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Numero do processo: 11618.003308/2004-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO RECONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Numero da decisão: 2202-003.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 3402-00.026, de 05/03/2009, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por intempestividade; b) rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, por restar prejudicado.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO RECONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 3402-00.026, de 05/03/2009, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por intempestividade; b) rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, por restar prejudicado. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
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OMISSÃO RECONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 340200.026, de 05/03/2009, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por intempestividade; b) rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, por restar prejudicado. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 33 08 /2 00 4- 15 Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11618.003308/200415 Acórdão n.º 2202003.631 S2C2T2 Fl. 662 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 583/587), interpostos pela Fazenda Nacional e pela contribuinte (fls. 588/592) em face do acórdão nº 340200.026, de 05 de março de 2009. A Fazenda Nacional alega a ocorrência das seguintes circunstâncias: a) Omissão na análise da tempestividade do recurso voluntário do contribuinte; b) Omissão “na falta de análise, bem como de qualquer manifestação do colegiado quanto à admissão da peça intitulada pela contribuinte de “Razões Complementares de Recurso”, protocolada em 28/05/2008, sem a demonstração ou indicação de qualquer justificativa plausível para tanto, em total confronto com os princípios que regem o processo administrativo fiscal”; c) Obscuridade na análise e pronunciamento do órgão a quo, uma vez que não foram perfilhadas no bojo do voto condutor do aresto, as razões de decidir quanto à matéria, sequer constando do dispositivo do voto, a menção à anulação do auto de infração por vício formal. Destaca a embargante que o aresto traz a seguinte menção: “Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada a nulidade do auto de infração por não observância do disposto no art. 142 do CTN”. d) Que o Colegiado não se pronunciou quanto à manutenção do lançamento de ofício em referência em face de Diógenes Fernandes da Cunha. Por fim, requer o saneamento dos vícios apontados. De outro lado, em seus embargos, a contribuinte alega contradição no julgado, uma vez que o acórdão embargado assenta cuidar de hipótese de vício formal quando se trata de evidente vício material. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção do CARF, entendeu por admitir os embargos opostos por ambas as partes. Passo primeiramente à análise da suposta intempestividade do recurso voluntário, onde a Fazenda Nacional alega que: “Com efeito, no AR de fl. 504 consta que a autuada foi intimada da decisão de fls. 485/501 em 27/12/2005. Contudo, o recurso Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11618.003308/200415 Acórdão n.º 2202003.631 S2C2T2 Fl. 663 3 voluntário somente foi protocolado em 29/06/2006. Portanto, muito após findo o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de recurso voluntário, consoante art. 33, do Decreto n° 70.235/72.” Compulsando o inteiro teor dos autos, percebese que a contribuinte foi devidamente intimada da decisão da DRJ em 27/12/2005, por carta A.R., e que ela ajuizou mandado de segurança com o objetivo de afastar o arrolamento de bens para seguimento do recurso voluntário. O MM. Juiz Federal, em sentença juntada às fls. 508/514 (numeração antiga) denegou a segurança e extinguiu o processo com julgamento do mérito. Diante disso, a extinta 1ª Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste Conselho proferiu a Resolução nº 2101000.186, no seguinte sentido, in verbis: "entendo que, como não existem nos autos as informações necessárias para aferir a tempestividade do Recurso Voluntário, a contribuinte deve ser intimada a esclarecer se existe decisão final em relação ao Mandado de Segurança, juntando cópia das peças processuais relevantes à comprovação da tempestividade do recurso voluntário. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência para que seja esclarecida a questão da tempestividade, a fim de se evitar eventual decisão conflitante e/ou desrespeito a decisão final do Poder Judiciário." A contribuinte foi intimada da referida Resolução, tendo apresentado manifestação onde sustenta que impetrou mandado de segurança para afastar a exigibilidade do depósito prévio de 30% do crédito tributário como requisito de admissibilidade. Em anexo a sua manifestação junta cópia da decisão que indeferiu a liminar, da sentença de improcedência e do acórdão do TRF da 5a. Região que reformou a sentença e concedeu a segurança. Pois bem. Verificase pela carta A.R. de fl. 517 do arquivo pdf (fl. 504 dos autos físicos) consta que a autuada foi intimada da decisão da primeira instância (acórdão da DRJ) em 27/12/2005. Todavia, pela carta A.R. de fl. 519 do arquivo pdf (fl. 506 dos autos físicos), recebida pela contribuinte em 27/06/2006, consta que a autuada foi intimada para comparecer na Receita Federal, conforme carta de fl. de fl. 518 do arquivo pdf (fl. 505 dos autos físicos) vejamos: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11618.003308/200415 Acórdão n.º 2202003.631 S2C2T2 Fl. 664 4 Contudo, o recurso voluntário somente foi protocolado em 29/06/2006. A contribuinte alega que o recurso é tempestivo, vejamos: Portanto, a contribuinte refere que foi intimada em "27 de dezembro próximo passado" (sic), o que imaginase que seja 27/12/2005 e, portanto, que o prazo para recurso seria em 26 do corrente mês. Qual seria o corrente mês? O de janeiro/2006. Ocorre que embora protocolizado o recurso voluntário em 29/06/2006, ele foi datado de 18 /01/2006, vejamos: Ou seja, embora conste no recurso voluntário que seu prazo findava em 26/01/2006, ele somente foi protocolizado dois dias após a contribuinte ter recebido uma carta A.R. da Receita Federal que lhe solicitava o comparecimento. Não há decisão judicial que tenha determinado a reabertura de prazo. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11618.003308/200415 Acórdão n.º 2202003.631 S2C2T2 Fl. 665 5 Além disso, destacase que o recurso voluntário foi interposto muitos meses antes do TRF da 5a. Região ter afastado a exigência de depósito prévio. O julgamento da apelação da contribuinte somente se deu em 17 de abril de 2007. Equivocase a contribuinte ao compreender que o prazo para interposição de recurso voluntário somente começaria a fruir após 17/04/2007. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desde modo, entendo que não deve ser conhecido do recurso voluntário por intempestivo, haja vista que o prazo de recurso voluntário findouse em 26.01.2006 e este somente foi protocolizado em 29.06.2006. Sendo intempestivo o recurso voluntário da contribuinte, atribuise efeitos infringentes a estes embargos, para fins de anular o acórdão 340200.026, de 05 de março de 2009. Face a isto, fica prejudicada à análise das demais questões suscitadas nos embargos de declaração da Fazenda Nacional, bem como dos embargos de declaração da contribuinte. Ante o exposto, encaminho meu voto por: a) Acolher dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, sanando o vício apontado no acórdão 340200.026, de 05 de março de 2009, alterar a decisão original, para não conhecer do recurso da contribuinte por intempestividade. B) Rejeitar os embargos de declaração da contribuinte, por restar prejudica à sua análise. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11618.003308/200415 Acórdão n.º 2202003.631 S2C2T2 Fl. 666 6 Fl. 666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000397/2006-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IMPRESTABILIDADE DO ACÓRDÃO PARADIGMA QUE CONTRARIE SÚMULA DO CARF. SÚMULA CARF N. 105. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO NA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
Não se conhece o Recurso Especial instruído com acórdão paradigma que sustente a possibilidade de concomitância entre as multas isolada pela não observância do regime de estimativas e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício, em razão de contrariar a Súmula CARF n. 105, nos termos do Regimento Interno do Órgão, que determina a sua imprestabilidade.
Numero da decisão: 9101-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IMPRESTABILIDADE DO ACÓRDÃO PARADIGMA QUE CONTRARIE SÚMULA DO CARF. SÚMULA CARF N. 105. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO NA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Não se conhece o Recurso Especial instruído com acórdão paradigma que sustente a possibilidade de concomitância entre as multas isolada pela não observância do regime de estimativas e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício, em razão de contrariar a Súmula CARF n. 105, nos termos do Regimento Interno do Órgão, que determina a sua imprestabilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IMPRESTABILIDADE DO ACÓRDÃO PARADIGMA QUE CONTRARIE SÚMULA DO CARF. SÚMULA CARF N. 105. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO NA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Não se conhece o Recurso Especial instruído com acórdão paradigma que sustente a possibilidade de concomitância entre as multas isolada pela não observância do regime de estimativas e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício, em razão de contrariar a Súmula CARF n. 105, nos termos do Regimento Interno do Órgão, que determina a sua imprestabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 97 /2 00 6- 76 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10932.000397/200676 Acórdão n.º 9101002.746 CSRFT1 Fl. 296 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 120100.336, proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que – por unanimidade de votos – decidiu afastar a aplicação da multa isolada imputada pelo não recolhimento do IRPJ calculado por estimativas mensais, em razão de entendêla absorvida pela multa de ofício devida ao final do ano calendário. A exigência em questão decorre de autuação fiscal realizada sob o entendimento de que valores relativos ao IRPJ declarados na DIPJ do ano calendário 2003 não corresponderiam ao montante constituído pelo sujeito passivo em DCTF, aplicandose, além da multa de ofício prevista no artigo 44, I, da Lei n. 9430/96, aquela isolada fixada em seu parágrafo 1o., IV, pelo não recolhimento do tributo sob a base de cálculo estimada. Insurgindose contra o lançamento de ofício, a Recorrida apresentou Impugnação, alegando, objetivamente, (a) que as diferenças identificadas pela fiscalização não se tratariam de valores não recolhidos, mas quantias objeto de compensação com saldos negativos de CSLL ou de pagamento, (b) o descabimento da multa isolada em função do adimplemento e da cumulatividade de multas aplicadas e a (c) sua nulidade, uma vez que a capitulação desta penalidade teria se pautado nas alterações trazidas pela Medida Provisória n. 303/06, não convertida em lei no prazo legal, ainda que a ela mais benéficas. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi parcialmente mantido pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, que compreendeu (a) haver comprovação de pagamento de parte dos valores exigidos, (b) impossibilidade de consideração da compensação, porque feita por meio de um encontro de contas, no lugar do procedimento adequado de apresentação de DCOMP e, no que tange à multa, (c) correta a sua aplicação, uma vez que à época a DIPJ não possuía o condão de constituir o crédito tributário, (d) que independentemente da Medida Provisória n. 303/06, a penalidade de 50% seria cominada porque novamente prevista em legislação posterior mais benéfica ao contribuinte e (e) inexistente a alegada duplicidade, diante da diferença de suas hipóteses de incidência. Em face dessa decisão, recorreram as duas partes, basicamente reproduzindo no seu Recurso Voluntário a contribuinte os argumentos deduzidos na impugnação administrativa apresentada. Por unanimidade de votos, ao recurso de ofício foi negado provimento e ao recurso voluntário foi dado provimento parcial para o afastamento da multa isolada. O Acórdão n. 120100.336 (a) manteve pelos mesmos fundamentos a decisão da DRJ no que Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10932.000397/200676 Acórdão n.º 9101002.746 CSRFT1 Fl. 297 3 se refere à redução do débito e (b) a necessidade de DCOMP para se realizar uma compensação, considerou (c) em pleno vigor a Medida Provisória n. 303/06 ao tempo da obrigação de recolhimento das estimativas, ou mesmo depois porque não editado o decreto legislativo a que se refere o artigo 62, parágrafo 3o, da Constituição Federal, (d) incompetente o CARF para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das penas (cf. Súmula 2), e (e) a impossibilidade de concomitância das multas de ofício e isolada em função do princípio da consunção, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. Não havendo sido apresentada a competente declaração de compensação, não é juridicamente possível considerarse extinto o débito, ainda que a contribuinte possua direito creditório perante a Fazenda Pública. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada cominada pelo descumprimento do dever de recolher o IRPJ calculado por estimativas mensais incide sobre o total da estimativa que deixou de ser recolhida. Contudo, pelo principio da absorção ou consunção, a aplicação da multa isolada fica limitada ao valor em que exceder o montante da multa de ofício que houver sido aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ devido ao final do anocalendário. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao apelo oficial e, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa isolada sobre os valores exigidos no lançamento de oficio. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial defendendo que não haveria bis in idem na aplicação das multas de ofício e isolada (a) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10932.000397/200676 Acórdão n.º 9101002.746 CSRFT1 Fl. 298 4 porque corresponderiam a diferentes infrações, esta para punir o contribuinte no seu dever de antecipar valores para fazer frente às despesas da União, (b) o que se manteria independentemente da existência de tributo a pagar no final do período, e (c) incidentes sobre bases de cálculo também diversas – a primeira sobre o imposto e a segunda sobre a estimativa. Além disso, argumentou que (d) se estaria a criar hipótese de exclusão de penalidade não prevista em lei, como exige o artigo 97 do Cógido Tributário Nacional, (e) que da equidade não poderia resultar exclusão de multa, demonstrando, afinal, que a questão poderia ser conhecida em função da existência dos Acórdãos n. 19300018 e 1802 00.205, que se prestariam como paradigmas, por considerarem válida a aplicação concomitante das referidas penalidades. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade que considerou suficientes os dois paradigmas apresentados e, cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões, nas quais apontou, preliminarmente, a imprestabilidade do Acórdão n. 10808962 como paradigma, uma vez que reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais na ocasião da interposição do recurso, impedindo o seu conhecimento, e, no mérito, sustentou que as estimativas seriam antecipações do imposto devido e, portanto, as multas não poderiam ser cumuladas. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. A respeito do primeiro ponto, identificase que os autos foram movimentados do CARF para a Procuradoria da Fazenda Nacional em 14.02.2011 e recebido no órgão em 15.02.2012 (efl. 211), retornando com o presente recurso em 21.03.2011, quando também recebido (efl.239). Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10932.000397/200676 Acórdão n.º 9101002.746 CSRFT1 Fl. 299 5 Como não se verifica nos autos registro da intimação pessoal do Procurador da Fazenda Nacional, entendese configurada a premissa necessária ao deslocamento da aplicação da regra do caput do artigo 79 do Regimento Interno do CARF para os seus parágrafos 1o. e 2o, que assim dispõem: Art. 79. Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do CARF na sessão das respectivas cam̂aras subsequente à formalização do acórdão. § 1o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do CARF, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo digital do sistema, à PGFN, para fins de intimação. § 2o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contado da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN por meio digital. Desse modo, contandose o prazo de 15 dias (cf. artigo 68 do Regimento Interno) da intimação ocorrida 30 dias após o recebimento dos autos por meio digital (v. artigo 79, parágrafo segundo acima), em 15.02.2011, e o extrato de movimentação do processo da PGFN para o CARF, como o recebimento do recurso, no dia 21.03.2011, considerase o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10932.000397/200676 Acórdão n.º 9101002.746 CSRFT1 Fl. 300 6 Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Com relação à divergência apontada quanto à possibilidade de concomitância entre as multas isolada e de ofício, considerando a existência da Súmula CARF n. 105, que dispõe que “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício” e autuação em questão se referir ao ano calendário de 2003, entendese imprestável, nos termos da regra regimental mencionada, o paradigma apresentado por contrariar esse enunciado sumular. Assim sendo, VOTASE POR NÃO CONHECER o Recurso Especial. Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900013/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.987
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 3/ 20 12 -2 1 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10480.900013/201221 Resolução nº 3401000.987 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.011. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10480.900013/201221 Resolução nº 3401000.987 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10480.900013/201221 Resolução nº 3401000.987 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000837/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO PREVISTA NO RELATÓRIO E O VOTO
Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso.
Numero da decisão: 1302-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos modificativos, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO PREVISTA NO RELATÓRIO E O VOTO Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso.
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Divergência de Fundamentação entre o Voto e o Acórdão Embargante PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado 1ª CÂMARA/1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO PREVISTA NO RELATÓRIO E O VOTO Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos modificativos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 08 37 /2 00 7- 62 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.086 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PFGN), face ao Acórdão nº 10196.802, de 25/06/2008 (Turma extinta), cuja ementa transcrevo a seguir: MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. [...] ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Notificada da referida decisão em 10.07.2012, a PGFN opôs embargos de declaração em 16.07.2015 (§ 9° do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: Tratase de lançamento de Multa de Mora, nos termos do art. 43 da Lei 9.430/96, considerando que o contribuinte acima efetuou o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, anocalendário de 2004, em atraso, e não recolheu aos cofres públicos o valor da multa de mora correspondente. Em sede de julgamento, a e. Turma a quo, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso [...]. Da leitura da ementa acima transcrita e também do próprio voto condutor do aresto, temse a impressão de que o fundamento da multa de mora lançada teria sido o inciso I do § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96, dispositivo legal este revogado, como muito bem asseverado pelo r. acórdão. Contudo, analisando o relatório que compõe o voto condutor do acórdão ora embargado, observase que o lançamento, em verdade, se deu com base no art. 43 e no art. 61, §§ 1° e 2°, ambos da Lei 9.430/96, dispositivos legais estes que se encontram plenamente em vigor, não havendo se falar em retroatividade benigna com relação aos mesmos. Com efeito, todo o voto proferido pelo ilustre relator tem por base a revogação do inciso I, do § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96 [...] Com a edição da MP 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei 11.488/2007, a previsão da incidência da multa de oficio isolada calculada ao percentual de 75% sobre o valor do tributo recolhido sem o acréscimo da multa de mora foi revogado. Neste quesito, andou bem o r. acórdão. Entretanto, como já adiantado, o caso não é de lançamento de multa de oficio isolada com base no art. 44, § 1, II, mas sim de lançamento de multa de mora, aplicada ao percentual de 20% sobre o tributo devido, nos termos do art. 43 e art. 61, §§ 1° e 2°, ambos da Lei 9.430/96. [... ] Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.086 S1C3T2 Fl. 4 3 Tais dispositivos, não foram revogados ou alterados por qualquer legislação superveniente, razão pela qual não faz sentido falar em retroatividade benigna no presente caso. Ressaltese, mais urna vez, que a multa fixada no art. 44, § 1, inciso I e a fixada no art. 43, ambos da Lei 9.430/96 são diferentes entre si: a primeira, é multa de oficio, lançada isoladamente e calculada sob um percentual de 75%; a segunda, por seu turno, é multa de mora, calculada isoladamente, sob um percentual de 20%. Interessante notar que o eminente relator, no próprio relatório que compõe o voto por ele proferido, consigna que a multa lançada está embasa nos arts. 43 e 61, § 1° e 2°. [... ] Entretanto, ao passar a proferir o seu voto, o respeitável conselheiro relator passa a tratar a referida multa como se estivesse embasada no art. 44, § I, inciso II, da Lei 9.430/96, alcançando a conclusão de que a exigência deveria ser cancelada posto que o referido dispositivo legal estava revogado, em evidente contradição ao que havia registrado anteriormente. Assim, flagrante a contradição do julgado, posto que, o relatório do julgado expõe um fato, qual seja, o de que a multa lançada está embasada nos arts. 43 e 61 da Lei 9.430/96, enquanto que o voto condutor do aresto ora embargado consigna que o dispositivo seria o art. 44, § 1°, II, da mesma lei, multa esta completamente diversa da primeira. [...] Assim, o aresto embargado merece ser sanado, no que tange a conclusão a que se efetivamente chegou esta e. Câmara. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para efeito de suprir a contradição apontada. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) 1 e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do relatório e do acórdão embargado: Relatório PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS, já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 72/87), contra o Acórdão n° 14.861, de 29/06/2007 (fls. 60/67), proferido pela colenda 3ªTurma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de CSLL, fls. 45. O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista nos artigos 43 e 61, § 1° e 2°, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9°, § da Lei n° 10.426/2002, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, [... ] Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.086 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto [...] Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei no 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao principio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. Concluiuse que a situação de contradição estava apontada objetivamente. Considerouse que no interior da própria decisão restou caracterizado esse vício, ou seja, ficou evidenciada a desconformidade interna na decisão jurisdicional entre os fundamentos de direito do lançamento tributário indicados no Relatório (arts. 43 e 61, § 1° e 2°, da Lei n° 9.430, 1996) e no Voto (inciso I, do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996). Admitiramse os embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL À vista do despacho que admitiu os embargos de declaração da PGFN, passo à análise. De fato constatase a referida incongruência entre os citados termos do relatório do acórdão em questão e seu respectivo voto: Relatório O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista nos artigos 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, conforme o demonstrativo abaixo: Voto Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. Diante dessas disposições, verifico que assiste razão à Embargante ao expor que cabe a retificação da fundamentação legal consignada no relatório, para que passe a constar os mesmos fundamentos registrados no voto. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15374.000837/200762 Acórdão n.º 1302002.086 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, voto no sentido acolher os Embargos de Declaração para que do parágrafo do relatório acima transcrito, passe a constar os seguintes termos: De: O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista nos artigos 43 e 61, § 1º e 2o, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9o, § único, da Lei n° 10.426/2002, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, conforme o demonstrativo abaixo: Para: O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista no inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, conforme o demonstrativo abaixo (...) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721131/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Primeiramente, cumpre assinalar que se encontram apensandos aos presentes aos os processos de números: 10850721131201138, 10850909214201157, 10850909215201100, 10850907640201156, 10850907638201187, 10850905958201101, 10850907639201121, 10850908470201127, 10850907641201109, 10850908468201158, 10850907642201145, 10850908460201191, 10850908464201170, 10850908462201181, 10850908466201169, 10850907643201190, 10850909208201108, 10850909373201151, 10850909223201148, 10850905946201178, 10850909226201181, 10850909213201111, 10850909209201144, 10850909211201113, 10850905947201112, 10850905948201167, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 21 13 1/ 20 11 -3 8 Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 10850.721131/201138 Resolução nº 3402000.895 S3C4T2 Fl. 3 2 10850905954201114, 10850909224201192, 10850907634201107, 10850905955201169, 10850909210201179, 10850905948201167, 10850905952201125, 10850909227201126, 10850905951201181, 10850907632201118, 10850909219201180, 10850905953201170, 10850905957201158, 10850909225201137, 10850909221201159, 10850909220201112, 10850907633201154, 10850905950201136, 10850909212201168, 10850905956201111, 10850909222201101, 10850909217201191, 10850909216201146, 10850909218201135, 10850908469201101, 10850907635201143, 10850908467201111, 10850907636201198, 10850908459201167, 10850908463201125, 10850908461201136, 10850908465201114, 10850906246201109 e 10850907637201132. Tratase de processo administrativo decorrente de manifestações de inconformidade interpostas pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despachos Decisórios resultantes da apreciação de Pedidos de Restituição, correspondentes aos períodos e tributos discriminados na tabela de fls.14041407. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. É o relatório, em síntese. O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Assim sendo, entendo que o processo não está maduro para julgamento, cabendo a realização de Diligência Fiscal para esclarecimento dos fatos que estão aqui sendo discutidos. Desse modo, voto por converter o presente julgamento em diligência para: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 10850.721131/201138 Resolução nº 3402000.895 S3C4T2 Fl. 4 3 II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000005/2008-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2002
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2002 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 0. 00 00 05 /2 00 8- 64 Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 3176DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10700.000005/200864 Acórdão n.º 9202004.840 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 3178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002300/2009-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 23 00 /2 00 9- 31 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 9202004.874 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000183/2004-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
PROCESSOS EM FASES DISTINTAS. DESAPENSAMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO NO PROCESSO APENSO. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO.
É determinado o desapensamento de processo administrativo no qual não houve intimação do sujeito passivo sobre o acórdão da Turma Ordinária e, portanto, encontra-se em fase processual distinta do processo principal. A medida evita prejuízo à ampla defesa e contraditório.
ATIVIDADE VEDADA. SIMPLES FEDERAL. CONTRATO SOCIAL. INDÍCIO. NOTAS FISCAIS. PROVA.
A mera descrição de atividade vedada no contrato social é insuficiente para a exclusão do Simples, sendo necessária a demonstração do efetivo exercício desta atividade por outros meios de prova.
Além disso, a prova pela contribuinte do não exercício de atividade vedada, com a apresentação de notas fiscais sequenciais, infirma a descrição genérica de atividade vedada no contrato social.
SIMPLES. DESIGNER DE JÓIAS. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996.
É permitida a permanência no Simples Federal de designer de jóias, eis que sua atividade que não se amolda àquelas descritas pelo artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996.
Numero da decisão: 9101-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de desapensamento do processo nº 15374.000267/2007-19, para dar ciência do Acórdão nº 1301-001.089 ao sujeito passivo e, assim, dar seguimento ao julgamento do processo nº 13706.000183/2004-08, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Gerson Macedo Guerra, que votaram no sentido de declarar nulo o acórdão nº 1301-001.089 do processo nº 15374.000267/2007-19 e o retorno para a turma a quo para novo julgamento, por ter incorrido em preterição do direito de defesa ao não tratar do mérito e determinar pela conexão sem base normativa. Restou vencido, também, o conselheiro Luís Flávio Neto, que votou pelo sobrestamento do processo nº 13706.000183/2004-08 até que o de nº 15374.000267/2007-19 chegue à mesma fase processual, para que sejam julgados em conjunto. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício)- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 PROCESSOS EM FASES DISTINTAS. DESAPENSAMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO NO PROCESSO APENSO. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. É determinado o desapensamento de processo administrativo no qual não houve intimação do sujeito passivo sobre o acórdão da Turma Ordinária e, portanto, encontrase em fase processual distinta do processo principal. A medida evita prejuízo à ampla defesa e contraditório. ATIVIDADE VEDADA. SIMPLES FEDERAL. CONTRATO SOCIAL. INDÍCIO. NOTAS FISCAIS. PROVA. A mera descrição de atividade vedada no contrato social é insuficiente para a exclusão do Simples, sendo necessária a demonstração do efetivo exercício desta atividade por outros meios de prova. Além disso, a prova pela contribuinte do não exercício de atividade vedada, com a apresentação de notas fiscais sequenciais, infirma a descrição genérica de atividade vedada no contrato social. SIMPLES. DESIGNER DE JÓIAS. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. É permitida a permanência no Simples Federal de designer de jóias, eis que sua atividade que não se amolda àquelas descritas pelo artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 01 83 /2 00 4- 08 Fl. 729DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de desapensamento do processo nº 15374.000267/200719, para dar ciência do Acórdão nº 1301001.089 ao sujeito passivo e, assim, dar seguimento ao julgamento do processo nº 13706.000183/200408, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Gerson Macedo Guerra, que votaram no sentido de declarar nulo o acórdão nº 1301001.089 do processo nº 15374.000267/200719 e o retorno para a turma a quo para novo julgamento, por ter incorrido em preterição do direito de defesa ao não tratar do mérito e determinar pela conexão sem base normativa. Restou vencido, também, o conselheiro Luís Flávio Neto, que votou pelo sobrestamento do processo nº 13706.000183/200408 até que o de nº 15374.000267/200719 chegue à mesma fase processual, para que sejam julgados em conjunto. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício) Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Como há dois processos administrativos apensados, divido o presente relatório para esclarecer o que consta em cada um dos processos. Processo 13706.000183/200408 Tratase de processo originado por Ato Declaratório Executivo DRF nº 301.162, de 02 de outubro de 2000, pelo qual a contribuinte foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Neste ato foi identificada como situação excludente a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN. (cópia às fls. 23). Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13706.000183/200408 Acórdão n.º 9101002.547 CSRFT1 Fl. 730 3 O pedido de revisão de exclusão do Simples foi negado, justificandose tal negativa na existência de débitos inscritos em dívida ativa (fls. 467/480) e no exercício de atividade vedada pelo artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, considerando alteração contratual de fls. 09 (fls. 557/559 volume 3) A contribuinte, assim, apresentou Impugnação em 29/07/2004 (fls. 565/570 volume 3), que foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls. 580 volume 3): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO. ASSESSORIA. CONSULTORIA. As pessoas jurídicas que executam serviços de assessoria e produção de eventos artísticos para terceiros não podem optar pelo Simples, por serem assemelhados aos de consultor e de produtor de espetáculo. Solicitação Indeferida Destacase trecho da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento: Contudo, não obstante o pagamento e/ou parcelamento das dívidas junto à PGFN, certo é que a Administração Tributária, ao analisar o pedido de inclusão retroativa datado de 22/02/2004, não o deferiu pelo fato de entender que a interessada também exercia atividade (descrita em seu contrato social) considerada vedada pela lei norteadora do regime simplificado. Ora, a causa excludente, apesar de ter sido uma, não pode ser a única diante de todo um conjunto de circunstâncias as quais impõem limites à opção e à permanência das empresas no regime simplificado. Não se pode apenas analisar a pessoa jurídica, in casu, sob o prisma inicial se, ao ingressar com petição, alegando ter tomado todas as providências para permanecer no Simples, em face de atividade econômica descrita em seu contrato social, a mesma jamais poderia ter realizado a opção simplificada. A época excludente as dívidas com a PGFN foi a causa determinante da sua exclusão. Entretanto, não há como ultrapassar a questão da atividade econômica vedada. Temse, assim, que a prestação de serviços de assessoria e produção artística para terceiros, por ser assemelhada a de produtor de espetáculos, bem como a de consultoria, incompatibiliza o interessado com as normas da lei para ingresso ou permanência no Simples, conforme dispõe taxativamente o inciso XIII, do art. 9º, da Lei n.° 9.317/1996. Fl. 731DF CARF MF 4 Ademais, observese, ainda, que a denominação social as empresa é "A M S Assessoria Comércio e Indústria de Moda" reforça ainda mais a atividade de assessor. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 588), ao qual foi negado provimento pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. REMUNERAÇÃO DO TRABALHO INTELECTUAL. É vedada ao Simples empresa cuja parte da receita é decorrente de remuneração do trabalho intelectual de seu sócio gerente (designer), mormente quanto não há prova nos autos de que esse recebeu pagamentos dessa empresa pela atividade e que ofereceu os rendimentos a tributação como pessoa física. Recurso Voluntário Negado. Destaquese trecho do voto do relator, vencedor pelo voto de qualidade: Pela análise dos autos, formei convencimento que no faturamento da empresa AMS, especialmente proveniente da venda de jóias/bijouterias, está incluída a remuneração pelo trabalho de criação do Designer Alberto Sabino, sóciogerente, da empresa, que por sua vez nada recebe desta a esse título e, portanto, não oferece a tributação como pessoa física. A remuneração de profissão regulamentada ou de produtos/serviços que evidenciam a atividade intelectual não podem ser tributadas no Simples, à luz do art. 9º. da Lei 9.372, inciso XIII, acima transcrito. A contribuinte foi intimada por edital quanto ao acórdão da Turma Ordinária, publicado em 11/08/2011 (fls. 669 volume 3), apresentando recurso especial em 25/08/2011, no qual sustenta divergência jurisprudencial com o entendimento manifestado no acórdãos paradigmas nº 39100.017 (processo administrativo nº 19679.011093/200312), no qual consta que " atividade de designer de jóias não exige habilitação profissional específica, e como tal, não se insere nas restrições do ordenamento aplicável" e (fls. 671) A Recorrente ainda sustenta a nulidade do Ato Declaratório de exclusão do simples sem indicar acórdão paradigma sobre este tema. Além disso, sustenta que a assessoria e produção artística não é assemelhada à produção de espetáculo; e, mesmo que houvesse similitude, a Recorrente nunca teria exercido tal atividade. Sustenta que há notas fiscais nos autos demonstrando que comercializa roupas, acessórios de moda e peças para decoração de ambientes. Aponta outros acórdãos do CARF sem identificálos como paradigma (30132.622, 303.34.460, 140200.146, 3010.810), tratando de ônus da prova e descrição genérica de atividade em contrato social. Solicita assim a reinclusão no Simples. O recurso especial foi admitido por decisão do Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção (André Mendes de Moura), conforme razões a seguir reproduzidas: Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13706.000183/200408 Acórdão n.º 9101002.547 CSRFT1 Fl. 731 5 Observase que há similitude fática em ambos os julgados, não em relação objeto social da empresa propriamente dita, que no contexto dos julgados passa a ser acessório, mas ao enquadramento final na atividade de designer de jóias em ambos os Acórdãos, sendo que no Acórdão recorrido decidiuse como atividade vedada pelo Simples e no paradigma, de forma oposta decidiu que não há vedação no Simples para esse tipo de atividade. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade (art. 67 e art. 68 do Anexo II do RICARF), e tendo a recorrente comprovado as divergências jurisprudenciais argüidas, DOU SEGUIMENTO ao seu recurso especial. Sendo intimada em 11/11/2015 (fls. 712), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial em 12/11/2015, nas quais sustenta que (a) a atividade de produção artística para terceiros é assemelhada à de produtor de espetáculos,. bem como a de consultoria, com permanência no Simples vedada pelo artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996; (b) a denominação social da empresa reforça a atividade de assessor ("AMS Assessoria Comércio e Indústria de Moda"). A Procuradoria pleitea, assim, seja negado provimento ao recurso. A contribuinte solicitou a retirada do processo de pauta em janeiro/2017 por email, "tendo em vista que outro semelhante processo da Recorrente (15374.000267/2007 19), que também deveria ter sido pautado para julgamento em conjunto, por haver conexão entre as matérias nele contidas (conforme decidido pelo Acórdão 1301.001.089, de 07.11.2002), não foi incluído nesta pauta de janeiro de 2017". Este requerimento foi atendido pelo Presidente da 1ª Seção, como consta da ata de sessão de julgamento. Processo Administrativo nº 15374.000267/200719 (apenso) O processo originouse por Ato Declaratório Executivo Derat/RJO nº 15, de 07/02/2007, identificandose como causa de exclusão o exercício de atividade econômica vedada (assessoria e produção artísticas para terceiros), com data da ocorrência em 03/01/2000. O citado ADE teve por fundamento o artigo 9º, III, da Lei nº 9.317/1996, dentre outros dispositivos da mesma (fls. 12). Há informação da Delegacia da Receita Federal em 27/02/2007 (fls. 13) mencionando o contrato social da contribuinte, nos seguintes termos: "verificamos no contrato social (...) que a interessada exerce atividade vedada à opção por esse Sistema". Consta do contrato social consolidado (fls. 7/9) como objeto social da contribuinte: "A sociedade terá por objetivo indústria e comércio de roupas, acessórios de moda, peças para decorações de ambientes, compra e venda de artigos para presente e assessoria e produção artística para terceiros", registrado em 03/01/2000 perante a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro. A contribuinte foi intimada quanto a este ADE em 21/06/2007 (fls. 15), apresentando impugnação (fls. 16/18). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro manteve a exclusão do Simples Federal, conforme ementa de acórdão (fls. 42/45): Fl. 733DF CARF MF 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ASSESSORIA E CONSULTORIA. As pessoas jurídicas que executam serviços de assessoria e produção de eventos artísticos para terceiros não podem optar pelo Simples, por serem assemelhados aos de consultor e de produtor de espetáculo. Solicitação Indeferida A contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 55/63), requerendo distribuição por prevenção ao processo nº 13706.000183/200408 e a sua reinclusão no Simples. Em julgamento deste recurso, a 1ª Turma da 3ª Câmara decidiu pelo apensamento deste processo ao de nº 13706.000183/200408, verbis: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 CONEXÃO DE MATÉRIAS. ANÁLISE CONJUNTA. Identificada conexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, com litispendência reconhecida, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. Destacamse trechos do acórdão, conforme voto do relator exConselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas: Logo, constatase que foi deferido a apensação do presente processo ao de n° 13706.000183/200408 após julgamento pela DRJ. No entanto, tal processo (13706.000183/200408), nesta data, encontrase pendente de análise ao Recurso Especial do sujeito passivo pela 4a. Câmara da 1a. Sejul desta Corte Administrativa (doc. de fls. 588/605). Por pertinente, importa salientar, que no referido processo administrativo 13706.000183/200408, que trata da mesma matéria exclusão do Simples/atividade vedada e pelos mesmos fundamentos restou mantida a exclusão, com efeitos a partir de 01/01/2000, nos termos do ADE 301.162, de 02/10/2000, conforme atesta o Acórdão 140200.393, (fls. 575/578), julgado relativo ao ano calendário de 2004. Resta evidente, assim, que a análise de mérito tratado no presente processo depende do julgamento administrativo em definitivo do processo conexo (n° 13706.000183/200408), pois, os feitos administrativos se relacionam (exclusão do Simples), mas, num processo os efeitos se processam a partir de 01/01/2000 e noutro a partir de 01/01/2002. Portanto, o apensamento deste processo àquele já referido é medida que se Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13706.000183/200408 Acórdão n.º 9101002.547 CSRFT1 Fl. 732 7 impõe pela litispendência evidente. Entendo que a decisão de se excluir a empresa recorrente do Simples nos termos do presente processo representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de n° 13706.000183/200408, sob pena de decidirmos sob um ato de exclusão do Simples quando a pessoa jurídica acusada já fora excluída anteriormente. Diante disso, o processo de 2007 foi apensado ao de 2004 em novembro de 2014, sem que tenha sido cientificada a contribuinte a respeito do acórdão. Voto Cristiane Silva Costa, Relatora Apensamento do Processo Administrativo nº 15374.000267/200719 A contribuinte alega conexão do presente processo (13706.000183/200408) com o processo apenso (15374.000267/200719), conforme email enviado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acima citado. O tema também foi tratada no recurso voluntário de ambos os processos, sendo acolhido tal pedido pela Turma Ordinária no processo de 2007 (apenso), em acórdão acima citado, do qual se destaca: "os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora." (processo de 2007 apenso) Ocorre que não houve intimação formal da contribuinte a respeito deste acórdão, como tampouco a interposição de eventual recurso. Por questão de ordem, portanto, fazse necessário decisão desta Turma da CSRF sobre o apensamento destes processos, especialmente porque sequer houve intimação das partes para apresentação de recurso especial sobre o tema no processo de 2007. Após debates nesta Turma, decidiuse, majoritariamente, pela determinação de desapensamento do processo 15374.000267/200719, para dar ciência do Acórdão nº 1301 001.089 ao sujeito passivo, evitandose qualquer prejuízo à ampla defesa e contraditório, até porque os processos encontravamse em fases distintas. Ademais, decidiuse pelo prosseguimento do julgamento do processo administrativo nº 13706.000183/200408, em termos para tanto. Portanto, voto pelo desapensamento do processo administrativo nº 15374.000267/200719, para dar ciência do Acórdão nº 1301001.089, como pelo prosseguimento regular do processo administrativo 13706.000183/20040. Conhecimento e Mérito do Processo Administrativo nº 13706.000183/200408 (principal) Fl. 735DF CARF MF 8 Conheço do recurso apresentado no processo administrativo nº 13706.000183/200408, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei federal, adotando as razões do Presidente de Câmara para admitir o recurso. Passo à apreciar o mérito, ressaltando que a matéria devolvida à apreciação por esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais referese à interpretação do artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, que prevê Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Consta do voto vencedor, como reproduzido em relatório deste acórdão: Pela análise dos autos, formei convencimento que no faturamento da empresa AMS, especialmente proveniente da venda de jóias/bijouterias, está incluída a remuneração pelo trabalho de criação do Designer Alberto Sabino, sóciogerente, da empresa, que por sua vez nada recebe desta a esse título e, portanto, não oferece a tributação como pessoa física. A remuneração de profissão regulamentada ou de produtos/serviços que evidenciam a atividade intelectual não podem ser tributadas no Simples, à luz do art. 9º. da Lei 9.372, inciso XIII, acima transcrito. Vale, ainda, lembrar que a DRJ indicou como causa determinante para manutenção da exclusão do Simples a descrição em contrato social de atividade vedada, que interpretou assemelhada à de produtor de espetáculos, bem como de consultoria: Não se pode apenas analisar a pessoa jurídica, in casu, sob o prisma inicial se, ao ingressar com petição, alegando ter tomado todas as providências para permanecer no Simples, em face de atividade econômica descrita em seu contrato social, a mesma jamais poderia ter realizado a opção simplificada. (...) Temse, assim, que a prestação de serviços de assessoria e produção artística para terceiros, por ser assemelhada a de produtor de espetáculos, bem como a de consultoria, incompatibiliza o interessado com as normas da lei para ingresso ou permanência no Simples, conforme dispõe taxativamente o inciso XIII, do art. 9º, da Lei n.° 9.317/1996. Ademais, observese, ainda, que a denominação social as empresa é "A M S Assessoria Comércio e Indústria de Moda" reforça ainda mais a atividade de assessor. Consta de seu contrato social, conforme consolidação datada de 09/12/1999 (fls. 527): "A Sociedade terá por objetivo indústria e comércio de roupas, acessórios de moda, peças para decorações de ambientes, compra e venda de artigos para presente e Assessoria e produção artísticas para terceiros". Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13706.000183/200408 Acórdão n.º 9101002.547 CSRFT1 Fl. 733 9 De fato, é incontroverso nos autos que o contrato social da Recorrente prevê o exercício de "assessoria e produção artísticas para terceiros". Remanesce a discussão sobre ser tal atividade assemelhada à de produtor de espetáculos ou consultor (como identifica a DRJ), ou mesmo se tal atividade intelectual impediria a permanência no Simples (como consta do acórdão recorrido). Caso esta Turma da CSRF interprete que a atividade de "assessoria e produção artísticas para terceiros" amoldase aos critérios definidos pelo artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, ainda remanesce a análise de efetivo desenvolvimento da atividade genericamente descrita no contrato social da Recorrente, questão também debatida no processo. Primeiramente, analisaremos se a atividade ("assessoria e produção artísticas para terceiros") enquadrase no artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. A DRJ, lembramos, tratou de enquadrar a atividade da Recorrente como assemelhada à de produtor de espetáculos, bem como a de consultoria. A Instrução Normativa nº 1/2013, do Ministério da Cultura, trata da definição de produtor, relacionandoo ao orçamento da produção artística: Art. 3º Para aplicação desta Instrução Normativa, serão consideradas as seguintes definições: XIII – produtor majoritário: aquele que, em coproduções, tiver participação em mais de cinquenta por cento do orçamento total; XIV – produção cultural independente: aquela cujo produtor majoritário não seja empresa concessionária de serviço de radiodifusão e cabodifusão de som ou imagem, em qualquer tipo de transmissão, ou entidade a esta vinculada, e que: a) na área da produção audiovisual, não seja vinculada a empresa estrangeira nem detenha, cumulativamente, as funções de distribuição ou comercialização de obra audiovisual, bem como a de fabricação de qualquer material destinado à sua produção; b) na área de produção fonográfica, não seja vinculada a empresa estrangeira nem detenha, cumulativamente, as funções de fabricação ou distribuição de qualquer suporte fonográfico; c) na área da produção de imagem não detenha, cumulativamente, as funções de fabricação, distribuição ou comercialização de material destinado à fotografia ou às demais artes visuais, ou que não seja empresa jornalística ou editorial; A mesma Instrução Normativa do Ministério da Cultura trata os espetáculos como forma de expressão artística, relacionandoos no artigo 11, inciso V: Art. 11. No momento do cadastramento da proposta cultural, no campo correspondente do Salic, serão anexados os seguintes Fl. 737DF CARF MF 10 documentos em meio digital e prestadas as seguintes informações, relativas ao proponente e à sua proposta: (...) V – informações relacionadas a propostas nas áreas de artes cênicas e música, para espetáculos, shows ou gravação de CD, DVD e mídias congêneres: a) ficha técnica, com currículo do diretor, do produtor e dos artistas protagonistas, quando for o caso; b) sinopse ou roteiro do espetáculo de circo, da peça teatral, do espetáculo de dança ou deperformance de outra natureza; c) anuência do autor para a montagem do espetáculo teatral objeto da proposta; e d) listagem detalhada do conteúdo a ser gravado ou justificativa quando não definido; As atividades identificadas pela Recorrente como objeto social (produção artística), portanto, amoldamse à produção de espetáculos, atividade impeditiva descrita no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. Resta analisar se a menção de atividade de "produção artística" no contrato social da contribuinte seria suficiente para a sua exclusão do Simples Federal pela DRF, ou se a exclusão dependeria de prova de que a contribuinte exerça efetivamente tal atividade. A respeito do objeto social da sociedade, são os ensinamentos de Modesto Carvalhosa: "Para os efeitos de se poder responsabilizar administradores e controladores, devese entender o objeto social como limite da atividade societária. Nesse sentido, o objeto social é o fim para o que a sociedade é constituída. Esse aspecto substancial do objeto societário é o que mais interessa aos acionistas, aos credores, aos concorrentes e à coletividade. Para os efeitos de responsabilidade dos administradores e controladores, o objeto social representa o limite da atividade, não podendo extravasar os precisos termos contidos nos estatutos sociais." (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas: Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, São Paulo, Saraiva, 1997, p. 16) De fato, a descrição de atividade vedada no contrato social é indício do exercício desta atividade, mas não é suficiente à sua prova, cabendo ao auditor fiscal da Receita Federal demonstrar o efetivo exercício desta atividade vedada para exclusão do Simples. Lembro que, após pedido de revisão de exclusão do Simples, a DRF justificou a revisão da exclusão por dois motivos: a existência de débitos inscritos em dívida ativa e no exercício de atividade vedada, descrita em contrato social. Portanto, é evidente que não houve análise de outros elementos para verificar o exercício, ou não, de atividade vedada pela Recorrente. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13706.000183/200408 Acórdão n.º 9101002.547 CSRFT1 Fl. 734 11 Em contrapartida, a contribuinte trouxe aos autos notas fiscais sequenciais, que demonstram a venda de jóias, comprovando o exercício de atividade de "designer de jóias". Nesse panorama, tanto porque a descrição de atividade vedada no contrato social é, isoladamente, insuficiente à prova do exercício desta atividade, na medida em que é mero "fim" pretendido pelo empresário; quanto porque há prova dos autos da atividade de designer de jóias, que infirma a descrição genérica do contrato social de prestação de serviço de "produção artística", voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte. Ademais, a contribuinte não exerce atividade de consultoria, tratada pela legislação federal como atividade distinta da de assessoria. Tanto assim que consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) o tratamento como conceitos diferentes: Art. 647. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, civis ou mercantis, pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional (DecretoLei nº 2.030, de 9 de junho de 1983, art. 2º, DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 1º, inciso III, Lei nº 7.450, de 1985, art. 52, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º). § 1º Compreendemse nas disposições deste artigo os serviços a seguir indicados:(...) 6. assessoria e consultoria técnica (exceto o serviço de assistência técnica prestado a terceiros e concernente a ramo de indústria ou comércio explorado pelo prestador do serviço); (...) 12. consultoria; A distinção entre assessoria e consultoria também se observa na Lei nº 10833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: XXV as receitas auferidas por empresas de serviços de informática, decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento ou cessão de direito de uso, bem como de análise, programação, instalação, configuração, assessoria, consultoria, suporte técnico e manutenção ou atualização de software, compreendidas ainda como softwares as páginas eletrônicas. Como se não bastasse, o conceito de consultoria e assessoria empregado pelo inciso XIII, do artigo 9º é técnico, não se aplicando a qualquer situação em que há utilização do termo "assessoria" em contrato social. A COSIT emitiu Solução de Consulta nº 253, em 12/09/2014, no qual menciona interpretação do que sejam consultoria e assessoria, para fins de exclusão do Simples na forma da Lei nº 9.317/1996 e Lei Complementar nº 123/2006: Fl. 739DF CARF MF 12 10.1. É preciso recordar a orientação da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) que vigorava ao tempo da vedação do art. 9º, inciso XIII, da Lei n º 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que regia o Sistema INtegrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal). 10.2. Naquela época, a orientação cristalizada no item 40 do capítulo V do Perguntas e Respostas IRPJ/2007 era de quem "uma forma objetiva de identificar possíveis atividades semelhantes ao do dispositivo em exame é verificar os serviços elencados no parágrafo 1º do art. 647 do RIR/1999, po qual, ainda que para outro fim (imposto de renda na fonte em serviços prestados por PJ para outra PJ), identifica serviços que, por sua natureza, revelamse inerentes ao exercício de qualquer profissão, regulamentada ou não (PN CST nº 8, de 1986), bem como os que lhe são similares (pag. V41)" (...) 10.4. Daí que qualquer serviço de assessoria era considerado, pela Cosit, assemelhado ao de consultoria e, por esse motivo, vedado ao sistema. 10.5. Dispositivo idêntico (item 6 da lista anexa à IN SRF nº 23, de 21 de janeiro de 1986) já foi objeto de manifestação por parte da administração tributária, por meio do Parecer Normativo (PN) CST nº 37, de 26 de junho de 1987, que apresenta a seguinte redação (sem destaque no original): (...) 4. Assim, podemos concluir que os serviços de assessoria e consultoria técnica alcançados pela tributação restringemse àqueles resultantes da engenhosidade humana, tais como: especificação técnica para fabricação de aparelhos e equipamentos em geral; assessoria administrativo organizacional; consultoria jurídica, etc. 5. Indubitavelmente, estão excluídos do contexto do referido item quaisquer serviços de reparo e manutenção de aparelhos e equipamentos (domésticos ou industriais), uma vez que não evidenciam o grau de profissionalização supraenunciado. Daí a Instrução Normativa excepcionar do serviço relacionado no item 6 da tabela anexa, a assistência técnica prestada pelo fabricante , ou por oficina especializada no reparo de produto industrializado.’ 10.6. Com efeito, essa interpretação conduz à conclusão de que a assistência técnica prestada pelo fabricante não recebe o mesmo rigor legal que é dispensado à assessoria e à consultoria. Ao transpor essa conclusão para o caso em tela, temse que a assistência técnica (aqui compreendido também, por analogia, o suporte técnico) não é atividade vedada ao Simples Nacional, desde que prestada pelo “fabricante” (i.e., pela empresa que produz o hardware, elabora, licencia ou cede o direito de uso do software). E suas receitas são tributadas pelo Anexo III, cf. art. 17, § 2º, c/c art. 18, § 5ºF, da Lei Complementar nº 123, de 2006.” 17. Ora, a análise do inciso XI do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, não comporta a interpretação do que seria assemelhado à atividade intelectual, e natureza técnica e científica, posto que tal condição simplesmente existe ou não Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13706.000183/200408 Acórdão n.º 9101002.547 CSRFT1 Fl. 735 13 existe. Não havendo permissão legal para comparação entre atividades como ocorria na Lei nº 9.317, de 1996 (Simples Federal). O conceito de consultoria e assessoria empregado pela COSIT, aparentemente, tem conteúdo técnico condizente com o contexto em que inserido no inciso XIII, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/1996, não se coadunando com a atividade (simplória) de designer de jóias. Também por esta razão entendo pelo provimento ao recurso especial. A DRJ ainda aponta que o sócio da Recorrente "organiza desfiles no hotel Copacabana Palace" e que haveria uma "simbiose entre as atividades da sociedade empresária e a pessoa física do sócio". No entanto, não há qualquer vedação ao exercício de atividades distintas pelo sócio (como pessoa física) e a sociedade, não sendo o exercício de atividade pela pessoa física determinante da possibilidade de exclusão da pessoa jurídica quanto ao Simples. Acrescento que o acórdão recorrido menciona que a atividade de venda de jóias/bijouterias estaria enquadrada como atividade intelectual, conforme voto vencedor: Pela análise dos autos, formei convencimento que no faturamento da empresa AMS, especialmente proveniente da venda de jóias/bijouterias, está incluída a remuneração pelo trabalho de criação do Designer Alberto Sabino, sóciogerente, da empresa, que por sua vez nada recebe desta a esse título e, portanto, não oferece a tributação como pessoa física. A remuneração de profissão regulamentada ou de produtos/serviços que evidenciam a atividade intelectual não podem ser tributadas no Simples, à luz do art. 9º. da Lei 9.372, inciso XIII, acima transcrito. Ocorre que o exercício de "atividade intelectual" não tem opção vedada pelo Simples, nos termos do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. As atividades intelectuais vedadas por aquele dispositivo legal são aquelas enumeradas no dispositivo (médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário) ou "qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". Algumas das atividades enumeradas no artigo 9º são de trabalho intelectual, mas nem todas as atividades de trabalho intelectual estão descritas ou se ajustam ao citado dispositivo. Com efeito, o designer de jóias não se amolda às atividades intelectuais relacionadas exaustivamente no artigo 9º, XIII, como tampouco depende de habilitação profissional. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte. Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da contribuinte apresentado no processo 13706.000183/200408. Fl. 741DF CARF MF 14 (Assinado Digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000726/2007-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 26 /2 00 7- 60 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10932.000726/200760 Acórdão n.º 9202004.853 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.002980/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DISTINTA AO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, atinentes a questões distintas daquelas debatidas no processo judicial.
In casu, inválida a decisão proferida por falta da análise acerca dos argumentos e documentos trazidos pelo contribuinte quando tratar-se de matéria distinta da Ação Judicial, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição.
IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA DISTINTA DAQUELA AVIADA NA AÇÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. ART. 59, II, IN FINE, DO DECRETO Nº 70.235/72.
Configura-se cerceamento de defesa o não conhecimento de matérias de relevância aduzidas na impugnação, porém, não contidas na ação judicial aviada no Justiça Federal. Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento, anulando a decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: Rayd Santana Ferreira
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DISTINTA AO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, atinentes a questões distintas daquelas debatidas no processo judicial. In casu, inválida a decisão proferida por falta da análise acerca dos argumentos e documentos trazidos pelo contribuinte quando tratar-se de matéria distinta da Ação Judicial, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA DISTINTA DAQUELA AVIADA NA AÇÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. ART. 59, II, IN FINE, DO DECRETO Nº 70.235/72. Configura-se cerceamento de defesa o não conhecimento de matérias de relevância aduzidas na impugnação, porém, não contidas na ação judicial aviada no Justiça Federal. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Provido.
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DISTINTA AO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, atinentes a questões distintas daquelas debatidas no processo judicial. In casu, inválida a decisão proferida por falta da análise acerca dos argumentos e documentos trazidos pelo contribuinte quando tratarse de matéria distinta da Ação Judicial, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA DISTINTA DAQUELA AVIADA NA AÇÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. ART. 59, II, IN FINE, DO DECRETO Nº 70.235/72. Configurase cerceamento de defesa o não conhecimento de matérias de relevância aduzidas na impugnação, porém, não contidas na ação judicial aviada no Justiça Federal. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 29 80 /2 00 7- 48 Fl. 174DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, anulando a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10725.002980/200748 Acórdão n.º 2401004.577 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório ARCINELIO DE AZEVEDO CALDAS, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 337.078/2011, às fls. 129/133, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de IRRF, em relação ao exercício 2003, conforme Auto de Infração, às fls. 20/25, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/10/2007 (AR. fl. 69), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos efetuada por lançamento de ofício em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos: R$ 7,12, informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF pela empresa Fenae Corretora de Seguros e Administração de Bens S/A. b) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 296.229,00, em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 139/149, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo tratar de valor recebido através de Reclamatória Trabalhista RT nº 152/90, que tramitou na 39ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, movida pelo interessado e outros, em desfavor da Caixa Econômica Federal; tendo impetrado Mandado de Segurança (contribuinte e demais autores), contra decisão do juiz monocrático, com a finalidade de afastar a incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora incidente sobre as verbas trabalhistas devidas, bem como sobre os honorários advocatícios incorridos na referida ação, o qual foi concedida medida liminar (fls. 43/47) e, no mérito, foi concedida a Segurança (fls. 59/63), requerendo assim a improcedência do feito. Alega que, de acordo com os cálculos realizados pela Justiça do Trabalho, o valor devido ao impugnante era de R$ 1.078.586,46, sobre os quais incidiram IRRF de R$ 296.229,28, o qual ficara acautelado em depósito, na Caixa Econômica Federal, por ordem do Tribunal (liminar de fls. 43/47). Às fls. 55, memória de cálculos da referida RT. Afirmar que a eventual omissão da fonte pagadora Caixa Econômica Federal em informar, em formulário próprio (DIRF), o valor do IRRF acautelado judicialmente, não poderia onerar o recorrente. De outro lado, caso a fonte pagadora tenha informado a retenção Fl. 176DF CARF MF 4 do imposto à Receita Federal, o fisco não poderia exigir do contribuinte aquilo que tem em seu poder. Aduz, ainda, que a existência de retenção do imposto, no bojo do processo trabalhista, obrigaria o Juízo a prestar tal informação. Explicita que os rendimentos, bem como respectivo IRRF, foram informados na DIRPF 2003, não obstante tenha incorrido em erro material, ao oferecer à tributação o rendimento líquido pago mediante Alvará (fls. 57), no valor de R$ 782.277,16; quando deveria ter informado o rendimento bruto, de R$ 1.078.506,47. Insurgise ter a autoridade lançadora contrariado ordem judicial já existente (Mandado de Segurança), a qual já seria do seu conhecimento (processo administrativo nº 10768.000240/200266), em visível desobediência a ela, em face da glosa de compensação indevida de IRRF no valor de R$ 296.229,28. Com relação à omissão de rendimentos de R$ 7,12, relativos à fonte pagadora Fenae Corretora de Seguros e Administração de Bens S.A, alega não ter encontrado, em seus registros, o documento correspondente à “retenção”. Não obstante alega que o art. 67 da Lei nº 9.430/96 dispensaria sua declaração, por tratarse de quantia menor que R$ 10,00. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Regular processamento do feito, o processo foi pautado para julgamento no dia 16 de outubro de 2012 pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Giovanni Christian Nunes Campos, integrante da 2° Turma da 1° Câmara, onde o Colegiado decidiu por transformar o julgamento em diligência para sobrestar o julgamento do presente recurso, em cumprimento ao art. 2°, § 1°, I, da Portaria CARF n° 001/2012, por tratar de rendimentos recebidos acumuladamente em demanda judicial trabalhista, com glosa de IRRF. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10725.002980/200748 Acórdão n.º 2401004.577 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço em parte do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo a fls. 02/12 não se houve por conhecida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância quanto a compensação indevida de IRRF, sob o argumento de que "evidenciado nos autos que o IRRF glosado, no valor de R$ 296.229,00, foi objeto do Mandado de Segurança, com decisão de mérito às fls. 59/63, conforme indicam os documentos de fls. 43, 119 e 120, em que se discutiu a incidência do imposto de renda sobre honorários e juros de mora pagos em decorrência de decisão proferida pela Justiça do Trabalho, constatase a carência de competência dessa DRJ para manifestarse a respeito, mesmo que tenha sobrevindo o trânsito em julgado da sentença. Com efeito, caberá à unidade de origem dar o devido cumprimento à referida decisão judicial, pelo que a impugnação, no que diz respeito à essa matéria, não será conhecida." A renúncia ao contencioso administrativo tem por fundamento jurídico o preceito insculpido no parágrafo 3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Tal matéria, com efeito, encontrase inclusive sumulada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo ressalvado, todavia, que o Órgão Julgador deve apreciar as matérias que forem distintas daquelas aviadas na demanda judicial de referência Súmula CARF nº 1: Fl. 178DF CARF MF 6 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. In casu, extrai das provas dos autos que o contribuinte impetrou na Justiça do Trabalho o Mandado de Segurança, visando à não incidência do imposto de renda sobre os juros decorrentes da ação trabalhista, honorários advocatícios e despesa com perito, ação judicial essa que já teria transitado em julgado. Ocorre que o contribuinte foi autuado pela compensação indevida de IRRF, matéria indiscutivelmente distinta da tratada no Mandado de Segurança já mencionado acima. Se nos antolha que o não conhecimento integral da impugnação administrativa em questão deixou a descoberto questões significativas do crédito tributário ora em constituição não abordadas pela Ação Judicial ajuizada pelo Contribuinte perante a Justiça do Trabalho, representando pragmaticamente negativa de prestação jurisdicional administrativa, fato que se configurou, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa. Revelase o Direito Processual Administrativo refratário à prolação de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. A situação fática retratada no presente caso, consistente na inobservância, mesmo que involuntária, ao direito ao contraditório e à ampla defesa, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide se desenvolveram os fatos processuais aqui narrados e houve por lavrada a decisão vergastada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10725.002980/200748 Acórdão n.º 2401004.577 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nesse diapasão, pugnamos pela declaração de nulidade do Acórdão nº 13 37.078 da 3 ª Turma da DRJ/RJ, as efls. 129/133, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se proceda à apreciação e julgamento das questões aduzidas na impugnação administrativa. Por todo o exposto, voto por ANULAR A DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 180DF CARF MF
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