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Numero do processo: 10283.003531/2005-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos cópia integral do Acórdão DRJ/BEL nº 01-9.073, anexado parcialmente às fls. 319/322.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos cópia integral do Acórdão DRJ/BEL nº 01-9.073, anexado parcialmente às fls. 319/322. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos cópia integral do Acórdão DRJ/BEL nº 019.073, anexado parcialmente às fls. 319/322. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 331/343) contra decisão de primeira instância (fls. 319/322), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 03 53 1/ 20 05 -0 0 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10283.003531/200500 Resolução nº 2002000.059 S2C0T2 Fl. 3 2 Versa o presente processo sobre auto de infração (fls.262/269) para exigência de imposto sobre a renda de pessoa fisica IRPF referente ao exercício 2001, anocalendário 2000 no valor total de R$ 20.555,21, aí considerados o principal, multa de oficio 75% e juros de mora calculados até 30/06/2005. Segundo a autoridade fiscal, foram apuradas as seguintes infrações: acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de agosto, setembro e dezembro/2000 (vide demonstrativo mensal de evolução patrimonial à fl.258) uma vez que não ficou comprovado o recebimento, no anocalendário 2000, de lucros e dividendos no valor de R$ 170.000,00 lançado pela contribuinte em sua DIRPF/2001 (fl.5), dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesa com instrução. Tendo tomado ciência do auto de infração em 22/07/2005 (fl.262), a contribuinte apresentou impugnação (fls.277/289) em 19/08/2005, alegando em síntese que: 1. O lucro distribuído pelas empresas optantes do lucro presumido não é tributável na pessoa fisica dos sócios; 2. O procedimento fiscal foi instaurado com afronta aos princípios da legalidade e da segurança do contribuinte; 3. Atropelando esses princípios, o agente do fisco ampliou o campo de incidência do imposto de renda, cujos contornos precisos são definidos pelo artigo 43 do Código Tributário Nacional CTN; 4. No auto de infração está expressamente reconhecido pelo agente fiscal que se “verifica claramente que se trata de ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇAO...”; 5. Na verdade, laborou em erro o profissional encarregado de elaborar a declaração de ajuste anual das empresa TROPICAL SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA (CNPJ 84.088.681/000181) e TROPICAL RECURSOS HUMANOS LTDA (CNPJ 84.088.665/000199) pois ao preencher a ficha 42A, delas fez constar lucros/dividendos no valor de R$ 42.000,00 em uma empresa e lucros/dividendos de R$ 0,00 na outra, quando na verdade o valor correto seria lucros/dividendos de R$ 85.000,00 em cada uma e demais rendimentos de R$ 42.000,00 também em cada empresa; 6. O lucro apurado, após deduzidos os impostos devidos pela pessoa jurídica, pode ser distribuído ao sócio da empresa sem incidência de imposto de renda para o beneficiário. É o que diz o artigo 39, XXIX do RIR/99 cuja matriz legal é o artigo 10 da Lei n° 9.249/95; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10283.003531/200500 Resolução nº 2002000.059 S2C0T2 Fl. 4 3 O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ACRÉSCIMO PATRIIVIONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os rendimentos omitidos, apurados através de acréscimo patrimonial a descoberto, não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados. JUROS SELIC. As autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo a improcedência do auto de infração, na parte impugnada. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 29/01/2008 (fl. 329); Recurso Voluntário protocolado em 16/01/2008 (fl. 331), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 326 e 344). Responde a contribuinte pela seguinte infração: a) Acréscimo Patrimonial a Descoberto; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas; c) Dedução Indevida de Despesas com Instrução. Tendo em vista que a r. decisão revisanda não está completa, este relator propõe converter o julgamento em diligência para a RFB, com a finalidade de juntar a integralidade da r. decisão primeira. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10283.003531/200500 Resolução nº 2002000.059 S2C0T2 Fl. 5 4 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem junte aos autos, a integralidade da r. decisão primeira. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000927/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.795
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMOS DIVERSOS. Recorrentes INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 27 /2 00 9- 01 Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 3 2 bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.876, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Após ser integrado por acórdão que acolheu, em parte, os embargos de declaração interpostos por Conselheiro, restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao conceito de insumo aplicável para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Dentre outros argumentos, defende que, para dos créditos em foco, a legislação estabelece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração alegando contradição e obscuridade quanto ao pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Todavia, seus embargos foram rejeitados. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda foram apresentados pelo sujeito passivo. Em síntese, o contribuinte defende que não se deve considerar, para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, os conceitos de insumos aplicáveis à apuração de créditos do IPI e do ICMS. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Foi admitida a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo aplicável para o reconhecimento do direito de créditos das contribuições não cumulativas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo. Alega, essencialmente, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar insumo para fins de constituição de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.785, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 11516.000925/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.785): "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 8 7 Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 9 8 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 10 9 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 11 10 IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 12 11 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 – trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 13 12 “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 15 14 parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 16 15 “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 17 16 · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...) Transcrevese, a seguir, o voto vencedor do acórdão paradigma, que tratou do direito de crédito quanto ao fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina: "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pós industriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 18 17 mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 19 18 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens." Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11516.000927/200901 Acórdão n.º 9303007.795 CSRFT3 Fl. 20 19 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão. O colegiado também conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 692DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.904274/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.350
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 27 4/ 20 12 -7 9 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.904274/201279 Resolução nº 3201001.350 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.904274/201279 Resolução nº 3201001.350 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.904274/201279 Resolução nº 3201001.350 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 18239.000879/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI FEDERAL 10.276/2001. FATOR PREVISTO NO ARTIGO 1º, §§2º E 3º. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 69/2001. NORMA REGULAMENTAR VÁLIDA À EPOCA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA DE CONFLITO DE NORMAS.
Para fins de cálculo do fato a ser aplicado sobre a base de cálculo do crédito presumido, integram a receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, ainda que não relacionadas com a atividade industrial.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI FEDERAL 10.276/2001. BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO ARTIGO 1º, §1º. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BRUTA. APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 69/2001, ARTIGO 18. NORMA REGULAMENTAR.
Integram a base de cálculo do crédito presumido os valores de fretes referentes aos demais custos de matéria-prima, do produto intermediário, do material de embalagem, da energia elétrica e dos combustíveis, destinados à fabricação de produtos a serem exportados, por estarem contemplados no conceito de custo de produção.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA CARÊNCIA DOCUMENTAL.
Compete ao requerente de pedido de ressarcimento ou compensação instruir os autos com os documentos fiscais e contábeis e demais itens da prova que suportam suas alegações, de modo que sua ausência ou insuficiência impedem o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Ausentes justificadamente os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli. Ausente ainda o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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LEI FEDERAL 10.276/2001. FATOR PREVISTO NO ARTIGO 1º, §§2º E 3º. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 69/2001. NORMA REGULAMENTAR VÁLIDA À EPOCA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA DE CONFLITO DE NORMAS. Para fins de cálculo do fato a ser aplicado sobre a base de cálculo do crédito presumido, integram a receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia”, ainda que não relacionadas com a atividade industrial. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI FEDERAL 10.276/2001. BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO ARTIGO 1º, §1º. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BRUTA. APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 69/2001, ARTIGO 18. NORMA REGULAMENTAR. Integram a base de cálculo do crédito presumido os valores de fretes referentes aos demais custos de matériaprima, do produto intermediário, do material de embalagem, da energia elétrica e dos combustíveis, destinados à fabricação de produtos a serem exportados, por estarem contemplados no conceito de custo de produção. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA CARÊNCIA DOCUMENTAL. Compete ao requerente de pedido de ressarcimento ou compensação instruir os autos com os documentos fiscais e contábeis e demais itens da prova que suportam suas alegações, de modo que sua ausência ou insuficiência impedem o reconhecimento do direito creditório pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 08 79 /2 00 7- 46 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 258 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Ausentes justificadamente os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli. Ausente ainda o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls 172 e seguintes) contra decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1, que considerou improcedentes as razões da Recorrente pronunciadas em Manifestação de Inconformidade que discutia a validade do ressarcimento complementar do Crédito Presumido apurado, 4º trimestre/2002, apurado conforme regime alternativo previsto na Lei Federal nº 10.276/2001. Do Pedido de Ressarcimento “em papel” (fls. 3 e seguintes) A Recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI, com base no regime criado pela Lei Federal 10.276/2001 em alternativa ao regime de cálculo previsto na Lei Federal 9.363/1996, em papel, em detrimento do uso do programa PER/DCOMP, aduzindo que o referido programa requer que o contribuinte pleiteante tenha saldo credor ao fim de cada trimestre, enquanto a Recorrente apurava saldo devedor de IPI, mesmo com a utilização do crédito. Quanto ao crédito pleiteado, tratase de um crédito complementar referente ao 4º trimestre de 2002, que fora levantado em revisão posterior ao pedido de ressarcimento original. Nesse ínterim, alega decorrer da sua opção pelo crédito presumido de IPI na modalidade prevista na Lei Federal 10.276/2001, e que, por isso, calcula o montante desse incentivo fiscal aplicando o denominado "Fator" sobre os custos de produção. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 259 3 Assim, a Recorrente argui que, para fins de cálculo do aludido Fator, deveria ter excluído da receita operacional bruta os valores atinentes a "receita de serviços", "receita de revenda" e "receita de utilidades" esclarecida pela Recorrente como a receita decorrente da venda de vapor d'água gerada no processo de industrialização por serem estranhos ao objeto do incentivo fiscal, que é a de desonerar indiretamente o custo tributário das exportações de produtos industrializados. Com relação ao custo de produção, pleiteia a inclusão do frete na compra dos respectivos insumos, tal como definidos no artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei Federal 10.276/2001. Com esses ajustes, o cálculo do crédito presumido seria acrescido em R$ 307.410,44 (trezentos e sete mil, quatrocentos e dez reais, quarenta e quatro centavos), valor esse que é objeto do presente litígio. Do Despacho Decisório (fls. 85 e seguintes) Por ocasião da análise do direito creditório, a D. Fiscalização indeferiu integralmente o pedido, nos termos que se transcrevem abaixo Da Manifestação de Inconformidade (fls. 92 e seguintes) A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 13.10.2011, alegando, em síntese: · A finalidade da norma instituidora do benefício fiscal foi desonerar a cadeia produtiva para incrementar a exportação, portanto, somente podem constar do cálculo para apuração do crédito presumido do IPI Fl. 267DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 260 4 as receitas estritamente relacionadas ao processo industrial, excluindose aquelas dissociadas de tal processo, tais como as receitas de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros sem passar por qualquer processo de industrialização, as receitas de serviços e as receitas do vapor [produto NT que sequer possui classificação fiscal]; · O conceito de receita contido na Lei nº 10.276/2001, seja para definição da receita bruta seja para a definição da receita de exportação não pode ser outro senão a receita vinculada ao processo de industrialização; • a própria RFB já reconheceu o equívoco ao editar a IN SRF nº 420/2004, que adequadamente define o conceito de receita operacional bruta, nele incluindo somente o produto da venda de produtos industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados interno e externo; · Não se pode adotar duas interpretações diversas para uma única norma legal, sendo certo que o conceito correto é aquele definido na IN SRF nº 420/2004, que deve ser aplicada de forma retroativa, por se tratar de mero ato normativo de caráter interpretativo, nos termos do art. 106 do CTN; ó a propósito do Frete, defende a possibilidade da sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido, acrescido ao custo de aquisição dos insumos utilizados no processo de industrialização, sob os seguintes argumentos, em síntese: • a base de cálculo do crédito presumido definida no art. 1º, §1º, da Lei nº 10.276/2001 é composta pelo somatório dos custos de aquisição dos insumos (MP, PI e ME), de energia elétrica e de combustível; · O valor do frete pago quando da aquisição dos insumos destinados ao processo de industrialização compõe o custo de aquisição; • nesse sentido o próprio art. 18 da IN SRF nº 69/2001, citado no parecer/despacho decisório como fundamento para vedar a inclusão do frete na base de cálculo do crédito presumido, esclarece que o valor do frete, quando atrelado à aquisição de insumos, deve ser considerado no cálculo do crédito presumido, sendo, portanto, desprovida de fundamento a manifestação da autoridade administrativa, revelandose tal decisum, no mínimo, teratológico; · Não prevalecem dúvidas no âmbito do CARF de que o valor do frete, quando vinculado à aquisição de insumos, como é o caso dos autos, deve compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 10.276/2001; ó requer, ao final, a reforma do despacho decisório, uma vez que o crédito presumido vindicado é no todo correto e adequado, estando em consonância com a Lei nº 10.276/2001 e a jurisprudência pátria (TRF4 e CARF); ó protesta por todos os meios de prova admitidos, mormente a produção de prova documental adicional que se faça necessária. Da Decisão de 1ª Instância Fl. 268DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 261 5 Sobreveio Acórdão 0941.263 (fls 152 e seguintes), exarado pela 3ª Turma da DRJ/JFA, em 14.09.2012, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 04.12.2012 (fl. 168), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. I RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Integram a receita operacional bruta, nos termos da legislação de regência, as receitas de revenda e de prestação de serviços, situação essa somente alterada a partir da entrada em vigor do §12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 24/03/2003, através do qual deixaram de ser incluídas as referidas receitas na apuração da receita operacional bruta para efeito de cálculo do crédito presumido. II GASTOS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE (FRETE). Somente integra a base de cálculo do crédito presumido o valor do frete relativo às aquisições de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na produção, cobrado do adquirente (incluído no preço do produto), e, ainda, o valor do frete pago a terceiros em que o transporte for efetuado por pessoa jurídica contribuinte de PIS/Pasep e da Cofins com o conhecimento de transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 I JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação, mas, tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. II CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre o ressarcimento de créditos de IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS E DOCUMENTOS. A interposição da impugnação instaura o litígio e consubstancia o momento processual adequado para a apresentação das razões e das provas escritas em que se fundamenta, admitindose, excepcionalmente, a juntada de novos documentos escritos em momento posterior somente nas hipóteses de que tratam os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (acrescentados pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97), não aplicáveis ao caso em pauta. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 262 6 IIÔNUS DA PROVA. Ao peticionário cumpre a instrução dos autos e o ônus da prova de suas alegações, respaldado nos respectivos documentos fiscais e contábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acordão ocorreu em 04.12.2012 e o Recurso Voluntário foi protocolado em 05.11.2012 (fls 172 e seguintes), e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; pelo que lhe tomo conhecimento. Do Mérito O núcleo da questão em litígio se limita a definir, nos termos da legislação de regência, quais receitas devem ser inclusas no cálculo do fator de crédito presumido de IPI, na modalidade prevista na Lei Federal 10.276/2001, bem como avaliar qual é a definição de custo de produção, sobre o qual é aplicado o mencionado fator a fim de se encontrar o montante do incentivo fiscal. Delimitado o escopo dessa análise, teço breves considerações acerca do crédito presumido de IPI apurado com base no custo de exportação de produtos industrializados. O crédito presumido de IPI calculado no regime de custo de exportação foi previsto na Lei Federal 10.276/2001, conforme abaixo: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Fl. 270DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 263 7 Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I De aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II Correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I O quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II O valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. (...) Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a contar de sua regulamentação pela Secretaria da Receita Federal. O referido fator de crédito é calculado da seguinte forma F = 0,0365 x Rx / (Rt C) Onde: F é o fator; Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; e C é o custo de produção (soma de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno, utilizados no processo produtivo de produtos destinados à exportação) Vejam que o artigo 3º condicionou a eficácia do incentivo à sua regulamentação pela Receita Federal, o que foi feito em 08.08.2001, com a edição da Instrução Normativa SRF 69/2001, que se mantinha vigente à época dos fatos ensejadores do crédito presumido contestado. Nesse ato normativo, esclareceuse alguns conceitos importantes que serão analisados adiante – especialmente os conceitos referentes a: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 264 8 (a) Receita Operacional Bruta: Art. 21. Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: I Receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; (b) Custo de Produção: Art. 6º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no art. 1º: I de aquisição, no mercado interno, de insumos correspondentes a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados no processo produtivo; II de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno, utilizados no processo produtivo; III correspondente ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. A Recorrente alega que a adoção da Instrução Normativa teria ferido o “espírito da norma”, ao restringir indevidamente o valor do crédito presumido ao assumir conceito igualmente restritos e que interfeririam no cálculo do fator acima delineado, bem como na base do custo de produção sobre o qual o fator será aplicado. Ocorre que a referida Instrução Normativa revestese de norma regulamentar expedida por órgão vinculado à autoridade cuja lei ordinária que concedeu o incentivo fiscal estipulou ser aquela responsável pela sua regulamentação, de modo que seus termos devem ser respeitados conforme previsto no artigo 100, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse sentido, a despeito do extenso arrazoado da Recorrente, não vejo no caso, qualquer conflito entre o conteúdo da Instrução Normativa e da citada lei federal. Dito isso, é necessário avaliar o pleito da Recorrente à luz de ambas as normas e não somente da própria Lei Federal 10.276/2001. Com isso em mente, não há como aceitar a pretensão da Recorrente, no que tange ao conceito de receita operacional bruta, de excluir desse cálculo o montante registrado das demais receitas operacionais alheias à atividade industrial. Isso porque a definição acima transcrita da Instrução Normativa não deixa a menor dúvida que devem ser consideradas “o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia”, não havendo espaço para interpretações finalísticas no caso, em função de haver menção expressa na Instrução Normativa em outro sentido, sem essa última conflitar em nada com a lei de regência por seu absoluto silêncio normativo com relação a tal definição. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 265 9 Por outro lado, a Recorrente entende que os valores de frete dispendidos na aquisição de insumos que compõem o custo de produção de mercadorias por ela fabricadas para exportação deveriam compor a base de cálculo do crédito presumido por igualmente integrarem o custo de produção. Com relação a esse item, a Instrução Normativa é clara, no seu artigo 18, pela sua inclusão, assistindo, portanto, razão à Recorrente nesse particular. Vejamos: Art. 18. Para efeito do cálculo do crédito presumido, o ICMS não será excluído dos custos das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem, da energia elétrica e dos combustíveis, bem assim os valores do frete e seguro, desde que cobrados ao adquirente. Essa foi, inclusive, o entendimento da decisão ora recorrida que, porém, entendeu que houve carência probatória por parte da Recorrente, eis que, até aquele momento, não havia apresentado documentos comprobatórios que os valores de frete que pretendia incluir na base de cálculo do crédito presumido eram referentes aos demais custos de matériaprima, do produto intermediário, do material de embalagem, da energia elétrica e dos combustíveis, referentes aos produtos exportados: Sendo assim, se a vinculação vem expressa na própria nota fiscal de aquisição (de MP, PI ou ME, frisese), ou se o conhecimento de transporte mencionála, o frete deve integrar a base de cálculo do crédito presumido. Considerandose a orientação retro mencionada, para ter direito à inclusão do frete pago na aquisição de MP, PI e ME na base de cálculo do crédito presumido necessária se faz a comprovação da sua inclusão na nota fiscal de aquisição dos insumos ou da vinculação entre os conhecimentos de transporte e as notas fiscais de aquisição, o que não restou demonstrado nos autos. De fato, compulsando o inteiro teor do processo, a Recorrente nunca pareceu se preocupar em instruílo com a documentação comprobatória do seu crédito; não há documentos fiscais, faturas ou outros meios de prova mínimos que possam suscitar diligência por esse Colegiado, nos termos do artigo 16, parágrafo 1º, do Decreto Federal 70.235/1972. Nem mesmo em fase recursal, houve esmero em municiar o relator de evidências que auxiliassem no suporte probatório de suas alegações e do montante do direito creditório pretendido, ainda que expressamente mencionado no Acórdão recorrido. Diante disso, apesar de reconhecer o direito à inclusão dos valores de fretes de aquisição de insumos de mercadorias produzidas pela Recorrente para exportação na base de cálculo do crédito presumido, nego sua pretensão recursal por absoluta carência probatória. Como decorrência lógica, inexistindo qualquer montante de crédito, resta prejudicado o pleito da Recorrente com relação à atualização de créditos escriturais pela Taxa SELIC. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 18239.000879/200746 Acórdão n.º 3401005.427 S3C4T1 Fl. 266 10 (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.000382/99-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
PRAZOS PROCESSUAIS. NORMA APLICÁVEL.
A norma aplicável para contagem de prazos processuais no processo administrativo fiscal é o artigo 5º do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Casto Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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NORMA APLICÁVEL. A norma aplicável para contagem de prazos processuais no processo administrativo fiscal é o artigo 5º do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Casto Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 03 82 /9 9- 41 Fl. 636DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: A contribuinte retroidentificada apresentou, em 18/08/1999, pedido de restituição c/c pedidos de compensação, referente a indébito de Finsocial recolhido em alíquotas superiores a 0,5%, nos períodos de apuração de setembro/89 a março/92 (fls. 03/05). O direito creditório postulado originase de decisão judicial proferida nos autos da Apelação Cível nº 93.01.017938, transitada em julgado, na qual fora reconhecido o direito de a Autora recolher o Finsocial à alíquota de 0.5% (cópia fls. 20/22). A Interessada fez juntar cópias de depósitos judiciais efetuados nos autos (fls. 23/26). O demonstrativo de conversão/levantamento, juntado na fl. 29 deste processo administrativo, aponta apenas um único depósito judicial efetuado pela Manifestante, na data de 13/04/1992. Conforme Alvará de Levantamento constante da fls. 35/36, apenas 25% desse depósito foi convertido em renda, em favor da União. O DARF de conversão foi juntado na fl. 37. Ao proceder à análise deste processo administrativo, a DRF Sete Lagoas/MG houve por bem indeferir o pedido de restituição e não homologar as compensações efetivadas (Despacho Decisório de fls. 111/112), sob os seguintes argumentos: 1) A decisão judicial embasadora do pedido não reconhece o direito à compensação dos valores de Finsocial recolhidos indevidamente, mas apenas dispensa a Contribuinte de recolher a contribuição em alíquotas superiores a 0,5%. 2) O pedido de restituição/compensação foi manejado após o decurso de mais de 05 (anos) dos respectivos pagamentos. De tal sorte que o direito à repetição encontrase fulminado pela prescrição, conforme disposto nos artigos art. 165, inc. I e art. 168, inc, I, ambos do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966). A Interessada foi devidamente cientificada dessa decisão em 23/04/2003 (fls. 113/114). Não resignada, apresentou em 02/05/2003, a manifestação de inconformidade de fls. 115/122. Referido recurso foi apreciado pela DRJ/Belo HorizonteMG, mediante Acórdão DRJ/BHR Nº 04.082, de 28 de julho de 2003 (fls. 125/130), assim ementado: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: Finsocial. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13609.000382/9941 Acórdão n.º 3201004.665 S3C2T1 Fl. 3 3 O prazo prescricional para pleitear a restituição/compensação extinguese em cinco anos, contados do pagamento do crédito tributário. Solicitação Indeferida Contudo, essa decisão foi revista pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial é de 5 anos, contado de 12/6/98, data de publicação da Medida Provisória n' 1.62136/98, que, de forma definitiva, trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de reconhecer o direito e possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. Recurso a que se dá provimento, para determinar o retorno do processo à DRJ para exame do mérito. (Acórdão nº 30131.813, de 13 de maio de 2005 – Terceiro Conselho de Contribuintes – Primeira Câmara) A íntegra desse julgado consta das fls. 149/161 deste processo. A União opôs embargos de declaração ao julgado (fls. 163/165), mas os mesmos tiveram provimento negado, em 09 de dezembro de 2005 (vejase íntegra da decisão, fls. 167/171). Interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, mediante Acórdão nº 0305.704 (fls. 213/219), assim se posicionou : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Pedido de Restituição: 18/08/1999 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Fl. 638DF CARF MF 4 PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 30131.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado. Insistindo na contenda, a Fazenda Nacional aviou Recurso Extraordinário, julgado em 29 de agosto de 2012, conforme Acórdão nº 9900000.722 (fls. 489/498), cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). (Acórdão nº 9900000.722, de 29 de agosto de 2012 – Câmara Superior de Recursos Fiscais) Em cumprimento ao acórdão de recurso extraordinário, a unidade jurisdicionante emitiu novo Despacho Decisório (nº 068/2016), através do qual foi reconhecido à Contribuinte um crédito de Finsocial no montante de R$ 11.535,95 (atualizado até 31/12/1995) e homologadas as compensações pretendidas, até o limite desse crédito (fls. 522/524). Nas fls. 533/534, a DRF/Sete Lagoas fez juntar um despacho que trata dos cálculos de compensação e conclui remanescer saldo devedor de débitos (R$ 6.490.00, em valores originais), em face da insuficiência do direito creditório apurado. A Interessada foi cientificada do Despacho Decisório nº 068/2016 em 04/05/2016 (fls. 543/544). Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13609.000382/9941 Acórdão n.º 3201004.665 S3C2T1 Fl. 4 5 Uma vez mais, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 546 e seguintes), com fito de ver reformada a nova decisão administrativa. No mencionado recurso consta carimbo de recepção datado de 07/06/2016 (fl. 546). Contudo, o exame das fls. 552/553 permite concluir que a manifestação de inconformidade fora, de fato, encaminhada via postal e a data de postagem que consta do carimbo aposto pelos Correios, é o dia 06/06/2016 (fl. 552). Os argumentos expostos na manifestação de inconformidade são, em síntese, os seguintes: Preliminarmente argúi a tempestividade do recurso aviado, alegando que, tendo recebido o despacho decisório em 09/05/2016, seu prazo esgotarseia em 06/06/2016; o que foi providenciado. O litígio instaurado se resume à forma de apuração do direito creditório vindicado. Em seus cálculos, a Manifestante corrigiu o crédito com base na data de apuração da diferença, ao passo que a RFB corrigiu o indébito após o pagamento. A metodologia adotada pela Requerente encontra respaldo na legislação e na jurisprudência. A data do fato gerador é a base para calcular o prazo prescricional e também a correção monetária incidente nos tributos pagos indevidamente. Desta forma, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade, para que se determine novo cálculo relativo à correção do Finsocial pago a maior. A 1ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão 0272.758, de 11/04/2017, decidiu pela intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não a conhecendo. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 640DF CARF MF 6 Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a empresa sustenta a aplicação supletiva e subsidiária do novo CPC, e seu artigo 219, para que a contagem dos prazos se dê somente pelos dias úteis, para que então a Manifestação de Inconformidade possa ser conhecida pela instância a quo. Defende, no mérito, divergência de cálculo do valor a restituir de Finsocial. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo. Embora a Impugnação não tenha sido conhecida pela primeira instância, é cabível a análise do Recurso, em vista do amplo direito de defesa, e ausência de vedação legal. Com efeito, no CPC existe a figura do agravo de instrumento para tais casos; não obstante a inexistência dessa figura no PAF, a aplicação subsidiária do CPC ao PAF1 autoriza o reexame do juízo de conhecimento da primeira instância, por esta Turma do Carf, visto que, caso contrário, restaria decisão irrecorrível. Não obstante, este voto tratará somente da questão preliminar enfrentada pelo acórdão recorrido, e, se ultrapassada a preliminar, o processo será devolvido à instância a quo para nova decisão. Em outras palavras, todo o mérito do Recurso Voluntário, passível de conhecimento, nesta ocasião, se restringe ao juízo de conhecimento. No entanto, as razões da recorrente para a admissão da Manifestação de Inconformidade não podem prevalecer. No recurso, a empresa não contesta a ultrapassagem do prazo de 30 dias previsto no PAF, mas invoca o artigo 219 do CPC, pedindo pela sua aplicação supletiva: Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computarseão somente os dias úteis. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase somente aos prazos processuais. Decerto que o CPC tem aplicação no PAF, como se reconheceu neste próprio voto, para admitir o Recurso Voluntário. Todavia, a aplicação supletiva ou subsidiária não tem prevalência sobre as normas específicas do PAF. O PAF tem tratamento específico para a contagem dos prazos, o artigo 5º: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 1 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 13609.000382/9941 Acórdão n.º 3201004.665 S3C2T1 Fl. 5 7 Desse modo, não há lacuna no PAF que possa ser preenchida pela aplicação supletiva ou subsidiária do CPC. Nem se pode dizer que haja conflito de normas, posto que aqui fica bastante clara a prevalência do princípio da especificidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 642DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720204/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IPI. CRÉDITOS. INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS "NT". IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 20, não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
ALEGAÇÃO DE REFORMATIO IN PEJUS. INOCORRÊNCIA.
Para verificar se ocorreu o agravamento da situação jurídica do recorrente, deve-se comparar sua situação anterior à apresentação do recurso com aquela imediatamente posterior à decisão definitiva na instância administrativa em que se alega ocorrida a reformatio in pejus.
Numero da decisão: 3401-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não restar superado o limite de alçada, na forma da Súmula CARF 103; (ii) por unanimidade de votos, em afastar a alegação recursal de decadência; e (iii) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antônio Souza Soares - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente) e Rosaldo Trevisan (presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IPI. CRÉDITOS. INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS "NT". IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 20, não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. ALEGAÇÃO DE REFORMATIO IN PEJUS. INOCORRÊNCIA. Para verificar se ocorreu o agravamento da situação jurídica do recorrente, deve-se comparar sua situação anterior à apresentação do recurso com aquela imediatamente posterior à decisão definitiva na instância administrativa em que se alega ocorrida a reformatio in pejus.
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A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$2.500.000,00, referente a exoneração de “pagamento de tributos e encargos de multa”. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IPI. CRÉDITOS. INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS "NT". IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 20, não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. ALEGAÇÃO DE REFORMATIO IN PEJUS. INOCORRÊNCIA. Para verificar se ocorreu o agravamento da situação jurídica do recorrente, devese comparar sua situação anterior à apresentação do recurso com aquela imediatamente posterior à decisão definitiva na instância administrativa em que se alega ocorrida a reformatio in pejus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 04 /2 01 3- 95 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 697 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não restar superado o limite de alçada, na forma da Súmula CARF 103; (ii) por unanimidade de votos, em afastar a alegação recursal de decadência; e (iii) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Lazaro Antônio Souza Soares Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente) e Rosaldo Trevisan (presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 411 a 429, lavrado em 22/08/2013, com o objetivo de formalizar a cobrança de IPI referente ao período de apuração compreendido entre 01/04/2008 e 31/12/2009, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 9.001.252,82. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 411 a 429, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou, diante da apuração e classificação dos créditos de IPI escriturados, falta de destaque do IPI em várias saídas, o que teve implicação sobre os saldos credores apurados; a autoridade fiscal apurou, ainda, os créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, e efetuou a reconstituição da escrita fiscal da Interessada 3. A contribuinte apresentou, em 11/10/2013, a impugnação, na qual argumentou, em síntese: (i) decadência de parte do crédito tributário, sustentando que os fatos geradores compreendidos entre 30 de abril e 31 de julho de 2008 seriam anteriores ao prazo do Fl. 697DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 698 3 art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, não sendo possível a exigência de tributo e multa e refazer a escrita fiscal em relação a tais períodos; (ii) que baseou sua interpretação no Ato Declaratório Interpretativo Cosit n 5/2006 e na Instrução Normativa SRF nº 33/1999, relativamente à imunidade constitucional dos produtos derivados de petróleo, instrumentos normativos dos quais derivam o direito à manutenção dos créditos decorrentes de insumos aplicados na industrialização de produtos imunes; (iii) impossibilidade da aplicação retroativa da nova interpretação; (iv) ter direito ao crédito de IPI, no caso de insumos empregados na fabricação de produtos imunes, uma vez que a anulação do crédito implicaria esvaziamento da imunidade constitucional. 4. Em 27/07/2015, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1459.235, situado às fls. 560 a 579, de relatoria do AuditorFiscal José Antonio Francisco, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às entradas do produto "tambor metálico", constante do demonstrativo situado às fls. 96 a 323, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO EM RELAÇÃO A PRODUTOS NÃO DERIVADOS DO PETRÓLEO. NÃO CONTESTAÇÃO. Tornase definitiva a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte na manifestação de inconformidade. SALDO CREDOR INICIAL. REDUÇÃO A ZERO EM PROCEDIMENTO CONSTANTE DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Mantida, no julgamento do processo próprio, a redução a zero do saldo de créditos, aplicase, pelo princípio da decorrência, aquele resultado ao processo em análise. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. INEXISTÊNCIA. PRAZO. Na falta de constatação de pagamentos antecipados efetuados pelo sujeito passivo, nos termos previstos no Regulamento do IPI, o prazo decadencial para lançamento do IPI é contado na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. APLICAÇÃO DO ART. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 699 4 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN E INTERPRETAÇÃO SUPERADA. Descabe o afastamento da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora, relativamente à observância de norma complementar de direito tributário já superada administrativa e judicialmente, à época do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM EMPREGADOS EM PRODUTOS IMUNES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO. A impossibilidade de manutenção de créditos, relativamente a entradas de insumos empregados em produtos imunes, é questão pacifica no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e resolvida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento de recurso repetitivo. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. Em prestígio ao princípio da hierarquia e da vinculação, não cabe aos órgãos administrativos negar aplicação aos atos normativos expedidos regularmente. A imunidade relativa aos derivados de petróleo restringese aos hidrocarbonetos decorrentes do refino. A indicação de uma alíquota aplicável de 5% ao produto demonstra absoluta e inequivocamente que o Decreto que regulamenta o IPI entendeu ser o produto tributável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Diante da exoneração do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e art. 1º da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 6. Em 10/05/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1460.487, situado às fls. 582 a 605, de relatoria do AuditorFiscal José Antonio Francisco, com a finalidade de revisar de ofício erro na apuração dos valores mantidos no Acórdão DRJ nº 1459.235, que entendeu, por unanimidade de votos, ratificar a procedência em parte da impugnação, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 699DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 700 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 ACÓRDÃO ANTERIOR. ERRO MATERIAL NA DEMONSTRAÇÃO DOS VALORES MANTIDOS. REVISÃO POR NOVO ACÓRDÃO. Erro na apuração dos valores mantidos em acórdão anterior deve ser corrigido por meio da emissão de novo acórdão. FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO EM RELAÇÃO A PRODUTOS NÃO DERIVADOS DO PETRÓLEO. NÃO CONTESTAÇÃO. Tornase definitiva a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte na manifestação de inconformidade. SALDO CREDOR INICIAL. REDUÇÃO A ZERO EM PROCEDIMENTO CONSTANTE DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Mantida, no julgamento do processo próprio, a redução a zero do saldo de créditos, aplicase, pelo princípio da decorrência, aquele resultado ao processo em análise. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. INEXISTÊNCIA. PRAZO. Na falta de constatação de pagamentos antecipados efetuados pelo sujeito passivo, nos termos previstos no Regulamento do IPI, o prazo decadencial para lançamento do IPI é contado na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. APLICAÇÃO DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INTERPRETAÇÃO SUPERADA. Descabe o afastamento da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora, relativamente à observância de norma complementar de direito 7. A contribuinte, intimada da decisão em 25/05/2016, pela abertura dos arquivos correspondentes ao termo de intimação nº 144/2016, situado à fl. 606, que se refere ao Acórdão DRJ nº 1460.487 (segundo acórdão proferido), no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 611, Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 701 6 interpôs, em 24/06/2016, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 613, recurso voluntário, situado às fls. 638 a 665, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tais como aquelas de vedação ao confisco, proporcionalidade, razoabilidade e princípio da não cumulatividade do IPI, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 10. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto neste particular. 12. Os débitos em apreço não lançados em notas fiscais e apurados pela autoridade fiscal se referem ao período de apuração compreendido entre 01º/04/2008 a 31/12/2009, tendo sido o auto de infração lavrado em 22/08/2013, tendo sido desconsiderados créditos em razão (i) de CFOPs incompatíveis, (ii) divergência de alíquota e (iii) insumos empregados na fabricação de produtos não tributados, este último contestado pela contribuinte que, preliminarmente, alega a decadência em relação à "reconstituição da escrita" (sic), o que implica a análise do lustro decadencial tanto da glosa de créditos pelos motivos acima descortinados como dos débitos. 13. Nos termos do art. 124 do RIPI/2002, considerase pagamento (i) o recolhimento do saldo devedor após dedução dos créditos admitidos, no período de apuração do imposto, e (ii) a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos Fl. 701DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 702 7 admitidos, sem resultar saldo a recolher. Por outro lado, o art. 129 do diploma regulamentar dispõe que o direito de constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador no caso de antecipação do pagamento do imposto com superveniência de nãohomologação, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, deslocando a decisão para o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo poderia ter tomado a iniciativa do lançamento, consoante preceptivo do inciso I do art. 173 do diploma de estatura complementar. 14. No caso em apreço, a escrituração dos créditos indevidos não representa pagamento antecipado, não havendo aplicação do § 4º do art. 150, e tampouco do inciso I do art. 173, uma vez que o lançamento somente é efetuado com relação aos débitos, e não aos créditos. A glosa apenas se aperfeiçoa diante da constatação de que os créditos acumulados deixaram de absorver os débitos correspondentes a eles imputados, o que guarda similitude com a apuração do imposto sobre a renda incidente sobre o lucro inflacionário diferido de que trata a Súmula CARF nº 10 e, logo, há de se afastar a alegação de decadência da apuração de créditos que implicou alteração na reconstituição da escrita e consequente constatação de débito a recolher. 15. Diversa é a discussão que atine aos débitos, o que direciona a decisão para a questão referente à existência ou não de pagamento antecipado. Neste sentido, como afirma a recorrente, houve crédito de IPI apurado e escriturado entre abril e julho de 2008. Contudo, uma vez que o crédito escriturado foi reduzido pela glosa correspondente, não se configura pagamento antecipado na forma prevista pelo inciso I do art. 124 do RIPI, que considera apenas a dedução dos créditos efetivamente "admitidos", tratandose, portanto, de caso diverso daquele tratado no Acórdão CARF nº 3401004.009, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, julgado em 28/09/2017, em que havia pagamentos (créditos admitidos). É possível se discordar eventualmente da norma e de seus efeitos, mas o fato é que esta é a dicção legal, que não pode ser ignorada pelo aplicador. E, uma vez que, após as glosas, sobejaram apenas débitos, não houve pagamento antecipado nos termos do inciso III do art. 124 do regulamento, aplicandose, à espécie, o inciso I do art. 129 do RIPI/2002, que aponta para o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, não se operando, portanto, a decadência. 16. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 17. Aponta a contribuinte ter ocorrido reformatio in pejus, uma vez que, no primeiro julgamento realizado pelo julgador a quo, o Acórdão DRJ nº 1459.235, houve reversão da glosa de crédito referente ao tambor metálico, sendo mantido o valor de IPI de R$1.973.483,47 e consectários legais, sendo que, em seguida, procedeuse a novo julgamento, que teve por consequência a manutenção do valor em R$4.143.449,02. Em primeiro lugar, há de se afastar a alegação de reforma decorrente da prolação do segundo acórdão com relação àquele que o antecedeu, pois, como se denota do relatório que integra a presente assentada, a contribuinte foi intimada em 25/05/2016 pela abertura dos arquivos correspondentes ao termo de intimação nº 144/2016, situado à fl. 606, que se refere ao Acórdão DRJ nº 1460.487 (segundo acórdão proferido), e não ao primeiro que, para todos os efeitos, uma vez que não se encontra notícia nos autos de dele ter tido ciência a contribuinte em data anterior à de 25/05/2016, deve ser considerado como juridicamente inexistente. Assim, a alegação de reforma deve ter como parâmetro a acusação fiscal concretizada pelo lançamento de ofício corporificado no auto de infração. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 703 8 18. Tanto o termo de verificação fiscal como a decisão recorrida identificam a prática de duas infrações cometidas pela contribuinte: (i) IPI não lançado (não destacado) em nota fiscal; e (ii) creditamento indevido, referente a estorno de saldo inicial, glosa de créditos aplicados em produtos NT e glosa de créditos calculados em desacordo com a classificação fiscal. Contudo, apenas a primeira infração foi objeto de lançamento de ofício no auto ora combalido: apesar de a escrita reconstituída ter implicado saldo devedor de R$6.608.832,31, o lançamento se limitou a R$4.143.449,02 (infração apurada). A diferença, no montante de R$2.465.383,29, referese justamente às glosas de créditos, justamente o que motivou a prolação do segundo acórdão por parte do julgador de primeiro piso. Assim, ainda que correta a decisão ao bem identificar que tais valores deveriam ter sido objeto de lançamento, tal não ocorreu e, por decorrência do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, mereceriam lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento complementar, mas jamais revisão ex officio pela autoridade julgadora que, despida da competência fiscalizatória, pratica função jurisdicional atípica e, logo, ao proceder à complementação do auto, incorre na previsão do inciso I do art. 59 da norma em referência. 19. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário neste particular. 20. Quanto à manutenção dos créditos de IPI, discutese a aplicação, à espécie, da disposição da Súmula CARF nº 20, no sentido de que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como "NT". De fato, a imunidade difere das previsões veiculadas pelo art. 11 da Lei nº 9.779/1999 (isenção ou alíquota zero). Contudo, a opção pela notação "NT" abre espaço para que se suscite a dúvida sobre a extensão da expressão desinente e, assim, necessário se buscar a interpretação da Administração a tal respeito, o que se encontra corporificado no art. 4º da Instrução Normativa nº 33/1999, que estabelece que o direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI, nas específicas condições do art. 11 da norma de 1999 acima mencionado, "(...) decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999". Neste sentido, as seguintes soluções de consulta: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 704 9 21. Observase ser perfeitamente possível a superação do entendimento veiculado pela própria Administração por meio da Instrução Normativa de 1999 e demais enunciados acima, como se buscou fazer por meio da edição do inciso II do § 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 05/2006, não havendo, ademais, que se falar em violação à vedação do art. 146 do Código Tributário Nacional vez que os fatos geradores apurados são com relação a ele posteriores, mas ocorre que tal postura não se coaduna com a expressa disposição do § 2º do art. 195 do RIPI/2002, que dispõe de maneira textual: o saldo credor decorrente da aquisição de tais insumos aplicados na industrialização "(...) inclusive do produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes". O julgador de primeira instância administrativa poderia expressar sua discordância com relação às normas em referência, como ademais fez com correção e propriedade, mas jamais poderia ignorálas, como se inexistentes fossem. 22. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário neste particular. 23. Alega a contribuinte em suas razões recursais estar o aplicador diante de regra de imunidade, nos termos do §3º do art. 155 da Constituição de 1988 com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 33/1993, que estabelece a impossibilidade de cobrança do IPI sobre derivados do petróleo nos seguintes termos: Constituição de 1988 – Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II [ICMS] do caput deste artigo e o art. 153, I e II [tributos aduaneiros], nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País – (seleção, grifos e colchetes nossos). 24. Assim, estáse diante de imunidade do tipo objetiva: salvo no caso de ICMS ou de tributos aduaneiros, escapa da competência do Estado a cobrança de quaisquer outros impostos sobre aqueles produtos derivados do petróleo. Tratase, assim, da aplicação em concreto da imunidade prevista no inciso IV do art. 18 do RIPI/2002, que ecoa a disposição constitucional: Fl. 704DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 705 10 Decreto nº 4.544/2002 (RIPI) Art. 18. São imunes da incidência do imposto: (...) IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição, art. 155, § 3º). 25. A redação do decreto deve preservar o conteúdo normativo original dos dispositivos consolidados, tornandoos unicamente orgânicos e sistematizados, e não é diverso o objetivo do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI) que, por seu turno, deve se valer das especificações da TIPI, que não podem evidentemente se chocar com aquelas do regulamento, que consolida posição majoritária e, neste sentido, a tarefa dos regulamentos encontra fundamento na própria ordem constitucional, cujo art. 59, que se volta a tratar do processo legislativo, determina, em seu parágrafo único, que a lei complementar deverá dispor sobre a consolidação das leis, tarefa que coube ao art. 13 da Lei Complementar nº 95/1998. Assim, aos seguintes produtos, como derivados do petróleo, aplicase o inciso IV do art. 18 do RIPI/2002: 26. Assim, salvo nos casos das mercadorias classificadas sob o Código NCM nº 3923.30.00 e o Código NCM nº 7310.21.90, em que há devolução de material de embalagem sem destaque de IPI, questão tornada, ademais, incontroversa nas razões recursais, conforme informa a própria contribuinte, não procede a acusação de falta de destaque do IPI das mercadorias classificadas sob o: (i) Código NCM nº 2710.19.93 (óleo para isolamento elétrico), (ii) Código NCM nº 3403.19.00 (lubrificante), (iii) Código NCM nº 3820.00.00 (fluido para radiadores), (iv) Código NCM nº 2710.19.99 (lubrificante) e (v) Código NCM nº 3819.00.00 (fluido para freios), pois produtos derivados do petróleo (imunes): Fl. 705DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 706 11 27. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário neste particular. 28. Aduz a contribuinte que o saldo credor correspondente se encontra em discussão no Processo Administrativo nº 15563.720215/201111, devendo tais processos serem reunidos. Observase que o pedido de reunião resta prejudicado, uma vez que o processo em referência já foi julgado por esta turma, que proferiu o Acórdão CARF nº 3401004.009, proferido em sessão de 28/09/2017, de relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, tendo o colegiado decidido: "(a) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF nº 103; (b) por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan; e (c) por unanimidade de votos, dar ao recurso voluntário provimento parcial, para reconhecer decadência, exclusivamente quanto aos débitos apurados em relação ao período de janeiro de 2006 a setembro de 2006, e para reconhecer a impossibilidade do aumento do valor da 'Multa IPI Não Lançado Com Cobertura De Crédito', além dos R$1.561.980,41, lançados originalmente", nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. ART 18, § 3º, DO RIPI. São imunes da incidência do imposto, derivados de petróleo, entendido como os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. Aplicase a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 707 12 Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63/17. SUMULA CARF Nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. RO Não Conhecido e RV Provido em Parte 29. Aduz a contribuinte, ainda, a necessidade de consideração das PER/DComp abaixo discriminadas, uma vez que existiriam créditos passíveis de ressarcimento se adotado o critério da autoridade fiscal: 30. Tais valores deverão ser considerados pela unidade na etapa de cumprimento do presente acórdão, após ulterior decisão passada em julgado. 31. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. 32. O recurso de ofício não supera o limite de alçada estabelecido na Portaria MF no 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00, e, por isso não deve ser conhecido, conforme Súmula CARF no 103, e artigo 34, I, do Decreto no 70.235/1972. 33. Portanto, não deve ser conhecido o recurso de ofício. 34. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário e por não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Fl. 707DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 708 13 Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Redator Designado. Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ouso dele discordar em relação às seguintes alegações do contribuinte: 1) ocorrência de reformatio in pejus; 2) direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como "NT". Sobre a primeira alegação, inicialmente, deve ser esclarecido que só ocorre a reformatio in pejus quando há o agravamento da situação jurídica do réu, em relação à acusação que lhe é feita (via auto de infração), em face de recurso interposto exclusivamente pela defesa. Entretanto, analisando os autos, verifico que tal agravamento, no presente caso, não ocorreu. Vejamos a alegação do recorrente, conforme os seguintes excertos do seu Recurso Voluntário: Neste período, nas efls. 1.373 o acórdão afirma que o contribuinte praticou duas infrações, mas apenas em relação a uma houve lançamento de ofício por meio do auto de infração e a outra foi indicada apenas no Termo de Verificação Fiscal, verbis: (...) Considerando que o acórdão julgava exclusivamente impugnação do contribuinte, não é possível que em recurso do contribuinte este veja sua situação piorada, por meio de novo lançamento, isto configura "reformatio in pejus", que não é admitida pela lei, nem pela jurisprudência. (...) Apesar da ocorrência da decadência, o acórdão recorrido efetuou "reformatio in pejus", inclusive efetuou um segundo julgamento para tanto. Isto é, houve dois julgamentos pela DRJ. O primeiro julgamento efetuado em 27/07/2015 (efls. 1.331 a 1.350) reverteu da glosa do crédito de tambor metálico, mantendo apenas o IPI no valor de R$ 1.973.483,47 e respectiva multa e 75% (R$ 1.480.112,57) TABELA 3. Contudo, de ofício, houve novo julgamento, em 10/05/2016 (efls. 1.355 1.378), a pretexto de sanar erro material, a DRJ efetuou o lançamento da segunda infração apurada no termo de Fl. 708DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 709 14 verificação fiscal, mas que deixou de ser lançada no auto de infração. Nesse sentido, o acórdão prossegue e esclarece que a diferença de R$2.465.383,29 que não foi lançada decorria da glosa de créditos. Apesar de reconhecer que esses R$ 2.465.383,29 decorrentes da glosa de créditos não foram lançados pelo Auto de Infração em 2012, a DRJ efetuou o lançamento de ofício enquanto julgava a impugnação do contribuinte. A consequência desse novo lançamento foi a alteração do 1º julgamento efetuado pela DRJ em 10/05/2015 no qual foi mantido o IPI no valor de R$ 1.973.483,47 para, no segundo julgamento ser exigido o valor de R$ 4.143.449,02 (tabela 3, e fls. 1.375). Contudo, a exigência deste novo valor decorrente do lançamento da 2ª infração (creditamento indevido) não pode ser feito por meio de acórdão da DRJ, devendo seguir a previsão do art. 18, §3° do Decreto 70.235/1972, que determina a lavratura de auto de infração complementar, verbis: (...) Ademais, não se admite em recurso do contribuinte a majoração da exação tributária, com a piora de sua situação, diante do Princípio Geral do Direito da Non Reformatio in Pejus, como se verifica na seguinte decisão do TRF2: Diante do exposto, caso não seja reconhecido integralmente os créditos postulados pela recorrente, deve ser mantido, no máximo o valor constante do primeiro acórdão da 8ª DRJ, de 27/07/2015, que havia mantido apenas a autuação de IPI no valor de R$1.973.483,47 e respectiva multa e 75% (R$1.480.112,57) TABELA 3 (efls. 1.349). Conforme se depreende dos trechos acima colacionados, o recorrente entendeu que a reformatio in pejus ocorreu quando da prolação do segundo acórdão, em relação ao primeiro. Contudo, essa questão já foi analisada pelo relator, que afastou a tese do recorrente, conforme se verifica no seguinte excerto do seu voto: Em primeiro lugar, há de se afastar a alegação de reforma decorrente da prolação do segundo acórdão com relação àquele que o antecedeu, pois, como se denota do relatório que integra a presente assentada, a contribuinte foi intimada em 25/05/2016 pela abertura dos arquivos correspondentes ao termo de intimação nº 144/2016, situado à fl. 606, que se refere ao Acórdão DRJ nº 1460.487 (segundo acórdão proferido), e não ao primeiro que, para todos os efeitos, uma vez que não se encontra notícia nos autos de dele ter tido ciência a contribuinte em data anterior à de 25/05/2016, deve ser considerado como juridicamente inexistente. Assim, a alegação de reforma deve ter como parâmetro a acusação fiscal concretizada pelo lançamento de ofício corporificado no auto de infração. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 710 15 Ocorre, no entanto, que o relator prossegue em seu voto entendendo que houve agravamento da situação jurídica do recorrente no "segundo" acórdão, em relação ao Auto de Infração. Apesar desta não ter sido a tese da defesa, tratase de matéria de ordem pública, que pode ser conhecida de oficio pelo relator; assim, quanto a este particular, não vislumbro qualquer mácula ao voto. Discordo, porém, de suas conclusões. Com efeito, o lançamento fiscal foi no valor de R$4.143.449,02 (valor do principal sem juros e multa), conforme tabela no Auto de Infração, à fl. 414. A decisão da DRJ, por sua vez, determinou que o valor principal devido seria de R$3.561.615,71, conforme o Demonstrativo de Débito da Intimação nº 144/2016, às fls. 607 e 608. Observese que o valor da autuação foi reduzido em todos os períodos de apuração. Logo, não há que se falar em " agravamento da situação jurídica do réu". Da mesma forma, totalmente improcedente a alegação do recorrente de que "a DRJ efetuou o lançamento da segunda infração apurada no termo de verificação fiscal, mas que deixou de ser lançada no auto de infração". Parece, em verdade, que o recorrente não compreendeu perfeitamente a decisão da DRJ, apesar da clareza exposta no acórdão. A decisão reverteu parte da glosa de créditos considerados indevidos, como se verifica no seguinte trecho do acórdão recorrido (fls. 1370/1371): Portanto, enquanto a posição 8309 referese a tampas, a posição 7310 referese aos reservatórios, barris e tambores, reforçando a alegação da Interessada. Conferindose o demonstrativo elaborado pela Fiscalização, de fato se confirma que o demonstrativo aplicou a classificação na posição 8309.9000. Em relação às empresas fornecedoras, listagem obtida pelo sistema Contágil permite comprovar que todas as saídas para o estabelecimento da Interessada correspondentes aos demonstrativos relativos às notas fiscais do produto "tambor met. oleo", com coincidência específica, conferida por amostragem, de número de nota fiscal, data de emissão, produto, valor e IPI, foram classificadas pelo emitente no código 7310.1090, conforme tabela abaixo: (...) Não se conseguiu obter informações completas sobre as notas fiscais, mas não há indícios de outras irregularidades. Comprovamse, portanto, as alegações da Interessada em relação ao produto "tambor metálico", uma vez que a alíquota constante da TIPI vigente à época dos fatos, para a posição 7310.10.90, era 5%. Como afirma o próprio recorrente, a autuação se deu unicamente sobre uma das duas infrações, a falta de lançamento (destaque) do IPI nas notas fiscais. Como a glosa revertida na decisão da DRJ era pertinente à segunda infração (créditos indevidos), não havia sido lançada no Auto de Infração. Apesar disso, a reinclusão destes créditos na escrita fiscal do contribuinte implica a alteração dos saldos devedores em cada período, sendo necessário refazer sua escrituração, a exemplo do que fez o AuditorFiscal no lançamento, para obter os Fl. 710DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 711 16 valores da atuação que devem ser mantidos. O acórdão foi bem didático neste sentido (fls. 1375/1378): Portanto, parte das glosas de créditos efetuadas não implicou apuração de IPI lançado no auto de infração. Consequentemente, o efeito que a procedência parcial da impugnação em exame terá sobre os valores de IPI lançado é a de postergar parte dos valores, de períodos que passaram a ter crédito maior, para períodos seguintes, quando o saldo de débitos acumulados anular os créditos. Dessa forma, em cada período de apuração, devese calcular as parcelas das glosas revertidas pelo presente acórdão que correspondem às glosas de créditos que não geraram IPI lançado no auto de infração, para que somente a diferença seja excluída do IPI lançado. Com essa finalidade, a tabela abaixo demonstra a apuração: (...) Dessa forma, a reversão das glosas de créditos reconhecidas no presente acórdão deve ser excluída primeiramente das diferenças entre os saldos devedores apurados e o IPI não lançado, uma vez que são diferenças não lançadas decorrentes diretamente das glosas de crédito. Dessa forma, os valores mantidos e cancelados são os seguintes: (...) Notese que tanto no lançamento original como nos valores acima mantidos, o total da infração efetivamente lançada (somente IPI não lançado em nota fiscal) gerou débitos relativos ao total da infração. Dessa forma, a multa por falta de lançamento de IPI em nota fiscal foi toda lançada de forma proporcional ao IPI lançado, não havendo lançamento dessa multa na forma isolada. A diferença fundamental entre as duas apurações é que, com a comprovação da legitimidade de parte dos créditos na impugnação de lançamento, tais créditos implicaram o diferimento dos saldos devedores mensais para períodos futuros. Como se sabe, no IPI, os valores devidos de imposto e que devem ser recolhidos por Darf são os saldos devedores. Assim, nem sempre nos meses em que ocorrem os fatos geradores do imposto aparecem saldos devedores, em razão dos créditos escriturados. Portanto, o que determina se e quando o IPI decorrente de um determinado fato gerador será pago é uma circunstância externa ao fato gerador, que são os créditos escriturados e legítimos. Vale dizer, há um descompasso entre o mês de ocorrência dos fatos geradores e o mês em que o IPI diretamente deles decorrente resulta na apuração de saldo devedor. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 712 17 O diferimento desses valores implica o deferimento parcial da impugnação de lançamento pelo fato de causar a redução dos juros de mora acumulados, resultando na exclusão de parte do débito total (imposto, multa e juros de mora) originalmente lançado. Noutro sentido, o efeito do deferimento parcial da impugnação de lançamento apresentada pela Interessada foi apenas o diferimento parcial dos valores apurados para períodos seguintes. No último demonstrativo acima (tabela 5), os valores diferidos de períodos anteriores foram destacados em coluna própria, para deixar claro o efeito mencionado. O método de apuração do IPI, derivado na sistemática da não cumulatividade, não permite que a DRJ simplesmente subtraia do lançamento o valor da glosa revertida. E, neste caso, a situação é ainda pior, pois o valor da glosa revertida sequer chegou a ser lançado (por motivos desconhecidos), fato incontroverso nos autos. É necessário o refazimento da escrita fiscal, para obtenção dos novos saldos, credores ou devedores. Como se observa, a alegação de "novo lançamento de ofício realizado por meio de acórdão" é completamente descabida, não havendo nenhum trecho da decisão recorrida que possa sequer dar azo a tal interpretação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário em relação a este pedido. Em relação à segunda alegação, como bem observado no Acórdão recorrido, o próprio crédito básico, cuja base legal reside no art. 11 da Lei nº 9.779/99, só existe quando apurado sobre as aquisições de insumos "aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero", estando excluída a industrialização de "produtos NT": Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Isso porque se o produto é nãotributado, ele está fora do campo de incidência do imposto, não havendo que se cogitar da atuação do princípio da não cumulatividade. Ressaltese que o parágrafo único do art. 2° do RIPI/2002, com base legal no art. 6º da Lei nº 10.451, de 10/05/2002, ao dispor sobre o campo de incidência do IPI, assim estabelece: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações Fl. 712DF CARF MF Processo nº 15563.720204/201395 Acórdão n.º 3401005.459 S3C4T1 Fl. 713 18 constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, Artigo 6º). De qualquer sorte, o tema já se encontra pacificado em âmbito administrativo desde a edição da Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário em relação a este pedido. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 713DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660249/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/08/2001
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/08/2001 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 49 /2 01 1- 25 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.227, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.660249/201125 Acórdão n.º 3201004.023 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901596/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/08/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.586
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 96 /2 01 3- 44 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.901596/201344 Acórdão n.º 3401005.586 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.243. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.901596/201344 Acórdão n.º 3401005.586 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.901596/201344 Acórdão n.º 3401005.586 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901596/201344 Acórdão n.º 3401005.586 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901596/201344 Acórdão n.º 3401005.586 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901596/201344 Acórdão n.º 3401005.586 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 329DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.000971/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. VENDAS NO MERCADO INTERNO. RECOF.
Os créditos de Cofins Importação apurados em relação à nacionalização de bens ou insumos importados sob o regime do RECOF somente podem ser aproveitados por desconto da contribuição devida no mercado interno, não sendo incluídos no montante passível de rateio proporcional às receitas de exportação para determinação da parcela de crédito aproveitável por compensação ou ressarcimento, tendo em vista que as contribuições somente incidiram sobre a importação porque o produto resultante foi destinado ao mercado nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. VENDAS NO MERCADO INTERNO. RECOF. Os créditos de Cofins Importação apurados em relação à nacionalização de bens ou insumos importados sob o regime do RECOF somente podem ser aproveitados por desconto da contribuição devida no mercado interno, não sendo incluídos no montante passível de rateio proporcional às receitas de exportação para determinação da parcela de crédito aproveitável por compensação ou ressarcimento, tendo em vista que as contribuições somente incidiram sobre a importação porque o produto resultante foi destinado ao mercado nacional. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 09 71 /2 00 5- 86 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) referente a créditos da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa relacionados a receitas de exportação. A Fiscalização homologou em parte a compensação, não reconhecendo o direito creditório quanto ao crédito presumido calculado sobre o estoque de abertura, dada a inclusão na base de cálculo do valor do ICMS, e aos créditos apurados na importação submetida ao RECOF de insumos utilizados na industrialização de produtos que não tiveram sua exportação realizada: Segundo a Fiscalização, as contribuições somente seriam devidas na importação caso o produto final fosse nacionalizado, não podendo, portanto, o custo pela importação integrar a base de cálculo do rateio de despesas comuns às receitas do mercado interno e de exportação, isto porque este custo relacionase à nacionalização do produto e o crédito de PIS e Cofins só poderia ser utilizado para deduzir o débito das próprias contribuições devidas ao auferir receita do mercado interno. Intimado do despacho decisório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para se contrapor à glosa relativa aos créditos apurados na importação submetida ao RECOF, dada a destinação do produto ao mercado nacional, admitindo o equívoco ocorrido na apuração do crédito presumido calculado sobre o estoque de abertura, quitando o débito relativo a essa parte e juntando aos autos o comprovante de recolhimento. Os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte podem ser assim sintetizados: a) o § 2º do art. 6° da Lei n° 10.833/2003 expressamente estabelece que o crédito poderá ser mantido integralmente em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação, observado, contudo, a metodologia de cálculo prevista nos §§ 7º e 8° do art. 3° da Lei 10.833/2003, ou seja, a apropriação direta ou rateio proporcional, neste último caso, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, possibilitando a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB; b) no momento da importação, sob o regime aduaneiro RECOF, os insumos poderiam integrar a fabricação de produtos destinados ao mercado nacional e internacional, sendo apenas possível identificar o seu exato destino quando da ocasião da venda do produto final ao qual foi incorporado; c) os produtos importados fazem parte do estoque de insumos sem qualquer vinculação ao tipo de receita a ser auferida, compondo o custo comum de produção, não sendo possível fazer a apropriação direta do custo do insumo a determinado tipo de receita ainda não auferida; Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 4 3 d) não se pode afirmar que antes da saída da mercadoria havia vinculação do custo do insumo ao produto destinado ao mercado interno. Como o custo de produção é comum e como o regime de apuração é mensal, somente através do rateio proporcional entre receitas no mercado interno e externo é que o crédito da contribuição poderá ser calculado e apropriado; e) o auditorfiscal interpretou incorretamente a legislação, ao mencionar um critério para cálculo dos créditos da contribuição, vinculando o crédito ao tipo de receita auferida, pois contribuinte está enquadrado no regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Cofins e auferir, concomitantemente, receitas no mercado interno e externo, permite calcular o crédito com base no rateio proporcional; f) o art. 17 da Lei 11.033/2004 assegura a manutenção dos créditos das contribuições não cumulativas nos casos em que a receita bruta esteja desonerada por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições em questão; g) o art. 5º da Lei 10.637/2002 dispõe acerca da não incidência do PIS sobre receitas de exportação e permite a utilização dos créditos vinculados com estas receitas para compensação com débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, ou mesmo solicitar o ressarcimento em dinheiro; h) esse dispositivo, por seu § 3º, estabelece que esta possibilidade de compensação ou ressarcimento somente se aplica aos créditos vinculados aos dispêndios vinculados à receita de exportação, mas resta permitido o método de rateio destes encargos entre a receita não cumulativa e a receita total na forma dos §§ 8º e 9º do art. 3º, para fins de cálculo e apuração dos créditos; i) a manutenção do. crédito do PIS/Cofins está relacionada aos insumos, encargos e despesas vinculados a uma receita de venda de mercadoria para o exterior, cuja sistemática de cálculo está prevista no art. 6° c/c. os §§ 7° e 8° do art. 3° da Lei 10.833/2003, ou seja, o rateio proporcional do custo comum, entre receitas no mercado interno e externo; j) o rateio proporcional é utilizado porque em nenhum momento da importação e do despacho aduaneiro encontrase prevista norma, obrigação ou declaração atinente ao emprego que venha a ser efetivamente dado aos insumos, assim, os inúmeros e diversificados gastos realizados pela empresa são comuns às receitas do mercado interno e externo; k) o método de rateio proporcional utilizado impunhase como medida adequada para a implementação do direito à compensação do saldo credor das contribuições ao PIS e Cofins, o que torna incorreto o entendimento do auditorfiscal, no sentido de que os insumos importados no RECOF, utilizados na industrialização e tendo o produto final sido destinado ao mercado interno, deviam ter este encargo vinculado à receita específica de venda no mercado interno; l) anexou aos autos, com a manifestação, parecer do jurista José Eduardo Soares de Melo, para subsidiar a possibilidade de rateio proporcional dos encargos incorridos na importação de insumos; m) defendeu a aplicação do princípio da legalidade, pois o entendimento do auditor fiscal não tinha base legal, bem como a proteção do art. 100 do CTN, pois o Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 5 4 preenchimento do Dacon dessa forma, com o rateio proporcional dos encargos, foi elaborado de acordo com o manual, pleiteando, em razão disso, a exclusão dos juros e da multa. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 14055.109, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que os créditos apurados em relação à nacionalização de bens ou insumos importados sob o regime do RECOF somente poderiam ser aproveitados por desconto da contribuição devida, não sendo incluídos no montante passível de rateio proporcional para determinação da parcela de crédito aproveitável por compensação. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a declaração de nulidade da decisão de piso, reafirmando todos os argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade, acrescentando, apenas, um pedido de diligência fiscal para se confirmar se os custos na importação eram comuns às receitas de vendas no mercado interno e externo, tendo em vista as provas apresentadas (inclusive arquivos magnéticos). Segundo o Recorrente, a decisão guerreada não analisou as provas juntadas em sede de defesa, provas essas hábeis a comprovar a correção do procedimento adotado, pois seria atestado que parte do custo era vinculado à receita de exportação e parte destinado ao mercado interno. Assim os insumos importados foram aplicados na produção de produtos exportados, sendo correta a apuração por meio de rateio proporcional. Ainda de acordo com seu entendimento, a falta de análise dos documentos pela DRJ configurou cerceamento de defesa, pois, além de ignorar as provas, a decisão baseou se em premissa equivocada no sentido de que todos os insumos importados teriam sido utilizados na fabricação de produtos destinados à venda no mercado interno. Caso os documentos tivessem sido analisados, teria sido constatado que parte dos insumos importados havia sido utilizada na composição de produtos exportados. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.538, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.000969/200515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.538): O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos previstos na legislação. Realizado o breve relato acima, constatase que a discussão da causa reside na determinação da possibilidade de utilização dos custos e despesas Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 6 5 incorridas na importação de insumos sob o regime do RECOF na composição do cálculo de créditos de PIS pela metodologia do rateio para receitas vinculadas ao mercado interno e de exportação dos produtos industrializados em que tais insumos foram aplicados. Preliminarmente, no entanto, forçoso analisar o pedido de diligência fiscal e os argumentos de cerceamento de defesa e nulidade da r. decisão de piso, diante da falta de análise da documentação juntada com a manifestação de inconformidade. Afirma a Recorrente o gritante cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que a r. decisão fundamentase em premissa equivocada, no sentido de que todas as mercadorias importadas teriam sido destinadas ao mercado nacional, ignorando as provas apresentadas, as quais teriam o condão de demonstrar o erro de premissa, na medida em que houve efetiva exportação de mercadorias compostas por insumos importados ao amparo do RECOF, não se justificando o impedimento da utilização do crédito apurado e vinculado às receitas de exportação. Não prospera os argumentos de cerceamento de defesa, muito menos o requerimento de conversão do feito em diligência. Isso porque a acusação fiscal não é de que não houve exportação, mas sim de que houve a importação de insumos com suspensão de PIS, sob o amparo do regime RECOF, mas que foram destinados ao mercado nacional, o que afastou a suspensão e sujeitou ao recolhimento do PIS após a venda do produto industrializado no mercado interno. A r. decisão recorrida não afirmou que todos os insumos importados foram destinados ao mercado nacional, mas sim que todo o PIS recolhido em razão da importação teve como consequência da aplicação de um insumo importado em produto destinado ao mercado nacional. Perceba que a r. decisão recorrida afirmou algo completamente diverso. Como a Recorrente estava amparada pelo RECOF, realizava importação de insumos com suspensão de PIS, pois destinaria o produto daí resultante ao mercado internacional. Não se nega que houve exportações, tanto que se admite créditos vinculados à exportação no despacho decisório. O que se afirma, tanto no despacho decisório, quanto na r. decisão guerreada, é que em alguns casos houve recolhimento de PIS na importação em razão de o produto final ter sido destinado ao mercado nacional. Frisese, só houve recolhimento de PIS importação porque o produto resultante foi vendido no mercado nacional, já que os produtos exportados não tiveram tributação de PIS sobre a importação de seus insumos. Como a Recorrente era beneficiária do RECOF, significa dizer que todas as operações de importação em que foi recolhido PIS e COFINS, teve seu produto final destinado ao mercado nacional. Caso tivesse sido exportado, não haveria recolhimento das contribuições na exportação. Documentos que não serviram para formar a convicção do julgador para acolher o pleito da Recorrente não significa que não foram analisados. Os documentos juntados não serviram para infirmar a convicção do juízo de que os encargos de importação sujeitos ao pagamentos de PIS não poderiam ser incluídos no rateio proporcional, pois vinculados à receitas auferidas no mercado interno. Portanto, afasto os argumentos de cerceamento de defesa e de necessidade de diligência, não havendo que se falar em nulidade. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto aos créditos de PIS decorrentes da incidência na importação de insumos utilizados em produtos vendidos no mercado nacional e o RECOF Neste ponto, necessária uma digressão acerca da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS sobre as importações de bens e serviços. Com fundamento no art. 195, § 6º da Constituição, a possibilidade de tributar o consumo nas importações de bens e serviços decorre da adoção brasileira ao princípio do país de destino, conforme determinado no GATT do qual o Brasil é signatário, onde resta o compromisso de onerar com a carga tributária nacional as importações de bens e serviços e desonerar as exportações. Assim, a Lei º 10.865/2004 estabeleceu em seu art. 1º a incidência do PIS e da COFINS sobre a importação de bens ou serviços do exterior. Para caso em análise, importação de insumos, o fato gerador de importar bens é considerado como ocorrido e as contribuições devidas quando da entrada destes bens estrangeiros no território nacional, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.865/2004. Para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo das contribuições, o art. 15 autoriza a apuração de crédito das contribuições em razão das importações sujeitas à incidência destas contribuições, verbis: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (grifei) O que se pretende destacar neste início é que o PIS é devido na importação de bens quando da sua entrada no território nacional, mas que para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo é possível a apuração de crédito decorrente desta incidência, caso o bem importado seja utilizado como insumo na produção de produto destinado à venda. No verso da importação, há a exportação de produtos. Nesta hipótese, as receitas auferidas na exportação são desoneradas da tributação nos termos do art. 149 da Constituição e art. 5º, I da Lei º 10.637/2002. Para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo e para que estas exportações sejam realmente desoneradas, o art. 5º, § 1º, (bem como o art. 17 da Lei 11.033/2004), admite a manutenção dos créditos de PIS e COFINS apurados em razão da incidência destas contribuições nas despesas e encargos incorridos na aquisição de insumos vinculados às receitas de exportação para sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, inclusive de outros tributos administrados pela RFB. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 8 7 Assim, a legislação estabelece alguns requisitos: a) para apropriação do crédito deve haver a incidência da contribuição ao PIS na entrada do insumo, conforme art. 15 da Lei 10.685/2004 e art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.637/2002; b) para a manutenção do crédito e compensação com outros tributos administrados pela RFB, estes encargos tributados na entrada devem estar vinculados à saída, isto é, receitas de exportação. Para os casos em que se sabe da possibilidade de grande volume de insumos importados serem aplicados em produtos destinados à exportação, e para evitar a incidência das contribuições na importação e o acúmulo de grande volume de créditos a compensar ou ressarcir em razão das subsequentes exportações, a legislação estabelece alguns regimes especiais, como o RECOF. Com o permissivo legal presente no art. 93 do DecretoLei nº 37/1966 foi publicado o Decreto nº 2.412/1997 para instituir o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, um regime especial que permite importar, com suspensão do pagamento de tributos, as mercadorias a serem submetidas à operação de industrialização de produtos destinados à exportação, nos termos de seu art. 2º, podendo as mercadorias serem importadas com ou sem cobertura cambial. Assim, as pessoas jurídicas que atendam os requisitos do RECOF, poderão importar insumos com suspensão do pagamento dos tributos incidentes pelo prazo de um ano, para integrálos na industrialização de seus produtos que tenham como destino o exterior. Atendidos os requisitos para a obtenção da autorização de operar com este regime especial, o sujeito passivo fica submetido a controle aduaneiro para fins de apuração mensal do destino das mercadorias importadas. Caso alguma destas mercadorias importadas tenham como destino o mercado interno, o art. 10 estabelece que os tributos sobre a importação que estavam suspensos devem ser recolhidos no mês seguinte ao desta verificação de seu destino. Na época dos fatos, estava vigente a Instrução Normativa SRF nº 417/2004 que previa a regulamentação do RECOF, tratando inclusive dos requisitos para habilitação, previa que o regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação. O regime especial RECOF é extinto no caso de exportação dos produtos, completando seu ciclo, porém, caso o produto final, ou mesmo o insumo importado, tenham como destino uma alienação no mercado nacional, o sujeito passivo deve recolher os tributos suspensos devidos por ocasião da importação, dentre eles o PIS importação, até o quinto dia útil do mês subsequente ao da destinação (leiase: alienação no mercado interno). Também é devido este recolhimento do tributo caso o prazo de permanência do insumo no Brasil sem sua remessa ao exterior se expire. Pois bem, in casu, a Recorrente estava autorizada, pelo Ato Declaratório Executivo SRF n° 8, de 18.03.2004, DOU de 19.03.2004, a operar o regime Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 9 8 aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo). Desta feita, quando das importações dos insumos, nenhum PIS ou COFINS devidos pela importação foi recolhido pela Recorrente, pois suspensos pela aplicação do RECOF. Com isto, não há que se falar em inclusão destes custos e despesas como encargos comuns incorridos pela pessoa jurídica para fins de apuração de crédito das contribuições. Isso porque, como mencionado, para a apuração de crédito de PIS e COFINS é requisito que na entrada, no caso, na importação, tenha havido a incidência do tributo, nos termo do art. 3º, § 2º, II da Lei 10.637/2002, bem como art. 15 da Lei 10.865/2004. Não há nem mesmo que se falar do art. 17 da Lei 11.003/2004, pois, repetindo, a manutenção do crédito sobre estas despesas de insumos importados só tem cabimento quando houver a incidência das contribuições nesta importação, o que não é o caso. O PIS sobre a importação, que estava suspenso, só foi recolhido no mês seguinte à destinação do produto industrializado ao mercado nacional. Portanto, não há guarida para os argumentos da Recorrente no sentido de que, quando das importações, não se sabe o destino do insumo, daí porque todos estes encargos são comuns devendo compor o montante de despesas para fins de apuração de crédito. Também não podem compor o método de rateio proporcional à receita total para fins de escrituração do crédito vinculado à exportação. O cenário é diferente. Quando da importação do insumo não se sabia seu destino exato se seria exportado ou não. Mas a importação estava com tributação suspensa em razão do RECOF. O PIS importação só foi devido quando se soube, efetivamente, o destino dos produtos industrializados. Em síntese, quando da importação, tais insumos não sofreram incidência, portanto, estes gastos não podem ser considerados para fins de compor a base de cálculo dos créditos de PIS. Ademais, este PIS importação dos insumos só foi recolhido algum tempo depois da importação, melhor dizendo, só foram recolhidos depois que este insumo foi utilizado na produção de um produto industrializado e somente no mês seguinte em que este produto teve como destino o mercado nacional. Assim, esta despesa de importação e, consequentemente, o PIS importação incidente sobre esta despesa só foi devido porque o produto foi destinado ao mercado interno, portanto, este encargo está vinculado a uma receita auferida em operações de venda no mercado interno. Assim, resta evidente que este encargo não pode compor a base de cálculo de créditos de PIS vinculados às receitas de exportação, pelo método do rateio proporcional ou não, irrelevante, pois este rateio proporcional é permitido pela legislação e utilizado pelo contribuinte para fins de facilitar o cálculo quando há encargos comuns tributados pelas contribuições e que tenham a possibilidade de se vincularem à receitas de exportação. Se o produto foi exportado, nada foi devido de PIS importação sobre as importações de insumos, pois amparado pelo RECOF. Por sua vez, se o produto teve como destino o mercado nacional, somente após este destino que aquele PIS importação, antes suspenso, será recolhido. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13888.000971/200586 Acórdão n.º 3301005.539 S3C3T1 Fl. 10 9 Desta feita, estes insumos importados sob o amparo do RECOF com a suspensão do PIS não estão sujeitos ao cálculo de créditos neste momento. Quando o produto for exportado, o regime especial se extingue, sem nada de PIS a recolher pela importação. Quando o produto é destinado ao mercado interno, o PIS importação suspenso deve ser recolhido, podendo ser apurado, a partir de então, o crédito de PIS para fins de se descontar das próprias contribuições devidas no mercado interno. Estes créditos não podem compor os montantes de créditos vinculados à exportação, nem mesmo por rateio, porque o PIS só foi devido porque o produto foi destinado ao mercado interno. Assim, este crédito está vinculado às receitas auferidas no mercado interno, não podendo, portanto, serem utilizados para ressarcimento ou compensação com outros tributos. Não se nega o direito ao crédito sobre esta incidência na importação, o que se nega é sua possibilidade de vinculálos à receita de exportação. Assim, este crédito ora glosado ainda pode ser mantido, mas para dedução dos débitos das próprias contribuições. Isto posto, conheço do recuso voluntário, mas nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 347DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722732/2016-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO.
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, quando caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa-veículo" para transferência do ágio à incorporadora.
Numero da decisão: 1402-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício, devendo os autos retornar ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes na peça impugnatória, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberto Gouveia Sampaio.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, quando caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresaveículo" para transferência do ágio à incorporadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício, devendo os autos retornar ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes na peça impugnatória, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberto Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 27 32 /2 01 6- 38 Fl. 2432DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício interposto em face de decisão proferida pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou PROCEDENTE, integralmente, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Em virtude do valor do crédito tributário exonerado na decisão a quo, cabe o RECURSO DE OFÍCIO nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. Da autuação: Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente ao anocalendário de 2011. A Fiscalização efetuou glosa de despesas de amortização de ágio vinculado a investimentos em empresas do mesmo grupo. Não houve exigência de tributo porque o contribuinte continuou a apresentar resultado negativo, mesmo após a glosa efetuada. Contudo, houve a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. O montante autuado foi de R$ 19.637.051,18. Por bem retratar a descrição dos eventos que motivaram a autuação fiscal, transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo: O Termo de Verificação de Fiscal, de fls. 1.188 a 1.217, depois de apresentar histórico dos procedimentos, destacando as intimações para o contribuinte apresentar as justificativas e comprovação, delimita as infrações apuradas, conforme excertos a seguir transcritos. “1 Do contribuinte A empresa fiscalizada é pessoa jurídica de direito privado, na forma de sociedade anônima, integra o Grupo Gerdau e tem suas receitas provenientes principalmente de investimentos em coligadas e controladas. Tem por objeto: (a) a participação no capital de sociedades com atividades de indústria e comércio de produtos siderúrgicos ou metalúrgicos, com usinas integradas ou não a portos, bem como em outras empresas e consórcios industriais, inclusive atividades de pesquisa, lavra, industrialização e comercialização de minérios, elaboração, Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.433 3 execução e administração de projetos de florestamento e reflorestamento, bem como de comércio, exportação e importação de bens, de transformação de florestas em carvão vegetal, de transporte de bens de sua indústria e de atividades de operador portuário, de que trata a Lei nº 8.630 de 25.02.93; e b) a exploração da indústria e do comércio, inclusive por representação, importação e exportação de aço, ferro e produtos correlatos. 2 Do escopo da ação fiscal: A ação fiscal de que trata o presente termo teve por objeto a verificação quanto ao cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL) nos períodos de apuração encerrados no anocalendário de 2011, especificamente quanto aos fatos relacionados a operações de reestruturação societária em sequência com geração e aproveitamento fiscal de ágio na aquisição de participação societária na empresa Ação Villares S/A. A citada reorganização societária envolveu, além da Gerdau S.A. e da Aços Villares S.A. CNPJ 60.664.810/000174, as seguintes pessoas jurídicas vinculadas ao Grupo Gerdau: Metalúrgica Gerdau S.A. CNPJ 92.690.783/000109; Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda. CNPJ 87.153.730/000100; Gerdau Açominas S.A. CNPJ 17.227.422/000105; Prontofer Serviços de Construção Ltda. CNPJ 02.951.631/000111 e Gerdau BG Participações S.A. CNPJ 00.183.938/000194. 3 Da auditoria Neste tópico, detalha todos os procedimentos adotados no curso da fiscalização. 4 Breve abordagem sobre ágio em investimentos Apresenta considerações sobre os conceitos e a legislação pertinente à matéria. 5 Da análise da situação fática Demonstra a sequência dos eventos societários e tece as considerações sobre os fatos apurados, a saber. 1º Evento: 09/06/2008 – Surgimento do ágio (DOC 02) Metalúrgica Gerdau S/A adquire 28,9% da participação na Aços Villares do BNDESPAR por R$ 1.302.803.028,00, através da emissão de debêntures, apurando um ágio de R$ 1.042.585.644,74 2º Evento: 30/11/2010 – 6ª Alteração contratual da Prontofer (DOC 03) Fl. 2434DF CARF MF 4 Os Sócios da empresa Prontofer Serviços de Construção Ltda. (02.951.631/000111), Gerdau Açominas (17.227.422/000105) e Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda. (87.153.730/000100), aumentam o capital social de R$ 15.790,00 para R$ 1.656.790,00 com emissão de novas cotas totalmente subscritas e integralizadas pela Gerdau Açominas mediante capitalização dos depósitos para Futuro Aumento de Capital. O Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda permanece na sociedade com 1 cota = R$1,00; Ato contínuo, a Gerdau Açominas faz a cessão integral das suas cotas (Instrumento particular) para Metalúrgica Gerdau (92.690.783/000109); pelo valor de R$ 4.804,74. (DOC 04) Metalúrgica Gerdau e Grupo Gerdau Empreendimentos aumentam o capital social da PRONTOFER para R$ 1.323.727.666,00, com a emissão de novas cotas no valor de R$ 1,00 totalmente subscritas e integralizadas pela Metalúrgica Gerdau mediante o aporte de 1.427.990.051 ações ordinárias de Aços Villares S/A, correspondentes à sua participação de 28,88% naquela empresa. 3º Evento: 30/11/2010 7ª Alteração contratual da Prontofer (DOC 05) A Gerdau BG Participações S.A., empresa do grupo Gerdau, ingressa na sociedade mediante aumento de capital nela feito pela Metalúrgica Gerdau com sua participação na Prontofer, cuja participação societária passa a ter a seguinte composição: (...) 4º Evento: 30/12/2010 – Incorporação da Prontofer por Gerdau S.A e, em seguida, Incorporação da Aços Villares por Gerdau S.A (DOC 06 e 07) O Patrimônio líquido da Prontofer foi incorporado pela Gerdau S/A com aumento de seu capital social e emissão de novas ações por Gerdau aos sócios de Prontofer, pelo seu valor patrimonial contábil em 30/11/2010 (auditado pela empresa Deloitte) e, ato contínuo, a empresa Aços Villares foi incorporada pela Gerdau S/A, que já possuía 58,44% do capital social da Aços Villares. A incorporação foi realizada com novo aumento de capital social da Gerdau S/A e emissão de novas ações aos demais acionistas da Aços Villares (minoritários). No caso aqui analisado, a empresar GERDAU S/A incorporou a AÇOS VILLARES S/A com aproveitamento do ágio de R$ 990.456.362,03 por expectativa de rentabilidade futura. O ágio inicial foi gerado numa operação válida, entre as partes independentes – Metalúrgica Gerdau S.A. e BNDESPAR, com efetivo desembolso de numerário. Ocorre que, num segundo momento, via subscrição de ações, a participação societária na Aços Villares S.A. foi transferida para uma empresa veículo Prontofer Serviços de Construção Ltda. que foi incorporada por outra empresa do grupo – Gerdau S.A., que ato contínuo incorporou a Aços Villares S.A. e passou a amortizar o ágio. A empresa Prontofer Serviços de Construção Ltda. foi criada em 15/10/1998 por duas empresas do Grupo Gerdau: Comercial Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.434 5 Gerdau Ltda. e Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda (DOC 08). Posteriormente, em 26/02/1999 a Comercial Gerdau Ltda. foi incorporada pela Gerdau S.A. que passou a deter as cotas dessa empresa (DOC 09). O capital social da empresa foi reduzido em 31/08/2000, tendo passado de R$ 1.060.140,00 para R$ 15.790,00 (DOC 10). Em 28/11/2003, a Gerdau S.A. cedeu e transferiu suas 15.789 quotas para a empresa Laminadora do Sul S.A., que foi incorporada pela Gerdau Açominas S.A., que passou então a ser a sócia majoritária da Prontofer Serviços de Construção Ltda (DOC 11). A Prontofer Serviços de Construção Ltda. apresentou atividade econômica apenas nos dois primeiros anos calendários de sua existência. A partir do ano calendário de 2001 registrou poucos lançamentos contábeis, sendo nenhum deles relacionado a qualquer atividade comercial ou industrial. Os raros lançamentos contábeis por ela registrados dizem respeito a mútuos com empresas coligadas, juros, IOF, e impostos diferidos (IR e CSLL). Além disso, não possuía empregados e não pagou qualquer remuneração aos seus sóciosadministradores, conforme se verifica nos lançamentos contábeis (DOC 12 a 21), e pesquisa no sistema de arrecadação DATAPREV, onde só constam GFIPs sem movimento para todo período (DOC 22)”. A operação de “transferência” do ágio teve início com a 6ª alteração contratual da Prontofer Serviços de Construção Ltda., em 30/11/2010 (DOC 03), quando foi feito um aumento do capital social, mediante a capitalização do saldo de depósitos para futuro aumento de capital pela Gerdau Açominas S.A, que passou de ínfimos R$ 15.790,00 para R$ 1.656.790,00, que, ato contínuo, cedeu e transferiu suas cotas para a Metalúrgica Gerdau S.A pelo valor irrisório de R$ 4.804,74 (DOC 04). Salta à vista que essa operação de cessão de um patrimônio de mais de um milhão e meio de reais por um valor inferior a cinco mil reais, é contrária ao interesse da companhia Gerdau Açominas, visando atender apenas ao interesse econômico do Grupo Gerdau, não sendo crível que a Gerdau Açominas celebrasse tal operação com um terceiro que não pertencesse ao referido grupo econômico. Ainda na 6ª alteração contratual, foi feito um aumento do capital social da Prontofer Serviços de Construção Ltda. de R$ 1.656.790,00 (um milhão, seiscentos e cinquenta e seis mil, setecentos e noventa reais) para R$ 1.323.727.665,00 (um bilhão, trezentos e vinte e três milhões, setecentos e vinte e sete mil, seiscentos e sessenta e cinco reais) totalmente subscrito e integralizado pela nova sócia Metalúrgica Gerdau S.A., mediante aporte de 1.427.990.051 ações ordinárias do capital social da Aços Villares S.A. Na 7ª alteração contratual (DOC 05) de Prontofer Serviços de Construção Ltda., de 30/11/2010 (mesma data da 6ª Alteração Contratual), a Metalúrgica Gerdau S.A. cede e transfere suas cotas para a Gerdau BG Participações S.A. mediante a subscrição e integralização do capital desta última com sua Fl. 2436DF CARF MF 6 participação na Prontofer Serviços de Construção Ltda., transferindo, consequentemente, pela segunda vez a participação na Aços Villares S.A. para outra empresa do Grupo, que tem participação de 100% da Metalúrgica Gerdau S.A. Após a análise do conjunto de atos societários e comerciais que culminaram na aparente transferência do ágio à fiscalizada – GERDAU S.A., fica cristalino que jamais houve intenção de viabilizar a empresa veículo Prontofer Serviços de Construção Ltda. de sorte que esta pudesse conservar as ações da investida. Não houve nenhum propósito negocial ou motivação econômica na passagem das ações da Aços Villares S.A. para patrimônio da Prontofer Serviços de Construção Ltda. Essas ações só subsistiram no patrimônio da Prontofer Serviços de Construção Ltda. por exatos 30 dias, quando então, em 30/12/2010 foi levada à cabo a incorporação da Prontofer Serviços de Construção Ltda. pela Gerdau S.A., e ato contínuo, da Aços Villares S.A. (DOCs 06 e 07) Em suma, o que se verificou nesta transação comercial é que os atos envolvendo a empresa veículo, fundamentados em aparente legalidade, na realidade não apresentaram qualquer finalidade empresarial ou negocial. Quando os sóciosquotistas da Prontofer Serviços de Construção Ltda. aumentaram seu capital social com a emissão de 1.322.070.876 novas quotas no valor nominal de R$ 1,00, as mesmas foram totalmente subscritas e integralizadas pela Metalúrgica Gerdau S.A. mediante o aporte de 1.427.990.051 ações ordinárias do capital social de Aços Villares S.A. Atente se, que, foi neste exato momento que a Metalúrgica Gerdau S.A. realizou seu investimento na Aços Villares, pois se desfez deste investimento a fim de aumentar o capital social de outra empresa com sua participação na Aços Villares, passando então a ter o direito de amortizar esse ágio com efeitos tributários. Em situações como a descrita neste relatório a subscrição das quotas da Prontofer Serviços de Construção Ltda. com o aporte das ações de Aços Villares a correta aplicação dos princípios contábeis seria baixar o investimento anteriormente mantido pela Metalúrgica Gerdau na Aços Villares, e o correspondente ágio, podendo – ou não – ser gerado um ganho de capital para a Metalúrgica Gerdau S.A. (que no caso em tela não ocorreu). Dessa forma, depreendese claramente que o ágio eventualmente existente na Metalúrgica Gerdau não poderia ser transferido para a Prontofer Serviços de Construção Ltda., mas tão somente baixado do ativo Metalúrgica Gerdau S.A., reduzindo eventual ganho de capital na liquidação do investimento. As empresas envolvidas na incorporação devem ser, necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a investida adquirida, nesse caso a Metalúrgica Gerdau (adquirente) e a Aços Villares (investida). Portanto, os procedimentos societários e comerciais ora descritos envolvendo a empresa veículo só se prestaram a criar uma situação que Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.435 7 permitisse que uma empresa operacional pertencente ao mesmo grupo econômico pudesse amortizar o ágio. Em resumo, não há o que se falar na transferência do ágio decorrente da aquisição da participação na Aços Villares S.A. pela Metalúrgica Gerdau S.A., pois o próprio foi gerado legitimamente apenas na primeira transação, ocorrida em 09/06/2008, quando houve o respectivo pagamento/desembolso. O mesmo não ocorreu quando do aumento do capital social da Prontofer, em 30/11/2010, que recebeu as 1.427.990.051 ações da Aços Villares, sem qualquer desembolso. A única finalidade desse aumento de capital na Prontofer foi criar uma situação que permitisse que o ágio pago pela Aços Villares fosse aproveitado em outra empresa do grupo. Reforce se que a Prontofer Serviços de Construção Ltda. só subsistiu por um mês após receber essas ações, o que comprova que ela nada mais foi que um veículo para transferência desse ágio que posteriormente foi aproveitado através da sua incorporação pela Gerdau S.A. O ágio admitido pela contabilidade é aquele resultante de uma transação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas. Quando a operação societária da qual resulta o ágio é realizada intragrupo, a contabilidade não admite o seu reconhecimento. Com relação a isso, segue a transcrição do item 20.1.7. do Ofício Circular CVM/SNS/SEP nº 01/2007, que trata especificamente do ágio gerado em operações internas: (...) Notese que a operação societária da qual resultou a amortização do ágio tratado neste relatório foi realizada intragrupo, isto é, entre partes relacionadas, ou seja, avaliadora e avaliada são do mesmo grupo econômico, conforme se depreende da estrutura societária apresentada nos organogramas apresentados anteriormente neste item. Na realidade, a Metalúrgica Gerdau S.A. manteve, ainda que indiretamente, sua participação na Aços Villares S.A. adquirida com ágio, durante toda a operação de reorganização que culminou com a Incorporação desta pela Gerdau S.A. É importante atentar para o fato de que o laudo de avaliação (DOC 23), no valor total de R$ 1.322.070.876,47, apresentado pela Metalúrgica Gerdau S.A. com o objetivo da subscrição e integralização do capital social da Prontofer Serviços de Construção Ltda. foi preparado por 3 funcionários da Gerdau Açominas S.A. (DOC 24), ou seja, do mesmo Grupo empresarial, para atender aos interesses do mesmo, qual seja, “transferir” e amortizar o ágio da Aços Villares S.A., conforme transcrito abaixo: (...) Não é mera coincidência que o ágio apurado nessa transação corresponda exatamente ao saldo do ágio não amortizado pela Fl. 2438DF CARF MF 8 Metalúrgica Gerdau S/A constante em sua contabilidade na data da integralização do aumento de capital na Prontofer, qual seja exatos R$ 990.456.362,50. No presente caso, não resta dúvida de que o aproveitamento tributário do ágio da Aços Villares S.A. pela Gerdau S.A. foi resultado de uma montagem jurídica efetuada mediante a prática de operações estruturadas em sequência e com a utilização de empresa veículo. Em outras palavras, para usufruir do benefício fiscal concedido pelos artigos 7º e 8º da lei 9.532/97, fezse uso de empresa veículo. Assim verificouse o uso distorcido dos referidos comandos legais, que não contemplam uma terceira empresa no processo de reorganização societária, não admitindo, portanto, operações trianguladas com o uso de empresa veículo 6 Do lançamento: Diante de todo o exposto, restou comprovado de forma inequívoca a apuração artificial de ágio em operações de reestruturação societária intragrupo, feitas em sequência e com o uso de empresa veículo. Diante disso, ficam glosadas, no presente ato, as deduções do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL relativas à amortização do ágio da Aços Villares S.A. pela Gerdau S.A. no ano calendário de 2011. Resumindo, ficam glosados os lançamentos contábeis transcritos a seguir, relativos às amortizações mensais de ágio no ano calendário de 2011, incluídos nos itens do RTT no cálculo do Lucro Real, conforme LALUR (DOC 25) perfazendo uma glosa total de R$ 198.091.272,36. 6.1 Da multa pelo não recolhimento do irpj e da csll por estimativa: A consequente glosa das despesas de juros calculadas sobre os bônus e o lançamento da diferença de variação cambial positiva implica dizer que a fiscalizada deixou de recolher aos cofres públicos valores relativos a antecipações obrigatórias do IRPJ e CSLL. 7 Do encerramento: 7.1. Da retificação do Saldo dos Prejuízos Fiscais e Base Negativa de CSLL Considerando a existência de um saldo de prejuízo acumulado e de base negativa da CSLL no período fiscalizado, a auditora fiscal ao lavrar o presente auto de infração utilizou esses saldos e recalculou o valor devido pela empresa considerando a limitação do percentual de 30% do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL recalculados considerando a nova base de cálculo. Diante disso, fica o contribuinte, neste ato, intimado a retificar os registros de Prejuízos Fiscais e de Base Negativa de CSLL do ano calendário de 2011, ajustando o saldo a compensar em conformidade com o demonstrativo de apuração gerado no presente auto de infração.” Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.436 9 Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Nos tópicos 1 a 3, a peça de defesa apresenta considerações sobre a tempestividade, impugnação conjunta de todos os autos de infração e histórico dos procedimentos fiscais, concluindo: “Em síntese, são duas as razões pelas quais os AUTOS glosaram a amortização de despesas com o ágio pago pelo GRUPO GERDAU na aquisição de 28,88% de VILLARES: (i) suposta ausência de propósito negocial na utilização de "empresa veículo" que teria sido envolvida em operações societárias com o fim exclusivo de propiciar economia tributária; e (ii) alegada impossibilidade de registro de ágio por ocasião da transferência dos investimentos em VILLARES a PRONTOFER por se tratar de operação realizada dentro do mesmo grupo societário.” 4. Da Improcedência da glosa das despesas com amortização de ágio Assevera que a aquisição de investimentos em Villares pelo Grupo Gerdau, ocorrida em 2008, teve como objetivo o fortalecimento das operações do referido grupo no mercado de aços especiais, como uma etapa necessária não só à simplificação de sua estrutura societária como também ao aumento da eficiência operacional. Tece considerações sobre o instituto e legislação pertinentes ao ágio, e assinala: “No entanto, a fiscalização rejeita os efeitos dos dispositivos acima mencionados à incorporação de VILLARES pela IMPUGNANTE, em razão de uma alegada artificialidade das operações implementadas pelo GRUPO GERDAU, que teriam servido ao “uso distorcido dos referidos comandos legais.” Destaca que existem muitos procedimentos fiscais sobre a utilização de empresas “veículos”, mas isso não ocorre no presente caso. Registra que a própria fiscalização implicitamente admite que nenhuma crítica poderia ser feita ao aproveitamento fiscal do ágio, caso a impugnante tivesse adquirido diretamente as ações de VILLARES. Entende que, no caso concreto, a desconsideração dos efeitos da reestruturação implementada no GRUPO GERDAU após a aquisição das ações de VILLARES jamais poderia resultar na lavratura dos autos de infração. Tece considerações sobre as características e peculiaridades das operações com o BNDESPAR e destaca: “A aquisição das ações representativas de 28,88% do capital social de VILLARES seria, portanto, originalmente realizada pela IMPUGNANTE, que a incorporou em seguida, exatamente Fl. 2440DF CARF MF 10 nas condições em que a fiscalização reconhece que o aproveitamento fiscal do ágio não poderia ser questionado.” Ocorre, contudo, que a emissão de debêntures conversíveis em ações por parte da IMPUGNANTE, à época da aquisição de VILLARES, seria inconveniente, em razão de estar em curso um processo de Oferta Pública de Distribuição Primária de Ações Ordinárias e Preferenciais ("OFERTA PÚBLICA") inclusive com emissão e American Depositary Receipts ("ADR") que havia sido aprovado em março de 2008 (consoante Fato Relevante às fls. 986) e que tinha por base os indicadores financeiros à época existentes para os fins a que se destinava: adequação de sua estrutura de capital. Ou seja, a emissão de debêntures conversíveis em ações por parte da IMPUGNANTE alteraria as bases nas quais a OFERTA PÚBLICA foi aprovada e retardaria a colocação das ações. Além do fato acima mencionado, seria complexa a adequação da preservação do direito de preferência dos acionistas da IMPUGNANTE relacionados à conversibilidade das debentures com a OFERTA PÚBLICA. Diante dos inconvenientes acima mencionados e da inexistência de impeditivos para que METALÚRGICA emitisse debêntures não conversíveis com cláusula de permutabilidade por ações preferenciais da IMPUGNANTE1, a utilização de recursos econômicos pelo GRUPO GERDAU na aquisição das ações de VILLARES foi dividida em duas etapas: (i) emissão de debêntures por METALÚRGICA, com as referidas características; e (ii) posterior entrega de ações de emissão da IMPUGNANTE a METALÚRGICA, por meio de GERDAU BG, praticamente uma subsidiária integral da METALÚRGICA. Foi isso que ocorreu na reestruturação do GRUPO GERDAU, que foi engendrada de forma a produzir os mesmos resultados que produziria a aquisição direta de VILLARES pela IMPUGNANTE, inclusive evidentemente no que diz respeito ao aproveitamento fiscal do ágio. No que se refere ao item "ii" acima, como consequência da incorporação de PRONTOFER, a IMPUGNANTE emitiu novas ações ordinárias e preferenciais no montante total de R$ 1.322.075.681,00 (equivalente ao valor de PLC de PRONTOFER), as quais foram integralmente atribuídas aos acionistas de PRONTOFER (basicamente GERDAU BG). Como resultado da concentração do segmento de aços especiais na IMPUGNANTE, ela entregou ações de sua emissão a GERDAU BG, ou seja, a METALÚRGICA, indiretamente. Assim, os investimentos representativos de 28,88% do capital de VILLARES chegaram à IMPUGNANTE à sociedade que deveria têlos adquirido diretamente em contrapartida da emissão de ações, entregues à METALÚRGICA para que ela recuperasse os custos incorridos na aquisição das ações de VILLARES transferidas a GERDAU. Em última análise, 1 Enquanto que a OFERTA PÚBLICA foi aprovada para adequar a estrutura de capitais da IMPUGNANTE, o aumento de capital de METALÚRGICA também objeto de Oferta Pública de Distribuição Primária , por outro lado, havia sido dimensionado exclusivamente para atender a seu direito de preferência na subscrição de ações a serem emitidas pela IMPUGNANTE no âmbito da OFERTA PÚBLICA._ Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.437 11 portanto, o ônus econômico da aquisição de investimentos em VILLARES foi suportado pela IMPUGNANTE. Assim, a aquisição das ações de VILLARES por METALÚRGICA seguida de uma série de operações, dentre elas a transferência desse investimento a PRONTOFER, se deu justamente para contornar os momentâneos inconvenientes negociais da aquisição direta dos investimentos pela IMPUGNANTE. A reestruturação fez com que o GRUPO GERDAU ficasse na situação que estaria se as ações de VILLARES tivessem sido, desde o início, adquiridas pela IMPUGNANTE, acaso não existissem todos os inconvenientes acima mencionados.” Acrescenta comentários sobre a legislação que rege a matéria, procedimentos de privatização, economia, decisões administrativas, etc, concluindo que: “Em suma, mesmo que tivesse sido utilizada com o único objetivo de propiciar o aproveitamento fiscal do ágio fato não ocorrido no caso concreto , PRONTOFER teria participado da reestruturação apenas para viabilizar o aproveitamento de vantagem fiscal expressamente autorizada por lei: a Lei n° 9.532/97. Muito embora não tenha sido este o caso, tal procedimento apenas refletiria uma opção pela utilização de tratamento fiscal expressamente disciplinado pela Lei n° 9.532/97.” Dando seqüência aos seus argumentos, aborda o que entende ter sido o segundo argumento utilizado pela fiscalização para glosar a dedutibilidade das despesas. “O segundo argumento utilizado pela fiscalização para glosar a dedutibilidade das despesas com amortização do ágio vinculado aos investimentos de VILLARES consiste na alegada impossibilidade do registro de ágio vinculado às ações de VILLARES por ocasião do aumento de capital de PRONTOFER em razão de se tratar de operação realizada intragrupo, nos termos do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 e da Orientação do Comitê de pronunciamentos Contábeis ("OCPC") n° 02, de 02.10.2009, inaplicáveis à situação em análise, como se verá adiante.” Reportandose a trecho do TVF quando a fiscalização recorre a Nota Explicativa da CVM, assinala: “A referida Nota Explicativa detalha os procedimentos que devem ser observados pelas companhias abertas nas reestruturações previstas pela Lei n° 9.532/97, com ênfase para as incorporações precedidas da criação de veículos, tendo atribuído valor específico à economia fiscal que, nas incorporações inversas, o controlador transfere à controlada. Ou seja, reconhece a existência de ágio nas operações do gênero e atribuilhe efeitos fiscais na subsequente incorporação do veículo. Fl. 2442DF CARF MF 12 Podese, assim, afirmar que a própria CVM, reconhece a legitimidade do registro de ágio por ocasião da transferência de investimentos a uma empresa veículo. E nem poderia ser diferente, uma vez que o registro do ágio atrelado às ações de VILLARES por ocasião de seu conferimento a PRONTOFER decorrem da própria aplicação do método de equivalência patrimonial ("MEP"). Com efeito, sob a perspectiva da pessoa jurídica que tem o capital aumentado (PRONTOFER, no caso), o custo de aquisição do ativo recebido equivale ao valor das ações emitidas (e entregues) ao subscritor, pois essas ações constituem a moeda de pagamento da transação. O OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 invocado pela fiscalização reconhece expressamente o acerto jurídico do registro do ágio por ocasião do recebimento de investimentos em realização de aumento de capital, ao afirmar que tais operações "atendem integralmente os requisitos necessários, do ponto de vista econômicocontábil". O referido ato normativo, porém, justifica a rejeição de tal registro em caso de vício diretamente relacionado à formação do ágio: a inexistência de processo de negociação entre partes independentes apto a resultar em um preço justo de mercado”. Depois de outras considerações aduz que ainda se considerasse tratarse de “ágio interno” não havia no período autuado, qualquer dispositivo legal que negasse a dedutibilidade. 5. Inexistência de norma que determine adição de despesas com amortização de ágio ao lucro líquido para fins de apuração da base de cálculo da CSL Entre os diversos argumentos, assevera que nem todas as normas do IRPJ são aplicáveis automaticamente à CSLL. 6. Do descabimento da cobrança das multas isoladas. Defende que, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, decaiu o direito de cobrar os créditos tributários relativos a multas isoladas referentes aos meses de março, junho e julho de 2011, tendo sido cientificada em 16/12/2011. Neste mesmo tópico entende que a descrição da suposta infração decorrente de uma glosa de despesas com amortização de ágio não guarda qualquer pertinência com as justificativas apresentadas na secção 6.1 do TVF, uma vez que a fiscalização afirma que a irregularidade por falta de recolhimento de estimativas mensais seria consequência de uma “glosa de despesas de juros calculadas sobre os bônus e o lançamento da diferença de variação cambial positiva”. Complementa que é improcedente a exigência de multa isolada na hipótese em que o contribuinte apura resultado negativo ao final do anocalendário. Finalizando este tópico, ressalta que a cobrança de multa isolada sobre estimativas mensais não recolhidas também não seria devida por violar o CTN, especificamente o art. 97, V, combinado com o art. 113. 7. Da retificação dos montantes das multas isoladas exigidas nos autos. Neste último tópico defende que, na eventualidade de os autos serem mantidos e mantidas as multas aplicadas, o que se admite apenas para fins de Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.438 13 argumentação, eles devem ser retificados, de forma que as multas isoladas sejam reduzidas em razão do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados e também de despesas relacionadas ao PAT. Acompanham a peça de defesa os seguintes documentos: procuração, documentos de identificação, atas, estatutos sociais, declarações de informações econômicofiscais, livros de apuração do Lucro Real e balanço patrimonial. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO É legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio, ainda que a reorganização societária tenha sido realizada por meio de empresa veículo, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Da análise da análise do voto condutor da decisão a quo, que foi acompanhado por unanimidade pelo seus pares, destacase os seguintes pontos que fundamentam seu voto: destaca que o ponto central da discussão é a legitimidade (ou não) da utilização da empresa Prontofer (tida pelo fisco como empresa veículo) com o único propósito de criar as condições exigidas pela lei para a amortização fiscal do ágio; não resta dúvidas que a contribuinte Gerdau efetivamente pagou o ágio da empresa Villares; entende que não é condenável a alienação intragrupo de determinado investimento com ágio, e o que se repugna é a simulação e o abuso de direito; cita excertos de acórdãos sobre o tema (1201001.554, 1402001.472, 1101 000.835); ao final conclui: Fl. 2444DF CARF MF 14 Por tudo que foi examinado, afasto a ocorrência de qualquer abuso de direito praticado pela impugnante, bem como, na legislação de regência, não encontro fundamento válido para imporse a glosa unicamente porque o contribuinte realizou estruturação societária que, ao final, não restou demonstrado ter havido nem mesmo elisão tributária. Do Recurso de Ofício: Em virtude do valor do crédito tributário exonerado na decisão a quo, cabe o RECURSO DE OFÍCIO nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. Não foram apresentadas contrarrazões, nem pelo contribuinte, nem pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator Do Recurso de Ofício, em virtude do montante da exoneração promovida cabe o seu conhecimento. Das operações em litígio Conforme acima relatado, a questão se centra na utilização de uma, comumente chamada, empresaveículo, no caso Prontofer Serviços de Construção Ltda. para viabilizar a utilização do ágio envolvido entre a contribuinte Gerdau S/A e a Aços Villares S/A. A operação formadora do ágio inicial foi inicialmente válida, realizada entre partes independentes Metalúrgica Gerdau S/A e BNDESPAR com efetivo desembolso de numerário, com a compra da participação de 28,9% na Aços Villares S.A.. Contudo, no segundo momento, via subscrição de ações, a participação societária na Aços Villares S/A foi transferida para a supracitada empresa veículo Prontofer. A Prontofer acabou sendo incorporada logo em seguida (30 dias após, em 30/12/2010) por outra empresa do grupo Gerdau S/A (a autuada) , que também incorporou por consequência a Aços Villares S/A, e passou a amortizar o ágio. Sucintamente, a operação envolvida é essa, e todo o detalhamento consta no relatório acima e nos autos. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.439 15 Sofrendo autuação e respectiva glosa do valor amortizado, a Gerdau S/A impugnou, o que lhe foi dado razão pela primeiro grau administrativo, por entender legalmente válida tal operação. Passo a analisar o caso. Legislação tributária quanto à amortização de ágio Considerando que a autuação em litígio referese à amortização de ágio decorrente de participação societária adquirida por preço superior ao do Patrimônio Líquido da investida, cabe, primeiramente, uma análise da legislação que rege a matéria. Nos termos do art. 25 combinado com o art. 20 do Decretolei nº 1598, de 1977, que dão suporte aos artigos 385 e 391 do RIR/99, respectivamente , a regra geral é a indedutibilidade das contrapartidas da amortização de ágio: Decretolei nº 1.598/1977 “Art.20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte, e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. ” (...) “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Fl. 2446DF CARF MF 16 Contudo, o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, que passou a produzir efeitos em 01/01/1998, autoriza o contribuinte que incorporou sociedade na qual detinha participação societária adquirida com ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei 1.598/77, cujo fundamento econômico seja o da expectativa de rentabilidade futura da investida, a amortizar referido ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real levantados posteriormente à incorporação. O artigo 7º da Lei nº 9.532, de 1997, fundamento legal do art. 386 do RIR/99, assim dispõe: Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifo meu) (...) Destarte, as condições de dedutibilidade do ágio devem, portanto, ser observadas, quais sejam: absorção do patrimônio de pessoa jurídica na qual detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, o aproveitamento do ágio decorre de regras especiais e o respectivo cumprimento. Assim, a regra geral é que o ágio é indedutível não implementadas tais regras, não é possível a dedução. Da análise do caso concreto: Verificando o caso concreto, observase que há a questão de qual o papel da empresa Prontofer no aproveitamento deste ágio, e se tal situação é legítima. O artigo 386 do RIR/1999, supracitado, assim especifica no seu caput: Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.440 17 Aqui se poderia ampliar todo o conteúdo dos artigos 385 e 386 do RIR/1999, mas me concentro neste ponto acima, para fins de análise. Notase que a Prontofer jamais teve a decisão de adquirir a participação societária da Villares., muito menos teve a expectativa de rentabilidade futura sobre tal operação. Como se verifica no relatório e nos autos, a decisão de aquisição da participação societária foi da Metalúrgia Gerdau S/A. Neste contexto, a Prontofer foi um mero instrumento de realização da transação, jamais tendo sido a investidora, que acreditou na maisvalia do investimento, realizando os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e que desembolsou, de fato, os recursos necessários à aquisição. A Prontofer praticamente estava operacionalmente inativa nos anos anteriores à operação societária em discussão, como descrito nos TVF. Ressurge quando do aumento do capital social, na sua 6ª alteração contratual ocorrida em 30/11/2010, quando passou de um capital social de R$ 15.790,00 para R$ 1.323.727.665,00. Posteriormente, dia 30/12/2010 foi incorporada pela Gerdau S.A. (a autuada). Tal fato está amplamente demonstrado nos autos pela autoridade fiscal autuadora, e em nenhum momento foi contestado pela Gerdau (contribuinte autuada). Desta forma, a Gerdau ao incorporar a Prontofer jamais se amolda à previsão legal para a amortização do ágio pago na sua aquisição, posto que ausente em tal operação as investidoras, que são as destinatárias da norma legal. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A amortização operada pela autuada não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. A operação, portanto, não passa sequer na primeira verificação necessária para referendar a amortização do ágio, de modo que, tal fato, por si só, respalda a manutenção da exigência fiscal. Neste sentido, cabe aqui ume excerto sobre o tema, ao qual recorro ao acórdão nº 9101002.301 (sessão de 06/04/2016), proferido pela 1ª CSRF, da relatoria do i. Conselheiro André Mendes de Moura: Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. Fl. 2448DF CARF MF 18 A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA2 Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa 2 Cf. ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2010. p. 51 e segs. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.441 19 jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI , com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, Fl. 2450DF CARF MF 20 precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que, para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Ou seja, concluise portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar a investida (ou por ela ser incorporada). Como já exposto acima, não foi o que vislumbra nesta operação societária. Igualmente, como bem conclui em excerto do acórdão 9101003.366 (sessão de 18/01/2018), pelo i. relator do voto vencedor, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Em síntese, a subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. Caso analisemos a amortização do ágio sob a ótica de despesa, podemos concluir que, in casu, houve a construção artificial do suporte fático de modo a conferir a Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.442 21 aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. Intimada durante o procedimento fiscal a informar qual foi o propósito negocial da operação de compra da participação de 28,9% na Aços Villares, a contribuinte autuada informa que: Dita aquisição teve por propósito negociai: i) consolidar a participação direta e indireta no Capital Social da Aços Villares S.A., aumentando a participação de 58,4% para 87,3%; ii) extinguir o Acordo de Acionistas da Aços Villares S.A., por deixar de ter o seu controle compartilhado entre o Grupo Gerdau e o BNDESPAR; iii) atratividade da oportunidade de investimento no setor siderúrgico, com condições de financiamento adequadas; e iv) realizar o seu objeto social, qual seja, o de participar no capital de outras sociedades, especialmente do setor siderúrgico. Note que são propósitos negociais muito específicos, próprios de seus objetivos negociais, sem ser decorrente de uma imposição regulamentar de setor ou algo equivalente. Aos contribuintes há toda a liberdade negocial própria das suas atividades, mas deve ser verificado os efeitos fiscais das mesmas, e se for o caso extrapolarem as normas tributárias pertinentes, anulandoos. O que não se admite é criar situações artificiais que visam à economia tributária primordialmente, tentando trazer, como traz na sua peça impugnatória, justificativas negociais para agir assim. As eventuais necessidades negociais peculiares, que não estão previstas no ordenamento tributário, não podem é ter repercussão na esfera fiscal. Por conseguinte, dado o todo exposto acima, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício. Conclusão Diante de todo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, devendo os autos retornar ao colegiado a quo para apreciação das demais questões constantes na peça impugnatória. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 2452DF CARF MF
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