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Numero do processo: 10711.003512/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/05/2008
MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE.
O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II).
As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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DESCONSOLIDAÇÃO DA CARGA. VIGÊNCIA. Recorrente KUEHNE NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/05/2008 MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE. O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 12 /2 01 0- 45 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à multa capitulada no art. 107, IV. “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF nº 800/2007, com alteração da IN SRF nº 899/2008. Cientificado do auto de infração, a contribuinte protocolizou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ. O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, suscitada pela empresa, pois o presente auto de infração cita de forma clara e precisa as informações necessárias que deveriam ter sido prestadas pelo transportador, assim como indica os dispositivos legais infringidos. No mérito, alega a contribuinte de que apenas com a publicação da IN SRF nº 899/2008, em 31/12/2008, que alterou o art. 50 da IN SRF nº 800/2007, passou a ser prevista a exceção do parágrafo único, até então inexistente. Logo, na data dos fatos geradores não existia a obrigação do prazo para prestação de informações do parágrafo único do art. 50 e nem do art. 22 da IN nº. 800/2007. Porém, para o arresto recorrido, a IN SRF nº 899/2008 apenas alterou a data da entrada em vigor do art. 22. Na data da publicação da IN SRF nº 800/2007, que se deu em 31/03/2008, data anterior aos registros, já existia a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Confirase: Ari 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta. Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto nos Pais. (grifei e sublinhei). Portanto, na ótica da DRJ, seria plenamente devido à multa em comento, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) de acordo com a IN SRF nº 800/2007, em razão ao atraso ocorrido na prestação das informações. Cientificada da decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o auto de infração, porquanto não há o que se falar em necessidade de observância do disposto no parágrafo único do art. 50 da IN 800/07, pelo fato de as matérias ali tratadas não abarcarem o regime jurídico da desconsolidação, que teria suas regras expressas no art. 22 do mesmo diploma legal. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.003512/201045 Acórdão n.º 3202001.056 S3C2T2 Fl. 314 3 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Examino, primeiramente, a alegação da recorrente, de que o auto de infração seria nulo, porque traria deficiente descrição da infração cometida. Entendo que não procede tal argumento da recorrente, na medida em que o Auto de Infração em tela descreve suficientemente a conduta tida como ilegal, a saber: entrega intempestiva das informações acerca da desconsolidação das cargas pelo transportador. Igualmente, como bem destacou o acórdão recorrido, a autoridade fiscal também cita de forma clara a infração praticada (art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003) e o dispositivo legal infringido (IN SRF n.º 800/2007, alterada pela IN SRF n.º 899/2008). Tanto que a recorrente se defende da imputação discutindo a vigência e/ou a inaplicabilidade das referidas normas ao caso concreto. Nesse contexto, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. Passemos ao mérito. O art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003, prevê multa à empresa de transporte internacional, que não apresentar informações a forma e no prazo exigido pela Receita Federal. In verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...] Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Os prazos a que se reporta o preceptivo legal acima transcrito foram definidos pelo art. 22 da IN SRF n.º 800/2007: Art. 22.São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Ao seu turno, as redações do art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, antes e depois da IN SRF nº 899/2008, eram respectivamente as abaixo indicadas: Art. 50.Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.003512/201045 Acórdão n.º 3202001.056 S3C2T2 Fl. 315 5 I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. **** Art. 1ºO art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de abril de 2009. ........................................................................................" (NR) Em seu recurso voluntário, a recorrente defende que o início da vigência da norma, que fixou o prazo para o transportador prestar informações, previsto no art. 22, III, não teria sido excepcionado tanto pela redação original quanto pelo texto alterado do parágrafo único do art. 50 da IN SRF n.º 800/2007. Vale dizer, para a empresa, o dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confundiria com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). O acórdão recorrido entendeu justamente o inverso, conforme se infere de suas palavras: Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, posterior aos embarques a que se referem a presente autuação, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. O que a IN SRF n.° 899/2008 alterou foi apenas a dilação do prazo para entrada em vigor daqueles previstos no art. 22 para a data de 01/04/2009. Entendo, todavia, que merece provimento o recurso voluntário, porque o dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). Até porque, é certo que as exceções, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Forte nessas razões, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13820.000676/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/1998 a 30/06/1998
DECADÊNCIA - não há decadência do crédito tributário a reconhecer nesse processo referente as competências de maio de 1998 a junho de 1998, porque no caso não houve recolhimento sequer parcial, pois, a compensação dita feita inicialmente não foi legítima e comprovada e a fazenda nacional teria até o dia 31/12/2003 para fazer o lançamento das competências 1998 e o fez em 16/06/2003, cientificando o contribuinte em 03/07/2003.
Diligência: Quanto aos créditos que pretende ver apurado em diligência, o Recorrente já precluiu do seu direito, pois, já sustentou a existência de processo judicial, que não comprovou sua existência, também, sustentou uma compensação com créditos de PIS, sem comprovação e agora em grau de recurso voluntário, requer diligência para apuração de valores indevidos, quando na verdade o processo exige o pagamento de valores devidos
RECURSO DE OFÍCIO e VOLUNTÁRIO IMPROVIDOS.
Numero da decisão: 3101-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em: I- negar provimento ao recurso de ofício; e II por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo que dava provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do lançamento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Monteiro Garcia de los Rios.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/05/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA - não há decadência do crédito tributário a reconhecer nesse processo referente as competências de maio de 1998 a junho de 1998, porque no caso não houve recolhimento sequer parcial, pois, a compensação dita feita inicialmente não foi legítima e comprovada e a fazenda nacional teria até o dia 31/12/2003 para fazer o lançamento das competências 1998 e o fez em 16/06/2003, cientificando o contribuinte em 03/07/2003. Diligência: Quanto aos créditos que pretende ver apurado em diligência, o Recorrente já precluiu do seu direito, pois, já sustentou a existência de processo judicial, que não comprovou sua existência, também, sustentou uma compensação com créditos de PIS, sem comprovação e agora em grau de recurso voluntário, requer diligência para apuração de valores indevidos, quando na verdade o processo exige o pagamento de valores devidos RECURSO DE OFÍCIO e VOLUNTÁRIO IMPROVIDOS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em: I- negar provimento ao recurso de ofício; e II por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo que dava provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do lançamento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Monteiro Garcia de los Rios.
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DE MOVEIS BARTIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA Não há decadência do crédito tributário a reconhecer nesse processo referente as competências de maio de 1998 a junho de 1998, porque no caso não houve recolhimento sequer parcial, pois, a compensação dita feita inicialmente não foi legítima e comprovada e a fazenda nacional teria até o dia 31/12/2003 para fazer o lançamento das competências 1998 e o fez em 16/06/2003, cientificando o contribuinte em 03/07/2003. DILIGÊNCIA: Quanto aos créditos que pretende ver apurado em diligência, o Recorrente já precluiu do seu direito, pois, já sustentou a existência de processo judicial, que não comprovou sua existência, também, sustentou uma compensação com créditos de PIS, sem comprovação e agora em grau de recurso voluntário, requer diligência para apuração de valores indevidos, quando na verdade o processo exige o pagamento de valores devidos RECURSO DE OFÍCIO e VOLUNTÁRIO IMPROVIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em: I negar provimento ao recurso de ofício; e II – por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo que dava provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do lançamento. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 06 76 /2 00 3- 42 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Ass inado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13820.000676/200342 Acórdão n.º 3101001.423 S3C1T1 Fl. 218 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.174 a 176 da Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, então conselheira do então Segundo Conselho de Contribuintes que em setembro de 2007 declinou a competência do julgamento para o Terceiro Conselho de Contribuintes hoje CARF – 3º Seção, nos seguintes termos: “Tratase de recurso voluntário apresentado contra acórdão proferido pela 1º Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP. Referemse os autos a auto de infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrado em 16/06/2003 e cientificada a contribuinte, por via postal, em 03/07/2003, formalizando crédito tributário em virtude da não localização dos pagamentos vinculados em compensação aos débitos declarados no período de maio a dezembro/1998. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte protocolizou a impugnação juntando os documentos de fls. 26/50 e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: ". Em preliminar argúi a nulidade do lançamento, por ter sido formalizado por agente incompetente, qual seja, o Delegado titular da Receita Federal em Santo André, relativamente ao qual não se verifica, no art. 227 do Regimento Interno da SRF, a atribuição para proceder a fiscalização e lavrar Autos de Infração; • Ainda, por se tratar de lançamento elaborado com base em DCTF, deveria ser observada a exigência de intimação prévia prevista na Instrução Normativa SRF n2 94/97. Ressalta que a infração não está claramente demonstrada (..); • Invoca também a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, para fins de reconhecerse a homologação tácita, e consequente decadência, dos débitos referentes a maio e junho/98; • No mérito, afirma que os valores declarados foram liquidados através de compensação com créditos que a requerente tem perante a Receita Federal, decorrente de contribuições ao PIS, pagos indevidamente, acima da alíquota de 0,5%, cujo processo de compensação tramita perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas; • Acrescenta que apresentou os requerimentos necessários, e que o crédito tributário está extinto nos termos do art. 156, inciso II do CTN; • Opõese, também, a multa e aos juros de mora exigidos, por inexistir tributo devido. Em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora constatou que os débitos exigidos nestes autos eram também tratados no Processo Administrativo nº 10805.001719/9842, a época localizado no Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Ass inado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13820.000676/200342 Acórdão n.º 3101001.423 S3C1T1 Fl. 219 3 Serviço de Fiscalização da DRF em Santo André SP, onde foram adotadas as medidas necessárias para evitar o lançamento em duplicidade dos referidos valores (fls. 59/64). Ainda, a autoridade preparadora juntou os elementos de fls. 66/69 noticiando o indeferimento da restituição pleiteada nos autos do Processo Administrativo n º 10805.001719/9842, o controle dos débitos compensados de 05/98 a 12/98 nestes autos e o pagamento dos débitos de 01/99 e 02/99 junto a PFN." Também informou que a decisão administrativa expedida naquele processo tornouse definitiva na esfera administrativa em face da intempestividade da impugnação. Analisando a defesa apresentada, a Turma Julgadora proferiu decisão conforme escorçado na ementa abaixo transcrita: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 Ementa: DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Descabe discutir aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. O mesmo se diga em relação a decadência, mormente quando se trata de contribuição destinada ao custeio da Seguridade Social, e assim regida pelo art. 45 da Lei nº 8.212/91.COMPETÊNCIA. Valido é o lançamento formalizado por Delegado da Receita Federal, quando este o faz na condição de Auditor Fiscal da Receita Federal, constando do documento sua matricula e assinatura. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. Estando demonstrada a infração, desnecessária é a exteriorização do procedimento fiscal por meio de solicitação de esclarecimentos ao contribuinte. COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. Descabe manter controle de pagamentos que não mais são hábeis a gerar créditos compensáveis, ante o decurso do prazo previsto no art.168, I do CTN. EXTINÇÃO POR MEIO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação apreciado e indeferido pela autoridade administrativa antes de sua conversão em DCOMP não opera efeitos extintivos sobre os débitos compensados. MULTA DE OFICIO. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n" 135/2003, convertida na Lei n" 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n" 11.196/2005. MULTA E JUROS DE MORA. A indenização pelo atraso no cumprimento das obrigações tributarias submetese a gradação definida no art. 61 da Lei n°9.430/96, e sujeita o contribuinte, concomitantemente, a multa e aos juros de mora. Lançamento Procedente em Parte". Consta do acórdão a seguinte decisão: "Submetase a apreciação do Egrégio 2° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Ass inado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13820.000676/200342 Acórdão n.º 3101001.423 S3C1T1 Fl. 220 4 introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997 e Portaria MF n°375, de 2001, por força de REEXAME NECESSÁRIO. A exoneração do crédito deste acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instancia." (destaque do original) Cientificada da decisão em 12/06/2006, apresentou, em 10/07/2006, recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, dissentindo da parte do lançamento mantida com base nos seguintes fundamentos: 1) credito tributário constituído por agente incompetente; 2) inobservância do disposto na IN/SRF nº 94/1997, que determina a intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos; 3) decadência dos fatos geradores de maio e junho de 1998. Utilização de critérios dispares para sopesar valores idênticos — ao mesmo tempo em que a autoridade administrativa alega não reter informação sobre pagamentos efetuados em prazo superior a cinco anos, alega que a decadência das contribuições para a seguridade social opera com o decurso do prazo de dez anos previsto no art. 45 da Lei n º 8.212/91; 4) lavratura do auto de infração motivada pela não localização nos sistemas informatizados da SRF dos pagamentos efetuados pela recorrente. Não é conditio legis que o pagamento conste nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil para que seja legitimada a existência de recolhimento a maior. Tais pagamentos podem ser averiguados junto a recorrente; 5) compensação dos créditos tributários lançados com os indébitos do PIS recolhido a alíquota superior a 0,5% (sic); 6) confirmação do cancelamento da multa de oficio; 7) inaplicabilidade dos juros de mora por ausência de crédito tributário a exigir. Alfim requer provimento do recurso para que seja decretada a nulidade do lançamento. Na seqüência, requer o reconhecimento da decadência relativa a maio e junho de 1998, e a extinção do crédito tributário pela compensação e o consequente cancelamento do auto de infração.” É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, Os Recursos de Ofício e Voluntário são tempestivo e deles tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo do Auto de Infração nº 0003403 fls. 24/25 relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, lavrado em 16/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 03/07/2003. A contribuição exigida referese ao período de 05/1998 a 12/1998. A Recorrente em seu recurso voluntário repete as mesmas preliminares aventadas na impugnação que entendo não merecerem prosperar. Os fundamentos da decisão recorrida se sustentam por si mesmo, os quais adoto como razão de decidir, não sendo necessárias repetilas em relação às preliminares de nulidades do auto de infração. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Ass inado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13820.000676/200342 Acórdão n.º 3101001.423 S3C1T1 Fl. 221 5 Também, cabe esclarecer conforme o já feito em fls. 177, que o indébito utilizado na suposta compensação da COFINS não é como afirma a Recorrente, a contribuição para o PIS, mas a contribuição do FINSOCIAL, tendo em vista que foi essa exação que teve sua alíquota majorada para 1%, 1,2% e 2%, as quais foram declaradas inconstitucionais pelo STF no julgamento do RE 150.7641/PE, em 16/12/1992. A Recorrente, requer em preliminar de mérito a decadência, ou melhor, que seja declarado extinto o crédito tributário relativo as competências de maio 1998 e junho de 1998, haja vista a decadência do lançamento para os referidos períodos de apuração da contribuição; Realmente o prazo decadêncial da COFINS, que já foi de 10 anos conforme o disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional de acordo com a Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Também, a Lei Complementar nº 128 publicada em 19/12/2008 revogou expressamente o artigo 45 da Lei 8.212/91, consolidando, assim, o prazo decadencial estabelecido pelo Código Tributário Nacional. A Delegacia da Receita Federal de São Paulo em acórdão de número 16 20298 de 02/02/2009 decidiu que o prazo decadencial para constituição do PIS, COFINS e CSLL é de 5 anos conforme o CTN. Cabe destacar que a decadência tributária é o prazo oponível ao Fisco, isso porque se a Fazenda perder o prazo quinquenal, arruinará seu direito de rever o pagamento da obrigação tributária. Acontece que o CTN aduz algumas peculiaridades quanto ao início da contagem do prazo decadencial, sendo este o cerne do estudo. Para isso, salientamos a primeira hipótese que é aquela em que o contribuinte paga de logo o tributo, mas que posteriormente, o Fisco verifica que o pagamento foi aquém do devido. Sem dúvida o contribuinte gozará dos efeitos do pagamento adiantado, entretanto quando o Fisco descobrir que não foi integral, revogará todos os efeitos benevolentes ao sujeito passivo e lançará a obrigação tributária (valor restante), constituindo o crédito tributário, recaindo assim na execução fiscal. Isso se trata da antecipação de pagamento do tributo. Vejamos o que traz o artigo 150, §4° do CTN: Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º – Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Necessário ressaltar que, conforme o parágrafo 4° do aludido artigo, se a Fazenda Pública não usar do seu direito de lançar dentro do quinquênio contados a partir do fato gerador, o crédito restará extinto, segundo o Art. 156, V, do CTN. Agora, se porventura, for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Ass inado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13820.000676/200342 Acórdão n.º 3101001.423 S3C1T1 Fl. 222 6 simulação, não será aplicado o Art. 150 §4° do CTN, mas sim o Art. 173, I do CTN. “O direito de o Fisco rever o lançamento do sujeito passivo, e, em consequência, exigir diferença e, ou suplementação do tributo, ou, ainda, aplicar penalidade, salvo caso de dolo, fraude ou simulação, caduca em 5 anos, reservado à Lei do Poder tributante fixar outro prazo menor. Se esgotarse o prazo, há decadência do direito de revisão por parte do Fisco, considerandose automaticamente homologado o lançamento em que se baseou o sujeito passivo para efetuar o pagamento antecipado.” (Min. Francisco Peçanha Martins. STJ. REsp 132.329/SP) “Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” (grifos nossos). No comando acima, diferentemente, do Art. 150§ 4° do CTN, há o elastecimento do prazo, pois sua contagem se dá em momento posterior, somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sendo assim, a aplicação deste cânon seria prejudicial ao contribuinte, tendo em vista haver um lapso maior para decair o direito do Fisco em lançar a obrigação tributária. Ora, como se pode perceber a contagem do prazo qüinqüenal dos dois artigos mencionados se dá de forma diversa, um começa a fluir da data do fato gerador; o outro somente no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter efetuado o lançamento. O que determina a aplicação de um ou outro é o pagamento não integral e antecipado da obrigação ou o não pagamento da obrigação pelo contribuinte. Assim, não há decadência do crédito tributário a reconhecer nesse processo referente as competências de maio de 1998 a junho de 1998, porque no caso não houve recolhimento sequer parcial, pois, a compensação dita feita inicialmente não foi legítima e comprovada e a fazenda nacional teria até o dia 31/12/2003 para fazer o lançamento das competências 1998 e o fez em 16/06/2003, cientificando o contribuinte em 03/07/2003. Quanto aos créditos que pretende ver apurado em diligência, entendo que o Recorrente já precluiu do seu direito, pois, já sustentou a existência de processo judicial, que não comprovou sua existência, também, sustentou uma compensação com créditos de PIS, sem comprovação e agora em grau de recurso voluntário, requer diligência para apuração de valores indevidos, quando na verdade o processo exige o pagamento de valores devidos. Isto Posto, NEGO PROVIMENTO AOS RECURSOS DE OFÍCIO e VOLUNTÁRIO, para manter a decisão recorrida. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Ass inado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13820.000676/200342 Acórdão n.º 3101001.423 S3C1T1 Fl. 223 7 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Inobstante a excelente apreciação dos autos realizada pela Ilustre Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, tenho entendimento diverso no que tange à interpretação da aplicação do prazo decadencial. É que o Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Repetitivo (Ordem de inclusão 178 REsp 973.733/SC, julgado em 12/08/2009 e publicado em 18/09/2009) ao apreciar em que condições ocorreria a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pacificou entendimento de que a contagem do prazo a partir do fato gerador se dá se e quando houver pagamento ou declaração, conforme segue: “Questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (discussão acerca da possibilidade de aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN).” Considerando que o contribuinte declarou o tributo ao Fisco seja pela DCTF seja pelo Pedido de Compensação, entendo que o requisito da declaração previsto no v. Acórdão em Recurso Repetitivo está atendida para fixação do termo inicial da decadência na data do fato gerador, nos termo do art. 150, § 4º, do CTN. Luiz Roberto Domingo Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Ass inado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12259.001766/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005
Ementa:
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
SEBRAE EXIGIBILIDADE
.O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar e deve ser recolhido por todas as empresas contribuintes do SENAI, SESI, SENAC, SESC.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.256
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências até 10/2000, inclusive, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa moratória como aplicada. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE EXIGIBILIDADE .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar e deve ser recolhido por todas as empresas contribuintes do SENAI, SESI, SENAC, SESC. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE EXIGIBILIDADE .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar e deve ser recolhido por todas as empresas contribuintes do SENAI, SESI, SENAC, SESC. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 17 66 /2 00 9- 13 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências até 10/2000, inclusive, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa moratória como aplicada. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.029 3 Relatório Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 25/10/2005 e cientificada ao sujeito passivo através de Registro Postal em 16/11/2005, de contribuições previdenciárias patronais, das relativas ao seguro acidente do trabalho e das arrecadadas para as terceiras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 03/2000 a 08/2005. Referese também o lançamento às contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados contribuintes individuais, que deixaram de ser arrecadadas e recolhidas pela notificada. O Relatório Fiscal de fls. 843/849, traz que os fatos geradores foram apurados através das folhas de pagamento, de valores declarados em GFIP e de valores obtidos através do CNISA, para os períodos em que não foram apresentadas as folhas de pagamento. Após a impugnação, DecisãoNotificação da Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro – Centro, às fls. 911/916, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a ofensa ao princípio da legalidade, porque a fiscalização criou e/ou majorou arbitrariamente a base de cálculo das contribuições em questão; b) ofensa ao princípio da segurança jurídica porque a fiscalização extrapolou suas atribuições, ferindo a legislação aplicável ao caso; c) que as tributações cobradas são inconstitucionais; d) a ilegitimidade da cobrança de contribuições para o SAT, cujos critérios foram estabelecidos por Decreto; e) a ilegitimidade da cobrança do SEBRAE; f) a inconstitucionalidade da cobrança do INCRA; g) a inconstitucionalidade da cobrança de contribuições devidas aos terceiros; h) a inconstitucionalidade da SELIC; i) que a multa punitiva não pode ser aplicada porque não houve sonegação, fraude, ou aproveitamento econômico de qualquer natureza; j) que a administração publica é obrigada a julgar a inconstitucionalidade da legislação. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Requer a anulação da NFLD, e caso não o seja , entende que deve receber um relatório fiscal complementar ou um substitutivo, protestando pela abertura de prazo de defesa. É o relatório. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.030 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar Embora não tenha sido argüido pela recorrente, a decadência deve ser examinada de ofício, por ser matéria de ordem pública. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi cientificada ao sujeito passivo em 16/11/2005 e compreende o período de 03/2000 a 08/2005 Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.031 7 No caso presente, se pode observar pelo RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls. 702/810, que houve recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas as competências até 10/2000, inclusive: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.032 9 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Também não houve qualquer ofensa ao princípio da legalidade ou da segurança jurídica, já que a Fiscalização não criou, tampouco majorou arbitrariamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas. As contribuições estão bem sustentadas na legislação vigente que se encontra descrita no Discriminativo Fundamentos Legais do Débito às fls.817/821. A base de cálculo das contribuições foi apurada com base nas informações prestadas pela recorrente nas suas folhas de pagamento em cotejamento com os valores também por ela declarados em GFIP. Ainda , de acordo com o relatório fiscal e fato não contraposto pela recorrente, como não foram apresentadas todas as folhas de pagamento do período solicitado, em algumas competências a base de cálculo foi apurada por aferição indireta com base nos dados constantes do CNISA. Entrementes a fundamentação legal que sustentou o lançamento por aferição indireta, também está descrita nos Fundamentos Legais do Débito, antes referido. Ademais, as contribuições lançadas foram aferidas indiretamente devido a falta de apresentação de documentos que foram formal e legalmente solicitados nos diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD’s de fls. 830 a 836 lavrados pela fiscalização. Ao não apresentar os documentos, a recorrente sujeitouse a lavratura dos pertinentes Autos de Infração, por descumprimento de obrigação acessória e a apuração do credito por aferição indireta, com respaldo no que dispõe o artigo 33, §§ 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91: Art. 33 (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Havendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e o Departamento da Receita Federal – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Portanto, o procedimento fiscal está amparado no que prescreve o artigo acima citado e compete à fiscalização da Previdência Social solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 No caso presente, falta de apresentação de documentos permitiu à fiscalização aferir os valores devidos com base em informações contidas nos sistemas informatizados da Previdência, as quais foram prestadas pela recorrente. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.033 11 exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.034 13 conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Em relação às contribuições destinadas ao SEBRAE as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.035 15 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Quanto à alegação de que o Contencioso Administrativo deve apreciar a inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.036 17 “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época dos fatos geradores. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001766/200913 Acórdão n.º 2302003.256 S2C3T2 Fl. 1.037 19 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento as competências até 10/2000, inclusive, pela homologação tácita, conforme artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.014949/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa.
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa. Tratase de Auto de Infração nº 37.241.3919, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo ter apresentado GFIP sem todos os dados correspondentes aos fatos geradores. Aponta o Relatório Fiscal que ao se declarar, indevidamente, como entidade isenta, não calculou as contribuições devidas e, consequentemente, não informou os fatos geradores em GFIP. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou o seguinte: i) preliminarmente, que impetrou, em 01.11.2006, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 14 94 9/ 20 10 -5 8 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014949/201058 Resolução nº 2301000.441 S2C3T1 Fl. 455 2 mandado de segurança, que recebeu o nº 001363974.2006.403.6105, para discutir a imunidade das contribuições previdenciárias, com base no §7º, do art. 195 da CF/88, sendo necessária a suspensão do presente processo administrativo para evitar decisões conflitantes; ii) no mérito, que a multa deve ser recalculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212/91; que é sociedade de assistência social sem fins lucrativos, fundada há mais de 100 anos, cujo principal objetivo é a prática permanente da gratuidade e filantropia e goza da isenção prevista no §7º do artigo 195 da Carta Magna. Sustenta que a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 foi requerida através do protocolo nº 71010.002644/200312, e apesar de não constar da Resolução nº 7/2009, foi automaticamente renovado nos termos do artigo 39, da MP 446/2008 e que não pode se sujeitar ao pagamento do SalárioEducação. A DRJ de Campinas manteve a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 GFIP. Constitui infração punível com multa pecuniária a empresa entregar GFIP em desconformidade com os fatos geradores. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MP Nº 449, DE 2009. Para aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN, quando da lavratura de auto de infração, deve ser comparada a multa prevista no art.44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com as duas multas aplicadas segundo a legislação anterior à Medida Provisória nº 449, de 2009, ou seja, a determinada pelo art. 35, inciso II, e a prevista no § 5º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. Por unanimidade dos votos, essa Turma converteu o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade fiscal informasse acerca do andamento do processo administrativo que deu origem ao Ato Cancelatório, anexando as decisões e os recursos nele protocolados, bem como intimasse o sujeito passivo para trazer aos autos cópias da petição inicial do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, sentença, recursos e acórdãos por ventura existentes. Cumprida a diligência os autos retornaram a esse CARF para processamento e julgamento. Verifico que o processo principal, qual seja, o Auto de Infração nº 37.241.3935, (PAF 10830.014952/201071) o qual exige contribuições previdências incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, incluindose o SAT, bem como a segurados contribuintes individuais no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007 está cumprindo diligência na Delegacia da Receita Federal em Campinas. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014949/201058 Resolução nº 2301000.441 S2C3T1 Fl. 456 3 Por medida de economia processual e a fim de julgar o dever instrumental juntamente com a obrigação principal, de modo a consolidar o entendimento da Turma, VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que esses autos sejam apensados ao processo n º 10830.014952/201071 e, ato seguinte, retorne ao CARF para julgamento. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 456DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720110/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. COMPROVAÇÃO.
Não obstante a autorização pela legislação de regência para que, tratando-se de tributos da mesma espécie, a compensação pudesse ser feita independentemente de requerimento, resta claro que, em qualquer que seja a circunstância, o procedimento deve ser retratado na escrituração contábil. No caso vertente, em que a autoridade administrativa competente serviu-se de informação prestada pela contribuinte em DCTF para aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, a alegação de erro no preenchimento do citado documento torna ainda mais relevante a apresentação dos registros contábeis.
COMPROVANTES DE RETENÇÃO. ÓRGÃOS E ENTIDADES PÚBLICAS.
As normas disciplinadoras das retenções de tributos e contribuições são dirigidas no sentido de obrigar os órgãos e entidades públicas a fornecer à pessoa jurídica beneficiária dos rendimentos os correspondentes comprovantes de retenção. Inexistente, no caso, comando legal expresso impedindo a compensação dos valores retidos em razão de a pessoa jurídica não deter comprovante em seu nome emitido pela fonte pagadora. Não obstante, ausente o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, cabe ao contribuinte aportar prova inequívoca da referida retenção, sob pena de tornar ilíquido e incerto o crédito decorrente das antecipações efetuadas.
Numero da decisão: 1301-001.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Roberto Massao Chinen, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. COMPROVAÇÃO. Não obstante a autorização pela legislação de regência para que, tratando-se de tributos da mesma espécie, a compensação pudesse ser feita independentemente de requerimento, resta claro que, em qualquer que seja a circunstância, o procedimento deve ser retratado na escrituração contábil. No caso vertente, em que a autoridade administrativa competente serviu-se de informação prestada pela contribuinte em DCTF para aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, a alegação de erro no preenchimento do citado documento torna ainda mais relevante a apresentação dos registros contábeis. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. ÓRGÃOS E ENTIDADES PÚBLICAS. As normas disciplinadoras das retenções de tributos e contribuições são dirigidas no sentido de obrigar os órgãos e entidades públicas a fornecer à pessoa jurídica beneficiária dos rendimentos os correspondentes comprovantes de retenção. Inexistente, no caso, comando legal expresso impedindo a compensação dos valores retidos em razão de a pessoa jurídica não deter comprovante em seu nome emitido pela fonte pagadora. Não obstante, ausente o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, cabe ao contribuinte aportar prova inequívoca da referida retenção, sob pena de tornar ilíquido e incerto o crédito decorrente das antecipações efetuadas.
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COMPROVAÇÃO. Não obstante a autorização pela legislação de regência para que, tratandose de tributos da mesma espécie, a compensação pudesse ser feita independentemente de requerimento, resta claro que, em qualquer que seja a circunstância, o procedimento deve ser retratado na escrituração contábil. No caso vertente, em que a autoridade administrativa competente serviuse de informação prestada pela contribuinte em DCTF para aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, a alegação de erro no preenchimento do citado documento torna ainda mais relevante a apresentação dos registros contábeis. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. ÓRGÃOS E ENTIDADES PÚBLICAS. As normas disciplinadoras das retenções de tributos e contribuições são dirigidas no sentido de obrigar os órgãos e entidades públicas a fornecer à pessoa jurídica beneficiária dos rendimentos os correspondentes comprovantes de retenção. Inexistente, no caso, comando legal expresso impedindo a compensação dos valores retidos em razão de a pessoa jurídica não deter comprovante em seu nome emitido pela fonte pagadora. Não obstante, ausente o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, cabe ao contribuinte aportar prova inequívoca da referida retenção, sob pena de tornar ilíquido e incerto o crédito decorrente das antecipações efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 01 10 /2 00 7- 64 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 457 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Roberto Massao Chinen, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 458 3 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretendeu extinguir débitos tributários com crédito relativo a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativo ao anocalendário de 2002. O valor do crédito apontado para compensação foi de R$ 827.015,31, porém, a Delegacia da Receita Federal em Santo André, São Paulo, só reconheceu o montante de R$ 658.437,09. A parcela glosada pela Delegacia da Receita Federal decorreu das seguintes constatações: i) o saldo negativo do anocalendário de 2000, utilizado para compensar a antecipação obrigatória (estimativa) do mês de junho de 2002, não foi suficiente para extinguir o débito apurado; ii) a contribuinte não apresentou a totalidade dos comprovantes de retenção da CSLL, emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras. Inconformada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 333/339), por meio da qual argumentou: que a estimativa de Junho de 2002 foi extinta com créditos de saldo negativo de CSLL dos anoscalendário 2000 (R$43.567,70) e 2001 (R$431.973,68), tendo havido erro no preenchimento da correspondente DCTF; que, ao ser intimada para comprovar a retenção da CSLL, apresentou à fiscalização os seguintes documentos: a. Planilha de controle dos valores retidos por órgãos públicos, com indicação das respectivas fontes pagadoras (órgãos públicos) e das notas fiscais; e b. Comprovantes de recebimento dos valores pagos, já líquidos dos tributos retidos na fonte; que em todos esses casos foi evidenciado ter havido efetivamente a retenção pelas fontes pagadoras; que não tem condições de assegurar que tais montantes foram efetivamente vertidos em favor da Receita Federal; que algumas fontes pagadoras (órgãos do poder público) deixaram de encaminhar a ela o informe de rendimentos; que a falha de conduta desses órgãos, contudo, não pode prejudicála, que comprovou ter sofrido a retenção por meio da apresentação de outros documentos que demonstram que o valor recebido foi deduzido dos tributos cuja responsabilidade pelo recolhimento é atribuída às fontes pagadoras. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 459 4 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela Manifestação de Inconformidade, decidiu, por meio do acórdão nº 0528.318, de 08 de março de 2010, pela indeferimento da solicitação. O referido julgado restou assim ementado: PER/DCOMP. Saldo Negativo de CSLL. Antecipações. CSLL Mensal paga por Estimativa. CSLL Retida na Fonte por Orgãos Públicos. A compensação de saldo negativo de CSLL condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A extinção da estimativa de CSLL com direito creditório correspondente a saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, realizada apenas escrituralmente, sem formalização de processo, deve ser informada em DCTF, indicandose o ano de origem do crédito utilizado. A existência de saldo negativo de CSLL de períodos anteriores disponível nos registros da RFB, por si só, não faz prova de que o respectivo direito creditório tenha sido efetivamente utilizado pela pessoa jurídica em compensações sem processo, as quais supostamente deixaram de ser informadas em DCTF, por lapso inequívoco. Constituindo a DCTF instrumento de confissão de divida, eventual erro no seu preenchimento deve ser comprovado, por meio de documentação hábil e idônea. A CSLL retida por órgãos públicos pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços é antecipação daquela devida no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e apresentado o respectivo Comprovante de Rendimentos Pagos e/ou DARF do recolhimento, emitidos nos termos da legislação vigente. Indeferido direito creditório adicional, não se homologam as compensações trazidas a litígio. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 374/385), em que, renovando a argumentação expendida na Manifestação de Inconformidade, adita: que, por intermédio do processo administrativo nº 10805.720111/200717, parte do saldo negativo do anocalendário de 2000, no montante de R$ 281.926,46, foi utilizada para compensação com débito de estimativa da CSLL do mês de fevereiro de 2004, restando saldo credor original no montante de R$ 43.567,70, utilizado na compensação do débito de CSLL estimativa de junho de 2002; que, conforme decisão administrativa recentemente proferida naqueles autos e recebida por ela em 14/06/2010, a compensação não foi homologada com base no entendimento de que a integralidade do saldo negativo de CSLL apurado em 31.12.2000 foi utilizada por ela na compensação do débito de estimativa de CSLL do mês de Junho de 2002, não restando, assim, saldo credor suficiente para a compensação com o débito de estimativa de CSL de fevereiro de 2004; que verificase, portanto, que o mesmo fato erroneamente considerado pela Delegacia da Receita Federal acabou por afetar duas compensações; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 460 5 que é óbvio que não indicou o mesmo crédito para compensações diversas, tendo, apenas, incorrido em erro no preenchimento da DCTF, na qual indicou apenas o saldo negativo apurado em 31.12.2000 para compensação do débito de estimativa da CSLL do mês de Junho de 2002, enquanto que, na realidade, utilizouse apenas de parte deste crédito, cumulado com parte do saldo negativo apurado no anobase de 2001; que tal equívoco resultou em enorme prejuízo para ela que, impossibilitada de proceder à retificação da sua DCTF em face da existência de fiscalização em curso, não tem conseguido o reconhecimento do seu direito creditório e, consequentemente, possui supostos saldos devedores em ambos os processos; que, para que não reste qualquer dúvida sobre a regularidade das compensações efetuadas por ela em ambos os Processos Administrativos, fazse necessário o julgamento em conjunto dos Recursos Voluntários interpostos, reconhecendose de oficio, sob pena de enriquecimento ilícito. Às fls. 454, consta a informação de que o aviso de recebimento (AR) referente à ciência da decisão de primeira instância não foi localizado, motivo pelo qual nova intimação foi formalizada, sendo que a contribuinte foi cientificada dessa nova intimação em 20 de julho de 2010. É o Relatório. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 461 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de declaração de compensação, na qual é indicado o crédito de R$ 827.015,31, relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, para fins de compensação com débito de titularidade da requerente. Em conformidade com a Ficha 17 da DIPJ/2003 (CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – fls. 30), o referido saldo negativo foi composto pelas seguintes parcelas: CSLL PAGA POR ESTIMATIVA: R$ 688.076,76 CSLL RETIDA NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO: R$ 138.938,55 Apreciando o pedido, a Delegacia da Receita Federal em Santo André, São Paulo, assinalou que o exame do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2002 dependeria da análise do saldo negativo de CSLL de 31.12.2000, haja vista a compensação de parte da estimativa de CSLL do mês de junho de 2002, no valor de R$ 527.105,29, com o referido saldo (fls. 324). O saldo negativo do anocalendário 2000, por sua vez, teve a seguinte composição: CSLL DEVIDA...............................................................R$ 0,00 ESTIMATIVA.................................................................R$ 281.926,46 CSLL RETIDA POR ÓRGÃO PÚBLICO......................R$ 43.567,70 CSLL A PAGAR.............................................................(R$ 325.494,16) O referido saldo negativo foi confirmado pela Delegacia da Receita Federal em Santo André, porém, revelouse insuficiente para compensar parte da estimativa de junho de 2002 (compensou o valor de R$ 420.171,61, tendo restado uma saldo não compensado de R$ 94.677,45) 1. Analisando o saldo negativo de 2002, a Delegacia da Receita Federal em Santo André concluiu: i) que a estimativa de CSLL (R$ 688.076,76) deveria ser reduzida do montante de R$ 94.677,45, correspondente à parcela da estimativa do mês de junho de 2002 1 A estimativa de junho de 2002, conforme fls. 32, foi de R$ 688.076,76, tendo sido extinta por meio de CSLL retida por órgão público (R$ 160.971,46) e compensação com o saldo negativo de 2000 (R$ 527.105,30). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 462 7 que não restou compensada com o saldo negativo de 2000, resultando daí o valor de R$ 593.399,31; ii) o total de CSLL retida por órgão público utilizado pela contribuinte foi de R$ 299.910,01, que representa a soma do que foi usado na estimativa de junho de 2002 (R$ 160.971,46) com o que foi considerado na apuração do resultado anual (R$ 138.938,55); iii) o valor de CSLL retida na fonte informado pelas fontes pagadoras à Receita Federal foi de R$ 226.009,24 para o anocalendário de 2002; iv) o valor considerado para fins de determinação do saldo negativo de CSLL de 2002 foi de R$ 65.037,78, correspondente à diferença entre o total retido que foi confirmado (R$ 226.009,24) e o que foi utilizado na estimativa mensal de junho de 2002 (R$ 160.971,46); v) efetuados os ajustes, o saldo negativo de CSLL passível de reconhecimento foi de R$ 658.437,09, eis que diminuído do montante de R$ 94.677,45, relativo à parcela da estimativa de junho de 2002 que não foi compensada com o saldo negativo de 2000, e do valor de R$ 73.900,77, correspondente às retenções não confirmadas pela Receita Federal. Apresentada Manifestação de Inconformidade, o decidido pela Delegacia da Receita Federal em Santo André, foi integralmente mantido pela autoridade julgadora de primeira instância. Aprecio, pois, os argumentos trazidos pela contribuinte em sede de recurso voluntário. ESTIMATIVA DE JUNHO DE 2002 Sustenta a Recorrente que o débito de CSLL referente à estimativa de junho de 2002 foi extinto mediante compensação com crédito decorrente do saldo negativo de CSLL dos anoscalendário de 2000 e 2001. Diz que utilizou o montante de R$ 43.657,70 referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 e R$ 431.973,68 referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001. Afirma que, por equívoco, ao preencher a DCTF deixou de informar no campo reservado para as "compensações sem DARF" que o saldo negativo utilizado para compensar com o débito de CSLL estimativa de junho de 2002 referia se não apenas ao anocalendário de 2000, mas também ao anocalendário de 2001. Argumenta que, no intuito de comprovar a existência do crédito referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor de R$ 431.973,68, anexou em sua manifestação de inconformidade decisão proferida no Processo Administrativo nº 10805.720113/2007061 , que expressamente reconheceu a existência de saldo credor no valor de R$ 431.973,68. Afirma que anexa a PERD/COMP que gerou o Processo Administrativo nº 10805.720111/200717, em que indica a utilização parcial do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, restando saldo credor do montante de R$ 43.567,70, justamente o valor utilizado para quitar parte do débito de CSLL referente à estimativa de junho de 2002. Diz que é óbvio que seria necessário utilizar também o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 para complementar tal valor e extinguir o débito de estimativa de CSLL de junho de 2002. Alega que, constatada a existência do crédito de R$ 431.973,68; a sua intenção de utilizar tal crédito para extinguir o débito de CSLL estimativa de junho de 2002; e o evidente erro no preenchimento da DCTF, sem possibilidade de retificação em razão do início da fiscalização; tornase evidente a inexistência do saldo devedor de CSLL estimativa de junho de 2002, no valor de R$ 94.677,45, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 463 8 permanecendo integral o saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2002 no valor de R$ 827.015,31, utilizado para a quitação do débito de IRPJ, objeto do presente processo administrativo. Informa ainda que o processo administrativo nº 10805.720111/200717 refere se à compensação de débito de estimativa da CSLL do mês de Fevereiro de 2004 com parte do crédito oriundo do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000, no valor de R$ 325.494,16. Adita que, conforme se verifica por intermédio da compensação efetuada naqueles autos, por intermédio da PERD/COMP 08879.39977/140906.1.7.035643, parte do saldo negativo do anocalendário de 2000, no montante de R$ 281.926,46, foi utilizada para compensação com débito de estimativa da CSLL do mês de fevereiro de 2004, restando saldo credor original no montante de R$ 43.567,70, utilizado na compensação do débito de CSLL estimativa de junho de 2002. Finalizando, diz que, para que não reste qualquer dúvida sobre a regularidade das compensações efetuadas em ambos os processos administrativos, fazse necessário o julgamento em conjunto dos recursos voluntários interpostos. A solução da controvérsia tratada no presente item, a meu ver, passa pela apreciação das seguintes questões: a) confirmação que, de fato, a Recorrente utilizou apenas parte do saldo negativo de CSLL de 2000 para compensar com a estimativa de junho de 2002, não obstante a informação registrada na DCTF; e b) confirmada a compensação parcial acima referenciada, verificação da utilização de parte do saldo negativo de CSLL de 2001 para extinguir a estimativa de junho de 2002, inclusive no que tange à liquidez e certeza do referido crédito. Relativamente a tais questões, o ato decisório recorrido serviuse dos seguintes fundamentos para indeferir as solicitações veiculadas pela contribuinte por meio da Manifestação de Inconformidade apresentada: a simples existência de crédito disponível nos registros da Receita Federal, por si só, não faz prova de que o respectivo direito creditório tenha sido efetivamente utilizado pela pessoa jurídica em compensações sem processo; no caso, a prova requerida consiste na apresentação da escrituração contábil/fiscal da contribuinte, visando demonstrar a efetiva compensação do débito de estimativa de CSLL de junho/2002, à época, com a utilização do saldo negativo de CSLL dos anoscalendário 2000 e 2001 e, ainda, nos montantes alegados, comprovando, por via de consequência, o alegado erro no preenchimento da DCTF. Não me parece ser digno de reparo o decidido em primeira instância. É certo que, antes da instituição da DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, o contribuinte poderia, nos termos do disposto no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, promover a compensação aqui tratada independentemente de requerimento. Não me parece restar dúvida de que, independentemente do requerimento, a comprovação da efetiva compensação tem de ser feita por meio da escrituração contábil. No caso vertente, a Recorrente, tendo apresentado DCTF indicando que a compensação da estimativa relativa a junho de 2002 estava sendo feita com a utilização do saldo negativo de 2000 (fls. 35), afirma que houve erro no preenchimento do referido Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 464 9 documento, eis que o que efetivamente fez foi extinguir a citada estimativa por meio da utilização de créditos de 2000 e de 2001. Contudo, não traz qualquer comprovação contábil capaz de comprovar o que afirma. Não é demais repisar que, como já visto, a decisão recorrida assinalou de forma expressa que o acolhimento do alegado erro dependeria da comprovação contábil da compensação nos termos descritos na peça de defesa, providência que não foi adotada pela Recorrente. Diante de tal circunstância, sou pela manutenção da compensação nos termos em que foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal em Santo André e ratificada pela Turma Julgadora de primeira instância, isto é, mantendo a glosa do montante de R$ 94.677,45, relativo à parcela da estimativa de junho de 2002 que não foi compensada com o saldo negativo de 2000. CSLL RETIDA POR ÓRGÃOS PÚBLICOS Argumenta a Recorrente que não tem como obrigar as fontes pagadoras a lhe entregar os comprovantes de retenção, mas, ao mesmo tempo, o fato de não entregarem também não pode inviabilizar o seu direito à dedução, sob pena de óbvio enriquecimento ilícito do Fisco Federal. Afirma que fez prova de que houve a retenção, ou seja, os comprovantes de recebimento comprovam que ela recebeu o valor líquido, já abatidos dos impostos, razão pela qual tem direito à sua dedução da base de cálculo da CSLL. Finaliza esclarecendo que, caso os julgadores entendam necessário, requer novamente sejam intimadas as fontes pagadoras, cujos nomes e CNPJ encontramse identificados na planilha anexada aos autos. No que diz respeito às retenções de CSLL efetuadas por entidades públicas, a decisão de primeiro grau pautou seu pronunciamento nas seguintes considerações: i) a obrigatoriedade de prestar a informação da retenção da CSLL à Receita Federal decorre das disposições do art. 929 do RIR/99, no qual se estipulou a utilização de formulário padronizado, constituindo tal formulário a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, a ser apresentada pelas fontes pagadoras dos rendimentos, inclusive pelos Órgãos, Autarquias e Fundações da Administração Pública Federal, a teor do art. 21, § 2°, da Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 2 de março de 2001; ii) a comprovação da retenção da CSLL não se baseia, exclusivamente, na apresentação da DIRF pelas fontes pagadoras, devendo a interessada se valer dos competentes Comprovantes de Rendimentos, de fornecimento obrigatório pelas empresas pagadoras; iii) quanto à retenção efetuada por Órgão Público, a citada Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 23, de 2001, disciplinando a matéria, determina, quanto aos meios de comprovação, que além do Comprovante de Rendimentos, admitese, alternativamente, a cópia impressa do DARF, fornecida à beneficiária do pagamento, desde que contenha, no campo destinado às observações, a indicação do valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou à prestação do serviço; iv) a contribuinte tem o dever de exigir o Comprovante de Rendimentos da fonte pagadora, inclusive quando se tratar de Órgãos Públicos, cuja obrigação de fornecimento é prevista nas normas de regência; e Fl. 482DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 465 10 v) no presente caso, a interessada não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos a fim de justificar a CSLL retida na Fonte por Órgãos Públicos deduzida na DIPJ do anocalendário 2002, no valor objeto de glosa pela Fiscalização, glosa esta a qual foi motivada pela ausência de confirmação da referida retenção nas DIRF regularmente processadas. Creio que a linha argumentativa esposada na decisão de primeiro grau sejam digna de reparo. Com efeito, diferentemente das retenções do imposto de renda, em que o art. 55 da Lei nº 7.450/85 expressamente estabelece que ele só poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, no caso das retenções de tributos e contribuições por parte dos órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, instituída pelo art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido, não identifico comando nesse sentido. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 466 11 As normas complementares que trataram da matéria à época da ocorrências dos fatos (IN/SRF/STN/SFC nº 23, de 2001, e IN/SRF nº 306, de 2003), inclusive, ausente a permissão legal para estabelecer requisitos para a compensação, cuidaram, apenas, de determinar que o órgão ou entidade responsável pela retenção fornecesse à pessoa jurídica beneficiária do rendimento o correspondente comprovante, estabelecendo, ainda, como forma alternativa de comprovação de retenção, o fornecimento de cópia do documento de arrecadação (DARF) contendo, no campo destinado a observações, o valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. No caso das retenções promovidas por órgãos e entidades públicas, portanto, as normas de regência são dirigidas no sentido de obrigar as fontes pagadoras dos rendimentos a fornecer à beneficiária do pagamento o respectivo comprovante de retenção, inexistindo comando indicador de que, na ausência de tal comprovante, a compensação resta vedada. Notase que a autoridade julgadora de primeira instância cingiuse às exigências prescritas em atos normativos para não acolher a pretensão da Recorrente, isto é, nenhuma análise promoveu na documentação aportada ao processo pela contribuinte para comprovar as alegadas retenções. A contribuinte alega que, ao ser intimada para comprovar referidas retenções, apresentou à Fiscalização os seguintes documentos: a) PLANILHA DE CONTROLE DOS VALORES RETIDOS, com indicação das fontes pagadoras das notas fiscais; e b) comprovantes de recebimento dos valores pagos, já líquidos dos tributos retidos na fonte. Às fls. 108, consta intimação formalizada pela Delegacia da Receita Federal Santo André em 14 de junho de 2007, por meio da qual foi solicitado à contribuinte a apresentação do comprovantes de retenção de contribuições sociais (código 6147). Em atendimento, a contribuinte informou que estava apresentando os comprovantes de retenção e, para os casos em que não recebeu os citados documentos, comprovantes dos créditos em conta corrente. Às fls. 110/127, encontramse planilhas, em que são discriminados os valores retidos. A Recorrente trouxe aos autos, também, cópia de documentos bancários, devidamente correlacionados com os registros efetuados nas planilhas acima mencionadas, que comprovam o recebimento do valor líquido recebido em razão das notas fiscais emitidas (fls. 128/321). Observo, contudo, que na comprovação em questão foram incluídos registros relativos a retenções efetuadas no ano de 2001, o que, na ausência de esclarecimentos acerca do cômputo em ano distinto, não podem ser aceitos. Assim, acolhendo os comprovantes de retenção relativos ao anocalendário de 2002 e excluindo os correspondentes ao ano de 2001, reconheço o direito creditório adicional de R$ 48.075,65, decorrente da análise do presente item. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$ 48.075,65, determinando que seja promovida compensação complementar até o limite do crédito ora reconhecido. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720110/200764 Acórdão n.º 1301001.466 S1C3T1 Fl. 467 12 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 485DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10425.720025/2010-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 25 /2 01 0- 76 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de PIS apurado no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao primeiro trimestre de 2006. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720025/201076 Acórdão n.º 3803006.149 S3TE03 Fl. 228 3 A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente aos débitos declarados na DCOMP, as compensações não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS (próprio), que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, que é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia (art. 1º, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002). RECEITA BRUTA DAS VENDAS DE BENS E SERVIÇOS. CONCEITO LEGAL. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (art. 31, caput e parágrafo único, da Lei nº 8.981/95). ICMS. “DESTAQUE” MERAMENTE INFORMATIVO. O ICMS ao contrário do IPI, por disposição legal (art. 13, § 1º e inciso I da Lei Complementar nº 87/96), incide “por dentro” do valor da mercadoria e não é cobrado de forma destacada do comprador, constituindo a informação do seu valor na Nota Fiscal mera indicação para fins de controle. Cientificada da decisão em 13 de agosto 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 24 de agosto de 2012, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720025/201076 Acórdão n.º 3803006.149 S3TE03 Fl. 229 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro · Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720025/201076 Acórdão n.º 3803006.149 S3TE03 Fl. 230 7 componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Belchior Melo de Sousa Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16327.000667/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação.
DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO.
O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo do IRPJ, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condiciona-se à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1301-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo do IRPJ, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 67 /2 00 9- 14 Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000667/200914 Acórdão n.º 1301001.300 S1C3T1 Fl. 11 3 Relatório Tratase de DCOMPs transmitidas a partir de 13/08/2004 com os débitos discriminados de IRPJ/PIS/COFINS (AC/2004) compensados com o SNIRPJ do ano calendário de 2001 no valor de R$.34.881.149,50. Mediante Despacho Decisório, datado de 02/09/2009 (fls. 591 a 596) a Deinf/SPO relata que, em 28/05/02, a ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA., CNPJ n° 33.239.237/000189, incorporada pelo interessado por meio de evento societário ocorrido em 01/04/02, entregou a DIPJ/2002, anocalendário 2001, por meio da qual o contribuinte apurou, conforme informado na Linha 18 da Ficha 12A, Saldo Negativo do IRPJ no montante de R$34.881.149,50 (folhas 128/129 e 132 a 169). Esclarece a fiscalização que pretendendo, na condição de sucessora, aproveitar o crédito em comento, para compensar débitos do IRPJ, do PIS e da COFINS, o interessado protocolizou junto à SRF, a partir de 13/08/04, em conformidade com o disposto na IN SRF n° 323/03, "Declarações de Compensação" eletrônicas, as quais foram baixadas para tratamento manual neste processo (folhas 03 a 14, 15 a 18, 19 a 22, 23 a 26, 27 a 30, 31 a 34, 35 a 38 e 39 a 42). Salienta a autoridade fiscal que a partir da DCOMP n° 09936.98719.130804.1.3.020068, que originou este processo (13/08/2004), evidenciouse que os créditos do IRPJ eram, ao menos parcialmente, decorrentes de Saldos Negativos dos contribuintes: BFB RENT ADM E LOCAÇÃO LTDA (CNPJ n° 31.923.626/000101), CIA ITAU DE CAPITALIZAÇÃO (CNPJ n° 23.025.711/000116) e BFB CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA (CNPJ n° 50.023.001/000120). Com o propósito de analisar o procedimento compensatório, a fiscalização intimou o interessado a apresentar os elementos concernentes aos eventos societários envolvendo os contribuintes apontados no item precedente. Dos documentos trazidos aos autos pelo interessado, constatou o auditor fiscal que a BFB CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA foi, em 29/01/99, incorporada pela BFB RENT ADM E LOCAÇÃO LTDA. E que, em 31/08/00, a BFB RENT ADM E LOCAÇÃO LTDA e a CIA ITAU DE CAPITALIZAÇÃO sofreram cisão parcial, sendo que as respectivas parcelas cindidas dos seus Patrimônios Líquidos foram absorvidas pela COTOVIA ADM E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ n° 03.619.748/000165), esta, por sua vez, incorporada pela ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA, em 09/10/00. Destaca o auditor que dentre os direitos vertidos à ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA encontramse os créditos do IRPJ do anocalendário 98, da BFB CONSULTORIA EMPRESARIAL, e os créditos do IRPJ do anocalendário 99 da CIA ITAU DE CAPITALIZAÇÃO e da BFB RENT ADM E LOCAÇÃO LTDA, nos montantes originais de R$122.647,70, R$14.230.062,20 e R$1.959.854,74, respectivamente (fls. 198 a 203; 204 a 232; 233 a 296). Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Reitera a fiscalização que os créditos do IRPJ mencionados no item precedente foram indicados pelo interessado na DCOMP n° 09936.98719.130804.1.3.020068 (inicial), utilizados pela sucessora ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA para compensar débitos estimados do IRPJ do anocalendário 2001 (valores que discrimina). Ainda, a partir DCOMP n° 09936.98719.130804.1.3.020068, constatou a autoridade administrativa que os débitos apurados pela ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA a titulo de estimativas para os períodos Jul/01 a Out/01 teriam sido parcialmente liquidados por compensação com créditos do IRPJ dos anoscalendário 98 e 2000 da própria ITAUCARD ADM DE CARTÕES LTDA (valores que discrimina). Porém, compulsando a DIRPJ da ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA do anocalendário 98, verificou o auditorfiscal que o saldo negativo do IRPJ, de R$3.853.803,01, conforme informado pelo contribuinte na Linha 26, da Ficha 13 e indicado no demonstrativo DIRPJ, AC/98 ORIGINAL RESUMO IRPJ, não goza de certeza e liquidez, devendo, a teor do disciplinado pelo art. 147, § 2º , do CTN, c/c o Parecer COSIT n° 38/03, ser retificado para R$3.567.559,38, como resumido no demonstrativo DIRPJ, AC/98 RETIFICADARESUMOIRPJ (folhas 330 a 363, 378, 364 a 377, 379 a 388 e 389). Já em relação ao anocalendário 2000, constatou a Administração que o Saldo Negativo do IRPJ informado pela ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO, na Linha 18, da Ficha 12A da DIPJ/2001, de R$8.275.704,42, como apontado no demonstrativo DIPJ, AC/2000 ORIGINAL RESUMO IRPJ, decorreu dos valores apurados a titulo de estimativas mensais, estes liquidados por meio de DARF e/ou compensação com IRRF e Saldos Negativos do IRPJ dos anoscalendário 95, 96, 98 e 99, bem como com crédito tratado no PAF n° 13894.000070/0075, e a maior do que o efetivamente devido no encerramento daquele exercício (folhas 483 a 520, 523 a 526 e 534). Contudo, da análise das DIRPJ dos anoscalendário 95, 96 e 99, constatou a autoridade fiscal, não haver certeza e liquidez para Saldo Negativo do IRPJ do ano calendário 2000, o qual deveria, conforme apontado no demonstrativo DIPJ, AC/2000 RETIFICADA RESUMO IRPJ, ser retificado para R$4.800.025,32 (folhas 300 a 305, 306 a 329, 390, 391 a 427, 428 a 439, 440, 441 a 469, 470 a 480, 481, 482 e 556). Concluiu a fiscalização, em face do reconhecimento dos créditos do IRPJ do anocalendário 98, da BFB CONSULTORIA EMPRESARIAL e do anocalendário 99, da CIA ITAU DE CAPITALIZAÇÃO e da BFB RENT ADM E LOCAÇÃO, estes vertidos à ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA, da insuficiência dos saldos negativos do IRPJ, anteriormente tratados e do IRRF informado pelas respectivas fontes pagadoras, que o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001 da ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA, dotado de certeza e liquidez, corresponde à R$.29.944.751,07, como indicado no demonstrativo DIPJ AC/2001 RETIFICADARESUMO IRPJ (folhas 203, 232, 296, 557, 558 a 585 e 586). Por fim, decidiu a Deinf/SPO pelo: a) reconhecimento do direito creditório concernente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001, no montante de R$29.944.751,07, sobre o qual passa a incidir os juros SELIC a que alude o art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95; b) homologação integral das DCOMP's n° 09936.98719.130804.1.3.020068, n° 31645.66318.31.08.04.1.3.022374, n° 12929.01891.110906.1.7.029070, nº 17501.42147.110906.1.7.020732, nº 04287.36411.110906.1.7.026048, n° Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000667/200914 Acórdão n.º 1301001.300 S1C3T1 Fl. 12 5 19370.40597.110906.1.7.029378, conforme consignado no “Demonstrativo de Compensação” (fl.589). c) pela homologação parcial da DCOMP n° 14384.89843.110906.1.7.02 2309 e a não homologação da DCOMP n° 18145.74453.291104.1.3.024684. Os documentos apresentados pelo contribuinte, extratos de consulta aos sistemas da RFB e as planilhas elaboradas pela fiscalização encontramse anexadas às fls. 63 a 589 dos autos. Cientificado do Despacho Decisório em 14/09/2009 (fl. 601), o contribuinte apresentou, em 14/10/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 620 a 625, acompanhada dos documentos de fls. 626 a 1020, alegando que: Sobreveio despacho decisório que glosou a importância de R$4.936.398,43. Em resumo, a fiscalização não deferiu o crédito correspondente ao montante das antecipações quitadas por compensação e IRF utilizado pela manifestante e não confirmado no sistema da Receita Federal. O fundamento para o indeferimento das compensações pleiteadas pautouse em supostas irregularidades nas bases de cálculo do IRPJ apuradas pelo Manifestante nos anos de 1995, 1996, 1998 e 1999. Em razão disso, a DEINF refez a base de cálculo do IRPJ desses anos a fim de apurar novo valor a titulo de Saldo Negativo de IRPJ de 2001. O valor declarado pelo Manifestante nos anos de 1995, 1996, 1998 e 1999 somente foi questionado com o presente despacho, com notificação do manifestante em 14/09/09, restando patente o decurso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Ainda que se entenda que o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no art. 173, inciso I, do CTN, mesmo assim a possibilidade de questionamento do valor declarado a titulo de IRPJ está decaído. Ainda que por hipótese a decadência não seja acolhida, o saldo negativo apurado pelo manifestante está correto. Ou seja, não merece a glosa do crédito referente ao IRF utilizado e não confirmado no sistema da Receita Federal, nem das antecipações quitadas por compensação. Para a comprovação dos valores apurados na composição do saldo negativo não reconhecido pela autoridade fiscal, seguem anexos, os seguintes documentos: • comparativo do Saldo Negativo de IRPJ de 2001, apurado pelo contribuinte e pela DEINF/SP (R$34.881.149,50 x R$29.944.751,07) e Planilha de Compensação do Credito (anexos DIPJ, DCTF e DARF) doc. 03; • demonstrativo da composição do Saldo Negativo de IRPJ de 1998, da BFB Consultoria, que foi cindida para a Itaucard (R$523.507,85 ao invés de R$122.647,70) e Planilha de Compensação do Crédito (anexos DIPJ, informes e DARF doc. 04; • demonstrativo da composição do Saldo Negativo de IRPJ de 1999, da 4 x R$1.959.854,74) anexos DIPJ e DARF e Planilha de Compensação do Credito doc. 05; Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 • demonstrativo do Saldo Negativo de IRPJ de 1999, da Cia. Itaucap, que foi cindida para Itaucard (R$14.846.853,22 x R$14.230.062,30) e planilha de Compensação do Crédito (anexos DIPJ e informes) doc. 06; • demonstrativo da composição do Saldo Negativo de IRPJ do ano de 2000, da Itaucard Administradora de Cartões, no valor de R$3.853.803,01 x R$3.567.559,39 (anexos DIPJ, informes e DARF) e Planilha de Compensação do Crédito doc. 07 e doc. 08; • demonstrativo da composição do Saldo Negativo de IRPJ do ano de 1998, da Itaucard Administradora de Cartões, no valor de R$3.853.803,01 x R$3.567.559,39 (anexos DIPJ, informes e DARF) e Planilha de Compensação do Credito doc. 09; • pedidos de compensação com créditos de terceiros em 1998 e 1999 e situação atual dos respectivos pedidos de restituição, comprovando a extinção dos valores compensados doc. 10; • comprovantes das retenções sofridas pela manifestante, a titulo de antecipação doc. 11; • atos societários relativos a cisões mencionadas doc. 12. Requer, na hipótese de ser necessário o exame dos documentos juntados pela Delegacia de origem, o retorno dos autos para a devida verificação. Por fim, requer a suspensão da exigibilidade do débito constante na Carta Cobrança nº 200/2009. Em 13/04/2010, a Deinf/SPO elaborou Despacho Decisório complementar (fls. 1035 a 1039), com a reratificação do Despacho Decisório anteriormente proferido. Verificou a autoridade administrativa preparadora, compulsando os sistemas da RFB, ter cometido erro no procedimento compensatório levado a termo, posto não ter nele computado os débitos do IRRF dos períodos 2ª Sem/Fev/02 (R$121.775,88) e 5ª Sem/Mar/02 (R$2.887,21), os quais, nos termos da IN SRF n° 21/97 então vigente, foram objeto de compensação espontânea por iniciativa do interessado (folhas 1025 e 1026). Estes débitos foram incluídos no “Demonstrativo Compensação SD Neg. IRPJ AC 2001/Itaucard Adm Cartões Ltda.” (fl. 1027), permanecendo inalterados o reconhecimento do direito creditório do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001, no montante de R$29.944.751,07; a homologação integral das DCOMP's n°s 09936.98719.130804.1.3.020068, 31645.66318.310804.1.3.022374, 12929.01891.110906.1.7.029070, 17501.42147.110906.1.7.020732, 04287.36411.110906.1.7.026048 e 19370.40597.110906.1.7.029378; a homologação parcial da DCOMP n° 14384.89843.110906.1.7.022309 e a não homologação da DCOMP n° 18145.74453.291104.1.3.024684. Cientificado desta decisão, em 21/05/2010 (fls. 1115 a 1116), o contribuinte apresentou em 02/06/2010 a manifestação de inconformidade de fls. 10441050, acompanhada dos documentos de fls. 10511114, apresentando as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada em 14/10/2009, e repisando a questão da decadência do período analisado. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000667/200914 Acórdão n.º 1301001.300 S1C3T1 Fl. 13 7 Alega ser imperiosa a reforma do despacho, para que conste o reconhecimento integral do crédito e a homologação tácita da compensação perseguida pelo manifestante, com base no decurso do prazo decadencial de que se aplica ao caso em tela. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI) decidiu a lide por meio do Acórdão 1637.765, de 18/04/2012, julgando a manifestação de inconformidade improcedente, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O reconhecimento do saldo negativo de IRPJ e a consequente utilização deste crédito para fins de compensação condicionase à demonstração da existência de certeza e liquidez do crédito vindicado, o que inclui a comprovação dos itens que compõem a sua base de cálculo. Demonstrado nos autos que as estimativas que compõem o saldo negativo de IRPJ foram compensadas com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, os quais, após análise, mostraramse insuficientes, cabe a retificação do saldo negativo originalmente apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DCOMP. BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. REVISÃO. POSSIBILIDADE. A verificação da base de cálculo do tributo deve ser feita no âmbito da análise da Declaração de Compensação para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo. Esta verificação não se sujeita ao prazo decadencial estipulado para a constituição de eventual crédito tributário resultante desta análise. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório constatase que os autos trata de pedido de compensação de Saldo Negativo de IRPJ, do ano calendário de 2001, no valor de R$.34.881.149,50, com débitos discriminados na DCOMP de IRPJ, PIS e COFINS (AC/2004). A autoridade administrativa (DEINF/SP) reconheceu parcialmente o crédito, no valor de R$.29.944.751,07, restando, assim, uma parcela não homologada no valor de R$.4.936.398,43, decorrente da não homologação da Dcomp 18145.74453.291104.1.3.024684 e homologação parcial da Dcomp 14384.89843.110906.1.7.022309. As demais Dcomps que compõem o presente processo foram totalmente homologadas. Na peça recursal insiste o contribuinte na tese da homologação tácita e da decadência, aduzindo que: De início, verificase que a glosa de parte dos créditos relativos ao saldo negativo objeto do pedido de compensação em tela se deu pelo reconhecimento parcial do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, que foi utilizado para o pagamento do IRPJ devido durante o ano de 2001. No caso em tela, o Recorrente apurou saldo negativo no ano de 2000, no valor de R$ 8.275.704,42, conforme devidamente declarado em DIPJ, todavia, a RFB homologou apenas o montante de R$ 4.800.025,32, restando não homologada uma parcela de R$ 3.475.679.10. E isto porque, entendeu a autoridade fiscal que o Recorrente não teria comprovado a quitação das estimativas compensadas com créditos decorrentes de saldos negativos de anos calendários anteriores, mais precisamente dos períodos de 1995 a 1999. Ocorre que referidos créditos, declarados pelo Recorrente, nunca foram questionados pela Fiscalização. Desta forma, levandose em consideração que tais montantes, só foram indeferidos pela RFB a partir do recebimento do presente Despacho Decisório, cuja intimação ocorreu em 14/09/2009, resta patente o decurso de prazo para a homologação dos créditos apurados pelo Recorrente, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/961. Ou seja, da leitura do dispositivo legal acima citado, temse que a Autoridade Fiscal tem o prazo de 05 anos, da data da declaração de compensação, para efetuar a homologação (reconhecimento) do crédito. Assim sendo, passado o prazo legal para a análise do pedido sem qualquer manifestação do Fisco a este respeito, resta tacitamente homologado o crédito declarado pelo Contribuinte. In casu, os créditos provenientes dos Saldos Negativos de 1995 a 1999, utilizados para pagamento das antecipações do IRPJ dos períodos de janeiro, fevereiro, abril, outubro e novembro de 2000, foram devidamente declarados em DCTF, conforme se verifica as folhas 519 a 529 desses autos, (doc.03). Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000667/200914 Acórdão n.º 1301001.300 S1C3T1 Fl. 14 9 Além do mais, no caso em tela, para efetuar a glosa do Saldo Negativo pleiteado, a Autoridade Fiscal pretende efetuar a revisão da base de cálculo do IRPJ dos anos de 1995 a 1999, muito embora já se tenha ultrapassado mais de 05 anos da ocorrência do fato gerador, o que é vedado pelo Código Tributário Nacional. Por fim, nem se alegue que o prazo decadencial estabelecido pelo CTN (artigos 150, § 4° e 173, I), aplicarseia apenas as hipóteses de pagamento e de que não haveria previsão legal para a homologação tácita aos saldos negativos, conforme dispôs a autoridade fiscal na decisão recorrida. A princípio, se faz mister enfrentar questão prejudicial relativa à homologação tácita das compensações previsto no art. 74 da Lei 9.430/96 e, perquerida no recurso voluntário. Pela sistemática da compensação instituída pela Lei nº 10.637/02, que alterou o art. 74 da Lei 9.430/96, o sujeito passivo que apurar crédito de tributos administrados pela RFB, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB. A compensação será efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação, extinguindo o crédito tributário sob condição de sua ulterior homologação. Por seu turno, a Lei nº 10.833/2003, deu nova redação para o § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para estabelecer o prazo de 05 (cinco) anos para a autoridade homologar expressamente a compensação declarada. Expirado esse prazo, ocorre a homologação tácita e o crédito tributário está definitivamente extinto. Observese que a homologação tácita ocorre independentemente do reconhecimento (ou não), por parte da autoridade da RFB, da liquidez e certeza do crédito utilizado pelo sujeito passivo na compensação declarada. Também não é demais lembrar que o débito extinto não pode ser objeto de cobrança. Portanto, não procede a cobrança dos débitos declarados nas DCOMPs apresentadas e homologadas tacitamente. Dessa forma, como a ciência ao Despacho Decisório deuse em 14/09/2009, têmse como homologados tacitamente todas as Dcomps transmitidas até a data de 14/09/2004. O que abrange as Dcomps Dcomp 09936.98719.130804.1.3.020068 e 31645.66318.310804.1.3.022374, não obstante, já homologadas pela autoridade administrativa. Resta, em discussão as DCOMPs 14384.89843.110906.1.7.02.2309 homologação parcial e, 18145.74453.291104.1.3.02.4684, não homologada tendo em vista a insuficiência do SNIRPJ do no calendário de 2001, as quais foram transmitidas em 11/09/2006 e 29/11/2004, respectivamente. Portanto, não se encontram alcançadas pela homologação tácita. Quanto a decadência a decisão de primeira instância não merece reparo. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, em 2009 (caso dos autos) o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 penalidades quanto a infrações incorridas no ano calendário de 2000, ou seja, constituir exigências tributária. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN. O “prazo de homologação tácita” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. Alega a ora recorrente: “Decaído o direito de lançamento pelo Fisco, igualmente precluso o direito da Autoridade Fiscal de reapurar as bases tributáveis de exercícios anteriores, e por conseqüência, restam tacitamente homologadas as compensações destes créditos com as estimativas do anocalendário de 2000.” Não há dúvidas de que na modalidade de lançamento por homologação, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do IRPJ. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000667/200914 Acórdão n.º 1301001.300 S1C3T1 Fl. 15 11 protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Pelo que rejeito a preliminar de decadência. II Quanto ao direito ao saldo negativo do ano calendário de 2001 discutese a parcela não homologada no valor de R$.4.936.398,43. Compulsando os autos verificase que o SNIRPJ apurado pelo contribuinte no ano calendário de 2001 no valor de R$.34.881.149,50 (fls. 169) é composto basicamente pelo imposto de renda mensal/estimativa: (DARFs R$.1.100,00+IRRF R$.8.540.435,29+Compensações R$.28.349.295,65). Por outro lado a parcela não homologada e, em discussão (R$.4.936.398,43), referese aos valores não confirmados no Despacho Decisório, a saber: R$.1.648.121,70 do IRRF e R$.3.288.576,73 das “Compensações/estimativas Exercícios Anteriores”. Em primeiro plano passamos a análise do valor do IRRF não confirmado pela autoridade fiscal (DEINF/SP) no valor total de R$.1.648.121,70, (R$.1.648.121,70 menos R$.493.452,69 do IRF utilizado nas estimativas = R$.1.154.669,01 valor que compõe o Saldo Negativo apurado). Neste ponto alega a recorrente que deve prevalecer os comprovantes de recolhimentos (DARFs) e os informes de rendimentos acostados aos autos, enquanto a administração tributária usou como fundamento para a não homologação, as DIRFs.das fontes pagadoras constante no seu banco de dados tendo a recorrente como beneficiária. Compulsando os autos encontro juntamente com os documentos trazidos no Recurso Voluntário (docs. 4 e 5) demonstrativos e os informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras capazes de justificar os valores do IRRF que compõem o SNIRPJ, AC/2001 no valor de R$.8.540.435,29, (Total do IRRF do AC/2001, R$.9.695.104,30 menos IRRF utilizado na apuração das estimativas do AC/2001, R$.1.154.669,01 = R$.8.540.435,29). Atendida a exigência contida no art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, procede o pleito da Recorrente com relação a este item, pelo que reconheço o direito creditório adicional correspondente ao valor de IRRF de R$ 1.154.669,01. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Com relação a não homologação dos valores referentes as antecipações/estimativas exercícios anteriores quitadas por compensação (no montante de R$ 3.288.576,73), analisando a documentação apresentada pelo contribuinte em confronto com os dados extraídos dos sistemas da RFB e as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal (docs. de fls. 63 a 589) resta claro o acerto da decisão administrativa, a qual reproduzo trechos que se explicam: Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 Inferese pelo demonstrativo apresentado pelo manifestante relativo à ficha 8 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIRPJ (anocalendário 1998) da incorporada BFB Consultoria Empresarial Ltda., CNPJ 50.023.001/000120, que o saldo negativo de IRPJ de 1998 seria de R$523.507,85 ao invés de R$122.647,70 considerados no Despacho Decisório (fl. 650). De fato, o saldo negativo de IRPJ informado na ficha 8 da DIRPJ do ano calendário 1998 corresponde ao valor de R$523.507,85 (fl. 202). No entanto, a autoridade fiscal verificou que houve a compensação de R$460.708,57, em junho/99, de débito da incorporadora BFB Rent, CNPJ 31.923.626/000101, conforme DEMONSTRATIVO COMPENSAÇÃO SD NEG IRPJ AC 98 SUCEDIDA BFB CONSULTORIA, anexado à fl. 203. Observase que neste demonstrativo o saldo inicial considerado foi de R$523.507,85. Em jul/99, após a compensação do débito de jun/99, o saldo apurado passou a ser de R$122.674,70. Houve também a compensação de R$162.862,29, em fev/01, de débito da Itaucard, CNPJ nº 33.239.237/000189, incorporadora da COTOVIA, CNPJ n° 03.619.745/000165 (sucessora da parcela cindida da BFB RENT) restando saldo a compensar, em fev/01, no valor de R$.10.659,68. Portanto, a autoridade fiscal considerou o saldo negativo de IRPJ de 1998 da BFB Consultoria Empresarial Ltda no valor de R$523.507,85, exatamente conforme informado em sua DIRPJ. Com relação ao doc. 5 (fls. 670/691), a empresa ora recorrente apresenta demonstrativo indicando a diferença na apuração do saldo negativo de IRPJ de 1999 apurado pelo contribuinte BFB Rent Adm. e Locação (R$2.599.406,94) e apurado pela fiscalização (R$1.959.854,74). Neste item a autoridade fiscal verificou que o valor base inicial considerado em dez/1999 foi de R$.2.599.406,92, ou seja, o mesmo valor do SNIRPJ da DIPJ/2000. Verificase, também, que foi compensado o valor de R$.639.561,18 (demonstrativo de compensação) com a seguinte observação: “(1)Do SD Neg da cindida BFB Rent, foi vertida à Cotovia (CNPJ nº 03.619.748/000165) o montante de R$1.959.854,74, conforme Protocolo de Cisão.” Operação esta confirmada em Assembléia Geral Ordinária de 31/08/2000 (fls. 64). Portanto, como confirmado no voto condutor, tendo em vista que foi vertido à COTOVIA o montante de R$1.959.854,74 do saldo negativo de IRPJ de 1999 da BFB RENT, e que a COTOVIA foi incorporada pela ITAUCARD ADM DE CARTÕES DE CRÉDITO a qual, por sua vez, aproveitou aquele saldo negativo na composição do seu saldo negativo de IRPJ de 2001, verificase correta a apuração feita pelo auditorfiscal. Da mesma forma constatase com relação ao doc. 6 (diferença entre os valores de R$.14.230.062,30 da fiscalização e R$.14.846.853,22 pela contribuinte). Após a compensação de R$.573.366,71 restou saldo de R$.15.774.023,91, sendo que este saldo, também, foi vertido à COTOVIA, conforme AGE de 31/08/2000 (fls. 72). Deixar claro que os demonstrativos da composição dos saldos negativos apresentados pela contribuinte, tratase apenas de planilhas comparativas entre os valores calculados pelo contribuinte e os calculados pela Deinf e com a demonstração do aproveitamento do saldo negativo de IRPJ de 2001 por meio das compensações apresentadas. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo a não homologação, tão somente, com relação aos valores referentes as antecipações/estimativas de exercícios anteriores quitadas por compensação no montante de R$ 3.288.576,73. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000667/200914 Acórdão n.º 1301001.300 S1C3T1 Fl. 16 13 É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator o Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 19679.007029/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade a decisão de primeira instância proferida por órgão julgador competente e sem preterição ao direito de defesa do contribuinte.
NULIDADE. DESPACHO EM CUMPRIMENTO À DILIGÊNCIA DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. NÃO CONFIGURADO AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE DILIGENCIANTE. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste vício de nulidade no despacho proferido por autoridade competente, que, em cumprimento a diligência solicitada pelo órgão de julgamento de primeira instância, presta-lhe os esclarecimentos de fato e direito suficientes para o julgamento da lide, se a recorrente foi dele cientificada e, dentro do prazo fixado, exerceu plena e adequadamente o seu direito de defesa, mediante apresentação de robusta contestação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS. RECEITAS DE VENDAS NO MERCADO INTERNO SUBMETIDAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO NORMAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por falta de previsão legal, o saldo credor da Cofins vinculado às receitas decorrentes das operações de vendas realizadas no mercado interno, submetidas ao regime de tributação normal, não são passíveis de compensação ou ressarcimento. 2. O saldo credor remanescente vinculados a tais modalidades de receita somente pode ser utilizado na dedução de débitos da própria Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade a decisão de primeira instância proferida por órgão julgador competente e sem preterição ao direito de defesa do contribuinte. NULIDADE. DESPACHO EM CUMPRIMENTO À DILIGÊNCIA DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. NÃO CONFIGURADO AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE DILIGENCIANTE. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste vício de nulidade no despacho proferido por autoridade competente, que, em cumprimento a diligência solicitada pelo órgão de julgamento de primeira instância, prestalhe os esclarecimentos de fato e direito suficientes para o julgamento da lide, se a recorrente foi dele cientificada e, dentro do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 70 29 /2 00 5- 91 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 prazo fixado, exerceu plena e adequadamente o seu direito de defesa, mediante apresentação de robusta contestação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de compensação de crédito da Cofins não cumulativa – mercado interno, apurado nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, com débitos (i) do IRPJ – Estimativa Mensal dos meses de maio a julho de 2005 e (ii) da CSLL – Estimativa Mensal dos meses de junho de julho de 2005, discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fls. 2/4 (originária) e de fls. 31/34 e 62/65 (retificadoras), que integram este processo, e com débito do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) do período de apuração de 28/9/2005 (fls. 686/687), objeto do processo nº 19679.010641/200541, que se encontra a este apensado, conforme Termo de Apensação de fl. 692. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 188/193, a autoridade fiscal competente da unidade da Receita Federal de origem não homologou as compensações declaradas, com fundamento nos princípios da legalidade, moralidade e probidade administrativa e no artigo 36 da Lei :nº 9.784, de 1999, baseada no argumento de que a interessada não havia apresentado provas da existência do crédito compensado nem fora possível aquela unidade, mediante diligência, apurar a certeza e liquidez do crédito informado, pois, em conformidade com os documentos de fls. 184/186, não era possível concluir o trabalho de autidoria fiscal, que se encontrava em curso na Delegacia de Fiscalização de São Paulo, em face da exiguidade do prazo de 15 (quinze) dias, fixado para análise das citadas compensações, por parte do Juízo da 3ª Vara Cível Federal em São Paulo, no âmbito dos autos do Mandado de Segurança nº 2007.61.000076589 (fls. 182/183). Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 201/214), em síntese, a interessa alegou, em preliminar, a nulidade do despacho decisório por violação ao princípio da motivação e às garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório, sob argumento de que não foram fornecidos, adequadamente, os indispensáveis pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram a decisão não homologatória das citadas declarações de compensação, uma vez que sequer foram fornecidos os fundamentos legais que, supostamente, Fl. 734DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19679.007029/200591 Acórdão n.º 3102002.218 S3C1T2 Fl. 101 3 impediriam o direito à compensação em tela, limitandose a decisão a indeferir o pleito sob o argumento de que a autoridade fiscal não tivera tempo para efetuar as fiscalizações necessárias. No mérito, alegou que: a) o saldo credor da Cofins, no valor de R$ 4.384.873,20, parcialmente utilizado nas compensações em apreço, era originário dos insumos adquiridos nos meses de abril a dezembro de 2004, que foram aplicados na fabricação de seus produtos (livros, revistas e publicações em geral, produtos didáticos e paradidáticos); b) para facilitar a confirmação da origem do valor do saldo credor informado, havia trazido à colação dos autos o “Demonstrativo de Créditos Utilizados para Compensação com outros Impostos” de fls. 247/248, cujos valores foram extraídos dos Balancetes e Razões Contábeis de fls. 249/438, que corroboravam as informações dispostas no mencionado Demonstrativo; c) o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, asseguravalhe o direito de compensar o referido saldo credor com os referidos débitos do IRPJ e CSLL; d) o legislador constitucional, de acordo com o artigo 150, VI, “d”, da Constituição Federal de 1988, retirara do campo de incidência tributária os produtos por ela comercializados; e) o saldo credor em questão, apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, podereria ser compensado com outros tributos, nos exatos termos do disposto no art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005; e f) fazia jus a compensação tanto aos créditos acumulados a partir de agosto de 2004, quanto aos apurados no período de abril até julho de 2004, pois, o disposto no referido art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, aplicavase aos créditos acumulados em ambos os períodos. Por intermédio do despacho de fls. 583/585, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, converteu o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem informasse o montante do crédito da Cofins passível de compensação no ano de 2004 (mês a mês) e se o mesmo já não fora utilizado pela contribuinte. Em atenção ao referido pedido de diligência, a DERATSP proferiu o Despacho Decisório de fls. 617/623, em que no (i) informou que não foram localizadas outras DComp que não aquelas relacionadas na Tabela de fl. 617 e (ii) manteve a decisão de não homologar as compensações declaradas neste e no processo apenso, com base nos seguintes argumentos: a) não havia previsão legal para compensação dos créditos vinculados às receitas tributadas no mercado interno, que somente podiam ser utilizados para dedução da Cofins apurada no regime de incidência não cumulativa; b) as únicas duas hipóteses legais de utilização do saldo credor da Cofins na compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB eram os saldo de créditos vinculados a receitas decorrentes de (i) operações de exportação de mercadorias para o exterior e (ii) operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, previstas no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004; Fl. 735DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 c) o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, de forma retroativa, permitiu a compensação do saldo remanescente dos créditos relativos a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, acumulados a partir de 9/8/2004; d) a interessado tentou, indevidamente, estender o alcance da imunidade do 150, VI, “d” da Constituição Federal porém, tal pretensão não merecia prosperar, tendo em vista que tal imunidade aplicase apenas aos impostos; e) as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para livros foram reduzidas a zero somente a partir de 22/12/2004, data da vigência do art. 28, VI, da Lei n° 10.865, de 2004, pelo incluído pela Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004; f) os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), apresentados pela interessada no período de abril a dezembro de 2004 (fls. 589/616), não apresentavam receitas de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nem receitas de exportação; g) em conformidade com a documentação colacionada aos autos, a interessada enquadravase apenas na hipótese do art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, logo, somente a partir de 9/8/2004, eralhe permitida apurar créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência dessas contribuições. Intimada do referido Despacho Decisório (fls. 624/625), a interessada apresentou as contestações de fls. 633/647, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade de fls. 201/214. Em aditamento, alegou a nulidade do novo Despacho Decisório, com base no argumento de que: a) houve total afronta à decisão de conversão do julgamento de diligência, haja vista que o novo despacho decisório fora proferido com a análise do mérito, desconsiderando todo o rito processual previsto na legislação; e b) cabia a Defis a verificação das informações solicitadas na citada diligência e a elaboração do relatório conclusivo, o que não ocorrera. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 693/705), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). A falta de reconhecimento do crédito pleiteado pelo contribuinte não permite homologar as compensações apresentadas pelo interessado. COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. MERCADO INTERNO. O crédito de COFINS não cumulativa relativo a operações realizadas no mercado interno não pode ser utilizado com o intuito de compensação ou ressarcimento. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19679.007029/200591 Acórdão n.º 3102002.218 S3C1T2 Fl. 102 5 Em 8/9/2011, a autuada foi cientificada dessa decisão (fls. 706/707). Inconformada, em 7/10/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 708/721, em que, no mérito, reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, em preliminar, a recorrente alegou a nulidade da decisão de primeira instância, sob o argumento de que, ao admitir que a diligência fora corretamente cumprida, o referido julgado havia contrariado o despacho de conversão do julgamento em diligência (fls. 583/585), que visava a esclarecer apenas matéria de fato, conforme previsto no art. 15, § 8º, da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia compreende questões de natureza preliminar e de mérito. Em preliminar, a lide cingese à alegação de nulidade da decisão de primeiro grau e do despacho decisório, enquanto que no mérito o ponto fulcral da contenda cingese (i) à certeza e liquidez do crédito compensado e (ii) ao direito de compensação do saldo credor da Cofins dos débitos do IRPJ e da CSLL. I Da Análise da Questão Preliminar Em sede de preliminar, alegou nulidade da decisão de primeiro grau e do Despacho Decisório de fls. 617/623, proferido em 28/10/2010. Da nulidade da decisão recorrida. Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instância, sob o argumento de que, ao admitir que a diligência realizada fora corretamente cumprida, o julgado recorrido havia contrariado o disposto no Despacho proferido pela própria Turma de Julgamento (fls. 583/585), que determinara o retorno dos autos à unidade da Receita Federal de origem, para que fosse informado o montante de crédito da Cofins passível de compensação no ano de 2004 (mês a mês) e se o referido crédito já teria sido utilizado pelo contribuinte. No âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade de despachos e decisões, proferidas pela autoridade administrativa, estão previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, doravante denominado de PAF, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] (grifos não originais) Fl. 737DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 A irregularidade suscitada pela recorrente, obviamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no referido preceito legal, pois a decisão atacada foi proferida por autoridade competente e nela não é possível vislumbrar qualquer preterição ao direito de defesa da recorrente, haja vista que fora devidamente cientificada do novo Despacho Decisório de fls. 617/623 e, tempestivamente, apresentou robusta contestação. Além disso, a própria Turma de Julgamento a quo entendeu que o procedimento adotado pelo Órgão preparador não contrariava a legislação de regência e trouxe prejuízo à defesa da recorrente, haja vista que o objetivo da realização da diligência fora verificar a existência de crédito passível de compensação e que a conclusão deveria ser fundamentada e comunicada àquele Órgão colegiado e também à contribuinte, a quem deveria ser facultada a apresentação de contestação, o que fora plenamente atendido. Dessa forma, uma vez que o retorno dos autos à unidade da Receita Federal de origem decorreu de iniciativa exclusiva da Turma de Julgamento de primeiro grau, que concordou com os procedimentos adotados pelo referido Órgão de origem, inquivomente, não cabe a este Colegiado adentrar nas razões de convicção que levaram o referido Colegiado de julgamento a firmar tal entendimento sobre o assunto, sob pena de indevida ingerência no poder discricionário assegurado pelo art. 29 do PAF ao mencionado Órgão de julgamento. Também não houve alegada afronta ao disposto no art. 15, § 8º, da Portaria MF nº 58, de 2006, posto que os fundamentos jurídicos, consignados no questionado Despacho Decisório, tiveram por finalidade apenas complementar os esclarecimentos de fato nele consignados, com finalidade de respaldar a decisão quanto à prescindibilidade da apuração dos valores mensais do créditos da Cofins do ano 2004, uma vez que, nos Dacon de fls. 589/616, não foram informado receitas de exportação nem receitas do mercado interno, decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, às unicas que permitiam a compensação dos créditos a elas vinculados. Em outras palavras, em consonância com o entendimento consignado no questionado Despacho Decisório, entendeu o Colegiado julgador de primeira instância, que, se por falta de previsão legal, o saldo credor apurado pela recorrente não era passível de compensação, obviamente, a comprovação dos requisitos da certeza e liquidez dos supostos créditos era despicienda para o deslinde da presente controvérsia. Por todas essas considerações, rejeitase a preliminar nulidade da decisão de primeiro grau, suscitada pela recorrente. Da nulidade do Despacho Decisório. Ainda em preliminar, a recorrente alegou nulidade do novo Despacho Decisório (fls. 617/623), com base no argumento de que a Equipe de Auditoria/DERAT/SPO não tinha competência para cumprir a referida diligência. Segundo a recorrente, tal competência era da alçada da DEFIS/SPO. Não procede a alegação da recorrente, pois, se a DERAT/SPO tinha competência para analisar e decidir a matéria, certamente, ela também detinha competência para dar cumprimento à solicitação de diligência da Turma de Julgamento de primeiro grau, principalmente, tendo em conta que as informações contidas nos referenciados Dacon, existentes na base dados disponível para consulta da Equipe de Auditoria da citado Órgão, eram suficientes para prestar os esclarecimentos e informações solicitados no âmbito da referida diligência. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19679.007029/200591 Acórdão n.º 3102002.218 S3C1T2 Fl. 103 7 Com base nessas considerações, fica demonstrada improcedência da alegação da incompetência suscitada pela recorrente e, por conseguinte, rejeitada a preliminar de nulidade do Despacho Decisório de fls. 617/623. II Da Análise das Questões de Mérito No mérito, as alegações da recorrente cingemse (i) à origem da certeza e liquidez do crédito compensado e (ii) ao direito de compensação de parte do saldo credor da Cofins, acumulados nos meses de abril a dezembro de 2004, com débitos do IRPJ, da CSLL e do IRRF. Segundo a recorrente, para fim de comprovação da origem do saldo de créditos da Cofins, no valor de R$ 4.384.873,20, acumulado nos meses de abril a dezembro de 2004, havia apresentado com a primeira manifestação de inconformidade (fls. 201/214), o Demonstrativo de fls. 247/248 e os Balancetes de fls. 249/364 e contas do Razão Contábil de fls. 365/438, que confirmavam os dados apresentados no referido Demonstrativo. Com base apenas nos dados contidos nos referidos documentos, é possível concluir que o mencionado saldo credor tem origem nos insumos utilizados na produção, adquiridos nos referidos meses, e na apropriação das parcelas mensais e iguais de R$ 127.290,55, referente ao valor do crédito presumido calculado sobre o valor do estoque de abertura. Por sua vez, analisando as Fichas 07 – Cálculo da Cofins dos Daocn dos meses de abril a dezembro de 2004 (fls. 589/616), verificase que, no citado período, a recorrente não auferiu receitas de vendas de produtos, no mercado interno, com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Cofins, conforme alegara. Aliás, as informações contidas nos referidos Dacon refletem o disposto no inciso VI do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, incluído pelo art. 6º da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de livros, somente a partir de 22/12/2004, data da publicação desta última Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: [...] VI livros, conforme definido no art. 2o da Lei no10.753, de 30 de outubro de 2003;(Incluído pela Lei nº 11.033, de 2004) [...] (grifos não originais) Dessa forma, em conformidade com citados Dacon, nos meses de abril a dezembro de 2004, a recorrente não auferiu receitas beneficiadas com a suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Cofins. Por conseguinte, embora tenha apurado saldo credor da Cofins não cumulativa no citado período, relativas à receitas de vendas realizadas no mercado interno, os correspondentes valores somente poderiam ser utilizados na dedução dos débitos da referida Contribuição. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Ademais, os dados contidos nos correspondentes Dacon estavam de acordo com o disposto na legislação vigente no período de apuração do saldo dos créditos da Cofins alegados pela recorrente, uma vez que, nos citados meses, a receita principal da recorrente, provenientes da venda de livros, ainda não era contemplada com a alíquota 0 (zero), instituída pelo preceito legal em comento. Não é demais ressaltar que, no citado período, as únicas permissões legais de utilização do saldo credor da Cofins na compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou no ressarcimento desses créditos, eram aquela relacionadas aos: a) créditos vinculados a receitas de exportação de mercadorias para o exterior, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; e b) dos créditos vinculados a operações de vendas efetuadas, no mercado interno, com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Cofins, em virtude do disposto no art. 171 da Lei n° 11.033, de 2004, nos termos do art. 16, I e II, da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005. Entretato, em relação a essa última hipótese, o referido direito de compensação ou de ressarcimento, passou a ser autorizado somente a partir de 9/8/2004, conforme expressamente determinado no parágrafo único do citado art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, que segue transcrito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma doart. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, e doart. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto noart. 17 da Lei no11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifos não originais) Da simples leitura do preceito legal em destaque, extraise que os créditos acumulados até 8/8/2004, vinculados às operações no mercado interno, inclusive os decorrentes das operações de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins, não eram passíveis de compensação ou ressarcimento em hipótese alguma. Até a referida data, tais créditos somente poderiam ser utilizados na dedução da própria Cofins. Portanto, somente a partir de 9/8/2004, data da vigência do parágrafo único do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, foram permitidos a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados às operações de vendas realizadas, no mercado interno, com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Cofins. 1 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Fl. 740DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19679.007029/200591 Acórdão n.º 3102002.218 S3C1T2 Fl. 104 9 Acontece que, até o mês de dezembro de 2004, essa permissão não amparava a pretensão da recorrente, pois, até o referido mês, ela não auferiu receitas de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Cofins, conforme comprovam os citados Dacon. É pertinente ainda ressaltar que a alegada imunidade dos “livros, jornais, periódicos e papéis destinados a sua impressão”, prevista no art. 150, VI, “d”, da CF/88, também não ampara a pretensão da recorrente, pois, sabidamente, tal imunidade abrange apenas os impostos incidentes sobre tais bens. As contribuições para a seguridade social, especialmente, a Cofins não se encontra amparada pela mencionada imunidade. Ademais, ainda que assim não fosse, melhor sorte não assistiria a recorrente, haja vista que, para eventual créditos vinculados a receita beneficiada com tal imunidade, não existe previsão legal para realização de compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fedeal do Brasil (RFB). Por todas essas razões, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que fazia jus à compensação do saldo credor da Cofins apurado nos meses de abril a dezembro de 2004. Dessa forma, pelo mesmo fundamento aduzido na decisão recorrida, ou seja, por falta amparo legal para realização da compensação do saldo credor da Cofins utilizado no procedimento compensatório em questão, mantémse a não homologação das compensações informadas das DComp colacionadas aos autos e no processo nº 19679.010641/200541, que se encontra a este apensado. III Da Conclusão Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 741DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 11610.004963/2001-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997,1998, 1999, 2000, 2001
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante.
Numero da decisão: 3301-001.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa a não apreciação de matéria (inconstitucionalidade) que refoge à competência dos órgão administrativo. Da mesma forma, não se configura a presente nulidade quando restam apontadas, de forma expressa, a fundamentação da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1997,1998, 1999, 2000, 2001 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997,1998, 1999, 2000, 2001 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Nos termos da SÚMULA CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 49 63 /2 00 1- 18 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo I que acatou em parte a manifestação de inconformidade apenas para declarar homologadas tacitamente as declarações de compensação: n° 18504.35338.040603.1.3.04 7023, n° 03828.04753.7090603.1.3.044548; n° 39834.53448.160603.1.3.04545; nº 31850.43515.170603.1.3.046897; e nº 09512.84943.070703.1.3.045803. A ora Recorrente apresentou pedido de restituição, protocolizado em 25/10/2001, no valor de R$432.245,82, em face do suposto pagamento indevido COFINS. Consta nos autos que a ora Recorrente formalizou declarações de compensação eletrônicas (fls. 92 a 94), pretendendo utilizarse do alegado crédito vinculado ao pedido de restituição. A Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo proferiu o seguinte despacho decisório: Consta as fls. 94 e 95 que: Não assiste razão ao contribuinte, que deve ter seu pedido de restituição indeferido. Isso porque alega, em síntese, que a isenção de COFINS concedida às sociedades de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Pais, por meio do artigo 6°, inciso II, da Lei Complementar n° 70, 30 de dezembro de 1991, foi inconstitucionalmente revogada pelo artigo 56 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. Porém o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que tal revogação não afronta o principio da hierarquia das leis. Ou seja, a Lei Complementar n° 70, de 1991, tem natureza de lei ordinária para os fins específicos da fixação da isenção e, portanto, poderia ter sido revogada, como o foi, pelo artigo 56 da Lei n° 9.430, de 1996. Essa fundamentação é exemplificada no acórdão proferido pelo STF no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 412.7482 RJ (...) Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.004963/200118 Acórdão n.º 3301001.669 S3C3T1 Fl. 101 3 Além disso, ante o principio da constitucionalidade das leis, descabe de sua inconstitucionalidade, a menos que reconhecida a inconstitucionalidade pelo Poder Judiciário. Isso porque a competência para apreciar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público é privativa do Poder Judiciário, conforme artigos 2°, 97, 102, inciso I, alínea "a" e inciso alínea "b" da Constituição da República. Consta, ainda, As fls. 95 a seguinte decisão: [...] diante da não comprovação do crédito pleiteado pelo contribuinte referente a COFINS, INDEFIRO o pedido de restituição de COFINS e NÃO HOMOLOGO as Declarações de Compensação, relacionadas no relatório deste despacho decisório, e de outras que venham a ser apresentadas vinculadas a este processo. Irresignada com o Despacho Decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em estreita síntese, que: A LC n° 70/91, em seu artigo 6° isentou as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, do pagamento da COFINS. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, pretendeu revogar tal isenção, determinando que estas sociedades que eram beneficiadas com a isenção passassem a recolher a COFINS sobre a receita bruta das prestações de serviço, a partir de abril de 1997. Diversas sociedades que eram beneficiadas com a referida isenção, ingressaram em juízo, para não serem obrigadas a pagar a COFINS, como é o caso da autora. [...] o STJ editou a súmula 276, em 14 de maio de 2003, que dispõe o seguinte: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". [.. .] não merece prosperar a tese de que a parte da lei que trata da isenção seria materialmente ordinária, e que, portanto, poderia ser revogada por outra lei ordinária, pois não era esta a intenção do legislador, que desejava, na verdade, conferir maior estabilidade à lei, evitando abusos como o que está ocorrendo neste momento. [...] Outro argumento utilizado pelo Fisco Federal, a fim de legitimar a cobrança da referida contribuição das sociedades civis aludidas no DecretoLei n.° 2.397/87, seria o de que tais sociedades, ao se amoldarem ao disposto nas Leis 8.383/91 e 8.541/92, optando pela tributação dos resultados pelo lucro presumido, perderiam, de imediato, o direito ao beneficio da isenção fiscal. Não merece prosperar tal entendimento. Pois a Lei Complementar 70/91, tomando como base a definição do artigo 1,°, do aludido DecretoLei, identificou apenas três condições necessárias concessão da isenção Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 [...] Por outro lado, Imposto de Renda e COFINS são tributos de espécies distintas, com regimes de tributação próprios e independentes, desvinculados e que, portanto, não ensejam a repercussão de um na esfera jurídicotributária do outro. A DRJ em São Paulo I julgou procedente em parte o pedido do contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PETIÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. OCORRÊNCIA. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da manifestação de inconformidade, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Constituição Federal de 1988. Cabe, entretanto, apreciar o pleito do contribuinte no que toca à matéria não submetida à apreciação da Justiça. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTARIAS. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Falece competência à autoridade administrativa julgadora para apreciar inconstitucionalidade e ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico pátrio. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito constitucional do contraditório e ampla defesa, ao demonstrar o contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, perfeita compreensão dos termos do Despacho Decisório. Não há que se falar em violação do disposto no inciso LV do art. 50 da Constituição Federal. DECISÕES DOS ÓRGÃOS SINGULARES OU COLETIVOS DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. As decisões administrativas, mesmo quando proferidas por órgãos colegiados, ausente lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares da legislação tributária, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos que não aquele objeto de sua apreciação; vinculando, dessa forma, apenas as partes envolvidas no respectivo litígio, em observância ao disposto no art. 96 e art. 100, II do CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TACITA. OCORRÊNCIA. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo § 5° do art. 74 da Lei 9.430/96 e alterações posteriores. Após o transcurso Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.004963/200118 Acórdão n.º 3301001.669 S3C3T1 Fl. 102 5 desse prazo, não é dado A. Administração Pública pretender não homologar a compensação declarada. Solicitação Deferida em Parte Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente alega em sua defesa que: (i) era isenta da COFINS, independentemente do regime tributário; (ii) em face do princípio da hierarquia das leis a revogação da citada isenção foi inconstitucional; (iii) os órgãos julgadores administrativos têm competência para analisar a constitucionalidade das leis e que a negativa de análise dessas matérias implica cerceamento do direito de defesa; o lançamento seria nulo por cerceamento do direito de defesa em face da falta de embasamento fático e motivação idônea; (iv) que o seu pedido de restituição se deu dentro do prazo legal, uma vez que as modificações introduzidas pelo art. 3º da LC 118/ seriam ilegais. Passemos à análise de cada um desses argumentos. Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, alega a Recorrente que o despacho decisório seria nulo por ter havido preterição do direito de defesa por ausência de análise das alegações de inconstitucionalidade e por falta de clara motivação. Com efeito, à fl. 114 afirma categoricamente que um argumento muito usado pelo fisco é a impossibilidade da análise da constitucionalidade e legalidade das leis e dos atos normativos. E acrescenta à fl. 118, não haveria contraditório e ampla defesa na esfera administrativa, caso a autoridade julgadora estivessem obrigada a cumprir a norma inconstitucional e descumprir a CF. Em primeiro lugar não procede a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa em face da ausência de apreciação da alegada inconstitucionalidade revogação da isenção da COFINS. Com efeito, o pressuposto para a configuração da presente nulidade é tratarse de matéria passível de apreciação: ou seja, matéria não preclusa e que se inclua dentre aquelas em relação as quais se tenha competência para julgar, o que definitivamente não é o caso. Com efeito, assim como este colegiado, não estão as DRJs autorizadas a analisar a inconstitucionalidade de leis, o que demonstra o acerto da decisão recorrida. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Por outro lado, como bem pontuado pela decisão recorrida, ao elaborar o interessado sua manifestação de inconformidade, demonstrou ter conhecimento das motivações que levaram à lavratura do Despacho Decisório contestado, havendo tido a oportunidade de abordar, em sua defesa, os temas que melhor lhe aprouveram. Dito isso, e analisando tudo mais que consta dos autos, concluise que os fatos que motivaram a decisão foram claramente apontados e os princípios do contraditório e da ampla defesa foram satisfatoriamente atendidos. Restando apontadas, de forma expressa, a fundamentação fática e jurídica da decisão, não há qualquer argumento jurídico para reconhecer a sua nulidade. Concomitância Superada a presente nulidade, passo à análise dos fundamentos apresentados pela Recorrente para a reforma da decisão recorrida, começando pela alegação de que a manifestação de inconformidade deveria ser totalmente conhecida uma vez que não estaria configurada a concomitância. Com efeito, restou consignado na decisão recorrida o seguinte: 8.5. No caso em tela, do que consta em sua manifestação de inconformidade às fls. 106 a 124, verificase que discorre o interessado sobre (i) seu direito à isenção da COFINS, com base no art. 6° da Lei Complementar n° 70/91, independentemente do regime jurídico adotado, afastandose a aplicação do art. 56 da Lei n° 9.430/96; (ii) a possibilidade da administração pública de apreciar a constitucionalidade e legalidade de lei e atos normativos; (iii) o cerceamento do direito à ampla defesa e do contraditório que decorre da recusa da administração pública de apreciar a constitucionalidade e legalidade de lei e atos normativos; (iv) finalmente, a suspensão da inexigibilidade do crédito tributário como consequência da apresentação de sua manifestação de inconformidade, contra a decisão proferida 8.6. Evidente é que a alegação relativamente ao seu direito à isenção da COFINS (i), nos termos apresentados em sua manifestação de inconformidade, coincide com a matéria que foi apreciada pela Justiça, consoante disposto no item 7.1 deste voto. 8.7. Logo não há como conhecer a manifestação de inconformidade na parte que peticiona apreciação de seu direito à isenção da COFINS, com base no art. 6° da Lei Complementar n.° 70/91, independentemente do regime jurídico adotado, afastandose a aplicação do art. 56 da Lei n° 9.430/96, vez que se trata de, repitase, matéria já levada à apreciação da Justiça por meio de ação de mandado de segurança. Neste caso, à administração pública cabe observar a decisão final da Justiça. 8.8. Quanto as matérias tratadas na manifestação de inconformidade, distintas do objeto da ação judicial a que se refere o item 8.7 deste voto, haja vista que não configuram caso de concomitância, devem ser apreciadas pela administração pública, nos moldes dispostos pelo item "h" do ADN Cosit n.° 3/96, é dizer, [...] quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.004963/200118 Acórdão n.º 3301001.669 S3C3T1 Fl. 103 7 normal no que se relaciona a matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.). 8.9. Portanto, à continuação, apreciarseá a manifestação de inconformidade na parte cujas matérias são distintas da que foi objeto de ação judicial. (...) Por outro lado, embora não obstaculizado o lançamento, incabível apreciação das razões de mérito da exigência relativamente ao reconhecimento do direito creditório e à admissibilidade da compensação, pois, como visto, foram objeto de discussão na ação judicial. Nesse sentido são as disposições do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/96), que, em face do art. 38 da Lei n°. 6.830, de 22 de setembro de 1980, definiu: "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto " (grifos do original). Como bem colocado pela decisão recorrida, no que se refere ao argumento de defesa “isenção da COFINS” vislumbrase identidade de objetos. Em ambos os procedimentos, o contribuinte pretende seja reconhecido o seu suposto direito ao não recolhimento da referida contribuição, tendo em vista que, no seu entender a revogação da sua isenção foi inconstitucional. Assim, tendo em vista que este argumento era objeto da ação judicial, deixo de apreciálo nos termos da Súmula CARF nº 01: SÚMULA CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Inconstitucionalidades Não fora pela concomitância, também deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade na revogação da referida isenção da COFINS por se tratar de matérias que escapam à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Prazo para repetição Tendo em vista a impossibilidade de apreciar o mérito do suposto direito creditório, seja em face da incompetência (inconstitucionalidade), seja em face da renuncia da Recorrente (concomitância), resta prejudicada a análise dessa preliminar de mérito. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Em face do exposto, NEGO Provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10680.901878/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 87 8/ 20 12 -5 8 Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.169 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SAMARCO MINERAÇÃO S/A contra Acórdão nº 0246.030, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 880); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do DOC. 01 do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: proceder à Recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando a(s) Dcomp apresentada(s), até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de PIS nãocumulativo – Exportação, relativo ao 2º trimestre de 2010, no valor de R$ 6.306.843,14, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito, além de Dcomp relativa ao mês de abril, no valor de R$ 3.346.973,61. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 8.676.284,68, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100 2011.014270 (fls. 964/984). Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.170 3 Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394463, emitido em 04.05.2012 (fl. 433), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 986. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/432), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.171 4 da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que tais obras se referem Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.172 5 a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.173 6 pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.174 7 A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.175 8 Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.176 9 fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.177 10 Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.178 11 Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.179 12 Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.180 13 relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.181 14 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.182 15 apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.183 16 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.184 17 · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.185 18 rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.186 19 Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.187 20 · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.188 21 elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.189 22 · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Do Serviços prestados no mineroduto Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.190 23 Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.191 24 aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.192 25 · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.193 26 Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.194 27 Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.195 28 · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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