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Numero do processo: 15983.001317/2010-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 13 17 /2 01 0- 02 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 203 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301003.841, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 20 de novembro de 2013 (efls. 117 a 132). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa. LANÇAMENTO. MODALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER VINCULADO. O lançamento de ofício não se confunde com o autolançamento ou com o lançamento espontâneo. É cabível a multa de ofício ao lançamento de ofício, enquanto aspecto vinculado deste. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 204 3 LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Decisão: i) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos s Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, a Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de:*) multa de mora limitada a 20%; e*) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a)Relator(a). Redator:Mauro José Silva. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 205 4 Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 28/08/2014 (efl. 133), sua Procuradoria apresenta, em 07/10/2014 (efl. 189) Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 134 a 145 e anexos). O recurso continha alegação de existência de divergência interpretativa quanto a duas diferentes matérias, ambas porém, relacionadas à mesma matéria, a saber, aplicação de retroatividade benigna da multa. Ambas as matérias foram admitidas, na forma de despacho de admissibilidade de efls. 191 a 197. As divergências serão aqui relatadas na ordem em que apresentadas no pleito recursal. a) DIVERGÊNCIA QUANTO À COMPARAÇÃO DO ART. 35 DA LEI Nº 8.212/91, EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL, COM O ART. 61 DA LEI Nº 9.430/96: Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 17/05/2012, no âmbito do Acórdão no. 2401002.453, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 2401002.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 206 5 Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira b) DA DIVERGÊNCIA QUANTO À SOMA DA MULTA DO ART. 35 DA LEI Nº 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL, LIMITADO A 20%, COM A MULTA MAIS BENÉFICA DA COMPARAÇÃO ENTRE O ART. 32 E 32A DA LEI Nº 8.212/91 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em, no Acórdão 920202.193, de lavra desta 2a. Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, datado de 27/06/2012, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 920202.193 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 207 6 Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, devendo ser excluído da penalidade os valores concernentes à Previdência Complementar Privada e Reembolso Escolar. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em afastar de oficio a multa aplicada em relação aos fatos geradores "Previdência Privada" e "Bolsa Escola", os quais foram excluídos do processo nº 35434.000858/200571 (Notificação Fiscal), em face da intimada relação de causa e efeito que os vincula. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à multa. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à decadência. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 208 7 a) O artigo 35 da Lei no. 8.212/91, na nova redação conferida pela MP no. 449/2008, convertida na Lei no. 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP no. 449 à legislação previdenciária. Para a solução destes questionamentos, devese lembrar que "não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum". Nesse contexto, impende considerar que a Lei no. 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP no. 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; b) A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei no. 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido, cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96; c) Por outro lado, como já ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei no. 9.430/96. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN. Assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigidos, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP no. 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei no. 11.941/09; d) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; e) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 209 8 e.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. e.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; f) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal agiu corretamente ao aplicar a norma mais benéfica: ou a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Cita, ainda, a necessidade de observância da IN RFB no. 971, de 2009. Nesse contexto e considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa supra, conforme se vê pelo teor do Relatório Fiscal, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto às matérias, para reformar o acórdão recorrido, no ponto impugnado, restabelecendose o cálculo da multa na forma em que lançada. Após a ciência do autuado em 27/10/2016 (efl. 200), este quedou inerte quanto a apresentação de contrarrazões ou recurso especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade quanto a ambas as matérias e, assim, conheço do pleito. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 210 9 Passo, desta forma a abordar as matérias conjuntamente, uma vez que a análise realizada a seguir, no presente voto, sob o tópico retroatividade benigna da multa, é capaz de abranger ambas as matérias abordadas pelo recorrente para fins de reforma do recorrido. · Quanto à retroatividade benigna da multa: Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 210DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 211 10 § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 212 11 seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 212DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 213 12 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 213DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 214 13 foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar : a) até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91; b) nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, se mais benéfica à Recorrente; Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem Fl. 214DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 215 14 qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento ou Auto de Infração pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, tal como aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento simultâneo das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal, o que não se confunde, notese, com a hipótese de aplicação do novo art. 32A, que se limita a meu ver, a casos onde houver somente a falta de apresentação da GFIP no prazo fixado ou a apresentação com incorreções ou omissões, sem que se esteja a cogitar aqui de lançamento de ofício. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 216 15 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 217 16 Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de Fl. 217DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 218 17 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. Não há que se falar, com base no entendimento acima, uma vez se estando diante de lançamento de ofício, em comparação segregada de multas ou da existência, aqui, de multa de natureza moratória, limitada ao percentual de 20%, nem tampouco de aplicação do novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. De se notar, por fim, a plena aplicabilidade da solução acima a ambas as divergências suscitadas, conforme muito bem observado pelo voto da Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, verbis: (...) Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 218DF CARF MF Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 9202006.238 CSRFT2 Fl. 219 18 Assim, é de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.900536/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Comprovado em procedimento de diligência fiscal a existência de pagamento em duplicidade, deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela recorrrente.
A compensação requerida deve ser homologada até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1301-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 21.157,42, e homologar as compensações até esse limite de crédito.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Comprovado em procedimento de diligência fiscal a existência de pagamento em duplicidade, deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela recorrrente. A compensação requerida deve ser homologada até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 21.157,42, e homologar as compensações até esse limite de crédito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 05 36 /2 01 0- 16 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10730.900536/201016 Acórdão n.º 1301002.650 S1C3T1 Fl. 163 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito do SIMPLES referente ao período de apuração de fevereiro de 2005 com crédito, também do SIMPLES, relativo a pagamento a maior do período de apuração de setembro de 2004. A Delegacia da Receita Federal em Niterói, Rio de Janeiro, unidade administrativa que primeiro analisou o pedido formalizado pela contribuinte, o indeferiu com base na alegação de que o valor pleiteado havia sido utilizado, integralmente, na quitação de débito de titularidade da requerente. Inconformada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 02/04), por meio da qual argumentou: que o valor apurado no mês de setembro de 2004 havia sido recolhido em duplicidade, tendo sido efetuado o primeiro recolhimento, no valor total de R$ 19.070,02, em 29 de outubro de 2004, e o segundo, no valor total de R$ 22.091,42, em 30 de novembro de 2004, que foi utilizado como pagamento indevido ou a maior no PER/DCOMP; que o valor principal do DARF recolhido em setembro de 2004 não correspondia ao valor efetivamente apurado, o que levou à Receita Federal a não identificar o recolhimento; que o valor apurado em setembro de 2004 era de R$ 18.854,17 e, como o DARF recolhido em 29 de outubro de 2004 foi de R$ 18.057,03, havia uma diferença a ser recolhida de R$ 797,14; que, ao invés de recolher a diferença de R$ 797,14, em 30 de novembro de 2004 recolheu R$ 18.854,17, valor que havia sido apurado em setembro de 2004; que o crédito apurado, já considerando a multa e os juros, seria de R$ 21.157,42. A 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, decidiu, por meio do acórdão n° 1234.564, de 1 de dezembro de 2010, pela sua improcedência, conforme acórdão assim ementado: DIREITO CREDITÓRIO. LITISPENDÊNCIA. O direito creditório de que trata o presente processo foi pleiteado originalmente na declaração de compensação (DCOMP) inicial nº 30772.50467.100305.1.3.049579, objeto do processo nº 10730.900521/2010 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10730.900536/201016 Acórdão n.º 1301002.650 S1C3T1 Fl. 164 3 58, não tendo sido reconhecido. Descabe, portanto, nova apreciação, em razão de litispendência. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Uma vez que o direito creditório pleiteado na DCOMP inicial nº 30772.50467.100305.1.3.049579, objeto do processo nº 10730.900521/2010 58, não foi reconhecido, não deve ser homologada a compensação efetuada no presente processo. Cientificada do acórdão recorrido em 23/12/2010, a ARQUI FORMA ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO SERVIÇOS DE MÃO DE OBRA TÉCNICA ESPECIALIZADA, sucessora por incorporação de SERVIFORMA REFORMA NAVAIS LTDA, apresentou, em 20/01/2011, o recurso voluntário de fls. 42/49, no qual sustenta: que não há litispendência, mas tão somente identidade das partes e da causa de pedir; que, em homenagem ao princípio da eventualidade, intentou recurso também no denominado "processo originário", o que afeta diretamente a demanda feita no presente processo; que, para fins de comprovação, anexa demonstração de sua receita bruta acumulada até setembro de 2004, DARFs e planilha explicativa, além de documentos já anexados à Manifestação de Inconformidade. Nos autos do processo nº 10730.900521/201058, por meio da Resolução nº nº 1301000.239, de 25/11/2014, foi determinada, dentre outras providências, a apensação do presente processo àquele, para julgamento em conjunto, nos seguintes termos: "Considerando, pois, a ausência de intimação prévia para que a contribuinte aportasse aos autos comprovação do alegado em sede defesa; a divergência de fundamentos na denegação do reconhecimento do direito creditório promovida nas instâncias precedentes; os argumentos e documentos trazidos pela contribuinte em sede de recurso; e o princípio da verdade material, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: i) sejam apensados ao presente, para fins de julgamento conjunto, os processos administrativos n°s 10730.900536/201016 e 10730.900539/201050, que atualmente se encontram neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; ii) seja apensado ao presente, para fins de julgamento conjunto, o processo administrativo n° 10730.900535/201071, que atualmente se encontra na Delegacia da Receita Federal em Niterói, Rio de Janeiro, e que de acordo com informação consignada na peça recursal já foi julgado em primeira instância; iii) sejam sobrestados os julgamentos dos processos administrativos n°s 10730.900537/201061 e 10730.900538/201013 até que a diligência de que trata o item seguinte seja realizada, devendo os referidos processos serem apensados ao presente; e iv) seja apreciada pela unidade administrativa de origem, com base nos argumentos e documentos juntados ao processo, ou, se necessário, na documentação Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10730.900536/201016 Acórdão n.º 1301002.650 S1C3T1 Fl. 165 4 contábil e fiscal da contribuinte, a efetiva ocorrência de pagamento em duplicidade e, sendo o caso, o montante de crédito passível de reconhecimento no presente processo e em cada um dos que ora se solicita a apensação (processos n°s: 10730.900535/201071; 10730.900536/2010 16; 10730.900537/201061; 10730.900538/201013; e 10730.900539/201050). Relativamente ao item "iv" acima, solicitase que o resultado da análise seja reproduzido em relatório fundamentado, o qual deverá ser cientificado à contribuinte para que ela, se quiser, adite razões. Consta do relatório de diligência fiscal anexado às fls. 203 do processo nº 10730.900521/201058, que o contribuinte possui crédito disponível no valor total de R$ 19.079,02, relativo ao primeiro pagamento realizado em 29/10/2004: "Conforme se verifica nos relatórios anexados nas fls. 199/201, o contribuinte de fato realizou dois pagamentos para a quitação do débito confessado do SIMPLES referente ao mês de setembro de 2004, sendo que o primeiro pagamento não quitava o débito integralmente. Dessa forma, o segundo pagamento, no valor de R$ 22.091,42 foi alocado para quitação do débito, remanescendo disponível integralmente o primeiro recolhimento realizado em 29/10/2004 no valor total de R$ 19.070,02. Esse valor representa efetivamente o crédito do contribuinte, em conformidade com a IN RFB 1.300/2012." Cientificada do relatório de diligência acima mencionado, em 10/06/2006, a recorrente apresentou aditamento ao recurso voluntário em 12/07/2006, reafirmando que os DARFs no valor de R$ 19.070,02 e R$ 22.091,42 referemse ao recolhimento em duplicidade na competência setembro/2004. Com o objetivo de instruir a análise por parte deste colegiado informou que observava o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas e anexou cópias de notas fiscais, extratos bancários e planilhas explicativas. Em complemento ao relatório de diligência, na Informação Fiscal efetuada às fls. 315 do processo nº 10730.900521/201058, consta que os processos de nº 10730.900537/201061 e 10730.900538/201013 foram a ele apensados. Os processos 10730.900536/201016 e 10730.900539/201050 não foram apensados pois encontravamse no CARF. Já o processo 10730.900535/201071 foi apenas vinculado ao processo nº 10730.900521/201058, pois encontravase arquivado. Com o objetivo de realizar julgamento de todos os processos de compensação vinculados ao direito creditório analisado no processo nº 10730.900521/201058, foi efetuado despacho de vinculação no referido processo às fls. 317 a 319, solicitando a distribuição dos processos 10730.900536/201016 e 10730.900539/201050 para julgamento em conjunto É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10730.900536/201016 Acórdão n.º 1301002.650 S1C3T1 Fl. 166 5 Tendo em vista que o crédito utilizado na compensação pleiteada no presente processo é o mesmo crédito do processo nº 10730.900521/201058, adoto como razões de decidir os fundamentos constantes da decisão nele proferida, a seguir transcritas: "O contribuinte protocolizou em 19/04/2010 pedido de restituição decorrente de recolhimento a maior do período de apuração de setembro/2004, relativo ao DARF pago em 30/11/2004. Alega a recorrente que efetuou o recolhimento em duplicidade, sendo o primeiro no valor total 19.070,02, em 29/10/2004, e o segundo no valor de R$ 22.091,42, em 30/11/2004. Afirma que o total devido em setembro de 2004 era de R$ 18.854,17, porém como o valor principal do DARF de 29/10/2004 foi de R$ 18.057,03, havia uma diferença a ser recolhida de R$ 797,14, entretanto, ao invés de recolher somente a diferença recolheu novamente o valor total de R$ 18.854,17, mais os acréscimos legais. A DRJ/RJ1 ao apreciar o pleito da contribuinte indeferiu o direito creditório sob o argumento de que não restou comprovado, documentalmente, a existência de crédito líquido e certo, entretanto, homologou tacitamente a compensação pleiteada no processo em virtude do decurso de prazo de cinco anos da data da entrega da declaração. Apesar da homologação tácita, a recorrente interpôs recurso voluntário, afirmando que o referido creditório deve ser reconhecido pois foi também utilizado nas DCOMPs protocolizadas nos processos a seguir relacionados: 10730.900535/201071; 10730.900536/201016; 10730.900539/201050; 10730.900537/201061; 10730.900538/201013. Com o objetivo de afastar as alegações do acórdão recorrido de que poderia ter havido equívoco na informação constante no período de apuração, tratandose de DARFs de períodos de apuração distintos, a contribuinte anexou os seguintes documentos: planilha demonstrativa da movimentação financeira da empresa, cópias dos DARFs relativos aos meses de setembro/2004 e outubro/2004 e cópias das notas fiscais emitidas. Alega a recorrente que a juntada dos documentos está amparada pelo art. 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, sendo imperiosa a análise dos mesmos, em observância aos princípios da legalidade tributária objetiva e da verdade material. De fato, o art. 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, excepciona a apresentação de provas após a impugnação, caso as mesmas se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10730.900536/201016 Acórdão n.º 1301002.650 S1C3T1 Fl. 167 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com fundamento no dispositivo legal acima transcrito, bem assim, em obediência ao princípio da verdade material, foi determinada realização de diligência, por meio da Resolução nº 1301000.239, de 25/11/2014, para análise dos documentos juntados ao processo e, caso necessário, da documentação contábil e fiscal da contribuinte, a fim de identificar a efetiva ocorrência de pagamento em duplicidade. Considerando ainda que a recorrente afirmou em sua peça recursal que o direito creditório do presente processo também havia sido objeto dos pedidos de compensação protocolizados nos processos administrativos nº 10730.900535/2010 71, 10730.900536/201016, 10730.900539/201050, 10730.900537/201061 e 10730.900538/201013, foi solicitada a apensação dos mesmos ao presente processo para julgamento conjunto. Em cumprimento à diligência fiscal, foram anexados ao presente processo os processos administrativos nº 10730.900536/201016, 10730.900539/201050, 10730.900537/201061 e 10730.900538/201013. O processo nº 10730.900535/201071 não foi apensado pois já encontravase arquivado. Consta do Relatório às fls. 203, elaborado durante o procedimento de diligência, que de acordo com os relatórios emitidos pelo sistema SIEF (fls. 199 a 201), o contribuinte de fato realizou dois pagamentos para a quitação do débito confessado do SIMPLES referente ao mês de setembro de 2004, sendo que o primeiro pagamento não quitava o débito integralmente. Por este motivo, o segundo pagamento, no valor de R$ 22.091,42 e objeto do presente pedido de ressarcimento foi alocado para quitação do débito, remanescendo disponível integralmente o primeiro recolhimento realizado em 29/10/2004 no valor total de R$ 19.070,02. Ainda de acordo com referido relatório, esse valor representa efetivamente o crédito do contribuinte, em conformidade com a IN RFB 1.300/2012. Em aditamento ao recurso voluntário, apresentado após o Relatório de diligência a recorrente informou que observava o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas e anexou cópias de notas fiscais, extratos bancários e planilhas explicativas. Todavia, em virtude do reconhecimento da duplicidade de pagamentos durante o procedimento de diligência fiscal, bem assim, da análise da documentação anexada ao recurso voluntário, entendo desnecessária a apreciação desses documentos. Assim, constatada a duplicidade de pagamentos, o recorrente tem direito à utilização do crédito para compensação de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época do pedido: Art. 74 Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10730.900536/201016 Acórdão n.º 1301002.650 S1C3T1 Fl. 168 7 de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Apesar do sistema SIEF ter alocado o segundo DARF (R$ 22.091,42 em 30/11/2004) para quitação do débito e o primeiro encontrarse totalmente disponível (R$ 19.070,02 em 29/10/2004), o pedido de restituição referese à parcela do segundo DARF, recolhida indevidamente. Dessa forma, comprovada a duplicidade dos recolhimentos, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 21.157,42, relativamente à parte do segundo recolhimento realizado em 30/11/2004, conforme pleiteado pela recorrente no PER/DCOMP objeto do presente processo: Principal R$ 18.057,03 Multa R$ 2.919,82 Juros R$ 180,57 TOTAL R$ 21.157,42 A compensação objeto do presente processo, bem assim, as demais compensações objeto dos processos administrativos nº 10730.900536/201016, 10730.900539/201050, 10730.900537/201061 e 10730.900538/201013, todas com a utilização do mesmo crédito, devem ser homologadas até o limite do direito creditório reconhecido. Com relação ao processo nº 10730.900535/201071 , apesar de tratarse do mesmo direito creditório, não cabe a este órgão se manifestar em virtude da falta de interposição de recurso voluntário no referido processo." Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 21,157,42, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720127/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. CONTAGEM DO PRAZO. GANHO DE CAPITAL. ENCERRAMENTO DO TRIMESTRE.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL apurados na sistemática do Lucro Presumido a partir do encerramento do trimestre em que verificou-se a ocorrência do fato gerador, inclusive quando trata-se de ganho de capital.
Tendo em vista que na dinâmica do Lucro Presumido o valor das variações positivas percebidas na alienações de ativos, tributadas a título de ganho de capital, devem ser diretamente adicionadas à base de cálculo, cuja a apuração dá-se trimestralmente, não há de se falar em inércia do Fisco antes de seu vencimento.
GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL.
Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a cessão de quotas à empresa alienígena para posterior alienação com tributação favorecida, sem demonstração de razão negocial que não a mera redução tributária.
GANHO DE CAPITAL. IRF. RESTITUIÇÃO.
Ainda que sejam desconsiderados os efeitos da operação sujeita à tributação na fonte, não cabe a devolução do imposto para quem originalmente não sofreu o ônus.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS.
Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, posteriormente revogado pela Lei nº 11.941, de 25 de maio de 2009, conclui-se que devem ser afastadas as exigências do PIS e da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS.
Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, posteriormente revogado pela Lei nº 11.941, de 25 de maio de 2009, conclui-se que devem ser afastadas as exigências do PIS e da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso do ofício para restabelecer a base de cálculo do IRPJ. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por negar provimento integralmente ao recurso. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Ailton Neves da Silva e Evandro Correa Dias que votaram por manter a multa qualificada. Em primeira votação, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar-lhe provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheiro Marco Rogério Borges.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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LUCRO PRESUMIDO. CONTAGEM DO PRAZO. GANHO DE CAPITAL. ENCERRAMENTO DO TRIMESTRE. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL apurados na sistemática do Lucro Presumido a partir do encerramento do trimestre em que verificouse a ocorrência do fato gerador, inclusive quando tratase de ganho de capital. Tendo em vista que na dinâmica do Lucro Presumido o valor das variações positivas percebidas na alienações de ativos, tributadas a título de ganho de capital, devem ser diretamente adicionadas à base de cálculo, cuja a apuração dáse trimestralmente, não há de se falar em inércia do Fisco antes de seu vencimento. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a cessão de quotas à empresa alienígena para posterior alienação com tributação favorecida, sem demonstração de razão negocial que não a mera redução tributária. GANHO DE CAPITAL. IRF. RESTITUIÇÃO. Ainda que sejam desconsiderados os efeitos da operação sujeita à tributação na fonte, não cabe a devolução do imposto para quem originalmente não sofreu o ônus. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 27 /2 01 5- 18 Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 866 2 Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, posteriormente revogado pela Lei nº 11.941, de 25 de maio de 2009, conclui se que devem ser afastadas as exigências do PIS e da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, posteriormente revogado pela Lei nº 11.941, de 25 de maio de 2009, conclui se que devem ser afastadas as exigências do PIS e da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso do ofício para restabelecer a base de cálculo do IRPJ. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por negar provimento integralmente ao recurso. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Ailton Neves da Silva e Evandro Correa Dias que votaram por manter a multa qualificada. Em primeira votação, por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por darlhe provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 867 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheiro Marco Rogério Borges. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 868 4 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 771 a 862), interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls. 727 a 762) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pelo Contribuinte (fls. 460 a 485), cancelando integralmente os lançamento de PIS e COFINS e reduzindo o valor da exação de IRPJ, dando provimento a parte da Impugnação apresentada (fls. 493 a 678). O processo versa sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS acompanhadas de multa qualificada (150%), do anocalendário de 2010, lavradas contra a empresa VIALCO Construções e Participações Ltda., referentes a ganho de capital percebido em operação de alienação de participações de empresa do Grupo empresarial. As Autuações de PIS e COFINS referemse à receita financeira percebida com juros contratuais, calculados em razão do espaço de tempo entre a celebração do pacto de venda das participações e seu efetivo pagamento. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à constatação de planejamento tributário abusivo, mediante reorganização societária, visando exclusivamente à redução da tributação que seria percebida sobre o ganho de capital na alienação de participação societária (6,19%) da empresa Rodovias Integradas do Oeste S.A. (SP Vias), para o adquirente Companhia de Participações em Concessões (CPC), em 03/08/2010. Para melhor esclarecer e ser fidedigno ao relato do fatos colhidos e à infração apurada, confirase trechos do breve TFV (fls. 444 a 459) sobre a descrição completa da operação societária questionada e do suposto ilícito tributário ocorrido: 4. O presente feito se refere a lançamento do IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital pela alienação da participação societária na sociedade Rodovias Integradas do Oeste SA., CNPJ 03.497.792/000140 (SP Vias) pela Vialco Concessões Rodoviárias SPE Ltda., CNPJ 11.669.028/000132 (Vialco SPE) para a Companhia de Participações em Concessões, CNPJ 09.367.702/000182 (CPC), no anocalendário de 2010. 5. Essa operação está vinculada às ações empreendidas pela CPC e iniciadas em dezembro de 2009, para adquirir o controle da SP Vias. 6. Naquela época, a CPC, por intermédio da CCR, sua acionista mojoritária, enviou aos acionistas da SP Vias, uma “oferta para aquisição das ações da Rodovias Integradas do Oeste S/A (“SPVias Concessionária” ou “Companhia”) e subrogação do objeto dos contratos de seus consórcios.” 7. Com o aceite dos respectivos acionistas, após meses de negociação, em 03 de agosto de 2010, foi assinado o Contrato de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças e Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 869 5 respectivos anexos, cuja cópia foi fornecida a esta fiscalização pela CPC em resposta ao Termo de Intimação, datada de 18 de junho de 2014 (DOC 01). 8. Nada obstante, nesse interregno, mais precisamente em 11 de junho de 2010, menos de dois meses antes da assinatura do contrato retro mencionado, a Vialco Construções e Participações Ltda (fiscalizada), que até então detinha 4.951.763 (quatro milhões novecentos e cinquenta e um mil setecentos e sessenta e tres) quotas da Vialco SPE contra apenas uma quota da outra sócia Interban Sociedad Anónima (Uruguai), sai da sociedade e cede graciosamente, a totalidade de suas quotas a remanescente Interban. Esta, por conseguinte, cedeu uma quota ao Sr. Luis Emilio Prassolo, cidadão argentino (CPF 060.638.83703) (DOC 02). 9. A alienação para a CPC foi supostamente feita atraves desta nova composição societária. 10. Com tal estratégia, sobre o ganho na operação (que também se alterou em razão da tributação ter sido realizada sobre uma pessoa jurídica domiciliada no exterior e não no país, (conforme descreveremos mais adiante), ao revés de ter sido recolhida uma tributação de 34% (25% de IRPJ e 9% da CSLL) pela PJ domiciliada no país, foi apurada uma tributação significadamente menor de 15% a título de IRF. A evasão tributária foi, portanto, de aproximadamente 19% sobre o ganho. Da Alienação 11. O contrato de compra e venda de ações e outras avenças celebrado em 03/08/2010 apresentava como comprador a COMPANHIA DE PARTICIPAÇÃO EM CONCESSOES S/A (CPC) e dentre os vendedores, os novos sócios “INTERBAN”, representada pela Sra. Silvina Dana Selva e “Luis Emilio Prassolo”, que compareceram na AGO de 03/08/2010 (DOC 03), deixando como intervenientes anuentes as empresas RODOVIAS INTEGRADAS DO OESTE S/A (SPVIAS), ... e VIALCO CONCESSÕES RODOVIÁRIAS S.P.E LTDA. 12. O contrato estipula o preço fixado de R$ 1.289.548.372,00, que se refere a aquisição de 100% da SPVIAS e isto faz parte do acordo de acionistas da SP Vias, onde o fechamento somente de dará quando 100% das ações da SPVIAS for adquirida pela CPC e dentre as cláusulas destacase as seguintes: 13. Na clausula 3.1.1 do contrato de compra e venda determina que o valor da SP vias será corrigido “pro rata die” em 100% do CDI, a partir de 18/03/2010. 14. Consta dentre as cláusulas de fechamento do contrato, o item 6.2.d que os vendedores se comprometem a assinar a alteração do contrato social da VIALCO até a data de seu efetivo pagamento. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 870 6 Da Infração 15. Diante dos fatos narrados até aqui, e embasados pelos documentos obtidos pelas diversas intimações junto a adquirente CPC, anexos a este processo, chegamos à conclusão que a cessão de quotas que a VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIAÇÕES LTDA fez em favor da INTERBAN SOCIEDAD ANÓNIMA faz parte de um planejamento tributário abusivo que almejou, como único objetivo, reduzir a tributação sobre o ganho de capital, significando uma economia tributária indevida na ordem de 19%. Esta economia tributária se dá pela aplicação da alíquota de 15%, pelo qual é tributado o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior (IRRF), em detrimento das alíquotas de IRPJ e da CSLL a que estão sujeitas as pessoas jurídicas domiciliadas no país e que totalizam 34%. 16. Está claro que o referido planejamento foi realizado dentro do período de negociação de compra e venda, portanto, com tempo satisfatório para configurar todos os elementos necessários a induzir à correção dos procedimentos escondendo o verdadeiro propósito, a evasão de parte da tributação sobre o valor do negócio. Esta afirmação é comprovada pelas seguintes documentações: 17. A CPC vinha negociando com as quatro pessoas jurídicas sócias da SPVIAS desde 2006. Em 2009 já começaram as negociações definitivas para aquisição das empresas (DOC 04). 18. O próprio contrato determina a correção do valor acordado a partir de 18/03/2010 até o dia 03/08/2010 quando foi efetivamente concretizada a aquisição. Assim, como em junho foi feita a alteração contratual com a retirada da VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA da sociedade, claramente a alteração se processou entre o acordo firmado (18/03/2010) e a concretização do negócio (03/08/2010). 19. Conforme previsão no Contrato de Concessão e visando a concretização do negócio, a Rodovias tomou diversas providências no curso da negociação, conforme discriminado a seguir (Anexo III da Ata da AGE da Rodovias de 22/04/2010 DOC 05). 20. Em 29/10/2009, enviou correspondência ao BNDES, solicitando o consentimento para a reorganização societária, qual seja, a transferência de 100% das ações da SP Vias detidas pela Vialco Concessões e Participações SPE Ltda., além das demais sócias; Em 23/11/2009, enviou correspondência de igual teor à Caixa Econômica Federal; Em 22/01/2010, enviou correspondência de igual teor ao Banco Itaú BBA S.A; Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 871 7 Em 04/02/2010, o Banco Itaú autorizou a reorganização societária da Rodovias; Em 25/03/2010, o BNDES aprovou a reorganização societária da Rodovias; Em 08/04/2010, a CAIXA concedeu anuência para a reorganização societária proposta. 21. Vale aqui, mencionar resposta de intimação da CPC onde está claramente registrado que a negociação vinha de anos atrás e somente começou a ficar mais concreto a partir de 04/12/2009, logo, houve tempo suficiente para dar caráter de uma transação normal, para qualificar o ilícito e abusivo planejamento tributário realizado (DOC 04). Para a conclusão de preparação prévia de documentação apropriada ao planejamento, basta analisarmos a sucessão dos fatos. 22. A CPC informou que o intermediário contratado para a representar na negociação da aquisição da SP Vias foi o Banco BTG Pactual S/A. Para comprovar, encaminhou a proposta de assessoria financeira recebida do Banco BTG Pactual em 16/09/2009, com os termos do serviço a ser prestado (DOC 06). 23. A notícia de que havia negociação em andamento é confirmada na afirmação da CPC de que foram efetuadas duas ofertas anteriores a 2009 (DOC 04). Já no final do ano de 2009 as negociações ganharam contornos de sucesso. 24. A DIPJ da VIALCO SPE do anocalendário de 2009 foi entregue com status de “inativa”, o que comprova que a mesma foi criada como empresa veículo com o único propósito de proporcionar uma economia tributária em relação a uma futura venda (DOC 07). 25. A sócia majoritária da VIALCO SPE (VIALCO CONSTR E PART LTDA) só promoveu a efetiva integralização do capital social em 11.06.2010, por ocasião de sua retirada da sociedade, quando a venda para a CPC já estava em fase adiantada (DOC 02). 26. A INTERBAN, pessoa jurídica domiciliada no Uruguai, é sócia majoritária da VIALCO CONSTR E PART LTDA e passou a ser a sócia majoritária na nova composição societária da VIALCO SPE e o Sr. Luis Prassolo é sócio e administrador da VIALCO CONSTR E PART LTDA e sócio da VIALCO SPE e a Sra. Silvina Dana Selva é administradora e representante legal da INTERBAN SOCIEDAD ANÓNIMA. Mais adiante, no TVF, quando do tópico da multa qualificada, afirma a Fiscalização que parte da operação do Contribuinte se revestiu fraude: 45. Diante das informações reunidas no curso deste procedimento fiscal – como detalhadamente antes expostas – Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 872 8 resta inafastável concluir pela subsunção dos fatos caracterizadores da infração ora apontada à norma que veicula a exasperação da multa de ofício aplicável sobre créditos ributários objeto de lançamento de ofício. 46. A fraude está materializada no uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida. 47. O patamar de 150% é destinado a apenar as condutas ilícitas intencionalmente praticadas pelos sujeitos passivos tributários. Essa sanção deve ser aplicada em razão do elemento subjetivo da prática delitiva – do querer praticála – aspecto volitivo do ilícito exasustiva e inequivocamente caracterizado pelos fatos descritos ao longo do presente termo. (fls. 457 destacamos) Cientificado das Autuações o Contribuinte ofereceu Impugnação, (fls. 493 a 678), trazendo as seguintes alegações: PRELIMINARMENTE: DA DECADÊNCIA TOTAL DO LANÇAMENTO Inicialmente, cabe reconhecer, já em âmbito preliminar, a decadência total do presente lançamento, posto que os autos de infração foram lavrados em 24/09/2015, porém recaem sobre suposto fato gerador ocorrido em 03/08/2010 (data da assinatura da compra e venda de quotas da VIALCO SPE), portanto, há mais de cinco anos da data do lançamento. Cita alguns julgados do CARF que reconhecem a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN para os tributos ora autuados, sujeitos ao lançamento por homologação. Cabe desde já deixar registrado que, no presente caso, conforme será demonstrado adiante, não houve nenhuma fraude, dolo ou simulação por parte da Impugnante que embasaria supostamente a aplicação da regra de decadência prevista no art. 173,1, do CTN. Conforme será demonstrado em tópico específico da presente defesa, a Impugnante não praticou nenhum ato tendente a encobrir ou mascarar ou mesmo dissimular os fatos efetivamente ocorridos na época discutida. DO DIREITO: MOTIVOS EXTRAFISCAIS PARA A REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA Conforme constou no primeiro contrato social da Impugnante (doc. 05), esta foi criada em julho de 2000 por uma empresa situada na Argentina (Vialco Sociedad Anônima), que existia desde 1930 e que era uma das maiores empresas daquele país na área de construção de estradas, rodovias, pontes e outras obras de infraestrutura. Pouco tempo depois da constituição da Impugnante no Brasil, esta Juntamente com um grupo de empresas, formaram um Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 873 9 consórcio que se sagrou vencedor do leilão da Rodovias Integradas do Oeste ("SPVIAS"). Do ponto de vista societário, a morte do Sr. Daniel Wuhl, principal acionista da Vialco Sociedad Anônima, gerou a necessidade de uma profunda reforma societária na empresa Argentina e, posteriormente, tal reforma ocasionou um processo de reorganização societária também no Brasil. Tal reorganização societária utilizou uma estrutura de sociedades uruguaias e, acima delas, uma estrutura fiduciária que é atualmente administrada por trustees profissionais de reconhecido nome no mercado e cuja beneficiária é a Srta. Lisa Wuhl (filha do Sr. Daniel e da Sra. Silvina Dana Selva). No contexto dos negócios, em 2007, a Impugnante, após analisar o potencial dos projetos de infraestrutura, decidiu ampliar o foco de suas atividades e associouse a um grupo de empresas para constituir a "Bioenergéticas Vale do Paracatu LTDA" ("BEVAP") para atuar no ramo sucroalcooleiro brasileiro. Ocorre que, já em 2008, tal negócio exigiu altos investimentos na BEVAP com elevados aportes de capital por seus respectivos sócios, além daqueles previstos em contrato social, revelandose um negócio de altíssimo risco e deficitário, que estava ainda em fase de desenvolvimento. Dessa forma, a partir do diagnóstico dos riscos inerentes ao investimento na BEVAP, os sócios da Impugnante decidiram isolar a participação na SP Vias, com a transferência, para uma nova SPE (Vialco SPE), mediante integralização de capital desse investimento na SPE, e posterior redução de capital da Impugnante mediante entrega aos seus sócios de quotas dessa SPE. Portanto, já se pretendia, logo após a transferência do investimento na SP Vias para a Vialco SPE, retirar da Impugnante a participação na Vialco SPE, para que aquele investimento não fosse "contaminado" pelos riscos da BEVAP. Tal reorganização, portanto, não foi implementada por uma razão fiscal, mas sim em razão dos riscos do negócio envolvendo a BEVAP e a preocupação da Sra. Silvina em "blindar" os negócios deixados por seu companheiro e pai de sua única filha, ainda menor. A necessidade de autorização do órgão regulador da concessão, bem como dos Bancos credores da SP Vias (condição prevista nos respectivos contratos de empréstimos), acabou prejudicando a celeridade da conclusão de todo o processo que ensejou a estrutura societária ora questionada pela fiscalização. Dessa forma, apenas após a última autorização para a transferência do investimento da SP Vias, a Impugnante integralizou o capital da Vialco SPE com ações daquela companhia e procedeu a sua redução de capital para transferência da participação que ela detinha na Vialco SPE aos Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 874 10 seus respectivos sócios estrangeiros (99,9999% pertencia à Iterban Sociedad Anônima, empresa uruguaia). Nesse contexto, a afirmação da fiscalização, contida no item 8 do termo de verificação fiscal, de que tal transferência pela Impugnante da sua participação na Vialco SPE para a sua quotista ITERBAN (empresa uruguaia) foi feita "graciosamente", está absolutamente equivocada, posto que tal transferência foi feita a título de devolução do capital investido redução de capital (conforme atas de redução de capital anexas e RDE/Extrato Consolidado do Investimento no Bacen docs. 10 e 11). Ademais, a venda pelo sócio estrangeiro (ITERBAN) das quotas da Vialco SPE que detinha a participação de 6,1909% das ações da SP Vias, foi absolutamente normal. Não se trata de um artifício considerando que o investimento sempre foi, desde a sua origem, um investimento estrangeiro sendo assim absolutamente natural que os frutos dessa venda retornem ao exterior. Além disso, a alegação fiscal de que tudo foi feito em apenas 2 meses entre a data da venda e a data da transferência da participação é totalmente descabida e simplista. DA REDUÇÃO DE CAPITAL A VALOR CONTÁBIL – LEGALIDADE Sem prejuízo das razões já apresentadas no tópico anterior, que evidenciaram haver motivos extrafiscais para a reorganização societária implementada, importa ressaltar, ad argumentandum, que ainda que se considere que houve uma motivação exclusivamente fiscal nessa reestruturação societária, o que se cogita apenas por hipótese, a redução de capital com entrega da participação que a Impugnante detinha na Vialco SPE aos seus sócios, a valor contábil, foi um procedimento absolutamente regular e legítimo, previsto no art. 22 da Lei 9.249/95. Da análise desse dispositivo legal facilmente se verifica que a redução de capital implementada pela Impugnante a valor contábil teve um perfeito embasamento legal, sendo, portanto, um procedimento comum, embasado em norma fiscal indutora de comportamento, e que não pode, por óbvio, ser totalmente ignorada pela fiscalização com o único intuito de tributação. Fato é que os efeitos jurídicos dessa redução de capital têm que ser reconhecidos no caso. Dessa forma, a participação na Vialco SPE, quando de sua venda em 03/08/10, não pertencia à Impugnante, mas sim aos seus sócios (ITERBAN 99,9999% e Luis Emilio Prassolo 0,0001%). Cita diversos julgados do CARF sobre a legitimidade da redução de capital. DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE PIS/COFINS SOBRE SUPOSTA RECEITA FINANCEIRA Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 875 11 Ainda que se admita, apenas por hipótese, que a venda das quotas da Vialco SPE tenha sido feita pela Impugnante e não pelos seus sócios, a tributação pretendida de PIS e de COFINS não poderia recair sobre receitas financeiras! Isso porque a Impugnante, em 2010, exerceu a opção pelo lucro presumido, estando, portanto, sujeita ao regime cumulativo dessas contribuições nos termos do art. 8º, II, da Lei n° 10.637/02 e art.10, II, da Lei n° 10.833/03. Uma vez que estava sujeita ao regime cumulativo, a Impugnante se submetia à apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS segundo a regra prevista no art. 3º da Lei n° 9.718/97 que determinava que a tributação dessas contribuições deveria recair sobre o faturamento e não sobre todas as receitas da empresa (inclusive as não operacionais), como é o caso da receita financeira. AD ARGUMENTANDUM: DO TOTAL DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA Segundo a fiscalização, teria havido fraude no uso do instituto da redução de capital com animus de auferir uma economia tributária. O caso, evidentemente, não trata de hipótese de fraude, nem de dolo. Tratase de uma divergência de entendimento quanto à tributação de uma venda que foi totalmente informada e exposta ao fisco. Aliás, toda a reorganização societária foi absolutamente transparente à fiscalização que teve acesso a todos os documentos, ao investimento estrangeiro via BACEN, e aos dados da venda questionada. Não houve, em nenhum momento, uma tentativa de encobrir o fato gerador nem pela Impugnante, nem pelos sócios. Muito pelo contrário! A sócia ITERBAN, que efetivamente vendeu 99,9999% da participação na VIALCO SPE, recolheu quase R$ 10.000.000,00 de Imposto de Renda o que, absurdamente, foi ignorado pela fiscalização. Cita julgados do CARF relacionados ao descabimento da multa qualificada quando há transparência dos fatos e atendimento adequado à fiscalização. AD ARGUMENTANDUM: DO IR JÁ RECOLHIDO SOBRE O MESMO FATO GERADOR NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO Por fim, cabe consignar que a sócia uruguaia da Impugnante ITERBAN Sociedad Anônima, teve retido e recolhido pelo comprador CPC (na condição de responsável tributário) o valor de R$ 9.922.942,36 a título de IRRF sobre o ganho de capital apurado na venda (cópia da carta enviada pela CPC à Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 876 12 vendedora e cópia do DARF recolhido doc. 12), fato ignorado pela fiscalização na presente autuação. Assim, na remotíssima hipótese de as razões ora trazidas que levam ao cancelamento da autuação não serem aceitas, a Impugnante requer, ao menos, que a autuação do principal de IR seja reduzida no mesmo valor, e os encargos também sejam reduzidos de forma proporcional, considerando que houve o efetivo recolhimento desse valor a título de IR sobre o mesmo fato gerador (venda de quotas da VIALCO SPE). Se tal desconto não for reconhecido, cabe desde já deixar consignado, para fins de prevenir eventual decadência de seu direito, o pleno interesse da sócia da Impugnante (ITERBAN S.A.) em requerer a restituição desse valor de IR já recolhido. (Relatório Acórdão DRJ fls. 731 a 734) Ato contínuo, o processo foi encaminhado à Turma de Julgamento da DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente o lançamento, cancelando as exações de PIS e COFINS, e reduzindo da exigência de IRPJ a parcela de IRRF já pago pelo mesmo fato gerador. A decisão foi por maioria de votos. O Relator e outro N. Julgador votaram pelo cancelamento integral do lançamento, por entenderem ter sido plenamente lícita a postura do Contribuinte, não havendo de se falar em abuso e fraude. Confirase a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando aplicável a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, que se dá, no caso de apuração trimestral do lucro presumido, no último dia útil de cada trimestre do anocalendário respectivo (IRPJ e CSLL). Ainda que fosse aplicado o citado dispositivo legal; não se configuraria a decadência dos lançamentos em questão. LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, posteriormente revogado pela Lei nº 11.941, de 25 de maio de 2009, concluise que devem ser afastadas as exigências do PIS e da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 877 13 VEÍCULO. Não produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas sem propósito negocial, com o único intuito de reduzir a tributação incidente sobre a operação. A utilização de empresa veículo para a transferência de um ativo para empresa sujeita a tributação menos onerosa com a finalidade de alienálo em seguida permite sua desconsideração para efeitos tributários. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ILÍCITOS ATÍPICOS. O abuso de direito e a fraude à lei configuram ilícitos atípicos, cuja ocorrência torna inválido o planejamento tributário, devendo ser aplicada a norma de tributação que a contribuinte pretendeu evitar. IRRF SOBRE GANHO DE CAPITAL. DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO NO PERÍODO. Deve ser deduzido do imposto devido no período de apuração o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo do tributo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, modificando as suas características essenciais. Fraude. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante de tal revés parcial, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 771 a 862), repisando os argumentos de sua Impugnação e fazendo alusão específica aos termos do v. Acórdão recorrido, apontando as razões da necessidade de sua reforma. Foi interposto Recurso de Ofício pela DRJ a quo, em face da monta do crédito tributário exonerado. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 878 14 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Recurso de Ofício atende às hipóteses de cabimento trazida na Portaria MF nº 63/2017. Recurso Voluntário Preliminarmente, alega a Recorrente a ocorrência de decadência total de todos os créditos fiscais lançados. Nesse sentido, defende que aos tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser aplicado o disposto no art. 150 § 4º do CTN. Nos seus argumentos, em suma, afirma que a contagem do prazo decadencial deve ter início 03/08/2010 (data da assinatura da compra e venda de quotas da VIALCO SPE) e, tendo sido o Contribuinte cientificado das Autuações apenas em 24/09/2015, teria então se consumado o prazo quinquenal, implicando na caducidade dos débitos (verificando os autos, existe AR referente ao Termo de Ciência de Lançamento, data do de 23/09/2015 fls. 489). Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Primeiro deve se considerar que no TVF existe acusação de ocorrência de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64, que implica na aplicação do art. 173, inciso I, do CTN para a contagem do prazo decadencial. Naturalmente, como em demais julgados, ficaria a verificação da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN sujeita à analisa meritória da acusação de conduta fraudenta por parte do Contribuinte. Porém, no presente feito, deve se consignar que a Recorrente é optante pelo regime do Lucro Presumido. Tal modalidade de apuração tributária adota períodos trimestrais de vencimento. Devese também ter em vista que, na dinâmica Lucro Presumido, o valor de ganhos de capital deve ser diretamente adicionado à base tributável, calculada ao final de cada trimestre. O contrato que deu margem a tal acréscimo patrimonial fora assinado em 03/08/2010, ao final do terceiro trimestre, o qual findou em 30/09/2010. Apenas a partir de tal data poderá ser computado contra a Fazenda o prazo decadencial, posto que não há de se falar em inércia fiscal antes disso. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 879 15 Dentro de tal lógica, o prazo quinquenal de decadência, ainda que computado pelo art. 150 § 4º do CTN, apenas terminou em 30/09/2015, após a ciência do lançamento de ofício em tela. Desse modo, fica afastada a ocorrência da decadência do crédito tributário sob exame. No que tange ao mérito, temos que a infração que fundamenta as Autuações é baseada na conclusão que a cessão de quotas que a VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIAÇÕES LTDA fez em favor da INTERBAN SOCIEDAD ANÓNIMA faz parte de um planejamento tributário abusivo que almejou, como único objetivo, reduzir a tributação sobre o ganho de capital, significando uma economia tributária indevida na ordem de 19%. Esta economia tributária se dá pela aplicação da alíquota de 15%, pelo qual é tributado o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior (IRRF), em detrimento das alíquotas de IRPJ e da CSLL a que estão sujeitas as pessoas jurídicas domiciliadas no país e que totalizam 34% (TVF destacamos fls. 448). Em relação a tal operação, no trecho do TVF referente à "Multa Qualificada", afirmase que a VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES agiu de maneira dolosa, ao praticar atos societários com objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador, excluindose do polo passivo da obrigação tributária e atribuindo a terceiros a obrigação de recolher os tributos devidos sobre o ganho de capital obtido, com alíquotas indevidamente favorecidas, constatando a ocorrência de fraude, que estaria materializada no uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida (TVF fls. 456 e 457). Ainda aponta a Fiscalização que a empresa VIALCO SPE foi criada como empresa veículo com o único propósito de proporcionar uma economia tributária em relação a uma futura venda. Nesse contexto, o abuso residira na obtenção das quotas da SP Vias, objeto real da transação de gerou o ganho de capital, pela efetiva vendedora, ITERBAN Sociedad Anónima (Uruguai), a qual teria ocorrido graciosamente (leiase gratuitamente) através de cessão pela Recorrente (VIALCO Construções e Participações Ltda) de 99,9% das quotas da VIALCO SPE, no sentido de não haver onerosidade nessa transação. Com a cessão da integralidade das quotas que detinha na VIALCO SPE, a Recorrida retirouse da sociedade. Após tal cessão de quotas, a ITERBAN tornouse, instantaneamente, a detentora de todas as quotas da VIALCO SPE e, no mesmo ato, cedeu e transferiu uma única quota para o Sr. Luis Emilio Prassolo, ficando este com 0,01% da participação societária da empresa (fls. 218 a 227). Depois de tal câmbio, os sócios, ITERBAN e Sr. Luis Emilio Prassolo, figuraram como vendedores das quotas SP Vias (6,19%) à empresa adquirente, CPC. Como a INTERBAN é residente no Uruguai, tributouse o ganho de capital por ela percebido pela alíquota de 15%. Posto isso, a Fiscalização desconsiderou as operações referentes à VIALCO SPE e a cessão de quotas promovida que tornou a INTERBAN a sócia integral desta empresa, Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 880 16 e entendeu ser a VIALCO Construções e Participações Ltda. a real beneficiária do ganho de capital apurado na alienação da VIALCO SPE e, portanto, sujeito passivo da obrigação tributária. Dito isso, o breve TVF lavrado pela Fiscalização traz três acusações efetivamente concretas que comporiam a infração planejamento tributário abusivo: 1) ser a VIALCO SPE empresa veículo, com o único propósito de proporcionar uma economia tributária, não possuindo outra motivação para sua criação; 2) a cessão de quotas da VIALCO SPE pela VIALCO Construções e Participações Ltda. (Recorrente) à sua sócia ITERBAN teria sido a título gratuito; e 3) o uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida (somente mencionado no tópico da qualificação da multa). Cabe aqui a apontar que o TFV carrega falhas e incoerências na descrição dos fatos e infrações. Primeiramente, não há a invocação ou simples menção de nenhum dispositivo, seja da Lei Tributária, da Lei Civil ou da Lei Comercial para justificar o desfazimento de todas as operações efetuadas pela Recorrente. Sequer doutrina jurídica foi citada. Apenas mencionase no texto do TVF ter ocorrido planejamento tributário abusivo, tema bastante polêmico e controverso, principalmente em relação a qual seria a base legal para a Fazenda Pública promover a desconsideração dos atos praticados sob esta específica justificativa. Mais importante, no item "Fatos", afirma que o presente feito se refere a lançamento do IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital pela alienação da participação societária na sociedade Rodovias Integradas do Oeste SA., CNPJ 03.497.792/000140 (SP Vias) pela Vialco Concessões Rodoviárias SPE Ltda., CNPJ 11.669.028/000132 (Vialco SPE) para a Companhia de Participações em Concessões, CNPJ 09.367.702/000182 (CPC), no anocalendário de 2010 (destacamos fls. 445 e 446). Contudo, na discrição das operações, da própria "Infração" e nos documentos da transação juntados pelo Fisco, está claro e inquestionável que a empresa ITERBAN e o Sr. Luis Emilio Prassolo foram os alienantes na operação, vendendo à Companhia de Participações em Concessões (CPC) quotas da VIALCO SPE (a qual tinha em seu capital social 6,19% da participação societária da SP Vias). Lembrese também que a própria Fiscalização aponta como real alienante a VIALCO Construções e Participações Ltda. (que após cessão de quotas à ITERBAN, retirouse da VIALCO SPE). Além disso, mais delicado é o fato de não de não ser descrita ou documentada nenhuma operação de redução de capital na descrição dos "Fatos" ou mesmo da "Infração". Porém, tal manobra de forma abstrata aparece como fraude, na fundamentação da "Multa Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 881 17 Qualificada", logo após a Fiscalizada descrever a saída da VIALCO Construções e Participações Ltda da VIALCO SPE: 44. A fiscalizada VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES agiu de maneira dolosa, ao praticar atos societários com objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador, excluindose do polo passivo da obrigação tributária e atribuindo a terceiros a obrigação de recolher os tributos devidos sobre o ganho de capital obtido, com alíquotas indevidamente favorecidas, em detrimento ao erário. 45. Diante das informações reunidas no curso deste procedimento fiscal – como detalhadamente antes expostas – resta inafastável concluir pela subsunção dos fatos caracterizadores da infração ora apontada à norma que veicula a exasperação da multa de ofício aplicável sobre créditos tributários objeto de lançamento de ofício. 46. A fraude está materializada no uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida. A própria Autoridade Fiscal descreveu e documentou no Auto de Infração a exclusão da VIALCO Construções e Participações Ltda. do polo passivo deuse pela cessão, supostamente gratuita, das quotas da VIALCO SPE à INTERBAN e não por redução de capital. Frisese que a palavra redução apenas é mencionada essa única vez em todo o TVF, nessa expressão redução de capital acima colacionada. Tal ocorrência será oportunamente abordada mais adiante. Apenas a titulo de comentário preliminar, ainda que tenha sido gerado Mandado de Procedimento Fiscal contra a Recorrente (MPF nº 08.1.85.002015000868) e emitidos 3 Termos de Intimação Fiscal, a grande maioria dos documentos comprobatórios acostados aos autos foram obtidos no MPF nº 08.1.85.002014001194, lavrado contra a Companhia de Participações em Concessões (CPC). Esclarecendo, no Termo de Ciência de Início de Fiscalização e Intimação (fls. 03 a 05) a Autoridade Fiscal solicitou: explicar detalhadamente a operação de alienação por parte da intimada (Vialco Constuções e Participações Ltda) da participação societária que detinha na Vialco Consseções Rodoviárias SPE Ltda, CNPJ nº 11.669.028/000132, apresentando toda documentação (hábil, idônea e legível) relativa ao evento como Atas de Reuniões de Diretoria, Lançamentos contábeis, documentos de transferências bancárias de valores, etc.. Diante da Intimação, a Recorrente apresentou Manifestação (fls. 07 a 24) afirmando que tal participação societária (da VIALCO SPE Ltda) foi na verdade devolvida aos Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 882 18 seus investidores (sócios quotistas) em razão de uma redução de seu capital social (na própria VIALCO Contruções e Participações Ltda.) e juntou documentação referente a tal operação societária e sua publicação. No 2º Termo de Intimação, a Fiscalização replicou o seguinte: Ademais, fica o contribuinte, intimado a, no prazo úteis contados a partir do recebimento do presente Tdeerm 0o5, a(c pinrceos)t adr ioass seguintes esclarecimentos: O documento apresentado, 29ª Alteração do Contrato Social da Vialco Construções e Participações Ltda, nada tem a ver com a operação questionada! Segue anexa, cópia da Alteração Contratual referente à operação questionada. Assim, reiteramos a intimação anterior, no sentido de explicar detalhadamente a operação de alienação por parte da intimada (Vialco Constuções e Participações Ltda) da participação societária que detinha na Vialco Consseções Rodoviárias SPE Ltda, CNPJ nº 11.669.028/000132, apresentando toda documentação (hábil, idônea e legível) relativa ao evento como Atas de Reuniões de Diretoria, Lançamentos contábeis, documentos de transferências bancárias de valores, etc.. (destacamos) A Alteração Contratual juntada pelo Fisco, referente à operação questionada, não consta dos autos. Mas, na Resposta fornecida pelo Contribuinte (fls. 29 e 30) ficou consignado ter sido apresentado pela Fiscalização a Primeira Alteração de Contrato Social da Vialco Concessões Rodoviárias SPE Ltda. (VIALCO SPE), na qual como já descrito e relatado houve a cessão de quotas para a ITERBAN. Além de informar que tal operação societária, de integralização e posterior cessão, foi autorizada pela ARTESP (Agência Reguladora) e pelo BNDES, a Recorrente esclarece: Após tal resposta, foi emitido o 3º Termo de Intimação Fiscal (fls. 31 e 32), apenas e exclusivamente afirmando: Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 883 19 Após tal ato, foi juntado AR do Contribuinte. Na sequência a Fiscalização juntou apenas documentos comprobatórios referente ao MPF nº 08.1.85.002014001194, lavrado contra a Companhia de Participações em Concessões (CPC). E todos os documentos mencionados no TFV são referentes a esta outra Ação Fiscal, procedida em face de outro contribuinte. Feitos tais comentários sobre os termos e conteúdo do lançamento de ofício, retornase à análise do mérito. Em relação à materialidade e o propósito da VIALCO SPE, o principal argumento em relação à sua insubsistência real é o fato da sua DIPJ do anocalendário de 2009 foi entregue com status de “inativa”, o que comprova que a mesma foi criada como empresa veículo com o único propósito de proporcionar uma economia tributária em relação a uma futura venda. O Recorrente em suas defesas chega a apresentar duas principais motivações para a criação de tal empresa. A primeira seria de razão sucessória, motivada pelo falecimento do Sr. Daniel Wuhl, sócio da empresa argentina Vialco Sociedad Anonima (que era sócia da Recorrente, VIALCO Construções e Participações Ltda, desde seu constituição em 2008), promovendo a reestruturação de seus negócios no Brasil e na américa latina, em favor da sua companheira, Sra. Silvina Dana Selva, através de estrutura de sociedades uruguaias e, acima delas, uma estrutura fiduciária que é atualmente administrada por trustes cuja beneficiária é a Srta. Lisa Wuhl (filha do Sr. Daniel e da Sra. Silvina). O Contribuinte para provar tais alegações junta apenas documento estrangeiro que atestaria o falecimento do Sr. Daniel Whul e a titularidade, por ser guardiã da filha do de cujus, da Sra. Silvina Selva das participações societárias deixadas (tais documentos são cópias simples e não estão traduzidos, sendo, então, seu valor probante muito relativo, se não nulo). Contudo, a Recorrente apresenta em cumulação outra justificativa, de cunho mais comercial e técnico, qual seja: como forma de implementar a reestruturação societária proposta pelo investidor estrangeiro, com vistas a colocar o investimento na SPVIAS em uma outra empresa, sem máculas de uma empresa préexistente, com grau de risco elevado, foi criada a VIALCO SPE em 2009 com o único propósito específico de receber o investimento da SPVIAS mediante integralização de capital de seus sócios. Acrescentase ainda, como exemplo de um dos elementos de risco, um investimento feito na empresa "Bioenergéticas Vale do Paracatu LTDA", sendo a Recorrente fiadora de empréstimo milionário junto ao BNDES, devidamente comprovado nos autos (fls. 604 a 666). Independentemente do risco trazido como exemplo, a manobra de se isolar e encapsular em outra pessoa jurídica do grupo, um direito, bens ou mesmo parte do seu negócio macro, objeto de intenção de venda, principalmente quando há confirmações e altas probabilidades de ocorrência de tal alienação, é notória e corriqueiramente adotado pelos mercados brasileiro e internacional, denominado drop down. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 884 20 O drop down pode ser definido como uma operação de transferência de ativos, no plano vertical, neles incluídos bens tangíveis e intangíveis, utilizandose do mecanismo de aumento de capital na sociedade receptora1. Tal operação interna dos grupos empresariais visa proteger aquele ativo de contaminações de riscos e danos que a pessoa jurídica operacional, originalmente detentora, está sujeita nas suas demais atividades. Uma vez sendo muito provável a sua alienação, por razões de profilaxia e garantia, isolase tal bem. Confirase o comentário de Ettore Boteselli2 sobre a motivação e propósito do drop down: Destarte tal fato, o escopo do “Drop Down” é distinto do trespasse, pois o “Drop Down” busca uma transferência de ativos determinados, visando uma proteção patrimonial ou a criação de uma nova atividade econômica com os bens transferidos. O próprio Parecer PGFN/CAT nº 21/20153, que versa sobre drawback, menciona em seu o teor a prática do drop down como operação corriqueira, que não possui qualquer ilegalidade ou irregularidade, consignando apenas não possuir regulamentação específica na legislação nacional. Como acima consignado, a integralização de ativos em empresa constituída unicamente para deter um ativo a ser vendido não pode ser rotulado de ardil ou abuso, vez que seu legitimo propósito era exatamente isolar do acervo patrimonial da sua sócia e proteger tais participações, cuja a venda já encontravase a em avançada negociação. Eis aí o seu propósito negocial e motivação, que não só é totalmente legal, como também corriqueiro, compondo as prerrogativas do plena liberdade organizacional de qualquer empresa ou grupo empresarial. Inclusive, tal companhia foi constituída sob a rubrica de SPE (Sociedade de Propósito Específico), possuindo objeto único e função de possuir tais participações societárias da SP Vias, denotando plena transparência na conduta do Recorrente em relação à sua constituição e motivação: 1 VERÇOSA, Haroldo Malheiros Duclerc e BARROS, Zanon de Paula. A Recepção do Drop Down no Direito Brasileiro. In Revista de Direito MercantilIndustrial, Econômico e Financeiro. v.41, n.125, São Paulo: Malheiros, 2002. p. 41. 2 Drop down de ativos. Jus Navigandi, Teresina, ano 17, n. 3360,12 set. 2012 https://jus.com.br/artigos/22599/dropdowndeativos. Acesso em 9/08/2017. 3 O drop down é uma operação societária atípica no direito brasileiro, eis que não há, até o momento, disposição legal a respeito, utilizada especialmente (e não exclusivamente) como uma técnica de reestruturação da sociedade empresária que visa uma melhoria na sua gestão. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 885 21 Posto isso, criação da VIALCO SPE para receber as quotas da SP Vias da Recorrente, para ser posteriormente vendida à CPC, em nada se confunde com abuso de direito, ficando claro a motivação empresarial da sua criação, não procedendo a sua desconsideração pelo Fisco sob a acusação de existir unicamente por economia tributária. Frisese que nesse caso, a procedência ou não da efetiva existência concreta de um risco ou uma dano econômico ou financeiro não pode ser razão determinante para a desconsideração da criação dessa companhia, como fezse no voto vencedor do v. Acórdão da DRJ, que entendeu que a figura de fiador da Vialco Construções e Participações Ltda. em contrato de empréstimo de R$ 300.000.00,00 não se mostra razoavelmente, relacionada a proteção patrimonial de um investimento de grande porte em pleno curso. A proteção que as companhias buscam com o drop down é abstrata e geral, como garantia de não contaminação com quaisquer ocorrências relacionadas às demais atividades da empresa. É uma decisão técnica, estratégica, comum e dentro da praxis do mercado, e não uma medida casuística. Quanto está se debatendo a motivação e a razão dos negócios, naturalmente, deve ser verificada a relação lógica, a coesão e as práticas de mercados, mas não cabe ao Julgador valerse de discordância da estratégia e conclusões técnicas, econômicas e empresariais, adotadas pelos gestores das pessoas jurídicas (principalmente quando tratase de manobra corriqueira) para convalidar uma exação tributária. Posto isso, afastase a acusação da empresa VIALCO SPE ser desprovida de qualquer motivação extratributária. E por fim, acrescentese que a economia tributária percebida não deuse pela operação de drop down, vez que a empresa criada para tal fim estava sujeita a mesma tributação sobre o ganho de capital que a sua original detentora. Em relação à afirmação de ter sido a cessão de quotas da VIALCO SPE, pela VIALCO Construções e Participações à sócia ITERBAN gratuita (graciosamente SIC), temos primeiro que foi uma acusação objetiva. Nesse sentido, não houve no TFV qualquer investigação, aprofundamento ou comprovação de tal gratuidade, sendo uma simples afirmação na descrição de seu texto. Tampouco houve qualquer outro questionamento de regularidade ou vício em tal alienação entre sócios. Dito isso, como previamente esclarecido neste voto, ainda em resposta de Termo de Intimação Fiscal, a Recorrente esclareceu e juntou documentos afirmando que tal cessão, feita correta e regularmente por contrato social, tinha fundamento econômico e negocial na relação que esta (VIALCO Construções e Participações Ltda.) tinha com seus investidores (sócios quotistas). Como comprovado, a ITERBAN era originalmente sócia da Recorrente (fls. 13 a 22). E nos termos esclarecidos também nas suas defesas, a Recorrente promoveu a redução do seu capital, devidamente publicado no Diário Oficial e em jornal de grande circulação, gerando um crédito da ITERBAN na condição de sócia. Confirase a publicação da Ata de Redução de Capital no Diário Oficial: Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 886 22 Como sempre foi esclarecido pelo Contribuinte, a devolução de capital foi procedida efetiva e concretamente por meio da entrega (cessão) de quotas que Recorrente (a sociedade que sofreu redução VIALCO Construções e Participações Ltda.) possuía na VIALCO SPE. Tal operação é comum e legalmente justificada, tendo sido atendidos todos os requisitos e procedimentos para sua realização. Além disso, o que ocorreu e se registrou, não foi uma cessão a titulo gratuito. A Recorrente também traz autos tela de RDE/IED, que controla o investimento externo direito de cada pessoa jurídica estrangeira, demonstrando oficialização dessa devolução e posterior detenção de capital procedida entre as companhias. Frisese que no voto vencido do Relator da DRJ ficou consignado a ausência de comprovação pela Fiscalização de infração por parte do Contribuinte tal transação (fls 743): A Autoridade Autuante não comprovou a existência de qualquer irregularidade na integralização do capital da Vialco SPE pela Vialco com as ações da SP Vias. Também não demonstrou haver irregularidade nem na devolução das ações da Vialco SPE aos Sócios da Vialco, nem na posterior venda das cotas da Vialco SPE à CPC. Tendo em vista que a acusação fiscal nesse ponto resumese a simplesmente afirmar que tal operação foi simplesmente de doação, a titulo gratuito, os esclarecimentos e a documentação bastam para ilidir tal posição trazida no lançamento. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 887 23 A outro ponto a ser analisado, é a afirmação do TFV, trazida somente no item "Multa Qualificada" de que houve uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida. Anteriormente nesse voto já foi esclarecido que a operação (ou mesmo a expressão) de redução de capital não foi mencionada em qualquer outro ponto do TVF, nem no relato dos fatos colhidos ou mesmo da infração. A operação de redução de capital foi originalmente trazida aos Autos nos esclarecimentos prestados pelo Contribuinte, quando instado expressamente no primeiro Termo de Intimação Fiscal, a explicar detalhadamente a operação de alienação por parte da intimada (Vialco Constuções e Participações Ltda) da participação societária que detinha na Vialco Consseções Rodoviárias SPE Ltda. Como já mencionado, a Recorrente esclareceu a cessão ocorrida, justificada por sua própria redução de capital e juntou a Alteração do Contrato Social e a Ata correspondente publicada no diário oficial. Em resposta, a Autoridade Fiscal se posicionou dizendo o documento apresentado, 29ª Alteração do Contrato Social da Vialco Construções e Participações Ltda, nada tem a ver com a operação questionada! (pontuação como original). Tal clara e expressa resposta, antes mesmo da lavratura das Autuações, em comunhão com a completa ausência da descrição ou relato dessa operação anterior de redução de capital ou mesmo a indicação dos documento a ela relativos, evidenciam que essa manobra não faz parte regular da infração tributária que dá respaldo ao lançamento. Ainda que este Conselheiro não tenha considerado válido o sofrível lançamento de ofício, as falhas e incongruências da Fiscalização em colher os fatos envolvidos e determinar a infração cometida, prejudicam irreparavelmente a fundamentação dessa última acusação fiscal, que não pode ser aceita diante de sua precariedade, obscuridade e incerteza. Mais uma vez, confirase a posição do relator do v. Acórdão recorrido sobre tal acusação (fls. 743): Muito menos logrou êxito em comprovar a existência de fraude. Apenas afirmou, de forma subjetiva, que “a fraude está materializada no uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida”. Posto isso, pela ausência de sua descrição e a ausência de fundamentação, fica também afastada tal acusação, em relação à fraude cometida por uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital. Caso assim não se entenda, no sentido de se compreender ser necessário enfrentar a acusação de fraude por meio de redução de capital, é obrigado se presumir que tratase daquela procedida pela VIALCO Construções e Participação Ltda. (ainda que não mencionada no relato dos fatos e infrações do TVF, repitase). Muito importante ressaltar que não foram apontados quaisquer irregularidades, defeito jurídico ou falsidade nesse ato de redução, valendose a Fiscalização da Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 888 24 intenção no resultado tributário percebido em toda operação (redução de 19% do imposto supostamente devido), como a fundamentação da infração de fraude. Primeiro, em relação à redução de capital, temos que, assim como o aumento de capital com a integralização de bens e direitos, é ato comum e natural a todas as pessoas jurídicas, regulado nos arts. 1.081 a 1.084 do Código Civil de 2002. A redução pode ser motivada por diversos motivos, como a existência de capital excessivo em relação ao objeto social, absorção de prejuízos ou o cancelamento de ações em tesouraria. Para sua legalidade, basta a motivação correspondente às hipóteses legais e a intenção dos sócios, atendendo aos procedimentos de praxe e respeitando a necessidade do montante do capital social necessário ao objeto da sociedade em interesse aos eventuais credores, devendo, para tanto, em algumas hipóteses, (como na redução de por capital social considerado pelos sócios excessivo), ser publicada no diário oficial e em jornal de grande circulação a ata societária de tal redução. No voto vencedor do v. Acórdão recorrido, no qual se analisou a redução de capital, entendeuse que a coincidência do valor da reduzido em favor da ITERBAN com o valor das quotas do capital social da VIALCO SPE deixaria claro que tal negócio era falacioso, sendo verdadeira venda. Confirase (fls 754/755): Transparente está que a motivação da redução de capital em 4.955.553 quotas, correspondente a R$ 4.955.553,00, não seria o excesso deste frente ao objeto social, mas tão somente que este seria exatamente o valor da participação da VIALCO na SPVIAS a ser transferido pela primeira para a ITERBAN, para que esta última a vendesse a CPC. A motivação, portanto, não seria o excesso de capital, mas sim a venda de parte deste capital, sendo por esta razão a coincidência de valores das quotas, previamente acordados desde Novembro de 2009, para formalizar a transação em Agosto de 2010, tão logo acertadas as condições de redução tributária planejadas. (...) Notase, por conseguinte, que a própria Redução de Capital é parte do planejamento tributário abusivo construído pela VIALCO CONSTRUÇÕES. Neste sentido, tornase irrelevante a estrita legalidade da transação subseqüente, qual seja, a devolução a sócia ITERBAN S/A de parte do ativo representado pela participação na SPVIAS, amparada pelo art. 22 da Lei 9249/95, considerado o vício de motivação da redução de capital, parte do planejamento tributário abusivo perpetrado pelo contribuinte. Por que a Impugnante não alienou ela mesma as ações que detinha da SPVIAS para a CPC? Qual razão a impedia? A resposta está nos valores cobrados nos Autos de Infração deste processo. Ainda que possa não ser uma mera coincidência (e não aparenta) e talvez o grupo empresarial tenha decidido efetuar a redução desse montante de capital nessa sociedade Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 889 25 para que na outra fosse cedida a titularidade de suas quotas, não há qualquer defeito jurídico, falsidade ou mesmo simulação nessa operação efetuada dentro do próprio Grupo. Pelo que se depreende do entendimento vencedor do v. Acórdão, perguntase: se as empresas do mesmo grupo vendessem entre si as participação, não haveria, então, vício? Em primeiro lugar, a porcentagem de redução de capital social em relação ao seu objeto é ato promovido mediante deliberação dos sócios. A Lei Civil apenas determina que seja publicado tal ato, com fins exclusivos de resguardar eventuais credores. Não há irregularidade nesse ajuste interno de valores dos créditos entre sócios do Grupo. A simples constatação de que tal ato mostrouse responsável pela transferência do objeto a ser vendido a pessoa jurídica que, nos termos da própria Lei Tributária vigente, tem ônus fiscal mais brando do que seu titular original, por si só, não basta para configurar fraude. A linha argumentativa defendida no r. decisum recorrido sobre a tese do abuso de direito (único fundamento para o desfazimento das operações do contribuinte e manutenção da cobrança) pode acabar dando margem à obrigatoriedade, mediante autuação fiscal com aplicação de multas, de que o Contribuinte, mesmo dentro de total legalidade, faça as opções negociais e comerciais mais onerosas do ponto de vista tributário. É certo que a adoção de conceitos como a materialidade econômica das operações é ferramenta útil e válida para a investigação da presença de ilícitos, defeitos, falsidade ou qualquer outra irregularidade, mas, simplesmente desconsiderar operações mediante a conclusão que houve, finalisticamente, uma economia tributária, não pode ser aceito ou tolerado. Muito importante ressalvar que em momento algum do TVF foi questionado o contexto da presença da empresa uruguaia ITERBAN no Grupo e a sua origem, no sentido dessa ter sido criada ou inserida no Grupo com o propósito exclusivo de economia fiscal. Tal Companhia foi tratada no TVF como mais um membro da cadeia societária, de forma natural, apontandose apenas sua situação de tributação menos onerosa do ganho de capital. Os questionamento voltaramse à VIALCO SPE (essa, sim, rotulada de empresa veículo) e aos atos societários procedidos, como se inválidos fossem. Se tivesse sido demonstrado e provado que tal empresa estrangeira fora artificialmente colocada no Grupo, com exclusiva função de reduzir a apuração de ganho de capital, as ponderações e análises a serem feitas aqui seriam outras. Contudo, não é este o caso, sendo vedada, em qualquer instância do contencioso administrativo, a modificação dos critérios jurídicos do lançamento de ofício e a inovação aos seus fundamentos de fato. Retornando ao mérito, a situação aqui apresentada é exatamente a mesma da redução de capital a sócios pessoa física, que, até pouco tempo atrás, tributavam o ganho de capital sob a alíquota fixa de 15% (nascendo a exata mesma diferença apurada no presente caso). E a redução de capital aos sócios, procedida por valor contábil do bem entregue em devolução, com a sua posterior revenda, ainda que resulte em menor tributação, já foi considerado válida por este E. CARF diversas vezes. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 890 26 Confirase o Acórdão nº 1301.001.302, proferido pela C. 1ª Turma da 3ª Câmara desta mesma 1ª Seção, de votação unânime e relatoria do I. Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas, publicado em 28/03/2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2007 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Ademais, o fato dos acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. (destacamos) Esta mesma C. 2º Turma Ordinária, no passado, também já se posicionou da mesma forma, em votação unânime e relatoria do I. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, publicado em 14/11/2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 891 27 Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação no capital social, forem entregues/avaliados por montante superior ao que consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a diferença a maior será tributada como ganho de capital (Inteligência dos artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995). Não seria lógico exigir ganho de capital quando os bens e direitos fossem entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil. INTERESSE PROTEGIDO E NORMA INDUTORA DE COMPORTAMENTO. É juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995). Diante do fato de que o acesso a recursos junto ao mercado financeiro, de que necessitam as empresas, está ligado, em parte, ao capital social das Companhias, a regra que permite a devolução da participação acionária pelo valor contábil, sem que isto implique em custo tributário ao titular dos recursos, se constitui em norma indutora de comportamento que tem por finalidade aumentar o capital social das empresas, garantindo a devolução destes aos sócios acionistas, pelo valor contábil, sem exigência de tributação neste ato. Ademais, o fato de os acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, com cláusulas suspensivas, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. No caso concreto, não se pode confundir os contratos preliminares feitos entre os titulares das ações e o contrato definitivo que foi o instrumento que materializou e conferiu Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 892 28 validade e eficácia na transação feita entre os titulares das ações e a empresa adquirente. Por fim, em que pese a autuação invocar o contrato preliminar datado de 3/8/2007 para imputar responsabilidade à empresa POLPAR, esta sequer figurou como parte ou anuente no referido instrumento e tampouco recebeu o produto da venda que foi entregue, mediante crédito em conta, aos titulares das ações. Recurso Voluntário Provido. Posto isso, fica claro que não há fundamento válido para o desfazimento e a rotulação da redução de capital perpetrada como fraude, devendo ser afastada tal acusação fiscal. Tendo em vista que (i) fora demonstrado a regularidade da criação da VIALCO SPE para promover a venda das quotas SP VIAS à empresa CPC, (ii) que foi trazida prova e demonstração que a cessão de quotas promovida não foi a título gratuito e (iii) que a operação de redução de capital promovida não constituiu fraude, o lançamento de ofício perde seu fundamento e deve ser totalmente cancelado. Caso vencido, entendese pelo cancelamento da multa qualificada, reduzindo a ao montante de 75%, referente à multa de ofício, tendo em vista que a acusação é apenas e expressamente de abuso, não sendo provadas quaisquer ilegalidades por parte do Contribuinte que justificariam a qualificação da multa, bem como, por consequência lógica, aplicamse os mesmos fundamentos acima já expendidos sobre a lisura da operação e ausência de fraude para fundamentar este afastamento da qualificação da sanção (evitandose repetição desnecessária). Recurso de Ofício Caso não se entenda pelo cancelamento integral das Autuações, passase à análise do Recurso de Ofício. Como relatado, entendeu a Fiscalização que o reconhecimento da Recorrente como sujeito passivo da tributação do ganho de capital da venda das quotas das SP Vias implicaria na omissão de receitas financeiras decorrentes do recebimento de juros contratualmente acordados, incidentes entre a data da assinatura do contrato de compra e venda em 03/08/2010 e o efetivo recebimento, em 22/10/2010, as quais, estariam sujeitas à incidência de PIS e COFINS. A Recorrente em sua defesa que a opção pelo Lucro Presumido, acabava por abarcála no regime não cumulativo de apuração de tais Contribuições Sociais, não sendo objeto de sua incidência as receitas financeiras. Tal argumentação é claramente procedente, adotandose, com base no art. art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, os termos do v. Acórdão como razões de decidir, as quais reproduzse na íntegra: Nos lançamentos relativos à Contribuição do PIS e à COFINS, a Autoridade Autuante descreve o seguinte motivo: “Omissão de receitas financeiras decorrentes do recebimento de juros contratualmente acordados, incidentes entre a data da assinatura do contrato de compra e venda em 03/08/2010 e o efetivo Fl. 892DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 893 29 recebimento, em 22/10/2010(...)”. No enquadramento legal, cita os artigos 2º, 3º da Lei nº 9.718/98 e art. 24, §2º da Lei nº 9.249/95. A impugnante se defende, argumentando que mesmo se a venda fosse realizada pela Vialco, não haveria tributação de PIS e de COFINS sobre as receitas financeiras. Isso porque ela exerceu a opção pelo lucro presumido em 2010, estando, portanto, sujeita ao regime cumulativo dessas contribuições (art. 8º, II, da Lei n° 10.637/02 e art.10, II, da Lei n° 10.833/03). A regra prevista para as empresas sujeitas ao regime cumulativo é o art. 3º da Lei n° 9.718/98, que determina que a tributação dessas contribuições deveria recair sobre o faturamento, e não sobre todas as receitas da empresa (inclusive as não operacionais), como é o caso da receita financeira. Vejamos os dispositivos legais listados pelo Fisco na autuação: Lei 9.249/95 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2 O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Lei 9.718/98 Art.2°As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3 O faturamento a que se refere o art. 2º compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 894 30 atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Da leitura do art. 3º da Lei n° 9.718/98, verificase que o §1º foi revogado pela Lei nº 11.941, de 25 de maio de 2009. Isso significa que a Contribuição sobre o PIS e a COFINS não incidem mais sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, mas apenas sobre o faturamento. Ou seja: essas contribuições não incidem sobre as receitas financeiras das pessoas jurídicas. Antes dessa revogação, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes do faturamento podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, uma vez que o STF considerou que o § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, “b” da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC nº 20/98. Da análise dos fatos aqui narrados, verificamos que assiste razão à impugnante no que tange os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS, sendo devido o cancelamento desses créditos tributários. Ainda, é objeto do Recurso de Ofício o desconto das exações de IRPJ e CSLL do valor de IRRF incidente sobre o pagamento efetuado pela CPC à ITERBAN, quando da aquisição da VIALCO SPE, sob a alíquota de 15% (R$ 9.922.942,36). Alegou a Recorrente que a mesma operação já foi onerada, resultando em tal recolhimento, e que os tributos agora supostamente devidos têm origem apenas na desconsideração do sujeito passivo original. Assim, se exigido o valor integral da tributação sobre o ganho de capital destinado à pessoa jurídica apontada, agora, como Contribuinte, haveria o enriquecimento sem causa do Erário federal. Colaciona precedentes desta 1ª Seção do CARF de 2014, sobre o mesmo tema, descontando do valor do lançamento de ofício de IRPJ sobre ganho de capital da pessoa jurídica o montante pago pelo sócio, em operações que foram desconsideradas a transação de venda pela pessoa física. O v. Acórdão recorrido deu provimento a tal pleito, concordando com a hipótese de enriquecimento sem causa e acrescentando que, pela data da ciência do lançamento de ofício, não seria mais cabível a repetição de tal valor. Também, em consulta efetuada pelos Julgadores da DRJ, confirmouse que tal valor não foi compensado ou repetido. Nesse sentido, de fato, observando os cálculos do TVF, ainda que tenha mencionado que a economia tributária indevida fosse apenas 19% (3415), foi adicionada integralmente à base de cálculo do Lucro Presumido o valor da transação (34%). Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 895 31 Ainda que não se trate do mesmo contribuinte, tendo em vista que fora comprovado que o valor de IRRF recolhido já se tornou renda definitiva da União e que o único elemento que revestiu aquele recolhimento de indevido foi a desconsideração de elementos do negócio celebrado, permitir a exigência total dos crédito tributário imputados redundaria em tributação efetiva de 49% sobre o ganho de capital proveniente do mesmo negócio jurídico. A penalização dos contribuintes, ainda que diante da prática de abusos, fazse através da sanções previstas em Lei, assim como a arrecadação tributária percebese pela aplicação das devidas alíquotas à correta base de cálculo. Permitir a cobrança integral do valor do ganho de capital, sem a compensação do valor já recolhido pela mesma operação, revestiria o recolhimento dos R$ 9.922.942,36 a titulo de IRRF de verdadeira punição pelo planejamento tributário levado a cabo e excesso arrecadatório. Por fim, considerando também haver precedentes neste E. CARF sobre o desconto do valor de tributos sobre ganho capital recolhido por outro contribuinte, em relação à mesma operação, nos casos em que esta é desfeita, negase provimento ao Recurso de Ofício e, em acréscimo de fundamentação adotase, com base no art. art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, os termos do v. Acórdão como razões de decidir, as quais reproduzse na íntegra: Na ação fiscal em comento, a “VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES” foi identificada como a real beneficiária do Ganho de Capital apurado na alienação da VIALCO SPE, e, portanto, sujeito passivo da obrigação tributária. Entretanto, ao efetuar a venda, a ITERBAN S/A, empresa domiciliada no exterior, sofreu a Retenção do IRRF da operação, sendo que a compradora, CPC, recolheu o valor daquela retenção aos cofres da União num montante de R$ 9.922.942,36, cujo DARF foi identificado nos sistemas de controle da RFB, anexado ao processo (fl.689). O contribuinte demanda o aproveitamento do referido valor no montante do IRPJ lançado no presente processo, porquanto decorrente do mesmo negócio jurídico, a despeito da desconsideração da sujeição passiva na pessoa da ITERBAN. Entendo legítimo o pleito do contribuinte. Pois vejamos: A Companhia de Participações em Concessões – CPC, ao efetuar o pagamento do valor a ITERBAN, corretamente descontou o valor a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, recolhendoo aos cofres da União. Este recolhimento é efetuado em nome da própria CPC, identificado pelo seu CNPJ no Documento de Arrecadação. Pois bem, o contribuinte que sofre retenção do IRRF pode deduzilo do imposto devido no período de apuração a que corresponder, conforme art. 526 do RIR, a saber: Art. 526. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 896 32 fiscal (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 10). O Ganho de capital auferido na operação foi adicionado a apuração do IRPJ pelo Lucro Presumido, opção do contribuinte naquele anocalendário, porém ao efetuar este ajuste a autoridade fiscal não deduziu o valor do IRRF retido na operação que deu causa ao referido acréscimo patrimonial. Naturalmente, a própria administração tributária quem desconsiderou a sujeição passiva tributária na empresa domiciliada no exterior ITERBAN, reputando o ganho a VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES. Nada mais razoável, portanto, que o próprio Fisco, de ofício, aproveite aquele valor já recolhido ao Tesouro Nacional como dedução do IRPJ apurado no 3º trimestre de 2010 pela real beneficiária. De certo, não estamos tratando aqui de um pretenso recolhimento efetuado indevidamente passível de restituição nos termos preconizados pela Instrução Normativa RFB nº 1300/2012. A operação comercial existiu, houve a transferência dos ativos objeto da transação e era devida a retenção do IRRF no ato do pagamento do valor acordado. A CPC cumpriu corretamente todas as obrigações tributárias decorrentes da operação, entretanto o beneficiário daquele IRRF foi alterado de ofício pela administração pública. Ademais, caso o entendimento fosse pela natureza indevida daquele recolhimento, o contribuinte estaria impedido pela legislação tributária que regula a repetição de indébito de pedir a sua restituição, considerando já transcorrido o prazo de 05 anos contados do pagamento indevido ou a maior, cuja arrecadação ocorreu em 22/10/2010. Ressaltese, pela pertinência, que o valor de IRRF descontado e recolhido no pagamento à pessoa jurídica (ITERBAN) poderia ser aproveitado por esta na dedução do seu IRPJ, tendo em sua posse o comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora (art. 943, RIR/99). Por tratarse de empresa estrangeira, domiciliada no exterior, não houve o aproveitamento deste valor na apuração do IRPJ, conforme consulta ao sistema de controle de declarações da pessoa jurídica – Portal IRPJ da RFB. Considerando, portanto, que o valor do IRRF já foi recolhido ao Tesouro Nacional referente a mesma operação comercial; que o IRRF não foi aproveitado pela ITERBAN na dedução da apuração do seu IRPJ, por tratarse de empresa domiciliada no exterior; que não se trata de valor recolhido indevidamente passível de restituição; e ainda, que a administração tributária deve obediência aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e moralidade administrativas, voto na dedução do valor de R$ 9.922.942,36 na apuração do lançamento de IRPJ do 3º trimestre de 2010 da impugnante. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 897 33 Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, dar total provimento ao Recurso Voluntário, cancelando as autuações em tela. Caso vencido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 898 34 Voto Vencedor Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado Apresento minhas homenagens ao fundamentado voto do I. Conselheiro Relator mas dele, respeitosamente, ouso divergir no que se refere à legitimidade, para efeitos tributários, das operações analisadas no âmbito do procedimento fiscal. O Relator menciona no início de seu voto o que para ele seriam as três acusações concretas que motivaram a autuação: 1) ser a VIALCO SPE empresa veículo, com o único propósito de proporcionar uma economia tributária, não possuindo outra motivação para sua criação; 2) a cessão de quotas da VIALCO SPE pela VIALCO Construções e Participações Ltda. (Recorrente) à sua sócia ITERBAN teria sido a título gratuito; e 3) o uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida. A questão mencionada no item 3 foi utilizada fundamentalmente como justificativa para a qualificação da multa que foi afastada neste julgamento. Quanto aos itens 1 e 2, importa transcrever o trecho do Termo de Verificação que define a infração: [...] 15. Diante dos fatos narrados até aqui, e embasados pelos documentos obtidos pelas diversas intimações junto a adquirente CPC, anexos a este processo, chegamos à conclusão que a cessão de quotas que a VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA fez em favor da INTERBAN SOCIEDAD ANÓNIMA faz parte de um planejamento tributário abusivo que almejou, como único objetivo, reduzir a tributação sobre o ganho de capital, significando uma economia tributária indevida na ordem de 19%. Esta economia tributária se dá pela aplicação da alíquota de 15%, pelo qual é tributado o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior (IRRF), em detrimento das alíquotas de IRPJ e da CSLL a que estão sujeitas as pessoas jurídicas domiciliadas no país e que totalizam 34%. [...] Vêse portanto que, em sentido diverso ao entendimento do relator, o fato da Vialco SPE ser tida como empresa veículo é questão subsidiária, pois a irregularidade que gerou a infração foi a cessão de quotas da VIALCO CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA (Vialco CP) para a INTERBAN SOCIEDADE ANONIMA PARTICIPAÇÕES LTDA (Interban). Mais ainda, a infração não foi representada pelo fato da cessão ter sido gratuita de per si mas em função dessa operação ter permitido que a Interban negociasse com a Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 899 35 CPC as ações da SP Vias em condições de favorecimento tributário, conforme transcrição supra. Daí porque, em primeiro lugar, entendo que as considerações do voto condutor para anuir com o sujeito passivo nas razões que justificaram a criação da Vialco SPE, ainda que irretocáveis nos aspectos técnicos, não elidem a infração. Poderseia em tese considerar regular a criação da Vialco SPE. Nessa linha, a princípio soaria razoável o posicionamento do voto vencido ao defender a inexistência do abuso de direito na criação da Vialco SPE (destaques acrescidos): [...] Posto isso, criação da VIALCO SPE para receber as quotas da SP Vias da Recorrente, para ser posteriormente vendida à CPC, em nada se confunde com abuso de direito, ficando claro a motivação empresarial da sua criação, não procedendo a sua desconsideração pelo Fisco sob a acusação de existir unicamente por economia tributária. [...] Entretanto, a pergunta que não foi devidamente respondida é: Porque a Vialco SPE não efetuou a alienação das cotas e arcou com os efeitos tributários daí decorrentes se foi essa a motivação empresarial para sua criação? A resposta é clara: Se assim o fizesse, seria tributada à alíquota de IRPJ e CSLL no total de 34% (trinta e quatro por cento) e não 15% a título de IRF com a utilização da empresa Interban, como efetivamente ocorreu. Não posso concordar com o voto vencido quando afirma não ter havido questionamento em relação ao contexto da empresa uruguaia no grupo como instrumento de planejamento fiscal. Ora, a acusação fiscal foi exatamente nesse sentido. O item 15 do TVF supra transcrito deixa clara tal circunstância com a menção à tributação de 15% (quinze por cento) sobre a empresa domiciliada no exterior em detrimento às alíquotas incidentes sobre as empresas brasileiras. A cessão de cotas pela qual a Interban assumiu o controle da Vialco SPE não teve outra motivação comprovada que não a negociação das cotas da SP Vias. Ainda que as operações sob exame tenham cumprido os requisitos formais e não possam ser tidas como fraudulentas daí porque foi afastada a multa qualificada não há como acatálas em relação aos efeitos perante o Fisco, pela ausência de propósito negocial distinto da economia tributária. Quanto ao recurso de ofício, divirjo respeitosamente em parte do I. Relator e da decisão recorrida no que se refere à compensação do IRF incidente sobre a operação nos moldes como registrada. Isso porque a autuada não sofreu o ônus do tributo, mas sim a empresa alienígena. Se ocorreu a prescrição do direito de pedir a restituição/compensação é circunstância que não pode ser imputada à Administração tributária. De todo o exposto, entendo por negar provimento ao recurso voluntário no que se refere ao mérito da exigência e dar provimento parcial ao recurso de ofício para rejeitar a compensação do IRF e restabelecer integralmente a exigência do IRPJ. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201518 Acórdão n.º 1402002.772 S1C4T2 Fl. 900 36 É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Redator Designado Fl. 900DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.900661/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2004
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2004
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900661/201074 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.194 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. (sucessora por incorporação de ABN AMRO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 61 /2 01 0- 74 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.900661/201074 Acórdão n.º 3401004.194 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando compensar débitos declarados com suposto crédito oriundo de pagamento a maior de 61 PIS nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débitos da requerente, não restando saldo a ser utilizado. Irresignado com o indeferimento de seu pedido, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde alega, em síntese que: (a) não havia considerado na base de cálculo da contribuição as regras do Decreto nº 5.164/2004, revogado pelo Decreto nº 5.442/2005, que em seu artigo 1º reduziu a zero as alíquotas da contribuição sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas a incidência nãocumulativa; (b) face ao alegado no item anterior, procedeu aos ajustes na base de cálculo das contribuições, evidenciando assim o recolhimento a maior; (c) os valores na DIPJ estão corretos, acordes com a nova apuração; (d) olvidouse de proceder à retificação na DCTF, solicitando que esta seja retificada de ofício. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindose que as receitas contabilizadas como “Rendas de Garantias Prestadas” não se caracterizam como receitas financeiras, sujeitas a redução à zero das alíquotas, nos termos do Decreto nº 5.164/2004, e não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins apurada pelo contribuinte, indeferindo a solicitação do interessado, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário onde essencialmente reitera a argumentação expressa na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.187, de Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16327.900661/201074 Acórdão n.º 3401004.194 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.900662/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.187): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, visando a compensar débitos nele declarados, com créditos oriundos de pagamentos a maior de contribuições sociais nãocumulativas. A ora recorrente, impugnou o não reconhecimento o direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por não haver considerado nas bases de cálculo os ditames do art. 1º, do Decreto n° 5.164/04, que reduziu à zero a alíquota das contribuições sociais nãocumulativas, incidentes sobre receitas financeiras, conforme planilha (doc n° 4) apontando a conta COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) e cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida que os valores contabilizados como “Rendas de Garantias Prestadas” não poderiam ser considerados receitas financeiras, pelas empresas prestadoras de serviços de administração de cartões de créditos, mas sim receitas provenientes da prestação de serviços. Destaca a recorrente, somente agora em recurso voluntário, que o crédito pleiteado é oriundo da reclassificação de valores das contas COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) para 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), informação inserida na planilha (doc n° 4), apresentada junto com a impugnação, porém, não constando a conta 7.1.1.05.006, destino da reclassificação contábil alegada, na cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5), também, apresentada junto com a impugnação. Pois bem, entendo, sejam RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS ou RENDAS DE EMPRÉSTIMOS, as receitas em discussão fazem parte do objeto social da recorrente, empresa administradora de cartões de créditos, em razão disso, não enquadrandose como receita financeira e não fazendo jus à redução à zero das alíquotas ou à exclusão das bases de cálculo das contribuições sociais. Seguindo a mesma linha de abordagem da decisão recorrida, cujo voto condutor promoveu minuciosa analise da conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), segundo o Cosif, a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), que faz parte do subgrupo 7.1.1.00.001 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16327.900661/201074 Acórdão n.º 3401004.194 S3C4T1 Fl. 5 4 Rendas de Operações de Crédito, o qual pertence ao grupo 7.1.0.00.008 Receitas Operacionais, tem como função “Registrar as rendas de empréstimos, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Base Normativa: (Circular BCB 1273)”. Notar que a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), a qual alegase ter sido reclassificados os valores originalmente registrados na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), vinculase diretamente ao objeto social da recorrente, ambas, fazendo parte do bojo das suas receitas operacionais, subagrupadas em rendas de operações de crédito e outras receitas operacionais, respectivamente, constituindo receitas decorrentes do exercício da atividade empresarial das administradoras de cartões de crédito, que não se confundem com as oriundas de remuneração do capital nas operações financeiras. A incidência das contribuições sociais sobre as RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS foi mantida, por entender a decisão recorrida que, sendo cobrado do cliente da ora recorrente determinada importância, em contrapartida pela fiança/aval prestado, estaria caracterizada prestação de serviço próprio das administradoras de cartões de crédito. Ainda que seja feita uma divisão das receitas provenientes da atividade desempenhada pela recorrente, entre a prestação de fiança/aval e à concessão de empréstimos correlatos, ambas atividades, sujeitamse à incidência das contribuições sociais, mesmo que, na segunda hipótese, possa ser considerada uma atividade financeira, exclusivamente sujeita ao IOF, para fins de não ser tributável pelo ISS. Portanto, ainda que reclassificadas as rendas de empréstimos para a subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF), estamos nitidamente diante de receitas provenientes de operações de crédito, oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da recorrente, que não se confundem com as receitas de remuneração do capital em operações financeiras dissociadas do objeto social da empresa. Ressaltase que essas operações são consideradas autônomas e possuem regras próprias de contabilização no Cosif. As rendas das garantias prestadas são contabilizadas na subconta 7.1.9.70.004 (sujeita ao ISS), e as rendas de empréstimos são lançadas na subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF). Determinante no presente caso, se da contabilização na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) o resultado foi a inclusão das receitas de empréstimos, fato timidamente ressaltado pela interessada e somente agora em recurso voluntário, é certo que deveria haver a demonstração destas ocorrências, acompanhada da documentação comprobatória pertinente, o que não foi o caso, nem no momento oportuno da manifestação de inconformidade (art. 16, do PAF), Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16327.900661/201074 Acórdão n.º 3401004.194 S3C4T1 Fl. 6 5 nem agora em recurso voluntário, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784/99, ainda mais, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Por certo, a conta de RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS, abarca prestação de serviços tributáveis pelas contribuições sociais nãocumulativas, em discussão, incidência demonstrada pela fiscalização, mantida pela decisão recorrida e ora convalidada, pelos mesmos fundamentos, não havendo, por parte do interessado, demonstração adequada, apenas, simples planilha apresentada (doc n° 4), além da inexistência de documento de prova no sentido da inclusão de RENDAS DE EMPRÉSTIMOS nesta conta, cabendo ao contribuinte segregar e provar a possível natureza distinta de tais receitas, não constando nem mesmo a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS) na cópia da página do balancete mensal, onde estariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o não reconhecendo do direito creditório pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000053/2011-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
MULTA DE CONVERSÃO DO PERDIMENTO. IRREGULARIDADE ASSOCIADA À EXPORTAÇÃO. APLICABILIDADE.
Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002, qualquer obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação.
Numero da decisão: 9303-005.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Valcir Gassen, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA DE CONVERSÃO DO PERDIMENTO. IRREGULARIDADE ASSOCIADA À EXPORTAÇÃO. APLICABILIDADE. Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002, qualquer obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação.
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MULTA DE CONVERSÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADVANCED INTERNACIONAL CARGO LTDA. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA DE CONVERSÃO DO PERDIMENTO. IRREGULARIDADE ASSOCIADA À EXPORTAÇÃO. APLICABILIDADE. Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002, qualquer obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Valcir Gassen, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 00 53 /2 01 1- 81 Fl. 2786DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3301003.058, de 23/08/2016, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EXPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTOS. PERÍODO ANTERIOR À MP 497/2010. INAPLICABILIDADE. A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referirse à base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que tornase possível a sua aplicação. IMPORTAÇÃO. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL. A medida extrema de perdimento dos bens a favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do DecretoLei 1.455/76 e 105, VI, do DecretoLei 37/66 somente se mostra cabível quando demonstrada a fraude por artifícios dolosos imputados à contribuinte. Recurso de Ofício negado. Irresignada, a Recorrente suscita divergência quanto à aplicabilidade da conversão do perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nas hipóteses permitidas, em operações de exportação. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 30134.599 e 30335.828. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 2761/2763. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (2771/2778). É o Relatório. Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 10074.000053/201181 Acórdão n.º 9303005.988 CSRFT3 Fl. 2.787 3 Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN não deve ser conhecido. É que, embora a Câmara baixa tenha reconhecido que aplicação da multa de conversão da pena de perdimento na exportação somente se viabilizou após a edição da Medida Provisória MP nº 497, de 27/07/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, e os acórdãos paradigmas tenha firmado entendimento divergente, o acórdão recorrido também se fundamentou no fato da não comprovação do dolo, conforme registrado no penúltimo parágrafo: "Em suma, nestes autos não há provas do dolo imputado à Advanced. Ademais, Fernando Baptista e a Ibengo sequer foram inseridos no polo passivo". O recurso especial, todavia, sequer se pronunciou a respeito. Como se sabe, a contrariedade às provas dos autos deixou de ser hipótese da interposição deste apelo desde a edição da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que revogou a Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. Atualmente, apenas a comprovação de dissídio jurisprudencial autoriza a interposição do recurso especial. O recurso, portanto, a nosso juízo, não deve ser conhecido. Todavia, como não foi esta a interpretação adotada por esta Turma, passamos a análise do mérito do litígio. Como se sabe, a matéria não é nova neste Colegiado. Para períodos anteriores ao início da vigência da referida MP, a pena de conversão, tanto na importação, quanto na exportação, era equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, o que, para muitos, impossibilitava, na última hipótese (exportação), a sua aplicação, uma vez que a expressão "valor aduaneiro" constitui a base de cálculo do imposto de importação. Todavia, entendemos possível a aplicação da pena de conversão na exportação mesmo antes da MP nº 497, de 2010. Como as razões do nosso convencimento coincidem com as expostas pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, transcritas no Acórdão nº 9303004.220, de 10/08/2016, passamos adotálos como razão de decidir. Eilas: O recurso preenche as condições de admissibilidade e, consequentemente, deve ser conhecido. De fato, inobstante a recorrente argumente ausência de identidade fática e de prequestionamento, tais alegações não podem prosperar. Os paradigmas enfrentam multa idêntica, cujo perdimento decorreria de infração idêntica. Peço licença para transcrever o seguinte excerto do Acórdão 30335.828: Neste diapasão, concluo que o autor do feito (o Fisco) encontra se acobertado por prova do fato constitutivo de seu direito, concernente na documentação trazida aos autos, devidamente expostas anteriormente. Quanto a penalidade aplicada (multa regulamentar), insta citar o art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76: Fl. 2788DF CARF MF 4 “Art. 23 – Consideramse dano ao erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do parágrafo único do art. 104 e nos incisos I a XIX do art. 105, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966: (...) §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo, será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...) §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida. (acrescido pela Lei nº 10.637/2002, decorrente da conversão da MP nº 66/2002). E mais. Traz o artigo 105 do DecretoLei nº 37/66: “Art. 105 – Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado”. Ora, a acusação do Fisco é exatamente a mesma, a contribuinte instruíra seus despachos de exportação com documentos falsificados e, como tal, deveria se sujeitar à pena de perdimento, convertida em pecúnia, face a não localização da mercadoria. Acrescentese, por óbvio, que o fato dos acórdãos paradigmas não terem discutido o ato novel em nada altera a caracterização da divergência: o acórdão recorrido considerou que, na sua redação original, o § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, transcrito acima, era inaplicável às irregularidades associadas à exportação e os paradigmas, em sentido oposto, ratificaram a aplicação da penalidade desde aquele primeiro momento. Passo ao mérito. Em síntese apertada, decidiu o aresto que multas relativas a irregularidades na exportação, ainda que não tenham qualquer relação com a arrecadação do imposto de exportação, deveriam ser calculadas em razão da base de cálculo daquele imposto e que multas relativas a irregularidades na importação deveriam ser calculadas em razão da base de cálculo do imposto de importação. Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 10074.000053/201181 Acórdão n.º 9303005.988 CSRFT3 Fl. 2.788 5 Assim sendo, concluiu, o legislador equivocarase ao prever a aplicação de multa por irregularidade na exportação, calculada sobre o valor aduaneiro, já que tal valor corresponderia a um conceito inerente à importação. Ouso discordar. A primeira condição para se empreender uma interpretação sistemática é a coerência do Ordenamento Jurídico. Ou seja, há, com efeito, antinomias que devem ser solucionadas pelos já conhecidos critérios hierárquico, temporal ou de especificidade, mas a solução sempre resultará na adoção de uma das normas aparentemente antinômicas (posterior ou mais específica), conforme previsto nos parágrafos do art. 2º do DecretoLei nº 4.657, de 1942, ou mediante o correspondente controle formal, mediante a aplicação, por exemplo, do art. 97 do CTN. Ocorre que, no caso concreto, afastouse a aplicação da lei em razão de critério exclusivamente didático. Deveras, o comando cuja aplicação foi afastada pelo colegiado recorrido emana de lei em sentido formal, que não foi alvo de decretação de inconstitucionalidade, trata de matéria para a qual não há uma lei mais específica e, como apontado pelo voto condutor, não se sujeitava à lei posteriormente editada. Também não vejo como pretender rejeitar a lei vigente sob a alegação de que deveria haver uma que se apresentasse mais específica, mas que, à época dos fatos, ainda não vigia. Seria o mesmo que uma antinomia de lege ferenda (face à lei que viria a ser criada). Isto posto, diferentemente do que afirmou o acórdão recorrido, não vejo como invalidar a opção do legislador por definir o valor da multa relativa a irregularidade na exportação em montante equivalente ao valor aduaneiro. A lei definiu uma base e tal base é perfeitamente apurável. Com efeito. inobstante seja natural tomar como sinônimos valor aduaneiro e base de cálculo do imposto de importação, tais institutos possuem vida própria. Ou seja, é fato que, nos termos do art. 75, I do Decreto nº 4.543, de 2002, vigente à época das operações aqui debatidas, a base de cálculo do imposto do importação, quando a mercadoria se sujeitasse à alíquota ad valorem, seria o valor aduaneiro, observadas as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994(AVA), mas a recíproca não é verdadeira. Uma mercadoria imune, por exemplo, está excluída da incidência do Imposto de Importação e, ainda assim, possui valor aduaneiro. De fato, Valor Aduaneiro é um instituto jurídico distinto da base de cálculo do imposto de importação (ou direitos aduaneiros, se Fl. 2790DF CARF MF 6 adotada a nomenclatura do AVA), criado com o objetivo de viabilizar a uniformidade do controle aduaneiro. Ou seja, o legislador pátrio adotou o Valor Aduaneiro como base de cálculo, mas este instituto, repitase, tem existência autônoma. Assim sendo, não há qualquer obstáculo para que o legislador aproveite o conceito de valor aduaneiro para outros aspectos inerentes ao controle aduaneiro, salvo o combate ao dumping, expressamente afastado pelo AVA. Aliás, não há obstáculo sequer a que tal instituto jurídico seja empregado em outra finalidade, como ocorre, por exemplo, na fixação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, que, embora cobradas no registro da DI, não se confundem com os direitos aduaneiros. Muito pelo contrário, se o objetivo almejado é a uniformização, quanto maior for o aproveitamento dos conceitos do AVA pelo Ordenamento Jurídico Nacional, maior será o atingimento daquele objetivo. Confirase, a propósito, o texto introdutório do AVA, que delimita os princípios que nortearam a sua edição (GN): Os Membros, Tendo em vista as negociações comerciais Multilaterais; Desejando promover a consecução dos objetivos do GATT 1994 e assegurar vantagens adicionais para o comércio internacional dos países em desenvolvimento; Reconhecendo a importância das disposições do Artigo VII do GATT 1994 e desejando elaborar normas para sua aplicação com vistas a assegurar maior uniformidade e precisão na sua implementação; Reconhecendo a necessidade de um sistema eqüitativo, uniforme e neutro para a valoração de mercadorias para fins aduaneiros, que exclua a utilização de valores aduaneiros arbitrários ou fictícios; Reconhecendo que a base de valoração de mercadorias para fins aduaneiros deve ser tanto quanto possível o valor de transação das mercadorias a serem valoradas; Reconhecendo que o valor aduaneiro deve basearse em critérios simples e eqüitativos condizentes com as práticas comerciais e que os procedimentos de valoração devem ser de aplicação geral, sem distinção entre fontes de suprimento; Reconhecendo que os procedimentos de valoração não devem ser utilizados para combater o dumping; Acordam o seguinte: (...) Por outro lado, não se pode olvidar que o legislador não determinou a imputação de multa no valor aduaneiro, mas em valor equivalente ao que seria aquele valor. Confirase a redação Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 10074.000053/201181 Acórdão n.º 9303005.988 CSRFT3 Fl. 2.789 7 do § 3º do art. 23 do Decreto nº 1.455, de 1976, vigente à época dos fatos (destaquei): § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Ora, valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. O legislador, repitase, elegeu um critério objetivo e apurável, como será melhor exposto a seguir, pouco importando se, tradicionalmente, esse critério é empregado para o cálculo de direitos aduaneiros ou contribuições devidas na importação. Tratase de lei vigente e cuja inconstitucionalidade, até o momento, não foi declarada. Dito isto, passase à segunda premissa que orienta este voto: o Fisco, efetivamente, calculou um valor equivalente ao valor aduaneiro nos termos do art. 1 do AVAGATT e a recorrente não se insurgiu contra esse critério. Eis a redação do dispositivo (destaquei) O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (...) De fato, a multa foi calculada sobre o valor constante dos documentos de exportação e, como tal, sobre o preço de venda da mercadoria. E não se alegue que não haveria como se proceder a tal apuração em razão de que a mercadoria destinavase à exportação. Deveras, não me parece razoável concluir que a mercadoria exportada, se considerada a origem, também não seja importada, se considerado o destino. Como é cediço, importação e exportação são duas faces da mesma moeda: a mesma mercadoria que é vendida pelo exportador nacional é adquirida pelo importador estrangeiro. Tratase de pólos distintos do mesmo contrato de compra e venda. Nessa esteira, revelase evidente que o valor da venda pelo exportador é o mesmo valor da compra pelo importador e, consequentemente, o valor equivalente ao valor aduaneiro da operação, valorada segundo o primeiro método. Assim, como bem apontou a d. Procuradoria da Fazenda Nacional em seu Recurso Especial de divergência, a partir do ato novel, o legislador definiu um novo critério para aferição da base de cálculo da multa, mas isso, evidentemente, não invalida o procedimento realizado sob a égide da redação anterior. Aliás, não atrai sequer a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "c" do CTN, já que o Fisco, para cálculo do valor de Fl. 2792DF CARF MF 8 transação, utilizou exatamente os valores constantes dos documentos previstos na nova redação do § 3º do art. 23 (destaquei): § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Finalmente, considerando que não houve prequestionamento acerca das demais questões recursais ou mesmo a apresentação de embargos de declaração, para efeito de prequestionamento, julgo que não há espaço para debater pedido subsidiário, apresentado em sede de contrarrazões. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Com efeito, o legislador não estabeleceu o valor aduaneiro como a base de cálculo da multa de conversão, mas – cabe ressaltar – o valor a ele equivalente. Assim, "a mercadoria exportada, se considerada a origem, é a mesma importada, se considerado o destino. Da mesma forma, o contrato de compra e venda é uno, com dois pólos diversos. Consequentemente, é perfeitamente possível identificar o valor pelo qual a mercadoria foi comercializada (valor de transação) e definir o quantum da multa relativa à conversão da pena de perdimento" (da ementa do Acórdão nº 9303004.220, de 10/08/2016). Ademais, não há, no Código Tributário Nacional, regra que institua a obrigatoriedade de as bases de cálculo das obrigações acessórias guardarem alguma relação com as bases de cálculo dos tributos aos quais eventualmente se referiam. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 10074.000053/201181 Acórdão n.º 9303005.988 CSRFT3 Fl. 2.790 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Diferentemente do que entendeu o il. relator, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido reconheceu que aplicação da multa de conversão da pena de perdimento na exportação somente se viabilizou após a edição da Medida Provisória MP nº 497, de 27/07/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, os acórdãos paradigmas a entenderam possível antes mesmo da alteração da Lei. Configurada, portanto, a divergência. Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço do recurso especial interposto pela PFN. É como voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2794DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720127/2013-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCROS NO EXTERIOR. CONTROLADAS DIRETAS OU INDIRETAS. APURAÇÃO INDIVIDUALIZADA. PROPORÇÃO DA PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA.
Os lucros auferidos por controladas e coligadas, diretas ou indiretas, no exterior, serão considerados de forma individualizada, para cada uma das empresas, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real, na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Para evitar a bitributação, ao se apurar os resultados de controladas ou coligadas de maneira individualizada, deve se afastar os resultados auferidos de investimentos dessas controladas e coligadas por meio de equivalência patrimonial.
APURAÇÃO DOS LUCROS E OUTROS RESULTADOS NO EXTERIOR.
O art. 1º da IN SRF nº 213, de 2002, com base na legislação tributária (art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995 e 16 da Lei nº 9.430, de 1996), e na legislação empresarial dispondo sobre o conceito de controladas (arts. 116 e 243 da Lei nº 6.404, de 1976 e art. 1098 do Código Civil), estabelece procedimentos para apurar os lucros de controladas e coligadas e resultados de outras participações societárias. O rito previsto nos §§ 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da instrução normativa operacionaliza a apuração dos lucros (1) das controladas no exterior (diretas ou indiretas), que serão adicionados ao lucro líquido da controladora no Brasil, (2) das coligadas, que serão adicionados ao lucro da investidora, e (3) das filiais e sucursais que serão adicionados ao lucro líquido da matriz no Brasil, que será, para os três casos, considerado de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores. O § 6º dispõe sobre tributação residual, que diz respeito a resultados não abrangidos pelos parágrafos anteriores, auferidos por outros investimentos.
ART. 74 DA MP Nº 2.158-35, DE 2001. TRATADO PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO DE RENDA. MATERIALIDADES DISTINTAS.
Não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, e as dispostas na Convenção Brasil-Áustria para evitar bitributação de renda. Os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada ano-calendário. São diferentes os lucros dos residentes na Áustria e os lucros auferidos pelos investidores no Brasil.
OPERACIONALIZAÇÃO DA NEUTRALIDADE DO SISTEMA E SUPERAÇÃO DO DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
A neutralidade do sistema de tributação quando investidor e investida estão localizadas no Brasil opera-se mediante a exclusão do resultado positivo da investida apurado via Método de Equivalência Patrimonial no lucro real da investidora, porque os lucros da investida já foram tributados pela mesma alíquota que seria aplicada à investidora. Estando investidor no Brasil e investida no exterior, e se a alíquota no exterior é menor do que a brasileira, quebra-se a neutralidade do sistema, e viabiliza-se diferimento por tempo indeterminado da tributação, caso a investidora, que detém poder de decisão sobre a investida, decida não distribuir os lucros. Por isso, o art. 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, ao determinar que os lucros sejam auferidos pelo investidor brasileiro, na medida de sua participação, ao final de cada ano-calendário, dispondo sobre aspecto temporal, evitou o diferimento, e, ao mesmo tempo, o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, autorizou a compensação dos impostos pagos no exterior, viabilizando a neutralidade do sistema.
ART. 74 DA MP Nº 2.158-35, DE 2001. TRATADO DE BITRIBUTAÇÃO. NÃO REPERCUSSÃO NAS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO PAÍS CONTRATANTE.
Ao ser interpretar quem seriam os sujeitos de um tratado de bitributação, o país da fonte é o país em que deve se encontrar a empresa onde efetivamente são desempenhadas as atividades produtivas. Tais atividades podem ser produzidas pela própria empresa, ou mediante investimentos, desde que naquele país contratante. Pode ser até mesmo uma holding, desde que concentre investimentos que desempenhem atividades produtivas localizados no mesmo país, e não um mero "hub", um centralizador de investimentos localizados em países não signatários de acordos com o Brasil. O tratado de bitributação deve ser aplicado em situações no qual, efetivamente, as empresas se localizam nos países contratantes. Alargar o conceito da empresa situada no país da fonte para qualquer empresa que concentre auferimento de renda de outras empresas, independente das circunstâncias ou da localização dos investimentos, subverte a finalidade e o objetivo dos tratados internacionais. Não há que se conceber que dois países se reúnam para dar amparo a sistemas paralelos de tributação.
Numero da decisão: 9101-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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CONTROLADAS DIRETAS OU INDIRETAS. APURAÇÃO INDIVIDUALIZADA. PROPORÇÃO DA PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. Os lucros auferidos por controladas e coligadas, diretas ou indiretas, no exterior, serão considerados de forma individualizada, para cada uma das empresas, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real, na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Para evitar a bitributação, ao se apurar os resultados de controladas ou coligadas de maneira individualizada, deve se afastar os resultados auferidos de investimentos dessas controladas e coligadas por meio de equivalência patrimonial. APURAÇÃO DOS LUCROS E OUTROS RESULTADOS NO EXTERIOR. O art. 1º da IN SRF nº 213, de 2002, com base na legislação tributária (art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995 e 16 da Lei nº 9.430, de 1996), e na legislação empresarial dispondo sobre o conceito de controladas (arts. 116 e 243 da Lei nº 6.404, de 1976 e art. 1098 do Código Civil), estabelece procedimentos para apurar os lucros de controladas e coligadas e resultados de outras participações societárias. O rito previsto nos §§ 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da instrução normativa operacionaliza a apuração dos lucros (1) das controladas no exterior (diretas ou indiretas), que serão adicionados ao lucro líquido da controladora no Brasil, (2) das coligadas, que serão adicionados ao lucro da investidora, e (3) das filiais e sucursais que serão adicionados ao lucro líquido da matriz no Brasil, que será, para os três casos, considerado de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores. O § 6º dispõe sobre tributação residual, que diz respeito a resultados não abrangidos pelos parágrafos anteriores, auferidos por outros investimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 27 /2 01 3- 56 Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 808 2 ART. 74 DA MP Nº 2.15835, DE 2001. TRATADO PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO DE RENDA. MATERIALIDADES DISTINTAS. Não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, e as dispostas na Convenção BrasilÁustria para evitar bitributação de renda. Os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada anocalendário. São diferentes os lucros dos residentes na Áustria e os lucros auferidos pelos investidores no Brasil. OPERACIONALIZAÇÃO DA NEUTRALIDADE DO SISTEMA E SUPERAÇÃO DO DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. A neutralidade do sistema de tributação quando investidor e investida estão localizadas no Brasil operase mediante a exclusão do resultado positivo da investida apurado via Método de Equivalência Patrimonial no lucro real da investidora, porque os lucros da investida já foram tributados pela mesma alíquota que seria aplicada à investidora. Estando investidor no Brasil e investida no exterior, e se a alíquota no exterior é menor do que a brasileira, quebrase a neutralidade do sistema, e viabilizase diferimento por tempo indeterminado da tributação, caso a investidora, que detém poder de decisão sobre a investida, decida não distribuir os lucros. Por isso, o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, ao determinar que os lucros sejam auferidos pelo investidor brasileiro, na medida de sua participação, ao final de cada ano calendário, dispondo sobre aspecto temporal, evitou o diferimento, e, ao mesmo tempo, o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, autorizou a compensação dos impostos pagos no exterior, viabilizando a neutralidade do sistema. ART. 74 DA MP Nº 2.15835, DE 2001. TRATADO DE BITRIBUTAÇÃO. NÃO REPERCUSSÃO NAS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO PAÍS CONTRATANTE. Ao ser interpretar quem seriam os sujeitos de um tratado de bitributação, o país da fonte é o país em que deve se encontrar a empresa onde efetivamente são desempenhadas as atividades produtivas. Tais atividades podem ser produzidas pela própria empresa, ou mediante investimentos, desde que naquele país contratante. Pode ser até mesmo uma holding, desde que concentre investimentos que desempenhem atividades produtivas localizados no mesmo país, e não um mero "hub", um centralizador de investimentos localizados em países não signatários de acordos com o Brasil. O tratado de bitributação deve ser aplicado em situações no qual, efetivamente, as empresas se localizam nos países contratantes. Alargar o conceito da empresa situada no país da fonte para qualquer empresa que concentre auferimento de renda de outras empresas, independente das circunstâncias ou da localização dos investimentos, subverte a finalidade e o objetivo dos tratados internacionais. Não há que se conceber que dois países se reúnam para dar amparo a sistemas paralelos de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 809 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 1270/1323) interposto por MARSELHA HOLDINGS ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402002.321 (efls. 562/585), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 04/10/2016, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 153/195), relativa ao anoscalendário de 2008, discorre sobre tributação de lucros auferidos no exterior. A Contribuinte é controladora da VX Holdings (sede na Áustria), que por sua vez é controladora da RODEO DRIVE (sede em Funchal). A RODEO DRIVE apurou lucros, que foram lançados pela Contribuinte na controladora VX Holdings. Entendeu a Fiscalização que a Contribuinte deveria ter oferecido à tributação os lucros auferidos pela RODEO DRIVE, enquanto que a Contribuinte interpretou a legislação no sentido de que, como tais lucros foram lançados na VX Holdings, estaria amparada pelo Tratado BrasilÁustria para evitar dupla tributação. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 210/243), que foi julgada improcedente (efls. 334/343) pela decisão da primeira instância (DRJ). Foi interposto recurso voluntário (efls. 361/409). A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) negou provimento ao recurso (efls. 562/585). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 600/654). O despacho de exame de admissibilidade de efls. 756/764 deu seguimento ao recurso. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") apresentou contrarrazões (efls. 766/793). Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 810 4 A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão nº 1452.728, na sessão de 08/08/2014, nos termos da ementa a seguir. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CONTROLADA NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Conforme previsto no §1º, do artigo 7º, da IN/SRF nº 213/2002, o valor do resultado positivo da equivalência patrimonial deverá ser considerado para apuração do lucro real e a da base de cálculo da CSLL. TRATADO INTERNACIONAL BRASIL ÁUSTRIA. O Tratado firmado entre Brasil e Austria não impede a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por controlada no exterior. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 04/10/2016, por meio do Acórdão nº 1402002.321, decidiu no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não é nula a decisão que fundamenta, ainda que de modo conciso, o porquê da manutenção da exigência. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR.DISPONIBILIZAÇÃO. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da CSLL os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 811 5 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÃO BRASILÁUSTRIA DESTINADA A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158 35/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre a Convenção BrasilÁustria e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. TRATADO INTERNACIONAL BRASIL ÁUSTRIA. O Tratado firmado entre Brasil e Áustria não impede a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por controlada no exterior. A Contribuinte interpôs recurso especial. Discorre sobre o objeto da tributação do art. 74 da MP nº 2.15835 e art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995. Entende aplicarse o método aditivo como ficção para nacionalizar o lucro estrangeiro, ou seja, o objeto da tributação é o próprio lucro das entidades estrangeiras pelo método da adição ou soma ao lucro real. Então, quem auferiu o lucro não foi a empresa brasileira, mas sim um ente estrangeiro. E, como se pode observar, em momento algum estabeleceu a legislação que ocorreria tributação sobre os resultados de equivalência patrimonial de controladas e coligadas no exterior, entendimento confirmado pelo § 6º do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995. Sobre o tratado com a Áustria, discorre que, conforme art. 7º, § 1º, primeira parte, a situação dos autos amoldase ao regime de competência exclusiva. Assim, nas relações entre duas pessoas jurídicas com personalidade jurídica própria em que uma (Contribuinte) é controladora da outra, não pode o país do domicílio da primeira (Brasil) pretender tributar os lucros da segunda empresa, domiciliada no outro país contratante (Áustria), pois cabe ao país contratante (Áustria) a competência exclusiva para a tributação dos lucros das entidades residentes em seu território. E tal competência deixaria de ser exclusiva apenas no caso em que os lucros fossem auferidos através de estabelecimento permanente, ou seja, de uma instalação fixa de negócios sem personalidade jurídica própria. Discorre sobre os fundamentos e objetivos do regime de competência exclusiva, sobre o elemento histórico de interpretação, no qual se afirmou a supremacia do "princípio da separação" sobre a "teoria do órgão", em matéria de controladas e subsidiárias em geral, ou seja, prevaleceu a individualidade jurídica e a tributação autônoma das subsidiárias e o reconhecimento de competência exclusiva ao Estado de localização da empresa. Aduz que o art. 74 da MP nº 2.15835 não é norma CFC (controlled foreign companies provisions) porque não possui qualquer elemento abusivo, e as normas CFC destinamse a taxar apenas as rendas de natureza passiva e oriundas de território de baixa ou nula tributação. Assim, conclui que os autos de infração são eivados de ilegalidade, por violação ao art. 7º do Tratado BrasilÁustria. Tampouco se aplica a tributação nos termos do art. 23 do tratado, vez que no caso dos dividendos foi eleito o método da isenção, segundo o qual os dividendos pagos a um sócio no Brasil são tributados exclusivamente na fonte no país de que se originam, não sendo tributados uma segunda vez no país de residência deste sócio. Discorre que o tratado também se aplica em relação à CSLL. Ao final, requer pelo cancelamento integral das exigência fiscais. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 756/764 deu seguimento ao recurso da Contribuinte. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 812 6 A PGFN apresentou contrarrazões. Discorre sobre o regime de tributação em bases universais no Brasil, sobre a interpretação e a qualificação dos lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas ou coligadas, para concluir que o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, é norma CFC. Na sequência, entende pela aplicabilidade do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, frente ao tratado para evitar dupla tributação entre BrasilÁustria. Conclui que o STF ao julgar a ADI 2.588 consolidou duas premissas: (a) o reconhecimento dos resultados por meio da utilização do MEP implica disponibilidade da renda para a controladora brasileira; e (b) havendo disponibilidade, os lucros são de titularidade da pessoa jurídica residente no Brasil. Assim, não caberia qualquer argumento sobre a ausência de disponibilidade de lucros apurados por meio da aplicação do MEP. Requer pelo não provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 756/764, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o Recurso Especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. A matéria em devolvida diz respeito à tributação de lucros auferidos no exterior. A Contribuinte é controladora da VX Holdings (sede na Áustria), que por sua vez é controladora da RODEO DRIVE (sede em Funchal). A RODEO DRIVE auferiu lucros, que não foram oferecidos à tributação, porque entendeu a Contribuinte que tais lucros, na medida em que foram lançados na VX Holdings, estariam protegidos da tributação, em razão do Tratado BrasilÁustria para evitar dupla tributação. O assunto já foi tratado pelo Colegiado, em outros julgamentos, como no "caso EAGLE" (Acórdão nº 9101002.589) e "caso GERDAU (Acórdão nº 9101002.590). O presente voto estrutura em dois capítulos, versando sobre a legislação de lucros no exterior vigente à época da autuação: 1) a materialidade do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 ao discorrer sobre a tributação de controladas e coligadas e a operacionalização prevista na legislação; 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 813 7 2) abrangência da aplicação de tratados de bitributação para empresas não localizadas no país residente, ou seja, se o tratado BrasilÁustria teria repercussão na controlada da VX Holdings (com sede na Áustria). Materialidade do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 e Operacionalização da Tributação. Transcrevo os artigos 74, caput, da MP nº 2.15835, de 2001, e 25 da Lei nº 9.249, de 1995: MP nº 2.15835, de 2001 Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. ...................................................................................................... Lei nº 9.249, de 1995 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real;(...) (grifei). A princípio, cumpre esclarecer que a materialidade sobre o qual incide a tributação do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, trata de lucros, e não de dividendos. Os dividendos dependem a existência de resultado positivo da empresa. Constituemse em uma das destinações dadas ao resultado. Necessariamente, são de quantum inferior ao dos lucros. MARTINS2, no Manual de Contabilidade Societária, discorre sobre a existência de dividendos (1) fixo/mínimos prioritários, e (2) obrigatórios, respectivamente 2 MARTINS, Eliseu... [et. al]. Manual de Contabilidade Societária, 2ª ed. São Paulo : Atlas, 2013, p. 4337. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 814 8 previstos nos arts. 203 e 202 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S/A), incidentes sobre percentual do lucro, e propõe a seguinte ordem de distribuição: Ordem Descrição Artigo Lei das S/A 1º Prejuízos Acumulados 189 2º Reserva Legal 193 3º Div. Fixo/mínimo prioritários preferencial, inclusive cumulativos 203 4º Reserva Contingências 195 5º Reserva Especial Div. Não Distribuídos 202 (§§ 4º e 5º) 6º Reserva Lucros a Realizar 197/202, inc. II 7º Dividendo Obrigatório 202 8º Reserva Retenção de Lucros e Reserva Estatutária 194, 196 e 198 Na realidade, apesar de o termo "disponibilizados" conferir razoável margem a dúvida, vez que, se seriam lucros disponibilizados, seriam aqueles destinados a quem de direito, a disponibilização trata do aspecto temporal da norma, ou seja, do momento em que os lucros foram entregues aos sócios. Nesse contexto, em relação ao art. 74 em debate, o aspecto material trata dos lucros auferidos no exterior, por intermédio das controladas ou coligadas, em quantum proporcional à participação da controladora do Brasil sobre o investimento. Como já visto, o lucro pode ter diversas destinações. Contudo, a legislação brasileira adotou, para os lucros percebidos no exterior por meio de investimentos em controladas ou coligadas, um tratamento diferenciado. Fato é que, tanto para investimentos de controladas/coligadas no Brasil, quanto no exterior, os lucros auferidos pelas investidas são refletidas na contabilidade da investidora por meio do Método de Equivalência Patrimonial. Para investimentos no Brasil, a investidora contabiliza o resultado positivo da investida, proporcional à sua participação, e exclui o resultado na apuração do lucro real. Nesse caso, viabilizase a neutralidade porque, como o lucro auferido pela investida já foi tributado no Brasil, não cabe sua tributação no resultado da investidora. E principalmente porque a investida encontrase no Brasil, ou seja, os lucros auferidos pela investida são necessariamente oferecidos à tributação. Situação diferente ocorre quando o investimento tem sede no exterior. Nesse caso, a legislação brasileira previu, inicialmente, o mesmo tratamento em relação à contabilização do resultado positivo da investida: o lucro proporcional à sua participação é incluído no resultado da empresa brasileira, e excluído na apuração do lucro real. Contudo, dispôs uma etapa complementar: se os lucros forem auferidos de controladas e coligadas, cabe a adição no resultado tributável, na proporção de participação da investidora brasileira sobre o investimento, ao final de cada anocalendário. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 815 9 Partese da premissa de que os lucros são da investidora brasileira, e, por isso, a sua tributação não deve estar subordinada à política tributária adotada pelo país onde se encontra o investimento. Isso porque o país onde se encontra o investimento pode optar por tributar o lucro em bases tributáveis menores, e a controladora brasileira, que detêm poder de decisão sobre a investida, pode optar em não receber os lucros auferidos. Tratase de situação em que a neutralidade que ocorre quando investidora e investida estão no Brasil é desvirtuada. Porque quando ambas estão no Brasil, a mesma alíquota é aplicada sobre o lucro da investida e o da investidora. Tributase o lucro de investida, e tal valor não é tributado pela investidora. Não há prejuízo no sistema. Por outro lado, se investida está em país de tributação menor, não há que se falar em neutralidade. Na realidade, operacionalizase um diferimento em tempo indeterminado da tributação. E, precisamente para se evitar tal diferimento, o art. 74 da norma em debate dispôs expressamente sobre aspecto temporal: o lucro presumese distribuído para a empresa brasileira (na condição de detentora das ações/quotas da investida), na proporção de sua participação, ao final do anocalendário. E a neutralidade, que se operacionaliza quando tanto investida quanto investidora estão no Brasil, também é tutelada ao se dispor quando a investida está no exterior. Vale transcrever o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Como se pode observar, não se pode falar em bitributação. A neutralidade da tributação entre investida e investidora é operacionalizada por meio de outro mecanismo, mediante compensação do que a investida já recolheu aos cofres no exterior, e superase a questão do diferimento de tributação por tempo indeterminado. A tributação só se consuma se as alíquotas no exterior foram inferiores à praticadas no Brasil. Esclarecido, portanto, que a incidência trata efetivamente da materialidade lucros. E, em se tratando de tributação de controladas ou coligadas no exterior, a operacionalização da tributação dáse por meio dos resultados auferidos no MEP. Transcrevo o § 6º do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995: § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 816 10 Assim, os lucros no exterior, assim como os lucros de outros investimentos do Brasil, seriam, primeiro, devidamente contabilizados de acordo com o Método de Equivalência Patrimonial (MEP) na investidora no Brasil (débito no ativo e crédito na conta de resultados), e excluídos da apuração do lucro real (§ 6º). Na sequência, apenas os lucros auferidos por investimentos no exterior seriam adicionados ao lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real. A legislação autoriza a apuração dos lucros nas controladas no exterior, diretas ou indiretas, na controladora do Brasil, na medida da participação societária que a controladora possuir em cada uma das controladas diretas ou indiretas. Por exemplo, estrutura no qual a empresa A (Brasil), controla a empresa B (exterior), e empresa B, controla empresas no exterior C, D e E, não haveria óbice para que os lucros de B, C, D, e E sejam considerados diretamente na empresa A. Vale transcrever novamente o art. 25, § 2º, inciso II: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real;(...) (...) § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; (grifei). Por sua vez, o art. 16 da Lei nº 9.430, de 1.996, consolida o procedimento: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 817 11 II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. § 1º Os resultados decorrentes de aplicações financeiras de renda variável no exterior, em um mesmo país, poderão ser consolidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real. (...) (grifei) Ora, os lucros serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, e considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada. E, precisamente sob a perspectiva da legislação tributária (art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995 e 16 da Lei nº 9.430, de 1996), e da legislação dispondo sobre o conceito de controladas (arts. 116 e 243 da Lei nº 6.404, de 1976 e art. 1098 do Código Civil), deve ser analisado o art. 1º da IN SRF nº 213, de 2002. Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1º Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 3º A pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, objeto das normas desta Instrução Normativa, está obrigada ao regime de tributação com base no lucro real. § 4º Os lucros de que trata este artigo serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica no Brasil, integralmente, quando se tratar de filial ou sucursal, ou proporcionalmente à sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada. § 5º Para efeito de tributação no Brasil, os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo país, sendo admitida a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no § 5º do art. 4º desta Instrução Normativa. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 818 12 § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. (grifei) O dispositivo normativo discorre sobre todo o caminho a ser seguido para a apuração dos resultados obtidos pelas empresas que mantém vínculo, seja de qual for a natureza, com a investidora no Brasil. Observase que os §§ 1º, 2º, 3º, 4º e 5º ratificam o disposto nos diplomas legais, discorrendo sobre os procedimentos em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, (1) por meio de sucursais, filiais, e (2) os decorrentes de participações societárias em controladas e coligadas. Naturalmente, podemse obter receitas no exterior além das decorrentes de lucros de sucursais e filiais e resultados de participação societária de controladas e coligadas. Tratase do escopo do § 6º, ao predicar que os resultados obtidos por essas sucursais, filiais, controladas e coligadas, por meio da participação em outra pessoa jurídica, cujo vínculo seja de qualquer natureza, também devem ser considerados para efeitos de tributação. Percebese, portanto, procedimentos diferentes, para resultados auferidos por (1º caso) filiais, sucursais e investimentos de participação societária na condição de controladas e coligadas, e (2º caso) todos os outros. No primeiro caso, o art. 25, § 2º, inciso II, dispõe que (a) os lucros das controladas no exterior (diretas ou indiretas), serão adicionados ao lucro líquido da controladora no Brasil, (b) os lucros da coligadas serão adicionados ao lucro da investidora, e (c) os lucros das filiais e sucursais sejam adicionados ao lucro líquido da matriz no Brasil, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores. Portanto, preciso o entendimento de que, mesmo os lucros das controladas indiretas devem ser adicionados ao lucro da controladora no Brasil. No segundo caso, falase em consolidação, no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada, dos resultados auferidos mediante participações societárias de qualquer tipo, ou seja, referemse a todos os outros resultados que não digam respeito aos lucros de controladas ou coligadas decorrentes do MEP e aos lucros de filiais e sucursais. Caso assim não se entenda, admitirseá a existência de dois comandos normativos sucessivos (§§ 5º e 6º) dispondo sobre condutas conflitantes (o primeiro determinando apuração individualizada para cada empresa, e o segundo determinando a consolidação dos resultados). Como já dito, a sequência dos §§ 1º a 6º determina o caminho para se apurar os resultados no exterior. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 819 13 Primeiro, determina o procedimento a ser adotado para controladas e coligadas (§§ 1º a 5º), e depois, no § 6º, dispõe sobre a tributação residual (demais resultados das demais empresas com qualquer vínculo societário). Tributase, portanto, no § 6º, todo o resto não abrangido pelo § 5º: resultados auferido pelos demais investimentos e outras fontes de receitas, como, por exemplo, de natureza financeira. Trata o § 6º de materialidade independente, complementar, um plus, que excede e não se comunica com o previsto no § 5º. Apresento o quadro a seguir para ilustrar o entendimento: Nesse sentido, o art. 74, caput, da MP nº 2.15835, de 2001, dispõe sobre a tributação das controladas, tanto diretas quanto indiretas. Assim, em uma estrutura societária com várias ramificações, os lucros auferidos por controladas e coligadas devem ser apurados individualmente, ainda que haja duas ou mais empresas coligadas/controladas localizadas no mesmo país. E, na apuração do resultado de cada controlada/coligada, devem ser consolidados os resultados dos demais investimentos da correspondente empresa, independente da vinculação societária. Lucros das controladas/coligadas B, C, D Devem ser considerados de forma individualizada art. 16 da Lei nº 9.430/96 e art. 1º, § 5º da IN nº 243/02 C Brasil Exterior D B A F G H I J K Resultados de F, G, H, I, J e K, pessoas jurídicas no qual B, C e D mantém qualquer tipo de participação societária (além de resultados via MEP de participações societárias em coligadas e controladas) Devem ser consolidados nos balanços de B, C e D Art. 1º, § 6º da IN nº 243/02 Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 820 14 Portanto, na medida em que se tributa individualmente o lucro auferido no exterior de cada controlada/coligada direta ou indireta, a apuração dos lucros dessa controlada/coligada não pode incluir os resultados apurados via MEP dos seus investimentos. Das duas uma: ou se tributa individualmente o lucro auferido no exterior de cada controlada/coligada direta ou indireta, ou se consolida o resultado apurado via MEP das participações societárias das controladas/coligadas. Opção legislativa é clara pela apuração dos resultados de controladas ou coligadas individualizada, razão pela qual deve se afastar os resultados auferidos de investimentos destas controladas e coligadas por meio de equivalência patrimonial, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.430, de 1996 e do art. 1º, §§ 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da IN SRF nº 213, de 2002, sob pena de bitributação. Consignese que tal situação não é o caso dos presentes autos. Por isso, no caso concreto, não há reparos ao procedimento fiscal. Tributou se o lucro auferido pela controlada indireta RODEO DRIVE, considerandose os resultados refletidos via MEP. Passo seguinte é verificar se o Tratado BrasilÁustria poderia ser oponível ao Fisco, na medida em que a RODEO DRIVE (com sede em Funchal) é controlada da VX Holdings, que tem sede na Áustria, e os lucros da RODEO DRIVE foram lançados pela Contribuinte para a controladora VX Holdings. Sobre Aplicação do Tratado BrasilÁustria para empresas não localizadas na Áustria (RODEO DRIVE) As disposições do artigo 7º, item 1, presente nos tratados de bitributação, apresenta disposição geral comum a todos os tratados para evitar bitributação da renda: ARTIGO 7 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. Os dois Estados Contratantes, Brasil ou a Áustria, a depender da localização e natureza das empresas envolvidas, assumem, cada qual, os papéis da Estado Residente (país da residência) e Estado Fonte (país da fonte). Peço vênia para reproduzir a abalizada doutrina de XAVIER 3 para falar do assunto: Vamos apenas considerar a primeira hipótese, ou seja, a diversidade de elementos de conexão, quanto à qual se trava hoje ainda um conflito entre dois grandes princípios que se arrogam validade geral em matéria de tributação da renda e da 3 XAVIER, Alberto. Direito tributário internacional do Brasil, 6ª ed., atualizada. Rio de Janeiro : Forense, 2004, p. 255. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 821 15 fortuna: o princípio da fonte (source principle, Ursprungsprinzip, Quellenprinzip) e o princípio da residência (residence principle, Wohnsitzprinzip). Em face de um movimento internacional de capitais, importa distinguir o país onde se situa a empresa ou o receptor de um investimento e onde se obtém a renda produzida pelos capitais o país da fonte e o país onde reside o titular dos fundos fornecidos e que aufere a renda dos capitais investidos no exterior o país da residência.(grifei) A celebração do tratado, portanto, qualifica, ao se tratar da tributação de renda envolvendo empresas residentes em dois países diferentes, de um lado, o país da fonte, onde se situa a empresa ou receptor de um investimento e onde se obtém a renda produzida pelos capitais, e de outro, o país da residência, onde reside o titular dos fundos fornecidos e que aufere a renda das capitais investidos no exterior. E, em se tratando de tributação sobre a renda, discorre XAVIER 4 sobre elementos de conexão objetivos: No imposto de renda, o elemento de conexão fundamental é o lugar de situação da fonte dos rendimentos, pois é ele que vai permitir a repartição, dentro dos rendimentos globais de uma pessoa, física ou jurídica, entre aqueles que se submetem, ou não, à aplicação de um dado ordenamento tributário (...) No sentido econômico, a fonte equivale ao "capital" (em sentido amplo) donde brota a renda tributada, pelo que esta se localiza no lugar em que é exercida a atividade, em que são utilizados os fatores de produção ou em que se situam os bens ou direitos de que provém. Como se pode observar, são possíveis várias interpretações sobre qual seria, efetivamente, o lugar de situação da fonte dos rendimentos, e por consequência, a natureza da empresa fonte dos rendimentos. Uma, poderia entender que uma empresa centralizadora de investimentos (uma holding), ainda que tais investimentos estivessem localizados em outro país, poderia ser considerada como a fonte dos rendimentos. Outra, que o lugar da situação da fonte dos rendimentos deveria ser aquele onde efetivamente seria desempenhada a atividade produtiva, mediante utilização dos fatores de produção, ou seja, uma holding não poderia ser qualificada para caracterizar a fonte da renda obtida. Entendo que a formatação das estruturas societárias deve ser apreciada com bastante prudência. Inclusive, na interpretação dos tratados, a preocupação em se tutelar a boafé objetiva foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, no art. 31 do Decreto nº 7.030, de 2009, que promulgou a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados: Artigo 31 Regra Geral de Interpretação 4 XAVIER, 2004, p. 303. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 822 16 1. Um tratado deve ser interpretado de boa fé segundo o sentido comum atribuível aos termos do tratado em seu contexto e à luz de seu objetivo e finalidade. De qualquer forma, há tempos se compartilha a preocupação de que a atuação da empresa nos países signatários dos tratados seja substantiva, para se evitar manipulações societárias. Vale transcrever abalizada doutrina de ROCHA 5 sobre o assunto. É importante, portanto, que a empresa situada no país com o qual o Brasil tenha celebrado tratado desenvolva uma "atividade econômica substantiva", sendo relevante, portanto, compreender o alcance dessa expressão. Em seu relatório de 1998 sobre Harmful Tax Competition, a OCDE tocou no assunto, embora não tenha se aprofundado na análise da questão, como se percebe pela leitura da passagem a seguir: "Adicionalmente, a ausência de uma exigência para que a atividade seja substantiva é importante, porque sugere que a jurisdição esteja tentando atrair investimentos e transações que visem objetivos puramente fiscais. Pode também indicar que a jurisdição não oferece (ou não pode oferecer) um ambiente legal ou comercial ou qualquer vantagem econômica que seria atrativa para atividades econômicas substantivas na ausência da oportunidade de redução da tributação oferecida. A determinação de quando e se uma atividade é substancial pode ser difícil. Por exemplo, serviços financeiros e administrativos podem em certas circunstâncias envolver atividades substantivas. Contudo, certos serviços prestados por 'empresas de papel' indicam de pronto a falta de substância". Concluindo, o doutrinador dispôs com clareza: Vistos estes comentários, podese concluir o presente item no sentido de que o direito à utilização das regras de determinado tratado internacional tributário depende da demonstração de que ambas as empresas tratamse de pessoas residentes nos Estados contratantes, excluídas as situações em que não se verifica a estrutura necessária para o desenvolvimento do objeto social da empresa, o que somente poderá ser verificado em cada caso concreto. Observase que o doutrinador, com prudência e clareza, sob a perspectiva da preocupação com a substância das empresas situadas nos países celebrantes de acordo de bitributação, não condena nenhuma estrutura societária, muito menos a formação de holdings, situação que deve ser examinada mediante as particularidades de cada caso. O contexto de criação e utilização de holdings também é objeto de análise por TÔRRES6: 5 ROCHA, Sérgio André. Tributação de lucros auferidos no exterior : (Lei nº 12.973/14). São Paulo : Dialética, 2014, p. 58 e segs. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 823 17 Salvo a lei germânica de 1965 e a lei brasileira sobre sociedades anônimas, as sociedades holdings desenvolveramse sem uma normatização específica. Não obstante, elas se propagaram com uma velocidade muito grande, sem maiores controles, mesmo não possuindo como objeto uma atividade econômica típica, porquanto sirva, na maioria dos casos, apenas para praticar operações financeiras, usando dos privilégios de ser uma espécie de "condomínio de ações" com caráter societário, como diz Gláucio Veiga. É que a dinâmica capitalista, esposada pela concorrência e competitividade, não poderia prescindir da criação de um ente coletivo desprovido da rigidez da sociedade mercantil e que pudesse, de acordo com a situação do mercado, oferecer respostas rápidas às necessidades financeiras do Grupo. O problema é que isso passou a ser usado, também, e exclusivamente, em alguns casos, para estratégias cuja finalidade reside tãosomente na simples economia de impostos, sem qualquer motivo negocial. Inclusive, na balizada obra de TORRES há referência de outro autor, Gláucio Veiga, sobre o assunto: Uma importante crítica a esta natureza atribuída às sociedades holdings foi operada por Gláucio Veiga, em Conceito de sociedade holding: estrutura e característica no direito nacional. Influência no direito europeu e americano. Recife, inédito, 1981, 13 p., ao indagar: "Como considerar sociedade comercial a uma sociedade que se limita a guardar em seu cofre ações de outras sociedades e se restringe apenas a repassar dividendos e a comparecer às Assembléias Gerais para votar, com é o caso da holding? Onde os sinais de atividade empresarial desta sociedade? Como considerar sociedade mercantil uma sociedade de mero gozo, de fruição, como a holding? O que se discute é que não se pode deixar de verificar se a organização empreendida foi utilizada para promover situações dissonantes com a materialidade dos fatos, desvirtuando institutos de direito internacional visando mera transferência de lucros para países com situação fiscal favorecida. Entendo que a pessoa jurídica recebe tratamento diferenciado no sistema de tributação (com diferentes opções para apurar seus resultados) porque, essencialmente, tem um efeito multiplicador para a sociedade. A pessoa jurídica emprega pessoas, contrata fornecedores, movimenta a economia, multiplica os agentes de produção, e por isso dispõe de bases de cálculo e alíquotas diferentes das aplicadas para a pessoa física. Contudo, não há que se confundir "liberdade negocial" com liberdade para desvirtuar institutos e desconsiderar toda a lógica do sistema de tributação. No caso concreto, a Contribuinte, por meio da VX Holdings (Áustria), concentrou investimento de empresa situada em país sem tratado com o Brasil (RODEO DRIVE), em uma controladora situada num país com tratado com o Brasil, a Áustria. 6 TORRES, Heleno. Pluritributação internacional sobre as rendas de empresas, 2ª ed. rev, atual. e ampl. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2001, p. 2656. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 824 18 Questiono fortemente tal procedimento, por entender que afronta diretamente os institutos basilares apresentados no presente voto. Ao ser interpretar quem seriam os sujeitos de um tratado de bitributação, o país da fonte é o país em que deve se encontrar a empresa onde efetivamente são desempenhadas as atividades produtivas. Tais atividades podem ser produzidas pela própria empresa, ou mediante investimentos, desde que naquele país. Pode ser perfeitamente uma holding, desde que concentrem investimentos que desempenhem atividades produtivas localizados no mesmo país, ou que não seja uma holding que, como no caso concreto, serviu como um "hub", um centralizador de investimentos localizados em países não signatários de acordos com o Brasil. No caso concreto, considera a Contribuinte que o país de residência seria o Brasil, e o país da fonte a Áustria, razão pela qual protesta pela aplicação do tratado de bitributação celebrado entre os dois países. Ocorre que a VX Holdings não é empresa onde são substancialmente produzidos os rendimentos de suas controladas, não é fonte dos rendimentos, e, por consequência, sua localização na Áustria não confere à Áustria a condição de país da fonte. Ou seja, o Tratado BrasilÁustria não se aplica para os lucros auferidos pelas empresas residentes fora da Áustria. Vale transcrever o Artigo 1 do Decreto nº 76.975, de 2 de Janeiro de 1976 7 : ARTIGO 1 Pessoas visadas A presente Convenção se aplica às pessoas residentes de um ou de ambos os Estados Contratantes. O tratado BrasilÁustria pode ser aplicado em situações no qual, efetivamente, há uma empresa localizada em um dos dois países que possa ser caracterizada como empresa no qual reside o titular dos investimentos auferidos no exterior, e outra empresa onde a renda produzida é obtida dentro do próprio país, seja mediante atuação direta no setor produtivo ou por investimentos no país. Alargar o conceito da empresa situada no país da fonte, para qualquer empresa que concentre auferimento de renda de outras empresas, independente das circunstâncias ou da localização destas outras empresas, é liberalidade que pode surtir efeitos no âmbito societário, empresarial e cível, mas que não pode ser oposta ao ramo tributário. Não se fala em simulação, falase em enquadramento na hipótese de incidência prevista no tratado. Falase em respeito à finalidade e objetivo dos tratados internacionais. Não se reúnem dois países para celebrar acordo que dê amparo à construção empreendida nos presentes autos. Precisamente nesse sentido, por entender que a VX Holdings não é empresa produtora da fonte, e, por consequência, a Áustria não é o pais da fonte, não há que se falar 7 Promulga a Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Previne a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda Brasil/Espanha. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 825 19 em aplicação do tratado de bitributação BrasilÁustria para os lucros auferidos pela controlada indireta RODEO DRIVE. Enfim, restando clara que a materialidade lucros no exterior não se comunica com a materialidade abrangida pelo tratado de bitributação, consumase a incidência do IRPJ e da CSLL. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 826 20 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao Ilustre Relator, por quem tenho profunda admiração, divirjo quando aos pontos tratados a seguir. O artigo 7º do Tratado BrasilÁustria (Decreto nº 78.107/1976) impede a tributação de lucros apurados pela sociedade residente na Áustria. É o teor do citado artigo 7º: ARTIGO 7 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada exercendo atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de administração e os encargos gerais de direção assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. Fl. 826DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 827 21 6. O disposto nos parágrafos 1 a 5 também se aplica aos rendimentos recebidos pelo "Stille Gesellschafter" de uma "Stille Gesellschaft" da lei austríaca. Sobreleva considerar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça decidiu que os Tratados Internacionais prevalecem sobre as normas de direito interno, em razão de sua especialidade, nos termos do artigo 98, do Código Tributário Nacional, conforme acórdão cuja ementa é parcialmente transcrita a seguir: “(...) 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boafé. 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 828 22 próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicioná los ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP (Recurso Especial nº 1.325.709, 1ª Turma, DJe de 20/05/2014) É importante ponderar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento referido, também reconheceu a ilegalidade do artigo 7º, §1º, da IN/SRF 213/2002, que trata do reflexo na contabilidade da investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial. O artigo 7º, §1º da IN/SRF 213/2002 tem a seguinte redação: Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Nesse sentido, destaco trecho da íntegra do acórdão (Resp 1.325.709) a respeito da ilegalidade IN/SRF 213/2002: 63. Repitase que a sistemática adotada pela Fazenda Pública, de adicionar o lucro obtido pela empresa controlada no Exterior para cômputo do lucro real da empresa controladora importa na tributação daquele mesmo lucro, em contraste com o disposto nas referidas Convenções Internacionais. (...) 66. Nesse contexto, quanto à base de cálculo, como sustentado pela recorrente, o art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.15835/01) a qual objetivou regular. 67. Com efeito, analisandose a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.15835/01, constatase que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/77, que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do lucro real, dos métodos Fl. 828DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 829 23 resultados de avaliação dos investimentos no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas. Ressalvo que o acórdão referido não foi submetido à sistemática de recursos repetitivos (artigo 543C, do CPC/1973 e 1.036 a 1.041, do CPC/2015), não sendo obrigatória sua aplicação pelos Conselheiros do CARF (art. 62, §2º, RICARF/2015). De toda sorte, compartilho do entendimento daquela Corte Superior, pela impossibilidade de tributação dos lucros por força de Tratados Internacionais. Sobreleva considerar, ainda, que os lucros auferidos pelas controladas indiretas foram consolidados na controlada direta (Áustria), como se extrai do Termo de Verificação Fiscal: Na DIPJ do ano calendário em pauta, na ficha 35, podemos ver que a fiscalizada lançou todo o lucro apurado no exterior na controlada direta VX HOLDINGS GMBH, na Áustria. (...) No quadro 2 – DA ESTRUTURA SOCIETÁRIA – vimos que a controladora brasileira possuía duas controladas diretas no exterior no ano calendário de 2008: na Áustria, a VX HODINGS GMBH, com 100,00% de participação, e, nas Bahamas, a IMAGRA OVERSEAS LTDA., com 99,99%. A controlada direta na Áustria ainda controla diretamente a empresa RODEO DRIVE SERVIÇOS E MARKETING LDA, em Funchal. (...) A controlada austríaca e a de Funchal apresentaram lucros nos seus respectivos balanços patrimoniais e demonstrativos de resultados. Por suas demonstrações financeiras, podemos ver que todo o lucro líquido do exercício em questão foi gerado na controlada em Funchal, no valor de R$ 63.546.970,06 euros, o que corresponde à 205.659.601,10, à taxa de 3.23634, divulgada pelo BACEN em 31/12/2008. Parte desse lucro, 33.987.474,22 euros, R$ 109.995.022,30, foi enviado à VX HOLDINGS como dividendo, como consta nas informações recebidas em anexo. (...) O Valor é aquele já citado anteriormente e que consta no Balanço Patrimonial e no demonstrativo de Resultado das controladas no exterior e que foi reconhecido através do método de equivalência patrimonial no LALUR da empresa: Taxa de câmbio BACEN 31/12/2008 – R$ 3.23634 Valor Tributável = 63.546.070,06 EUROS x 3,23634 = 205.659.601,10 Exatamente porque consolidados os lucros na controlada direta, o Tratado BrasilÁustria também é aplicável aos lucros consolidados pelo auditor fiscal autuante. Até porque a tributação – individualizada – das controladas indiretas implicaria em modificação do critério jurídico do lançamento. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 830 24 Pondero, ainda, que a orientação da Receita Federal do Brasil era pela necessária consolidação dos lucros das controladas indiretas na controlada direta, como se observa do artigo 1º §6º, da IN SRF 213/2002: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1º Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 3º A pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, objeto das normas desta Instrução Normativa, está obrigada ao regime de tributação com base no lucro real. § 4º Os lucros de que trata este artigo serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica no Brasil, integralmente, quando se tratar de filial ou sucursal, ou proporcionalmente à sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada. § 5º Para efeito de tributação no Brasil, os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo país, sendo admitida a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no § 5º do art. 4º desta Instrução Normativa. § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. § 8º Os rendimentos e os ganhos de capital, decorrentes de aplicações ou operações efetuadas no exterior, integrarão os resultados da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, e as perdas Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 831 25 reconhecidas nesses resultados são indedutíveis e devem ser adicionadas para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O §6º, acima colacionado, é bastante claro ao determinar que “os resultados auferidos de outra pessoa jurídica” (referindose à controlada indireta) “na qual a filial, sucursal controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente” (referindose à controlada direta), “serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada” (novamente tratando da controlada direta) “para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil”. Tratamento distinto recebiam as controladas diretas, conforme §5º acima reproduzido. Com efeito, “os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação de valores”. A interpretação que concilie os §5º e §6º há de se vislumbrar a clareza do tratamento das controladas diretas pelo §5º e controladas indiretas pelo §6º. O agente fiscal autuante, portanto, consolidou os lucros das controladas indiretas na controlada direta (localizada na Áustria) observando os ditames da IN SRF 213/2002, mas equivocouse ao desconsiderar o Tratado BrasilÁustria quanto à consolidação efetuada. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte, para reforma do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16561.720127/201356 Acórdão n.º 9101003.169 CSRFT1 Fl. 832 26 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Não tendo sido apresentada no prazo regimental8, considerase não formulada a declaração de voto. 8 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 832DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.002520/2010-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 25 20 /2 01 0- 55 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 504 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301003.304, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 19 de fevereiro de 2013 (efls. 394 a 414). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE DA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.1012000. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. AUSÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA E COMISSÃO. INCIDÊNCIA. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou por convenção ou acordo coletivo. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultados, em desconformidade com os requisitos legais. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AUXÍLIODOENÇA. O afastamento remunerado por até quinze dias do trabalho por motivo de doença é um direito do trabalhador que é suportado pelo empregador e seu pagamento tem natureza remuneratória. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 505 3 A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva; b) em negar provimento ao recurso na questão dos valores referentes Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 506 4 aos quinze primeiros dias do auxílio doença, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 12/11/2013 (efl. 415), sua Procuradoria apresentou, em 17/12/2013 (efl. 473) Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 416 a 428 e anexos). O recurso continha alegação de existência de divergência interpretativa quanto a duas diferentes matérias, ambas porém, relacionadas à mesma matéria, a saber, aplicação de retroatividade benigna da multa. Ambas as matérias foram admitidas, na forma de despacho de admissibilidade de efls. 474 a 479. As divergências serão aqui relatadas na ordem em que apresentadas no pleito recursal. a) DIVERGÊNCIA QUANTO À COMPARAÇÃO DO ART. 35 DA LEI Nº 8.212/91, EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL, COM O ART. 61 DA LEI Nº 9.430/96: Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 17/05/2012, no âmbito do Acórdão no. 2401002.453, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 2401002.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 507 5 Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira b) DA DIVERGÊNCIA QUANTO À SOMA DA MULTA DO ART. 35 DA LEI Nº 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL, LIMITADO A 20%, COM A MULTA MAIS BENÉFICA DA COMPARAÇÃO ENTRE O ART. 32 E 32A DA LEI Nº 8.212/91 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em, no Acórdão 920202.193, de lavra desta 2a. Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, datado de 27/06/2012, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 920202.193 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 508 6 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, devendo ser excluído da penalidade os valores concernentes à Previdência Complementar Privada e Reembolso Escolar. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em afastar de oficio a multa aplicada em relação aos fatos geradores "Previdência Privada" e "Bolsa Escola", os quais foram excluídos do processo nº 35434.000858/200571 (Notificação Fiscal), em face da intimada relação de causa e efeito que os vincula. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à multa. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à decadência. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 509 7 Magalhães de Oliveira (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O artigo 35 da Lei no. 8.212/91, na nova redação conferida pela MP no. 449/2008, convertida na Lei no. 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP no. 449 à legislação previdenciária. Para a solução destes questionamentos, devese lembrar que "não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum". Nesse contexto, impende considerar que a Lei no. 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP no. 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; b) A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei no. 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido, cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96; c) Por outro lado, como já ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei no. 9.430/96. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN. Assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigidos, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP no. 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei no. 11.941/09; d) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; e) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 510 8 além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. e.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. e.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; f) Houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal agiu corretamente ao aplicar a norma mais benéfica: ou a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Cita, ainda, a necessidade de observância da IN RFB no. 971, de 2009. Nesse contexto e considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa supra, conforme se vê pelo teor do Relatório Fiscal, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto às matérias, para reformar o acórdão recorrido, no ponto impugnado, restabelecendose o cálculo da multa na forma em que lançada. Após a ciência da autuada em 21/05/2015 (efl. 495), esta quedou inerte quanto a apresentação de contrarrazões ou recurso especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 511 9 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade quanto a ambas as matérias e, assim, conheço do pleito. Passo, desta forma a abordar as matérias conjuntamente, uma vez que a análise realizada a seguir, sob o tópico retroatividade benigna da multa, é capaz de abranger ambas as matérias abordadas pelo recorrente para fins de reforma do recorrido. · Quanto à retroatividade benigna da multa: Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 512 10 data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 513 11 Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 514 12 dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 515 13 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar : a) nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, se mais benéfica à Recorrente; b) até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 516 14 Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento ou Auto de Infração pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, tal como aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento simultâneo das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal, o que não se confunde, notese, com a hipótese de aplicação do novo art. 32A, que se limita a meu ver, a casos onde houver somente a falta de apresentação da GFIP no prazo fixado ou a apresentação com incorreções ou omissões, sem que se esteja a cogitar aqui de lançamento de ofício. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 517 15 Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 518 16 primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 519 17 inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, na forma propugnada pela Fazenda Nacional. Não há que se falar, com base no entendimento acima, uma vez se estando diante de lançamento de ofício, em comparação segregada de multas ou da existência, aqui, de multa de natureza moratória, limitada ao percentual de 20%, nem tampouco de aplicação do novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. De se notar, por fim, a plena aplicabilidade da solução acima a ambas as divergências suscitadas, conforme muito bem observado pelo voto da Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, verbis: (...) Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10640.002520/201055 Acórdão n.º 9202006.316 CSRFT2 Fl. 520 18 Assim, é de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009, mantendose a multa lançada. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000404/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/05/2007
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
JUROS.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade quando não existir depósito no montante integral. Súmula CARF n.º 5.
Numero da decisão: 3201-003.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte, e na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. JUROS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade quando não existir depósito no montante integral. Súmula CARF n.º 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte, e na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 04 04 /2 00 7- 15 Fl. 107DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 98 em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 90 que manteve o crédito tributário referente ao lançamento de II e IPI, diante de indícios de falta de recolhimento de tributos, por importação não amparada por imunidade e, ao mesmo tempo, reconheceu a concomitância. A autoridade lavrou os Autos de Infração das fls. 2 a 7. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação dos fatos, matéria e trâmite dos autos, conforme segue: "Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 02/12) formalizado para exigência dos valores relativos aos tributos (II e IPI) incidentes sobre a operação realizada pela Declaração de Importação nº 07/06878099, registrada em 28/05/2007, perfazendo o valor do crédito tributário exigido R$ 27.503,56. Conforme relato da autoridade fiscal, a contribuinte não efetuou o recolhimento dos tributos devidos na importação de “01 (um) MICROSCÓPIO CIRÚRGICO OPMINC6 (NCM 9018.90.99), com base em decisão liminar, de 18/05/2007 proferida pela 10ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0134333. Referida liminar foi confirmada em decisão judicial de primeiro grau, de 21/08/2007, em que se concedeu a segurança “reconhecendo o direito à ampla imunidade prevista no art. 150, par.4º , VI,"c" da CF/88, para determinar à autoridade coatora que se abstenha de exigir o Imposto de importação e o IPI da Impetrante" Com o fim de prevenir a decadência, foi lavrado Auto de Infração para constituir o crédito tributário relativo à totalidade dos créditos, objeto da operação de importação. Cientificada do lançamento em 28/9/2007 (fls. 49/50), a contribuinte apresentou impugnação em 23/10/2007, juntada às fls. 52 e seguintes, alegando em síntese que: a) a concessão de medida liminar suspende a exigibilidade do credito tributário, tornando insubsistente a ação fiscal. b) discorre a respeito da imunidade. c) em face da liminar concedida são indevidos os juros de mora. d) requer, assim, que o auto de infração seja julgado improcedente. É o relatório." A DRJ/SP de fls. 90 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11891.000404/200715 Acórdão n.º 3201003.241 S3C2T1 Fl. 108 3 Data do fato gerador: 28/05/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO JUDICIAL. Mandado de Segurança. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo nº 7, de 22/0/2014. JUROS DE MORA Os juros de mora serão sempre devidos, ainda que suspensa a exigência por medida liminar, ex vi do artigo 161 do CTN. Os juros de mora são consectários legais da obrigação tributária principal, que incidem independente da vontade das partes. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido." O processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios de importação não amparada por imunidade, com expressa menção à medida judicial de fls. 18 e seguintes perante a 10.ª Vara Federal de Minas Gerais, Mandado de Segurança n° 2007.38.00.0134333 O contribuinte, tanto em Impugnação (fls. 52) quanto em Recurso Voluntário (fls. 98) alegou ser imune aos tributos em razão de ser entidade sem fins lucrativos com finalidade de assistência social e fundamentou sua alegação nos Art. 150, VI, b, da CF/88. Analisada a decisão de fls. 18 proferida no âmbito judicial, é possível concluir que o Poder Judiciário trata da mesma matéria submetida à esta lide administrativa fiscal, conforme segue: Fl. 109DF CARF MF 4 Portanto, a decisão de primeira instância errou em manter o crédito tributário, uma vez que, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, com o reconhecimento de sua imunidade, o contribuinte optou por uma das vias de defesa, o que gerou concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Não há nos autos a comprovação do depósito integral da dívida. Assim, esta questão dos juros, por sua vez, é discussão que está amadurecida neste Conselho, por conta do disposto na Súmula CARF n.º 5, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que seja parcialmente conhecido o Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negado provimento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11891.000404/200715 Acórdão n.º 3201003.241 S3C2T1 Fl. 109 5 Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006275/00-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/03/1992
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. RESULTADO DE JULGAMENTO.
Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como consequência lógica ou necessária para a supressão do equívoco.
Numero da decisão: 9303-006.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-005.291, de 22/06/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para considerar prescritos os períodos correspondentes aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1990 a 31/03/1992 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. RESULTADO DE JULGAMENTO. Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como consequência lógica ou necessária para a supressão do equívoco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-005.291, de 22/06/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para considerar prescritos os períodos correspondentes aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 578 1 577 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13807.006275/0023 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303006.041 – 3ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2017 Matéria Embargos Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado NOVELSPUMA S/A INDÚSTRIA DE FIOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1990 a 31/03/1992 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. RESULTADO DE JULGAMENTO. Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como consequência lógica ou necessária para a supressão do equívoco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303005.291, de 22/06/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para considerar prescritos os períodos correspondentes aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 62 75 /0 0- 23 Fl. 578DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de embargos opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 9303005.291, por meio do qual, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso especial para considerar prescritos os períodos anteriores a junho de 1990, conforme se verifica da sua ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1990 a 31/03/1992 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, relativamente à inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Considerando que, no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00, resta afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando contradição, considerando trecho do voto: “Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13807.006275/0023 Acórdão n.º 9303006.041 CSRFT3 Fl. 579 3 Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): (...) Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cincos”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. (...) O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Proveitoso trazer a Súmula CARF 91: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Fl. 580DF CARF MF 4 Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00. Sendo assim, considerando que o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, dandolhe provimento parcial. Em Despacho às fls. 574 a 577, manifestouse: “[...] Há, efetivamente, contradição entre ementa e conclusão do voto, por um lado, e o acórdão da decisão, de outro. Enquanto uns afastam “decadência de fatos geradores ocorridos antes de junho/90”, outro decreta “prescritos os períodos anteriores à [sic] Junho de 1990”. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Conheço os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, pois tempestivos e considerando que, conforme relatado e depreendendose da análise dos autos, constatouse, a contradição alegada. Eis o que traz o Despacho (Grifos meus): “O embargante detectou conflito entre a ementa, o acórdão e o dispositivo do voto da decisão embargada. Confirase: a) Excerto da ementa: “Considerando que, no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00, resta afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90.” b) Excerto do acórdão: “...no mérito, em darlhe provimento parcial, para considerar prescritos os períodos anteriores à Junho de 1990.” c) Conclusão do voto: “Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00. Sendo assim, considerando que o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em Fl. 581DF CARF MF Processo nº 13807.006275/0023 Acórdão n.º 9303006.041 CSRFT3 Fl. 580 5 respeito ao art. 62, § 2o, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, dandolhe provimento parcial. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama” Com essas considerações, resta claro a imposição pelo acolhimento dos embargos, com o intuito de sanar o vício, retificando a ementa do acórdão e a parte dispositiva, conforme segue: a. Ementa (Grifos meus): DE: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1990 a 31/03/1992 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, relativamente à inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Fl. 582DF CARF MF 6 Considerando que, no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00, resta afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90.” PARA: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1990 a 31/03/1992 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO. PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, relativamente à inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Considerando que, no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00, resta considerar prescritos os períodos correspondentes aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90.” b. Voto (Grifos meus): DE: “[...] Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00. Sendo assim, considerando que o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, Dandolhe provimento parcial.” Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13807.006275/0023 Acórdão n.º 9303006.041 CSRFT3 Fl. 581 7 PARA: “[...] Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 29.6.00. Sendo assim, considerando que o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, considerar prescritos os períodos correspondente aos fatos geradores ocorridos antes de junho/90. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, Dandolhe provimento parcial.” É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 584DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.001958/2010-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/07/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/07/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 19 58 /2 01 0- 35 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10630.001958/201035 Acórdão n.º 9202006.073 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10630.001958/201035 Acórdão n.º 9202006.073 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10630.001958/201035 Acórdão n.º 9202006.073 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10630.001958/201035 Acórdão n.º 9202006.073 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10630.001958/201035 Acórdão n.º 9202006.073 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10630.001958/201035 Acórdão n.º 9202006.073 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10630.001958/201035 Acórdão n.º 9202006.073 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 182DF CARF MF
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