofício no percentual máximo, nos casos em que a autuação do contribuinte se enquadre juridicamente em outra classe menos severa de punição, principalmente por ter havido comunicação do contribuinte ao Fisco, apontando os débitos formalmente apurados no período, ainda que haja deixado de recolhêlos aos cofres públicos. Requer diligência para que sejam informados os valores retidos na fonte e repassados à RFB, mês a mês, quando pago pela impugnante mediante os responsáveis tributários (tomadores dos serviços prestados pela impugnante) nos termos do art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, para fins de apurar valores a serem compensados com o valor do imposto devido. Requer que após apuração dos valores retidos seja promovida a compensação e que seja provido o pedido de revisão da multa pelos fundamentos aduzidos. Requer o fornecimento dos elementos necessários para solução do formulado no primeiro item ‘Dos Pedidos’, deferimento da prova pericial, para os fins de atualização monetária do valor compensável, utilizandose os índices que foram usados pela Autoridade Fiscal. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 FALTA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Constatada a falta de declaração em DCTF e de recolhimento do IRRF incidente sobre o rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, cabe o lançamento de ofício para exigência do imposto e seus consectários. COMPENSAÇÃO DE IRRF. A lei permite compensar o imposto retido pela fonte pagadora dos serviços prestados pela cooperativa por Fl. 404DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10480.727184/201380 Resolução nº 2102000.195 S2C1T2 Fl. 405 4 ocasião dos pagamentos dos rendimentos aos associados, devendo ser informados em Dirf os valores do IRRF que foram retidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1446.864 da 3ª Turma da DRJ/RPO em 07/03/2014 (fl. 364). Sobreveio Recurso Voluntário em 28/03/2014 (fl. 367/379), acompanhado dos documentos de fls. 380/394, no qual o contribuinte alegou, em síntese, o que segue: Nulidade do julgamento recorrido, sob o fundamento de que o julgador indeferiu o pedido de diligência, e que a administração pública não poderia se negar a fornecer informações sobre os valores retidos na fonte pelos tomadores dos serviços prestados pela recorrente para fins de apurar o valor a compensar, utilizando como fundamento legal o art. 7º, II da Lei de Acesso à Informação, Lei nº 12.527 de 2011. Sustenta que a recorrente, enquanto cooperativa de trabalho, contrata para seus cooperados e é tributada nos termos do art. 45 da Lei nº 8.541 de 1992, havendo a retenção do percentual de 1,5% sobre o imposto de renda. Diz que o voto condutor do acórdão guerreado considerou que a impugnante não contestou o lançamento, do IRRF incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado (Código 0561), alegando apenas que deveriam ser compensados os valores retidos pelos destinatários dos serviços prestados pela cooperativa, naturalmente com o IRRF incidente sobre o rendimento do trabalho não assalariado (0588) prestado pelos associados, e que esta conclusão encontrase recheada de equívocos, vez que: a) a impugnação quanto a natureza do tributo (IRRF) não se efetivou, porém, no que tange ao quantum, a impugnação ocorreu, posto que, em sendo admitida a compensação, com as correções mês a mês (desde que a recorrida preste as informações suscitadas na preliminar) é evidente que o valor devido será outro; b) não há que se falar em rendimento do trabalho assalariado, pois o que ocorreu e se encontra demonstrado é “rendimento de trabalho não assalariado”, haja vista que a base de Fl. 405DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10480.727184/201380 Resolução nº 2102000.195 S2C1T2 Fl. 406 5 cálculo adotada para a incidência da alíquota foi o rendimento (produção) obtido por cada cooperado, através da cooperativa recorrente. Assim, aduz que a impugnação contestou o lançamento, bem como que é direito do recorrente a compensação, nos termos do art. 156 do CTN. Ratificou a impugnação quanto aos efeitos confiscatórios da multa de ofício. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratase o presente processo de crédito tributário no valor de R$ 6.247.978,52, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente sobre rendimentos do trabalho assalariado (0561), relativo aos períodos do anocalendário de 2012 e do trabalho sem vínculo empregatício (0588), referente aos períodos dos anoscalendário 2008 a 2012, formalizado no Auto de Infração de fls. 03/13. Preliminarmente, sustenta a recorrente nulidade do julgamento de primeira instância, sob o fundamento de que o julgador indeferiu o pedido de diligência e que a administração pública não poderia se negar a fornecer informações sobre os valores retidos na fonte do IRRFPJ para fins de apurar o valor a compensar e utiliza como embasamento legal o art. 7º, II da Lei de Acesso à Informação, Lei nº 12.527 de 2011. A legislação permite compensar o imposto retido pela fonte pagadora dos serviços prestados pela cooperativa por ocasião dos pagamentos dos rendimentos aos associados: “Decreto nº 3000, de 1999 ( Regulamento do Imposto de Renda de 1999) Art. 652. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art.45, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 64). § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995, art.64, § 1º). § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou Fl. 406DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10480.727184/201380 Resolução nº 2102000.195 S2C1T2 Fl. 407 6 assemelhada comprove, relativamente a cada anocalendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro de Estado da Fazenda (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, § 2º).” Com efeito, da leitura do supracitado artigo, depreendese que o prestador do serviço que sofreu a retenção de 1,5%, poderá compensar com o imposto incidente sobre os rendimentos pagos aos associados.” (grifei) A própria decisão a quo, de forma implícita reconheceu o respectivo direito, como pode ser constatado no excerto a seguir transcrito:“a impugnante não contestou o lançamento, do IRRF incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado (código 0561), alegando apenas que deveriam ser compensados os valores retidos pelos destinatários dos serviços prestados pela cooperativa, naturalmente com o IRRF incidente sobre o rendimento do trabalho não assalariado (0588) prestados pelos associados”. O contribuinte alegou em impugnação e recurso que não compensou os créditos que faz jus, para comprovar suas alegações junta os documentos de fls. 330/334. Desta forma, com fundamento nos documentos acostados, fazse necessário converter o julgamento em diligência para que a repartição fiscal de origem confirme a existência nos sistemas da Receita Federal do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras relacionadas às folhas 330 a 334, em favor da recorrente. Em caso de confirmação, informe ainda se as respectivas retenções não foram utilizadas pela Recorrente, dando ciência à mesma do relatório da diligência, concedendolhe prazo de 30 dias para se manifestar. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para, que a Repartição Fiscal verifique a existência dos créditos fiscais constantes em fls. 330/334, em favor da recorrente, bem como informe se os mesmos já foram utilizados, e após, que seja intimada a recorrente para se manifestar. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 407DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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