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Numero do processo: 19515.002647/2004-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
MUDANÇA DE DOMICÍLIO FISCAL. ALTERAÇÃO DO CPF NO CONVENENTE CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. ATENDIMENTO NÃO CONCLUSIVO. ENDEREÇO NÃO ALTERADO. Comprovado que o contribuinte não conseguiu concluir a alteração do endereço no convenente Caixa Econômica Federal, não se pode acatar a nulidade da ciência editalícia do lançamento.
NULIDADES. DOCUMENTAÇÃO ENVIADO AO FISCO POR AUTORIDADE JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Eventual mácula na colheita da prova enviada ao fisco por autoridade judicial não pode ser reconhecida no
processo administrativo fiscal, sob pena da autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco, determinando o
compartilhamento com a autoridade fiscal. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente, subvertendo os papéis outorgados pela Constituição Federal à Administração
e ao Poder Judiciário, já que é cediço que aquela, no caso concreto, se submete às determinações deste.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DA DE DOCUMENTAÇÃO QUE VINCULE A CONTA BANCÁRIA AO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO ANCORAR-SE NA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. É de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários de origem não comprovada podem ser presumidos como rendimentos omitidos, sendo necessário, entretanto, comprovar de forma iniludível que o contribuinte seja detentor da conta bancária auditada. Não se acostando aos autos a documentação da conta bancária auditada (ficha de cadastro de depositantes, cópias de documentos
de identificação civil do fiscalizado, cartão de autógrafos etc.), impossível, assim, manter o lançamento com substrato no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR
as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ALTERAÇÃO DO CPF NO CONVENENTE CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. ATENDIMENTO NÃO CONCLUSIVO. ENDEREÇO NÃO ALTERADO. Comprovado que o contribuinte não conseguiu concluir a alteração do endereço no convenente Caixa Econômica Federal, não se pode acatar a nulidade da ciência editalícia do lançamento. NULIDADES. DOCUMENTAÇÃO ENVIADO AO FISCO POR AUTORIDADE JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Eventual mácula na colheita da prova enviada ao fisco por autoridade judicial não pode ser reconhecida no processo administrativo fiscal, sob pena da autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco, determinando o compartilhamento com a autoridade fiscal. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente, subvertendo os papéis outorgados pela Constituição Federal à Administração e ao Poder Judiciário, já que é cediço que aquela, no caso concreto, se submete às determinações deste. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DA DE DOCUMENTAÇÃO QUE VINCULE A CONTA BANCÁRIA AO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO ANCORARSE NA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. É de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários de origem não comprovada podem ser presumidos como rendimentos omitidos, sendo necessário, entretanto, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 comprovar de forma iniludível que o contribuinte seja detentor da conta bancária auditada. Não se acostando aos autos a documentação da conta bancária auditada (ficha de cadastro de depositantes, cópias de documentos de identificação civil do fiscalizado, cartão de autógrafos etc.), impossível, assim, manter o lançamento com substrato no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte DAVID AMANDIO DE FARIA PIMENTA, CPF/MF nº 692.928.25887, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 26/11/2004, auto de infração (fls. 96 a 101), com ciência editalícia ocorrida no prazo de 15 dias após a data da afixação do edital, esta em 07/12/2004 (fl. 104), a partir de ação fiscal iniciada em 07/10/2004 (fl. 91). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 634.599,34 MULTA DE OFÍCIO R$ 475.949,50 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, mantidos no estrangeiro, no anocalendário 1999, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. A seguir, colacionase excerto do relatório de encerramento fiscal, que detalha a conduta considerada infracional pela autoridade autuante (flS. 93 e 95): De acordo com a Representação Fiscal o fiscalizado consta como beneficiário final nas operações de transferência de recursos para o exterior, ocorridas em 1999, no montante de US$ 1.226.830,60 (um milhão duzentos e vinte e seis mil oitocentos e trinta dólares americanos e sessenta centavos de dólar), com a intermediação da empresa Beacon Hill Service Corporation sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e/ou jurídicas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 2 3 Por esse fato, o fiscalizado foi regularmente intimado, por via postal, com ciência em 07/10/2004, AR (fls. 91), Termo de Início da Ação Fiscal, lavrado em 27/09/2004, (fls. 90 ), a comprovar mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor a origem dos recursos transferidos ao exterior, no montante de US$ 1.226.830,60 (um milhão duzentos e vinte e seis mil oitocentos e trinta dólares americanos e sessenta centavos de dólar), tendo sido enviada, em anexo ao Termo de Início, cópia dos registros das operações de transferência em que o mesmo consta como beneficiário final, (fls. 04/11). Pelo mesmo ato o contribuinte foi cientificado de que a não comprovação da origem dos recursos transferidos ao exterior, no prazo e forma especificados, implicaria no lançamento do Imposto de Renda por Omissão de Rendimentos conforme art. 42 da Lei n.° 9.430/96 e art. 40 da Lei n.° 9.481/97. Transcorrido o prazo legal de 20 dias e não tendo o fiscalizado atendido a intimação e, por conseguinte não apresentado a documentação solicitada para comprovar a origem dos recursos transferidos para o exterior está sendo efetuado o lançamento de oficio do Imposto de Renda por omissão de Rendimentos nos termos do art. 42 da Lei n.° 9.430/96 e art. 4° da Lei n.° 9.481/97, com os elementos em poder da fiscalização. As operações de transferência de recursos para o exterior, tendo o fiscalizado como beneficiário final, no montante de US$ 1.226.830,60 (um milhão duzentos e vinte e seis mil oitocentos e trinta dólares americanos e sessenta centavos de dólar), conforme discriminado nos 34 (trinta e quatro registros da subconta Ibiza, número 310712, (fls. 04/11 ), cuja origem dos recursos não foi comprovada pelo fiscalizado mediante documentação hábil e idônea, configura Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida em instituição financeira cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não foi comprovada, nos termos do Art. 42, §4°, da Lei n° 9.430/96... (...) Ressaltese que para a apuração do crédito tributário decorrente desse lançamento está sendo considerada a base de cálculo de R$ 24.573,34 na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2000 A/C 1999, apresentada em 27/04/2000 —ND 22.815.261. Tendo em vista que a presente Ação Fiscal abrangeu tão somente a análise da Movimentação de Divisas CC5 relativa ao exercício de 2000, anocalendário de 1999 fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional de rever o período analisado caso fatos supervenientes assim o determinarem. O auto de infração foi enviado para ciência do contribuinte por via postal com prova de recebimento, AR, para o endereço Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 constante Cadastro de Pessoas Físicas, nos termos do Art. 23 inciso II do Decreto 70.235 de 06/03/72, com nova redação dada pelo artigo 67 da Lei n.° 9.532/97, tendo sido devolvido pelos correios, (fls. 102/103). Por esse motivo a ciência do Auto de Infração foi pelo edital n.° 202/2004, (fls. 104 ), nos termos do Art. 23 , inciso III, parágrafos 1°, do Decreto n.° 70.235/72, com nova redação dada pelo artigo 67 da Lei n.° 9.532/97. (...) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 8ª Turma da DRJ/SP0II, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1728.072, de 13 de outubro de 2008 (fls. 172 a 193). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 02/03/2009 (fl. 198). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 17/03/2009 (fl. 199). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. é nula a intimação do auto de infração feita por edital, pois o contribuinte comprovou a mudança de seu domicílio fiscal, a uma juntando a documentação apresentada ao convenente do CPF Caixa Econômica Federal, a duas porque sequer o endereço tentado pela autoridade fiscal tinha concordância com outrora informado à RFB (e alterado na CEF), implicando que o contribuinte perdeu preciosos dias para instrumentalizar sua impugnação, já que somente soube da existência do auto de infração quando passados diversos dias da data da ciência ficta; II. está eivado de nulidade o procedimento pela juntada de documentos em língua estrangeira, sem a competente tradução juramentada, não havendo ainda a competente autorização judicial para o assenhoreamento dos documentos pelo fisco. “Apesar do notável esforço feito pelos Julgadores, no sentido de esclarecer a origem e a lisura dos documentos alienígenas juntados aos autos, observase que tal tentativa foi frustrada, na medida em que várias perguntas feitas na impugnação não foram respondidas. De fato, analisandose os autos, verificase que os documentos estrangeiros, juntados pelo Fisco, foram expedidos por um tal de "Beacon Hill Serv", entidade estrangeira não identificada no processo. Seria um "banco"? Seria uma "financeira"? Seria um "estabelecimento de crédito"?... Não se sabe, porque, nos autos, nada consta. E, conforme se afirmou na impugnação, sabese, somente, que tal "entidade estrangeira", totalmente desconhecida por nós brasileiros, tenha, possivelmente, invadido a privacidade de um cidadão brasileiro e, sem autorização judicial e sem prévia existência de processo administrativo ou procedimento fiscal em curso (CF/88, art.5° , XII, Código Tributário Nacional, art.198, §1°, incisos I e II, e Lei Complementar n.105/2001, art.6° 2 ), informou que o Impugnante era "ult bene"(sic) de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 3 5 determinados valores ("ult bene" seria "beneficiários de valores"(?), conforme tradução informal, ilegal e irregular dos senhores fiscais)” (fl. 205 – transcrição do recurso voluntário); III. ainda, não há falar que a documentação estrangeira tenha sido obtida sob bojo do MLAT Brasil/Estados Unidos, pois as autoridades brasileiras, notadamente os auditoresfiscais da Receita Federal não participaram de qualquer colheita de prova, não se podendo vulnerar as garantias constitucionais dos contribuintes brasileiros com base em atos perpetrados por autoridades estrangeiras; IV. a decadência fulminou o crédito tributário lançado, pois o contribuinte somente tomou ciência do lançamento em janeiro de 2005, quando já tinha fluído o qüinqüênio decadencial em face dos fatos geradores ocorridos no anocalendário 1999; V. “Conforme se afirmou em sede de impugnação, a Lei n.9.430 diz, em seu art.42, que caracteriza omissão de receita valores creditados em conta de depósitos ou de investimento mantida junto à instituição financeira. Todavia, não ficou PROVADO, nestes autos, que o Impugnante seja, efetivamente, titular de DEPÓSITO em INSTITUIÇÃO FINANCEIRA estrangeira. O que existe nos autos é, simplesmente, um pseudo "documento" estrangeiro (cópia não autenticada, não traduzida, não oficial), emitido por "Beacon Hill" (?), insinuando (e apenas insinuando), maldosa e ilegalmente, que o Impugnante é "ult bene" (que os fiscais traduziram por "beneficiário final") de valores em dólares. No presente caso, somente se caracterizaria a presunção legal do art.42 da Lei 9.430 citada se os fiscais provassem, de forma cabal, que o Impugnante, realmente, tem depósito bancário e provassem, ainda, em QUAL estabelecimento bancário se encontram depositados tais valores. E ISSO NÃO FOI FEITO pelos fiscais, conforme se vê nos autos. Tratase, portanto, de autuação fiscal por mera presunção, procedimento execrado pela Justiça, pelos Julgadores administrativos e pela doutrina, que entendem prevalecer, no processo administrativo, o PRINCÍPIO DA VERDADE REAL ou MATERIAL e nunca a verdade ficta ou presumida” (fl. 213 – transcrição do recurso voluntário); VI. “A existência de depósitos bancários em montante incompatível com os dados da declaração de rendimentos, por si só, não é fato gerador de imposto de renda. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de rendimentos” (fl. 214 – transcrição do recurso voluntário). É o relatório. Voto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 02/03/2009 (fl. 198), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 17/03/2009 (fl. 199), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 1º/04/2009, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passase a apreciar da defesa do item I (nulidade decorrente da ciência editalícia). Neste ponto, aqui se toma como razão de decidir o lançado na decisão recorrida, que exauriu a matéria com devida profundidade, verbis: Da Intimação dos atos praticados neste Processo Administrativo Fiscal. O contribuinte alega que a intimação e o processo seriam nulos, pois seria inaplicável o artigo 23, III III e § I°, do Decreto n° 70.235/72, na medida em que o novo endereço tributário do contribuinte seria na cidade do Guarujá, como informado à Caixa Econômica Federal em 02/12/2004 (fls. 136/137). Ademais o endereço antigo seria no apartamento 160 H e não 71H. (...) No caso em comento, o contribuinte informou o novo endereço à Caixa Econômica Federal em 02/12/2004 (fls. 136/137), cuja competência para o atendimento do pleito de alteração do endereço do contribuinte foi delegada pelo artigo 3° da Instrução Normativa SRF n° 70/2000: Art. 3º A execução dos atos referidos nos incisos I a III do artigo anterior será realizada por intermédio da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — EC7', da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil S.A., conforme convênio firmado com a Secretaria da Receita Federal. Até aqui nenhum problema quanto ao procedimento do contribuinte. Todavia, o documento carreado aos autos (fls. 137) tem a advertência de que o atendimento foi "não conclusivo", tendo por motivo "titulo de leitor não informado para maiores de 18 e mres de 70 anos". Não bastasse isto, consta ainda: "dirija se à Receita Federal, a partir de 03/12/2004. Prazo de 90 dias para conclusão do atendimento, conforme IN 070 de 05 de julho de 2000". Tais advertências decorrem do quanto consta no artigo 7° da aludida Instrução Normativa. Art. 7° Serão encaminhadas pelas entidades conveniadas, para conclusão do atendimento nas unidades da SRF as: 1 pessoas físicas não possuidoras do Título Eleitoral, desobrigadas do alistamento eleitoral; II – pessoas fisicas representadas por procuração; III solicitações de alteração cadastral; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 4 7 IV solicitações que mereçam tratamento especial, nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Tecnologia e de Sistemas de Informação — COTEC; Assim, resta claro que o contribuinte não comprovou que a alteração tenha sido efetuada com sucesso. Ademais, a entrega do formulário na Caixa Econômica Federal, ainda que tivesse sido efetuada com sucesso, não pode ser considerada como a consumação da intimação da Administração Tributária naquele momento. Esta só ocorre com a ciência efetiva, ou seja, do recebimento na repartição pública. Aí sim o Fisco obrigariase a proceder a intimação no novo endereço. E o mais importante, o contribuinte tinha ciência de que estava sob ação fiscal e lhe era evidente que a mudança de endereço deveria ser comunicada diretamente ao órgão q ue presidia o procedimento fiscal. Será que o contribuinte não imaginou que a mudança não devidamente comunicada poderia dificultar futuras intimações? Com efeito, a mudança de endereço que não é comunicada no curso de ação fiscal vai contra a boafé que deve reger as relações jurídicas e permite ardis de defesa. Tal fato não pode ser imputado ao Fisco, ainda que considerada como falta de diligência. Cumpre notar que causa espécie o fato de o recebimento do Auto de Infração ter ocorrido em 02/12/2004 e, no mesmo dia, às 16:00, o contribuinte ter comparecido à Caixa Econômica Federal para informar seu novo endereço. (...) O contribuinte assevera ainda que o endereço antigo seria no apartamento 160H e não 7111, para qual foi encaminhada a correspondência. Todavia, contra fatos não há argumentos: o apartamento 70H foi o indicado na Declaração de Ajuste entregue pelo contribuinte em 2004, ano em que foi tentada a intimação, conforme documento de fls. 170/171. Portanto, se houve equivoco, este somente pode ser imputado ao próprio contribuinte. Destarte, não houve qualquer equivoco nos procedimentos adotados pela autoridade fiscal para a intimação do contribuinte quanto à lavratura do Auto de Infração em comento. Com as considerações acima, rejeito a defesa do recorrente e entendo que a ciência do auto de infração se aperfeiçoou em dezembro de 2004, ressaltando inclusive que não se vê qualquer prejuízo ao contribuinte, o qual interpôs sua impugnação no prazo legal e vem até aqui se defendendo no curso deste procedimento. Agora se passa às defesas dos itens II e III do relatório, apreciadas em conjunto. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Em relação à necessidade de tradução para o vernáculo dos documentos em língua estrangeira, entendo que não assiste razão ao recorrente, pois as remessas que são imputadas ao recorrente estão na documentação de fls. 04 a 11 e não há qualquer necessidade de tradução das mesmas para compreendêlas, sendo certo que o significado de cada campo dessa documentação pode ser visto na fl. 22. Ademais, em língua estrangeira (fls. 70 a 74) somente há as decisões das autoridades norteamericanas que franquearam a documentação às autoridades brasileiras, estando porém nestes autos toda as autorizações judiciais brasileiras que permitiram o assenhoreamento das informações, ou seja, qualquer insurgência do contribuinte sobre a legalidade da colheita de tal documentação somente poderia ser dirigida às decisões das autoridades judiciais brasileiras. A transferência do sigilo bancário acima para o fisco foi autorizada pelo Juízo da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, da Seção Judiciária do Paraná (PR), no bojo do processo criminal nº 2003.70.000303334 (fls. 82 e seguintes). Assim, eventual mácula na colheita da prova acima não pode ser reconhecida neste processo administrativo fiscal, sob pena desta autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco, determinando o compartilhamento com a autoridade fiscal. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente, subvertendo os papéis outorgados pela Constituição Federal à Administração e ao Poder Judiciário, já que é cediço que aquela, no caso concreto, se submete as determinações deste. Dessa forma, não pode a autoridade julgadora administrativa inquinar de nulidade uma prova enviada pelo Poder Judiciário para a Administração Fiscal, prova que somente pode ter sido colhida com respeito aos cânones do contraditório e da ampla defesa, lá no processo judicial, sob pena do processo administrativo fiscal, e por decorrência a própria Administração, passar a limitar as decisões judiciais no caso concreto. Assim, eventual nulidade da prova que estribou o presente lançamento deve ser deduzida na origem, no processo em que foi colhida, já que se a prova lá for fulminada, por óbvio espraiará seus efeitos para o processo administrativo fiscal. Dessa forma, nestas preliminares, sem razão o recorrente. Agora se passa à defesa do item IV do relatório (a decadência fulminou o crédito tributário lançado, pois o contribuinte somente tomou ciência do lançamento em janeiro de 2005, quando já tinha fluído o qüinqüênio decadencial em face dos fatos geradores ocorridos no anocalendário 1999). De plano, devese anotar que o fato gerador imputado ao contribuinte se concretizou em 31/12/1999, na forma da SÚMULA CARF Nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Ora, contandose o prazo decadencial a partir de 1º/01/2000, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, pois há registro de pagamento de imposto antecipado no ano de 1999 (fl. 86), vêse que o fisco teria até 31/12/2004 para concretizar o lançamento. Como o lançamento Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 5 9 foi cientificado ao recorrente em dezembro de 2004, como se viu no item I, ainda não tinha fluído o qüinqüênio decadencial. Agora se aprecia os itens V e VI da defesa, no qual o recorrente afirma que não se provou que fosse detentor de conta bancária no estrangeiro. Aqui entendo que assiste razão ao recorrente. Para justificar este entendimento, aqui se traz a motivação que este Conselheiro relator registrou no Acórdão nº 210201.042, sessão de 09 de fevereiro de 2011, unânime para reformar o lançamento, em caso em todo similar ao presente, como razão de decidir, verbis: Pelo que se vê nos autos, ao recorrente foram imputadas quatro remessas financeiras ocorridas no exterior, em junho, julho e novembro de 2003, no montante total de US$ 422.200,00 (R$ 1.216.414,26), estabelecidas através de débito na conta nº 6550845306, no Bank of America em Nova Iorque, administrada pela firma Lespan S/A, sendo que os valores debitados foram recebidos pelo Citibank de Nova Iorque, tendo como ordenante a Antalux Corp. S/A – MontevideoUruguay (US$ 322.200,00) e Kingstru Brasil (US$ 100.000,00). No registro das operações acima aparecem as expressões “E DEFINE” ou “E/DEFIN” como beneficiário, sendo que a identificação do autuado decorreu do nome aposto no documento enviado pela Antalux (doleiro) para a Lespan S/A, atendendo a solicitação do Bank of America, a partir de relatório interno de lavagem de dinheiro. O documento indica que as operações referemse a fundos enviados pelo Sr. Eduardo Define ou seu representante legal, do ramo de indústria e comércio de produtos alimentícios no mercosul, sob denominação “E DEFIN/CITIBANK”. Os recursos foram movimentados nas mesmas datas e valores pela Antalux e através da conta nº 6550845306, do Lespan (fls. 11, 145 a 153 c/c a fl. 104). Finalizando, a autoridade fiscal qualificou a multa de ofício para 150%, em decorrência de o contribuinte não ter informado na Declaração de ajuste anual do ano calendário 2003 todos as suas receitas ou rendimentos, resultando na supressão ou redução de tributos (fl. 13). O recorrente, em essência, pugna pela decretação de nulidade do procedimento fiscal, pela ausência de tradução juramentada dos documentos em língua estrangeira, e, avançando no mérito, nega que tenha efetuado as remessas ao exterior, afirmando que as provas dos autos são insuficientes para lhe imputar qualquer responsabilidade. Tudo pesado e medido, passase a apreciar diretamente o mérito da controvérsia, pois assiste razão ao contribuinte, como se demonstrará. Desde pelo menos 2007, o então Primeiro Conselho de Contribuintes, hoje CARF, vem apreciando a tributação de fatos geradores imputados a contribuintes, cuja documentação proveniente dos Estados Unidos foi assenhoreada pela Justiça Federal e Polícia Federal, no bojo da operação Farol da Colina, no caso denominado Banestado/Bacon Hill, com posterior repasse à Receita Federal do Brasil. A análise de múltiplos casos neste Conselho, inclusive sob relatoria deste conselheiro relator, demonstrou a necessidade de uma análise criteriosa desta documentação, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 pois em diversos casos se verificou, no final, que a imputação fiscal aos contribuintes era indevida. Um dos casos que este Conselheiro relator julgou foi o Recurso nº 150.911, quando se prolatou o Acórdão nº 10616.978, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 26 de junho de 2008, unânime para reconhecer a ilegitimidade passiva do fiscalizado. No caso se apreciava remessas feitas para o exterior por determinado contribuinte, em contas administradas pela mesma BHSC – Beacon Hill Service Corporation, quando, ao final, comprovouse que o doleiro havia imputado falsamente ao fiscalizado as remessas, encobrindo o real remetente, como se descobriu em inquérito levado a efeito pela Polícia Federal. Outro exemplo que demonstrou o cuidado que se deve ter com tal documentação ocorreu com o julgamento do recurso nº 158.453, Acórdão nº 210200366, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, relator este Conselheiro, sessão de 29/10/2009, unânime para dar provimento ao recurso do contribuinte, quando se imputou uma remessa de mais de seis milhões de dólares ao então fiscalizado, quando parecia claro o despropósito dessa medida, como se vê no fundamento do voto, abaixo: Inicialmente, este Conselheiro relator, concluída a leitura do relatório, defendeu uma nova conversão do feito em diligência, visando acostar a estes autos a conclusão do Inquérito Policial nº 109/2007DPF/PNG/PR. Entretanto, nas discussões que se seguiram na Turma, formouse uma ampla maioria pelo provimento do recurso, em decorrência dos claros indícios de que o contribuinte não poderia ser o proprietário dos recursos expatriados, tudo aliado à ausência de comprovação de como o contribuinte teria se favorecido pelas remessas para exterior, por consumo ou acréscimo patrimonial, prova essa que deveria ter sido produzida pela autoridade autuante, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, melhor ponderando, percebi que a posição da douta maioria melhor se adequava ao caso em discussão, o que me levou a retificar meu voto, aderindo ao entendimento dominante, como exposto a seguir. O presente lançamento foi o primeiro caso apreciado pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em face de contribuintes autuados no bojo da chamada operação Beacon Hill (caso Banestado), com a composição de Conselheiros estabelecida a partir do segundo semestre de 2007. Na assentada que converteu o primevo julgamento em diligência, a Sexta Câmara entendeu por bem solicitar uma cópia assinada do Laudo da Polícia Federal, que fossem intimados os procuradores das contas off shore mantidas no exterior, nas quais transitaram os recursos, bem como fosse demandada a Justiça Federal, com o fito de trazer para estes autos cópia de eventual processo criminal em desfavor do recorrente, aqui com o intuito de aclarar quem seria o real proprietário dos recursos, já que era pouco plausível a responsabilidade do contribuinte pela movimentação alienígena, da ordem de mais de 6 milhões de dólares, quando se percebia o pequeno patrimônio do recorrente declarado ao fisco brasileiro, tudo aliado ao pequeno comércio no segmento de celulares e o diminuto crédito bancário do recorrente no Brasil. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 6 11 A diligência não trouxe elementos para uma conclusão definitiva sobre a propriedade dos recursos expatriados, mas apareceram inúmeros indícios que demonstram a impropriedade de se imputar ao recorrente como aplicação de recursos no fluxo de caixa o montante de US$ 6.010.477,00. Registramse os indícios: § rendimentos de pouca monta nas declarações de ajuste anual, aliado a pequeno patrimônio declarado; § participação societária na empresa Americana Comércio de Celulares LtdaME, pequena revenda da operadora CLARO, localizada exatamente no elemento de conexão (endereço) que permitiu vincular o contribuinte às transferências financeiras para o estrangeiro (informação trazida pela fiscalização – fl. 178 – e corroborada pela Polícia Federal – fls. 416 a 418); § a ordem judicial de quebra do sigilo bancário do aqui fiscalizado (fls. 425 a 428) trouxe um registro no título “Gastos no exterior efetuados com Cartão de Crédito Internacional”, no total de US$ 1.492,74, em nome do réu (fls. 433 e 434), informado pelo Banco Central, e extratos bancários da conta corrente do fiscalizado, mantida no Banco do Brasil, nos anos de 2001 a 2003 (fls. 468 a 539), com limite de crédito de R$2.000,00, tudo a demonstrar um pequeno dispêndio em moeda estrangeira, bem como um diminuto limite de crédito em bancos brasileiros, quando se compara aos montantes dos valores pretensamente de propriedade do contribuinte; § depoimento prestado pelo fiscalizado à Polícia Federal, em 07/02/2008, quando o depoente, sofrendo a imputação do tipo previsto no art. 22, § único, da Lei nº 7.492/86, negou que tivesse feitas remessas financeiras para o exterior e que nunca movimentou valores através da conta Gabanas Capital, mantida no MTB HUDSON BANK. Ainda, não conhecia as pessoas dos Srs. Sidney Catenaci, Sidney Catenaci Júnior e Alessandro Guarneri Catenaci. Por fim, recordou que seu tio Yassin Taha fora proprietário de uma casa de câmbio em Paranaguá, denominada Lamistur Cambio Turismo, tendo utilizado o endereço da loja da Rua Faria Sobrinho, nº 466, para receber correspondências que tinham a inscrição “BANK”, sendo certo que o Sr. Yassin tem um bom padrão de vida (fls. 436 a 438); § depoimento prestado pelo Sr.Yassin Taha a Polícia Federal, na qual o depoente asseverou que fora proprietário de uma casa de câmbio denominada Lamistur, porém nunca teria operado com contas CC5 e Dólarcabo, conhecendo de vista os Srs. Catenacis. Ainda afirmou que utilizara o endereço da Rua Faria Fl. 11DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 Sobrinho para receber correspondência, e que o seu sobrinho, aqui fiscalizado, não teria condições financeiras ou patrimoniais para fazer remessas de vulto para o exterior (fls. 462 e 463); § petição de 19/09/2008, na qual o Exmo. Sr. Procurador da República João Vicente Beraldo Romão solicitou ao Juízo do feito a execução de novas diligências, em decorrência de documentação entregue no Ministério Público Federal, em 09/06/2008, pelo Sr. Sami Mohamad Zahra, e, entre outras considerações, asseverou que os documentos que solicitam transferência de valores são assinados por pessoas jurídicas, sendo elas a Technomig e a Libras Ltd., e as assinaturas apostas parecem ser de Yassin Taha; § em novo interrogatório levado a efeito pelo Sr. Yassin Taha na Polícia Federal, acompanhado do advogado Victor Geraldo Jorge, o Sr. Yassin negou qualquer vinculação com a documentação entregue pelo Sr. Sami no MPF, sendo que reconheceu que as assinaturas nos documentos de movimentação financeira trazidas pelo Sr. Sami eram parecidas com a sua, porém afirmou que não partiram de seu punho (fls. 611 e 612). Aqui claramente transparece o objetivo do Sr. Taha em afastar sua responsabilidade pela movimentação, porém não houve imputação de tais condutas ao recorrente; § solicitação de exame pericial nos documentos de fls. 215 a 218 dos autos judiciais (Mandado de Procedimento Fiscal, com original juntado a estes autos administrativos – fl. 3), já que pretensamente constaria uma anotação feita pelo Sr. Yassin, assumindo a autoria das movimentações financeiras em debate, pela autoridade policial (vide as fls. 561 a 564 e 630 deste feito administrativo), datado de 06/04/2009. O conjunto de indícios acima parece indicar claramente que o recorrente, Sr. Sami Mohamad Zahra, não seria o real responsável pelas transferências financeiras no montante de US$ 6.010.477,00 para a instituição financeira estrangeira MTB Hudson Bank, e ainda transparece menos plausível que o Sr. Sami Zahra fosse o real proprietários dos valores expatriados. Ao revés, parece claro que o responsável pelas transferências financeiras seria o tio do recorrente, o Sr. Yassin Taha. Outro exemplo se viu no julgamento do recurso nº 156.898, Acórdão nº 210200.291, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, relator este Conselheiro, sessão de 29/10/2009, unânime para dar provimento ao recurso do contribuinte, com a seguinte fundamentação: Inicialmente, devese reconhecer que a prova da autoria da pretensa infração é extremamente frágil. Pelo que consta dos autos, a partir da documentação enviada ao Brasil pelas autoridades norte americanas, extraiuse a informação de que uma pessoa física de nome Zaki Khouri havia feito 04 remessas financeiras para os Estados Unidos, nos anos de 2001 e 2002. Não há qualquer indicação adicional que identificasse de forma Fl. 12DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 7 13 iniludível tal pessoa, como o número da carteira de identidade, do CPF ou mesmo o endereço. Ademais, não há qualquer documentação adicional que comprove a remessa, vinculandoa à pessoa, como uma ordem de pagamento assinada pelo remetente. Assim, quer parecer que a autoria das remessas ancorouse unicamente no fato de não existir qualquer outra pessoa na base CPF com o nome do pretenso remetente, o que demonstra cabalmente a fragilidade da prova da autoria das remessas. Ainda, como as remessas financeiras dessa espécie são comumente perpetradas por intermédio de doleiros, não é difícil que estes utilizem o nome de qualquer pessoa para mascarar o real remetente dos valores, como se viu no Acórdão nº 10616.978, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 26 de junho de 2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando se apreciava remessas feitas para o exterior por determinado contribuinte, em contas administradas pela mesma BHSC – Beacon Hill Service Corporation, quando, ao final, comprovou se que o doleiro havia imputado falsamente ao fiscalizado as remessas, encobrindo o real remetente. Obviamente, a fundada dúvida quanto à autorias das remessas, por si só, seria suficiente para fulminar o lançamento. Porém, como aqui se demonstrará, mesmo que se impute ao fiscalizado as remessas feitas para o exterior, a infração não detém materialidade tributária. A fiscalização imputou ao contribuinte uma acréscimo patrimonial a descoberto nos anoscalendário 2001 e 2002. Assim, considerou que as remessas financeiras não tinham lastro em rendimentos declarados ou comprovados. Ora, para apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, a fiscalização deveria ter intimado o contribuinte a comprovar todas as suas fontes e aplicações de recursos nos anos calendário 2001 e 2002, confeccionando o competente fluxo de caixa mensal que demonstrasse a variação patrimonial a descoberto. Apesar de o contribuinte não ter declarado rendimentos expressivos nos anoscalendário em debate, percebese a existência de rendimentos isentos e a assunção de dívidas e ônus reais (fls. 03 a 07) que deveriam funcionar como fonte de recursos no fluxo de caixa, o que teria o condão de reduzir o acréscimo patrimonial calculado. Ocorre que a fiscalização em nenhum momento intimou o contribuinte a comprovar as origens e aplicações de recursos, somente intimandoo a comprovar as remessas para o exterior (fls. 33 a 36, 40 a 45 e a alienação de um bem imóvel (fls. 46 e 47). Com esse procedimento, a autoridade fiscal simplesmente considerou a integralidade das remessas como omissão de rendimentos. De plano, repisese, esse procedimento não pode prosperar, pois seria necessário confeccionar um fluxo de caixa mensal para indicar quando e quanto foi o excesso das aplicações sobre as fontes de recursos. Entretanto, há mais inconsistências no procedimento da autoridade fiscal, já que as remessas, em si mesmas, jamais poderiam figurar como dispêndio (ou como Fl. 13DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 omissão de rendimentos) sem a comprovação de que elas serviram para beneficiar o remetente, quer por consumo, quer para aquisição de bens e direitos. Explicase. No caso da imputação de acréscimo patrimonial a descoberto a contribuinte, sob a premissa de que inexistem rendimentos declarados a suportar o acréscimo patrimonial, firmouse a jurisprudência no âmbito do Conselho de Contribuintes de que é necessário comprovar o benefício auferido pelo contribuinte com o dispêndio lançado no rol das aplicações de recursos, não sendo possível, simplesmente, contabilizar saques ou transferências em contas bancárias (ou para contas bancárias) como aplicação de recursos nos Demonstrativos de Variação Patrimonial. Caberia a fiscalização comprovar que tais dispêndios favoreceram o recorrente, quer por consumo, quer por aumento patrimonial. Como exemplo de jurisprudência que rechaça a utilização de saques em contas bancárias sem a demonstração da despesa ou da aquisição patrimonial, citamse os Acórdãos seguintes (excertos de ementas): Porém, houve casos em que a Câmara ou Turma de julgamento manteve o lançamento a partir de documentação em discussão. Como exemplo, vejase o Acórdão nº 210200.432, relator este Conselheiro, sessão de 03 de dezembro de 2009, unânime apenas para desqualificar a multa de ofício, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, com os seguintes excertos do relatório e do voto: Relatório (...) Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 2002 e 2003, em contas titularizadas pelo contribuinte no Brasil e no exterior, nos montantes de R$ 145.231,02 e R$ 1.563.019,58, respectivamente. O imposto incidente sobre a omissão vinculada aos depósitos mantidos nas contas estrangeiras foi secundado por multa qualificada de 150%; já o imposto incidente sobre a omissão vinculada aos depósitos mantidos nas contas nacionais foi secundado por multa ordinária de 75%. Em relação à conta corrente estrangeira, mantida no Delta National Bank and Trust Company em Nova Iorque, esta era titularizada pelo fiscalizado e pelos Srs. John Erik Gustafson, Vicente Lo Prete e Vinicius Nunes da Silva, todos sócios em diversos estabelecimentos de ensino no Rio de Janeiro, sendo que foi imputado ao fiscalizado 'Á dos créditos registrados nessa conta. Devese evidenciar que a documentação dessa conta foi enviada para a Receita Federal pelo Juízo Federal da 2 a Vara Criminal da Seção Judiciária do Paraná — PR (documentação de fls. 274 a 302 e todo anexo 1). Ainda, tal conta bancária não constou na declaração de bens e direitos do fiscalizado. (...) Fl. 14DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 8 15 Voto (...) No tocante aos depósitos feitos na conta bancária alienígena, que sequer foi reconhecida pelo contribuinte, não houve qualquer comprovação das origens dos créditos. Obviamente, não parece plausível que rendimentos competentemente declarados no Brasil, pagos por fontes nacionais, tenham sido expatriados, com posterior recusa de reconhecimento de tal fato pelo fiscalizado. Aqui, registrese, não há qualquer dúvida de que o fiscalizado expatriou rendimentos para o exterior. A documentação do anexo I demonstra de forma absolutamente clara que o fiscalizado tinha uma conta no exterior, como se pode ver nos cartões de assinatura (autógrafos), documento em que o contribuinte e seus sócios nomeiam os beneficiários dessa conta (Declaration of Trust), documento do fisco americano e diversos call report (resumos de conversas mantidas entre os titulares da conta e o representante do Delta Bank). Assim, parece claro que os valores expatriados são oriundos de fontes não declaradas, estando à margem daqueles ofertados à tributação pelo fiscalizado. Caso contrário, este simplesmente informaria sua origem. Aqui, mais um ponto relevante, devese anotar que as principais fontes pagadoras do recorrente são empresas educacionais localizadas no Rio de Janeiro (fls. 04 e 09) e não há qualquer plausibilidade em se acatar a tese de que tais fontes teriam depositado os pro labores e distribuição de lucros dos sócios no Delta Bank. Com as considerações acima, rejeitase a defesa aqui deduzida. (...) Outro exemplo foi o Acórdão nº 210200410, relator este Conselheiro, sessão de 02 de dezembro de 2009, unânime para negar provimento ao recurso, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, com os seguintes excertos do relatório e do voto: Relatório Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada mantidos em instituição financeira estrangeira, nos anoscalendário 2001 e 2003, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% (fl. 326). Pelo que se apreende dos autos, o contribuinte era co titular, juntamente com o Sr. Mohamad Said Manah, da conta bancária nº 116.682, mantida no Interaudi Bank, na cidade de Nova York. Aos autos foram juntados os documentos de abertura dessa conta corrente, seus extratos e cópias dos documentos pessoais dos cotitulares, estando toda essa documentação consularizada pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova York Fl. 15DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 16 (fls. 32 a 46). Ainda, a transferência do sigilo bancário do contribuinte para o fisco foi autorizada no bojo do processo criminal judicial nº 2003.70.000303334 (fls. 16 a 31). (...) Voto (...) Quanto a preliminar de que não teve acesso a todos os documentos, notadamente os arquivos magnéticos que geraram os dados que embasaram a ação fiscal, aliado a juntada de planilha apócrifa que vinculou o recorrente à conta bancária auditada (fl. 380), tudo a vulnerar seu direito de defesa, causa de nulidade da imposição fiscal, melhor sorte não socorre o recorrente. Aqui, apenas para contextualizar, devese lembrar que a presente ação fiscal teve origem a partir de dados bancários obtidos pela Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, nos Estados Unidos, como ramificação da notória operação Banestado. Nessa oportunidade, as autoridades policiais brasileiras se assenhorearam das movimentações financeiras e dados de contas bancárias de milhares de contribuintes brasileiros, mantidas na praça de Nova York, acusados posteriormente dos crimes de evasão de divisas e contra a ordem tributária. Por óbvio, ao tratar os dados e as documentações obtidas das autoridades norteamericanas, as autoridades brasileiras, fiscais e policiais, respeitando o sigilo bancário de tais operações, tiveram que segregar a documentação em nome de cada investigado. Assim, absolutamente desarrazoado a pretensão do recorrente de ter acesso a mídia magnética de toda a operação, já que assim acessaria dados sigilosos de terceiros contribuintes. Porém, no caso aqui em debate, a prova que lastreou fundamentalmente o lançamento é de uma simplicidade franciscana. Tratase do cadastro de abertura da conta nº 116682, cotitularizadas pelos Srs. Atef Said Manah e Mohamad Said Manah, mantida no Bank Audi, Nova York, com as competentes assinaturas desses senhores (fls. 33 a 39), tudo secundada por cópias de seus documentos pessoais (fls. 40 e 41) e por singelos extratos bancários dessa conta corrente (fls. 42 a 46). A partir desses extratos, a fiscalização imputou ao contribuinte 11 créditos bancários (01 em 2001 e 10 em 2003). Como regra geral, qualquer nulidade somente deverá ser declarada se ficar demonstrado o prejuízo para a defesa do recorrente (regra do pas de nullité sans grief). Ora, o recorrente não demonstrou qual o prejuízo sofrido pela ausência de acesso as mídias magnéticas, com dados de terceiros, já que o lançamento está estribado, essencialmente, na prova acima descrita. Incabível se falar em qualquer nulidade neste ponto. (...) Por fim, a defesa do item VIII (a autoridade se fiou em simples depósitos bancários para presumir a existência de renda Fl. 16DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002647/200436 Acórdão n.º 2102001.213 S2C1T2 Fl. 9 17 omitida, sem demonstrar qualquer acréscimo patrimonial em favor do fiscalizado). Primeiramente, a presunção de omissão de rendimentos do art.42 da Lei nº 9.430/96 alberga depósitos mantidos em instituições financeiras no Brasil e no exterior. A Lei não restringe a presunção de omissão de rendimentos aos depósitos bancários mantidos em instituições financeiras nacionais. Assim, caso o contribuinte brasileiro mantenha depósitos em instituições alienígenas, sem comprovar a origem, poderá sofrer o ônus da presunção legal. Aqui, devese lembrar que a tributação da pessoa física no Brasil adotou o princípio da universalidade da tributação, conforme dispõe o art. 153, § 2º, I, da Constituição Federal de 1988, disciplinado pelo art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713/88. Assim, a tributação da pessoa física independe da localização ou nacionalidade da fonte, o que faz incidir, sem nenhum empeço, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 sobre os depósitos de origem não comprovada mantidos no exterior por contribuintes residentes ou domiciliados no Brasil. Nesse diapasão, na jurisprudência administrativa, vejase o Acórdão nº 10248.084 (Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 06/12/2006, relator o Conselheiro Antonio José Praga de Souza, unânime no ponto aqui enfocado, para manter a incidência da presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada mantidos em instituição financeira estrangeira. (...) Nos casos em que a documentação alienígena foi considerada como hígida para comprovar a ocorrência dos fatos geradores, restou claro que os fiscalizados tinham alhures uma conta de depósito, tendo as autoridades brasileiras se assenhoreado das fichas de depositantes e extratos bancários, onde constavam iniludivelmente os fiscalizados como titulares das contas de depósitos. Ao revés, quando constavam os fiscalizados apenas como ordenantes ou beneficiários de pretensas remessas, os exemplos acima citados rejeitaram a tributação, essencialmente pela fraqueza da prova. No caso destes autos, restou claro que o contribuinte teria suporte para efetuar as transferências financeiras, como se pode ver pelas declarações de ajuste anual acostadas aos autos, porém não foi juntada cópia de extratos ou fichas de depositantes demonstrando que o recorrente fosse titular das contas bancárias alienígenas. Ainda, o documento de fl. 104 até indicaria que o contribuinte ou seu representante legal teria enviado os fundos para o exterior, porém, como acima assinalado, há sempre um grau de razoável dúvida nessas documentações de doleiros e off shore, como se viu nos 03 primeiros paradigmas citados neste voto. Ademais, para a tributação na via dos depósitos bancários, as remessas em si mesmas não podem funcionar como rendimentos omitidos, pois o que seria a presunção de omissão de rendimentos são os depósitos bancários. Para superar essa dificuldade, a autoridade fiscalizadora afirmou (fl. 13), verbis: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 18 Acima, parece claro que a autoridade não sabia quando ocorreram os depósitos bancários, tomando os débitos pelos primeiros para efetuar a tributação do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações). Ora, é de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários podem ser presumidos como rendimentos omitidos, jamais eventuais débitos. Não se conhecendo os depósitos, inviável se ancorar na presunção citada. Com todas as considerações acima, alicerçado nos exemplos antecedentes, temse fundada dúvida se efetivamente o contribuinte foi o real responsável pelas remessas financeiras. Mesmo que isso se supere, parece claro que a autoridade fiscal tomou os débitos pelos depósitos, para concretizar a tributação do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que não pode ser acatado. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Com todas as considerações acima, não vejo como as planilhas de fls. 04 a 11 possam comprovar de forma iniludível que o contribuinte tivesse uma conta bancária no exterior, recebendo depósitos bancários. Insistese que não se acostou aos autos a documentação da conta bancária alienígena (ficha de cadastro de depositantes, cópias de documentos de identificação civil do fiscalizado, cartão de autógrafos, extratos bancários etc.), sendo impossível, assim, manter o lançamento com substrato no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 18DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10240.000383/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei nº 9.430/96).
Matéria já assente na CSRF.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INCONSTITUCIONALIDADE O
Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-000.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo dos depósitos de origem não identificada, o valor de R$168.842,94, ano-calendário 1998.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo dos depósitos de origem não identificada, o valor de R$168.842,94, anocalendário 1998. (assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior Presidente (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França – Relatora EDITADO EM: 25/07/2011 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Tratase de retorno de Diligência, solicitada pela antiga 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, fls.446/447, através da qual a autoridade recorrida apresentou Relatório Fiscal de fls. 471/475, acompanhado dos documentos de fls.476 e sobre o qual o contribuinte não se manifestou, conforme informação contida no documento de fls.479. O lançamento em questão referese a Auto de Infração (fls. 03/11), lavrado em face do contribuinte acima identificado, para exigir crédito tributário de IRPF, no montante de R$446.550,08, incluindo multa e juros, calculados até março de 2004, originado da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano calendário de 1998. No Recurso Voluntário de fls. 113/132, o contribuinte apresentou documentos novos, julgados pertinentes ao deslinde da questão. Assim o julgamento foi convertido em diligência para manifestação da autoridade recorrida, dos seguintes itens: 1. examinea e promova as diligências que entender necessárias, inclusive a intimação do contribuinte e/ou terceiros para prestar esclarecimentos; 2. formule parecer conclusivo, inclusive atentando para as peculiaridades da atividade profissional exercida pelo contribuinte, respeitados os parâmetros legais, bem como as demais alegações apresentadas; 3. após, conceda prazo de 20 (vinte) dias para a contribuinte, querendo, se manifestar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10240.000383/200489 Acórdão n.º 220100.988 S2C2T1 Fl. 2 3 A autoridade recorrida ao analisar os documentos apresentados, emitiu o Relatório Fiscal (fls.471/476). Intimado o contribuinte (fls.477), o mesmo quedouse inerte, conforme informação contida no documento de fls.479. Estando, portanto nesse momento, o processo apto para julgamento. É o que importa relatar. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. A matéria central aqui discutida é de pleno conhecimento deste Colegiado. Tratase da autuação por depósitos bancários de origem não comprovada, após a edição da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42, caput, prevê: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Inicialmente, cabe decidir sobre a valoração e aceitação da prova apresentada pelo contribuinte para comprovar parte dos depósitos em sua conta corrente. Na conclusão do Relatório Fiscal, Acompanhado do Demonstrativo de Valores – Extratos Bancários Créditos Comprovados, ficou assim consignado: “Do valor de R$618.361,94 originalmente lançado de ofício e que resultou no auto de infração constante deste processo administrativo, pode vir ainda a ser considerado comprovado o valor de R$168.842,94, após posterior análise da documentação entregue à titulo de impugnação.” Efetivamente, restou reconhecida a comprovação do montante de R$168.842,94 e esse valor deve ser afastado do lançamento. Quanto as demais movimentações financeiras, apesar do contribuinte argumentar que todos lançamentos foram pugnados, por planilhas e documentos, apenas foram aceitos como depósito de origem identificada, aqueles que o contribuinte efetivamente apresentou documentação hábil e idônea e sobre os quais versou a diligência solicitada. Não se manifestando sobre a mesma, presumese que o contribuinte concordou com suas conclusões. Passemos a análise dos demais pontos argüidos no recurso, a seguir sintetizados: Fl. 21DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 4 insurgese contra o depósito bancário por entender que o mesmo não pode ser considerado renda e por afirmar que não houve acréscimo patrimonial no período; inconstitucionalidade da multa de 75% inaplicabilidade da aplicação da Taxa Selic. Depósito bancário Cumprenos, portanto, proceder a análise meritória da questão relativa a depósito bancário de origem não comprovada, cujo fundamento legal está no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, que modificou o tratamento dos depósitos bancários, criando a possibilidade do lançamento com base em depósitos e investimentos que não possuem origem comprovada. Para tanto, o fisco tem o dever de intimar o contribuinte para que comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impondo, uma presunção legal relativa (juris tantum), ou seja, que aceita prova em contrário. Assim sendo, cabe ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos fiscalizados. Caso os documentos não sejam suficientes deve o poder público realizar o lançamento com base na omissão de receitas. É mister salientar que existe um procedimento a ser observado pelas autoridades fiscalizadoras, de modo que não é verdade a afirmação de que o lançamento é realizado somente com base nos extratos bancários. O direito de defesa do contribuinte deve ser respeitado, e este deve exercêlo no momento conveniente, ou seja, quando intimado para justificar a discrepância entre sua renda e sua movimentação bancária. O Conselheiro Nelson Mallmann ao julgar o acórdão desta Câmara, nº 104 20.026, de 17.06.2004, relaciona quais os critérios a serem observados pelo poder público, ao interpretar o art. 42 da Lei. 9.430/96, conforme transcrevo abaixo: “I – não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II – os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III – nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV – todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada; V – no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a Fl. 22DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10240.000383/200489 Acórdão n.º 220100.988 S2C2T1 Fl. 3 5 partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares.” Sobre o assunto, o entendimento do Conselho de Contribuintes é pacífico no sentido de considerar válido o lançamento por presunção legal, quando o contribuinte intimado não logra êxito em comprovar a origem dos depósitos ou investimentos: “DEPÓSITO BANCÁRIO. A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada.” (Oitava Câmara, Acórdão 10809736, Data da Sessão: 19/09/2008) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA ESTABELECIDA PELO ART. 42 DA LEI 9.430 DE 1.996 INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Não logrando o sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos realizados na conta corrente bancária de sua titularidade, deve ser mantido o lançamento. Excluem–se, contudo, os depósitos menores de R$ 12.000,00 e que somem, no ano calendário, até R$ 80.000,00, conforme admite o parágrafo 3º, inciso II da mesma legislação mencionada. Na hipótese de conta corrente conjunta, aplicação deste último dispositivo legal por CPF, observandose tratamento isonômico aos contribuintes titulares, lançados conforme rateio praticado pela autoridade fiscal.” (Segunda Câmara, Acórdão 10248799, Data da Sessão: 07/11/2007) “DEPÓSITO BANCÁRIO PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (SEGUNDA CÂMARA, Acórdão10248982, Data da Sessão: 23/04/2008.) “TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (SEXTA CÂMARA, Acórdão 106 15433, Data da Sessão: 23/03/2006.) O contribuinte em sede de recurso logrou comprovar através de documentação hábil, parte dos depósitos, o quais estão sendo afastados do lançamento. Quanto aos demais não há prova da sua origem, devendo permanecer o lançamento. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 6 No presente caso tampouco há que se falar em acréscimo patrimonial, porque o que está se tributando, por presunção legal, como omissão de receita, são os depósitos bancários de origem não comprovada. Inconstitucionalidade da multa de 75% A recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% que a considera inconstitucional. No entanto, é importante ressaltar que a multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito, pelas infrações a disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Assim, a multa de 75% é devida, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, por não se aplicar às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco. Inclusive, no que se refere a suposta inconstitucionalidade da multa, bem como seu caráter confiscatório, já é posição sumulada deste Conselho de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula CARF nº 2). Taxa Selic Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, está também já é matéria objeto de súmula deste Conselho, o que dispensa maiores considerações a respeito. Tratase da Súmula nº 4 do CARF, a seguir reproduzida: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 24DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10240.000383/200489 Acórdão n.º 220100.988 S2C2T1 Fl. 4 7 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF nº 4). Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo dos depósitos de origem na identificada, o valor de R$168.842,94, cuja origem foi devidamente comprovada pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França – Relatora Fl. 25DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 25/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 26DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 28/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI
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Numero do processo: 16327.000294/2006-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2003
Ementa:
DEDUTIBILIDADE DESPESAS COM PATROCÍNIO NA FORMA DO ART. 18 DA LEI 8.313/91 A indedutibilidade das despesas com patrocínio a projetos culturais no âmbito do PRONAC estabelecida pelo preceito em discussão não se estende à determinação da base de cálculo da CSLL. As interpretações lógica, teleológica e sistemática chancelam essa exegese.
Numero da decisão: 1103-000.463
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: DEDUTIBILIDADE DESPESAS COM PATROCÍNIO NA FORMA DO ART. 18 DA LEI 8.313/91 A indedutibilidade das despesas com patrocínio a projetos culturais no âmbito do PRONAC estabelecida pelo preceito em discussão não se estende à determinação da base de cálculo da CSLL. As interpretações lógica, teleológica e sistemática chancelam essa exegese. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 97 2 Fl. 97DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 98 3 Relatório DO LANÇAMENTO Em ação fiscal levada a efeito conforme termo de verificação de fls.16 a 19, foi constatada apuração incorreta da CSL no anocalendário de 2003, em razão de ter sido considerado como despesa operacional dedutível da base de cálculo da CSL gastos com patrocínio, sendo então lavrado o auto de infração de fls. 22 e 23, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 24/02/2006, perfaz o total de R$ 53.046,73. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, da qual foi devidamente cientificada em 16/03/2006, a recorrente apresentou em 17/04/2006 a impugnação de fls. 26 a 40, alegando, em síntese, o que segue: a) Alega que o agente fiscal, sem fazer provas, tratou a despesa com patrocínio como se esta fora simples doação, enquadrandoa no art. 13 da Lei 9.249/95; b) Afirma ser equivocado o entendimento de que a dedutibilidade dessa despesa teria sido revogada pela Lei 9.874/99. Pontua que patrocínio é despesa operacional a ser contabilizada em conta na apuração do lucro do exercício; c) Explica que, com a Lei 9.249/95, as doações passaram a ser indedutíveis do lucro para efeito de se apurar a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido; contudo, as despesas efetuadas no âmbito da Lei 8.313/91 permaneceram dedutíveis, conforme § 2º do art. 13 da Lei 9.249/95; d) Argumenta que a fiscalização recorre à legislação referente à base de cálculo do IRPJ como se essa fosse igual à da CSL utilizando da analogia, e ressalta que a Lei 7.689/88 definiu a base da CSL e, posteriormente, a Lei 8.981/95 ressalvou a independência das bases de cálculo de cada tributo; e) Considera ser impossível aplicar as regras de apuração do lucro real para a constituição da base de cálculo da CSL sem desrespeitar o princípio da legalidade e a independência das regras das bases de cálculo de cada tributo; f) Explica que o art. 18 da Lei 8.313/91 vetou a dedução das despesas de patrocínio e doações na apuração do lucro real, ao mudar as características do incentivo relativamente ao IRPJ; mas dizer que indiretamente estaria traçando regra para apuração do resultado do exercício equivale a negar o regramento constitucional acerca da tributação, em contradição também com o CTN; Fl. 98DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 99 4 g) Pediu, então, seja negado provimento à ação fiscal. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 16/04/2009, acordaram os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo I, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, pelos motivos abaixo sintetizados. a) O patrocínio em questão, efetuado pela empresa foi feito exatamente na forma do art. 18 da Lei 8.313/91, nos meses de outubro e dezembro de 2003; não mais existindo a possibilidade de se deduzirem os valores como despesa operacional; b) Ao contrário do entendimento da recorrente, o § 2º do art. 18 da Lei 8.313/91 não se refere expressamente à base de cálculo do IRPJ, mas sim à impossibilidade de se deduzir como despesa operacional os desembolsos ali especificados, indicando o tipo de contribuinte ao qual é endereçada a norma. No caso, a recorrente se encaixa no tipo de contribuinte, e o patrocínio também está definido na norma, portanto, clara está sua impossibilidade de dedução; c) Quanto às alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade, essa apreciação reservase ao Poder Judiciário. A autoridade administrativa encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites, pois cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. Cientificada da decisão em 1/06/2009, interpôs a recorrente, em 23/06/2009, recurso voluntário de fls. 64 a 77, reiterando, basicamente, as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Como se vê dos autos, os limites objetivos da lide se fixam na quaestio juris (questão de direito) da dedutibilidade ou não, para fins da CSL, das despesas de patrocínio a projetos culturais aprovados no âmbito do PRONAC, referidos no art. 18, § 3º, da Lei 8.313/91 (Lei Roaunet). Não se instaurou lide sobre as despesas em questão serem de patrocínio aos referidos projetos culturais, pois a autoridade fiscal não tornou esse fato controverso. Não se põe, assim, quaestio facti (questão de fato) nos limites da lide. A Lei 9.874/99, ao alterar o art. 18 da Lei 8.313/91, agregou um novo regime de incentivos fiscais na Lei Rouanet. Com a Lei 9.874/99, instituiuse o chamado regime de incentivos de projetos especiais, de modo que o regime de incentivos preexistente nos arts. 25 e 26, da Lei 8.313/91 passou a ser conhecido como de projetos gerais. É de se ver que o rol de segmentos culturais compreendidos nos projetos especiais foi se alargando drasticamente com alterações de diplomas legais posteriores à Lei 9.874/99, passando a ser enfaticamente residual o rol de segmentos culturais alcançados pelos projetos gerais. Para estes, o art. 26 da Lei 8.313/91 prevê: Art. 26. O doador ou patrocinador poderá deduzir o imposto devido na declaração do Imposto sobre a Renda os valores efetivamente contribuídos em favor de projetos culturais aprovados de acordo com os dispositivos desta Lei, tendo como base os seguintes percentuais: (...) II no caso das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, quarenta por cento das doações e trinta por cento dos patrocínios. § 1º. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá abater as doações e patrocínios como despesa operacional. § 2º. O valor máximo das deduções de que trata o caput deste artigo será fixado anualmente pelo Presidente da República, com base em um percentual da renda tributável das pessoas físicas e do imposto devido por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Quanto aos chamados projetos especiais, o regime de incentivo fiscal é diverso, conforme o art. 18 da Lei 8.313/91 com a redação da Lei 9.874/99: Fl. 100DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 101 6 Art. 18. Com o objetivo de incentivar as atividades culturais, a União facultará às pessoas físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda, a título de doações ou patrocínios, tanto no apoio direto a projetos culturais apresentados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de natureza cultural, como através de contribuições ao FNC, nos termos do art. 5º, inciso II, desta Lei, desde que os projetos atendam aos critérios estabelecidos no art. 1º desta Lei. § 1º. Os contribuintes poderão deduzir do imposto de renda devido as quantias efetivamente despendidas nos projetos elencados no § 3º, previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, nos limites e nas condições estabelecidos na legislação do imposto de renda vigente, na forma de: a) doações; e b) patrocínios. § 2º. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir o valor da doação ou do patrocínio referido no parágrafo anterior como despesa operacional. § 3º. As doações e os patrocínios na produção cultural, a que se refere o § 1º, atenderão exclusivamente aos seguintes segmentos: (...) Para a pretensão fiscal, o autuante invocou não só o art. 18, § 2º, da Lei 8.313/91 com a redação da Lei 9.874/99 como o art. 13, V e VI, da Lei 9.249/95: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; (...) § 2º. Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; O autuante também cita o art. 57 da Lei 8.981/95, aduzindo ser evidente que “a semântica do texto “aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídica (IRPJ)” não pode levar à conclusão absurda de que a CSLL e o IRPJ têm base de cálculos idênticos.” (fls. 17 e 18). Essa dedução da autoridade fiscal, de per se, é absolutamente incensurável. Por óbvio que nem todos os ajustes ao lucro líquido prescritos para determinação do lucro real serão igualmente impositivos para a CSL, como soa expresso o art. 57 da Lei 8.981/95: Fl. 101DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 102 7 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. O órgão julgador a quo entendeu ser aplicável a regra restritiva à dedução das despesas com patrocínio a projetos especiais (art. 18, § 2º, da Lei 8.313/91 c/ a redação da Lei 9.874/99), sob a intelecção de que a referência a lucro real feita na norma legal diz respeito à tipologia ou ao regime do contribuinte, ou ainda ao tipo de contribuinte. Isso porque na norma em questão se fala em “pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real”. Em que pese o esforço exegético feito pelo órgão julgador de origem, não consigo divisar tal interpretação. É fato que a dicção do art. 18, § 2º, da Lei 8.313/91 com a redação da Lei 9.874/99 não é das mais felizes, pecando na técnica. Aliás, esse pecadilho foi cometido originalmente pela Lei 8.313/91, em seu art. 26, § 1º, ao usar a mesma dicção. Mas a interpretação lógica do preceito nele contido com o caput e o § 1º do art. 18 da Lei 8.313/91 evidenciam que a restrição à dedução do valor, no caso, do patrocínio é para o IRPJ, não se estendendo à CSL. O caput do art. 18 fala da aplicação de parcelas do IRPJ para apoio direto a projetos culturais ou para contribuições ao FNC (Fundo Nacional de Cultura). O § 1º do art. 18 especifica o caput, ao tratar do apoio direto a projetos culturais, prevendo a possibilidade de dedução do IRPJ das doações e patrocínios aos projetos culturais referidos no § 3º do art. 18. A exegese lógica é de que o § 2º do mesmo artigo impõe a restrição de dedução das doações e dos patrocínios, para fins de IRPJ, ou seja, para determinação do lucro real (ao dizer “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir...”). Da interpretação teleológica do preceito em discussão se extrai a mesma conclusão. A finalidade do regime de incentivos fiscais culturais foi concedêlos para fins de IRPJ, de sorte que as restrições postas, como contraparte dos incentivos, igualmente se destina ao IRPJ. O art. 26 da Lei 8.313/91 permite a dedução do IRPJ devido de 40% do valor das doações e de 30% do valor dos patrocínios feitos, sem colocar restrição à dedução dessas despesas, mesmo que de doações. Já o art. 18 da Lei 8.313/91 permite a dedução do IRPJ devido de 100% das doações e de 100% dos patrocínios feitos. A contrapartida foi a vedação da dedução das despesas, mesmo as de patrocínio, para fins de IRPJ. Também a interpretação sistemática conduz à mesma exegese. Cito, por ex., o art. 1ºA da Lei 8.685/93 introduzido pela Lei 11.437/06. O caput permite a dedução do IRPJ devido das quantias de patrocínio à produção de obras cinematográficas brasileiras de produção independente, cujos projetos tenham sido aprovados Fl. 102DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 103 8 pela Ancine. O § 3º é expresso ao prescrever que tais quantias de patrocínio são indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL1. Ainda no âmbito da legislação de incentivos fiscais (de obras audiovisuais), o art. 45, § 3º, da Medida Provisória 2.228/01, em sua redação original, previa que o valor integral dos investimentos feitos mediante a aquisição de quotas do Funcines podia ser “deduzida” na determinação do lucro real, em 100%, 50% e 20%, conforme certos anos calendário2. A bem ver, o caso era de exclusão do lucro líquido, pois as quotas do Funcines são ativos e não despesas. Evidente aí também que esse incentivo de “dedução” do lucro líquido era somente para o IRPJ (exclusão do lucro líquido), não se estendendo à CSL. Assim como somente é para o IRPJ o incentivo de dedução das quantias pagas para aquisição das quotas do Funcines do IRPJ devido (art. 44 da Medida Provisória 2.228/01). O próprio art. 13, V e VI, da Lei 9.249/95, invocado pelo autuante a diverso senso do art. 18, § 2º, da Lei 8.313/91 com a redação da Lei 9.874/99 ora em discussão é expresso ao impedir a dedutibilidade de certas despesas para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. O art. 13, V e VI, da Lei 9.249/95 veda a dedução de doações e contribuições não compulsórias, mas não a despesa com patrocínios, que é espécie do gênero despesa de propaganda. Tanto não veda que o art. 13, § 2º, da mesma lei excepciona da regra restritiva as doações feitas no âmbito da Lei 8.313/91 (é claro que as doações para projetos especiais 1 Art. 1ºA. Até o anocalendário de 2016, inclusive, os contribuintes poderão deduzir do imposto de renda devido as quantias referentes ao patrocínio à produção de obras cinematográficas brasileiras de produção independente, cujos projetos tenham sido previamente aprovados pela Ancine, do imposto de renda devido apurado: (...) II em cada período de apuração, trimestral ou anual, pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. § 1º. A dedução prevista neste artigo está limitada: I a 4% (quatro por cento) do imposto devido pelas pessoas jurídicas e deve observar o limite previsto no inciso II do art. 6º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; e (...) § 2º. Somente são dedutíveis do imposto devido os valores despendidos a título de patrocínio: I pela pessoa física no anocalendário a que se referir a declaração de ajuste anual; e II pela pessoa jurídica no respectivo período de apuração de imposto. § 3º. As pessoas jurídicas não poderão deduzir o valor do patrocínio de que trata o caput deste artigo para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. 2 Art. 45. A dedução de que trata o art. 44 incidirá sobre o imposto devido: I no trimestre a que se referirem os investimentos, para as pessoas jurídicas que apuram o lucro real trimestral; II no anocalendário, para as pessoas jurídicas que, tendo optado pelo recolhimento do imposto por estimativa, apuram o lucro real anual. (...) § 3º. O valor integral dos investimentos efetuados na forma deste artigo poderá ser deduzido do lucro líquido, na determinação do lucro real, nos seguintes percentuais: I cem por cento, nos anoscalendário de 2002 a 2005; II cinqüenta por cento, nos anoscalendário de 2006 a 2008; III vinte e cinco por cento, nos anoscalendário de 2009 e 2010. § 4º. A pessoa jurídica que alienar as quotas dos FUNCINES somente poderá considerar como custo de aquisição, na determinação do ganho de capital, os valores deduzidos na forma do § 3º na hipótese em que a alienação ocorra após cinco anos da data de sua aquisição. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 104 9 culturais passaram a ser indedutíveis, para determinação do lucro real): se a vedação se estendesse as despesas com patrocínios, estas teriam sido previstas na exceção do § 2º do art. 13 da Lei 9.249/95, inclusive em face da referência à Lei 8.313/91. Mais. O art. 45, § 4º, da MP 2.228/01, diploma já citado, dispõe que a pessoa jurídica que alienar as quotas do Funcines só poderá considerar como custo de aquisição os valores deduzidos na forma do caput (i.e., deduzidos do IRPJ devido) se a alienação ocorrer após 5 anos da aquisição das quotas. Essa norma legal não fala expressamente de determinação do lucro real nem de determinação da base de cálculo da CSL. Mas as interpretações histórico evolutiva, lógica e teleológica evidenciam que tal regra só tem cabimento para determinação do lucro real. A redação original do § 4º do art. 45 dessa MP previa a mesma consequência para o caso de “dedução” do valor das quotas do Funcines na determinação do lucro real (conforme descrevi acima). A partir do momento em que tal “dedução” não se tornou mais possível, a “condição” legal passou a ser a dedução do IRPJ devido. É evidente, pois, pelas interpretações históricoevolutiva e lógica que o custo de aquisição é considerado zero para determinação do lucro real, mas não para a da base de cálculo da CSL. A interpretação teleológica seja a mesma inteligência, pois a ideia e o sentido é ter efeito equivalente ou quase equivalente ao da perda do incentivo – que é para IRPJ – se o contribuinte alienar as quotas do Funcines antes de 5 anos de sua aquisição. Fica claro, portanto, que a indedutibilidade das despesas com patrocínios a projetos especiais culturais no âmbito do PRONAC se limita à determinação do lucro real, com suporte no art. 18, § 2º, da Lei 8.313/91 com a redação da Lei 9.874/99. Já o art. 13, V e VI, da Lei 9.249/95 não se presta sequer para a indedutibilidade da despesa em questão para fins de IRPJ (e, evidentemente, para fins da CSL). Por toda essa ordem de razões, não me resultam dúvidas de que é dedutível a despesa com patrocínios a projetos especiais culturais para a determinação da base de cálculo da CSL, sendo limitada a restrição à dedução para determinação do lucro real. Sob o manto dessas considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 104DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000294/200621 Acórdão n.º 110300.463 S1‐C1T3 Fl. 105 10 Fl. 105DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002911/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 02/07/2008
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO OMISSA.
Decisão omissa quanto aos documentos colacionados na fase de impugnação.
Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972.
Decisão Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
Numero da decisão: 2302-001.182
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente DALL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2008 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO OMISSA. Decisão omissa quanto aos documentos colacionados na fase de impugnação. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências março de 2003 a junho de 2007, conforme fls. 20 a 34. Às fls. 58 a 65, a autuada solicita a relevação da multa, informando que todas as irregularidades já teriam sido sanadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão de fls. 501 a 504, mantendo a autuação na integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 508 a 515. Alega em síntese que: a) A situação presente não se encaixa na previsão legal; b) estão excluídos da aplicação do dispositivo os casos em que a GFIP simplesmente não contém dados sobre os fatos geradores. c) Parte do crédito foi atingida pela decadência; d) Os valores pagos referemse à indenização; e) A multa deve ser relevada; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002911/200831 Acórdão n.º 230201.182 S2C3T2 Fl. 402 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso é tempestivo, conforme fl. 526; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma não deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 2 de julho de 2008, fl. 01. A competência mais remota, março de 2003, não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de abril de 2003; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2004, a qual findaria em 1o de janeiro de 2009. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Corroborando a forma dessa contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a mesma não está sendo autuada por descumprimento do parágrafo 4º do art. 32, mas sim pelo parágrafo 5º do mesmo artigo, conforme expressamente consignado no relatório fiscal à fl. 27. De acordo com tal dispositivo, a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. In casu, a autuada apresentou documento com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Reconhecendo que houve o erro, a própria recorrente alega que teria corrigido as faltas, inclusive requer a relevação da multa. Destacase que o pedido de relevação é incompatível com a contestação dos valores lançados. A recorrente alega que teria corrigido as faltas, colaciona cópias dos comprovantes de entrega para as competências envolvidas na presente autuação, fls. 233 a 335. A decisão de primeira instância limitouse a informar nestas palavras: “Consultando o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, constatase que o contribuinte não corrigiu a falta perpetrada. Deste modo não fazendo, pois, jus a relevação da penalidade aplicada, conforme disposto na legislação acima transcrita.” Entendo que a decisão cerceou o direito de defesa do contribuinte. Faltou ao órgão julgador analisar a documentação juntada, informando o que não foi corrigido, o que restou de pendências, até mesmo para se aplicar a atenuação ou relevação parcial. Não se pode esquecer que depois que os arquivos são enviados à CEF, os mesmos serão disponibilizados à Receita Federal. Assim, a Receita poderia acessar as informações para verificar da regularidade ou irregularidade das mesmas. Uma vez que desde a impugnação a recorrente já havia colacionado cópias dos comprovantes, deveria a decisão de primeira instância ter analisado a documentação acostada. Nesse ponto reconheço que a decisão foi omissa, portanto deve ser anulada. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002911/200831 Acórdão n.º 230201.182 S2C3T2 Fl. 403 5 De acordo com o previsto no art. 59 do Decreto n ° 70.235/1972, há apenas dois casos de nulidades: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso, ao se omitir sobre ponto relevante para o desfecho da controvérsia, a autoridade julgadora a quo proferiu decisão com preterição do direito de defesa. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por ANULAR a decisão de primeira instância. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 546DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10835.002365/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
Ementa:
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se
tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da
matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Francisco Assis de Oliveira Júnior.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido.
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Francisco Assis de Oliveira Júnior. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 12/07/2011 Fl. 136DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 44/46) para exigir crédito tributário de ITR, exercício 2001, no montante total de R$37.295,33, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até setembro de 2005. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.47), que acompanhou o Auto de Infração foi glosado integralmente 68,9ha da área de preservação permanente e 424,6ha de área de utilização limitada/reserva legal, relativo a um imóvel cuja área total é 1.972,6ha. O lançamento está assim justificado no Termo de Verificação Fiscal de fls.51: “Dos documentos solicitados o contribuinte não apresentou o ADA, Ato Declaratório do Ibama, conforme IN SRF/60 de 06/06/2001. Desta forma, com base no inciso III do artigo 17 da referida IN , as áreas referentes à preservação e de utilização limitada lançadas como isentas pelo contribuinte, serão consideradas como áreas tributáveis.” Foi apresentado ADA (fls.40), protocolado em 09/11/2004, com a descrição dos documentos registrados (fls.40verso), antes mesmo do início de procedimento fiscal em 2005. Consta ainda, Termo de Averbação da Reserva Legal, na matrícula do imóvel nº 6474, datado de 22 de dezembro de 1997 (fls.32) e do imóvel nº 7895, de 25 de maio de 1988 (fls.34). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls.61/69), considerada tempestiva, nos termos do despacho de fls.81, na qual preponderantemente se insurge pela pressindibilidade do ADA para exclusão de área na apuração do ITR e ilegitimidade da taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, acordaram, por unanimidade de votos, em Fl. 137DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10835.002365/200522 Acórdão n.º 220101.115 S2C2T1 Fl. 2 3 julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n° 0412.883, de 19 de outubro de 2007. Nas razões de decidir da referida decisão, no tocante a necessidade do ADA, concluiu: “36. A condição necessária para a exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, da área tributável, é comprovar, perante a autoridade tributária, que fora protocolizado, tempestivamente, perante a autoridade ambiental — Ibama ou órgão conveniado— Ato Declaratório Ambiental, com indicação dessa área. 37. Verificase que o ADA apresentado nos autos, fl. 40, é intempestivo, pois a data de emissão é 08/11/2004. Em sendo observada a legislação pertinente à matéria, ele não abrange o exercício de 2001. A protocolização do ADA após o prazo previsto na legislação culmina com a perda do direito à isenção relativa às áreas declaradas como preservação permanente e utilização limitada, com lançamento de ofício do imposto suplementar. 38. Com base nos dispositivos expostos, fica claro que, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e utilização limitada, da incidência do ITR, é obrigatória a protocolização do ADA, junto ao Ibama, ou órgão conveniado, no prazo para isso fixado.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão da DRJ em 19/11/2007 (“AR” fls. 103), o interessado apresentou na data de 14/12/2007, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 105/113, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.116 (última). É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão em análise versa sobre o não cumprimento da obrigação acessória de apresentação do ADA, junto ao IBAMA, nos prazos previstos na legislação vigente para exclusão da base de cálculo do ITR de área de reserva legal e preservação permanente. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 4 A questão em análise versa sobre o não cumprimento da obrigação acessória de apresentação do ADA, junto ao IBAMA, nos prazos previstos na legislação vigente para exclusão da base de cálculo do ITR de área de preservação permanente e reserva legal. A Lei n.9.393/1996 que dispõe sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências, no que refere a apuração do ITR, determina em seu art.10, in verbis Subseção I Da Apuração Apuração pelo Contribuinte Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As definições do que são referidas áreas está disciplinada pela Lei nº 4771/65 que instituiu no Código Florestal, ex legis: Art. 1° (...) §2oPara os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Vide Decreto nº 5.975, de 2006) I–(...) Fl. 139DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10835.002365/200522 Acórdão n.º 220101.115 S2C2T1 Fl. 3 5 IIárea de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IIIReserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No mesmo Código Florestal, com redação dada pela Lei nº 9803/89, está assim determinado: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; Fl. 140DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 6 g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Conclui portanto, que a área de preservação permanente depende de características naturais da terra e não da ação do homem. Inclusive, o próprio Código Florestal determina, no seu art.2º que “consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural Desta forma, restou claro que não se faz necessária nenhuma obrigação complementar para comprovar a área de preservação permanente. A própria lei não determina que seja necessário averbar esta área na matricula do imóvel. A lei é incisiva ao determinar que a isenção do ITR, no caso de área de preservação permanente e sob regime de servidão florestal ou ambiental, não está sujeita a prévia comprovação, se não vejamos: § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto Fl. 141DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10835.002365/200522 Acórdão n.º 220101.115 S2C2T1 Fl. 4 7 correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). No tocante a imprescindibilidade da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA no IBAMA, como condição objetiva indispensável para a exclusão dessas áreas para apuração da base tributável do imposto, não coaduno dessa interpretação. Inicialmente cabe ressaltar que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria, que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o § 1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Assim, a existência das áreas de preservação permanente prevista no art.2º Código Florestal acima transcrito, independe de qualquer ato ou declaração do Poder Público, inclusive o ADA, bem como as áreas de reserva legal prevista no art.16 da mesma lei, estabelece: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] Fl. 142DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 8 §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A lei, portanto define, objetivamente, a área de preservação permanente, impondo ao proprietário o dever de preservála, independente de qualquer determinação do poder público. Para as áreas de reserva legal, apesar de também não depender de qualquer ato do poder público, a lei impõe a averbação na matricula do imóvel. Dessa forma, entendo que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Assim, tendo sido o lançamento baseado exclusivamente na apresentação intempestiva do ADA sem que houvesse qualquer indagação sobre a materialidade das áreas glosadas e estando a área de reserva legal comprovadamente averbada na matrícula do imóvel (fls.32), devem ambas serem integralmente restabelecidas. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 143DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10835.002365/200522 Acórdão n.º 220101.115 S2C2T1 Fl. 5 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 12/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 144DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 12/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA
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Numero do processo: 12963.000305/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2009
TERCEIROS
A contribuição relativa ao SENAR foi exigida por sub-rogação
relativamente à aquisição de produto rural de pessoa física
São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2009 TERCEIROS A contribuição relativa ao SENAR foi exigida por sub-rogação relativamente à aquisição de produto rural de pessoa física São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. Recurso Voluntário Negado
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Fl. 416DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000305/201001 Acórdão n.º 230201.172 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração de obrigação principal, lavrado em 17/03/2010, se refere às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento, de valores pagos a título de alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador e de valores pagos a título de seguro saúde, no período de 07/2008 a 12/2009. Referese, também a contribuição para o SENAR, incidente sobre os produtos rurais adquiridos de pessoas físicas. O relatório fiscal de fls.34/41,, diz que a autuada informou em GFIP o FPAS como agroindústria, mas que tal fato não se confirmou durante a auditoria fiscal, pois o enquadramento como agroindústria pressupõe a industrialização de produção própria, o que não ocorreu, sendo considerado o FPAS 507. Após a impugnação, Acórdão de fls.358/316, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que deve ser classificada como agroindústria, pois conta com produção própria e de terceiros; b) que a cana de açúcar é cultivada em imóveis rurais por intermédio de contratos de parceria agrícola; c) que desempenha atividades agrícolas, que assumiu as atividades de outra empresa do grupo a que pertence e também seus funcionários, que só retardou temporariamente o plano de plantio dos canaviais devido à crise mundial e por isso não moe cana própria; d) que a alimentação fornecida pela empresa não possui natureza salarial, que não houve pagamento em pecúnia; e) que a contribuição para o SENAR foi recolhida juntamente com a contribuição sobre a produção rural, utilizando o código de pagamento 2607, que as guias de pagamento comprovam o alegado. Requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, o provimento do recurso e a reforma da decisão para desconstituir o lançamento, por ser insubsistente, julgando improcedente o auto de infração. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, saliento que a suspensão da exigibilidade do crédito, frente o oferecimento de recurso, referese tão somente aos atos executórios de cobrança. O crédito previdenciário ficará com sua exigibilidade suspensa até o julgamento administrativo de última e definitiva instância. Quanto ao mérito do lançamento, a recorrente não se enquadra como agroindústria porque para tanto é necessário que haja a industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. Ocorre que além do explicitado no relatório fiscal acerca da não industrialização da produção própria, fls. 34 a 41, a própria recorrente admite que não industrializou sua produção, pois retardou os planos de plantio frente à crise financeira mundial e com isso não pode moer sua própria cana. O artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim dispõe, verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) (...) § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 7º Aplicase o disposto no § 6º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização Fl. 419DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000305/201001 Acórdão n.º 230201.172 S2C3T2 Fl. 3 5 represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Portanto para ser enquadrada como agroindústria a empresa deve industrializar produção própria ou produção própria e de terceiros, o que não aconteceu no caso em tela, estando correto o enquadramento no FPAS 507, como diz a fiscalização, devendo ser cobradas as contribuições previdenciárias com base na folha de pagamento dos segurados empregados. Apenas para corroborar a conclusão exposta, faço menção ao relatório fiscal, onde o auditor relata que: Quando questionada sobre as razões que motivaram a empresa a informar o código FPAS 825 (das Agroindústrias) na GFIP, a alegação era de que além da canadeaçucar adquirida de terceiros, a mesma utilizouse de produção própria de canade açucar na produção de álcool. A empresa foi então intimada através do "Termo de Intimação Fiscal TIF n° 1" de 11.02.2010, a esclarecer se utilizou matériaprima (canade açúcar) de produção própria na produção industrial, e, se confirmado, que comprovasse documentalmente. 0 autuado finalmente apresentou em 25.02.10, a resposta ao esclarecimento solicitado (Anexo B — 1 e 2) informando no item "5", que "No período de apuração apontado de 07/2008 a 12/2009, a CEPAR optou por não moer cana própria, em razão da referida cana não se encontrar no momento adequado de maturação para o corte" (grifo nosso),corroborando o que havia sido constatado através da contabilidade e Registro de Entradas, ou seja, toda a canadeaçucar utilizada na produção de álcool foi proveniente da compra do produto junto a terceiros, o que ensejaria o enquadramento no código FPAS 507, devendo a empresa contribuir para a previdência social com base nas Folhas de Pagamento. Assim, está correto o levantamento consubstanciado neste auto de infração que referese às contribuições devidas às terceiras entidades e que não foram recolhidas pela autuada, porquanto se entendia, erroneamente, enquadrada no FPAS de agroindústria. Desta forma, foram tomados por base todos os valores constantes das folhas de pagamento, bem como os valores referentes à alimentação e seguro saúde pagos em desconformidade com os preceitos legais, que assim integram o salário de contribuição. Quanto à alimentação, os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de alimentação aos segurados empregados na competência 07/2008, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A recorrente procedeu a inscrição apenas em 05/08/2008, de forma que os valores relativos ao fornecimento de alimentação antes da inscrição no Programa são considerado salário de contribuição. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O lançamento de contribuições arrecadadas para os terceiros, incidentes sobre tais valores obedeceu às normas jurídicas aplicáveis para considerálos de natureza remuneratória. Vejamos: • Lei de Custeio da Previdência Social Lei n.o 8.212/91: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" (redação atual conferida pela Lei n. o 9.528/97); • Regulamento da Previdência Social. aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: "Art. 214. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomados de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa " A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). • Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) No mesmo sentido, dispõe a alínea "c", § 9°, artigo 28, da Lei 8.212/91: • Lei nº 8.212/91 artigo 28: "§9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, nos termos da Lei n. o 6.321, de 14 de abril de 1976; " Fl. 421DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000305/201001 Acórdão n.º 230201.172 S2C3T2 Fl. 4 7 Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei 6.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Portanto, enquanto não esteve inscrita no PAT, a empresa se sujeitou ao presente levantamento de débito quanto aos valores relativos à alimentação fornecida aos segurados empregados. O levantamento também se refere aos valores pagos a alguns segurados empregados a título de seguro saúde, fl.138, mas como a recorrente não contesta a rubrica, também não vou me manifestar sobre o assunto, considerando correto o lançamento fiscal. Ademais a Portaria RFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, traz no seu artigo 8º, que a matéria não contestada será considerada como não impugnada: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 8º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. A contribuição para o SENAR, exigida por subrogação relativamente à aquisição de produto rural de pessoa física, está sendo cobrada neste auto de infração de obrigação principal, porque a auditoria fiscal constatou que toda a cana de açúcar utilizada pela recorrente na produção de álcool, foi adquirida de produtores rurais pessoas físicas, conforme lançamentos contábeis nos Livros Diários (Conta 11140 Estoque de Matéria Prima Cana de Açúcar) e Notas Fiscais registradas no "Registro de Entradas" de 2009. A fiscalização também cuidou de relacionar em planilha que anexa ao auto de infração, fls.47/53, as notas fiscais de aquisição de produto rural, cana de açúcar, de pessoas físicas no período de julho de 2008 a dezembro de 2009 e a recorrente não comprovou o recolhimento do SENAR, nas competências notificadas, se limitando a dizer que os valores estão recolhidos nas guias, cujas cópias anexa. Entretanto, tais guias não trazem recolhimento no campo das terceiras entidades, como diz a recorrente, conforme se pode comprovar do exame das mesmas, a partir das fls. 257 a 324. Embora nas cópias de fls. 257, 275 e 324, constem valores para terceiros, estas guias não estão recolhidas. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 423DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10980.720100/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COMPENSAÇÃO – PERDCOMP – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – A homologação tácita ocorre apenas corridos cinco anos da data da PER/DCOMP, o que não se verifica neste caso.
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – Cabe ao contribuinte comprovar
seu direito ao crédito cuja compensação pleiteia, ônus do qual não se desincumbiu neste processo. O crédito a ser reconhecido é aquele já revisto pela DRJ.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP – AUMENTO DO VALOR PRINCIPAL COMPENSADO – INADMISSIBILIDADE – A regulamentação específica não permite a retificação da PER/DCOMP para aumentar o valor principal
compensado.
COMPENSAÇÃO – PRAZO – INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO – INADMISSIBILIDADE Nos termos do REsp “Repetitivo” 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010, o prazo prescricional para restituir o
indébito pago em 2001 é de 10 (dez) anos. Tal referendo ainda padece de confirmação pelo STF em sede de repercussão geral determinada em 040608 no RE 567110/AC. Mesmo considerando esse prazo e admitindo o pedido de compensação de fls. 45 e seguintes, não há saldo de IRPJ líquido e certo a compensar com o correspondente débito.
Numero da decisão: 1302-000.625
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL COMPENSAÇÃO – PERDCOMP – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – A homologação tácita ocorre apenas corridos cinco anos da data da PER/DCOMP, o que não se verifica neste caso. COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – Cabe ao contribuinte comprovar seu direito ao crédito cuja compensação pleiteia, ônus do qual não se desincumbiu neste processo. O crédito a ser reconhecido é aquele já revisto pela DRJ. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP – AUMENTO DO VALOR PRINCIPAL COMPENSADO – INADMISSIBILIDADE – A regulamentação específica não permite a retificação da PER/DCOMP para aumentar o valor principal compensado. COMPENSAÇÃO – PRAZO – INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO – INADMISSIBILIDADE Nos termos do REsp “Repetitivo” 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010, o prazo prescricional para restituir o indébito pago em 2001 é de 10 (dez) anos. Tal referendo ainda padece de confirmação pelo STF em sede de repercussão geral determinada em 040608 no RE 567110/AC. Mesmo considerando esse prazo e admitindo o pedido de compensação de fls. 45 e seguintes, não há saldo de IRPJ líquido e certo a compensar com o correspondente débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Neste processo, discutemse compensações que o contribuinte fez com saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 2002. O saldo de 2002 é composto por imposto de renda retido na fonte no ano e também por compensação feita com IRPJ pago a maior nos anoscalendário de 2000 e 2001. 1 – Valores em Discussão – Composição do Saldo de IRPJ pago a maior de 2002. É possível verificar pelas informações deste processo e do processo 10980.902458/20066 que a evolução do saldo de IRPJ pago a maior da empresa nos anos de 2000, 2001 e 2002 foi assim considerada, pelo contribuinte, pela autoridade fiscal nos despachos decisórios ou pelas autoridades julgadoras neste e naquele processo. Tabela 1 IRPJ do anocalendário de 2000 Contribuinte Fiscal DRJ . IRRF retido no ano que compôs o saldo negativo 810.641,51 381.710,24 995.437,95 .Valores recolhidos por DARF 2.143.616,42 1.175.149,68 1.175.149,68 . Complemento DARF Destinação de antecipação mensal a Incentivo Fiscal que não se configurou no final do ano 91.393,37 91.393,37 . Selic até a data da compensação 134.418,73 74.995,52 102.920,13 . Compensação com antecipação de 2001 (1.250.304,84) (1.250.304,84) (1.250.304,84) . Selic até a data da nova compensação 269.205,90 69.256,56 163.219,08 . Compensação com antecipação de 2002 (2.090.092,17) (542.200,53) (1.277.815,37) Saldo 17.485,55 Verificase portanto que a diferença relativa ao IRPJ pago a maior no anocalendário de 2000 tem relação com recolhimentos de antecipação mensal não identificados pela autoridade fiscal naquele ano. Em verdade, possivelmente o contribuinte compensou esses valores mensalmente com saldo de IRRF que entendeu possuir, ocorre que neste processo, por meio de consulta no sistema SIEF bem como análise dos informes de rendimentos entregues pelo contribuinte, a DRJ não conseguiu identificar mais que R$ 995.437,95 em IRRF e R$ 1.175.149,68 em DARF. Assim, o contribuinte acabou buscando compensar, nas antecipações de 2002, um saldo de IRPJ pago a maior superior ao que tinha em 2000. Já com relação ao saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 2001, as informações dos processos nos permitem concluir a seguinte movimentação comparativa. Tabela 2 IRPJ do anocalendário de 2001 Contribuinte CARF . IRRF retido no ano que compôs o saldo negativo 1.752.535,96 966.148,63 . Valor compensado com IRPJ pago a maior de 2000 1.250.304,84 1.250.304,84 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10980.720100/200889 Acórdão n.º 1302000.625 S1C3T2 Fl. 331 3 . Complemento de valor compensado Incentivo Fiscal 30.892,70 . Valor concedido pela DRJ 114.832,09 . Compensação no processo 1980.902458/200666 (2.671.932,19) (2.362.178,26) . Selic 15.057,00 . Compensação com antecipação de 2002 (345.965,61) Saldo Verificase que mais uma vez a autoridade julgadora encontrou um valor inferior de IRRF nos sistemas SIEF e informes de rendimento apresentados em comparação com aquele valor informado pelo contribuinte. Assim, o contribuinte entendeu que havia saldo de IRPJ pago a maior de 2001 para compensar com o IRPJ de 2002, mas a autoridade fiscal e julgadora assim não concluíram. Por fim, o saldo de IRPJ pago a maior de 2002 restou assim composto. IRPJ do anocalendário de 2002 Contribuinte Fiscal DRJ . IRRF retido no ano que compôs o saldo negativo 2.293.364,86 404.075,79 1.725.516,96 . IRRF compensado com antecipação de março 326.974,92 . Compensação com saldo de 2000 2.090.092,17 542.200,53 1.277.815,37 . Compensação com saldo de 2001 345.965,61 Saldo de IRPJ pago a maior em 2002 5.056.397,56 946.276,32 3.003.332,33 Como se vê, o contribuinte entendeu que tinha crédito de IRPJ pago a maior no ano calendário de 2002 no montante de R$ 5.056.397,56, enquanto a autoridade fiscal no despacho decisório encontrou R$ 946.276,32 e a DRJ, ao analisar os IRRF do anocalendário de 2002 e os saldos compensados dos anos anteriores, nos termos já apresentados acima, entendeu que o contribuinte tinha direito a R$ 3.003.332,33, no total, já incluindo o saldo de crédito reconhecido pelo fiscal. O contribuinte buscou compensar o saldo de IRPJ pago a maior que computou para 31 122002 com débitos fiscais, via PER/DCOMP, da seguinte maneira. Saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 2002 R$ 5.056.397,56 SELIC R$ 1.769.302,75 Total do Crédito R$ 6.825.700,31 Compensações Fls, Valores 2 R$ 1.677.541,24 9 R$ 1.769.302,75 16 R$ 473.266,63 20 R$ 2.905.589,69 28 (processada além de 5 anos) R$ 186.193,27 Saldo R$ Como os créditos reconhecidos pela autoridade fiscal e julgadora são inferiores ao crédito compensado pelo contribuinte, restou a diferença em cobrança, da qual o interessado recorreu a este Conselho. 2 – Outras matérias em discussão. Segundo relata o julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ... Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 “O interessado apresentou as Declarações de Compensação (Dcomp) retificadoras de fls. 8 a 14 e 23 a 26, pelas quais pretendeu aumentar o valor dos débitos originalmente compensados. Como a retificação teve por objeto o aumento do valor do débito, a unidade de origem não admitiu essas Dcomps. O interessado apresentou, ainda, a Dcomp de fls. 27 a 30, cuja compensação foi declarada não homologada por terem transcorrido mais de cinco anos entre a constituição do direito creditório (saldo negativo apurado em 31.7.2002) e a data dá transmissão (12.2.2008).” 3 – Impugnação. Seguindo relato da DRJ ... “Em 18.7.2008, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 70) e, em 19.8.2008, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 71 a 110, com o seguinte teor: a) que é vedado à Administração promover a glosa de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da CSLL sem a formalização do lançamento correspondente; b) que a revisão e glosa do prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa submetese à limitação temporal representada pela decadência, prevista no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN); c) que inexiste prova material contra o contribuinte, no sentido de infirmar o direito pleiteado; d) quanto ao saldo negativo apurado em 31.12.2000, que os comprovantes juntados à impugnação comprovam que o interessado sofreu retenção de IR no total de R$810.641,51, e não somente de R$381.710,24, como alegado pela unidade de origem; e) quanto ao saldo negativo apurado em 31.12.2001, que os comprovantes juntados à impugnação comprovam que o interessado sofreu retenção de IR no total de R$1.752.535,96, e não somente de R$966.149,63, como alegado pela unidade de origem; f) quanto ao saldo negativo apurado em 31.12.2002, que os comprovantes juntados à impugnação comprovam que o interessado sofreu retenção de IR no total de R$2.763.032,70, e não somente de R$404.075,79, como alegado pela unidade de origem; g) que a decisão atacada apresenta inconsistência nos cálculos apresentados, pois o saldo negativo apurado relativo a 2000 apurado pela fiscalização, no valor de R$1.648.253,29, traz uma diferença inexplicável de R$924.284,40 em desfavor do interessado; h) que as Dcomps retificadoras devem ser aceitas porque não visaram a aumentar o valor do débito originalmente informado mas, sim, a informar que a compensação original deveria incluir os juros incidentes sobre o principal compensado após a data do vencimento do tributo; i) que, ainda que rejeitadas as Dcomps retificadoras, a própria fiscalização deve proceder de ofício às compensações quando da existência de créditos do contribuinte; j) que as compensações não homologadas em razão do decurso do prazo prescricional devem ser aceitas pois o art. 168 do CTN deve ser interpretado segundo a regra dos "cinco mais cinco anos", qual seja, o prazo prescricional somente começa a fluir após a homologação tácita do lançamento; que essa regra é a adotada pelo STJ, que rechaçou a aplicação retroativa do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05.” 4 – Decisão da DRJ. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10980.720100/200889 Acórdão n.º 1302000.625 S1C3T2 Fl. 332 5 Em 16042009 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (DRJ) proferiu sua decisão (fls. 172), homologando em parte a compensação. A DRJ considerou irregular a retificação da PER/DCOMP que visou aumentar o valor principal compensado. Também não admitiu a compensação de créditos após 5 anos, conforme o contribuinte pretendeu fazer na PER/DCOMP transmitida às folhas fls. 27 a 30. O julgador esclareceu que, quando o contribuinte apura saldo de IRPJ pago a maior na sua DIPJ, não corre a partir daí prazo decadencial para análise do crédito e também não se conta assim a homologação tácita. Por outro lado, identificando a existência de saldo negativo de IRPJ pago a maior na incorporada, a DRJ reconheceu em parte o direito à compensação pleiteada pelo interessado. 5 – Recurso Voluntário. Ciente da decisão em 130509, o interessado recorreu em 120609, alegando em síntese que neste processo se discute compensações feitas com saldos de IRPJ pago a maior nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, cujo direito do fisco discutir teria expirado em 31122005, 3112 2006 e 31122007 respectivamente. Aplicase aos tributos por homologação, no presente caso em que foram adiantados pelo contribuinte, o artigo 150, parágrafo 4º., do CTN. Ao saldo de IRPJ pago a maior aplicase a mesma regra decadencial própria da revisão do fato gerador e do prejuízo fiscal. Nesse sentido, à data do despacho decisório, 180708, já caducara o direito de o fisco rever o saldo de IRPJ pago a maior dessas declarações. O recorrente protestou alegando que não há provas de que o saldo de IRRF por ele informado não existe e que o sistema SIEF não é prova da inexistência desse saldo, vastamente comprovado por informes de rendimento anexados à manifestação de inconformidade. Alegou que o ônus da prova cabe à autoridade fiscal. Afirmou o interessado que os informes de rendimentos anexados a sua impugnação comprovam adequadamente a integralidade do saldo de IRRF retido no anocalendário de 2002. Afirmou ainda que os informes de rendimentos anexados ao processo 10980.902458/20066 comprovam adequadamente a integralidade do saldo de IRRF retido nos anoscalendários de 2000 e 2001. Alegou o contribuinte que não restou adequadamente explicada no processo 10980.902458/20066 a diferença entre o saldo de IRPJ pago a maior de 2000, razão pela qual há erro material no despacho afetando o valor do crédito a que tem direito. Nessa linha, não haveria qualquer razão que embasasse a glosa do direito ao crédito do recorrente. O recorrente afirmou ainda que, nas PER/DCOMP retificadoras, não procedeu ao aumento do valor do débito compensado. Afirmou que na verdade tais compensações foram processadas logo no início do sistema PER/DCOMP que teve 6 versões e que gerou uma série de dúvidas para os contribuintes. O recorrente utilizou a primeira versão do PER/DCOMP e que foi levado a erro por instrução que aparecia no manual do sistema, que mandava inserir o “valor original do débito compensado”. Nesse sentido, o contribuinte informou o valor principal do débito compensado, mas esse valor merecia ser acrescido de juros. As PER/DCOMP retificadoras foram efetuadas apenas para corrigir esse equívoco de razão já explicada e para inserir os juros compensados no campo pertinente do “valor original do débito compensado”. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 6 Prosseguiu o interessado afirmando que a retificação da PER/DCOMP, nesse caso de erro material, seria autorizada pelo artigo 58 da Instrução Normativa SRF 60005. Esta autoridade julgadora deve aceitar as PER/DCOMP retificadoras em prol do princípio da verdade material. Caso contrário, deve a autoridade fiscal proceder à compensação de créditos de ofício, é seu poderdever, assim como ocorre com o prejuízo fiscal. Por sua vez, o recorrente alegou ser regular a compensação processada às folhas 27 e seguintes na medida em que o prazo prescricional para repetição do indébito, nos termos da jurisprudência do STJ, é de 10 (dez) anos contados de 31122002 e não 5 (cinco) anos como pretendeu estabelecer a autoridade fiscal. Requereu assim o contribuinte que seu recurso voluntário seja recebido e provido integralmente. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O relatório dos fatos demonstra que tanto neste processo como no processo 10980.902458/20066 é possível compor analiticamente a diferença entre o saldo de IRPJ pago a maior dos anos de 2000, 2001 e 2002, consoante visão do contribuinte e da autoridade fiscal. No mais os despachos decisórios atenderam a todos os requisitos de validade do Decreto 70.235/72 e o contribuinte teve amplo direito de defesa atendido, razão pela qual não enxergo qualquer erro formal ou material nos despachos ou nos processos que desabonem sua validade. 1 – O prazo para Homologação Tácita conta a partir da entrega da PER/DCOMP, neste caso, não houve homologação tácita. O artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional traz o prazo para a autoridade fiscal analisar a base de cálculo dos tributos por homologação cujo pagamento foi antecipado e assim determinar o valor da obrigação tributária e, consoante a jurisprudência deste Conselho, o prejuízo fiscal. Ocorre que neste processo não se discute que o valor da obrigação tributária de IRPJ a pagar nos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, muito menos se discute o valor do prejuízo fiscal. Discutese por outro lado o direito do contribuinte ao crédito de IRPJ pago a maior nesses anos. Enquanto o contribuinte tem o prazo prescricional para pedir a compensação desse crédito, o prazo que a autoridade fiscal tem para analisar esse pedido é de 5 (cinco) anos contados da data da transmissão do PER/DCOMP, nos termos da Lei 9.43096 com alterações posteriores. Nessa medida, não houve neste caso homologação tácita. Ao analisar o pedido de compensação, a autoridade não apenas pode como deve apreciar a efetiva existência, liquidez e certeza do crédito de IRPJ pago a maior em 2002. Como esse crédito foi compensado na escrita contábil do interessado, sem PER/DCOMP, com saldos de 2001 e 2000, urge por outro lado analisar a liquidez e certeza desses créditos origem. Nesse sentido, não acolho a preliminar de decadência alegada pelo recorrente. Na mesma linha, algumas decisões deste Conselho. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10980.720100/200889 Acórdão n.º 1302000.625 S1C3T2 Fl. 333 7 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.963 em 15.10.2008 / DOU em: 28.01.2009 IRPJ Ex(s): 1999 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para efeito da homologação tácita, começa a fluir a partir da protocolização do Pedido de Restituição/ Compensação, e quando for o caso, da protocolização do Pedido de Retificação de Restituição para Compensação. 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara Decisão / Acórdão n.° 10197021 em 13 1108 / Processo n° 13820.000860/200210 Matéria IRPJ Ano Calendário 2001. Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. 2 – A liquidez e a certeza do crédito de IRPJ pago a maior pelo contribuinte devem ser por ele comprovadas. O recorrente afirmou que a autoridade fiscal não comprovou a inexistência de seu direito de crédito. Primeiramente, é defeso exigir prova negativa de fatos, ou seja, prova de que o crédito inexiste. Só é possível provar o que existe, o que não se prova como consequência lógica da verdade processual não existe. Nessa medida, a autoridade julgadora de primeira instância já utilizou de todas as provas a seu dispor: declarações DCTF do contribuinte, comprovantes de pagamento DARF, informes de rendimento acostados pelo contribuinte ao processo, comprovantes de retenção na fonte enviados pelas fontes pagadoras à Receita Federal via Declaração de Imposto de Renda na Fonte – DIRF – informações essas compiladas no sistema SIEF da Receita Federal. Com essas provas, dimensionou a autoridade o crédito de IRPJ pago a maior que existe. O crédito que não se viu comprovado não foi homologado pela autoridade. Nesse sentido, o ônus da provar que o crédito residual pleiteado existe cabe a quem pede, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil e do Decreto 70.23572. O recorrente que alega que tem direito ao crédito não homologado e que esse crédito é líquido e certo deve instruir sua defesa com todos os meios de prova hábeis para comprovar o quanto alega. Neste caso, o contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova. Nessa linha ecoa a jurisprudência deste Conselho. De fato, consoante os termos da decisão da DRJ, por mim confirmados, ela analisou os extratos do sistema SIEF e todos os informes de rendimentos acostados pelo interessado e constatou que havia sim mais saldo de IRRF retido do que foi inicialmente identificado pela autoridade fiscal no despacho decisório, porém, não localizou todo o montante de IRRF que consta da DIPJ do contribuinte. O contribuinte alega que os informes de rendimento acostados à manifestação de inconformidade são plenamente suficientes para comprovar o saldo de IRRF que constou de sua DIPJ, mas não fez uma breve soma dos valores de IRRF retidos nesses informes. A soma é bastante inferior ao valor declarado na DIPJ! Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 8 Da mesma maneira, o contribuinte alega que no processo 10980.902458/20066 anexou informes de rendimentos suficientes para comprovar a integralidade do saldo de IRRF que acusou ter em sua DIPJ dos anoscalendários de 2000 e de 2001. Ao apreciar referido processo, verifiquei que da mesma maneira a soma dos IRRF constantes dos informes de rendimento que foram anexados ao processo não somam o valor pleiteado pelo contribuinte. 3 – O valor do crédito de IRPJ pago a maior no anocalendário de 2002, cuja liquidez e certeza foi comprovada neste processo, é no total de R$ 3.003.332,33, nos exatos termos do despacho decisório somado ao valor reconhecido pela DRJ. Nesse sentido, por falta de prova da liquidez e certeza do crédito de IRPJ pago a maior que o contribuinte pleiteia, para além do valor deferido pela DRJ, é de se confirmar o crédito no valor já deferido pela DRJ. 4 – PER/DCOMP retificadora, aumento do valor do débito compensado, inadmissibilidade. O interessado alega que cometeu um mero erro de preenchimento no momento de sua compensação, deixando de informar o valor dos juros dos tributos que desejava compensar com o crédito de IRPJ. Alega que foi induzido a erro pelo manual que acompanhava a primeira versão do sistema PER/DCOMP. Não posso acolher tal alegação. A Instrução Normativa 60005 que regula o PER/DCOMP é clara no sentido de vedar qualquer retificação de PER/DCOMP para aumentar o valor do débito compensado. Tal norma é de conhecimento público notório e faz parte da regulamentação tributária a cujo conhecimento não pode o contribuinte se furtar. A alegação de mero erro, nesse sentido, não pode ser acolhida. Tanto mais porque, se o contribuinte deve R$ 100,00, sendo R$ 10,00 de juros e R$ 90,00 de principal, sabe que precisará compensar crédito de IRPJ no valor de R$ 100,00, compondoo em valor principal e juros, para poder quitar integralmente sua obrigação tributária. Nessa linha, é uma questão de aritmética pela qual a subtração do débito compensado com o crédito compensado tem que somar zero. Não pode o contribuinte, para compensar o débito de valor de R$ 100,00, querer utilizarse de crédito no montante total atualizado de R$ 90,00! A subtração não é igual a zero. Nesse caso, faltou crédito para compensar o débito de R$ 100,00, então, o débito será compensado apenas no limite do crédito de R$ 90,00, sendo a diferença passível de cobrança por imputação. Uma mera revisão do PER/DCOMP, fazendo uso de matemática aritmética, parte do conhecimento comum do contribuinte, demonstraria a necessidade de informar o valor de seu débito a compensar, incluindo juros. Nesse sentido, considero irregulares as PER/DCOMP retificadoras que visaram aumentar o valor do débito compensado. 5 – Nos termos do REsp “Repetitivo” 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010, o prazo para restituir o indébito pago em 2001 é de 10 (dez) anos. Tal referendo ainda padece de confirmação pelo STF em sede de repercussão geral determinada em 040608 no RE 567110/AC. De qualquer maneira referida discussão é inócua no presente caso pois não restou saldo de imposto de renda a compensar com o PER/DCOMP processado às fls. 27 e seguintes. Discutese a não apreciação da PER/DCOMP de folhas 27 e seguintes na medida em que a autoridade fiscal entendeu que o prazo prescricional para repetição do indébito é de 5 (cinco) anos. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10980.720100/200889 Acórdão n.º 1302000.625 S1C3T2 Fl. 334 9 O novo Regimento do Conselho vincula as decisões administrativas ao teor dos julgados do Superior Tribunal de Justiça em recursos repetitivos ou do Supremo Tribunal Federal em processos com repercussão geral. Já deliberou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o prazo que o contribuinte possui para pedir a restituição de indébito é de 10 (dez) anos, sendo que a Lei Complementar 118/05 é modificativa e não interpretativa. Nessa linha, como os fatos geradores que originaram o crédito do contribuinte são anteriores à vigência dessa nova Lei e a compensação foi processada em 2004, reconheço que o direito instrumental de pedir a compensação ou restituição do crédito reportase à legislação vigente à época dos fatos que o geraram, para fins de computar o prazo prescricional. A Lei em comento é o artigo 168 do Código Tributário Nacional, na interpretação dada em sede de repetitivo pelo STJ, segundo a qual o prazo para pedir a repetição de indébito é de 10 (dez) anos. Vide o inteiro teor que consta no sítio do STJ na internet (http://jurisprudenciasuprema.wordpress.com/2010/07/23/stj4381%C2%AAsecaorepetitivo compensacaoprescricao/ ; consultado em 26052011): STJ 438 – 1ª SEÇÃO – REPETITIVO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Tratase de recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ) em que a recorrente, pessoa jurídica optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido, impetrou mandado de segurança na origem, em 26/8/2005, pretendendo a declaração de inexigibilidade da Cofins nos moldes da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota previstas nos arts. 3º, §§ 1º e 8º, da Lei n. 9.718/1998, com o reconhecimento do direito à compensação dos valores recolhidos indevidamente a esse título, corrigidos monetariamente. Então, nas razões recursais, pugnou pelo reconhecimento do prazo prescricional decenal, visto que o tribunal de origem entendeu ser aplicável à espécie o prazo quinquenal, bem como buscou a aplicação das regras de imputação do pagamento previstas no CC/2002. É cediço que a Seção, em recurso repetitivo, já assentou que o advento da LC n. 118/2005 e suas consequências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 9/6/2005), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Assim, explica o Min. Relator que, quanto ao prazo prescricional decenal, assiste razão à recorrente, pois não houve prescrição dos pagamentos efetuados nos dez anos anteriores ao julgamento da ação. Ademais, o princípio da irretroatividade implica a incidência da LC n. 118/2005 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência, e não às ações propostas após a referida lei, visto que essa norma concerne à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação. Entretanto, assevera ainda que, quanto à segunda questão controvertida no REsp, qual seja, a possibilidade de aplicação à matéria tributária do instituto da imputação do pagamento tal qual disciplinada no CC/2002, não pode prosperar a pretensão. Isso porque este Superior Tribunal já pacificou o entendimento de que a regra de imputação de pagamentos estabelecida nos arts. 354 e 379 do CC/2002 é inaplicável aos débitos de natureza tributária, visto que a compensação tributária rege se por normas próprias e específicas, não sendo possível aplicar subsidiariamente as regras do CC/2002. Também aponta não haver lacuna na legislação tributária, em matéria de imputação de créditos nas compensações tributárias, que autorize a sua integração pela aplicação da lei civil. Precedentes citados: REsp 1.002.932SP, DJe 18/12/2009; EREsp 644.736PE, DJ 17/12/2007; REsp 1.130.033SC, DJe 16/12/2009; AgRg no Ag 1.005.061SC, DJe 3/9/2009; AgRg no REsp 1.024.138RS, DJe 4/2/2009; AgRg no REsp 995.166SC, DJe 24/3/2009; REsp 970.678SC, DJe 11/12/2008; REsp 987.943SC, DJe 28/2/2008, e AgRg no REsp 971.016SC, DJe 28/11/2008. REsp 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 10 Nessa medida, segundo STJ, em 2008 o contribuinte possuía efetivamente o direito de compensar o crédito originado em 2001, ocorre que não logrou provar a existência líquida e certa desse crédito em montante suficiente para compensar o débito conforme pedido de 2008. Referida decisão do STJ ainda será passível de revisão diante da Repercussão Geral reconhecida para o RE 566621. Por outro lado, o valor do crédito reconhecido ao contribuinte é insuficiente para promover a compensação do saldo do débito compensado neste processo. Assim, ainda que aceitemos o prazo de 10 (dez) anos para a repetição de indébito, não haverá saldo de crédito a compensar neste processo. Nessa linha, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, porém, sem revisão do valor em cobrança ou do valor do crédito que lhe foi concedido. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 10DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001225/2003-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 1999
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. Concluindo-se
pela falta de clareza do acórdão embargado, em face das questões
apontadas pela embargante, acolhem-se os embargos para esclarecer os pontos obscuros, sem, contudo, alterar o conteúdo do que foi decidido.
Embargos acolhidos
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.067
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão nº 30335.402, dar provimento parcial ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. Concluindo se pela falta de clareza do acórdão embargado, em face das questões apontadas pela embargante, acolhemse os embargos para esclarecer os pontos obscuros, sem, contudo, alterar o conteúdo do que foi decidido. Embargos acolhidos Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão nº 30335.402, dar provimento parcial ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos pela DRJPORTO VELHO/RO em face do acórdão nº 30335.402. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio do despacho de fls. 126 questionou o encaminhamento do processo para inscrição de débito em Dívida Ativa, aduzindo que o acórdão da Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes foi pelo provimento do recurso, conforme consta do seu dispositivo, e que, portanto, haveria dúvida quanto à existência de débito remanescente a ser inscrito em dívida ativa, conforme cálculos feitos pela Delegacia da Receita Federal. Em atenção a questionamento da Procuradoria da Fazenda Nacional, a Delegacia da Receita Federal em Porto Velho/RO encaminhou o processo a este Conselho, por meio da manifestação de fls. 127, na qual afirma que, interpretando o teor do acórdão acima referido, fez ajustes no lançamento objeto do processo, mas pede um pronunciamento deste Conselho em face do questionamento da PFN de que a conclusão do acórdão embargado foi pelo provimento do recurso, conforme consta do seu dispositivo, e que, portanto, haveria dúvida quanto à existência de débito remanescente a ser inscrito em dívida ativa, conforme cálculos feitos pela Delegacia da Receita Federal. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Câmara determinou a inclusão do processo em pauta para seu exame pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade. Examinando o teor do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte e do acórdão ora questionado, verifico que, de fato, há uma clara contradição entre os seus fundamentos e o seu dispositivo ou, pelo menos, o acórdão é obscuro, ensejando dúvidas quanto ao que foi efetivamente decidido, o que demandaria esclarecimentos. É que, no seu recurso, o Contribuinte pedia que fosse declarada a nulidade do lançamento e a nulidade da decisão de primeira instância. Já o acórdão, no seu voto condutor, admite erros no preenchimento da DIAT por parte do Contribuinte e conclui no sentido de “ajustar o lançamento à realidade documentalmente comprovada”. Porém, o voto conclui pelo provimento ao recurso. Vale destacar que parte do lançamento não foi impugnado, conforme destacado na decisão de primeira instância Fl. 138DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10240.001225/200365 Acórdão n.º 220101.067 S2C2T1 Fl. 2 3 De início cumpre esclarecer que as alterações procedidas pela fiscalização como referência à área total do imóvel, a área de pastagem e ao valor total do imóvel, deramse à anexação, em um só NIRF, de dois lotes declarados separadamente, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal juntado às fls. 08/09 e verificado na tela do CAFIR juntada à fl. 21. Portanto, não foram motivo de contestação por parte do impugnante. Com relação ao mérito do lançamento, o interessado afirma que houve erro de sua parte ao declarar a área como de preservação permanente. Aduz, entretanto, que os 2.399,0 ha informados na DIAT se referem à Área de Reserva Legal, e que esta foi regularmente averbada às margens das matrículas dos imóveis, posteriormente anexados e formando um só. Porém, se somadas as áreas regularmente averbadas, obtémse um total de 2.999,98 há, contra 4.798,0 declarados para os dois imóveis como de preservação permanente. Logo, há uma diferença de 1.798,02 h não averbada. Assim, é de se concluir que o litígio somente se instaurou em relação à área de reserva legal a qual o Recorrente afirma ter declarado, erroneamente, como área de preservação permanente. E foi isto que foi acolhido pelo acórdão recorrido, como fica claro, aliás, no seguinte trecho: Conforme se observa, a declaração objeto de glosa, apesar da anterior averbação da área de reserva legal, não computou tais áreas nas correspondentes declarações relativas aos imóveis unificados, declarados como preservação permanente área que, somada, seria idêntica à anteriormente averbada. Assim, o recurso foi provido apenas para acolher a alegação quanto à área de reserva legal, como, aliás, já havia compreendido a DRJPORTO VELHO/RO. É certo, todavia, que o acórdão não é claro, inclusive por ter simplesmente concluído pelo provimento ao recurso, quando o Recorrente pedia o afastamento total da exigência. Não me parece que se trata aqui de provimento total do recurso, mas de provimento parcial, seja porque parte do lançamento não está em discussão e, portanto, o crédito está sendo mantido, seja porque o pedido é mais extenso do que o que foi deferido. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para, retificando o acórdão nº30335.402, dar provimento parcial ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 139DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Fl. 140DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 37089.002459/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESTITUIÇÃO – COMPENSAÇÃO – LEGITIMIDADE APENAS APÓS O TRANSITO EM JULGADO – AÇÃO CAUTELAR EM ADI – EFEITOS EX NUNC.
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se
aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. O recolhimento indevido operar-se-á apenas quando do transito em Julgado da ADI.
No termos do art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ
(Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de
tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Medida Cautelar suspende a exigência criada pela Lei 9732/98, apenas a partir da data da publicação da ata da sessão do julgamento na qual a liminar foi deferida, operando efeitos “ex nunc”.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina
Monteiro e Silva Vieira.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. O recolhimento indevido operarseá apenas quando do transito em Julgado da ADI. No termos do art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Medida Cautelar suspende a exigência criada pela Lei 9732/98, apenas a partir da data da publicação da ata da sessão do julgamento na qual a liminar foi deferida, operando efeitos “ex nunc”. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002459/200629 Acórdão n.º 240101.790 S2C4T1 Fl. 52 3 Relatório Tratase de Pedido de restituição/compensação formulado pelo contribuinte acima identificado, relativo a contribuições recolhidas indevidamente no período compreendido entre abril a agosto de 1999. De acordo com às fls. 01 a 03 dos autos, o presente pedido foi formulado em dezembro de 2006. Inconformado com a Decisão de fls. 28 a 31 que indeferiu o pleito do contribuinte, fora apresentado recurso à este conselho com os seguintes argumentos: Que a requerente pleiteou a compensação do recolhimento indevido com contribuições da mesma natureza, conforme lhe assegura o artigo 66 da Lei 8.383/91 aplicável ao caso em razão da data do pagamento. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3 0 A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4° O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Aduz que a referida Lei N° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, não criou uma contribuição ou tributo novo, apenas revogou, de forma inconstitucional a imunidade (tratada na lei por isenção) anteriormente assegurada a Recorrente, entidade beneficente de assistência social que é. Neste aspecto, suspensa a eficácia da norma canceladora, se restabelecem as "isenções", na forma da legislação anterior, que continua a vigorar, assim, indevidas, de forma definitiva as contribuições realizadas. Argumenta que o direito de recuperação de tributo pago indevidamente (COMPENSAÇÃO) nasce no momento do pagamento indevido e, portanto, deve regerse pela legislação vigente por ocasião do recolhimento correspondente ao a tal pagamento. Assim, pretensas regras contidas na Lei 9.868, de 10 de novembro de 1999 (DOU 11.11.99) e na Lei Complementar n. 104/2001, que introduziu o artigo 170A no CTN, se aplicam somente aos Fl. 64DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 pagamentos indevidos posteriores as respectivas datas de publicação. Os pagamentos indevidos ocorridos antes da publicação das referidas leis devem ser regidos pela legislação que, à época, tratava do tema em discussão. Que no presente caso os recolhimentos indevidos ocorreram entre os meses de abril e agosto de 1999, e o direito de repetir decorre da declaração de inconstitucionalidade da exigência prevista no artigo 7° da lei 9.732/98, pela decisão proferida na ADI2028/99, em 14.07.1999, fatos, ocorridos, portanto, antes da edição de qualquer das normas restritivas acima referidas. Desta forma, no tocante a compensação de tributos federais, contrário ao entendimento exarado na decisão ora recorrida, não se aplica a Lei 9.868/99, nem o art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar N°. 104/2001, mas tem aplicabilidade a Lei 8.383/91, a qual não prevê qualquer tipo de limitação que postergasse o aproveitamento dos créditos compensáveis do contribuinte somente para o trânsito em julgado da decisão judicial. Defende que a determinação do parágrafo 4° do artigo 66 exclui a possibilidade de atos administrativos criarem restrições ou novas condições à compensação, não previstas na norma legal de regência. Restringese a autorizar procedimentos formais necessários para a execução do que está previsto na norma legal pertinente. Nada mais. Portanto, se, preenchidos os pressupostos relacionados, o direito de compensação incorporouse ao patrimônio jurídico dos contribuintes, poderá ser plenamente exercido, independentemente de sentença judicial passada em julgado ou de decisão administrativa, sem a violação dos arts. 27 da lei 9868/99 e 170a do ctn, inaplicáveis ao presente caso. Ad argumentandum tantum, mesmo que admitisse a provisoriedade e limitação temporal da Liminar concedida na ADI n° 2028, mesmo assim não subsistiria as conclusões da r. decisão ora recorrida, pois o artigo 7° da Lei 9.732/98, esta afastado do mundo jurídico, de forma definitiva, ante às disposições da Lei N° 10.260, de 12 de julho de 2001 e da Lei 11.096, de 13 de janeiro de 2005, em razão do comando do artigo 2° da LICC, uma vez que estes novos dispositivos regulam inteiramente a matéria de que tratava o artigo 7° da lei 9.732/98. Aduz que a Liminar ou a Antecipação da Tutela em ADin que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Por fim, salienta que não houve no Parecer e na Decisão recorrida qualquer objeção ao montante do recolhimento indevido, informado pela Recorrente através de seus demonstrativos, razão pela qual se acha preclusa tal matéria, devendo, em caso de reforma do julgado, prevalecer os valores postulados. Requer a reforma da decisão recorrida, para, em conseqüência autorizar, de plano, da integral compensação ou repetição dos valores recolhidos indevidamente. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002459/200629 Acórdão n.º 240101.790 S2C4T1 Fl. 53 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Do que se depreende da decisão de primeira instância, o crédito pleiteado pela recorrente é incontroverso, sendo certo que o indeferimento do pedido de restituição/compensação foi calcado no fato de que, segundo o entendimento do julgador de primeira instância, não se reconhece o direito creditório, em razão de a regra contestada ter sua eficácia suspensa pela medida cautelar somente a partir da data da publicação da ata da sessão do julgamento na qual a liminar foi deferida não alcançando, portanto, os recolhimentos efetuados. A despeito deste entendimento, a autoridade administrativa assevera que a Medida Cautelar, em Ação direta de Inconstitucionalidade, revestese ordinariamente de eficácia “ex nunc”, ou seja, operando seus efeitos à partir do momento em que o STF a defere. Pois bem, o exercício do direito à restituição, foi assegurado expressamente pela Lei 8.383/91, a qual, em seu artigo 66, sob redação introduzida pela Lei nº 9.069/95, que, nos casos de pagamento indevido de receitas patrimoniais (expressão utilizada ao lado dos tributos e das contribuições sociais), o contribuinte poderá solicitar restituição de tal valor. A Lei nº 9.732/98, artigo 4º, cancelou as isenções em favor das entidades de assistência social que não exerçam suas atividades de modo exclusivamente gratuito, e isto é incompatível com os ditames da Constituição Federal, que não veiculou exceções ou restrições ao que foi instituído pelo artigo 195, parágrafo 7º, que veda expressamente a incidência de contribuição para a seguridade social às entidades beneficentes de assistência social, atendidos os requisitos da lei. O STF, no julgamento da liminar da ADIN 20285, ocorrida em 14/07/1999 entendeu serem manifestamente inconstitucionais as disposições dos artigos 1º (na parte em que alterou a redação do artigo 55, inciso III, da Lei nº 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º), bem como os artigos 4º, 5º e 7º da Lei 9.732/98, que pretendem restringir o conceito de entidade beneficente de assistência social de forma a abranger exclusivamente as entidades que promovam atendimento inteiramente gratuito e excluir as entidades educacionais e de saúde como prestadoras de assistência social, pois elas estão criando novos requisitos, não previstos pelo artigo 14, do CTN. Vejamos a os dispositivo em questão: "Defiro a liminar, submetendoa desde logo ao Plenário, para suspender a eficácia do artigo 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, inciso III, da Lei nº 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, bem como dos artigos 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Ministro Marco Aurélio, VicePresidente no exercício da Presidência." Fl. 66DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Notese que a liminar foi concedida em julho de 1999 e a Lei 9868, que dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal e determina o efeito “ex nunc” das referidas decisões, somente seria publicada em novembro de 1999, portanto, após a concessão da medida cautelar. Logo, temos que somente após a publicação da referida Lei, as decisões do STF deveriam mencionar se entendiam pela concessão da eficácia retroativa das medidas cautelares, o que não é o presente caso. No caso em tela, como antes já mencionado, não se está discutindo a existência ou não do direito creditório da recorrente, mas tão somente a possibilidade da restituição/compensação destes créditos. Ora, a recorrente pretende a compensação com créditos da mesma natureza, obedecendo, sobremaneira, todas as disposições legais, não havendo, na ótica deste relator, óbice ao pleito em questão. Diante ao exposto: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e no mérito DAR LHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 67DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002459/200629 Acórdão n.º 240101.790 S2C4T1 Fl. 54 7 Voto Vencedor Em que pese a boa argumentação do ilustre relator, ouso divergir do seu entendimento em dar provimento ao recurso do recorrente. As possibilidades de compensação e restituição estão expressamente previstas, senão vejamos: As hipóteses de compensação/restituição estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso, tendo em vista que não existe decisão definitiva de mérito quanto a ADI n. 20285/99, que determinou a suspensão dos efeitos da Lei 9732/98. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só Fl. 68DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Havendo disposição específica na legislação previdenciária, não há que ser aplicado o procedimento das Leis n °s 8.383/1991, 9.430/1996 e o Decreto n ° 2.138/1997, portanto, não prospera o argumento de que tais Leis permitem a compensação a critério do contribuinte. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado as contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Contudo, entendo que apenas após o transito em julgado da ADI 20285, teria o recorrente direito a compensação dos valores recolhidos durante a vigência da Lei nº 9.732/98, artigo 4º, visto que a Ação Cautelar suspende a exigência apenas em relação aos fatos geradores devidos após a concessão da cautelar, operando efeitos “ex nunc”. Destacase ainda, que, conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes de decisão definitiva não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação:restituição pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Podemos ainda destacar que a compensação não é regulada pelo artigo 368 do Código Civil; pois há dispositivo legal específico, quando a origem do crédito do contribuinte é tributário. Nesse caso, há que se observar os artigos 170 e seguintes do CTN, bem como o art. 89 da Lei n ° 8.212/1991. A Decisão da unidade descentralizada da SRP analisou a base de todo o pedido de compensação/restituição, bem como os argumentos apontados pela recorrente e o motivo do indeferimento baseouse apenas no aspecto dos permissivos legais autorizarem ou não tal compensação com efeitos retroativos antes da decisão final. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002459/200629 Acórdão n.º 240101.790 S2C4T1 Fl. 55 9 CONCLUSÃO Face o exposto voto por CONHECER DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 25/05/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19615.001356/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/12/2003
Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. CONTRIBUIÇÃO AO FNDE
A empresa optante do SME tem que comprovar que foram efetuados
dispêndios com “indenização de dependentes”, para que possa realizar as deduções quando do recolhimento de contribuições ao FNDE.
As deduções realizadas em desacordo com as normas expedidas pelo FNDE serão objeto de glosa, lançada por meio de NFLD.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2301-002.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2002, anteriores a 11/2002, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas
demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1997 a 30/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. CONTRIBUIÇÃO AO FNDE A empresa optante do SME tem que comprovar que foram efetuados dispêndios com “indenização de dependentes”, para que possa realizar as deduções quando do recolhimento de contribuições ao FNDE. As deduções realizadas em desacordo com as normas expedidas pelo FNDE serão objeto de glosa, lançada por meio de NFLD. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrente COMPANHIA ALAGOANA DE REFRIGERANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1997 a 30/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. CONTRIBUIÇÃO AO FNDE A empresa optante do SME tem que comprovar que foram efetuados dispêndios com “indenização de dependentes”, para que possa realizar as deduções quando do recolhimento de contribuições ao FNDE. As deduções realizadas em desacordo com as normas expedidas pelo FNDE serão objeto de glosa, lançada por meio de NFLD. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 apuradas até a competência 10/2002, anteriores a 11/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19615.001356/200745 Acórdão n.º 230102.015 S2C3T1 Fl. 142 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições arrecadadas pelo INSS e destinadas ao Terceiro, FNDE. Conforme Relatório Fiscal (fls. 22), o débito se refere à glosa de deduções realizadas pela empresa a titulo de indenização de dependentes, e teve origem a partir de representação administrativa encaminhada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. A autoridade lançadora esclarece que as empresas optantes pelo SME, como é o caso da recorrente, deveriam recolher a contribuição social do salárioeducação ao FNDE, com a dedução dos valores comprovadamente despendidos na manutenção da escola própria ou na indenização de dependentes, até o limite mensal por aluno fixado pelo Conselho Deliberativo do FNDE. Informa que, o FNDE, tendo verificado irregularidade no recolhimento do salário educação, formalizou representação administrativa à RFB, acompanhada de elementos de convicção, sendo que o exame realizado pelo FNDE consistiu em verificar a regularidade das deduções realizadas na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes do Sistema de Gestão da Arrecadação — SIGA da autarquia. Segundo ainda relato fiscal, verificouse que as deduções foram realizadas em desacordo com as informações prestadas ao FNDE, cabendo, portanto, a realização do lançamento correspondente à glosa das deduções indevidas. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1121.846, da 6a Turma da DRJ/REC, (fls. 111), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 121 ), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reafirma que a empresa notificada sempre efetuou corretamente as deduções realizadas na modalidade "indenização de dependentes", e que sempre informou de forma correta, na RAI, os empregados que comprovaram a freqüência regular e quitação das mensalidades de seus dependentes em estabelecimento de ensino particular. Ressalta que sempre deduziu de forma correta os recolhimentos mensais do salário educação, apresentando sempre o valor deduzido na guia de arrecadação do salário educação equivalente ao numero de alunos informado na RAI — Relação dos Alunos Indenizados. Informa que todos os documentos comprobatórios de tais recolhimentos foram extraviados devido à inundação (caso fortuito) ocorrida entre os dias 30/06/2004 e 01/07/2004, no distrito industrial de Maceió/AL, conforme constatase das vistorias técnicas e Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 certidões da defesa civil em anexo à impugnação, o que impossibilita a empresa notificada de apresentar tais documentos. Requer, por fim, que seja acolhido o presente recurso e que seja cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19615.001356/200745 Acórdão n.º 230102.015 S2C3T1 Fl. 143 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela recorrente em seu recurso, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase, dos autos, que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19615.001356/200745 Acórdão n.º 230102.015 S2C3T1 Fl. 144 7 No caso presente, houve recolhimento antecipado de parte do débito, conforme se verifica do Relatório Fiscal, tratando o lançamento de glosa de dedução realizada quando do pagamento de contribuições devidas ao FNDE. A NFLD foi consolidada em 22/10/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 13/11/2007, conforme AR de fls. 78. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para os valores lançados nas competências entre 03/1997 a 10/2002, inclusive. Dessa forma, reconheço a decadência de parte do débito. Em seu recurso, a recorrente se limita a afirmar que fez os recolhimentos corretamente ao FNDE, mas que está impedida de comprovar tal fato tendo em vista a inundação (caso fortuito) ocorrida entre 30/06/2004 e 01/07/2004, que extraviou a documentação comprobatória de suas alegações. Ocorre que, da análise da documentação e informações apresentadas pela própria empresa ao FNDE, aquela autarquia concluiu que a empresa realizou, de forma indevida, glosa relativo à "indenização de dependentes". Dessa forma, não há como acolher as alegações da recorrente de que efetuou corretamente as deduções realizadas nessa modalidade, pois os documentos apresentados e as informações fornecidas pela própria empresa notificada ao FNDE, referentes ao período da ocorrência do fato gerador, demonstram que foram efetuadas glosas indevidas. E, sendo o lançamento um ato vinculado, não pode a autoridade administrativa desconstituir um lançamento que foi originado a partir de declarações feitas pela própria notificada, com base apenas no argumento de que as informações por ela mesma prestadas anteriormente estavam incorretas e que as provas dessa incorreção foram extraviadas posteriormente. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 03/1997 e 10/2002, inclusive. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 30/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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