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Numero do processo: 13888.917213/2011-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 13 /2 01 1- 47 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 70 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 71 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 73 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 74 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15165.001993/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RESTITUIÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVOS. GARANTIA PARA DESEMBARAÇO. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS.
Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição nessa via processual.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque .
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVOS. GARANTIA PARA DESEMBARAÇO. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS. Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição nessa via processual. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque .
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GARANTIA PARA DESEMBARAÇO. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS. Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição nessa via processual. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 19 93 /2 00 6- 25 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente litígio decorre de pedido de restituição (fls. 01/ss), protocolizado em 31/05/2006, onde a interessada solicita a restituição de depósitos efetuados junto à Caixa Econômica Federal como garantia para o desembaraço aduaneiro de mercadorias, tendo em vista a empresa estava sob procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (prestação de garantia até que se comprove a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos). Foram efetuados depósitos administrativos e depósitos judiciais, conforme relação constante de folha 58. Por bem sintetizar os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Trata o presente processo do Pedido de Restituição de valores relativos a depósitos judiciais e administrativos efetuados para fins de desembaraço aduaneiro de mercadorias submetidas a despacho aduaneiro com base nas declarações de importação n. 04/12330045; 04/12323811; 04/11284490 e 04/10852826, em face de a interessada, na condição de importadora dessas mercadorias, haver sido enquadrada nos procedimentos especiais previstos na Instrução Normativa SRF n°228, de 2002. Tendo o mencionado Pedido de Restituição sido apreciado pela unidade de despacho (Inspetoria da Receita Federal em Curitiba), foi o mesmo objeto de indeferimento, conforme Despacho Decisório n. 009/2007 (fl.43). Inconformada com o indeferimento, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 50 a 56, onde, para ver reformada a decisão prolatada pela autoridade "a quo", alega, em síntese, que a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 oferece amparo ao seu pedido, como se percebe pelo teor do preâmbulo do mencionado ato administrativo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 0717.856 de 23 de outubro de 2009 (folhas 60/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2004 Depósitos Judiciais e Administrativos. Restituição. Incabível. Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.001993/200625 Acórdão n.º 3202000.582 S3C2T2 Fl. 190 3 A interessada cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis (folhas 64/73), interpôs Recurso Voluntário (fls. 740/ss), em 28/07/2011, onde aduz que: a previsão legal para a restituição encontra amparo legal no Decreto 4.543/2002, nos termos dos artigos que transcreve (arts. 106 a 112); cita, ainda, o artigo 5º, incisos LIV, LV e LXXVIII, da CF/88; por fim, requer que seja “deferida a restituição ou compensação dos valores pedidos, ante a existência de previsão legal para tanto DecretoLei 4543/2002, bem como em cumprimento aos princípios constitucionais do direito à propriedade, da apreciação da lesão ou ameaça a direito, do devido processo legal administrativo, da efetividade do procedimento administrativo, e, enfim, para evitarse o enriquecimento sem causa da Receita em detrimento, por ligação por nexo de causalidade do empobrecimento sem causa da ELETROLUMEN LTDA”. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Não há reparos a fazer na decisão de primeira instancia administrativa. O pedido de restituição dos valores depositados, na via administrativa e judicial, como garantia para o desembaraço aduaneiro de mercadorias não encontra amparo legal nessa via processual. Vejamos. O depósito foi exigido em sede de procedimento aduaneiro especial, com base no artigo 7º, §3°, da IN SRF 228/2002 que assim dispõe: Art.7° Enquanto não comprovada a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações, bem assim a condição de real adquirente ou vendedor, o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionada à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial. (...) 3° A garantia a que se refere este artigo poderá ser prestada sob a forma de depósito em moeda corrente, fiança bancária ou seguro em favor da União. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 A norma acima transcrita referese, portanto, a garantia exigida para fins de desembaraço aduaneiro de mercadoria, em situações especiais, não se confundindo com o pagamento indevido de tributos, hipótese em que daria causa a sua restituição. As hipóteses de restituição de tributos, na esfera aduaneira, estão previstas no artigo 109 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto n° 4.543/2002), verbis: Art. 109. Caberá restituição total ou parcial do imposto pago indevidamente, nos seguintes casos: I diferença, verificada em ato de fiscalização aduaneira, decorrente de erro (Decretolei nº 37, de 1966, art. 28, inciso I): a) de cálculo; b) na aplicação de alíquota; e c) nas declarações quanto ao valor aduaneiro ou à quantidade de mercadoria; II apuração, em ato de vistoria aduaneira, de extravio ou de depreciação de mercadoria decorrente de avaria (Decretolei nº 37, de 1966, art. 28, inciso II); III verificação de que o contribuinte, à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e os requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei nº 5.172, de 1966, art. 144); e IV reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória (Lei nº 5.172, de 1966, art. 165, inciso III). Parágrafo único. Na hipótese de que trata o inciso II, a restituição independerá de prévia indenização, por parte do responsável, da importância devida à Fazenda Nacional. O pedido de restituição tratado nos autos, portanto, não está previsto entre as hipóteses relacionadas no artigo 109 acima transcrito. Da mesma forma, o artigo 112 referese à compensação de crédito relativo ao imposto, passível de restituição ou de ressarcimento, o que também não se adequa ao caso em tela. Como muito bem destacado na decisão de primeira instância, no caso de garantia para o desembaraço em procedimento especial, a eventual liberação dos valores, quando for o caso, será feita diretamente pelo Poder Judiciário (para os depósitos judiciais) e pela unidade aduaneira em que ocorreram os respectivos despachos de importação (para os depósitos administrativos). De igual modo, a Instrução Normativa SRF n° 600/2005, citada pelo contribuinte, trata apenas dos procedimentos para a restituição e compensação de quantias recolhidas a título de tributos arrecadados (indevidamente) mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), de pagamentos indevidos de tributos, e não de casos de depósitos em garantia efetuados mediante guias próprias de Depósito Judicial à Ordem da Justiça Federal e a de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa. Quanto aos princípios citados pela Recorrente – do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, todos foram devidamente respeitados na instância administrativa. O contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade que foi devidamente apreciada e julgada, posteriormente, apresentou Recurso Voluntário que está Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.001993/200625 Acórdão n.º 3202000.582 S3C2T2 Fl. 191 5 sendo apreciado e julgado. O respeito aos princípios constitucionais não significa que os órgãos de julgamento devam concordar com os argumentos e teses trazidas pelo Recorrente, especialmente, quando não concorda com eles. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906273/2012-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2009
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/11/2009 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 73 /2 01 2- 14 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2009 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906273/201214 Acórdão n.º 1802003.240 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720483/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.OMISSÃO DE RENDIMENTOS.DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior aR$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor deR$ 80.000,00,dentro do anocalendário.Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares.
DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE SE NÃO PREJUDICA A DEFESA.
Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso .
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
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LIMITE DE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior aR$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor deR$ 80.000,00,dentro do anocalendário.Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE SE NÃO PREJUDICA A DEFESA. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 04 83 /2 01 1- 17 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Tratase de Auto de Infração, referente aos anos calendário de 2007 e 2008, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 144.185,47, sendo R$ 59.632,19 de imposto, R$ 17.913,00de juros de mora, R$ 44.724,13de multa de ofício, além de R$ 21.916,15a título de multa isolada. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, o lançamento decorreu da constatação das seguintes irregularidades na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. · Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior no ano calendário de 2007 no valor de R$ 160.000,00; · Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada nos anos calendário de 2007 e 2008. As planilhas intituladas “Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários de Origem Não Comprovada – 2007 e 2008”, demonstram como foram apuradas tais omissões. Salientase que os valores considerados como omissos foram lançados 50% neste auto de infração, sendo os outros 50% do crédito apurado lançados no auto de infração 10945.720484/2001161, em nome de sua esposa Zenir Barreto Coutinho, pelo fato desta ter mantido conta conjunta com o contribuinte, bem como apresentava DIRPF em separado; · Multa Isolada por Falta de Recolhimento de IRPF devido à Título de carnê leão no ano calendário de 2007 no valor de R$ 21.916,15. Consta do Termo de Verificação Fiscal que o Contribuinte não recolheu por meio do carnê leão o imposto de renda sobre os rendimentos recebidos do exterior na alíquota de 50% sobre o imposto incidente sobre tais rendimentos. Impugnou o lançamento, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: “Que ao entregar a DIRPF exercício 2008 o seu primeiro contador declarou na relação de bens e direitos a incorporação ao capital da empresa situado no Paraguai a quantia de R$ 160.000,00 recebidos a título de lucros obtidos. Informa que posteriormente buscou assessoria com outro profissional e efetuou a revisão de sua declaração, pois constatou que os valores lançados à Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 3 3 título de aumento de capital com utilização de lucros obtidos na empresa estava equivocado, e que por meio da análise documental, como faz prova a cópia da declaração apresentada oportunamente ao fisco, comprova que a empresa não teve movimentação contábil entre 2006/2007. Salienta que dentre os documentos apresentados consta o Registro Único de Contribuintes – RUC fornecido pela Subsecretaria de Estado de Tributação, emitido em 23.10.2007, e conclui que a empresa só poderia ter atividade a partir desta data. Afirma que os documentos apresentados, que serviram para convencer a fiscalização da falta de movimentação financeira que o contribuinte intitulou de “relatórios contábeis” são os mesmos apresentados a Subsecretaria de Estado da Tributação, como faz prova o carimbo de recepção pelo Banco Nacional do Fomento em 04/01/2008, assim como autenticação bancária no rodapé do referido documento, onde consta a informação do RUC, data da autenticação da recepção, e que o imposto a ser pago importa em 0,00. Ressalta que o documento apresentado não foi emitido simplesmente para comprovar perante a fiscalização que não houve movimentação financeira, mas para comprovação perante o fisco federal. Aduz que a fiscalização informou que a empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, estava em atividade durante o ano de 2007, e para isto apresentou duas transcrições de mensagem eletrônica na internet que fariam tal comprovação. O impugnante sustenta que a empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA é uma denominação de fantasia, e que o registro perante a Subsecretaria de Estado da Tributação, somente emitiu o RUC em 23.10.2007, sendo assim, argumenta que não poderia estar em funcionamento, além do que a empresa é denominada SULAMERICANA INFORMÁTICA DE JESUS RIBEIRO COUTINHO. Afirma que quanto aos depósitos bancários sem a devida comprovação da origem dos recursos seriam pertencentes a terceiros que adquiriam mercadorias no Paraguai, e que somente 10% dos valores seriam a título de comissão pela intermediação das vendas. Cita o inciso II, parágrafo terceiro do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Entende que a comprovação da origem dos depósitos bancários ficou comprovado pelo extrato bancário apresentado, pois os valores foram depositados em agências bancárias diversas, em diversas cidades brasileiras, o que por si só comprova que foram depositados por terceiro, inclusive, informa que algumas por transferências entre conta corrente, com isso fica evidenciado que os valores foram depositados por terceiros, onde a tributação não pertence ao contribuinte fiscalizado. Em anexo, alega que apresentou diversos pagamentos onde inegavelmente comprova que a empresa não estava em atividade no período de 2006 e 2007, e que demonstra que não houve resultados a serem incorporados ao capital, e tão poucos os registros contábeis da empresa e da alteração do capital social com os lucros hipotéticos. Ao final solicita: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 18. Diante, da demora na obtenção de outros documentos revestidos das formalidade legais estabelecidas pela legislação, onde evidenciaria de forma inequívoca, que a empresa esteve sem movimentação comercial no ano calendário de 2007, coloco me a disposição para anexar posteriormente os documentos; 19. Diante dos fatos acima demonstrados, dos documentos apensados ao processo não posso concordar com os valores lançados a título de imposto de renda pessoa física, pois a DIRPF Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física foi elaborada de forma equivocada, como ficou demonstrado nos documentos apresentados, não podendo o contribuinte pagar um imposto que não lhe é devido, pois em momento algum, o contribuinte se beneficiou pela elevação do capital social da empresa efetuado de forma errônea e equivocada pelo antigo contador; 20. Assim sendo venho através da presente solicitar a CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO, em sua totalidade, assim como do lançamento da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) e juros incidentes sobre os mesmos; 21. Finalmente, solicito o cancelamento da Representação Fiscal para fins Penais, por entender que não houve omissão de rendimentos, como ficou demonstrado nos documentos apresentados; A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2007, 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos no exterior decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior, transferidos ou não para o Brasil. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas é capaz de elidir a presunção de omissão de rendimentos regularmente estabelecida com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A alegação de que os depósitos são efetuados para pagamentos de compras de terceiros realizados no exterior, sem a comprovação documental não é suficiente para afastar a presunção de omissão. PROVA. REQUISITOS EXTRÍNSECOS. Para serem objetos de análise, quanto ao conteúdo, as cópias de documentos de empresa sediada no exterior devem estar autenticados na repartição consular acompanhado da tradução para o português, após devem ser registrados no Cartório de Títulos e Documentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 4 5 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário,fls. 210/224 argumentando: a) RENDIMENTOS NO EXTERIOR: · Destaca que a autoridade julgadora de primeira instância concluiu que os documentos apresentados para demonstrar a inexistência do rendimento de R$160.000,00, em sua empresa sediada no Paraguai, não preenchem os requisitos legais para ser aceita no Brasil. Reafirma que a Declaração de Ajuste do Exercício de 2008 foi entregue com erro e que esse erro nunca poderá ser entendido como fato gerador de tributo.Em que pese os argumentos do auditor constantes do TVF, está mais do que evidente que a atividade empresarial que desenvolveu no Paraguai, não gerou o rendimento apontado em sua declaração e portanto tal apontamento não passou de um lamentável equívoco. · Contesta o argumento de que os documentos juntados, que atestam a total ausência de movimentação da empresa, não servem a comprovação em decorrência simplesmente de sua origem estrangeira (redigidos em espanhol) não resiste ao que dispõe o DECRETO N° 2.067, DE 12 DE NOVEMBRO DE 1996, que assegura tratamento igualitário aos documentos públicos que circulam entre os países signatários do Mercosul. · Transcreve ementas do TJPR e TJSC, para argumentar que se os documentos anexados aos autos, deixam claro que sua atividade empresarial no Paraguai, não apresentou nenhuma movimentação no período de 2007 a 2008, que justificasse o aumento de capital, não há como prevalecer o lançamento sob o argumento de que tal documentação não se reveste de específicas formalidades, quando essas não se aplicam aos documentos emanados das autoridade Paraguaias. · Ressalta que, se por via idônea comprovou a inexistência do suposto fato gerador do tributo, tal prova é suficiente para pulverizar qualquer das ilações trazidas pelo auditor, em seu TVF, com presunções sobre as informações prestadas em erro e por supostas atividades colhidas na internet, sem nenhuma credibilidade. b) MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA · Discorda do fato da autoridade julgadora de primeira instância ter mantido a autuação pelo arbitramento e não ter acolhido o seu argumento de que os valores movimentados em sua conta bancária pertenciam a terceiros. · Apresenta os seguintes argumentos para afirmar que, não está provada qualquer sonegação: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 1) não há previsão legal que o obrigue a manter comprovante de depósitos, já que possui os extratos de suas contas contendo a sua movimentação financeira; 2) a valoração subjetiva da auditoria quanto a razoabilidade ou irrazoabilidade, da forma como trata de seu patrimônio, somado ao fato de que as informações não apresentaram a precisão documental esperada pelo auditor resultando na falta de controle rigoroso dos depósitos não é, nem nunca será fato gerador de tributo algum, muito menos do Imposto de Renda, cujo art. 43 do Código Tributário Nacional (recepcionado com força de Lei Complementar) exige expressamente que a Lei Ordinária estabeleça como hipótese de incidência um acréscimo patrimonial real e efetivo.Destaca que no máximo, poderia haver a aplicação de uma multa formal, pela ausência de controle, contudo a previsão legal,neste sentido, também é inexistente; 3) os créditos não foram analisados individualizadamente (Decreto n.° 3.000/99, art. 849, § 2o, I), mas genericamente. 4) com a simples individualização dos depósitos e a desconsideração dos transferidos entre contas os depósitos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, se somados, dentro do anocalendário autuado, não ultrapassariam o valor de oitenta mil reais, pois apenas podem ser considerados em 50%(R$ 46.645,21 em 2007; R$ 50.230,68 em 2008), eis que se tratava de conta conjunta com sua esposa, que responde autuação autônoma nos autos do PAF n.° 10945720_484_2011 61 e, por expressa disposição legal, devem ser desconsiderados (Decreto 3.000/99, art. 849, § 2o, II). c) FUNDAMENTOS DE PROVA · Observa que os extratos acompanhados das informações prestadas na declaração anual, 2007 e 2008, faz prova a seu favor e de forma inconteste não há nenhuma omissão de receita. Portanto, cabe ao Fisco a prova da inveracidade dos fatos registrados na declaração anual e dos extratos. · Ressalta que por várias vezes esclareceu a origem dos depósitos, todavia o Fisco sem a devida individualização dos depósitos e desprovido de elementos seguros de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão presumiu serem inverídicos seus esclarecimentos o que no seu entendimento, viola o artigo 845, § 1o do Decreto 3.000/99. · Transcreve excertos da Decisão 1041/97 de 14.10.1997 da DRJ Foz do Iguaçu e do Acórdão 10608.923 do CARF e Acórdão;da CSRF/012.117, , para fundamentar o seu argumento de que é Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 5 7 inadmissível que fisco não prove o vínculo entre a suposta omissão de receitas e os depósitos bancários. d) IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO · Observa que apontou a origem dos valores que giraram em suas contas, portanto, para que o Fisco pudesse arbitrar seu lucro teria que desclassificar as informações voluntariamente prestadas no ajuste anual do IR. Ressalta que o regime de tributação com base no lucro arbitrado é uma modalidade de apuração da base tributável, cuja utilização pelo Fisco só deve ser efetuada em casos extremos, quando, após esgotados todos os procedimentos fiscais de investigação, constatarse a impossibilidade de apuração do lucro efetivamente obtido (se obtido?), pelo contribuinte. · Argumenta que não houve qualquer procedimento fiscal que demonstre a imprestabilidade do ajuste anual, em decorrência da falta de contabilização da movimentação bancária, ou de que nesta os depósitos realizados não tomaram a origem por ele apontada, o que torna nulo de pleno direito o arbitramento. · Ressalta que é pacífico o entendimento de que o lançamento arbitrado com sustentação apenas nos extratos é ilegítimo, nos termos da Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. É de se ressaltar que o lançamento foi efetuado com fundamento nas seguintes infrações: 1. Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior no ano calendário de 2007 no valor de R$ 160.000,00; 2. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada nos anos calendário de 2007 e 2008. As planilhas intituladas “Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários de Origem Não Comprovada – 2007 e 2008”, demonstram Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 como foram apuradas tais omissões. Salientase que os valores considerados como omissos foram lançados 50% neste auto de infração, sendo os outros 50% do crédito apurado lançados no auto de infração 10945.720484/2001161, em nome de sua esposa Zenir Barreto Coutinho, pelo fato desta ter mantido conta conjunta com o contribuinte, bem como apresentava DIRPF em separado; 3. Multa Isolada por Falta de Recolhimento de IRPF devido à Título de carnê leão no ano calendário de 2007 no valor de R$ 21.916,15. Consta do Termo de Verificação Fiscal que o Contribuinte não recolheu por meio do carnê leão o imposto de renda sobre os rendimentos recebidos do exterior na alíquota de 50% sobre o imposto incidente sobre tais rendimentos. No que se refere à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificase que cabe razão ao recorrente, quando o mesmo afirma que os depósitos estão dentro dos limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, os quais não poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa previsão legal, pois são inferiores a R$12.000,00 e não excedem a R$80.000,00, dentro de cada ano calendário. É de se observar que os limites acima devem ser aplicados em benefício de cada titular das contas bancárias, considerando que a regra do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96, que determina o rateio dos depósitos bancários em contas com cotitulares quando estes não comprovam a origem dos depósitos, busca tratar os cotitulares individualmente considerando os como um centro de imputação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando tais cotitulares tenham rendimentos independentes, com apresentação de declarações de ajuste em separado, como ocorreu no caso vertente. Ora, considerando que cada cotitular tem rendimentos diversos e ofertam nos à tributação em suas individuais declarações de ajuste, plausível o entendimento de que os limites do art . 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 devem ser aplicados a cada cotitular já que os limites devem ser encarados como uma benesse da Lei que excluiu do espectro da presunção legal os valores abaixo de R$12.000,00, desde que o somatório de tais valores não exceda o limite de R$80.000,00, dentro do anocalendário. Neste sentido, citese o Acórdão 9202002.621 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 23 de abril de 2013, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. LIMITES. Os limites legalmente estabelecidos para a tributação de depósitos bancários sem origem comprovada (Lei n° 9.430/1996, art. 42, § 3 0, II) devem ser aplicados de modo a respeitar a devida proporcionalização no caso de conta bancária conjunta. A limitação imposta pelo diploma legal não pode ter seu escopo desvirtuado pela existência de mais de um titular na conta. Recurso especial negado Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 6 9 Assim, considerando que os depósitos bancários inferiores a R$ 12.000,00 não excedem R$ 80.000,00 nos anos calendários de 2007 e 2008, devese proceder a exclusão dos correspondentes montantes de R$ 46.822,61, no Exercício de 2008 e R$50.230,68, no Exercício de 2009. Quanto a omissão de rendimentos recebidos do exterior verificamos que a autoridade lançadora assim fundamentou a infração: “3.1Classificação Indevida de Rendimentos na Declaração de Ajuste Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior Em sua Declaração de Ajuste do exercício de 2008 referente ao ano calendário de 2007, o contribuinte informou o valor de R$160.000,00 no campo DEMAIS RENDIMENTOS E IMPOSTO PAGO DO TITULAR como sendo vinculado a "Demais rendimentos isentos e nãotributáveis", conforme se pode verificar na fl. 9 do presente processo. Na mesma declaração, no campo DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS, o fiscalizado informou, em relação ao bem identificado como SULAMERICANA INFORMÁTICA, empresa de propriedade do contribuinte situada em Ciudad Del Este, no Paraguai, a ocorrência de um aumento de capital no montante de R$160.000,00, explicando que tal aumento havia sido realizado mediante o uso de reservas da própria empresa. A empresa, que possuía um capital social de R$40.000,00, passou a ter capital social de R$200.00,00 e, nos anos seguintes, continuou a ser declarada pelo contribuinte pelo valor aumentado de seu capital social, ou seja, por R$200.000,00. Intimado a apresentar documentação comprobatória do auferimento dos rendimentos declarados como isentos, o contribuinte declarou expressamente (fls. 28 e 29) que os rendimentos isentos que declarara, no valor de R$160.000,00, são referentes ao aumento de capital realizado na empresa "SULAMERICANA INFORMÁTICA, EMPRESA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA DE JESUS RIBEIRO COUTINHO", situada em Ciudad Del Este, Paraguai. Na mesma ocasião, o contribuinte também afirmou que o citado aumento de capital foi realizado com "recursos de lucros adquiridos pela própria empresa, e aplicado em aumento de capital social". A fim de confirmar o alegado, o contribuinte trouxe cópia de documentos constitutivos da empresa em comento (fls. 31 a 44) , porém, sem que tais documentos tivessem sido consularizados e traduzidos para o vernáculo, na forma da legislação aplicável. Equivocouse o contribuinte ao classificar como rendimentos isentos os lucros auferidos na empresa paraguaia e utilizados para aumento do próprio capital social. Tal procedimento estaria correto caso tais lucros houvessem sido ganhos no Brasil, porquanto a Lei 9.249/95 isenta do Imposto de Renda os lucros distribuídos aos sócios, mas o tratamento legal para os lucros auferidos pela pessoa física oriundos de empresas situadas no exterior é diferente. Ocorre que a Lei 7.713/88, em seu artigo 8o, estabelece que os rendimentos recebidos do exterior são tributáveis por meio do Imposto de Renda, e que esse imposto deve ser pago mensalmente, na forma do § 2° do artigo 8o. Vejamos: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 { ...} Na mesma esteira anda o Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/99, cujo dispositivo constante do artigo 55, inciso VII, estabelece que são tributáveis os rendimentos recebidos do exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Além disso, o artigo 106 do Decreto 3.000/99 determina o pagamento mensal do Imposto de Renda da Pessoa Física que receber de fontes situadas no exterior rendimentos que não tenham sido tributados na fonte no País. Dessa forma, quaisquer valores recebidos de fontes do exterior, tais como, trabalho assalariado ou não assalariado, uso, exploração ou ocupação de bens móveis ou imóveis, transferidos ou não para o Brasil, lucros e dividendos, devem ser sujeitos à tributação e respectivo recolhimento mensal obrigatório, segundo o regime conhecido como carnêleão. Há que se respeitar, contudo, o disposto nos acordos, convenções e tratados internacionais firmados entre o Brasil e o país de origem de cada rendimento, de modo a se evitar duplicidade na imposição tributária. Destarte, adentrando ao caso investigado, vemos que os lucros auferidos pelo contribuinte são decorrentes das atividades de empresa situada no Paraguai, país em relação ao qual o Brasil não possui acordo vigente para evitar a dupla tributação. Em que pese o Congresso Nacional do Brasil ter ratificado, por meio do Decreto Legislativo n° 972/2003, a convenção firmada entre nosso país e o Paraguai para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda, tal acordo carece de finalização porquanto ainda não ratificado pelo parlamento paraguaio. Não há que se falar, portanto, sobre eventuais compensações de tributos que pudessem ter sido exigidos no país de origem dos rendimentos omitidos à Fazenda Nacional. O contribuinte, que ao princípio mostrouse solícito em esclarecer as circunstâncias em que ocorreu a aquisição e distribuição de lucro na empresa paraguaia, conforme declaração dada expressamente na resposta à primeira intimação (fls. 28 a 30), mudou de discurso, de atitude e, provavelmente, de assessoria contábil e jurídica. Eis que o fiscalizado, em resposta a nova intimação para apresentar documentos, resolveu contradizer frontalmente o que já declarara por quatro vezes ao fisco. Passou então o contribuinte a afirmar que não teria havido, de fato, o auferimento de lucro no exterior porque a empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA teria paralisado suas atividades no ano de 2006 e permanecido inativa nos anos de 2007 e 2008, e que, portanto, haveria se equivocado ao lançar nas suas Declarações de Ajuste dos exercícios de 2008 e 2009 os valores de R$160.000,00 como aumento de capital a partir de reservas da própria empresa. Na tentativa de convencer a fiscalização a aceitar sua nova explicação, o contribuinte apresentou documentos que atestariam a ausência de movimentação operacional da empresa, consistentes em cópias de, como o próprio contribuinte denominou, "relatórios contábeis, que foram preenchidos de modo a indicar movimento comercial inexistente nos anos de 2006 a 2007. Não pode prosperar a alegação do contribuinte por vários motivos, tanto de natureza formal como substantiva. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 7 11 Primeiramente, sob o aspecto formal, é necessário verificar quais são os requisitos exigidos em lei para que documentos estrangeiros sejam aceitos no Brasil e possam produzir efeitos em relação a terceiros e perante repartições públicas brasileiras. A legislação brasileira estabelece que os documentos emitidos em outros países precisam ser legalizados, ainda no exterior, junto às Repartições Consulares ou Embaixadas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, após o que nessitarão (sic) ser traduzidos para a língua portuguesa por tradutor juramentado residente no Brasil. Acompanhado dessa tradução, os documentos terão validade em território brasileiro. Vejamos: O Manual de Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, no capítulo dedicado aos Atos Notariais e de Registro Civil, estabelece: 4.7.1 Para que um documento originário do exterior tenha efeito no Brasil é necessária a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular, seja por reconhecimento de assinatura, seja por autenticação do próprio documento. 4.7.2 Caso o documento não esteja redigido em português, a tradução deverá ser feita obrigatoriamente no Brasil, por tradutor público juramentado, após a legalização do documento original pela Autoridade Consular brasileira, O Código Civil estatui, em seu artigo 224, que "os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Por sua vez, a Lei 6.015/73 assim dispõe: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: 6o) todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal;grifo nosso Os documentos estrangeiros apresentados pelo contribuinte carecem tanto da devida autenticação consular como de tradução para o vernáculo realizada por tradutor juramentado. Não podem, portanto, ser aproveitados em processo pelo motivo de não se revestirem das formalidades exigidas para que produzam efeito contra terceiros e perante repartições públicas brasileiras. Passamos agora a apontar o segundo motivo pelo qual não pode ser aceita a alegação do contribuinte de que não teria havido, de fato, a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 distribuição de lucro no exterior que ele mesmo informara em sua Declaração de Ajuste do exercício de 2008. É que, antes de o fiscalizado mudar suas afirmações acerca do lucro auferido por sua empresa no Paraguai, existe irrecusável verossimilhança nas informações que vinha apresentando à Receita Federal, consubstanciada na coerência, na repetição e no detalhamento dos dados que comprovam a efetiva obtenção do lucro, e, ainda, na imponderabilidade de o contribuinte, sem que com isso tenha obtido qualquer benefício, haver inventado e declarado erroneamente ou falsamente à Receita Federal sobre a existência de um rendimento que não teria recebido e de um patrimônio que não teria existido. Vejamos: Na Declaração de Ajuste do exercício de 2007, referente ao ano calendário de 2006, o contribuinte informou no campo "Declaração de Bens e Direitos", ser "PROPRIETÁRIO DA EMPRESA SULAMERICANA INFORMÁTICA LTDA, EM CIUDADE DEL ESTE PY, LOJA 124 GALERIA LAILAI CENTER ", no valor, em 31/12/2006, de R$40.000,00 (fis. 4 e 5). No ano seguinte, como já mencionado, também no campo "Declaração de Bens e Direitos", o fiscalizado informou ser "PROPRIETÁRIO DA EMPRESA SULAMERICANA INFORMÁTICA LTDA, EM CIUDADE DEL ESTE PY, LOJA 124 GALERIA LAILAI CENTER. AUMENTO DE CAPITAL EM 2007, COM RESERVAS DA PROPRIA EMPRESA ", apontando o novo valor patrimonial do bem, na data de 31/12/2007, em R$200.000,00, ou seja, aumentado em R$160.000,00 relativamente ao seu valor do ano anterior. De plano, fica patente que não se trata de mero erro de digitação, mas de informação deliberadamente inserida na Declaração de Ajuste do contribuinte, pois, caso contrário, tais dados não teriam sido detalhados para explicar a origem do recurso utilizado para o aumento do valor patrimonial do bem. Ainda em relação à mesma declaração, verificouse que, em contrapartida ao aumento do seu patrimônio declarado, o contribuinte informou o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis exatamente no valor de R$160.000,00, o que, em vista da coincidência dos valores, notoriamente deveuse ao fato de haver considerado como isentos os lucros recebidos de sua empresa no Paraguai. No raciocínio do contribuinte, houve perfeita conjugação entre o aumento de seu patrimônio e a obtenção dos rendimentos que suportaram tal incremento patrimonial. Se, como alegou o fiscalizado posteriormente, não tivesse de fato havido o aumento de capital da SULAMERICANA INFORMÁTICA, mediante a utilização dos lucros acumulados da empresa, por que motivo o contribuinte teria feito declaração falsa nesse sentido, tomando o cuidado, inclusive, de manter o equilíbrio entre origens e aplicações dos recursos na Declaração de Ajuste do exercício de 2008? Além disso, como já foi mencionado, o contribuinte continuou a declarar o valor aumentado do capital social da SULAMERICANA INFORMÁTICA nas Declarações de Ajuste dos exercícios 2009 (fls. 13 a 18) e 2010 (fls. 19 a 24) , o que reforça a inteligência de que de fato ocorreu a operação de aumento de capital social da empresa, pois não é razoável imaginar que uma pessoa ligada ao comércio não fosse perceber, durante três anos, um equívoco dessa importância em suas informações prestadas ao Fisco. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 8 13 E ainda, que dizer acerca da resposta do contribuinte quando questionado sobre o rendimento de R$160.000,00 declarado como isento? O contribuinte afirmou de modo claro e taxativo, que " o valor de RS160.000,00 (Cento e sessenta mil reais) lançados em rendimentos isentos e não tributáveis no ano base de 2007 exercício 2008 na declaração, é referente a aumento do capital da empresa " SULAMERICANA INFORMÁTICA, EMPRESA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA DE JESUS RIBEIRO COUTINHO", situada em Ciudad Del Este Paraguay, cujo aumento foi efetuado com recursos de lucros adquiridos pela própria empresa, e aplicado em aumento de capital social." Tal resposta foi totalmente coerente com os demais dados informados nas suas Declarações de Ajuste dos exercícios 2008, 2009 e 2010, o que contribui para reforçar ainda mais a convicção de que, de fato, houve a distribuição de lucro da empresa paraguaia, e não erro ou engano no preenchimento de declarações, como tentou fazer crer a manifestação do contribuinte de (fls. 109 a 112). O terceiro motivo pelo qual não se pode acatar a afirmação do contribuinte de que não teria efetivamente havido a obtenção de lucro por sua empresa paraguaia se baseia na obtenção, por parte desta fiscalização, de documentos que desmentem a declaração prestada pelo fiscalizado acerca da aventada inatividade da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA no período objeto da ação fiscal. Não obstante o contribuinte tenha trazido documentos paraguaios que indicam ausência de movimentação comercial, que, como já dito anteriormente, não se revestem das formalidades necessárias para seu aproveitamento perante órgãos públicos, há comprovação obtida de fonte isenta de que a empresa era, sim, operacional no período. Foram coletadas, a partir de pesquisa na internet, duas manifestações datadas do ano de 2007 que atestam a manutenção das atividades da empresa. Primeiramente, o documento de fl. 137 expressa uma mensagem eletrônica enviada no dia 02 de abril de 2007 por vendedor da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, com o seguinte conteúdo: por wilao » Seg Abr 02, 2007 2:39 pm bom dia!!., trabalho na sulamerícana informática!!., e posso dicer que os artículos que vendemos tem garantia e sao testados!!., sou vendedOr!!.. me add no meu msn!.. Willian@sulamericana.com, trabalhamos de 7 a 16 horas brasileira!!., un abrazoo!!.. obrígadoo!!.. link para verificação: http://vvww.forumpcs.com.br/comunidade/viewtopic.ph p7t=110828 De se notar que o endereço eletrônico do emitente da mensagem no MSN possui o nome da empresa: Willian@sulamericana.com Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 "Adicionalmente, também foi coletada outra mensagem eletrônica na internet, postada em 04/05/2007 (fls. 139), em que o emitente, identificado como TIAGOPORTO, indica ter ido ao Paraguai no dia anterior e, dentre outras lojas especializadas em informática, comparecido à empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, o que confirma o seu efetivo funcionamento no período: Estive ontem no paraguai e os técnicos da NAve, MasterlO e Sulamerícana recomendaram uma fonte de 400W ou de 500Wreal da Dr. Hank para C2D 6600 e uma fonte normal de 300Wpara o AMD X2 5000+, pois o AMD é um processador mais fraco, mais fraco. link para verificação: http://forum.clubedohardware.com.br/amd64 x2/432739 Destarte, há elementos que comprovam de maneira robusta o fato de a empresa paraguaia de JESUS RIBEIRO COUTINHO não ter paralisado suas atividades no período objeto da ação fiscal, como afirmou o contribuinte. Em resumo, considerandose: 1. A consistência do conjunto de informações que o contribuinte vinha apresentando ao fisco, afirmando a existência e utilização dos lucros auferidos pela empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, o que elimina a probabilidade de que tais informações tenham sido prestadas por engano; 2. A falta de propósito em favor do fiscalizado que marcaria eventual falsidade deliberada na prestação de informações ao fisco; 3. Que as declarações expressamente apresentadas pelo contribuinte fazem prova contra ele, e que a negação que o próprio contribuinte fez acerca de suas declarações anteriores não foram comprovadas por meio da apresentação de documentação hábil e idônea; 4. Que, ainda que tivesse sido aceita a documentação trazida pelo contribuinte, sua alegação teria sido desmentida pelos elementos de prova atestam a manutenção das atividades da SULAMERICANA INFORMÁTICA nos anos de 2007 e 2008; Não haveria como a fiscalização admitir a última alegação do contribuinte que se baseia na ocorrência de equívocos sucessivos por parte do fiscalizado. Com efeito, acatar essa tese seria um atentado contra o bom senso, porquanto equivaleria reconhecer que o fiscalizado teria feito pouco caso da Fazenda Nacional nas três declarações de Imposto de Renda em que afirmou Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 9 15 o valor aumentado do patrimônio da empresa, e, não satisfeito, ainda teria tripudiado sobre a fiscalização ao manifestar, em resposta por escrito à intimação fiscal, a existência do lucro e a sua respectiva distribuição na forma de aumento de capital social da empresa paraguaia. Não, certamente não brincou o contribuinte perante a fiscalização. A hipótese que se configura mais verdadeira é ter havido erro de interpretação por parte do contribuinte quanto ao alcance tributário das informações prestadas, que foram posteriormente negadas, a fim de se tentar evitar o lançamento tributário em sede de ação fiscal Ao que parece, o fiscalizado, provavelmente após buscar assessoria contábil e jurídica diversa da que vinha lhe servindo, teria sido alertado acerca da incidência do Imposto de Renda sobre os lucros por ele auferidos no exterior e informados em sua Declaração de Ajuste do exercício de 2008 como rendimentos isentos. Enganarase anteriormente o contribuinte, ao supor que o lucro distribuído por empresa paraguaia receberia o mesmo tratamento tributário daquele distribuído por empresa situada no Brasil, que é isento do Imposto de Renda. Assim, tendo sido avisado de seu equívoco, e encontrandose o contribuinte na condição de sujeito passivo de procedimento fiscal, e, portanto, na iminência de sofrer lançamento do tributo e de seus respectivos acréscimos legais pelo motivo de não haver pago o imposto devido em face da obtenção de lucro no exterior, resolveu negar as declarações expressas, repetidas e detalhadas que fizera, tentando invalidar todas as informações que fornecera ao Fisco acerca do auferimento e da utilização dos lucros para aumentar o capital social da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA. Destarte, os rendimentos declarados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste do exercício 2008, referente ao anocalendário de 2007, como rendimentos isentos, foram reclassificados como rendimentos tributáveis recebidos do exterior, e, por conseguinte, serão levados à tributação na forma da legislação vigente. Para fins de determinação do período de apuração, tendo em vista a ausência de informações sobre a data em que tais rendimentos foram efetivamente distribuídos, e para conferir tratamento mais vantajoso para o fiscalizado, considerouse que a distribuição dos lucros, sob a forma de aumento do capital social da empresa, ocorreu no mês de dezembro de 2007. A decisão da DRJ manteve o lançamento nesse aspecto, em suma que o impugnante não apresentou provas suficientes que demonstrassem a alegada falta de movimentação financeira na empresa em 2006 e 2007, e aliado ao conjunto probante apresentado de maneira robusta pela fiscalização. No voluntário o recorrente alega que sua declaração de ajuste Exercício de 2008 foi entregue com erro. Contesta o fato de que a documentação contábil apresentada não foi aceita em decorrência simplesmente de sua origem estrangeira (redigidos em espanhol). Observa que o DECRETO N° 2.067, DE 12 DE NOVEMBRO DE 1996, assegura tratamento igualitário aos documentos públicos que circulam entre os países signatários do Mercosul. Passo a análise dos documentos apresentados: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Às fls 31/34 está a Escritura de Constitucion de Sociedad SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L e especificamente na fls. 36 consta que o capital integralizado na empresa foi de = 900.000.00 empresa constituída em 31 de janeiro de 2006 – documento devidamente registrado conf. Fls 42 – c/c que indica que a SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L de JESUS RIBEIRO COUTINHO. RUC 80047878 . As fls 113/115 está a Declaração de Imposto de Renda PJ, apresentada na Argentina (IMPUESTO A LA RENTA) – RUC 800478789 PERIODO FISCAL 2007 – SEM MOVIMENTO). Às fls. . 116 119, está o BALANÇO DA EMPRESA – RUC 800478789 PERÍODO FISCAL DE 01/01/2006 A 31/12/2007 – indicando um CAPITAL SUSCRITO = 900.000.00 (MESMO VALOR CONSTANTE NO Escritura de Constitucion de Sociedad SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L (fls. 31/41) – Às fls. 120/122 está a DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS (ESTADOS DE RESULTADOS) RUC 800478789 Às fls. 123 está DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO (ESTADOS DE VARIACION DEL PATRIMONIO NETO) RUC 80047878 9 Não se desconhece que sobre a juntada dos documentos redigidos em língua estrangeira, dispõe o art. 157 do Código do Processo Civil— CPC, in verbis: Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo,firmada por tradutor juramentado. A aplicação do artigo acima transcrito, entretanto, não pode ser feita de forma restritiva, devendose examinar as peculiaridades do caso em concreto e considerar outros dispositivos legais, como o art.244 do mesmo código que dispõe que "Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se realizado de outro modo,lhe alcançar a finalidade." Ora, a finalidade da tradução é a compreensão do conteúdo do documento. No caso dos autos, os documentos contábeis apresentados pelo recorrente estão na língua espanhola e a tradução é dispensável para sua compreensão Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça tem dispensado, a tradução juramentada, nos casos em que não se contesta a validade do documento na língua espanhola e a tradução é dispensável para sua compreensão, como no caso dos autos É o que se extrai do seguinte trecho do voto do Ministro Teori Albino Zavascki no julgamento do Recurso Especial nº 616.103, nos seguintes termos: "2. Dispõe o artigo 157 do CPC o seguinte: "Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado" No caso, não se alega a falsidade dos documentos apresentados, nem qualquer prejuízo a sua compreensão. Alegase, simplesmente, a falta de tradução. Ora, conforme ressaltou o acórdão recorrido, "os orçamentos apresentados pelo autor, escritos em idioma Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 10 17 espanhol, são de fácil compreensão" (fl. 95). Sendo documento cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negarlhe eficácia de prova. 0 art. 157 do CPC, como toda regra instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sans grief). Não havendo prejuízo, não se pode dizer que a falta de tradução, 110 caso, tenha importado violação ao art. 157 do CPC. 3. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial. É. o voto." (Rrisp 616103/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 14/0912004, DI 27/09/2004, p. 255). No caso concreto, não há portanto indicação de qualquer falsidade nos documentos apresentados pelo recorrente. Em se tratando de documentos contábeis redigidos em língua estrangeira cuja tradução é dispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. Assim, entendo que os documentos contábeis suplantam as informações prestadas nas declarações de ajuste pessoa física, podendo sim ser considerado como um erro cometido pelo contribuinte. Com relação as mensagens extraídas da internet, que o autor do lançamento entende como prova robusta de que a empresa do recorrente estava em plena atividade, discordo, pois uma simples mensagem na internet enviada por suposto vendedor de uma empresa com o nome SULAMERICANA INFORMÁTICA, não nos dá a certeza de tratarse da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L de JESUS RIBEIRO COUTINHO. RUC 80047878 . Ante ao exposto, DOU provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001593/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO.
De conformidade com o § 1º do art. 13 da Portaria RFB nº 4.066, de 2007, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INFRAÇÕES DECORRENTES.
Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO. De conformidade com o § 1º do art. 13 da Portaria RFB nº 4.066, de 2007, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INFRAÇÕES DECORRENTES. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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CARLOS OSÓRIO LOPES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO. De conformidade com o § 1º do art. 13 da Portaria RFB nº 4.066, de 2007, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INFRAÇÕES DECORRENTES. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 15 93 /2 00 9- 41 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 465 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 466 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 363verso e 364): Tratase de autos de infração lavrados para constituir créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins do ano de 2004, decorrentes de omissão de receita caracterizada pela declaração em DIPJ, lucro presumido, de valores menores que os constantes na contabilidade. Na impugnação, a autuada pede a anulação de todos os autos de infração, pelos seguintes fatos: passaramse mais de sessenta dias entre a ciência do primeiro termo de continuação de procedimento fiscal (29/01/2008) e a do segundo termo de continuação (05/05/2008), o que violaria o § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; não teria havido prorrogação do mandado de procedimento fiscal (MPF); Pede também a anulação específica dos autos de infração de PIS e de Cofins porque: o MPF faria referência apenas ao IRPJ, admitindose, nesse caso, apenas, como decorrência, o lançamento de CSLL, mas não o de PIS e de Cofins; as irregularidades relativas ao PIS e a Confins não repousam nos mesmos elementos de prova que serviriam de base a lançamento de IRPJ, pois as receitas supostamente omitidas estariam sujeitas a retenções na fonte, o que não foi considerado no lançamento. No mérito: pede perícia, arrolando os quesitos – todos referentes a retenções de PIS e de Cofins – que deseja ver respondidos e indicando o nome e qualificação de seu perito, mas deixando de mencionar seu endereço; contesta a multa de ofício, por entender que não houve motivação nem discricionariedade para sua aplicação; ainda sobre a multa de ofício, alega ser ela inconstitucional, por confiscatória. Ao final, pede ainda a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão. Não juntou elementos de prova. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 363): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 467 4 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é instrumento de controle administrativo, não sendo requisito de validade dos procedimentos fiscais. NULIDADE. AUSÊNCIA DE CONTEMPLAÇÃO DE EVENTUAIS CRÉDITOS DE PIS E DE COFINS. Não é causa de nulidade a falta de verificação de existência de créditos de PIS e de Cofins; caso o sujeito passivo seja detentor de tais créditos, deve provar na impugnação a existência deles, provocando, dessa forma, o cancelamento de eventual crédito tributário lançado a maior. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. Desconhecese do pedido de perícia em que a autuada não aponta o nome, endereço de seu perito. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete aos julgadores administrativos apreciar alegações de inconstitucionalidade de dispositivos de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento, uma vez que a impugnação não logrou infirmar a prova da omissão de receita, caracterizada pela declaração em DIPJ de valores menores que os contabilizados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 13/10/2011 (fls. 375), a tempo, em 09/11/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 376 a 392, instruído com os documentos de fls. 393 a 397, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos (excetuado o pedido de perícia/diligência) e aduzindo mais os seguintes: a) que solicitou, em sua impugnação, a realização de perícia/diligência; b) que este pedido restou não conhecido sob o argumento de que não havia sido apontado o nome e endereço de seu perito; c) que, da simples análise da peça impugnatória, é possível identificar que, logo após os quesitos, a empresa apontou o nome, qualificação e o telefone de seu perito; d) que, se existe o fone para contato do perito apontado, assim como o seu nome e qualificação, não se pode concordar com o não conhecimento do pedido; e) que claramente se está diante de cerceamento do direito de defesa do contribuinte; e Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 468 5 f) que, diante disso, o processo deve retornar à origem, para que seja conhecido o pedido de perícia formulado. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminares de nulidade do lançamento 4. Não procedem as preliminares de nulidade arguidas pela Recorrente, a saber: a) passaramse mais de sessenta dias entre a ciência do primeiro Termo de Continuação de Procedimento Fiscal (29/01/2008) e a do Segundo Termo de Continuação (05/05/2008); b) não teria havido prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); c) o MPF faria referência apenas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), admitindose, nesse caso, apenas, como decorrência, o lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), mas não o de Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); e d) são nulos os autos de infração reflexos (Pis e Cofins), tendo em vista a inexistência de pesquisa de retenções efetuadas por fontes pagadoras, que deveriam ter sido deduzidas nos demonstrativos formulados pela fiscalização. 5. Sucede que: a) entre o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 001 (29/01/2008) (fls. 115) e o segundo Termo de Continuação (05/05/2008) (fls. 121), houve a lavratura de Intimação Fiscal (13/03/2008) (fls. 116), a ela cientificado em 17/03/2008 (fls. 117), e cujas respostas foram apresentadas em 25/03/2008 (fls. 118 e 119) e em 01/04/2008 (fls. 120). Referida Intimação Fiscal é, por óbvio, um ato escrito que indica o prosseguimento dos trabalhos, na forma do art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF); b) o MPF foi devidamente prorrogado, conforme se verifica da seguinte tela de consulta, disponível na Internet, na forma do art. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 469 6 13, § 1º, da Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007 (mencionado, aliás, pela Recorrente): c) assim, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, referida no art. 13, § 2º, daquela Portaria, mas com o registro dessa prorrogação na Internet; d) quando do início da fiscalização, em 19/12/2007, vigia a já mencionada Portaria RFB nº 4.066, de 2007, que assim dispunha, em seu art. 9º: Art. 9º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. e) observase que a base de cálculo apurada para o Pis (fls. 18 e 19) e para a Cofins (26 e 27) é a mesma do IRPJ (fls. 4 e 5) e da CSLL (fls. 11 e 12), apenas destacada por mês, e não por trimestre, como a destes últimos; e f) tendo sido a ação fiscal baseada exclusivamente na contabilidade apresentada, é de se pressupor que eventuais retenções de Pis e de Cofins sobre a receita escriturada e não declarada salvo prova em contrário a cargo da Recorrente já tenham sido por esta consideradas em seus levantamentos fiscais (fls. 182 a 193 e 194 a 207, respectivamente, “Contrib. p/ PIS/Pasep Ret. Fonte p/ Outras PJ” e “Cofins Retida na Fonte por Outras Pessoas Jurídicas”). 6. De todo modo, tratase, o MPF, de um mero instrumento de controle administrativo, uma vez que não integra o rol dos atos necessários ao lançamento tributário a que se refere o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 470 7 de 1966), atividade vinculada e obrigatória, devendo a Administração Pública pautarse pelo princípio da legalidade (art. 37 da Constituição Federal). 7. Nesse sentido, a Apelação Cível nº 434.330SE, de 15/05/2008, da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da Quinta Região, unânime: [...]. 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida. 8. Mencionase, também, o seguinte precedente judicial: TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 3.007/01. PRORROGAÇÃO. COMUNICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. REGISTRO NA INTERNET. AUDITOR FISCAL RESPONSÁVEL. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. DIREITO DE DEFESA EXERCIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. Tratase de mandado de segurança por meio do qual o impetrante, ora Apelante, pretende ver declarada a nulidade do processo administrativo fiscal nº 10680.010932/200363, porquanto não observadas as regras constantes na Portaria SRF nº 3.007/01, o que importou em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como do devido processo legal. 2. Em se tratando de abertura da fiscalização por meio do respectivo mandado de procedimento fiscal MPF, deve ser dada ciência ao sujeito passivo na forma prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o que se verificou na espécie, uma vez que o mandado fora devidamente assinado pelo Impetrante. 3. Contudo, havendo necessidade de prorrogação do prazo de validade do procedimento fiscal, o art. 13, § 1º, da Portaria SRF nº 3.007/01, é claro ao afirmar que esta se dará por meio de simples registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na internet. 4. Pela análise da documentação acostada, verificase que tais registros foram devidamente realizados pelo auditor fiscal responsável, de modo que não se encerrou o prazo de validade do procedimento fiscal. Ora, se o referido prazo de validade jamais se expirou, não há que se falar em expedição de novo Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 471 8 MPF, donde se conclui que o auditor fiscal que iniciou a fiscalização poderia acompanhála até o fim dos trabalhos, não havendo, portanto, qualquer ofensa ao art. 16 da Portaria SRF nº 3.007/01. 5. Por outro lado, o fato de inexistir no bojo do procedimento fiscal o demonstrativo de emissão e prorrogação previsto no art. 13, § 2º, da Portaria SRF nº 3.007/01, não implica, sob qualquer aspecto, a nulidade do procedimento fiscal. 6. Isto porque, tanto no mandado de procedimento fiscal MPF de abertura quanto nos complementares, devidamente comunicados ao Impetrante, constava a informação de que a fiscalização poderia ser prorrogada, a critério da autoridade outorgante. Ademais, tais informações poderiam ser obtidas pelo contribuinte na internet, porquanto devidamente registradas pelos fiscais responsáveis e cientificada tal possibilidade nos respectivos mandados, com o fornecimento do código do procedimento fiscal para consulta. 7. Cumpre destacar, nesse ponto, que a fiscalização fora empreendida com amplo conhecimento do Impetrante e total acesso às informações ali constantes, razão pela qual este pôde exercer todos os meios de defesa. 8. Desse modo, não restou evidenciado qualquer prejuízo ao contribuinte, devendo ser observado o princípio do pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo). 9. Apelação desprovida. (AC 200438000278003, JUIZ FEDERAL WILSON ALVES DE SOUZA, TRF1 5ª TURMA SUPLEMENTAR, eDJF1 DATA:16/10/2013 PAGINA:359.) 9. Sou pela rejeição das preliminares arguidas de nulidade do lançamento, por incabíveis. Cerceamento do direito de defesa 10. Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa, pelo fato de não haver sido conhecido, na decisão recorrida, o seu pedido de realização de perícia/diligência, em face da não indicação do endereço de seu perito. 11. Sucede que, ainda que ultrapassado o óbice levantado pela decisão recorrida, com o conhecimento do pedido de perícia formulado, o pleito da Recorrente não seria acatado, conforme corretamente fundamentou aquela decisão (fls. 365verso): Em relação às retenções – objeto dos quesitos da perícia solicitada – se a autuada entende que havia créditos a serem considerados para quantificação do crédito tributário, deveria desse fato ter feito prova na impugnação. Não o tendo feito, não há como reduzir o crédito tributário lançado. Multa de ofício Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 472 9 12. Não tendo sido contraditados os fundamentos da decisão recorrida quanto a esta parte da exigência fiscal, adoto o que ali foi dito (fls. 365verso): No tocante à motivação da multa, cabe ressaltar que ela existe, tratandose no caso do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, dispositivo expressamente mencionado nos autos de infração (fls. 8, por exemplo). Quanto à constitucionalidade da multa, salientese que, como já afirmado, ela está prevista na legislação em vigor, a qual não pode deixar de ser observada pelo julgador administrativo. Nesse sentido: Súmula 1º CC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Demais exigências 13. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 14098.000124/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencida a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que divergiu quanto à multa aplicada, por entender que deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencida a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que divergiu quanto à multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 24 /2 00 9- 12 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 aplicada, por entender que deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.364 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 1.235 e seguintes). Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.236 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante o auto de infração n° 37.226.0403 e anexos de f. 0122, através do qual se exige o valor consolidado em 18/05/2009 de R$ 399.472,88. A exigência se refere à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme indicado nos fundamentos legais do débito do auto de infração e no relatório fiscal. No relatório fiscal e anexos integrantes do auto de infração, f. 23 e seguintes, a autoridade fiscal relata a atividade da empresa, o desenvolvimento do procedimento e os fatos geradores do crédito lançado: “1. Este relatório é parte integrante do AI — Auto de Infração — DEBCAD n° 37.226.0403 (Processo n° 14098.000124/200912) referente a contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social (ou recolhidas em valor inferior), cujos recolhimentos não foram comprovados pela autuada, bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação da Receita Federal do Brasil. (...) 2.3 Em decorrência do processo de recuperação judicial, sob o 618/2008, em trâmite pela Segunda Vara da Comarca de Primavera do LesteMT, em: 19/12/2008, foi nomeado, por aquele Juízo, como administrador judicial da empresa, o advogado Marcelo Gonçalves. (...) 4. Os valores dos créditos constituídos correspondem às seguintes contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo, relativa às contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, que por não terem sido descontadas pela empresa, não caracterizam, em tese, o crime de apropriação indébita previdenciária. (...) DOS FATOS GERADORES Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 5. Assim, constituem fatos geradores dos tributos ora lançados neste Auto de Infração: 5.1 Levantamento CSN Período de lançamento: 05 a 12/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000265 Fato gerador: Ajuda de Custo AJC As remunerações, a título de ajuda de custo, pagas, continuamente, aos segurados empregados da empresa. A Lei n° 8.212/91 considera que não integra o saláriodecontribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT que assegura aos empregados, em caso de necessidade de serviço, o direito à ajuda de custo resultante das despesas de sua transferência para localidade diversa da que resultar do contrato. A ajuda de custo, quando paga continuamente, em valor fixo, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar gastos feitos pelo empregado, adquire natureza salarial. A sua não eventualidade caracteriza remuneração ao empregado por serviços prestados em decorrência do contrato de trabalho, havendo, portanto, desvirtuamento da natureza jurídica indenizatória. A autuada foi reiteradamente intimada a esclarecer a natureza de tais pagamentos, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 003 (Anexo I) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo IV), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentar os esclarecimentos solicitados, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDEBCAD n° 37.230.7345 processo n° 14098.000132/200951. Assim, esta fiscalização considerou tais valores como parcelas substitutivas de salário (salário indireto), independentemente da sua denominação. Além disso, não foi apresentada nenhuma disposição normativa da empresa, seja em regulamento ou cartilha de remunerações e benefícios, ou mesmo em acordo, convenção ou dissídio coletivo que disciplinasse a matéria, ou qualquer outra evidência onde restasse comprovado que tal vantagem é de acesso a todos os empregados da empresa, pois foi constatado que tais valores foram pagos somente aos empregados alocados na filial 03.240.326/000265. A partir do confronto entre as informações prestadas no decorrer da fiscalização, através da folha de pagamento, em meio papel e em meio magnético, e as prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo dos segurados empregados incidentes sobre as remunerações, discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, a eles pagas, devidas ou creditadas a titulo de ajuda de custo, tendo o sido o respectivo crédito tributário constituído através deste Auto de Infração. (...) Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.365 5 Fato gerador: Comissões e Representações Levantamento – CRP As remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa, a título de representações/comissões, aos seus segurados empregados Odair José Sanson Junior e Jairo de Meira, uma vez que os mesmos constam das folhas de pagamento da empresa como vendedores externos e ao mesmo tempo recebem importâncias contabilizadas nas seguintes contas contábeis: 1.1.2.2.001 ADIANTAMENTO A FORNECEDORES; 1.1.5.1.003 COMPRAS MERCADO EXTERNO; 2.1.1.1.012 FORNECEDORES DE CEREAIS; 2.1.1.1.001 FORNECEDORES EM GERAL; 2.1.1.1.002 FORNECEDORES PREÇO A FIXAR; 2.1.1.1.007 MERCADORIAS DE TERCEIROS EM DEPÓSITO e 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAIS PF. As comissões ou percentagens são parcelas de natureza salarial pagas com base em percentuais sobre os negócios que o empregado efetua. A Lei 8.212199 entende por saláriode contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Portanto, as comissões/percentagens são consideradas remuneração, sendo sempre base de incidência de contribuição previdenciária. A partir do confronto entre as informações prestadas no decorrer da fiscalização, através da contabilidade e folhas de pagamento, em meio magnético, e aquelas prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações, não discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, a eles pagas, devidas ou creditadas a titulo de comissões/representações, tendo o sido o respectivo crédito tributário constituído através deste Auto de Infração. (...) Fato gerador: Folha de Pagamento não declarada em GFIP – FPN As remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em GFIP, discriminadas nas Folhas de Pagamento, apresentadas em meio papel e em meio magnético (layout Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD). A partir do confronto entre as informações prestadas pela empresa através da sua folha de pagamento, em meio papel e em meio magnético, e as prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo dos empregados, incidentes sobre as remunerações, discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, conforme discriminado no RL — Relatório de Lançamentos com a sigla FNG Folha de Pagamento não declarada em GFIP. 5.2 Levantamento CI Período de lançamento: 05 a 12/2004 Estabelecimento: 03.240.426/000184 As remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, apuradas a partir do exame da escrituração contábil, em meio digital, fornecidas pela empresa, no layout MANAD — Manual de Arquivos Digitais. Foram encontrados lançamentos dessas despesas nas seguintes contas contábeis: 3.2.1.3.035 DESP C/INFORMATICA PF; 3.2.1.3.030 DESPESAS DIVERSAS; 3.2.1.3.020 PROPAGANDA E PUBLICIDADE; 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAISPF; 3.2.1.3.014 SERVIÇOS PROFISSIONAISPJ. Da análise das contas 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAISPF e 3.2.1.3.014 SERVIÇOS PROFISSIONAISPJ, verificouse que a autuada deixou de contabilizar fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da sua contabilidade (objeto da lavratura do Auto de Infração AIDEBCAD n° 37.230.7370 —processo n° 14098.000135/200994), uma vez que efetuou lançamentos de despesas com pessoas jurídicas na conta destinada a abrigar despesas com pessoas físicas, bem como fez lançamentos de despesas com pessoas físicas na conta contábil destinada a abrigar despesas com pessoas jurídicas, conforme quadro exemplificativo a seguir: Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.366 7 A autuada foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes das referidas contas contábeis, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 002 (Anexo III) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo III), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentálos, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDDEBCAD n° 37.226.0446 — processo n' 14098.000131/200914. (...) Os lançamentos efetuados, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental, constam do RL — Relatório de Lançamentos, com a sigla CI — Contribuintes Individuais e a relação de beneficiários dos pagamentos efetuados consta do demonstrativo denominado Anexo II ao REFISC. (...) 5.5 Levantamento FRT Período de lançamento: 05 a 11/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000184 As remunerações pagas ou creditadas pelo sujeito passivo a segurados transportadores rodoviários autônomos, categoria contribuintes individuais, não discriminadas nas folhas de Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 pagamento, apresentadas em meio magnético (layout estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD, e não declaradas em GFIP, cuja apuração da base de cálculo foi feita através da análise dos valores contabilizados na conta contábil 2.1.1.6.010 CARTA FRETES A PAGAR. A autuada foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes da referida conta contábil, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 002 (Anexo II) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo 11), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentálos, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDDEBCAD n° 37.226.0446. (...) Os lançamentos efetuados, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental, constam do RL — Relatório de Lançamentos, com a sigla FRT — Frete Rodoviário e a relação de beneficiários dos pagamentos efetuados consta do demonstrativo denominado Anexo III ao REFISC. (...) 6. Os recolhimentos efetuados pela empresa foram considerados no lançamento e deduzidos do débito levantado, conforme relatório de apropriação de documentos apresentados — RADA. 7. Os documentos examinados foram os seguintes: contabilidade e folhas de pagamento em meio digital, no layout estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais, folhas de pagamento em meio papel, última GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, entregue em cada competência, antes do início do procedimento fiscal. 7.1. Cabe esclarecer que esta fiscalização utilizouse de arquivos digitais, (informações contábeis, relativas ao período de 05/2005 a 12/2004), no leiaute previsto no MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais, versão 1.0.0.2, aprovada através da Instrução Normativa SRP n° 12/2006, tendo sido os arquivos solicitados por meio de Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF. Os arquivos que foram disponibilizados pela empresa e utilizados no presente lançamento estão relacionados a seguir:” A empresa foi cientificada por aviso de recebimento postal em 27/05/2009, conforme consta da f. 414. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 566595, em 24/06/2009 (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 1.297 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: decadência da competência 05/2004; Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.367 9 discriminação imprecisa dos fatos geradores, não constando, de forma individualizada, cada um dos fatos geradores e dos sujeitos que deram origem a estes fatos geradores; nulidade do AI, pelo fato da intimação ter sido feita na pessoa de uma secretaria administrativa, que não é representante legal, mandatário designado ou preposto; nulidade do AI em razão da autoridade fiscal ter indeferido o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos, mesmo a empresa estando em processo de recuperação judicial; nulidade do AI por não ter sido excluído do lançamento a parcela atingida pela imunidade nas operações de exportação (art. 149, § 2°, da CF), a qual beneficia as exportações realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras; ausência de exclusão das comercializações realizadas com segurados especiais; inconstitucionalidade da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Decadência. Alega a recorrente a decadência da competência 05/2004. Ocorre que a ciência do lançamento ocorreu em 27/05/2009 e os fatos imponíveis referemse às competências 05/2004 a 12/2004, de sorte que mesmo na hipótese de aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, apenas as competências anteriores a 05/2004 estariam alcançadas pela decadência. Nesse sentido, mostrase correta a decisão de primeira instância, que negou pleito impugnatório de mesmo teor. Senão vejamos. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008”. Com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Vejamos a parte final do voto proferido pelo Rel. Min. Gilmar Mendes, seguida do texto do aludido enunciado: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Como cediço, os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.368 11 Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Deveras, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 No presente caso, como afirmado, por quaisquer das regras, não há como se reconhecer a decadência, visto que não ultrapassado o lustro normativo, independentemente do dies a quo considerado. Discriminação Imprecisa. Alega a recorrente que há discriminação imprecisa dos fatos geradores, não constando, de forma individualizada, cada um dos fatos geradores e dos sujeitos que deram origem a estes fatos geradores. Neste ponto, suficiente repetir os argumentos do decisório de origem: Conforme relatado pela autoridade fiscal à f. 24 e seguintes, trata o lançamento de: Os valores dos créditos constituídos correspondem às seguintes contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo, relativa às contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, que por não terem sido descontadas pela empresa, não caracterizam, em tese, o crime de apropriação indébita previdenciária. Do relatado, constatase que a base imponível das contribuições foi obtida a partir da análise das Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social —GFIP, folhas de pagamento e da contabilidade da empresa, cujas concluões foram organizadas nos levantamentos “CSN”, “CI” e “FRT”, com precisa descrição de procedimentos e critérios utilizados. Percebese, assim, que a peça fiscal traz informações suficientes para que se compreenda a motivação fática e jurídica do lançamento, não sendo passível de acatamento a alegação de que há imprecisão na discriminação dos fatos geradores. Não há porque "supor" que o critério do lançamento seja "produto rural", como consta da peça de defesa. A autuação se deve à constatação que valores foram pagos a segurados, empregados ou contribuintes individuais, a partir da contabilidade e das folhas de pagamento apresentadas pela própria empresa, confrontadas com as GFIPs também por ela apresentadas. Aliás, de forma contraditória, a própria impugnante admite inicialmente, isso, em sua peça de defesa, f. 570, onde reconhece a origem do lançamento como “contribuições de segurados empregados ...” equivocandose a seguir, ao afirmar que a base de cálculo advém “comercialização da produção rural ...”, coisa jamais mencionada no relatório fiscal. Desta forma, assim respondese às indagações contidas na peça impugnatória: a) a autoridade fiscal não fez prova da condição dos segurados empregados de produtores rurais porque os fatos geradores correspondem a pagamentos que, conforme a contabilidade e folhas de pagamentos da empresa, foram feitos aos segurados empregados ou contribuintes individuais que lhe prestam Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.369 13 serviços. A condição de empregado é comprovada pelo fato dos segurados constatem das GFIPs e folhas de pagamento com esta qualidade, e não necessita ser provada no caso de contribuintes individuais, visto que não são empregados; b) a base de cálculo é o próprio valor dos pagamentos efetuados aos segurados, quando não informados em GFIPs, registrada na contabilidade da empresa, não havendo aplicação de nenhum critério ou parâmetro para determinar outro valor; c) o levantamento não se baseia em notas fiscais de entrada; d) o levantamento não se baseia em notas fiscais de entrada; (sic) e) a condição de empregado é comprovada pelo fato dos segurados constatem das GFIPs e folhas de pagamento com esta qualidade, e não necessita ser provada no caso de contribuintes individuais, visto que não são empregados. Os segurados estão relacionados nos anexos I, II e III do auto de infração, f. 33 a 413 dos presentes autos, e, no caso dos segurados empregados, constam eles das folhas de pagamento e GFIP´s. Assim, o relatório fiscal, com seus demonstrativos e o auto de infração que o precedeu, são suficientes para que a empresa compreenda a exigência que lhe foi feita, e que poderia contestar, se fosse o caso, fundamentandose em documentos que comprovassem que os fatos registrados em sua contabilidade não são geradores das contribuições exigidas. Por isso, não se vislumbra prejuízo ao contraditório e à ampla defesa no presente lançamento, devendose debitar apenas à retórica e natural combatividade do autor da peça impugnatória as alegações vazadas neste sentido. Sem mais a acrescentar, deve ser negado provimento a tal pleito recursal. Intimação. Assevera a recorrente que há nulidade do AI, pelo fato da intimação ter sido feita na pessoa de uma secretaria administrativa, que não é representante legal, mandatário designado ou preposto. Ocorre que a intimação do auto de infração em que se materializou o lançamento se fez em 27/05/2009, mediante o aviso de recebimento postal no 594738365, f. 414, endereçado à empresa, no endereço "Av. Historiador Rubens de Mendonça, n° 2254, sala 1003, Jardim Aclimação, Cuiabá — MT", mesmo endereço denotado na peça impugnatória. Esta forma de intimação é admitida no processo administrativo fiscal, independentemente da ciência pessoal, conforme art. 23, inc II, do Decreto 70.235/72. Destarte, não há como dar guarida ao inconformismo recursal. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Prorrogação de prazo para apresentação de documentos. Suscita ainda a recorrente a nulidade do AI em razão da autoridade fiscal ter indeferido o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos, mesmo a empresa estando em processo de recuperação judicial. Ocorre que o pleito da recorrente encontrase despido de qualquer embasamento legal, razão pela qual não merece ser acatado. Imunidade nas Operações de Exportação. A peça recursal ainda tece extensa argumentação que busca sustentar a nulidade do AI por não ter sido excluído do lançamento a parcela atingida pela imunidade nas operações de exportação (art. 149, § 2°, da CF), a qual beneficia as exportações realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras. Ocorre que, como visto, o presente lançamento trata exclusivamente das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em nada alcançando a venda de produção rural, quer no mercado interno, quer no exterior. Sendo assim, totalmente improcedente a argumentação. Segurados Especiais. Alega que não foram excluídas as comercializações realizadas com segurados especiais. Como afirmado, o presente lançamento trata exclusivamente das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, não se relacionando à comercialização de produção rural, muito menos com segurados especiais. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.370 15 Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13603.900099/2008-60
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 00 99 /2 00 8- 60 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Recife (fls. 162/168 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo contra a não homologação de compensação (vide despacho decisório de fls. 03), nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: 1. Tratase de uma Declaração de Compensação Retificadora, nº 03113.12386.280906.1.7.046515 (fls. 013 a 019), de Pagamento Indevido ou a Maior do IPI, Código 1097, elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 28/09/2006. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.900099/200860 Acórdão n.º 3802003.574 S3TE02 Fl. 185 3 1.1. Extraí do Sistema CPERDCOMP a Declaração Original, nº 12122.92019.291203.1.3.045580 (fls. 126 a 130), mas pouco acrescenta, já que as informações relativas ao suposto pagamento a maior estão, conforme verificado no Sistema SIEF/PERDCOMP (fls. 131 a 133), na DCOMP nº 39513.56945.030903.1.3.045527, transmitida em 03/09/2003 (fls. 134 a 138), na qual se vê que o DARF teria as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 28/02/2002 08/03/2002 08/03/2002 168.023,68 168.023,68 1.2. Na DCOMP objeto deste processo foi utilizado parte daquele pagamento (R$ 2.876,83), que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também do IPI, Código 1097, relativo ao 2º decêndio de março/2002, no valor de R$ 2.503,94, com vencimento em 28/03/2002, mais acréscimos legais. 3. Anotese que este crédito já tinha sido objeto de tentativa de utilização em outras DCOMP anteriores, nº 39513.56945.030903.1.3.045527, já citada, nº 12549.50211.080903.1.7.041743 (1ª Retificadora), transmitida em 08/09/2003 (fls. 139 a 143), novamente retificada pela DCOMP nº 30750.42153.280906.1.7.049430 (fls. 144 a 148), a qual se encontra, no Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, na Situação: “RDC”, que significa “Reconhecimento do Direito Creditório”, Motivo: “Pendente Identificação Débitos”. 3.1. Nova retificadora da DCOMP nº 39513.56945.030903.1.3.04 5527 foi transmitida em 15/07/2011, sob o nº 04759.59047.150711.17.040329 (fls. 149 a 153), desta feita pela sucessora (CNH LATIN AMERICA LTDA., CNPJ 60.850.617/000128, que incorporou a CNH LATINO AMERICANA LTDA., CNPJ 60.891.785/000161, em 01/01/2004, conforme se vê nas telas extraídas do Sistema CNPJ, às fls. 125), declaração esta que ainda não foi processada pelo SCC. 4. Deixando de lado este imbróglio e voltando aos limites da lide, a DCOMP Retificadora objeto do presente processo foi analisada de forma automática, pelo SCC, e não foi homologada, por inexistência de crédito, levando, por conseqüência, à cobrança do débito, com os acréscimos legais cabíveis, tudo conforme Despacho Decisório Nº de Rastreamento 791162945, emitido eletronicamente (fls. 003) e chancelado pelo titular da DRF/Contagem. 4.1. A justificativa dada para o não reconhecimento do direito creditório foi a de que o DARF informado na DCOMP já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, nada restando a ser restituído. 5. A interessada foi cientificada da decisão, por via postal, em 02/10/2008 (fls. 005) e, irresignada, apresentou Manifestação de Inconformidade, em 29/10/2008 (fls. 021 a 031), na qual, em apertada síntese, alega que efetuou um recolhimento a maior do IPI de R$ 39.485,12, relativo ao 3º decêndio de fevereiro/2002, mas cometeu o equívoco de não retificar a DCTF do 1º trimestre de 2002, o que levou à não homologação da compensação em foco, a despeito de ter informado o valor supostamente correto devido naquele período de apuração na DIPJ/2003 (R$ 128.538,56, ao invés de R$ 168.023,68, conforme confessado na DCTF). 5.1. Defende, assim, que seja reformado o Despacho Decisório, em observância ao princípio da verdade material. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Segundo a decisão de primeira instância o sujeito passivo apresentou DCTF retificadora reduzindo o débito outrora declarado, mas somente depois de cientificado do despacho decisório que indeferiu a compensação. Muito embora o novo débito declarado na DCTF tenha correspondido ao disposto na DIPJ, entendeu a autoridade a quo que o direito creditório aduzido não estava comprovado, razão pela qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 13/11/2012 (fls. 171). Inconformada, a interessada apresentou, em 13/12/2012, o recurso voluntário de fls. 173/180, onde reitera que o crédito alegado seria decorrente de pagamento a maior do IPI do período e que apresentou DCTF retificadora onde declarou o valor correto do débito. Ressalta também que a DIPJ seria prova suficiente do valor do débito devido, o qual corroboraria o montante informado na DCTF retificadora. Ressalta ainda, verbis: Destaquese, por oportuno, que o julgado a quo, ao tomar conhecimento desta prova irrefutável (DIPJ), simplesmente a desconsiderou, dizendo, para tanto, que somente com os documentos que demonstrassem a apuração do IPI do período analisado é que seria possível analisar o crédito pleiteado. Ora, se é possível demonstrar o equívoco cometido pela Recorrente por outros meios de provas mais econômicos, tal como a juntada da sua DIPJ (que nada mais é do que a consolidação da apuração do IPI do contribuinte), por que insistir em uma prova muito mais complexa e custosa? [...] Pugna ainda o sujeito passivo pela busca do princípio da verdade real como objetivo precípuo do processo administrativo, e rechaça a rejeição da DCTF retificadora apresentada posteriormente à ciência do despacho decisório. Isto porque, independentemente do momento da retificação da mencionada declaração, o direito da Recorrente à repetição do indébito tributário não pode ser comprometido: este, é cediço, nasce do (e no momento do) recolhimento indevido; não depende, para existir, do cumprimento de meras obrigações tributárias acessórias Diante do exposto, requer a interessada seja dado provimento ao recurso e homologada integralmente a compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A questão em exame é restrita à análise probatória dos documentos acostados aos autos. Entende o sujeito passivo que a DCTF retificada posteriormente à ciência do despacho decisório que indeferiu a compensação, associada às informações prestadas na DIPJ, seriam suficientes à comprovação do débito efetivamente devido e, por consequência, do pagamento a maior e do correspondente direito creditório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.900099/200860 Acórdão n.º 3802003.574 S3TE02 Fl. 186 5 Entretanto, penso que não merece ser acolhida a tese defendida pela recorrente. Temos, no caso, declarações (DCTF original e DIPJ) cujos montantes declarados são díspares, razão pela qual entendemos, em sintonia com o julgamento proferido pela primeira instância, que a comprovação do direito creditório exige seja acostada aos autos a escrituração da empresa com o registro dos lançamentos contábeis comprobatórios do valor efetivamente devido do tributo. A DIPJ do período não se afigura como prova irrefutável para tanto, ainda diante da DCTF retificadora apresentada intempestivamente. Em diversas situações em que esta Turma analisou recursos contra a não homologação de pedidos de compensação sempre foi admitida a prova acostada aos autos pelo sujeito passivo, ainda que isso tenha ocorrido só em sede de recurso voluntário. Essa é a linha de entendimento normalmente consensual que esta Turma tem adotado, e isso, justamente, em homenagem ao princípio da verdade material. Contudo, na realidade presente, o sujeito passivo, mesmo ciente da insuficiência da prova, comparece novamente aos autos sem apresentar a cópia da escrituração comprobatória do suposto indébito, o qual, portanto, carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisito indispensável à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. De fato, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN, o que não se constatou na realidade presente. Nesse sentido, a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Recurso provido. Decisão unânime. (Recurso Especial no 98.899/SC. Relator Min. Demócrito Reinaldo. Publicado no D.J. de 29/10/1996 – grifos nossos) Inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, legítima a cobrança dos créditos tributários que intentava extinguir por compensação. Por fim, vale lembrar que a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 14120.000117/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
TRANSFERÊNCIA DE ESTOQUE PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. ATIPICIDADE DA CONDUTA NO CASO VERTENTE.
A integralização de capital social mediante transferência de estoque, embora constitua alienação, não pode ser equiparada à comercialização de produção própria. Quando o legislador, para responder a estratégias normativas, pretende adjudicar a algum velho termo, novo significado, diverso dos usuais, explicita-o mediante construção formal do seu conceito jurídico-normativo (voto do Ministro Cezar Peluso por ocasião do julgamento do RE 346.084-6). Assim, se pretendesse o legislador dar amplitude maior ao termo comercialização, teria utilizado a expressão alienação ou teria feito, expressamente, a equivalência daquela a esta. Ausente esta postura do legislador, deve-se tomar o termo em seu sentido vernacular. Se o comércio é atividade que consiste em trocar, vender ou comprar produtos, mercadorias, valores etc., visando, num sistema de mercados, ao lucro e comercializar é tornar algo comerciável ou comercial ou mesmo fazer entrar no processo de distribuição comercial; pôr no fluxo do comércio (dicionário eletrônico Houaiss), uma operação societária não lhe pode equivaler.
Se o objeto social da empresa é comercializar produção rural e não participar em sociedades, a integralização de ações em outra sociedade figura como meio para a realização do objeto social (ato societário) e não o próprio desenvolvimento do objeto social (empresa), razão pela qual a transferência de estoque figurou como um ato societário e não como a própria atividade empresarial. Nesse sentido, estabeleceu o STF que a incorporação de bens ao capital social é um ato típico, não equiparável a ato de comércio (Recurso Extraordinário nº 95.905, Relator Ministro Cordeiro Guerra, DJ de 01/10/82).
AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISTINÇÃO.
A teor do art. 9° do Decreto n 70.235/72, a formalização do lançamento é feita por dois instrumentos: o auto de infração e a notificação de lançamento, cujos requisitos estão previstos, respectivamente, nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/1972. o auto de infração é o instrumento de formalização da exigência mais apropriado para as fiscalizações externas nas quais buscam-se informações que o Fisco ainda não dispõe para, então, efetuar o lançamento dos tributos e contribuições devidos ou não declarados pelo sujeito passivo, se necessário. É por esta razão que o artigo 10 menciona como requisito essencial a descrição do fato, enquanto que o artigo 11, ao tratar da notificação de lançamento, se contenta com a indicação do crédito tributário. Assim, a notificação de lançamento acaba sendo direcionada para atividades internas nas repartições, notadamente, de revisão das declarações do sujeito passivo, onde a exigência, se for o caso, será formalizada com os dados disponibilizados ao Fisco pelo próprio sujeito passivo. Portanto, decorre de procedimento de apuração menos complexo, mais automático, tanto que, já nos idos de 1972, se alertava que prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A princípio, é tão simplória a sua elaboração que pode até mesmo dispensar assinatura e a descrição de fatos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de que sejam excluídas do lançamento as operações que, comprovadamente, estejam relacionadas à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 TRANSFERÊNCIA DE ESTOQUE PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. ATIPICIDADE DA CONDUTA NO CASO VERTENTE. A integralização de capital social mediante transferência de estoque, embora constitua alienação, não pode ser equiparada à comercialização de produção própria. Quando o legislador, para responder a estratégias normativas, pretende adjudicar a algum velho termo, novo significado, diverso dos usuais, explicitao mediante construção formal do seu conceito jurídico normativo (voto do Ministro Cezar Peluso por ocasião do julgamento do RE 346.0846). Assim, se pretendesse o legislador dar amplitude maior ao termo “comercialização”, teria utilizado a expressão “alienação” ou teria feito, expressamente, a equivalência daquela a esta. Ausente esta postura do legislador, devese tomar o termo em seu sentido vernacular. Se o comércio é “atividade que consiste em trocar, vender ou comprar produtos, mercadorias, valores etc., visando, num sistema de mercados, ao lucro” e comercializar é tornar algo “comerciável ou comercial” ou mesmo “fazer entrar no processo de distribuição comercial; pôr no fluxo do comércio” (dicionário eletrônico Houaiss), uma operação societária não lhe pode equivaler. Se o objeto social da empresa é comercializar produção rural e não participar em sociedades, a integralização de ações em outra sociedade figura como meio para a realização do objeto social (ato societário) e não o próprio desenvolvimento do objeto social (empresa), razão pela qual a transferência de estoque figurou como um ato societário e não como a própria atividade empresarial. Nesse sentido, estabeleceu o STF que “a incorporação de bens ao capital social é um ato típico, não equiparável a ato de comércio” (Recurso Extraordinário nº 95.905, Relator Ministro Cordeiro Guerra, DJ de 01/10/82). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 17 /2 01 0- 11 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISTINÇÃO. A teor do art. 9° do Decreto n 70.235/72, a formalização do lançamento é feita por dois instrumentos: o auto de infração e a notificação de lançamento, cujos requisitos estão previstos, respectivamente, nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/1972. o auto de infração é o instrumento de formalização da exigência mais apropriado para as fiscalizações externas nas quais buscamse informações que o Fisco ainda não dispõe para, então, efetuar o lançamento dos tributos e contribuições devidos ou não declarados pelo sujeito passivo, se necessário. É por esta razão que o artigo 10 menciona como requisito essencial a descrição do fato, enquanto que o artigo 11, ao tratar da notificação de lançamento, se contenta com a indicação do crédito tributário. Assim, a notificação de lançamento acaba sendo direcionada para atividades internas nas repartições, notadamente, de revisão das declarações do sujeito passivo, onde a exigência, se for o caso, será formalizada com os dados disponibilizados ao Fisco pelo próprio sujeito passivo. Portanto, decorre de procedimento de apuração menos complexo, mais automático, tanto que, já nos idos de 1972, se alertava que “prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico”. A princípio, é tão simplória a sua elaboração que pode até mesmo dispensar assinatura e a descrição de fatos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de que sejam excluídas do lançamento as operações que, comprovadamente, estejam relacionadas à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 186 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente. Conforme Relatório Fiscal (fls. 12 e seguintes), os valores lançados no Auto de Infração correspondem às contribuições devidas para a Seguridade Social, incidentes na comercialização da produção rural, compostos por contribuição para o SAT/RAT (1%) e contribuição à Previdência Social (2,5%). Durante o procedimento fiscal, a recorrente não apresentou toda a documentação solicitada, sendo que, por intermédio de seu administrador e contador Luis Carlos Trott, justificou que não foi possível a apresentação das notas fiscais de entrada e saída, as GIAS de ICMS, além das GPS em decorrência da cessão das atividades da empresa, que não ocorreu, conforme verificação da autoridade fiscal junto à Secretaria do Estado do Mato Grosso do Sul. Em verdade, o que sucedeu foi que a recorrente procedeu à transferência ou comercialização da totalidade dos produtos rurais que estavam lançados em sua contabilidade como “estoque”. Após a apuração da emissão de notas fiscais e dos lançamentos contábeis no montante de R$ 25.644.060,09, foi reiteradamente solicitado à recorrente a apresentação dos documentos, sendo que a recorrente escusouse da entrega das notas fiscais. Diante desse panorama, os valores foram apurados com base nas notas fiscais de saída disponibilizadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul e também dos lançamentos correspondentes às vendas de milho, gado bovino, eqüinos, cana de açúcar, eucalipto e essências nativas. Ainda segundo a autoridade fiscal, não houve nenhum recolhimento por parte da recorrente. Cientificada da lavratura, a recorrente apresentou impugnação que, como afirmado, foi julgada improcedente, tendo, em seqüência apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 130, nos quais alega, em apertada síntese, que: * nulidade do acórdão recorrido por ausência de apreciação de questões suscitadas na impugnação (impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material); * impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material; * cerceamento de defesa em razão de o relatório fiscal não trazer a descrição dos fatos que sustentariam a exigência formalizada e porque não foram juntados aos autos os elementos de prova (notas fiscais de saída disponibilizadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul); * parcela relevante das contribuições previdenciárias exigidas foram recolhidas pela empresa para a qual o estoque foi transferido, sendo que ambas tinha interesse Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 comum na operação e se encontravam solidariamente responsáveis (arts. 124, I; e 125, I, do CTN); * quatro notas fiscais correspondem a operações de “saídas para leilão”, ou seja, notas fiscais de transporte emitidas para atender exigência acessória imposta pela legislação do ICMS, e não notas de venda. A mercadoria acabou sendo leiloada, tendo sido emitidas as correspondentes notas fiscais de venda e recolhidas as contribuições previdenciárias incidentes; * duas notas fiscais correspondem a envio de gado para coleta de sêmen; * não caracterização de comercialização na integralização de capital social. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Nulidade do Acórdão. Matéria relativa à distinção entre Auto de Infração e Notificação de Lançamento. Invoca a recorrente que seja reconhecida a nulidade do acórdão recorrido por ausência de apreciação de questões suscitadas na impugnação, em especial a respeito da impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material. Não assiste razão à recorrente. Analisando o acórdão de origem verifico que, na verdade, houve remissão direta à fundamentação legal do Auto de Infração, sendo consignado que o que ali consta não causa prejuízo à defesa. Não se impõe ao órgão julgador a tarefa de rebater, em aprofundado estudo, a tese levantada pela recorrente, como pretende a recorrente, bastando a remissão ao Fundamento Legal de Débito e uma exposição razoavelmente objetiva a respeito da ausência de prejuízo à defesa. Em verdade, a tese da recorrente é inusitada e busca contrariar procedimento há muito consolidado na Receita Federal do Brasil e que, ao que consta, não sofreu qualquer tipo de censura na doutrina e na jurisprudência. De toda sorte, como a recorrente insiste no argumento, vamos enfrentálo sob outro viés. A teor do art. 9° do Decreto n 70.235/72, a formalização do lançamento é feita por dois instrumentos: o auto de infração e a notificação de lançamento, cujos requisitos estão previstos, respectivamente, nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/1972. Alegou a recorrente, a impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material, baseando seu argumento exatamente nos requisitos legais obrigatórios do auto de infração (pressupõe penalidade) e da notificação de lançamento (pressupõe crédito tributário). Não se nega que o a notificação de lançamento pressupõe crédito tributário e que o auto de infração pressupõe penalidade, mas isto não quer dizer que não possa haver penalidade na notificação de lançamento, tanto que o artigo menciona que a notificação de lançamento conterá “a disposição legal infringida, se for o caso”. Da mesma forma, não se pode afirmar, como fez a recorrente, que o auto de infração não seja apropriado para constituição do crédito tributário, tanto que o artigo 10 menciona que o auto de infração conterá “a determinação da exigência” Em verdade, o auto de infração é o instrumento de formalização da exigência mais apropriado para as fiscalizações externas nas quais buscamse informações que o Fisco ainda não dispõe para, então, efetuar o lançamento dos tributos e contribuições devidos ou não declarados pelo sujeito passivo, se necessário. É por esta razão que o artigo 10 menciona como Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 requisito essencial a descrição do fato, enquanto que o artigo 11, ao tratar da notificação de lançamento, se contenta com a indicação do crédito tributário. Assim, a notificação de lançamento acaba sendo direcionada para atividades internas nas repartições, notadamente, de revisão das declarações do sujeito passivo, onde a exigência, se for o caso, será formalizada com os dados disponibilizados ao Fisco pelo próprio sujeito passivo. Portanto, decorre de procedimento de apuração menos complexo, mais automático, tanto que, já nos idos de 1972, se alertava que “prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico”. A princípio, é tão simplória a sua elaboração que pode até mesmo dispensar assinatura e a descrição de fatos. Portanto, parece restar claro que seria instrumento absolutamente inapropriado para o lançamento das contribuições de que tratam os autos. Assim, agora parece restar claro que não assiste razão à recorrente. Cerceamento de defesa. Aduz a recorrente que houve cerceamento de defesa em razão de o relatório fiscal não trazer a descrição dos fatos que sustentariam a exigência formalizada e porque não foram juntados aos autos os elementos de prova (notas fiscais de saída disponibilizadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul). Primeiramente, é bom que se diga, somente houve recurso aos documentos disponibilizados pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul em razão da omissão da recorrente em apresentar toda a documentação solicitada. Mesmo após a apuração da emissão de notas fiscais e dos lançamentos contábeis no montante de R$ 25.644.060,09, foi reiteradamente solicitado à recorrente a apresentação dos documentos, sendo que a recorrente escusouse novamente da entrega das notas fiscais. Como ressaltou a instância a quo: quanto à descrição dos fatos e das razões que motivaram a emissão do presente Auto de Infração, ao contrário do que a interessada alega, pelo conjunto da notificação e do Relatório Fiscal – REFIS é possível compreender toda sua fundamentação. (...) O que se verifica no presente caso é que, mesmo sendo intimada a apresentar suas notas fiscais de entrada e saída, as GIAS de ICMS e as GPS – Guia de Recolhimento da Previdência Social, a interessada deixou de cumprir com esta sua obrigação. Em vista desta omissão, restou à autoridade fiscal recorrer a uma fonte externa de informação fiscal, qual seja, a relação de notas fiscais, cedida pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul, cujas informações relevantes para a concretização do presente levantamento de créditos previdenciários constam detalhadas na Planilha de Venda de Produtos Rurais, anexo aos REFIS. (...) Caberia simplesmente à interessada trazer ao processo todas as suas notas fiscais de saída, com finalidade de confrontálas com as suas correspondentes informações, trazidas pela fiscalização por intermédio da Planilha de Venda de Produtos Rurais, ao Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 188 7 invés de apenas refutála com meras argumentações, completamente destituídas de contra provas. Diante dessa moldura fática soa até mesmo pretensiosa a alegação da recorrente de que teria havido cerceamento de defesa. Saídas para Leilão. Alega a recorrente que quatro notas fiscais correspondem a operações de “saídas para leilão”, ou seja, notas fiscais de transporte emitidas para atender exigência acessória imposta pela legislação do ICMS, e não notas de venda. A mercadoria acabou sendo leiloada, tendo sido emitidas as correspondentes notas fiscais de venda e recolhidas as contribuições previdenciárias incidentes. A recorrente baseia suas alegações no demonstrativo MIC Módulos Integrados do Contribuinte (fls. 68), que relaciona notas fiscais cuja operação, neste documento, referese a Saídas Remessa Para Leilão. Tais operações teriam correspondência na contabilidade da recorrente. Ocorre que a alegação da recorrente de que os documentos “foram emitidos a partir do sistema eletrônico da SEFAZMS, correspondendo, portanto, a informações apresentadas, recebidas e registradas na SEFAZMS não é suficiente para elidir o seu ônus probatório. A recorrente, sem justificativas, deixa de apresentar não só o protocolo de envio do aludido documento como também novamente deixar de juntar as notas fiscais de retorno do gado. Ademais, quanto à afirmação da recorrente de que as mercadorias foram leiloadas e recolhidas as contribuições, compulsando os autos, não vislumbro prova de suas alegações. Aliás, pelo que consta do Relatório Fiscal, não houve nenhum recolhimento por parte da recorrente. Envio de Gado para coleta de Sêmen. Assevera a recorrente que duas notas fiscais correspondem a envio de gado para coleta de sêmen. Traz aos autos duas Consultas On line – Nota Fiscal Produtor/Avulsa, onde constam relacionadas as notas fiscais cuja operação é de Produto Enviado Para Coleta de Sêmen/Embrião. Todavia, não comprovou retorno do gado e tampouco juntou os documentos que pudessem dar suporte às suas alegações, de sorte que sua argumentação não merece acatamento. Recolhimentos de Terceiros. Aduz ainda a recorrente que parcela relevante das contribuições previdenciárias exigidas foram recolhidas pela empresa para a qual o estoque foi transferido, sendo que ambas tinha interesse comum na operação e se encontravam solidariamente responsáveis (arts. 124, I; e 125, I, do CTN). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Como já ressaltado no decisório de origem, os recolhimentos pela empresa para a qual estoque foi transferido não podem ser aproveitados (Iaco Agrícola CNPJ 07.895.728/00178), simplesmente porque se referem a operações de terceiros e, por tal razão, de fato gerador distinto daquele praticado pela recorrente, mesmo levandose em consideração que a recorrente subscreveu ações da empresa que efetuou os recolhimentos. Com efeito, nos termos do art. 25 da Lei n° 8.870/94, o aspecto ou critério material da hipótese tributária se limita um verbo e ao seu complemento (comercialização de sua produção), de sorte que “o contribuinte será buscado no sujeito da mesma oração” (SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 493). Nesse sentido, podemos afirmar que, se quem comercializou foi terceiro, este fato gerador não se confunde com aquele eventualmente praticado pela recorrente. Aliás, em se tratando de contribuição do empregador rural pessoa jurídica, a hipótese tributária somente alcança o comércio da produção própria e não daquela transferida ou adquirida de terceiro, como pretende demonstrar a recorrente. Nesse sentido, a princípio, parece incongruente que a Iaco Agrícola recolha contribuições sobre a comercialização de produtos não originários de sua própria produção. Assim, ainda que a recorrente tente relacionar uma operação com a outra (transferência de estoque e posterior comercialização), não parece plausível a situação levantada. Ademais, o fez sem sucesso, posto não haver elementos suficientes que demonstrem com clareza e segurança esta situação. Lembremos aqui que a recorrente, de forma renitente, furtase a juntar aos autos as notas fiscais relativas às operações realizadas. Portanto, não se sustenta a tese da recorrente de que haveria solidariedade com base no arts. 124, I; e 125, I, do CTN. Integralização do Capital Social. Transferência do Estoque. Aduz a recorrente que não houve a caracterização de comercialização na integralização de capital social. Segundo o relatório fiscal, efetivamente, foi apurado que a recorrente procedeu à transferência ou comercialização da totalidade dos produtos rurais que estavam lançados em sua contabilidade como “estoque”. A tese da recorrente, equivocadamente, baseiase no art. 25 da Lei n° 8.212/91, que trata das contribuições do empregador rural pessoa física e do segurado especial. Na verdade, o lançamento tem supedâneo no art. 25 da Lei n° 8.870/94, que trata, especificamente, do empregador rural pessoa jurídica: Lei n° 8.870/94 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,passa a ser a seguinte:(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 189 9 II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. O que se analisa no caso vertente é se situação a movimentação do estoque da recorrente, que estaria representada pelas notas fiscais relacionadas em tabela que indica no corpo da impugnação e que repete no recurso voluntário, se trata ou não de comercialização da produção rural. A operação consistiu na integralização de capital social, referente à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A, conforme comprova a Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 6 de Junho de 2006 (fls. 66 e 67 – registro na Junta Comercial em 02 de agosto de 2006) e do Boletim de Subscrição de Ações (fls. 68). É verdade que já se decidiu que a transferência de bens ao capital social não constituía alienação: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO IMOBILIÁRIO. DL1.641/78. TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL PARA INTEGRALIZAR COTA EM SOCIEDADE LIMITADA. FATO GERADOR.. NÃO OCORRÊNCIA. A transferência de imóvel, para integralizar cota em sociedade limitada não é fato gerador de imposto de renda sobre lucro imobiliário. Em rigor, tal transferência não constitui alienação. O suposto alienante, simplesmente o transformou em fração ideal de um condomínio de capitais personalizado (a sociedade). Bem por isso, o art.1º, do DL1.641/78."(Resp 396.145, Rel. Min.Humberto Gomes de Barros, DJ 17/11/2003) Todavia, hoje, parecem não existir dúvidas de que a transferência de bens ao capital social constitui sim alienação, havendo contrato oneroso mediante o qual alguém recebe ações em troca de outros bens, como é o caso da recorrente. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. ENFITEUSE. TERRENO DE MARINHA. TRANSFERÊNCIA DE DOMÍNIO ÚTIL PARA FINS DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. OPERAÇÃO ONEROSA. INCIDÊNCIA DO ART. 3º DO DECRETOLEI 2.398/87. 1. A classificação dos contratos em onerosos e gratuitos leva em conta a existência ou não de ônus recíproco: onerosos são os contratos em que ambas as partes suportam um ônus correspondente à vantagem que obtêm; e gratuitos são os contratos em que a prestação de uma parte se dá por mera liberalidade, sem que a ela corresponda qualquer ônus para a outra parte. 2. A constituição de qualquer sociedade, inclusive da anônima, tem natureza contratual (CC/16, art. 1.363; CC/2002, art. 981). A prestação do sócio (ou acionista), consistente na entrega de Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 dinheiro ou bem, para a formação ou para o aumento de capital da sociedade se dá, não por liberalidade, mas em contrapartida ao recebimento de quotas ou ações do capital social, representando assim um ato oneroso, que decorre de um negócio jurídico tipicamente comutativo. 3. Embargos de divergência conhecidos e providos. (EREsp 1104363/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 29/06/2010, DJe 02/09/2010) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRANSFERÊNCIA DE BEM IMÓVEL PARA A INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL DE EMPRESA. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO. PRECEDENTES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA QUE SEJAM ANALISADAS AS QUESTÕES TIDAS POR PREJUDICADAS NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que é legítima a incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital decorrentes da diferença entre o valor de aquisição e o de incorporação de imóveis de pessoa física, para integralização de capital de pessoa jurídica da qual é sócio. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.016.766/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/03/2009, REsp 70.2915/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 21/09/2007, REsp 867.276/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 08/11/2006, REsp 789.004/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 03/04/2006, REsp 660.692/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 13/03/2006, REsp 260.499/RS, Rel. Ministro Milton Luiz Pereira, Primeira Turma, DJ 13/12/2004. 2. No caso dos autos, tanto a sentença quanto o acórdão recorrido partiram da premissa de que a operação de integralização de capital social através do bem imóvel não configura "alienação" para fins de incidência do imposto de renda, na forma do art. 3º, § 2º, da Lei n. 7.713/88. Assim, não foram analisadas outras questões importantes para o deslinde da controvérsia, e outras acessórias, as quais não podem ser analisadas por esta Corte, seja por impossibilidade de supressão de instância, seja por encontrarem óbice na Súmula n.7/STJ, quais sejam: (i) a existência de prova, a cargo da embargante (eis que a CDA goza de presunção de certeza e liquidez a ser ilidida por prova inequívoca a cargo do sujeito passivo art. 204 do CTN), no sentido de não ter havido diferença entre o valor de aquisição e o de incorporação de imóveis de pessoa física; (ii) as questões arguidas pela embargante relativas aos encargos da mora (multa, juros e correção monetária); e (iii) a implicação do disposto no art. 23 da Lei n. 9.249/95 na hipótese, desde que não haja óbice de direito processual ou material para tanto, tais como a preclusão consumativa e outros. 3. Reconhecida a possibilidade de incidência de imposto de renda na operação realizada, devem os autos retornar à origem Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 190 11 a fim de que se proceda ao julgamento das questões tidas por prejudicadas nos embargos à execução. 4. Recurso especial provido para determinar o retorno dos autos à origem. (REsp 1214780/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 04/03/2011) Posto isso, a questão a ser enfrentada é se é possível conceber que a integralização de quotas do capital social da empresa IACO Agrícola S/A é fato gerador da contribuição do produtor rural pessoa jurídica. Em outras palavras, se esta alienação caracteriza comercialização da produção rural. Parecenos correta a tese adotada no decisório de origem no sentido de que: O capital social corresponde ao investimento cios donos (sócios) da empresa para atender aos seus objet ivos econômicos. Para consecução desse desiderato (integralização do capital), os sócios podem, efet ivamente, ut i l izarse de dinheiro (moeda corrente) ou qualquer forma de bens ou direi tos, desde que tais valores possam ser avaliados em dinheiro. É o que diz o art. 7o da Lei n° 6 .404/76, ci tado pela contribuinte: "O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação °m dinheiro". Ou seja, tais bens e direi tos hão de ter valor monetário, mercanti l , até porque se tem em vista que é com eles que os investimentos serão fei tos, as contas serão pagas, o mobiliário será adquirido, etc. Portanto, em tese, uma alienação de produtos rurais em troca de ações poderia consistir em um ato de comercialização da produção rural . Mas será que em todos os casos? A decisão de origem conclui que sim, com base em raciocínio que leva à conclusão de que, em suas própria palavras, seria “cabível, por extensão, interpretar que a integralização de quotas do capital social da empresa IACO Agrícola S/A acarretou na ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ainda segundo a decisão de origem: (. . . ) o sentido do vocábulo "comercialização' ' da produção rural foi interpretado nas normatizações para englobar toda e qualquer operação a ser realizada com os produtos rurais dela decorrentes. Assim sendo, no caso em comento, está assemelhadamente caracterizada a ocorrência de dação em pagamento. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Por outro lado, perante a legislação tributária federal , o conceito de receita bruta independe da classificação contábil adotada pelo contribuinte pessoa jurídica, conforme bem esclarece o § I° do art. 3 o da Lei 9.718/98: (...) A situação fática encontrada na contribuinte é a seguinte: ao transferir seu estoque de mercadorias, à guisa de integralização do capital social, efetuou a 'comercialização' de sua produção rural. Entendimento diferente desse seria evadirse de obrigação fiscal, pois o recebimento das ações pagas pelo seu estoque ocasionou uma alienação de mercadorias que eram de sua propriedade e passaram para a propriedade de outra empresa. Também não seria cabível alegar que, agindo assim o fisco, estaria cobrando tributos por analogia, circunstância absolutamente vedada pelo § 1° do art. 108 do CTN. O que aqui se afirma é que existia a previsão legal para tributar a comercialização da produção rural e que a operação idealizada e realizada pela interessada para integralização das quotas do capital social da empresa controlada IACO Agrícola S/A, mediante a transferência de seu estoque de mercadorias, implica na comercialização da produção rural, logo na ocorrência do fato gerador desse tributo. Antes de adentrarmos, propriamente, na questão em comento, é de se consignar que não discordamos que a permuta ou a dação em pagamento possa consistir em comercialização. Nesse sentido: CONTRIBUIÇÃO SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. CONTRATO DE PERMUTA. INCIDÊNCIA. § 8º DO ART. 195 DA CF/88. ART. 22 DA LEI 8.212/91. 1. O fato gerador da contribuição em tela é a comercialização de produtos rurais, tendo como base de cálculo o resultado bruto dessa comercialização. Assim sendo, inegável o reconhecimento da ocorrência da hipótese de incidência do tributo na permuta dos insumos para lavoura por produtos agrícolas, porque a permuta inserese no gênero comercialização, havendo na primeira expressão econômica relevante. 2. Ao se recusar ao recolhimento da contribuição previdenciária sobre a comercialização dos produtos rurais, a impetrante está recusando aos produtores rurais que celebram com ela contrato de permuta, a possibilidade de terem acesso aos benefícios previdenciários, deixandoos à margem da economia formal, oferecendolhes tratamento diferenciado aos demais produtores que efetuam a venda de sua produção. Ademais, não há qualquer oneração à impetração, uma vez que há subrogação do valor da contribuição recolhida, o qual será descontado dos produtores rurais. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 191 13 3. A Ordem de Serviço INSS/DAF nº146/98 longe está de vulnerar qualquer dispositivo legal, porquanto encontra pleno respaldo na Lei 8.212/91 e na Constituição Federal. (TRF 4ª Região, AMS 1999.71.10.0076464/RS, Rel. Des. Federal MARIA LÚCIA LUZ LEIRIA, 1ª TURNA, julgado em 23/06/2004) Ocorre que entendemos que a operação realizada, embora constitua alienação, não constitui comercialização de produção própria. Como destacou o então Ministro Cezar Peluso por ocasião do julgamento do RE 346.0846 (base de cálculo da Confins pré Emenda Constitucional 20/98), embora “as palavras (signos), assim na linguagem natural, como na técnica, de ambas as quais se vale o direito positivo para a construção do tecido normativo” sejam potencialmente vagas, “há sempre um limite de resistência, um conteúdo semântico mínimo recognoscível a cada vocábulo, para além do qual, parafraseando ECO, o intérprete não está “autorizado a dizer que a mensagem pode significar qualquer de determinadas condutas à norma” (ECO, Humberto. Interpretação e superinterpretação. Trad.: MF. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 50). Portanto, embora comercializar possa significar muitas coisas, não pode significar tudo. E segue: Para afastar ambigüidades ou construir significados no discurso normativo, pode o legislador atribuir sentidos específicos a certos termos, como o faz, p. ex., no art. 3º do Código Tributário Nacional, que impõe a definição de tributo. Na grande maioria dos casos, porém, os termos são tomados no significado vernacular corrente, segundo o que traduzem dentro do campo de uso onde são colhidos, seja na área do próprio ordenamento jurídico, seja no âmbito das demais ciências, como economia (juros), biologia (morte, vida, etc.), e, até, em outros estratos lingüísticos, como o inglês (software, internet, franchising, leasing), sem necessidade de processo autônomo de elucidação. Quando o legislador, para responder a estratégias normativas, pretende adjudicar a algum velho termo, novo significado, diverso dos usuais, explicitao mediante construção formal do seu conceito jurídiconormativo, sem prejuízo de fixar, em determinada província jurídica, conceito diferente do que usa noutra, o que pode bem verse ao art. 327 do Código Penal, que define “funcionário público” para efeitos criminais (7), e ao art. 2º da Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), que atribui, para seus fins, análogo conceito à expressão “agente público”. Com base na lição extraída deste último trecho, podemos afirmar que se pretendesse o legislador dar amplitude maior ao termo “comercialização”, teria utilizado a Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 expressão “alienação” ou teria feito, expressamente, a equivalência daquela a esta. No entanto, resta indagar o que, efetivamente, significa “comercializar”; Para a legislação previdenciária, segurado especial, empregador rural pessoa física ou jurídica e mesmo a agroindústria praticam a denominada “comercialização da produção rural”, o que indica que tal ato não precisa ser exercido profissionalmente e, portanto, é independente do conceito de empresa, de empresário (art. 966 do Código Civil) ou mesmo da superada teoria dos atos de comércio (COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial : direito de empresa, 18ª ed., São Paulo: 2007, p. 7 e 10). Portanto, adotamos o termo comercialização em seu sentido vernacular, pois não nos parece que nenhuma ciência possa ofertar conceito mais preciso ou específico. A operação realizada foi a transferência da totalidade dos produtos rurais que estavam lançados na contabilidade da empresa como “estoque”. Sob a perspectiva da alienação dos produtos rurais, a idéia imediata é, efetivamente, de comercialização. Todavia, se o comércio é “atividade que consiste em trocar, vender ou comprar produtos, mercadorias, valores etc., visando, num sistema de mercados, ao lucro” e comercializar é tornar algo “comerciável ou comercial” ou mesmo “fazer entrar no processo de distribuição comercial; pôr no fluxo do comércio” (dicionário eletrônico Houaiss), parecenos que uma operação societária não lhe pode equivaler. Com efeito, há atos praticados pela sociedade Se empresário é o exercente profissional de uma atividade econômica organizada, então empresa é uma atividade; a de produção ou circulação de bens ou serviços. É importante destacar a questão. Na linguagem cotidiana, mesmo nos meios jurídicos, usase a expressão "empresa" com diferentes e impróprios significados. Se alguém diz "a empresa faliu" ou "a empresa importou essas mercadorias", o termo é utilizado de forma errada, não técnica. A empresa, enquanto atividade, não se confunde com o sujeito de direito que a explora, o empresário. É ele que fale ou importa mercadorias. Similarmente, se uma pessoa exclama "a empresa está pegando fogo!" ou constata "a empresa foi reformada, ficou mais bonita", está empregando o conceito equivocadamente. Não se pode confundir a empresa com o local em que a atividade é desenvolvida. O conceito correto nessas frases é o de estabelecimento empresarial; este sim pode incendiarse ou ser embelezado, nunca a atividade. Por fim, também é equivocado o uso da expressão como sinônimo de sociedade. Não se diz "separamse os bens da empresa e os dos sócios em patrimônios distintos", mas "separamse os bens sociais e os dos sócios"; não se deve dizer "fulano e beltrano abriram uma empresa", mas "eles contrataram uma sociedade". Somente se emprega de modo técnico o conceito de empresa quando for sinônimo de empreendimento. Se alguém reputa "muito arriscada a empresa", está certa a forma de se expressar: o empreendimento em questão enfrenta consideráveis riscos de insucesso, na avaliação desta pessoa. Como ela se está referindo à atividade, é adequado falar em empresa. Outro exemplo: no princípio da preservação da empresa, construído pelo moderno Direito Comercial, o valor básico prestigiado é o da conservação da atividade (e não do empresário, do estabelecimento ou de uma sociedade), em virtude da imensa gama de interesses que transcendem os dos donos do negócio e Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 192 15 gravitam em torno da continuidade deste; assim os interesses de empregados quanto aos seus postos de trabalho, de consumidores em relação aos bens ou serviços de que necessitam, do fisco voltado à arrecadação e outros. (COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial : direito de empresa, 18ª ed., São Paulo: 2007, p. 12) É por isso que o art. 981 do CC estabelece que “celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados”, sendo que o parágrafo único permite até que “a atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados”. Portanto, sociedade e empresa não se confundem. Nesse sentido, podemos citar atos tipicamente societários como o contrato social (arts. 981 e 997 do CC), a alteração contratual (arts. 1.071 e 1.072, § 3°, do CC), o distrato social (arts. 1.109, do CC) bem como as deliberações em assembléia ou reunião de sócios (arts. 1.078 e 1.072, §§ 1° e 3°, do CC) que não significam desenvolvimento da atividade empresarial, mas, como se disse, atos societários. Dessa forma, no caso em questão, enxergamos a subscrição de ações não como uma comercialização (atividade empresarial) cujo pagamento foi feito em ações, mas como um ato societário de “aumento de capital social da Companhia, mediante a emissão, para subscrição particular” que vinculou que a outra parte aderisse ao pacto sob uma forma específica, ou seja transferindo “bens, conforme laudos de avaliação, descrição e boletim de subscrição”. É verdade que, subjacente a este ato societário, há um contrato oneroso pelo qual as ações são permutadas por bens, de sorte que reconhecemos que um mesmo ato pode acabar representando distintos negócios jurídicos, no caso, um aumento de capital da IACO e uma alienação de patrimônio por parte da recorrente. Ou seja, nada impede que seja, ao mesmo tempo um ato societário (alteração contratual) e também um ato de alienação (compra e venda). Em suma, diante de uma único ato ou fato podemos ter a formação de diversas relações ou o advento de distintas conseqüências jurídicas (civil, penal, tributária, administrativa, etc.) Portanto, não se nega que houve alienação por parte da recorrente e, nessa medida, fosse o fato gerador a transferência onerosa (como é o caso do laudêmio) ou a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis (como é o caso do ITBI – ainda que aqui tenhamos a imunidade contida no art. 156, § 2°, da CF), não teríamos dúvidas quanto à ocorrência do fato imponível. Todavia, é preciso atentar que aqui estamos diante de um critério material assemelhado, mas não idêntico à alienação. Entendemos que somente haveria comercialização se a produção fosse alienada no exercício da atividade empresarial (empresa enquanto atividade, como visto) e não em decorrência de um ato societário de aumento de capital (ato praticado pelos sócios, que deliberam por alterar o contrato de sociedade). Vale dizer, não houve o exercício da atividade empresarial mediante deliberação da assembléia, mas, ao revés, uma alienação ou, se preferirem, uma transferência que em nada se relaciona ao desenvolvimento do objeto social da recorrente ( “produção e comercialização de açúcar, álcool, canadeaçúcar e demais derivados Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 de tal produto agrícola). Ao que consta, tais acontecimentos decorrem de razões estritamente societárias (sociedade) e não comerciais (empresa). A Lei n° 6.404/76 faculta que a empresa tenha “por objeto participar de outras sociedades” como é o caso das empresas de participações. Prevê ainda a Lei n° 6.404/76 que, ainda que não preveja o contrato ou estatuto, “a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais” (art. 2° , § 3°). Portanto, vê se que a própria lei não só faculta a participação como a qualifica como meio (e não fim), referentemente ao objeto social. Assim, se o objeto social é comercializar produção rural e não a participação em sociedades, a participação em sociedades figura como meio para a realização do objeto social (ato societário) e não o próprio desenvolvimento do objeto social (empresa). É claro que o ato societário pode, por assim dizer, comandar, por via indireta, uma atividade empresarial, como na hipótese em que se delibere por alterar o objeto social. Em conseqüência, teremos uma série de atos que configurarão o próprio desenvolvimento da atividade empresarial e que decorreram da deliberação do ato societário. Todavia, não é esta a hipótese dos autos. Não olvidamos que o ato societário foi praticado em nome de terceiro (IACO Agrícola S/A), mas a recorrente é parte deste ato societário, na medida em que subscreve as deliberações tomadas em assembléia. Portanto, na linha do exposto acima, estava ali praticando um ato societário e não a própria atividade empresarial (objeto social). Notese que a adoção da tese da autoridade fiscal, chancelada pela DRJ leva à conclusão de que haveria comercialização de toda a produção rural nas hipóteses de fusão, incorporação, ou cisão da sociedade, posto que o “estoque” também teria que ser transferido a terceiro. De novo, há alienação, mas não ato de comercialização. Nesse sentido, estabeleceu o STF que “a incorporação de bens ao capital social e um ato típico, não equiparável a ato de comércio” (Recurso Extraordinário nº 95.905, Relator Ministro Cordeiro Guerra, DJ de 01/10/82). Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de que sejam excluídas do lançamento as operações que, comprovadamente, estejam relacionadas à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 193 17 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10830.907402/2011-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 74 02 /2 01 1- 89 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 64), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907402/201189 Acórdão n.º 3802002.922 S3TE02 Fl. 67 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10746.721026/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 14/03/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .7 21 02 6/ 20 11 -9 6 Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10746.721026/201196 Resolução nº 1302000.220 S1C3T2 Fl. 1.067 2 Relatório FRINORTE ALIMENTOS LTDA, ANA PAULINA MENESES DA COSTA, ROGÉRIO MÁRCIO MENEZES COSTA e RENATO MAURO MENEZES COSTA, já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 03047.749 (fls. 990/1019), de 30/03/2012, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), interpuseram recurso voluntário, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Em 22/11/2011, foram lavrados contra a empresa em epígrafe os autos de infração de IRPJ e CSLL, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário a seguir discriminado, relativo ao anocalendário de 2007, incluindo juros de mora calculados até 31/10/2011 e multa proporcional qualificada e agravada de 225%, perfazendo um total de R$ 15.919.695,45: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ 10.956.361,80 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 4.963.333,65 Segundo o Relatório Fiscal às fls. 18 a 28 (numeração digital), a fiscalização teve início com o Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 02/03/2010. A ciência ao contribuinte ocorreu em 11/03/2010 por via postal. Nesse termo, o contribuinte foi intimado a apresentar livros contábeis e fiscais, contrato/estatuto social, extratos bancários, entre outras informações, bem como foram repassadas orientações sobre a possibilidade de verificação na Internet da autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal. (grifo nosso). Em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o contribuinte, por meio de uma das sócias, Sra. Ana Paulina Meneses da Costa, CPF 368.766.58104, informou que a empresa suspendeu suas atividades em setembro/2007 e apresentou o nome de uma contadora como responsável pela prestação de informações à RFB (grifo nosso). Ressalta a Fiscalização que, apesar de cientificado da Intimação, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou livro, e que, apesar da informação da sócia de que a empresa não funcionava desde setembro de 2007, o seu cadastro continuava ativo perante a RFB. Em 03/05/2010, foi lavrado um novo Termo de Início de Procedimento Fiscal, com o intuito de retificar incorreção no cabeçalho do Termo de Início lavrado em 02/03/2010, relativa ao número do MPF e ao código de acesso (grifo nosso). A retificação foi citada no novo Termo lavrado, que foi enviado pelos correios ao contribuinte. No entanto, não houve a entrega ao sujeito passivo devido à mudança de endereço citada pelos correios (grifo nosso). Com isso, fezse necessária a publicação de Edital n°009/2010 na Agência da RFB em Araguaína/TO. Consigna, ainda, a autoridade fiscal que, a partir do Termo lavrado em 03/05/2010, todos os documentos lavrados e enviados pelos Correios à Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10746.721026/201196 Resolução nº 1302000.220 S1C3T2 Fl. 1.068 3 Frinorte – Alimentos Ltda retornaram, sendo necessário, em todos os casos, a publicação de Edital, respeitando o estabelecido no art. 10, inciso IV do Decreto nº 7.574/2011. No que tange ao cumprimento das obrigações tributárias, constatou o agente fiscal que o contribuinte não entregou nenhuma Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, tampouco realizou qualquer recolhimento de IRPJ ou de CSLL para o anocalendário de 2007. Além disso, registrou a Fiscalização que não houve entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ para o período em análise. Quanto à forma de tributação adotada, aduz a autoridade lançadora que o contribuinte teria que apurar o IRPJ pelo lucro real trimestral, já que não fez a opção pelo lucro presumido, citada no art. 26, caput e § 1°, da Lei n° 9.430/96. Além disso, afirma que, pelas informações declaradas pelo próprio sujeito passivo nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIAM à SEFAZ/TO, as receitas, em 2007, ultrapassaram o limite de R$ 48.000.000,00, impossibilitando a utilização da apuração pelo lucro presumido, conforme estabelecido no art. 46 da Lei n° 10.637/2002 c/c art.14 da Lei n° 9.718/1998. De outro lado, considerando que, apesar das inúmeras intimações lavradas, não houve apresentação de nenhum livro ou documento, por parte do contribuinte ou de seus sócios, o agente fiscal procedeu ao arbitramento do lucro tributável, nos termos do art. 530, inciso III, do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR 99), tomando como base a receita bruta conhecida, conforme segue: [...] Os lançamentos referentes à contribuição para o PIS e à Cofins foram formalizados no processo administrativo nº 10746.721027/201131. Demais disso, diante da apresentação de GIAM ao Fisco Estadual e da ausência de entrega de declarações ao Fisco Federal, bem como da falta de recolhimento dos tributos federais, entendeu a Fiscalização que restou caracterizado o evidente intuito de sonegação, o que impõe, por sua vez, a aplicação da multa qualificada de 150%, in verbis: [...] Ainda no que tange à aplicação da multa, considerando que não foram apresentados os livros comerciais e fiscais, bem como os arquivos em meio digital relativos à contabilidade e às notas fiscais, solicitados no decorrer da fiscalização, a multa de ofício qualificada foi agravada para 225%, de acordo com o art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Registrou, ainda, a autoridade lançadora, que, tendo em vista a apuração de fatos que configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, foi formalizada a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais. Foram também lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios do contribuinte, conforme segue: [...] A recorrente Frinorte Alimentos Ltda. tomou ciência dos lançamentos por meio do Edital nº 030/2011 afixado em 29/11/2011 e desafixado em 14/12/2011 (fl. 950). Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10746.721026/201196 Resolução nº 1302000.220 S1C3T2 Fl. 1.069 4 Os outros recorrentes (Ana Paulina Meneses da Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa) foram cientificados por via postal em 30/11/2011 (fls. 946/949). Inconformados, os recorrentes apresentaram impugnação em 27/12/2011(fls. 952/970), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJ – Brasília, nestes termos: a) Cerceamento ao direito do contraditório e da ampla defesa, sob a alegação de que os impugnantes não tiveram oportunidade de se manifestar sobre o arbitramento que originou o "suposto" crédito tributário de forma plena e absoluta, uma vez que a ação fiscal teria ocorrido, em sua grande maioria, à revelia, in verbis: [...] b) Ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica da empresa impugnante, ao argumento de que “não há, nos autos, provas de que as pessoas físicas Ana Paulina Menezes da Costa, Rogério Márcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa tenham abusado da personalidade jurídica da empresa impugnante ou de suas sócias conforme disciplina o art. 50 do C.C”. c) Ilegitimidade passiva dos sócios identificados como solidários, haja vista que o art. 134 do CTN permite a responsabilização de terceiros somente quando ficar demonstrada a impossibilidade do cumprimento da obrigação tributária pela pessoa jurídica, e o art. 135 do CTN, fundamento utilizado na autuação, lista as pessoas que serão responsáveis pelos créditos tributários somente quando seus atos forem praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Sobre o assunto, acrescenta, ainda, que “o entendimento já pacificado pela jurisprudência de nossos Tribunais Superiores e pela doutrina majoritária é de que a responsabilidade prevista nos arts. 134 e 135 do CTN é subsidiária e não solidária” e que “o mero inadimplemento tributário por si só não caracteriza hipótese de responsabilidade subsidiária dos sócios”. d) Inexistência de fraude ou sonegação, visto que, agindo de boafé, havia transmitido as informações ao Fisco Estadual e comunicado ao agente fiscal o nome do contador responsável pela empresa: [...] e) Presunção indevida do lucro e impossibilidade de a empresa impugnante ser submetida ao recolhimento de tributo onde o arbitramento realizado exorbita o valor real do "imposto devido", in verbis: [...] f) Ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação do confisco e da capacidade contributiva, inclusive no que tange à aplicação da multa de 225%. Cita, sobre o assunto, o reconhecimento de repercussão geral no RE nº 640.452/RO, no que tange a multas/sanções aplicadas por descumprimento de obrigação tributária acessória. Por fim, requer: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10746.721026/201196 Resolução nº 1302000.220 S1C3T2 Fl. 1.070 5 Em sede de preliminar, que: a) sejam julgados nulos os autos de infração, bem como todo o procedimento fiscal, face o cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa dos impugnantes, uma vez que o agente fiscalizador ignorou a situação de "Ativa" da empresa impugnante e procedeu com a fiscalização por intermédio de notificações via Edital; b) sejam excluídos do pólo passivo da obrigação tributária em tela a Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e os Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, haja vista: 1º a ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica realizada no âmbito administrativo; e, 2º a ilegalidade da responsabilidade "solidária", que juridicamente corresponde em subsidiária. II. No mérito, sejam julgados improcedentes os autos de infração lavrados, com efeito ex tunc, ou, alternativamente: a) seja a multa excluída ou aplicada de acordo com o que preceituam os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva do contribuinte e da vedação do confisco consagrados pela C.F./1988; b) seja o processo administrativo tributário em tela sobrestado até o pronunciamento em definitivo pelo plenário do STF acerca da matéria, tendo em vista que o julgamento do Recurso Extraordinário n° 640.452/RO, onde constatouse a existência da repercussão geral, influenciará diretamente no julgamento do presente; c) a juntada posterior de documentos que se fizerem necessários à comprovação de todo o alegado, nos termos do art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72. A 2ª Turma da DRJ em Brasília/DF manteve integralmente os lançamentos, proferindo o Acórdão nº 03047.749, de 30/03/2012 (fls. 990/1019), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10746.721026/201196 Resolução nº 1302000.220 S1C3T2 Fl. 1.071 6 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem fatos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, por resultar do mesmo elemento de prova e se referir à mesma matéria tributável. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A recorrente Frinorte Alimentos Ltda. tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/08/2012, por meio do Edital nº 009/2012 afixado em 30/07/2012 e desafixado em 14/08/2012 (fl. 1040). Os recorrentes Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa foram cientificados por via postal em 30/07/2012 (fls. 1029/1030 e 1033/1034). A recorrente Ana Paulina Meneses da Costa foi cientificada por via postal em 01/08/2012 (fls. 1035/1036), tendo interposto recurso voluntário em 23/08/2012 (fls. 1041/1060). Na oportunidade, repetiu integralmente os argumentos e pedidos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10746.721026/201196 Resolução nº 1302000.220 S1C3T2 Fl. 1.072 7 Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta todas as condições de admissibilidade, então dele conheço. Trata o presente processo administrativo (10746.721026/201196) de auto de infração para constituição de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Ocorre que os lançamentos tributários referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foram formalizados no processo administrativo nº 10746.721027/201131. Esse se encontra pendente de julgamento, em trâmite na 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No âmbito administrativo, releva observar os arts. 6º, 47 e 49, § 7º, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]§ 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Tenho por certo, assim, que o presente processo administrativo trata dos mesmos fatos do processo administrativo nº 10746.721027/201131. Logo, o processo administrativo nº 10746.721027/201131, o qual se encontra pendente de julgamento, é conexo ao presente processo administrativo. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10746.721026/201196 Resolução nº 1302000.220 S1C3T2 Fl. 1.073 8 Como se observa pelo andamento processual acima, o processo ainda encontra se na Terceira Seção de Julgamento, aguardando distribuição. Por todo o exposto, julgo pela conversão do julgamento em diligência para que o processo administrativo nº 10746.721027/201131 seja distribuído por prevenção a este relator e apensado ao presente processo administrativo (nº 10746.721026/201196), visando o julgamento conjunto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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