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Numero do processo: 12466.001429/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 14 29 /2 01 0- 14 Fl. 1214DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1141.384, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, no qual não foi conhecida a impugnação apresentada. O presente processo administrativo traz lançamento para prevenir a decadência do direito de constituir créditos tributários de PIS/PASEPImportação e COFINS Importação, os quais, no momento da ocorrência do fato gerador, estavam com sua exigibilidade suspensa, devido a decisão antecipatória de tutela recursal concedida no Mandado de Segurança (MS) n° 2004.50.01.0052060. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido (fls. 1142 a 1148), em parte: A empresa importadora COTIA TRADING S/A submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias indicadas nas declarações de importação especificadas com recolhimento das exações previstas no art.1° da Lei 10.865, de 30/04/04, com base unicamente no valor aduaneiro, sem considerar o valor do ICMS e o das próprias contribuições, agindo assim beneficiada por decisão liminar no Mandado de Segurança (AMS) n° 2004.50.01.0052060/ 2006. A liminar inicialmente concedida autorizara a interessada a recolher as Contribuições especificadas, incidentes na importação, mediante a aplicação das respectivas alíquotas exclusivamente sobre o valor aduaneiro das mercadorias, conforme pedira. Posteriormente essa liminar foi revogada por decisão da lª Vara Federal Cível publicada no D.O.E. em 16/10/2006 (ver extrato de fls. 1.099). No período transcorrido entre a data da concessão da liminar e a da sua revogação, a importadora (autora no MS), ora impugnante, registrou Declarações de Importação (DI) aplicando as alíquotas das contribuições sociais (PIS e COFINS) sobre base de cálculo reduzida, aproveitando os termos concedidos na liminar precária. Informase nos presentes autos que o processo judicial se encontra em grau de apelação perante o TRF/2ª REGIÃO (vide fls.1.097/1.098). Em que pese a pendência de decisão judicial definitiva, a fiscalização decidiu lavrar o Auto de Infração (AI) objeto deste processo com o objetivo de constituir o crédito tributário, prevenindose assim a Fazenda Pública da decadência do crédito tributário pretendido. O AI abrange as DI’s registradas no período de 01/07/2005 a 30/09/2005 na Alfândega do Porto de Vitória/ES. A base de cálculo utilizada para os lançamentos efetuados obedece ao disposto na Lei n°10.865/2004, art.7°, I, e IN/SRF 552/05. Por meio de seus sistemas de controle a Receita Federal identificou as DI’s registradas pela empresa COTIA TRADING entre julho e setembro de 2005. No AI constam os números das DI’s e os créditos tributários a elas respectivamente relacionados (COFINS, fls.09/63vol. 1, e PIS, fls.442/496 – vol.3). O detalhamento dessas diferenças devidas está na planilha anexa (fls. 945/1.096). Para o cálculo do crédito tributário constituído com relação ao período especificado foram elaboradas as planilhas anexas, com base na Lei Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 12466.001429/201014 Acórdão n.º 3301003.254 S3C3T1 Fl. 1.215 3 nº 10.865/2004 e no disposto na Instrução Normativa (IN/SRF) nº 552/059 (ver fls.1.100/1.105). Constam às fls.03, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário objeto deste processo, os valoreslançados título de PIS/PASEP – Importação, COFINS – Importação, multa de ofício de 75% sobre o tributo devido, bem como estão indicados os juros de mora incorridos até o mês da autuação, [...]. Cientificada dos lançamentos, a interessada protocolou tempestivamente aimpugnação cujo teor integral se encontra às fls.1.107/1.121, a seguir resumida nos seguintes termos: 1. A Impugnante é empresa que realiza operações de importação e exportação, por conta própria ou de terceiros, bem como comercializa produtos importados no mercado interno. As importações estão sujeitas à cobrança do PISImportação e COFINSImportação. 2. Para sua surpresa foi autuada. A fiscalização entendeu que foram insuficientes os recolhimento das referidas contribuições incidentes nas importações especificadas. Mas não houve qualquer infração fiscal, conforme será demonstrado. 3. Da violação da base de cálculo prevista na CF/88, art.149, III, a. As contribuições em comento estão disciplinadas na Lei 10.865/2004, artigos 1º e 7º. Há flagrante inconstitucionalidade no inciso I do art.7º dessa Lei, na medida em que estabelece base de cálculo dessas contribuições de forma incompatível com o ordenamento constitucional vigente, conforme os termos postos às fls.1.111/1.119. Em resumo, conforme a melhor doutrina e jurisprudência, observadas as prescrições do art.195, §4º c/c o art. 154, I, da CF/88, a criação de outras fontes de custeio da Seguridade Social somente seria possível se instituída por meio de Lei Complementar (LC). 4. É importante esclarecer que uma decisão favorável à ora Impugnante não causará qualquer prejuízo ao Erário. Que em vista da não cumulatividade aplicada ao PIS e à COFINS para empresas no lucro real, como é o caso, embora seja menor o recolhimento de PIS e COFINS na entrada da mercadoria importada, na saída haverá recolhimento maior porque sendo revendedora das mercadorias por ela importadas, e recolhendo o PIS Importação e a COFINSImportação sobre uma base de cálculo menor do que a pretendida pela Receita Federal, isto é, calculada apenas sobre o valor aduaneiro, nos exatos termos trazidos pelo art. VII do GATT/1994, somente poderá se creditar do montante efetivamente recolhido na importação para a posterior compensação com o débito inerente à saída das mercadorias importadas (venda/faturamento). Na saída da mercadoria terá que pagar PIS e COFINS sobre o faturamento, cujo valor total efetivamente pago pela empresa não será alterado (soma do valor pago na importação e do valor pago na revenda), seja a ora impugnante vencedora ou não. 5. Em resumo, (1º) a Lei 10.865/2004, art. 7º, I, fere frontalmente a CF/88,art.149, §2º, III, a e o art.110 do CTN, (2º) As contribuições incidentes na importação previstas naquela Lei são novas fontes de custeio da Seguridade Social, e sua instituição exige LC, e (3º) A Lei 10.865/2004, art. 7º, I, não respeita o conceito de valor aduaneiro previsto no art. 77 do Decreto 4.543/2002 (RA/2002), violando o art.110 do CTN. Fl. 1216DF CARF MF 4 O citado acórdão decidiu pelo não conhecimento da impugnação, assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. NÃO SE CONHECE O MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO. A pendência de ação judicial com o mesmo objeto do pedido administrativo impede o conhecimento e apreciação do mérito coincidente pela autoridade julgadora administrativa, a qual deverá curvarse à decisão do Poder Judiciário que venha a transitar em julgado. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformada com o não conhecimento da impugnação, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1159 a 1183), ), alegando não haver identidade de objetos entre o auto de infração e a ação judicial. Pede que este Conselho enfrente a questão de mérito, entendendo inexistir qualquer infração fiscal. Preliminarmente, afirma a recorrente ter o STF declarado a inconstitucionalidade da base de cálculo da PIS e da COFINS Importação, no Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937, sob a sistemática da repercussão geral, reproduzindo ata de julgamento de 04/04/2013. Entende que a decisão da Suprema Corte "deve ser aplicada a todos os casos que envolvem a matéria, seja em âmbito administrativo, seja em âmbito judicial". Menciona o Parecer PGFN/CDA Nº 2025/2011 que vincularia a RFB às decisões dos tribunais superiores. Em nome do princípio da eventualidade, caso tal entendimento não seja abraçado por esta Turma, pede a recorrente que se verifiquem as questões de ordem meritória: violação da base de cálculo prevista no art. 149, III, da Constituição federal de 1988; necessidade de lei complementar para instituir e dispor sobre as bases de cálculo das contribuições em foco; e ausência de prejuízo ao Erário, posto que a empresa é optante da apuração pelo lucro real e que, nesse caso, com a sistemática de não cumulatividade das contribuições em pauta: "ela acabará recolhendo menos PIS e COFINS na entrada da mercadoria importada, mas na saída recolherá mais". Ao final, pede que o auto de infração em foco tenha seu trâmite sobrestado, enquanto se aguarda publicação da decisão do Supremo relativa à matéria e que caso assim não se entenda, pede que seja julgado improcedente/insubsistênte o auto de infração. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. Registrese que, na sessão de julgamento de 29 de março de 2017, patrono da contribuinte apresentou a esta Turma, cópia de Certidão emitida pela Justiça Federal, dirigida ao Inspetor da Alfândega da RFB no Porto de Vitória, dando conta do trânsito em julgado de acórdão, no referido processo judicial 2004.50.01.0052060. É o relatório. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 12466.001429/201014 Acórdão n.º 3301003.254 S3C3T1 Fl. 1.216 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O acórdão de primeiro grau decidiu por não conhecer da impugnação, com base no que determina a Súmula nº 1 do Carf: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Há de se mencionar também o Parecer Normativo (PN) Cosit nº 7/2014 (sucessor do Ato Declaratório COSIT nº 03, de 14/02/1996), no qual fica determinado que: A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Tais assertivas estão em consonência com o princípio da unicidade da jurisdição, este embasado no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Acrescentese que o referido Parecer Normativo Cosit observa o caráter de definitividade da renúncia às instâncias administrativas, como se depreeende dos enunciados abaixo: A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. A referida Súmula, bem como as determinações e a inteligência do citado Parecer Normativo Cosit não deixam dúvida sobre o acerto da decisão da Turma da DRJ: tendo o contribuinte proposto, em 2004, ação judicial, o MS n° 2004.50.01.0052060, Fl. 1218DF CARF MF 6 com o mesmo objeto do auto de infração em pauta; renunciou ele às instâncias administrativas, e o fêz de forma definitiva; sendo incabível apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, da matéria coincidente, não havendo outra providência, a não se não conhecer do recurso voluntário. Argumenta a recorrente pela inexistência de concomitância de objetos entre o processo administrativo e a ação judicial. Observa que o MS objetiva a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da base de cálculo da PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, como disposto na lei da época, ao passo que o auto de infração contempla operações de importação específicas. Diz que, como o auto de infração foi lavrado para prevenir decadência, deveria ficar sobrestado até o deslinde do MS. Não prospera a argumentação da recorrente. Ainda que a peça autuatória tenha sido lavrada para prevenir decadência, o que se discute no auto de infração é justamente a diferença nas contribuições em função de suposta (agora confirmada) inconstitucionalidade das bases de cálculo das contribuições segundo a Lei n° 10.865/2004. Se o lançamento se limita a determinadas operações, podese entender que , no que diz respeito a essas operações, o objeto é identico ao do citado MS. Ainda que não fosse esta a interpretação correta, o referido Parecer Normativo conclue que a propositura de ação judicial com objeto maior também enseja a renúncia as instâncias administrativas, ainda em consonância com o princípio da unicidade de jurisdição: a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Ainda assevera o citado PN Cosit, "a decisão judicial transitada em julgado [...] prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável". Ou seja, se há uma ação judicial de mesmo objeto e há, o MS n° 2004.50.01.0052060, a discussão deve ser lá decidida. Decidiu o STF que ainda que haja declaração de inconstitucionalidade de sua parte, esta não altera de forma automática decisões judiciais anteriores em sentido diverso; não se dispensando a interposição de recurso ou ajuizamento de ação rescisória; o que demonstra a inviabilidade da aplicação automática do RE 559.937 ao auto de infração em foco, por haver ação judicial a ele associada: Afirmase, portanto, como tese de repercussão geral que a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495) (STF, Sessão Plenária, RE 730.462, de 28.05.2015, rel. Min. Teori Zavascki). O Parecer PGFN/CDA Nº 2025/2011 de fato estabelece a vinculação RFB às decisões dos tribunais superiores, em determinadas circunstâncias; o que não se aplica ao caso Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 12466.001429/201014 Acórdão n.º 3301003.254 S3C3T1 Fl. 1.217 7 em pauta, pelos mesmos motivos expostos nos parágrafos anteriores; posta a definitividade da renúncia às instâncias administrativas; a prevalência da decisão judicial, quando do trânsito em julgado do MS citado, sobre a administrativa e a suprareferida decisão do STF sobre efeitos da declaração de inconstitucionalidade. O sobrestamento da decisão adminstrativa, constante do pedido da recorrente, além de não encontrar previsão legal, também soçobra diante da definitividade da renúncia às instãncias administrativas. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1220DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.928728/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Indefere-se arguição de nulidade por alegado cerceamento do direito de defesa, de despacho decisório proferido por autoridade competente, do qual constam informações completas sobre as fontes pagadores e valores de IRRF pleiteados e não confirmados, e que foi devidamente cientificado ao contribuinte.
PROVAS. ANÁLISE.
Descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ decorrente de retenções na fonte, se informações constantes da DIPJ e balancetes mensais da empresa não estão confirmados por documentos das fontes pagadoras.
Numero da decisão: 1201-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca, ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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NULIDADE. Indeferese arguição de nulidade por alegado cerceamento do direito de defesa, de despacho decisório proferido por autoridade competente, do qual constam informações completas sobre as fontes pagadores e valores de IRRF pleiteados e não confirmados, e que foi devidamente cientificado ao contribuinte. PROVAS. ANÁLISE. Descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ decorrente de retenções na fonte, se informações constantes da DIPJ e balancetes mensais da empresa não estão confirmados por documentos das fontes pagadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 87 28 /2 00 9- 73 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15374.928728/200973 Acórdão n.º 1201001.664 S1C2T1 Fl. 3 2 de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca, ausente Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo de Declarações de Compensação PER/DComp de págs. 45/49, em que o contribuinte requer o crédito de R$705.403,71 de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do período de apuração 31/12/2003, para compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório págs. 13, 43/49, reconheceu o crédito de SN IRPJ de R$681.754,06 e homologou em parte a PER/Dcomp inicial nº 04345. 28210 . 121104.1.3.02 2061, não homologando as demais, restando saldo devedor de R$26.880,51, exigido com multa e juros de mora; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 15/19, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ DRJ/RJ1 emitiu o Acórdão nº 1242.745, de 8 de dezembro de 2011, págs. 114/120, julgou improcedente. 3. Cientificado em 16/01/2012, pág. 129, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 15/02/2012, o recurso voluntário de págs. 132/136. 4. Advoga preliminar de nulidade do Despacho Decisório, devido a preterição ao direito de defesa, pois o Despacho Decisório se baseou em retenções na fonte não confirmadas, contudo não citou quais das retenções, declaradas pela ora recorrente, que não foram confirmadas, impedindo assim que a recorrente as pudesse contestar; não sendo incomum haver erro de informação em DIRF por parte das fontes pagadoras, a SRF deveria ter solicitado os comprovantes de retenção que respaldassem as informações lançadas na DIPJ e na PER/Dcomp. 5. No mérito, no que tange às compensações não reconhecidas, na composição do SN IRPJ anocalendário 2003, diz que entregou suas DCTF e informou os números das PER/Dcomp; e junta mais documentos, além dos que já havia apresentado na manifestação de inconformidade: a. Ficha 11 da DIPJ (Cálculo do IR Mensal por Estimativa); b. Ficha 12 A da DIPJ (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real); c. Ficha 53 da DIPJ (Demonstrativo do IRRF por Fonte Pagadora); d. Folha do balancete mensal, indicando os montantes de Estimativas pagas e/ou compensadas, bem como os saldos de IRRF. 6. Com base na jurisprudência que transcreve, reclama o direito de, no caso de fatos novos e se nesse caso se confirme(m) alguma(s) inconsistência(s) sanável(is) por entrega de Declaração(ões) retificadora(s), que se abra prazo para que a recorrente o faça, e ainda que seja reaberto o prazo recursal para a juntada de novas comprovações e demonstrativos. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15374.928728/200973 Acórdão n.º 1201001.664 S1C2T1 Fl. 4 3 7. Requer: I Que eventuais débitos lançados no c/c da empresa pela não homologação das compensações efetuadas sejam colocados imediatamente na situação de "Exigibilidade Suspensa" até a decisão definitiva do presente Recurso Voluntário; II O acolhimento da preliminar, com a decretação da nulidade total do Acórdão e a homologação das compensações efetuadas; e o cancelamento dos débitos exigidos e a homologação das compensações declaradas. Voto Conselheira Eva Maria Los 1 Nulidade do Despacho Decisório. 8. O pleito de nulidade é improcedente. 9. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, estatuem: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 10. Primeiramente, porque o Despacho Decisório foi proferido por autoridade competente, cujo nome, nº de matrícula e cargo: Auditor Fiscal da Receita Federal estão ali identificados, pág. 13. 11. Em segundo, porque o alegado cerceamento de defesa não ocorreu; conforme se verifica à pág. 44, estão perfeitamente identificadas as fontes pagadores, e os valores das retenções na fonte que a interessada pleiteou e que não foram confirmadas; e o Despacho Decisório foi devidamente cientificado à empresa, que pode apresentar sua manifestação de inconformidade. 2 IRRF. 12. Do total do crédito pleiteado no valor de R$705.403,71, foram confirmados R$681.754,06, porque R$23.649,11, de IRRF não foram confirmados, conforme detalhados à pág. 44, onde foram listadas as retenções de IRRF não confirmadas nos registros da RFB, págs. 59/112. 13. A Recorrente não anexou qualquer comprovante dos valores não confirmados, mas aos quais alega ter direito. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15374.928728/200973 Acórdão n.º 1201001.664 S1C2T1 Fl. 5 4 14. As Fichas da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, e balancete mensal que anexou ao recurso voluntário, não são hábeis a comprovar o IRRF faltante. 15. Por isso, descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ decorrente de retenções na fonte, se informações constantes da DIPJ e balancetes mensais da empresa não estão confirmados por documentos das fontes pagadoras. 3 Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000953/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1994 a 30/04/1994
PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL.
As contribuições lançadas sujeitam-se ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional. Verificando-se o decurso do prazo independentemente da regra aplicada (Art. 173, I ou Art. 150 4o do CTN) opera-se a decadência.
Numero da decisão: 2402-005.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Waltir de Carvalho. Ausentes justificadamente os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1994 a 30/04/1994 PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL. As contribuições lançadas sujeitam-se ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional. Verificando-se o decurso do prazo independentemente da regra aplicada (Art. 173, I ou Art. 150 4o do CTN) opera-se a decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Waltir de Carvalho. Ausentes justificadamente os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Theodoro Vicente Agostinho.
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As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional. Verificandose o decurso do prazo independentemente da regra aplicada (Art. 173, I ou Art. 150 4o do CTN) operase a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 53 /2 00 7- 52 Fl. 141DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Waltir de Carvalho. Ausentes justificadamente os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16004.000953/200752 Acórdão n.º 2402005.883 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 37.132.1778, lavrada em 30/10/2007, relativa à competência 04/1994, atinente às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa alíquota SAT/RAT, no montante de R$ 5.540,62 (cinco mil quinhentos e quarenta reais e sessenta e dois centavos). Conforme consta no Relatório Fiscal serviram de base ao lançamento os livros contábeis (diário e razão) e as notas fiscais de serviços. Nos termos do artigo 31 da Lei 8.212/91 na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, foi incluída no pólo passivo da presente NFLD na condição de devedora solidária a empresa ISLA REVESTIMENTO TÉRMICO LTDA CNPJ 60.858.875/000150, por ter prestado serviços de manutenção à Usina Santa Isabel sob a modalidade de cessão de mãodeobra, apurandose o saláriodecontribuição mediante aferição indireta da base de cálculo com a aplicação do percentual de 40% sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços. Acrescenta que a empresa fiscalizada não apresentou cópias de guias de recolhimento com vistas a elidir a responsabilidade solidária. Esclareceu a fiscalização que o presente lançamento substitui a NFLD DEBCAD 35.781.9861, de 20/09/2005. Ambas as empresas foram devidamente cientificadas, apresentando impugnação tempestiva apenas a tomadora de serviços Usina Santa Isabel, na qual alega, em síntese, que ocorreu a decadência, pois, o prazo para efetuar o lançamento é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional e, ainda que aplicável a norma previdenciária de regência, referido prazo teria se esgotado, posto ter o lançamento ocorrido após excedidos os 10 (dez) anos ali previstos. Não se aplica ao caso também o artigo 173, II do CTN vez que o débito já se encontrava decaído quando lavradas anteriormente as NFLD anuladas por vício formal. Finaliza pleiteando a declaração da nulidade e o encaminhamento das publicações e intimações também em nome da subscritora da impugnação. Para a devida instrução do feito, foi realizada consulta aos arquivos institucionais na qual se evidencia que a NFLD lavrada anteriormente e anulada por vício formal a qual se reporta o Relatório Fiscal DEBCAD 35.781.9861 data de 20/09/2005, com decisão de nulidade em 08/11/2006 (cópia impressa e juntada às fls. 88/91), verificandose também que a mesma foi lavrada em substituição à NFLD DEBCAD 35.781.7834 com data de constituição em 21/12/2004 (data de cientificação do sujeito passivo) conforme consulta ao sistema institucional informatizado (tela juntada às fls. 92). Fl. 143DF CARF MF 4 A decisão da autoridade de primeira instancia julgou em 18/06/2009 improcedente a impugnação da Recorrente, cuja acórdão encontrase as fls. 111 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1994 a 30/04/1994 CESSÃO DE MÃODEOBRA. SOLIDARIEDADE. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91 em relação aos serviços prestados. DECADÊNCIA. PRAZO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. ANULAÇÃO POR VICIO FORMAL. LANÇAMENTO COM DECISÃO DEFINITIVA ANTERIOR A SUMULA VINCULANTE DO STF. As contribuições previdenciárias sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no CTN, contandose este a partir da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, O lançamento anteriormente efetuado, não se aplicando ao lançamento objeto de decisão definitiva anterior à Sumula Vinculante 08 do STF a alteração decorrente da mesma que importa na aplicação do prazo previsto no CTN em detrimento do prazo decadencial de 10 (dez) anos cominado no artigo 45 da Lei 8.212/91. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA A ADVOGADO OU PROCURADOR. INDEFERIMENTO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. O domicílio tributário do sujeito passivo e' o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instancia em 08/09/2009, conforme comprovante às fls. 121 o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 122 e segs. em 07/09/2009, o recurso voluntário repisando os argumentos já levantados em sede de impugnação. Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16004.000953/200752 Acórdão n.º 2402005.883 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão de primeira instancia no dia 08/09/2009, o contribuinte interpôs o mesmo no dia 07/09/2009. Atendendo também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. A controvérsia recursal cingese a discussão sobre a eventual decadência no direito de constituição do crédito tributário discutido pela Fazenda Publica. Mais especificamente, a questão controvertida reside em saber se, à luz da alteração do prazo decadencial em razão da Súmula Vinculante 08 do STF, aplicase ou não a regra atualmente vigente que limita esse prazo em 05 (cinco) anos ao lançamento originalmente realizado. É sabido que a Súmula Vinculante STF 08 que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91 publicada em 20/06/2008, determinou que aplicamse aos créditos previdenciários, em relação à decadência, o prazo qüinqüenal previsto no CTN. Quanto ao termo inicial do qüinqüênio legal, consolidouse o entendimento – em se tratando de NFLD decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal pela incidência da regra trazida pelo artigo 173, I do CTN caso não se verifique qualquer pagamento relativo à obrigação ou do artigo 150, § 4o do citado código, quando verificado o pagamento parcial da obrigação. No primeiro caso, contase o prazo de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e na segunda hipótese, são contados 05 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador. Conforme acima relatado, vêse nos autos que o lançamento consumouse com a ciência do sujeito passivo da NFLD em 24/10/2007. Considerando que o período apurado foi 04/1994, operouse a decadência, qualquer que seja a regra adotada relativa ao início do prazo decadencial (art. 173 I ou art. 150 §4, ambos do CTN). A despeito de a presente NFLD substituir outras, de n°s_35.781.7834 lavrada em 12/2004 e 35.781.9861 lavrada em 09/2005, anuladas por vício formal, não se há de aplicar a regra do artigo 173, II, do CTN. CONCLUSÃO Fl. 145DF CARF MF 6 Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e DAR PROVIMENTO, a fim de que seja exonerado o crédito tributário por aplicação da decadência, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.928021/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2002
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.724
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 21 /2 00 9- 67 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 15374.928021/200967 Acórdão n.º 3201002.724 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.013. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15374.928021/200967 Acórdão n.º 3201002.724 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 73DF CARF MF Processo nº 15374.928021/200967 Acórdão n.º 3201002.724 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.725365/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos. Fiscalização observou os ditames da Portaria n.º 3.014/2011, então vigente.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Constatado que, em sentido oposto ao sustentado na peça de defesa, a decisão prolatada em primeira instância apreciou, detalhadamente, as razões trazidas em sede de impugnação, descabe falar em sua nulidade em virtude de cerceamento do direito de defesa.
SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA.
Configura-se simulação quando os elementos probatórios indicam que três sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades fins, da força de trabalho formalmente vinculada às outras duas, que, por sua vez, são optantes pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES).
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% na forma do art. 44, §1º da Lei n.º 9.430/96 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas (créditos indevidos), utilizando-se de interposta pessoa jurídica.
SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO.
É possível a dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado - SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para deferir o pedido de dedução dos valores de PIS e COFINS recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES dos valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe. Os valores passíveis de dedução deverão ser confirmados em fase de liquidação. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos. Fiscalização observou os ditames da Portaria n.º 3.014/2011, então vigente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que, em sentido oposto ao sustentado na peça de defesa, a decisão prolatada em primeira instância apreciou, detalhadamente, as razões trazidas em sede de impugnação, descabe falar em sua nulidade em virtude de cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA. Configura-se simulação quando os elementos probatórios indicam que três sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades fins, da força de trabalho formalmente vinculada às outras duas, que, por sua vez, são optantes pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES). MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% na forma do art. 44, §1º da Lei n.º 9.430/96 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas (créditos indevidos), utilizando-se de interposta pessoa jurídica. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO. É possível a dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado - SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos. Fiscalização observou os ditames da Portaria n.º 3.014/2011, então vigente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que, em sentido oposto ao sustentado na peça de defesa, a decisão prolatada em primeira instância apreciou, detalhadamente, as razões trazidas em sede de impugnação, descabe falar em sua nulidade em virtude de cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA. Configurase simulação quando os elementos probatórios indicam que três sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades fins, da força de trabalho formalmente vinculada às outras duas, que, por sua vez, são optantes pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES). MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% na forma do art. 44, §1º da Lei n.º 9.430/96 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas (créditos indevidos), utilizandose de interposta pessoa jurídica. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 53 65 /2 01 1- 73 Fl. 1150DF CARF MF 2 É possível a dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para deferir o pedido de dedução dos valores de PIS e COFINS recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES dos valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe. Os valores passíveis de dedução deverão ser confirmados em fase de liquidação. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança de PIS e COFINS relativo ao período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2009, acrescido de multa de ofício qualificada de 150%, por ter entendido a fiscalização que duas prestadoras de serviço da ora Recorrente (F F E Indústria de Calçados Ltda – ME e Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda ME) seriam pessoas jurídicas interpostas da ora Recorrente. Nos termos do Relatório Fiscal da autuação: "Tendo em vista todos os fatos e provas acima, concluímos que os supostos serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Law of Shoes e F F E eram, na realidade, os custos relativos à própria folha de pagamento da fiscalizada. Restou claro que essas empresas constituíamse em parte da fiscalizada, formando uma única empresa. Sendo assim, o contribuinte não poderia se creditar das contribuições em relação aos serviços dessa mãodeobra, por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (mãode Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.151 3 obra para a pessoa física). Base legal: Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3º, § 2º, inciso I. Vale destacar que a DRJ POA julgou procedente lançamento que tratava desta mesma matéria, conforme ementa abaixo transcrita: Processo nº. : 11065.002309/200861 AI nº 37.082.7201 Acórdão nº. : 1018.351 – 8ª Turma da DRJ/POA Sessão de : 29 de janeiro de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Ementa: A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, cabendo a desconsideração dos atos jurídicos simulados e da pessoa jurídica que apenas aparentemente figurava como contribuinte, e devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. Concluindo a análise, fazse necessário desconsiderar serviços prestados pelas empresas Law of Shoes e F F E, para efeito de cálculo de créditos das contribuições. A partir dos arquivos digitais apresentados em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 2, Anexo XXIV, elaboramos a planilha do Anexo XXV, onde relacionamos todas as notas fiscais emitidas pelas empresas Law of Shoes e F F E no período e, aplicando as alíquotas de 1,65% e 7,6%, apuramos os valores dos créditos de PIS e COFINS, respectivamente" (efl. 40/41 grifei) Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pela decisão recorrida, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma Fl. 1152DF CARF MF 4 única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efls. 1.082/1.083) Intimado desta decisão em 12/07/2012 (efl. 108), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/08/2012, alegando em síntese: (i) a necessidade de conexão de outros dois processos que foram resultantes da mesma auditoria fiscal, lastreada nos mesmos fatos e nos mesmos relatórios fiscais (relativos à contribuições previdenciária processos n.º 11065.725225/201103 e 11065.725226/201140); (ii) nulidade do lançamento por irregularidades no mandado de procedimento fiscal; (iii) nulidade da decisão de primeira instância por ter deixado de apreciar questões trazidas na Impugnação e a documentação acostada aos autos; (iv) a ausência de simulação apontada pela fiscalização, sendo que a terceirização de fases do seu processo produtivo é lícito e realizado com propósitos negociais (logística e estratégia comercial, melhoria dos níveis de concorrência e produtividade). Afirma a Recorrente que as duas empresas desconsideradas eram unidades autônomas organizadas e estruturadas, tendo ocorrido na hipótese a terceirização de parte da atividade (apenas as etapas de costura e pré fabricado, etapa em que se produz o solado do calçado). Afirma ainda que "não há nexo de causalidade entre o suposto intuito simulatório e o objetivo de redução da tributação dele decorrente", vez que as duas empresas foram incorporadas pela Recorrente (efl. 1.113) (v) a inexistência de dolo específico para a aplicação da multa de ofício qualificada; (vi) a necessidade de dedução/compensação dos valores recolhidos no SIMPLES pelas pessoas jurídicas desconsideradas. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Sendo tempestivo o Recurso, passo às suas razões. I DA CONEXÃO Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.152 5 Em seu Recurso Voluntário, alega a Recorrente a necessidade de conexão do presente processo aos processos 11065.725225/201103 e 11065.725226/201140, ambos relativos à contribuições previdenciária, que resultaram da mesma auditoria fiscal, tendo sido lastreados nos mesmos fatos e conjunto probatório descrito no Relatório Fiscal (existência de simulação pessoas jurídicas interpostas). Em análise do andamento destes processos, vislumbrase que ambos já foram julgados, tendo sido o processo 11065.725226/201140 apensado ao 11065.725225/201103. O julgamento foi proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento deste CARF no Acórdão nº 2803002.910 de relatoria do Conselheiro Relator Helton Carlos Praia de Lima, em sessão de 21/01/2014, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. MULTA A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria, observado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO. É possível a dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplicifado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para deferir o pedido de dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais. A multa a ser aplicada será a prevista no art. 35A da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira quanto à comparação da multa." (Processo 11065.725225/201103. Data da Sessão 21/01/2014 Relator Helton Carlos Praia de Lima Acórdão n.º 2803002.910 grifei) Pela leitura da ementa acima, e como será pormenorizado adiante em análise da íntegra do voto do Relator, aqui adotado à luz do art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99, grande Fl. 1154DF CARF MF 6 parte dos argumentos trazidos no Recurso Voluntário sob análise nos presentes autos foram julgados naquela oportunidade, quais sejam: (a) nulidade do lançamento por irregularidades no mandado de procedimento fiscal (rejeitado por unanimidade); (b) ausência de simulação apontada pela fiscalização (rejeitado por unanimidade); (c) inexistência de dolo específico para a aplicação da multa de ofício qualificada (rejeitado por unanimidade); e (d) necessidade de dedução/compensação dos valores recolhidos no SIMPLES pelas pessoas jurídicas desconsideradas (acolhido por unanimidade). Apenas uma questão concernente especificamente à multa aplicável às contribuições previdenciárias (art. 35A, Lei n.º 8.212/91) foi objeto de julgamento no Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em abril/20161. Assim, as demais questões julgadas, que concernem ao presente processo, não foram objeto de julgamento administrativo em sede especial2. Cumpre mencionar que, como relatado no Acórdão n.º 2803002.910, aqueles processos foram julgados após a realização de Diligência solicitada por meio da Resolução nº 2803000.143, na qual foi solicitado à autoridade lançadora a apreciação dos documentos e argumentos trazidos na impugnação e no recurso voluntário quanto à simulação. No relatório de diligência a fiscalização teria infirmado suas conclusões já trazidas no Relatório Fiscal. Nesse sentido, uma vez que os processos já foram julgados, encontrase prejudicado o argumento de conexão, sendo que as razões para julgamento que já foram apreciadas no acórdão mencionado serão adequadas ao presente julgado. II DOS ARGUMENTOS DE NULIDADE II.1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELAS IRREGULARIDADES NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Neste ponto, a Recorrente indica que teriam ocorrido as seguintes irregularidades nos Mandados de Procedimento Fiscal: (II.1.1) no Relatório Fiscal foi informado que a fiscalização teria iniciado em 08/09/2011, sendo que o MPF teria sido emitido em 13/09/2011 e a ciência pessoal do início da ação fiscal pela Recorrente em 23/09/2011; (II.1.2) Não constam dos autos as cópias dos MPF instaurados contra as empresas LAW SHOES e F.F.E.; (II.1.3) a alteração do MPF para abranger PIS e COFINS ocorreu em 06/12/2011, sendo indevida a intimação para apresentação, em 28/11/2011, das notas fiscais consideradas na base de cálculo do PIS. Atentandose para o caso em tela, vislumbrase que quaisquer dos vícios apontados pela Recorrente nos MPFs ensejaram em cerceamento de seu direito ao contraditório e à ampla defesa, exercidos em sua plenitude com a apresentação da Impugnação e do Recurso Voluntário ora sob análise. 1 "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva." (Processo 11065.725225/201103 Data da Sessão 13/04/2016 Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Nº Acórdão 9202003.906) 2 Insta mencionar que, como relatado no acórdão da Câmara Superior, o Recurso Especial interposto igualmente envolvia a questão quanto à necessidade de prévia exclusão dos Simples das empresas a ela ligadas na autuação, em relação à qual foi negado seguimento ao Recurso. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.153 7 Esse raciocínio está em consonância com o art. 27 da Lei n.º 9.784/993, segundo o qual a falta de prestação de informação pelo sujeito passivo na fase de fiscalização não implica em reconhecimento da verdade dos fatos ou confissão, devendo ser garantidos o contraditório e a ampla defesa na fase litigiosa do processo administrativo, instaurada, por sua vez, pela Impugnação (art. 14 do Decreto 70.235/72 e no art. 56 do Decreto n.º 7.574/2011). Assim, inexistindo qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa no presente caso, inexiste a nulidade invocada pela Recorrente. Cumpre acrescentar que o Acórdão n.º 2803002.910, mencionado no tópico anterior, enfrentou frontalmente as supostas irregularidades trazidas nos itens II.1.1 e II.1.2 acima, em argumentos que aqui adoto à luz do já mencionado art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99: "MPF. NÃO HÁ NULIDADE Do exame da legislação que instituiu e disciplina o mandado de procedimento fiscal, constatase sua finalidade essencial: segurança ao contribuinte quanto à regularidade e imparcialidade do procedimento de fiscalização, afastandose pseudoações fiscais. A professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in: DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella; MELLO, Celso Antônio Bandeira de: Princípios Constitucionais da Administração Pública: aspectos relativos à competência do AuditorFiscal da Receita Federal e sua função de servidor de Estado. Brasília: Unafisco Sindical, 2002.) emitiu parecer acerca da competência e validade do ato de lançamento tributário e assim se manifestou: Em consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito pelo lançamento, assim entendido o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Por sua vez, a Medida Provisória nº 2.17529, de 24/08/2001, define, no art. 6º, as atribuições privativas do AuditorFiscal da Receita Federal, incluindo entre elas a de “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário”. A portaria SRF nº 3.007, de 26/11/2001, indica as autoridades competentes para emitir o MPF (art. 6º) e os dados que devem conter os MPFs, inclusive os dados identificadores do sujeito passivo, a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência), o prazo para a realização do procedimento fiscal (art. 7º); fixa os prazos máximos de validade dos MPFs, com possibilidade de prorrogação (art. 12 e 13); a previsão de indicação de outro auditorfiscal quando o indicado no MPF não concluir o procedimento fiscal nos prazos indicados nos artigos 12 e 13 (art. 16). A primeira observação a fazer é no sentido de que a competência para a realização dos procedimentos fiscais é privativa dos AuditoresFiscais nos termos do artigo 8º da Medida Provisória nº 2.17529, já analisada, e da legislação tributária também já mencionada. Como também é de sua competência privativa a constituição, mediante lançamento, do crédito tributário. Sendo sua a competência, por força de lei, não há fundamento legal para a sua limitação por meio de portaria da Secretaria da Receita Federal. 3 "Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado." Fl. 1156DF CARF MF 8 Certamente não há impedimento a que as autoridades indicadas na portaria emitam o MPF quando tiverem conhecimento de fatos que devam ser objeto de fiscalização ou de diligência. Mas essa possibilidade não pode limitar ou impedir a iniciativa de cada AuditorFiscal para o exercício das atribuições que são inerentes ao seu cargo e cuja omissão pode caracterizar ilícito administrativo, civil e até criminal. (...). A medida disciplinada pela Portaria SRF nº 3.007/2001 [Portaria SRF n.º 3.14/2011, vigente à época da fiscalização] pode ser um elemento a mais no sentido de aperfeiçoamento da fiscalização; mas não pode reduzir, impedir ou limitar a iniciativa própria do AuditorFiscal, sob pena de infringência às normas legais que definem as suas atribuições. Notese que, entre as autoridades mencionadas no artigo 6º da referida portaria para emitir o MPF, a maior parte delas desempenha função de direção (CoordenadorGeral de Fiscalização, CoordenadorGeral de Administração Aduaneira, Superintendente da Receita Federal), o que permite inferir que não exercem função de fiscalização e dependerão, em muitos casos, da informação de seus subordinados para tomar a iniciativa de emissão do MPF. Assevera a importância do MPF com instrumento para a moralidade administrativa à medida que impõe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB o exercício da atividade de fiscalização sem desvio de conduta. Em suma de suas primeiras conclusões na análise da matéria pondera acerca de ser contrário ao “bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigirem que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei”. Reportase ao artigo 3º da Lei nº 8.112/90 – Estatuto dos Servidores Públicos, para buscar o conceito de cargo público como sendo um conjunto de atribuições e responsabilidades. E que, uma vez criado o cargo por lei é ela quem define tal conjunto. Escorandose em outros administrativistas de escol como Hely Lopes Meirelles e Celso Antônio Bandeira de Melo, a professora Maria Sylvia reafirma, com as palavras de Hely Lopes Meirelles, que a competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável pela vontade dos interessados. No final conclui que o AuditorFiscal tem o dever irrenunciável de exercer todas as atribuições próprias de seu cargo, por força de lei, não podendo depender de decisão de autoridades superiores nem sofrer qualquer tipo de limitação. Relativamente às conseqüências a que estão sujeitos os auditoresfiscais pela inobservância dos preceitos legais atinentes ao cargo, a professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, afirma que: A omissão no desempenho de suas atribuições caracteriza improbidade administrativa, conforme artigo 11, inciso II, da Lei nº 8429, de 2.6.92. Além disso, estará cumprindo ordem manifestamente ilegal se for impedido ou limitado no exercício de suas atribuições com base em MPF emitido em desacordo com a lei. Os atos infralegais que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal MPF não deixam dúvida quanto à sua natureza de controle interno da atividade fiscal. À luz destas considerações, está claro que a interpretação que enxerga o MPF como instrumento de limitação da competência do agente fiscal está na contramão dos artigos 142 e 196 do CTN, da Lei nº 10.593/2002 e da melhor doutrina administrativista pátria. A finalidade do MPF visa conferir ciência ao contribuinte do procedimento fiscal. Ademais, consta dos autos que na ocasião da instauração dos procedimentos fiscais, a recorrente já havia incorporado as empresas LAW e FFE, de forma que a ciência dos Termos de Início das Diligências Fiscais foi obtida junto à recorrente e no mesmo momento da ciência do TIPF da fiscalização que também contém o número do MPF. Os citados termos foram recepcionados pela mesma pessoa na mesma data e no mesmo horário. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.154 9 O contribuinte foi cientificado previamente da ação fiscal, assim, não há que se falar em irregularidade do ato de fiscalização que precede a constituição do crédito fiscal. No mesmo sentido, não há ilegalidade de ação fiscal acompanhada de MPF e Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF constantes dos autos e com ciência do contribuinte para cumprir diligência fiscal solicitada pelo órgão julgador. Não há que se falar em reabertura da ação fiscal, nem em nulidade do lançamento, tampouco, em desentranhamento dos autos do relatório de diligência fiscal e os documentos que o acompanham, em razão da verdade material. Não houve cerceamento do direito de defesa. Todos os atos da fiscalização foram cientificados ao contribuinte que teve o direito de contestação. Todos os argumentos e documentos foram analisados pela fiscalização e pela autoridade julgadora de primeira e segunda instância administrativa fiscal, inclusive as razões do recurso voluntário que foi objeto de diligência fiscal com ciência do contribuinte e direito ao contraditório e ampla defesa." (Processo 11065.725225/201103. Data da Sessão 21/01/2014 Relator Helton Carlos Praia de Lima Nº Acórdão 2803002.910 grifei) De forma conclusiva, acrescese, especificamente quanto ao ponto II.1.3 acima, que na disciplina de emissão dos MPFs trazida à época pela Portaria n.º 3.014/2011, era expressamente previsto no art. 8º que "na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF" (grifei). Diante disso, uma vez que o fiscal verificou, a partir de uma fiscalização de contribuições previdenciárias, a simulação incorrida pelas pessoas jurídicas que implicou em infração na apuração dos créditos do PIS e da COFINS, mostrouse plenamente válida a coleta de informações específicas do PIS em 28/11/2011. À luz do referido dispositivo da Portaria n.º 3.014/2011, uma vez baseados nos mesmos elementos de prova, a fiscalização considerou como incluídos no procedimento de fiscalização o PIS e a COFINS, independentemente de menção expressa (incorrida em 06/12/2011, com a retificação do MPF). Assim, afasto a alegação de nulidade levantada pelo sujeito passivo. II.2. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR TER DEIXADO DE APRECIAR ARGUMENTOS DE DEFESA Afirma a Recorrente que argumentos levantados e documentos trazidos pelo contribuinte em sede de Impugnação, que comprovariam a ausência de simulação no caso em tela, não teriam sido apreciados pela decisão de primeira instância. Contudo, observase que as razões para a existência da simulação na hipótese, inclusive à luz dos documentos acostados pelo sujeito passivo, foram apreciados pela decisão de primeira instância, que não identificou elementos suficientes à afastar o raciocínio delineado pela fiscalização no Relatório Fiscal. A análise feita pela decisão de primeira instância quanto a esta questão será pormenorizada no tópico seguinte. Pela leitura da decisão é possível atestar que todos os argumentos e documentos apresentados pela ora Recorrente em sede de Impugnação foram analisados, Fl. 1158DF CARF MF 10 inexistindo a alegado cerceamento de defesa. Desta forma, deve ser afastada a nulidade alegada, em conformidade com outras manifestações desse E. Conselho: "CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que, em sentido oposto ao sustentado na peça de defesa, a decisão prolatada em primeira instância cuidou de apreciar, detalhadamente, as razões trazidas em sede de impugnação, descabe falar em sua nulidade em virtude de cerceamento do direito de defesa. (...)" (Processo 13888.720465/201317 Data da Sessão 26/11/2014 Relator Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 1301001.715) "NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões apresentamse de forma congruente e devidamente fundamentada. (...)" (Processo 16045.000462/200644 Data da Sessão 23/02/2016 Relator José Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3302003.056) Com isso, afasto o argumento de nulidade da decisão de primeira instância. III. DA SIMULAÇÃO Atentandose para o relatório fiscal da autuação, vislumbrase que a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica das empresas Law of Shoes e F.F.E por entender que ocorreu verdadeira simulação na hipótese, vez que as duas pessoas jurídicas seriam pessoas que não operavam de fato (pessoas interpostas). Com isso, foram desconsiderados os serviços prestados por estas duas empresas à Recorrente para efeito de cálculo do crédito do PIS e da COFINS. Para melhor análise, irei apontar separadamente os indícios da existência da simulação trazidos pela fiscalização, em conformidade com o Relatório Fiscal do Auto de Infração, e os argumentos de defesa da Recorrente. III.1. Indícios decorrentes da análise dos Contratos Sociais e do Domicílio Fiscal Foi confirmado pela fiscalização que a localização das três empresas eram na mesma Rua (Rua Imperatriz Leopoldina) nos números 59 (Recorrente), 93 (Law of Shoes) e 95 (F.F.E), sendo os dois últimos números a mesma edificação predial. Ademais, os sócios das duas pessoas jurídicas desconstituídas eram antigos empregados da Recorrente: Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda – ME "Em 01/03/2006, conforme 1ª Alteração Contratual, além das alterações na denominação social, que passou a ser Meinhardt Indústria de Calçados Ltda – ME; e no objeto social, indústria, comércio e beneficiamento de calçados, bolsas, carteiras e cintos; a sede da empresa também foi alterada. O novo endereço passou a ser Rua Imperatriz Leopoldina, 93, Três Coroas, RS. Verificamos o novo endereço no Google Maps, vide Anexo I. Pela foto do satélite, constatamos que o prédio de número 93, indicado pela letra “B” localizase exatamente ao lado do prédio de número 59, letra “A” no mapa, sede da fiscalizada. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.155 11 De acordo com informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, vide Anexo II, todos os quatro sócios da Law of Shoes tiveram vínculo empregatício com a fiscalizada até pouco antes de sua entrada nessa sociedade. Os senhores André Meinhardt e Carlos Meinhardt tem registro na fiscalizada até o mês 12/2001, mês anterior ao da constituição da Meinhardt Atelier de Modelagem Ltda, 10/01/2002. Já os novos sócios apresentam situação ainda mais peculiar. Primeiramente vejamos a sócia Daiane Spohr. Teve vínculo empregatício com a fiscalizada de 03/2005 até 04/2009. Entre 07/2009 e 01/2010, participou da Law of Shoes. Em 08/2009 foi readmitida pela fiscalizada, onde trabalha até hoje. Observemos que entre 08/2009 e 01/2010, a senhora Daiane Spohr atuou paralelamente na administração da sociedade Law of Shoes e como empregada da fiscalizada. A situação do senhor Mário Werres é similar. Consta como empregado da fiscalizada até 31/07/2009, mesmo mês de seu ingresso como sócio administrador na Law of Shoes." (efls. 32/33 grifei) F F E Indústria de Calçados Ltda ME "Em 01/03/2006, conforme 1ª Alteração Contratual, além das alterações na denominação social, que passou a ser F F E Indústria de Calçados Ltda – ME; e no objeto social, indústria, comércio e beneficiamento de calçados, bolsas, carteiras e cintos; a sede da empresa também foi alterada. O novo endereço passou a ser Rua Imperatriz Leopoldina, 95, Três Coroas, RS. Mais uma vez, utilizando como recurso a foto de satélite disponível no Google Maps, Anexo I, constatamos que os números 93 e 95 na Rua Imperatriz Leopoldina constituem a mesma edificação predial. A análise do quadro societário nos revelou outra curiosidade envolvendo as duas sociedades. De acordo com informações do CNIS, vide Anexo IV, todos os três sócios da F F E tiveram vínculo empregatício com a fiscalizada até a constituição dessa sociedade. Os três sócios foram desligados da fiscalizada no mesmo dia, 08/12/2000. Dois meses depois, mais precisamente no dia 02/02/2001, era constituída a F F E." (efl. 33 grifei) Neste ponto, a Recorrente elucida como funciona a atividade de produção de calçados, indicando que a havia razão negocial para a industrialização por encomenda realizada pela F.F.E (preparação/costura dos cabedais) e pela LAW (preparação dos solados). Importante salientar que em nenhum momento a fiscalização entende que as duas empresas não estariam realizando atividade de industrialização para calçados. O que se constatou é que essas empresas somente estavam separadas "no papel" da empresa Recorrente, sendo que, de fato, eram empresas interpostas, dependentes administrativamente e financeiramente da Recorrente, com o fornecimento exclusivo para esta empresa. A Recorrente não nega a proximidade física das empresas, complementando a informação trazida pela fiscalização ao afirmar que os imóveis utilizados pelas empresas F.F.E e LAW eram cedidos em uso pela Recorrente, que os alugava diretamente de uma Massa Falida (efl. 1.121). No dizeres da Recorrente: Fl. 1160DF CARF MF 12 Esse fato, narrado e documentado pela Recorrente, foi considerado na decisão de primeira instância para confirmar a existência de uma unidade fabril das três empresas. Como consignado na decisão recorrida: "A impugnação afirma que este cenário está modificado após a incorporação das duas empresas citadas; que existia separação física; que a sede da empresa é por ela locada da Massa Falida de Calçados Laruse Indústria e Comércio Ltda.; e que sublocou os imóveis à FFE Indústria de Calçados Ltda. e Law Of Shoes Indústria de Calçados Ltda. Observese que a cláusula quarta do contrato de locação de imóvel não residencial, firmado entre a Massa Falida de Calçados Laruse Indústria e Comércio Ltda. e Calçados Q Sonho Ltda. – que tem por objeto duas edificações, uma de nº 93, com frente para a Rua Imperatriz Leopoldina e a outra de nº 114, com frente para a Rua João Petry – proíbe expressamente a cessão de locação, a sublocação e o empréstimo do imóvel, total ou parcial, sem prévio e expresso consentimento da Locadora. Os documentos de cessão de uso firmados entre as empresas Calçados Q Sonho Ltda. e FFE Indústria de Calçados Ltda. e Law Of Shoes Indústria de Calçados Ltda. não mencionam tal consentimento, assim como nenhum documento que a isto se refira foi juntado aos autos. Assim, embora instalados em pavilhões separados, com entradas distintas, conforme relatado no Relatório Fiscal, as empresas Calçados Q Sonho Ltda., FFE Indústria de Calçados Ltda. e Law Of Shoes Indústria de Calçados Ltda. constituíam uma unidade fabril, no período autuado." (efls. 1.092/1.093 grifei) Coaduno com esse raciocínio traçado pelos julgadores a quo, sendo que os documentos apresentados pela Recorrente em sua defesa acabaram por confirmar as alegações da fiscalização da existência de uma unidade entre as três empresas. Ademais, observase que os contratos de cessão de uso trazidos pela Recorrente (efls. 336/339) foram firmados no mesmo dia (26/04/2006), mesmo em se tratando de empresas supostamente distintas, com diferentes motivações negociais. Além disso, atesta se que o uso do imóvel localizado na rua Imperatriz Leopoldina. n.º 93 (sede da LAW OF SHOES, com antiga denominação societária de MEINHARDT INDUSTRIA DE CALÇADOS LTDA) foi cedido à F.F.E, como um outro indício da conexão entre as empresas: ü Contrato de cessão de Uso com F.F.E (efl. 336) Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.156 13 ü Contrato cessão de uso LAW OF SHOES (na antiga denominação societária e.fl. 338) Quanto à composição societária, a Recorrente igualmente não trouxe elementos para afastar o indício descrito no relatório fiscal, confirmado nos seguintes termos pela decisão de primeira instância: "A autuada, Calçados Q Sonho Ltda., iniciou suas atividades em 02/1969 e teve como sócios Guido Alcido Meinhardt, de 02/1969 a 05/2009, Loiva Meinhardt, de 07/1995 a 05/2009, Nelson Erineu Spohr, a partir de 03/1973, Lisete Elisa Spohr, a partir de 07/1995 e, a partir de 06/2010, Fabiana Spohr Grings, Emílio Luis Spohr e Fábio Augusto Spohr. A empresa Law Of Shoes Indústria de Calçados Ltda., fundada em 01/2002, teve, até 15/07/2009, os sócios André Meinhardt e Carlos Meinhart, filhos de Guido Alcido Meinhardt e Loiva Meinhardt, sócios da autuada até 05/2009. A partir de 15/07/2009, os sócios passaram a ser Daiane Spohr e Mario Werres. Fl. 1162DF CARF MF 14 Atenta, o Relatório Fiscal, a que todos os quatro sócios tiveram vínculo empregatício com a Calçados Q Sonho Ltda., antes de seu ingresso na empresa Law Of Shoes Indústria de Calçados Ltda. A empresa FFE Indústria de Calçados Ltda., fundada em 03/2001, teve como sócios, desde sua fundação, em 02/03/2001, Fabiana Sphor, Emílio Luis Spohr e Fábio Augusto Spohr, filhos de Nelson Erineu Spohr e Lisete Spohr, sócios da autuada. Informa, o Relatório Fiscal, que também os sócios da FFE Indústria de Calçados Ltda. tiveram, até sua constituição, vínculo empregatício com a Calçados Q Sonho Ltda." (efl. 1.093) Com efeito, no Recurso Voluntário a Recorrente genericamente afirma que não foram trazidas provas robustas e contundentes da falta de gerência dos sócios sobre suas respectivas empresas, trazendo como exemplo a sócia da LAW OF SHOES, Sra. Daiane Spohr. Afirma a Recorrente que essa pessoa tinha contrato de trabalho de meio turno com a Recorrente, tendo o restante do dia para tratar da sua empresa. Essa questão foi muito bem abordada no Acórdão n.º 2803002.910, referenciado no item I deste voto e cuja íntegra será transcrita adiante. Naquele julgado, o I. Relator deixou claro que essa afirmação da Recorrente quanto à Sra. Daiane igualmente confirma as alegações fiscais: "(...) d) o fato de empregados da recorrente administrarem simultaneamente uma das prestadoras evidencia a ingerência. No recurso voluntário a recorrente alega que a senhora Daiane Spohr trabalhava pela manhã na QSONHO, desempenhando funções administrativas, enquanto no restante do dia administrava sua empresa. Entretanto, durante o período de atuação concomitante, a sua remuneração total (de empregada da recorrente e sócia da empresa prestadora) manteve o mesmo nível de quando era somente empregada da QSONHO, conforme tela do CNIS constante dos autos;" (grifei) Dessa forma, confirmamse os fortes indícios trazido pela fiscalização quanto à documentação societária e ao domicílio fiscal das empresas, atestada pela documentação acostada pela própria Recorrente em sua defesa. III.2. Movimentação de empregados entre as pessoas jurídicas. Grande parte dos empregados da Law of Shoes e da F.F.E eram antigos empregados da Recorrente, sendo que as duas empresas somente passaram a possuir empregados quando passaram a operar na mesma rua da Recorrente: Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda – ME "Primeiramente, observamos que embora constituída em 01/2002, a Law of Shoes registrou seu primeiro empregado somente em 05/2006, quando já operava na Rua Imperatriz Leopoldina, 93, prédio contíguo às instalações da fiscalizada. O segundo aspecto relevante sobre o tema diz respeito à coincidente origem da maioria dos empregados da Law of Shoes. Dos 22 (vinte e dois) empregados registrados no mês de maio, 17 (dezessete) eram provenientes do quadro de funcionários da fiscalizada. Além disso, seu desligamento se deu no dia imediatamente anterior ao registro na Law of Shoes." (efl. 34) F F E Indústria de Calçados Ltda ME Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.157 15 "Por meio da análise do CAGED e das GFIP da F F E, constatamos comportamento bastante semelhante ao da Law of Shoes. Embora constituída em 03/2001, seus primeiros empregados foram registrados somente em 04/2006, quando já operava na sede da Rua Imperatriz Leopoldina, 93, instalações adjacentes à fiscalizada e à Law of Shoes." (efls. 34/35 grifei) Neste ponto, cumpre salientar que a afirmação da Recorrente no sentido de que ela teria contratado novas pessoas nos anos de 2008 e 2009 e que ela manteria empregados no setor de costura de cabedais em nada influi no juízo em torno das empresas F.F.E e LAW OF SHOES serem consideradas interpostas. Com efeito, a fiscalização não nega em nenhum momento que a Recorrente manteve a produção de sapatos no período, com a necessidade de mão de obra para tanto. O que se evidenciou é que foram constituídas duas empresas para a realização de etapas da produção do calçado que, na verdade, eram interpostas. Ou seja, foram levantados indícios de que as empresas F.F.E e LAW OF SHOES eram a própria Recorrente, ainda que formalmente segregadas. Desta forma, ainda que esse fato, isolado, não possa representar a existência de simulação, como afirmado pela Recorrente em sua defesa, ele efetivamente reforça o conjunto probatório trazido pela fiscalização, devendo ser considerado. III.3. Contato do responsável pelo envio da GFIP. O responsável pelo envio da GFIP das duas empresas interpostas era a mesma pessoa, para o qual era fornecido um contato interno dentro da Recorrente: "Analisamos, inicialmente, os meses de abril e maio de 2006, quando ocorreram os primeiros registros de empregados das empresas F F E e Law of Shoes, respectivamente. Notase que o responsável pelo envio das GFIP destas duas empresas é a mesma pessoa, Felipe, cujo email é RUMO.4LIPE@TERRA.COM.BR. O fato relevante está telefone de contato: (51) 35461200, que é o mesmo número da fiscalizada, vide última página do anexo, onde consta cópia de tela da página da WEB da fiscalizada com dados de contato." (efl. 35 grifei) Quanto a essa questão, novamente a Recorrente traz informações que confirmam as alegações da fiscalização. Como informado à efl. 1.127, o endereço de IP e as datas de transmissão das GFIPs das duas empresas (LAW e F.F.E) foram os mesmos, tendo sido emitidas com pouco menos de 30 minutos de diferença: E o número de telefone do responsável pela emissão ser de um telefone interno da Recorrente é igualmente um indício claro de conexão das empresas, e não uma Fl. 1164DF CARF MF 16 simples "ingenuidade do responsável pelo envio" como afirmado no Recurso Voluntário (efl. 1.126) III.4. Afirmações em reclamatórias trabalhistas. Em reclamatórias trabalhistas ajuizadas contra a Law of Shoes e a F.F.E, a Recorrente foi incluída no pólo passivo. Nas petições acostadas aos autos, inclusive com documentos que instruíram as Reclamatórias trabalhistas, as pessoas físicas reclamantes afirmavam que essas duas empresas eram interpostas da Recorrente: "O reclamante José Rudinei Machado teve vínculo com a fiscalizada entre 08/09/2005 e 18/05/2006. No dia 19/05/2006 passou a integrar o quadro de funcionários da Law of Shoes, na época ainda Meinhardt Indústria de Calçados Ltda – ME, onde laborou até 27/09/2007. Em 01/2009, ingressou com ação na Justiça do Trabalho contra as duas empresas, alegando que a Law of Shoes seria empresa interposta criada com a finalidade de reduzir os encargos sociais da fiscalizada. Vide manifestação do reclamante às folhas 148 a 150 do processo, que integram o Anexo X. (...) A senhora Neila Regina dos Santos Cardoso foi contratada pela F F E, em 11/02/2008, tendo sido transferida para a fiscalizada em 01/2010, quando da incorporação da F F E. Na sucessora, prestou serviço até 31/03/2011. Em 07/2011, ingressou com ação na Justiça do Trabalho contra as duas empresas, sob a alegação de que a criação da F F E se deu pelos mesmos donos da fiscalizada, caracterizando interposta pessoa." (efls. 35/36 grifei) Novamente, ainda que esse fato, isolado, não possa representar a existência de simulação, como afirmado pela Recorrente em sua defesa, ele efetivamente reforça o conjunto probatório trazido pela fiscalização, devendo ser considerado. III.5. Confusão na contabilidade das empresas Law os Shoes e F.F.E. Neste ponto, a fiscalização trouxe distintos indícios de que as duas pessoas jurídicas funcionariam de forma dependente da Recorrente, inclusive com a mesma estrutura administrativa. Afirmou a fiscalização: III.5.1) Que "empresas Law of Shoes e F F E atuavam no segmento de beneficiamento de calçados sem qualquer equipamento próprio, alugado ou mediante qualquer outra forma de cessão." (efl. 37). III.5.2) Todo o faturamento das duas pessoas jurídicas interpostas era proveniente da Recorrente (Calçados QSonho Ltda.), apesar dos contratos de industrialização por encomenda indicarem que a prestação seria sem exclusividade com a contratante. Ademais, a Recorrente fazia antecipações bancárias pontuais, exatamente em momentos de pagamento de despesas pela empresas LAW e F.F.E; III.5.3) Custos elevados com mão de obra denotariam a dependência com a Recorrente: "O primeiro aspecto que merece destaque é a elevada participação do custo da mãodeobra na composição dos custos dos produtos vendidos. Na Law of Shoes a participação foi de 80% em 2008 e 71% em 2009. Na F F E foi ainda maior, 92% em 2008 e 90% em 2009. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.158 17 Ainda analisando os gastos com pessoal, agregamos as despesas de prolabore ao custo da mãodeobra e comparamos com o total de custos e despesas. Os percentuais foram igualmente significativos. Na Law of Shoes, em 2008, 69% do total de custos e despesas era com gastos de pessoal. Em 2009, 64%. Na F F E, 78% em 2008 e 76% em 2009. Por fim, agregamos às despesas de pessoal, as despesas tributárias e os aluguéis. O total desse conjunto de gastos representou 80% em 2008 e 74% em 2009, na Law of Shoes. Já na F F E, 91% em 2008 e 89% em 2009. Ou seja, todos os demais custos de manutenção das empresas representava menos de 26% do total, sendo que em 2008, a F F E atingiu a incrível marca de 9%. Isto evidencia a relação de dependência destas duas empresas em relação à fiscalizada, Calçados Q Sonho Ltda." (efl. 38) III.5.4) Operação conjunta com a mesma estrutura administrativa, evidenciado pela emissão de Notas Fiscais por fornecedores da Law of Shoes mas com o endereço da Recorrente, da Recorrente ter carimbado o recebimento de mercadoria direcionada à Law of Shoes, documento que respaldou o lançamento contábil da FFE foi emitido em nome da Law of Shoes III.5.5) Ausência de despesas com telefone entre as empresas, justificada pela proximidade física. A Recorrente insiste na inexistência desses indícios trazendo questões isoladas que deveriam ser consideradas pela fiscalização, afirmando que haveria intuito negocial nas relações entre as empresas, que as empresas LAW e F.F.E assumiram integralmente o risco econômico dos empreendimentos e que não se podem desconsiderar os negócios jurídicos indiretos. Contudo, como bem pontuado pela decisão de primeira instância, a fiscalização trouxe um vasto conjunto probatório com distintos indícios que ocorreram simultaneamente que denotariam a dependência das duas empresas em relação à Recorrente. Todos esses indícios, analisados de forma conjunta, comprovaram a simulação, vez que as pessoas jurídicas não seriam efetivamente independentes da Recorrente. Nos termos da decisão recorrida: "Pelo acima exposto, temse que as empresas Law Of Shoes Indústria de Calçados Ltda. e FFE Indústria de Calçados Ltda. não são, de fato, independentes em relação a Calçados Q Sonho Ltda. No caso dos autos, fica patente que a prestação de serviço de industrialização realizada pela empresas Law e FFE para a contribuinte autuada é um acerto entre ambas para simular a existência de transação jurídica entre as três pessoas jurídicas, mas que na realidade compõe uma única entidade, cujo efeito foi, sob a ótica do PIS e da COFINS, ambos nãocumulativos, resultar na constituição de crédito favorável das contribuições à contribuinte, de forma a diminuir o valor a pagar da contribuição ou, já tendo sido utilizado para cancelar o débito, resultar em valor de crédito a ressarcir, caracterizando locupletamento ilícito. O impugnante procura sempre contestar a conclusão do procedimento fiscal com alegações no sentido de que cada um dos indícios apurados não poderia, por si só, comprovar a inexistência de separação de fato, entre a contribuinte e as empresas Law e FFE. Porém, no presente caso, o cerne da questão reside na análise do conjunto de evidências apresentadas, em especial no que se refere à total Fl. 1166DF CARF MF 18 dependência econômica e operacional das prestadoras de serviços para a contribuinte, sendo que os recursos (maquinário, imóvel para funcionamento, alguns funcionários, etc...) são cedidos gratuitamente ou suportados pela própria contribuinte. Examinandose a ocorrência simultânea de todos os indícios já relatados, tornase cristalina a realidade de que Law, FFE e a fiscalizada atuam como se fossem apenas uma única empresa, conforme conclui o procedimento fiscal. Por todo o exposto, a existência das empresas prestadoras de serviços (Law + FFE) e de suas operações para a contribuinte são meramente formais, na qual a contribuinte se fundamenta em simulação (planejamento tributário ilícito) para obter vantagens tributárias de maneira ilegal, criando uma situação artificial com fins de ludibriar o Fisco e ter ganhos de uma forma que a legislação não permite. Logo, não pode ser alegado que houve planejamento tributário válido, que é a escolha entre opções legalmente aceitas na legislação tributária, pois não foi o que ocorreu no caso em apreço nestes autos. A liberdade constitucional de contratar e da livre iniciativa não pode ser utilizada de forma simulada, de modo atingir a eficiência econômica da operação da contribuinte através de evasão fiscal. Muito menos podese desqualificar as conclusões da Autoridade Tributária, que são fundamentadas em documentos, termos de constatação, levantamentos das situações dos funcionários e de sócios, além da legislação. A contestação é apenas pontual de cada indício abordado, sem explicar a razão de tamanho número de “coincidências” na ocorrência simultânea de todo o conjunto de sinais encontrados, tentando alegar uma atitude e um procedimento lícitos, mas que não encontram guarida na realidade material contida e explicitada nos autos. Cabe ainda observar que não houve nenhum arbitramento ou ato discricionário por parte da Autoridade Fiscal, somente a constatação da evasão fiscal e a exigência tributária como efeito do ato ilegal, com base nos elementos e documentos contidos nos autos, haja vista que os atos simulados não podem ter efeitos tributários válidos. Desta forma, não se verifica qualquer afronta aos preceitos contidos no Art. 142 do CTN, conforme procurou convencer o impugnante." (efl. 1.095/1.096 grifei) E analisando esse mesmo substrato probatório que o Acórdão n.º 2803002.910, mencionado no item I deste voto, concluiu pela existência de simulação. Transcrevemos na íntegra esse julgado nesse ponto, adotando sua conclusão à luz do já mencionado art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "DA JUSTIFICATIVA DA INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E SIMULAÇÃO Está evidenciado nos autos que as empresas prestadoras LAW e FFE são optantes pelo sistema SIMPLES. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência do ato declaratório de exclusão do SIMPLES das empresas LAW e FFE. A desconsideração da personalidade jurídica das empresas se deu em razão da caracterização de interpostas pessoas e simulação apontada fiscalização. Consta do relatório de diligência fiscal, fls. 1527/1538, resultante da resolução do CARF, que a fiscalização partiu do pressuposto de que as empresas LAW e FFE, embora regulares sob o aspecto formal, foram constituídas por interpostas pessoas. Assim, a responsabilidade pela mão de obra sempre foi da QSONHO. O registro dos trabalhadores nas prestadoras de serviço foi fruto da simulação implementada. A obrigação tributária tinha a QSONHO como a própria contribuinte, embora a simulação desse outro contorno. A fiscalização justifica a interposição de pessoas e a simulação argumentando no relatório fiscal e na diligência fiscal: a) mesmo domicílio fiscal: embora os prédios fossem distintos se situam no mesmo terreno, o que se enquadra e é entendido como um mesmo estabelecimento, nos termos do art. 609, III do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI – Decreto 7.212/2007. São prédios adjacentes às Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.159 19 instalações da recorrente, conforme foto do satélite apresentada na impugnação, fl. 427. A própria recorrente, à fl. 1.244, na descrição das instalações da LAW e da FFE evidencia a inexistência de obstáculos físicos separando as empresas; b) as empresas interpostas FFE e LAW não tinham autonomia e usavam serviços de segurança da QSONHO: por exemplo, não contabilizavam despesa com vigilância, nem possuíam vigias ou porteiros em seu quadro de funcionários. As instalações das interpostas eram protegidas pelo sistema de vigilância da recorrente, fl. 1529, conforme informações extraídas do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS (fls. 1.301 a 1.306). As prestadoras FFE e LAW usufruíam da estrutura de vigilância e segurança da recorrente o que refuta a tese de independência de suas instalações; c) composição societária: o fato de os quadros societários das empresas LAW e FFE serem compostos por filhos dos donos da recorrente, os quais também eram exfuncionáriosda QSONHO; d) o fato de empregados da recorrente administrarem simultaneamente uma das prestadoras evidencia a ingerência. No recurso voluntário a recorrente alega que a senhora Daiane Spohr trabalhava pela manhã na QSONHO, desempenhando funções administrativas, enquanto no restante do dia administrava sua empresa. Entretanto, durante o período de atuação concomitante, a sua remuneração total (de empregada da recorrente e sócia da empresa prestadora) manteve o mesmo nível de quando era somente empregada da QSONHO, conforme tela do CNIS constante dos autos; e) envio de GFIP da FFE e LAW tendo como telefone de contato a QSONHO enquanto prestadora de serviço das empresas FFE e LAW, seria aceitável que fosse informado o telefone da YELLOW EXPRESS ASSESSORIA E DESPACHOS LTDA (prestador de serviço Carlos Felipe Ramisch) no SEFIP, e não o telefone da QSONHO, a qual seria completamente independente daquelas, conforme argumenta a própria recorrente. Isso denota uma estreita ligação entre QSONHO, LAW e FFE; f) nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – SIMPLES da FFE o telefone de contato da empresa e do representante é o da QSONHO: na declaração da FFE (fls. 1.330 a 1.339), foi informado o telefone da QSONHO, tanto no contato da empresa, quanto no contato do representante Fábio Augusto Spohr. Na informação da LAW, anocalendário 2008, foi informado na declaração do SIMPLES o telefone fixo da YELLOW EXPRESS (fls. 1.320 a 1.329); g) relação custo dos produtos vendidos versus custo da mão de obra: a partir da análise dos empregados da FFE e da LAW, constatase que a especialização dessas empresas, principalmente da FFE, estava fora dos padrões aceitáveis. Na relação de empregados que tiveram vínculo com a FFE entre 04/2006 e 12/2009, por meio do Código Brasileiro de Ocupações – CBO, constatouse que todos os empregados eram “sapateiros”, operários da indústria calçadista, trabalhadores da área fim. Não havia um funcionário administrativo sequer. Nenhum porteiro, copeira, faxineira, vigilante, secretária, assistente administrativo. h) máquinas, mesas, cadeiras, relógio de ponto utilizados na produção: na análise das notas fiscais de remessa de maquinário em comodato às empresas FFE, LAW e QSONHO (fls. 1.343 a 1.346), observouse que na nota fiscal nº 78.718, além do maquinário, foram cedidas 12 mesas e 12 cadeiras à empresa FFE. Na nota fiscal nº 79.256, que apresenta o maquinário cedido à LAW, a recorrente cedeu até o relógio ponto. Diante do exposto, não se pode comprovar a autonomia das empresas; i) a relação de dependência econômica e financeira das empresas LAW e FFE em relação a QSONHO: conforme demonstrado no Relatório Fiscal, as empresas LAW e FFE operavam de forma cativa para a recorrente, tendo a totalidade de suas Fl. 1168DF CARF MF 20 receitas brutas com origem na QSONHO. O aporte de recursos e o fluxo financeiro eram efetuados em sincronismo com a necessidade de caixa daquelas empresas, demonstrando a dependência financeira e econômica. Pelos Livros de Registro de Saídas da LAW e da FFE (fls. 1.347 a 1.450), verificouse que as mercadorias eram remetidas para a recorrente sempre ao final do mês. O pagamento pelos serviços se dava de forma parcelada, conforme conta do grupo Clientes – Devedores por Duplicatas, CALÇADOS QSONHO LTDA, código 011311000001. No início do mês era efetuado um aporte mais significativo. O restante, ao longo do mês, variando entre uma e três parcelas, de acordo com a necessidade de recursos das fornecedoras; j) a ingerência financeira exercida pela QSONHO sobre as prestadores LAW e FFE: na situação da LAW, cujo Razão da conta 011120000001 – Banco do Brasil S/A – CSL é apresentado nos autos, a recorrente realizava aportes a título de adiantamento para registrar sempre saldo credor quando estivesse devedor, como exemplo dia de pagamento de funcionários. Isso se repetiu vários meses. Na FFE a situação era idêntica. Ela também não dispunha de capital de giro, o controle financeiro era implementado pela QSONHO, sempre por meio de adiantamentos para suprir pagamentos a funcionários, dentre outros; l) é dever da autoridade administrativa de rever de ofício os lançamentos executados pelo sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, sempre que esses tenham agido com dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 149, VII e art. 142 do CTN. A autoridade fiscal deve requalificar os atos ou negócios jurídicos, em busca da verdade material, executados pelos contribuintes sempre que esses agirem com dolo, fraude ou simulação; m) por fim, a fiscalização sustenta que a recorrente (QSONHO) simulou situação a fim de se beneficiar indevidamente de tratamento tributário diferenciado, constituindo empresas por meio de interpostas pessoas (LAW e FFE), mantendo, assim, três empresas do ponto de vista formal, quando de fato o que existia era apenas uma. Essa simulação teve o propósito principal de evadir as contribuições previdenciárias patronais e destinadas às outras Entidades e Fundos, por meio da utilização de mão de obra alocada nas empresas LAW e FFE, que por serem optantes pelo Simples Nacional tinham folhas de pagamento menos oneradas por esses encargos tributários. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE Diante do relato constante no relatório fiscal e da diligência fiscal, dos argumentos e fundamentos da fiscalização e da decisão recorrida, ficou evidenciado que a QSONHO exercia ingerência financeira sobre as empresas LAW e FFE, sendo dependentes econômica e financeiramente. Apesar do registro das despesas nas suas contabilidades, a origem dos recursos e o mecanismo de adiantamentos em perfeito sincronismo com as necessidades de caixa das fornecedoras caracteriza a simulação e a constituição de empresas interpostas (LAW e FFE) da Calçados QSonho Ltda. Assim, em razão do princípio da primazia da realidade, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. A recorrente apenas afirma de maneira genérica que não houve simulação entre as empresas e que suas ações são independentes econômica, administrativa e financeiramente; que as informações da fiscalização são incompletas e não corresponde à realidade; que a constatação de que sócios das empresas são exempregados ou até mesmo parentes não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre as empresas; que as informações nas GFIP das empresas ligandoas entre si foi um erro de terceiros (contador); que não existe prova de vinculação trabalhista de empregados entre as empresas; que não existe relação entre as empresas entre o custo dos produtos vendidos versus custo da mão de obra, que pudesse caracterizar a simulação; que as despesas com materiais Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.160 21 administrativos e outras inerentes à saúde dos trabalhadores eram de responsabilidade de cada empresa; que a forma dos serviços exclusivos contratados não representa simulação; que a fiscalização não analisou a estrutura negocial das empresas; que as empresas assumiam o risco econômico do empreendimento e os custos e despesas. Entretanto, a recorrente não demonstrou nem provou especificamente que os argumentos apontados pela fiscalização para caracterizar a simulação entre as empresas são improcedentes. As argumentações sem comprovação não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal." (grifei) Diante do exposto, entendo que deve ser mantido o lançamento, vez que comprovada a simulação à luz de todos os elementos probatórios trazidos pela fiscalização e acostados pela própria Recorrente em sua defesa. A simulação restou configurada na forma do art. 167, ,§1º, I, do Código Civil, vez que demonstrada a existência de uma única pessoa jurídica (a Recorrente Calçados Q SONHO), que foi dividida formalmente para a existência de outras duas (LAW OF SHOES e F.F.E), ainda que a operação de fato mantevese centralizada em apenas uma: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados." E esses negócios jurídicos simulados (existência fictícia de duas pessoas jurídicas) implicou no creditamento indevido das contribuições para o PIS e a COFINS e na redução de despesas trabalhistas e previdenciárias da Recorrente, com a redução dolosa dos tributos devidos, ensejando a aplicação da multa qualificada, como será exposto no tópico seguinte. IV DA MULTA QUALIFICADA Afirma a Recorrente que inexistiria na hipótese dolo específico para a aplicação da multa de ofício qualificada. Contudo, como delineado no tópico anterior, restou constatado que a Recorrente utilizouse das empresas Law Of Shoes Indústria de Calçados Ltda. e FFE Indústria de Calçados Ltda. com a finalidade de evitar o pagamento das contribuições previdenciárias patronais e para ter ganhos tributários/financeiros (créditos de PIS e COFINS nãocumulativos) ilegítimos. A simulação incorrida foi uma verdadeira atitude dolosa que impediu o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais do fato gerador do PIS e da COFINS (e também das contribuições previdenciárias, objeto dos processos mencionados do item I deste voto). Com isso, a Recorrente incorreu em sonegação na exata forma descrita no art. 71, da Lei n.º 4.502/64, autorizando a aplicação da multa qualificada na forma do art. 44, §1º da Lei n.º 9.430/96: Fl. 1170DF CARF MF 22 Lei n.º 9.430/96 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" (grifei) Lei n.º 4.502/64 "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." (grifei) Nesse sentido é o entendimento deste E. Conselho, em casos semelhantes ao presente: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA. Configurase simulação ou fraude quando os elementos probatórios indicam que duas sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma atividade econômica e unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividadesfins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra, que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES). SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. O Fisco, por meio de seus agentes auditores fiscais, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art.229 do RPS/99. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.161 23 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interposta pessoa jurídica. (...) Recurso Voluntário Negado" (Processo 10920.723909/201253 Data da Sessão 08/03/2016 Relatora Luciana de Souza Espíndola Reis Acórdão n.º 2301004.536. Unânime neste ponto grifei) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 (...) MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, ao restar comprovada nos autos a conduta da recorrente de engendrar e participar ativamente de todo um esquema de sonegação fraudulenta, inclusive mediante o uso de contacorrente bancária cuja titularidade formal era de pessoa jurídica fictícia e inexistente de fato, para ocultar da autoridade fazendária os vultosos recursos financeiros ali movimentados e, desta forma, também os fatos geradores tributários." (Processo 10830.727525/201219 Data da Sessão 01/03/2016 Relator Waldir Veiga Rocha Acórdão n.º 1301001.930. Unânime) "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS INSCRITAS NO SIMPLES. SIMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando se de interpostas pessoas jurídicas. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11065.721256/201187 Data da Sessão 07/10/2014 Redator Designado Ronaldo de Lima Macedo –Acórdão 2402004.313. Maioria grifei) Assim, não merece alteração a multa aplicada. V DA NECESSIDADE DE DEDUÇÃO/COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS NO SIMPLES PELAS PESSOAS JURÍDICAS DESCONSIDERADAS. Por fim, necessário analisar o pedido subsidiário da Recorrente de deduzir do valor a pagar os valores já pagos à título de PIS e COFINS no regime do SIMPLES, às quais se sujeitavam as pessoas jurídicas consideradas interpostas no Auto de Infração. Esse ponto foi bem analisado no Acórdão n.º 2803002.910, mencionado no item I deste voto, no qual foi expresso: Fl. 1172DF CARF MF 24 "COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS AO SIMPLES Com base no art. 21, § 5º, da Lei Complementar nº 123/2006, o Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN regulou a compensação e a restituição dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido. A Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011, art. 118, § 3º, dispõe que a compensação pode ser de ofício e com débitos junto à Fazenda Pública do próprio ente, inclusive em caso de exclusão da empresa do Simples Nacional (art. 119, § 5o): Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art.21. Os tributos devidos, apurados na forma dos arts. 18 a 20 desta Lei Complementar, deverão ser pagos: § 5º O CGSN regulará a compensação e a restituição dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido. (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) § 6º O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) .................... Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011 (*) Art. 118.A ME ou EPP optante pelo Simples Nacional somente poderá solicitar a restituição de tributos abrangidos pelo Simples Nacional diretamente ao respectivo ente federado, observada sua competência tributária. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 5º) § 3ºOs créditos a serem restituídos no Simples Nacional poderão ser objeto de compensação de ofício com débitos junto à Fazenda Pública do próprio ente. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 10) Da Compensação Art. 119.A compensação dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido, será efetuada por aplicativo a ser disponibilizado no Portal do Simples Nacional, observandose as disposições desta seção. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, §§ 5ºa 14) § 1ºQuando disponível o aplicativo de que trata o caput: I será permitida a compensação tão somente de créditos para extinção de débitos junto ao mesmo ente federado e relativos ao mesmo tributo; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 11) II os créditos a serem compensados na forma do inciso I serão aqueles oriundos de período para o qual já tenha sido apropriada a respectiva DASN apresentada pelo contribuinte, até o anocalendário 2011, ou a apuração validada por meio do PGDASD, a partir do anocalendário 2012; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 5º) III o valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento), relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 6º) IV observarseão os prazos de decadência e prescrição previstos no CTN. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 12) Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 11065.725365/201173 Acórdão n.º 3402004.072 S3C4T2 Fl. 1.162 25 § 2ºOs valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios previstos para o imposto de renda, inclusive, quando for o caso, em relação ao ICMS e ao ISS. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 7º) § 3ºNa hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 8º) § 4º Será vedado o aproveitamento de créditos não apurados no Simples Nacional, inclusive de natureza não tributária, para extinção de débitos do Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 9º) § 5º Os créditos apurados no Simples Nacional não poderão ser utilizados para extinção de outros débitos junto às Fazendas Públicas, salvo quando da compensação de ofício oriunda de deferimento em processo de restituição ou após a exclusão da empresa do Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 10) § 6º É vedada a cessão de créditos para extinção de débitos no Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 13) § 7º Nas hipóteses previstas no § 5º, o ente federado deverá registrar os dados referentes à compensação processada no aplicativo específico do Simples Nacional, para bloqueio de novas compensações ou restituições do mesmo valor. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, § 5º) (Incluído pela Resolução CGSN nº 100, de 27 de junho de 2012) Desse modo, é possível a compensação dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado – SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação. Ademais, deve ser aplicada a súmula CARF nº 76 do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL, o Discriminativo do Débito – DD, os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal; e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para deferir o pedido de dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais." (grifei) Observase que a Recorrente acostou aos presentes autos as guias de recolhimento do SIMPLES das empresas desconsideradas, juntamente com o extrato simplificado de apuração, identificado os montantes que correspondem ao PIS e à COFINS (e fls. 955/1.079) Fl. 1174DF CARF MF 26 Assim, à luz da Súmula CARF n.º 76 e da própria autorização de compensação trazida na Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011, nos termos acima transcritos, entendo que deve ser dado provimento neste ponto ao Recurso Voluntário para deferir o pedido de dedução dos valores de PIS e COFINS recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe. Para tanto, necessário que a autoridade fiscal de origem, no momento da liquidação do presente acórdão, confirme a existência dos pagamentos em sede do SIMPLES suscetíveis de serem compensados. VI CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para deferir o pedido de dedução dos valores de PIS e COFINS recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe. Os valores passíveis de dedução deverão ser confirmados em fase de liquidação. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 1175DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900783/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/11/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.273
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 83 /2 01 2- 62 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900783/201262 Acórdão n.º 3301003.273 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.578, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 14/11/2006, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900783/201262 Acórdão n.º 3301003.273 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900783/201262 Acórdão n.º 3301003.273 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900783/201262 Acórdão n.º 3301003.273 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900783/201262 Acórdão n.º 3301003.273 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001263/98-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINIS TRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997
REDISTRIBUIÇÃO DE PROCESSO - RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA
A conclusão sobre o valor do saldo negativo em litígio nestes autos depende diretamente da decisão a ser proferida no processo ir 1381 L000969/97-01, onde estão sendo examinadas as compensações para a quitação de algumas estimativas do ano de 1997. A matéria deste outro processo é prejudicial em
relação à deste, pois, caso as compensações sejam lá reconhecidas, tal decisão repercutirá diretamente no saldo negativo debatido neste processo.
Pela relação de dependência, os presentes autos devem ser redistribuídos para o mesmo relator incumbido do julgamento daquele outro processo, do qual este é dependente.
Numero da decisão: 1802-000.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para o julgamento deste processo, nos termo-voto do Relator
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : PROCESSO ADMINIS TRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 REDISTRIBUIÇÃO DE PROCESSO - RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA A conclusão sobre o valor do saldo negativo em litígio nestes autos depende diretamente da decisão a ser proferida no processo ir 1381 L000969/97-01, onde estão sendo examinadas as compensações para a quitação de algumas estimativas do ano de 1997. A matéria deste outro processo é prejudicial em relação à deste, pois, caso as compensações sejam lá reconhecidas, tal decisão repercutirá diretamente no saldo negativo debatido neste processo. Pela relação de dependência, os presentes autos devem ser redistribuídos para o mesmo relator incumbido do julgamento daquele outro processo, do qual este é dependente.
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Recorrida 10" TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINIS TRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 REDISTRIBUIÇÃO DE PROCESSO - RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA A conclusão sobre o valor do saldo negativo em litígio nestes autos depende diretamente da decisão a ser proferida no processo ir 1381 L000969/97-01, onde estão sendo examinadas as compensações para a quitação de algumas estimativas do ano de 1997. A matéria deste outro processo é prejudicial em relação à deste, pois, caso as compensações sejam lá reconhecidas, tal decisão repercutirá diretamente no saldo negativo debatido neste processo. Pela relação de dependência, os presentes autos devem ser redistribuídos para o mesmo relator incumbido do julgamento daquele outro processo, do qual este é dependente, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para o julgamento deste processo, nos termo-voto do Relator. arq - s I - sé de Oliveira FeiTaz Corrêa - Relator. EDITADO EM:0 5 NO.:w-T1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, ,José de Oliveira FetTaz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Alfredo Henrique Rebello Brandão, Gilberto Baptista.. Processo n" 13811.001263/98-11 Sl-TE02 Mói dào n " 1802-00.630 El 213 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que manteve a negativa parcial em relação a Pedido de Restituição de saldo negativo de 1RPJ no ano-calendário de 1997, cumulado com Pedidos de Compensação, nos mesmos termos em que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão n°05743, às fis, 185 a 189: Trata o presente processo de pedido de restituição do imposto de renda credor apurado na declaração de rendimentos entregue em 1998, relativamente ao ano calendário de 1997, conjugado com pedidos de compensação de impostos federais.. O saldo credor apurado na declaração do ano calendário de 1997 perfiz o valor de R$ 172,868,25, conforme cópia da declaração de rendimentos às . 11s.33, a título de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, Apreciado o pedido da requerente, o mesmo . foi deferido parciahnente no valor de R$ 102.339,53, conforme Despacho Decisório de fls. 105 a 108, valor esse que corresponde à somatória das antecipações cujos recolhimentos foram confirmados (fls .104) A ciência dá-se em 21/11/2003, conforme AR «is 113 verso). Por sua vez, o interessado insurge-se contra tal Despacho Decisório, em manifestação protocolizada em 03/12/2003, expondo que (fls.152 e fls,153)- 1) o valor da diferença apresentada representa as compensações das antecipações do IRPJ do ano base de 1997, com crédito referente das antecipações a maior do 1RPJ do ano base de 1996, conforme planilha (anexo 1) já apresentada anteriormente (f1 s.8.5), e que o referido crédito do ano de 1996 encontra-se pendente de apreciação de recurso no processo de n° 13811 000969/97-01, 2) as compensações das antecipações do IRPJ do período de março, abril, maio, .junho e julho, todas do ano base de 1997, constam das DCTFs respectivas (anexo 3); 3) o valor do crédito apurado no ano de 1997 de R$ 172.868,2.5 é referente somente às antecipações do 1RPJ, sendo que o crédito total deverá ser apurado mediante a soma dos valores retidos na fbnte referente às receitas Financeira.s no montante de R$ 37,706,08. Poi todo o exposto, ,s o heila revisão do despacho decisório e homologação do crédito tributário no valor de RS 210.574,33, referente a R$ 172 868,25 de antecipações do IRPJ ano base 1997 e R$ 37 706,08 de IRRE sobre receitas . financeiras do ano de 1997, bem como a correção monetária de lei. Como mencionado, a .DRJ São Paulo/SP indeferiu a solicitação da Contribuinte, mantendo o que foi decidido pela DERAT São Paulo/SP, nos seguintes termos: Assunto. Imposto sobre a Renda Retido na Fome - IRRF Ano-calendário . 1997 Ementa Pedido de restituição de Imposto Pago a Maior. Antecipações Apreciado corretamente o pedido de restituição de antecipações de IRPJ pela autoridade de jurisdição do interessado, improcede a manifestação de inconformidade. Solicitação Indeferida. Quanto às antecipações (estimativas) em 1997 que foram objeto de pedido de compensação com crédito de IRPJ do ano anterior, e que estão pendentes de apreciação no processo n° 13811.000969/97-01, a Delegacia de Julgamento consignou que tais valores não devem compor a restituição a ser apreciada no presente processo, urna vez que devem integrar as compensações vinculadas àquele outro, e nele devem ser apreciadas. Assim, estaria correto o Despacho Decisório de fls.105 a 108 que reconheceu o (hl eito creditório no exato valor das antecipações efetivamente recolhidas relativamente ao ano calendário de 1997. Em relação ao reconhecimento adicional de direito creditório, a titulo de IRRF, no valor de RS 37.706,08, dirigido diretamente à DRJ, os julgadores de primeira instância consignaram que esse pedido não foi objeto de apreciação pela autoridade competente (no caso, a Delegacia de origem - DERAT/SP), pelo que não poderia ser objeto de apreciação pelo órgão encarregado do julgamento de processos. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/06/2005, a Contribuinte apresentou em 11/07/2005 o recurso voluntário de fls.. 191 a 194, onde reitera as mesmas razões de sua primeira manifestação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando, em síntese, os seguintes argumentos: a) equivoca-se o relatório de manifestação de improcedência do pedido de reconhecimento de Crédito Tributário cumulado com pedido de compensação, uma vez que conclui precipitadamente o direito em questão, vez que o mesmo tem sua formação no ano imediatamente anterior e que o mesmo aguarda homologação por parte da SRF; h) ressalte-se aqui, que o processo de n° 13811.000969/97-01 não discute compensação e sim a formação do Crédito Tributário para sua posterior compensação, alvo deste processo, c) ratificando tudo já exposto, a compensação é uma "espécie" das modalidades de Extinção do Crédito Tributário, da mesma fbrma que o pagamento, portanto não há possibilidade de se dar Processo n" 1.3811.001263/98-11 Aeórao n " 1802-00.630 SI-1'E02 Fl 214 tratamento diferenciado aos eleitos das duas situações, devendo o Crédito Tributário ser .fbrmado pela soma das parcelas efetivamente recolhidas aos cqfres públicos com as parcelas compensadas,' d) Por fim, não analisar nosso pedido de homologação do crédito tributário reler-ente ao 1RRF fere o principio Constitucional da ampla defesa e da moralidade que deve nortear os atos públicos, vez que a Secretaria da Receita Federal além de possuir diversos mecanismos de averiguação deste valor como é o caso do extrato nomeado de "IRFCONS" apresentado a nós como .ferramenta de cobrança de impostos no processo de n° 13811.000969/97-01 movido por este mesmo Departamento, não solicitou em momento algum prova da constituição deste crédito. Se este instrumento é competente para avaliar o Crédito Tributário e sua Compensação também deverá ser competente para avaliar a existência de Créditos oriundos de Retenções na Fonte. Este é o Relatório - 'de Oliveira Ferraz 'Corrêa - Relatar Voto Conselheiro Relatar, José de Oliveira Ferraz Corrêa O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento Conforme relatado, o litígio abrange a parcela não reconhecida do saldo negativo do IRPJ/ano-calendário 1997. O pedido de restituição está cumulado com pedidos de compensação. A negativa parcial do valor pleiteado foi motivada pelo fato de algumas estimativas de 1997, que também contribuíram para a formação do saldo negativo em questão, terem sido quitadas por compensação. Nas fases anteriores do presente processo, só foram consideradas para efeito de geração do saldo negativo as antecipações efetivamente recolhidas. As compensações realizadas para a quitação destas estimativas de 1997 são objeto do processo n" 13811.000969/97-01, distribuído para o Conselheiro Hugo Correia Sotero, membro da 1" Câmara da 1" Sessão do CAIU. É importante registrar que não há restrições para a quitação de estimativas por meio de compensação, e tampouco qualquer limitação para a formação de saldo negativo a partir destas estimativas, contanto que as compensações sejam homologadas. Nestes termos, considero que a matéria deste outro processo é prejudicial em relação à deste, pois, caso as compensações sejam lá reconhecidas, tal decisão repercutirá diretamente no saldo negativo debatido neste processo. Sendo assim, considero que, em razão da relação de dependência, os presentes autos devem ser redistribuídos para o mesmo relatar incumbido do julgamento daquele outro processo, do qual este é dependente. Diante do exposto, voto no sentido de declinar da competência para o julgamento deste processo, que deverá ser encaminhando à Primeira Câmara da Primeira Seção do CARE. Sala das Sessões, em 31 de agosto de 2010 6
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900257/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/06/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 57 /2 01 4- 81 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900257/201481 Acórdão n.º 3401003.662 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900257/201481 Acórdão n.º 3401003.662 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900257/201481 Acórdão n.º 3401003.662 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720558/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
A teor do art. 12-A da Lei 7.713, de 1988, os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente aplica-se a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda, por ausência de opção.
Numero da decisão: 2301-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ADMITIR e ACOLHER os embargos, rerratificando o acórdão embargado, para que nele conste Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Tal decisão completa e integra o Acórdão 2301-004.661.
João Bellini Júnior Presidente e relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. A teor do art. 12-A da Lei 7.713, de 1988, os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente aplica-se a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda, por ausência de opção.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. A teor do art. 12A da Lei 7.713, de 1988, os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente aplicase a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda, por ausência de opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ADMITIR e ACOLHER os embargos, rerratificando o acórdão embargado, para que nele conste “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator”. Tal decisão completa e integra o Acórdão 2301004.661. João Bellini Júnior – Presidente e relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 05 58 /2 01 2- 75 Fl. 143DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão 2301004.661, exarado da por esta Turma (Efls. 124 a 127). Os embargos foram admitidos em face da existência de contradição entre o dispositivo do acórdão, no qual constou “dar provimento ao recurso voluntário” e a sua ementa, voto e conclusão, bem como com a ata do julgamento, pelos quais o recurso voluntário restou negado. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator. Admito os embargos por restar evidente a contradição entre o dispositivo do acórdão (dar provimento ao recurso voluntário) e a ata do julgamento e ementa, voto e conclusão do acórdão (negar provimento ao recurso voluntário). DA CONTRADIÇÃO PRESENTE NO ACÓRDÃO EMBARGADO Constou na parte final do acórdão embargado: Por tais regras, a opção pela tributação exclusiva na fonte deve ser realizada expressamente pelo contribuinte por ocasião da entrega à RFB de sua declaração de ajuste anual (DAA), somente podendo ser exercida em outro momento nas expressas hipóteses previstas na instrução normativa. Portanto, como o contribuinte não exerceu a opção pela tributação exclusiva na fonte, na forma prevista pelo art. 12A da Lei 7713, de 1988, dentro do prazo para entrega da DAA, e a opção não mais pode ser exercida neste momento processual, deve ser mantida a regra geral aplicável aos rendimentos recebidos acumuladamente, ou seja, sua tributação na DAA conjuntamente com os demais rendimentos recebidos pelo contribuinte. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Grifouse.) Tal conclusão restou espelhada na ementa do acórdão, que registrou: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10640.720558/201275 Acórdão n.º 2301005.083 S2C3T1 Fl. 3 3 A teor do art. 12A da Lei 7.713, de 1988, os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente aplicase a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda, por ausência de opção. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (Grifouse.) Também a ata do julgamento registrou: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A contradição ocorreu entre os textos citados e o dispositivo do acórdão, que registrou, em sentido contrário, “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora”. (Grifouse.) Tal contradição deve ser sanada, para que conste no dispositivo do acórdão “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator”. Conclusão Com base no exposto, voto por ADMITIR e ACOLHER os embargos, rerratificando o acórdão embargado, para que conste em seu dispositivo “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator”. Tal decisão completa e integra o Acórdão 2301004.661. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720170/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.799
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720170/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.799 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 70 /2 01 1- 62 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720170/201162 Acórdão n.º 3302003.799 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.314. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720170/201162 Acórdão n.º 3302003.799 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720170/201162 Acórdão n.º 3302003.799 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720170/201162 Acórdão n.º 3302003.799 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720170/201162 Acórdão n.º 3302003.799 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 134DF CARF MF
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