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Numero do processo: 11080.910648/2016-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.624
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 48 /2 01 6- 35 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.910648/201635 Acórdão n.º 3402006.624 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.001450/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.
A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73).
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício.
MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis evidencia a intenção de reduzir o montante do imposto devido, o que dá ensejo à aplicação da multa qualificada.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Reconhecido o dolo pela prática reiterada de infração, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-006.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis evidencia a intenção de reduzir o montante do imposto devido, o que dá ensejo à aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Reconhecido o dolo pela prática reiterada de infração, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 14 50 /2 00 9- 46 Fl. 376DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 352/369) interposto em face do Acórdão nº 09-28.437 (e-fls 330/346) prolatado pela DRJ Juiz de Fora em sessão de julgamento realizada em 26/02/2010. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 09-28.437 A ação fiscal, relativa aos Exercícios 2004 e 2006, desenvolvida junto a Paulo Rogério da Silva, já qualificado nos autos, resultou no Auto de Infração, exigindo R$ 139.291,10 de imposto de renda, R$ 208.936,64 de multa de ofício de 150% (passível de redução) e R$ 79.008,34 de juros de mora (calculados até 30/09/2009). O detalhamento da fiscalização encontra-se na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, às fls. 07 a 12. Em resumo, “considerando os recursos financeiros movimentados nos Bancos, em comparação com os valores declarados nas Declarações de Ajuste Anual...”, tem- se que a falta de atendimento do contribuinte, regularmente cientificado, ao Termo de Início de Fiscalização, que solicitava, dentre outros, a apresentação dos extratos bancários referentes à todas as contas mantidas em instituições financeiras durante os Fl. 377DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 anos-calendário 2003 e 2005, motivou a solicitação dessas informações diretamente a tais instituições, através de Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. A partir da documentação encaminhada em atendimento às RMFs, elaborou-se planilha demonstrativa dos depósitos/créditos, cuja origem deveria ser comprovada, através da apresentação de documentos hábeis e idôneos. Em função dos valores depositados nas contas bancárias e dos esclarecimentos prestados em relação à origem destes, a autoridade fiscal apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos montantes de R$ 264.763,59 e R$ 244.823,13, respectivamente, para os anos- calendário de 2003 e 2005. Destaque-se que na apuração da omissão foram levados em consideração os valores declarados pelo contribuinte nas DIRPFs referentes aos períodos fiscalizados. Segundo a autoridade autuante, “tendo restado caracterizado, em tese, o intuito de fraude, deve ser aplicada multa qualificada (150%)..., com base na conduta dolosa do contribuinte de, reiteradamente, não declarar e nem recolher os tributos federais devidos, desde a sua constituição, com a intenção de lesar os cofres públicos.” Tal fato ocasionou a formalização do Processo nº 10660.001451/2009-91 - Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificado do Auto de Infração, o requerente apresentou impugnação, às fls. 283 a 301, instruída pelos elementos de fls. 302 a 320, em que contesta o lançamento efetuado, apresentando, em apertada síntese, as razões a seguir: 1 Da nulidade do Auto de Infração: 1.1 Argui a nulidade do lançamento pela inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, “... que teria respaldo no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, embora tal dispositivo não conste de sua fundamentação legal..., em que pese a autorização dada pela referida lei, bem como pela legislação ordinária e decretos que a regulamentaram, a mesma não encontra adequação no ordenamento jurídico pátrio, uma vez que, de acordo com o art. 5º da Constituição Federal em vigor, temos por invioláveis o direito à privacidade e ao sigilo dos dados pessoais, sendo que somente por ordem judicial eles poderiam ser expostos... o sigilo bancário constitui expressão do direito à intimidade, tratando-se de matéria sujeita à reserva de jurisdição.” Cita, ainda, entendimento de doutrinadores sobre a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, sem prévia autorização judicial, a fim de reforçar seus argumentos; 1.2 “Surge também, como preliminar de nulidade do Auto de Infração ora impugnando, o fato de que no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal integrante do mesmo não consta a fundamentação legal dos atos praticados pela fiscalização para proceder à quebra do sigilo bancário do fiscalizado.” 2 Da multa de 150%: 2.1 A fiscalização justifica o agravamento da multa, por entender que a omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários sem comprovação de origem constitui conduta dolosa que evidenciaria o intuito de fraude; Fl. 378DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 2.2 Para a aplicação da multa de 150% é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte. A fraude não pode ser presumida, mas sim comprovada através de elementos contundentes apuráveis, inclusive, através do devido processo legal. Esse entendimento é amplamente reconhecido pela jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ementas colacionadas; 2.3 O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes e de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc, consoante jurisprudência administrativa (na defesa, estão reproduzidas ementas exaradas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes); 2.4 Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No entanto, entende o contribuinte que não agiu com evidente intuito de fraude; 2.5 Embora seja razoável esperar que o contribuinte deva apresentar sua declaração de ajuste com exatidão e dentro dos prazos legais, também não é desmesurado assumir que este não tenha sido diligente em tal controle. A ausência de diligência não é suficiente para pressupor a ocorrência de intuito doloso ou fraudulento; 2.6 O contribuinte ao prestar declaração inexata e/ou deixar de pagar tributo referente à infração de omissão de receitas provenientes de depósitos bancários não comprovados, sujeitou-se à aplicação da multa de 75%. Não ficou demonstrado nos autos que o autuado agiu com evidente intuito de fraude para ensejar a aplicação da multa de 150%, pois somente foi comprovada a omissão, que em si não representa ação dolosa. A prova neste aspecto deve ser material, evidente, como diz a lei; 2.7 Ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, com o efeito de causar dano à Fazenda Pública. Ou seja, o dolo é o elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, diferentemente da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração; 2.8 “Se, por um lado, cabe ao contribuinte provar a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias para que não seja caracterizada a omissão de rendimentos, por outro lado compete a fiscalização demonstrar a conduta dolosa desse contribuinte para então lhe atribuir a multa qualificada de 150%.”; 2.9 A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos quando o contribuinte não comprovar a origem dos depósitos constatados pelo Fisco, no entanto não autoriza a presunção de dolo, porque este não se presume. “O dolo exige evidências claras da intenção do agente. Para apurar o intuito fraudulento, em procedimentos que tenham por base presunções legais, a investigação tem que ser mais ampla e aprofundada(...)”; 2.10 “No presente processo, não ficou configurada a conduta ou a intenção dolosa, que restaria caracterizada apenas e tão somente, no entendimento da fiscalização, pela omissão de rendimentos decorrente da apresentação de declarações Fl. 379DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 inexatas, ou pela suposta existência de depósitos bancários de origem não comprovada.”; 2.11 Lembra que é conveniente observar a jurisprudência administrativa mais recente, chamando atenção para o fato de que a matéria já foi sumulada (Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes) e destaca o seguinte trecho de Acórdão: “Verifica-se assim, que o evidente intuito de fraude atribuído ao contribuinte não se encontra lastreado em conduta dolosa específica, mas sim na omissão de rendimentos propriamente dita. Nesse passo, a jurisprudência que vem se consolidando neste Conselho de Contribuintes é no sentido de que a qualificação da multa de ofício deve ter por base a demonstração cabal do evidente intuito de fraude, que não se caracteriza com a simples omissão de rendimentos. Dito posicionamento foi inclusive objeto da Súmula nº 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes...”; 2.12 O equívoco praticado pelo Fisco, ao considerar a simples omissão de rendimento como infração sujeita à multa qualificada, causa transtorno irreparável ao contribuinte, posto que além do problema tributário, surge a questão penal; 2.13 “Assim, é que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos... a fiscalização errou ao agravar a multa de ofício para 150%.” 3 Dos depósitos bancários: 3.1 Dos depósitos relativos ao ano-calendário de 2003: 3.1.1 “Excluída a imputação de dolo ou fraude na conduta do impugnante, surge como questão preliminar a hipótese de decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar a omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada quanto a fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2003.”; 3.1.2 Transcreve os artigos do CTN relativos às modalidades de lançamento existentes e aqueles atinentes à contagem do prazo quinquenal decadencial, bem como ementas da jurisprudência administrativa e do STJ relacionadas ao tema. Cita, também, o entendimento de doutrinadores, além de fazer um passeio pela evolução no tempo do imposto de renda pessoa física, face às alterações da legislação; 3.1.3 Conclui, então, que “dentro dessa linha de raciocínio, para a autoridade fiscal efetuar o lançamento do imposto pertinente aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2003, o marco inicial para a contagem do prazo foi 1º/1/2004 e o último dia 31/12/2008. Portanto, na data em que o contribuinte foi cientificado do lançamento, em novembro de 2009, havia decaído o direito de lançar.” 3.2 Dos depósitos relativos ao ano-calendário de 2005: 3.2.1 Depósitos a serem excluídos: neste tópico, lista alguns depósitos que podem ser excluídos da tributação em virtude de esclarecimentos agora prestados. Destaque-se que estes serão objeto de análise individualizada no decorrer do Voto; Fl. 380DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 3.2.2 Depósitos com origem na atividade rural: alega que alguns dos depósitos bancários ocorreram em função de vendas de leite e de gado, apresentando nota fiscal e declarações fornecidas pelos compradores; 3.2.3 Depósitos anistiados: com as considerações feitas nos itens 3.2.1 e 3.2.2, “...o montante dos depósitos relacionados pela fiscalização fica reduzido a R$ 101.667,53... E, desta forma, considerando o critério adotado pela fiscalização..., temos uma nova diferença passível de tributação de R$ 77.551,50, a ser considerada como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Neste ponto, torna-se extremamente importante observarmos na listagem anexada ao Auto de Infração pela fiscalização, que todos estes depósitos são de valor individual inferior a R$ 12.000,00.” Assim, não há que se falar em omissão de receita passível de tributação, decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem, uma vez que os créditos remanescentes são de valor individual inferior a R$ 12.000,00, atingindo um montante, no ano-calendário de 2005, inferior a R$ 80.000,00. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 09-28.437 2.1. Ao julgar procedente em parte a impugnação, o acórdão tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Uma vez existente comando expresso, em lei, autorizando o exame de informações bancárias, este deve ser acatado e utilizado pelo Fisco, pois não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade da lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Ademais, falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Fl. 381DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis evidencia a intenção de reduzir o montante do imposto devido, o que dá ensejo à aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Reconhecido o dolo pela prática reiterada de infração, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITA DA ATIVIDADE. COMPROVAÇÃO. A receita da atividade rural deve ser comprovada por meio de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. 2.2. Acrescente-se a transcrição do dispositivo: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação, que contestou o Auto de Infração, de fls. 01 a 12, para: eximir o contribuinte do pagamento do imposto de renda pessoa física no valor de R$ 25.095,49 (vinte e cinco mil e noventa e cinco reais e quarenta e nove centavos) e respectivos acréscimos legais; exigir do contribuinte o pagamento do imposto de renda pessoa física no valor de R$ 114.195,61 (cento e quatorze mil, cento e noventa e cinco reais e sessenta e um centavos), sujeito à multa de ofício de 150% (passível de redução) e aos juros de mora na data do efetivo recolhimento. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 352/369), o Recorrente deduz as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo conforme informação produzida pela unidade preparadora (e-fls 375). e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARREESS DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀ QQUUEEBBRRAA DDEE SSIIGGIILLOO BBAANNCCÁÁRRIIOO Fl. 382DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 5. Como se pode divisar, as alegações formuladas em sede recursal se centram no inconformismo quanto à quebra do sigilo bancário. 5.1. Apesar da irresignação da contribuinte com a quebra do seu sigilo bancário, verifica-se que o mesmo se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001), portanto dentro dos limites legais. 5.2. Em relação à legalidade dos diplomas referenciados, este Órgão Administrativo já se posicionou, nos termos da Súmula CARF nº 35: O art. 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. 5.3. Ademais, com o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, em 24/02/2016, com repercussão geral reconhecida, foi fixado o entendimento acerca da constitucionalidade da LC 105/2001, bem como sua aplicação retroativa: RE 601.314 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que Fl. 383DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. 5.4. Tanto a Súmula como o entendimento jurisprudencial são de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do arts. 45, VI e 62, § 2º do RICARF (Portaria MF 343/2015). 5.5. Da análise dos autos, constata-se que procedimento de fiscalização transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade na quebra do sigilo bancário da recorrente. PPRREELLIIMMIINNAARREESS -- DDEEMMAAIISS QQUUEESSTTÕÕEESS SSUUSSCCIITTAADDAASS NNOO RREECCUURRSSOO 6. No recurso voluntário são repisadas em sede preliminar as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação, relacionadas à inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, assim como pela alegada ausência no "Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de referência específica à norma prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 6.1. Considero que a decisão de primeira instância perfez análise minuciosa de tais questões, ao rejeitar as questões preliminares suscitadas com fundamento no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Adoto como razões de decidir os mesmos fundamentos: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 09-28.437 Tendo em vista que o impugnante suscita a declaração de nulidade do lançamento em sua defesa, transcreve-se o disposto no Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), que, tratando das hipóteses de nulidade, assim estabelece em seu art. 59: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa;(...)” Não se vislumbra no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses retrotranscritas, visto que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. Fl. 384DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 Além disso, o impugnante arguiu como preliminar de nulidade o fato de não constar da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do lançamento a fundamentação legal dos atos praticados pela fiscalização para proceder à quebra do sigilo bancário do fiscalizado. O art. 10 do Decreto 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece que: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” [marcações não originais] No dispositivo transcrito, nota-se claramente que o Auto de Infração deve conter a disposição legal infringida, não se verificando qualquer determinação que obrigue a autoridade autuante a discriminar na autuação os dispositivos legais que pautaram sua conduta durante o procedimento de apuração do crédito tributário. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 09-28.437 PPRREEJJUUDDIICCIIAALL DDEE MMÉÉRRIITTOO -- DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA 7. O recurso refuta a decisão de primeira instância de confirmar a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 7.1. Considerando que a razão preponderante de aplicação da regra decadencial está relacionada à constatação de conduta dolosa, o desfecho desta questão prejudicial está interligada à análise do mérito do presente recurso. 7.2. No caso sob exame, a autoridade julgadora de primeira instância manteve a qualificação da multa: Nos presentes autos, entendeu a autoridade lançadora que o dolo fica demonstrado pela desproporcionalidade entre o fato de o contribuinte apresentar declaração com informações de rendimentos bem inferiores aos que percebia, apurados de ofício, nos dois anos-calendário examinados, constituindo prática reiterada de omissão de rendimentos, suscetível de enquadramento como caso de evidente intuito de fraude. 7.3. Comungo do mesmo entendimento a que chegou a decisão de primeira instância. que a regra de contagem de prazo decadencial aplicável à presente situação é aquela prevista no art. 173, I, do CTN e, portanto, quando da ciência do lançamento em 30/10/2009 (AR de fl. 280), ao contrário do alegado, a Fazenda Pública ainda tinha o Fl. 385DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 direito de constituir o crédito tributário apurado em relação aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2003. MMÉÉRRIITTOO 8. Considerando que as razões recursais guardam relação de coincidência com as razões ofertadas ao tempo da impugnação, e por concordar com os termos da decisão de primeira instância, ao entender que o Recorrente não se desincumbiu de comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas, assim como ao manter a multa qualificada, faz-se uso da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, com a transcrição do voto inserto na decisão de primeira instância que guarda pertinência com as questões recursais: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 09-28.437 A tributação que ora se discute refere-se à omissão de rendimentos exteriorizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, cujo caput a seguir se transcreve: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Portanto, na existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento com origem não comprovada, presume-se a ocorrência de omissão de rendimentos, sem que se determine a sua origem ou natureza. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na conta-corrente do contribuinte. Em outras palavras, com o artigo 42 da Lei 9.430/96, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo, pois, a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal, cabe ao contribuinte, se pretende refutar a alegação de omissão de rendimentos feita pelo Fisco, comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas. Comprovação hábil pressupõe correlacionar o fato alegado como origem e os depósitos, de maneira individualizada, com coincidência de datas e valores. Na impugnação, o recorrente insurge-se contra a aplicação da multa qualificada de 150%, alegando que é nítida a necessidade lógica de comprovação de dolo para a imposição de tal multa não podendo aplicá-la por mera presunção. A multa de ofício qualificada de 150%, aplicada nos autos, teve como amparo o art. 44 da Lei 9.430/96. Dispõe o citado dispositivo, com a redação atual dada pela Lei 11.488/07: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 386DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Como se percebe, a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% tem lugar quando se comprove tratar-se de casos de evidente intuito de fraude como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, que se transcrevem: “Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72.” Já a Lei nº 8.137/90 dispõe que: “Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou a contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Art. 2º. Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre as rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo...” Denota-se da legislação transcrita, que as situações citadas pelo requerente, quais sejam, adulteração de comprovantes e de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc, de fato, podem ser casos típicos de evidente intuito de fraude. No entanto, em momento algum, a lei aponta uma lista exaustiva, definindo as situações específicas que caracterizariam o evidente intuito de fraude. Com efeito, há que se destacar que os conceitos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964 não tratam apenas de atos comissivos; incluem também procedimentos tendentes a impedir ou a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou a reduzir o montante do imposto devido de modo a evitar ou diferir o seu pagamento, e isso ficou evidenciado, na presente Fl. 387DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 situação, pelo vulto dos valores apurados nos períodos fiscalizados. Não houve, como quer fazer crer o impugnante, mera presunção. O conceito de dolo, estampado no inciso I do art. 18 do Decreto-lei 2.848/40 - Código Penal, dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. A doutrina afirma, ainda, que o dolo é composto de dois elementos: o cognitivo, que é o conhecimento do agente do ato ilícito; e o volitivo, que é a vontade de atingir determinado resultado ou em assumir o risco de produzi-lo. Nos presentes autos, entendeu a autoridade lançadora que o dolo fica demonstrado pela desproporcionalidade entre o fato de o contribuinte apresentar declaração com informações de rendimentos bem inferiores aos que percebia, apurados de ofício, nos dois anos-calendário examinados, constituindo prática reiterada de omissão de rendimentos, suscetível de enquadramento como caso de evidente intuito de fraude. Ora, essa conduta do contribuinte não pode ser considerada como involuntária, mas uma consequência da intenção deliberada de omitir rendimentos e também informações através da apresentação da declaração de ajuste anual com informações inexatas. É este comportamento que leva à conclusão de que não houve um simples erro que passou despercebido, mas, de fato, prática intencional, o que não pode ser confundido com uma omissão de rendimentos ocorrida por falha de preenchimento da declaração; esta sim, sujeita à aplicação da multa de 75%. Em assim sendo, o presente caso não se amolda àquela situação descrita na Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Como relatado pelo fiscal autuante no Termo de Verificação Fiscal, houve “conduta dolosa do contribuinte de, reiteradamente, não declarar e nem recolher os tributos federais devidos, desde a sua constituição, com a intenção de lesar os cofres públicos.” A ação reiterada do contribuinte, nos anos-calendário fiscalizados, de ocultar a base de cálculo do imposto de renda, pela omissão de rendimentos evidenciados pela análise de sua movimentação bancária mantidos à margem da tributação caracteriza, em tese, sonegação, tendo o fiscal autuante aplicado corretamente a multa qualificada prevista na legislação. (...) Por todo o exposto, tem-se que a regra de contagem de prazo decadencial aplicável à presente situação é aquela prevista no art. 173, I, do CTN e, portanto, quando da ciência do lançamento em 30/10/2009 (AR de fl. 280), ao contrário do alegado, a Fazenda Pública ainda tinha o direito de constituir o crédito tributário apurado em relação aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2003. (...) Como a defesa do contribuinte em relação aos depósitos de origem não comprovada apurados no ano-calendário de 2003 limita-se ao questionamento da preliminar de decadência que, consoante demonstrado, não pode ser acatada, não há o que se reparar no feito fiscal relativamente a este período. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 09-28.437 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Fl. 388DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.221 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.001450/2009-46 9. Em vista do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000249/2007-06
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 23/03/2001
PIS. DECRETOS-LEI Nº 2.445 E 2.449, DE 1988. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7, DE 1970. VIGÊNCIA. REPRISTINAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A vigência de legislação revogada por lei declarada inconstitucional decorre dos efeitos erga omnes e ex tunc da suspensão de sua execução e não se confunde com a figura jurídica da repristinação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 23/03/2001 PIS. DECRETOS-LEI Nº 2.445 E 2.449, DE 1988. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7, DE 1970. VIGÊNCIA. REPRISTINAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A vigência de legislação revogada por lei declarada inconstitucional decorre dos efeitos erga omnes e ex tunc da suspensão de sua execução e não se confunde com a figura jurídica da repristinação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
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DECRETOS-LEI Nº 2.445 E 2.449, DE 1988. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7, DE 1970. VIGÊNCIA. REPRISTINAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A vigência de legislação revogada por lei declarada inconstitucional decorre dos efeitos erga omnes e ex tunc da suspensão de sua execução e não se confunde com a figura jurídica da repristinação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 8. 00 02 49 /2 00 7- 06 Fl. 126DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.260 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16098.000249/2007-06 Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou as seguintes declarações de compensação apresentadas pela contribuinte (cópias às fls. 1/12): A contribuinte indicou nas citadas DCOMP que o direito creditório aproveitado referia- se ao PIS e teria origem em ação judicial transitada em julgado, indicando o nº 14170, do STF. Intimada a apresentar documentação relacionada ao direito creditório em jogo, a contribuinte juntou cópias das Declarações de Compensação, além de reprodução do acórdão prolatado na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 14170 Distrito Federal, que declarou a inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998. A unidade de origem, mediante o Despacho Decisório DRF/SEORT/GUA nº 68/2008 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações vinculadas. Como fundamento da decisão, a autoridade arguiu o seguinte: Como o Interessado identificou seu direito como originário de Decisão Judicial, primeiramente, temse que fazer a análise do pleito de acordo com seu pedido. Quando se avalia a questão da procedência do crédito, necessário se faz verificar o andamento e o atual estágio do processo judicial arrolado como base para o crédito. De acordo com a própria natureza da ação declarada como base dos créditos (ADIN), o Interessado não era parte na ação. Uma coisa é o efeito de uma ação ser "erga omnes", ou seja, estenderse a todos os destinatários da norma jurídica declarada inconstitucional. Isto, em tese, poderia tornálo beneficiário da declaração de constitucionalidade presente no acórdão da ADIN. Porém, jamais o tornaria parte daquela Ação. Por outro lado, o Interessado não provou ser, individualmente, parte em qualquer ação que viesse a discutir matéria semelhante discutida na ADIN. Isto fica evidenciado na medida em que não demonstrou este evento, através dos elementos solicitados em Termo de Intimação específico para tal. Também, em pesquisas no "site" da repartição da Justiça Federal (fls 52), de jurisdição do domicílio do Interessado, não se localizou nenhuma ação que pudesse fundamentar o direito alegado. Com base nessas informações e no disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 1996 e no art. 170A do Código Tributário Nacional concluiu o texto do despacho decisório: Do exposto, depreende-se que o crédito arrolado pelo Interessado não pode ser objeto de compensação, pois não há sequer uma ação proposta. Por outro lado, não houve demonstração, mesmo tendo o Interessado tido a oportunidade para fazê-lo, de que seria beneficiário do dispositivo da ADIN citada, que considerou inconstitucional a alteração na regra que previa a vigência da nova forma de cálculo do PIS/PASEP. Notificada do teor da decisão em 12/02/2008, em 10/03/2008 a contribuinte postou a manifestação de inconformidade de fls. 60/65, argumentando o que segue. Fl. 127DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.260 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16098.000249/2007-06 Alega que, declarados inconstitucionais os Decretos-Leis nº 2.445 e 2.449 de 1988 e afastada a execução desses dispositivos pela Resolução do Senado Federal nº 49 de 1995, a contribuição ao PIS deixa de ter regra que imponha sua incidência até a entrada em vigor da MP nº 1.212, de 1995. Isso porque, alega, admitir a restauração das Leis Complementares nº 7, de 1970 e nº 17, de 1973, uma vez rejeitados os citados Decretos- Leis, configuraria a repristinação, figura rejeitada pela Lei de Introdução ao Código Civil. O art. 1º do Decreto-Lei n° 2.445/88, com a nova redação dada pelo art. 10 do Decreto- Lei n° 2.449/88, teve vigência a partir de 01/06/88 até sua rejeição a partir de 05/06/89, face ao disposto no art. 25 § 1º , do Ato da Disposição Transitória (ADCT) editado juntamente com a Constituição de 41/ 1.988. Assim, o texto legal referente a alíquota e a base de cálculo do Programa de Integração Social PIS estabelecidas pelo art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/70, teve vigência até o fato gerador concluído em 30/06/88, quando ocorreu a revogação pelo Decreto-Lei n° 2.445/88, com vigência a partir do fato gerador que iniciou em 01/07/88. Considerando que os Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.449/88 não foram rejeitados sem terem vigido, aplica-se plenamente ao caso a vedação do princípio da repristinação (art. 2°, e seu § 3° da Lei de Introdução ao Código Civil). Face ao exposto, ficou sem eficácia qualquer exigência da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, calculada sobre a receita bruta, a partir de 05/06/89, por falta de legislação vigente. Com isso, a declaração de compensação via PER/DCOMP deveria ser aceita, uma vez que a origem dos créditos são a título de PIS recolhido indevidamente. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP), proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 23/03/2001 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte com aproveitamento de crédito que teria sido reconhecido judicialmente ante a inexistência de decisão judicial que ampare o crédito utilizado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega, na essência, que o crédito decorre de recolhimento a maior de PIS em face da inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°s 2.445/88 e 2.449/88. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.260 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16098.000249/2007-06 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. O contribuinte indicou nas retrocitadas DCOMP que o direito creditório aproveitado referia-se ao PIS e teria origem em ação judicial transitada em julgado, indicando o nº 1417-0, do STF. Já em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte defende seu direito de crédito com base na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°s 2.445/88 e 2.449/88 e de que não existiria previsão legal para a cobrança do PIS sobre a receita bruta desde 05/06/1989. Em relação aos Decretos-leis n°s 2.445/88 e 2.449/88, comunicado da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, o Senado Federal editou a Resolução 49, de 09/10/1995, suspendendo a execução dos decretos-lei considerados inconstitucionais: Art. 1º. É suspensa a execução dos Decretos-Leis nº s 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n º 148.754- 2/210/Rio de Janeiro. Art. 2º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º. Revogam-se as disposições em contrário. A partir do Decreto 2.346, de 10/10/1997, ficou estabelecido, no âmbito da Administração Pública federal, o efeito ex tunc (efeitos retroativos à data da entrada em vigor do ato declarado inconstitucional) ao ato do Senado Federal que suspendeu a execução do Decreto- lei 2.445, de 29/06/1988, alterado pelo Decreto-lei 2.449, de 21/07/1988. Já a Ação Direta de Inconstitucionalidade 1417-0 e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante, atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98, que pretendia a aplicação de suas disposições aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/95. É pacífico em nossos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação. É o que verificamos da análise do julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual foi relator o Ministro Luiz Fux, e cuja publicação da decisão se deu em 29/04/2002, verbis: “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. COBRANÇA DO PIS. ALTERAÇÃO DA ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. MEDIDA PROVISÓRIA 1212/95 E SUCESSIVAS REEDIÇÕES. CONSTITUCIONALIDADE. PRAZO NONAGESIMAL. A Lei Complementar nº 07/70 tem status de lei ordinária, podendo ser alterada por medida provisória, que tem força de lei. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que medida provisória é instrumento legislativo passível de reedição e idôneo para instituir e modificar tributos. Fl. 129DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.260 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16098.000249/2007-06 O prazo de noventa dias de que trata o § 6º, do art. 195, da CF deve ser contado a partir da publicação da primeira edição da Medida Provisória 1212/95, hoje convertida na Lei nº 9715/98. Recurso improvido.” Portanto, a jurisprudência reconheceu, e consolidou, a constitucionalidade das alterações normativas estabelecidas pela Medida Provisória nº 1.212/95, com única ressalva em relação à data de início de sua validade – em razão da decisão do STJ – que foi firmada em 01/03/1996. Alega ainda a recorrente que, uma vez que a Lei Complementar n° 7, de 1970 teria sido revogada pelos Decretos-leis n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, e estes, por sua vez, foram afastados do ordenamento jurídico por meio da Resolução n° 49, de 1995, do Senado Federal, por inconstitucionais, inexistiria lei vigente no período que embasasse a exação visto que o direito pátrio não admite a repristinação (art. 2°, §3°, da LICC). No entanto é equivocado esse entendimento, pois frente à suspensão da execução dos Decretos-lei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, a Lei Complementar nº 7/1970 voltou a reger o PIS desde a publicação das normas declaradas inconstitucionais, o que não caracteriza a repristinação, que ocorre quando a lei revogada por uma lei posterior volta a viger pela revogação da lei intermediária. Essa é, também, a posição do Supremo Tribunal Federal, que já se pronunciou no sentido de que a inconstitucionalidade declarada, ao afastar a repercussão dos Decretos-lei citados, não afastou a aplicação da Lei Complementar nº 7/1970, sendo legítima a cobrança do PIS na forma disciplinada pela Lei Complementar nº 7/1970. Em seu voto no RE nº 168.554-2/RJ (D.J. 9/6/1995), o Ministro Marco Aurélio de Mello expõe que “a declaração de inconstitucionalidade de um certo ato normativo tem efeitos ex tunc, retroagindo, portanto, à data da edição respectiva” e “a inconstitucionalidade declarada tem efeitos lineares, afastando a repercussão dos decretos-leis no mundo jurídico e que, assim, não afastaram os parâmetros da Lei Complementar nº 7/1970””. A jurisprudência da Segunda Instância do Contencioso Administrativo também é nesse sentido conforme ementas abaixo: PIS. DECRETOS-LEI Nº 2.445 E 2.449, DE 1988. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7, DE 1970. VIGÊNCIA. REPRISTINAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A vigência de legislação revogada por lei declarada inconstitucional decorre dos efeitos erga omnes e ex tunc da suspensão de sua execução e não se confunde com a figura jurídica da repristinação (Acórdão CC nº 201-81.008 de 13/3/2008) NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO NÃO SE CONFUNDE COM REPRISTINAÇÃO. Na hipótese de declaração de inconstitucionalidade, no controle difuso, a Resolução do Senado Federal não “revoga” a lei revogadora de uma anterior que será restaurada (repristinação), mas, isso sim, suspende a sua execução, com eficácia constitutiva negativa e efeitos “ex tunc”, próximos da situação de nulidade. (Acórdão CC no 201-76.732 de 31/1/2003) Portanto, é incorreto o entendimento da Recorrente, de que não existiria previsão legal para a cobrança do PIS nesse período, inclusive para os recolhimentos efetuados a partir do mês de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, sendo aplicada a Lei Complementar 7, de 07/09/1970, consideradas as alterações supervenientes, exceto aquelas introduzidas pelos Decretos-lei declarados inconstitucionais, na apuração do PIS no período pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.260 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16098.000249/2007-06 No mais, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento, além das declarações sob sua responsabilidade, que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal, comprovante de pagamentos e demonstrativo dos créditos. Se limitou, tão- somente, a argumentar sobre a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°s 2.445/88 e 2.449/88, que teriam gerado recolhimento a maior e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Assim, não restando comprovada a existência de qualquer pagamento a maior que o devido, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.904965/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para juntar aos autos e analisar os documentos que acompanharam a petição apresentada pela recorrente no prazo da manifestação de inconformidade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para juntar aos autos e analisar os documentos que acompanharam a petição apresentada pela recorrente no prazo da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 05-38.127 - 8ª Turma da DRJ/CPS, que manteve o Despacho Decisório com o numero de rastreamento nº 831700733, por intermédio do qual não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 26637.18948.120106.1.3.04-0527. Na referida declaração de compensação, objeto do PER/DCOMP nº 26637.18948.120106.1.3.04-0527, o crédito pleiteado teria como gênese pagamento indevido ou a maior de Cofins não-cumulativa (código da receita: 5856), período de apuração 02/2005, data de arrecadação 15/03/2005, no valor de R$ 6.514.966,46, sendo o saldo credor referente a este pagamento o valor de R$ 496.767,32, usado na compensação da Cofins não-cumulativa (código de receita 5856), período de apuração 12/2005, no valor de R$ 39.942,51. Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 04 96 5/ 20 09 -1 7 Fl. 136DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.213 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.904965/2009-17 Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls.01/04, datada de 11/05/2009, com as seguintes palavras: A impugnante foi notificada, através de despacho decisório, da não homologação de compensação na qual pretendia compensar débitos de COFINS com período de apuração em 12/2005, no valor total de R$ 39.942,51, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS em 2005, sob a alegação de inexistência de crédito. Muito embora o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior esteja corretamente descrito na DACON, este foi erroneamente declarado em DCTF. Depreende-se dos documentos acostados que o valor de COFINS a pagar em 02/2005 era de R$ 6.018.199,13 e não de R$ 6.514.966,46 conforme descrito em DCTF. Logo, o crédito restou classificado como insuficiente, quando o correto seria somente a retificação da DCTF. Segue abaixo um breve relato dos fatos que atestam a existência e validade do crédito: 1) Em 12/01/2006 a Impugnante enviou a Receita Federal uma declaração de compensação (PER/DCOMP) n° 26637.18948.120106.1.3.04-0527 na qual fora informado um crédito no valor de R$ 34.905,63, decorrente de um DARF recolhido a maior do que o devido no mês de fevereiro de 2005, no valor de R$ R$ 6.514.966,46. 2) Em 08/05/2009 a empresa enviou o DACON/2005, 1° trimestre, na qual constou informado na "Ficha 17B — COFINS a pagar", mês de janeiro, COFINS NÃO CUMULATIVO, o valor de R$ R$ 6.018.199,13 . Ressalta-se que na DCTF foi informado o valor de R$ R$ 6.514.966,46 como COFINS NÃO CUMULATIVO a pagar, destoando, portanto, da DACON. 3) Em 08/05/2009 a empresa retificou a DCTF para corrigir o equívoco cometido e portanto demonstrar o crédito a que faz jus. Logo, o crédito remanescente do DARF recolhido com base na apuração de fevereiro de 2005 R$ 34.905,63 não fora computado, uma vez que o débito apurado nesse mês fora erroneamente declarado em DCTF. Sendo assim, a D. Fiscalização entendeu por glosar tal compensação, sob a alegação de inexistência de crédito. Contudo, restou demonstrado que a lmpugnante faz jus ao crédito pleiteado. Desse modo, o equivoco vislumbrado foi o preenchimento errado da obrigação acessória — DCTF; equivoco esse, formal, que não pode gerar gravame ao contribuinte, uma vez que o ordenamento pátrio possibilita a correção do mesmo seja de oficio ou através de declaração retificadora. Diante do exposto, de acordo com a documentação acostada aos autos, o suposto débito da lmpugnante corresponde à divida fictícia, pois o mesmo deveria ser adequadamente extinto mediante retificação de DCTF (ou de oficio), uma vez que se encontra devidamente compensado. Portanto, temos que da maneira como está, os próprios procedimentos de compensação (PER/DCOMP) e preenchimento de uma das inúmeras obrigações acessórias que é a DCTF, vêm ilegalmente sendo considerados indevidos pelo Fisco, na medida em que não homologou a compensação efetuada, sem ter sido analisada a legitimidade ou não da mesma. Fl. 137DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.213 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.904965/2009-17 Nesse sentido reza o artigo 145 do CTN: "Art. 145. 0 lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I — impugnação do sujeito passivo; Ill - iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Pela análise do art. 145 CTN, acima transcrito, verifica-se que há possibilidade de se corrigir o engano cometido por esta Ilustríssima Autoridade Fiscal na decisão proferida, uma vez que a compensação efetuada está correta (o erro deu-se no preenchimento da DCTF), patentemente comprovada pelo DACON. Sendo assim, perfeitamente cabível a revisão do despacho decisório, com base nas informações prestadas que não correspondem a realidade trazida aos autos pela Autoridade Fazendária. DO PEDIDO Em face do exposto, estando cabalmente demonstrado o equívoco no preenchimento da DCTF (já sanado através da DCTF retificadora), que gerou a presente decisão de não reconhecimento da compensação efetuada e respectivo credito, requer seja reconhecido de oficio o equivoco cometido, com a conseqüente desconsideração do despacho decisório, anulando assim a presente decisão para cancelar integralmente os valores cobrados, bem como extinguindo o processo. É o relatório. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 8ª Turma da DRJ/CPS, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso, conforme Acórdão nº 05-38.127, datado de 28/05/2012, cuja ementa reproduzo a seguir: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Verificado que o suposto crédito classificado pelo contribuinte como pagamento indevido ou a maior foi integralmente utilizado para quitação de débito apurado e confessado na DCTF original, não há como reconhecer o direito creditório postulado. A retificação da DCTF, nesse caso, não é suficiente, por si só, para comprovar a existência do crédito pretendido. DACON E DCTF. NATUREZA JURÍDICA. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais por si não configura documento suficiente a comprovar qualquer erro nas informações prestadas na DCTF, pois trata-se de documento de natureza meramente informativa, enquanto a DCTF traduz-se em instrumento de confissão de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em que reitera as argumentações de sua Manifestação de Inconformidade e acrescenta que apresentou, no âmbito da unidade de origem e no prazo de sua defesa em primeira instância, os documentos contábeis e fiscais hábeis a comprovar o valor referente à Cofins do período de apuração 02/2005, retificado em suas DCTF e Dacon. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. Fl. 138DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.213 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.904965/2009-17 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A Recorrente, em seu recurso, reitera ter crédito originário de pagamento a maior de Cofins do período de apuração 02/2005, no valor originário de R$ 496.767,32, diferença entre o pagamento no montante de R$ 6.514.966,46 e o débito do correspondente período, R$ 6.018.199,13, conforme declarado em suas Dacon e DCTF retificadora da época. Na Manifestação de Inconformidade, porém, a Recorrente limitou-se alegar que o seu crédito encontrava suporte em suas declarações Dacon e DCTF retificadora e que a Receita Federal somente não o reconheceu, por ocasião do Despacho Decisório, porque ela ainda não havia corrigido, para menor, o débito da Cofins na DCTF, razão pela qual o Despacho Decisório apurou ausência de saldo do pagamento gênese do crédito, em virtude de sua alocação integral. A DRJ, a partir de tal alegação, logicamente julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por considerar que a simples retificação de DCTF, após o Despacho Decisório e desacompanhada de documentos contábeis e fiscais que dessem suporte aos valores reclamados, não teria o condão de comprovar o direito creditório pleiteado. Ciente da decisão do órgão julgador a quo e de sua motivação, a Recorrente, no bojo de seu Recurso Voluntário, alega e comprova, por intermédio da petição acostada à fl. 122, que, em 14/05/2009, apresentou, perante a DRF Jundiaí/SP, os seguintes documentos: cópias da conta Cofins a Recolher - Razão Contábil referente aos meses janeiro a maio/2005, Razão Contábil da conta Outros Impostos a Receber do mês de setembro/2005 e respectivas cópias do Livros Diários de fevereiro a maio e setembro/2005. Referida petição, direcionado aos presentes autos, demonstra que diversos documentos contábeis foram apresentados pela Recorrente com a finalidade de justificar/comprovar seu direito creditório pleiteado, mas indevidamente não foram juntados a estes autos, o que impediu sua necessária análise pela DRJ. Não se sabe o motivo da falha na instrução processual destes autos no âmbito da unidade de origem e nem se faz necessário agora perquirir suas causas, tendo em vista o princípio da celeridade processual e a inexistência, com a constatação da falha neste grau de jurisdição, de prejuízos à Recorrente em sua defesa. O que deve ser providenciado, a partir do conhecimento desse fato, é a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem adote as seguintes providências: a) Juntar aos presentes autos os documentos que acompanharam a petição à fl. 122, apresentada pela Recorrente perante a DRF/Jundiaí/SP ainda no prazo para apresentação de sua Manifestação de Inconformidade; b) Caso os referidos documentos tenham sido extraviados, intimar a Recorrente a reapresentá-los, tendo em vista que persiste a obrigação de a interessada mantê-los, consoante parágrafo único do art. 195 do CTN; c) De posse de tais documentos, a unidade deve: c.1) Informar o valor da Cofins no regime não-cumulativo do período de apuração 02/2005; c.2) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pela Recorrente, empregado sob forma de compensação; Fl. 139DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.213 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.904965/2009-17 c.3) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e c.4) Da conclusão da diligência, dar ciência à contribuinte, abrindo-lhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar-se sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF, para prosseguimento do rito processual. Nos termos acima, voto por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para juntar aos autos e analisar os documentos que acompanharam a petição apresentada pela recorrente no prazo da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.971108/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
Numero da decisão: 1201-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 11 08 /2 00 9- 54 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15374.971108/200954 Acórdão n.º 1201002.991 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de despacho decisório que denegou o direito à compensação pleiteado por meio da apresentação da Declaração de Compensação nº 39844.29008.110108.1.3.047306, constante de fls. 48 a 51, apresentada em 11/01/2008, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ (cód. 2362), relativo ao período de apuração de jul/2007, mencionado no PER/DCOMP inicial nº 20151.15910.110108.1.3.048190, no valor total de R$ 10.630,96, com débitos de COFINS (cód. 5856), no mesmo valor, relativo ao período de apuração de dez/2007. Transcrevo o relatório anexado ao acórdão nº 1253.611, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ1, complementandoo ao final com o necessário. Tratase de Declaração de Compensação nº 39844.29008.110108.1.3.047306, constante de fls. 48 a 51, apresentada em 11/01/2008, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ (cód. 2362), relativo ao período de apuração de jul/2007, mencionado no PER/DCOMP inicial nº 20151.15910.110108.1.3.048190, no valor total de R$ 10.630,96, com débitos de COFINS (cód. 5856), no mesmo valor, relativo ao período de apuração de dez/2007. Conforme Despacho Decisório de fl. 54 foi indeferido o pedido, em virtude da inexistência do crédito informado, uma vez que o pagamento discriminado no PER/DCOMP, cujo valor original total era de R$ 36.238,49 foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 19/10/2009, conforme AR de fl. 53, a contribuinte interpôs em 30/10/2009 manifestação de inconformidade de fls. 2 e 3, acompanhada de documentos de fls. 4 a 47. Alega, em apertada síntese, que equivocadamente recolheu a maior os valores de IRPJ e CSLL, apurados nos períodos de 31/07/2007, 31/08/2007 e 30/11/2007, no valor total de R$ 133.410,95, sendo que deveria ter recolhido tão somente R$ 32.031,92, o que se comprova da ficha 11, folhas nº 07 e 08 e ficha 16, folhas nº 12 e 13 de sua DIPJ 2008/2007, enviada no dia 24/06/2008, perfazendo direitos creditórios no valor de R$ 101.379,03, aos quais parte deles foram compensados na PER/DCOMP de que trata este processo. Por fim, requer a reconsideração do despacho decisório atacado, bem como a homologação da compensação pleiteada na Declaração de Compensação nº 39844.29008.110108.1.3.047306. Junto com a manifestação de inconformidade foram apresentadas cópias dos seguintes documentos: • Despacho decisório, nº de rastreamento 848609676; • Declaração de Compensação nº 39844.29008.110108.1.3.047306, e respectivo recibo de entrega, efetuada em 11/01/2008; • Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano calendário 2007, e respectivo recibo de entrega, efetuada em 24/06/2008; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 15374.971108/200954 Acórdão n.º 1201002.991 S1C2T1 Fl. 4 3 • 7ª alteração do contrato social da interessada; • Procuração, firmada pela interessada através de instrumento público; e • Identidade da procuradora da interessada, signatária da manifestação de inconformidade. Efetuei a juntada da ficha demonstrativo do saldo a pagar do débito IRPJ 236201 julho/2007, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais retificadora, relativa ao 2º semestre de 2007, apresentada pela interessada em 16/09/2008, em que consta o débito apurado no valor de R$ 36.238,49. A r. DRJ decidiu pela manutenção do despacho decisório em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de preenchimento se deu em relação à DCTF, resulta o impedimento do reconhecimento da existência de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 7687 em que aduz que o crédito compensado se origina de recolhimento a maior de IRPJ e CSL realizado nos períodos de julho, agosto e novembro de 2007. Isto porque teria apurado prejuízo até o mês de maio, somente passando a ter lucros a partir do mês de junho daquele ano, conforme tabela abaixo: Afirma que por equívoco teria recolhido valores a maior que teriam gerado um crédito no valor de R$86.592,35. Aduz ainda que teria deixado de retificar a DCTFs Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15374.971108/200954 Acórdão n.º 1201002.991 S1C2T1 Fl. 5 4 relativas ao período e que a mera ausência dessa retificação não autoriza a autoridade fiscal não homologar as compensações pleiteadas em atenção ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator. O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A Delegacia de origem não homologou a compensação, entendendo que o DARF utilizado como crédito estava alocado a débito de estimativa de IRPJ/CSLL. Desde a manifestação de inconformidade, a ora Recorrente vem alegando que tanto a confissão do débito em DCTF, quanto o seu pagamento, foram indevidos, de modo que requer a “autorização para retificar a DCTF”. A retificação de DCTF era regida à época pela Instrução Normativa RFB n. 1.110/10, que assim dispunha: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Ocorre que à época discutiase a possibilidade ou não de retificação da DCTF após a entrega da PER/Dcomp ou até após o despacho decisório, de modo que não havia garantia de que a DCTF poderia ser retificada pela Recorrente. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 15374.971108/200954 Acórdão n.º 1201002.991 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesse sentido, somente após a edição do o Parecer Normativo Cosit n. 2/15, é que surge um cenário de maior segurança, uma vez que este estabelece que é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do Per/Dcomp e da ciência do despacho decisório, conforme pode ser observado na ementa abaixo: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo Fl. 376DF CARF MF Processo nº 15374.971108/200954 Acórdão n.º 1201002.991 S1C2T1 Fl. 7 6 administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Ainda que a retificação da DCTF para comprovação do pagamento indevido ou a maior não tenha sido feita, tal qual estipula o referido Parecer Normativo, vale ressaltar que a conclusão do Parecer traz a seguinte disposição: 22. Por todo o exposto, concluise: (...) e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; Assim, verificase que no caso concreto a Recorrente estava impedida de fazer a retificação da DCTF, o que não impede que o crédito seja comprovado por outros meios. É importante destacar também que no presente caso se está discutindo o crédito da PER/Dcomp e não o débito da PER/Dcomp. Por mais que o crédito da PER/Dcomp Fl. 377DF CARF MF Processo nº 15374.971108/200954 Acórdão n.º 1201002.991 S1C2T1 Fl. 8 7 seja decorrente de um débito erroneamente informado na DCTF, entendemos que não se trata de caso idêntico ao julgado no Acórdão nº 9101004.191 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento ou a retificação de PER/DCOMP, pelo sujeito passivo, somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, que são instrumentos previstos para que os contribuintes questionem a nãohomologação de uma compensação (no sentido de revertêla), não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas. (Processo nº 10680.915918/200943. Data da Sessão: 09/05/2019. Relator: Cons. Rafael Vidal de Araújo. Acórdão nº 9101004.191). Tratase de caso de aplicação do artigo 74, §11, da Lei n. 9.430/96, que prevê a aplicação do rito processual do Decreto n. 70.235/72 aos processos de compensação tributária, uma vez que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (art. 74, §9º, da mesma lei), pretendendo revertêla no âmbito do CARF. Como decorrência, não se trata de caso de incompetência do CARF, visto que no caso analisado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, se estava analisando o débito da PER/Dcomp, que também havia sido informado na DCTF. Em outras palavras, não houve em nenhum momento discussão do crédito da PER/Dcomp, de forma que o entendimento manifestado no referido acórdão não deve ser aplicado ao presente caso. No que tange à documentação acostada aos autos por conta da interposição do Recurso Voluntário, cumpre destacar que os argumentos de direito trazidos no referido recurso não são diferentes daqueles apresentados na Manifestação de Inconformidade. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 15374.971108/200954 Acórdão n.º 1201002.991 S1C2T1 Fl. 9 8 Nessa linha, entendo que os documentos trazidos aos autos não se referem a novos argumentos que não tenham sido citados anteriormente, de modo que eles deverão ser aceitos e analisados com fundamento na verdade material para verificação da adequação ou não do direito creditório da Recorrente, independentemente da retificação da DCTF, que embora solicitada desde o início, era impossível no caso concreto. “In casu”, há indícios da existência do crédito, visto que a Recorrente apresentou o Lalur de 2007, DIPJ 2008, DARF de recolhimento, além de balanço patrimonial e DRE do período, no entanto, não houve a retificação da DCTF, de modo que a DCTF possui erro de fato. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório pleiteado à luz dos documentos acostados ao Recurso Voluntário, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.001690/2010-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Caracteriza-se a divergência jurisprudencial quando, em face de situações fáticas similares, retratando o descumprimento da mesma obrigação acessória, os julgados em confronto aplicam penalidades diversas, previstas em dispositivos legais diferentes.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. LEI APLICÁVEL.
Incabível a aplicação de lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), conforme o princípio da lex specialis derrogat lex generalis.
Numero da decisão: 9202-007.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Caracteriza-se a divergência jurisprudencial quando, em face de situações fáticas similares, retratando o descumprimento da mesma obrigação acessória, os julgados em confronto aplicam penalidades diversas, previstas em dispositivos legais diferentes. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. LEI APLICÁVEL. Incabível a aplicação de lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), conforme o princípio da lex specialis derrogat lex generalis.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Caracterizase a divergência jurisprudencial quando, em face de situações fáticas similares, retratando o descumprimento da mesma obrigação acessória, os julgados em confronto aplicam penalidades diversas, previstas em dispositivos legais diferentes. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. LEI APLICÁVEL. Incabível a aplicação de lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), conforme o princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 16 90 /2 01 0- 34 Fl. 155DF CARF MF 2 da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo trata do Debcad 37.022.4949 (AI 23), lavrado em razão de deixar a empresa que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação dos arquivos digitais contendo as informações de folha de pagamento para os exercícios de 2007 e 2008, conforme se infere do Relatório Fiscal de fls. 08 a 10. Em sessão plenária de 19/02/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.919 (efls. 104 a 107), assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 109) e, em 16/07/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 110 a 129 (Despacho de Encaminhamento de efls. 140), visando rediscutir a legislação aplicável, no caso de ausência de apresentação de arquivos digitais relacionados às Contribuições Previdenciárias. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 22/05/2016 (efls. 141 a 143). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a transmissão de ECD/SPED não dispensa o sujeito passivo da obrigação acessória de disponibilizar, sempre que intimado, arquivos em meio digital não referentes a dados não contidos nos livros indicados no artigo 2º Instrução Normativa IN RFB nº 787, de 2007; dessa feita a Contribuinte, na data da lavratura, ainda estava obrigada a disponibilizar os arquivos digitais contendo os dados relativos às folhas de pagamento à Fiscalização, conforme intimada; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10665.001690/201034 Acórdão n.º 9202007.951 CSRFT2 Fl. 156 3 a alegação do sujeito passivo, de que não poderia disponibilizar arquivos digitais com os dados das folhas de 2007 e 2008, por não possuir empregados, não pode prosperar; dentre as obrigações acessórias da empresa está aquela de elaborar folhas de pagamento, contendo a remuneração de todos os segurados a seu serviço, dentre elas as dos sócios/diretores não empregados que, atuando como tal, recebem pro labore; conforme se depreende do relatório fiscal às fls. 8/9, a ocorrência de remunerações a sócios (contribuintes individuais) nos anos de 2007 e 2008 foi constatada pela Fiscalização com base nas declarações prestadas pelo próprio sujeito passivo, por meio de GFIP; portanto, como a própria Contribuinte declarou, por meio de GFIP, ter efetuado pagamentos aos sócios diretores e, tendo em vista que não juntou aos autos qualquer elemento capaz de demonstrar que tais valores referemse à remuneração pelo capital (lucros e dividendos), devese concluir que tais importâncias foram pagas a título de pro labore e o sujeito passivo estava obrigado a incluílas nas folhas de pagamento; assim, considerandose o disposto na legislação mencionada à fl. 1 dos autos e que a Contribuinte utiliza sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, tendo, inclusive, atendido a parte da intimação (relativamente ao ano de 2007), é inconteste o cometimento da infração, tendo agido corretamente a Fiscalização ao lavrar o Auto de Infração. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 18/07/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 146), a Contribuinte ofereceu, em 02/08/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 147), as Contrarrazões de efls. 148 a 152, contendo os seguintes argumentos: Da impossibilidade de reavaliação dos fatos e provas não há que se falar em reanálise fática na presente instância; a Recorrente tenta fixar uma presunção em instância voltada a dirimir dissídios jurisprudenciais; a questão dos pagamentos efetuados aos sócios diretores sequer foi tratada no julgamento a quo, de modo que não deveria ser trazida para análise dessa Câmara Superior. O Recurso Especial não demonstra os pontos divergentes específicos a regra do § 8º, do art. 67, do RICARF não foi respeitada, uma vez que não há apontamento específico dos pontos divergentes; a Recorrente tão somente colaciona a ementa do suposto paradigma e conclui estar evidenciada a divergência jurisprudencial. Fl. 157DF CARF MF 4 Da inexistência da divergência apontada o paradigma indicado trata de atraso na entrega de arquivos magnéticos; não há identidade fática entre os dois casos, visto que no caso em questão, a instância a quo analisou inobservância de padrões na apresentação de arquivos eletrônicos e, em sua análise, para esse caso específico, entendeu que a legislação aplicável deveria ser a específica para Contribuições Previdenciárias; o caso paradigmático, além de não ter indicação do ponto divergente, trata da obrigação de manutenção e conservação dos registros em geral, e não da forma específica como são padronizados para as Contribuições Previdenciárias; são situações fáticas distintas e o tema abordado é diferente, o acórdão paradigma em momento algum tece considerações sobre a não aplicabilidade da Lei nº 8.212, de 1991, pois não é esse seu foco de análise. Ao final, a Contribuinte pede que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não seja conhecido e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase do Debcad 37.022.4949 (AI 23), lavrado em razão de deixar a empresa que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação dos arquivos digitais contendo as informações de folha de pagamento para os exercícios 2007 e 2008, conforme o Relatório Fiscal de fls. 08 a 10. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, ao argumento de que deveria ter sido observado o disposto na Lei 8.212, de 1991, c/c art. 282, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, por serem esses dispositivos normas legais específicas para as Contribuições Previdenciárias. A Fazenda Nacional, por sua vez, pleiteia a aplicação da Lei nº 8.218, de 1991, como foi feito no Auto de Infração. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando o não cabimento de rediscussão de matéria fático probatória. Ademais, alega ausência de cotejo analítico e que não teria sido demonstrada divergência, uma vez que o acórdão paradigma não teria analisado as mesmas questões discutidas no acórdão recorrido. Quanto ao não cabimento de rediscussão de matéria fáticoprobatória, esclareçase que, no presente caso, não há que se falar em reexame de provas para o deslinde da controvérsia, já que cabe ao Colegiado tão somente decidir se a ausência de apresentação de documento contábeis em meio digital ensejaria a aplicação da Lei nº 8.212, de 1991, como decidido no acórdão recorrido, ou da Lei nº 8.218, 1991, como aventado pela Fazenda Nacional. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10665.001690/201034 Acórdão n.º 9202007.951 CSRFT2 Fl. 157 5 No que tange ao cotejo analítico, esclareçase que a Fazenda Nacional está dispensada de demonstrar o prequestionamento, conforme § 5º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF. Quanto ao § 8º, do mesmo dispositivo regimental, este determina que a divergência deve ser demonstrada analiticamente, com a indicação dos pontos no paradigma colacionado, que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Tal pressuposto foi cumprido pela Fazenda Nacional que, após transcrever a ementa do acórdão recorrido, resumiu os pontos de divergência suscitados e colacionou a ementa do paradigma, de sorte que não se vislumbra o descumprimento de pressuposto recursal. Confirase: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91. 7. Ou seja, de acordo com o entendimento manifestado no v. acórdão ora recorrido, o correto seria o Auto de Infração ter observado o disposto na Lei 8.212/91, c/c art. 282, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por se tratarem de normas legais específicas para as contribuições previdenciárias. 8. Daí, temos a DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL, considerando que analisando caso semelhante envolvendo contribuições previdenciárias, o paradigma oriundo da Colenda 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento assentou que é cabível a Lei nº 8.218, de 29/8/1991, artigo 11, §§ 3º e 4º, litteris: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/07/2009 CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ART. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, MULTA PUNITIVA ART. 12, III da Lei 8.218/91. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da fiscalização. A exigibilidade dos arquivos está prevista no art. 11, §§1º, 3º e 4º da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e art. 8º da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Fl. 159DF CARF MF 6 Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. (Acórdão n. 240102.040, doc. 1)" Quanto à alegação de falta de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, convém examinar as situações retratadas nos julgados em confronto. A motivação para o lançamento, no presente processo, conforme consta no Relatório Fiscal de fls. 08 a 10, foi a seguinte: "III DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: 3.1 — Descrição sumária da Infração: 3.1.1 — Deixar a pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação dos respectivos arquivos digitais e sistemas. 3.2 — Dispositivo Legal Infringido: 3.2.1 — Conforme determina o Art. 11 da Lei 8.218, de 29/08/1991, com redação dada pela Medida Provisória 2.158 35, de 24/08/2001, "as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, a disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária". 3.2.2— Este mesmo Artigo traz em seus parágrafos 3° e 4º seguinte: '§ 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e aprazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados'. '§ 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal'." Compulsandose o inteiro teor do paradigma Acórdão nº 2401002.040 constatase que a situação nele tratada se assemelha à do recorrido. Confirase: "Tal conduta do sujeito passivo, de deixar de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação de arquivos e sistemas correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, configura infração ao art. 11, §§1°, 3° e 4 0 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10665.001690/201034 Acórdão n.º 9202007.951 CSRFT2 Fl. 158 7 pela MP n o 2.15835, de 24/08/2001, ensejando a lavratura do presente Auto de Infração. (...) Quanto ao mérito conforme prevê o do art. 11, § 3º e 4 º da Lei n° 8.218/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 12, III da Lei 8.218/91, a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. Conforme descrito no relatório fiscal a exigibilidade destes arquivos pelo fisco está prevista no art. 11, §§1º , 3º e 4º da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8 0 da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. (...) O próprio recorrente assume que não efetuou a entrega tendo em vista ter encerrado o contrato com a empresa, contudo, dito argumento não é suficiente para refutar o lançamento." Conforme os trechos colacionados, foi demonstrada a divergência jurisprudencial, já que, tratandose de lançamentos decorrentes da não entrega de arquivos digitais no prazo estabelecido pela RFB, constatase que no acórdão recorrido decidiuse dar provimento ao Recurso Voluntário, considerandose equivocada a capitulação legal utilizada. Já no acórdão paradigma, ao contrário, não foi levantada qualquer objeção à aplicação da Lei nº 8.218, de 1991, mantendose o lançamento. Quanto à falta de discussão, no paradigma, relativamente à Lei nº 8.212, de 1991, a que alude a Contribuinte em Contrarrazões, esta é exatamente a divergência suscitada, ou seja, foi indicado um paradigma que aplicou a Lei nº 8.218, de 1991, sem sequer cogitar acerca de eventual aplicabilidade da Lei nº 8.212, de 1991, tanto assim que nem a mencionou. Destarte, em face do mesmo substrato fático, os julgados em cotejo apresentaram decisões diversas, de sorte que o paradigma representado pelo Acórdão nº 2401 002.040 é plenamente apto a demonstrar a divergência jurisprudencial, relativamente à ausência de vício quanto à capitulação legal utilizada no lançamento. Com efeito, no caso do paradigma, em situação similar à do acórdão recorrido, o fundamento legal sequer foi questionado, portanto a exigência foi considerada plenamente válida, o que por si só representa a solução diversa requerida no art. 67, do Anexo II, do RICARF. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Fl. 161DF CARF MF 8 No que tange à penalidade pelo descumprimento de obrigação instrumental, como é o caso da ausência de apresentação de arquivos digitais, ou de apresentação de arquivos em forma diversa da estabelecida pela RFB, relacionados às Contribuições Previdenciárias, esta Conselheira já se manifestou pela aplicação da Lei nº 8.212, de 1991. Com efeito, a exigência apresentada pela Fiscalização em face da Contribuinte encontrase prevista no art. 32, inc. III, da Lei 8.212, de 1991, e no art. 8º da Lei 10.666, de 2003, que assim especificam: Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Lei 10.666/2003: Art. 8º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Ademais, ainda conforme o art. 92, da Lei nº 8.212, de 1991, a infração a qualquer dispositivo daquele diploma legal, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, deve ser aplicada conforme o Regulamento da Previdência Social (RPS). Nesse passo, o Decreto nº 3.048, de 1999, assim estabelece: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II. a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10665.001690/201034 Acórdão n.º 9202007.951 CSRFT2 Fl. 159 9 contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (grifei) Destarte, a legislação previdenciária contempla penalidade específica para a hipótese de falta de apresentação de documentos, como ocorreu no presente caso. Quanto ao art. 11, §§ 1º, 3º e 4º, da Lei 8.218, de 1991, com a redação dada pela MP nº 2.15835, de 2001, e art. 12, inc. III, par. único, do mesmo diploma legal, que a Fazenda Nacional quer ver aplicados aos autos, tais dispositivos assim estabelecem: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)” “Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. Como se pode constatar, esses dispositivos legais são oriundos da Medida Provisória nº 2.15835/01, que na verdade, no que tange às Contribuições, tratam daquelas para a Seguridade Social (COFINS), para os Programas de Integração Social de Formação do Fl. 163DF CARF MF 10 Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP), tanto assim que a base de cálculo da penalidade é a receita bruta da empresa, no anocalendário em que as operações tenham sido realizadas. Assim, não há qualquer razão em se aplicar a referida legislação às Contribuições Sociais Previdenciárias que, como se viu acima, possui disposição específica na Lei nº 8.212, de 1991, de sorte que aplicase aqui o princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Quanto à jurisprudência, esta corrobora o entendimento esposado no presente voto, conforme a seguir: Acórdão nº 2403001.194, de 17/04/2012 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. MULTA ISOLADA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO DE CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Havendo antinomia, aplicase a norma especial. Devendo, por conseguinte, ser anulado o Auto de Infração capitulado com base na norma geral. Processo Anulado" Acórdão nº 2402003.076, de 18/09/2012 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 (...) APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI Nº 8.218/91. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há qualquer razão em se aplicar o art. 12, inc. I, da Lei nº 8.218/91 (que trata essencialmente sobre PIS e COFINS), quando se está tratando de contribuições previdenciárias (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que estas possuem legislação específica. (...)" Acórdão n° 240102.941, de 13/03/2013 "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 33, 2o DA LEI 8.212/91. A não apresentação da documentação contábil em formato digital enseja infração ao Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10665.001690/201034 Acórdão n.º 9202007.951 CSRFT2 Fl. 160 11 disposto no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação ou mesmo apresentação de documentos. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Recurso Voluntário Provido." Acórdão nº 2402003.573, de 15/05/2013 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI Nº 8.218/91. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há qualquer razão em se aplicar a multa prevista no art. 12, inc. II, da Lei nº 8.218/91 (que trata essencialmente sobre PIS e COFINS), quando se está tratando de contribuições previdenciárias (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que estas possuem legislação específica. Recurso Voluntário Provido." Acórdão nº 2402003.737, de 17/09/2013 "OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI 8.218/1991. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há espaço jurídico para a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei 8.218/1991, que trata essencialmente sobre PIS e COFINS, quando se está tratando de contribuições previdenciárias, e respectivos deveres instrumentais, já que estas possuem legislação específica no que tange ao descumprimento de obrigação acessória. Acórdão nº 2301003.919, de 19/02/2014 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010 Fl. 165DF CARF MF 12 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91. Acórdão 2402004.439, de 27/01/2016 Ementa "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVO DIGITAL. Constitui infração à legislação tributária as omissões e incorreções em dados digitais pela pessoa jurídica que utilize sistemas eletrônicos para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou para elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. É observado o princípio da especialidade quando aplicada a legislação do tributo a que se refere a informação em meio digital." Voto "A fiscalização aplicou a multa na forma do art. 12, inciso II e parágrafo único da Lei n° 8.218, de 29/08/1991. Contudo, entendo não ser essa a regra aplicável à época às contribuições previdenciárias que possuíam norma específica para esse tipo de infração. Como se vê, a Lei nº 8.218/91 editada anteriormente à criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil tem por objeto tributos que adotam como base de cálculo a receita bruta, daí também ter sido esse o critério para a fixação da multa: (...) Para a sistemática das contribuições previdenciárias, vigia à época dos fatos o artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o Artigo 225, §22 do regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10665.001690/201034 Acórdão n.º 9202007.951 CSRFT2 Fl. 161 13 (...) Dessa forma, a multa tal como aplicada é improcedente, já que foi calculada pela regra geral no art. 12, inciso II e parágrafo único da Lei n° 8.218, de 29/08/1991." Acórdão 9202007.155, de 30/08/2018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL EM DESCONFORMIDADE COM NORMAS ESTIPULADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL EQUIVOCADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando caracterizado que perante situações fáticas similares os colegiados adotaram decisões diversas em relação a uma mesma legislação. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI 8.218/1991. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há espaço jurídico para a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei 8.218/1991, que trata essencialmente sobre PIS e COFINS, quando se está tratando de contribuições previdenciárias, e respectivos deveres instrumentais, já que estas possuem legislação específica no que tange ao descumprimento de obrigação acessória." Acórdão 2402006.660, de 03/10/2018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006 (...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL DE ACORDO COM O LEIAUTE. PRESTAÇÃO DEFICIENTE. PENALIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NULIDADE. ARTIGO 12, II, DA LEI 8.218/91. Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. A adoção de dispositivo diverso (art. 12, II, da Lei 8.218/91) Fl. 167DF CARF MF 14 constitui causa de nulidade de auto de infração. In casu há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. O auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) “22”, ao invés do Código CFL “35”, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. O art. 112 do CTN assevera que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou, ainda, quanto à natureza ou extensão dos seus efeitos." Assim, o Auto de Infração há que ser considerado improcedente, por erro na aplicação de penalidade com base em lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), o que fere o princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900598/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 98 /2 01 4- 38 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.315 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900598/2014-38 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.315 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900598/2014-38 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.315 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900598/2014-38 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 71DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.315 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900598/2014-38 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 72DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.315 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900598/2014-38 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727944/2017-54
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2003-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que essa intime o Recorrente a esclarecer se houve bloqueio integral ou parcial de valores em cumprimento ao Mandado de Bloqueio e Penhora (fls. 81/83) e, se ocorreram, mesmo que parcialmente, qual foi a destinação dada aos aludidos valores, trazendo aos autos, por conseguinte, os documentos comprobatórios pertinentes, além do alvará judicial expedido para levantamento dos valores por ele recebidos.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Relatório
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que essa intime o Recorrente a esclarecer se houve bloqueio integral ou parcial de valores em cumprimento ao Mandado de Bloqueio e Penhora (fls. 81/83) e, se ocorreram, mesmo que parcialmente, qual foi a destinação dada aos aludidos valores, trazendo aos autos, por conseguinte, os documentos comprobatórios pertinentes, além do alvará judicial expedido para levantamento dos valores por ele recebidos. Francisco Ibiapino Luz Presidente. Wilderson Botto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata, o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2015, exercício de 2016, no valor de R$ R$ 18.346,17, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos (fls. 12/16). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 1683.244, proferido pela 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO (fls. 52/59), transcrito a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 27 94 4/ 20 17 -5 4 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10580.727944/201754 Resolução nº 2003000.003 S2C0T3 Fl. 92 2 O processo referese à notificação de lançamento de fls. 12/15 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2016, ano calendário 2015, por meio da qual foi exigido o seguinte crédito tributário: De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 13, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da seguinte infração na notificação fiscal em exame: Compensação Indevida de IR na Fonte – R$ 15.500,33 – correspondente a diferença entre o valor declarado de R$ 22.948,89 e o total de IR Retido de R$ 7.448,56, conforme documentos apresentados referente a fonte pagadora Transbiribeira Mineração e Transportes Ltda (e Outros 2), CNPJ n.º 04.151.666/000100, nos autos da reclamatória trabalhista de n.º 000080687.2010.5.05.0012 que tramitou perante a 12ª Vara da Justiça do Trabalho da Comarca de Salvador/BA; Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação às fls. 04/09, anexando documentos às fls. 07/10 e 16/27, alegando em síntese que: os valores lançados na declaração de IR referente ao período 2015 / 2016 são totalmente devidos, e se deram em decorrência do transito em julgado da sentença homologatória da Reclamação Trabalhista processo n.º 000080687.2010.5.05.0012, que gerou tais valores; foi homologado acordo no valor de R$ 110.000,00, sendo que a Reclamada Transbiribeira Mineração e Transportes Ltda é a responsável tributária pelo pagamento dos impostos (INSS e IR); o juízo determinou o recolhimento do INSS e pagamento de parte do IR, no valor de R$ 7.448,56, bem como que fosse realizada penhora de numerários do responsável tributário pelo recolhimento do imposto, não tendo o impugnante qualquer responsabilidade por tal pagamento; o valor lançado na declaração de imposto de renda está correto e é o devido, conforme documentação anexa, não devendo subsistir qualquer glosa; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.727944/201754 Resolução nº 2003000.003 S2C0T3 Fl. 93 3 em sendo o IR devido e retido no valor de R$ 22.948,89, restando pendente apenas o pagamento de R$ 15.500,33 cuja responsabilidade é do responsável tributário Transbiribeira Mineração e Transportes Ltda, havendo ainda a determinação do juízo para que fosse penhorado tal numerário, bem como, ter encaminhado ofício a Receita Federal informando que a reclamada deixou de recolher o IR do acordo homologado no importe de R$ 15.500,33, não resta alternativa a não ser manter os valores lançados na declaração do IR, bem como, adotar as providências necessárias para a cobrança do IR do responsável tributário; requer, independente de julgamento procedente ou improcedente, parcial ou integral, a fixação da multa em percentual de 2%. Às fls. 02 foi protocolizada manifestação requerendo prioridade na tramitação deste processo administrativo fiscal com fundamento na Lei n.º 10.741/2003 (Estatuto do Idoso). Acórdão de Primeira Instância A DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, e manteve incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 03/08/2018 (fls. 62), o contribuinte interpôs, em 23/08/2018, recurso voluntário (fls. 66/87), repisando as alegações da impugnação, apresentando, em breve síntese, as seguintes alegações: PRELIMINARMENTE – Do Bis in Idem: Esta serventia imputou a cobrança do imposto de renda do IR 2015/2016, oriundo do processo trabalhista 000080687.2010.5.05.0012 TROrd, ao Recorrente, sendo que existe na decisão judicial transitada em julgado no referido processo, que o pagamento de tal imposto, é devido e referese ao seu exempregador TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA, conforme documentação anexa. DAS INÚMERAS IRREGULARIDADES DO AUTO: o Recorrente, diante da documentação que ora junta a este recurso, bem como da documentação que o juízo da ação que gerou tal imposto, encaminhou ao Delegado da Receita Federal e dos documentos já constantes dos autos, resta mais do que comprovado que o Recorrente, além de não dever nada a Receita Federal, jamais poderia ter tido os valores da sua Declaração de Imposto de Renda glosado, bem como, que o mesmo fosse restituído após o recebimento do valor devido pelo seu ex empregador, inclusive ter sido o mesmo processado pela apropriação indébita de tais valores, conforme se constata na documentação anexa. DO MÉRITO: Registrase inclusive que o próprio juízo determinou nos autos da ação 000080687.20210.5.05.0012 TROrd, que fosse feito o cálculo do IR devido pelo seu exempregador TRANSBIRIBEIRA Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.727944/201754 Resolução nº 2003000.003 S2C0T3 Fl. 94 4 MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA e que tal imposto era de responsabilidade do mesmo (documentação anexa), determinando o seu pagamento e bloqueio. Ato contínuo, não havendo o pagamento do IR por parte do seu ex empregador TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA, o juízo da causa, certificou tal situação, determinou o recolhimento do IR com o valor que havia disponível e ainda determinou o oficiou o Delegado da Receita Federal que a ex empregadora TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA, deixou de recolher o IR e que a mesma é a responsável pelo pagamento do mesmo, para que fossem adotadas todas as medidas cabíveis. Destarte, como pode o Recorrente se defender e utilizarse do seu contraditório e da ampla defesa, para ver perpetrado o devido processo legal, se o próprio órgão fiscalizador com sua procuradoria estabelece que a penalidade e a multa são estabelecidas, apesar de existir comprovação que o suposto valor é devido a seu exempregador e o Recorrente jamais deveria ter sofrido qualquer glosa em sua Declaração do IR. Do mesmo modo, em sendo o IR devido e retido no valor de R$ 22.948,89, restando pendente apenas o pagamento de R$ 13.385,51, cuja responsabilidade é do responsável tributário TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA, havendo ainda a determinação do juízo determinando que fosse penhorado tal numerário, bem como, encaminhou ofício a esta especializada informando que a TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA deixou de recolher IRPF decorrente de acordo homologado nos autos do processo 000080687.2010.5.05.0012 RTOrd, no importe de R$ 13.385,51, não resta alternativa a não ser manter os valores lançados na declaração do IR, bem como, adotar as providências necessárias para a cobrança do imposto devido ao responsável tributário. Portanto é de todo improcedente a pretensão fiscal, flagrantemente contrário a lei, primeiro por ser de responsabilidade do responsável tributário TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA e, finalmente por ter no mérito, ocorrido o lançamento correto, restando apenas a ausência do recolhimento por parte do responsável, não tendo o Impugnante qualquer responsabilidade por tal ato. Ad argumentandum, requer, independente de julgamento procedente ou improcedente, parcial ou integral, a ilegitimidade das multas na Notificação, fixandoas em percentuais equivalentes na supracitada lei pertinente, ou seja, em 2%. Pugna, ao final, pela reforma da decisão, com a improcedência do lançamento e o restabelecimento da dedução do valor glosado, determinando, ainda, que seja a cobrança do imposto de renda devido direcionada ao real devedor, qual seja, o exempregador TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRNASPORTES LTDA. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.727944/201754 Resolução nº 2003000.003 S2C0T3 Fl. 95 5 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto – Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Insurgese o Recorrente contra a decisão que manteve a glosa do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 15.500,33 da fonte pagadora TRANSBIRIBEIRA MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA, CNPJ n.º 04.161.666/000100, decorrente de rendimentos provenientes de acordo homologado nos autos do processo trabalhista nº 0000806.87.2010.0.05.0012, em sede de execução de sentença, que tramitou na 12ª Vara da Justiça do Trabalho de Salvador, por falta de comprovação da retenção e dos respectivo recolhimento. Da análise dos autos, com especial destaque para os documentos trazidos nessa seara recursal (fls. 81/82), constatase que o juízo da 12ª Vara do Trabalho de Salvador, determinou a expedição de “Mandado de Bloqueio e Penhora” (fls. 81) de créditos da empresa demandada TRANSBIRIBEIRA junto a empresa VOTORANTIM CIMENTOS NE S/A, visando garantir a satisfação do crédito do lá demandante e aqui Recorrente, no valor atualizado de R$ 17.642,00. O respectivo Mandado foi cumprido em 26/04/2016 (fls. 82), culminando com o “Auto de Bloqueio e Penhora” de créditos (fls. 83), do qual não há notícias do seu respectivo resgate ou utilização dos valores eventualmente bloqueados para pagamento dos débitos vinculados aos autos, dentre eles, o imposto de renda inadimplido no valor de R$ 15.500,33. Neste compasso, tornase imperioso saber a real destinação dada aos valores que tenham sido bloqueados, cuja informação entendo ser de suma importância ao deslinde da controvérsia recursal instaurada. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime o Recorrente para esclarecer se houve bloqueio integral ou parcial de valores em cumprimento ao Mandado de Bloqueio e Penhora (fls. 81/83) e, se ocorreram, mesmo que parcialmente, qual foi a destinação dada aos aludidos valores, trazendo aos autos, por conseguinte, os documentos comprobatórios pertinentes, além do alvará judicial expedido para levantamento dos valores por ele recebidos. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903879/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.154
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 87 9/ 20 13 -4 0 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11080.903879/201340 Resolução nº 3402002.154 S3C4T2 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A restituição e/ou ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da sua respectiva certeza e liquidez. A falta de comprovação do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, impossibilita o seu deferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão. a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão pelas seguintes razões: i) Preliminarmente: Nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, prejuízo ao Contraditório, Ampla Defesa e ao Devido Processo Legal; ii) No mérito, o cerne da questão se detém à análise da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos (soja) adquiridos pela Contribuinte e equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa Recorrente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; iii) Não exerce atividade agroindustrial ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; iv) Tem sido aplicada equivocadamente a norma suspensiva; v) Aplicase o Princípio da Verdade Material; vi) Cabe o retorno dos autos à origem para a realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.137, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.903871/201383. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.137): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11080.903879/201340 Resolução nº 3402002.154 S3C4T2 Fl. 4 3 A empresa acima identificada transmitiu o PER/DCOMP, pelo qual solicitou o ressarcimento de créditos vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo a PIS/Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre emitiu Despacho Decisório Eletrônico reconhecendo parcialmente o direito creditório. Não foram admitidos créditos da Contribuição referente às aquisições de mercadorias destinadas à revenda, efetuadas pelos fornecedores com alíquota zero, com o fim específico de exportação ou com suspensão nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004 e art. 2º, § 2º da IN 660/2006. Como relatado, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos de defesa: Foram equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa efetivamente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; Não exerce atividade agroindustrial e não utiliza ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; Os créditos solicitados decorrem, principalmente, das aquisições de soja de pessoas jurídicas para revenda (mercado interno e exportação), sendo que tais aquisições seriam parte das operações que realiza e que decorreriam da disponibilidade de grãos durante a safra e da sua capacidade de armazenagem, uma vez que sua estrutura não atende a demanda existente, surgindo a necessidade de operações de venda imediata do produto por incapacidade de escoamento (interno e externo). A Lei n.º 10.925/2004 dispõe sobre a suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, condicionandoa ao processo industrial, como prevê o artigo 9º, abaixo colacionado: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11080.903879/201340 Resolução nº 3402002.154 S3C4T2 Fl. 5 4 cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (sem destaque no texto original) Observo que a improcedência do pedido pela DRJ de origem teve por principal motivação a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito invocado. O Ilustre julgador de primeira instância consignou que em nenhum momento a Contribuinte comprovou suas alegações, tampouco acostou qualquer documentação para demonstrar que as operações glosadas de fato não teriam ocorrido com suspensão. No entanto, o Recurso Voluntário foi instruído com Notas fiscais de Entrada e Saída, reiterando a Recorrente que as operações se referem à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros. Da análise de tais documentos, de fato constam as operações classificadas pelos seguintes códigos fiscais: CFOP 5102: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Também serão classificadas neste código as vendas de mercadorias por estabelecimento comercial de cooperativa destinadas a seus cooperados ou estabelecimento de outra cooperativa. CFOP 5117: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, quando da saída real da mercadoria, cujo faturamento tenha sido classificado no código "5.922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura". CFOP 5922: Classificamse neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Diante de tais documentos anexados com o Recurso Voluntário, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca do direito creditório, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11080.903879/201340 Resolução nº 3402002.154 S3C4T2 Fl. 6 5 Com isso, fazse necessário verificar se as mercadorias adquiridas dos fornecedores não foram objeto de recolhimento das contribuições, bem como comprovar a efetiva atividade exercida pela Recorrente, de forma a avaliar o cumprimento dos requisitos da IN SRF 660/2006. Para tanto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11080.903879/201340 Resolução nº 3402002.154 S3C4T2 Fl. 7 6 bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 572DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.900233/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública. Se homologa a compensação na medida em que for comprovado o crédito a ser utilizado.
Numero da decisão: 1401-003.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o saldo negativo de CSLL no importe de R$ 17.899,68, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública. Se homologa a compensação na medida em que for comprovado o crédito a ser utilizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o saldo negativo de CSLL no importe de R$ 17.899,68, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública. Se homologa a compensação na medida em que for comprovado o crédito a ser utilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o saldo negativo de CSLL no importe de R$ 17.899,68, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 44) interposto contra o Acórdão nº 12- 33.070, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 101 a 113), que, por maioria, julgou improcedente a Manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 02 33 /2 00 8- 31 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.531 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900233/2008-31 Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte o emus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública. Não apresentados meios de prova a infirmar a apreciação efetuada pelo Despacho Decisório contestado, não hi direito creditório a ser reconhecido. Em conseqüência, não se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata-se de DCOMP Eletrônica n° 33758.12334.120804.1.3.03-6230, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito — Saldo Negativo de CSLL Exercício: 2004 (Ano-Calendário : 01/01/2003 a 31/12/2003) Valor do Saldo Negativo : R$ 56.569,41 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 56.569,41 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 33.958,06 A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES declaradas nas DCOMP de n° 33758.12334.120804.1.3.01:6230. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 06, n° de rastreamento 754356593, o direito creditório não foi reconhecido, pois o valor do saldo negativo da CSLL na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica do ano-calendário de 2003 era de R$ 26.146.34, não correspondendo ao informado na PER/DCOMP, de R$ 56.569,41. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 04/04/2008, fls. 37. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 05/05/2008, fls. 10, alegando, basicamente, que teria se equivocado no preenchimento da DIPJ/2004. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.531 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900233/2008-31 Assim, apresentou declaração retificadora, alterando a Linha 17 — linha 41 (Estimativas de CSLL pagas) para R$ 113.797,05, apurando saldo negativo de CSLL no valor de R$ 79.549,14. A competência para julgamento deste processo foi transferida para Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) por meio da Portaria n° 1.036, de 05 de maio de 2010, fls. 39/42. Anexei aos autos os documentos de fls. 44/49.”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise defendendo a existência de seu crédito na mesma linha já adotada em primeira instância, sem apresentar qualquer novo documento. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em síntese, o presente litígio trata de PER/DCOMP apresentada às fls. 03 a 11, que pretendeu compensar débitos de estimativas do ano calendário de 2004 com saldo negativo de CSLL oriundo do ano calendário de 2003. O despacho decisório de fl. 13 não homologou a compensação por conta da divergência entre o crédito pleiteado (R$ 56.569,41) e os valores informados na respectiva DIPJ (R$ 33.958,06). Ainda por ocasião da Manifestação de Inconformidade a Recorrente apresentou DIPJ retificadora alterando o valor das estimativas recolhidas para R$ 113.797,05, apurando um saldo negativo de R$ 79.549,14 Não obstante, a DRJ de origem entendeu que, não tendo a Recorrente procedido a retificação da DCTF em tempo hábil, ainda assim existiam inconsistência entre os valores do crédito pleiteado na PER/DCOMP (R$ 56.569,41), a somatória das estimativas demonstradas em DCTF (R$ 56.885,63) e as demonstradas em DIPJ (R$ 22.797,05). Com este fundamento, deu como não comprovado o crédito pleiteado e negou a Manifestação de Inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.531 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900233/2008-31 Com a devida vênia, discordo deste posicionamento. Primeiramente, é cediço que o processo administrativo rege-se pelo princípio da materialidade sobre a forma. Em especial quando o formalismo ensejar ofensa ao princípio da legalidade. De forma alguma a falta de retificação de uma declaração, quando demonstrado o equivoco no bojo do respectivo processo administrativo fiscal, pode servir de esteio para que tributo pago indevidamente não seja creditado ao Contribuinte. Outrossim, há nos autos provas de retenções realizadas pela Recorrente além das DIPJs por ela apresentadas. A douta relatora do julgamento de primeira instância, que restou vencida, diligentemente buscou e juntou aos autos as telas dos sistemas SIEF e DCTF Gerencial (fls. 93 e 95) onde estão demonstradas parcelas que compõe, ao menos parcialmente, o saldo negativo pleiteado pela Recorrente. Por economia processual, adoto e replico a explicação trazida pela própria Relatora quanto ao tema em seu Voto Vencido: "(...) Entretanto, em que pese seu procedimento, e estando a Administração Pública vinculada ao Principio da Verdade Material, cumpre reconhecer que assiste razão em parte à interessada. As estimativas da CSLL devida no ano-calendário de 2003 estão declaradas em DCTF, com a informação de que seriam liquidadas nas DCOMP n° 33010.30515.080704.1.3.03-8697 e 05597.29038.270704.1.3.03-0502 (fls. 46/47). As DCOMP já foram analisadas e julgadas em procedimentos informatizados, resultando em homologação parcial das compensações, conforme Despacho Decisório, n° de rastreamento 834777042, fls. 48. De acordo com o Detalhamento da Compensação, fls. 49, as seguintes estimativas foram compensadas, comprovando seu recolhimento: Considerando que, no final do período, a Contribuição Social devida é de R$ 34.247,91, apura-se, a titulo de saldo negativo de CSLL no ano-calendário de 2003, o valor de R$ 17.899,68. Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.531 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900233/2008-31 Logo, concluo que estão comprovados os requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, previstos no artigo 170 do CTN, ou seja, a certeza e liquidez, ainda que parcial, no montante de R$ 17.899,68. (...)" Assim, cotejando os valores extraídos dos sistemas informatizados da própria RFB resta comprovado a existência de saldo negativo disponível, ainda que menor que o pleiteado. Desta forma, VOTO por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o saldo negativo de CSLL no importe de R$ 17.899,68 e homologar as compensações até o limite do saldo reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 149DF CARF MF
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